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	<title>WikiHP - Contribuições do usuário [pt-br]</title>
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		<title>História da loucura: da Grécia antiga à luta anti-manicomial</title>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Inserção de links&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Este é um texto com finalidade didática, escrito por André Elias Morelli Ribeiro para o curso de Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras. Seu uso é aberto, desde que citada a fonte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A história da loucura é, ao mesmo tempo, uma narrativa sobre o modo como diferentes sociedades compreenderam a mente humana e uma reflexão sobre os mecanismos de poder que moldaram práticas de exclusão, cuidado e resistência vinculados à loucura. Iniciando na Grécia antiga até o movimento antimanicomial no Brasil, pode-se observar como a loucura foi interpretada ora como intervenção divina, ora como desvio moral, ora como doença fisiológica, ora como ameaça social. Cada época construiu suas próprias respostas, que variaram entre a integração comunitária, o confinamento brutal e a busca por tratamentos médicos ou espirituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, a trajetória seguiu de perto os modelos europeus. Do Hospício de Pedro II às colônias agrícolas, passando pela gestão de Juliano Moreira, a psiquiatria nacional oscilou entre avanços humanitários e práticas de exclusão. O período Vargas e o Estado Novo intensificaram o encarceramento, transformando hospitais em verdadeiros campos de concentração administrativos. As décadas seguintes viram a adoção de terapias brutais, como eletrochoques e lobotomias, mas também o surgimento de resistências, como a obra de Nise da Silveira, que introduziu a arte e o afeto como caminhos de cura. A partir dos anos 1960, a privatização da assistência psiquiátrica gerou a chamada “Indústria da Loucura”, marcada por internações lucrativas e violações sistemáticas de direitos humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, o percurso histórico apresentado aqui mostra que a loucura nunca foi apenas um fenômeno clínico mas, antes, um espelho das sociedades, revelando seus medos, suas crenças e suas formas de organizar o convívio humano. De sagrada a temida, de medicalizada a mercantilizada, apresenta-se e se discute como surgiram vozes e práticas que reivindicaram humanidade e liberdade para os considerados loucos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras no Mundo Antigo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grécia antiga ===&lt;br /&gt;
Na Grécia antiga, em certo momento a loucura era considerada uma intervenção dos deuses e, como os gregos era politeístas, a varidade de formas de loucura e intervenção também era bem grande. A loucura poderia ser vista como uma punição. Um exemplo notório é o herói Ajax, filho de Telamão. Após a morte de Aquiles, a armadura do herói foi dada a Odisseu, e a afronta levou Ajax a um estado de fúria e ressentimento. A deusa Atena, intervindo em favor de Odisseu ou para proteger os Aqueus da vingança de Ajax, lançou sobre ele uma cegueira mental. Tomado pela loucura, Ajax massacrou o gado de guerra que havia sido capturado, acreditando que estava matando os líderes aqueus, incluindo Odisseu e Agamenon. Ao recobrar a sanidade e perceber seu ato vergonhoso, o que o levou a cometer suicídio por humilhação. Essa cena ilustra a loucura como uma intervenção divina direta na forma de loucura poderia ser vista como destrutiva e extremamente negativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outros episódios da mitologia grega, a loucura surge como uma consequência direta de traumas e da perseguição implacável por vingança. Um exemplo fundamental é o de Orestes que, após assassinar sua mãe, Clitemnestra, para vingar a morte de seu pai, Agamenon, passa a ser atormentado pelas Erínias. Essas divindades da vingança, também conhecidas como Fúrias, levaram o herói a um estado de delírio e desespero profundo, personificando a tortura psicológica e a perda da razão como uma forma de acerto de contas espiritual e moral pelo matricídio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura não era unicamente um flagelo ou uma punição. Os gregos  viam a mania, um termo que hoje engloba a loucura, em uma perspectiva dual. Na sua manifestação mais elevada, era considerada uma benção ou inspiração divina. Essa visão positiva estava profundamente ligada ao culto de Dionísio, o deus do vinho, do teatro e do êxtase. Nos rituais dionisíacos, as bacantes e outros seguidores buscavam o êxtase, que é, literalmente, &amp;quot;sair de si&amp;quot;, por meio da dança frenética, música e consumo de vinho, o que era percebido como um estado de comunhão direta e inspirada com a divindade. Longe de ser destrutiva, essa forma de loucura era vista como uma fonte de criatividade, revelação e poder, sendo um caminho para a verdade profética e a expressão artística ligada a Dionísio. Este conceito de mania inspirada também se estendia a outros domínios, como a profecia dos oráculos, que eram vinculados à adoração ao deus Apolo, e mesmo a poesia, onde a perda temporária da razão humana era interpretada como a mente sendo tomada por uma força divina que trazia algum tipo de inspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em certo momento, ainda na Grécia antiga, as ideias sobre a loucura - ou algo que pareça loucura aos olhos contemporâneos - foi modificada graças a Hipócrates, o pai da medicina. A visão de [[Hipócrates]] marcou uma transição crucial para o entendimento da loucura na Grécia Antiga, pois afastou a loucura das concepções divinas e sobrenaturais para uma explicação puramente fisiológica e natural. Ele desenvolveu a [[Teoria dos Quatro Humores]], que se tornou o pilar da medicina ocidental por séculos. Segundo essa teoria, o corpo humano era composto por quatro fluidos essenciais (humores): sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. A saúde mental e física dependia do equilíbrio harmonioso desses humores. A loucura, ou qualquer doença mental, era, portanto, interpretada como o resultado de um desequilíbrio, como o excesso de bile negra causando a melancolia (depressão), ou o desarranjo da fleuma e da bile amarela, que poderiam levar a estados de mania e frenesi. Com isso, Hipócrates postulou que a loucura não era uma maldição dos deuses, mas sim uma doença com origem no corpo. Essa abordagem naturalista permitiu que a loucura passasse a ser tratada com métodos como dietas, exercícios e remédios, no lugar de rituais religiosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradição bíblica ===&lt;br /&gt;
Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e sua recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o levou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara. A loucura, conforme emerge na descrição bíblica, emerge ligada à perda da razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo. No Novo Testamento, escrito no contexto do mundo greco-romano, o que é considerado &#039;loucura&#039; pelos homens revela-se a suprema sabedoria divina. Essa ideia é desenvolvida pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. Na passagem, ele afirma: &#039;Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens&#039; (1 Coríntios 1:25). Paulo usa o termo &#039;&#039;moria&#039;&#039; (loucura, tolice) para contrastar a sabedoria humana que, na época do texto, era representada pela filosofia e retórica grega. A mensagem da cruz parecia ilógica e insensata aos olhos dos não cristãos, que debochavam do fato do profeta ter sido capturado e morto pelos romanos. Assim, a loucura deixa de ser apenas uma punição para se tornar uma lente através da qual a verdadeira sabedoria, ou seja, a salvação, é revelada, invertendo a hierarquia de valores do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pérsia ===&lt;br /&gt;
Na Pérsia, a visão da loucura e do comportamento irracional foi moldada por seu profundo dualismo religioso e, posteriormente, pelas tradições islâmicas que se seguiram à conquista árabe. O zoroastrismo, a antiga religião persa fundada por Zoroastro (Zaratustra), transformou o politeísmo em um dualismo cósmico centralizado no conflito eterno entre Ahura Mazda (Ormazd), o criador da vida, luz e verdade, e Angra Mainyu (Ahriman), a escuridão e a mentira. Neste cenário, o mundo material é o campo de batalha entre os dois. Ahriman buscava corromper tudo o que Ormazd havia criado. Embora o texto não defina a loucura diretamente, o comportamento irracional e a desrazão poderiam ser facilmente associados ao domínio de Ahriman e à mentira (&#039;&#039;druj&#039;&#039;), enquanto a sanidade e a pureza eram atributos de Ormazd. A batalha contra essa corrupção exigia que os adoradores de Ormazd permanecessem verdadeiros e evitassem poluir o fogo e a terra sagrada, indicando que a pureza mental e ritual era uma defesa contra as forças do mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Islã ===&lt;br /&gt;
Na cultura islãmica, de forma geral e bastante resumida, o comportamento considerado irracional era frequentemente explicado pela crença nos &#039;&#039;djinn&#039;&#039;, espíritos errantes que habitavam o deserto e certos lugares considerados místicos e que podiam invadir a mente humana, causando o que a sociedade ocidental moderna chamaria de insanidade ou, talvez, distúrbio emocional, cujo tratamento era o exorcismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura também apareceu em narrativas culturais associadas aos povos, de forma a sugerir causas e curas mais mundanas. O famoso conto persa de As Mil e Uma Noites relata a história do rei Shahriyar, que, convencido da inevitável traição feminina, cai em uma loucura paranóica que o leva a se casar com uma virgem todas as noites e, pela manhã, assassiná-la. Sua &amp;quot;cura&amp;quot; é alcançada através da engenhosidade e paciência humana por meio de uma dessas esposas, Scheherazade, que usa a arte de contar histórias para retardar sua execução por &amp;quot;mil e uma noites&amp;quot;, período em que sua paranoia é gradualmente desfeita. A história sugere que a narrativa e o tempo podem curar a loucura causada por trauma psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras na Idade Média ==&lt;br /&gt;
A transição para a Idade Média é marcada pelo colapso do Império Romano do Ocidente (476 d.C.), que trouxe profundas transformações políticas e sociais. O fim do governo centralizado romano levou à fragmentação do poder e ao surgimento do sistema feudal, onde a administração das terras e a autoridade passaram para as mãos de senhores locais, muitos deles antigos oficiais romanos. Este período também é caracterizado por um notável declínio na vida urbana e nos grandes centros intelectuais. O colpaso das instituições romanas deu lugar à ascensão e consolidação da única instituição internacional grande e organizada que havia sobrado, a Igreja Católica, que se tornou a principal instituição, com poder tanto político quanto cultural e simbólico. Houve ainda uma perda gradual da tradição cultural greco-romana e, consequentemente, um afastamento das explicações naturalistas de Hipócrates, com exceção do pequeno renascimento do século XII e retomadas pontuais da sabedoria grega. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a hegemonia da Igreja Católica, a loucura tendeu a ser novamente interpretada sob uma lente teológica, sendo vista como uma manifestação de forças sobrenaturais ou desvios morais. Nesse contexto, certas vezes a loucura era interpretada como a intervenção de Satanás ou como possessão demoníaca, exigindo rituais de exorcismo para a cura. Em outros momentos, era vista como uma prova espiritual enviada por Deus ou como um efeito direto do pecado na alma do indivíduo. Havia também explicações que a tratavam como uma fragilidade da vontade humana, como no caso do que chamaríamos hoje de compulsões, misturando elementos da antiga tradição grega com aspectos da teologia cristã. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Socialmente, a gestão da loucura na Idade Média também passou por diferentes fases e transformações, dependendo do local e da época. Havia casos em que os considerados loucos eram apenas torturados e trancafiados, métodos considerados eficazes para expulsão de espíritos malignos, por exemplo. Contudo, em muitos outros casos, os considerados loucos conviviam de forma mais ou menos harmoniosa com o resto da comunidade, a depender de suas capacidades e possibilidades, e certos “desvios” eram perdoados devido à sua condição peculiar, sem a necessidade imediata de uma exclusão radical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Nau dos Loucos ===&lt;br /&gt;
Um caso notável e emblemático da gestão da loucura nesse período é a [[Nau dos Loucos]] (&#039;&#039;Stultifera Navis&#039;&#039;), conforme trabalhado por [[Michel Foucault]]. Anteriormente ao modelo de exclusão-repressão que viria a se consolidar na Idade Clássica, a loucura viveu o que se pode chamar de seus &amp;quot;dias de glória&amp;quot; na transição para a Renascença. Nesse contexto, o louco poderia ser visto como um sábio, um místico, um bobo da corte ou simplesmente um excêntrico que estava, de certa forma, integrado ao tecido social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Nau dos Loucos simbolizava uma existência errante, onde o louco era confiado à água e ao navio para ser levado de uma cidade a outra, mantendo-o em um estado de exclusão simbólica, mas ainda assim em movimento e circulação. Para Foucault, essa experiência trágica da loucura permitia que o insano portasse uma forma de lucidez em sua insensatez, revelando verdades que a razão comum não ousava enunciar. O louco via através das ilusões mundanas, aproximando-se de uma verdade profética ou ética que seria progressivamente silenciada nos séculos seguintes pela ascensão do saber médico e da racionalidade científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Santa Dimpna e Geel ===&lt;br /&gt;
Outro acontecimento relevante da Idade Média para a compreensão da loucura é o episódio de [[Santa Dimpna]]. Nascida no século VII na Irlanda, ela era filha de um rei pagão e de uma mãe cristã devota, de quem herdou sua fé e pela qual decidiu fazer votos de castidade. Após a morte prematura da mãe, seu pai, mergulhado em um profundo luto, decidiu que Dimpna era a única mulher com beleza comparável à da falecida rainha e insistiu em se casar com a própria filha, o que seria considerado escandaloso também para aquela cultura. Diante dessa perseguição incestuosa, Dimpna fugiu da Irlanda acompanhada de seu confessor, o padre Gereberno, e de dois servos fiéis. O grupo cruzou o mar e estabeleceu-se em [[Geel]], um minúsculo vilarejo na atual Bélgica, onde Dimpna se dedicou ao cuidado dos pobres e doentes mentais. No entanto, o rei conseguiu encontrá-los e, após a recusa de Dimpna tanto em retornar para a Irlanda quanto se casar com o pai, ordenou a execução de Gereberno, enquanto ele mesmo decapitou a filha, tornando a menina de 15 anos de idade numa mártir cristã. Após sua morte, relatos de curas milagrosas de pessoas com distúrbios mentais e epilepsia começaram a ocorrer junto ao seu túmulo, o que a tornou a padroeira dos doentes mentais e o local um espaço de peregrinação ligado à questão da saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O legado de Santa Dimpna em Geel deu origem a um modelo para a psiquiatria moderna pois, devido à devoção e adoração à Santa Dimpna, a cidade transformou-se em um santuário onde os pacientes não eram trancafiados, mas acolhidos em lares de famílias locais como &amp;quot;hóspedes&amp;quot;. Esse sistema de cuidado comunitário e desinstitucionalização, que persiste há séculos, é considerado um dos precursores do tratamento humanizado e da reabilitação psicossocial na saúde mental contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Idade Clássica: a nova era da loucura encarcerada ==&lt;br /&gt;
A partir do século XVII, um período em que o filósofo Michel Foucault denominou como &amp;quot;A Época Clássica&amp;quot;, a forma de entender e lidar com a loucura passa por uma nova mudança devido ao ingresso da razão como centro e alma do pensamento europeu, em substituição ao dogmatismo religioso e ao conhecimento da igreja. Esta mudança não é brusca, mas lenta e gradual, porém suas marcas serão duradouras e serão sentidas por quase toda a Europa. Para essa nova e nascente razão, a loucura seria seu oposto direto. Se o homem era definido pela sua capacidade racional e sua utilidade produtiva, o louco era, portanto, como um &amp;quot;não-homem&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a solução para a não-razão era a internação, que não buscava a cura, mas a neutralização do irracional. O silenciamento da loucura era necessário para que a ordem social pudesse florescer. Os campos e cidades deveriam ser espaços de circulação de mercadorias pelas mãos de cidadãos produtivos, e qualquer elemento que atrapalhasse essa dinâmica deveria ser guardado em instituições que funcionavam como uma guarda contra o risco social que tais pessoas ofereciam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relatos da época descrevem cenários terríveis sobre as condições de internação dos loucos. Os internos eram frequentemente mantidos em celas úmidas e insalubres, muitas vezes acorrentados às paredes. O uso de chicotes e outras punições corporais era justificado pela crença de que o louco, por ter perdido a razão, teria a resistência física de um animal, não sentindo frio ou dor da mesma forma que uma pessoa &amp;quot;normal&amp;quot;. Além disso, as instituições funcionavam sob uma lógica de vigilância constante. Não se tratava de observar para entender a mente, mas para garantir que o corpo anormal permanecesse contido e, no máximo possível, docilizado. Foi dentro desse ambiente de absoluta degradação e mistura indiscriminada de diferentes &amp;quot;tipos&amp;quot; de desviantes que a consciência médica começou a germinar, ainda que de forma incipiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== França ===&lt;br /&gt;
O ano de 1656 marca um divisor de águas simbólico para o modelo de confinamento asilar no mundo todo, com a criação do Hôpital Général (Hospital Geral) em Paris, por um edito real do rei Luís XIV. É importante entender que um hospital geral deste período não é como um hospital moderno, ou seja, uma instituição médica e voltada para a compreensão da doença e a prática do tratamento e cura. Ele estava mais próximo de uma estrutura administrativa e, de certo modo, semi-judiciária. Isso ocorria porque o interesse não estava em “curar” ou “tratar” ninguém mas, antes disso, perseguir o interesse do Estado de &amp;quot;limpar&amp;quot; as ruas de Paris de tudo o que era considerado improdutivo ou escandaloso. Era um período de abundância material, grandes gastos estatais e de uma imensa riqueza do império colonial francês, e desvios nessa ordem eram vistos como perigosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes tais hospitais gerais eram confinados, todos juntos, grupos totalmente diferentes, tais como pobres, mendigos, desempregados, libertinos, prostitutas, alquimistas, opositores políticos e, claro, também os considerados loucos. Em suma, um depósito de indesejados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que começou em Paris se tornou um modelo para outros lugares sobre como fazer a gestão da miséria e da “desrazão”, num forte deslocamento do que se via na Idade Média. O louco, antes tendo algo de profético, místico ou talvez apenas uma excentricidade da vida medieval campesina, se torna uma questão político-administrativa. Essa mudança importante marca uma migração para a possibilidade de institucionalização daquilo que era considerado errante ou, de alguma forma, desagradável e, assim passível de ser alvo de uma forma de gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Paris, as duas principais unidades do Hospital Geral se tornaram emblemáticas e simbólicas. A [[Salpêtrière]], que era destinada às mulheres, e o hospital [[Bicêtre]], destinado aos homens. Ambas as instituições não ofereciam qualquer forma de tratamento. Eram basicamente depósitos humanos, onde o louco poderia acabar acorrentado ao lado de criminosos, por exemplo. O critério de internação não era o diagnóstico clínico, mesmo porque simplesmente ele nem existia, mas a incapacidade de se ajustar às normas de trabalho e à moralidade da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alemanha ===&lt;br /&gt;
Na Alemanha, surgiram as Zuchthäusern, que seriam as [[Casas de Correção (Zuchthäusern)|Casas de Correção]]. Cidades como Hamburgo e Bremen estabeleceram esses locais onde a loucura era tratada através do trabalho forçado. Eles acreditavam que o ócio era a raiz do mal e que o confinamento servia para reintegrar o indivíduo à lógica da produtividade. De qualquer forma, uma vez enclausurado, ele permanecia escondido da visão da população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Inglaterra ===&lt;br /&gt;
Na Inglaterra, o sistema das Workhouses (Casas de Trabalho) cumpria um papel semelhante ao modelo alemão. No entanto, Londres já possuía o [[Bethlem Royal Hospital (Bedlam)|Bethlem Royal Hospital]], conhecido popularmente como Bedlam. No século XVII e XVIII, Bedlam se tornou um espetáculo de horror, onde o público podia pagar para observar os internos como se fossem animais em um zoológico. A loucura agora um objeto de uma forma de exibição degradante e mantida atrás de grades e ferros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Portugal ===&lt;br /&gt;
Em Portugal a gestão dos &amp;quot;desviantes&amp;quot; recaiu fortemente sobre as Santas Casas da Misericórdia. O [[Hospital Real de Todos-os-Santos]], fundado em Lisboa em 1492 e inaugurado em 1501, se tornou o epicentro do tratamento (ou confinamento) dos loucos no país. Dentro deste hospital, existiam as chamadas &amp;quot;[[Casas de Doidos]]&amp;quot;, destinados àqueles que haviam “perdido a luz da razão”. Seguindo o padrão europeu, o hospital não separava rigidamente o louco por diagnóstico. Eles dividiam espaço com indigentes e enfermos de diversas naturezas, embora as &amp;quot;casas de doidos&amp;quot; fossem áreas de maior isolamento devido à agitação dos internos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XVIII português, a internação era, acima de tudo, uma solução para a mendicância e, por vezes, para o alcoolismo. O louco oriundo de uma família com posses era mantido nas próprias casas, muitas vezes escondido em sótãos ou anexos e até mesmo acorrentados. Já o &amp;quot;louco pobre&amp;quot;, que não poderiam ser cuidados por seus familiares, acabava nos hospitais reais ou mesmo nas cadeias, a depender de uma série de fatores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Nascimento da Psiquiatria ==&lt;br /&gt;
=== Pinel e a criação da psiquiatria nosográfica ===&lt;br /&gt;
É na virada do século XVIII para o XIX que nasce a psiquiatria como um campo autônomo do saber e da prática médica. Esta mudança fundamental é protagonizada por duas figuras centrais da medicina francesa: [[Philippe Pinel]] e seu discípulo, [[Jean-Étienne Esquirol|Jean-Étienne Dominique Esquirol]]. Juntos, eles transformaram o hospital de depósito de insanos e indesejáveis em um verdadeiro hospital, em que o louco e o alienado poderiam receber um tratamento racional e científico, em substituição às correntes, à disciplina e ao silenciamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência da psiquiatria como campo autônomo teve como fundamento científico inicial a observação clínica sistemática dentro do asilo. Este era concebido como um laboratório, onde o alienista poderia estudar a loucura em seu estado puro, separada das influências do mundo exterior. A principal questão científica e prática que justificava essa nova ciência era desenvolvida e aplicada de forma sistemática era a chamada nosografia ou diagnóstico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pinel, em seu [[Traité médico-philosophique sur l&#039;aliénation mentale, ou la manie]], de 1801, classificou a loucura com base em critérios sintomatológicos, seguindo um procedimento comparativo semelhante ao das ciências naturais. O desafio central, que persistiria ao longo do século XIX, era a ambiguidade constante entre a busca por uma sede orgânica, ou seja, um “local físico-biológico” da loucura, junto da necessidade de uma regulação de caráter moral. O tratamento apoiava-se na moralidade para combater as causas que eram, elas próprias, consideradas morais, mas algo estava também no corpo do doente. Isso mostra que a nova psiquiatria de Pinel era a mistura de medicina com moralidade. Este enfoque resultou na valorização do exame clínico pelos psiquiatras francófonos, permitindo a união da observação clínica com a formulação de hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1793, em meio ao fervor da Revolução Francesa, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe do Hospital de Bicêtre e, posteriormente, da Salpêtrière. O cenário que encontrou era o ápice do &amp;quot;Grande Enclausuramento&amp;quot;, ou seja, homens e mulheres amontoados nas condições já descritas, com destaque para as correntes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intervenção de Pinel, simbolizada pelo gesto de “libertar os loucos de suas correntes”, não foi apenas um ato humanitário, mas também uma decisão de natureza epistemológica. Pinel acreditava que a loucura não era uma possessão demoníaca nem uma degeneração animal irreversível, mas uma alienação mental, em outras palavras, uma perturbação das faculdades intelectuais e afetivas que mantinha o indivíduo como se fosse &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, ou alienado, de si mesmo e da sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pilar para a reforma psiquiátrica proposta por Pinel era o tratamento moral, e se baseava em três pilares fundamentais. O primeiro, o isolamento terapêutico. Era necessário que o paciente ficasse separado de seu ambiente que, segundo o médico, era a fonte de sua excitação e desequilíbrio. O segundo pilar era a autoridade médica, onde este deveria atuar como um pai ao mesmo tempo severo e justo, usando a persuasão, a benevolência e, se fosse necessário, a firmeza para restaurar a razão do paciente. Por fim, a disciplina e o trabalho, com a aplicação rigorosa de horários e valorização de atividades produtivas, o que ocuparia a mente alienada e, assim, combateria a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus estudos, Pinel identificou quatro tipos de loucura, quais sejam, a [[melancolia]], a [[mania]], a [[demência]] e a [[idiotia]], cada uma com suas questões próprias específicas e metodologias de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Esquirol e a consolidação do modelo ===&lt;br /&gt;
Se Pinel era considerado o visionário e o libertador, [[Jean-Étienne Esquirol|Jean-Étienne Dominique Esquirol]] foi o grande organizador e o clínico meticuloso. Discípulo de Pinel, Esquirol sucedeu seu mestre na Salpêtrière e deu à psiquiatria a robustez científica e administrativa de que ela necessitava. Esquirol compreendeu que a eficácia do tratamento moral dependia da arquitetura hospitalar. Para ele, o hospital não era apenas um prédio onde ocorria o tratamento, mas também um instrumento de cura. Ele desenvolveu o modelo de pavilhões, permitindo a separação dos pacientes por tipo de patologia, o que reforçou a própria ideia de diagnóstico e de avaliação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Esquirol refinou as definições clínicas de Pinel. Foi ele quem estabeleceu a distinção clássica entre alucinação (uma percepção sem objeto) e ilusão (uma percepção deformada de um objeto real), entre outros pontos que, na sua época, foram considerados avanços exemplares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Legalização da Alienação ===&lt;br /&gt;
O esforço médico, político e administrativo de Esquirol na continuação do trabalho de Pinel culminou na promulgação da lei francesa de 30 de Junho de 1838, a primeira grande legislação psiquiátrica do mundo moderno. Esta lei estabeleceu a obrigatoriedade de cada departamento francês possuir um asilo e regulamentou as condições de internação e interdição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A princípio, embora também protegesse o alienado do arbítrio e de outras violências que poderiam ser cometidos contra os loucos nas províncias e mesmo nas periferias de Paris, a lei também deu total poder ao médico psiquiatra. Era ele quem poderia decidir quem deveria ou não ser privado de sua liberdade. Com isso, a psiquiatria tornava-se, assim, um braço do Estado na gestão da ordem social mas, ao contrário do polícia e do inquérito polícial, que exigia provas independentes e a atuação do sistema judiciário, o psiquiatra estava coberto sob o manto da ciência médica, o que dava a ele poderes gigantescos de decidir entre a alienação e a razão. Isso marcou profundamente a forma como a loucura e a saúde mental passaram a ser compreendidas e tratadas nas décadas seguintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Emil Kraepelin e uma Nova Racionalização ===&lt;br /&gt;
Apesar da forte valorização da psiquiatria francesa na constituição da psiquiatria contemporânea, uma das principais contribuições para o ramo em sua forma atual foi empreendida por um alemão, [[Emil Kraepelin]]. No final do século XIX, a psiquiatria alemã estava dividida entre os &amp;quot;psiquistas&amp;quot;, que viam a loucura como uma doença da alma ou um mal moral, a exemplo dos franceses; e os &amp;quot;somatistas&amp;quot;, que buscavam no cérebro a origem dos sintomas das doenças mentais. Kraepelin superou esse impasse ao focar não na anatomia, mas na evolução temporal das doenças. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kraepelin passou a entender que sintomas isolados, como ouvir vozes ou acreditar ser uma personalidade histórica, não eram suficientes para definir uma doença, mas seu desenvolvimento ao longo do tempo. Com essa premissa em mãos, Kraepelin introduziu as &amp;quot;cartas diagnósticas&amp;quot; (&#039;&#039;Zählkarten&#039;&#039;), um sistema de fichamento padronizado onde se registrava a história de vida do paciente, seus antecedentes familiares, os sintomas detalhados e, por fim, o desfecho da doença. Isso transformou a clínica psiquiátrica, pois articulava neuroanatomia e psicologia experimental, já que ele fora aluno de [[Wilhelm Wundt|Wundt]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kraepelin também é considerado o pioneiro da [[Psiquiatria Transcultural]]. Visando provar que as categorias diagnósticas psiquiátricas seriam universais, ele viajou para lugares como a ilha de Java (Indonésia) em 1904 para estudar a manifestação da loucura em populações não europeias. Ele concluiu que, ainda que os conteúdos dos delírios mudassem conforme a cultura, a estrutura fundamental da loucura permanecia a mesma, o que reforçou sua tese de que eram doenças biológicas da espécie humana. Apesar disso, no final de sua vida ele se transformou um higienista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O I Congresso Internacional de Psiquiatria ===&lt;br /&gt;
Realizado em Paris em agosto de 1950, o [[I Congresso Internacional de Psiquiatria]] foi projetado especificamente para unificar, debater e institucionalizar a psiquiatria como uma disciplina médica global e autônoma. Durante o Congresso foram colocados, frente a frente, as grandes correntes que disputavam a hegemonia do entendimento da mente humana na época, a saber, as correntes psicodinâmica e a biológica. De forma menor, uma corrente social e anti-manicomial também se fez presente. O resultado do embate foi uma conciliação entre as duas maiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos resultados do Congresso de 1950 foi a pressão para que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Associação Psiquiátrica Americana (APA) criassem manuais estatísticos e classificatórios unificados, o que resultou na inserção de uma seção robusta de transtornos mentais na CID-6 (Classificação Internacional de Doenças) e na publicação do primeiro [[DSM]], em 1952.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro resultado importante do evento foi a fundação da Associação Mundial de Psiquiatria ([[World Psychiatric Association (WPA)|World Psychiatric Association - WPA]]). Com isso, a psiquiatria deixou de ser um conjunto de escolas nacionais isoladas, como as escolas francesa, alemã, anglo-saxã, entre outras, para se tornar uma corporação científica internacional, com congressos periódicos, periódicos indexados e diretrizes globais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Loucura no Brasil ==&lt;br /&gt;
Até o início do século XIX, o Brasil colonial lidava com seus insanos de forma semelhante ao que ocorria na Europa. As famílias ricas mantinham seus parentes loucos em &amp;quot;quartos fortes&amp;quot;, privando-os mais ou menos da vida comunitária e familiar, a depender das circunstâncias, de forma semelhante ao que acontecia em Portugal. Já os pobres eram entregues à caridade das [[Santas Casas de Misericórdia]] ou vagavam pelas ruas, sendo ocasionalmente recolhidos a cadeias públicas quando perturbavam a ordem, indo e vindo das frágeis instituições brasileiras, sofrendo abusos e violências de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 gerou a necessidade de transformar a capital colonial em uma moderna metrópole europeia. Sob a influência do Iluminismo tardio e das notícias que chegavam sobre as reformas de Pinel na França, a elite médica brasileira, que havia estudado sobretudo na França e em Portugal, começou a pressionar o poder público pela criação de espaços específicos para o tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1830, a criação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (que viria a ser a [[Academia Nacional de Medicina]]) foi o marco institucional dessa pressão. Esse movimento político funcionou. O momento decisivo ocorreu em 18 de julho de 1841, quando o Imperador D. Pedro II, em comemoração à sua coroação, assinou o decreto de fundação do primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e da América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Hospício de Pedro II, ou o Palácio dos Loucos (1852–1889) ===&lt;br /&gt;
Inaugurado apenas em 8 de dezembro de 1852, o [[Hospital Nacional de Alienados (HNA)|Hospício de Pedro II]] era gerido pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, que por anos geriu grande parte da loucura brasileira. Seu provedor era o médico [[José Clemente Pereira]], que era responsável por todos os aspectos da instituição, desde os médicos até os administrativos. Embora a gestão administrativa fosse religiosa, o saber médico tinha muito espaço, com nomes como [[Manoel Feliciano Pereira de Carvalho]], que tentaram implementar o &amp;quot;tratamento moral&amp;quot; inspirado em Esquirol. Apesar dos esforços, muitos relatos de abusos e de condições precárias mostravam a dificuldade em implementar um modelo brasileiro de tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Proclamação da República em 1889, o Hospício de Pedro II foi desvinculado da Santa Casa e renomeado como [[Hospital Nacional de Alienados (HNA)]]. Este foi um período de maior laicização e pela busca por um maior rigor científico, o que não aconteceu por completo, em grande parte devido à falta de profissionais adequadamente treinados para a questão. Apesar disso, o Brasil já possuía uma cátedra de psiquiatria desde 1883, ocupada por João Carlos Teixeira Brandão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante dos altíssimos custos em manter o Hospital, surgem as colônias agrícolas como alternativa ao confinamento urbano. Em 1884, já havia sido inaugurada a [[Colônia de São Bento]] e, em 1890, a [[Colônia de Conde de Mesquita]], na Ilha do Governador. A ideia era que o trabalho na terra poderia colaborar na cura, além de os produtos deste trabalho poderiam ser consumidos no local, ajudando na manutenção dos espaços. Apesar dessas transformações e de evidentes melhorias, os relatos de época mostram que não acontecia nenhuma das duas coisas, nem produção agrícola suficiente, nem um processo terapêutico efetivo, mas entendia-se que a colônia agrícola era melhor do que o confinamento do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Era Juliano Moreira ===&lt;br /&gt;
Em 1903, o médico baiano [[Juliano Moreira]] assume a direção do Hospital Nacional de Alienados. Negro, de origem humilde e dotado de uma erudição impressionante, ele revolucionou a assistência brasileira aos alienados, sendo reconhecido internacionalmente como um dos grandes psiquiatras de seu tempo. Ele se tornaria o principal médico alienista do Brasil, tornando-se referência para todo o país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moreira aboliu definitivamente o uso de camisas de força e as grades nas janelas, num gesto que se assemelhava àquele de Pinel, enfatizando que o hospital era um local de tratamento e cura, e não uma prisão ou um depósito de indesejados. Além disso, ele trouxe para o Brasil a nosologia de Emil Kraepelin, um psiquiatra alemão considerado o pai da psiquiatria moderna, da psicofarmacologia e da genética psiquiátrica, o que seria uma modernização do modelo francês adotado até então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a gestão Moreira ocorreram várias mudanças. Foi criado o [[Pavilhão Bourneville]] para crianças com deficiência intelectual. Além disso, fundou-se em 1921 o [[Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro]], o primeiro do país, sob a liderança de [[Heitor Carrilho]]. Dentro dos hospitais incentivou-se a pesquisa laboratorial e anátomo-patológica, o que também abriu espaço para a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência e o prestígio de Juliano Moreira se espalhou pelo Brasil. Em São Paulo, destacou-se a figura de [[Franco da Rocha|Francisco Franco da Rocha]], que fundou em 1898 o [[Hospital do Juquery]]. O Juquery, como ficou conhecido, tornou-se uma &amp;quot;cidade-asilo&amp;quot;, chegando a abrigar dezenas de milhares de pacientes em um modelo que mesclava pavilhôes médicos com imensas colônias agrícolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período, a psiquiatria brasileira flertou intensamente com as teorias da degenerescência (de Morel e Magnan) e com a eugenia. Médicos como [[Renato Kehl]], bem como a criação da [[Liga Brasileira de Higiene Mental]] (1923), uma organização higienista fundada por [[Gustavo Riedel]], começaram a ver a loucura não apenas como um problema individual, mas como um risco biológico à raça brasileira. A higiene mental passou a atuar preventivamente em escolas e fábricas, buscando identificar &amp;quot;pré-delinquentes&amp;quot; e &amp;quot;personalidades anormais&amp;quot;. Apesar de não ter conseguido desenvolver muitas políticas efetivas, os eugenistas brasileiros eram ativos e influentes em muitos círculos decisórios importantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A criação de hospitais não se limitou a São Paulo e Rio de Janeiro. Em  1903, o governo de Minas Gerais fundou o [[Hospital Psiquiátrico de Barbacena]], que mais tarde seria palco de uma das maiores tragédias humanitárias do país. Em Pernambuco, o [[Hospital Ulysses Pernambucano]] foi fundado pelo médico de mesmo nome, que começou a desenvolver uma psiquiatria mais voltada para o social e para a prevenção no final dos anos 1920. Hospitais na Bahia, Rio Grande do Sul, entre outros, também foram criados, seguindo o pioneirismo do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Era Vargas e além: o início do encarceramento ===&lt;br /&gt;
Com a Revolução de 1930, o projeto de nação de Vargas exigia um povo saudável e produtivo, devido à visão desenvolvimentista suportada pela Aliança Liberal, que o elegeu. A loucura deixou de ser apenas uma questão de ordem pública ou um aspecto da caridade para se tornar um problema de segurança nacional e de saúde pública. Em 1941, no âmbito do Estado Novo, foi criado o [[Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM)]], substituindo o antigo modelo de assistência a alienados, que era fragmentado nas diferentes províncias. Dessa maneira, Vargas criou uma diretriz federal centralizada para a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a Liga Brasileira de Higiene Mental ganhou fôlego. O foco deslocou-se do hospital para a prevenção na sociedade. A psiquiatria não deveria se limitar aos hospitais, mas também atuar na escola, na fábrica e na família, buscando limpar a nação e extirpar o que chamavam de &amp;quot;elementos degenerados&amp;quot;. O médico Gustavo Riedel e seus sucessores defendiam que o Estado deveria intervir precocemente para evitar que o &amp;quot;anormal&amp;quot; se tornasse um fardo para a máquina pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi durante as décadas de 1930 e 1940 que o modelo de colônia agrícola, antes visto como terapêutico e de assistência à manutenção hospitalar, atingiu proporções industriais. O que se viu em Barbacena e em instituições como o Juquery em São Paulo, foi a transformação do hospital em, praticamente, um campo de concentração administrativo. A internação não dependia mais de um diagnóstico médico rigoroso, que na prática ainda era frágil e baseado em elementos pouco científicos. Bastava ser considerado &amp;quot;socialmente inconveniente&amp;quot; para correr-se o risco de ir parar numa instituições dessas. Assim, pobres, prostitutas, homossexuais, militantes políticos e mães solteiras eram enviados para essas instituições, onde a sobrevivência era a exceção. Estima-se que, no auge do descaso, o Hospital de Barbacena registrava um número alarmante de óbitos por frio, fome e doenças evitáveis, cujos corpos eram, por vezes, vendidos para faculdades de medicina. Situações similares aconteciam em outras instituições do tipo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tratamentos Brutais e os Modos de Resistência ===&lt;br /&gt;
Para além do horror asilar, o período entre 1930 e 1950 também foi marcado pela introdução de terapias biológicas drásticas, importadas da Europa, conhecidas como [[somatoterapias]]. Com uma psicofarmacologia pouco eficaz, os médicos buscavam &amp;quot;chacoalhar&amp;quot; o organismo, produzindo nele como um choque que pudesse restaurar a razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma dessas técnicas era a [[insulinoterapia]]. Introduzida na Europa pelo médico austríaco Manfred Sakel (1900–1957) em Viena, no início dos anos 1930, representou uma das primeiras e mais invasivas formas de somatoterapia. Originalmente destinada ao tratamento da [[esquizofrenia]], a técnica consistia na administração de doses maciças de insulina no paciente, provocando um estado de hipoglicemia profunda que levava o paciente ao coma. Na volta desse estado, se esperava que o indivíduo “restaurasse” a razão por conta do choque orgânico violento que havia vivenciado. O procedimento era extremamente perigoso e estava associado a uma alta taxa de mortalidade e morbidade devido às convulsões e aos possíveis danos cerebrais. Apesar dos riscos, o método foi amplamente adotado no mundo todo, incluindo o Brasil, onde foi usado em grandes instituições de confinamento, como o Hospital Nacional de Alienados (HNA), no Hospital Juquery, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que passou a ser muito utilizada foi a [[Eletroconvulsoterapia]], ou simplesmente o eletrochoque. Introduzido no Brasil logo após sua invenção na Itália (1938), consiste em colocar eletrodos carregados com correntes elétricas em lados opostos, na lateral da cabeça, de modo que uma forte corrente elétrica atravessasse o cérebro. A duração e a intensidade podiam variar, mas relatos de mais de trinta minutos de choques violentos não eram incomuns. Sua brutalidade era tamanha que exigia que sua vítima fosse fortemente amarrada. Tornou-se uma ferramenta onipresente nos hospitais, muitas vezes aplicada sem anestesia e como método de punição, desvirtuando sua finalidade clínica já questionável e usada, basicamente, como ferramenta de tortura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que ingressou no Brasil nesse período foi a [[lobotomia]], um procedimento cirúrgico que consistia em apenas retirar um pedaço do cérebro do paciente. Eles foram realizados em larga escala em hospitais como o Juquery e no Hospital Pedro II, buscando a docilização de pacientes crônicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em oposição à violência do isolamento oferecido por essas instituições, surge a figura de [[Nise da Silveira]]. Em 1946, após ter sido presa pelo regime de Vargas por suas inclinações políticas, Nise assumiu o Setor de Terapêutica Ocupacional do [[Centro Psiquiátrico Nacional]] (Engenho de Dentro), no Rio de Janeiro. Ela se recusou a usar eletrochoques e lobotomias, introduzindo a arte e o afeto como mediadores da cura. Ela fundou o [[Museu de Imagens do Inconsciente (MIS)|Museu de Imagens do Inconsciente]] em 1952, onde demonstrou, através das pinturas e esculturas de pacientes como [[Arthur Bispo do Rosario]], que o louco preservava uma riqueza simbólica e uma humanidade que a psiquiatria tradicional tentava apagar. Sua colaboração com [[Carl Jung]] colocou a experiência brasileira no mapa da psicologia analítica mundial, provando que o tratamento em liberdade e através da expressão criativa era viável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Criação da Indústria da Loucura ===&lt;br /&gt;
No final da década de 1950 e início da de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek e o breve período democrático posterior, o Brasil viu o surgimento de uma nova e ainda mais perversa dinâmica: a Indústria da Loucura. A assistência psiquiátrica, antes quase totalmente pública ou baseada no assistencialismo das Santas Casas, começou a ser privatizada. Com o crescimento dos institutos de previdência (IAPs), o Estado passou a pagar hospitais privados por dia de internação. Isso criou um incentivo perverso: quanto mais tempo o paciente ficasse internado e quanto menos recursos fossem gastos com ele, maior o lucro das clínicas privadas. Esse modelo, conhecido como &amp;quot;hospitalocêntrico&amp;quot;, inchou o sistema e preparou o terreno para a política de contenção social que seria radicalizada após o golpe de 1964. Foi um momento de multiplicação da brutalidade. Pouco importava a loucura ou não, o tratamento ou não, a eficácia ou não. O que importava era lucar com o dinheiro estatal por meio de um encarceramento fácil de impor e praticamente impossível de escapar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coisa se aprofundou ainda mais com o golpe militar, que unificou em 1966 os Institutos de Aposentadoria e Pensões no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), produzindo uma centralização gigantesca de recursos, com um modelo de privatização quase total. A psiquiatria, por ser uma especialidade cuja formação exigia baixo investimento tecnológico quando comparada a outras como a cirurgia, cardiologia ou oncologia, permitia grandes lucros com as internações de longa permanência. Assim, trancafiar e atormentar os loucos tornou-se o setor mais atraente para o empresariado da saúde.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de pessoas possivelmente diagnosticadas, o sistema era alimentado pelo encarceramento de militantes políticos, estudantes rebeldes, pessoas em situação de rua,  mendigos, homossexuais, indivíduos com comportamentos &amp;quot;desviantes&amp;quot; da moral tradicional, dependentes químicos, alcoólatras ou mesmo pessoas “problemáticas” da família, que se recusavam, por exemplo, a participar de casamentos arranjados, que denunciavam violência sexual sofrida ou eram apenas mulheres que haviam engravidado antes do casamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As instituições privadas multiplicaram-se pelo interior do país, longe dos olhos da fiscalização e dos centros urbanos. Instaladas em locais de difícil acesso, facilitava o ocultamento de violações de direitos humanos e ainda utilizava da conivência dos governos locais. As populações dessas localidades, crentes no saber médico, dificilmente desconfiavam do que poderia acontecer dentro dessas instituições e, quando vazavam denúncias, elas rapidamente podiam ser facilmente manejadas em conluio com os poderes locais. A loucura tornou-se um negócio de massa, com o abrigo precário de centenas de pessoas em galpões, onde a única &amp;quot;terapia&amp;quot; era a contenção química por sedativos baratos ou o uso indiscriminado do eletrochoque para manter a ordem além, é claro, da violência e brutalidade de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Luta Antimanicomial ==&lt;br /&gt;
No final da década de 1970, o modelo de saúde mental começou a dar sinais de exaustão, tanto financeira quanto ética. O Estado já não conseguia arcar com os custos crescentes de um sistema que só expandia o número de crônicos, e as denúncias de maus-tratos começaram a furar o bloqueio da censura, aparecendo em jornais mais prestigiados e em espaços mais amplos do debate social. O estopim para a o início do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil começa com uma crise na [[Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM)]], que havia recebido denúncias de irregularidades no Centro Psiquiátrico Pedro II, no [[Hospital Pinel]], na [[Colônia Juliano Moreira]] e no [[Manicômio Judiciário Heitor Carrilho]]. A denúncia foi acompanhada de uma greve por parte dos funcionários, que exigiam melhorias institucionais e questionavam irregularidades trabalhistas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É dessa crise que surge o [[Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM)]] que, nesse primeiro momento, estão mais preocupados com questões trabalhistas do que com o problema da própria prática psiquiátrica, que vai caracterizar parte dos movimentos antimanicomiais posteriormente. O MTSM se fortalece e consegue espaço no extremamente conservador [[V Congresso Brasileiro de Psiquiatria]], que ocorre em 1978, no que fica conhecido como “congresso da abertura”, num período também de abertura política com o iminente fim do regime militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1978, um grupo importante de intelectuais vinculados às bases teóricas do [[Movimento Antimanicomial]] participa do [[I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições]], incluindo [[Franco Basaglia]], [[Felix Guattari]], [[Robert Castel]] e [[Erwin Goffman]], todos eles de grande inspiração e influência para o movimento antimanicomial brasileiro. No ano seguinte, o [[I Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental]] fortalece a contextação não apenas de problemas trabalhistas, mas do próprio modelo asilar e da forma como a psiquiatria intervinha e oprimia a população marginalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação público-privada que alimentava o modelo até então começa a ruir em 1980, com a chamada política da co-gestão interministerial. Nela, um convênio celebrado entre o Ministério da Previdência e Assistência Social com o Ministério da Saúde liquida a &amp;quot;Unidade de Serviço&amp;quot;, a política que permitia a contratação privada de serviços psiquiátricos e que representou o triunfo do público sobre o privado. Membros do MTSM passam a integrar a gestão do atendimento em saúde mental que, por dentro do aparato estatal, começam a implementar uma política de saúde pública baseada em prestação de serviços, cooperação, descentralização e regionalização, propostas que já eram defendidas pelos reformadores. Apesar desses avanços, críticos afirmam que a política de co-gestão apenas visava reformar os serviços, não atingindo o âmago da questão, que seria desconstruir o próprio paradigma psiquiátrico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de desinstitucionalização de fato começa em 1985, ano marcado pelo fim da Ditadura Militar e pela realização de vários eventos que aprofundam o debate sobre a situação do atendimento. A [[I Conferência Nacional de Saúde Mental]] marca o início da desinstitucionalização devido aos conflitos entre o MTSM, a ABP e grupos não-organicistas que passaram a dirigir o DINSAM. Na conferência, consagrou-se uma reviravolta na perspectiva com a consolidação do lema &amp;quot;por uma sociedade sem manicômios&amp;quot;, rompendo com a lógica tanto privatista quanto estatista e questionando o próprio modelo psiquiátrico tradicional. Este passou a ser amplamente entendido como fenômeno cultural que promove o tratamento moral e o controle dos corpos, uma visão abertamente basagliana e antimanicomial. Alguns entendem que, nesse momento, a tradição anti-institucional que originou os primeiros questionamentos na década de 1970 foi restaurada e fortalecida. Após a Conferência, o próprio MTSM se renovou, se desatrelando do Estado, retomando sua independência e seu papel de transformação social.  A mudança do movimento se consolidou no [[II Congresso Nacional de Trabalhadores de Saúde Mental]], quando a noção de racionalização e modernização dos serviços que havia caracterizado o período da co-gestão foi recusado em nome de uma pauta anti-institucional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados dos anos 1980 começam a surgir novos modelos de atenção à saúde que poderia substituir o modelo psiquiátrico. Em São Paulo é criado o primeiro [[Centro de Atenção Psicossocial (CAPS)]], em 1987. Em Santos, surge o [[Núcleo de Atenção Psicossocial (NAPS)]], em 1989. Estes serviços passaram a ser vistos como os modelos para uma contestação profunda dos manicômios, justificando seu encerramento. Já na década de 1990, o SUS introduziu mecanismos de fiscalização e auditoria que começaram a sufocar financeiramente os asilos privados que não cumpriam níveis mínimos de dignidade. Portarias históricas do Ministério da Saúde, inspiradas na [[Declaração de Caracas (1990)]], passaram a proibir a criação de novos leitos psiquiátricos asilares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após mais de uma década de tramitação e intensos debates no Congresso Nacional, como fruto dos embates históricos iniciados na crise do DINSAM e que atravessaram debates públicos extremamente imporantes, foi promulgada a Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, que ficou conhecida como [[Lei da Reforma Psiquiátrica]] ou Lei Paulo Delgado, seu autor. Esta legislação se tornou o marco jurídico definitivo da virada assistencial no Brasil. A lei instituiu o direito do paciente de ser tratado em ambiente terapêutico o menos restritivo possível e colocou a internação psiquiátrica como último recurso possível. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para preencher o vazio deixado pelo fechamento dos grandes hospitais, o SUS estruturou a [[Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)]], formalizada na década seguinte pela Portaria nº 3.088 de 2011. A RAPS organizou o cuidado em diferentes níveis de complexidade, com os CAPS divididos nas modalidades CAPS I, II, III, CAPSi  e CAPS AD e, por fim, os [[Serviços de Residência Terapêutica (SRT)]]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, a luta continua devido a retrocessos observados na segunda metade da década de 2010 e início dos anos 2020. Mudanças nas diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental tentaram reintroduzir a centralidade do hospital psiquiátrico e incentivaram o uso de práticas baseadas no isolamento. Além disso, o governo federal passou a financiar massivamente as chamadas [[Comunidades Terapêuticas]], instituições de caráter predominantemente privado e religioso voltadas ao acolhimento de usuários de drogas, de onde emanam graves denúncias de todos os tipos de violação dos direitos humanos e que representam um evidente retrocesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, o campo da saúde mental no Brasil vive um embate profundo entre duas visões. De um lado, aqueles que lutam pela consolidação da RAPS, em defesa da clínica da subjetividade, da defesa dos direitos humanos, pela redução de danos e pela inserção social pelo trabalho e pela cultura. Do outro lado observa-se a persistência do &#039;&#039;lobby&#039;&#039; asilar e de setores que buscam a mercantilização do cuidado, por meio do encarceramento, da medicalização extrema do sofrimento psíquico, da higienização dos centros urbanos e do recolhimento dos indesejáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
AMARANTE, Paulo. &#039;&#039;&#039;Loucos pela vida&#039;&#039;&#039;: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ARBEX, Daniela. &#039;&#039;&#039;Holocausto brasileiro&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Geração Editorial, 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BASAGLIA, Franco. &#039;&#039;&#039;A instituição negada&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Graal, 1985.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BIRMAN, Joel. &#039;&#039;&#039;A physis da arte&#039;&#039;&#039;: Deleuze e a clínica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa. &#039;&#039;&#039;Tratado de saúde coletiva&#039;&#039;&#039;. São Paulo: Hucitec, 2006. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CASTEL, Robert. &#039;&#039;&#039;A ordem psiquiátrica&#039;&#039;&#039;: a idade de ouro do alienismo. Rio de Janeiro: Graal, 1978.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. &#039;&#039;&#039;Violência e psicanálise&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Graal, 1986.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. &#039;&#039;&#039;História da assistência psiquiátrica no Brasil&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Garamond, 2007. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DALGALARRONDO, Paulo. &#039;&#039;&#039;Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais&#039;&#039;&#039;. Porto Alegre: Artmed, 2018. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ENGEL, Magali. &#039;&#039;&#039;Os delírios da razão&#039;&#039;&#039;: médicos, loucos e hospícios (Rio de Janeiro, 1830-1930). Rio de Janeiro: Fiocruz, 2001&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FOUCAULT, Michel. &#039;&#039;&#039;História da loucura na Idade Clássica&#039;&#039;&#039; (Trad, de José Teixeira Coelho Netto). São Paulo: Perspectiva, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MELLO, Luiz Carlos. &#039;&#039;&#039;Nise da Silveira&#039;&#039;&#039;: caminhos de uma psiquiatra rebelde. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PEREIRA, Ana Leonor; PITA, João Rui. &#039;&#039;&#039;A institucionalização da loucura em portugal&#039;&#039;&#039;. Coimbra: Estudo Geral, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_loucura:_da_Gr%C3%A9cia_antiga_%C3%A0_luta_anti-manicomial&amp;diff=1684</id>
		<title>História da loucura: da Grécia antiga à luta anti-manicomial</title>
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		<updated>2026-05-16T12:34:43Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Adicionado link para páginas pedidas&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Este é um com finalidade didática, escrito por André Elias Morelli Ribeiro para o curso de Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras. Seu uso é aberto, desde que citada a fonte&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A história da loucura é, ao mesmo tempo, uma narrativa sobre o modo como diferentes sociedades compreenderam a mente humana e uma reflexão sobre os mecanismos de poder que moldaram práticas de exclusão, cuidado e resistência vinculados à loucura. Iniciando na Grécia antiga até o movimento antimanicomial no Brasil, pode-se observar como a loucura foi interpretada ora como intervenção divina, ora como desvio moral, ora como doença fisiológica, ora como ameaça social. Cada época construiu suas próprias respostas, que variaram entre a integração comunitária, o confinamento brutal e a busca por tratamentos médicos ou espirituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, a trajetória seguiu de perto os modelos europeus. Do Hospício de Pedro II às colônias agrícolas, passando pela gestão de Juliano Moreira, a psiquiatria nacional oscilou entre avanços humanitários e práticas de exclusão. O período Vargas e o Estado Novo intensificaram o encarceramento, transformando hospitais em verdadeiros campos de concentração administrativos. As décadas seguintes viram a adoção de terapias brutais, como eletrochoques e lobotomias, mas também o surgimento de resistências, como a obra de Nise da Silveira, que introduziu a arte e o afeto como caminhos de cura. A partir dos anos 1960, a privatização da assistência psiquiátrica gerou a chamada “Indústria da Loucura”, marcada por internações lucrativas e violações sistemáticas de direitos humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, o percurso histórico apresentado aqui mostra que a loucura nunca foi apenas um fenômeno clínico mas, antes, um espelho das sociedades, revelando seus medos, suas crenças e suas formas de organizar o convívio humano. De sagrada a temida, de medicalizada a mercantilizada, apresenta-se e se discute como surgiram vozes e práticas que reivindicaram humanidade e liberdade para os considerados loucos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras no Mundo Antigo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grécia antiga ===&lt;br /&gt;
Na Grécia antiga, em certo momento a loucura era considerada uma intervenção dos deuses e, como os gregos era politeístas, a varidade de formas de loucura e intervenção também era bem grande. A loucura poderia ser vista como uma punição. Um exemplo notório é o herói Ajax, filho de Telamão. Após a morte de Aquiles, a armadura do herói foi dada a Odisseu, e a afronta levou Ajax a um estado de fúria e ressentimento. A deusa Atena, intervindo em favor de Odisseu ou para proteger os Aqueus da vingança de Ajax, lançou sobre ele uma cegueira mental. Tomado pela loucura, Ajax massacrou o gado de guerra que havia sido capturado, acreditando que estava matando os líderes aqueus, incluindo Odisseu e Agamenon. Ao recobrar a sanidade e perceber seu ato vergonhoso, o que o levou a cometer suicídio por humilhação. Essa cena ilustra a loucura como uma intervenção divina direta na forma de loucura poderia ser vista como destrutiva e extremamente negativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outros episódios da mitologia grega, a loucura surge como uma consequência direta de traumas e da perseguição implacável por vingança. Um exemplo fundamental é o de Orestes que, após assassinar sua mãe, Clitemnestra, para vingar a morte de seu pai, Agamenon, passa a ser atormentado pelas Erínias. Essas divindades da vingança, também conhecidas como Fúrias, levaram o herói a um estado de delírio e desespero profundo, personificando a tortura psicológica e a perda da razão como uma forma de acerto de contas espiritual e moral pelo matricídio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura não era unicamente um flagelo ou uma punição. Os gregos  viam a mania, um termo que hoje engloba a loucura, em uma perspectiva dual. Na sua manifestação mais elevada, era considerada uma benção ou inspiração divina. Essa visão positiva estava profundamente ligada ao culto de Dionísio, o deus do vinho, do teatro e do êxtase. Nos rituais dionisíacos, as bacantes e outros seguidores buscavam o êxtase, que é, literalmente, &amp;quot;sair de si&amp;quot;, por meio da dança frenética, música e consumo de vinho, o que era percebido como um estado de comunhão direta e inspirada com a divindade. Longe de ser destrutiva, essa forma de loucura era vista como uma fonte de criatividade, revelação e poder, sendo um caminho para a verdade profética e a expressão artística ligada a Dionísio. Este conceito de mania inspirada também se estendia a outros domínios, como a profecia dos oráculos, que eram vinculados à adoração ao deus Apolo, e mesmo a poesia, onde a perda temporária da razão humana era interpretada como a mente sendo tomada por uma força divina que trazia algum tipo de inspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em certo momento, ainda na Grécia antiga, as ideias sobre a loucura - ou algo que pareça loucura aos olhos contemporâneos - foi modificada graças a Hipócrates, o pai da medicina. A visão de [[Hipócrates]] marcou uma transição crucial para o entendimento da loucura na Grécia Antiga, pois afastou a loucura das concepções divinas e sobrenaturais para uma explicação puramente fisiológica e natural. Ele desenvolveu a [[Teoria dos Quatro Humores]], que se tornou o pilar da medicina ocidental por séculos. Segundo essa teoria, o corpo humano era composto por quatro fluidos essenciais (humores): sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. A saúde mental e física dependia do equilíbrio harmonioso desses humores. A loucura, ou qualquer doença mental, era, portanto, interpretada como o resultado de um desequilíbrio, como o excesso de bile negra causando a melancolia (depressão), ou o desarranjo da fleuma e da bile amarela, que poderiam levar a estados de mania e frenesi. Com isso, Hipócrates postulou que a loucura não era uma maldição dos deuses, mas sim uma doença com origem no corpo. Essa abordagem naturalista permitiu que a loucura passasse a ser tratada com métodos como dietas, exercícios e remédios, no lugar de rituais religiosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradição bíblica ===&lt;br /&gt;
Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e sua recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o levou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara. A loucura, conforme emerge na descrição bíblica, emerge ligada à perda da razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo. No Novo Testamento, escrito no contexto do mundo greco-romano, o que é considerado &#039;loucura&#039; pelos homens revela-se a suprema sabedoria divina. Essa ideia é desenvolvida pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. Na passagem, ele afirma: &#039;Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens&#039; (1 Coríntios 1:25). Paulo usa o termo &#039;&#039;moria&#039;&#039; (loucura, tolice) para contrastar a sabedoria humana que, na época do texto, era representada pela filosofia e retórica grega. A mensagem da cruz parecia ilógica e insensata aos olhos dos não cristãos, que debochavam do fato do profeta ter sido capturado e morto pelos romanos. Assim, a loucura deixa de ser apenas uma punição para se tornar uma lente através da qual a verdadeira sabedoria, ou seja, a salvação, é revelada, invertendo a hierarquia de valores do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pérsia ===&lt;br /&gt;
Na Pérsia, a visão da loucura e do comportamento irracional foi moldada por seu profundo dualismo religioso e, posteriormente, pelas tradições islâmicas que se seguiram à conquista árabe. O zoroastrismo, a antiga religião persa fundada por Zoroastro (Zaratustra), transformou o politeísmo em um dualismo cósmico centralizado no conflito eterno entre Ahura Mazda (Ormazd), o criador da vida, luz e verdade, e Angra Mainyu (Ahriman), a escuridão e a mentira. Neste cenário, o mundo material é o campo de batalha entre os dois. Ahriman buscava corromper tudo o que Ormazd havia criado. Embora o texto não defina a loucura diretamente, o comportamento irracional e a desrazão poderiam ser facilmente associados ao domínio de Ahriman e à mentira (&#039;&#039;druj&#039;&#039;), enquanto a sanidade e a pureza eram atributos de Ormazd. A batalha contra essa corrupção exigia que os adoradores de Ormazd permanecessem verdadeiros e evitassem poluir o fogo e a terra sagrada, indicando que a pureza mental e ritual era uma defesa contra as forças do mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Islã ===&lt;br /&gt;
Na cultura islãmica, de forma geral e bastante resumida, o comportamento considerado irracional era frequentemente explicado pela crença nos &#039;&#039;djinn&#039;&#039;, espíritos errantes que habitavam o deserto e certos lugares considerados místicos e que podiam invadir a mente humana, causando o que a sociedade ocidental moderna chamaria de insanidade ou, talvez, distúrbio emocional, cujo tratamento era o exorcismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura também apareceu em narrativas culturais associadas aos povos, de forma a sugerir causas e curas mais mundanas. O famoso conto persa de As Mil e Uma Noites relata a história do rei Shahriyar, que, convencido da inevitável traição feminina, cai em uma loucura paranóica que o leva a se casar com uma virgem todas as noites e, pela manhã, assassiná-la. Sua &amp;quot;cura&amp;quot; é alcançada através da engenhosidade e paciência humana por meio de uma dessas esposas, Scheherazade, que usa a arte de contar histórias para retardar sua execução por &amp;quot;mil e uma noites&amp;quot;, período em que sua paranoia é gradualmente desfeita. A história sugere que a narrativa e o tempo podem curar a loucura causada por trauma psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras na Idade Média ==&lt;br /&gt;
A transição para a Idade Média é marcada pelo colapso do Império Romano do Ocidente (476 d.C.), que trouxe profundas transformações políticas e sociais. O fim do governo centralizado romano levou à fragmentação do poder e ao surgimento do sistema feudal, onde a administração das terras e a autoridade passaram para as mãos de senhores locais, muitos deles antigos oficiais romanos. Este período também é caracterizado por um notável declínio na vida urbana e nos grandes centros intelectuais. O colpaso das instituições romanas deu lugar à ascensão e consolidação da única instituição internacional grande e organizada que havia sobrado, a Igreja Católica, que se tornou a principal instituição, com poder tanto político quanto cultural e simbólico. Houve ainda uma perda gradual da tradição cultural greco-romana e, consequentemente, um afastamento das explicações naturalistas de Hipócrates, com exceção do pequeno renascimento do século XII e retomadas pontuais da sabedoria grega. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a hegemonia da Igreja Católica, a loucura tendeu a ser novamente interpretada sob uma lente teológica, sendo vista como uma manifestação de forças sobrenaturais ou desvios morais. Nesse contexto, certas vezes a loucura era interpretada como a intervenção de Satanás ou como possessão demoníaca, exigindo rituais de exorcismo para a cura. Em outros momentos, era vista como uma prova espiritual enviada por Deus ou como um efeito direto do pecado na alma do indivíduo. Havia também explicações que a tratavam como uma fragilidade da vontade humana, como no caso do que chamaríamos hoje de compulsões, misturando elementos da antiga tradição grega com aspectos da teologia cristã. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Socialmente, a gestão da loucura na Idade Média também passou por diferentes fases e transformações, dependendo do local e da época. Havia casos em que os considerados loucos eram apenas torturados e trancafiados, métodos considerados eficazes para expulsão de espíritos malignos, por exemplo. Contudo, em muitos outros casos, os considerados loucos conviviam de forma mais ou menos harmoniosa com o resto da comunidade, a depender de suas capacidades e possibilidades, e certos “desvios” eram perdoados devido à sua condição peculiar, sem a necessidade imediata de uma exclusão radical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Nau dos Loucos ===&lt;br /&gt;
Um caso notável e emblemático da gestão da loucura nesse período é a [[Nau dos Loucos]] (&#039;&#039;Stultifera Navis&#039;&#039;), conforme trabalhado por [[Michel Foucault]]. Anteriormente ao modelo de exclusão-repressão que viria a se consolidar na Idade Clássica, a loucura viveu o que se pode chamar de seus &amp;quot;dias de glória&amp;quot; na transição para a Renascença. Nesse contexto, o louco poderia ser visto como um sábio, um místico, um bobo da corte ou simplesmente um excêntrico que estava, de certa forma, integrado ao tecido social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Nau dos Loucos simbolizava uma existência errante, onde o louco era confiado à água e ao navio para ser levado de uma cidade a outra, mantendo-o em um estado de exclusão simbólica, mas ainda assim em movimento e circulação. Para Foucault, essa experiência trágica da loucura permitia que o insano portasse uma forma de lucidez em sua insensatez, revelando verdades que a razão comum não ousava enunciar. O louco via através das ilusões mundanas, aproximando-se de uma verdade profética ou ética que seria progressivamente silenciada nos séculos seguintes pela ascensão do saber médico e da racionalidade científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Santa Dimpna e Geel ===&lt;br /&gt;
Outro acontecimento relevante da Idade Média para a compreensão da loucura é o episódio de [[Santa Dimpna]]. Nascida no século VII na Irlanda, ela era filha de um rei pagão e de uma mãe cristã devota, de quem herdou sua fé e pela qual decidiu fazer votos de castidade. Após a morte prematura da mãe, seu pai, mergulhado em um profundo luto, decidiu que Dimpna era a única mulher com beleza comparável à da falecida rainha e insistiu em se casar com a própria filha, o que seria considerado escandaloso também para aquela cultura. Diante dessa perseguição incestuosa, Dimpna fugiu da Irlanda acompanhada de seu confessor, o padre Gereberno, e de dois servos fiéis. O grupo cruzou o mar e estabeleceu-se em [[Geel]], um minúsculo vilarejo na atual Bélgica, onde Dimpna se dedicou ao cuidado dos pobres e doentes mentais. No entanto, o rei conseguiu encontrá-los e, após a recusa de Dimpna tanto em retornar para a Irlanda quanto se casar com o pai, ordenou a execução de Gereberno, enquanto ele mesmo decapitou a filha, tornando a menina de 15 anos de idade numa mártir cristã. Após sua morte, relatos de curas milagrosas de pessoas com distúrbios mentais e epilepsia começaram a ocorrer junto ao seu túmulo, o que a tornou a padroeira dos doentes mentais e o local um espaço de peregrinação ligado à questão da saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O legado de Santa Dimpna em Geel deu origem a um modelo para a psiquiatria moderna pois, devido à devoção e adoração à Santa Dimpna, a cidade transformou-se em um santuário onde os pacientes não eram trancafiados, mas acolhidos em lares de famílias locais como &amp;quot;hóspedes&amp;quot;. Esse sistema de cuidado comunitário e desinstitucionalização, que persiste há séculos, é considerado um dos precursores do tratamento humanizado e da reabilitação psicossocial na saúde mental contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Idade Clássica: a nova era da loucura encarcerada ==&lt;br /&gt;
A partir do século XVII, um período em que o filósofo Michel Foucault denominou como &amp;quot;A Época Clássica&amp;quot;, a forma de entender e lidar com a loucura passa por uma nova mudança devido ao ingresso da razão como centro e alma do pensamento europeu, em substituição ao dogmatismo religioso e ao conhecimento da igreja. Esta mudança não é brusca, mas lenta e gradual, porém suas marcas serão duradouras e serão sentidas por quase toda a Europa. Para essa nova e nascente razão, a loucura seria seu oposto direto. Se o homem era definido pela sua capacidade racional e sua utilidade produtiva, o louco era, portanto, como um &amp;quot;não-homem&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a solução para a não-razão era a internação, que não buscava a cura, mas a neutralização do irracional. O silenciamento da loucura era necessário para que a ordem social pudesse florescer. Os campos e cidades deveriam ser espaços de circulação de mercadorias pelas mãos de cidadãos produtivos, e qualquer elemento que atrapalhasse essa dinâmica deveria ser guardado em instituições que funcionavam como uma guarda contra o risco social que tais pessoas ofereciam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relatos da época descrevem cenários terríveis sobre as condições de internação dos loucos. Os internos eram frequentemente mantidos em celas úmidas e insalubres, muitas vezes acorrentados às paredes. O uso de chicotes e outras punições corporais era justificado pela crença de que o louco, por ter perdido a razão, teria a resistência física de um animal, não sentindo frio ou dor da mesma forma que uma pessoa &amp;quot;normal&amp;quot;. Além disso, as instituições funcionavam sob uma lógica de vigilância constante. Não se tratava de observar para entender a mente, mas para garantir que o corpo anormal permanecesse contido e, no máximo possível, docilizado. Foi dentro desse ambiente de absoluta degradação e mistura indiscriminada de diferentes &amp;quot;tipos&amp;quot; de desviantes que a consciência médica começou a germinar, ainda que de forma incipiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== França ===&lt;br /&gt;
O ano de 1656 marca um divisor de águas simbólico para o modelo de confinamento asilar no mundo todo, com a criação do Hôpital Général (Hospital Geral) em Paris, por um edito real do rei Luís XIV. É importante entender que um hospital geral deste período não é como um hospital moderno, ou seja, uma instituição médica e voltada para a compreensão da doença e a prática do tratamento e cura. Ele estava mais próximo de uma estrutura administrativa e, de certo modo, semi-judiciária. Isso ocorria porque o interesse não estava em “curar” ou “tratar” ninguém mas, antes disso, perseguir o interesse do Estado de &amp;quot;limpar&amp;quot; as ruas de Paris de tudo o que era considerado improdutivo ou escandaloso. Era um período de abundância material, grandes gastos estatais e de uma imensa riqueza do império colonial francês, e desvios nessa ordem eram vistos como perigosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes tais hospitais gerais eram confinados, todos juntos, grupos totalmente diferentes, tais como pobres, mendigos, desempregados, libertinos, prostitutas, alquimistas, opositores políticos e, claro, também os considerados loucos. Em suma, um depósito de indesejados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que começou em Paris se tornou um modelo para outros lugares sobre como fazer a gestão da miséria e da “desrazão”, num forte deslocamento do que se via na Idade Média. O louco, antes tendo algo de profético, místico ou talvez apenas uma excentricidade da vida medieval campesina, se torna uma questão político-administrativa. Essa mudança importante marca uma migração para a possibilidade de institucionalização daquilo que era considerado errante ou, de alguma forma, desagradável e, assim passível de ser alvo de uma forma de gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Paris, as duas principais unidades do Hospital Geral se tornaram emblemáticas e simbólicas. A [[Salpêtrière]], que era destinada às mulheres, e o hospital [[Bicêtre]], destinado aos homens. Ambas as instituições não ofereciam qualquer forma de tratamento. Eram basicamente depósitos humanos, onde o louco poderia acabar acorrentado ao lado de criminosos, por exemplo. O critério de internação não era o diagnóstico clínico, mesmo porque simplesmente ele nem existia, mas a incapacidade de se ajustar às normas de trabalho e à moralidade da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alemanha ===&lt;br /&gt;
Na Alemanha, surgiram as Zuchthäusern, que seriam as [[Casas de Correção (Zuchthäusern)|Casas de Correção]]. Cidades como Hamburgo e Bremen estabeleceram esses locais onde a loucura era tratada através do trabalho forçado. Eles acreditavam que o ócio era a raiz do mal e que o confinamento servia para reintegrar o indivíduo à lógica da produtividade. De qualquer forma, uma vez enclausurado, ele permanecia escondido da visão da população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Inglaterra ===&lt;br /&gt;
Na Inglaterra, o sistema das Workhouses (Casas de Trabalho) cumpria um papel semelhante ao modelo alemão. No entanto, Londres já possuía o [[Bethlem Royal Hospital (Bedlam)|Bethlem Royal Hospital]], conhecido popularmente como Bedlam. No século XVII e XVIII, Bedlam se tornou um espetáculo de horror, onde o público podia pagar para observar os internos como se fossem animais em um zoológico. A loucura agora um objeto de uma forma de exibição degradante e mantida atrás de grades e ferros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Portugal ===&lt;br /&gt;
Em Portugal a gestão dos &amp;quot;desviantes&amp;quot; recaiu fortemente sobre as Santas Casas da Misericórdia. O [[Hospital Real de Todos-os-Santos]], fundado em Lisboa em 1492 e inaugurado em 1501, se tornou o epicentro do tratamento (ou confinamento) dos loucos no país. Dentro deste hospital, existiam as chamadas &amp;quot;[[Casas de Doidos]]&amp;quot;, destinados àqueles que haviam “perdido a luz da razão”. Seguindo o padrão europeu, o hospital não separava rigidamente o louco por diagnóstico. Eles dividiam espaço com indigentes e enfermos de diversas naturezas, embora as &amp;quot;casas de doidos&amp;quot; fossem áreas de maior isolamento devido à agitação dos internos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XVIII português, a internação era, acima de tudo, uma solução para a mendicância e, por vezes, para o alcoolismo. O louco oriundo de uma família com posses era mantido nas próprias casas, muitas vezes escondido em sótãos ou anexos e até mesmo acorrentados. Já o &amp;quot;louco pobre&amp;quot;, que não poderiam ser cuidados por seus familiares, acabava nos hospitais reais ou mesmo nas cadeias, a depender de uma série de fatores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Nascimento da Psiquiatria ==&lt;br /&gt;
=== Pinel e a criação da psiquiatria nosográfica ===&lt;br /&gt;
É na virada do século XVIII para o XIX que nasce a psiquiatria como um campo autônomo do saber e da prática médica. Esta mudança fundamental é protagonizada por duas figuras centrais da medicina francesa: [[Philippe Pinel]] e seu discípulo, [[Jean-Étienne Esquirol|Jean-Étienne Dominique Esquirol]]. Juntos, eles transformaram o hospital de depósito de insanos e indesejáveis em um verdadeiro hospital, em que o louco e o alienado poderiam receber um tratamento racional e científico, em substituição às correntes, à disciplina e ao silenciamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência da psiquiatria como campo autônomo teve como fundamento científico inicial a observação clínica sistemática dentro do asilo. Este era concebido como um laboratório, onde o alienista poderia estudar a loucura em seu estado puro, separada das influências do mundo exterior. A principal questão científica e prática que justificava essa nova ciência era desenvolvida e aplicada de forma sistemática era a chamada nosografia ou diagnóstico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pinel, em seu &#039;&#039;Traité&#039;&#039; de 1801, classificou a loucura com base em critérios sintomatológicos, seguindo um procedimento comparativo semelhante ao das ciências naturais. O desafio central, que persistiria ao longo do século XIX, era a ambiguidade constante entre a busca por uma sede orgânica, ou seja, um “local físico-biológico” da loucura, junto da necessidade de uma regulação de caráter moral. O tratamento apoiava-se na moralidade para combater as causas que eram, elas próprias, consideradas morais, mas algo estava também no corpo do doente. Isso mostra que a nova psiquiatria de Pinel era a mistura de medicina com moralidade. Este enfoque resultou na valorização do exame clínico pelos psiquiatras francófonos, permitindo a união da observação clínica com a formulação de hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1793, em meio ao fervor da Revolução Francesa, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe do Hospital de Bicêtre e, posteriormente, da Salpêtrière. O cenário que encontrou era o ápice do &amp;quot;Grande Enclausuramento&amp;quot;, ou seja, homens e mulheres amontoados nas condições já descritas, com destaque para as correntes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intervenção de Pinel, simbolizada pelo gesto de “libertar os loucos de suas correntes”, não foi apenas um ato humanitário, mas também uma decisão de natureza epistemológica. Pinel acreditava que a loucura não era uma possessão demoníaca nem uma degeneração animal irreversível, mas uma alienação mental, em outras palavras, uma perturbação das faculdades intelectuais e afetivas que mantinha o indivíduo como se fosse &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, ou alienado, de si mesmo e da sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pilar para a reforma psiquiátrica proposta por Pinel era o tratamento moral, e se baseava em três pilares fundamentais. O primeiro, o isolamento terapêutico. Era necessário que o paciente ficasse separado de seu ambiente que, segundo o médico, era a fonte de sua excitação e desequilíbrio. O segundo pilar era a autoridade médica, onde este deveria atuar como um pai ao mesmo tempo severo e justo, usando a persuasão, a benevolência e, se fosse necessário, a firmeza para restaurar a razão do paciente. Por fim, a disciplina e o trabalho, com a aplicação rigorosa de horários e valorização de atividades produtivas, o que ocuparia a mente alienada e, assim, combateria a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus estudos, Pinel identificou quatro tipos de loucura, quais sejam, a [[melancolia]], a [[mania]], a [[demência]] e a [[idiotia]], cada uma com suas questões próprias específicas e metodologias de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Esquirol e a consolidação do modelo ===&lt;br /&gt;
Se Pinel era considerado o visionário e o libertador, [[Jean-Étienne Esquirol|Jean-Étienne Dominique Esquirol]] foi o grande organizador e o clínico meticuloso. Discípulo de Pinel, Esquirol sucedeu seu mestre na Salpêtrière e deu à psiquiatria a robustez científica e administrativa de que ela necessitava. Esquirol compreendeu que a eficácia do tratamento moral dependia da arquitetura hospitalar. Para ele, o hospital não era apenas um prédio onde ocorria o tratamento, mas também um instrumento de cura. Ele desenvolveu o modelo de pavilhões, permitindo a separação dos pacientes por tipo de patologia, o que reforçou a própria ideia de diagnóstico e de avaliação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Esquirol refinou as definições clínicas de Pinel. Foi ele quem estabeleceu a distinção clássica entre alucinação (uma percepção sem objeto) e ilusão (uma percepção deformada de um objeto real), entre outros pontos que, na sua época, foram considerados avanços exemplares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Legalização da Alienação ===&lt;br /&gt;
O esforço médico, político e administrativo de Esquirol na continuação do trabalho de Pinel culminou na promulgação da lei francesa de 30 de Junho de 1838, a primeira grande legislação psiquiátrica do mundo moderno. Esta lei estabeleceu a obrigatoriedade de cada departamento francês possuir um asilo e regulamentou as condições de internação e interdição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A princípio, embora também protegesse o alienado do arbítrio e de outras violências que poderiam ser cometidos contra os loucos nas províncias e mesmo nas periferias de Paris, a lei também deu total poder ao médico psiquiatra. Era ele quem poderia decidir quem deveria ou não ser privado de sua liberdade. Com isso, a psiquiatria tornava-se, assim, um braço do Estado na gestão da ordem social mas, ao contrário do polícia e do inquérito polícial, que exigia provas independentes e a atuação do sistema judiciário, o psiquiatra estava coberto sob o manto da ciência médica, o que dava a ele poderes gigantescos de decidir entre a alienação e a razão. Isso marcou profundamente a forma como a loucura e a saúde mental passaram a ser compreendidas e tratadas nas décadas seguintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Emil Kraepelin e uma Nova Racionalização ===&lt;br /&gt;
Apesar da forte valorização da psiquiatria francesa na constituição da psiquiatria contemporânea, uma das principais contribuições para o ramo em sua forma atual foi empreendida por um alemão, [[Emil Kraepelin]]. No final do século XIX, a psiquiatria alemã estava dividida entre os &amp;quot;psiquistas&amp;quot;, que viam a loucura como uma doença da alma ou um mal moral, a exemplo dos franceses; e os &amp;quot;somatistas&amp;quot;, que buscavam no cérebro a origem dos sintomas das doenças mentais. Kraepelin superou esse impasse ao focar não na anatomia, mas na evolução temporal das doenças. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kraepelin passou a entender que sintomas isolados, como ouvir vozes ou acreditar ser uma personalidade histórica, não eram suficientes para definir uma doença, mas seu desenvolvimento ao longo do tempo. Com essa premissa em mãos, Kraepelin introduziu as &amp;quot;cartas diagnósticas&amp;quot; (&#039;&#039;Zählkarten&#039;&#039;), um sistema de fichamento padronizado onde se registrava a história de vida do paciente, seus antecedentes familiares, os sintomas detalhados e, por fim, o desfecho da doença. Isso transformou a clínica psiquiátrica, pois articulava neuroanatomia e psicologia experimental, já que ele fora aluno de [[Wilhelm Wundt|Wundt]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kraepelin também é considerado o pioneiro da [[Psiquiatria Transcultural]]. Visando provar que as categorias diagnósticas psiquiátricas seriam universais, ele viajou para lugares como a ilha de Java (Indonésia) em 1904 para estudar a manifestação da loucura em populações não europeias. Ele concluiu que, ainda que os conteúdos dos delírios mudassem conforme a cultura, a estrutura fundamental da loucura permanecia a mesma, o que reforçou sua tese de que eram doenças biológicas da espécie humana. Apesar disso, no final de sua vida ele se transformou um higienista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O I Congresso Internacional de Psiquiatria ===&lt;br /&gt;
Realizado em Paris em agosto de 1950, o [[I Congresso Internacional de Psiquiatria]] foi projetado especificamente para unificar, debater e institucionalizar a psiquiatria como uma disciplina médica global e autônoma. Durante o Congresso foram colocados, frente a frente, as grandes correntes que disputavam a hegemonia do entendimento da mente humana na época, a saber, as correntes psicodinâmica e a biológica. De forma menor, uma corrente social e anti-manicomial também se fez presente. O resultado do embate foi uma conciliação entre as duas maiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos resultados do Congresso de 1950 foi a pressão para que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Associação Psiquiátrica Americana (APA) criassem manuais estatísticos e classificatórios unificados, o que resultou na inserção de uma seção robusta de transtornos mentais na CID-6 (Classificação Internacional de Doenças) e na publicação do primeiro [[DSM]], em 1952.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro resultado importante do evento foi a fundação da Associação Mundial de Psiquiatria ([[World Psychiatric Association (WPA)|World Psychiatric Association - WPA]]). Com isso, a psiquiatria deixou de ser um conjunto de escolas nacionais isoladas, como as escolas francesa, alemã, anglo-saxã, entre outras, para se tornar uma corporação científica internacional, com congressos periódicos, periódicos indexados e diretrizes globais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Loucura no Brasil ==&lt;br /&gt;
Até o início do século XIX, o Brasil colonial lidava com seus insanos de forma semelhante ao que ocorria na Europa. As famílias ricas mantinham seus parentes loucos em &amp;quot;quartos fortes&amp;quot;, privando-os mais ou menos da vida comunitária e familiar, a depender das circunstâncias, de forma semelhante ao que acontecia em Portugal. Já os pobres eram entregues à caridade das [[Santas Casas de Misericórdia]] ou vagavam pelas ruas, sendo ocasionalmente recolhidos a cadeias públicas quando perturbavam a ordem, indo e vindo das frágeis instituições brasileiras, sofrendo abusos e violências de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 gerou a necessidade de transformar a capital colonial em uma moderna metrópole europeia. Sob a influência do Iluminismo tardio e das notícias que chegavam sobre as reformas de Pinel na França, a elite médica brasileira, que havia estudado sobretudo na França e em Portugal, começou a pressionar o poder público pela criação de espaços específicos para o tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1830, a criação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (que viria a ser a [[Academia Nacional de Medicina]]) foi o marco institucional dessa pressão. Esse movimento político funcionou. O momento decisivo ocorreu em 18 de julho de 1841, quando o Imperador D. Pedro II, em comemoração à sua coroação, assinou o decreto de fundação do primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e da América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Hospício de Pedro II, ou o Palácio dos Loucos (1852–1889) ===&lt;br /&gt;
Inaugurado apenas em 8 de dezembro de 1852, o [[Hospital Nacional de Alienados (HNA)|Hospício de Pedro II]] era gerido pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, que por anos geriu grande parte da loucura brasileira. Seu provedor era o médico [[José Clemente Pereira]], que era responsável por todos os aspectos da instituição, desde os médicos até os administrativos. Embora a gestão administrativa fosse religiosa, o saber médico tinha muito espaço, com nomes como [[Manoel Feliciano Pereira de Carvalho]], que tentaram implementar o &amp;quot;tratamento moral&amp;quot; inspirado em Esquirol. Apesar dos esforços, muitos relatos de abusos e de condições precárias mostravam a dificuldade em implementar um modelo brasileiro de tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Proclamação da República em 1889, o Hospício de Pedro II foi desvinculado da Santa Casa e renomeado como [[Hospital Nacional de Alienados (HNA)]]. Este foi um período de maior laicização e pela busca por um maior rigor científico, o que não aconteceu por completo, em grande parte devido à falta de profissionais adequadamente treinados para a questão. Apesar disso, o Brasil já possuía uma cátedra de psiquiatria desde 1883, ocupada por João Carlos Teixeira Brandão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante dos altíssimos custos em manter o Hospital, surgem as colônias agrícolas como alternativa ao confinamento urbano. Em 1884, já havia sido inaugurada a [[Colônia de São Bento]] e, em 1890, a [[Colônia de Conde de Mesquita]], na Ilha do Governador. A ideia era que o trabalho na terra poderia colaborar na cura, além de os produtos deste trabalho poderiam ser consumidos no local, ajudando na manutenção dos espaços. Apesar dessas transformações e de evidentes melhorias, os relatos de época mostram que não acontecia nenhuma das duas coisas, nem produção agrícola suficiente, nem um processo terapêutico efetivo, mas entendia-se que a colônia agrícola era melhor do que o confinamento do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Era Juliano Moreira ===&lt;br /&gt;
Em 1903, o médico baiano [[Juliano Moreira]] assume a direção do Hospital Nacional de Alienados. Negro, de origem humilde e dotado de uma erudição impressionante, ele revolucionou a assistência brasileira aos alienados, sendo reconhecido internacionalmente como um dos grandes psiquiatras de seu tempo. Ele se tornaria o principal médico alienista do Brasil, tornando-se referência para todo o país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moreira aboliu definitivamente o uso de camisas de força e as grades nas janelas, num gesto que se assemelhava àquele de Pinel, enfatizando que o hospital era um local de tratamento e cura, e não uma prisão ou um depósito de indesejados. Além disso, ele trouxe para o Brasil a nosologia de Emil Kraepelin, um psiquiatra alemão considerado o pai da psiquiatria moderna, da psicofarmacologia e da genética psiquiátrica, o que seria uma modernização do modelo francês adotado até então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a gestão Moreira ocorreram várias mudanças. Foi criado o [[Pavilhão Bourneville]] para crianças com deficiência intelectual. Além disso, fundou-se em 1921 o [[Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro]], o primeiro do país, sob a liderança de [[Heitor Carrilho]]. Dentro dos hospitais incentivou-se a pesquisa laboratorial e anátomo-patológica, o que também abriu espaço para a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência e o prestígio de Juliano Moreira se espalhou pelo Brasil. Em São Paulo, destacou-se a figura de [[Franco da Rocha|Francisco Franco da Rocha]], que fundou em 1898 o [[Hospital do Juquery]]. O Juquery, como ficou conhecido, tornou-se uma &amp;quot;cidade-asilo&amp;quot;, chegando a abrigar dezenas de milhares de pacientes em um modelo que mesclava pavilhôes médicos com imensas colônias agrícolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período, a psiquiatria brasileira flertou intensamente com as teorias da degenerescência (de Morel e Magnan) e com a eugenia. Médicos como [[Renato Kehl]], bem como a criação da [[Liga Brasileira de Higiene Mental]] (1923), uma organização higienista fundada por [[Gustavo Riedel]], começaram a ver a loucura não apenas como um problema individual, mas como um risco biológico à raça brasileira. A higiene mental passou a atuar preventivamente em escolas e fábricas, buscando identificar &amp;quot;pré-delinquentes&amp;quot; e &amp;quot;personalidades anormais&amp;quot;. Apesar de não ter conseguido desenvolver muitas políticas efetivas, os eugenistas brasileiros eram ativos e influentes em muitos círculos decisórios importantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A criação de hospitais não se limitou a São Paulo e Rio de Janeiro. Em  1903, o governo de Minas Gerais fundou o [[Hospital Psiquiátrico de Barbacena]], que mais tarde seria palco de uma das maiores tragédias humanitárias do país. Em Pernambuco, o [[Hospital Ulysses Pernambucano]] foi fundado pelo médico de mesmo nome, que começou a desenvolver uma psiquiatria mais voltada para o social e para a prevenção no final dos anos 1920. Hospitais na Bahia, Rio Grande do Sul, entre outros, também foram criados, seguindo o pioneirismo do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Era Vargas e além: o início do encarceramento ===&lt;br /&gt;
Com a Revolução de 1930, o projeto de nação de Vargas exigia um povo saudável e produtivo, devido à visão desenvolvimentista suportada pela Aliança Liberal, que o elegeu. A loucura deixou de ser apenas uma questão de ordem pública ou um aspecto da caridade para se tornar um problema de segurança nacional e de saúde pública. Em 1941, no âmbito do Estado Novo, foi criado o [[Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM)]], substituindo o antigo modelo de assistência a alienados, que era fragmentado nas diferentes províncias. Dessa maneira, Vargas criou uma diretriz federal centralizada para a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a Liga Brasileira de Higiene Mental ganhou fôlego. O foco deslocou-se do hospital para a prevenção na sociedade. A psiquiatria não deveria se limitar aos hospitais, mas também atuar na escola, na fábrica e na família, buscando limpar a nação e extirpar o que chamavam de &amp;quot;elementos degenerados&amp;quot;. O médico Gustavo Riedel e seus sucessores defendiam que o Estado deveria intervir precocemente para evitar que o &amp;quot;anormal&amp;quot; se tornasse um fardo para a máquina pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi durante as décadas de 1930 e 1940 que o modelo de colônia agrícola, antes visto como terapêutico e de assistência à manutenção hospitalar, atingiu proporções industriais. O que se viu em Barbacena e em instituições como o Juquery em São Paulo, foi a transformação do hospital em, praticamente, um campo de concentração administrativo. A internação não dependia mais de um diagnóstico médico rigoroso, que na prática ainda era frágil e baseado em elementos pouco científicos. Bastava ser considerado &amp;quot;socialmente inconveniente&amp;quot; para correr-se o risco de ir parar numa instituições dessas. Assim, pobres, prostitutas, homossexuais, militantes políticos e mães solteiras eram enviados para essas instituições, onde a sobrevivência era a exceção. Estima-se que, no auge do descaso, o Hospital de Barbacena registrava um número alarmante de óbitos por frio, fome e doenças evitáveis, cujos corpos eram, por vezes, vendidos para faculdades de medicina. Situações similares aconteciam em outras instituições do tipo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tratamentos Brutais e os Modos de Resistência ===&lt;br /&gt;
Para além do horror asilar, o período entre 1930 e 1950 também foi marcado pela introdução de terapias biológicas drásticas, importadas da Europa, conhecidas como [[somatoterapias]]. Com uma psicofarmacologia pouco eficaz, os médicos buscavam &amp;quot;chacoalhar&amp;quot; o organismo, produzindo nele como um choque que pudesse restaurar a razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma dessas técnicas era a [[insulinoterapia]]. Introduzida na Europa pelo médico austríaco Manfred Sakel (1900–1957) em Viena, no início dos anos 1930, representou uma das primeiras e mais invasivas formas de somatoterapia. Originalmente destinada ao tratamento da [[esquizofrenia]], a técnica consistia na administração de doses maciças de insulina no paciente, provocando um estado de hipoglicemia profunda que levava o paciente ao coma. Na volta desse estado, se esperava que o indivíduo “restaurasse” a razão por conta do choque orgânico violento que havia vivenciado. O procedimento era extremamente perigoso e estava associado a uma alta taxa de mortalidade e morbidade devido às convulsões e aos possíveis danos cerebrais. Apesar dos riscos, o método foi amplamente adotado no mundo todo, incluindo o Brasil, onde foi usado em grandes instituições de confinamento, como o Hospital Nacional de Alienados (HNA), no Hospital Juquery, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que passou a ser muito utilizada foi a [[Eletroconvulsoterapia]], ou simplesmente o eletrochoque. Introduzido no Brasil logo após sua invenção na Itália (1938), consiste em colocar eletrodos carregados com correntes elétricas em lados opostos, na lateral da cabeça, de modo que uma forte corrente elétrica atravessasse o cérebro. A duração e a intensidade podiam variar, mas relatos de mais de trinta minutos de choques violentos não eram incomuns. Sua brutalidade era tamanha que exigia que sua vítima fosse fortemente amarrada. Tornou-se uma ferramenta onipresente nos hospitais, muitas vezes aplicada sem anestesia e como método de punição, desvirtuando sua finalidade clínica já questionável e usada, basicamente, como ferramenta de tortura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que ingressou no Brasil nesse período foi a [[lobotomia]], um procedimento cirúrgico que consistia em apenas retirar um pedaço do cérebro do paciente. Eles foram realizados em larga escala em hospitais como o Juquery e no Hospital Pedro II, buscando a docilização de pacientes crônicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em oposição à violência do isolamento oferecido por essas instituições, surge a figura de [[Nise da Silveira]]. Em 1946, após ter sido presa pelo regime de Vargas por suas inclinações políticas, Nise assumiu o Setor de Terapêutica Ocupacional do [[Centro Psiquiátrico Nacional]] (Engenho de Dentro), no Rio de Janeiro. Ela se recusou a usar eletrochoques e lobotomias, introduzindo a arte e o afeto como mediadores da cura. Ela fundou o [[Museu de Imagens do Inconsciente (MIS)|Museu de Imagens do Inconsciente]] em 1952, onde demonstrou, através das pinturas e esculturas de pacientes como [[Arthur Bispo do Rosario]], que o louco preservava uma riqueza simbólica e uma humanidade que a psiquiatria tradicional tentava apagar. Sua colaboração com [[Carl Jung]] colocou a experiência brasileira no mapa da psicologia analítica mundial, provando que o tratamento em liberdade e através da expressão criativa era viável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Criação da Indústria da Loucura ===&lt;br /&gt;
No final da década de 1950 e início da de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek e o breve período democrático posterior, o Brasil viu o surgimento de uma nova e ainda mais perversa dinâmica: a Indústria da Loucura. A assistência psiquiátrica, antes quase totalmente pública ou baseada no assistencialismo das Santas Casas, começou a ser privatizada. Com o crescimento dos institutos de previdência (IAPs), o Estado passou a pagar hospitais privados por dia de internação. Isso criou um incentivo perverso: quanto mais tempo o paciente ficasse internado e quanto menos recursos fossem gastos com ele, maior o lucro das clínicas privadas. Esse modelo, conhecido como &amp;quot;hospitalocêntrico&amp;quot;, inchou o sistema e preparou o terreno para a política de contenção social que seria radicalizada após o golpe de 1964. Foi um momento de multiplicação da brutalidade. Pouco importava a loucura ou não, o tratamento ou não, a eficácia ou não. O que importava era lucar com o dinheiro estatal por meio de um encarceramento fácil de impor e praticamente impossível de escapar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coisa se aprofundou ainda mais com o golpe militar, que unificou em 1966 os Institutos de Aposentadoria e Pensões no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), produzindo uma centralização gigantesca de recursos, com um modelo de privatização quase total. A psiquiatria, por ser uma especialidade cuja formação exigia baixo investimento tecnológico quando comparada a outras como a cirurgia, cardiologia ou oncologia, permitia grandes lucros com as internações de longa permanência. Assim, trancafiar e atormentar os loucos tornou-se o setor mais atraente para o empresariado da saúde.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de pessoas possivelmente diagnosticadas, o sistema era alimentado pelo encarceramento de militantes políticos, estudantes rebeldes, pessoas em situação de rua,  mendigos, homossexuais, indivíduos com comportamentos &amp;quot;desviantes&amp;quot; da moral tradicional, dependentes químicos, alcoólatras ou mesmo pessoas “problemáticas” da família, que se recusavam, por exemplo, a participar de casamentos arranjados, que denunciavam violência sexual sofrida ou eram apenas mulheres que haviam engravidado antes do casamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As instituições privadas multiplicaram-se pelo interior do país, longe dos olhos da fiscalização e dos centros urbanos. Instaladas em locais de difícil acesso, facilitava o ocultamento de violações de direitos humanos e ainda utilizava da conivência dos governos locais. As populações dessas localidades, crentes no saber médico, dificilmente desconfiavam do que poderia acontecer dentro dessas instituições e, quando vazavam denúncias, elas rapidamente podiam ser facilmente manejadas em conluio com os poderes locais. A loucura tornou-se um negócio de massa, com o abrigo precário de centenas de pessoas em galpões, onde a única &amp;quot;terapia&amp;quot; era a contenção química por sedativos baratos ou o uso indiscriminado do eletrochoque para manter a ordem além, é claro, da violência e brutalidade de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Luta Antimanicomial ==&lt;br /&gt;
No final da década de 1970, o modelo de saúde mental começou a dar sinais de exaustão, tanto financeira quanto ética. O Estado já não conseguia arcar com os custos crescentes de um sistema que só expandia o número de crônicos, e as denúncias de maus-tratos começaram a furar o bloqueio da censura, aparecendo em jornais mais prestigiados e em espaços mais amplos do debate social. O estopim para a o início do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil começa com uma crise na [[Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM)]], que havia recebido denúncias de irregularidades no Centro Psiquiátrico Pedro II, no [[Hospital Pinel]], na [[Colônia Juliano Moreira]] e no [[Manicômio Judiciário Heitor Carrilho]]. A denúncia foi acompanhada de uma greve por parte dos funcionários, que exigiam melhorias institucionais e questionavam irregularidades trabalhistas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É dessa crise que surge o [[Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM)]] que, nesse primeiro momento, estão mais preocupados com questões trabalhistas do que com o problema da própria prática psiquiátrica, que vai caracterizar parte dos movimentos antimanicomiais posteriormente. O MTSM se fortalece e consegue espaço no extremamente conservador [[V Congresso Brasileiro de Psiquiatria]], que ocorre em 1978, no que fica conhecido como “congresso da abertura”, num período também de abertura política com o iminente fim do regime militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1978, um grupo importante de intelectuais vinculados às bases teóricas do [[Movimento Antimanicomial]] participa do [[I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições]], incluindo Franco Basaglia, Felix Guattari, Robert Castel e Erwinf Goffman, todos eles de grande inspiração e influência para o movimento antimanicomial brasileiro. No ano seguinte, o I Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental fortalece a contextação não apenas de problemas trabalhistas, mas do próprio modelo asilar e da forma como a psiquiatria intervinha e oprimia a população marginalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação público-privada que alimentava o modelo até então começa a ruir em 1980, com a chamada política da co-gestão interministerial. Nela, um convênio celebrado entre o Ministério da Previdência e Assistência Social com o Ministério da Saúde liquida a &amp;quot;Unidade de Serviço&amp;quot;, a política que permitia a contratação privada de serviços psiquiátricos e que representou o triunfo do público sobre o privado. Membros do MTSM passam a integrar a gestão do atendimento em saúde mental que, por dentro do aparato estatal, começam a implementar uma política de saúde pública baseada em prestação de serviços, cooperação, descentralização e regionalização, propostas que já eram defendidas pelos reformadores. Apesar desses avanços, críticos afirmam que a política de co-gestão apenas visava reformar os serviços, não atingindo o âmago da questão, que seria desconstruir o próprio paradigma psiquiátrico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de desinstitucionalização de fato começa em 1985, ano marcado pelo fim da Ditadura Militar e pela realização de vários eventos que aprofundam o debate sobre a situação do atendimento. A I Conferência Nacional de Saúde Mental marca o início da desinstitucionalização devido aos conflitos entre o MTSM, a ABP e grupos não-organicistas que passaram a dirigir o DINSAM. Na conferência, consagrou-se uma reviravolta na perspectiva com a consolidação do lema &amp;quot;por uma sociedade sem manicômios&amp;quot;, rompendo com a lógica tanto privatista quanto estatista e questionando o próprio modelo psiquiátrico tradicional. Este passou a ser amplamente entendido como fenômeno cultural que promove o tratamento moral e o controle dos corpos, uma visão abertamente basagliana e antimanicomial. Alguns entendem que, nesse momento, a tradição anti-institucional que originou os primeiros questionamentos na década de 1970 foi restaurada e fortalecida. Após a Conferência, o próprio MTSM se renovou, se desatrelando do Estado, retomando sua independência e seu papel de transformação social.  A mudança do movimento se consolidou no II Congresso Nacional de Trabalhadores de Saúde Mental, quando a noção de racionalização e modernização dos serviços que havia caracterizado o período da co-gestão foi recusado em nome de uma pauta anti-institucional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados dos anos 1980 começam a surgir novos modelos de atenção à saúde que poderia substituir o modelo psiquiátrico. Em São Paulo é criado o primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), em 1987. Em Santos, surge o Núcleo de Atenção Psicossocial (NAPS), em 1989. Estes serviços passaram a ser vistos como os modelos para uma contestação profunda dos manicômios, justificando seu encerramento. Já na década de 1990, o SUS introduziu mecanismos de fiscalização e auditoria que começaram a sufocar financeiramente os asilos privados que não cumpriam níveis mínimos de dignidade. Portarias históricas do Ministério da Saúde, inspiradas na Declaração de Caracas (1990), passaram a proibir a criação de novos leitos psiquiátricos asilares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após mais de uma década de tramitação e intensos debates no Congresso Nacional, como fruto dos embates históricos iniciados na crise do DINSAM e que atravessaram debates públicos extremamente imporantes, foi promulgada a Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, que ficou conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica ou Lei Paulo Delgado, seu autor. Esta legislação se tornou o marco jurídico definitivo da virada assistencial no Brasil. A lei instituiu o direito do paciente de ser tratado em ambiente terapêutico o menos restritivo possível e colocou a internação psiquiátrica como último recurso possível. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para preencher o vazio deixado pelo fechamento dos grandes hospitais, o SUS estruturou a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), formalizada na década seguinte pela Portaria nº 3.088 de 2011. A RAPS organizou o cuidado em diferentes níveis de complexidade, com os CAPS divididos nas modalidades CAPS I, II, III, CAPSi  e CAPS AD e, por fim, os Serviços de Residência Terapêutica (SRT). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, a luta continua devido a retrocessos observados na segunda metade da década de 2010 e início dos anos 2020. Mudanças nas diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental tentaram reintroduzir a centralidade do hospital psiquiátrico e incentivaram o uso de práticas baseadas no isolamento. Além disso, o governo federal passou a financiar massivamente as chamadas Comunidades Terapêuticas (CTs), instituições de caráter predominantemente privado e religioso voltadas ao acolhimento de usuários de drogas, de onde emanam graves denúncias de todos os tipos de violação dos direitos humanos e que representam um evidente retrocesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, o campo da saúde mental no Brasil vive um embate profundo entre duas visões. De um lado, aqueles que lutam pela consolidação da RAPS, em defesa da clínica da subjetividade, da defesa dos direitos humanos, pela redução de danos e pela inserção social pelo trabalho e pela cultura. Do outro lado observa-se a persistência do lobby asilar e de setores que buscam a mercantilização do cuidado, por meio do encarceramento, da medicalização extrema do sofrimento psíquico, da higienização dos centros urbanos e do recolhimento dos indesejáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
AMARANTE, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ARBEX, Daniela. Holocausto Brasileiro. Rio de Janeiro: Geração Editorial, 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BASAGLIA, Franco. A Instituição Negada. Rio de Janeiro: Graal, 1985.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BIRMAN, Joel. A Physis da Arte: Deleuze e a Clínica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa. Tratado de Saúde Coletiva. São Paulo: Hucitec, 2006. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CASTEL, Robert. A Ordem Psiquiátrica: a Idade de Ouro do Alienismo. Rio de Janeiro: Graal, 1978.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. Violência e Psicanálise. Rio de Janeiro: Graal, 1986.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. História da Assistência Psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Garamond, 2007. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DALGALARRONDO, Paulo. Evolução Histórica dos Conceitos em Psicopatologia. In: Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artmed, 2018. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ENGEL, Magali. Os Delírios da Razão: médicos, loucos e hospícios (Rio de Janeiro, 1830-1930). Rio de Janeiro: Fiocruz, 2001&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FOUCAULT, Michel. História da Loucura na Idade Clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Netto. São Paulo: Perspectiva, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_loucura:_da_Gr%C3%A9cia_antiga_%C3%A0_luta_anti-manicomial&amp;diff=1683</id>
		<title>História da loucura: da Grécia antiga à luta anti-manicomial</title>
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		<updated>2026-05-16T12:03:38Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* O Nascimento da Psiquiatria */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Este é um com finalidade didática, escrito por André Elias Morelli Ribeiro para o curso de Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras. Seu uso é aberto, desde que citada a fonte&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A história da loucura é, ao mesmo tempo, uma narrativa sobre o modo como diferentes sociedades compreenderam a mente humana e uma reflexão sobre os mecanismos de poder que moldaram práticas de exclusão, cuidado e resistência vinculados à loucura. Iniciando na Grécia antiga até o movimento antimanicomial no Brasil, pode-se observar como a loucura foi interpretada ora como intervenção divina, ora como desvio moral, ora como doença fisiológica, ora como ameaça social. Cada época construiu suas próprias respostas, que variaram entre a integração comunitária, o confinamento brutal e a busca por tratamentos médicos ou espirituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, a trajetória seguiu de perto os modelos europeus. Do Hospício de Pedro II às colônias agrícolas, passando pela gestão de Juliano Moreira, a psiquiatria nacional oscilou entre avanços humanitários e práticas de exclusão. O período Vargas e o Estado Novo intensificaram o encarceramento, transformando hospitais em verdadeiros campos de concentração administrativos. As décadas seguintes viram a adoção de terapias brutais, como eletrochoques e lobotomias, mas também o surgimento de resistências, como a obra de Nise da Silveira, que introduziu a arte e o afeto como caminhos de cura. A partir dos anos 1960, a privatização da assistência psiquiátrica gerou a chamada “Indústria da Loucura”, marcada por internações lucrativas e violações sistemáticas de direitos humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, o percurso histórico apresentado aqui mostra que a loucura nunca foi apenas um fenômeno clínico mas, antes, um espelho das sociedades, revelando seus medos, suas crenças e suas formas de organizar o convívio humano. De sagrada a temida, de medicalizada a mercantilizada, apresenta-se e se discute como surgiram vozes e práticas que reivindicaram humanidade e liberdade para os considerados loucos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras no Mundo Antigo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grécia antiga ===&lt;br /&gt;
Na Grécia antiga, em certo momento a loucura era considerada uma intervenção dos deuses e, como os gregos era politeístas, a varidade de formas de loucura e intervenção também era bem grande. A loucura poderia ser vista como uma punição. Um exemplo notório é o herói Ajax, filho de Telamão. Após a morte de Aquiles, a armadura do herói foi dada a Odisseu, e a afronta levou Ajax a um estado de fúria e ressentimento. A deusa Atena, intervindo em favor de Odisseu ou para proteger os Aqueus da vingança de Ajax, lançou sobre ele uma cegueira mental. Tomado pela loucura, Ajax massacrou o gado de guerra que havia sido capturado, acreditando que estava matando os líderes aqueus, incluindo Odisseu e Agamenon. Ao recobrar a sanidade e perceber seu ato vergonhoso, o que o levou a cometer suicídio por humilhação. Essa cena ilustra a loucura como uma intervenção divina direta na forma de loucura poderia ser vista como destrutiva e extremamente negativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outros episódios da mitologia grega, a loucura surge como uma consequência direta de traumas e da perseguição implacável por vingança. Um exemplo fundamental é o de Orestes que, após assassinar sua mãe, Clitemnestra, para vingar a morte de seu pai, Agamenon, passa a ser atormentado pelas Erínias. Essas divindades da vingança, também conhecidas como Fúrias, levaram o herói a um estado de delírio e desespero profundo, personificando a tortura psicológica e a perda da razão como uma forma de acerto de contas espiritual e moral pelo matricídio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura não era unicamente um flagelo ou uma punição. Os gregos  viam a mania, um termo que hoje engloba a loucura, em uma perspectiva dual. Na sua manifestação mais elevada, era considerada uma benção ou inspiração divina. Essa visão positiva estava profundamente ligada ao culto de Dionísio, o deus do vinho, do teatro e do êxtase. Nos rituais dionisíacos, as bacantes e outros seguidores buscavam o êxtase, que é, literalmente, &amp;quot;sair de si&amp;quot;, por meio da dança frenética, música e consumo de vinho, o que era percebido como um estado de comunhão direta e inspirada com a divindade. Longe de ser destrutiva, essa forma de loucura era vista como uma fonte de criatividade, revelação e poder, sendo um caminho para a verdade profética e a expressão artística ligada a Dionísio. Este conceito de mania inspirada também se estendia a outros domínios, como a profecia dos oráculos, que eram vinculados à adoração ao deus Apolo, e mesmo a poesia, onde a perda temporária da razão humana era interpretada como a mente sendo tomada por uma força divina que trazia algum tipo de inspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em certo momento, ainda na Grécia antiga, as ideias sobre a loucura - ou algo que pareça loucura aos olhos contemporâneos - foi modificada graças a Hipócrates, o pai da medicina. A visão de [[Hipócrates]] marcou uma transição crucial para o entendimento da loucura na Grécia Antiga, pois afastou a loucura das concepções divinas e sobrenaturais para uma explicação puramente fisiológica e natural. Ele desenvolveu a [[Teoria dos Quatro Humores]], que se tornou o pilar da medicina ocidental por séculos. Segundo essa teoria, o corpo humano era composto por quatro fluidos essenciais (humores): sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. A saúde mental e física dependia do equilíbrio harmonioso desses humores. A loucura, ou qualquer doença mental, era, portanto, interpretada como o resultado de um desequilíbrio, como o excesso de bile negra causando a melancolia (depressão), ou o desarranjo da fleuma e da bile amarela, que poderiam levar a estados de mania e frenesi. Com isso, Hipócrates postulou que a loucura não era uma maldição dos deuses, mas sim uma doença com origem no corpo. Essa abordagem naturalista permitiu que a loucura passasse a ser tratada com métodos como dietas, exercícios e remédios, no lugar de rituais religiosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradição bíblica ===&lt;br /&gt;
Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e sua recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o levou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara. A loucura, conforme emerge na descrição bíblica, emerge ligada à perda da razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo. No Novo Testamento, escrito no contexto do mundo greco-romano, o que é considerado &#039;loucura&#039; pelos homens revela-se a suprema sabedoria divina. Essa ideia é desenvolvida pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. Na passagem, ele afirma: &#039;Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens&#039; (1 Coríntios 1:25). Paulo usa o termo &#039;&#039;moria&#039;&#039; (loucura, tolice) para contrastar a sabedoria humana que, na época do texto, era representada pela filosofia e retórica grega. A mensagem da cruz parecia ilógica e insensata aos olhos dos não cristãos, que debochavam do fato do profeta ter sido capturado e morto pelos romanos. Assim, a loucura deixa de ser apenas uma punição para se tornar uma lente através da qual a verdadeira sabedoria, ou seja, a salvação, é revelada, invertendo a hierarquia de valores do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pérsia ===&lt;br /&gt;
Na Pérsia, a visão da loucura e do comportamento irracional foi moldada por seu profundo dualismo religioso e, posteriormente, pelas tradições islâmicas que se seguiram à conquista árabe. O zoroastrismo, a antiga religião persa fundada por Zoroastro (Zaratustra), transformou o politeísmo anterior em um dualismo cósmico centralizado no conflito eterno entre Ahura Mazda (Ormazd), o criador da vida, luz e verdade, e Angra Mainyu (Ahriman), a escuridão e a mentira. Neste cenário, o mundo material é o campo de batalha entre os dois. Ahriman buscava corromper tudo o que Ormazd havia criado. Embora o texto não defina a loucura diretamente, o comportamento irracional e a desrazão poderiam ser facilmente associados ao domínio de Ahriman e à mentira (druj), enquanto a sanidade e a pureza eram atributos de Ormazd. A batalha contra essa corrupção exigia que os adoradores de Ormazd permanecessem verdadeiros e evitassem poluir o fogo e a terra sagrada, indicando que a pureza mental e ritual era uma defesa contra as forças do mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Islã ===&lt;br /&gt;
Na cultura islãmica, de forma geral e bastante resumida, o comportamento considerado irracional era frequentemente explicado pela crença nos djinn, espíritos errantes que habitavam o deserto e certos lugares considerados místicos e que podiam invadir a mente humana, causando o que a sociedade ocidental moderna chamaria de insanidade ou, talvez, distúrbio emocional, cujo tratamento era o exorcismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura também apareceu em narrativas culturais associadas aos povos de forma a sugerir causas e curas mais mundanas. O famoso conto persa de As Mil e Uma Noites relata a história do rei Shahriyar, que, convencido da inevitável traição feminina, cai em uma loucura paranóica que o leva a se casar e matar uma virgem todas as noites. Sua &amp;quot;cura&amp;quot; é alcançada através da engenhosidade e paciência humana por meio de uma dessas esposas, Scheherazade, que usa a arte de contar histórias para retardar sua execução por &amp;quot;mil e uma noites&amp;quot;, período em que sua paranoia é gradualmente desfeita. A história sugere que a narrativa e o tempo podem curar a loucura causada por trauma psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras na Idade Média ==&lt;br /&gt;
A transição para a Idade Média é marcada pelo colapso do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e trouxe profundas transformações políticas e sociais. O fim do governo centralizado romano levou à fragmentação do poder e ao surgimento do sistema feudal, onde a administração das terras e a autoridade passaram para as mãos de senhores locais, muitos deles antigos oficiais romanos. Este período também é caracterizado por um notável declínio na vida urbana e nos grandes centros intelectuais. O colpaso das instituições romanas deu lugar à ascensão e consolidação da única instituição internacional grande e organizada que havia sobrado, a Igreja Católica, que se tornou a principal instituição de poder. Houve ainda uma perda gradual da tradição cultural greco-romana e, consequentemente, um afastamento das explicações naturalistas de Hipócrates, com exceção do pequeno renascimento do século XII e retomadas pontuais da sabedoria grega. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a hegemonia da Igreja Católica, a loucura tendeu a ser novamente interpretada sob uma lente teológica, sendo vista como uma manifestação de forças sobrenaturais ou desvios morais. Nesse contexto, certas vezes a loucura era interpretada como a intervenção de Satanás ou como possessão demoníaca, exigindo rituais de exorcismo para a cura. Em outros momentos, era vista como uma prova espiritual enviada por Deus ou como um efeito direto do pecado na alma do indivíduo. Havia também explicações que a tratavam como uma fragilidade da vontade humana, misturando elementos da antiga tradição grega com aspectos da teologia cristã, estabelecendo um novo arcabouço para o entendimento da mente humana durante a Idade Média, que tinha muitas variações e não era uniforme nem ao longo do tempo nem em todos os espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Socialmente, a gestão da loucura na Idade Média também passou por diferentes fases e transformações, dependendo do local e da época. Haviam casos em que os consideradores loucos eram apenas torturados e trancafiados, acreditando-se serem métodos eficazes para expulsão de espíritos malignos, por exemplo. Contudo, em muitos outros casos, os considerados loucos conviviam de forma mais ou menos harmoniosa com o resto da comunidade, a depender de suas capacidades e possibilidades, e certos “desvios” eram perdoados devido à sua condição peculiar, sem a necessidade imediata de uma exclusão radical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Nau dos Loucos ===&lt;br /&gt;
Um caso notável e emblemático da gestão da loucura nesse período é a Nau dos Loucos (Stultifera Navis), conforme trabalhado por Michel Foucault. Anteriormente ao modelo de exclusão-repressão que viria a se consolidar na Idade Clássica, a loucura viveu o que se pode chamar de seus &amp;quot;dias de glória&amp;quot; na transição para a Renascença. Nesse contexto, o louco poderia ser visto como um sábio, um místico, um bobo da corte ou simplesmente um excêntrico que estava, de certa forma, integrado ao tecido social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Nau dos Loucos simbolizava uma existência errante, onde o louco era confiado à água e ao navio para ser levado de uma cidade a outra, mantendo-o em um estado de exclusão simbólica, mas ainda assim em movimento e circulação. Para Foucault, essa experiência trágica da loucura permitia que o insano portasse uma forma de lucidez em sua insensatez, revelando verdades que a razão comum não ousava enunciar. O louco via através das ilusões mundanas, aproximando-se de uma verdade profética ou ética que seria progressivamente silenciada nos séculos seguintes pela ascensão do saber médico e da racionalidade científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Santa Dimpna e Geel ===&lt;br /&gt;
Outro acontecimento relevante da Idade Média para a compreensão da loucura é o episódio de Santa Dimpna. Nascida no século VII na Irlanda, ela era filha de um rei pagão e de uma mãe cristã devota, de quem herdou sua fé e pelo qual decidiu fazer votos de castidade. Após a morte prematura da mãe, seu pai, mergulhado em um profundo luto, decidiu que Dimpna era a única mulher com beleza comparável à da falecida rainha e insistiu em se casar com a própria filha, o que seria considerado escandaloso também para aquela cultura. Diante dessa perseguição incestuosa, Dimpna fugiu da Irlanda acompanhada de seu confessor, o padre Gereberno, e de dois servos fiéis. O grupo cruzou o mar e estabeleceu-se em Geel, um minúsculo vilarejo na atual Bélgica, onde Dimpna dedicou-se ao cuidado dos pobres e doentes mentais. No entanto, o rei conseguiu encontrá-los e, após a recusa de Dimpna em retornar e de se casar com o pai, ordenou a execução de Gereberno, enquanto ele mesmo decapitou a filha, tornando a menina de 15 anos de idade uma mártir cristã. Após sua morte, relatos de curas milagrosas de pessoas com distúrbios mentais e epilepsia começaram a ocorrer junto ao seu túmulo, o que a tornou a padroeira dos doentes mentais e o local um espaço de peregrinação ligado à questão da saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O legado de Santa Dimpna em Geel deu origem a um modelo para a psiquiatria moderna pois, devido à devoção e adoração à Santa Dimpna, a cidade transformou-se em um santuário onde os pacientes não eram trancafiados, mas acolhidos em lares de famílias locais como &amp;quot;hóspedes&amp;quot;. Esse sistema de cuidado comunitário e desinstitucionalização, que persiste há séculos, é considerado um dos precursores do tratamento humanizado e da reabilitação psicossocial na saúde mental contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Idade Clássica: a nova era da loucura encarcerada ==&lt;br /&gt;
A partir do século XVII, um período em que o filósofo Michel Foucault denominou como &amp;quot;A Época Clássica&amp;quot;, a forma de entender e lidar com a loucura passa por uma nova mudança devido ao ingresso da razão como centro e alma do pensamento europeu, em substituição ao dogmatismo religioso e ao conhecimento da igreja. Esta mudança não é brusca, mas lenta e gradual, porém suas marcas serão duradouras e serão sentidas por quase toda a Europa. Para essa nova e nascente razão, a loucura seria seu oposto direto. Se o homem era definido pela sua capacidade racional e sua utilidade produtiva, o louco era, portanto, como um &amp;quot;não-homem&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a solução para a não-razão era a internação que não buscava a cura, mas a neutralização do irracional. O silenciamento da loucura era necessário para que a ordem social pudesse florescer. Os campos e cidades deveriam ser espaços de circulação de mercadorias pelas mãos de cidadãos produtivos, e qualquer elemento que atrapalhasse essa dinâmica deveria ser guardado em instituições que funcionavam como uma guarda contra o risco social que tais pessoas ofereciam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relatos da época descrevem cenários terríveis sobre as condições de internação dos loucos. Os internos eram frequentemente mantidos em celas úmidas e insalubres, muitas vezes acorrentados às paredes. O uso de chicotes e outras punições corporais era justificado pela crença de que o louco, por ter perdido a razão, teria a resistência física de um animal, não sentindo frio ou dor da mesma forma que uma pessoa &amp;quot;normal&amp;quot;. Além disso, as instituições funcionavam sob uma lógica de vigilância constante. Não se tratava de observar para entender a mente, mas para garantir que o corpo anormal permanecesse contido e, no máximo possível, docilizado. Foi dentro desse ambiente de absoluta degradação e mistura indiscriminada de diferentes &amp;quot;tipos&amp;quot; de desviantes que a consciência médica começou a germinar, ainda que de forma incipiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== França ===&lt;br /&gt;
O ano de 1656 marca um divisor de águas simbólico para o modelo de confinamento asilar no mundo todo, com a criação do Hôpital Général (Hospital Geral) em Paris, por um edito real do rei Luís XIV. É importante entender que um hospital geral deste período não é como um hospital moderno, ou seja, uma instituição médica e voltada para a compreensão da doença e a prática do tratamento e cura. Ele estava mais próximo de uma estrutura administrativa e, de certo modo, semi-judiciária. Isso ocorria porque o interesse não estava em “curar” ou “tratar” ninguém mas, antes disso, perseguir o interesse do Estado de &amp;quot;limpar&amp;quot; as ruas de Paris de tudo o que era considerado improdutivo ou escandaloso. Era um período de abundância material, grandes gastos estatais e de uma imensa riqueza do império colonial francês, e desvios nessa ordem eram vistos como perigosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes tais hospitais gerais eram confinados, todos juntos, grupos totalmente diferentes, tais como pobres, mendigos, desempregados, libertinos, prostitutas, alquimistas, opositores políticos e, claro, também os considerados loucos. Em suma, um depósito de indesejados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que começou em Paris se tornou um modelo para outros lugares sobre como fazer a gestão da miséria e da “desrazão”, num forte deslocamento do que se via na Idade Média. O louco, antes tendo algo de profético, místico ou talvez apenas uma excentricidade da vida medieval campesina, se torna uma questão político-administrativa. Essa mudança importante marca uma migração para a possibilidade de institucionalização daquilo que era considerado errante ou, de alguma forma, desagradável e, assim passível de ser alvo de uma forma de gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Paris, as duas principais unidades do Hospital Geral se tornaram emblemáticas e simbólicas. A Salpêtrière, que era destinada às mulheres, e o hospital Bicêtre, destinado aos homens. Ambas não ofereciam qualquer forma de tratamento. Eram basicamente depósitos humanos, onde o louco poderia acabar acorrentado ao lado de criminosos, por exemplo. O critério de internação não era o diagnóstico clínico, mesmo porque simplesmente ele nem existia nos moldes modernos, mas a incapacidade de se ajustar às normas de trabalho e à moralidade da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alemanha ===&lt;br /&gt;
Na Alemanha, surgiram as Zuchthäusern, que seriam as Casas de Correção. Cidades como Hamburgo e Bremen estabeleceram esses locais onde a loucura era tratada através do trabalho forçado. Eles acreditavam que o ócio era a raiz do mal e que o confinamento servia para reintegrar o indivíduo à lógica da produtividade. De qualquer forma, uma vez enclausurado, ele permanecia escondido da visão da população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Inglaterra ===&lt;br /&gt;
Na Inglaterra, o sistema das Workhouses (Casas de Trabalho) cumpria um papel semelhante ao modelo alemão. No entanto, Londres já possuía o Bethlem Royal Hospital, conhecido popularmente como Bedlam. No século XVII e XVIII, Bedlam se tornou um espetáculo de horror, onde o público podia pagar para observar os internos como se fossem animais em um zoológico. A loucura era agora um objeto de uma forma de exibição degradante e mantida atrás de grades e ferros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Portugal ===&lt;br /&gt;
Em Portugal a gestão dos &amp;quot;desviantes&amp;quot; recaiu fortemente sobre as Santas Casas da Misericórdia. O Hospital Real de Todos-os-Santos, fundado em Lisboa em 1492 e inaugurado em 1501, se tornou o epicentro do tratamento (ou confinamento) dos loucos no país. Dentro deste hospital, existiam as chamadas &amp;quot;Casas de Doidos&amp;quot;, destinados àqueles que haviam “perdido a luz da razão”. Seguindo o padrão europeu, o hospital não separava rigidamente o louco por diagnóstico. Eles dividiam espaço com indigentes e enfermos de diversas naturezas, embora as &amp;quot;casas de doidos&amp;quot; fossem áreas de maior isolamento devido à agitação dos internos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XVIII português, a internação era, acima de tudo, uma solução para a mendicância e, por vezes, para o alcoolismo. O louco que tinha família e posses era mantido nas casas das famílias, muitas vezes escondido em sótãos ou anexos e até mesmo acorrentados. Já o &amp;quot;louco pobre&amp;quot;, cujas famílias nem se importam ou que não poderiam ser cuidados por seus familiares, era aquele que acabava nos hospitais reais ou mesmo nas cadeias, a depender de uma série de elementos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Nascimento da Psiquiatria ==&lt;br /&gt;
Nesta seção será tratada a história do nascimento da psiquiatria, mas não como ela é atualmente. Sua trajetória é cheia de desvios e abusos, além de vitórias para os direitos dos internos. Os avanços convivem com muitos retrocessos. Mesmo na época de seu surgimento, muitos eram os questionamentos sobre sua validade e cientificidade. Hoje existem aqueles que perguntam se a psiquiatria é necessária e se seu objeto não é fabricado por ela mesma, por meio de suas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pinel e a criação da psiquiatria nosográfica ===&lt;br /&gt;
É na virada do século XVIII para o XIX que nasce a psiquiatria como um campo autônomo do saber e da prática médica. Esta mudança fundamental é protagonizada por duas figuras centrais da medicina francesa: Philippe Pinel e seu discípulo, Jean-Étienne Dominique Esquirol. Juntos, eles transformaram o hospital de depósito de insanos e indesejáveis em um verdadeiro hospital, em que o louco e o alienado poderiam receber um tratamento racional e científico, em substituição às correntes, à disciplina e ao silenciamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência da psiquiatria como campo autônomo teve como fundamento científico inicial a observação clínica sistemática dentro do asilo. Este era concebido como um laboratório, onde o alienista poderia estudar a loucura em seu estado puro, separada das influências do mundo exterior. A principal questão científica e prática que justificava essa nova ciência era desenvolvida e aplicada de forma sistemática era a chamada nosografia ou diagnóstico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pinel, em seu &#039;&#039;Traité&#039;&#039; de 1801, classificou a loucura com base em critérios sintomatológicos, seguindo um procedimento comparativo semelhante ao das ciências naturais. O desafio central, que persistiria ao longo do século XIX, era a ambiguidade constante entre a busca por uma sede orgânica, ou seja, um “local físico-biológico” da loucura, junto da necessidade de uma regulação de caráter moral. O tratamento apoiava-se na moralidade para combater as causas que eram, elas próprias, consideradas morais, mas algo estava também no corpo do doente. Isso mostra que a nova psiquiatria de Pinel era a mistura de uma perspectiva médica com algo de caráter moral no entendimento da loucura. Este enfoque resultou na valorização do exame clínico pelos psiquiatras francófonos, permitindo a união da observação clínica com a formulação de hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1793, em meio ao fervor da Revolução Francesa, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe do Hospital de Bicêtre e, posteriormente, da Salpêtrière. O cenário que encontrou era o ápice do &amp;quot;Grande Enclausuramento&amp;quot;, ou seja, homens e mulheres amontoados nas condições já descritas, com destaque para as correntes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intervenção de Pinel, simbolizada pelo gesto de “libertar os loucos de suas correntes”, não foi apenas um ato humanitário, mas também uma decisão de natureza epistemológica. Pinel acreditava que a loucura não era uma possessão demoníaca nem uma degeneração animal irreversível, mas uma alienação mental, em outras palavras, uma perturbação das faculdades intelectuais e afetivas que mantinha o indivíduo como se fosse &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, ou alienado, de si mesmo e da sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pilar para a reforma psiquiátrica proposta por Pinel era o tratamento moral, e se baseava em três pilares fundamentais. O primeiro, o isolamento terapêutico. Era necessário que o paciente ficasse separado de seu ambiente que, segundo o médico, era a fonte de sua excitação e desequilíbrio. O segundo pilar era a autoridade médica, onde este deveria atuar como um pai ao mesmo tempo severo e justo, usando a persuasão, a benevolência e, se fosse necessário, a firmeza para restaurar a razão do paciente. Por fim, a disciplina e o trabalho, com a aplicação rigorosa de horários e valorização de atividades produtivas, o que ocuparia a mente alienada e, assim, combateria a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus estudos, Pinel identificou quatro tipos de loucura, quais sejam, a melancolia, a mania, a demência e o idiotismo, cada uma com suas questões próprias específicas e metodologias de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Esquirol e a consolidação do modelo ===&lt;br /&gt;
Se Pinel era considerado o visionário e o libertador, Jean-Étienne Dominique Esquirol foi o grande organizador e o clínico meticuloso. Discípulo de Pinel, Esquirol sucedeu seu mestre na Salpêtrière e deu à psiquiatria a robustez científica e administrativa de que ela necessitava. Esquirol compreendeu que a eficácia do tratamento moral dependia da arquitetura hospitalar. Para ele, o hospital não era apenas um prédio onde ocorria o tratamento, mas também um instrumento de cura. Ele desenvolveu o modelo de pavilhões, permitindo a separação dos pacientes por tipo de patologia, o que reforçou a própria ideia de diagnóstico e de avaliação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Esquirol refinou as definições clínicas de Pinel. Foi ele quem estabeleceu a distinção clássica entre alucinação (uma percepção sem objeto) e ilusão (uma percepção deformada de um objeto real), entre outros pontos que, na sua época, foram considerados avanços exemplares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Legalização da Alienação ===&lt;br /&gt;
O esforço médico, político e administrativo de Esquirol na continuação do trabalho de Pinel culminou na promulgação da lei francesa de 30 de Junho de 1838, a primeira grande legislação psiquiátrica do mundo moderno. Esta lei estabeleceu a obrigatoriedade de cada departamento francês possuir um asilo e regulamentou as condições de internação e interdição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A princípio, embora também protegesse o alienado do arbítrio e de outras violências que poderiam ser cometidos contra os loucos nas províncias e mesmo nas periferias de Paris, a lei também deu total poder ao médico psiquiatra. Era ele quem poderia decidir quem deveria ou não ser privado de sua liberdade. Com isso, a psiquiatria tornava-se, assim, um braço do Estado na gestão da ordem social mas, ao contrário do polícia e do inquérito polícial, que exigia provas independentes e a atuação do sistema judiciário, o psiquiatra estava coberto sob o manto da ciência médica, o que dava a ele poderes gigantescos de decidir entre a alienação e a razão. Isso marcou profundamente a forma como a loucura e a saúde mental passaram a ser compreendidas e tratadas nas décadas seguintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Emil Kraepelin e uma Nova Racionalização ===&lt;br /&gt;
Apesar da forte valorização da psiquiatria francesa na constituição da psiquiatria contemporânea, uma das principais contribuições para o ramo em sua forma atual foi empreendida por um alemão, Emil Kraepelin. No final do século XIX, a psiquiatria alemã estava dividida entre os &amp;quot;psiquistas&amp;quot;, que viam a loucura como uma doença da alma ou um mal moral, a exemplo dos franceses; e os &amp;quot;somatistas&amp;quot;, que buscavam no cérebro a origem dos sintomas das doenças mentais. Kraepelin superou esse impasse ao focar não na anatomia, mas na evolução temporal das doenças. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kraepelin passou a entender que sintomas isolados, como ouvir vozes ou acreditar ser uma personalidade histórica, não eram suficientes para definir uma doença, mas seu desenvolvimento ao longo do tempo. Com essa premissa em mãos, Kraepelin introduziu as &amp;quot;cartas diagnósticas&amp;quot; (Zählkarten), um sistema de fichamento padronizado onde se registrava a história de vida do paciente, seus antecedentes familiares, os sintomas detalhados e, por fim, o desfecho da doença. Isso transformou a clínica psiquiátrica, pois articulava neuroanatomia e psicologia experimental, já que ele fora aluno de Wundt.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kraepelin também é considerado o pioneiro da Psiquiatria Transcultural. Visando provar que as categorias diagnósticas psiquiátricas seriam universais, ele viajou para lugares como a ilha de Java (Indonésia) em 1904 para estudar a manifestação da loucura em populações não europeias. Ele concluiu que, ainda que os conteúdos dos delírios mudassem conforme a cultura, a estrutura fundamental da loucura permanecia a mesma, o que reforçou sua tese de que eram doenças biológicas da espécie humana. Apesar disso, no final de sua vida ele se transformou um higienista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O I Congresso Internacional de Psiquiatria ===&lt;br /&gt;
Realizado em Paris em agosto de 1950, o I Congresso Internacional de Psiquiatria foi projetado especificamente para unificar, debater e institucionalizar a psiquiatria como uma disciplina médica global e autônoma. Durante o Congresso foram colocados, frente a frente, as grandes correntes que disputavam a hegemonia do entendimento da mente humana na época, a saber, as correntes psicodinâmica e a biológica. De forma menor, uma corrente social e anti-manicomial também se fez presente. O resultado do embate foi uma conciliação entre ambas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos resultados do Congresso de 1950 foi a pressão para que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Associação Psiquiátrica Americana (APA) criassem manuais estatísticos e classificatórios unificados, o que resultou na inserção de uma seção robusta de transtornos mentais na CID-6 (Classificação Internacional de Doenças) e na publicação do primeiro DSM, em 1952.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro resultado importante do evento foi a fundação da Associação Mundial de Psiquiatria (World Psychiatric Association - WPA). A partir de 1950, a psiquiatria deixou de ser um conjunto de escolas nacionais isoladas, como a escola francesa, a escola alemã, a escola anglo-saxã, entre outras, para se tornar uma corporação científica internacional, com congressos periódicos, periódicos indexados e diretrizes globais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Loucura no Brasil ==&lt;br /&gt;
Até o início do século XIX, o Brasil colonial lidava com seus insanos de forma semelhante ao que ocorria na Europa. As famílias ricas mantinham seus parentes loucos em &amp;quot;quartos fortes&amp;quot;, privando-os mais ou menos da vida comunitária e familiar, a depender das circunstâncias. Já os pobres eram entregues à caridade das Santas Casas de Misericórdia ou vagavam pelas ruas, sendo ocasionalmente recolhidos a cadeias públicas quando perturbavam a ordem, indo e vindo das frágeis instituições brasileiras, sofrendo abusos e violências de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 gerou a necessidade de transformar a capital colonial em uma moderna metrópole europeia. Sob a influência do Iluminismo tardio e das notícias que chegavam sobre as reformas de Pinel na França, a elite médica brasileira, que havia estudado sobretudo na França e em Portugal, começou a pressionar o poder público pela criação de espaços específicos para o tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1830, a criação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (que viria a ser a Academia Nacional de Medicina) foi o marco institucional dessa pressão. Esse movimento político funcionou. O momento decisivo ocorreu em 18 de julho de 1841, quando o Imperador D. Pedro II, em comemoração à sua coroação, assinou o decreto de fundação do primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e da América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Hospício de Pedro II, ou o Palácio dos Loucos (1852–1889) ===&lt;br /&gt;
Inaugurado apenas em 8 de dezembro de 1852, o Hospício de Pedro II era gerido pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, que por anos geriu grande parte da loucura brasileira. Seu provedor era o médico José Clemente Pereira, que era responsável por todos os aspectos da instituição, desde os médicos até os administrativos. Embora a gestão administrativa fosse religiosa, o saber médico tinha muito espaço com nomes como Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, que tentaram implementar o &amp;quot;tratamento moral&amp;quot; inspirado em Esquirol. Apesar dos esforços, muitos relatos de abusos e de condições precárias mostravam a dificuldade em implementar um modelo brasileiro de tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Proclamação da República em 1889, o Hospício de Pedro II foi desvinculado da Santa Casa e renomeado como Hospital Nacional de Alienados (HNA). Este foi um período de maior laicização e pela busca por um maior rigor científico, o que não aconteceu por completo, em grande parte devido à falta de profissionais adequadamente treinados para a questão. Apesar disso, o Brasil já possuía uma cátedra de psiquiatria desde 1883, ocupada por João Carlos Teixeira Brandão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante dos altíssimos custos em manter o Hospital, surgem as colônias agrícolas como alternativa ao confinamento urbano. Em 1884, já havia sido inaugurada a Colônia de São Bento e, em 1890, a Colônia de Conde de Mesquita, na Ilha do Governador. A ideia era que o trabalho na terra poderia colaborar na cura, além de os produtos deste trabalho poderiam ser consumidos no local, ajudando na manutenção dos espaços. Apesar dessas transformações e de evidentes melhorias, os relatos de época mostram que não acontecia nenhuma das duas coisas, nem produção agrícola suficiente, nem um processo terapêutico efetivo, mas entendia-se que a colônia agrícola era melhor do que o confinamento do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Era Juliano Moreira ===&lt;br /&gt;
Em 1903, o médico baiano Juliano Moreira assume a direção do Hospital Nacional de Alienados. Negro, de origem humilde e dotado de uma erudição impressionante, ele revolucionou a assistência brasileira aos alienados, sendo reconhecido internacionalmente como um dos grandes psiquiatras de seu tempo. Ele se tornaria o principal médico alienista do Brasil, tornando-se referência para todo o país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moreira aboliu definitivamente o uso de camisas de força e as grades nas janelas, num gesto que se assemelhava àquele de Pinel, enfatizando que o hospital era um local de tratamento e cura, e não uma prisão ou um depósito de indesejados. Além disso, ele trouxe para o Brasil a nosologia de Emil Kraepelin, um psiquiatra alemão considerado o pai da psiquiatria moderna, da psicofarmacologia e da genética psiquiátrica, o que seria uma modernização do modelo francês adotado até então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a gestão Moreira ocorreram várias mudanças. Foi criado o Pavilhão Bourneville para crianças com deficiência intelectual. Além disso, fundou-se o Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1921), o primeiro do país, sob a liderança de Heitor Carrilho. Dentro dos hospitais incentivou-se a pesquisa laboratorial e anátomo-patológica, o que também abriu espaço para a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência e o prestígio de Juliano Moreira se espalhou pelo Brasil. Em São Paulo, destacou-se a figura de Francisco Franco da Rocha, que fundou em 1898 o Hospital do Juquery. O Juquery, como ficou conhecido, tornou-se uma &amp;quot;cidade-asilo&amp;quot;, chegando a abrigar dezenas de milhares de pacientes em um modelo que mesclava pavilhôes médicos com imensas colônias agrícolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período, a psiquiatria brasileira flertou intensamente com as teorias da degenerescência (de Morel e Magnan) e com a eugenia. Médicos como Renato Kehl, bem como a criação da Liga Brasileira de Higiene Mental (1923), fundada por Gustavo Riedel, começaram a ver a loucura não apenas como um problema individual, mas como um risco biológico à raça brasileira. A higiene mental passou a atuar preventivamente em escolas e fábricas, buscando identificar &amp;quot;pré-delinquentes&amp;quot; e &amp;quot;personalidades anormais&amp;quot;. Apesar de não ter conseguido desenvolver muitas políticas efetivas, os eugenistas brasileiros eram ativos e influentes em muitos círculos decisórios importantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A criação de hospitais não se limitou a São Paulo e Rio de Janeiro. Em  1903, o governo de Minas Gerais fundou o Hospital Psiquiátrico de Barbacena, que mais tarde seria palco de uma das maiores tragédias humanitárias do país. Em Pernambuco, o Hospital Ulysses Pernambucano foi fundado pelo médico de mesmo nome, que começou a desenvolver uma psiquiatria mais voltada para o social e para a prevenção no final dos anos 1920. Hospitais na Bahia, Rio Grande do Sul, entre outros, também foram criados, seguindo o pioneirismo do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Era Vargas e além: o início do encarceramento ===&lt;br /&gt;
Com a Revolução de 1930, o projeto de nação de Vargas exigia um povo saudável e produtivo, devido à visão desenvolvimentista suportada pela Aliança Liberal, que o elegeu. A loucura deixou de ser apenas uma questão de ordem pública ou um aspecto da caridade para se tornar um problema de Segurança Nacional e Saúde Pública. Em 1941, no âmbito do Estado Novo, foi criado o Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM), substituindo o antigo modelo de assistência a alienados, que era fragmentado, conforme as diferentes províncias. Dessa maneira, Vargas criou uma diretriz federal centralizada para a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM), uma instituição que professava o higienismo no Brasil e que já atuava desde a década de 1920, ganhou fôlego. O foco deslocou-se do hospital para a prevenção na sociedade. A psiquiatria não deveria se limitar aos hospitais, mas também atuar na escola, na fábrica e na família, buscando eugenizar, limpar a nação e extirpar o que chamavam de &amp;quot;elementos degenerados&amp;quot;. O médico Gustavo Riedel e seus sucessores defendiam que o Estado deveria intervir precocemente para evitar que o &amp;quot;anormal&amp;quot; se tornasse um fardo para a máquina pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi durante as décadas de 1930 e 1940 que o modelo de colônia agrícola, antes visto como terapêutico e de assistência à manutenção hospitalar, atingiu proporções industriais. O que se viu em Barbacena e em instituições como o Juquery em São Paulo, foi a transformação do hospital em, praticamente, um campo de concentração administrativo. A internação não dependia mais de um diagnóstico médico rigoroso, que na prática ainda era frágil e baseado em elementos pouco científicos. Bastava ser considerado &amp;quot;socialmente inconveniente&amp;quot; para correr-se o risco de ir parar numa instituições dessas. Assim, pobres, prostitutas, homossexuais, militantes políticos e mães solteiras eram enviados para essas instituições, onde a sobrevivência era a exceção. Estima-se que, no auge do descaso, o Hospital de Barbacena registrava um número alarmante de óbitos por frio, fome e doenças evitáveis, cujos corpos eram, por vezes, vendidos para faculdades de medicina. Situações similares aconteciam em outras instituições do tipo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tratamentos Brutais e os Modos de Resistência ===&lt;br /&gt;
Para além do horror asilar, o período entre 1930 e 1950 também foi marcado pela introdução de terapias biológicas drásticas, importadas da Europa, conhecidas como somatoterapias. Com uma psicofarmacologia pouco eficaz, os médicos buscavam &amp;quot;chacoalhar&amp;quot; o organismo, produzindo nele como um choque que pudesse restaurar a razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma dessas técnicas era a insulinoterapia. Introduzida na Europa pelo médico austríaco Manfred Sakel (1900–1957) em Viena, no início dos anos 1930, representou uma das primeiras e mais invasivas formas de somatoterapia. Originalmente destinada ao tratamento da esquizofrenia, a técnica consistia na administração de doses maciças de insulina no paciente, provocando um estado de hipoglicemia profunda que levava o paciente ao coma. Na volta desse estado, se esperava que o indivíduo “restaurasse” a razão por conta do choque orgânico violento que havia vivenciado. O procedimento era extremamente perigoso e estava associado a uma alta taxa de mortalidade e morbidade devido às convulsões e aos possíveis danos cerebrais. Apesar dos riscos, o método foi amplamente adotado no mundo todo, incluindo o Brasil, onde foi usado em grandes instituições de confinamento, como o Hospital Nacional de Alienados (HNA), no Hospital Juquery, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que passou a ser muito utilizada foi a Eletroconvulsoterapia, ou simplesmente o eletrochoque. Introduzido no Brasil logo após sua invenção na Itália (1938), consiste em colocar eletrodos carregados com correntes elétricas em lados opostos, na lateral da cabeça, de modo que uma forte corrente elétrica atravessasse o cérebro. A duração e a intensidade podiam variar, mas relatos de mais de trinta minutos de choques violentos não eram incomuns. Sua brutalidade era tamanha que exigia que sua vítima fosse fortemente amarrada. Tornou-se uma ferramenta onipresente nos hospitais, muitas vezes aplicada sem anestesia e como método de punição, desvirtuando sua finalidade clínica e usada, basicamente, como ferramenta de tortura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que ingressou no Brasil nesse período foi a lobotomia, um procedimento cirúrgico que consistia em apenas retirar um pedaço do cérebro do paciente. Eles foram realizados em larga escala em hospitais como o Juquery e no Hospital Pedro II, buscando a docilização de pacientes crônicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em oposição à violência do isolamento oferecido por essas instituições, surge a figura de Nise da Silveira. Em 1946, após ter sido presa pelo regime de Vargas por suas inclinações políticas, Nise assumiu o Setor de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional (Engenho de Dentro), no Rio de Janeiro. Ela se recusou a usar eletrochoques e lobotomias, introduzindo a arte e o afeto como mediadores da cura. Ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente em 1952, onde demonstrou, através das pinturas e esculturas de pacientes como Arthur Bispo do Rosario, que o louco preservava uma riqueza simbólica e uma humanidade que a psiquiatria tradicional tentava apagar. Sua colaboração com Carl Jung colocou a experiência brasileira no mapa da psicologia analítica mundial, provando que o tratamento em liberdade e através da expressão criativa era viável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Criação da Indústria da Loucura ===&lt;br /&gt;
No final da década de 1950 e início da de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek e o breve período democrático posterior, o Brasil viu o surgimento de uma nova e ainda mais perversa dinâmica: a Indústria da Loucura. A assistência psiquiátrica, antes quase totalmente pública ou baseada no assistencialismo das Santas Casas, começou a ser privatizada. Com o crescimento dos institutos de previdência (IAPs), o Estado passou a pagar hospitais privados por dia de internação. Isso criou um incentivo perverso: quanto mais tempo o paciente ficasse internado e quanto menos recursos fossem gastos com ele, maior o lucro das clínicas privadas. Esse modelo, conhecido como &amp;quot;hospitalocêntrico&amp;quot;, inchou o sistema e preparou o terreno para a política de contenção social que seria radicalizada após o golpe de 1964. Foi um momento de multiplicação da brutalidade. Pouco importava a loucura ou não, o tratamento ou não, a eficácia ou não. O que importava era ganhar o dinheiro estatal por meio de um encarceramento fácil e praticamente impossível de escapar, além de altamente lucrativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coisa se aprofundou ainda mais com o golpe militar, que unificou em 1966 os Institutos de Aposentadoria e Pensões no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), produzindo uma centralização gigantesca de recursos, com um modelo de privatização quase total. A psiquiatria, por ser uma especialidade cuja formação exigia baixo investimento tecnológico quando comparada a outras como a cirurgia, cardiologia ou oncologia, permitia grandes lucros com as internações de longa permanência. Assim, trancafiar e atormentar os loucos tornou-se o setor mais atraente para o empresariado da saúde.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de pessoas possivelmente diagnosticadas, o sistema era alimentado pelo encarceramento de militantes políticos, estudantes rebeldes, pessoas em situação de rua,  mendigos, homossexuais, indivíduos com comportamentos &amp;quot;desviantes&amp;quot; da moral tradicional, dependentes químicos, alcoólatras ou mesmo pessoas “problemáticas” da família, que se recusavam, por exemplo, a participar de casamentos arranjados, que denunciavam violência sexual ou eram apenas mulheres que haviam engravidado antes do casamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As instituições privadas multiplicaram-se pelo interior do país, longe dos olhos da fiscalização e dos centros urbanos. Instaladas em locais de difícil acesso, facilitava o ocultamento de violações de direitos humanos e ainda utilizava da conivência dos governos locais. As populações dessas localidades, crentes no saber médico, dificilmente desconfiavam do que poderia acontecer dentro dessas instituições e, quando vazavam denúncias, elas rapidamente podiam ser facilmente manejadas em conluio com os poderes locais. A loucura tornou-se um negócio de massa, com o abrigo precário de centenas de pessoas em galpões, onde a única &amp;quot;terapia&amp;quot; era a contenção química por sedativos baratos ou o uso indiscriminado do eletrochoque para manter a ordem além, é claro, da violência e brutalidade de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Luta Antimanicomial ==&lt;br /&gt;
No final da década de 1970, o modelo de saúde mental começou a dar sinais de exaustão, tanto financeira quanto ética. O Estado já não conseguia arcar com os custos crescentes de um sistema que só expandia o número de crônicos, e as denúncias de maus-tratos começaram a furar o bloqueio da censura, aparecendo em jornais mais prestigiados e em espaços mais amplos do debate social. O estopim para a o início do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil começa com uma crise na Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), que havia recebido denúncias de irregularidades no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Hospital Pinel, na Colônia Juliano Moreira e no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. A denúncia foi acompanhada de uma greve por parte dos funcionários, que exigiam melhorias institucionais e questionavam irregularidades trabalhistas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É dessa crise que surge o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) que, nesse primeiro momento, estão mais preocupados com questões trabalhistas do que com o problema da própria prática psiquiátrica, que vai caracterizar parte dos movimentos antimanicomiais posteriormente. O MTSM se fortalece e consegue espaço no extremamente conservador V Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que ocorre em 1978, no que fica conhecido como “congresso da abertura”, num período também de abertura política com o iminente fim do regime militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1978, um grupo importante de intelectuais vinculados às bases teóricas do Movimento Antimanicomial participa do I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições, incluindo Franco Basaglia, Felix Guattari, Robert Castel e Erwinf Goffman, todos eles de grande inspiração e influência para o movimento antimanicomial brasileiro. No ano seguinte, o I Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental fortalece a contextação não apenas de problemas trabalhistas, mas do próprio modelo asilar e da forma como a psiquiatria intervinha e oprimia a população marginalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação público-privada que alimentava o modelo até então começa a ruir em 1980, com a chamada política da co-gestão interministerial. Nela, um convênio celebrado entre o Ministério da Previdência e Assistência Social com o Ministério da Saúde liquida a &amp;quot;Unidade de Serviço&amp;quot;, a política que permitia a contratação privada de serviços psiquiátricos e que representou o triunfo do público sobre o privado. Membros do MTSM passam a integrar a gestão do atendimento em saúde mental que, por dentro do aparato estatal, começam a implementar uma política de saúde pública baseada em prestação de serviços, cooperação, descentralização e regionalização, propostas que já eram defendidas pelos reformadores. Apesar desses avanços, críticos afirmam que a política de co-gestão apenas visava reformar os serviços, não atingindo o âmago da questão, que seria desconstruir o próprio paradigma psiquiátrico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de desinstitucionalização de fato começa em 1985, ano marcado pelo fim da Ditadura Militar e pela realização de vários eventos que aprofundam o debate sobre a situação do atendimento. A I Conferência Nacional de Saúde Mental marca o início da desinstitucionalização devido aos conflitos entre o MTSM, a ABP e grupos não-organicistas que passaram a dirigir o DINSAM. Na conferência, consagrou-se uma reviravolta na perspectiva com a consolidação do lema &amp;quot;por uma sociedade sem manicômios&amp;quot;, rompendo com a lógica tanto privatista quanto estatista e questionando o próprio modelo psiquiátrico tradicional. Este passou a ser amplamente entendido como fenômeno cultural que promove o tratamento moral e o controle dos corpos, uma visão abertamente basagliana e antimanicomial. Alguns entendem que, nesse momento, a tradição anti-institucional que originou os primeiros questionamentos na década de 1970 foi restaurada e fortalecida. Após a Conferência, o próprio MTSM se renovou, se desatrelando do Estado, retomando sua independência e seu papel de transformação social.  A mudança do movimento se consolidou no II Congresso Nacional de Trabalhadores de Saúde Mental, quando a noção de racionalização e modernização dos serviços que havia caracterizado o período da co-gestão foi recusado em nome de uma pauta anti-institucional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados dos anos 1980 começam a surgir novos modelos de atenção à saúde que poderia substituir o modelo psiquiátrico. Em São Paulo é criado o primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), em 1987. Em Santos, surge o Núcleo de Atenção Psicossocial (NAPS), em 1989. Estes serviços passaram a ser vistos como os modelos para uma contestação profunda dos manicômios, justificando seu encerramento. Já na década de 1990, o SUS introduziu mecanismos de fiscalização e auditoria que começaram a sufocar financeiramente os asilos privados que não cumpriam níveis mínimos de dignidade. Portarias históricas do Ministério da Saúde, inspiradas na Declaração de Caracas (1990), passaram a proibir a criação de novos leitos psiquiátricos asilares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após mais de uma década de tramitação e intensos debates no Congresso Nacional, como fruto dos embates históricos iniciados na crise do DINSAM e que atravessaram debates públicos extremamente imporantes, foi promulgada a Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, que ficou conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica ou Lei Paulo Delgado, seu autor. Esta legislação se tornou o marco jurídico definitivo da virada assistencial no Brasil. A lei instituiu o direito do paciente de ser tratado em ambiente terapêutico o menos restritivo possível e colocou a internação psiquiátrica como último recurso possível. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para preencher o vazio deixado pelo fechamento dos grandes hospitais, o SUS estruturou a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), formalizada na década seguinte pela Portaria nº 3.088 de 2011. A RAPS organizou o cuidado em diferentes níveis de complexidade, com os CAPS divididos nas modalidades CAPS I, II, III, CAPSi  e CAPS AD e, por fim, os Serviços de Residência Terapêutica (SRT). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, a luta continua devido a retrocessos observados na segunda metade da década de 2010 e início dos anos 2020. Mudanças nas diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental tentaram reintroduzir a centralidade do hospital psiquiátrico e incentivaram o uso de práticas baseadas no isolamento. Além disso, o governo federal passou a financiar massivamente as chamadas Comunidades Terapêuticas (CTs), instituições de caráter predominantemente privado e religioso voltadas ao acolhimento de usuários de drogas, de onde emanam graves denúncias de todos os tipos de violação dos direitos humanos e que representam um evidente retrocesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, o campo da saúde mental no Brasil vive um embate profundo entre duas visões. De um lado, aqueles que lutam pela consolidação da RAPS, em defesa da clínica da subjetividade, da defesa dos direitos humanos, pela redução de danos e pela inserção social pelo trabalho e pela cultura. Do outro lado observa-se a persistência do lobby asilar e de setores que buscam a mercantilização do cuidado, por meio do encarceramento, da medicalização extrema do sofrimento psíquico, da higienização dos centros urbanos e do recolhimento dos indesejáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
AMARANTE, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ARBEX, Daniela. Holocausto Brasileiro. Rio de Janeiro: Geração Editorial, 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BASAGLIA, Franco. A Instituição Negada. Rio de Janeiro: Graal, 1985.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BIRMAN, Joel. A Physis da Arte: Deleuze e a Clínica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa. Tratado de Saúde Coletiva. São Paulo: Hucitec, 2006. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CASTEL, Robert. A Ordem Psiquiátrica: a Idade de Ouro do Alienismo. Rio de Janeiro: Graal, 1978.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. Violência e Psicanálise. Rio de Janeiro: Graal, 1986.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. História da Assistência Psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Garamond, 2007. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DALGALARRONDO, Paulo. Evolução Histórica dos Conceitos em Psicopatologia. In: Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artmed, 2018. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ENGEL, Magali. Os Delírios da Razão: médicos, loucos e hospícios (Rio de Janeiro, 1830-1930). Rio de Janeiro: Fiocruz, 2001&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FOUCAULT, Michel. História da Loucura na Idade Clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Netto. São Paulo: Perspectiva, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MELLO, Luiz Carlos. Nise da Silveira: Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PEREIRA, Ana Leonor; PITA, João Rui. A Institucionalização da Loucura em Portugal. Coimbra: Estudo Geral, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_loucura:_da_Gr%C3%A9cia_antiga_%C3%A0_luta_anti-manicomial&amp;diff=1682</id>
		<title>História da loucura: da Grécia antiga à luta anti-manicomial</title>
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		<updated>2026-05-16T10:28:23Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Pequenas correções complementares&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Este é um com finalidade didática, escrito por André Elias Morelli Ribeiro para o curso de Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras. Seu uso é aberto, desde que citada a fonte&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A história da loucura é, ao mesmo tempo, uma narrativa sobre o modo como diferentes sociedades compreenderam a mente humana e uma reflexão sobre os mecanismos de poder que moldaram práticas de exclusão, cuidado e resistência vinculados à loucura. Iniciando na Grécia antiga até o movimento antimanicomial no Brasil, pode-se observar como a loucura foi interpretada ora como intervenção divina, ora como desvio moral, ora como doença fisiológica, ora como ameaça social. Cada época construiu suas próprias respostas, que variaram entre a integração comunitária, o confinamento brutal e a busca por tratamentos médicos ou espirituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, a trajetória seguiu de perto os modelos europeus. Do Hospício de Pedro II às colônias agrícolas, passando pela gestão de Juliano Moreira, a psiquiatria nacional oscilou entre avanços humanitários e práticas de exclusão. O período Vargas e o Estado Novo intensificaram o encarceramento, transformando hospitais em verdadeiros campos de concentração administrativos. As décadas seguintes viram a adoção de terapias brutais, como eletrochoques e lobotomias, mas também o surgimento de resistências, como a obra de Nise da Silveira, que introduziu a arte e o afeto como caminhos de cura. A partir dos anos 1960, a privatização da assistência psiquiátrica gerou a chamada “Indústria da Loucura”, marcada por internações lucrativas e violações sistemáticas de direitos humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, o percurso histórico apresentado aqui mostra que a loucura nunca foi apenas um fenômeno clínico mas, antes, um espelho das sociedades, revelando seus medos, suas crenças e suas formas de organizar o convívio humano. De sagrada a temida, de medicalizada a mercantilizada, apresenta-se e se discute como surgiram vozes e práticas que reivindicaram humanidade e liberdade para os considerados loucos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras no Mundo Antigo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grécia antiga ===&lt;br /&gt;
Na Grécia antiga, em certo momento a loucura era considerada uma intervenção dos deuses e, como os gregos era politeístas, a varidade de formas de loucura e intervenção também era bem grande. A loucura poderia ser vista como uma punição. Um exemplo notório é o herói Ajax, filho de Telamão. Após a morte de Aquiles, a armadura do herói foi dada a Odisseu, e a afronta levou Ajax a um estado de fúria e ressentimento. A deusa Atena, intervindo em favor de Odisseu ou para proteger os Aqueus da vingança de Ajax, lançou sobre ele uma cegueira mental. Tomado pela loucura, Ajax massacrou o gado de guerra que havia sido capturado, acreditando que estava matando os líderes aqueus, incluindo Odisseu e Agamenon. Ao recobrar a sanidade e perceber seu ato vergonhoso, o que o levou a cometer suicídio por humilhação. Essa cena ilustra a loucura como uma intervenção divina direta na forma de loucura poderia ser vista como destrutiva e extremamente negativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outros episódios da mitologia grega, a loucura surge como uma consequência direta de traumas e da perseguição implacável por vingança. Um exemplo fundamental é o de Orestes que, após assassinar sua mãe, Clitemnestra, para vingar a morte de seu pai, Agamenon, passa a ser atormentado pelas Erínias. Essas divindades da vingança, também conhecidas como Fúrias, levaram o herói a um estado de delírio e desespero profundo, personificando a tortura psicológica e a perda da razão como uma forma de acerto de contas espiritual e moral pelo matricídio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura não era unicamente um flagelo ou uma punição. Os gregos  viam a mania, um termo que hoje engloba a loucura, em uma perspectiva dual. Na sua manifestação mais elevada, era considerada uma benção ou inspiração divina. Essa visão positiva estava profundamente ligada ao culto de Dionísio, o deus do vinho, do teatro e do êxtase. Nos rituais dionisíacos, as bacantes e outros seguidores buscavam o êxtase, que é, literalmente, &amp;quot;sair de si&amp;quot;, por meio da dança frenética, música e consumo de vinho, o que era percebido como um estado de comunhão direta e inspirada com a divindade. Longe de ser destrutiva, essa forma de loucura era vista como uma fonte de criatividade, revelação e poder, sendo um caminho para a verdade profética e a expressão artística ligada a Dionísio. Este conceito de mania inspirada também se estendia a outros domínios, como a profecia dos oráculos, que eram vinculados à adoração ao deus Apolo, e mesmo a poesia, onde a perda temporária da razão humana era interpretada como a mente sendo tomada por uma força divina que trazia algum tipo de inspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em certo momento, ainda na Grécia antiga, as ideias sobre a loucura - ou algo que pareça loucura aos olhos contemporâneos - foi modificada graças a Hipócrates, o pai da medicina. A visão de [[Hipócrates]] marcou uma transição crucial para o entendimento da loucura na Grécia Antiga, pois afastou a loucura das concepções divinas e sobrenaturais para uma explicação puramente fisiológica e natural. Ele desenvolveu a [[Teoria dos Quatro Humores]], que se tornou o pilar da medicina ocidental por séculos. Segundo essa teoria, o corpo humano era composto por quatro fluidos essenciais (humores): sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. A saúde mental e física dependia do equilíbrio harmonioso desses humores. A loucura, ou qualquer doença mental, era, portanto, interpretada como o resultado de um desequilíbrio, como o excesso de bile negra causando a melancolia (depressão), ou o desarranjo da fleuma e da bile amarela, que poderiam levar a estados de mania e frenesi. Com isso, Hipócrates postulou que a loucura não era uma maldição dos deuses, mas sim uma doença com origem no corpo. Essa abordagem naturalista permitiu que a loucura passasse a ser tratada com métodos como dietas, exercícios e remédios, no lugar de rituais religiosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradição bíblica ===&lt;br /&gt;
Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e sua recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o levou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara. A loucura, conforme emerge na descrição bíblica, emerge ligada à perda da razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo. No Novo Testamento, escrito no contexto do mundo greco-romano, o que é considerado &#039;loucura&#039; pelos homens revela-se a suprema sabedoria divina. Essa ideia é desenvolvida pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. Na passagem, ele afirma: &#039;Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens&#039; (1 Coríntios 1:25). Paulo usa o termo &#039;&#039;moria&#039;&#039; (loucura, tolice) para contrastar a sabedoria humana que, na época do texto, era representada pela filosofia e retórica grega. A mensagem da cruz parecia ilógica e insensata aos olhos dos não cristãos, que debochavam do fato do profeta ter sido capturado e morto pelos romanos. Assim, a loucura deixa de ser apenas uma punição para se tornar uma lente através da qual a verdadeira sabedoria, ou seja, a salvação, é revelada, invertendo a hierarquia de valores do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pérsia ===&lt;br /&gt;
Na Pérsia, a visão da loucura e do comportamento irracional foi moldada por seu profundo dualismo religioso e, posteriormente, pelas tradições islâmicas que se seguiram à conquista árabe. O zoroastrismo, a antiga religião persa fundada por Zoroastro (Zaratustra), transformou o politeísmo anterior em um dualismo cósmico centralizado no conflito eterno entre Ahura Mazda (Ormazd), o criador da vida, luz e verdade, e Angra Mainyu (Ahriman), a escuridão e a mentira. Neste cenário, o mundo material é o campo de batalha entre os dois. Ahriman buscava corromper tudo o que Ormazd havia criado. Embora o texto não defina a loucura diretamente, o comportamento irracional e a desrazão poderiam ser facilmente associados ao domínio de Ahriman e à mentira (druj), enquanto a sanidade e a pureza eram atributos de Ormazd. A batalha contra essa corrupção exigia que os adoradores de Ormazd permanecessem verdadeiros e evitassem poluir o fogo e a terra sagrada, indicando que a pureza mental e ritual era uma defesa contra as forças do mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Islã ===&lt;br /&gt;
Na cultura islãmica, de forma geral e bastante resumida, o comportamento considerado irracional era frequentemente explicado pela crença nos djinn, espíritos errantes que habitavam o deserto e certos lugares considerados místicos e que podiam invadir a mente humana, causando o que a sociedade ocidental moderna chamaria de insanidade ou, talvez, distúrbio emocional, cujo tratamento era o exorcismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura também apareceu em narrativas culturais associadas aos povos de forma a sugerir causas e curas mais mundanas. O famoso conto persa de As Mil e Uma Noites relata a história do rei Shahriyar, que, convencido da inevitável traição feminina, cai em uma loucura paranóica que o leva a se casar e matar uma virgem todas as noites. Sua &amp;quot;cura&amp;quot; é alcançada através da engenhosidade e paciência humana por meio de uma dessas esposas, Scheherazade, que usa a arte de contar histórias para retardar sua execução por &amp;quot;mil e uma noites&amp;quot;, período em que sua paranoia é gradualmente desfeita. A história sugere que a narrativa e o tempo podem curar a loucura causada por trauma psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras na Idade Média ==&lt;br /&gt;
A transição para a Idade Média é marcada pelo colapso do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e trouxe profundas transformações políticas e sociais. O fim do governo centralizado romano levou à fragmentação do poder e ao surgimento do sistema feudal, onde a administração das terras e a autoridade passaram para as mãos de senhores locais, muitos deles antigos oficiais romanos. Este período também é caracterizado por um notável declínio na vida urbana e nos grandes centros intelectuais. O colpaso das instituições romanas deu lugar à ascensão e consolidação da única instituição internacional grande e organizada que havia sobrado, a Igreja Católica, que se tornou a principal instituição de poder. Houve ainda uma perda gradual da tradição cultural greco-romana e, consequentemente, um afastamento das explicações naturalistas de Hipócrates, com exceção do pequeno renascimento do século XII e retomadas pontuais da sabedoria grega. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a hegemonia da Igreja Católica, a loucura tendeu a ser novamente interpretada sob uma lente teológica, sendo vista como uma manifestação de forças sobrenaturais ou desvios morais. Nesse contexto, certas vezes a loucura era interpretada como a intervenção de Satanás ou como possessão demoníaca, exigindo rituais de exorcismo para a cura. Em outros momentos, era vista como uma prova espiritual enviada por Deus ou como um efeito direto do pecado na alma do indivíduo. Havia também explicações que a tratavam como uma fragilidade da vontade humana, misturando elementos da antiga tradição grega com aspectos da teologia cristã, estabelecendo um novo arcabouço para o entendimento da mente humana durante a Idade Média, que tinha muitas variações e não era uniforme nem ao longo do tempo nem em todos os espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Socialmente, a gestão da loucura na Idade Média também passou por diferentes fases e transformações, dependendo do local e da época. Haviam casos em que os consideradores loucos eram apenas torturados e trancafiados, acreditando-se serem métodos eficazes para expulsão de espíritos malignos, por exemplo. Contudo, em muitos outros casos, os considerados loucos conviviam de forma mais ou menos harmoniosa com o resto da comunidade, a depender de suas capacidades e possibilidades, e certos “desvios” eram perdoados devido à sua condição peculiar, sem a necessidade imediata de uma exclusão radical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Nau dos Loucos ===&lt;br /&gt;
Um caso notável e emblemático da gestão da loucura nesse período é a Nau dos Loucos (Stultifera Navis), conforme trabalhado por Michel Foucault. Anteriormente ao modelo de exclusão-repressão que viria a se consolidar na Idade Clássica, a loucura viveu o que se pode chamar de seus &amp;quot;dias de glória&amp;quot; na transição para a Renascença. Nesse contexto, o louco poderia ser visto como um sábio, um místico, um bobo da corte ou simplesmente um excêntrico que estava, de certa forma, integrado ao tecido social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Nau dos Loucos simbolizava uma existência errante, onde o louco era confiado à água e ao navio para ser levado de uma cidade a outra, mantendo-o em um estado de exclusão simbólica, mas ainda assim em movimento e circulação. Para Foucault, essa experiência trágica da loucura permitia que o insano portasse uma forma de lucidez em sua insensatez, revelando verdades que a razão comum não ousava enunciar. O louco via através das ilusões mundanas, aproximando-se de uma verdade profética ou ética que seria progressivamente silenciada nos séculos seguintes pela ascensão do saber médico e da racionalidade científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Santa Dimpna e Geel ===&lt;br /&gt;
Outro acontecimento relevante da Idade Média para a compreensão da loucura é o episódio de Santa Dimpna. Nascida no século VII na Irlanda, ela era filha de um rei pagão e de uma mãe cristã devota, de quem herdou sua fé e pelo qual decidiu fazer votos de castidade. Após a morte prematura da mãe, seu pai, mergulhado em um profundo luto, decidiu que Dimpna era a única mulher com beleza comparável à da falecida rainha e insistiu em se casar com a própria filha, o que seria considerado escandaloso também para aquela cultura. Diante dessa perseguição incestuosa, Dimpna fugiu da Irlanda acompanhada de seu confessor, o padre Gereberno, e de dois servos fiéis. O grupo cruzou o mar e estabeleceu-se em Geel, um minúsculo vilarejo na atual Bélgica, onde Dimpna dedicou-se ao cuidado dos pobres e doentes mentais. No entanto, o rei conseguiu encontrá-los e, após a recusa de Dimpna em retornar e de se casar com o pai, ordenou a execução de Gereberno, enquanto ele mesmo decapitou a filha, tornando a menina de 15 anos de idade uma mártir cristã. Após sua morte, relatos de curas milagrosas de pessoas com distúrbios mentais e epilepsia começaram a ocorrer junto ao seu túmulo, o que a tornou a padroeira dos doentes mentais e o local um espaço de peregrinação ligado à questão da saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O legado de Santa Dimpna em Geel deu origem a um modelo para a psiquiatria moderna pois, devido à devoção e adoração à Santa Dimpna, a cidade transformou-se em um santuário onde os pacientes não eram trancafiados, mas acolhidos em lares de famílias locais como &amp;quot;hóspedes&amp;quot;. Esse sistema de cuidado comunitário e desinstitucionalização, que persiste há séculos, é considerado um dos precursores do tratamento humanizado e da reabilitação psicossocial na saúde mental contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Idade Clássica: a nova era da loucura encarcerada ==&lt;br /&gt;
A partir do século XVII, um período em que o filósofo Michel Foucault denominou como &amp;quot;A Época Clássica&amp;quot;, a forma de entender e lidar com a loucura passa por uma nova mudança devido ao ingresso da razão como centro e alma do pensamento europeu, em substituição ao dogmatismo religioso e ao conhecimento da igreja. Esta mudança não é brusca, mas lenta e gradual, porém suas marcas serão duradouras e serão sentidas por quase toda a Europa. Para essa nova e nascente razão, a loucura seria seu oposto direto. Se o homem era definido pela sua capacidade racional e sua utilidade produtiva, o louco era, portanto, como um &amp;quot;não-homem&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a solução para a não-razão era a internação que não buscava a cura, mas a neutralização do irracional. O silenciamento da loucura era necessário para que a ordem social pudesse florescer. Os campos e cidades deveriam ser espaços de circulação de mercadorias pelas mãos de cidadãos produtivos, e qualquer elemento que atrapalhasse essa dinâmica deveria ser guardado em instituições que funcionavam como uma guarda contra o risco social que tais pessoas ofereciam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relatos da época descrevem cenários terríveis sobre as condições de internação dos loucos. Os internos eram frequentemente mantidos em celas úmidas e insalubres, muitas vezes acorrentados às paredes. O uso de chicotes e outras punições corporais era justificado pela crença de que o louco, por ter perdido a razão, teria a resistência física de um animal, não sentindo frio ou dor da mesma forma que uma pessoa &amp;quot;normal&amp;quot;. Além disso, as instituições funcionavam sob uma lógica de vigilância constante. Não se tratava de observar para entender a mente, mas para garantir que o corpo anormal permanecesse contido e, no máximo possível, docilizado. Foi dentro desse ambiente de absoluta degradação e mistura indiscriminada de diferentes &amp;quot;tipos&amp;quot; de desviantes que a consciência médica começou a germinar, ainda que de forma incipiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== França ===&lt;br /&gt;
O ano de 1656 marca um divisor de águas simbólico para o modelo de confinamento asilar no mundo todo, com a criação do Hôpital Général (Hospital Geral) em Paris, por um edito real do rei Luís XIV. É importante entender que um hospital geral deste período não é como um hospital moderno, ou seja, uma instituição médica e voltada para a compreensão da doença e a prática do tratamento e cura. Ele estava mais próximo de uma estrutura administrativa e, de certo modo, semi-judiciária. Isso ocorria porque o interesse não estava em “curar” ou “tratar” ninguém mas, antes disso, perseguir o interesse do Estado de &amp;quot;limpar&amp;quot; as ruas de Paris de tudo o que era considerado improdutivo ou escandaloso. Era um período de abundância material, grandes gastos estatais e de uma imensa riqueza do império colonial francês, e desvios nessa ordem eram vistos como perigosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes tais hospitais gerais eram confinados, todos juntos, grupos totalmente diferentes, tais como pobres, mendigos, desempregados, libertinos, prostitutas, alquimistas, opositores políticos e, claro, também os considerados loucos. Em suma, um depósito de indesejados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que começou em Paris se tornou um modelo para outros lugares sobre como fazer a gestão da miséria e da “desrazão”, num forte deslocamento do que se via na Idade Média. O louco, antes tendo algo de profético, místico ou talvez apenas uma excentricidade da vida medieval campesina, se torna uma questão político-administrativa. Essa mudança importante marca uma migração para a possibilidade de institucionalização daquilo que era considerado errante ou, de alguma forma, desagradável e, assim passível de ser alvo de uma forma de gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Paris, as duas principais unidades do Hospital Geral se tornaram emblemáticas e simbólicas. A Salpêtrière, que era destinada às mulheres, e o hospital Bicêtre, destinado aos homens. Ambas não ofereciam qualquer forma de tratamento. Eram basicamente depósitos humanos, onde o louco poderia acabar acorrentado ao lado de criminosos, por exemplo. O critério de internação não era o diagnóstico clínico, mesmo porque simplesmente ele nem existia nos moldes modernos, mas a incapacidade de se ajustar às normas de trabalho e à moralidade da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alemanha ===&lt;br /&gt;
Na Alemanha, surgiram as Zuchthäusern, que seriam as Casas de Correção. Cidades como Hamburgo e Bremen estabeleceram esses locais onde a loucura era tratada através do trabalho forçado. Eles acreditavam que o ócio era a raiz do mal e que o confinamento servia para reintegrar o indivíduo à lógica da produtividade. De qualquer forma, uma vez enclausurado, ele permanecia escondido da visão da população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Inglaterra ===&lt;br /&gt;
Na Inglaterra, o sistema das Workhouses (Casas de Trabalho) cumpria um papel semelhante ao modelo alemão. No entanto, Londres já possuía o Bethlem Royal Hospital, conhecido popularmente como Bedlam. No século XVII e XVIII, Bedlam se tornou um espetáculo de horror, onde o público podia pagar para observar os internos como se fossem animais em um zoológico. A loucura era agora um objeto de uma forma de exibição degradante e mantida atrás de grades e ferros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Portugal ===&lt;br /&gt;
Em Portugal a gestão dos &amp;quot;desviantes&amp;quot; recaiu fortemente sobre as Santas Casas da Misericórdia. O Hospital Real de Todos-os-Santos, fundado em Lisboa em 1492 e inaugurado em 1501, se tornou o epicentro do tratamento (ou confinamento) dos loucos no país. Dentro deste hospital, existiam as chamadas &amp;quot;Casas de Doidos&amp;quot;, destinados àqueles que haviam “perdido a luz da razão”. Seguindo o padrão europeu, o hospital não separava rigidamente o louco por diagnóstico. Eles dividiam espaço com indigentes e enfermos de diversas naturezas, embora as &amp;quot;casas de doidos&amp;quot; fossem áreas de maior isolamento devido à agitação dos internos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XVIII português, a internação era, acima de tudo, uma solução para a mendicância e, por vezes, para o alcoolismo. O louco que tinha família e posses era mantido nas casas das famílias, muitas vezes escondido em sótãos ou anexos e até mesmo acorrentados. Já o &amp;quot;louco pobre&amp;quot;, cujas famílias nem se importam ou que não poderiam ser cuidados por seus familiares, era aquele que acabava nos hospitais reais ou mesmo nas cadeias, a depender de uma série de elementos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Nascimento da Psiquiatria ==&lt;br /&gt;
Nesta seção será tratada a história do nascimento da psiquiatria, mas não como ela é atualmente. Sua trajetória é cheia de desvios e abusos, além de vitórias para os direitos dos internos. Os avanços convivem com muitos retrocessos. Mesmo na época de seu surgimento, muitos eram os questionamentos sobre sua validade e cientificidade. Hoje existem aqueles que perguntam se a psiquiatria é necessária e se seu objeto não é fabricado por ela mesma, por meio de suas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pinel e a criação da psiquiatria nosográfica ===&lt;br /&gt;
É na virada do século XVIII para o XIX que nasce a psiquiatria como um campo autônomo do saber e da prática médica. Esta mudança fundamental é protagonizada por duas figuras centrais da medicina francesa: Philippe Pinel e seu discípulo, Jean-Étienne Dominique Esquirol. Juntos, eles transformaram o hospital de depósito de insanos e indesejáveis em um verdadeiro hospital, em que o louco e o alienado poderiam receber um tratamento racional e científico, em substituição às correntes, à disciplina e ao silenciamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência da psiquiatria como campo autônomo teve como fundamento científico inicial a observação clínica sistemática dentro do asilo. Este era concebido como um laboratório, onde o alienista poderia estudar a loucura em seu estado puro, separada das influências do mundo exterior. A principal questão científica e prática que justificava essa nova ciência era desenvolvida e aplicada de forma sistemática era a chamada nosografia ou diagnóstico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pinel, em seu &#039;&#039;Traité&#039;&#039; de 1801, classificou a loucura com base em critérios sintomatológicos, seguindo um procedimento comparativo semelhante ao das ciências naturais. O desafio central, que persistiria ao longo do século XIX, era a ambiguidade constante entre a busca por uma sede orgânica, ou seja, um “local físico-biológico” da loucura, junto da necessidade de uma regulação de caráter moral. O tratamento apoiava-se na moralidade para combater as causas que eram, elas próprias, consideradas morais, mas algo estava também no corpo do doente. Isso mostra que a nova psiquiatria de Pinel era a mistura de uma perspectiva médica com algo de caráter moral no entendimento da loucura. Este enfoque resultou na valorização do exame clínico pelos psiquiatras francófonos, permitindo a união da observação clínica com a formulação de hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1793, em meio ao fervor da Revolução Francesa, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe do Hospital de Bicêtre e, posteriormente, da Salpêtrière. O cenário que encontrou era o ápice do &amp;quot;Grande Enclausuramento&amp;quot;, ou seja, homens e mulheres amontoados nas condições já descritas, com destaque para as correntes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intervenção de Pinel, simbolizada pelo gesto de “libertar os loucos de suas correntes”, não foi apenas um ato humanitário, mas também uma decisão de natureza epistemológica. Pinel acreditava que a loucura não era uma possessão demoníaca nem uma degeneração animal irreversível, mas uma alienação mental, em outras palavras, uma perturbação das faculdades intelectuais e afetivas que mantinha o indivíduo como se fosse &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, ou alienado, de si mesmo e da sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pilar para a reforma psiquiátrica proposta por Pinel era o tratamento moral, e se baseava em três pilares fundamentais. O primeiro, o isolamento terapêutico. Era necessário que o paciente ficasse separado de seu ambiente que, segundo o médico, era a fonte de sua excitação e desequilíbrio. O segundo pilar era a autoridade médica, onde este deveria atuar como um pai ao mesmo tempo severo e justo, usando a persuasão, a benevolência e, se fosse necessário, a firmeza para restaurar a razão do paciente. Por fim, a disciplina e o trabalho, com a aplicação rigorosa de horários e valorização de atividades produtivas, o que ocuparia a mente alienada e, assim, combateria a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus estudos, Pinel identificou quatro tipos de loucura, quais sejam, a melancolia, a mania, a demência e o idiotismo, cada uma com suas questões próprias específicas e metodologias de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Esquirol e a consolidação do modelo ===&lt;br /&gt;
Se Pinel era considerado o visionário e o libertador, Jean-Étienne Dominique Esquirol foi o grande organizador e o clínico meticuloso. Discípulo de Pinel, Esquirol sucedeu seu mestre na Salpêtrière e deu à psiquiatria a robustez científica e administrativa de que ela necessitava. Esquirol compreendeu que a eficácia do tratamento moral dependia da arquitetura hospitalar. Para ele, o hospital não era apenas um prédio onde ocorria o tratamento, mas também um instrumento de cura. Ele desenvolveu o modelo de pavilhões, permitindo a separação dos pacientes por tipo de patologia, o que reforçou a própria ideia de diagnóstico e de avaliação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Esquirol refinou as definições clínicas de Pinel. Foi ele quem estabeleceu a distinção clássica entre alucinação (uma percepção sem objeto) e ilusão (uma percepção deformada de um objeto real), entre outros pontos que, na sua época, foram considerados avanços exemplares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Legalização da Alienação ===&lt;br /&gt;
O esforço médico, político e administrativo de Esquirol na continuação do trabalho de Pinel culminou na promulgação da lei francesa de 30 de Junho de 1838, a primeira grande legislação psiquiátrica do mundo moderno. Esta lei estabeleceu a obrigatoriedade de cada departamento francês possuir um asilo e regulamentou as condições de internação e interdição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A princípio, embora também protegesse o alienado do arbítrio e de outras violências que poderiam ser cometidos contra os loucos nas províncias e mesmo nas periferias de Paris, a lei também deu total poder ao médico psiquiatra. Era ele quem poderia decidir quem deveria ou não ser privado de sua liberdade. Com isso, a psiquiatria tornava-se, assim, um braço do Estado na gestão da ordem social mas, ao contrário do polícia e do inquérito polícial, que exigia provas independentes e a atuação do sistema judiciário, o psiquiatra estava coberto sob o manto da ciência médica, o que dava a ele poderes gigantescos de decidir entre a alienação e a razão. Isso marcou profundamente a forma como a loucura e a saúde mental passaram a ser compreendidas e tratadas nas décadas seguintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Loucura no Brasil ==&lt;br /&gt;
Até o início do século XIX, o Brasil colonial lidava com seus insanos de forma semelhante ao que ocorria na Europa. As famílias ricas mantinham seus parentes loucos em &amp;quot;quartos fortes&amp;quot;, privando-os mais ou menos da vida comunitária e familiar, a depender das circunstâncias. Já os pobres eram entregues à caridade das Santas Casas de Misericórdia ou vagavam pelas ruas, sendo ocasionalmente recolhidos a cadeias públicas quando perturbavam a ordem, indo e vindo das frágeis instituições brasileiras, sofrendo abusos e violências de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 gerou a necessidade de transformar a capital colonial em uma moderna metrópole europeia. Sob a influência do Iluminismo tardio e das notícias que chegavam sobre as reformas de Pinel na França, a elite médica brasileira, que havia estudado sobretudo na França e em Portugal, começou a pressionar o poder público pela criação de espaços específicos para o tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1830, a criação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (que viria a ser a Academia Nacional de Medicina) foi o marco institucional dessa pressão. Esse movimento político funcionou. O momento decisivo ocorreu em 18 de julho de 1841, quando o Imperador D. Pedro II, em comemoração à sua coroação, assinou o decreto de fundação do primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e da América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Hospício de Pedro II, ou o Palácio dos Loucos (1852–1889) ===&lt;br /&gt;
Inaugurado apenas em 8 de dezembro de 1852, o Hospício de Pedro II era gerido pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, que por anos geriu grande parte da loucura brasileira. Seu provedor era o médico José Clemente Pereira, que era responsável por todos os aspectos da instituição, desde os médicos até os administrativos. Embora a gestão administrativa fosse religiosa, o saber médico tinha muito espaço com nomes como Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, que tentaram implementar o &amp;quot;tratamento moral&amp;quot; inspirado em Esquirol. Apesar dos esforços, muitos relatos de abusos e de condições precárias mostravam a dificuldade em implementar um modelo brasileiro de tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Proclamação da República em 1889, o Hospício de Pedro II foi desvinculado da Santa Casa e renomeado como Hospital Nacional de Alienados (HNA). Este foi um período de maior laicização e pela busca por um maior rigor científico, o que não aconteceu por completo, em grande parte devido à falta de profissionais adequadamente treinados para a questão. Apesar disso, o Brasil já possuía uma cátedra de psiquiatria desde 1883, ocupada por João Carlos Teixeira Brandão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante dos altíssimos custos em manter o Hospital, surgem as colônias agrícolas como alternativa ao confinamento urbano. Em 1884, já havia sido inaugurada a Colônia de São Bento e, em 1890, a Colônia de Conde de Mesquita, na Ilha do Governador. A ideia era que o trabalho na terra poderia colaborar na cura, além de os produtos deste trabalho poderiam ser consumidos no local, ajudando na manutenção dos espaços. Apesar dessas transformações e de evidentes melhorias, os relatos de época mostram que não acontecia nenhuma das duas coisas, nem produção agrícola suficiente, nem um processo terapêutico efetivo, mas entendia-se que a colônia agrícola era melhor do que o confinamento do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Era Juliano Moreira ===&lt;br /&gt;
Em 1903, o médico baiano Juliano Moreira assume a direção do Hospital Nacional de Alienados. Negro, de origem humilde e dotado de uma erudição impressionante, ele revolucionou a assistência brasileira aos alienados, sendo reconhecido internacionalmente como um dos grandes psiquiatras de seu tempo. Ele se tornaria o principal médico alienista do Brasil, tornando-se referência para todo o país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moreira aboliu definitivamente o uso de camisas de força e as grades nas janelas, num gesto que se assemelhava àquele de Pinel, enfatizando que o hospital era um local de tratamento e cura, e não uma prisão ou um depósito de indesejados. Além disso, ele trouxe para o Brasil a nosologia de Emil Kraepelin, um psiquiatra alemão considerado o pai da psiquiatria moderna, da psicofarmacologia e da genética psiquiátrica, o que seria uma modernização do modelo francês adotado até então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a gestão Moreira ocorreram várias mudanças. Foi criado o Pavilhão Bourneville para crianças com deficiência intelectual. Além disso, fundou-se o Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1921), o primeiro do país, sob a liderança de Heitor Carrilho. Dentro dos hospitais incentivou-se a pesquisa laboratorial e anátomo-patológica, o que também abriu espaço para a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência e o prestígio de Juliano Moreira se espalhou pelo Brasil. Em São Paulo, destacou-se a figura de Francisco Franco da Rocha, que fundou em 1898 o Hospital do Juquery. O Juquery, como ficou conhecido, tornou-se uma &amp;quot;cidade-asilo&amp;quot;, chegando a abrigar dezenas de milhares de pacientes em um modelo que mesclava pavilhôes médicos com imensas colônias agrícolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período, a psiquiatria brasileira flertou intensamente com as teorias da degenerescência (de Morel e Magnan) e com a eugenia. Médicos como Renato Kehl, bem como a criação da Liga Brasileira de Higiene Mental (1923), fundada por Gustavo Riedel, começaram a ver a loucura não apenas como um problema individual, mas como um risco biológico à raça brasileira. A higiene mental passou a atuar preventivamente em escolas e fábricas, buscando identificar &amp;quot;pré-delinquentes&amp;quot; e &amp;quot;personalidades anormais&amp;quot;. Apesar de não ter conseguido desenvolver muitas políticas efetivas, os eugenistas brasileiros eram ativos e influentes em muitos círculos decisórios importantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A criação de hospitais não se limitou a São Paulo e Rio de Janeiro. Em  1903, o governo de Minas Gerais fundou o Hospital Psiquiátrico de Barbacena, que mais tarde seria palco de uma das maiores tragédias humanitárias do país. Em Pernambuco, o Hospital Ulysses Pernambucano foi fundado pelo médico de mesmo nome, que começou a desenvolver uma psiquiatria mais voltada para o social e para a prevenção no final dos anos 1920. Hospitais na Bahia, Rio Grande do Sul, entre outros, também foram criados, seguindo o pioneirismo do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Era Vargas e além: o início do encarceramento ===&lt;br /&gt;
Com a Revolução de 1930, o projeto de nação de Vargas exigia um povo saudável e produtivo, devido à visão desenvolvimentista suportada pela Aliança Liberal, que o elegeu. A loucura deixou de ser apenas uma questão de ordem pública ou um aspecto da caridade para se tornar um problema de Segurança Nacional e Saúde Pública. Em 1941, no âmbito do Estado Novo, foi criado o Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM), substituindo o antigo modelo de assistência a alienados, que era fragmentado, conforme as diferentes províncias. Dessa maneira, Vargas criou uma diretriz federal centralizada para a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM), uma instituição que professava o higienismo no Brasil e que já atuava desde a década de 1920, ganhou fôlego. O foco deslocou-se do hospital para a prevenção na sociedade. A psiquiatria não deveria se limitar aos hospitais, mas também atuar na escola, na fábrica e na família, buscando eugenizar, limpar a nação e extirpar o que chamavam de &amp;quot;elementos degenerados&amp;quot;. O médico Gustavo Riedel e seus sucessores defendiam que o Estado deveria intervir precocemente para evitar que o &amp;quot;anormal&amp;quot; se tornasse um fardo para a máquina pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi durante as décadas de 1930 e 1940 que o modelo de colônia agrícola, antes visto como terapêutico e de assistência à manutenção hospitalar, atingiu proporções industriais. O que se viu em Barbacena e em instituições como o Juquery em São Paulo, foi a transformação do hospital em, praticamente, um campo de concentração administrativo. A internação não dependia mais de um diagnóstico médico rigoroso, que na prática ainda era frágil e baseado em elementos pouco científicos. Bastava ser considerado &amp;quot;socialmente inconveniente&amp;quot; para correr-se o risco de ir parar numa instituições dessas. Assim, pobres, prostitutas, homossexuais, militantes políticos e mães solteiras eram enviados para essas instituições, onde a sobrevivência era a exceção. Estima-se que, no auge do descaso, o Hospital de Barbacena registrava um número alarmante de óbitos por frio, fome e doenças evitáveis, cujos corpos eram, por vezes, vendidos para faculdades de medicina. Situações similares aconteciam em outras instituições do tipo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tratamentos Brutais e os Modos de Resistência ===&lt;br /&gt;
Para além do horror asilar, o período entre 1930 e 1950 também foi marcado pela introdução de terapias biológicas drásticas, importadas da Europa, conhecidas como somatoterapias. Com uma psicofarmacologia pouco eficaz, os médicos buscavam &amp;quot;chacoalhar&amp;quot; o organismo, produzindo nele como um choque que pudesse restaurar a razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma dessas técnicas era a insulinoterapia. Introduzida na Europa pelo médico austríaco Manfred Sakel (1900–1957) em Viena, no início dos anos 1930, representou uma das primeiras e mais invasivas formas de somatoterapia. Originalmente destinada ao tratamento da esquizofrenia, a técnica consistia na administração de doses maciças de insulina no paciente, provocando um estado de hipoglicemia profunda que levava o paciente ao coma. Na volta desse estado, se esperava que o indivíduo “restaurasse” a razão por conta do choque orgânico violento que havia vivenciado. O procedimento era extremamente perigoso e estava associado a uma alta taxa de mortalidade e morbidade devido às convulsões e aos possíveis danos cerebrais. Apesar dos riscos, o método foi amplamente adotado no mundo todo, incluindo o Brasil, onde foi usado em grandes instituições de confinamento, como o Hospital Nacional de Alienados (HNA), no Hospital Juquery, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que passou a ser muito utilizada foi a Eletroconvulsoterapia, ou simplesmente o eletrochoque. Introduzido no Brasil logo após sua invenção na Itália (1938), consiste em colocar eletrodos carregados com correntes elétricas em lados opostos, na lateral da cabeça, de modo que uma forte corrente elétrica atravessasse o cérebro. A duração e a intensidade podiam variar, mas relatos de mais de trinta minutos de choques violentos não eram incomuns. Sua brutalidade era tamanha que exigia que sua vítima fosse fortemente amarrada. Tornou-se uma ferramenta onipresente nos hospitais, muitas vezes aplicada sem anestesia e como método de punição, desvirtuando sua finalidade clínica e usada, basicamente, como ferramenta de tortura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que ingressou no Brasil nesse período foi a lobotomia, um procedimento cirúrgico que consistia em apenas retirar um pedaço do cérebro do paciente. Eles foram realizados em larga escala em hospitais como o Juquery e no Hospital Pedro II, buscando a docilização de pacientes crônicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em oposição à violência do isolamento oferecido por essas instituições, surge a figura de Nise da Silveira. Em 1946, após ter sido presa pelo regime de Vargas por suas inclinações políticas, Nise assumiu o Setor de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional (Engenho de Dentro), no Rio de Janeiro. Ela se recusou a usar eletrochoques e lobotomias, introduzindo a arte e o afeto como mediadores da cura. Ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente em 1952, onde demonstrou, através das pinturas e esculturas de pacientes como Arthur Bispo do Rosario, que o louco preservava uma riqueza simbólica e uma humanidade que a psiquiatria tradicional tentava apagar. Sua colaboração com Carl Jung colocou a experiência brasileira no mapa da psicologia analítica mundial, provando que o tratamento em liberdade e através da expressão criativa era viável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Criação da Indústria da Loucura ===&lt;br /&gt;
No final da década de 1950 e início da de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek e o breve período democrático posterior, o Brasil viu o surgimento de uma nova e ainda mais perversa dinâmica: a Indústria da Loucura. A assistência psiquiátrica, antes quase totalmente pública ou baseada no assistencialismo das Santas Casas, começou a ser privatizada. Com o crescimento dos institutos de previdência (IAPs), o Estado passou a pagar hospitais privados por dia de internação. Isso criou um incentivo perverso: quanto mais tempo o paciente ficasse internado e quanto menos recursos fossem gastos com ele, maior o lucro das clínicas privadas. Esse modelo, conhecido como &amp;quot;hospitalocêntrico&amp;quot;, inchou o sistema e preparou o terreno para a política de contenção social que seria radicalizada após o golpe de 1964. Foi um momento de multiplicação da brutalidade. Pouco importava a loucura ou não, o tratamento ou não, a eficácia ou não. O que importava era ganhar o dinheiro estatal por meio de um encarceramento fácil e praticamente impossível de escapar, além de altamente lucrativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coisa se aprofundou ainda mais com o golpe militar, que unificou em 1966 os Institutos de Aposentadoria e Pensões no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), produzindo uma centralização gigantesca de recursos, com um modelo de privatização quase total. A psiquiatria, por ser uma especialidade cuja formação exigia baixo investimento tecnológico quando comparada a outras como a cirurgia, cardiologia ou oncologia, permitia grandes lucros com as internações de longa permanência. Assim, trancafiar e atormentar os loucos tornou-se o setor mais atraente para o empresariado da saúde.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de pessoas possivelmente diagnosticadas, o sistema era alimentado pelo encarceramento de militantes políticos, estudantes rebeldes, pessoas em situação de rua,  mendigos, homossexuais, indivíduos com comportamentos &amp;quot;desviantes&amp;quot; da moral tradicional, dependentes químicos, alcoólatras ou mesmo pessoas “problemáticas” da família, que se recusavam, por exemplo, a participar de casamentos arranjados, que denunciavam violência sexual ou eram apenas mulheres que haviam engravidado antes do casamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As instituições privadas multiplicaram-se pelo interior do país, longe dos olhos da fiscalização e dos centros urbanos. Instaladas em locais de difícil acesso, facilitava o ocultamento de violações de direitos humanos e ainda utilizava da conivência dos governos locais. As populações dessas localidades, crentes no saber médico, dificilmente desconfiavam do que poderia acontecer dentro dessas instituições e, quando vazavam denúncias, elas rapidamente podiam ser facilmente manejadas em conluio com os poderes locais. A loucura tornou-se um negócio de massa, com o abrigo precário de centenas de pessoas em galpões, onde a única &amp;quot;terapia&amp;quot; era a contenção química por sedativos baratos ou o uso indiscriminado do eletrochoque para manter a ordem além, é claro, da violência e brutalidade de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Luta Antimanicomial ==&lt;br /&gt;
