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	<title>WikiHP - Contribuições do usuário [pt-br]</title>
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	<subtitle>Contribuições do usuário</subtitle>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hospital_Col%C3%B4nia_de_Rio_Bonito&amp;diff=255</id>
		<title>Hospital Colônia de Rio Bonito</title>
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		<updated>2021-10-18T17:25:41Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Hospital Colônia de Rio Bonito, localizado na área rural do município de Rio Bonito, foi inaugurado em 25 de abril 1967, por iniciativa privada, e desativada em 12 de Abril de 2016, por iniciativa do poder público. Se tratava de um hospital psiquiátrico privado - cujo proprietária era Nelson Cid Loureiro - e conveniado ao SUS, exercendo atividades em caráter complementar aos serviços públicos e que recebeu recursos públicos obtidos através do pagamento de Autorizações de Internação Hospitalar – AIHs. Sendo considerado em 2010 o maior manicômio do estado do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
A cidade de Rio Bonito está localizada na região do estado do Rio de Janeiro denominada “Metropolitana II”, fazendo limite ao norte com o município de Cachoeira de Macacu, a leste com Araruama, a norte e a leste com Silva Jardim, a sul com Saquarema e a oeste com Tanguá. Atualmente dividindo-se em 3 distritos: Rio Bonito (sede – 1º distrito), Boa Esperança (2º distrito) e Basílio (3º distrito). A área do município é de 462 Km², com mais de 50% de território rural e muitas áreas de montanhas, o que dificulta o contato entre as comunidades, algumas vivendo em fazendas com difícil acesso a transporte, comércio e comunicação. A população de Rio Bonito estimada pelo IBGE para 2020 é de 60.573.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem chegava à cidade, vindo do Rio de Janeiro, na estrada, à esquerda, inevitavelmente passava em frente ao Hospital Colônia de Rio Bonito que ficava localizado na BR 101. Portanto, não ficava dentro da cidade de Rio Bonito , mas em sua  periferia. O hospital contava com 600 pacientes internados com  transtornos mentais de ambos os sexos e em sua maioria, os internos eram idosos, sem referência familiar ou recursos financeiros para seu tratamento. A severa hipossuficiência e vulnerabilidades sociais dos internos os tornavam exclusivamente dependentes do Poder Público. O hospital possuía cerca de 300 funcionários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua criação fazia parte de um movimento de se trazer para as cidades menores, do interior, para as áreas rurais os pacientes psiquiatricos sem perspectiva de alta com longo tempo de internação e sem vínculos familiares. Nesses grandes hospitais haveria a possibilidade de atividades laborativas relacionadas à plantação e criação de animais. Havia também a intenção de se afastar das metrópoles essa população de certa forma indesejada. As colônias seriam, então, a última parada e abrigo para estes tipos de pessoas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Houve também casos de internações geradas após turbulentas separações conjugais, onde, diante da situação de ciúme algumas esposas foram internadas por seus maridos. Andarilhos, que se envolvendo em qualquer briga ou situação estranha à rotina da cidade também eram encaminhados ao hospital. Casos de uso abusivo de álcool e de drogas. Casos de retardo mental, deficiências físicas, eram levados, muitas vezes pelos próprios familiares, para “tratamento” no hospital. Todo esse cenário resultou na quebra de relações familiares e sociais, além de uma trajetória, tal qual aos demais manicômios, não de vida, saídas, novas possibilidades, renovações, mas antes marcada por uma improdutividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O hospital possuía pavilhões femininos e masculinos e atendeu, desde dependentes químicos até psicopatas graves, incluindo todo tipo de distúrbio mental, inclusive desvios agressivos de comportamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A presença do HCRB influenciou a história e economia da cidade de Rio Bonito pois o hospital  tornou-se o segundo maior empregador do município, atrás apenas da prefeitura, além de grande comprador dos produtos e serviços da região. Um círculo de inserção em uma próspera indústria da exclusão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O HCRB recebeu demanda de internações, além do próprio município de Rio Bonito, de outros 20 municípios do Estado do Rio de Janeiro, a saber: Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Macaé, Magé, Itaboraí, Tanguá, Cabo Frio, Búzios, Saquarema, Araruama, Maricá, Iguaba, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras, Cachoeiras de Macacu, Bom Jardim e Silva Jardim. Em certo momento de sua história, em 2010, o HCRB tornou-se o maior arrecadador para o município de Rio Bonito de recursos federais destinados à saúde para pagamento das autorizações de internação hospitalar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2007  iniciou-se uma ação por parte da Gerência Nacional de Saúde Mental e Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro de cobrança aos municípios do acompanhamento de seus munícipes internados no HCRB para o início da desinstitucionalização dos pacientes. Conforme Portaria nº. 501 de 13 de setembro de 2007, os hospitais que não obtivessem um percentual mínimo de 61% na avaliação do Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares (PSNASH) recebiam indicação de descredenciamento do SUS e fechamento do estabelecimento. O percentual obtido pelo HCRB foi de 59,1% na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação de precariedade e desconformidade do hospital foi denunciada pelo Conselho Regional de Psicologia em 2008 e encaminhada ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que iniciou as investigações através de Inquérito Civil. Ao início das investigações, o MP apurou que o HCRB havia sido descredenciado pelo Ministério de Saúde no ano de 2007 por não haver preenchido as condições mínimas do PSNASH e por isso deveria iniciar as atividades de retirada dos pacientes do hospital para posterior encerramento das suas atividades. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período a gestão do HCRB era composta pela diretora e procuradora Maria Luiza da Conceição Cid Loureiro, esposa de seu proprietário Nelson Cid Loureiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro iniciou um trabalho de desospitalização dos internos do HCRB juntamente com as equipes do hospital e com os municípios de origem dos pacientes. Tal iniciativa inicialmente não obteve sucesso em razão da não articulação entre as equipes, fato que motivou o Estado do Rio de Janeiro a declarar urgência de se estabelecer parcerias e responsabilidades para o início das atividades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Secretaria Municipal de Saúde de Rio Bonito também se manifestou informando que a maior dificuldade na execução era, principalmente, o fato de que a maioria dos municípios não prestava atendimento em saúde mental adequado aos seus munícipes com  dispositivos extra-hospitalares. O Ministério Público em conjunto com a equipe técnica da saúde mental propôs o fechamento do Hospital Colônia de Rio Bonito e implantação, ampliação e adequação do Serviço Residencial Terapêutico em Itaboraí dirigidos aos pacientes advindos do Hospital Colônia Rio Bonito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante das dificuldades em estruturar a rede de saúde mental nos municípios do Estado do Rio de Janeiro, o processo de fechamento do hospital colônia foi um processo difícil e demorado, mas que se concluiu em 12 de abril de 2016  quando fechou as portas oficialmente. Em fevereiro de 2016, os últimos 54 internos foram transferidos para seus municípios de origem, onde foram acolhidos e tratados nos serviços em locais, como os Centros de Atenção Psicossocial  (CAPS). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O encerramento das atividades, portanto,  ocorreu devido a uma ação civil pública ajuizada pelo MPRJ e pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2011 denunciando má gestão e situação precária dos pacientes e devido ao processo de desinstitucionalização proposto pelas perspectivas mais atuais da saúde mental. A pesquisa de Lima (2017) mostra que a maior parte dos pacientes foi para residências terapêuticas em seus respectivos municípios de origem (51%). Apenas 24% conseguiram retorno familiar. Outros (19%) foram transferidos para outras instituições, a maioria das quais também são hospitais psiquiátricos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Crítica==&lt;br /&gt;
Desativar um manicômio tão tradicional e com tanta importância social e econômica para uma região é fruto da vitória inicial da política antimanicomial que busca acabar com o modelo de internação asilar/carcerário que ao longo dos anos não mostrou efetividade quanto à reabilitação e reinserção social das pessoas portadoras de transtornos mentais e nem mesmo este era o objetivo do tratamento em manicômios. Na ação promovida pelo  Ministério Público e movimentação das equipes de saúde que lutaram pelo fechamento do HCRB estava nítida  perspectiva oriunda da reforma psiquiátrica que visa a substituição dos hospitais psiquiátricos pelo modelo baseado na excepcionalidade da internação e na prevalência de assistência extra-hospitalar, priorizando o atendimento em Centros de Atenção Psicológica e Social - CAPS e a desinstitucionalização dos pacientes de longa permanência, por meio de projeto terapêutico voltado para a reinserção social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, cabe questionar se o mesmo poder público agora terá eficiência para cobrar e dar suporte em saúde, suporte econômico e social para os pacientes e suas famílias e para que os serviços extra-hospitalares de saúde mental também não funcionem de forma precarizada. Pois o atendimento e acompanhamento  com eficiência e qualidade nos CAPS e nas Residências Terapêuticas é essencial para que a política antimanicomial tenha efetividade e adesão da população em geral assim como tem adesão da maioria dos intelectuais e militantes da saúde mental.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois quando um morador é admitido em uma residência, é o começo de um longo processo de reabilitação que visa a sua inclusão social e emancipação pessoal. As situações de retorno de pacientes institucionalizados para suas casas também é um processo de reinserção social e pode gerar dificuldades familiares e comunitárias demandando uma necessidade de intenso trabalho junto às famílias e à comunidade. Na verdade o modelo antimanicomial exige um esforço maior de acompanhamento do poder público a estes pacientes e demanda investimento nos serviços públicos e nos profissionais (melhor formação e condições de trabalho). A questão é saber se agora o poder público está trabalhando para promover que tais pacientes estejam desenvolvendo qualidade de vida melhor do que de quando estavam internados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
[[Movimento Antimanicomial]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALBUQUERQUE, L.G.da C. Saúde Mental em Rio Bonito: Atividade dos trabalhadores no processo de Reforma Psiquiátrica no Município. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Departamento de Psicologia, 2010.  Disponível em: https://app.uff.br/slab/uploads/2010_d_LucianaAlbuquerque.pdf, acesso em 13 de setembro de 2021 as 20:30h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CAVALIERE, I.A. de L. Memórias do isolamento compulsório no Hospital-Colônia Tavares de Macedo-RJ Tese (Doutorado em Política Social) – Universidade Federal Fluminense, Escola de Serviço Social, 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
JUNIOR, L.C; MARTINHO, L.B. Ação civil pública Hospital Colônia Rio Bonito.IN: Revista Eletrônica do Ministério Público Federal. Disponível em: http://www.prrj.mpf.mp.br/custoslegis/revista_2011/2011_ACP_LauroCoelho_LucianaBraga.pdf, acesso em 13 de setembro de 2021 as 20h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
LIMA, A.M. A gestão dos processos de desinstitucionalização e a implantanção da rede de atenção psicossocial em um município da região metropolitana  do estado do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, da Escola de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense, 2017. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/bde-33505 acesso em 13 de setembro de 2021 as 20:30h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VIOLA, A.C.S. Longo caminho a percorrer na volta para a sociedade. O Ministério Público e a desinstitucionalização em saúde mental. Dissertação (Mestrado) – Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/14197?locale=es, acesso em 13 de setembro de 2021 as 21h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links externos==&lt;br /&gt;
http://g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/noticia/2016/04/hospital-psiquiatrico-de-rio-bonito-fecha-portas-apos-acao-na-justica.html&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://m.folha.uol.com.br/cotidiano/2012/09/1158674-ex-internos-de-hospital-colonia-hoje-dividem-residencia-em-rio-bonito.shtml&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Luciana da Conceição e Silva, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instituições e Coletivos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hospital_Col%C3%B4nia_de_Rio_Bonito&amp;diff=254</id>
		<title>Hospital Colônia de Rio Bonito</title>
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		<updated>2021-10-18T17:24:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Hospital Colônia de Rio Bonito, localizado na área rural do município de Rio Bonito, foi inaugurado em 25 de abril 1967, por iniciativa privada, e desativada em 12 de Abril de 2016, por iniciativa do poder público. Se tratava de um hospital psiquiátrico privado - cujo proprietária era Nelson Cid Loureiro - e conveniado ao SUS, exercendo atividades em caráter complementar aos serviços públicos e que recebeu recursos públicos obtidos através do pagamento de Autorizações de Internação Hospitalar – AIHs. Sendo considerado em 2010 o maior manicômio do estado do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
A cidade de Rio Bonito está localizada na região do estado do Rio de Janeiro denominada “Metropolitana II”, fazendo limite ao norte com o município de Cachoeira de Macacu, a leste com Araruama, a norte e a leste com Silva Jardim, a sul com Saquarema e a oeste com Tanguá. Atualmente dividindo-se em 3 distritos: Rio Bonito (sede – 1º distrito), Boa Esperança (2º distrito) e Basílio (3º distrito). A área do município é de 462 Km², com mais de 50% de território rural e muitas áreas de montanhas, o que dificulta o contato entre as comunidades, algumas vivendo em fazendas com difícil acesso a transporte, comércio e comunicação. A população de Rio Bonito estimada pelo IBGE para 2020 é de 60.573.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem chegava à cidade, vindo do Rio de Janeiro, na estrada, à esquerda, inevitavelmente passava em frente ao Hospital Colônia de Rio Bonito que ficava localizado na BR 101. Portanto, não ficava dentro da cidade de Rio Bonito , mas em sua  periferia. O hospital contava com 600 pacientes internados com  transtornos mentais de ambos os sexos e em sua maioria, os internos eram idosos, sem referência familiar ou recursos financeiros para seu tratamento. A severa hipossuficiência e vulnerabilidades sociais dos internos os tornavam exclusivamente dependentes do Poder Público. O hospital possuía cerca de 300 funcionários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua criação fazia parte de um movimento de se trazer para as cidades menores, do interior, para as áreas rurais os pacientes psiquiatricos sem perspectiva de alta com longo tempo de internação e sem vínculos familiares. Nesses grandes hospitais haveria a possibilidade de atividades laborativas relacionadas à plantação e criação de animais. Havia também a intenção de se afastar das metrópoles essa população de certa forma indesejada. As colônias seriam, então, a última parada e abrigo para estes tipos de pessoas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Houve também casos de internações geradas após turbulentas separações conjugais, onde, diante da situação de ciúme algumas esposas foram internadas por seus maridos. Andarilhos, que se envolvendo em qualquer briga ou situação estranha à rotina da cidade também eram encaminhados ao hospital. Casos de uso abusivo de álcool e de drogas. Casos de retardo mental, deficiências físicas, eram levados, muitas vezes pelos próprios familiares, para “tratamento” no hospital. Todo esse cenário resultou na quebra de relações familiares e sociais, além de uma trajetória, tal qual aos demais manicômios, não de vida, saídas, novas possibilidades, renovações, mas antes marcada por uma improdutividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O hospital possuía pavilhões femininos e masculinos e atendeu, desde dependentes químicos até psicopatas graves, incluindo todo tipo de distúrbio mental, inclusive desvios agressivos de comportamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A presença do HCRB influenciou a história e economia da cidade de Rio Bonito pois o hospital  tornou-se o segundo maior empregador do município, atrás apenas da prefeitura, além de grande comprador dos produtos e serviços da região. Um círculo de inserção em uma próspera indústria da exclusão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O HCRB recebeu demanda de internações, além do próprio município de Rio Bonito, de outros 20 municípios do Estado do Rio de Janeiro, a saber: Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Macaé, Magé, Itaboraí, Tanguá, Cabo Frio, Búzios, Saquarema, Araruama, Maricá, Iguaba, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras, Cachoeiras de Macacu, Bom Jardim e Silva Jardim. Em certo momento de sua história, em 2010, o HCRB tornou-se o maior arrecadador para o município de Rio Bonito de recursos federais destinados à saúde para pagamento das autorizações de internação hospitalar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2007  iniciou-se uma ação por parte da Gerência Nacional de Saúde Mental e Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro de cobrança aos municípios do acompanhamento de seus munícipes internados no HCRB para o início da desinstitucionalização dos pacientes. Conforme Portaria nº. 501 de 13 de setembro de 2007, os hospitais que não obtivessem um percentual mínimo de 61% na avaliação do Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares (PSNASH) recebiam indicação de descredenciamento do SUS e fechamento do estabelecimento. O percentual obtido pelo HCRB foi de 59,1% na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação de precariedade e desconformidade do hospital foi denunciada pelo Conselho Regional de Psicologia em 2008 e encaminhada ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que iniciou as investigações através de Inquérito Civil. Ao início das investigações, o MP apurou que o HCRB havia sido descredenciado pelo Ministério de Saúde no ano de 2007 por não haver preenchido as condições mínimas do PSNASH e por isso deveria iniciar as atividades de retirada dos pacientes do hospital para posterior encerramento das suas atividades. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período a gestão do HCRB era composta pela diretora e procuradora Maria Luiza da Conceição Cid Loureiro, esposa de seu proprietário Nelson Cid Loureiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro iniciou um trabalho de desospitalização dos internos do HCRB juntamente com as equipes do hospital e com os municípios de origem dos pacientes. Tal iniciativa inicialmente não obteve sucesso em razão da não articulação entre as equipes, fato que motivou o Estado do Rio de Janeiro a declarar urgência de se estabelecer parcerias e responsabilidades para o início das atividades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Secretaria Municipal de Saúde de Rio Bonito também se manifestou informando que a maior dificuldade na execução era, principalmente, o fato de que a maioria dos municípios não prestava atendimento em saúde mental adequado aos seus munícipes com  dispositivos extra-hospitalares. O Ministério Público em conjunto com a equipe técnica da saúde mental propôs o fechamento do Hospital Colônia de Rio Bonito e implantação, ampliação e adequação do Serviço Residencial Terapêutico em Itaboraí dirigidos aos pacientes advindos do Hospital Colônia Rio Bonito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante das dificuldades em estruturar a rede de saúde mental nos municípios do Estado do Rio de Janeiro, o processo de fechamento do hospital colônia foi um processo difícil e demorado, mas que se concluiu em 12 de abril de 2016  quando fechou as portas oficialmente. Em fevereiro de 2016, os últimos 54 internos foram transferidos para seus municípios de origem, onde foram acolhidos e tratados nos serviços em locais, como os Centros de Atenção Psicossocial  (CAPS). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O encerramento das atividades, portanto,  ocorreu devido a uma ação civil pública ajuizada pelo MPRJ e pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2011 denunciando má gestão e situação precária dos pacientes e devido ao processo de desinstitucionalização proposto pelas perspectivas mais atuais da saúde mental. A pesquisa de Lima (2017) mostra que a maior parte dos pacientes foi para residências terapêuticas em seus respectivos municípios de origem (51%). Apenas 24% conseguiram retorno familiar. Outros (19%) foram transferidos para outras instituições, a maioria das quais também são hospitais psiquiátricos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Crítica==&lt;br /&gt;
Desativar um manicômio tão tradicional e com tanta importância social e econômica para uma região é fruto da vitória inicial da política antimanicomial que busca acabar com o modelo de internação asilar/carcerário que ao longo dos anos não mostrou efetividade quanto à reabilitação e reinserção social das pessoas portadoras de transtornos mentais e nem mesmo este era o objetivo do tratamento em manicômios. Na ação promovida pelo  Ministério Público e movimentação das equipes de saúde que lutaram pelo fechamento do HCRB estava nítida  perspectiva oriunda da reforma psiquiátrica que visa a substituição dos hospitais psiquiátricos pelo modelo baseado na excepcionalidade da internação e na prevalência de assistência extra-hospitalar, priorizando o atendimento em Centros de Atenção Psicológica e Social - CAPS e a desinstitucionalização dos pacientes de longa permanência, por meio de projeto terapêutico voltado para a reinserção social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, cabe questionar se o mesmo poder público agora terá eficiência para cobrar e dar suporte em saúde, suporte econômico e social para os pacientes e suas famílias e para que os serviços extra-hospitalares de saúde mental também não funcionem de forma precarizada. Pois o atendimento e acompanhamento  com eficiência e qualidade nos CAPS e nas Residências Terapêuticas é essencial para que a política antimanicomial tenha efetividade e adesão da população em geral assim como tem adesão da maioria dos intelectuais e militantes da saúde mental.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois quando um morador é admitido em uma residência, é o começo de um longo processo de reabilitação que visa a sua inclusão social e emancipação pessoal. As situações de retorno de pacientes institucionalizados para suas casas também é um processo de reinserção social e pode gerar dificuldades familiares e comunitárias demandando uma necessidade de intenso trabalho junto às famílias e à comunidade. Na verdade o modelo antimanicomial exige um esforço maior de acompanhamento do poder público a estes pacientes e demanda investimento nos serviços públicos e nos profissionais (melhor formação e condições de trabalho). A questão é saber se agora o poder público está trabalhando para promover que tais pacientes estejam desenvolvendo qualidade de vida melhor do que de quando estavam internados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Movimento_Antimanicomial&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALBUQUERQUE, L.G.da C. Saúde Mental em Rio Bonito: Atividade dos trabalhadores no processo de Reforma Psiquiátrica no Município. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Departamento de Psicologia, 2010.  Disponível em: https://app.uff.br/slab/uploads/2010_d_LucianaAlbuquerque.pdf, acesso em 13 de setembro de 2021 as 20:30h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CAVALIERE, I.A. de L. Memórias do isolamento compulsório no Hospital-Colônia Tavares de Macedo-RJ Tese (Doutorado em Política Social) – Universidade Federal Fluminense, Escola de Serviço Social, 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
JUNIOR, L.C; MARTINHO, L.B. Ação civil pública Hospital Colônia Rio Bonito.IN: Revista Eletrônica do Ministério Público Federal. Disponível em: http://www.prrj.mpf.mp.br/custoslegis/revista_2011/2011_ACP_LauroCoelho_LucianaBraga.pdf, acesso em 13 de setembro de 2021 as 20h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
LIMA, A.M. A gestão dos processos de desinstitucionalização e a implantanção da rede de atenção psicossocial em um município da região metropolitana  do estado do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, da Escola de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense, 2017. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/bde-33505 acesso em 13 de setembro de 2021 as 20:30h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VIOLA, A.C.S. Longo caminho a percorrer na volta para a sociedade. O Ministério Público e a desinstitucionalização em saúde mental. Dissertação (Mestrado) – Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/14197?locale=es, acesso em 13 de setembro de 2021 as 21h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links externos==&lt;br /&gt;
http://g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/noticia/2016/04/hospital-psiquiatrico-de-rio-bonito-fecha-portas-apos-acao-na-justica.html&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://m.folha.uol.com.br/cotidiano/2012/09/1158674-ex-internos-de-hospital-colonia-hoje-dividem-residencia-em-rio-bonito.shtml&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Luciana da Conceição e Silva, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instituições e Coletivos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hospital_Col%C3%B4nia_de_Rio_Bonito&amp;diff=253</id>
		<title>Hospital Colônia de Rio Bonito</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hospital_Col%C3%B4nia_de_Rio_Bonito&amp;diff=253"/>
		<updated>2021-10-18T17:15:35Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Hospital Colônia de Rio Bonito, localizado na área rural do município de Rio Bonito, foi inaugurado em 25 de abril 1967, por iniciativa privada, e desativada em 12 de Abril de 2016, por iniciativa do poder público. Se tratava de um hospital psiquiátrico privado - cujo proprietária era Nelson Cid Loureiro - e conveniado ao SUS, exercendo atividades em caráter complementar aos serviços públicos e que recebeu recursos públicos obtidos através do pagamento de Autorizações de Internação Hospitalar – AIHs. Sendo considerado em 2010 o maior manicômio do estado do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
A cidade de Rio Bonito está localizada na região do estado do Rio de Janeiro denominada “Metropolitana II”, fazendo limite ao norte com o município de Cachoeira de Macacu, a leste com Araruama, a norte e a leste com Silva Jardim, a sul com Saquarema e a oeste com Tanguá. Atualmente dividindo-se em 3 distritos: Rio Bonito (sede – 1º distrito), Boa Esperança (2º distrito) e Basílio (3º distrito). A área do município é de 462 Km², com mais de 50% de território rural e muitas áreas de montanhas, o que dificulta o contato entre as comunidades, algumas vivendo em fazendas com difícil acesso a transporte, comércio e comunicação. A população de Rio Bonito estimada pelo IBGE para 2020 é de 60.573.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem chegava à cidade, vindo do Rio de Janeiro, na estrada, à esquerda, inevitavelmente passava em frente ao Hospital Colônia de Rio Bonito que ficava localizado na BR 101. Portanto, não ficava dentro da cidade de Rio Bonito , mas em sua  periferia. O hospital contava com 600 pacientes internados com  transtornos mentais de ambos os sexos e em sua maioria, os internos eram idosos, sem referência familiar ou recursos financeiros para seu tratamento. A severa hipossuficiência e vulnerabilidades sociais dos internos os tornavam exclusivamente dependentes do Poder Público. O hospital possuía cerca de 300 funcionários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua criação fazia parte de um movimento de se trazer para as cidades menores, do interior, para as áreas rurais os pacientes psiquiatricos sem perspectiva de alta com longo tempo de internação e sem vínculos familiares. Nesses grandes hospitais haveria a possibilidade de atividades laborativas relacionadas à plantação e criação de animais. Havia também a intenção de se afastar das metrópoles essa população de certa forma indesejada. As colônias seriam, então, a última parada e abrigo para estes tipos de pessoas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Houve também casos de internações geradas após turbulentas separações conjugais, onde, diante da situação de ciúme algumas esposas foram internadas por seus maridos. Andarilhos, que se envolvendo em qualquer briga ou situação estranha à rotina da cidade também eram encaminhados ao hospital. Casos de uso abusivo de álcool e de drogas. Casos de retardo mental, deficiências físicas, eram levados, muitas vezes pelos próprios familiares, para “tratamento” no hospital. Todo esse cenário resultou na quebra de relações familiares e sociais, além de uma trajetória, tal qual aos demais manicômios, não de vida, saídas, novas possibilidades, renovações, mas antes marcada por uma improdutividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O hospital possuía pavilhões femininos e masculinos e atendeu, desde dependentes químicos até psicopatas graves, incluindo todo tipo de distúrbio mental, inclusive desvios agressivos de comportamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A presença do HCRB influenciou a história e economia da cidade de Rio Bonito pois o hospital  tornou-se o segundo maior empregador do município, atrás apenas da prefeitura, além de grande comprador dos produtos e serviços da região. Um círculo de inserção em uma próspera indústria da exclusão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O HCRB recebeu demanda de internações, além do próprio município de Rio Bonito, de outros 20 municípios do Estado do Rio de Janeiro, a saber: Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Macaé, Magé, Itaboraí, Tanguá, Cabo Frio, Búzios, Saquarema, Araruama, Maricá, Iguaba, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras, Cachoeiras de Macacu, Bom Jardim e Silva Jardim. Em certo momento de sua história, em 2010, o HCRB tornou-se o maior arrecadador para o município de Rio Bonito de recursos federais destinados à saúde para pagamento das autorizações de internação hospitalar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2007  iniciou-se uma ação por parte da Gerência Nacional de Saúde Mental e Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro de cobrança aos municípios do acompanhamento de seus munícipes internados no HCRB para o início da desinstitucionalização dos pacientes. Conforme Portaria nº. 501 de 13 de setembro de 2007, os hospitais que não obtivessem um percentual mínimo de 61% na avaliação do Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares (PSNASH) recebiam indicação de descredenciamento do SUS e fechamento do estabelecimento. O percentual obtido pelo HCRB foi de 59,1% na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação de precariedade e desconformidade do hospital foi denunciada pelo Conselho Regional de Psicologia em 2008 e encaminhada ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que iniciou as investigações através de Inquérito Civil. Ao início das investigações, o MP apurou que o HCRB havia sido descredenciado pelo Ministério de Saúde no ano de 2007 por não haver preenchido as condições mínimas do PSNASH e por isso deveria iniciar as atividades de retirada dos pacientes do hospital para posterior encerramento das suas atividades. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período a gestão do HCRB era composta pela diretora e procuradora Maria Luiza da Conceição Cid Loureiro, esposa de seu proprietário Nelson Cid Loureiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro iniciou um trabalho de desospitalização dos internos do HCRB juntamente com as equipes do hospital e com os municípios de origem dos pacientes. Tal iniciativa inicialmente não obteve sucesso em razão da não articulação entre as equipes, fato que motivou o Estado do Rio de Janeiro a declarar urgência de se estabelecer parcerias e responsabilidades para o início das atividades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Secretaria Municipal de Saúde de Rio Bonito também se manifestou informando que a maior dificuldade na execução era, principalmente, o fato de que a maioria dos municípios não prestava atendimento em saúde mental adequado aos seus munícipes com  dispositivos extra-hospitalares. O Ministério Público em conjunto com a equipe técnica da saúde mental propôs o fechamento do Hospital Colônia de Rio Bonito e implantação, ampliação e adequação do Serviço Residencial Terapêutico em Itaboraí dirigidos aos pacientes advindos do Hospital Colônia Rio Bonito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante das dificuldades em estruturar a rede de saúde mental nos municípios do Estado do Rio de Janeiro, o processo de fechamento do hospital colônia foi um processo difícil e demorado, mas que se concluiu em 12 de abril de 2016  quando fechou as portas oficialmente. Em fevereiro de 2016, os últimos 54 internos foram transferidos para seus municípios de origem, onde foram acolhidos e tratados nos serviços em locais, como os Centros de Atenção Psicossocial  (CAPS). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O encerramento das atividades, portanto,  ocorreu devido a uma ação civil pública ajuizada pelo MPRJ e pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2011 denunciando má gestão e situação precária dos pacientes e devido ao processo de desinstitucionalização proposto pelas perspectivas mais atuais da saúde mental. A pesquisa de Lima (2017) mostra que a maior parte dos pacientes foi para residências terapêuticas em seus respectivos municípios de origem (51%). Apenas 24% conseguiram retorno familiar. Outros (19%) foram transferidos para outras instituições, a maioria das quais também são hospitais psiquiátricos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Crítica==&lt;br /&gt;
Desativar um manicômio tão tradicional e com tanta importância social e econômica para uma região é fruto da vitória inicial da política antimanicomial que busca acabar com o modelo de internação asilar/carcerário que ao longo dos anos não mostrou efetividade quanto à reabilitação e reinserção social das pessoas portadoras de transtornos mentais e nem mesmo este era o objetivo do tratamento em manicômios. Na ação promovida pelo  Ministério Público e movimentação das equipes de saúde que lutaram pelo fechamento do HCRB estava nítida  perspectiva oriunda da reforma psiquiátrica que visa a substituição dos hospitais psiquiátricos pelo modelo baseado na excepcionalidade da internação e na prevalência de assistência extra-hospitalar, priorizando o atendimento em Centros de Atenção Psicológica e Social - CAPS e a desinstitucionalização dos pacientes de longa permanência, por meio de projeto terapêutico voltado para a reinserção social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, cabe questionar se o mesmo poder público agora terá eficiência para cobrar e dar suporte em saúde, suporte econômico e social para os pacientes e suas famílias e para que os serviços extra-hospitalares de saúde mental também não funcionem de forma precarizada. Pois o atendimento e acompanhamento  com eficiência e qualidade nos CAPS e nas Residências Terapêuticas é essencial para que a política antimanicomial tenha efetividade e adesão da população em geral assim como tem adesão da maioria dos intelectuais e militantes da saúde mental.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois quando um morador é admitido em uma residência, é o começo de um longo processo de reabilitação que visa a sua inclusão social e emancipação pessoal. As situações de retorno de pacientes institucionalizados para suas casas também é um processo de reinserção social e pode gerar dificuldades familiares e comunitárias demandando uma necessidade de intenso trabalho junto às famílias e à comunidade. Na verdade o modelo antimanicomial exige um esforço maior de acompanhamento do poder público a estes pacientes e demanda investimento nos serviços públicos e nos profissionais (melhor formação e condições de trabalho). A questão é saber se agora o poder público está trabalhando para promover que tais pacientes estejam desenvolvendo qualidade de vida melhor do que de quando estavam internados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALBUQUERQUE, L.G.da C. Saúde Mental em Rio Bonito: Atividade dos trabalhadores no processo de Reforma Psiquiátrica no Município. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Departamento de Psicologia, 2010.  Disponível em: https://app.uff.br/slab/uploads/2010_d_LucianaAlbuquerque.pdf, acesso em 13 de setembro de 2021 as 20:30h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CAVALIERE, I.A. de L. Memórias do isolamento compulsório no Hospital-Colônia Tavares de Macedo-RJ Tese (Doutorado em Política Social) – Universidade Federal Fluminense, Escola de Serviço Social, 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
JUNIOR, L.C; MARTINHO, L.B. Ação civil pública Hospital Colônia Rio Bonito.IN: Revista Eletrônica do Ministério Público Federal. Disponível em: http://www.prrj.mpf.mp.br/custoslegis/revista_2011/2011_ACP_LauroCoelho_LucianaBraga.pdf, acesso em 13 de setembro de 2021 as 20h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
LIMA, A.M. A gestão dos processos de desinstitucionalização e a implantanção da rede de atenção psicossocial em um município da região metropolitana  do estado do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, da Escola de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense, 2017. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/bde-33505 acesso em 13 de setembro de 2021 as 20:30h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VIOLA, A.C.S. Longo caminho a percorrer na volta para a sociedade. O Ministério Público e a desinstitucionalização em saúde mental. Dissertação (Mestrado) – Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/14197?locale=es, acesso em 13 de setembro de 2021 as 21h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links externos==&lt;br /&gt;
http://g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/noticia/2016/04/hospital-psiquiatrico-de-rio-bonito-fecha-portas-apos-acao-na-justica.html&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://m.folha.uol.com.br/cotidiano/2012/09/1158674-ex-internos-de-hospital-colonia-hoje-dividem-residencia-em-rio-bonito.shtml&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Luciana da Conceição e Silva, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instituições e Coletivos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hospital_Col%C3%B4nia_de_Rio_Bonito&amp;diff=252</id>
		<title>Hospital Colônia de Rio Bonito</title>
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		<updated>2021-10-18T17:15:10Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: Criou página com &amp;#039;O Hospital Colônia de Rio Bonito, localizado na área rural do município de Rio Bonito, foi inaugurado em 25 de abril 1967, por iniciativa privada, e desativada em 12 de Abr...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Hospital Colônia de Rio Bonito, localizado na área rural do município de Rio Bonito, foi inaugurado em 25 de abril 1967, por iniciativa privada, e desativada em 12 de Abril de 2016, por iniciativa do poder público. Se tratava de um hospital psiquiátrico privado - cujo proprietária era Nelson Cid Loureiro - e conveniado ao SUS, exercendo atividades em caráter complementar aos serviços públicos e que recebeu recursos públicos obtidos através do pagamento de Autorizações de Internação Hospitalar – AIHs. Sendo considerado em 2010 o maior manicômio do estado do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
A cidade de Rio Bonito está localizada na região do estado do Rio de Janeiro denominada “Metropolitana II”, fazendo limite ao norte com o município de Cachoeira de Macacu, a leste com Araruama, a norte e a leste com Silva Jardim, a sul com Saquarema e a oeste com Tanguá. Atualmente dividindo-se em 3 distritos: Rio Bonito (sede – 1º distrito), Boa Esperança (2º distrito) e Basílio (3º distrito). A área do município é de 462 Km², com mais de 50% de território rural e muitas áreas de montanhas, o que dificulta o contato entre as comunidades, algumas vivendo em fazendas com difícil acesso a transporte, comércio e comunicação. A população de Rio Bonito estimada pelo IBGE para 2020 é de 60.573.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem chegava à cidade, vindo do Rio de Janeiro, na estrada, à esquerda, inevitavelmente passava em frente ao Hospital Colônia de Rio Bonito que ficava localizado na BR 101. Portanto, não ficava dentro da cidade de Rio Bonito , mas em sua  periferia. O hospital contava com 600 pacientes internados com  transtornos mentais de ambos os sexos e em sua maioria, os internos eram idosos, sem referência familiar ou recursos financeiros para seu tratamento. A severa hipossuficiência e vulnerabilidades sociais dos internos os tornavam exclusivamente dependentes do Poder Público. O hospital possuía cerca de 300 funcionários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua criação fazia parte de um movimento de se trazer para as cidades menores, do interior, para as áreas rurais os pacientes psiquiatricos sem perspectiva de alta com longo tempo de internação e sem vínculos familiares. Nesses grandes hospitais haveria a possibilidade de atividades laborativas relacionadas à plantação e criação de animais. Havia também a intenção de se afastar das metrópoles essa população de certa forma indesejada. As colônias seriam, então, a última parada e abrigo para estes tipos de pessoas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Houve também casos de internações geradas após turbulentas separações conjugais, onde, diante da situação de ciúme algumas esposas foram internadas por seus maridos. Andarilhos, que se envolvendo em qualquer briga ou situação estranha à rotina da cidade também eram encaminhados ao hospital. Casos de uso abusivo de álcool e de drogas. Casos de retardo mental, deficiências físicas, eram levados, muitas vezes pelos próprios familiares, para “tratamento” no hospital. Todo esse cenário resultou na quebra de relações familiares e sociais, além de uma trajetória, tal qual aos demais manicômios, não de vida, saídas, novas possibilidades, renovações, mas antes marcada por uma improdutividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O hospital possuía pavilhões femininos e masculinos e atendeu, desde dependentes químicos até psicopatas graves, incluindo todo tipo de distúrbio mental, inclusive desvios agressivos de comportamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A presença do HCRB influenciou a história e economia da cidade de Rio Bonito pois o hospital  tornou-se o segundo maior empregador do município, atrás apenas da prefeitura, além de grande comprador dos produtos e serviços da região. Um círculo de inserção em uma próspera indústria da exclusão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O HCRB recebeu demanda de internações, além do próprio município de Rio Bonito, de outros 20 municípios do Estado do Rio de Janeiro, a saber: Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Macaé, Magé, Itaboraí, Tanguá, Cabo Frio, Búzios, Saquarema, Araruama, Maricá, Iguaba, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo, Casimiro de Abreu, Rio das Ostras, Cachoeiras de Macacu, Bom Jardim e Silva Jardim. Em certo momento de sua história, em 2010, o HCRB tornou-se o maior arrecadador para o município de Rio Bonito de recursos federais destinados à saúde para pagamento das autorizações de internação hospitalar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2007  iniciou-se uma ação por parte da Gerência Nacional de Saúde Mental e Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro de cobrança aos municípios do acompanhamento de seus munícipes internados no HCRB para o início da desinstitucionalização dos pacientes. Conforme Portaria nº. 501 de 13 de setembro de 2007, os hospitais que não obtivessem um percentual mínimo de 61% na avaliação do Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares (PSNASH) recebiam indicação de descredenciamento do SUS e fechamento do estabelecimento. O percentual obtido pelo HCRB foi de 59,1% na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação de precariedade e desconformidade do hospital foi denunciada pelo Conselho Regional de Psicologia em 2008 e encaminhada ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que iniciou as investigações através de Inquérito Civil. Ao início das investigações, o MP apurou que o HCRB havia sido descredenciado pelo Ministério de Saúde no ano de 2007 por não haver preenchido as condições mínimas do PSNASH e por isso deveria iniciar as atividades de retirada dos pacientes do hospital para posterior encerramento das suas atividades. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período a gestão do HCRB era composta pela diretora e procuradora Maria Luiza da Conceição Cid Loureiro, esposa de seu proprietário Nelson Cid Loureiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro iniciou um trabalho de desospitalização dos internos do HCRB juntamente com as equipes do hospital e com os municípios de origem dos pacientes. Tal iniciativa inicialmente não obteve sucesso em razão da não articulação entre as equipes, fato que motivou o Estado do Rio de Janeiro a declarar urgência de se estabelecer parcerias e responsabilidades para o início das atividades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Secretaria Municipal de Saúde de Rio Bonito também se manifestou informando que a maior dificuldade na execução era, principalmente, o fato de que a maioria dos municípios não prestava atendimento em saúde mental adequado aos seus munícipes com  dispositivos extra-hospitalares. O Ministério Público em conjunto com a equipe técnica da saúde mental propôs o fechamento do Hospital Colônia de Rio Bonito e implantação, ampliação e adequação do Serviço Residencial Terapêutico em Itaboraí dirigidos aos pacientes advindos do Hospital Colônia Rio Bonito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante das dificuldades em estruturar a rede de saúde mental nos municípios do Estado do Rio de Janeiro, o processo de fechamento do hospital colônia foi um processo difícil e demorado, mas que se concluiu em 12 de abril de 2016  quando fechou as portas oficialmente. Em fevereiro de 2016, os últimos 54 internos foram transferidos para seus municípios de origem, onde foram acolhidos e tratados nos serviços em locais, como os Centros de Atenção Psicossocial  (CAPS). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O encerramento das atividades, portanto,  ocorreu devido a uma ação civil pública ajuizada pelo MPRJ e pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2011 denunciando má gestão e situação precária dos pacientes e devido ao processo de desinstitucionalização proposto pelas perspectivas mais atuais da saúde mental. A pesquisa de Lima (2017) mostra que a maior parte dos pacientes foi para residências terapêuticas em seus respectivos municípios de origem (51%). Apenas 24% conseguiram retorno familiar. Outros (19%) foram transferidos para outras instituições, a maioria das quais também são hospitais psiquiátricos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Crítica==&lt;br /&gt;
Desativar um manicômio tão tradicional e com tanta importância social e econômica para uma região é fruto da vitória inicial da política antimanicomial que busca acabar com o modelo de internação asilar/carcerário que ao longo dos anos não mostrou efetividade quanto à reabilitação e reinserção social das pessoas portadoras de transtornos mentais e nem mesmo este era o objetivo do tratamento em manicômios. Na ação promovida pelo  Ministério Público e movimentação das equipes de saúde que lutaram pelo fechamento do HCRB estava nítida  perspectiva oriunda da reforma psiquiátrica que visa a substituição dos hospitais psiquiátricos pelo modelo baseado na excepcionalidade da internação e na prevalência de assistência extra-hospitalar, priorizando o atendimento em Centros de Atenção Psicológica e Social - CAPS e a desinstitucionalização dos pacientes de longa permanência, por meio de projeto terapêutico voltado para a reinserção social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, cabe questionar se o mesmo poder público agora terá eficiência para cobrar e dar suporte em saúde, suporte econômico e social para os pacientes e suas famílias e para que os serviços extra-hospitalares de saúde mental também não funcionem de forma precarizada. Pois o atendimento e acompanhamento  com eficiência e qualidade nos CAPS e nas Residências Terapêuticas é essencial para que a política antimanicomial tenha efetividade e adesão da população em geral assim como tem adesão da maioria dos intelectuais e militantes da saúde mental.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois quando um morador é admitido em uma residência, é o começo de um longo processo de reabilitação que visa a sua inclusão social e emancipação pessoal. As situações de retorno de pacientes institucionalizados para suas casas também é um processo de reinserção social e pode gerar dificuldades familiares e comunitárias demandando uma necessidade de intenso trabalho junto às famílias e à comunidade. Na verdade o modelo antimanicomial exige um esforço maior de acompanhamento do poder público a estes pacientes e demanda investimento nos serviços públicos e nos profissionais (melhor formação e condições de trabalho). A questão é saber se agora o poder público está trabalhando para promover que tais pacientes estejam desenvolvendo qualidade de vida melhor do que de quando estavam internados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALBUQUERQUE, L.G.da C. Saúde Mental em Rio Bonito: Atividade dos trabalhadores no processo de Reforma Psiquiátrica no Município. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Departamento de Psicologia, 2010.  Disponível em: https://app.uff.br/slab/uploads/2010_d_LucianaAlbuquerque.pdf, acesso em 13 de setembro de 2021 as 20:30h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CAVALIERE, I.A. de L. Memórias do isolamento compulsório no Hospital-Colônia Tavares de Macedo-RJ Tese (Doutorado em Política Social) – Universidade Federal Fluminense, Escola de Serviço Social, 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
JUNIOR, L.C; MARTINHO, L.B. Ação civil pública Hospital Colônia Rio Bonito.IN: Revista Eletrônica do Ministério Público Federal. Disponível em: http://www.prrj.mpf.mp.br/custoslegis/revista_2011/2011_ACP_LauroCoelho_LucianaBraga.pdf, acesso em 13 de setembro de 2021 as 20h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