No final da década de 1970, o modelo de saúde mental começou a dar sinais de exaustão, tanto financeira quanto ética. O Estado já não conseguia arcar com os custos crescentes de um sistema que só expandia o número de crônicos, e as denúncias de maus-tratos começaram a furar o bloqueio da censura, aparecendo em jornais mais prestigiados e em espaços mais amplos do debate social. O estopim para a o início do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil começa com uma crise na Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), que havia recebido denúncias de irregularidades no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Hospital Pinel, na Colônia Juliano Moreira e no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. A denúncia foi acompanhada de uma greve por parte dos funcionários, que exigiam melhorias institucionais e questionavam irregularidades trabalhistas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É dessa crise que surge o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) que, nesse primeiro momento, estão mais preocupados com questões trabalhistas do que com o problema da própria prática psiquiátrica, que vai caracterizar parte dos movimentos antimanicomiais posteriormente. O MTSM se fortalece e consegue espaço no extremamente conservador V Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que ocorre em 1978, no que fica conhecido como “congresso da abertura”, num período também de abertura política com o iminente fim do regime militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1978, um grupo importante de intelectuais vinculados às bases teóricas do Movimento Antimanicomial participa do I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições, incluindo Franco Basaglia, Felix Guattari, Robert Castel e Erwinf Goffman, todos eles de grande inspiração e influência para o movimento antimanicomial brasileiro. No ano seguinte, o I Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental fortalece a contextação não apenas de problemas trabalhistas, mas do próprio modelo asilar e da forma como a psiquiatria intervinha e oprimia a população marginalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação público-privada que alimentava o modelo até então começa a ruir em 1980, com a chamada política da co-gestão interministerial. Nela, um convênio celebrado entre o Ministério da Previdência e Assistência Social com o Ministério da Saúde liquida a &amp;quot;Unidade de Serviço&amp;quot;, a política que permitia a contratação privada de serviços psiquiátricos e que representou o triunfo do público sobre o privado. Membros do MTSM passam a integrar a gestão do atendimento em saúde mental que, por dentro do aparato estatal, começam a implementar uma política de saúde pública baseada em prestação de serviços, cooperação, descentralização e regionalização, propostas que já eram defendidas pelos reformadores. Apesar desses avanços, críticos afirmam que a política de co-gestão apenas visava reformar os serviços, não atingindo o âmago da questão, que seria desconstruir o próprio paradigma psiquiátrico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de desinstitucionalização de fato começa em 1985, ano marcado pelo fim da Ditadura Militar e pela realização de vários eventos que aprofundam o debate sobre a situação do atendimento. A I Conferência Nacional de Saúde Mental marca o início da desinstitucionalização devido aos conflitos entre o MTSM, a ABP e grupos não-organicistas que passaram a dirigir o DINSAM. Na conferência, consagrou-se uma reviravolta na perspectiva com a consolidação do lema &amp;quot;por uma sociedade sem manicômios&amp;quot;, rompendo com a lógica tanto privatista quanto estatista e questionando o próprio modelo psiquiátrico tradicional. Este passou a ser amplamente entendido como fenômeno cultural que promove o tratamento moral e o controle dos corpos, uma visão abertamente basagliana e antimanicomial. Alguns entendem que, nesse momento, a tradição anti-institucional que originou os primeiros questionamentos na década de 1970 foi restaurada e fortalecida. Após a Conferência, o próprio MTSM se renovou, se desatrelando do Estado, retomando sua independência e seu papel de transformação social.  A mudança do movimento se consolidou no II Congresso Nacional de Trabalhadores de Saúde Mental, quando a noção de racionalização e modernização dos serviços que havia caracterizado o período da co-gestão foi recusado em nome de uma pauta anti-institucional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados dos anos 1980 começam a surgir novos modelos de atenção à saúde que poderia substituir o modelo psiquiátrico. Em São Paulo é criado o primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), em 1987. Em Santos, surge o Núcleo de Atenção Psicossocial (NAPS), em 1989. Estes serviços passaram a ser vistos como os modelos para uma contestação profunda dos manicômios, justificando seu encerramento. Já na década de 1990, o SUS introduziu mecanismos de fiscalização e auditoria que começaram a sufocar financeiramente os asilos privados que não cumpriam níveis mínimos de dignidade. Portarias históricas do Ministério da Saúde, inspiradas na Declaração de Caracas (1990), passaram a proibir a criação de novos leitos psiquiátricos asilares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após mais de uma década de tramitação e intensos debates no Congresso Nacional, como fruto dos embates históricos iniciados na crise do DINSAM e que atravessaram debates públicos extremamente imporantes, foi promulgada a Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, que ficou conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica ou Lei Paulo Delgado, seu autor. Esta legislação se tornou o marco jurídico definitivo da virada assistencial no Brasil. A lei instituiu o direito do paciente de ser tratado em ambiente terapêutico o menos restritivo possível e colocou a internação psiquiátrica como último recurso possível. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para preencher o vazio deixado pelo fechamento dos grandes hospitais, o SUS estruturou a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), formalizada na década seguinte pela Portaria nº 3.088 de 2011. A RAPS organizou o cuidado em diferentes níveis de complexidade, com os CAPS divididos nas modalidades CAPS I, II, III, CAPSi  e CAPS AD e, por fim, os Serviços de Residência Terapêutica (SRT). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, a luta continua devido a retrocessos observados na segunda metade da década de 2010 e início dos anos 2020. Mudanças nas diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental tentaram reintroduzir a centralidade do hospital psiquiátrico e incentivaram o uso de práticas baseadas no isolamento. Além disso, o governo federal passou a financiar massivamente as chamadas Comunidades Terapêuticas (CTs), instituições de caráter predominantemente privado e religioso voltadas ao acolhimento de usuários de drogas, de onde emanam graves denúncias de todos os tipos de violação dos direitos humanos e que representam um evidente retrocesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, o campo da saúde mental no Brasil vive um embate profundo entre duas visões. De um lado, aqueles que lutam pela consolidação da RAPS, em defesa da clínica da subjetividade, da defesa dos direitos humanos, pela redução de danos e pela inserção social pelo trabalho e pela cultura. Do outro lado observa-se a persistência do lobby asilar e de setores que buscam a mercantilização do cuidado, por meio do encarceramento, da medicalização extrema do sofrimento psíquico, da higienização dos centros urbanos e do recolhimento dos indesejáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
AMARANTE, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1995.&lt;br /&gt;
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BIRMAN, Joel. A Physis da Arte: Deleuze e a Clínica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. &lt;br /&gt;
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CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa. Tratado de Saúde Coletiva. São Paulo: Hucitec, 2006. &lt;br /&gt;
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CASTEL, Robert. A Ordem Psiquiátrica: a Idade de Ouro do Alienismo. Rio de Janeiro: Graal, 1978.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. História da Assistência Psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Garamond, 2007. &lt;br /&gt;
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ENGEL, Magali. Os Delírios da Razão: médicos, loucos e hospícios (Rio de Janeiro, 1830-1930). Rio de Janeiro: Fiocruz, 2001&lt;br /&gt;
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FOUCAULT, Michel. História da Loucura na Idade Clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Netto. São Paulo: Perspectiva, 2014.&lt;br /&gt;
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MELLO, Luiz Carlos. Nise da Silveira: Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2014.&lt;br /&gt;
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PEREIRA, Ana Leonor; PITA, João Rui. A Institucionalização da Loucura em Portugal. Coimbra: Estudo Geral, 1994.&lt;br /&gt;
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PINEL, Philippe. Traité médico-philosophique sur l&#039;aliénation mentale, ou la manie. Paris: Richard, Caille et Ravier, 1801.&lt;br /&gt;
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SILVA, Priscila Aquino. O Hospital Real de Todos-os-Santos e seus agentes da cura. In: História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 22, n. 4, 2015.&lt;br /&gt;
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VENANCIO, Ana Teresa A.; CARVALHAL, Lázaro. Juliano Moreira: A Ciência da Assistência e a Assistência da Ciência. In: Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2001.&lt;br /&gt;
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YASUI, Silvio. Rupturas e Encontros: desafios da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2010.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_loucura:_da_Gr%C3%A9cia_antiga_%C3%A0_luta_anti-manicomial&amp;diff=1681</id>
		<title>História da loucura: da Grécia antiga à luta anti-manicomial</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_loucura:_da_Gr%C3%A9cia_antiga_%C3%A0_luta_anti-manicomial&amp;diff=1681"/>
		<updated>2026-05-16T10:21:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* A Luta Antimanicomial */ Várias modificações substanciais&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Este texto ainda é um rascunho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Texto com finalidade didática escrita por André Elias Morelli Ribeiro para o curso de Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A história da loucura é, ao mesmo tempo, uma narrativa sobre o modo como diferentes sociedades compreenderam a mente humana e uma reflexão sobre os mecanismos de poder que moldaram práticas de exclusão, cuidado e resistência vinculados à loucura. Iniciando na Grécia antiga até o movimento antimanicomial no Brasil, pode-se observar como a loucura foi interpretada ora como intervenção divina, ora como desvio moral, ora como doença fisiológica, ora como ameaça social. Cada época construiu suas próprias respostas, que variaram entre a integração comunitária, o confinamento brutal e a busca por tratamentos médicos ou espirituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, a trajetória seguiu de perto os modelos europeus. Do Hospício de Pedro II às colônias agrícolas, passando pela gestão de Juliano Moreira, a psiquiatria nacional oscilou entre avanços humanitários e práticas de exclusão. O período Vargas e o Estado Novo intensificaram o encarceramento, transformando hospitais em verdadeiros campos de concentração administrativos. As décadas seguintes viram a adoção de terapias brutais, como eletrochoques e lobotomias, mas também o surgimento de resistências, como a obra de Nise da Silveira, que introduziu a arte e o afeto como caminhos de cura. A partir dos anos 1960, a privatização da assistência psiquiátrica gerou a chamada “Indústria da Loucura”, marcada por internações lucrativas e violações sistemáticas de direitos humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, o percurso histórico apresentado aqui mostra que a loucura nunca foi apenas um fenômeno clínico mas, antes, um espelho das sociedades, revelando seus medos, suas crenças e suas formas de organizar o convívio humano. De sagrada a temida, de medicalizada a mercantilizada, apresenta-se e se discute como surgiram vozes e práticas que reivindicaram humanidade e liberdade para os considerados loucos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras no Mundo Antigo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grécia antiga ===&lt;br /&gt;
Na Grécia antiga, em certo momento a loucura era considerada uma intervenção dos deuses e, como os gregos era politeístas, a varidade de formas de loucura e intervenção também era bem grande. A loucura poderia ser vista como uma punição. Um exemplo notório é o herói Ajax, filho de Telamão. Após a morte de Aquiles, a armadura do herói foi dada a Odisseu, e a afronta levou Ajax a um estado de fúria e ressentimento. A deusa Atena, intervindo em favor de Odisseu ou para proteger os Aqueus da vingança de Ajax, lançou sobre ele uma cegueira mental. Tomado pela loucura, Ajax massacrou o gado de guerra que havia sido capturado, acreditando que estava matando os líderes aqueus, incluindo Odisseu e Agamenon. Ao recobrar a sanidade e perceber seu ato vergonhoso, o que o levou a cometer suicídio por humilhação. Essa cena ilustra a loucura como uma intervenção divina direta na forma de loucura poderia ser vista como destrutiva e extremamente negativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outros episódios da mitologia grega, a loucura surge como uma consequência direta de traumas e da perseguição implacável por vingança. Um exemplo fundamental é o de Orestes que, após assassinar sua mãe, Clitemnestra, para vingar a morte de seu pai, Agamenon, passa a ser atormentado pelas Erínias. Essas divindades da vingança, também conhecidas como Fúrias, levaram o herói a um estado de delírio e desespero profundo, personificando a tortura psicológica e a perda da razão como uma forma de acerto de contas espiritual e moral pelo matricídio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura não era unicamente um flagelo ou uma punição. Os gregos, notavelmente, viam a mania, um termo que hoje engloba a loucura, em uma perspectiva dual. Na sua manifestação mais elevada era considerada uma benção ou inspiração divina. Essa visão positiva estava profundamente ligada ao culto de Dionísio, o deus do vinho, do teatro e do êxtase. Nos rituais dionisíacos, as bacantes e outros seguidores buscavam o êxtase, que é, literalmente, &amp;quot;sair de si&amp;quot;, por meio da dança frenética, música e consumo de vinho, o que era percebido como um estado de comunhão direta e inspirada com a divindade. Longe de ser destrutiva, essa forma de loucura era vista como uma fonte de criatividade, revelação e poder, sendo um caminho para a verdade profética e a expressão artística ligada a Dionísio. Este conceito de mania inspirada também se estendia a outros domínios, como a profecia dos oráculos, que eram vinculados à adoração ao deus Apolo, e mesmo a poesia, onde a perda temporária da razão humana era interpretada como a mente sendo tomada por uma força divina que trazia algum tipo de inspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em certo momento, ainda na Grécia antiga, as ideias sobre a loucura - ou algo que pareça loucura aos nossos olhos contemporâneos - foi modificada graças a Hipócrates, o pai da medicina. A visão de Hipócrates marcou uma transição crucial para o entendimento da loucura na Grécia Antiga, pois afastou a loucura das concepções divinas e sobrenaturais para uma explicação puramente fisiológica e natural. Ele desenvolveu a Teoria dos Quatro Humores, que se tornou o pilar da medicina ocidental por séculos. Segundo essa teoria, o corpo humano era composto por quatro fluidos essenciais (humores): sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. A saúde mental e física dependia do equilíbrio harmonioso desses humores. A loucura, ou qualquer doença mental, era, portanto, interpretada como o resultado de um desequilíbrio, como o excesso de bile negra causando a melancolia (depressão), ou o desarranjo da fleuma e da bile amarela, que poderiam levar a estados de mania e frenesi. Com isso, Hipócrates postulou que a loucura não era uma maldição dos deuses, mas sim uma doença com origem no corpo. Essa abordagem naturalista permitiu que a loucura passasse a ser tratada com métodos como dietas, exercícios e remédios, em vez de rituais religiosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradição bíblica ===&lt;br /&gt;
Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e à recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o baniu do convívio humano. Ele passou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara, conforme emerge na descrição bíblica, mostra uma concepção de loucura ligada à perda da razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo da loucura, onde o que é considerado &#039;loucura&#039; pelos homens revela-se a suprema sabedoria divina. Essa ideia é desenvolvida pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. Na passagem, ele afirma: &#039;Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens&#039; (1 Coríntios 1:25). Paulo usa o termo moria (loucura, tolice) para contrastar a sabedoria humana, que na época do texto era representada pela filosofia e retórica grega, com a mensagem da cruz, que parecia ilógica e insensata aos olhos dos não cristãos, que debochavam do fato do profeta ter sido capturado e morto pelos romanos. Assim, a loucura deixa de ser apenas uma punição para se tornar uma lente através da qual a verdadeira sabedoria, ou seja, a salvação, é revelada, invertendo a hierarquia de valores do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pérsia ===&lt;br /&gt;
Na Pérsia, a visão da loucura e do comportamento irracional foi moldada por seu profundo dualismo religioso e, posteriormente, pelas tradições islâmicas que se seguiram à conquista árabe. O zoroastrismo, a antiga religião persa fundada por Zoroastro (Zaratustra), transformou o politeísmo anterior em um dualismo cósmico centralizado no conflito eterno entre Ahura Mazda (Ormazd), o criador da vida, luz e verdade, e Angra Mainyu (Ahriman), a escuridão e a mentira. Neste cenário, o mundo material é o campo de batalha entre os dois. Ahriman buscava corromper tudo o que Ormazd havia criado. Embora o texto não defina a loucura diretamente, o comportamento irracional e a desrazão poderiam ser facilmente associados ao domínio de Ahriman e à mentira (druj), enquanto a sanidade e a pureza eram atributos de Ormazd. A batalha contra essa corrupção exigia que os adoradores de Ormazd permanecessem verdadeiros e evitassem poluir o fogo e a terra sagrada, indicando que a pureza mental e ritual era uma defesa contra as forças do mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Islã ===&lt;br /&gt;
Na cultura islãmica, de forma geral e bastante resumida, o comportamento considerado irracional era frequentemente explicado pela crença nos djinn, espíritos errantes que habitavam o deserto e certos lugares considerados místicos e que podiam invadir a mente humana, causando o que a sociedade ocidental moderna chamaria de insanidade ou, talvez, distúrbio emocional, cujo tratamento era o exorcismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura também apareceu em narrativas culturais associadas aos povos de forma a sugerir causas e curas mais mundanas. O famoso conto persa de As Mil e Uma Noites relata a história do rei Shahriyar, que, convencido da inevitável traição feminina, cai em uma loucura paranóica que o leva a se casar e matar uma virgem todas as noites. Sua &amp;quot;cura&amp;quot; é alcançada através da engenhosidade e paciência humana por meio de uma dessas esposas, Scheherazade, que usa a arte de contar histórias para retardar sua execução por &amp;quot;mil e uma noites&amp;quot;, período em que sua paranoia é gradualmente desfeita. A história sugere que a narrativa e o tempo podem curar a loucura causada por trauma psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras na Idade Média ==&lt;br /&gt;
A transição para a Idade Média é marcada pelo colapso do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e trouxe profundas transformações políticas e sociais. O fim do governo centralizado romano levou à fragmentação do poder e ao surgimento do sistema feudal, onde a administração das terras e a autoridade passaram para as mãos de senhores locais, muitos deles antigos oficiais romanos. Este período também é caracterizado por um notável declínio na vida urbana e nos grandes centros intelectuais. O colpaso das instituições romanas deu lugar à ascensão e consolidação da única instituição internacional grande e organizada que havia sobrado, a Igreja Católica, que se tornou a principal instituição de poder. Houve ainda uma perda gradual da tradição cultural greco-romana e, consequentemente, um afastamento das explicações naturalistas de Hipócrates, com exceção do pequeno renascimento do século XII e retomadas pontuais da sabedoria grega. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a hegemonia da Igreja Católica, a loucura tendeu a ser novamente interpretada sob uma lente teológica, sendo vista como uma manifestação de forças sobrenaturais ou desvios morais. Nesse contexto, certas vezes a loucura era interpretada como a intervenção de Satanás ou como possessão demoníaca, exigindo rituais de exorcismo para a cura. Em outros momentos, era vista como uma prova espiritual enviada por Deus ou como um efeito direto do pecado na alma do indivíduo. Havia também explicações que a tratavam como uma fragilidade da vontade humana, misturando elementos da antiga tradição grega com aspectos da teologia cristã, estabelecendo um novo arcabouço para o entendimento da mente humana durante a Idade Média, que tinha muitas variações e não era uniforme nem ao longo do tempo nem em todos os espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Socialmente, a gestão da loucura na Idade Média também passou por diferentes fases e transformações, dependendo do local e da época. Haviam casos em que os consideradores loucos eram apenas torturados e trancafiados, acreditando-se serem métodos eficazes para expulsão de espíritos malignos, por exemplo. Contudo, em muitos outros casos, os considerados loucos conviviam de forma mais ou menos harmoniosa com o resto da comunidade, a depender de suas capacidades e possibilidades, e certos “desvios” eram perdoados devido à sua condição peculiar, sem a necessidade imediata de uma exclusão radical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Nau dos Loucos ===&lt;br /&gt;
Um caso notável e emblemático da gestão da loucura nesse período é a Nau dos Loucos (Stultifera Navis), conforme trabalhado por Michel Foucault. Anteriormente ao modelo de exclusão-repressão que viria a se consolidar na Idade Clássica, a loucura viveu o que se pode chamar de seus &amp;quot;dias de glória&amp;quot; na transição para a Renascença. Nesse contexto, o louco poderia ser visto como um sábio, um místico, um bobo da corte ou simplesmente um excêntrico que estava, de certa forma, integrado ao tecido social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Nau dos Loucos simbolizava uma existência errante, onde o louco era confiado à água e ao navio para ser levado de uma cidade a outra, mantendo-o em um estado de exclusão simbólica, mas ainda assim em movimento e circulação. Para Foucault, essa experiência trágica da loucura permitia que o insano portasse uma forma de lucidez em sua insensatez, revelando verdades que a razão comum não ousava enunciar. O louco via através das ilusões mundanas, aproximando-se de uma verdade profética ou ética que seria progressivamente silenciada nos séculos seguintes pela ascensão do saber médico e da racionalidade científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Santa Dimpna e Geel ===&lt;br /&gt;
Outro acontecimento relevante da Idade Média para a compreensão da loucura é o episódio de Santa Dimpna. Nascida no século VII na Irlanda, ela era filha de um rei pagão e de uma mãe cristã devota, de quem herdou sua fé e pelo qual decidiu fazer votos de castidade. Após a morte prematura da mãe, seu pai, mergulhado em um profundo luto, decidiu que Dimpna era a única mulher com beleza comparável à da falecida rainha e insistiu em se casar com a própria filha, o que seria considerado escandaloso também para aquela cultura. Diante dessa perseguição incestuosa, Dimpna fugiu da Irlanda acompanhada de seu confessor, o padre Gereberno, e de dois servos fiéis. O grupo cruzou o mar e estabeleceu-se em Geel, um minúsculo vilarejo na atual Bélgica, onde Dimpna dedicou-se ao cuidado dos pobres e doentes mentais. No entanto, o rei conseguiu encontrá-los e, após a recusa de Dimpna em retornar e de se casar com o pai, ordenou a execução de Gereberno, enquanto ele mesmo decapitou a filha, tornando a menina de 15 anos de idade uma mártir cristã. Após sua morte, relatos de curas milagrosas de pessoas com distúrbios mentais e epilepsia começaram a ocorrer junto ao seu túmulo, o que a tornou a padroeira dos doentes mentais e o local um espaço de peregrinação ligado à questão da saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O legado de Santa Dimpna em Geel deu origem a um modelo para a psiquiatria moderna pois, devido à devoção e adoração à Santa Dimpna, a cidade transformou-se em um santuário onde os pacientes não eram trancafiados, mas acolhidos em lares de famílias locais como &amp;quot;hóspedes&amp;quot;. Esse sistema de cuidado comunitário e desinstitucionalização, que persiste há séculos, é considerado um dos precursores do tratamento humanizado e da reabilitação psicossocial na saúde mental contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Idade Clássica: a nova era da loucura encarcerada ==&lt;br /&gt;
A partir do século XVII, um período em que o filósofo Michel Foucault denominou como &amp;quot;A Época Clássica&amp;quot;, a forma de entender e lidar com a loucura passa por uma nova mudança devido ao ingresso da razão como centro e alma do pensamento europeu, em substituição ao dogmatismo religioso e ao conhecimento da igreja. Esta mudança não é brusca, mas lenta e gradual, porém suas marcas serão duradouras e serão sentidas por quase toda a Europa. Para essa nova e nascente razão, a loucura seria seu oposto direto. Se o homem era definido pela sua capacidade racional e sua utilidade produtiva, o louco era, portanto, como um &amp;quot;não-homem&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a solução para a não-razão era a internação que não buscava a cura, mas a neutralização do irracional. O silenciamento da loucura era necessário para que a ordem social pudesse florescer. Os campos e cidades deveriam ser espaços de circulação de mercadorias pelas mãos de cidadãos produtivos, e qualquer elemento que atrapalhasse essa dinâmica deveria ser guardado em instituições que funcionavam como uma guarda contra o risco social que tais pessoas ofereciam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relatos da época descrevem cenários terríveis sobre as condições de internação dos loucos. Os internos eram frequentemente mantidos em celas úmidas e insalubres, muitas vezes acorrentados às paredes. O uso de chicotes e outras punições corporais era justificado pela crença de que o louco, por ter perdido a razão, teria a resistência física de um animal, não sentindo frio ou dor da mesma forma que uma pessoa &amp;quot;normal&amp;quot;. Além disso, as instituições funcionavam sob uma lógica de vigilância constante. Não se tratava de observar para entender a mente, mas para garantir que o corpo anormal permanecesse contido e, no máximo possível, docilizado. Foi dentro desse ambiente de absoluta degradação e mistura indiscriminada de diferentes &amp;quot;tipos&amp;quot; de desviantes que a consciência médica começou a germinar, ainda que de forma incipiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== França ===&lt;br /&gt;
O ano de 1656 marca um divisor de águas simbólico para o modelo de confinamento asilar no mundo todo, com a criação do Hôpital Général (Hospital Geral) em Paris, por um edito real do rei Luís XIV. É importante entender que um hospital geral deste período não é como um hospital moderno, ou seja, uma instituição médica e voltada para a compreensão da doença e a prática do tratamento e cura. Ele estava mais próximo de uma estrutura administrativa e, de certo modo, semi-judiciária. Isso ocorria porque o interesse não estava em “curar” ou “tratar” ninguém mas, antes disso, perseguir o interesse do Estado de &amp;quot;limpar&amp;quot; as ruas de Paris de tudo o que era considerado improdutivo ou escandaloso. Era um período de abundância material, grandes gastos estatais e de uma imensa riqueza do império colonial francês, e desvios nessa ordem eram vistos como perigosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes tais hospitais gerais eram confinados, todos juntos, grupos totalmente diferentes, tais como pobres, mendigos, desempregados, libertinos, prostitutas, alquimistas, opositores políticos e, claro, também os considerados loucos. Em suma, um depósito de indesejados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que começou em Paris se tornou um modelo para outros lugares sobre como fazer a gestão da miséria e da “desrazão”, num forte deslocamento do que se via na Idade Média. O louco, antes tendo algo de profético, místico ou talvez apenas uma excentricidade da vida medieval campesina, se torna uma questão político-administrativa. Essa mudança importante marca uma migração para a possibilidade de institucionalização daquilo que era considerado errante ou, de alguma forma, desagradável e, assim passível de ser alvo de uma forma de gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Paris, as duas principais unidades do Hospital Geral se tornaram emblemáticas e simbólicas. A Salpêtrière, que era destinada às mulheres, e o hospital Bicêtre, destinado aos homens. Ambas não ofereciam qualquer forma de tratamento. Eram basicamente depósitos humanos, onde o louco poderia acabar acorrentado ao lado de criminosos, por exemplo. O critério de internação não era o diagnóstico clínico, mesmo porque simplesmente ele nem existia nos moldes modernos, mas a incapacidade de se ajustar às normas de trabalho e à moralidade da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alemanha ===&lt;br /&gt;
Na Alemanha, surgiram as Zuchthäusern, que seriam as Casas de Correção. Cidades como Hamburgo e Bremen estabeleceram esses locais onde a loucura era tratada através do trabalho forçado. Eles acreditavam que o ócio era a raiz do mal e que o confinamento servia para reintegrar o indivíduo à lógica da produtividade. De qualquer forma, uma vez enclausurado, ele permanecia escondido da visão da população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Inglaterra ===&lt;br /&gt;
Na Inglaterra, o sistema das Workhouses (Casas de Trabalho) cumpria um papel semelhante ao modelo alemão. No entanto, Londres já possuía o Bethlem Royal Hospital, conhecido popularmente como Bedlam. No século XVII e XVIII, Bedlam se tornou um espetáculo de horror, onde o público podia pagar para observar os internos como se fossem animais em um zoológico. A loucura era agora um objeto de uma forma de exibição degradante e mantida atrás de grades e ferros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Portugal ===&lt;br /&gt;
Em Portugal a gestão dos &amp;quot;desviantes&amp;quot; recaiu fortemente sobre as Santas Casas da Misericórdia. O Hospital Real de Todos-os-Santos, fundado em Lisboa em 1492 e inaugurado em 1501, se tornou o epicentro do tratamento (ou confinamento) dos loucos no país. Dentro deste hospital, existiam as chamadas &amp;quot;Casas de Doidos&amp;quot;, destinados àqueles que haviam “perdido a luz da razão”. Seguindo o padrão europeu, o hospital não separava rigidamente o louco por diagnóstico. Eles dividiam espaço com indigentes e enfermos de diversas naturezas, embora as &amp;quot;casas de doidos&amp;quot; fossem áreas de maior isolamento devido à agitação dos internos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XVIII português, a internação era, acima de tudo, uma solução para a mendicância e, por vezes, para o alcoolismo. O louco que tinha família e posses era mantido nas casas das famílias, muitas vezes escondido em sótãos ou anexos e até mesmo acorrentados. Já o &amp;quot;louco pobre&amp;quot;, cujas famílias nem se importam ou que não poderiam ser cuidados por seus familiares, era aquele que acabava nos hospitais reais ou mesmo nas cadeias, a depender de uma série de elementos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Nascimento da Psiquiatria ==&lt;br /&gt;
Nesta seção será tratada a história do nascimento da psiquiatria, mas não como ela é atualmente. Sua trajetória é cheia de desvios e abusos, além de vitórias para os direitos dos internos. Os avanços convivem com muitos retrocessos. Mesmo na época de seu surgimento, muitos eram os questionamentos sobre sua validade e cientificidade. Hoje existem aqueles que perguntam se a psiquiatria é necessária e se seu objeto não é fabricado por ela mesma, por meio de suas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pinel e a criação da psiquiatria nosográfica ===&lt;br /&gt;
É na virada do século XVIII para o XIX que nasce a psiquiatria como um campo autônomo do saber e da prática médica. Esta mudança fundamental é protagonizada por duas figuras centrais da medicina francesa: Philippe Pinel e seu discípulo, Jean-Étienne Dominique Esquirol. Juntos, eles transformaram o hospital de depósito de insanos e indesejáveis em um verdadeiro hospital, em que o louco e o alienado poderiam receber um tratamento racional e científico, em substituição às correntes, à disciplina e ao silenciamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência da psiquiatria como campo autônomo teve como fundamento científico inicial a observação clínica sistemática dentro do asilo. Este era concebido como um laboratório, onde o alienista poderia estudar a loucura em seu estado puro, separada das influências do mundo exterior. A principal questão científica e prática que justificava essa nova ciência era desenvolvida e aplicada de forma sistemática era a chamada nosografia ou diagnóstico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pinel, em seu &#039;&#039;Traité&#039;&#039; de 1801, classificou a loucura com base em critérios sintomatológicos, seguindo um procedimento comparativo semelhante ao das ciências naturais. O desafio central, que persistiria ao longo do século XIX, era a ambiguidade constante entre a busca por uma sede orgânica, ou seja, um “local físico-biológico” da loucura, junto da necessidade de uma regulação de caráter moral. O tratamento apoiava-se na moralidade para combater as causas que eram, elas próprias, consideradas morais, mas algo estava também no corpo do doente. Isso mostra que a nova psiquiatria de Pinel era a mistura de uma perspectiva médica com algo de caráter moral no entendimento da loucura. Este enfoque resultou na valorização do exame clínico pelos psiquiatras francófonos, permitindo a união da observação clínica com a formulação de hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1793, em meio ao fervor da Revolução Francesa, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe do Hospital de Bicêtre e, posteriormente, da Salpêtrière. O cenário que encontrou era o ápice do &amp;quot;Grande Enclausuramento&amp;quot;, ou seja, homens e mulheres amontoados nas condições já descritas, com destaque para as correntes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intervenção de Pinel, simbolizada pelo gesto de “libertar os loucos de suas correntes”, não foi apenas um ato humanitário, mas também uma decisão de natureza epistemológica. Pinel acreditava que a loucura não era uma possessão demoníaca nem uma degeneração animal irreversível, mas uma alienação mental, em outras palavras, uma perturbação das faculdades intelectuais e afetivas que mantinha o indivíduo como se fosse &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, ou alienado, de si mesmo e da sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pilar para a reforma psiquiátrica proposta por Pinel era o tratamento moral, e se baseava em três pilares fundamentais. O primeiro, o isolamento terapêutico. Era necessário que o paciente ficasse separado de seu ambiente que, segundo o médico, era a fonte de sua excitação e desequilíbrio. O segundo pilar era a autoridade médica, onde este deveria atuar como um pai ao mesmo tempo severo e justo, usando a persuasão, a benevolência e, se fosse necessário, a firmeza para restaurar a razão do paciente. Por fim, a disciplina e o trabalho, com a aplicação rigorosa de horários e valorização de atividades produtivas, o que ocuparia a mente alienada e, assim, combateria a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus estudos, Pinel identificou quatro tipos de loucura, quais sejam, a melancolia, a mania, a demência e o idiotismo, cada uma com suas questões próprias específicas e metodologias de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Esquirol e a consolidação do modelo ===&lt;br /&gt;
Se Pinel era considerado o visionário e o libertador, Jean-Étienne Dominique Esquirol foi o grande organizador e o clínico meticuloso. Discípulo de Pinel, Esquirol sucedeu seu mestre na Salpêtrière e deu à psiquiatria a robustez científica e administrativa de que ela necessitava. Esquirol compreendeu que a eficácia do tratamento moral dependia da arquitetura hospitalar. Para ele, o hospital não era apenas um prédio onde ocorria o tratamento, mas também um instrumento de cura. Ele desenvolveu o modelo de pavilhões, permitindo a separação dos pacientes por tipo de patologia, o que reforçou a própria ideia de diagnóstico e de avaliação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Esquirol refinou as definições clínicas de Pinel. Foi ele quem estabeleceu a distinção clássica entre alucinação (uma percepção sem objeto) e ilusão (uma percepção deformada de um objeto real), entre outros pontos que, na sua época, foram considerados avanços exemplares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Legalização da Alienação ===&lt;br /&gt;
O esforço médico, político e administrativo de Esquirol na continuação do trabalho de Pinel culminou na promulgação da lei francesa de 30 de Junho de 1838, a primeira grande legislação psiquiátrica do mundo moderno. Esta lei estabeleceu a obrigatoriedade de cada departamento francês possuir um asilo e regulamentou as condições de internação e interdição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A princípio, embora também protegesse o alienado do arbítrio e de outras violências que poderiam ser cometidos contra os loucos nas províncias e mesmo nas periferias de Paris, a lei também deu total poder ao médico psiquiatra. Era ele quem poderia decidir quem deveria ou não ser privado de sua liberdade. Com isso, a psiquiatria tornava-se, assim, um braço do Estado na gestão da ordem social mas, ao contrário do polícia e do inquérito polícial, que exigia provas independentes e a atuação do sistema judiciário, o psiquiatra estava coberto sob o manto da ciência médica, o que dava a ele poderes gigantescos de decidir entre a alienação e a razão. Isso marcou profundamente a forma como a loucura e a saúde mental passaram a ser compreendidas e tratadas nas décadas seguintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Loucura no Brasil ==&lt;br /&gt;
Até o início do século XIX, o Brasil colonial lidava com seus insanos de forma semelhante ao que ocorria na Europa. As famílias ricas mantinham seus parentes loucos em &amp;quot;quartos fortes&amp;quot;, privando-os mais ou menos da vida comunitária e familiar, a depender das circunstâncias. Já os pobres eram entregues à caridade das Santas Casas de Misericórdia ou vagavam pelas ruas, sendo ocasionalmente recolhidos a cadeias públicas quando perturbavam a ordem, indo e vindo das frágeis instituições brasileiras, sofrendo abusos e violências de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 gerou a necessidade de transformar a capital colonial em uma moderna metrópole europeia. Sob a influência do Iluminismo tardio e das notícias que chegavam sobre as reformas de Pinel na França, a elite médica brasileira, que havia estudado sobretudo na França e em Portugal, começou a pressionar o poder público pela criação de espaços específicos para o tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1830, a criação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (que viria a ser a Academia Nacional de Medicina) foi o marco institucional dessa pressão. Esse movimento político funcionou. O momento decisivo ocorreu em 18 de julho de 1841, quando o Imperador D. Pedro II, em comemoração à sua coroação, assinou o decreto de fundação do primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e da América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Hospício de Pedro II, ou o Palácio dos Loucos (1852–1889) ===&lt;br /&gt;
Inaugurado apenas em 8 de dezembro de 1852, o Hospício de Pedro II era gerido pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, que por anos geriu grande parte da loucura brasileira. Seu provedor era o médico José Clemente Pereira, que era responsável por todos os aspectos da instituição, desde os médicos até os administrativos. Embora a gestão administrativa fosse religiosa, o saber médico tinha muito espaço com nomes como Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, que tentaram implementar o &amp;quot;tratamento moral&amp;quot; inspirado em Esquirol. Apesar dos esforços, muitos relatos de abusos e de condições precárias mostravam a dificuldade em implementar um modelo brasileiro de tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Proclamação da República em 1889, o Hospício de Pedro II foi desvinculado da Santa Casa e renomeado como Hospital Nacional de Alienados (HNA). Este foi um período de maior laicização e pela busca por um maior rigor científico, o que não aconteceu por completo, em grande parte devido à falta de profissionais adequadamente treinados para a questão. Apesar disso, o Brasil já possuía uma cátedra de psiquiatria desde 1883, ocupada por João Carlos Teixeira Brandão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante dos altíssimos custos em manter o Hospital, surgem as colônias agrícolas como alternativa ao confinamento urbano. Em 1884, já havia sido inaugurada a Colônia de São Bento e, em 1890, a Colônia de Conde de Mesquita, na Ilha do Governador. A ideia era que o trabalho na terra poderia colaborar na cura, além de os produtos deste trabalho poderiam ser consumidos no local, ajudando na manutenção dos espaços. Apesar dessas transformações e de evidentes melhorias, os relatos de época mostram que não acontecia nenhuma das duas coisas, nem produção agrícola suficiente, nem um processo terapêutico efetivo, mas entendia-se que a colônia agrícola era melhor do que o confinamento do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Era Juliano Moreira ===&lt;br /&gt;
Em 1903, o médico baiano Juliano Moreira assume a direção do Hospital Nacional de Alienados. Negro, de origem humilde e dotado de uma erudição impressionante, ele revolucionou a assistência brasileira aos alienados, sendo reconhecido internacionalmente como um dos grandes psiquiatras de seu tempo. Ele se tornaria o principal médico alienista do Brasil, tornando-se referência para todo o país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moreira aboliu definitivamente o uso de camisas de força e as grades nas janelas, num gesto que se assemelhava àquele de Pinel, enfatizando que o hospital era um local de tratamento e cura, e não uma prisão ou um depósito de indesejados. Além disso, ele trouxe para o Brasil a nosologia de Emil Kraepelin, um psiquiatra alemão considerado o pai da psiquiatria moderna, da psicofarmacologia e da genética psiquiátrica, o que seria uma modernização do modelo francês adotado até então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a gestão Moreira ocorreram várias mudanças. Foi criado o Pavilhão Bourneville para crianças com deficiência intelectual. Além disso, fundou-se o Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1921), o primeiro do país, sob a liderança de Heitor Carrilho. Dentro dos hospitais incentivou-se a pesquisa laboratorial e anátomo-patológica, o que também abriu espaço para a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência e o prestígio de Juliano Moreira se espalhou pelo Brasil. Em São Paulo, destacou-se a figura de Francisco Franco da Rocha, que fundou em 1898 o Hospital do Juquery. O Juquery, como ficou conhecido, tornou-se uma &amp;quot;cidade-asilo&amp;quot;, chegando a abrigar dezenas de milhares de pacientes em um modelo que mesclava pavilhôes médicos com imensas colônias agrícolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período, a psiquiatria brasileira flertou intensamente com as teorias da degenerescência (de Morel e Magnan) e com a eugenia. Médicos como Renato Kehl, bem como a criação da Liga Brasileira de Higiene Mental (1923), fundada por Gustavo Riedel, começaram a ver a loucura não apenas como um problema individual, mas como um risco biológico à raça brasileira. A higiene mental passou a atuar preventivamente em escolas e fábricas, buscando identificar &amp;quot;pré-delinquentes&amp;quot; e &amp;quot;personalidades anormais&amp;quot;. Apesar de não ter conseguido desenvolver muitas políticas efetivas, os eugenistas brasileiros eram ativos e influentes em muitos círculos decisórios importantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A criação de hospitais não se limitou a São Paulo e Rio de Janeiro. Em  1903, o governo de Minas Gerais fundou o Hospital Psiquiátrico de Barbacena, que mais tarde seria palco de uma das maiores tragédias humanitárias do país. Em Pernambuco, o Hospital Ulysses Pernambucano foi fundado pelo médico de mesmo nome, que começou a desenvolver uma psiquiatria mais voltada para o social e para a prevenção no final dos anos 1920. Hospitais na Bahia, Rio Grande do Sul, entre outros, também foram criados, seguindo o pioneirismo do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Era Vargas e além: o início do encarceramento ===&lt;br /&gt;
Com a Revolução de 1930, o projeto de nação de Vargas exigia um povo saudável e produtivo, devido à visão desenvolvimentista suportada pela Aliança Liberal, que o elegeu. A loucura deixou de ser apenas uma questão de ordem pública ou um aspecto da caridade para se tornar um problema de Segurança Nacional e Saúde Pública. Em 1941, no âmbito do Estado Novo, foi criado o Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM), substituindo o antigo modelo de assistência a alienados, que era fragmentado, conforme as diferentes províncias. Dessa maneira, Vargas criou uma diretriz federal centralizada para a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM), uma instituição que professava o higienismo no Brasil e que já atuava desde a década de 1920, ganhou fôlego. O foco deslocou-se do hospital para a prevenção na sociedade. A psiquiatria não deveria se limitar aos hospitais, mas também atuar na escola, na fábrica e na família, buscando eugenizar, limpar a nação e extirpar o que chamavam de &amp;quot;elementos degenerados&amp;quot;. O médico Gustavo Riedel e seus sucessores defendiam que o Estado deveria intervir precocemente para evitar que o &amp;quot;anormal&amp;quot; se tornasse um fardo para a máquina pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi durante as décadas de 1930 e 1940 que o modelo de colônia agrícola, antes visto como terapêutico e de assistência à manutenção hospitalar, atingiu proporções industriais. O que se viu em Barbacena e em instituições como o Juquery em São Paulo, foi a transformação do hospital em, praticamente, um campo de concentração administrativo. A internação não dependia mais de um diagnóstico médico rigoroso, que na prática ainda era frágil e baseado em elementos pouco científicos. Bastava ser considerado &amp;quot;socialmente inconveniente&amp;quot; para correr-se o risco de ir parar numa instituições dessas. Assim, pobres, prostitutas, homossexuais, militantes políticos e mães solteiras eram enviados para essas instituições, onde a sobrevivência era a exceção. Estima-se que, no auge do descaso, o Hospital de Barbacena registrava um número alarmante de óbitos por frio, fome e doenças evitáveis, cujos corpos eram, por vezes, vendidos para faculdades de medicina. Situações similares aconteciam em outras instituições do tipo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tratamentos Brutais e os Modos de Resistência ===&lt;br /&gt;
Para além do horror asilar, o período entre 1930 e 1950 também foi marcado pela introdução de terapias biológicas drásticas, importadas da Europa, conhecidas como somatoterapias. Com uma psicofarmacologia pouco eficaz, os médicos buscavam &amp;quot;chacoalhar&amp;quot; o organismo, produzindo nele como um choque que pudesse restaurar a razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma dessas técnicas era a insulinoterapia. Introduzida na Europa pelo médico austríaco Manfred Sakel (1900–1957) em Viena, no início dos anos 1930, representou uma das primeiras e mais invasivas formas de somatoterapia. Originalmente destinada ao tratamento da esquizofrenia, a técnica consistia na administração de doses maciças de insulina no paciente, provocando um estado de hipoglicemia profunda que levava o paciente ao coma. Na volta desse estado, se esperava que o indivíduo “restaurasse” a razão por conta do choque orgânico violento que havia vivenciado. O procedimento era extremamente perigoso e estava associado a uma alta taxa de mortalidade e morbidade devido às convulsões e aos possíveis danos cerebrais. Apesar dos riscos, o método foi amplamente adotado no mundo todo, incluindo o Brasil, onde foi usado em grandes instituições de confinamento, como o Hospital Nacional de Alienados (HNA), no Hospital Juquery, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que passou a ser muito utilizada foi a Eletroconvulsoterapia, ou simplesmente o eletrochoque. Introduzido no Brasil logo após sua invenção na Itália (1938), consiste em colocar eletrodos carregados com correntes elétricas em lados opostos, na lateral da cabeça, de modo que uma forte corrente elétrica atravessasse o cérebro. A duração e a intensidade podiam variar, mas relatos de mais de trinta minutos de choques violentos não eram incomuns. Sua brutalidade era tamanha que exigia que sua vítima fosse fortemente amarrada. Tornou-se uma ferramenta onipresente nos hospitais, muitas vezes aplicada sem anestesia e como método de punição, desvirtuando sua finalidade clínica e usada, basicamente, como ferramenta de tortura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que ingressou no Brasil nesse período foi a lobotomia, um procedimento cirúrgico que consistia em apenas retirar um pedaço do cérebro do paciente. Eles foram realizados em larga escala em hospitais como o Juquery e no Hospital Pedro II, buscando a docilização de pacientes crônicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em oposição à violência do isolamento oferecido por essas instituições, surge a figura de Nise da Silveira. Em 1946, após ter sido presa pelo regime de Vargas por suas inclinações políticas, Nise assumiu o Setor de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional (Engenho de Dentro), no Rio de Janeiro. Ela se recusou a usar eletrochoques e lobotomias, introduzindo a arte e o afeto como mediadores da cura. Ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente em 1952, onde demonstrou, através das pinturas e esculturas de pacientes como Arthur Bispo do Rosario, que o louco preservava uma riqueza simbólica e uma humanidade que a psiquiatria tradicional tentava apagar. Sua colaboração com Carl Jung colocou a experiência brasileira no mapa da psicologia analítica mundial, provando que o tratamento em liberdade e através da expressão criativa era viável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Criação da Indústria da Loucura ===&lt;br /&gt;
No final da década de 1950 e início da de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek e o breve período democrático posterior, o Brasil viu o surgimento de uma nova e ainda mais perversa dinâmica: a Indústria da Loucura. A assistência psiquiátrica, antes quase totalmente pública ou baseada no assistencialismo das Santas Casas, começou a ser privatizada. Com o crescimento dos institutos de previdência (IAPs), o Estado passou a pagar hospitais privados por dia de internação. Isso criou um incentivo perverso: quanto mais tempo o paciente ficasse internado e quanto menos recursos fossem gastos com ele, maior o lucro das clínicas privadas. Esse modelo, conhecido como &amp;quot;hospitalocêntrico&amp;quot;, inchou o sistema e preparou o terreno para a política de contenção social que seria radicalizada após o golpe de 1964. Foi um momento de multiplicação da brutalidade. Pouco importava a loucura ou não, o tratamento ou não, a eficácia ou não. O que importava era ganhar o dinheiro estatal por meio de um encarceramento fácil e praticamente impossível de escapar, além de altamente lucrativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coisa se aprofundou ainda mais com o golpe militar, que unificou em 1966 os Institutos de Aposentadoria e Pensões no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), produzindo uma centralização gigantesca de recursos, com um modelo de privatização quase total. A psiquiatria, por ser uma especialidade cuja formação exigia baixo investimento tecnológico quando comparada a outras como a cirurgia, cardiologia ou oncologia, permitia grandes lucros com as internações de longa permanência. Assim, trancafiar e atormentar os loucos tornou-se o setor mais atraente para o empresariado da saúde.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de pessoas possivelmente diagnosticadas, o sistema era alimentado pelo encarceramento de militantes políticos, estudantes rebeldes, pessoas em situação de rua,  mendigos, homossexuais, indivíduos com comportamentos &amp;quot;desviantes&amp;quot; da moral tradicional, dependentes químicos, alcoólatras ou mesmo pessoas “problemáticas” da família, que se recusavam, por exemplo, a participar de casamentos arranjados, que denunciavam violência sexual ou eram apenas mulheres que haviam engravidado antes do casamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As instituições privadas multiplicaram-se pelo interior do país, longe dos olhos da fiscalização e dos centros urbanos. Instaladas em locais de difícil acesso, facilitava o ocultamento de violações de direitos humanos e ainda utilizava da conivência dos governos locais. As populações dessas localidades, crentes no saber médico, dificilmente desconfiavam do que poderia acontecer dentro dessas instituições e, quando vazavam denúncias, elas rapidamente podiam ser facilmente manejadas em conluio com os poderes locais. A loucura tornou-se um negócio de massa, com o abrigo precário de centenas de pessoas em galpões, onde a única &amp;quot;terapia&amp;quot; era a contenção química por sedativos baratos ou o uso indiscriminado do eletrochoque para manter a ordem além, é claro, da violência e brutalidade de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Luta Antimanicomial ==&lt;br /&gt;
No final da década de 1970, o modelo de saúde mental começou a dar sinais de exaustão, tanto financeira quanto ética. O Estado já não conseguia arcar com os custos crescentes de um sistema que só expandia o número de crônicos, e as denúncias de maus-tratos começaram a furar o bloqueio da censura, aparecendo em jornais mais prestigiados e em espaços mais amplos do debate social. O estopim para a o início do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil começa com uma crise na Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), que havia recebido denúncias de irregularidades no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Hospital Pinel, na Colônia Juliano Moreira e no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. A denúncia foi acompanhada de uma greve por parte dos funcionários, que exigiam melhorias institucionais e questionavam irregularidades trabalhistas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É dessa crise que surge o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) que, nesse primeiro momento, estão mais preocupados com questões trabalhistas do que com o problema da própria prática psiquiátrica, que vai caracterizar parte dos movimentos antimanicomiais posteriormente. O MTSM se fortalece e consegue espaço no extremamente conservador V Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que ocorre em 1978, no que fica conhecido como “congresso da abertura”, num período também de abertura política com o iminente fim do regime militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1978, um grupo importante de intelectuais vinculados às bases teóricas do Movimento Antimanicomial participa do I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições, incluindo Franco Basaglia, Felix Guattari, Robert Castel e Erwinf Goffman, todos eles de grande inspiração e influência para o movimento antimanicomial brasileiro. No ano seguinte, o I Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental fortalece a contextação não apenas de problemas trabalhistas, mas do próprio modelo asilar e da forma como a psiquiatria intervinha e oprimia a população marginalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação público-privada que alimentava o modelo até então começa a ruir em 1980, com a chamada política da co-gestão interministerial. Nela, um convênio celebrado entre o Ministério da Previdência e Assistência Social com o Ministério da Saúde liquida a &amp;quot;Unidade de Serviço&amp;quot;, a política que permitia a contratação privada de serviços psiquiátricos e que representou o triunfo do público sobre o privado. Membros do MTSM passam a integrar a gestão do atendimento em saúde mental que, por dentro do aparato estatal, começam a implementar uma política de saúde pública baseada em prestação de serviços, cooperação, descentralização e regionalização, propostas que já eram defendidas pelos reformadores. Apesar desses avanços, críticos afirmam que a política de co-gestão apenas visava reformar os serviços, não atingindo o âmago da questão, que seria desconstruir o próprio paradigma psiquiátrico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de desinstitucionalização de fato começa em 1985, ano marcado pelo fim da Ditadura Militar e pela realização de vários eventos que aprofundam o debate sobre a situação do atendimento. A I Conferência Nacional de Saúde Mental marca o início da desinstitucionalização devido aos conflitos entre o MTSM, a ABP e grupos não-organicistas que passaram a dirigir o DINSAM. Na conferência, consagrou-se uma reviravolta na perspectiva com a consolidação do lema &amp;quot;por uma sociedade sem manicômios&amp;quot;, rompendo com a lógica tanto privatista quanto estatista e questionando o próprio modelo psiquiátrico tradicional. Este passou a ser amplamente entendido como fenômeno cultural que promove o tratamento moral e o controle dos corpos, uma visão abertamente basagliana e antimanicomial. Alguns entendem que, nesse momento, a tradição anti-institucional que originou os primeiros questionamentos na década de 1970 foi restaurada e fortalecida. Após a Conferência, o próprio MTSM se renovou, se desatrelando do Estado, retomando sua independência e seu papel de transformação social.  A mudança do movimento se consolidou no II Congresso Nacional de Trabalhadores de Saúde Mental, quando a noção de racionalização e modernização dos serviços que havia caracterizado o período da co-gestão foi recusado em nome de uma pauta anti-institucional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados dos anos 1980 começam a surgir novos modelos de atenção à saúde que poderia substituir o modelo psiquiátrico. Em São Paulo é criado o primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), em 1987. Em Santos, surge o Núcleo de Atenção Psicossocial (NAPS), em 1989. Estes serviços passaram a ser vistos como os modelos para uma contestação profunda dos manicômios, justificando seu encerramento. Já na década de 1990, o SUS introduziu mecanismos de fiscalização e auditoria que começaram a sufocar financeiramente os asilos privados que não cumpriam níveis mínimos de dignidade. Portarias históricas do Ministério da Saúde, inspiradas na Declaração de Caracas (1990), passaram a proibir a criação de novos leitos psiquiátricos asilares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após mais de uma década de tramitação e intensos debates no Congresso Nacional, como fruto dos embates históricos iniciados na crise do DINSAM e que atravessaram debates públicos extremamente imporantes, foi promulgada a Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, que ficou conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica ou Lei Paulo Delgado, seu autor. Esta legislação se tornou o marco jurídico definitivo da virada assistencial no Brasil. A lei instituiu o direito do paciente de ser tratado em ambiente terapêutico o menos restritivo possível e colocou a internação psiquiátrica como último recurso possível. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para preencher o vazio deixado pelo fechamento dos grandes hospitais, o SUS estruturou a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), formalizada na década seguinte pela Portaria nº 3.088 de 2011. A RAPS organizou o cuidado em diferentes níveis de complexidade, com os CAPS divididos nas modalidades CAPS I, II, III, CAPSi  e CAPS AD e, por fim, os Serviços de Residência Terapêutica (SRT). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, a luta continua devido a retrocessos observados na segunda metade da década de 2010 e início dos anos 2020. Mudanças nas diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental tentaram reintroduzir a centralidade do hospital psiquiátrico e incentivaram o uso de práticas baseadas no isolamento. Além disso, o governo federal passou a financiar massivamente as chamadas Comunidades Terapêuticas (CTs), instituições de caráter predominantemente privado e religioso voltadas ao acolhimento de usuários de drogas, de onde emanam graves denúncias de todos os tipos de violação dos direitos humanos e que representam um evidente retrocesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, o campo da saúde mental no Brasil vive um embate profundo entre duas visões. De um lado, aqueles que lutam pela consolidação da RAPS, em defesa da clínica da subjetividade, da defesa dos direitos humanos, pela redução de danos e pela inserção social pelo trabalho e pela cultura. Do outro lado observa-se a persistência do lobby asilar e de setores que buscam a mercantilização do cuidado, por meio do encarceramento, da medicalização extrema do sofrimento psíquico, da higienização dos centros urbanos e do recolhimento dos indesejáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
AMARANTE, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1995.&lt;br /&gt;
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CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa. Tratado de Saúde Coletiva. São Paulo: Hucitec, 2006. &lt;br /&gt;
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COSTA, Jurandir Freire. Violência e Psicanálise. Rio de Janeiro: Graal, 1986.&lt;br /&gt;
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COSTA, Jurandir Freire. História da Assistência Psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Garamond, 2007. &lt;br /&gt;
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ENGEL, Magali. Os Delírios da Razão: médicos, loucos e hospícios (Rio de Janeiro, 1830-1930). Rio de Janeiro: Fiocruz, 2001&lt;br /&gt;
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FOUCAULT, Michel. História da Loucura na Idade Clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Netto. São Paulo: Perspectiva, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MELLO, Luiz Carlos. Nise da Silveira: Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2014.&lt;br /&gt;
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PEREIRA, Ana Leonor; PITA, João Rui. A Institucionalização da Loucura em Portugal. Coimbra: Estudo Geral, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PESSOTTI, Isaias. A loucura e as épocas. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.&lt;br /&gt;
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PINEL, Philippe. Traité médico-philosophique sur l&#039;aliénation mentale, ou la manie. Paris: Richard, Caille et Ravier, 1801.&lt;br /&gt;
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RESENDE, Heitor. O Pequeno Livro da Reforma Psiquiátrica Relativa ao Confinamento e à Liberdade. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1987.&lt;br /&gt;
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SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama. História whig e história da psicologia. Em: ____. História whig, história da psicologia e história da psiquiatria: investigando a revolução behaviorista e a reforma psiquiátrica brasileira. Rio de Janeiro, 2023. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2023, p.94-133.&lt;br /&gt;
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SILVA, Priscila Aquino. O Hospital Real de Todos-os-Santos e seus agentes da cura. In: História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 22, n. 4, 2015.&lt;br /&gt;
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VENANCIO, Ana Teresa A.; CARVALHAL, Lázaro. Juliano Moreira: A Ciência da Assistência e a Assistência da Ciência. In: Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2001.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
YASUI, Silvio. Rupturas e Encontros: desafios da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2010.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_loucura:_da_Gr%C3%A9cia_antiga_%C3%A0_luta_anti-manicomial&amp;diff=1680</id>
		<title>História da loucura: da Grécia antiga à luta anti-manicomial</title>
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		<updated>2026-05-16T10:14:23Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* A Luta Antimanicomial */ Várias modificações substanciais&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Este texto ainda é um rascunho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Texto com finalidade didática escrita por André Elias Morelli Ribeiro para o curso de Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A história da loucura é, ao mesmo tempo, uma narrativa sobre o modo como diferentes sociedades compreenderam a mente humana e uma reflexão sobre os mecanismos de poder que moldaram práticas de exclusão, cuidado e resistência vinculados à loucura. Iniciando na Grécia antiga até o movimento antimanicomial no Brasil, pode-se observar como a loucura foi interpretada ora como intervenção divina, ora como desvio moral, ora como doença fisiológica, ora como ameaça social. Cada época construiu suas próprias respostas, que variaram entre a integração comunitária, o confinamento brutal e a busca por tratamentos médicos ou espirituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, a trajetória seguiu de perto os modelos europeus. Do Hospício de Pedro II às colônias agrícolas, passando pela gestão de Juliano Moreira, a psiquiatria nacional oscilou entre avanços humanitários e práticas de exclusão. O período Vargas e o Estado Novo intensificaram o encarceramento, transformando hospitais em verdadeiros campos de concentração administrativos. As décadas seguintes viram a adoção de terapias brutais, como eletrochoques e lobotomias, mas também o surgimento de resistências, como a obra de Nise da Silveira, que introduziu a arte e o afeto como caminhos de cura. A partir dos anos 1960, a privatização da assistência psiquiátrica gerou a chamada “Indústria da Loucura”, marcada por internações lucrativas e violações sistemáticas de direitos humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, o percurso histórico apresentado aqui mostra que a loucura nunca foi apenas um fenômeno clínico mas, antes, um espelho das sociedades, revelando seus medos, suas crenças e suas formas de organizar o convívio humano. De sagrada a temida, de medicalizada a mercantilizada, apresenta-se e se discute como surgiram vozes e práticas que reivindicaram humanidade e liberdade para os considerados loucos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras no Mundo Antigo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grécia antiga ===&lt;br /&gt;
Na Grécia antiga, em certo momento a loucura era considerada uma intervenção dos deuses e, como os gregos era politeístas, a varidade de formas de loucura e intervenção também era bem grande. A loucura poderia ser vista como uma punição. Um exemplo notório é o herói Ajax, filho de Telamão. Após a morte de Aquiles, a armadura do herói foi dada a Odisseu, e a afronta levou Ajax a um estado de fúria e ressentimento. A deusa Atena, intervindo em favor de Odisseu ou para proteger os Aqueus da vingança de Ajax, lançou sobre ele uma cegueira mental. Tomado pela loucura, Ajax massacrou o gado de guerra que havia sido capturado, acreditando que estava matando os líderes aqueus, incluindo Odisseu e Agamenon. Ao recobrar a sanidade e perceber seu ato vergonhoso, o que o levou a cometer suicídio por humilhação. Essa cena ilustra a loucura como uma intervenção divina direta na forma de loucura poderia ser vista como destrutiva e extremamente negativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outros episódios da mitologia grega, a loucura surge como uma consequência direta de traumas e da perseguição implacável por vingança. Um exemplo fundamental é o de Orestes que, após assassinar sua mãe, Clitemnestra, para vingar a morte de seu pai, Agamenon, passa a ser atormentado pelas Erínias. Essas divindades da vingança, também conhecidas como Fúrias, levaram o herói a um estado de delírio e desespero profundo, personificando a tortura psicológica e a perda da razão como uma forma de acerto de contas espiritual e moral pelo matricídio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura não era unicamente um flagelo ou uma punição. Os gregos, notavelmente, viam a mania, um termo que hoje engloba a loucura, em uma perspectiva dual. Na sua manifestação mais elevada era considerada uma benção ou inspiração divina. Essa visão positiva estava profundamente ligada ao culto de Dionísio, o deus do vinho, do teatro e do êxtase. Nos rituais dionisíacos, as bacantes e outros seguidores buscavam o êxtase, que é, literalmente, &amp;quot;sair de si&amp;quot;, por meio da dança frenética, música e consumo de vinho, o que era percebido como um estado de comunhão direta e inspirada com a divindade. Longe de ser destrutiva, essa forma de loucura era vista como uma fonte de criatividade, revelação e poder, sendo um caminho para a verdade profética e a expressão artística ligada a Dionísio. Este conceito de mania inspirada também se estendia a outros domínios, como a profecia dos oráculos, que eram vinculados à adoração ao deus Apolo, e mesmo a poesia, onde a perda temporária da razão humana era interpretada como a mente sendo tomada por uma força divina que trazia algum tipo de inspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em certo momento, ainda na Grécia antiga, as ideias sobre a loucura - ou algo que pareça loucura aos nossos olhos contemporâneos - foi modificada graças a Hipócrates, o pai da medicina. A visão de Hipócrates marcou uma transição crucial para o entendimento da loucura na Grécia Antiga, pois afastou a loucura das concepções divinas e sobrenaturais para uma explicação puramente fisiológica e natural. Ele desenvolveu a Teoria dos Quatro Humores, que se tornou o pilar da medicina ocidental por séculos. Segundo essa teoria, o corpo humano era composto por quatro fluidos essenciais (humores): sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. A saúde mental e física dependia do equilíbrio harmonioso desses humores. A loucura, ou qualquer doença mental, era, portanto, interpretada como o resultado de um desequilíbrio, como o excesso de bile negra causando a melancolia (depressão), ou o desarranjo da fleuma e da bile amarela, que poderiam levar a estados de mania e frenesi. Com isso, Hipócrates postulou que a loucura não era uma maldição dos deuses, mas sim uma doença com origem no corpo. Essa abordagem naturalista permitiu que a loucura passasse a ser tratada com métodos como dietas, exercícios e remédios, em vez de rituais religiosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradição bíblica ===&lt;br /&gt;
Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e à recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o baniu do convívio humano. Ele passou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara, conforme emerge na descrição bíblica, mostra uma concepção de loucura ligada à perda da razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo da loucura, onde o que é considerado &#039;loucura&#039; pelos homens revela-se a suprema sabedoria divina. Essa ideia é desenvolvida pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. Na passagem, ele afirma: &#039;Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens&#039; (1 Coríntios 1:25). Paulo usa o termo moria (loucura, tolice) para contrastar a sabedoria humana, que na época do texto era representada pela filosofia e retórica grega, com a mensagem da cruz, que parecia ilógica e insensata aos olhos dos não cristãos, que debochavam do fato do profeta ter sido capturado e morto pelos romanos. Assim, a loucura deixa de ser apenas uma punição para se tornar uma lente através da qual a verdadeira sabedoria, ou seja, a salvação, é revelada, invertendo a hierarquia de valores do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pérsia ===&lt;br /&gt;
Na Pérsia, a visão da loucura e do comportamento irracional foi moldada por seu profundo dualismo religioso e, posteriormente, pelas tradições islâmicas que se seguiram à conquista árabe. O zoroastrismo, a antiga religião persa fundada por Zoroastro (Zaratustra), transformou o politeísmo anterior em um dualismo cósmico centralizado no conflito eterno entre Ahura Mazda (Ormazd), o criador da vida, luz e verdade, e Angra Mainyu (Ahriman), a escuridão e a mentira. Neste cenário, o mundo material é o campo de batalha entre os dois. Ahriman buscava corromper tudo o que Ormazd havia criado. Embora o texto não defina a loucura diretamente, o comportamento irracional e a desrazão poderiam ser facilmente associados ao domínio de Ahriman e à mentira (druj), enquanto a sanidade e a pureza eram atributos de Ormazd. A batalha contra essa corrupção exigia que os adoradores de Ormazd permanecessem verdadeiros e evitassem poluir o fogo e a terra sagrada, indicando que a pureza mental e ritual era uma defesa contra as forças do mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Islã ===&lt;br /&gt;
Na cultura islãmica, de forma geral e bastante resumida, o comportamento considerado irracional era frequentemente explicado pela crença nos djinn, espíritos errantes que habitavam o deserto e certos lugares considerados místicos e que podiam invadir a mente humana, causando o que a sociedade ocidental moderna chamaria de insanidade ou, talvez, distúrbio emocional, cujo tratamento era o exorcismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura também apareceu em narrativas culturais associadas aos povos de forma a sugerir causas e curas mais mundanas. O famoso conto persa de As Mil e Uma Noites relata a história do rei Shahriyar, que, convencido da inevitável traição feminina, cai em uma loucura paranóica que o leva a se casar e matar uma virgem todas as noites. Sua &amp;quot;cura&amp;quot; é alcançada através da engenhosidade e paciência humana por meio de uma dessas esposas, Scheherazade, que usa a arte de contar histórias para retardar sua execução por &amp;quot;mil e uma noites&amp;quot;, período em que sua paranoia é gradualmente desfeita. A história sugere que a narrativa e o tempo podem curar a loucura causada por trauma psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras na Idade Média ==&lt;br /&gt;
A transição para a Idade Média é marcada pelo colapso do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e trouxe profundas transformações políticas e sociais. O fim do governo centralizado romano levou à fragmentação do poder e ao surgimento do sistema feudal, onde a administração das terras e a autoridade passaram para as mãos de senhores locais, muitos deles antigos oficiais romanos. Este período também é caracterizado por um notável declínio na vida urbana e nos grandes centros intelectuais. O colpaso das instituições romanas deu lugar à ascensão e consolidação da única instituição internacional grande e organizada que havia sobrado, a Igreja Católica, que se tornou a principal instituição de poder. Houve ainda uma perda gradual da tradição cultural greco-romana e, consequentemente, um afastamento das explicações naturalistas de Hipócrates, com exceção do pequeno renascimento do século XII e retomadas pontuais da sabedoria grega. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a hegemonia da Igreja Católica, a loucura tendeu a ser novamente interpretada sob uma lente teológica, sendo vista como uma manifestação de forças sobrenaturais ou desvios morais. Nesse contexto, certas vezes a loucura era interpretada como a intervenção de Satanás ou como possessão demoníaca, exigindo rituais de exorcismo para a cura. Em outros momentos, era vista como uma prova espiritual enviada por Deus ou como um efeito direto do pecado na alma do indivíduo. Havia também explicações que a tratavam como uma fragilidade da vontade humana, misturando elementos da antiga tradição grega com aspectos da teologia cristã, estabelecendo um novo arcabouço para o entendimento da mente humana durante a Idade Média, que tinha muitas variações e não era uniforme nem ao longo do tempo nem em todos os espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Socialmente, a gestão da loucura na Idade Média também passou por diferentes fases e transformações, dependendo do local e da época. Haviam casos em que os consideradores loucos eram apenas torturados e trancafiados, acreditando-se serem métodos eficazes para expulsão de espíritos malignos, por exemplo. Contudo, em muitos outros casos, os considerados loucos conviviam de forma mais ou menos harmoniosa com o resto da comunidade, a depender de suas capacidades e possibilidades, e certos “desvios” eram perdoados devido à sua condição peculiar, sem a necessidade imediata de uma exclusão radical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Nau dos Loucos ===&lt;br /&gt;
Um caso notável e emblemático da gestão da loucura nesse período é a Nau dos Loucos (Stultifera Navis), conforme trabalhado por Michel Foucault. Anteriormente ao modelo de exclusão-repressão que viria a se consolidar na Idade Clássica, a loucura viveu o que se pode chamar de seus &amp;quot;dias de glória&amp;quot; na transição para a Renascença. Nesse contexto, o louco poderia ser visto como um sábio, um místico, um bobo da corte ou simplesmente um excêntrico que estava, de certa forma, integrado ao tecido social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Nau dos Loucos simbolizava uma existência errante, onde o louco era confiado à água e ao navio para ser levado de uma cidade a outra, mantendo-o em um estado de exclusão simbólica, mas ainda assim em movimento e circulação. Para Foucault, essa experiência trágica da loucura permitia que o insano portasse uma forma de lucidez em sua insensatez, revelando verdades que a razão comum não ousava enunciar. O louco via através das ilusões mundanas, aproximando-se de uma verdade profética ou ética que seria progressivamente silenciada nos séculos seguintes pela ascensão do saber médico e da racionalidade científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Santa Dimpna e Geel ===&lt;br /&gt;
Outro acontecimento relevante da Idade Média para a compreensão da loucura é o episódio de Santa Dimpna. Nascida no século VII na Irlanda, ela era filha de um rei pagão e de uma mãe cristã devota, de quem herdou sua fé e pelo qual decidiu fazer votos de castidade. Após a morte prematura da mãe, seu pai, mergulhado em um profundo luto, decidiu que Dimpna era a única mulher com beleza comparável à da falecida rainha e insistiu em se casar com a própria filha, o que seria considerado escandaloso também para aquela cultura. Diante dessa perseguição incestuosa, Dimpna fugiu da Irlanda acompanhada de seu confessor, o padre Gereberno, e de dois servos fiéis. O grupo cruzou o mar e estabeleceu-se em Geel, um minúsculo vilarejo na atual Bélgica, onde Dimpna dedicou-se ao cuidado dos pobres e doentes mentais. No entanto, o rei conseguiu encontrá-los e, após a recusa de Dimpna em retornar e de se casar com o pai, ordenou a execução de Gereberno, enquanto ele mesmo decapitou a filha, tornando a menina de 15 anos de idade uma mártir cristã. Após sua morte, relatos de curas milagrosas de pessoas com distúrbios mentais e epilepsia começaram a ocorrer junto ao seu túmulo, o que a tornou a padroeira dos doentes mentais e o local um espaço de peregrinação ligado à questão da saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O legado de Santa Dimpna em Geel deu origem a um modelo para a psiquiatria moderna pois, devido à devoção e adoração à Santa Dimpna, a cidade transformou-se em um santuário onde os pacientes não eram trancafiados, mas acolhidos em lares de famílias locais como &amp;quot;hóspedes&amp;quot;. Esse sistema de cuidado comunitário e desinstitucionalização, que persiste há séculos, é considerado um dos precursores do tratamento humanizado e da reabilitação psicossocial na saúde mental contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Idade Clássica: a nova era da loucura encarcerada ==&lt;br /&gt;
A partir do século XVII, um período em que o filósofo Michel Foucault denominou como &amp;quot;A Época Clássica&amp;quot;, a forma de entender e lidar com a loucura passa por uma nova mudança devido ao ingresso da razão como centro e alma do pensamento europeu, em substituição ao dogmatismo religioso e ao conhecimento da igreja. Esta mudança não é brusca, mas lenta e gradual, porém suas marcas serão duradouras e serão sentidas por quase toda a Europa. Para essa nova e nascente razão, a loucura seria seu oposto direto. Se o homem era definido pela sua capacidade racional e sua utilidade produtiva, o louco era, portanto, como um &amp;quot;não-homem&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a solução para a não-razão era a internação que não buscava a cura, mas a neutralização do irracional. O silenciamento da loucura era necessário para que a ordem social pudesse florescer. Os campos e cidades deveriam ser espaços de circulação de mercadorias pelas mãos de cidadãos produtivos, e qualquer elemento que atrapalhasse essa dinâmica deveria ser guardado em instituições que funcionavam como uma guarda contra o risco social que tais pessoas ofereciam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relatos da época descrevem cenários terríveis sobre as condições de internação dos loucos. Os internos eram frequentemente mantidos em celas úmidas e insalubres, muitas vezes acorrentados às paredes. O uso de chicotes e outras punições corporais era justificado pela crença de que o louco, por ter perdido a razão, teria a resistência física de um animal, não sentindo frio ou dor da mesma forma que uma pessoa &amp;quot;normal&amp;quot;. Além disso, as instituições funcionavam sob uma lógica de vigilância constante. Não se tratava de observar para entender a mente, mas para garantir que o corpo anormal permanecesse contido e, no máximo possível, docilizado. Foi dentro desse ambiente de absoluta degradação e mistura indiscriminada de diferentes &amp;quot;tipos&amp;quot; de desviantes que a consciência médica começou a germinar, ainda que de forma incipiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== França ===&lt;br /&gt;
O ano de 1656 marca um divisor de águas simbólico para o modelo de confinamento asilar no mundo todo, com a criação do Hôpital Général (Hospital Geral) em Paris, por um edito real do rei Luís XIV. É importante entender que um hospital geral deste período não é como um hospital moderno, ou seja, uma instituição médica e voltada para a compreensão da doença e a prática do tratamento e cura. Ele estava mais próximo de uma estrutura administrativa e, de certo modo, semi-judiciária. Isso ocorria porque o interesse não estava em “curar” ou “tratar” ninguém mas, antes disso, perseguir o interesse do Estado de &amp;quot;limpar&amp;quot; as ruas de Paris de tudo o que era considerado improdutivo ou escandaloso. Era um período de abundância material, grandes gastos estatais e de uma imensa riqueza do império colonial francês, e desvios nessa ordem eram vistos como perigosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes tais hospitais gerais eram confinados, todos juntos, grupos totalmente diferentes, tais como pobres, mendigos, desempregados, libertinos, prostitutas, alquimistas, opositores políticos e, claro, também os considerados loucos. Em suma, um depósito de indesejados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que começou em Paris se tornou um modelo para outros lugares sobre como fazer a gestão da miséria e da “desrazão”, num forte deslocamento do que se via na Idade Média. O louco, antes tendo algo de profético, místico ou talvez apenas uma excentricidade da vida medieval campesina, se torna uma questão político-administrativa. Essa mudança importante marca uma migração para a possibilidade de institucionalização daquilo que era considerado errante ou, de alguma forma, desagradável e, assim passível de ser alvo de uma forma de gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Paris, as duas principais unidades do Hospital Geral se tornaram emblemáticas e simbólicas. A Salpêtrière, que era destinada às mulheres, e o hospital Bicêtre, destinado aos homens. Ambas não ofereciam qualquer forma de tratamento. Eram basicamente depósitos humanos, onde o louco poderia acabar acorrentado ao lado de criminosos, por exemplo. O critério de internação não era o diagnóstico clínico, mesmo porque simplesmente ele nem existia nos moldes modernos, mas a incapacidade de se ajustar às normas de trabalho e à moralidade da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alemanha ===&lt;br /&gt;
Na Alemanha, surgiram as Zuchthäusern, que seriam as Casas de Correção. Cidades como Hamburgo e Bremen estabeleceram esses locais onde a loucura era tratada através do trabalho forçado. Eles acreditavam que o ócio era a raiz do mal e que o confinamento servia para reintegrar o indivíduo à lógica da produtividade. De qualquer forma, uma vez enclausurado, ele permanecia escondido da visão da população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Inglaterra ===&lt;br /&gt;
Na Inglaterra, o sistema das Workhouses (Casas de Trabalho) cumpria um papel semelhante ao modelo alemão. No entanto, Londres já possuía o Bethlem Royal Hospital, conhecido popularmente como Bedlam. No século XVII e XVIII, Bedlam se tornou um espetáculo de horror, onde o público podia pagar para observar os internos como se fossem animais em um zoológico. A loucura era agora um objeto de uma forma de exibição degradante e mantida atrás de grades e ferros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Portugal ===&lt;br /&gt;
Em Portugal a gestão dos &amp;quot;desviantes&amp;quot; recaiu fortemente sobre as Santas Casas da Misericórdia. O Hospital Real de Todos-os-Santos, fundado em Lisboa em 1492 e inaugurado em 1501, se tornou o epicentro do tratamento (ou confinamento) dos loucos no país. Dentro deste hospital, existiam as chamadas &amp;quot;Casas de Doidos&amp;quot;, destinados àqueles que haviam “perdido a luz da razão”. Seguindo o padrão europeu, o hospital não separava rigidamente o louco por diagnóstico. Eles dividiam espaço com indigentes e enfermos de diversas naturezas, embora as &amp;quot;casas de doidos&amp;quot; fossem áreas de maior isolamento devido à agitação dos internos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XVIII português, a internação era, acima de tudo, uma solução para a mendicância e, por vezes, para o alcoolismo. O louco que tinha família e posses era mantido nas casas das famílias, muitas vezes escondido em sótãos ou anexos e até mesmo acorrentados. Já o &amp;quot;louco pobre&amp;quot;, cujas famílias nem se importam ou que não poderiam ser cuidados por seus familiares, era aquele que acabava nos hospitais reais ou mesmo nas cadeias, a depender de uma série de elementos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Nascimento da Psiquiatria ==&lt;br /&gt;
Nesta seção será tratada a história do nascimento da psiquiatria, mas não como ela é atualmente. Sua trajetória é cheia de desvios e abusos, além de vitórias para os direitos dos internos. Os avanços convivem com muitos retrocessos. Mesmo na época de seu surgimento, muitos eram os questionamentos sobre sua validade e cientificidade. Hoje existem aqueles que perguntam se a psiquiatria é necessária e se seu objeto não é fabricado por ela mesma, por meio de suas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pinel e a criação da psiquiatria nosográfica ===&lt;br /&gt;
É na virada do século XVIII para o XIX que nasce a psiquiatria como um campo autônomo do saber e da prática médica. Esta mudança fundamental é protagonizada por duas figuras centrais da medicina francesa: Philippe Pinel e seu discípulo, Jean-Étienne Dominique Esquirol. Juntos, eles transformaram o hospital de depósito de insanos e indesejáveis em um verdadeiro hospital, em que o louco e o alienado poderiam receber um tratamento racional e científico, em substituição às correntes, à disciplina e ao silenciamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência da psiquiatria como campo autônomo teve como fundamento científico inicial a observação clínica sistemática dentro do asilo. Este era concebido como um laboratório, onde o alienista poderia estudar a loucura em seu estado puro, separada das influências do mundo exterior. A principal questão científica e prática que justificava essa nova ciência era desenvolvida e aplicada de forma sistemática era a chamada nosografia ou diagnóstico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pinel, em seu &#039;&#039;Traité&#039;&#039; de 1801, classificou a loucura com base em critérios sintomatológicos, seguindo um procedimento comparativo semelhante ao das ciências naturais. O desafio central, que persistiria ao longo do século XIX, era a ambiguidade constante entre a busca por uma sede orgânica, ou seja, um “local físico-biológico” da loucura, junto da necessidade de uma regulação de caráter moral. O tratamento apoiava-se na moralidade para combater as causas que eram, elas próprias, consideradas morais, mas algo estava também no corpo do doente. Isso mostra que a nova psiquiatria de Pinel era a mistura de uma perspectiva médica com algo de caráter moral no entendimento da loucura. Este enfoque resultou na valorização do exame clínico pelos psiquiatras francófonos, permitindo a união da observação clínica com a formulação de hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1793, em meio ao fervor da Revolução Francesa, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe do Hospital de Bicêtre e, posteriormente, da Salpêtrière. O cenário que encontrou era o ápice do &amp;quot;Grande Enclausuramento&amp;quot;, ou seja, homens e mulheres amontoados nas condições já descritas, com destaque para as correntes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intervenção de Pinel, simbolizada pelo gesto de “libertar os loucos de suas correntes”, não foi apenas um ato humanitário, mas também uma decisão de natureza epistemológica. Pinel acreditava que a loucura não era uma possessão demoníaca nem uma degeneração animal irreversível, mas uma alienação mental, em outras palavras, uma perturbação das faculdades intelectuais e afetivas que mantinha o indivíduo como se fosse &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, ou alienado, de si mesmo e da sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pilar para a reforma psiquiátrica proposta por Pinel era o tratamento moral, e se baseava em três pilares fundamentais. O primeiro, o isolamento terapêutico. Era necessário que o paciente ficasse separado de seu ambiente que, segundo o médico, era a fonte de sua excitação e desequilíbrio. O segundo pilar era a autoridade médica, onde este deveria atuar como um pai ao mesmo tempo severo e justo, usando a persuasão, a benevolência e, se fosse necessário, a firmeza para restaurar a razão do paciente. Por fim, a disciplina e o trabalho, com a aplicação rigorosa de horários e valorização de atividades produtivas, o que ocuparia a mente alienada e, assim, combateria a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus estudos, Pinel identificou quatro tipos de loucura, quais sejam, a melancolia, a mania, a demência e o idiotismo, cada uma com suas questões próprias específicas e metodologias de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Esquirol e a consolidação do modelo ===&lt;br /&gt;
Se Pinel era considerado o visionário e o libertador, Jean-Étienne Dominique Esquirol foi o grande organizador e o clínico meticuloso. Discípulo de Pinel, Esquirol sucedeu seu mestre na Salpêtrière e deu à psiquiatria a robustez científica e administrativa de que ela necessitava. Esquirol compreendeu que a eficácia do tratamento moral dependia da arquitetura hospitalar. Para ele, o hospital não era apenas um prédio onde ocorria o tratamento, mas também um instrumento de cura. Ele desenvolveu o modelo de pavilhões, permitindo a separação dos pacientes por tipo de patologia, o que reforçou a própria ideia de diagnóstico e de avaliação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Esquirol refinou as definições clínicas de Pinel. Foi ele quem estabeleceu a distinção clássica entre alucinação (uma percepção sem objeto) e ilusão (uma percepção deformada de um objeto real), entre outros pontos que, na sua época, foram considerados avanços exemplares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Legalização da Alienação ===&lt;br /&gt;
O esforço médico, político e administrativo de Esquirol na continuação do trabalho de Pinel culminou na promulgação da lei francesa de 30 de Junho de 1838, a primeira grande legislação psiquiátrica do mundo moderno. Esta lei estabeleceu a obrigatoriedade de cada departamento francês possuir um asilo e regulamentou as condições de internação e interdição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A princípio, embora também protegesse o alienado do arbítrio e de outras violências que poderiam ser cometidos contra os loucos nas províncias e mesmo nas periferias de Paris, a lei também deu total poder ao médico psiquiatra. Era ele quem poderia decidir quem deveria ou não ser privado de sua liberdade. Com isso, a psiquiatria tornava-se, assim, um braço do Estado na gestão da ordem social mas, ao contrário do polícia e do inquérito polícial, que exigia provas independentes e a atuação do sistema judiciário, o psiquiatra estava coberto sob o manto da ciência médica, o que dava a ele poderes gigantescos de decidir entre a alienação e a razão. Isso marcou profundamente a forma como a loucura e a saúde mental passaram a ser compreendidas e tratadas nas décadas seguintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Loucura no Brasil ==&lt;br /&gt;
Até o início do século XIX, o Brasil colonial lidava com seus insanos de forma semelhante ao que ocorria na Europa. As famílias ricas mantinham seus parentes loucos em &amp;quot;quartos fortes&amp;quot;, privando-os mais ou menos da vida comunitária e familiar, a depender das circunstâncias. Já os pobres eram entregues à caridade das Santas Casas de Misericórdia ou vagavam pelas ruas, sendo ocasionalmente recolhidos a cadeias públicas quando perturbavam a ordem, indo e vindo das frágeis instituições brasileiras, sofrendo abusos e violências de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 gerou a necessidade de transformar a capital colonial em uma moderna metrópole europeia. Sob a influência do Iluminismo tardio e das notícias que chegavam sobre as reformas de Pinel na França, a elite médica brasileira, que havia estudado sobretudo na França e em Portugal, começou a pressionar o poder público pela criação de espaços específicos para o tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1830, a criação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (que viria a ser a Academia Nacional de Medicina) foi o marco institucional dessa pressão. Esse movimento político funcionou. O momento decisivo ocorreu em 18 de julho de 1841, quando o Imperador D. Pedro II, em comemoração à sua coroação, assinou o decreto de fundação do primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e da América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Hospício de Pedro II, ou o Palácio dos Loucos (1852–1889) ===&lt;br /&gt;
Inaugurado apenas em 8 de dezembro de 1852, o Hospício de Pedro II era gerido pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, que por anos geriu grande parte da loucura brasileira. Seu provedor era o médico José Clemente Pereira, que era responsável por todos os aspectos da instituição, desde os médicos até os administrativos. Embora a gestão administrativa fosse religiosa, o saber médico tinha muito espaço com nomes como Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, que tentaram implementar o &amp;quot;tratamento moral&amp;quot; inspirado em Esquirol. Apesar dos esforços, muitos relatos de abusos e de condições precárias mostravam a dificuldade em implementar um modelo brasileiro de tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Proclamação da República em 1889, o Hospício de Pedro II foi desvinculado da Santa Casa e renomeado como Hospital Nacional de Alienados (HNA). Este foi um período de maior laicização e pela busca por um maior rigor científico, o que não aconteceu por completo, em grande parte devido à falta de profissionais adequadamente treinados para a questão. Apesar disso, o Brasil já possuía uma cátedra de psiquiatria desde 1883, ocupada por João Carlos Teixeira Brandão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante dos altíssimos custos em manter o Hospital, surgem as colônias agrícolas como alternativa ao confinamento urbano. Em 1884, já havia sido inaugurada a Colônia de São Bento e, em 1890, a Colônia de Conde de Mesquita, na Ilha do Governador. A ideia era que o trabalho na terra poderia colaborar na cura, além de os produtos deste trabalho poderiam ser consumidos no local, ajudando na manutenção dos espaços. Apesar dessas transformações e de evidentes melhorias, os relatos de época mostram que não acontecia nenhuma das duas coisas, nem produção agrícola suficiente, nem um processo terapêutico efetivo, mas entendia-se que a colônia agrícola era melhor do que o confinamento do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Era Juliano Moreira ===&lt;br /&gt;
Em 1903, o médico baiano Juliano Moreira assume a direção do Hospital Nacional de Alienados. Negro, de origem humilde e dotado de uma erudição impressionante, ele revolucionou a assistência brasileira aos alienados, sendo reconhecido internacionalmente como um dos grandes psiquiatras de seu tempo. Ele se tornaria o principal médico alienista do Brasil, tornando-se referência para todo o país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moreira aboliu definitivamente o uso de camisas de força e as grades nas janelas, num gesto que se assemelhava àquele de Pinel, enfatizando que o hospital era um local de tratamento e cura, e não uma prisão ou um depósito de indesejados. Além disso, ele trouxe para o Brasil a nosologia de Emil Kraepelin, um psiquiatra alemão considerado o pai da psiquiatria moderna, da psicofarmacologia e da genética psiquiátrica, o que seria uma modernização do modelo francês adotado até então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a gestão Moreira ocorreram várias mudanças. Foi criado o Pavilhão Bourneville para crianças com deficiência intelectual. Além disso, fundou-se o Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1921), o primeiro do país, sob a liderança de Heitor Carrilho. Dentro dos hospitais incentivou-se a pesquisa laboratorial e anátomo-patológica, o que também abriu espaço para a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência e o prestígio de Juliano Moreira se espalhou pelo Brasil. Em São Paulo, destacou-se a figura de Francisco Franco da Rocha, que fundou em 1898 o Hospital do Juquery. O Juquery, como ficou conhecido, tornou-se uma &amp;quot;cidade-asilo&amp;quot;, chegando a abrigar dezenas de milhares de pacientes em um modelo que mesclava pavilhôes médicos com imensas colônias agrícolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período, a psiquiatria brasileira flertou intensamente com as teorias da degenerescência (de Morel e Magnan) e com a eugenia. Médicos como Renato Kehl, bem como a criação da Liga Brasileira de Higiene Mental (1923), fundada por Gustavo Riedel, começaram a ver a loucura não apenas como um problema individual, mas como um risco biológico à raça brasileira. A higiene mental passou a atuar preventivamente em escolas e fábricas, buscando identificar &amp;quot;pré-delinquentes&amp;quot; e &amp;quot;personalidades anormais&amp;quot;. Apesar de não ter conseguido desenvolver muitas políticas efetivas, os eugenistas brasileiros eram ativos e influentes em muitos círculos decisórios importantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A criação de hospitais não se limitou a São Paulo e Rio de Janeiro. Em  1903, o governo de Minas Gerais fundou o Hospital Psiquiátrico de Barbacena, que mais tarde seria palco de uma das maiores tragédias humanitárias do país. Em Pernambuco, o Hospital Ulysses Pernambucano foi fundado pelo médico de mesmo nome, que começou a desenvolver uma psiquiatria mais voltada para o social e para a prevenção no final dos anos 1920. Hospitais na Bahia, Rio Grande do Sul, entre outros, também foram criados, seguindo o pioneirismo do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Era Vargas e além: o início do encarceramento ===&lt;br /&gt;
Com a Revolução de 1930, o projeto de nação de Vargas exigia um povo saudável e produtivo, devido à visão desenvolvimentista suportada pela Aliança Liberal, que o elegeu. A loucura deixou de ser apenas uma questão de ordem pública ou um aspecto da caridade para se tornar um problema de Segurança Nacional e Saúde Pública. Em 1941, no âmbito do Estado Novo, foi criado o Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM), substituindo o antigo modelo de assistência a alienados, que era fragmentado, conforme as diferentes províncias. Dessa maneira, Vargas criou uma diretriz federal centralizada para a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM), uma instituição que professava o higienismo no Brasil e que já atuava desde a década de 1920, ganhou fôlego. O foco deslocou-se do hospital para a prevenção na sociedade. A psiquiatria não deveria se limitar aos hospitais, mas também atuar na escola, na fábrica e na família, buscando eugenizar, limpar a nação e extirpar o que chamavam de &amp;quot;elementos degenerados&amp;quot;. O médico Gustavo Riedel e seus sucessores defendiam que o Estado deveria intervir precocemente para evitar que o &amp;quot;anormal&amp;quot; se tornasse um fardo para a máquina pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi durante as décadas de 1930 e 1940 que o modelo de colônia agrícola, antes visto como terapêutico e de assistência à manutenção hospitalar, atingiu proporções industriais. O que se viu em Barbacena e em instituições como o Juquery em São Paulo, foi a transformação do hospital em, praticamente, um campo de concentração administrativo. A internação não dependia mais de um diagnóstico médico rigoroso, que na prática ainda era frágil e baseado em elementos pouco científicos. Bastava ser considerado &amp;quot;socialmente inconveniente&amp;quot; para correr-se o risco de ir parar numa instituições dessas. Assim, pobres, prostitutas, homossexuais, militantes políticos e mães solteiras eram enviados para essas instituições, onde a sobrevivência era a exceção. Estima-se que, no auge do descaso, o Hospital de Barbacena registrava um número alarmante de óbitos por frio, fome e doenças evitáveis, cujos corpos eram, por vezes, vendidos para faculdades de medicina. Situações similares aconteciam em outras instituições do tipo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tratamentos Brutais e os Modos de Resistência ===&lt;br /&gt;
Para além do horror asilar, o período entre 1930 e 1950 também foi marcado pela introdução de terapias biológicas drásticas, importadas da Europa, conhecidas como somatoterapias. Com uma psicofarmacologia pouco eficaz, os médicos buscavam &amp;quot;chacoalhar&amp;quot; o organismo, produzindo nele como um choque que pudesse restaurar a razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma dessas técnicas era a insulinoterapia. Introduzida na Europa pelo médico austríaco Manfred Sakel (1900–1957) em Viena, no início dos anos 1930, representou uma das primeiras e mais invasivas formas de somatoterapia. Originalmente destinada ao tratamento da esquizofrenia, a técnica consistia na administração de doses maciças de insulina no paciente, provocando um estado de hipoglicemia profunda que levava o paciente ao coma. Na volta desse estado, se esperava que o indivíduo “restaurasse” a razão por conta do choque orgânico violento que havia vivenciado. O procedimento era extremamente perigoso e estava associado a uma alta taxa de mortalidade e morbidade devido às convulsões e aos possíveis danos cerebrais. Apesar dos riscos, o método foi amplamente adotado no mundo todo, incluindo o Brasil, onde foi usado em grandes instituições de confinamento, como o Hospital Nacional de Alienados (HNA), no Hospital Juquery, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que passou a ser muito utilizada foi a Eletroconvulsoterapia, ou simplesmente o eletrochoque. Introduzido no Brasil logo após sua invenção na Itália (1938), consiste em colocar eletrodos carregados com correntes elétricas em lados opostos, na lateral da cabeça, de modo que uma forte corrente elétrica atravessasse o cérebro. A duração e a intensidade podiam variar, mas relatos de mais de trinta minutos de choques violentos não eram incomuns. Sua brutalidade era tamanha que exigia que sua vítima fosse fortemente amarrada. Tornou-se uma ferramenta onipresente nos hospitais, muitas vezes aplicada sem anestesia e como método de punição, desvirtuando sua finalidade clínica e usada, basicamente, como ferramenta de tortura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que ingressou no Brasil nesse período foi a lobotomia, um procedimento cirúrgico que consistia em apenas retirar um pedaço do cérebro do paciente. Eles foram realizados em larga escala em hospitais como o Juquery e no Hospital Pedro II, buscando a docilização de pacientes crônicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em oposição à violência do isolamento oferecido por essas instituições, surge a figura de Nise da Silveira. Em 1946, após ter sido presa pelo regime de Vargas por suas inclinações políticas, Nise assumiu o Setor de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional (Engenho de Dentro), no Rio de Janeiro. Ela se recusou a usar eletrochoques e lobotomias, introduzindo a arte e o afeto como mediadores da cura. Ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente em 1952, onde demonstrou, através das pinturas e esculturas de pacientes como Arthur Bispo do Rosario, que o louco preservava uma riqueza simbólica e uma humanidade que a psiquiatria tradicional tentava apagar. Sua colaboração com Carl Jung colocou a experiência brasileira no mapa da psicologia analítica mundial, provando que o tratamento em liberdade e através da expressão criativa era viável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Criação da Indústria da Loucura ===&lt;br /&gt;
No final da década de 1950 e início da de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek e o breve período democrático posterior, o Brasil viu o surgimento de uma nova e ainda mais perversa dinâmica: a Indústria da Loucura. A assistência psiquiátrica, antes quase totalmente pública ou baseada no assistencialismo das Santas Casas, começou a ser privatizada. Com o crescimento dos institutos de previdência (IAPs), o Estado passou a pagar hospitais privados por dia de internação. Isso criou um incentivo perverso: quanto mais tempo o paciente ficasse internado e quanto menos recursos fossem gastos com ele, maior o lucro das clínicas privadas. Esse modelo, conhecido como &amp;quot;hospitalocêntrico&amp;quot;, inchou o sistema e preparou o terreno para a política de contenção social que seria radicalizada após o golpe de 1964. Foi um momento de multiplicação da brutalidade. Pouco importava a loucura ou não, o tratamento ou não, a eficácia ou não. O que importava era ganhar o dinheiro estatal por meio de um encarceramento fácil e praticamente impossível de escapar, além de altamente lucrativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coisa se aprofundou ainda mais com o golpe militar, que unificou em 1966 os Institutos de Aposentadoria e Pensões no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), produzindo uma centralização gigantesca de recursos, com um modelo de privatização quase total. A psiquiatria, por ser uma especialidade cuja formação exigia baixo investimento tecnológico quando comparada a outras como a cirurgia, cardiologia ou oncologia, permitia grandes lucros com as internações de longa permanência. Assim, trancafiar e atormentar os loucos tornou-se o setor mais atraente para o empresariado da saúde.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de pessoas possivelmente diagnosticadas, o sistema era alimentado pelo encarceramento de militantes políticos, estudantes rebeldes, pessoas em situação de rua,  mendigos, homossexuais, indivíduos com comportamentos &amp;quot;desviantes&amp;quot; da moral tradicional, dependentes químicos, alcoólatras ou mesmo pessoas “problemáticas” da família, que se recusavam, por exemplo, a participar de casamentos arranjados, que denunciavam violência sexual ou eram apenas mulheres que haviam engravidado antes do casamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As instituições privadas multiplicaram-se pelo interior do país, longe dos olhos da fiscalização e dos centros urbanos. Instaladas em locais de difícil acesso, facilitava o ocultamento de violações de direitos humanos e ainda utilizava da conivência dos governos locais. As populações dessas localidades, crentes no saber médico, dificilmente desconfiavam do que poderia acontecer dentro dessas instituições e, quando vazavam denúncias, elas rapidamente podiam ser facilmente manejadas em conluio com os poderes locais. A loucura tornou-se um negócio de massa, com o abrigo precário de centenas de pessoas em galpões, onde a única &amp;quot;terapia&amp;quot; era a contenção química por sedativos baratos ou o uso indiscriminado do eletrochoque para manter a ordem além, é claro, da violência e brutalidade de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Luta Antimanicomial ==&lt;br /&gt;
No final da década de 1970, o modelo de saúde mental começou a dar sinais de exaustão, tanto financeira quanto ética. O Estado já não conseguia arcar com os custos crescentes de um sistema que só expandia o número de crônicos, e as denúncias de maus-tratos começaram a furar o bloqueio da censura, aparecendo em jornais mais prestigiados e em mais espaços do debate social. O estopim para a o início do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil começa com uma crise na Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), que havia recebido denúncias de irregularidades no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Hospital Pinel, na Colônia Juliano Moreira e no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. A denúncia foi acompanhada de uma greve por parte dos funcionários, que exigiam melhorias institucionais e questionavam irregularidades trabalhistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É dessa crise que surge o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) que, nesse primeiro momento, estão mais preocupados com questões trabalhistas do que com o problema da própria prática psiquiátrica, que vai caracterizar parte dos movimentos antimanicomiais posteriormente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O MTSM se fortalece e conseguem espaço no extremamente conservador V Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que ocorre em 1978, no que fica conhecido como “congresso da abertura” e que também traz elementos da abertura política com o iminente fim do regime militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1978, um grupo importante de intelectuais vinculados às bases teóricas do Movimento Antimanicomial participa do I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições, incluindo Franco Basaglia, Felix Guattari, Robert Castel e Erwinf Goffman, todos eles de grande inspiração e influência para o movimento antimanicomial brasileiro. No ano seguinte, o I Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental fortalece a contextação não apenas de problemas trabalhistas, mas do próprio modelo asilar e da forma como a psiquiatria intervinha e oprimia a população marginalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação público-privada que alimentava o modelo até então começa a ruir em 1980, com a chamada política da co-gestão interministerial. Nela, um convênio celebrado entre o Ministério da Previdência e Assistência Social com o Ministério da Saúde liquida a &amp;quot;Unidade de Serviço&amp;quot;, a política que permitia a contratação privada de serviços psiquiátricos e que representou o triunfo do público sobre o privado. Membros do MTSM passam a integrar a gestão do atendimento em saúde mental que, por dentro do aparato estatal, começam a implementar uma política de saúde pública baseada em prestação de serviços, cooperação, descentralização e regionalização, propostas que já eram defendidas pelos reformadores. Apesar desses avanços, críticos afirmam que a política de co-gestão apenas visava reformar os serviços, não atingindo o âmago da questão, que seria desconstruir o próprio paradigma psiquiátrico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de desinstitucionalização de fato começa em 1985, ano marcado pelo fim da Ditadura Militar e pela realização de vários eventos que aprofundam o debate sobre a situação do atendimento. A I Conferência Nacional de Saúde Mental marca o início da desinstitucionalização devido aos conflitos entre o MTSM, a ABP e grupos não-organicistas que passaram a dirigir o DINSAM. Na conferência, consagrou-se uma reviravolta na perspectiva com a consolidação do lema &amp;quot;por uma sociedade sem manicômios&amp;quot;, rompendo com a lógica tanto privatista quanto estatista e questionando o próprio modelo psiquiátrico tradicional. Este passou a ser amplamente entendido como fenômeno cultural que promove o tratamento moral e o controle dos corpos, uma visão abertamente basagliana e antimanicomial. Alguns entendem que, nesse momento, a tradição anti-institucional que originou os primeiros questionamentos na década de 1970 foi restaurada e fortalecida. Após a Conferência, o próprio MTSM se renovou, se desatrelando do Estado, retomando sua independência e seu papel de transformação social.  A mudança do movimento se consolidou no II Congresso Nacional de Trabalhadores de Saúde Mental, quando a noção de racionalização e modernização dos serviços que havia caracterizado o período da co-gestão foi recusado em nome de uma pauta anti-institucional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados dos anos 1980 começam a surgir novos modelos de atenção à saúde que poderia substituir o modelo psiquiátrico. Em São Paulo é criado o primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) em 1987. Em Santos, surge o Núcleo de Atenção Psicossocial (NAPS), em 1989. Estes serviços passaram a ser vistos como os modelos para uma contestação profunda dos manicômios, justificando seu encerramento. Já na década de 1990, o SUS introduziu mecanismos de fiscalização e auditoria que começaram a sufocar financeiramente os asilos privados que não cumpriam níveis mínimos de dignidade. Portarias históricas do Ministério da Saúde, inspiradas na Declaração de Caracas (1990), passaram a proibir a criação de novos leitos psiquiátricos asilares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após mais de uma década de tramitação e intensos debates no Congresso Nacional, como fruto dos embates históricos iniciados na crise do DINSAM, foi promulgada a Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, que ficou conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica ou Lei Paulo Delgado, seu autor. Esta legislação tornou-se o marco jurídico definitivo da virada assistencial no Brasil. A lei instituiu o direito de ser tratado em ambiente terapêutico o menos restritivo possível e colocou a internação psiquiátrica como último recurso possível. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para preencher o vazio deixado pelo fechamento dos grandes hospitais, o SUS estruturou a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), formalizada na década seguinte pela Portaria nº 3.088 de 2011. A RAPS organizou o cuidado em diferentes níveis de complexidade, iniciando com os CAPS divididos nas modalidades CAPS I, II, III, CAPSi  e CAPS AD e os Serviços de Residência Terapêutica (SRT). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, a luta continua devido a retrocessos observados na segunda metade da década de 2010 e início dos anos 2020. Mudanças nas diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental tentaram reintroduzir a centralidade do hospital psiquiátrico e incentivaram o uso de práticas baseadas no isolamento. Além disso, o governo federal passou a financiar massivamente as chamadas Comunidades Terapêuticas (CTs), instituições de caráter predominantemente privado e religioso voltadas ao acolhimento de usuários de drogas de onde emanam graves denúncias de todos os tipos de violação dos direitos humanos e que representam um evidente retrocesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
AMARANTE, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1995.&lt;br /&gt;
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BASAGLIA, Franco. A Instituição Negada. Rio de Janeiro: Graal, 1985.&lt;br /&gt;
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BIRMAN, Joel. A Physis da Arte: Deleuze e a Clínica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. &lt;br /&gt;
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CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa. Tratado de Saúde Coletiva. São Paulo: Hucitec, 2006. &lt;br /&gt;
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CASTEL, Robert. A Ordem Psiquiátrica: a Idade de Ouro do Alienismo. Rio de Janeiro: Graal, 1978.&lt;br /&gt;
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COSTA, Jurandir Freire. Violência e Psicanálise. Rio de Janeiro: Graal, 1986.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. História da Assistência Psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Garamond, 2007. &lt;br /&gt;
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ENGEL, Magali. Os Delírios da Razão: médicos, loucos e hospícios (Rio de Janeiro, 1830-1930). Rio de Janeiro: Fiocruz, 2001&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FOUCAULT, Michel. História da Loucura na Idade Clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Netto. São Paulo: Perspectiva, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MELLO, Luiz Carlos. Nise da Silveira: Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PEREIRA, Ana Leonor; PITA, João Rui. A Institucionalização da Loucura em Portugal. Coimbra: Estudo Geral, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PESSOTTI, Isaias. A loucura e as épocas. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PORTOCARRERO, Vera. Arquivos da Loucura: Juliano Moreira e a descontinuidade histórica da psiquiatria. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PINEL, Philippe. Traité médico-philosophique sur l&#039;aliénation mentale, ou la manie. Paris: Richard, Caille et Ravier, 1801.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RESENDE, Heitor. O Pequeno Livro da Reforma Psiquiátrica Relativa ao Confinamento e à Liberdade. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1987.&lt;br /&gt;
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SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama. História whig e história da psicologia. Em: ____. História whig, história da psicologia e história da psiquiatria: investigando a revolução behaviorista e a reforma psiquiátrica brasileira. Rio de Janeiro, 2023. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2023, p.94-133.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, Priscila Aquino. O Hospital Real de Todos-os-Santos e seus agentes da cura. In: História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 22, n. 4, 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TENÓRIO, Fernando. A Reforma Psiquiátrica Brasileira da Década de 1980 aos Dias Atuais: História e Conceitos. In: História, Ciências, Saúde-Manguinhos, v. 9, n. 1, 2002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VENANCIO, Ana Teresa A.; CARVALHAL, Lázaro. Juliano Moreira: A Ciência da Assistência e a Assistência da Ciência. In: Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2001.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
YASUI, Silvio. Rupturas e Encontros: desafios da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2010.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
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	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_loucura:_da_Gr%C3%A9cia_antiga_%C3%A0_luta_anti-manicomial&amp;diff=1679</id>
		<title>História da loucura: da Grécia antiga à luta anti-manicomial</title>
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		<updated>2026-05-16T09:38:57Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* Referências */ Pequenas correções complementares&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Este texto ainda é um rascunho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Texto com finalidade didática escrita por André Elias Morelli Ribeiro para o curso de Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A história da loucura é, ao mesmo tempo, uma narrativa sobre o modo como diferentes sociedades compreenderam a mente humana e uma reflexão sobre os mecanismos de poder que moldaram práticas de exclusão, cuidado e resistência vinculados à loucura. Iniciando na Grécia antiga até o movimento antimanicomial no Brasil, pode-se observar como a loucura foi interpretada ora como intervenção divina, ora como desvio moral, ora como doença fisiológica, ora como ameaça social. Cada época construiu suas próprias respostas, que variaram entre a integração comunitária, o confinamento brutal e a busca por tratamentos médicos ou espirituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, a trajetória seguiu de perto os modelos europeus. Do Hospício de Pedro II às colônias agrícolas, passando pela gestão de Juliano Moreira, a psiquiatria nacional oscilou entre avanços humanitários e práticas de exclusão. O período Vargas e o Estado Novo intensificaram o encarceramento, transformando hospitais em verdadeiros campos de concentração administrativos. As décadas seguintes viram a adoção de terapias brutais, como eletrochoques e lobotomias, mas também o surgimento de resistências, como a obra de Nise da Silveira, que introduziu a arte e o afeto como caminhos de cura. A partir dos anos 1960, a privatização da assistência psiquiátrica gerou a chamada “Indústria da Loucura”, marcada por internações lucrativas e violações sistemáticas de direitos humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, o percurso histórico apresentado aqui mostra que a loucura nunca foi apenas um fenômeno clínico mas, antes, um espelho das sociedades, revelando seus medos, suas crenças e suas formas de organizar o convívio humano. De sagrada a temida, de medicalizada a mercantilizada, apresenta-se e se discute como surgiram vozes e práticas que reivindicaram humanidade e liberdade para os considerados loucos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras no Mundo Antigo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grécia antiga ===&lt;br /&gt;
Na Grécia antiga, em certo momento a loucura era considerada uma intervenção dos deuses e, como os gregos era politeístas, a varidade de formas de loucura e intervenção também era bem grande. A loucura poderia ser vista como uma punição. Um exemplo notório é o herói Ajax, filho de Telamão. Após a morte de Aquiles, a armadura do herói foi dada a Odisseu, e a afronta levou Ajax a um estado de fúria e ressentimento. A deusa Atena, intervindo em favor de Odisseu ou para proteger os Aqueus da vingança de Ajax, lançou sobre ele uma cegueira mental. Tomado pela loucura, Ajax massacrou o gado de guerra que havia sido capturado, acreditando que estava matando os líderes aqueus, incluindo Odisseu e Agamenon. Ao recobrar a sanidade e perceber seu ato vergonhoso, o que o levou a cometer suicídio por humilhação. Essa cena ilustra a loucura como uma intervenção divina direta na forma de loucura poderia ser vista como destrutiva e extremamente negativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outros episódios da mitologia grega, a loucura surge como uma consequência direta de traumas e da perseguição implacável por vingança. Um exemplo fundamental é o de Orestes que, após assassinar sua mãe, Clitemnestra, para vingar a morte de seu pai, Agamenon, passa a ser atormentado pelas Erínias. Essas divindades da vingança, também conhecidas como Fúrias, levaram o herói a um estado de delírio e desespero profundo, personificando a tortura psicológica e a perda da razão como uma forma de acerto de contas espiritual e moral pelo matricídio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura não era unicamente um flagelo ou uma punição. Os gregos, notavelmente, viam a mania, um termo que hoje engloba a loucura, em uma perspectiva dual. Na sua manifestação mais elevada era considerada uma benção ou inspiração divina. Essa visão positiva estava profundamente ligada ao culto de Dionísio, o deus do vinho, do teatro e do êxtase. Nos rituais dionisíacos, as bacantes e outros seguidores buscavam o êxtase, que é, literalmente, &amp;quot;sair de si&amp;quot;, por meio da dança frenética, música e consumo de vinho, o que era percebido como um estado de comunhão direta e inspirada com a divindade. Longe de ser destrutiva, essa forma de loucura era vista como uma fonte de criatividade, revelação e poder, sendo um caminho para a verdade profética e a expressão artística ligada a Dionísio. Este conceito de mania inspirada também se estendia a outros domínios, como a profecia dos oráculos, que eram vinculados à adoração ao deus Apolo, e mesmo a poesia, onde a perda temporária da razão humana era interpretada como a mente sendo tomada por uma força divina que trazia algum tipo de inspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em certo momento, ainda na Grécia antiga, as ideias sobre a loucura - ou algo que pareça loucura aos nossos olhos contemporâneos - foi modificada graças a Hipócrates, o pai da medicina. A visão de Hipócrates marcou uma transição crucial para o entendimento da loucura na Grécia Antiga, pois afastou a loucura das concepções divinas e sobrenaturais para uma explicação puramente fisiológica e natural. Ele desenvolveu a Teoria dos Quatro Humores, que se tornou o pilar da medicina ocidental por séculos. Segundo essa teoria, o corpo humano era composto por quatro fluidos essenciais (humores): sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. A saúde mental e física dependia do equilíbrio harmonioso desses humores. A loucura, ou qualquer doença mental, era, portanto, interpretada como o resultado de um desequilíbrio, como o excesso de bile negra causando a melancolia (depressão), ou o desarranjo da fleuma e da bile amarela, que poderiam levar a estados de mania e frenesi. Com isso, Hipócrates postulou que a loucura não era uma maldição dos deuses, mas sim uma doença com origem no corpo. Essa abordagem naturalista permitiu que a loucura passasse a ser tratada com métodos como dietas, exercícios e remédios, em vez de rituais religiosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradição bíblica ===&lt;br /&gt;
Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e à recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o baniu do convívio humano. Ele passou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara, conforme emerge na descrição bíblica, mostra uma concepção de loucura ligada à perda da razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo da loucura, onde o que é considerado &#039;loucura&#039; pelos homens revela-se a suprema sabedoria divina. Essa ideia é desenvolvida pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. Na passagem, ele afirma: &#039;Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens&#039; (1 Coríntios 1:25). Paulo usa o termo moria (loucura, tolice) para contrastar a sabedoria humana, que na época do texto era representada pela filosofia e retórica grega, com a mensagem da cruz, que parecia ilógica e insensata aos olhos dos não cristãos, que debochavam do fato do profeta ter sido capturado e morto pelos romanos. Assim, a loucura deixa de ser apenas uma punição para se tornar uma lente através da qual a verdadeira sabedoria, ou seja, a salvação, é revelada, invertendo a hierarquia de valores do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pérsia ===&lt;br /&gt;
Na Pérsia, a visão da loucura e do comportamento irracional foi moldada por seu profundo dualismo religioso e, posteriormente, pelas tradições islâmicas que se seguiram à conquista árabe. O zoroastrismo, a antiga religião persa fundada por Zoroastro (Zaratustra), transformou o politeísmo anterior em um dualismo cósmico centralizado no conflito eterno entre Ahura Mazda (Ormazd), o criador da vida, luz e verdade, e Angra Mainyu (Ahriman), a escuridão e a mentira. Neste cenário, o mundo material é o campo de batalha entre os dois. Ahriman buscava corromper tudo o que Ormazd havia criado. Embora o texto não defina a loucura diretamente, o comportamento irracional e a desrazão poderiam ser facilmente associados ao domínio de Ahriman e à mentira (druj), enquanto a sanidade e a pureza eram atributos de Ormazd. A batalha contra essa corrupção exigia que os adoradores de Ormazd permanecessem verdadeiros e evitassem poluir o fogo e a terra sagrada, indicando que a pureza mental e ritual era uma defesa contra as forças do mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Islã ===&lt;br /&gt;
Na cultura islãmica, de forma geral e bastante resumida, o comportamento considerado irracional era frequentemente explicado pela crença nos djinn, espíritos errantes que habitavam o deserto e certos lugares considerados místicos e que podiam invadir a mente humana, causando o que a sociedade ocidental moderna chamaria de insanidade ou, talvez, distúrbio emocional, cujo tratamento era o exorcismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura também apareceu em narrativas culturais associadas aos povos de forma a sugerir causas e curas mais mundanas. O famoso conto persa de As Mil e Uma Noites relata a história do rei Shahriyar, que, convencido da inevitável traição feminina, cai em uma loucura paranóica que o leva a se casar e matar uma virgem todas as noites. Sua &amp;quot;cura&amp;quot; é alcançada através da engenhosidade e paciência humana por meio de uma dessas esposas, Scheherazade, que usa a arte de contar histórias para retardar sua execução por &amp;quot;mil e uma noites&amp;quot;, período em que sua paranoia é gradualmente desfeita. A história sugere que a narrativa e o tempo podem curar a loucura causada por trauma psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras na Idade Média ==&lt;br /&gt;
A transição para a Idade Média é marcada pelo colapso do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e trouxe profundas transformações políticas e sociais. O fim do governo centralizado romano levou à fragmentação do poder e ao surgimento do sistema feudal, onde a administração das terras e a autoridade passaram para as mãos de senhores locais, muitos deles antigos oficiais romanos. Este período também é caracterizado por um notável declínio na vida urbana e nos grandes centros intelectuais. O colpaso das instituições romanas deu lugar à ascensão e consolidação da única instituição internacional grande e organizada que havia sobrado, a Igreja Católica, que se tornou a principal instituição de poder. Houve ainda uma perda gradual da tradição cultural greco-romana e, consequentemente, um afastamento das explicações naturalistas de Hipócrates, com exceção do pequeno renascimento do século XII e retomadas pontuais da sabedoria grega. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a hegemonia da Igreja Católica, a loucura tendeu a ser novamente interpretada sob uma lente teológica, sendo vista como uma manifestação de forças sobrenaturais ou desvios morais. Nesse contexto, certas vezes a loucura era interpretada como a intervenção de Satanás ou como possessão demoníaca, exigindo rituais de exorcismo para a cura. Em outros momentos, era vista como uma prova espiritual enviada por Deus ou como um efeito direto do pecado na alma do indivíduo. Havia também explicações que a tratavam como uma fragilidade da vontade humana, misturando elementos da antiga tradição grega com aspectos da teologia cristã, estabelecendo um novo arcabouço para o entendimento da mente humana durante a Idade Média, que tinha muitas variações e não era uniforme nem ao longo do tempo nem em todos os espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Socialmente, a gestão da loucura na Idade Média também passou por diferentes fases e transformações, dependendo do local e da época. Haviam casos em que os consideradores loucos eram apenas torturados e trancafiados, acreditando-se serem métodos eficazes para expulsão de espíritos malignos, por exemplo. Contudo, em muitos outros casos, os considerados loucos conviviam de forma mais ou menos harmoniosa com o resto da comunidade, a depender de suas capacidades e possibilidades, e certos “desvios” eram perdoados devido à sua condição peculiar, sem a necessidade imediata de uma exclusão radical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Nau dos Loucos ===&lt;br /&gt;
Um caso notável e emblemático da gestão da loucura nesse período é a Nau dos Loucos (Stultifera Navis), conforme trabalhado por Michel Foucault. Anteriormente ao modelo de exclusão-repressão que viria a se consolidar na Idade Clássica, a loucura viveu o que se pode chamar de seus &amp;quot;dias de glória&amp;quot; na transição para a Renascença. Nesse contexto, o louco poderia ser visto como um sábio, um místico, um bobo da corte ou simplesmente um excêntrico que estava, de certa forma, integrado ao tecido social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Nau dos Loucos simbolizava uma existência errante, onde o louco era confiado à água e ao navio para ser levado de uma cidade a outra, mantendo-o em um estado de exclusão simbólica, mas ainda assim em movimento e circulação. Para Foucault, essa experiência trágica da loucura permitia que o insano portasse uma forma de lucidez em sua insensatez, revelando verdades que a razão comum não ousava enunciar. O louco via através das ilusões mundanas, aproximando-se de uma verdade profética ou ética que seria progressivamente silenciada nos séculos seguintes pela ascensão do saber médico e da racionalidade científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Santa Dimpna e Geel ===&lt;br /&gt;
Outro acontecimento relevante da Idade Média para a compreensão da loucura é o episódio de Santa Dimpna. Nascida no século VII na Irlanda, ela era filha de um rei pagão e de uma mãe cristã devota, de quem herdou sua fé e pelo qual decidiu fazer votos de castidade. Após a morte prematura da mãe, seu pai, mergulhado em um profundo luto, decidiu que Dimpna era a única mulher com beleza comparável à da falecida rainha e insistiu em se casar com a própria filha, o que seria considerado escandaloso também para aquela cultura. Diante dessa perseguição incestuosa, Dimpna fugiu da Irlanda acompanhada de seu confessor, o padre Gereberno, e de dois servos fiéis. O grupo cruzou o mar e estabeleceu-se em Geel, um minúsculo vilarejo na atual Bélgica, onde Dimpna dedicou-se ao cuidado dos pobres e doentes mentais. No entanto, o rei conseguiu encontrá-los e, após a recusa de Dimpna em retornar e de se casar com o pai, ordenou a execução de Gereberno, enquanto ele mesmo decapitou a filha, tornando a menina de 15 anos de idade uma mártir cristã. Após sua morte, relatos de curas milagrosas de pessoas com distúrbios mentais e epilepsia começaram a ocorrer junto ao seu túmulo, o que a tornou a padroeira dos doentes mentais e o local um espaço de peregrinação ligado à questão da saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O legado de Santa Dimpna em Geel deu origem a um modelo para a psiquiatria moderna pois, devido à devoção e adoração à Santa Dimpna, a cidade transformou-se em um santuário onde os pacientes não eram trancafiados, mas acolhidos em lares de famílias locais como &amp;quot;hóspedes&amp;quot;. Esse sistema de cuidado comunitário e desinstitucionalização, que persiste há séculos, é considerado um dos precursores do tratamento humanizado e da reabilitação psicossocial na saúde mental contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Idade Clássica: a nova era da loucura encarcerada ==&lt;br /&gt;
A partir do século XVII, um período em que o filósofo Michel Foucault denominou como &amp;quot;A Época Clássica&amp;quot;, a forma de entender e lidar com a loucura passa por uma nova mudança devido ao ingresso da razão como centro e alma do pensamento europeu, em substituição ao dogmatismo religioso e ao conhecimento da igreja. Esta mudança não é brusca, mas lenta e gradual, porém suas marcas serão duradouras e serão sentidas por quase toda a Europa. Para essa nova e nascente razão, a loucura seria seu oposto direto. Se o homem era definido pela sua capacidade racional e sua utilidade produtiva, o louco era, portanto, como um &amp;quot;não-homem&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a solução para a não-razão era a internação que não buscava a cura, mas a neutralização do irracional. O silenciamento da loucura era necessário para que a ordem social pudesse florescer. Os campos e cidades deveriam ser espaços de circulação de mercadorias pelas mãos de cidadãos produtivos, e qualquer elemento que atrapalhasse essa dinâmica deveria ser guardado em instituições que funcionavam como uma guarda contra o risco social que tais pessoas ofereciam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relatos da época descrevem cenários terríveis sobre as condições de internação dos loucos. Os internos eram frequentemente mantidos em celas úmidas e insalubres, muitas vezes acorrentados às paredes. O uso de chicotes e outras punições corporais era justificado pela crença de que o louco, por ter perdido a razão, teria a resistência física de um animal, não sentindo frio ou dor da mesma forma que uma pessoa &amp;quot;normal&amp;quot;. Além disso, as instituições funcionavam sob uma lógica de vigilância constante. Não se tratava de observar para entender a mente, mas para garantir que o corpo anormal permanecesse contido e, no máximo possível, docilizado. Foi dentro desse ambiente de absoluta degradação e mistura indiscriminada de diferentes &amp;quot;tipos&amp;quot; de desviantes que a consciência médica começou a germinar, ainda que de forma incipiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== França ===&lt;br /&gt;
O ano de 1656 marca um divisor de águas simbólico para o modelo de confinamento asilar no mundo todo, com a criação do Hôpital Général (Hospital Geral) em Paris, por um edito real do rei Luís XIV. É importante entender que um hospital geral deste período não é como um hospital moderno, ou seja, uma instituição médica e voltada para a compreensão da doença e a prática do tratamento e cura. Ele estava mais próximo de uma estrutura administrativa e, de certo modo, semi-judiciária. Isso ocorria porque o interesse não estava em “curar” ou “tratar” ninguém mas, antes disso, perseguir o interesse do Estado de &amp;quot;limpar&amp;quot; as ruas de Paris de tudo o que era considerado improdutivo ou escandaloso. Era um período de abundância material, grandes gastos estatais e de uma imensa riqueza do império colonial francês, e desvios nessa ordem eram vistos como perigosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes tais hospitais gerais eram confinados, todos juntos, grupos totalmente diferentes, tais como pobres, mendigos, desempregados, libertinos, prostitutas, alquimistas, opositores políticos e, claro, também os considerados loucos. Em suma, um depósito de indesejados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que começou em Paris se tornou um modelo para outros lugares sobre como fazer a gestão da miséria e da “desrazão”, num forte deslocamento do que se via na Idade Média. O louco, antes tendo algo de profético, místico ou talvez apenas uma excentricidade da vida medieval campesina, se torna uma questão político-administrativa. Essa mudança importante marca uma migração para a possibilidade de institucionalização daquilo que era considerado errante ou, de alguma forma, desagradável e, assim passível de ser alvo de uma forma de gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Paris, as duas principais unidades do Hospital Geral se tornaram emblemáticas e simbólicas. A Salpêtrière, que era destinada às mulheres, e o hospital Bicêtre, destinado aos homens. Ambas não ofereciam qualquer forma de tratamento. Eram basicamente depósitos humanos, onde o louco poderia acabar acorrentado ao lado de criminosos, por exemplo. O critério de internação não era o diagnóstico clínico, mesmo porque simplesmente ele nem existia nos moldes modernos, mas a incapacidade de se ajustar às normas de trabalho e à moralidade da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alemanha ===&lt;br /&gt;
Na Alemanha, surgiram as Zuchthäusern, que seriam as Casas de Correção. Cidades como Hamburgo e Bremen estabeleceram esses locais onde a loucura era tratada através do trabalho forçado. Eles acreditavam que o ócio era a raiz do mal e que o confinamento servia para reintegrar o indivíduo à lógica da produtividade. De qualquer forma, uma vez enclausurado, ele permanecia escondido da visão da população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Inglaterra ===&lt;br /&gt;
Na Inglaterra, o sistema das Workhouses (Casas de Trabalho) cumpria um papel semelhante ao modelo alemão. No entanto, Londres já possuía o Bethlem Royal Hospital, conhecido popularmente como Bedlam. No século XVII e XVIII, Bedlam se tornou um espetáculo de horror, onde o público podia pagar para observar os internos como se fossem animais em um zoológico. A loucura era agora um objeto de uma forma de exibição degradante e mantida atrás de grades e ferros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Portugal ===&lt;br /&gt;
Em Portugal a gestão dos &amp;quot;desviantes&amp;quot; recaiu fortemente sobre as Santas Casas da Misericórdia. O Hospital Real de Todos-os-Santos, fundado em Lisboa em 1492 e inaugurado em 1501, se tornou o epicentro do tratamento (ou confinamento) dos loucos no país. Dentro deste hospital, existiam as chamadas &amp;quot;Casas de Doidos&amp;quot;, destinados àqueles que haviam “perdido a luz da razão”. Seguindo o padrão europeu, o hospital não separava rigidamente o louco por diagnóstico. Eles dividiam espaço com indigentes e enfermos de diversas naturezas, embora as &amp;quot;casas de doidos&amp;quot; fossem áreas de maior isolamento devido à agitação dos internos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XVIII português, a internação era, acima de tudo, uma solução para a mendicância e, por vezes, para o alcoolismo. O louco que tinha família e posses era mantido nas casas das famílias, muitas vezes escondido em sótãos ou anexos e até mesmo acorrentados. Já o &amp;quot;louco pobre&amp;quot;, cujas famílias nem se importam ou que não poderiam ser cuidados por seus familiares, era aquele que acabava nos hospitais reais ou mesmo nas cadeias, a depender de uma série de elementos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Nascimento da Psiquiatria ==&lt;br /&gt;
Nesta seção será tratada a história do nascimento da psiquiatria, mas não como ela é atualmente. Sua trajetória é cheia de desvios e abusos, além de vitórias para os direitos dos internos. Os avanços convivem com muitos retrocessos. Mesmo na época de seu surgimento, muitos eram os questionamentos sobre sua validade e cientificidade. Hoje existem aqueles que perguntam se a psiquiatria é necessária e se seu objeto não é fabricado por ela mesma, por meio de suas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pinel e a criação da psiquiatria nosográfica ===&lt;br /&gt;
É na virada do século XVIII para o XIX que nasce a psiquiatria como um campo autônomo do saber e da prática médica. Esta mudança fundamental é protagonizada por duas figuras centrais da medicina francesa: Philippe Pinel e seu discípulo, Jean-Étienne Dominique Esquirol. Juntos, eles transformaram o hospital de depósito de insanos e indesejáveis em um verdadeiro hospital, em que o louco e o alienado poderiam receber um tratamento racional e científico, em substituição às correntes, à disciplina e ao silenciamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência da psiquiatria como campo autônomo teve como fundamento científico inicial a observação clínica sistemática dentro do asilo. Este era concebido como um laboratório, onde o alienista poderia estudar a loucura em seu estado puro, separada das influências do mundo exterior. A principal questão científica e prática que justificava essa nova ciência era desenvolvida e aplicada de forma sistemática era a chamada nosografia ou diagnóstico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pinel, em seu &#039;&#039;Traité&#039;&#039; de 1801, classificou a loucura com base em critérios sintomatológicos, seguindo um procedimento comparativo semelhante ao das ciências naturais. O desafio central, que persistiria ao longo do século XIX, era a ambiguidade constante entre a busca por uma sede orgânica, ou seja, um “local físico-biológico” da loucura, junto da necessidade de uma regulação de caráter moral. O tratamento apoiava-se na moralidade para combater as causas que eram, elas próprias, consideradas morais, mas algo estava também no corpo do doente. Isso mostra que a nova psiquiatria de Pinel era a mistura de uma perspectiva médica com algo de caráter moral no entendimento da loucura. Este enfoque resultou na valorização do exame clínico pelos psiquiatras francófonos, permitindo a união da observação clínica com a formulação de hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1793, em meio ao fervor da Revolução Francesa, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe do Hospital de Bicêtre e, posteriormente, da Salpêtrière. O cenário que encontrou era o ápice do &amp;quot;Grande Enclausuramento&amp;quot;, ou seja, homens e mulheres amontoados nas condições já descritas, com destaque para as correntes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intervenção de Pinel, simbolizada pelo gesto de “libertar os loucos de suas correntes”, não foi apenas um ato humanitário, mas também uma decisão de natureza epistemológica. Pinel acreditava que a loucura não era uma possessão demoníaca nem uma degeneração animal irreversível, mas uma alienação mental, em outras palavras, uma perturbação das faculdades intelectuais e afetivas que mantinha o indivíduo como se fosse &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, ou alienado, de si mesmo e da sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pilar para a reforma psiquiátrica proposta por Pinel era o tratamento moral, e se baseava em três pilares fundamentais. O primeiro, o isolamento terapêutico. Era necessário que o paciente ficasse separado de seu ambiente que, segundo o médico, era a fonte de sua excitação e desequilíbrio. O segundo pilar era a autoridade médica, onde este deveria atuar como um pai ao mesmo tempo severo e justo, usando a persuasão, a benevolência e, se fosse necessário, a firmeza para restaurar a razão do paciente. Por fim, a disciplina e o trabalho, com a aplicação rigorosa de horários e valorização de atividades produtivas, o que ocuparia a mente alienada e, assim, combateria a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus estudos, Pinel identificou quatro tipos de loucura, quais sejam, a melancolia, a mania, a demência e o idiotismo, cada uma com suas questões próprias específicas e metodologias de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Esquirol e a consolidação do modelo ===&lt;br /&gt;
Se Pinel era considerado o visionário e o libertador, Jean-Étienne Dominique Esquirol foi o grande organizador e o clínico meticuloso. Discípulo de Pinel, Esquirol sucedeu seu mestre na Salpêtrière e deu à psiquiatria a robustez científica e administrativa de que ela necessitava. Esquirol compreendeu que a eficácia do tratamento moral dependia da arquitetura hospitalar. Para ele, o hospital não era apenas um prédio onde ocorria o tratamento, mas também um instrumento de cura. Ele desenvolveu o modelo de pavilhões, permitindo a separação dos pacientes por tipo de patologia, o que reforçou a própria ideia de diagnóstico e de avaliação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Esquirol refinou as definições clínicas de Pinel. Foi ele quem estabeleceu a distinção clássica entre alucinação (uma percepção sem objeto) e ilusão (uma percepção deformada de um objeto real), entre outros pontos que, na sua época, foram considerados avanços exemplares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Legalização da Alienação ===&lt;br /&gt;
O esforço médico, político e administrativo de Esquirol na continuação do trabalho de Pinel culminou na promulgação da lei francesa de 30 de Junho de 1838, a primeira grande legislação psiquiátrica do mundo moderno. Esta lei estabeleceu a obrigatoriedade de cada departamento francês possuir um asilo e regulamentou as condições de internação e interdição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A princípio, embora também protegesse o alienado do arbítrio e de outras violências que poderiam ser cometidos contra os loucos nas províncias e mesmo nas periferias de Paris, a lei também deu total poder ao médico psiquiatra. Era ele quem poderia decidir quem deveria ou não ser privado de sua liberdade. Com isso, a psiquiatria tornava-se, assim, um braço do Estado na gestão da ordem social mas, ao contrário do polícia e do inquérito polícial, que exigia provas independentes e a atuação do sistema judiciário, o psiquiatra estava coberto sob o manto da ciência médica, o que dava a ele poderes gigantescos de decidir entre a alienação e a razão. Isso marcou profundamente a forma como a loucura e a saúde mental passaram a ser compreendidas e tratadas nas décadas seguintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Loucura no Brasil ==&lt;br /&gt;
Até o início do século XIX, o Brasil colonial lidava com seus insanos de forma semelhante ao que ocorria na Europa. As famílias ricas mantinham seus parentes loucos em &amp;quot;quartos fortes&amp;quot;, privando-os mais ou menos da vida comunitária e familiar, a depender das circunstâncias. Já os pobres eram entregues à caridade das Santas Casas de Misericórdia ou vagavam pelas ruas, sendo ocasionalmente recolhidos a cadeias públicas quando perturbavam a ordem, indo e vindo das frágeis instituições brasileiras, sofrendo abusos e violências de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 gerou a necessidade de transformar a capital colonial em uma moderna metrópole europeia. Sob a influência do Iluminismo tardio e das notícias que chegavam sobre as reformas de Pinel na França, a elite médica brasileira, que havia estudado sobretudo na França e em Portugal, começou a pressionar o poder público pela criação de espaços específicos para o tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1830, a criação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (que viria a ser a Academia Nacional de Medicina) foi o marco institucional dessa pressão. Esse movimento político funcionou. O momento decisivo ocorreu em 18 de julho de 1841, quando o Imperador D. Pedro II, em comemoração à sua coroação, assinou o decreto de fundação do primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e da América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Hospício de Pedro II, ou o Palácio dos Loucos (1852–1889) ===&lt;br /&gt;
Inaugurado apenas em 8 de dezembro de 1852, o Hospício de Pedro II era gerido pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, que por anos geriu grande parte da loucura brasileira. Seu provedor era o médico José Clemente Pereira, que era responsável por todos os aspectos da instituição, desde os médicos até os administrativos. Embora a gestão administrativa fosse religiosa, o saber médico tinha muito espaço com nomes como Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, que tentaram implementar o &amp;quot;tratamento moral&amp;quot; inspirado em Esquirol. Apesar dos esforços, muitos relatos de abusos e de condições precárias mostravam a dificuldade em implementar um modelo brasileiro de tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Proclamação da República em 1889, o Hospício de Pedro II foi desvinculado da Santa Casa e renomeado como Hospital Nacional de Alienados (HNA). Este foi um período de maior laicização e pela busca por um maior rigor científico, o que não aconteceu por completo, em grande parte devido à falta de profissionais adequadamente treinados para a questão. Apesar disso, o Brasil já possuía uma cátedra de psiquiatria desde 1883, ocupada por João Carlos Teixeira Brandão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante dos altíssimos custos em manter o Hospital, surgem as colônias agrícolas como alternativa ao confinamento urbano. Em 1884, já havia sido inaugurada a Colônia de São Bento e, em 1890, a Colônia de Conde de Mesquita, na Ilha do Governador. A ideia era que o trabalho na terra poderia colaborar na cura, além de os produtos deste trabalho poderiam ser consumidos no local, ajudando na manutenção dos espaços. Apesar dessas transformações e de evidentes melhorias, os relatos de época mostram que não acontecia nenhuma das duas coisas, nem produção agrícola suficiente, nem um processo terapêutico efetivo, mas entendia-se que a colônia agrícola era melhor do que o confinamento do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Era Juliano Moreira ===&lt;br /&gt;
Em 1903, o médico baiano Juliano Moreira assume a direção do Hospital Nacional de Alienados. Negro, de origem humilde e dotado de uma erudição impressionante, ele revolucionou a assistência brasileira aos alienados, sendo reconhecido internacionalmente como um dos grandes psiquiatras de seu tempo. Ele se tornaria o principal médico alienista do Brasil, tornando-se referência para todo o país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moreira aboliu definitivamente o uso de camisas de força e as grades nas janelas, num gesto que se assemelhava àquele de Pinel, enfatizando que o hospital era um local de tratamento e cura, e não uma prisão ou um depósito de indesejados. Além disso, ele trouxe para o Brasil a nosologia de Emil Kraepelin, um psiquiatra alemão considerado o pai da psiquiatria moderna, da psicofarmacologia e da genética psiquiátrica, o que seria uma modernização do modelo francês adotado até então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a gestão Moreira ocorreram várias mudanças. Foi criado o Pavilhão Bourneville para crianças com deficiência intelectual. Além disso, fundou-se o Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1921), o primeiro do país, sob a liderança de Heitor Carrilho. Dentro dos hospitais incentivou-se a pesquisa laboratorial e anátomo-patológica, o que também abriu espaço para a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência e o prestígio de Juliano Moreira se espalhou pelo Brasil. Em São Paulo, destacou-se a figura de Francisco Franco da Rocha, que fundou em 1898 o Hospital do Juquery. O Juquery, como ficou conhecido, tornou-se uma &amp;quot;cidade-asilo&amp;quot;, chegando a abrigar dezenas de milhares de pacientes em um modelo que mesclava pavilhôes médicos com imensas colônias agrícolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período, a psiquiatria brasileira flertou intensamente com as teorias da degenerescência (de Morel e Magnan) e com a eugenia. Médicos como Renato Kehl, bem como a criação da Liga Brasileira de Higiene Mental (1923), fundada por Gustavo Riedel, começaram a ver a loucura não apenas como um problema individual, mas como um risco biológico à raça brasileira. A higiene mental passou a atuar preventivamente em escolas e fábricas, buscando identificar &amp;quot;pré-delinquentes&amp;quot; e &amp;quot;personalidades anormais&amp;quot;. Apesar de não ter conseguido desenvolver muitas políticas efetivas, os eugenistas brasileiros eram ativos e influentes em muitos círculos decisórios importantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A criação de hospitais não se limitou a São Paulo e Rio de Janeiro. Em  1903, o governo de Minas Gerais fundou o Hospital Psiquiátrico de Barbacena, que mais tarde seria palco de uma das maiores tragédias humanitárias do país. Em Pernambuco, o Hospital Ulysses Pernambucano foi fundado pelo médico de mesmo nome, que começou a desenvolver uma psiquiatria mais voltada para o social e para a prevenção no final dos anos 1920. Hospitais na Bahia, Rio Grande do Sul, entre outros, também foram criados, seguindo o pioneirismo do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Era Vargas e além: o início do encarceramento ===&lt;br /&gt;
Com a Revolução de 1930, o projeto de nação de Vargas exigia um povo saudável e produtivo, devido à visão desenvolvimentista suportada pela Aliança Liberal, que o elegeu. A loucura deixou de ser apenas uma questão de ordem pública ou um aspecto da caridade para se tornar um problema de Segurança Nacional e Saúde Pública. Em 1941, no âmbito do Estado Novo, foi criado o Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM), substituindo o antigo modelo de assistência a alienados, que era fragmentado, conforme as diferentes províncias. Dessa maneira, Vargas criou uma diretriz federal centralizada para a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM), uma instituição que professava o higienismo no Brasil e que já atuava desde a década de 1920, ganhou fôlego. O foco deslocou-se do hospital para a prevenção na sociedade. A psiquiatria não deveria se limitar aos hospitais, mas também atuar na escola, na fábrica e na família, buscando eugenizar, limpar a nação e extirpar o que chamavam de &amp;quot;elementos degenerados&amp;quot;. O médico Gustavo Riedel e seus sucessores defendiam que o Estado deveria intervir precocemente para evitar que o &amp;quot;anormal&amp;quot; se tornasse um fardo para a máquina pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi durante as décadas de 1930 e 1940 que o modelo de colônia agrícola, antes visto como terapêutico e de assistência à manutenção hospitalar, atingiu proporções industriais. O que se viu em Barbacena e em instituições como o Juquery em São Paulo, foi a transformação do hospital em, praticamente, um campo de concentração administrativo. A internação não dependia mais de um diagnóstico médico rigoroso, que na prática ainda era frágil e baseado em elementos pouco científicos. Bastava ser considerado &amp;quot;socialmente inconveniente&amp;quot; para correr-se o risco de ir parar numa instituições dessas. Assim, pobres, prostitutas, homossexuais, militantes políticos e mães solteiras eram enviados para essas instituições, onde a sobrevivência era a exceção. Estima-se que, no auge do descaso, o Hospital de Barbacena registrava um número alarmante de óbitos por frio, fome e doenças evitáveis, cujos corpos eram, por vezes, vendidos para faculdades de medicina. Situações similares aconteciam em outras instituições do tipo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tratamentos Brutais e os Modos de Resistência ===&lt;br /&gt;
Para além do horror asilar, o período entre 1930 e 1950 também foi marcado pela introdução de terapias biológicas drásticas, importadas da Europa, conhecidas como somatoterapias. Com uma psicofarmacologia pouco eficaz, os médicos buscavam &amp;quot;chacoalhar&amp;quot; o organismo, produzindo nele como um choque que pudesse restaurar a razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma dessas técnicas era a insulinoterapia. Introduzida na Europa pelo médico austríaco Manfred Sakel (1900–1957) em Viena, no início dos anos 1930, representou uma das primeiras e mais invasivas formas de somatoterapia. Originalmente destinada ao tratamento da esquizofrenia, a técnica consistia na administração de doses maciças de insulina no paciente, provocando um estado de hipoglicemia profunda que levava o paciente ao coma. Na volta desse estado, se esperava que o indivíduo “restaurasse” a razão por conta do choque orgânico violento que havia vivenciado. O procedimento era extremamente perigoso e estava associado a uma alta taxa de mortalidade e morbidade devido às convulsões e aos possíveis danos cerebrais. Apesar dos riscos, o método foi amplamente adotado no mundo todo, incluindo o Brasil, onde foi usado em grandes instituições de confinamento, como o Hospital Nacional de Alienados (HNA), no Hospital Juquery, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que passou a ser muito utilizada foi a Eletroconvulsoterapia, ou simplesmente o eletrochoque. Introduzido no Brasil logo após sua invenção na Itália (1938), consiste em colocar eletrodos carregados com correntes elétricas em lados opostos, na lateral da cabeça, de modo que uma forte corrente elétrica atravessasse o cérebro. A duração e a intensidade podiam variar, mas relatos de mais de trinta minutos de choques violentos não eram incomuns. Sua brutalidade era tamanha que exigia que sua vítima fosse fortemente amarrada. Tornou-se uma ferramenta onipresente nos hospitais, muitas vezes aplicada sem anestesia e como método de punição, desvirtuando sua finalidade clínica e usada, basicamente, como ferramenta de tortura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que ingressou no Brasil nesse período foi a lobotomia, um procedimento cirúrgico que consistia em apenas retirar um pedaço do cérebro do paciente. Eles foram realizados em larga escala em hospitais como o Juquery e no Hospital Pedro II, buscando a docilização de pacientes crônicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em oposição à violência do isolamento oferecido por essas instituições, surge a figura de Nise da Silveira. Em 1946, após ter sido presa pelo regime de Vargas por suas inclinações políticas, Nise assumiu o Setor de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional (Engenho de Dentro), no Rio de Janeiro. Ela se recusou a usar eletrochoques e lobotomias, introduzindo a arte e o afeto como mediadores da cura. Ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente em 1952, onde demonstrou, através das pinturas e esculturas de pacientes como Arthur Bispo do Rosario, que o louco preservava uma riqueza simbólica e uma humanidade que a psiquiatria tradicional tentava apagar. Sua colaboração com Carl Jung colocou a experiência brasileira no mapa da psicologia analítica mundial, provando que o tratamento em liberdade e através da expressão criativa era viável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Criação da Indústria da Loucura ===&lt;br /&gt;
No final da década de 1950 e início da de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek e o breve período democrático posterior, o Brasil viu o surgimento de uma nova e ainda mais perversa dinâmica: a Indústria da Loucura. A assistência psiquiátrica, antes quase totalmente pública ou baseada no assistencialismo das Santas Casas, começou a ser privatizada. Com o crescimento dos institutos de previdência (IAPs), o Estado passou a pagar hospitais privados por dia de internação. Isso criou um incentivo perverso: quanto mais tempo o paciente ficasse internado e quanto menos recursos fossem gastos com ele, maior o lucro das clínicas privadas. Esse modelo, conhecido como &amp;quot;hospitalocêntrico&amp;quot;, inchou o sistema e preparou o terreno para a política de contenção social que seria radicalizada após o golpe de 1964. Foi um momento de multiplicação da brutalidade. Pouco importava a loucura ou não, o tratamento ou não, a eficácia ou não. O que importava era ganhar o dinheiro estatal por meio de um encarceramento fácil e praticamente impossível de escapar, além de altamente lucrativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coisa se aprofundou ainda mais com o golpe militar, que unificou em 1966 os Institutos de Aposentadoria e Pensões no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), produzindo uma centralização gigantesca de recursos, com um modelo de privatização quase total. A psiquiatria, por ser uma especialidade cuja formação exigia baixo investimento tecnológico quando comparada a outras como a cirurgia, cardiologia ou oncologia, permitia grandes lucros com as internações de longa permanência. Assim, trancafiar e atormentar os loucos tornou-se o setor mais atraente para o empresariado da saúde.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de pessoas possivelmente diagnosticadas, o sistema era alimentado pelo encarceramento de militantes políticos, estudantes rebeldes, pessoas em situação de rua,  mendigos, homossexuais, indivíduos com comportamentos &amp;quot;desviantes&amp;quot; da moral tradicional, dependentes químicos, alcoólatras ou mesmo pessoas “problemáticas” da família, que se recusavam, por exemplo, a participar de casamentos arranjados, que denunciavam violência sexual ou eram apenas mulheres que haviam engravidado antes do casamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As instituições privadas multiplicaram-se pelo interior do país, longe dos olhos da fiscalização e dos centros urbanos. Instaladas em locais de difícil acesso, facilitava o ocultamento de violações de direitos humanos e ainda utilizava da conivência dos governos locais. As populações dessas localidades, crentes no saber médico, dificilmente desconfiavam do que poderia acontecer dentro dessas instituições e, quando vazavam denúncias, elas rapidamente podiam ser facilmente manejadas em conluio com os poderes locais. A loucura tornou-se um negócio de massa, com o abrigo precário de centenas de pessoas em galpões, onde a única &amp;quot;terapia&amp;quot; era a contenção química por sedativos baratos ou o uso indiscriminado do eletrochoque para manter a ordem além, é claro, da violência e brutalidade de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Luta Antimanicomial ==&lt;br /&gt;
No final da década de 1970, o modelo começou a dar sinais de exaustão, tanto financeira quanto ética. O Estado já não conseguia arcar com os custos crescentes de um sistema que só expandia o número de crônicos, e as denúncias de maus-tratos começaram a furar o bloqueio da censura, aparecendo em jornais mais prestigiados e com denúncias circulando em mais espaços da sociedade. O estopim para a o início do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil começa com uma crise na Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), que havia recebido denúncias de irregularidades no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Hospital Pinel, na Colônia Juliano Moreira e no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. A denúncia foi acompanhada de uma greve por parte dos funcionários, que exigiam melhorias institucionais e questionavam irregularidades trabalhistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É dessa crise que surge o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) que, nesse primeiro momento, estão mais preocupados com questões trabalhistas do que com o problema da própria prática psiquiátrica, que vai caracterizar parte dos movimentos antimanicomiais posteriormente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O MTSM se fortalece e conseguem espaço no extremamente conservador V Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que ocorre em 1978, no que fica conhecido como “congresso da abertura” e que também traz elementos da abertura política com o iminente fim do regime militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1978, um grupo importante de intelectuais vinculados às bases teóricas do Movimento Antimanicomial participa do I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições, incluindo Franco Basaglia, Felix Guattari, Robert Castel e Erwinf Goffman. No ano seguinte, o I Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental fortalece a contextação não apenas de problemas trabalhistas, mas do próprio modelo asilar e da forma como a psiquiatria intervinha e oprimia a população marginalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
AMARANTE, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ARBEX, Daniela. Holocausto Brasileiro. Rio de Janeiro: Geração Editorial, 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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BIRMAN, Joel. A Physis da Arte: Deleuze e a Clínica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. &lt;br /&gt;
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CASTEL, Robert. A Ordem Psiquiátrica: a Idade de Ouro do Alienismo. Rio de Janeiro: Graal, 1978.&lt;br /&gt;
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COSTA, Jurandir Freire. Violência e Psicanálise. Rio de Janeiro: Graal, 1986.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. História da Assistência Psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Garamond, 2007. &lt;br /&gt;
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ENGEL, Magali. Os Delírios da Razão: médicos, loucos e hospícios (Rio de Janeiro, 1830-1930). Rio de Janeiro: Fiocruz, 2001&lt;br /&gt;
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FOUCAULT, Michel. História da Loucura na Idade Clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Netto. São Paulo: Perspectiva, 2014.&lt;br /&gt;
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MELLO, Luiz Carlos. Nise da Silveira: Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2014.&lt;br /&gt;
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PEREIRA, Ana Leonor; PITA, João Rui. A Institucionalização da Loucura em Portugal. Coimbra: Estudo Geral, 1994.&lt;br /&gt;
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PESSOTTI, Isaias. A loucura e as épocas. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.&lt;br /&gt;
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PORTOCARRERO, Vera. Arquivos da Loucura: Juliano Moreira e a descontinuidade histórica da psiquiatria. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2002.&lt;br /&gt;
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PINEL, Philippe. Traité médico-philosophique sur l&#039;aliénation mentale, ou la manie. Paris: Richard, Caille et Ravier, 1801.&lt;br /&gt;
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RESENDE, Heitor. O Pequeno Livro da Reforma Psiquiátrica Relativa ao Confinamento e à Liberdade. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1987.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama. História whig e história da psicologia. Em: ____. História whig, história da psicologia e história da psiquiatria: investigando a revolução behaviorista e a reforma psiquiátrica brasileira. Rio de Janeiro, 2023. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2023, p.94-133.&lt;br /&gt;
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SILVA, Priscila Aquino. O Hospital Real de Todos-os-Santos e seus agentes da cura. In: História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 22, n. 4, 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VENANCIO, Ana Teresa A.; CARVALHAL, Lázaro. Juliano Moreira: A Ciência da Assistência e a Assistência da Ciência. In: Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2001.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
YASUI, Silvio. Rupturas e Encontros: desafios da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2010.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_loucura:_da_Gr%C3%A9cia_antiga_%C3%A0_luta_anti-manicomial&amp;diff=1678</id>
		<title>História da loucura: da Grécia antiga à luta anti-manicomial</title>
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		<updated>2026-05-15T02:45:21Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* A Loucura no Brasil */ Várias modificações substanciais&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Este texto ainda é um rascunho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Texto com finalidade didática escrita por André Elias Morelli Ribeiro para o curso de Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A história da loucura é, ao mesmo tempo, uma narrativa sobre o modo como diferentes sociedades compreenderam a mente humana e uma reflexão sobre os mecanismos de poder que moldaram práticas de exclusão, cuidado e resistência vinculados à loucura. Iniciando na Grécia antiga até o movimento antimanicomial no Brasil, pode-se observar como a loucura foi interpretada ora como intervenção divina, ora como desvio moral, ora como doença fisiológica, ora como ameaça social. Cada época construiu suas próprias respostas, que variaram entre a integração comunitária, o confinamento brutal e a busca por tratamentos médicos ou espirituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, a trajetória seguiu de perto os modelos europeus. Do Hospício de Pedro II às colônias agrícolas, passando pela gestão de Juliano Moreira, a psiquiatria nacional oscilou entre avanços humanitários e práticas de exclusão. O período Vargas e o Estado Novo intensificaram o encarceramento, transformando hospitais em verdadeiros campos de concentração administrativos. As décadas seguintes viram a adoção de terapias brutais, como eletrochoques e lobotomias, mas também o surgimento de resistências, como a obra de Nise da Silveira, que introduziu a arte e o afeto como caminhos de cura. A partir dos anos 1960, a privatização da assistência psiquiátrica gerou a chamada “Indústria da Loucura”, marcada por internações lucrativas e violações sistemáticas de direitos humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, o percurso histórico apresentado aqui mostra que a loucura nunca foi apenas um fenômeno clínico mas, antes, um espelho das sociedades, revelando seus medos, suas crenças e suas formas de organizar o convívio humano. De sagrada a temida, de medicalizada a mercantilizada, apresenta-se e se discute como surgiram vozes e práticas que reivindicaram humanidade e liberdade para os considerados loucos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras no Mundo Antigo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grécia antiga ===&lt;br /&gt;
Na Grécia antiga, em certo momento a loucura era considerada uma intervenção dos deuses e, como os gregos era politeístas, a varidade de formas de loucura e intervenção também era bem grande. A loucura poderia ser vista como uma punição. Um exemplo notório é o herói Ajax, filho de Telamão. Após a morte de Aquiles, a armadura do herói foi dada a Odisseu, e a afronta levou Ajax a um estado de fúria e ressentimento. A deusa Atena, intervindo em favor de Odisseu ou para proteger os Aqueus da vingança de Ajax, lançou sobre ele uma cegueira mental. Tomado pela loucura, Ajax massacrou o gado de guerra que havia sido capturado, acreditando que estava matando os líderes aqueus, incluindo Odisseu e Agamenon. Ao recobrar a sanidade e perceber seu ato vergonhoso, o que o levou a cometer suicídio por humilhação. Essa cena ilustra a loucura como uma intervenção divina direta na forma de loucura poderia ser vista como destrutiva e extremamente negativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outros episódios da mitologia grega, a loucura surge como uma consequência direta de traumas e da perseguição implacável por vingança. Um exemplo fundamental é o de Orestes que, após assassinar sua mãe, Clitemnestra, para vingar a morte de seu pai, Agamenon, passa a ser atormentado pelas Erínias. Essas divindades da vingança, também conhecidas como Fúrias, levaram o herói a um estado de delírio e desespero profundo, personificando a tortura psicológica e a perda da razão como uma forma de acerto de contas espiritual e moral pelo matricídio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura não era unicamente um flagelo ou uma punição. Os gregos, notavelmente, viam a mania, um termo que hoje engloba a loucura, em uma perspectiva dual. Na sua manifestação mais elevada era considerada uma benção ou inspiração divina. Essa visão positiva estava profundamente ligada ao culto de Dionísio, o deus do vinho, do teatro e do êxtase. Nos rituais dionisíacos, as bacantes e outros seguidores buscavam o êxtase, que é, literalmente, &amp;quot;sair de si&amp;quot;, por meio da dança frenética, música e consumo de vinho, o que era percebido como um estado de comunhão direta e inspirada com a divindade. Longe de ser destrutiva, essa forma de loucura era vista como uma fonte de criatividade, revelação e poder, sendo um caminho para a verdade profética e a expressão artística ligada a Dionísio. Este conceito de mania inspirada também se estendia a outros domínios, como a profecia dos oráculos, que eram vinculados à adoração ao deus Apolo, e mesmo a poesia, onde a perda temporária da razão humana era interpretada como a mente sendo tomada por uma força divina que trazia algum tipo de inspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em certo momento, ainda na Grécia antiga, as ideias sobre a loucura - ou algo que pareça loucura aos nossos olhos contemporâneos - foi modificada graças a Hipócrates, o pai da medicina. A visão de Hipócrates marcou uma transição crucial para o entendimento da loucura na Grécia Antiga, pois afastou a loucura das concepções divinas e sobrenaturais para uma explicação puramente fisiológica e natural. Ele desenvolveu a Teoria dos Quatro Humores, que se tornou o pilar da medicina ocidental por séculos. Segundo essa teoria, o corpo humano era composto por quatro fluidos essenciais (humores): sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. A saúde mental e física dependia do equilíbrio harmonioso desses humores. A loucura, ou qualquer doença mental, era, portanto, interpretada como o resultado de um desequilíbrio, como o excesso de bile negra causando a melancolia (depressão), ou o desarranjo da fleuma e da bile amarela, que poderiam levar a estados de mania e frenesi. Com isso, Hipócrates postulou que a loucura não era uma maldição dos deuses, mas sim uma doença com origem no corpo. Essa abordagem naturalista permitiu que a loucura passasse a ser tratada com métodos como dietas, exercícios e remédios, em vez de rituais religiosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradição bíblica ===&lt;br /&gt;
Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e à recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o baniu do convívio humano. Ele passou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara, conforme emerge na descrição bíblica, mostra uma concepção de loucura ligada à perda da razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo da loucura, onde o que é considerado &#039;loucura&#039; pelos homens revela-se a suprema sabedoria divina. Essa ideia é desenvolvida pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. Na passagem, ele afirma: &#039;Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens&#039; (1 Coríntios 1:25). Paulo usa o termo moria (loucura, tolice) para contrastar a sabedoria humana, que na época do texto era representada pela filosofia e retórica grega, com a mensagem da cruz, que parecia ilógica e insensata aos olhos dos não cristãos, que debochavam do fato do profeta ter sido capturado e morto pelos romanos. Assim, a loucura deixa de ser apenas uma punição para se tornar uma lente através da qual a verdadeira sabedoria, ou seja, a salvação, é revelada, invertendo a hierarquia de valores do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pérsia ===&lt;br /&gt;
Na Pérsia, a visão da loucura e do comportamento irracional foi moldada por seu profundo dualismo religioso e, posteriormente, pelas tradições islâmicas que se seguiram à conquista árabe. O zoroastrismo, a antiga religião persa fundada por Zoroastro (Zaratustra), transformou o politeísmo anterior em um dualismo cósmico centralizado no conflito eterno entre Ahura Mazda (Ormazd), o criador da vida, luz e verdade, e Angra Mainyu (Ahriman), a escuridão e a mentira. Neste cenário, o mundo material é o campo de batalha entre os dois. Ahriman buscava corromper tudo o que Ormazd havia criado. Embora o texto não defina a loucura diretamente, o comportamento irracional e a desrazão poderiam ser facilmente associados ao domínio de Ahriman e à mentira (druj), enquanto a sanidade e a pureza eram atributos de Ormazd. A batalha contra essa corrupção exigia que os adoradores de Ormazd permanecessem verdadeiros e evitassem poluir o fogo e a terra sagrada, indicando que a pureza mental e ritual era uma defesa contra as forças do mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Islã ===&lt;br /&gt;
Na cultura islãmica, de forma geral e bastante resumida, o comportamento considerado irracional era frequentemente explicado pela crença nos djinn, espíritos errantes que habitavam o deserto e certos lugares considerados místicos e que podiam invadir a mente humana, causando o que a sociedade ocidental moderna chamaria de insanidade ou, talvez, distúrbio emocional, cujo tratamento era o exorcismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura também apareceu em narrativas culturais associadas aos povos de forma a sugerir causas e curas mais mundanas. O famoso conto persa de As Mil e Uma Noites relata a história do rei Shahriyar, que, convencido da inevitável traição feminina, cai em uma loucura paranóica que o leva a se casar e matar uma virgem todas as noites. Sua &amp;quot;cura&amp;quot; é alcançada através da engenhosidade e paciência humana por meio de uma dessas esposas, Scheherazade, que usa a arte de contar histórias para retardar sua execução por &amp;quot;mil e uma noites&amp;quot;, período em que sua paranoia é gradualmente desfeita. A história sugere que a narrativa e o tempo podem curar a loucura causada por trauma psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras na Idade Média ==&lt;br /&gt;
A transição para a Idade Média é marcada pelo colapso do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e trouxe profundas transformações políticas e sociais. O fim do governo centralizado romano levou à fragmentação do poder e ao surgimento do sistema feudal, onde a administração das terras e a autoridade passaram para as mãos de senhores locais, muitos deles antigos oficiais romanos. Este período também é caracterizado por um notável declínio na vida urbana e nos grandes centros intelectuais. O colpaso das instituições romanas deu lugar à ascensão e consolidação da única instituição internacional grande e organizada que havia sobrado, a Igreja Católica, que se tornou a principal instituição de poder. Houve ainda uma perda gradual da tradição cultural greco-romana e, consequentemente, um afastamento das explicações naturalistas de Hipócrates, com exceção do pequeno renascimento do século XII e retomadas pontuais da sabedoria grega. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a hegemonia da Igreja Católica, a loucura tendeu a ser novamente interpretada sob uma lente teológica, sendo vista como uma manifestação de forças sobrenaturais ou desvios morais. Nesse contexto, certas vezes a loucura era interpretada como a intervenção de Satanás ou como possessão demoníaca, exigindo rituais de exorcismo para a cura. Em outros momentos, era vista como uma prova espiritual enviada por Deus ou como um efeito direto do pecado na alma do indivíduo. Havia também explicações que a tratavam como uma fragilidade da vontade humana, misturando elementos da antiga tradição grega com aspectos da teologia cristã, estabelecendo um novo arcabouço para o entendimento da mente humana durante a Idade Média, que tinha muitas variações e não era uniforme nem ao longo do tempo nem em todos os espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Socialmente, a gestão da loucura na Idade Média também passou por diferentes fases e transformações, dependendo do local e da época. Haviam casos em que os consideradores loucos eram apenas torturados e trancafiados, acreditando-se serem métodos eficazes para expulsão de espíritos malignos, por exemplo. Contudo, em muitos outros casos, os considerados loucos conviviam de forma mais ou menos harmoniosa com o resto da comunidade, a depender de suas capacidades e possibilidades, e certos “desvios” eram perdoados devido à sua condição peculiar, sem a necessidade imediata de uma exclusão radical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Nau dos Loucos ===&lt;br /&gt;
Um caso notável e emblemático da gestão da loucura nesse período é a Nau dos Loucos (Stultifera Navis), conforme trabalhado por Michel Foucault. Anteriormente ao modelo de exclusão-repressão que viria a se consolidar na Idade Clássica, a loucura viveu o que se pode chamar de seus &amp;quot;dias de glória&amp;quot; na transição para a Renascença. Nesse contexto, o louco poderia ser visto como um sábio, um místico, um bobo da corte ou simplesmente um excêntrico que estava, de certa forma, integrado ao tecido social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Nau dos Loucos simbolizava uma existência errante, onde o louco era confiado à água e ao navio para ser levado de uma cidade a outra, mantendo-o em um estado de exclusão simbólica, mas ainda assim em movimento e circulação. Para Foucault, essa experiência trágica da loucura permitia que o insano portasse uma forma de lucidez em sua insensatez, revelando verdades que a razão comum não ousava enunciar. O louco via através das ilusões mundanas, aproximando-se de uma verdade profética ou ética que seria progressivamente silenciada nos séculos seguintes pela ascensão do saber médico e da racionalidade científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Santa Dimpna e Geel ===&lt;br /&gt;
Outro acontecimento relevante da Idade Média para a compreensão da loucura é o episódio de Santa Dimpna. Nascida no século VII na Irlanda, ela era filha de um rei pagão e de uma mãe cristã devota, de quem herdou sua fé e pelo qual decidiu fazer votos de castidade. Após a morte prematura da mãe, seu pai, mergulhado em um profundo luto, decidiu que Dimpna era a única mulher com beleza comparável à da falecida rainha e insistiu em se casar com a própria filha, o que seria considerado escandaloso também para aquela cultura. Diante dessa perseguição incestuosa, Dimpna fugiu da Irlanda acompanhada de seu confessor, o padre Gereberno, e de dois servos fiéis. O grupo cruzou o mar e estabeleceu-se em Geel, um minúsculo vilarejo na atual Bélgica, onde Dimpna dedicou-se ao cuidado dos pobres e doentes mentais. No entanto, o rei conseguiu encontrá-los e, após a recusa de Dimpna em retornar e de se casar com o pai, ordenou a execução de Gereberno, enquanto ele mesmo decapitou a filha, tornando a menina de 15 anos de idade uma mártir cristã. Após sua morte, relatos de curas milagrosas de pessoas com distúrbios mentais e epilepsia começaram a ocorrer junto ao seu túmulo, o que a tornou a padroeira dos doentes mentais e o local um espaço de peregrinação ligado à questão da saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O legado de Santa Dimpna em Geel deu origem a um modelo para a psiquiatria moderna pois, devido à devoção e adoração à Santa Dimpna, a cidade transformou-se em um santuário onde os pacientes não eram trancafiados, mas acolhidos em lares de famílias locais como &amp;quot;hóspedes&amp;quot;. Esse sistema de cuidado comunitário e desinstitucionalização, que persiste há séculos, é considerado um dos precursores do tratamento humanizado e da reabilitação psicossocial na saúde mental contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Idade Clássica: a nova era da loucura encarcerada ==&lt;br /&gt;
A partir do século XVII, um período em que o filósofo Michel Foucault denominou como &amp;quot;A Época Clássica&amp;quot;, a forma de entender e lidar com a loucura passa por uma nova mudança devido ao ingresso da razão como centro e alma do pensamento europeu, em substituição ao dogmatismo religioso e ao conhecimento da igreja. Esta mudança não é brusca, mas lenta e gradual, porém suas marcas serão duradouras e serão sentidas por quase toda a Europa. Para essa nova e nascente razão, a loucura seria seu oposto direto. Se o homem era definido pela sua capacidade racional e sua utilidade produtiva, o louco era, portanto, como um &amp;quot;não-homem&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a solução para a não-razão era a internação que não buscava a cura, mas a neutralização do irracional. O silenciamento da loucura era necessário para que a ordem social pudesse florescer. Os campos e cidades deveriam ser espaços de circulação de mercadorias pelas mãos de cidadãos produtivos, e qualquer elemento que atrapalhasse essa dinâmica deveria ser guardado em instituições que funcionavam como uma guarda contra o risco social que tais pessoas ofereciam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relatos da época descrevem cenários terríveis sobre as condições de internação dos loucos. Os internos eram frequentemente mantidos em celas úmidas e insalubres, muitas vezes acorrentados às paredes. O uso de chicotes e outras punições corporais era justificado pela crença de que o louco, por ter perdido a razão, teria a resistência física de um animal, não sentindo frio ou dor da mesma forma que uma pessoa &amp;quot;normal&amp;quot;. Além disso, as instituições funcionavam sob uma lógica de vigilância constante. Não se tratava de observar para entender a mente, mas para garantir que o corpo anormal permanecesse contido e, no máximo possível, docilizado. Foi dentro desse ambiente de absoluta degradação e mistura indiscriminada de diferentes &amp;quot;tipos&amp;quot; de desviantes que a consciência médica começou a germinar, ainda que de forma incipiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== França ===&lt;br /&gt;
O ano de 1656 marca um divisor de águas simbólico para o modelo de confinamento asilar no mundo todo, com a criação do Hôpital Général (Hospital Geral) em Paris, por um edito real do rei Luís XIV. É importante entender que um hospital geral deste período não é como um hospital moderno, ou seja, uma instituição médica e voltada para a compreensão da doença e a prática do tratamento e cura. Ele estava mais próximo de uma estrutura administrativa e, de certo modo, semi-judiciária. Isso ocorria porque o interesse não estava em “curar” ou “tratar” ninguém mas, antes disso, perseguir o interesse do Estado de &amp;quot;limpar&amp;quot; as ruas de Paris de tudo o que era considerado improdutivo ou escandaloso. Era um período de abundância material, grandes gastos estatais e de uma imensa riqueza do império colonial francês, e desvios nessa ordem eram vistos como perigosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes tais hospitais gerais eram confinados, todos juntos, grupos totalmente diferentes, tais como pobres, mendigos, desempregados, libertinos, prostitutas, alquimistas, opositores políticos e, claro, também os considerados loucos. Em suma, um depósito de indesejados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que começou em Paris se tornou um modelo para outros lugares sobre como fazer a gestão da miséria e da “desrazão”, num forte deslocamento do que se via na Idade Média. O louco, antes tendo algo de profético, místico ou talvez apenas uma excentricidade da vida medieval campesina, se torna uma questão político-administrativa. Essa mudança importante marca uma migração para a possibilidade de institucionalização daquilo que era considerado errante ou, de alguma forma, desagradável e, assim passível de ser alvo de uma forma de gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Paris, as duas principais unidades do Hospital Geral se tornaram emblemáticas e simbólicas. A Salpêtrière, que era destinada às mulheres, e o hospital Bicêtre, destinado aos homens. Ambas não ofereciam qualquer forma de tratamento. Eram basicamente depósitos humanos, onde o louco poderia acabar acorrentado ao lado de criminosos, por exemplo. O critério de internação não era o diagnóstico clínico, mesmo porque simplesmente ele nem existia nos moldes modernos, mas a incapacidade de se ajustar às normas de trabalho e à moralidade da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alemanha ===&lt;br /&gt;
Na Alemanha, surgiram as Zuchthäusern, que seriam as Casas de Correção. Cidades como Hamburgo e Bremen estabeleceram esses locais onde a loucura era tratada através do trabalho forçado. Eles acreditavam que o ócio era a raiz do mal e que o confinamento servia para reintegrar o indivíduo à lógica da produtividade. De qualquer forma, uma vez enclausurado, ele permanecia escondido da visão da população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Inglaterra ===&lt;br /&gt;
Na Inglaterra, o sistema das Workhouses (Casas de Trabalho) cumpria um papel semelhante ao modelo alemão. No entanto, Londres já possuía o Bethlem Royal Hospital, conhecido popularmente como Bedlam. No século XVII e XVIII, Bedlam se tornou um espetáculo de horror, onde o público podia pagar para observar os internos como se fossem animais em um zoológico. A loucura era agora um objeto de uma forma de exibição degradante e mantida atrás de grades e ferros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Portugal ===&lt;br /&gt;
Em Portugal a gestão dos &amp;quot;desviantes&amp;quot; recaiu fortemente sobre as Santas Casas da Misericórdia. O Hospital Real de Todos-os-Santos, fundado em Lisboa em 1492 e inaugurado em 1501, se tornou o epicentro do tratamento (ou confinamento) dos loucos no país. Dentro deste hospital, existiam as chamadas &amp;quot;Casas de Doidos&amp;quot;, destinados àqueles que haviam “perdido a luz da razão”. Seguindo o padrão europeu, o hospital não separava rigidamente o louco por diagnóstico. Eles dividiam espaço com indigentes e enfermos de diversas naturezas, embora as &amp;quot;casas de doidos&amp;quot; fossem áreas de maior isolamento devido à agitação dos internos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XVIII português, a internação era, acima de tudo, uma solução para a mendicância e, por vezes, para o alcoolismo. O louco que tinha família e posses era mantido nas casas das famílias, muitas vezes escondido em sótãos ou anexos e até mesmo acorrentados. Já o &amp;quot;louco pobre&amp;quot;, cujas famílias nem se importam ou que não poderiam ser cuidados por seus familiares, era aquele que acabava nos hospitais reais ou mesmo nas cadeias, a depender de uma série de elementos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Nascimento da Psiquiatria ==&lt;br /&gt;
Nesta seção será tratada a história do nascimento da psiquiatria, mas não como ela é atualmente. Sua trajetória é cheia de desvios e abusos, além de vitórias para os direitos dos internos. Os avanços convivem com muitos retrocessos. Mesmo na época de seu surgimento, muitos eram os questionamentos sobre sua validade e cientificidade. Hoje existem aqueles que perguntam se a psiquiatria é necessária e se seu objeto não é fabricado por ela mesma, por meio de suas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pinel e a criação da psiquiatria nosográfica ===&lt;br /&gt;
É na virada do século XVIII para o XIX que nasce a psiquiatria como um campo autônomo do saber e da prática médica. Esta mudança fundamental é protagonizada por duas figuras centrais da medicina francesa: Philippe Pinel e seu discípulo, Jean-Étienne Dominique Esquirol. Juntos, eles transformaram o hospital de depósito de insanos e indesejáveis em um verdadeiro hospital, em que o louco e o alienado poderiam receber um tratamento racional e científico, em substituição às correntes, à disciplina e ao silenciamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência da psiquiatria como campo autônomo teve como fundamento científico inicial a observação clínica sistemática dentro do asilo. Este era concebido como um laboratório, onde o alienista poderia estudar a loucura em seu estado puro, separada das influências do mundo exterior. A principal questão científica e prática que justificava essa nova ciência era desenvolvida e aplicada de forma sistemática era a chamada nosografia ou diagnóstico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pinel, em seu &#039;&#039;Traité&#039;&#039; de 1801, classificou a loucura com base em critérios sintomatológicos, seguindo um procedimento comparativo semelhante ao das ciências naturais. O desafio central, que persistiria ao longo do século XIX, era a ambiguidade constante entre a busca por uma sede orgânica, ou seja, um “local físico-biológico” da loucura, junto da necessidade de uma regulação de caráter moral. O tratamento apoiava-se na moralidade para combater as causas que eram, elas próprias, consideradas morais, mas algo estava também no corpo do doente. Isso mostra que a nova psiquiatria de Pinel era a mistura de uma perspectiva médica com algo de caráter moral no entendimento da loucura. Este enfoque resultou na valorização do exame clínico pelos psiquiatras francófonos, permitindo a união da observação clínica com a formulação de hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1793, em meio ao fervor da Revolução Francesa, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe do Hospital de Bicêtre e, posteriormente, da Salpêtrière. O cenário que encontrou era o ápice do &amp;quot;Grande Enclausuramento&amp;quot;, ou seja, homens e mulheres amontoados nas condições já descritas, com destaque para as correntes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intervenção de Pinel, simbolizada pelo gesto de “libertar os loucos de suas correntes”, não foi apenas um ato humanitário, mas também uma decisão de natureza epistemológica. Pinel acreditava que a loucura não era uma possessão demoníaca nem uma degeneração animal irreversível, mas uma alienação mental, em outras palavras, uma perturbação das faculdades intelectuais e afetivas que mantinha o indivíduo como se fosse &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, ou alienado, de si mesmo e da sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pilar para a reforma psiquiátrica proposta por Pinel era o tratamento moral, e se baseava em três pilares fundamentais. O primeiro, o isolamento terapêutico. Era necessário que o paciente ficasse separado de seu ambiente que, segundo o médico, era a fonte de sua excitação e desequilíbrio. O segundo pilar era a autoridade médica, onde este deveria atuar como um pai ao mesmo tempo severo e justo, usando a persuasão, a benevolência e, se fosse necessário, a firmeza para restaurar a razão do paciente. Por fim, a disciplina e o trabalho, com a aplicação rigorosa de horários e valorização de atividades produtivas, o que ocuparia a mente alienada e, assim, combateria a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus estudos, Pinel identificou quatro tipos de loucura, quais sejam, a melancolia, a mania, a demência e o idiotismo, cada uma com suas questões próprias específicas e metodologias de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Esquirol e a consolidação do modelo ===&lt;br /&gt;
Se Pinel era considerado o visionário e o libertador, Jean-Étienne Dominique Esquirol foi o grande organizador e o clínico meticuloso. Discípulo de Pinel, Esquirol sucedeu seu mestre na Salpêtrière e deu à psiquiatria a robustez científica e administrativa de que ela necessitava. Esquirol compreendeu que a eficácia do tratamento moral dependia da arquitetura hospitalar. Para ele, o hospital não era apenas um prédio onde ocorria o tratamento, mas também um instrumento de cura. Ele desenvolveu o modelo de pavilhões, permitindo a separação dos pacientes por tipo de patologia, o que reforçou a própria ideia de diagnóstico e de avaliação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Esquirol refinou as definições clínicas de Pinel. Foi ele quem estabeleceu a distinção clássica entre alucinação (uma percepção sem objeto) e ilusão (uma percepção deformada de um objeto real), entre outros pontos que, na sua época, foram considerados avanços exemplares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Legalização da Alienação ===&lt;br /&gt;
O esforço médico, político e administrativo de Esquirol na continuação do trabalho de Pinel culminou na promulgação da lei francesa de 30 de Junho de 1838, a primeira grande legislação psiquiátrica do mundo moderno. Esta lei estabeleceu a obrigatoriedade de cada departamento francês possuir um asilo e regulamentou as condições de internação e interdição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A princípio, embora também protegesse o alienado do arbítrio e de outras violências que poderiam ser cometidos contra os loucos nas províncias e mesmo nas periferias de Paris, a lei também deu total poder ao médico psiquiatra. Era ele quem poderia decidir quem deveria ou não ser privado de sua liberdade. Com isso, a psiquiatria tornava-se, assim, um braço do Estado na gestão da ordem social mas, ao contrário do polícia e do inquérito polícial, que exigia provas independentes e a atuação do sistema judiciário, o psiquiatra estava coberto sob o manto da ciência médica, o que dava a ele poderes gigantescos de decidir entre a alienação e a razão. Isso marcou profundamente a forma como a loucura e a saúde mental passaram a ser compreendidas e tratadas nas décadas seguintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Loucura no Brasil ==&lt;br /&gt;
Até o início do século XIX, o Brasil colonial lidava com seus insanos de forma semelhante ao que ocorria na Europa. As famílias ricas mantinham seus parentes loucos em &amp;quot;quartos fortes&amp;quot;, privando-os mais ou menos da vida comunitária e familiar, a depender das circunstâncias. Já os pobres eram entregues à caridade das Santas Casas de Misericórdia ou vagavam pelas ruas, sendo ocasionalmente recolhidos a cadeias públicas quando perturbavam a ordem, indo e vindo das frágeis instituições brasileiras, sofrendo abusos e violências de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 gerou a necessidade de transformar a capital colonial em uma moderna metrópole europeia. Sob a influência do Iluminismo tardio e das notícias que chegavam sobre as reformas de Pinel na França, a elite médica brasileira, que havia estudado sobretudo na França e em Portugal, começou a pressionar o poder público pela criação de espaços específicos para o tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1830, a criação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (que viria a ser a Academia Nacional de Medicina) foi o marco institucional dessa pressão. Esse movimento político funcionou. O momento decisivo ocorreu em 18 de julho de 1841, quando o Imperador D. Pedro II, em comemoração à sua coroação, assinou o decreto de fundação do primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e da América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Hospício de Pedro II, ou o Palácio dos Loucos (1852–1889) ===&lt;br /&gt;
Inaugurado apenas em 8 de dezembro de 1852, o Hospício de Pedro II era gerido pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, que por anos geriu grande parte da loucura brasileira. Seu provedor era o médico José Clemente Pereira, que era responsável por todos os aspectos da instituição, desde os médicos até os administrativos. Embora a gestão administrativa fosse religiosa, o saber médico tinha muito espaço com nomes como Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, que tentaram implementar o &amp;quot;tratamento moral&amp;quot; inspirado em Esquirol. Apesar dos esforços, muitos relatos de abusos e de condições precárias mostravam a dificuldade em implementar um modelo brasileiro de tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Proclamação da República em 1889, o Hospício de Pedro II foi desvinculado da Santa Casa e renomeado como Hospital Nacional de Alienados (HNA). Este foi um período de maior laicização e pela busca por um maior rigor científico, o que não aconteceu por completo, em grande parte devido à falta de profissionais adequadamente treinados para a questão. Apesar disso, o Brasil já possuía uma cátedra de psiquiatria desde 1883, ocupada por João Carlos Teixeira Brandão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante dos altíssimos custos em manter o Hospital, surgem as colônias agrícolas como alternativa ao confinamento urbano. Em 1884, já havia sido inaugurada a Colônia de São Bento e, em 1890, a Colônia de Conde de Mesquita, na Ilha do Governador. A ideia era que o trabalho na terra poderia colaborar na cura, além de os produtos deste trabalho poderiam ser consumidos no local, ajudando na manutenção dos espaços. Apesar dessas transformações e de evidentes melhorias, os relatos de época mostram que não acontecia nenhuma das duas coisas, nem produção agrícola suficiente, nem um processo terapêutico efetivo, mas entendia-se que a colônia agrícola era melhor do que o confinamento do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Era Juliano Moreira ===&lt;br /&gt;
Em 1903, o médico baiano Juliano Moreira assume a direção do Hospital Nacional de Alienados. Negro, de origem humilde e dotado de uma erudição impressionante, ele revolucionou a assistência brasileira aos alienados, sendo reconhecido internacionalmente como um dos grandes psiquiatras de seu tempo. Ele se tornaria o principal médico alienista do Brasil, tornando-se referência para todo o país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moreira aboliu definitivamente o uso de camisas de força e as grades nas janelas, num gesto que se assemelhava àquele de Pinel, enfatizando que o hospital era um local de tratamento e cura, e não uma prisão ou um depósito de indesejados. Além disso, ele trouxe para o Brasil a nosologia de Emil Kraepelin, um psiquiatra alemão considerado o pai da psiquiatria moderna, da psicofarmacologia e da genética psiquiátrica, o que seria uma modernização do modelo francês adotado até então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a gestão Moreira ocorreram várias mudanças. Foi criado o Pavilhão Bourneville para crianças com deficiência intelectual. Além disso, fundou-se o Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1921), o primeiro do país, sob a liderança de Heitor Carrilho. Dentro dos hospitais incentivou-se a pesquisa laboratorial e anátomo-patológica, o que também abriu espaço para a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência e o prestígio de Juliano Moreira se espalhou pelo Brasil. Em São Paulo, destacou-se a figura de Francisco Franco da Rocha, que fundou em 1898 o Hospital do Juquery. O Juquery, como ficou conhecido, tornou-se uma &amp;quot;cidade-asilo&amp;quot;, chegando a abrigar dezenas de milhares de pacientes em um modelo que mesclava pavilhôes médicos com imensas colônias agrícolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período, a psiquiatria brasileira flertou intensamente com as teorias da degenerescência (de Morel e Magnan) e com a eugenia. Médicos como Renato Kehl, bem como a criação da Liga Brasileira de Higiene Mental (1923), fundada por Gustavo Riedel, começaram a ver a loucura não apenas como um problema individual, mas como um risco biológico à raça brasileira. A higiene mental passou a atuar preventivamente em escolas e fábricas, buscando identificar &amp;quot;pré-delinquentes&amp;quot; e &amp;quot;personalidades anormais&amp;quot;. Apesar de não ter conseguido desenvolver muitas políticas efetivas, os eugenistas brasileiros eram ativos e influentes em muitos círculos decisórios importantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A criação de hospitais não se limitou a São Paulo e Rio de Janeiro. Em  1903, o governo de Minas Gerais fundou o Hospital Psiquiátrico de Barbacena, que mais tarde seria palco de uma das maiores tragédias humanitárias do país. Em Pernambuco, o Hospital Ulysses Pernambucano foi fundado pelo médico de mesmo nome, que começou a desenvolver uma psiquiatria mais voltada para o social e para a prevenção no final dos anos 1920. Hospitais na Bahia, Rio Grande do Sul, entre outros, também foram criados, seguindo o pioneirismo do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Era Vargas e além: o início do encarceramento ===&lt;br /&gt;
Com a Revolução de 1930, o projeto de nação de Vargas exigia um povo saudável e produtivo, devido à visão desenvolvimentista suportada pela Aliança Liberal, que o elegeu. A loucura deixou de ser apenas uma questão de ordem pública ou um aspecto da caridade para se tornar um problema de Segurança Nacional e Saúde Pública. Em 1941, no âmbito do Estado Novo, foi criado o Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM), substituindo o antigo modelo de assistência a alienados, que era fragmentado, conforme as diferentes províncias. Dessa maneira, Vargas criou uma diretriz federal centralizada para a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM), uma instituição que professava o higienismo no Brasil e que já atuava desde a década de 1920, ganhou fôlego. O foco deslocou-se do hospital para a prevenção na sociedade. A psiquiatria não deveria se limitar aos hospitais, mas também atuar na escola, na fábrica e na família, buscando eugenizar, limpar a nação e extirpar o que chamavam de &amp;quot;elementos degenerados&amp;quot;. O médico Gustavo Riedel e seus sucessores defendiam que o Estado deveria intervir precocemente para evitar que o &amp;quot;anormal&amp;quot; se tornasse um fardo para a máquina pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi durante as décadas de 1930 e 1940 que o modelo de colônia agrícola, antes visto como terapêutico e de assistência à manutenção hospitalar, atingiu proporções industriais. O que se viu em Barbacena e em instituições como o Juquery em São Paulo, foi a transformação do hospital em, praticamente, um campo de concentração administrativo. A internação não dependia mais de um diagnóstico médico rigoroso, que na prática ainda era frágil e baseado em elementos pouco científicos. Bastava ser considerado &amp;quot;socialmente inconveniente&amp;quot; para correr-se o risco de ir parar numa instituições dessas. Assim, pobres, prostitutas, homossexuais, militantes políticos e mães solteiras eram enviados para essas instituições, onde a sobrevivência era a exceção. Estima-se que, no auge do descaso, o Hospital de Barbacena registrava um número alarmante de óbitos por frio, fome e doenças evitáveis, cujos corpos eram, por vezes, vendidos para faculdades de medicina. Situações similares aconteciam em outras instituições do tipo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tratamentos Brutais e os Modos de Resistência ===&lt;br /&gt;
Para além do horror asilar, o período entre 1930 e 1950 também foi marcado pela introdução de terapias biológicas drásticas, importadas da Europa, conhecidas como somatoterapias. Com uma psicofarmacologia pouco eficaz, os médicos buscavam &amp;quot;chacoalhar&amp;quot; o organismo, produzindo nele como um choque que pudesse restaurar a razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma dessas técnicas era a insulinoterapia. Introduzida na Europa pelo médico austríaco Manfred Sakel (1900–1957) em Viena, no início dos anos 1930, representou uma das primeiras e mais invasivas formas de somatoterapia. Originalmente destinada ao tratamento da esquizofrenia, a técnica consistia na administração de doses maciças de insulina no paciente, provocando um estado de hipoglicemia profunda que levava o paciente ao coma. Na volta desse estado, se esperava que o indivíduo “restaurasse” a razão por conta do choque orgânico violento que havia vivenciado. O procedimento era extremamente perigoso e estava associado a uma alta taxa de mortalidade e morbidade devido às convulsões e aos possíveis danos cerebrais. Apesar dos riscos, o método foi amplamente adotado no mundo todo, incluindo o Brasil, onde foi usado em grandes instituições de confinamento, como o Hospital Nacional de Alienados (HNA), no Hospital Juquery, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que passou a ser muito utilizada foi a Eletroconvulsoterapia, ou simplesmente o eletrochoque. Introduzido no Brasil logo após sua invenção na Itália (1938), consiste em colocar eletrodos carregados com correntes elétricas em lados opostos, na lateral da cabeça, de modo que uma forte corrente elétrica atravessasse o cérebro. A duração e a intensidade podiam variar, mas relatos de mais de trinta minutos de choques violentos não eram incomuns. Sua brutalidade era tamanha que exigia que sua vítima fosse fortemente amarrada. Tornou-se uma ferramenta onipresente nos hospitais, muitas vezes aplicada sem anestesia e como método de punição, desvirtuando sua finalidade clínica e usada, basicamente, como ferramenta de tortura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que ingressou no Brasil nesse período foi a lobotomia, um procedimento cirúrgico que consistia em apenas retirar um pedaço do cérebro do paciente. Eles foram realizados em larga escala em hospitais como o Juquery e no Hospital Pedro II, buscando a docilização de pacientes crônicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em oposição à violência do isolamento oferecido por essas instituições, surge a figura de Nise da Silveira. Em 1946, após ter sido presa pelo regime de Vargas por suas inclinações políticas, Nise assumiu o Setor de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional (Engenho de Dentro), no Rio de Janeiro. Ela se recusou a usar eletrochoques e lobotomias, introduzindo a arte e o afeto como mediadores da cura. Ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente em 1952, onde demonstrou, através das pinturas e esculturas de pacientes como Arthur Bispo do Rosario, que o louco preservava uma riqueza simbólica e uma humanidade que a psiquiatria tradicional tentava apagar. Sua colaboração com Carl Jung colocou a experiência brasileira no mapa da psicologia analítica mundial, provando que o tratamento em liberdade e através da expressão criativa era viável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Criação da Indústria da Loucura ===&lt;br /&gt;
No final da década de 1950 e início da de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek e o breve período democrático posterior, o Brasil viu o surgimento de uma nova e ainda mais perversa dinâmica: a Indústria da Loucura. A assistência psiquiátrica, antes quase totalmente pública ou baseada no assistencialismo das Santas Casas, começou a ser privatizada. Com o crescimento dos institutos de previdência (IAPs), o Estado passou a pagar hospitais privados por dia de internação. Isso criou um incentivo perverso: quanto mais tempo o paciente ficasse internado e quanto menos recursos fossem gastos com ele, maior o lucro das clínicas privadas. Esse modelo, conhecido como &amp;quot;hospitalocêntrico&amp;quot;, inchou o sistema e preparou o terreno para a política de contenção social que seria radicalizada após o golpe de 1964. Foi um momento de multiplicação da brutalidade. Pouco importava a loucura ou não, o tratamento ou não, a eficácia ou não. O que importava era ganhar o dinheiro estatal por meio de um encarceramento fácil e praticamente impossível de escapar, além de altamente lucrativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coisa se aprofundou ainda mais com o golpe militar, que unificou em 1966 os Institutos de Aposentadoria e Pensões no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), produzindo uma centralização gigantesca de recursos, com um modelo de privatização quase total. A psiquiatria, por ser uma especialidade cuja formação exigia baixo investimento tecnológico quando comparada a outras como a cirurgia, cardiologia ou oncologia, permitia grandes lucros com as internações de longa permanência. Assim, trancafiar e atormentar os loucos tornou-se o setor mais atraente para o empresariado da saúde.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de pessoas possivelmente diagnosticadas, o sistema era alimentado pelo encarceramento de militantes políticos, estudantes rebeldes, pessoas em situação de rua,  mendigos, homossexuais, indivíduos com comportamentos &amp;quot;desviantes&amp;quot; da moral tradicional, dependentes químicos, alcoólatras ou mesmo pessoas “problemáticas” da família, que se recusavam, por exemplo, a participar de casamentos arranjados, que denunciavam violência sexual ou eram apenas mulheres que haviam engravidado antes do casamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As instituições privadas multiplicaram-se pelo interior do país, longe dos olhos da fiscalização e dos centros urbanos. Instaladas em locais de difícil acesso, facilitava o ocultamento de violações de direitos humanos e ainda utilizava da conivência dos governos locais. As populações dessas localidades, crentes no saber médico, dificilmente desconfiavam do que poderia acontecer dentro dessas instituições e, quando vazavam denúncias, elas rapidamente podiam ser facilmente manejadas em conluio com os poderes locais. A loucura tornou-se um negócio de massa, com o abrigo precário de centenas de pessoas em galpões, onde a única &amp;quot;terapia&amp;quot; era a contenção química por sedativos baratos ou o uso indiscriminado do eletrochoque para manter a ordem além, é claro, da violência e brutalidade de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Luta Antimanicomial ==&lt;br /&gt;
No final da década de 1970, o modelo começou a dar sinais de exaustão, tanto financeira quanto ética. O Estado já não conseguia arcar com os custos crescentes de um sistema que só expandia o número de crônicos, e as denúncias de maus-tratos começaram a furar o bloqueio da censura, aparecendo em jornais mais prestigiados e com denúncias circulando em mais espaços da sociedade. O estopim para a o início do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil começa com uma crise na Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), que havia recebido denúncias de irregularidades no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Hospital Pinel, na Colônia Juliano Moreira e no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. A denúncia foi acompanhada de uma greve por parte dos funcionários, que exigiam melhorias institucionais e questionavam irregularidades trabalhistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É dessa crise que surge o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) que, nesse primeiro momento, estão mais preocupados com questões trabalhistas do que com o problema da própria prática psiquiátrica, que vai caracterizar parte dos movimentos antimanicomiais posteriormente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O MTSM se fortalece e conseguem espaço no extremamente conservador V Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que ocorre em 1978, no que fica conhecido como “congresso da abertura” e que também traz elementos da abertura política com o iminente fim do regime militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1978, um grupo importante de intelectuais vinculados às bases teóricas do Movimento Antimanicomial participa do I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições, incluindo Franco Basaglia, Felix Guattari, Robert Castel e Erwinf Goffman. No ano seguinte, o I Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental fortalece a contextação não apenas de problemas trabalhistas, mas do próprio modelo asilar e da forma como a psiquiatria intervinha e oprimia a população marginalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
AMARANTE, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ARBEX, Daniela. Holocausto Brasileiro. Rio de Janeiro: Geração Editorial, 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_loucura:_da_Gr%C3%A9cia_antiga_%C3%A0_luta_anti-manicomial&amp;diff=1677</id>
		<title>História da loucura: da Grécia antiga à luta anti-manicomial</title>
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		<updated>2026-05-15T02:19:58Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* Introdução */ Criação de seção&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Este texto ainda é um rascunho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Texto com finalidade didática escrita por André Elias Morelli Ribeiro para o curso de Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A história da loucura é, ao mesmo tempo, uma narrativa sobre o modo como diferentes sociedades compreenderam a mente humana e uma reflexão sobre os mecanismos de poder que moldaram práticas de exclusão, cuidado e resistência vinculados à loucura. Iniciando na Grécia antiga até o movimento antimanicomial no Brasil, pode-se observar como a loucura foi interpretada ora como intervenção divina, ora como desvio moral, ora como doença fisiológica, ora como ameaça social. Cada época construiu suas próprias respostas, que variaram entre a integração comunitária, o confinamento brutal e a busca por tratamentos médicos ou espirituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, a trajetória seguiu de perto os modelos europeus. Do Hospício de Pedro II às colônias agrícolas, passando pela gestão de Juliano Moreira, a psiquiatria nacional oscilou entre avanços humanitários e práticas de exclusão. O período Vargas e o Estado Novo intensificaram o encarceramento, transformando hospitais em verdadeiros campos de concentração administrativos. As décadas seguintes viram a adoção de terapias brutais, como eletrochoques e lobotomias, mas também o surgimento de resistências, como a obra de Nise da Silveira, que introduziu a arte e o afeto como caminhos de cura. A partir dos anos 1960, a privatização da assistência psiquiátrica gerou a chamada “Indústria da Loucura”, marcada por internações lucrativas e violações sistemáticas de direitos humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, o percurso histórico apresentado aqui mostra que a loucura nunca foi apenas um fenômeno clínico mas, antes, um espelho das sociedades, revelando seus medos, suas crenças e suas formas de organizar o convívio humano. De sagrada a temida, de medicalizada a mercantilizada, apresenta-se e se discute como surgiram vozes e práticas que reivindicaram humanidade e liberdade para os considerados loucos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras no Mundo Antigo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grécia antiga ===&lt;br /&gt;
Na Grécia antiga, em certo momento a loucura era considerada uma intervenção dos deuses e, como os gregos era politeístas, a varidade de formas de loucura e intervenção também era bem grande. A loucura poderia ser vista como uma punição. Um exemplo notório é o herói Ajax, filho de Telamão. Após a morte de Aquiles, a armadura do herói foi dada a Odisseu, e a afronta levou Ajax a um estado de fúria e ressentimento. A deusa Atena, intervindo em favor de Odisseu ou para proteger os Aqueus da vingança de Ajax, lançou sobre ele uma cegueira mental. Tomado pela loucura, Ajax massacrou o gado de guerra que havia sido capturado, acreditando que estava matando os líderes aqueus, incluindo Odisseu e Agamenon. Ao recobrar a sanidade e perceber seu ato vergonhoso, o que o levou a cometer suicídio por humilhação. Essa cena ilustra a loucura como uma intervenção divina direta na forma de loucura poderia ser vista como destrutiva e extremamente negativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outros episódios da mitologia grega, a loucura surge como uma consequência direta de traumas e da perseguição implacável por vingança. Um exemplo fundamental é o de Orestes que, após assassinar sua mãe, Clitemnestra, para vingar a morte de seu pai, Agamenon, passa a ser atormentado pelas Erínias. Essas divindades da vingança, também conhecidas como Fúrias, levaram o herói a um estado de delírio e desespero profundo, personificando a tortura psicológica e a perda da razão como uma forma de acerto de contas espiritual e moral pelo matricídio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura não era unicamente um flagelo ou uma punição. Os gregos, notavelmente, viam a mania, um termo que hoje engloba a loucura, em uma perspectiva dual. Na sua manifestação mais elevada era considerada uma benção ou inspiração divina. Essa visão positiva estava profundamente ligada ao culto de Dionísio, o deus do vinho, do teatro e do êxtase. Nos rituais dionisíacos, as bacantes e outros seguidores buscavam o êxtase, que é, literalmente, &amp;quot;sair de si&amp;quot;, por meio da dança frenética, música e consumo de vinho, o que era percebido como um estado de comunhão direta e inspirada com a divindade. Longe de ser destrutiva, essa forma de loucura era vista como uma fonte de criatividade, revelação e poder, sendo um caminho para a verdade profética e a expressão artística ligada a Dionísio. Este conceito de mania inspirada também se estendia a outros domínios, como a profecia dos oráculos, que eram vinculados à adoração ao deus Apolo, e mesmo a poesia, onde a perda temporária da razão humana era interpretada como a mente sendo tomada por uma força divina que trazia algum tipo de inspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em certo momento, ainda na Grécia antiga, as ideias sobre a loucura - ou algo que pareça loucura aos nossos olhos contemporâneos - foi modificada graças a Hipócrates, o pai da medicina. A visão de Hipócrates marcou uma transição crucial para o entendimento da loucura na Grécia Antiga, pois afastou a loucura das concepções divinas e sobrenaturais para uma explicação puramente fisiológica e natural. Ele desenvolveu a Teoria dos Quatro Humores, que se tornou o pilar da medicina ocidental por séculos. Segundo essa teoria, o corpo humano era composto por quatro fluidos essenciais (humores): sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. A saúde mental e física dependia do equilíbrio harmonioso desses humores. A loucura, ou qualquer doença mental, era, portanto, interpretada como o resultado de um desequilíbrio, como o excesso de bile negra causando a melancolia (depressão), ou o desarranjo da fleuma e da bile amarela, que poderiam levar a estados de mania e frenesi. Com isso, Hipócrates postulou que a loucura não era uma maldição dos deuses, mas sim uma doença com origem no corpo. Essa abordagem naturalista permitiu que a loucura passasse a ser tratada com métodos como dietas, exercícios e remédios, em vez de rituais religiosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradição bíblica ===&lt;br /&gt;
Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e à recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o baniu do convívio humano. Ele passou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara, conforme emerge na descrição bíblica, mostra uma concepção de loucura ligada à perda da razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo da loucura, onde o que é considerado &#039;loucura&#039; pelos homens revela-se a suprema sabedoria divina. Essa ideia é desenvolvida pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. Na passagem, ele afirma: &#039;Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens&#039; (1 Coríntios 1:25). Paulo usa o termo moria (loucura, tolice) para contrastar a sabedoria humana, que na época do texto era representada pela filosofia e retórica grega, com a mensagem da cruz, que parecia ilógica e insensata aos olhos dos não cristãos, que debochavam do fato do profeta ter sido capturado e morto pelos romanos. Assim, a loucura deixa de ser apenas uma punição para se tornar uma lente através da qual a verdadeira sabedoria, ou seja, a salvação, é revelada, invertendo a hierarquia de valores do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pérsia ===&lt;br /&gt;
Na Pérsia, a visão da loucura e do comportamento irracional foi moldada por seu profundo dualismo religioso e, posteriormente, pelas tradições islâmicas que se seguiram à conquista árabe. O zoroastrismo, a antiga religião persa fundada por Zoroastro (Zaratustra), transformou o politeísmo anterior em um dualismo cósmico centralizado no conflito eterno entre Ahura Mazda (Ormazd), o criador da vida, luz e verdade, e Angra Mainyu (Ahriman), a escuridão e a mentira. Neste cenário, o mundo material é o campo de batalha entre os dois. Ahriman buscava corromper tudo o que Ormazd havia criado. Embora o texto não defina a loucura diretamente, o comportamento irracional e a desrazão poderiam ser facilmente associados ao domínio de Ahriman e à mentira (druj), enquanto a sanidade e a pureza eram atributos de Ormazd. A batalha contra essa corrupção exigia que os adoradores de Ormazd permanecessem verdadeiros e evitassem poluir o fogo e a terra sagrada, indicando que a pureza mental e ritual era uma defesa contra as forças do mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Islã ===&lt;br /&gt;
Na cultura islãmica, de forma geral e bastante resumida, o comportamento considerado irracional era frequentemente explicado pela crença nos djinn, espíritos errantes que habitavam o deserto e certos lugares considerados místicos e que podiam invadir a mente humana, causando o que a sociedade ocidental moderna chamaria de insanidade ou, talvez, distúrbio emocional, cujo tratamento era o exorcismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura também apareceu em narrativas culturais associadas aos povos de forma a sugerir causas e curas mais mundanas. O famoso conto persa de As Mil e Uma Noites relata a história do rei Shahriyar, que, convencido da inevitável traição feminina, cai em uma loucura paranóica que o leva a se casar e matar uma virgem todas as noites. Sua &amp;quot;cura&amp;quot; é alcançada através da engenhosidade e paciência humana por meio de uma dessas esposas, Scheherazade, que usa a arte de contar histórias para retardar sua execução por &amp;quot;mil e uma noites&amp;quot;, período em que sua paranoia é gradualmente desfeita. A história sugere que a narrativa e o tempo podem curar a loucura causada por trauma psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras na Idade Média ==&lt;br /&gt;
A transição para a Idade Média é marcada pelo colapso do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e trouxe profundas transformações políticas e sociais. O fim do governo centralizado romano levou à fragmentação do poder e ao surgimento do sistema feudal, onde a administração das terras e a autoridade passaram para as mãos de senhores locais, muitos deles antigos oficiais romanos. Este período também é caracterizado por um notável declínio na vida urbana e nos grandes centros intelectuais. O colpaso das instituições romanas deu lugar à ascensão e consolidação da única instituição internacional grande e organizada que havia sobrado, a Igreja Católica, que se tornou a principal instituição de poder. Houve ainda uma perda gradual da tradição cultural greco-romana e, consequentemente, um afastamento das explicações naturalistas de Hipócrates, com exceção do pequeno renascimento do século XII e retomadas pontuais da sabedoria grega. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a hegemonia da Igreja Católica, a loucura tendeu a ser novamente interpretada sob uma lente teológica, sendo vista como uma manifestação de forças sobrenaturais ou desvios morais. Nesse contexto, certas vezes a loucura era interpretada como a intervenção de Satanás ou como possessão demoníaca, exigindo rituais de exorcismo para a cura. Em outros momentos, era vista como uma prova espiritual enviada por Deus ou como um efeito direto do pecado na alma do indivíduo. Havia também explicações que a tratavam como uma fragilidade da vontade humana, misturando elementos da antiga tradição grega com aspectos da teologia cristã, estabelecendo um novo arcabouço para o entendimento da mente humana durante a Idade Média, que tinha muitas variações e não era uniforme nem ao longo do tempo nem em todos os espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Socialmente, a gestão da loucura na Idade Média também passou por diferentes fases e transformações, dependendo do local e da época. Haviam casos em que os consideradores loucos eram apenas torturados e trancafiados, acreditando-se serem métodos eficazes para expulsão de espíritos malignos, por exemplo. Contudo, em muitos outros casos, os considerados loucos conviviam de forma mais ou menos harmoniosa com o resto da comunidade, a depender de suas capacidades e possibilidades, e certos “desvios” eram perdoados devido à sua condição peculiar, sem a necessidade imediata de uma exclusão radical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Nau dos Loucos ===&lt;br /&gt;
Um caso notável e emblemático da gestão da loucura nesse período é a Nau dos Loucos (Stultifera Navis), conforme trabalhado por Michel Foucault. Anteriormente ao modelo de exclusão-repressão que viria a se consolidar na Idade Clássica, a loucura viveu o que se pode chamar de seus &amp;quot;dias de glória&amp;quot; na transição para a Renascença. Nesse contexto, o louco poderia ser visto como um sábio, um místico, um bobo da corte ou simplesmente um excêntrico que estava, de certa forma, integrado ao tecido social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Nau dos Loucos simbolizava uma existência errante, onde o louco era confiado à água e ao navio para ser levado de uma cidade a outra, mantendo-o em um estado de exclusão simbólica, mas ainda assim em movimento e circulação. Para Foucault, essa experiência trágica da loucura permitia que o insano portasse uma forma de lucidez em sua insensatez, revelando verdades que a razão comum não ousava enunciar. O louco via através das ilusões mundanas, aproximando-se de uma verdade profética ou ética que seria progressivamente silenciada nos séculos seguintes pela ascensão do saber médico e da racionalidade científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Santa Dimpna e Geel ===&lt;br /&gt;
Outro acontecimento relevante da Idade Média para a compreensão da loucura é o episódio de Santa Dimpna. Nascida no século VII na Irlanda, ela era filha de um rei pagão e de uma mãe cristã devota, de quem herdou sua fé e pelo qual decidiu fazer votos de castidade. Após a morte prematura da mãe, seu pai, mergulhado em um profundo luto, decidiu que Dimpna era a única mulher com beleza comparável à da falecida rainha e insistiu em se casar com a própria filha, o que seria considerado escandaloso também para aquela cultura. Diante dessa perseguição incestuosa, Dimpna fugiu da Irlanda acompanhada de seu confessor, o padre Gereberno, e de dois servos fiéis. O grupo cruzou o mar e estabeleceu-se em Geel, um minúsculo vilarejo na atual Bélgica, onde Dimpna dedicou-se ao cuidado dos pobres e doentes mentais. No entanto, o rei conseguiu encontrá-los e, após a recusa de Dimpna em retornar e de se casar com o pai, ordenou a execução de Gereberno, enquanto ele mesmo decapitou a filha, tornando a menina de 15 anos de idade uma mártir cristã. Após sua morte, relatos de curas milagrosas de pessoas com distúrbios mentais e epilepsia começaram a ocorrer junto ao seu túmulo, o que a tornou a padroeira dos doentes mentais e o local um espaço de peregrinação ligado à questão da saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O legado de Santa Dimpna em Geel deu origem a um modelo para a psiquiatria moderna pois, devido à devoção e adoração à Santa Dimpna, a cidade transformou-se em um santuário onde os pacientes não eram trancafiados, mas acolhidos em lares de famílias locais como &amp;quot;hóspedes&amp;quot;. Esse sistema de cuidado comunitário e desinstitucionalização, que persiste há séculos, é considerado um dos precursores do tratamento humanizado e da reabilitação psicossocial na saúde mental contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Idade Clássica: a nova era da loucura encarcerada ==&lt;br /&gt;
A partir do século XVII, um período em que o filósofo Michel Foucault denominou como &amp;quot;A Época Clássica&amp;quot;, a forma de entender e lidar com a loucura passa por uma nova mudança devido ao ingresso da razão como centro e alma do pensamento europeu, em substituição ao dogmatismo religioso e ao conhecimento da igreja. Esta mudança não é brusca, mas lenta e gradual, porém suas marcas serão duradouras e serão sentidas por quase toda a Europa. Para essa nova e nascente razão, a loucura seria seu oposto direto. Se o homem era definido pela sua capacidade racional e sua utilidade produtiva, o louco era, portanto, como um &amp;quot;não-homem&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a solução para a não-razão era a internação que não buscava a cura, mas a neutralização do irracional. O silenciamento da loucura era necessário para que a ordem social pudesse florescer. Os campos e cidades deveriam ser espaços de circulação de mercadorias pelas mãos de cidadãos produtivos, e qualquer elemento que atrapalhasse essa dinâmica deveria ser guardado em instituições que funcionavam como uma guarda contra o risco social que tais pessoas ofereciam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relatos da época descrevem cenários terríveis sobre as condições de internação dos loucos. Os internos eram frequentemente mantidos em celas úmidas e insalubres, muitas vezes acorrentados às paredes. O uso de chicotes e outras punições corporais era justificado pela crença de que o louco, por ter perdido a razão, teria a resistência física de um animal, não sentindo frio ou dor da mesma forma que uma pessoa &amp;quot;normal&amp;quot;. Além disso, as instituições funcionavam sob uma lógica de vigilância constante. Não se tratava de observar para entender a mente, mas para garantir que o corpo anormal permanecesse contido e, no máximo possível, docilizado. Foi dentro desse ambiente de absoluta degradação e mistura indiscriminada de diferentes &amp;quot;tipos&amp;quot; de desviantes que a consciência médica começou a germinar, ainda que de forma incipiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== França ===&lt;br /&gt;
O ano de 1656 marca um divisor de águas simbólico para o modelo de confinamento asilar no mundo todo, com a criação do Hôpital Général (Hospital Geral) em Paris, por um edito real do rei Luís XIV. É importante entender que um hospital geral deste período não é como um hospital moderno, ou seja, uma instituição médica e voltada para a compreensão da doença e a prática do tratamento e cura. Ele estava mais próximo de uma estrutura administrativa e, de certo modo, semi-judiciária. Isso ocorria porque o interesse não estava em “curar” ou “tratar” ninguém mas, antes disso, perseguir o interesse do Estado de &amp;quot;limpar&amp;quot; as ruas de Paris de tudo o que era considerado improdutivo ou escandaloso. Era um período de abundância material, grandes gastos estatais e de uma imensa riqueza do império colonial francês, e desvios nessa ordem eram vistos como perigosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes tais hospitais gerais eram confinados, todos juntos, grupos totalmente diferentes, tais como pobres, mendigos, desempregados, libertinos, prostitutas, alquimistas, opositores políticos e, claro, também os considerados loucos. Em suma, um depósito de indesejados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que começou em Paris se tornou um modelo para outros lugares sobre como fazer a gestão da miséria e da “desrazão”, num forte deslocamento do que se via na Idade Média. O louco, antes tendo algo de profético, místico ou talvez apenas uma excentricidade da vida medieval campesina, se torna uma questão político-administrativa. Essa mudança importante marca uma migração para a possibilidade de institucionalização daquilo que era considerado errante ou, de alguma forma, desagradável e, assim passível de ser alvo de uma forma de gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Paris, as duas principais unidades do Hospital Geral se tornaram emblemáticas e simbólicas. A Salpêtrière, que era destinada às mulheres, e o hospital Bicêtre, destinado aos homens. Ambas não ofereciam qualquer forma de tratamento. Eram basicamente depósitos humanos, onde o louco poderia acabar acorrentado ao lado de criminosos, por exemplo. O critério de internação não era o diagnóstico clínico, mesmo porque simplesmente ele nem existia nos moldes modernos, mas a incapacidade de se ajustar às normas de trabalho e à moralidade da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alemanha ===&lt;br /&gt;
Na Alemanha, surgiram as Zuchthäusern, que seriam as Casas de Correção. Cidades como Hamburgo e Bremen estabeleceram esses locais onde a loucura era tratada através do trabalho forçado. Eles acreditavam que o ócio era a raiz do mal e que o confinamento servia para reintegrar o indivíduo à lógica da produtividade. De qualquer forma, uma vez enclausurado, ele permanecia escondido da visão da população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Inglaterra ===&lt;br /&gt;
Na Inglaterra, o sistema das Workhouses (Casas de Trabalho) cumpria um papel semelhante ao modelo alemão. No entanto, Londres já possuía o Bethlem Royal Hospital, conhecido popularmente como Bedlam. No século XVII e XVIII, Bedlam se tornou um espetáculo de horror, onde o público podia pagar para observar os internos como se fossem animais em um zoológico. A loucura era agora um objeto de uma forma de exibição degradante e mantida atrás de grades e ferros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Portugal ===&lt;br /&gt;
Em Portugal a gestão dos &amp;quot;desviantes&amp;quot; recaiu fortemente sobre as Santas Casas da Misericórdia. O Hospital Real de Todos-os-Santos, fundado em Lisboa em 1492 e inaugurado em 1501, se tornou o epicentro do tratamento (ou confinamento) dos loucos no país. Dentro deste hospital, existiam as chamadas &amp;quot;Casas de Doidos&amp;quot;, destinados àqueles que haviam “perdido a luz da razão”. Seguindo o padrão europeu, o hospital não separava rigidamente o louco por diagnóstico. Eles dividiam espaço com indigentes e enfermos de diversas naturezas, embora as &amp;quot;casas de doidos&amp;quot; fossem áreas de maior isolamento devido à agitação dos internos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XVIII português, a internação era, acima de tudo, uma solução para a mendicância e, por vezes, para o alcoolismo. O louco que tinha família e posses era mantido nas casas das famílias, muitas vezes escondido em sótãos ou anexos e até mesmo acorrentados. Já o &amp;quot;louco pobre&amp;quot;, cujas famílias nem se importam ou que não poderiam ser cuidados por seus familiares, era aquele que acabava nos hospitais reais ou mesmo nas cadeias, a depender de uma série de elementos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Nascimento da Psiquiatria ==&lt;br /&gt;
Nesta seção será tratada a história do nascimento da psiquiatria, mas não como ela é atualmente. Sua trajetória é cheia de desvios e abusos, além de vitórias para os direitos dos internos. Os avanços convivem com muitos retrocessos. Mesmo na época de seu surgimento, muitos eram os questionamentos sobre sua validade e cientificidade. Hoje existem aqueles que perguntam se a psiquiatria é necessária e se seu objeto não é fabricado por ela mesma, por meio de suas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pinel e a criação da psiquiatria nosográfica ===&lt;br /&gt;
É na virada do século XVIII para o XIX que nasce a psiquiatria como um campo autônomo do saber e da prática médica. Esta mudança fundamental é protagonizada por duas figuras centrais da medicina francesa: Philippe Pinel e seu discípulo, Jean-Étienne Dominique Esquirol. Juntos, eles transformaram o hospital de depósito de insanos e indesejáveis em um verdadeiro hospital, em que o louco e o alienado poderiam receber um tratamento racional e científico, em substituição às correntes, à disciplina e ao silenciamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência da psiquiatria como campo autônomo teve como fundamento científico inicial a observação clínica sistemática dentro do asilo. Este era concebido como um laboratório, onde o alienista poderia estudar a loucura em seu estado puro, separada das influências do mundo exterior. A principal questão científica e prática que justificava essa nova ciência era desenvolvida e aplicada de forma sistemática era a chamada nosografia ou diagnóstico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pinel, em seu &#039;&#039;Traité&#039;&#039; de 1801, classificou a loucura com base em critérios sintomatológicos, seguindo um procedimento comparativo semelhante ao das ciências naturais. O desafio central, que persistiria ao longo do século XIX, era a ambiguidade constante entre a busca por uma sede orgânica, ou seja, um “local físico-biológico” da loucura, junto da necessidade de uma regulação de caráter moral. O tratamento apoiava-se na moralidade para combater as causas que eram, elas próprias, consideradas morais, mas algo estava também no corpo do doente. Isso mostra que a nova psiquiatria de Pinel era a mistura de uma perspectiva médica com algo de caráter moral no entendimento da loucura. Este enfoque resultou na valorização do exame clínico pelos psiquiatras francófonos, permitindo a união da observação clínica com a formulação de hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1793, em meio ao fervor da Revolução Francesa, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe do Hospital de Bicêtre e, posteriormente, da Salpêtrière. O cenário que encontrou era o ápice do &amp;quot;Grande Enclausuramento&amp;quot;, ou seja, homens e mulheres amontoados nas condições já descritas, com destaque para as correntes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intervenção de Pinel, simbolizada pelo gesto de “libertar os loucos de suas correntes”, não foi apenas um ato humanitário, mas também uma decisão de natureza epistemológica. Pinel acreditava que a loucura não era uma possessão demoníaca nem uma degeneração animal irreversível, mas uma alienação mental, em outras palavras, uma perturbação das faculdades intelectuais e afetivas que mantinha o indivíduo como se fosse &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, ou alienado, de si mesmo e da sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pilar para a reforma psiquiátrica proposta por Pinel era o tratamento moral, e se baseava em três pilares fundamentais. O primeiro, o isolamento terapêutico. Era necessário que o paciente ficasse separado de seu ambiente que, segundo o médico, era a fonte de sua excitação e desequilíbrio. O segundo pilar era a autoridade médica, onde este deveria atuar como um pai ao mesmo tempo severo e justo, usando a persuasão, a benevolência e, se fosse necessário, a firmeza para restaurar a razão do paciente. Por fim, a disciplina e o trabalho, com a aplicação rigorosa de horários e valorização de atividades produtivas, o que ocuparia a mente alienada e, assim, combateria a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus estudos, Pinel identificou quatro tipos de loucura, quais sejam, a melancolia, a mania, a demência e o idiotismo, cada uma com suas questões próprias específicas e metodologias de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Esquirol e a consolidação do modelo ===&lt;br /&gt;
Se Pinel era considerado o visionário e o libertador, Jean-Étienne Dominique Esquirol foi o grande organizador e o clínico meticuloso. Discípulo de Pinel, Esquirol sucedeu seu mestre na Salpêtrière e deu à psiquiatria a robustez científica e administrativa de que ela necessitava. Esquirol compreendeu que a eficácia do tratamento moral dependia da arquitetura hospitalar. Para ele, o hospital não era apenas um prédio onde ocorria o tratamento, mas também um instrumento de cura. Ele desenvolveu o modelo de pavilhões, permitindo a separação dos pacientes por tipo de patologia, o que reforçou a própria ideia de diagnóstico e de avaliação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Esquirol refinou as definições clínicas de Pinel. Foi ele quem estabeleceu a distinção clássica entre alucinação (uma percepção sem objeto) e ilusão (uma percepção deformada de um objeto real), entre outros pontos que, na sua época, foram considerados avanços exemplares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Legalização da Alienação ===&lt;br /&gt;
O esforço médico, político e administrativo de Esquirol na continuação do trabalho de Pinel culminou na promulgação da lei francesa de 30 de Junho de 1838, a primeira grande legislação psiquiátrica do mundo moderno. Esta lei estabeleceu a obrigatoriedade de cada departamento francês possuir um asilo e regulamentou as condições de internação e interdição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A princípio, embora também protegesse o alienado do arbítrio e de outras violências que poderiam ser cometidos contra os loucos nas províncias e mesmo nas periferias de Paris, a lei também deu total poder ao médico psiquiatra. Era ele quem poderia decidir quem deveria ou não ser privado de sua liberdade. Com isso, a psiquiatria tornava-se, assim, um braço do Estado na gestão da ordem social mas, ao contrário do polícia e do inquérito polícial, que exigia provas independentes e a atuação do sistema judiciário, o psiquiatra estava coberto sob o manto da ciência médica, o que dava a ele poderes gigantescos de decidir entre a alienação e a razão. Isso marcou profundamente a forma como a loucura e a saúde mental passaram a ser compreendidas e tratadas nas décadas seguintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Loucura no Brasil ==&lt;br /&gt;
Até o início do século XIX, o Brasil colonial lidava com seus insanos de forma semelhante ao que ocorria na Europa. As famílias ricas mantinham seus parentes loucos em &amp;quot;quartos fortes&amp;quot;, privando-os mais ou menos da vida comunitária e familiar, a depender das circunstâncias. Já os pobres eram entregues à caridade das Santas Casas de Misericórdia ou vagavam pelas ruas, sendo ocasionalmente recolhidos a cadeias públicas quando perturbavam a ordem, indo e vindo das frágeis instituições brasileiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 trouxe a necessidade de transformar a capital colonial em uma moderna metrópole europeia. Sob a influência do Iluminismo tardio e das notícias que chegavam sobre as reformas de Pinel na França, a elite médica brasileira, que era formada sobretudo na França e em Portugal, começou a pressionar o poder público pela criação de espaços específicos para o tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1830, a criação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (que viria a ser a Academia Nacional de Medicina) foi o marco institucional dessa pressão, que funcionou. O momento decisivo ocorreu em 18 de julho de 1841, quando o Imperador D. Pedro II, em comemoração à sua coroação, assinou o decreto de fundação do primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e da América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Hospício de Pedro II, ou o Palácio dos Loucos (1852–1889) ===&lt;br /&gt;
Inaugurado apenas em 8 de dezembro de 1852, o Hospício de Pedro II era gerido pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro (que por anos geriu grande parte da loucura brasileira), sob a figura do provedor José Clemente Pereira. Embora a gestão administrativa fosse religiosa, o saber médico tinha muito espaço com nomes como Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, que tentaram implementar o &amp;quot;tratamento moral&amp;quot; inspirado em Esquirol. Apesar dos esforços, muitos relatos de abusos e de condições precárias mostravam a dificuldade em implementar um modelo brasileiro de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Proclamação da República em 1889, o Hospício de Pedro II foi desvinculado da Santa Casa e renomeado como Hospital Nacional de Alienados (HNA). Este foi um período de maior laicização e pela busca por um maior rigor científico, o que não aconteceu por completo, em grande parte devido à falta de profissionais adequadamente treinados para a questão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, diante dos altíssimos custos em manter o Hospital, surgem as colônias agrícolas como alternativa ao confinamento urbano. Em 1884, já havia sido inaugurada a Colônia de São Bento e, em 1890, a Colônia de Conde de Mesquita, na Ilha do Governador. A ideia era que o trabalho na terra poderia colaborar na cura, além de ajudar na manutenção dos espaços. Contudo, os relatos de época mostram que não acontecia nenhuma das duas coisas, mas entendia-se que a colônia agrícola era melhor do que o confinamento do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Era Juliano Moreira ===&lt;br /&gt;
Em 1903 o médico baiano Juliano Moreira assume a direção do Hospital Nacional de Alienados. Negro, de origem humilde e dotado de uma erudição impressionante, Juliano Moreira revolucionou a assistência, sendo reconhecido internacionalmente. Ele se tornaria o principal médico alienista do Brasil, tornando-se referência para todo o país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moreira aboliu definitivamente o uso de camisas de força e as grades nas janelas, num gesto que se assemelhava àquele de Pinel, enfatizando que o hospital era um local de tratamento e cura, e não uma prisão ou um depósito de indesejados. Além disso, ele trouxe para o Brasil a nosologia de Emil Kraepelin, um psiquiatra alemão considerado o pai da psiquiatria moderna, da psicofarmacologia e da genética psiquiátrica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a gestão Moreira, foi criado o Pavilhão Bourneville para crianças com deficiência intelectual. Além disso, fundou-se o Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1921), o primeiro do país, sob a liderança de Heitor Carrilho. Dentro dos hospitais incentivou-se a pesquisa laboratorial e anátomo-patológica, o que também abriu espaço para a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência e o prestígio de Juliano Moreira se espalhou pelo Brasil. Em São Paulo, destacou-se a figura de Francisco Franco da Rocha, que fundou em 1898 o Hospital Juquery. O Juquery tornou-se uma &amp;quot;cidade-asilo&amp;quot;, chegando a abrigar dezenas de milhares de pacientes em um modelo que mesclava pavilhôes médicos com imensas colônias agrícolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período, a psiquiatria brasileira flertou intensamente com as teorias da degenerescência (de Morel e Magnan) e com a eugenia. Médicos como Renato Kehl e a criação da Liga Brasileira de Higiene Mental (1923), fundada por Gustavo Riedel, começaram a ver a loucura não apenas como um problema individual, mas como um risco biológico à raça brasileira. A higiene mental passou a atuar preventivamente em escolas e fábricas, buscando identificar &amp;quot;pré-delinquentes&amp;quot; e &amp;quot;personalidades anormais&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Minas Gerais foi fundado o Hospital Psiquiátrico de Barbacena, em 1903, que mais tarde seria palco de uma das maiores tragédias sanitárias do país. Em Pernambuco, o Hospital Ulysses Pernambucano foi fundado pelo médico de mesmo nome, que começou a desenvolver uma psiquiatria mais voltada para o social e para a prevenção no final dos anos 1920.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Era Vargas e além: o início do encarceiramento ===&lt;br /&gt;
Com a Revolução de 1930, o projeto de nação de Vargas exigia um povo saudável e produtivo. A loucura deixou de ser apenas uma questão de ordem pública ou caridade para se tornar um problema de Segurança Nacional e Saúde Pública. Em 1941, no âmbito do Estado Novo, foi criado o Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM), substituindo a antiga assistência, que era fragmentada conforme as diferentes províncias, por uma diretriz federal centralizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM), uma instituição que professava o higienismo no Brasil e que já atuava desde a década de 1920, ganhou fôlego. O foco deslocou-se do hospital para a prevenção na sociedade. A psiquiatria não deveria se limitar aos hospitais, mas também atuar na escola, na fábrica e na família, buscando eugenizar, limpar a nação e extirpar o que chamavam de &amp;quot;elementos degenerados&amp;quot;. O médico Gustavo Riedel e seus sucessores defendiam que o Estado deveria intervir precocemente para evitar que o &amp;quot;anormal&amp;quot; se tornasse um fardo para a máquina pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi durante as décadas de 1930 e 1940 que o modelo de colônia agrícola, antes visto como terapêutico e de assistência à manutenção hospitalar, atingiu proporções industriais. O que se viu em Barbacena e em instituições como o Juquery em São Paulo, foi a transformação do hospital em, praticamente, um campo de concentração administrativo. A internação não dependia mais apenas de um diagnóstico médico rigoroso, que na prática já era frágil e baseado em elementos pouco científicos. Bastava ser considerado &amp;quot;socialmente inconveniente&amp;quot; para ir parar numa instituições dessas. Assim, pobres, prostitutas, homossexuais, militantes políticos e mães solteiras eram enviados para essas instituições, onde a sobrevivência era a exceção. Estima-se que, no auge do descaso, o Hospital de Barbacena registrava um número alarmante de óbitos por frio, fome e doenças evitáveis, cujos corpos eram, por vezes, vendidos para faculdades de medicina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tratamentos Brutais e os Modos de Resistência ===&lt;br /&gt;
Para além do horror asilar, o período entre 1930 e 1950 também foi marcado pela introdução de terapias biológicas drásticas, importadas da Europa, conhecidas como somatoterapias. Com uma psicofarmacologia pouco eficaz, os médicos buscavam &amp;quot;chacoalhar&amp;quot; o organismo para restaurar a razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma dessas técnicas era a insulinoterapia. Introduzida na Europa pelo médico austríaco Manfred Sakel (1900–1957) em Viena, no início dos anos 1930, representou uma das primeiras e mais invasivas formas de somatoterapia. Originalmente destinada ao tratamento da esquizofrenia, a técnica consistia na administração de doses maciças de insulina no paciente, provocando um estado de hipoglicemia profunda que o levava ao coma. Na volta desse coma, se esperava que o indivíduo “restaurasse” a razão por conta do choque orgânico violento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O procedimento era extremamente perigoso e estava associado a uma alta taxa de mortalidade e morbidade devido ao risco de convulsões e danos cerebrais. Apesar dos riscos, foi amplamente adotada no mundo todo, incluindo o Brasil, onde foi usada em grandes instituições de confinamento, como o Hospital Nacional de Alienados (HNA) no Hospital Juquery, em São Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que passou a ser muito utilizada foi a Eletroconvulsoterapia, ou o eletrochoque. Introduzido no Brasil logo após sua invenção na Itália (1938), consiste em colocar eletrodos carregados com correntes elétricas em lados opostos, na lateral da cabeça, de modo que a corrente elétrica atravesse o cérebro. A duração e a intensidade podia variar, mas relatos de mais de trinta minutos de choques violentos não eram incomuns. Sua violência era tamanha que exigia que sua vítima fosse fortemente amarrada. Tornou-se uma ferramenta onipresente nos hospitais, muitas vezes aplicada sem anestesia e como método de punição, desvirtuando sua finalidade clínica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que ingressou no Brasil nesse período foi a lobotomia, um procedimento cirúrgico que consistia em apenas retirar um pedaço do cérebro do paciente. Eles foram realizados em larga escala em hospitais como o Juquery e no Hospital Pedro II, buscando a docilização de pacientes crônicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em oposição à violência do isolamento oferecido por essas instituições surge a figura de Nise da Silveira. Em 1946, após ter sido presa pelo regime de Vargas por suas inclinações políticas, Nise assumiu o Setor de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional (Engenho de Dentro), no Rio de Janeiro. Ela se recusou a usar eletrochoques e lobotomias, introduzindo a arte e o afeto como mediadores da cura. Ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente (1952), onde demonstrou, através das pinturas e esculturas de pacientes como Arthur Bispo do Rosario, que o louco preservava uma riqueza simbólica e uma humanidade que a psiquiatria tradicional tentava apagar. Sua colaboração com Carl Jung colocou a experiência brasileira no mapa da psicologia analítica mundial, provando que o tratamento em liberdade e através da expressão criativa era viável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Criação da Indústria da Loucura ===&lt;br /&gt;
No final da década de 1950 e início da de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek e o breve período democrático posterior, o Brasil viu o surgimento de uma nova dinâmica: a Indústria da Loucura. A assistência psiquiátrica, antes quase totalmente pública ou baseada no assistencialismo das Santas Casas, começou a ser terceirizada. Com o crescimento dos institutos de previdência (IAPs), o Estado passou a pagar hospitais privados por dia de internação. Isso criou um incentivo perverso: quanto mais tempo o paciente ficasse internado e quanto menos recursos fossem gastos com ele, maior o lucro das clínicas privadas. Esse modelo, conhecido como &amp;quot;hospitalocêntrico&amp;quot;, inchou o sistema e preparou o terreno para a política de contenção social que seria radicalizada após o golpe de 1964. Foi um momento de multiplicação da brutalidade. Pouco importava a loucura ou não, o tratamento ou não, a eficácia ou não. O que importava era ganhar dinheiro com o estado, por meio de um encarceramento fácil e praticamente impossível de escapar, além de altamente lucrativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coisa se aprofundou ainda mais com o golpe militar, que unificou em 1966 os Institutos de Aposentadoria e Pensões no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), produzindo uma centralização gigantesca de recursos, com um modelo de privatização quase total.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psiquiatria, por ser uma especialidade que exigia baixo investimento tecnológico quando comparada a outras como a cirurgia, cardiologia ou oncologia, permitia grandes lucros com as internações de longa permanência. Assim, trancafiar e atormentar os loucos tornou-se o setor mais atraente para o empresariado da saúde. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de pessoas possivelmente diagnosticadas, o sistema era alimentado pelo encarceramento de militantes políticos, estudantes rebeldes, pessoas em situação de rua,  mendigos, homossexuais, indivíduos com comportamentos &amp;quot;desviantes&amp;quot; da moral tradicional, dependentes químicos, alcoólatras ou mesmo pessoas “problemáticas” da família, que se recusavam a participar de casamentos arranjados ou apenas mulheres que haviam engravidado antes do casamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As instituições privadas multiplicaram-se pelo interior do país, longe dos olhos da fiscalização e dos centros urbanos. Instaladas em locais de difícil acesso, facilitava o ocultamento de violações de direitos humanos e ainda utilizava da conivência dos governos locais. As populações dessas localidades, crentes no saber médico, dificilmente desconfiavam do que poderia acontecer e, quando informações vazavam, rapidamente podiam ser manejadas. A loucura tornou-se um negócio de massa, com o abrigo precário de centenas de pessoas em galpões, onde a única &amp;quot;terapia&amp;quot; era a contenção química por sedativos baratos ou o uso indiscriminado do eletrochoque para manter a ordem além, é claro, da violência e brutalidade de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Luta Antimanicomial ==&lt;br /&gt;
No final da década de 1970, o modelo começou a dar sinais de exaustão, tanto financeira quanto ética. O Estado já não conseguia arcar com os custos crescentes de um sistema que só expandia o número de crônicos, e as denúncias de maus-tratos começaram a furar o bloqueio da censura, aparecendo em jornais mais prestigiados e com denúncias circulando em mais espaços da sociedade. O estopim para a o início do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil começa com uma crise na Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), que havia recebido denúncias de irregularidades no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Hospital Pinel, na Colônia Juliano Moreira e no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. A denúncia foi acompanhada de uma greve por parte dos funcionários, que exigiam melhorias institucionais e questionavam irregularidades trabalhistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É dessa crise que surge o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) que, nesse primeiro momento, estão mais preocupados com questões trabalhistas do que com o problema da própria prática psiquiátrica, que vai caracterizar parte dos movimentos antimanicomiais posteriormente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O MTSM se fortalece e conseguem espaço no extremamente conservador V Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que ocorre em 1978, no que fica conhecido como “congresso da abertura” e que também traz elementos da abertura política com o iminente fim do regime militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1978, um grupo importante de intelectuais vinculados às bases teóricas do Movimento Antimanicomial participa do I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições, incluindo Franco Basaglia, Felix Guattari, Robert Castel e Erwinf Goffman. No ano seguinte, o I Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental fortalece a contextação não apenas de problemas trabalhistas, mas do próprio modelo asilar e da forma como a psiquiatria intervinha e oprimia a população marginalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
AMARANTE, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ARBEX, Daniela. Holocausto Brasileiro. Rio de Janeiro: Geração Editorial, 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BASAGLIA, Franco. A Instituição Negada. Rio de Janeiro: Graal, 1985.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BIRMAN, Joel. A Physis da Arte: Deleuze e a Clínica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CASTEL, Robert. A Ordem Psiquiátrica: a Idade de Ouro do Alienismo. Rio de Janeiro: Graal, 1978.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. Violência e Psicanálise. Rio de Janeiro: Graal, 1986.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. História da Assistência Psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Garamond, 2007. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ENGEL, Magali. Os Delírios da Razão: médicos, loucos e hospícios (Rio de Janeiro, 1830-1930). Rio de Janeiro: Fiocruz, 2001&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FOUCAULT, Michel. História da Loucura na Idade Clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Netto. São Paulo: Perspectiva, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MELLO, Luiz Carlos. Nise da Silveira: Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PEREIRA, Ana Leonor; PITA, João Rui. A Institucionalização da Loucura em Portugal. Coimbra: Estudo Geral, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PESSOTTI, Isaias. A loucura e as épocas. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PORTOCARRERO, Vera. Arquivos da Loucura: Juliano Moreira e a descontinuidade histórica da psiquiatria. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PINEL, Philippe. Traité médico-philosophique sur l&#039;aliénation mentale, ou la manie. Paris: Richard, Caille et Ravier, 1801.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RESENDE, Heitor. O Pequeno Livro da Reforma Psiquiátrica Relativa ao Confinamento e à Liberdade. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1987.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, Priscila Aquino. O Hospital Real de Todos-os-Santos e seus agentes da cura. In: História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 22, n. 4, 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VENANCIO, Ana Teresa A.; CARVALHAL, Lázaro. Juliano Moreira: A Ciência da Assistência e a Assistência da Ciência. In: Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2001.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
YASUI, Silvio. Rupturas e Encontros: desafios da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2010.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
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	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_loucura:_da_Gr%C3%A9cia_antiga_%C3%A0_luta_anti-manicomial&amp;diff=1676</id>
		<title>História da loucura: da Grécia antiga à luta anti-manicomial</title>
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		<updated>2026-05-15T02:14:49Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Protegido &amp;quot;História da loucura: da Grécia antiga à luta anti-manicomial&amp;quot; ([Editar=Permitir apenas administradores] (indefinidamente) [Mover=Permitir apenas administradores] (indefinidamente))&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Este texto ainda é um rascunho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Texto com finalidade didática escrita por André Elias Morelli Ribeiro para o curso de Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A escrever&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras no Mundo Antigo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grécia antiga ===&lt;br /&gt;
Na Grécia antiga, em certo momento a loucura era considerada uma intervenção dos deuses e, como os gregos era politeístas, a varidade de formas de loucura e intervenção também era bem grande. A loucura poderia ser vista como uma punição. Um exemplo notório é o herói Ajax, filho de Telamão. Após a morte de Aquiles, a armadura do herói foi dada a Odisseu, e a afronta levou Ajax a um estado de fúria e ressentimento. A deusa Atena, intervindo em favor de Odisseu ou para proteger os Aqueus da vingança de Ajax, lançou sobre ele uma cegueira mental. Tomado pela loucura, Ajax massacrou o gado de guerra que havia sido capturado, acreditando que estava matando os líderes aqueus, incluindo Odisseu e Agamenon. Ao recobrar a sanidade e perceber seu ato vergonhoso, o que o levou a cometer suicídio por humilhação. Essa cena ilustra a loucura como uma intervenção divina direta na forma de loucura poderia ser vista como destrutiva e extremamente negativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outros episódios da mitologia grega, a loucura surge como uma consequência direta de traumas e da perseguição implacável por vingança. Um exemplo fundamental é o de Orestes que, após assassinar sua mãe, Clitemnestra, para vingar a morte de seu pai, Agamenon, passa a ser atormentado pelas Erínias. Essas divindades da vingança, também conhecidas como Fúrias, levaram o herói a um estado de delírio e desespero profundo, personificando a tortura psicológica e a perda da razão como uma forma de acerto de contas espiritual e moral pelo matricídio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura não era unicamente um flagelo ou uma punição. Os gregos, notavelmente, viam a mania, um termo que hoje engloba a loucura, em uma perspectiva dual. Na sua manifestação mais elevada era considerada uma benção ou inspiração divina. Essa visão positiva estava profundamente ligada ao culto de Dionísio, o deus do vinho, do teatro e do êxtase. Nos rituais dionisíacos, as bacantes e outros seguidores buscavam o êxtase, que é, literalmente, &amp;quot;sair de si&amp;quot;, por meio da dança frenética, música e consumo de vinho, o que era percebido como um estado de comunhão direta e inspirada com a divindade. Longe de ser destrutiva, essa forma de loucura era vista como uma fonte de criatividade, revelação e poder, sendo um caminho para a verdade profética e a expressão artística ligada a Dionísio. Este conceito de mania inspirada também se estendia a outros domínios, como a profecia dos oráculos, que eram vinculados à adoração ao deus Apolo, e mesmo a poesia, onde a perda temporária da razão humana era interpretada como a mente sendo tomada por uma força divina que trazia algum tipo de inspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em certo momento, ainda na Grécia antiga, as ideias sobre a loucura - ou algo que pareça loucura aos nossos olhos contemporâneos - foi modificada graças a Hipócrates, o pai da medicina. A visão de Hipócrates marcou uma transição crucial para o entendimento da loucura na Grécia Antiga, pois afastou a loucura das concepções divinas e sobrenaturais para uma explicação puramente fisiológica e natural. Ele desenvolveu a Teoria dos Quatro Humores, que se tornou o pilar da medicina ocidental por séculos. Segundo essa teoria, o corpo humano era composto por quatro fluidos essenciais (humores): sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. A saúde mental e física dependia do equilíbrio harmonioso desses humores. A loucura, ou qualquer doença mental, era, portanto, interpretada como o resultado de um desequilíbrio, como o excesso de bile negra causando a melancolia (depressão), ou o desarranjo da fleuma e da bile amarela, que poderiam levar a estados de mania e frenesi. Com isso, Hipócrates postulou que a loucura não era uma maldição dos deuses, mas sim uma doença com origem no corpo. Essa abordagem naturalista permitiu que a loucura passasse a ser tratada com métodos como dietas, exercícios e remédios, em vez de rituais religiosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradição bíblica ===&lt;br /&gt;
Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e à recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o baniu do convívio humano. Ele passou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara, conforme emerge na descrição bíblica, mostra uma concepção de loucura ligada à perda da razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo da loucura, onde o que é considerado &#039;loucura&#039; pelos homens revela-se a suprema sabedoria divina. Essa ideia é desenvolvida pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. Na passagem, ele afirma: &#039;Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens&#039; (1 Coríntios 1:25). Paulo usa o termo moria (loucura, tolice) para contrastar a sabedoria humana, que na época do texto era representada pela filosofia e retórica grega, com a mensagem da cruz, que parecia ilógica e insensata aos olhos dos não cristãos, que debochavam do fato do profeta ter sido capturado e morto pelos romanos. Assim, a loucura deixa de ser apenas uma punição para se tornar uma lente através da qual a verdadeira sabedoria, ou seja, a salvação, é revelada, invertendo a hierarquia de valores do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pérsia ===&lt;br /&gt;
Na Pérsia, a visão da loucura e do comportamento irracional foi moldada por seu profundo dualismo religioso e, posteriormente, pelas tradições islâmicas que se seguiram à conquista árabe. O zoroastrismo, a antiga religião persa fundada por Zoroastro (Zaratustra), transformou o politeísmo anterior em um dualismo cósmico centralizado no conflito eterno entre Ahura Mazda (Ormazd), o criador da vida, luz e verdade, e Angra Mainyu (Ahriman), a escuridão e a mentira. Neste cenário, o mundo material é o campo de batalha entre os dois. Ahriman buscava corromper tudo o que Ormazd havia criado. Embora o texto não defina a loucura diretamente, o comportamento irracional e a desrazão poderiam ser facilmente associados ao domínio de Ahriman e à mentira (druj), enquanto a sanidade e a pureza eram atributos de Ormazd. A batalha contra essa corrupção exigia que os adoradores de Ormazd permanecessem verdadeiros e evitassem poluir o fogo e a terra sagrada, indicando que a pureza mental e ritual era uma defesa contra as forças do mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Islã ===&lt;br /&gt;
Na cultura islãmica, de forma geral e bastante resumida, o comportamento considerado irracional era frequentemente explicado pela crença nos djinn, espíritos errantes que habitavam o deserto e certos lugares considerados místicos e que podiam invadir a mente humana, causando o que a sociedade ocidental moderna chamaria de insanidade ou, talvez, distúrbio emocional, cujo tratamento era o exorcismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura também apareceu em narrativas culturais associadas aos povos de forma a sugerir causas e curas mais mundanas. O famoso conto persa de As Mil e Uma Noites relata a história do rei Shahriyar, que, convencido da inevitável traição feminina, cai em uma loucura paranóica que o leva a se casar e matar uma virgem todas as noites. Sua &amp;quot;cura&amp;quot; é alcançada através da engenhosidade e paciência humana por meio de uma dessas esposas, Scheherazade, que usa a arte de contar histórias para retardar sua execução por &amp;quot;mil e uma noites&amp;quot;, período em que sua paranoia é gradualmente desfeita. A história sugere que a narrativa e o tempo podem curar a loucura causada por trauma psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras na Idade Média ==&lt;br /&gt;
A transição para a Idade Média é marcada pelo colapso do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e trouxe profundas transformações políticas e sociais. O fim do governo centralizado romano levou à fragmentação do poder e ao surgimento do sistema feudal, onde a administração das terras e a autoridade passaram para as mãos de senhores locais, muitos deles antigos oficiais romanos. Este período também é caracterizado por um notável declínio na vida urbana e nos grandes centros intelectuais. O colpaso das instituições romanas deu lugar à ascensão e consolidação da única instituição internacional grande e organizada que havia sobrado, a Igreja Católica, que se tornou a principal instituição de poder. Houve ainda uma perda gradual da tradição cultural greco-romana e, consequentemente, um afastamento das explicações naturalistas de Hipócrates, com exceção do pequeno renascimento do século XII e retomadas pontuais da sabedoria grega. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a hegemonia da Igreja Católica, a loucura tendeu a ser novamente interpretada sob uma lente teológica, sendo vista como uma manifestação de forças sobrenaturais ou desvios morais. Nesse contexto, certas vezes a loucura era interpretada como a intervenção de Satanás ou como possessão demoníaca, exigindo rituais de exorcismo para a cura. Em outros momentos, era vista como uma prova espiritual enviada por Deus ou como um efeito direto do pecado na alma do indivíduo. Havia também explicações que a tratavam como uma fragilidade da vontade humana, misturando elementos da antiga tradição grega com aspectos da teologia cristã, estabelecendo um novo arcabouço para o entendimento da mente humana durante a Idade Média, que tinha muitas variações e não era uniforme nem ao longo do tempo nem em todos os espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Socialmente, a gestão da loucura na Idade Média também passou por diferentes fases e transformações, dependendo do local e da época. Haviam casos em que os consideradores loucos eram apenas torturados e trancafiados, acreditando-se serem métodos eficazes para expulsão de espíritos malignos, por exemplo. Contudo, em muitos outros casos, os considerados loucos conviviam de forma mais ou menos harmoniosa com o resto da comunidade, a depender de suas capacidades e possibilidades, e certos “desvios” eram perdoados devido à sua condição peculiar, sem a necessidade imediata de uma exclusão radical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Nau dos Loucos ===&lt;br /&gt;
Um caso notável e emblemático da gestão da loucura nesse período é a Nau dos Loucos (Stultifera Navis), conforme trabalhado por Michel Foucault. Anteriormente ao modelo de exclusão-repressão que viria a se consolidar na Idade Clássica, a loucura viveu o que se pode chamar de seus &amp;quot;dias de glória&amp;quot; na transição para a Renascença. Nesse contexto, o louco poderia ser visto como um sábio, um místico, um bobo da corte ou simplesmente um excêntrico que estava, de certa forma, integrado ao tecido social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Nau dos Loucos simbolizava uma existência errante, onde o louco era confiado à água e ao navio para ser levado de uma cidade a outra, mantendo-o em um estado de exclusão simbólica, mas ainda assim em movimento e circulação. Para Foucault, essa experiência trágica da loucura permitia que o insano portasse uma forma de lucidez em sua insensatez, revelando verdades que a razão comum não ousava enunciar. O louco via através das ilusões mundanas, aproximando-se de uma verdade profética ou ética que seria progressivamente silenciada nos séculos seguintes pela ascensão do saber médico e da racionalidade científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Santa Dimpna e Geel ===&lt;br /&gt;
Outro acontecimento relevante da Idade Média para a compreensão da loucura é o episódio de Santa Dimpna. Nascida no século VII na Irlanda, ela era filha de um rei pagão e de uma mãe cristã devota, de quem herdou sua fé e pelo qual decidiu fazer votos de castidade. Após a morte prematura da mãe, seu pai, mergulhado em um profundo luto, decidiu que Dimpna era a única mulher com beleza comparável à da falecida rainha e insistiu em se casar com a própria filha, o que seria considerado escandaloso também para aquela cultura. Diante dessa perseguição incestuosa, Dimpna fugiu da Irlanda acompanhada de seu confessor, o padre Gereberno, e de dois servos fiéis. O grupo cruzou o mar e estabeleceu-se em Geel, um minúsculo vilarejo na atual Bélgica, onde Dimpna dedicou-se ao cuidado dos pobres e doentes mentais. No entanto, o rei conseguiu encontrá-los e, após a recusa de Dimpna em retornar e de se casar com o pai, ordenou a execução de Gereberno, enquanto ele mesmo decapitou a filha, tornando a menina de 15 anos de idade uma mártir cristã. Após sua morte, relatos de curas milagrosas de pessoas com distúrbios mentais e epilepsia começaram a ocorrer junto ao seu túmulo, o que a tornou a padroeira dos doentes mentais e o local um espaço de peregrinação ligado à questão da saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O legado de Santa Dimpna em Geel deu origem a um modelo para a psiquiatria moderna pois, devido à devoção e adoração à Santa Dimpna, a cidade transformou-se em um santuário onde os pacientes não eram trancafiados, mas acolhidos em lares de famílias locais como &amp;quot;hóspedes&amp;quot;. Esse sistema de cuidado comunitário e desinstitucionalização, que persiste há séculos, é considerado um dos precursores do tratamento humanizado e da reabilitação psicossocial na saúde mental contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Idade Clássica: a nova era da loucura encarcerada ==&lt;br /&gt;
A partir do século XVII, um período em que o filósofo Michel Foucault denominou como &amp;quot;A Época Clássica&amp;quot;, a forma de entender e lidar com a loucura passa por uma nova mudança devido ao ingresso da razão como centro e alma do pensamento europeu, em substituição ao dogmatismo religioso e ao conhecimento da igreja. Esta mudança não é brusca, mas lenta e gradual, porém suas marcas serão duradouras e serão sentidas por quase toda a Europa. Para essa nova e nascente razão, a loucura seria seu oposto direto. Se o homem era definido pela sua capacidade racional e sua utilidade produtiva, o louco era, portanto, como um &amp;quot;não-homem&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a solução para a não-razão era a internação que não buscava a cura, mas a neutralização do irracional. O silenciamento da loucura era necessário para que a ordem social pudesse florescer. Os campos e cidades deveriam ser espaços de circulação de mercadorias pelas mãos de cidadãos produtivos, e qualquer elemento que atrapalhasse essa dinâmica deveria ser guardado em instituições que funcionavam como uma guarda contra o risco social que tais pessoas ofereciam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relatos da época descrevem cenários terríveis sobre as condições de internação dos loucos. Os internos eram frequentemente mantidos em celas úmidas e insalubres, muitas vezes acorrentados às paredes. O uso de chicotes e outras punições corporais era justificado pela crença de que o louco, por ter perdido a razão, teria a resistência física de um animal, não sentindo frio ou dor da mesma forma que uma pessoa &amp;quot;normal&amp;quot;. Além disso, as instituições funcionavam sob uma lógica de vigilância constante. Não se tratava de observar para entender a mente, mas para garantir que o corpo anormal permanecesse contido e, no máximo possível, docilizado. Foi dentro desse ambiente de absoluta degradação e mistura indiscriminada de diferentes &amp;quot;tipos&amp;quot; de desviantes que a consciência médica começou a germinar, ainda que de forma incipiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== França ===&lt;br /&gt;
O ano de 1656 marca um divisor de águas simbólico para o modelo de confinamento asilar no mundo todo, com a criação do Hôpital Général (Hospital Geral) em Paris, por um edito real do rei Luís XIV. É importante entender que um hospital geral deste período não é como um hospital moderno, ou seja, uma instituição médica e voltada para a compreensão da doença e a prática do tratamento e cura. Ele estava mais próximo de uma estrutura administrativa e, de certo modo, semi-judiciária. Isso ocorria porque o interesse não estava em “curar” ou “tratar” ninguém mas, antes disso, perseguir o interesse do Estado de &amp;quot;limpar&amp;quot; as ruas de Paris de tudo o que era considerado improdutivo ou escandaloso. Era um período de abundância material, grandes gastos estatais e de uma imensa riqueza do império colonial francês, e desvios nessa ordem eram vistos como perigosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes tais hospitais gerais eram confinados, todos juntos, grupos totalmente diferentes, tais como pobres, mendigos, desempregados, libertinos, prostitutas, alquimistas, opositores políticos e, claro, também os considerados loucos. Em suma, um depósito de indesejados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que começou em Paris se tornou um modelo para outros lugares sobre como fazer a gestão da miséria e da “desrazão”, num forte deslocamento do que se via na Idade Média. O louco, antes tendo algo de profético, místico ou talvez apenas uma excentricidade da vida medieval campesina, se torna uma questão político-administrativa. Essa mudança importante marca uma migração para a possibilidade de institucionalização daquilo que era considerado errante ou, de alguma forma, desagradável e, assim passível de ser alvo de uma forma de gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Paris, as duas principais unidades do Hospital Geral se tornaram emblemáticas e simbólicas. A Salpêtrière, que era destinada às mulheres, e o hospital Bicêtre, destinado aos homens. Ambas não ofereciam qualquer forma de tratamento. Eram basicamente depósitos humanos, onde o louco poderia acabar acorrentado ao lado de criminosos, por exemplo. O critério de internação não era o diagnóstico clínico, mesmo porque simplesmente ele nem existia nos moldes modernos, mas a incapacidade de se ajustar às normas de trabalho e à moralidade da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alemanha ===&lt;br /&gt;
Na Alemanha, surgiram as Zuchthäusern, que seriam as Casas de Correção. Cidades como Hamburgo e Bremen estabeleceram esses locais onde a loucura era tratada através do trabalho forçado. Eles acreditavam que o ócio era a raiz do mal e que o confinamento servia para reintegrar o indivíduo à lógica da produtividade. De qualquer forma, uma vez enclausurado, ele permanecia escondido da visão da população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Inglaterra ===&lt;br /&gt;
Na Inglaterra, o sistema das Workhouses (Casas de Trabalho) cumpria um papel semelhante ao modelo alemão. No entanto, Londres já possuía o Bethlem Royal Hospital, conhecido popularmente como Bedlam. No século XVII e XVIII, Bedlam se tornou um espetáculo de horror, onde o público podia pagar para observar os internos como se fossem animais em um zoológico. A loucura era agora um objeto de uma forma de exibição degradante e mantida atrás de grades e ferros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Portugal ===&lt;br /&gt;
Em Portugal a gestão dos &amp;quot;desviantes&amp;quot; recaiu fortemente sobre as Santas Casas da Misericórdia. O Hospital Real de Todos-os-Santos, fundado em Lisboa em 1492 e inaugurado em 1501, se tornou o epicentro do tratamento (ou confinamento) dos loucos no país. Dentro deste hospital, existiam as chamadas &amp;quot;Casas de Doidos&amp;quot;, destinados àqueles que haviam “perdido a luz da razão”. Seguindo o padrão europeu, o hospital não separava rigidamente o louco por diagnóstico. Eles dividiam espaço com indigentes e enfermos de diversas naturezas, embora as &amp;quot;casas de doidos&amp;quot; fossem áreas de maior isolamento devido à agitação dos internos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XVIII português, a internação era, acima de tudo, uma solução para a mendicância e, por vezes, para o alcoolismo. O louco que tinha família e posses era mantido nas casas das famílias, muitas vezes escondido em sótãos ou anexos e até mesmo acorrentados. Já o &amp;quot;louco pobre&amp;quot;, cujas famílias nem se importam ou que não poderiam ser cuidados por seus familiares, era aquele que acabava nos hospitais reais ou mesmo nas cadeias, a depender de uma série de elementos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Nascimento da Psiquiatria ==&lt;br /&gt;
Nesta seção será tratada a história do nascimento da psiquiatria, mas não como ela é atualmente. Sua trajetória é cheia de desvios e abusos, além de vitórias para os direitos dos internos. Os avanços convivem com muitos retrocessos. Mesmo na época de seu surgimento, muitos eram os questionamentos sobre sua validade e cientificidade. Hoje existem aqueles que perguntam se a psiquiatria é necessária e se seu objeto não é fabricado por ela mesma, por meio de suas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pinel e a criação da psiquiatria nosográfica ===&lt;br /&gt;
É na virada do século XVIII para o XIX que nasce a psiquiatria como um campo autônomo do saber e da prática médica. Esta mudança fundamental é protagonizada por duas figuras centrais da medicina francesa: Philippe Pinel e seu discípulo, Jean-Étienne Dominique Esquirol. Juntos, eles transformaram o hospital de depósito de insanos e indesejáveis em um verdadeiro hospital, em que o louco e o alienado poderiam receber um tratamento racional e científico, em substituição às correntes, à disciplina e ao silenciamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência da psiquiatria como campo autônomo teve como fundamento científico inicial a observação clínica sistemática dentro do asilo. Este era concebido como um laboratório, onde o alienista poderia estudar a loucura em seu estado puro, separada das influências do mundo exterior. A principal questão científica e prática que justificava essa nova ciência era desenvolvida e aplicada de forma sistemática era a chamada nosografia ou diagnóstico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pinel, em seu &#039;&#039;Traité&#039;&#039; de 1801, classificou a loucura com base em critérios sintomatológicos, seguindo um procedimento comparativo semelhante ao das ciências naturais. O desafio central, que persistiria ao longo do século XIX, era a ambiguidade constante entre a busca por uma sede orgânica, ou seja, um “local físico-biológico” da loucura, junto da necessidade de uma regulação de caráter moral. O tratamento apoiava-se na moralidade para combater as causas que eram, elas próprias, consideradas morais, mas algo estava também no corpo do doente. Isso mostra que a nova psiquiatria de Pinel era a mistura de uma perspectiva médica com algo de caráter moral no entendimento da loucura. Este enfoque resultou na valorização do exame clínico pelos psiquiatras francófonos, permitindo a união da observação clínica com a formulação de hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1793, em meio ao fervor da Revolução Francesa, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe do Hospital de Bicêtre e, posteriormente, da Salpêtrière. O cenário que encontrou era o ápice do &amp;quot;Grande Enclausuramento&amp;quot;, ou seja, homens e mulheres amontoados nas condições já descritas, com destaque para as correntes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intervenção de Pinel, simbolizada pelo gesto de “libertar os loucos de suas correntes”, não foi apenas um ato humanitário, mas também uma decisão de natureza epistemológica. Pinel acreditava que a loucura não era uma possessão demoníaca nem uma degeneração animal irreversível, mas uma alienação mental, em outras palavras, uma perturbação das faculdades intelectuais e afetivas que mantinha o indivíduo como se fosse &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, ou alienado, de si mesmo e da sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pilar para a reforma psiquiátrica proposta por Pinel era o tratamento moral, e se baseava em três pilares fundamentais. O primeiro, o isolamento terapêutico. Era necessário que o paciente ficasse separado de seu ambiente que, segundo o médico, era a fonte de sua excitação e desequilíbrio. O segundo pilar era a autoridade médica, onde este deveria atuar como um pai ao mesmo tempo severo e justo, usando a persuasão, a benevolência e, se fosse necessário, a firmeza para restaurar a razão do paciente. Por fim, a disciplina e o trabalho, com a aplicação rigorosa de horários e valorização de atividades produtivas, o que ocuparia a mente alienada e, assim, combateria a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus estudos, Pinel identificou quatro tipos de loucura, quais sejam, a melancolia, a mania, a demência e o idiotismo, cada uma com suas questões próprias específicas e metodologias de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Esquirol e a consolidação do modelo ===&lt;br /&gt;
Se Pinel era considerado o visionário e o libertador, Jean-Étienne Dominique Esquirol foi o grande organizador e o clínico meticuloso. Discípulo de Pinel, Esquirol sucedeu seu mestre na Salpêtrière e deu à psiquiatria a robustez científica e administrativa de que ela necessitava. Esquirol compreendeu que a eficácia do tratamento moral dependia da arquitetura hospitalar. Para ele, o hospital não era apenas um prédio onde ocorria o tratamento, mas também um instrumento de cura. Ele desenvolveu o modelo de pavilhões, permitindo a separação dos pacientes por tipo de patologia, o que reforçou a própria ideia de diagnóstico e de avaliação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Esquirol refinou as definições clínicas de Pinel. Foi ele quem estabeleceu a distinção clássica entre alucinação (uma percepção sem objeto) e ilusão (uma percepção deformada de um objeto real), entre outros pontos que, na sua época, foram considerados avanços exemplares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Legalização da Alienação ===&lt;br /&gt;
O esforço médico, político e administrativo de Esquirol na continuação do trabalho de Pinel culminou na promulgação da lei francesa de 30 de Junho de 1838, a primeira grande legislação psiquiátrica do mundo moderno. Esta lei estabeleceu a obrigatoriedade de cada departamento francês possuir um asilo e regulamentou as condições de internação e interdição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A princípio, embora também protegesse o alienado do arbítrio e de outras violências que poderiam ser cometidos contra os loucos nas províncias e mesmo nas periferias de Paris, a lei também deu total poder ao médico psiquiatra. Era ele quem poderia decidir quem deveria ou não ser privado de sua liberdade. Com isso, a psiquiatria tornava-se, assim, um braço do Estado na gestão da ordem social mas, ao contrário do polícia e do inquérito polícial, que exigia provas independentes e a atuação do sistema judiciário, o psiquiatra estava coberto sob o manto da ciência médica, o que dava a ele poderes gigantescos de decidir entre a alienação e a razão. Isso marcou profundamente a forma como a loucura e a saúde mental passaram a ser compreendidas e tratadas nas décadas seguintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Loucura no Brasil ==&lt;br /&gt;
Até o início do século XIX, o Brasil colonial lidava com seus insanos de forma semelhante ao que ocorria na Europa. As famílias ricas mantinham seus parentes loucos em &amp;quot;quartos fortes&amp;quot;, privando-os mais ou menos da vida comunitária e familiar, a depender das circunstâncias. Já os pobres eram entregues à caridade das Santas Casas de Misericórdia ou vagavam pelas ruas, sendo ocasionalmente recolhidos a cadeias públicas quando perturbavam a ordem, indo e vindo das frágeis instituições brasileiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 trouxe a necessidade de transformar a capital colonial em uma moderna metrópole europeia. Sob a influência do Iluminismo tardio e das notícias que chegavam sobre as reformas de Pinel na França, a elite médica brasileira, que era formada sobretudo na França e em Portugal, começou a pressionar o poder público pela criação de espaços específicos para o tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1830, a criação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (que viria a ser a Academia Nacional de Medicina) foi o marco institucional dessa pressão, que funcionou. O momento decisivo ocorreu em 18 de julho de 1841, quando o Imperador D. Pedro II, em comemoração à sua coroação, assinou o decreto de fundação do primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e da América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Hospício de Pedro II, ou o Palácio dos Loucos (1852–1889) ===&lt;br /&gt;
Inaugurado apenas em 8 de dezembro de 1852, o Hospício de Pedro II era gerido pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro (que por anos geriu grande parte da loucura brasileira), sob a figura do provedor José Clemente Pereira. Embora a gestão administrativa fosse religiosa, o saber médico tinha muito espaço com nomes como Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, que tentaram implementar o &amp;quot;tratamento moral&amp;quot; inspirado em Esquirol. Apesar dos esforços, muitos relatos de abusos e de condições precárias mostravam a dificuldade em implementar um modelo brasileiro de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Proclamação da República em 1889, o Hospício de Pedro II foi desvinculado da Santa Casa e renomeado como Hospital Nacional de Alienados (HNA). Este foi um período de maior laicização e pela busca por um maior rigor científico, o que não aconteceu por completo, em grande parte devido à falta de profissionais adequadamente treinados para a questão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, diante dos altíssimos custos em manter o Hospital, surgem as colônias agrícolas como alternativa ao confinamento urbano. Em 1884, já havia sido inaugurada a Colônia de São Bento e, em 1890, a Colônia de Conde de Mesquita, na Ilha do Governador. A ideia era que o trabalho na terra poderia colaborar na cura, além de ajudar na manutenção dos espaços. Contudo, os relatos de época mostram que não acontecia nenhuma das duas coisas, mas entendia-se que a colônia agrícola era melhor do que o confinamento do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Era Juliano Moreira ===&lt;br /&gt;
Em 1903 o médico baiano Juliano Moreira assume a direção do Hospital Nacional de Alienados. Negro, de origem humilde e dotado de uma erudição impressionante, Juliano Moreira revolucionou a assistência, sendo reconhecido internacionalmente. Ele se tornaria o principal médico alienista do Brasil, tornando-se referência para todo o país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moreira aboliu definitivamente o uso de camisas de força e as grades nas janelas, num gesto que se assemelhava àquele de Pinel, enfatizando que o hospital era um local de tratamento e cura, e não uma prisão ou um depósito de indesejados. Além disso, ele trouxe para o Brasil a nosologia de Emil Kraepelin, um psiquiatra alemão considerado o pai da psiquiatria moderna, da psicofarmacologia e da genética psiquiátrica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a gestão Moreira, foi criado o Pavilhão Bourneville para crianças com deficiência intelectual. Além disso, fundou-se o Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1921), o primeiro do país, sob a liderança de Heitor Carrilho. Dentro dos hospitais incentivou-se a pesquisa laboratorial e anátomo-patológica, o que também abriu espaço para a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência e o prestígio de Juliano Moreira se espalhou pelo Brasil. Em São Paulo, destacou-se a figura de Francisco Franco da Rocha, que fundou em 1898 o Hospital Juquery. O Juquery tornou-se uma &amp;quot;cidade-asilo&amp;quot;, chegando a abrigar dezenas de milhares de pacientes em um modelo que mesclava pavilhôes médicos com imensas colônias agrícolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período, a psiquiatria brasileira flertou intensamente com as teorias da degenerescência (de Morel e Magnan) e com a eugenia. Médicos como Renato Kehl e a criação da Liga Brasileira de Higiene Mental (1923), fundada por Gustavo Riedel, começaram a ver a loucura não apenas como um problema individual, mas como um risco biológico à raça brasileira. A higiene mental passou a atuar preventivamente em escolas e fábricas, buscando identificar &amp;quot;pré-delinquentes&amp;quot; e &amp;quot;personalidades anormais&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Minas Gerais foi fundado o Hospital Psiquiátrico de Barbacena, em 1903, que mais tarde seria palco de uma das maiores tragédias sanitárias do país. Em Pernambuco, o Hospital Ulysses Pernambucano foi fundado pelo médico de mesmo nome, que começou a desenvolver uma psiquiatria mais voltada para o social e para a prevenção no final dos anos 1920.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Era Vargas e além: o início do encarceiramento ===&lt;br /&gt;
Com a Revolução de 1930, o projeto de nação de Vargas exigia um povo saudável e produtivo. A loucura deixou de ser apenas uma questão de ordem pública ou caridade para se tornar um problema de Segurança Nacional e Saúde Pública. Em 1941, no âmbito do Estado Novo, foi criado o Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM), substituindo a antiga assistência, que era fragmentada conforme as diferentes províncias, por uma diretriz federal centralizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM), uma instituição que professava o higienismo no Brasil e que já atuava desde a década de 1920, ganhou fôlego. O foco deslocou-se do hospital para a prevenção na sociedade. A psiquiatria não deveria se limitar aos hospitais, mas também atuar na escola, na fábrica e na família, buscando eugenizar, limpar a nação e extirpar o que chamavam de &amp;quot;elementos degenerados&amp;quot;. O médico Gustavo Riedel e seus sucessores defendiam que o Estado deveria intervir precocemente para evitar que o &amp;quot;anormal&amp;quot; se tornasse um fardo para a máquina pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi durante as décadas de 1930 e 1940 que o modelo de colônia agrícola, antes visto como terapêutico e de assistência à manutenção hospitalar, atingiu proporções industriais. O que se viu em Barbacena e em instituições como o Juquery em São Paulo, foi a transformação do hospital em, praticamente, um campo de concentração administrativo. A internação não dependia mais apenas de um diagnóstico médico rigoroso, que na prática já era frágil e baseado em elementos pouco científicos. Bastava ser considerado &amp;quot;socialmente inconveniente&amp;quot; para ir parar numa instituições dessas. Assim, pobres, prostitutas, homossexuais, militantes políticos e mães solteiras eram enviados para essas instituições, onde a sobrevivência era a exceção. Estima-se que, no auge do descaso, o Hospital de Barbacena registrava um número alarmante de óbitos por frio, fome e doenças evitáveis, cujos corpos eram, por vezes, vendidos para faculdades de medicina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tratamentos Brutais e os Modos de Resistência ===&lt;br /&gt;
Para além do horror asilar, o período entre 1930 e 1950 também foi marcado pela introdução de terapias biológicas drásticas, importadas da Europa, conhecidas como somatoterapias. Com uma psicofarmacologia pouco eficaz, os médicos buscavam &amp;quot;chacoalhar&amp;quot; o organismo para restaurar a razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma dessas técnicas era a insulinoterapia. Introduzida na Europa pelo médico austríaco Manfred Sakel (1900–1957) em Viena, no início dos anos 1930, representou uma das primeiras e mais invasivas formas de somatoterapia. Originalmente destinada ao tratamento da esquizofrenia, a técnica consistia na administração de doses maciças de insulina no paciente, provocando um estado de hipoglicemia profunda que o levava ao coma. Na volta desse coma, se esperava que o indivíduo “restaurasse” a razão por conta do choque orgânico violento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O procedimento era extremamente perigoso e estava associado a uma alta taxa de mortalidade e morbidade devido ao risco de convulsões e danos cerebrais. Apesar dos riscos, foi amplamente adotada no mundo todo, incluindo o Brasil, onde foi usada em grandes instituições de confinamento, como o Hospital Nacional de Alienados (HNA) no Hospital Juquery, em São Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que passou a ser muito utilizada foi a Eletroconvulsoterapia, ou o eletrochoque. Introduzido no Brasil logo após sua invenção na Itália (1938), consiste em colocar eletrodos carregados com correntes elétricas em lados opostos, na lateral da cabeça, de modo que a corrente elétrica atravesse o cérebro. A duração e a intensidade podia variar, mas relatos de mais de trinta minutos de choques violentos não eram incomuns. Sua violência era tamanha que exigia que sua vítima fosse fortemente amarrada. Tornou-se uma ferramenta onipresente nos hospitais, muitas vezes aplicada sem anestesia e como método de punição, desvirtuando sua finalidade clínica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que ingressou no Brasil nesse período foi a lobotomia, um procedimento cirúrgico que consistia em apenas retirar um pedaço do cérebro do paciente. Eles foram realizados em larga escala em hospitais como o Juquery e no Hospital Pedro II, buscando a docilização de pacientes crônicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em oposição à violência do isolamento oferecido por essas instituições surge a figura de Nise da Silveira. Em 1946, após ter sido presa pelo regime de Vargas por suas inclinações políticas, Nise assumiu o Setor de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional (Engenho de Dentro), no Rio de Janeiro. Ela se recusou a usar eletrochoques e lobotomias, introduzindo a arte e o afeto como mediadores da cura. Ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente (1952), onde demonstrou, através das pinturas e esculturas de pacientes como Arthur Bispo do Rosario, que o louco preservava uma riqueza simbólica e uma humanidade que a psiquiatria tradicional tentava apagar. Sua colaboração com Carl Jung colocou a experiência brasileira no mapa da psicologia analítica mundial, provando que o tratamento em liberdade e através da expressão criativa era viável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Criação da Indústria da Loucura ===&lt;br /&gt;
No final da década de 1950 e início da de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek e o breve período democrático posterior, o Brasil viu o surgimento de uma nova dinâmica: a Indústria da Loucura. A assistência psiquiátrica, antes quase totalmente pública ou baseada no assistencialismo das Santas Casas, começou a ser terceirizada. Com o crescimento dos institutos de previdência (IAPs), o Estado passou a pagar hospitais privados por dia de internação. Isso criou um incentivo perverso: quanto mais tempo o paciente ficasse internado e quanto menos recursos fossem gastos com ele, maior o lucro das clínicas privadas. Esse modelo, conhecido como &amp;quot;hospitalocêntrico&amp;quot;, inchou o sistema e preparou o terreno para a política de contenção social que seria radicalizada após o golpe de 1964. Foi um momento de multiplicação da brutalidade. Pouco importava a loucura ou não, o tratamento ou não, a eficácia ou não. O que importava era ganhar dinheiro com o estado, por meio de um encarceramento fácil e praticamente impossível de escapar, além de altamente lucrativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coisa se aprofundou ainda mais com o golpe militar, que unificou em 1966 os Institutos de Aposentadoria e Pensões no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), produzindo uma centralização gigantesca de recursos, com um modelo de privatização quase total.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psiquiatria, por ser uma especialidade que exigia baixo investimento tecnológico quando comparada a outras como a cirurgia, cardiologia ou oncologia, permitia grandes lucros com as internações de longa permanência. Assim, trancafiar e atormentar os loucos tornou-se o setor mais atraente para o empresariado da saúde. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de pessoas possivelmente diagnosticadas, o sistema era alimentado pelo encarceramento de militantes políticos, estudantes rebeldes, pessoas em situação de rua,  mendigos, homossexuais, indivíduos com comportamentos &amp;quot;desviantes&amp;quot; da moral tradicional, dependentes químicos, alcoólatras ou mesmo pessoas “problemáticas” da família, que se recusavam a participar de casamentos arranjados ou apenas mulheres que haviam engravidado antes do casamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As instituições privadas multiplicaram-se pelo interior do país, longe dos olhos da fiscalização e dos centros urbanos. Instaladas em locais de difícil acesso, facilitava o ocultamento de violações de direitos humanos e ainda utilizava da conivência dos governos locais. As populações dessas localidades, crentes no saber médico, dificilmente desconfiavam do que poderia acontecer e, quando informações vazavam, rapidamente podiam ser manejadas. A loucura tornou-se um negócio de massa, com o abrigo precário de centenas de pessoas em galpões, onde a única &amp;quot;terapia&amp;quot; era a contenção química por sedativos baratos ou o uso indiscriminado do eletrochoque para manter a ordem além, é claro, da violência e brutalidade de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Luta Antimanicomial ==&lt;br /&gt;
No final da década de 1970, o modelo começou a dar sinais de exaustão, tanto financeira quanto ética. O Estado já não conseguia arcar com os custos crescentes de um sistema que só expandia o número de crônicos, e as denúncias de maus-tratos começaram a furar o bloqueio da censura, aparecendo em jornais mais prestigiados e com denúncias circulando em mais espaços da sociedade. O estopim para a o início do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil começa com uma crise na Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), que havia recebido denúncias de irregularidades no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Hospital Pinel, na Colônia Juliano Moreira e no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. A denúncia foi acompanhada de uma greve por parte dos funcionários, que exigiam melhorias institucionais e questionavam irregularidades trabalhistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É dessa crise que surge o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) que, nesse primeiro momento, estão mais preocupados com questões trabalhistas do que com o problema da própria prática psiquiátrica, que vai caracterizar parte dos movimentos antimanicomiais posteriormente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O MTSM se fortalece e conseguem espaço no extremamente conservador V Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que ocorre em 1978, no que fica conhecido como “congresso da abertura” e que também traz elementos da abertura política com o iminente fim do regime militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1978, um grupo importante de intelectuais vinculados às bases teóricas do Movimento Antimanicomial participa do I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições, incluindo Franco Basaglia, Felix Guattari, Robert Castel e Erwinf Goffman. No ano seguinte, o I Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental fortalece a contextação não apenas de problemas trabalhistas, mas do próprio modelo asilar e da forma como a psiquiatria intervinha e oprimia a população marginalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
AMARANTE, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ARBEX, Daniela. Holocausto Brasileiro. Rio de Janeiro: Geração Editorial, 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BASAGLIA, Franco. A Instituição Negada. Rio de Janeiro: Graal, 1985.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BIRMAN, Joel. A Physis da Arte: Deleuze e a Clínica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CASTEL, Robert. A Ordem Psiquiátrica: a Idade de Ouro do Alienismo. Rio de Janeiro: Graal, 1978.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. Violência e Psicanálise. Rio de Janeiro: Graal, 1986.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. História da Assistência Psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Garamond, 2007. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ENGEL, Magali. Os Delírios da Razão: médicos, loucos e hospícios (Rio de Janeiro, 1830-1930). Rio de Janeiro: Fiocruz, 2001&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FOUCAULT, Michel. História da Loucura na Idade Clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Netto. São Paulo: Perspectiva, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MELLO, Luiz Carlos. Nise da Silveira: Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PEREIRA, Ana Leonor; PITA, João Rui. A Institucionalização da Loucura em Portugal. Coimbra: Estudo Geral, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PESSOTTI, Isaias. A loucura e as épocas. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PORTOCARRERO, Vera. Arquivos da Loucura: Juliano Moreira e a descontinuidade histórica da psiquiatria. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PINEL, Philippe. Traité médico-philosophique sur l&#039;aliénation mentale, ou la manie. Paris: Richard, Caille et Ravier, 1801.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RESENDE, Heitor. O Pequeno Livro da Reforma Psiquiátrica Relativa ao Confinamento e à Liberdade. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1987.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, Priscila Aquino. O Hospital Real de Todos-os-Santos e seus agentes da cura. In: História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 22, n. 4, 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VENANCIO, Ana Teresa A.; CARVALHAL, Lázaro. Juliano Moreira: A Ciência da Assistência e a Assistência da Ciência. In: Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2001.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
YASUI, Silvio. Rupturas e Encontros: desafios da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2010.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_loucura:_da_Gr%C3%A9cia_antiga_%C3%A0_luta_anti-manicomial&amp;diff=1675</id>
		<title>História da loucura: da Grécia antiga à luta anti-manicomial</title>
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		<updated>2026-05-15T02:14:30Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* Idade Clássica: a nova era da loucura encarcerada */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Este texto ainda é um rascunho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Texto com finalidade didática escrita por André Elias Morelli Ribeiro para o curso de Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A escrever&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras no Mundo Antigo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grécia antiga ===&lt;br /&gt;
Na Grécia antiga, em certo momento a loucura era considerada uma intervenção dos deuses e, como os gregos era politeístas, a varidade de formas de loucura e intervenção também era bem grande. A loucura poderia ser vista como uma punição. Um exemplo notório é o herói Ajax, filho de Telamão. Após a morte de Aquiles, a armadura do herói foi dada a Odisseu, e a afronta levou Ajax a um estado de fúria e ressentimento. A deusa Atena, intervindo em favor de Odisseu ou para proteger os Aqueus da vingança de Ajax, lançou sobre ele uma cegueira mental. Tomado pela loucura, Ajax massacrou o gado de guerra que havia sido capturado, acreditando que estava matando os líderes aqueus, incluindo Odisseu e Agamenon. Ao recobrar a sanidade e perceber seu ato vergonhoso, o que o levou a cometer suicídio por humilhação. Essa cena ilustra a loucura como uma intervenção divina direta na forma de loucura poderia ser vista como destrutiva e extremamente negativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outros episódios da mitologia grega, a loucura surge como uma consequência direta de traumas e da perseguição implacável por vingança. Um exemplo fundamental é o de Orestes que, após assassinar sua mãe, Clitemnestra, para vingar a morte de seu pai, Agamenon, passa a ser atormentado pelas Erínias. Essas divindades da vingança, também conhecidas como Fúrias, levaram o herói a um estado de delírio e desespero profundo, personificando a tortura psicológica e a perda da razão como uma forma de acerto de contas espiritual e moral pelo matricídio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura não era unicamente um flagelo ou uma punição. Os gregos, notavelmente, viam a mania, um termo que hoje engloba a loucura, em uma perspectiva dual. Na sua manifestação mais elevada era considerada uma benção ou inspiração divina. Essa visão positiva estava profundamente ligada ao culto de Dionísio, o deus do vinho, do teatro e do êxtase. Nos rituais dionisíacos, as bacantes e outros seguidores buscavam o êxtase, que é, literalmente, &amp;quot;sair de si&amp;quot;, por meio da dança frenética, música e consumo de vinho, o que era percebido como um estado de comunhão direta e inspirada com a divindade. Longe de ser destrutiva, essa forma de loucura era vista como uma fonte de criatividade, revelação e poder, sendo um caminho para a verdade profética e a expressão artística ligada a Dionísio. Este conceito de mania inspirada também se estendia a outros domínios, como a profecia dos oráculos, que eram vinculados à adoração ao deus Apolo, e mesmo a poesia, onde a perda temporária da razão humana era interpretada como a mente sendo tomada por uma força divina que trazia algum tipo de inspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em certo momento, ainda na Grécia antiga, as ideias sobre a loucura - ou algo que pareça loucura aos nossos olhos contemporâneos - foi modificada graças a Hipócrates, o pai da medicina. A visão de Hipócrates marcou uma transição crucial para o entendimento da loucura na Grécia Antiga, pois afastou a loucura das concepções divinas e sobrenaturais para uma explicação puramente fisiológica e natural. Ele desenvolveu a Teoria dos Quatro Humores, que se tornou o pilar da medicina ocidental por séculos. Segundo essa teoria, o corpo humano era composto por quatro fluidos essenciais (humores): sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. A saúde mental e física dependia do equilíbrio harmonioso desses humores. A loucura, ou qualquer doença mental, era, portanto, interpretada como o resultado de um desequilíbrio, como o excesso de bile negra causando a melancolia (depressão), ou o desarranjo da fleuma e da bile amarela, que poderiam levar a estados de mania e frenesi. Com isso, Hipócrates postulou que a loucura não era uma maldição dos deuses, mas sim uma doença com origem no corpo. Essa abordagem naturalista permitiu que a loucura passasse a ser tratada com métodos como dietas, exercícios e remédios, em vez de rituais religiosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradição bíblica ===&lt;br /&gt;
Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e à recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o baniu do convívio humano. Ele passou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara, conforme emerge na descrição bíblica, mostra uma concepção de loucura ligada à perda da razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo da loucura, onde o que é considerado &#039;loucura&#039; pelos homens revela-se a suprema sabedoria divina. Essa ideia é desenvolvida pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. Na passagem, ele afirma: &#039;Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens&#039; (1 Coríntios 1:25). Paulo usa o termo moria (loucura, tolice) para contrastar a sabedoria humana, que na época do texto era representada pela filosofia e retórica grega, com a mensagem da cruz, que parecia ilógica e insensata aos olhos dos não cristãos, que debochavam do fato do profeta ter sido capturado e morto pelos romanos. Assim, a loucura deixa de ser apenas uma punição para se tornar uma lente através da qual a verdadeira sabedoria, ou seja, a salvação, é revelada, invertendo a hierarquia de valores do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pérsia ===&lt;br /&gt;
Na Pérsia, a visão da loucura e do comportamento irracional foi moldada por seu profundo dualismo religioso e, posteriormente, pelas tradições islâmicas que se seguiram à conquista árabe. O zoroastrismo, a antiga religião persa fundada por Zoroastro (Zaratustra), transformou o politeísmo anterior em um dualismo cósmico centralizado no conflito eterno entre Ahura Mazda (Ormazd), o criador da vida, luz e verdade, e Angra Mainyu (Ahriman), a escuridão e a mentira. Neste cenário, o mundo material é o campo de batalha entre os dois. Ahriman buscava corromper tudo o que Ormazd havia criado. Embora o texto não defina a loucura diretamente, o comportamento irracional e a desrazão poderiam ser facilmente associados ao domínio de Ahriman e à mentira (druj), enquanto a sanidade e a pureza eram atributos de Ormazd. A batalha contra essa corrupção exigia que os adoradores de Ormazd permanecessem verdadeiros e evitassem poluir o fogo e a terra sagrada, indicando que a pureza mental e ritual era uma defesa contra as forças do mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Islã ===&lt;br /&gt;
Na cultura islãmica, de forma geral e bastante resumida, o comportamento considerado irracional era frequentemente explicado pela crença nos djinn, espíritos errantes que habitavam o deserto e certos lugares considerados místicos e que podiam invadir a mente humana, causando o que a sociedade ocidental moderna chamaria de insanidade ou, talvez, distúrbio emocional, cujo tratamento era o exorcismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura também apareceu em narrativas culturais associadas aos povos de forma a sugerir causas e curas mais mundanas. O famoso conto persa de As Mil e Uma Noites relata a história do rei Shahriyar, que, convencido da inevitável traição feminina, cai em uma loucura paranóica que o leva a se casar e matar uma virgem todas as noites. Sua &amp;quot;cura&amp;quot; é alcançada através da engenhosidade e paciência humana por meio de uma dessas esposas, Scheherazade, que usa a arte de contar histórias para retardar sua execução por &amp;quot;mil e uma noites&amp;quot;, período em que sua paranoia é gradualmente desfeita. A história sugere que a narrativa e o tempo podem curar a loucura causada por trauma psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras na Idade Média ==&lt;br /&gt;
A transição para a Idade Média é marcada pelo colapso do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e trouxe profundas transformações políticas e sociais. O fim do governo centralizado romano levou à fragmentação do poder e ao surgimento do sistema feudal, onde a administração das terras e a autoridade passaram para as mãos de senhores locais, muitos deles antigos oficiais romanos. Este período também é caracterizado por um notável declínio na vida urbana e nos grandes centros intelectuais. O colpaso das instituições romanas deu lugar à ascensão e consolidação da única instituição internacional grande e organizada que havia sobrado, a Igreja Católica, que se tornou a principal instituição de poder. Houve ainda uma perda gradual da tradição cultural greco-romana e, consequentemente, um afastamento das explicações naturalistas de Hipócrates, com exceção do pequeno renascimento do século XII e retomadas pontuais da sabedoria grega. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a hegemonia da Igreja Católica, a loucura tendeu a ser novamente interpretada sob uma lente teológica, sendo vista como uma manifestação de forças sobrenaturais ou desvios morais. Nesse contexto, certas vezes a loucura era interpretada como a intervenção de Satanás ou como possessão demoníaca, exigindo rituais de exorcismo para a cura. Em outros momentos, era vista como uma prova espiritual enviada por Deus ou como um efeito direto do pecado na alma do indivíduo. Havia também explicações que a tratavam como uma fragilidade da vontade humana, misturando elementos da antiga tradição grega com aspectos da teologia cristã, estabelecendo um novo arcabouço para o entendimento da mente humana durante a Idade Média, que tinha muitas variações e não era uniforme nem ao longo do tempo nem em todos os espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Socialmente, a gestão da loucura na Idade Média também passou por diferentes fases e transformações, dependendo do local e da época. Haviam casos em que os consideradores loucos eram apenas torturados e trancafiados, acreditando-se serem métodos eficazes para expulsão de espíritos malignos, por exemplo. Contudo, em muitos outros casos, os considerados loucos conviviam de forma mais ou menos harmoniosa com o resto da comunidade, a depender de suas capacidades e possibilidades, e certos “desvios” eram perdoados devido à sua condição peculiar, sem a necessidade imediata de uma exclusão radical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Nau dos Loucos ===&lt;br /&gt;
Um caso notável e emblemático da gestão da loucura nesse período é a Nau dos Loucos (Stultifera Navis), conforme trabalhado por Michel Foucault. Anteriormente ao modelo de exclusão-repressão que viria a se consolidar na Idade Clássica, a loucura viveu o que se pode chamar de seus &amp;quot;dias de glória&amp;quot; na transição para a Renascença. Nesse contexto, o louco poderia ser visto como um sábio, um místico, um bobo da corte ou simplesmente um excêntrico que estava, de certa forma, integrado ao tecido social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Nau dos Loucos simbolizava uma existência errante, onde o louco era confiado à água e ao navio para ser levado de uma cidade a outra, mantendo-o em um estado de exclusão simbólica, mas ainda assim em movimento e circulação. Para Foucault, essa experiência trágica da loucura permitia que o insano portasse uma forma de lucidez em sua insensatez, revelando verdades que a razão comum não ousava enunciar. O louco via através das ilusões mundanas, aproximando-se de uma verdade profética ou ética que seria progressivamente silenciada nos séculos seguintes pela ascensão do saber médico e da racionalidade científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Santa Dimpna e Geel ===&lt;br /&gt;
Outro acontecimento relevante da Idade Média para a compreensão da loucura é o episódio de Santa Dimpna. Nascida no século VII na Irlanda, ela era filha de um rei pagão e de uma mãe cristã devota, de quem herdou sua fé e pelo qual decidiu fazer votos de castidade. Após a morte prematura da mãe, seu pai, mergulhado em um profundo luto, decidiu que Dimpna era a única mulher com beleza comparável à da falecida rainha e insistiu em se casar com a própria filha, o que seria considerado escandaloso também para aquela cultura. Diante dessa perseguição incestuosa, Dimpna fugiu da Irlanda acompanhada de seu confessor, o padre Gereberno, e de dois servos fiéis. O grupo cruzou o mar e estabeleceu-se em Geel, um minúsculo vilarejo na atual Bélgica, onde Dimpna dedicou-se ao cuidado dos pobres e doentes mentais. No entanto, o rei conseguiu encontrá-los e, após a recusa de Dimpna em retornar e de se casar com o pai, ordenou a execução de Gereberno, enquanto ele mesmo decapitou a filha, tornando a menina de 15 anos de idade uma mártir cristã. Após sua morte, relatos de curas milagrosas de pessoas com distúrbios mentais e epilepsia começaram a ocorrer junto ao seu túmulo, o que a tornou a padroeira dos doentes mentais e o local um espaço de peregrinação ligado à questão da saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O legado de Santa Dimpna em Geel deu origem a um modelo para a psiquiatria moderna pois, devido à devoção e adoração à Santa Dimpna, a cidade transformou-se em um santuário onde os pacientes não eram trancafiados, mas acolhidos em lares de famílias locais como &amp;quot;hóspedes&amp;quot;. Esse sistema de cuidado comunitário e desinstitucionalização, que persiste há séculos, é considerado um dos precursores do tratamento humanizado e da reabilitação psicossocial na saúde mental contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Idade Clássica: a nova era da loucura encarcerada ==&lt;br /&gt;
A partir do século XVII, um período em que o filósofo Michel Foucault denominou como &amp;quot;A Época Clássica&amp;quot;, a forma de entender e lidar com a loucura passa por uma nova mudança devido ao ingresso da razão como centro e alma do pensamento europeu, em substituição ao dogmatismo religioso e ao conhecimento da igreja. Esta mudança não é brusca, mas lenta e gradual, porém suas marcas serão duradouras e serão sentidas por quase toda a Europa. Para essa nova e nascente razão, a loucura seria seu oposto direto. Se o homem era definido pela sua capacidade racional e sua utilidade produtiva, o louco era, portanto, como um &amp;quot;não-homem&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a solução para a não-razão era a internação que não buscava a cura, mas a neutralização do irracional. O silenciamento da loucura era necessário para que a ordem social pudesse florescer. Os campos e cidades deveriam ser espaços de circulação de mercadorias pelas mãos de cidadãos produtivos, e qualquer elemento que atrapalhasse essa dinâmica deveria ser guardado em instituições que funcionavam como uma guarda contra o risco social que tais pessoas ofereciam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relatos da época descrevem cenários terríveis sobre as condições de internação dos loucos. Os internos eram frequentemente mantidos em celas úmidas e insalubres, muitas vezes acorrentados às paredes. O uso de chicotes e outras punições corporais era justificado pela crença de que o louco, por ter perdido a razão, teria a resistência física de um animal, não sentindo frio ou dor da mesma forma que uma pessoa &amp;quot;normal&amp;quot;. Além disso, as instituições funcionavam sob uma lógica de vigilância constante. Não se tratava de observar para entender a mente, mas para garantir que o corpo anormal permanecesse contido e, no máximo possível, docilizado. Foi dentro desse ambiente de absoluta degradação e mistura indiscriminada de diferentes &amp;quot;tipos&amp;quot; de desviantes que a consciência médica começou a germinar, ainda que de forma incipiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== França ===&lt;br /&gt;
O ano de 1656 marca um divisor de águas simbólico para o modelo de confinamento asilar no mundo todo, com a criação do Hôpital Général (Hospital Geral) em Paris, por um edito real do rei Luís XIV. É importante entender que um hospital geral deste período não é como um hospital moderno, ou seja, uma instituição médica e voltada para a compreensão da doença e a prática do tratamento e cura. Ele estava mais próximo de uma estrutura administrativa e, de certo modo, semi-judiciária. Isso ocorria porque o interesse não estava em “curar” ou “tratar” ninguém mas, antes disso, perseguir o interesse do Estado de &amp;quot;limpar&amp;quot; as ruas de Paris de tudo o que era considerado improdutivo ou escandaloso. Era um período de abundância material, grandes gastos estatais e de uma imensa riqueza do império colonial francês, e desvios nessa ordem eram vistos como perigosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes tais hospitais gerais eram confinados, todos juntos, grupos totalmente diferentes, tais como pobres, mendigos, desempregados, libertinos, prostitutas, alquimistas, opositores políticos e, claro, também os considerados loucos. Em suma, um depósito de indesejados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que começou em Paris se tornou um modelo para outros lugares sobre como fazer a gestão da miséria e da “desrazão”, num forte deslocamento do que se via na Idade Média. O louco, antes tendo algo de profético, místico ou talvez apenas uma excentricidade da vida medieval campesina, se torna uma questão político-administrativa. Essa mudança importante marca uma migração para a possibilidade de institucionalização daquilo que era considerado errante ou, de alguma forma, desagradável e, assim passível de ser alvo de uma forma de gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Paris, as duas principais unidades do Hospital Geral se tornaram emblemáticas e simbólicas. A Salpêtrière, que era destinada às mulheres, e o hospital Bicêtre, destinado aos homens. Ambas não ofereciam qualquer forma de tratamento. Eram basicamente depósitos humanos, onde o louco poderia acabar acorrentado ao lado de criminosos, por exemplo. O critério de internação não era o diagnóstico clínico, mesmo porque simplesmente ele nem existia nos moldes modernos, mas a incapacidade de se ajustar às normas de trabalho e à moralidade da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alemanha ===&lt;br /&gt;
Na Alemanha, surgiram as Zuchthäusern, que seriam as Casas de Correção. Cidades como Hamburgo e Bremen estabeleceram esses locais onde a loucura era tratada através do trabalho forçado. Eles acreditavam que o ócio era a raiz do mal e que o confinamento servia para reintegrar o indivíduo à lógica da produtividade. De qualquer forma, uma vez enclausurado, ele permanecia escondido da visão da população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Inglaterra ===&lt;br /&gt;
Na Inglaterra, o sistema das Workhouses (Casas de Trabalho) cumpria um papel semelhante ao modelo alemão. No entanto, Londres já possuía o Bethlem Royal Hospital, conhecido popularmente como Bedlam. No século XVII e XVIII, Bedlam se tornou um espetáculo de horror, onde o público podia pagar para observar os internos como se fossem animais em um zoológico. A loucura era agora um objeto de uma forma de exibição degradante e mantida atrás de grades e ferros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Portugal ===&lt;br /&gt;
Em Portugal a gestão dos &amp;quot;desviantes&amp;quot; recaiu fortemente sobre as Santas Casas da Misericórdia. O Hospital Real de Todos-os-Santos, fundado em Lisboa em 1492 e inaugurado em 1501, se tornou o epicentro do tratamento (ou confinamento) dos loucos no país. Dentro deste hospital, existiam as chamadas &amp;quot;Casas de Doidos&amp;quot;, destinados àqueles que haviam “perdido a luz da razão”. Seguindo o padrão europeu, o hospital não separava rigidamente o louco por diagnóstico. Eles dividiam espaço com indigentes e enfermos de diversas naturezas, embora as &amp;quot;casas de doidos&amp;quot; fossem áreas de maior isolamento devido à agitação dos internos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XVIII português, a internação era, acima de tudo, uma solução para a mendicância e, por vezes, para o alcoolismo. O louco que tinha família e posses era mantido nas casas das famílias, muitas vezes escondido em sótãos ou anexos e até mesmo acorrentados. Já o &amp;quot;louco pobre&amp;quot;, cujas famílias nem se importam ou que não poderiam ser cuidados por seus familiares, era aquele que acabava nos hospitais reais ou mesmo nas cadeias, a depender de uma série de elementos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Nascimento da Psiquiatria ==&lt;br /&gt;
Nesta seção será tratada a história do nascimento da psiquiatria, mas não como ela é atualmente. Sua trajetória é cheia de desvios e abusos, além de vitórias para os direitos dos internos. Os avanços convivem com muitos retrocessos. Mesmo na época de seu surgimento, muitos eram os questionamentos sobre sua validade e cientificidade. Hoje existem aqueles que perguntam se a psiquiatria é necessária e se seu objeto não é fabricado por ela mesma, por meio de suas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pinel e a criação da psiquiatria nosográfica ===&lt;br /&gt;
É na virada do século XVIII para o XIX que nasce a psiquiatria como um campo autônomo do saber e da prática médica. Esta mudança fundamental é protagonizada por duas figuras centrais da medicina francesa: Philippe Pinel e seu discípulo, Jean-Étienne Dominique Esquirol. Juntos, eles transformaram o hospital de depósito de insanos e indesejáveis em um verdadeiro hospital, em que o louco e o alienado poderiam receber um tratamento racional e científico, em substituição às correntes, à disciplina e ao silenciamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência da psiquiatria como campo autônomo teve como fundamento científico inicial a observação clínica sistemática dentro do asilo. Este era concebido como um laboratório, onde o alienista poderia estudar a loucura em seu estado puro, separada das influências do mundo exterior. A principal questão científica e prática que justificava essa nova ciência era desenvolvida e aplicada de forma sistemática era a chamada nosografia ou diagnóstico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pinel, em seu &#039;&#039;Traité&#039;&#039; de 1801, classificou a loucura com base em critérios sintomatológicos, seguindo um procedimento comparativo semelhante ao das ciências naturais. O desafio central, que persistiria ao longo do século XIX, era a ambiguidade constante entre a busca por uma sede orgânica, ou seja, um “local físico-biológico” da loucura, junto da necessidade de uma regulação de caráter moral. O tratamento apoiava-se na moralidade para combater as causas que eram, elas próprias, consideradas morais, mas algo estava também no corpo do doente. Isso mostra que a nova psiquiatria de Pinel era a mistura de uma perspectiva médica com algo de caráter moral no entendimento da loucura. Este enfoque resultou na valorização do exame clínico pelos psiquiatras francófonos, permitindo a união da observação clínica com a formulação de hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1793, em meio ao fervor da Revolução Francesa, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe do Hospital de Bicêtre e, posteriormente, da Salpêtrière. O cenário que encontrou era o ápice do &amp;quot;Grande Enclausuramento&amp;quot;, ou seja, homens e mulheres amontoados nas condições já descritas, com destaque para as correntes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intervenção de Pinel, simbolizada pelo gesto de “libertar os loucos de suas correntes”, não foi apenas um ato humanitário, mas também uma decisão de natureza epistemológica. Pinel acreditava que a loucura não era uma possessão demoníaca nem uma degeneração animal irreversível, mas uma alienação mental, em outras palavras, uma perturbação das faculdades intelectuais e afetivas que mantinha o indivíduo como se fosse &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, ou alienado, de si mesmo e da sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pilar para a reforma psiquiátrica proposta por Pinel era o tratamento moral, e se baseava em três pilares fundamentais. O primeiro, o isolamento terapêutico. Era necessário que o paciente ficasse separado de seu ambiente que, segundo o médico, era a fonte de sua excitação e desequilíbrio. O segundo pilar era a autoridade médica, onde este deveria atuar como um pai ao mesmo tempo severo e justo, usando a persuasão, a benevolência e, se fosse necessário, a firmeza para restaurar a razão do paciente. Por fim, a disciplina e o trabalho, com a aplicação rigorosa de horários e valorização de atividades produtivas, o que ocuparia a mente alienada e, assim, combateria a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus estudos, Pinel identificou quatro tipos de loucura, quais sejam, a melancolia, a mania, a demência e o idiotismo, cada uma com suas questões próprias específicas e metodologias de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Esquirol e a consolidação do modelo ===&lt;br /&gt;
Se Pinel era considerado o visionário e o libertador, Jean-Étienne Dominique Esquirol foi o grande organizador e o clínico meticuloso. Discípulo de Pinel, Esquirol sucedeu seu mestre na Salpêtrière e deu à psiquiatria a robustez científica e administrativa de que ela necessitava. Esquirol compreendeu que a eficácia do tratamento moral dependia da arquitetura hospitalar. Para ele, o hospital não era apenas um prédio onde ocorria o tratamento, mas também um instrumento de cura. Ele desenvolveu o modelo de pavilhões, permitindo a separação dos pacientes por tipo de patologia, o que reforçou a própria ideia de diagnóstico e de avaliação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Esquirol refinou as definições clínicas de Pinel. Foi ele quem estabeleceu a distinção clássica entre alucinação (uma percepção sem objeto) e ilusão (uma percepção deformada de um objeto real), entre outros pontos que, na sua época, foram considerados avanços exemplares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Legalização da Alienação ===&lt;br /&gt;
O esforço médico, político e administrativo de Esquirol na continuação do trabalho de Pinel culminou na promulgação da lei francesa de 30 de Junho de 1838, a primeira grande legislação psiquiátrica do mundo moderno. Esta lei estabeleceu a obrigatoriedade de cada departamento francês possuir um asilo e regulamentou as condições de internação e interdição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A princípio, embora também protegesse o alienado do arbítrio e de outras violências que poderiam ser cometidos contra os loucos nas províncias e mesmo nas periferias de Paris, a lei também deu total poder ao médico psiquiatra. Era ele quem poderia decidir quem deveria ou não ser privado de sua liberdade. Com isso, a psiquiatria tornava-se, assim, um braço do Estado na gestão da ordem social mas, ao contrário do polícia e do inquérito polícial, que exigia provas independentes e a atuação do sistema judiciário, o psiquiatra estava coberto sob o manto da ciência médica, o que dava a ele poderes gigantescos de decidir entre a alienação e a razão. Isso marcou profundamente a forma como a loucura e a saúde mental passaram a ser compreendidas e tratadas nas décadas seguintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Loucura no Brasil ==&lt;br /&gt;
Até o início do século XIX, o Brasil colonial lidava com seus insanos de forma semelhante ao que ocorria na Europa. As famílias ricas mantinham seus parentes loucos em &amp;quot;quartos fortes&amp;quot;, privando-os mais ou menos da vida comunitária e familiar, a depender das circunstâncias. Já os pobres eram entregues à caridade das Santas Casas de Misericórdia ou vagavam pelas ruas, sendo ocasionalmente recolhidos a cadeias públicas quando perturbavam a ordem, indo e vindo das frágeis instituições brasileiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 trouxe a necessidade de transformar a capital colonial em uma moderna metrópole europeia. Sob a influência do Iluminismo tardio e das notícias que chegavam sobre as reformas de Pinel na França, a elite médica brasileira, que era formada sobretudo na França e em Portugal, começou a pressionar o poder público pela criação de espaços específicos para o tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1830, a criação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (que viria a ser a Academia Nacional de Medicina) foi o marco institucional dessa pressão, que funcionou. O momento decisivo ocorreu em 18 de julho de 1841, quando o Imperador D. Pedro II, em comemoração à sua coroação, assinou o decreto de fundação do primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e da América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Hospício de Pedro II, ou o Palácio dos Loucos (1852–1889) ===&lt;br /&gt;
Inaugurado apenas em 8 de dezembro de 1852, o Hospício de Pedro II era gerido pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro (que por anos geriu grande parte da loucura brasileira), sob a figura do provedor José Clemente Pereira. Embora a gestão administrativa fosse religiosa, o saber médico tinha muito espaço com nomes como Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, que tentaram implementar o &amp;quot;tratamento moral&amp;quot; inspirado em Esquirol. Apesar dos esforços, muitos relatos de abusos e de condições precárias mostravam a dificuldade em implementar um modelo brasileiro de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Proclamação da República em 1889, o Hospício de Pedro II foi desvinculado da Santa Casa e renomeado como Hospital Nacional de Alienados (HNA). Este foi um período de maior laicização e pela busca por um maior rigor científico, o que não aconteceu por completo, em grande parte devido à falta de profissionais adequadamente treinados para a questão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, diante dos altíssimos custos em manter o Hospital, surgem as colônias agrícolas como alternativa ao confinamento urbano. Em 1884, já havia sido inaugurada a Colônia de São Bento e, em 1890, a Colônia de Conde de Mesquita, na Ilha do Governador. A ideia era que o trabalho na terra poderia colaborar na cura, além de ajudar na manutenção dos espaços. Contudo, os relatos de época mostram que não acontecia nenhuma das duas coisas, mas entendia-se que a colônia agrícola era melhor do que o confinamento do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Era Juliano Moreira ===&lt;br /&gt;
Em 1903 o médico baiano Juliano Moreira assume a direção do Hospital Nacional de Alienados. Negro, de origem humilde e dotado de uma erudição impressionante, Juliano Moreira revolucionou a assistência, sendo reconhecido internacionalmente. Ele se tornaria o principal médico alienista do Brasil, tornando-se referência para todo o país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moreira aboliu definitivamente o uso de camisas de força e as grades nas janelas, num gesto que se assemelhava àquele de Pinel, enfatizando que o hospital era um local de tratamento e cura, e não uma prisão ou um depósito de indesejados. Além disso, ele trouxe para o Brasil a nosologia de Emil Kraepelin, um psiquiatra alemão considerado o pai da psiquiatria moderna, da psicofarmacologia e da genética psiquiátrica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a gestão Moreira, foi criado o Pavilhão Bourneville para crianças com deficiência intelectual. Além disso, fundou-se o Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1921), o primeiro do país, sob a liderança de Heitor Carrilho. Dentro dos hospitais incentivou-se a pesquisa laboratorial e anátomo-patológica, o que também abriu espaço para a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência e o prestígio de Juliano Moreira se espalhou pelo Brasil. Em São Paulo, destacou-se a figura de Francisco Franco da Rocha, que fundou em 1898 o Hospital Juquery. O Juquery tornou-se uma &amp;quot;cidade-asilo&amp;quot;, chegando a abrigar dezenas de milhares de pacientes em um modelo que mesclava pavilhôes médicos com imensas colônias agrícolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período, a psiquiatria brasileira flertou intensamente com as teorias da degenerescência (de Morel e Magnan) e com a eugenia. Médicos como Renato Kehl e a criação da Liga Brasileira de Higiene Mental (1923), fundada por Gustavo Riedel, começaram a ver a loucura não apenas como um problema individual, mas como um risco biológico à raça brasileira. A higiene mental passou a atuar preventivamente em escolas e fábricas, buscando identificar &amp;quot;pré-delinquentes&amp;quot; e &amp;quot;personalidades anormais&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Minas Gerais foi fundado o Hospital Psiquiátrico de Barbacena, em 1903, que mais tarde seria palco de uma das maiores tragédias sanitárias do país. Em Pernambuco, o Hospital Ulysses Pernambucano foi fundado pelo médico de mesmo nome, que começou a desenvolver uma psiquiatria mais voltada para o social e para a prevenção no final dos anos 1920.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Era Vargas e além: o início do encarceiramento ===&lt;br /&gt;
Com a Revolução de 1930, o projeto de nação de Vargas exigia um povo saudável e produtivo. A loucura deixou de ser apenas uma questão de ordem pública ou caridade para se tornar um problema de Segurança Nacional e Saúde Pública. Em 1941, no âmbito do Estado Novo, foi criado o Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM), substituindo a antiga assistência, que era fragmentada conforme as diferentes províncias, por uma diretriz federal centralizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM), uma instituição que professava o higienismo no Brasil e que já atuava desde a década de 1920, ganhou fôlego. O foco deslocou-se do hospital para a prevenção na sociedade. A psiquiatria não deveria se limitar aos hospitais, mas também atuar na escola, na fábrica e na família, buscando eugenizar, limpar a nação e extirpar o que chamavam de &amp;quot;elementos degenerados&amp;quot;. O médico Gustavo Riedel e seus sucessores defendiam que o Estado deveria intervir precocemente para evitar que o &amp;quot;anormal&amp;quot; se tornasse um fardo para a máquina pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi durante as décadas de 1930 e 1940 que o modelo de colônia agrícola, antes visto como terapêutico e de assistência à manutenção hospitalar, atingiu proporções industriais. O que se viu em Barbacena e em instituições como o Juquery em São Paulo, foi a transformação do hospital em, praticamente, um campo de concentração administrativo. A internação não dependia mais apenas de um diagnóstico médico rigoroso, que na prática já era frágil e baseado em elementos pouco científicos. Bastava ser considerado &amp;quot;socialmente inconveniente&amp;quot; para ir parar numa instituições dessas. Assim, pobres, prostitutas, homossexuais, militantes políticos e mães solteiras eram enviados para essas instituições, onde a sobrevivência era a exceção. Estima-se que, no auge do descaso, o Hospital de Barbacena registrava um número alarmante de óbitos por frio, fome e doenças evitáveis, cujos corpos eram, por vezes, vendidos para faculdades de medicina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tratamentos Brutais e os Modos de Resistência ===&lt;br /&gt;
Para além do horror asilar, o período entre 1930 e 1950 também foi marcado pela introdução de terapias biológicas drásticas, importadas da Europa, conhecidas como somatoterapias. Com uma psicofarmacologia pouco eficaz, os médicos buscavam &amp;quot;chacoalhar&amp;quot; o organismo para restaurar a razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma dessas técnicas era a insulinoterapia. Introduzida na Europa pelo médico austríaco Manfred Sakel (1900–1957) em Viena, no início dos anos 1930, representou uma das primeiras e mais invasivas formas de somatoterapia. Originalmente destinada ao tratamento da esquizofrenia, a técnica consistia na administração de doses maciças de insulina no paciente, provocando um estado de hipoglicemia profunda que o levava ao coma. Na volta desse coma, se esperava que o indivíduo “restaurasse” a razão por conta do choque orgânico violento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O procedimento era extremamente perigoso e estava associado a uma alta taxa de mortalidade e morbidade devido ao risco de convulsões e danos cerebrais. Apesar dos riscos, foi amplamente adotada no mundo todo, incluindo o Brasil, onde foi usada em grandes instituições de confinamento, como o Hospital Nacional de Alienados (HNA) no Hospital Juquery, em São Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que passou a ser muito utilizada foi a Eletroconvulsoterapia, ou o eletrochoque. Introduzido no Brasil logo após sua invenção na Itália (1938), consiste em colocar eletrodos carregados com correntes elétricas em lados opostos, na lateral da cabeça, de modo que a corrente elétrica atravesse o cérebro. A duração e a intensidade podia variar, mas relatos de mais de trinta minutos de choques violentos não eram incomuns. Sua violência era tamanha que exigia que sua vítima fosse fortemente amarrada. Tornou-se uma ferramenta onipresente nos hospitais, muitas vezes aplicada sem anestesia e como método de punição, desvirtuando sua finalidade clínica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que ingressou no Brasil nesse período foi a lobotomia, um procedimento cirúrgico que consistia em apenas retirar um pedaço do cérebro do paciente. Eles foram realizados em larga escala em hospitais como o Juquery e no Hospital Pedro II, buscando a docilização de pacientes crônicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em oposição à violência do isolamento oferecido por essas instituições surge a figura de Nise da Silveira. Em 1946, após ter sido presa pelo regime de Vargas por suas inclinações políticas, Nise assumiu o Setor de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional (Engenho de Dentro), no Rio de Janeiro. Ela se recusou a usar eletrochoques e lobotomias, introduzindo a arte e o afeto como mediadores da cura. Ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente (1952), onde demonstrou, através das pinturas e esculturas de pacientes como Arthur Bispo do Rosario, que o louco preservava uma riqueza simbólica e uma humanidade que a psiquiatria tradicional tentava apagar. Sua colaboração com Carl Jung colocou a experiência brasileira no mapa da psicologia analítica mundial, provando que o tratamento em liberdade e através da expressão criativa era viável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Criação da Indústria da Loucura ===&lt;br /&gt;
No final da década de 1950 e início da de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek e o breve período democrático posterior, o Brasil viu o surgimento de uma nova dinâmica: a Indústria da Loucura. A assistência psiquiátrica, antes quase totalmente pública ou baseada no assistencialismo das Santas Casas, começou a ser terceirizada. Com o crescimento dos institutos de previdência (IAPs), o Estado passou a pagar hospitais privados por dia de internação. Isso criou um incentivo perverso: quanto mais tempo o paciente ficasse internado e quanto menos recursos fossem gastos com ele, maior o lucro das clínicas privadas. Esse modelo, conhecido como &amp;quot;hospitalocêntrico&amp;quot;, inchou o sistema e preparou o terreno para a política de contenção social que seria radicalizada após o golpe de 1964. Foi um momento de multiplicação da brutalidade. Pouco importava a loucura ou não, o tratamento ou não, a eficácia ou não. O que importava era ganhar dinheiro com o estado, por meio de um encarceramento fácil e praticamente impossível de escapar, além de altamente lucrativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coisa se aprofundou ainda mais com o golpe militar, que unificou em 1966 os Institutos de Aposentadoria e Pensões no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), produzindo uma centralização gigantesca de recursos, com um modelo de privatização quase total.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psiquiatria, por ser uma especialidade que exigia baixo investimento tecnológico quando comparada a outras como a cirurgia, cardiologia ou oncologia, permitia grandes lucros com as internações de longa permanência. Assim, trancafiar e atormentar os loucos tornou-se o setor mais atraente para o empresariado da saúde. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de pessoas possivelmente diagnosticadas, o sistema era alimentado pelo encarceramento de militantes políticos, estudantes rebeldes, pessoas em situação de rua,  mendigos, homossexuais, indivíduos com comportamentos &amp;quot;desviantes&amp;quot; da moral tradicional, dependentes químicos, alcoólatras ou mesmo pessoas “problemáticas” da família, que se recusavam a participar de casamentos arranjados ou apenas mulheres que haviam engravidado antes do casamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As instituições privadas multiplicaram-se pelo interior do país, longe dos olhos da fiscalização e dos centros urbanos. Instaladas em locais de difícil acesso, facilitava o ocultamento de violações de direitos humanos e ainda utilizava da conivência dos governos locais. As populações dessas localidades, crentes no saber médico, dificilmente desconfiavam do que poderia acontecer e, quando informações vazavam, rapidamente podiam ser manejadas. A loucura tornou-se um negócio de massa, com o abrigo precário de centenas de pessoas em galpões, onde a única &amp;quot;terapia&amp;quot; era a contenção química por sedativos baratos ou o uso indiscriminado do eletrochoque para manter a ordem além, é claro, da violência e brutalidade de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Luta Antimanicomial ==&lt;br /&gt;
No final da década de 1970, o modelo começou a dar sinais de exaustão, tanto financeira quanto ética. O Estado já não conseguia arcar com os custos crescentes de um sistema que só expandia o número de crônicos, e as denúncias de maus-tratos começaram a furar o bloqueio da censura, aparecendo em jornais mais prestigiados e com denúncias circulando em mais espaços da sociedade. O estopim para a o início do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil começa com uma crise na Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), que havia recebido denúncias de irregularidades no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Hospital Pinel, na Colônia Juliano Moreira e no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. A denúncia foi acompanhada de uma greve por parte dos funcionários, que exigiam melhorias institucionais e questionavam irregularidades trabalhistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É dessa crise que surge o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) que, nesse primeiro momento, estão mais preocupados com questões trabalhistas do que com o problema da própria prática psiquiátrica, que vai caracterizar parte dos movimentos antimanicomiais posteriormente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O MTSM se fortalece e conseguem espaço no extremamente conservador V Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que ocorre em 1978, no que fica conhecido como “congresso da abertura” e que também traz elementos da abertura política com o iminente fim do regime militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1978, um grupo importante de intelectuais vinculados às bases teóricas do Movimento Antimanicomial participa do I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições, incluindo Franco Basaglia, Felix Guattari, Robert Castel e Erwinf Goffman. No ano seguinte, o I Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental fortalece a contextação não apenas de problemas trabalhistas, mas do próprio modelo asilar e da forma como a psiquiatria intervinha e oprimia a população marginalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
AMARANTE, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ARBEX, Daniela. Holocausto Brasileiro. Rio de Janeiro: Geração Editorial, 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BASAGLIA, Franco. A Instituição Negada. Rio de Janeiro: Graal, 1985.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BIRMAN, Joel. A Physis da Arte: Deleuze e a Clínica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CASTEL, Robert. A Ordem Psiquiátrica: a Idade de Ouro do Alienismo. Rio de Janeiro: Graal, 1978.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. Violência e Psicanálise. Rio de Janeiro: Graal, 1986.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. História da Assistência Psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Garamond, 2007. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ENGEL, Magali. Os Delírios da Razão: médicos, loucos e hospícios (Rio de Janeiro, 1830-1930). Rio de Janeiro: Fiocruz, 2001&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FOUCAULT, Michel. História da Loucura na Idade Clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Netto. São Paulo: Perspectiva, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MELLO, Luiz Carlos. Nise da Silveira: Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PEREIRA, Ana Leonor; PITA, João Rui. A Institucionalização da Loucura em Portugal. Coimbra: Estudo Geral, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PESSOTTI, Isaias. A loucura e as épocas. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PORTOCARRERO, Vera. Arquivos da Loucura: Juliano Moreira e a descontinuidade histórica da psiquiatria. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PINEL, Philippe. Traité médico-philosophique sur l&#039;aliénation mentale, ou la manie. Paris: Richard, Caille et Ravier, 1801.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RESENDE, Heitor. O Pequeno Livro da Reforma Psiquiátrica Relativa ao Confinamento e à Liberdade. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1987.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, Priscila Aquino. O Hospital Real de Todos-os-Santos e seus agentes da cura. In: História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 22, n. 4, 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VENANCIO, Ana Teresa A.; CARVALHAL, Lázaro. Juliano Moreira: A Ciência da Assistência e a Assistência da Ciência. In: Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2001.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
YASUI, Silvio. Rupturas e Encontros: desafios da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2010.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
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	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_loucura:_da_Gr%C3%A9cia_antiga_%C3%A0_luta_anti-manicomial&amp;diff=1674</id>
		<title>História da loucura: da Grécia antiga à luta anti-manicomial</title>
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		<updated>2026-05-14T22:47:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Pequenas correções complementares&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Este texto ainda é um rascunho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Texto com finalidade didática escrita por André Elias Morelli Ribeiro para o curso de Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A escrever&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras no Mundo Antigo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grécia antiga ===&lt;br /&gt;
Na Grécia antiga, em certo momento a loucura era considerada uma intervenção dos deuses e, como os gregos era politeístas, a varidade de formas de loucura e intervenção também era bem grande. A loucura poderia ser vista como uma punição. Um exemplo notório é o herói Ajax, filho de Telamão. Após a morte de Aquiles, a armadura do herói foi dada a Odisseu, e a afronta levou Ajax a um estado de fúria e ressentimento. A deusa Atena, intervindo em favor de Odisseu ou para proteger os Aqueus da vingança de Ajax, lançou sobre ele uma cegueira mental. Tomado pela loucura, Ajax massacrou o gado de guerra que havia sido capturado, acreditando que estava matando os líderes aqueus, incluindo Odisseu e Agamenon. Ao recobrar a sanidade e perceber seu ato vergonhoso, o que o levou a cometer suicídio por humilhação. Essa cena ilustra a loucura como uma intervenção divina direta na forma de loucura poderia ser vista como destrutiva e extremamente negativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outros episódios da mitologia grega, a loucura surge como uma consequência direta de traumas e da perseguição implacável por vingança. Um exemplo fundamental é o de Orestes que, após assassinar sua mãe, Clitemnestra, para vingar a morte de seu pai, Agamenon, passa a ser atormentado pelas Erínias. Essas divindades da vingança, também conhecidas como Fúrias, levaram o herói a um estado de delírio e desespero profundo, personificando a tortura psicológica e a perda da razão como uma forma de acerto de contas espiritual e moral pelo matricídio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura não era unicamente um flagelo ou uma punição. Os gregos, notavelmente, viam a mania, um termo que hoje engloba a loucura, em uma perspectiva dual. Na sua manifestação mais elevada era considerada uma benção ou inspiração divina. Essa visão positiva estava profundamente ligada ao culto de Dionísio, o deus do vinho, do teatro e do êxtase. Nos rituais dionisíacos, as bacantes e outros seguidores buscavam o êxtase, que é, literalmente, &amp;quot;sair de si&amp;quot;, por meio da dança frenética, música e consumo de vinho, o que era percebido como um estado de comunhão direta e inspirada com a divindade. Longe de ser destrutiva, essa forma de loucura era vista como uma fonte de criatividade, revelação e poder, sendo um caminho para a verdade profética e a expressão artística ligada a Dionísio. Este conceito de mania inspirada também se estendia a outros domínios, como a profecia dos oráculos, que eram vinculados à adoração ao deus Apolo, e mesmo a poesia, onde a perda temporária da razão humana era interpretada como a mente sendo tomada por uma força divina que trazia algum tipo de inspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em certo momento, ainda na Grécia antiga, as ideias sobre a loucura - ou algo que pareça loucura aos nossos olhos contemporâneos - foi modificada graças a Hipócrates, o pai da medicina. A visão de Hipócrates marcou uma transição crucial para o entendimento da loucura na Grécia Antiga, pois afastou a loucura das concepções divinas e sobrenaturais para uma explicação puramente fisiológica e natural. Ele desenvolveu a Teoria dos Quatro Humores, que se tornou o pilar da medicina ocidental por séculos. Segundo essa teoria, o corpo humano era composto por quatro fluidos essenciais (humores): sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. A saúde mental e física dependia do equilíbrio harmonioso desses humores. A loucura, ou qualquer doença mental, era, portanto, interpretada como o resultado de um desequilíbrio, como o excesso de bile negra causando a melancolia (depressão), ou o desarranjo da fleuma e da bile amarela, que poderiam levar a estados de mania e frenesi. Com isso, Hipócrates postulou que a loucura não era uma maldição dos deuses, mas sim uma doença com origem no corpo. Essa abordagem naturalista permitiu que a loucura passasse a ser tratada com métodos como dietas, exercícios e remédios, em vez de rituais religiosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradição bíblica ===&lt;br /&gt;
Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e à recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o baniu do convívio humano. Ele passou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara, conforme emerge na descrição bíblica, mostra uma concepção de loucura ligada à perda da razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo da loucura, onde o que é considerado &#039;loucura&#039; pelos homens revela-se a suprema sabedoria divina. Essa ideia é desenvolvida pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. Na passagem, ele afirma: &#039;Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens&#039; (1 Coríntios 1:25). Paulo usa o termo moria (loucura, tolice) para contrastar a sabedoria humana, que na época do texto era representada pela filosofia e retórica grega, com a mensagem da cruz, que parecia ilógica e insensata aos olhos dos não cristãos, que debochavam do fato do profeta ter sido capturado e morto pelos romanos. Assim, a loucura deixa de ser apenas uma punição para se tornar uma lente através da qual a verdadeira sabedoria, ou seja, a salvação, é revelada, invertendo a hierarquia de valores do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pérsia ===&lt;br /&gt;
Na Pérsia, a visão da loucura e do comportamento irracional foi moldada por seu profundo dualismo religioso e, posteriormente, pelas tradições islâmicas que se seguiram à conquista árabe. O zoroastrismo, a antiga religião persa fundada por Zoroastro (Zaratustra), transformou o politeísmo anterior em um dualismo cósmico centralizado no conflito eterno entre Ahura Mazda (Ormazd), o criador da vida, luz e verdade, e Angra Mainyu (Ahriman), a escuridão e a mentira. Neste cenário, o mundo material é o campo de batalha entre os dois. Ahriman buscava corromper tudo o que Ormazd havia criado. Embora o texto não defina a loucura diretamente, o comportamento irracional e a desrazão poderiam ser facilmente associados ao domínio de Ahriman e à mentira (druj), enquanto a sanidade e a pureza eram atributos de Ormazd. A batalha contra essa corrupção exigia que os adoradores de Ormazd permanecessem verdadeiros e evitassem poluir o fogo e a terra sagrada, indicando que a pureza mental e ritual era uma defesa contra as forças do mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Islã ===&lt;br /&gt;
Na cultura islãmica, de forma geral e bastante resumida, o comportamento considerado irracional era frequentemente explicado pela crença nos djinn, espíritos errantes que habitavam o deserto e certos lugares considerados místicos e que podiam invadir a mente humana, causando o que a sociedade ocidental moderna chamaria de insanidade ou, talvez, distúrbio emocional, cujo tratamento era o exorcismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura também apareceu em narrativas culturais associadas aos povos de forma a sugerir causas e curas mais mundanas. O famoso conto persa de As Mil e Uma Noites relata a história do rei Shahriyar, que, convencido da inevitável traição feminina, cai em uma loucura paranóica que o leva a se casar e matar uma virgem todas as noites. Sua &amp;quot;cura&amp;quot; é alcançada através da engenhosidade e paciência humana por meio de uma dessas esposas, Scheherazade, que usa a arte de contar histórias para retardar sua execução por &amp;quot;mil e uma noites&amp;quot;, período em que sua paranoia é gradualmente desfeita. A história sugere que a narrativa e o tempo podem curar a loucura causada por trauma psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras na Idade Média ==&lt;br /&gt;
A transição para a Idade Média é marcada pelo colapso do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e trouxe profundas transformações políticas e sociais. O fim do governo centralizado romano levou à fragmentação do poder e ao surgimento do sistema feudal, onde a administração das terras e a autoridade passaram para as mãos de senhores locais, muitos deles antigos oficiais romanos. Este período também é caracterizado por um notável declínio na vida urbana e nos grandes centros intelectuais. O colpaso das instituições romanas deu lugar à ascensão e consolidação da única instituição internacional grande e organizada que havia sobrado, a Igreja Católica, que se tornou a principal instituição de poder. Houve ainda uma perda gradual da tradição cultural greco-romana e, consequentemente, um afastamento das explicações naturalistas de Hipócrates, com exceção do pequeno renascimento do século XII e retomadas pontuais da sabedoria grega. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a hegemonia da Igreja Católica, a loucura tendeu a ser novamente interpretada sob uma lente teológica, sendo vista como uma manifestação de forças sobrenaturais ou desvios morais. Nesse contexto, certas vezes a loucura era interpretada como a intervenção de Satanás ou como possessão demoníaca, exigindo rituais de exorcismo para a cura. Em outros momentos, era vista como uma prova espiritual enviada por Deus ou como um efeito direto do pecado na alma do indivíduo. Havia também explicações que a tratavam como uma fragilidade da vontade humana, misturando elementos da antiga tradição grega com aspectos da teologia cristã, estabelecendo um novo arcabouço para o entendimento da mente humana durante a Idade Média, que tinha muitas variações e não era uniforme nem ao longo do tempo nem em todos os espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Socialmente, a gestão da loucura na Idade Média também passou por diferentes fases e transformações, dependendo do local e da época. Haviam casos em que os consideradores loucos eram apenas torturados e trancafiados, acreditando-se serem métodos eficazes para expulsão de espíritos malignos, por exemplo. Contudo, em muitos outros casos, os considerados loucos conviviam de forma mais ou menos harmoniosa com o resto da comunidade, a depender de suas capacidades e possibilidades, e certos “desvios” eram perdoados devido à sua condição peculiar, sem a necessidade imediata de uma exclusão radical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Nau dos Loucos ===&lt;br /&gt;
Um caso notável e emblemático da gestão da loucura nesse período é a Nau dos Loucos (Stultifera Navis), conforme trabalhado por Michel Foucault. Anteriormente ao modelo de exclusão-repressão que viria a se consolidar na Idade Clássica, a loucura viveu o que se pode chamar de seus &amp;quot;dias de glória&amp;quot; na transição para a Renascença. Nesse contexto, o louco poderia ser visto como um sábio, um místico, um bobo da corte ou simplesmente um excêntrico que estava, de certa forma, integrado ao tecido social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Nau dos Loucos simbolizava uma existência errante, onde o louco era confiado à água e ao navio para ser levado de uma cidade a outra, mantendo-o em um estado de exclusão simbólica, mas ainda assim em movimento e circulação. Para Foucault, essa experiência trágica da loucura permitia que o insano portasse uma forma de lucidez em sua insensatez, revelando verdades que a razão comum não ousava enunciar. O louco via através das ilusões mundanas, aproximando-se de uma verdade profética ou ética que seria progressivamente silenciada nos séculos seguintes pela ascensão do saber médico e da racionalidade científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Santa Dimpna e Geel ===&lt;br /&gt;
Outro acontecimento relevante da Idade Média para a compreensão da loucura é o episódio de Santa Dimpna. Nascida no século VII na Irlanda, ela era filha de um rei pagão e de uma mãe cristã devota, de quem herdou sua fé e pelo qual decidiu fazer votos de castidade. Após a morte prematura da mãe, seu pai, mergulhado em um profundo luto, decidiu que Dimpna era a única mulher com beleza comparável à da falecida rainha e insistiu em se casar com a própria filha, o que seria considerado escandaloso também para aquela cultura. Diante dessa perseguição incestuosa, Dimpna fugiu da Irlanda acompanhada de seu confessor, o padre Gereberno, e de dois servos fiéis. O grupo cruzou o mar e estabeleceu-se em Geel, um minúsculo vilarejo na atual Bélgica, onde Dimpna dedicou-se ao cuidado dos pobres e doentes mentais. No entanto, o rei conseguiu encontrá-los e, após a recusa de Dimpna em retornar e de se casar com o pai, ordenou a execução de Gereberno, enquanto ele mesmo decapitou a filha, tornando a menina de 15 anos de idade uma mártir cristã. Após sua morte, relatos de curas milagrosas de pessoas com distúrbios mentais e epilepsia começaram a ocorrer junto ao seu túmulo, o que a tornou a padroeira dos doentes mentais e o local um espaço de peregrinação ligado à questão da saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O legado de Santa Dimpna em Geel deu origem a um modelo para a psiquiatria moderna pois, devido à devoção e adoração à Santa Dimpna, a cidade transformou-se em um santuário onde os pacientes não eram trancafiados, mas acolhidos em lares de famílias locais como &amp;quot;hóspedes&amp;quot;. Esse sistema de cuidado comunitário e desinstitucionalização, que persiste há séculos, é considerado um dos precursores do tratamento humanizado e da reabilitação psicossocial na saúde mental contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Idade Clássica: a nova era da loucura encarcerada ==&lt;br /&gt;
A partir do século XVII, um período em que o filósofo Michel Foucault denominou como &amp;quot;A Época Clássica&amp;quot;, a forma de entender e lidar com a loucura começou a mudar. Trata-se de um período de ingresso da razão como centro e alma do pensamento europeu, em substituição ao dogmatismo religioso e ao conhecimento da igreja. Para o pensamento moderno nascente, a loucura era o oposto direto da razão. Se o homem era definido pela sua capacidade racional e sua utilidade produtiva, o louco era, portanto, o &amp;quot;não-homem&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a solução para a não razão era a internação. E ela não buscava a cura, mas a neutralização do irracional. O silenciamento da loucura era necessário para que a ordem social pudesse florescer. Os campos e cidades deveriam ser espaços de circulação de mercadorias e cidadãos produtivos e qualquer elemento que atrapalhasse deveria ser guardado em instituições que funcionavam como uma guarda contra o risco social que tais pessoas ofereciam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relatos da época descrevem cenários terríveis sobre as condições de internação. Os internos eram frequentemente mantidos em celas úmidas e insalubres, muitas vezes acorrentados às paredes. O uso de chicotes e punições corporais era justificado pela crença de que o louco, por ter perdido a razão, teria a resistência física de um animal, não sentindo frio ou dor da mesma forma que uma pessoa &amp;quot;normal&amp;quot;. Além disso, as instituições funcionavam sob uma lógica de vigilância constante. Não se tratava de observar para entender a mente, mas de observar para garantir que o corpo anormal permanecesse contido. Foi dentro desse ambiente de absoluta degradação e mistura indiscriminada de diferentes &amp;quot;tipos&amp;quot; de desviantes que a consciência médica começou a germinar, ainda que de forma incipiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== França ===&lt;br /&gt;
O ano de 1656 marca um divisor de águas simbólico para o modelo de confinamento asilar com a criação do Hôpital Général (Hospital Geral) em Paris, por um edito real do rei Luís XIV. É importante entender que um hospital geral deste período não é como um hospital moderno, ou seja, uma instituição médica e voltada para a compreensão da doença e a prática do tratamento e cura. Ele estava mais próximo de uma administrativa e, de certo modo, semi-judiciária. Isso ocorria porque o interesse não estava em “curar” ou “tratar” ninguém mas, antes disso, o interesse do Estado era &amp;quot;limpar&amp;quot; as ruas de Paris de tudo o que era considerado improdutivo ou escandaloso. Era um período de abundância material, grandes gastos estatais e de uma imensa riqueza do império colonial francês.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes tais hospitais gerais eram confinados, todos juntos, grupos totalmente diferentes, como pobres, mendigos, desempregados, libertinos, prostitutas, alquimistas, opositores políticos e, claro, também os considerados loucos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que começou em Paris se tornou um modelo para outros lugares sobre como fazer a gestão da miséria e da “desrazão”. O que acabou acontecendo foi um forte deslocamento. O louco, antes tendo algo de profético, místico ou talvez uma excentricidade para se tornar uma questão político-administrativa. Essa mudança importante marca uma migração para a possibilidade de institucionalização daquilo que era considerado errante ou, de alguma forma, desagradável e, assim passível de ser alvo de uma forma de gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Paris, as duas principais unidades do Hospital Geral se tornaram emblemáticas e simbólicas. A Salpêtrière, que era destinada às mulheres, e o hospital Bicêtre, destinado aos homens, não ofereciam qualquer forma de tratamento. Eram basicamente depósitos humanos, onde o louco poderia acabar acorrentado ao lado de criminosos, por exemplo. O critério de internação não era o diagnóstico clínico, mesmo porque simplesmente ele nem existia nos moldes modernos, mas a incapacidade de se ajustar às normas de trabalho e moralidade da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alemanha ===&lt;br /&gt;
Na Alemanha, surgiram as Zuchthäusern, que seriam as Casas de Correção. Cidades como Hamburgo e Bremen estabeleceram esses locais onde a loucura era tratada através do trabalho forçado. Eles acreditavam que o ócio era a raiz do mal e que o confinamento servia para reintegrar o indivíduo à lógica da produtividade. De qualquer forma, uma vez enclausurado, ele permanecia escondido da visão da população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Inglaterra ===&lt;br /&gt;
Na Inglaterra, o sistema das Workhouses (Casas de Trabalho) cumpria um papel semelhante ao modelo alemão. No entanto, Londres já possuía o Bethlem Royal Hospital, conhecido popularmente como Bedlam. No século XVII e XVIII, Bedlam se tornou um espetáculo de horror, onde o público podia pagar para observar os internos como se fossem animais em um zoológico. A loucura era agora um objeto de uma forma de exibição degradante e mantida atrás de grades e ferros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Portugal ===&lt;br /&gt;
Em Portugal a gestão dos &amp;quot;desviantes&amp;quot; recaiu fortemente sobre as Santas Casas da Misericórdia. O Hospital Real de Todos-os-Santos, fundado em Lisboa em 1492 e inaugurado em 1501, se tornou o epicentro do tratamento (ou confinamento) dos loucos no país. Dentro deste hospital, existiam as chamadas &amp;quot;Casas de Doidos&amp;quot; e destinados àqueles que haviam “perdido a luz da razão”. Seguindo o padrão europeu, o hospital não separava rigidamente o louco por diagnóstico. Eles dividiam espaço com indigentes e enfermos de diversas naturezas, embora as &amp;quot;casas de doidos&amp;quot; fossem áreas de maior isolamento devido à agitação dos internos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XVIII português, a internação era, acima de tudo, uma solução para a mendicância e, por vezes, para o alcoolismo. O louco que tinha família e posses era mantido nas casas das famílias, muitas vezes escondido em sótãos ou anexos e até mesmo acorrentados. Já o &amp;quot;louco pobre&amp;quot;, cujas famílias nem se importam ou que não poderiam ser cuidados por seus familiares, era aquele que acabava nos hospitais reais ou mesmo nas cadeias, a depender de uma série de elementos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Nascimento da Psiquiatria ==&lt;br /&gt;
Escrever introdução&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pinel e a criação da psiquiatria nosográfica ===&lt;br /&gt;
É na virada do século XVIII para o XIX que nasce a psiquiatria como um campo autônomo do saber e da prática médica. Esta mudança fundamental é protagonizada por duas figuras centrais da medicina francesa: Philippe Pinel e seu discípulo, Jean-Étienne Dominique Esquirol. Juntos, eles transformaram o hospital de depósito de insanos em um verdadeiro hospital, em que o louco e o alienado poderiam receber um tratamento racional e científico, em substituição às correntes, à disciplina e o silenciamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência da psiquiatria como campo autônomo teve como fundamento científico inicial a observação clínica sistemática dentro do asilo, concebido como um laboratório onde o alienista poderia estudar a loucura em seu estado puro, separada das influências do mundo exterior. A principal questão científica e prática era a chamada nosografia ou diagnóstico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pinel, em seu Traité de 1801, classificou a loucura com base em critérios sintomatológicos, seguindo um procedimento comparativo semelhante ao das ciências naturais. O desafio central, que persistiria ao longo do século XIX, era a ambiguidade constante entre a busca por uma sede orgânica, ou seja, um “local físico-biológico” da loucura e a necessidade de uma regulação de caráter moral, já que o tratamento apoiava-se na moralidade para combater as causas que eram, elas próprias, consideradas morais. Isso mostra a mistura do caráter médico com o caráter moral do entendimento da loucura, conforme a nova psiquiatria de Pinel. Este enfoque resultou na valorização do exame clínico pelos psiquiatras francófonos, permitindo a união da observação com a formulação de hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1793, em meio ao fervor da Revolução Francesa, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe do Hospital de Bicêtre e, posteriormente, da Salpêtrière. O cenário que encontrou era o ápice do &amp;quot;Grande Enclausuramento&amp;quot;, ou seja, homens e mulheres amontoados nas condições já descritas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intervenção de Pinel, simbolizada pelo gesto de “libertar os loucos de suas correntes”, não foi apenas um ato humanitário, mas também uma decisão de natureza epistemológica. Pinel acreditava que a loucura não era uma possessão demoníaca nem uma degeneração animal irreversível, mas uma alienação mental, em outras palavras, uma perturbação das faculdades intelectuais e afetivas que mantinha o indivíduo como se fosse &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, ou alienado, de si mesmo e da sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pilar para a reforma psiquiátrica proposta por Pinel era o tratamento moral, e se baseava em três princípios fundamentais. O primeiro, o isolamento terapêutico. Era necessário que o paciente ficasse separado de seu ambiente que, segundo o médico, era a fonte de sua excitação e desequilíbrio. O segundo pilar era a autoridade médica, onde o médico deveria ser como um pai, severo e justo, usando a persuasão, a benevolência e, se fosse necessário, a firmeza para restaurar a razão do paciente. Por fim, a disciplina e o trabalho, com a aplicação rigorosa de horários e valorização de atividades produtivas, o que ocuparia a mente alienada e, assim, combateria a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus estudos, Pinel identificou quatro tipos de loucura, quais sejam, a melancolia, a mania, a demência e o idiotismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Esquirol e a consolidação do modelo ===&lt;br /&gt;
Se Pinel era considerado o visionário e o libertador, Jean-Étienne Dominique Esquirol foi o grande organizador e o clínico meticuloso. Discípulo de Pinel, Esquirol sucedeu seu mestre na Salpêtrière e deu à psiquiatria a robustez científica e administrativa de que ela necessitava. Esquirol compreendeu que a eficácia do tratamento moral dependia da arquitetura hospitalar. Para ele, o hospital não era apenas um prédio onde ocorria o tratamento, mas também um instrumento de cura. Ele desenvolveu o modelo de pavilhões, permitindo a separação dos pacientes por tipo de patologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esquirol refinou as definições clínicas de Pinel. Foi ele quem estabeleceu a distinção clássica entre alucinação (uma percepção sem objeto) e ilusão (uma percepção deformada de um objeto real).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Legalização da Alienação ===&lt;br /&gt;
O esforço médico, político e administrativo de Esquirol na continuação do trabalho de Pinel culminou na promulgação da lei francesa de 30 de Junho de 1838, a primeira grande legislação psiquiátrica do mundo moderno. Esta lei estabeleceu a obrigatoriedade de cada departamento francês possuir um asilo e regulamentou as condições de internação e interdição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A princípio, embora também protegesse o alienado do arbítrio e de outras violências que poderiam ser cometidos contra os loucos nas províncias e mesmo nas periferias de Paris, a lei também transformou o poder do médico psiquiatra como total. Era o psiquiatra quem poderia decidir quem deveria ou não ser privado de sua liberdade. Com isso, a psiquiatria tornava-se, assim, um braço do Estado na gestão da ordem social mas, ao contrário do polícia e do inquérito polícial, que exigia provas independentes e a atuação do sistema judiciário, o psiquiatra estava coberto sob o manto da ciência médica, o que dava a ele poderes gigantescos. Isso marcou profundamente a forma como a loucura e a saúde mental passaram a ser compreendidas e tratadas nas décadas seguintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Loucura no Brasil ==&lt;br /&gt;
Até o início do século XIX, o Brasil colonial lidava com seus insanos de forma semelhante ao que ocorria na Europa. As famílias ricas mantinham seus parentes loucos em &amp;quot;quartos fortes&amp;quot;, privando-os mais ou menos da vida comunitária e familiar, a depender das circunstâncias. Já os pobres eram entregues à caridade das Santas Casas de Misericórdia ou vagavam pelas ruas, sendo ocasionalmente recolhidos a cadeias públicas quando perturbavam a ordem, indo e vindo das frágeis instituições brasileiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 trouxe a necessidade de transformar a capital colonial em uma moderna metrópole europeia. Sob a influência do Iluminismo tardio e das notícias que chegavam sobre as reformas de Pinel na França, a elite médica brasileira, que era formada sobretudo na França e em Portugal, começou a pressionar o poder público pela criação de espaços específicos para o tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1830, a criação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (que viria a ser a Academia Nacional de Medicina) foi o marco institucional dessa pressão, que funcionou. O momento decisivo ocorreu em 18 de julho de 1841, quando o Imperador D. Pedro II, em comemoração à sua coroação, assinou o decreto de fundação do primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e da América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Hospício de Pedro II, ou o Palácio dos Loucos (1852–1889) ===&lt;br /&gt;
Inaugurado apenas em 8 de dezembro de 1852, o Hospício de Pedro II era gerido pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro (que por anos geriu grande parte da loucura brasileira), sob a figura do provedor José Clemente Pereira. Embora a gestão administrativa fosse religiosa, o saber médico tinha muito espaço com nomes como Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, que tentaram implementar o &amp;quot;tratamento moral&amp;quot; inspirado em Esquirol. Apesar dos esforços, muitos relatos de abusos e de condições precárias mostravam a dificuldade em implementar um modelo brasileiro de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Proclamação da República em 1889, o Hospício de Pedro II foi desvinculado da Santa Casa e renomeado como Hospital Nacional de Alienados (HNA). Este foi um período de maior laicização e pela busca por um maior rigor científico, o que não aconteceu por completo, em grande parte devido à falta de profissionais adequadamente treinados para a questão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, diante dos altíssimos custos em manter o Hospital, surgem as colônias agrícolas como alternativa ao confinamento urbano. Em 1884, já havia sido inaugurada a Colônia de São Bento e, em 1890, a Colônia de Conde de Mesquita, na Ilha do Governador. A ideia era que o trabalho na terra poderia colaborar na cura, além de ajudar na manutenção dos espaços. Contudo, os relatos de época mostram que não acontecia nenhuma das duas coisas, mas entendia-se que a colônia agrícola era melhor do que o confinamento do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Era Juliano Moreira ===&lt;br /&gt;
Em 1903 o médico baiano Juliano Moreira assume a direção do Hospital Nacional de Alienados. Negro, de origem humilde e dotado de uma erudição impressionante, Juliano Moreira revolucionou a assistência, sendo reconhecido internacionalmente. Ele se tornaria o principal médico alienista do Brasil, tornando-se referência para todo o país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moreira aboliu definitivamente o uso de camisas de força e as grades nas janelas, num gesto que se assemelhava àquele de Pinel, enfatizando que o hospital era um local de tratamento e cura, e não uma prisão ou um depósito de indesejados. Além disso, ele trouxe para o Brasil a nosologia de Emil Kraepelin, um psiquiatra alemão considerado o pai da psiquiatria moderna, da psicofarmacologia e da genética psiquiátrica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a gestão Moreira, foi criado o Pavilhão Bourneville para crianças com deficiência intelectual. Além disso, fundou-se o Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1921), o primeiro do país, sob a liderança de Heitor Carrilho. Dentro dos hospitais incentivou-se a pesquisa laboratorial e anátomo-patológica, o que também abriu espaço para a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência e o prestígio de Juliano Moreira se espalhou pelo Brasil. Em São Paulo, destacou-se a figura de Francisco Franco da Rocha, que fundou em 1898 o Hospital Juquery. O Juquery tornou-se uma &amp;quot;cidade-asilo&amp;quot;, chegando a abrigar dezenas de milhares de pacientes em um modelo que mesclava pavilhôes médicos com imensas colônias agrícolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período, a psiquiatria brasileira flertou intensamente com as teorias da degenerescência (de Morel e Magnan) e com a eugenia. Médicos como Renato Kehl e a criação da Liga Brasileira de Higiene Mental (1923), fundada por Gustavo Riedel, começaram a ver a loucura não apenas como um problema individual, mas como um risco biológico à raça brasileira. A higiene mental passou a atuar preventivamente em escolas e fábricas, buscando identificar &amp;quot;pré-delinquentes&amp;quot; e &amp;quot;personalidades anormais&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Minas Gerais foi fundado o Hospital Psiquiátrico de Barbacena, em 1903, que mais tarde seria palco de uma das maiores tragédias sanitárias do país. Em Pernambuco, o Hospital Ulysses Pernambucano foi fundado pelo médico de mesmo nome, que começou a desenvolver uma psiquiatria mais voltada para o social e para a prevenção no final dos anos 1920.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Era Vargas e além: o início do encarceiramento ===&lt;br /&gt;
Com a Revolução de 1930, o projeto de nação de Vargas exigia um povo saudável e produtivo. A loucura deixou de ser apenas uma questão de ordem pública ou caridade para se tornar um problema de Segurança Nacional e Saúde Pública. Em 1941, no âmbito do Estado Novo, foi criado o Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM), substituindo a antiga assistência, que era fragmentada conforme as diferentes províncias, por uma diretriz federal centralizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM), uma instituição que professava o higienismo no Brasil e que já atuava desde a década de 1920, ganhou fôlego. O foco deslocou-se do hospital para a prevenção na sociedade. A psiquiatria não deveria se limitar aos hospitais, mas também atuar na escola, na fábrica e na família, buscando eugenizar, limpar a nação e extirpar o que chamavam de &amp;quot;elementos degenerados&amp;quot;. O médico Gustavo Riedel e seus sucessores defendiam que o Estado deveria intervir precocemente para evitar que o &amp;quot;anormal&amp;quot; se tornasse um fardo para a máquina pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi durante as décadas de 1930 e 1940 que o modelo de colônia agrícola, antes visto como terapêutico e de assistência à manutenção hospitalar, atingiu proporções industriais. O que se viu em Barbacena e em instituições como o Juquery em São Paulo, foi a transformação do hospital em, praticamente, um campo de concentração administrativo. A internação não dependia mais apenas de um diagnóstico médico rigoroso, que na prática já era frágil e baseado em elementos pouco científicos. Bastava ser considerado &amp;quot;socialmente inconveniente&amp;quot; para ir parar numa instituições dessas. Assim, pobres, prostitutas, homossexuais, militantes políticos e mães solteiras eram enviados para essas instituições, onde a sobrevivência era a exceção. Estima-se que, no auge do descaso, o Hospital de Barbacena registrava um número alarmante de óbitos por frio, fome e doenças evitáveis, cujos corpos eram, por vezes, vendidos para faculdades de medicina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tratamentos Brutais e os Modos de Resistência ===&lt;br /&gt;
Para além do horror asilar, o período entre 1930 e 1950 também foi marcado pela introdução de terapias biológicas drásticas, importadas da Europa, conhecidas como somatoterapias. Com uma psicofarmacologia pouco eficaz, os médicos buscavam &amp;quot;chacoalhar&amp;quot; o organismo para restaurar a razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma dessas técnicas era a insulinoterapia. Introduzida na Europa pelo médico austríaco Manfred Sakel (1900–1957) em Viena, no início dos anos 1930, representou uma das primeiras e mais invasivas formas de somatoterapia. Originalmente destinada ao tratamento da esquizofrenia, a técnica consistia na administração de doses maciças de insulina no paciente, provocando um estado de hipoglicemia profunda que o levava ao coma. Na volta desse coma, se esperava que o indivíduo “restaurasse” a razão por conta do choque orgânico violento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O procedimento era extremamente perigoso e estava associado a uma alta taxa de mortalidade e morbidade devido ao risco de convulsões e danos cerebrais. Apesar dos riscos, foi amplamente adotada no mundo todo, incluindo o Brasil, onde foi usada em grandes instituições de confinamento, como o Hospital Nacional de Alienados (HNA) no Hospital Juquery, em São Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que passou a ser muito utilizada foi a Eletroconvulsoterapia, ou o eletrochoque. Introduzido no Brasil logo após sua invenção na Itália (1938), consiste em colocar eletrodos carregados com correntes elétricas em lados opostos, na lateral da cabeça, de modo que a corrente elétrica atravesse o cérebro. A duração e a intensidade podia variar, mas relatos de mais de trinta minutos de choques violentos não eram incomuns. Sua violência era tamanha que exigia que sua vítima fosse fortemente amarrada. Tornou-se uma ferramenta onipresente nos hospitais, muitas vezes aplicada sem anestesia e como método de punição, desvirtuando sua finalidade clínica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que ingressou no Brasil nesse período foi a lobotomia, um procedimento cirúrgico que consistia em apenas retirar um pedaço do cérebro do paciente. Eles foram realizados em larga escala em hospitais como o Juquery e no Hospital Pedro II, buscando a docilização de pacientes crônicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em oposição à violência do isolamento oferecido por essas instituições surge a figura de Nise da Silveira. Em 1946, após ter sido presa pelo regime de Vargas por suas inclinações políticas, Nise assumiu o Setor de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional (Engenho de Dentro), no Rio de Janeiro. Ela se recusou a usar eletrochoques e lobotomias, introduzindo a arte e o afeto como mediadores da cura. Ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente (1952), onde demonstrou, através das pinturas e esculturas de pacientes como Arthur Bispo do Rosario, que o louco preservava uma riqueza simbólica e uma humanidade que a psiquiatria tradicional tentava apagar. Sua colaboração com Carl Jung colocou a experiência brasileira no mapa da psicologia analítica mundial, provando que o tratamento em liberdade e através da expressão criativa era viável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Criação da Indústria da Loucura ===&lt;br /&gt;
No final da década de 1950 e início da de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek e o breve período democrático posterior, o Brasil viu o surgimento de uma nova dinâmica: a Indústria da Loucura. A assistência psiquiátrica, antes quase totalmente pública ou baseada no assistencialismo das Santas Casas, começou a ser terceirizada. Com o crescimento dos institutos de previdência (IAPs), o Estado passou a pagar hospitais privados por dia de internação. Isso criou um incentivo perverso: quanto mais tempo o paciente ficasse internado e quanto menos recursos fossem gastos com ele, maior o lucro das clínicas privadas. Esse modelo, conhecido como &amp;quot;hospitalocêntrico&amp;quot;, inchou o sistema e preparou o terreno para a política de contenção social que seria radicalizada após o golpe de 1964. Foi um momento de multiplicação da brutalidade. Pouco importava a loucura ou não, o tratamento ou não, a eficácia ou não. O que importava era ganhar dinheiro com o estado, por meio de um encarceramento fácil e praticamente impossível de escapar, além de altamente lucrativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coisa se aprofundou ainda mais com o golpe militar, que unificou em 1966 os Institutos de Aposentadoria e Pensões no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), produzindo uma centralização gigantesca de recursos, com um modelo de privatização quase total.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psiquiatria, por ser uma especialidade que exigia baixo investimento tecnológico quando comparada a outras como a cirurgia, cardiologia ou oncologia, permitia grandes lucros com as internações de longa permanência. Assim, trancafiar e atormentar os loucos tornou-se o setor mais atraente para o empresariado da saúde. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de pessoas possivelmente diagnosticadas, o sistema era alimentado pelo encarceramento de militantes políticos, estudantes rebeldes, pessoas em situação de rua,  mendigos, homossexuais, indivíduos com comportamentos &amp;quot;desviantes&amp;quot; da moral tradicional, dependentes químicos, alcoólatras ou mesmo pessoas “problemáticas” da família, que se recusavam a participar de casamentos arranjados ou apenas mulheres que haviam engravidado antes do casamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As instituições privadas multiplicaram-se pelo interior do país, longe dos olhos da fiscalização e dos centros urbanos. Instaladas em locais de difícil acesso, facilitava o ocultamento de violações de direitos humanos e ainda utilizava da conivência dos governos locais. As populações dessas localidades, crentes no saber médico, dificilmente desconfiavam do que poderia acontecer e, quando informações vazavam, rapidamente podiam ser manejadas. A loucura tornou-se um negócio de massa, com o abrigo precário de centenas de pessoas em galpões, onde a única &amp;quot;terapia&amp;quot; era a contenção química por sedativos baratos ou o uso indiscriminado do eletrochoque para manter a ordem além, é claro, da violência e brutalidade de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Luta Antimanicomial ==&lt;br /&gt;
No final da década de 1970, o modelo começou a dar sinais de exaustão, tanto financeira quanto ética. O Estado já não conseguia arcar com os custos crescentes de um sistema que só expandia o número de crônicos, e as denúncias de maus-tratos começaram a furar o bloqueio da censura, aparecendo em jornais mais prestigiados e com denúncias circulando em mais espaços da sociedade. O estopim para a o início do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil começa com uma crise na Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), que havia recebido denúncias de irregularidades no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Hospital Pinel, na Colônia Juliano Moreira e no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. A denúncia foi acompanhada de uma greve por parte dos funcionários, que exigiam melhorias institucionais e questionavam irregularidades trabalhistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É dessa crise que surge o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) que, nesse primeiro momento, estão mais preocupados com questões trabalhistas do que com o problema da própria prática psiquiátrica, que vai caracterizar parte dos movimentos antimanicomiais posteriormente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O MTSM se fortalece e conseguem espaço no extremamente conservador V Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que ocorre em 1978, no que fica conhecido como “congresso da abertura” e que também traz elementos da abertura política com o iminente fim do regime militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1978, um grupo importante de intelectuais vinculados às bases teóricas do Movimento Antimanicomial participa do I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições, incluindo Franco Basaglia, Felix Guattari, Robert Castel e Erwinf Goffman. No ano seguinte, o I Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental fortalece a contextação não apenas de problemas trabalhistas, mas do próprio modelo asilar e da forma como a psiquiatria intervinha e oprimia a população marginalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
AMARANTE, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ARBEX, Daniela. Holocausto Brasileiro. Rio de Janeiro: Geração Editorial, 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BASAGLIA, Franco. A Instituição Negada. Rio de Janeiro: Graal, 1985.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BIRMAN, Joel. A Physis da Arte: Deleuze e a Clínica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CASTEL, Robert. A Ordem Psiquiátrica: a Idade de Ouro do Alienismo. Rio de Janeiro: Graal, 1978.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. Violência e Psicanálise. Rio de Janeiro: Graal, 1986.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Jurandir Freire. História da Assistência Psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Garamond, 2007. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ENGEL, Magali. Os Delírios da Razão: médicos, loucos e hospícios (Rio de Janeiro, 1830-1930). Rio de Janeiro: Fiocruz, 2001&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FOUCAULT, Michel. História da Loucura na Idade Clássica. Tradução de José Teixeira Coelho Netto. São Paulo: Perspectiva, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MELLO, Luiz Carlos. Nise da Silveira: Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PEREIRA, Ana Leonor; PITA, João Rui. A Institucionalização da Loucura em Portugal. Coimbra: Estudo Geral, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PESSOTTI, Isaias. A loucura e as épocas. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PORTOCARRERO, Vera. Arquivos da Loucura: Juliano Moreira e a descontinuidade histórica da psiquiatria. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PINEL, Philippe. Traité médico-philosophique sur l&#039;aliénation mentale, ou la manie. Paris: Richard, Caille et Ravier, 1801.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RESENDE, Heitor. O Pequeno Livro da Reforma Psiquiátrica Relativa ao Confinamento e à Liberdade. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1987.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, Priscila Aquino. O Hospital Real de Todos-os-Santos e seus agentes da cura. In: História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 22, n. 4, 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VENANCIO, Ana Teresa A.; CARVALHAL, Lázaro. Juliano Moreira: A Ciência da Assistência e a Assistência da Ciência. In: Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 2001.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
YASUI, Silvio. Rupturas e Encontros: desafios da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2010.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_loucura:_da_Gr%C3%A9cia_antiga_%C3%A0_luta_anti-manicomial&amp;diff=1673</id>
		<title>História da loucura: da Grécia antiga à luta anti-manicomial</title>
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		<updated>2026-05-14T22:46:33Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Criação do verbete&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Texto com finalidade didática escrita por André Elias Morelli Ribeiro para o curso de Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A escrever&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras no Mundo Antigo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grécia antiga ===&lt;br /&gt;
Na Grécia antiga, em certo momento a loucura era considerada uma intervenção dos deuses e, como os gregos era politeístas, a varidade de formas de loucura e intervenção também era bem grande. A loucura poderia ser vista como uma punição. Um exemplo notório é o herói Ajax, filho de Telamão. Após a morte de Aquiles, a armadura do herói foi dada a Odisseu, e a afronta levou Ajax a um estado de fúria e ressentimento. A deusa Atena, intervindo em favor de Odisseu ou para proteger os Aqueus da vingança de Ajax, lançou sobre ele uma cegueira mental. Tomado pela loucura, Ajax massacrou o gado de guerra que havia sido capturado, acreditando que estava matando os líderes aqueus, incluindo Odisseu e Agamenon. Ao recobrar a sanidade e perceber seu ato vergonhoso, o que o levou a cometer suicídio por humilhação. Essa cena ilustra a loucura como uma intervenção divina direta na forma de loucura poderia ser vista como destrutiva e extremamente negativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outros episódios da mitologia grega, a loucura surge como uma consequência direta de traumas e da perseguição implacável por vingança. Um exemplo fundamental é o de Orestes que, após assassinar sua mãe, Clitemnestra, para vingar a morte de seu pai, Agamenon, passa a ser atormentado pelas Erínias. Essas divindades da vingança, também conhecidas como Fúrias, levaram o herói a um estado de delírio e desespero profundo, personificando a tortura psicológica e a perda da razão como uma forma de acerto de contas espiritual e moral pelo matricídio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura não era unicamente um flagelo ou uma punição. Os gregos, notavelmente, viam a mania, um termo que hoje engloba a loucura, em uma perspectiva dual. Na sua manifestação mais elevada era considerada uma benção ou inspiração divina. Essa visão positiva estava profundamente ligada ao culto de Dionísio, o deus do vinho, do teatro e do êxtase. Nos rituais dionisíacos, as bacantes e outros seguidores buscavam o êxtase, que é, literalmente, &amp;quot;sair de si&amp;quot;, por meio da dança frenética, música e consumo de vinho, o que era percebido como um estado de comunhão direta e inspirada com a divindade. Longe de ser destrutiva, essa forma de loucura era vista como uma fonte de criatividade, revelação e poder, sendo um caminho para a verdade profética e a expressão artística ligada a Dionísio. Este conceito de mania inspirada também se estendia a outros domínios, como a profecia dos oráculos, que eram vinculados à adoração ao deus Apolo, e mesmo a poesia, onde a perda temporária da razão humana era interpretada como a mente sendo tomada por uma força divina que trazia algum tipo de inspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em certo momento, ainda na Grécia antiga, as ideias sobre a loucura - ou algo que pareça loucura aos nossos olhos contemporâneos - foi modificada graças a Hipócrates, o pai da medicina. A visão de Hipócrates marcou uma transição crucial para o entendimento da loucura na Grécia Antiga, pois afastou a loucura das concepções divinas e sobrenaturais para uma explicação puramente fisiológica e natural. Ele desenvolveu a Teoria dos Quatro Humores, que se tornou o pilar da medicina ocidental por séculos. Segundo essa teoria, o corpo humano era composto por quatro fluidos essenciais (humores): sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. A saúde mental e física dependia do equilíbrio harmonioso desses humores. A loucura, ou qualquer doença mental, era, portanto, interpretada como o resultado de um desequilíbrio, como o excesso de bile negra causando a melancolia (depressão), ou o desarranjo da fleuma e da bile amarela, que poderiam levar a estados de mania e frenesi. Com isso, Hipócrates postulou que a loucura não era uma maldição dos deuses, mas sim uma doença com origem no corpo. Essa abordagem naturalista permitiu que a loucura passasse a ser tratada com métodos como dietas, exercícios e remédios, em vez de rituais religiosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tradição bíblica ===&lt;br /&gt;
Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e à recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o baniu do convívio humano. Ele passou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara, conforme emerge na descrição bíblica, mostra uma concepção de loucura ligada à perda da razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo da loucura, onde o que é considerado &#039;loucura&#039; pelos homens revela-se a suprema sabedoria divina. Essa ideia é desenvolvida pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. Na passagem, ele afirma: &#039;Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens&#039; (1 Coríntios 1:25). Paulo usa o termo moria (loucura, tolice) para contrastar a sabedoria humana, que na época do texto era representada pela filosofia e retórica grega, com a mensagem da cruz, que parecia ilógica e insensata aos olhos dos não cristãos, que debochavam do fato do profeta ter sido capturado e morto pelos romanos. Assim, a loucura deixa de ser apenas uma punição para se tornar uma lente através da qual a verdadeira sabedoria, ou seja, a salvação, é revelada, invertendo a hierarquia de valores do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pérsia ===&lt;br /&gt;
Na Pérsia, a visão da loucura e do comportamento irracional foi moldada por seu profundo dualismo religioso e, posteriormente, pelas tradições islâmicas que se seguiram à conquista árabe. O zoroastrismo, a antiga religião persa fundada por Zoroastro (Zaratustra), transformou o politeísmo anterior em um dualismo cósmico centralizado no conflito eterno entre Ahura Mazda (Ormazd), o criador da vida, luz e verdade, e Angra Mainyu (Ahriman), a escuridão e a mentira. Neste cenário, o mundo material é o campo de batalha entre os dois. Ahriman buscava corromper tudo o que Ormazd havia criado. Embora o texto não defina a loucura diretamente, o comportamento irracional e a desrazão poderiam ser facilmente associados ao domínio de Ahriman e à mentira (druj), enquanto a sanidade e a pureza eram atributos de Ormazd. A batalha contra essa corrupção exigia que os adoradores de Ormazd permanecessem verdadeiros e evitassem poluir o fogo e a terra sagrada, indicando que a pureza mental e ritual era uma defesa contra as forças do mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Islã ===&lt;br /&gt;
Na cultura islãmica, de forma geral e bastante resumida, o comportamento considerado irracional era frequentemente explicado pela crença nos djinn, espíritos errantes que habitavam o deserto e certos lugares considerados místicos e que podiam invadir a mente humana, causando o que a sociedade ocidental moderna chamaria de insanidade ou, talvez, distúrbio emocional, cujo tratamento era o exorcismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A loucura também apareceu em narrativas culturais associadas aos povos de forma a sugerir causas e curas mais mundanas. O famoso conto persa de As Mil e Uma Noites relata a história do rei Shahriyar, que, convencido da inevitável traição feminina, cai em uma loucura paranóica que o leva a se casar e matar uma virgem todas as noites. Sua &amp;quot;cura&amp;quot; é alcançada através da engenhosidade e paciência humana por meio de uma dessas esposas, Scheherazade, que usa a arte de contar histórias para retardar sua execução por &amp;quot;mil e uma noites&amp;quot;, período em que sua paranoia é gradualmente desfeita. A história sugere que a narrativa e o tempo podem curar a loucura causada por trauma psicológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As Loucuras na Idade Média ==&lt;br /&gt;
A transição para a Idade Média é marcada pelo colapso do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e trouxe profundas transformações políticas e sociais. O fim do governo centralizado romano levou à fragmentação do poder e ao surgimento do sistema feudal, onde a administração das terras e a autoridade passaram para as mãos de senhores locais, muitos deles antigos oficiais romanos. Este período também é caracterizado por um notável declínio na vida urbana e nos grandes centros intelectuais. O colpaso das instituições romanas deu lugar à ascensão e consolidação da única instituição internacional grande e organizada que havia sobrado, a Igreja Católica, que se tornou a principal instituição de poder. Houve ainda uma perda gradual da tradição cultural greco-romana e, consequentemente, um afastamento das explicações naturalistas de Hipócrates, com exceção do pequeno renascimento do século XII e retomadas pontuais da sabedoria grega. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a hegemonia da Igreja Católica, a loucura tendeu a ser novamente interpretada sob uma lente teológica, sendo vista como uma manifestação de forças sobrenaturais ou desvios morais. Nesse contexto, certas vezes a loucura era interpretada como a intervenção de Satanás ou como possessão demoníaca, exigindo rituais de exorcismo para a cura. Em outros momentos, era vista como uma prova espiritual enviada por Deus ou como um efeito direto do pecado na alma do indivíduo. Havia também explicações que a tratavam como uma fragilidade da vontade humana, misturando elementos da antiga tradição grega com aspectos da teologia cristã, estabelecendo um novo arcabouço para o entendimento da mente humana durante a Idade Média, que tinha muitas variações e não era uniforme nem ao longo do tempo nem em todos os espaços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Socialmente, a gestão da loucura na Idade Média também passou por diferentes fases e transformações, dependendo do local e da época. Haviam casos em que os consideradores loucos eram apenas torturados e trancafiados, acreditando-se serem métodos eficazes para expulsão de espíritos malignos, por exemplo. Contudo, em muitos outros casos, os considerados loucos conviviam de forma mais ou menos harmoniosa com o resto da comunidade, a depender de suas capacidades e possibilidades, e certos “desvios” eram perdoados devido à sua condição peculiar, sem a necessidade imediata de uma exclusão radical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Nau dos Loucos ===&lt;br /&gt;
Um caso notável e emblemático da gestão da loucura nesse período é a Nau dos Loucos (Stultifera Navis), conforme trabalhado por Michel Foucault. Anteriormente ao modelo de exclusão-repressão que viria a se consolidar na Idade Clássica, a loucura viveu o que se pode chamar de seus &amp;quot;dias de glória&amp;quot; na transição para a Renascença. Nesse contexto, o louco poderia ser visto como um sábio, um místico, um bobo da corte ou simplesmente um excêntrico que estava, de certa forma, integrado ao tecido social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Nau dos Loucos simbolizava uma existência errante, onde o louco era confiado à água e ao navio para ser levado de uma cidade a outra, mantendo-o em um estado de exclusão simbólica, mas ainda assim em movimento e circulação. Para Foucault, essa experiência trágica da loucura permitia que o insano portasse uma forma de lucidez em sua insensatez, revelando verdades que a razão comum não ousava enunciar. O louco via através das ilusões mundanas, aproximando-se de uma verdade profética ou ética que seria progressivamente silenciada nos séculos seguintes pela ascensão do saber médico e da racionalidade científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Santa Dimpna e Geel ===&lt;br /&gt;
Outro acontecimento relevante da Idade Média para a compreensão da loucura é o episódio de Santa Dimpna. Nascida no século VII na Irlanda, ela era filha de um rei pagão e de uma mãe cristã devota, de quem herdou sua fé e pelo qual decidiu fazer votos de castidade. Após a morte prematura da mãe, seu pai, mergulhado em um profundo luto, decidiu que Dimpna era a única mulher com beleza comparável à da falecida rainha e insistiu em se casar com a própria filha, o que seria considerado escandaloso também para aquela cultura. Diante dessa perseguição incestuosa, Dimpna fugiu da Irlanda acompanhada de seu confessor, o padre Gereberno, e de dois servos fiéis. O grupo cruzou o mar e estabeleceu-se em Geel, um minúsculo vilarejo na atual Bélgica, onde Dimpna dedicou-se ao cuidado dos pobres e doentes mentais. No entanto, o rei conseguiu encontrá-los e, após a recusa de Dimpna em retornar e de se casar com o pai, ordenou a execução de Gereberno, enquanto ele mesmo decapitou a filha, tornando a menina de 15 anos de idade uma mártir cristã. Após sua morte, relatos de curas milagrosas de pessoas com distúrbios mentais e epilepsia começaram a ocorrer junto ao seu túmulo, o que a tornou a padroeira dos doentes mentais e o local um espaço de peregrinação ligado à questão da saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O legado de Santa Dimpna em Geel deu origem a um modelo para a psiquiatria moderna pois, devido à devoção e adoração à Santa Dimpna, a cidade transformou-se em um santuário onde os pacientes não eram trancafiados, mas acolhidos em lares de famílias locais como &amp;quot;hóspedes&amp;quot;. Esse sistema de cuidado comunitário e desinstitucionalização, que persiste há séculos, é considerado um dos precursores do tratamento humanizado e da reabilitação psicossocial na saúde mental contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Idade Clássica: a nova era da loucura encarcerada ==&lt;br /&gt;
A partir do século XVII, um período em que o filósofo Michel Foucault denominou como &amp;quot;A Época Clássica&amp;quot;, a forma de entender e lidar com a loucura começou a mudar. Trata-se de um período de ingresso da razão como centro e alma do pensamento europeu, em substituição ao dogmatismo religioso e ao conhecimento da igreja. Para o pensamento moderno nascente, a loucura era o oposto direto da razão. Se o homem era definido pela sua capacidade racional e sua utilidade produtiva, o louco era, portanto, o &amp;quot;não-homem&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a solução para a não razão era a internação. E ela não buscava a cura, mas a neutralização do irracional. O silenciamento da loucura era necessário para que a ordem social pudesse florescer. Os campos e cidades deveriam ser espaços de circulação de mercadorias e cidadãos produtivos e qualquer elemento que atrapalhasse deveria ser guardado em instituições que funcionavam como uma guarda contra o risco social que tais pessoas ofereciam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relatos da época descrevem cenários terríveis sobre as condições de internação. Os internos eram frequentemente mantidos em celas úmidas e insalubres, muitas vezes acorrentados às paredes. O uso de chicotes e punições corporais era justificado pela crença de que o louco, por ter perdido a razão, teria a resistência física de um animal, não sentindo frio ou dor da mesma forma que uma pessoa &amp;quot;normal&amp;quot;. Além disso, as instituições funcionavam sob uma lógica de vigilância constante. Não se tratava de observar para entender a mente, mas de observar para garantir que o corpo anormal permanecesse contido. Foi dentro desse ambiente de absoluta degradação e mistura indiscriminada de diferentes &amp;quot;tipos&amp;quot; de desviantes que a consciência médica começou a germinar, ainda que de forma incipiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== França ===&lt;br /&gt;
O ano de 1656 marca um divisor de águas simbólico para o modelo de confinamento asilar com a criação do Hôpital Général (Hospital Geral) em Paris, por um edito real do rei Luís XIV. É importante entender que um hospital geral deste período não é como um hospital moderno, ou seja, uma instituição médica e voltada para a compreensão da doença e a prática do tratamento e cura. Ele estava mais próximo de uma administrativa e, de certo modo, semi-judiciária. Isso ocorria porque o interesse não estava em “curar” ou “tratar” ninguém mas, antes disso, o interesse do Estado era &amp;quot;limpar&amp;quot; as ruas de Paris de tudo o que era considerado improdutivo ou escandaloso. Era um período de abundância material, grandes gastos estatais e de uma imensa riqueza do império colonial francês.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes tais hospitais gerais eram confinados, todos juntos, grupos totalmente diferentes, como pobres, mendigos, desempregados, libertinos, prostitutas, alquimistas, opositores políticos e, claro, também os considerados loucos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que começou em Paris se tornou um modelo para outros lugares sobre como fazer a gestão da miséria e da “desrazão”. O que acabou acontecendo foi um forte deslocamento. O louco, antes tendo algo de profético, místico ou talvez uma excentricidade para se tornar uma questão político-administrativa. Essa mudança importante marca uma migração para a possibilidade de institucionalização daquilo que era considerado errante ou, de alguma forma, desagradável e, assim passível de ser alvo de uma forma de gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Paris, as duas principais unidades do Hospital Geral se tornaram emblemáticas e simbólicas. A Salpêtrière, que era destinada às mulheres, e o hospital Bicêtre, destinado aos homens, não ofereciam qualquer forma de tratamento. Eram basicamente depósitos humanos, onde o louco poderia acabar acorrentado ao lado de criminosos, por exemplo. O critério de internação não era o diagnóstico clínico, mesmo porque simplesmente ele nem existia nos moldes modernos, mas a incapacidade de se ajustar às normas de trabalho e moralidade da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alemanha ===&lt;br /&gt;
Na Alemanha, surgiram as Zuchthäusern, que seriam as Casas de Correção. Cidades como Hamburgo e Bremen estabeleceram esses locais onde a loucura era tratada através do trabalho forçado. Eles acreditavam que o ócio era a raiz do mal e que o confinamento servia para reintegrar o indivíduo à lógica da produtividade. De qualquer forma, uma vez enclausurado, ele permanecia escondido da visão da população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Inglaterra ===&lt;br /&gt;
Na Inglaterra, o sistema das Workhouses (Casas de Trabalho) cumpria um papel semelhante ao modelo alemão. No entanto, Londres já possuía o Bethlem Royal Hospital, conhecido popularmente como Bedlam. No século XVII e XVIII, Bedlam se tornou um espetáculo de horror, onde o público podia pagar para observar os internos como se fossem animais em um zoológico. A loucura era agora um objeto de uma forma de exibição degradante e mantida atrás de grades e ferros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Portugal ===&lt;br /&gt;
Em Portugal a gestão dos &amp;quot;desviantes&amp;quot; recaiu fortemente sobre as Santas Casas da Misericórdia. O Hospital Real de Todos-os-Santos, fundado em Lisboa em 1492 e inaugurado em 1501, se tornou o epicentro do tratamento (ou confinamento) dos loucos no país. Dentro deste hospital, existiam as chamadas &amp;quot;Casas de Doidos&amp;quot; e destinados àqueles que haviam “perdido a luz da razão”. Seguindo o padrão europeu, o hospital não separava rigidamente o louco por diagnóstico. Eles dividiam espaço com indigentes e enfermos de diversas naturezas, embora as &amp;quot;casas de doidos&amp;quot; fossem áreas de maior isolamento devido à agitação dos internos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XVIII português, a internação era, acima de tudo, uma solução para a mendicância e, por vezes, para o alcoolismo. O louco que tinha família e posses era mantido nas casas das famílias, muitas vezes escondido em sótãos ou anexos e até mesmo acorrentados. Já o &amp;quot;louco pobre&amp;quot;, cujas famílias nem se importam ou que não poderiam ser cuidados por seus familiares, era aquele que acabava nos hospitais reais ou mesmo nas cadeias, a depender de uma série de elementos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Nascimento da Psiquiatria ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pinel e a criação da psiquiatria nosográfica ===&lt;br /&gt;
É na virada do século XVIII para o XIX que nasce a psiquiatria como um campo autônomo do saber e da prática médica. Esta mudança fundamental é protagonizada por duas figuras centrais da medicina francesa: Philippe Pinel e seu discípulo, Jean-Étienne Dominique Esquirol. Juntos, eles transformaram o hospital de depósito de insanos em um verdadeiro hospital, em que o louco e o alienado poderiam receber um tratamento racional e científico, em substituição às correntes, à disciplina e o silenciamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência da psiquiatria como campo autônomo teve como fundamento científico inicial a observação clínica sistemática dentro do asilo, concebido como um laboratório onde o alienista poderia estudar a loucura em seu estado puro, separada das influências do mundo exterior. A principal questão científica e prática era a chamada nosografia ou diagnóstico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pinel, em seu Traité de 1801, classificou a loucura com base em critérios sintomatológicos, seguindo um procedimento comparativo semelhante ao das ciências naturais. O desafio central, que persistiria ao longo do século XIX, era a ambiguidade constante entre a busca por uma sede orgânica, ou seja, um “local físico-biológico” da loucura e a necessidade de uma regulação de caráter moral, já que o tratamento apoiava-se na moralidade para combater as causas que eram, elas próprias, consideradas morais. Isso mostra a mistura do caráter médico com o caráter moral do entendimento da loucura, conforme a nova psiquiatria de Pinel. Este enfoque resultou na valorização do exame clínico pelos psiquiatras francófonos, permitindo a união da observação com a formulação de hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1793, em meio ao fervor da Revolução Francesa, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe do Hospital de Bicêtre e, posteriormente, da Salpêtrière. O cenário que encontrou era o ápice do &amp;quot;Grande Enclausuramento&amp;quot;, ou seja, homens e mulheres amontoados nas condições já descritas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intervenção de Pinel, simbolizada pelo gesto de “libertar os loucos de suas correntes”, não foi apenas um ato humanitário, mas também uma decisão de natureza epistemológica. Pinel acreditava que a loucura não era uma possessão demoníaca nem uma degeneração animal irreversível, mas uma alienação mental, em outras palavras, uma perturbação das faculdades intelectuais e afetivas que mantinha o indivíduo como se fosse &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, ou alienado, de si mesmo e da sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pilar para a reforma psiquiátrica proposta por Pinel era o tratamento moral, e se baseava em três princípios fundamentais. O primeiro, o isolamento terapêutico. Era necessário que o paciente ficasse separado de seu ambiente que, segundo o médico, era a fonte de sua excitação e desequilíbrio. O segundo pilar era a autoridade médica, onde o médico deveria ser como um pai, severo e justo, usando a persuasão, a benevolência e, se fosse necessário, a firmeza para restaurar a razão do paciente. Por fim, a disciplina e o trabalho, com a aplicação rigorosa de horários e valorização de atividades produtivas, o que ocuparia a mente alienada e, assim, combateria a loucura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus estudos, Pinel identificou quatro tipos de loucura, quais sejam, a melancolia, a mania, a demência e o idiotismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Esquirol e a consolidação do modelo ===&lt;br /&gt;
Se Pinel era considerado o visionário e o libertador, Jean-Étienne Dominique Esquirol foi o grande organizador e o clínico meticuloso. Discípulo de Pinel, Esquirol sucedeu seu mestre na Salpêtrière e deu à psiquiatria a robustez científica e administrativa de que ela necessitava. Esquirol compreendeu que a eficácia do tratamento moral dependia da arquitetura hospitalar. Para ele, o hospital não era apenas um prédio onde ocorria o tratamento, mas também um instrumento de cura. Ele desenvolveu o modelo de pavilhões, permitindo a separação dos pacientes por tipo de patologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esquirol refinou as definições clínicas de Pinel. Foi ele quem estabeleceu a distinção clássica entre alucinação (uma percepção sem objeto) e ilusão (uma percepção deformada de um objeto real).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Legalização da Alienação ===&lt;br /&gt;
O esforço médico, político e administrativo de Esquirol na continuação do trabalho de Pinel culminou na promulgação da lei francesa de 30 de Junho de 1838, a primeira grande legislação psiquiátrica do mundo moderno. Esta lei estabeleceu a obrigatoriedade de cada departamento francês possuir um asilo e regulamentou as condições de internação e interdição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A princípio, embora também protegesse o alienado do arbítrio e de outras violências que poderiam ser cometidos contra os loucos nas províncias e mesmo nas periferias de Paris, a lei também transformou o poder do médico psiquiatra como total. Era o psiquiatra quem poderia decidir quem deveria ou não ser privado de sua liberdade. Com isso, a psiquiatria tornava-se, assim, um braço do Estado na gestão da ordem social mas, ao contrário do polícia e do inquérito polícial, que exigia provas independentes e a atuação do sistema judiciário, o psiquiatra estava coberto sob o manto da ciência médica, o que dava a ele poderes gigantescos. Isso marcou profundamente a forma como a loucura e a saúde mental passaram a ser compreendidas e tratadas nas décadas seguintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Loucura no Brasil ==&lt;br /&gt;
Até o início do século XIX, o Brasil colonial lidava com seus insanos de forma semelhante ao que ocorria na Europa. As famílias ricas mantinham seus parentes loucos em &amp;quot;quartos fortes&amp;quot;, privando-os mais ou menos da vida comunitária e familiar, a depender das circunstâncias. Já os pobres eram entregues à caridade das Santas Casas de Misericórdia ou vagavam pelas ruas, sendo ocasionalmente recolhidos a cadeias públicas quando perturbavam a ordem, indo e vindo das frágeis instituições brasileiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 trouxe a necessidade de transformar a capital colonial em uma moderna metrópole europeia. Sob a influência do Iluminismo tardio e das notícias que chegavam sobre as reformas de Pinel na França, a elite médica brasileira, que era formada sobretudo na França e em Portugal, começou a pressionar o poder público pela criação de espaços específicos para o tratamento dos alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1830, a criação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (que viria a ser a Academia Nacional de Medicina) foi o marco institucional dessa pressão, que funcionou. O momento decisivo ocorreu em 18 de julho de 1841, quando o Imperador D. Pedro II, em comemoração à sua coroação, assinou o decreto de fundação do primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e da América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Hospício de Pedro II, ou o Palácio dos Loucos (1852–1889) ===&lt;br /&gt;
Inaugurado apenas em 8 de dezembro de 1852, o Hospício de Pedro II era gerido pela Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro (que por anos geriu grande parte da loucura brasileira), sob a figura do provedor José Clemente Pereira. Embora a gestão administrativa fosse religiosa, o saber médico tinha muito espaço com nomes como Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, que tentaram implementar o &amp;quot;tratamento moral&amp;quot; inspirado em Esquirol. Apesar dos esforços, muitos relatos de abusos e de condições precárias mostravam a dificuldade em implementar um modelo brasileiro de tratamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Proclamação da República em 1889, o Hospício de Pedro II foi desvinculado da Santa Casa e renomeado como Hospital Nacional de Alienados (HNA). Este foi um período de maior laicização e pela busca por um maior rigor científico, o que não aconteceu por completo, em grande parte devido à falta de profissionais adequadamente treinados para a questão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, diante dos altíssimos custos em manter o Hospital, surgem as colônias agrícolas como alternativa ao confinamento urbano. Em 1884, já havia sido inaugurada a Colônia de São Bento e, em 1890, a Colônia de Conde de Mesquita, na Ilha do Governador. A ideia era que o trabalho na terra poderia colaborar na cura, além de ajudar na manutenção dos espaços. Contudo, os relatos de época mostram que não acontecia nenhuma das duas coisas, mas entendia-se que a colônia agrícola era melhor do que o confinamento do HNA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Era Juliano Moreira ===&lt;br /&gt;
Em 1903 o médico baiano Juliano Moreira assume a direção do Hospital Nacional de Alienados. Negro, de origem humilde e dotado de uma erudição impressionante, Juliano Moreira revolucionou a assistência, sendo reconhecido internacionalmente. Ele se tornaria o principal médico alienista do Brasil, tornando-se referência para todo o país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moreira aboliu definitivamente o uso de camisas de força e as grades nas janelas, num gesto que se assemelhava àquele de Pinel, enfatizando que o hospital era um local de tratamento e cura, e não uma prisão ou um depósito de indesejados. Além disso, ele trouxe para o Brasil a nosologia de Emil Kraepelin, um psiquiatra alemão considerado o pai da psiquiatria moderna, da psicofarmacologia e da genética psiquiátrica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a gestão Moreira, foi criado o Pavilhão Bourneville para crianças com deficiência intelectual. Além disso, fundou-se o Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1921), o primeiro do país, sob a liderança de Heitor Carrilho. Dentro dos hospitais incentivou-se a pesquisa laboratorial e anátomo-patológica, o que também abriu espaço para a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência e o prestígio de Juliano Moreira se espalhou pelo Brasil. Em São Paulo, destacou-se a figura de Francisco Franco da Rocha, que fundou em 1898 o Hospital Juquery. O Juquery tornou-se uma &amp;quot;cidade-asilo&amp;quot;, chegando a abrigar dezenas de milhares de pacientes em um modelo que mesclava pavilhôes médicos com imensas colônias agrícolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste período, a psiquiatria brasileira flertou intensamente com as teorias da degenerescência (de Morel e Magnan) e com a eugenia. Médicos como Renato Kehl e a criação da Liga Brasileira de Higiene Mental (1923), fundada por Gustavo Riedel, começaram a ver a loucura não apenas como um problema individual, mas como um risco biológico à raça brasileira. A higiene mental passou a atuar preventivamente em escolas e fábricas, buscando identificar &amp;quot;pré-delinquentes&amp;quot; e &amp;quot;personalidades anormais&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Minas Gerais foi fundado o Hospital Psiquiátrico de Barbacena, em 1903, que mais tarde seria palco de uma das maiores tragédias sanitárias do país. Em Pernambuco, o Hospital Ulysses Pernambucano foi fundado pelo médico de mesmo nome, que começou a desenvolver uma psiquiatria mais voltada para o social e para a prevenção no final dos anos 1920.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Era Vargas e além: o início do encarceiramento ===&lt;br /&gt;