LIMA, A.M. A gestão dos processos de desinstitucionalização e a implantanção da rede de atenção psicossocial em um município da região metropolitana  do estado do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, da Escola de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense, 2017. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/bde-33505 acesso em 13 de setembro de 2021 as 20:30h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VIOLA, A.C.S. Longo caminho a percorrer na volta para a sociedade. O Ministério Público e a desinstitucionalização em saúde mental. Dissertação (Mestrado) – Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/14197?locale=es, acesso em 13 de setembro de 2021 as 21h.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links externos==&lt;br /&gt;
http://g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/noticia/2016/04/hospital-psiquiatrico-de-rio-bonito-fecha-portas-apos-acao-na-justica.html&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://m.folha.uol.com.br/cotidiano/2012/09/1158674-ex-internos-de-hospital-colonia-hoje-dividem-residencia-em-rio-bonito.shtml&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Luciana da Conceição e Silva, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Isabel_Briggs_Myers&amp;diff=250</id>
		<title>Isabel Briggs Myers</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Isabel_Briggs_Myers&amp;diff=250"/>
		<updated>2021-10-04T17:30:42Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Isabel Briggs Myers nasceu em Columbia, Carolina do Sul, nos Estados Unidos da América, em 18 de outubro de 1897 e faleceu em 5 de maio de 1980. Bacharel em ciências políticas na Swarthmore College - universidade privada de artes liberais em Swarthmore, Pennsylvania (1915-1919), escritora premiada pelo livro Murder Yet to Come e conhecida pela cocriação do Myers-Briggs Type Indicator, inspirado no trabalho de Carl G. Jung (1875-1961).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isabel McKelvey Briggs nasceu em Columbia, Carolina do Sul, em 18 de outubro de 1897, nos Estados Unidos da América. Sua família era envolvida no meio acadêmico e acreditavam no valor da educação para homens e mulheres igualmente em oposição ao pensamento da época; seu pai, Lyman James Briggs (1874-1963) era graduado em agricultura pelo Michigan Agricultural College (atual Michigan State University), com mestrado em física na University of Michigan em Ann Arbor e PhD na Johns Hopkins University, liderando o Bureau of Standards (atual Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia), sob vários presidentes dos EUA; sua mãe, Katharine Cook Briggs (1875-1968) era graduada em horticultura na Michigan Agricultural College, professora, autora, co criadora do instrumento MBTI e dona de casa. Isabel foi a única filha do casal que sobreviveu a infância, seu irmão Albert Briggs (nomeado assim por causa do pai de Katharine) morreu enquanto dormia com 18 meses e em 1901 outro bebê da família faleceu antes de ser batizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela passou sua infância em Washington, D.C., onde seu pai trabalhava. Foi educada em casa por sua mãe (Katharine abordou a maternidade como um experimento com uma planta em crescimento: um estudo controlado em que podia traçar condições que afetariam os traços de personalidade de sua filha, acreditava também que a curiosidade era inata e a educação deveria aflorar os instintos naturais das crianças para aprender) - fato que Isabel manteve com seus próprios filhos - os dias de estudo de Isabel não eram planejados ou fixos, sua progenitora a encorajou a ler e escrever sobre qualquer tópico de interesse. Aos dois anos, ela falava frases completas; com cinco, já lia a Bíblia; aos sete, fez um registro bem completo sobre uma viagem à Costa Rica; com oito, já estava aprendendo latim, alemão, francês e estudando os clássicos Virgílio e Cícero. Aos dezesseis anos, enviava cartas e editoriais com reflexões, poemas e contos para revistas. O único tópico que ela não progredia muito era música, mas gostava de dançar, especialmente durante a faculdade. Porém Katharine não a considerava um gênio, apenas uma boa futura dona de casa .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos dezoito anos, em setembro de 1915, começou seu bacharelado em ciências políticas na Swarthmore College - universidade privada de “artes liberais” - na Filadélfia, Pennsylvania. Em 1916, ganhou a bolsa de estudos Anson Lapham, com um prêmio de dois mil dólares pelas melhores notas em provas; ficou em segundo lugar em um concurso de ginástica de calouros, uma prova de sua agilidade em saltar aros e dar cambalhotas sobre o cavalo. Em seu segundo ano, entrou na trupe de comédia de Swarthmore e participou de uma peça teatral que zombava do péssimo serviço de alimentação na igreja local enquanto estava vestida de alface. Ela simpatizou, brevemente, com o comunismo e depois da Revolução Russa, em março de 1917, deu um discurso intitulado “Industrial Preparedness”, dizendo que o exército dos EUA deveria receber comida adequada, abrigo, horas decentes de trabalho. Terminou seus estudos, com honras, em junho de 1919. Ela comentou que cresceu com &amp;quot;a ideia de que você pode fazer coisas sem ter estudado formalmente sobre elas e esse foi o ingrediente para a história do Type Indicator&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na faculdade, conheceu Clarence &amp;quot;Chief&amp;quot; Gates Myers (1894-1984), seu futuro marido que também estudava ciências políticas e terminou o curso um ano antes dela. Ela referia-se ao encontro e sua paixão por ele como &amp;quot;uma sorte enorme&amp;quot;, se conheceram numa noite de festa e ele a chamou para dançar (“Eu posso falar com ele sobre coisas reais, sem brincadeira”, Isabel escreveu em seu diário). A mãe de Isabel não se deu bem com seu futuro genro quando se conheceram, ela era superprotetora com a filha e ele não chegou aos seus parâmetros altos; Clarence ganhou a permissão de namorá-la, escrevendo uma carta a Katharine descrevendo seu amor por Isabel como um experimento científico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ficaram noivos secretamente em 2 de abril de 1917, no mesmo dia que os EUA declararam guerra à Alemanha e por isso não queriam grandes comemorações. Casaram-se em 17 de junho de 1918  - Isabel acrescentou o sobrenome “Myers” ao seu nome, tornando-se Isabel Briggs Myers - ao mesmo tempo que Chief era segundo tenente no Serviço Aéreo do Exército dos Estados Unidos e esperava ordens para concluir seu treinamento, ela o seguiu até sua estação em Memphis no Tennessee; contudo ele deixou o exército pois dizia que apenas “voava mas não lutava”. Com os dois de volta à Filadélfia, Clarence começou a graduação em direito na University of Pennsylvania (1919-1921) e atuou nessa área até sua aposentadoria. Em cada cidade, ela fez uma lista de seus objetivos em um caderno que intitulou “Diary of an Introvert Determined to Extrovert, Write &amp;amp; Have a Lot of Children” (Diário de uma Introvertida Determinada a Extroverter-se, Escrever &amp;amp; Ter Muitos Filhos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de seus objetivos claros e boa condição financeira, Isabel teve dificuldades para arranjar um emprego. Depois de uma passagem insatisfatória em uma agência de empregos temporários, escreveu uma carta para Katharine reclamando sobre as dificuldades de encontrar sentido no próprio trabalho, especialmente como uma mulher casada, da qual não se esperava nada além de ter filhos. “Acredito que, sob a espora da necessidade, uma mulher pode fazer um trabalho masculino tão bem quanto ele, desde que ela seja tão capaz para uma mulher quanto ele é para um homem.(...) Mas tenho perfeita certeza de que isso exige mais dela. E é perda de tempo se desgastar com um trabalho que alguém pode fazer com um menor esforço. Estou certa de que homens e mulheres são feitos de maneiras distintas, com diferentes dons e diferentes tipos de força”. Em um mundo perfeito, ela conclui, haveria “alguma maneira muito inteligente de dividir funções, então todos trabalham, mas não nos papéis errados”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A “resposta instintiva” de Isabel à questão do que fazer sobre si era ser  “a companheira de meu homem.&amp;quot; Em 1924, os Myers compraram uma casa na 321 Dickinson Avenue na Filadélfia e ela tornou-se dona de casa. Até 1925, Isabel já tinha engravidado três vezes, sofreu dois abortos espontâneos e um parto prematuro de uma filha chamada Ann que faleceu quando foi colocada em seus braços (“Muito azul. Oh, pequena Ann” escreveu em seu diário). Em 1926, teve Peter Briggs Myers (1926-2018), já no ano seguinte, nasceu sua outra filha, Ann Myers Hughes (1927-1972). Criou os filhos como sua mãe, com obediência fiel e curiosidade; Katharine identificou Peter como um extrovertido e Ann uma introvertida. A noite, quando a casa estava em ordem e as crianças dormindo, continuava a se perguntar o que estava faltando em sua vida. Embora, com um marido e filhos e uma &amp;quot;amada casinha colonial coberta de hera&amp;quot; eram &amp;quot;tudo que eu queria no mundo&amp;quot;, ela escreveu que &amp;quot;sabia que queria algo mais.&amp;quot; Esse algo era o tempo e a energia de seguir uma carreira de escritora de ficção de sucesso, algo que sua mãe nunca conseguiu realizar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trabalhando à noite, ela contemplou que “na maior parte do tempo eu fico acordada, mas acontece de minha cabeça bater na máquina de escrever no meio da frase”. Isabel começou e terminou um romance policial em cinco meses e ela o inscreveu em um concurso de mistério na revista New McClure. O vencedor receberia um prêmio em dinheiro de $7.500 (mais de $100.000 hoje) e um contrato de obra com uma proeminente editora de Nova Iorque. Katharine, aparentemente invejosa sobre sua filha estar tentando suceder onde ela havia falhado, a encorajou muito pouco, o que Isabel lamentou apenas como “criticismos frios” do “estilo do romance”. Em fevereiro de 1929, para a grande surpresa de sua mãe, o livro de Isabel, Murder Yet to Come, ficou em primeiro lugar, superando o time por trás das novelas Ellery Queen, entre outros escritores que concorreram ao prêmio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a quebra da bolsa em outubro de 1929, Isabel perdeu boa parte de seu dinheiro e ficou com um bloqueio criativo. Mesmo assim, sua editora nova iorquina já havia feito um contrato de dois livros e esperava pelo próximo. No verão de 1931, ela fez uma promessa para não ser preguiçosa e escreveu a sequência de seu primeiro livro, Give me Death. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A carreira dela como autora terminou rapidamente depois do segundo livro, Isabel decidiu não ser mais uma escritora depois das críticas de sua mãe por estar negligenciando seus afazeres domésticos, dizia estar feliz por não ter a obrigação de escrever e apenas observar seus filhos e seu marido. Durante esses anos, Katharine tentou fazer com que a filha se interessasse em sua teoria de tipos, sem muito sucesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início dos anos 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, se voluntariou como observadora de aeronaves para a Patrulha Aérea Civil, enfermeira da Cruz Vermelha, secretaria com um programa habitacional para crianças europeias. Durante essa época, leu um artigo descrevendo a &amp;quot;escala de temperamento Humm-Wadsworth&amp;quot;, um teste psicológico feito para colocar pessoas em tipos de trabalho apropriados para suas características e escreveu para sua mãe entusiasmada expressando seu desejo de envolver-se com a alocação de trabalhadores para seus nichos corretos para fazer um mundo melhor e parar os alemães. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1942, um amigo de sua família e um dos primeiros consultores de gestão dos EUA, Edward Northup Hay (1891-1958), a ajudou com essa situação, uma vez que seus filhos já tinham ido para a faculdade e as exigências da maternidade não pesavam mais em sua vida diária. Isabel ganhou um cargo em um departamento que já estava usando o Humm-Wadsworth na equipe de Hay, aprendeu a pontuá-lo e coletou dados empíricos sobre sua eficácia, mas ficou desapontada quando seus dados mostraram que o instrumento não era um indicador útil de desempenho no trabalho. Ela discutiu esse dilema com sua mãe, que propôs a alternativa de desenvolver uma nova avaliação, baseada nas teorias do tipo de personalidade que Katharine vinha estudando há tantos anos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o aumento da força de trabalho durante e depois da Segunda Grande Guerra, os consultores, como Hay, começaram a utilizar testes baratos e padronizados para ajustar o trabalhador ao trabalho, fazendo com que os executivos das empresas ficassem entusiasmados com a ideia de alta lucratividade e moralidade. Em 1943, ela apresentou a Hay uma prévia do Myers-Briggs Type Indicator e suas quatro categorias, dizendo que &amp;quot;quanto mais você sabe sobre um homem, mais efetivamente você pode trabalhar com ele, ou para ele&amp;quot;, apesar de que o empregador podia descobrir &amp;quot;por tentativa e erro, onde seus pontos fortes e fracos estão&amp;quot;, esse processo se provaria &amp;quot;demorado e doloroso&amp;quot;, como uma mulher &amp;quot;experimentando todos os pares de sapato de uma loja para encontrar um adequado. Se homens viessem como sapatos, com seus dados, como tamanho e estilo, marcados fora da caixa, muitos problemas poderiam ser evitados&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;A resposta mais lógica&amp;quot; para essa problemática, Isabel propôs, &amp;quot;está no trabalho do Dr. Carl G. Jung de Zurich&amp;quot; e nas funções básicas da mente: introvertido (I) /extrovertido (E), sensação (S)  /intuição (I), pensamento (T) /sentimento (F) e julgamento (J) /percepção (P). Essas dimensões atribuíam dezesseis tipos de personalidade, baseadas nas suas observações familiares e instintivas, e suas preferências individuais para cada função podiam ser &amp;quot;escolhidas em um Type Indicator&amp;quot;, um teste com mais de cem questões que iria apresentar um perfil individual (tipo de personalidade) em forma de quatro letras. Edward ficou encantado com o protótipo e concordou em distribuí-lo, acreditando que o teste faria uma tremenda diferença na indústria, escolas e orientação vocacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1943, um livreto do teste Briggs-Myers custava cinquenta centavos de dólar, uma folha de respostas custava cinco, por cinco centavos adicionais, receberia um &amp;quot;cartão de personalidade” que mostrava seu tipo por meio de um jogo de conectar pontos, ziguezagueando de uma dimensão de tipo para a próxima. E por três dólares - a oferta mais cara na lista de Hay - o index do tipo de personalidade, um livrinho de 72 páginas que Isabel havia escrito para apresentar os termos e teorias de Jung aos novos interessados. Ela não cobrava pela folha de respostas detalhada que acompanhava cada teste na qual fornecia ao candidato um resumo alegre de seu perfil de personalidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1947, Hay aconselhou o Type Indicator para seus melhores clientes, &amp;quot;pessoas chaves&amp;quot; segundo Isabel, General Eletric, Standard Oil, Bell Telephone, The National Bureau Of Statistics, Bryn Mawr, Swarthmore e vários soldados de alta patente do exército estadunidense. Essas organizações foram as primeiras a dar objetos de estudo em forma de empregados para ela: bons e maus trabalhadores, e até aqueles que tinham sido demitidos anos antes, foram ordenados a voltar e passar por uma bateria de testes - o indicador de tipos, de QI e pesquisas de satisfação. Sua grande chance, no entanto, aconteceu com a ajuda de seu pai. Por meio de seus contatos na academia, ele conseguiu que o MBTI fosse administrado às turmas que ingressavam em medicina na George Washington University, sendo capaz de usar o Indicator com milhares de estudantes. Depois de doze anos, ela procurou esses mesmos alunos para ver se tinham escolhido especialidades que se encaixassem em seus tipos e eles tinham.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1949, na sua pesquisa com 550 funcionários da A.R. Laney&#039;s Washington Gas Light Company, Isabel concluiu que &amp;quot;quando um homem é um tipo adequado ao trabalho, ele não projeta suas insatisfações gerais no serviço&amp;quot;, o que é crucial pro desempenho do trabalhador; os trabalhos que &amp;quot;requerem mais concentração, como contabilidade e outros trabalhos administrativos&amp;quot; eram mais adequados para introvertidos e os extrovertidos provaram ser mais adeptos a serem &amp;quot;leitores de medidores e mecânicos&amp;quot;, no fim encorajando o dono da empresa a contratar ou demitir funcionários de acordo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À medida que Isabel envolvia-se mais no desenvolvimento do MBTI, Katharine menos. Sua progenitora não entendia os métodos estatísticos que Isabel estava usando para validar o instrumento e até sugeriu que seu nome não constasse no título (Isabel recusou). O trabalho de Katharine forneceu a base teórica para o instrumento, mas o instrumento era claramente de Isabel. Katharine contribuiu onde pôde, em particular fornecendo o financiamento muito necessário, enquanto Isabel seguia em frente com sua pesquisa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1956, o reitor de uma das faculdades de medicina com que ela trabalhava reuniu-se com o diretor de uma editora de testes psicométricos, a Educational Testing Service (ETS). Henry Chauncey (1905-2002), líder do ETS, ficou impressionado com o Type Indicator e ofereceu uma proposta a Isabel Myers para distribuí-lo para fins de pesquisa. Em 1957, a ETS assinou contrato com Isabel para publicação do MBTI. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na ETS, Isabel recebeu mais recursos, contudo sua equipe de trabalho composta por pesquisadores e estatísticos suspeitavam e zombavam de sua falta de formação específica e de seus métodos. Além disso, a empresa nunca divulgou seu instrumento, deixando-a insatisfeita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O trabalho de Myers continuou a atrair atenção de mais especialistas. Isabel reuniu uma grande quantidade de dados através de seu trabalho e isso permitiu com que ela refinasse ainda mais seu instrumento, além de conceder a ela mais reconhecimento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1963, seu pai, Lyman J. Briggs, morreu e Isabel precisou afastar-se de seus estudos para cuidar da mãe com problemas de esquecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1964, ela apresentou um artigo sobre suas descobertas com os alunos de medicina da George Washington University, em Los Angeles, na Associação Americana de Psicologia (APA). Nessa época, Isabel também se interessou por enfermagem e parou nas cidades a caminho de casa para persuadir as faculdades a testar seus alunos, assim ela finalmente coletou uma amostra de mais de 10.000 estudantes de enfermagem de 71 escolas de enfermagem e 670 de seu corpo docente. O motivo pelo qual Briggs Myers estava especialmente interessada em estudantes das profissões de saúde era porque acreditava que a percepção precisa e o julgamento informado, ou seja, o bom desenvolvimento do tipo, são especialmente importantes em profissionais que têm a vida de outras pessoas em suas mãos. Ela esperava que o uso do MBTI [instrumento] no treinamento de médicos e enfermeiras levasse a programas para aumentar o comando de percepção e julgamento para todos os tipos, e para ajudar os alunos a escolher as especialidades mais adequadas aos seus dons. Ela retornou à amostra médica de tempos em tempos durante um período de vinte e cinco anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1968, Katherine C. Briggs, já com demência, faleceu em uma casa de repouso na Filadélfia. E com isso, Isabel começou a trabalhar ainda mais para preservar a criação de sua mãe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1972, sua filha, Ann M. Hughes, foi encontrada morta, devido a uma embolia, no banheiro por Isabel. Em luto, a autora voltou a escrever compulsivamente sobre sofrimento: “a velha ideia de que Deus e o Diabo estão lutando por nossas almas pode ser confortante em tempos de confusão” e escondeu a urna com as cinzas de sua filha na casa de um amigo. Desse modo, ela voltou a mergulhar no trabalho, sendo sua razão para viver.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O câncer que tinha se alojado nos gânglios linfáticos de seu braço direito em 1956, voltou 15 anos depois como um par de tumores na parte superior do braço direito e abaixo do cotovelo. Depois da cirurgia, achou a cicatriz insuportável de olhar, inclusive parando de usar seu vestido favorito. Em 1975, descobriu que os tumores tinham retornado em todos os órgãos vitais de seu corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família e os amigos de Isabel sempre pediam a ela para escrever um livro sobre suas teorias de personalidade, mas o projeto sempre era posto em segundo plano em sua coleta e análise de dados. No entanto, quando ela foi diagnosticada com câncer, percebeu que seu tempo poderia estar se esgotando, e com a ajuda de seu filho Peter, publicou seu livro principal sobre tipos, ‘Gifts Differing’. À medida que sua saúde piorava, ela continuou a trabalhar de seu leito, editando e revisando o livro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também, em 1975, vendeu os direitos de seu trabalho para o CPP (Consulting Psychologists Press), diminuindo o questionário, deixando-o menos dogmático, para haver maior identificação com as massas, mais atrativo e fácil compreensão. A receita da empresa subiu de dez mil dólares em 1975 para cem mil dólares em 1979. Na Terceira Conferência Internacional sobre Myers-Briggs, realizada na Filadélfia no dia do octogésimo segundo aniversário de Isabel, poucos meses antes de sua morte, a convidada de honra estava presente, frágil demais para ficar de pé ou falar sozinha, só podia ouvir. “Nem mesmo Isabel parece ter a idade dela”, observou o Dr. John Davies Black, diretor do CPP. &amp;quot;Acho que estamos aqui porque Isabel não age de acordo com a sua idade.&amp;quot; Apenas um ano antes, ele lembrou que pensava que qualquer editor era “louco por se misturar com um autor octogenário”. Mas Isabel provou que ele estava errado e a prova estava no próprio teste. No final de 1979, o CPP havia vendido mais de um milhão de folhas de respostas. &amp;quot;Imagine! Um milhão de pessoas terão aprendido sobre tipos!” Black relatou a Isabel. Ela, angustiada, mas sorrindo de seu lugar à mesa do banquete, não tinha nada a acrescentar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 5 de maio de 1980, na manhã de sua morte, sua família - Peter e sua esposa, seus netos, Chief - se reuniram ao lado de sua cama, onde ela estava descansando sob seu cobertor favorito. Um de seus netos, fazendo uma espécie de oração, citou erroneamente um de seus versos preferidos de poesia. Ela respirou fundo, corrigiu-o e, pouco depois, morreu durante o sono. Alguns dias depois, ela foi cremada e seu marido, depois de recuperar a urna com as cinzas de Ann da casa de seu vizinho, espalhou sua esposa e filha ao vento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A paixão de Isabel Briggs era mostrar às pessoas suas habilidades e ajudá-los a entender como poderiam contribuir com o mundo ao seu redor. No último evento profissional de sua vida, em 1979, ela disse a uma colega sobre suas esperanças acerca do futuro: “Sonho que muito depois de eu partir, meu trabalho continuará ajudando pessoas”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu filho, Peter B. Myers, foi essencial para tornar Myers-Briggs Type Indicator no sucesso mundial que é atualmente. Quando Isabel Myers morreu, ela deixou o direito autoral do teste para seu filho e esposa da época Katharina Downing Myers. Nesse período, o instrumento não era totalmente conhecido, apesar de ela ter trabalhado para no seu desenvolvimento por mais de 40 anos. Peter e Katharine passaram as próximas décadas garantindo o rigor científico e supervisionando o desenvolvimento contínuo da avaliação, junto com The Myers-Briggs Company, antiga CPP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Peter e Katharine ajudaram a fundar o Center for Applications of Psychological Type (CAPT), em Gainesville, Flórida, uma organização sem fins lucrativos iniciada por Isabel Myers e Mary McCaulley, que continua a fornecer pesquisas e treinamento no uso do MBTI. Eles também criaram outra organização, The Myers &amp;amp; Briggs Foundation, que financia pesquisas sobre tipos e suas aplicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Teoria== &lt;br /&gt;
===Tipologia de Myers-Briggs===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a Segunda Guerra Mundial, o teste de personalidade de MBTI foi criado por Isabel Briggs Myers e sua mãe Katharine C. Briggs. Essa ferramenta psicológica foi baseada na teoria de Carl G. Jung (1875-1961). Tinha como principal objetivo auxiliar mulheres que trabalhavam em indústrias militares e ajudar a promover a paz mundial ao proporcionar às pessoas a compreensão da importância das diferenças individuais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O teste MBTI reconhece as dicotomias que são quatro pares opostos de maneiras de pensar e agir. Essas quatro dicotomias são extroversão e introversão, sensação e intuição, razão e sentimento, julgamento e percepção. Os termos que são usados para cada dicotomia possuem significados que são diferentes do usado no cotidiano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Críticas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isabel Briggs recebeu críticas relacionadas não só ao Myers-Briggs Type Indicator como também a sua obra literária Give Me Death (1935), segundo livro da escritora que faz remarcas racistas e eugenistas quando traz um enredo em que uma família branca, dona de terras do sul, começa a cometer suicídio após serem induzidos a crer que havia pessoas negras em sua linhagem familiar. A família preferia morrer a ter “sangue negro” em suas veias e reproduzir o gene a outras pessoas brancas. O exemplar tem como moral a preservação dos “valores” e da “honra” familiar e aqui a leitura indica que pessoas negras representavam ameaça a estes preceitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A respeito do MBTI, novamente, Isabel é criticada pelas ressalvas racistas e também machistas. Na íntegra dos rascunhos do Tipo Indicador, Briggs já deixava escapar os tons preconceituosos que permeiam o trabalho, dessa vez mascarados sob linguagem psicanalista. Isabel escreve “membros de uma escura e supostamente inferior raça são símbolo exemplo para a suprimida e considerada inferior parte da psique de algum”. Em outra instância, Isabel critica a insistência de uma mulher negra que advogava pela igualdade de valor entre as pessoas. Ainda mais, nos primórdios da utilização do teste, era notável a disparidade de pontuações entre homens e mulheres, principalmente referente às funções (P) pensamento e (S) sentimentos, onde mulheres eram mais associadas à função emocional e homens a função lógica. Esta característica se perpetuou até a confecção de questionários com separação explícita, um intitulado &amp;quot;Válido para homens” e outro “Válido para mulheres”. Não surpreendentemente, enquanto a profissão, mulheres eram designadas com mais frequência a cargos como enfermeiras, professoras e secretárias, ao invés de posições executivas ou gerenciais. Por fim, um dos olhares críticos mais relevantes sobre a existência do Myers-Briggs Type Indicator é a sua falta de veracidade científica, visto que Isabel nunca teve treinamento em psicologia ou sociologia; Ainda assim, o MBTI foi implantado por 89 das empresas com maior receita do Fortune 100, pelo governo estadunidense e também por centenas de universidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estes são os trabalhos publicados por Isabel Briggs Myers, além do MBTI, também escreveu ficção (romance):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B. (1929). Murder yet to come. Gainesville, FL: Center for Applications of Psychological Type.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B. (1935). Give me death. London: Gollancz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B. (1962). The Myers-Briggs type indicator: Manual. Palo Alto, CA: Consulting Psychologists Press.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B., Nuernberger, A., &amp;amp; Lawrence, G. (1974). Personality influences in teaching and learning. Tallahassee, FL: Florida Dept. of Education.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B., &amp;amp; Davies, J. A. (1976). Relation of medical students&#039; psychological type to their specialties twelve years later. Gainesville, FL: Center for Applications of Psychological Type.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B. (1979). Type and teamwork. Gainesville, FL: Center for Applications of Psychological Type.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B. (1980). Introduction to type M.B.T.I. Palo Alto, CA: Consulting Psychologists Press.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
McCaulley, M. H., Natter, F. L., Myers, I. B., &amp;amp; Center for Applications of Psychological Type. (1980). Psychological (Myers-Briggs) type differences in education: Taking type into account in education: Isabel Briggs Myers. Gainesville, FL: Center for Applications of Psychological Type.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B., &amp;amp; Myers, P. B. (1980, 1984). Gifts differing: Understanding personality type. Palo Alto, CA: Davies-Black Pub.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B., Most, R., &amp;amp; McCaulley, M. H. (1985). Manual: A guide to the development and use of the Myers-Briggs type indicator. Palo Alto, CA: Consulting Psychologists Press.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B., &amp;amp; McCaulley, M. H. (1989). Contributions of type to executive success. Gainesville, FL: Center for Applications of Psychological Type.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B., &amp;amp; Briggs, K. C. (1993). Myers-Briggs type indicator: form G self-scorable. Palo Alto, CA: Consulting Psychologists Press.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B. &amp;amp; Myers, K. D. (1998). Introduction to type: A guide to understanding your results on the MBTI instrument. Parkville, Vic.: CPP Asia Pacific Ltd.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Prêmios==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1916: ganhou a bolsa de estudos Anson Lapham, com um prêmio de 2000 dólares pelas melhores notas em provas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ficou em segundo lugar em um concurso de ginástica de calouros, uma prova de sua agilidade em saltar aros e dar cambalhotas sobre o cavalo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1929: o livro de Isabel, Murder Yet to Come, ficou em primeiro lugar, em um concurso de escritores de ficção da revista New McClure, ganhando $7500 e um contrato com uma influente editora nova iorquina da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Relação com outras personagens==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um fator muito importante para a elaboração do teste MBTI foi o apoio no trabalho de Carl G. Jung (1875-1961) das funções básicas da mente, com objetivo de proporcionar às pessoas a compreensão da importância das diferenças individuais, Isabel chegou a vender um livro que escreveu, de 72 páginas, para apresentar os termos e teorias de Jung aos novos interessados. Ele se correspondeu por cartas com ela dizendo: “Já faz um tempo que eu não faço nenhum trabalho nesta área, por culpa de outras coisas que tem tomado a base dos meus interesses. Porém eu deveria dizer que para o futuro do desenvolvimento de Teoria tipológica o seu Type Indicator será de grande ajuda.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa esteira, sendo um dos sonhos de Isabel demonstrar às pessoas suas habilidades e ajudá-los a entender como poderiam contribuir com o mundo ao seu redor, deixou como herança os direitos do teste em comento para seu filho e para sua então esposa, Katharina Downing Myers, sendo eles possibilitadores de tornar Myers-Briggs Type Indicator um sucesso mundial ainda hoje. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Tipologia_de_Myers-Briggs&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Katharine_Cook_Briggs&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CENTER FOR APPLICATIONS OF PSYCHOLOGICAL TYPE - CAPT (EUA). The Story of Isabel Briggs Myers. Disponível em: &amp;lt;https://www.capt.org/mbti-assessment/isabel-myers.htm&amp;gt;. Acesso em: 04 ago. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
EMRE, Merve. The personality brokers : the strange history of Myers-Briggs and the birth of personality testing. Nova York: Doubleday Books, 2018. 336 p.&lt;br /&gt;
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==Links externos==&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
PERSONA: The Dark Truth Behind Personality Tests. Direção: Tim Travers Hawkins. Produção: Merve Emre (HBO MAX). Roteiro: Tim Travers Hawkins, Mark Monroe. Música: Nainita Desai. 2021. (85 min.), color. Legendado. &amp;lt;https://www.imdb.com/title/tt14173880/&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Carolina P. C. Rodrigues, Beatriz P. de Oliveira, Daniel A. de Oliveira Junior, Laura M. Vieira, Mickaela Faria, Nicole C. de Souza , como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
	</entry>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Isabel Briggs Myers nasceu em Columbia, Carolina do Sul, nos Estados Unidos da América, em 18 de outubro de 1897 e faleceu em 5 de maio de 1980. Bacharel em ciências políticas na Swarthmore College - universidade privada de artes liberais em Swarthmore, Pennsylvania (1915-1919), escritora premiada pelo livro Murder Yet to Come e conhecida pela cocriação do Myers-Briggs Type Indicator, inspirado no trabalho de Carl G. Jung (1875-1961).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isabel McKelvey Briggs nasceu em Columbia, Carolina do Sul, em 18 de outubro de 1897, nos Estados Unidos da América. Sua família era envolvida no meio acadêmico e acreditavam no valor da educação para homens e mulheres igualmente em oposição ao pensamento da época; seu pai, Lyman James Briggs (1874-1963) era graduado em agricultura pelo Michigan Agricultural College (atual Michigan State University), com mestrado em física na University of Michigan em Ann Arbor e PhD na Johns Hopkins University, liderando o Bureau of Standards (atual Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia), sob vários presidentes dos EUA; sua mãe, Katharine Cook Briggs (1875-1968) era graduada em horticultura na Michigan Agricultural College, professora, autora, co criadora do instrumento MBTI e dona de casa. Isabel foi a única filha do casal que sobreviveu a infância, seu irmão Albert Briggs (nomeado assim por causa do pai de Katharine) morreu enquanto dormia com 18 meses e em 1901 outro bebê da família faleceu antes de ser batizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela passou sua infância em Washington, D.C., onde seu pai trabalhava. Foi educada em casa por sua mãe (Katharine abordou a maternidade como um experimento com uma planta em crescimento: um estudo controlado em que podia traçar condições que afetariam os traços de personalidade de sua filha, acreditava também que a curiosidade era inata e a educação deveria aflorar os instintos naturais das crianças para aprender) - fato que Isabel manteve com seus próprios filhos - os dias de estudo de Isabel não eram planejados ou fixos, sua progenitora a encorajou a ler e escrever sobre qualquer tópico de interesse. Aos dois anos, ela falava frases completas; com cinco, já lia a Bíblia; aos sete, fez um registro bem completo sobre uma viagem à Costa Rica; com oito, já estava aprendendo latim, alemão, francês e estudando os clássicos Virgílio e Cícero. Aos dezesseis anos, enviava cartas e editoriais com reflexões, poemas e contos para revistas. O único tópico que ela não progredia muito era música, mas gostava de dançar, especialmente durante a faculdade. Porém Katharine não a considerava um gênio, apenas uma boa futura dona de casa .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos dezoito anos, em setembro de 1915, começou seu bacharelado em ciências políticas na Swarthmore College - universidade privada de “artes liberais” - na Filadélfia, Pennsylvania. Em 1916, ganhou a bolsa de estudos Anson Lapham, com um prêmio de dois mil dólares pelas melhores notas em provas; ficou em segundo lugar em um concurso de ginástica de calouros, uma prova de sua agilidade em saltar aros e dar cambalhotas sobre o cavalo. Em seu segundo ano, entrou na trupe de comédia de Swarthmore e participou de uma peça teatral que zombava do péssimo serviço de alimentação na igreja local enquanto estava vestida de alface. Ela simpatizou, brevemente, com o comunismo e depois da Revolução Russa, em março de 1917, deu um discurso intitulado “Industrial Preparedness”, dizendo que o exército dos EUA deveria receber comida adequada, abrigo, horas decentes de trabalho. Terminou seus estudos, com honras, em junho de 1919. Ela comentou que cresceu com &amp;quot;a ideia de que você pode fazer coisas sem ter estudado formalmente sobre elas e esse foi o ingrediente para a história do Type Indicator&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na faculdade, conheceu Clarence &amp;quot;Chief&amp;quot; Gates Myers (1894-1984), seu futuro marido que também estudava ciências políticas e terminou o curso um ano antes dela. Ela referia-se ao encontro e sua paixão por ele como &amp;quot;uma sorte enorme&amp;quot;, se conheceram numa noite de festa e ele a chamou para dançar (“Eu posso falar com ele sobre coisas reais, sem brincadeira”, Isabel escreveu em seu diário). A mãe de Isabel não se deu bem com seu futuro genro quando se conheceram, ela era superprotetora com a filha e ele não chegou aos seus parâmetros altos; Clarence ganhou a permissão de namorá-la, escrevendo uma carta a Katharine descrevendo seu amor por Isabel como um experimento científico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ficaram noivos secretamente em 2 de abril de 1917, no mesmo dia que os EUA declararam guerra à Alemanha e por isso não queriam grandes comemorações. Casaram-se em 17 de junho de 1918  - Isabel acrescentou o sobrenome “Myers” ao seu nome, tornando-se Isabel Briggs Myers - ao mesmo tempo que Chief era segundo tenente no Serviço Aéreo do Exército dos Estados Unidos e esperava ordens para concluir seu treinamento, ela o seguiu até sua estação em Memphis no Tennessee; contudo ele deixou o exército pois dizia que apenas “voava mas não lutava”. Com os dois de volta à Filadélfia, Clarence começou a graduação em direito na University of Pennsylvania (1919-1921) e atuou nessa área até sua aposentadoria. Em cada cidade, ela fez uma lista de seus objetivos em um caderno que intitulou “Diary of an Introvert Determined to Extrovert, Write &amp;amp; Have a Lot of Children” (Diário de uma Introvertida Determinada a Extroverter-se, Escrever &amp;amp; Ter Muitos Filhos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de seus objetivos claros e boa condição financeira, Isabel teve dificuldades para arranjar um emprego. Depois de uma passagem insatisfatória em uma agência de empregos temporários, escreveu uma carta para Katharine reclamando sobre as dificuldades de encontrar sentido no próprio trabalho, especialmente como uma mulher casada, da qual não se esperava nada além de ter filhos. “Acredito que, sob a espora da necessidade, uma mulher pode fazer um trabalho masculino tão bem quanto ele, desde que ela seja tão capaz para uma mulher quanto ele é para um homem.(...) Mas tenho perfeita certeza de que isso exige mais dela. E é perda de tempo se desgastar com um trabalho que alguém pode fazer com um menor esforço. Estou certa de que homens e mulheres são feitos de maneiras distintas, com diferentes dons e diferentes tipos de força”. Em um mundo perfeito, ela conclui, haveria “alguma maneira muito inteligente de dividir funções, então todos trabalham, mas não nos papéis errados”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A “resposta instintiva” de Isabel à questão do que fazer sobre si era ser  “a companheira de meu homem.&amp;quot; Em 1924, os Myers compraram uma casa na 321 Dickinson Avenue na Filadélfia e ela tornou-se dona de casa. Até 1925, Isabel já tinha engravidado três vezes, sofreu dois abortos espontâneos e um parto prematuro de uma filha chamada Ann que faleceu quando foi colocada em seus braços (“Muito azul. Oh, pequena Ann” escreveu em seu diário). Em 1926, teve Peter Briggs Myers (1926-2018), já no ano seguinte, nasceu sua outra filha, Ann Myers Hughes (1927-1972). Criou os filhos como sua mãe, com obediência fiel e curiosidade; Katharine identificou Peter como um extrovertido e Ann uma introvertida. A noite, quando a casa estava em ordem e as crianças dormindo, continuava a se perguntar o que estava faltando em sua vida. Embora, com um marido e filhos e uma &amp;quot;amada casinha colonial coberta de hera&amp;quot; eram &amp;quot;tudo que eu queria no mundo&amp;quot;, ela escreveu que &amp;quot;sabia que queria algo mais.&amp;quot; Esse algo era o tempo e a energia de seguir uma carreira de escritora de ficção de sucesso, algo que sua mãe nunca conseguiu realizar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trabalhando à noite, ela contemplou que “na maior parte do tempo eu fico acordada, mas acontece de minha cabeça bater na máquina de escrever no meio da frase”. Isabel começou e terminou um romance policial em cinco meses e ela o inscreveu em um concurso de mistério na revista New McClure. O vencedor receberia um prêmio em dinheiro de $7.500 (mais de $100.000 hoje) e um contrato de obra com uma proeminente editora de Nova Iorque. Katharine, aparentemente invejosa sobre sua filha estar tentando suceder onde ela havia falhado, a encorajou muito pouco, o que Isabel lamentou apenas como “criticismos frios” do “estilo do romance”. Em fevereiro de 1929, para a grande surpresa de sua mãe, o livro de Isabel, Murder Yet to Come, ficou em primeiro lugar, superando o time por trás das novelas Ellery Queen, entre outros escritores que concorreram ao prêmio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a quebra da bolsa em outubro de 1929, Isabel perdeu boa parte de seu dinheiro e ficou com um bloqueio criativo. Mesmo assim, sua editora nova iorquina já havia feito um contrato de dois livros e esperava pelo próximo. No verão de 1931, ela fez uma promessa para não ser preguiçosa e escreveu a sequência de seu primeiro livro, Give me Death. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A carreira dela como autora terminou rapidamente depois do segundo livro, Isabel decidiu não ser mais uma escritora depois das críticas de sua mãe por estar negligenciando seus afazeres domésticos, dizia estar feliz por não ter a obrigação de escrever e apenas observar seus filhos e seu marido. Durante esses anos, Katharine tentou fazer com que a filha se interessasse em sua teoria de tipos, sem muito sucesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início dos anos 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, se voluntariou como observadora de aeronaves para a Patrulha Aérea Civil, enfermeira da Cruz Vermelha, secretaria com um programa habitacional para crianças europeias. Durante essa época, leu um artigo descrevendo a &amp;quot;escala de temperamento Humm-Wadsworth&amp;quot;, um teste psicológico feito para colocar pessoas em tipos de trabalho apropriados para suas características e escreveu para sua mãe entusiasmada expressando seu desejo de envolver-se com a alocação de trabalhadores para seus nichos corretos para fazer um mundo melhor e parar os alemães. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1942, um amigo de sua família e um dos primeiros consultores de gestão dos EUA, Edward Northup Hay (1891-1958), a ajudou com essa situação, uma vez que seus filhos já tinham ido para a faculdade e as exigências da maternidade não pesavam mais em sua vida diária. Isabel ganhou um cargo em um departamento que já estava usando o Humm-Wadsworth na equipe de Hay, aprendeu a pontuá-lo e coletou dados empíricos sobre sua eficácia, mas ficou desapontada quando seus dados mostraram que o instrumento não era um indicador útil de desempenho no trabalho. Ela discutiu esse dilema com sua mãe, que propôs a alternativa de desenvolver uma nova avaliação, baseada nas teorias do tipo de personalidade que Katharine vinha estudando há tantos anos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o aumento da força de trabalho durante e depois da Segunda Grande Guerra, os consultores, como Hay, começaram a utilizar testes baratos e padronizados para ajustar o trabalhador ao trabalho, fazendo com que os executivos das empresas ficassem entusiasmados com a ideia de alta lucratividade e moralidade. Em 1943, ela apresentou a Hay uma prévia do Myers-Briggs Type Indicator e suas quatro categorias, dizendo que &amp;quot;quanto mais você sabe sobre um homem, mais efetivamente você pode trabalhar com ele, ou para ele&amp;quot;, apesar de que o empregador podia descobrir &amp;quot;por tentativa e erro, onde seus pontos fortes e fracos estão&amp;quot;, esse processo se provaria &amp;quot;demorado e doloroso&amp;quot;, como uma mulher &amp;quot;experimentando todos os pares de sapato de uma loja para encontrar um adequado. Se homens viessem como sapatos, com seus dados, como tamanho e estilo, marcados fora da caixa, muitos problemas poderiam ser evitados&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;A resposta mais lógica&amp;quot; para essa problemática, Isabel propôs, &amp;quot;está no trabalho do Dr. Carl G. Jung de Zurich&amp;quot; e nas funções básicas da mente: introvertido (I) /extrovertido (E), sensação (S)  /intuição (I), pensamento (T) /sentimento (F) e julgamento (J) /percepção (P). Essas dimensões atribuíam dezesseis tipos de personalidade, baseadas nas suas observações familiares e instintivas, e suas preferências individuais para cada função podiam ser &amp;quot;escolhidas em um Type Indicator&amp;quot;, um teste com mais de cem questões que iria apresentar um perfil individual (tipo de personalidade) em forma de quatro letras. Edward ficou encantado com o protótipo e concordou em distribuí-lo, acreditando que o teste faria uma tremenda diferença na indústria, escolas e orientação vocacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1943, um livreto do teste Briggs-Myers custava cinquenta centavos de dólar, uma folha de respostas custava cinco, por cinco centavos adicionais, receberia um &amp;quot;cartão de personalidade” que mostrava seu tipo por meio de um jogo de conectar pontos, ziguezagueando de uma dimensão de tipo para a próxima. E por três dólares - a oferta mais cara na lista de Hay - o index do tipo de personalidade, um livrinho de 72 páginas que Isabel havia escrito para apresentar os termos e teorias de Jung aos novos interessados. Ela não cobrava pela folha de respostas detalhada que acompanhava cada teste na qual fornecia ao candidato um resumo alegre de seu perfil de personalidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1947, Hay aconselhou o Type Indicator para seus melhores clientes, &amp;quot;pessoas chaves&amp;quot; segundo Isabel, General Eletric, Standard Oil, Bell Telephone, The National Bureau Of Statistics, Bryn Mawr, Swarthmore e vários soldados de alta patente do exército estadunidense. Essas organizações foram as primeiras a dar objetos de estudo em forma de empregados para ela: bons e maus trabalhadores, e até aqueles que tinham sido demitidos anos antes, foram ordenados a voltar e passar por uma bateria de testes - o indicador de tipos, de QI e pesquisas de satisfação. Sua grande chance, no entanto, aconteceu com a ajuda de seu pai. Por meio de seus contatos na academia, ele conseguiu que o MBTI fosse administrado às turmas que ingressavam em medicina na George Washington University, sendo capaz de usar o Indicator com milhares de estudantes. Depois de doze anos, ela procurou esses mesmos alunos para ver se tinham escolhido especialidades que se encaixassem em seus tipos e eles tinham.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1949, na sua pesquisa com 550 funcionários da A.R. Laney&#039;s Washington Gas Light Company, Isabel concluiu que &amp;quot;quando um homem é um tipo adequado ao trabalho, ele não projeta suas insatisfações gerais no serviço&amp;quot;, o que é crucial pro desempenho do trabalhador; os trabalhos que &amp;quot;requerem mais concentração, como contabilidade e outros trabalhos administrativos&amp;quot; eram mais adequados para introvertidos e os extrovertidos provaram ser mais adeptos a serem &amp;quot;leitores de medidores e mecânicos&amp;quot;, no fim encorajando o dono da empresa a contratar ou demitir funcionários de acordo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À medida que Isabel envolvia-se mais no desenvolvimento do MBTI, Katharine menos. Sua progenitora não entendia os métodos estatísticos que Isabel estava usando para validar o instrumento e até sugeriu que seu nome não constasse no título (Isabel recusou). O trabalho de Katharine forneceu a base teórica para o instrumento, mas o instrumento era claramente de Isabel. Katharine contribuiu onde pôde, em particular fornecendo o financiamento muito necessário, enquanto Isabel seguia em frente com sua pesquisa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1956, o reitor de uma das faculdades de medicina com que ela trabalhava reuniu-se com o diretor de uma editora de testes psicométricos, a Educational Testing Service (ETS). Henry Chauncey (1905-2002), líder do ETS, ficou impressionado com o Type Indicator e ofereceu uma proposta a Isabel Myers para distribuí-lo para fins de pesquisa. Em 1957, a ETS assinou contrato com Isabel para publicação do MBTI. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na ETS, Isabel recebeu mais recursos, contudo sua equipe de trabalho composta por pesquisadores e estatísticos suspeitavam e zombavam de sua falta de formação específica e de seus métodos. Além disso, a empresa nunca divulgou seu instrumento, deixando-a insatisfeita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O trabalho de Myers continuou a atrair atenção de mais especialistas. Isabel reuniu uma grande quantidade de dados através de seu trabalho e isso permitiu com que ela refinasse ainda mais seu instrumento, além de conceder a ela mais reconhecimento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1963, seu pai, Lyman J. Briggs, morreu e Isabel precisou afastar-se de seus estudos para cuidar da mãe com problemas de esquecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1964, ela apresentou um artigo sobre suas descobertas com os alunos de medicina da George Washington University, em Los Angeles, na Associação Americana de Psicologia (APA). Nessa época, Isabel também se interessou por enfermagem e parou nas cidades a caminho de casa para persuadir as faculdades a testar seus alunos, assim ela finalmente coletou uma amostra de mais de 10.000 estudantes de enfermagem de 71 escolas de enfermagem e 670 de seu corpo docente. O motivo pelo qual Briggs Myers estava especialmente interessada em estudantes das profissões de saúde era porque acreditava que a percepção precisa e o julgamento informado, ou seja, o bom desenvolvimento do tipo, são especialmente importantes em profissionais que têm a vida de outras pessoas em suas mãos. Ela esperava que o uso do MBTI [instrumento] no treinamento de médicos e enfermeiras levasse a programas para aumentar o comando de percepção e julgamento para todos os tipos, e para ajudar os alunos a escolher as especialidades mais adequadas aos seus dons. Ela retornou à amostra médica de tempos em tempos durante um período de vinte e cinco anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1968, Katherine C. Briggs, já com demência, faleceu em uma casa de repouso na Filadélfia. E com isso, Isabel começou a trabalhar ainda mais para preservar a criação de sua mãe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1972, sua filha, Ann M. Hughes, foi encontrada morta, devido a uma embolia, no banheiro por Isabel. Em luto, a autora voltou a escrever compulsivamente sobre sofrimento: “a velha ideia de que Deus e o Diabo estão lutando por nossas almas pode ser confortante em tempos de confusão” e escondeu a urna com as cinzas de sua filha na casa de um amigo. Desse modo, ela voltou a mergulhar no trabalho, sendo sua razão para viver.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O câncer que tinha se alojado nos gânglios linfáticos de seu braço direito em 1956, voltou 15 anos depois como um par de tumores na parte superior do braço direito e abaixo do cotovelo. Depois da cirurgia, achou a cicatriz insuportável de olhar, inclusive parando de usar seu vestido favorito. Em 1975, descobriu que os tumores tinham retornado em todos os órgãos vitais de seu corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família e os amigos de Isabel sempre pediam a ela para escrever um livro sobre suas teorias de personalidade, mas o projeto sempre era posto em segundo plano em sua coleta e análise de dados. No entanto, quando ela foi diagnosticada com câncer, percebeu que seu tempo poderia estar se esgotando, e com a ajuda de seu filho Peter, publicou seu livro principal sobre tipos, ‘Gifts Differing’. À medida que sua saúde piorava, ela continuou a trabalhar de seu leito, editando e revisando o livro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também, em 1975, vendeu os direitos de seu trabalho para o CPP (Consulting Psychologists Press), diminuindo o questionário, deixando-o menos dogmático, para haver maior identificação com as massas, mais atrativo e fácil compreensão. A receita da empresa subiu de dez mil dólares em 1975 para cem mil dólares em 1979. Na Terceira Conferência Internacional sobre Myers-Briggs, realizada na Filadélfia no dia do octogésimo segundo aniversário de Isabel, poucos meses antes de sua morte, a convidada de honra estava presente, frágil demais para ficar de pé ou falar sozinha, só podia ouvir. “Nem mesmo Isabel parece ter a idade dela”, observou o Dr. John Davies Black, diretor do CPP. &amp;quot;Acho que estamos aqui porque Isabel não age de acordo com a sua idade.&amp;quot; Apenas um ano antes, ele lembrou que pensava que qualquer editor era “louco por se misturar com um autor octogenário”. Mas Isabel provou que ele estava errado e a prova estava no próprio teste. No final de 1979, o CPP havia vendido mais de um milhão de folhas de respostas. &amp;quot;Imagine! Um milhão de pessoas terão aprendido sobre tipos!” Black relatou a Isabel. Ela, angustiada, mas sorrindo de seu lugar à mesa do banquete, não tinha nada a acrescentar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 5 de maio de 1980, na manhã de sua morte, sua família - Peter e sua esposa, seus netos, Chief - se reuniram ao lado de sua cama, onde ela estava descansando sob seu cobertor favorito. Um de seus netos, fazendo uma espécie de oração, citou erroneamente um de seus versos preferidos de poesia. Ela respirou fundo, corrigiu-o e, pouco depois, morreu durante o sono. Alguns dias depois, ela foi cremada e seu marido, depois de recuperar a urna com as cinzas de Ann da casa de seu vizinho, espalhou sua esposa e filha ao vento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A paixão de Isabel Briggs era mostrar às pessoas suas habilidades e ajudá-los a entender como poderiam contribuir com o mundo ao seu redor. No último evento profissional de sua vida, em 1979, ela disse a uma colega sobre suas esperanças acerca do futuro: “Sonho que muito depois de eu partir, meu trabalho continuará ajudando pessoas”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu filho, Peter B. Myers, foi essencial para tornar Myers-Briggs Type Indicator no sucesso mundial que é atualmente. Quando Isabel Myers morreu, ela deixou o direito autoral do teste para seu filho e esposa da época Katharina Downing Myers. Nesse período, o instrumento não era totalmente conhecido, apesar de ela ter trabalhado para no seu desenvolvimento por mais de 40 anos. Peter e Katharine passaram as próximas décadas garantindo o rigor científico e supervisionando o desenvolvimento contínuo da avaliação, junto com The Myers-Briggs Company, antiga CPP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Peter e Katharine ajudaram a fundar o Center for Applications of Psychological Type (CAPT), em Gainesville, Flórida, uma organização sem fins lucrativos iniciada por Isabel Myers e Mary McCaulley, que continua a fornecer pesquisas e treinamento no uso do MBTI. Eles também criaram outra organização, The Myers &amp;amp; Briggs Foundation, que financia pesquisas sobre tipos e suas aplicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Teoria== &lt;br /&gt;