Com a Revolução de 1930, o projeto de nação de Vargas exigia um povo saudável e produtivo. A loucura deixou de ser apenas uma questão de ordem pública ou caridade para se tornar um problema de Segurança Nacional e Saúde Pública. Em 1941, no âmbito do Estado Novo, foi criado o Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM), substituindo a antiga assistência, que era fragmentada conforme as diferentes províncias, por uma diretriz federal centralizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste cenário, a Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM), uma instituição que professava o higienismo no Brasil e que já atuava desde a década de 1920, ganhou fôlego. O foco deslocou-se do hospital para a prevenção na sociedade. A psiquiatria não deveria se limitar aos hospitais, mas também atuar na escola, na fábrica e na família, buscando eugenizar, limpar a nação e extirpar o que chamavam de &amp;quot;elementos degenerados&amp;quot;. O médico Gustavo Riedel e seus sucessores defendiam que o Estado deveria intervir precocemente para evitar que o &amp;quot;anormal&amp;quot; se tornasse um fardo para a máquina pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi durante as décadas de 1930 e 1940 que o modelo de colônia agrícola, antes visto como terapêutico e de assistência à manutenção hospitalar, atingiu proporções industriais. O que se viu em Barbacena e em instituições como o Juquery em São Paulo, foi a transformação do hospital em, praticamente, um campo de concentração administrativo. A internação não dependia mais apenas de um diagnóstico médico rigoroso, que na prática já era frágil e baseado em elementos pouco científicos. Bastava ser considerado &amp;quot;socialmente inconveniente&amp;quot; para ir parar numa instituições dessas. Assim, pobres, prostitutas, homossexuais, militantes políticos e mães solteiras eram enviados para essas instituições, onde a sobrevivência era a exceção. Estima-se que, no auge do descaso, o Hospital de Barbacena registrava um número alarmante de óbitos por frio, fome e doenças evitáveis, cujos corpos eram, por vezes, vendidos para faculdades de medicina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tratamentos Brutais e os Modos de Resistência ===&lt;br /&gt;
Para além do horror asilar, o período entre 1930 e 1950 também foi marcado pela introdução de terapias biológicas drásticas, importadas da Europa, conhecidas como somatoterapias. Com uma psicofarmacologia pouco eficaz, os médicos buscavam &amp;quot;chacoalhar&amp;quot; o organismo para restaurar a razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma dessas técnicas era a insulinoterapia. Introduzida na Europa pelo médico austríaco Manfred Sakel (1900–1957) em Viena, no início dos anos 1930, representou uma das primeiras e mais invasivas formas de somatoterapia. Originalmente destinada ao tratamento da esquizofrenia, a técnica consistia na administração de doses maciças de insulina no paciente, provocando um estado de hipoglicemia profunda que o levava ao coma. Na volta desse coma, se esperava que o indivíduo “restaurasse” a razão por conta do choque orgânico violento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O procedimento era extremamente perigoso e estava associado a uma alta taxa de mortalidade e morbidade devido ao risco de convulsões e danos cerebrais. Apesar dos riscos, foi amplamente adotada no mundo todo, incluindo o Brasil, onde foi usada em grandes instituições de confinamento, como o Hospital Nacional de Alienados (HNA) no Hospital Juquery, em São Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que passou a ser muito utilizada foi a Eletroconvulsoterapia, ou o eletrochoque. Introduzido no Brasil logo após sua invenção na Itália (1938), consiste em colocar eletrodos carregados com correntes elétricas em lados opostos, na lateral da cabeça, de modo que a corrente elétrica atravesse o cérebro. A duração e a intensidade podia variar, mas relatos de mais de trinta minutos de choques violentos não eram incomuns. Sua violência era tamanha que exigia que sua vítima fosse fortemente amarrada. Tornou-se uma ferramenta onipresente nos hospitais, muitas vezes aplicada sem anestesia e como método de punição, desvirtuando sua finalidade clínica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra técnica que ingressou no Brasil nesse período foi a lobotomia, um procedimento cirúrgico que consistia em apenas retirar um pedaço do cérebro do paciente. Eles foram realizados em larga escala em hospitais como o Juquery e no Hospital Pedro II, buscando a docilização de pacientes crônicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em oposição à violência do isolamento oferecido por essas instituições surge a figura de Nise da Silveira. Em 1946, após ter sido presa pelo regime de Vargas por suas inclinações políticas, Nise assumiu o Setor de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional (Engenho de Dentro), no Rio de Janeiro. Ela se recusou a usar eletrochoques e lobotomias, introduzindo a arte e o afeto como mediadores da cura. Ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente (1952), onde demonstrou, através das pinturas e esculturas de pacientes como Arthur Bispo do Rosario, que o louco preservava uma riqueza simbólica e uma humanidade que a psiquiatria tradicional tentava apagar. Sua colaboração com Carl Jung colocou a experiência brasileira no mapa da psicologia analítica mundial, provando que o tratamento em liberdade e através da expressão criativa era viável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Criação da Indústria da Loucura ===&lt;br /&gt;
No final da década de 1950 e início da de 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek e o breve período democrático posterior, o Brasil viu o surgimento de uma nova dinâmica: a Indústria da Loucura. A assistência psiquiátrica, antes quase totalmente pública ou baseada no assistencialismo das Santas Casas, começou a ser terceirizada. Com o crescimento dos institutos de previdência (IAPs), o Estado passou a pagar hospitais privados por dia de internação. Isso criou um incentivo perverso: quanto mais tempo o paciente ficasse internado e quanto menos recursos fossem gastos com ele, maior o lucro das clínicas privadas. Esse modelo, conhecido como &amp;quot;hospitalocêntrico&amp;quot;, inchou o sistema e preparou o terreno para a política de contenção social que seria radicalizada após o golpe de 1964. Foi um momento de multiplicação da brutalidade. Pouco importava a loucura ou não, o tratamento ou não, a eficácia ou não. O que importava era ganhar dinheiro com o estado, por meio de um encarceramento fácil e praticamente impossível de escapar, além de altamente lucrativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coisa se aprofundou ainda mais com o golpe militar, que unificou em 1966 os Institutos de Aposentadoria e Pensões no INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), produzindo uma centralização gigantesca de recursos, com um modelo de privatização quase total.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psiquiatria, por ser uma especialidade que exigia baixo investimento tecnológico quando comparada a outras como a cirurgia, cardiologia ou oncologia, permitia grandes lucros com as internações de longa permanência. Assim, trancafiar e atormentar os loucos tornou-se o setor mais atraente para o empresariado da saúde. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de pessoas possivelmente diagnosticadas, o sistema era alimentado pelo encarceramento de militantes políticos, estudantes rebeldes, pessoas em situação de rua,  mendigos, homossexuais, indivíduos com comportamentos &amp;quot;desviantes&amp;quot; da moral tradicional, dependentes químicos, alcoólatras ou mesmo pessoas “problemáticas” da família, que se recusavam a participar de casamentos arranjados ou apenas mulheres que haviam engravidado antes do casamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As instituições privadas multiplicaram-se pelo interior do país, longe dos olhos da fiscalização e dos centros urbanos. Instaladas em locais de difícil acesso, facilitava o ocultamento de violações de direitos humanos e ainda utilizava da conivência dos governos locais. As populações dessas localidades, crentes no saber médico, dificilmente desconfiavam do que poderia acontecer e, quando informações vazavam, rapidamente podiam ser manejadas. A loucura tornou-se um negócio de massa, com o abrigo precário de centenas de pessoas em galpões, onde a única &amp;quot;terapia&amp;quot; era a contenção química por sedativos baratos ou o uso indiscriminado do eletrochoque para manter a ordem além, é claro, da violência e brutalidade de toda sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Luta Antimanicomial ==&lt;br /&gt;
No final da década de 1970, o modelo começou a dar sinais de exaustão, tanto financeira quanto ética. O Estado já não conseguia arcar com os custos crescentes de um sistema que só expandia o número de crônicos, e as denúncias de maus-tratos começaram a furar o bloqueio da censura, aparecendo em jornais mais prestigiados e com denúncias circulando em mais espaços da sociedade. O estopim para a o início do movimento da reforma psiquiátrica no Brasil começa com uma crise na Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), que havia recebido denúncias de irregularidades no Centro Psiquiátrico Pedro II, no Hospital Pinel, na Colônia Juliano Moreira e no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. A denúncia foi acompanhada de uma greve por parte dos funcionários, que exigiam melhorias institucionais e questionavam irregularidades trabalhistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É dessa crise que surge o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) que, nesse primeiro momento, estão mais preocupados com questões trabalhistas do que com o problema da própria prática psiquiátrica, que vai caracterizar parte dos movimentos antimanicomiais posteriormente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O MTSM se fortalece e conseguem espaço no extremamente conservador V Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que ocorre em 1978, no que fica conhecido como “congresso da abertura” e que também traz elementos da abertura política com o iminente fim do regime militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1978, um grupo importante de intelectuais vinculados às bases teóricas do Movimento Antimanicomial participa do I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições, incluindo Franco Basaglia, Felix Guattari, Robert Castel e Erwinf Goffman. No ano seguinte, o I Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental fortalece a contextação não apenas de problemas trabalhistas, mas do próprio modelo asilar e da forma como a psiquiatria intervinha e oprimia a população marginalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
AMARANTE, Paulo. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ARBEX, Daniela. Holocausto Brasileiro. Rio de Janeiro: Geração Editorial, 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BASAGLIA, Franco. A Instituição Negada. Rio de Janeiro: Graal, 1985.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BIRMAN, Joel. A Physis da Arte: Deleuze e a Clínica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. &lt;br /&gt;
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YASUI, Silvio. Rupturas e Encontros: desafios da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2010.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Portal_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia&amp;diff=1672</id>
		<title>Portal História da Psicologia</title>
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		<updated>2026-05-12T09:27:10Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* A estruturação do Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp) */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Portal História da Psicologia é ecossistema digital nascido no Departamento de Psicologia em Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense como projeto de extensão mas que tem suas raízes na gestão 2017-2019 da Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP). Criado por André Elias Morelli Ribeiro, o projeto visa modernizar e inserir o campo brasileiro da história da psicologia lusófona nos meios digitais. O Portal é composto por diversas plataformas e projetos interligados, cada um com funções vinculadas à divulgação científica, produção de memória da psicologia, produção de conhecimento científico e extensão. Estas partes incluem o website, a Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP), o Canal História da Psicologia TV (HPTV), a Editora do Portal História da Psicologia e o Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp). Além dos produtos digitais, o Portal publica anualmente, desde 2022, os livros da série do Boletim do Portal História da Psicologia. O Portal também mantém presença nas redes sociais (Facebook, Instagram, X) para a divulgação de seus produtos e ações nas redes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primórdios ===&lt;br /&gt;
As primeiras ideias que visavam a integração do ambiente digital com o mundo acadêmico no campo da história da psicologia, bem como o aproveitamento de tecnologias digitais para a criação de produtos específicos voltados para esse universo, começaram dentro da [https://sbhpsi.com.br/ Sociedade Brasileira de História da Psicologia], durante a [https://sbhpsi.com.br/quem-somos/diretoria-historico/ gestão de Arthur Arruda Leal Ferreira (2017-2019)]. O projeto inicial se limitava a listar todas as referências bibliográficas produzidas pelos principais membros da Sociedade em seu site, além de melhorias na produção da comunicação da gestão da SBHP com os seus afiliados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas comunicações eram feitas principalmente por meio da [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Newsletter da SBHP], uma publicação em formato PDF enviada periodicamente por e-mail aos seus membros. A publicação ficava sob responsabilidade da secretaria da Sociedade, que coletava notícias relevantes do campo brasileiro da história da psicologia. Durante a gestão Arthur Ferreira, a secretaria estava nas mãos de André Elias Morelli Ribeiro, que posteriormente seria o criador do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época vinculado à Universidade Federal do Amapá, o professor André Morelli identificou a necessidade de aprimorar o modelo da Newsletter da SBHP. Ele entendia que as novas ferramentas digitais de informação e comunicação ofereciam maior dinamismo e agilidade na formulação de comunicados da Sociedade. Para melhorar e modernizar essa comunicação, o secretário da Sociedade concebeu um novo formato de publicação, mais parecido com uma revista, ao analisar o conteúdo de alguns textos enviados pelos membros para publicação na Newsletter e que se diferenciavam do seu perfil editorial. Essa nova publicação teria como objetivo acolher materiais opinativos, transcrições de palestras, relatos de pesquisa, relatos de viagens, entre outros tipos de texto que, apesar de serem de grande interesse para o grupo, não seriam tipicamente aceitos em periódicos científicos tradicionais nem caberiam no formato da Newsletter, mas que tinham relevância para o campo e para a Sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2018, durante a reunião da SBHP em Belo Horizonte, foi aprovada uma proposta de reformulação do modelo de comunicação,  que previa a migração dos conteúdos informativos da Newsletter para as redes sociais e a criação do [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Boletim da SBHP], um novo veículo para a publicação de textos em diversos formatos. Com a colaboração de [http://lattes.cnpq.br/3366000072376649 Hugo Leonardo Rocha Silva da Rosa], foram lançadas quatro edições do Boletim, e as redes sociais da Sociedade tiveram uma atuação bastante intensa. Contudo, a gestão subsequente optou por desfazer essas mudanças, retomando o formato de comunicação anterior, o que resultou na extinção do Boletim e na modificação da presença da SBHP nas redes sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O início do Portal ===&lt;br /&gt;
Considerando o histórico da gestão [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira] na SBHP, as sementes plantadas naquele período continuaram se desenvolvendo. Contudo, em uma nova conjuntura, passariam a ser geridas por um grupo menor e descolado da Sociedade. A ideia de modernização e inserção do campo brasileiro da história da psicologia nos meios digitais inspirou-se em três iniciativas. A primeira é o projeto [https://ahp.apps01.yorku.ca/ Advances in the History of Psychology (AHP)], criado por [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Christopher Green], da Universidade York, no Canadá. Nas primeiras formulações do Portal, a ideia era criar um projeto semelhante ao site do AHP, porém com foco no Brasil e, posteriormente, na América Latina. O prof. Green foi um dos primeiros a pensar a integração de recursos online com a história da psicologia, reunindo links, sites, produzindo podcasts, entre outros produtos, de modo que o site do Portal História da Psicologia, principalmente em sua primeira versão, é baseado na experiência do site principal do AHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra inspiração do Portal é o [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia Brasileira: Pioneiros], cuja primeira edição está disponível online no site da Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia (BVS-Psi). O Dicionário é uma criação de [http://lattes.cnpq.br/5350842157910835 Regina Helena de Freitas Campos] e se coloca como um dos grandes marcos do desenvolvimento do campo brasileiro da história da psicologia. É dele que veio a ideia de criar uma enciclopédia que fosse semelhante à Wikipédia em termos de dinamismo e capacidade de atualização e transformação, ao mesmo tempo que se estabelecem elementos de rigor técnico para manter a qualidade do material, assim como no caso do Dicionário. A WikiHP foi o segundo produto a ser incorporado pelo projeto, apesar de ter sido concebido ao mesmo tempo do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira fonte de inspiração para a criação do Portal advém do blog da rede de pesquisa [https://histoiresante.blogspot.com/ Historien.ne.s de la Santé]. Este blog se destaca pela sua atuação nas redes sociais e pela produção de conteúdo digital, estabelecendo uma conexão eficaz entre o mundo acadêmico e de pesquisa e o ambiente digital. Ele utiliza essas ferramentas eletrônicas como caixas de ressonância para difundir publicações, eventos, entre outros. Nesse contexto, também merece menção a [https://ripehp.com/ Rede Iberoamericana de Pesquisadores em História da Psicologia], cujo blog realiza um trabalho semelhante, porém focado na América Latina e que também serviu como base para a criação do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Findo os projetos desenvolvidos junto à SBHP, as reflexões para a continuidade do que seria o Portal tiveram início em outubro de 2019, ocasião em que seu criador já imaginava a publicação de um site, de um sistema de publicação de biografias, um braço audiovisual voltado para a divulgação científica e a organização de uma base de referências. Considerando a organização das primeiras ideias e de como o Portal poderia funcionar, o domínio do site do projeto – que ainda não tinha nome – foi reservado no mês de dezembro de 2019 em um servidor nos EUA. Este é considerado o marco inicial do projeto. A construção do site iniciou-se no mesmo mês e, em quatro de janeiro de 2020, a enciclopédia eletrônica teve início. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do site ===&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia teve suas origens em um período de recesso acadêmico, mais precisamente em dezembro de 2019. Naquele momento, seu idealizador não estava mais na Universidade Federal do Amaopa e já havia consolidado sua posição como docente no [https://psicologiaro.uff.br/ Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense] (UFF), lotado no campus de Rio das Ostras, estado do Rio de Janeiro. Aproveitando a pausa das atividades regulares, o professor decidiu empreender um processo de autoaprendizagem e aplicação prática sobre a arquitetura e a construção de websites.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este projeto inicial foi concebido como um estudo-piloto para aquilo que seria o Portal História da Psicologia. A ideia central era criar uma plataforma digital que, em termos de conteúdo, guardava uma relação temática com o Advances in the History of Psychology (AHP) e foco na disponibilização de links relevantes, mas com uma abordagem significativamente mais direta e simplificada. A principal diferença e foco estratégico do novo empreendimento era o público-alvo: o conteúdo seria integralmente voltado para a comunidade lusófona, preenchendo uma lacuna percebida na oferta de material de qualidade sobre o tema em língua portuguesa e que, inicialmente, havia sido pensado para o site da Sociedade Brasileira de História da Psicologia - o que acabou não ocorrendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de ser um projeto nascido em um recesso, o desenvolvimento foi rápido. Já no final de dezembro de 2019, uma primeira versão do site estava no ar e acessível ao público. Contudo, essa versão inicial era notavelmente rudimentar e limitada em sua funcionalidade e abrangência. O site consistia essencialmente em páginas estáticas que organizavam alguns links relevantes. Embora já apresentasse uma organização sistemática dos temas propostos, essa estruturação era ainda incipiente e precária, refletindo o caráter embrionário do projeto e o seu uso como ferramenta de aprendizado na construção de plataformas digitais. Esse lançamento inicial, ainda que simples, marcou o nascimento oficial do Portal História da Psicologia, estabelecendo a base para o crescimento e expansão que se seguiriam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira grande reforma do site do Portal foi feito por [http://lattes.cnpq.br/0923932871489290 Raquel Donegá de Oliveira], que publicou a nova versão em 2023 com várias atualizações e uma reforma visual completa. Em 2024 foi a vez de Lara Overney Magariños criar uma nova versão, utilizada atualmente, com outra reformulação e modernização, trazendo uma interface mais intuitiva e conexões diretas com os diferentes produtos e partes do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O surgimento da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP) ===&lt;br /&gt;
Com a fundação do site principal do projeto, a atenção voltou-se para a elaboração de uma enciclopédia especializada. A principal fonte de inspiração para essa empreitada foi o notável [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil: Pioneiros], uma obra de referência que já contava com uma versão digital acessível através da BVS-Psi (Biblioteca Virtual em Saúde - Psicologia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após uso regular desse material para estudos e pesquisas, que é amplamente reconhecido como uma referência fundamental na área da história da psicologia brasileira, tornou-se evidente que uma parcela significativa das informações contidas no Dicionário se encontrava desatualizada. Isso era um reflexo natural do constante avanço das pesquisas e estudos históricos na disciplina, que frequentemente trazem novas descobertas e reinterpretações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar da importância e qualidade inegável do Dicionário, sua natureza de publicação em formato impresso impunha uma limitação significativa, que é a lentidão no processo de atualização. Uma obra física não pode ser corrigida ou complementada rapidamente, pois qualquer modificação exige a organização de todo um novo ciclo editorial, que abrange desde a revisão e a impressão até a distribuição. Esse processo é notoriamente dispendioso, tanto em termos de tempo quanto de recursos financeiros. Infelizmente, o mesmo ocorria com sua versão digital, que era tão estática quanto o original impresso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência e a consolidação da tecnologia da informação moderna ofereciam uma alternativa promissora a essa limitação secular. Com o advento da chamada Web 2.0, a era da internet interativa e participativa, a necessidade de esperar longos ciclos de publicação para incorporar atualizações parecia obsoleta. A tecnologia atual permite que qualquer informação seja revisada, corrigida ou expandida de maneira extremamente ágil e quase instantânea, com interação constante junto ao público. O paradigma dessa nova realidade é a Wikipédia, que demonstra a viabilidade e eficácia de um modelo de produção e disseminação de conhecimento em constante e rápida evolução, bem diferente da rigidez dos formatos tradicionais de publicação. Essa agilidade e acessibilidade tornaram-se o modelo a ser replicado na criação da nova enciclopédia digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desta feita, decidiu-se pela utilização do mesmo sistema utilizado pela famosa enciclopédia, chamado [[mediawikiwiki:MediaWiki|Mediawiki]], que conta com uma comunidade ativa de desenvolvedores e um suporte já muito bem estabelecido. A WikiHP foi concebida em dezembro de 2019, visando atender o programa de monitoria da disciplina de História da Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras. Nesta disciplina, grupos de estudantes seriam avaliados por meio da criação de verbetes temáticos relacionados à história da psicologia. Os melhores trabalhos seriam depositados na WikiHP, cuja finalidade restringia-se à produção de material de apoio para a própria disciplina. Com a instalação do sistema na raiz do servidor do site e a criação do subdomínio, tudo em quatro de janeiro de 2020, foi criada a [https://wiki.historiadapsicologia.com.br Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)], que traria verbetes sobre temas relativos à história da psicologia. A logomarca da WikiHP foi criada ainda naquele mês, bem como a logomarca do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próximo passo foi iniciar a publicação de verbetes e, para isso, era necessário criar um que pudesse ser usado como exemplo pelos colaboradores da Enciclopédia. Assim, o prof. André Morelli escreveu e publicou o verbete [[Alfred Binet]], aproveitando um conjunto de estudos que fazia à época e que se tornou o primeiro material publicado na WikiHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Primeira fase: apoio ao ensino remoto ====&lt;br /&gt;
A eclosão da pandemia de Covid-19 em 2020 impôs um cenário de profundas transformações no ambiente acadêmico. Na Universidade Federal Fluminense (UFF) as aulas presenciais foram suspensas em março de 2020, o que mudou de forma significativa o funcionamento do projeto. Adotou-se um regime de ensino remoto como medida de contingência e segurança sanitária. Foi neste contexto desafiador que se deu um passo crucial na trajetória da Wiki, qual seja, a sua integração direta e orgânica com as atividades de ensino e aprendizagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este movimento de articulação foi catalisado, inicialmente, pela atuação proativa de [http://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira], que era, na época, um aluno de graduação do curso de Psicologia da UFF. Yuri foi agraciado com a bolsa de Auxílio a Atividades Remotas, um suporte financeiro e institucional oferecido pela [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) da UFF], visando exatamente aprimorar e apoiar as metodologias de ensino a distância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Segunda fase: expansão ====&lt;br /&gt;
Orientado para a disciplina de História da Psicologia, a iniciativa centralizou-se na estruturação de um projeto pedagógico que fosse inovador e pudesse articular o ensino tradicional com novas ferramentas de informação e comunicação. A estratégia consistiu em organizar os estudantes da disciplina em grupos de trabalho. O objetivo primordial desses grupos era a pesquisa e elaboração de novos verbetes para a enciclopédia WikiHP. Esse processo transformava os alunos de meros consumidores de conteúdo em ativos produtores de conhecimento. A qualidade e a relevância acadêmica dos verbetes produzidos eram fatores determinantes. Os melhores trabalhos, após uma criteriosa avaliação e revisão, seriam selecionados para publicação oficial na enciclopédia digital. Mais do que um mero reconhecimento, essa publicação inseria o trabalho dos estudantes em um contexto de divulgação científica aberta. Adicionalmente, dependendo da temática abordada e de sua adequação ao currículo, os verbetes mais robustos e didáticos tinham o potencial de serem formalmente incorporados como material didático complementar e permanente da própria disciplina de História da Psicologia, estabelecendo um ciclo virtuoso de produção, uso e refinamento do conhecimento. Esta iniciativa não só manteve o engajamento dos alunos durante o ensino remoto, como também enriqueceu de maneira significativa o acervo da WikiHP, solidificando seu papel como um recurso educacional aberto e colaborativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Yuri Vieira e André Morelli iniciaram a definição dos procedimentos para a redação dos verbetes e dos padrões de qualidade do Portal História da Psicologia (WikiHP). Para tal, basearam-se no verbete de Alfred Binet e na experiência direta de coleta e produção de conteúdo. A experiência com a construção de verbetes e as interações com os alunos favoreceram o amadurecimento das normas e dos melhores procedimentos que pudessem atender o projeto, mantendo a qualidade dos textos e a formação dos estudantes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Monitoria =====&lt;br /&gt;
Em 2021, o projeto se expandiu com a criação de um programa de monitoria, aprofundando a integração entre ensino e projeto. As monitoras envolvidas foram [http://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (bolsista) e [http://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] e [http://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto dos Reys] (voluntárias). Com a evolução constante do projeto e a incorporação de novos monitores ao longo dos anos, a WikiHP baseou-se em grande medida no apoio oferecido pela Pró-Reitoria de Graduação na forma de bolsas de monitoria, desenvolvendo tanto as disciplinas envolvidas quanto o projeto da enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== A publicação de uma obra de referência ====&lt;br /&gt;
Todo este trabalho, que envolveu um esforço contínuo de sistematização e organização do conhecimento na área, culminou na publicação da primeira obra de referência para a enciclopédia, o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo]. Publicado no ano de 2022 pela [https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia], este volume inaugural teve a autoria de André Elias Morelli Ribeiro. A obra representou a consolidação de toda a experiência acumulada ao longo dos anos de desenvolvimento do projeto do Portal. Ela detalhou e formalizou aspectos cruciais para a consistência e qualidade do conteúdo enciclopédico, estabelecendo padrões para a inclusão de novas informações. Entre os elementos fundamentais abordados, o livro definiu o sistema de categorias temáticas, a estrutura e a organização das seções de cada verbete, o estilo de escrita acadêmica e informativa a ser seguido e, notavelmente, orientações metodológicas rigorosas para a pesquisa e referências bibliográficas. Em essência, o livro WikiHP de 2022 serviu como um manual de estilo abrangente e uma carta magna para a produção de conteúdo dentro do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido à evolução constante do projeto e à necessidade de incorporar novas diretrizes e aprendizados, o livro ganhou uma [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 segunda edição revista e ampliada]. Esta nova edição foi publicada em 2025, refletindo as atualizações necessárias para manter a obra alinhada com o estado atual da enciclopédia e as melhores práticas editoriais. Um marco significativo desta nova versão foi a expansão da equipe editorial, pois a edição de 2025 passou a ser uma coautoria entre André Elias Morelli Ribeiro e [http://lattes.cnpq.br/1153398469018062 Júlia Lombardi Carneiro], integrando novas perspectivas e conhecimento ao documento fundamental da Enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do Canal História da Psicologia TV (HPTV) ===&lt;br /&gt;
Durante o período desafiador da pandemia de Covid-19, o Portal História da Psicologia encontrou uma oportunidade única de crescimento e consolidação. A crise sanitária impulsionou uma busca generalizada por atividades e oportunidades de desenvolvimento de estudos e pesquisas que pudessem ser realizadas integralmente no formato digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa procura resultou em um fortalecimento significativo da equipe do Portal, com um aumento notável no número de pessoas interessadas em colaborar. Esse influxo de novos membros e entusiastas criou as condições ideais para viabilizar um projeto de longa data, já imaginado no período da gestão 2017-2019 da SBHP, a produção sistemática de conteúdo em vídeo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos dos novos colaboradores que se juntaram à iniciativa e demonstraram interesse na produção de vídeos eram, simultaneamente, membros ativos do Varanda, um proeminente grupo de pesquisa focado na história da psicologia, sob a liderança do professor Arthur Arruda Leal Ferreira. Essa sobreposição de participantes naturalmente levou ao estabelecimento de uma colaboração frutífera e estratégica entre o Varanda e o Portal. A conexão se estabeleceu de forma orgânica, permitindo que as discussões aprofundadas, os debates intelectuais e os insights gerados nas reuniões e seminários do grupo de estudos Varanda fossem sistematicamente transpostos e refletidos no conteúdo audiovisual produzido para o Portal. Essa sinergia não só enriqueceu a qualidade e a profundidade dos vídeos, como também ampliou o alcance das discussões acadêmicas para um público mais vasto no ambiente digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gênese do primeiro vídeo para o Canal História da Psicologia TV, um marco na sua trajetória, está intrinsecamente ligada à discussão aprofundada de um artigo seminal sobre o famoso teste de Rorschach, popularmente conhecido como o &amp;quot;teste das manchas&amp;quot;. Este debate ocorreu no âmbito do grupo de estudos Varanda, durante a discussão do artigo Image of Self, de autoria de Peter Galison, que serviu como ponto de partida e inspiração crucial. O vídeo foi concebido com o objetivo de traçar a história deste instrumento de avaliação psicológica, que é frequentemente cercado de dúvidas e polêmicas por parte da população geral. Criado por Hermann Rorschach, o teste de Rorschach transcendeu o ambiente clínico e acadêmico, ganhando uma presença notável e fascinante na cultura popular, sendo frequentemente referenciado em filmes, séries e literatura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A premissa central na idealização do projeto era manter um rigor acadêmico na apresentação dos acontecimentos e na análise histórica do teste. Simultaneamente, havia a preocupação em comunicar essa história de forma acessível e envolvente, permitindo um diálogo efetivo da academia com um público mais amplo e diversificado, que incluía estudantes, profissionais da área e leigos curiosos sobre a psicologia. O desafio, portanto, residia em equilibrar a profundidade da pesquisa histórica com a clareza e o apelo da narrativa audiovisual, garantindo que o primeiro vídeo estabelecesse o padrão de excelência e abrangência que se tornaria a marca registrada do Canal História da Psicologia TV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O roteiro deste primeiro vídeo foi criado por André Elias Morelli Ribeiro, com narração de [http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] e edição de [http://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto]. Finalizado em abril de 2020, foi inicialmente publicado no perfil pessoal de André Morelli no YouTube, o que indicou a necessidade da criação de um canal na mesma plataforma destinado aos vídeos produzidos pela equipe do Portal. Assim, em 27 de maio de 2020, foi criado o Canal História da Psicologia TV, com a publicação do vídeo “Como surgiu o Teste de Rorschach”. O estilo do vídeo vale-se de uma narração suave de acontecimentos com a sucessiva exposição entre 3 e 6 segundos de imagens ilustrativas, algumas coletadas em repositórios de imagens e outras criadas pela própria equipe. A proposta era permitir a migração futura do vídeo também para o formato de podcast, o que ainda não aconteceu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguindo a mesma lógica, o segundo vídeo do Canal foi desenvolvido para tratar do famoso experimento de obediência de Stanley Milgram. O roteiro foi baseado em um texto inicialmente publicado no Boletim da SBHP e traduzido por André Elias Morelli Ribeiro. O objetivo principal era criar um recurso audiovisual com dupla função: servir como material didático auxiliar no ensino da história da psicologia e, ao mesmo tempo, oferecer uma visão mais precisa do experimento de Milgram. Isso se tornou necessário porque o experimento é frequentemente alvo de interpretações e generalizações que se afastam dos propósitos e escritos originais do psicólogo norte-americano. Além disso, o vídeo visava fortalecer a integração entre os diversos produtos e iniciativas geradas pela própria equipe do Portal, conectando as diferentes vertentes do projeto. Este segundo vídeo teve roteiro, narração e edição de André Elias Morelli Ribeiro e a revisão de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos e Letícia Gomes Canuto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2021 o projeto passou a receber o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense, por meio da concessão de uma bolsa de extensão. O primeiro contemplado e quem ajudou a consolidar a linguagem e o estilo do canal foi Antonio Lucas Merêncio. Vitória Gomes Silva e Júlia Lombardi Carneiro também foram bolsistas do projeto. O Canal ultrapassou as 50 produções, entre transmissões de eventos ao vivo, videoaulas e produções originais, consolidando-se como um espaço importante de divulgação da história da psicologia na internet. Continuando o trabalho, em 2026, Alice Nascimento Moraes Fernandes recebeu bolsa de extensão da Universidade Federal Fluminense para retomar a produção de vídeos do canal, que havia sido paralisada em 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Cursos ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV oferece dois cursos, incluindo videoaulas e indicações de leituras. O primeiro a ser criado foi o de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação], que recebeu apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense por meio de um fomento direto em 2021. Isso permitiu a contratação de uma produtora profissional para criar vídeos de alta qualidade. Junto da playlist, uma página foi adicionada ao site, com uma lista dos vídeos, as recomendações de leitura e outras referências para cada episódio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2022 foi criado o curso de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-no-brasil/ História da Psicologia no Brasil], uma série de quatro videoaulas e um vídeo complementar com temas relativos à história da psicologia no Brasil, com foco nas linhas e abordagens. Para este curso, existe também uma página no site do Portal, com links para os vídeos e as referências utilizadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Séries ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV possui três séries de vídeos com temas específicos. O primeiro é o de [https://www.youtube.com/watch?v=1SX3ndp6EWM&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWJgYPh3NyUyXkT77ZnV4_A História dos testes, instrumentos e avaliação psicológica]. A série começou a ser construída em 2020, com o vídeo sobre a história dos testes Army Alpha e Army Beta e hoje conta com cinco vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra série importante do Canal é a de [https://www.youtube.com/watch?v=tzXyZ4yEQDg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHVuUF2L5wcbQTnxspJmot7C História dos Experimentos em Psicologia], que inclui o segundo vídeo mais antigo do canal, sobre o experimento de Milgram, e ainda outros dois vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, a série sobre [https://www.youtube.com/watch?v=y6EYjEtUJcg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWXerE9-0IAhn1H7WJ_Ir5w O Destino dos Pacientes do Dr. Freud], certamente o mais polêmico e delicado do Canal e frequente alvo de críticas por parte do público. A série apresenta partes do trabalho do historiador Mikell Borch-Jacobsen e conta com quatro vídeos, todos apresentando uma posição crítica contra a historiografia psicanalítica hegemônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração com o ensino ====&lt;br /&gt;
Os vídeos do Canal História da Psicologia TV são utilizados como material complementar em contexto de ensino de graduação. Além de temas interessantes e vídeos ilustrativos, alguns conteúdos são baseados principalmente em fontes primárias, o que pode ser utilizado para facilitar a compreensão de textos clássicos da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 2024, foi incorporada uma nova estratégia de integração, o incentivo para os discentes criarem roteiros que possam ser aproveitados na produção de vídeos para o Canal. Para viabilizar essa possibilidade, foram criadas [[Canal História da Psicologia TV|orientações sobre como criar roteiros]], e os discentes passaram a ser orientados na reflexão da conexão entre o conhecimento acadêmico e as formas de sua comunicação com a sociedade. Vídeos como O Experimento de Aprisionamento de Stanford são resultado deste novo processo inovador de integração entre ensino e divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação da Editora do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
Com o desenvolvimento da WikiHP e o fortalecimento do sistema do Portal, mostrou-se necessária a publicação de uma obra de referência para auxiliar os colaboradores da WikiHP na produção de verbetes. Visando agilidade na publicação desta obra, bem como o corte de custos e a possibilidade do desenvolvimento de projetos editoriais autônomos, iniciaram-se os movimentos para a criação da Editora do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após consultas à Câmara Brasileira do Livro (CBL) e à legislação sobre o mercado editorial, optou-se por uma estrutura inovadora, baseada em noções da nova economia digital. O selo editorial “[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]” foi vinculado a uma empresa de marketing digital e cadastrado na CBL, passando a figurar como uma editora comercial com comitê editorial. Características como o caráter voluntário de seus colaboradores, a ausência de interesse em lucro, o modo como as obras são editadas e as formas de registro das mesmas tornam os custos para publicação na Editora do Portal extremamente baixos. Os livros publicados pela Editora do Portal incluem um DOI, ISBN e ficha catalográfica feita por bibliotecário profissional, além da garantia de livre acesso por meio digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro livro publicado pela Editora do Portal foi o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo], de autoria de André Elias Morelli Ribeiro, que também construiu o projeto gráfico e a capa da obra. Atualmente, a Editora do Portal tem nove livros em seu portfólio e totaliza 53 lançamentos, entre livros e seus diferentes capítulos, que podem receber um DOI próprio quando se trata de coletânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== O Boletim do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
A Editora do Portal História da Psicologia, após a bem-sucedida experiência de publicar sua primeira obra, solidificou as bases para resgatar um projeto que estava em suspenso: o Boletim da SBHP. Este periódico havia sido interrompido após o lançamento de apenas quatro edições. Contudo, em 2022, a ideia de revitalizar o projeto foi trazida novamente à discussão entre os colaboradores ativos do Portal História da Psicologia, culminando no surgimento do projeto dos [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A concepção fundamental por trás dos Boletins do Portal é notavelmente similar à do extinto Boletim da SBHP. O objetivo central é criar um espaço editorial para a publicação de textos que, apesar de sua inegável relevância, não encontram canais de publicação nos veículos científicos tradicionais de maior circulação. O foco é dado a materiais que se revestem de significativa importância histórica, conceitual, memorialista ou que são cruciais para o debate e a reflexão no campo brasileiro da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma alteração estratégica fundamental implementada no novo projeto foi a mudança na categoria editorial da publicação. Enquanto o Boletim da SBHP era formalmente classificado como uma revista periódica, o novo Boletim do Portal História da Psicologia passou a ser concebido e publicado na forma de livro. Esta reclassificação trouxe um aumento na atratividade e no prestígio percebido da publicação, inserindo-a em um nicho diferente do mercado editorial e acadêmico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de herdar e acolher todos os tipos de contribuições que eram destinados ao antigo Boletim da SBHP, os Boletins do Portal introduziram uma nova e importante modalidade de conteúdo: a inclusão de versões estáveis dos melhores verbetes publicados na WikiHP. Estes verbetes, originários da enciclopédia colaborativa online do Portal, são transformados em capítulos de livro após passarem por um rigoroso processo de nova revisão e aperfeiçoamento. O objetivo desta revisão adicional é garantir a máxima qualidade textual e a confiabilidade acadêmica do conteúdo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta estratégia de transposição de verbetes da plataforma online para o formato e-book confere diversos benefícios. Embora o verbete original na WikiHP continue a ser uma plataforma viva e em constante edição, a sua versão publicada no Boletim marca um momento específico e consolidado de sua produção e desenvolvimento, servindo como um registro formal. Adicionalmente, a publicação em formato de livro, sob o selo da Editora do Portal, confere um prestígio e reconhecimento acadêmico muito maior aos autores e aos textos selecionados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto demonstrou ser altamente produtivo e relevante desde sua implementação. Entre os anos de 2022 e 2024, o Portal História da Psicologia conseguiu lançar três edições do seu novo Boletim. Estas edições se destacaram pela diversidade e riqueza do material publicado, abrangendo uma vasta gama de categorias textuais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Artigos inéditos em português ou espanhol; &lt;br /&gt;
* Traduções de textos contemporâneos de grande relevância para a área; &lt;br /&gt;
* Traduções de clássicos da história, filosofia ou epistemologia da psicologia; &lt;br /&gt;
* Reedição de textos clássicos originalmente publicados em português ou espanhol, acompanhados de comentários críticos e notas; &lt;br /&gt;
* Relatos de pesquisa, incluindo relatos de viagens, experiências de grupos de pesquisa e cobertura de eventos científicos; &lt;br /&gt;
* Ensaios teóricos e críticos; &lt;br /&gt;
* Resenhas de livros e outras mídias e &lt;br /&gt;
* Entrevistas com figuras proeminentes do campo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Lista de obras publicadas na Editora do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Boletim do Portal =====&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.18098475 Boletim do Portal História da Psicologia 4 (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14511623 Boletim do Portal História da Psicologia 3 (2024)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 Boletim do Portal História da Psicologia 2 (2023)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia (2022)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia =====&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 WikiHP: definições, orientações e estilo (2a edição) (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo (1a edição) (2022)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Outras publicações =====&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de Método Clínico para Contextos de Ensino de Psicologia (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14937498 Introspecção (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.13900662 Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro (2024)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Perfis da Editora =====&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista completa de livros e capítulos publicados pela Editora do Portal História da Psicologia no Zenodo]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://scholar.google.com.br/citations?user=BV8kWGIAAAAJ&amp;amp;hl=pt-BR Perfil da Editora do Portal História da Psicologia no Google Acadêmico]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://independent.academia.edu/PortalHist%C3%B3riadaPsicologia Perfil da Editora do Portal História da Psicologia no Academia]   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A estruturação do Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp) ===&lt;br /&gt;
JO [https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)] é a retomada e reforma de dois projetos anteriores. O primeiro, vinculado à Sociedade Brasileira de História da Psicologia, organizava as principais publicações dos principais membros da Sociedade. Era uma lista com os destaques da produção bibliográfica, criada com o objetivo de divulgar o campo brasileiro de história da psicologia. Esta lista chegou a ficar pública por um curto período no ano de 2018, mas devido às suas limitações técnicas e sua pouca utilidade, acabou abandonada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda tentativa de organizar a produção acadêmica relevante foi uma lista simples, com referências organizadas em ordem alfabética e disponibilizada na forma de documento online. Estas listas ficaram disponíveis no site do Portal e recebeu algumas colaborações pontuais, mas seu formato mostrou-se rapidamente inviável e logo foi abandonado. Ficava evidente que era necessário utilizar novas tecnologias para a organização deste conjunto de referências, tanto devido à quantidade de dados quanto as possibilidades oferecidas por tecnologias mais novas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A jornada para criar um sistema de gestão de informação bibliográfica dedicado ao campo brasileiro de história da psicologia começou em 2022 e visava centralizar e disponibilizar online e gratuitamente todas as referências relevantes sobre história, filosofia e epistemologia da psicologia - desde que tivessem um viés histórico - facilitando a pesquisa na área. Assim, o Sirehp seria um sistema de fomento à pesquisa, tanto acadêmica quanto para formação profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os esforços iniciais envolveram a busca por parceiros, culminando em contatos com docentes do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Rio das Ostras. O objetivo era desenvolver um aplicativo online para organizar e curar referências bibliográficas de forma amigável e ágil. Contudo, a complexidade técnica do projeto levou ao seu adiamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em abril de 2023, observou-se a possibilidade de utilizar a capacidade do [https://zotero.org/ Zotero], um sistema digital sincronizado em nuvem de gestão de referências, de coletar metadados de referências bibliográficas e, a partir deles, gerar uma visualização online com funcionalidades como busca e a criação de links permanentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesquisa nos fóruns do Zotero revelou a existência do [https://github.com/whiskyechobravo/kerko Kerko], um sistema livre criado pelo desenvolvedor canadense David Lesieur. O Kerko permitia a publicação web de bibliografias geradas via Zotero, oferecendo busca fácil e, crucialmente, a capacidade de incorporar uma biblioteca compartilhada. Isso possibilitava a atribuição de papéis de curadoria, permitindo que colaboradores alimentassem e corrigissem a base do Sirehp (Sistema de Referências em História da Psicologia) mediante uma pasta compartilhada do Zotero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os desafios técnicos foram superados com a colaboração do desenvolvedor de sistemas de informação [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro], que instalou o Kerko em um subdomínio do Portal História da Psicologia. O Sirehp foi oficialmente lançado em 26 de agosto de 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, problemas com o provedor de computação em nuvem causaram a indisponibilidade do sistema dois meses após o lançamento. Esta interrupção, que exigiu um alto investimento financeiro para ser resolvida, perdurou até 6 de janeiro de 2024, quando um novo servidor foi localizado. Durante esse período, o programador voluntário [https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos] integrou-se à equipe. Entre abril e outubro de 2024, o Sirehp contou com o suporte gratuito em nuvem do projeto [https://www.pythonanywhere.com/ PythonAnywhere].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outubro de 2024, o desenvolvedor Allan Denis Morelli Ribeiro implementou modificações significativas no Sirehp. Estas incluíram a melhoria da usabilidade, a adição de novas opções de busca e filtros mais eficientes. Além disso, ajustes na hospedagem garantiram maior estabilidade e robustez ao sistema. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2026, a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense concedeu bolsa de extensão para Arthur Macedo Nunes, que atuará no projeto entre abril e dezembro deste ano. Seus dois objetivos principais são o crescimento do acervo do projeto e revisar as referências já inseridas, visando [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)|adequações no escopo do projeto]], que foi reformulado entre o final de 2025 e o início de 2026. Ainda em 2026, os dois desenvolvedores parceiros, Neil Angelo dos Santos e Allan Denis Morelli Ribeiro iniciaram o desenvolvimento de um novo sistema, visando substituir o Kerko no Sirehp. João Victor Mothé, por iniciativa própria, inseriu todos os itens do Dicionário de Instituições da Psicologia Brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Redes sociais ===&lt;br /&gt;
O projeto possui atividades no [https://www.facebook.com/HistoriaDaPsicologiaBrasil/ Facebook], [https://www.instagram.com/historiadapsicologia/ Instagram] e [https://x.com/Hist_Psicologia X] (antigo Twitter), com tipos de atividades diferentes. A princípio, desenhou-se uma estratégia, implementada a partir de 2020, de utilização das redes sociais visando à divulgação científica da história da psicologia. Com o tempo e o engajamento dos colaboradores do projeto em outras atividades, esta abordagem terminou por ser abandonada. Hoje, as redes sociais do Portal limitam-se a divulgar os produtos do Portal, como livros, novos verbetes, vídeos publicados, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Podcast ===&lt;br /&gt;
A expansão das atividades do projeto História da Psicologia não se limitou ao formato audiovisual. A criação do Canal História da Psicologia TV, um marco inicial na divulgação de conteúdo sobre a história da disciplina, foi imediatamente acompanhada e complementada por um projeto de lançamento de um Podcast. A premissa central dessa iniciativa de áudio era a reutilização estratégica de parte do material já produzido para os vídeos, adaptando-o para o formato puramente sonoro. Essa decisão se fundamentava na observação de que o componente visual dos vídeos era, em grande medida, meramente ilustrativo, ou seja, a essência do conteúdo e a riqueza da informação residiam primariamente no áudio e na narrativa falada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a jornada para estabelecer uma linha de produção de podcast autônoma foi marcada por desafios significativos e tentativas frustradas. Buscando profissionalizar e dedicar recursos humanos específicos a esse formato, foram feitas duas tentativas formais de constituição de equipes de trabalho exclusivamente voltadas para o desenvolvimento, gravação e edição do podcast. A primeira tentativa ocorreu em 2022 e a segunda, no ano subsequente, em 2023. Ambas as iniciativas, apesar do entusiasmo inicial e do reconhecimento da importância do formato de áudio para o alcance de novas audiências e a otimização da experiência de consumo de conteúdo, infelizmente não prosperaram, resultando no adiamento da consolidação de um podcast com produção independente do canal de vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Patrocinadores ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, em suas diferentes partes, recebeu várias formas de suporte financeiro. As diferentes formas de apoio foram oferecidas por quatro agências ou órgãos diferentes de fomento: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proex/ Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proaes/ Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense] e &lt;br /&gt;
* [https://agir.uff.br/ Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O apoio financeiro se concretizou tanto na forma de bolsa quanto em investimento direto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Patrocinadores e fomentadores do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Patrocinador&lt;br /&gt;
|Projetos&lt;br /&gt;
|Tipo&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de atividades remotas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de monitoria&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
2022, 2024, 2025 e 2026&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fomento a atividades extensionistas&lt;br /&gt;
|Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Financiamento&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2023 e 2024&lt;br /&gt;
2024, 2025 e 2026&lt;br /&gt;
2026&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de desenvolvimento acadêmico&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de iniciação tecnológica e inovação&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Extensão ===&lt;br /&gt;
Como projeto vinculado ao Departamento de Psicologia de Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, partes do Portal foram financiadas pela Pró-Reitoria de Extensão, por meio da concessão de bolsas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de extensão concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Antonio Lucas da Silva Merêncio&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Gunther Mafra Guimarães&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro &lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alice Nascimento Moraes Fernandes&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Arthur Macedo Nunes&lt;br /&gt;
|Sistema de Referência em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Iniciação Tecnológica e Inovação ===&lt;br /&gt;
As bolsas de iniciação tecnológica e inovação são oferecidas, no âmbito da UFF, pela Agência de Inovação da UFF (Agir). Seus editais são bastante concorridos e suas bolsas são prestigiosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gunther Mafra Guimarães (WikiHP) (2023)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Ensino ===&lt;br /&gt;
Foram concedidos dois tipos de bolsa para o Portal na modalidade ensino. Uma para atividades remotas e outra para atividades de monitoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de ensino concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Tipo de bolsa&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Yuri Pereira Antunes Vieira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Apoio a Atividades Remotas&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Mariana dos Santos dos Anjos&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Peterson Manoel Fernandes Pereira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Izabella Simões da Cruz&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Isabella Correia Venturine&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Permanência ===&lt;br /&gt;
A UFF oferece aos seus alunos um conjunto de oportunidades de auxílio à permanência. Até 2024, os alunos contemplados com estas bolsas precisavam vincular-se aos projetos aprovados pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e, dentre eles, estava o [http://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]. Esta forma de fomento à permanência foi extinta em 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Thaís Arci Menezes (Desenvolvimento Acadêmico) (Sirehp) (2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fomento a atividades extensionistas ===&lt;br /&gt;
A Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense ofereceu, por meio de um edital, recursos para o fomento a atividades extensionistas. Os recursos não poderiam ser usados na forma de bolsa nem remuneração direta, mas para compra de equipamentos e contratação de serviços de empresas. O Portal foi beneficiado com os recursos em 2021, utilizando os recursos para a compra de equipamentos para gravação de vídeos e contratando uma produtora profissional, que editou o curso [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Objetivos ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, desde sua concepção, estabeleceu uma série de metas que visam modernizar e integrar o campo da história da psicologia lusófona ao ambiente digital, atuando como um ecossistema de produção e disseminação de conhecimento. A sua estrutura, composta por plataformas interligadas como a WikiHP, o HPTV, a Editora e o Sirehp, foi desenhada para dar suporte a um objetivo maior e a um conjunto de objetivos específicos que articulam as dimensões essenciais da vida acadêmica: o ensino, a pesquisa, a extensão e a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivo Geral ===&lt;br /&gt;
Modernizar e inserir o campo brasileiro de história da psicologia de língua portuguesa no ambiente digital, criando um ecossistema de plataformas e produtos que fomentem a pesquisa, apoiem o ensino, potencializem as atividades de extensão e ampliem a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivos Específicos ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fomento à Pesquisa ====&lt;br /&gt;
Desenvolver e manter plataformas e ferramentas digitais (como o Sirehp) que centralizem, organizem e disponibilizem gratuitamente referências bibliográficas relevantes, facilitando a coleta de dados e a condução de pesquisas nas áreas de história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estimular a produção de conteúdo original e a reflexão crítica na forma de publicações acadêmicas por meio da Editora do Portal e da publicação anual do Boletim do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Apoio ao Ensino ====&lt;br /&gt;
Criar e manter materiais que possam ser usados como complementares e didáticos para o ensino e estudo da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Produzir cursos e videoaulas de alta qualidade que auxiliem na didática da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Potencialização da Extensão e Divulgação Científica ====&lt;br /&gt;
Traduzir o rigor técnico e acadêmico para uma linguagem acessível a um público amplo e diversificado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Manter uma presença estratégica nas redes sociais para a divulgação constante dos produtos do Portal, maximizando o alcance do conhecimento produzido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração das Atividades ====&lt;br /&gt;
Assegurar que os projetos do Portal (Site Principal, WikiHP, HPTV, Editora, Sirehp) funcionem como um ecossistema interligado, onde a pesquisa alimenta o conteúdo do ensino e da extensão, e as atividades de extensão (divulgação e eventos) retroalimentam a pesquisa, com o aprimoramento contínuo das plataformas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Eventos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização de eventos representa uma frente de atuação estratégica e relativamente recente na história do Portal História da Psicologia, consolidando o ecossistema digital com atividades presenciais e híbridas. Esta dimensão do projeto visa transcender a mera divulgação de conteúdo online, promovendo ativamente o debate acadêmico, a expansão de redes de pesquisa e a integração de estudantes e pesquisadores em discussões de ponta na área. O site do Portal oferece uma [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ lista completa], com detalhes, dos eventos organizados pelo grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Simpósios HP ===&lt;br /&gt;
Os Simpósios HP consistem em eventos de um único dia destinados a articular convidados externos com pesquisadores locais. O seu objetivo é expandir as redes internacionais de debate e integrar um campus interiorano, como o de Rio das Ostras, em discussões de maior alcance. Nas duas edições dos Simpósios HP, [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira] (UFRJ) atuou como mediador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras ocorreu em 10 de novembro de 2023 e contou com a presença de [https://agir.uff.br/ James Cresswell], da Ambrose University (Canadá) e [https://socioeconomia.univalle.edu.co/138-estudiantes-de-doctorado/bruno-andres-jaraba-barrios Bruno Jaraba Barrios, da Universidad del Valle] (Colômbia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras aconteceu em 15 de março de 2024 e teve como debatedor [https://eled.auth.gr/eng/the-school/personnel/marvakis/ Athanasios Marvakis], da Universidade de Tessalônica (Grécia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simpósios de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|Convidados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|10 de novembro de 2023&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 1&lt;br /&gt;
|James Cresswell (Ambrose University, Canadá), Bruno Jaraba Barrios, (Universidad del Valle, Colômbia), Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|15 de março de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 6 do prédio novo&lt;br /&gt;
|Athanasios Marvakis (Universidade de Tessalônica, Grécia), Arthur Arruda Leal Ferreira Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), tradução de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Encontros HP ===&lt;br /&gt;
Os Encontros HP foram concebidos como atividades em resposta à paralisação dos docentes federais ocorrida em 2024. Estes consistiram em reuniões presenciais nas instalações do Instituto de Humanidades e Saúde da Universidade Federal Fluminense, em Rio das Ostras, dedicadas à discussão coletiva de diversos temas pertinentes à história da psicologia que não são habitualmente contemplados nos programas curriculares regulares da área.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Assunto&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1&lt;br /&gt;
|Lavagem cerebral e controle mental na Guerra Fria: MK-Ultra: a teoria da conspiração da vida real&lt;br /&gt;
|21 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2&lt;br /&gt;
|Usos da Inteligência Artificial na Psicologia: cognição, terapia e outros&lt;br /&gt;
|28 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Sala 5 do prédio novo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3&lt;br /&gt;
|Experimentos em psicologia da manipulação&lt;br /&gt;
|4 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4&lt;br /&gt;
|Estratégias e consequências por trás das seitas&lt;br /&gt;
|11 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5&lt;br /&gt;
|Terraplanistas, reptilianos, caçadores de alienígenas: grupos de teorias da conspiração&lt;br /&gt;
|18 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6&lt;br /&gt;
|Psicopatia, sociopatia e serial killers: o que realmente forma uma mente criminosa?&lt;br /&gt;
|25 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Encontro do Trecho ===&lt;br /&gt;
Também no ano de 2024, o Portal História da Psicologia deu um passo significativo em sua atuação ao organizar e sediar o I Encontro do Trecho. Este evento de grande relevância configurou-se como um marco na consolidação de uma rede internacional de pesquisadores dedicados à história da psicologia, conhecida simplesmente como &amp;quot;Trecho&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A natureza do I Encontro do Trecho foi considerada híbrida, combinando a interação presencial com a participação remota, o que potencializou seu alcance e diversidade. A adesão ao evento superou as expectativas, contando com a notável participação de pesquisadores provenientes de nove países distintos. Esta representação multinacional sublinha o caráter verdadeiramente global da rede e o interesse convergente na área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Encontro teve como local o Instituto de Humanidades e Saúde (IHS) da Universidade Federal Fluminense (UFF). O evento proporcionou um espaço fértil para a discussão aprofundada de novas pesquisas, o intercâmbio de metodologias e a articulação de projetos colaborativos futuros entre os membros da rede &amp;quot;Trecho&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/i-encontro-trecho/ site do Encontro] possui todas as informações detalhadas, como programa, convidados, datas, links para a gravação das mesas, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Mostra de Cinema do Portal ===&lt;br /&gt;
No ano de 2026, o grupo de monitores voluntários das disciplinas de História da Psicologia, Psicologia e História Social e Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo aceitou o convite do coordenador do Portal para organizar uma mostra de cinema. Assim, nasceu a [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/mostra-de-cinema-do-portal/ I Mostra de Cinema do Portal], com a temática Cyberpunk e a Consciência das Máquinas. O evento ocorre entre abril e julho de 2026, com a exibição de três filmes e quatro episódios da série animada Rick &amp;amp; Morty, nas dependências do Instituto de Humanidades e Saúde em Rio das Ostras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Lista de colaboradores do Portal ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fundadores ===&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7924410923493344 André Elias Morelli Ribeiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/3207728098713238 Luiz Eduardo Prado da Fonseca] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/4223540995781494 Gunther Mafra Guimarães] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Julia Escrew (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto Dos Reys] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antonio Lucas da Silva Merencio (2020-2021)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2384057947285765 Maria Carolinna Henriques Monteiro] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Colaboradores ===&lt;br /&gt;
Colaboradores no Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1KZvwBkhclv3JiOFyaVaX0Dhl5DrRJfcO/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores no Canal História da Psicologia TV (HPTV)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1XycAS9o7O63DNRKSyclOYL21h434i3Zz/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores na Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaboradores no Website&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Sistema_de_Refer%C3%AAncias_em_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia_(Sirehp)#Colaboradores Colaboradores no Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia ==&lt;br /&gt;
2018 (agosto) - publicação da primeira edição do Boletim da SBHP, precursor do Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (outubro) - reformulação do projeto desenvolvido na SBHP visando a criação do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (dezembro) - registro do domínio do site do Portal e criação do site&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (4 de janeiro) - criação da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (12 de janeiro) - publicação do primeiro verbete da WikiHP, Alfred Binet&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (abril) - primeiro vídeo do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (27 de maio) - criação do Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (fevereiro) - fundação da Editora do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (abril) - publicação do WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo, primeiro livro da editora e obra de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (dezembro) - publicação do primeiro Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (agosto) - criação do Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (novembro) - primeiro Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (maio) - início da série de Encontros HP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (outubro) - publicação do Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro, um marco para a Editora do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (agosto) - o Portal História da Psicologia vence o Prêmio Manoel Bomfim de Divulgação Científica, oferecido pela Sociedade Interamericana de Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (setembro) - publicação da segunda edição do livro de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2026 (abril) - organização da I Mostra de Cinema do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
Em junho de 2024, o Portal História da Psicologia recebeu o [https://ripehp.com/wp-content/uploads/2023/03/premio-gt-sip-em-portgues.docx.pdf Prêmio Manoel Bomfim de divulgação científica], oferecido pela [https://sipsych.org/ Sociedade Interamericana de Psicologia], como reconhecimento por sua atuação no campo da extensão e divulgação científica. Na cerimônia, o coordenador do projeto foi representado por Júlia Lombardi Carneiro e Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)|Sistema de Referências em História da Psicologia]] (Sirehp)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Canal História da Psicologia TV]] (HPTV)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links Externos ==&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/ Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/ Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (Wikihp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.youtube.com/@HistoriadaPsicologia Canal História da Psicologia TV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ Eventos do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista de publicações da Editora do Portal]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/certificados/ Certificados de participação em eventos e produtos do Portal]&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de método clínico para contextos de ensino de psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi. [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 &#039;&#039;&#039;WikiHP&#039;&#039;&#039;: definições, orientações e estilo.] Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; FERREIRA, Arthur Arruda Leal (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.14511624 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 3&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2024. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra. [https://revistas.hcte.ufrj.br/index.php/RevistaSH/article/view/393/305 Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. &#039;&#039;&#039;Revista Scientiarum História&#039;&#039;&#039;, v.1, n.1, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; GUIMARÃES, Gunther Mafra; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 2&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARAES, Gunther Mafra. [http://www.hcte.ufrj.br/downloads/sh/sh15/anais_SH_15.pdf Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. In: Scientiatum Historia 15, 2022, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Livro de Anais do Scientiarum 15&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, 2022. v. 1. p. 863-874.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.6337937 WikiHP]&#039;&#039;&#039;: políticas, definições, orientações e estilo. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, A. E. M.; FONSECA, L. E. P.; CANUTO, L. G.; SANTOS, M. V. A. G.; VIEIRA, Y. P. A.; ANJOS, M. S.. [https://doi.org/10.51919/Anais_SH14 Portal História da Psicologia]: formando conexões inesperadas entre ensino, pesquisa e extensão. In: Scientiatum Historia 14, 2021, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Anais do Scientiarum Historia XIV&#039;&#039;&#039;, 2021. v. 1. p. 1-8. ISSN 2675-7559 (on-line).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi criado por André Elias Morelli Ribeiro em 2025.2, criador e coordenador da WikiHP e do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ajuda]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Portal_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia&amp;diff=1671</id>
		<title>Portal História da Psicologia</title>
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		<updated>2026-05-12T09:22:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Pequenas correções complementares&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Portal História da Psicologia é ecossistema digital nascido no Departamento de Psicologia em Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense como projeto de extensão mas que tem suas raízes na gestão 2017-2019 da Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP). Criado por André Elias Morelli Ribeiro, o projeto visa modernizar e inserir o campo brasileiro da história da psicologia lusófona nos meios digitais. O Portal é composto por diversas plataformas e projetos interligados, cada um com funções vinculadas à divulgação científica, produção de memória da psicologia, produção de conhecimento científico e extensão. Estas partes incluem o website, a Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP), o Canal História da Psicologia TV (HPTV), a Editora do Portal História da Psicologia e o Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp). Além dos produtos digitais, o Portal publica anualmente, desde 2022, os livros da série do Boletim do Portal História da Psicologia. O Portal também mantém presença nas redes sociais (Facebook, Instagram, X) para a divulgação de seus produtos e ações nas redes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primórdios ===&lt;br /&gt;
As primeiras ideias que visavam a integração do ambiente digital com o mundo acadêmico no campo da história da psicologia, bem como o aproveitamento de tecnologias digitais para a criação de produtos específicos voltados para esse universo, começaram dentro da [https://sbhpsi.com.br/ Sociedade Brasileira de História da Psicologia], durante a [https://sbhpsi.com.br/quem-somos/diretoria-historico/ gestão de Arthur Arruda Leal Ferreira (2017-2019)]. O projeto inicial se limitava a listar todas as referências bibliográficas produzidas pelos principais membros da Sociedade em seu site, além de melhorias na produção da comunicação da gestão da SBHP com os seus afiliados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas comunicações eram feitas principalmente por meio da [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Newsletter da SBHP], uma publicação em formato PDF enviada periodicamente por e-mail aos seus membros. A publicação ficava sob responsabilidade da secretaria da Sociedade, que coletava notícias relevantes do campo brasileiro da história da psicologia. Durante a gestão Arthur Ferreira, a secretaria estava nas mãos de André Elias Morelli Ribeiro, que posteriormente seria o criador do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época vinculado à Universidade Federal do Amapá, o professor André Morelli identificou a necessidade de aprimorar o modelo da Newsletter da SBHP. Ele entendia que as novas ferramentas digitais de informação e comunicação ofereciam maior dinamismo e agilidade na formulação de comunicados da Sociedade. Para melhorar e modernizar essa comunicação, o secretário da Sociedade concebeu um novo formato de publicação, mais parecido com uma revista, ao analisar o conteúdo de alguns textos enviados pelos membros para publicação na Newsletter e que se diferenciavam do seu perfil editorial. Essa nova publicação teria como objetivo acolher materiais opinativos, transcrições de palestras, relatos de pesquisa, relatos de viagens, entre outros tipos de texto que, apesar de serem de grande interesse para o grupo, não seriam tipicamente aceitos em periódicos científicos tradicionais nem caberiam no formato da Newsletter, mas que tinham relevância para o campo e para a Sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2018, durante a reunião da SBHP em Belo Horizonte, foi aprovada uma proposta de reformulação do modelo de comunicação,  que previa a migração dos conteúdos informativos da Newsletter para as redes sociais e a criação do [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Boletim da SBHP], um novo veículo para a publicação de textos em diversos formatos. Com a colaboração de [http://lattes.cnpq.br/3366000072376649 Hugo Leonardo Rocha Silva da Rosa], foram lançadas quatro edições do Boletim, e as redes sociais da Sociedade tiveram uma atuação bastante intensa. Contudo, a gestão subsequente optou por desfazer essas mudanças, retomando o formato de comunicação anterior, o que resultou na extinção do Boletim e na modificação da presença da SBHP nas redes sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O início do Portal ===&lt;br /&gt;
Considerando o histórico da gestão [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira] na SBHP, as sementes plantadas naquele período continuaram se desenvolvendo. Contudo, em uma nova conjuntura, passariam a ser geridas por um grupo menor e descolado da Sociedade. A ideia de modernização e inserção do campo brasileiro da história da psicologia nos meios digitais inspirou-se em três iniciativas. A primeira é o projeto [https://ahp.apps01.yorku.ca/ Advances in the History of Psychology (AHP)], criado por [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Christopher Green], da Universidade York, no Canadá. Nas primeiras formulações do Portal, a ideia era criar um projeto semelhante ao site do AHP, porém com foco no Brasil e, posteriormente, na América Latina. O prof. Green foi um dos primeiros a pensar a integração de recursos online com a história da psicologia, reunindo links, sites, produzindo podcasts, entre outros produtos, de modo que o site do Portal História da Psicologia, principalmente em sua primeira versão, é baseado na experiência do site principal do AHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra inspiração do Portal é o [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia Brasileira: Pioneiros], cuja primeira edição está disponível online no site da Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia (BVS-Psi). O Dicionário é uma criação de [http://lattes.cnpq.br/5350842157910835 Regina Helena de Freitas Campos] e se coloca como um dos grandes marcos do desenvolvimento do campo brasileiro da história da psicologia. É dele que veio a ideia de criar uma enciclopédia que fosse semelhante à Wikipédia em termos de dinamismo e capacidade de atualização e transformação, ao mesmo tempo que se estabelecem elementos de rigor técnico para manter a qualidade do material, assim como no caso do Dicionário. A WikiHP foi o segundo produto a ser incorporado pelo projeto, apesar de ter sido concebido ao mesmo tempo do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira fonte de inspiração para a criação do Portal advém do blog da rede de pesquisa [https://histoiresante.blogspot.com/ Historien.ne.s de la Santé]. Este blog se destaca pela sua atuação nas redes sociais e pela produção de conteúdo digital, estabelecendo uma conexão eficaz entre o mundo acadêmico e de pesquisa e o ambiente digital. Ele utiliza essas ferramentas eletrônicas como caixas de ressonância para difundir publicações, eventos, entre outros. Nesse contexto, também merece menção a [https://ripehp.com/ Rede Iberoamericana de Pesquisadores em História da Psicologia], cujo blog realiza um trabalho semelhante, porém focado na América Latina e que também serviu como base para a criação do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Findo os projetos desenvolvidos junto à SBHP, as reflexões para a continuidade do que seria o Portal tiveram início em outubro de 2019, ocasião em que seu criador já imaginava a publicação de um site, de um sistema de publicação de biografias, um braço audiovisual voltado para a divulgação científica e a organização de uma base de referências. Considerando a organização das primeiras ideias e de como o Portal poderia funcionar, o domínio do site do projeto – que ainda não tinha nome – foi reservado no mês de dezembro de 2019 em um servidor nos EUA. Este é considerado o marco inicial do projeto. A construção do site iniciou-se no mesmo mês e, em quatro de janeiro de 2020, a enciclopédia eletrônica teve início. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do site ===&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia teve suas origens em um período de recesso acadêmico, mais precisamente em dezembro de 2019. Naquele momento, seu idealizador não estava mais na Universidade Federal do Amaopa e já havia consolidado sua posição como docente no [https://psicologiaro.uff.br/ Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense] (UFF), lotado no campus de Rio das Ostras, estado do Rio de Janeiro. Aproveitando a pausa das atividades regulares, o professor decidiu empreender um processo de autoaprendizagem e aplicação prática sobre a arquitetura e a construção de websites.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este projeto inicial foi concebido como um estudo-piloto para aquilo que seria o Portal História da Psicologia. A ideia central era criar uma plataforma digital que, em termos de conteúdo, guardava uma relação temática com o Advances in the History of Psychology (AHP) e foco na disponibilização de links relevantes, mas com uma abordagem significativamente mais direta e simplificada. A principal diferença e foco estratégico do novo empreendimento era o público-alvo: o conteúdo seria integralmente voltado para a comunidade lusófona, preenchendo uma lacuna percebida na oferta de material de qualidade sobre o tema em língua portuguesa e que, inicialmente, havia sido pensado para o site da Sociedade Brasileira de História da Psicologia - o que acabou não ocorrendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de ser um projeto nascido em um recesso, o desenvolvimento foi rápido. Já no final de dezembro de 2019, uma primeira versão do site estava no ar e acessível ao público. Contudo, essa versão inicial era notavelmente rudimentar e limitada em sua funcionalidade e abrangência. O site consistia essencialmente em páginas estáticas que organizavam alguns links relevantes. Embora já apresentasse uma organização sistemática dos temas propostos, essa estruturação era ainda incipiente e precária, refletindo o caráter embrionário do projeto e o seu uso como ferramenta de aprendizado na construção de plataformas digitais. Esse lançamento inicial, ainda que simples, marcou o nascimento oficial do Portal História da Psicologia, estabelecendo a base para o crescimento e expansão que se seguiriam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira grande reforma do site do Portal foi feito por [http://lattes.cnpq.br/0923932871489290 Raquel Donegá de Oliveira], que publicou a nova versão em 2023 com várias atualizações e uma reforma visual completa. Em 2024 foi a vez de Lara Overney Magariños criar uma nova versão, utilizada atualmente, com outra reformulação e modernização, trazendo uma interface mais intuitiva e conexões diretas com os diferentes produtos e partes do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O surgimento da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP) ===&lt;br /&gt;
Com a fundação do site principal do projeto, a atenção voltou-se para a elaboração de uma enciclopédia especializada. A principal fonte de inspiração para essa empreitada foi o notável [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil: Pioneiros], uma obra de referência que já contava com uma versão digital acessível através da BVS-Psi (Biblioteca Virtual em Saúde - Psicologia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após uso regular desse material para estudos e pesquisas, que é amplamente reconhecido como uma referência fundamental na área da história da psicologia brasileira, tornou-se evidente que uma parcela significativa das informações contidas no Dicionário se encontrava desatualizada. Isso era um reflexo natural do constante avanço das pesquisas e estudos históricos na disciplina, que frequentemente trazem novas descobertas e reinterpretações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar da importância e qualidade inegável do Dicionário, sua natureza de publicação em formato impresso impunha uma limitação significativa, que é a lentidão no processo de atualização. Uma obra física não pode ser corrigida ou complementada rapidamente, pois qualquer modificação exige a organização de todo um novo ciclo editorial, que abrange desde a revisão e a impressão até a distribuição. Esse processo é notoriamente dispendioso, tanto em termos de tempo quanto de recursos financeiros. Infelizmente, o mesmo ocorria com sua versão digital, que era tão estática quanto o original impresso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência e a consolidação da tecnologia da informação moderna ofereciam uma alternativa promissora a essa limitação secular. Com o advento da chamada Web 2.0, a era da internet interativa e participativa, a necessidade de esperar longos ciclos de publicação para incorporar atualizações parecia obsoleta. A tecnologia atual permite que qualquer informação seja revisada, corrigida ou expandida de maneira extremamente ágil e quase instantânea, com interação constante junto ao público. O paradigma dessa nova realidade é a Wikipédia, que demonstra a viabilidade e eficácia de um modelo de produção e disseminação de conhecimento em constante e rápida evolução, bem diferente da rigidez dos formatos tradicionais de publicação. Essa agilidade e acessibilidade tornaram-se o modelo a ser replicado na criação da nova enciclopédia digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desta feita, decidiu-se pela utilização do mesmo sistema utilizado pela famosa enciclopédia, chamado [[mediawikiwiki:MediaWiki|Mediawiki]], que conta com uma comunidade ativa de desenvolvedores e um suporte já muito bem estabelecido. A WikiHP foi concebida em dezembro de 2019, visando atender o programa de monitoria da disciplina de História da Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras. Nesta disciplina, grupos de estudantes seriam avaliados por meio da criação de verbetes temáticos relacionados à história da psicologia. Os melhores trabalhos seriam depositados na WikiHP, cuja finalidade restringia-se à produção de material de apoio para a própria disciplina. Com a instalação do sistema na raiz do servidor do site e a criação do subdomínio, tudo em quatro de janeiro de 2020, foi criada a [https://wiki.historiadapsicologia.com.br Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)], que traria verbetes sobre temas relativos à história da psicologia. A logomarca da WikiHP foi criada ainda naquele mês, bem como a logomarca do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próximo passo foi iniciar a publicação de verbetes e, para isso, era necessário criar um que pudesse ser usado como exemplo pelos colaboradores da Enciclopédia. Assim, o prof. André Morelli escreveu e publicou o verbete [[Alfred Binet]], aproveitando um conjunto de estudos que fazia à época e que se tornou o primeiro material publicado na WikiHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Primeira fase: apoio ao ensino remoto ====&lt;br /&gt;
A eclosão da pandemia de Covid-19 em 2020 impôs um cenário de profundas transformações no ambiente acadêmico. Na Universidade Federal Fluminense (UFF) as aulas presenciais foram suspensas em março de 2020, o que mudou de forma significativa o funcionamento do projeto. Adotou-se um regime de ensino remoto como medida de contingência e segurança sanitária. Foi neste contexto desafiador que se deu um passo crucial na trajetória da Wiki, qual seja, a sua integração direta e orgânica com as atividades de ensino e aprendizagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este movimento de articulação foi catalisado, inicialmente, pela atuação proativa de [http://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira], que era, na época, um aluno de graduação do curso de Psicologia da UFF. Yuri foi agraciado com a bolsa de Auxílio a Atividades Remotas, um suporte financeiro e institucional oferecido pela [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) da UFF], visando exatamente aprimorar e apoiar as metodologias de ensino a distância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Segunda fase: expansão ====&lt;br /&gt;
Orientado para a disciplina de História da Psicologia, a iniciativa centralizou-se na estruturação de um projeto pedagógico que fosse inovador e pudesse articular o ensino tradicional com novas ferramentas de informação e comunicação. A estratégia consistiu em organizar os estudantes da disciplina em grupos de trabalho. O objetivo primordial desses grupos era a pesquisa e elaboração de novos verbetes para a enciclopédia WikiHP. Esse processo transformava os alunos de meros consumidores de conteúdo em ativos produtores de conhecimento. A qualidade e a relevância acadêmica dos verbetes produzidos eram fatores determinantes. Os melhores trabalhos, após uma criteriosa avaliação e revisão, seriam selecionados para publicação oficial na enciclopédia digital. Mais do que um mero reconhecimento, essa publicação inseria o trabalho dos estudantes em um contexto de divulgação científica aberta. Adicionalmente, dependendo da temática abordada e de sua adequação ao currículo, os verbetes mais robustos e didáticos tinham o potencial de serem formalmente incorporados como material didático complementar e permanente da própria disciplina de História da Psicologia, estabelecendo um ciclo virtuoso de produção, uso e refinamento do conhecimento. Esta iniciativa não só manteve o engajamento dos alunos durante o ensino remoto, como também enriqueceu de maneira significativa o acervo da WikiHP, solidificando seu papel como um recurso educacional aberto e colaborativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Yuri Vieira e André Morelli iniciaram a definição dos procedimentos para a redação dos verbetes e dos padrões de qualidade do Portal História da Psicologia (WikiHP). Para tal, basearam-se no verbete de Alfred Binet e na experiência direta de coleta e produção de conteúdo. A experiência com a construção de verbetes e as interações com os alunos favoreceram o amadurecimento das normas e dos melhores procedimentos que pudessem atender o projeto, mantendo a qualidade dos textos e a formação dos estudantes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Monitoria =====&lt;br /&gt;
Em 2021, o projeto se expandiu com a criação de um programa de monitoria, aprofundando a integração entre ensino e projeto. As monitoras envolvidas foram [http://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (bolsista) e [http://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] e [http://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto dos Reys] (voluntárias). Com a evolução constante do projeto e a incorporação de novos monitores ao longo dos anos, a WikiHP baseou-se em grande medida no apoio oferecido pela Pró-Reitoria de Graduação na forma de bolsas de monitoria, desenvolvendo tanto as disciplinas envolvidas quanto o projeto da enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== A publicação de uma obra de referência ====&lt;br /&gt;
Todo este trabalho, que envolveu um esforço contínuo de sistematização e organização do conhecimento na área, culminou na publicação da primeira obra de referência para a enciclopédia, o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo]. Publicado no ano de 2022 pela [https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia], este volume inaugural teve a autoria de André Elias Morelli Ribeiro. A obra representou a consolidação de toda a experiência acumulada ao longo dos anos de desenvolvimento do projeto do Portal. Ela detalhou e formalizou aspectos cruciais para a consistência e qualidade do conteúdo enciclopédico, estabelecendo padrões para a inclusão de novas informações. Entre os elementos fundamentais abordados, o livro definiu o sistema de categorias temáticas, a estrutura e a organização das seções de cada verbete, o estilo de escrita acadêmica e informativa a ser seguido e, notavelmente, orientações metodológicas rigorosas para a pesquisa e referências bibliográficas. Em essência, o livro WikiHP de 2022 serviu como um manual de estilo abrangente e uma carta magna para a produção de conteúdo dentro do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido à evolução constante do projeto e à necessidade de incorporar novas diretrizes e aprendizados, o livro ganhou uma [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 segunda edição revista e ampliada]. Esta nova edição foi publicada em 2025, refletindo as atualizações necessárias para manter a obra alinhada com o estado atual da enciclopédia e as melhores práticas editoriais. Um marco significativo desta nova versão foi a expansão da equipe editorial, pois a edição de 2025 passou a ser uma coautoria entre André Elias Morelli Ribeiro e [http://lattes.cnpq.br/1153398469018062 Júlia Lombardi Carneiro], integrando novas perspectivas e conhecimento ao documento fundamental da Enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do Canal História da Psicologia TV (HPTV) ===&lt;br /&gt;
Durante o período desafiador da pandemia de Covid-19, o Portal História da Psicologia encontrou uma oportunidade única de crescimento e consolidação. A crise sanitária impulsionou uma busca generalizada por atividades e oportunidades de desenvolvimento de estudos e pesquisas que pudessem ser realizadas integralmente no formato digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa procura resultou em um fortalecimento significativo da equipe do Portal, com um aumento notável no número de pessoas interessadas em colaborar. Esse influxo de novos membros e entusiastas criou as condições ideais para viabilizar um projeto de longa data, já imaginado no período da gestão 2017-2019 da SBHP, a produção sistemática de conteúdo em vídeo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos dos novos colaboradores que se juntaram à iniciativa e demonstraram interesse na produção de vídeos eram, simultaneamente, membros ativos do Varanda, um proeminente grupo de pesquisa focado na história da psicologia, sob a liderança do professor Arthur Arruda Leal Ferreira. Essa sobreposição de participantes naturalmente levou ao estabelecimento de uma colaboração frutífera e estratégica entre o Varanda e o Portal. A conexão se estabeleceu de forma orgânica, permitindo que as discussões aprofundadas, os debates intelectuais e os insights gerados nas reuniões e seminários do grupo de estudos Varanda fossem sistematicamente transpostos e refletidos no conteúdo audiovisual produzido para o Portal. Essa sinergia não só enriqueceu a qualidade e a profundidade dos vídeos, como também ampliou o alcance das discussões acadêmicas para um público mais vasto no ambiente digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gênese do primeiro vídeo para o Canal História da Psicologia TV, um marco na sua trajetória, está intrinsecamente ligada à discussão aprofundada de um artigo seminal sobre o famoso teste de Rorschach, popularmente conhecido como o &amp;quot;teste das manchas&amp;quot;. Este debate ocorreu no âmbito do grupo de estudos Varanda, durante a discussão do artigo Image of Self, de autoria de Peter Galison, que serviu como ponto de partida e inspiração crucial. O vídeo foi concebido com o objetivo de traçar a história deste instrumento de avaliação psicológica, que é frequentemente cercado de dúvidas e polêmicas por parte da população geral. Criado por Hermann Rorschach, o teste de Rorschach transcendeu o ambiente clínico e acadêmico, ganhando uma presença notável e fascinante na cultura popular, sendo frequentemente referenciado em filmes, séries e literatura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A premissa central na idealização do projeto era manter um rigor acadêmico na apresentação dos acontecimentos e na análise histórica do teste. Simultaneamente, havia a preocupação em comunicar essa história de forma acessível e envolvente, permitindo um diálogo efetivo da academia com um público mais amplo e diversificado, que incluía estudantes, profissionais da área e leigos curiosos sobre a psicologia. O desafio, portanto, residia em equilibrar a profundidade da pesquisa histórica com a clareza e o apelo da narrativa audiovisual, garantindo que o primeiro vídeo estabelecesse o padrão de excelência e abrangência que se tornaria a marca registrada do Canal História da Psicologia TV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O roteiro deste primeiro vídeo foi criado por André Elias Morelli Ribeiro, com narração de [http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] e edição de [http://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto]. Finalizado em abril de 2020, foi inicialmente publicado no perfil pessoal de André Morelli no YouTube, o que indicou a necessidade da criação de um canal na mesma plataforma destinado aos vídeos produzidos pela equipe do Portal. Assim, em 27 de maio de 2020, foi criado o Canal História da Psicologia TV, com a publicação do vídeo “Como surgiu o Teste de Rorschach”. O estilo do vídeo vale-se de uma narração suave de acontecimentos com a sucessiva exposição entre 3 e 6 segundos de imagens ilustrativas, algumas coletadas em repositórios de imagens e outras criadas pela própria equipe. A proposta era permitir a migração futura do vídeo também para o formato de podcast, o que ainda não aconteceu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguindo a mesma lógica, o segundo vídeo do Canal foi desenvolvido para tratar do famoso experimento de obediência de Stanley Milgram. O roteiro foi baseado em um texto inicialmente publicado no Boletim da SBHP e traduzido por André Elias Morelli Ribeiro. O objetivo principal era criar um recurso audiovisual com dupla função: servir como material didático auxiliar no ensino da história da psicologia e, ao mesmo tempo, oferecer uma visão mais precisa do experimento de Milgram. Isso se tornou necessário porque o experimento é frequentemente alvo de interpretações e generalizações que se afastam dos propósitos e escritos originais do psicólogo norte-americano. Além disso, o vídeo visava fortalecer a integração entre os diversos produtos e iniciativas geradas pela própria equipe do Portal, conectando as diferentes vertentes do projeto. Este segundo vídeo teve roteiro, narração e edição de André Elias Morelli Ribeiro e a revisão de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos e Letícia Gomes Canuto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2021 o projeto passou a receber o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense, por meio da concessão de uma bolsa de extensão. O primeiro contemplado e quem ajudou a consolidar a linguagem e o estilo do canal foi Antonio Lucas Merêncio. Vitória Gomes Silva e Júlia Lombardi Carneiro também foram bolsistas do projeto. O Canal ultrapassou as 50 produções, entre transmissões de eventos ao vivo, videoaulas e produções originais, consolidando-se como um espaço importante de divulgação da história da psicologia na internet. Continuando o trabalho, em 2026, Alice Nascimento Moraes Fernandes recebeu bolsa de extensão da Universidade Federal Fluminense para retomar a produção de vídeos do canal, que havia sido paralisada em 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Cursos ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV oferece dois cursos, incluindo videoaulas e indicações de leituras. O primeiro a ser criado foi o de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação], que recebeu apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense por meio de um fomento direto em 2021. Isso permitiu a contratação de uma produtora profissional para criar vídeos de alta qualidade. Junto da playlist, uma página foi adicionada ao site, com uma lista dos vídeos, as recomendações de leitura e outras referências para cada episódio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2022 foi criado o curso de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-no-brasil/ História da Psicologia no Brasil], uma série de quatro videoaulas e um vídeo complementar com temas relativos à história da psicologia no Brasil, com foco nas linhas e abordagens. Para este curso, existe também uma página no site do Portal, com links para os vídeos e as referências utilizadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Séries ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV possui três séries de vídeos com temas específicos. O primeiro é o de [https://www.youtube.com/watch?v=1SX3ndp6EWM&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWJgYPh3NyUyXkT77ZnV4_A História dos testes, instrumentos e avaliação psicológica]. A série começou a ser construída em 2020, com o vídeo sobre a história dos testes Army Alpha e Army Beta e hoje conta com cinco vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra série importante do Canal é a de [https://www.youtube.com/watch?v=tzXyZ4yEQDg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHVuUF2L5wcbQTnxspJmot7C História dos Experimentos em Psicologia], que inclui o segundo vídeo mais antigo do canal, sobre o experimento de Milgram, e ainda outros dois vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, a série sobre [https://www.youtube.com/watch?v=y6EYjEtUJcg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWXerE9-0IAhn1H7WJ_Ir5w O Destino dos Pacientes do Dr. Freud], certamente o mais polêmico e delicado do Canal e frequente alvo de críticas por parte do público. A série apresenta partes do trabalho do historiador Mikell Borch-Jacobsen e conta com quatro vídeos, todos apresentando uma posição crítica contra a historiografia psicanalítica hegemônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração com o ensino ====&lt;br /&gt;
Os vídeos do Canal História da Psicologia TV são utilizados como material complementar em contexto de ensino de graduação. Além de temas interessantes e vídeos ilustrativos, alguns conteúdos são baseados principalmente em fontes primárias, o que pode ser utilizado para facilitar a compreensão de textos clássicos da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 2024, foi incorporada uma nova estratégia de integração, o incentivo para os discentes criarem roteiros que possam ser aproveitados na produção de vídeos para o Canal. Para viabilizar essa possibilidade, foram criadas [[Canal História da Psicologia TV|orientações sobre como criar roteiros]], e os discentes passaram a ser orientados na reflexão da conexão entre o conhecimento acadêmico e as formas de sua comunicação com a sociedade. Vídeos como O Experimento de Aprisionamento de Stanford são resultado deste novo processo inovador de integração entre ensino e divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação da Editora do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
Com o desenvolvimento da WikiHP e o fortalecimento do sistema do Portal, mostrou-se necessária a publicação de uma obra de referência para auxiliar os colaboradores da WikiHP na produção de verbetes. Visando agilidade na publicação desta obra, bem como o corte de custos e a possibilidade do desenvolvimento de projetos editoriais autônomos, iniciaram-se os movimentos para a criação da Editora do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após consultas à Câmara Brasileira do Livro (CBL) e à legislação sobre o mercado editorial, optou-se por uma estrutura inovadora, baseada em noções da nova economia digital. O selo editorial “[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]” foi vinculado a uma empresa de marketing digital e cadastrado na CBL, passando a figurar como uma editora comercial com comitê editorial. Características como o caráter voluntário de seus colaboradores, a ausência de interesse em lucro, o modo como as obras são editadas e as formas de registro das mesmas tornam os custos para publicação na Editora do Portal extremamente baixos. Os livros publicados pela Editora do Portal incluem um DOI, ISBN e ficha catalográfica feita por bibliotecário profissional, além da garantia de livre acesso por meio digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro livro publicado pela Editora do Portal foi o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo], de autoria de André Elias Morelli Ribeiro, que também construiu o projeto gráfico e a capa da obra. Atualmente, a Editora do Portal tem nove livros em seu portfólio e totaliza 53 lançamentos, entre livros e seus diferentes capítulos, que podem receber um DOI próprio quando se trata de coletânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== O Boletim do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
A Editora do Portal História da Psicologia, após a bem-sucedida experiência de publicar sua primeira obra, solidificou as bases para resgatar um projeto que estava em suspenso: o Boletim da SBHP. Este periódico havia sido interrompido após o lançamento de apenas quatro edições. Contudo, em 2022, a ideia de revitalizar o projeto foi trazida novamente à discussão entre os colaboradores ativos do Portal História da Psicologia, culminando no surgimento do projeto dos [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A concepção fundamental por trás dos Boletins do Portal é notavelmente similar à do extinto Boletim da SBHP. O objetivo central é criar um espaço editorial para a publicação de textos que, apesar de sua inegável relevância, não encontram canais de publicação nos veículos científicos tradicionais de maior circulação. O foco é dado a materiais que se revestem de significativa importância histórica, conceitual, memorialista ou que são cruciais para o debate e a reflexão no campo brasileiro da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma alteração estratégica fundamental implementada no novo projeto foi a mudança na categoria editorial da publicação. Enquanto o Boletim da SBHP era formalmente classificado como uma revista periódica, o novo Boletim do Portal História da Psicologia passou a ser concebido e publicado na forma de livro. Esta reclassificação trouxe um aumento na atratividade e no prestígio percebido da publicação, inserindo-a em um nicho diferente do mercado editorial e acadêmico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de herdar e acolher todos os tipos de contribuições que eram destinados ao antigo Boletim da SBHP, os Boletins do Portal introduziram uma nova e importante modalidade de conteúdo: a inclusão de versões estáveis dos melhores verbetes publicados na WikiHP. Estes verbetes, originários da enciclopédia colaborativa online do Portal, são transformados em capítulos de livro após passarem por um rigoroso processo de nova revisão e aperfeiçoamento. O objetivo desta revisão adicional é garantir a máxima qualidade textual e a confiabilidade acadêmica do conteúdo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta estratégia de transposição de verbetes da plataforma online para o formato e-book confere diversos benefícios. Embora o verbete original na WikiHP continue a ser uma plataforma viva e em constante edição, a sua versão publicada no Boletim marca um momento específico e consolidado de sua produção e desenvolvimento, servindo como um registro formal. Adicionalmente, a publicação em formato de livro, sob o selo da Editora do Portal, confere um prestígio e reconhecimento acadêmico muito maior aos autores e aos textos selecionados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto demonstrou ser altamente produtivo e relevante desde sua implementação. Entre os anos de 2022 e 2024, o Portal História da Psicologia conseguiu lançar três edições do seu novo Boletim. Estas edições se destacaram pela diversidade e riqueza do material publicado, abrangendo uma vasta gama de categorias textuais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Artigos inéditos em português ou espanhol; &lt;br /&gt;
* Traduções de textos contemporâneos de grande relevância para a área; &lt;br /&gt;
* Traduções de clássicos da história, filosofia ou epistemologia da psicologia; &lt;br /&gt;
* Reedição de textos clássicos originalmente publicados em português ou espanhol, acompanhados de comentários críticos e notas; &lt;br /&gt;
* Relatos de pesquisa, incluindo relatos de viagens, experiências de grupos de pesquisa e cobertura de eventos científicos; &lt;br /&gt;
* Ensaios teóricos e críticos; &lt;br /&gt;
* Resenhas de livros e outras mídias e &lt;br /&gt;
* Entrevistas com figuras proeminentes do campo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Lista de obras publicadas na Editora do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Boletim do Portal =====&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.18098475 Boletim do Portal História da Psicologia 4 (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14511623 Boletim do Portal História da Psicologia 3 (2024)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 Boletim do Portal História da Psicologia 2 (2023)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia (2022)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia =====&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 WikiHP: definições, orientações e estilo (2a edição) (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo (1a edição) (2022)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Outras publicações =====&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de Método Clínico para Contextos de Ensino de Psicologia (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14937498 Introspecção (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.13900662 Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro (2024)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Perfis da Editora =====&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista completa de livros e capítulos publicados pela Editora do Portal História da Psicologia no Zenodo]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://scholar.google.com.br/citations?user=BV8kWGIAAAAJ&amp;amp;hl=pt-BR Perfil da Editora do Portal História da Psicologia no Google Acadêmico]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://independent.academia.edu/PortalHist%C3%B3riadaPsicologia Perfil da Editora do Portal História da Psicologia no Academia]   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A estruturação do Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp) ===&lt;br /&gt;
O [https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)] é a retomada e reforma de dois projetos anteriores. O primeiro, vinculado à Sociedade Brasileira de História da Psicologia, organizava as principais publicações dos principais membros da Sociedade. Era uma lista com os destaques da produção bibliográfica, criada com o objetivo de divulgar o campo brasileiro de história da psicologia. Esta lista chegou a ficar pública por um curto período no ano de 2018, mas devido às suas limitações técnicas e sua pouca utilidade, acabou abandonada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda tentativa de organizar a produção acadêmica relevante foi uma lista simples, com referências organizadas em ordem alfabética e disponibilizada na forma de documento online. Estas listas ficaram disponíveis no site do Portal e recebeu algumas colaborações pontuais, mas seu formato mostrou-se rapidamente inviável e logo foi abandonado. Ficava evidente que era necessário utilizar novas tecnologias para a organização deste conjunto de referências, tanto devido à quantidade de dados quanto as possibilidades oferecidas por tecnologias mais novas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A jornada para criar um sistema de gestão de informação bibliográfica dedicado ao campo brasileiro de história da psicologia começou em 2022 e visava centralizar e disponibilizar online e gratuitamente todas as referências relevantes sobre história, filosofia e epistemologia da psicologia - desde que tivessem um viés histórico - facilitando a pesquisa na área. Assim, o Sirehp seria um sistema de fomento à pesquisa, tanto acadêmica quanto para formação profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os esforços iniciais envolveram a busca por parceiros, culminando em contatos com docentes do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Rio das Ostras. O objetivo era desenvolver um aplicativo online para organizar e curar referências bibliográficas de forma amigável e ágil. Contudo, a complexidade técnica do projeto levou ao seu adiamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em abril de 2023, observou-se a possibilidade de utilizar a capacidade do [https://zotero.org/ Zotero], um sistema digital sincronizado em nuvem de gestão de referências, de coletar metadados de referências bibliográficas e, a partir deles, gerar uma visualização online com funcionalidades como busca e a criação de links permanentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesquisa nos fóruns do Zotero revelou a existência do [https://github.com/whiskyechobravo/kerko Kerko], um sistema livre criado pelo desenvolvedor canadense David Lesieur. O Kerko permitia a publicação web de bibliografias geradas via Zotero, oferecendo busca fácil e, crucialmente, a capacidade de incorporar uma biblioteca compartilhada. Isso possibilitava a atribuição de papéis de curadoria, permitindo que colaboradores alimentassem e corrigissem a base do Sirehp (Sistema de Referências em História da Psicologia) mediante uma pasta compartilhada do Zotero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os desafios técnicos foram superados com a colaboração do desenvolvedor de sistemas de informação [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro], que instalou o Kerko em um subdomínio do Portal História da Psicologia. O Sirehp foi oficialmente lançado em 26 de agosto de 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, problemas com o provedor de computação em nuvem causaram a indisponibilidade do sistema dois meses após o lançamento. Esta interrupção, que exigiu um alto investimento financeiro para ser resolvida, perdurou até 6 de janeiro de 2024, quando um novo servidor foi localizado. Durante esse período, o programador voluntário [https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos] integrou-se à equipe. Entre abril e outubro de 2024, o Sirehp contou com o suporte gratuito em nuvem do projeto [https://www.pythonanywhere.com/ PythonAnywhere].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outubro de 2024, o desenvolvedor Allan Denis Morelli Ribeiro implementou modificações significativas no Sirehp. Estas incluíram a melhoria da usabilidade, a adição de novas opções de busca e filtros mais eficientes. Além disso, ajustes na hospedagem garantiram maior estabilidade e robustez ao sistema. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2026, a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense concedeu bolsa de extensão para Arthur Macedo Nunes, que atuará no projeto entre abril e dezembro deste ano. Seus dois objetivos principais são o crescimento do acervo do projeto e revisar as referências já inseridas, visando [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)|adequações no escopo do projeto]], que foi reformulado entre o final de 2025 e o início de 2026. Ainda em 2026, os dois desenvolvedores parceiros, Neil Angelo dos Santos e Allan Denis Morelli Ribeiro iniciaram o desenvolvimento de um novo sistema, visando substituir o Kerko no Sirehp.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Redes sociais ===&lt;br /&gt;
O projeto possui atividades no [https://www.facebook.com/HistoriaDaPsicologiaBrasil/ Facebook], [https://www.instagram.com/historiadapsicologia/ Instagram] e [https://x.com/Hist_Psicologia X] (antigo Twitter), com tipos de atividades diferentes. A princípio, desenhou-se uma estratégia, implementada a partir de 2020, de utilização das redes sociais visando à divulgação científica da história da psicologia. Com o tempo e o engajamento dos colaboradores do projeto em outras atividades, esta abordagem terminou por ser abandonada. Hoje, as redes sociais do Portal limitam-se a divulgar os produtos do Portal, como livros, novos verbetes, vídeos publicados, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Podcast ===&lt;br /&gt;
A expansão das atividades do projeto História da Psicologia não se limitou ao formato audiovisual. A criação do Canal História da Psicologia TV, um marco inicial na divulgação de conteúdo sobre a história da disciplina, foi imediatamente acompanhada e complementada por um projeto de lançamento de um Podcast. A premissa central dessa iniciativa de áudio era a reutilização estratégica de parte do material já produzido para os vídeos, adaptando-o para o formato puramente sonoro. Essa decisão se fundamentava na observação de que o componente visual dos vídeos era, em grande medida, meramente ilustrativo, ou seja, a essência do conteúdo e a riqueza da informação residiam primariamente no áudio e na narrativa falada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a jornada para estabelecer uma linha de produção de podcast autônoma foi marcada por desafios significativos e tentativas frustradas. Buscando profissionalizar e dedicar recursos humanos específicos a esse formato, foram feitas duas tentativas formais de constituição de equipes de trabalho exclusivamente voltadas para o desenvolvimento, gravação e edição do podcast. A primeira tentativa ocorreu em 2022 e a segunda, no ano subsequente, em 2023. Ambas as iniciativas, apesar do entusiasmo inicial e do reconhecimento da importância do formato de áudio para o alcance de novas audiências e a otimização da experiência de consumo de conteúdo, infelizmente não prosperaram, resultando no adiamento da consolidação de um podcast com produção independente do canal de vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Patrocinadores ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, em suas diferentes partes, recebeu várias formas de suporte financeiro. As diferentes formas de apoio foram oferecidas por quatro agências ou órgãos diferentes de fomento: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proex/ Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proaes/ Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense] e &lt;br /&gt;
* [https://agir.uff.br/ Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O apoio financeiro se concretizou tanto na forma de bolsa quanto em investimento direto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Patrocinadores e fomentadores do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Patrocinador&lt;br /&gt;
|Projetos&lt;br /&gt;
|Tipo&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de atividades remotas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de monitoria&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
2022, 2024, 2025 e 2026&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fomento a atividades extensionistas&lt;br /&gt;
|Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Financiamento&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2023 e 2024&lt;br /&gt;
2024, 2025 e 2026&lt;br /&gt;
2026&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de desenvolvimento acadêmico&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de iniciação tecnológica e inovação&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Extensão ===&lt;br /&gt;
Como projeto vinculado ao Departamento de Psicologia de Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, partes do Portal foram financiadas pela Pró-Reitoria de Extensão, por meio da concessão de bolsas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de extensão concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Antonio Lucas da Silva Merêncio&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Gunther Mafra Guimarães&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro &lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alice Nascimento Moraes Fernandes&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Arthur Macedo Nunes&lt;br /&gt;
|Sistema de Referência em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Iniciação Tecnológica e Inovação ===&lt;br /&gt;
As bolsas de iniciação tecnológica e inovação são oferecidas, no âmbito da UFF, pela Agência de Inovação da UFF (Agir). Seus editais são bastante concorridos e suas bolsas são prestigiosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gunther Mafra Guimarães (WikiHP) (2023)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Ensino ===&lt;br /&gt;
Foram concedidos dois tipos de bolsa para o Portal na modalidade ensino. Uma para atividades remotas e outra para atividades de monitoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de ensino concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Tipo de bolsa&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Yuri Pereira Antunes Vieira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Apoio a Atividades Remotas&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Mariana dos Santos dos Anjos&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Peterson Manoel Fernandes Pereira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Izabella Simões da Cruz&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Isabella Correia Venturine&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Permanência ===&lt;br /&gt;
A UFF oferece aos seus alunos um conjunto de oportunidades de auxílio à permanência. Até 2024, os alunos contemplados com estas bolsas precisavam vincular-se aos projetos aprovados pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e, dentre eles, estava o [http://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]. Esta forma de fomento à permanência foi extinta em 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Thaís Arci Menezes (Desenvolvimento Acadêmico) (Sirehp) (2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fomento a atividades extensionistas ===&lt;br /&gt;
A Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense ofereceu, por meio de um edital, recursos para o fomento a atividades extensionistas. Os recursos não poderiam ser usados na forma de bolsa nem remuneração direta, mas para compra de equipamentos e contratação de serviços de empresas. O Portal foi beneficiado com os recursos em 2021, utilizando os recursos para a compra de equipamentos para gravação de vídeos e contratando uma produtora profissional, que editou o curso [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Objetivos ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, desde sua concepção, estabeleceu uma série de metas que visam modernizar e integrar o campo da história da psicologia lusófona ao ambiente digital, atuando como um ecossistema de produção e disseminação de conhecimento. A sua estrutura, composta por plataformas interligadas como a WikiHP, o HPTV, a Editora e o Sirehp, foi desenhada para dar suporte a um objetivo maior e a um conjunto de objetivos específicos que articulam as dimensões essenciais da vida acadêmica: o ensino, a pesquisa, a extensão e a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivo Geral ===&lt;br /&gt;
Modernizar e inserir o campo brasileiro de história da psicologia de língua portuguesa no ambiente digital, criando um ecossistema de plataformas e produtos que fomentem a pesquisa, apoiem o ensino, potencializem as atividades de extensão e ampliem a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivos Específicos ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fomento à Pesquisa ====&lt;br /&gt;
Desenvolver e manter plataformas e ferramentas digitais (como o Sirehp) que centralizem, organizem e disponibilizem gratuitamente referências bibliográficas relevantes, facilitando a coleta de dados e a condução de pesquisas nas áreas de história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estimular a produção de conteúdo original e a reflexão crítica na forma de publicações acadêmicas por meio da Editora do Portal e da publicação anual do Boletim do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Apoio ao Ensino ====&lt;br /&gt;
Criar e manter materiais que possam ser usados como complementares e didáticos para o ensino e estudo da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Produzir cursos e videoaulas de alta qualidade que auxiliem na didática da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Potencialização da Extensão e Divulgação Científica ====&lt;br /&gt;
Traduzir o rigor técnico e acadêmico para uma linguagem acessível a um público amplo e diversificado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Manter uma presença estratégica nas redes sociais para a divulgação constante dos produtos do Portal, maximizando o alcance do conhecimento produzido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração das Atividades ====&lt;br /&gt;
Assegurar que os projetos do Portal (Site Principal, WikiHP, HPTV, Editora, Sirehp) funcionem como um ecossistema interligado, onde a pesquisa alimenta o conteúdo do ensino e da extensão, e as atividades de extensão (divulgação e eventos) retroalimentam a pesquisa, com o aprimoramento contínuo das plataformas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Eventos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização de eventos representa uma frente de atuação estratégica e relativamente recente na história do Portal História da Psicologia, consolidando o ecossistema digital com atividades presenciais e híbridas. Esta dimensão do projeto visa transcender a mera divulgação de conteúdo online, promovendo ativamente o debate acadêmico, a expansão de redes de pesquisa e a integração de estudantes e pesquisadores em discussões de ponta na área. O site do Portal oferece uma [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ lista completa], com detalhes, dos eventos organizados pelo grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Simpósios HP ===&lt;br /&gt;
Os Simpósios HP consistem em eventos de um único dia destinados a articular convidados externos com pesquisadores locais. O seu objetivo é expandir as redes internacionais de debate e integrar um campus interiorano, como o de Rio das Ostras, em discussões de maior alcance. Nas duas edições dos Simpósios HP, [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira] (UFRJ) atuou como mediador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras ocorreu em 10 de novembro de 2023 e contou com a presença de [https://agir.uff.br/ James Cresswell], da Ambrose University (Canadá) e [https://socioeconomia.univalle.edu.co/138-estudiantes-de-doctorado/bruno-andres-jaraba-barrios Bruno Jaraba Barrios, da Universidad del Valle] (Colômbia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras aconteceu em 15 de março de 2024 e teve como debatedor [https://eled.auth.gr/eng/the-school/personnel/marvakis/ Athanasios Marvakis], da Universidade de Tessalônica (Grécia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simpósios de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|Convidados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|10 de novembro de 2023&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 1&lt;br /&gt;
|James Cresswell (Ambrose University, Canadá), Bruno Jaraba Barrios, (Universidad del Valle, Colômbia), Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|15 de março de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 6 do prédio novo&lt;br /&gt;
|Athanasios Marvakis (Universidade de Tessalônica, Grécia), Arthur Arruda Leal Ferreira Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), tradução de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Encontros HP ===&lt;br /&gt;
Os Encontros HP foram concebidos como atividades em resposta à paralisação dos docentes federais ocorrida em 2024. Estes consistiram em reuniões presenciais nas instalações do Instituto de Humanidades e Saúde da Universidade Federal Fluminense, em Rio das Ostras, dedicadas à discussão coletiva de diversos temas pertinentes à história da psicologia que não são habitualmente contemplados nos programas curriculares regulares da área.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Assunto&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1&lt;br /&gt;
|Lavagem cerebral e controle mental na Guerra Fria: MK-Ultra: a teoria da conspiração da vida real&lt;br /&gt;
|21 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2&lt;br /&gt;
|Usos da Inteligência Artificial na Psicologia: cognição, terapia e outros&lt;br /&gt;
|28 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Sala 5 do prédio novo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3&lt;br /&gt;
|Experimentos em psicologia da manipulação&lt;br /&gt;
|4 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4&lt;br /&gt;
|Estratégias e consequências por trás das seitas&lt;br /&gt;
|11 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5&lt;br /&gt;
|Terraplanistas, reptilianos, caçadores de alienígenas: grupos de teorias da conspiração&lt;br /&gt;
|18 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6&lt;br /&gt;
|Psicopatia, sociopatia e serial killers: o que realmente forma uma mente criminosa?&lt;br /&gt;
|25 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Encontro do Trecho ===&lt;br /&gt;
Também no ano de 2024, o Portal História da Psicologia deu um passo significativo em sua atuação ao organizar e sediar o I Encontro do Trecho. Este evento de grande relevância configurou-se como um marco na consolidação de uma rede internacional de pesquisadores dedicados à história da psicologia, conhecida simplesmente como &amp;quot;Trecho&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A natureza do I Encontro do Trecho foi considerada híbrida, combinando a interação presencial com a participação remota, o que potencializou seu alcance e diversidade. A adesão ao evento superou as expectativas, contando com a notável participação de pesquisadores provenientes de nove países distintos. Esta representação multinacional sublinha o caráter verdadeiramente global da rede e o interesse convergente na área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Encontro teve como local o Instituto de Humanidades e Saúde (IHS) da Universidade Federal Fluminense (UFF). O evento proporcionou um espaço fértil para a discussão aprofundada de novas pesquisas, o intercâmbio de metodologias e a articulação de projetos colaborativos futuros entre os membros da rede &amp;quot;Trecho&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/i-encontro-trecho/ site do Encontro] possui todas as informações detalhadas, como programa, convidados, datas, links para a gravação das mesas, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Mostra de Cinema do Portal ===&lt;br /&gt;
No ano de 2026, o grupo de monitores voluntários das disciplinas de História da Psicologia, Psicologia e História Social e Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo aceitou o convite do coordenador do Portal para organizar uma mostra de cinema. Assim, nasceu a [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/mostra-de-cinema-do-portal/ I Mostra de Cinema do Portal], com a temática Cyberpunk e a Consciência das Máquinas. O evento ocorre entre abril e julho de 2026, com a exibição de três filmes e quatro episódios da série animada Rick &amp;amp; Morty, nas dependências do Instituto de Humanidades e Saúde em Rio das Ostras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Lista de colaboradores do Portal ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fundadores ===&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7924410923493344 André Elias Morelli Ribeiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/3207728098713238 Luiz Eduardo Prado da Fonseca] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/4223540995781494 Gunther Mafra Guimarães] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Julia Escrew (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto Dos Reys] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antonio Lucas da Silva Merencio (2020-2021)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2384057947285765 Maria Carolinna Henriques Monteiro] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Colaboradores ===&lt;br /&gt;
Colaboradores no Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1KZvwBkhclv3JiOFyaVaX0Dhl5DrRJfcO/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores no Canal História da Psicologia TV (HPTV)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1XycAS9o7O63DNRKSyclOYL21h434i3Zz/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores na Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaboradores no Website&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Sistema_de_Refer%C3%AAncias_em_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia_(Sirehp)#Colaboradores Colaboradores no Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia ==&lt;br /&gt;
2018 (agosto) - publicação da primeira edição do Boletim da SBHP, precursor do Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (outubro) - reformulação do projeto desenvolvido na SBHP visando a criação do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (dezembro) - registro do domínio do site do Portal e criação do site&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (4 de janeiro) - criação da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (12 de janeiro) - publicação do primeiro verbete da WikiHP, Alfred Binet&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (abril) - primeiro vídeo do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (27 de maio) - criação do Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (fevereiro) - fundação da Editora do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (abril) - publicação do WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo, primeiro livro da editora e obra de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (dezembro) - publicação do primeiro Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (agosto) - criação do Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (novembro) - primeiro Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (maio) - início da série de Encontros HP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (outubro) - publicação do Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro, um marco para a Editora do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (agosto) - o Portal História da Psicologia vence o Prêmio Manoel Bomfim de Divulgação Científica, oferecido pela Sociedade Interamericana de Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (setembro) - publicação da segunda edição do livro de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2026 (abril) - organização da I Mostra de Cinema do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
Em junho de 2024, o Portal História da Psicologia recebeu o [https://ripehp.com/wp-content/uploads/2023/03/premio-gt-sip-em-portgues.docx.pdf Prêmio Manoel Bomfim de divulgação científica], oferecido pela [https://sipsych.org/ Sociedade Interamericana de Psicologia], como reconhecimento por sua atuação no campo da extensão e divulgação científica. Na cerimônia, o coordenador do projeto foi representado por Júlia Lombardi Carneiro e Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)|Sistema de Referências em História da Psicologia]] (Sirehp)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Canal História da Psicologia TV]] (HPTV)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links Externos ==&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/ Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/ Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (Wikihp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.youtube.com/@HistoriadaPsicologia Canal História da Psicologia TV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ Eventos do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista de publicações da Editora do Portal]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/certificados/ Certificados de participação em eventos e produtos do Portal]&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de método clínico para contextos de ensino de psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi. [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 &#039;&#039;&#039;WikiHP&#039;&#039;&#039;: definições, orientações e estilo.] Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; FERREIRA, Arthur Arruda Leal (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.14511624 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 3&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2024. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra. [https://revistas.hcte.ufrj.br/index.php/RevistaSH/article/view/393/305 Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. &#039;&#039;&#039;Revista Scientiarum História&#039;&#039;&#039;, v.1, n.1, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; GUIMARÃES, Gunther Mafra; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 2&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARAES, Gunther Mafra. [http://www.hcte.ufrj.br/downloads/sh/sh15/anais_SH_15.pdf Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. In: Scientiatum Historia 15, 2022, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Livro de Anais do Scientiarum 15&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, 2022. v. 1. p. 863-874.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.6337937 WikiHP]&#039;&#039;&#039;: políticas, definições, orientações e estilo. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, A. E. M.; FONSECA, L. E. P.; CANUTO, L. G.; SANTOS, M. V. A. G.; VIEIRA, Y. P. A.; ANJOS, M. S.. [https://doi.org/10.51919/Anais_SH14 Portal História da Psicologia]: formando conexões inesperadas entre ensino, pesquisa e extensão. In: Scientiatum Historia 14, 2021, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Anais do Scientiarum Historia XIV&#039;&#039;&#039;, 2021. v. 1. p. 1-8. ISSN 2675-7559 (on-line).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi criado por André Elias Morelli Ribeiro em 2025.2, criador e coordenador da WikiHP e do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ajuda]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Sistema_de_Refer%C3%AAncias_em_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia_(Sirehp)&amp;diff=1670</id>
		<title>Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Sistema_de_Refer%C3%AAncias_em_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia_(Sirehp)&amp;diff=1670"/>
		<updated>2026-05-12T08:59:05Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* Dicionários, enciclopédia e similares */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O [https://sirehp.historiadapsicologia.com.br Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)] é um sistema online e gratuito de busca de bibliografia acadêmica sobre história da psicologia a partir de um acervo construído com curadoria humana. Enquanto aplicação online, o Sirehp é baseado em [https://Zotero.org Zotero] e [https://whiskyechobravo.github.io/kerko/latest/ Kerko]. Além de referência sobre história da psicologia, referências sobre filosofia e epistemologia da psicologia também são incorporadas de forma complementar. O Sirehp é alimentado por meio de um trabalho colaborativo e em rede, baseado em uma biblioteca compartilhada pública do Zotero. Os colaboradores atuam tanto na manutenção dos sistemas quanto na inserção de novas referências e na revisão de sua qualidade e precisão. O sistema está hospedado no website do [https://historiadapsicologia.com.br Portal História da Psicologia], sendo um de seus vários serviços digitais online.&lt;br /&gt;
== Histórico ==&lt;br /&gt;
A ideia de criar um sistema de gestão de informação bibliográfica específica para a área da história da psicologia foi proposta em 2022 pelo coordenador do [https://historiadapsicologia.com.br Portal História da Psicologia], Prof. André Elias Morelli Ribeiro, que iniciou a busca por parceiros para viabilizar o projeto. A ideia era unificar em um único espaço digital, online e gratuito, todas as referências úteis sobre história, filosofia e epistemologia da psicologia, o que facilitaria a pesquisa sobre o assunto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os primeiros contatos para a viabilização  do projeto foram feitos com docentes do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras, que possuem capacidade e conhecimento técnico para o desenvolvimento de sistemas, mediados pela equipe da Biblioteca da UFF de Rio das Ostras. O objetivo era criar um aplicativo online que permitisse tanto a organização de referências bibliográficas em história da psicologia amigável ao usuário quanto a curadoria destes materiais por parte de uma equipe de voluntários. Contudo, durante as conversas foi possível perceber a complexidade do projeto, o que levou os envolvidos a adiarem a proposta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em abril de 2023, o contato com o [https://zotero.org Zotero], um software de gerenciamento de referências bibliográficas, permitiu o resgate da proposta de 2022 por parte do proponente original, que iniciou uma busca por sistemas e softwares que utilizassem o Zotero como base e que fossem úteis para o projeto. A ideia era utilizar da capacidade do Zotero de capturar, gerar e armazenar metadados de referências bibliográficas e, a partir dos dados coletados por meio dele, gerar uma visualização online que permitisse certas funcionalidades, como busca e link único.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A busca nos fóruns de discussão oficiais do Zotero revelaram que o desenvolvedor de sistemas de informação canadense [https://davidlesieur.com/ David Lesieur] havia criado o [https://github.com/whiskyechobravo/kerko Kerko], um sistema livre que permite a publicação, na web, de bibliografias geradas via Zotero, que tornava fácil a busca e incorporação de referências e outros materiais. O kerko, além de ser amigável para o usuário, podia incorporar uma biblioteca compartilhada, o que permitia ao administrador do projeto a atribuição de papeis, úteis para a curadoria do material a ser disponibilizado no sistema. Ou seja, por meio de uma pasta compartilhada do Zotero, colaboradores de todo o mundo poderiam ajudar a alimentar e corrigir a base do Sirehp.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os desafios técnicos e tecnológicos levaram os proponentes a entrarem em contato com o desenvolvedor de sistema de informação [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro] a instalar o Kerko num subdomínio do website do Portal História da Psicologia, além de resolver vários problemas e detalhes técnicos. Após uma semana de trabalho, o Sirehp foi finalmente lançado em 26 de agosto de 2023 e disponibilizado ao público.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Infelizmente, devido a problemas com o provedor de computação em nuvem, o sistema ficou indisponível dois meses depois de seu lançamento. O problema, que exige alto investimento financeiro, só foi resolvido em 6 de janeiro de 2024, com a localização de um novo servidor. Neste período, um novo programador voluntário integrou-se à equipe do Sirehp, [https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos]. Entre abril e outubro de 2024, o Sirehp esteve instalado no servidor do [https://www.pythonanywhere.com/ PythonAnywhere], que forneceu gratuitamente suporte em nuvem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outubro de 2024, o desenvolvedor [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro] fez novas modificações no Sirehp, melhorando a usabilidade do site, adicionando novas opções para busca e filtros melhores, o que acrescentou novas funcionalidades para o sistema. Ademais, modificações na hospedagem do site o tornou mais estável e robusto. Em janeiro de 2026, o Sirehp passou por modificações em seu escopo e políticas, refletindo o amadurecimento do projeto e consolidando conceitos de forma mais objetiva e acessível para seus usuários e colaboradores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escopo ==&lt;br /&gt;
O acervo do Sistema de Referências em História da Psicologia contém apenas trabalhos bibliográficos acadêmicos que pertencem ao campo brasileiro da história da psicologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Campo brasileiro da história da psicologia ===&lt;br /&gt;
São considerados como parte do campo brasileiro da história da psicologia obras cuja temática predominante seja a história da psicologia e que se enquadram em pelo menos um dos seguintes requisitos:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Autor brasileiro cujo texto esteja publicado em qualquer idioma e em qualquer país;&lt;br /&gt;
* Autor estrangeiro estabelecido ou identificado com o Brasil cujo texto esteja publicado em qualquer idioma e em qualquer país;&lt;br /&gt;
* Autor estrangeiro cujo texto esteja publicado no Brasil, em qualquer idioma;&lt;br /&gt;
* Autor estrangeiro cujo texto discuta parcial ou totalmente sobre a psicologia brasileira, publicado em qualquer idioma e em qualquer país.&lt;br /&gt;
Os critérios estabelecidos para a definição do campo delimitam o escopo do Sirehp a partir de uma perspectiva transnacional, superando o isolacionismo geográfico ao integrar narrativas sobre a história da psicologia brasileira publicadas em instâncias internacionais. A estrutura de inclusão abdica da nacionalidade como critério, legitimando a alteridade do olhar estrangeiro e fomentando a pluralidade de perspectivas historiográficas. Assim, a definição de &#039;campo brasileiro&#039; adotada pelo sistema reconhece a permeabilidade da produção científica, incorporando tanto o impacto de obras estrangeiras na historiografia local quanto o movimento de internacionalização da pesquisa produzida no Brasil, consolidando um mapeamento abrangente da circulação global de saberes psicológicos relacionados ao contexto brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objeto de estudo da história da psicologia ===&lt;br /&gt;
Existe um grande debate acadêmico sobre qual é o objeto de estudo da história da psicologia e, para este problema, existe uma variedade de respostas. Visando dar uma resposta direta que balize a atuação dos colaboradores do Sirehp, bem como coerência ao seu acervo, deverão ser consideradas como parte da história da psicologia obras que abordam:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Historiografia das Ideias e Epistemologia da Psicologia ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Análises das raízes filosóficas, científicas e socioculturais que permitiram a emergência da psicologia como disciplina autônoma.&lt;br /&gt;
* Investigações sobre a historicidade de conceitos psicológicos, como mente, comportamento, subjetividade, inconsciente, entre outros, observando como suas definições e fronteiras se transformam em diferentes recortes espaço-temporais e paradigmas.&lt;br /&gt;
* Estudos que discutam o surgimento, a consolidação, as crises e os conflitos entre tradições teóricas e sistemas psicológicos, tratando-os não como verdades universais, mas como construções situadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Dimensão Social, Política e Institucional da Psicologia numa Perspectiva Histórica ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Investigações sobre a história de laboratórios, clínicas, cursos de graduação, associações profissionais e a publicação de manuais/periódicos entre outras instâncias institucionais que estruturaram o campo.&lt;br /&gt;
* Análises que tomem a psicologia como ator social, investigando como a disciplina respondeu a demandas políticas, culturais e institucionais, e como participou da gestão da vida social e suas participações e influências na cultura, política e outros aspectos sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Historiografia das Práticas e Atores Relevantes para a História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Estudos sobre o desenvolvimento de instrumentos, testes, técnicas de intervenção e o cotidiano das práticas psicológicas em seus diversos cenários, como escolas, hospitais, indústrias, entre outros.&lt;br /&gt;
* Análises sobre a trajetória de personagens relevantes e de grupos, preferencialmente conectando suas biografias aos contextos sociopolíticos e intelectuais da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, será considerado como objeto da História da Psicologia o processo histórico de construção do conhecimento psicológico, envolvendo ideias, práticas, sujeitos e contextos sociais que moldaram a psicologia ao longo do tempo ou que foram transformados por ela. Esta definição é &#039;&#039;&#039;orientada para a psicologia moderna&#039;&#039;&#039;, que é o período em que a psicologia se consolida como ciência autônoma, com objeto de estudo definido, métodos sistemáticos e produção de conhecimento baseada em investigação empírica, rompendo gradualmente com explicações exclusivamente filosóficas. Esta orientação não exclui trabalhos históricos sobre conexões da psicologia moderna com seus antecedentes, observando sua diversidade e dispersão e a multiplicidade heterogênea. Os limites desta conexão sempre são problemáticos, pois frequentemente implicam em reivindicações de antecedência e, considerando esta disputa, não serão considerados como parte da história da psicologia trabalhos sobre discursos reflexivos, no sentido de humanos tentando entender o que são humanos, sem alguma conexão com a psicologia científica moderna. A psicologia é uma forma de discurso reflexivo, e a história desta forma é, de forma geral, o objeto de interesse do Sirehp e o balizador central de seu escopo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Visão Ampliada da Psicologia Moderna ===&lt;br /&gt;
De forma complementar, e considerando a relevância de discursões que frequentemente são consideradas marginais ao objeto da história da psicologia, o Sirehp pode conter em seu acervo trabalhos no campo da epistemologia e filosofia da psicologia, desde que tenham uma abordagem ou viés predominantemente histórico, e que mantenham relação visível e relevante com o conjunto de critérios que definiram o objeto de estudo da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Políticas do Sirehp ==&lt;br /&gt;
O Sirehp é dedicado primariamente à história da psicologia, mas também recebe trabalhos em epistemologia e filosofia da psicologia que tenham uma abordagem ou viés histórico. Visando o bom funcionamento e a coerência do acervo, para inserção ou exclusão de dados do acervo do Sirehp é necessário seguir os seguintes parâmetros.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de inclusão quanto ao assunto ===&lt;br /&gt;
Por enquanto, deve-se inserir apenas materiais claramente relacionados à história, da psicologia e, de forma complementar, filosofia e epistemologia da psicologia que tenham abordagem ou viés histórico, conforme explicitado no [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]] do projeto. Deve-se evitar os trabalhos onde pode haver dúvidas sua relação e enquadramento com as balizas do Sirehp. Assim, materiais como História da Loucura, do filósofo francês Michel Foucault, não devem ser inseridos no Sirehp por serem geralmente considerados como parte da filosofia. Contudo, trabalhos sobre a história da loucura no Brasil, utilizando como inspiração das ideias de Foucault ou valendo-se de suas categorias analíticas devem ser incluídos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existe uma grande variedade de abordagens históricas e historiográficas na literatura sobre a história da psicologia. Além dos trabalhos cujo &#039;&#039;&#039;enquadramento no escopo do Sirehp seja evidente&#039;&#039;&#039;, os colaboradores do Sirehp &#039;&#039;&#039;devem incluir&#039;&#039;&#039; obras que se enquadrem no escopo do projeto e que abordem: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Revisões de literatura que abranjam longos períodos de tempo (mais de cinco anos); ====&lt;br /&gt;
Neste item, é esencial diferenciar revisões bibliográficas convencionais que buscam identificar o estado da arte em um assunto, da revisão de literatura historiográfica, com vistas à análise da evolução do conhecimento. Desta feita, o Sirehp admite revisões de literatura que adotem uma perspectiva longitudinal ou histórica, principalmente se superam o limite de cinco anos estabelecido como política em muitos periódicos de alto impacto para garantir a atualidade dos dados. Trabalhos que utilizem a literatura técnica de períodos remotos como fonte primária ou secundária para compreender o desenvolvimento da disciplina em contextos específicos também são bem-vindos no acervo do Sirehp &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Histórias de periódicos, séries de livros, coleções e similares; ====&lt;br /&gt;
Para este parâmetro de inclusão, o foco está em obras que se debruçam sobre a história das instituições editoriais e da cultura material escrita. Assim, serão admitidas obras que investiguem a trajetória, a organização e o impacto de veículos de comunicação científica e técnica, compreendendo-os como instâncias de legitimação e sedimentação do campo psicológico. Isto inclui trajetórias e periódicos e outras formas de publicação, genealogias de séries e coleções e investigações sobre redes e políticas editoriais adotadas como estratégias de definição dos limites e da legitimação da psicologia. Podem ser incluídos também histórias sobre manuais, livros didáticos, catálogos, listas bibliográficas, entre outras séries da cultura material escrita vinculada a políticas editoriais institucionais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Textos que anunciam, no título, uma abordagem histórica de aspectos da psicologia ====&lt;br /&gt;
Este critério prioriza a intencionalidade do autor em produzir um conhecimento situado temporalmente, respeitando as diferentes visões sobre o que é história da psicologia e qual o seu objeto ao longo do tempo. Os termos empregados podem não ser os mesmos utilizados contemporaneamente, então deve-se estar atentos a trabalhos que, no título, apresentem expressões tais como &amp;quot;História&amp;quot;, &amp;quot;Historiografia&amp;quot;, &amp;quot;Gênese&amp;quot;, &amp;quot;Evolução&amp;quot;, &amp;quot;Trajetória&amp;quot;, &amp;quot;Raízes&amp;quot;, &amp;quot;Origens&amp;quot;, períodos temporais (como décadas ou eras), &amp;quot;Memórias&amp;quot;, &amp;quot;Antecedentes&amp;quot;, &amp;quot;Pioneiros&amp;quot; ou &amp;quot;Panorama Histórico&amp;quot;, entre outros, sempre respeitando os limites determinados pelo [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]].    &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Discussões sobre conexões entre autores contemporâneos e autores clássicos, com abordagem predominantemente histórica ====&lt;br /&gt;
Para este critério, o foco recai sobre a genealogia intelectual, onde ocorre uma análise de transmissão, recepção e ressignificação de ideias ao longo do tempo, com vistas à psicologia moderna. Deverão ser incluídos textos que façam correlações analíticas entre o pensamento contemporâneo e as tradições clássicas da psicologia, desde que a historicidade das ideias seja o eixo condutor do texto. Textos sobre genealogia de conceitos, estudos de recepção, estudos de circulação, entre outras modalidades que situem a psicologia de forma histórica a partir de seus contatos, conexões e relações com o passado também poderão ser incorporados ao acervo do Sirehp.                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Registros de história oral com tema histórico ou de memória ====&lt;br /&gt;
Deverão ser incluídas no acervo do Sirehp produções que utilizem a metodologia da História Oral, como entrevistas e outros, devidamente estruturadas e que tenham como foco central seja a recuperação e a preservação da memória do campo psicológico, desde que escritos e publicados nos veículos e formas delimitados nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra|Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra]]. Trabalhos que contenham relatos de vida de protagonistas da história da psicologia, relatos autobiográficos, depoimentos ou outras formas de história oral devem fazer parte do conjunto de referências do projeto.                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Biografias de figuras historicamente reconhecidas ou relevantes ====&lt;br /&gt;
Obras que se dediquem à reconstrução e análise da vida e obra de personagens relevantes para o desenvolvimento da psicologia devem ser incluídos no acervo do Sirehp. Isto inclui as frequentemente chamadas biografias celebratórias, obras biográficas de homenagem, entre outros. Podem ser incluídas biografias que não são baseadas em documentos, desde que passem pelos critérios de publicação científica definidas no [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]] e nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra|critérios de inclusão quanto ao tipo de obra]] do Sirehp. Obituários e informações biográficas em contracapas, orelhas entre outros espaços marginais não deverão ser incluídos no acervo.                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Metahistória, teoria da história, filosofia da história, desde que conectado à psicologia ====&lt;br /&gt;
Devem ser incluídos no acervo do Sirehp obras dedicadas discussão teórica do funcionamento natureza do fazer histórico, como nos casos da metahistória, da teoria da história e da filosofia da história, desde que conectados à história da psicologia, conforme a definição do projeto. Estes textos incluem discussões sobre anacronismo, presentismo, questões da &amp;quot;grande história&amp;quot;, a condição do historiador, o lugar da história no tempo e sociedade, entre outros problemas que moldam a forma como a história é produzida. O propósito da inclusão deste conjunto de obras no acervo é documentar a evolução do pensamento crítico sobre a própria historiografia no campo brasileiro da história da psicologia.                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Ensino de história, desde que conectado à psicologia ====&lt;br /&gt;
Serão admitidas obras que investiguem os processos de transmissão do conhecimento histórico no âmbito da formação em Psicologia, incluindo a história geral, história social, história política, história da psicologia, entre outros. O objetivo da inclusão deste conjunto de obras no acervo é documentar o papel da história na evolução da formação em psicologia e o papel que a história tem nestes contextos. A justificativa parte do reconhecimento da pertinência da presença da história, especialmente da história da psicologia, na formação profissional e no fomento do campo brasileiro de história da psicologia.                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Produção e organização da memória da psicologia ====&lt;br /&gt;
Serão admitidas obras que investiguem ou documentem os processos de salvaguarda, organização e difusão do patrimônio histórico da psicologia, bem como os próprios textos que resultem desses processos. Isso inclui textos autobiográficos, descrições e relatos de viagens, eventos, cursos, entre outros. Deverão ser incluídos também obras que relatem o processo de formação, organização, desenvolvimento, transformação ou outros acontecimentos dos centros e espaços onde se armazenam documentos pertinentes à memória da psicologia. Inventários, catálogos, registros em vídeo, entre outros não deverão ser incluídos, conforme os [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra|critérios de inclusão quanto ao tipo de obra]] das políticas do Sirehp. Interessados em registrar documentos desta natureza na forma de obras que se enquadrem nestes mesmos critérios de inclusão podem enviar propostas para a [https://editora.historiadapsicologia.com.br Editora do Portal História da Psicologi]a, que poderá incluir no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletim do Portal História da Psicologia], conforme o caso.                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Obras que utilizem o unitermo &amp;quot;história da psicologia&amp;quot; ou similar na indexação ====&lt;br /&gt;
Serão incluídas obras que utilizem explicitamente o unitermo &amp;quot;História da Psicologia&amp;quot; ou variações equivalentes como &amp;quot;Historiografia da Psicologia&amp;quot;, &amp;quot;Evolução Histórica da Psicologia&amp;quot;, entre outros em seus campos de metadados, palavras-chave ou descritores usados na indexação em catálogos físicos ou digitais. Sugestões sobre como estes unitermos podem aparecer podem ser encontradas na seção [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Sugestões para busca em unitermos, resumos e outros indexadores|sugestões para busca em unitermos, resumos e outros indexadores]]. Espera-se que, desta forma, o acervo do Sirehp incorpore uma pluralidade de concepções do que é história da psicologia e se valorize esforços de pesquisadores geralmente não identificados como parte do grupo de especialistas em história da psicologia mas que podem proporcionar contribuições relevantes, combatendo o elitismo historiográfico e ampliando a diversidade de atores envolvidos na produção da história da psicologia. Essa diretriz garante a preservação de uma memória multifacetada da psicologia brasileira, integrando tanto o rigor da historiografia profissional quanto a riqueza dos registros produzidos por quem constrói o cotidiano da disciplina em suas múltiplas frentes.                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Histórias de visitas, viagens e similares ====&lt;br /&gt;
Serão integradas ao sistema obras que documentem e analisem deslocamentos geográficos de relevância para o campo psicológico. Este critério abrange o registro de visitas técnicas, viagens de estudo e missões acadêmicas. Estas podem ser contemporâneas ou próximas em tempo, funcionando como memória da psicologia, como descrito no critério [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Produção e organização da memória da psicologia|produção e organização da memória da psicologia]], ou retomadas históricas destes deslocamentos que tiveram relevância para a psicologia e sua história.                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Recepções, circulações, difusões entre outros estudos de circulação de ideias e práticas ====&lt;br /&gt;
Serão incluídas obras que investiguem o trânsito de teorias, métodos e práticas psicológicas entre diferentes contextos culturais, geográficos ou disciplinares. O desenvolvimento das técnicas de investigação e produção históricas tem gerado obras que apresentam pontos de vista novos sobre como as diferentes formas da psicologia ultrapassa seus lugares originais de produção e discutem os modos de contato entre as diferentes esferas.                                                                                                                                                                                                 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Histórias disciplinares com temática predominante em psicologia ====&lt;br /&gt;
Deverão ser integradas ao acervo do Sirehp obras que investiguem o desenvolvimento histórico da psicologia dentro de outras disciplinas e campos, como educação, medicina, psiquiatria, assistência social, entre outros. Este parâmetro prioriza trabalhos que analisem como a psicologia serviu de base teórica e técnica para o pensamento ou prática em outras disciplinas ou como se relacionou e interagiu com elas, de forma positiva ou negativa. Histórias do pensamento disciplinar que traz abundância de elementos conectados com a psicologia moderna também deverão ser incluídos, bem como histórias de instituições não diretamente conectadas com a psicologia mas que tiveram com ela interações relevantes.                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Histórias sociais e culturais com temática predominante em psicologia ====&lt;br /&gt;
O acervo do Sirehp deve conter obras que discutam e analisem a psicologia como um produto e, simultaneamente, um agente transformador da sociedade e da cultura. No caso da história social, o foco recai no estudo das estruturas da sociedade, nas relações de poder, nas instituições e nos grupos sociais, e devem ser incluídas no acervo do Sirehp que a psicologia tiver papel relevante nessas narrativas. No caso da história social, o foco recai no estudo das representações, os imaginários, os símbolos e as sensibilidades e as obras deste tipo devem ser incluídas desde que a psicologia tenha um papel relevante na narrativa. Abordagens históricas que partem de conceitos como subjetivação, controle, governamentalidade, biopolítica e biopoder também devem ser incluídos. Outras formas de interpretação sociológica que produzam histórias relevantes para compreender a psicologia devem ser incorporadas no acervo do Sirehp.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Histórias de grupos socialmente minoritários e de resistência com relação relevante com a psicologia ====&lt;br /&gt;
Serão integradas obras que investiguem a trajetória de grupos socialmente minoritários em termos de poder, não necessariamente número, e suas relações com o saber e a prática da psicologia moderna. Histórias de grupos invisibilizados e marginalizados, movimentos de luta e resistência e saberes e práticas consideradas periféricas deverão ser incluídos no acervo do Sirehp, desde que tenham uma evidente conexão com a psicologia, conforme o [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]] do projeto. Este critério permite que colaboradores e usuários reflitam a diversidade real da psicologia brasileira, transformando o acervo em um instrumento de visibilidade para as lutas e saberes que moldaram uma profissão comprometida com a justiça social e a pluralidade humana.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== História da cultura material, tecnologia e instrumentação ====&lt;br /&gt;
Obras que tenham como assunto central os artefatos, dispositivos tecnológicos e instrumentos que compõem o universo da prática e da pesquisa psicológica deverão fazer parte do acervo do Sirehp. Isto inclui histórias de instrumentos e laboratórios, testes e métodos de avaliação, cultura material dos espaços práticos, como clínicas e consultórios, bem como as tecnologias digitais empregadas pela psicologia moderna ao longo do tempo. Perspectivas que partam de métodos como história das coisas, epistemologia dos instrumentos e que tomem a história psicologia como parte da história da tecnologia e das técnicas também devem ser incorporados. Como norma geral, deve-se tomar este critério no sentido de mapear a história da composição da infraestrutura técnica que sustentou a psicologia.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Historiografia da tradução e mediação editorial ====&lt;br /&gt;
Serão incluídas obras que investiguem o papel das traduções, dos tradutores e das casas editoriais na formação do campo psicológico, incluindo análises comparativas de traduções, evolução da tradução de termos, evolução da transformação de termos, histórias de coleções e o papel de editoras e editores na definição da psicologia moderna.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de exclusão quanto ao assunto ===&lt;br /&gt;
Para manter o rigor metodológico, a identidade e a coerência do acervo do Sirehp, &#039;&#039;&#039;não serão integrados&#039;&#039;&#039; ao sistema materiais que se enquadrem nos seguintes parâmetros:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Discussões estritamente conceituais ou teóricas ====&lt;br /&gt;
Obras que tratem de conceitos da psicologia, como Self, comportamento, &#039;&#039;insght&#039;&#039;, entre outros, de forma abstrata ou sincrônica, sem que a evolução temporal ou o contexto histórico de produção dessas ideias sejam a dimensão principal da análise.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Contextualizações históricas acessórias ====&lt;br /&gt;
Seções de obras, capítulos ou artigos que apresentem breves tomadas históricas ou trajetórias genéricas, com função apenas introdutória para uma pesquisa com outro foco que não seja histórico. O Sirehp foca em trabalhos onde a história é o objeto central e não apenas um recurso retórico ou protocolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Atualidade de autores clássicos sem perspectiva historiográfica ====&lt;br /&gt;
Textos que busquem validar ou aplicar ideias de autores clássicos, focados na utilidade prática contemporânea ou discussões teóricas atuais, sem realizar uma discussão crítica sobre a trajetória histórica, as fontes ou as transformações do pensamento do autor ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Trajetórias de figuras sem relevância para o campo ====&lt;br /&gt;
Biografias ou relatos sobre indivíduos cujas trajetórias não possuam impacto documentado no desenvolvimento científico, profissional, institucional ou social da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Relatórios situacionais ou administrativos ====&lt;br /&gt;
Relatórios de gestão, diagnósticos de mercado ou levantamentos sobre a situação da psicologia que possuam caráter meramente descritivo e administrativo, mesmo publicados em livro e por editoras acadêmicas ou com reconhecida relevância científica. Não deverão ser incluídos no acervo mesmo que não sejam contemporâneos, sem que o documento apresente uma análise historiográfica ou não for tratado como fonte para uma narrativa histórica. Interessados em registrar documentos desta natureza na forma de obras que se enquadrem nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao assunto|critérios de inclusão quanto ao assunto]] do projeto podem enviar propostas para a [https://editora.historiadapsicologia.com.br Editora do Portal História da Psicologi], que poderá incluir no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletim do Portal História da Psicologia], conforme o caso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Reedições simples de clássicos ====&lt;br /&gt;
A mera republicação de uma obra clássica, sem a presença de comentários ou elementos pré ou pós-textuais críticos, como novas introduções, notas históricas, prefácios analíticos ou estudos introdutórios historiográficos, não deverão ser publicados. O sistema prioriza a produção sobre a história e não a reprodução física da fonte primária isolada. Interessados em registrar documentos desta natureza na forma de obras que se enquadrem nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao assunto do projeto|critérios de inclusão quanto ao assunto do projeto]] podem enviar propostas para a [https://editora.historiadapsicologia.com.br Editora do Portal História da Psicologia], que poderá incluir no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletim do Portal História da Psicologia], conforme o caso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Obras de caráter prescritivo ou normativo ====&lt;br /&gt;
Manuais sobre a ação do profissional, embora sejam fontes históricas no futuro, no presente são apenas guias técnicos e poderiam poluir o sistema se o objetivo for focar na análise histórica. Manuais e materiais similares antigos também não devem ser incluídos sem a presença de comentários ou elementos pré ou pós-textuais críticos, como novas introduções, notas históricas, prefácios analíticos ou estudos introdutórios historiográficos. Interessados em registrar documentos desta natureza na forma de obras que se enquadrem nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao assunto|critérios de inclusão quanto ao assunto]] podem enviar propostas para a [https://editora.historiadapsicologia.com.br Editora do Portal História da Psicologia]a, que poderá incluir no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletim do Portal História da Psicologia], conforme o caso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra ===&lt;br /&gt;
Observando atentamente o [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]] do Sirehp, só devem ser adicionados ao Sirehp os seguintes tipos de obra: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Artigos publicados em periódicos científicos indexados ====&lt;br /&gt;
Produções científicas originais submetidas à revisão por pares e publicadas em revistas especializadas e indexadas. Devem apresentar rigor metodológico, fundamentação teórica densa e contribuições inéditas para a historiografia ou teoria da psicologia. São atualmente a modalidade de produção científica mais comum. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Artigos completos publicados em anais de eventos ====&lt;br /&gt;
Trabalhos científicos completos apresentados e discutidos em fóruns acadêmicos, como congressos, simpósios, encontros, entre outros. Constituem registros de comunicações originais que integram a literatura científica de interesse acadêmico, refletindo o estado da arte e debates contemporâneos da área. Resumos, resumos expandidos e outras modalidades de texto comuns em anais de eventos não devem ser adicionados ao acervo do Sirehp. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Resenhas ====&lt;br /&gt;
Textos críticos que examinam e avaliam obras relevantes para o campo brasileiros de história da psicologia, conforme definido no [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]] do projeto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Entrevistas transcritas e publicadas sobre história da psicologia ====&lt;br /&gt;
Registros de diálogos com expoentes da área, devidamente editados e publicados, sobre aspectos do campo brasileiro de história da psicologia. As entrevistas precisam estar devidamente transcritas e publicadas em forma de texto em obras de relevância acadêmica. Interessados em registrar documentos desta natureza na forma de obras que se enquadrem nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra|critérios de inclusão quanto ao tipo de obra]] do projeto podem enviar propostas para a [https://editora.historiadapsicologia.com.br Editora do Portal História da Psicologia], que poderá incluir no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletim do Portal História da Psicologia], conforme o caso.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Conferências e palestras transcritas e publicadas ====&lt;br /&gt;
Transcrições de exposições orais proferidas por especialistas em eventos científicos cujo assunto é relevante para o campo brasileiro de história da psicologia. Devem estar publicados em obras cientificamente relevantes. Interessados em registrar documentos desta natureza na forma de obras que se enquadrem nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra|critérios de inclusão quanto ao tipo de obra]] do projeto podem enviar propostas para a [https://editora.historiadapsicologia.com.br Editora do Portal História da Psicologia], que poderá incluir no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletim do Portal História da Psicologia], conforme o caso.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Livros ====&lt;br /&gt;
Monografias ou obras coletivas sobre temas relacionados ao campo brasileiros de história da psicologia. Obras coletivas que não tem como assunto único ou predominante o campo brasileiro de história da psicologia não devem ser inseridos como obras como um todo, mas apenas os capítulos ou seções pertinentes ao [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]] do projeto. Obras coletivas sobre encontros, congressos e outros fóruns científicos só devem ser inseridos como um todo quando o evento for dedicado à história da psicologia. Caso a obra contenha apenas resumos ou outra forma de apresentação textual que não sejam capítulos ou artigos, a obra deve ser inserida como um todo, mas não as suas partes individualmente.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Dicionários, enciclopédia e similares ====&lt;br /&gt;
Obras enciclopédicas destinadas exclusivamente à história da psicologia devem ser inseridos no acervo, tanto como um todo quanto em suas partes, seja em qualquer formato.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Seções de livros, incluindo capítulos, prefácios, posfácios e notas críticas ====&lt;br /&gt;
Fragmentos textuais com autonomia intelectual, como capítulos, prefácios, posfácios e introduções, seja de obras monográficas ou coletivas. É muito importante que cada capítulo tenha seu próprio registro no acervo do Sirehp, mesmo as obras monográficas.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Teses ====&lt;br /&gt;
Documentos acadêmicos defendidos e aprovados em programas de doutorado reconhecidos pelos órgãos oficiais.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Dissertações ====&lt;br /&gt;
Trabalhos de conclusão de mestrado defendidos e aprovados em programas de pós-graduação stricto senso reconhecidos pelos órgãos oficiais.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de exclusão quanto ao tipo de obra ===&lt;br /&gt;
Não devem ser inseridos no Sirehp:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Periódicos como um todo ====&lt;br /&gt;
Unidades completas de publicação serial não devem ser inseridas, mesmo as científicas. O Sirehp indexa apenas artigos individualizados para garantir a precisão da recuperação da informação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Relatórios ====&lt;br /&gt;
Documentos administrativos ou técnicos de circulação restrita, como relatórios de bolsas de pesquisa, financiamentos de agências de fomento, entre outros documentos similares não devem ser inseridos no Sirehp. Documentos desta natureza que podem ter valor histórico podem ser inseridos se devidamente acompanhados de comentários técnicos ou análises historiográficas. Interessados em registrar documentos desta natureza na forma de obras que se enquadrem nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra|critérios de inclusão quanto ao tipo de obra]] do projeto podem enviar propostas para a [https://editora.historiadapsicologia.com.br Editora do Portal História da Psicologia], que poderá incluir no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletim do Portal História da Psicologia], conforme o caso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Textos de jornais e revistas ====&lt;br /&gt;
Produções de natureza jornalística ou informativa destinadas ao público geral não devem ser adicionados ao acervo do Sirehp. Compilações de textos desta natureza, acompanhados de devido tratamento historiográfico crítico e científico podem ser publicados na forma de livros ou outros formatos aceitos pelo Sirehp.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Guias, inventários, catálogos e similares ====&lt;br /&gt;
Instrumentos de busca e ferramentas referenciais auxiliares que, no Sirehp, são considerados metadados ou guias de acesso a outros acervos, não constituindo, em si, produções de análise teórica ou historiográfica originais para o &#039;&#039;corpus&#039;&#039; principal do Sirehp.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Boletins informativos ====&lt;br /&gt;
Publicações institucionais de caráter noticioso ou burocrático, que focam na comunicação de eventos, editais ou decisões administrativas internas, não devem ser inseridos no acervo do Sirehp.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Produções audiovisuais ====&lt;br /&gt;
Devido às especificidades de armazenamento e às diretrizes atuais de indexação textual do sistema, conteúdos em formato de vídeo, áudio ou multimídiaestes são excluídos em favor de registros bibliográficos e transcrições formais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Resumos ou resumos expandidos ====&lt;br /&gt;
Registros concisos de pesquisas apresentadas em eventos. Por serem comunicações preliminares ou sínteses limitadas, não oferecem o corpo de dados e a discussão exaustiva necessária para a fundamentação de pesquisas históricas robustas. Ademais, sua quantidade poderia distorcer os relatórios produzidos pelo sistema e sobrecarregar os servidores onde o material fica armazenado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Trabalhos de Conclusão de Curso de qualquer tipo produzidos no âmbito da graduação ou equivalente ou pós-graduação &#039;&#039;lato sensu&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
Monografias, trabalhos de conclusão de curso de outra natureza, produzidos no âmbito da graduação ou equivalente ou na formação em pós-graduação &#039;&#039;lato sensu&#039;&#039; não devem ser inseridos, pois são trabalhos quepossuem caráter formativo, enquanto o Sirehp prioriza a produção científica que apresenta maior densidade investigativa&lt;br /&gt;
=== Questões sobre a qualidade dos metadados ===&lt;br /&gt;
A eficácia do Sirehp como ferramenta de recuperação de informação é diretamente proporcional à fidedignidade de seus descritores que são, no âmbito do projeto e no formato do sistema utilizado, equivalentes aos metadados da produção indexada. A inconsistência ou ausência de metadados, que pode decorrer de uma variedade de fatores, impõe ao colaborador um papel ativo de curadoria e validação que diferencia o Sirehp de outros sistemas similares.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, é imperativo consultar a fonte original para sanar lacunas informacionais sempre que possível. A precisão técnica na transcrição de dados bibliográficos é tão vital para a integridade do acervo quanto o volume de obras cadastradas. Deve-se também atentar, sempre que possível, para o preenchimento exaustivo dos dados que podem ser inseridos no sistema.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Políticas sobre a disponibilização e inclusão de links nos metadados ===&lt;br /&gt;
Links são elementos &amp;quot;clicáveis&amp;quot; em uma página da Web que direciona o usuário para outra página ou recurso da Web quando &amp;quot;clicado&amp;quot;. Eles permitem a interconexão entre diferentes espaços da Web. No caso do Sirehp, a conexão via link prioriza o acesso direto à obra acadêmica incluída no acervo, ou seja, a acessibilidade direta ao conhecimento. Considerando isso, a inclusão de URLs nos metadados deve seguir critérios de legalidade, estabilidade e gratuidade, facilitando o acesso imediato ao documento integral sempre que possível e seguindo diretrizes de uma ciência aberta.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diretriz geral, o Sirehp adota a política de fomento ao acesso aberto com respeito aos direitos autorais. Serão incorporados todos os meios de disponibilização legal de trabalhos online, excluindo-se caminhos que visem exclusivamente o lucro ou que ofereçam barreiras comerciais ao pesquisador. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Diretrizes de priorização ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Acesso direto e permanente =====&lt;br /&gt;
Deve-se privilegiar links que conduzam o usuário ao arquivo final, preferencialmente em formato PDF ou HTML. Em publicações digitais nativas, a utilização do DOI (Digital Object Identifier), quando disponível, é obrigatória, visando a garantia da persistência do acesso&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Conexão preferencial com repositórios confiáveis =====&lt;br /&gt;
A indexação deve integrar links de bibliotecas digitais e repositórios institucionais de alta credibilidade, tais como:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Portais Científicos: [https://books.scielo.org/ SciELO Livros] e outros repositórios. Neste ponto, deve-se dar preferência para o link direto para o texto no espaço onde foi publicado, como os próprios periódicos ou editoras com acervo digital gratuito;&lt;br /&gt;
* Acervos históricos e de domínio público: [https://archive.org/ Archive.org], [https://psychclassics.yorku.ca/ Classics in the History of Psychology], [http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp Domínio Público] e [https://books.google.com.br/ Google Books];&lt;br /&gt;
* Bases Acadêmicas: [https://catalogodeteses.capes.gov.br/catalogo-teses/#!/ Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES] e repositórios universitários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Restrições e Exceções ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Vinculações de natureza comercial =====&lt;br /&gt;
É vedada a inclusão de links para livrarias ou plataformas estritamente comerciais, exceto nos casos em que a obra esteja disponível para leitura integral e gratuita&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Plataformas Pagas =====&lt;br /&gt;
Para periódicos e portais de conteúdo restrito, o link deve ser mantido para fins de referência e localização da fonte oficial, priorizando, contudo, a indicação de versões em repositórios de acesso aberto quando disponíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Repositórios não oficiais =====&lt;br /&gt;
O uso de links para servidores não institucionais é de natureza excepcional e deve ser validado pela coordenação do Sirehp, assegurando que a disponibilização não infrinja direitos autorais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Visão sinótica das políticas do Sirehp ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de inclusão quanto ao assunto ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Revisões de literatura que abranjam longos períodos de tempo (mais de cinco anos);&lt;br /&gt;
# Histórias de periódicos, séries de livros, coleções e similares;&lt;br /&gt;
# Textos que anunciam, no título, uma abordagem histórica de aspectos da psicologia&lt;br /&gt;
# Discussões sobre conexões entre autores contemporâneos e autores clássicos, com abordagem predominantemente histórica&lt;br /&gt;
# Registros de história oral com tema histórico ou de memória&lt;br /&gt;
# Biografias de figuras historicamente reconhecidas ou relevantes&lt;br /&gt;
# Metahistória, teoria da história, filosofia da história, desde que conectado à psicologia&lt;br /&gt;
# Ensino de história, desde que conectado à psicologia&lt;br /&gt;
# Produção e organização da memória da psicologia&lt;br /&gt;
# Obras que utilizem o unitermo &amp;quot;história da psicologia&amp;quot; ou similar na indexação&lt;br /&gt;
# Histórias de visitas, viagens e similares&lt;br /&gt;
# Recepções, circulações, difusões entre outros estudos de circulação de ideias e práticas&lt;br /&gt;
# Histórias disciplinares com temática predominante em psicologia&lt;br /&gt;
# Histórias sociais e culturais com temática predominante em psicologia&lt;br /&gt;
# Histórias de grupos socialmente minoritários e de resistência com relação relevante com a psicologia&lt;br /&gt;
# História da cultura material, tecnologia e instrumentação&lt;br /&gt;
# Historiografia da tradução e mediação editorial&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de exclusão quanto ao assunto ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Discussões estritamente conceituais ou teóricas&lt;br /&gt;
# Contextualizações históricas acessórias&lt;br /&gt;
# Atualidade de autores clássicos sem perspectiva historiográfica&lt;br /&gt;
# Trajetórias de figuras sem relevância para o campo&lt;br /&gt;
# Relatórios situacionais ou administrativos&lt;br /&gt;
# Reedições simples de clássicos&lt;br /&gt;
# Obras de caráter prescritivo ou normativo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Artigos publicados em periódicos científicos indexados&lt;br /&gt;
# Artigos completos publicados em anais de eventos&lt;br /&gt;
# Resenhas&lt;br /&gt;
# Entrevistas transcritas e publicadas sobre história da psicologia&lt;br /&gt;
# Conferências e palestras transcritas e publicadas&lt;br /&gt;
# Livros&lt;br /&gt;
# Dicionários, enciclopédia e similares&lt;br /&gt;
# Seções de livros, incluindo capítulos, prefácios, posfácios e notas críticas&lt;br /&gt;
# Teses&lt;br /&gt;
# Dissertações&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de exclusão quanto ao tipo de obra ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Periódicos como um todo&lt;br /&gt;
# Relatórios&lt;br /&gt;
# Textos de jornais e revistas&lt;br /&gt;
# Guias, inventários, catálogos e similares&lt;br /&gt;
# Boletins informativos&lt;br /&gt;
# Produções audiovisuais&lt;br /&gt;
# Resumos ou resumos expandidos&lt;br /&gt;
# Trabalhos de Conclusão de Curso de qualquer tipo produzidos no âmbito da graduação ou equivalente ou pós-graduação &#039;&#039;lato sensu&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Questões quanto à qualidade dos metadados ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Fidelidade descritiva&lt;br /&gt;
# Curadoria ativa&lt;br /&gt;
# Primazia da fonte original&lt;br /&gt;
# Qualidade é tão importante quanto quantidade&lt;br /&gt;
# Preenchimento Exaustivo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Políticas sobre a disponibilização e inclusão de links nos metadados ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Princípio do acesso aberto&lt;br /&gt;
# Prioridade de acesso direto&lt;br /&gt;
# Respeito à hierarquia de fontes&lt;br /&gt;
# Restrição comercial&lt;br /&gt;
# Gestão de conteúdo restrito&lt;br /&gt;
# Validação excepcional de fontes não oficiais&lt;br /&gt;
# Interconexão e estabilidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O que o Sirehp não é ==&lt;br /&gt;
O Sirehp não deve ser confundido com estruturas tradicionais de guarda, preservação ou armazenamento de documentos. Embora dialogue com centros de memória, arquivos e repositórios, sua natureza e finalidade são distintas. Para evitar equívocos conceituais e operacionais, é fundamental explicitar o que o Sirehp não é: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Centro de memória;&lt;br /&gt;
* Repositório de arquivos digitais;&lt;br /&gt;
* Espaço de armazenamento pessoal ou coletivo;&lt;br /&gt;
* Arquivo nem exerce a função arquivística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Sirehp é um sistema de referências, não um local de guarda. Seu papel é organizar, padronizar e tornar visíveis informações sobre documentos, acervos, trajetórias e produções relevantes para a história da psicologia. Ele orienta, conecta e referencia, mas não preserva, armazena ou substitui as instituições responsáveis pelos materiais originais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes recomendadas ==&lt;br /&gt;
A historiografia contemporânea da psicologia não se limita mais aos arquivos físicos. Existe um crescente processo de digitalização democratização do acesso via iniciativas de Ciência Aberta. Este cenário transformou o modo como mapeamos a circulação de ideias, permitindo que documentos antes confinados a acervos locais estejam agora disponíveis globalmente, via internet. Ao navegar por esses ambientes, o colaborador atua como um curador do conhecimento, conectando fragmentos dispersos na rede para recompor a memória institucional e teórica da nossa área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O uso estratégico das fontes listadas a seguir garante não apenas a expansão quantitativa do sistema, mas, sobretudo, a qualidade e a profundidade histórica das referências que compõem o Sirehp. Esta lista é uma sugestão, pois outras fontes podem ser úteis e confiáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Currículos de pesquisadores e membros de grupos de pesquisa, estudos, sociedades e associações científicas ===&lt;br /&gt;
Envolve mapeamento de trajetórias intelectuais via [https://www.lattes.cnpq.br/ Plataforma Lattes], [https://orcid.org/ ORCID] ou similares, permitindo identificar a produção completa, cronológica e as redes de colaboração de especialistas na área. A identificação de atores relevantes da pesquisa histórica pode ser feita em listas de associados de sociedades e associações científicas, como a [https://sbhpsi.com.br/ Sociedade Brasileira de História da Psicologia], os [https://anpepp.org.br/ Grupos de Trabalho da ANPEPP] ou participantes de congressos especializados, como o Congresso Brasileiro de História da Psicologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Repositórios institucionais de universidades, centros e institutos de pesquisa ===&lt;br /&gt;
Acervos digitais que preservam a produção intelectual de universidades e institutos, garantindo acesso a documentos validados institucionalmente e frequentemente indisponíveis em bases comerciais. Neste caso, é recomendável a investigação prévia sobre o funcionamento dos sistemas de indexação usados pelos repositórios. O [http://sitehistorico.ibict.br/informacao-para-ciencia-tecnologia-e-inovacao%20/repositorios-digitais/repositorios-brasileiros IBICT] e o [https://www.gov.br/ibict/pt-br/assuntos/informacao-cientifica/repositorios-digitais/repositorios-brasileiros-1 Governo Federal] mantém listas não exaustivas de repositórios institucionais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bibliotecas digitais acadêmicas ===&lt;br /&gt;
Coleções organizadas de documentos digitais que oferecem recursos de busca avançada e metadados padronizados, fundamentais para a recuperação de obras raras e coleções especiais. A [https://www.ufrb.edu.br/bibliotecacetens/noticias/193-conheca-50-sites-de-bibliotecas-com-livros-online-gratis biblioteca da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia] mantém uma lista não exaustiva de bibliotecas digitais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Mecanismos indexadores de trabalhos científicos ===&lt;br /&gt;
Sistemas como [https://www.scielo.br/ SciELO], [https://www.redalyc.org/ Redalyc], [https://www.apa.org/pubs/databases/psycinfo/ PsycINFO], [https://www.periodicos.capes.gov.br/ CAPES Periódicos], entre outros, que agregam e organizam metadados de periódicos científicos, assegurando a procedência e o impacto acadêmico das produções listadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Catálogos de bibliotecas universitárias, de centros e institutos de pesquisa ===&lt;br /&gt;
Ferramentas de consulta aos acervos físicos e digitais de instituições de ensino, essenciais para localizar obras raras e edições esgotadas de relevância histórica. Úteis principalmente para acervos não digitalizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Banco de teses e dissertações oficiais ===&lt;br /&gt;
Portais oficiais, como o [https://catalogodeteses.capes.gov.br/catalogo-teses/ Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES] ou [https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp Domínio Público], que reúnem a produção &#039;&#039;stricto sensu&#039;&#039;, constituindo fontes primárias cruciais para o estudo de novas tendências historiográficas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Listas de referências de artigos, livros, teses e dissertações ===&lt;br /&gt;
Técnica de &amp;quot;bola de neve&amp;quot; aplicada a bibliografias de obras consagradas para identificar fontes seminais e conexões teóricas fundamentais para o mapeamento da área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Catálogos de Editoras Universitárias e Especializadas ===&lt;br /&gt;
Mapear os catálogos históricos de editoras que tradicionalmente publicam sobre História da Psicologia (ex: Edusp, Fiocruz, Contracapa).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Perfis em redes sociais voltadas para a produção acadêmica ===&lt;br /&gt;
Plataformas como ResearchGate e Academia.edu, úteis para localizar versões preliminares (preprints), produções recentes e contatar autores para acesso a materiais de difícil circulação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Sugestões para busca em unitermos, resumos e outros indexadores ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Expressão &amp;quot;História da psicologia&amp;quot; ====&lt;br /&gt;
A história da psicologia provavelmente é indexada principalmente a partir da expressão &amp;quot;história da psicologia&amp;quot;, pois é assim que, geralmente, seus estudiosos definem seus textos. Esta expressão pode ser localizada nos unitermos, descritores e no resumo das obras, constituindo-se como a forma principal de busca. Contudo, isto está longe de ser suficiente. Como pesquisas recentes tem mostrado, a formação do profissional em psicologia e a própria pesquisa psicológica brasileira valoriza bastante a história, por uma variedade de razões. Neste sentido, a expressão &amp;quot;história da psicologia&amp;quot; aparece também em uma grande variedade de textos que não se enquadram no [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]] do Sirehp, sendo necessário uma utilização estratégica das alternativas de busca e filtro oferecidas pelos diferentes espaços de armazenamento e indexação disponíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Homenagens ====&lt;br /&gt;
Muitos dados, de natureza biográfica, entre outros, podem aparecer em textos de homenagem a personagens importantes da psicologia. Assim, sugere-se o uso de expressões como &amp;quot;Necrológio&amp;quot;, &amp;quot;Elogio fúnebre&amp;quot;, &amp;quot;In memoriam&amp;quot;, &amp;quot;Obituário&amp;quot;, &amp;quot;Perfil biográfico&amp;quot;, &amp;quot;Trajetória intelectual&amp;quot;, &amp;quot;Homenagem&amp;quot;, &amp;quot;Festschrift&amp;quot; na busca de materiais úteis para o acervo do Sirehp.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Interfaces disciplinares ====&lt;br /&gt;
A História da Psicologia no Brasil está profundamente entrelaçada a campos vizinhos. Para capturar essa produção, utilize cruzamentos com termos de áreas correlatas, como &amp;quot;História da educação&amp;quot;, &amp;quot;História da psiquiatria&amp;quot;, &amp;quot;História da loucura&amp;quot;, &amp;quot;História da assistência&amp;quot;, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Histórias das linhas, práticas e abordagens ====&lt;br /&gt;
A preocupação de um historiador pode recair não propriamente na psicologia em si, mas na sua prática. Além disso, não é incomum encontrar textos escritos por pesquisadores da psicologia que falam da história de seus próprios campos. Assim, visando detectar estes textos, sugere-se termos como &amp;quot;História da clínica&amp;quot;, &amp;quot;História do psicodiagnóstico&amp;quot;, &amp;quot;História da orientação profissional&amp;quot;, &amp;quot;História do exame psicológico&amp;quot; ou histórias de linhas e abordagens, como &amp;quot;História da abordagem centrada na pessoa&amp;quot; ou &amp;quot;História da epistemologia genética&amp;quot;, por exemplo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Funcionalidades ==&lt;br /&gt;
O Sirehp, por ser baseado em Zotero, carrega consigo várias das funcionalidades e capacidades deste software, o que inclui:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Criação e gerenciamento de bibliotecas temáticas;&lt;br /&gt;
* Criação e gerenciamento de bibliografias respeitando normas nacionais e/ou internacionais;&lt;br /&gt;
* Criação de notas e atribuição de informações para cada bibliografia;&lt;br /&gt;
* Coleta fácil e rápida de metadados de bibliografias na internet, principalmente plataformas amigáveis com o Zotero, como o [https://scholar.google.com.br/?hl=pt Google Acadêmico], o [https://www.worldcat.org/pt Wordcat], o [https://www.dedalus.usp.br Dedalus], e o [https://www.microsoft.com/en-us/research/project/academic/ Microsoft Academic];&lt;br /&gt;
* Sincronização dos dados em nuvem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, o Sirehp também permite:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Buscar em sua base de dados a partir de autor, título, resumo, ano ou em todos os campos de metadados;&lt;br /&gt;
* Filtrar resultados por tipo de publicação ou ano de publicação&lt;br /&gt;
* Conectar diretamente o usuário com o trabalho referenciado com um clique, quando a referência estiver online;&lt;br /&gt;
* Utilizar o Zotero para capturar referências por meio de links DOI;&lt;br /&gt;
* Campo com a referência no formato APA e ABNT para simples &amp;quot;copia e cola&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Futuramente, o Sirehp poderá fazer ainda mais, como:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Geração de relatórios a partir de diferentes parâmetros, como autor, periódico, data etc.;&lt;br /&gt;
* Busca dentro do documento;&lt;br /&gt;
* Busca direcionada integrada à Inteligência Artificial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Como colaborar ==&lt;br /&gt;
O Sirehp depende de uma rede de colaboradores para continuar crescendo. São várias as formas de colaborar, e dentre todas as possibilidades, três se destacam:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alimentando o Sirhep ===&lt;br /&gt;
Para continuar crescendo, é necessário que voluntários e colaboradores continuem enviando dados atualizados e confiáveis de referências de trabalhos no escopo do projeto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para ajudar na alimentação do Sirehp, é imprescindível ter uma conta no Zotero, ter o software Zotero instalado em um computador e ter o &#039;&#039;plugin&#039;&#039; Zotero para Chrome ou Firefox instalado. É altamente desejável ter alguns conhecimentos sobre o funcionamento do Zotero. Informações sobre este sistema podem ser encontradas em seção abaixo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seguida, é necessário entrar em contato com o coordenador do projeto por meio do endereço eletrônico [/cdn-cgi/l/email-protection &amp;lt;nowiki&amp;gt;[email protected]&amp;lt;/nowiki&amp;gt;], informando do interesse em participar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma vez aprovada a solicitação, o usuário será incluído na biblioteca colaborativa Zotero do projeto. Esta biblioteca está integrada ao sistema do Sirehp, de modo que qualquer modificação nela implicará também em modificações no próprio site. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Revisando o Sirehp ===&lt;br /&gt;
Conforme o banco de dados do Sirehp cresce, aumenta a disponibilidade de recursos e informações. Por outro lado, o sistema fica mais vulnerável a eventuais erros e imprecisões. A quantidade de informações também torna mais difícil corrigir os erros e distorções. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um colaborador, se assim o desejar, pode se dedicar à revisão da qualidade e precisão das informações disponibilizadas. Isso inclui:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Corrigir os campos, como nomes, editores etc.;&lt;br /&gt;
* Adicionar ou corrigir links;&lt;br /&gt;
* Unificar os termos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Apoio técnico ===&lt;br /&gt;
Por ser um sistema livre, o Kerko permite o desenvolvimento de novas funcionalidades, bem como a correção de bugs. Colaborar com o desenvolvimento do Kerko não apenas auxilia o Sirehp, mas também outras bibliotecas que usam o sistema (veja uma lista [https://pypi.org/project/Kerko/ aqui]). Para esta modalidade de colaboração, são necessários conhecimentos em programação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Colaboradores ==&lt;br /&gt;
[https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro] (desenvolvedor) (2022-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/7924410923493344 André Elias Morelli Ribeiro] (coordenador) (2022-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos] (desenvolvedor) (2022-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/2323136385787396 Thais Arci Menezes Ferreira] (analista de referências) (2023)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arthur Macedo Nunes (analista de referências) (2026-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.linkedin.com/in/jo%C3%A3o-victor-moth%C3%A9-733025282/ João Victor Mothé] (analista de referências) (2026)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Zotero ==&lt;br /&gt;
Conforme a definição do [http://www.larhud.ibict.br/index.php?title=P%C3%A1gina_principal Laboratório de Rede de Humanidades Digitais], o Zotero é um software de gerenciamento de referências bibliográficas, gratuito e em código aberto, criado no ano de 2006, desenvolvido pela Universidade de George Mason.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com uma inscrição simples e gratuita, o usuário pode facilmente gerenciar citações, armazenar e gerenciar materiais bibliográficos e gerar bibliografias automáticas. Ele se integra a navegadores baseados no Cromium (como o Firefox, o Chrome e o Edge) e detecta, automaticamente, metadados de bibliografias online e as incorpora dentro da biblioteca do usuário. Além disso, por se integrar a editores de texto como o Word e o LibreOffice, ele auxilia na escrita acadêmica, gerando citações e listas de referências automaticamente, obedecendo às normas bibliográficas escolhidas pelo usuário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, o Zotero se integra à nuvem, oferecendo 200Mb gratuitos para os usuários, com a possibilidade de adquirir mais espaço. Caso prefira, o usuário pode utilizar sua própria nuvem, como o Google Drive ou o One Drive para armazenar documentos. É possível até fazer fichamentos e adicionar notas dentro do próprio Zotero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existem várias formas de aprender a usar o Zotero. Eis algumas sugestões:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Planeta Zotero ===&lt;br /&gt;
Desenvolvido por Leonardo Simonini Ferreira, mestre em biblioteconomia e técnico em saúde pública no Instituto de Comunicação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT) na Fiocruz, o Planeta Zotero é um blog com muitos materiais de apoio aos usuários do Zotero, incluindo um manual, um editor de estilo para ABNT, além de vídeos no canal do Planeta Zotero no YouTube, e muito mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://planetazotero.blogspot.com/ Link para o Planeta Zotero]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Curso da RNP ===&lt;br /&gt;
A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa oferece um curso em vídeo sobre o Zotero, que pode ser acessado [https://eduplay.rnp.br/portal/playlist/183064 aqui].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Biblioteca Oficial Zotero ===&lt;br /&gt;
O site oficial do projeto traz uma biblioteca completa de apoio ao usuário que pode ser acessada [https://www.zotero.org/support/ aqui].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Manuais e tutoriais ===&lt;br /&gt;
Existem vários manuais e tutoriais de auxílio aos usuários do Zotero. Aqui estão alguns:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.ufjf.br/getproducao/files/2014/04/Tutorial-Zotero-UFJF.pdf Tutorial Zotero da UFJF] (24 páginas)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.sbu.unicamp.br/sbu/wp-content/uploads/pdf/guiasemanuais/Guia_Zotero_Fevereiro_2015_IFGW-04-03-15.pdf Guia Zotero do Instituto de Física da Unicamp] (50 páginas)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/29589/2/va_Simonini_Leonardo_ICICT_2018.pdf Tutorial Zotero 5.0 da Fiocruz] (68 páginas)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.iel.unicamp.br/arquivos/biblioteca/TUTORIAL_zotero_v1.pdf Tutorial Zotero da Biblioteca Antonio Cândido da Unicamp] (86 páginas)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Kerko ==&lt;br /&gt;
O [https://github.com/whiskyechobravo/kerko Kerko] é um software gratuito que permite publicar na web uma bibliografia gerenciada com Zotero e facilitar sua exploração e consulta. A combinação de Kerko e Zotero oferece o melhor dos dois mundos: um interface web rica e fácil de usar para usuários finais das bibliotecas bibliográficas, e um ferramenta de gerenciamento de referências bibliográficas bem estabelecida e poderosa para indivíduos ou equipes que trabalham no conteúdo da bibliografia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desenvolvido por [https://davidlesieur.com/ David Lesieur], um desenvolvedor de sistemas canadense, o Kerko é baseado em linguagem Python usando o framework Flask. A aplicação está bem desenvolvida e é estável, mas ainda exige conhecimentos técnicos para sua instalação e manutenção. No Brasil, desenvolvedores como [https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos] e [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro] podem auxiliar na instalação do Kerko.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A interface do Kerko permite a exploração de bibliografias, tanto no modo de pesquisa quanto no modo de navegação, de forma a atender às diferentes necessidades, comportamentos e habilidades do usuário. Por exemplo, usuários com uma ideia prévia do tema de pesquisa e que estejam procurando referências, podem inserir palavras-chave ou uma consulta mais complexa em um campo de busca. Usuários que desejam se familiarizar com a bibliografia ou descobrir novos assuntos podem navegar navegando pelos temas propostos, para refinar ou ampliar o conjunto de resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de facilitar a localização e consulta de referências bibliográficas, Kerko permite o acesso à bibliografia no espírito dos dados abertos. Assim, informações bibliográficas são disponibilizados aos usuários em formatos estruturados que permitem importar referências para suas próprias bibliografias. Isto é conseguido pela incorporação nas páginas de tags em conformidade com o padrão OpenURL COinS, reconhecido por bons softwares de gestão bibliográfica, bem como pela disponibilização de links para download onde o usuário pode escolher o formato que mais lhe convém, por exemplo BibTeX ou RIS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links externos ==&lt;br /&gt;
[https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.zotero.org/groups/5157132/portalhp/library Sirehp no Zotero]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zotero.org Zotero]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://whiskyechobravo.github.io/kerko/latest/ Kerko]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://davidlesieur.com/ David Lesieur (criador do Kerko)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro (desenvolvedor do Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos (desenvolvedor do Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://scholar.google.com.br/?hl=pt Google Acadêmico]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.worldcat.org/pt Wordcat]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.microsoft.com/en-us/research/project/academic/ Microsoft Academic]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://pypi.org/project/Kerko/ Lista de projetos que utilizam o Kerko]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi escrito pelo coordenador do Portal História da Psicologia, André Elias Morelli Ribeiro&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ajuda]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Sistema_de_Refer%C3%AAncias_em_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia_(Sirehp)&amp;diff=1669</id>
		<title>Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Sistema_de_Refer%C3%AAncias_em_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia_(Sirehp)&amp;diff=1669"/>
		<updated>2026-05-11T21:30:12Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* Colaboradores */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O [https://sirehp.historiadapsicologia.com.br Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)] é um sistema online e gratuito de busca de bibliografia acadêmica sobre história da psicologia a partir de um acervo construído com curadoria humana. Enquanto aplicação online, o Sirehp é baseado em [https://Zotero.org Zotero] e [https://whiskyechobravo.github.io/kerko/latest/ Kerko]. Além de referência sobre história da psicologia, referências sobre filosofia e epistemologia da psicologia também são incorporadas de forma complementar. O Sirehp é alimentado por meio de um trabalho colaborativo e em rede, baseado em uma biblioteca compartilhada pública do Zotero. Os colaboradores atuam tanto na manutenção dos sistemas quanto na inserção de novas referências e na revisão de sua qualidade e precisão. O sistema está hospedado no website do [https://historiadapsicologia.com.br Portal História da Psicologia], sendo um de seus vários serviços digitais online.&lt;br /&gt;
== Histórico ==&lt;br /&gt;
A ideia de criar um sistema de gestão de informação bibliográfica específica para a área da história da psicologia foi proposta em 2022 pelo coordenador do [https://historiadapsicologia.com.br Portal História da Psicologia], Prof. André Elias Morelli Ribeiro, que iniciou a busca por parceiros para viabilizar o projeto. A ideia era unificar em um único espaço digital, online e gratuito, todas as referências úteis sobre história, filosofia e epistemologia da psicologia, o que facilitaria a pesquisa sobre o assunto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os primeiros contatos para a viabilização  do projeto foram feitos com docentes do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras, que possuem capacidade e conhecimento técnico para o desenvolvimento de sistemas, mediados pela equipe da Biblioteca da UFF de Rio das Ostras. O objetivo era criar um aplicativo online que permitisse tanto a organização de referências bibliográficas em história da psicologia amigável ao usuário quanto a curadoria destes materiais por parte de uma equipe de voluntários. Contudo, durante as conversas foi possível perceber a complexidade do projeto, o que levou os envolvidos a adiarem a proposta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em abril de 2023, o contato com o [https://zotero.org Zotero], um software de gerenciamento de referências bibliográficas, permitiu o resgate da proposta de 2022 por parte do proponente original, que iniciou uma busca por sistemas e softwares que utilizassem o Zotero como base e que fossem úteis para o projeto. A ideia era utilizar da capacidade do Zotero de capturar, gerar e armazenar metadados de referências bibliográficas e, a partir dos dados coletados por meio dele, gerar uma visualização online que permitisse certas funcionalidades, como busca e link único.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A busca nos fóruns de discussão oficiais do Zotero revelaram que o desenvolvedor de sistemas de informação canadense [https://davidlesieur.com/ David Lesieur] havia criado o [https://github.com/whiskyechobravo/kerko Kerko], um sistema livre que permite a publicação, na web, de bibliografias geradas via Zotero, que tornava fácil a busca e incorporação de referências e outros materiais. O kerko, além de ser amigável para o usuário, podia incorporar uma biblioteca compartilhada, o que permitia ao administrador do projeto a atribuição de papeis, úteis para a curadoria do material a ser disponibilizado no sistema. Ou seja, por meio de uma pasta compartilhada do Zotero, colaboradores de todo o mundo poderiam ajudar a alimentar e corrigir a base do Sirehp.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os desafios técnicos e tecnológicos levaram os proponentes a entrarem em contato com o desenvolvedor de sistema de informação [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro] a instalar o Kerko num subdomínio do website do Portal História da Psicologia, além de resolver vários problemas e detalhes técnicos. Após uma semana de trabalho, o Sirehp foi finalmente lançado em 26 de agosto de 2023 e disponibilizado ao público.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Infelizmente, devido a problemas com o provedor de computação em nuvem, o sistema ficou indisponível dois meses depois de seu lançamento. O problema, que exige alto investimento financeiro, só foi resolvido em 6 de janeiro de 2024, com a localização de um novo servidor. Neste período, um novo programador voluntário integrou-se à equipe do Sirehp, [https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos]. Entre abril e outubro de 2024, o Sirehp esteve instalado no servidor do [https://www.pythonanywhere.com/ PythonAnywhere], que forneceu gratuitamente suporte em nuvem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outubro de 2024, o desenvolvedor [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro] fez novas modificações no Sirehp, melhorando a usabilidade do site, adicionando novas opções para busca e filtros melhores, o que acrescentou novas funcionalidades para o sistema. Ademais, modificações na hospedagem do site o tornou mais estável e robusto. Em janeiro de 2026, o Sirehp passou por modificações em seu escopo e políticas, refletindo o amadurecimento do projeto e consolidando conceitos de forma mais objetiva e acessível para seus usuários e colaboradores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escopo ==&lt;br /&gt;
O acervo do Sistema de Referências em História da Psicologia contém apenas trabalhos bibliográficos acadêmicos que pertencem ao campo brasileiro da história da psicologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Campo brasileiro da história da psicologia ===&lt;br /&gt;
São considerados como parte do campo brasileiro da história da psicologia obras cuja temática predominante seja a história da psicologia e que se enquadram em pelo menos um dos seguintes requisitos:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Autor brasileiro cujo texto esteja publicado em qualquer idioma e em qualquer país;&lt;br /&gt;
* Autor estrangeiro estabelecido ou identificado com o Brasil cujo texto esteja publicado em qualquer idioma e em qualquer país;&lt;br /&gt;
* Autor estrangeiro cujo texto esteja publicado no Brasil, em qualquer idioma;&lt;br /&gt;
* Autor estrangeiro cujo texto discuta parcial ou totalmente sobre a psicologia brasileira, publicado em qualquer idioma e em qualquer país.&lt;br /&gt;
Os critérios estabelecidos para a definição do campo delimitam o escopo do Sirehp a partir de uma perspectiva transnacional, superando o isolacionismo geográfico ao integrar narrativas sobre a história da psicologia brasileira publicadas em instâncias internacionais. A estrutura de inclusão abdica da nacionalidade como critério, legitimando a alteridade do olhar estrangeiro e fomentando a pluralidade de perspectivas historiográficas. Assim, a definição de &#039;campo brasileiro&#039; adotada pelo sistema reconhece a permeabilidade da produção científica, incorporando tanto o impacto de obras estrangeiras na historiografia local quanto o movimento de internacionalização da pesquisa produzida no Brasil, consolidando um mapeamento abrangente da circulação global de saberes psicológicos relacionados ao contexto brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objeto de estudo da história da psicologia ===&lt;br /&gt;
Existe um grande debate acadêmico sobre qual é o objeto de estudo da história da psicologia e, para este problema, existe uma variedade de respostas. Visando dar uma resposta direta que balize a atuação dos colaboradores do Sirehp, bem como coerência ao seu acervo, deverão ser consideradas como parte da história da psicologia obras que abordam:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Historiografia das Ideias e Epistemologia da Psicologia ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Análises das raízes filosóficas, científicas e socioculturais que permitiram a emergência da psicologia como disciplina autônoma.&lt;br /&gt;
* Investigações sobre a historicidade de conceitos psicológicos, como mente, comportamento, subjetividade, inconsciente, entre outros, observando como suas definições e fronteiras se transformam em diferentes recortes espaço-temporais e paradigmas.&lt;br /&gt;
* Estudos que discutam o surgimento, a consolidação, as crises e os conflitos entre tradições teóricas e sistemas psicológicos, tratando-os não como verdades universais, mas como construções situadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Dimensão Social, Política e Institucional da Psicologia numa Perspectiva Histórica ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Investigações sobre a história de laboratórios, clínicas, cursos de graduação, associações profissionais e a publicação de manuais/periódicos entre outras instâncias institucionais que estruturaram o campo.&lt;br /&gt;
* Análises que tomem a psicologia como ator social, investigando como a disciplina respondeu a demandas políticas, culturais e institucionais, e como participou da gestão da vida social e suas participações e influências na cultura, política e outros aspectos sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Historiografia das Práticas e Atores Relevantes para a História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Estudos sobre o desenvolvimento de instrumentos, testes, técnicas de intervenção e o cotidiano das práticas psicológicas em seus diversos cenários, como escolas, hospitais, indústrias, entre outros.&lt;br /&gt;
* Análises sobre a trajetória de personagens relevantes e de grupos, preferencialmente conectando suas biografias aos contextos sociopolíticos e intelectuais da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em síntese, será considerado como objeto da História da Psicologia o processo histórico de construção do conhecimento psicológico, envolvendo ideias, práticas, sujeitos e contextos sociais que moldaram a psicologia ao longo do tempo ou que foram transformados por ela. Esta definição é &#039;&#039;&#039;orientada para a psicologia moderna&#039;&#039;&#039;, que é o período em que a psicologia se consolida como ciência autônoma, com objeto de estudo definido, métodos sistemáticos e produção de conhecimento baseada em investigação empírica, rompendo gradualmente com explicações exclusivamente filosóficas. Esta orientação não exclui trabalhos históricos sobre conexões da psicologia moderna com seus antecedentes, observando sua diversidade e dispersão e a multiplicidade heterogênea. Os limites desta conexão sempre são problemáticos, pois frequentemente implicam em reivindicações de antecedência e, considerando esta disputa, não serão considerados como parte da história da psicologia trabalhos sobre discursos reflexivos, no sentido de humanos tentando entender o que são humanos, sem alguma conexão com a psicologia científica moderna. A psicologia é uma forma de discurso reflexivo, e a história desta forma é, de forma geral, o objeto de interesse do Sirehp e o balizador central de seu escopo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Visão Ampliada da Psicologia Moderna ===&lt;br /&gt;
De forma complementar, e considerando a relevância de discursões que frequentemente são consideradas marginais ao objeto da história da psicologia, o Sirehp pode conter em seu acervo trabalhos no campo da epistemologia e filosofia da psicologia, desde que tenham uma abordagem ou viés predominantemente histórico, e que mantenham relação visível e relevante com o conjunto de critérios que definiram o objeto de estudo da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Políticas do Sirehp ==&lt;br /&gt;
O Sirehp é dedicado primariamente à história da psicologia, mas também recebe trabalhos em epistemologia e filosofia da psicologia que tenham uma abordagem ou viés histórico. Visando o bom funcionamento e a coerência do acervo, para inserção ou exclusão de dados do acervo do Sirehp é necessário seguir os seguintes parâmetros.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de inclusão quanto ao assunto ===&lt;br /&gt;
Por enquanto, deve-se inserir apenas materiais claramente relacionados à história, da psicologia e, de forma complementar, filosofia e epistemologia da psicologia que tenham abordagem ou viés histórico, conforme explicitado no [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]] do projeto. Deve-se evitar os trabalhos onde pode haver dúvidas sua relação e enquadramento com as balizas do Sirehp. Assim, materiais como História da Loucura, do filósofo francês Michel Foucault, não devem ser inseridos no Sirehp por serem geralmente considerados como parte da filosofia. Contudo, trabalhos sobre a história da loucura no Brasil, utilizando como inspiração das ideias de Foucault ou valendo-se de suas categorias analíticas devem ser incluídos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existe uma grande variedade de abordagens históricas e historiográficas na literatura sobre a história da psicologia. Além dos trabalhos cujo &#039;&#039;&#039;enquadramento no escopo do Sirehp seja evidente&#039;&#039;&#039;, os colaboradores do Sirehp &#039;&#039;&#039;devem incluir&#039;&#039;&#039; obras que se enquadrem no escopo do projeto e que abordem: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Revisões de literatura que abranjam longos períodos de tempo (mais de cinco anos); ====&lt;br /&gt;
Neste item, é esencial diferenciar revisões bibliográficas convencionais que buscam identificar o estado da arte em um assunto, da revisão de literatura historiográfica, com vistas à análise da evolução do conhecimento. Desta feita, o Sirehp admite revisões de literatura que adotem uma perspectiva longitudinal ou histórica, principalmente se superam o limite de cinco anos estabelecido como política em muitos periódicos de alto impacto para garantir a atualidade dos dados. Trabalhos que utilizem a literatura técnica de períodos remotos como fonte primária ou secundária para compreender o desenvolvimento da disciplina em contextos específicos também são bem-vindos no acervo do Sirehp &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Histórias de periódicos, séries de livros, coleções e similares; ====&lt;br /&gt;
Para este parâmetro de inclusão, o foco está em obras que se debruçam sobre a história das instituições editoriais e da cultura material escrita. Assim, serão admitidas obras que investiguem a trajetória, a organização e o impacto de veículos de comunicação científica e técnica, compreendendo-os como instâncias de legitimação e sedimentação do campo psicológico. Isto inclui trajetórias e periódicos e outras formas de publicação, genealogias de séries e coleções e investigações sobre redes e políticas editoriais adotadas como estratégias de definição dos limites e da legitimação da psicologia. Podem ser incluídos também histórias sobre manuais, livros didáticos, catálogos, listas bibliográficas, entre outras séries da cultura material escrita vinculada a políticas editoriais institucionais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Textos que anunciam, no título, uma abordagem histórica de aspectos da psicologia ====&lt;br /&gt;
Este critério prioriza a intencionalidade do autor em produzir um conhecimento situado temporalmente, respeitando as diferentes visões sobre o que é história da psicologia e qual o seu objeto ao longo do tempo. Os termos empregados podem não ser os mesmos utilizados contemporaneamente, então deve-se estar atentos a trabalhos que, no título, apresentem expressões tais como &amp;quot;História&amp;quot;, &amp;quot;Historiografia&amp;quot;, &amp;quot;Gênese&amp;quot;, &amp;quot;Evolução&amp;quot;, &amp;quot;Trajetória&amp;quot;, &amp;quot;Raízes&amp;quot;, &amp;quot;Origens&amp;quot;, períodos temporais (como décadas ou eras), &amp;quot;Memórias&amp;quot;, &amp;quot;Antecedentes&amp;quot;, &amp;quot;Pioneiros&amp;quot; ou &amp;quot;Panorama Histórico&amp;quot;, entre outros, sempre respeitando os limites determinados pelo [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]].    &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Discussões sobre conexões entre autores contemporâneos e autores clássicos, com abordagem predominantemente histórica ====&lt;br /&gt;
Para este critério, o foco recai sobre a genealogia intelectual, onde ocorre uma análise de transmissão, recepção e ressignificação de ideias ao longo do tempo, com vistas à psicologia moderna. Deverão ser incluídos textos que façam correlações analíticas entre o pensamento contemporâneo e as tradições clássicas da psicologia, desde que a historicidade das ideias seja o eixo condutor do texto. Textos sobre genealogia de conceitos, estudos de recepção, estudos de circulação, entre outras modalidades que situem a psicologia de forma histórica a partir de seus contatos, conexões e relações com o passado também poderão ser incorporados ao acervo do Sirehp.                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Registros de história oral com tema histórico ou de memória ====&lt;br /&gt;
Deverão ser incluídas no acervo do Sirehp produções que utilizem a metodologia da História Oral, como entrevistas e outros, devidamente estruturadas e que tenham como foco central seja a recuperação e a preservação da memória do campo psicológico, desde que escritos e publicados nos veículos e formas delimitados nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra|Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra]]. Trabalhos que contenham relatos de vida de protagonistas da história da psicologia, relatos autobiográficos, depoimentos ou outras formas de história oral devem fazer parte do conjunto de referências do projeto.                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Biografias de figuras historicamente reconhecidas ou relevantes ====&lt;br /&gt;
Obras que se dediquem à reconstrução e análise da vida e obra de personagens relevantes para o desenvolvimento da psicologia devem ser incluídos no acervo do Sirehp. Isto inclui as frequentemente chamadas biografias celebratórias, obras biográficas de homenagem, entre outros. Podem ser incluídas biografias que não são baseadas em documentos, desde que passem pelos critérios de publicação científica definidas no [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]] e nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra|critérios de inclusão quanto ao tipo de obra]] do Sirehp. Obituários e informações biográficas em contracapas, orelhas entre outros espaços marginais não deverão ser incluídos no acervo.                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Metahistória, teoria da história, filosofia da história, desde que conectado à psicologia ====&lt;br /&gt;
Devem ser incluídos no acervo do Sirehp obras dedicadas discussão teórica do funcionamento natureza do fazer histórico, como nos casos da metahistória, da teoria da história e da filosofia da história, desde que conectados à história da psicologia, conforme a definição do projeto. Estes textos incluem discussões sobre anacronismo, presentismo, questões da &amp;quot;grande história&amp;quot;, a condição do historiador, o lugar da história no tempo e sociedade, entre outros problemas que moldam a forma como a história é produzida. O propósito da inclusão deste conjunto de obras no acervo é documentar a evolução do pensamento crítico sobre a própria historiografia no campo brasileiro da história da psicologia.                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Ensino de história, desde que conectado à psicologia ====&lt;br /&gt;
Serão admitidas obras que investiguem os processos de transmissão do conhecimento histórico no âmbito da formação em Psicologia, incluindo a história geral, história social, história política, história da psicologia, entre outros. O objetivo da inclusão deste conjunto de obras no acervo é documentar o papel da história na evolução da formação em psicologia e o papel que a história tem nestes contextos. A justificativa parte do reconhecimento da pertinência da presença da história, especialmente da história da psicologia, na formação profissional e no fomento do campo brasileiro de história da psicologia.                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Produção e organização da memória da psicologia ====&lt;br /&gt;
Serão admitidas obras que investiguem ou documentem os processos de salvaguarda, organização e difusão do patrimônio histórico da psicologia, bem como os próprios textos que resultem desses processos. Isso inclui textos autobiográficos, descrições e relatos de viagens, eventos, cursos, entre outros. Deverão ser incluídos também obras que relatem o processo de formação, organização, desenvolvimento, transformação ou outros acontecimentos dos centros e espaços onde se armazenam documentos pertinentes à memória da psicologia. Inventários, catálogos, registros em vídeo, entre outros não deverão ser incluídos, conforme os [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra|critérios de inclusão quanto ao tipo de obra]] das políticas do Sirehp. Interessados em registrar documentos desta natureza na forma de obras que se enquadrem nestes mesmos critérios de inclusão podem enviar propostas para a [https://editora.historiadapsicologia.com.br Editora do Portal História da Psicologi]a, que poderá incluir no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletim do Portal História da Psicologia], conforme o caso.                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Obras que utilizem o unitermo &amp;quot;história da psicologia&amp;quot; ou similar na indexação ====&lt;br /&gt;
Serão incluídas obras que utilizem explicitamente o unitermo &amp;quot;História da Psicologia&amp;quot; ou variações equivalentes como &amp;quot;Historiografia da Psicologia&amp;quot;, &amp;quot;Evolução Histórica da Psicologia&amp;quot;, entre outros em seus campos de metadados, palavras-chave ou descritores usados na indexação em catálogos físicos ou digitais. Sugestões sobre como estes unitermos podem aparecer podem ser encontradas na seção [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Sugestões para busca em unitermos, resumos e outros indexadores|sugestões para busca em unitermos, resumos e outros indexadores]]. Espera-se que, desta forma, o acervo do Sirehp incorpore uma pluralidade de concepções do que é história da psicologia e se valorize esforços de pesquisadores geralmente não identificados como parte do grupo de especialistas em história da psicologia mas que podem proporcionar contribuições relevantes, combatendo o elitismo historiográfico e ampliando a diversidade de atores envolvidos na produção da história da psicologia. Essa diretriz garante a preservação de uma memória multifacetada da psicologia brasileira, integrando tanto o rigor da historiografia profissional quanto a riqueza dos registros produzidos por quem constrói o cotidiano da disciplina em suas múltiplas frentes.                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Histórias de visitas, viagens e similares ====&lt;br /&gt;
Serão integradas ao sistema obras que documentem e analisem deslocamentos geográficos de relevância para o campo psicológico. Este critério abrange o registro de visitas técnicas, viagens de estudo e missões acadêmicas. Estas podem ser contemporâneas ou próximas em tempo, funcionando como memória da psicologia, como descrito no critério [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Produção e organização da memória da psicologia|produção e organização da memória da psicologia]], ou retomadas históricas destes deslocamentos que tiveram relevância para a psicologia e sua história.                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Recepções, circulações, difusões entre outros estudos de circulação de ideias e práticas ====&lt;br /&gt;
Serão incluídas obras que investiguem o trânsito de teorias, métodos e práticas psicológicas entre diferentes contextos culturais, geográficos ou disciplinares. O desenvolvimento das técnicas de investigação e produção históricas tem gerado obras que apresentam pontos de vista novos sobre como as diferentes formas da psicologia ultrapassa seus lugares originais de produção e discutem os modos de contato entre as diferentes esferas.                                                                                                                                                                                                 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Histórias disciplinares com temática predominante em psicologia ====&lt;br /&gt;
Deverão ser integradas ao acervo do Sirehp obras que investiguem o desenvolvimento histórico da psicologia dentro de outras disciplinas e campos, como educação, medicina, psiquiatria, assistência social, entre outros. Este parâmetro prioriza trabalhos que analisem como a psicologia serviu de base teórica e técnica para o pensamento ou prática em outras disciplinas ou como se relacionou e interagiu com elas, de forma positiva ou negativa. Histórias do pensamento disciplinar que traz abundância de elementos conectados com a psicologia moderna também deverão ser incluídos, bem como histórias de instituições não diretamente conectadas com a psicologia mas que tiveram com ela interações relevantes.                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Histórias sociais e culturais com temática predominante em psicologia ====&lt;br /&gt;
O acervo do Sirehp deve conter obras que discutam e analisem a psicologia como um produto e, simultaneamente, um agente transformador da sociedade e da cultura. No caso da história social, o foco recai no estudo das estruturas da sociedade, nas relações de poder, nas instituições e nos grupos sociais, e devem ser incluídas no acervo do Sirehp que a psicologia tiver papel relevante nessas narrativas. No caso da história social, o foco recai no estudo das representações, os imaginários, os símbolos e as sensibilidades e as obras deste tipo devem ser incluídas desde que a psicologia tenha um papel relevante na narrativa. Abordagens históricas que partem de conceitos como subjetivação, controle, governamentalidade, biopolítica e biopoder também devem ser incluídos. Outras formas de interpretação sociológica que produzam histórias relevantes para compreender a psicologia devem ser incorporadas no acervo do Sirehp.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Histórias de grupos socialmente minoritários e de resistência com relação relevante com a psicologia ====&lt;br /&gt;
Serão integradas obras que investiguem a trajetória de grupos socialmente minoritários em termos de poder, não necessariamente número, e suas relações com o saber e a prática da psicologia moderna. Histórias de grupos invisibilizados e marginalizados, movimentos de luta e resistência e saberes e práticas consideradas periféricas deverão ser incluídos no acervo do Sirehp, desde que tenham uma evidente conexão com a psicologia, conforme o [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]] do projeto. Este critério permite que colaboradores e usuários reflitam a diversidade real da psicologia brasileira, transformando o acervo em um instrumento de visibilidade para as lutas e saberes que moldaram uma profissão comprometida com a justiça social e a pluralidade humana.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== História da cultura material, tecnologia e instrumentação ====&lt;br /&gt;
Obras que tenham como assunto central os artefatos, dispositivos tecnológicos e instrumentos que compõem o universo da prática e da pesquisa psicológica deverão fazer parte do acervo do Sirehp. Isto inclui histórias de instrumentos e laboratórios, testes e métodos de avaliação, cultura material dos espaços práticos, como clínicas e consultórios, bem como as tecnologias digitais empregadas pela psicologia moderna ao longo do tempo. Perspectivas que partam de métodos como história das coisas, epistemologia dos instrumentos e que tomem a história psicologia como parte da história da tecnologia e das técnicas também devem ser incorporados. Como norma geral, deve-se tomar este critério no sentido de mapear a história da composição da infraestrutura técnica que sustentou a psicologia.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Historiografia da tradução e mediação editorial ====&lt;br /&gt;
Serão incluídas obras que investiguem o papel das traduções, dos tradutores e das casas editoriais na formação do campo psicológico, incluindo análises comparativas de traduções, evolução da tradução de termos, evolução da transformação de termos, histórias de coleções e o papel de editoras e editores na definição da psicologia moderna.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de exclusão quanto ao assunto ===&lt;br /&gt;
Para manter o rigor metodológico, a identidade e a coerência do acervo do Sirehp, &#039;&#039;&#039;não serão integrados&#039;&#039;&#039; ao sistema materiais que se enquadrem nos seguintes parâmetros:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Discussões estritamente conceituais ou teóricas ====&lt;br /&gt;
Obras que tratem de conceitos da psicologia, como Self, comportamento, &#039;&#039;insght&#039;&#039;, entre outros, de forma abstrata ou sincrônica, sem que a evolução temporal ou o contexto histórico de produção dessas ideias sejam a dimensão principal da análise.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Contextualizações históricas acessórias ====&lt;br /&gt;
Seções de obras, capítulos ou artigos que apresentem breves tomadas históricas ou trajetórias genéricas, com função apenas introdutória para uma pesquisa com outro foco que não seja histórico. O Sirehp foca em trabalhos onde a história é o objeto central e não apenas um recurso retórico ou protocolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Atualidade de autores clássicos sem perspectiva historiográfica ====&lt;br /&gt;
Textos que busquem validar ou aplicar ideias de autores clássicos, focados na utilidade prática contemporânea ou discussões teóricas atuais, sem realizar uma discussão crítica sobre a trajetória histórica, as fontes ou as transformações do pensamento do autor ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Trajetórias de figuras sem relevância para o campo ====&lt;br /&gt;
Biografias ou relatos sobre indivíduos cujas trajetórias não possuam impacto documentado no desenvolvimento científico, profissional, institucional ou social da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Relatórios situacionais ou administrativos ====&lt;br /&gt;
Relatórios de gestão, diagnósticos de mercado ou levantamentos sobre a situação da psicologia que possuam caráter meramente descritivo e administrativo, mesmo publicados em livro e por editoras acadêmicas ou com reconhecida relevância científica. Não deverão ser incluídos no acervo mesmo que não sejam contemporâneos, sem que o documento apresente uma análise historiográfica ou não for tratado como fonte para uma narrativa histórica. Interessados em registrar documentos desta natureza na forma de obras que se enquadrem nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao assunto|critérios de inclusão quanto ao assunto]] do projeto podem enviar propostas para a [https://editora.historiadapsicologia.com.br Editora do Portal História da Psicologi], que poderá incluir no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletim do Portal História da Psicologia], conforme o caso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Reedições simples de clássicos ====&lt;br /&gt;
A mera republicação de uma obra clássica, sem a presença de comentários ou elementos pré ou pós-textuais críticos, como novas introduções, notas históricas, prefácios analíticos ou estudos introdutórios historiográficos, não deverão ser publicados. O sistema prioriza a produção sobre a história e não a reprodução física da fonte primária isolada. Interessados em registrar documentos desta natureza na forma de obras que se enquadrem nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao assunto do projeto|critérios de inclusão quanto ao assunto do projeto]] podem enviar propostas para a [https://editora.historiadapsicologia.com.br Editora do Portal História da Psicologia], que poderá incluir no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletim do Portal História da Psicologia], conforme o caso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Obras de caráter prescritivo ou normativo ====&lt;br /&gt;
Manuais sobre a ação do profissional, embora sejam fontes históricas no futuro, no presente são apenas guias técnicos e poderiam poluir o sistema se o objetivo for focar na análise histórica. Manuais e materiais similares antigos também não devem ser incluídos sem a presença de comentários ou elementos pré ou pós-textuais críticos, como novas introduções, notas históricas, prefácios analíticos ou estudos introdutórios historiográficos. Interessados em registrar documentos desta natureza na forma de obras que se enquadrem nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao assunto|critérios de inclusão quanto ao assunto]] podem enviar propostas para a [https://editora.historiadapsicologia.com.br Editora do Portal História da Psicologia]a, que poderá incluir no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletim do Portal História da Psicologia], conforme o caso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra ===&lt;br /&gt;
Observando atentamente o [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]] do Sirehp, só devem ser adicionados ao Sirehp os seguintes tipos de obra: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Artigos publicados em periódicos científicos indexados ====&lt;br /&gt;
Produções científicas originais submetidas à revisão por pares e publicadas em revistas especializadas e indexadas. Devem apresentar rigor metodológico, fundamentação teórica densa e contribuições inéditas para a historiografia ou teoria da psicologia. São atualmente a modalidade de produção científica mais comum. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Artigos completos publicados em anais de eventos ====&lt;br /&gt;
Trabalhos científicos completos apresentados e discutidos em fóruns acadêmicos, como congressos, simpósios, encontros, entre outros. Constituem registros de comunicações originais que integram a literatura científica de interesse acadêmico, refletindo o estado da arte e debates contemporâneos da área. Resumos, resumos expandidos e outras modalidades de texto comuns em anais de eventos não devem ser adicionados ao acervo do Sirehp. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Resenhas ====&lt;br /&gt;
Textos críticos que examinam e avaliam obras relevantes para o campo brasileiros de história da psicologia, conforme definido no [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]] do projeto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Entrevistas transcritas e publicadas sobre história da psicologia ====&lt;br /&gt;
Registros de diálogos com expoentes da área, devidamente editados e publicados, sobre aspectos do campo brasileiro de história da psicologia. As entrevistas precisam estar devidamente transcritas e publicadas em forma de texto em obras de relevância acadêmica. Interessados em registrar documentos desta natureza na forma de obras que se enquadrem nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra|critérios de inclusão quanto ao tipo de obra]] do projeto podem enviar propostas para a [https://editora.historiadapsicologia.com.br Editora do Portal História da Psicologia], que poderá incluir no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletim do Portal História da Psicologia], conforme o caso.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Conferências e palestras transcritas e publicadas ====&lt;br /&gt;
Transcrições de exposições orais proferidas por especialistas em eventos científicos cujo assunto é relevante para o campo brasileiro de história da psicologia. Devem estar publicados em obras cientificamente relevantes. Interessados em registrar documentos desta natureza na forma de obras que se enquadrem nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra|critérios de inclusão quanto ao tipo de obra]] do projeto podem enviar propostas para a [https://editora.historiadapsicologia.com.br Editora do Portal História da Psicologia], que poderá incluir no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletim do Portal História da Psicologia], conforme o caso.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Livros ====&lt;br /&gt;
Monografias ou obras coletivas sobre temas relacionados ao campo brasileiros de história da psicologia. Obras coletivas que não tem como assunto único ou predominante o campo brasileiro de história da psicologia não devem ser inseridos como obras como um todo, mas apenas os capítulos ou seções pertinentes ao [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]] do projeto. Obras coletivas sobre encontros, congressos e outros fóruns científicos só devem ser inseridos como um todo quando o evento for dedicado à história da psicologia. Caso a obra contenha apenas resumos ou outra forma de apresentação textual que não sejam capítulos ou artigos, a obra deve ser inserida como um todo, mas não as suas partes individualmente.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Dicionários, enciclopédia e similares ====&lt;br /&gt;
Obras enciclopédicas destinadas exclusivamente à história da psicologia devem ser inseridos no acervo, porém não as suas partes individualmente.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Seções de livros, incluindo capítulos, prefácios, posfácios e notas críticas ====&lt;br /&gt;
Fragmentos textuais com autonomia intelectual, como capítulos, prefácios, posfácios e introduções, seja de obras monográficas ou coletivas. É muito importante que cada capítulo tenha seu próprio registro no acervo do Sirehp, mesmo as obras monográficas.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Teses ====&lt;br /&gt;
Documentos acadêmicos defendidos e aprovados em programas de doutorado reconhecidos pelos órgãos oficiais.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Dissertações ====&lt;br /&gt;
Trabalhos de conclusão de mestrado defendidos e aprovados em programas de pós-graduação stricto senso reconhecidos pelos órgãos oficiais.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de exclusão quanto ao tipo de obra ===&lt;br /&gt;
Não devem ser inseridos no Sirehp:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Periódicos como um todo ====&lt;br /&gt;
Unidades completas de publicação serial não devem ser inseridas, mesmo as científicas. O Sirehp indexa apenas artigos individualizados para garantir a precisão da recuperação da informação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Relatórios ====&lt;br /&gt;
Documentos administrativos ou técnicos de circulação restrita, como relatórios de bolsas de pesquisa, financiamentos de agências de fomento, entre outros documentos similares não devem ser inseridos no Sirehp. Documentos desta natureza que podem ter valor histórico podem ser inseridos se devidamente acompanhados de comentários técnicos ou análises historiográficas. Interessados em registrar documentos desta natureza na forma de obras que se enquadrem nos [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra|critérios de inclusão quanto ao tipo de obra]] do projeto podem enviar propostas para a [https://editora.historiadapsicologia.com.br Editora do Portal História da Psicologia], que poderá incluir no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletim do Portal História da Psicologia], conforme o caso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Textos de jornais e revistas ====&lt;br /&gt;
Produções de natureza jornalística ou informativa destinadas ao público geral não devem ser adicionados ao acervo do Sirehp. Compilações de textos desta natureza, acompanhados de devido tratamento historiográfico crítico e científico podem ser publicados na forma de livros ou outros formatos aceitos pelo Sirehp.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Guias, inventários, catálogos e similares ====&lt;br /&gt;
Instrumentos de busca e ferramentas referenciais auxiliares que, no Sirehp, são considerados metadados ou guias de acesso a outros acervos, não constituindo, em si, produções de análise teórica ou historiográfica originais para o &#039;&#039;corpus&#039;&#039; principal do Sirehp.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Boletins informativos ====&lt;br /&gt;
Publicações institucionais de caráter noticioso ou burocrático, que focam na comunicação de eventos, editais ou decisões administrativas internas, não devem ser inseridos no acervo do Sirehp.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Produções audiovisuais ====&lt;br /&gt;
Devido às especificidades de armazenamento e às diretrizes atuais de indexação textual do sistema, conteúdos em formato de vídeo, áudio ou multimídiaestes são excluídos em favor de registros bibliográficos e transcrições formais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Resumos ou resumos expandidos ====&lt;br /&gt;
Registros concisos de pesquisas apresentadas em eventos. Por serem comunicações preliminares ou sínteses limitadas, não oferecem o corpo de dados e a discussão exaustiva necessária para a fundamentação de pesquisas históricas robustas. Ademais, sua quantidade poderia distorcer os relatórios produzidos pelo sistema e sobrecarregar os servidores onde o material fica armazenado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Trabalhos de Conclusão de Curso de qualquer tipo produzidos no âmbito da graduação ou equivalente ou pós-graduação &#039;&#039;lato sensu&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
Monografias, trabalhos de conclusão de curso de outra natureza, produzidos no âmbito da graduação ou equivalente ou na formação em pós-graduação &#039;&#039;lato sensu&#039;&#039; não devem ser inseridos, pois são trabalhos quepossuem caráter formativo, enquanto o Sirehp prioriza a produção científica que apresenta maior densidade investigativa&lt;br /&gt;
=== Questões sobre a qualidade dos metadados ===&lt;br /&gt;
A eficácia do Sirehp como ferramenta de recuperação de informação é diretamente proporcional à fidedignidade de seus descritores que são, no âmbito do projeto e no formato do sistema utilizado, equivalentes aos metadados da produção indexada. A inconsistência ou ausência de metadados, que pode decorrer de uma variedade de fatores, impõe ao colaborador um papel ativo de curadoria e validação que diferencia o Sirehp de outros sistemas similares.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, é imperativo consultar a fonte original para sanar lacunas informacionais sempre que possível. A precisão técnica na transcrição de dados bibliográficos é tão vital para a integridade do acervo quanto o volume de obras cadastradas. Deve-se também atentar, sempre que possível, para o preenchimento exaustivo dos dados que podem ser inseridos no sistema.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Políticas sobre a disponibilização e inclusão de links nos metadados ===&lt;br /&gt;
Links são elementos &amp;quot;clicáveis&amp;quot; em uma página da Web que direciona o usuário para outra página ou recurso da Web quando &amp;quot;clicado&amp;quot;. Eles permitem a interconexão entre diferentes espaços da Web. No caso do Sirehp, a conexão via link prioriza o acesso direto à obra acadêmica incluída no acervo, ou seja, a acessibilidade direta ao conhecimento. Considerando isso, a inclusão de URLs nos metadados deve seguir critérios de legalidade, estabilidade e gratuidade, facilitando o acesso imediato ao documento integral sempre que possível e seguindo diretrizes de uma ciência aberta.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diretriz geral, o Sirehp adota a política de fomento ao acesso aberto com respeito aos direitos autorais. Serão incorporados todos os meios de disponibilização legal de trabalhos online, excluindo-se caminhos que visem exclusivamente o lucro ou que ofereçam barreiras comerciais ao pesquisador. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Diretrizes de priorização ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Acesso direto e permanente =====&lt;br /&gt;
Deve-se privilegiar links que conduzam o usuário ao arquivo final, preferencialmente em formato PDF ou HTML. Em publicações digitais nativas, a utilização do DOI (Digital Object Identifier), quando disponível, é obrigatória, visando a garantia da persistência do acesso&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Conexão preferencial com repositórios confiáveis =====&lt;br /&gt;
A indexação deve integrar links de bibliotecas digitais e repositórios institucionais de alta credibilidade, tais como:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Portais Científicos: [https://books.scielo.org/ SciELO Livros] e outros repositórios. Neste ponto, deve-se dar preferência para o link direto para o texto no espaço onde foi publicado, como os próprios periódicos ou editoras com acervo digital gratuito;&lt;br /&gt;
* Acervos históricos e de domínio público: [https://archive.org/ Archive.org], [https://psychclassics.yorku.ca/ Classics in the History of Psychology], [http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp Domínio Público] e [https://books.google.com.br/ Google Books];&lt;br /&gt;
* Bases Acadêmicas: [https://catalogodeteses.capes.gov.br/catalogo-teses/#!/ Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES] e repositórios universitários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Restrições e Exceções ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Vinculações de natureza comercial =====&lt;br /&gt;
É vedada a inclusão de links para livrarias ou plataformas estritamente comerciais, exceto nos casos em que a obra esteja disponível para leitura integral e gratuita&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Plataformas Pagas =====&lt;br /&gt;
Para periódicos e portais de conteúdo restrito, o link deve ser mantido para fins de referência e localização da fonte oficial, priorizando, contudo, a indicação de versões em repositórios de acesso aberto quando disponíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Repositórios não oficiais =====&lt;br /&gt;
O uso de links para servidores não institucionais é de natureza excepcional e deve ser validado pela coordenação do Sirehp, assegurando que a disponibilização não infrinja direitos autorais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Visão sinótica das políticas do Sirehp ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de inclusão quanto ao assunto ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Revisões de literatura que abranjam longos períodos de tempo (mais de cinco anos);&lt;br /&gt;
# Histórias de periódicos, séries de livros, coleções e similares;&lt;br /&gt;
# Textos que anunciam, no título, uma abordagem histórica de aspectos da psicologia&lt;br /&gt;
# Discussões sobre conexões entre autores contemporâneos e autores clássicos, com abordagem predominantemente histórica&lt;br /&gt;
# Registros de história oral com tema histórico ou de memória&lt;br /&gt;
# Biografias de figuras historicamente reconhecidas ou relevantes&lt;br /&gt;
# Metahistória, teoria da história, filosofia da história, desde que conectado à psicologia&lt;br /&gt;
# Ensino de história, desde que conectado à psicologia&lt;br /&gt;
# Produção e organização da memória da psicologia&lt;br /&gt;
# Obras que utilizem o unitermo &amp;quot;história da psicologia&amp;quot; ou similar na indexação&lt;br /&gt;
# Histórias de visitas, viagens e similares&lt;br /&gt;
# Recepções, circulações, difusões entre outros estudos de circulação de ideias e práticas&lt;br /&gt;
# Histórias disciplinares com temática predominante em psicologia&lt;br /&gt;
# Histórias sociais e culturais com temática predominante em psicologia&lt;br /&gt;
# Histórias de grupos socialmente minoritários e de resistência com relação relevante com a psicologia&lt;br /&gt;
# História da cultura material, tecnologia e instrumentação&lt;br /&gt;
# Historiografia da tradução e mediação editorial&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de exclusão quanto ao assunto ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Discussões estritamente conceituais ou teóricas&lt;br /&gt;
# Contextualizações históricas acessórias&lt;br /&gt;
# Atualidade de autores clássicos sem perspectiva historiográfica&lt;br /&gt;
# Trajetórias de figuras sem relevância para o campo&lt;br /&gt;
# Relatórios situacionais ou administrativos&lt;br /&gt;
# Reedições simples de clássicos&lt;br /&gt;
# Obras de caráter prescritivo ou normativo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de inclusão quanto ao tipo de obra ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Artigos publicados em periódicos científicos indexados&lt;br /&gt;
# Artigos completos publicados em anais de eventos&lt;br /&gt;
# Resenhas&lt;br /&gt;
# Entrevistas transcritas e publicadas sobre história da psicologia&lt;br /&gt;
# Conferências e palestras transcritas e publicadas&lt;br /&gt;
# Livros&lt;br /&gt;
# Dicionários, enciclopédia e similares&lt;br /&gt;
# Seções de livros, incluindo capítulos, prefácios, posfácios e notas críticas&lt;br /&gt;
# Teses&lt;br /&gt;
# Dissertações&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Critérios de exclusão quanto ao tipo de obra ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Periódicos como um todo&lt;br /&gt;
# Relatórios&lt;br /&gt;
# Textos de jornais e revistas&lt;br /&gt;
# Guias, inventários, catálogos e similares&lt;br /&gt;
# Boletins informativos&lt;br /&gt;
# Produções audiovisuais&lt;br /&gt;
# Resumos ou resumos expandidos&lt;br /&gt;
# Trabalhos de Conclusão de Curso de qualquer tipo produzidos no âmbito da graduação ou equivalente ou pós-graduação &#039;&#039;lato sensu&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Questões quanto à qualidade dos metadados ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Fidelidade descritiva&lt;br /&gt;
# Curadoria ativa&lt;br /&gt;
# Primazia da fonte original&lt;br /&gt;
# Qualidade é tão importante quanto quantidade&lt;br /&gt;
# Preenchimento Exaustivo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Políticas sobre a disponibilização e inclusão de links nos metadados ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Princípio do acesso aberto&lt;br /&gt;
# Prioridade de acesso direto&lt;br /&gt;
# Respeito à hierarquia de fontes&lt;br /&gt;
# Restrição comercial&lt;br /&gt;
# Gestão de conteúdo restrito&lt;br /&gt;
# Validação excepcional de fontes não oficiais&lt;br /&gt;
# Interconexão e estabilidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O que o Sirehp não é ==&lt;br /&gt;
O Sirehp não deve ser confundido com estruturas tradicionais de guarda, preservação ou armazenamento de documentos. Embora dialogue com centros de memória, arquivos e repositórios, sua natureza e finalidade são distintas. Para evitar equívocos conceituais e operacionais, é fundamental explicitar o que o Sirehp não é: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Centro de memória;&lt;br /&gt;
* Repositório de arquivos digitais;&lt;br /&gt;
* Espaço de armazenamento pessoal ou coletivo;&lt;br /&gt;
* Arquivo nem exerce a função arquivística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Sirehp é um sistema de referências, não um local de guarda. Seu papel é organizar, padronizar e tornar visíveis informações sobre documentos, acervos, trajetórias e produções relevantes para a história da psicologia. Ele orienta, conecta e referencia, mas não preserva, armazena ou substitui as instituições responsáveis pelos materiais originais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes recomendadas ==&lt;br /&gt;
A historiografia contemporânea da psicologia não se limita mais aos arquivos físicos. Existe um crescente processo de digitalização democratização do acesso via iniciativas de Ciência Aberta. Este cenário transformou o modo como mapeamos a circulação de ideias, permitindo que documentos antes confinados a acervos locais estejam agora disponíveis globalmente, via internet. Ao navegar por esses ambientes, o colaborador atua como um curador do conhecimento, conectando fragmentos dispersos na rede para recompor a memória institucional e teórica da nossa área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O uso estratégico das fontes listadas a seguir garante não apenas a expansão quantitativa do sistema, mas, sobretudo, a qualidade e a profundidade histórica das referências que compõem o Sirehp. Esta lista é uma sugestão, pois outras fontes podem ser úteis e confiáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Currículos de pesquisadores e membros de grupos de pesquisa, estudos, sociedades e associações científicas ===&lt;br /&gt;
Envolve mapeamento de trajetórias intelectuais via [https://www.lattes.cnpq.br/ Plataforma Lattes], [https://orcid.org/ ORCID] ou similares, permitindo identificar a produção completa, cronológica e as redes de colaboração de especialistas na área. A identificação de atores relevantes da pesquisa histórica pode ser feita em listas de associados de sociedades e associações científicas, como a [https://sbhpsi.com.br/ Sociedade Brasileira de História da Psicologia], os [https://anpepp.org.br/ Grupos de Trabalho da ANPEPP] ou participantes de congressos especializados, como o Congresso Brasileiro de História da Psicologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Repositórios institucionais de universidades, centros e institutos de pesquisa ===&lt;br /&gt;
Acervos digitais que preservam a produção intelectual de universidades e institutos, garantindo acesso a documentos validados institucionalmente e frequentemente indisponíveis em bases comerciais. Neste caso, é recomendável a investigação prévia sobre o funcionamento dos sistemas de indexação usados pelos repositórios. O [http://sitehistorico.ibict.br/informacao-para-ciencia-tecnologia-e-inovacao%20/repositorios-digitais/repositorios-brasileiros IBICT] e o [https://www.gov.br/ibict/pt-br/assuntos/informacao-cientifica/repositorios-digitais/repositorios-brasileiros-1 Governo Federal] mantém listas não exaustivas de repositórios institucionais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bibliotecas digitais acadêmicas ===&lt;br /&gt;
Coleções organizadas de documentos digitais que oferecem recursos de busca avançada e metadados padronizados, fundamentais para a recuperação de obras raras e coleções especiais. A [https://www.ufrb.edu.br/bibliotecacetens/noticias/193-conheca-50-sites-de-bibliotecas-com-livros-online-gratis biblioteca da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia] mantém uma lista não exaustiva de bibliotecas digitais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Mecanismos indexadores de trabalhos científicos ===&lt;br /&gt;
Sistemas como [https://www.scielo.br/ SciELO], [https://www.redalyc.org/ Redalyc], [https://www.apa.org/pubs/databases/psycinfo/ PsycINFO], [https://www.periodicos.capes.gov.br/ CAPES Periódicos], entre outros, que agregam e organizam metadados de periódicos científicos, assegurando a procedência e o impacto acadêmico das produções listadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Catálogos de bibliotecas universitárias, de centros e institutos de pesquisa ===&lt;br /&gt;
Ferramentas de consulta aos acervos físicos e digitais de instituições de ensino, essenciais para localizar obras raras e edições esgotadas de relevância histórica. Úteis principalmente para acervos não digitalizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Banco de teses e dissertações oficiais ===&lt;br /&gt;
Portais oficiais, como o [https://catalogodeteses.capes.gov.br/catalogo-teses/ Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES] ou [https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp Domínio Público], que reúnem a produção &#039;&#039;stricto sensu&#039;&#039;, constituindo fontes primárias cruciais para o estudo de novas tendências historiográficas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Listas de referências de artigos, livros, teses e dissertações ===&lt;br /&gt;
Técnica de &amp;quot;bola de neve&amp;quot; aplicada a bibliografias de obras consagradas para identificar fontes seminais e conexões teóricas fundamentais para o mapeamento da área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Catálogos de Editoras Universitárias e Especializadas ===&lt;br /&gt;
Mapear os catálogos históricos de editoras que tradicionalmente publicam sobre História da Psicologia (ex: Edusp, Fiocruz, Contracapa).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Perfis em redes sociais voltadas para a produção acadêmica ===&lt;br /&gt;
Plataformas como ResearchGate e Academia.edu, úteis para localizar versões preliminares (preprints), produções recentes e contatar autores para acesso a materiais de difícil circulação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Sugestões para busca em unitermos, resumos e outros indexadores ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Expressão &amp;quot;História da psicologia&amp;quot; ====&lt;br /&gt;
A história da psicologia provavelmente é indexada principalmente a partir da expressão &amp;quot;história da psicologia&amp;quot;, pois é assim que, geralmente, seus estudiosos definem seus textos. Esta expressão pode ser localizada nos unitermos, descritores e no resumo das obras, constituindo-se como a forma principal de busca. Contudo, isto está longe de ser suficiente. Como pesquisas recentes tem mostrado, a formação do profissional em psicologia e a própria pesquisa psicológica brasileira valoriza bastante a história, por uma variedade de razões. Neste sentido, a expressão &amp;quot;história da psicologia&amp;quot; aparece também em uma grande variedade de textos que não se enquadram no [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)#Escopo|escopo]] do Sirehp, sendo necessário uma utilização estratégica das alternativas de busca e filtro oferecidas pelos diferentes espaços de armazenamento e indexação disponíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Homenagens ====&lt;br /&gt;
Muitos dados, de natureza biográfica, entre outros, podem aparecer em textos de homenagem a personagens importantes da psicologia. Assim, sugere-se o uso de expressões como &amp;quot;Necrológio&amp;quot;, &amp;quot;Elogio fúnebre&amp;quot;, &amp;quot;In memoriam&amp;quot;, &amp;quot;Obituário&amp;quot;, &amp;quot;Perfil biográfico&amp;quot;, &amp;quot;Trajetória intelectual&amp;quot;, &amp;quot;Homenagem&amp;quot;, &amp;quot;Festschrift&amp;quot; na busca de materiais úteis para o acervo do Sirehp.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Interfaces disciplinares ====&lt;br /&gt;
A História da Psicologia no Brasil está profundamente entrelaçada a campos vizinhos. Para capturar essa produção, utilize cruzamentos com termos de áreas correlatas, como &amp;quot;História da educação&amp;quot;, &amp;quot;História da psiquiatria&amp;quot;, &amp;quot;História da loucura&amp;quot;, &amp;quot;História da assistência&amp;quot;, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Histórias das linhas, práticas e abordagens ====&lt;br /&gt;
A preocupação de um historiador pode recair não propriamente na psicologia em si, mas na sua prática. Além disso, não é incomum encontrar textos escritos por pesquisadores da psicologia que falam da história de seus próprios campos. Assim, visando detectar estes textos, sugere-se termos como &amp;quot;História da clínica&amp;quot;, &amp;quot;História do psicodiagnóstico&amp;quot;, &amp;quot;História da orientação profissional&amp;quot;, &amp;quot;História do exame psicológico&amp;quot; ou histórias de linhas e abordagens, como &amp;quot;História da abordagem centrada na pessoa&amp;quot; ou &amp;quot;História da epistemologia genética&amp;quot;, por exemplo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Funcionalidades ==&lt;br /&gt;
O Sirehp, por ser baseado em Zotero, carrega consigo várias das funcionalidades e capacidades deste software, o que inclui:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Criação e gerenciamento de bibliotecas temáticas;&lt;br /&gt;
* Criação e gerenciamento de bibliografias respeitando normas nacionais e/ou internacionais;&lt;br /&gt;
* Criação de notas e atribuição de informações para cada bibliografia;&lt;br /&gt;
* Coleta fácil e rápida de metadados de bibliografias na internet, principalmente plataformas amigáveis com o Zotero, como o [https://scholar.google.com.br/?hl=pt Google Acadêmico], o [https://www.worldcat.org/pt Wordcat], o [https://www.dedalus.usp.br Dedalus], e o [https://www.microsoft.com/en-us/research/project/academic/ Microsoft Academic];&lt;br /&gt;
* Sincronização dos dados em nuvem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, o Sirehp também permite:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Buscar em sua base de dados a partir de autor, título, resumo, ano ou em todos os campos de metadados;&lt;br /&gt;
* Filtrar resultados por tipo de publicação ou ano de publicação&lt;br /&gt;
* Conectar diretamente o usuário com o trabalho referenciado com um clique, quando a referência estiver online;&lt;br /&gt;
* Utilizar o Zotero para capturar referências por meio de links DOI;&lt;br /&gt;
* Campo com a referência no formato APA e ABNT para simples &amp;quot;copia e cola&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Futuramente, o Sirehp poderá fazer ainda mais, como:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Geração de relatórios a partir de diferentes parâmetros, como autor, periódico, data etc.;&lt;br /&gt;
* Busca dentro do documento;&lt;br /&gt;
* Busca direcionada integrada à Inteligência Artificial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Como colaborar ==&lt;br /&gt;
O Sirehp depende de uma rede de colaboradores para continuar crescendo. São várias as formas de colaborar, e dentre todas as possibilidades, três se destacam:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alimentando o Sirhep ===&lt;br /&gt;
Para continuar crescendo, é necessário que voluntários e colaboradores continuem enviando dados atualizados e confiáveis de referências de trabalhos no escopo do projeto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para ajudar na alimentação do Sirehp, é imprescindível ter uma conta no Zotero, ter o software Zotero instalado em um computador e ter o &#039;&#039;plugin&#039;&#039; Zotero para Chrome ou Firefox instalado. É altamente desejável ter alguns conhecimentos sobre o funcionamento do Zotero. Informações sobre este sistema podem ser encontradas em seção abaixo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seguida, é necessário entrar em contato com o coordenador do projeto por meio do endereço eletrônico [/cdn-cgi/l/email-protection &amp;lt;nowiki&amp;gt;[email protected]&amp;lt;/nowiki&amp;gt;], informando do interesse em participar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma vez aprovada a solicitação, o usuário será incluído na biblioteca colaborativa Zotero do projeto. Esta biblioteca está integrada ao sistema do Sirehp, de modo que qualquer modificação nela implicará também em modificações no próprio site. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Revisando o Sirehp ===&lt;br /&gt;
Conforme o banco de dados do Sirehp cresce, aumenta a disponibilidade de recursos e informações. Por outro lado, o sistema fica mais vulnerável a eventuais erros e imprecisões. A quantidade de informações também torna mais difícil corrigir os erros e distorções. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um colaborador, se assim o desejar, pode se dedicar à revisão da qualidade e precisão das informações disponibilizadas. Isso inclui:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Corrigir os campos, como nomes, editores etc.;&lt;br /&gt;
* Adicionar ou corrigir links;&lt;br /&gt;
* Unificar os termos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Apoio técnico ===&lt;br /&gt;
Por ser um sistema livre, o Kerko permite o desenvolvimento de novas funcionalidades, bem como a correção de bugs. Colaborar com o desenvolvimento do Kerko não apenas auxilia o Sirehp, mas também outras bibliotecas que usam o sistema (veja uma lista [https://pypi.org/project/Kerko/ aqui]). Para esta modalidade de colaboração, são necessários conhecimentos em programação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Colaboradores ==&lt;br /&gt;
[https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro] (desenvolvedor) (2022-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/7924410923493344 André Elias Morelli Ribeiro] (coordenador) (2022-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos] (desenvolvedor) (2022-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/2323136385787396 Thais Arci Menezes Ferreira] (analista de referências) (2023)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arthur Macedo Nunes (analista de referências) (2026-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.linkedin.com/in/jo%C3%A3o-victor-moth%C3%A9-733025282/ João Victor Mothé] (analista de referências) (2026)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Zotero ==&lt;br /&gt;
Conforme a definição do [http://www.larhud.ibict.br/index.php?title=P%C3%A1gina_principal Laboratório de Rede de Humanidades Digitais], o Zotero é um software de gerenciamento de referências bibliográficas, gratuito e em código aberto, criado no ano de 2006, desenvolvido pela Universidade de George Mason.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com uma inscrição simples e gratuita, o usuário pode facilmente gerenciar citações, armazenar e gerenciar materiais bibliográficos e gerar bibliografias automáticas. Ele se integra a navegadores baseados no Cromium (como o Firefox, o Chrome e o Edge) e detecta, automaticamente, metadados de bibliografias online e as incorpora dentro da biblioteca do usuário. Além disso, por se integrar a editores de texto como o Word e o LibreOffice, ele auxilia na escrita acadêmica, gerando citações e listas de referências automaticamente, obedecendo às normas bibliográficas escolhidas pelo usuário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, o Zotero se integra à nuvem, oferecendo 200Mb gratuitos para os usuários, com a possibilidade de adquirir mais espaço. Caso prefira, o usuário pode utilizar sua própria nuvem, como o Google Drive ou o One Drive para armazenar documentos. É possível até fazer fichamentos e adicionar notas dentro do próprio Zotero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existem várias formas de aprender a usar o Zotero. Eis algumas sugestões:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Planeta Zotero ===&lt;br /&gt;
Desenvolvido por Leonardo Simonini Ferreira, mestre em biblioteconomia e técnico em saúde pública no Instituto de Comunicação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT) na Fiocruz, o Planeta Zotero é um blog com muitos materiais de apoio aos usuários do Zotero, incluindo um manual, um editor de estilo para ABNT, além de vídeos no canal do Planeta Zotero no YouTube, e muito mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://planetazotero.blogspot.com/ Link para o Planeta Zotero]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Curso da RNP ===&lt;br /&gt;
A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa oferece um curso em vídeo sobre o Zotero, que pode ser acessado [https://eduplay.rnp.br/portal/playlist/183064 aqui].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Biblioteca Oficial Zotero ===&lt;br /&gt;
O site oficial do projeto traz uma biblioteca completa de apoio ao usuário que pode ser acessada [https://www.zotero.org/support/ aqui].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Manuais e tutoriais ===&lt;br /&gt;
Existem vários manuais e tutoriais de auxílio aos usuários do Zotero. Aqui estão alguns:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.ufjf.br/getproducao/files/2014/04/Tutorial-Zotero-UFJF.pdf Tutorial Zotero da UFJF] (24 páginas)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.sbu.unicamp.br/sbu/wp-content/uploads/pdf/guiasemanuais/Guia_Zotero_Fevereiro_2015_IFGW-04-03-15.pdf Guia Zotero do Instituto de Física da Unicamp] (50 páginas)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/29589/2/va_Simonini_Leonardo_ICICT_2018.pdf Tutorial Zotero 5.0 da Fiocruz] (68 páginas)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.iel.unicamp.br/arquivos/biblioteca/TUTORIAL_zotero_v1.pdf Tutorial Zotero da Biblioteca Antonio Cândido da Unicamp] (86 páginas)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Kerko ==&lt;br /&gt;
O [https://github.com/whiskyechobravo/kerko Kerko] é um software gratuito que permite publicar na web uma bibliografia gerenciada com Zotero e facilitar sua exploração e consulta. A combinação de Kerko e Zotero oferece o melhor dos dois mundos: um interface web rica e fácil de usar para usuários finais das bibliotecas bibliográficas, e um ferramenta de gerenciamento de referências bibliográficas bem estabelecida e poderosa para indivíduos ou equipes que trabalham no conteúdo da bibliografia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desenvolvido por [https://davidlesieur.com/ David Lesieur], um desenvolvedor de sistemas canadense, o Kerko é baseado em linguagem Python usando o framework Flask. A aplicação está bem desenvolvida e é estável, mas ainda exige conhecimentos técnicos para sua instalação e manutenção. No Brasil, desenvolvedores como [https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos] e [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro] podem auxiliar na instalação do Kerko.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A interface do Kerko permite a exploração de bibliografias, tanto no modo de pesquisa quanto no modo de navegação, de forma a atender às diferentes necessidades, comportamentos e habilidades do usuário. Por exemplo, usuários com uma ideia prévia do tema de pesquisa e que estejam procurando referências, podem inserir palavras-chave ou uma consulta mais complexa em um campo de busca. Usuários que desejam se familiarizar com a bibliografia ou descobrir novos assuntos podem navegar navegando pelos temas propostos, para refinar ou ampliar o conjunto de resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de facilitar a localização e consulta de referências bibliográficas, Kerko permite o acesso à bibliografia no espírito dos dados abertos. Assim, informações bibliográficas são disponibilizados aos usuários em formatos estruturados que permitem importar referências para suas próprias bibliografias. Isto é conseguido pela incorporação nas páginas de tags em conformidade com o padrão OpenURL COinS, reconhecido por bons softwares de gestão bibliográfica, bem como pela disponibilização de links para download onde o usuário pode escolher o formato que mais lhe convém, por exemplo BibTeX ou RIS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links externos ==&lt;br /&gt;
[https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.zotero.org/groups/5157132/portalhp/library Sirehp no Zotero]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zotero.org Zotero]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://whiskyechobravo.github.io/kerko/latest/ Kerko]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://davidlesieur.com/ David Lesieur (criador do Kerko)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro (desenvolvedor do Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos (desenvolvedor do Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://scholar.google.com.br/?hl=pt Google Acadêmico]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.worldcat.org/pt Wordcat]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.microsoft.com/en-us/research/project/academic/ Microsoft Academic]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://pypi.org/project/Kerko/ Lista de projetos que utilizam o Kerko]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi escrito pelo coordenador do Portal História da Psicologia, André Elias Morelli Ribeiro&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ajuda]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=O_Funcionalismo_na_Europa_e_suas_Conex%C3%B5es_com_o_Brasil&amp;diff=1668</id>
		<title>O Funcionalismo na Europa e suas Conexões com o Brasil</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=O_Funcionalismo_na_Europa_e_suas_Conex%C3%B5es_com_o_Brasil&amp;diff=1668"/>
		<updated>2026-05-03T13:48:20Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* A Escola de Genebra */ Várias modificações substanciais&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Este é um texto didático de autoria de [http://lattes.cnpq.br/7924410923493344 André Elias Morelli Ribeiro] (coordenador do projeto Portal História da Psicologia) para a disciplina História da Psicologia, do [https://psicologiaro.uff.br curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras]. Seu uso é livre, desde que citada a fonte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Funcionalismo ==&lt;br /&gt;
O funcionalismo é um termo utilizado para abarcar um &#039;&#039;&#039;movimento&#039;&#039;&#039; amplo e diverso de pensadores e pesquisadores proeminentes da psicologia. Ele surgiu no final do século XIX, notavelmente nos Estados Unidos, como uma reação e alternativa ao [[estruturalismo]] (não confundir com o estruturalismo do século XX), ao [[atomismo]] e ao [[mecanicismo]]. O movimento migrou para a Europa ainda no mesmo século, com a circulação das ideias de [[William James]], [[James Angell]], [[James Baldwin]], [[John Dewey]], entre outros, no velho continente, e tem impacto significativo em pensadores europeus, que aplicam modificações e adaptações às linhas de pensamento de lá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A unidade do movimento pode ser observada pela perspectiva compartilhada de que &#039;&#039;&#039;a mente desempenha um papel crucial no processo evolutivo dos seres humanos&#039;&#039;&#039; e, consequentemente, &#039;&#039;&#039;na adaptação ao meio ambiente&#039;&#039;&#039;. Diferentemente do estruturalismo, que se concentrava em repartir a mente em seus elementos constituintes (estruturas), o funcionalismo voltou seu foco para os processos psicológicos em termos de sua &#039;&#039;&#039;utilidade&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;propósito&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;operação&#039;&#039;&#039;. No geral, a visão funcionalista enxerga e interpreta os os fenômenos da mente a partir de sua função ou, grosso modo, a partir de perguntas pragmáticas, tais como: &amp;quot;para que isso serve?&amp;quot;, &amp;quot;por que o sujeito fez/pensou isso?&amp;quot; ou, no geral, “qual é a utilidade adaptativa de tal comportamento ou processo mental?”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o objetivo de conferir um embasamento científico ao seu construto teórico, a base do funcionalismo encontra-se parcialmente alicerçada nas &#039;&#039;&#039;teorias evolutivas&#039;&#039;&#039;, as quais postulam que os seres vivos se encontram em incessante transformação e adaptação. Sob essa ótica, &#039;&#039;&#039;a mente opera como parte integrante desse processo adaptativo&#039;&#039;&#039;, provendo recursos para que os organismos possam transformar o seu meio enquanto são, por sua vez, transformados por ele. Os processos mentais seriam análogos aos órgãos e às partes do corpo. Cada um tem a sua função e seu funcionamento próprio que, isolados, não podem fazer muito, mas, num conjunto, funcionam de forma ordenada e ordenadora da experiência humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o estruturalismo, o mecanicismo e o atomismo funcionam a partir de uma perspectiva físico-química ou fisicalista, &#039;&#039;&#039;o funcionalismo assinala uma biologização da psicologia&#039;&#039;&#039;. Ela confere uma relevância acentuada tanto aos equipamentos biológicos humanos quanto ao contexto ambiental, cuja importância e dinâmica será determinada por cada escola funcionalista. As teorias evolutivas têm relevância central, visto que a mente é o órgão de sobrevivência mais complexo da natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As diferenças entre o funcionalismo americano e o funcionalismo europeu ==&lt;br /&gt;
Como vimos na seção anterior, o funcionalismo como um movimento transatlântico se inicia nos EUA mas chega à Europa, onde se transforma e adquire características próprias, mas ambos compartilham uma visão biologizante e evolutiva dos fenômenos e objetos psicológicos. Vamos analisar agora algumas das diferenças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No &#039;&#039;&#039;[[funcionalismo americano]]&#039;&#039;&#039;, o foco recai sobre os &#039;&#039;&#039;processos adaptativos comportamentais&#039;&#039;&#039;. Os fenômenos mentais e comportamentais são vistos como operações destinadas à sobrevivência. A consciência não é uma coisa por si, mas um órgão seletivo que ajuda o organismo a se adaptar ao meio. Comportamentos, tal qual fenômenos mentais como a consciência, não são meros movimentos, eles são operações. A consciência, por exemplo, é concebida como uma operação que atua na seleção e autorregulação das táticas comportamentais visando à adaptação. Para entender essas operações, é preciso identificar o interesse subjacente a elas. Essa identificação dos interesses constitui a análise funcional dos processos psicológicos e comportamentais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro aspecto importante próprio do funcionalismo americano é o &#039;&#039;&#039;[[pragmatismo]]&#039;&#039;&#039;, uma vertente filosófica desenvolvida nos EUA e que reflete em grande medida a própria cultura americana. Nessa perspectiva, a análise psicológica exige o estudo das funções em seu ambiente natural, pois é nesse contexto que os interesses se manifestam e revelam seus resultados adaptativos. Em outras palavras, é como dizer “o que, na prática, esse comportamento ou pensamento significam?”. Trata-se de uma visão que inaugura um olhar para a prática, diferente da psicologia altamente laboratorial e fechada de [[Willheim Wundt|Wundt]] e seus seguidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já o &#039;&#039;&#039;funcionalismo europeu&#039;&#039;&#039;, apesar de compartilhar vários aspectos do seu colega americano, apresenta importantes diferenças. Em primeiro lugar, existem &#039;&#039;&#039;três linhagens&#039;&#039;&#039; do funcionalismo europeu. Primeiro, o da &#039;&#039;&#039;[[etologia]]&#039;&#039;&#039;, com foco nos instintos e impulsos que visam à sobrevivência. Um segundo é o funcionalismo de &#039;&#039;&#039;matriz psicanalítica&#039;&#039;&#039;, que postula um organismo voltado para aliviar pulsões e tensões que causam desprazer, com foco no incosciente. A terceira linhagem, que será o foco deste texto, tem &#039;&#039;&#039;matriz genético-funcional&#039;&#039;&#039;, ou seja, enxerga as funções como traços evolutivos humanos e a cognição a partir de uma perspectiva adaptativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O funcionalismo europeu continental (excluindo a Grã-Bretanha, mais próxima da visão dos EUA) postula uma perspectiva comum de desenvolvimento no pensamento que sugere que a mente, à semelhança dos organismos, possui &#039;&#039;&#039;estágios evolutivos&#039;&#039;&#039;. O pensamento europeu, nesse sentido, compreende que, assim como o desenvolvimento físico se inicia na gestação, prossegue após o nascimento e atinge seu ápice na vida adulta, a mente também passa por um processo análogo. Existem, portanto, etapas de desenvolvimento cognitivo que se distinguem por características específicas que definem as possibilidades e limitações da cognição. Esse processo mental de desenvolvimento seria concluído após a infância, momento em que o desenvolvimento cognitivo estaria completo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os europeus do continente também decidiram não seguir com a proposta dualista de [[Francis Galton|Galton]], conhecida como [[Debate natureza vs. cultura|natureza vs. cultura]]. É um debate que busca entender de onde vem a psicologia humana, ou seja, se nascemos com nossa psicologia ou se a adquirimos conforme envelhecemos. A proposição do funcionalismo europeu é o chamada &#039;&#039;&#039;[[interacionismo]]&#039;&#039;&#039;, que entende que, na verdade, trata-se da mistura dos dois. Por um lado, nascemos com uma certa capacidade de desenvolvimento e de aprendizagem, definida pela espécie, mas que só ocorre conforme interagimos com o meio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Um passeio por psicologias europeias ==&lt;br /&gt;
Apesar do nome genérico “funcionalismo europeu”, que está correto por conta de suas muitas semelhanças entre os diferentes países do continente (principalmente a visão evolucionista), ele na verdade exclui a psicologia das ilhas britâncias, que seguiam um caminho próprio. Além disso, dentro da chamada Europa Continental, os diferentes países também têm histórias da psicologia próprias, com visões distintas e que refletem a cultura e a filosofia de cada um. Abaixo, são apresentadas as três psicologias europeias mais relevantes para a formação da psicologia brasileira, a saber, França, Alemanha e Rússia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes três casos, é importante destacar que, nestes três casos, não se deve limitar a criação e circulação de ideias psicológicas apenas com questões geográficas, mas também culturais e de influência. A psicologia francesa estava em diálogo com &#039;&#039;&#039;países francófonos&#039;&#039;&#039; (como Bélgica e Suíça), a Alemanha com países da &#039;&#039;&#039;influência cultural gemânica&#039;&#039;&#039; (como Polônia, Suíça e Áustria) e a Rússia é, na verdade, a grande representante dos &#039;&#039;&#039;países eslavos&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia na &#039;&#039;&#039;Itália&#039;&#039;&#039; teve também relevância por um período específico na psicologia educacional de São Paulo, com [[Clemente Quaglio]] e [[Ugo Pizzoli]]. Ademais, muitas vezes manuais &#039;&#039;&#039;portugueses&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;espanhois&#039;&#039;&#039; circulavam no Brasil, geralmente traduzindo elementos dos três principais países europeus e acrescentando elementos pontuais. Infelizmente, &#039;&#039;&#039;ideias não eslavas do leste europeu&#039;&#039;&#039; e elementos da psicologia produzida nos &#039;&#039;&#039;países nórdicos&#039;&#039;&#039;, devido a problemas no idioma e à distância cultural, praticamente não apareceram no país, exceto por menções passageiras em livros e manuais importados da Europa e EUA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A psicologia na França ===&lt;br /&gt;
A psicologia floresceu na França de forma não linear e em grande diálogo com diferentes ciências e grupos profissionais. Isso ocorreu a partir de três linhagens mais ou menos simultâneas que, apesar de se comunicarem e até compartilharem nomes e conceitos, tinham diferenças importantes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira foi aquela desenvolvida na &#039;&#039;&#039;Salpetrière&#039;&#039;&#039;. Fundada em 1656 por decreto de Luís XIV, o hospital Pitié-Salpêtrière foi originalmente construído no prédio de uma antiga fábrica de pólvora, com o objetivo de abrigar um grande encarceramento. Prostitutas, mendigos, alcoolistas, órfãos, entre outros indesejados da sociedade eram agrupados no local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século XVIII, &#039;&#039;&#039;[[Philippe Pinel]]&#039;&#039;&#039; foi nomeado médico-chefe da instituição e introduziu o tratamento moral, defendendo que os alienados mentais eram doentes que precisavam de cuidados médicos e compaixão. As políticas e ideias de Pinel e, posteriormente, [[Esquirol]], influenciaram de forma decisiva a psicologia e psiquiatria em várias partes do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O hospital viveu sua era de ouro durante a administração do polêmico médico &#039;&#039;&#039;[[Jean-Martin Charcot]]&#039;&#039;&#039;, já no século XIX. Ele conduziu a Salpetrière como um &amp;quot;museu patológico vivo&amp;quot;, principalmente durante a chamada Grande Histeria. A &#039;&#039;&#039;[[histeria]]&#039;&#039;&#039; era uma doença considerada misteriosa na época. Sintomas como paralisias parciais, cegueira temporária, surdez temporária, entre outros, eram comuns e associados a conflitos psicológicos. Ela apresentava manifestações tanto físicas quanto psicológicas, e nenhum tratamento na época parecia ter efeito, nem nenhuma explicação parecia fazer sentido, principalmente devido à concepção dominante à época da total separação entre mente e corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse contexto, Charcot passou a empregar a &#039;&#039;&#039;[[hipnose]]&#039;&#039;&#039;, uma técnica controversa que havia ressurgido no Ocidente após o [[Mesmerismo/Magnetismo Animal|mesmerismo]], para examinar e tratar pacientes histéricas. Suas demonstrações atraíam grandes públicos de toda a Europa. Ele selecionava uma paciente com um sintoma importante, a hipnotizava e, em seguida, demonstrava que, sob o transe hipnótico, o sintoma histérico desaparecia temporariamente, retornando logo depois. [[Sigmund Freud|Freud]] estava entre os observadores dessas controversas sessões de Charcot, entre muitos outros nomes importantes para o século XX. Alguns interpretavam que as demonstrações de Charcot na Salpetrière eram uma prova da origem inconsciente da histeria. Contudo, o próprio Charcot sustentava que a histeria era, na verdade, uma degeneração hereditária do sistema nervoso. De qualquer forma, a hipnose surgia no horizonte dos estudos psiquiátricos e psicológicos, da mesma forma que o inconsciente passou a ser um problema científico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O auge de Charcot na Salpetriêre caiu graças à &#039;&#039;&#039;[[Escola de Nancy]]&#039;&#039;&#039;, um grupo de médicos radicados numa faculdade de medicina na cidade de Nancy, demonstrou, em 1882, que os fenômenos de melhora descritos por Charcot eram falsos e fruto de mera sugestão inconsciente. [[Hyppolyte Bernheim|Bernheim]], [[Jean-Pierre Liégeois|Liégeois]] e [[Henri-Étienne Beaunis|Beaunis]] trabalharam intensamente para mostrar que a histeria era um problema psicológico e que a hipnose não era um tratamento eficaz, o que trouxe um certo descrédito para a linhagem psicológica da Salpetrière. Contudo, ela deixou marcas importantes para a compreensão do psíquico, principalmente pela abertura ao estudo do inconsciente, do próprio uso da hipnose e do estudo dos estados patológicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma segunda linha foi desenvolvida na &#039;&#039;&#039;Universidade Sorbonne&#039;&#039;&#039;, em Paris. Ela foi fundada em 1253 e, durante séculos, foi o epicentro das discussões religiosas na Europa. A universidade ficou fechada durante a Revolução Francesa e renasceu em 1806, sob o comando de Napoleão Bonaparte. O líder da França implementou uma série de reformas na educação superior, com inspiração na educação da Prússia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o período da Restauração, a Sorbonne ficou fortemente enviesada pelo [[cousinismo]], um movimento filosófico monarquista liderado por &#039;&#039;&#039;[[Victor Cousin]]&#039;&#039;&#039;. Ele acreditava que nenhuma escola filosófica detinha a verdade completa, mas que todas possuíam uma parcela de verdade. Sua proposta era selecionar os melhores elementos de cada sistema e superar a chamada “era das escolas”. Cousin usou de suas habilidades políticas e de sua força perante a nobreza para colocar seus seguidores nas melhores posições da educação francesa, o que incluía a Sorbonne. Neste sistema, uma psicologia experimental não tinha lugar, o que paralisou a psicologia experimental mas trouxe muitos ganhos numa psicologia filosófica, que influenciou os pensadores franceses posteriores. Com a instituição da Terceira República Francesa, o cousinismo começa a entrar em sua longa decadência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste ínterim, a psicologia experimental francesa persistia graças ao professor francês de filosofia &#039;&#039;&#039;[[Théodule Ribot]]&#039;&#039;&#039;, que não era cousinista e fora sabotado por isso. Ele era um estudioso do movimento da psicologia científica da Alemanha, publicando a tese [[A Psicologia Inglesa Contemporânea]] e, posteriormente, [[A Psicologia Alemã Contemporânea]], também de grande sucesso. Ele pressionava o novo governo republicano a criar uma cadeira de Psicologia na Sorbonne que incorporasse as tendências da nova ciência, entendendo que a França estava ficando atrasada no movimento de criar essa nova ciência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pressão funcionou e a cadeira foi criada em 1881, dentro da Escola Prática de Altos Estudos. Contudo, quem assumiu o posto foi &#039;&#039;&#039;[[Jules Soury]]&#039;&#039;&#039;, que era amigo do ministro da educação e mais interessado em história da psicologia do que na psicologia contemporânea. Uma segunda cadeira foi criada em 1884 e dada a &#039;&#039;&#039;[[Louis Liard]]&#039;&#039;&#039;, que era um defensor da psicologia experimental e que promovia cursos abertos oferecidos por Ribot. Em 1898, uma terceira cadeira é criada e dada para [[Pierre Janet]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira linha de psicologia na França é a do &#039;&#039;&#039;Collège de France&#039;&#039;&#039;. Fundado em 1530 pelo rei Francisco I a pedido do filósofo humanista Guilherme Budé, o Collège nasceu como uma resposta à rigidez da Sorbonne, que focava apenas em dogmas religiosos. O Collège de France, originalmente chamado de Collège Royal, foi criado para ensinar disciplinas consideradas inferiores na época, como línguas, matemática e filosofia não religiosa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferente das universidades, o Collège não tem alunos matriculados, exames nem emite diplomas. Sua missão é ensinar abertamente o conhecimento que está em processo de criação, o que atraiu as mentes mais brilhantes de cada época e transformou a instituição em um termômetro da inovação científica e intelectual da França. Trabalharam lá personagens como Claude Bernard (maior fisiologista da história), Champollion (decifrador da escrita egípcia), Fernando Henrique Cardoso (sociólogo e presidente do Brasil), [[Michel Foucault]] (filósofo do século XX), Roland Barthes (linguista), entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1887, Renan, administrador do Collège, criou a cadeira de Psicologia Experimental e Comparada, devido à pressão do Ministério da Educação. Após uma disputa política, Ribot foi indicado para a cadeira, que assumiu em 1888. Ribot não apenas assumiu o posto, ele também atuou na criação de periódicos, na promoção de cursos, entre outras ações que ajudaram na consolidação da psicologia científica na França. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os franceses criaram seu &#039;&#039;&#039;primeiro laboratório em 1889&#039;&#039;&#039;, quando &#039;&#039;&#039;[[Henri-Étienne Beaunis]]&#039;&#039;&#039;, um estudioso do movimento da psicofísica, se uniu a Ribot para pressionar as instituições que tinham cadeiras de psicologia colaborassem na criação de um laboratório. O projeto foi aprovado e Liard, catedrático da Sorbonne, enviou uma carta a Wundt pedindo instruções para a construção de um laboratório. Sob essas instruções e orientações, ele foi instalado na Escola Prática de Altos Estudos como parte da Sorbonne, sob a liderança do próprio Beaunis e tendo &#039;&#039;&#039;[[Alfred Binet]]&#039;&#039;&#039; como assistente. Posteriormente, Binet cria o primeiro teste de inteligência bem-sucedido da história, a [[Escala Binet-Simon]]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Influência francesa na psicologia brasileira ====&lt;br /&gt;
A história da psicologia e da psiquiatria na França, conforme descrita no texto, possui conexões, muitas vezes indiretas, mas significativas, com o desenvolvimento dessas áreas no Brasil. Os personagens centrais das três linhagens francesas – Salpêtrière, Sorbonne e Collège de France – influenciaram a formação de pensamento e a prática clínica e o pensamento acadêmico brasileiro, especialmente no final do século XIX e no início do XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A figura de Jean-Martin Charcot e seus estudos na Salpêtrière sobre a histeria e a hipnose tiveram um impacto importante na psiquiatria brasileira que, na virada do século, era fortemente influenciada pela escola francesa. Isso pode ser observado nos títulos de hospitais e pavilhões homenageando médicos franceses pelo país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de Théodule Ribot não ter trazido nenhum impacto relevante para o Brasil, Alfred Binet, teve um papel fundamental. Sua psicologia experimental, com seu foco em métodos científicos e modelos de avaliação e testagem da criança, foi o modelo que o Brasil buscou importar para estabelecer a disciplina como ciência. A criação do primeiro laboratório de psicologia no Brasil, no [[Pedagogium]] do Rio de Janeiro, 1904, por [[Manoel Bomfim]], seguiu a inspiração direta de Binet. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra figura influente para o pensamento psicológico e psiquiátrico brasileiro foi o de &#039;&#039;&#039;Pierre Janet&#039;&#039;&#039;, que chegou a visitar o Brasil no começo do século XX. Ele era visto por muitos como a principal figura global da saúde mental e do estudo dos estados inconscientes, e seu modelo de psiquiatria tinha muitos seguidores por aqui. Infelizmente, graças à sua disputa com Freud, sua relevância parece ser sido esquecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A psicologia na Alemanha ===&lt;br /&gt;
As primeiras tentativas de criar uma psicologia científica aconteceu na Alemanha, com as ideias de &#039;&#039;&#039;[[Christian Wolff]]&#039;&#039;&#039;. A tradição de interesse em psicologia alemã foi coroada por lá florescer o marco simbólico da criação da psicologia não só na Alemanha, mas no mundo, foi a fundação do laboratório de &#039;&#039;&#039;Wilhelm Wundt&#039;&#039;&#039; em Leipzig, em 1879, o que gerou avanços e debates pelo país. A primeira linha de psicologia aplicada do país é criada no exército. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Primeira Guerra Mundial, a psicologia alemã entrou em um período de consolidação institucional, mas de profunda fragmentação teórica, conhecido como a &amp;quot;&#039;&#039;&#039;crise da psicologia&#039;&#039;&#039;&amp;quot;, com o surgimento de várias escolas, como a [[Gestalt]]. Surge também, dentro do exército, uma psicotécnica ou psicologia aplicada, que favoreceu o surgimento de um corpo profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;período nazista&#039;&#039;&#039; marcou um crescimento sem precedentes da psicologia no país. Durante este momento, as escolas rivais uniram-se em torno de um paradigma comum: o &#039;&#039;&#039;[[diagnóstico caracterológico]]&#039;&#039;&#039;. Em vez de focar em funções isoladas, os psicólogos enfatizavam qualidades holísticas da personalidade (&#039;&#039;Ganzheit&#039;&#039;), utilizando métodos intuitivos e situacionais para, por exemplo, selecionar oficiais para o exército.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a &#039;&#039;&#039;influência americana&#039;&#039;&#039; começa a se fazer cada vez mais presente, com seus defensores acusando os partidários da psicologia tradicional alemã de conexões com o passado nazista. OS &#039;&#039;&#039;pensadores marxistas&#039;&#039;&#039;, que também são numerosos e respeitados, também ganham relevância progressivamente. A psicologia tipicamente alemã, a da &#039;&#039;&#039;Gestalt&#039;&#039;&#039;, havia imigrado para os EUA, onde teve uma certa continuidade, mas não teve forças para retornar ao país de origem, o que esvaziou a identidade da psicologia alemã. &#039;&#039;&#039;Perspectivas fenomenológicas&#039;&#039;&#039; ganham força junto de abordagens mais holísticas e, apesar de sua relevância, a psicologia alemã ainda busca um retorno à glória de seu passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Influência alemã na psicologia brasileira ====&lt;br /&gt;
Com exceção de alguns poucos praticantes da psicologia da Gestalt e de abordagens fenomenológicas, bem como alguns livros alemães traduzidos do francês, a influência da psicologia alemã no Brasil se resume principalmente à &#039;&#039;&#039;psicanálise&#039;&#039;&#039;, ironicamente com destaque para a linhagem [[Lacan|lacaniana]], que tem origem francesa. A distância entre Alemanha e o Brasil se devem às dificuldades do idioma e à distância cultural, que atrapalharam a circulação das ideias daquele país no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na Rússia ==&lt;br /&gt;
A psicologia na Rússia olhou frequentemente para a Europa continental como uma referência científica, principalmente alemã, e associou-se fortemente à fisiologia, na composição da sua própria teoria, a &#039;&#039;&#039;[[reflexologia]]&#039;&#039;&#039;. O primeiro a defender a ideia de que a vida psíquica tinha origem no arco reflexo foi [[Ivan Séchenov|&#039;&#039;&#039;Ivan&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;Séchenov&#039;&#039;&#039;]], um antigo aluno de Claude Bernard e entusiasta de Charles Darwin. Para os primeiros reflexólogos russos, a vida psíquica era uma função do sistema nervoso que seria composta principalmente de reflexos do arco reflexo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os psicólogos russos encontraram seu ápice com o trabalho de &#039;&#039;&#039;[[Ivan Pavlov]]&#039;&#039;&#039;. Especialista em fisiologia da Universidade de São Petersburgo, seus experimentos com salivação de cães o levaram a formular uma &#039;&#039;&#039;teoria sobre reflexos condicionados&#039;&#039;&#039;. O trabalho rendeu a Pavlov uma fama mundial imediata, coroada com um prêmio Nobel de fisiologia em 1904. Suas ideias fundamentaram parcialmente uma ciência do comportamento que floresceu nos EUA. Já na Rússia, a continuação do trabalho de Pavlov fortaleceu a reflexologia, que continuou com o médico psiquiatra Vladimir Bechterev.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antigo aluno de Wundt e Charcot, &#039;&#039;&#039;Bechterev&#039;&#039;&#039; aprofunda os estudos na linha de Séchenov e Pavlov para desenvolver o conceito de &#039;&#039;&#039;reflexo associado&#039;&#039;&#039;, uma versão do reflexo condicionado de Pavlov, mas com ênfase no sistema motor, e não nos reflexos glandulares, como fizera seu par russo. Bechterev tentou associar diferentes reflexos motores, como retiniano e plantar, no estudo da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Revolução de 1917 e a instalação do regime soviético, a psicologia na Rússia passa a ser identificada com o marxismo. Um de seus expoentes foi &#039;&#039;&#039;[[Lev Vygotsky|Lev Semenovich Vygotsky]]&#039;&#039;&#039;, um advogado de rica formação intelectual que produziu textos em diferentes assuntos. Vygotsky foi, ao mesmo tempo, um marxista e um interessado na psicanálise, mas foram suas ideias educacionais que lhe renderam fama, na sua &#039;&#039;&#039;[[teoria histórico-cultural]]&#039;&#039;&#039;. Nela, o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, como o pensamento, a memória voluntária e a atenção, ocorre pela mediação de instrumentos culturais e signos, especialmente a linguagem. Entre seus conceitos mais influentes destaca-se a &#039;&#039;&#039;[[Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP)]]&#039;&#039;&#039;, muito usada na educação e que pode ser definida como a distância entre o nível de desenvolvimento real da criança e o nível de desenvolvimento potencial, alcançado com o auxílio de um adulto ou de pares mais experientes. Esse conceito teve profundo impacto nas teorias educacionais e nas práticas pedagógicas contemporâneas brasileiras. Pode-se dizer que esta é, atualmente, a linhagem dominante neste campo específico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome importante é o de &#039;&#039;&#039;[[Sergei Rubinstein]]&#039;&#039;&#039;, conhecido como verdadeiro fundador da psicologia marxista soviética. A proposta de Rubinstein baseava-se no princípio da unidade entre consciência e atividade. O ser humano não é apenas um receptor de estímulos, mas um sujeito que transforma o mundo por meio da atividade. Nesse processo de transformar a natureza externa, o sujeito transforma sua própria natureza e consciência. A psicologia deveria estudar a personalidade tomada como um todo e inserida em um contexto social e histórico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a morte de Vygotsky e Rubinstein, a psicologia soviética continuou com as ideias de [[Aleksei Leontiev|&#039;&#039;&#039;Aleksei Leontiev&#039;&#039;&#039;]] e [[Aleksandr Luria|&#039;&#039;&#039;Aleksandr Luria&#039;&#039;&#039;]], que desenvolveram a &#039;&#039;&#039;Teoria da Atividade ou [[Teoria da Atividade Sócio-Cultural]]&#039;&#039;&#039;. Eles sofreram fortes críticas porque sua teoria não era considerada marxista o suficiente, além de se aproximar perigosamente do behaviorismo de matriz americana. Apesar das críticas, suas teorias a ser desenvolvida e aplicada em diversas áreas, como a educação e a ergonomia, sendo reconhecida internacionalmente como uma importante contribuição da psicologia soviética, influenciando, por exemplo, o design de interação humano-computador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Influência russa na psicologia brasileira ====&lt;br /&gt;
A psicologia russa tem uma presença marcante no Brasil. O nome que mais se destaca neste ponto é, de longe, o de Vygotsky. A partir dos anos 1990 e, principalmente, dos anos 2000, Vygotsky praticamente substituiu toda a influência do pensamento piagetiano na educação, passando a ser dominante em muitas faculdades de educação e ser uma presença constante em Departamentos de Psicologia. Seus conceitos são amplamente ensinados nos cursos de formação de professores e debatidos academicamente, tanto na educação quanto na psicologia. Traduções diretas do russo são cada vez mais comuns e existe um forte movimento do resgate de seu pensamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reflexologia em si teve pouca circulação no Brasil, porém Pavlov é um nome quase unanimemente citado em todos os cursos de psicologia por conta de sua relevância no desenvolvimento das ciências do comportamento de linha americana. Praticamente não existem estudantes de psicologia que jamais ouviram falar de seu nome, e a maioria dos estudantes das licenciaturas também conhecem ao menos fragmentos de sua história. Sua relevância para a composição do behaviorismo o coloca como um nome obrigatório para todo o campo da psicologia brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Escola de Genebra ==&lt;br /&gt;
De todas as escolas funiconalistas europeias, a que teve maior impacto para a formação da psicologia brasileira é a chamada [[Escola de Genebra]], uma denominação ampla que abrange décadas de desenvolvimento e aperfeiçoamento de técnicas e ideias psicológicas que ocorreram na cidade de Genebra. Observe que não se fala em “psicologia suíça”. Isso ocorre por que o país é, na verdade, uma comunidade de pequenos países chamados cantões, cada um com suas próprias características, por vezes semelhantes, outras completamente diferentes, o que demanda um estudo por região, e não olhando o país como um todo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo é o que se poderia falar de &#039;&#039;&#039;Escola de Zurique&#039;&#039;&#039;, que estava próxima tanto da psicanálise junguiana e, depois, da [[Psicologia Analítica]], quanto de um experimentalismo inspirado no de Wundt mas com vários elementos originais. Zurique desenvolveu importantes centros de estudo de psiquiatria e psicologia, o que atriu muitas das melhores mentes em ambas as áreas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na &#039;&#039;&#039;Basileia&#039;&#039;&#039;, uma cidade Suíça entre a fronteira com a Alemanha e a França, a psicologia trazia uma mistura de linha alemã com toques do pensamento francês. &#039;&#039;&#039;Lausanne&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;Neuchâtel&#039;&#039;&#039;, por seu lado, olhavam para o principal centro francófono da psicologia na Suíça, Genebra, mantendo fortes vínculos com o epicentro da psicologia da região e com a França. Há poucas informações sobre a psicologia em outros cantões e cidades da Suíça. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Um pouco sobre a Suíça e sobre Genebra ===&lt;br /&gt;
A &#039;&#039;&#039;Suíça&#039;&#039;&#039; é um país bastante peculiar, pois sua formação não é o fruto de uma unificação de natureza étnica ou de uma tradição cultural ou política, mas sim a união de  pequenas cidades-estado situadas entre a Alemanha, a Itália, a França e a Áustria. A união que configura a Suíça se deve a um motivo simples: sozinhas, as cidades são frágeis e cercadas por alguns dos maiores impérios da Europa. Unificadas, podem obter diferentes vantagens, incluindo proteção militar e desenvolvimento social e econômico com benefícios mútuos. Contudo, esta união não é simples. Cada cidade-estado, agora cantões, tem acentuadas peculiaridades históricas, políticas, econômicas, culturais e sociais, de modo que a construção do país se deu por meio de uma longa negociação política que se tornou uma tradição suíça, com séculos de experiência. Hoje identificada por alguns de seus produtos, como chocolates, relógios, bancos e o turismo nos Alpes, a Suíça é, na verdade, uma complicada teia de relações entre pequenos e orgulhosos países unidos em torno de uma necessidade comum de desenvolvimento e segurança, cercada de potências militares e econômicas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Genebra é uma cidade na Suíça, um pequeno país na Europa Central. Por séculos, foi uma cidade-estado próxima dos Alpes Suíços, cercada por quase todos os lados pela poderosa França. Ingressou na chamada Confederação Suíça ou Confederação Helvética em 1815, tornando-se o 22º cantão. A cidade e o Cantão de &#039;&#039;&#039;Genebra&#039;&#039;&#039; pertencem à chamada &#039;&#039;&#039;Suíça Romanda&#039;&#039;&#039;, a parte da Suíça identificada culturalmente com a França, falante do idioma francês e que inclui os cantões de Vaud, Neuchâtel, Jura, Friburgo (bilíngue), Valais e Berna (bilíngue). Ademais, Genebra é uma cidade protestante, cujos líderes foram convertidos pelo próprio reformador João Calvino em 1536, quando expulsaram o bispo de Genebra e converteram a Catedral de Saint-Pierre em uma igreja de orientação calvinista. A Suíça é um país dividido entre católicos e protestantes, e Genebra é um dos epicentros globais do protestantismo, sendo um elemento central tanto de sua identidade cultural e política quanto filosófica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade ficou muito rica ao atrair banqueiros judeus de Veneza e Milão, que eram perseguidos pelo Papa e que haviam financiado grande parte dos empreendimentos vinculado à Rota da Seda. Com o desenvolvimento econômico, a cidade fortaleceu seu protestantismo e seu sentimento de destino, pois parte da doutrina calvinista indica que a prosperidade econômica é um sinal de Deus na vida do fiel. Genebra estabeleceu-se como um espaço tradicional de bancos fortes e importantes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XIX, os habitantes de Genebra desenvolveram um humanismo social, onde a ação direta de seus cidadãos deveria ser direcionada para os pobres, doentes, desvalidos, entre outros. A cidade recebeu, em diferentes momentos, grupos minoritários perseguidos, doentes e vítimas de guerras, entre muitos migrantes que, por alguma razão, encontravam-se vulneráveis. Esta visão de mundo e do lugar da cidade perante a humanidade é o que levou à criação da Cruz Vermelha, bem como do Direito Internacional Humanitário, que levou a diferentes legislações internacionais de defesa dos direitos humanos, entre outras atitudes humanitárias internacionais que tiveram origem ou forte desenvolvimento na região. Estes são indicativos da tradição e da vocação humanista e internacionalista de uma pequena cidade com grande relevância política e social mundial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História da psicologia em Genebra ===&lt;br /&gt;
A história da psicologia em Genebra começa em 1882 com um dos chamados sábios da cidade, &#039;&#039;&#039;[[Théodore Flournoy]]&#039;&#039;&#039;. Ele era um médico que havia estudado na Alemanha e tinha recebido um treinamento para aprender alguns dos experimentos de [[Hermann von Helmholtz]]. Flournoy tinha algum conhecimento do que viria a ser inserido como parte da psicologia, como experimentos na psicofísica e na fisiologia. Apesar de ser um entusiasta e um interessado no assunto, trata-se de uma fase da psicologia ainda amadora. Ele conduzia alguns pequenos experimentos relacionados à psicofísica e à psicologia na Universidade de Genebra com seus alunos, ou mesmo no salão de sua casa, com convidados, sem grandes aspirações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cenário começa a mudar em 1889, quando Flournoy participa do &#039;&#039;&#039;[[Congresso de Psicologia de Paris]]&#039;&#039;&#039; e, com a experiência com o que viu na cidade, decide trazer a nova ciência para Genebra, colocando-a no mapa do nascimento da nova ciência. Seu modelo de laboratório foi o de &#039;&#039;&#039;[[Hugo Münsterberg]]&#039;&#039;&#039;, um psicólogo alemão que havia estudado com Wundt mas, por discordâncias, criou o próprio laboratório como um dissidente do mestre. Münsterberg fez todo tipo de indicação a Flournoy, desde quais os instrumentos mais importantes e onde comprá-los, os livros mais relevantes, entre outros. Além disso, Flournoy viaja para encontrar Münsterberg e aprender com o amigo, onde pega orientações prática e começa a desenhar o que seria o seu laboratório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente, o futuro psicólogo compra os equipamentos necessários com seus próprios recursos, que depois são adquirido pela Universidade de Genebra na ocasião da fundação oficial do laboratório, em 1891. Isso colocou Genebra não apenas no mapa dos locais com um laboratório de psicologia e cursos regulares sobre o tema, como também filiou a Universidade de Genebra à tradição psicológica inaugurada por Wundt e seu modelo de psicologia, ainda que por via indireta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Instituto Jean-Jacques Rousseau ===&lt;br /&gt;
Sete anos depois de sua fundação, em 1898, um incêndio destruiu a maior parte do laboratório de psicologia de Genebra, mas o que foi uma tragédia também se mostrou uma oportunidade. A tarefa de reconstrução do espaço foi dada ao primo de Flournoy, o médico [[Édouard Claparède]]. Ele decidiu dar uma nova orientação ao espaço, aliando a psicologia com a educação, visando seu projeto de “escola sob medida”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Claparède&#039;&#039;&#039;, embora conhecido na Suíça, ainda tinha um alcance limitado. Ele ganharia fama internacional apenas em 1909, quando publica [[Psicologia da Criança e Pedagogia Experimental]]. Na obra, Claparède defende que o modelo tradicional de educação desconsiderava as necessidades e características infantis, impondo conteúdos sem relação com os interesses da criança. Esta, na visão do pensador, era um ser ativo, curioso, em constante processo de adaptação ao seu meio, que precisava ser transformado e adaptado visando o seu desenvolvimento. Defende então que a educação precisa ser baseada no conhecimento sobre a criança que a psicologia poderia ajudar a proporcionar. A escola seria um laboratório de experiências, onde são testadas práticas pedagógicas fundamentadas na psicologia com eficácia comprovada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O livro foi um sucesso imediato e colocou Claparède como um dos protagonistas do movimento da &#039;&#039;&#039;[[Escola Nova]]&#039;&#039;&#039;, que pretendia utilizar métodos educacionais que não apenas ensinassem os conteúdos tradicionais, mas que também pudessem atuar no desenvolvimento intelectual, moral e social do aluno, colocando-o no centro do processo educativo. A proposta, inspirada, entre outros, no filósofo nascido em Genebra [[Jean-Jacques Rousseau]] (que dá nome à instituição), era dar protagonismo ao aluno, ao entender as peculiaridades e funcionalidades da mente infantil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Usando de seu prestígio internacional e dentro da própria cidade, Claparède se alia a outro pensador da educação e da psicologia genebrina, [[Pierre Bovet]], para criar o &#039;&#039;&#039;[[Instituto Jean-Jacques Rousseau]]&#039;&#039;&#039;. Após obter financiamento público e privado, o espaço é inaugurado em 1912, com cursos de psicologia experimental e [[pedagogia experimental]]. A instituição, composta como uma sociedade anônima para manter sua autonomia, adotou o lema &#039;&#039;Discat a puero magister&#039;&#039; (Que o mestre aprenda com a criança).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para colocar a teoria desenvolvida no Instituto em prática, além de realizar e testar pesquisas, o Instituto criou escolas de aplicação. A mais famosa foi a Maison des Petits, uma escola do que seria equivalente ao primeiro ciclo, fundada em 1913. Ela tornou-se um laboratório vivo sob a direção de [[Mina Audemars]] e [[Louise Lafendel]]. Lá, as crianças tinham grande liberdade, utilizando materiais pedagógicos inovadores, inspirados em diferentes reformadores da educação, como [[Maria Montessori|Montessori]] e [[Ovide Decroly|Decroly]], mas adaptados pelo próprio Instituto. Outras escolas de aplicação construídas foram a Maison des Grands e a Escola Töpffer, que visavam estender os métodos ativos ao ensino secundário, mas dificuldades financeiras levaram ao encerramento dos projetos entre 1920-1921. As escolas de aplicação foram amplamente usadas para o estudo de técnicas educacionais e como laboratório de psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o tempo, o local ainda ganhou uma clínica médica e, mais tarde, um centro de orientação vocacional. A partir de 1925, o apoio financeiro da [[Fundação Rockefeller]] permitiu uma nova fase de expansão. O Instituto mudou-se para a Rua Charles Bonnet e, posteriormente, para a Rua dos Maraîchers. Durante este período, formou centenas de educadores de mais de 40 países, disseminando os ideais da [[Escola Ativa]] em nível global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Édouard Claparède e a Teoria Genético-Funcional ===&lt;br /&gt;
Conforme o pensamento de Claparède, os seres humanos têm diferentes &#039;&#039;&#039;necessidades&#039;&#039;&#039;, cuja origem são motivações internas do sujeito. Com isso, ele relativiza o pensamento comportamentalista, que propõe que o comportamento vem da resposta a estímulos externos do indivíduo. Assim, a melhor forma de entender os fenômenos psicológicos seria entender seu papel na satisfação dessas necessidades, ou seja, na sua utilidade na adaptação do organismo ao ambiente. A questão pode ser compreendida, de forma geral, se perguntando “para que serve” determinada função, como o sono, a infância, a vontade, entre outros. Todas as funções mentais respondem a uma necessidade, pois tem uma utilidade evolutiva e adaptativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destes princípios advém o que Claparède chamou de &#039;&#039;&#039;Lei do interesse&#039;&#039;&#039;. Nessa lei, as necessidades precisam ser convertidas em condutas ou comportamentos para que a necessidade possa ser satisfeita, o que ocorre em nível psicológico. Dessa forma, o interesse é o princípio fundamental da atividade mental. Ele traduz a necessidade em um fim psicológico, colocando o indivíduo como agente ativo de sua própria conduta. O interesse expressa também a ligação de entre o indivíduo e o objeto que, em determinado momento, o interessa, ou seja, é significativo para ele. Não se trata de uma característica intrínseca das coisas, mas de uma relação que surge quando essas mesmas coisas se conectam a uma necessidade. Assim, algo só se torna interessante na medida em que pode orientar a conduta do sujeito na direção que lhe é relevante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conectadas necessidades, interesses e objetos, tem-se que o desenvolvimento da vida mental depende da distância entre as necessidades e os recursos disponíveis para atendê-las. Quando essa distância é inexistente, como acontece nos processos automáticos de respiração, reflexos pupilares, tosse, espirro, secreções, entre outros, não há esforço mental envolvido. As condutas necessárias para satisfazer essas necessidades acontecem de forma automática. Já quando a diferença entre o interesse e o objeto é grande, como acontece quando estamos com fome, por exemplo, ela impulsiona os indivíduos a criar coisas, como instrumentos de caça, a pesca e até a agricultura. Desse modo, a atividade mental se amplia de forma significativa. É o que Claparède chama de &#039;&#039;&#039;Lei da extensão da vida mental&#039;&#039;&#039;. Em outras palavras, o desenvolvimento da vida mental é proporcional à distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la. Quanto maior o desafio, maior a atividade mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lei da extensão da vida mental traz como consequência a &#039;&#039;&#039;Lei da tomada de consciência&#039;&#039;&#039;, e ela está diretamente conectada à familiaridade dos problemas. Quanto menos familiar, mais rapidamente o indivíduo se dá conta dele e recorre à consciência para buscar uma solução. O contrário também é verdadeiro, ou seja, quanto mais conhecido for o problema e quanto mais sua solução depender de automatismos já adquiridos (como o respirar ou mesmo comportamentos já bem estabelecidos), menor será a necessidade de recorrer à consciência. Esse modelo também foi adotado pelos funcionalistas norte-americanos. Em outras palavras, problemas novos ou pouco familiares exigem consciência. Já problemas rotineiros podem ser resolvidos por automatismos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, o funcionalismo de Claparède oferece uma perspectiva que prioriza a utilidade e a função dos fenômenos psicológicos na adaptação do organismo ao ambiente, destacando que toda atividade mental visa a satisfação de necessidades internas. Este arcabouço teórico se organiza em torno de três leis centrais: a Lei do interesse, que estabelece o interesse como a tradução psicológica das necessidades em condutas; a Lei da extensão da vida mental, que postula o desenvolvimento mental como proporcional ao desafio apresentado pela distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la; e a Lei da tomada de consciência, que reserva a consciência para a resolução de problemas novos e não familiares, deixando os automatismos a cargo das questões rotineiras. Dessa forma, Claparède constrói um modelo dinâmico onde a mente é um agente ativo, impulsionado por suas necessidades e constantemente moldado por sua interação adaptativa com o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O IJJR e o Brasil ===&lt;br /&gt;
O IJJR tem uma grande importância para o desenvolvimento da psicologia brasileira. Claparède, um de seus fundadores, teve vários de seus livros traduzidos para o português e publicados no Brasil, além de ter sido celebrado por psicólogos e educadores brasileiros. A conexão entre ele o país foi muito importante. Ele trocou cartas com frequência com Helena Antipoff, sua antiga aluna no Instituto Jean-Jacques Rousseau, e visitou o país duas vezes. Bovet também visitou o país, o que reforça o intercâmbio entre os dois lugares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Várias figuras importantes da psicologia e educação brasileiras estiveram no Instituto, seja para estudos formais, seja apenas para visitas ou mesmo para inspirar iniciativas locais. O primeiro brasileiro a estar no instituto foi o educador mineiro &#039;&#039;&#039;[[Francisco Lins]]&#039;&#039;&#039;, que esteve no no local já próximo de sua inauguração, em 1912. Ainda no âmbito mineiro, temos &#039;&#039;&#039;[[Alberto Alvares]]&#039;&#039;&#039;, Diretor da Instrução Pública de Minas Gerais e que visitou o IJJR em 1927 para organizar a missão de educadores europeus que viria a atuar em Belo Horizonte. Especula-se que nesta visita o Brasil foi colocado como um destino possível de pessoas formadas em Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um grupo de médicos brasileiros esteve no Instituto em 1928, incluindo &#039;&#039;&#039;[[Flávio Dias]]&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;[[Artur Fajardo da Silveira]]&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;[[Antônio Moniz de Aragão]]&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;[[Nilton Campos]]&#039;&#039;&#039;. Este último viria a ter um papel chave na criação da psicologia brasileira, depois que obteve a [[cátedra de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia]], em 1948, atuando no estabelecimento de uma psicologia científica no país. Empresta hoje nome ao prédio onde funciona o [[Instituto de Psicologia da UFRJ|Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome de destaque é o de &#039;&#039;&#039;[[Laura Lacombe|Laura Jacobina Lacombe]]&#039;&#039;&#039;, que esteve no Instituto em 1924. Era uma representante da Escola Nova no Rio de Janeiro, onde gerenciava uma escola e praticava muitas das ideias de seu mestre, Édouard Claparède. Destaca-se também &#039;&#039;&#039;[[Lourenço Filho]]&#039;&#039;&#039;, o célebre educador brasileiro com uma atuação nacional decisiva e relevante para o desenvolvimento da educação no nosso país. Além disso, Lourenço Filho também trabalhou para o desenvolvimento da psicologia no Brasil, escrevendo livros, dando cursos, publicando nos jornais e ocupando cargos importantes na administração pública, tanto federal como na época das então províncias, facilitando a conexão entre a psicologia e a educação e o desenvolvimento da própria psicologia brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O IJJR também enviou pessoas de outras nacionalidades que colaboraram para a formação da psicologia brasileira. Delas, a mais importante é [[Helena Antipoff]], uma psicóloga e educadora de origem russa. Em 1929, Antipoff foi convidada pelo governo de Minas Gerais para implementar a Reforma de Ensino no estado. Ela se estabeleceu em Belo Horizonte, onde fundou a [[Escola de Aperfeiçoamento de Belo Horizonte|Escola de Aperfeiçoamento]], além de uma escola rural, laboratórios, conduziu experimentos, escreveu materiais, livros e artigos e teve uma atuação prática articulada e decisiva com os seus mestres de Genebra. Seu acervo, hoje na Universidade Federal de Minas Gerais, é guardado pelo [[Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff (CDPHA)|Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff]], um dos primeiros grupos organizados do Brasil a estudar a história da psicologia no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome importante é o de &#039;&#039;&#039;[[Waclaw Radecki]]&#039;&#039;&#039;, um psicólogo polonês, ex-assistente de Claparède e colega de Piaget em Genebra. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu em 1924 a chefia do &#039;&#039;&#039;[[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&#039;&#039;&#039;, com recursos da Fundação Graffée Guinle. Seu laboratório era anexo à Colônia e os dados obtidos no contato clínico com os doentes era utilizado nas discussões dos casos do grupo de médicos e psiquiatras do local. Além disso, Radecki também tentou organizar o que pode ser o primeiro curso de psicologia do Brasil, visando formar assistentes para o seu laboratório, mas sem sucesso. Ele também produziu um sistema próprio, o &#039;&#039;&#039;[[discriminacionismo afetivo]]&#039;&#039;&#039;, que tomou forma final no Brasil e que pode ser uma das primeiras teorias psicológicas criadas no país. O laboratório que dirigiu, após algumas transformações, deu origem ao Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma terceira figura dos princípios do IJJR é &#039;&#039;&#039;[[Mariana Schryer]]&#039;&#039;&#039;. Psicóloga formada no Instituto, ela fugiu da Europa por conta do crescimento da perseguição aos judeus. No Brasil, criou uma clínica psicológica para crianças no Rio de Janeiro, sendo possivelmente a primeira pessoa a praticar as ideias de Piaget no país. Ela também ocupou cargos relevantes em revistas, periódicos e em instituições de ensino, porém, infelizmente, sua história foi pouco estudada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Jean Piaget e uma nova orientação para Genebra ===&lt;br /&gt;
A Escola de Genebra já estava consolidada. Iniciada com o laboratório de Flournoy que, após um incêndio, torna-se o laboratório de Claparède, que o expande e funda o Instituto Jean-Jacques Rousseau, colocando Genebra definitivamente no mapa com uma perspectiva de aliança entre educação e psicologia. Contudo, o grande nome de Genebra, que alterou a psicologia em nível global e transformou a visão científica sobre a infância é o de [[Jean Piaget|Jean William Fritz Piaget]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Piaget nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 1896 e obteve seu doutorado em zoologia em 1918, quando ainda contava com 21 anos de idade. Após um período de estudos em Zurique e em Paris, onde foi aluno de vários dos principais nomes da lógica, psiquiatria e psicologia franceses, ele foi convidado por Édouard Claparède a se integrar ao Instituto Jean-Jacques Rousseau, na condição de chefe do laboratório de psicologia, em 1922. Em 1923, publica [[A Linguagem e o Pensamento na Criança]] e, no ano seguinte, [[O Raciocínio na Criança]], obras que o elevam à fama na Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a publicação de [[A Representação do Mundo na Criança]], de 1926, Piaget marca a formalização de seu método, chamado de &#039;&#039;&#039;[[Método clínico de Jean Piaget|método clínico]]&#039;&#039;&#039; que, depois e em parceria com Barbel Inhelder, evolui para o &#039;&#039;&#039;método clínico-crítico&#039;&#039;&#039;. As obras [[A Causalidade Física na Criança]] (1927) e [[O Juízo Moral na Criança]] (1932) marcam o desenvolvimento de seu método e o amadurecimento de sua teoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua rica obra atinge um novo patamar com a publicação de [[O Nascimento da Inteligência na Criança]], de 1936, onde desenvolve técnicas de análise do &#039;&#039;&#039;desenvolvimento cognitico de bebês&#039;&#039;&#039; a partir de experimentos e observações que conduziu com seus próprios filhos. O livro marca o estabelecimento da [[Epistemologia Genética]], onde afirma claramente que a &#039;&#039;&#039;inteligência&#039;&#039;&#039; é uma ferramenta de &#039;&#039;&#039;adaptação do sujeito ao meio&#039;&#039;&#039; e que a &#039;&#039;&#039;cognição é uma extensão do real&#039;&#039;&#039;. É nessa obra que ele amadurece a noção de &#039;&#039;&#039;esquema&#039;&#039;&#039; e a de &#039;&#039;&#039;estrutura&#039;&#039;&#039;, que caracterizarão sua teoria até o final de sua vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1948, o Instituto Jean-Jacques Rousseau é incorporado à Universidade de Genebra e se torna Instituto de Ciências da Educação, mantendo uma interface entre a faculdade de Letras e a de Ciências. Este é um momento em que Piaget exerce imensa influência sobre a instituição, dando sua orientação e atuando diretamente na contratação de professores, na organização de currículos, entre outros. Foi nesse período, sob a liderança de Jean Piaget, que o prestígio da instituição explodiu globalmente, consolidando a Escola de Genebra como o epicentro da psicologia genética e do desenvolvimento, rivalizando com Harvard. Em 1975, a instituição se torna a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (FPSE) da Universidade de Genebra, formato que tem até hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1955, Piaget funda o &#039;&#039;&#039;[[Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG)]]&#039;&#039;&#039;, um centro multidisciplinar de estudos que atraiu centenas de pesquisadores e algumas das mentes mais brilhantes do século XX. A grande inovação do CIEG era o seu método de trabalho. Todos os anos, Piaget selecionava um tema central como, por exemplo: &amp;quot;o tempo&amp;quot;, &amp;quot;a causalidade&amp;quot; ou &amp;quot;a contradição&amp;quot;, e convidava os maiores nomes do mundo para debatê-lo. A cada ano, Piaget e seus colaboradores escreviam relatórios sobre os debates conduzidos naquele período, sintetizando avançadas discussçoes interdisciplinares. O Centro funcionou até a morte de Piaget, em 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No cerne da teoria piagetiana está o conceito de &#039;&#039;&#039;adaptação&#039;&#039;&#039;, composto por dois processos complementares: assimilação e acomodação. A &#039;&#039;&#039;assimilação&#039;&#039;&#039; refere-se à incorporação de novos estímulos ambientais aos esquemas cognitivos existentes, utilizando-os como ferramenta para interpretar a realidade. Já a &#039;&#039;&#039;acomodação&#039;&#039;&#039; ocorre quando o esquema é modificado para se ajustar a elementos novos do meio que resistem à assimilação, promovendo reorganização cognitiva. Esses mecanismos funcionam como funções biológicas primordiais, herdadas da evolução, que visam restaurar o equilíbrio cognitivo, estado em que o organismo atinge harmonia entre suas estruturas internas e as demandas externas. Para Piaget, o desenvolvimento não é mera acumulação de conhecimento, mas uma autorregulação funcional que permite ao sujeito interagir de forma eficaz com o mundo. Esta é a chamada [[Teoria da Equilibração]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Piaget adota uma &#039;&#039;&#039;abordagem genético-funcional&#039;&#039;&#039;, influenciada por funcionalistas americanos e europeus, que vê o conhecimento como resultado de funções biológicas aplicadas à epistemologia. Diferente do behaviorismo, que reduz o funcionalismo ao esquema estímulo-resposta, Piaget enfatiza funções internas (maturação) em relação complexa com extrnas (experiência social e física), construindo esquemas como conceitos práticos generalizáveis. Sua epistemologia genética afirma um sujeito ativo na construção do conhecimento, mas sempre orientado por funções adaptativas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este breve resumo conecta o pensamento de Piaget com o funcionalismo, mas sua teoria é, na verdade, altamente complexa. Ele escreveu milhares de páginas, além de ter conduzido ou orientado centenas de experimentos e colaborado com centenas de intelectuais. A influência de Piaget no pensamento psicológico e educacional é imensa e ainda objeto de estudos. Ele foi o segundo psicólogo mais citado do século XX e seu pensamento é utilizado por inúmeros psicólogos e educadores ao redor do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Piaget e o Brasil ===&lt;br /&gt;
Muitos nomes importantes para a psicologia e educação brasileiros estiveram com Piaget ou colaboraram decisivamente para a disseminação de suas ideias em nosso país. Uma lista completa é praticamente impossível de elaborar, mas alguns nomes podem ser mencionados, sem prejuízo de outros também muito relevantes. Esta lista inclui, por exemplo, &#039;&#039;&#039;[[Maria Luiza Ferreira|Maria Luiza de Almeida Cunha Ferreira]]&#039;&#039;&#039;, uma ex-aluna de Helena Antipoff que conseguiu uma bolsa da UNESCO em 1959 para estudar na Europa, fazendo cursos diretamente com Piaget e &#039;&#039;&#039;[[André Rey]]&#039;&#039;&#039; em Genebra. Outro nome importante é o da esposa de André Rey, &#039;&#039;&#039;[[Terezinha Rey]]&#039;&#039;&#039;, uma psicóloga mineira que acompanhou de perto os trabalhos do IJJR e de Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destaca-se também &#039;&#039;&#039;[[Zélia Ramozzi-Chiarottino]]&#039;&#039;&#039;. Professora da USP, estudou em Genebra e na França, participando de pesquisas, assistindo a aulas com Piaget e sendo convidada por Bärbel Inhelder para reuniões no Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG). Ela fundou o primeiro laboratório de epistemologia genética do Brasil e formou gerações de psicólogos piagetianos na América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No sul do país, onde existe um importante núcleo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, se destaca o nome de &#039;&#039;&#039;[[Léa Fagundes|Léa da Cruz Fagundes]]&#039;&#039;&#039;, que viajou a Genebra, onde discutiu sua dissertação com [[Bärbel Inhelder]] e conheceu Emília Ferreiro. &#039;&#039;&#039;[[Fernando Becker]]&#039;&#039;&#039; é outro nome relevante da região, ainda atuante na disseminação das ideias do mestre de Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já &#039;&#039;&#039;[[Luci Banks-Leite]]&#039;&#039;&#039; é uma pesquisadora com formação em Genebra, teve seus experimentos usados pelo próprio Piaget, com quem manteve contato por muitos anos. Seu livro [[A Escola de Genebra (livro)|A Escola de Genebra]] é fundamental para a área. O médico argentino &#039;&#039;&#039;[[Antonio Maria Battro]]&#039;&#039;&#039;, que fez doutorado na França, estagiou no Centro Internacional de Epistemologia Genética a convite do próprio Piaget, que se impressionou com seus estudos. Battro foi o principal responsável por fundar os [[Grupos de Estudos Cognitivos (GRECs)]] no Brasil a partir de 1973, e teve influência decisiva na difusão das ideias de Piaget no Brasil. [[Circe Navarro]] também ganha destaque por conduzir, inspirada nas ideias de Piaget, a [[Escola de Currículos]], no Rio de Janeiro. Na Unicamp, o [[Laboratório de Psicologia Genética (LPG)]] é um dos destaques. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, destaca-se o casal [[Emília Ferreiro]] e [[Rolando Garcia]]. Intelectuais argentinos que, exilados na Suíça, trabalharam em Genebra no Centro Internacional de Epistemologia Genética. &#039;&#039;&#039;Ferreiro&#039;&#039;&#039; defendeu sua tese de doutorado sob orientação de Piaget e, posteriormente, teve um impacto revolucionário na educação e alfabetização brasileiras por meio de sua teoria, o Construtivismo. Já &#039;&#039;&#039;Rolando Garcia&#039;&#039;&#039; foi o co-autor do último livro publicado por Piaget, que ele considerava a finalização de sua obra, além de ser amigo pessoal de Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O BIE ===&lt;br /&gt;
A criação do Bureau International d’Éducation (BIE) está intrinsecamente ligada ao Institut Jean-Jacques Rousseau, em Genebra, com quem compartilha fundadores e colaboradores. Após a Primeira Guerra Mundial, sentiu-se uma lacuna importante no Tratado de Versalhes. Enquanto a Organização Internacional do Trabalho (OIT) cuidava das questões laborais, e outras organizações tratavam de drogas, armas, entre outros, não existia uma &#039;&#039;&#039;instância internacional voltada para a educação e a infância&#039;&#039;&#039;. O BIE surgiu, portanto, como uma tentativa da sociedade civil, especificamente de pacifistas, feministas e educadores, de suprir essa falha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como não conseguiram o apoio imediato e o financiamento da Liga das Nações para construir o projeto, os fundadores agiram estrategicamente, utilizando o próprio IJJR, alegando que, graças ao instituto, o BIE já existia “na prática”. Além disso, fizeram lobby em redes de solidariedade intelectual e diplomática, incluindo com brasileiros, buscando contatos informais com delegados internacionais, visando obter apoio junto aos governos de países do mundo todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1929, o BIE passou por uma transformação crucial ao se tornar uma &#039;&#039;&#039;organização intergovernamental&#039;&#039;&#039;, sendo a primeira desse tipo no campo da educação. Foi nesse período que Jean Piaget assumiu a direção, liderando a instituição por quatro décadas, de 1929 a 1968, junto de Pedro Rosselò, que administrava tudo na prática. Foram eles quem implementaram sua missão, que seria a &amp;quot;ascensão do individual ao universal&amp;quot;. Essa máxima refletia a crença de que, através da observação científica, da coleta de dados comparativos e da colaboração recíproca entre nações, seria possível definir métodos pedagógicos universais que respeitassem a especificidade da criança e promovessem a paz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As &#039;&#039;&#039;Conferências Internacionais sobre Educação Pública (ICPEs)&#039;&#039;&#039;, organizadas anualmente a partir de 1934, tornaram-se o palco dessa busca, onde governos eram convidados a discutir e, idealmente, adotar recomendações comuns. A pressão dos dirigentes do BIE, suas visitas a países no mundo todo, entre outras ações, levaram várias nações a implementarem sistemas de educação públicos, ministérios da educação, divisões de pesquisa educacionais, entre outros. Mesmo no Brasil estas pressões surtiram efeito e, apesar de o país só integrar formalmente o BIE nos anos 1960, foi um participante ativo de várias de suas iniciativas e foi bastante influencido por suas políticas e propostas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Piaget utilizou de sua influência na instituição para espalhar suas ideias pelo mundo. Assim, ele viajou a muitos países, disseminando suas ideias e promovendo debates sobre psicologia e educação. Ele esteve no Brasil em 1949, onde falou sobre suas teorias com vários brasileiros, especialmente Nilton Campos e Lourenço Filho. O BIE também teve um papel relevante na &#039;&#039;&#039;internacionalização do funcionalismo europeu&#039;&#039;&#039;, servindo como ponte entre estes grupos de intelectuais e os diferentes governos e intelectuais de forma global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Considerações finais ==&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;funcionalismo&#039;&#039;&#039;, tanto em sua vertente americana quanto europeia, representou um divisor de águas na história da psicologia, marcando a transição de uma visão mecanicista e atomista da mente para uma perspectiva que enfatiza a função adaptativa dos processos psicológicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A investigação do funcionalismo europeu nos levou a um &amp;quot;passeio&amp;quot; por importantes centros de produção psicológica no continente. Na &#039;&#039;&#039;França&#039;&#039;&#039;, a psicologia floresceu na Salpêtrière, na Sorbonne,  e no Collège de France, com Ribot a cátedra de Psicologia Experimental e Comparada. A influência francesa, particularmente de Charcot, Binet e Pierre Janet, foi notável no Brasil, moldando a psiquiatria e servindo de modelo para o estabelecimento da psicologia experimental no início do século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na &#039;&#039;&#039;Alemanha&#039;&#039;&#039;, após o apogeu de Wilhelm Wundt, a psicologia viveu uma crise de fragmentação. O período nazista impôs uma unificação controversa em torno do diagnóstico caracterológico e da visão holística da personalidade (Ganzheit). Após a Segunda Guerra, a psicologia alemã foi marcada pela influência americana e marxista, bem como pela dificuldade de rearticulação de suas escolas, como a Gestalt. No Brasil, a influência alemã se concentrou principalmente na psicanálise e em alguns debates sobre a fenomenologia, mas as barreiras linguísticas e culturais limitaram a circulação de outras ideias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia na &#039;&#039;&#039;Rússia&#039;&#039;&#039; associou-se fortemente à fisiologia, culminando na reflexologia, impulsionada por Séchenov e atingindo o auge com Pavlov. Após a Revolução de 1917, a psicologia soviética abraçou o marxismo, destacando-se Lev Semenovich Vygotsky com sua teoria histórico-cultural e com o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), que teve um impacto transformador na educação brasileira a partir dos anos 1990. Sergei Rubinstein e, posteriormente, Leontiev e Luria, com a Teoria da Atividade, também consolidaram a contribuição russa marxista, embora estas vertentes tenham menor circulação no Brasil do que Vygotsky.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, a &#039;&#039;&#039;Escola de Genebra&#039;&#039;&#039; tornou-se o epicentro da matriz genético-funcional. A fundação do Instituto Jean-Jacques Rousseau (IJJR) em 1912 marcou a consolidação dessa visão, abraçando a Escola Nova. O IJJR manteve uma conexão intensa com o Brasil, de onde recebeu e para onde enviou muitos educadores e psicólogos. O auge de Genebra veio com Jean Piaget, que criou o método clínico-crítico e estabeleceu a Epistemologia Genética. A influência de Piaget no Brasil foi monumental e diversificada, atraindo figuras diversas. O Bureau International d’Éducation teve um papel decisivo na educação global e na difusão das ideias do funcionalismo europeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, &#039;&#039;&#039;o funcionalismo europeu não foi um bloco homogêneo&#039;&#039;&#039;, mas uma tapeçaria rica de abordagens que, partindo da premissa da função adaptativa da mente, gerou escolas com profundas ramificações na psiquiatria, na psicologia experimental e, crucialmente, na educação, com a Escola de Genebra se tornando um farol de inovação. As conexões com o Brasil, seja pela importação de modelos, seja pela formação de lideranças, foram decisivas para a institucionalização e a definição da identidade da psicologia e da pedagogia brasileiras ao longo do século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi escrito por André Elias Morelli Ribeiro e faz parte do projeto Materiais didáticos do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
[[Categoria:Texto didático]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Epistemologia Genética no Brasil]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=O_Funcionalismo_na_Europa_e_suas_Conex%C3%B5es_com_o_Brasil&amp;diff=1667</id>
		<title>O Funcionalismo na Europa e suas Conexões com o Brasil</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=O_Funcionalismo_na_Europa_e_suas_Conex%C3%B5es_com_o_Brasil&amp;diff=1667"/>
		<updated>2026-05-02T15:11:25Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* A psicologia na Rússia */ Várias modificações substanciais&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Este é um texto didático de autoria de [http://lattes.cnpq.br/7924410923493344 André Elias Morelli Ribeiro] (coordenador do projeto Portal História da Psicologia) para a disciplina História da Psicologia, do [https://psicologiaro.uff.br curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras]. Seu uso é livre, desde que citada a fonte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Funcionalismo ==&lt;br /&gt;
O funcionalismo é um termo utilizado para abarcar um &#039;&#039;&#039;movimento&#039;&#039;&#039; amplo e diverso de pensadores e pesquisadores proeminentes da psicologia. Ele surgiu no final do século XIX, notavelmente nos Estados Unidos, como uma reação e alternativa ao [[estruturalismo]] (não confundir com o estruturalismo do século XX), ao [[atomismo]] e ao [[mecanicismo]]. O movimento migrou para a Europa ainda no mesmo século, com a circulação das ideias de [[William James]], [[James Angell]], [[James Baldwin]], [[John Dewey]], entre outros, no velho continente, e tem impacto significativo em pensadores europeus, que aplicam modificações e adaptações às linhas de pensamento de lá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A unidade do movimento pode ser observada pela perspectiva compartilhada de que &#039;&#039;&#039;a mente desempenha um papel crucial no processo evolutivo dos seres humanos&#039;&#039;&#039; e, consequentemente, &#039;&#039;&#039;na adaptação ao meio ambiente&#039;&#039;&#039;. Diferentemente do estruturalismo, que se concentrava em repartir a mente em seus elementos constituintes (estruturas), o funcionalismo voltou seu foco para os processos psicológicos em termos de sua &#039;&#039;&#039;utilidade&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;propósito&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;operação&#039;&#039;&#039;. No geral, a visão funcionalista enxerga e interpreta os os fenômenos da mente a partir de sua função ou, grosso modo, a partir de perguntas pragmáticas, tais como: &amp;quot;para que isso serve?&amp;quot;, &amp;quot;por que o sujeito fez/pensou isso?&amp;quot; ou, no geral, “qual é a utilidade adaptativa de tal comportamento ou processo mental?”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o objetivo de conferir um embasamento científico ao seu construto teórico, a base do funcionalismo encontra-se parcialmente alicerçada nas &#039;&#039;&#039;teorias evolutivas&#039;&#039;&#039;, as quais postulam que os seres vivos se encontram em incessante transformação e adaptação. Sob essa ótica, &#039;&#039;&#039;a mente opera como parte integrante desse processo adaptativo&#039;&#039;&#039;, provendo recursos para que os organismos possam transformar o seu meio enquanto são, por sua vez, transformados por ele. Os processos mentais seriam análogos aos órgãos e às partes do corpo. Cada um tem a sua função e seu funcionamento próprio que, isolados, não podem fazer muito, mas, num conjunto, funcionam de forma ordenada e ordenadora da experiência humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o estruturalismo, o mecanicismo e o atomismo funcionam a partir de uma perspectiva físico-química ou fisicalista, &#039;&#039;&#039;o funcionalismo assinala uma biologização da psicologia&#039;&#039;&#039;. Ela confere uma relevância acentuada tanto aos equipamentos biológicos humanos quanto ao contexto ambiental, cuja importância e dinâmica será determinada por cada escola funcionalista. As teorias evolutivas têm relevância central, visto que a mente é o órgão de sobrevivência mais complexo da natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As diferenças entre o funcionalismo americano e o funcionalismo europeu ==&lt;br /&gt;
Como vimos na seção anterior, o funcionalismo como um movimento transatlântico se inicia nos EUA mas chega à Europa, onde se transforma e adquire características próprias, mas ambos compartilham uma visão biologizante e evolutiva dos fenômenos e objetos psicológicos. Vamos analisar agora algumas das diferenças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No &#039;&#039;&#039;[[funcionalismo americano]]&#039;&#039;&#039;, o foco recai sobre os &#039;&#039;&#039;processos adaptativos comportamentais&#039;&#039;&#039;. Os fenômenos mentais e comportamentais são vistos como operações destinadas à sobrevivência. A consciência não é uma coisa por si, mas um órgão seletivo que ajuda o organismo a se adaptar ao meio. Comportamentos, tal qual fenômenos mentais como a consciência, não são meros movimentos, eles são operações. A consciência, por exemplo, é concebida como uma operação que atua na seleção e autorregulação das táticas comportamentais visando à adaptação. Para entender essas operações, é preciso identificar o interesse subjacente a elas. Essa identificação dos interesses constitui a análise funcional dos processos psicológicos e comportamentais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro aspecto importante próprio do funcionalismo americano é o &#039;&#039;&#039;[[pragmatismo]]&#039;&#039;&#039;, uma vertente filosófica desenvolvida nos EUA e que reflete em grande medida a própria cultura americana. Nessa perspectiva, a análise psicológica exige o estudo das funções em seu ambiente natural, pois é nesse contexto que os interesses se manifestam e revelam seus resultados adaptativos. Em outras palavras, é como dizer “o que, na prática, esse comportamento ou pensamento significam?”. Trata-se de uma visão que inaugura um olhar para a prática, diferente da psicologia altamente laboratorial e fechada de [[Willheim Wundt|Wundt]] e seus seguidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já o &#039;&#039;&#039;funcionalismo europeu&#039;&#039;&#039;, apesar de compartilhar vários aspectos do seu colega americano, apresenta importantes diferenças. Em primeiro lugar, existem &#039;&#039;&#039;três linhagens&#039;&#039;&#039; do funcionalismo europeu. Primeiro, o da &#039;&#039;&#039;[[etologia]]&#039;&#039;&#039;, com foco nos instintos e impulsos que visam à sobrevivência. Um segundo é o funcionalismo de &#039;&#039;&#039;matriz psicanalítica&#039;&#039;&#039;, que postula um organismo voltado para aliviar pulsões e tensões que causam desprazer, com foco no incosciente. A terceira linhagem, que será o foco deste texto, tem &#039;&#039;&#039;matriz genético-funcional&#039;&#039;&#039;, ou seja, enxerga as funções como traços evolutivos humanos e a cognição a partir de uma perspectiva adaptativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O funcionalismo europeu continental (excluindo a Grã-Bretanha, mais próxima da visão dos EUA) postula uma perspectiva comum de desenvolvimento no pensamento que sugere que a mente, à semelhança dos organismos, possui &#039;&#039;&#039;estágios evolutivos&#039;&#039;&#039;. O pensamento europeu, nesse sentido, compreende que, assim como o desenvolvimento físico se inicia na gestação, prossegue após o nascimento e atinge seu ápice na vida adulta, a mente também passa por um processo análogo. Existem, portanto, etapas de desenvolvimento cognitivo que se distinguem por características específicas que definem as possibilidades e limitações da cognição. Esse processo mental de desenvolvimento seria concluído após a infância, momento em que o desenvolvimento cognitivo estaria completo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os europeus do continente também decidiram não seguir com a proposta dualista de [[Francis Galton|Galton]], conhecida como [[Debate natureza vs. cultura|natureza vs. cultura]]. É um debate que busca entender de onde vem a psicologia humana, ou seja, se nascemos com nossa psicologia ou se a adquirimos conforme envelhecemos. A proposição do funcionalismo europeu é o chamada &#039;&#039;&#039;[[interacionismo]]&#039;&#039;&#039;, que entende que, na verdade, trata-se da mistura dos dois. Por um lado, nascemos com uma certa capacidade de desenvolvimento e de aprendizagem, definida pela espécie, mas que só ocorre conforme interagimos com o meio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Um passeio por psicologias europeias ==&lt;br /&gt;
Apesar do nome genérico “funcionalismo europeu”, que está correto por conta de suas muitas semelhanças entre os diferentes países do continente (principalmente a visão evolucionista), ele na verdade exclui a psicologia das ilhas britâncias, que seguiam um caminho próprio. Além disso, dentro da chamada Europa Continental, os diferentes países também têm histórias da psicologia próprias, com visões distintas e que refletem a cultura e a filosofia de cada um. Abaixo, são apresentadas as três psicologias europeias mais relevantes para a formação da psicologia brasileira, a saber, França, Alemanha e Rússia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes três casos, é importante destacar que, nestes três casos, não se deve limitar a criação e circulação de ideias psicológicas apenas com questões geográficas, mas também culturais e de influência. A psicologia francesa estava em diálogo com &#039;&#039;&#039;países francófonos&#039;&#039;&#039; (como Bélgica e Suíça), a Alemanha com países da &#039;&#039;&#039;influência cultural gemânica&#039;&#039;&#039; (como Polônia, Suíça e Áustria) e a Rússia é, na verdade, a grande representante dos &#039;&#039;&#039;países eslavos&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia na &#039;&#039;&#039;Itália&#039;&#039;&#039; teve também relevância por um período específico na psicologia educacional de São Paulo, com [[Clemente Quaglio]] e [[Ugo Pizzoli]]. Ademais, muitas vezes manuais &#039;&#039;&#039;portugueses&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;espanhois&#039;&#039;&#039; circulavam no Brasil, geralmente traduzindo elementos dos três principais países europeus e acrescentando elementos pontuais. Infelizmente, &#039;&#039;&#039;ideias não eslavas do leste europeu&#039;&#039;&#039; e elementos da psicologia produzida nos &#039;&#039;&#039;países nórdicos&#039;&#039;&#039;, devido a problemas no idioma e à distância cultural, praticamente não apareceram no país, exceto por menções passageiras em livros e manuais importados da Europa e EUA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A psicologia na França ===&lt;br /&gt;
A psicologia floresceu na França de forma não linear e em grande diálogo com diferentes ciências e grupos profissionais. Isso ocorreu a partir de três linhagens mais ou menos simultâneas que, apesar de se comunicarem e até compartilharem nomes e conceitos, tinham diferenças importantes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira foi aquela desenvolvida na &#039;&#039;&#039;Salpetrière&#039;&#039;&#039;. Fundada em 1656 por decreto de Luís XIV, o hospital Pitié-Salpêtrière foi originalmente construído no prédio de uma antiga fábrica de pólvora, com o objetivo de abrigar um grande encarceramento. Prostitutas, mendigos, alcoolistas, órfãos, entre outros indesejados da sociedade eram agrupados no local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século XVIII, &#039;&#039;&#039;[[Philippe Pinel]]&#039;&#039;&#039; foi nomeado médico-chefe da instituição e introduziu o tratamento moral, defendendo que os alienados mentais eram doentes que precisavam de cuidados médicos e compaixão. As políticas e ideias de Pinel e, posteriormente, [[Esquirol]], influenciaram de forma decisiva a psicologia e psiquiatria em várias partes do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O hospital viveu sua era de ouro durante a administração do polêmico médico &#039;&#039;&#039;[[Jean-Martin Charcot]]&#039;&#039;&#039;, já no século XIX. Ele conduziu a Salpetrière como um &amp;quot;museu patológico vivo&amp;quot;, principalmente durante a chamada Grande Histeria. A &#039;&#039;&#039;[[histeria]]&#039;&#039;&#039; era uma doença considerada misteriosa na época. Sintomas como paralisias parciais, cegueira temporária, surdez temporária, entre outros, eram comuns e associados a conflitos psicológicos. Ela apresentava manifestações tanto físicas quanto psicológicas, e nenhum tratamento na época parecia ter efeito, nem nenhuma explicação parecia fazer sentido, principalmente devido à concepção dominante à época da total separação entre mente e corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse contexto, Charcot passou a empregar a &#039;&#039;&#039;[[hipnose]]&#039;&#039;&#039;, uma técnica controversa que havia ressurgido no Ocidente após o [[Mesmerismo/Magnetismo Animal|mesmerismo]], para examinar e tratar pacientes histéricas. Suas demonstrações atraíam grandes públicos de toda a Europa. Ele selecionava uma paciente com um sintoma importante, a hipnotizava e, em seguida, demonstrava que, sob o transe hipnótico, o sintoma histérico desaparecia temporariamente, retornando logo depois. [[Sigmund Freud|Freud]] estava entre os observadores dessas controversas sessões de Charcot, entre muitos outros nomes importantes para o século XX. Alguns interpretavam que as demonstrações de Charcot na Salpetrière eram uma prova da origem inconsciente da histeria. Contudo, o próprio Charcot sustentava que a histeria era, na verdade, uma degeneração hereditária do sistema nervoso. De qualquer forma, a hipnose surgia no horizonte dos estudos psiquiátricos e psicológicos, da mesma forma que o inconsciente passou a ser um problema científico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O auge de Charcot na Salpetriêre caiu graças à &#039;&#039;&#039;[[Escola de Nancy]]&#039;&#039;&#039;, um grupo de médicos radicados numa faculdade de medicina na cidade de Nancy, demonstrou, em 1882, que os fenômenos de melhora descritos por Charcot eram falsos e fruto de mera sugestão inconsciente. [[Hyppolyte Bernheim|Bernheim]], [[Jean-Pierre Liégeois|Liégeois]] e [[Henri-Étienne Beaunis|Beaunis]] trabalharam intensamente para mostrar que a histeria era um problema psicológico e que a hipnose não era um tratamento eficaz, o que trouxe um certo descrédito para a linhagem psicológica da Salpetrière. Contudo, ela deixou marcas importantes para a compreensão do psíquico, principalmente pela abertura ao estudo do inconsciente, do próprio uso da hipnose e do estudo dos estados patológicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma segunda linha foi desenvolvida na &#039;&#039;&#039;Universidade Sorbonne&#039;&#039;&#039;, em Paris. Ela foi fundada em 1253 e, durante séculos, foi o epicentro das discussões religiosas na Europa. A universidade ficou fechada durante a Revolução Francesa e renasceu em 1806, sob o comando de Napoleão Bonaparte. O líder da França implementou uma série de reformas na educação superior, com inspiração na educação da Prússia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o período da Restauração, a Sorbonne ficou fortemente enviesada pelo [[cousinismo]], um movimento filosófico monarquista liderado por &#039;&#039;&#039;[[Victor Cousin]]&#039;&#039;&#039;. Ele acreditava que nenhuma escola filosófica detinha a verdade completa, mas que todas possuíam uma parcela de verdade. Sua proposta era selecionar os melhores elementos de cada sistema e superar a chamada “era das escolas”. Cousin usou de suas habilidades políticas e de sua força perante a nobreza para colocar seus seguidores nas melhores posições da educação francesa, o que incluía a Sorbonne. Neste sistema, uma psicologia experimental não tinha lugar, o que paralisou a psicologia experimental mas trouxe muitos ganhos numa psicologia filosófica, que influenciou os pensadores franceses posteriores. Com a instituição da Terceira República Francesa, o cousinismo começa a entrar em sua longa decadência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste ínterim, a psicologia experimental francesa persistia graças ao professor francês de filosofia &#039;&#039;&#039;[[Théodule Ribot]]&#039;&#039;&#039;, que não era cousinista e fora sabotado por isso. Ele era um estudioso do movimento da psicologia científica da Alemanha, publicando a tese [[A Psicologia Inglesa Contemporânea]] e, posteriormente, [[A Psicologia Alemã Contemporânea]], também de grande sucesso. Ele pressionava o novo governo republicano a criar uma cadeira de Psicologia na Sorbonne que incorporasse as tendências da nova ciência, entendendo que a França estava ficando atrasada no movimento de criar essa nova ciência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pressão funcionou e a cadeira foi criada em 1881, dentro da Escola Prática de Altos Estudos. Contudo, quem assumiu o posto foi &#039;&#039;&#039;[[Jules Soury]]&#039;&#039;&#039;, que era amigo do ministro da educação e mais interessado em história da psicologia do que na psicologia contemporânea. Uma segunda cadeira foi criada em 1884 e dada a &#039;&#039;&#039;[[Louis Liard]]&#039;&#039;&#039;, que era um defensor da psicologia experimental e que promovia cursos abertos oferecidos por Ribot. Em 1898, uma terceira cadeira é criada e dada para [[Pierre Janet]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira linha de psicologia na França é a do &#039;&#039;&#039;Collège de France&#039;&#039;&#039;. Fundado em 1530 pelo rei Francisco I a pedido do filósofo humanista Guilherme Budé, o Collège nasceu como uma resposta à rigidez da Sorbonne, que focava apenas em dogmas religiosos. O Collège de France, originalmente chamado de Collège Royal, foi criado para ensinar disciplinas consideradas inferiores na época, como línguas, matemática e filosofia não religiosa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferente das universidades, o Collège não tem alunos matriculados, exames nem emite diplomas. Sua missão é ensinar abertamente o conhecimento que está em processo de criação, o que atraiu as mentes mais brilhantes de cada época e transformou a instituição em um termômetro da inovação científica e intelectual da França. Trabalharam lá personagens como Claude Bernard (maior fisiologista da história), Champollion (decifrador da escrita egípcia), Fernando Henrique Cardoso (sociólogo e presidente do Brasil), [[Michel Foucault]] (filósofo do século XX), Roland Barthes (linguista), entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1887, Renan, administrador do Collège, criou a cadeira de Psicologia Experimental e Comparada, devido à pressão do Ministério da Educação. Após uma disputa política, Ribot foi indicado para a cadeira, que assumiu em 1888. Ribot não apenas assumiu o posto, ele também atuou na criação de periódicos, na promoção de cursos, entre outras ações que ajudaram na consolidação da psicologia científica na França. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os franceses criaram seu &#039;&#039;&#039;primeiro laboratório em 1889&#039;&#039;&#039;, quando &#039;&#039;&#039;[[Henri-Étienne Beaunis]]&#039;&#039;&#039;, um estudioso do movimento da psicofísica, se uniu a Ribot para pressionar as instituições que tinham cadeiras de psicologia colaborassem na criação de um laboratório. O projeto foi aprovado e Liard, catedrático da Sorbonne, enviou uma carta a Wundt pedindo instruções para a construção de um laboratório. Sob essas instruções e orientações, ele foi instalado na Escola Prática de Altos Estudos como parte da Sorbonne, sob a liderança do próprio Beaunis e tendo &#039;&#039;&#039;[[Alfred Binet]]&#039;&#039;&#039; como assistente. Posteriormente, Binet cria o primeiro teste de inteligência bem-sucedido da história, a [[Escala Binet-Simon]]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Influência francesa na psicologia brasileira ====&lt;br /&gt;
A história da psicologia e da psiquiatria na França, conforme descrita no texto, possui conexões, muitas vezes indiretas, mas significativas, com o desenvolvimento dessas áreas no Brasil. Os personagens centrais das três linhagens francesas – Salpêtrière, Sorbonne e Collège de France – influenciaram a formação de pensamento e a prática clínica e o pensamento acadêmico brasileiro, especialmente no final do século XIX e no início do XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A figura de Jean-Martin Charcot e seus estudos na Salpêtrière sobre a histeria e a hipnose tiveram um impacto importante na psiquiatria brasileira que, na virada do século, era fortemente influenciada pela escola francesa. Isso pode ser observado nos títulos de hospitais e pavilhões homenageando médicos franceses pelo país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de Théodule Ribot não ter trazido nenhum impacto relevante para o Brasil, Alfred Binet, teve um papel fundamental. Sua psicologia experimental, com seu foco em métodos científicos e modelos de avaliação e testagem da criança, foi o modelo que o Brasil buscou importar para estabelecer a disciplina como ciência. A criação do primeiro laboratório de psicologia no Brasil, no [[Pedagogium]] do Rio de Janeiro, 1904, por [[Manoel Bomfim]], seguiu a inspiração direta de Binet. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra figura influente para o pensamento psicológico e psiquiátrico brasileiro foi o de &#039;&#039;&#039;Pierre Janet&#039;&#039;&#039;, que chegou a visitar o Brasil no começo do século XX. Ele era visto por muitos como a principal figura global da saúde mental e do estudo dos estados inconscientes, e seu modelo de psiquiatria tinha muitos seguidores por aqui. Infelizmente, graças à sua disputa com Freud, sua relevância parece ser sido esquecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A psicologia na Alemanha ===&lt;br /&gt;
As primeiras tentativas de criar uma psicologia científica aconteceu na Alemanha, com as ideias de &#039;&#039;&#039;[[Christian Wolff]]&#039;&#039;&#039;. A tradição de interesse em psicologia alemã foi coroada por lá florescer o marco simbólico da criação da psicologia não só na Alemanha, mas no mundo, foi a fundação do laboratório de &#039;&#039;&#039;Wilhelm Wundt&#039;&#039;&#039; em Leipzig, em 1879, o que gerou avanços e debates pelo país. A primeira linha de psicologia aplicada do país é criada no exército. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Primeira Guerra Mundial, a psicologia alemã entrou em um período de consolidação institucional, mas de profunda fragmentação teórica, conhecido como a &amp;quot;&#039;&#039;&#039;crise da psicologia&#039;&#039;&#039;&amp;quot;, com o surgimento de várias escolas, como a [[Gestalt]]. Surge também, dentro do exército, uma psicotécnica ou psicologia aplicada, que favoreceu o surgimento de um corpo profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;período nazista&#039;&#039;&#039; marcou um crescimento sem precedentes da psicologia no país. Durante este momento, as escolas rivais uniram-se em torno de um paradigma comum: o &#039;&#039;&#039;[[diagnóstico caracterológico]]&#039;&#039;&#039;. Em vez de focar em funções isoladas, os psicólogos enfatizavam qualidades holísticas da personalidade (&#039;&#039;Ganzheit&#039;&#039;), utilizando métodos intuitivos e situacionais para, por exemplo, selecionar oficiais para o exército.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a &#039;&#039;&#039;influência americana&#039;&#039;&#039; começa a se fazer cada vez mais presente, com seus defensores acusando os partidários da psicologia tradicional alemã de conexões com o passado nazista. OS &#039;&#039;&#039;pensadores marxistas&#039;&#039;&#039;, que também são numerosos e respeitados, também ganham relevância progressivamente. A psicologia tipicamente alemã, a da &#039;&#039;&#039;Gestalt&#039;&#039;&#039;, havia imigrado para os EUA, onde teve uma certa continuidade, mas não teve forças para retornar ao país de origem, o que esvaziou a identidade da psicologia alemã. &#039;&#039;&#039;Perspectivas fenomenológicas&#039;&#039;&#039; ganham força junto de abordagens mais holísticas e, apesar de sua relevância, a psicologia alemã ainda busca um retorno à glória de seu passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Influência alemã na psicologia brasileira ====&lt;br /&gt;
Com exceção de alguns poucos praticantes da psicologia da Gestalt e de abordagens fenomenológicas, bem como alguns livros alemães traduzidos do francês, a influência da psicologia alemã no Brasil se resume principalmente à &#039;&#039;&#039;psicanálise&#039;&#039;&#039;, ironicamente com destaque para a linhagem [[Lacan|lacaniana]], que tem origem francesa. A distância entre Alemanha e o Brasil se devem às dificuldades do idioma e à distância cultural, que atrapalharam a circulação das ideias daquele país no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na Rússia ==&lt;br /&gt;
A psicologia na Rússia olhou frequentemente para a Europa continental como uma referência científica, principalmente alemã, e associou-se fortemente à fisiologia, na composição da sua própria teoria, a &#039;&#039;&#039;[[reflexologia]]&#039;&#039;&#039;. O primeiro a defender a ideia de que a vida psíquica tinha origem no arco reflexo foi [[Ivan Séchenov|&#039;&#039;&#039;Ivan&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;Séchenov&#039;&#039;&#039;]], um antigo aluno de Claude Bernard e entusiasta de Charles Darwin. Para os primeiros reflexólogos russos, a vida psíquica era uma função do sistema nervoso que seria composta principalmente de reflexos do arco reflexo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os psicólogos russos encontraram seu ápice com o trabalho de &#039;&#039;&#039;[[Ivan Pavlov]]&#039;&#039;&#039;. Especialista em fisiologia da Universidade de São Petersburgo, seus experimentos com salivação de cães o levaram a formular uma &#039;&#039;&#039;teoria sobre reflexos condicionados&#039;&#039;&#039;. O trabalho rendeu a Pavlov uma fama mundial imediata, coroada com um prêmio Nobel de fisiologia em 1904. Suas ideias fundamentaram parcialmente uma ciência do comportamento que floresceu nos EUA. Já na Rússia, a continuação do trabalho de Pavlov fortaleceu a reflexologia, que continuou com o médico psiquiatra Vladimir Bechterev.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antigo aluno de Wundt e Charcot, &#039;&#039;&#039;Bechterev&#039;&#039;&#039; aprofunda os estudos na linha de Séchenov e Pavlov para desenvolver o conceito de &#039;&#039;&#039;reflexo associado&#039;&#039;&#039;, uma versão do reflexo condicionado de Pavlov, mas com ênfase no sistema motor, e não nos reflexos glandulares, como fizera seu par russo. Bechterev tentou associar diferentes reflexos motores, como retiniano e plantar, no estudo da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Revolução de 1917 e a instalação do regime soviético, a psicologia na Rússia passa a ser identificada com o marxismo. Um de seus expoentes foi &#039;&#039;&#039;[[Lev Vygotsky|Lev Semenovich Vygotsky]]&#039;&#039;&#039;, um advogado de rica formação intelectual que produziu textos em diferentes assuntos. Vygotsky foi, ao mesmo tempo, um marxista e um interessado na psicanálise, mas foram suas ideias educacionais que lhe renderam fama, na sua &#039;&#039;&#039;[[teoria histórico-cultural]]&#039;&#039;&#039;. Nela, o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, como o pensamento, a memória voluntária e a atenção, ocorre pela mediação de instrumentos culturais e signos, especialmente a linguagem. Entre seus conceitos mais influentes destaca-se a &#039;&#039;&#039;[[Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP)]]&#039;&#039;&#039;, muito usada na educação e que pode ser definida como a distância entre o nível de desenvolvimento real da criança e o nível de desenvolvimento potencial, alcançado com o auxílio de um adulto ou de pares mais experientes. Esse conceito teve profundo impacto nas teorias educacionais e nas práticas pedagógicas contemporâneas brasileiras. Pode-se dizer que esta é, atualmente, a linhagem dominante neste campo específico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome importante é o de &#039;&#039;&#039;[[Sergei Rubinstein]]&#039;&#039;&#039;, conhecido como verdadeiro fundador da psicologia marxista soviética. A proposta de Rubinstein baseava-se no princípio da unidade entre consciência e atividade. O ser humano não é apenas um receptor de estímulos, mas um sujeito que transforma o mundo por meio da atividade. Nesse processo de transformar a natureza externa, o sujeito transforma sua própria natureza e consciência. A psicologia deveria estudar a personalidade tomada como um todo e inserida em um contexto social e histórico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a morte de Vygotsky e Rubinstein, a psicologia soviética continuou com as ideias de [[Aleksei Leontiev|&#039;&#039;&#039;Aleksei Leontiev&#039;&#039;&#039;]] e [[Aleksandr Luria|&#039;&#039;&#039;Aleksandr Luria&#039;&#039;&#039;]], que desenvolveram a &#039;&#039;&#039;Teoria da Atividade ou [[Teoria da Atividade Sócio-Cultural]]&#039;&#039;&#039;. Eles sofreram fortes críticas porque sua teoria não era considerada marxista o suficiente, além de se aproximar perigosamente do behaviorismo de matriz americana. Apesar das críticas, suas teorias a ser desenvolvida e aplicada em diversas áreas, como a educação e a ergonomia, sendo reconhecida internacionalmente como uma importante contribuição da psicologia soviética, influenciando, por exemplo, o design de interação humano-computador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Influência russa na psicologia brasileira ====&lt;br /&gt;
A psicologia russa tem uma presença marcante no Brasil. O nome que mais se destaca neste ponto é, de longe, o de Vygotsky. A partir dos anos 1990 e, principalmente, dos anos 2000, Vygotsky praticamente substituiu toda a influência do pensamento piagetiano na educação, passando a ser dominante em muitas faculdades de educação e ser uma presença constante em Departamentos de Psicologia. Seus conceitos são amplamente ensinados nos cursos de formação de professores e debatidos academicamente, tanto na educação quanto na psicologia. Traduções diretas do russo são cada vez mais comuns e existe um forte movimento do resgate de seu pensamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reflexologia em si teve pouca circulação no Brasil, porém Pavlov é um nome quase unanimemente citado em todos os cursos de psicologia por conta de sua relevância no desenvolvimento das ciências do comportamento de linha americana. Praticamente não existem estudantes de psicologia que jamais ouviram falar de seu nome, e a maioria dos estudantes das licenciaturas também conhecem ao menos fragmentos de sua história. Sua relevância para a composição do behaviorismo o coloca como um nome obrigatório para todo o campo da psicologia brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Escola de Genebra ==&lt;br /&gt;
De todas as escolas funiconalistas europeias, a que teve maior impacto para a formação da psicologia brasileira é a chamada “Escola de Genebra”, uma denominação ampla que abrange décadas de desenvolvimento e aperfeiçoamento de técnicas e ideias psicológicas que ocorreram na cidade de Genebra. Observe que não se fala em “psicologia suíça”. Isso ocorre por que o país é, na verdade, uma comunidade de pequenos países, cada um com suas próprias características, por vezes semelhantes, outras completamente diferentes, o que demanda um estudo por região, e não olhando o país como um todo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo é o que se poderia falar de &#039;&#039;&#039;Escola de Zurique&#039;&#039;&#039;, que estava próxima tanto da psicanálise junguiana quanto de um experimentalismo inspirado no de Wundt. Zurique desenvolveu importantes centros de estudo de psiquiatria e psicologia, o que atriu muitas das melhores mentes em ambas as áreas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na &#039;&#039;&#039;Basileia&#039;&#039;&#039;, uma cidade Suíça entre a fronteira com a Alemanha e a França, a psicologia trazia uma mistura de linha alemã com toques do pensamento francês. &#039;&#039;&#039;Lausanne&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;Neuchâtel&#039;&#039;&#039;, por seu lado, olhavam para o principal centro francófono da psicologia, Genebra, mantendo fortes vínculos com o epicentro da psicologia da região. Há poucas informações sobre a psicologia em outros cantões e cidades da Suíça. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta seção, serão apresentadas informações sobre a formação da Suíça e a história da cidade e cantão de Genebra para, em seguida apresentar a história da Escola de Genebra. Instituições e autores específicos vinculados a esta Escola serão mais longamente trabalhados, bem como suas conexões que mantém com a formação da psicologia brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Um pouco sobre a Suíça e sobre Genebra ===&lt;br /&gt;
Genebra é uma cidade na Suíça, um pequeno país na Europa Central. Por séculos, foi uma cidade-estado próxima dos Alpes Suíços, cercada por quase todos os lados pela poderosa França. Ingressou na chamada Confederação Suíça ou Confederação Helvética em 1815, tornando-se o 22º cantão. A &#039;&#039;&#039;Suíça&#039;&#039;&#039; é um país bastante peculiar, pois sua formação não é o fruto de uma unificação de natureza étnica ou de uma tradição cultural ou política, mas sim a união de  pequenas cidades-estado situadas entre a Alemanha, a Itália, a França e a Áustria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A união que configura a Suíça se deve a um motivo simples: sozinhas, as cidades são frágeis e cercadas por alguns dos maiores impérios da Europa. Unificadas, podem obter diferentes vantagens, incluindo proteção militar e desenvolvimento social e econômico mútuos. Contudo, esta união não é simples. Cada cidade-estado, agora chamadas de cantões, tem acentuadas peculiaridades históricas, políticas, econômicas, culturais e sociais, de modo que a construção do país se deu por meio de uma longa tradição de negociação política, com séculos de tradição. Hoje identificada por alguns de seus produtos, como chocolates, relógios, bancos e o turismo nos Alpes, a Suíça é, na verdade, uma complicada teia de relações entre pequenos e orgulhosos países unidos em torno de uma necessidade comum de desenvolvimento e segurança, cercada de potências militares e econômicas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade e o Cantão de &#039;&#039;&#039;Genebra&#039;&#039;&#039; certamente têm suas peculiaridades. Ela pertence à chamada &#039;&#039;&#039;Suíça Romanda&#039;&#039;&#039;, a parte da Suíça identificada culturalmente com a França e falante do idioma francês. Ademais, Genebra é uma cidade protestante, cujos líderes foram convertidos pelo próprio reformador João Calvino em 1536, quando expulsaram o bispo de Genebra e converteram a Catedral de Saint-Pierre em uma igreja calvinista. A Suíça é um país dividido entre católicos e protestantes, e Genebra é um dos epicentros globais do protestantismo, sendo um elemento central tanto de sua identidade cultural e política quanto filosófica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade ficou muito rica ao atrair banqueiros judeus de Veneza e Milão, que eram perseguidos pelo Papa e que haviam financiado grande parte dos empreendimentos vinculado à Rota da Seda. Com o desenvolvimento econômico, a cidade fortaleceu seu protestantismo e seu sentimento de destino, pois parte da doutrina calvinista indica que a prosperidade econômica é um sinal de Deus na vida do fiel. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XIX, os habitantes de Genebra desenvolveram um humanismo social, onde a ação direta de seus cidadãos deve ser direcionada para os pobres, doentes, desvalidos, entre outros. A cidade recebeu, em diferentes momentos, grupos minoritários perseguidos, doentes e vítimas de guerras, entre muitos migrantes que, por alguma razão, encontravam-se vulneráveis. Esta visão de mundo e do lugar da cidade perante a humanidade é o que levou à criação da Cruz Vermelha, bem como do Direito Internacional Humanitário, que levou a diferentes legislações internacionais de defesa dos direitos humanos, entre outras atitudes humanitárias internacionais que tiveram origem ou forte desenvolvimento na região. Estes são indicativos da tradição e da vocação humanista e internacionalista de uma pequena cidade com grande relevância política e social mundial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História da psicologia em Genebra ===&lt;br /&gt;
A história da psicologia em Genebra começa em 1882 com um dos chamados sábios da cidade, &#039;&#039;&#039;Théodore Flournoy&#039;&#039;&#039;. Ele era um médico que havia estudado na Alemanha e tinha recebido um treinamento para aprender alguns dos experimentos de Helmholtz. Ele tinha algum conhecimento do que viria a ser inserido como parte da psicologia, como experimentos na psicofísica e na fisiologia. Apesar de praticante de algumas coisas e interessado no assunto, trata-se de uma fase da psicologia ainda amadora. Ele conduzia alguns pequenos experimentos relacionados à psicofísica e à psicologia na Universidade de Genebra com seus alunos, ou mesmo no salão de sua casa, com convidados, sem grandes aspirações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cenário começa a mudar em 1889, quando Flournoy participa do &#039;&#039;&#039;Congresso de Psicologia em Paris&#039;&#039;&#039; e, com a experiência com o que viu na cidade, decide trazer a nova ciência para Genebra, colocando-a no mapa do nascimento da nova ciência. Seu modelo de laboratório foi o de &#039;&#039;&#039;Hugo Münsterberg&#039;&#039;&#039;, um psicólogo alemão que havia estudado com Wundt mas, por discordâncias, criou o próprio laboratório como um dissidente do mestre. Münsterberg fez todo tipo de indicação a Flournoy, desde quais os instrumentos mais importantes e onde comprá-los, os livros mais relevantes, entre outros. Além disso, Flournoy viaja para encontrar Münsterberg e aprender com o amigo, onde pega orientações prática e começa a desenhar o que seria o seu laboratório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente, o futuro psicólogo compra os equipamentos necessários com seus próprios recursos, que depois são adquirido pela Universidade de Genebra na ocasião da fundação oficial do laboratório, em 1891. Isso colocou Genebra não apenas no mapa dos locais com um laboratório de psicologia e cursos regulares sobre o tema, como também filiou a Universidade de Genebra à tradição psicológica inaugurada por Wundt e seu modelo de psicologia, ainda que por via indireta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Instituto Jean-Jacques Rousseau ===&lt;br /&gt;
Sete anos depois de sua fundação, em 1898, um incêndio destruiu a maior parte do laboratório de psicologia de Genebra, mas o que foi uma tragédia também se mostrou uma oportunidade. A tarefa de reconstrução do espaço foi dada ao primo de Flournoy, o médico Édouard Claparède, que decidiu dar uma nova orientação ao espaço, aliando a psicologia com a educação, visando seu projeto de “escola sob medida”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Claparède&#039;&#039;&#039;, embora conhecido na Suíça, ainda tinha um alcance limitado. Ele ganharia fama internacional apenas em 1909, quando publica Psicologia da Criança e Pedagogia Experimental. Na obra, Claparède defende que o modelo tradicional de educação desconsiderava as necessidades e características infantis, impondo conteúdos sem relação com os interesses da criança. Esta, na visão do pensador, era um ser ativo, curioso, em constante processo de adaptação ao seu meio, que precisava ser transformado e adaptado visando o seu desenvolvimento. Defende então que a educação precisa ser baseada no conhecimento sobre a criança que a psicologia poderia ajudar a proporcionar. A escola seria um laboratório de experiências, onde são testadas práticas pedagógicas fundamentadas na psicologia com eficácia comprovada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O livro foi um sucesso imediato e colocou Claparède como um dos protagonistas do movimento da &#039;&#039;&#039;Escola Nova&#039;&#039;&#039; ou &#039;&#039;&#039;Escola Ativa&#039;&#039;&#039;, que pretendia utilizar métodos educacionais que não apenas ensinassem os conteúdos tradicionais, mas que também pudessem atuar no desenvolvimento intelectual, moral e social do aluno, colocando-o no centro do processo educativo. A proposta, inspirada, entre outros, no filósofo nascido em Genebra Jean-Jacques Rousseau (que dá nome à instituição), era dar protagonismo ao aluno, ao entender as peculiaridades e funcionalidades da mente infantil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Usando de seu prestígio internacional e dentro da própria cidade, Claparède se alia a outro pensador da educação e da psicologia genebrina, Pierre Bovet, para criar o &#039;&#039;&#039;Instituto Jean-Jacques Rousseau&#039;&#039;&#039;. Após obter financiamento público e privado, o espaço é inaugurado em 1912, com cursos de psicologia experimental e pedagogia experimental. A instituição, composta como uma sociedade anônima para manter sua autonomia, adotou o lema Discat a puero magister (Que o mestre aprenda com a criança).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para colocar a teoria desenvolvida no Instituto em prática, além de realizar e testar pesquisas, o Instituto criou escolas de aplicação. A mais famosa foi a Maison des Petits, uma escola do que seria equivalente ao primeiro ciclo, fundada em 1913. Ela tornou-se um laboratório vivo sob a direção de Mina Audemars e Louise Lafendel. Lá, as crianças tinham grande liberdade, utilizando materiais pedagógicos inovadores, inspirados em diferentes reformadores da educação, como Montessori e Decroly, mas adaptados pelo próprio Instituto. Outras escolas de aplicação construídas foram a Maison des Grands e a Escola Töpffer, que visavam estender os métodos ativos ao ensino secundário, mas dificuldades financeiras levaram ao encerramento do projeto entre 1920-1921. As escolas serviram amplamente para o estudo de técnicas educacionais e como laboratório de psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o tempo, o local ainda ganhou uma clínica médica e, mais tarde, um centro de orientação vocacional. A partir de 1925, o apoio financeiro da Fundação Rockefeller permitiu uma nova fase de expansão. O Instituto mudou-se para a Rua Charles Bonnet e, posteriormente, para a Rua dos Maraîchers. Durante este período, formou centenas de educadores de mais de 40 países, disseminando os ideais da Escola Ativa em nível global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Édouard Claparède e a Teoria Genético-Funcional ===&lt;br /&gt;
Conforme o pensamento de Claparède, os seres humanos têm diferentes &#039;&#039;&#039;necessidades&#039;&#039;&#039;, cuja origem são motivações internas do sujeito. Com isso, ele relativiza o pensamento comportamentalista, que propõe que o comportamento vem da resposta a estímulos externos do indivíduo. Assim, a melhor forma de entender os fenômenos psicológicos seria entender seu papel na satisfação dessas necessidades, ou seja, na sua utilidade na adaptação do organismo ao ambiente. A questão pode ser compreendida, de forma geral, se perguntando “para que serve” determinada função, como o sono, a infância, a vontade, entre outros. Todas as funções mentais respondem a uma necessidade, pois tem uma utilidade evolutiva e adaptativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destes princípios advém o que Claparède chamou de &#039;&#039;&#039;Lei do interesse&#039;&#039;&#039;. Nessa lei, as necessidades precisam ser convertidas em condutas ou comportamentos para que a necessidade possa ser satisfeita, o que ocorre em nível psicológico. Dessa forma, o interesse é o princípio fundamental da atividade mental. Ele traduz a necessidade em um fim psicológico, colocando o indivíduo como agente ativo de sua própria conduta. O interesse expressa também a ligação de entre o indivíduo e o objeto que, em determinado momento, o interessa, ou seja, é significativo para ele. Não se trata de uma característica intrínseca das coisas, mas de uma relação que surge quando essas mesmas coisas se conectam a uma necessidade. Assim, algo só se torna interessante na medida em que pode orientar a conduta do sujeito na direção que lhe é relevante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conectadas necessidades, interesses e objetos, tem-se que o desenvolvimento da vida mental depende da distância entre as necessidades e os recursos disponíveis para atendê-las. Quando essa distância é inexistente, como acontece nos processos automáticos de respiração, reflexos pupilares, tosse, espirro, secreções, entre outros, não há esforço mental envolvido. As condutas necessárias para satisfazer essas necessidades acontecem de forma automática. Já quando a diferença entre o interesse e o objeto é grande, como acontece quando estamos com fome, por exemplo, ela impulsiona os indivíduos a criar coisas, como instrumentos de caça, a pesca e até a agricultura. Desse modo, a atividade mental se amplia de forma significativa. É o que Claparède chama de &#039;&#039;&#039;Lei da extensão da vida mental&#039;&#039;&#039;. Em outras palavras, o desenvolvimento da vida mental é proporcional à distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la. Quanto maior o desafio, maior a atividade mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lei da extensão da vida mental traz como consequência a &#039;&#039;&#039;Lei da tomada de consciência&#039;&#039;&#039;, e ela está diretamente conectada à familiaridade dos problemas. Quanto menos familiar, mais rapidamente o indivíduo se dá conta dele e recorre à consciência para buscar uma solução. O contrário também é verdadeiro, ou seja, quanto mais conhecido for o problema e quanto mais sua solução depender de automatismos já adquiridos (como o respirar ou mesmo comportamentos já bem estabelecidos), menor será a necessidade de recorrer à consciência. Esse modelo também foi adotado pelos funcionalistas norte-americanos. Em outras palavras, problemas novos ou pouco familiares exigem consciência. Já problemas rotineiros podem ser resolvidos por automatismos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, o funcionalismo de Claparède oferece uma perspectiva que prioriza a utilidade e a função dos fenômenos psicológicos na adaptação do organismo ao ambiente, destacando que toda atividade mental visa a satisfação de necessidades internas. Este arcabouço teórico se organiza em torno de três leis centrais: a Lei do interesse, que estabelece o interesse como a tradução psicológica das necessidades em condutas; a Lei da extensão da vida mental, que postula o desenvolvimento mental como proporcional ao desafio apresentado pela distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la; e a Lei da tomada de consciência, que reserva a consciência para a resolução de problemas novos e não familiares, deixando os automatismos a cargo das questões rotineiras. Dessa forma, Claparède constrói um modelo dinâmico onde a mente é um agente ativo, impulsionado por suas necessidades e constantemente moldado por sua interação adaptativa com o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claparède teve vários de seus livros traduzidos para o português e publicados no Brasil, além de ter sido celebrado por psicólogos e educadores brasileiros. A conexão entre ele o país foi muito importante. Ele trocou cartas com frequência com Helena Antipoff, sua antiga aluna no Instituto Jean-Jacques Rousseau, e visitou o país duas vezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O IJJR e o Brasil ===&lt;br /&gt;
Várias figuras importantes da psicologia e educação brasileiras estiveram no Instituto, seja para estudos formais, seja apenas para visitas ou mesmo para inspirar iniciativas locais. O primeiro brasileiro a estar no instituto foi o educador mineiro &#039;&#039;&#039;Francisco Lins&#039;&#039;&#039;, que esteve no no local já próximo de sua inauguração, em 1912. Ainda no âmbito mineiro, temos &#039;&#039;&#039;Alberto Alvares&#039;&#039;&#039;, Diretor da Instrução Pública de Minas Gerais e que visitou o IJJR em 1927 para organizar a missão de educadores europeus que viria a atuar em Belo Horizonte. Especula-se que nesta visita o Brasil foi colocado como um destino possível de pessoas formadas em Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um grupo de médicos brasileiros esteve no Instituto em 1928, incluindo &#039;&#039;&#039;Flávio Dias&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;Artur Fajardo da Silveira&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;Antônio Moniz de Aragão&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;Nilton Campos&#039;&#039;&#039;. Este último viria a ter um papel chave na criação da psicologia brasileira, depois que obteve a cátedra de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia, em 1948, atuando no estabelecimento de uma psicologia científica no país. Empresta hoje nome ao prédio onde funciona o Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome de destaque é o de &#039;&#039;&#039;Laura Jacobina Lacombe&#039;&#039;&#039;, que esteve no Instituto em 1924. Era uma representante da Escola Nova no Rio de Janeiro, onde gerenciava uma escola e praticava muitas das ideias de seu mestre, Édouard Claparède. Destaca-se também &#039;&#039;&#039;Lourenço Filho&#039;&#039;&#039;, o célebre educador brasileiro com uma atuação nacional decisiva e relevante para o desenvolvimento da educação no nosso país. Além disso, Lourenço Filho também trabalhou para o desenvolvimento da psicologia no Brasil, escrevendo livros, dando cursos, publicando nos jornais e ocupando cargos importantes na administração pública, tanto federal como na época das então províncias, facilitando a conexão entre a psicologia e a educação e o desenvolvimento da própria psicologia brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O IJJR também enviou pessoas de outras nacionalidades que colaboraram para a formação da psicologia brasileira. Delas, a mais importante é Helena Antipoff, uma psicóloga e educadora de origem russa. Em 1929, Antipoff foi convidada pelo governo de Minas Gerais para implementar a Reforma de Ensino no estado. Ela se estabeleceu em Belo Horizonte, onde fundou a Escola de Aperfeiçoamento, além de uma escola rural, laboratórios, conduziu experimentos, escreveu materiais, livros e artigos e teve uma atuação prática articulada e decisiva com os seus mestres de Genebra. Seu acervo, hoje na Universidade Federal de Minas Gerais, é guardado pelo Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff, um dos primeiros grupos organizados do Brasil a estudar a história da psicologia no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome importante é o de &#039;&#039;&#039;Waclaw Radecki&#039;&#039;&#039;, um psicólogo polonês, ex-assistente de Claparède e colega de Piaget em Genebra. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu em 1924 a chefia do &#039;&#039;&#039;Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro&#039;&#039;&#039;, com recursos da Fundação Graffée Guinle. Seu laboratório era anexo à Colônia e os dados obtidos no contato clínico com os doentes era utilizado nas discussões dos casos do grupo de médicos e psiquiatras do local. Além disso, Radecki também tentou organizar o que pode ser o primeiro curso de psicologia do Brasil, visando formar assistentes para o seu laboratório, mas sem sucesso. Ele também produziu um sistema próprio, o &#039;&#039;&#039;discriminacionismo afetivo&#039;&#039;&#039;, que tomou forma final no Brasil e que pode ser uma das primeiras teorias psicológicas criadas no país. O laboratório que dirigiu, após algumas transformações, deu origem ao Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma terceira figura dos princípios do IJJR é &#039;&#039;&#039;Mariana Schryer&#039;&#039;&#039;. Psicóloga formada no Instituto, ela fugiu da Europa por conta do crescimento da perseguição aos judeus. No Brasil, criou uma clínica psicológica para crianças no Rio de Janeiro, sendo possivelmente a primeira pessoa a praticar as ideias de Piaget no país. Ela também ocupou cargos relevantes em revistas, periódicos e em instituições de ensino, porém, infelizmente, sua história ainda é pouco conhecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Jean Piaget e uma nova orientação para Genebra ===&lt;br /&gt;
A Escola de Genebra já estava consolidada. Iniciada com o laboratório de Flournoy que, após um incêndio, torna-se o laboratório de Claparède, que o expande e funda o Instituto Jean-Jacques Rousseau, colocando Genebra definitivamente no mapa com uma perspectiva de aliança entre educação e psicologia. Contudo, o grande nome de Genebra, que alterou a psicologia em nível global e transformou a visão científica sobre a infância é o de Jean William Fritz Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Piaget nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 1896 e obteve seu doutorado em zoologia em 1918, quando ainda contava com 21 anos de idade. Após um período de estudos em Zurique e em Paris, onde foi aluno de vários dos principais nomes da lógica, psiquiatria e psicologia franceses, ele foi convidado por Édouard Claparède a se integrar ao Instituto Jean-Jacques Rousseau, na condição de chefe do laboratório de psicologia, em 1922. Em 1923, publica A Linguagem e o Pensamento na Criança e, no ano seguinte, O Raciocínio na Criança, obras que o elevam à fama na Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a publicação de A Representação do Mundo na Criança, de 1926, Piaget marca a formalização de seu método, chamado de &#039;&#039;&#039;método clínico&#039;&#039;&#039; que, depois e em parceria com Barbel Inhelder, evolui para o &#039;&#039;&#039;método clínico-crítico&#039;&#039;&#039;. As obras A Causalidade Física na Criança (1927) e O Juízo Moral na Criança (1932) marcam o desenvolvimento de seu método e o amadurecimento de sua teoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua rica obra atinge um novo patamar com a publicação de O Nascimento da Inteligência na Criança, de 1936, onde desenvolve técnicas de análise do &#039;&#039;&#039;desenvolvimento cognitico de bebês&#039;&#039;&#039; a partir de experimentos e observações que conduziu com seus próprios filhos. O livro marca o estabelecimento da Epistemologia Genética, onde afirma claramente que a &#039;&#039;&#039;inteligência&#039;&#039;&#039; é uma ferramenta de &#039;&#039;&#039;adaptação do sujeito ao meio&#039;&#039;&#039; e que a &#039;&#039;&#039;cognição é uma extensão do real&#039;&#039;&#039;. É nessa obra que ele amadurece a noção de &#039;&#039;&#039;esquema&#039;&#039;&#039; e a de &#039;&#039;&#039;estrutura&#039;&#039;&#039;, que caracterizarão sua teoria até o final de sua vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1948, o Instituto Jean-Jacques Rousseau se torna Instituto de Ciências da Educação, mantendo uma interface entre a faculdade de Letras e a de Ciências. Este é um momento em que Piaget exerce imensa influência sobre a instituição, dando sua orientação e atuando diretamente na contratação de professores, na organização de currículos, entre outros. Foi nesse período, sob a liderança de Jean Piaget, que o prestígio da instituição explodiu globalmente, consolidando a Escola de Genebra como o epicentro da psicologia genética e do desenvolvimento, rivalizando com Harvard. Em 1975, a instituição se torna a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (FPSE), formato que tem até hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1955, Piaget funda o &#039;&#039;&#039;Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG)&#039;&#039;&#039;, um centro multidisciplinar de estudos que atraiu centenas de pesquisadores e algumas das mentes mais brilhantes do século XX. A grande inovação do CIEG era o seu método de trabalho. Todos os anos, Piaget selecionava um tema central como, por exemplo: &amp;quot;o tempo&amp;quot;, &amp;quot;a causalidade&amp;quot; ou &amp;quot;a contradição&amp;quot;, e convidava os maiores nomes do mundo para debatê-lo. A cada ano, Piaget e seus colaboradores escreviam relatórios sobre os debates conduzidos naquele período, sintetizando avançadas discussçoes interdisciplinares. O Centro funcionou até a morte de Piaget, em 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No cerne da teoria piagetiana está o conceito de &#039;&#039;&#039;adaptação&#039;&#039;&#039;, composto por dois processos complementares: assimilação e acomodação. A &#039;&#039;&#039;assimilação&#039;&#039;&#039; refere-se à incorporação de novos estímulos ambientais aos esquemas cognitivos existentes, utilizando-os como ferramenta para interpretar a realidade. Já a &#039;&#039;&#039;acomodação&#039;&#039;&#039; ocorre quando o esquema é modificado para se ajustar a elementos novos do meio que resistem à assimilação, promovendo reorganização cognitiva. Esses mecanismos funcionam como funções biológicas primordiais, herdadas da evolução, que visam restaurar o equilíbrio cognitivo, estado em que o organismo atinge harmonia entre suas estruturas internas e as demandas externas. Para Piaget, o desenvolvimento não é mera acumulação de conhecimento, mas uma autorregulação funcional que permite ao sujeito interagir de forma eficaz com o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Piaget adota uma &#039;&#039;&#039;abordagem genético-funcional&#039;&#039;&#039;, influenciada por funcionalistas americanos e europeus, que vê o conhecimento como resultado de funções biológicas aplicadas à epistemologia. Diferente do behaviorismo, que reduz o funcionalismo ao esquema estímulo-resposta, Piaget enfatiza funções internas (maturação) em relação complexa com extrnas (experiência social e física), construindo esquemas como conceitos práticos generalizáveis. Sua epistemologia genética afirma um sujeito ativo na construção do conhecimento, mas sempre orientado por funções adaptativas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este breve resumo conecta o pensamento de Piaget com o funcionalismo, mas sua teoria é, na verdade, altamente complexa. Ele escreveu milhares de páginas, além de ter conduzido ou orientado centenas de experimentos e colaborado com centenas de intelectuais. A influência de Piaget no pensamento psicológico e educacional é imensa e ainda objeto de estudos. Ele foi o segundo psicólogo mais citado do século XX e seu pensamento é utilizado por inúmeros psicólogos e educadores ao redor do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Piaget e o Brasil ===&lt;br /&gt;
Muitos nomes importantes para a psicologia e educação brasileiros estiveram com Piaget ou colaboraram decisivamente para a disseminação de suas ideias em nosso país. Uma lista completa é praticamente impossível de elaborar, mas alguns nomes podem ser mencionados, sem prejuízo de outros também muito relevantes. Esta lista inclui, por exemplo, &#039;&#039;&#039;Maria Luiza de Almeida Cunha Ferreira&#039;&#039;&#039;, uma ex-aluna de Helena Antipoff que conseguiu uma bolsa da UNESCO em 1959 para estudar na Europa, fazendo cursos diretamente com Piaget e &#039;&#039;&#039;André Rey&#039;&#039;&#039; em Genebra. Outro nome importante é o da esposa de André Rey, &#039;&#039;&#039;Terezinha Rey&#039;&#039;&#039;, uma psicóloga mineira que acompanhou de perto os trabalhos do IJJR e de Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destaca-se também &#039;&#039;&#039;Zélia Ramozzi-Chiarottino&#039;&#039;&#039;. Professora da USP, estudou em Genebra e na França, participando de pesquisas, assistindo a aulas com Piaget e sendo convidada por Bärbel Inhelder para reuniões no Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG). Ela fundou o primeiro laboratório de epistemologia genética do Brasil e formou gerações de psicólogos piagetianos na América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No sul do país, onde existe um importante núcleo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, se destaca o nome de &#039;&#039;&#039;Léa da Cruz Fagundes&#039;&#039;&#039;, que viajou a Genebra, onde discutiu sua dissertação com Bärbel Inhelder e conheceu Emília Ferreiro. &#039;&#039;&#039;Fernando Becker&#039;&#039;&#039; é outro nome relevante da região, ainda atuante na disseminação das ideias do mestre de Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já &#039;&#039;&#039;Luci Banks-Leite&#039;&#039;&#039; é uma pesquisadora com formação em Genebra, teve seus experimentos usados pelo próprio Piaget, com quem manteve contato por muitos anos. O médico argentino &#039;&#039;&#039;Antonio Maria Battro&#039;&#039;&#039;, que fez doutorado na França, estagiou no Centro Internacional de Epistemologia Genética a convite do próprio Piaget, que se impressionou com seus estudos. Battro foi o principal responsável por fundar os Grupos de Estudos Cognitivos (GRECs) no Brasil a partir de 1973, e teve influência decisiva na difusão das ideias de Piaget no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, destaca-se o casal Emília Ferreiro e Rolando Garcia. Intelectuais argentinos que, exilados na Suíça, trabalharam em Genebra no Centro Internacional de Epistemologia Genética. &#039;&#039;&#039;Ferreiro&#039;&#039;&#039; defendeu sua tese de doutorado sob orientação de Piaget e, posteriormente, teve um impacto revolucionário na educação e alfabetização brasileiras por meio de sua teoria, o Construtivismo. Já &#039;&#039;&#039;Rolando Garcia&#039;&#039;&#039; foi o co-autor do último livro publicado por Piaget, que ele considerava a finalização de sua obra, além de ser amigo pessoal de Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O BIE ===&lt;br /&gt;
A criação do Bureau International d’Éducation (BIE) está intrinsecamente ligada ao Institut Jean-Jacques Rousseau, em Genebra, com quem compartilha fundadores e colaboradores. Após a Primeira Guerra Mundial, sentiu-se uma lacuna importante no Tratado de Versalhes. Enquanto a Organização Internacional do Trabalho (OIT) cuidava das questões laborais, e outras organizações tratavam de drogas, armas, entre outros, não existia uma &#039;&#039;&#039;instância internacional voltada para a educação e a infância&#039;&#039;&#039;. O BIE surgiu, portanto, como uma tentativa da sociedade civil, especificamente de pacifistas, feministas e educadores, de suprir essa falha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como não conseguiram o apoio imediato e o financiamento da Liga das Nações para construir o projeto, os fundadores agiram estrategicamente, utilizando o próprio IJJR, alegando que, graças ao instituto, o BIE já existia “na prática”. Além disso, fizeram lobby em redes de solidariedade intelectual e diplomática, incluindo com brasileiros, buscando contatos informais com delegados internacionais, visando obter apoio junto aos governos de países do mundo todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1929, o BIE passou por uma transformação crucial ao se tornar uma &#039;&#039;&#039;organização intergovernamental&#039;&#039;&#039;, sendo a primeira desse tipo no campo da educação. Foi nesse período que Jean Piaget assumiu a direção, liderando a instituição por quatro décadas, de 1929 a 1968, junto de Pedro Rosselò, que administrava tudo na prática. Foram eles quem implementaram sua missão, que seria a &amp;quot;ascensão do individual ao universal&amp;quot;. Essa máxima refletia a crença de que, através da observação científica, da coleta de dados comparativos e da colaboração recíproca entre nações, seria possível definir métodos pedagógicos universais que respeitassem a especificidade da criança e promovessem a paz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As &#039;&#039;&#039;Conferências Internacionais sobre Educação Pública (ICPEs)&#039;&#039;&#039;, organizadas anualmente a partir de 1934, tornaram-se o palco dessa busca, onde governos eram convidados a discutir e, idealmente, adotar recomendações comuns. A pressão dos dirigentes do BIE, suas visitas a países no mundo todo, entre outras ações, levaram várias nações a implementarem sistemas de educação públicos, ministérios da educação, divisões de pesquisa educacionais, entre outros. Mesmo no Brasil estas pressões surtiram efeito e, apesar de o país só integrar formalmente o BIE nos anos 1960, foi um participante ativo de várias de suas iniciativas e foi bastante influencido por suas políticas e propostas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Piaget utilizou de sua influência na instituição para espalhar suas ideias pelo mundo. Assim, ele viajou a muitos países, disseminando suas ideias e promovendo debates sobre psicologia e educação. Ele esteve no Brasil em 1949, onde falou sobre suas teorias com vários brasileiros, especialmente Nilton Campos e Lourenço Filho. O BIE também teve um papel relevante na &#039;&#039;&#039;internacionalização do funcionalismo europeu&#039;&#039;&#039;, servindo como ponte entre estes grupos de intelectuais e os diferentes governos e intelectuais de forma global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Considerações finais ==&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;funcionalismo&#039;&#039;&#039;, tanto em sua vertente americana quanto europeia, representou um divisor de águas na história da psicologia, marcando a transição de uma visão mecanicista e atomista da mente para uma perspectiva que enfatiza a função adaptativa dos processos psicológicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A investigação do funcionalismo europeu nos levou a um &amp;quot;passeio&amp;quot; por importantes centros de produção psicológica no continente. Na &#039;&#039;&#039;França&#039;&#039;&#039;, a psicologia floresceu na Salpêtrière, na Sorbonne,  e no Collège de France, com Ribot a cátedra de Psicologia Experimental e Comparada. A influência francesa, particularmente de Charcot, Binet e Pierre Janet, foi notável no Brasil, moldando a psiquiatria e servindo de modelo para o estabelecimento da psicologia experimental no início do século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na &#039;&#039;&#039;Alemanha&#039;&#039;&#039;, após o apogeu de Wilhelm Wundt, a psicologia viveu uma crise de fragmentação. O período nazista impôs uma unificação controversa em torno do diagnóstico caracterológico e da visão holística da personalidade (Ganzheit). Após a Segunda Guerra, a psicologia alemã foi marcada pela influência americana e marxista, bem como pela dificuldade de rearticulação de suas escolas, como a Gestalt. No Brasil, a influência alemã se concentrou principalmente na psicanálise e em alguns debates sobre a fenomenologia, mas as barreiras linguísticas e culturais limitaram a circulação de outras ideias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia na &#039;&#039;&#039;Rússia&#039;&#039;&#039; associou-se fortemente à fisiologia, culminando na reflexologia, impulsionada por Séchenov e atingindo o auge com Pavlov. Após a Revolução de 1917, a psicologia soviética abraçou o marxismo, destacando-se Lev Semenovich Vygotsky com sua teoria histórico-cultural e com o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), que teve um impacto transformador na educação brasileira a partir dos anos 1990. Sergei Rubinstein e, posteriormente, Leontiev e Luria, com a Teoria da Atividade, também consolidaram a contribuição russa marxista, embora estas vertentes tenham menor circulação no Brasil do que Vygotsky.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, a &#039;&#039;&#039;Escola de Genebra&#039;&#039;&#039; tornou-se o epicentro da matriz genético-funcional. A fundação do Instituto Jean-Jacques Rousseau (IJJR) em 1912 marcou a consolidação dessa visão, abraçando a Escola Nova. O IJJR manteve uma conexão intensa com o Brasil, de onde recebeu e para onde enviou muitos educadores e psicólogos. O auge de Genebra veio com Jean Piaget, que criou o método clínico-crítico e estabeleceu a Epistemologia Genética. A influência de Piaget no Brasil foi monumental e diversificada, atraindo figuras diversas. O Bureau International d’Éducation teve um papel decisivo na educação global e na difusão das ideias do funcionalismo europeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, &#039;&#039;&#039;o funcionalismo europeu não foi um bloco homogêneo&#039;&#039;&#039;, mas uma tapeçaria rica de abordagens que, partindo da premissa da função adaptativa da mente, gerou escolas com profundas ramificações na psiquiatria, na psicologia experimental e, crucialmente, na educação, com a Escola de Genebra se tornando um farol de inovação. As conexões com o Brasil, seja pela importação de modelos, seja pela formação de lideranças, foram decisivas para a institucionalização e a definição da identidade da psicologia e da pedagogia brasileiras ao longo do século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[William James]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lourenço Filho]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Helena Antipoff]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lev Vygotsky|Vygotsky]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Nilton Campos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Philippe Pinel]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Mesmerismo/Magnetismo Animal|Mesmerismo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Alfred Binet]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Hugo Münsterberg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Zélia Ramozzi-Chiarottino]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi escrito por André Elias Morelli Ribeiro e faz parte do projeto Materiais didáticos do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
[[Categoria:Texto didático]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Epistemologia Genética no Brasil]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=O_Funcionalismo_na_Europa_e_suas_Conex%C3%B5es_com_o_Brasil&amp;diff=1666</id>
		<title>O Funcionalismo na Europa e suas Conexões com o Brasil</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=O_Funcionalismo_na_Europa_e_suas_Conex%C3%B5es_com_o_Brasil&amp;diff=1666"/>
		<updated>2026-05-02T15:02:30Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Várias modificações substanciais&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Este é um texto didático de autoria de [http://lattes.cnpq.br/7924410923493344 André Elias Morelli Ribeiro] (coordenador do projeto Portal História da Psicologia) para a disciplina História da Psicologia, do [https://psicologiaro.uff.br curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras]. Seu uso é livre, desde que citada a fonte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Funcionalismo =&lt;br /&gt;
O funcionalismo é um termo utilizado para abarcar um &#039;&#039;&#039;movimento&#039;&#039;&#039; amplo e diverso de pensadores e pesquisadores proeminentes da psicologia. Ele surgiu no final do século XIX, notavelmente nos Estados Unidos, como uma reação e alternativa ao [[estruturalismo]] (não confundir com o estruturalismo do século XX), ao [[atomismo]] e ao [[mecanicismo]]. O movimento migrou para a Europa ainda no mesmo século, com a circulação das ideias de [[William James]], [[James Angell]], [[James Baldwin]], [[John Dewey]], entre outros, no velho continente, e tem impacto significativo em pensadores europeus, que aplicam modificações e adaptações às linhas de pensamento de lá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A unidade do movimento pode ser observada pela perspectiva compartilhada de que &#039;&#039;&#039;a mente desempenha um papel crucial no processo evolutivo dos seres humanos&#039;&#039;&#039; e, consequentemente, &#039;&#039;&#039;na adaptação ao meio ambiente&#039;&#039;&#039;. Diferentemente do estruturalismo, que se concentrava em repartir a mente em seus elementos constituintes (estruturas), o funcionalismo voltou seu foco para os processos psicológicos em termos de sua &#039;&#039;&#039;utilidade&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;propósito&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;operação&#039;&#039;&#039;. No geral, a visão funcionalista enxerga e interpreta os os fenômenos da mente a partir de sua função ou, grosso modo, a partir de perguntas pragmáticas, tais como: &amp;quot;para que isso serve?&amp;quot;, &amp;quot;por que o sujeito fez/pensou isso?&amp;quot; ou, no geral, “qual é a utilidade adaptativa de tal comportamento ou processo mental?”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o objetivo de conferir um embasamento científico ao seu construto teórico, a base do funcionalismo encontra-se parcialmente alicerçada nas &#039;&#039;&#039;teorias evolutivas&#039;&#039;&#039;, as quais postulam que os seres vivos se encontram em incessante transformação e adaptação. Sob essa ótica, &#039;&#039;&#039;a mente opera como parte integrante desse processo adaptativo&#039;&#039;&#039;, provendo recursos para que os organismos possam transformar o seu meio enquanto são, por sua vez, transformados por ele. Os processos mentais seriam análogos aos órgãos e às partes do corpo. Cada um tem a sua função e seu funcionamento próprio que, isolados, não podem fazer muito, mas, num conjunto, funcionam de forma ordenada e ordenadora da experiência humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o estruturalismo, o mecanicismo e o atomismo funcionam a partir de uma perspectiva físico-química ou fisicalista, &#039;&#039;&#039;o funcionalismo assinala uma biologização da psicologia&#039;&#039;&#039;. Ela confere uma relevância acentuada tanto aos equipamentos biológicos humanos quanto ao contexto ambiental, cuja importância e dinâmica será determinada por cada escola funcionalista. As teorias evolutivas têm relevância central, visto que a mente é o órgão de sobrevivência mais complexo da natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= As diferenças entre o funcionalismo americano e o funcionalismo europeu =&lt;br /&gt;
Como vimos na seção anterior, o funcionalismo como um movimento transatlântico se inicia nos EUA mas chega à Europa, onde se transforma e adquire características próprias, mas ambos compartilham uma visão biologizante e evolutiva dos fenômenos e objetos psicológicos. Vamos analisar agora algumas das diferenças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No &#039;&#039;&#039;[[funcionalismo americano]]&#039;&#039;&#039;, o foco recai sobre os &#039;&#039;&#039;processos adaptativos comportamentais&#039;&#039;&#039;. Os fenômenos mentais e comportamentais são vistos como operações destinadas à sobrevivência. A consciência não é uma coisa por si, mas um órgão seletivo que ajuda o organismo a se adaptar ao meio. Comportamentos, tal qual fenômenos mentais como a consciência, não são meros movimentos, eles são operações. A consciência, por exemplo, é concebida como uma operação que atua na seleção e autorregulação das táticas comportamentais visando à adaptação. Para entender essas operações, é preciso identificar o interesse subjacente a elas. Essa identificação dos interesses constitui a análise funcional dos processos psicológicos e comportamentais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro aspecto importante próprio do funcionalismo americano é o &#039;&#039;&#039;[[pragmatismo]]&#039;&#039;&#039;, uma vertente filosófica desenvolvida nos EUA e que reflete em grande medida a própria cultura americana. Nessa perspectiva, a análise psicológica exige o estudo das funções em seu ambiente natural, pois é nesse contexto que os interesses se manifestam e revelam seus resultados adaptativos. Em outras palavras, é como dizer “o que, na prática, esse comportamento ou pensamento significam?”. Trata-se de uma visão que inaugura um olhar para a prática, diferente da psicologia altamente laboratorial e fechada de [[Willheim Wundt|Wundt]] e seus seguidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já o &#039;&#039;&#039;funcionalismo europeu&#039;&#039;&#039;, apesar de compartilhar vários aspectos do seu colega americano, apresenta importantes diferenças. Em primeiro lugar, existem &#039;&#039;&#039;três linhagens&#039;&#039;&#039; do funcionalismo europeu. Primeiro, o da &#039;&#039;&#039;[[etologia]]&#039;&#039;&#039;, com foco nos instintos e impulsos que visam à sobrevivência. Um segundo é o funcionalismo de &#039;&#039;&#039;matriz psicanalítica&#039;&#039;&#039;, que postula um organismo voltado para aliviar pulsões e tensões que causam desprazer, com foco no incosciente. A terceira linhagem, que será o foco deste texto, tem &#039;&#039;&#039;matriz genético-funcional&#039;&#039;&#039;, ou seja, enxerga as funções como traços evolutivos humanos e a cognição a partir de uma perspectiva adaptativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O funcionalismo europeu continental (excluindo a Grã-Bretanha, mais próxima da visão dos EUA) postula uma perspectiva comum de desenvolvimento no pensamento que sugere que a mente, à semelhança dos organismos, possui &#039;&#039;&#039;estágios evolutivos&#039;&#039;&#039;. O pensamento europeu, nesse sentido, compreende que, assim como o desenvolvimento físico se inicia na gestação, prossegue após o nascimento e atinge seu ápice na vida adulta, a mente também passa por um processo análogo. Existem, portanto, etapas de desenvolvimento cognitivo que se distinguem por características específicas que definem as possibilidades e limitações da cognição. Esse processo mental de desenvolvimento seria concluído após a infância, momento em que o desenvolvimento cognitivo estaria completo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os europeus do continente também decidiram não seguir com a proposta dualista de [[Francis Galton|Galton]], conhecida como [[Debate natureza vs. cultura|natureza vs. cultura]]. É um debate que busca entender de onde vem a psicologia humana, ou seja, se nascemos com nossa psicologia ou se a adquirimos conforme envelhecemos. A proposição do funcionalismo europeu é o chamada &#039;&#039;&#039;[[interacionismo]]&#039;&#039;&#039;, que entende que, na verdade, trata-se da mistura dos dois. Por um lado, nascemos com uma certa capacidade de desenvolvimento e de aprendizagem, definida pela espécie, mas que só ocorre conforme interagimos com o meio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Um passeio por psicologias europeias =&lt;br /&gt;
Apesar do nome genérico “funcionalismo europeu”, que está correto por conta de suas muitas semelhanças entre os diferentes países do continente (principalmente a visão evolucionista), ele na verdade exclui a psicologia das ilhas britâncias, que seguiam um caminho próprio. Além disso, dentro da chamada Europa Continental, os diferentes países também têm histórias da psicologia próprias, com visões distintas e que refletem a cultura e a filosofia de cada um. Abaixo, são apresentadas as três psicologias europeias mais relevantes para a formação da psicologia brasileira, a saber, França, Alemanha e Rússia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes três casos, é importante destacar que, nestes três casos, não se deve limitar a criação e circulação de ideias psicológicas apenas com questões geográficas, mas também culturais e de influência. A psicologia francesa estava em diálogo com &#039;&#039;&#039;países francófonos&#039;&#039;&#039; (como Bélgica e Suíça), a Alemanha com países da &#039;&#039;&#039;influência cultural gemânica&#039;&#039;&#039; (como Polônia, Suíça e Áustria) e a Rússia é, na verdade, a grande representante dos &#039;&#039;&#039;países eslavos&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia na &#039;&#039;&#039;Itália&#039;&#039;&#039; teve também relevância por um período específico na psicologia educacional de São Paulo, com [[Clemente Quaglio]] e [[Ugo Pizzoli]]. Ademais, muitas vezes manuais &#039;&#039;&#039;portugueses&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;espanhois&#039;&#039;&#039; circulavam no Brasil, geralmente traduzindo elementos dos três principais países europeus e acrescentando elementos pontuais. Infelizmente, &#039;&#039;&#039;ideias não eslavas do leste europeu&#039;&#039;&#039; e elementos da psicologia produzida nos &#039;&#039;&#039;países nórdicos&#039;&#039;&#039;, devido a problemas no idioma e à distância cultural, praticamente não apareceram no país, exceto por menções passageiras em livros e manuais importados da Europa e EUA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na França ==&lt;br /&gt;