===Tipologia de Myers-Briggs===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a Segunda Guerra Mundial, o teste de personalidade de MBTI foi criado por Isabel Briggs Myers e sua mãe Katharine C. Briggs. Essa ferramenta psicológica foi baseada na teoria de Carl G. Jung (1875-1961). Tinha como principal objetivo auxiliar mulheres que trabalhavam em indústrias militares e ajudar a promover a paz mundial ao proporcionar às pessoas a compreensão da importância das diferenças individuais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O teste MBTI reconhece as dicotomias que são quatro pares opostos de maneiras de pensar e agir. Essas quatro dicotomias são extroversão e introversão, sensação e intuição, razão e sentimento, julgamento e percepção. Os termos que são usados para cada dicotomia possuem significados que são diferentes do usado no cotidiano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Críticas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isabel Briggs recebeu críticas relacionadas não só ao Myers-Briggs Type Indicator como também a sua obra literária Give Me Death (1935), segundo livro da escritora que faz remarcas racistas e eugenistas quando traz um enredo em que uma família branca, dona de terras do sul, começa a cometer suicídio após serem induzidos a crer que havia pessoas negras em sua linhagem familiar. A família preferia morrer a ter “sangue negro” em suas veias e reproduzir o gene a outras pessoas brancas. O exemplar tem como moral a preservação dos “valores” e da “honra” familiar e aqui a leitura indica que pessoas negras representavam ameaça a estes preceitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A respeito do MBTI, novamente, Isabel é criticada pelas ressalvas racistas e também machistas. Na íntegra dos rascunhos do Tipo Indicador, Briggs já deixava escapar os tons preconceituosos que permeiam o trabalho, dessa vez mascarados sob linguagem psicanalista. Isabel escreve “membros de uma escura e supostamente inferior raça são símbolo exemplo para a suprimida e considerada inferior parte da psique de algum”. Em outra instância, Isabel critica a insistência de uma mulher negra que advogava pela igualdade de valor entre as pessoas. Ainda mais, nos primórdios da utilização do teste, era notável a disparidade de pontuações entre homens e mulheres, principalmente referente às funções (P) pensamento e (S) sentimentos, onde mulheres eram mais associadas à função emocional e homens a função lógica. Esta característica se perpetuou até a confecção de questionários com separação explícita, um intitulado &amp;quot;Válido para homens” e outro “Válido para mulheres”. Não surpreendentemente, enquanto a profissão, mulheres eram designadas com mais frequência a cargos como enfermeiras, professoras e secretárias, ao invés de posições executivas ou gerenciais. Por fim, um dos olhares críticos mais relevantes sobre a existência do Myers-Briggs Type Indicator é a sua falta de veracidade científica, visto que Isabel nunca teve treinamento em psicologia ou sociologia; Ainda assim, o MBTI foi implantado por 89 das empresas com maior receita do Fortune 100, pelo governo estadunidense e também por centenas de universidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estes são os trabalhos publicados por Isabel Briggs Myers, além do MBTI, também escreveu ficção (romance):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B. (1929). Murder yet to come. Gainesville, FL: Center for Applications of Psychological Type.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B. (1935). Give me death. London: Gollancz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B. (1962). The Myers-Briggs type indicator: Manual. Palo Alto, CA: Consulting Psychologists Press.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B., Nuernberger, A., &amp;amp; Lawrence, G. (1974). Personality influences in teaching and learning. Tallahassee, FL: Florida Dept. of Education.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B., &amp;amp; Davies, J. A. (1976). Relation of medical students&#039; psychological type to their specialties twelve years later. Gainesville, FL: Center for Applications of Psychological Type.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B. (1979). Type and teamwork. Gainesville, FL: Center for Applications of Psychological Type.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B. (1980). Introduction to type M.B.T.I. Palo Alto, CA: Consulting Psychologists Press.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
McCaulley, M. H., Natter, F. L., Myers, I. B., &amp;amp; Center for Applications of Psychological Type. (1980). Psychological (Myers-Briggs) type differences in education: Taking type into account in education: Isabel Briggs Myers. Gainesville, FL: Center for Applications of Psychological Type.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B., &amp;amp; Myers, P. B. (1980, 1984). Gifts differing: Understanding personality type. Palo Alto, CA: Davies-Black Pub.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B., Most, R., &amp;amp; McCaulley, M. H. (1985). Manual: A guide to the development and use of the Myers-Briggs type indicator. Palo Alto, CA: Consulting Psychologists Press.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B., &amp;amp; McCaulley, M. H. (1989). Contributions of type to executive success. Gainesville, FL: Center for Applications of Psychological Type.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B., &amp;amp; Briggs, K. C. (1993). Myers-Briggs type indicator: form G self-scorable. Palo Alto, CA: Consulting Psychologists Press.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Myers, I. B. &amp;amp; Myers, K. D. (1998). Introduction to type: A guide to understanding your results on the MBTI instrument. Parkville, Vic.: CPP Asia Pacific Ltd.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Prêmios==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1916: ganhou a bolsa de estudos Anson Lapham, com um prêmio de 2000 dólares pelas melhores notas em provas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ficou em segundo lugar em um concurso de ginástica de calouros, uma prova de sua agilidade em saltar aros e dar cambalhotas sobre o cavalo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1929: o livro de Isabel, Murder Yet to Come, ficou em primeiro lugar, em um concurso de escritores de ficção da revista New McClure, ganhando $7500 e um contrato com uma influente editora nova iorquina da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Relação com outras personagens==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um fator muito importante para a elaboração do teste MBTI foi o apoio no trabalho de Carl G. Jung (1875-1961) das funções básicas da mente, com objetivo de proporcionar às pessoas a compreensão da importância das diferenças individuais, Isabel chegou a vender um livro que escreveu, de 72 páginas, para apresentar os termos e teorias de Jung aos novos interessados. Ele se correspondeu por cartas com ela dizendo: “Já faz um tempo que eu não faço nenhum trabalho nesta área, por culpa de outras coisas que tem tomado a base dos meus interesses. Porém eu deveria dizer que para o futuro do desenvolvimento de Teoria tipológica o seu Type Indicator será de grande ajuda.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa esteira, sendo um dos sonhos de Isabel demonstrar às pessoas suas habilidades e ajudá-los a entender como poderiam contribuir com o mundo ao seu redor, deixou como herança os direitos do teste em comento para seu filho e para sua então esposa, Katharina Downing Myers, sendo eles possibilitadores de tornar Myers-Briggs Type Indicator um sucesso mundial ainda hoje. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Tipologia_de_Myers-Briggs&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Katharine_Cook_Briggs&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CENTER FOR APPLICATIONS OF PSYCHOLOGICAL TYPE - CAPT (EUA). The Story of Isabel Briggs Myers. Disponível em: &amp;lt;https://www.capt.org/mbti-assessment/isabel-myers.htm&amp;gt;. Acesso em: 04 ago. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
EMRE, Merve. The personality brokers : the strange history of Myers-Briggs and the birth of personality testing. Nova York: Doubleday Books, 2018. 336 p.&lt;br /&gt;
&amp;lt;http://www.worldcat.org/oclc/1107855968&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FAMILY OF PETER BRIGGS MYERS (England &amp;amp; Wales). The Myers-Briggs Company (org.). Peter Briggs Myers obituary. 2018. Disponível em: &amp;lt;https://eu.themyersbriggs.com/en/About/News/1802-Peter-Briggs-Myers-obituary&amp;gt;. Acesso em: 04 ago. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FORSYTHE, Alex. Katharine Cook Briggs and Isabel Briggs Myers: the indicator. In: FORSYTHE, Alex. Key Thinkers in Individual Differences: ideas on personality and intelligence. Abingdon: Routledge, 2019. Cap. 12. p. 96-103. &amp;lt;http://www.worldcat.org/oclc/1124965693&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MAGALHÃES, Paulo. Teste de personalidade MBTI: você conhece essa metodologia?. 2018. Disponível em: &amp;lt;https://blog.trello.com/br/teste-de-personalidade-mbti&amp;gt;. Acesso em: 13 set. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MERVE EMRE (EUA). Digg. Uncovering The Secret History Of Myers-Briggs. 2015. Disponível em: &amp;lt;https://digg.com/2015/myers-briggs-secret-history&amp;gt;. Acesso em: 04 ago. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MOLLY OWENS (EUA). Truity. The History of Katharine Briggs, Isabel Myers, and the MBTI®. Disponível em: &amp;lt;https://www.truity.com/myers-briggs/story-of-mbti-briggs-myers-biography&amp;gt;. Acesso em: 04 ago. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SCHWARZ, Stephanie. Teste MBTI: para que serve e como usar?. 2021. Disponível em: &amp;lt;https://www.quickin.io/2021/04/22/teste-mbti-para-que-serve-e-como-usar/&amp;gt;. Acesso em: 13 set. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
THE MYERS &amp;amp; BRIGGS FOUNDATION (EUA). Isabel Briggs Myers. Disponível em: &amp;lt;https://www.myersbriggs.org/my-mbti-personality-type/mbti-basics/isabel-briggs-myers.htm&amp;gt;. Acesso em: 04 ago. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
UNIVERSITY OF FLORIDA GEORGE A. SMATHERS LIBRARIES AND ARCHIVES (EUA) (org.). The Isabel Briggs Myers Papers: Digital Collection. Disponível em: &amp;lt;https://ufdc.ufl.edu/myersbriggs&amp;gt;. Acesso em: 04 ago. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
UNIVERSITY OF FLORIDA GEORGE A. SMATHERS LIBRARIES AND ARCHIVES (EUA) (org.). Women&#039;s &amp;amp; Gender Studies: Isabel Briggs Myers. Disponível em: &amp;lt;https://guides.uflib.ufl.edu/womensandgenderstudies/Isabel_Briggs_Myers&amp;gt;. Acesso em: 04 ago. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links externos==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SAUNDERS, Frances Wright. Katharine and Isabel: mother&#039;s light, daughter&#039;s journey. Palo Alto: Davies-Black, 1991. 230 p. &amp;lt;http://www.worldcat.org/oclc/23870255&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PERSONA: The Dark Truth Behind Personality Tests. Direção: Tim Travers Hawkins. Produção: Merve Emre (HBO MAX). Roteiro: Tim Travers Hawkins, Mark Monroe. Música: Nainita Desai. 2021. (85 min.), color. Legendado. &amp;lt;https://www.imdb.com/title/tt14173880/&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Carolina P. C. Rodrigues, Beatriz P. de Oliveira, Daniel A. de Oliveira Junior, Laura M. Vieira, Mickaela Faria, Nicole C. de Souza , como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Adelheid_Lucy_Koch&amp;diff=248</id>
		<title>Adelheid Lucy Koch</title>
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		<updated>2021-10-04T14:53:35Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Adelheid Lucy Koch nasceu em Berlim (Alemanha) em 16 de outubro de 1896. Foi uma médica formada pela Universidade de Berlim e pioneira da psicanálise no Brasil. Sua vinda para o novo território é fruto da perseguição antissemita que sofria por ter origem judaica. Ficou conhecida por difundir os saberes que circulavam na Europa sobre a psicanálise freudiana no Brasil. Fez parte do grupo dos primeiros analistas brasileiros, o que foi essencial para fundar a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid Koch graduou-se em Medicina na Universidade de Berlim em 1924 e, posteriormente, submeteu-se a análise - por quatro anos e meio - com Otto Fenichel para ingressar como candidata no Instituto de Psicanálise de Berlim (1929), tornando-se membro em 1935. Com a ameaça de uma Segunda Guerra Mundial, e com a intensificação do antissemitismo e do regime Nazista na Alemanha, Adelheid, de origem judia e, portanto, sofria as consequências das perseguições à sua etnia aliada à sua condição profissional de psicanalista - refém das queimas dos livros de Freud, origem judaica e alvo da arianização das instituições médicas-, decide vir ao Brasil. Ademais, foi convidada para vir ao país para exercer a função de analista-didata e participar da formação de novos psicanalistas..&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1936, a Dra. Koch chega ao novo país com sua família e, sem nenhum contato com a língua portuguesa, tem, de início, dificuldades em se adaptar ao novo lar, como retrata sua filha Eleonora: &amp;quot; acho que foi difícil por causa da língua. Eles não sabiam como se comportar. A coisa não é só a língua falada, mas é a gente entender a coisa extraverbal&amp;quot; (KOCH, 1994, p.18). Diante disso, Adelheid só irá entrar em contato com Durval Marcondes para iniciar seus trabalhos no ano seguinte, em julho de 1937.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seus primeiros candidatos a análise foram algumas das pessoas que contribuíram para a formação do primeiro núcleo psicanalítico da América Latina. Isso pois, como as ideias ainda eram muito recentes no Brasil, ela teve que assumir a postura de analista e professora. Dentre esses candidatos encontram-se figuras importantes para o movimento psicanalítico no Brasil, como Darcy Uchôa, Virgínia Bicudo, Flávio Dias e etc. Esse grupo almejava integrar-se na IPA (Associação Internacional de Psicanálise), uma tarefa que demandava tempo e dedicação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 9 de outubro de 1943, a Dra. Koch enviou uma carta a Ernest Jones, que presidia a IPA, para que os psicanalistas formados pelo núcleo se tornassem membros de uma filial do IPA. Dois meses depois Jones respondeu e concordou em aceitar tais nomes indicados, pavimentando o terreno da fundação do Grupo Psicanalítico de São Paulo em 1944, que foi reconhecido definitivamente como filial apenas no ano de 1951. Assim, a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) tornou-se um marco muito significativo para a psicanálise brasileira, atingindo níveis clínicos e científicos inimagináveis na década de 1970 e de 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma viagem à Inglaterra em 1948, Adelheid assistiu seminários de psicanalistas, dentre eles a de Anna Freud, e entrou em contato com a teoria de Melanie Klein, constatando que: “ a aproximação do ponto de vista kleiniano é bem mais natural e fácil pra mim do que imaginei, e estou aprendendo muito” (KOCH, 1994, p.20). Isto representa a visão não ortodoxa da Dra. Koch em relação à psicanálise, pois além de estudar a fundo a teoria de Freud, se permitiu conhecer teorias diferentes e que impactaram na sua atuação como a própria Melanie Klein e outros autores como Ferenczi e Bion. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid, em 1966, começa a sentir os sintomas do que viria a ser diagnosticada, câncer nas glândulas salivares, no ano seguinte busca um tratamento nos EUA, e morre em 29 de julho de 1980 em São Paulo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeira psicanalista didata no Brasil e em toda América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pioneira da psicanálise no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Membro do Instituto de Psicanálise de Berlim em 1934.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ministrava os seminários teóricos-clínicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Participou da formação de novos psicanalistas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Teoria==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid Koch deixou poucos escritos teóricos durante sua vida. Em uma palestra dada na Conferência feita na Secção de Neuro-Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina em 5 de outubro de 1945 ela apresentou métodos de análise clínica e o que consistia o processo analítico, ou seja, a procura de conhecer a origem dos sintomas psíquicos. Para a Dra. Koch os afetos psíquicos e sociais podem ter as mesmas origens, mesmos em situações diferentes - a relação de poder entre pai e filho que pode levar ao paciente atribuir ao médico o poder que atribuía aos pais na infância. Indicava, portanto, que a infância poderia ser a gênese para entender processos mentais neuróticos, por exemplo, como ela mesmo diz:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Os atos de severidade e castigo estimulam na criança impulsos hostis e vingativos que ela, por medo do pai, não pode demonstrar nem descarregar: a dependência e o medo obrigam-na a reprimir tais impulsos hostis que, desta forma, se acumulam na sua psique(...). A neurose é, pois, o resultado da fuga, ou melhor, da defesa do indivíduo contra os perigos da vida impulsiva, e esta defesa começa na infância”.   (KOCH, 1945, p. 459)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Críticas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O surgimento da psicanálise no Brasil, passou por diversos entraves no meio acadêmico para ser reconhecida como uma ciência de fato. Foi preciso muito empenho e divulgação científica para que o movimento atraísse força, e ainda assim, durante o período de 1910 a 1940, permaneceu discriminado pelas instituições renomadas do Estado. A tentativa de que a psicanálise fosse reconhecida pela Faculdade de Medicina foi falha e um clima crescente de hostilidade e marginalização era notório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durval Marcondes tentou reverter esse cenário contatando a IPA para que mandasse ao Brasil uma psicanalista-didata, com o intuito de alavancar as pesquisas aqui no país e atender uma demanda que estava em falta. Em 1936 chega Adelheid Koch psicanalista alemã, que junto com Durval vão atuar na institucionalização da psicanálise no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Discípulos/Seguidores/Quem influenciou==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid Koch trabalhou como assistente de Durval Marcondes na cadeira de psicanálise na Escola de Sociologia e Política no período entre 1939 e 1941, convidada a contribuir com o Instituto de higiene mental público, e no meio tempo foi desenvolvendo os seus estudos sobre psicanálise e aprendendo sobre a cultura e língua brasileira. Por essa ótica, as produções de Adelheid apresentam grande respaldo e influência das obras freudianas, utilizado em suas pesquisas na área da psicanálise infantil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua posição de analista, Adelheid ensinou aos seus analisandos conhecimentos de psicanálise, propiciando um espaço de debate em que todos podiam manifestar suas opiniões, sendo muito querida pelos que a rodeavam e conhecida por sua personalidade amável e imponente. Seus primeiros seguidores foram Flávio Diaz e Virgínia Bicudo, na qual se destacou posteriormente como uma analista eminente em um meio extremamente misógino e por ter estreado o divã da doutora Adelheid Koch, em 1937. Seguidamente, Darcy Uchôa, Durval, Lygia Amaral, Isaías Melshon, Ferrão, Judith Andreucci uniram-se ao grupo. Logo, A Dr.Koch influenciou um contingente de novos emergentes da psicanálise com seus trabalhos, os quais constituíram o primeiro grupo de psicanalistas brasileiros. O seu trabalho recebeu apoio do jornalista e empresário do José Nabantino Ramos, do grupo Folha, e Adelheid buscou a associação psicanalítica internacional (IPA) em busca da efetivação e prestígio da sociedade paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid Koch deixou poucos escritos e obras em seu acervo, porém, como analista-didata, produziu diversos seminários, aulas e artigos, entre eles:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Análise de resistência numa neurose narcísica - 1935.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Elementos básicos da terapia psicanalítica – 1945. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Omnipotence and sublimation – 1956.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Relação com outros personagens ou teorias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Flávio Dias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Darcy de Mendonça Uchôa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Virgínia L. Bicudo; Durval Marcondes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lygia Amaral. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isaías Melsohn. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Frank J. Philips. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Otto Fenichel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Durval_Marcondes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Virg%C3%ADnia_Bicudo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
GALVÃO, LUIZ DE ALMEIDA PRADO. Notas para a história da psicanálise em São Paulo. Revista Brasileira de Psicanálise, v. 50, n. 1, p. 28–43, 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GOMES, Maria; BICUDO, Virgínia; TEPERMAN, Maria; et al. Uma história brasileira 1. JORNAL de PSICANÁLISE, v. 46, n. 85, p. 209–229, 2013. Disponível em: &amp;lt;http://pepsic.bvsalud.org/pdf/jp/v46n85/v46n85a19.pdf&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
KOCK, A. Elementos básicos da terapia psicanalítica. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 3, n. 4, p. 458–466, dez. 1945.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
‌NOSEK, Leopold. Álbum de família: imagens, fontes e idéias da psicanálise em São Paulo. Casa do Psicólogo, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Marina Toledo, Rebeca Goifman e Sophie Prado, como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
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		<updated>2021-10-04T14:51:40Z</updated>

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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Adelheid Lucy Koch nasceu em Berlim (Alemanha) em 16 de outubro de 1896. Foi uma médica formada pela Universidade de Berlim e pioneira da psicanálise no Brasil. Sua vinda para o novo território é fruto da perseguição antissemita que sofria por ter origem judaica. Ficou conhecida por difundir os saberes que circulavam na Europa sobre a psicanálise freudiana no Brasil. Fez parte do grupo dos primeiros analistas brasileiros, o que foi essencial para fundar a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid Koch graduou-se em Medicina na Universidade de Berlim em 1924 e, posteriormente, submeteu-se a análise - por quatro anos e meio - com Otto Fenichel para ingressar como candidata no Instituto de Psicanálise de Berlim (1929), tornando-se membro em 1935. Com a ameaça de uma Segunda Guerra Mundial, e com a intensificação do antissemitismo e do regime Nazista na Alemanha, Adelheid, de origem judia e, portanto, sofria as consequências das perseguições à sua etnia aliada à sua condição profissional de psicanalista - refém das queimas dos livros de Freud, origem judaica e alvo da arianização das instituições médicas-, decide vir ao Brasil. Ademais, foi convidada para vir ao país para exercer a função de analista-didata e participar da formação de novos psicanalistas..&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1936, a Dra. Koch chega ao novo país com sua família e, sem nenhum contato com a língua portuguesa, tem, de início, dificuldades em se adaptar ao novo lar, como retrata sua filha Eleonora: &amp;quot; acho que foi difícil por causa da língua. Eles não sabiam como se comportar. A coisa não é só a língua falada, mas é a gente entender a coisa extraverbal&amp;quot; (KOCH, 1994, p.18). Diante disso, Adelheid só irá entrar em contato com Durval Marcondes para iniciar seus trabalhos no ano seguinte, em julho de 1937.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seus primeiros candidatos a análise foram algumas das pessoas que contribuíram para a formação do primeiro núcleo psicanalítico da América Latina. Isso pois, como as ideias ainda eram muito recentes no Brasil, ela teve que assumir a postura de analista e professora. Dentre esses candidatos encontram-se figuras importantes para o movimento psicanalítico no Brasil, como Darcy Uchôa, Virgínia Bicudo, Flávio Dias e etc. Esse grupo almejava integrar-se na IPA (Associação Internacional de Psicanálise), uma tarefa que demandava tempo e dedicação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 9 de outubro de 1943, a Dra. Koch enviou uma carta a Ernest Jones, que presidia a IPA, para que os psicanalistas formados pelo núcleo se tornassem membros de uma filial do IPA. Dois meses depois Jones respondeu e concordou em aceitar tais nomes indicados, pavimentando o terreno da fundação do Grupo Psicanalítico de São Paulo em 1944, que foi reconhecido definitivamente como filial apenas no ano de 1951. Assim, a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) tornou-se um marco muito significativo para a psicanálise brasileira, atingindo níveis clínicos e científicos inimagináveis na década de 1970 e de 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma viagem à Inglaterra em 1948, Adelheid assistiu seminários de psicanalistas, dentre eles a de Anna Freud, e entrou em contato com a teoria de Melanie Klein, constatando que: “ a aproximação do ponto de vista kleiniano é bem mais natural e fácil pra mim do que imaginei, e estou aprendendo muito” (KOCH, 1994, p.20). Isto representa a visão não ortodoxa da Dra. Koch em relação à psicanálise, pois além de estudar a fundo a teoria de Freud, se permitiu conhecer teorias diferentes e que impactaram na sua atuação como a própria Melanie Klein e outros autores como Ferenczi e Bion. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid, em 1966, começa a sentir os sintomas do que viria a ser diagnosticada, câncer nas glândulas salivares, no ano seguinte busca um tratamento nos EUA, e morre em 29 de julho de 1980 em São Paulo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeira psicanalista didata no Brasil e em toda América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pioneira da psicanálise no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Membro do Instituto de Psicanálise de Berlim em 1934.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ministrava os seminários teóricos-clínicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Participou da formação de novos psicanalistas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Teoria==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid Koch deixou poucos escritos teóricos durante sua vida. Em uma palestra dada na Conferência feita na Secção de Neuro-Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina em 5 de outubro de 1945 ela apresentou métodos de análise clínica e o que consistia o processo analítico, ou seja, a procura de conhecer a origem dos sintomas psíquicos. Para a Dra. Koch os afetos psíquicos e sociais podem ter as mesmas origens, mesmos em situações diferentes - a relação de poder entre pai e filho que pode levar ao paciente atribuir ao médico o poder que atribuía aos pais na infância. Indicava, portanto, que a infância poderia ser a gênese para entender processos mentais neuróticos, por exemplo, como ela mesmo diz:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Os atos de severidade e castigo estimulam na criança impulsos hostis e vingativos que ela, por medo do pai, não pode demonstrar nem descarregar: a dependência e o medo obrigam-na a reprimir tais impulsos hostis que, desta forma, se acumulam na sua psique(...). A neurose é, pois, o resultado da fuga, ou melhor, da defesa do indivíduo contra os perigos da vida impulsiva, e esta defesa começa na infância”.   (KOCH, 1945, p. 459)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Críticas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O surgimento da psicanálise no Brasil, passou por diversos entraves no meio acadêmico para ser reconhecida como uma ciência de fato. Foi preciso muito empenho e divulgação científica para que o movimento atraísse força, e ainda assim, durante o período de 1910 a 1940, permaneceu discriminado pelas instituições renomadas do Estado. A tentativa de que a psicanálise fosse reconhecida pela Faculdade de Medicina foi falha e um clima crescente de hostilidade e marginalização era notório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durval Marcondes tentou reverter esse cenário contatando a IPA para que mandasse ao Brasil uma psicanalista-didata, com o intuito de alavancar as pesquisas aqui no país e atender uma demanda que estava em falta. Em 1936 chega Adelheid Koch psicanalista alemã, que junto com Durval vão atuar na institucionalização da psicanálise no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Discípulos/Seguidores/Quem influenciou==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid Koch trabalhou como assistente de Durval Marcondes na cadeira de psicanálise na Escola de Sociologia e Política no período entre 1939 e 1941, convidada a contribuir com o Instituto de higiene mental público, e no meio tempo foi desenvolvendo os seus estudos sobre psicanálise e aprendendo sobre a cultura e língua brasileira. Por essa ótica, as produções de Adelheid apresentam grande respaldo e influência das obras freudianas, utilizado em suas pesquisas na área da psicanálise infantil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua posição de analista, Adelheid ensinou aos seus analisandos conhecimentos de psicanálise, propiciando um espaço de debate em que todos podiam manifestar suas opiniões, sendo muito querida pelos que a rodeavam e conhecida por sua personalidade amável e imponente. Seus primeiros seguidores foram Flávio Diaz e Virgínia Bicudo, na qual se destacou posteriormente como uma analista eminente em um meio extremamente misógino e por ter estreado o divã da doutora Adelheid Koch, em 1937. Seguidamente, Darcy Uchôa, Durval, Lygia Amaral, Isaías Melshon, Ferrão, Judith Andreucci uniram-se ao grupo. Logo, A Dr.Koch influenciou um contingente de novos emergentes da psicanálise com seus trabalhos, os quais constituíram o primeiro grupo de psicanalistas brasileiros. O seu trabalho recebeu apoio do jornalista e empresário do José Nabantino Ramos, do grupo Folha, e Adelheid buscou a associação psicanalítica internacional (IPA) em busca da efetivação e prestígio da sociedade paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid Koch deixou poucos escritos e obras em seu acervo, porém, como analista-didata, produziu diversos seminários, aulas e artigos, entre eles:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Análise de resistência numa neurose narcísica - 1935.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Elementos básicos da terapia psicanalítica – 1945. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Omnipotence and sublimation – 1956.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Relação com outros personagens ou teorias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Flávio Dias; Darcy de Mendonça Uchôa; Virgínia L. Bicudo; Durval Marcondes; Lygia Amaral; Isaías Melsohn; Frank J. Philips; Otto Fenichel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Durval_Marcondes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Virg%C3%ADnia_Bicudo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
GALVÃO, LUIZ DE ALMEIDA PRADO. Notas para a história da psicanálise em São Paulo. Revista Brasileira de Psicanálise, v. 50, n. 1, p. 28–43, 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GOMES, Maria; BICUDO, Virgínia; TEPERMAN, Maria; et al. Uma história brasileira 1. JORNAL de PSICANÁLISE, v. 46, n. 85, p. 209–229, 2013. Disponível em: &amp;lt;http://pepsic.bvsalud.org/pdf/jp/v46n85/v46n85a19.pdf&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
KOCK, A. Elementos básicos da terapia psicanalítica. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 3, n. 4, p. 458–466, dez. 1945.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
‌NOSEK, Leopold. Álbum de família: imagens, fontes e idéias da psicanálise em São Paulo. Casa do Psicólogo, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Marina Toledo, Rebeca Goifman e Sophie Prado, como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Eliezer_Schneider&amp;diff=246</id>
		<title>Eliezer Schneider</title>
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		<updated>2021-10-04T14:32:32Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Eliezer Schneider, nascido na cidade do Rio de Janeiro em 18 de outubro de 1916, filho de Scylla e Jacob Schneider, foi bacharel em Ciências Sociais e Jurídicas e mestre em Psicologia. Sua atuação profissional foi voltada principalmente à formação de psicólogos e pós-graduação, sendo um dos primeiros professores do curso de Psicologia na UFRJ e outras universidades. Faleceu, em 26 de agosto de 1998 na cidade do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
===Início da vida===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eliezer Schneider nasceu na cidade do Rio de Janeiro, então capital do país, em outubro de 1916. Filho único de Scylla e Jacob Schneider, cresceu e viveu na sua cidade natal até casar-se com a gaúcha Guiomar Schneider.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pouco se sabe sobre a sua juventude. Ainda na adolescência ingressou na Juventude Comunista e sua participação perdurou durante toda a sua graduação em Ciências Sociais e Jurídicas na Faculdade Nacional de Direito. Foi durante sua graduação, inclusive, que Eliezer teve sua participação mais significativa frente à repressão: atuou na criação da União Nacional dos Estudantes (UNE) (1936-37), ocupou o cargo de presidente do Comitê Estudantil de Esquerda contra a Guerra e o Fascismo (1935) e ainda foi preso por 2 vezes por conspiração e “atividades de caráter subversivo”, mas foi solto após uma noite na primeira vez e absolvido na segunda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua militância teve grandes efeitos em sua trajetória profissional, impossibilitando-o de usufruir oportunidades tanto fora do país, na década de 1950, quando foi impedido de ingressar no doutorado em Iowa University, quanto em solo brasileiro, durante a ditadura militar, nas décadas de 1960 à 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===1930 - 1960=== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formou-se em Direito, pela Universidade do Brasil (atual UFRJ), mas nunca chegou a exercer a profissão e logo começou a se interessar pela psicologia, sendo, portanto, um dos primeiros brasileiros a possuir formação acadêmica na mesma. Segundo Eliezer, seu interesse pela área psicológica surgiu com o estudo do Direito a partir do momento em que ele começou a se fazer perguntas do tipo: “como entender o criminoso?”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Graduou-se na época do direito positivo, ou seja, o mesmo era embasado no Iluminismo e no livre-arbítrio, de modo que o crime era caracterizado como uma escolha do indivíduo, e cada ato, possuía uma consequência. Com isso, no meio desse cenário, as questões de responsabilidade, punição e suas possíveis relações com a loucura começaram a atrair a atenção de Schneider, que decide partir para uma área que pudesse responder os seus questionamentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1941, ingressou na Psicologia através de um concurso do DASP (Departamento de Administração do Serviço Público) para “Técnico de Assuntos Educacionais” também na Universidade do Brasil, afinal, nessa época, os cursos de psicologia ainda não eram regulamentados no Brasil, algo que só ocorre em 1962.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após um período nos Estados Unidos, tornou-se mestre pela Iowa University, tendo defendido a tese sobre as teorias emergentistas da personalidade (1947); e, voltando ao Brasil, ingressou como psicotécnico no ISOP (Instituto de Seleção e Orientação Profissional da Fundação Getúlio Vargas) em 1949.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eliezer pensou em retornar aos EUA para realizar seu doutorado, mas logo após a aprovação da Iowa University, recebeu um aviso do Departamento de Estado de que seu ingresso ao país estava vetado, isso porque estava em vigor o Macartismo e seus envolvimentos com a Juventude Comunista o tornaram alguém que muitos não tinham prestígio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1951, casou-se com Guiomar, teve um filho, Jean Bayard, e se mudou para Porto Alegre (permaneceu lá entre 1953 e 1954), onde trabalhou como professor na PUC-RS e como psicotécnico no Departamento de Estradas de Rodagem. Ainda nesse ano, Schneider criou, junto a Antônio Gomes Penna, o Boletim do Instituto de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Retornou ao Rio de Janeiro, local onde trabalhou em diversas fontes diferentes, tornando-se Diretor do Colégio Hebreu Brasileiro e psicólogo do Manicômio Judiciário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na metade dos anos 50, as discussões sobre a regulamentação da profissão do psicólogo estavam em pleno fervor. Nessa época surgem discordâncias entre diversos personagens, as quais giravam em torno de fazer da psicologia uma ciência “prática” ou “teórica”. Com isso, Schneider é chamado para atuar como mediador da discussão, mas a função não obtém sucesso. Mesmo assim, cria-se uma comissão para a proposição de um anteprojeto sobre o tema, a qual Eliezer é chamado a compor. Da mesma, surge a Lei 4.119 que regulamenta a profissão e os cursos, além de o Parecer 43/62, que estabelece o currículo mínimo do curso de psicologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A regulamentação da profissão ocorreu em 1962 e após isso, diversos cursos foram criados. Eliezer torna-se um dos primeiros professores em alguns deles: na UFRJ, local onde já trabalhava, UERJ, FAHUPE (Faculdade de Humanidades Pedro II) e Universidade Gama Filho. Em todas elas, permaneceu com um esforço: integrar a disciplina de Psicologia Jurídica nos currículos. Trabalhou também com a pós-graduação no ISOP, IEASE (Instituto De Ensino Superior Albert Einstein), UFRJ e UGF.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Schneider casou-se novamente em 1968 com Fanny, com quem teve mais um filho (Marco André).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===1970-1998===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 70 ele publica seu único livro &amp;quot;Psicologia Social - histórica, cultural, política&amp;quot; (1978), e encerra - em 1974- o Boletim do instituto de psicologia após 23 anos de duração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Schneider permaneceu na UFRJ, UERJ e FAHUPE (Faculdade de Humanidades Pedro II) entre os anos setenta e oitenta. Já na Gama Filho, ele trabalhou até 1998. Segundo ele, lecionar era sua vocação e onde ele se sentia melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele faleceu na véspera do dia do Psicólogo, em 26 de agosto de 1998, e aqueles que conviveram com ele - docentes e discentes em sua maioria - disseram ter perdido um grande mestre e amigo, devido ao seu modo gentil e amigável de se expressar, falar, ensinar e conviver com as pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contribuições== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua principal contribuição à Psicologia é a formação de uma geração de professores de Psicologia Social que rompem com o paradigma individualista tão característico da nova ciência. Paradigma este que exclui completamente o contexto social do sujeito e, munido do ideal de livre arbítrio, iguala juridicamente todos os indivíduos. Schneider imputa a seus graduandos a relevância dos fatores econômicos, socioculturais, políticos e históricos na análise do comportamento, principalmente do comportamento infrator. Sua influência enquanto docente é reafirmada quando leva-se em consideração que o professor orienta cerca de 40 dissertações e teses e, pelo menos, cento e cinquenta comissões examinadoras. E, embora seja também pesquisador, destaca-se pela docência, o que exerce até o fim de sua vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Schneider inclusive é convidado a compor a comissão de anteprojeto, a partir do qual, após posteriores contribuições, surge a Lei 4.119, que regulamenta a profissão de psicólogo e seus cursos. Aqui explicitando seu esforço para incluir a disciplina de Psicologia Jurídica no currículo dos cursos. Com isso, contribui não só para a criação da profissão de psicólogo, mas principalmente para um novo fazer e saber psicológico, muito caracterizado pela transversalidade com sociologia. Eis então o berço da Psicologia Social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Cronologia Biográfica==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1916: Nascimento em 18 de outubro, na cidade do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1939: Graduação de Ciências Sociais e Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1941: Assistente de Ensino no Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1947: Mestre em Psicologia pela Graduate College da State University of Iowa, Iowa, City, EUA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1950: Chefe da Divisão de Pesquisas Experimentais do Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil (Rio de Janeiro, RJ)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1953: Professor de Psicologia de Personalidade na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Porto Alegre, RS)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1954: Psicologista e “Técnico de Assuntos Educacionais”, no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1965: Professor Titular do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho, do Instituto de Psicologia da UFRJ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1967: Professor Titular de Psicologia Geral e Experimental de cursos de graduação de Psicologia, da Universidade de Gama Filho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1970: Chefe de Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia da UEG e Chefe de Departamento de Psicologia Social e do Trabalho no Instituto de Psicologia da UFRJ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1973: Membro do Conselho Universitário da UERJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1975: Membro do Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro, como psicólogo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1978: Publica seu único livro: Psicologia Social – histórica, cultural e política.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1978: Diretor Adjunto de Pós-graduação no Instituto de Psicologia da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1986: Aposentadoria como professor do Instituto de Psicologia da UFRJ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1988: Título de Professor Emérito da UFRJ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1998: Falecimento em 26 de agosto, no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Relação com outros personagens==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando se trata da relação de Eliezer Schneider com outros personagens, é imprescindível citar Antonio Gomes Penna — importante precursor da psicologia brasileira — que foi o seu grande amigo por cerca de cinquenta anos onde ao longo desses anos se juntam editorialmente para escrever em 1951 o Boletim do Instituto de Psicologia e artigos em muitas outras revistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre outras amizades estão Edu Viana Guerra — técnico em educação e  criaram juntos uma revista de psicologia em que publicaram artigos regularmente — e Franco Lo Presti Seminério que em conjunto com Eliezer Schneider e outros psicólogos atuaram na institucionalização da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano 1965, o professor Hans Ludwig Lippmann, convidou Eliezer Schneider para lecionar psicologia social na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Em relação a Psicologia Social, Eliezer toma como inspiração Otto Klineberg, psicólogo canadense e professor. Ele fora também orientado por Emilio Mira y López em um trabalho de seleção importante no instituto rio branco e também por Jayme Grabois nas atividades de psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Instituto_de_Psicologia_da_UFRJ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ELIEZER Schneider. Psicologia: Ciência e Profissão [online]. 2004, v. 24, n. 2, pp. 137. Disponível em: &amp;lt;https://doi.org/10.1590/S1414-98932004000200014&amp;gt;. Acesso em: 14 de agosto de 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
JACÓ-VILELA, A. Eliezer Schneider. Estudos de Psicologia. 1997, v. 2, n. 1, pp. 109-134. Disponível em: &amp;lt;https://www.scielo.br/j/epsic/a/y8sjCBJxRgBM8s3DsH568bC/?lang=pt#&amp;gt;. Acesso em: 14 de agosto de 2021. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
JACÓ-VILELA, A. Eliezer Schneider: um esboço biográfico. Estudos de Psicologia. 1999, v. 4, n. 2, pp. 331-350. Disponível em: &amp;lt;https://www.scielo.br/j/epsic/a/WMqgpcLPgqwWjq6LwNj5cSt/?format=pdf&amp;amp;lang=pt&amp;gt;. Acesso em: 14 de agosto de 2021. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
LIMA, Renato Sampaio. História da psicologia social no Rio de Janeiro: dois importantes personagens. Fractal: Revista de Psicologia, 2009, v. 21, n. 2, pp. 409-423. Disponível em: &amp;lt;https://doi.org/10.1590/S1984-02922009000200014&amp;gt;. Acesso em: 14 de agosto de 2021. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VASCONCELLOS, Maira Allucham Goulart Naves Trevisan. Algumas repercussões do posicionamento político-ideológico na carreira profissional de Eliezer Schneider. Revista Psicologia Política.,  São Paulo ,  v. 19, n. 44, p. 88-96, abr.  2019 .   Disponível em &amp;lt;http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1519-549X2019000100010&amp;gt;. acessos em  24  ago.  2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Francine Ribeiro, Melissa Iara, Micaelly Guimarães, Vitória Maria, Roselaine Lima, como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
	</entry>
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		<title>Eliezer Schneider</title>
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		<updated>2021-10-04T14:32:03Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: Criou página com &amp;#039;Eliezer Schneider, nascido na cidade do Rio de Janeiro em 18 de outubro de 1916, filho de Scylla e Jacob Schneider, foi bacharel em Ciências Sociais e Jurídicas e mestre em...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Eliezer Schneider, nascido na cidade do Rio de Janeiro em 18 de outubro de 1916, filho de Scylla e Jacob Schneider, foi bacharel em Ciências Sociais e Jurídicas e mestre em Psicologia. Sua atuação profissional foi voltada principalmente à formação de psicólogos e pós-graduação, sendo um dos primeiros professores do curso de Psicologia na UFRJ e outras universidades. Faleceu, em 26 de agosto de 1998 na cidade do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
===Início da vida===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eliezer Schneider nasceu na cidade do Rio de Janeiro, então capital do país, em outubro de 1916. Filho único de Scylla e Jacob Schneider, cresceu e viveu na sua cidade natal até casar-se com a gaúcha Guiomar Schneider.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pouco se sabe sobre a sua juventude. Ainda na adolescência ingressou na Juventude Comunista e sua participação perdurou durante toda a sua graduação em Ciências Sociais e Jurídicas na Faculdade Nacional de Direito. Foi durante sua graduação, inclusive, que Eliezer teve sua participação mais significativa frente à repressão: atuou na criação da União Nacional dos Estudantes (UNE) (1936-37), ocupou o cargo de presidente do Comitê Estudantil de Esquerda contra a Guerra e o Fascismo (1935) e ainda foi preso por 2 vezes por conspiração e “atividades de caráter subversivo”, mas foi solto após uma noite na primeira vez e absolvido na segunda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua militância teve grandes efeitos em sua trajetória profissional, impossibilitando-o de usufruir oportunidades tanto fora do país, na década de 1950, quando foi impedido de ingressar no doutorado em Iowa University, quanto em solo brasileiro, durante a ditadura militar, nas décadas de 1960 à 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===1930 - 1960=== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formou-se em Direito, pela Universidade do Brasil (atual UFRJ), mas nunca chegou a exercer a profissão e logo começou a se interessar pela psicologia, sendo, portanto, um dos primeiros brasileiros a possuir formação acadêmica na mesma. Segundo Eliezer, seu interesse pela área psicológica surgiu com o estudo do Direito a partir do momento em que ele começou a se fazer perguntas do tipo: “como entender o criminoso?”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Graduou-se na época do direito positivo, ou seja, o mesmo era embasado no Iluminismo e no livre-arbítrio, de modo que o crime era caracterizado como uma escolha do indivíduo, e cada ato, possuía uma consequência. Com isso, no meio desse cenário, as questões de responsabilidade, punição e suas possíveis relações com a loucura começaram a atrair a atenção de Schneider, que decide partir para uma área que pudesse responder os seus questionamentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1941, ingressou na Psicologia através de um concurso do DASP (Departamento de Administração do Serviço Público) para “Técnico de Assuntos Educacionais” também na Universidade do Brasil, afinal, nessa época, os cursos de psicologia ainda não eram regulamentados no Brasil, algo que só ocorre em 1962.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após um período nos Estados Unidos, tornou-se mestre pela Iowa University, tendo defendido a tese sobre as teorias emergentistas da personalidade (1947); e, voltando ao Brasil, ingressou como psicotécnico no ISOP (Instituto de Seleção e Orientação Profissional da Fundação Getúlio Vargas) em 1949.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eliezer pensou em retornar aos EUA para realizar seu doutorado, mas logo após a aprovação da Iowa University, recebeu um aviso do Departamento de Estado de que seu ingresso ao país estava vetado, isso porque estava em vigor o Macartismo e seus envolvimentos com a Juventude Comunista o tornaram alguém que muitos não tinham prestígio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1951, casou-se com Guiomar, teve um filho, Jean Bayard, e se mudou para Porto Alegre (permaneceu lá entre 1953 e 1954), onde trabalhou como professor na PUC-RS e como psicotécnico no Departamento de Estradas de Rodagem. Ainda nesse ano, Schneider criou, junto a Antônio Gomes Penna, o Boletim do Instituto de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Retornou ao Rio de Janeiro, local onde trabalhou em diversas fontes diferentes, tornando-se Diretor do Colégio Hebreu Brasileiro e psicólogo do Manicômio Judiciário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na metade dos anos 50, as discussões sobre a regulamentação da profissão do psicólogo estavam em pleno fervor. Nessa época surgem discordâncias entre diversos personagens, as quais giravam em torno de fazer da psicologia uma ciência “prática” ou “teórica”. Com isso, Schneider é chamado para atuar como mediador da discussão, mas a função não obtém sucesso. Mesmo assim, cria-se uma comissão para a proposição de um anteprojeto sobre o tema, a qual Eliezer é chamado a compor. Da mesma, surge a Lei 4.119 que regulamenta a profissão e os cursos, além de o Parecer 43/62, que estabelece o currículo mínimo do curso de psicologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A regulamentação da profissão ocorreu em 1962 e após isso, diversos cursos foram criados. Eliezer torna-se um dos primeiros professores em alguns deles: na UFRJ, local onde já trabalhava, UERJ, FAHUPE (Faculdade de Humanidades Pedro II) e Universidade Gama Filho. Em todas elas, permaneceu com um esforço: integrar a disciplina de Psicologia Jurídica nos currículos. Trabalhou também com a pós-graduação no ISOP, IEASE (Instituto De Ensino Superior Albert Einstein), UFRJ e UGF.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Schneider casou-se novamente em 1968 com Fanny, com quem teve mais um filho (Marco André).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===1970-1998===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 70 ele publica seu único livro &amp;quot;Psicologia Social - histórica, cultural, política&amp;quot; (1978), e encerra - em 1974- o Boletim do instituto de psicologia após 23 anos de duração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Schneider permaneceu na UFRJ, UERJ e FAHUPE (Faculdade de Humanidades Pedro II) entre os anos setenta e oitenta. Já na Gama Filho, ele trabalhou até 1998. Segundo ele, lecionar era sua vocação e onde ele se sentia melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele faleceu na véspera do dia do Psicólogo, em 26 de agosto de 1998, e aqueles que conviveram com ele - docentes e discentes em sua maioria - disseram ter perdido um grande mestre e amigo, devido ao seu modo gentil e amigável de se expressar, falar, ensinar e conviver com as pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contribuições== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua principal contribuição à Psicologia é a formação de uma geração de professores de Psicologia Social que rompem com o paradigma individualista tão característico da nova ciência. Paradigma este que exclui completamente o contexto social do sujeito e, munido do ideal de livre arbítrio, iguala juridicamente todos os indivíduos. Schneider imputa a seus graduandos a relevância dos fatores econômicos, socioculturais, políticos e históricos na análise do comportamento, principalmente do comportamento infrator. Sua influência enquanto docente é reafirmada quando leva-se em consideração que o professor orienta cerca de 40 dissertações e teses e, pelo menos, cento e cinquenta comissões examinadoras. E, embora seja também pesquisador, destaca-se pela docência, o que exerce até o fim de sua vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Schneider inclusive é convidado a compor a comissão de anteprojeto, a partir do qual, após posteriores contribuições, surge a Lei 4.119, que regulamenta a profissão de psicólogo e seus cursos. Aqui explicitando seu esforço para incluir a disciplina de Psicologia Jurídica no currículo dos cursos. Com isso, contribui não só para a criação da profissão de psicólogo, mas principalmente para um novo fazer e saber psicológico, muito caracterizado pela transversalidade com sociologia. Eis então o berço da Psicologia Social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Cronologia Biográfica==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1916: Nascimento em 18 de outubro, na cidade do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1939: Graduação de Ciências Sociais e Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1941: Assistente de Ensino no Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1947: Mestre em Psicologia pela Graduate College da State University of Iowa, Iowa, City, EUA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1950: Chefe da Divisão de Pesquisas Experimentais do Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil (Rio de Janeiro, RJ)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1953: Professor de Psicologia de Personalidade na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Porto Alegre, RS)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1954: Psicologista e “Técnico de Assuntos Educacionais”, no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1965: Professor Titular do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho, do Instituto de Psicologia da UFRJ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1967: Professor Titular de Psicologia Geral e Experimental de cursos de graduação de Psicologia, da Universidade de Gama Filho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1970: Chefe de Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia da UEG e Chefe de Departamento de Psicologia Social e do Trabalho no Instituto de Psicologia da UFRJ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1973: Membro do Conselho Universitário da UERJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1975: Membro do Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro, como psicólogo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1978: Publica seu único livro: Psicologia Social – histórica, cultural e política.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1978: Diretor Adjunto de Pós-graduação no Instituto de Psicologia da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1986: Aposentadoria como professor do Instituto de Psicologia da UFRJ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1988: Título de Professor Emérito da UFRJ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1998: Falecimento em 26 de agosto, no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Relação com outros personagens==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando se trata da relação de Eliezer Schneider com outros personagens, é imprescindível citar Antonio Gomes Penna — importante precursor da psicologia brasileira — que foi o seu grande amigo por cerca de cinquenta anos onde ao longo desses anos se juntam editorialmente para escrever em 1951 o Boletim do Instituto de Psicologia e artigos em muitas outras revistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre outras amizades estão Edu Viana Guerra — técnico em educação e  criaram juntos uma revista de psicologia em que publicaram artigos regularmente — e Franco Lo Presti Seminério que em conjunto com Eliezer Schneider e outros psicólogos atuaram na institucionalização da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano 1965, o professor Hans Ludwig Lippmann, convidou Eliezer Schneider para lecionar psicologia social na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Em relação a Psicologia Social, Eliezer toma como inspiração Otto Klineberg, psicólogo canadense e professor. Ele fora também orientado por Emilio Mira y López em um trabalho de seleção importante no instituto rio branco e também por Jayme Grabois nas atividades de psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Instituto_de_Psicologia_da_UFRJ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ELIEZER Schneider. Psicologia: Ciência e Profissão [online]. 2004, v. 24, n. 2, pp. 137. Disponível em: &amp;lt;https://doi.org/10.1590/S1414-98932004000200014&amp;gt;. Acesso em: 14 de agosto de 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
JACÓ-VILELA, A. Eliezer Schneider. Estudos de Psicologia. 1997, v. 2, n. 1, pp. 109-134. Disponível em: &amp;lt;https://www.scielo.br/j/epsic/a/y8sjCBJxRgBM8s3DsH568bC/?lang=pt#&amp;gt;. Acesso em: 14 de agosto de 2021. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
JACÓ-VILELA, A. Eliezer Schneider: um esboço biográfico. Estudos de Psicologia. 1999, v. 4, n. 2, pp. 331-350. Disponível em: &amp;lt;https://www.scielo.br/j/epsic/a/WMqgpcLPgqwWjq6LwNj5cSt/?format=pdf&amp;amp;lang=pt&amp;gt;. Acesso em: 14 de agosto de 2021. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
LIMA, Renato Sampaio. História da psicologia social no Rio de Janeiro: dois importantes personagens. Fractal: Revista de Psicologia, 2009, v. 21, n. 2, pp. 409-423. Disponível em: &amp;lt;https://doi.org/10.1590/S1984-02922009000200014&amp;gt;. Acesso em: 14 de agosto de 2021. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VASCONCELLOS, Maira Allucham Goulart Naves Trevisan. Algumas repercussões do posicionamento político-ideológico na carreira profissional de Eliezer Schneider. Revista Psicologia Política.,  São Paulo ,  v. 19, n. 44, p. 88-96, abr.  2019 .   Disponível em &amp;lt;http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1519-549X2019000100010&amp;gt;. acessos em  24  ago.  2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Francine Ribeiro, Melissa Iara, Micaelly Guimarães, Vitória Maria, Roselaine Lima, como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
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		<updated>2021-09-28T20:09:15Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Carl Ransom Rogers (Illinois,8 de Janeiro de 1902 - California, 4 de Fevereiro de 1987) foi um psicólogo clínico, psicoterapeuta e professor universitário norte-americano. Contribuiu para o desenvolvimento da Psicologia Humanista, também conhecida como Terceira Força da Psicologia e ficou famoso pela sua nova abordagem a Terapia Centrada no Cliente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
Carl Ransom Rogers nasceu no dia 8 de Janeiro de 1902 em Oak Park, Illinois e faleceu em 4 de fevereiro de 1987 em La Jolla, Califórnia, por conta de uma fratura do colo do fêmur. [1] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Oriundo de uma família intelectual tendo quatro irmãos e uma irmã, com pais protestantes que valorizavam uma educação moral, religiosa e conservadora, Rogers desde cedo mostrou interesse pela leitura e pelos &amp;quot;saberes&amp;quot;. Era um aluno excepcional e conciliava sua rotina de leitura de clássicos, a maioria de caráter religioso, com o trabalho da família.  [2]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos 12 anos se mudou para uma fazenda aos arredores de Chicago, onde o pai comprara com a intenção de afastar os filhos do &amp;quot;perigo da cidade&amp;quot;. A partir dos trabalhos na agricultura da família, Carl Rogers se matricula no curso de Agronomia em 1919 na Universidade de Wisconsin. Onde se envolveu com diversas atividades comunitárias e entrando em contato com os evangélicos militantes decidiu mudar para o curso de história para se dedicar à carreira eclesiástica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto ainda estava na faculdade, durante o terceiro ano, realizou uma viagem à China com o objetivo de participar do Congresso de Federação Mundial dos Estudantes Cristãos. Durante esses 6 meses na China, abandonou as convicções religiosas e se abriu às diversas ideias e opiniões. Ao retornar aos Estados Unidos, ganhou uma nova independência e autonomia diante das opiniões e posições religiosas da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1924, Carl Rogers termina a licenciatura em História e se casa com Hellen Elliot, com quem teve dois filhos, David e Natalie. Após esse período se matricula no Seminário de União Teológica em Nova Iorque, indo contra as convicções do pai, Walter Rogers, que ofereceu dinheiro para que se matriculasse no Seminário de Princeton por ter um viés mais conservador, porém Rogers recusou e permaneceu na instituição mais liberal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No seu primeiro ano, Rogers frequentou alguns cursos na faculdade de psicologia, tendo contato com os psicólogos Goodwin Watson e William Kilpatrick. Juntamente a outros colegas organizou um seminário de reflexão onde percebe que não possui vocação para o ministério pastoral. Desse modo, no segundo ano do curso se transfere para o Teachers College na Universidade de Columbia com o objetivo de cursar psicologia clínica e psicopedagogia. Já em 1926, Rogers, obteve uma vaga de interno no Instituto de Aconselhamento Infantil, recém criado pelo Fundo Comunitário de Nova Iorque. Após ter o seu salário reduzido pela metade, já que não era psiquiatra e sim psicólogo, começou seu primeiro conflito com a psiquiatria. Foi durante esse período que Rogers percebe uma ruptura com as duas forças da psicologia, o behaviorismo e a psicanálise.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1928, completou o mestrado, e em 1931 o doutorado. Sua tese desenvolvia um teste de personalidade para crianças ainda utilizada atualmente. Nesse momento, já atuava como psicólogo no Centro de Observação e Orientação Infantil da Sociedade para a Prevenção da Crueldade sobre as Crianças, em Rochester. Em 1929, foi diretor deste Centro e durante 12 anos se interessou pelo trabalho com crianças delinquentes e marginais, e durante esses anos se desamarrou das concepções acadêmicas e conceituais que havia no ensino e na prática da psicologia. Em 1935 começou a lecionar no Teacher College, porém, apenas quando estava prestes a abandonar Rochester, após longos anos de ensino no departamento de sociologia e psicopedagogia que o departamento de psicologia o reconheceria como psicólogo e docente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em 1938, o Centro em que trabalha se torna um Centro de aconselhamento por pressão dos psiquiatras, desse modo, Rogers conseguiu ser reconhecido como o diretor do novo Centro. Em dezembro de 1940 nasce uma de suas principais teorias a Terapia Centrada no Cliente e em 1942 Carl Rogers se tornou vice-presidente da Associação Americana de Ortopsiquiatra e também presidente da Associação Americana de Psicologia Aplicada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante os anos de 1945 a 1957, Carl Rogers publicou uma extensa bibliografia, e ainda em 1956 se tornou Presidente da Academia Americana de Psicoterapeutas. Durante esses anos foi convidado por diversas Universidades, entretanto, somente em 1957, após uma breve experiência se instalou no Departamento das Ciências da Educação da Universidade de Wisconsin, atuando durante sete anos. A partir de 1972, Rogers se dedicou à intervenção e reflexão sobre os aspectos sociais e políticos, explorando a criatividade que os grupos de encontros oferecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1985, em Rast na Áustria, organizou um workshop com 50 líderes internacionais, com o objetivo de trabalhar de acordo com os modelos de grupos dos encontros, atuando nas tensões problemáticas muito fortes na América Central. E durante seus últimos anos de vida se dedicou aos grandes workshops culturais na busca da paz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As contribuições de Rogers se dão, sobretudo, na criação da “terapia centrada no cliente”, como um dos iniciadores do movimento de grupos de encontro e como um dos fundadores da Psicologia Humanista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terapia centrada no cliente (ou terapia centrada na pessoa) recebe esse nome devido ao fato de se compreender que o indivíduo que busca a terapia é plenamente capaz de decidir o rumo de sua vida. Daí também ser conhecida como terapia dirigida pelo cliente.  O terapeuta é visto como um facilitador. O foco da terapia está no “impulso individual em direção ao crescimento, à saúde e ao ajustamento; na ênfase dada ao aspecto afetivo em detrimento do intelectual; ênfase dada à situação imediata ao invés do passado do indivíduo e, por fim, destaca-se o relacionamento terapêutico em si mesmo como uma experiência de crescimento” [3]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de encontro dizem respeito aos trabalhos de grupo realizados por Rogers. Este tipo de trabalho foi impulsionado pelas experiências nos anos de 1950 e 1960 nos Estados Unidos, voltados para o campo religioso. Mais tarde, os grupos de encontro foram utilizados na área do trabalho. A originalidade de Rogers consistiu em caracterizar a dinâmica destes grupos e em formas de “desenvolver habilidades pessoais, de aconselhar pessoas, estimulá-las, ajudá-las e dar-lhes oportunidade para uma experiência pessoal intensa e pouco usual” [3] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De maneira geral, pode-se dizer que as contribuições de Rogers vão além da Psicologia, tendo colaborado também na área de liderança na indústria (e também na área militar), na prática do serviço social, da enfermagem e da assistência religiosa [3]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Teoria==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carl Rogers desenvolveu uma nova abordagem em que ele a fundamentou a partir das filosofias existencialista e personalista. Nela, ele ainda rompia com os métodos psicanalíticos e behavioristas, que eram hegemônicos a princípio. Essa abordagem foi chamada por ele de Terapia Centrada no Cliente, onde se apresenta uma visão holística, organísmica, ecológica e sistémica da pessoa. Na Terapia Centrada no Cliente é o cliente que guia e direciona o andamento da terapia, ele deve ser apenas escutado sem nenhum direcionamento por parte do terapeuta, ou seja, essa é uma abordagem não diretiva. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, os conceitos, princípios e atitudes do modelo terapêutico desenvolvido por ele foram se alargando e, com isso, se estendendo a outros campos e domínios das Ciências Sociais. Na década de 80, Rogers publicou “A way of being” e apresentou sua abordagem como um modelo eficaz em todas as relações humanas, como uma filosofia de vida que se estendia a todos os domínios do humano, sendo assim uma abordagem centrada na pessoa. Foi também a sua concepção de homem, que ele foi construindo e elaborando, que o levou a elaborar a Terapia Centrada no Cliente, que depois virou Abordagem Centrada na Pessoa. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Rogers, a pessoa é permanente, mas também um processo contínuo, dinâmico e nunca estático, está sempre em transformação e em movimento. Para se tornar pessoa, precisa se transformar, se transformar naquilo que já se é e não assume ou naquilo que ainda não se é e quer ser. Ou seja, para ser autenticamente homem, deve-se ser o que se é. Para isso, deve se aceitar e aceitar a sua própria experiência. Aceitando a si e a sua própria experiência, pode ir aceitando os outros e as experiências dos outros, tornando também possível que os outros se aceitem. Porém, essa aceitação não acontece facilmente, mas quando acontece, nada sobrepõe a experiência e a autoridade dela, ela se torna o guia da nossa ação. Essa experiência é o modo que sentimos e o que sentimos. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deve-se também se compreender e compreender os outros. A aceitação é a compreensão, que se dá a partir da empatia, do acolhimento, de se por disponível para escutar a ter uma consideração positiva incondicional. Para compreender não se pode julgar e nem avaliar. Além disso, deve-se ainda ser congruente e crescer, realizando, aperfeiçoando, desenvolvendo e atualizando o que já somos. Ser congruente é ser aquilo que se é, é ser a sua própria experiência, é ser autêntico e exprimir as atitudes e sentimentos que lhe ocorrem. Para ser congruente não deve haver máscaras, mas sim uma aproximação entre o eu real e o ideal. Então, para ser si mesmo é necessário que o eu cresça e se desenvolva, que caminhe em direção ao crescimento positivo e a maturação positiva. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando se é tudo exposto acima, se é então vida plena, ou good life. Ser vida plena é um processo, uma direção escolhida quando se é interiormente livre, o que acontece quando se tem coragem de ser. Sendo criativo, sendo livre, sendo congruente e sendo aberto à experiência, é possível ser ou ter a vida plena. Porém, a priori somos todos fundamentalmente os mesmos em nossa profundidade do ser, podendo todos chegar até a ter a vida plena. E é por sermos os mesmos que sua teoria pode se estender a outros campos e domínios humanos, não apenas à psicoterapia. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Críticas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao ler as obras e conceitos desenvolvidos por Carl Rogers, uma concepção que pode vir à mente é de que as ideias desenvolvidas por ele são muito simplistas. Além disso, muito se diz que as falas dele são bastante repetitivas, como se todos os conceitos fossem apenas sinônimos um do outro, querendo chegar a tese central que é o fato de que nos tornamos pessoas. Muito se fala também de uma certa confusão de planos que dificulta a compreensão de uma sequência coerente, lógica e articulada de tudo que ele desenvolveu em sua teoria, visto que são ideias que se ligam. Nesse sentido, essas são pequenas críticas recorrentes a respeito dos conceitos e princípios de Rogers, que fazem com que haja uma certa desconfiança e incerteza ao redor de suas teorias. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, as maiores críticas a respeito das obras de Carl Rogers são a respeito da sua posição humanista, o que faz com que digam que suas teorias são sem fundamentação científica e que ele ignora a existência do inconsciente. Ele tem ainda uma visão otimista do homem, onde ele consegue ver e descrever uma natureza fundamentalmente boa na humanidade, o que vai na contramão dos dados científicos. Ademais, a dimensão sociológica é deixada de fora das suas obras, todas as relações são reduzidas a uma relação interpessoal ou intersubjetiva, o que também é motivo de forte crítica. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Cronologia biográfica==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1902: Nascimento do Carl Rogers.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1919: Aos 17 anos Rogers se matricula em Agronomia na Universidade de Wisconsin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1920: Abandonou a Agronomia e fez transferência para Licenciatura em História.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1924: Graduou-se em História e se matriculou no Seminário de União Teológica em Nova Iorque.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1925: Transferiu para o Teachers College na Universidade de Columbia com objetivo de cursar psicologia clínica e psicopedagogia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1926: Obteve uma vaga de interno no Instituto de Aconselhamento Infantil, em Nova Iorque.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1928: Concluiu o Mestrado e já atuava como psicólogo no Centro de Observação e Orientação Infantil da Sociedade para a Prevenção da Crueldade sobre as Crianças, em Rochester.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1929: Foi diretor do Centro de Observação e Orientação Infantil da Sociedade para a Prevenção da Crueldade sobre as Crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1931: Concluiu o doutorado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1935: Começou a lecionar no Teacher College.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1940: Criação da teoria: Terapia Centrada no Cliente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1942: Tornou-se vice-presidente da Associação Americana de Ortopsiquiatria e também presidente da Associação Americana de Psicologia Aplicada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1956: Ocupou o cargo de Presidente da Academia Americana de Psicoterapeutas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1957:  Se instalou no Departamento das Ciências da Educação da Universidade de Wisconsin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1972: Rogers se dedicou à intervenção e reflexão sobre os aspectos sociais e políticos, explorando a criatividade que os grupos de encontros oferecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1985: Organizou um workshop com 50 líderes internacionais, em Rast na Áustria, em busca da paz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1987: Faleceu em La Jolla, Califórnia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Discípulos/Seguidores/Quem influenciou==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rogers sofreu influências da filosofia de John Dewey que foi fundamental para a evolução das ideias de Rogers, assim como Otto Rank, com quem começou a ter contato ainda no Centro que o dirigia. Outro nome também é a Jessie Taft que publicou em 1933 o livro &amp;quot;The Dinamics of Therapy in a Controlled Relationship&amp;quot; considerada por Carl Rogers como uma obra prima, assim como Ollie Brown que era um de seus discípulos porém acabou influenciando suas ideias posteriormente.  [2]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns de seus discípulos foram: Virgínia Axline, Arthur Combs, Nat Raskins e John Shlien, ou mesmo traçando caminhos novos como Thomas Gordon e Eugene Gendlin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Influências no Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, suas ideias se dissiparam a partir de diversos nomes como a Mariana Alvim, que foi para os EUA em 1945 e conheceu o Rogers na Universidade de Chicago. Ruth Scheeffer que fez o mestrado no Teacher College da Universidade de Columbia, retornando ao Brasil lecionou em diversas instituições como a Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pontifícia Universidade Católica (PUC) e na Fundação Getúlio Vargas, juntamente com o padre Antonius Benko, que lecionava disciplinas sobre Rogers. [4]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Henrique Justo, após viajar para França fez um curso com ex-estudantes de Rogers e retornando ao Brasil fundou o curso de Psicologia da PUC-RS. Outra figura importante foi Oswaldo de Barros, que fez a pós graduação na Universidade de Columbia. Vindo ao Brasil, o psicólogo produziu juntamente a Maria Villas-Boas e Antônio Monteiro Santos, e outros docentes que atuavam no Brasil como a Rachel Rosemberg, John Keith Wood, Mauren O&#039;Hara e Jack Bowen.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros nomes são Mauro Amatuzzi (USP e PUC-Campinas), Henriette Morato (USP-SP), Jaime Doxsey (UFES), Vera Cury (PUC-Campinas), Virginia Moreira (UNIFOR), William Gomes (UFRGS) e Lucila Schwantes Arouca (USP). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rogers se apresentou no programa de televisão na TV Cultura, realizando um Grupo de Encontro com participação de voluntários sendo comentado por diversos nomes como John Wood e Rachel Rosemberg.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Centro de Valorização da Vida possui o atendimento visando a tendência atualizante na pessoa que está sendo atendida. Em sua homenagem, foi criada em João Pessoa-PB a escola Carl Rogers - Centro de Educação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Principais Obras==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Tratamento Clínico da Criança-problema (The clinical treatment of the problem child) - 1939&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Psicoterapia e Consulta Psicológica (Counseling and Psychotherapy) - 1942&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Terapia Centrada no Cliente (Client-Centered Therapy) - 1951&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
The Necessary and Sufficient Conditions of Therapeutic Personality Change - 1957&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Significant Learning in Therapy and in Education - 1959&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tornar-se Pessoa (On Becoming a Person) - 1961&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Freedom to Learn - 1969&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grupos de Encontro (On Encounter Groups) - 1970&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas Formas do Amor - 1974&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De pessoa para pessoa - 1976&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre o Poder Pessoal (On Personal Power) - 1977&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Pessoa Como Centro - 1977&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um Jeito de Ser (A Way of Being) - 1980&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Freedom to Learn for the 80’s - 1983&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando fala o coração: a essência da psicoterapia centrada na pessoa - 2004 [5]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Prêmios==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Humanista do Ano (American Humanist Association) - 1964&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Prêmio Nobel da Paz - 1987&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Relação com outros personagens ou teorias== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rogers foi um dos fundadores da Psicologia Humanista, juntamente com Abraham Maslow. Conhecida como terceira força em psicologia, centrava-se no poder criativo do homem, o foco na experiência consciente e nos aspectos positivos da personalidade humana. Desta forma, opunham-se a uma psicologia determinista, como o Behaviorismo e a Psicanálise. [6]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[1] FONSECA, M.J. Carl Rogers: uma concepção holística do homem. Millenium, Portugal, n. 36, p. 1-28, 2009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] HIPOLITO, J.  Biografia de Carl Rogers. Revista de Estudos Rogerianos, A Pessoa como Centro, n.3, p.1-13, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[3] FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da Personalidade. Trad: Camila Pedral Sampaio. São Paulo: Harper &amp;amp; row do Brasil,  1979, p. 222-258. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[4] CASTELO BRANCO, Paulo Coelho. Momentos da Psicologia de Carl Rogers no Brasil. In: CASTELO BRANCO, Paulo Coelho. Psicologia Humanista de Carl Rogers: recepção e circulação no Brasil. 2015. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte,, 2015. p. 158.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[5] MAGELI, Leandro. Dicas de Leitura 008. Liderança, [S. l.], p. 01, 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[6] SCHULTZS, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da Psicologia Moderna. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2005. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Cassiano Luiz, Maria Flávia e Maria Stefany, como exigência parcial para disciplina de Estudos Complementares Em História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
	</entry>
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		<title>Carl Rogers</title>
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		<updated>2021-09-28T20:08:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Carl Ransom Rogers (Oak Park,8 de Janeiro de 1902 - California, 4 de Fevereiro de 1987) foi um psicólogo clínico, psicoterapeuta e professor universitário norte-americano. Contribuiu para o desenvolvimento da Psicologia Humanista, também conhecida como Terceira Força da Psicologia e ficou famoso pela sua nova abordagem a Terapia Centrada no Cliente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
Carl Ransom Rogers nasceu no dia 8 de Janeiro de 1902 em Oak Park, Illinois e faleceu em 4 de fevereiro de 1987 em La Jolla, Califórnia, por conta de uma fratura do colo do fêmur. [1] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Oriundo de uma família intelectual tendo quatro irmãos e uma irmã, com pais protestantes que valorizavam uma educação moral, religiosa e conservadora, Rogers desde cedo mostrou interesse pela leitura e pelos &amp;quot;saberes&amp;quot;. Era um aluno excepcional e conciliava sua rotina de leitura de clássicos, a maioria de caráter religioso, com o trabalho da família.  [2]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos 12 anos se mudou para uma fazenda aos arredores de Chicago, onde o pai comprara com a intenção de afastar os filhos do &amp;quot;perigo da cidade&amp;quot;. A partir dos trabalhos na agricultura da família, Carl Rogers se matricula no curso de Agronomia em 1919 na Universidade de Wisconsin. Onde se envolveu com diversas atividades comunitárias e entrando em contato com os evangélicos militantes decidiu mudar para o curso de história para se dedicar à carreira eclesiástica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto ainda estava na faculdade, durante o terceiro ano, realizou uma viagem à China com o objetivo de participar do Congresso de Federação Mundial dos Estudantes Cristãos. Durante esses 6 meses na China, abandonou as convicções religiosas e se abriu às diversas ideias e opiniões. Ao retornar aos Estados Unidos, ganhou uma nova independência e autonomia diante das opiniões e posições religiosas da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1924, Carl Rogers termina a licenciatura em História e se casa com Hellen Elliot, com quem teve dois filhos, David e Natalie. Após esse período se matricula no Seminário de União Teológica em Nova Iorque, indo contra as convicções do pai, Walter Rogers, que ofereceu dinheiro para que se matriculasse no Seminário de Princeton por ter um viés mais conservador, porém Rogers recusou e permaneceu na instituição mais liberal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No seu primeiro ano, Rogers frequentou alguns cursos na faculdade de psicologia, tendo contato com os psicólogos Goodwin Watson e William Kilpatrick. Juntamente a outros colegas organizou um seminário de reflexão onde percebe que não possui vocação para o ministério pastoral. Desse modo, no segundo ano do curso se transfere para o Teachers College na Universidade de Columbia com o objetivo de cursar psicologia clínica e psicopedagogia. Já em 1926, Rogers, obteve uma vaga de interno no Instituto de Aconselhamento Infantil, recém criado pelo Fundo Comunitário de Nova Iorque. Após ter o seu salário reduzido pela metade, já que não era psiquiatra e sim psicólogo, começou seu primeiro conflito com a psiquiatria. Foi durante esse período que Rogers percebe uma ruptura com as duas forças da psicologia, o behaviorismo e a psicanálise.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1928, completou o mestrado, e em 1931 o doutorado. Sua tese desenvolvia um teste de personalidade para crianças ainda utilizada atualmente. Nesse momento, já atuava como psicólogo no Centro de Observação e Orientação Infantil da Sociedade para a Prevenção da Crueldade sobre as Crianças, em Rochester. Em 1929, foi diretor deste Centro e durante 12 anos se interessou pelo trabalho com crianças delinquentes e marginais, e durante esses anos se desamarrou das concepções acadêmicas e conceituais que havia no ensino e na prática da psicologia. Em 1935 começou a lecionar no Teacher College, porém, apenas quando estava prestes a abandonar Rochester, após longos anos de ensino no departamento de sociologia e psicopedagogia que o departamento de psicologia o reconheceria como psicólogo e docente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em 1938, o Centro em que trabalha se torna um Centro de aconselhamento por pressão dos psiquiatras, desse modo, Rogers conseguiu ser reconhecido como o diretor do novo Centro. Em dezembro de 1940 nasce uma de suas principais teorias a Terapia Centrada no Cliente e em 1942 Carl Rogers se tornou vice-presidente da Associação Americana de Ortopsiquiatra e também presidente da Associação Americana de Psicologia Aplicada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante os anos de 1945 a 1957, Carl Rogers publicou uma extensa bibliografia, e ainda em 1956 se tornou Presidente da Academia Americana de Psicoterapeutas. Durante esses anos foi convidado por diversas Universidades, entretanto, somente em 1957, após uma breve experiência se instalou no Departamento das Ciências da Educação da Universidade de Wisconsin, atuando durante sete anos. A partir de 1972, Rogers se dedicou à intervenção e reflexão sobre os aspectos sociais e políticos, explorando a criatividade que os grupos de encontros oferecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1985, em Rast na Áustria, organizou um workshop com 50 líderes internacionais, com o objetivo de trabalhar de acordo com os modelos de grupos dos encontros, atuando nas tensões problemáticas muito fortes na América Central. E durante seus últimos anos de vida se dedicou aos grandes workshops culturais na busca da paz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As contribuições de Rogers se dão, sobretudo, na criação da “terapia centrada no cliente”, como um dos iniciadores do movimento de grupos de encontro e como um dos fundadores da Psicologia Humanista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terapia centrada no cliente (ou terapia centrada na pessoa) recebe esse nome devido ao fato de se compreender que o indivíduo que busca a terapia é plenamente capaz de decidir o rumo de sua vida. Daí também ser conhecida como terapia dirigida pelo cliente.  O terapeuta é visto como um facilitador. O foco da terapia está no “impulso individual em direção ao crescimento, à saúde e ao ajustamento; na ênfase dada ao aspecto afetivo em detrimento do intelectual; ênfase dada à situação imediata ao invés do passado do indivíduo e, por fim, destaca-se o relacionamento terapêutico em si mesmo como uma experiência de crescimento” [3]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de encontro dizem respeito aos trabalhos de grupo realizados por Rogers. Este tipo de trabalho foi impulsionado pelas experiências nos anos de 1950 e 1960 nos Estados Unidos, voltados para o campo religioso. Mais tarde, os grupos de encontro foram utilizados na área do trabalho. A originalidade de Rogers consistiu em caracterizar a dinâmica destes grupos e em formas de “desenvolver habilidades pessoais, de aconselhar pessoas, estimulá-las, ajudá-las e dar-lhes oportunidade para uma experiência pessoal intensa e pouco usual” [3] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De maneira geral, pode-se dizer que as contribuições de Rogers vão além da Psicologia, tendo colaborado também na área de liderança na indústria (e também na área militar), na prática do serviço social, da enfermagem e da assistência religiosa [3]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Teoria==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carl Rogers desenvolveu uma nova abordagem em que ele a fundamentou a partir das filosofias existencialista e personalista. Nela, ele ainda rompia com os métodos psicanalíticos e behavioristas, que eram hegemônicos a princípio. Essa abordagem foi chamada por ele de Terapia Centrada no Cliente, onde se apresenta uma visão holística, organísmica, ecológica e sistémica da pessoa. Na Terapia Centrada no Cliente é o cliente que guia e direciona o andamento da terapia, ele deve ser apenas escutado sem nenhum direcionamento por parte do terapeuta, ou seja, essa é uma abordagem não diretiva. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, os conceitos, princípios e atitudes do modelo terapêutico desenvolvido por ele foram se alargando e, com isso, se estendendo a outros campos e domínios das Ciências Sociais. Na década de 80, Rogers publicou “A way of being” e apresentou sua abordagem como um modelo eficaz em todas as relações humanas, como uma filosofia de vida que se estendia a todos os domínios do humano, sendo assim uma abordagem centrada na pessoa. Foi também a sua concepção de homem, que ele foi construindo e elaborando, que o levou a elaborar a Terapia Centrada no Cliente, que depois virou Abordagem Centrada na Pessoa. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Rogers, a pessoa é permanente, mas também um processo contínuo, dinâmico e nunca estático, está sempre em transformação e em movimento. Para se tornar pessoa, precisa se transformar, se transformar naquilo que já se é e não assume ou naquilo que ainda não se é e quer ser. Ou seja, para ser autenticamente homem, deve-se ser o que se é. Para isso, deve se aceitar e aceitar a sua própria experiência. Aceitando a si e a sua própria experiência, pode ir aceitando os outros e as experiências dos outros, tornando também possível que os outros se aceitem. Porém, essa aceitação não acontece facilmente, mas quando acontece, nada sobrepõe a experiência e a autoridade dela, ela se torna o guia da nossa ação. Essa experiência é o modo que sentimos e o que sentimos. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deve-se também se compreender e compreender os outros. A aceitação é a compreensão, que se dá a partir da empatia, do acolhimento, de se por disponível para escutar a ter uma consideração positiva incondicional. Para compreender não se pode julgar e nem avaliar. Além disso, deve-se ainda ser congruente e crescer, realizando, aperfeiçoando, desenvolvendo e atualizando o que já somos. Ser congruente é ser aquilo que se é, é ser a sua própria experiência, é ser autêntico e exprimir as atitudes e sentimentos que lhe ocorrem. Para ser congruente não deve haver máscaras, mas sim uma aproximação entre o eu real e o ideal. Então, para ser si mesmo é necessário que o eu cresça e se desenvolva, que caminhe em direção ao crescimento positivo e a maturação positiva. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando se é tudo exposto acima, se é então vida plena, ou good life. Ser vida plena é um processo, uma direção escolhida quando se é interiormente livre, o que acontece quando se tem coragem de ser. Sendo criativo, sendo livre, sendo congruente e sendo aberto à experiência, é possível ser ou ter a vida plena. Porém, a priori somos todos fundamentalmente os mesmos em nossa profundidade do ser, podendo todos chegar até a ter a vida plena. E é por sermos os mesmos que sua teoria pode se estender a outros campos e domínios humanos, não apenas à psicoterapia. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Críticas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao ler as obras e conceitos desenvolvidos por Carl Rogers, uma concepção que pode vir à mente é de que as ideias desenvolvidas por ele são muito simplistas. Além disso, muito se diz que as falas dele são bastante repetitivas, como se todos os conceitos fossem apenas sinônimos um do outro, querendo chegar a tese central que é o fato de que nos tornamos pessoas. Muito se fala também de uma certa confusão de planos que dificulta a compreensão de uma sequência coerente, lógica e articulada de tudo que ele desenvolveu em sua teoria, visto que são ideias que se ligam. Nesse sentido, essas são pequenas críticas recorrentes a respeito dos conceitos e princípios de Rogers, que fazem com que haja uma certa desconfiança e incerteza ao redor de suas teorias. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, as maiores críticas a respeito das obras de Carl Rogers são a respeito da sua posição humanista, o que faz com que digam que suas teorias são sem fundamentação científica e que ele ignora a existência do inconsciente. Ele tem ainda uma visão otimista do homem, onde ele consegue ver e descrever uma natureza fundamentalmente boa na humanidade, o que vai na contramão dos dados científicos. Ademais, a dimensão sociológica é deixada de fora das suas obras, todas as relações são reduzidas a uma relação interpessoal ou intersubjetiva, o que também é motivo de forte crítica. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Cronologia biográfica==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1902: Nascimento do Carl Rogers.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1919: Aos 17 anos Rogers se matricula em Agronomia na Universidade de Wisconsin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1920: Abandonou a Agronomia e fez transferência para Licenciatura em História.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1924: Graduou-se em História e se matriculou no Seminário de União Teológica em Nova Iorque.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1925: Transferiu para o Teachers College na Universidade de Columbia com objetivo de cursar psicologia clínica e psicopedagogia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1926: Obteve uma vaga de interno no Instituto de Aconselhamento Infantil, em Nova Iorque.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1928: Concluiu o Mestrado e já atuava como psicólogo no Centro de Observação e Orientação Infantil da Sociedade para a Prevenção da Crueldade sobre as Crianças, em Rochester.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1929: Foi diretor do Centro de Observação e Orientação Infantil da Sociedade para a Prevenção da Crueldade sobre as Crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1931: Concluiu o doutorado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1935: Começou a lecionar no Teacher College.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1940: Criação da teoria: Terapia Centrada no Cliente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1942: Tornou-se vice-presidente da Associação Americana de Ortopsiquiatria e também presidente da Associação Americana de Psicologia Aplicada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1956: Ocupou o cargo de Presidente da Academia Americana de Psicoterapeutas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1957:  Se instalou no Departamento das Ciências da Educação da Universidade de Wisconsin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1972: Rogers se dedicou à intervenção e reflexão sobre os aspectos sociais e políticos, explorando a criatividade que os grupos de encontros oferecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1985: Organizou um workshop com 50 líderes internacionais, em Rast na Áustria, em busca da paz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1987: Faleceu em La Jolla, Califórnia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Discípulos/Seguidores/Quem influenciou==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rogers sofreu influências da filosofia de John Dewey que foi fundamental para a evolução das ideias de Rogers, assim como Otto Rank, com quem começou a ter contato ainda no Centro que o dirigia. Outro nome também é a Jessie Taft que publicou em 1933 o livro &amp;quot;The Dinamics of Therapy in a Controlled Relationship&amp;quot; considerada por Carl Rogers como uma obra prima, assim como Ollie Brown que era um de seus discípulos porém acabou influenciando suas ideias posteriormente.  [2]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns de seus discípulos foram: Virgínia Axline, Arthur Combs, Nat Raskins e John Shlien, ou mesmo traçando caminhos novos como Thomas Gordon e Eugene Gendlin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Influências no Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, suas ideias se dissiparam a partir de diversos nomes como a Mariana Alvim, que foi para os EUA em 1945 e conheceu o Rogers na Universidade de Chicago. Ruth Scheeffer que fez o mestrado no Teacher College da Universidade de Columbia, retornando ao Brasil lecionou em diversas instituições como a Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pontifícia Universidade Católica (PUC) e na Fundação Getúlio Vargas, juntamente com o padre Antonius Benko, que lecionava disciplinas sobre Rogers. [4]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Henrique Justo, após viajar para França fez um curso com ex-estudantes de Rogers e retornando ao Brasil fundou o curso de Psicologia da PUC-RS. Outra figura importante foi Oswaldo de Barros, que fez a pós graduação na Universidade de Columbia. Vindo ao Brasil, o psicólogo produziu juntamente a Maria Villas-Boas e Antônio Monteiro Santos, e outros docentes que atuavam no Brasil como a Rachel Rosemberg, John Keith Wood, Mauren O&#039;Hara e Jack Bowen.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros nomes são Mauro Amatuzzi (USP e PUC-Campinas), Henriette Morato (USP-SP), Jaime Doxsey (UFES), Vera Cury (PUC-Campinas), Virginia Moreira (UNIFOR), William Gomes (UFRGS) e Lucila Schwantes Arouca (USP). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rogers se apresentou no programa de televisão na TV Cultura, realizando um Grupo de Encontro com participação de voluntários sendo comentado por diversos nomes como John Wood e Rachel Rosemberg.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Centro de Valorização da Vida possui o atendimento visando a tendência atualizante na pessoa que está sendo atendida. Em sua homenagem, foi criada em João Pessoa-PB a escola Carl Rogers - Centro de Educação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Principais Obras==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Tratamento Clínico da Criança-problema (The clinical treatment of the problem child) - 1939&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Psicoterapia e Consulta Psicológica (Counseling and Psychotherapy) - 1942&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Terapia Centrada no Cliente (Client-Centered Therapy) - 1951&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