A psicologia floresceu na França de forma não linear e em grande diálogo com diferentes ciências e grupos profissionais. Isso ocorreu a partir de três linhagens mais ou menos simultâneas que, apesar de se comunicarem e até compartilharem nomes e conceitos, tinham diferenças importantes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira foi aquela desenvolvida na &#039;&#039;&#039;Salpetrière&#039;&#039;&#039;. Fundada em 1656 por decreto de Luís XIV, o hospital Pitié-Salpêtrière foi originalmente construído no prédio de uma antiga fábrica de pólvora, com o objetivo de abrigar um grande encarceramento. Prostitutas, mendigos, alcoolistas, órfãos, entre outros indesejados da sociedade eram agrupados no local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século XVIII, &#039;&#039;&#039;[[Philippe Pinel]]&#039;&#039;&#039; foi nomeado médico-chefe da instituição e introduziu o tratamento moral, defendendo que os alienados mentais eram doentes que precisavam de cuidados médicos e compaixão. As políticas e ideias de Pinel e, posteriormente, [[Esquirol]], influenciaram de forma decisiva a psicologia e psiquiatria em várias partes do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O hospital viveu sua era de ouro durante a administração do polêmico médico &#039;&#039;&#039;[[Jean-Martin Charcot]]&#039;&#039;&#039;, já no século XIX. Ele conduziu a Salpetrière como um &amp;quot;museu patológico vivo&amp;quot;, principalmente durante a chamada Grande Histeria. A &#039;&#039;&#039;[[histeria]]&#039;&#039;&#039; era uma doença considerada misteriosa na época. Sintomas como paralisias parciais, cegueira temporária, surdez temporária, entre outros, eram comuns e associados a conflitos psicológicos. Ela apresentava manifestações tanto físicas quanto psicológicas, e nenhum tratamento na época parecia ter efeito, nem nenhuma explicação parecia fazer sentido, principalmente devido à concepção dominante à época da total separação entre mente e corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse contexto, Charcot passou a empregar a &#039;&#039;&#039;[[hipnose]]&#039;&#039;&#039;, uma técnica controversa que havia ressurgido no Ocidente após o [[Mesmerismo/Magnetismo Animal|mesmerismo]], para examinar e tratar pacientes histéricas. Suas demonstrações atraíam grandes públicos de toda a Europa. Ele selecionava uma paciente com um sintoma importante, a hipnotizava e, em seguida, demonstrava que, sob o transe hipnótico, o sintoma histérico desaparecia temporariamente, retornando logo depois. [[Sigmund Freud|Freud]] estava entre os observadores dessas controversas sessões de Charcot, entre muitos outros nomes importantes para o século XX. Alguns interpretavam que as demonstrações de Charcot na Salpetrière eram uma prova da origem inconsciente da histeria. Contudo, o próprio Charcot sustentava que a histeria era, na verdade, uma degeneração hereditária do sistema nervoso. De qualquer forma, a hipnose surgia no horizonte dos estudos psiquiátricos e psicológicos, da mesma forma que o inconsciente passou a ser um problema científico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O auge de Charcot na Salpetriêre caiu graças à &#039;&#039;&#039;[[Escola de Nancy]]&#039;&#039;&#039;, um grupo de médicos radicados numa faculdade de medicina na cidade de Nancy, demonstrou, em 1882, que os fenômenos de melhora descritos por Charcot eram falsos e fruto de mera sugestão inconsciente. [[Hyppolyte Bernheim|Bernheim]], [[Jean-Pierre Liégeois|Liégeois]] e [[Henri-Étienne Beaunis|Beaunis]] trabalharam intensamente para mostrar que a histeria era um problema psicológico e que a hipnose não era um tratamento eficaz, o que trouxe um certo descrédito para a linhagem psicológica da Salpetrière. Contudo, ela deixou marcas importantes para a compreensão do psíquico, principalmente pela abertura ao estudo do inconsciente, do próprio uso da hipnose e do estudo dos estados patológicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma segunda linha foi desenvolvida na &#039;&#039;&#039;Universidade Sorbonne&#039;&#039;&#039;, em Paris. Ela foi fundada em 1253 e, durante séculos, foi o epicentro das discussões religiosas na Europa. A universidade ficou fechada durante a Revolução Francesa e renasceu em 1806, sob o comando de Napoleão Bonaparte. O líder da França implementou uma série de reformas na educação superior, com inspiração na educação da Prússia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o período da Restauração, a Sorbonne ficou fortemente enviesada pelo [[cousinismo]], um movimento filosófico monarquista liderado por &#039;&#039;&#039;[[Victor Cousin]]&#039;&#039;&#039;. Ele acreditava que nenhuma escola filosófica detinha a verdade completa, mas que todas possuíam uma parcela de verdade. Sua proposta era selecionar os melhores elementos de cada sistema e superar a chamada “era das escolas”. Cousin usou de suas habilidades políticas e de sua força perante a nobreza para colocar seus seguidores nas melhores posições da educação francesa, o que incluía a Sorbonne. Neste sistema, uma psicologia experimental não tinha lugar, o que paralisou a psicologia experimental mas trouxe muitos ganhos numa psicologia filosófica, que influenciou os pensadores franceses posteriores. Com a instituição da Terceira República Francesa, o cousinismo começa a entrar em sua longa decadência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste ínterim, a psicologia experimental francesa persistia graças ao professor francês de filosofia &#039;&#039;&#039;[[Théodule Ribot]]&#039;&#039;&#039;, que não era cousinista e fora sabotado por isso. Ele era um estudioso do movimento da psicologia científica da Alemanha, publicando a tese [[A Psicologia Inglesa Contemporânea]] e, posteriormente, [[A Psicologia Alemã Contemporânea]], também de grande sucesso. Ele pressionava o novo governo republicano a criar uma cadeira de Psicologia na Sorbonne que incorporasse as tendências da nova ciência, entendendo que a França estava ficando atrasada no movimento de criar essa nova ciência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pressão funcionou e a cadeira foi criada em 1881, dentro da Escola Prática de Altos Estudos. Contudo, quem assumiu o posto foi &#039;&#039;&#039;[[Jules Soury]]&#039;&#039;&#039;, que era amigo do ministro da educação e mais interessado em história da psicologia do que na psicologia contemporânea. Uma segunda cadeira foi criada em 1884 e dada a &#039;&#039;&#039;[[Louis Liard]]&#039;&#039;&#039;, que era um defensor da psicologia experimental e que promovia cursos abertos oferecidos por Ribot. Em 1898, uma terceira cadeira é criada e dada para [[Pierre Janet]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira linha de psicologia na França é a do &#039;&#039;&#039;Collège de France&#039;&#039;&#039;. Fundado em 1530 pelo rei Francisco I a pedido do filósofo humanista Guilherme Budé, o Collège nasceu como uma resposta à rigidez da Sorbonne, que focava apenas em dogmas religiosos. O Collège de France, originalmente chamado de Collège Royal, foi criado para ensinar disciplinas consideradas inferiores na época, como línguas, matemática e filosofia não religiosa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferente das universidades, o Collège não tem alunos matriculados, exames nem emite diplomas. Sua missão é ensinar abertamente o conhecimento que está em processo de criação, o que atraiu as mentes mais brilhantes de cada época e transformou a instituição em um termômetro da inovação científica e intelectual da França. Trabalharam lá personagens como Claude Bernard (maior fisiologista da história), Champollion (decifrador da escrita egípcia), Fernando Henrique Cardoso (sociólogo e presidente do Brasil), [[Michel Foucault]] (filósofo do século XX), Roland Barthes (linguista), entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1887, Renan, administrador do Collège, criou a cadeira de Psicologia Experimental e Comparada, devido à pressão do Ministério da Educação. Após uma disputa política, Ribot foi indicado para a cadeira, que assumiu em 1888. Ribot não apenas assumiu o posto, ele também atuou na criação de periódicos, na promoção de cursos, entre outras ações que ajudaram na consolidação da psicologia científica na França. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os franceses criaram seu &#039;&#039;&#039;primeiro laboratório em 1889&#039;&#039;&#039;, quando &#039;&#039;&#039;[[Henri-Étienne Beaunis]]&#039;&#039;&#039;, um estudioso do movimento da psicofísica, se uniu a Ribot para pressionar as instituições que tinham cadeiras de psicologia colaborassem na criação de um laboratório. O projeto foi aprovado e Liard, catedrático da Sorbonne, enviou uma carta a Wundt pedindo instruções para a construção de um laboratório. Sob essas instruções e orientações, ele foi instalado na Escola Prática de Altos Estudos como parte da Sorbonne, sob a liderança do próprio Beaunis e tendo &#039;&#039;&#039;[[Alfred Binet]]&#039;&#039;&#039; como assistente. Posteriormente, Binet cria o primeiro teste de inteligência bem-sucedido da história, a [[Escala Binet-Simon]]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da psicologia e da psiquiatria na França, conforme descrita no texto, possui conexões, muitas vezes indiretas, mas significativas, com o desenvolvimento dessas áreas no Brasil. Os personagens centrais das três linhagens francesas – Salpêtrière, Sorbonne e Collège de France – influenciaram a formação de pensamento e a prática clínica e o pensamento acadêmico brasileiro, especialmente no final do século XIX e no início do XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A figura de Jean-Martin Charcot e seus estudos na Salpêtrière sobre a histeria e a hipnose tiveram um impacto importante na psiquiatria brasileira que, na virada do século, era fortemente influenciada pela escola francesa. Isso pode ser observado nos títulos de hospitais e pavilhões homenageando médicos franceses pelo país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de Théodule Ribot não ter trazido nenhum impacto relevante para o Brasil, Alfred Binet, teve um papel fundamental. Sua psicologia experimental, com seu foco em métodos científicos e modelos de avaliação e testagem da criança, foi o modelo que o Brasil buscou importar para estabelecer a disciplina como ciência. A criação do primeiro laboratório de psicologia no Brasil, no [[Pedagogium]] do Rio de Janeiro, 1904, por [[Manoel Bomfim]], seguiu a inspiração direta de Binet. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra figura influente para o pensamento psicológico e psiquiátrico brasileiro foi o de &#039;&#039;&#039;Pierre Janet&#039;&#039;&#039;, que chegou a visitar o Brasil no começo do século XX. Ele era visto por muitos como a principal figura global da saúde mental e do estudo dos estados inconscientes, e seu modelo de psiquiatria tinha muitos seguidores por aqui. Infelizmente, graças à sua disputa com Freud, sua relevância parece ser sido esquecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na Alemanha ==&lt;br /&gt;
As primeiras tentativas de criar uma psicologia científica aconteceu na Alemanha, com as ideias de &#039;&#039;&#039;[[Christian Wolff]]&#039;&#039;&#039;. A tradição de interesse em psicologia alemã foi coroada por lá florescer o marco simbólico da criação da psicologia não só na Alemanha, mas no mundo, foi a fundação do laboratório de &#039;&#039;&#039;Wilhelm Wundt&#039;&#039;&#039; em Leipzig, em 1879, o que gerou avanços e debates pelo país. A primeira linha de psicologia aplicada do país é criada no exército. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Primeira Guerra Mundial, a psicologia alemã entrou em um período de consolidação institucional, mas de profunda fragmentação teórica, conhecido como a &amp;quot;&#039;&#039;&#039;crise da psicologia&#039;&#039;&#039;&amp;quot;, com o surgimento de várias escolas, como a [[Gestalt]]. Surge também, dentro do exército, uma psicotécnica ou psicologia aplicada, que favoreceu o surgimento de um corpo profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;período nazista&#039;&#039;&#039; marcou um crescimento sem precedentes da psicologia no país. Durante este momento, as escolas rivais uniram-se em torno de um paradigma comum: o &#039;&#039;&#039;[[diagnóstico caracterológico]]&#039;&#039;&#039;. Em vez de focar em funções isoladas, os psicólogos enfatizavam qualidades holísticas da personalidade (&#039;&#039;Ganzheit&#039;&#039;), utilizando métodos intuitivos e situacionais para, por exemplo, selecionar oficiais para o exército.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a &#039;&#039;&#039;influência americana&#039;&#039;&#039; começa a se fazer cada vez mais presente, com seus defensores acusando os partidários da psicologia tradicional alemã de conexões com o passado nazista. OS &#039;&#039;&#039;pensadores marxistas&#039;&#039;&#039;, que também são numerosos e respeitados, também ganham relevância progressivamente. A psicologia tipicamente alemã, a da &#039;&#039;&#039;Gestalt&#039;&#039;&#039;, havia imigrado para os EUA, onde teve uma certa continuidade, mas não teve forças para retornar ao país de origem, o que esvaziou a identidade da psicologia alemã. &#039;&#039;&#039;Perspectivas fenomenológicas&#039;&#039;&#039; ganham força junto de abordagens mais holísticas e, apesar de sua relevância, a psicologia alemã ainda busca um retorno à glória de seu passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com exceção de alguns poucos praticantes da psicologia da Gestalt e de abordagens fenomenológicas, bem como alguns livros alemães traduzidos do francês, a influência da psicologia alemã no Brasil se resume principalmente à &#039;&#039;&#039;psicanálise&#039;&#039;&#039;, ironicamente com destaque para a linhagem [[Lacan|lacaniana]], que tem origem francesa. A distância entre Alemanha e o Brasil se devem às dificuldades do idioma e à distância cultural, que atrapalharam a circulação das ideias daquele país no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na Rússia ==&lt;br /&gt;
A psicologia na Rússia olhou frequentemente para a Europa continental como uma referência científica, principalmente alemã, e associou-se fortemente à fisiologia, na composição da sua própria teoria, a &#039;&#039;&#039;reflexologia&#039;&#039;&#039;. O primeiro a defender a ideia de que a vida psíquica tinha origem no arco reflexo foi &#039;&#039;&#039;Séchenov&#039;&#039;&#039;, um antigo aluno de Claude Bernard e entusiasta de Charles Darwin. Para os primeiros reflexólogos russos, a vida psíquica era uma função do sistema nervoso que seria composta principalmente de reflexos do arco reflexo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os psicólogos russos encontraram seu ápice com o trabalho de &#039;&#039;&#039;Ivan Pavlov&#039;&#039;&#039;. Especialista em fisiologia da Universidade de São Petersburgo, seus experimentos com salivação de cães o levaram a formular uma &#039;&#039;&#039;teoria sobre reflexos condicionados&#039;&#039;&#039;. O trabalho rendeu a Pavlov uma fama mundial imediata, coroada com um prêmio Nobel de fisiologia em 1904. Suas ideias fundamentaram parcialmente uma ciência do comportamento que floresceu nos EUA. Já na Rússia, a continuação do trabalho de Pavlov fortaleceu a reflexologia, que continuou com o médico psiquiatra Bechterev.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antigo aluno de Wundt e Charcot, &#039;&#039;&#039;Bechterev&#039;&#039;&#039; aprofunda os estudos na linha de Séchenov e Pavlov para desenvolver o conceito de &#039;&#039;&#039;reflexo associado&#039;&#039;&#039;, uma versão motora do reflexo condicionado de Pavlov. Sua ênfase nos reflexos motores se diferenciava dos reflexos glandulares de Pavlov (salivação). Bechterev tentou associar diferentes reflexos motores, como retiniano e plantar, no estudo da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Revolução de 1917 e a instalação do regime soviético, a psicologia na Rússia passa a ser identificada com o marxismo. Um de seus expoentes foi &#039;&#039;&#039;Lev Semenovich Vygotsky&#039;&#039;&#039;, um advogado de rica formação intelectual que produziu textos em diferentes assuntos. Vygotsky foi, ao mesmo tempo, um marxista e um interessado na psicanálise, mas foram suas ideias educacionais que lhe renderam fama, na sua &#039;&#039;&#039;teoria histórico-cultural&#039;&#039;&#039;. Nela, o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, como o pensamento, a memória voluntária e a atenção, ocorre pela mediação de instrumentos culturais e signos, especialmente a linguagem. Entre seus conceitos mais influentes destaca-se a &#039;&#039;&#039;Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP)&#039;&#039;&#039;, muito usada na educação e que pode ser definida como a distância entre o nível de desenvolvimento real da criança e o nível de desenvolvimento potencial, alcançado com o auxílio de um adulto ou de pares mais experientes. Esse conceito teve profundo impacto nas teorias educacionais e nas práticas pedagógicas contemporâneas brasileiras. Pode-se dizer que esta é, atualmente, a linhagem dominante neste campo específico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome importante é o de &#039;&#039;&#039;Sergei Rubinstein&#039;&#039;&#039;, conhecido como verdadeiro fundador da psicologia marxista soviética. A proposta de Rubinstein baseava-se no princípio da unidade entre consciência e atividade. O ser humano não é apenas um receptor de estímulos, mas um sujeito que transforma o mundo por meio da atividade. Nesse processo de transformar a natureza externa, o sujeito transforma sua própria natureza e consciência. A psicologia deveria estudar a personalidade tomada como um todo e inserida em um contexto social e histórico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a morte de Vygotsky e Rubinstein, a psicologia soviética continuou com as ideias de Aleksei N. &#039;&#039;&#039;Leontiev&#039;&#039;&#039; e Aleksandr &#039;&#039;&#039;Luria&#039;&#039;&#039;, que desenvolveram a &#039;&#039;&#039;Teoria da Atividade ou Teoria da Atividade Sócio-Cultural&#039;&#039;&#039;. Eles sofreram fortes críticas porque sua teoria não era considerada marxista o suficiente, além de se aproximar perigosamente do behaviorismo de matriz americana. Apesar das críticas, suas teorias a ser desenvolvida e aplicada em diversas áreas, como a educação e a ergonomia, sendo reconhecida internacionalmente como uma importante contribuição da psicologia soviética, influenciando, por exemplo, o design de interação humano-computador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia russa tem uma presença marcante no Brasil. O nome que mais se destaca neste ponto é, de longe, o de Vygotsky. A partir dos anos 1990 e, principalmente, dos anos 2000, Vygotsky praticamente substituiu toda a influência do pensamento piagetiano na educação, passando a ser dominante em muitas faculdades de educação e ser uma presença constante em Departamentos de Psicologia. Seus conceitos são amplamente ensinados nos cursos de formação de professores e debatidos academicamente, tanto na educação quanto na psicologia. Traduções diretas do russo são cada vez mais comuns e existe um forte movimento do resgate de seu pensamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reflexologia em si teve pouca circulação no Brasil, porém Pavlov é um nome quase unanimemente citado em todos os cursos de psicologia por conta de sua relevância no desenvolvimento das ciências do comportamento de linha americana. Praticamente não existem estudantes de psicologia que jamais ouviram falar de seu nome, e a maioria dos estudantes das licenciaturas também conhecem ao menos fragmentos de sua história. Sua relevância para a composição do behaviorismo o coloca como um nome obrigatório para todo o campo da psicologia brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= A Escola de Genebra =&lt;br /&gt;
De todas as escolas funiconalistas europeias, a que teve maior impacto para a formação da psicologia brasileira é a chamada “Escola de Genebra”, uma denominação ampla que abrange décadas de desenvolvimento e aperfeiçoamento de técnicas e ideias psicológicas que ocorreram na cidade de Genebra. Observe que não se fala em “psicologia suíça”. Isso ocorre por que o país é, na verdade, uma comunidade de pequenos países, cada um com suas próprias características, por vezes semelhantes, outras completamente diferentes, o que demanda um estudo por região, e não olhando o país como um todo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo é o que se poderia falar de &#039;&#039;&#039;Escola de Zurique&#039;&#039;&#039;, que estava próxima tanto da psicanálise junguiana quanto de um experimentalismo inspirado no de Wundt. Zurique desenvolveu importantes centros de estudo de psiquiatria e psicologia, o que atriu muitas das melhores mentes em ambas as áreas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na &#039;&#039;&#039;Basileia&#039;&#039;&#039;, uma cidade Suíça entre a fronteira com a Alemanha e a França, a psicologia trazia uma mistura de linha alemã com toques do pensamento francês. &#039;&#039;&#039;Lausanne&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;Neuchâtel&#039;&#039;&#039;, por seu lado, olhavam para o principal centro francófono da psicologia, Genebra, mantendo fortes vínculos com o epicentro da psicologia da região. Há poucas informações sobre a psicologia em outros cantões e cidades da Suíça. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta seção, serão apresentadas informações sobre a formação da Suíça e a história da cidade e cantão de Genebra para, em seguida apresentar a história da Escola de Genebra. Instituições e autores específicos vinculados a esta Escola serão mais longamente trabalhados, bem como suas conexões que mantém com a formação da psicologia brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Um pouco sobre a Suíça e sobre Genebra ==&lt;br /&gt;
Genebra é uma cidade na Suíça, um pequeno país na Europa Central. Por séculos, foi uma cidade-estado próxima dos Alpes Suíços, cercada por quase todos os lados pela poderosa França. Ingressou na chamada Confederação Suíça ou Confederação Helvética em 1815, tornando-se o 22º cantão. A &#039;&#039;&#039;Suíça&#039;&#039;&#039; é um país bastante peculiar, pois sua formação não é o fruto de uma unificação de natureza étnica ou de uma tradição cultural ou política, mas sim a união de  pequenas cidades-estado situadas entre a Alemanha, a Itália, a França e a Áustria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A união que configura a Suíça se deve a um motivo simples: sozinhas, as cidades são frágeis e cercadas por alguns dos maiores impérios da Europa. Unificadas, podem obter diferentes vantagens, incluindo proteção militar e desenvolvimento social e econômico mútuos. Contudo, esta união não é simples. Cada cidade-estado, agora chamadas de cantões, tem acentuadas peculiaridades históricas, políticas, econômicas, culturais e sociais, de modo que a construção do país se deu por meio de uma longa tradição de negociação política, com séculos de tradição. Hoje identificada por alguns de seus produtos, como chocolates, relógios, bancos e o turismo nos Alpes, a Suíça é, na verdade, uma complicada teia de relações entre pequenos e orgulhosos países unidos em torno de uma necessidade comum de desenvolvimento e segurança, cercada de potências militares e econômicas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade e o Cantão de &#039;&#039;&#039;Genebra&#039;&#039;&#039; certamente têm suas peculiaridades. Ela pertence à chamada &#039;&#039;&#039;Suíça Romanda&#039;&#039;&#039;, a parte da Suíça identificada culturalmente com a França e falante do idioma francês. Ademais, Genebra é uma cidade protestante, cujos líderes foram convertidos pelo próprio reformador João Calvino em 1536, quando expulsaram o bispo de Genebra e converteram a Catedral de Saint-Pierre em uma igreja calvinista. A Suíça é um país dividido entre católicos e protestantes, e Genebra é um dos epicentros globais do protestantismo, sendo um elemento central tanto de sua identidade cultural e política quanto filosófica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade ficou muito rica ao atrair banqueiros judeus de Veneza e Milão, que eram perseguidos pelo Papa e que haviam financiado grande parte dos empreendimentos vinculado à Rota da Seda. Com o desenvolvimento econômico, a cidade fortaleceu seu protestantismo e seu sentimento de destino, pois parte da doutrina calvinista indica que a prosperidade econômica é um sinal de Deus na vida do fiel. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XIX, os habitantes de Genebra desenvolveram um humanismo social, onde a ação direta de seus cidadãos deve ser direcionada para os pobres, doentes, desvalidos, entre outros. A cidade recebeu, em diferentes momentos, grupos minoritários perseguidos, doentes e vítimas de guerras, entre muitos migrantes que, por alguma razão, encontravam-se vulneráveis. Esta visão de mundo e do lugar da cidade perante a humanidade é o que levou à criação da Cruz Vermelha, bem como do Direito Internacional Humanitário, que levou a diferentes legislações internacionais de defesa dos direitos humanos, entre outras atitudes humanitárias internacionais que tiveram origem ou forte desenvolvimento na região. Estes são indicativos da tradição e da vocação humanista e internacionalista de uma pequena cidade com grande relevância política e social mundial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História da psicologia em Genebra ==&lt;br /&gt;
A história da psicologia em Genebra começa em 1882 com um dos chamados sábios da cidade, &#039;&#039;&#039;Théodore Flournoy&#039;&#039;&#039;. Ele era um médico que havia estudado na Alemanha e tinha recebido um treinamento para aprender alguns dos experimentos de Helmholtz. Ele tinha algum conhecimento do que viria a ser inserido como parte da psicologia, como experimentos na psicofísica e na fisiologia. Apesar de praticante de algumas coisas e interessado no assunto, trata-se de uma fase da psicologia ainda amadora. Ele conduzia alguns pequenos experimentos relacionados à psicofísica e à psicologia na Universidade de Genebra com seus alunos, ou mesmo no salão de sua casa, com convidados, sem grandes aspirações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cenário começa a mudar em 1889, quando Flournoy participa do &#039;&#039;&#039;Congresso de Psicologia em Paris&#039;&#039;&#039; e, com a experiência com o que viu na cidade, decide trazer a nova ciência para Genebra, colocando-a no mapa do nascimento da nova ciência. Seu modelo de laboratório foi o de &#039;&#039;&#039;Hugo Münsterberg&#039;&#039;&#039;, um psicólogo alemão que havia estudado com Wundt mas, por discordâncias, criou o próprio laboratório como um dissidente do mestre. Münsterberg fez todo tipo de indicação a Flournoy, desde quais os instrumentos mais importantes e onde comprá-los, os livros mais relevantes, entre outros. Além disso, Flournoy viaja para encontrar Münsterberg e aprender com o amigo, onde pega orientações prática e começa a desenhar o que seria o seu laboratório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente, o futuro psicólogo compra os equipamentos necessários com seus próprios recursos, que depois são adquirido pela Universidade de Genebra na ocasião da fundação oficial do laboratório, em 1891. Isso colocou Genebra não apenas no mapa dos locais com um laboratório de psicologia e cursos regulares sobre o tema, como também filiou a Universidade de Genebra à tradição psicológica inaugurada por Wundt e seu modelo de psicologia, ainda que por via indireta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Instituto Jean-Jacques Rousseau ==&lt;br /&gt;
Sete anos depois de sua fundação, em 1898, um incêndio destruiu a maior parte do laboratório de psicologia de Genebra, mas o que foi uma tragédia também se mostrou uma oportunidade. A tarefa de reconstrução do espaço foi dada ao primo de Flournoy, o médico Édouard Claparède, que decidiu dar uma nova orientação ao espaço, aliando a psicologia com a educação, visando seu projeto de “escola sob medida”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Claparède&#039;&#039;&#039;, embora conhecido na Suíça, ainda tinha um alcance limitado. Ele ganharia fama internacional apenas em 1909, quando publica Psicologia da Criança e Pedagogia Experimental. Na obra, Claparède defende que o modelo tradicional de educação desconsiderava as necessidades e características infantis, impondo conteúdos sem relação com os interesses da criança. Esta, na visão do pensador, era um ser ativo, curioso, em constante processo de adaptação ao seu meio, que precisava ser transformado e adaptado visando o seu desenvolvimento. Defende então que a educação precisa ser baseada no conhecimento sobre a criança que a psicologia poderia ajudar a proporcionar. A escola seria um laboratório de experiências, onde são testadas práticas pedagógicas fundamentadas na psicologia com eficácia comprovada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O livro foi um sucesso imediato e colocou Claparède como um dos protagonistas do movimento da &#039;&#039;&#039;Escola Nova&#039;&#039;&#039; ou &#039;&#039;&#039;Escola Ativa&#039;&#039;&#039;, que pretendia utilizar métodos educacionais que não apenas ensinassem os conteúdos tradicionais, mas que também pudessem atuar no desenvolvimento intelectual, moral e social do aluno, colocando-o no centro do processo educativo. A proposta, inspirada, entre outros, no filósofo nascido em Genebra Jean-Jacques Rousseau (que dá nome à instituição), era dar protagonismo ao aluno, ao entender as peculiaridades e funcionalidades da mente infantil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Usando de seu prestígio internacional e dentro da própria cidade, Claparède se alia a outro pensador da educação e da psicologia genebrina, Pierre Bovet, para criar o &#039;&#039;&#039;Instituto Jean-Jacques Rousseau&#039;&#039;&#039;. Após obter financiamento público e privado, o espaço é inaugurado em 1912, com cursos de psicologia experimental e pedagogia experimental. A instituição, composta como uma sociedade anônima para manter sua autonomia, adotou o lema Discat a puero magister (Que o mestre aprenda com a criança).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para colocar a teoria desenvolvida no Instituto em prática, além de realizar e testar pesquisas, o Instituto criou escolas de aplicação. A mais famosa foi a Maison des Petits, uma escola do que seria equivalente ao primeiro ciclo, fundada em 1913. Ela tornou-se um laboratório vivo sob a direção de Mina Audemars e Louise Lafendel. Lá, as crianças tinham grande liberdade, utilizando materiais pedagógicos inovadores, inspirados em diferentes reformadores da educação, como Montessori e Decroly, mas adaptados pelo próprio Instituto. Outras escolas de aplicação construídas foram a Maison des Grands e a Escola Töpffer, que visavam estender os métodos ativos ao ensino secundário, mas dificuldades financeiras levaram ao encerramento do projeto entre 1920-1921. As escolas serviram amplamente para o estudo de técnicas educacionais e como laboratório de psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o tempo, o local ainda ganhou uma clínica médica e, mais tarde, um centro de orientação vocacional. A partir de 1925, o apoio financeiro da Fundação Rockefeller permitiu uma nova fase de expansão. O Instituto mudou-se para a Rua Charles Bonnet e, posteriormente, para a Rua dos Maraîchers. Durante este período, formou centenas de educadores de mais de 40 países, disseminando os ideais da Escola Ativa em nível global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Édouard Claparède e a Teoria Genético-Funcional ==&lt;br /&gt;
Conforme o pensamento de Claparède, os seres humanos têm diferentes &#039;&#039;&#039;necessidades&#039;&#039;&#039;, cuja origem são motivações internas do sujeito. Com isso, ele relativiza o pensamento comportamentalista, que propõe que o comportamento vem da resposta a estímulos externos do indivíduo. Assim, a melhor forma de entender os fenômenos psicológicos seria entender seu papel na satisfação dessas necessidades, ou seja, na sua utilidade na adaptação do organismo ao ambiente. A questão pode ser compreendida, de forma geral, se perguntando “para que serve” determinada função, como o sono, a infância, a vontade, entre outros. Todas as funções mentais respondem a uma necessidade, pois tem uma utilidade evolutiva e adaptativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destes princípios advém o que Claparède chamou de &#039;&#039;&#039;Lei do interesse&#039;&#039;&#039;. Nessa lei, as necessidades precisam ser convertidas em condutas ou comportamentos para que a necessidade possa ser satisfeita, o que ocorre em nível psicológico. Dessa forma, o interesse é o princípio fundamental da atividade mental. Ele traduz a necessidade em um fim psicológico, colocando o indivíduo como agente ativo de sua própria conduta. O interesse expressa também a ligação de entre o indivíduo e o objeto que, em determinado momento, o interessa, ou seja, é significativo para ele. Não se trata de uma característica intrínseca das coisas, mas de uma relação que surge quando essas mesmas coisas se conectam a uma necessidade. Assim, algo só se torna interessante na medida em que pode orientar a conduta do sujeito na direção que lhe é relevante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conectadas necessidades, interesses e objetos, tem-se que o desenvolvimento da vida mental depende da distância entre as necessidades e os recursos disponíveis para atendê-las. Quando essa distância é inexistente, como acontece nos processos automáticos de respiração, reflexos pupilares, tosse, espirro, secreções, entre outros, não há esforço mental envolvido. As condutas necessárias para satisfazer essas necessidades acontecem de forma automática. Já quando a diferença entre o interesse e o objeto é grande, como acontece quando estamos com fome, por exemplo, ela impulsiona os indivíduos a criar coisas, como instrumentos de caça, a pesca e até a agricultura. Desse modo, a atividade mental se amplia de forma significativa. É o que Claparède chama de &#039;&#039;&#039;Lei da extensão da vida mental&#039;&#039;&#039;. Em outras palavras, o desenvolvimento da vida mental é proporcional à distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la. Quanto maior o desafio, maior a atividade mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lei da extensão da vida mental traz como consequência a &#039;&#039;&#039;Lei da tomada de consciência&#039;&#039;&#039;, e ela está diretamente conectada à familiaridade dos problemas. Quanto menos familiar, mais rapidamente o indivíduo se dá conta dele e recorre à consciência para buscar uma solução. O contrário também é verdadeiro, ou seja, quanto mais conhecido for o problema e quanto mais sua solução depender de automatismos já adquiridos (como o respirar ou mesmo comportamentos já bem estabelecidos), menor será a necessidade de recorrer à consciência. Esse modelo também foi adotado pelos funcionalistas norte-americanos. Em outras palavras, problemas novos ou pouco familiares exigem consciência. Já problemas rotineiros podem ser resolvidos por automatismos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, o funcionalismo de Claparède oferece uma perspectiva que prioriza a utilidade e a função dos fenômenos psicológicos na adaptação do organismo ao ambiente, destacando que toda atividade mental visa a satisfação de necessidades internas. Este arcabouço teórico se organiza em torno de três leis centrais: a Lei do interesse, que estabelece o interesse como a tradução psicológica das necessidades em condutas; a Lei da extensão da vida mental, que postula o desenvolvimento mental como proporcional ao desafio apresentado pela distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la; e a Lei da tomada de consciência, que reserva a consciência para a resolução de problemas novos e não familiares, deixando os automatismos a cargo das questões rotineiras. Dessa forma, Claparède constrói um modelo dinâmico onde a mente é um agente ativo, impulsionado por suas necessidades e constantemente moldado por sua interação adaptativa com o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claparède teve vários de seus livros traduzidos para o português e publicados no Brasil, além de ter sido celebrado por psicólogos e educadores brasileiros. A conexão entre ele o país foi muito importante. Ele trocou cartas com frequência com Helena Antipoff, sua antiga aluna no Instituto Jean-Jacques Rousseau, e visitou o país duas vezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O IJJR e o Brasil ==&lt;br /&gt;
Várias figuras importantes da psicologia e educação brasileiras estiveram no Instituto, seja para estudos formais, seja apenas para visitas ou mesmo para inspirar iniciativas locais. O primeiro brasileiro a estar no instituto foi o educador mineiro &#039;&#039;&#039;Francisco Lins&#039;&#039;&#039;, que esteve no no local já próximo de sua inauguração, em 1912. Ainda no âmbito mineiro, temos &#039;&#039;&#039;Alberto Alvares&#039;&#039;&#039;, Diretor da Instrução Pública de Minas Gerais e que visitou o IJJR em 1927 para organizar a missão de educadores europeus que viria a atuar em Belo Horizonte. Especula-se que nesta visita o Brasil foi colocado como um destino possível de pessoas formadas em Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um grupo de médicos brasileiros esteve no Instituto em 1928, incluindo &#039;&#039;&#039;Flávio Dias&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;Artur Fajardo da Silveira&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;Antônio Moniz de Aragão&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;Nilton Campos&#039;&#039;&#039;. Este último viria a ter um papel chave na criação da psicologia brasileira, depois que obteve a cátedra de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia, em 1948, atuando no estabelecimento de uma psicologia científica no país. Empresta hoje nome ao prédio onde funciona o Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome de destaque é o de &#039;&#039;&#039;Laura Jacobina Lacombe&#039;&#039;&#039;, que esteve no Instituto em 1924. Era uma representante da Escola Nova no Rio de Janeiro, onde gerenciava uma escola e praticava muitas das ideias de seu mestre, Édouard Claparède. Destaca-se também &#039;&#039;&#039;Lourenço Filho&#039;&#039;&#039;, o célebre educador brasileiro com uma atuação nacional decisiva e relevante para o desenvolvimento da educação no nosso país. Além disso, Lourenço Filho também trabalhou para o desenvolvimento da psicologia no Brasil, escrevendo livros, dando cursos, publicando nos jornais e ocupando cargos importantes na administração pública, tanto federal como na época das então províncias, facilitando a conexão entre a psicologia e a educação e o desenvolvimento da própria psicologia brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O IJJR também enviou pessoas de outras nacionalidades que colaboraram para a formação da psicologia brasileira. Delas, a mais importante é Helena Antipoff, uma psicóloga e educadora de origem russa. Em 1929, Antipoff foi convidada pelo governo de Minas Gerais para implementar a Reforma de Ensino no estado. Ela se estabeleceu em Belo Horizonte, onde fundou a Escola de Aperfeiçoamento, além de uma escola rural, laboratórios, conduziu experimentos, escreveu materiais, livros e artigos e teve uma atuação prática articulada e decisiva com os seus mestres de Genebra. Seu acervo, hoje na Universidade Federal de Minas Gerais, é guardado pelo Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff, um dos primeiros grupos organizados do Brasil a estudar a história da psicologia no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome importante é o de &#039;&#039;&#039;Waclaw Radecki&#039;&#039;&#039;, um psicólogo polonês, ex-assistente de Claparède e colega de Piaget em Genebra. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu em 1924 a chefia do &#039;&#039;&#039;Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro&#039;&#039;&#039;, com recursos da Fundação Graffée Guinle. Seu laboratório era anexo à Colônia e os dados obtidos no contato clínico com os doentes era utilizado nas discussões dos casos do grupo de médicos e psiquiatras do local. Além disso, Radecki também tentou organizar o que pode ser o primeiro curso de psicologia do Brasil, visando formar assistentes para o seu laboratório, mas sem sucesso. Ele também produziu um sistema próprio, o &#039;&#039;&#039;discriminacionismo afetivo&#039;&#039;&#039;, que tomou forma final no Brasil e que pode ser uma das primeiras teorias psicológicas criadas no país. O laboratório que dirigiu, após algumas transformações, deu origem ao Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma terceira figura dos princípios do IJJR é &#039;&#039;&#039;Mariana Schryer&#039;&#039;&#039;. Psicóloga formada no Instituto, ela fugiu da Europa por conta do crescimento da perseguição aos judeus. No Brasil, criou uma clínica psicológica para crianças no Rio de Janeiro, sendo possivelmente a primeira pessoa a praticar as ideias de Piaget no país. Ela também ocupou cargos relevantes em revistas, periódicos e em instituições de ensino, porém, infelizmente, sua história ainda é pouco conhecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Jean Piaget e uma nova orientação para Genebra ==&lt;br /&gt;
A Escola de Genebra já estava consolidada. Iniciada com o laboratório de Flournoy que, após um incêndio, torna-se o laboratório de Claparède, que o expande e funda o Instituto Jean-Jacques Rousseau, colocando Genebra definitivamente no mapa com uma perspectiva de aliança entre educação e psicologia. Contudo, o grande nome de Genebra, que alterou a psicologia em nível global e transformou a visão científica sobre a infância é o de Jean William Fritz Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Piaget nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 1896 e obteve seu doutorado em zoologia em 1918, quando ainda contava com 21 anos de idade. Após um período de estudos em Zurique e em Paris, onde foi aluno de vários dos principais nomes da lógica, psiquiatria e psicologia franceses, ele foi convidado por Édouard Claparède a se integrar ao Instituto Jean-Jacques Rousseau, na condição de chefe do laboratório de psicologia, em 1922. Em 1923, publica A Linguagem e o Pensamento na Criança e, no ano seguinte, O Raciocínio na Criança, obras que o elevam à fama na Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a publicação de A Representação do Mundo na Criança, de 1926, Piaget marca a formalização de seu método, chamado de &#039;&#039;&#039;método clínico&#039;&#039;&#039; que, depois e em parceria com Barbel Inhelder, evolui para o &#039;&#039;&#039;método clínico-crítico&#039;&#039;&#039;. As obras A Causalidade Física na Criança (1927) e O Juízo Moral na Criança (1932) marcam o desenvolvimento de seu método e o amadurecimento de sua teoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua rica obra atinge um novo patamar com a publicação de O Nascimento da Inteligência na Criança, de 1936, onde desenvolve técnicas de análise do &#039;&#039;&#039;desenvolvimento cognitico de bebês&#039;&#039;&#039; a partir de experimentos e observações que conduziu com seus próprios filhos. O livro marca o estabelecimento da Epistemologia Genética, onde afirma claramente que a &#039;&#039;&#039;inteligência&#039;&#039;&#039; é uma ferramenta de &#039;&#039;&#039;adaptação do sujeito ao meio&#039;&#039;&#039; e que a &#039;&#039;&#039;cognição é uma extensão do real&#039;&#039;&#039;. É nessa obra que ele amadurece a noção de &#039;&#039;&#039;esquema&#039;&#039;&#039; e a de &#039;&#039;&#039;estrutura&#039;&#039;&#039;, que caracterizarão sua teoria até o final de sua vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1948, o Instituto Jean-Jacques Rousseau se torna Instituto de Ciências da Educação, mantendo uma interface entre a faculdade de Letras e a de Ciências. Este é um momento em que Piaget exerce imensa influência sobre a instituição, dando sua orientação e atuando diretamente na contratação de professores, na organização de currículos, entre outros. Foi nesse período, sob a liderança de Jean Piaget, que o prestígio da instituição explodiu globalmente, consolidando a Escola de Genebra como o epicentro da psicologia genética e do desenvolvimento, rivalizando com Harvard. Em 1975, a instituição se torna a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (FPSE), formato que tem até hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1955, Piaget funda o &#039;&#039;&#039;Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG)&#039;&#039;&#039;, um centro multidisciplinar de estudos que atraiu centenas de pesquisadores e algumas das mentes mais brilhantes do século XX. A grande inovação do CIEG era o seu método de trabalho. Todos os anos, Piaget selecionava um tema central como, por exemplo: &amp;quot;o tempo&amp;quot;, &amp;quot;a causalidade&amp;quot; ou &amp;quot;a contradição&amp;quot;, e convidava os maiores nomes do mundo para debatê-lo. A cada ano, Piaget e seus colaboradores escreviam relatórios sobre os debates conduzidos naquele período, sintetizando avançadas discussçoes interdisciplinares. O Centro funcionou até a morte de Piaget, em 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No cerne da teoria piagetiana está o conceito de &#039;&#039;&#039;adaptação&#039;&#039;&#039;, composto por dois processos complementares: assimilação e acomodação. A &#039;&#039;&#039;assimilação&#039;&#039;&#039; refere-se à incorporação de novos estímulos ambientais aos esquemas cognitivos existentes, utilizando-os como ferramenta para interpretar a realidade. Já a &#039;&#039;&#039;acomodação&#039;&#039;&#039; ocorre quando o esquema é modificado para se ajustar a elementos novos do meio que resistem à assimilação, promovendo reorganização cognitiva. Esses mecanismos funcionam como funções biológicas primordiais, herdadas da evolução, que visam restaurar o equilíbrio cognitivo, estado em que o organismo atinge harmonia entre suas estruturas internas e as demandas externas. Para Piaget, o desenvolvimento não é mera acumulação de conhecimento, mas uma autorregulação funcional que permite ao sujeito interagir de forma eficaz com o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Piaget adota uma &#039;&#039;&#039;abordagem genético-funcional&#039;&#039;&#039;, influenciada por funcionalistas americanos e europeus, que vê o conhecimento como resultado de funções biológicas aplicadas à epistemologia. Diferente do behaviorismo, que reduz o funcionalismo ao esquema estímulo-resposta, Piaget enfatiza funções internas (maturação) em relação complexa com extrnas (experiência social e física), construindo esquemas como conceitos práticos generalizáveis. Sua epistemologia genética afirma um sujeito ativo na construção do conhecimento, mas sempre orientado por funções adaptativas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este breve resumo conecta o pensamento de Piaget com o funcionalismo, mas sua teoria é, na verdade, altamente complexa. Ele escreveu milhares de páginas, além de ter conduzido ou orientado centenas de experimentos e colaborado com centenas de intelectuais. A influência de Piaget no pensamento psicológico e educacional é imensa e ainda objeto de estudos. Ele foi o segundo psicólogo mais citado do século XX e seu pensamento é utilizado por inúmeros psicólogos e educadores ao redor do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Piaget e o Brasil ==&lt;br /&gt;
Muitos nomes importantes para a psicologia e educação brasileiros estiveram com Piaget ou colaboraram decisivamente para a disseminação de suas ideias em nosso país. Uma lista completa é praticamente impossível de elaborar, mas alguns nomes podem ser mencionados, sem prejuízo de outros também muito relevantes. Esta lista inclui, por exemplo, &#039;&#039;&#039;Maria Luiza de Almeida Cunha Ferreira&#039;&#039;&#039;, uma ex-aluna de Helena Antipoff que conseguiu uma bolsa da UNESCO em 1959 para estudar na Europa, fazendo cursos diretamente com Piaget e &#039;&#039;&#039;André Rey&#039;&#039;&#039; em Genebra. Outro nome importante é o da esposa de André Rey, &#039;&#039;&#039;Terezinha Rey&#039;&#039;&#039;, uma psicóloga mineira que acompanhou de perto os trabalhos do IJJR e de Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destaca-se também &#039;&#039;&#039;Zélia Ramozzi-Chiarottino&#039;&#039;&#039;. Professora da USP, estudou em Genebra e na França, participando de pesquisas, assistindo a aulas com Piaget e sendo convidada por Bärbel Inhelder para reuniões no Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG). Ela fundou o primeiro laboratório de epistemologia genética do Brasil e formou gerações de psicólogos piagetianos na América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No sul do país, onde existe um importante núcleo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, se destaca o nome de &#039;&#039;&#039;Léa da Cruz Fagundes&#039;&#039;&#039;, que viajou a Genebra, onde discutiu sua dissertação com Bärbel Inhelder e conheceu Emília Ferreiro. &#039;&#039;&#039;Fernando Becker&#039;&#039;&#039; é outro nome relevante da região, ainda atuante na disseminação das ideias do mestre de Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já &#039;&#039;&#039;Luci Banks-Leite&#039;&#039;&#039; é uma pesquisadora com formação em Genebra, teve seus experimentos usados pelo próprio Piaget, com quem manteve contato por muitos anos. O médico argentino &#039;&#039;&#039;Antonio Maria Battro&#039;&#039;&#039;, que fez doutorado na França, estagiou no Centro Internacional de Epistemologia Genética a convite do próprio Piaget, que se impressionou com seus estudos. Battro foi o principal responsável por fundar os Grupos de Estudos Cognitivos (GRECs) no Brasil a partir de 1973, e teve influência decisiva na difusão das ideias de Piaget no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, destaca-se o casal Emília Ferreiro e Rolando Garcia. Intelectuais argentinos que, exilados na Suíça, trabalharam em Genebra no Centro Internacional de Epistemologia Genética. &#039;&#039;&#039;Ferreiro&#039;&#039;&#039; defendeu sua tese de doutorado sob orientação de Piaget e, posteriormente, teve um impacto revolucionário na educação e alfabetização brasileiras por meio de sua teoria, o Construtivismo. Já &#039;&#039;&#039;Rolando Garcia&#039;&#039;&#039; foi o co-autor do último livro publicado por Piaget, que ele considerava a finalização de sua obra, além de ser amigo pessoal de Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O BIE ==&lt;br /&gt;
A criação do Bureau International d’Éducation (BIE) está intrinsecamente ligada ao Institut Jean-Jacques Rousseau, em Genebra, com quem compartilha fundadores e colaboradores. Após a Primeira Guerra Mundial, sentiu-se uma lacuna importante no Tratado de Versalhes. Enquanto a Organização Internacional do Trabalho (OIT) cuidava das questões laborais, e outras organizações tratavam de drogas, armas, entre outros, não existia uma &#039;&#039;&#039;instância internacional voltada para a educação e a infância&#039;&#039;&#039;. O BIE surgiu, portanto, como uma tentativa da sociedade civil, especificamente de pacifistas, feministas e educadores, de suprir essa falha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como não conseguiram o apoio imediato e o financiamento da Liga das Nações para construir o projeto, os fundadores agiram estrategicamente, utilizando o próprio IJJR, alegando que, graças ao instituto, o BIE já existia “na prática”. Além disso, fizeram lobby em redes de solidariedade intelectual e diplomática, incluindo com brasileiros, buscando contatos informais com delegados internacionais, visando obter apoio junto aos governos de países do mundo todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1929, o BIE passou por uma transformação crucial ao se tornar uma &#039;&#039;&#039;organização intergovernamental&#039;&#039;&#039;, sendo a primeira desse tipo no campo da educação. Foi nesse período que Jean Piaget assumiu a direção, liderando a instituição por quatro décadas, de 1929 a 1968, junto de Pedro Rosselò, que administrava tudo na prática. Foram eles quem implementaram sua missão, que seria a &amp;quot;ascensão do individual ao universal&amp;quot;. Essa máxima refletia a crença de que, através da observação científica, da coleta de dados comparativos e da colaboração recíproca entre nações, seria possível definir métodos pedagógicos universais que respeitassem a especificidade da criança e promovessem a paz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As &#039;&#039;&#039;Conferências Internacionais sobre Educação Pública (ICPEs)&#039;&#039;&#039;, organizadas anualmente a partir de 1934, tornaram-se o palco dessa busca, onde governos eram convidados a discutir e, idealmente, adotar recomendações comuns. A pressão dos dirigentes do BIE, suas visitas a países no mundo todo, entre outras ações, levaram várias nações a implementarem sistemas de educação públicos, ministérios da educação, divisões de pesquisa educacionais, entre outros. Mesmo no Brasil estas pressões surtiram efeito e, apesar de o país só integrar formalmente o BIE nos anos 1960, foi um participante ativo de várias de suas iniciativas e foi bastante influencido por suas políticas e propostas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Piaget utilizou de sua influência na instituição para espalhar suas ideias pelo mundo. Assim, ele viajou a muitos países, disseminando suas ideias e promovendo debates sobre psicologia e educação. Ele esteve no Brasil em 1949, onde falou sobre suas teorias com vários brasileiros, especialmente Nilton Campos e Lourenço Filho. O BIE também teve um papel relevante na &#039;&#039;&#039;internacionalização do funcionalismo europeu&#039;&#039;&#039;, servindo como ponte entre estes grupos de intelectuais e os diferentes governos e intelectuais de forma global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Considerações finais =&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;funcionalismo&#039;&#039;&#039;, tanto em sua vertente americana quanto europeia, representou um divisor de águas na história da psicologia, marcando a transição de uma visão mecanicista e atomista da mente para uma perspectiva que enfatiza a função adaptativa dos processos psicológicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A investigação do funcionalismo europeu nos levou a um &amp;quot;passeio&amp;quot; por importantes centros de produção psicológica no continente. Na &#039;&#039;&#039;França&#039;&#039;&#039;, a psicologia floresceu na Salpêtrière, na Sorbonne,  e no Collège de France, com Ribot a cátedra de Psicologia Experimental e Comparada. A influência francesa, particularmente de Charcot, Binet e Pierre Janet, foi notável no Brasil, moldando a psiquiatria e servindo de modelo para o estabelecimento da psicologia experimental no início do século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na &#039;&#039;&#039;Alemanha&#039;&#039;&#039;, após o apogeu de Wilhelm Wundt, a psicologia viveu uma crise de fragmentação. O período nazista impôs uma unificação controversa em torno do diagnóstico caracterológico e da visão holística da personalidade (Ganzheit). Após a Segunda Guerra, a psicologia alemã foi marcada pela influência americana e marxista, bem como pela dificuldade de rearticulação de suas escolas, como a Gestalt. No Brasil, a influência alemã se concentrou principalmente na psicanálise e em alguns debates sobre a fenomenologia, mas as barreiras linguísticas e culturais limitaram a circulação de outras ideias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia na &#039;&#039;&#039;Rússia&#039;&#039;&#039; associou-se fortemente à fisiologia, culminando na reflexologia, impulsionada por Séchenov e atingindo o auge com Pavlov. Após a Revolução de 1917, a psicologia soviética abraçou o marxismo, destacando-se Lev Semenovich Vygotsky com sua teoria histórico-cultural e com o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), que teve um impacto transformador na educação brasileira a partir dos anos 1990. Sergei Rubinstein e, posteriormente, Leontiev e Luria, com a Teoria da Atividade, também consolidaram a contribuição russa marxista, embora estas vertentes tenham menor circulação no Brasil do que Vygotsky.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, a &#039;&#039;&#039;Escola de Genebra&#039;&#039;&#039; tornou-se o epicentro da matriz genético-funcional. A fundação do Instituto Jean-Jacques Rousseau (IJJR) em 1912 marcou a consolidação dessa visão, abraçando a Escola Nova. O IJJR manteve uma conexão intensa com o Brasil, de onde recebeu e para onde enviou muitos educadores e psicólogos. O auge de Genebra veio com Jean Piaget, que criou o método clínico-crítico e estabeleceu a Epistemologia Genética. A influência de Piaget no Brasil foi monumental e diversificada, atraindo figuras diversas. O Bureau International d’Éducation teve um papel decisivo na educação global e na difusão das ideias do funcionalismo europeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, &#039;&#039;&#039;o funcionalismo europeu não foi um bloco homogêneo&#039;&#039;&#039;, mas uma tapeçaria rica de abordagens que, partindo da premissa da função adaptativa da mente, gerou escolas com profundas ramificações na psiquiatria, na psicologia experimental e, crucialmente, na educação, com a Escola de Genebra se tornando um farol de inovação. As conexões com o Brasil, seja pela importação de modelos, seja pela formação de lideranças, foram decisivas para a institucionalização e a definição da identidade da psicologia e da pedagogia brasileiras ao longo do século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[William James]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lourenço Filho]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Helena Antipoff]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lev Vygotsky|Vygotsky]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Nilton Campos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Philippe Pinel]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Mesmerismo/Magnetismo Animal|Mesmerismo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Alfred Binet]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Hugo Münsterberg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Zélia Ramozzi-Chiarottino]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Referências =&lt;br /&gt;
BANG, Vinh. La méthode clinique et la recherche em psychologie de l’enfant. Em : ____ &#039;&#039;&#039;Textes choisis&#039;&#039;&#039;. UniGe: Genebra, 1988. (originalmente publicado em 1966).&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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DUCRET, Jean-Jacques. &#039;&#039;&#039;Jean Piaget&#039;&#039;&#039;: biographie et parcours intellectuel. Delachaux &amp;amp; Niestle, 1990.&lt;br /&gt;
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ROSA, Hugo Leonardo Rocha Silva da; RIBEIRO, André Elias Morelli. A viagem de Claparède ao Brasil. Em: RIBEIRO, André Elias Morelli; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022, p.286-330. Disponível em: &amp;lt;&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://editora.historiadapsicologia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/13-A-Viagem-de-Claparede-ao-Brasil-1.pdf&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&amp;gt;.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Texto didático]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Epistemologia Genética no Brasil]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Portal_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia&amp;diff=1665</id>
		<title>Portal História da Psicologia</title>
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		<updated>2026-04-28T11:26:01Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* Patrocinadores e fomentadores do Portal História da Psicologia */ Correções de texto&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Portal História da Psicologia é uma iniciativa e um ecossistema digital nascido no Departamento de Psicologia em Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, com raízes na gestão 2017-2019 da Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP). Criado por André Elias Morelli Ribeiro, o projeto visa modernizar e inserir o campo brasileiro da história da psicologia lusófona nos meios digitais. O Portal é composto por diversas plataformas e projetos interligados, cada um com uma função específica na divulgação e produção de conhecimento na área. Estas partes incluem o website, a Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP), o Canal História da Psicologia TV (HPTV), a Editora do Portal História da Psicologia e o Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp). Além dos produtos digitais, o Portal publica anualmente, desde 2022, os livros da série do Boletim do Portal História da Psicologia. O Portal também mantém presença nas redes sociais (Facebook, Instagram, X) visando a divulgação de seus produtos e ações de divulgação científica nas redes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primórdios ===&lt;br /&gt;
As primeiras ideias que visavam a integração do ambiente digital com o mundo acadêmico no campo da história da psicologia, bem como o aproveitamento de tecnologias digitais para a criação de produtos específicos voltados para esse universo, começaram dentro da [https://sbhpsi.com.br/ Sociedade Brasileira de História da Psicologia], durante a [https://sbhpsi.com.br/quem-somos/diretoria-historico/ gestão de Arthur Arruda Leal Ferreira (2017-2019)]. O projeto inicial se limitava a listar todas as referências bibliográficas produzidas pelos principais membros da Sociedade em seu site, além de melhorias na produção da comunicação da gestão da SBHP com os seus afiliados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas comunicações eram feitas principalmente por meio da [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Newsletter da SBHP], uma publicação em formato PDF enviada periodicamente por e-mail aos seus membros. A publicação ficava sob responsabilidade da secretaria da Sociedade, que coletava notícias relevantes do campo brasileiro da história da psicologia. Na época, a secretaria estava nas mãos de André Elias Morelli Ribeiro, que posteriormente seria o criador do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época vinculado à Universidade Federal do Amapá, o professor André Morelli identificou a necessidade de aprimorar o modelo da Newsletter da SBHP. Ele entendia que as novas ferramentas digitais de informação e comunicação ofereciam maior dinamismo e agilidade na formulação de comunicados da Sociedade. Além disso, o secretário da Sociedade concebeu um novo formato de publicação, mais parecido com uma revista, ao analisar o conteúdo de alguns textos enviados pelos membros para publicação na Newsletter e que se diferenciavam do seu perfil editorial. Essa nova publicação teria como objetivo acolher materiais opinativos, transcrições de palestras, relatos de pesquisa, relatos de viagens, entre outros tipos de texto que, apesar de serem de grande interesse para o grupo, não seriam tipicamente aceitos em periódicos científicos tradicionais nem caberiam no formato da Newsletter.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2018, durante a reunião da SBHP em Belo Horizonte, foi aprovada uma proposta de reformulação do modelo de comunicação da Sociedade. O novo modelo previa a migração dos conteúdos informativos da Newsletter para as redes sociais e a criação do [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Boletim da SBHP], um novo veículo para a publicação de textos em diversos formatos. Com a colaboração de [http://lattes.cnpq.br/3366000072376649 Hugo Leonardo Rocha Silva da Rosa], foram lançadas quatro edições do Boletim, e as redes sociais da Sociedade tiveram uma atuação bastante intensa. Contudo, a gestão subsequente optou por desfazer essas mudanças, retomando o formato de comunicação anterior, o que resultou na extinção do Boletim e na modificação da presença da SBHP nas redes sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O início do Portal ===&lt;br /&gt;
Considerando o histórico da gestão [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira] na SBHP, as sementes plantadas naquele período continuaram se desenvolvendo. Contudo, em uma nova conjuntura, passariam a ser geridas por um grupo menor e descolado da diretoria da Sociedade. A ideia de modernização e inserção do campo brasileiro da história da psicologia nos meios digitais inspirou-se em três iniciativas. A primeira é o projeto [https://ahp.apps01.yorku.ca/ Advances in the History of Psychology (AHP)], criado por [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Christopher Green], da Universidade York, no Canadá. Nas primeiras formulações do Portal, a ideia era criar um projeto semelhante ao site do AHP, porém com foco no Brasil e, posteriormente, na América Latina. O prof. Green foi um dos primeiros a pensar a integração de recursos online com a história da psicologia, reunindo links, sites, produzindo podcasts, entre outros produtos, de modo que o site do Portal História da Psicologia, principalmente em sua primeira versão, é baseado na experiência do site principal do AHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra inspiração do Portal é o [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia Brasileira: Pioneiros], cuja primeira edição está disponível online no site da Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia (BVS-Psi). O Dicionário é uma criação de [http://lattes.cnpq.br/5350842157910835 Regina Helena de Freitas Campos] e se coloca como um dos grandes marcos do desenvolvimento do campo brasileiro da história da psicologia. É dele que veio a ideia de criar uma enciclopédia que fosse semelhante à Wikipédia em termos de dinamismo e capacidade de atualização e transformação, ao mesmo tempo que se estabelecem elementos de rigor técnico para manter a qualidade do material, assim como no caso do Dicionário. A WikiHP foi o segundo produto a ser incorporado pelo projeto, apesar de ter sido concebido ao mesmo tempo do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira fonte de inspiração para a criação do Portal advém do blog da rede de pesquisa [https://histoiresante.blogspot.com/ Historien.ne.s de la Santé]. Este blog se destaca pela sua atuação nas redes sociais e pela produção de conteúdo digital, estabelecendo uma conexão eficaz entre o mundo acadêmico e de pesquisa e o ambiente digital. Ele utiliza essas ferramentas eletrônicas como caixas de ressonância para difundir publicações, eventos, entre outros. Nesse contexto, também merece menção a [https://ripehp.com/ Rede Iberoamericana de Pesquisadores em História da Psicologia], cujo blog realiza um trabalho semelhante, porém focado na América Latina e que também serviu como base para a criação do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Findo os projetos desenvolvidos junto à SBHP, as reflexões para a continuidade do que seria o Portal tiveram início em outubro de 2019, ocasião em que seu criador já imaginava a publicação de um site, de um sistema de publicação de biografias, um braço audiovisual voltado para a divulgação científica e a organização de uma base de referências. Considerando a organização das primeiras ideias e de como o Portal poderia funcionar, o domínio do site do projeto – que ainda não tinha nome – foi reservado no mês de dezembro de 2019 em um servidor nos EUA. Este é considerado o marco inicial do projeto. A construção do site iniciou-se no mesmo mês e, em quatro de janeiro de 2020, a enciclopédia eletrônica teve início. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do site ===&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia teve suas origens em um período de recesso acadêmico, mais precisamente em dezembro de 2019. Naquele momento, seu idealizador já havia consolidado sua posição como docente no [https://psicologiaro.uff.br/ Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense] (UFF), lotado no campus de Rio das Ostras, no estado do Rio de Janeiro. Aproveitando a pausa das atividades regulares, o professor decidiu empreender um processo de autoaprendizagem e aplicação prática sobre a arquitetura e a construção de websites.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este projeto inicial foi concebido como um estudo-piloto para aquilo que seria o Portal História da Psicologia. A ideia central era criar uma plataforma digital que, em termos de conteúdo, guardava uma relação temática com o Advances in the History of Psychology (AHP), mas com uma abordagem significativamente mais direta e simplificada. A principal diferença e foco estratégico do novo empreendimento era o público-alvo: o conteúdo seria integralmente voltado para a comunidade lusófona, preenchendo uma lacuna percebida na oferta de material de qualidade sobre o tema em língua portuguesa e que, inicialmente, havia sido pensado para o site da Sociedade Brasileira de História da Psicologia - o que acabou não ocorrendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de ser um projeto nascido em um recesso, o desenvolvimento foi rápido. Já no final de dezembro de 2019, uma primeira versão do site estava no ar e acessível ao público. Contudo, essa versão inicial era notavelmente rudimentar e limitada em sua funcionalidade e abrangência. O site consistia essencialmente em páginas estáticas que organizavam alguns links relevantes. Embora já apresentasse uma organização sistemática dos temas propostos, essa estruturação era ainda incipiente e precária, refletindo o caráter embrionário do projeto e o seu uso como ferramenta de aprendizado na construção de plataformas digitais. Esse lançamento inicial, ainda que simples, marcou o nascimento oficial do Portal História da Psicologia, estabelecendo a base para o crescimento e expansão que se seguiriam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira grande reforma do site do Portal foi feito por [http://lattes.cnpq.br/0923932871489290 Raquel Donegá de Oliveira], que publicou a nova versão em 2023 com várias atualizações e uma reforma visual completa. Em 2024 foi a vez de Lara Overney Magariños criar uma nova versão, utilizada atualmente, com outra reformulação e modernização, trazendo uma interface mais intuitiva e conexões diretas com os diferentes produtos e partes do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O surgimento da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP) ===&lt;br /&gt;
Com a fundação do site principal do projeto, a atenção voltou-se para a elaboração de uma enciclopédia especializada. A principal fonte de inspiração para essa empreitada foi o notável [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil: Pioneiros], uma obra de referência que já contava com uma versão digital acessível através da BVS-Psi (Biblioteca Virtual em Saúde - Psicologia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após uso regular desse material para estudos e pesquisas, que é amplamente reconhecido como uma referência fundamental na área da história da psicologia brasileira, tornou-se evidente que uma parcela significativa das informações contidas no Dicionário se encontrava desatualizada. Isso era um reflexo natural do constante avanço das pesquisas e estudos históricos na disciplina, que frequentemente trazem novas descobertas e reinterpretações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar da importância e qualidade inegável do Dicionário, sua natureza de publicação em formato impresso impunha uma limitação significativa, que é a lentidão no processo de atualização. Uma obra física não pode ser corrigida ou complementada rapidamente, pois qualquer modificação exige a organização de todo um novo ciclo editorial, que abrange desde a revisão e a impressão até a distribuição. Esse processo é notoriamente dispendioso, tanto em termos de tempo quanto de recursos financeiros. Infelizmente, o mesmo ocorria com sua versão digital, que era tão estática quanto o original impresso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência e a consolidação da tecnologia da informação moderna ofereciam uma alternativa promissora a essa limitação secular. Com o advento da chamada Web 2.0, a era da internet interativa e participativa, a necessidade de esperar longos ciclos de publicação para incorporar atualizações parecia obsoleta. A tecnologia atual permite que qualquer informação seja revisada, corrigida ou expandida de maneira extremamente ágil e quase instantânea, com interação constante junto ao público. O paradigma dessa nova realidade é a Wikipédia, que demonstra a viabilidade e eficácia de um modelo de produção e disseminação de conhecimento em constante e rápida evolução, bem diferente da rigidez dos formatos tradicionais de publicação. Essa agilidade e acessibilidade tornaram-se o modelo a ser replicado na criação da nova enciclopédia digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desta feita, decidiu-se pela utilização do mesmo sistema utilizado pela famosa enciclopédia, chamado [[mediawikiwiki:MediaWiki|Mediawiki]], que conta com uma comunidade ativa de desenvolvedores e um suporte já muito bem estabelecido. A WikiHP foi concebida em dezembro de 2019, visando atender o programa de monitoria da disciplina de História da Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras. Nesta disciplina, grupos de estudantes seriam avaliados por meio da criação de verbetes temáticos relacionados à história da psicologia. Os melhores trabalhos seriam depositados na WikiHP, cuja finalidade restringia-se à produção de material de apoio para a própria disciplina. Com a instalação do sistema na raiz do servidor do site e a criação do subdomínio, tudo em quatro de janeiro de 2020, foi criada a [https://wiki.historiadapsicologia.com.br Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)], que traria verbetes sobre temas relativos à história da psicologia. A logomarca da WikiHP foi criada ainda naquele mês, bem como a logomarca do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próximo passo foi iniciar a publicação de verbetes e, para isso, era necessário criar um que pudesse ser usado como exemplo pelos colaboradores da Enciclopédia. Assim, o prof. André Morelli escreveu e publicou o verbete [[Alfred Binet]], aproveitando um conjunto de estudos que fazia à época e que se tornou o primeiro material publicado na WikiHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Primeira fase: apoio ao ensino remoto ====&lt;br /&gt;
A eclosão da pandemia de Covid-19 em 2020 impôs um cenário de profundas transformações no ambiente acadêmico. Na Universidade Federal Fluminense (UFF) as aulas presenciais foram suspensas em março de 2020, o que mudou de forma significativa o funcionamento do projeto. Adotou-se um regime de ensino remoto como medida de contingência e segurança sanitária. Foi neste contexto desafiador que se deu um passo crucial na trajetória da Wiki, qual seja, a sua integração direta e orgânica com as atividades de ensino e aprendizagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este movimento de articulação foi catalisado, inicialmente, pela atuação proativa de [http://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira], que era, na época, um aluno de graduação do curso de Psicologia da UFF. Yuri foi agraciado com a bolsa de Auxílio a Atividades Remotas, um suporte financeiro e institucional oferecido pela [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) da UFF], visando exatamente aprimorar e apoiar as metodologias de ensino a distância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Segunda fase: expansão ====&lt;br /&gt;
Orientado para a disciplina de História da Psicologia, a iniciativa centralizou-se na estruturação de um projeto pedagógico que fosse inovador e pudesse articular o ensino tradicional com novas ferramentas de informação e comunicação. A estratégia consistiu em organizar os estudantes da disciplina em grupos de trabalho. O objetivo primordial desses grupos era a pesquisa e elaboração de novos verbetes para a enciclopédia WikiHP. Esse processo transformava os alunos de meros consumidores de conteúdo em ativos produtores de conhecimento. A qualidade e a relevância acadêmica dos verbetes produzidos eram fatores determinantes. Os melhores trabalhos, após uma criteriosa avaliação e revisão, seriam selecionados para publicação oficial na enciclopédia digital. Mais do que um mero reconhecimento, essa publicação inseria o trabalho dos estudantes em um contexto de divulgação científica aberta. Adicionalmente, dependendo da temática abordada e de sua adequação ao currículo, os verbetes mais robustos e didáticos tinham o potencial de serem formalmente incorporados como material didático complementar e permanente da própria disciplina de História da Psicologia, estabelecendo um ciclo virtuoso de produção, uso e refinamento do conhecimento. Esta iniciativa não só manteve o engajamento dos alunos durante o ensino remoto, como também enriqueceu de maneira significativa o acervo da WikiHP, solidificando seu papel como um recurso educacional aberto e colaborativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Yuri Vieira e André Morelli iniciaram a definição dos procedimentos para a redação dos verbetes e dos padrões de qualidade do Portal História da Psicologia (WikiHP). Para tal, basearam-se no verbete de Alfred Binet e na experiência direta de coleta e produção de conteúdo. A experiência com a construção de verbetes e as interações com os alunos favoreceram o amadurecimento das normas e dos melhores procedimentos que pudessem atender o projeto, mantendo a qualidade dos textos e a formação dos estudantes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Monitoria =====&lt;br /&gt;
Em 2021, o projeto se expandiu com a criação de um programa de monitoria, aprofundando a integração entre ensino e projeto. As monitoras envolvidas foram [http://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (bolsista) e [http://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] e [http://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto dos Reys] (voluntárias). Com a evolução constante do projeto e a incorporação de novos monitores ao longo dos anos, a WikiHP baseou-se em grande medida no apoio oferecido pela Pró-Reitoria de Graduação na forma de bolsas de monitoria, desenvolvendo tanto as disciplinas envolvidas quanto o projeto da enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== A publicação de uma obra de referência ====&lt;br /&gt;
Todo este trabalho, que envolveu um esforço contínuo de sistematização e organização do conhecimento na área, culminou na publicação da primeira obra de referência para a enciclopédia, o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo]. Publicado no ano de 2022 pela [https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia], este volume inaugural teve a autoria de André Elias Morelli Ribeiro. A obra representou a consolidação de toda a experiência acumulada ao longo dos anos de desenvolvimento do projeto do Portal. Ela detalhou e formalizou aspectos cruciais para a consistência e qualidade do conteúdo enciclopédico, estabelecendo padrões para a inclusão de novas informações. Entre os elementos fundamentais abordados, o livro definiu o sistema de categorias temáticas, a estrutura e a organização das seções de cada verbete, o estilo de escrita acadêmica e informativa a ser seguido e, notavelmente, orientações metodológicas rigorosas para a pesquisa e referências bibliográficas. Em essência, o livro WikiHP de 2022 serviu como um manual de estilo abrangente e uma carta magna para a produção de conteúdo dentro do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido à evolução constante do projeto e à necessidade de incorporar novas diretrizes e aprendizados, o livro ganhou uma [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 segunda edição revista e ampliada]. Esta nova edição foi publicada em 2025, refletindo as atualizações necessárias para manter a obra alinhada com o estado atual da enciclopédia e as melhores práticas editoriais. Um marco significativo desta nova versão foi a expansão da equipe editorial, pois a edição de 2025 passou a ser uma coautoria entre André Elias Morelli Ribeiro e [http://lattes.cnpq.br/1153398469018062 Júlia Lombardi Carneiro], integrando novas perspectivas e conhecimento ao documento fundamental da Enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do Canal História da Psicologia TV (HPTV) ===&lt;br /&gt;
Durante o período desafiador da pandemia de Covid-19, o Portal História da Psicologia encontrou uma oportunidade única de crescimento e consolidação. A crise sanitária impulsionou uma busca generalizada por atividades e oportunidades de desenvolvimento de estudos e pesquisas que pudessem ser realizadas integralmente no formato digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa procura resultou em um fortalecimento significativo da equipe do Portal, com um aumento notável no número de pessoas interessadas em colaborar. Esse influxo de novos membros e entusiastas criou as condições ideais para viabilizar um projeto de longa data, já imaginado no período da gestão 2017-2019 da SBHP, a produção sistemática de conteúdo em vídeo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos dos novos colaboradores que se juntaram à iniciativa e demonstraram interesse na produção de vídeos eram, simultaneamente, membros ativos do Varanda, um proeminente grupo de pesquisa focado na história da psicologia, sob a liderança do professor Arthur Arruda Leal Ferreira. Essa sobreposição de participantes naturalmente levou ao estabelecimento de uma colaboração frutífera e estratégica entre o Varanda e o Portal. A conexão se estabeleceu de forma orgânica, permitindo que as discussões aprofundadas, os debates intelectuais e os insights gerados nas reuniões e seminários do grupo de estudos Varanda fossem sistematicamente transpostos e refletidos no conteúdo audiovisual produzido para o Portal. Essa sinergia não só enriqueceu a qualidade e a profundidade dos vídeos, como também ampliou o alcance das discussões acadêmicas para um público mais vasto no ambiente digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gênese do primeiro vídeo para o Canal História da Psicologia TV, um marco na sua trajetória, está intrinsecamente ligada à discussão aprofundada de um artigo seminal sobre o famoso teste de Rorschach, popularmente conhecido como o &amp;quot;teste das manchas&amp;quot;. Este debate ocorreu no âmbito do grupo de estudos Varanda, durante a discussão do artigo Image of Self, de autoria de Peter Galison, que serviu como ponto de partida e inspiração crucial. O vídeo foi concebido com o objetivo de traçar a história deste instrumento de avaliação psicológica, que é frequentemente cercado de dúvidas e polêmicas por parte da população geral. Criado por Hermann Rorschach, o teste de Rorschach transcendeu o ambiente clínico e acadêmico, ganhando uma presença notável e fascinante na cultura popular, sendo frequentemente referenciado em filmes, séries e literatura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A premissa central na idealização do projeto era manter um rigor acadêmico na apresentação dos acontecimentos e na análise histórica do teste. Simultaneamente, havia a preocupação em comunicar essa história de forma acessível e envolvente, permitindo um diálogo efetivo da academia com um público mais amplo e diversificado, que incluía estudantes, profissionais da área e leigos curiosos sobre a psicologia. O desafio, portanto, residia em equilibrar a profundidade da pesquisa histórica com a clareza e o apelo da narrativa audiovisual, garantindo que o primeiro vídeo estabelecesse o padrão de excelência e abrangência que se tornaria a marca registrada do Canal História da Psicologia TV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O roteiro deste primeiro vídeo foi criado por André Elias Morelli Ribeiro, com narração de [http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] e edição de [http://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto]. Finalizado em abril de 2020, foi inicialmente publicado no perfil pessoal de André Morelli no YouTube, o que indicou a necessidade da criação de um canal na mesma plataforma destinado aos vídeos produzidos pela equipe do Portal. Assim, em 27 de maio de 2020, foi criado o Canal História da Psicologia TV, com a publicação do vídeo “Como surgiu o Teste de Rorschach”. O estilo do vídeo vale-se de uma narração suave de acontecimentos com a sucessiva exposição entre 3 e 6 segundos de imagens ilustrativas, algumas coletadas em repositórios de imagens e outras criadas pela própria equipe. A proposta era permitir a migração futura do vídeo também para o formato de podcast, o que ainda não aconteceu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguindo a mesma lógica, o segundo vídeo do Canal foi desenvolvido para tratar do famoso experimento de obediência de Stanley Milgram. O roteiro foi baseado em um texto inicialmente publicado no Boletim da SBHP e traduzido por André Elias Morelli Ribeiro. O objetivo principal era criar um recurso audiovisual com dupla função: servir como material didático auxiliar no ensino da história da psicologia e, ao mesmo tempo, oferecer uma visão mais precisa do experimento de Milgram. Isso se tornou necessário porque o experimento é frequentemente alvo de interpretações e generalizações que se afastam dos propósitos e escritos originais do psicólogo norte-americano. Além disso, o vídeo visava fortalecer a integração entre os diversos produtos e iniciativas geradas pela própria equipe do Portal, conectando as diferentes vertentes do projeto. Este segundo vídeo teve roteiro, narração e edição de André Elias Morelli Ribeiro e a revisão de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos e Letícia Gomes Canuto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2021 o projeto passou a receber o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense, por meio da concessão de uma bolsa de extensão. O primeiro contemplado e quem ajudou a consolidar a linguagem e o estilo do canal foi Antonio Lucas Merêncio. Vitória Gomes Silva e Júlia Lombardi Carneiro também foram bolsistas do projeto. O Canal ultrapassou as 50 produções, entre transmissões de eventos ao vivo, videoaulas e produções originais, consolidando-se como um espaço importante de divulgação da história da psicologia na internet. Continuando o trabalho, em 2026, Alice Nascimento Moraes Fernandes recebeu bolsa de extensão da Universidade Federal Fluminense para retomar a produção de vídeos do canal, que havia sido paralisada em 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Cursos ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV oferece dois cursos, incluindo videoaulas e indicações de leituras. O primeiro a ser criado foi o de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação], que recebeu apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense por meio de um fomento direto em 2021. Isso permitiu a contratação de uma produtora profissional para criar vídeos de alta qualidade. Junto da playlist, uma página foi adicionada ao site, com uma lista dos vídeos, as recomendações de leitura e outras referências para cada episódio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2022 foi criado o curso de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-no-brasil/ História da Psicologia no Brasil], uma série de quatro videoaulas e um vídeo complementar com temas relativos à história da psicologia no Brasil, com foco nas linhas e abordagens. Para este curso, existe também uma página no site do Portal, com links para os vídeos e as referências utilizadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Séries ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV possui três séries de vídeos com temas específicos. O primeiro é o de [https://www.youtube.com/watch?v=1SX3ndp6EWM&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWJgYPh3NyUyXkT77ZnV4_A História dos testes, instrumentos e avaliação psicológica]. A série começou a ser construída em 2020, com o vídeo sobre a história dos testes Army Alpha e Army Beta e hoje conta com cinco vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra série importante do Canal é a de [https://www.youtube.com/watch?v=tzXyZ4yEQDg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHVuUF2L5wcbQTnxspJmot7C História dos Experimentos em Psicologia], que inclui o segundo vídeo mais antigo do canal, sobre o experimento de Milgram, e ainda outros dois vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, a série sobre [https://www.youtube.com/watch?v=y6EYjEtUJcg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWXerE9-0IAhn1H7WJ_Ir5w O Destino dos Pacientes do Dr. Freud], certamente o mais polêmico e delicado do Canal e frequente alvo de críticas por parte do público. A série apresenta partes do trabalho do historiador Mikell Borch-Jacobsen e conta com quatro vídeos, todos apresentando uma posição crítica contra a historiografia psicanalítica hegemônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração com o ensino ====&lt;br /&gt;
Os vídeos do Canal História da Psicologia TV são utilizados como material complementar em contexto de ensino de graduação. Além de temas interessantes e vídeos ilustrativos, alguns conteúdos são baseados principalmente em fontes primárias, o que pode ser utilizado para facilitar a compreensão de textos clássicos da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 2024, foi incorporada uma nova estratégia de integração, o incentivo para os discentes criarem roteiros que possam ser aproveitados na produção de vídeos para o Canal. Para viabilizar essa possibilidade, foram criadas [[Canal História da Psicologia TV|orientações sobre como criar roteiros]], e os discentes passaram a ser orientados na reflexão da conexão entre o conhecimento acadêmico e as formas de sua comunicação com a sociedade. Vídeos como O Experimento de Aprisionamento de Stanford são resultado deste novo processo inovador de integração entre ensino e divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação da Editora do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
Com o desenvolvimento da WikiHP e o fortalecimento do sistema do Portal, mostrou-se necessária a publicação de uma obra de referência para auxiliar os colaboradores da WikiHP na produção de verbetes. Visando agilidade na publicação desta obra, bem como o corte de custos e a possibilidade do desenvolvimento de projetos editoriais autônomos, iniciaram-se os movimentos para a criação da Editora do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após consultas à Câmara Brasileira do Livro (CBL) e à legislação sobre o mercado editorial, optou-se por uma estrutura inovadora, baseada em noções da nova economia digital. O selo editorial “[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]” foi vinculado a uma empresa de marketing digital e cadastrado na CBL, passando a figurar como uma editora comercial com comitê editorial. Características como o caráter voluntário de seus colaboradores, a ausência de interesse em lucro, o modo como as obras são editadas e as formas de registro das mesmas tornam os custos para publicação na Editora do Portal extremamente baixos. Os livros publicados pela Editora do Portal incluem um DOI, ISBN e ficha catalográfica feita por bibliotecário profissional, além da garantia de livre acesso por meio digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro livro publicado pela Editora do Portal foi o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo], de autoria de André Elias Morelli Ribeiro, que também construiu o projeto gráfico e a capa da obra. Atualmente, a Editora do Portal tem nove livros em seu portfólio e totaliza 53 lançamentos, entre livros e seus diferentes capítulos, que podem receber um DOI próprio quando se trata de coletânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== O Boletim do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
A Editora do Portal História da Psicologia, após a bem-sucedida experiência de publicar sua primeira obra, solidificou as bases para resgatar um projeto que estava em suspenso: o Boletim da SBHP. Este periódico havia sido interrompido após o lançamento de apenas quatro edições. Contudo, em 2022, a ideia de revitalizar o projeto foi trazida novamente à discussão entre os colaboradores ativos do Portal História da Psicologia, culminando no surgimento do projeto dos [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A concepção fundamental por trás dos Boletins do Portal é notavelmente similar à do extinto Boletim da SBHP. O objetivo central é criar um espaço editorial para a publicação de textos que, apesar de sua inegável relevância, não encontram canais de publicação nos veículos científicos tradicionais de maior circulação. O foco é dado a materiais que se revestem de significativa importância histórica, conceitual, memorialista ou que são cruciais para o debate e a reflexão no campo brasileiro da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma alteração estratégica fundamental implementada no novo projeto foi a mudança na categoria editorial da publicação. Enquanto o Boletim da SBHP era formalmente classificado como uma revista periódica, o novo Boletim do Portal História da Psicologia passou a ser concebido e publicado na forma de livro. Esta reclassificação trouxe um aumento na atratividade e no prestígio percebido da publicação, inserindo-a em um nicho diferente do mercado editorial e acadêmico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de herdar e acolher todos os tipos de contribuições que eram destinados ao antigo Boletim da SBHP, os Boletins do Portal introduziram uma nova e importante modalidade de conteúdo: a inclusão de versões estáveis dos melhores verbetes publicados na WikiHP. Estes verbetes, originários da enciclopédia colaborativa online do Portal, são transformados em capítulos de livro após passarem por um rigoroso processo de nova revisão e aperfeiçoamento. O objetivo desta revisão adicional é garantir a máxima qualidade textual e a confiabilidade acadêmica do conteúdo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta estratégia de transposição de verbetes da plataforma online para o formato e-book confere diversos benefícios. Embora o verbete original na WikiHP continue a ser uma plataforma viva e em constante edição, a sua versão publicada no Boletim marca um momento específico e consolidado de sua produção e desenvolvimento, servindo como um registro formal. Adicionalmente, a publicação em formato de livro, sob o selo da Editora do Portal, confere um prestígio e reconhecimento acadêmico muito maior aos autores e aos textos selecionados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto demonstrou ser altamente produtivo e relevante desde sua implementação. Entre os anos de 2022 e 2024, o Portal História da Psicologia conseguiu lançar três edições do seu novo Boletim. Estas edições se destacaram pela diversidade e riqueza do material publicado, abrangendo uma vasta gama de categorias textuais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Artigos inéditos em português ou espanhol; &lt;br /&gt;
* Traduções de textos contemporâneos de grande relevância para a área; &lt;br /&gt;
* Traduções de clássicos da história, filosofia ou epistemologia da psicologia; &lt;br /&gt;
* Reedição de textos clássicos originalmente publicados em português ou espanhol, acompanhados de comentários críticos e notas; &lt;br /&gt;
* Relatos de pesquisa, incluindo relatos de viagens, experiências de grupos de pesquisa e cobertura de eventos científicos; &lt;br /&gt;
* Ensaios teóricos e críticos; &lt;br /&gt;
* Resenhas de livros e outras mídias e &lt;br /&gt;
* Entrevistas com figuras proeminentes do campo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Lista de obras publicadas na Editora do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Boletim do Portal =====&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.18098475 Boletim do Portal História da Psicologia 4 (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14511623 Boletim do Portal História da Psicologia 3 (2024)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 Boletim do Portal História da Psicologia 2 (2023)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia (2022)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia =====&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 WikiHP: definições, orientações e estilo (2a edição) (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo (1a edição) (2022)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Outras publicações =====&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de Método Clínico para Contextos de Ensino de Psicologia (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14937498 Introspecção (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.13900662 Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro (2024)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Perfis da Editora =====&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista completa de livros e capítulos publicados pela Editora do Portal História da Psicologia no Zenodo]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://scholar.google.com.br/citations?user=BV8kWGIAAAAJ&amp;amp;hl=pt-BR Perfil da Editora do Portal História da Psicologia no Google Acadêmico]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://independent.academia.edu/PortalHist%C3%B3riadaPsicologia Perfil da Editora do Portal História da Psicologia no Academia]   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A estruturação do Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp) ===&lt;br /&gt;
O [https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)] é a retomada e reforma de dois projetos anteriores. O primeiro, vinculado à Sociedade Brasileira de História da Psicologia, organizava as principais publicações dos principais membros da Sociedade. Era uma lista com os destaques da produção bibliográfica, criada com o objetivo de divulgar o campo brasileiro de história da psicologia. Esta lista chegou a ficar pública por um curto período no ano de 2018, mas devido às suas limitações técnicas e sua pouca utilidade, acabou abandonada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda tentativa de organizar a produção acadêmica relevante foi uma lista simples, com referências organizadas em ordem alfabética e disponibilizada na forma de documento online. Estas listas ficaram disponíveis no site do Portal e recebeu algumas colaborações pontuais, mas seu formato mostrou-se rapidamente inviável e logo foi abandonado. Ficava evidente que era necessário utilizar novas tecnologias para a organização deste conjunto de referências, tanto devido à quantidade de dados quanto as possibilidades oferecidas por tecnologias mais novas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A jornada para criar um sistema de gestão de informação bibliográfica dedicado ao campo brasileiro de história da psicologia começou em 2022 e visava centralizar e disponibilizar online e gratuitamente todas as referências relevantes sobre história, filosofia e epistemologia da psicologia - desde que tivessem um viés histórico - facilitando a pesquisa na área. Assim, o Sirehp seria um sistema de fomento à pesquisa, tanto acadêmica quanto para formação profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os esforços iniciais envolveram a busca por parceiros, culminando em contatos com docentes do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Rio das Ostras. O objetivo era desenvolver um aplicativo online para organizar e curar referências bibliográficas de forma amigável e ágil. Contudo, a complexidade técnica do projeto levou ao seu adiamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em abril de 2023, observou-se a possibilidade de utilizar a capacidade do [https://zotero.org/ Zotero], um sistema digital sincronizado em nuvem de gestão de referências, de coletar metadados de referências bibliográficas e, a partir deles, gerar uma visualização online com funcionalidades como busca e a criação de links permanentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesquisa nos fóruns do Zotero revelou a existência do [https://github.com/whiskyechobravo/kerko Kerko], um sistema livre criado pelo desenvolvedor canadense David Lesieur. O Kerko permitia a publicação web de bibliografias geradas via Zotero, oferecendo busca fácil e, crucialmente, a capacidade de incorporar uma biblioteca compartilhada. Isso possibilitava a atribuição de papéis de curadoria, permitindo que colaboradores alimentassem e corrigissem a base do Sirehp (Sistema de Referências em História da Psicologia) mediante uma pasta compartilhada do Zotero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os desafios técnicos foram superados com a colaboração do desenvolvedor de sistemas de informação [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro], que instalou o Kerko em um subdomínio do Portal História da Psicologia. O Sirehp foi oficialmente lançado em 26 de agosto de 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, problemas com o provedor de computação em nuvem causaram a indisponibilidade do sistema dois meses após o lançamento. Esta interrupção, que exigiu um alto investimento financeiro para ser resolvida, perdurou até 6 de janeiro de 2024, quando um novo servidor foi localizado. Durante esse período, o programador voluntário [https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos] integrou-se à equipe. Entre abril e outubro de 2024, o Sirehp contou com o suporte gratuito em nuvem do projeto [https://www.pythonanywhere.com/ PythonAnywhere].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outubro de 2024, o desenvolvedor Allan Denis Morelli Ribeiro implementou modificações significativas no Sirehp. Estas incluíram a melhoria da usabilidade, a adição de novas opções de busca e filtros mais eficientes. Além disso, ajustes na hospedagem garantiram maior estabilidade e robustez ao sistema. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2026, a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense concedeu bolsa de extensão para Arthur Macedo Nunes, que atuará no projeto entre abril e dezembro deste ano. Seus dois objetivos principais são o crescimento do acervo do projeto e revisar as referências já inseridas, visando [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)|adequações no escopo do projeto]], que foi reformulado entre o final de 2025 e o início de 2026. Ainda em 2026, os dois desenvolvedores parceiros, Neil Angelo dos Santos e Allan Denis Morelli Ribeiro iniciaram o desenvolvimento de um novo sistema, visando substituir o Kerko no Sirehp.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Redes sociais ===&lt;br /&gt;
O projeto possui atividades no [https://www.facebook.com/HistoriaDaPsicologiaBrasil/ Facebook], [https://www.instagram.com/historiadapsicologia/ Instagram] e [https://x.com/Hist_Psicologia X] (antigo Twitter), com tipos de atividades diferentes. A princípio, desenhou-se uma estratégia, implementada a partir de 2020, de utilização das redes sociais visando à divulgação científica da história da psicologia. Com o tempo e o engajamento dos colaboradores do projeto em outras atividades, esta abordagem terminou por ser abandonada. Hoje, as redes sociais do Portal limitam-se a divulgar os produtos do Portal, como livros, novos verbetes, vídeos publicados, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Podcast ===&lt;br /&gt;
A expansão das atividades do projeto História da Psicologia não se limitou ao formato audiovisual. A criação do Canal História da Psicologia TV, um marco inicial na divulgação de conteúdo sobre a história da disciplina, foi imediatamente acompanhada e complementada por um projeto de lançamento de um Podcast. A premissa central dessa iniciativa de áudio era a reutilização estratégica de parte do material já produzido para os vídeos, adaptando-o para o formato puramente sonoro. Essa decisão se fundamentava na observação de que o componente visual dos vídeos era, em grande medida, meramente ilustrativo, ou seja, a essência do conteúdo e a riqueza da informação residiam primariamente no áudio e na narrativa falada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a jornada para estabelecer uma linha de produção de podcast autônoma foi marcada por desafios significativos e tentativas frustradas. Buscando profissionalizar e dedicar recursos humanos específicos a esse formato, foram feitas duas tentativas formais de constituição de equipes de trabalho exclusivamente voltadas para o desenvolvimento, gravação e edição do podcast. A primeira tentativa ocorreu em 2022 e a segunda, no ano subsequente, em 2023. Ambas as iniciativas, apesar do entusiasmo inicial e do reconhecimento da importância do formato de áudio para o alcance de novas audiências e a otimização da experiência de consumo de conteúdo, infelizmente não prosperaram, resultando no adiamento da consolidação de um podcast com produção independente do canal de vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Patrocinadores ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, em suas diferentes partes, recebeu várias formas de suporte financeiro. As diferentes formas de apoio foram oferecidas por quatro agências ou órgãos diferentes de fomento: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proex/ Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proaes/ Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense] e &lt;br /&gt;
* [https://agir.uff.br/ Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O apoio financeiro se concretizou tanto na forma de bolsa quanto em investimento direto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Patrocinadores e fomentadores do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Patrocinador&lt;br /&gt;
|Projetos&lt;br /&gt;
|Tipo&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de atividades remotas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de monitoria&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
2022, 2024, 2025 e 2026&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fomento a atividades extensionistas&lt;br /&gt;
|Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Financiamento&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2023 e 2024&lt;br /&gt;
2024, 2025 e 2026&lt;br /&gt;
2026&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de desenvolvimento acadêmico&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de iniciação tecnológica e inovação&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Extensão ===&lt;br /&gt;
Como projeto vinculado ao Departamento de Psicologia de Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, partes do Portal foram financiadas pela Pró-Reitoria de Extensão, por meio da concessão de bolsas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de extensão concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Antonio Lucas da Silva Merêncio&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Gunther Mafra Guimarães&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro &lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alice Nascimento Moraes Fernandes&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Arthur Macedo Nunes&lt;br /&gt;
|Sistema de Referência em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Iniciação Tecnológica e Inovação ===&lt;br /&gt;
As bolsas de iniciação tecnológica e inovação são oferecidas, no âmbito da UFF, pela Agência de Inovação da UFF (Agir). Seus editais são bastante concorridos e suas bolsas são prestigiosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gunther Mafra Guimarães (WikiHP) (2023)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Ensino ===&lt;br /&gt;
Foram concedidos dois tipos de bolsa para o Portal na modalidade ensino. Uma para atividades remotas e outra para atividades de monitoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de ensino concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Tipo de bolsa&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Yuri Pereira Antunes Vieira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Apoio a Atividades Remotas&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Mariana dos Santos dos Anjos&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Peterson Manoel Fernandes Pereira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Izabella Simões da Cruz&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Isabella Correia Venturine&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Permanência ===&lt;br /&gt;
A UFF oferece aos seus alunos um conjunto de oportunidades de auxílio à permanência. Até 2024, os alunos contemplados com estas bolsas precisavam vincular-se aos projetos aprovados pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e, dentre eles, estava o [http://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]. Esta forma de fomento à permanência foi extinta em 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Thaís Arci Menezes (Desenvolvimento Acadêmico) (Sirehp) (2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fomento a atividades extensionistas ===&lt;br /&gt;
A Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense ofereceu, por meio de um edital, recursos para o fomento a atividades extensionistas. Os recursos não poderiam ser usados na forma de bolsa nem remuneração direta, mas para compra de equipamentos e contratação de serviços de empresas. O Portal foi beneficiado com os recursos em 2021, utilizando os recursos para a compra de equipamentos para gravação de vídeos e contratando uma produtora profissional, que editou o curso [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Objetivos ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, desde sua concepção, estabeleceu uma série de metas que visam modernizar e integrar o campo da história da psicologia lusófona ao ambiente digital, atuando como um ecossistema de produção e disseminação de conhecimento. A sua estrutura, composta por plataformas interligadas como a WikiHP, o HPTV, a Editora e o Sirehp, foi desenhada para dar suporte a um objetivo maior e a um conjunto de objetivos específicos que articulam as dimensões essenciais da vida acadêmica: o ensino, a pesquisa, a extensão e a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivo Geral ===&lt;br /&gt;
Modernizar e inserir o campo brasileiro de história da psicologia de língua portuguesa no ambiente digital, criando um ecossistema de plataformas e produtos que fomentem a pesquisa, apoiem o ensino, potencializem as atividades de extensão e ampliem a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivos Específicos ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fomento à Pesquisa ====&lt;br /&gt;
Desenvolver e manter plataformas e ferramentas digitais (como o Sirehp) que centralizem, organizem e disponibilizem gratuitamente referências bibliográficas relevantes, facilitando a coleta de dados e a condução de pesquisas nas áreas de história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estimular a produção de conteúdo original e a reflexão crítica na forma de publicações acadêmicas por meio da Editora do Portal e da publicação anual do Boletim do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Apoio ao Ensino ====&lt;br /&gt;
Criar e manter materiais que possam ser usados como complementares e didáticos para o ensino e estudo da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Produzir cursos e videoaulas de alta qualidade que auxiliem na didática da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Potencialização da Extensão e Divulgação Científica ====&lt;br /&gt;
Traduzir o rigor técnico e acadêmico para uma linguagem acessível a um público amplo e diversificado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Manter uma presença estratégica nas redes sociais para a divulgação constante dos produtos do Portal, maximizando o alcance do conhecimento produzido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração das Atividades ====&lt;br /&gt;
Assegurar que os projetos do Portal (Site Principal, WikiHP, HPTV, Editora, Sirehp) funcionem como um ecossistema interligado, onde a pesquisa alimenta o conteúdo do ensino e da extensão, e as atividades de extensão (divulgação e eventos) retroalimentam a pesquisa, com o aprimoramento contínuo das plataformas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Eventos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização de eventos representa uma frente de atuação estratégica e relativamente recente na história do Portal História da Psicologia, consolidando o ecossistema digital com atividades presenciais e híbridas. Esta dimensão do projeto visa transcender a mera divulgação de conteúdo online, promovendo ativamente o debate acadêmico, a expansão de redes de pesquisa e a integração de estudantes e pesquisadores em discussões de ponta na área. O site do Portal oferece uma [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ lista completa], com detalhes, dos eventos organizados pelo grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Simpósios HP ===&lt;br /&gt;
Os Simpósios HP consistem em eventos de um único dia destinados a articular convidados externos com pesquisadores locais. O seu objetivo é expandir as redes internacionais de debate e integrar um campus interiorano, como o de Rio das Ostras, em discussões de maior alcance. Nas duas edições dos Simpósios HP, [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira] (UFRJ) atuou como mediador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras ocorreu em 10 de novembro de 2023 e contou com a presença de [https://agir.uff.br/ James Cresswell], da Ambrose University (Canadá) e [https://socioeconomia.univalle.edu.co/138-estudiantes-de-doctorado/bruno-andres-jaraba-barrios Bruno Jaraba Barrios, da Universidad del Valle] (Colômbia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras aconteceu em 15 de março de 2024 e teve como debatedor [https://eled.auth.gr/eng/the-school/personnel/marvakis/ Athanasios Marvakis], da Universidade de Tessalônica (Grécia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simpósios de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|Convidados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|10 de novembro de 2023&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 1&lt;br /&gt;
|James Cresswell (Ambrose University, Canadá), Bruno Jaraba Barrios, (Universidad del Valle, Colômbia), Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|15 de março de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 6 do prédio novo&lt;br /&gt;
|Athanasios Marvakis (Universidade de Tessalônica, Grécia), Arthur Arruda Leal Ferreira Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), tradução de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Encontros HP ===&lt;br /&gt;
Os Encontros HP foram concebidos como atividades em resposta à paralisação dos docentes federais ocorrida em 2024. Estes consistiram em reuniões presenciais nas instalações do Instituto de Humanidades e Saúde da Universidade Federal Fluminense, em Rio das Ostras, dedicadas à discussão coletiva de diversos temas pertinentes à história da psicologia que não são habitualmente contemplados nos programas curriculares regulares da área.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Assunto&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1&lt;br /&gt;
|Lavagem cerebral e controle mental na Guerra Fria: MK-Ultra: a teoria da conspiração da vida real&lt;br /&gt;
|21 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2&lt;br /&gt;
|Usos da Inteligência Artificial na Psicologia: cognição, terapia e outros&lt;br /&gt;
|28 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Sala 5 do prédio novo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3&lt;br /&gt;
|Experimentos em psicologia da manipulação&lt;br /&gt;
|4 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4&lt;br /&gt;
|Estratégias e consequências por trás das seitas&lt;br /&gt;
|11 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5&lt;br /&gt;
|Terraplanistas, reptilianos, caçadores de alienígenas: grupos de teorias da conspiração&lt;br /&gt;
|18 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6&lt;br /&gt;
|Psicopatia, sociopatia e serial killers: o que realmente forma uma mente criminosa?&lt;br /&gt;
|25 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Encontro do Trecho ===&lt;br /&gt;
Também no ano de 2024, o Portal História da Psicologia deu um passo significativo em sua atuação ao organizar e sediar o I Encontro do Trecho. Este evento de grande relevância configurou-se como um marco na consolidação de uma rede internacional de pesquisadores dedicados à história da psicologia, conhecida simplesmente como &amp;quot;Trecho&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A natureza do I Encontro do Trecho foi considerada híbrida, combinando a interação presencial com a participação remota, o que potencializou seu alcance e diversidade. A adesão ao evento superou as expectativas, contando com a notável participação de pesquisadores provenientes de nove países distintos. Esta representação multinacional sublinha o caráter verdadeiramente global da rede e o interesse convergente na área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Encontro teve como local o Instituto de Humanidades e Saúde (IHS) da Universidade Federal Fluminense (UFF). O evento proporcionou um espaço fértil para a discussão aprofundada de novas pesquisas, o intercâmbio de metodologias e a articulação de projetos colaborativos futuros entre os membros da rede &amp;quot;Trecho&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/i-encontro-trecho/ site do Encontro] possui todas as informações detalhadas, como programa, convidados, datas, links para a gravação das mesas, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Mostra de Cinema do Portal ===&lt;br /&gt;
No ano de 2026, o grupo de monitores voluntários das disciplinas de História da Psicologia, Psicologia e História Social e Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo aceitou o convite do coordenador do Portal para organizar uma mostra de cinema. Assim, nasceu a [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/mostra-de-cinema-do-portal/ I Mostra de Cinema do Portal], com a temática Cyberpunk e a Consciência das Máquinas. O evento ocorre entre abril e julho de 2026, com a exibição de três filmes e quatro episódios da série animada Rick &amp;amp; Morty, nas dependências do Instituto de Humanidades e Saúde em Rio das Ostras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Lista de colaboradores do Portal ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fundadores ===&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7924410923493344 André Elias Morelli Ribeiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/3207728098713238 Luiz Eduardo Prado da Fonseca] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/4223540995781494 Gunther Mafra Guimarães] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Julia Escrew (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto Dos Reys] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antonio Lucas da Silva Merencio (2020-2021)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2384057947285765 Maria Carolinna Henriques Monteiro] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Colaboradores ===&lt;br /&gt;
Colaboradores no Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1KZvwBkhclv3JiOFyaVaX0Dhl5DrRJfcO/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores no Canal História da Psicologia TV (HPTV)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1XycAS9o7O63DNRKSyclOYL21h434i3Zz/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores na Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaboradores no Website&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Sistema_de_Refer%C3%AAncias_em_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia_(Sirehp)#Colaboradores Colaboradores no Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia ==&lt;br /&gt;
2018 (agosto) - publicação da primeira edição do Boletim da SBHP, precursor do Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (outubro) - reformulação do projeto desenvolvido na SBHP visando a criação do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (dezembro) - registro do domínio do site do Portal e criação do site&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (4 de janeiro) - criação da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (12 de janeiro) - publicação do primeiro verbete da WikiHP, Alfred Binet&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (abril) - primeiro vídeo do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (27 de maio) - criação do Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (fevereiro) - fundação da Editora do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (abril) - publicação do WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo, primeiro livro da editora e obra de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (dezembro) - publicação do primeiro Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (agosto) - criação do Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (novembro) - primeiro Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (maio) - início da série de Encontros HP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (outubro) - publicação do Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro, um marco para a Editora do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (agosto) - o Portal História da Psicologia vence o Prêmio Manoel Bomfim de Divulgação Científica, oferecido pela Sociedade Interamericana de Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (setembro) - publicação da segunda edição do livro de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2026 (abril) - organização da I Mostra de Cinema do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
Em junho de 2024, o Portal História da Psicologia recebeu o [https://ripehp.com/wp-content/uploads/2023/03/premio-gt-sip-em-portgues.docx.pdf Prêmio Manoel Bomfim de divulgação científica], oferecido pela [https://sipsych.org/ Sociedade Interamericana de Psicologia], como reconhecimento por sua atuação no campo da extensão e divulgação científica. Na cerimônia, o coordenador do projeto foi representado por Júlia Lombardi Carneiro e Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)|Sistema de Referências em História da Psicologia]] (Sirehp)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Canal História da Psicologia TV]] (HPTV)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links Externos ==&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/ Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/ Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (Wikihp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.youtube.com/@HistoriadaPsicologia Canal História da Psicologia TV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ Eventos do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista de publicações da Editora do Portal]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/certificados/ Certificados de participação em eventos e produtos do Portal]&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de método clínico para contextos de ensino de psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi. [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 &#039;&#039;&#039;WikiHP&#039;&#039;&#039;: definições, orientações e estilo.] Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; FERREIRA, Arthur Arruda Leal (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.14511624 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 3&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2024. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra. [https://revistas.hcte.ufrj.br/index.php/RevistaSH/article/view/393/305 Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. &#039;&#039;&#039;Revista Scientiarum História&#039;&#039;&#039;, v.1, n.1, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; GUIMARÃES, Gunther Mafra; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 2&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARAES, Gunther Mafra. [http://www.hcte.ufrj.br/downloads/sh/sh15/anais_SH_15.pdf Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. In: Scientiatum Historia 15, 2022, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Livro de Anais do Scientiarum 15&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, 2022. v. 1. p. 863-874.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.6337937 WikiHP]&#039;&#039;&#039;: políticas, definições, orientações e estilo. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, A. E. M.; FONSECA, L. E. P.; CANUTO, L. G.; SANTOS, M. V. A. G.; VIEIRA, Y. P. A.; ANJOS, M. S.. [https://doi.org/10.51919/Anais_SH14 Portal História da Psicologia]: formando conexões inesperadas entre ensino, pesquisa e extensão. In: Scientiatum Historia 14, 2021, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Anais do Scientiarum Historia XIV&#039;&#039;&#039;, 2021. v. 1. p. 1-8. ISSN 2675-7559 (on-line).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi criado por André Elias Morelli Ribeiro em 2025.2, criador e coordenador da WikiHP e do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ajuda]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=O_Funcionalismo_na_Europa_e_suas_Conex%C3%B5es_com_o_Brasil&amp;diff=1664</id>
		<title>O Funcionalismo na Europa e suas Conexões com o Brasil</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=O_Funcionalismo_na_Europa_e_suas_Conex%C3%B5es_com_o_Brasil&amp;diff=1664"/>
		<updated>2026-04-28T11:12:10Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Inclusão Categorias&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um texto didático de autoria de André Elias Morelli Ribeiro para a disciplina História da Psicologia, do [https://psicologiaro.uff.br curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras]. Seu uso é livre, desde que citada a fonte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Funcionalismo =&lt;br /&gt;
O funcionalismo constitui um &#039;&#039;&#039;movimento&#039;&#039;&#039; de pensadores proeminentes da psicologia. Ele surgiu no final do século XIX, notavelmente nos Estados Unidos, como uma reação e alternativa ao estruturalismo (não confundir com o estruturalismo do século XX), ao atomismo e ao mecanicismo. O movimento migra para a Europa ainda no final do mesmo século, com a circulação das ideias de William James, James Angell, James Baldwin, John Dewey, entre outros, e tem impacto significativo em pensadores do velho continente, que aplicam modificações e adaptações às linhas de pensamento europeias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A unidade do movimento pode ser observada pela perspectiva compartilhada de que &#039;&#039;&#039;a mente desempenha um papel crucial no processo evolutivo dos seres humanos&#039;&#039;&#039; e, consequentemente, na adaptação ao meio ambiente. Diferentemente do estruturalismo, que se concentrava em repartir a mente em seus elementos constituintes (estruturas), o funcionalismo voltou seu foco para os processos psicológicos em termos de sua &#039;&#039;&#039;utilidade&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;propósito&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;operação&#039;&#039;&#039;. No geral, a visão funcionalista enxerga e interpreta os processos psicológicos a partir de sua função ou, grosso modo, a partir de perguntas pragmáticas como: &amp;quot;para que isso serve?&amp;quot;, &amp;quot;por que o sujeito fez/pensou isso?&amp;quot; ou, no geral, “qual é a utilidade adaptativa de tal comportamento ou processo mental?”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o objetivo de conferir um embasamento científico ao seu construto teórico, a base do funcionalismo encontra-se parcialmente alicerçada nas &#039;&#039;&#039;teorias evolutivas&#039;&#039;&#039;, as quais postulam que os seres vivos se encontram em incessante transformação e adaptação. Sob essa ótica, &#039;&#039;&#039;a mente opera como parte integrante desse processo adaptativo&#039;&#039;&#039;, provendo recursos para que os organismos possam transformar o meio ambiente enquanto são, por sua vez, transformados por ele. Os processos mentais seriam como os órgãos e as partes do corpo. Cada um tem a sua função e seu funcionamento próprio que, isolados, não são muito capazes, mas, num conjunto, funcionam de forma ordenada e ordenadora da experiência humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o estruturalismo, o mecanicismo e o atomismo funcionam a partir de uma perspectiva físico-química ou fisicalista, o funcionalismo assinala uma biologização da psicologia. Ela confere uma relevância acentuada tanto aos equipamentos biológicos humanos quanto ao contexto ambiental, cuja importância e dinâmica será determinada por cada escola funcionalista. As teorias evolutivas têm relevância central, visto que a mente é o órgão de sobrevivência mais complexo da natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o estruturalismo, o mecanicismo e o atomismo funcionam a partir de uma perspectiva físico-química ou fisicalista, o funcionalismo assinala uma biologização da psicologia. Ela confere uma relevância acentuada tanto aos equipamentos biológicos humanos quanto ao contexto ambiental, cuja importância e dinâmica será determinada por cada escola funcionalista. As teorias evolutivas têm relevância central, visto que a mente é o órgão de sobrevivência mais complexo da natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= As diferenças entre o funcionalismo americano e o funcionalismo europeu =&lt;br /&gt;
Como vimos na seção anterior, o funcionalismo como um movimento transatlântico se inicia nos EUA mas chega à Europa, onde se transforma e adquire características próprias, mas ambos compartilham uma visão biologizante e evolutiva dos fenômenos e objetos psicológicos. Vamos analisar agora algumas das diferenças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No &#039;&#039;&#039;funcionalismo americano&#039;&#039;&#039;, o foco recai sobre os &#039;&#039;&#039;processos adaptativos comportamentais&#039;&#039;&#039;. Os fenômenos mentais e comportamentais são vistos como operações destinadas à sobrevivência. A consciência não é uma coisa por si, mas um órgão seletivo que ajuda o organismo a se adaptar ao meio. Comportamentos, tal qual fenômenos mentais como a consciência, não são meros movimentos, eles são operações. A consciência, por exemplo, é concebida como uma operação que atua na seleção e autorregulação das táticas comportamentais visando à adaptação. Para entender essas operações, é preciso identificar o interesse subjacente a elas. Essa identificação dos interesses constitui a análise funcional dos processos psicológicos e comportamentais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro aspecto importante próprio do funcionalismo americano é o &#039;&#039;&#039;pragmatismo&#039;&#039;&#039;, uma vertente filosófica desenvolvida nos EUA e que reflete em grande medida a própria cultura americana. Nessa perspectiva, a análise psicológica exige o estudo das funções em seu ambiente natural, pois é nesse contexto que os interesses se manifestam e revelam seus resultados adaptativos. Em outras palavras, é como dizer “o que, na prática, esse comportamento ou pensamento significam?”. Trata-se de uma visão que inaugura um olhar para a prática, diferente da psicologia altamente laboratorial e fechada de Wundt e seus seguidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já o &#039;&#039;&#039;funcionalismo europeu&#039;&#039;&#039;, apesar de compartilhar vários aspectos do seu colega americano, apresenta importantes diferenças. Em primeiro lugar, existem &#039;&#039;&#039;três linhagens&#039;&#039;&#039; do funcionalismo europeu. Primeiro, o da &#039;&#039;&#039;etologia&#039;&#039;&#039;, com foco nos instintos e impulsos que visam à sobrevivência. Um segundo é o funcionalismo de &#039;&#039;&#039;matriz psicanalítica&#039;&#039;&#039;, que postula um organismo voltado para aliviar pulsões e tensões que causam desprazer, com foco no incosciente. A terceira linhagem, que será o foco deste texto, tem &#039;&#039;&#039;matriz genético-funcional&#039;&#039;&#039;, ou seja, enxerga as funções como traços evolutivos humanos e a cognição a partir de uma perspectiva adaptativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O funcionalismo europeu continental (excluindo a Grã-Bretanha, mais próxima da visão dos EUA) postula uma perspectiva comum de desenvolvimento no pensamento que sugere que a mente, à semelhança dos organismos, possui &#039;&#039;&#039;estágios evolutivos&#039;&#039;&#039;. O pensamento europeu, nesse sentido, compreende que, assim como o desenvolvimento físico se inicia na gestação, prossegue após o nascimento e atinge seu ápice na vida adulta, a mente também passa por um processo análogo. Existem, portanto, etapas de desenvolvimento cognitivo que se distinguem por características específicas que definem as possibilidades e limitações da cognição. Esse processo mental de desenvolvimento seria concluído após a infância, momento em que o desenvolvimento cognitivo estaria completo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os europeus do continente também decidiram não seguir com a proposta dualista de Galton, conhecida como natureza vs. cultura. É um debate que busca entender de onde vem a psicologia humana, ou seja, se nascemos com nossa psicologia ou se a adquirimos conforme envelhecemos. A proposição do funcionalismo europeu é o chamada &#039;&#039;&#039;interacionismo&#039;&#039;&#039;, que entende que, na verdade, trata-se da mistura dos dois. Por um lado, nascemos com uma certa capacidade de desenvolvimento e de aprendizagem, definida pela espécie, mas que só ocorre conforme interagimos com o meio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Um passeio por psicologias europeias =&lt;br /&gt;
Apesar do nome genérico “funcionalismo europeu”, que está correto por conta de suas muitas semelhanças entre os diferentes países do continente (principalmente a visão evolucionista), ele na verdade exclui a psicologia das ilhas britâncias, que seguiam um caminho próprio. Além disso, dentro da chamada Europa Continental, os diferentes países também têm histórias da psicologia próprias, com visões distintas e que refletem a cultura e a filosofia de cada um. Abaixo, são apresentadas as três psicologias europeias mais relevantes para a formação da psicologia brasileira, a saber, &#039;&#039;&#039;França, Alemanha e Rússia&#039;&#039;&#039;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes três casos, é importante destacar que, nestes três casos, não se deve limitar a criação e circulação de ideias psicológicas apenas com questões geográficas, mas também culturais e de influência. A psicologia francesa estava em diálogo com &#039;&#039;&#039;países francófonos&#039;&#039;&#039; (como Bélgica e Suíça), a Alemanha com países da &#039;&#039;&#039;influência cultural gemânica&#039;&#039;&#039; (como Polônia, Suíça e Áustria) e a Rússia é, na verdade, a grande representante dos &#039;&#039;&#039;países eslavos&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia na &#039;&#039;&#039;Itália&#039;&#039;&#039; teve também relevância por um período específico na psicologia educacional de São Paulo. Ademais, muitas vezes manuais &#039;&#039;&#039;portugueses&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;espanhois&#039;&#039;&#039; circulavam no Brasil, geralmente traduzindo elementos dos três principais países europeus e acrescentando elementos pontuais. Infelizmente, &#039;&#039;&#039;ideias não eslavas do leste europeu&#039;&#039;&#039; e dos &#039;&#039;&#039;países nórdicos&#039;&#039;&#039;, devido a problemas no idioma e à distância cultural, praticamente não apareceram no país, exceto por menções passageiras em livros e manuais importados da Europa e EUA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na França ==&lt;br /&gt;
A psicologia floresceu na França de forma não linear e em grande diálogo com diferentes ciências e grupos profissionais. Isso ocorreu a partir de três linhagens mais ou menos simultâneas que, apesar de se comunicarem e até compartilharem nomes e conceitos, tinham diferenças importantes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira foi aquela desenvolvida na &#039;&#039;&#039;Salpetrière&#039;&#039;&#039;. Fundada em 1656 por decreto de Luís XIV, o hospital Pitié-Salpêtrière foi originalmente construído no prédio de uma antiga fábrica de pólvora, com o objetivo de abrigar um grande encarceramento. Prostitutas, mendigos, alcoolistas, órfãos, entre outros indesejados da sociedade eram agrupados no local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século XVIII, &#039;&#039;&#039;Philippe Pinel&#039;&#039;&#039; foi nomeado médico-chefe da instituição e introduziu o tratamento moral, defendendo que os alienados mentais eram doentes que precisavam de cuidados médicos e compaixão. As políticas e ideias de Pinel e, posteriormente, Esquirol, influenciaram de forma decisiva a psicologia e psiquiatria em várias partes do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O hospital viveu sua era de ouro durante a administração do polêmico médico &#039;&#039;&#039;Jean-Martin Charcot&#039;&#039;&#039;, já no século XIX. Ele conduziu a Salpetrière como um &amp;quot;museu patológico vivo&amp;quot;, principalmente durante a chamada Grande Histeria. A &#039;&#039;&#039;histeria&#039;&#039;&#039; era uma doença considerada misteriosa na época. Sintomas como paralisias parciais, cegueira temporária, surdez temporária, entre outros, eram comuns e associados a conflitos psicológicos. Ela apresentava manifestações tanto físicas quanto psicológicas, e nenhum tratamento na época parecia ter efeito, nem nenhuma explicação parecia fazer sentido, principalmente devido à concepção dominante à época da total separação entre mente e corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse contexto, Charcot passou a empregar a &#039;&#039;&#039;hipnose&#039;&#039;&#039;, uma técnica controversa que havia ressurgido no Ocidente após o mesmerismo, para examinar e tratar pacientes histéricas. Suas demonstrações atraíam grandes públicos de toda a Europa. Ele selecionava uma paciente com um sintoma importante, a hipnotizava e, em seguida, demonstrava que, sob o transe hipnótico, o sintoma histérico desaparecia temporariamente, retornando logo depois. Freud estava entre os observadores dessas controversas sessões de Charcot, entre muitos outros nomes importantes para o século XX. Alguns interpretavam que as demonstrações de Charcot na Salpetrière eram uma prova da origem inconsciente da histeria. Contudo, o próprio Charcot sustentava que a histeria era, na verdade, uma degeneração hereditária do sistema nervoso. De qualquer forma, a hipnose surgia no horizonte dos estudos psiquiátricos e psicológicos, da mesma forma que o inconsciente passou a ser um problema científico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O auge de Charcot na Salpetriêre caiu graças à &#039;&#039;&#039;Escola de Nancy&#039;&#039;&#039;, um grupo de médicos radicados numa faculdade de medicina na cidade de Nancy, demonstrou, em 1882, que os fenômenos de melhora descritos por Charcot eram falsos e fruto de mera sugestão inconsciente. Bernheim, Liégeois e Beaunis trabalharam intensamente para mostrar que a histeria era um problema psicológico e que a hipnose não era um tratamento eficaz, o que trouxe um certo descrédito para a linhagem psicológica da Salpetrière. Contudo, ela deixou marcas importantes para a compreensão do psíquico, principalmente pela abertura ao estudo do inconsciente, do próprio uso da hipnose e do estudo dos estados patológicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma segunda linha foi desenvolvida na &#039;&#039;&#039;Universidade Sorbonne&#039;&#039;&#039;, em Paris. Ela foi fundada em 1253 e, durante séculos, foi o epicentro das discussões religiosas na Europa. A universidade ficou fechada durante a Revolução Francesa e renasceu em 1806, sob o comando de Napoleão Bonaparte. O líder da França implementou uma série de reformas na educação superior, com inspiração na educação da Prússia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o período da Restauração, a Sorbonne ficou fortemente enviesada pelo cousinismo, um movimento filosófico monarquista liderado por &#039;&#039;&#039;Victor Cousin&#039;&#039;&#039;. Ele acreditava que nenhuma escola filosófica detinha a verdade completa, mas que todas possuíam uma parcela de verdade. Sua proposta era selecionar os melhores elementos de cada sistema e superar a chamada “era das escolas”. Cousin usou de suas habilidades políticas e de sua força perante a nobreza para colocar seus seguidores nas melhores posições da educação francesa, o que incluía a Sorbonne. Neste sistema, uma psicologia experimental não tinha lugar, o que paralisou a psicologia experimental mas trouxe muitos ganhos numa psicologia filosófica, que influenciou os pensadores franceses posteriores. Com a instituição da Terceira República Francesa, o cousinismo começa a entrar em sua longa decadência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste ínterim, a psicologia experimental francesa persistia graças ao professor francês de filosofia &#039;&#039;&#039;Théodule Ribot&#039;&#039;&#039;, que não era cousinista e fora sabotado por isso. Ele era um estudioso do movimento da psicologia científica da Alemanha, publicando a tese A Psicologia Inglesa Contemporânea e, posteriormente, A Psicologia Alemã Contemporânea, também de grande sucesso. Ele pressionava o novo governo republicano a criar uma cadeira de Psicologia na Sorbonne que incorporasse as tendências da nova ciência, entendendo que a França estava ficando atrasada no movimento de criar essa nova ciência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pressão funcionou e a cadeira foi criada em 1881, dentro da Escola Prática de Altos Estudos. Contudo, quem assumiu o posto foi &#039;&#039;&#039;Jules Soury&#039;&#039;&#039;, que era amigo do ministro da educação e mais interessado em história da psicologia do que na psicologia contemporânea. Uma segunda cadeira foi criada em 1884 e dada a &#039;&#039;&#039;Louis Liard&#039;&#039;&#039;, que era um defensor da psicologia experimental e que promovia cursos abertos oferecidos por Ribot. Em 1898, uma terceira cadeira é criada e dada para Pierre Janet.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira linha de psicologia na França é a do &#039;&#039;&#039;Collège de France&#039;&#039;&#039;. Fundado em 1530 pelo rei Francisco I a pedido do filósofo humanista Guilherme Budé, o Collège nasceu como uma resposta à rigidez da Sorbonne, que focava apenas em dogmas religiosos. O Collège de France, originalmente chamado de Collège Royal, foi criado para ensinar disciplinas consideradas inferiores na época, como línguas, matemática e filosofia não religiosa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferente das universidades, o Collège não tem alunos matriculados, exames nem emite diplomas. Sua missão é ensinar abertamente o conhecimento que está em processo de criação, o que atraiu as mentes mais brilhantes de cada época e transformou a instituição em um termômetro da inovação científica e intelectual da França. Trabalharam lá personagens como Claude Bernard (maior fisiologista da história), Champollion (decifrador da escrita egípcia), Fernando Henrique Cardoso (sociólogo e presidente do Brasil), Michel Foucault (filósofo do século XX), Roland Barthes (linguista), entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1887, Renan, administrador do Collège, criou a cadeira de Psicologia Experimental e Comparada, devido à pressão do Ministério da Educação. Após uma disputa política, Ribot foi indicado para a cadeira, que assumiu em 1888. Ribot não apenas assumiu o posto, ele também atuou na criação de periódicos, na promoção de cursos, entre outras ações que ajudaram na consolidação da psicologia científica na França. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os franceses criaram seu &#039;&#039;&#039;primeiro laboratório em 1889&#039;&#039;&#039;, quando &#039;&#039;&#039;Henri-Étienne Beaunis&#039;&#039;&#039;, um estudioso do movimento da psicofísica, se uniu a Ribot para pressionar as instituições que tinham cadeiras de psicologia colaborassem na criação de um laboratório. O projeto foi aprovado e Liard, catedrático da Sorbonne, enviou uma carta a Wundt pedindo instruções para a construção de um laboratório. Sob essas instruções e orientações, ele foi instalado na Escola Prática de Altos Estudos como parte da Sorbonne, sob a liderança do próprio Beaunis e tendo &#039;&#039;&#039;Alfred Binet&#039;&#039;&#039; como assistente. Posteriormente, Binet cria o primeiro teste de inteligência bem-sucedido da história. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da psicologia e da psiquiatria na França, conforme descrita no texto, possui conexões, muitas vezes indiretas, mas significativas, com o desenvolvimento dessas áreas no Brasil. Os personagens centrais das três linhagens francesas – Salpêtrière, Sorbonne e Collège de France – influenciaram a formação de pensamento e a prática clínica e o pensamento acadêmico brasileiro, especialmente no final do século XIX e no início do XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A figura de Jean-Martin Charcot e seus estudos na Salpêtrière sobre a histeria e a hipnose tiveram um impacto importante na psiquiatria brasileira que, na virada do século, era fortemente influenciada pela escola francesa. Isso pode ser observado nos títulos de hospitais e pavilhões homenageando médicos franceses pelo país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de Théodule Ribot não ter trazido nenhum impacto relevante para o Brasil, Alfred Binet, teve um papel fundamental. Sua psicologia experimental, com seu foco em métodos científicos e modelos de avaliação e testagem da criança, foi o modelo que o Brasil buscou importar para estabelecer a disciplina como ciência. A criação do primeiro laboratório de psicologia no Brasil, no Pedagogium do Rio de Janeiro, 1904, por Manuel Bomfim, seguiu a inspiração direta de Binet. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra figura influente para o pensamento psicológico e psiquiátrico brasileiro foi o de &#039;&#039;&#039;Pierre Janet&#039;&#039;&#039;, que chegou a visitar o Brasil no começo do século XX. Ele era visto por muitos como a principal figura global da saúde mental e do estudo dos estados inconscientes, e seu modelo de psiquiatria tinha muitos seguidores por aqui. Infelizmente, graças à sua disputa com Freud, sua relevância parece ser sido esquecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na Alemanha ==&lt;br /&gt;
As primeiras tentativas de criar uma psicologia científica aconteceu na Alemanha, com as ideias de &#039;&#039;&#039;Christian Wolff&#039;&#039;&#039;. A tradição de interesse em psicologia alemã foi coroada por lá florescer o marco simbólico da criação da psicologia não só na Alemanha, mas no mundo, foi a fundação do laboratório de &#039;&#039;&#039;Wilhelm Wundt&#039;&#039;&#039; em Leipzig, em 1879, o que gerou avanços e debates pelo país. O país cria uma linhagem de psicologia aplicada dentro do exército. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Primeira Guerra Mundial, a psicologia alemã entrou em um período de consolidação institucional, mas de profunda fragmentação teórica, conhecido como a &amp;quot;&#039;&#039;&#039;crise da psicologia&#039;&#039;&#039;&amp;quot;, com o surgimento de várias escolas, como a Gestalt. Surge também, dentro do exército, uma psicotécnica ou psicologia aplicada, que favoreceu o surgimento de um corpo profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;período nazista&#039;&#039;&#039; marcou um crescimento sem precedentes da psicologia no país. Durante este momento, as escolas rivais uniram-se em torno de um paradigma comum: o &#039;&#039;&#039;diagnóstico caracterológico&#039;&#039;&#039;. Em vez de focar em funções isoladas, os psicólogos enfatizavam qualidades holísticas da personalidade (Ganzheit), utilizando métodos intuitivos e situacionais para, por exemplo, selecionar oficiais para o exército.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a &#039;&#039;&#039;influência americana&#039;&#039;&#039; começa a se fazer cada vez mais presente, com seus defensores acusando os partidários da psicologia tradicional alemã de conexões com o passado nazista. O mesmo ocorre com &#039;&#039;&#039;pensadores marxistas&#039;&#039;&#039;, que também são numerosos e respeitados. A psicologia tipicamente alemã, a da &#039;&#039;&#039;Gestalt&#039;&#039;&#039;, havia imigrado para os EUA, onde teve uma certa continuidade, mas não teve forças para retornar ao país de origem, o que esvaziou a identidade da psicologia alemã. &#039;&#039;&#039;Perspectivas fenomenológicas&#039;&#039;&#039; ganham força junto de abordagens mais holísticas e, apesar de sua relevância, a psicologia alemã ainda busca um retorno à glória de seu passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com exceção de alguns poucos praticantes da psicologia da Gestalt e de abordagens fenomenológicas, bem como alguns livros alemães traduzidos do francês, a influência da psicologia alemã no Brasil se resume principalmente à &#039;&#039;&#039;psicanálise&#039;&#039;&#039;, ironicamente com destaque para a linhagem lacaniana, que tem origem francesa. A distância entre Alemanha e o Brasil se devem às dificuldades do idioma e à distância cultural, que atrapalharam a circulação das ideias daquele país no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na Rússia ==&lt;br /&gt;
A psicologia na Rússia olhou frequentemente para a Europa continental como uma referência científica, principalmente alemã, e associou-se fortemente à fisiologia, na composição da sua própria teoria, a &#039;&#039;&#039;reflexologia&#039;&#039;&#039;. O primeiro a defender a ideia de que a vida psíquica tinha origem no arco reflexo foi &#039;&#039;&#039;Séchenov&#039;&#039;&#039;, um antigo aluno de Claude Bernard e entusiasta de Charles Darwin. Para os primeiros reflexólogos russos, a vida psíquica era uma função do sistema nervoso que seria composta principalmente de reflexos do arco reflexo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os psicólogos russos encontraram seu ápice com o trabalho de &#039;&#039;&#039;Ivan Pavlov&#039;&#039;&#039;. Especialista em fisiologia da Universidade de São Petersburgo, seus experimentos com salivação de cães o levaram a formular uma &#039;&#039;&#039;teoria sobre reflexos condicionados&#039;&#039;&#039;. O trabalho rendeu a Pavlov uma fama mundial imediata, coroada com um prêmio Nobel de fisiologia em 1904. Suas ideias fundamentaram parcialmente uma ciência do comportamento que floresceu nos EUA. Já na Rússia, a continuação do trabalho de Pavlov fortaleceu a reflexologia, que continuou com o médico psiquiatra Bechterev.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antigo aluno de Wundt e Charcot, &#039;&#039;&#039;Bechterev&#039;&#039;&#039; aprofunda os estudos na linha de Séchenov e Pavlov para desenvolver o conceito de &#039;&#039;&#039;reflexo associado&#039;&#039;&#039;, uma versão motora do reflexo condicionado de Pavlov. Sua ênfase nos reflexos motores se diferenciava dos reflexos glandulares de Pavlov (salivação). Bechterev tentou associar diferentes reflexos motores, como retiniano e plantar, no estudo da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Revolução de 1917 e a instalação do regime soviético, a psicologia na Rússia passa a ser identificada com o marxismo. Um de seus expoentes foi &#039;&#039;&#039;Lev Semenovich Vygotsky&#039;&#039;&#039;, um advogado de rica formação intelectual que produziu textos em diferentes assuntos. Vygotsky foi, ao mesmo tempo, um marxista e um interessado na psicanálise, mas foram suas ideias educacionais que lhe renderam fama, na sua &#039;&#039;&#039;teoria histórico-cultural&#039;&#039;&#039;. Nela, o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, como o pensamento, a memória voluntária e a atenção, ocorre pela mediação de instrumentos culturais e signos, especialmente a linguagem. Entre seus conceitos mais influentes destaca-se a &#039;&#039;&#039;Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP)&#039;&#039;&#039;, muito usada na educação e que pode ser definida como a distância entre o nível de desenvolvimento real da criança e o nível de desenvolvimento potencial, alcançado com o auxílio de um adulto ou de pares mais experientes. Esse conceito teve profundo impacto nas teorias educacionais e nas práticas pedagógicas contemporâneas brasileiras. Pode-se dizer que esta é, atualmente, a linhagem dominante neste campo específico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome importante é o de &#039;&#039;&#039;Sergei Rubinstein&#039;&#039;&#039;, conhecido como verdadeiro fundador da psicologia marxista soviética. A proposta de Rubinstein baseava-se no princípio da unidade entre consciência e atividade. O ser humano não é apenas um receptor de estímulos, mas um sujeito que transforma o mundo por meio da atividade. Nesse processo de transformar a natureza externa, o sujeito transforma sua própria natureza e consciência. A psicologia deveria estudar a personalidade tomada como um todo e inserida em um contexto social e histórico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a morte de Vygotsky e Rubinstein, a psicologia soviética continuou com as ideias de Aleksei N. &#039;&#039;&#039;Leontiev&#039;&#039;&#039; e Aleksandr &#039;&#039;&#039;Luria&#039;&#039;&#039;, que desenvolveram a &#039;&#039;&#039;Teoria da Atividade ou Teoria da Atividade Sócio-Cultural&#039;&#039;&#039;. Eles sofreram fortes críticas porque sua teoria não era considerada marxista o suficiente, além de se aproximar perigosamente do behaviorismo de matriz americana. Apesar das críticas, suas teorias a ser desenvolvida e aplicada em diversas áreas, como a educação e a ergonomia, sendo reconhecida internacionalmente como uma importante contribuição da psicologia soviética, influenciando, por exemplo, o design de interação humano-computador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia russa tem uma presença marcante no Brasil. O nome que mais se destaca neste ponto é, de longe, o de Vygotsky. A partir dos anos 1990 e, principalmente, dos anos 2000, Vygotsky praticamente substituiu toda a influência do pensamento piagetiano na educação, passando a ser dominante em muitas faculdades de educação e ser uma presença constante em Departamentos de Psicologia. Seus conceitos são amplamente ensinados nos cursos de formação de professores e debatidos academicamente, tanto na educação quanto na psicologia. Traduções diretas do russo são cada vez mais comuns e existe um forte movimento do resgate de seu pensamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reflexologia em si teve pouca circulação no Brasil, porém Pavlov é um nome quase unanimemente citado em todos os cursos de psicologia por conta de sua relevância no desenvolvimento das ciências do comportamento de linha americana. Praticamente não existem estudantes de psicologia que jamais ouviram falar de seu nome, e a maioria dos estudantes das licenciaturas também conhecem ao menos fragmentos de sua história. Sua relevância para a composição do behaviorismo o coloca como um nome obrigatório para todo o campo da psicologia brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= A Escola de Genebra =&lt;br /&gt;
De todas as escolas funiconalistas europeias, a que teve maior impacto para a formação da psicologia brasileira é a chamada “Escola de Genebra”, uma denominação ampla que abrange décadas de desenvolvimento e aperfeiçoamento de técnicas e ideias psicológicas que ocorreram na cidade de Genebra. Observe que não se fala em “psicologia suíça”. Isso ocorre por que o país é, na verdade, uma comunidade de pequenos países, cada um com suas próprias características, por vezes semelhantes, outras completamente diferentes, o que demanda um estudo por região, e não olhando o país como um todo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo é o que se poderia falar de &#039;&#039;&#039;Escola de Zurique&#039;&#039;&#039;, que estava próxima tanto da psicanálise junguiana quanto de um experimentalismo inspirado no de Wundt. Zurique desenvolveu importantes centros de estudo de psiquiatria e psicologia, o que atriu muitas das melhores mentes em ambas as áreas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na &#039;&#039;&#039;Basileia&#039;&#039;&#039;, uma cidade Suíça entre a fronteira com a Alemanha e a França, a psicologia trazia uma mistura de linha alemã com toques do pensamento francês. &#039;&#039;&#039;Lausanne&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;Neuchâtel&#039;&#039;&#039;, por seu lado, olhavam para o principal centro francófono da psicologia, Genebra, mantendo fortes vínculos com o epicentro da psicologia da região. Há poucas informações sobre a psicologia em outros cantões e cidades da Suíça. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta seção, serão apresentadas informações sobre a formação da Suíça e a história da cidade e cantão de Genebra para, em seguida apresentar a história da Escola de Genebra. Instituições e autores específicos vinculados a esta Escola serão mais longamente trabalhados, bem como suas conexões que mantém com a formação da psicologia brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Um pouco sobre a Suíça e sobre Genebra ==&lt;br /&gt;
Genebra é uma cidade na Suíça, um pequeno país na Europa Central. Por séculos, foi uma cidade-estado próxima dos Alpes Suíços, cercada por quase todos os lados pela poderosa França. Ingressou na chamada Confederação Suíça ou Confederação Helvética em 1815, tornando-se o 22º cantão. A &#039;&#039;&#039;Suíça&#039;&#039;&#039; é um país bastante peculiar, pois sua formação não é o fruto de uma unificação de natureza étnica ou de uma tradição cultural ou política, mas sim a união de  pequenas cidades-estado situadas entre a Alemanha, a Itália, a França e a Áustria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A união que configura a Suíça se deve a um motivo simples: sozinhas, as cidades são frágeis e cercadas por alguns dos maiores impérios da Europa. Unificadas, podem obter diferentes vantagens, incluindo proteção militar e desenvolvimento social e econômico mútuos. Contudo, esta união não é simples. Cada cidade-estado, agora chamadas de cantões, tem acentuadas peculiaridades históricas, políticas, econômicas, culturais e sociais, de modo que a construção do país se deu por meio de uma longa tradição de negociação política, com séculos de tradição. Hoje identificada por alguns de seus produtos, como chocolates, relógios, bancos e o turismo nos Alpes, a Suíça é, na verdade, uma complicada teia de relações entre pequenos e orgulhosos países unidos em torno de uma necessidade comum de desenvolvimento e segurança, cercada de potências militares e econômicas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade e o Cantão de &#039;&#039;&#039;Genebra&#039;&#039;&#039; certamente têm suas peculiaridades. Ela pertence à chamada &#039;&#039;&#039;Suíça Romanda&#039;&#039;&#039;, a parte da Suíça identificada culturalmente com a França e falante do idioma francês. Ademais, Genebra é uma cidade protestante, cujos líderes foram convertidos pelo próprio reformador João Calvino em 1536, quando expulsaram o bispo de Genebra e converteram a Catedral de Saint-Pierre em uma igreja calvinista. A Suíça é um país dividido entre católicos e protestantes, e Genebra é um dos epicentros globais do protestantismo, sendo um elemento central tanto de sua identidade cultural e política quanto filosófica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade ficou muito rica ao atrair banqueiros judeus de Veneza e Milão, que eram perseguidos pelo Papa e que haviam financiado grande parte dos empreendimentos vinculado à Rota da Seda. Com o desenvolvimento econômico, a cidade fortaleceu seu protestantismo e seu sentimento de destino, pois parte da doutrina calvinista indica que a prosperidade econômica é um sinal de Deus na vida do fiel. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XIX, os habitantes de Genebra desenvolveram um humanismo social, onde a ação direta de seus cidadãos deve ser direcionada para os pobres, doentes, desvalidos, entre outros. A cidade recebeu, em diferentes momentos, grupos minoritários perseguidos, doentes e vítimas de guerras, entre muitos migrantes que, por alguma razão, encontravam-se vulneráveis. Esta visão de mundo e do lugar da cidade perante a humanidade é o que levou à criação da Cruz Vermelha, bem como do Direito Internacional Humanitário, que levou a diferentes legislações internacionais de defesa dos direitos humanos, entre outras atitudes humanitárias internacionais que tiveram origem ou forte desenvolvimento na região. Estes são indicativos da tradição e da vocação humanista e internacionalista de uma pequena cidade com grande relevância política e social mundial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História da psicologia em Genebra ==&lt;br /&gt;
A história da psicologia em Genebra começa em 1882 com um dos chamados sábios da cidade, &#039;&#039;&#039;Théodore Flournoy&#039;&#039;&#039;. Ele era um médico que havia estudado na Alemanha e tinha recebido um treinamento para aprender alguns dos experimentos de Helmholtz. Ele tinha algum conhecimento do que viria a ser inserido como parte da psicologia, como experimentos na psicofísica e na fisiologia. Apesar de praticante de algumas coisas e interessado no assunto, trata-se de uma fase da psicologia ainda amadora. Ele conduzia alguns pequenos experimentos relacionados à psicofísica e à psicologia na Universidade de Genebra com seus alunos, ou mesmo no salão de sua casa, com convidados, sem grandes aspirações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cenário começa a mudar em 1889, quando Flournoy participa do &#039;&#039;&#039;Congresso de Psicologia em Paris&#039;&#039;&#039; e, com a experiência com o que viu na cidade, decide trazer a nova ciência para Genebra, colocando-a no mapa do nascimento da nova ciência. Seu modelo de laboratório foi o de &#039;&#039;&#039;Hugo Münsterberg&#039;&#039;&#039;, um psicólogo alemão que havia estudado com Wundt mas, por discordâncias, criou o próprio laboratório como um dissidente do mestre. Münsterberg fez todo tipo de indicação a Flournoy, desde quais os instrumentos mais importantes e onde comprá-los, os livros mais relevantes, entre outros. Além disso, Flournoy viaja para encontrar Münsterberg e aprender com o amigo, onde pega orientações prática e começa a desenhar o que seria o seu laboratório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente, o futuro psicólogo compra os equipamentos necessários com seus próprios recursos, que depois são adquirido pela Universidade de Genebra na ocasião da fundação oficial do laboratório, em 1891. Isso colocou Genebra não apenas no mapa dos locais com um laboratório de psicologia e cursos regulares sobre o tema, como também filiou a Universidade de Genebra à tradição psicológica inaugurada por Wundt e seu modelo de psicologia, ainda que por via indireta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Instituto Jean-Jacques Rousseau ==&lt;br /&gt;
Sete anos depois de sua fundação, em 1898, um incêndio destruiu a maior parte do laboratório de psicologia de Genebra, mas o que foi uma tragédia também se mostrou uma oportunidade. A tarefa de reconstrução do espaço foi dada ao primo de Flournoy, o médico Édouard Claparède, que decidiu dar uma nova orientação ao espaço, aliando a psicologia com a educação, visando seu projeto de “escola sob medida”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Claparède&#039;&#039;&#039;, embora conhecido na Suíça, ainda tinha um alcance limitado. Ele ganharia fama internacional apenas em 1909, quando publica Psicologia da Criança e Pedagogia Experimental. Na obra, Claparède defende que o modelo tradicional de educação desconsiderava as necessidades e características infantis, impondo conteúdos sem relação com os interesses da criança. Esta, na visão do pensador, era um ser ativo, curioso, em constante processo de adaptação ao seu meio, que precisava ser transformado e adaptado visando o seu desenvolvimento. Defende então que a educação precisa ser baseada no conhecimento sobre a criança que a psicologia poderia ajudar a proporcionar. A escola seria um laboratório de experiências, onde são testadas práticas pedagógicas fundamentadas na psicologia com eficácia comprovada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O livro foi um sucesso imediato e colocou Claparède como um dos protagonistas do movimento da &#039;&#039;&#039;Escola Nova&#039;&#039;&#039; ou &#039;&#039;&#039;Escola Ativa&#039;&#039;&#039;, que pretendia utilizar métodos educacionais que não apenas ensinassem os conteúdos tradicionais, mas que também pudessem atuar no desenvolvimento intelectual, moral e social do aluno, colocando-o no centro do processo educativo. A proposta, inspirada, entre outros, no filósofo nascido em Genebra Jean-Jacques Rousseau (que dá nome à instituição), era dar protagonismo ao aluno, ao entender as peculiaridades e funcionalidades da mente infantil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Usando de seu prestígio internacional e dentro da própria cidade, Claparède se alia a outro pensador da educação e da psicologia genebrina, Pierre Bovet, para criar o &#039;&#039;&#039;Instituto Jean-Jacques Rousseau&#039;&#039;&#039;. Após obter financiamento público e privado, o espaço é inaugurado em 1912, com cursos de psicologia experimental e pedagogia experimental. A instituição, composta como uma sociedade anônima para manter sua autonomia, adotou o lema Discat a puero magister (Que o mestre aprenda com a criança).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para colocar a teoria desenvolvida no Instituto em prática, além de realizar e testar pesquisas, o Instituto criou escolas de aplicação. A mais famosa foi a Maison des Petits, uma escola do que seria equivalente ao primeiro ciclo, fundada em 1913. Ela tornou-se um laboratório vivo sob a direção de Mina Audemars e Louise Lafendel. Lá, as crianças tinham grande liberdade, utilizando materiais pedagógicos inovadores, inspirados em diferentes reformadores da educação, como Montessori e Decroly, mas adaptados pelo próprio Instituto. Outras escolas de aplicação construídas foram a Maison des Grands e a Escola Töpffer, que visavam estender os métodos ativos ao ensino secundário, mas dificuldades financeiras levaram ao encerramento do projeto entre 1920-1921. As escolas serviram amplamente para o estudo de técnicas educacionais e como laboratório de psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o tempo, o local ainda ganhou uma clínica médica e, mais tarde, um centro de orientação vocacional. A partir de 1925, o apoio financeiro da Fundação Rockefeller permitiu uma nova fase de expansão. O Instituto mudou-se para a Rua Charles Bonnet e, posteriormente, para a Rua dos Maraîchers. Durante este período, formou centenas de educadores de mais de 40 países, disseminando os ideais da Escola Ativa em nível global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Édouard Claparède e a Teoria Genético-Funcional ==&lt;br /&gt;
Conforme o pensamento de Claparède, os seres humanos têm diferentes &#039;&#039;&#039;necessidades&#039;&#039;&#039;, cuja origem são motivações internas do sujeito. Com isso, ele relativiza o pensamento comportamentalista, que propõe que o comportamento vem da resposta a estímulos externos do indivíduo. Assim, a melhor forma de entender os fenômenos psicológicos seria entender seu papel na satisfação dessas necessidades, ou seja, na sua utilidade na adaptação do organismo ao ambiente. A questão pode ser compreendida, de forma geral, se perguntando “para que serve” determinada função, como o sono, a infância, a vontade, entre outros. Todas as funções mentais respondem a uma necessidade, pois tem uma utilidade evolutiva e adaptativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destes princípios advém o que Claparède chamou de &#039;&#039;&#039;Lei do interesse&#039;&#039;&#039;. Nessa lei, as necessidades precisam ser convertidas em condutas ou comportamentos para que a necessidade possa ser satisfeita, o que ocorre em nível psicológico. Dessa forma, o interesse é o princípio fundamental da atividade mental. Ele traduz a necessidade em um fim psicológico, colocando o indivíduo como agente ativo de sua própria conduta. O interesse expressa também a ligação de entre o indivíduo e o objeto que, em determinado momento, o interessa, ou seja, é significativo para ele. Não se trata de uma característica intrínseca das coisas, mas de uma relação que surge quando essas mesmas coisas se conectam a uma necessidade. Assim, algo só se torna interessante na medida em que pode orientar a conduta do sujeito na direção que lhe é relevante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conectadas necessidades, interesses e objetos, tem-se que o desenvolvimento da vida mental depende da distância entre as necessidades e os recursos disponíveis para atendê-las. Quando essa distância é inexistente, como acontece nos processos automáticos de respiração, reflexos pupilares, tosse, espirro, secreções, entre outros, não há esforço mental envolvido. As condutas necessárias para satisfazer essas necessidades acontecem de forma automática. Já quando a diferença entre o interesse e o objeto é grande, como acontece quando estamos com fome, por exemplo, ela impulsiona os indivíduos a criar coisas, como instrumentos de caça, a pesca e até a agricultura. Desse modo, a atividade mental se amplia de forma significativa. É o que Claparède chama de &#039;&#039;&#039;Lei da extensão da vida mental&#039;&#039;&#039;. Em outras palavras, o desenvolvimento da vida mental é proporcional à distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la. Quanto maior o desafio, maior a atividade mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lei da extensão da vida mental traz como consequência a &#039;&#039;&#039;Lei da tomada de consciência&#039;&#039;&#039;, e ela está diretamente conectada à familiaridade dos problemas. Quanto menos familiar, mais rapidamente o indivíduo se dá conta dele e recorre à consciência para buscar uma solução. O contrário também é verdadeiro, ou seja, quanto mais conhecido for o problema e quanto mais sua solução depender de automatismos já adquiridos (como o respirar ou mesmo comportamentos já bem estabelecidos), menor será a necessidade de recorrer à consciência. Esse modelo também foi adotado pelos funcionalistas norte-americanos. Em outras palavras, problemas novos ou pouco familiares exigem consciência. Já problemas rotineiros podem ser resolvidos por automatismos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, o funcionalismo de Claparède oferece uma perspectiva que prioriza a utilidade e a função dos fenômenos psicológicos na adaptação do organismo ao ambiente, destacando que toda atividade mental visa a satisfação de necessidades internas. Este arcabouço teórico se organiza em torno de três leis centrais: a Lei do interesse, que estabelece o interesse como a tradução psicológica das necessidades em condutas; a Lei da extensão da vida mental, que postula o desenvolvimento mental como proporcional ao desafio apresentado pela distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la; e a Lei da tomada de consciência, que reserva a consciência para a resolução de problemas novos e não familiares, deixando os automatismos a cargo das questões rotineiras. Dessa forma, Claparède constrói um modelo dinâmico onde a mente é um agente ativo, impulsionado por suas necessidades e constantemente moldado por sua interação adaptativa com o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claparède teve vários de seus livros traduzidos para o português e publicados no Brasil, além de ter sido celebrado por psicólogos e educadores brasileiros. A conexão entre ele o país foi muito importante. Ele trocou cartas com frequência com Helena Antipoff, sua antiga aluna no Instituto Jean-Jacques Rousseau, e visitou o país duas vezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O IJJR e o Brasil ==&lt;br /&gt;
Várias figuras importantes da psicologia e educação brasileiras estiveram no Instituto, seja para estudos formais, seja apenas para visitas ou mesmo para inspirar iniciativas locais. O primeiro brasileiro a estar no instituto foi o educador mineiro &#039;&#039;&#039;Francisco Lins&#039;&#039;&#039;, que esteve no no local já próximo de sua inauguração, em 1912. Ainda no âmbito mineiro, temos &#039;&#039;&#039;Alberto Alvares&#039;&#039;&#039;, Diretor da Instrução Pública de Minas Gerais e que visitou o IJJR em 1927 para organizar a missão de educadores europeus que viria a atuar em Belo Horizonte. Especula-se que nesta visita o Brasil foi colocado como um destino possível de pessoas formadas em Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um grupo de médicos brasileiros esteve no Instituto em 1928, incluindo &#039;&#039;&#039;Flávio Dias&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;Artur Fajardo da Silveira&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;Antônio Moniz de Aragão&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;Nilton Campos&#039;&#039;&#039;. Este último viria a ter um papel chave na criação da psicologia brasileira, depois que obteve a cátedra de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia, em 1948, atuando no estabelecimento de uma psicologia científica no país. Empresta hoje nome ao prédio onde funciona o Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome de destaque é o de &#039;&#039;&#039;Laura Jacobina Lacombe&#039;&#039;&#039;, que esteve no Instituto em 1924. Era uma representante da Escola Nova no Rio de Janeiro, onde gerenciava uma escola e praticava muitas das ideias de seu mestre, Édouard Claparède. Destaca-se também &#039;&#039;&#039;Lourenço Filho&#039;&#039;&#039;, o célebre educador brasileiro com uma atuação nacional decisiva e relevante para o desenvolvimento da educação no nosso país. Além disso, Lourenço Filho também trabalhou para o desenvolvimento da psicologia no Brasil, escrevendo livros, dando cursos, publicando nos jornais e ocupando cargos importantes na administração pública, tanto federal como na época das então províncias, facilitando a conexão entre a psicologia e a educação e o desenvolvimento da própria psicologia brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O IJJR também enviou pessoas de outras nacionalidades que colaboraram para a formação da psicologia brasileira. Delas, a mais importante é Helena Antipoff, uma psicóloga e educadora de origem russa. Em 1929, Antipoff foi convidada pelo governo de Minas Gerais para implementar a Reforma de Ensino no estado. Ela se estabeleceu em Belo Horizonte, onde fundou a Escola de Aperfeiçoamento, além de uma escola rural, laboratórios, conduziu experimentos, escreveu materiais, livros e artigos e teve uma atuação prática articulada e decisiva com os seus mestres de Genebra. Seu acervo, hoje na Universidade Federal de Minas Gerais, é guardado pelo Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff, um dos primeiros grupos organizados do Brasil a estudar a história da psicologia no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome importante é o de &#039;&#039;&#039;Waclaw Radecki&#039;&#039;&#039;, um psicólogo polonês, ex-assistente de Claparède e colega de Piaget em Genebra. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu em 1924 a chefia do &#039;&#039;&#039;Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro&#039;&#039;&#039;, com recursos da Fundação Graffée Guinle. Seu laboratório era anexo à Colônia e os dados obtidos no contato clínico com os doentes era utilizado nas discussões dos casos do grupo de médicos e psiquiatras do local. Além disso, Radecki também tentou organizar o que pode ser o primeiro curso de psicologia do Brasil, visando formar assistentes para o seu laboratório, mas sem sucesso. Ele também produziu um sistema próprio, o &#039;&#039;&#039;discriminacionismo afetivo&#039;&#039;&#039;, que tomou forma final no Brasil e que pode ser uma das primeiras teorias psicológicas criadas no país. O laboratório que dirigiu, após algumas transformações, deu origem ao Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma terceira figura dos princípios do IJJR é &#039;&#039;&#039;Mariana Schryer&#039;&#039;&#039;. Psicóloga formada no Instituto, ela fugiu da Europa por conta do crescimento da perseguição aos judeus. No Brasil, criou uma clínica psicológica para crianças no Rio de Janeiro, sendo possivelmente a primeira pessoa a praticar as ideias de Piaget no país. Ela também ocupou cargos relevantes em revistas, periódicos e em instituições de ensino, porém, infelizmente, sua história ainda é pouco conhecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Jean Piaget e uma nova orientação para Genebra ==&lt;br /&gt;
A Escola de Genebra já estava consolidada. Iniciada com o laboratório de Flournoy que, após um incêndio, torna-se o laboratório de Claparède, que o expande e funda o Instituto Jean-Jacques Rousseau, colocando Genebra definitivamente no mapa com uma perspectiva de aliança entre educação e psicologia. Contudo, o grande nome de Genebra, que alterou a psicologia em nível global e transformou a visão científica sobre a infância é o de Jean William Fritz Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Piaget nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 1896 e obteve seu doutorado em zoologia em 1918, quando ainda contava com 21 anos de idade. Após um período de estudos em Zurique e em Paris, onde foi aluno de vários dos principais nomes da lógica, psiquiatria e psicologia franceses, ele foi convidado por Édouard Claparède a se integrar ao Instituto Jean-Jacques Rousseau, na condição de chefe do laboratório de psicologia, em 1922. Em 1923, publica A Linguagem e o Pensamento na Criança e, no ano seguinte, O Raciocínio na Criança, obras que o elevam à fama na Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a publicação de A Representação do Mundo na Criança, de 1926, Piaget marca a formalização de seu método, chamado de &#039;&#039;&#039;método clínico&#039;&#039;&#039; que, depois e em parceria com Barbel Inhelder, evolui para o &#039;&#039;&#039;método clínico-crítico&#039;&#039;&#039;. As obras A Causalidade Física na Criança (1927) e O Juízo Moral na Criança (1932) marcam o desenvolvimento de seu método e o amadurecimento de sua teoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua rica obra atinge um novo patamar com a publicação de O Nascimento da Inteligência na Criança, de 1936, onde desenvolve técnicas de análise do &#039;&#039;&#039;desenvolvimento cognitico de bebês&#039;&#039;&#039; a partir de experimentos e observações que conduziu com seus próprios filhos. O livro marca o estabelecimento da Epistemologia Genética, onde afirma claramente que a &#039;&#039;&#039;inteligência&#039;&#039;&#039; é uma ferramenta de &#039;&#039;&#039;adaptação do sujeito ao meio&#039;&#039;&#039; e que a &#039;&#039;&#039;cognição é uma extensão do real&#039;&#039;&#039;. É nessa obra que ele amadurece a noção de &#039;&#039;&#039;esquema&#039;&#039;&#039; e a de &#039;&#039;&#039;estrutura&#039;&#039;&#039;, que caracterizarão sua teoria até o final de sua vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1948, o Instituto Jean-Jacques Rousseau se torna Instituto de Ciências da Educação, mantendo uma interface entre a faculdade de Letras e a de Ciências. Este é um momento em que Piaget exerce imensa influência sobre a instituição, dando sua orientação e atuando diretamente na contratação de professores, na organização de currículos, entre outros. Foi nesse período, sob a liderança de Jean Piaget, que o prestígio da instituição explodiu globalmente, consolidando a Escola de Genebra como o epicentro da psicologia genética e do desenvolvimento, rivalizando com Harvard. Em 1975, a instituição se torna a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (FPSE), formato que tem até hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1955, Piaget funda o &#039;&#039;&#039;Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG)&#039;&#039;&#039;, um centro multidisciplinar de estudos que atraiu centenas de pesquisadores e algumas das mentes mais brilhantes do século XX. A grande inovação do CIEG era o seu método de trabalho. Todos os anos, Piaget selecionava um tema central como, por exemplo: &amp;quot;o tempo&amp;quot;, &amp;quot;a causalidade&amp;quot; ou &amp;quot;a contradição&amp;quot;, e convidava os maiores nomes do mundo para debatê-lo. A cada ano, Piaget e seus colaboradores escreviam relatórios sobre os debates conduzidos naquele período, sintetizando avançadas discussçoes interdisciplinares. O Centro funcionou até a morte de Piaget, em 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No cerne da teoria piagetiana está o conceito de &#039;&#039;&#039;adaptação&#039;&#039;&#039;, composto por dois processos complementares: assimilação e acomodação. A &#039;&#039;&#039;assimilação&#039;&#039;&#039; refere-se à incorporação de novos estímulos ambientais aos esquemas cognitivos existentes, utilizando-os como ferramenta para interpretar a realidade. Já a &#039;&#039;&#039;acomodação&#039;&#039;&#039; ocorre quando o esquema é modificado para se ajustar a elementos novos do meio que resistem à assimilação, promovendo reorganização cognitiva. Esses mecanismos funcionam como funções biológicas primordiais, herdadas da evolução, que visam restaurar o equilíbrio cognitivo, estado em que o organismo atinge harmonia entre suas estruturas internas e as demandas externas. Para Piaget, o desenvolvimento não é mera acumulação de conhecimento, mas uma autorregulação funcional que permite ao sujeito interagir de forma eficaz com o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Piaget adota uma &#039;&#039;&#039;abordagem genético-funcional&#039;&#039;&#039;, influenciada por funcionalistas americanos e europeus, que vê o conhecimento como resultado de funções biológicas aplicadas à epistemologia. Diferente do behaviorismo, que reduz o funcionalismo ao esquema estímulo-resposta, Piaget enfatiza funções internas (maturação) em relação complexa com extrnas (experiência social e física), construindo esquemas como conceitos práticos generalizáveis. Sua epistemologia genética afirma um sujeito ativo na construção do conhecimento, mas sempre orientado por funções adaptativas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este breve resumo conecta o pensamento de Piaget com o funcionalismo, mas sua teoria é, na verdade, altamente complexa. Ele escreveu milhares de páginas, além de ter conduzido ou orientado centenas de experimentos e colaborado com centenas de intelectuais. A influência de Piaget no pensamento psicológico e educacional é imensa e ainda objeto de estudos. Ele foi o segundo psicólogo mais citado do século XX e seu pensamento é utilizado por inúmeros psicólogos e educadores ao redor do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Piaget e o Brasil ==&lt;br /&gt;
Muitos nomes importantes para a psicologia e educação brasileiros estiveram com Piaget ou colaboraram decisivamente para a disseminação de suas ideias em nosso país. Uma lista completa é praticamente impossível de elaborar, mas alguns nomes podem ser mencionados, sem prejuízo de outros também muito relevantes. Esta lista inclui, por exemplo, &#039;&#039;&#039;Maria Luiza de Almeida Cunha Ferreira&#039;&#039;&#039;, uma ex-aluna de Helena Antipoff que conseguiu uma bolsa da UNESCO em 1959 para estudar na Europa, fazendo cursos diretamente com Piaget e &#039;&#039;&#039;André Rey&#039;&#039;&#039; em Genebra. Outro nome importante é o da esposa de André Rey, &#039;&#039;&#039;Terezinha Rey&#039;&#039;&#039;, uma psicóloga mineira que acompanhou de perto os trabalhos do IJJR e de Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destaca-se também &#039;&#039;&#039;Zélia Ramozzi-Chiarottino&#039;&#039;&#039;. Professora da USP, estudou em Genebra e na França, participando de pesquisas, assistindo a aulas com Piaget e sendo convidada por Bärbel Inhelder para reuniões no Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG). Ela fundou o primeiro laboratório de epistemologia genética do Brasil e formou gerações de psicólogos piagetianos na América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No sul do país, onde existe um importante núcleo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, se destaca o nome de &#039;&#039;&#039;Léa da Cruz Fagundes&#039;&#039;&#039;, que viajou a Genebra, onde discutiu sua dissertação com Bärbel Inhelder e conheceu Emília Ferreiro. &#039;&#039;&#039;Fernando Becker&#039;&#039;&#039; é outro nome relevante da região, ainda atuante na disseminação das ideias do mestre de Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já &#039;&#039;&#039;Luci Banks-Leite&#039;&#039;&#039; é uma pesquisadora com formação em Genebra, teve seus experimentos usados pelo próprio Piaget, com quem manteve contato por muitos anos. O médico argentino &#039;&#039;&#039;Antonio Maria Battro&#039;&#039;&#039;, que fez doutorado na França, estagiou no Centro Internacional de Epistemologia Genética a convite do próprio Piaget, que se impressionou com seus estudos. Battro foi o principal responsável por fundar os Grupos de Estudos Cognitivos (GRECs) no Brasil a partir de 1973, e teve influência decisiva na difusão das ideias de Piaget no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, destaca-se o casal Emília Ferreiro e Rolando Garcia. Intelectuais argentinos que, exilados na Suíça, trabalharam em Genebra no Centro Internacional de Epistemologia Genética. &#039;&#039;&#039;Ferreiro&#039;&#039;&#039; defendeu sua tese de doutorado sob orientação de Piaget e, posteriormente, teve um impacto revolucionário na educação e alfabetização brasileiras por meio de sua teoria, o Construtivismo. Já &#039;&#039;&#039;Rolando Garcia&#039;&#039;&#039; foi o co-autor do último livro publicado por Piaget, que ele considerava a finalização de sua obra, além de ser amigo pessoal de Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O BIE ==&lt;br /&gt;
A criação do Bureau International d’Éducation (BIE) está intrinsecamente ligada ao Institut Jean-Jacques Rousseau, em Genebra, com quem compartilha fundadores e colaboradores. Após a Primeira Guerra Mundial, sentiu-se uma lacuna importante no Tratado de Versalhes. Enquanto a Organização Internacional do Trabalho (OIT) cuidava das questões laborais, e outras organizações tratavam de drogas, armas, entre outros, não existia uma &#039;&#039;&#039;instância internacional voltada para a educação e a infância&#039;&#039;&#039;. O BIE surgiu, portanto, como uma tentativa da sociedade civil, especificamente de pacifistas, feministas e educadores, de suprir essa falha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como não conseguiram o apoio imediato e o financiamento da Liga das Nações para construir o projeto, os fundadores agiram estrategicamente, utilizando o próprio IJJR, alegando que, graças ao instituto, o BIE já existia “na prática”. Além disso, fizeram lobby em redes de solidariedade intelectual e diplomática, incluindo com brasileiros, buscando contatos informais com delegados internacionais, visando obter apoio junto aos governos de países do mundo todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1929, o BIE passou por uma transformação crucial ao se tornar uma &#039;&#039;&#039;organização intergovernamental&#039;&#039;&#039;, sendo a primeira desse tipo no campo da educação. Foi nesse período que Jean Piaget assumiu a direção, liderando a instituição por quatro décadas, de 1929 a 1968, junto de Pedro Rosselò, que administrava tudo na prática. Foram eles quem implementaram sua missão, que seria a &amp;quot;ascensão do individual ao universal&amp;quot;. Essa máxima refletia a crença de que, através da observação científica, da coleta de dados comparativos e da colaboração recíproca entre nações, seria possível definir métodos pedagógicos universais que respeitassem a especificidade da criança e promovessem a paz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As &#039;&#039;&#039;Conferências Internacionais sobre Educação Pública (ICPEs)&#039;&#039;&#039;, organizadas anualmente a partir de 1934, tornaram-se o palco dessa busca, onde governos eram convidados a discutir e, idealmente, adotar recomendações comuns. A pressão dos dirigentes do BIE, suas visitas a países no mundo todo, entre outras ações, levaram várias nações a implementarem sistemas de educação públicos, ministérios da educação, divisões de pesquisa educacionais, entre outros. Mesmo no Brasil estas pressões surtiram efeito e, apesar de o país só integrar formalmente o BIE nos anos 1960, foi um participante ativo de várias de suas iniciativas e foi bastante influencido por suas políticas e propostas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Piaget utilizou de sua influência na instituição para espalhar suas ideias pelo mundo. Assim, ele viajou a muitos países, disseminando suas ideias e promovendo debates sobre psicologia e educação. Ele esteve no Brasil em 1949, onde falou sobre suas teorias com vários brasileiros, especialmente Nilton Campos e Lourenço Filho. O BIE também teve um papel relevante na &#039;&#039;&#039;internacionalização do funcionalismo europeu&#039;&#039;&#039;, servindo como ponte entre estes grupos de intelectuais e os diferentes governos e intelectuais de forma global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Considerações finais =&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;funcionalismo&#039;&#039;&#039;, tanto em sua vertente americana quanto europeia, representou um divisor de águas na história da psicologia, marcando a transição de uma visão mecanicista e atomista da mente para uma perspectiva que enfatiza a função adaptativa dos processos psicológicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A investigação do funcionalismo europeu nos levou a um &amp;quot;passeio&amp;quot; por importantes centros de produção psicológica no continente. Na &#039;&#039;&#039;França&#039;&#039;&#039;, a psicologia floresceu na Salpêtrière, na Sorbonne,  e no Collège de France, com Ribot a cátedra de Psicologia Experimental e Comparada. A influência francesa, particularmente de Charcot, Binet e Pierre Janet, foi notável no Brasil, moldando a psiquiatria e servindo de modelo para o estabelecimento da psicologia experimental no início do século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na &#039;&#039;&#039;Alemanha&#039;&#039;&#039;, após o apogeu de Wilhelm Wundt, a psicologia viveu uma crise de fragmentação. O período nazista impôs uma unificação controversa em torno do diagnóstico caracterológico e da visão holística da personalidade (Ganzheit). Após a Segunda Guerra, a psicologia alemã foi marcada pela influência americana e marxista, bem como pela dificuldade de rearticulação de suas escolas, como a Gestalt. No Brasil, a influência alemã se concentrou principalmente na psicanálise e em alguns debates sobre a fenomenologia, mas as barreiras linguísticas e culturais limitaram a circulação de outras ideias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia na &#039;&#039;&#039;Rússia&#039;&#039;&#039; associou-se fortemente à fisiologia, culminando na reflexologia, impulsionada por Séchenov e atingindo o auge com Pavlov. Após a Revolução de 1917, a psicologia soviética abraçou o marxismo, destacando-se Lev Semenovich Vygotsky com sua teoria histórico-cultural e com o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), que teve um impacto transformador na educação brasileira a partir dos anos 1990. Sergei Rubinstein e, posteriormente, Leontiev e Luria, com a Teoria da Atividade, também consolidaram a contribuição russa marxista, embora estas vertentes tenham menor circulação no Brasil do que Vygotsky.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, a &#039;&#039;&#039;Escola de Genebra&#039;&#039;&#039; tornou-se o epicentro da matriz genético-funcional. A fundação do Instituto Jean-Jacques Rousseau (IJJR) em 1912 marcou a consolidação dessa visão, abraçando a Escola Nova. O IJJR manteve uma conexão intensa com o Brasil, de onde recebeu e para onde enviou muitos educadores e psicólogos. O auge de Genebra veio com Jean Piaget, que criou o método clínico-crítico e estabeleceu a Epistemologia Genética. A influência de Piaget no Brasil foi monumental e diversificada, atraindo figuras diversas. O Bureau International d’Éducation teve um papel decisivo na educação global e na difusão das ideias do funcionalismo europeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, &#039;&#039;&#039;o funcionalismo europeu não foi um bloco homogêneo&#039;&#039;&#039;, mas uma tapeçaria rica de abordagens que, partindo da premissa da função adaptativa da mente, gerou escolas com profundas ramificações na psiquiatria, na psicologia experimental e, crucialmente, na educação, com a Escola de Genebra se tornando um farol de inovação. As conexões com o Brasil, seja pela importação de modelos, seja pela formação de lideranças, foram decisivas para a institucionalização e a definição da identidade da psicologia e da pedagogia brasileiras ao longo do século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[William James]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lourenço Filho]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Helena Antipoff]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lev Vygotsky|Vygotsky]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Nilton Campos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Philippe Pinel]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Mesmerismo/Magnetismo Animal|Mesmerismo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Alfred Binet]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Hugo Münsterberg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Zélia Ramozzi-Chiarottino]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Referências =&lt;br /&gt;
BANG, Vinh. La méthode clinique et la recherche em psychologie de l’enfant. Em : ____ &#039;&#039;&#039;Textes choisis&#039;&#039;&#039;. UniGe: Genebra, 1988. (originalmente publicado em 1966).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BANKS-LEITE, Luci (Org.). &#039;&#039;&#039;Percursos piagetianos&#039;&#039;&#039;. São Paulo: Cortez, 1997.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BANKS-LEITE, Luci (Org.). &#039;&#039;&#039;Piaget e a escola de Genebra&#039;&#039;&#039;. São Paulo: Cortez, 1987.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BERCHTOLD, Alfred. &#039;&#039;&#039;La Suisse romande au cap du XX siècle&#039;&#039;&#039;: portrait litteraire et moral. Lausanne: Payot, 1964.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BLOCH, Henriette. &#039;&#039;&#039;La psychologie scientifique en France&#039;&#039;&#039;. Paris: Armand Colin, 2006.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BOVET, Pierre. &#039;&#039;&#039;Vingt ans de vie&#039;&#039;&#039;: l&#039;Institut J. J. Rousseau de 1912 à 1932. Neuchâtel: Delachaux &amp;amp; Niestlé, 1932. (Collection d&#039;actualités pédagogiques). Disponível em: &amp;lt;&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://archive-ouverte.unige.ch/unige:36985&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Texto didático]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Epistemologia Genética no Brasil]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=O_Funcionalismo_na_Europa_e_suas_Conex%C3%B5es_com_o_Brasil&amp;diff=1663</id>
		<title>O Funcionalismo na Europa e suas Conexões com o Brasil</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=O_Funcionalismo_na_Europa_e_suas_Conex%C3%B5es_com_o_Brasil&amp;diff=1663"/>
		<updated>2026-04-27T17:54:51Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Texto didático correções&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um texto didático de autoria de André Elias Morelli Ribeiro para a disciplina História da Psicologia, do [https://psicologiaro.uff.br curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras]. Seu uso é livre, desde que citada a fonte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Funcionalismo =&lt;br /&gt;
O funcionalismo constitui um &#039;&#039;&#039;movimento&#039;&#039;&#039; de pensadores proeminentes da psicologia. Ele surgiu no final do século XIX, notavelmente nos Estados Unidos, como uma reação e alternativa ao estruturalismo (não confundir com o estruturalismo do século XX), ao atomismo e ao mecanicismo. O movimento migra para a Europa ainda no final do mesmo século, com a circulação das ideias de William James, James Angell, James Baldwin, John Dewey, entre outros, e tem impacto significativo em pensadores do velho continente, que aplicam modificações e adaptações às linhas de pensamento europeias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A unidade do movimento pode ser observada pela perspectiva compartilhada de que &#039;&#039;&#039;a mente desempenha um papel crucial no processo evolutivo dos seres humanos&#039;&#039;&#039; e, consequentemente, na adaptação ao meio ambiente. Diferentemente do estruturalismo, que se concentrava em repartir a mente em seus elementos constituintes (estruturas), o funcionalismo voltou seu foco para os processos psicológicos em termos de sua &#039;&#039;&#039;utilidade&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;propósito&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;operação&#039;&#039;&#039;. No geral, a visão funcionalista enxerga e interpreta os processos psicológicos a partir de sua função ou, grosso modo, a partir de perguntas pragmáticas como: &amp;quot;para que isso serve?&amp;quot;, &amp;quot;por que o sujeito fez/pensou isso?&amp;quot; ou, no geral, “qual é a utilidade adaptativa de tal comportamento ou processo mental?”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o objetivo de conferir um embasamento científico ao seu construto teórico, a base do funcionalismo encontra-se parcialmente alicerçada nas &#039;&#039;&#039;teorias evolutivas&#039;&#039;&#039;, as quais postulam que os seres vivos se encontram em incessante transformação e adaptação. Sob essa ótica, &#039;&#039;&#039;a mente opera como parte integrante desse processo adaptativo&#039;&#039;&#039;, provendo recursos para que os organismos possam transformar o meio ambiente enquanto são, por sua vez, transformados por ele. Os processos mentais seriam como os órgãos e as partes do corpo. Cada um tem a sua função e seu funcionamento próprio que, isolados, não são muito capazes, mas, num conjunto, funcionam de forma ordenada e ordenadora da experiência humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o estruturalismo, o mecanicismo e o atomismo funcionam a partir de uma perspectiva físico-química ou fisicalista, o funcionalismo assinala uma biologização da psicologia. Ela confere uma relevância acentuada tanto aos equipamentos biológicos humanos quanto ao contexto ambiental, cuja importância e dinâmica será determinada por cada escola funcionalista. As teorias evolutivas têm relevância central, visto que a mente é o órgão de sobrevivência mais complexo da natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o estruturalismo, o mecanicismo e o atomismo funcionam a partir de uma perspectiva físico-química ou fisicalista, o funcionalismo assinala uma biologização da psicologia. Ela confere uma relevância acentuada tanto aos equipamentos biológicos humanos quanto ao contexto ambiental, cuja importância e dinâmica será determinada por cada escola funcionalista. As teorias evolutivas têm relevância central, visto que a mente é o órgão de sobrevivência mais complexo da natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= As diferenças entre o funcionalismo americano e o funcionalismo europeu =&lt;br /&gt;
Como vimos na seção anterior, o funcionalismo como um movimento transatlântico se inicia nos EUA mas chega à Europa, onde se transforma e adquire características próprias, mas ambos compartilham uma visão biologizante e evolutiva dos fenômenos e objetos psicológicos. Vamos analisar agora algumas das diferenças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No &#039;&#039;&#039;funcionalismo americano&#039;&#039;&#039;, o foco recai sobre os &#039;&#039;&#039;processos adaptativos comportamentais&#039;&#039;&#039;. Os fenômenos mentais e comportamentais são vistos como operações destinadas à sobrevivência. A consciência não é uma coisa por si, mas um órgão seletivo que ajuda o organismo a se adaptar ao meio. Comportamentos, tal qual fenômenos mentais como a consciência, não são meros movimentos, eles são operações. A consciência, por exemplo, é concebida como uma operação que atua na seleção e autorregulação das táticas comportamentais visando à adaptação. Para entender essas operações, é preciso identificar o interesse subjacente a elas. Essa identificação dos interesses constitui a análise funcional dos processos psicológicos e comportamentais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro aspecto importante próprio do funcionalismo americano é o &#039;&#039;&#039;pragmatismo&#039;&#039;&#039;, uma vertente filosófica desenvolvida nos EUA e que reflete em grande medida a própria cultura americana. Nessa perspectiva, a análise psicológica exige o estudo das funções em seu ambiente natural, pois é nesse contexto que os interesses se manifestam e revelam seus resultados adaptativos. Em outras palavras, é como dizer “o que, na prática, esse comportamento ou pensamento significam?”. Trata-se de uma visão que inaugura um olhar para a prática, diferente da psicologia altamente laboratorial e fechada de Wundt e seus seguidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já o &#039;&#039;&#039;funcionalismo europeu&#039;&#039;&#039;, apesar de compartilhar vários aspectos do seu colega americano, apresenta importantes diferenças. Em primeiro lugar, existem &#039;&#039;&#039;três linhagens&#039;&#039;&#039; do funcionalismo europeu. Primeiro, o da &#039;&#039;&#039;etologia&#039;&#039;&#039;, com foco nos instintos e impulsos que visam à sobrevivência. Um segundo é o funcionalismo de &#039;&#039;&#039;matriz psicanalítica&#039;&#039;&#039;, que postula um organismo voltado para aliviar pulsões e tensões que causam desprazer, com foco no incosciente. A terceira linhagem, que será o foco deste texto, tem &#039;&#039;&#039;matriz genético-funcional&#039;&#039;&#039;, ou seja, enxerga as funções como traços evolutivos humanos e a cognição a partir de uma perspectiva adaptativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O funcionalismo europeu continental (excluindo a Grã-Bretanha, mais próxima da visão dos EUA) postula uma perspectiva comum de desenvolvimento no pensamento que sugere que a mente, à semelhança dos organismos, possui &#039;&#039;&#039;estágios evolutivos&#039;&#039;&#039;. O pensamento europeu, nesse sentido, compreende que, assim como o desenvolvimento físico se inicia na gestação, prossegue após o nascimento e atinge seu ápice na vida adulta, a mente também passa por um processo análogo. Existem, portanto, etapas de desenvolvimento cognitivo que se distinguem por características específicas que definem as possibilidades e limitações da cognição. Esse processo mental de desenvolvimento seria concluído após a infância, momento em que o desenvolvimento cognitivo estaria completo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os europeus do continente também decidiram não seguir com a proposta dualista de Galton, conhecida como natureza vs. cultura. É um debate que busca entender de onde vem a psicologia humana, ou seja, se nascemos com nossa psicologia ou se a adquirimos conforme envelhecemos. A proposição do funcionalismo europeu é o chamada &#039;&#039;&#039;interacionismo&#039;&#039;&#039;, que entende que, na verdade, trata-se da mistura dos dois. Por um lado, nascemos com uma certa capacidade de desenvolvimento e de aprendizagem, definida pela espécie, mas que só ocorre conforme interagimos com o meio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Um passeio por psicologias europeias =&lt;br /&gt;
Apesar do nome genérico “funcionalismo europeu”, que está correto por conta de suas muitas semelhanças entre os diferentes países do continente (principalmente a visão evolucionista), ele na verdade exclui a psicologia das ilhas britâncias, que seguiam um caminho próprio. Além disso, dentro da chamada Europa Continental, os diferentes países também têm histórias da psicologia próprias, com visões distintas e que refletem a cultura e a filosofia de cada um. Abaixo, são apresentadas as três psicologias europeias mais relevantes para a formação da psicologia brasileira, a saber, &#039;&#039;&#039;França, Alemanha e Rússia&#039;&#039;&#039;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes três casos, é importante destacar que, nestes três casos, não se deve limitar a criação e circulação de ideias psicológicas apenas com questões geográficas, mas também culturais e de influência. A psicologia francesa estava em diálogo com &#039;&#039;&#039;países francófonos&#039;&#039;&#039; (como Bélgica e Suíça), a Alemanha com países da &#039;&#039;&#039;influência cultural gemânica&#039;&#039;&#039; (como Polônia, Suíça e Áustria) e a Rússia é, na verdade, a grande representante dos &#039;&#039;&#039;países eslavos&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia na &#039;&#039;&#039;Itália&#039;&#039;&#039; teve também relevância por um período específico na psicologia educacional de São Paulo. Ademais, muitas vezes manuais &#039;&#039;&#039;portugueses&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;espanhois&#039;&#039;&#039; circulavam no Brasil, geralmente traduzindo elementos dos três principais países europeus e acrescentando elementos pontuais. Infelizmente, &#039;&#039;&#039;ideias não eslavas do leste europeu&#039;&#039;&#039; e dos &#039;&#039;&#039;países nórdicos&#039;&#039;&#039;, devido a problemas no idioma e à distância cultural, praticamente não apareceram no país, exceto por menções passageiras em livros e manuais importados da Europa e EUA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na França ==&lt;br /&gt;
A psicologia floresceu na França de forma não linear e em grande diálogo com diferentes ciências e grupos profissionais. Isso ocorreu a partir de três linhagens mais ou menos simultâneas que, apesar de se comunicarem e até compartilharem nomes e conceitos, tinham diferenças importantes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira foi aquela desenvolvida na &#039;&#039;&#039;Salpetrière&#039;&#039;&#039;. Fundada em 1656 por decreto de Luís XIV, o hospital Pitié-Salpêtrière foi originalmente construído no prédio de uma antiga fábrica de pólvora, com o objetivo de abrigar um grande encarceramento. Prostitutas, mendigos, alcoolistas, órfãos, entre outros indesejados da sociedade eram agrupados no local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século XVIII, &#039;&#039;&#039;Philippe Pinel&#039;&#039;&#039; foi nomeado médico-chefe da instituição e introduziu o tratamento moral, defendendo que os alienados mentais eram doentes que precisavam de cuidados médicos e compaixão. As políticas e ideias de Pinel e, posteriormente, Esquirol, influenciaram de forma decisiva a psicologia e psiquiatria em várias partes do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O hospital viveu sua era de ouro durante a administração do polêmico médico &#039;&#039;&#039;Jean-Martin Charcot&#039;&#039;&#039;, já no século XIX. Ele conduziu a Salpetrière como um &amp;quot;museu patológico vivo&amp;quot;, principalmente durante a chamada Grande Histeria. A &#039;&#039;&#039;histeria&#039;&#039;&#039; era uma doença considerada misteriosa na época. Sintomas como paralisias parciais, cegueira temporária, surdez temporária, entre outros, eram comuns e associados a conflitos psicológicos. Ela apresentava manifestações tanto físicas quanto psicológicas, e nenhum tratamento na época parecia ter efeito, nem nenhuma explicação parecia fazer sentido, principalmente devido à concepção dominante à época da total separação entre mente e corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse contexto, Charcot passou a empregar a &#039;&#039;&#039;hipnose&#039;&#039;&#039;, uma técnica controversa que havia ressurgido no Ocidente após o mesmerismo, para examinar e tratar pacientes histéricas. Suas demonstrações atraíam grandes públicos de toda a Europa. Ele selecionava uma paciente com um sintoma importante, a hipnotizava e, em seguida, demonstrava que, sob o transe hipnótico, o sintoma histérico desaparecia temporariamente, retornando logo depois. Freud estava entre os observadores dessas controversas sessões de Charcot, entre muitos outros nomes importantes para o século XX. Alguns interpretavam que as demonstrações de Charcot na Salpetrière eram uma prova da origem inconsciente da histeria. Contudo, o próprio Charcot sustentava que a histeria era, na verdade, uma degeneração hereditária do sistema nervoso. De qualquer forma, a hipnose surgia no horizonte dos estudos psiquiátricos e psicológicos, da mesma forma que o inconsciente passou a ser um problema científico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O auge de Charcot na Salpetriêre caiu graças à &#039;&#039;&#039;Escola de Nancy&#039;&#039;&#039;, um grupo de médicos radicados numa faculdade de medicina na cidade de Nancy, demonstrou, em 1882, que os fenômenos de melhora descritos por Charcot eram falsos e fruto de mera sugestão inconsciente. Bernheim, Liégeois e Beaunis trabalharam intensamente para mostrar que a histeria era um problema psicológico e que a hipnose não era um tratamento eficaz, o que trouxe um certo descrédito para a linhagem psicológica da Salpetrière. Contudo, ela deixou marcas importantes para a compreensão do psíquico, principalmente pela abertura ao estudo do inconsciente, do próprio uso da hipnose e do estudo dos estados patológicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma segunda linha foi desenvolvida na &#039;&#039;&#039;Universidade Sorbonne&#039;&#039;&#039;, em Paris. Ela foi fundada em 1253 e, durante séculos, foi o epicentro das discussões religiosas na Europa. A universidade ficou fechada durante a Revolução Francesa e renasceu em 1806, sob o comando de Napoleão Bonaparte. O líder da França implementou uma série de reformas na educação superior, com inspiração na educação da Prússia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o período da Restauração, a Sorbonne ficou fortemente enviesada pelo cousinismo, um movimento filosófico monarquista liderado por &#039;&#039;&#039;Victor Cousin&#039;&#039;&#039;. Ele acreditava que nenhuma escola filosófica detinha a verdade completa, mas que todas possuíam uma parcela de verdade. Sua proposta era selecionar os melhores elementos de cada sistema e superar a chamada “era das escolas”. Cousin usou de suas habilidades políticas e de sua força perante a nobreza para colocar seus seguidores nas melhores posições da educação francesa, o que incluía a Sorbonne. Neste sistema, uma psicologia experimental não tinha lugar, o que paralisou a psicologia experimental mas trouxe muitos ganhos numa psicologia filosófica, que influenciou os pensadores franceses posteriores. Com a instituição da Terceira República Francesa, o cousinismo começa a entrar em sua longa decadência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste ínterim, a psicologia experimental francesa persistia graças ao professor francês de filosofia &#039;&#039;&#039;Théodule Ribot&#039;&#039;&#039;, que não era cousinista e fora sabotado por isso. Ele era um estudioso do movimento da psicologia científica da Alemanha, publicando a tese A Psicologia Inglesa Contemporânea e, posteriormente, A Psicologia Alemã Contemporânea, também de grande sucesso. Ele pressionava o novo governo republicano a criar uma cadeira de Psicologia na Sorbonne que incorporasse as tendências da nova ciência, entendendo que a França estava ficando atrasada no movimento de criar essa nova ciência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pressão funcionou e a cadeira foi criada em 1881, dentro da Escola Prática de Altos Estudos. Contudo, quem assumiu o posto foi &#039;&#039;&#039;Jules Soury&#039;&#039;&#039;, que era amigo do ministro da educação e mais interessado em história da psicologia do que na psicologia contemporânea. Uma segunda cadeira foi criada em 1884 e dada a &#039;&#039;&#039;Louis Liard&#039;&#039;&#039;, que era um defensor da psicologia experimental e que promovia cursos abertos oferecidos por Ribot. Em 1898, uma terceira cadeira é criada e dada para Pierre Janet.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira linha de psicologia na França é a do &#039;&#039;&#039;Collège de France&#039;&#039;&#039;. Fundado em 1530 pelo rei Francisco I a pedido do filósofo humanista Guilherme Budé, o Collège nasceu como uma resposta à rigidez da Sorbonne, que focava apenas em dogmas religiosos. O Collège de France, originalmente chamado de Collège Royal, foi criado para ensinar disciplinas consideradas inferiores na época, como línguas, matemática e filosofia não religiosa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferente das universidades, o Collège não tem alunos matriculados, exames nem emite diplomas. Sua missão é ensinar abertamente o conhecimento que está em processo de criação, o que atraiu as mentes mais brilhantes de cada época e transformou a instituição em um termômetro da inovação científica e intelectual da França. Trabalharam lá personagens como Claude Bernard (maior fisiologista da história), Champollion (decifrador da escrita egípcia), Fernando Henrique Cardoso (sociólogo e presidente do Brasil), Michel Foucault (filósofo do século XX), Roland Barthes (linguista), entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1887, Renan, administrador do Collège, criou a cadeira de Psicologia Experimental e Comparada, devido à pressão do Ministério da Educação. Após uma disputa política, Ribot foi indicado para a cadeira, que assumiu em 1888. Ribot não apenas assumiu o posto, ele também atuou na criação de periódicos, na promoção de cursos, entre outras ações que ajudaram na consolidação da psicologia científica na França. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os franceses criaram seu &#039;&#039;&#039;primeiro laboratório em 1889&#039;&#039;&#039;, quando &#039;&#039;&#039;Henri-Étienne Beaunis&#039;&#039;&#039;, um estudioso do movimento da psicofísica, se uniu a Ribot para pressionar as instituições que tinham cadeiras de psicologia colaborassem na criação de um laboratório. O projeto foi aprovado e Liard, catedrático da Sorbonne, enviou uma carta a Wundt pedindo instruções para a construção de um laboratório. Sob essas instruções e orientações, ele foi instalado na Escola Prática de Altos Estudos como parte da Sorbonne, sob a liderança do próprio Beaunis e tendo &#039;&#039;&#039;Alfred Binet&#039;&#039;&#039; como assistente. Posteriormente, Binet cria o primeiro teste de inteligência bem-sucedido da história. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da psicologia e da psiquiatria na França, conforme descrita no texto, possui conexões, muitas vezes indiretas, mas significativas, com o desenvolvimento dessas áreas no Brasil. Os personagens centrais das três linhagens francesas – Salpêtrière, Sorbonne e Collège de France – influenciaram a formação de pensamento e a prática clínica e o pensamento acadêmico brasileiro, especialmente no final do século XIX e no início do XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A figura de Jean-Martin Charcot e seus estudos na Salpêtrière sobre a histeria e a hipnose tiveram um impacto importante na psiquiatria brasileira que, na virada do século, era fortemente influenciada pela escola francesa. Isso pode ser observado nos títulos de hospitais e pavilhões homenageando médicos franceses pelo país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de Théodule Ribot não ter trazido nenhum impacto relevante para o Brasil, Alfred Binet, teve um papel fundamental. Sua psicologia experimental, com seu foco em métodos científicos e modelos de avaliação e testagem da criança, foi o modelo que o Brasil buscou importar para estabelecer a disciplina como ciência. A criação do primeiro laboratório de psicologia no Brasil, no Pedagogium do Rio de Janeiro, 1904, por Manuel Bomfim, seguiu a inspiração direta de Binet. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra figura influente para o pensamento psicológico e psiquiátrico brasileiro foi o de &#039;&#039;&#039;Pierre Janet&#039;&#039;&#039;, que chegou a visitar o Brasil no começo do século XX. Ele era visto por muitos como a principal figura global da saúde mental e do estudo dos estados inconscientes, e seu modelo de psiquiatria tinha muitos seguidores por aqui. Infelizmente, graças à sua disputa com Freud, sua relevância parece ser sido esquecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na Alemanha ==&lt;br /&gt;
As primeiras tentativas de criar uma psicologia científica aconteceu na Alemanha, com as ideias de &#039;&#039;&#039;Christian Wolff&#039;&#039;&#039;. A tradição de interesse em psicologia alemã foi coroada por lá florescer o marco simbólico da criação da psicologia não só na Alemanha, mas no mundo, foi a fundação do laboratório de &#039;&#039;&#039;Wilhelm Wundt&#039;&#039;&#039; em Leipzig, em 1879, o que gerou avanços e debates pelo país. O país cria uma linhagem de psicologia aplicada dentro do exército. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Primeira Guerra Mundial, a psicologia alemã entrou em um período de consolidação institucional, mas de profunda fragmentação teórica, conhecido como a &amp;quot;&#039;&#039;&#039;crise da psicologia&#039;&#039;&#039;&amp;quot;, com o surgimento de várias escolas, como a Gestalt. Surge também, dentro do exército, uma psicotécnica ou psicologia aplicada, que favoreceu o surgimento de um corpo profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;período nazista&#039;&#039;&#039; marcou um crescimento sem precedentes da psicologia no país. Durante este momento, as escolas rivais uniram-se em torno de um paradigma comum: o &#039;&#039;&#039;diagnóstico caracterológico&#039;&#039;&#039;. Em vez de focar em funções isoladas, os psicólogos enfatizavam qualidades holísticas da personalidade (Ganzheit), utilizando métodos intuitivos e situacionais para, por exemplo, selecionar oficiais para o exército.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a &#039;&#039;&#039;influência americana&#039;&#039;&#039; começa a se fazer cada vez mais presente, com seus defensores acusando os partidários da psicologia tradicional alemã de conexões com o passado nazista. O mesmo ocorre com &#039;&#039;&#039;pensadores marxistas&#039;&#039;&#039;, que também são numerosos e respeitados. A psicologia tipicamente alemã, a da &#039;&#039;&#039;Gestalt&#039;&#039;&#039;, havia imigrado para os EUA, onde teve uma certa continuidade, mas não teve forças para retornar ao país de origem, o que esvaziou a identidade da psicologia alemã. &#039;&#039;&#039;Perspectivas fenomenológicas&#039;&#039;&#039; ganham força junto de abordagens mais holísticas e, apesar de sua relevância, a psicologia alemã ainda busca um retorno à glória de seu passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com exceção de alguns poucos praticantes da psicologia da Gestalt e de abordagens fenomenológicas, bem como alguns livros alemães traduzidos do francês, a influência da psicologia alemã no Brasil se resume principalmente à &#039;&#039;&#039;psicanálise&#039;&#039;&#039;, ironicamente com destaque para a linhagem lacaniana, que tem origem francesa. A distância entre Alemanha e o Brasil se devem às dificuldades do idioma e à distância cultural, que atrapalharam a circulação das ideias daquele país no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na Rússia ==&lt;br /&gt;