The Necessary and Sufficient Conditions of Therapeutic Personality Change - 1957&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Significant Learning in Therapy and in Education - 1959&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tornar-se Pessoa (On Becoming a Person) - 1961&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Freedom to Learn - 1969&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grupos de Encontro (On Encounter Groups) - 1970&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas Formas do Amor - 1974&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De pessoa para pessoa - 1976&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre o Poder Pessoal (On Personal Power) - 1977&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Pessoa Como Centro - 1977&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um Jeito de Ser (A Way of Being) - 1980&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Freedom to Learn for the 80’s - 1983&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando fala o coração: a essência da psicoterapia centrada na pessoa - 2004 [5]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Prêmios==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Humanista do Ano (American Humanist Association) - 1964&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Prêmio Nobel da Paz - 1987&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Relação com outros personagens ou teorias== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rogers foi um dos fundadores da Psicologia Humanista, juntamente com Abraham Maslow. Conhecida como terceira força em psicologia, centrava-se no poder criativo do homem, o foco na experiência consciente e nos aspectos positivos da personalidade humana. Desta forma, opunham-se a uma psicologia determinista, como o Behaviorismo e a Psicanálise. [6]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[1] FONSECA, M.J. Carl Rogers: uma concepção holística do homem. Millenium, Portugal, n. 36, p. 1-28, 2009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] HIPOLITO, J.  Biografia de Carl Rogers. Revista de Estudos Rogerianos, A Pessoa como Centro, n.3, p.1-13, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[3] FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da Personalidade. Trad: Camila Pedral Sampaio. São Paulo: Harper &amp;amp; row do Brasil,  1979, p. 222-258. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[4] CASTELO BRANCO, Paulo Coelho. Momentos da Psicologia de Carl Rogers no Brasil. In: CASTELO BRANCO, Paulo Coelho. Psicologia Humanista de Carl Rogers: recepção e circulação no Brasil. 2015. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte,, 2015. p. 158.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[5] MAGELI, Leandro. Dicas de Leitura 008. Liderança, [S. l.], p. 01, 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[6] SCHULTZS, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da Psicologia Moderna. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2005. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Cassiano Luiz, Maria Flávia e Maria Stefany, como exigência parcial para disciplina de Estudos Complementares Em História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
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		<title>Carl Rogers</title>
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		<updated>2021-09-28T20:07:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: Criou página com &amp;#039;Carl Ransom Rogers (Oak Park,8 de Janeiro de 1902 - California, 4 de Fevereiro de 1987) foi um psicólogo clínico, psicoterapeuta e professor universitário norte-americano....&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Carl Ransom Rogers (Oak Park,8 de Janeiro de 1902 - California, 4 de Fevereiro de 1987) foi um psicólogo clínico, psicoterapeuta e professor universitário norte-americano. Contribuiu para o desenvolvimento da Psicologia Humanista, também conhecida como Terceira Força da Psicologia e ficou famoso pela sua nova abordagem a Terapia Centrada no Cliente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
Carl Ransom Rogers nasceu no dia 8 de Janeiro de 1902 em Oak Park, Illinois e faleceu em 4 de fevereiro de 1987 em La Jolla, Califórnia, por conta de uma fratura do colo do fêmur. [1] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Oriundo de uma família intelectual tendo quatro irmãos e uma irmã, com pais protestantes que valorizavam uma educação moral, religiosa e conservadora, Rogers desde cedo mostrou interesse pela leitura e pelos &amp;quot;saberes&amp;quot;. Era um aluno excepcional e conciliava sua rotina de leitura de clássicos, a maioria de caráter religioso, com o trabalho da família.  [2]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos 12 anos se mudou para uma fazenda aos arredores de Chicago, onde o pai comprara com a intenção de afastar os filhos do &amp;quot;perigo da cidade&amp;quot;. A partir dos trabalhos na agricultura da família, Carl Rogers se matricula no curso de Agronomia em 1919 na Universidade de Wisconsin. Onde se envolveu com diversas atividades comunitárias e entrando em contato com os evangélicos militantes decidiu mudar para o curso de história para se dedicar à carreira eclesiástica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto ainda estava na faculdade, durante o terceiro ano, realizou uma viagem à China com o objetivo de participar do Congresso de Federação Mundial dos Estudantes Cristãos. Durante esses 6 meses na China, abandonou as convicções religiosas e se abriu às diversas ideias e opiniões. Ao retornar aos Estados Unidos, ganhou uma nova independência e autonomia diante das opiniões e posições religiosas da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1924, Carl Rogers termina a licenciatura em História e se casa com Hellen Elliot, com quem teve dois filhos, David e Natalie. Após esse período se matricula no Seminário de União Teológica em Nova Iorque, indo contra as convicções do pai, Walter Rogers, que ofereceu dinheiro para que se matriculasse no Seminário de Princeton por ter um viés mais conservador, porém Rogers recusou e permaneceu na instituição mais liberal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No seu primeiro ano, Rogers frequentou alguns cursos na faculdade de psicologia, tendo contato com os psicólogos Goodwin Watson e William Kilpatrick. Juntamente a outros colegas organizou um seminário de reflexão onde percebe que não possui vocação para o ministério pastoral. Desse modo, no segundo ano do curso se transfere para o Teachers College na Universidade de Columbia com o objetivo de cursar psicologia clínica e psicopedagogia. Já em 1926, Rogers, obteve uma vaga de interno no Instituto de Aconselhamento Infantil, recém criado pelo Fundo Comunitário de Nova Iorque. Após ter o seu salário reduzido pela metade, já que não era psiquiatra e sim psicólogo, começou seu primeiro conflito com a psiquiatria. Foi durante esse período que Rogers percebe uma ruptura com as duas forças da psicologia, o behaviorismo e a psicanálise.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1928, completou o mestrado, e em 1931 o doutorado. Sua tese desenvolvia um teste de personalidade para crianças ainda utilizada atualmente. Nesse momento, já atuava como psicólogo no Centro de Observação e Orientação Infantil da Sociedade para a Prevenção da Crueldade sobre as Crianças, em Rochester. Em 1929, foi diretor deste Centro e durante 12 anos se interessou pelo trabalho com crianças delinquentes e marginais, e durante esses anos se desamarrou das concepções acadêmicas e conceituais que havia no ensino e na prática da psicologia. Em 1935 começou a lecionar no Teacher College, porém, apenas quando estava prestes a abandonar Rochester, após longos anos de ensino no departamento de sociologia e psicopedagogia que o departamento de psicologia o reconheceria como psicólogo e docente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em 1938, o Centro em que trabalha se torna um Centro de aconselhamento por pressão dos psiquiatras, desse modo, Rogers conseguiu ser reconhecido como o diretor do novo Centro. Em dezembro de 1940 nasce uma de suas principais teorias a Terapia Centrada no Cliente e em 1942 Carl Rogers se tornou vice-presidente da Associação Americana de Ortopsiquiatra e também presidente da Associação Americana de Psicologia Aplicada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante os anos de 1945 a 1957, Carl Rogers publicou uma extensa bibliografia, e ainda em 1956 se tornou Presidente da Academia Americana de Psicoterapeutas. Durante esses anos foi convidado por diversas Universidades, entretanto, somente em 1957, após uma breve experiência se instalou no Departamento das Ciências da Educação da Universidade de Wisconsin, atuando durante sete anos. A partir de 1972, Rogers se dedicou à intervenção e reflexão sobre os aspectos sociais e políticos, explorando a criatividade que os grupos de encontros oferecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1985, em Rast na Áustria, organizou um workshop com 50 líderes internacionais, com o objetivo de trabalhar de acordo com os modelos de grupos dos encontros, atuando nas tensões problemáticas muito fortes na América Central. E durante seus últimos anos de vida se dedicou aos grandes workshops culturais na busca da paz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As contribuições de Rogers se dão, sobretudo, na criação da “terapia centrada no cliente”, como um dos iniciadores do movimento de grupos de encontro e como um dos fundadores da Psicologia Humanista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terapia centrada no cliente (ou terapia centrada na pessoa) recebe esse nome devido ao fato de se compreender que o indivíduo que busca a terapia é plenamente capaz de decidir o rumo de sua vida. Daí também ser conhecida como terapia dirigida pelo cliente.  O terapeuta é visto como um facilitador. O foco da terapia está no “impulso individual em direção ao crescimento, à saúde e ao ajustamento; na ênfase dada ao aspecto afetivo em detrimento do intelectual; ênfase dada à situação imediata ao invés do passado do indivíduo e, por fim, destaca-se o relacionamento terapêutico em si mesmo como uma experiência de crescimento” [3]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de encontro dizem respeito aos trabalhos de grupo realizados por Rogers. Este tipo de trabalho foi impulsionado pelas experiências nos anos de 1950 e 1960 nos Estados Unidos, voltados para o campo religioso. Mais tarde, os grupos de encontro foram utilizados na área do trabalho. A originalidade de Rogers consistiu em caracterizar a dinâmica destes grupos e em formas de “desenvolver habilidades pessoais, de aconselhar pessoas, estimulá-las, ajudá-las e dar-lhes oportunidade para uma experiência pessoal intensa e pouco usual” [3] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De maneira geral, pode-se dizer que as contribuições de Rogers vão além da Psicologia, tendo colaborado também na área de liderança na indústria (e também na área militar), na prática do serviço social, da enfermagem e da assistência religiosa [3]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Teoria==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carl Rogers desenvolveu uma nova abordagem em que ele a fundamentou a partir das filosofias existencialista e personalista. Nela, ele ainda rompia com os métodos psicanalíticos e behavioristas, que eram hegemônicos a princípio. Essa abordagem foi chamada por ele de Terapia Centrada no Cliente, onde se apresenta uma visão holística, organísmica, ecológica e sistémica da pessoa. Na Terapia Centrada no Cliente é o cliente que guia e direciona o andamento da terapia, ele deve ser apenas escutado sem nenhum direcionamento por parte do terapeuta, ou seja, essa é uma abordagem não diretiva. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, os conceitos, princípios e atitudes do modelo terapêutico desenvolvido por ele foram se alargando e, com isso, se estendendo a outros campos e domínios das Ciências Sociais. Na década de 80, Rogers publicou “A way of being” e apresentou sua abordagem como um modelo eficaz em todas as relações humanas, como uma filosofia de vida que se estendia a todos os domínios do humano, sendo assim uma abordagem centrada na pessoa. Foi também a sua concepção de homem, que ele foi construindo e elaborando, que o levou a elaborar a Terapia Centrada no Cliente, que depois virou Abordagem Centrada na Pessoa. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Rogers, a pessoa é permanente, mas também um processo contínuo, dinâmico e nunca estático, está sempre em transformação e em movimento. Para se tornar pessoa, precisa se transformar, se transformar naquilo que já se é e não assume ou naquilo que ainda não se é e quer ser. Ou seja, para ser autenticamente homem, deve-se ser o que se é. Para isso, deve se aceitar e aceitar a sua própria experiência. Aceitando a si e a sua própria experiência, pode ir aceitando os outros e as experiências dos outros, tornando também possível que os outros se aceitem. Porém, essa aceitação não acontece facilmente, mas quando acontece, nada sobrepõe a experiência e a autoridade dela, ela se torna o guia da nossa ação. Essa experiência é o modo que sentimos e o que sentimos. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deve-se também se compreender e compreender os outros. A aceitação é a compreensão, que se dá a partir da empatia, do acolhimento, de se por disponível para escutar a ter uma consideração positiva incondicional. Para compreender não se pode julgar e nem avaliar. Além disso, deve-se ainda ser congruente e crescer, realizando, aperfeiçoando, desenvolvendo e atualizando o que já somos. Ser congruente é ser aquilo que se é, é ser a sua própria experiência, é ser autêntico e exprimir as atitudes e sentimentos que lhe ocorrem. Para ser congruente não deve haver máscaras, mas sim uma aproximação entre o eu real e o ideal. Então, para ser si mesmo é necessário que o eu cresça e se desenvolva, que caminhe em direção ao crescimento positivo e a maturação positiva. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando se é tudo exposto acima, se é então vida plena, ou good life. Ser vida plena é um processo, uma direção escolhida quando se é interiormente livre, o que acontece quando se tem coragem de ser. Sendo criativo, sendo livre, sendo congruente e sendo aberto à experiência, é possível ser ou ter a vida plena. Porém, a priori somos todos fundamentalmente os mesmos em nossa profundidade do ser, podendo todos chegar até a ter a vida plena. E é por sermos os mesmos que sua teoria pode se estender a outros campos e domínios humanos, não apenas à psicoterapia. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Críticas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao ler as obras e conceitos desenvolvidos por Carl Rogers, uma concepção que pode vir à mente é de que as ideias desenvolvidas por ele são muito simplistas. Além disso, muito se diz que as falas dele são bastante repetitivas, como se todos os conceitos fossem apenas sinônimos um do outro, querendo chegar a tese central que é o fato de que nos tornamos pessoas. Muito se fala também de uma certa confusão de planos que dificulta a compreensão de uma sequência coerente, lógica e articulada de tudo que ele desenvolveu em sua teoria, visto que são ideias que se ligam. Nesse sentido, essas são pequenas críticas recorrentes a respeito dos conceitos e princípios de Rogers, que fazem com que haja uma certa desconfiança e incerteza ao redor de suas teorias. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, as maiores críticas a respeito das obras de Carl Rogers são a respeito da sua posição humanista, o que faz com que digam que suas teorias são sem fundamentação científica e que ele ignora a existência do inconsciente. Ele tem ainda uma visão otimista do homem, onde ele consegue ver e descrever uma natureza fundamentalmente boa na humanidade, o que vai na contramão dos dados científicos. Ademais, a dimensão sociológica é deixada de fora das suas obras, todas as relações são reduzidas a uma relação interpessoal ou intersubjetiva, o que também é motivo de forte crítica. [1]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Cronologia biográfica==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1902: Nascimento do Carl Rogers.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1919: Aos 17 anos Rogers se matricula em Agronomia na Universidade de Wisconsin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1920: Abandonou a Agronomia e fez transferência para Licenciatura em História.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1924: Graduou-se em História e se matriculou no Seminário de União Teológica em Nova Iorque.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1925: Transferiu para o Teachers College na Universidade de Columbia com objetivo de cursar psicologia clínica e psicopedagogia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1926: Obteve uma vaga de interno no Instituto de Aconselhamento Infantil, em Nova Iorque.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1928: Concluiu o Mestrado e já atuava como psicólogo no Centro de Observação e Orientação Infantil da Sociedade para a Prevenção da Crueldade sobre as Crianças, em Rochester.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1929: Foi diretor do Centro de Observação e Orientação Infantil da Sociedade para a Prevenção da Crueldade sobre as Crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1931: Concluiu o doutorado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1935: Começou a lecionar no Teacher College.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1940: Criação da teoria: Terapia Centrada no Cliente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1942: Tornou-se vice-presidente da Associação Americana de Ortopsiquiatria e também presidente da Associação Americana de Psicologia Aplicada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1956: Ocupou o cargo de Presidente da Academia Americana de Psicoterapeutas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1957:  Se instalou no Departamento das Ciências da Educação da Universidade de Wisconsin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1972: Rogers se dedicou à intervenção e reflexão sobre os aspectos sociais e políticos, explorando a criatividade que os grupos de encontros oferecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1985: Organizou um workshop com 50 líderes internacionais, em Rast na Áustria, em busca da paz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1987: Faleceu em La Jolla, Califórnia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Discípulos/Seguidores/Quem influenciou==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rogers sofreu influências da filosofia de John Dewey que foi fundamental para a evolução das ideias de Rogers, assim como Otto Rank, com quem começou a ter contato ainda no Centro que o dirigia. Outro nome também é a Jessie Taft que publicou em 1933 o livro &amp;quot;The Dinamics of Therapy in a Controlled Relationship&amp;quot; considerada por Carl Rogers como uma obra prima, assim como Ollie Brown que era um de seus discípulos porém acabou influenciando suas ideias posteriormente.  [2]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns de seus discípulos foram: Virgínia Axline, Arthur Combs, Nat Raskins e John Shlien, ou mesmo traçando caminhos novos como Thomas Gordon e Eugene Gendlin.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Influências no Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, suas ideias se dissiparam a partir de diversos nomes como a Mariana Alvim, que foi para os EUA em 1945 e conheceu o Rogers na Universidade de Chicago. Ruth Scheeffer que fez o mestrado no Teacher College da Universidade de Columbia, retornando ao Brasil lecionou em diversas instituições como a Universidade Federal do Rio de Janeiro, Pontifícia Universidade Católica (PUC) e na Fundação Getúlio Vargas, juntamente com o padre Antonius Benko, que lecionava disciplinas sobre Rogers. [4]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Henrique Justo, após viajar para França fez um curso com ex-estudantes de Rogers e retornando ao Brasil fundou o curso de Psicologia da PUC-RS. Outra figura importante foi Oswaldo de Barros, que fez a pós graduação na Universidade de Columbia. Vindo ao Brasil, o psicólogo produziu juntamente a Maria Villas-Boas e Antônio Monteiro Santos, e outros docentes que atuavam no Brasil como a Rachel Rosemberg, John Keith Wood, Mauren O&#039;Hara e Jack Bowen.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros nomes são Mauro Amatuzzi (USP e PUC-Campinas), Henriette Morato (USP-SP), Jaime Doxsey (UFES), Vera Cury (PUC-Campinas), Virginia Moreira (UNIFOR), William Gomes (UFRGS) e Lucila Schwantes Arouca (USP). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rogers se apresentou no programa de televisão na TV Cultura, realizando um Grupo de Encontro com participação de voluntários sendo comentado por diversos nomes como John Wood e Rachel Rosemberg.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Centro de Valorização da Vida possui o atendimento visando a tendência atualizante na pessoa que está sendo atendida. Em sua homenagem, foi criada em João Pessoa-PB a escola Carl Rogers - Centro de Educação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Principais Obras==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Tratamento Clínico da Criança-problema (The clinical treatment of the problem child) - 1939&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Psicoterapia e Consulta Psicológica (Counseling and Psychotherapy) - 1942&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Terapia Centrada no Cliente (Client-Centered Therapy) - 1951&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
The Necessary and Sufficient Conditions of Therapeutic Personality Change - 1957&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Significant Learning in Therapy and in Education - 1959&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tornar-se Pessoa (On Becoming a Person) - 1961&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Freedom to Learn - 1969&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grupos de Encontro (On Encounter Groups) - 1970&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas Formas do Amor - 1974&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De pessoa para pessoa - 1976&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre o Poder Pessoal (On Personal Power) - 1977&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Pessoa Como Centro - 1977&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um Jeito de Ser (A Way of Being) - 1980&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Freedom to Learn for the 80’s - 1983&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando fala o coração: a essência da psicoterapia centrada na pessoa - 2004 [5]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Prêmios==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Humanista do Ano (American Humanist Association) - 1964&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Prêmio Nobel da Paz - 1987&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Relação com outros personagens ou teorias== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rogers foi um dos fundadores da Psicologia Humanista, juntamente com Abraham Maslow. Conhecida como terceira força em psicologia, centrava-se no poder criativo do homem, o foco na experiência consciente e nos aspectos positivos da personalidade humana. Desta forma, opunham-se a uma psicologia determinista, como o Behaviorismo e a Psicanálise. [6]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[1] FONSECA, M.J. Carl Rogers: uma concepção holística do homem. Millenium, Portugal, n. 36, p. 1-28, 2009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] HIPOLITO, J.  Biografia de Carl Rogers. Revista de Estudos Rogerianos, A Pessoa como Centro, n.3, p.1-13, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[3] FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da Personalidade. Trad: Camila Pedral Sampaio. São Paulo: Harper &amp;amp; row do Brasil,  1979, p. 222-258. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[4] CASTELO BRANCO, Paulo Coelho. Momentos da Psicologia de Carl Rogers no Brasil. In: CASTELO BRANCO, Paulo Coelho. Psicologia Humanista de Carl Rogers: recepção e circulação no Brasil. 2015. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte,, 2015. p. 158.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[5] MAGELI, Leandro. Dicas de Leitura 008. Liderança, [S. l.], p. 01, 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[6] SCHULTZS, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da Psicologia Moderna. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2005. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Cassiano Luiz, Maria Flávia e Maria Stefany, como exigência parcial para disciplina de Estudos Complementares Em História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hospital_Col%C3%B4nia_de_Barbacena&amp;diff=237</id>
		<title>Hospital Colônia de Barbacena</title>
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		<updated>2021-09-28T19:49:58Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
A Assistência a Alienados do Estado de Minas Gerais foi inaugurada, sob direção do Dr Joaquim Antônio Dutra, em 17 de outubro de 1903, no bairro Grogotó, Barbacena/MG; passando a ser conhecida, a partir de 1934, como Hospital Colônia de Barbacena. Com capacidade inicial de 70 internos do sexo masculino. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua fundação é contextualizada no movimento de medicalização da loucura e segregação do louco, excluindo-o do convívio social. Sendo muito mais um instrumento mantenedor da ordem pública do que de fato um ambiente de tratamento e cura de enfermidades mentais. Posteriormente sendo transformado em depósito de desajustados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um período de importantes avanços do polo mineiro, no qual a cidade de Barbacena localizava-se, norteado pelo impulsionamento da indústria e do crescimento urbano, este município passou a desempenhar a função de centralização das práticas de recolhimento de insanos e demais prejudicados sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os dados históricos revelam que, no final do século XVIII, no alto do Morro da Caveira, existia a sede da Fazenda da Caveira de Baixo, propriedade do português Joaquim Silvério dos Reis (delator da Inconfidência). A terra passou por vários donos e foi adquirida pelo comendador Francisco Ferreira e pelos médicos Gonçalves Ramos e Rodrigues Caldas que, em 1889, inauguraram o Sanatório de Barbacena, Casa de Veraneio e de Repouso. Era, a princípio, um sanatório de luxo para fazendeiros abastados e a elite carioca que creditava ao clima serrano de Barbacena ares terapêuticos. O Sanatório de Barbacena absorvia os doentes e, para  veraneio, os sãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O hospital era um hotel para doentes. Isso fazia parte da história dos hospitais da época. Assim sendo, o Sanatório de Barbacena, que antecedeu ao Hospital de Alienados, aceitava os sãos e os insanos. O sanatório (também utilizado para o tratamento de tuberculose) era cercado de requinte e comodidades. Uma delas era a parada de trens da Estrada de Ferro Central do Brasil, em 1889, próxima ao local.                      Em 1890, o diretor da Estrada Central do Brasil autorizou a parada dos trens próximo ao sanatório. Sabe-se que o “trem de doidos” era um vagão com grades nas janelas, no qual, em cada cidade, eram jogados e trancados lá dentro insanos, juntamente com mendigos, alcoolizados, moradores de rua, inválidos sociais, já que a Lei de 1934, que vigorou por mais de 60 anos, dava direito à família e ao poder público de internar sem autorização de pacientes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sanatório faliu e foi comprado pelo governo mineiro (para tornar-se uma escola de artes e ofícios).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em 1900, Minas Gerais cogitava a criação de hospital psiquiátrico através do projeto de João Velloso, aprovado na Câmara Estadual. Em 1903, por influência do diretor da assistência, Dr. Joaquim Dutra, foi instalada ali a Assistência aos Alienados do Estado de Minas Gerais. Sem recursos para construir um hospital Central, o Dr. Joaquim Dutra indicou o prédio do antigo sanatório particular, fechado anos antes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A assistência a Alienados do Estado de Minas Gerais foi inaugurada na cidade de Barbacena, sob a direção do Dr. Joaquim Antônio Dutra, em 17 de outubro de 1903. Esta data ficou registrada nos Papéis Findos entre os quais encontrava-se uma carta do diretor da Assistência a Alienados, o Dr. Joaquim Antônio Dutra, para o Secretário de Negócios do Interior, Dr. Delfim Moreira da Costa, comunicando-lhe que já estava organizando e admitindo funcionários nessa instituição para o funcionamento da Assistência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente, o Sanatório transformado em Assistência atendia na maioria das vezes pensionistas, pessoas pertencentes às classes mais abastadas e provenientes de várias localidades brasileiras, sendo que algumas delas haviam sido transferidas da Companhia Sanatório para a Assistência, como fica atestado no Livro de Matrículas de Pensionistas existente no Museu da Loucura do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Anos mais tarde, em 1918, o governo estadual comprou outro terreno de aproximadamente meio alqueire. Somando a área do Asilo Colônia e do Hospital Central ou Assistência Setores A e B do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB) chegava-se a uma área superior a oito milhões de metros quadrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A década de 1920 foi caracterizada pela criação e inauguração de novos hospitais psiquiátricos. Por causa da demanda por novas internações, o governo mineiro desmembrou a Assistência a Alienados de Barbacena construindo o Asilo Colônia em um local distinto da Assistência ou Asilo Central, distante um do outro, cerca de dois a três quilômetros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destinado a abrigar em suas dependências os agudos ou curáveis e os pensionistas, a disposição arquitetônica do Asilo da Assistência, que depois seria denominado de Hospital Central e posteriormente Setor A do CHPB.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um espaço fechado, com prédios construídos e distribuídos de forma isolada, composto por enfermarias, oficinas, lavanderia, cozinha a vapor, cozinhas especiais para os pensionistas e padaria, com prédios especiais para os recursos terapêuticos (como a balneoterapia), e ainda uma capela e necrotério. A Colônia era composta por sete pavilhões dispostos em forma de um grande retângulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O lado externo desse complexo se assemelhava a aldeias, nas quais as ruas, praças e caminhos ofereciam aos alienados os espaços mais variados, mais amplos, para se entregarem ao exercício necessário no estado deles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A noção de periculosidade estende a abrangência do campo psiquiátrico separando os indivíduos entre normais e anormais e a subdivisão dos anormais em diversas categorias. Surgem planos de prevenção contra doença mental e a criminalidade por meio da assistência daqueles indivíduos considerados em seus estados mórbidos de doença social, ocasionados pela sífilis, alcoolismo, toxicomania, epilepsia, entre outras enfermidades, e que requeriam um tratamento precoce nos indivíduos por representarem um grande risco à ordem pública. Além disso, a fundamentação baseada na transmissão hereditária, cujo respaldo pode ser encontrado no organicismo, entende que esses indivíduos eram suscetíveis ao desencadeamento de um processo de degeneração, podendo comprometer a sua descendência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, não era apenas os loucos propriamente ditos que poderiam ser psicopatologizados, mas também outros tipos de anormais. A disciplinarização dos indivíduos, cujas anomalias se circunscrevessem dentro de um conjunto de doenças sociais, deveria ser controlada por um novo tipo de assistência, as colônias agrícolas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesses locais, os anormais que fossem recuperados tornar-se-iam força produtiva e aptos para o trabalho, podendo consequentemente contribuir para o desenvolvimento econômico da Nação. Tanto o diretor do Asilo Colônia de Barbacena, Dr. Joaquim Dutra, quanto ao diretor do Instituto Raul Soares, Lopes Rodrigues consideravam que a melhor terapia para a loucura era o trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Dutra, o uso do trabalho no tratamento das doenças mentais ajudava a orientar as agitações estéreis para atividade útil, conforme as aptidões dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dois anos após a inauguração do Asilo Colônia, em 1924, a superlotação já havia se tornado um grave e constante problema a ser enfrentado pela administração do Hospital Colônia de Barbacena (HCB). A medicalização e a psiquiatrização de doentes mentais e de indivíduos inseridos na categoria de anormais tornou mais abrangente o campo da Psiquiatria, possibilitando o desenvolvimento de novas modalidades de assistência como os hospícios colônias ou colônias agrícolas, manicômios judiciários, e ainda possibilitou a criação de novas práticas que visavam à reeducação e ressocialização do interno como a laborterapia, a ergoterapia e a assistência hetero-familiar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, de acordo com o Decreto-Lei n.11.276 de 1934, a distribuição dos internos se faria a partir dos critérios reunidos do seguinte modo: a) Setores: Setor A (Assistência) e Setor B (Asilo Colônia) e pavilhões ou enfermarias desses dois setores; b) Sexo: masculino e feminino; c) Curabilidade ou incurabilidade: agudos e crônicos; d) Critério econômico: indigentes e pensionistas, estes últimos estavam na instituição para aproveitar as condições climáticas e a praxiterapia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua grande maioria, a clientela de internos do HCB era formada por “alienados indigentes” que, acometidos por psicoses agudas ou curáveis que demandam repouso ou isolamento, deveriam ser destinados para as enfermarias dos pavilhões, onde seriam constantemente vigiados. Os pacientes, geralmente transferidos do Instituto NeuroPsiquiátrico Raul Soares, ou seja, os incuráveis e os degenerados que demandavam longo prazo de internação, compunham a categoria dos crônicos. Esses casos deveriam ser conduzidos para internação na parte Colonial (Setor B) destinada aos doentes que se adaptassem ao regime de liberdade vigiada (open door) e que fossem aptos a receber tratamento ou pelo trabalho como meio de readaptação da atividade, ou pela assistência hetero-familiar como meio de reintegração social, devendo estes ficar na parte aberta do hospital, na colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 40, foi criado o Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM), durante o Estado Novo, que serviu como um órgão centralizador com a finalidade de coordenar, fiscalizar e normatizar os serviços de assistência psiquiátrica no Brasil. Tempos depois, o SNDM também funcionava como incentivador de pesquisa psiquiátrica, assim como o ensino nos hospitais públicos de higiene mental e clínica psiquiátrica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em 1950, com o objetivo de alavancar diversos setores da economia através de um plano de industrialização e estimular o desenvolvimento de setores como saúde, alimentação, transporte e energia (cujas palavras são o próprio significado da sigla), foi criado o Plano SALTE. Em relação à saúde, mais precisamente no âmbito da doença mental, Adauto Botelho (diretor do SNDM na época), relatou que o SNDM deveria instituir o Programa de Higiene Mental para o Brasil se mostrar ajustado à biopolítica organizada pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Nesse programa, a higiene mental era um conjunto de medidas que visavam à prevenção, porém na explicação do mesmo aparecem os conceitos “normais” e “anormais” ao se falar das pessoas/doentes, de modo que seria um problema a ser debatido, no qual, mais a frente, Botelho veio a expor alguns problemas encontrados no SNDM que resultariam na falência do modelo de assistência psiquiátrica. Os mesmos perduraram até meados da década de 70.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final dos anos 60, o ensino e a pesquisa psiquiátrica em Minas Gerais ganharam maior importância. Entretanto, apesar da organização dos cursos na reforma Universitária de 68, a especialização em Psiquiatria não estava na lista, vindo a ser instituída apenas no fim da década de 70. Dessa forma, é notório que o saber psiquiátrico, em Minas, foi produzido junto à clínica e não em âmbito acadêmico. Também no final dos anos 60 e estendendo-se ao decorrer da década de 70, foram criadas as Fundações estatais no estado de Minas, objetivando instituir novos mecanismos de gestão pública. Tais políticas surtiram efeitos no HCB.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em se tratar da década de 1970, o final dela é um marco importante para a psicologia brasileira principalmente sobre os movimentos pela reforma psiquiátrica que questionaram as antigas estruturas asilares e as práticas psiquiátricas. Outros movimentos como os dos trabalhadores da saúde mental e associações de classe também reivindicavam melhorias e encaminhavam diversas denúncias com apoio da população para que houvesse mudanças no âmbito psiquiátrico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Concepções e práticas psiquiátricas adotadas entre 1946 a 1979 foram também de suma importância, pois  resultaram na falência das estruturas do campo psiquiátrico. Em relação ao âmbito hospitalar, a revolução dos neurolépticos não foi capaz de diminuir o número de internos, sem contar que as políticas adotadas pelas Fundações a partir de 68 também não diminuíram os problemas da estrutura nosocomial. Os principais eram: más condições de asilamento, cronificação dos pacientes, falta de profissionais qualificados, tratamento não satisfatório e a superlotação do hospício. Porém, também: apropriação indevida de pagamentos de mensalidades de pensionistas, comercialização de cadáveres, entre outros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os embates, os conflitos no campo psiquiátrico e a exposição midiática dos problemas citados foram imprescindíveis para o início do desmonte dessa estrutura, assim como a organização dos trabalhadores da saúde e das mudanças políticas no fim da década de 70. Fechado no fim dos anos 80, alguns pacientes que sobreviveram à época da barbárie do Hospital Colônia de Barbacena, recebem até hoje acompanhamento no Centro Hospitalar Psiquiátrico da cidade, enquanto outros foram transferidos para Belo Horizonte. Apesar disso e mesmo com mais de quinze anos de reforma psiquiátrica, as sequelas desses tempos muitas vezes nem sequer permitem a ressocialização plena dos pacientes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Basaglia, em visita a Barbacena, se escandalizou e expôs a grave realidade da saúde mental brasileira, e em especial de Barbacena, a qual designou de “campo de concentração nazista”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Houve denúncia do processo de comercialização da loucura, envolvendo a rede privada. Basaglia bradou a convocação para uma luta política em favor dos direitos do portador de transtorno mental como movimento paralelo à luta democrática brasileira. Foi fundamental o papel da imprensa na retratação da realidade da assistência psiquiátrica mineira. A série de reportagens intituladas “Nos Porões da Loucura” pelo jornalista Hiram Firmino, transmitida no Jornal Estado de Minas, denunciava principalmente a rede hospitalar psiquiátrica mineira, produzindo amplo impacto na opinião pública sobre a severidade da situação. Com o documentário “Em nome da razão”, o cineasta Helvécio Ratton produziu um registro marcante sobre a dura realidade do Hospital Colônia de Barbacena. Tais filmagens foram autorizadas pelo Secretário de Estado da Saúde, Eduardo Levindo Coelho, cujo ato de abertura das portas dos hospitais públicos à imprensa para as filmagens representou um importante enfrentamento às sérias resistências daquele período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As primeiras transformações que se apresentaram após as denúncias do Congresso ocorreram no Hospital Colônia: houve proibição de transferência de pacientes do Hospital Raul Soares de Belo Horizonte para Barbacena; as crianças que se encontravam em Barbacena em meio a pacientes adultos foram transferidas para o Hospital de Neuropsiquiatria infantil; foi criada uma unidade específica para pacientes agudos com extinção de celas de contenção e quartos fortes; houve implantação de pátios mistos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Houve exoneração em massa dos antigos diretores e administradores dos hospitais e o antigo tratamento asilar passou a ser gradativamente substituído pelos ambulatórios. Em 1979 foi organizado o III Congresso Mineiro de Psiquiatria com as presenças de Robert Castel e Franco Basaglia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1980 O Hospital Colônia passou a ser chamado de Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB). Com o apoio do Secretário da Saúde e da Direção Geral da FHEMIG, instalou-se o Projeto de Reestruturação da Assistência Psiquiátrica, que teve início no Instituto Raul Soares, estendendo-se ao Hospital Galba Veloso, ao Centro Psicopedagógico e ao Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (ex-Hospital Colônia de Barbacena).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1987 o movimento de saúde mental em Minas Gerais adotou as teses do II Encontro Nacional de Trabalhadores de Saúde Mental, realizado em Bauru, que propunham “uma sociedade sem manicômios”. A proposta residia não somente na transformação do hospital psiquiátrico, mas na sua abolição e substituição gradativa por instâncias de assistência como ambulatórios, hospitaisdia, serviços de urgência psiquiátrica, unidades psiquiátricas em hospitais gerais, centros de convivência, pensões protegidas, etc. No ano de 1989 foi lançado o Projeto de Lei 3.657 (Paulo Delgado) que previa a substituição gradual dos manicômios por outras formas de tratamento, quando em 1991 as áreas administrativas e assistenciais do CHPB foram reestruturadas, em 1993 foi  desativado pavilhão Antônio Carlos e em 1994 o movimento de saúde mental de Minas Gerais elaborou o Projeto de Lei 1.1802 aprovada pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais, a lei propunha a reintegração do portador de doenças mentais e a progressiva extinção dos hospitais psiquiátricos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1985, o CHPB passou por transformações físicas, visando à melhoria das condições de vida dos internos. Foi implantado o núcleo de atendimento ao alcoólatra e criados ambulatórios visando ao controle de internações. Um avanço importante foi a implementação dos módulos residenciais, seguindo o modelo cubano, em que os pacientes, anteriormente internos do hospital, passaram a habitar na comunidade, em casas espalhadas no município, com a proposta de integração social. As chamadas residências terapêuticas são um dos pilares do modelo de reforma preconizado no município, que tem se apresentado como importante ferramenta de reabilitação psicossocial aos usuários do sistema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O CHPB atualmente encontra-se totalmente reformulado, destinado ao atendimento de um universo de 50 cidades e uma população estimada em 700 mil pessoas. Conta com as seguintes formas de assistência: atendimento a pacientes que são herança histórica do processo manicomial, que são moradores do hospital, chamados “crônicos” (250 pacientes); assistência especializada a pacientes em fase aguda; hospital-dia para usuários de álcool e drogas; oficinas terapêuticas para moradores e usuários externos do CHPB; Hospital Regional para atendimento de clínica médica e cirúrgica, e serviços de urgência e emergência. As internações ocorrem através do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) Municipal, que se constitui como porta de entrada e possui uma unidade para usuário em crise.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1996, como resultado deste processo de reestruturação, foi inaugurado o “Museu da Loucura”, instância que se constitui como veículo de informação e apresentação da história do antigo manicômio, através da exibição de equipamentos, fotografias, documentação de dados coletados e pesquisados em todo o Estado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em vez da enorme população de internos psiquiátricos, a cidade do passado comporta um dos maiores números de residências terapêuticas do país, além das mudanças no padrão de assistência em saúde mental e elaboração de intervenções socioculturais, visando à integração do portador de transtorno mental e ruptura com a marginalização. Enquanto alternativa de reconciliação com sua maior mácula, o Museu da Loucura representa importante instância empenhada na preservação e valorização do patrimônio histórico sobre a institucionalização da loucura em Barbacena. Atualmente é o ponto turístico mais visitado da cidade, contando com cerca de 700 registros mensais. É também atuante na integração social dos moradores do Centro Hospitalar, que são os pacientes crônicos que restaram. Estes são sobreviventes de um tempo perdido e estagnado, ainda desprovidos de elo social, prisioneiros no espaço que lhes resta, à espera do fim de seus dias. O Museu da Loucura documenta, registra e desnuda um passado carregado de cenas de sofrimento cujo memorial clama que se mantenha vivo o brado pela abolição das práticas de dilaceramento humano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Lista de dirigentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr Joaquim Dutra (1903 - 1935)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr José Jorge Teixeira (1935 - 1937)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr José Cezarini (1937 -  )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr José Jorge Teixeira (1947 - 1950)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr Oswaldo Fortini (1951 - 1954)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr José Concesso Filho (1955 - 1958)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr Omar de Araújo Lima (1958 - 1961)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr Geraldo Xavier (1961 - 1967)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr Oswaldo Fortini (1967 - 1969)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr José Theobaldo Tollendal (1969 - 1983)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr Ronaldo Simões Coelho (1986 -  ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Críticas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As críticas ao que pode ser chamado de Hospital da Barbárie são inúmeras, isto porquê a desumanização e o descaso praticados foram desastrosos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Ana Boff de Godoy (2014), os internos eram destituídos de seus nomes e memória, tinham seus laços afetivos, sociais e familiares desfeitos, direitos básicos como alimentação negligenciados, foram degradados física e moralmente - mais! - catalogados e assujeitados pelo discurso do outro, discurso esse que define quem são e o que lhes ocorria. Perdiam-se de si próprios, perdiam sua condição humana, existiam apenas enquanto sentidos e arquivos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Godoy estima que 70% dos internos não possuiam doenças mentais. Tratava-se de gente que deveria ser esquecida: homossexuais, vítimas de abuso sexual, pessoas consideradas improdutivas, subversivos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Daniela Arbex, autora do livro Holocausto Brasileiro, tece críticas ao HCB, que à época reproduzia o modelo dos campos de concentração nazistas, dizendo que este era instrumento através do qual a sociedade excluia os desajustados; e as técnicas que eram utilizadas, como eletrochoque, lobotomia, visavam controle da mente e do corpo, e não cura ou recuperação. Diz que a instituição servia não a fins terapêuticos, mas políticos; através do qual os ditos loucos eram submetidos à loucura dos &amp;quot;normais&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, após o lançamento do documentário &amp;quot;Em nome da razão&amp;quot; de Ratton, a mídia e a sociedade da época teceram duras críticas às práticas no HCB. Críticas essas que em muito fomentaram as discussões que, posteriormente, embasaram a reforma psiquiátrica. Esse documentário tornou-se monumento da luta antimanicomial, estando inclusive em sua primeira sessão, entre outros nomes importantes, Franco Basaglia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Franco_Basaglia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Psiquiatria_no_Brasil&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Movimento_Antimanicomial &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DUARTE, Maristela Nascimento. De &amp;quot;Ares e Luzes&amp;quot; a &amp;quot;Inferno Humano&amp;quot;: Concepções e práticas psiquiátricas no Hospital Colônia de Barbacena: 1946 - 1979. Estudo de caso. 2009. Tese (Doutorado) - Curso de História, Universidade Federal Fluminense. 2009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FERREIRA, Adriana. Minas Gerais vive estigma após abrigar hospital psiquiátrico comparado a campo de concentração: Entre as décadas de 1960 e 1980, cerca de 60 mil internos morreram no Hospital Colônia de Barbacena, em um dos casos mais tristes da psiquiatria no país. Pacientes que sofrem com transtornos mentais no estado tentam resgatar o convívio social.. [S. l.], 28 jun. 2016. Disponível em: https://cbn.globoradio.globo.com/series/reforma-psiquiatrica-15-anos-depois/2016/06/28/MINAS-GERAIS-VIVE-ESTIGMA-APOS-ABRIGAR-HOSPITAL-PSIQUIATRICO-COMPARADO-A-CAMPO-DE-CONCEN.htm. Acesso em: 31 ago. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GODOY, Ana. Arquivos de  Barbacena, a Cidade dos Loucos: o manicômio como lugar de aprisionamento e apagamento de sujeitos e suas memórias. Revista Investigações, Porto Alegre, v. 27, n. 2, p. 1-38, jul. 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GOULART, M. S. B. e  Durães, F. A reforma e os hospitais psiquiátricos: histórias da desinstitucionalização. Psicologia &amp;amp; Sociedade, Belo Horizonte, v. 22, n.1, p. 112-120, jan de 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MATOS-DE-SOUZA, R e Medrado, A. C. C. Dos corpos como objeto: uma leitura pós-colonial do ‘Holocausto Brasileiro&#039;. Saúde Debate, Rio de Janeiro, v. 45, n. 128, p. 164-177, mar de 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SOARES, Ilka de Araújo. Institucionalização da loucura: um recorte histórico sobre o município de Barbacena/MG. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2006.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links externos==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://youtube/9N3xqojgMaA &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://youtube/cvjyjwI4G9c &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Ângela Maria Ferreira, Gabriela da Verdade Lobo e Melissa Iara dos Santos, como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
                                        &lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hospital_Col%C3%B4nia_de_Barbacena&amp;diff=236</id>
		<title>Hospital Colônia de Barbacena</title>
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		<updated>2021-09-28T19:49:31Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: Criou página com &amp;#039; A Assistência a Alienados do Estado de Minas Gerais foi inaugurada, sob direção do Dr Joaquim Antônio Dutra, em 17 de outubro de 1903, no bairro Grogotó, Barbacena/MG; p...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
A Assistência a Alienados do Estado de Minas Gerais foi inaugurada, sob direção do Dr Joaquim Antônio Dutra, em 17 de outubro de 1903, no bairro Grogotó, Barbacena/MG; passando a ser conhecida, a partir de 1934, como Hospital Colônia de Barbacena. Com capacidade inicial de 70 internos do sexo masculino. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua fundação é contextualizada no movimento de medicalização da loucura e segregação do louco, excluindo-o do convívio social. Sendo muito mais um instrumento mantenedor da ordem pública do que de fato um ambiente de tratamento e cura de enfermidades mentais. Posteriormente sendo transformado em depósito de desajustados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um período de importantes avanços do polo mineiro, no qual a cidade de Barbacena localizava-se, norteado pelo impulsionamento da indústria e do crescimento urbano, este município passou a desempenhar a função de centralização das práticas de recolhimento de insanos e demais prejudicados sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os dados históricos revelam que, no final do século XVIII, no alto do Morro da Caveira, existia a sede da Fazenda da Caveira de Baixo, propriedade do português Joaquim Silvério dos Reis (delator da Inconfidência). A terra passou por vários donos e foi adquirida pelo comendador Francisco Ferreira e pelos médicos Gonçalves Ramos e Rodrigues Caldas que, em 1889, inauguraram o Sanatório de Barbacena, Casa de Veraneio e de Repouso. Era, a princípio, um sanatório de luxo para fazendeiros abastados e a elite carioca que creditava ao clima serrano de Barbacena ares terapêuticos. O Sanatório de Barbacena absorvia os doentes e, para  veraneio, os sãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O hospital era um hotel para doentes. Isso fazia parte da história dos hospitais da época. Assim sendo, o Sanatório de Barbacena, que antecedeu ao Hospital de Alienados, aceitava os sãos e os insanos. O sanatório (também utilizado para o tratamento de tuberculose) era cercado de requinte e comodidades. Uma delas era a parada de trens da Estrada de Ferro Central do Brasil, em 1889, próxima ao local.                      Em 1890, o diretor da Estrada Central do Brasil autorizou a parada dos trens próximo ao sanatório. Sabe-se que o “trem de doidos” era um vagão com grades nas janelas, no qual, em cada cidade, eram jogados e trancados lá dentro insanos, juntamente com mendigos, alcoolizados, moradores de rua, inválidos sociais, já que a Lei de 1934, que vigorou por mais de 60 anos, dava direito à família e ao poder público de internar sem autorização de pacientes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sanatório faliu e foi comprado pelo governo mineiro (para tornar-se uma escola de artes e ofícios).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em 1900, Minas Gerais cogitava a criação de hospital psiquiátrico através do projeto de João Velloso, aprovado na Câmara Estadual. Em 1903, por influência do diretor da assistência, Dr. Joaquim Dutra, foi instalada ali a Assistência aos Alienados do Estado de Minas Gerais. Sem recursos para construir um hospital Central, o Dr. Joaquim Dutra indicou o prédio do antigo sanatório particular, fechado anos antes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A assistência a Alienados do Estado de Minas Gerais foi inaugurada na cidade de Barbacena, sob a direção do Dr. Joaquim Antônio Dutra, em 17 de outubro de 1903. Esta data ficou registrada nos Papéis Findos entre os quais encontrava-se uma carta do diretor da Assistência a Alienados, o Dr. Joaquim Antônio Dutra, para o Secretário de Negócios do Interior, Dr. Delfim Moreira da Costa, comunicando-lhe que já estava organizando e admitindo funcionários nessa instituição para o funcionamento da Assistência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente, o Sanatório transformado em Assistência atendia na maioria das vezes pensionistas, pessoas pertencentes às classes mais abastadas e provenientes de várias localidades brasileiras, sendo que algumas delas haviam sido transferidas da Companhia Sanatório para a Assistência, como fica atestado no Livro de Matrículas de Pensionistas existente no Museu da Loucura do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Anos mais tarde, em 1918, o governo estadual comprou outro terreno de aproximadamente meio alqueire. Somando a área do Asilo Colônia e do Hospital Central ou Assistência Setores A e B do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB) chegava-se a uma área superior a oito milhões de metros quadrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A década de 1920 foi caracterizada pela criação e inauguração de novos hospitais psiquiátricos. Por causa da demanda por novas internações, o governo mineiro desmembrou a Assistência a Alienados de Barbacena construindo o Asilo Colônia em um local distinto da Assistência ou Asilo Central, distante um do outro, cerca de dois a três quilômetros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destinado a abrigar em suas dependências os agudos ou curáveis e os pensionistas, a disposição arquitetônica do Asilo da Assistência, que depois seria denominado de Hospital Central e posteriormente Setor A do CHPB.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um espaço fechado, com prédios construídos e distribuídos de forma isolada, composto por enfermarias, oficinas, lavanderia, cozinha a vapor, cozinhas especiais para os pensionistas e padaria, com prédios especiais para os recursos terapêuticos (como a balneoterapia), e ainda uma capela e necrotério. A Colônia era composta por sete pavilhões dispostos em forma de um grande retângulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O lado externo desse complexo se assemelhava a aldeias, nas quais as ruas, praças e caminhos ofereciam aos alienados os espaços mais variados, mais amplos, para se entregarem ao exercício necessário no estado deles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A noção de periculosidade estende a abrangência do campo psiquiátrico separando os indivíduos entre normais e anormais e a subdivisão dos anormais em diversas categorias. Surgem planos de prevenção contra doença mental e a criminalidade por meio da assistência daqueles indivíduos considerados em seus estados mórbidos de doença social, ocasionados pela sífilis, alcoolismo, toxicomania, epilepsia, entre outras enfermidades, e que requeriam um tratamento precoce nos indivíduos por representarem um grande risco à ordem pública. Além disso, a fundamentação baseada na transmissão hereditária, cujo respaldo pode ser encontrado no organicismo, entende que esses indivíduos eram suscetíveis ao desencadeamento de um processo de degeneração, podendo comprometer a sua descendência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, não era apenas os loucos propriamente ditos que poderiam ser psicopatologizados, mas também outros tipos de anormais. A disciplinarização dos indivíduos, cujas anomalias se circunscrevessem dentro de um conjunto de doenças sociais, deveria ser controlada por um novo tipo de assistência, as colônias agrícolas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesses locais, os anormais que fossem recuperados tornar-se-iam força produtiva e aptos para o trabalho, podendo consequentemente contribuir para o desenvolvimento econômico da Nação. Tanto o diretor do Asilo Colônia de Barbacena, Dr. Joaquim Dutra, quanto ao diretor do Instituto Raul Soares, Lopes Rodrigues consideravam que a melhor terapia para a loucura era o trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Dutra, o uso do trabalho no tratamento das doenças mentais ajudava a orientar as agitações estéreis para atividade útil, conforme as aptidões dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dois anos após a inauguração do Asilo Colônia, em 1924, a superlotação já havia se tornado um grave e constante problema a ser enfrentado pela administração do Hospital Colônia de Barbacena (HCB). A medicalização e a psiquiatrização de doentes mentais e de indivíduos inseridos na categoria de anormais tornou mais abrangente o campo da Psiquiatria, possibilitando o desenvolvimento de novas modalidades de assistência como os hospícios colônias ou colônias agrícolas, manicômios judiciários, e ainda possibilitou a criação de novas práticas que visavam à reeducação e ressocialização do interno como a laborterapia, a ergoterapia e a assistência hetero-familiar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, de acordo com o Decreto-Lei n.11.276 de 1934, a distribuição dos internos se faria a partir dos critérios reunidos do seguinte modo: a) Setores: Setor A (Assistência) e Setor B (Asilo Colônia) e pavilhões ou enfermarias desses dois setores; b) Sexo: masculino e feminino; c) Curabilidade ou incurabilidade: agudos e crônicos; d) Critério econômico: indigentes e pensionistas, estes últimos estavam na instituição para aproveitar as condições climáticas e a praxiterapia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua grande maioria, a clientela de internos do HCB era formada por “alienados indigentes” que, acometidos por psicoses agudas ou curáveis que demandam repouso ou isolamento, deveriam ser destinados para as enfermarias dos pavilhões, onde seriam constantemente vigiados. Os pacientes, geralmente transferidos do Instituto NeuroPsiquiátrico Raul Soares, ou seja, os incuráveis e os degenerados que demandavam longo prazo de internação, compunham a categoria dos crônicos. Esses casos deveriam ser conduzidos para internação na parte Colonial (Setor B) destinada aos doentes que se adaptassem ao regime de liberdade vigiada (open door) e que fossem aptos a receber tratamento ou pelo trabalho como meio de readaptação da atividade, ou pela assistência hetero-familiar como meio de reintegração social, devendo estes ficar na parte aberta do hospital, na colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 40, foi criado o Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM), durante o Estado Novo, que serviu como um órgão centralizador com a finalidade de coordenar, fiscalizar e normatizar os serviços de assistência psiquiátrica no Brasil. Tempos depois, o SNDM também funcionava como incentivador de pesquisa psiquiátrica, assim como o ensino nos hospitais públicos de higiene mental e clínica psiquiátrica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em 1950, com o objetivo de alavancar diversos setores da economia através de um plano de industrialização e estimular o desenvolvimento de setores como saúde, alimentação, transporte e energia (cujas palavras são o próprio significado da sigla), foi criado o Plano SALTE. Em relação à saúde, mais precisamente no âmbito da doença mental, Adauto Botelho (diretor do SNDM na época), relatou que o SNDM deveria instituir o Programa de Higiene Mental para o Brasil se mostrar ajustado à biopolítica organizada pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Nesse programa, a higiene mental era um conjunto de medidas que visavam à prevenção, porém na explicação do mesmo aparecem os conceitos “normais” e “anormais” ao se falar das pessoas/doentes, de modo que seria um problema a ser debatido, no qual, mais a frente, Botelho veio a expor alguns problemas encontrados no SNDM que resultariam na falência do modelo de assistência psiquiátrica. Os mesmos perduraram até meados da década de 70.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final dos anos 60, o ensino e a pesquisa psiquiátrica em Minas Gerais ganharam maior importância. Entretanto, apesar da organização dos cursos na reforma Universitária de 68, a especialização em Psiquiatria não estava na lista, vindo a ser instituída apenas no fim da década de 70. Dessa forma, é notório que o saber psiquiátrico, em Minas, foi produzido junto à clínica e não em âmbito acadêmico. Também no final dos anos 60 e estendendo-se ao decorrer da década de 70, foram criadas as Fundações estatais no estado de Minas, objetivando instituir novos mecanismos de gestão pública. Tais políticas surtiram efeitos no HCB.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em se tratar da década de 1970, o final dela é um marco importante para a psicologia brasileira principalmente sobre os movimentos pela reforma psiquiátrica que questionaram as antigas estruturas asilares e as práticas psiquiátricas. Outros movimentos como os dos trabalhadores da saúde mental e associações de classe também reivindicavam melhorias e encaminhavam diversas denúncias com apoio da população para que houvesse mudanças no âmbito psiquiátrico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Concepções e práticas psiquiátricas adotadas entre 1946 a 1979 foram também de suma importância, pois  resultaram na falência das estruturas do campo psiquiátrico. Em relação ao âmbito hospitalar, a revolução dos neurolépticos não foi capaz de diminuir o número de internos, sem contar que as políticas adotadas pelas Fundações a partir de 68 também não diminuíram os problemas da estrutura nosocomial. Os principais eram: más condições de asilamento, cronificação dos pacientes, falta de profissionais qualificados, tratamento não satisfatório e a superlotação do hospício. Porém, também: apropriação indevida de pagamentos de mensalidades de pensionistas, comercialização de cadáveres, entre outros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os embates, os conflitos no campo psiquiátrico e a exposição midiática dos problemas citados foram imprescindíveis para o início do desmonte dessa estrutura, assim como a organização dos trabalhadores da saúde e das mudanças políticas no fim da década de 70. Fechado no fim dos anos 80, alguns pacientes que sobreviveram à época da barbárie do Hospital Colônia de Barbacena, recebem até hoje acompanhamento no Centro Hospitalar Psiquiátrico da cidade, enquanto outros foram transferidos para Belo Horizonte. Apesar disso e mesmo com mais de quinze anos de reforma psiquiátrica, as sequelas desses tempos muitas vezes nem sequer permitem a ressocialização plena dos pacientes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Basaglia, em visita a Barbacena, se escandalizou e expôs a grave realidade da saúde mental brasileira, e em especial de Barbacena, a qual designou de “campo de concentração nazista”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Houve denúncia do processo de comercialização da loucura, envolvendo a rede privada. Basaglia bradou a convocação para uma luta política em favor dos direitos do portador de transtorno mental como movimento paralelo à luta democrática brasileira. Foi fundamental o papel da imprensa na retratação da realidade da assistência psiquiátrica mineira. A série de reportagens intituladas “Nos Porões da Loucura” pelo jornalista Hiram Firmino, transmitida no Jornal Estado de Minas, denunciava principalmente a rede hospitalar psiquiátrica mineira, produzindo amplo impacto na opinião pública sobre a severidade da situação. Com o documentário “Em nome da razão”, o cineasta Helvécio Ratton produziu um registro marcante sobre a dura realidade do Hospital Colônia de Barbacena. Tais filmagens foram autorizadas pelo Secretário de Estado da Saúde, Eduardo Levindo Coelho, cujo ato de abertura das portas dos hospitais públicos à imprensa para as filmagens representou um importante enfrentamento às sérias resistências daquele período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As primeiras transformações que se apresentaram após as denúncias do Congresso ocorreram no Hospital Colônia: houve proibição de transferência de pacientes do Hospital Raul Soares de Belo Horizonte para Barbacena; as crianças que se encontravam em Barbacena em meio a pacientes adultos foram transferidas para o Hospital de Neuropsiquiatria infantil; foi criada uma unidade específica para pacientes agudos com extinção de celas de contenção e quartos fortes; houve implantação de pátios mistos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Houve exoneração em massa dos antigos diretores e administradores dos hospitais e o antigo tratamento asilar passou a ser gradativamente substituído pelos ambulatórios. Em 1979 foi organizado o III Congresso Mineiro de Psiquiatria com as presenças de Robert Castel e Franco Basaglia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1980 O Hospital Colônia passou a ser chamado de Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB). Com o apoio do Secretário da Saúde e da Direção Geral da FHEMIG, instalou-se o Projeto de Reestruturação da Assistência Psiquiátrica, que teve início no Instituto Raul Soares, estendendo-se ao Hospital Galba Veloso, ao Centro Psicopedagógico e ao Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (ex-Hospital Colônia de Barbacena).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1987 o movimento de saúde mental em Minas Gerais adotou as teses do II Encontro Nacional de Trabalhadores de Saúde Mental, realizado em Bauru, que propunham “uma sociedade sem manicômios”. A proposta residia não somente na transformação do hospital psiquiátrico, mas na sua abolição e substituição gradativa por instâncias de assistência como ambulatórios, hospitaisdia, serviços de urgência psiquiátrica, unidades psiquiátricas em hospitais gerais, centros de convivência, pensões protegidas, etc. No ano de 1989 foi lançado o Projeto de Lei 3.657 (Paulo Delgado) que previa a substituição gradual dos manicômios por outras formas de tratamento, quando em 1991 as áreas administrativas e assistenciais do CHPB foram reestruturadas, em 1993 foi  desativado pavilhão Antônio Carlos e em 1994 o movimento de saúde mental de Minas Gerais elaborou o Projeto de Lei 1.1802 aprovada pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais, a lei propunha a reintegração do portador de doenças mentais e a progressiva extinção dos hospitais psiquiátricos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1985, o CHPB passou por transformações físicas, visando à melhoria das condições de vida dos internos. Foi implantado o núcleo de atendimento ao alcoólatra e criados ambulatórios visando ao controle de internações. Um avanço importante foi a implementação dos módulos residenciais, seguindo o modelo cubano, em que os pacientes, anteriormente internos do hospital, passaram a habitar na comunidade, em casas espalhadas no município, com a proposta de integração social. As chamadas residências terapêuticas são um dos pilares do modelo de reforma preconizado no município, que tem se apresentado como importante ferramenta de reabilitação psicossocial aos usuários do sistema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O CHPB atualmente encontra-se totalmente reformulado, destinado ao atendimento de um universo de 50 cidades e uma população estimada em 700 mil pessoas. Conta com as seguintes formas de assistência: atendimento a pacientes que são herança histórica do processo manicomial, que são moradores do hospital, chamados “crônicos” (250 pacientes); assistência especializada a pacientes em fase aguda; hospital-dia para usuários de álcool e drogas; oficinas terapêuticas para moradores e usuários externos do CHPB; Hospital Regional para atendimento de clínica médica e cirúrgica, e serviços de urgência e emergência. As internações ocorrem através do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) Municipal, que se constitui como porta de entrada e possui uma unidade para usuário em crise.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1996, como resultado deste processo de reestruturação, foi inaugurado o “Museu da Loucura”, instância que se constitui como veículo de informação e apresentação da história do antigo manicômio, através da exibição de equipamentos, fotografias, documentação de dados coletados e pesquisados em todo o Estado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em vez da enorme população de internos psiquiátricos, a cidade do passado comporta um dos maiores números de residências terapêuticas do país, além das mudanças no padrão de assistência em saúde mental e elaboração de intervenções socioculturais, visando à integração do portador de transtorno mental e ruptura com a marginalização. Enquanto alternativa de reconciliação com sua maior mácula, o Museu da Loucura representa importante instância empenhada na preservação e valorização do patrimônio histórico sobre a institucionalização da loucura em Barbacena. Atualmente é o ponto turístico mais visitado da cidade, contando com cerca de 700 registros mensais. É também atuante na integração social dos moradores do Centro Hospitalar, que são os pacientes crônicos que restaram. Estes são sobreviventes de um tempo perdido e estagnado, ainda desprovidos de elo social, prisioneiros no espaço que lhes resta, à espera do fim de seus dias. O Museu da Loucura documenta, registra e desnuda um passado carregado de cenas de sofrimento cujo memorial clama que se mantenha vivo o brado pela abolição das práticas de dilaceramento humano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Lista de dirigentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr Joaquim Dutra (1903 - 1935)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr José Jorge Teixeira (1935 - 1937)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr José Cezarini (1937 -  )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr José Jorge Teixeira (1947 - 1950)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr Oswaldo Fortini (1951 - 1954)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr José Concesso Filho (1955 - 1958)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr Omar de Araújo Lima (1958 - 1961)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr Geraldo Xavier (1961 - 1967)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr Oswaldo Fortini (1967 - 1969)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr José Theobaldo Tollendal (1969 - 1983)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dr Ronaldo Simões Coelho (1986 -  ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Críticas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As críticas ao que pode ser chamado de Hospital da Barbárie são inúmeras, isto porquê a desumanização e o descaso praticados foram desastrosos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Ana Boff de Godoy (2014), os internos eram destituídos de seus nomes e memória, tinham seus laços afetivos, sociais e familiares desfeitos, direitos básicos como alimentação negligenciados, foram degradados física e moralmente - mais! - catalogados e assujeitados pelo discurso do outro, discurso esse que define quem são e o que lhes ocorria. Perdiam-se de si próprios, perdiam sua condição humana, existiam apenas enquanto sentidos e arquivos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Godoy estima que 70% dos internos não possuiam doenças mentais. Tratava-se de gente que deveria ser esquecida: homossexuais, vítimas de abuso sexual, pessoas consideradas improdutivas, subversivos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Daniela Arbex, autora do livro Holocausto Brasileiro, tece críticas ao HCB, que à época reproduzia o modelo dos campos de concentração nazistas, dizendo que este era instrumento através do qual a sociedade excluia os desajustados; e as técnicas que eram utilizadas, como eletrochoque, lobotomia, visavam controle da mente e do corpo, e não cura ou recuperação. Diz que a instituição servia não a fins terapêuticos, mas políticos; através do qual os ditos loucos eram submetidos à loucura dos &amp;quot;normais&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, após o lançamento do documentário &amp;quot;Em nome da razão&amp;quot; de Ratton, a mídia e a sociedade da época teceram duras críticas às práticas no HCB. Críticas essas que em muito fomentaram as discussões que, posteriormente, embasaram a reforma psiquiátrica. Esse documentário tornou-se monumento da luta antimanicomial, estando inclusive em sua primeira sessão, entre outros nomes importantes, Franco Basaglia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Franco_Basaglia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Psiquiatria_no_Brasil&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Movimento_Antimanicomial &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DUARTE, Maristela Nascimento. De &amp;quot;Ares e Luzes&amp;quot; a &amp;quot;Inferno Humano&amp;quot;: Concepções e práticas psiquiátricas no Hospital Colônia de Barbacena: 1946 - 1979. Estudo de caso. 2009. Tese (Doutorado) - Curso de História, Universidade Federal Fluminense. 2009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FERREIRA, Adriana. Minas Gerais vive estigma após abrigar hospital psiquiátrico comparado a campo de concentração: Entre as décadas de 1960 e 1980, cerca de 60 mil internos morreram no Hospital Colônia de Barbacena, em um dos casos mais tristes da psiquiatria no país. Pacientes que sofrem com transtornos mentais no estado tentam resgatar o convívio social.. [S. l.], 28 jun. 2016. Disponível em: https://cbn.globoradio.globo.com/series/reforma-psiquiatrica-15-anos-depois/2016/06/28/MINAS-GERAIS-VIVE-ESTIGMA-APOS-ABRIGAR-HOSPITAL-PSIQUIATRICO-COMPARADO-A-CAMPO-DE-CONCEN.htm. Acesso em: 31 ago. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GODOY, Ana. Arquivos de  Barbacena, a Cidade dos Loucos: o manicômio como lugar de aprisionamento e apagamento de sujeitos e suas memórias. Revista Investigações, Porto Alegre, v. 27, n. 2, p. 1-38, jul. 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GOULART, M. S. B. e  Durães, F. A reforma e os hospitais psiquiátricos: histórias da desinstitucionalização. Psicologia &amp;amp; Sociedade, Belo Horizonte, v. 22, n.1, p. 112-120, jan de 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MATOS-DE-SOUZA, R e Medrado, A. C. C. Dos corpos como objeto: uma leitura pós-colonial do ‘Holocausto Brasileiro&#039;. Saúde Debate, Rio de Janeiro, v. 45, n. 128, p. 164-177, mar de 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SOARES, Ilka de Araújo. Institucionalização da loucura: um recorte histórico sobre o município de Barbacena/MG. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2006.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links externos==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://youtube/9N3xqojgMaA &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://youtube/cvjyjwI4G9c &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Ângela Maria Ferreira, Gabriela da Verdade Lobo e Melissa Iara dos Santos, como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
                                        &lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Nilton_Campos&amp;diff=235</id>
		<title>Nilton Campos</title>
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		<updated>2021-09-28T19:25:29Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Nilton Quadros Campos nasceu no dia 23 de agosto do ano de 1898, na cidade do Rio de Janeiro, Ainda no Rio de Janeiro se formou em medicina, no ano de 1924, se especializando em psiquiatria. Foi o principal responsável pelo aprofundamento e discriminação do estudo da fenomenologia no brasil, bem como o uso de arcabouço teórico, e filosófico, para as práticas em psicologia no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Um dos aspectos mais importantes do legado de Nilton Campos para a Fenomenologia e a Psicologia brasileiras é o fato que este antecipa, já em sua tese, a potencialidade desse método para a pesquisa psicológica, além de assinalar a proximidade com vários aspectos da Psicologia da Gestalt, destacando, contudo, uma percepção crítica da apropriação desta escola do método fenomenológico, quando aponta para a necessidade de modificação do método para melhor adequação à pesquisa em Psicologia.” (HOLANDA, A.F, 2012)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nilton campos nasceu no dia 23 e agosto de 1898, na cidade do Rio de Janeiro. Nilton era filho de Carmelinda Quadros da Silva Campos e de Luiz Antônio da Silva Campos. Se formou médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (antiga URJ e atual RFRJ) no começo dos anos de 1920, em 1924, buscando em seguida se especializar Psiquiatria (Penna, 1987). Logo após se formar, vai trabalhar, no ano de 1925, no laboratório de psicologia da colônia de psicopatas do engenho de dentro, como assistente de laboratório. Neste mesmo momento conheceu o professor W. Radecki (que no ano anterior, 1924, fundara tal laboratório, que foi idealizado pelo psiquiatra Gustavo Riedel (1887-1934) – à época, diretor da Colônia (Centofanti, 1982; Holanda, 2012; Penna, 1992)) tornando-se seu pupilo e posteriormente seu colaborador em pesquisas. Realizou trabalhos de pesquisa experimental ao lado de Radecki, dos anos de 1925 até 1937. Só dse afastou dos trabalhos no laboratório em dois momentos, sendo un deles uma viagem expedicionária à Europa, organizada por seu próprio mentor, WaclawRadecki, e que lhe rendeu um diário de viagem e algumas publicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1931 Nilton Campos se desvinculou temporariamente do laboratório, indo se fixar em São Paulo, onde fundou e dirigiu, no período em que esteve por lá, o “Instituto Médico-pedagógico Paulista”, podendo contar com a colaboração de Joaquim Penido. Ainda em 1931 casou-se com a professora Hilda Higgins Imenes, em 14 de fevereiro. E no ano de 1933 retornou para o Rio de Janeiro, e para o laboratório da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro. No período em que esteve em São Paulo, Nilton Campos, ainda teve a oportunidade de ajudar a fundar a Sociedade de Neuro-psiquiatria paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o período que compreende os anos de 1933 e 1938 Nilton Campos foi neuro-psiquiatra no serviço de neuro-psiquiatria da secretaria de saúde e assistência.Em paralelo a este cargo, em 1934, é responsável por dirigir o serviço neuropsicológico da secretaria de saúde e assistência a psicopatas do distrito federal (valendo assinalar que no ano de 1934 o Rio de Janeiro ainda era a capital do Brasil). E de 1935 até 1937 é designado para o cargo de diretor do Instituto de Psicologia da Assistência a Psicopatas do Distrito Federal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Faculdade Nacional de Filosofia (sem hoje parte integrada da UFRJ), também se diplomou adquirindo título de Doutor,  De 1945 editando sua tese e defendo-a em 1948, conseguindo assim a cátedra efetiva de psicologia ,	que integrava o departamento de filosofia da FNFi, “ Essa cátedra de resto, ele já a exercia interinamente desde 1944 quando se deu o afastamento do professor André Ombreda”(Penna, 1987). Nilton Campos vem a falecer no ano de 1963, mesmo que brevemente, podendo ver a regulamentação da profissão de psicólogo no brasil, no ano de 1962.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Teorias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A fenomenologia e a Gestalt===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando a psicologia ainda era apenas uma disciplina da faculdade de filosofia, parte de seu currículo, Nilton Campos já defendia a criação de um curso apenas de psicologia, como a formação integral e título de psicólogo, mesmo que com critérios rigorosos para a aquisição de tal título (Holanda, 2021).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Campos entendia que a Psicologia caracterizaria um saber fundamental e auxiliar no tratamento de saúde que – por sua vez – teria o médico como supervisor (Lobo, 1953). Assim, defendia que a criação de um curso para profissionais de Psicologia exigiria bom planejamento e forte base teórica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma forte base teórica para Campos correspondia também a um diálogo entre as áreas de conhecimento, como a psicologia e as ciências sociais e a filosofia (Holanda, 2021). Nesse sentido, Campos demonstra grande interesse pela fenomenologia, já que “o permanente diálogo entre o pensamento filosófico e a atividade experimental é, para Campos, fundamental para a delimitação do objeto psicológico”. (Holanda,2021)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua tese, O Método Fenomenológico na Psicologia (1945), para obtenção de sua cátedra na faculdade de filosofia, Nilton Campos destaca a fenomenologia como sendo uma importante ferramenta para a psicologia, “Um método de investigação da psicologia” (Holanda, 2016) e destacando sua proximidade e diálogo com a terapia da Gestalt, pela qual sempre mostrou grande interesse, visto que era uma forma de psicologia mais “palpável” e experimental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Em seus trabalhos, Campos retomava, constantemente, a discussão acerca dos fundamentos epistemológicos para a ciência psicológica, tais como a Teoria da Gestal (Campos, 1945). Nas ideias de Köhler, Campos encontra uma notável crítica às teorias nativistas e empiristas, uma vez que ambas não conseguiram produzir explicações satisfatórias acerca de temas psicológicos”.(Holanda,2021)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras==&lt;br /&gt;
===Primeira fase===&lt;br /&gt;
“A primeira fase de sua produção científica pertencem os seguintes trabalhos, obviamente descartando-se por desnecessária, a inclusão de seu trabalho de pesquisa e de sua monografia sobre a vida afetiva” (Penna, 1987).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contribuição ao estudo da etiopatogenia do eczema pela prova endocrinológica de Parisot e Richard, publicado nos &amp;quot;Annaes&amp;quot; da Colônia de psicopatas, vol. 2 de 1929; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Discurso de recepção ao professor Wolfgang Kohler., ·Diretor do Instituto de psicologia da Universidade de Berlim, no Mackenzie College, de São Paulo, em 1930, publicado nos principais jornais paulistas; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia em face da psiquiatria, criminologia e da pedagogia, conferência realizada em são Paulo, em 1930; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Psicologia da Estrutura, vol. 19 da Revista &amp;quot;Política&amp;quot;, editado em S. Paulo, em 1932; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cinco conferências sobre a nova orientação no estudo da vida afetiva, curso de extensão universitária dado na Universidade do Brasil, em 1933; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caráter e personalidade da criança: relatório do tema da Conferência de proteção a infância, em 1933;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema médico-pedagógico da assistência aos menores abandonados e delinquentes, relatório apresentado ã referida conferência de proteção a infância, em 1933;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ensaio de Análise estrutural somato-psíquica na esquizofrenia, Boletim da Secretaria de Saúde e Assistência, nº 2, de l934;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Projeto do código criminal do Brasil e as ciências médicas, Arquivos do Manicômio Judiciário, nº 1 e 2, de 1936; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estado atual dos estudos sobre a etiologia geral da epilepsia, Boletim da Secretaria de Saúde e Assistência, nº 4, 1936; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Processos científicos e pesquisa da veracidade nos depoimentos :duas conferências realizadas na Sociedade Brasileira de criminologia, em 1937; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mentalidade primitiva, publicado em Ata Médica, nº 1, 1938;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estados súbitos de excitação psicomotora, conferência radiofônica na &amp;quot;Hora medicado Brasil&amp;quot;, em 1938; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eletroencefalografia, publicado em Ata Médica, de 1938.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Segunda fase===&lt;br /&gt;
A segunda fase se caracteriza “por produções científicas no domínio da psicologia, pertencem os seguintes trabalhos” (Penna, 1987):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os fundamentos positivos da psicologia moderna. Boletim da Secretaria de Saúde e Assistência, n9 3, de 1935; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As aquisições da moderna psicologia, Boletim da Secretaria de Saúde e Assistência; nº 6, de 1938;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aspectos da psicologia, Boletim da Secretaria de Saúde e Assistência, nº 7 de 1938; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Exame psicológico da personalidade, Revista do I.R,B., nº 2 de 1940; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fundamentos da análise científica da vida· afetiva, Anuário Brasileiro de Medicina de 1940; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Método fenomeno1Õgico na psicologia, tese de concurso de cátedra editada em 1945 e defendida em 1948;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fundamentais of the Phernomenological Attitude in Moden Psychology, monografia nº 1 do Instituto de Psicologia, publicada em 1948; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Modelo mecanicista do Behaviorismo de Watson, anuário do Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil , editado em 1951, contendo os doze números do ··Boletim do Instituto de Psicologia que começou a ser editado nesse mesmo ano; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
La legitimitê de la methode introspective dans la psychologie moderne, monografia do Instituto e Psicologia, nº 8, 1951; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Teoria das estruturas isomórficas na psicologia fisiológica gestaltista, Anuário do Instituto de Psicologia, 1951; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A teoria binária da percepção, Anuário do Instituto de Psicologia, 1951; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência do pensamento de Dilthey na evolução da psicologia como ciência autônoma, Anuário do Instituto de Psicologia, 1951; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema das relações entre a Neurologia e a Psicologia, Anuário do Instituto de Psicologia, 1951;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema da existência da realidade transfenomenal, Boletim.do Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil, 1952, nº 7 e 8; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema da autonomia dos conceitos de personalidade e de comportamento, na pesquisa psicológica atual, Boletim do Instituto de Psicologia, l952, nºs 11 e 12; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Natureza dos constructos hipotéticos neurológicos utilizados na psicologia científica, Boletim do Instituto de Psicologia, i953, nºs 7 e 8; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferença entre descrição e explicação no estudo da psicologia, Boletim do Instituto de Psicologia, 1953, nºs n · e 12; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Antecedentes filosóficos do isomorfismo gestaltista, Boletim do Instituto de Psicologia, 1954, nºs 3 e 4; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Limitações das teorias naturalistas da personalidade humana, Boletim do Instituto de Psicologia, 1955, nºs 1 e 2; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas considerações sobre a psicologia científica do pensamento, Boletim do Instituto de Psicologia nºs 9 e 10; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sigmund Freud, Boletim do Instituto de Psicologia, 1956, ·nº 5 e 6; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Humanismo e economia, aula inaugural, Boletim do Instituto de Psicologia, 1958, nºs 3 e 4; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Importância e significado da análise fenomenológica no estudo das ciências, Boletim do Instituto de Psicologia, 1958 , nºs 7 e 8 ; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Filosófica e Ciências positiva, Boletim do Instituto de. Psicologia, 1959, nºs 1 .e 2;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aspectos psicossociais do problema da produtividade, Boletim do Instituto de Psicologia, nºs 7 e 8; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ética através dos tempos curso de ética.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as obras aqui citadas encontram-se referenciadas no texto Nilton Campos e a divulgação do método fenomenológico e do gestaltismo, de Antônio Penna(1987).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Holanda, Adriano. F &amp;amp; Mendonça, Diego do N .Nilton Campos e a Psicologia Brasileira: Um Resgate Biográfico e Bibliográfico. Estud. pesqui. psicol., Rio de Janeiro, v. 21, n. 2, p. 786-804, 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Holanda, Adriano. F. Fenomenologia e humanismo. Reflexões necessárias. Curitiba: Juruá. 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Holanda, Adriano. F. Fenomenologia e Psicologia no Brasil: aspectos históricos. Estudos de Psicologia I Campinas I 33(3) I 383-394 I julho - setembro 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Holanda, Adriano. F. Fenomenologia e Psicologia. Diálogos e interlocuções. Revista da Abordagem Gestáltica, 15(2), 87-92. 2009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Holanda, Adriano. F. Fenomenologia e Psicologia: Diálogos e Interlocuções. Revista da Abordagem Gestáltica – XV (2): 87-92, julho-dezembro, 2009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Holanda, Adriano. F. O método fenomenológico em Psicologia: uma leitura de Nilton Campos. Estudos e Pesquisas em Psicologia (UERJ), 12(3), 833-851. 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PENNA, Antonio..G .Nilton Campos e a divulgação do método fenomenológico e do gestaltismo. História da psicologia: apontamentos sobre as fontes e sobre algumas das figuras mais expressivas da psicologia na Cidade do Rio de Janeiro, IV (pp. 16-28). Rio de Janeiro: ISOP, Texto do centro de pós-graduação em psicologia, n° 7, 1987.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Nathalia Gomes Pirozi Rodrigues, como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
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		<title>Nilton Campos</title>
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		<updated>2021-09-28T19:23:37Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: Criou página com &amp;#039;Nilton Quadros Campos nasceu no dia 23 de agosto do ano de 1898, na cidade do Rio de Janeiro, Ainda no Rio de Janeiro se formou em medicina, no ano de 1924, se especializando...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Nilton Quadros Campos nasceu no dia 23 de agosto do ano de 1898, na cidade do Rio de Janeiro, Ainda no Rio de Janeiro se formou em medicina, no ano de 1924, se especializando em psiquiatria. Foi o principal responsável pelo aprofundamento e discriminação do estudo da fenomenologia no brasil, bem como o uso de arcabouço teórico, e filosófico, para as práticas em psicologia no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Um dos aspectos mais importantes do legado de Nilton Campos para a Fenomenologia e a Psicologia brasileiras é o fato que este antecipa, já em sua tese, a potencialidade desse método para a pesquisa psicológica, além de assinalar a proximidade com vários aspectos da Psicologia da Gestalt, destacando, contudo, uma percepção crítica da apropriação desta escola do método fenomenológico, quando aponta para a necessidade de modificação do método para melhor adequação à pesquisa em Psicologia.” (HOLANDA, A.F, 2012)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nilton campos nasceu no dia 23 e agosto de 1898, na cidade do Rio de Janeiro. Nilton era filho de Carmelinda Quadros da Silva Campos e de Luiz Antônio da Silva Campos. Se formou médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (antiga URJ e atual RFRJ) no começo dos anos de 1920, em 1924, buscando em seguida se especializar Psiquiatria (Penna, 1987). Logo após se formar, vai trabalhar, no ano de 1925, no laboratório de psicologia da colônia de psicopatas do engenho de dentro, como assistente de laboratório. Neste mesmo momento conheceu o professor W. Radecki (que no ano anterior, 1924, fundara tal laboratório, que foi idealizado pelo psiquiatra Gustavo Riedel (1887-1934) – à época, diretor da Colônia (Centofanti, 1982; Holanda, 2012; Penna, 1992)) tornando-se seu pupilo e posteriormente seu colaborador em pesquisas. Realizou trabalhos de pesquisa experimental ao lado de Radecki, dos anos de 1925 até 1937. Só dse afastou dos trabalhos no laboratório em dois momentos, sendo un deles uma viagem expedicionária à Europa, organizada por seu próprio mentor, WaclawRadecki, e que lhe rendeu um diário de viagem e algumas publicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1931 Nilton Campos se desvinculou temporariamente do laboratório, indo se fixar em São Paulo, onde fundou e dirigiu, no período em que esteve por lá, o “Instituto Médico-pedagógico Paulista”, podendo contar com a colaboração de Joaquim Penido. Ainda em 1931 casou-se com a professora Hilda Higgins Imenes, em 14 de fevereiro. E no ano de 1933 retornou para o Rio de Janeiro, e para o laboratório da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro. No período em que esteve em São Paulo, Nilton Campos, ainda teve a oportunidade de ajudar a fundar a Sociedade de Neuro-psiquiatria paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o período que compreende os anos de 1933 e 1938 Nilton Campos foi neuro-psiquiatra no serviço de neuro-psiquiatria da secretaria de saúde e assistência.Em paralelo a este cargo, em 1934, é responsável por dirigir o serviço neuropsicológico da secretaria de saúde e assistência a psicopatas do distrito federal (valendo assinalar que no ano de 1934 o Rio de Janeiro ainda era a capital do Brasil). E de 1935 até 1937 é designado para o cargo de diretor do Instituto de Psicologia da Assistência a Psicopatas do Distrito Federal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Faculdade Nacional de Filosofia (sem hoje parte integrada da UFRJ), também se diplomou adquirindo título de Doutor,  De 1945 editando sua tese e defendo-a em 1948, conseguindo assim a cátedra efetiva de psicologia ,	que integrava o departamento de filosofia da FNFi, “ Essa cátedra de resto, ele já a exercia interinamente desde 1944 quando se deu o afastamento do professor André Ombreda”(Penna, 1987). Nilton Campos vem a falecer no ano de 1963, mesmo que brevemente, podendo ver a regulamentação da profissão de psicólogo no brasil, no ano de 1962.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Teorias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A fenomenologia e a Gestalt===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando a psicologia ainda era apenas uma disciplina da faculdade de filosofia, parte de seu currículo, Nilton Campos já defendia a criação de um curso apenas de psicologia, como a formação integral e título de psicólogo, mesmo que com critérios rigorosos para a aquisição de tal título (Holanda, 2021).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Campos entendia que a Psicologia caracterizaria um saber fundamental e auxiliar no tratamento de saúde que – por sua vez – teria o médico como supervisor (Lobo, 1953). Assim, defendia que a criação de um curso para profissionais de Psicologia exigiria bom planejamento e forte base teórica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma forte base teórica para Campos correspondia também a um diálogo entre as áreas de conhecimento, como a psicologia e as ciências sociais e a filosofia (Holanda, 2021). Nesse sentido, Campos demonstra grande interesse pela fenomenologia, já que “o permanente diálogo entre o pensamento filosófico e a atividade experimental é, para Campos, fundamental para a delimitação do objeto psicológico”. (Holanda,2021)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua tese, O Método Fenomenológico na Psicologia (1945), para obtenção de sua cátedra na faculdade de filosofia, Nilton Campos destaca a fenomenologia como sendo uma importante ferramenta para a psicologia, “Um método de investigação da psicologia” (Holanda, 2016) e destacando sua proximidade e diálogo com a terapia da Gestalt, pela qual sempre mostrou grande interesse, visto que era uma forma de psicologia mais “palpável” e experimental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Em seus trabalhos, Campos retomava, constantemente, a discussão acerca dos fundamentos epistemológicos para a ciência psicológica, tais como a Teoria da Gestal (Campos, 1945). Nas ideias de Köhler, Campos encontra uma notável crítica às teorias nativistas e empiristas, uma vez que ambas não conseguiram produzir explicações satisfatórias acerca de temas psicológicos”.(Holanda,2021)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras==&lt;br /&gt;
===Primeira fase===&lt;br /&gt;
“A primeira fase de sua produção científica pertencem os seguintes trabalhos, obviamente descartando-se por desnecessária, a inclusão de seu trabalho de pesquisa e de sua monografia sobre a vida afetiva” (Penna, 1987).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contribuição ao estudo da etiopatogenia do eczema pela prova endocrinológica de Parisot e Richard, publicado nos &amp;quot;Annaes&amp;quot; da Colônia de psicopatas, vol. 2 de 1929; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Discurso de recepção ao professor Wolfgang Kohler., ·Diretor do Instituto de psicologia da Universidade de Berlim, no Mackenzie College, de São Paulo, em 1930, publicado nos principais jornais paulistas; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia em face da psiquiatria, criminologia e da pedagogia, conferência realizada em são Paulo, em 1930; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Psicologia da Estrutura, vol. 19 da Revista &amp;quot;Política&amp;quot;, editado em S. Paulo, em 1932; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cinco conferências sobre a nova orientação no estudo da vida afetiva, curso de extensão universitária dado na Universidade do Brasil, em 1933; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caráter e personalidade da criança: relatório do tema da Conferência de proteção a infância, em 1933;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema médico-pedagógico da assistência aos menores abandonados e delinquentes, relatório apresentado ã referida conferência de proteção a infância, em 1933;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ensaio de Análise estrutural somato-psíquica na esquizofrenia, Boletim da Secretaria de Saúde e Assistência, nº 2, de l934;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Projeto do código criminal do Brasil e as ciências médicas, Arquivos do Manicômio Judiciário, nº 1 e 2, de 1936; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estado atual dos estudos sobre a etiologia geral da epilepsia, Boletim da Secretaria de Saúde e Assistência, nº 4, 1936; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Processos científicos e pesquisa da veracidade nos depoimentos :duas conferências realizadas na Sociedade Brasileira de criminologia, em 1937; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mentalidade primitiva, publicado em Ata Médica, nº 1, 1938;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estados súbitos de excitação psicomotora, conferência radiofônica na &amp;quot;Hora medicado Brasil&amp;quot;, em 1938; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eletroencefalografia, publicado em Ata Médica, de 1938.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Segunda fase===&lt;br /&gt;