A psicologia na Rússia olhou frequentemente para a Europa continental como uma referência científica, principalmente alemã, e associou-se fortemente à fisiologia, na composição da sua própria teoria, a &#039;&#039;&#039;reflexologia&#039;&#039;&#039;. O primeiro a defender a ideia de que a vida psíquica tinha origem no arco reflexo foi &#039;&#039;&#039;Séchenov&#039;&#039;&#039;, um antigo aluno de Claude Bernard e entusiasta de Charles Darwin. Para os primeiros reflexólogos russos, a vida psíquica era uma função do sistema nervoso que seria composta principalmente de reflexos do arco reflexo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os psicólogos russos encontraram seu ápice com o trabalho de &#039;&#039;&#039;Ivan Pavlov&#039;&#039;&#039;. Especialista em fisiologia da Universidade de São Petersburgo, seus experimentos com salivação de cães o levaram a formular uma &#039;&#039;&#039;teoria sobre reflexos condicionados&#039;&#039;&#039;. O trabalho rendeu a Pavlov uma fama mundial imediata, coroada com um prêmio Nobel de fisiologia em 1904. Suas ideias fundamentaram parcialmente uma ciência do comportamento que floresceu nos EUA. Já na Rússia, a continuação do trabalho de Pavlov fortaleceu a reflexologia, que continuou com o médico psiquiatra Bechterev.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antigo aluno de Wundt e Charcot, &#039;&#039;&#039;Bechterev&#039;&#039;&#039; aprofunda os estudos na linha de Séchenov e Pavlov para desenvolver o conceito de &#039;&#039;&#039;reflexo associado&#039;&#039;&#039;, uma versão motora do reflexo condicionado de Pavlov. Sua ênfase nos reflexos motores se diferenciava dos reflexos glandulares de Pavlov (salivação). Bechterev tentou associar diferentes reflexos motores, como retiniano e plantar, no estudo da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Revolução de 1917 e a instalação do regime soviético, a psicologia na Rússia passa a ser identificada com o marxismo. Um de seus expoentes foi &#039;&#039;&#039;Lev Semenovich Vygotsky&#039;&#039;&#039;, um advogado de rica formação intelectual que produziu textos em diferentes assuntos. Vygotsky foi, ao mesmo tempo, um marxista e um interessado na psicanálise, mas foram suas ideias educacionais que lhe renderam fama, na sua &#039;&#039;&#039;teoria histórico-cultural&#039;&#039;&#039;. Nela, o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, como o pensamento, a memória voluntária e a atenção, ocorre pela mediação de instrumentos culturais e signos, especialmente a linguagem. Entre seus conceitos mais influentes destaca-se a &#039;&#039;&#039;Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP)&#039;&#039;&#039;, muito usada na educação e que pode ser definida como a distância entre o nível de desenvolvimento real da criança e o nível de desenvolvimento potencial, alcançado com o auxílio de um adulto ou de pares mais experientes. Esse conceito teve profundo impacto nas teorias educacionais e nas práticas pedagógicas contemporâneas brasileiras. Pode-se dizer que esta é, atualmente, a linhagem dominante neste campo específico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome importante é o de &#039;&#039;&#039;Sergei Rubinstein&#039;&#039;&#039;, conhecido como verdadeiro fundador da psicologia marxista soviética. A proposta de Rubinstein baseava-se no princípio da unidade entre consciência e atividade. O ser humano não é apenas um receptor de estímulos, mas um sujeito que transforma o mundo por meio da atividade. Nesse processo de transformar a natureza externa, o sujeito transforma sua própria natureza e consciência. A psicologia deveria estudar a personalidade tomada como um todo e inserida em um contexto social e histórico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a morte de Vygotsky e Rubinstein, a psicologia soviética continuou com as ideias de Aleksei N. &#039;&#039;&#039;Leontiev&#039;&#039;&#039; e Aleksandr &#039;&#039;&#039;Luria&#039;&#039;&#039;, que desenvolveram a &#039;&#039;&#039;Teoria da Atividade ou Teoria da Atividade Sócio-Cultural&#039;&#039;&#039;. Eles sofreram fortes críticas porque sua teoria não era considerada marxista o suficiente, além de se aproximar perigosamente do behaviorismo de matriz americana. Apesar das críticas, suas teorias a ser desenvolvida e aplicada em diversas áreas, como a educação e a ergonomia, sendo reconhecida internacionalmente como uma importante contribuição da psicologia soviética, influenciando, por exemplo, o design de interação humano-computador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia russa tem uma presença marcante no Brasil. O nome que mais se destaca neste ponto é, de longe, o de Vygotsky. A partir dos anos 1990 e, principalmente, dos anos 2000, Vygotsky praticamente substituiu toda a influência do pensamento piagetiano na educação, passando a ser dominante em muitas faculdades de educação e ser uma presença constante em Departamentos de Psicologia. Seus conceitos são amplamente ensinados nos cursos de formação de professores e debatidos academicamente, tanto na educação quanto na psicologia. Traduções diretas do russo são cada vez mais comuns e existe um forte movimento do resgate de seu pensamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reflexologia em si teve pouca circulação no Brasil, porém Pavlov é um nome quase unanimemente citado em todos os cursos de psicologia por conta de sua relevância no desenvolvimento das ciências do comportamento de linha americana. Praticamente não existem estudantes de psicologia que jamais ouviram falar de seu nome, e a maioria dos estudantes das licenciaturas também conhecem ao menos fragmentos de sua história. Sua relevância para a composição do behaviorismo o coloca como um nome obrigatório para todo o campo da psicologia brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= A Escola de Genebra =&lt;br /&gt;
De todas as escolas funiconalistas europeias, a que teve maior impacto para a formação da psicologia brasileira é a chamada “Escola de Genebra”, uma denominação ampla que abrange décadas de desenvolvimento e aperfeiçoamento de técnicas e ideias psicológicas que ocorreram na cidade de Genebra. Observe que não se fala em “psicologia suíça”. Isso ocorre por que o país é, na verdade, uma comunidade de pequenos países, cada um com suas próprias características, por vezes semelhantes, outras completamente diferentes, o que demanda um estudo por região, e não olhando o país como um todo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo é o que se poderia falar de &#039;&#039;&#039;Escola de Zurique&#039;&#039;&#039;, que estava próxima tanto da psicanálise junguiana quanto de um experimentalismo inspirado no de Wundt. Zurique desenvolveu importantes centros de estudo de psiquiatria e psicologia, o que atriu muitas das melhores mentes em ambas as áreas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na &#039;&#039;&#039;Basileia&#039;&#039;&#039;, uma cidade Suíça entre a fronteira com a Alemanha e a França, a psicologia trazia uma mistura de linha alemã com toques do pensamento francês. &#039;&#039;&#039;Lausanne&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;Neuchâtel&#039;&#039;&#039;, por seu lado, olhavam para o principal centro francófono da psicologia, Genebra, mantendo fortes vínculos com o epicentro da psicologia da região. Há poucas informações sobre a psicologia em outros cantões e cidades da Suíça. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta seção, serão apresentadas informações sobre a formação da Suíça e a história da cidade e cantão de Genebra para, em seguida apresentar a história da Escola de Genebra. Instituições e autores específicos vinculados a esta Escola serão mais longamente trabalhados, bem como suas conexões que mantém com a formação da psicologia brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Um pouco sobre a Suíça e sobre Genebra ==&lt;br /&gt;
Genebra é uma cidade na Suíça, um pequeno país na Europa Central. Por séculos, foi uma cidade-estado próxima dos Alpes Suíços, cercada por quase todos os lados pela poderosa França. Ingressou na chamada Confederação Suíça ou Confederação Helvética em 1815, tornando-se o 22º cantão. A &#039;&#039;&#039;Suíça&#039;&#039;&#039; é um país bastante peculiar, pois sua formação não é o fruto de uma unificação de natureza étnica ou de uma tradição cultural ou política, mas sim a união de  pequenas cidades-estado situadas entre a Alemanha, a Itália, a França e a Áustria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A união que configura a Suíça se deve a um motivo simples: sozinhas, as cidades são frágeis e cercadas por alguns dos maiores impérios da Europa. Unificadas, podem obter diferentes vantagens, incluindo proteção militar e desenvolvimento social e econômico mútuos. Contudo, esta união não é simples. Cada cidade-estado, agora chamadas de cantões, tem acentuadas peculiaridades históricas, políticas, econômicas, culturais e sociais, de modo que a construção do país se deu por meio de uma longa tradição de negociação política, com séculos de tradição. Hoje identificada por alguns de seus produtos, como chocolates, relógios, bancos e o turismo nos Alpes, a Suíça é, na verdade, uma complicada teia de relações entre pequenos e orgulhosos países unidos em torno de uma necessidade comum de desenvolvimento e segurança, cercada de potências militares e econômicas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade e o Cantão de &#039;&#039;&#039;Genebra&#039;&#039;&#039; certamente têm suas peculiaridades. Ela pertence à chamada &#039;&#039;&#039;Suíça Romanda&#039;&#039;&#039;, a parte da Suíça identificada culturalmente com a França e falante do idioma francês. Ademais, Genebra é uma cidade protestante, cujos líderes foram convertidos pelo próprio reformador João Calvino em 1536, quando expulsaram o bispo de Genebra e converteram a Catedral de Saint-Pierre em uma igreja calvinista. A Suíça é um país dividido entre católicos e protestantes, e Genebra é um dos epicentros globais do protestantismo, sendo um elemento central tanto de sua identidade cultural e política quanto filosófica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade ficou muito rica ao atrair banqueiros judeus de Veneza e Milão, que eram perseguidos pelo Papa e que haviam financiado grande parte dos empreendimentos vinculado à Rota da Seda. Com o desenvolvimento econômico, a cidade fortaleceu seu protestantismo e seu sentimento de destino, pois parte da doutrina calvinista indica que a prosperidade econômica é um sinal de Deus na vida do fiel. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XIX, os habitantes de Genebra desenvolveram um humanismo social, onde a ação direta de seus cidadãos deve ser direcionada para os pobres, doentes, desvalidos, entre outros. A cidade recebeu, em diferentes momentos, grupos minoritários perseguidos, doentes e vítimas de guerras, entre muitos migrantes que, por alguma razão, encontravam-se vulneráveis. Esta visão de mundo e do lugar da cidade perante a humanidade é o que levou à criação da Cruz Vermelha, bem como do Direito Internacional Humanitário, que levou a diferentes legislações internacionais de defesa dos direitos humanos, entre outras atitudes humanitárias internacionais que tiveram origem ou forte desenvolvimento na região. Estes são indicativos da tradição e da vocação humanista e internacionalista de uma pequena cidade com grande relevância política e social mundial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História da psicologia em Genebra ==&lt;br /&gt;
A história da psicologia em Genebra começa em 1882 com um dos chamados sábios da cidade, &#039;&#039;&#039;Théodore Flournoy&#039;&#039;&#039;. Ele era um médico que havia estudado na Alemanha e tinha recebido um treinamento para aprender alguns dos experimentos de Helmholtz. Ele tinha algum conhecimento do que viria a ser inserido como parte da psicologia, como experimentos na psicofísica e na fisiologia. Apesar de praticante de algumas coisas e interessado no assunto, trata-se de uma fase da psicologia ainda amadora. Ele conduzia alguns pequenos experimentos relacionados à psicofísica e à psicologia na Universidade de Genebra com seus alunos, ou mesmo no salão de sua casa, com convidados, sem grandes aspirações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cenário começa a mudar em 1889, quando Flournoy participa do &#039;&#039;&#039;Congresso de Psicologia em Paris&#039;&#039;&#039; e, com a experiência com o que viu na cidade, decide trazer a nova ciência para Genebra, colocando-a no mapa do nascimento da nova ciência. Seu modelo de laboratório foi o de &#039;&#039;&#039;Hugo Münsterberg&#039;&#039;&#039;, um psicólogo alemão que havia estudado com Wundt mas, por discordâncias, criou o próprio laboratório como um dissidente do mestre. Münsterberg fez todo tipo de indicação a Flournoy, desde quais os instrumentos mais importantes e onde comprá-los, os livros mais relevantes, entre outros. Além disso, Flournoy viaja para encontrar Münsterberg e aprender com o amigo, onde pega orientações prática e começa a desenhar o que seria o seu laboratório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente, o futuro psicólogo compra os equipamentos necessários com seus próprios recursos, que depois são adquirido pela Universidade de Genebra na ocasião da fundação oficial do laboratório, em 1891. Isso colocou Genebra não apenas no mapa dos locais com um laboratório de psicologia e cursos regulares sobre o tema, como também filiou a Universidade de Genebra à tradição psicológica inaugurada por Wundt e seu modelo de psicologia, ainda que por via indireta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Instituto Jean-Jacques Rousseau ==&lt;br /&gt;
Sete anos depois de sua fundação, em 1898, um incêndio destruiu a maior parte do laboratório de psicologia de Genebra, mas o que foi uma tragédia também se mostrou uma oportunidade. A tarefa de reconstrução do espaço foi dada ao primo de Flournoy, o médico Édouard Claparède, que decidiu dar uma nova orientação ao espaço, aliando a psicologia com a educação, visando seu projeto de “escola sob medida”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Claparède&#039;&#039;&#039;, embora conhecido na Suíça, ainda tinha um alcance limitado. Ele ganharia fama internacional apenas em 1909, quando publica Psicologia da Criança e Pedagogia Experimental. Na obra, Claparède defende que o modelo tradicional de educação desconsiderava as necessidades e características infantis, impondo conteúdos sem relação com os interesses da criança. Esta, na visão do pensador, era um ser ativo, curioso, em constante processo de adaptação ao seu meio, que precisava ser transformado e adaptado visando o seu desenvolvimento. Defende então que a educação precisa ser baseada no conhecimento sobre a criança que a psicologia poderia ajudar a proporcionar. A escola seria um laboratório de experiências, onde são testadas práticas pedagógicas fundamentadas na psicologia com eficácia comprovada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O livro foi um sucesso imediato e colocou Claparède como um dos protagonistas do movimento da &#039;&#039;&#039;Escola Nova&#039;&#039;&#039; ou &#039;&#039;&#039;Escola Ativa&#039;&#039;&#039;, que pretendia utilizar métodos educacionais que não apenas ensinassem os conteúdos tradicionais, mas que também pudessem atuar no desenvolvimento intelectual, moral e social do aluno, colocando-o no centro do processo educativo. A proposta, inspirada, entre outros, no filósofo nascido em Genebra Jean-Jacques Rousseau (que dá nome à instituição), era dar protagonismo ao aluno, ao entender as peculiaridades e funcionalidades da mente infantil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Usando de seu prestígio internacional e dentro da própria cidade, Claparède se alia a outro pensador da educação e da psicologia genebrina, Pierre Bovet, para criar o &#039;&#039;&#039;Instituto Jean-Jacques Rousseau&#039;&#039;&#039;. Após obter financiamento público e privado, o espaço é inaugurado em 1912, com cursos de psicologia experimental e pedagogia experimental. A instituição, composta como uma sociedade anônima para manter sua autonomia, adotou o lema Discat a puero magister (Que o mestre aprenda com a criança).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para colocar a teoria desenvolvida no Instituto em prática, além de realizar e testar pesquisas, o Instituto criou escolas de aplicação. A mais famosa foi a Maison des Petits, uma escola do que seria equivalente ao primeiro ciclo, fundada em 1913. Ela tornou-se um laboratório vivo sob a direção de Mina Audemars e Louise Lafendel. Lá, as crianças tinham grande liberdade, utilizando materiais pedagógicos inovadores, inspirados em diferentes reformadores da educação, como Montessori e Decroly, mas adaptados pelo próprio Instituto. Outras escolas de aplicação construídas foram a Maison des Grands e a Escola Töpffer, que visavam estender os métodos ativos ao ensino secundário, mas dificuldades financeiras levaram ao encerramento do projeto entre 1920-1921. As escolas serviram amplamente para o estudo de técnicas educacionais e como laboratório de psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o tempo, o local ainda ganhou uma clínica médica e, mais tarde, um centro de orientação vocacional. A partir de 1925, o apoio financeiro da Fundação Rockefeller permitiu uma nova fase de expansão. O Instituto mudou-se para a Rua Charles Bonnet e, posteriormente, para a Rua dos Maraîchers. Durante este período, formou centenas de educadores de mais de 40 países, disseminando os ideais da Escola Ativa em nível global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Édouard Claparède e a Teoria Genético-Funcional ==&lt;br /&gt;
Conforme o pensamento de Claparède, os seres humanos têm diferentes &#039;&#039;&#039;necessidades&#039;&#039;&#039;, cuja origem são motivações internas do sujeito. Com isso, ele relativiza o pensamento comportamentalista, que propõe que o comportamento vem da resposta a estímulos externos do indivíduo. Assim, a melhor forma de entender os fenômenos psicológicos seria entender seu papel na satisfação dessas necessidades, ou seja, na sua utilidade na adaptação do organismo ao ambiente. A questão pode ser compreendida, de forma geral, se perguntando “para que serve” determinada função, como o sono, a infância, a vontade, entre outros. Todas as funções mentais respondem a uma necessidade, pois tem uma utilidade evolutiva e adaptativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destes princípios advém o que Claparède chamou de &#039;&#039;&#039;Lei do interesse&#039;&#039;&#039;. Nessa lei, as necessidades precisam ser convertidas em condutas ou comportamentos para que a necessidade possa ser satisfeita, o que ocorre em nível psicológico. Dessa forma, o interesse é o princípio fundamental da atividade mental. Ele traduz a necessidade em um fim psicológico, colocando o indivíduo como agente ativo de sua própria conduta. O interesse expressa também a ligação de entre o indivíduo e o objeto que, em determinado momento, o interessa, ou seja, é significativo para ele. Não se trata de uma característica intrínseca das coisas, mas de uma relação que surge quando essas mesmas coisas se conectam a uma necessidade. Assim, algo só se torna interessante na medida em que pode orientar a conduta do sujeito na direção que lhe é relevante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conectadas necessidades, interesses e objetos, tem-se que o desenvolvimento da vida mental depende da distância entre as necessidades e os recursos disponíveis para atendê-las. Quando essa distância é inexistente, como acontece nos processos automáticos de respiração, reflexos pupilares, tosse, espirro, secreções, entre outros, não há esforço mental envolvido. As condutas necessárias para satisfazer essas necessidades acontecem de forma automática. Já quando a diferença entre o interesse e o objeto é grande, como acontece quando estamos com fome, por exemplo, ela impulsiona os indivíduos a criar coisas, como instrumentos de caça, a pesca e até a agricultura. Desse modo, a atividade mental se amplia de forma significativa. É o que Claparède chama de &#039;&#039;&#039;Lei da extensão da vida mental&#039;&#039;&#039;. Em outras palavras, o desenvolvimento da vida mental é proporcional à distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la. Quanto maior o desafio, maior a atividade mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lei da extensão da vida mental traz como consequência a &#039;&#039;&#039;Lei da tomada de consciência&#039;&#039;&#039;, e ela está diretamente conectada à familiaridade dos problemas. Quanto menos familiar, mais rapidamente o indivíduo se dá conta dele e recorre à consciência para buscar uma solução. O contrário também é verdadeiro, ou seja, quanto mais conhecido for o problema e quanto mais sua solução depender de automatismos já adquiridos (como o respirar ou mesmo comportamentos já bem estabelecidos), menor será a necessidade de recorrer à consciência. Esse modelo também foi adotado pelos funcionalistas norte-americanos. Em outras palavras, problemas novos ou pouco familiares exigem consciência. Já problemas rotineiros podem ser resolvidos por automatismos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, o funcionalismo de Claparède oferece uma perspectiva que prioriza a utilidade e a função dos fenômenos psicológicos na adaptação do organismo ao ambiente, destacando que toda atividade mental visa a satisfação de necessidades internas. Este arcabouço teórico se organiza em torno de três leis centrais: a Lei do interesse, que estabelece o interesse como a tradução psicológica das necessidades em condutas; a Lei da extensão da vida mental, que postula o desenvolvimento mental como proporcional ao desafio apresentado pela distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la; e a Lei da tomada de consciência, que reserva a consciência para a resolução de problemas novos e não familiares, deixando os automatismos a cargo das questões rotineiras. Dessa forma, Claparède constrói um modelo dinâmico onde a mente é um agente ativo, impulsionado por suas necessidades e constantemente moldado por sua interação adaptativa com o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claparède teve vários de seus livros traduzidos para o português e publicados no Brasil, além de ter sido celebrado por psicólogos e educadores brasileiros. A conexão entre ele o país foi muito importante. Ele trocou cartas com frequência com Helena Antipoff, sua antiga aluna no Instituto Jean-Jacques Rousseau, e visitou o país duas vezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O IJJR e o Brasil ==&lt;br /&gt;
Várias figuras importantes da psicologia e educação brasileiras estiveram no Instituto, seja para estudos formais, seja apenas para visitas ou mesmo para inspirar iniciativas locais. O primeiro brasileiro a estar no instituto foi o educador mineiro &#039;&#039;&#039;Francisco Lins&#039;&#039;&#039;, que esteve no no local já próximo de sua inauguração, em 1912. Ainda no âmbito mineiro, temos &#039;&#039;&#039;Alberto Alvares&#039;&#039;&#039;, Diretor da Instrução Pública de Minas Gerais e que visitou o IJJR em 1927 para organizar a missão de educadores europeus que viria a atuar em Belo Horizonte. Especula-se que nesta visita o Brasil foi colocado como um destino possível de pessoas formadas em Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um grupo de médicos brasileiros esteve no Instituto em 1928, incluindo &#039;&#039;&#039;Flávio Dias&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;Artur Fajardo da Silveira&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;Antônio Moniz de Aragão&#039;&#039;&#039; e &#039;&#039;&#039;Nilton Campos&#039;&#039;&#039;. Este último viria a ter um papel chave na criação da psicologia brasileira, depois que obteve a cátedra de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia, em 1948, atuando no estabelecimento de uma psicologia científica no país. Empresta hoje nome ao prédio onde funciona o Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome de destaque é o de &#039;&#039;&#039;Laura Jacobina Lacombe&#039;&#039;&#039;, que esteve no Instituto em 1924. Era uma representante da Escola Nova no Rio de Janeiro, onde gerenciava uma escola e praticava muitas das ideias de seu mestre, Édouard Claparède. Destaca-se também &#039;&#039;&#039;Lourenço Filho&#039;&#039;&#039;, o célebre educador brasileiro com uma atuação nacional decisiva e relevante para o desenvolvimento da educação no nosso país. Além disso, Lourenço Filho também trabalhou para o desenvolvimento da psicologia no Brasil, escrevendo livros, dando cursos, publicando nos jornais e ocupando cargos importantes na administração pública, tanto federal como na época das então províncias, facilitando a conexão entre a psicologia e a educação e o desenvolvimento da própria psicologia brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O IJJR também enviou pessoas de outras nacionalidades que colaboraram para a formação da psicologia brasileira. Delas, a mais importante é Helena Antipoff, uma psicóloga e educadora de origem russa. Em 1929, Antipoff foi convidada pelo governo de Minas Gerais para implementar a Reforma de Ensino no estado. Ela se estabeleceu em Belo Horizonte, onde fundou a Escola de Aperfeiçoamento, além de uma escola rural, laboratórios, conduziu experimentos, escreveu materiais, livros e artigos e teve uma atuação prática articulada e decisiva com os seus mestres de Genebra. Seu acervo, hoje na Universidade Federal de Minas Gerais, é guardado pelo Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff, um dos primeiros grupos organizados do Brasil a estudar a história da psicologia no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome importante é o de &#039;&#039;&#039;Waclaw Radecki&#039;&#039;&#039;, um psicólogo polonês, ex-assistente de Claparède e colega de Piaget em Genebra. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu em 1924 a chefia do &#039;&#039;&#039;Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro&#039;&#039;&#039;, com recursos da Fundação Graffée Guinle. Seu laboratório era anexo à Colônia e os dados obtidos no contato clínico com os doentes era utilizado nas discussões dos casos do grupo de médicos e psiquiatras do local. Além disso, Radecki também tentou organizar o que pode ser o primeiro curso de psicologia do Brasil, visando formar assistentes para o seu laboratório, mas sem sucesso. Ele também produziu um sistema próprio, o &#039;&#039;&#039;discriminacionismo afetivo&#039;&#039;&#039;, que tomou forma final no Brasil e que pode ser uma das primeiras teorias psicológicas criadas no país. O laboratório que dirigiu, após algumas transformações, deu origem ao Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma terceira figura dos princípios do IJJR é &#039;&#039;&#039;Mariana Schryer&#039;&#039;&#039;. Psicóloga formada no Instituto, ela fugiu da Europa por conta do crescimento da perseguição aos judeus. No Brasil, criou uma clínica psicológica para crianças no Rio de Janeiro, sendo possivelmente a primeira pessoa a praticar as ideias de Piaget no país. Ela também ocupou cargos relevantes em revistas, periódicos e em instituições de ensino, porém, infelizmente, sua história ainda é pouco conhecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Jean Piaget e uma nova orientação para Genebra ==&lt;br /&gt;
A Escola de Genebra já estava consolidada. Iniciada com o laboratório de Flournoy que, após um incêndio, torna-se o laboratório de Claparède, que o expande e funda o Instituto Jean-Jacques Rousseau, colocando Genebra definitivamente no mapa com uma perspectiva de aliança entre educação e psicologia. Contudo, o grande nome de Genebra, que alterou a psicologia em nível global e transformou a visão científica sobre a infância é o de Jean William Fritz Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Piaget nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 1896 e obteve seu doutorado em zoologia em 1918, quando ainda contava com 21 anos de idade. Após um período de estudos em Zurique e em Paris, onde foi aluno de vários dos principais nomes da lógica, psiquiatria e psicologia franceses, ele foi convidado por Édouard Claparède a se integrar ao Instituto Jean-Jacques Rousseau, na condição de chefe do laboratório de psicologia, em 1922. Em 1923, publica A Linguagem e o Pensamento na Criança e, no ano seguinte, O Raciocínio na Criança, obras que o elevam à fama na Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a publicação de A Representação do Mundo na Criança, de 1926, Piaget marca a formalização de seu método, chamado de &#039;&#039;&#039;método clínico&#039;&#039;&#039; que, depois e em parceria com Barbel Inhelder, evolui para o &#039;&#039;&#039;método clínico-crítico&#039;&#039;&#039;. As obras A Causalidade Física na Criança (1927) e O Juízo Moral na Criança (1932) marcam o desenvolvimento de seu método e o amadurecimento de sua teoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua rica obra atinge um novo patamar com a publicação de O Nascimento da Inteligência na Criança, de 1936, onde desenvolve técnicas de análise do &#039;&#039;&#039;desenvolvimento cognitico de bebês&#039;&#039;&#039; a partir de experimentos e observações que conduziu com seus próprios filhos. O livro marca o estabelecimento da Epistemologia Genética, onde afirma claramente que a &#039;&#039;&#039;inteligência&#039;&#039;&#039; é uma ferramenta de &#039;&#039;&#039;adaptação do sujeito ao meio&#039;&#039;&#039; e que a &#039;&#039;&#039;cognição é uma extensão do real&#039;&#039;&#039;. É nessa obra que ele amadurece a noção de &#039;&#039;&#039;esquema&#039;&#039;&#039; e a de &#039;&#039;&#039;estrutura&#039;&#039;&#039;, que caracterizarão sua teoria até o final de sua vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1948, o Instituto Jean-Jacques Rousseau se torna Instituto de Ciências da Educação, mantendo uma interface entre a faculdade de Letras e a de Ciências. Este é um momento em que Piaget exerce imensa influência sobre a instituição, dando sua orientação e atuando diretamente na contratação de professores, na organização de currículos, entre outros. Foi nesse período, sob a liderança de Jean Piaget, que o prestígio da instituição explodiu globalmente, consolidando a Escola de Genebra como o epicentro da psicologia genética e do desenvolvimento, rivalizando com Harvard. Em 1975, a instituição se torna a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (FPSE), formato que tem até hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1955, Piaget funda o &#039;&#039;&#039;Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG)&#039;&#039;&#039;, um centro multidisciplinar de estudos que atraiu centenas de pesquisadores e algumas das mentes mais brilhantes do século XX. A grande inovação do CIEG era o seu método de trabalho. Todos os anos, Piaget selecionava um tema central como, por exemplo: &amp;quot;o tempo&amp;quot;, &amp;quot;a causalidade&amp;quot; ou &amp;quot;a contradição&amp;quot;, e convidava os maiores nomes do mundo para debatê-lo. A cada ano, Piaget e seus colaboradores escreviam relatórios sobre os debates conduzidos naquele período, sintetizando avançadas discussçoes interdisciplinares. O Centro funcionou até a morte de Piaget, em 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No cerne da teoria piagetiana está o conceito de &#039;&#039;&#039;adaptação&#039;&#039;&#039;, composto por dois processos complementares: assimilação e acomodação. A &#039;&#039;&#039;assimilação&#039;&#039;&#039; refere-se à incorporação de novos estímulos ambientais aos esquemas cognitivos existentes, utilizando-os como ferramenta para interpretar a realidade. Já a &#039;&#039;&#039;acomodação&#039;&#039;&#039; ocorre quando o esquema é modificado para se ajustar a elementos novos do meio que resistem à assimilação, promovendo reorganização cognitiva. Esses mecanismos funcionam como funções biológicas primordiais, herdadas da evolução, que visam restaurar o equilíbrio cognitivo, estado em que o organismo atinge harmonia entre suas estruturas internas e as demandas externas. Para Piaget, o desenvolvimento não é mera acumulação de conhecimento, mas uma autorregulação funcional que permite ao sujeito interagir de forma eficaz com o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Piaget adota uma &#039;&#039;&#039;abordagem genético-funcional&#039;&#039;&#039;, influenciada por funcionalistas americanos e europeus, que vê o conhecimento como resultado de funções biológicas aplicadas à epistemologia. Diferente do behaviorismo, que reduz o funcionalismo ao esquema estímulo-resposta, Piaget enfatiza funções internas (maturação) em relação complexa com extrnas (experiência social e física), construindo esquemas como conceitos práticos generalizáveis. Sua epistemologia genética afirma um sujeito ativo na construção do conhecimento, mas sempre orientado por funções adaptativas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este breve resumo conecta o pensamento de Piaget com o funcionalismo, mas sua teoria é, na verdade, altamente complexa. Ele escreveu milhares de páginas, além de ter conduzido ou orientado centenas de experimentos e colaborado com centenas de intelectuais. A influência de Piaget no pensamento psicológico e educacional é imensa e ainda objeto de estudos. Ele foi o segundo psicólogo mais citado do século XX e seu pensamento é utilizado por inúmeros psicólogos e educadores ao redor do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Piaget e o Brasil ==&lt;br /&gt;
Muitos nomes importantes para a psicologia e educação brasileiros estiveram com Piaget ou colaboraram decisivamente para a disseminação de suas ideias em nosso país. Uma lista completa é praticamente impossível de elaborar, mas alguns nomes podem ser mencionados, sem prejuízo de outros também muito relevantes. Esta lista inclui, por exemplo, &#039;&#039;&#039;Maria Luiza de Almeida Cunha Ferreira&#039;&#039;&#039;, uma ex-aluna de Helena Antipoff que conseguiu uma bolsa da UNESCO em 1959 para estudar na Europa, fazendo cursos diretamente com Piaget e &#039;&#039;&#039;André Rey&#039;&#039;&#039; em Genebra. Outro nome importante é o da esposa de André Rey, &#039;&#039;&#039;Terezinha Rey&#039;&#039;&#039;, uma psicóloga mineira que acompanhou de perto os trabalhos do IJJR e de Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destaca-se também &#039;&#039;&#039;Zélia Ramozzi-Chiarottino&#039;&#039;&#039;. Professora da USP, estudou em Genebra e na França, participando de pesquisas, assistindo a aulas com Piaget e sendo convidada por Bärbel Inhelder para reuniões no Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG). Ela fundou o primeiro laboratório de epistemologia genética do Brasil e formou gerações de psicólogos piagetianos na América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No sul do país, onde existe um importante núcleo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, se destaca o nome de &#039;&#039;&#039;Léa da Cruz Fagundes&#039;&#039;&#039;, que viajou a Genebra, onde discutiu sua dissertação com Bärbel Inhelder e conheceu Emília Ferreiro. &#039;&#039;&#039;Fernando Becker&#039;&#039;&#039; é outro nome relevante da região, ainda atuante na disseminação das ideias do mestre de Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já &#039;&#039;&#039;Luci Banks-Leite&#039;&#039;&#039; é uma pesquisadora com formação em Genebra, teve seus experimentos usados pelo próprio Piaget, com quem manteve contato por muitos anos. O médico argentino &#039;&#039;&#039;Antonio Maria Battro&#039;&#039;&#039;, que fez doutorado na França, estagiou no Centro Internacional de Epistemologia Genética a convite do próprio Piaget, que se impressionou com seus estudos. Battro foi o principal responsável por fundar os Grupos de Estudos Cognitivos (GRECs) no Brasil a partir de 1973, e teve influência decisiva na difusão das ideias de Piaget no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, destaca-se o casal Emília Ferreiro e Rolando Garcia. Intelectuais argentinos que, exilados na Suíça, trabalharam em Genebra no Centro Internacional de Epistemologia Genética. &#039;&#039;&#039;Ferreiro&#039;&#039;&#039; defendeu sua tese de doutorado sob orientação de Piaget e, posteriormente, teve um impacto revolucionário na educação e alfabetização brasileiras por meio de sua teoria, o Construtivismo. Já &#039;&#039;&#039;Rolando Garcia&#039;&#039;&#039; foi o co-autor do último livro publicado por Piaget, que ele considerava a finalização de sua obra, além de ser amigo pessoal de Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O BIE ==&lt;br /&gt;
A criação do Bureau International d’Éducation (BIE) está intrinsecamente ligada ao Institut Jean-Jacques Rousseau, em Genebra, com quem compartilha fundadores e colaboradores. Após a Primeira Guerra Mundial, sentiu-se uma lacuna importante no Tratado de Versalhes. Enquanto a Organização Internacional do Trabalho (OIT) cuidava das questões laborais, e outras organizações tratavam de drogas, armas, entre outros, não existia uma &#039;&#039;&#039;instância internacional voltada para a educação e a infância&#039;&#039;&#039;. O BIE surgiu, portanto, como uma tentativa da sociedade civil, especificamente de pacifistas, feministas e educadores, de suprir essa falha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como não conseguiram o apoio imediato e o financiamento da Liga das Nações para construir o projeto, os fundadores agiram estrategicamente, utilizando o próprio IJJR, alegando que, graças ao instituto, o BIE já existia “na prática”. Além disso, fizeram lobby em redes de solidariedade intelectual e diplomática, incluindo com brasileiros, buscando contatos informais com delegados internacionais, visando obter apoio junto aos governos de países do mundo todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1929, o BIE passou por uma transformação crucial ao se tornar uma &#039;&#039;&#039;organização intergovernamental&#039;&#039;&#039;, sendo a primeira desse tipo no campo da educação. Foi nesse período que Jean Piaget assumiu a direção, liderando a instituição por quatro décadas, de 1929 a 1968, junto de Pedro Rosselò, que administrava tudo na prática. Foram eles quem implementaram sua missão, que seria a &amp;quot;ascensão do individual ao universal&amp;quot;. Essa máxima refletia a crença de que, através da observação científica, da coleta de dados comparativos e da colaboração recíproca entre nações, seria possível definir métodos pedagógicos universais que respeitassem a especificidade da criança e promovessem a paz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As &#039;&#039;&#039;Conferências Internacionais sobre Educação Pública (ICPEs)&#039;&#039;&#039;, organizadas anualmente a partir de 1934, tornaram-se o palco dessa busca, onde governos eram convidados a discutir e, idealmente, adotar recomendações comuns. A pressão dos dirigentes do BIE, suas visitas a países no mundo todo, entre outras ações, levaram várias nações a implementarem sistemas de educação públicos, ministérios da educação, divisões de pesquisa educacionais, entre outros. Mesmo no Brasil estas pressões surtiram efeito e, apesar de o país só integrar formalmente o BIE nos anos 1960, foi um participante ativo de várias de suas iniciativas e foi bastante influencido por suas políticas e propostas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Piaget utilizou de sua influência na instituição para espalhar suas ideias pelo mundo. Assim, ele viajou a muitos países, disseminando suas ideias e promovendo debates sobre psicologia e educação. Ele esteve no Brasil em 1949, onde falou sobre suas teorias com vários brasileiros, especialmente Nilton Campos e Lourenço Filho. O BIE também teve um papel relevante na &#039;&#039;&#039;internacionalização do funcionalismo europeu&#039;&#039;&#039;, servindo como ponte entre estes grupos de intelectuais e os diferentes governos e intelectuais de forma global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Considerações finais =&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;funcionalismo&#039;&#039;&#039;, tanto em sua vertente americana quanto europeia, representou um divisor de águas na história da psicologia, marcando a transição de uma visão mecanicista e atomista da mente para uma perspectiva que enfatiza a função adaptativa dos processos psicológicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A investigação do funcionalismo europeu nos levou a um &amp;quot;passeio&amp;quot; por importantes centros de produção psicológica no continente. Na &#039;&#039;&#039;França&#039;&#039;&#039;, a psicologia floresceu na Salpêtrière, na Sorbonne,  e no Collège de France, com Ribot a cátedra de Psicologia Experimental e Comparada. A influência francesa, particularmente de Charcot, Binet e Pierre Janet, foi notável no Brasil, moldando a psiquiatria e servindo de modelo para o estabelecimento da psicologia experimental no início do século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na &#039;&#039;&#039;Alemanha&#039;&#039;&#039;, após o apogeu de Wilhelm Wundt, a psicologia viveu uma crise de fragmentação. O período nazista impôs uma unificação controversa em torno do diagnóstico caracterológico e da visão holística da personalidade (Ganzheit). Após a Segunda Guerra, a psicologia alemã foi marcada pela influência americana e marxista, bem como pela dificuldade de rearticulação de suas escolas, como a Gestalt. No Brasil, a influência alemã se concentrou principalmente na psicanálise e em alguns debates sobre a fenomenologia, mas as barreiras linguísticas e culturais limitaram a circulação de outras ideias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia na &#039;&#039;&#039;Rússia&#039;&#039;&#039; associou-se fortemente à fisiologia, culminando na reflexologia, impulsionada por Séchenov e atingindo o auge com Pavlov. Após a Revolução de 1917, a psicologia soviética abraçou o marxismo, destacando-se Lev Semenovich Vygotsky com sua teoria histórico-cultural e com o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), que teve um impacto transformador na educação brasileira a partir dos anos 1990. Sergei Rubinstein e, posteriormente, Leontiev e Luria, com a Teoria da Atividade, também consolidaram a contribuição russa marxista, embora estas vertentes tenham menor circulação no Brasil do que Vygotsky.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, a &#039;&#039;&#039;Escola de Genebra&#039;&#039;&#039; tornou-se o epicentro da matriz genético-funcional. A fundação do Instituto Jean-Jacques Rousseau (IJJR) em 1912 marcou a consolidação dessa visão, abraçando a Escola Nova. O IJJR manteve uma conexão intensa com o Brasil, de onde recebeu e para onde enviou muitos educadores e psicólogos. O auge de Genebra veio com Jean Piaget, que criou o método clínico-crítico e estabeleceu a Epistemologia Genética. A influência de Piaget no Brasil foi monumental e diversificada, atraindo figuras diversas. O Bureau International d’Éducation teve um papel decisivo na educação global e na difusão das ideias do funcionalismo europeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, &#039;&#039;&#039;o funcionalismo europeu não foi um bloco homogêneo&#039;&#039;&#039;, mas uma tapeçaria rica de abordagens que, partindo da premissa da função adaptativa da mente, gerou escolas com profundas ramificações na psiquiatria, na psicologia experimental e, crucialmente, na educação, com a Escola de Genebra se tornando um farol de inovação. As conexões com o Brasil, seja pela importação de modelos, seja pela formação de lideranças, foram decisivas para a institucionalização e a definição da identidade da psicologia e da pedagogia brasileiras ao longo do século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[William James]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lourenço Filho]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Helena Antipoff]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lev Vygotsky|Vygotsky]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Nilton Campos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Philippe Pinel]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Mesmerismo/Magnetismo Animal|Mesmerismo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Alfred Binet]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Hugo Münsterberg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Zélia Ramozzi-Chiarottino]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Referências =&lt;br /&gt;
BANG, Vinh. La méthode clinique et la recherche em psychologie de l’enfant. Em : ____ &#039;&#039;&#039;Textes choisis&#039;&#039;&#039;. UniGe: Genebra, 1988. (originalmente publicado em 1966).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BANKS-LEITE, Luci (Org.). &#039;&#039;&#039;Percursos piagetianos&#039;&#039;&#039;. São Paulo: Cortez, 1997.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BANKS-LEITE, Luci (Org.). &#039;&#039;&#039;Piaget e a escola de Genebra&#039;&#039;&#039;. São Paulo: Cortez, 1987.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
BOVET, Pierre. &#039;&#039;&#039;Vingt ans de vie&#039;&#039;&#039;: l&#039;Institut J. J. Rousseau de 1912 à 1932. Neuchâtel: Delachaux &amp;amp; Niestlé, 1932. (Collection d&#039;actualités pédagogiques). Disponível em: &amp;lt;&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://archive-ouverte.unige.ch/unige:36985&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CAMPOS, Regina Helena de Freitas; NEPOMUCENO, Denise Maria; SILVA, Dener Luiz; FAZZIA, Ernani e Henrique. Funcionalismo no Brasil: pioneiros. Em: MASSIMI, Marina. &#039;&#039;&#039;História da psicologia no Brasil do século XX&#039;&#039;&#039;. São Paulo: E.P.U, 2004, p.155-174.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
DUCRET, Jean-Jacques. &#039;&#039;&#039;Jean Piaget&#039;&#039;&#039;: biographie et parcours intellectuel. Delachaux &amp;amp; Niestle, 1990.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=O_Funcionalismo_na_Europa_e_suas_Conex%C3%B5es_com_o_Brasil&amp;diff=1662</id>
		<title>O Funcionalismo na Europa e suas Conexões com o Brasil</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=O_Funcionalismo_na_Europa_e_suas_Conex%C3%B5es_com_o_Brasil&amp;diff=1662"/>
		<updated>2026-04-27T17:35:03Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Protegido &amp;quot;O Funcionalismo na Europa e suas Conexões com o Brasil&amp;quot; ([Editar=Permitir apenas administradores] (indefinidamente) [Mover=Permitir apenas administradores] (indefinidamente))&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um texto didático de autoria de André Elias Morelli Ribeiro para a disciplina História da Psicologia, do [https://psicologiaro.uff.br curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras]. Seu uso é livre, desde que citada a fonte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Funcionalismo =&lt;br /&gt;
O funcionalismo constitui um movimento de pensadores proeminentes da psicologia. Ele surgiu no final do século XIX, notavelmente nos Estados Unidos, como uma reação e alternativa ao estruturalismo (não confundir com o estruturalismo do século XX), ao atomismo e ao mecanicismo. O movimento migra para a Europa ainda no final do mesmo século, com a circulação das ideias de William James, James Angell, James Baldwin, John Dewey, entre outros, e tem impacto significativo em pensadores do velho continente, que aplicam modificações e adaptações às linhas de pensamento europeias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A unidade do movimento pode ser observada pela perspectiva compartilhada de que a mente desempenha um papel crucial no processo evolutivo dos seres humanos e, consequentemente, na adaptação ao meio ambiente. Diferentemente do estruturalismo, que se concentrava em repartir a mente em seus elementos constituintes (estruturas), o funcionalismo voltou seu foco para os processos psicológicos em termos de sua utilidade, propósito e operação. No geral, a visão funcionalista enxerga e interpreta os processos psicológicos a partir de sua função ou, grosso modo, a partir de perguntas pragmáticas como: &amp;quot;para que isso serve?&amp;quot;, &amp;quot;por que o sujeito fez/pensou isso?&amp;quot; ou, no geral, “qual é a utilidade adaptativa de tal comportamento ou processo mental?”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o objetivo de conferir um embasamento científico ao seu construto teórico, a base do funcionalismo encontra-se parcialmente alicerçada nas teorias evolutivas, as quais postulam que os seres vivos se encontram em incessante transformação e adaptação. Sob essa ótica, a mente opera como parte integrante desse processo adaptativo, provendo recursos para que os organismos possam transformar o meio ambiente enquanto são, por sua vez, transformados por ele. Os processos mentais seriam como os órgãos e as partes do corpo. Cada um tem a sua função e seu funcionamento próprio que, isolados, não são muito capazes, mas, num conjunto, funcionam de forma ordenada e ordenadora da experiência humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o estruturalismo, o mecanicismo e o atomismo funcionam a partir de uma perspectiva físico-química ou fisicalista, o funcionalismo assinala uma biologização da psicologia. Ela confere uma relevância acentuada tanto aos equipamentos biológicos humanos quanto ao contexto ambiental, cuja importância e dinâmica será determinada por cada escola funcionalista. As teorias evolutivas têm relevância central, visto que a mente é o órgão de sobrevivência mais complexo da natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= As diferenças entre o funcionalismo americano e o funcionalismo europeu =&lt;br /&gt;
Como vimos na seção anterior, o funcionalismo como um movimento transatlântico se inicia nos EUA mas chega à Europa, onde se transforma e adquire características próprias, mas ambos compartilham uma visão biologizante e evolutiva dos fenômenos e objetos psicológicos. Vamos analisar agora algumas das diferenças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No funcionalismo americano, o foco recai sobre os processos adaptativos comportamentais. Os fenômenos mentais e comportamentais são vistos como operações destinadas à sobrevivência. A consciência não é uma coisa por si, mas um órgão seletivo que ajuda o organismo a se adaptar ao meio. Comportamentos, tal qual fenômenos mentais como a consciência, não são meros movimentos, eles são operações. A consciência, por exemplo, é concebida como uma operação que atua na seleção e autorregulação das táticas comportamentais visando à adaptação. Para entender essas operações, é preciso identificar o interesse subjacente a elas. Essa identificação dos interesses constitui a análise funcional dos processos psicológicos e comportamentais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro aspecto importante próprio do funcionalismo americano é o pragmatismo, uma vertente filosófica desenvolvida nos EUA e que reflete em grande medida a própria cultura americana. Nessa perspectiva, a análise psicológica exige o estudo das funções em seu ambiente natural, pois é nesse contexto que os interesses se manifestam e revelam seus resultados adaptativos. Em outras palavras, é como dizer “o que, na prática, esse comportamento ou pensamento significam?”. Trata-se de uma visão que inaugura um olhar para a prática, diferente da psicologia altamente laboratorial e fechada de Wundt e seus seguidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já o funcionalismo europeu, apesar de compartilhar vários aspectos do seu colega americano, apresenta importantes diferenças. Em primeiro lugar, existem três linhagens do funcionalismo europeu. Primeiro, o da etologia, com foco nos instintos e impulsos que visam à sobrevivência. Um segundo é o funcionalismo de matriz psicanalítica, que postula um organismo voltado para aliviar pulsões e tensões que causam desprazer, com foco no incosciente. A terceira linhagem, que será o foco deste texto, tem matriz genético-funcional, ou seja, enxerga as funções como traços evolutivos humanos e a cognição a partir de uma perspectiva adaptativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O funcionalismo europeu continental (excluindo a Grã-Bretanha, mais próxima da visão dos EUA) postula uma perspectiva comum de desenvolvimento no pensamento que sugere que a mente, à semelhança dos organismos, possui estágios evolutivos. O pensamento europeu, nesse sentido, compreende que, assim como o desenvolvimento físico se inicia na gestação, prossegue após o nascimento e atinge seu ápice na vida adulta, a mente também passa por um processo análogo. Existem, portanto, etapas de desenvolvimento cognitivo que se distinguem por características específicas que definem as possibilidades e limitações da cognição. Esse processo mental de desenvolvimento seria concluído após a infância, momento em que o desenvolvimento cognitivo estaria completo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os europeus do continente também decidiram não seguir com a proposta dualista de Galton, conhecida como natureza vs. cultura. É um debate que busca entender de onde vem a psicologia humana, ou seja, se nascemos com nossa psicologia ou se a adquirimos conforme envelhecemos. A proposição do funcionalismo europeu é o chamada interacionismo, que entende que, na verdade, trata-se da mistura dos dois. Por um lado, nascemos com uma certa capacidade de desenvolvimento e de aprendizagem, definida pela espécie, mas que só ocorre conforme interagimos com o meio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Um passeio por psicologias europeias =&lt;br /&gt;
Apesar do nome genérico “funcionalismo europeu”, que está correto por conta de suas muitas semelhanças entre os diferentes países do continente (principalmente a visão evolucionista), ele na verdade exclui a psicologia das ilhas britâncias, que seguiam um caminho próprio. Além disso, dentro da chamada Europa Continental, os diferentes países também têm histórias da psicologia próprias, com visões distintas e que refletem a cultura e a filosofia de cada um. Abaixo, são apresentadas as três psicologias europeias mais relevantes para a formação da psicologia brasileira, a saber, França, Alemanha e Rússia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes três casos, é importante destacar que, nestes três casos, não se deve limitar a criação e circulação de ideias psicológicas apenas com questões geográficas, mas também culturais e de influência. A psicologia francesa estava em diálogo com países francófonos (como Bélgica e Suíça), a Alemanha com países da influência cultural gemânica (como Polônia, Suíça e Áustria) e a Rússia é, na verdade, a grande representante dos países eslavos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia na Itália teve também relevância por um período específico na psicologia educacional de São Paulo. Ademais, muitas vezes manuais portugueses e espanhois circulavam no Brasil, geralmente traduzindo elementos dos três principais países europeus e acrescentando elementos pontuais. Infelizmente, ideias não eslavas do leste europeu e dos países nórdicos, devido a problemas no idioma e à distância cultural, praticamente não apareceram no país, exceto por menções passageiras em livros e manuais importados da Europa e EUA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na França ==&lt;br /&gt;
A psicologia floresceu na França de forma não linear e em grande diálogo com diferentes ciências e grupos profissionais. Isso ocorreu a partir de três linhagens mais ou menos simultâneas que, apesar de se comunicarem e até compartilharem nomes e conceitos, tinham diferenças importantes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira foi aquela desenvolvida na Salpetrière. Fundada em 1656 por decreto de Luís XIV, o hospital Pitié-Salpêtrière foi originalmente construído no prédio de uma antiga fábrica de pólvora, com o objetivo de abrigar um grande encarceramento. Prostitutas, mendigos, alcoolistas, órfãos, entre outros indesejados da sociedade eram agrupados no local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século XVIII, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe da instituição e introduziu o tratamento moral, defendendo que os alienados mentais eram doentes que precisavam de cuidados médicos e compaixão. As políticas e ideias de Pinel e, posteriormente, Esquirol, influenciaram de forma decisiva a psicologia e psiquiatria em várias partes do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O hospital viveu sua era de ouro durante a administração do polêmico médico Jean-Martin Charcot, já no século XIX. Ele conduziu a Salpetrière como um &amp;quot;museu patológico vivo&amp;quot;, principalmente durante a chamada Grande Histeria. A histeria era uma doença considerada misteriosa na época. Sintomas como paralisias parciais, cegueira temporária, surdez temporária, entre outros, eram comuns e associados a conflitos psicológicos. Ela apresentava manifestações tanto físicas quanto psicológicas, e nenhum tratamento na época parecia ter efeito, nem nenhuma explicação parecia fazer sentido, principalmente devido à concepção dominante à época da total separação entre mente e corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse contexto, Charcot passou a empregar a hipnose, uma técnica controversa que havia ressurgido no Ocidente após o mesmerismo, para examinar e tratar pacientes histéricas. Suas demonstrações atraíam grandes públicos de toda a Europa. Ele selecionava uma paciente com um sintoma importante, a hipnotizava e, em seguida, demonstrava que, sob o transe hipnótico, o sintoma histérico desaparecia temporariamente, retornando logo depois. Freud estava entre os observadores dessas controversas sessões de Charcot, entre muitos outros nomes importantes para o século XX. Alguns interpretavam que as demonstrações de Charcot na Salpetrière eram uma prova da origem inconsciente da histeria. Contudo, o próprio Charcot sustentava que a histeria era, na verdade, uma degeneração hereditária do sistema nervoso. De qualquer forma, a hipnose surgia no horizonte dos estudos psiquiátricos e psicológicos, da mesma forma que o inconsciente passou a ser um problema científico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O auge de Charcot na Salpetriêre caiu graças à Escola de Nancy, um grupo de médicos radicados numa faculdade de medicina na cidade de Nancy, demonstrou, em 1882, que os fenômenos de melhora descritos por Charcot eram falsos e fruto de mera sugestão inconsciente. Bernheim, Liégeois e Beaunis trabalharam intensamente para mostrar que a histeria era um problema psicológico e que a hipnose não era um tratamento eficaz, o que trouxe um certo descrédito para a linhagem psicológica da Salpetrière. Contudo, ela deixou marcas importantes para a compreensão do psíquico, principalmente pela abertura ao estudo do inconsciente, do próprio uso da hipnose e do estudo dos estados patológicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma segunda linha foi desenvolvida na Universidade Sorbonne, em Paris. Ela foi fundada em 1253 e, durante séculos, foi o epicentro das discussões religiosas na Europa. A universidade ficou fechada durante a Revolução Francesa e renasceu em 1806, sob o comando de Napoleão Bonaparte. O líder da França implementou uma série de reformas na educação superior, com inspiração na educação da Prússia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o período da Restauração, a Sorbonne ficou fortemente enviesada pelo cousinismo, um movimento filosófico monarquista liderado por Victor Cousin. Ele acreditava que nenhuma escola filosófica detinha a verdade completa, mas que todas possuíam uma parcela de verdade. Sua proposta era selecionar os melhores elementos de cada sistema e superar a chamada “era das escolas”. Cousin usou de suas habilidades políticas e de sua força perante a nobreza para colocar seus seguidores nas melhores posições da educação francesa, o que incluía a Sorbonne. Neste sistema, uma psicologia experimental não tinha lugar, o que paralisou a psicologia experimental mas trouxe muitos ganhos numa psicologia filosófica, que influenciou os pensadores franceses posteriores. Com a instituição da Terceira República Francesa, o cousinismo começa a entrar em sua longa decadência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste ínterim, a psicologia experimental francesa persistia graças ao professor francês de filosofia Théodule Ribot, que não era cousinista e fora sabotado por isso. Ele era um estudioso do movimento da psicologia científica da Alemanha, publicando a tese A Psicologia Inglesa Contemporânea e, posteriormente, A Psicologia Alemã Contemporânea, também de grande sucesso. Ele pressionava o novo governo republicano a criar uma cadeira de Psicologia na Sorbonne que incorporasse as tendências da nova ciência, entendendo que a França estava ficando atrasada no movimento de criar essa nova ciência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pressão funcionou e a cadeira foi criada em 1881, dentro da Escola Prática de Altos Estudos. Contudo, quem assumiu o posto foi Jules Soury, que era amigo do ministro da educação e mais interessado em história da psicologia do que na psicologia contemporânea. Uma segunda cadeira foi criada em 1884 e dada a Louis Liard, que era um defensor da psicologia experimental e que promovia cursos abertos oferecidos por Ribot. Em 1898, uma terceira cadeira é criada e dada para Pierre Janet.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira linha de psicologia na França é a do Collège de France. Fundado em 1530 pelo rei Francisco I a pedido do filósofo humanista Guilherme Budé, o Collège nasceu como uma resposta à rigidez da Sorbonne, que focava apenas em dogmas religiosos. O Collège de France, originalmente chamado de Collège Royal, foi criado para ensinar disciplinas consideradas inferiores na época, como línguas, matemática e filosofia não religiosa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferente das universidades, o Collège não tem alunos matriculados, exames nem emite diplomas. Sua missão é ensinar abertamente o conhecimento que está em processo de criação, o que atraiu as mentes mais brilhantes de cada época e transformou a instituição em um termômetro da inovação científica e intelectual da França. Trabalharam lá personagens como Claude Bernard (maior fisiologista da história), Champollion (decifrador da escrita egípcia), Fernando Henrique Cardoso (sociólogo e presidente do Brasil), Michel Foucault (filósofo do século XX), Roland Barthes (linguista), entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1887, Renan, administrador do Collège, criou a cadeira de Psicologia Experimental e Comparada, devido à pressão do Ministério da Educação. Após uma disputa política, Ribot foi indicado para a cadeira, que assumiu em 1888. Ribot não apenas assumiu o posto, ele também atuou na criação de periódicos, na promoção de cursos, entre outras ações que ajudaram na consolidação da psicologia científica na França. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os franceses criaram seu primeiro laboratório em 1889, quando Henri-Étienne Beaunis, um estudioso do movimento da psicofísica, se uniu a Ribot para pressionar as instituições que tinham cadeiras de psicologia colaborassem na criação de um laboratório. O projeto foi aprovado e Liard, catedrático da Sorbonne, enviou uma carta a Wundt pedindo instruções para a construção de um laboratório. Sob essas instruções e orientações, ele foi instalado na Escola Prática de Altos Estudos como parte da Sorbonne, sob a liderança do próprio Beaunis e tendo Alfred Binet como assistente. Posteriormente, Binet cria o primeiro teste de inteligência bem-sucedido da história. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da psicologia e da psiquiatria na França, conforme descrita no texto, possui conexões, muitas vezes indiretas, mas significativas, com o desenvolvimento dessas áreas no Brasil. Os personagens centrais das três linhagens francesas – Salpêtrière, Sorbonne e Collège de France – influenciaram a formação de pensamento e a prática clínica e o pensamento acadêmico brasileiro, especialmente no final do século XIX e no início do XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A figura de Jean-Martin Charcot e seus estudos na Salpêtrière sobre a histeria e a hipnose tiveram um impacto importante na psiquiatria brasileira que, na virada do século, era fortemente influenciada pela escola francesa. Isso pode ser observado nos títulos de hospitais e pavilhões homenageando médicos franceses pelo país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de Théodule Ribot não ter trazido nenhum impacto relevante para o Brasil, Alfred Binet, teve um papel fundamental. Sua psicologia experimental, com seu foco em métodos científicos e modelos de avaliação e testagem da criança, foi o modelo que o Brasil buscou importar para estabelecer a disciplina como ciência. A criação do primeiro laboratório de psicologia no Brasil, no Pedagogium do Rio de Janeiro, 1904, por Manuel Bomfim, seguiu a inspiração direta de Binet. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra figura influente para o pensamento psicológico e psiquiátrico brasileiro foi o de Pierre Janet, que chegou a visitar o Brasil no começo do século XX. Ele era visto por muitos como a principal figura global da saúde mental e do estudo dos estados inconscientes, e seu modelo de psiquiatria tinha muitos seguidores por aqui. Infelizmente, graças à sua disputa com Freud, sua relevância parece ser sido esquecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na Alemanha ==&lt;br /&gt;
As primeiras tentativas de criar uma psicologia científica aconteceu na Alemanha, com as ideias de Christian Wolff. A tradição de interesse em psicologia alemã foi coroada por lá florescer o marco simbólico da criação da psicologia não só na Alemanha, mas no mundo, foi a fundação do laboratório de Wilhelm Wundt em Leipzig, em 1879, o que gerou avanços e debates pelo país. O país cria uma linhagem de psicologia aplicada dentro do exército. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Primeira Guerra Mundial, a psicologia alemã entrou em um período de consolidação institucional, mas de profunda fragmentação teórica, conhecido como a &amp;quot;crise da psicologia&amp;quot;, com o surgimento de várias escolas, como a Gestalt. Surge também, dentro do exército, uma psicotécnica ou psicologia aplicada, que favoreceu o surgimento de um corpo profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O período nazista marcou um crescimento sem precedentes da psicologia no país. Durante este momento, as escolas rivais uniram-se em torno de um paradigma comum: o diagnóstico caracterológico. Em vez de focar em funções isoladas, os psicólogos enfatizavam qualidades holísticas da personalidade (Ganzheit), utilizando métodos intuitivos e situacionais para, por exemplo, selecionar oficiais para o exército.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a influência americana começa a se fazer cada vez mais presente, com seus defensores acusando os partidários da psicologia tradicional alemã de conexões com o passado nazista. O mesmo ocorre com pensadores marxistas, que também são numerosos e respeitados. A psicologia tipicamente alemã, a da Gestalt, havia imigrado para os EUA, onde teve uma certa continuidade, mas não teve forças para retornar ao país de origem, o que esvaziou a identidade da psicologia alemã. Perspectivas fenomenológicas ganham força junto de abordagens mais holísticas e, apesar de sua relevância, a psicologia alemã ainda busca um retorno à glória de seu passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com exceção de alguns poucos praticantes da psicologia da Gestalt e de abordagens fenomenológicas, bem como alguns livros alemães traduzidos do francês, a influência da psicologia alemã no Brasil se resume principalmente à psicanálise, ironicamente com destaque para a linhagem lacaniana, que tem origem francesa. A distância entre Alemanha e o Brasil se devem às dificuldades do idioma e à distância cultural, que atrapalharam a circulação das ideias daquele país no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na Rússia ==&lt;br /&gt;
A psicologia na Rússia olhou frequentemente para a Europa continental como uma referência científica, principalmente alemã, e associou-se fortemente à fisiologia, na composição da sua própria teoria, a reflexologia. O primeiro a defender a ideia de que a vida psíquica tinha origem no arco reflexo foi Séchenov, um antigo aluno de Claude Bernard e entusiasta de Charles Darwin. Para os primeiros reflexólogos russos, a vida psíquica era uma função do sistema nervoso que seria composta principalmente de reflexos do arco reflexo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os psicólogos russos encontraram seu ápice com o trabalho de Ivan Pavlov. Especialista em fisiologia da Universidade de São Petersburgo, seus experimentos com salivação de cães o levaram a formular uma teoria sobre reflexos condicionados. O trabalho rendeu a Pavlov uma fama mundial imediata, coroada com um prêmio Nobel de fisiologia em 1904. Suas ideias fundamentaram parcialmente uma ciência do comportamento que floresceu nos EUA. Já na Rússia, a continuação do trabalho de Pavlov fortaleceu a reflexologia, que continuou com o médico psiquiatra Bechterev.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antigo aluno de Wundt e Charcot, Bechterev aprofunda os estudos na linha de Séchenov e Pavlov para desenvolver o conceito de reflexo associado, uma versão motora do reflexo condicionado de Pavlov. Sua ênfase nos reflexos motores se diferenciava dos reflexos glandulares de Pavlov (salivação). Bechterev tentou associar diferentes reflexos motores, como retiniano e plantar, no estudo da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Revolução de 1917 e a instalação do regime soviético, a psicologia na Rússia passa a ser identificada com o marxismo. Um de seus expoentes foi Lev Semenovich Vygotsky, um advogado de rica formação intelectual que produziu textos em diferentes assuntos. Vygotsky foi, ao mesmo tempo, um marxista e um interessado na psicanálise, mas foram suas ideias educacionais que lhe renderam fama, na sua teoria histórico-cultural. Nela, o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, como o pensamento, a memória voluntária e a atenção, ocorre pela mediação de instrumentos culturais e signos, especialmente a linguagem. Entre seus conceitos mais influentes destaca-se a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), muito usada na educação e que pode ser definida como a distância entre o nível de desenvolvimento real da criança e o nível de desenvolvimento potencial, alcançado com o auxílio de um adulto ou de pares mais experientes. Esse conceito teve profundo impacto nas teorias educacionais e nas práticas pedagógicas contemporâneas brasileiras. Pode-se dizer que esta é, atualmente, a linhagem dominante neste campo específico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome importante é o de Sergei Rubinstein, conhecido como verdadeiro fundador da psicologia marxista soviética. A proposta de Rubinstein baseava-se no princípio da unidade entre consciência e atividade. O ser humano não é apenas um receptor de estímulos, mas um sujeito que transforma o mundo por meio da atividade. Nesse processo de transformar a natureza externa, o sujeito transforma sua própria natureza e consciência. A psicologia deveria estudar a personalidade tomada como um todo e inserida em um contexto social e histórico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a morte de Vygotsky e Rubinstein, a psicologia soviética continuou com as ideias de Aleksei N. Leontiev e Aleksandr Luria, que desenvolveram a Teoria da Atividade ou Teoria da Atividade Sócio-Cultural. Eles sofreram fortes críticas porque sua teoria não era considerada marxista o suficiente, além de se aproximar perigosamente do behaviorismo de matriz americana. Apesar das críticas, suas teorias a ser desenvolvida e aplicada em diversas áreas, como a educação e a ergonomia, sendo reconhecida internacionalmente como uma importante contribuição da psicologia soviética, influenciando, por exemplo, o design de interação humano-computador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia russa tem uma presença marcante no Brasil. O nome que mais se destaca neste ponto é, de longe, o de Vygotsky. A partir dos anos 1990 e, principalmente, dos anos 2000, Vygotsky praticamente substituiu toda a influência do pensamento piagetiano na educação, passando a ser dominante em muitas faculdades de educação e ser uma presença constante em Departamentos de Psicologia. Seus conceitos são amplamente ensinados nos cursos de formação de professores e debatidos academicamente, tanto na educação quanto na psicologia. Traduções diretas do russo são cada vez mais comuns e existe um forte movimento do resgate de seu pensamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reflexologia em si teve pouca circulação no Brasil, porém Pavlov é um nome quase unanimemente citado em todos os cursos de psicologia por conta de sua relevância no desenvolvimento das ciências do comportamento de linha americana. Praticamente não existem estudantes de psicologia que jamais ouviram falar de seu nome, e a maioria dos estudantes das licenciaturas também conhecem ao menos fragmentos de sua história. Sua relevância para a composição do behaviorismo o coloca como um nome obrigatório para todo o campo da psicologia brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= A Escola de Genebra =&lt;br /&gt;
De todas as escolas funiconalistas europeias, a que teve maior impacto para a formação da psicologia brasileira é a chamada “Escola de Genebra”, uma denominação ampla que abrange décadas de desenvolvimento e aperfeiçoamento de técnicas e ideias psicológicas que ocorreram na cidade de Genebra. Observe que não se fala em “psicologia suíça”. Isso ocorre por que o país é, na verdade, uma comunidade de pequenos países, cada um com suas próprias características, por vezes semelhantes, outras completamente diferentes, o que demanda um estudo por região, e não olhando o país como um todo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo é o que se poderia falar de Escola de Zurique, que estava próxima tanto da psicanálise junguiana quanto de um experimentalismo inspirado no de Wundt. Zurique desenvolveu importantes centros de estudo de psiquiatria e psicologia, o que atriu muitas das melhores mentes em ambas as áreas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Basileia, uma cidade Suíça entre a fronteira com a Alemanha e a França, a psicologia trazia uma mistura de linha alemã com toques do pensamento francês. Lausanne e Neuchâtel, por seu lado, olhavam para o principal centro francófono da psicologia, Genebra, mantendo fortes vínculos com o epicentro da psicologia da região. Há poucas informações sobre a psicologia em outros cantões e cidades da Suíça. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta seção, serão apresentadas informações sobre a formação da Suíça e a história da cidade e cantão de Genebra para, em seguida apresentar a história da Escola de Genebra. Instituições e autores específicos vinculados a esta Escola serão mais longamente trabalhados, bem como suas conexões que mantém com a formação da psicologia brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Um pouco sobre a Suíça e sobre Genebra ==&lt;br /&gt;
Genebra é uma cidade na Suíça, um pequeno país na Europa Central. Por séculos, foi uma cidade-estado próxima dos Alpes Suíços, cercada por quase todos os lados pela poderosa França. Ingressou na chamada Confederação Suíça ou Confederação Helvética em 1815, tornando-se o 22º cantão. A Suíça é um país bastante peculiar, pois sua formação não é o fruto de uma unificação de natureza étnica ou de uma tradição cultural ou política, mas sim a união de  pequenas cidades-estado situadas entre a Alemanha, a Itália, a França e a Áustria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A união que configura a Suíça se deve a um motivo simples: sozinhas, as cidades são frágeis e cercadas por alguns dos maiores impérios da Europa. Unificadas, podem obter diferentes vantagens, incluindo proteção militar e desenvolvimento social e econômico mútuos. Contudo, esta união não é simples. Cada cidade-estado, agora chamadas de cantões, tem acentuadas peculiaridades históricas, políticas, econômicas, culturais e sociais, de modo que a construção do país se deu por meio de uma longa tradição de negociação política, com séculos de tradição. Hoje identificada por alguns de seus produtos, como chocolates, relógios, bancos e o turismo nos Alpes, a Suíça é, na verdade, uma complicada teia de relações entre pequenos e orgulhosos países unidos em torno de uma necessidade comum de desenvolvimento e segurança, cercada de potências militares e econômicas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade e o Cantão de Genebra certamente têm suas peculiaridades. Ela pertence à chamada Suíça Romanda, a parte da Suíça identificada culturalmente com a França e falante do idioma francês. Ademais, Genebra é uma cidade protestante, cujos líderes foram convertidos pelo próprio reformador João Calvino em 1536, quando expulsaram o bispo de Genebra e converteram a Catedral de Saint-Pierre em uma igreja calvinista. A Suíça é um país dividido entre católicos e protestantes, e Genebra é um dos epicentros globais do protestantismo, sendo um elemento central tanto de sua identidade cultural e política quanto filosófica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade ficou muito rica ao atrair banqueiros judeus de Veneza e Milão, que eram perseguidos pelo Papa e que haviam financiado grande parte dos empreendimentos vinculado à Rota da Seda. Com o desenvolvimento econômico, a cidade fortaleceu seu protestantismo e seu sentimento de destino, pois parte da doutrina calvinista indica que a prosperidade econômica é um sinal de Deus na vida do fiel. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XIX, os habitantes de Genebra desenvolveram um humanismo social, onde a ação direta de seus cidadãos deve ser direcionada para os pobres, doentes, desvalidos, entre outros. A cidade recebeu, em diferentes momentos, grupos minoritários perseguidos, doentes e vítimas de guerras, entre muitos migrantes que, por alguma razão, encontravam-se vulneráveis. Esta visão de mundo e do lugar da cidade perante a humanidade é o que levou à criação da Cruz Vermelha, bem como do Direito Internacional Humanitário, que levou a diferentes legislações internacionais de defesa dos direitos humanos, entre outras atitudes humanitárias internacionais que tiveram origem ou forte desenvolvimento na região. Estes são indicativos da tradição e da vocação humanista e internacionalista de uma pequena cidade com grande relevância política e social mundial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História da psicologia em Genebra ==&lt;br /&gt;
A história da psicologia em Genebra começa em 1882 com um dos chamados sábios da cidade, Théodore Flournoy. Ele era um médico que havia estudado na Alemanha e tinha recebido um treinamento para aprender alguns dos experimentos de Helmholtz. Ele tinha algum conhecimento do que viria a ser inserido como parte da psicologia, como experimentos na psicofísica e na fisiologia. Apesar de praticante de algumas coisas e interessado no assunto, trata-se de uma fase da psicologia ainda amadora. Ele conduzia alguns pequenos experimentos relacionados à psicofísica e à psicologia na Universidade de Genebra com seus alunos, ou mesmo no salão de sua casa, com convidados, sem grandes aspirações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cenário começa a mudar em 1889, quando Flournoy participa do Congresso de Psicologia em Paris e, com a experiência com o que viu na cidade, decide trazer a nova ciência para Genebra, colocando-a no mapa do nascimento da nova ciência. Seu modelo de laboratório foi o de Hugo Münsterberg, um psicólogo alemão que havia estudado com Wundt mas, por discordâncias, criou o próprio laboratório como um dissidente do mestre. Münsterberg fez todo tipo de indicação a Flournoy, desde quais os instrumentos mais importantes e onde comprá-los, os livros mais relevantes, entre outros. Além disso, Flournoy viaja para encontrar Münsterberg e aprender com o amigo, onde pega orientações prática e começa a desenhar o que seria o seu laboratório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente, o futuro psicólogo compra os equipamentos necessários com seus próprios recursos, que depois são adquirido pela Universidade de Genebra na ocasião da fundação oficial do laboratório, em 1891. Isso colocou Genebra não apenas no mapa dos locais com um laboratório de psicologia e cursos regulares sobre o tema, como também filiou a Universidade de Genebra à tradição psicológica inaugurada por Wundt e seu modelo de psicologia, ainda que por via indireta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Instituto Jean-Jacques Rousseau ==&lt;br /&gt;
Sete anos depois de sua fundação, em 1898, um incêndio destruiu a maior parte do laboratório de psicologia de Genebra, mas o que foi uma tragédia também se mostrou uma oportunidade. A tarefa de reconstrução do espaço foi dada ao primo de Flournoy, o médico Édouard Claparède, que decidiu dar uma nova orientação ao espaço, aliando a psicologia com a educação, visando seu projeto de “escola sob medida”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claparède, embora conhecido na Suíça, ainda tinha um alcance limitado. Ele ganharia fama internacional apenas em 1909, quando publica Psicologia da Criança e Pedagogia Experimental. Na obra, Claparède defende que o modelo tradicional de educação desconsiderava as necessidades e características infantis, impondo conteúdos sem relação com os interesses da criança. Esta, na visão do pensador, era um ser ativo, curioso, em constante processo de adaptação ao seu meio, que precisava ser transformado e adaptado visando o seu desenvolvimento. Defende então que a educação precisa ser baseada no conhecimento sobre a criança que a psicologia poderia ajudar a proporcionar. A escola seria um laboratório de experiências, onde são testadas práticas pedagógicas fundamentadas na psicologia com eficácia comprovada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O livro foi um sucesso imediato e colocou Claparède como um dos protagonistas do movimento da Escola Nova ou Escola Ativa, que pretendia utilizar métodos educacionais que não apenas ensinassem os conteúdos tradicionais, mas que também pudessem atuar no desenvolvimento intelectual, moral e social do aluno, colocando-o no centro do processo educativo. A proposta, inspirada, entre outros, no filósofo nascido em Genebra Jean-Jacques Rousseau (que dá nome à instituição), era dar protagonismo ao aluno, ao entender as peculiaridades e funcionalidades da mente infantil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Usando de seu prestígio internacional e dentro da própria cidade, Claparède se alia a outro pensador da educação e da psicologia genebrina, Pierre Bovet, para criar o Instituto Jean-Jacques Rousseau. Após obter financiamento público e privado, o espaço é inaugurado em 1912, com cursos de psicologia experimental e pedagogia experimental. A instituição, composta como uma sociedade anônima para manter sua autonomia, adotou o lema Discat a puero magister (Que o mestre aprenda com a criança).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para colocar a teoria desenvolvida no Instituto em prática, além de realizar e testar pesquisas, o Instituto criou escolas de aplicação. A mais famosa foi a Maison des Petits, uma escola do que seria equivalente ao primeiro ciclo, fundada em 1913. Ela tornou-se um laboratório vivo sob a direção de Mina Audemars e Louise Lafendel. Lá, as crianças tinham grande liberdade, utilizando materiais pedagógicos inovadores, inspirados em diferentes reformadores da educação, como Montessori e Decroly, mas adaptados pelo próprio Instituto. Outras escolas de aplicação construídas foram a Maison des Grands e a Escola Töpffer, que visavam estender os métodos ativos ao ensino secundário, mas dificuldades financeiras levaram ao encerramento do projeto entre 1920-1921. As escolas serviram amplamente para o estudo de técnicas educacionais e como laboratório de psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o tempo, o local ainda ganhou uma clínica médica e, mais tarde, um centro de orientação vocacional. A partir de 1925, o apoio financeiro da Fundação Rockefeller permitiu uma nova fase de expansão. O Instituto mudou-se para a Rua Charles Bonnet e, posteriormente, para a Rua dos Maraîchers. Durante este período, formou centenas de educadores de mais de 40 países, disseminando os ideais da Escola Ativa em nível global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Édouard Claparède e a Teoria Genético-Funcional ==&lt;br /&gt;
Conforme o pensamento de Claparède, os seres humanos têm diferentes necessidades, cuja origem são motivações internas do sujeito. Com isso, ele relativiza o pensamento comportamentalista, que propõe que o comportamento vem da resposta a estímulos externos do indivíduo. Assim, a melhor forma de entender os fenômenos psicológicos seria entender seu papel na satisfação dessas necessidades, ou seja, na sua utilidade na adaptação do organismo ao ambiente. A questão pode ser compreendida, de forma geral, se perguntando “para que serve” determinada função, como o sono, a infância, a vontade, entre outros. Todas as funções mentais respondem a uma necessidade, pois tem uma utilidade evolutiva e adaptativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destes princípios advém o que Claparède chamou de Lei do interesse. Nessa lei, as necessidades precisam ser convertidas em condutas ou comportamentos para que a necessidade possa ser satisfeita, o que ocorre em nível psicológico. Dessa forma, o interesse é o princípio fundamental da atividade mental. Ele traduz a necessidade em um fim psicológico, colocando o indivíduo como agente ativo de sua própria conduta. O interesse expressa também a ligação de entre o indivíduo e o objeto que, em determinado momento, o interessa, ou seja, é significativo para ele. Não se trata de uma característica intrínseca das coisas, mas de uma relação que surge quando essas mesmas coisas se conectam a uma necessidade. Assim, algo só se torna interessante na medida em que pode orientar a conduta do sujeito na direção que lhe é relevante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conectadas necessidades, interesses e objetos, tem-se que o desenvolvimento da vida mental depende da distância entre as necessidades e os recursos disponíveis para atendê-las. Quando essa distância é inexistente, como acontece nos processos automáticos de respiração, reflexos pupilares, tosse, espirro, secreções, entre outros, não há esforço mental envolvido. As condutas necessárias para satisfazer essas necessidades acontecem de forma automática. Já quando a diferença entre o interesse e o objeto é grande, como acontece quando estamos com fome, por exemplo, ela impulsiona os indivíduos a criar coisas, como instrumentos de caça, a pesca e até a agricultura. Desse modo, a atividade mental se amplia de forma significativa. É o que Claparède chama de Lei da extensão da vida mental. Em outras palavras, o desenvolvimento da vida mental é proporcional à distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la. Quanto maior o desafio, maior a atividade mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lei da extensão da vida mental traz como consequência a Lei da tomada de consciência, e ela está diretamente conectada à familiaridade dos problemas. Quanto menos familiar, mais rapidamente o indivíduo se dá conta dele e recorre à consciência para buscar uma solução. O contrário também é verdadeiro, ou seja, quanto mais conhecido for o problema e quanto mais sua solução depender de automatismos já adquiridos (como o respirar ou mesmo comportamentos já bem estabelecidos), menor será a necessidade de recorrer à consciência. Esse modelo também foi adotado pelos funcionalistas norte-americanos. Em outras palavras, problemas novos ou pouco familiares exigem consciência. Já problemas rotineiros podem ser resolvidos por automatismos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, o funcionalismo de Claparède oferece uma perspectiva que prioriza a utilidade e a função dos fenômenos psicológicos na adaptação do organismo ao ambiente, destacando que toda atividade mental visa a satisfação de necessidades internas. Este arcabouço teórico se organiza em torno de três leis centrais: a Lei do interesse, que estabelece o interesse como a tradução psicológica das necessidades em condutas; a Lei da extensão da vida mental, que postula o desenvolvimento mental como proporcional ao desafio apresentado pela distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la; e a Lei da tomada de consciência, que reserva a consciência para a resolução de problemas novos e não familiares, deixando os automatismos a cargo das questões rotineiras. Dessa forma, Claparède constrói um modelo dinâmico onde a mente é um agente ativo, impulsionado por suas necessidades e constantemente moldado por sua interação adaptativa com o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claparède teve vários de seus livros traduzidos para o português e publicados no Brasil, além de ter sido celebrado por psicólogos e educadores brasileiros. A conexão entre ele o país foi muito importante. Ele trocou cartas com frequência com Helena Antipoff, sua antiga aluna no Instituto Jean-Jacques Rousseau, e visitou o país duas vezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O IJJR e o Brasil ==&lt;br /&gt;
Várias figuras importantes da psicologia e educação brasileiras estiveram no Instituto, seja para estudos formais, seja apenas para visitas ou mesmo para inspirar iniciativas locais. O primeiro brasileiro a estar no instituto foi o educador mineiro Francisco Lins, que esteve no no local já próximo de sua inauguração, em 1912. Ainda no âmbito mineiro, temos Alberto Alvares, Diretor da Instrução Pública de Minas Gerais e que visitou o IJJR em 1927 para organizar a missão de educadores europeus que viria a atuar em Belo Horizonte. Especula-se que nesta visita o Brasil foi colocado como um destino possível de pessoas formadas em Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um grupo de médicos brasileiros esteve no Instituto em 1928, incluindo Flávio Dias, Artur Fajardo da Silveira, Antônio Moniz de Aragão e Nilton Campos. Este último viria a ter um papel chave na criação da psicologia brasileira, depois que obteve a cátedra de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia, em 1948, atuando no estabelecimento de uma psicologia científica no país. Empresta hoje nome ao prédio onde funciona o Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome de destaque é o de Laura Jacobina Lacombe, que esteve no Instituto em 1924. Era uma representante da Escola Nova no Rio de Janeiro, onde gerenciava uma escola e praticava muitas das ideias de seu mestre, Édouard Claparède. Destaca-se também Lourenço Filho, o célebre educador brasileiro com uma atuação nacional decisiva e relevante para o desenvolvimento da educação no nosso país. Além disso, Lourenço Filho também trabalhou para o desenvolvimento da psicologia no Brasil, escrevendo livros, dando cursos, publicando nos jornais e ocupando cargos importantes na administração pública, tanto federal como na época das então províncias, facilitando a conexão entre a psicologia e a educação e o desenvolvimento da própria psicologia brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O IJJR também enviou pessoas de outras nacionalidades que colaboraram para a formação da psicologia brasileira. Delas, a mais importante é Helena Antipoff, uma psicóloga e educadora de origem russa. Em 1929, Antipoff foi convidada pelo governo de Minas Gerais para implementar a Reforma de Ensino no estado. Ela se estabeleceu em Belo Horizonte, onde fundou a Escola de Aperfeiçoamento, além de uma escola rural, laboratórios, conduziu experimentos, escreveu materiais, livros e artigos e teve uma atuação prática articulada e decisiva com os seus mestres de Genebra. Seu acervo, hoje na Universidade Federal de Minas Gerais, é guardado pelo Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff, um dos primeiros grupos organizados do Brasil a estudar a história da psicologia no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome importante é o de Waclaw Radecki, um psicólogo polonês, ex-assistente de Claparède e colega de Piaget em Genebra. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu em 1924 a chefia do Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro, com recursos da Fundação Graffée Guinle. Seu laboratório era anexo à Colônia e os dados obtidos no contato clínico com os doentes era utilizado nas discussões dos casos do grupo de médicos e psiquiatras do local. Além disso, Radecki também tentou organizar o que pode ser o primeiro curso de psicologia do Brasil, visando formar assistentes para o seu laboratório, mas sem sucesso. Ele também produziu um sistema próprio, o discriminacionismo afetivo, que tomou forma final no Brasil e que pode ser uma das primeiras teorias psicológicas criadas no país. O laboratório que dirigiu, após algumas transformações, deu origem ao Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma terceira figura dos princípios do IJJR é Mariana Schryer. Psicóloga formada no Instituto, ela fugiu da Europa por conta do crescimento da perseguição aos judeus. No Brasil, criou uma clínica psicológica para crianças no Rio de Janeiro, sendo possivelmente a primeira pessoa a praticar as ideias de Piaget no país. Ela também ocupou cargos relevantes em revistas, periódicos e em instituições de ensino, porém, infelizmente, sua história ainda é pouco conhecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Jean Piaget e uma nova orientação para Genebra ==&lt;br /&gt;
A Escola de Genebra já estava consolidada. Iniciada com o laboratório de Flournoy que, após um incêndio, torna-se o laboratório de Claparède, que o expande e funda o Instituto Jean-Jacques Rousseau, colocando Genebra definitivamente no mapa com uma perspectiva de aliança entre educação e psicologia. Contudo, o grande nome de Genebra, que alterou a psicologia em nível global e transformou a visão científica sobre a infância é o de Jean William Fritz Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Piaget nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 1896 e obteve seu doutorado em zoologia em 1918, quando ainda contava com 21 anos de idade. Após um período de estudos em Zurique e em Paris, onde foi aluno de vários dos principais nomes da lógica, psiquiatria e psicologia franceses, ele foi convidado por Édouard Claparède a se integrar ao Instituto Jean-Jacques Rousseau, na condição de chefe do laboratório de psicologia, em 1922. Em 1923, publica A Linguagem e o Pensamento na Criança e, no ano seguinte, O Raciocínio na Criança, obras que o elevam à fama na Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a publicação de A Representação do Mundo na Criança, de 1926, Piaget marca a formalização de seu método, chamado de método clínico que, depois e em parceria com Barbel Inhelder, evolui para o método clínico-crítico. As obras A Causalidade Física na Criança (1927) e O Juízo Moral na Criança (1932) marcam o desenvolvimento de seu método e o amadurecimento de sua teoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua rica obra atinge um novo patamar com a publicação de O Nascimento da Inteligência na Criança, de 1936, onde desenvolve técnicas de análise do desenvolvimento cognitico de bebês a partir de experimentos e observações que conduziu com seus próprios filhos. O livro marca o estabelecimento da Epistemologia Genética, onde afirma claramente que a inteligência é uma ferramenta de adaptação do sujeito ao meio e que a cognição é uma extensão do real. É nessa obra que ele amadurece a noção de esquema e a de estrutura, que caracterizarão sua teoria até o final de sua vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1948, o Instituto Jean-Jacques Rousseau se torna Instituto de Ciências da Educação, mantendo uma interface entre a faculdade de Letras e a de Ciências. Este é um momento em que Piaget exerce imensa influência sobre a instituição, dando sua orientação e atuando diretamente na contratação de professores, na organização de currículos, entre outros. Foi nesse período, sob a liderança de Jean Piaget, que o prestígio da instituição explodiu globalmente, consolidando a Escola de Genebra como o epicentro da psicologia genética e do desenvolvimento, rivalizando com Harvard. Em 1975, a instituição se torna a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (FPSE), formato que tem até hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1955, Piaget funda o Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG), um centro multidisciplinar de estudos que atraiu centenas de pesquisadores e algumas das mentes mais brilhantes do século XX. A grande inovação do CIEG era o seu método de trabalho. Todos os anos, Piaget selecionava um tema central como, por exemplo: &amp;quot;o tempo&amp;quot;, &amp;quot;a causalidade&amp;quot; ou &amp;quot;a contradição&amp;quot;, e convidava os maiores nomes do mundo para debatê-lo. A cada ano, Piaget e seus colaboradores escreviam relatórios sobre os debates conduzidos naquele período, sintetizando avançadas discussçoes interdisciplinares. O Centro funcionou até a morte de Piaget, em 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No cerne da teoria piagetiana está o conceito de adaptação, composto por dois processos complementares: assimilação e acomodação. A assimilação refere-se à incorporação de novos estímulos ambientais aos esquemas cognitivos existentes, utilizando-os como ferramenta para interpretar a realidade. Já a acomodação ocorre quando o esquema é modificado para se ajustar a elementos novos do meio que resistem à assimilação, promovendo reorganização cognitiva. Esses mecanismos funcionam como funções biológicas primordiais, herdadas da evolução, que visam restaurar o equilíbrio cognitivo, estado em que o organismo atinge harmonia entre suas estruturas internas e as demandas externas. Para Piaget, o desenvolvimento não é mera acumulação de conhecimento, mas uma autorregulação funcional que permite ao sujeito interagir de forma eficaz com o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Piaget adota uma abordagem genético-funcional, influenciada por funcionalistas americanos e europeus, que vê o conhecimento como resultado de funções biológicas aplicadas à epistemologia. Diferente do behaviorismo, que reduz o funcionalismo ao esquema estímulo-resposta, Piaget enfatiza funções internas (maturação) em relação complexa com extrnas (experiência social e física), construindo esquemas como conceitos práticos generalizáveis. Sua epistemologia genética afirma um sujeito ativo na construção do conhecimento, mas sempre orientado por funções adaptativas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este breve resumo conecta o pensamento de Piaget com o funcionalismo, mas sua teoria é, na verdade, altamente complexa. Ele escreveu milhares de páginas, além de ter conduzido ou orientado centenas de experimentos e colaborado com centenas de intelectuais. A influência de Piaget no pensamento psicológico e educacional é imensa e ainda objeto de estudos. Ele foi o segundo psicólogo mais citado do século XX e seu pensamento é utilizado por inúmeros psicólogos e educadores ao redor do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Piaget e o Brasil ==&lt;br /&gt;
Muitos nomes importantes para a psicologia e educação brasileiros estiveram com Piaget ou colaboraram decisivamente para a disseminação de suas ideias em nosso país. Uma lista completa é praticamente impossível de elaborar, mas alguns nomes podem ser mencionados, sem prejuízo de outros também muito relevantes. Esta lista inclui, por exemplo, Maria Luiza de Almeida Cunha Ferreira, uma ex-aluna de Helena Antipoff que conseguiu uma bolsa da UNESCO em 1959 para estudar na Europa, fazendo cursos diretamente com Piaget e André Rey em Genebra. Outro nome importante é o da esposa de André Rey, Terezinha Rey, uma psicóloga mineira que acompanhou de perto os trabalhos do IJJR e de Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destaca-se também Zélia Ramozzi-Chiarottino. Professora da USP, estudou em Genebra e na França, participando de pesquisas, assistindo a aulas com Piaget e sendo convidada por Bärbel Inhelder para reuniões no Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG). Ela fundou o primeiro laboratório de epistemologia genética do Brasil e formou gerações de psicólogos piagetianos na América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No sul do país, onde existe um importante núcleo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, se destaca o nome de Léa da Cruz Fagundes, que viajou a Genebra, onde discutiu sua dissertação com Bärbel Inhelder e conheceu Emília Ferreiro. Fernando Becker é outro nome relevante da região, ainda atuante na disseminação das ideias do mestre de Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Luci Banks-Leite é uma pesquisadora com formação em Genebra, teve seus experimentos usados pelo próprio Piaget, com quem manteve contato por muitos anos. O médico argentino Antonio Maria Battro, que fez doutorado na França, estagiou no Centro Internacional de Epistemologia Genética a convite do próprio Piaget, que se impressionou com seus estudos. Battro foi o principal responsável por fundar os Grupos de Estudos Cognitivos (GRECs) no Brasil a partir de 1973, e teve influência decisiva na difusão das ideias de Piaget no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, destaca-se o casal Emília Ferreiro e Rolando Garcia. Intelectuais argentinos que, exilados na Suíça, trabalharam em Genebra no Centro Internacional de Epistemologia Genética. Ferreiro defendeu sua tese de doutorado sob orientação de Piaget e, posteriormente, teve um impacto revolucionário na educação e alfabetização brasileiras por meio de sua teoria, o Construtivismo. Já Rolando Garcia foi o co-autor do último livro publicado por Piaget, que ele considerava a finalização de sua obra, além de ser amigo pessoal de Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O BIE ==&lt;br /&gt;
A criação do Bureau International d’Éducation (BIE) está intrinsecamente ligada ao Institut Jean-Jacques Rousseau, em Genebra, com quem compartilha fundadores e colaboradores. Após a Primeira Guerra Mundial, sentiu-se uma lacuna importante no Tratado de Versalhes. Enquanto a Organização Internacional do Trabalho (OIT) cuidava das questões laborais, e outras organizações tratavam de drogas, armas, entre outros, não existia uma instância internacional voltada para a educação e a infância. O BIE surgiu, portanto, como uma tentativa da sociedade civil, especificamente de pacifistas, feministas e educadores, de suprir essa falha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como não conseguiram o apoio imediato e o financiamento da Liga das Nações para construir o projeto, os fundadores agiram estrategicamente, utilizando o próprio IJJR, alegando que, graças ao instituto, o BIE já existia “na prática”. Além disso, fizeram lobby em redes de solidariedade intelectual e diplomática, incluindo com brasileiros, buscando contatos informais com delegados internacionais, visando obter apoio junto aos governos de países do mundo todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1929, o BIE passou por uma transformação crucial ao se tornar uma organização intergovernamental, sendo a primeira desse tipo no campo da educação. Foi nesse período que Jean Piaget assumiu a direção, liderando a instituição por quatro décadas, de 1929 a 1968, junto de Pedro Rosselò, que administrava tudo na prática. Foram eles quem implementaram sua missão, que seria a &amp;quot;ascensão do individual ao universal&amp;quot;. Essa máxima refletia a crença de que, através da observação científica, da coleta de dados comparativos e da colaboração recíproca entre nações, seria possível definir métodos pedagógicos universais que respeitassem a especificidade da criança e promovessem a paz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As Conferências Internacionais sobre Educação Pública (ICPEs), organizadas anualmente a partir de 1934, tornaram-se o palco dessa busca, onde governos eram convidados a discutir e, idealmente, adotar recomendações comuns. A pressão dos dirigentes do BIE, suas visitas a países no mundo todo, entre outras ações, levaram várias nações a implementarem sistemas de educação públicos, ministérios da educação, divisões de pesquisa educacionais, entre outros. Mesmo no Brasil estas pressões surtiram efeito e, apesar de o país só integrar formalmente o BIE nos anos 1960, foi um participante ativo de várias de suas iniciativas e foi bastante influencido por suas políticas e propostas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Piaget utilizou de sua influência na instituição para espalhar suas ideias pelo mundo. Assim, ele viajou a muitos países, disseminando suas ideias e promovendo debates sobre psicologia e educação. Ele esteve no Brasil em 1949, onde falou sobre suas teorias com vários brasileiros, especialmente Nilton Campos e Lourenço Filho. O BIE também teve um papel relevante na internacionalização do funcionalismo europeu, servindo como ponte entre estes grupos de intelectuais e os diferentes governos e intelectuais de forma global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Considerações finais =&lt;br /&gt;
O funcionalismo, tanto em sua vertente americana quanto europeia, representou um divisor de águas na história da psicologia, marcando a transição de uma visão mecanicista e atomista da mente para uma perspectiva que enfatiza a função adaptativa dos processos psicológicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A investigação do funcionalismo europeu nos levou a um &amp;quot;passeio&amp;quot; por importantes centros de produção psicológica no continente. Na França, a psicologia floresceu na Salpêtrière, na Sorbonne,  e no Collège de France, com Ribot a cátedra de Psicologia Experimental e Comparada. A influência francesa, particularmente de Charcot, Binet e Pierre Janet, foi notável no Brasil, moldando a psiquiatria e servindo de modelo para o estabelecimento da psicologia experimental no início do século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Alemanha, após o apogeu de Wilhelm Wundt, a psicologia viveu uma crise de fragmentação. O período nazista impôs uma unificação controversa em torno do diagnóstico caracterológico e da visão holística da personalidade (Ganzheit). Após a Segunda Guerra, a psicologia alemã foi marcada pela influência americana e marxista, bem como pela dificuldade de rearticulação de suas escolas, como a Gestalt. No Brasil, a influência alemã se concentrou principalmente na psicanálise e em alguns debates sobre a fenomenologia, mas as barreiras linguísticas e culturais limitaram a circulação de outras ideias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia na Rússia associou-se fortemente à fisiologia, culminando na reflexologia, impulsionada por Séchenov e atingindo o auge com Pavlov. Após a Revolução de 1917, a psicologia soviética abraçou o marxismo, destacando-se Lev Semenovich Vygotsky com sua teoria histórico-cultural e com o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), que teve um impacto transformador na educação brasileira a partir dos anos 1990. Sergei Rubinstein e, posteriormente, Leontiev e Luria, com a Teoria da Atividade, também consolidaram a contribuição russa marxista, embora estas vertentes tenham menor circulação no Brasil do que Vygotsky.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, a Escola de Genebra tornou-se o epicentro da matriz genético-funcional. A fundação do Instituto Jean-Jacques Rousseau (IJJR) em 1912 marcou a consolidação dessa visão, abraçando a Escola Nova. O IJJR manteve uma conexão intensa com o Brasil, de onde recebeu e para onde enviou muitos educadores e psicólogos. O auge de Genebra veio com Jean Piaget, que criou o método clínico-crítico e estabeleceu a Epistemologia Genética. A influência de Piaget no Brasil foi monumental e diversificada, atraindo figuras diversas. O Bureau International d’Éducation teve um papel decisivo na educação global e na difusão das ideias do funcionalismo europeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, o funcionalismo europeu não foi um bloco homogêneo, mas uma tapeçaria rica de abordagens que, partindo da premissa da função adaptativa da mente, gerou escolas com profundas ramificações na psiquiatria, na psicologia experimental e, crucialmente, na educação, com a Escola de Genebra se tornando um farol de inovação. As conexões com o Brasil, seja pela importação de modelos, seja pela formação de lideranças, foram decisivas para a institucionalização e a definição da identidade da psicologia e da pedagogia brasileiras ao longo do século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[William James]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lourenço Filho]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Helena Antipoff]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lev Vygotsky|Vygotsky]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Nilton Campos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Referências =&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
BANKS-LEITE, Luci (Org.). &#039;&#039;&#039;Piaget e a escola de Genebra&#039;&#039;&#039;. São Paulo: Cortez, 1987.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
YASNITSKY, Anton. Sergei Rubinstein as the founder of soviet marxist psychology: problems of psychology in the works of Karl Marx” (1934) and beyond. Em: _____. &#039;&#039;&#039;A history of marxist psychology&#039;&#039;&#039;. London: Routledge, 2020. Disponível em: &amp;lt;&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://doi.org/10.4324/9780429323423&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&amp;gt;.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=O_Funcionalismo_na_Europa_e_suas_Conex%C3%B5es_com_o_Brasil&amp;diff=1661</id>
		<title>O Funcionalismo na Europa e suas Conexões com o Brasil</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=O_Funcionalismo_na_Europa_e_suas_Conex%C3%B5es_com_o_Brasil&amp;diff=1661"/>
		<updated>2026-04-27T17:34:38Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Criação do texto didático&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um texto didático de autoria de André Elias Morelli Ribeiro para a disciplina História da Psicologia, do [https://psicologiaro.uff.br curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras]. Seu uso é livre, desde que citada a fonte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Funcionalismo =&lt;br /&gt;
O funcionalismo constitui um movimento de pensadores proeminentes da psicologia. Ele surgiu no final do século XIX, notavelmente nos Estados Unidos, como uma reação e alternativa ao estruturalismo (não confundir com o estruturalismo do século XX), ao atomismo e ao mecanicismo. O movimento migra para a Europa ainda no final do mesmo século, com a circulação das ideias de William James, James Angell, James Baldwin, John Dewey, entre outros, e tem impacto significativo em pensadores do velho continente, que aplicam modificações e adaptações às linhas de pensamento europeias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A unidade do movimento pode ser observada pela perspectiva compartilhada de que a mente desempenha um papel crucial no processo evolutivo dos seres humanos e, consequentemente, na adaptação ao meio ambiente. Diferentemente do estruturalismo, que se concentrava em repartir a mente em seus elementos constituintes (estruturas), o funcionalismo voltou seu foco para os processos psicológicos em termos de sua utilidade, propósito e operação. No geral, a visão funcionalista enxerga e interpreta os processos psicológicos a partir de sua função ou, grosso modo, a partir de perguntas pragmáticas como: &amp;quot;para que isso serve?&amp;quot;, &amp;quot;por que o sujeito fez/pensou isso?&amp;quot; ou, no geral, “qual é a utilidade adaptativa de tal comportamento ou processo mental?”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o objetivo de conferir um embasamento científico ao seu construto teórico, a base do funcionalismo encontra-se parcialmente alicerçada nas teorias evolutivas, as quais postulam que os seres vivos se encontram em incessante transformação e adaptação. Sob essa ótica, a mente opera como parte integrante desse processo adaptativo, provendo recursos para que os organismos possam transformar o meio ambiente enquanto são, por sua vez, transformados por ele. Os processos mentais seriam como os órgãos e as partes do corpo. Cada um tem a sua função e seu funcionamento próprio que, isolados, não são muito capazes, mas, num conjunto, funcionam de forma ordenada e ordenadora da experiência humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o estruturalismo, o mecanicismo e o atomismo funcionam a partir de uma perspectiva físico-química ou fisicalista, o funcionalismo assinala uma biologização da psicologia. Ela confere uma relevância acentuada tanto aos equipamentos biológicos humanos quanto ao contexto ambiental, cuja importância e dinâmica será determinada por cada escola funcionalista. As teorias evolutivas têm relevância central, visto que a mente é o órgão de sobrevivência mais complexo da natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= As diferenças entre o funcionalismo americano e o funcionalismo europeu =&lt;br /&gt;
Como vimos na seção anterior, o funcionalismo como um movimento transatlântico se inicia nos EUA mas chega à Europa, onde se transforma e adquire características próprias, mas ambos compartilham uma visão biologizante e evolutiva dos fenômenos e objetos psicológicos. Vamos analisar agora algumas das diferenças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No funcionalismo americano, o foco recai sobre os processos adaptativos comportamentais. Os fenômenos mentais e comportamentais são vistos como operações destinadas à sobrevivência. A consciência não é uma coisa por si, mas um órgão seletivo que ajuda o organismo a se adaptar ao meio. Comportamentos, tal qual fenômenos mentais como a consciência, não são meros movimentos, eles são operações. A consciência, por exemplo, é concebida como uma operação que atua na seleção e autorregulação das táticas comportamentais visando à adaptação. Para entender essas operações, é preciso identificar o interesse subjacente a elas. Essa identificação dos interesses constitui a análise funcional dos processos psicológicos e comportamentais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro aspecto importante próprio do funcionalismo americano é o pragmatismo, uma vertente filosófica desenvolvida nos EUA e que reflete em grande medida a própria cultura americana. Nessa perspectiva, a análise psicológica exige o estudo das funções em seu ambiente natural, pois é nesse contexto que os interesses se manifestam e revelam seus resultados adaptativos. Em outras palavras, é como dizer “o que, na prática, esse comportamento ou pensamento significam?”. Trata-se de uma visão que inaugura um olhar para a prática, diferente da psicologia altamente laboratorial e fechada de Wundt e seus seguidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já o funcionalismo europeu, apesar de compartilhar vários aspectos do seu colega americano, apresenta importantes diferenças. Em primeiro lugar, existem três linhagens do funcionalismo europeu. Primeiro, o da etologia, com foco nos instintos e impulsos que visam à sobrevivência. Um segundo é o funcionalismo de matriz psicanalítica, que postula um organismo voltado para aliviar pulsões e tensões que causam desprazer, com foco no incosciente. A terceira linhagem, que será o foco deste texto, tem matriz genético-funcional, ou seja, enxerga as funções como traços evolutivos humanos e a cognição a partir de uma perspectiva adaptativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O funcionalismo europeu continental (excluindo a Grã-Bretanha, mais próxima da visão dos EUA) postula uma perspectiva comum de desenvolvimento no pensamento que sugere que a mente, à semelhança dos organismos, possui estágios evolutivos. O pensamento europeu, nesse sentido, compreende que, assim como o desenvolvimento físico se inicia na gestação, prossegue após o nascimento e atinge seu ápice na vida adulta, a mente também passa por um processo análogo. Existem, portanto, etapas de desenvolvimento cognitivo que se distinguem por características específicas que definem as possibilidades e limitações da cognição. Esse processo mental de desenvolvimento seria concluído após a infância, momento em que o desenvolvimento cognitivo estaria completo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os europeus do continente também decidiram não seguir com a proposta dualista de Galton, conhecida como natureza vs. cultura. É um debate que busca entender de onde vem a psicologia humana, ou seja, se nascemos com nossa psicologia ou se a adquirimos conforme envelhecemos. A proposição do funcionalismo europeu é o chamada interacionismo, que entende que, na verdade, trata-se da mistura dos dois. Por um lado, nascemos com uma certa capacidade de desenvolvimento e de aprendizagem, definida pela espécie, mas que só ocorre conforme interagimos com o meio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Um passeio por psicologias europeias =&lt;br /&gt;
Apesar do nome genérico “funcionalismo europeu”, que está correto por conta de suas muitas semelhanças entre os diferentes países do continente (principalmente a visão evolucionista), ele na verdade exclui a psicologia das ilhas britâncias, que seguiam um caminho próprio. Além disso, dentro da chamada Europa Continental, os diferentes países também têm histórias da psicologia próprias, com visões distintas e que refletem a cultura e a filosofia de cada um. Abaixo, são apresentadas as três psicologias europeias mais relevantes para a formação da psicologia brasileira, a saber, França, Alemanha e Rússia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes três casos, é importante destacar que, nestes três casos, não se deve limitar a criação e circulação de ideias psicológicas apenas com questões geográficas, mas também culturais e de influência. A psicologia francesa estava em diálogo com países francófonos (como Bélgica e Suíça), a Alemanha com países da influência cultural gemânica (como Polônia, Suíça e Áustria) e a Rússia é, na verdade, a grande representante dos países eslavos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia na Itália teve também relevância por um período específico na psicologia educacional de São Paulo. Ademais, muitas vezes manuais portugueses e espanhois circulavam no Brasil, geralmente traduzindo elementos dos três principais países europeus e acrescentando elementos pontuais. Infelizmente, ideias não eslavas do leste europeu e dos países nórdicos, devido a problemas no idioma e à distância cultural, praticamente não apareceram no país, exceto por menções passageiras em livros e manuais importados da Europa e EUA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na França ==&lt;br /&gt;
A psicologia floresceu na França de forma não linear e em grande diálogo com diferentes ciências e grupos profissionais. Isso ocorreu a partir de três linhagens mais ou menos simultâneas que, apesar de se comunicarem e até compartilharem nomes e conceitos, tinham diferenças importantes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira foi aquela desenvolvida na Salpetrière. Fundada em 1656 por decreto de Luís XIV, o hospital Pitié-Salpêtrière foi originalmente construído no prédio de uma antiga fábrica de pólvora, com o objetivo de abrigar um grande encarceramento. Prostitutas, mendigos, alcoolistas, órfãos, entre outros indesejados da sociedade eram agrupados no local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século XVIII, Philippe Pinel foi nomeado médico-chefe da instituição e introduziu o tratamento moral, defendendo que os alienados mentais eram doentes que precisavam de cuidados médicos e compaixão. As políticas e ideias de Pinel e, posteriormente, Esquirol, influenciaram de forma decisiva a psicologia e psiquiatria em várias partes do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O hospital viveu sua era de ouro durante a administração do polêmico médico Jean-Martin Charcot, já no século XIX. Ele conduziu a Salpetrière como um &amp;quot;museu patológico vivo&amp;quot;, principalmente durante a chamada Grande Histeria. A histeria era uma doença considerada misteriosa na época. Sintomas como paralisias parciais, cegueira temporária, surdez temporária, entre outros, eram comuns e associados a conflitos psicológicos. Ela apresentava manifestações tanto físicas quanto psicológicas, e nenhum tratamento na época parecia ter efeito, nem nenhuma explicação parecia fazer sentido, principalmente devido à concepção dominante à época da total separação entre mente e corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse contexto, Charcot passou a empregar a hipnose, uma técnica controversa que havia ressurgido no Ocidente após o mesmerismo, para examinar e tratar pacientes histéricas. Suas demonstrações atraíam grandes públicos de toda a Europa. Ele selecionava uma paciente com um sintoma importante, a hipnotizava e, em seguida, demonstrava que, sob o transe hipnótico, o sintoma histérico desaparecia temporariamente, retornando logo depois. Freud estava entre os observadores dessas controversas sessões de Charcot, entre muitos outros nomes importantes para o século XX. Alguns interpretavam que as demonstrações de Charcot na Salpetrière eram uma prova da origem inconsciente da histeria. Contudo, o próprio Charcot sustentava que a histeria era, na verdade, uma degeneração hereditária do sistema nervoso. De qualquer forma, a hipnose surgia no horizonte dos estudos psiquiátricos e psicológicos, da mesma forma que o inconsciente passou a ser um problema científico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O auge de Charcot na Salpetriêre caiu graças à Escola de Nancy, um grupo de médicos radicados numa faculdade de medicina na cidade de Nancy, demonstrou, em 1882, que os fenômenos de melhora descritos por Charcot eram falsos e fruto de mera sugestão inconsciente. Bernheim, Liégeois e Beaunis trabalharam intensamente para mostrar que a histeria era um problema psicológico e que a hipnose não era um tratamento eficaz, o que trouxe um certo descrédito para a linhagem psicológica da Salpetrière. Contudo, ela deixou marcas importantes para a compreensão do psíquico, principalmente pela abertura ao estudo do inconsciente, do próprio uso da hipnose e do estudo dos estados patológicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma segunda linha foi desenvolvida na Universidade Sorbonne, em Paris. Ela foi fundada em 1253 e, durante séculos, foi o epicentro das discussões religiosas na Europa. A universidade ficou fechada durante a Revolução Francesa e renasceu em 1806, sob o comando de Napoleão Bonaparte. O líder da França implementou uma série de reformas na educação superior, com inspiração na educação da Prússia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o período da Restauração, a Sorbonne ficou fortemente enviesada pelo cousinismo, um movimento filosófico monarquista liderado por Victor Cousin. Ele acreditava que nenhuma escola filosófica detinha a verdade completa, mas que todas possuíam uma parcela de verdade. Sua proposta era selecionar os melhores elementos de cada sistema e superar a chamada “era das escolas”. Cousin usou de suas habilidades políticas e de sua força perante a nobreza para colocar seus seguidores nas melhores posições da educação francesa, o que incluía a Sorbonne. Neste sistema, uma psicologia experimental não tinha lugar, o que paralisou a psicologia experimental mas trouxe muitos ganhos numa psicologia filosófica, que influenciou os pensadores franceses posteriores. Com a instituição da Terceira República Francesa, o cousinismo começa a entrar em sua longa decadência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste ínterim, a psicologia experimental francesa persistia graças ao professor francês de filosofia Théodule Ribot, que não era cousinista e fora sabotado por isso. Ele era um estudioso do movimento da psicologia científica da Alemanha, publicando a tese A Psicologia Inglesa Contemporânea e, posteriormente, A Psicologia Alemã Contemporânea, também de grande sucesso. Ele pressionava o novo governo republicano a criar uma cadeira de Psicologia na Sorbonne que incorporasse as tendências da nova ciência, entendendo que a França estava ficando atrasada no movimento de criar essa nova ciência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pressão funcionou e a cadeira foi criada em 1881, dentro da Escola Prática de Altos Estudos. Contudo, quem assumiu o posto foi Jules Soury, que era amigo do ministro da educação e mais interessado em história da psicologia do que na psicologia contemporânea. Uma segunda cadeira foi criada em 1884 e dada a Louis Liard, que era um defensor da psicologia experimental e que promovia cursos abertos oferecidos por Ribot. Em 1898, uma terceira cadeira é criada e dada para Pierre Janet.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira linha de psicologia na França é a do Collège de France. Fundado em 1530 pelo rei Francisco I a pedido do filósofo humanista Guilherme Budé, o Collège nasceu como uma resposta à rigidez da Sorbonne, que focava apenas em dogmas religiosos. O Collège de France, originalmente chamado de Collège Royal, foi criado para ensinar disciplinas consideradas inferiores na época, como línguas, matemática e filosofia não religiosa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferente das universidades, o Collège não tem alunos matriculados, exames nem emite diplomas. Sua missão é ensinar abertamente o conhecimento que está em processo de criação, o que atraiu as mentes mais brilhantes de cada época e transformou a instituição em um termômetro da inovação científica e intelectual da França. Trabalharam lá personagens como Claude Bernard (maior fisiologista da história), Champollion (decifrador da escrita egípcia), Fernando Henrique Cardoso (sociólogo e presidente do Brasil), Michel Foucault (filósofo do século XX), Roland Barthes (linguista), entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1887, Renan, administrador do Collège, criou a cadeira de Psicologia Experimental e Comparada, devido à pressão do Ministério da Educação. Após uma disputa política, Ribot foi indicado para a cadeira, que assumiu em 1888. Ribot não apenas assumiu o posto, ele também atuou na criação de periódicos, na promoção de cursos, entre outras ações que ajudaram na consolidação da psicologia científica na França. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os franceses criaram seu primeiro laboratório em 1889, quando Henri-Étienne Beaunis, um estudioso do movimento da psicofísica, se uniu a Ribot para pressionar as instituições que tinham cadeiras de psicologia colaborassem na criação de um laboratório. O projeto foi aprovado e Liard, catedrático da Sorbonne, enviou uma carta a Wundt pedindo instruções para a construção de um laboratório. Sob essas instruções e orientações, ele foi instalado na Escola Prática de Altos Estudos como parte da Sorbonne, sob a liderança do próprio Beaunis e tendo Alfred Binet como assistente. Posteriormente, Binet cria o primeiro teste de inteligência bem-sucedido da história. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da psicologia e da psiquiatria na França, conforme descrita no texto, possui conexões, muitas vezes indiretas, mas significativas, com o desenvolvimento dessas áreas no Brasil. Os personagens centrais das três linhagens francesas – Salpêtrière, Sorbonne e Collège de France – influenciaram a formação de pensamento e a prática clínica e o pensamento acadêmico brasileiro, especialmente no final do século XIX e no início do XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A figura de Jean-Martin Charcot e seus estudos na Salpêtrière sobre a histeria e a hipnose tiveram um impacto importante na psiquiatria brasileira que, na virada do século, era fortemente influenciada pela escola francesa. Isso pode ser observado nos títulos de hospitais e pavilhões homenageando médicos franceses pelo país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de Théodule Ribot não ter trazido nenhum impacto relevante para o Brasil, Alfred Binet, teve um papel fundamental. Sua psicologia experimental, com seu foco em métodos científicos e modelos de avaliação e testagem da criança, foi o modelo que o Brasil buscou importar para estabelecer a disciplina como ciência. A criação do primeiro laboratório de psicologia no Brasil, no Pedagogium do Rio de Janeiro, 1904, por Manuel Bomfim, seguiu a inspiração direta de Binet. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra figura influente para o pensamento psicológico e psiquiátrico brasileiro foi o de Pierre Janet, que chegou a visitar o Brasil no começo do século XX. Ele era visto por muitos como a principal figura global da saúde mental e do estudo dos estados inconscientes, e seu modelo de psiquiatria tinha muitos seguidores por aqui. Infelizmente, graças à sua disputa com Freud, sua relevância parece ser sido esquecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na Alemanha ==&lt;br /&gt;
As primeiras tentativas de criar uma psicologia científica aconteceu na Alemanha, com as ideias de Christian Wolff. A tradição de interesse em psicologia alemã foi coroada por lá florescer o marco simbólico da criação da psicologia não só na Alemanha, mas no mundo, foi a fundação do laboratório de Wilhelm Wundt em Leipzig, em 1879, o que gerou avanços e debates pelo país. O país cria uma linhagem de psicologia aplicada dentro do exército. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Primeira Guerra Mundial, a psicologia alemã entrou em um período de consolidação institucional, mas de profunda fragmentação teórica, conhecido como a &amp;quot;crise da psicologia&amp;quot;, com o surgimento de várias escolas, como a Gestalt. Surge também, dentro do exército, uma psicotécnica ou psicologia aplicada, que favoreceu o surgimento de um corpo profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O período nazista marcou um crescimento sem precedentes da psicologia no país. Durante este momento, as escolas rivais uniram-se em torno de um paradigma comum: o diagnóstico caracterológico. Em vez de focar em funções isoladas, os psicólogos enfatizavam qualidades holísticas da personalidade (Ganzheit), utilizando métodos intuitivos e situacionais para, por exemplo, selecionar oficiais para o exército.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a influência americana começa a se fazer cada vez mais presente, com seus defensores acusando os partidários da psicologia tradicional alemã de conexões com o passado nazista. O mesmo ocorre com pensadores marxistas, que também são numerosos e respeitados. A psicologia tipicamente alemã, a da Gestalt, havia imigrado para os EUA, onde teve uma certa continuidade, mas não teve forças para retornar ao país de origem, o que esvaziou a identidade da psicologia alemã. Perspectivas fenomenológicas ganham força junto de abordagens mais holísticas e, apesar de sua relevância, a psicologia alemã ainda busca um retorno à glória de seu passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com exceção de alguns poucos praticantes da psicologia da Gestalt e de abordagens fenomenológicas, bem como alguns livros alemães traduzidos do francês, a influência da psicologia alemã no Brasil se resume principalmente à psicanálise, ironicamente com destaque para a linhagem lacaniana, que tem origem francesa. A distância entre Alemanha e o Brasil se devem às dificuldades do idioma e à distância cultural, que atrapalharam a circulação das ideias daquele país no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A psicologia na Rússia ==&lt;br /&gt;
A psicologia na Rússia olhou frequentemente para a Europa continental como uma referência científica, principalmente alemã, e associou-se fortemente à fisiologia, na composição da sua própria teoria, a reflexologia. O primeiro a defender a ideia de que a vida psíquica tinha origem no arco reflexo foi Séchenov, um antigo aluno de Claude Bernard e entusiasta de Charles Darwin. Para os primeiros reflexólogos russos, a vida psíquica era uma função do sistema nervoso que seria composta principalmente de reflexos do arco reflexo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os psicólogos russos encontraram seu ápice com o trabalho de Ivan Pavlov. Especialista em fisiologia da Universidade de São Petersburgo, seus experimentos com salivação de cães o levaram a formular uma teoria sobre reflexos condicionados. O trabalho rendeu a Pavlov uma fama mundial imediata, coroada com um prêmio Nobel de fisiologia em 1904. Suas ideias fundamentaram parcialmente uma ciência do comportamento que floresceu nos EUA. Já na Rússia, a continuação do trabalho de Pavlov fortaleceu a reflexologia, que continuou com o médico psiquiatra Bechterev.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antigo aluno de Wundt e Charcot, Bechterev aprofunda os estudos na linha de Séchenov e Pavlov para desenvolver o conceito de reflexo associado, uma versão motora do reflexo condicionado de Pavlov. Sua ênfase nos reflexos motores se diferenciava dos reflexos glandulares de Pavlov (salivação). Bechterev tentou associar diferentes reflexos motores, como retiniano e plantar, no estudo da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Revolução de 1917 e a instalação do regime soviético, a psicologia na Rússia passa a ser identificada com o marxismo. Um de seus expoentes foi Lev Semenovich Vygotsky, um advogado de rica formação intelectual que produziu textos em diferentes assuntos. Vygotsky foi, ao mesmo tempo, um marxista e um interessado na psicanálise, mas foram suas ideias educacionais que lhe renderam fama, na sua teoria histórico-cultural. Nela, o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, como o pensamento, a memória voluntária e a atenção, ocorre pela mediação de instrumentos culturais e signos, especialmente a linguagem. Entre seus conceitos mais influentes destaca-se a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), muito usada na educação e que pode ser definida como a distância entre o nível de desenvolvimento real da criança e o nível de desenvolvimento potencial, alcançado com o auxílio de um adulto ou de pares mais experientes. Esse conceito teve profundo impacto nas teorias educacionais e nas práticas pedagógicas contemporâneas brasileiras. Pode-se dizer que esta é, atualmente, a linhagem dominante neste campo específico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome importante é o de Sergei Rubinstein, conhecido como verdadeiro fundador da psicologia marxista soviética. A proposta de Rubinstein baseava-se no princípio da unidade entre consciência e atividade. O ser humano não é apenas um receptor de estímulos, mas um sujeito que transforma o mundo por meio da atividade. Nesse processo de transformar a natureza externa, o sujeito transforma sua própria natureza e consciência. A psicologia deveria estudar a personalidade tomada como um todo e inserida em um contexto social e histórico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a morte de Vygotsky e Rubinstein, a psicologia soviética continuou com as ideias de Aleksei N. Leontiev e Aleksandr Luria, que desenvolveram a Teoria da Atividade ou Teoria da Atividade Sócio-Cultural. Eles sofreram fortes críticas porque sua teoria não era considerada marxista o suficiente, além de se aproximar perigosamente do behaviorismo de matriz americana. Apesar das críticas, suas teorias a ser desenvolvida e aplicada em diversas áreas, como a educação e a ergonomia, sendo reconhecida internacionalmente como uma importante contribuição da psicologia soviética, influenciando, por exemplo, o design de interação humano-computador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia russa tem uma presença marcante no Brasil. O nome que mais se destaca neste ponto é, de longe, o de Vygotsky. A partir dos anos 1990 e, principalmente, dos anos 2000, Vygotsky praticamente substituiu toda a influência do pensamento piagetiano na educação, passando a ser dominante em muitas faculdades de educação e ser uma presença constante em Departamentos de Psicologia. Seus conceitos são amplamente ensinados nos cursos de formação de professores e debatidos academicamente, tanto na educação quanto na psicologia. Traduções diretas do russo são cada vez mais comuns e existe um forte movimento do resgate de seu pensamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reflexologia em si teve pouca circulação no Brasil, porém Pavlov é um nome quase unanimemente citado em todos os cursos de psicologia por conta de sua relevância no desenvolvimento das ciências do comportamento de linha americana. Praticamente não existem estudantes de psicologia que jamais ouviram falar de seu nome, e a maioria dos estudantes das licenciaturas também conhecem ao menos fragmentos de sua história. Sua relevância para a composição do behaviorismo o coloca como um nome obrigatório para todo o campo da psicologia brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= A Escola de Genebra =&lt;br /&gt;
De todas as escolas funiconalistas europeias, a que teve maior impacto para a formação da psicologia brasileira é a chamada “Escola de Genebra”, uma denominação ampla que abrange décadas de desenvolvimento e aperfeiçoamento de técnicas e ideias psicológicas que ocorreram na cidade de Genebra. Observe que não se fala em “psicologia suíça”. Isso ocorre por que o país é, na verdade, uma comunidade de pequenos países, cada um com suas próprias características, por vezes semelhantes, outras completamente diferentes, o que demanda um estudo por região, e não olhando o país como um todo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo é o que se poderia falar de Escola de Zurique, que estava próxima tanto da psicanálise junguiana quanto de um experimentalismo inspirado no de Wundt. Zurique desenvolveu importantes centros de estudo de psiquiatria e psicologia, o que atriu muitas das melhores mentes em ambas as áreas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Basileia, uma cidade Suíça entre a fronteira com a Alemanha e a França, a psicologia trazia uma mistura de linha alemã com toques do pensamento francês. Lausanne e Neuchâtel, por seu lado, olhavam para o principal centro francófono da psicologia, Genebra, mantendo fortes vínculos com o epicentro da psicologia da região. Há poucas informações sobre a psicologia em outros cantões e cidades da Suíça. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta seção, serão apresentadas informações sobre a formação da Suíça e a história da cidade e cantão de Genebra para, em seguida apresentar a história da Escola de Genebra. Instituições e autores específicos vinculados a esta Escola serão mais longamente trabalhados, bem como suas conexões que mantém com a formação da psicologia brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Um pouco sobre a Suíça e sobre Genebra ==&lt;br /&gt;
Genebra é uma cidade na Suíça, um pequeno país na Europa Central. Por séculos, foi uma cidade-estado próxima dos Alpes Suíços, cercada por quase todos os lados pela poderosa França. Ingressou na chamada Confederação Suíça ou Confederação Helvética em 1815, tornando-se o 22º cantão. A Suíça é um país bastante peculiar, pois sua formação não é o fruto de uma unificação de natureza étnica ou de uma tradição cultural ou política, mas sim a união de  pequenas cidades-estado situadas entre a Alemanha, a Itália, a França e a Áustria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A união que configura a Suíça se deve a um motivo simples: sozinhas, as cidades são frágeis e cercadas por alguns dos maiores impérios da Europa. Unificadas, podem obter diferentes vantagens, incluindo proteção militar e desenvolvimento social e econômico mútuos. Contudo, esta união não é simples. Cada cidade-estado, agora chamadas de cantões, tem acentuadas peculiaridades históricas, políticas, econômicas, culturais e sociais, de modo que a construção do país se deu por meio de uma longa tradição de negociação política, com séculos de tradição. Hoje identificada por alguns de seus produtos, como chocolates, relógios, bancos e o turismo nos Alpes, a Suíça é, na verdade, uma complicada teia de relações entre pequenos e orgulhosos países unidos em torno de uma necessidade comum de desenvolvimento e segurança, cercada de potências militares e econômicas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade e o Cantão de Genebra certamente têm suas peculiaridades. Ela pertence à chamada Suíça Romanda, a parte da Suíça identificada culturalmente com a França e falante do idioma francês. Ademais, Genebra é uma cidade protestante, cujos líderes foram convertidos pelo próprio reformador João Calvino em 1536, quando expulsaram o bispo de Genebra e converteram a Catedral de Saint-Pierre em uma igreja calvinista. A Suíça é um país dividido entre católicos e protestantes, e Genebra é um dos epicentros globais do protestantismo, sendo um elemento central tanto de sua identidade cultural e política quanto filosófica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cidade ficou muito rica ao atrair banqueiros judeus de Veneza e Milão, que eram perseguidos pelo Papa e que haviam financiado grande parte dos empreendimentos vinculado à Rota da Seda. Com o desenvolvimento econômico, a cidade fortaleceu seu protestantismo e seu sentimento de destino, pois parte da doutrina calvinista indica que a prosperidade econômica é um sinal de Deus na vida do fiel. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XIX, os habitantes de Genebra desenvolveram um humanismo social, onde a ação direta de seus cidadãos deve ser direcionada para os pobres, doentes, desvalidos, entre outros. A cidade recebeu, em diferentes momentos, grupos minoritários perseguidos, doentes e vítimas de guerras, entre muitos migrantes que, por alguma razão, encontravam-se vulneráveis. Esta visão de mundo e do lugar da cidade perante a humanidade é o que levou à criação da Cruz Vermelha, bem como do Direito Internacional Humanitário, que levou a diferentes legislações internacionais de defesa dos direitos humanos, entre outras atitudes humanitárias internacionais que tiveram origem ou forte desenvolvimento na região. Estes são indicativos da tradição e da vocação humanista e internacionalista de uma pequena cidade com grande relevância política e social mundial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História da psicologia em Genebra ==&lt;br /&gt;
A história da psicologia em Genebra começa em 1882 com um dos chamados sábios da cidade, Théodore Flournoy. Ele era um médico que havia estudado na Alemanha e tinha recebido um treinamento para aprender alguns dos experimentos de Helmholtz. Ele tinha algum conhecimento do que viria a ser inserido como parte da psicologia, como experimentos na psicofísica e na fisiologia. Apesar de praticante de algumas coisas e interessado no assunto, trata-se de uma fase da psicologia ainda amadora. Ele conduzia alguns pequenos experimentos relacionados à psicofísica e à psicologia na Universidade de Genebra com seus alunos, ou mesmo no salão de sua casa, com convidados, sem grandes aspirações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cenário começa a mudar em 1889, quando Flournoy participa do Congresso de Psicologia em Paris e, com a experiência com o que viu na cidade, decide trazer a nova ciência para Genebra, colocando-a no mapa do nascimento da nova ciência. Seu modelo de laboratório foi o de Hugo Münsterberg, um psicólogo alemão que havia estudado com Wundt mas, por discordâncias, criou o próprio laboratório como um dissidente do mestre. Münsterberg fez todo tipo de indicação a Flournoy, desde quais os instrumentos mais importantes e onde comprá-los, os livros mais relevantes, entre outros. Além disso, Flournoy viaja para encontrar Münsterberg e aprender com o amigo, onde pega orientações prática e começa a desenhar o que seria o seu laboratório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente, o futuro psicólogo compra os equipamentos necessários com seus próprios recursos, que depois são adquirido pela Universidade de Genebra na ocasião da fundação oficial do laboratório, em 1891. Isso colocou Genebra não apenas no mapa dos locais com um laboratório de psicologia e cursos regulares sobre o tema, como também filiou a Universidade de Genebra à tradição psicológica inaugurada por Wundt e seu modelo de psicologia, ainda que por via indireta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Instituto Jean-Jacques Rousseau ==&lt;br /&gt;
Sete anos depois de sua fundação, em 1898, um incêndio destruiu a maior parte do laboratório de psicologia de Genebra, mas o que foi uma tragédia também se mostrou uma oportunidade. A tarefa de reconstrução do espaço foi dada ao primo de Flournoy, o médico Édouard Claparède, que decidiu dar uma nova orientação ao espaço, aliando a psicologia com a educação, visando seu projeto de “escola sob medida”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claparède, embora conhecido na Suíça, ainda tinha um alcance limitado. Ele ganharia fama internacional apenas em 1909, quando publica Psicologia da Criança e Pedagogia Experimental. Na obra, Claparède defende que o modelo tradicional de educação desconsiderava as necessidades e características infantis, impondo conteúdos sem relação com os interesses da criança. Esta, na visão do pensador, era um ser ativo, curioso, em constante processo de adaptação ao seu meio, que precisava ser transformado e adaptado visando o seu desenvolvimento. Defende então que a educação precisa ser baseada no conhecimento sobre a criança que a psicologia poderia ajudar a proporcionar. A escola seria um laboratório de experiências, onde são testadas práticas pedagógicas fundamentadas na psicologia com eficácia comprovada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O livro foi um sucesso imediato e colocou Claparède como um dos protagonistas do movimento da Escola Nova ou Escola Ativa, que pretendia utilizar métodos educacionais que não apenas ensinassem os conteúdos tradicionais, mas que também pudessem atuar no desenvolvimento intelectual, moral e social do aluno, colocando-o no centro do processo educativo. A proposta, inspirada, entre outros, no filósofo nascido em Genebra Jean-Jacques Rousseau (que dá nome à instituição), era dar protagonismo ao aluno, ao entender as peculiaridades e funcionalidades da mente infantil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Usando de seu prestígio internacional e dentro da própria cidade, Claparède se alia a outro pensador da educação e da psicologia genebrina, Pierre Bovet, para criar o Instituto Jean-Jacques Rousseau. Após obter financiamento público e privado, o espaço é inaugurado em 1912, com cursos de psicologia experimental e pedagogia experimental. A instituição, composta como uma sociedade anônima para manter sua autonomia, adotou o lema Discat a puero magister (Que o mestre aprenda com a criança).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para colocar a teoria desenvolvida no Instituto em prática, além de realizar e testar pesquisas, o Instituto criou escolas de aplicação. A mais famosa foi a Maison des Petits, uma escola do que seria equivalente ao primeiro ciclo, fundada em 1913. Ela tornou-se um laboratório vivo sob a direção de Mina Audemars e Louise Lafendel. Lá, as crianças tinham grande liberdade, utilizando materiais pedagógicos inovadores, inspirados em diferentes reformadores da educação, como Montessori e Decroly, mas adaptados pelo próprio Instituto. Outras escolas de aplicação construídas foram a Maison des Grands e a Escola Töpffer, que visavam estender os métodos ativos ao ensino secundário, mas dificuldades financeiras levaram ao encerramento do projeto entre 1920-1921. As escolas serviram amplamente para o estudo de técnicas educacionais e como laboratório de psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o tempo, o local ainda ganhou uma clínica médica e, mais tarde, um centro de orientação vocacional. A partir de 1925, o apoio financeiro da Fundação Rockefeller permitiu uma nova fase de expansão. O Instituto mudou-se para a Rua Charles Bonnet e, posteriormente, para a Rua dos Maraîchers. Durante este período, formou centenas de educadores de mais de 40 países, disseminando os ideais da Escola Ativa em nível global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Édouard Claparède e a Teoria Genético-Funcional ==&lt;br /&gt;
Conforme o pensamento de Claparède, os seres humanos têm diferentes necessidades, cuja origem são motivações internas do sujeito. Com isso, ele relativiza o pensamento comportamentalista, que propõe que o comportamento vem da resposta a estímulos externos do indivíduo. Assim, a melhor forma de entender os fenômenos psicológicos seria entender seu papel na satisfação dessas necessidades, ou seja, na sua utilidade na adaptação do organismo ao ambiente. A questão pode ser compreendida, de forma geral, se perguntando “para que serve” determinada função, como o sono, a infância, a vontade, entre outros. Todas as funções mentais respondem a uma necessidade, pois tem uma utilidade evolutiva e adaptativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destes princípios advém o que Claparède chamou de Lei do interesse. Nessa lei, as necessidades precisam ser convertidas em condutas ou comportamentos para que a necessidade possa ser satisfeita, o que ocorre em nível psicológico. Dessa forma, o interesse é o princípio fundamental da atividade mental. Ele traduz a necessidade em um fim psicológico, colocando o indivíduo como agente ativo de sua própria conduta. O interesse expressa também a ligação de entre o indivíduo e o objeto que, em determinado momento, o interessa, ou seja, é significativo para ele. Não se trata de uma característica intrínseca das coisas, mas de uma relação que surge quando essas mesmas coisas se conectam a uma necessidade. Assim, algo só se torna interessante na medida em que pode orientar a conduta do sujeito na direção que lhe é relevante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conectadas necessidades, interesses e objetos, tem-se que o desenvolvimento da vida mental depende da distância entre as necessidades e os recursos disponíveis para atendê-las. Quando essa distância é inexistente, como acontece nos processos automáticos de respiração, reflexos pupilares, tosse, espirro, secreções, entre outros, não há esforço mental envolvido. As condutas necessárias para satisfazer essas necessidades acontecem de forma automática. Já quando a diferença entre o interesse e o objeto é grande, como acontece quando estamos com fome, por exemplo, ela impulsiona os indivíduos a criar coisas, como instrumentos de caça, a pesca e até a agricultura. Desse modo, a atividade mental se amplia de forma significativa. É o que Claparède chama de Lei da extensão da vida mental. Em outras palavras, o desenvolvimento da vida mental é proporcional à distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la. Quanto maior o desafio, maior a atividade mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lei da extensão da vida mental traz como consequência a Lei da tomada de consciência, e ela está diretamente conectada à familiaridade dos problemas. Quanto menos familiar, mais rapidamente o indivíduo se dá conta dele e recorre à consciência para buscar uma solução. O contrário também é verdadeiro, ou seja, quanto mais conhecido for o problema e quanto mais sua solução depender de automatismos já adquiridos (como o respirar ou mesmo comportamentos já bem estabelecidos), menor será a necessidade de recorrer à consciência. Esse modelo também foi adotado pelos funcionalistas norte-americanos. Em outras palavras, problemas novos ou pouco familiares exigem consciência. Já problemas rotineiros podem ser resolvidos por automatismos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, o funcionalismo de Claparède oferece uma perspectiva que prioriza a utilidade e a função dos fenômenos psicológicos na adaptação do organismo ao ambiente, destacando que toda atividade mental visa a satisfação de necessidades internas. Este arcabouço teórico se organiza em torno de três leis centrais: a Lei do interesse, que estabelece o interesse como a tradução psicológica das necessidades em condutas; a Lei da extensão da vida mental, que postula o desenvolvimento mental como proporcional ao desafio apresentado pela distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la; e a Lei da tomada de consciência, que reserva a consciência para a resolução de problemas novos e não familiares, deixando os automatismos a cargo das questões rotineiras. Dessa forma, Claparède constrói um modelo dinâmico onde a mente é um agente ativo, impulsionado por suas necessidades e constantemente moldado por sua interação adaptativa com o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claparède teve vários de seus livros traduzidos para o português e publicados no Brasil, além de ter sido celebrado por psicólogos e educadores brasileiros. A conexão entre ele o país foi muito importante. Ele trocou cartas com frequência com Helena Antipoff, sua antiga aluna no Instituto Jean-Jacques Rousseau, e visitou o país duas vezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O IJJR e o Brasil ==&lt;br /&gt;
Várias figuras importantes da psicologia e educação brasileiras estiveram no Instituto, seja para estudos formais, seja apenas para visitas ou mesmo para inspirar iniciativas locais. O primeiro brasileiro a estar no instituto foi o educador mineiro Francisco Lins, que esteve no no local já próximo de sua inauguração, em 1912. Ainda no âmbito mineiro, temos Alberto Alvares, Diretor da Instrução Pública de Minas Gerais e que visitou o IJJR em 1927 para organizar a missão de educadores europeus que viria a atuar em Belo Horizonte. Especula-se que nesta visita o Brasil foi colocado como um destino possível de pessoas formadas em Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um grupo de médicos brasileiros esteve no Instituto em 1928, incluindo Flávio Dias, Artur Fajardo da Silveira, Antônio Moniz de Aragão e Nilton Campos. Este último viria a ter um papel chave na criação da psicologia brasileira, depois que obteve a cátedra de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia, em 1948, atuando no estabelecimento de uma psicologia científica no país. Empresta hoje nome ao prédio onde funciona o Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome de destaque é o de Laura Jacobina Lacombe, que esteve no Instituto em 1924. Era uma representante da Escola Nova no Rio de Janeiro, onde gerenciava uma escola e praticava muitas das ideias de seu mestre, Édouard Claparède. Destaca-se também Lourenço Filho, o célebre educador brasileiro com uma atuação nacional decisiva e relevante para o desenvolvimento da educação no nosso país. Além disso, Lourenço Filho também trabalhou para o desenvolvimento da psicologia no Brasil, escrevendo livros, dando cursos, publicando nos jornais e ocupando cargos importantes na administração pública, tanto federal como na época das então províncias, facilitando a conexão entre a psicologia e a educação e o desenvolvimento da própria psicologia brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O IJJR também enviou pessoas de outras nacionalidades que colaboraram para a formação da psicologia brasileira. Delas, a mais importante é Helena Antipoff, uma psicóloga e educadora de origem russa. Em 1929, Antipoff foi convidada pelo governo de Minas Gerais para implementar a Reforma de Ensino no estado. Ela se estabeleceu em Belo Horizonte, onde fundou a Escola de Aperfeiçoamento, além de uma escola rural, laboratórios, conduziu experimentos, escreveu materiais, livros e artigos e teve uma atuação prática articulada e decisiva com os seus mestres de Genebra. Seu acervo, hoje na Universidade Federal de Minas Gerais, é guardado pelo Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff, um dos primeiros grupos organizados do Brasil a estudar a história da psicologia no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro nome importante é o de Waclaw Radecki, um psicólogo polonês, ex-assistente de Claparède e colega de Piaget em Genebra. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu em 1924 a chefia do Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro, com recursos da Fundação Graffée Guinle. Seu laboratório era anexo à Colônia e os dados obtidos no contato clínico com os doentes era utilizado nas discussões dos casos do grupo de médicos e psiquiatras do local. Além disso, Radecki também tentou organizar o que pode ser o primeiro curso de psicologia do Brasil, visando formar assistentes para o seu laboratório, mas sem sucesso. Ele também produziu um sistema próprio, o discriminacionismo afetivo, que tomou forma final no Brasil e que pode ser uma das primeiras teorias psicológicas criadas no país. O laboratório que dirigiu, após algumas transformações, deu origem ao Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma terceira figura dos princípios do IJJR é Mariana Schryer. Psicóloga formada no Instituto, ela fugiu da Europa por conta do crescimento da perseguição aos judeus. No Brasil, criou uma clínica psicológica para crianças no Rio de Janeiro, sendo possivelmente a primeira pessoa a praticar as ideias de Piaget no país. Ela também ocupou cargos relevantes em revistas, periódicos e em instituições de ensino, porém, infelizmente, sua história ainda é pouco conhecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Jean Piaget e uma nova orientação para Genebra ==&lt;br /&gt;
A Escola de Genebra já estava consolidada. Iniciada com o laboratório de Flournoy que, após um incêndio, torna-se o laboratório de Claparède, que o expande e funda o Instituto Jean-Jacques Rousseau, colocando Genebra definitivamente no mapa com uma perspectiva de aliança entre educação e psicologia. Contudo, o grande nome de Genebra, que alterou a psicologia em nível global e transformou a visão científica sobre a infância é o de Jean William Fritz Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Piaget nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 1896 e obteve seu doutorado em zoologia em 1918, quando ainda contava com 21 anos de idade. Após um período de estudos em Zurique e em Paris, onde foi aluno de vários dos principais nomes da lógica, psiquiatria e psicologia franceses, ele foi convidado por Édouard Claparède a se integrar ao Instituto Jean-Jacques Rousseau, na condição de chefe do laboratório de psicologia, em 1922. Em 1923, publica A Linguagem e o Pensamento na Criança e, no ano seguinte, O Raciocínio na Criança, obras que o elevam à fama na Europa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a publicação de A Representação do Mundo na Criança, de 1926, Piaget marca a formalização de seu método, chamado de método clínico que, depois e em parceria com Barbel Inhelder, evolui para o método clínico-crítico. As obras A Causalidade Física na Criança (1927) e O Juízo Moral na Criança (1932) marcam o desenvolvimento de seu método e o amadurecimento de sua teoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua rica obra atinge um novo patamar com a publicação de O Nascimento da Inteligência na Criança, de 1936, onde desenvolve técnicas de análise do desenvolvimento cognitico de bebês a partir de experimentos e observações que conduziu com seus próprios filhos. O livro marca o estabelecimento da Epistemologia Genética, onde afirma claramente que a inteligência é uma ferramenta de adaptação do sujeito ao meio e que a cognição é uma extensão do real. É nessa obra que ele amadurece a noção de esquema e a de estrutura, que caracterizarão sua teoria até o final de sua vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1948, o Instituto Jean-Jacques Rousseau se torna Instituto de Ciências da Educação, mantendo uma interface entre a faculdade de Letras e a de Ciências. Este é um momento em que Piaget exerce imensa influência sobre a instituição, dando sua orientação e atuando diretamente na contratação de professores, na organização de currículos, entre outros. Foi nesse período, sob a liderança de Jean Piaget, que o prestígio da instituição explodiu globalmente, consolidando a Escola de Genebra como o epicentro da psicologia genética e do desenvolvimento, rivalizando com Harvard. Em 1975, a instituição se torna a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (FPSE), formato que tem até hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1955, Piaget funda o Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG), um centro multidisciplinar de estudos que atraiu centenas de pesquisadores e algumas das mentes mais brilhantes do século XX. A grande inovação do CIEG era o seu método de trabalho. Todos os anos, Piaget selecionava um tema central como, por exemplo: &amp;quot;o tempo&amp;quot;, &amp;quot;a causalidade&amp;quot; ou &amp;quot;a contradição&amp;quot;, e convidava os maiores nomes do mundo para debatê-lo. A cada ano, Piaget e seus colaboradores escreviam relatórios sobre os debates conduzidos naquele período, sintetizando avançadas discussçoes interdisciplinares. O Centro funcionou até a morte de Piaget, em 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No cerne da teoria piagetiana está o conceito de adaptação, composto por dois processos complementares: assimilação e acomodação. A assimilação refere-se à incorporação de novos estímulos ambientais aos esquemas cognitivos existentes, utilizando-os como ferramenta para interpretar a realidade. Já a acomodação ocorre quando o esquema é modificado para se ajustar a elementos novos do meio que resistem à assimilação, promovendo reorganização cognitiva. Esses mecanismos funcionam como funções biológicas primordiais, herdadas da evolução, que visam restaurar o equilíbrio cognitivo, estado em que o organismo atinge harmonia entre suas estruturas internas e as demandas externas. Para Piaget, o desenvolvimento não é mera acumulação de conhecimento, mas uma autorregulação funcional que permite ao sujeito interagir de forma eficaz com o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Piaget adota uma abordagem genético-funcional, influenciada por funcionalistas americanos e europeus, que vê o conhecimento como resultado de funções biológicas aplicadas à epistemologia. Diferente do behaviorismo, que reduz o funcionalismo ao esquema estímulo-resposta, Piaget enfatiza funções internas (maturação) em relação complexa com extrnas (experiência social e física), construindo esquemas como conceitos práticos generalizáveis. Sua epistemologia genética afirma um sujeito ativo na construção do conhecimento, mas sempre orientado por funções adaptativas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este breve resumo conecta o pensamento de Piaget com o funcionalismo, mas sua teoria é, na verdade, altamente complexa. Ele escreveu milhares de páginas, além de ter conduzido ou orientado centenas de experimentos e colaborado com centenas de intelectuais. A influência de Piaget no pensamento psicológico e educacional é imensa e ainda objeto de estudos. Ele foi o segundo psicólogo mais citado do século XX e seu pensamento é utilizado por inúmeros psicólogos e educadores ao redor do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Piaget e o Brasil ==&lt;br /&gt;
Muitos nomes importantes para a psicologia e educação brasileiros estiveram com Piaget ou colaboraram decisivamente para a disseminação de suas ideias em nosso país. Uma lista completa é praticamente impossível de elaborar, mas alguns nomes podem ser mencionados, sem prejuízo de outros também muito relevantes. Esta lista inclui, por exemplo, Maria Luiza de Almeida Cunha Ferreira, uma ex-aluna de Helena Antipoff que conseguiu uma bolsa da UNESCO em 1959 para estudar na Europa, fazendo cursos diretamente com Piaget e André Rey em Genebra. Outro nome importante é o da esposa de André Rey, Terezinha Rey, uma psicóloga mineira que acompanhou de perto os trabalhos do IJJR e de Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Destaca-se também Zélia Ramozzi-Chiarottino. Professora da USP, estudou em Genebra e na França, participando de pesquisas, assistindo a aulas com Piaget e sendo convidada por Bärbel Inhelder para reuniões no Centro Internacional de Epistemologia Genética (CIEG). Ela fundou o primeiro laboratório de epistemologia genética do Brasil e formou gerações de psicólogos piagetianos na América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No sul do país, onde existe um importante núcleo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, se destaca o nome de Léa da Cruz Fagundes, que viajou a Genebra, onde discutiu sua dissertação com Bärbel Inhelder e conheceu Emília Ferreiro. Fernando Becker é outro nome relevante da região, ainda atuante na disseminação das ideias do mestre de Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Luci Banks-Leite é uma pesquisadora com formação em Genebra, teve seus experimentos usados pelo próprio Piaget, com quem manteve contato por muitos anos. O médico argentino Antonio Maria Battro, que fez doutorado na França, estagiou no Centro Internacional de Epistemologia Genética a convite do próprio Piaget, que se impressionou com seus estudos. Battro foi o principal responsável por fundar os Grupos de Estudos Cognitivos (GRECs) no Brasil a partir de 1973, e teve influência decisiva na difusão das ideias de Piaget no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, destaca-se o casal Emília Ferreiro e Rolando Garcia. Intelectuais argentinos que, exilados na Suíça, trabalharam em Genebra no Centro Internacional de Epistemologia Genética. Ferreiro defendeu sua tese de doutorado sob orientação de Piaget e, posteriormente, teve um impacto revolucionário na educação e alfabetização brasileiras por meio de sua teoria, o Construtivismo. Já Rolando Garcia foi o co-autor do último livro publicado por Piaget, que ele considerava a finalização de sua obra, além de ser amigo pessoal de Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O BIE ==&lt;br /&gt;
A criação do Bureau International d’Éducation (BIE) está intrinsecamente ligada ao Institut Jean-Jacques Rousseau, em Genebra, com quem compartilha fundadores e colaboradores. Após a Primeira Guerra Mundial, sentiu-se uma lacuna importante no Tratado de Versalhes. Enquanto a Organização Internacional do Trabalho (OIT) cuidava das questões laborais, e outras organizações tratavam de drogas, armas, entre outros, não existia uma instância internacional voltada para a educação e a infância. O BIE surgiu, portanto, como uma tentativa da sociedade civil, especificamente de pacifistas, feministas e educadores, de suprir essa falha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como não conseguiram o apoio imediato e o financiamento da Liga das Nações para construir o projeto, os fundadores agiram estrategicamente, utilizando o próprio IJJR, alegando que, graças ao instituto, o BIE já existia “na prática”. Além disso, fizeram lobby em redes de solidariedade intelectual e diplomática, incluindo com brasileiros, buscando contatos informais com delegados internacionais, visando obter apoio junto aos governos de países do mundo todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1929, o BIE passou por uma transformação crucial ao se tornar uma organização intergovernamental, sendo a primeira desse tipo no campo da educação. Foi nesse período que Jean Piaget assumiu a direção, liderando a instituição por quatro décadas, de 1929 a 1968, junto de Pedro Rosselò, que administrava tudo na prática. Foram eles quem implementaram sua missão, que seria a &amp;quot;ascensão do individual ao universal&amp;quot;. Essa máxima refletia a crença de que, através da observação científica, da coleta de dados comparativos e da colaboração recíproca entre nações, seria possível definir métodos pedagógicos universais que respeitassem a especificidade da criança e promovessem a paz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As Conferências Internacionais sobre Educação Pública (ICPEs), organizadas anualmente a partir de 1934, tornaram-se o palco dessa busca, onde governos eram convidados a discutir e, idealmente, adotar recomendações comuns. A pressão dos dirigentes do BIE, suas visitas a países no mundo todo, entre outras ações, levaram várias nações a implementarem sistemas de educação públicos, ministérios da educação, divisões de pesquisa educacionais, entre outros. Mesmo no Brasil estas pressões surtiram efeito e, apesar de o país só integrar formalmente o BIE nos anos 1960, foi um participante ativo de várias de suas iniciativas e foi bastante influencido por suas políticas e propostas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Piaget utilizou de sua influência na instituição para espalhar suas ideias pelo mundo. Assim, ele viajou a muitos países, disseminando suas ideias e promovendo debates sobre psicologia e educação. Ele esteve no Brasil em 1949, onde falou sobre suas teorias com vários brasileiros, especialmente Nilton Campos e Lourenço Filho. O BIE também teve um papel relevante na internacionalização do funcionalismo europeu, servindo como ponte entre estes grupos de intelectuais e os diferentes governos e intelectuais de forma global.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Considerações finais =&lt;br /&gt;
O funcionalismo, tanto em sua vertente americana quanto europeia, representou um divisor de águas na história da psicologia, marcando a transição de uma visão mecanicista e atomista da mente para uma perspectiva que enfatiza a função adaptativa dos processos psicológicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A investigação do funcionalismo europeu nos levou a um &amp;quot;passeio&amp;quot; por importantes centros de produção psicológica no continente. Na França, a psicologia floresceu na Salpêtrière, na Sorbonne,  e no Collège de France, com Ribot a cátedra de Psicologia Experimental e Comparada. A influência francesa, particularmente de Charcot, Binet e Pierre Janet, foi notável no Brasil, moldando a psiquiatria e servindo de modelo para o estabelecimento da psicologia experimental no início do século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Alemanha, após o apogeu de Wilhelm Wundt, a psicologia viveu uma crise de fragmentação. O período nazista impôs uma unificação controversa em torno do diagnóstico caracterológico e da visão holística da personalidade (Ganzheit). Após a Segunda Guerra, a psicologia alemã foi marcada pela influência americana e marxista, bem como pela dificuldade de rearticulação de suas escolas, como a Gestalt. No Brasil, a influência alemã se concentrou principalmente na psicanálise e em alguns debates sobre a fenomenologia, mas as barreiras linguísticas e culturais limitaram a circulação de outras ideias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia na Rússia associou-se fortemente à fisiologia, culminando na reflexologia, impulsionada por Séchenov e atingindo o auge com Pavlov. Após a Revolução de 1917, a psicologia soviética abraçou o marxismo, destacando-se Lev Semenovich Vygotsky com sua teoria histórico-cultural e com o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), que teve um impacto transformador na educação brasileira a partir dos anos 1990. Sergei Rubinstein e, posteriormente, Leontiev e Luria, com a Teoria da Atividade, também consolidaram a contribuição russa marxista, embora estas vertentes tenham menor circulação no Brasil do que Vygotsky.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, a Escola de Genebra tornou-se o epicentro da matriz genético-funcional. A fundação do Instituto Jean-Jacques Rousseau (IJJR) em 1912 marcou a consolidação dessa visão, abraçando a Escola Nova. O IJJR manteve uma conexão intensa com o Brasil, de onde recebeu e para onde enviou muitos educadores e psicólogos. O auge de Genebra veio com Jean Piaget, que criou o método clínico-crítico e estabeleceu a Epistemologia Genética. A influência de Piaget no Brasil foi monumental e diversificada, atraindo figuras diversas. O Bureau International d’Éducation teve um papel decisivo na educação global e na difusão das ideias do funcionalismo europeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, o funcionalismo europeu não foi um bloco homogêneo, mas uma tapeçaria rica de abordagens que, partindo da premissa da função adaptativa da mente, gerou escolas com profundas ramificações na psiquiatria, na psicologia experimental e, crucialmente, na educação, com a Escola de Genebra se tornando um farol de inovação. As conexões com o Brasil, seja pela importação de modelos, seja pela formação de lideranças, foram decisivas para a institucionalização e a definição da identidade da psicologia e da pedagogia brasileiras ao longo do século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[William James]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lourenço Filho]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Helena Antipoff]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lev Vygotsky|Vygotsky]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Nilton Campos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
= Referências =&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
PIAGET, Jean. &#039;&#039;&#039;A representação do mundo na criança&#039;&#039;&#039;: com o concurso de onze colaboradores. Trad. de Adail Ubirajara Sobral (colaboração de Maria Stela Gonçalves). Aparecida/SP: Idéias &amp;amp; Letras, 2005. (publicado originalmente em 1926).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PIAGET, Jean. &#039;&#039;&#039;A causalidade física na criança&#039;&#039;&#039;. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. (publicado originalmente em 1927).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PIAGET, Jean. &#039;&#039;&#039;O juízo moral na criança&#039;&#039;&#039;. São Paulo: Summus, 1994. (publicado originalmente em 1932).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PIAGET, Jean. &#039;&#039;&#039;A linguagem e o pensamento da criança&#039;&#039;&#039; (trad. Manuel Campos; rev. da trad. Marina Appenzeller e Aurea Regina Satori. 5ª ed. bras. inteiramente rev.). São Paulo: Martins Fontes, 1989. (Coleção psicologia e pedagogia). (Originalmente publicado em 1923).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PIAGET, Jean. &#039;&#039;&#039;A epistemologia genética; Sabedoria e ilusões da filosofia; Problemas de psicologia genética&#039;&#039;&#039;. Tradução de Nathanael C. Caixeiro. São Paulo: Abril Cultural, 1978. (Os Pensadores).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PIAGET, Jean. &#039;&#039;&#039;O raciocínio na criança&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Record, 1967. (publicado originalmente em 1924).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RATCLIFF, Marc J. &#039;&#039;&#039;Atalho analógico e reconstrução micro-histórica&#039;&#039;&#039;: as origens do laboratório de psicologia experimental de Genebra em 1892 (Trad. de André Elias Morelli Ribeiro). Mnemosine, v.14, n.1, 2018. Disponível em: &amp;lt; &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/mnemosine/article/view/41705&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RATCLIFF, Marc J. Entre autorité, recherche et sociabilité : Jean Piaget et l’Institut Rousseau de 1920 à 1940. Em: AMANN-GAINOTTI, M; DUCRET, J-J. &#039;&#039;&#039;Jean Piaget psicologo, epistemologo svizzero all’avanguardia&#039;&#039;&#039;. Roma: Aemme Publishing, p.83-97, 2011.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RATCLIFF, M. J.; RUCHAT, M. (org.). &#039;&#039;&#039;Les laboratoires de l’esprit&#039;&#039;&#039;: une histoire de la psychologie à Genève: 1892-1965. Genebra: Musée d’histoire des sciences, pp. 137–157, 2006. Disponível em: &amp;lt;&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://archive-ouverte.unige.ch/unige:37091&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ROSA, Hugo Leonardo Rocha Silva da; RIBEIRO, André Elias Morelli. A viagem de Claparède ao Brasil. Em: RIBEIRO, André Elias Morelli; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022, p.286-330. Disponível em: &amp;lt;&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://editora.historiadapsicologia.com.br/wp-content/uploads/2026/03/13-A-Viagem-de-Claparede-ao-Brasil-1.pdf&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RUCHAT, Martine. A Escola de psicologia de Genebra em Belo Horizonte um estudo por meio da correspondência entre Edouard Claparède e Hélène Antipoff (1915-1940). &#039;&#039;&#039;Revista Brasileira de História de Educação&#039;&#039;&#039;, v. 8, n. 2, p. 181-205, 2008. Disponível em: &amp;lt;&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.redalyc.org/pdf/5761/576161066010.pdf&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&amp;gt;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SOUZA JUNIOR, Eustáquio José de; LOPES, Manoela Gomes; CIRINO, Sérgio Dias. A reflexologia soviética: Séchenov, Pavlov e Bechterew. Em: JACÓ-VILELA, Ana Maria; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; PORTUGAL, Francisco. &#039;&#039;&#039;História da psicologia&#039;&#039;&#039;: rumos e percursos. Rio de Janeiro: Nau Editora, 2005, p. 169-178.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VASCONCELOS, Mário Sérgio. &#039;&#039;&#039;A difusão das ideias de Piaget no Brasil&#039;&#039;&#039;. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
YASNITSKY, Anton. Sergei Rubinstein as the founder of soviet marxist psychology: problems of psychology in the works of Karl Marx” (1934) and beyond. Em: _____. &#039;&#039;&#039;A history of marxist psychology&#039;&#039;&#039;. London: Routledge, 2020. Disponível em: &amp;lt;&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://doi.org/10.4324/9780429323423&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&amp;gt;.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Texto didático]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Portal_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia&amp;diff=1660</id>
		<title>Portal História da Psicologia</title>
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		<updated>2026-04-12T12:16:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* Patrocinadores e fomentadores do Portal História da Psicologia */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Portal História da Psicologia é uma iniciativa e um ecossistema digital nascido no Departamento de Psicologia em Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, com raízes na gestão 2017-2019 da Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP). Criado por André Elias Morelli Ribeiro, o projeto visa modernizar e inserir o campo brasileiro da história da psicologia lusófona nos meios digitais. O Portal é composto por diversas plataformas e projetos interligados, cada um com uma função específica na divulgação e produção de conhecimento na área. Estas partes incluem o website, a Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP), o Canal História da Psicologia TV (HPTV), a Editora do Portal História da Psicologia e o Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp). Além dos produtos digitais, o Portal publica anualmente, desde 2022, os livros da série do Boletim do Portal História da Psicologia. O Portal também mantém presença nas redes sociais (Facebook, Instagram, X) visando a divulgação de seus produtos e ações de divulgação científica nas redes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primórdios ===&lt;br /&gt;
As primeiras ideias que visavam a integração do ambiente digital com o mundo acadêmico no campo da história da psicologia, bem como o aproveitamento de tecnologias digitais para a criação de produtos específicos voltados para esse universo, começaram dentro da [https://sbhpsi.com.br/ Sociedade Brasileira de História da Psicologia], durante a [https://sbhpsi.com.br/quem-somos/diretoria-historico/ gestão de Arthur Arruda Leal Ferreira (2017-2019)]. O projeto inicial se limitava a listar todas as referências bibliográficas produzidas pelos principais membros da Sociedade em seu site, além de melhorias na produção da comunicação da gestão da SBHP com os seus afiliados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas comunicações eram feitas principalmente por meio da [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Newsletter da SBHP], uma publicação em formato PDF enviada periodicamente por e-mail aos seus membros. A publicação ficava sob responsabilidade da secretaria da Sociedade, que coletava notícias relevantes do campo brasileiro da história da psicologia. Na época, a secretaria estava nas mãos de André Elias Morelli Ribeiro, que posteriormente seria o criador do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época vinculado à Universidade Federal do Amapá, o professor André Morelli identificou a necessidade de aprimorar o modelo da Newsletter da SBHP. Ele entendia que as novas ferramentas digitais de informação e comunicação ofereciam maior dinamismo e agilidade na formulação de comunicados da Sociedade. Além disso, o secretário da Sociedade concebeu um novo formato de publicação, mais parecido com uma revista, ao analisar o conteúdo de alguns textos enviados pelos membros para publicação na Newsletter e que se diferenciavam do seu perfil editorial. Essa nova publicação teria como objetivo acolher materiais opinativos, transcrições de palestras, relatos de pesquisa, relatos de viagens, entre outros tipos de texto que, apesar de serem de grande interesse para o grupo, não seriam tipicamente aceitos em periódicos científicos tradicionais nem caberiam no formato da Newsletter.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2018, durante a reunião da SBHP em Belo Horizonte, foi aprovada uma proposta de reformulação do modelo de comunicação da Sociedade. O novo modelo previa a migração dos conteúdos informativos da Newsletter para as redes sociais e a criação do [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Boletim da SBHP], um novo veículo para a publicação de textos em diversos formatos. Com a colaboração de [http://lattes.cnpq.br/3366000072376649 Hugo Leonardo Rocha Silva da Rosa], foram lançadas quatro edições do Boletim, e as redes sociais da Sociedade tiveram uma atuação bastante intensa. Contudo, a gestão subsequente optou por desfazer essas mudanças, retomando o formato de comunicação anterior, o que resultou na extinção do Boletim e na modificação da presença da SBHP nas redes sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O início do Portal ===&lt;br /&gt;
Considerando o histórico da gestão [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira] na SBHP, as sementes plantadas naquele período continuaram se desenvolvendo. Contudo, em uma nova conjuntura, passariam a ser geridas por um grupo menor e descolado da diretoria da Sociedade. A ideia de modernização e inserção do campo brasileiro da história da psicologia nos meios digitais inspirou-se em três iniciativas. A primeira é o projeto [https://ahp.apps01.yorku.ca/ Advances in the History of Psychology (AHP)], criado por [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Christopher Green], da Universidade York, no Canadá. Nas primeiras formulações do Portal, a ideia era criar um projeto semelhante ao site do AHP, porém com foco no Brasil e, posteriormente, na América Latina. O prof. Green foi um dos primeiros a pensar a integração de recursos online com a história da psicologia, reunindo links, sites, produzindo podcasts, entre outros produtos, de modo que o site do Portal História da Psicologia, principalmente em sua primeira versão, é baseado na experiência do site principal do AHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra inspiração do Portal é o [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia Brasileira: Pioneiros], cuja primeira edição está disponível online no site da Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia (BVS-Psi). O Dicionário é uma criação de [http://lattes.cnpq.br/5350842157910835 Regina Helena de Freitas Campos] e se coloca como um dos grandes marcos do desenvolvimento do campo brasileiro da história da psicologia. É dele que veio a ideia de criar uma enciclopédia que fosse semelhante à Wikipédia em termos de dinamismo e capacidade de atualização e transformação, ao mesmo tempo que se estabelecem elementos de rigor técnico para manter a qualidade do material, assim como no caso do Dicionário. A WikiHP foi o segundo produto a ser incorporado pelo projeto, apesar de ter sido concebido ao mesmo tempo do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira fonte de inspiração para a criação do Portal advém do blog da rede de pesquisa [https://histoiresante.blogspot.com/ Historien.ne.s de la Santé]. Este blog se destaca pela sua atuação nas redes sociais e pela produção de conteúdo digital, estabelecendo uma conexão eficaz entre o mundo acadêmico e de pesquisa e o ambiente digital. Ele utiliza essas ferramentas eletrônicas como caixas de ressonância para difundir publicações, eventos, entre outros. Nesse contexto, também merece menção a [https://ripehp.com/ Rede Iberoamericana de Pesquisadores em História da Psicologia], cujo blog realiza um trabalho semelhante, porém focado na América Latina e que também serviu como base para a criação do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Findo os projetos desenvolvidos junto à SBHP, as reflexões para a continuidade do que seria o Portal tiveram início em outubro de 2019, ocasião em que seu criador já imaginava a publicação de um site, de um sistema de publicação de biografias, um braço audiovisual voltado para a divulgação científica e a organização de uma base de referências. Considerando a organização das primeiras ideias e de como o Portal poderia funcionar, o domínio do site do projeto – que ainda não tinha nome – foi reservado no mês de dezembro de 2019 em um servidor nos EUA. Este é considerado o marco inicial do projeto. A construção do site iniciou-se no mesmo mês e, em quatro de janeiro de 2020, a enciclopédia eletrônica teve início. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do site ===&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia teve suas origens em um período de recesso acadêmico, mais precisamente em dezembro de 2019. Naquele momento, seu idealizador já havia consolidado sua posição como docente no [https://psicologiaro.uff.br/ Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense] (UFF), lotado no campus de Rio das Ostras, no estado do Rio de Janeiro. Aproveitando a pausa das atividades regulares, o professor decidiu empreender um processo de autoaprendizagem e aplicação prática sobre a arquitetura e a construção de websites.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este projeto inicial foi concebido como um estudo-piloto para aquilo que seria o Portal História da Psicologia. A ideia central era criar uma plataforma digital que, em termos de conteúdo, guardava uma relação temática com o Advances in the History of Psychology (AHP), mas com uma abordagem significativamente mais direta e simplificada. A principal diferença e foco estratégico do novo empreendimento era o público-alvo: o conteúdo seria integralmente voltado para a comunidade lusófona, preenchendo uma lacuna percebida na oferta de material de qualidade sobre o tema em língua portuguesa e que, inicialmente, havia sido pensado para o site da Sociedade Brasileira de História da Psicologia - o que acabou não ocorrendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de ser um projeto nascido em um recesso, o desenvolvimento foi rápido. Já no final de dezembro de 2019, uma primeira versão do site estava no ar e acessível ao público. Contudo, essa versão inicial era notavelmente rudimentar e limitada em sua funcionalidade e abrangência. O site consistia essencialmente em páginas estáticas que organizavam alguns links relevantes. Embora já apresentasse uma organização sistemática dos temas propostos, essa estruturação era ainda incipiente e precária, refletindo o caráter embrionário do projeto e o seu uso como ferramenta de aprendizado na construção de plataformas digitais. Esse lançamento inicial, ainda que simples, marcou o nascimento oficial do Portal História da Psicologia, estabelecendo a base para o crescimento e expansão que se seguiriam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira grande reforma do site do Portal foi feito por [http://lattes.cnpq.br/0923932871489290 Raquel Donegá de Oliveira], que publicou a nova versão em 2023 com várias atualizações e uma reforma visual completa. Em 2024 foi a vez de Lara Overney Magariños criar uma nova versão, utilizada atualmente, com outra reformulação e modernização, trazendo uma interface mais intuitiva e conexões diretas com os diferentes produtos e partes do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O surgimento da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP) ===&lt;br /&gt;
Com a fundação do site principal do projeto, a atenção voltou-se para a elaboração de uma enciclopédia especializada. A principal fonte de inspiração para essa empreitada foi o notável [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil: Pioneiros], uma obra de referência que já contava com uma versão digital acessível através da BVS-Psi (Biblioteca Virtual em Saúde - Psicologia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após uso regular desse material para estudos e pesquisas, que é amplamente reconhecido como uma referência fundamental na área da história da psicologia brasileira, tornou-se evidente que uma parcela significativa das informações contidas no Dicionário se encontrava desatualizada. Isso era um reflexo natural do constante avanço das pesquisas e estudos históricos na disciplina, que frequentemente trazem novas descobertas e reinterpretações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar da importância e qualidade inegável do Dicionário, sua natureza de publicação em formato impresso impunha uma limitação significativa, que é a lentidão no processo de atualização. Uma obra física não pode ser corrigida ou complementada rapidamente, pois qualquer modificação exige a organização de todo um novo ciclo editorial, que abrange desde a revisão e a impressão até a distribuição. Esse processo é notoriamente dispendioso, tanto em termos de tempo quanto de recursos financeiros. Infelizmente, o mesmo ocorria com sua versão digital, que era tão estática quanto o original impresso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência e a consolidação da tecnologia da informação moderna ofereciam uma alternativa promissora a essa limitação secular. Com o advento da chamada Web 2.0, a era da internet interativa e participativa, a necessidade de esperar longos ciclos de publicação para incorporar atualizações parecia obsoleta. A tecnologia atual permite que qualquer informação seja revisada, corrigida ou expandida de maneira extremamente ágil e quase instantânea, com interação constante junto ao público. O paradigma dessa nova realidade é a Wikipédia, que demonstra a viabilidade e eficácia de um modelo de produção e disseminação de conhecimento em constante e rápida evolução, bem diferente da rigidez dos formatos tradicionais de publicação. Essa agilidade e acessibilidade tornaram-se o modelo a ser replicado na criação da nova enciclopédia digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desta feita, decidiu-se pela utilização do mesmo sistema utilizado pela famosa enciclopédia, chamado [[mediawikiwiki:MediaWiki|Mediawiki]], que conta com uma comunidade ativa de desenvolvedores e um suporte já muito bem estabelecido. A WikiHP foi concebida em dezembro de 2019, visando atender o programa de monitoria da disciplina de História da Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras. Nesta disciplina, grupos de estudantes seriam avaliados por meio da criação de verbetes temáticos relacionados à história da psicologia. Os melhores trabalhos seriam depositados na WikiHP, cuja finalidade restringia-se à produção de material de apoio para a própria disciplina. Com a instalação do sistema na raiz do servidor do site e a criação do subdomínio, tudo em quatro de janeiro de 2020, foi criada a [https://wiki.historiadapsicologia.com.br Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)], que traria verbetes sobre temas relativos à história da psicologia. A logomarca da WikiHP foi criada ainda naquele mês, bem como a logomarca do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próximo passo foi iniciar a publicação de verbetes e, para isso, era necessário criar um que pudesse ser usado como exemplo pelos colaboradores da Enciclopédia. Assim, o prof. André Morelli escreveu e publicou o verbete [[Alfred Binet]], aproveitando um conjunto de estudos que fazia à época e que se tornou o primeiro material publicado na WikiHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Primeira fase: apoio ao ensino remoto ====&lt;br /&gt;
A eclosão da pandemia de Covid-19 em 2020 impôs um cenário de profundas transformações no ambiente acadêmico. Na Universidade Federal Fluminense (UFF) as aulas presenciais foram suspensas em março de 2020, o que mudou de forma significativa o funcionamento do projeto. Adotou-se um regime de ensino remoto como medida de contingência e segurança sanitária. Foi neste contexto desafiador que se deu um passo crucial na trajetória da Wiki, qual seja, a sua integração direta e orgânica com as atividades de ensino e aprendizagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este movimento de articulação foi catalisado, inicialmente, pela atuação proativa de [http://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira], que era, na época, um aluno de graduação do curso de Psicologia da UFF. Yuri foi agraciado com a bolsa de Auxílio a Atividades Remotas, um suporte financeiro e institucional oferecido pela [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) da UFF], visando exatamente aprimorar e apoiar as metodologias de ensino a distância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Segunda fase: expansão ====&lt;br /&gt;
Orientado para a disciplina de História da Psicologia, a iniciativa centralizou-se na estruturação de um projeto pedagógico que fosse inovador e pudesse articular o ensino tradicional com novas ferramentas de informação e comunicação. A estratégia consistiu em organizar os estudantes da disciplina em grupos de trabalho. O objetivo primordial desses grupos era a pesquisa e elaboração de novos verbetes para a enciclopédia WikiHP. Esse processo transformava os alunos de meros consumidores de conteúdo em ativos produtores de conhecimento. A qualidade e a relevância acadêmica dos verbetes produzidos eram fatores determinantes. Os melhores trabalhos, após uma criteriosa avaliação e revisão, seriam selecionados para publicação oficial na enciclopédia digital. Mais do que um mero reconhecimento, essa publicação inseria o trabalho dos estudantes em um contexto de divulgação científica aberta. Adicionalmente, dependendo da temática abordada e de sua adequação ao currículo, os verbetes mais robustos e didáticos tinham o potencial de serem formalmente incorporados como material didático complementar e permanente da própria disciplina de História da Psicologia, estabelecendo um ciclo virtuoso de produção, uso e refinamento do conhecimento. Esta iniciativa não só manteve o engajamento dos alunos durante o ensino remoto, como também enriqueceu de maneira significativa o acervo da WikiHP, solidificando seu papel como um recurso educacional aberto e colaborativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Yuri Vieira e André Morelli iniciaram a definição dos procedimentos para a redação dos verbetes e dos padrões de qualidade do Portal História da Psicologia (WikiHP). Para tal, basearam-se no verbete de Alfred Binet e na experiência direta de coleta e produção de conteúdo. A experiência com a construção de verbetes e as interações com os alunos favoreceram o amadurecimento das normas e dos melhores procedimentos que pudessem atender o projeto, mantendo a qualidade dos textos e a formação dos estudantes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Monitoria =====&lt;br /&gt;
Em 2021, o projeto se expandiu com a criação de um programa de monitoria, aprofundando a integração entre ensino e projeto. As monitoras envolvidas foram [http://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (bolsista) e [http://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] e [http://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto dos Reys] (voluntárias). Com a evolução constante do projeto e a incorporação de novos monitores ao longo dos anos, a WikiHP baseou-se em grande medida no apoio oferecido pela Pró-Reitoria de Graduação na forma de bolsas de monitoria, desenvolvendo tanto as disciplinas envolvidas quanto o projeto da enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== A publicação de uma obra de referência ====&lt;br /&gt;
Todo este trabalho, que envolveu um esforço contínuo de sistematização e organização do conhecimento na área, culminou na publicação da primeira obra de referência para a enciclopédia, o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo]. Publicado no ano de 2022 pela [https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia], este volume inaugural teve a autoria de André Elias Morelli Ribeiro. A obra representou a consolidação de toda a experiência acumulada ao longo dos anos de desenvolvimento do projeto do Portal. Ela detalhou e formalizou aspectos cruciais para a consistência e qualidade do conteúdo enciclopédico, estabelecendo padrões para a inclusão de novas informações. Entre os elementos fundamentais abordados, o livro definiu o sistema de categorias temáticas, a estrutura e a organização das seções de cada verbete, o estilo de escrita acadêmica e informativa a ser seguido e, notavelmente, orientações metodológicas rigorosas para a pesquisa e referências bibliográficas. Em essência, o livro WikiHP de 2022 serviu como um manual de estilo abrangente e uma carta magna para a produção de conteúdo dentro do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido à evolução constante do projeto e à necessidade de incorporar novas diretrizes e aprendizados, o livro ganhou uma [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 segunda edição revista e ampliada]. Esta nova edição foi publicada em 2025, refletindo as atualizações necessárias para manter a obra alinhada com o estado atual da enciclopédia e as melhores práticas editoriais. Um marco significativo desta nova versão foi a expansão da equipe editorial, pois a edição de 2025 passou a ser uma coautoria entre André Elias Morelli Ribeiro e [http://lattes.cnpq.br/1153398469018062 Júlia Lombardi Carneiro], integrando novas perspectivas e conhecimento ao documento fundamental da Enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do Canal História da Psicologia TV (HPTV) ===&lt;br /&gt;
Durante o período desafiador da pandemia de Covid-19, o Portal História da Psicologia encontrou uma oportunidade única de crescimento e consolidação. A crise sanitária impulsionou uma busca generalizada por atividades e oportunidades de desenvolvimento de estudos e pesquisas que pudessem ser realizadas integralmente no formato digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa procura resultou em um fortalecimento significativo da equipe do Portal, com um aumento notável no número de pessoas interessadas em colaborar. Esse influxo de novos membros e entusiastas criou as condições ideais para viabilizar um projeto de longa data, já imaginado no período da gestão 2017-2019 da SBHP, a produção sistemática de conteúdo em vídeo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos dos novos colaboradores que se juntaram à iniciativa e demonstraram interesse na produção de vídeos eram, simultaneamente, membros ativos do Varanda, um proeminente grupo de pesquisa focado na história da psicologia, sob a liderança do professor Arthur Arruda Leal Ferreira. Essa sobreposição de participantes naturalmente levou ao estabelecimento de uma colaboração frutífera e estratégica entre o Varanda e o Portal. A conexão se estabeleceu de forma orgânica, permitindo que as discussões aprofundadas, os debates intelectuais e os insights gerados nas reuniões e seminários do grupo de estudos Varanda fossem sistematicamente transpostos e refletidos no conteúdo audiovisual produzido para o Portal. Essa sinergia não só enriqueceu a qualidade e a profundidade dos vídeos, como também ampliou o alcance das discussões acadêmicas para um público mais vasto no ambiente digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gênese do primeiro vídeo para o Canal História da Psicologia TV, um marco na sua trajetória, está intrinsecamente ligada à discussão aprofundada de um artigo seminal sobre o famoso teste de Rorschach, popularmente conhecido como o &amp;quot;teste das manchas&amp;quot;. Este debate ocorreu no âmbito do grupo de estudos Varanda, durante a discussão do artigo Image of Self, de autoria de Peter Galison, que serviu como ponto de partida e inspiração crucial. O vídeo foi concebido com o objetivo de traçar a história deste instrumento de avaliação psicológica, que é frequentemente cercado de dúvidas e polêmicas por parte da população geral. Criado por Hermann Rorschach, o teste de Rorschach transcendeu o ambiente clínico e acadêmico, ganhando uma presença notável e fascinante na cultura popular, sendo frequentemente referenciado em filmes, séries e literatura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A premissa central na idealização do projeto era manter um rigor acadêmico na apresentação dos acontecimentos e na análise histórica do teste. Simultaneamente, havia a preocupação em comunicar essa história de forma acessível e envolvente, permitindo um diálogo efetivo da academia com um público mais amplo e diversificado, que incluía estudantes, profissionais da área e leigos curiosos sobre a psicologia. O desafio, portanto, residia em equilibrar a profundidade da pesquisa histórica com a clareza e o apelo da narrativa audiovisual, garantindo que o primeiro vídeo estabelecesse o padrão de excelência e abrangência que se tornaria a marca registrada do Canal História da Psicologia TV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O roteiro deste primeiro vídeo foi criado por André Elias Morelli Ribeiro, com narração de [http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] e edição de [http://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto]. Finalizado em abril de 2020, foi inicialmente publicado no perfil pessoal de André Morelli no YouTube, o que indicou a necessidade da criação de um canal na mesma plataforma destinado aos vídeos produzidos pela equipe do Portal. Assim, em 27 de maio de 2020, foi criado o Canal História da Psicologia TV, com a publicação do vídeo “Como surgiu o Teste de Rorschach”. O estilo do vídeo vale-se de uma narração suave de acontecimentos com a sucessiva exposição entre 3 e 6 segundos de imagens ilustrativas, algumas coletadas em repositórios de imagens e outras criadas pela própria equipe. A proposta era permitir a migração futura do vídeo também para o formato de podcast, o que ainda não aconteceu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguindo a mesma lógica, o segundo vídeo do Canal foi desenvolvido para tratar do famoso experimento de obediência de Stanley Milgram. O roteiro foi baseado em um texto inicialmente publicado no Boletim da SBHP e traduzido por André Elias Morelli Ribeiro. O objetivo principal era criar um recurso audiovisual com dupla função: servir como material didático auxiliar no ensino da história da psicologia e, ao mesmo tempo, oferecer uma visão mais precisa do experimento de Milgram. Isso se tornou necessário porque o experimento é frequentemente alvo de interpretações e generalizações que se afastam dos propósitos e escritos originais do psicólogo norte-americano. Além disso, o vídeo visava fortalecer a integração entre os diversos produtos e iniciativas geradas pela própria equipe do Portal, conectando as diferentes vertentes do projeto. Este segundo vídeo teve roteiro, narração e edição de André Elias Morelli Ribeiro e a revisão de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos e Letícia Gomes Canuto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2021 o projeto passou a receber o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense, por meio da concessão de uma bolsa de extensão. O primeiro contemplado e quem ajudou a consolidar a linguagem e o estilo do canal foi Antonio Lucas Merêncio. Vitória Gomes Silva e Júlia Lombardi Carneiro também foram bolsistas do projeto. O Canal ultrapassou as 50 produções, entre transmissões de eventos ao vivo, videoaulas e produções originais, consolidando-se como um espaço importante de divulgação da história da psicologia na internet. Continuando o trabalho, em 2026, Alice Nascimento Moraes Fernandes recebeu bolsa de extensão da Universidade Federal Fluminense para retomar a produção de vídeos do canal, que havia sido paralisada em 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Cursos ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV oferece dois cursos, incluindo videoaulas e indicações de leituras. O primeiro a ser criado foi o de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação], que recebeu apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense por meio de um fomento direto em 2021. Isso permitiu a contratação de uma produtora profissional para criar vídeos de alta qualidade. Junto da playlist, uma página foi adicionada ao site, com uma lista dos vídeos, as recomendações de leitura e outras referências para cada episódio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2022 foi criado o curso de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-no-brasil/ História da Psicologia no Brasil], uma série de quatro videoaulas e um vídeo complementar com temas relativos à história da psicologia no Brasil, com foco nas linhas e abordagens. Para este curso, existe também uma página no site do Portal, com links para os vídeos e as referências utilizadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Séries ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV possui três séries de vídeos com temas específicos. O primeiro é o de [https://www.youtube.com/watch?v=1SX3ndp6EWM&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWJgYPh3NyUyXkT77ZnV4_A História dos testes, instrumentos e avaliação psicológica]. A série começou a ser construída em 2020, com o vídeo sobre a história dos testes Army Alpha e Army Beta e hoje conta com cinco vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra série importante do Canal é a de [https://www.youtube.com/watch?v=tzXyZ4yEQDg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHVuUF2L5wcbQTnxspJmot7C História dos Experimentos em Psicologia], que inclui o segundo vídeo mais antigo do canal, sobre o experimento de Milgram, e ainda outros dois vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, a série sobre [https://www.youtube.com/watch?v=y6EYjEtUJcg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWXerE9-0IAhn1H7WJ_Ir5w O Destino dos Pacientes do Dr. Freud], certamente o mais polêmico e delicado do Canal e frequente alvo de críticas por parte do público. A série apresenta partes do trabalho do historiador Mikell Borch-Jacobsen e conta com quatro vídeos, todos apresentando uma posição crítica contra a historiografia psicanalítica hegemônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração com o ensino ====&lt;br /&gt;
Os vídeos do Canal História da Psicologia TV são utilizados como material complementar em contexto de ensino de graduação. Além de temas interessantes e vídeos ilustrativos, alguns conteúdos são baseados principalmente em fontes primárias, o que pode ser utilizado para facilitar a compreensão de textos clássicos da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 2024, foi incorporada uma nova estratégia de integração, o incentivo para os discentes criarem roteiros que possam ser aproveitados na produção de vídeos para o Canal. Para viabilizar essa possibilidade, foram criadas [[Canal História da Psicologia TV|orientações sobre como criar roteiros]], e os discentes passaram a ser orientados na reflexão da conexão entre o conhecimento acadêmico e as formas de sua comunicação com a sociedade. Vídeos como O Experimento de Aprisionamento de Stanford são resultado deste novo processo inovador de integração entre ensino e divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação da Editora do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
Com o desenvolvimento da WikiHP e o fortalecimento do sistema do Portal, mostrou-se necessária a publicação de uma obra de referência para auxiliar os colaboradores da WikiHP na produção de verbetes. Visando agilidade na publicação desta obra, bem como o corte de custos e a possibilidade do desenvolvimento de projetos editoriais autônomos, iniciaram-se os movimentos para a criação da Editora do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após consultas à Câmara Brasileira do Livro (CBL) e à legislação sobre o mercado editorial, optou-se por uma estrutura inovadora, baseada em noções da nova economia digital. O selo editorial “[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]” foi vinculado a uma empresa de marketing digital e cadastrado na CBL, passando a figurar como uma editora comercial com comitê editorial. Características como o caráter voluntário de seus colaboradores, a ausência de interesse em lucro, o modo como as obras são editadas e as formas de registro das mesmas tornam os custos para publicação na Editora do Portal extremamente baixos. Os livros publicados pela Editora do Portal incluem um DOI, ISBN e ficha catalográfica feita por bibliotecário profissional, além da garantia de livre acesso por meio digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro livro publicado pela Editora do Portal foi o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo], de autoria de André Elias Morelli Ribeiro, que também construiu o projeto gráfico e a capa da obra. Atualmente, a Editora do Portal tem nove livros em seu portfólio e totaliza 53 lançamentos, entre livros e seus diferentes capítulos, que podem receber um DOI próprio quando se trata de coletânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== O Boletim do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
A Editora do Portal História da Psicologia, após a bem-sucedida experiência de publicar sua primeira obra, solidificou as bases para resgatar um projeto que estava em suspenso: o Boletim da SBHP. Este periódico havia sido interrompido após o lançamento de apenas quatro edições. Contudo, em 2022, a ideia de revitalizar o projeto foi trazida novamente à discussão entre os colaboradores ativos do Portal História da Psicologia, culminando no surgimento do projeto dos [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A concepção fundamental por trás dos Boletins do Portal é notavelmente similar à do extinto Boletim da SBHP. O objetivo central é criar um espaço editorial para a publicação de textos que, apesar de sua inegável relevância, não encontram canais de publicação nos veículos científicos tradicionais de maior circulação. O foco é dado a materiais que se revestem de significativa importância histórica, conceitual, memorialista ou que são cruciais para o debate e a reflexão no campo brasileiro da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma alteração estratégica fundamental implementada no novo projeto foi a mudança na categoria editorial da publicação. Enquanto o Boletim da SBHP era formalmente classificado como uma revista periódica, o novo Boletim do Portal História da Psicologia passou a ser concebido e publicado na forma de livro. Esta reclassificação trouxe um aumento na atratividade e no prestígio percebido da publicação, inserindo-a em um nicho diferente do mercado editorial e acadêmico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de herdar e acolher todos os tipos de contribuições que eram destinados ao antigo Boletim da SBHP, os Boletins do Portal introduziram uma nova e importante modalidade de conteúdo: a inclusão de versões estáveis dos melhores verbetes publicados na WikiHP. Estes verbetes, originários da enciclopédia colaborativa online do Portal, são transformados em capítulos de livro após passarem por um rigoroso processo de nova revisão e aperfeiçoamento. O objetivo desta revisão adicional é garantir a máxima qualidade textual e a confiabilidade acadêmica do conteúdo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta estratégia de transposição de verbetes da plataforma online para o formato e-book confere diversos benefícios. Embora o verbete original na WikiHP continue a ser uma plataforma viva e em constante edição, a sua versão publicada no Boletim marca um momento específico e consolidado de sua produção e desenvolvimento, servindo como um registro formal. Adicionalmente, a publicação em formato de livro, sob o selo da Editora do Portal, confere um prestígio e reconhecimento acadêmico muito maior aos autores e aos textos selecionados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto demonstrou ser altamente produtivo e relevante desde sua implementação. Entre os anos de 2022 e 2024, o Portal História da Psicologia conseguiu lançar três edições do seu novo Boletim. Estas edições se destacaram pela diversidade e riqueza do material publicado, abrangendo uma vasta gama de categorias textuais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Artigos inéditos em português ou espanhol; &lt;br /&gt;
* Traduções de textos contemporâneos de grande relevância para a área; &lt;br /&gt;
* Traduções de clássicos da história, filosofia ou epistemologia da psicologia; &lt;br /&gt;
* Reedição de textos clássicos originalmente publicados em português ou espanhol, acompanhados de comentários críticos e notas; &lt;br /&gt;
* Relatos de pesquisa, incluindo relatos de viagens, experiências de grupos de pesquisa e cobertura de eventos científicos; &lt;br /&gt;
* Ensaios teóricos e críticos; &lt;br /&gt;
* Resenhas de livros e outras mídias e &lt;br /&gt;
* Entrevistas com figuras proeminentes do campo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Lista de obras publicadas na Editora do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
As obras são apresentadas a seguir na ordem de publicação, da mais recente para a mais antiga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.18098475 Boletim do Portal História da Psicologia 4 (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de Método Clínico para Contextos de Ensino de Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 WikiHP: definições, orientações e estilo (2a edição)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14937498 Introspecção]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14511623 Boletim do Portal História da Psicologia 3 (2024)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.13900662 Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 Boletim do Portal História da Psicologia 2 (2023)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia (2022)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo (1a edição)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista completa de livros e capítulos publicados pela Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A estruturação do Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp) ===&lt;br /&gt;
O [https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)] é a retomada e reforma de dois projetos anteriores. O primeiro, vinculado à Sociedade Brasileira de História da Psicologia, organizava as principais publicações dos principais membros da Sociedade. Era uma lista com os destaques da produção bibliográfica, criada com o objetivo de divulgar o campo brasileiro de história da psicologia. Esta lista chegou a ficar pública por um curto período no ano de 2018, mas devido às suas limitações técnicas e sua pouca utilidade, acabou abandonada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda tentativa de organizar a produção acadêmica relevante foi uma lista simples, com referências organizadas em ordem alfabética e disponibilizada na forma de documento online. Estas listas ficaram disponíveis no site do Portal e recebeu algumas colaborações pontuais, mas seu formato mostrou-se rapidamente inviável e logo foi abandonado. Ficava evidente que era necessário utilizar novas tecnologias para a organização deste conjunto de referências, tanto devido à quantidade de dados quanto as possibilidades oferecidas por tecnologias mais novas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A jornada para criar um sistema de gestão de informação bibliográfica dedicado ao campo brasileiro de história da psicologia começou em 2022 e visava centralizar e disponibilizar online e gratuitamente todas as referências relevantes sobre história, filosofia e epistemologia da psicologia - desde que tivessem um viés histórico - facilitando a pesquisa na área. Assim, o Sirehp seria um sistema de fomento à pesquisa, tanto acadêmica quanto para formação profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os esforços iniciais envolveram a busca por parceiros, culminando em contatos com docentes do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Rio das Ostras. O objetivo era desenvolver um aplicativo online para organizar e curar referências bibliográficas de forma amigável e ágil. Contudo, a complexidade técnica do projeto levou ao seu adiamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em abril de 2023, observou-se a possibilidade de utilizar a capacidade do [https://zotero.org/ Zotero], um sistema digital sincronizado em nuvem de gestão de referências, de coletar metadados de referências bibliográficas e, a partir deles, gerar uma visualização online com funcionalidades como busca e a criação de links permanentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesquisa nos fóruns do Zotero revelou a existência do [https://github.com/whiskyechobravo/kerko Kerko], um sistema livre criado pelo desenvolvedor canadense David Lesieur. O Kerko permitia a publicação web de bibliografias geradas via Zotero, oferecendo busca fácil e, crucialmente, a capacidade de incorporar uma biblioteca compartilhada. Isso possibilitava a atribuição de papéis de curadoria, permitindo que colaboradores alimentassem e corrigissem a base do Sirehp (Sistema de Referências em História da Psicologia) mediante uma pasta compartilhada do Zotero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os desafios técnicos foram superados com a colaboração do desenvolvedor de sistemas de informação [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro], que instalou o Kerko em um subdomínio do Portal História da Psicologia. O Sirehp foi oficialmente lançado em 26 de agosto de 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, problemas com o provedor de computação em nuvem causaram a indisponibilidade do sistema dois meses após o lançamento. Esta interrupção, que exigiu um alto investimento financeiro para ser resolvida, perdurou até 6 de janeiro de 2024, quando um novo servidor foi localizado. Durante esse período, o programador voluntário [https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos] integrou-se à equipe. Entre abril e outubro de 2024, o Sirehp contou com o suporte gratuito em nuvem do servidor [https://www.pythonanywhere.com/ PythonAnywhere].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outubro de 2024, o desenvolvedor Allan Denis Morelli Ribeiro implementou modificações significativas no Sirehp. Estas incluíram a melhoria da usabilidade, a adição de novas opções de busca e filtros mais eficientes. Além disso, ajustes na hospedagem garantiram maior estabilidade e robustez ao sistema. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2026, a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense concedeu bolsa de extensão para Arthur Macedo Nunes, que atuará no projeto entre abril e dezembro deste ano. Seus dois objetivos principais são o crescimento do acervo do projeto e revisar as referências já inseridas, visando [[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)|adequações no escopo do projeto]], que foi reformulado entre o final de 2025 e o início de 2026.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Redes sociais ===&lt;br /&gt;
O projeto possui atividades no [https://www.facebook.com/HistoriaDaPsicologiaBrasil/ Facebook], [https://www.instagram.com/historiadapsicologia/ Instagram] e [https://x.com/Hist_Psicologia X] (antigo Twitter), com tipos de atividades diferentes. A princípio, desenhou-se uma estratégia, implementada a partir de 2020, de utilização das redes sociais visando à divulgação científica da história da psicologia. Com o tempo e o engajamento dos colaboradores do projeto em outras atividades, esta abordagem terminou por ser abandonada. Hoje, as redes sociais do Portal limitam-se a divulgar os produtos do Portal, como livros, novos verbetes, vídeos publicados, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Podcast ===&lt;br /&gt;
A expansão das atividades do projeto História da Psicologia não se limitou ao formato audiovisual. A criação do Canal História da Psicologia TV, um marco inicial na divulgação de conteúdo sobre a história da disciplina, foi imediatamente acompanhada e complementada por um projeto de lançamento de um Podcast. A premissa central dessa iniciativa de áudio era a reutilização estratégica de parte do material já produzido para os vídeos, adaptando-o para o formato puramente sonoro. Essa decisão se fundamentava na observação de que o componente visual dos vídeos era, em grande medida, meramente ilustrativo, ou seja, a essência do conteúdo e a riqueza da informação residiam primariamente no áudio e na narrativa falada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a jornada para estabelecer uma linha de produção de podcast autônoma foi marcada por desafios significativos e tentativas frustradas. Buscando profissionalizar e dedicar recursos humanos específicos a esse formato, foram feitas duas tentativas formais de constituição de equipes de trabalho exclusivamente voltadas para o desenvolvimento, gravação e edição do podcast. A primeira tentativa ocorreu em 2022 e a segunda, no ano subsequente, em 2023. Ambas as iniciativas, apesar do entusiasmo inicial e do reconhecimento da importância do formato de áudio para o alcance de novas audiências e a otimização da experiência de consumo de conteúdo, infelizmente não prosperaram, resultando no adiamento da consolidação de um podcast com produção independente do canal de vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Patrocinadores ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, em suas diferentes partes, recebeu várias formas de suporte financeiro. As diferentes formas de apoio foram oferecidas por quatro agências ou órgãos diferentes de fomento: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proex/ Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proaes/ Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense] e &lt;br /&gt;