A segunda fase se caracteriza “por produções científicas no domínio da psicologia, pertencem os seguintes trabalhos” (Penna, 1987):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os fundamentos positivos da psicologia moderna. Boletim da Secretaria de Saúde e Assistência, n9 3, de 1935; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As aquisições da moderna psicologia, Boletim da Secretaria de Saúde e Assistência; nº 6, de 1938;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aspectos da psicologia, Boletim da Secretaria de Saúde e Assistência, nº 7 de 1938; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Exame psicológico da personalidade, Revista do I.R,B., nº 2 de 1940; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fundamentos da análise científica da vida· afetiva, Anuário Brasileiro de Medicina de 1940; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Método fenomeno1Õgico na psicologia, tese de concurso de cátedra editada em 1945 e defendida em 1948;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fundamentais of the Phernomenological Attitude in Moden Psychology, monografia nº 1 do Instituto de Psicologia, publicada em 1948; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Modelo mecanicista do Behaviorismo de Watson, anuário do Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil , editado em 1951, contendo os doze números do ··Boletim do Instituto de Psicologia que começou a ser editado nesse mesmo ano; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
La legitimitê de la methode introspective dans la psychologie moderne, monografia do Instituto e Psicologia, nº 8, 1951; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Teoria das estruturas isomórficas na psicologia fisiológica gestaltista, Anuário do Instituto de Psicologia, 1951; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A teoria binária da percepção, Anuário do Instituto de Psicologia, 1951; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência do pensamento de Dilthey na evolução da psicologia como ciência autônoma, Anuário do Instituto de Psicologia, 1951; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema das relações entre a Neurologia e a Psicologia, Anuário do Instituto de Psicologia, 1951;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema da existência da realidade transfenomenal, Boletim.do Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil, 1952, nº 7 e 8; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema da autonomia dos conceitos de personalidade e de comportamento, na pesquisa psicológica atual, Boletim do Instituto de Psicologia, l952, nºs 11 e 12; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Natureza dos constructos hipotéticos neurológicos utilizados na psicologia científica, Boletim do Instituto de Psicologia, i953, nºs 7 e 8; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferença entre descrição e explicação no estudo da psicologia, Boletim do Instituto de Psicologia, 1953, nºs n · e 12; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Antecedentes filosóficos do isomorfismo gestaltista, Boletim do Instituto de Psicologia, 1954, nºs 3 e 4; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Limitações das teorias naturalistas da personalidade humana, Boletim do Instituto de Psicologia, 1955, nºs 1 e 2; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas considerações sobre a psicologia científica do pensamento, Boletim do Instituto de Psicologia nºs 9 e 10; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sigmund Freud, Boletim do Instituto de Psicologia, 1956, ·nº 5 e 6; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Humanismo e economia, aula inaugural, Boletim do Instituto de Psicologia, 1958, nºs 3 e 4; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Importância e significado da análise fenomenológica no estudo das ciências, Boletim do Instituto de Psicologia, 1958 , nºs 7 e 8 ; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Filosófica e Ciências positiva, Boletim do Instituto de. Psicologia, 1959, nºs 1 .e 2;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aspectos psicossociais do problema da produtividade, Boletim do Instituto de Psicologia, nºs 7 e 8; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ética através dos tempos curso de ética.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as obras aqui citadas encontram-se referenciadas no texto Nilton Campos e a divulgação do método fenomenológico e do gestaltismo, de Antônio Penna(1987).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Holanda, Adriano. F &amp;amp; Mendonça, Diego do N .Nilton Campos e a Psicologia Brasileira: Um Resgate Biográfico e Bibliográfico. Estud. pesqui. psicol., Rio de Janeiro, v. 21, n. 2, p. 786-804, 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Holanda, Adriano. F. Fenomenologia e humanismo. Reflexões necessárias. Curitiba: Juruá. 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Holanda, Adriano. F. Fenomenologia e Psicologia no Brasil: aspectos históricos. Estudos de Psicologia I Campinas I 33(3) I 383-394 I julho - setembro 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Holanda, Adriano. F. Fenomenologia e Psicologia. Diálogos e interlocuções. Revista da Abordagem Gestáltica, 15(2), 87-92. 2009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Holanda, Adriano. F. Fenomenologia e Psicologia: Diálogos e Interlocuções. Revista da Abordagem Gestáltica – XV (2): 87-92, julho-dezembro, 2009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Holanda, Adriano. F. O método fenomenológico em Psicologia: uma leitura de Nilton Campos. Estudos e Pesquisas em Psicologia (UERJ), 12(3), 833-851. 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PENNA, Antonio..G .Nilton Campos e a divulgação do método fenomenológico e do gestaltismo. História da psicologia: apontamentos sobre as fontes e sobre algumas das figuras mais expressivas da psicologia na Cidade do Rio de Janeiro, IV (pp. 16-28). Rio de Janeiro: ISOP, Texto do centro de pós-graduação em psicologia, n° 7, 1987.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Nathalia Gomes Pirozi Rodrigues, como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Erik_Erikson&amp;diff=221</id>
		<title>Erik Erikson</title>
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		<updated>2021-09-22T18:10:41Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Erik Homburger Erikson, nasceu na cidade de Frankfurt - Alemanha, em 15 de Junho de 1902 e faleceu em 1994 em Harwich (Massachusetts, EUA). Foi psicanalista que se dedicou à Psicologia do desenvolvimento e da personalidade. Famoso por criar o conceito de “crise de identidade” e pela Teoria do Desenvolvimento Psicossocial, atuou como professor na Universidade de Harvard, Yale e UC Berkeley. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Infância e adolescência  ===&lt;br /&gt;
Erik até os três anos viveu exclusivamente sob a companhia e cuidados de sua mãe, após esse período sua mãe se casou com Theodor Homberger, seu pediatra, que o registrou com seu nome, quando ele completou 5 anos de idade. O sobrenome Erikson (filho de Erik), foi adotado por ele ao obter a cidadania americana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson teve uma adolescência conturbada. Era tratado entre os garotos alemães como judeu e entre os judeus tratado como gentio. Isso se deve ao fato dele ter sido criado em uma comunidade judaica e ter aspecto fisionômico alemão. Acredita-se que esse desconforto com os garotos de seu meio o incentivou a, após a conclusão do segundo grau, deixar a cidade onde vivia com a família, Karlsruhe, no sul da Alemanha, para viajar por vários países Europeus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Erikson e a Psicanálise ===&lt;br /&gt;
Estudou Grego, Latim, Filosofia, Literatura e Ciências, na escola de humanidades da luterana Karlsruhe, concluindo aos 18 anos, o curso secundário que lhe proporcionou uma sólida base. Considerado inquieto e por ter algumas resistências com o ensino alemão, ele optou por não seguir o ensino formal na Universidade.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson encantou-se pelas Artes, e aos 21 anos, informalmente, estudou Arte em Florença. Posteriormente, iniciou sua carreira no teatro e no magistério, tornando-se especialista no método Montessori de ensino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos 25 anos, em Viena, juntou-se a Sigmund Freud, participando de um grupo formado por analistas e simpatizantes da psicanálise da época. Supõe-se que a aproximação com a Psicanálise ocorreu através de um amigo, Peter Blos, que o havia convidado para dar aulas de teatro em uma escola experimental dirigida por Dorothy Burlinghan e Anna Freud, de quem se tornou amigo e admirador, e posteriormente com quem fez a sua análise didática. Mas também há relatos de que ele tenha conhecido Freud ao pintar um retrato de uma criança de sua família e que após algumas conversas informais, Freud teria estabelecido um vínculo com ele, convidando-o a inscrever-se no Instituto Psicanalítico de Viena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua aproximação com Freud e os primeiros psicanalistas fez despertar seu interesse para a emergente ciência. Artista e sem formação acadêmica, estando entre os intelectuais do Instituto, Erikson chegou a questionar-se sobre sua permanência, contudo, foi encorajado por Anna Freud, que o supervisionava, a através de sua experiência com crianças, buscar compreender o ego e o seu desenvolvimento, e, assim o fazia por meio da observação das brincadeiras infantis. Com isso, seu foco e interesse artístico foi se deslocando para a análise infantil, o que somado a forte influência por seu apreço por museus, fez com que escolhesse como linha de investigação, durante toda a sua vida, o processo vital humano como um ciclo interdependente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson conheceu em Viena, uma americana, Joan Serson, que viria a ser sua mulher. Mestre em Sociologia, nutria interesse por dança moderna, educação e psicanálise, além de ser muito habilidosa com a escrita, o que fez com que ela desse uma importante contribuição para sua obra intelectual. Joan e Erikson tiveram quatro filhos: Kai (1931), Jon (1933), Sue (1938) e Neil (1944). Neil era portador de Síndrome de Down e faleceu aos 21 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como aconteceu com outros membros do grupo psicanalista inicial; em 1933, após formar-se pelo Instituto de Psicanálise de Viena, com a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, mudou-se para os Estados Unidos, onde tornou-se um dos mais conceituados analistas de seu tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Universidades e pesquisas=== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi professor da Universidade de Harvard, da Universidade de Yale e em seguida da Universidade de Berkeley, onde empreendeu os estudos que culminaram com as teorias que o tornariam famoso em todo o mundo. Em Harvard, se uniu a pesquisadores que investigavam a personalidade, em uma Clínica de Psicologia, sob a orientação de Henry Murray.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1936, Erikson foi para o Instituto de Relações Humanas do departamento de psiquiatria da Universidade de Yale. Acostumado a uma forma de trabalho interdisciplinar, o Instituto reforçou seu interesse por investigação transcultural, o que impulsionou a juntar-se, em 1938, com outro colega em uma expedição para estudar os índios Sioux no Dakota do Sul, onde observou crianças, entrevistou adultos e observou suas práticas. Estendendo, em 1939, a investigação transcultural, entre os índios Yurok, do norte da Califórnia, visto que veio a se mudar para Califórnia, em razão de um convite que o fez juntar-se em Berkeley à Universidade local, cidade onde permaneceu por 10 anos de sua vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através da experiência do seu consultório, Erikson que era um pesquisador criterioso e observador atento, buscou material para seu pensamento teórico. O estudo que desenvolveu com os índios Sioux e depois com os índios Yurok, lhe permitiu construir uma explicação acerca do desenvolvimento humano, considerando fatores ambientais e culturais em distintas sociedades. Foi através dessas experiências que Erikson estabeleceu critérios teóricos que embasaram seu trabalho sobre o ciclo de vida humano. Erik Erikson morreu em 1994, e sua última obra foi O Ciclo de Vida Completo, escrito em colaboração com a sua esposa Joan M. Erikson.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson dedicou-se ao estudo do desenvolvimento, tendo como norteador sua teoria do ciclo vital, considerando, portanto, os aspectos sociais, culturais, históricos e afetivos, na constituição do ser humano. Para tanto, suas teorias contribuíram para os estudos acerca das mudanças sociais, com ênfase na juventude, uma vez que se debruça, dentre outros conceitos, sobre personalidade e identidade. Para tanto, possui uma obra intitulada “Identidade: juventude e crise”, no qual destaca as crises psicológicas na constituição da identidade, durante a adolescência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As obras de Erikson ultrapassam a psicologia, contribuindo também, no campo da Educação. A partir de suas concepções acerca do sujeito psicossocial, Erikson proporciona discussões sobre a integralidade do desenvolvimento humano e da educação, visto que esta não é capaz de ser exercida sem que se considere os aspectos psicossociais do sujeito. A educação está aliada a formação humana, intrinsecamente constituída a partir dos aspectos que permeiam o desenvolvimento do sujeito. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Teorias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Teoria do Desenvolvimento Psicossocial===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Teoria do Desenvolvimento Psicossocial (Ciclo de vida) de Erikson considera que o desenvolvimento da identidade ocorre durante toda a vida, sofrendo mudanças mesmo após a adolescência. Esse desenvolvimento se dá em estágios e cada um envolve o que ele chamou de crise na personalidade. Esta crise pode ser compreendida como um dilema psicossocial que se manifesta em determinada fase da vida, respeitando um processo de maturação. E para que haja o desenvolvimento de um ego saudável esta crise precisa ser resolvida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Crescer significa diferenciar tarefas pré-estabelecidas, ao longo de contínuos períodos críticos, o que Erikson considera que se dará de forma sucessiva e integradora no que diz respeito ao estabelecimento da identidade de uma pessoa. Ele enfatiza a relação do ego com a organização social e afirma que a pessoa poderá fazer isso de forma equilibrada. É o inconsciente que se constitui enquanto motivação básica, neste percurso, embora os processos de socialização sejam corresponsáveis por isso.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua teoria pressupõe que o homem passe por oito fases epigenéticas- oito idades do homem – e que cada uma integra um processo de realização de tarefas ou de crises relativas à identidade: à medida que a pessoa soluciona uma crise está apta a passar para a fase seguinte. Cada fase desta, da infância à velhice, prefigura uma condição afetiva em relação ao solucionamento de cada tarefa: 1) Sentido de confiança; 2) Sentido de Autonomia; 3) Sentido de Iniciativa;4) Sentido de indústria (produtividade pessoal); 5) Sentido de Identidade; 6) Sentido de Intimidade; 7) Sentido de Generatividade; 8) Sentido de Integridade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Cronologia biográfica==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1902 – nasceu em 15 de junho, na cidade de Frankfurt, Alemanha&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1920 – concluiu o curso secundário na escola de humanidades da luterana Karlsruhe&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1923 – estudou Artes informalmente em Florença&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1927 – iniciou seus estudos no Instituto Psicanalítico de Viena&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1933 – após formar-se pelo Instituto de Psicanálise de Viena, mudou-se para os Estados Unidos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1936 – foi para o Instituto de Relações Humanas do departamento de psiquiatria da Universidade de Yale.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1938 – iniciou uma expedição para estudar os índios Sioux, em Dakota do Sul&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1939 – mudou-se para a Califórnia e iniciou investigação transcultural entre os índios Yurok, do norte da Califórnia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1944 - 1948 – dedicou-se a escrever a sua obra Childhood and Society&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1950 – publicou a sua primeira obra, sendo esta considerada parte principal do seu legado&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1950 - 1982 – continuou a dedicar-se à sua linha de investigação e escrita de diversas obras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1969 – publicou um livro sobre a vida de Gandhi que o fez ganhar 2 prêmios no ano seguinte  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1982 - publicou sua última obra: O Ciclo de Vida Completo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1994 – Faleceu em Harwich, Massachusetts, EUA. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Principais Obras== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Livros===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Infância e sociedade, 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Identity and the life cycle, 1959 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Identidade: juventude e crise, 1968&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A verdade de Gandhi: sobre as origens da não-violência militante, 1969&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dimensions of a new identity, 1974&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ciclo de vida completo, 1982&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson, E. H. (1956). The problem of ego identity. Journal of American Psychoanalysis, 4,56-121. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson, E. H. (1966). Eight ages of man. International Journal of Psychiatry, 2(3), 281–300.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson, E. H. (1968). Life cycle. International encyclopedia of the social sciences. 9, 286–292.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Prêmios==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1970 - Prêmio Pulitzer: Não-Ficção (por  “A verdade de Gandhi: sobre as origens da não-violência militante”), PULITZER&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1970 - National Book Award: Não-Ficção  (na categoria Filosofia e Religião pelo livro  “A verdade de Gandhi: sobre as origens da não-violência militante”)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Relação com outros personagens ou teorias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trabalhos de Erik Erikson sofreram influência de diversas esferas. A mais significativa foi a psicanálise, tendo Freud (1856-1939) e, como conseguinte,  Anna Freud (1895-1982) como dois dos maiores personagens de influência. Erik desfrutou do privilégio de ser supervisionado por Anna Freud e tê-la como parceira nas discussões acerca da psicanálise.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Henry Murray (1893-1988) foi um psicólogo norte-americano que esteve na direção da Universidade de Harvard por aproximadamente 30 anos. Foi, ao longo deste período, diretor da Clínica Psicológica de Harvard na Escola de Artes e Ciências. Sua relação com Erikson se deu durante as pesquisas de investigação da personalidade, desenvolvidas nesta clínica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O antropólogo Alfred Kroeber (1876-1960) foi essencial para que Erik iniciasse seu caminho pela pesquisa-ação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Anna_Freud&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARPIGIANI, B. Erik H. Erikson- teoria do desenvolvimento psicossocial. (carpsi- serviços em psicologia, saúde e gestão). Newsletter. 7º ed, agosto de 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, F. Passos. Confiança Básica e imagem inconsciente do corpo: Um diálogo possível entre Erik Erikson e Françoise Dolto em torno da formação do psiquismo infantil e sua relação com os  transtornos mentais. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública). Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Santa Catarina, 2005. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FIEDLER, A.J.C.B. Passos. O desenvolvimento psicossocial na perspectiva de Erik H. Erikson : as “oito idades do homem”. Revista Educação. Universidade. v,11, n. 1. 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RABELLO, E.T. e PASSOS, J.S.; Erikson e a Teoria Psicossocial do Desenvolvimento. Outubro de 2007. Disponível em: https://josesilveira.com/wp-content/uploads/2018/07/Erikson-e-a-teoria-psicossocial-do-desenvolvimento.pdf. Data de acesso: 08/09/2021&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SANTOS, Hellen e SILVA, Daniele. As contribuições da educação infantil e da teoria psicossocial de Erikson para o desenvolvimento infantil. In: Conedu, VII congresso nacional de educação. Maceió, Alagoas. Outubro, 2020.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VERÍSSIMO, R. Desenvolvimento psicossocial (Erik Erikson). Porto: faculdade de medicina do Porto, 2002&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links externos== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://psychology.fas.harvard.edu/people/erik-erikson&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://www.pulitzer.org/winners/erik-h-erikson&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Luciana Barros da Silva Gaspar e Nayara Mesquita Ribeiro, como exigência parcial para a disciplina de Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
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		<title>Erik Erikson</title>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: Criou página com &amp;#039;Erik Homburger Erikson, nasceu na cidade de Frankfurt - Alemanha, em 15 de Junho de 1902 e faleceu em 1994 em Harwich (Massachusetts, EUA). Foi psicanalista que se dedicou à...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Erik Homburger Erikson, nasceu na cidade de Frankfurt - Alemanha, em 15 de Junho de 1902 e faleceu em 1994 em Harwich (Massachusetts, EUA). Foi psicanalista que se dedicou à Psicologia do desenvolvimento e da personalidade. Famoso por criar o conceito de “crise de identidade” e pela Teoria do Desenvolvimento Psicossocial, atuou como professor na Universidade de Harvard, Yale e UC Berkeley. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Infância e adolescência===  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erik até os três anos viveu exclusivamente sob a companhia e cuidados de sua mãe, após esse período sua mãe se casou com Theodor Homberger, seu pediatra, que o registrou com seu nome, quando ele completou 5 anos de idade. O sobrenome Erikson (filho de Erik), foi adotado por ele ao obter a cidadania americana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson teve uma adolescência conturbada. Era tratado entre os garotos alemães como judeu e entre os judeus tratado como gentio. Isso se deve ao fato dele ter sido criado em uma comunidade judaica e ter aspecto fisionômico alemão. Acredita-se que esse desconforto com os garotos de seu meio o incentivou a, após a conclusão do segundo grau, deixar a cidade onde vivia com a família, Karlsruhe, no sul da Alemanha, para viajar por vários países Europeus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Erikson e a Psicanálise===  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudou Grego, Latim, Filosofia, Literatura e Ciências, na escola de humanidades da luterana Karlsruhe, concluindo aos 18 anos, o curso secundário que lhe proporcionou uma sólida base. Considerado inquieto e por ter algumas resistências com o ensino alemão, ele optou por não seguir o ensino formal na Universidade.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson encantou-se pelas Artes, e aos 21 anos, informalmente, estudou Arte em Florença. Posteriormente, iniciou sua carreira no teatro e no magistério, tornando-se especialista no método Montessori de ensino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos 25 anos, em Viena, juntou-se a Sigmund Freud, participando de um grupo formado por analistas e simpatizantes da psicanálise da época. Supõe-se que a aproximação com a Psicanálise ocorreu através de um amigo, Peter Blos, que o havia convidado para dar aulas de teatro em uma escola experimental dirigida por Dorothy Burlinghan e Anna Freud, de quem se tornou amigo e admirador, e posteriormente com quem fez a sua análise didática. Mas também há relatos de que ele tenha conhecido Freud ao pintar um retrato de uma criança de sua família e que após algumas conversas informais, Freud teria estabelecido um vínculo com ele, convidando-o a inscrever-se no Instituto Psicanalítico de Viena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua aproximação com Freud e os primeiros psicanalistas fez despertar seu interesse para a emergente ciência. Artista e sem formação acadêmica, estando entre os intelectuais do Instituto, Erikson chegou a questionar-se sobre sua permanência, contudo, foi encorajado por Anna Freud, que o supervisionava, a através de sua experiência com crianças, buscar compreender o ego e o seu desenvolvimento, e, assim o fazia por meio da observação das brincadeiras infantis. Com isso, seu foco e interesse artístico foi se deslocando para a análise infantil, o que somado a forte influência por seu apreço por museus, fez com que escolhesse como linha de investigação, durante toda a sua vida, o processo vital humano como um ciclo interdependente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson conheceu em Viena, uma americana, Joan Serson, que viria a ser sua mulher. Mestre em Sociologia, nutria interesse por dança moderna, educação e psicanálise, além de ser muito habilidosa com a escrita, o que fez com que ela desse uma importante contribuição para sua obra intelectual. Joan e Erikson tiveram quatro filhos: Kai (1931), Jon (1933), Sue (1938) e Neil (1944). Neil era portador de Síndrome de Down e faleceu aos 21 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como aconteceu com outros membros do grupo psicanalista inicial; em 1933, após formar-se pelo Instituto de Psicanálise de Viena, com a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, mudou-se para os Estados Unidos, onde tornou-se um dos mais conceituados analistas de seu tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Universidades e pesquisas=== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi professor da Universidade de Harvard, da Universidade de Yale e em seguida da Universidade de Berkeley, onde empreendeu os estudos que culminaram com as teorias que o tornariam famoso em todo o mundo. Em Harvard, se uniu a pesquisadores que investigavam a personalidade, em uma Clínica de Psicologia, sob a orientação de Henry Murray.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1936, Erikson foi para o Instituto de Relações Humanas do departamento de psiquiatria da Universidade de Yale. Acostumado a uma forma de trabalho interdisciplinar, o Instituto reforçou seu interesse por investigação transcultural, o que impulsionou a juntar-se, em 1938, com outro colega em uma expedição para estudar os índios Sioux no Dakota do Sul, onde observou crianças, entrevistou adultos e observou suas práticas. Estendendo, em 1939, a investigação transcultural, entre os índios Yurok, do norte da Califórnia, visto que veio a se mudar para Califórnia, em razão de um convite que o fez juntar-se em Berkeley à Universidade local, cidade onde permaneceu por 10 anos de sua vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através da experiência do seu consultório, Erikson que era um pesquisador criterioso e observador atento, buscou material para seu pensamento teórico. O estudo que desenvolveu com os índios Sioux e depois com os índios Yurok, lhe permitiu construir uma explicação acerca do desenvolvimento humano, considerando fatores ambientais e culturais em distintas sociedades. Foi através dessas experiências que Erikson estabeleceu critérios teóricos que embasaram seu trabalho sobre o ciclo de vida humano. Erik Erikson morreu em 1994, e sua última obra foi O Ciclo de Vida Completo, escrito em colaboração com a sua esposa Joan M. Erikson.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson dedicou-se ao estudo do desenvolvimento, tendo como norteador sua teoria do ciclo vital, considerando, portanto, os aspectos sociais, culturais, históricos e afetivos, na constituição do ser humano. Para tanto, suas teorias contribuíram para os estudos acerca das mudanças sociais, com ênfase na juventude, uma vez que se debruça, dentre outros conceitos, sobre personalidade e identidade. Para tanto, possui uma obra intitulada “Identidade: juventude e crise”, no qual destaca as crises psicológicas na constituição da identidade, durante a adolescência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As obras de Erikson ultrapassam a psicologia, contribuindo também, no campo da Educação. A partir de suas concepções acerca do sujeito psicossocial, Erikson proporciona discussões sobre a integralidade do desenvolvimento humano e da educação, visto que esta não é capaz de ser exercida sem que se considere os aspectos psicossociais do sujeito. A educação está aliada a formação humana, intrinsecamente constituída a partir dos aspectos que permeiam o desenvolvimento do sujeito. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Teorias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Teoria do Desenvolvimento Psicossocial===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Teoria do Desenvolvimento Psicossocial (Ciclo de vida) de Erikson considera que o desenvolvimento da identidade ocorre durante toda a vida, sofrendo mudanças mesmo após a adolescência. Esse desenvolvimento se dá em estágios e cada um envolve o que ele chamou de crise na personalidade. Esta crise pode ser compreendida como um dilema psicossocial que se manifesta em determinada fase da vida, respeitando um processo de maturação. E para que haja o desenvolvimento de um ego saudável esta crise precisa ser resolvida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Crescer significa diferenciar tarefas pré-estabelecidas, ao longo de contínuos períodos críticos, o que Erikson considera que se dará de forma sucessiva e integradora no que diz respeito ao estabelecimento da identidade de uma pessoa. Ele enfatiza a relação do ego com a organização social e afirma que a pessoa poderá fazer isso de forma equilibrada. É o inconsciente que se constitui enquanto motivação básica, neste percurso, embora os processos de socialização sejam corresponsáveis por isso.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua teoria pressupõe que o homem passe por oito fases epigenéticas- oito idades do homem – e que cada uma integra um processo de realização de tarefas ou de crises relativas à identidade: à medida que a pessoa soluciona uma crise está apta a passar para a fase seguinte. Cada fase desta, da infância à velhice, prefigura uma condição afetiva em relação ao solucionamento de cada tarefa: 1) Sentido de confiança; 2) Sentido de Autonomia; 3) Sentido de Iniciativa;4) Sentido de indústria (produtividade pessoal); 5) Sentido de Identidade; 6) Sentido de Intimidade; 7) Sentido de Generatividade; 8) Sentido de Integridade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Cronologia biográfica==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1902 – nasceu em 15 de junho, na cidade de Frankfurt, Alemanha&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1920 – concluiu o curso secundário na escola de humanidades da luterana Karlsruhe&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1923 – estudou Artes informalmente em Florença&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1927 – iniciou seus estudos no Instituto Psicanalítico de Viena&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1933 – após formar-se pelo Instituto de Psicanálise de Viena, mudou-se para os Estados Unidos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1936 – foi para o Instituto de Relações Humanas do departamento de psiquiatria da Universidade de Yale.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1938 – iniciou uma expedição para estudar os índios Sioux, em Dakota do Sul&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1939 – mudou-se para a Califórnia e iniciou investigação transcultural entre os índios Yurok, do norte da Califórnia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1944 - 1948 – dedicou-se a escrever a sua obra Childhood and Society&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1950 – publicou a sua primeira obra, sendo esta considerada parte principal do seu legado&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1950 - 1982 – continuou a dedicar-se à sua linha de investigação e escrita de diversas obras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1969 – publicou um livro sobre a vida de Gandhi que o fez ganhar 2 prêmios no ano seguinte  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1982 - publicou sua última obra: O Ciclo de Vida Completo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1994 – Faleceu em Harwich, Massachusetts, EUA. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Principais Obras== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Livros===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Infância e sociedade, 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Identity and the life cycle, 1959 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Identidade: juventude e crise, 1968&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A verdade de Gandhi: sobre as origens da não-violência militante, 1969&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dimensions of a new identity, 1974&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ciclo de vida completo, 1982&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson, E. H. (1956). The problem of ego identity. Journal of American Psychoanalysis, 4,56-121. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson, E. H. (1966). Eight ages of man. International Journal of Psychiatry, 2(3), 281–300.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson, E. H. (1968). Life cycle. International encyclopedia of the social sciences. 9, 286–292.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Prêmios==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1970 - Prêmio Pulitzer: Não-Ficção (por  “A verdade de Gandhi: sobre as origens da não-violência militante”), PULITZER&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1970 - National Book Award: Não-Ficção  (na categoria Filosofia e Religião pelo livro  “A verdade de Gandhi: sobre as origens da não-violência militante”)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Relação com outros personagens ou teorias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trabalhos de Erik Erikson sofreram influência de diversas esferas. A mais significativa foi a psicanálise, tendo Freud (1856-1939) e, como conseguinte,  Anna Freud (1895-1982) como dois dos maiores personagens de influência. Erik desfrutou do privilégio de ser supervisionado por Anna Freud e tê-la como parceira nas discussões acerca da psicanálise.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Henry Murray (1893-1988) foi um psicólogo norte-americano que esteve na direção da Universidade de Harvard por aproximadamente 30 anos. Foi, ao longo deste período, diretor da Clínica Psicológica de Harvard na Escola de Artes e Ciências. Sua relação com Erikson se deu durante as pesquisas de investigação da personalidade, desenvolvidas nesta clínica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O antropólogo Alfred Kroeber (1876-1960) foi essencial para que Erik iniciasse seu caminho pela pesquisa-ação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Anna_Freud&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARPIGIANI, B. Erik H. Erikson- teoria do desenvolvimento psicossocial. (carpsi- serviços em psicologia, saúde e gestão). Newsletter. 7º ed, agosto de 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, F. Passos. Confiança Básica e imagem inconsciente do corpo: Um diálogo possível entre Erik Erikson e Françoise Dolto em torno da formação do psiquismo infantil e sua relação com os  transtornos mentais. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública). Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Santa Catarina, 2005. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FIEDLER, A.J.C.B. Passos. O desenvolvimento psicossocial na perspectiva de Erik H. Erikson : as “oito idades do homem”. Revista Educação. Universidade. v,11, n. 1. 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RABELLO, E.T. e PASSOS, J.S.; Erikson e a Teoria Psicossocial do Desenvolvimento. Outubro de 2007. Disponível em: https://josesilveira.com/wp-content/uploads/2018/07/Erikson-e-a-teoria-psicossocial-do-desenvolvimento.pdf. Data de acesso: 08/09/2021&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SANTOS, Hellen e SILVA, Daniele. As contribuições da educação infantil e da teoria psicossocial de Erikson para o desenvolvimento infantil. In: Conedu, VII congresso nacional de educação. Maceió, Alagoas. Outubro, 2020.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VERÍSSIMO, R. Desenvolvimento psicossocial (Erik Erikson). Porto: faculdade de medicina do Porto, 2002&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links externos== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://psychology.fas.harvard.edu/people/erik-erikson&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://www.pulitzer.org/winners/erik-h-erikson&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Luciana Barros da Silva Gaspar e Nayara Mesquita Ribeiro, como exigência parcial para a disciplina de Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Henry_Beaunis&amp;diff=219</id>
		<title>Henry Beaunis</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Henry_Beaunis&amp;diff=219"/>
		<updated>2021-09-22T17:49:02Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Henry-Etienne Beaunis (2 de Agosto de 1830 - 11 de Julho de 1921) foi um médico e&lt;br /&gt;
fisiologista francês que realizou diversos estudos dentro do que se compreendia por&lt;br /&gt;
“psicologia” no final do século XIX e início do XX. Ele pode ser considerado como o&lt;br /&gt;
primeiro representante de uma psicofisiologia francesa e dirigiu o primeiro laboratório de&lt;br /&gt;
psicologia de seu país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
Henry Beaunis nasceu em 2 de Agosto de 1830 na cidade de Amboise, sendo o mais velho de&lt;br /&gt;
cinco filhos. Na infância, ele alternou entre diversas cidades, por conta das revoluções&lt;br /&gt;
burguesas e o cargo público ocupado por sua mãe, vindo a se estabelecer em definitivo na&lt;br /&gt;
cidade Rouen, ao noroeste da França.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Rouen ele pode começar seus estudos iniciais, vindo a obter aos 19 anos o título de&lt;br /&gt;
bacharel em filosofia e ciências físicas. Logo em seguida ele iniciou sua formação médica na&lt;br /&gt;
École Secondaire da cidade, mas decidiu prosseguir seus estudos em Paris. Sua estadia na&lt;br /&gt;
capital foi breve e ele se mudou para Rodez, estudando na Faculdade de Medicina da cidade&lt;br /&gt;
vizinha de Montpellier, onde obteve o título de doutor em 1856 com a tese intitulada&lt;br /&gt;
``L&#039;habitude en général&#039;&#039;.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No mesmo ano em que defende sua tese, ele decide entrar para o exército, passando seus&lt;br /&gt;
próximos 4 anos em missão em terras estrangeiras. Ele atua exclusivamente dentro do&lt;br /&gt;
exército até 1863, quando passa em um concurso público para o ingresso na Faculdade de&lt;br /&gt;
Medicina de Estrasburgo. Lá ele passa 3 anos em período de estágio regulamentar, para poder&lt;br /&gt;
assumir seu cargo efetivo dentro da seção de ciências anatômicas e fisiológicas, tendo&lt;br /&gt;
publicado uma tese sobre o sistema linfático.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1870 inicia a guerra franco-prussiana e Beaunis, ainda sendo um militar, tem seus&lt;br /&gt;
serviços requisitados pelo governo francês, dando início a um período muito turbulento de sua&lt;br /&gt;
vida. Ao final do conflito, ele ocupa um cargo de prestígio dentro da carreira médica no&lt;br /&gt;
exército francês, mas a França havia sido derrotada e a cidade em que ele ministrava aulas foi&lt;br /&gt;
destruída. Como consequência da destruição de Estrasburgo, em 1872 sua Faculdade de Medicina foi transferida para a Faculdade de Nancy, onde Beaunis passou a ocupar a cadeira&lt;br /&gt;
de fisiologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos próximos anos ele, que contava com um laboratório na nova instituição, passou a se&lt;br /&gt;
dedicar aos estudos de faculdades como a linguagem, vontade e consciência do ponto de vista&lt;br /&gt;
fisiológico, vindo a publicar em 1876 um dos primeiros tratados de “psicologia fisiológica”&lt;br /&gt;
nas terras francesas, o “Nouveaux éléments de physiologie humaine comprenant les principes&lt;br /&gt;
de la physiologie comparée et de la physiologie générale” . Ele se interessava pelos trabalhos&lt;br /&gt;
de autores como Muller e Fechner, e eles são mencionados nessa e outras publicações desse&lt;br /&gt;
período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1880, os estudos acerca da hipnose eram muito populares dentro do cenário&lt;br /&gt;
intelectual francês - e também atraiam grande interesse popular-, e Beaunis se junta com&lt;br /&gt;
outras figuras da faculdade de Nancy para estudar o tema. Ele, ao lado de Hippolyte Bernheim&lt;br /&gt;
e Jules Liegeois, questiona a maneira como os integrantes da Salpêtriere, liderados por&lt;br /&gt;
Charcot, retratam os processos por trás da hipnose e sua utilização, estabelecendo-se um&lt;br /&gt;
embate entre diversas figuras dessas duas instituições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como resultado de suas pesquisas sobre os fenômenos por trás da hipnose, ele publica em&lt;br /&gt;
1886 &amp;quot; Le somnambulisme provoqué”, uma das principais obras produzidas naquele período&lt;br /&gt;
acerca do tema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1888 Théodule Ribot - considerado o pai da psicologia experimental francesa - assume a&lt;br /&gt;
recém criada cadeira de psicologia experimental e comparada no Collège de France, tendo&lt;br /&gt;
um laboratório de psicologia experimental associado a ela. Ribot não era exatamente um&lt;br /&gt;
psicólogo experimental e não estava muito habituado à vivência de laboratório, e convida&lt;br /&gt;
Beaunis para dirigi-lo, que aceita a oferta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O laboratório de psicologia experimental, associado a École Pratique de Hautes Études, é&lt;br /&gt;
criado em 1889, contando com uma lista de aparelhagem e seus fabricantes fornecida por&lt;br /&gt;
Wilhelm Wundt, sendo considerado um dos primeiros laboratório de psicologia experimental&lt;br /&gt;
do país. Dois anos depois, Alfred Binet se junta a Beaunis no laboratório, estabelecendo uma&lt;br /&gt;
relação produtiva que resulta em diversas publicações. A quantidade de material produzido acerca das pesquisas conduzidas no laboratório era tão significante, que 1895 eles decidem&lt;br /&gt;
criar uma revista para publicá-los, à L&#039;Année Psychologique.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No mesmo ano de criação da revista, que veio a se tornar um dos mais importantes espaços de&lt;br /&gt;
circulação da psicologia científica na França, ele passa o cargo de diretor do laboratório para&lt;br /&gt;
Binet, se afastando por questões ligadas à sua saúde. Suas produções acadêmicas reduzem&lt;br /&gt;
bastante nos anos seguintes e ele passa a maioria de seu tempo pesquisando sobre a arte e a&lt;br /&gt;
poesia, vindo a falecer aos 91 anos em 1921.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação ao campo psi, suas maiores contribuições estão relacionadas a consolidação da&lt;br /&gt;
psicologia experimental nas terras francesas. Suas bases fisiológicas e sua vivência de&lt;br /&gt;
laboratório o diferenciam de outros pesquisadores do campo psi na época, pois eles se&lt;br /&gt;
interessavam majoritariamente pelas psicopatologias e se apropriavam de maneira diferente&lt;br /&gt;
do espaço do laboratório - não estando tão habituados a exames de natureza fisiológica.&lt;br /&gt;
Acrescenta-se a isso o fato dele ter sido um dos criadores do L&#039;Année Psychologique,&lt;br /&gt;
periódico que teve sua importância relatada anteriormente, e seu envolvimento com um dos&lt;br /&gt;
marcos da história da psicologia na França, a criação do laboratório em 1889.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua contribuição para o debate acerca da hipnose no final do século XIX também é relevante,&lt;br /&gt;
sendo um personagem chave para compreender o embate entre a “Escola” de Nancy e a&lt;br /&gt;
Salpêtriere, e o autor de uma das obras sobre o tema de maior circulação na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1856: De l&#039;habitude en général (tese de medicina).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1863: Anatomie générale et physiologie du système lymphatique.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1868: Nouveaux éléments d&#039;anatomie descriptive et d&#039;embryologie.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1872: Programme du cours complémentaire de physiologie fait à la faculté de médecine de Strasbourg.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1875: Les principes de la physiologie.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1876: Nouveaux éléments de physiologie humaine.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1877: Précis d&#039;anatomie et de dissection.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1878: Leçon d&#039;ouverture du cours de physiologie. - Claude Bernard. - Présentation d&#039;un crâne&lt;br /&gt;
et d&#039;un cerveau d&#039;idiot microcéphale.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1879: Nouveaux éléments d&#039;anatomie descriptive et d&#039;embryologie (vol. I).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1880: Nouveaux éléments d&#039;anatomie descriptive et d&#039;embryologie (vol. II).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1881: Nouveaux éléments d&#039;anatomie descriptive et d&#039;embryologie (vol I e II, segunda&lt;br /&gt;
edição).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1882: Recherches sur l&#039;influence de l&#039;activité cérébrale sur la sécrétion urinaire et&lt;br /&gt;
spécialement sur l&#039;élimination phosphorique.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1883: Sur la comparaison du temps deréaction des différentes sensations. - Sur le temps de&lt;br /&gt;
réaction des sensations olfactives. - Recherches sur le temps de réaction des sensations&lt;br /&gt;
olfactives. - Note sur la forme de la contraction musculaire réflexe (I). - Note sur la forme de&lt;br /&gt;
la contraction musculaire réflexe (II). - Note sur la forme de la contraction musculaire réflexe&lt;br /&gt;
(III). - Sur le temps de réaction des sensations olfactives.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1884: Recherches expérimentales sur les conditions de l&#039;activité cérébrale (I). - Note sur les&lt;br /&gt;
phénomènes d’arrêt. - Pathologie nerveuse : Un fait d’hypnotisme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1885: L&#039;expérimentation en psychologie par le somnambulisme provoqué (I). -&lt;br /&gt;
L&#039;expérimentation en psychologie par le somnambulisme provoqué (II). - Influence de la&lt;br /&gt;
durée de l&#039;attente sur le temps de réaction. - Suggestion à 172 jours d&#039;intervalle. - Un fait de&lt;br /&gt;
suggestion mentale. - Recherches sur la contraction simultanée des muscles antagonistes. -&lt;br /&gt;
Etudes physiologiques sur le somnambulisme provoqué. - Nouveaux éléments d&#039;anatomie&lt;br /&gt;
descriptive et d&#039;embryologie.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1886: Recherches expérimentales sur les conditions de l&#039;activité cérébrale(II): Études&lt;br /&gt;
physiologiques et psychologiques sur le somnambulisme provoqué.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1887: Impressions de campagne (1870-1871). - Le somnambulisme provoqué: Etudes&lt;br /&gt;
physiologiques et psychologiques ( segunda edição). - Une expérience sur le sens musculaire.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1888: Enseignement des sciences:L&#039;école du service de santé militaire de Strasbourg et la&lt;br /&gt;
faculté de médecinede Strasbourg de 1856 à 1970. - L&#039;évolution du système nerveux (I),&lt;br /&gt;
L&#039;évolution du système nerveux (II). - L&#039;évolution du système nerveux (III). - Recherches sur&lt;br /&gt;
la mémoire des sensations musculaires. - Nouveaux éléments de physiologie humaine&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1889: Les sensations internes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1890: L&#039;évolution du système nerveux. - Rapport sur les thèses de doctorat soutenues à la&lt;br /&gt;
Faculté de Nancy en 1888-1889.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1892: Sur deux cas d&#039;audition colorée.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1893: Travaux du Laboratoire de Psychologie Physiologique. - Note sur les questionnaires&lt;br /&gt;
psychologiques individuels.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1895: Introduction. L’Année Psychologique. - Madame Mazurel: Contes physiologiques.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1903: Contribution à la psychologie du rêve.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1908: Les fantoches sur la Côte d&#039;Azur.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1909: Comment fonctionne mon cerveau: Essai de psychologie introspective.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1910: Le mécanisme cérébral :Observations personnelles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1914: Deux cas de lucidité télépathique.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1917: Oeuvres d&#039;Eschyle. Le Cannet: s.n.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1918: L&#039;émotion musicale.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1919: Heures tragiques: 1870-1871, 1914-1919.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1921: Les aveugles de naissance et le monde extérieur.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Alfred_Binet&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Théodule_Ribot&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hyppolyte_Bernheim&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Faculdade_de_Nancy&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARROY, Jacqueline. Jeux d’écoles hypnotiques: Paris-Nancy fin de siècle. Revue d’histoire&lt;br /&gt;
des sciences humaines, n. 32, p. 73-97, 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
NICOLAS, Serge; FERRAND, Ludovic. Henry Beaunis (1830–1921): a physiologist among&lt;br /&gt;
psychologists. Journal of Medical Biography, v. 10, n. 1, p. 1-3, 2002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
NICOLAS, Serge; SEGUI, Juan; LEFRAND, Ludovic. Les premières revues de psychologie:&lt;br /&gt;
la place de L&#039;Année Psychologique. L&#039;Année psychologique, v. 100, n. 1, p. 71-110, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
NICOLAS, Serge. Henry Beaunis (1830-1921) directeur-fondateur du laboratoire de&lt;br /&gt;
Psychologie physiologique de la Sorbonne. L&#039;Année psychologique, v. 95, n. 2, p. 267- 291,&lt;br /&gt;
1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; RIBEIRO, André Elias Morelli. Figuras da psicologia&lt;br /&gt;
francófona do final do século XIX. Mnemosine, v. 16, n. 2, 2020.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links externos==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://sites.google.com/site/henrybeaunis18301921/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Yuri Pereira Antunes Vieira, como exigência parcial para a disciplina de Estudos Complementares Em História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Henry_Beaunis&amp;diff=218</id>
		<title>Henry Beaunis</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Henry_Beaunis&amp;diff=218"/>
		<updated>2021-09-22T17:48:33Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: Criou página com &amp;#039;Henry-Etienne Beaunis (2 de Agosto de 1830 - 11 de Julho de 1921) foi um médico e fisiologista francês que realizou diversos estudos dentro do que se compreendia por “psic...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Henry-Etienne Beaunis (2 de Agosto de 1830 - 11 de Julho de 1921) foi um médico e&lt;br /&gt;
fisiologista francês que realizou diversos estudos dentro do que se compreendia por&lt;br /&gt;
“psicologia” no final do século XIX e início do XX. Ele pode ser considerado como o&lt;br /&gt;
primeiro representante de uma psicofisiologia francesa e dirigiu o primeiro laboratório de&lt;br /&gt;
psicologia de seu país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
Henry Beaunis nasceu em 2 de Agosto de 1830 na cidade de Amboise, sendo o mais velho de&lt;br /&gt;
cinco filhos. Na infância, ele alternou entre diversas cidades, por conta das revoluções&lt;br /&gt;
burguesas e o cargo público ocupado por sua mãe, vindo a se estabelecer em definitivo na&lt;br /&gt;
cidade Rouen, ao noroeste da França.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Rouen ele pode começar seus estudos iniciais, vindo a obter aos 19 anos o título de&lt;br /&gt;
bacharel em filosofia e ciências físicas. Logo em seguida ele iniciou sua formação médica na&lt;br /&gt;
École Secondaire da cidade, mas decidiu prosseguir seus estudos em Paris. Sua estadia na&lt;br /&gt;
capital foi breve e ele se mudou para Rodez, estudando na Faculdade de Medicina da cidade&lt;br /&gt;
vizinha de Montpellier, onde obteve o título de doutor em 1856 com a tese intitulada&lt;br /&gt;
``L&#039;habitude en général&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No mesmo ano em que defende sua tese, ele decide entrar para o exército, passando seus&lt;br /&gt;
próximos 4 anos em missão em terras estrangeiras. Ele atua exclusivamente dentro do&lt;br /&gt;
exército até 1863, quando passa em um concurso público para o ingresso na Faculdade de&lt;br /&gt;
Medicina de Estrasburgo. Lá ele passa 3 anos em período de estágio regulamentar, para poder&lt;br /&gt;
assumir seu cargo efetivo dentro da seção de ciências anatômicas e fisiológicas, tendo&lt;br /&gt;
publicado uma tese sobre o sistema linfático.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1870 inicia a guerra franco-prussiana e Beaunis, ainda sendo um militar, tem seus&lt;br /&gt;
serviços requisitados pelo governo francês, dando início a um período muito turbulento de sua&lt;br /&gt;
vida. Ao final do conflito, ele ocupa um cargo de prestígio dentro da carreira médica no&lt;br /&gt;
exército francês, mas a França havia sido derrotada e a cidade em que ele ministrava aulas foi&lt;br /&gt;
destruída. Como consequência da destruição de Estrasburgo, em 1872 sua Faculdade de Medicina foi transferida para a Faculdade de Nancy, onde Beaunis passou a ocupar a cadeira&lt;br /&gt;
de fisiologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos próximos anos ele, que contava com um laboratório na nova instituição, passou a se&lt;br /&gt;
dedicar aos estudos de faculdades como a linguagem, vontade e consciência do ponto de vista&lt;br /&gt;
fisiológico, vindo a publicar em 1876 um dos primeiros tratados de “psicologia fisiológica”&lt;br /&gt;
nas terras francesas, o “Nouveaux éléments de physiologie humaine comprenant les principes&lt;br /&gt;
de la physiologie comparée et de la physiologie générale” . Ele se interessava pelos trabalhos&lt;br /&gt;
de autores como Muller e Fechner, e eles são mencionados nessa e outras publicações desse&lt;br /&gt;
período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1880, os estudos acerca da hipnose eram muito populares dentro do cenário&lt;br /&gt;
intelectual francês - e também atraiam grande interesse popular-, e Beaunis se junta com&lt;br /&gt;
outras figuras da faculdade de Nancy para estudar o tema. Ele, ao lado de Hippolyte Bernheim&lt;br /&gt;
e Jules Liegeois, questiona a maneira como os integrantes da Salpêtriere, liderados por&lt;br /&gt;
Charcot, retratam os processos por trás da hipnose e sua utilização, estabelecendo-se um&lt;br /&gt;
embate entre diversas figuras dessas duas instituições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como resultado de suas pesquisas sobre os fenômenos por trás da hipnose, ele publica em&lt;br /&gt;
1886 &amp;quot; Le somnambulisme provoqué”, uma das principais obras produzidas naquele período&lt;br /&gt;
acerca do tema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1888 Théodule Ribot - considerado o pai da psicologia experimental francesa - assume a&lt;br /&gt;
recém criada cadeira de psicologia experimental e comparada no Collège de France, tendo&lt;br /&gt;
um laboratório de psicologia experimental associado a ela. Ribot não era exatamente um&lt;br /&gt;
psicólogo experimental e não estava muito habituado à vivência de laboratório, e convida&lt;br /&gt;
Beaunis para dirigi-lo, que aceita a oferta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O laboratório de psicologia experimental, associado a École Pratique de Hautes Études, é&lt;br /&gt;
criado em 1889, contando com uma lista de aparelhagem e seus fabricantes fornecida por&lt;br /&gt;
Wilhelm Wundt, sendo considerado um dos primeiros laboratório de psicologia experimental&lt;br /&gt;
do país. Dois anos depois, Alfred Binet se junta a Beaunis no laboratório, estabelecendo uma&lt;br /&gt;
relação produtiva que resulta em diversas publicações. A quantidade de material produzido acerca das pesquisas conduzidas no laboratório era tão significante, que 1895 eles decidem&lt;br /&gt;
criar uma revista para publicá-los, à L&#039;Année Psychologique.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No mesmo ano de criação da revista, que veio a se tornar um dos mais importantes espaços de&lt;br /&gt;
circulação da psicologia científica na França, ele passa o cargo de diretor do laboratório para&lt;br /&gt;
Binet, se afastando por questões ligadas à sua saúde. Suas produções acadêmicas reduzem&lt;br /&gt;
bastante nos anos seguintes e ele passa a maioria de seu tempo pesquisando sobre a arte e a&lt;br /&gt;
poesia, vindo a falecer aos 91 anos em 1921.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação ao campo psi, suas maiores contribuições estão relacionadas a consolidação da&lt;br /&gt;
psicologia experimental nas terras francesas. Suas bases fisiológicas e sua vivência de&lt;br /&gt;
laboratório o diferenciam de outros pesquisadores do campo psi na época, pois eles se&lt;br /&gt;
interessavam majoritariamente pelas psicopatologias e se apropriavam de maneira diferente&lt;br /&gt;
do espaço do laboratório - não estando tão habituados a exames de natureza fisiológica.&lt;br /&gt;
Acrescenta-se a isso o fato dele ter sido um dos criadores do L&#039;Année Psychologique,&lt;br /&gt;
periódico que teve sua importância relatada anteriormente, e seu envolvimento com um dos&lt;br /&gt;
marcos da história da psicologia na França, a criação do laboratório em 1889.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua contribuição para o debate acerca da hipnose no final do século XIX também é relevante,&lt;br /&gt;
sendo um personagem chave para compreender o embate entre a “Escola” de Nancy e a&lt;br /&gt;
Salpêtriere, e o autor de uma das obras sobre o tema de maior circulação na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1856: De l&#039;habitude en général (tese de medicina).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1863: Anatomie générale et physiologie du système lymphatique.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1868: Nouveaux éléments d&#039;anatomie descriptive et d&#039;embryologie.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1872: Programme du cours complémentaire de physiologie fait à la faculté de médecine de Strasbourg.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1875: Les principes de la physiologie.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1876: Nouveaux éléments de physiologie humaine.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1877: Précis d&#039;anatomie et de dissection.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1878: Leçon d&#039;ouverture du cours de physiologie. - Claude Bernard. - Présentation d&#039;un crâne&lt;br /&gt;
et d&#039;un cerveau d&#039;idiot microcéphale.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1879: Nouveaux éléments d&#039;anatomie descriptive et d&#039;embryologie (vol. I).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1880: Nouveaux éléments d&#039;anatomie descriptive et d&#039;embryologie (vol. II).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1881: Nouveaux éléments d&#039;anatomie descriptive et d&#039;embryologie (vol I e II, segunda&lt;br /&gt;
edição).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1882: Recherches sur l&#039;influence de l&#039;activité cérébrale sur la sécrétion urinaire et&lt;br /&gt;
spécialement sur l&#039;élimination phosphorique.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1883: Sur la comparaison du temps deréaction des différentes sensations. - Sur le temps de&lt;br /&gt;
réaction des sensations olfactives. - Recherches sur le temps de réaction des sensations&lt;br /&gt;
olfactives. - Note sur la forme de la contraction musculaire réflexe (I). - Note sur la forme de&lt;br /&gt;
la contraction musculaire réflexe (II). - Note sur la forme de la contraction musculaire réflexe&lt;br /&gt;
(III). - Sur le temps de réaction des sensations olfactives.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1884: Recherches expérimentales sur les conditions de l&#039;activité cérébrale (I). - Note sur les&lt;br /&gt;
phénomènes d’arrêt. - Pathologie nerveuse : Un fait d’hypnotisme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1885: L&#039;expérimentation en psychologie par le somnambulisme provoqué (I). -&lt;br /&gt;
L&#039;expérimentation en psychologie par le somnambulisme provoqué (II). - Influence de la&lt;br /&gt;
durée de l&#039;attente sur le temps de réaction. - Suggestion à 172 jours d&#039;intervalle. - Un fait de&lt;br /&gt;
suggestion mentale. - Recherches sur la contraction simultanée des muscles antagonistes. -&lt;br /&gt;
Etudes physiologiques sur le somnambulisme provoqué. - Nouveaux éléments d&#039;anatomie&lt;br /&gt;
descriptive et d&#039;embryologie.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1886: Recherches expérimentales sur les conditions de l&#039;activité cérébrale(II): Études&lt;br /&gt;
physiologiques et psychologiques sur le somnambulisme provoqué.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1887: Impressions de campagne (1870-1871). - Le somnambulisme provoqué: Etudes&lt;br /&gt;
physiologiques et psychologiques ( segunda edição). - Une expérience sur le sens musculaire.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1888: Enseignement des sciences:L&#039;école du service de santé militaire de Strasbourg et la&lt;br /&gt;
faculté de médecinede Strasbourg de 1856 à 1970. - L&#039;évolution du système nerveux (I),&lt;br /&gt;
L&#039;évolution du système nerveux (II). - L&#039;évolution du système nerveux (III). - Recherches sur&lt;br /&gt;
la mémoire des sensations musculaires. - Nouveaux éléments de physiologie humaine&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1889: Les sensations internes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1890: L&#039;évolution du système nerveux. - Rapport sur les thèses de doctorat soutenues à la&lt;br /&gt;
Faculté de Nancy en 1888-1889.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1892: Sur deux cas d&#039;audition colorée.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1893: Travaux du Laboratoire de Psychologie Physiologique. - Note sur les questionnaires&lt;br /&gt;
psychologiques individuels.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1895: Introduction. L’Année Psychologique. - Madame Mazurel: Contes physiologiques.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1903: Contribution à la psychologie du rêve.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1908: Les fantoches sur la Côte d&#039;Azur.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1909: Comment fonctionne mon cerveau: Essai de psychologie introspective.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1910: Le mécanisme cérébral :Observations personnelles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1914: Deux cas de lucidité télépathique.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1917: Oeuvres d&#039;Eschyle. Le Cannet: s.n.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1918: L&#039;émotion musicale.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1919: Heures tragiques: 1870-1871, 1914-1919.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1921: Les aveugles de naissance et le monde extérieur.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Alfred_Binet&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Théodule_Ribot&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hyppolyte_Bernheim&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Faculdade_de_Nancy&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARROY, Jacqueline. Jeux d’écoles hypnotiques: Paris-Nancy fin de siècle. Revue d’histoire&lt;br /&gt;
des sciences humaines, n. 32, p. 73-97, 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
NICOLAS, Serge; FERRAND, Ludovic. Henry Beaunis (1830–1921): a physiologist among&lt;br /&gt;
psychologists. Journal of Medical Biography, v. 10, n. 1, p. 1-3, 2002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
NICOLAS, Serge; SEGUI, Juan; LEFRAND, Ludovic. Les premières revues de psychologie:&lt;br /&gt;
la place de L&#039;Année Psychologique. L&#039;Année psychologique, v. 100, n. 1, p. 71-110, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
NICOLAS, Serge. Henry Beaunis (1830-1921) directeur-fondateur du laboratoire de&lt;br /&gt;
Psychologie physiologique de la Sorbonne. L&#039;Année psychologique, v. 95, n. 2, p. 267- 291,&lt;br /&gt;
1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; RIBEIRO, André Elias Morelli. Figuras da psicologia&lt;br /&gt;
francófona do final do século XIX. Mnemosine, v. 16, n. 2, 2020.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links externos==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://sites.google.com/site/henrybeaunis18301921/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Yuri Pereira Antunes Vieira, como exigência parcial para a disciplina de Estudos Complementares Em História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Maria_L%C3%BAcia_da_Silva&amp;diff=217</id>
		<title>Maria Lúcia da Silva</title>
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		<updated>2021-09-16T17:41:42Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Maria Lucia da Silva, nasceu em Mirassol, São Paulo em 15 de Abril 1949, conhecida no ativismo como Lucinha, é uma psicóloga, psicanalista e psicoterapeuta brasileira, co-fundadora do [http://www.ammapsique.org.br/ Instituto AMMA - Psique e Negritude], coordenadora da Articulação Nacional de Psicólogas(os) Negras(os) e Pesquisadoras(es) do Brasil e Empreendedora Social ASHOKA- Empreendimento Social, desde 2005.&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
===Vida pessoal===&lt;br /&gt;
Maria Lucia da Silva, nasceu no dia 15 de abril de 1949, na cidade de Mirassol, interior de São Paulo. Sua mãe Jordelina Maria de Souza, afro-indígena e seu pai, Antônio Francisco da Silva, benzedor que perdeu a visão aos 17 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Logo após seu nascimento, entre o 5º e 9º mês de vida, Maria Lúcia ficou doente, e perdeu os movimentos do corpo, sua família era muito religiosa e fez diversas promessas para que ela se recuperasse. Tendo se recuperado, ao completar 3 anos foi feita uma procissão para pagar as promessas. Foi também aos 3 anos que ela se mudou para São Paulo, Capital com a sua família. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu primeiro trabalho foi aos 6 anos quando ia com sua tia-avó e outras crianças do cortiço que moravam ajudar na limpeza de uma boate. Aos 8 anos, durante as férias, ela teve sua segunda experiência de serviço, trabalhou durante 30 dias, na casa de uma senhora, facções como eram chamadas na época, ajudando-a a costurar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 25 de Dezembro de 2007 comemorando o Natal com sua família ela se sentiu mal e foi ao hospital, os médicos disseram que ela tinha uma pneumonia, mas não deram um diagnóstico. Após 20 dias, um pneumologista disse que ela estava com os pulmões cheios de sangue. Maria Lúcia foi internada no mesmo dia e passou 30 dias no hospital, pois ainda não havia uma identificação de qual doença ela tinha, após esse tempo foi diagnosticada com vasculite, uma doença autoimune.&lt;br /&gt;
===Contato com o ativismo===&lt;br /&gt;
Na década de 1970 Maria Lúcia, trabalhou como auxiliar de escritório em um metro, foi nessa mesma época que ela foi abordada no metro, por dois ativistas negros para falar sobre o racismo e a partir deste momento ela inicia sua jornada no ativismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1976, Maria Lúcia em parceria com outros ativistas negros reabrem uma organização chamada Centro de Cultura e Arte Negra, o CECAM, assim, começa a participar ativamente dos movimentos negros. É dentro desta instituição que surge o Festival Comunitário Negro Zumbi, e é partir desse momento que ela passa a atuar ativamente no ativismo. Entretanto, no ano de 1982, os participantes do Centro de Cultura e Arte Negra decidem fechar a organização.&lt;br /&gt;
===Carreira acadêmica===&lt;br /&gt;
No começo de 1980 ela ingressa no curso de Psicologia na Faculdade Paulistana, em São Paulo. E em 1985, Maria Lucia da Silva se formou psicóloga e foi nesse mesmo ano que começou a atuar na área clínica. A psicóloga se especializou em Saúde Coletiva no Instituto de Saúde da Secretaria do Estado de São Paulo em 1987 e de 1994 a 1997 se especializou em dinâmica energética do psiquismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria Lúcia participou de alguns cursos, na área da psicanálise os principais são  Narcisismo, alteridade e Grupo Operativo - Instituto de Psicologia-USP Conflito e Sintoma: Instituto Sedes Sapientiae A psique da criança  - Casa do Saber, além de participar do curso internacional nos Estados Unidos Treinamento para facilitadora de grupo (National Black Women Health Project, Atlanta/Geórgia e Nova York).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicóloga também participou do I Encontro Nacional de Psicólogos(as) Negros(as) e Pesquisadores(as) sobre Relações Raciais e Subjetividade no Brasil (PSINEP), em São Paulo  como coordenadora geral e palestrante no V Congresso Brasileiro das DST e AIDS (MG) e III Conferência Nacional de Saúde Mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 2008, Lucinha ingressou no Instituto SEDES Sapientiae para cursar ‘conflito-sintoma’, entretanto, em 2010, ela foi a trabalho para Salvador, Bahia, e ficou na cidade por 4 meses e por isso não concluiu o curso.&lt;br /&gt;
===Participação política===&lt;br /&gt;
Com o fim da ditadura e as primeiras eleições diretas é criado do Conselho Estadual da Condição feminina, no estado de São Paulo, e em 1986 é criado dentro do Conselho uma comissão de mulheres negras, no qual ela passa atuar no desenvolvimento de trabalhos e discussões do impacto da combinação de gênero e racismo na vida de mulheres negras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2001, a Comissão Nacional dos Direitos Humanos, do Conselho Federal de Psicologia, convidou três psicólogas negras para uma conversa com a comissão sobre a importância de uma campanha com os profissionais de psicologia para incluir a escuta sobre os efeitos do racismo no CFP.&lt;br /&gt;
===Criação dos institutos===&lt;br /&gt;
Ao encerrar sua participação na Comissão de mulheres negras, a psicóloga, se reuniu e com Solimar Carneiro, Edna Roland, Sueli Carneiro, Nilza Iraci, Ana Lucia Xavier Teixeira e fundaram em 30 de Setembro de 1988 a ONG [https://www.geledes.org.br/ Geledés- Instituto da Mulher Negra], da qual, Lucinha foi presidente de 1988 a 1994. Por meio do Geledés ela conhece uma fundação Americana chamada Projeto Nacional de Saúde das Mulheres Negras, por meio de um investimento ela vai para Atlanta conhecer a sede do projeto e participar de um encontro de 3 dias com cerca de 200 mulheres negras. Esse encontro ocorreu em Dahlonega, Estados Unidos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando Maria Lúcia, retorna de sua viagem de 15 dias, aos Estados Unidos da América, ela cria um projeto chamado Construindo nossa Cumplicidade, que durou 3 anos, esse projeto consistia em dinâmicas de grupo com encontros quinzenais, com intuito de que as mulheres que participavam pudessem compartilhar suas vivências e ter acompanhamento psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do ano de 1994, saindo do consultório de sua supervisora de bioenergética Maria Lúcia encontra com uma psicóloga chamada Marilza de Souza e conversaram sobre a questão da psicologia negra e a partir desse momento elas começaram a pensar na construção de uma clínica voltada para o atendimento de pessoas negras. Depois de algum tempo amadurecendo a ideia, elas juntamente com Ana Maria e Silvia de Souza fundaram em setembro de 1995 o [http://www.ammapsique.org.br/ Instituto AMMA- Psique e Negritude] com o objetivo de pensar o racismo e a psicologia. Foi Presidente do Instituto no período de 2008 a 2011 e depois de 2016 a 2019. No final de 2019 deixou a presidência e se tornou conselheira do Instituto&lt;br /&gt;
===Atualmente===&lt;br /&gt;
Atualmente Maria Lúcia continua trabalhando como psicanalista na área clínica, é conselheira do [http://www.ammapsique.org.br/ Instituto AMMA- Psique e Negritude] e coordenadora da Articulação Nacional de Psicólogas(os) Negras(os) e Pesquisadoras(es) do Brasil&lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
Maria Lúcia é psicóloga, psicanalista e psicoterapeuta, especialista em trabalhos com recorte de gênero e raça e a questão da negritude e do racismo dentro da psicologia. Todo seu trabalho é voltado para um debate crítico da visão psicanalítica sobre racismo, vidas negras em meio ao social, sentimentos e vontades dessas pessoas. Com o objetivo de ajudar pessoas negras a se encaixarem neste mundo levando em conta não só suas vivências, mas também o quanto causos como o preconceito racial podem interferir em seus pensamentos ou visão sobre si mesmo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo de grande contribuição sua proposta de trabalho para o mundo e em questão o Brasil, o segundo país com mais negros fora do continente africano, tendo mais de 52% da população racializada e mesmo assim ainda possuem um sistema e padrões aos quais excluem constantemente a participação dessas pessoas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A principal contribuição de Maria Lucia dentro da psicologia se dá por meio da fundação do Instituto AMMA - Psique e Negritude que desenvolve estratégias para identificação, elaboração e desconstrução do racismo e seus efeitos psicossociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do trabalho no instituto Maria Lucia da Silva desenvolveu também alguns debates, pesquisas, seminários, oficinas temáticas e cursos, em seus documentos como o currículo lattes ela dá alguns nomes de projetos. como por exemplo;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*&#039;&#039;&#039;Planejamento e coordenação de projetos institucionais com foco psicossocial.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Projeto Questão Étnico Racial e Direito à Saúde: Qualificando Práticas. Parceria com Secretaria Municipal e Saúde de São Paulo;   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*&#039;&#039;&#039;Elaboração e facilitação de Oficinas de Identificação e abordagem do racismo e sexismo institucional:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
o   Equipe do Plano Juventude Viva, da Secretaria Nacional da Juventude, em Brasília e Rio de Janeiro; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial/Brasilia; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*&#039;&#039;&#039;Consultoria e Assessoria para Grupos, Instituições, Organizações Governamentais e Não-Governamentais; Profissionais das áreas de Saúde e Educação:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Elas Fundo Social de Investimento. Acompanhamento Projeto “Elas em Movimento”. Grupos de Mulheres Empreendedoras, em territórios pacificados: Cidade de Deus, Providência, Borel e Batan/RJ;&lt;br /&gt;
==Ideias==&lt;br /&gt;
Para a Conselheira do [http://www.ammapsique.org.br/ Instituto AMMA], Maria Lucia da Silva a discussão sobre raça e racismo no Brasil muitas vezes são superficiais porque em pesquisas que apontam sobre os números raciais a maioria diz existir o preconceito, mas  ninguém se assume no lugar de preconceituoso, para Maria um debate aberto envolvendo racializados e não racializados é extremamente necessário para a evolução do pensamento humano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoas de pele preta são desvalorizadas e intituladas como escoria da sociedade e nem sempre sua classe social (sendo um indivíduo negro mais rico) ajudaria muito em desvincular este título, Maria Lucia critica a falta de debates em volta do assunto, ao colocar o preconceito como tabu, deixamos de lado questões como essas. Como fica a psique de um ser sobrevivente ao preconceito, mas que não pode expor e anunciar suas vivências? A teoria de Maria Lúcia está voltada para este questionamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria Lúcia possui participação em três obras publicadas. em um dos livros ela fala sobre como lidar com as marcas do preconceito racial, como cuidar da saúde psíquica no contexto brasileiro principalmente. Em 2017 publicou O racismo e o Negro No Brasil- Questões para a Psicanalise, onde a mesma foi a organizadora, e busca mostrar que no Brasil, a dificuldade de perceber a dimensão da questão racial trava o processo de construção e constituição do país como nação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicóloga faz o recorte de raça e gênero e tem como afirmação de que o recorte é necessário para entender os processos individuais e coletivos da sociedade. Entender cada subjetividade e trabalhá-las por meio da psicanálise. Tem o objetivo de pensar na sociedade e refletir sobre o racismo, possibilitando pensar como esse fenômeno afeta o indivíduo. Ajuda a pensar no sujeito atravessado pelo racismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria Lucia da Silva leva em conta a composição da população brasileira e afirma que psicólogos devem conhecer a história do Brasil, saber com o que estão lidando e quais são os processos de construção do pais, sendo necessário admitir a história de escravidão e preconceituosa para que possam construir uma psicologia que atenda bem as necessidades de cada um da melhor maneira possível. Ela afirma que olhar o país mestiço com um olhar europeu é um equívoco. Pensar a psicanálise é pensar os lugares de poder que ela ocupa.&lt;br /&gt;
==Seguidores==&lt;br /&gt;
O [https://www.geledes.org.br/ Instituto Geledés] e o AMMA são idealizados em parte pela Maria Lúcia e um grupo de psicólogos que juntas visam o debate e a discussão sobre Psique e Negritude. Geledés é um instituto conhecido pelos temas trazidos em textos e reportagens. Para a construção desses trabalhos foram necessárias algumas pessoas que acreditavam nas ideias e apoiavam &#039;&#039;“Lucinha”.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como Jussara Dias, uma psicóloga especialista em psicodrama pelo &#039;&#039;Centre International de Psychothérapie Expressive&#039;&#039; em Quebec. Jussara é uma Co-fundadora do AMMA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicóloga clínica e psicoterapeuta corporal em Análise Bioenergética e biossíntese, a Maria Cristina Francisco, importante integrante do instituto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A doutora Clélia Prestes, que possui estágio doutoral no Departamento de Estudos Africanos e Afro-Diaspóricos, Clelia é integrante e palestrante do grupo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Marcio Farias, psicólogo pela universidade presbiteriana Mackenzie e Professor convidado pela Celacc ECA/USP. outro participante do [http://www.ammapsique.org.br/ Instituto AMMA].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Importante membro do Grupo de Pesquisa do AMMA, Marcos Amaral é psicólogo e doutorando em Psicologia da Educação pela PUC-SP trabalha em “A Dimensão Subjetiva da Desigualdade Social: suas diversas expressões” na pesquisa.&lt;br /&gt;
==Obras==&lt;br /&gt;
Das muitas obras que levam o nome de Maria Lucia da Silva, esses são os livros principais que a psicóloga contribuiu para a escrita, lançamento e organização dos mesmos. Além dos três livros há no site do [http://www.ammapsique.org.br/ Instituto AMMA] uma biblioteca repleta de outras obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Psique e Negritude – Os Efeitos Psicossociais do Racismo, 2008.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O racismo e o Negro No Brasil - Questões para a Psicanalise, 2017.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Violência e Sociedade - O Racismo como Estruturante da Sociedade e Subjetividade do Povo Brasileiro, 2018.&lt;br /&gt;
==Prêmios==&lt;br /&gt;
Concurso Desafio de Impacto Social Google|Brasil, 2014 -Prêmio recebido pelo [https://www.geledes.org.br/ Instituto Geledés].&lt;br /&gt;
==Relações com outros personagens==&lt;br /&gt;
A abordagem escolhida por “&#039;&#039;Lucinha”,&#039;&#039; é a psicanálise de Freud, onde é apresentado ferramentas para analisar e entender alguns fenômenos sociais como o racismo. A possibilidade de refletir como cada fenômeno afeta o indivíduo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base toda produção freudiana e conceitos de Tânia Corghi Veríssimo que mostram a dificuldade em discutir questões raciais no país citando termos como traumas e outros relacionados. Se tratando de vivências não só em debates, mas também no atendimento clínico onde a psicóloga Maria Lúcia sempre enfatiza a necessidade de falar sobre e levar em conta cada fenômeno da sociedade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levando em conta sempre o lugar de fala do paciente, do coletivo onde são tratados as dores e angústias que são capazes de prender um indivíduo em busca de compreender as necessidades de cada um em meio a sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil já há algumas pesquisas que nos ajudam a entender os efeitos psíquicos do racismo, mas ainda são poucas. No que podemos apreender melhor – os processos de depressão, as crises de ansiedade, as manifestações de uma angústia profunda –, constatamos que pessoas negras que apresentam esses quadros têm fortes componentes de racismo.&lt;br /&gt;
==Críticas==&lt;br /&gt;
Tratando de criticas sobre a psicóloga pode-se citar o seguinte trecho:  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Magda (2020, p.1) Por todos os capítulos são investigados os componentes básicos da ideologia racista brasileira: a negação do preconceito, o branqueamento e seus efeitos nos processos de identificação. O ideal de brancura se infiltra no desejo materno, criando uma das maiores dores na formação da identidade do negro: a negação do próprio corpo e o sentimento de invisibilidade do ser. Daí, como vários autores ressaltam, a importância do que há muitos anos os movimentos negros vêm imprimindo: a reafirmação da negritude em todas as suas dimensões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem se aproxima ao tema do racismo não escapa do efeito perturbador que ele provoca. Em novembro de 2018, estive no 4.º Congresso de Psicanálise de Língua Portuguesa, em Cabo Verde, cujo tema foi Rotas da escravidão. Tal evento me confirmou ser essa uma questão que diz respeito a todos nós. Como diz Cuti, o racismo não é tema só de negro: “Os brancos estão envolvidos até o mais recôndito da alma” (p. 209).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A leitura deste livro, que apresenta uma psicanálise profundamente implicada com nosso passado e nosso presente, é fundamental para sensibilizar as futuras gerações. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como dito por Magda Guimarães em sua resenha, o livro vai a fundo na questão apresentada, mesmo que por alguns segundos o tema pareça exaustivo e repetitivo é necessário afirmar a importância do mesmo, pois enquanto interferir no coletivo e no individual da sociedade ainda será uma questão atual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto o assunto ainda pode se tornar um gatilho ou uma questão difícil de falar ou ler para algumas pessoas que passam ou já passaram por questões traumáticas racistas, e por isso é certo que não somente pessoas racializadas leiam e se interessem pelo assunto, mas também pessoas não racializadas que possam se juntar a um debate justo.&lt;br /&gt;
==Cronologia Biográfica==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
15 de abril de 1949 - Nascimento&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1976- Colaboração na reabertura do Centro de Cultura e Arte Negra &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1980 - Ingresso na Faculdade Paulistana de Ciências e Letras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1985- Conclusão do Curso de Psicologia na Faculdade Paulistana de Ciências e Letras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
30 de setembro de 1988- Criação do [https://www.geledes.org.br/ Instituto Geledés]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1988 - 1994- Foi presidente do [https://www.geledes.org.br/ Instituto Geledés]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1989- Criação do Projeto Construindo Nossa Cumplicidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1995- Fundação do [http://www.ammapsique.org.br/ Instituto AMMA- Psique e Negritude]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Presidenta do [http://www.ammapsique.org.br/ Instituto AMMA- Psique e Negritude] no período de 2008 a 2011 e 2016 a 2019.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novembro de 2019- Transição do lugar de Diretora-Presidente para conselheira do [http://www.ammapsique.org.br/ Instituto AMMA- Psique e Negritude]&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
KHOURI, Magda Guimarães Resenha: O racismo e o negro no Brasil Questões para a psicanálise &#039;&#039;&#039;Revista Brasileira de Psicanálise&#039;&#039;&#039; · Volume 53, n. 1, outubro,  2019&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
POMPERMAIER. Paulo Henrique. &#039;&#039;&#039;Como a vivência cotidiana do racismo pode se converter em traumas&#039;&#039;&#039;: maria lucia da silva. Maria Lucia da Silva. 2017. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.geledes.org.br/tag/maria-lucia-da-silva/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 nov. 2020.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
POMPEU, Fernanda. &#039;&#039;&#039;As caras da violência&#039;&#039;&#039;. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://fernandapompeu.com.br/as-caras-da-violencia/?fbclid=IwAR2HS9B2SxeujG5dyz4xigqHacgwCvFoR5Zl320mRhmOe2Td5yITLBPvgXo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 09 nov. 2020.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, Maria Lucia da. &#039;&#039;&#039;Histórico Maria Lucia da Silva&#039;&#039;&#039;. [mensagem pessoal] Mensagem recebida por: &amp;lt;thatyelipolo@id,uff.br&amp;gt;. em: 01 dez. 2020.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, Maria Lúcia da , Psique e Negritude. [S.I]: Tupi Produções, 2019. Son., color. Série Psicanalista que falam. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.youtube.com/watch?v=FXwoTBYE88c&amp;amp;t=419s&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 09 nov. 2020.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Manuela Fernandes de Oliveira e Thatyeli Polo da Silva, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2020.2, publicado em 2021.1&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Psicodiagn%C3%B3stico_Miocin%C3%A9tico&amp;diff=216</id>
		<title>Psicodiagnóstico Miocinético</title>
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		<updated>2021-08-13T18:30:31Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;201.148.254.162: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O psicodiagnóstico miocinético ou PMK é um tipo de teste psicotécnico que avalia a&lt;br /&gt;
partir de traços e desenhos as tendências de personalidade de um indivíduo. Ele foi criado por&lt;br /&gt;
Emilio Mira y López e apresentado oficialmente em Londres, no ano de 1939.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A natureza do PMK tem por base principalmente a teoria Motriz da Consciência. Essa&lt;br /&gt;
teoria estuda as modificações no tônus postural que são causadas pela ação ou reação psíquica&lt;br /&gt;
de um indivíduo. Dessa maneira, compreende-se que na análise de traços desenhados é&lt;br /&gt;
possível captar mudanças do tônus postural e interpretá-las.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O teste PMK é atualmente utilizado no Brasil em entrevistas de emprego, avaliação&lt;br /&gt;
para porte de armas, seleção de pessoas para trabalhos em ambientes confinados e também em&lt;br /&gt;
algumas modalidades da CNH.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=História=&lt;br /&gt;
Emilio Mira y Lopez teve longo caminho até a publicação da forma definitiva do teste PMK, e assim como sua vida foi marcada pelas agitações do momento social, político e histórico, este teste também sofreu tais influências. O teste foi desenvolvido gradativamente segundo as interferências externas da vida do criador, e, assim como ele, que fora uma figura polêmica e que contribuiu significativamente em diversas áreas, o Psicodiagnóstico miocinético teve grande repercussão, em especial no Brasil, e até hoje é alvo de debates. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mira y Lopez pensava em descobrir um meio não verbal de estudo da personalidade. Ele, junto de José Germain, estudavam sobre a atenção usando de um aparelho chamado &amp;quot;quimógrafo de Boulitte&amp;quot;, que registra variações de movimentos e oscilações, quando ocorrera a Mira que as reações psicomotoras poderiam além do estudo sobre atenção possibilitar a indicação de traços emocionais de conduta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1931 Mira trabalhou com o método da expressão motriz, de Luria, objetivando controlar a sinceridade do testemunho de pessoas, e chegou a desenvolver um novo aparelho para lhe auxiliar, que denominou &amp;quot;monotonômetro&amp;quot;, uma espécie de detector de mentiras. Em 1935 retomou suas investigações com este aparelho, buscando um instrumento que lhe permitisse explorar a personalidade mediante a análise das tensões musculares involuntárias. Nos experimentos com este instrumento, o chamou atenção que a extensão dos movimentos tendia a diminuir nos sujeitos acanhados e a aumentar nos excitados, não importa quais fossem as perguntas e respostas. Assim, convenceu-se de que o estudo minucioso das posturas e gestos dos sujeitos poderia levar à compreensão de suas emoções íntimas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1937 Mira y Lopez recebeu a função de selecionar aviadores para as forças militares da República Espanhola. Com intenção de avaliar a capacidade dos candidatos para manejo ‘’cego’’ de instrumentos de voo ele construiu um outro aparelho, o &amp;quot;axistereômetro&amp;quot;, designado a medir a precisão da percepção cinestésica no espaço. Por curiosidade científica calculou a correlação entre os resultados com este aparelho e os do exame labiríntico e percebeu que cada indivíduo demonstrava possuir um perfil de movimentação peculiar, o que, para ele, apontava para as variáveis de personalidade. Também comparou os resultados registrados no axiostereômetro com anotados no psicodiagnóstico de Rorschach e nas provas de Bernreuter e Jung-Rosanoff, e concluiu que traços fundamentais da personalidade, que tendiam a tipos de reações padrões, também influenciavam nos movimentos de indivíduos, facilitando sua ação para satisfazer necessidades implícitas e dificultando a realização de movimentos opostos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerou também os trabalhos que Werner Wolff desenvolvia no Instituto Psicotécnico de Barcelona (antigo Instituto de Orientação Profissional), que na época era dirigido por Mira y López. Wolff constatara que, exceto nos canhotos, a metade esquerda do corpo expressava melhor a vida inconsciente, enquanto a direita exprimia melhor a consciente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por conta da guerra civil espanhola, Mira y Lopez foi para Londres, onde tinha uma oportunidade de bolsa de estudos, com a condição de desenvolver um programa de pesquisa no Maudsley Hospital. Lá pôde aperfeiçoar o axiostereômetro, ajudando-o nas pesquisas e a consolidar suas ideias teóricas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, por problemas em comprovar hipóteses com o aparelho e pelas influências do ‘’clima intelectual’’ da época , Mira y Lopez se voltou a uma proposta quase de substituição do axiostereômetro por um teste de personalidade, o que levaria à criação do Psicodiagnóstico Miocinético (PMK). A comunidade científica explorava a importância dos movimentos expressivos como indicadores das peculiaridades individuais, na psicologia havia discussão quanto aos aspectos fisiológicos das emoções, a expressão das emoções, a &amp;quot;fisiologia mental&amp;quot;, os &amp;quot;traços&amp;quot; de personalidade, a psicologia dinâmica e problemas correlatos. Este foi o caminho que Mira y López percorreu para chegar ao conceito de miocinese (ou psicomiocinese), que fundamentaria o Psicodiagnóstico Miocinético. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo a  miocinese todos os movimentos, voluntários ou involuntários, tem significados peculiares de acordo com a forma que são executados. Assim, se for pedido a um sujeito que realize pequenos movimentos oscilatórios nos planos fundamentais do espaço, sem controle visual, os deslocamentos observados são indicadores do predomínio relativo de suas tensões musculares e, portanto, darão idéia de suas atitudes predominantes de reação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Brasil==&lt;br /&gt;
Mira y Lopez, a convite de várias entidades públicas brasileiras, veio para o Brasil em 1945 e se entregou a uma estadia definitiva dois anos após, quando recebeu o convite para trabalhar na Fundação Getúlio Vargas e participar da criação do Instituto de Seleção e Orientação Profissional  (ISOP). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época havia grande discussão sobre a necessidade de seleção para os condutores de veículos, devido principalmente pelo aumento de acidentes e mortes de trânsito ocasionados pela má condução dos motoristas. Muitos contestavam a  falta de critérios de seleção para a obtenção da permissão de dirigir e defendiam uma seleção rigorosa da capacidade psicotécnica dos motoristas. Mira y López inclusive era um grande nome de apoio a esta ideia. Foi neste contexto que o Psicodiagnóstico Miocinético ganhou destaque no Brasil, houve entendimento entre a Fundação Getúlio Vargas e o Serviço de Trânsito do Distrito Federal para inserir o PMK na seleção de motoristas mais capacitados. Conforme o tempo seu uso se difundiu por todo o país e mesmo com contradições ainda hoje é apreciado.&lt;br /&gt;
=Constructo avaliado=&lt;br /&gt;
O teste PMK é baseado na Teoria Motriz da Consciência&amp;lt;sup&amp;gt;[&amp;lt;/sup&amp;gt;³&amp;lt;sup&amp;gt;]&amp;lt;/sup&amp;gt;, essa teoria discorre sobre a influência das intenções motoras sobre o “tônus postural”. O tônus postural indicaria o nível de controle das tensões e relaxamentos necessários na realização de um movimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=Modo de avaliação=&lt;br /&gt;
O teste é realizado numa mesa que contém um anteparo ajustável. A função do anteparo é não possibilitar a visão daquilo que o avaliado irá executar. Além disso, a mesa é ajustável no sentido vertical, ou seja, os traços são feitos em 6 folhas dispostas em 90°. O examinador irá determinar quais traços ou figuras geométricas que deverão ser executadas e também com qual mão poderão ser desenhadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=Edições e versões=&lt;br /&gt;
A &#039;&#039;&#039;forma experimental do teste&#039;&#039;&#039; foi elaborada no final da década de 1930 e era composto por lineogramas, cadeias (planos sagital e vertical), ziguezague (plano sagital), escadas e &amp;quot;top of the castel test&amp;quot; (plano vertical). O &amp;quot;top of the castel test&amp;quot; foi abandonado rapidamente. O teste foi aplicado a 187 pessoas, 38 das quais eram consideradas saudáveis do ponto de vista mental e 149 apresentavam perturbações diversas como: epilépticos, depressivos, esquizofrênicos e assim por diante. Os resultados foram analisados estatistica e qualitativamente, e apresentados pela primeira vez no dia 10 de outubro de 1939 à Royal Society of Medicine, de Londres, sob o título de &#039;&#039;A New Technique of Exploring the Conative Trends of Personality&#039;&#039;&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mira y López, entre 1940 e 1942, elimina a interrupção de cada traço nos lineogramas, prevista na forma original, passando a adotar movimentos de ida e volta sem retirar o lápis do papel. É acrescentado também o desenho de círculos, paralelas e &amp;quot;Us&amp;quot;. A forma definitiva do teste foi publicada pela primeira vez em Buenos Aires, na revista Index de Neurologia y Psiquiatria, em 1942 sob o título de &amp;quot;Estado actual dei Psicodiagnóstico Miocinético.&amp;quot;Sua padronização foi completada no Rio de Janeiro em 1949. A primeira edição do Manual seria publicada em Paris, em 1951. A tradução para castelhano, inglês e alemão foram divulgados, respectivamente, em 1957, 1958 e 1964.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=Utilização hoje=&lt;br /&gt;
Atualmente o teste PMK é utilizado para a obtenção da CNH e como método avaliativo&amp;lt;sup&amp;gt;[4]&amp;lt;/sup&amp;gt; e psicodiagnóstico para trabalhos controlados ou considerados de risco (como policiais civis e trabalhos em locais confinados, como elevadores). &lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=Críticas=&lt;br /&gt;
De acordo com A Nota de Esclarecimento do CFP Sobre o Teste Psicológico PMK de 15/02/2012; em 2009, o teste PMK foi considerado desfavorável. A partir de estudos foi julgado que a fundamentação teórica dos movimentos psicomotores era insuficiente para indicar a personalidade ou tendências comportamentais do indivíduo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=Ver também=&lt;br /&gt;
http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Mira_y_L%C3%B3pez&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=Referências=&lt;br /&gt;
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. &#039;&#039;&#039;Nota de Esclarecimento do CFP sobre o teste psicológico PMK&#039;&#039;&#039;. 2012. Disponível em: https://site.cfp.org.br/nota-de-esclarecimento-do-cfp-sobre-o-teste-psicolgico-pmk. Acesso em: 01 abr. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MARTINS, Hildeberto Vieira. Uma história da psicologia em revista: retomando Mira y López*. &#039;&#039;&#039;Arq. Bras. Psicol.&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, v. 3, n. 66, p. 5-19, 2014. Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1809-52672014000300002&amp;amp;lng=pt&amp;amp;nrm=iso. Acessos em 01 abr. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ROSAS, Paulo da Silveira. Considerações em torno de uma história: a construção do psicodiagnóstico miocinético, de Mira. &#039;&#039;&#039;Revista de Psicologia&#039;&#039;&#039;, Fortaleza, v. 2, n.2, p. 29-35, 1984.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PESSOTTO, Fernando. &#039;&#039;&#039;A importância dos estudos psicométricos traduzidos e adaptados para o Brasil: O caso PMK&#039;&#039;&#039;. 2012. Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica. Disponível em: https://www.ibapnet.org.br/?cd=53&amp;amp;titulo=a_importancia_dos_estudos_psicometricos_em_instrumentos_traduzidos_e_adaptados_para_o_brasil__o_caso_pmk. Acesso em: 01 abr. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VASCONCELOS, Alina Gomide; SAMPAIO, Jáder dos Reis; NASCIMENTO, Elizabeth. PMK: medidas válidas para a predição do desempenho no trabalho? &#039;&#039;&#039;Psicologia&#039;&#039;&#039;: Reflexão e Crítica, [S.L.], v. 26, n. 2, p. 251-260, 2013. FapUNIFESP (SciELO).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=Links Externos=&lt;br /&gt;
https://www.scielo.br/pdf/pusf/v21n3/2175-3563-pusf-21-03-00497.pdf&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1413-82712011000200003 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://site.cfp.org.br/nota-de-esclarecimento-do-cfp-sobre-o-teste-psicolgico-pmk/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://www.ibapnet.org.br/?cd=53&amp;amp;titulo=a_importancia_dos_estudos_psicometricos_em_instrumentos_traduzidos_e_adaptados_para_o_brasil__o_caso_pmk&lt;br /&gt;
=Autoria=&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Melissa Tosani Silva e Sávio Nogueira da Silva, como exigência parcial para a disciplina de Psicologia e História Social do Trabalho da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.1, publicado em 2021.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instrumentos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>201.148.254.162</name></author>
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