* [https://agir.uff.br/ Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O apoio financeiro se concretizou tanto na forma de bolsa quanto em investimento direto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Patrocinadores e fomentadores do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Patrocinador&lt;br /&gt;
|Projetos&lt;br /&gt;
|Tipo&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de atividades remotas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de monitoria&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2024, 2025 e 2026&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fomento a atividades extensionistas&lt;br /&gt;
|Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Financiamento&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2023 e 2024&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024, 2025 e 2026&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de desenvolvimento acadêmico&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de iniciação tecnológica e inovação&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Extensão ===&lt;br /&gt;
Como projeto vinculado ao Departamento de Psicologia de Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, partes do Portal foram financiadas pela Pró-Reitoria de Extensão, por meio da concessão de bolsas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de extensão concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Antonio Lucas da Silva Merêncio&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Gunther Mafra Guimarães&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro &lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alice Nascimento Moraes Fernandes&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Arthur Macedo Nunes&lt;br /&gt;
|Sistema de Referência em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Iniciação Tecnológica e Inovação ===&lt;br /&gt;
As bolsas de iniciação tecnológica e inovação são oferecidas, no âmbito da UFF, pela Agência de Inovação da UFF (Agir). Seus editais são bastante concorridos e suas bolsas são prestigiosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gunther Mafra Guimarães (WikiHP) (2023)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Ensino ===&lt;br /&gt;
Foram concedidos dois tipos de bolsa para o Portal na modalidade ensino. Uma para atividades remotas e outra para atividades de monitoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de ensino concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Tipo de bolsa&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Yuri Pereira Antunes Vieira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Apoio a Atividades Remotas&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Mariana dos Santos dos Anjos&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Peterson Manoel Fernandes Pereira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Izabella Simões da Cruz&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Isabella Correia Venturine&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Permanência ===&lt;br /&gt;
A UFF oferece aos seus alunos um conjunto de oportunidades de auxílio à permanência. Até 2024, os alunos contemplados com estas bolsas precisavam vincular-se aos projetos aprovados pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e, dentre eles, estava o [http://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]. Esta forma de fomento à permanência foi extinta em 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Thaís Arci Menezes (Desenvolvimento Acadêmico) (Sirehp) (2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fomento a atividades extensionistas ===&lt;br /&gt;
A Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense ofereceu, por meio de um edital, recursos para o fomento a atividades extensionistas. Os recursos não poderiam ser usados na forma de bolsa nem remuneração direta, mas para compra de equipamentos e contratação de serviços de empresas. O Portal foi beneficiado com os recursos em 2021, utilizando os recursos para a compra de equipamentos para gravação de vídeos e contratando uma produtora profissional, que editou o curso [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Objetivos ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, desde sua concepção, estabeleceu uma série de metas que visam modernizar e integrar o campo da história da psicologia lusófona ao ambiente digital, atuando como um ecossistema de produção e disseminação de conhecimento. A sua estrutura, composta por plataformas interligadas como a WikiHP, o HPTV, a Editora e o Sirehp, foi desenhada para dar suporte a um objetivo maior e a um conjunto de objetivos específicos que articulam as dimensões essenciais da vida acadêmica: o ensino, a pesquisa, a extensão e a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivo Geral ===&lt;br /&gt;
Modernizar e inserir o campo brasileiro de história da psicologia de língua portuguesa no ambiente digital, criando um ecossistema de plataformas e produtos que fomentem a pesquisa, apoiem o ensino, potencializem as atividades de extensão e ampliem a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivos Específicos ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fomento à Pesquisa ====&lt;br /&gt;
Desenvolver e manter plataformas e ferramentas digitais (como o Sirehp) que centralizem, organizem e disponibilizem gratuitamente referências bibliográficas relevantes, facilitando a coleta de dados e a condução de pesquisas nas áreas de história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estimular a produção de conteúdo original e a reflexão crítica na forma de publicações acadêmicas por meio da Editora do Portal e da publicação anual do Boletim do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Apoio ao Ensino ====&lt;br /&gt;
Criar e manter materiais que possam ser usados como complementares e didáticos para o ensino e estudo da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Produzir cursos e videoaulas de alta qualidade que auxiliem na didática da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Potencialização da Extensão e Divulgação Científica ====&lt;br /&gt;
Traduzir o rigor técnico e acadêmico para uma linguagem acessível a um público amplo e diversificado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Manter uma presença estratégica nas redes sociais para a divulgação constante dos produtos do Portal, maximizando o alcance do conhecimento produzido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração das Atividades ====&lt;br /&gt;
Assegurar que os projetos do Portal (Site Principal, WikiHP, HPTV, Editora, Sirehp) funcionem como um ecossistema interligado, onde a pesquisa alimenta o conteúdo do ensino e da extensão, e as atividades de extensão (divulgação e eventos) retroalimentam a pesquisa, com o aprimoramento contínuo das plataformas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Eventos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização de eventos representa uma frente de atuação estratégica e relativamente recente na história do Portal História da Psicologia, consolidando o ecossistema digital com atividades presenciais e híbridas. Esta dimensão do projeto visa transcender a mera divulgação de conteúdo online, promovendo ativamente o debate acadêmico, a expansão de redes de pesquisa e a integração de estudantes e pesquisadores em discussões de ponta na área. O site do Portal oferece uma [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ lista completa], com detalhes, dos eventos organizados pelo grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Simpósios HP ===&lt;br /&gt;
Os Simpósios HP consistem em eventos de um único dia destinados a articular convidados externos com pesquisadores locais. O seu objetivo é expandir as redes internacionais de debate e integrar um campus interiorano, como o de Rio das Ostras, em discussões de maior alcance. Nas duas edições dos Simpósios HP, [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira] (UFRJ) atuou como mediador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras ocorreu em 10 de novembro de 2023 e contou com a presença de [https://agir.uff.br/ James Cresswell], da Ambrose University (Canadá) e [https://socioeconomia.univalle.edu.co/138-estudiantes-de-doctorado/bruno-andres-jaraba-barrios Bruno Jaraba Barrios, da Universidad del Valle] (Colômbia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras aconteceu em 15 de março de 2024 e teve como debatedor [https://eled.auth.gr/eng/the-school/personnel/marvakis/ Athanasios Marvakis], da Universidade de Tessalônica (Grécia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simpósios de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|Convidados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|10 de novembro de 2023&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 1&lt;br /&gt;
|James Cresswell (Ambrose University, Canadá), Bruno Jaraba Barrios, (Universidad del Valle, Colômbia), Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|15 de março de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 6 do prédio novo&lt;br /&gt;
|Athanasios Marvakis (Universidade de Tessalônica, Grécia), Arthur Arruda Leal Ferreira Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), tradução de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Encontros HP ===&lt;br /&gt;
Os Encontros HP foram concebidos como atividades em resposta à paralisação dos docentes federais ocorrida em 2024. Estes consistiram em reuniões presenciais nas instalações do Instituto de Humanidades e Saúde da Universidade Federal Fluminense, em Rio das Ostras, dedicadas à discussão coletiva de diversos temas pertinentes à história da psicologia que não são habitualmente contemplados nos programas curriculares regulares da área.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Assunto&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1&lt;br /&gt;
|Lavagem cerebral e controle mental na Guerra Fria: MK-Ultra: a teoria da conspiração da vida real&lt;br /&gt;
|21 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2&lt;br /&gt;
|Usos da Inteligência Artificial na Psicologia: cognição, terapia e outros&lt;br /&gt;
|28 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Sala 5 do prédio novo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3&lt;br /&gt;
|Experimentos em psicologia da manipulação&lt;br /&gt;
|4 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4&lt;br /&gt;
|Estratégias e consequências por trás das seitas&lt;br /&gt;
|11 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5&lt;br /&gt;
|Terraplanistas, reptilianos, caçadores de alienígenas: grupos de teorias da conspiração&lt;br /&gt;
|18 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6&lt;br /&gt;
|Psicopatia, sociopatia e serial killers: o que realmente forma uma mente criminosa?&lt;br /&gt;
|25 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Encontro do Trecho ===&lt;br /&gt;
Também no ano de 2024, o Portal História da Psicologia deu um passo significativo em sua atuação ao organizar e sediar o I Encontro do Trecho. Este evento de grande relevância configurou-se como um marco na consolidação de uma rede internacional de pesquisadores dedicados à história da psicologia, conhecida simplesmente como &amp;quot;Trecho&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A natureza do I Encontro do Trecho foi considerada híbrida, combinando a interação presencial com a participação remota, o que potencializou seu alcance e diversidade. A adesão ao evento superou as expectativas, contando com a notável participação de pesquisadores provenientes de nove países distintos. Esta representação multinacional sublinha o caráter verdadeiramente global da rede e o interesse convergente na área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Encontro teve como local o Instituto de Humanidades e Saúde (IHS) da Universidade Federal Fluminense (UFF). O evento proporcionou um espaço fértil para a discussão aprofundada de novas pesquisas, o intercâmbio de metodologias e a articulação de projetos colaborativos futuros entre os membros da rede &amp;quot;Trecho&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/i-encontro-trecho/ site do Encontro] possui todas as informações detalhadas, como programa, convidados, datas, links para a gravação das mesas, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Mostra de Cinema do Portal ===&lt;br /&gt;
No ano de 2026, o grupo de monitores voluntários das disciplinas de História da Psicologia, Psicologia e História Social e Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo aceitou o convite do coordenador do Portal para organizar uma mostra de cinema. Assim, nasceu a [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/mostra-de-cinema-do-portal/ I Mostra de Cinema do Portal], com a temática Cyberpunk e a Consciência das Máquinas. O evento ocorre entre abril e julho de 2026, com a exibição de três filmes e quatro episódios da série animada Rick &amp;amp; Morty, nas dependências do Instituto de Humanidades e Saúde em Rio das Ostras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Lista de colaboradores do Portal ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fundadores ===&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7924410923493344 André Elias Morelli Ribeiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/3207728098713238 Luiz Eduardo Prado da Fonseca] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/4223540995781494 Gunther Mafra Guimarães] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Julia Escrew (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto Dos Reys] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antonio Lucas da Silva Merencio (2020-2021)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2384057947285765 Maria Carolinna Henriques Monteiro] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Colaboradores ===&lt;br /&gt;
Colaboradores no Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1KZvwBkhclv3JiOFyaVaX0Dhl5DrRJfcO/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores no Canal História da Psicologia TV (HPTV)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1XycAS9o7O63DNRKSyclOYL21h434i3Zz/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores na Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaboradores no Website&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Sistema_de_Refer%C3%AAncias_em_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia_(Sirehp)#Colaboradores Colaboradores no Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia ==&lt;br /&gt;
2018 (agosto) - publicação da primeira edição do Boletim da SBHP, precursor do Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (outubro) - reformulação do projeto desenvolvido na SBHP visando a criação do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (dezembro) - registro do domínio do site do Portal e criação do site&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (4 de janeiro) - criação da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (12 de janeiro) - publicação do primeiro verbete da WikiHP, Alfred Binet&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (abril) - primeiro vídeo do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (27 de maio) - criação do Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (fevereiro) - fundação da Editora do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (abril) - publicação do WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo, primeiro livro da editora e obra de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (dezembro) - publicação do primeiro Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (agosto) - criação do Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (novembro) - primeiro Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (maio) - início da série de Encontros HP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (outubro) - publicação do Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro, um marco para a Editora do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (agosto) - o Portal História da Psicologia vence o Prêmio Manoel Bomfim de Divulgação Científica, oferecido pela Sociedade Interamericana de Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (setembro) - publicação da segunda edição do livro de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2026 (abril) - organização da I Mostra de Cinema do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
Em junho de 2024, o Portal História da Psicologia recebeu o [https://ripehp.com/wp-content/uploads/2023/03/premio-gt-sip-em-portgues.docx.pdf Prêmio Manoel Bomfim de divulgação científica], oferecido pela [https://sipsych.org/ Sociedade Interamericana de Psicologia], como reconhecimento por sua atuação no campo da extensão e divulgação científica. Na cerimônia, o coordenador do projeto foi representado por Júlia Lombardi Carneiro e Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)|Sistema de Referências em História da Psicologia]] (Sirehp)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Canal História da Psicologia TV]] (HPTV)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links Externos ==&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/ Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/ Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (Wikihp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.youtube.com/@HistoriadaPsicologia Canal História da Psicologia TV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ Eventos do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista de publicações da Editora do Portal]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/certificados/ Certificados de participação em eventos e produtos do Portal]&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de método clínico para contextos de ensino de psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi. [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 &#039;&#039;&#039;WikiHP&#039;&#039;&#039;: definições, orientações e estilo.] Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; FERREIRA, Arthur Arruda Leal (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.14511624 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 3&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2024. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra. [https://revistas.hcte.ufrj.br/index.php/RevistaSH/article/view/393/305 Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. &#039;&#039;&#039;Revista Scientiarum História&#039;&#039;&#039;, v.1, n.1, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; GUIMARÃES, Gunther Mafra; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 2&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARAES, Gunther Mafra. [http://www.hcte.ufrj.br/downloads/sh/sh15/anais_SH_15.pdf Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. In: Scientiatum Historia 15, 2022, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Livro de Anais do Scientiarum 15&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, 2022. v. 1. p. 863-874.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.6337937 WikiHP]&#039;&#039;&#039;: políticas, definições, orientações e estilo. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, A. E. M.; FONSECA, L. E. P.; CANUTO, L. G.; SANTOS, M. V. A. G.; VIEIRA, Y. P. A.; ANJOS, M. S.. [https://doi.org/10.51919/Anais_SH14 Portal História da Psicologia]: formando conexões inesperadas entre ensino, pesquisa e extensão. In: Scientiatum Historia 14, 2021, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Anais do Scientiarum Historia XIV&#039;&#039;&#039;, 2021. v. 1. p. 1-8. ISSN 2675-7559 (on-line).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi criado por André Elias Morelli Ribeiro em 2025.2, criador e coordenador da WikiHP e do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ajuda]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Portal_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia&amp;diff=1659</id>
		<title>Portal História da Psicologia</title>
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		<updated>2026-04-12T12:04:37Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* Cronologia */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Portal História da Psicologia é uma iniciativa e um ecossistema digital nascido no Departamento de Psicologia em Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, com raízes na gestão 2017-2019 da Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP). Criado por André Elias Morelli Ribeiro, o projeto visa modernizar e inserir o campo brasileiro da história da psicologia lusófona nos meios digitais. O Portal é composto por diversas plataformas e projetos interligados, cada um com uma função específica na divulgação e produção de conhecimento na área. Estas partes incluem o website, a Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP), o Canal História da Psicologia TV (HPTV), a Editora do Portal História da Psicologia e o Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp). Além dos produtos digitais, o Portal publica anualmente, desde 2022, os livros da série do Boletim do Portal História da Psicologia. O Portal também mantém presença nas redes sociais (Facebook, Instagram, X) visando a divulgação de seus produtos e ações de divulgação científica nas redes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primórdios ===&lt;br /&gt;
As primeiras ideias que visavam a integração do ambiente digital com o mundo acadêmico no campo da história da psicologia, bem como o aproveitamento de tecnologias digitais para a criação de produtos específicos voltados para esse universo, começaram dentro da [https://sbhpsi.com.br/ Sociedade Brasileira de História da Psicologia], durante a [https://sbhpsi.com.br/quem-somos/diretoria-historico/ gestão de Arthur Arruda Leal Ferreira (2017-2019)]. O projeto inicial se limitava a listar todas as referências bibliográficas produzidas pelos principais membros da Sociedade em seu site, além de melhorias na produção da comunicação da gestão da SBHP com os seus afiliados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas comunicações eram feitas principalmente por meio da [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Newsletter da SBHP], uma publicação em formato PDF enviada periodicamente por e-mail aos seus membros. A publicação ficava sob responsabilidade da secretaria da Sociedade, que coletava notícias relevantes do campo brasileiro da história da psicologia. Na época, a secretaria estava nas mãos de André Elias Morelli Ribeiro, que posteriormente seria o criador do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época vinculado à Universidade Federal do Amapá, o professor André Morelli identificou a necessidade de aprimorar o modelo da Newsletter da SBHP. Ele entendia que as novas ferramentas digitais de informação e comunicação ofereciam maior dinamismo e agilidade na formulação de comunicados da Sociedade. Além disso, o secretário da Sociedade concebeu um novo formato de publicação, mais parecido com uma revista, ao analisar o conteúdo de alguns textos enviados pelos membros para publicação na Newsletter e que se diferenciavam do seu perfil editorial. Essa nova publicação teria como objetivo acolher materiais opinativos, transcrições de palestras, relatos de pesquisa, relatos de viagens, entre outros tipos de texto que, apesar de serem de grande interesse para o grupo, não seriam tipicamente aceitos em periódicos científicos tradicionais nem caberiam no formato da Newsletter.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2018, durante a reunião da SBHP em Belo Horizonte, foi aprovada uma proposta de reformulação do modelo de comunicação da Sociedade. O novo modelo previa a migração dos conteúdos informativos da Newsletter para as redes sociais e a criação do [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Boletim da SBHP], um novo veículo para a publicação de textos em diversos formatos. Com a colaboração de [http://lattes.cnpq.br/3366000072376649 Hugo Leonardo Rocha Silva da Rosa], foram lançadas quatro edições do Boletim, e as redes sociais da Sociedade tiveram uma atuação bastante intensa. Contudo, a gestão subsequente optou por desfazer essas mudanças, retomando o formato de comunicação anterior, o que resultou na extinção do Boletim e na modificação da presença da SBHP nas redes sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O início do Portal ===&lt;br /&gt;
Considerando o histórico da gestão [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira] na SBHP, as sementes plantadas naquele período continuaram se desenvolvendo. Contudo, em uma nova conjuntura, passariam a ser geridas por um grupo menor e descolado da diretoria da Sociedade. A ideia de modernização e inserção do campo brasileiro da história da psicologia nos meios digitais inspirou-se em três iniciativas. A primeira é o projeto [https://ahp.apps01.yorku.ca/ Advances in the History of Psychology (AHP)], criado por [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Christopher Green], da Universidade York, no Canadá. Nas primeiras formulações do Portal, a ideia era criar um projeto semelhante ao site do AHP, porém com foco no Brasil e, posteriormente, na América Latina. O prof. Green foi um dos primeiros a pensar a integração de recursos online com a história da psicologia, reunindo links, sites, produzindo podcasts, entre outros produtos, de modo que o site do Portal História da Psicologia, principalmente em sua primeira versão, é baseado na experiência do site principal do AHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra inspiração do Portal é o [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia Brasileira: Pioneiros], cuja primeira edição está disponível online no site da Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia (BVS-Psi). O Dicionário é uma criação de [http://lattes.cnpq.br/5350842157910835 Regina Helena de Freitas Campos] e se coloca como um dos grandes marcos do desenvolvimento do campo brasileiro da história da psicologia. É dele que veio a ideia de criar uma enciclopédia que fosse semelhante à Wikipédia em termos de dinamismo e capacidade de atualização e transformação, ao mesmo tempo que se estabelecem elementos de rigor técnico para manter a qualidade do material, assim como no caso do Dicionário. A WikiHP foi o segundo produto a ser incorporado pelo projeto, apesar de ter sido concebido ao mesmo tempo do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira fonte de inspiração para a criação do Portal advém do blog da rede de pesquisa [https://histoiresante.blogspot.com/ Historien.ne.s de la Santé]. Este blog se destaca pela sua atuação nas redes sociais e pela produção de conteúdo digital, estabelecendo uma conexão eficaz entre o mundo acadêmico e de pesquisa e o ambiente digital. Ele utiliza essas ferramentas eletrônicas como caixas de ressonância para difundir publicações, eventos, entre outros. Nesse contexto, também merece menção a [https://ripehp.com/ Rede Iberoamericana de Pesquisadores em História da Psicologia], cujo blog realiza um trabalho semelhante, porém focado na América Latina e que também serviu como base para a criação do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Findo os projetos desenvolvidos junto à SBHP, as reflexões para a continuidade do que seria o Portal tiveram início em outubro de 2019, ocasião em que seu criador já imaginava a publicação de um site, de um sistema de publicação de biografias, um braço audiovisual voltado para a divulgação científica e a organização de uma base de referências. Considerando a organização das primeiras ideias e de como o Portal poderia funcionar, o domínio do site do projeto – que ainda não tinha nome – foi reservado no mês de dezembro de 2019 em um servidor nos EUA. Este é considerado o marco inicial do projeto. A construção do site iniciou-se no mesmo mês e, em quatro de janeiro de 2020, a enciclopédia eletrônica teve início. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do site ===&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia teve suas origens em um período de recesso acadêmico, mais precisamente em dezembro de 2019. Naquele momento, seu idealizador já havia consolidado sua posição como docente no [https://psicologiaro.uff.br/ Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense] (UFF), lotado no campus de Rio das Ostras, no estado do Rio de Janeiro. Aproveitando a pausa das atividades regulares, o professor decidiu empreender um processo de autoaprendizagem e aplicação prática sobre a arquitetura e a construção de websites.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este projeto inicial foi concebido como um estudo-piloto para aquilo que seria o Portal História da Psicologia. A ideia central era criar uma plataforma digital que, em termos de conteúdo, guardava uma relação temática com o Advances in the History of Psychology (AHP), mas com uma abordagem significativamente mais direta e simplificada. A principal diferença e foco estratégico do novo empreendimento era o público-alvo: o conteúdo seria integralmente voltado para a comunidade lusófona, preenchendo uma lacuna percebida na oferta de material de qualidade sobre o tema em língua portuguesa e que, inicialmente, havia sido pensado para o site da Sociedade Brasileira de História da Psicologia - o que acabou não ocorrendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de ser um projeto nascido em um recesso, o desenvolvimento foi rápido. Já no final de dezembro de 2019, uma primeira versão do site estava no ar e acessível ao público. Contudo, essa versão inicial era notavelmente rudimentar e limitada em sua funcionalidade e abrangência. O site consistia essencialmente em páginas estáticas que organizavam alguns links relevantes. Embora já apresentasse uma organização sistemática dos temas propostos, essa estruturação era ainda incipiente e precária, refletindo o caráter embrionário do projeto e o seu uso como ferramenta de aprendizado na construção de plataformas digitais. Esse lançamento inicial, ainda que simples, marcou o nascimento oficial do Portal História da Psicologia, estabelecendo a base para o crescimento e expansão que se seguiriam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira grande reforma do site do Portal foi feito por [http://lattes.cnpq.br/0923932871489290 Raquel Donegá de Oliveira], que publicou a nova versão em 2023 com várias atualizações e uma reforma visual completa. Em 2024 foi a vez de Lara Overney Magariños criar uma nova versão, utilizada atualmente, com outra reformulação e modernização, trazendo uma interface mais intuitiva e conexões diretas com os diferentes produtos e partes do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O surgimento da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP) ===&lt;br /&gt;
Com a fundação do site principal do projeto, a atenção voltou-se para a elaboração de uma enciclopédia especializada. A principal fonte de inspiração para essa empreitada foi o notável [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil: Pioneiros], uma obra de referência que já contava com uma versão digital acessível através da BVS-Psi (Biblioteca Virtual em Saúde - Psicologia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após uso regular desse material para estudos e pesquisas, que é amplamente reconhecido como uma referência fundamental na área da história da psicologia brasileira, tornou-se evidente que uma parcela significativa das informações contidas no Dicionário se encontrava desatualizada. Isso era um reflexo natural do constante avanço das pesquisas e estudos históricos na disciplina, que frequentemente trazem novas descobertas e reinterpretações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar da importância e qualidade inegável do Dicionário, sua natureza de publicação em formato impresso impunha uma limitação significativa, que é a lentidão no processo de atualização. Uma obra física não pode ser corrigida ou complementada rapidamente, pois qualquer modificação exige a organização de todo um novo ciclo editorial, que abrange desde a revisão e a impressão até a distribuição. Esse processo é notoriamente dispendioso, tanto em termos de tempo quanto de recursos financeiros. Infelizmente, o mesmo ocorria com sua versão digital, que era tão estática quanto o original impresso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência e a consolidação da tecnologia da informação moderna ofereciam uma alternativa promissora a essa limitação secular. Com o advento da chamada Web 2.0, a era da internet interativa e participativa, a necessidade de esperar longos ciclos de publicação para incorporar atualizações parecia obsoleta. A tecnologia atual permite que qualquer informação seja revisada, corrigida ou expandida de maneira extremamente ágil e quase instantânea, com interação constante junto ao público. O paradigma dessa nova realidade é a Wikipédia, que demonstra a viabilidade e eficácia de um modelo de produção e disseminação de conhecimento em constante e rápida evolução, bem diferente da rigidez dos formatos tradicionais de publicação. Essa agilidade e acessibilidade tornaram-se o modelo a ser replicado na criação da nova enciclopédia digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desta feita, decidiu-se pela utilização do mesmo sistema utilizado pela famosa enciclopédia, chamado [[mediawikiwiki:MediaWiki|Mediawiki]], que conta com uma comunidade ativa de desenvolvedores e um suporte já muito bem estabelecido. A WikiHP foi concebida em dezembro de 2019, visando atender o programa de monitoria da disciplina de História da Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras. Nesta disciplina, grupos de estudantes seriam avaliados por meio da criação de verbetes temáticos relacionados à história da psicologia. Os melhores trabalhos seriam depositados na WikiHP, cuja finalidade restringia-se à produção de material de apoio para a própria disciplina. Com a instalação do sistema na raiz do servidor do site e a criação do subdomínio, tudo em quatro de janeiro de 2020, foi criada a [https://wiki.historiadapsicologia.com.br Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)], que traria verbetes sobre temas relativos à história da psicologia. A logomarca da WikiHP foi criada ainda naquele mês, bem como a logomarca do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próximo passo foi iniciar a publicação de verbetes e, para isso, era necessário criar um que pudesse ser usado como exemplo pelos colaboradores da Enciclopédia. Assim, o prof. André Morelli escreveu e publicou o verbete [[Alfred Binet]], aproveitando um conjunto de estudos que fazia à época e que se tornou o primeiro material publicado na WikiHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Primeira fase: apoio ao ensino remoto ====&lt;br /&gt;
A eclosão da pandemia de Covid-19 em 2020 impôs um cenário de profundas transformações no ambiente acadêmico. Na Universidade Federal Fluminense (UFF) as aulas presenciais foram suspensas em março de 2020, o que mudou de forma significativa o funcionamento do projeto. Adotou-se um regime de ensino remoto como medida de contingência e segurança sanitária. Foi neste contexto desafiador que se deu um passo crucial na trajetória da Wiki, qual seja, a sua integração direta e orgânica com as atividades de ensino e aprendizagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este movimento de articulação foi catalisado, inicialmente, pela atuação proativa de [http://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira], que era, na época, um aluno de graduação do curso de Psicologia da UFF. Yuri foi agraciado com a bolsa de Auxílio a Atividades Remotas, um suporte financeiro e institucional oferecido pela [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) da UFF], visando exatamente aprimorar e apoiar as metodologias de ensino a distância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Segunda fase: expansão ====&lt;br /&gt;
Orientado para a disciplina de História da Psicologia, a iniciativa centralizou-se na estruturação de um projeto pedagógico que fosse inovador e pudesse articular o ensino tradicional com novas ferramentas de informação e comunicação. A estratégia consistiu em organizar os estudantes da disciplina em grupos de trabalho. O objetivo primordial desses grupos era a pesquisa e elaboração de novos verbetes para a enciclopédia WikiHP. Esse processo transformava os alunos de meros consumidores de conteúdo em ativos produtores de conhecimento. A qualidade e a relevância acadêmica dos verbetes produzidos eram fatores determinantes. Os melhores trabalhos, após uma criteriosa avaliação e revisão, seriam selecionados para publicação oficial na enciclopédia digital. Mais do que um mero reconhecimento, essa publicação inseria o trabalho dos estudantes em um contexto de divulgação científica aberta. Adicionalmente, dependendo da temática abordada e de sua adequação ao currículo, os verbetes mais robustos e didáticos tinham o potencial de serem formalmente incorporados como material didático complementar e permanente da própria disciplina de História da Psicologia, estabelecendo um ciclo virtuoso de produção, uso e refinamento do conhecimento. Esta iniciativa não só manteve o engajamento dos alunos durante o ensino remoto, como também enriqueceu de maneira significativa o acervo da WikiHP, solidificando seu papel como um recurso educacional aberto e colaborativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Yuri Vieira e André Morelli iniciaram a definição dos procedimentos para a redação dos verbetes e dos padrões de qualidade do Portal História da Psicologia (WikiHP). Para tal, basearam-se no verbete de Alfred Binet e na experiência direta de coleta e produção de conteúdo. A experiência com a construção de verbetes e as interações com os alunos favoreceram o amadurecimento das normas e dos melhores procedimentos que pudessem atender o projeto, mantendo a qualidade dos textos e a formação dos estudantes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Monitoria =====&lt;br /&gt;
Em 2021, o projeto se expandiu com a criação de um programa de monitoria, aprofundando a integração entre ensino e projeto. As monitoras envolvidas foram [http://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (bolsista) e [http://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] e [http://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto dos Reys] (voluntárias). Com a evolução constante do projeto e a incorporação de novos monitores ao longo dos anos, a WikiHP baseou-se em grande medida no apoio oferecido pela Pró-Reitoria de Graduação na forma de bolsas de monitoria, desenvolvendo tanto as disciplinas envolvidas quanto o projeto da enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== A publicação de uma obra de referência ====&lt;br /&gt;
Todo este trabalho, que envolveu um esforço contínuo de sistematização e organização do conhecimento na área, culminou na publicação da primeira obra de referência para a enciclopédia, o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo]. Publicado no ano de 2022 pela [https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia], este volume inaugural teve a autoria de André Elias Morelli Ribeiro. A obra representou a consolidação de toda a experiência acumulada ao longo dos anos de desenvolvimento do projeto do Portal. Ela detalhou e formalizou aspectos cruciais para a consistência e qualidade do conteúdo enciclopédico, estabelecendo padrões para a inclusão de novas informações. Entre os elementos fundamentais abordados, o livro definiu o sistema de categorias temáticas, a estrutura e a organização das seções de cada verbete, o estilo de escrita acadêmica e informativa a ser seguido e, notavelmente, orientações metodológicas rigorosas para a pesquisa e referências bibliográficas. Em essência, o livro WikiHP de 2022 serviu como um manual de estilo abrangente e uma carta magna para a produção de conteúdo dentro do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido à evolução constante do projeto e à necessidade de incorporar novas diretrizes e aprendizados, o livro ganhou uma [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 segunda edição revista e ampliada]. Esta nova edição foi publicada em 2025, refletindo as atualizações necessárias para manter a obra alinhada com o estado atual da enciclopédia e as melhores práticas editoriais. Um marco significativo desta nova versão foi a expansão da equipe editorial, pois a edição de 2025 passou a ser uma coautoria entre André Elias Morelli Ribeiro e [http://lattes.cnpq.br/1153398469018062 Júlia Lombardi Carneiro], integrando novas perspectivas e conhecimento ao documento fundamental da Enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do Canal História da Psicologia TV (HPTV) ===&lt;br /&gt;
Durante o período desafiador da pandemia de Covid-19, o Portal História da Psicologia encontrou uma oportunidade única de crescimento e consolidação. A crise sanitária impulsionou uma busca generalizada por atividades e oportunidades de desenvolvimento de estudos e pesquisas que pudessem ser realizadas integralmente no formato digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa procura resultou em um fortalecimento significativo da equipe do Portal, com um aumento notável no número de pessoas interessadas em colaborar. Esse influxo de novos membros e entusiastas criou as condições ideais para viabilizar um projeto de longa data, já imaginado no período da gestão 2017-2019 da SBHP, a produção sistemática de conteúdo em vídeo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos dos novos colaboradores que se juntaram à iniciativa e demonstraram interesse na produção de vídeos eram, simultaneamente, membros ativos do Varanda, um proeminente grupo de pesquisa focado na história da psicologia, sob a liderança do professor Arthur Arruda Leal Ferreira. Essa sobreposição de participantes naturalmente levou ao estabelecimento de uma colaboração frutífera e estratégica entre o Varanda e o Portal. A conexão se estabeleceu de forma orgânica, permitindo que as discussões aprofundadas, os debates intelectuais e os insights gerados nas reuniões e seminários do grupo de estudos Varanda fossem sistematicamente transpostos e refletidos no conteúdo audiovisual produzido para o Portal. Essa sinergia não só enriqueceu a qualidade e a profundidade dos vídeos, como também ampliou o alcance das discussões acadêmicas para um público mais vasto no ambiente digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gênese do primeiro vídeo para o Canal História da Psicologia TV, um marco na sua trajetória, está intrinsecamente ligada à discussão aprofundada de um artigo seminal sobre o famoso teste de Rorschach, popularmente conhecido como o &amp;quot;teste das manchas&amp;quot;. Este debate ocorreu no âmbito do grupo de estudos Varanda, durante a discussão do artigo Image of Self, de autoria de Peter Galison, que serviu como ponto de partida e inspiração crucial. O vídeo foi concebido com o objetivo de traçar a história deste instrumento de avaliação psicológica, que é frequentemente cercado de dúvidas e polêmicas por parte da população geral. Criado por Hermann Rorschach, o teste de Rorschach transcendeu o ambiente clínico e acadêmico, ganhando uma presença notável e fascinante na cultura popular, sendo frequentemente referenciado em filmes, séries e literatura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A premissa central na idealização do projeto era manter um rigor acadêmico na apresentação dos acontecimentos e na análise histórica do teste. Simultaneamente, havia a preocupação em comunicar essa história de forma acessível e envolvente, permitindo um diálogo efetivo da academia com um público mais amplo e diversificado, que incluía estudantes, profissionais da área e leigos curiosos sobre a psicologia. O desafio, portanto, residia em equilibrar a profundidade da pesquisa histórica com a clareza e o apelo da narrativa audiovisual, garantindo que o primeiro vídeo estabelecesse o padrão de excelência e abrangência que se tornaria a marca registrada do Canal História da Psicologia TV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O roteiro deste primeiro vídeo foi criado por André Elias Morelli Ribeiro, com narração de [http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] e edição de [http://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto]. Finalizado em abril de 2020, foi inicialmente publicado no perfil pessoal de André Morelli no YouTube, o que indicou a necessidade da criação de um canal na mesma plataforma destinado aos vídeos produzidos pela equipe do Portal. Assim, em 27 de maio de 2020, foi criado o Canal História da Psicologia TV, com a publicação do vídeo “Como surgiu o Teste de Rorschach”. O estilo do vídeo vale-se de uma narração suave de acontecimentos com a sucessiva exposição entre 3 e 6 segundos de imagens ilustrativas, algumas coletadas em repositórios de imagens e outras criadas pela própria equipe. A proposta era permitir a migração futura do vídeo também para o formato de podcast, o que ainda não aconteceu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguindo a mesma lógica, o segundo vídeo do Canal foi desenvolvido para tratar do famoso experimento de obediência de Stanley Milgram. O roteiro foi baseado em um texto inicialmente publicado no Boletim da SBHP e traduzido por André Morelli. O objetivo principal era criar um recurso audiovisual com dupla função: servir como material didático auxiliar no ensino da história da psicologia e, ao mesmo tempo, oferecer uma visão mais precisa do experimento de Milgram. Isso se tornou necessário porque o experimento é frequentemente alvo de interpretações e generalizações que se afastam dos propósitos e escritos originais do psicólogo norte-americano. Além disso, o vídeo visava fortalecer a integração entre os diversos produtos e iniciativas geradas pela própria equipe do Portal, conectando as diferentes vertentes do projeto. Este segundo vídeo teve roteiro, narração e edição de André Elias Morelli Ribeiro e a revisão de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos e Letícia Gomes Canuto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2021 o projeto passou a receber o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense, por meio da concessão de uma bolsa de extensão. O primeiro contemplado e quem ajudou a consolidar a linguagem e o estilo do canal foi Antonio Lucas Merêncio. Vitória Gomes Silva e Júlia Lombardi Carneiro também foram bolsistas do projeto. O Canal ultrapassou as 50 produções, entre transmissões de eventos ao vivo, videoaulas e produções originais, consolidando-se como um espaço importante de divulgação da história da psicologia na internet.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Cursos ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV oferece dois cursos, incluindo videoaulas e indicações de leituras. O primeiro a ser criado foi o de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação], que recebeu apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense por meio de um fomento direto em 2021. Isso permitiu a contratação de uma produtora profissional para criar vídeos de alta qualidade. Junto da playlist, uma página foi adicionada ao site, com uma lista dos vídeos, as recomendações de leitura e outras referências para cada episódio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2022 foi criado o curso de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-no-brasil/ História da Psicologia no Brasil], uma série de quatro videoaulas e um vídeo complementar com temas relativos à história da psicologia no Brasil, com foco nas linhas e abordagens. Para este curso, existe também uma página no site do Portal, com links para os vídeos e as referências utilizadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Séries ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV possui três séries de vídeos com temas específicos. O primeiro é o de [https://www.youtube.com/watch?v=1SX3ndp6EWM&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWJgYPh3NyUyXkT77ZnV4_A História dos testes, instrumentos e avaliação psicológica]. A série começou a ser construída em 2020, com o vídeo sobre a história dos testes Army Alpha e Army Beta e hoje conta com cinco vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra série importante do Canal é a de [https://www.youtube.com/watch?v=tzXyZ4yEQDg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHVuUF2L5wcbQTnxspJmot7C História dos Experimentos em Psicologia], que inclui o segundo vídeo mais antigo do canal, sobre o experimento de Milgram, e ainda outros dois vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, a série sobre [https://www.youtube.com/watch?v=y6EYjEtUJcg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWXerE9-0IAhn1H7WJ_Ir5w O Destino dos Pacientes do Dr. Freud], certamente o mais polêmico e delicado do Canal e frequente alvo de críticas por parte do público. A série apresenta partes do trabalho do historiador Mikell Borch-Jacobsen e conta com quatro vídeos, todos apresentando uma posição crítica contra a historiografia psicanalítica hegemônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração com o ensino ====&lt;br /&gt;
Os vídeos do Canal História da Psicologia TV são utilizados como material complementar em contexto de ensino de graduação. Além de temas interessantes e vídeos ilustrativos, alguns conteúdos são baseados principalmente em fontes primárias, o que pode ser utilizado para facilitar a compreensão de textos clássicos da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 2024, foi incorporada uma nova estratégia de integração, o incentivo para os discentes criarem roteiros que possam ser aproveitados na produção de vídeos para o Canal. Para viabilizar essa possibilidade, foram criadas [[Canal História da Psicologia TV|orientações sobre como criar roteiros]], e os discentes passaram a ser orientados na reflexão da conexão entre o conhecimento acadêmico e as formas de sua comunicação com a sociedade. Vídeos como O Experimento de Aprisionamento de Stanford são resultado deste novo processo inovador de integração entre ensino e divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação da Editora do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
Com o desenvolvimento da WikiHP e o fortalecimento do sistema do Portal, mostrou-se necessária a publicação de uma obra de referência para auxiliar os colaboradores da WikiHP na produção de verbetes. Visando agilidade na publicação desta obra, bem como o corte de custos e a possibilidade do desenvolvimento de projetos editoriais autônomos, iniciaram-se os movimentos para a criação da Editora do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após consultas à Câmara Brasileira do Livro (CBL) e à legislação sobre o mercado editorial, optou-se por uma estrutura inovadora, baseada em noções da nova economia digital. O selo editorial “[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]” foi vinculado a uma empresa de marketing digital e cadastrado na CBL, passando a figurar como uma editora comercial com comitê editorial. Características como o caráter voluntário de seus colaboradores, a ausência de interesse em lucro, o modo como as obras são editadas e as formas de registro das mesmas tornam os custos para publicação na Editora do Portal extremamente baixos. Os livros publicados pela Editora do Portal incluem um DOI, ISBN e ficha catalográfica feita por bibliotecário profissional, além da garantia de livre acesso por meio digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro livro publicado pela Editora do Portal foi o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo], de autoria de André Elias Morelli Ribeiro, que também construiu o projeto gráfico e a capa da obra. Atualmente, a Editora do Portal tem nove livros em seu portfólio e totaliza 53 lançamentos, entre livros e seus diferentes capítulos, que podem receber um DOI próprio quando se trata de coletânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== O Boletim do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
A Editora do Portal História da Psicologia, após a bem-sucedida experiência de publicar sua primeira obra, solidificou as bases para resgatar um projeto que estava em suspenso: o Boletim da SBHP. Este periódico havia sido interrompido após o lançamento de apenas quatro edições. Contudo, em 2022, a ideia de revitalizar o projeto foi trazida novamente à discussão entre os colaboradores ativos do Portal História da Psicologia, culminando no surgimento do projeto dos [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A concepção fundamental por trás dos Boletins do Portal é notavelmente similar à do extinto Boletim da SBHP. O objetivo central é criar um espaço editorial para a publicação de textos que, apesar de sua inegável relevância, não encontram canais de publicação nos veículos científicos tradicionais de maior circulação. O foco é dado a materiais que se revestem de significativa importância histórica, conceitual, memorialista ou que são cruciais para o debate e a reflexão no campo brasileiro da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma alteração estratégica fundamental implementada no novo projeto foi a mudança na categoria editorial da publicação. Enquanto o Boletim da SBHP era formalmente classificado como uma revista periódica, o novo Boletim do Portal História da Psicologia passou a ser concebido e publicado na forma de livro. Esta reclassificação trouxe um aumento na atratividade e no prestígio percebido da publicação, inserindo-a em um nicho diferente do mercado editorial e acadêmico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de herdar e acolher todos os tipos de contribuições que eram destinados ao antigo Boletim da SBHP, os Boletins do Portal introduziram uma nova e importante modalidade de conteúdo: a inclusão de versões estáveis dos melhores verbetes publicados na WikiHP. Estes verbetes, originários da enciclopédia colaborativa online do Portal, são transformados em capítulos de livro após passarem por um rigoroso processo de nova revisão e aperfeiçoamento. O objetivo desta revisão adicional é garantir a máxima qualidade textual e a confiabilidade acadêmica do conteúdo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta estratégia de transposição de verbetes da plataforma online para o formato e-book confere diversos benefícios. Embora o verbete original na WikiHP continue a ser uma plataforma viva e em constante edição, a sua versão publicada no Boletim marca um momento específico e consolidado de sua produção e desenvolvimento, servindo como um registro formal. Adicionalmente, a publicação em formato de livro, sob o selo da Editora do Portal, confere um prestígio e reconhecimento acadêmico muito maior aos autores e aos textos selecionados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto demonstrou ser altamente produtivo e relevante desde sua implementação. Entre os anos de 2022 e 2024, o Portal História da Psicologia conseguiu lançar três edições do seu novo Boletim. Estas edições se destacaram pela diversidade e riqueza do material publicado, abrangendo uma vasta gama de categorias textuais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Artigos inéditos em português ou espanhol; &lt;br /&gt;
* Traduções de textos contemporâneos de grande relevância para a área; &lt;br /&gt;
* Traduções de clássicos da história, filosofia ou epistemologia da psicologia; &lt;br /&gt;
* Reedição de textos clássicos originalmente publicados em português ou espanhol, acompanhados de comentários críticos e notas; &lt;br /&gt;
* Relatos de pesquisa, incluindo relatos de viagens, experiências de grupos de pesquisa e cobertura de eventos científicos; &lt;br /&gt;
* Ensaios teóricos e críticos; &lt;br /&gt;
* Resenhas de livros e outras mídias e &lt;br /&gt;
* Entrevistas com figuras proeminentes do campo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Lista de obras publicadas na Editora do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
As obras são apresentadas a seguir na ordem de publicação, da mais recente para a mais antiga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.18098475 Boletim do Portal História da Psicologia 4 (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de Método Clínico para Contextos de Ensino de Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 WikiHP: definições, orientações e estilo (2a edição)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14937498 Introspecção]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14511623 Boletim do Portal História da Psicologia 3 (2024)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.13900662 Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 Boletim do Portal História da Psicologia 2 (2023)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia (2022)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo (1a edição)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista completa de livros e capítulos publicados pela Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A estruturação do Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp) ===&lt;br /&gt;
O [https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)] é a retomada e reforma de dois projetos anteriores. O primeiro, vinculado à Sociedade Brasileira de História da Psicologia, organizava as principais publicações dos principais membros da Sociedade. Era uma lista com os destaques da produção bibliográfica, criada com o objetivo de divulgar o campo brasileiro de história da psicologia. Esta lista chegou a ficar pública por um curto período no ano de 2018, mas devido às suas limitações técnicas e sua pouca utilidade, acabou abandonada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda tentativa de organizar a produção acadêmica relevante foi uma lista simples, com referências organizadas em ordem alfabética e disponibilizada na forma de documento online. Estas listas ficaram disponíveis no site do Portal e recebeu algumas colaborações pontuais, mas seu formato mostrou-se rapidamente inviável e logo foi abandonado. Ficava evidente que era necessário utilizar novas tecnologias para a organização deste conjunto de referências, tanto devido à quantidade de dados quanto as possibilidades oferecidas por tecnologias mais novas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A jornada para criar um sistema de gestão de informação bibliográfica dedicado ao campo brasileiro de história da psicologia começou em 2022 e visava centralizar e disponibilizar online e gratuitamente todas as referências relevantes sobre história, filosofia e epistemologia da psicologia - desde que tivessem um viés histórico - facilitando a pesquisa na área. Assim, o Sirehp seria um sistema de fomento à pesquisa, tanto acadêmica quanto para formação profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os esforços iniciais envolveram a busca por parceiros, culminando em contatos com docentes do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Rio das Ostras. O objetivo era desenvolver um aplicativo online para organizar e curar referências bibliográficas de forma amigável e ágil. Contudo, a complexidade técnica do projeto levou ao seu adiamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em abril de 2023, observou-se a possibilidade de utilizar a capacidade do [https://zotero.org/ Zotero], um sistema digital sincronizado em nuvem de gestão de referências, de coletar metadados de referências bibliográficas e, a partir deles, gerar uma visualização online com funcionalidades como busca e a criação de links permanentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesquisa nos fóruns do Zotero revelou a existência do [https://github.com/whiskyechobravo/kerko Kerko], um sistema livre criado pelo desenvolvedor canadense David Lesieur. O Kerko permitia a publicação web de bibliografias geradas via Zotero, oferecendo busca fácil e, crucialmente, a capacidade de incorporar uma biblioteca compartilhada. Isso possibilitava a atribuição de papéis de curadoria, permitindo que colaboradores alimentassem e corrigissem a base do Sirehp (Sistema de Referências em História da Psicologia) através de uma pasta compartilhada do Zotero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os desafios técnicos foram superados com a colaboração do desenvolvedor de sistemas de informação [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro], que instalou o Kerko em um subdomínio do Portal História da Psicologia. O Sirehp foi oficialmente lançado em 26 de agosto de 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, problemas com o provedor de computação em nuvem causaram a indisponibilidade do sistema dois meses após o lançamento. Esta interrupção, que exigiu um alto investimento financeiro para ser resolvida, perdurou até 6 de janeiro de 2024, quando um novo servidor foi localizado. Durante esse período, o programador voluntário [https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos] integrou-se à equipe. Entre abril e outubro de 2024, o Sirehp contou com o suporte gratuito em nuvem do servidor [https://www.pythonanywhere.com/ PythonAnywhere].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outubro de 2024, o desenvolvedor Allan Denis Morelli Ribeiro implementou modificações significativas no Sirehp. Estas incluíram a melhoria da usabilidade, a adição de novas opções de busca e filtros mais eficientes. Além disso, ajustes na hospedagem garantiram maior estabilidade e robustez ao sistema. Atualmente, o projeto encontra-se suspenso por falta de fundos, recebendo poucas atualizações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Redes sociais ===&lt;br /&gt;
O projeto possui atividades no [https://www.facebook.com/HistoriaDaPsicologiaBrasil/ Facebook], [https://www.instagram.com/historiadapsicologia/ Instagram] e [https://x.com/Hist_Psicologia X] (antigo Twitter), com tipos de atividades diferentes. A princípio, desenhou-se uma estratégia, implementada a partir de 2020, de utilização das redes sociais visando à divulgação científica da história da psicologia. Com o tempo e o engajamento dos colaboradores do projeto em outras atividades, esta abordagem terminou por ser abandonada. Hoje, as redes sociais do Portal limitam-se a divulgar os produtos do Portal, como livros, novos verbetes, vídeos publicados, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Podcast ===&lt;br /&gt;
A expansão das atividades do projeto História da Psicologia não se limitou ao formato audiovisual. A criação do Canal História da Psicologia TV, um marco inicial na divulgação de conteúdo sobre a história da disciplina, foi imediatamente acompanhada e complementada por um projeto de lançamento de um Podcast. A premissa central dessa iniciativa de áudio era a reutilização estratégica de parte do material já produzido para os vídeos, adaptando-o para o formato puramente sonoro. Essa decisão se fundamentava na observação de que o componente visual dos vídeos era, em grande medida, meramente ilustrativo, ou seja, a essência do conteúdo e a riqueza da informação residiam primariamente no áudio e na narrativa falada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a jornada para estabelecer uma linha de produção de podcast autônoma foi marcada por desafios significativos e tentativas frustradas. Buscando profissionalizar e dedicar recursos humanos específicos a esse formato, foram feitas duas tentativas formais de constituição de equipes de trabalho exclusivamente voltadas para o desenvolvimento, gravação e edição do podcast. A primeira tentativa ocorreu em 2022 e a segunda, no ano subsequente, em 2023. Ambas as iniciativas, apesar do entusiasmo inicial e do reconhecimento da importância do formato de áudio para o alcance de novas audiências e a otimização da experiência de consumo de conteúdo, infelizmente não prosperaram, resultando no adiamento da consolidação de um podcast com produção independente do canal de vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Patrocinadores ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, em suas diferentes partes, recebeu várias formas de suporte financeiro. As diferentes formas de apoio foram oferecidas por quatro agências ou órgãos diferentes de fomento: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proex/ Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proaes/ Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense] e &lt;br /&gt;
* [https://agir.uff.br/ Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O apoio financeiro se concretizou tanto na forma de bolsa quanto em investimento direto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Patrocinadores e fomentadores do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Patrocinador&lt;br /&gt;
|Projetos&lt;br /&gt;
|Tipo&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de atividades remotas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de monitoria&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2024 e 2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fomento a atividades extensionistas&lt;br /&gt;
|Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Financiamento&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2023 e 2024&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 e 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de desenvolvimento acadêmico&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de iniciação tecnológica e inovação&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Extensão ===&lt;br /&gt;
Como projeto vinculado ao Departamento de Psicologia de Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, partes do Portal foram financiadas pela Pró-Reitoria de Extensão, por meio da concessão de bolsas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de extensão concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Antonio Lucas da Silva Merêncio&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Gunther Mafra Guimarães&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro &lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alice Nascimento Moraes Fernandes&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Arthur Macedo Nunes&lt;br /&gt;
|Sistema de Referência em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Iniciação Tecnológica e Inovação ===&lt;br /&gt;
As bolsas de iniciação tecnológica e inovação são oferecidas, no âmbito da UFF, pela Agência de Inovação da UFF (Agir). Seus editais são bastante concorridos e suas bolsas são prestigiosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gunther Mafra Guimarães (WikiHP) (2023)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Ensino ===&lt;br /&gt;
Foram concedidos dois tipos de bolsa para o Portal na modalidade ensino. Uma para atividades remotas e outra para atividades de monitoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de ensino concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Tipo de bolsa&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Yuri Pereira Antunes Vieira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Apoio a Atividades Remotas&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Mariana dos Santos dos Anjos&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Peterson Manoel Fernandes Pereira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Izabella Simões da Cruz&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Isabella Correia Venturine&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Permanência ===&lt;br /&gt;
A UFF oferece aos seus alunos um conjunto de oportunidades de auxílio à permanência. Até 2024, os alunos contemplados com estas bolsas precisavam vincular-se aos projetos aprovados pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e, dentre eles, estava o [http://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]. Esta forma de fomento à permanência foi extinta em 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Thaís Arci Menezes (Desenvolvimento Acadêmico) (Sirehp) (2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fomento a atividades extensionistas ===&lt;br /&gt;
A Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense ofereceu, por meio de um edital, recursos para o fomento a atividades extensionistas. Os recursos não poderiam ser usados na forma de bolsa nem remuneração direta, mas para compra de equipamentos e contratação de serviços de empresas. O Portal foi beneficiado com os recursos em 2021, utilizando os recursos para a compra de equipamentos para gravação de vídeos e contratando uma produtora profissional, que editou o curso [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Objetivos ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, desde sua concepção, estabeleceu uma série de metas que visam modernizar e integrar o campo da história da psicologia lusófona ao ambiente digital, atuando como um ecossistema de produção e disseminação de conhecimento. A sua estrutura, composta por plataformas interligadas como a WikiHP, o HPTV, a Editora e o Sirehp, foi desenhada para dar suporte a um objetivo maior e a um conjunto de objetivos específicos que articulam as dimensões essenciais da vida acadêmica: o ensino, a pesquisa, a extensão e a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivo Geral ===&lt;br /&gt;
Modernizar e inserir o campo brasileiro de história da psicologia de língua portuguesa no ambiente digital, criando um ecossistema de plataformas e produtos que fomentem a pesquisa, apoiem o ensino, potencializem as atividades de extensão e ampliem a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivos Específicos ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fomento à Pesquisa ====&lt;br /&gt;
Desenvolver e manter plataformas e ferramentas digitais (como o Sirehp) que centralizem, organizem e disponibilizem gratuitamente referências bibliográficas relevantes, facilitando a coleta de dados e a condução de pesquisas nas áreas de história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estimular a produção de conteúdo original e a reflexão crítica na forma de publicações acadêmicas por meio da Editora do Portal e da publicação anual do Boletim do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Apoio ao Ensino ====&lt;br /&gt;
Criar e manter materiais que possam ser usados como complementares e didáticos para o ensino e estudo da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Produzir cursos e videoaulas de alta qualidade que auxiliem na didática da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Potencialização da Extensão e Divulgação Científica ====&lt;br /&gt;
Traduzir o rigor técnico e acadêmico para uma linguagem acessível a um público amplo e diversificado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Manter uma presença estratégica nas redes sociais para a divulgação constante dos produtos do Portal, maximizando o alcance do conhecimento produzido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração das Atividades ====&lt;br /&gt;
Assegurar que os projetos do Portal (Site Principal, WikiHP, HPTV, Editora, Sirehp) funcionem como um ecossistema interligado, onde a pesquisa alimenta o conteúdo do ensino e da extensão, e as atividades de extensão (divulgação e eventos) retroalimentam a pesquisa, com o aprimoramento contínuo das plataformas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Eventos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização de eventos representa uma frente de atuação estratégica e relativamente recente na história do Portal História da Psicologia, consolidando o ecossistema digital com atividades presenciais e híbridas. Esta dimensão do projeto visa transcender a mera divulgação de conteúdo online, promovendo ativamente o debate acadêmico, a expansão de redes de pesquisa e a integração de estudantes e pesquisadores em discussões de ponta na área. O site do Portal oferece uma [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ lista completa], com detalhes, dos eventos organizados pelo grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Simpósios HP ===&lt;br /&gt;
Os Simpósios HP consistem em eventos de um único dia destinados a articular convidados externos com pesquisadores locais. O seu objetivo é expandir as redes internacionais de debate e integrar um campus interiorano, como o de Rio das Ostras, em discussões de maior alcance.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras ocorreu em 10 de novembro de 2023 e contou com a presença de [https://agir.uff.br/ James Cresswell], da Ambrose University (Canadá) e [https://socioeconomia.univalle.edu.co/138-estudiantes-de-doctorado/bruno-andres-jaraba-barrios Bruno Jaraba Barrios, da Universidad del Valle] (Colômbia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras aconteceu em 15 de março de 2024 e teve como debatedor [https://eled.auth.gr/eng/the-school/personnel/marvakis/ Athanasios Marvakis], da Universidade de Tessalônica (Grécia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simpósios de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|Convidados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|10 de novembro de 2023&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 1&lt;br /&gt;
|James Cresswell (Ambrose University, Canadá), Bruno Jaraba Barrios, (Universidad del Valle, Colômbia), Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|15 de março de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 6 do prédio novo&lt;br /&gt;
|Athanasios Marvakis (Universidade de Tessalônica, Grécia), Arthur Arruda Leal Ferreira Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), tradução de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Encontros HP ===&lt;br /&gt;
Os Encontros HP foram concebidos como atividades em resposta à paralisação dos docentes federais ocorrida em 2024. Estes consistiram em reuniões presenciais nas instalações do Instituto de Humanidades e Saúde da Universidade Federal Fluminense, em Rio das Ostras, dedicadas à discussão coletiva de diversos temas pertinentes à história da psicologia que não são habitualmente contemplados nos programas curriculares regulares da área.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Assunto&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1&lt;br /&gt;
|Lavagem cerebral e controle mental na Guerra Fria: MK-Ultra: a teoria da conspiração da vida real&lt;br /&gt;
|21 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2&lt;br /&gt;
|Usos da Inteligência Artificial na Psicologia: cognição, terapia e outros&lt;br /&gt;
|28 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Sala 5 do prédio novo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3&lt;br /&gt;
|Experimentos em psicologia da manipulação&lt;br /&gt;
|4 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4&lt;br /&gt;
|Estratégias e consequências por trás das seitas&lt;br /&gt;
|11 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5&lt;br /&gt;
|Terraplanistas, reptilianos, caçadores de alienígenas: grupos de teorias da conspiração&lt;br /&gt;
|18 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6&lt;br /&gt;
|Psicopatia, sociopatia e serial killers: o que realmente forma uma mente criminosa?&lt;br /&gt;
|25 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Encontro do Trecho ===&lt;br /&gt;
Também no ano de 2024, o Portal História da Psicologia deu um passo significativo em sua atuação ao organizar e sediar o I Encontro do Trecho. Este evento de grande relevância configurou-se como um marco na consolidação de uma rede internacional de pesquisadores dedicados à história da psicologia, conhecida simplesmente como &amp;quot;Trecho&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A natureza do I Encontro do Trecho foi considerada híbrida, combinando a interação presencial com a participação remota, o que potencializou seu alcance e diversidade. A adesão ao evento superou as expectativas, contando com a notável participação de pesquisadores provenientes de nove países distintos. Esta representação multinacional sublinha o caráter verdadeiramente global da rede e o interesse convergente na área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Encontro teve como local o Instituto de Humanidades e Saúde (IHS) da Universidade Federal Fluminense (UFF). O evento proporcionou um espaço fértil para a discussão aprofundada de novas pesquisas, o intercâmbio de metodologias e a articulação de projetos colaborativos futuros entre os membros da rede &amp;quot;Trecho&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/i-encontro-trecho/ site do Encontro] possui todas as informações detalhadas, como programa, convidados, datas, links para a gravação das mesas, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Mostra de Cinema do Portal ===&lt;br /&gt;
No ano de 2026, o grupo de monitores voluntários das disciplinas de História da Psicologia, Psicologia e História Social e Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo aceitou o convite do coordenador do Portal para organizar uma mostra de cinema. Assim, nasceu a [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/mostra-de-cinema-do-portal/ I Mostra de Cinema do Portal], com a temática Cyberpunk e a Consciência das Máquinas. O evento ocorre entre abril e julho de 2026, com a exibição de três filmes e quatro episódios da série animada Rick &amp;amp; Morty, nas dependências do Instituto de Humanidades e Saúde em Rio das Ostras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Lista de colaboradores do Portal ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fundadores ===&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7924410923493344 André Elias Morelli Ribeiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/3207728098713238 Luiz Eduardo Prado da Fonseca] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/4223540995781494 Gunther Mafra Guimarães] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Julia Escrew (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto Dos Reys] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antonio Lucas da Silva Merencio (2020-2021)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2384057947285765 Maria Carolinna Henriques Monteiro] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Colaboradores ===&lt;br /&gt;
Colaboradores no Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1KZvwBkhclv3JiOFyaVaX0Dhl5DrRJfcO/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores no Canal História da Psicologia TV (HPTV)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1XycAS9o7O63DNRKSyclOYL21h434i3Zz/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores na Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaboradores no Website&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Sistema_de_Refer%C3%AAncias_em_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia_(Sirehp)#Colaboradores Colaboradores no Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia ==&lt;br /&gt;
2018 (agosto) - publicação da primeira edição do Boletim da SBHP, precursor do Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (outubro) - reformulação do projeto desenvolvido na SBHP visando a criação do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (dezembro) - registro do domínio do site do Portal e criação do site&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (4 de janeiro) - criação da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (12 de janeiro) - publicação do primeiro verbete da WikiHP, Alfred Binet&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (abril) - primeiro vídeo do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (27 de maio) - criação do Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (fevereiro) - fundação da Editora do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (abril) - publicação do WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo, primeiro livro da editora e obra de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (dezembro) - publicação do primeiro Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (agosto) - criação do Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (novembro) - primeiro Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (maio) - início da série de Encontros HP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (outubro) - publicação do Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro, um marco para a Editora do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (agosto) - o Portal História da Psicologia vence o Prêmio Manoel Bomfim de Divulgação Científica, oferecido pela Sociedade Interamericana de Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (setembro) - publicação da segunda edição do livro de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2026 (abril) - organização da I Mostra de Cinema do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
Em junho de 2024, o Portal História da Psicologia recebeu o [https://ripehp.com/wp-content/uploads/2023/03/premio-gt-sip-em-portgues.docx.pdf Prêmio Manoel Bomfim de divulgação científica], oferecido pela [https://sipsych.org/ Sociedade Interamericana de Psicologia], como reconhecimento por sua atuação no campo da extensão e divulgação científica. Na cerimônia, o coordenador do projeto foi representado por Júlia Lombardi Carneiro e Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)|Sistema de Referências em História da Psicologia]] (Sirehp)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Canal História da Psicologia TV]] (HPTV)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links Externos ==&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/ Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/ Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (Wikihp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.youtube.com/@HistoriadaPsicologia Canal História da Psicologia TV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ Eventos do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista de publicações da Editora do Portal]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/certificados/ Certificados de participação em eventos e produtos do Portal]&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de método clínico para contextos de ensino de psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi. [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 &#039;&#039;&#039;WikiHP&#039;&#039;&#039;: definições, orientações e estilo.] Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; FERREIRA, Arthur Arruda Leal (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.14511624 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 3&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2024. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra. [https://revistas.hcte.ufrj.br/index.php/RevistaSH/article/view/393/305 Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. &#039;&#039;&#039;Revista Scientiarum História&#039;&#039;&#039;, v.1, n.1, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; GUIMARÃES, Gunther Mafra; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 2&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARAES, Gunther Mafra. [http://www.hcte.ufrj.br/downloads/sh/sh15/anais_SH_15.pdf Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. In: Scientiatum Historia 15, 2022, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Livro de Anais do Scientiarum 15&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, 2022. v. 1. p. 863-874.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.6337937 WikiHP]&#039;&#039;&#039;: políticas, definições, orientações e estilo. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, A. E. M.; FONSECA, L. E. P.; CANUTO, L. G.; SANTOS, M. V. A. G.; VIEIRA, Y. P. A.; ANJOS, M. S.. [https://doi.org/10.51919/Anais_SH14 Portal História da Psicologia]: formando conexões inesperadas entre ensino, pesquisa e extensão. In: Scientiatum Historia 14, 2021, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Anais do Scientiarum Historia XIV&#039;&#039;&#039;, 2021. v. 1. p. 1-8. ISSN 2675-7559 (on-line).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi criado por André Elias Morelli Ribeiro em 2025.2, criador e coordenador da WikiHP e do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ajuda]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Portal_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia&amp;diff=1658</id>
		<title>Portal História da Psicologia</title>
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		<updated>2026-04-12T12:03:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* Eventos */ I Mostra de Cinema do Portal&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Portal História da Psicologia é uma iniciativa e um ecossistema digital nascido no Departamento de Psicologia em Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, com raízes na gestão 2017-2019 da Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP). Criado por André Elias Morelli Ribeiro, o projeto visa modernizar e inserir o campo brasileiro da história da psicologia lusófona nos meios digitais. O Portal é composto por diversas plataformas e projetos interligados, cada um com uma função específica na divulgação e produção de conhecimento na área. Estas partes incluem o website, a Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP), o Canal História da Psicologia TV (HPTV), a Editora do Portal História da Psicologia e o Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp). Além dos produtos digitais, o Portal publica anualmente, desde 2022, os livros da série do Boletim do Portal História da Psicologia. O Portal também mantém presença nas redes sociais (Facebook, Instagram, X) visando a divulgação de seus produtos e ações de divulgação científica nas redes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primórdios ===&lt;br /&gt;
As primeiras ideias que visavam a integração do ambiente digital com o mundo acadêmico no campo da história da psicologia, bem como o aproveitamento de tecnologias digitais para a criação de produtos específicos voltados para esse universo, começaram dentro da [https://sbhpsi.com.br/ Sociedade Brasileira de História da Psicologia], durante a [https://sbhpsi.com.br/quem-somos/diretoria-historico/ gestão de Arthur Arruda Leal Ferreira (2017-2019)]. O projeto inicial se limitava a listar todas as referências bibliográficas produzidas pelos principais membros da Sociedade em seu site, além de melhorias na produção da comunicação da gestão da SBHP com os seus afiliados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas comunicações eram feitas principalmente por meio da [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Newsletter da SBHP], uma publicação em formato PDF enviada periodicamente por e-mail aos seus membros. A publicação ficava sob responsabilidade da secretaria da Sociedade, que coletava notícias relevantes do campo brasileiro da história da psicologia. Na época, a secretaria estava nas mãos de André Elias Morelli Ribeiro, que posteriormente seria o criador do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época vinculado à Universidade Federal do Amapá, o professor André Morelli identificou a necessidade de aprimorar o modelo da Newsletter da SBHP. Ele entendia que as novas ferramentas digitais de informação e comunicação ofereciam maior dinamismo e agilidade na formulação de comunicados da Sociedade. Além disso, o secretário da Sociedade concebeu um novo formato de publicação, mais parecido com uma revista, ao analisar o conteúdo de alguns textos enviados pelos membros para publicação na Newsletter e que se diferenciavam do seu perfil editorial. Essa nova publicação teria como objetivo acolher materiais opinativos, transcrições de palestras, relatos de pesquisa, relatos de viagens, entre outros tipos de texto que, apesar de serem de grande interesse para o grupo, não seriam tipicamente aceitos em periódicos científicos tradicionais nem caberiam no formato da Newsletter.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2018, durante a reunião da SBHP em Belo Horizonte, foi aprovada uma proposta de reformulação do modelo de comunicação da Sociedade. O novo modelo previa a migração dos conteúdos informativos da Newsletter para as redes sociais e a criação do [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Boletim da SBHP], um novo veículo para a publicação de textos em diversos formatos. Com a colaboração de [http://lattes.cnpq.br/3366000072376649 Hugo Leonardo Rocha Silva da Rosa], foram lançadas quatro edições do Boletim, e as redes sociais da Sociedade tiveram uma atuação bastante intensa. Contudo, a gestão subsequente optou por desfazer essas mudanças, retomando o formato de comunicação anterior, o que resultou na extinção do Boletim e na modificação da presença da SBHP nas redes sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O início do Portal ===&lt;br /&gt;
Considerando o histórico da gestão [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira] na SBHP, as sementes plantadas naquele período continuaram se desenvolvendo. Contudo, em uma nova conjuntura, passariam a ser geridas por um grupo menor e descolado da diretoria da Sociedade. A ideia de modernização e inserção do campo brasileiro da história da psicologia nos meios digitais inspirou-se em três iniciativas. A primeira é o projeto [https://ahp.apps01.yorku.ca/ Advances in the History of Psychology (AHP)], criado por [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Christopher Green], da Universidade York, no Canadá. Nas primeiras formulações do Portal, a ideia era criar um projeto semelhante ao site do AHP, porém com foco no Brasil e, posteriormente, na América Latina. O prof. Green foi um dos primeiros a pensar a integração de recursos online com a história da psicologia, reunindo links, sites, produzindo podcasts, entre outros produtos, de modo que o site do Portal História da Psicologia, principalmente em sua primeira versão, é baseado na experiência do site principal do AHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra inspiração do Portal é o [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia Brasileira: Pioneiros], cuja primeira edição está disponível online no site da Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia (BVS-Psi). O Dicionário é uma criação de [http://lattes.cnpq.br/5350842157910835 Regina Helena de Freitas Campos] e se coloca como um dos grandes marcos do desenvolvimento do campo brasileiro da história da psicologia. É dele que veio a ideia de criar uma enciclopédia que fosse semelhante à Wikipédia em termos de dinamismo e capacidade de atualização e transformação, ao mesmo tempo que se estabelecem elementos de rigor técnico para manter a qualidade do material, assim como no caso do Dicionário. A WikiHP foi o segundo produto a ser incorporado pelo projeto, apesar de ter sido concebido ao mesmo tempo do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira fonte de inspiração para a criação do Portal advém do blog da rede de pesquisa [https://histoiresante.blogspot.com/ Historien.ne.s de la Santé]. Este blog se destaca pela sua atuação nas redes sociais e pela produção de conteúdo digital, estabelecendo uma conexão eficaz entre o mundo acadêmico e de pesquisa e o ambiente digital. Ele utiliza essas ferramentas eletrônicas como caixas de ressonância para difundir publicações, eventos, entre outros. Nesse contexto, também merece menção a [https://ripehp.com/ Rede Iberoamericana de Pesquisadores em História da Psicologia], cujo blog realiza um trabalho semelhante, porém focado na América Latina e que também serviu como base para a criação do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Findo os projetos desenvolvidos junto à SBHP, as reflexões para a continuidade do que seria o Portal tiveram início em outubro de 2019, ocasião em que seu criador já imaginava a publicação de um site, de um sistema de publicação de biografias, um braço audiovisual voltado para a divulgação científica e a organização de uma base de referências. Considerando a organização das primeiras ideias e de como o Portal poderia funcionar, o domínio do site do projeto – que ainda não tinha nome – foi reservado no mês de dezembro de 2019 em um servidor nos EUA. Este é considerado o marco inicial do projeto. A construção do site iniciou-se no mesmo mês e, em quatro de janeiro de 2020, a enciclopédia eletrônica teve início. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do site ===&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia teve suas origens em um período de recesso acadêmico, mais precisamente em dezembro de 2019. Naquele momento, seu idealizador já havia consolidado sua posição como docente no [https://psicologiaro.uff.br/ Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense] (UFF), lotado no campus de Rio das Ostras, no estado do Rio de Janeiro. Aproveitando a pausa das atividades regulares, o professor decidiu empreender um processo de autoaprendizagem e aplicação prática sobre a arquitetura e a construção de websites.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este projeto inicial foi concebido como um estudo-piloto para aquilo que seria o Portal História da Psicologia. A ideia central era criar uma plataforma digital que, em termos de conteúdo, guardava uma relação temática com o Advances in the History of Psychology (AHP), mas com uma abordagem significativamente mais direta e simplificada. A principal diferença e foco estratégico do novo empreendimento era o público-alvo: o conteúdo seria integralmente voltado para a comunidade lusófona, preenchendo uma lacuna percebida na oferta de material de qualidade sobre o tema em língua portuguesa e que, inicialmente, havia sido pensado para o site da Sociedade Brasileira de História da Psicologia - o que acabou não ocorrendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de ser um projeto nascido em um recesso, o desenvolvimento foi rápido. Já no final de dezembro de 2019, uma primeira versão do site estava no ar e acessível ao público. Contudo, essa versão inicial era notavelmente rudimentar e limitada em sua funcionalidade e abrangência. O site consistia essencialmente em páginas estáticas que organizavam alguns links relevantes. Embora já apresentasse uma organização sistemática dos temas propostos, essa estruturação era ainda incipiente e precária, refletindo o caráter embrionário do projeto e o seu uso como ferramenta de aprendizado na construção de plataformas digitais. Esse lançamento inicial, ainda que simples, marcou o nascimento oficial do Portal História da Psicologia, estabelecendo a base para o crescimento e expansão que se seguiriam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira grande reforma do site do Portal foi feito por [http://lattes.cnpq.br/0923932871489290 Raquel Donegá de Oliveira], que publicou a nova versão em 2023 com várias atualizações e uma reforma visual completa. Em 2024 foi a vez de Lara Overney Magariños criar uma nova versão, utilizada atualmente, com outra reformulação e modernização, trazendo uma interface mais intuitiva e conexões diretas com os diferentes produtos e partes do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O surgimento da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP) ===&lt;br /&gt;
Com a fundação do site principal do projeto, a atenção voltou-se para a elaboração de uma enciclopédia especializada. A principal fonte de inspiração para essa empreitada foi o notável [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil: Pioneiros], uma obra de referência que já contava com uma versão digital acessível através da BVS-Psi (Biblioteca Virtual em Saúde - Psicologia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após uso regular desse material para estudos e pesquisas, que é amplamente reconhecido como uma referência fundamental na área da história da psicologia brasileira, tornou-se evidente que uma parcela significativa das informações contidas no Dicionário se encontrava desatualizada. Isso era um reflexo natural do constante avanço das pesquisas e estudos históricos na disciplina, que frequentemente trazem novas descobertas e reinterpretações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar da importância e qualidade inegável do Dicionário, sua natureza de publicação em formato impresso impunha uma limitação significativa, que é a lentidão no processo de atualização. Uma obra física não pode ser corrigida ou complementada rapidamente, pois qualquer modificação exige a organização de todo um novo ciclo editorial, que abrange desde a revisão e a impressão até a distribuição. Esse processo é notoriamente dispendioso, tanto em termos de tempo quanto de recursos financeiros. Infelizmente, o mesmo ocorria com sua versão digital, que era tão estática quanto o original impresso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência e a consolidação da tecnologia da informação moderna ofereciam uma alternativa promissora a essa limitação secular. Com o advento da chamada Web 2.0, a era da internet interativa e participativa, a necessidade de esperar longos ciclos de publicação para incorporar atualizações parecia obsoleta. A tecnologia atual permite que qualquer informação seja revisada, corrigida ou expandida de maneira extremamente ágil e quase instantânea, com interação constante junto ao público. O paradigma dessa nova realidade é a Wikipédia, que demonstra a viabilidade e eficácia de um modelo de produção e disseminação de conhecimento em constante e rápida evolução, bem diferente da rigidez dos formatos tradicionais de publicação. Essa agilidade e acessibilidade tornaram-se o modelo a ser replicado na criação da nova enciclopédia digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desta feita, decidiu-se pela utilização do mesmo sistema utilizado pela famosa enciclopédia, chamado [[mediawikiwiki:MediaWiki|Mediawiki]], que conta com uma comunidade ativa de desenvolvedores e um suporte já muito bem estabelecido. A WikiHP foi concebida em dezembro de 2019, visando atender o programa de monitoria da disciplina de História da Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras. Nesta disciplina, grupos de estudantes seriam avaliados por meio da criação de verbetes temáticos relacionados à história da psicologia. Os melhores trabalhos seriam depositados na WikiHP, cuja finalidade restringia-se à produção de material de apoio para a própria disciplina. Com a instalação do sistema na raiz do servidor do site e a criação do subdomínio, tudo em quatro de janeiro de 2020, foi criada a [https://wiki.historiadapsicologia.com.br Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)], que traria verbetes sobre temas relativos à história da psicologia. A logomarca da WikiHP foi criada ainda naquele mês, bem como a logomarca do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próximo passo foi iniciar a publicação de verbetes e, para isso, era necessário criar um que pudesse ser usado como exemplo pelos colaboradores da Enciclopédia. Assim, o prof. André Morelli escreveu e publicou o verbete [[Alfred Binet]], aproveitando um conjunto de estudos que fazia à época e que se tornou o primeiro material publicado na WikiHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Primeira fase: apoio ao ensino remoto ====&lt;br /&gt;
A eclosão da pandemia de Covid-19 em 2020 impôs um cenário de profundas transformações no ambiente acadêmico. Na Universidade Federal Fluminense (UFF) as aulas presenciais foram suspensas em março de 2020, o que mudou de forma significativa o funcionamento do projeto. Adotou-se um regime de ensino remoto como medida de contingência e segurança sanitária. Foi neste contexto desafiador que se deu um passo crucial na trajetória da Wiki, qual seja, a sua integração direta e orgânica com as atividades de ensino e aprendizagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este movimento de articulação foi catalisado, inicialmente, pela atuação proativa de [http://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira], que era, na época, um aluno de graduação do curso de Psicologia da UFF. Yuri foi agraciado com a bolsa de Auxílio a Atividades Remotas, um suporte financeiro e institucional oferecido pela [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) da UFF], visando exatamente aprimorar e apoiar as metodologias de ensino a distância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Segunda fase: expansão ====&lt;br /&gt;
Orientado para a disciplina de História da Psicologia, a iniciativa centralizou-se na estruturação de um projeto pedagógico que fosse inovador e pudesse articular o ensino tradicional com novas ferramentas de informação e comunicação. A estratégia consistiu em organizar os estudantes da disciplina em grupos de trabalho. O objetivo primordial desses grupos era a pesquisa e elaboração de novos verbetes para a enciclopédia WikiHP. Esse processo transformava os alunos de meros consumidores de conteúdo em ativos produtores de conhecimento. A qualidade e a relevância acadêmica dos verbetes produzidos eram fatores determinantes. Os melhores trabalhos, após uma criteriosa avaliação e revisão, seriam selecionados para publicação oficial na enciclopédia digital. Mais do que um mero reconhecimento, essa publicação inseria o trabalho dos estudantes em um contexto de divulgação científica aberta. Adicionalmente, dependendo da temática abordada e de sua adequação ao currículo, os verbetes mais robustos e didáticos tinham o potencial de serem formalmente incorporados como material didático complementar e permanente da própria disciplina de História da Psicologia, estabelecendo um ciclo virtuoso de produção, uso e refinamento do conhecimento. Esta iniciativa não só manteve o engajamento dos alunos durante o ensino remoto, como também enriqueceu de maneira significativa o acervo da WikiHP, solidificando seu papel como um recurso educacional aberto e colaborativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Yuri Vieira e André Morelli iniciaram a definição dos procedimentos para a redação dos verbetes e dos padrões de qualidade do Portal História da Psicologia (WikiHP). Para tal, basearam-se no verbete de Alfred Binet e na experiência direta de coleta e produção de conteúdo. A experiência com a construção de verbetes e as interações com os alunos favoreceram o amadurecimento das normas e dos melhores procedimentos que pudessem atender o projeto, mantendo a qualidade dos textos e a formação dos estudantes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Monitoria =====&lt;br /&gt;
Em 2021, o projeto se expandiu com a criação de um programa de monitoria, aprofundando a integração entre ensino e projeto. As monitoras envolvidas foram [http://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (bolsista) e [http://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] e [http://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto dos Reys] (voluntárias). Com a evolução constante do projeto e a incorporação de novos monitores ao longo dos anos, a WikiHP baseou-se em grande medida no apoio oferecido pela Pró-Reitoria de Graduação na forma de bolsas de monitoria, desenvolvendo tanto as disciplinas envolvidas quanto o projeto da enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== A publicação de uma obra de referência ====&lt;br /&gt;
Todo este trabalho, que envolveu um esforço contínuo de sistematização e organização do conhecimento na área, culminou na publicação da primeira obra de referência para a enciclopédia, o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo]. Publicado no ano de 2022 pela [https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia], este volume inaugural teve a autoria de André Elias Morelli Ribeiro. A obra representou a consolidação de toda a experiência acumulada ao longo dos anos de desenvolvimento do projeto do Portal. Ela detalhou e formalizou aspectos cruciais para a consistência e qualidade do conteúdo enciclopédico, estabelecendo padrões para a inclusão de novas informações. Entre os elementos fundamentais abordados, o livro definiu o sistema de categorias temáticas, a estrutura e a organização das seções de cada verbete, o estilo de escrita acadêmica e informativa a ser seguido e, notavelmente, orientações metodológicas rigorosas para a pesquisa e referências bibliográficas. Em essência, o livro WikiHP de 2022 serviu como um manual de estilo abrangente e uma carta magna para a produção de conteúdo dentro do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido à evolução constante do projeto e à necessidade de incorporar novas diretrizes e aprendizados, o livro ganhou uma [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 segunda edição revista e ampliada]. Esta nova edição foi publicada em 2025, refletindo as atualizações necessárias para manter a obra alinhada com o estado atual da enciclopédia e as melhores práticas editoriais. Um marco significativo desta nova versão foi a expansão da equipe editorial, pois a edição de 2025 passou a ser uma coautoria entre André Elias Morelli Ribeiro e [http://lattes.cnpq.br/1153398469018062 Júlia Lombardi Carneiro], integrando novas perspectivas e conhecimento ao documento fundamental da Enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do Canal História da Psicologia TV (HPTV) ===&lt;br /&gt;
Durante o período desafiador da pandemia de Covid-19, o Portal História da Psicologia encontrou uma oportunidade única de crescimento e consolidação. A crise sanitária impulsionou uma busca generalizada por atividades e oportunidades de desenvolvimento de estudos e pesquisas que pudessem ser realizadas integralmente no formato digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa procura resultou em um fortalecimento significativo da equipe do Portal, com um aumento notável no número de pessoas interessadas em colaborar. Esse influxo de novos membros e entusiastas criou as condições ideais para viabilizar um projeto de longa data, já imaginado no período da gestão 2017-2019 da SBHP, a produção sistemática de conteúdo em vídeo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos dos novos colaboradores que se juntaram à iniciativa e demonstraram interesse na produção de vídeos eram, simultaneamente, membros ativos do Varanda, um proeminente grupo de pesquisa focado na história da psicologia, sob a liderança do professor Arthur Arruda Leal Ferreira. Essa sobreposição de participantes naturalmente levou ao estabelecimento de uma colaboração frutífera e estratégica entre o Varanda e o Portal. A conexão se estabeleceu de forma orgânica, permitindo que as discussões aprofundadas, os debates intelectuais e os insights gerados nas reuniões e seminários do grupo de estudos Varanda fossem sistematicamente transpostos e refletidos no conteúdo audiovisual produzido para o Portal. Essa sinergia não só enriqueceu a qualidade e a profundidade dos vídeos, como também ampliou o alcance das discussões acadêmicas para um público mais vasto no ambiente digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gênese do primeiro vídeo para o Canal História da Psicologia TV, um marco na sua trajetória, está intrinsecamente ligada à discussão aprofundada de um artigo seminal sobre o famoso teste de Rorschach, popularmente conhecido como o &amp;quot;teste das manchas&amp;quot;. Este debate ocorreu no âmbito do grupo de estudos Varanda, durante a discussão do artigo Image of Self, de autoria de Peter Galison, que serviu como ponto de partida e inspiração crucial. O vídeo foi concebido com o objetivo de traçar a história deste instrumento de avaliação psicológica, que é frequentemente cercado de dúvidas e polêmicas por parte da população geral. Criado por Hermann Rorschach, o teste de Rorschach transcendeu o ambiente clínico e acadêmico, ganhando uma presença notável e fascinante na cultura popular, sendo frequentemente referenciado em filmes, séries e literatura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A premissa central na idealização do projeto era manter um rigor acadêmico na apresentação dos acontecimentos e na análise histórica do teste. Simultaneamente, havia a preocupação em comunicar essa história de forma acessível e envolvente, permitindo um diálogo efetivo da academia com um público mais amplo e diversificado, que incluía estudantes, profissionais da área e leigos curiosos sobre a psicologia. O desafio, portanto, residia em equilibrar a profundidade da pesquisa histórica com a clareza e o apelo da narrativa audiovisual, garantindo que o primeiro vídeo estabelecesse o padrão de excelência e abrangência que se tornaria a marca registrada do Canal História da Psicologia TV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O roteiro deste primeiro vídeo foi criado por André Elias Morelli Ribeiro, com narração de [http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] e edição de [http://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto]. Finalizado em abril de 2020, foi inicialmente publicado no perfil pessoal de André Morelli no YouTube, o que indicou a necessidade da criação de um canal na mesma plataforma destinado aos vídeos produzidos pela equipe do Portal. Assim, em 27 de maio de 2020, foi criado o Canal História da Psicologia TV, com a publicação do vídeo “Como surgiu o Teste de Rorschach”. O estilo do vídeo vale-se de uma narração suave de acontecimentos com a sucessiva exposição entre 3 e 6 segundos de imagens ilustrativas, algumas coletadas em repositórios de imagens e outras criadas pela própria equipe. A proposta era permitir a migração futura do vídeo também para o formato de podcast, o que ainda não aconteceu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguindo a mesma lógica, o segundo vídeo do Canal foi desenvolvido para tratar do famoso experimento de obediência de Stanley Milgram. O roteiro foi baseado em um texto inicialmente publicado no Boletim da SBHP e traduzido por André Morelli. O objetivo principal era criar um recurso audiovisual com dupla função: servir como material didático auxiliar no ensino da história da psicologia e, ao mesmo tempo, oferecer uma visão mais precisa do experimento de Milgram. Isso se tornou necessário porque o experimento é frequentemente alvo de interpretações e generalizações que se afastam dos propósitos e escritos originais do psicólogo norte-americano. Além disso, o vídeo visava fortalecer a integração entre os diversos produtos e iniciativas geradas pela própria equipe do Portal, conectando as diferentes vertentes do projeto. Este segundo vídeo teve roteiro, narração e edição de André Elias Morelli Ribeiro e a revisão de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos e Letícia Gomes Canuto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2021 o projeto passou a receber o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense, por meio da concessão de uma bolsa de extensão. O primeiro contemplado e quem ajudou a consolidar a linguagem e o estilo do canal foi Antonio Lucas Merêncio. Vitória Gomes Silva e Júlia Lombardi Carneiro também foram bolsistas do projeto. O Canal ultrapassou as 50 produções, entre transmissões de eventos ao vivo, videoaulas e produções originais, consolidando-se como um espaço importante de divulgação da história da psicologia na internet.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Cursos ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV oferece dois cursos, incluindo videoaulas e indicações de leituras. O primeiro a ser criado foi o de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação], que recebeu apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense por meio de um fomento direto em 2021. Isso permitiu a contratação de uma produtora profissional para criar vídeos de alta qualidade. Junto da playlist, uma página foi adicionada ao site, com uma lista dos vídeos, as recomendações de leitura e outras referências para cada episódio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2022 foi criado o curso de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-no-brasil/ História da Psicologia no Brasil], uma série de quatro videoaulas e um vídeo complementar com temas relativos à história da psicologia no Brasil, com foco nas linhas e abordagens. Para este curso, existe também uma página no site do Portal, com links para os vídeos e as referências utilizadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Séries ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV possui três séries de vídeos com temas específicos. O primeiro é o de [https://www.youtube.com/watch?v=1SX3ndp6EWM&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWJgYPh3NyUyXkT77ZnV4_A História dos testes, instrumentos e avaliação psicológica]. A série começou a ser construída em 2020, com o vídeo sobre a história dos testes Army Alpha e Army Beta e hoje conta com cinco vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra série importante do Canal é a de [https://www.youtube.com/watch?v=tzXyZ4yEQDg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHVuUF2L5wcbQTnxspJmot7C História dos Experimentos em Psicologia], que inclui o segundo vídeo mais antigo do canal, sobre o experimento de Milgram, e ainda outros dois vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, a série sobre [https://www.youtube.com/watch?v=y6EYjEtUJcg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWXerE9-0IAhn1H7WJ_Ir5w O Destino dos Pacientes do Dr. Freud], certamente o mais polêmico e delicado do Canal e frequente alvo de críticas por parte do público. A série apresenta partes do trabalho do historiador Mikell Borch-Jacobsen e conta com quatro vídeos, todos apresentando uma posição crítica contra a historiografia psicanalítica hegemônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração com o ensino ====&lt;br /&gt;
Os vídeos do Canal História da Psicologia TV são utilizados como material complementar em contexto de ensino de graduação. Além de temas interessantes e vídeos ilustrativos, alguns conteúdos são baseados principalmente em fontes primárias, o que pode ser utilizado para facilitar a compreensão de textos clássicos da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 2024, foi incorporada uma nova estratégia de integração, o incentivo para os discentes criarem roteiros que possam ser aproveitados na produção de vídeos para o Canal. Para viabilizar essa possibilidade, foram criadas [[Canal História da Psicologia TV|orientações sobre como criar roteiros]], e os discentes passaram a ser orientados na reflexão da conexão entre o conhecimento acadêmico e as formas de sua comunicação com a sociedade. Vídeos como O Experimento de Aprisionamento de Stanford são resultado deste novo processo inovador de integração entre ensino e divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação da Editora do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
Com o desenvolvimento da WikiHP e o fortalecimento do sistema do Portal, mostrou-se necessária a publicação de uma obra de referência para auxiliar os colaboradores da WikiHP na produção de verbetes. Visando agilidade na publicação desta obra, bem como o corte de custos e a possibilidade do desenvolvimento de projetos editoriais autônomos, iniciaram-se os movimentos para a criação da Editora do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após consultas à Câmara Brasileira do Livro (CBL) e à legislação sobre o mercado editorial, optou-se por uma estrutura inovadora, baseada em noções da nova economia digital. O selo editorial “[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]” foi vinculado a uma empresa de marketing digital e cadastrado na CBL, passando a figurar como uma editora comercial com comitê editorial. Características como o caráter voluntário de seus colaboradores, a ausência de interesse em lucro, o modo como as obras são editadas e as formas de registro das mesmas tornam os custos para publicação na Editora do Portal extremamente baixos. Os livros publicados pela Editora do Portal incluem um DOI, ISBN e ficha catalográfica feita por bibliotecário profissional, além da garantia de livre acesso por meio digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro livro publicado pela Editora do Portal foi o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo], de autoria de André Elias Morelli Ribeiro, que também construiu o projeto gráfico e a capa da obra. Atualmente, a Editora do Portal tem nove livros em seu portfólio e totaliza 53 lançamentos, entre livros e seus diferentes capítulos, que podem receber um DOI próprio quando se trata de coletânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== O Boletim do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
A Editora do Portal História da Psicologia, após a bem-sucedida experiência de publicar sua primeira obra, solidificou as bases para resgatar um projeto que estava em suspenso: o Boletim da SBHP. Este periódico havia sido interrompido após o lançamento de apenas quatro edições. Contudo, em 2022, a ideia de revitalizar o projeto foi trazida novamente à discussão entre os colaboradores ativos do Portal História da Psicologia, culminando no surgimento do projeto dos [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A concepção fundamental por trás dos Boletins do Portal é notavelmente similar à do extinto Boletim da SBHP. O objetivo central é criar um espaço editorial para a publicação de textos que, apesar de sua inegável relevância, não encontram canais de publicação nos veículos científicos tradicionais de maior circulação. O foco é dado a materiais que se revestem de significativa importância histórica, conceitual, memorialista ou que são cruciais para o debate e a reflexão no campo brasileiro da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma alteração estratégica fundamental implementada no novo projeto foi a mudança na categoria editorial da publicação. Enquanto o Boletim da SBHP era formalmente classificado como uma revista periódica, o novo Boletim do Portal História da Psicologia passou a ser concebido e publicado na forma de livro. Esta reclassificação trouxe um aumento na atratividade e no prestígio percebido da publicação, inserindo-a em um nicho diferente do mercado editorial e acadêmico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de herdar e acolher todos os tipos de contribuições que eram destinados ao antigo Boletim da SBHP, os Boletins do Portal introduziram uma nova e importante modalidade de conteúdo: a inclusão de versões estáveis dos melhores verbetes publicados na WikiHP. Estes verbetes, originários da enciclopédia colaborativa online do Portal, são transformados em capítulos de livro após passarem por um rigoroso processo de nova revisão e aperfeiçoamento. O objetivo desta revisão adicional é garantir a máxima qualidade textual e a confiabilidade acadêmica do conteúdo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta estratégia de transposição de verbetes da plataforma online para o formato e-book confere diversos benefícios. Embora o verbete original na WikiHP continue a ser uma plataforma viva e em constante edição, a sua versão publicada no Boletim marca um momento específico e consolidado de sua produção e desenvolvimento, servindo como um registro formal. Adicionalmente, a publicação em formato de livro, sob o selo da Editora do Portal, confere um prestígio e reconhecimento acadêmico muito maior aos autores e aos textos selecionados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto demonstrou ser altamente produtivo e relevante desde sua implementação. Entre os anos de 2022 e 2024, o Portal História da Psicologia conseguiu lançar três edições do seu novo Boletim. Estas edições se destacaram pela diversidade e riqueza do material publicado, abrangendo uma vasta gama de categorias textuais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Artigos inéditos em português ou espanhol; &lt;br /&gt;
* Traduções de textos contemporâneos de grande relevância para a área; &lt;br /&gt;
* Traduções de clássicos da história, filosofia ou epistemologia da psicologia; &lt;br /&gt;
* Reedição de textos clássicos originalmente publicados em português ou espanhol, acompanhados de comentários críticos e notas; &lt;br /&gt;
* Relatos de pesquisa, incluindo relatos de viagens, experiências de grupos de pesquisa e cobertura de eventos científicos; &lt;br /&gt;
* Ensaios teóricos e críticos; &lt;br /&gt;
* Resenhas de livros e outras mídias e &lt;br /&gt;
* Entrevistas com figuras proeminentes do campo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Lista de obras publicadas na Editora do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
As obras são apresentadas a seguir na ordem de publicação, da mais recente para a mais antiga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.18098475 Boletim do Portal História da Psicologia 4 (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de Método Clínico para Contextos de Ensino de Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 WikiHP: definições, orientações e estilo (2a edição)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14937498 Introspecção]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14511623 Boletim do Portal História da Psicologia 3 (2024)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.13900662 Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 Boletim do Portal História da Psicologia 2 (2023)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia (2022)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo (1a edição)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista completa de livros e capítulos publicados pela Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A estruturação do Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp) ===&lt;br /&gt;
O [https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)] é a retomada e reforma de dois projetos anteriores. O primeiro, vinculado à Sociedade Brasileira de História da Psicologia, organizava as principais publicações dos principais membros da Sociedade. Era uma lista com os destaques da produção bibliográfica, criada com o objetivo de divulgar o campo brasileiro de história da psicologia. Esta lista chegou a ficar pública por um curto período no ano de 2018, mas devido às suas limitações técnicas e sua pouca utilidade, acabou abandonada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda tentativa de organizar a produção acadêmica relevante foi uma lista simples, com referências organizadas em ordem alfabética e disponibilizada na forma de documento online. Estas listas ficaram disponíveis no site do Portal e recebeu algumas colaborações pontuais, mas seu formato mostrou-se rapidamente inviável e logo foi abandonado. Ficava evidente que era necessário utilizar novas tecnologias para a organização deste conjunto de referências, tanto devido à quantidade de dados quanto as possibilidades oferecidas por tecnologias mais novas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A jornada para criar um sistema de gestão de informação bibliográfica dedicado ao campo brasileiro de história da psicologia começou em 2022 e visava centralizar e disponibilizar online e gratuitamente todas as referências relevantes sobre história, filosofia e epistemologia da psicologia - desde que tivessem um viés histórico - facilitando a pesquisa na área. Assim, o Sirehp seria um sistema de fomento à pesquisa, tanto acadêmica quanto para formação profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os esforços iniciais envolveram a busca por parceiros, culminando em contatos com docentes do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Rio das Ostras. O objetivo era desenvolver um aplicativo online para organizar e curar referências bibliográficas de forma amigável e ágil. Contudo, a complexidade técnica do projeto levou ao seu adiamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em abril de 2023, observou-se a possibilidade de utilizar a capacidade do [https://zotero.org/ Zotero], um sistema digital sincronizado em nuvem de gestão de referências, de coletar metadados de referências bibliográficas e, a partir deles, gerar uma visualização online com funcionalidades como busca e a criação de links permanentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesquisa nos fóruns do Zotero revelou a existência do [https://github.com/whiskyechobravo/kerko Kerko], um sistema livre criado pelo desenvolvedor canadense David Lesieur. O Kerko permitia a publicação web de bibliografias geradas via Zotero, oferecendo busca fácil e, crucialmente, a capacidade de incorporar uma biblioteca compartilhada. Isso possibilitava a atribuição de papéis de curadoria, permitindo que colaboradores alimentassem e corrigissem a base do Sirehp (Sistema de Referências em História da Psicologia) através de uma pasta compartilhada do Zotero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os desafios técnicos foram superados com a colaboração do desenvolvedor de sistemas de informação [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro], que instalou o Kerko em um subdomínio do Portal História da Psicologia. O Sirehp foi oficialmente lançado em 26 de agosto de 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, problemas com o provedor de computação em nuvem causaram a indisponibilidade do sistema dois meses após o lançamento. Esta interrupção, que exigiu um alto investimento financeiro para ser resolvida, perdurou até 6 de janeiro de 2024, quando um novo servidor foi localizado. Durante esse período, o programador voluntário [https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos] integrou-se à equipe. Entre abril e outubro de 2024, o Sirehp contou com o suporte gratuito em nuvem do servidor [https://www.pythonanywhere.com/ PythonAnywhere].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outubro de 2024, o desenvolvedor Allan Denis Morelli Ribeiro implementou modificações significativas no Sirehp. Estas incluíram a melhoria da usabilidade, a adição de novas opções de busca e filtros mais eficientes. Além disso, ajustes na hospedagem garantiram maior estabilidade e robustez ao sistema. Atualmente, o projeto encontra-se suspenso por falta de fundos, recebendo poucas atualizações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Redes sociais ===&lt;br /&gt;
O projeto possui atividades no [https://www.facebook.com/HistoriaDaPsicologiaBrasil/ Facebook], [https://www.instagram.com/historiadapsicologia/ Instagram] e [https://x.com/Hist_Psicologia X] (antigo Twitter), com tipos de atividades diferentes. A princípio, desenhou-se uma estratégia, implementada a partir de 2020, de utilização das redes sociais visando à divulgação científica da história da psicologia. Com o tempo e o engajamento dos colaboradores do projeto em outras atividades, esta abordagem terminou por ser abandonada. Hoje, as redes sociais do Portal limitam-se a divulgar os produtos do Portal, como livros, novos verbetes, vídeos publicados, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Podcast ===&lt;br /&gt;
A expansão das atividades do projeto História da Psicologia não se limitou ao formato audiovisual. A criação do Canal História da Psicologia TV, um marco inicial na divulgação de conteúdo sobre a história da disciplina, foi imediatamente acompanhada e complementada por um projeto de lançamento de um Podcast. A premissa central dessa iniciativa de áudio era a reutilização estratégica de parte do material já produzido para os vídeos, adaptando-o para o formato puramente sonoro. Essa decisão se fundamentava na observação de que o componente visual dos vídeos era, em grande medida, meramente ilustrativo, ou seja, a essência do conteúdo e a riqueza da informação residiam primariamente no áudio e na narrativa falada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a jornada para estabelecer uma linha de produção de podcast autônoma foi marcada por desafios significativos e tentativas frustradas. Buscando profissionalizar e dedicar recursos humanos específicos a esse formato, foram feitas duas tentativas formais de constituição de equipes de trabalho exclusivamente voltadas para o desenvolvimento, gravação e edição do podcast. A primeira tentativa ocorreu em 2022 e a segunda, no ano subsequente, em 2023. Ambas as iniciativas, apesar do entusiasmo inicial e do reconhecimento da importância do formato de áudio para o alcance de novas audiências e a otimização da experiência de consumo de conteúdo, infelizmente não prosperaram, resultando no adiamento da consolidação de um podcast com produção independente do canal de vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Patrocinadores ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, em suas diferentes partes, recebeu várias formas de suporte financeiro. As diferentes formas de apoio foram oferecidas por quatro agências ou órgãos diferentes de fomento: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proex/ Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proaes/ Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense] e &lt;br /&gt;
* [https://agir.uff.br/ Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O apoio financeiro se concretizou tanto na forma de bolsa quanto em investimento direto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Patrocinadores e fomentadores do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Patrocinador&lt;br /&gt;
|Projetos&lt;br /&gt;
|Tipo&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de atividades remotas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de monitoria&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2024 e 2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fomento a atividades extensionistas&lt;br /&gt;
|Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Financiamento&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2023 e 2024&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 e 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de desenvolvimento acadêmico&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de iniciação tecnológica e inovação&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Extensão ===&lt;br /&gt;
Como projeto vinculado ao Departamento de Psicologia de Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, partes do Portal foram financiadas pela Pró-Reitoria de Extensão, por meio da concessão de bolsas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de extensão concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Antonio Lucas da Silva Merêncio&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Gunther Mafra Guimarães&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro &lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alice Nascimento Moraes Fernandes&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Arthur Macedo Nunes&lt;br /&gt;
|Sistema de Referência em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Iniciação Tecnológica e Inovação ===&lt;br /&gt;
As bolsas de iniciação tecnológica e inovação são oferecidas, no âmbito da UFF, pela Agência de Inovação da UFF (Agir). Seus editais são bastante concorridos e suas bolsas são prestigiosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gunther Mafra Guimarães (WikiHP) (2023)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Ensino ===&lt;br /&gt;
Foram concedidos dois tipos de bolsa para o Portal na modalidade ensino. Uma para atividades remotas e outra para atividades de monitoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de ensino concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Tipo de bolsa&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Yuri Pereira Antunes Vieira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Apoio a Atividades Remotas&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Mariana dos Santos dos Anjos&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Peterson Manoel Fernandes Pereira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Izabella Simões da Cruz&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Isabella Correia Venturine&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Permanência ===&lt;br /&gt;
A UFF oferece aos seus alunos um conjunto de oportunidades de auxílio à permanência. Até 2024, os alunos contemplados com estas bolsas precisavam vincular-se aos projetos aprovados pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e, dentre eles, estava o [http://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]. Esta forma de fomento à permanência foi extinta em 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Thaís Arci Menezes (Desenvolvimento Acadêmico) (Sirehp) (2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fomento a atividades extensionistas ===&lt;br /&gt;
A Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense ofereceu, por meio de um edital, recursos para o fomento a atividades extensionistas. Os recursos não poderiam ser usados na forma de bolsa nem remuneração direta, mas para compra de equipamentos e contratação de serviços de empresas. O Portal foi beneficiado com os recursos em 2021, utilizando os recursos para a compra de equipamentos para gravação de vídeos e contratando uma produtora profissional, que editou o curso [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Objetivos ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, desde sua concepção, estabeleceu uma série de metas que visam modernizar e integrar o campo da história da psicologia lusófona ao ambiente digital, atuando como um ecossistema de produção e disseminação de conhecimento. A sua estrutura, composta por plataformas interligadas como a WikiHP, o HPTV, a Editora e o Sirehp, foi desenhada para dar suporte a um objetivo maior e a um conjunto de objetivos específicos que articulam as dimensões essenciais da vida acadêmica: o ensino, a pesquisa, a extensão e a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivo Geral ===&lt;br /&gt;
Modernizar e inserir o campo brasileiro de história da psicologia de língua portuguesa no ambiente digital, criando um ecossistema de plataformas e produtos que fomentem a pesquisa, apoiem o ensino, potencializem as atividades de extensão e ampliem a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivos Específicos ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fomento à Pesquisa ====&lt;br /&gt;
Desenvolver e manter plataformas e ferramentas digitais (como o Sirehp) que centralizem, organizem e disponibilizem gratuitamente referências bibliográficas relevantes, facilitando a coleta de dados e a condução de pesquisas nas áreas de história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estimular a produção de conteúdo original e a reflexão crítica na forma de publicações acadêmicas por meio da Editora do Portal e da publicação anual do Boletim do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Apoio ao Ensino ====&lt;br /&gt;
Criar e manter materiais que possam ser usados como complementares e didáticos para o ensino e estudo da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Produzir cursos e videoaulas de alta qualidade que auxiliem na didática da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Potencialização da Extensão e Divulgação Científica ====&lt;br /&gt;
Traduzir o rigor técnico e acadêmico para uma linguagem acessível a um público amplo e diversificado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Manter uma presença estratégica nas redes sociais para a divulgação constante dos produtos do Portal, maximizando o alcance do conhecimento produzido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração das Atividades ====&lt;br /&gt;
Assegurar que os projetos do Portal (Site Principal, WikiHP, HPTV, Editora, Sirehp) funcionem como um ecossistema interligado, onde a pesquisa alimenta o conteúdo do ensino e da extensão, e as atividades de extensão (divulgação e eventos) retroalimentam a pesquisa, com o aprimoramento contínuo das plataformas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Eventos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização de eventos representa uma frente de atuação estratégica e relativamente recente na história do Portal História da Psicologia, consolidando o ecossistema digital com atividades presenciais e híbridas. Esta dimensão do projeto visa transcender a mera divulgação de conteúdo online, promovendo ativamente o debate acadêmico, a expansão de redes de pesquisa e a integração de estudantes e pesquisadores em discussões de ponta na área. O site do Portal oferece uma [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ lista completa], com detalhes, dos eventos organizados pelo grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Simpósios HP ===&lt;br /&gt;
Os Simpósios HP consistem em eventos de um único dia destinados a articular convidados externos com pesquisadores locais. O seu objetivo é expandir as redes internacionais de debate e integrar um campus interiorano, como o de Rio das Ostras, em discussões de maior alcance.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras ocorreu em 10 de novembro de 2023 e contou com a presença de [https://agir.uff.br/ James Cresswell], da Ambrose University (Canadá) e [https://socioeconomia.univalle.edu.co/138-estudiantes-de-doctorado/bruno-andres-jaraba-barrios Bruno Jaraba Barrios, da Universidad del Valle] (Colômbia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras aconteceu em 15 de março de 2024 e teve como debatedor [https://eled.auth.gr/eng/the-school/personnel/marvakis/ Athanasios Marvakis], da Universidade de Tessalônica (Grécia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simpósios de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|Convidados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|10 de novembro de 2023&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 1&lt;br /&gt;
|James Cresswell (Ambrose University, Canadá), Bruno Jaraba Barrios, (Universidad del Valle, Colômbia), Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|15 de março de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 6 do prédio novo&lt;br /&gt;
|Athanasios Marvakis (Universidade de Tessalônica, Grécia), Arthur Arruda Leal Ferreira Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), tradução de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Encontros HP ===&lt;br /&gt;
Os Encontros HP foram concebidos como atividades em resposta à paralisação dos docentes federais ocorrida em 2024. Estes consistiram em reuniões presenciais nas instalações do Instituto de Humanidades e Saúde da Universidade Federal Fluminense, em Rio das Ostras, dedicadas à discussão coletiva de diversos temas pertinentes à história da psicologia que não são habitualmente contemplados nos programas curriculares regulares da área.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Assunto&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1&lt;br /&gt;
|Lavagem cerebral e controle mental na Guerra Fria: MK-Ultra: a teoria da conspiração da vida real&lt;br /&gt;
|21 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2&lt;br /&gt;
|Usos da Inteligência Artificial na Psicologia: cognição, terapia e outros&lt;br /&gt;
|28 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Sala 5 do prédio novo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3&lt;br /&gt;
|Experimentos em psicologia da manipulação&lt;br /&gt;
|4 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4&lt;br /&gt;
|Estratégias e consequências por trás das seitas&lt;br /&gt;
|11 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5&lt;br /&gt;
|Terraplanistas, reptilianos, caçadores de alienígenas: grupos de teorias da conspiração&lt;br /&gt;
|18 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6&lt;br /&gt;
|Psicopatia, sociopatia e serial killers: o que realmente forma uma mente criminosa?&lt;br /&gt;
|25 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Encontro do Trecho ===&lt;br /&gt;
Também no ano de 2024, o Portal História da Psicologia deu um passo significativo em sua atuação ao organizar e sediar o I Encontro do Trecho. Este evento de grande relevância configurou-se como um marco na consolidação de uma rede internacional de pesquisadores dedicados à história da psicologia, conhecida simplesmente como &amp;quot;Trecho&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A natureza do I Encontro do Trecho foi considerada híbrida, combinando a interação presencial com a participação remota, o que potencializou seu alcance e diversidade. A adesão ao evento superou as expectativas, contando com a notável participação de pesquisadores provenientes de nove países distintos. Esta representação multinacional sublinha o caráter verdadeiramente global da rede e o interesse convergente na área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Encontro teve como local o Instituto de Humanidades e Saúde (IHS) da Universidade Federal Fluminense (UFF). O evento proporcionou um espaço fértil para a discussão aprofundada de novas pesquisas, o intercâmbio de metodologias e a articulação de projetos colaborativos futuros entre os membros da rede &amp;quot;Trecho&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/i-encontro-trecho/ site do Encontro] possui todas as informações detalhadas, como programa, convidados, datas, links para a gravação das mesas, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Mostra de Cinema do Portal ===&lt;br /&gt;
No ano de 2026, o grupo de monitores voluntários das disciplinas de História da Psicologia, Psicologia e História Social e Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo aceitou o convite do coordenador do Portal para organizar uma mostra de cinema. Assim, nasceu a [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/mostra-de-cinema-do-portal/ I Mostra de Cinema do Portal], com a temática Cyberpunk e a Consciência das Máquinas. O evento ocorre entre abril e julho de 2026, com a exibição de três filmes e quatro episódios da série animada Rick &amp;amp; Morty, nas dependências do Instituto de Humanidades e Saúde em Rio das Ostras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Lista de colaboradores do Portal ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fundadores ===&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7924410923493344 André Elias Morelli Ribeiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/3207728098713238 Luiz Eduardo Prado da Fonseca] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/4223540995781494 Gunther Mafra Guimarães] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Julia Escrew (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto Dos Reys] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antonio Lucas da Silva Merencio (2020-2021)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2384057947285765 Maria Carolinna Henriques Monteiro] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Colaboradores ===&lt;br /&gt;
Colaboradores no Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1KZvwBkhclv3JiOFyaVaX0Dhl5DrRJfcO/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores no Canal História da Psicologia TV (HPTV)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1XycAS9o7O63DNRKSyclOYL21h434i3Zz/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores na Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaboradores no Website&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Sistema_de_Refer%C3%AAncias_em_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia_(Sirehp)#Colaboradores Colaboradores no Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia ==&lt;br /&gt;
2018 (agosto) - publicação da primeira edição do Boletim da SBHP, precursor do Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (outubro) - reformulação do projeto desenvolvido na SBHP visando a criação do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (dezembro) - registro do domínio do site do Portal e criação do site&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (4 de janeiro) - criação da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (12 de janeiro) - publicação do primeiro verbete da WikiHP, Alfred Binet&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (abril) - primeiro vídeo do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (27 de maio) - criação do Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (fevereiro) - fundação da Editora do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (abril) - publicação do WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo, primeiro livro da editora e obra de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (dezembro) - publicação do primeiro Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (agosto) - criação do Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (novembro) - primeiro Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (maio) - início da série de Encontros HP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (outubro) - publicação do Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro, um marco para a Editora do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (agosto) - Portal História da Psicologia vence o Prêmio Manoel Bomfim de Divulgação Científica, oferecido pela Sociedade Interamericana de Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (setembro) - publicação da segunda edição do livro de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
Em junho de 2024, o Portal História da Psicologia recebeu o [https://ripehp.com/wp-content/uploads/2023/03/premio-gt-sip-em-portgues.docx.pdf Prêmio Manoel Bomfim de divulgação científica], oferecido pela [https://sipsych.org/ Sociedade Interamericana de Psicologia], como reconhecimento por sua atuação no campo da extensão e divulgação científica. Na cerimônia, o coordenador do projeto foi representado por Júlia Lombardi Carneiro e Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)|Sistema de Referências em História da Psicologia]] (Sirehp)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Canal História da Psicologia TV]] (HPTV)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links Externos ==&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/ Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/ Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (Wikihp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.youtube.com/@HistoriadaPsicologia Canal História da Psicologia TV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ Eventos do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista de publicações da Editora do Portal]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/certificados/ Certificados de participação em eventos e produtos do Portal]&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de método clínico para contextos de ensino de psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi. [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 &#039;&#039;&#039;WikiHP&#039;&#039;&#039;: definições, orientações e estilo.] Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; FERREIRA, Arthur Arruda Leal (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.14511624 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 3&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2024. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra. [https://revistas.hcte.ufrj.br/index.php/RevistaSH/article/view/393/305 Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. &#039;&#039;&#039;Revista Scientiarum História&#039;&#039;&#039;, v.1, n.1, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; GUIMARÃES, Gunther Mafra; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 2&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARAES, Gunther Mafra. [http://www.hcte.ufrj.br/downloads/sh/sh15/anais_SH_15.pdf Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. In: Scientiatum Historia 15, 2022, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Livro de Anais do Scientiarum 15&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, 2022. v. 1. p. 863-874.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.6337937 WikiHP]&#039;&#039;&#039;: políticas, definições, orientações e estilo. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, A. E. M.; FONSECA, L. E. P.; CANUTO, L. G.; SANTOS, M. V. A. G.; VIEIRA, Y. P. A.; ANJOS, M. S.. [https://doi.org/10.51919/Anais_SH14 Portal História da Psicologia]: formando conexões inesperadas entre ensino, pesquisa e extensão. In: Scientiatum Historia 14, 2021, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Anais do Scientiarum Historia XIV&#039;&#039;&#039;, 2021. v. 1. p. 1-8. ISSN 2675-7559 (on-line).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi criado por André Elias Morelli Ribeiro em 2025.2, criador e coordenador da WikiHP e do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ajuda]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Portal_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia&amp;diff=1657</id>
		<title>Portal História da Psicologia</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Portal_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia&amp;diff=1657"/>
		<updated>2026-04-12T11:58:58Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* Fomento a atividades extensionistas */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Portal História da Psicologia é uma iniciativa e um ecossistema digital nascido no Departamento de Psicologia em Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, com raízes na gestão 2017-2019 da Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP). Criado por André Elias Morelli Ribeiro, o projeto visa modernizar e inserir o campo brasileiro da história da psicologia lusófona nos meios digitais. O Portal é composto por diversas plataformas e projetos interligados, cada um com uma função específica na divulgação e produção de conhecimento na área. Estas partes incluem o website, a Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP), o Canal História da Psicologia TV (HPTV), a Editora do Portal História da Psicologia e o Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp). Além dos produtos digitais, o Portal publica anualmente, desde 2022, os livros da série do Boletim do Portal História da Psicologia. O Portal também mantém presença nas redes sociais (Facebook, Instagram, X) visando a divulgação de seus produtos e ações de divulgação científica nas redes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primórdios ===&lt;br /&gt;
As primeiras ideias que visavam a integração do ambiente digital com o mundo acadêmico no campo da história da psicologia, bem como o aproveitamento de tecnologias digitais para a criação de produtos específicos voltados para esse universo, começaram dentro da [https://sbhpsi.com.br/ Sociedade Brasileira de História da Psicologia], durante a [https://sbhpsi.com.br/quem-somos/diretoria-historico/ gestão de Arthur Arruda Leal Ferreira (2017-2019)]. O projeto inicial se limitava a listar todas as referências bibliográficas produzidas pelos principais membros da Sociedade em seu site, além de melhorias na produção da comunicação da gestão da SBHP com os seus afiliados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas comunicações eram feitas principalmente por meio da [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Newsletter da SBHP], uma publicação em formato PDF enviada periodicamente por e-mail aos seus membros. A publicação ficava sob responsabilidade da secretaria da Sociedade, que coletava notícias relevantes do campo brasileiro da história da psicologia. Na época, a secretaria estava nas mãos de André Elias Morelli Ribeiro, que posteriormente seria o criador do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época vinculado à Universidade Federal do Amapá, o professor André Morelli identificou a necessidade de aprimorar o modelo da Newsletter da SBHP. Ele entendia que as novas ferramentas digitais de informação e comunicação ofereciam maior dinamismo e agilidade na formulação de comunicados da Sociedade. Além disso, o secretário da Sociedade concebeu um novo formato de publicação, mais parecido com uma revista, ao analisar o conteúdo de alguns textos enviados pelos membros para publicação na Newsletter e que se diferenciavam do seu perfil editorial. Essa nova publicação teria como objetivo acolher materiais opinativos, transcrições de palestras, relatos de pesquisa, relatos de viagens, entre outros tipos de texto que, apesar de serem de grande interesse para o grupo, não seriam tipicamente aceitos em periódicos científicos tradicionais nem caberiam no formato da Newsletter.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2018, durante a reunião da SBHP em Belo Horizonte, foi aprovada uma proposta de reformulação do modelo de comunicação da Sociedade. O novo modelo previa a migração dos conteúdos informativos da Newsletter para as redes sociais e a criação do [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Boletim da SBHP], um novo veículo para a publicação de textos em diversos formatos. Com a colaboração de [http://lattes.cnpq.br/3366000072376649 Hugo Leonardo Rocha Silva da Rosa], foram lançadas quatro edições do Boletim, e as redes sociais da Sociedade tiveram uma atuação bastante intensa. Contudo, a gestão subsequente optou por desfazer essas mudanças, retomando o formato de comunicação anterior, o que resultou na extinção do Boletim e na modificação da presença da SBHP nas redes sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O início do Portal ===&lt;br /&gt;
Considerando o histórico da gestão [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira] na SBHP, as sementes plantadas naquele período continuaram se desenvolvendo. Contudo, em uma nova conjuntura, passariam a ser geridas por um grupo menor e descolado da diretoria da Sociedade. A ideia de modernização e inserção do campo brasileiro da história da psicologia nos meios digitais inspirou-se em três iniciativas. A primeira é o projeto [https://ahp.apps01.yorku.ca/ Advances in the History of Psychology (AHP)], criado por [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Christopher Green], da Universidade York, no Canadá. Nas primeiras formulações do Portal, a ideia era criar um projeto semelhante ao site do AHP, porém com foco no Brasil e, posteriormente, na América Latina. O prof. Green foi um dos primeiros a pensar a integração de recursos online com a história da psicologia, reunindo links, sites, produzindo podcasts, entre outros produtos, de modo que o site do Portal História da Psicologia, principalmente em sua primeira versão, é baseado na experiência do site principal do AHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra inspiração do Portal é o [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia Brasileira: Pioneiros], cuja primeira edição está disponível online no site da Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia (BVS-Psi). O Dicionário é uma criação de [http://lattes.cnpq.br/5350842157910835 Regina Helena de Freitas Campos] e se coloca como um dos grandes marcos do desenvolvimento do campo brasileiro da história da psicologia. É dele que veio a ideia de criar uma enciclopédia que fosse semelhante à Wikipédia em termos de dinamismo e capacidade de atualização e transformação, ao mesmo tempo que se estabelecem elementos de rigor técnico para manter a qualidade do material, assim como no caso do Dicionário. A WikiHP foi o segundo produto a ser incorporado pelo projeto, apesar de ter sido concebido ao mesmo tempo do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira fonte de inspiração para a criação do Portal advém do blog da rede de pesquisa [https://histoiresante.blogspot.com/ Historien.ne.s de la Santé]. Este blog se destaca pela sua atuação nas redes sociais e pela produção de conteúdo digital, estabelecendo uma conexão eficaz entre o mundo acadêmico e de pesquisa e o ambiente digital. Ele utiliza essas ferramentas eletrônicas como caixas de ressonância para difundir publicações, eventos, entre outros. Nesse contexto, também merece menção a [https://ripehp.com/ Rede Iberoamericana de Pesquisadores em História da Psicologia], cujo blog realiza um trabalho semelhante, porém focado na América Latina e que também serviu como base para a criação do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Findo os projetos desenvolvidos junto à SBHP, as reflexões para a continuidade do que seria o Portal tiveram início em outubro de 2019, ocasião em que seu criador já imaginava a publicação de um site, de um sistema de publicação de biografias, um braço audiovisual voltado para a divulgação científica e a organização de uma base de referências. Considerando a organização das primeiras ideias e de como o Portal poderia funcionar, o domínio do site do projeto – que ainda não tinha nome – foi reservado no mês de dezembro de 2019 em um servidor nos EUA. Este é considerado o marco inicial do projeto. A construção do site iniciou-se no mesmo mês e, em quatro de janeiro de 2020, a enciclopédia eletrônica teve início. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do site ===&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia teve suas origens em um período de recesso acadêmico, mais precisamente em dezembro de 2019. Naquele momento, seu idealizador já havia consolidado sua posição como docente no [https://psicologiaro.uff.br/ Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense] (UFF), lotado no campus de Rio das Ostras, no estado do Rio de Janeiro. Aproveitando a pausa das atividades regulares, o professor decidiu empreender um processo de autoaprendizagem e aplicação prática sobre a arquitetura e a construção de websites.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este projeto inicial foi concebido como um estudo-piloto para aquilo que seria o Portal História da Psicologia. A ideia central era criar uma plataforma digital que, em termos de conteúdo, guardava uma relação temática com o Advances in the History of Psychology (AHP), mas com uma abordagem significativamente mais direta e simplificada. A principal diferença e foco estratégico do novo empreendimento era o público-alvo: o conteúdo seria integralmente voltado para a comunidade lusófona, preenchendo uma lacuna percebida na oferta de material de qualidade sobre o tema em língua portuguesa e que, inicialmente, havia sido pensado para o site da Sociedade Brasileira de História da Psicologia - o que acabou não ocorrendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de ser um projeto nascido em um recesso, o desenvolvimento foi rápido. Já no final de dezembro de 2019, uma primeira versão do site estava no ar e acessível ao público. Contudo, essa versão inicial era notavelmente rudimentar e limitada em sua funcionalidade e abrangência. O site consistia essencialmente em páginas estáticas que organizavam alguns links relevantes. Embora já apresentasse uma organização sistemática dos temas propostos, essa estruturação era ainda incipiente e precária, refletindo o caráter embrionário do projeto e o seu uso como ferramenta de aprendizado na construção de plataformas digitais. Esse lançamento inicial, ainda que simples, marcou o nascimento oficial do Portal História da Psicologia, estabelecendo a base para o crescimento e expansão que se seguiriam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira grande reforma do site do Portal foi feito por [http://lattes.cnpq.br/0923932871489290 Raquel Donegá de Oliveira], que publicou a nova versão em 2023 com várias atualizações e uma reforma visual completa. Em 2024 foi a vez de Lara Overney Magariños criar uma nova versão, utilizada atualmente, com outra reformulação e modernização, trazendo uma interface mais intuitiva e conexões diretas com os diferentes produtos e partes do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O surgimento da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP) ===&lt;br /&gt;
Com a fundação do site principal do projeto, a atenção voltou-se para a elaboração de uma enciclopédia especializada. A principal fonte de inspiração para essa empreitada foi o notável [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil: Pioneiros], uma obra de referência que já contava com uma versão digital acessível através da BVS-Psi (Biblioteca Virtual em Saúde - Psicologia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após uso regular desse material para estudos e pesquisas, que é amplamente reconhecido como uma referência fundamental na área da história da psicologia brasileira, tornou-se evidente que uma parcela significativa das informações contidas no Dicionário se encontrava desatualizada. Isso era um reflexo natural do constante avanço das pesquisas e estudos históricos na disciplina, que frequentemente trazem novas descobertas e reinterpretações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar da importância e qualidade inegável do Dicionário, sua natureza de publicação em formato impresso impunha uma limitação significativa, que é a lentidão no processo de atualização. Uma obra física não pode ser corrigida ou complementada rapidamente, pois qualquer modificação exige a organização de todo um novo ciclo editorial, que abrange desde a revisão e a impressão até a distribuição. Esse processo é notoriamente dispendioso, tanto em termos de tempo quanto de recursos financeiros. Infelizmente, o mesmo ocorria com sua versão digital, que era tão estática quanto o original impresso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência e a consolidação da tecnologia da informação moderna ofereciam uma alternativa promissora a essa limitação secular. Com o advento da chamada Web 2.0, a era da internet interativa e participativa, a necessidade de esperar longos ciclos de publicação para incorporar atualizações parecia obsoleta. A tecnologia atual permite que qualquer informação seja revisada, corrigida ou expandida de maneira extremamente ágil e quase instantânea, com interação constante junto ao público. O paradigma dessa nova realidade é a Wikipédia, que demonstra a viabilidade e eficácia de um modelo de produção e disseminação de conhecimento em constante e rápida evolução, bem diferente da rigidez dos formatos tradicionais de publicação. Essa agilidade e acessibilidade tornaram-se o modelo a ser replicado na criação da nova enciclopédia digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desta feita, decidiu-se pela utilização do mesmo sistema utilizado pela famosa enciclopédia, chamado [[mediawikiwiki:MediaWiki|Mediawiki]], que conta com uma comunidade ativa de desenvolvedores e um suporte já muito bem estabelecido. A WikiHP foi concebida em dezembro de 2019, visando atender o programa de monitoria da disciplina de História da Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras. Nesta disciplina, grupos de estudantes seriam avaliados por meio da criação de verbetes temáticos relacionados à história da psicologia. Os melhores trabalhos seriam depositados na WikiHP, cuja finalidade restringia-se à produção de material de apoio para a própria disciplina. Com a instalação do sistema na raiz do servidor do site e a criação do subdomínio, tudo em quatro de janeiro de 2020, foi criada a [https://wiki.historiadapsicologia.com.br Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)], que traria verbetes sobre temas relativos à história da psicologia. A logomarca da WikiHP foi criada ainda naquele mês, bem como a logomarca do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próximo passo foi iniciar a publicação de verbetes e, para isso, era necessário criar um que pudesse ser usado como exemplo pelos colaboradores da Enciclopédia. Assim, o prof. André Morelli escreveu e publicou o verbete [[Alfred Binet]], aproveitando um conjunto de estudos que fazia à época e que se tornou o primeiro material publicado na WikiHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Primeira fase: apoio ao ensino remoto ====&lt;br /&gt;
A eclosão da pandemia de Covid-19 em 2020 impôs um cenário de profundas transformações no ambiente acadêmico. Na Universidade Federal Fluminense (UFF) as aulas presenciais foram suspensas em março de 2020, o que mudou de forma significativa o funcionamento do projeto. Adotou-se um regime de ensino remoto como medida de contingência e segurança sanitária. Foi neste contexto desafiador que se deu um passo crucial na trajetória da Wiki, qual seja, a sua integração direta e orgânica com as atividades de ensino e aprendizagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este movimento de articulação foi catalisado, inicialmente, pela atuação proativa de [http://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira], que era, na época, um aluno de graduação do curso de Psicologia da UFF. Yuri foi agraciado com a bolsa de Auxílio a Atividades Remotas, um suporte financeiro e institucional oferecido pela [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) da UFF], visando exatamente aprimorar e apoiar as metodologias de ensino a distância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Segunda fase: expansão ====&lt;br /&gt;
Orientado para a disciplina de História da Psicologia, a iniciativa centralizou-se na estruturação de um projeto pedagógico que fosse inovador e pudesse articular o ensino tradicional com novas ferramentas de informação e comunicação. A estratégia consistiu em organizar os estudantes da disciplina em grupos de trabalho. O objetivo primordial desses grupos era a pesquisa e elaboração de novos verbetes para a enciclopédia WikiHP. Esse processo transformava os alunos de meros consumidores de conteúdo em ativos produtores de conhecimento. A qualidade e a relevância acadêmica dos verbetes produzidos eram fatores determinantes. Os melhores trabalhos, após uma criteriosa avaliação e revisão, seriam selecionados para publicação oficial na enciclopédia digital. Mais do que um mero reconhecimento, essa publicação inseria o trabalho dos estudantes em um contexto de divulgação científica aberta. Adicionalmente, dependendo da temática abordada e de sua adequação ao currículo, os verbetes mais robustos e didáticos tinham o potencial de serem formalmente incorporados como material didático complementar e permanente da própria disciplina de História da Psicologia, estabelecendo um ciclo virtuoso de produção, uso e refinamento do conhecimento. Esta iniciativa não só manteve o engajamento dos alunos durante o ensino remoto, como também enriqueceu de maneira significativa o acervo da WikiHP, solidificando seu papel como um recurso educacional aberto e colaborativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Yuri Vieira e André Morelli iniciaram a definição dos procedimentos para a redação dos verbetes e dos padrões de qualidade do Portal História da Psicologia (WikiHP). Para tal, basearam-se no verbete de Alfred Binet e na experiência direta de coleta e produção de conteúdo. A experiência com a construção de verbetes e as interações com os alunos favoreceram o amadurecimento das normas e dos melhores procedimentos que pudessem atender o projeto, mantendo a qualidade dos textos e a formação dos estudantes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Monitoria =====&lt;br /&gt;
Em 2021, o projeto se expandiu com a criação de um programa de monitoria, aprofundando a integração entre ensino e projeto. As monitoras envolvidas foram [http://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (bolsista) e [http://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] e [http://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto dos Reys] (voluntárias). Com a evolução constante do projeto e a incorporação de novos monitores ao longo dos anos, a WikiHP baseou-se em grande medida no apoio oferecido pela Pró-Reitoria de Graduação na forma de bolsas de monitoria, desenvolvendo tanto as disciplinas envolvidas quanto o projeto da enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== A publicação de uma obra de referência ====&lt;br /&gt;
Todo este trabalho, que envolveu um esforço contínuo de sistematização e organização do conhecimento na área, culminou na publicação da primeira obra de referência para a enciclopédia, o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo]. Publicado no ano de 2022 pela [https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia], este volume inaugural teve a autoria de André Elias Morelli Ribeiro. A obra representou a consolidação de toda a experiência acumulada ao longo dos anos de desenvolvimento do projeto do Portal. Ela detalhou e formalizou aspectos cruciais para a consistência e qualidade do conteúdo enciclopédico, estabelecendo padrões para a inclusão de novas informações. Entre os elementos fundamentais abordados, o livro definiu o sistema de categorias temáticas, a estrutura e a organização das seções de cada verbete, o estilo de escrita acadêmica e informativa a ser seguido e, notavelmente, orientações metodológicas rigorosas para a pesquisa e referências bibliográficas. Em essência, o livro WikiHP de 2022 serviu como um manual de estilo abrangente e uma carta magna para a produção de conteúdo dentro do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido à evolução constante do projeto e à necessidade de incorporar novas diretrizes e aprendizados, o livro ganhou uma [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 segunda edição revista e ampliada]. Esta nova edição foi publicada em 2025, refletindo as atualizações necessárias para manter a obra alinhada com o estado atual da enciclopédia e as melhores práticas editoriais. Um marco significativo desta nova versão foi a expansão da equipe editorial, pois a edição de 2025 passou a ser uma coautoria entre André Elias Morelli Ribeiro e [http://lattes.cnpq.br/1153398469018062 Júlia Lombardi Carneiro], integrando novas perspectivas e conhecimento ao documento fundamental da Enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do Canal História da Psicologia TV (HPTV) ===&lt;br /&gt;
Durante o período desafiador da pandemia de Covid-19, o Portal História da Psicologia encontrou uma oportunidade única de crescimento e consolidação. A crise sanitária impulsionou uma busca generalizada por atividades e oportunidades de desenvolvimento de estudos e pesquisas que pudessem ser realizadas integralmente no formato digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa procura resultou em um fortalecimento significativo da equipe do Portal, com um aumento notável no número de pessoas interessadas em colaborar. Esse influxo de novos membros e entusiastas criou as condições ideais para viabilizar um projeto de longa data, já imaginado no período da gestão 2017-2019 da SBHP, a produção sistemática de conteúdo em vídeo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos dos novos colaboradores que se juntaram à iniciativa e demonstraram interesse na produção de vídeos eram, simultaneamente, membros ativos do Varanda, um proeminente grupo de pesquisa focado na história da psicologia, sob a liderança do professor Arthur Arruda Leal Ferreira. Essa sobreposição de participantes naturalmente levou ao estabelecimento de uma colaboração frutífera e estratégica entre o Varanda e o Portal. A conexão se estabeleceu de forma orgânica, permitindo que as discussões aprofundadas, os debates intelectuais e os insights gerados nas reuniões e seminários do grupo de estudos Varanda fossem sistematicamente transpostos e refletidos no conteúdo audiovisual produzido para o Portal. Essa sinergia não só enriqueceu a qualidade e a profundidade dos vídeos, como também ampliou o alcance das discussões acadêmicas para um público mais vasto no ambiente digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gênese do primeiro vídeo para o Canal História da Psicologia TV, um marco na sua trajetória, está intrinsecamente ligada à discussão aprofundada de um artigo seminal sobre o famoso teste de Rorschach, popularmente conhecido como o &amp;quot;teste das manchas&amp;quot;. Este debate ocorreu no âmbito do grupo de estudos Varanda, durante a discussão do artigo Image of Self, de autoria de Peter Galison, que serviu como ponto de partida e inspiração crucial. O vídeo foi concebido com o objetivo de traçar a história deste instrumento de avaliação psicológica, que é frequentemente cercado de dúvidas e polêmicas por parte da população geral. Criado por Hermann Rorschach, o teste de Rorschach transcendeu o ambiente clínico e acadêmico, ganhando uma presença notável e fascinante na cultura popular, sendo frequentemente referenciado em filmes, séries e literatura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A premissa central na idealização do projeto era manter um rigor acadêmico na apresentação dos acontecimentos e na análise histórica do teste. Simultaneamente, havia a preocupação em comunicar essa história de forma acessível e envolvente, permitindo um diálogo efetivo da academia com um público mais amplo e diversificado, que incluía estudantes, profissionais da área e leigos curiosos sobre a psicologia. O desafio, portanto, residia em equilibrar a profundidade da pesquisa histórica com a clareza e o apelo da narrativa audiovisual, garantindo que o primeiro vídeo estabelecesse o padrão de excelência e abrangência que se tornaria a marca registrada do Canal História da Psicologia TV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O roteiro deste primeiro vídeo foi criado por André Elias Morelli Ribeiro, com narração de [http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] e edição de [http://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto]. Finalizado em abril de 2020, foi inicialmente publicado no perfil pessoal de André Morelli no YouTube, o que indicou a necessidade da criação de um canal na mesma plataforma destinado aos vídeos produzidos pela equipe do Portal. Assim, em 27 de maio de 2020, foi criado o Canal História da Psicologia TV, com a publicação do vídeo “Como surgiu o Teste de Rorschach”. O estilo do vídeo vale-se de uma narração suave de acontecimentos com a sucessiva exposição entre 3 e 6 segundos de imagens ilustrativas, algumas coletadas em repositórios de imagens e outras criadas pela própria equipe. A proposta era permitir a migração futura do vídeo também para o formato de podcast, o que ainda não aconteceu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguindo a mesma lógica, o segundo vídeo do Canal foi desenvolvido para tratar do famoso experimento de obediência de Stanley Milgram. O roteiro foi baseado em um texto inicialmente publicado no Boletim da SBHP e traduzido por André Morelli. O objetivo principal era criar um recurso audiovisual com dupla função: servir como material didático auxiliar no ensino da história da psicologia e, ao mesmo tempo, oferecer uma visão mais precisa do experimento de Milgram. Isso se tornou necessário porque o experimento é frequentemente alvo de interpretações e generalizações que se afastam dos propósitos e escritos originais do psicólogo norte-americano. Além disso, o vídeo visava fortalecer a integração entre os diversos produtos e iniciativas geradas pela própria equipe do Portal, conectando as diferentes vertentes do projeto. Este segundo vídeo teve roteiro, narração e edição de André Elias Morelli Ribeiro e a revisão de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos e Letícia Gomes Canuto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2021 o projeto passou a receber o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense, por meio da concessão de uma bolsa de extensão. O primeiro contemplado e quem ajudou a consolidar a linguagem e o estilo do canal foi Antonio Lucas Merêncio. Vitória Gomes Silva e Júlia Lombardi Carneiro também foram bolsistas do projeto. O Canal ultrapassou as 50 produções, entre transmissões de eventos ao vivo, videoaulas e produções originais, consolidando-se como um espaço importante de divulgação da história da psicologia na internet.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Cursos ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV oferece dois cursos, incluindo videoaulas e indicações de leituras. O primeiro a ser criado foi o de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação], que recebeu apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense por meio de um fomento direto em 2021. Isso permitiu a contratação de uma produtora profissional para criar vídeos de alta qualidade. Junto da playlist, uma página foi adicionada ao site, com uma lista dos vídeos, as recomendações de leitura e outras referências para cada episódio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2022 foi criado o curso de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-no-brasil/ História da Psicologia no Brasil], uma série de quatro videoaulas e um vídeo complementar com temas relativos à história da psicologia no Brasil, com foco nas linhas e abordagens. Para este curso, existe também uma página no site do Portal, com links para os vídeos e as referências utilizadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Séries ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV possui três séries de vídeos com temas específicos. O primeiro é o de [https://www.youtube.com/watch?v=1SX3ndp6EWM&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWJgYPh3NyUyXkT77ZnV4_A História dos testes, instrumentos e avaliação psicológica]. A série começou a ser construída em 2020, com o vídeo sobre a história dos testes Army Alpha e Army Beta e hoje conta com cinco vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra série importante do Canal é a de [https://www.youtube.com/watch?v=tzXyZ4yEQDg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHVuUF2L5wcbQTnxspJmot7C História dos Experimentos em Psicologia], que inclui o segundo vídeo mais antigo do canal, sobre o experimento de Milgram, e ainda outros dois vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, a série sobre [https://www.youtube.com/watch?v=y6EYjEtUJcg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWXerE9-0IAhn1H7WJ_Ir5w O Destino dos Pacientes do Dr. Freud], certamente o mais polêmico e delicado do Canal e frequente alvo de críticas por parte do público. A série apresenta partes do trabalho do historiador Mikell Borch-Jacobsen e conta com quatro vídeos, todos apresentando uma posição crítica contra a historiografia psicanalítica hegemônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração com o ensino ====&lt;br /&gt;
Os vídeos do Canal História da Psicologia TV são utilizados como material complementar em contexto de ensino de graduação. Além de temas interessantes e vídeos ilustrativos, alguns conteúdos são baseados principalmente em fontes primárias, o que pode ser utilizado para facilitar a compreensão de textos clássicos da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 2024, foi incorporada uma nova estratégia de integração, o incentivo para os discentes criarem roteiros que possam ser aproveitados na produção de vídeos para o Canal. Para viabilizar essa possibilidade, foram criadas [[Canal História da Psicologia TV|orientações sobre como criar roteiros]], e os discentes passaram a ser orientados na reflexão da conexão entre o conhecimento acadêmico e as formas de sua comunicação com a sociedade. Vídeos como O Experimento de Aprisionamento de Stanford são resultado deste novo processo inovador de integração entre ensino e divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação da Editora do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
Com o desenvolvimento da WikiHP e o fortalecimento do sistema do Portal, mostrou-se necessária a publicação de uma obra de referência para auxiliar os colaboradores da WikiHP na produção de verbetes. Visando agilidade na publicação desta obra, bem como o corte de custos e a possibilidade do desenvolvimento de projetos editoriais autônomos, iniciaram-se os movimentos para a criação da Editora do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após consultas à Câmara Brasileira do Livro (CBL) e à legislação sobre o mercado editorial, optou-se por uma estrutura inovadora, baseada em noções da nova economia digital. O selo editorial “[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]” foi vinculado a uma empresa de marketing digital e cadastrado na CBL, passando a figurar como uma editora comercial com comitê editorial. Características como o caráter voluntário de seus colaboradores, a ausência de interesse em lucro, o modo como as obras são editadas e as formas de registro das mesmas tornam os custos para publicação na Editora do Portal extremamente baixos. Os livros publicados pela Editora do Portal incluem um DOI, ISBN e ficha catalográfica feita por bibliotecário profissional, além da garantia de livre acesso por meio digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro livro publicado pela Editora do Portal foi o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo], de autoria de André Elias Morelli Ribeiro, que também construiu o projeto gráfico e a capa da obra. Atualmente, a Editora do Portal tem nove livros em seu portfólio e totaliza 53 lançamentos, entre livros e seus diferentes capítulos, que podem receber um DOI próprio quando se trata de coletânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== O Boletim do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
A Editora do Portal História da Psicologia, após a bem-sucedida experiência de publicar sua primeira obra, solidificou as bases para resgatar um projeto que estava em suspenso: o Boletim da SBHP. Este periódico havia sido interrompido após o lançamento de apenas quatro edições. Contudo, em 2022, a ideia de revitalizar o projeto foi trazida novamente à discussão entre os colaboradores ativos do Portal História da Psicologia, culminando no surgimento do projeto dos [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A concepção fundamental por trás dos Boletins do Portal é notavelmente similar à do extinto Boletim da SBHP. O objetivo central é criar um espaço editorial para a publicação de textos que, apesar de sua inegável relevância, não encontram canais de publicação nos veículos científicos tradicionais de maior circulação. O foco é dado a materiais que se revestem de significativa importância histórica, conceitual, memorialista ou que são cruciais para o debate e a reflexão no campo brasileiro da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma alteração estratégica fundamental implementada no novo projeto foi a mudança na categoria editorial da publicação. Enquanto o Boletim da SBHP era formalmente classificado como uma revista periódica, o novo Boletim do Portal História da Psicologia passou a ser concebido e publicado na forma de livro. Esta reclassificação trouxe um aumento na atratividade e no prestígio percebido da publicação, inserindo-a em um nicho diferente do mercado editorial e acadêmico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de herdar e acolher todos os tipos de contribuições que eram destinados ao antigo Boletim da SBHP, os Boletins do Portal introduziram uma nova e importante modalidade de conteúdo: a inclusão de versões estáveis dos melhores verbetes publicados na WikiHP. Estes verbetes, originários da enciclopédia colaborativa online do Portal, são transformados em capítulos de livro após passarem por um rigoroso processo de nova revisão e aperfeiçoamento. O objetivo desta revisão adicional é garantir a máxima qualidade textual e a confiabilidade acadêmica do conteúdo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta estratégia de transposição de verbetes da plataforma online para o formato e-book confere diversos benefícios. Embora o verbete original na WikiHP continue a ser uma plataforma viva e em constante edição, a sua versão publicada no Boletim marca um momento específico e consolidado de sua produção e desenvolvimento, servindo como um registro formal. Adicionalmente, a publicação em formato de livro, sob o selo da Editora do Portal, confere um prestígio e reconhecimento acadêmico muito maior aos autores e aos textos selecionados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto demonstrou ser altamente produtivo e relevante desde sua implementação. Entre os anos de 2022 e 2024, o Portal História da Psicologia conseguiu lançar três edições do seu novo Boletim. Estas edições se destacaram pela diversidade e riqueza do material publicado, abrangendo uma vasta gama de categorias textuais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Artigos inéditos em português ou espanhol; &lt;br /&gt;
* Traduções de textos contemporâneos de grande relevância para a área; &lt;br /&gt;
* Traduções de clássicos da história, filosofia ou epistemologia da psicologia; &lt;br /&gt;
* Reedição de textos clássicos originalmente publicados em português ou espanhol, acompanhados de comentários críticos e notas; &lt;br /&gt;
* Relatos de pesquisa, incluindo relatos de viagens, experiências de grupos de pesquisa e cobertura de eventos científicos; &lt;br /&gt;
* Ensaios teóricos e críticos; &lt;br /&gt;
* Resenhas de livros e outras mídias e &lt;br /&gt;
* Entrevistas com figuras proeminentes do campo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Lista de obras publicadas na Editora do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
As obras são apresentadas a seguir na ordem de publicação, da mais recente para a mais antiga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.18098475 Boletim do Portal História da Psicologia 4 (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de Método Clínico para Contextos de Ensino de Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 WikiHP: definições, orientações e estilo (2a edição)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14937498 Introspecção]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14511623 Boletim do Portal História da Psicologia 3 (2024)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.13900662 Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 Boletim do Portal História da Psicologia 2 (2023)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia (2022)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo (1a edição)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista completa de livros e capítulos publicados pela Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A estruturação do Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp) ===&lt;br /&gt;
O [https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)] é a retomada e reforma de dois projetos anteriores. O primeiro, vinculado à Sociedade Brasileira de História da Psicologia, organizava as principais publicações dos principais membros da Sociedade. Era uma lista com os destaques da produção bibliográfica, criada com o objetivo de divulgar o campo brasileiro de história da psicologia. Esta lista chegou a ficar pública por um curto período no ano de 2018, mas devido às suas limitações técnicas e sua pouca utilidade, acabou abandonada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda tentativa de organizar a produção acadêmica relevante foi uma lista simples, com referências organizadas em ordem alfabética e disponibilizada na forma de documento online. Estas listas ficaram disponíveis no site do Portal e recebeu algumas colaborações pontuais, mas seu formato mostrou-se rapidamente inviável e logo foi abandonado. Ficava evidente que era necessário utilizar novas tecnologias para a organização deste conjunto de referências, tanto devido à quantidade de dados quanto as possibilidades oferecidas por tecnologias mais novas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A jornada para criar um sistema de gestão de informação bibliográfica dedicado ao campo brasileiro de história da psicologia começou em 2022 e visava centralizar e disponibilizar online e gratuitamente todas as referências relevantes sobre história, filosofia e epistemologia da psicologia - desde que tivessem um viés histórico - facilitando a pesquisa na área. Assim, o Sirehp seria um sistema de fomento à pesquisa, tanto acadêmica quanto para formação profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os esforços iniciais envolveram a busca por parceiros, culminando em contatos com docentes do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Rio das Ostras. O objetivo era desenvolver um aplicativo online para organizar e curar referências bibliográficas de forma amigável e ágil. Contudo, a complexidade técnica do projeto levou ao seu adiamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em abril de 2023, observou-se a possibilidade de utilizar a capacidade do [https://zotero.org/ Zotero], um sistema digital sincronizado em nuvem de gestão de referências, de coletar metadados de referências bibliográficas e, a partir deles, gerar uma visualização online com funcionalidades como busca e a criação de links permanentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesquisa nos fóruns do Zotero revelou a existência do [https://github.com/whiskyechobravo/kerko Kerko], um sistema livre criado pelo desenvolvedor canadense David Lesieur. O Kerko permitia a publicação web de bibliografias geradas via Zotero, oferecendo busca fácil e, crucialmente, a capacidade de incorporar uma biblioteca compartilhada. Isso possibilitava a atribuição de papéis de curadoria, permitindo que colaboradores alimentassem e corrigissem a base do Sirehp (Sistema de Referências em História da Psicologia) através de uma pasta compartilhada do Zotero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os desafios técnicos foram superados com a colaboração do desenvolvedor de sistemas de informação [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro], que instalou o Kerko em um subdomínio do Portal História da Psicologia. O Sirehp foi oficialmente lançado em 26 de agosto de 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, problemas com o provedor de computação em nuvem causaram a indisponibilidade do sistema dois meses após o lançamento. Esta interrupção, que exigiu um alto investimento financeiro para ser resolvida, perdurou até 6 de janeiro de 2024, quando um novo servidor foi localizado. Durante esse período, o programador voluntário [https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos] integrou-se à equipe. Entre abril e outubro de 2024, o Sirehp contou com o suporte gratuito em nuvem do servidor [https://www.pythonanywhere.com/ PythonAnywhere].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outubro de 2024, o desenvolvedor Allan Denis Morelli Ribeiro implementou modificações significativas no Sirehp. Estas incluíram a melhoria da usabilidade, a adição de novas opções de busca e filtros mais eficientes. Além disso, ajustes na hospedagem garantiram maior estabilidade e robustez ao sistema. Atualmente, o projeto encontra-se suspenso por falta de fundos, recebendo poucas atualizações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Redes sociais ===&lt;br /&gt;
O projeto possui atividades no [https://www.facebook.com/HistoriaDaPsicologiaBrasil/ Facebook], [https://www.instagram.com/historiadapsicologia/ Instagram] e [https://x.com/Hist_Psicologia X] (antigo Twitter), com tipos de atividades diferentes. A princípio, desenhou-se uma estratégia, implementada a partir de 2020, de utilização das redes sociais visando à divulgação científica da história da psicologia. Com o tempo e o engajamento dos colaboradores do projeto em outras atividades, esta abordagem terminou por ser abandonada. Hoje, as redes sociais do Portal limitam-se a divulgar os produtos do Portal, como livros, novos verbetes, vídeos publicados, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Podcast ===&lt;br /&gt;
A expansão das atividades do projeto História da Psicologia não se limitou ao formato audiovisual. A criação do Canal História da Psicologia TV, um marco inicial na divulgação de conteúdo sobre a história da disciplina, foi imediatamente acompanhada e complementada por um projeto de lançamento de um Podcast. A premissa central dessa iniciativa de áudio era a reutilização estratégica de parte do material já produzido para os vídeos, adaptando-o para o formato puramente sonoro. Essa decisão se fundamentava na observação de que o componente visual dos vídeos era, em grande medida, meramente ilustrativo, ou seja, a essência do conteúdo e a riqueza da informação residiam primariamente no áudio e na narrativa falada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a jornada para estabelecer uma linha de produção de podcast autônoma foi marcada por desafios significativos e tentativas frustradas. Buscando profissionalizar e dedicar recursos humanos específicos a esse formato, foram feitas duas tentativas formais de constituição de equipes de trabalho exclusivamente voltadas para o desenvolvimento, gravação e edição do podcast. A primeira tentativa ocorreu em 2022 e a segunda, no ano subsequente, em 2023. Ambas as iniciativas, apesar do entusiasmo inicial e do reconhecimento da importância do formato de áudio para o alcance de novas audiências e a otimização da experiência de consumo de conteúdo, infelizmente não prosperaram, resultando no adiamento da consolidação de um podcast com produção independente do canal de vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Patrocinadores ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, em suas diferentes partes, recebeu várias formas de suporte financeiro. As diferentes formas de apoio foram oferecidas por quatro agências ou órgãos diferentes de fomento: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proex/ Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proaes/ Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense] e &lt;br /&gt;
* [https://agir.uff.br/ Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O apoio financeiro se concretizou tanto na forma de bolsa quanto em investimento direto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Patrocinadores e fomentadores do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Patrocinador&lt;br /&gt;
|Projetos&lt;br /&gt;
|Tipo&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de atividades remotas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de monitoria&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2024 e 2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fomento a atividades extensionistas&lt;br /&gt;
|Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Financiamento&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2023 e 2024&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 e 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de desenvolvimento acadêmico&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de iniciação tecnológica e inovação&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Extensão ===&lt;br /&gt;
Como projeto vinculado ao Departamento de Psicologia de Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, partes do Portal foram financiadas pela Pró-Reitoria de Extensão, por meio da concessão de bolsas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de extensão concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Antonio Lucas da Silva Merêncio&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Gunther Mafra Guimarães&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro &lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alice Nascimento Moraes Fernandes&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Arthur Macedo Nunes&lt;br /&gt;
|Sistema de Referência em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Iniciação Tecnológica e Inovação ===&lt;br /&gt;
As bolsas de iniciação tecnológica e inovação são oferecidas, no âmbito da UFF, pela Agência de Inovação da UFF (Agir). Seus editais são bastante concorridos e suas bolsas são prestigiosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gunther Mafra Guimarães (WikiHP) (2023)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Ensino ===&lt;br /&gt;
Foram concedidos dois tipos de bolsa para o Portal na modalidade ensino. Uma para atividades remotas e outra para atividades de monitoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de ensino concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Tipo de bolsa&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Yuri Pereira Antunes Vieira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Apoio a Atividades Remotas&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Mariana dos Santos dos Anjos&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Peterson Manoel Fernandes Pereira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Izabella Simões da Cruz&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Isabella Correia Venturine&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Permanência ===&lt;br /&gt;
A UFF oferece aos seus alunos um conjunto de oportunidades de auxílio à permanência. Até 2024, os alunos contemplados com estas bolsas precisavam vincular-se aos projetos aprovados pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e, dentre eles, estava o [http://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]. Esta forma de fomento à permanência foi extinta em 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Thaís Arci Menezes (Desenvolvimento Acadêmico) (Sirehp) (2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fomento a atividades extensionistas ===&lt;br /&gt;
A Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense ofereceu, por meio de um edital, recursos para o fomento a atividades extensionistas. Os recursos não poderiam ser usados na forma de bolsa nem remuneração direta, mas para compra de equipamentos e contratação de serviços de empresas. O Portal foi beneficiado com os recursos em 2021, utilizando os recursos para a compra de equipamentos para gravação de vídeos e contratando uma produtora profissional, que editou o curso [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Objetivos ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, desde sua concepção, estabeleceu uma série de metas que visam modernizar e integrar o campo da história da psicologia lusófona ao ambiente digital, atuando como um ecossistema de produção e disseminação de conhecimento. A sua estrutura, composta por plataformas interligadas como a WikiHP, o HPTV, a Editora e o Sirehp, foi desenhada para dar suporte a um objetivo maior e a um conjunto de objetivos específicos que articulam as dimensões essenciais da vida acadêmica: o ensino, a pesquisa, a extensão e a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivo Geral ===&lt;br /&gt;
Modernizar e inserir o campo brasileiro de história da psicologia de língua portuguesa no ambiente digital, criando um ecossistema de plataformas e produtos que fomentem a pesquisa, apoiem o ensino, potencializem as atividades de extensão e ampliem a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivos Específicos ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fomento à Pesquisa ====&lt;br /&gt;
Desenvolver e manter plataformas e ferramentas digitais (como o Sirehp) que centralizem, organizem e disponibilizem gratuitamente referências bibliográficas relevantes, facilitando a coleta de dados e a condução de pesquisas nas áreas de história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estimular a produção de conteúdo original e a reflexão crítica na forma de publicações acadêmicas por meio da Editora do Portal e da publicação anual do Boletim do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Apoio ao Ensino ====&lt;br /&gt;
Criar e manter materiais que possam ser usados como complementares e didáticos para o ensino e estudo da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Produzir cursos e videoaulas de alta qualidade que auxiliem na didática da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Potencialização da Extensão e Divulgação Científica ====&lt;br /&gt;
Traduzir o rigor técnico e acadêmico para uma linguagem acessível a um público amplo e diversificado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Manter uma presença estratégica nas redes sociais para a divulgação constante dos produtos do Portal, maximizando o alcance do conhecimento produzido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração das Atividades ====&lt;br /&gt;
Assegurar que os projetos do Portal (Site Principal, WikiHP, HPTV, Editora, Sirehp) funcionem como um ecossistema interligado, onde a pesquisa alimenta o conteúdo do ensino e da extensão, e as atividades de extensão (divulgação e eventos) retroalimentam a pesquisa, com o aprimoramento contínuo das plataformas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Eventos ==&lt;br /&gt;
A organização de eventos representa uma frente de atuação estratégica e relativamente recente na história do Portal História da Psicologia, consolidando o ecossistema digital com atividades presenciais e híbridas. Esta dimensão do projeto visa transcender a mera divulgação de conteúdo online, promovendo ativamente o debate acadêmico, a expansão de redes de pesquisa e a integração de estudantes e pesquisadores em discussões de ponta na área. O site do Portal oferece uma [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ lista completa], com detalhes, dos eventos organizados pelo grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Simpósios HP ===&lt;br /&gt;
Os Simpósios HP consistem em eventos de um único dia destinados a articular convidados externos com pesquisadores locais. O seu objetivo é expandir as redes internacionais de debate e integrar um campus interiorano, como o de Rio das Ostras, em discussões de maior alcance.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras ocorreu em 10 de novembro de 2023 e contou com a presença de [https://agir.uff.br/ James Cresswell], da Ambrose University (Canadá) e [https://socioeconomia.univalle.edu.co/138-estudiantes-de-doctorado/bruno-andres-jaraba-barrios Bruno Jaraba Barrios, da Universidad del Valle] (Colômbia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras aconteceu em 15 de março de 2024 e teve como debatedor [https://eled.auth.gr/eng/the-school/personnel/marvakis/ Athanasios Marvakis], da Universidade de Tessalônica (Grécia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simpósios de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|Convidados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|10 de novembro de 2023&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 1&lt;br /&gt;
|James Cresswell (Ambrose University, Canadá), Bruno Jaraba Barrios, (Universidad del Valle, Colômbia), Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|15 de março de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 6 do prédio novo&lt;br /&gt;
|Athanasios Marvakis (Universidade de Tessalônica, Grécia), Arthur Arruda Leal Ferreira Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), tradução de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Encontros HP ===&lt;br /&gt;
Os Encontros HP foram concebidos como atividades em resposta à paralisação dos docentes federais ocorrida em 2024. Estes consistiram em reuniões presenciais nas instalações do Instituto de Humanidades e Saúde da Universidade Federal Fluminense, situado em Rio das Ostras, dedicadas à discussão coletiva de diversos temas pertinentes à história da psicologia que não são habitualmente contemplados nos programas curriculares regulares da área.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Assunto&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1&lt;br /&gt;
|Lavagem cerebral e controle mental na Guerra Fria: MK-Ultra: a teoria da conspiração da vida real&lt;br /&gt;
|21 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2&lt;br /&gt;
|Usos da Inteligência Artificial na Psicologia: cognição, terapia e outros&lt;br /&gt;
|28 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Sala 5 do prédio novo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3&lt;br /&gt;
|Experimentos em psicologia da manipulação&lt;br /&gt;
|4 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4&lt;br /&gt;
|Estratégias e consequências por trás das seitas&lt;br /&gt;
|11 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5&lt;br /&gt;
|Terraplanistas, reptilianos, caçadores de alienígenas: grupos de teorias da conspiração&lt;br /&gt;
|18 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6&lt;br /&gt;
|Psicopatia, sociopatia e serial killers: o que realmente forma uma mente criminosa?&lt;br /&gt;
|25 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Encontro do Trecho ===&lt;br /&gt;
Também no ano de 2024, o Portal História da Psicologia deu um passo significativo em sua atuação ao organizar e sediar o I Encontro do Trecho. Este evento de grande relevância configurou-se como um marco na consolidação de uma rede internacional de pesquisadores dedicados à história da psicologia, conhecida simplesmente como &amp;quot;Trecho&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A natureza do I Encontro do Trecho foi considerada híbrida, combinando a interação presencial com a participação remota, o que potencializou seu alcance e diversidade. A adesão ao evento superou as expectativas, contando com a notável participação de pesquisadores provenientes de nove países distintos. Esta representação multinacional sublinha o caráter verdadeiramente global da rede e o interesse convergente na área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Encontro teve como local o Instituto de Humanidades e Saúde (IHS) da Universidade Federal Fluminense (UFF). O evento proporcionou um espaço fértil para a discussão aprofundada de novas pesquisas, o intercâmbio de metodologias e a articulação de projetos colaborativos futuros entre os membros da rede &amp;quot;Trecho&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/i-encontro-trecho/ site do Encontro] possui todas as informações detalhadas, como programa, convidados, datas, links para a gravação das mesas, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Lista de colaboradores do Portal ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fundadores ===&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7924410923493344 André Elias Morelli Ribeiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/3207728098713238 Luiz Eduardo Prado da Fonseca] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/4223540995781494 Gunther Mafra Guimarães] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Julia Escrew (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto Dos Reys] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antonio Lucas da Silva Merencio (2020-2021)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2384057947285765 Maria Carolinna Henriques Monteiro] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Colaboradores ===&lt;br /&gt;
Colaboradores no Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1KZvwBkhclv3JiOFyaVaX0Dhl5DrRJfcO/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores no Canal História da Psicologia TV (HPTV)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1XycAS9o7O63DNRKSyclOYL21h434i3Zz/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores na Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaboradores no Website&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Sistema_de_Refer%C3%AAncias_em_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia_(Sirehp)#Colaboradores Colaboradores no Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia ==&lt;br /&gt;
2018 (agosto) - publicação da primeira edição do Boletim da SBHP, precursor do Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (outubro) - reformulação do projeto desenvolvido na SBHP visando a criação do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (dezembro) - registro do domínio do site do Portal e criação do site&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (4 de janeiro) - criação da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (12 de janeiro) - publicação do primeiro verbete da WikiHP, Alfred Binet&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (abril) - primeiro vídeo do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (27 de maio) - criação do Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (fevereiro) - fundação da Editora do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (abril) - publicação do WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo, primeiro livro da editora e obra de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (dezembro) - publicação do primeiro Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (agosto) - criação do Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (novembro) - primeiro Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (maio) - início da série de Encontros HP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (outubro) - publicação do Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro, um marco para a Editora do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (agosto) - Portal História da Psicologia vence o Prêmio Manoel Bomfim de Divulgação Científica, oferecido pela Sociedade Interamericana de Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (setembro) - publicação da segunda edição do livro de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
Em junho de 2024, o Portal História da Psicologia recebeu o [https://ripehp.com/wp-content/uploads/2023/03/premio-gt-sip-em-portgues.docx.pdf Prêmio Manoel Bomfim de divulgação científica], oferecido pela [https://sipsych.org/ Sociedade Interamericana de Psicologia], como reconhecimento por sua atuação no campo da extensão e divulgação científica. Na cerimônia, o coordenador do projeto foi representado por Júlia Lombardi Carneiro e Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)|Sistema de Referências em História da Psicologia]] (Sirehp)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Canal História da Psicologia TV]] (HPTV)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links Externos ==&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/ Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/ Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (Wikihp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.youtube.com/@HistoriadaPsicologia Canal História da Psicologia TV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ Eventos do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista de publicações da Editora do Portal]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/certificados/ Certificados de participação em eventos e produtos do Portal]&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de método clínico para contextos de ensino de psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi. [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 &#039;&#039;&#039;WikiHP&#039;&#039;&#039;: definições, orientações e estilo.] Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; FERREIRA, Arthur Arruda Leal (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.14511624 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 3&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2024. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra. [https://revistas.hcte.ufrj.br/index.php/RevistaSH/article/view/393/305 Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. &#039;&#039;&#039;Revista Scientiarum História&#039;&#039;&#039;, v.1, n.1, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; GUIMARÃES, Gunther Mafra; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 2&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARAES, Gunther Mafra. [http://www.hcte.ufrj.br/downloads/sh/sh15/anais_SH_15.pdf Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. In: Scientiatum Historia 15, 2022, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Livro de Anais do Scientiarum 15&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, 2022. v. 1. p. 863-874.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.6337937 WikiHP]&#039;&#039;&#039;: políticas, definições, orientações e estilo. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, A. E. M.; FONSECA, L. E. P.; CANUTO, L. G.; SANTOS, M. V. A. G.; VIEIRA, Y. P. A.; ANJOS, M. S.. [https://doi.org/10.51919/Anais_SH14 Portal História da Psicologia]: formando conexões inesperadas entre ensino, pesquisa e extensão. In: Scientiatum Historia 14, 2021, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Anais do Scientiarum Historia XIV&#039;&#039;&#039;, 2021. v. 1. p. 1-8. ISSN 2675-7559 (on-line).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi criado por André Elias Morelli Ribeiro em 2025.2, criador e coordenador da WikiHP e do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ajuda]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Portal_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia&amp;diff=1656</id>
		<title>Portal História da Psicologia</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Portal_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia&amp;diff=1656"/>
		<updated>2026-04-12T11:57:27Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* Bolsas de ensino concedidas para o Portal História da Psicologia */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Portal História da Psicologia é uma iniciativa e um ecossistema digital nascido no Departamento de Psicologia em Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, com raízes na gestão 2017-2019 da Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP). Criado por André Elias Morelli Ribeiro, o projeto visa modernizar e inserir o campo brasileiro da história da psicologia lusófona nos meios digitais. O Portal é composto por diversas plataformas e projetos interligados, cada um com uma função específica na divulgação e produção de conhecimento na área. Estas partes incluem o website, a Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP), o Canal História da Psicologia TV (HPTV), a Editora do Portal História da Psicologia e o Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp). Além dos produtos digitais, o Portal publica anualmente, desde 2022, os livros da série do Boletim do Portal História da Psicologia. O Portal também mantém presença nas redes sociais (Facebook, Instagram, X) visando a divulgação de seus produtos e ações de divulgação científica nas redes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primórdios ===&lt;br /&gt;
As primeiras ideias que visavam a integração do ambiente digital com o mundo acadêmico no campo da história da psicologia, bem como o aproveitamento de tecnologias digitais para a criação de produtos específicos voltados para esse universo, começaram dentro da [https://sbhpsi.com.br/ Sociedade Brasileira de História da Psicologia], durante a [https://sbhpsi.com.br/quem-somos/diretoria-historico/ gestão de Arthur Arruda Leal Ferreira (2017-2019)]. O projeto inicial se limitava a listar todas as referências bibliográficas produzidas pelos principais membros da Sociedade em seu site, além de melhorias na produção da comunicação da gestão da SBHP com os seus afiliados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas comunicações eram feitas principalmente por meio da [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Newsletter da SBHP], uma publicação em formato PDF enviada periodicamente por e-mail aos seus membros. A publicação ficava sob responsabilidade da secretaria da Sociedade, que coletava notícias relevantes do campo brasileiro da história da psicologia. Na época, a secretaria estava nas mãos de André Elias Morelli Ribeiro, que posteriormente seria o criador do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época vinculado à Universidade Federal do Amapá, o professor André Morelli identificou a necessidade de aprimorar o modelo da Newsletter da SBHP. Ele entendia que as novas ferramentas digitais de informação e comunicação ofereciam maior dinamismo e agilidade na formulação de comunicados da Sociedade. Além disso, o secretário da Sociedade concebeu um novo formato de publicação, mais parecido com uma revista, ao analisar o conteúdo de alguns textos enviados pelos membros para publicação na Newsletter e que se diferenciavam do seu perfil editorial. Essa nova publicação teria como objetivo acolher materiais opinativos, transcrições de palestras, relatos de pesquisa, relatos de viagens, entre outros tipos de texto que, apesar de serem de grande interesse para o grupo, não seriam tipicamente aceitos em periódicos científicos tradicionais nem caberiam no formato da Newsletter.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2018, durante a reunião da SBHP em Belo Horizonte, foi aprovada uma proposta de reformulação do modelo de comunicação da Sociedade. O novo modelo previa a migração dos conteúdos informativos da Newsletter para as redes sociais e a criação do [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Boletim da SBHP], um novo veículo para a publicação de textos em diversos formatos. Com a colaboração de [http://lattes.cnpq.br/3366000072376649 Hugo Leonardo Rocha Silva da Rosa], foram lançadas quatro edições do Boletim, e as redes sociais da Sociedade tiveram uma atuação bastante intensa. Contudo, a gestão subsequente optou por desfazer essas mudanças, retomando o formato de comunicação anterior, o que resultou na extinção do Boletim e na modificação da presença da SBHP nas redes sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O início do Portal ===&lt;br /&gt;
Considerando o histórico da gestão [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira] na SBHP, as sementes plantadas naquele período continuaram se desenvolvendo. Contudo, em uma nova conjuntura, passariam a ser geridas por um grupo menor e descolado da diretoria da Sociedade. A ideia de modernização e inserção do campo brasileiro da história da psicologia nos meios digitais inspirou-se em três iniciativas. A primeira é o projeto [https://ahp.apps01.yorku.ca/ Advances in the History of Psychology (AHP)], criado por [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Christopher Green], da Universidade York, no Canadá. Nas primeiras formulações do Portal, a ideia era criar um projeto semelhante ao site do AHP, porém com foco no Brasil e, posteriormente, na América Latina. O prof. Green foi um dos primeiros a pensar a integração de recursos online com a história da psicologia, reunindo links, sites, produzindo podcasts, entre outros produtos, de modo que o site do Portal História da Psicologia, principalmente em sua primeira versão, é baseado na experiência do site principal do AHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra inspiração do Portal é o [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia Brasileira: Pioneiros], cuja primeira edição está disponível online no site da Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia (BVS-Psi). O Dicionário é uma criação de [http://lattes.cnpq.br/5350842157910835 Regina Helena de Freitas Campos] e se coloca como um dos grandes marcos do desenvolvimento do campo brasileiro da história da psicologia. É dele que veio a ideia de criar uma enciclopédia que fosse semelhante à Wikipédia em termos de dinamismo e capacidade de atualização e transformação, ao mesmo tempo que se estabelecem elementos de rigor técnico para manter a qualidade do material, assim como no caso do Dicionário. A WikiHP foi o segundo produto a ser incorporado pelo projeto, apesar de ter sido concebido ao mesmo tempo do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira fonte de inspiração para a criação do Portal advém do blog da rede de pesquisa [https://histoiresante.blogspot.com/ Historien.ne.s de la Santé]. Este blog se destaca pela sua atuação nas redes sociais e pela produção de conteúdo digital, estabelecendo uma conexão eficaz entre o mundo acadêmico e de pesquisa e o ambiente digital. Ele utiliza essas ferramentas eletrônicas como caixas de ressonância para difundir publicações, eventos, entre outros. Nesse contexto, também merece menção a [https://ripehp.com/ Rede Iberoamericana de Pesquisadores em História da Psicologia], cujo blog realiza um trabalho semelhante, porém focado na América Latina e que também serviu como base para a criação do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Findo os projetos desenvolvidos junto à SBHP, as reflexões para a continuidade do que seria o Portal tiveram início em outubro de 2019, ocasião em que seu criador já imaginava a publicação de um site, de um sistema de publicação de biografias, um braço audiovisual voltado para a divulgação científica e a organização de uma base de referências. Considerando a organização das primeiras ideias e de como o Portal poderia funcionar, o domínio do site do projeto – que ainda não tinha nome – foi reservado no mês de dezembro de 2019 em um servidor nos EUA. Este é considerado o marco inicial do projeto. A construção do site iniciou-se no mesmo mês e, em quatro de janeiro de 2020, a enciclopédia eletrônica teve início. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do site ===&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia teve suas origens em um período de recesso acadêmico, mais precisamente em dezembro de 2019. Naquele momento, seu idealizador já havia consolidado sua posição como docente no [https://psicologiaro.uff.br/ Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense] (UFF), lotado no campus de Rio das Ostras, no estado do Rio de Janeiro. Aproveitando a pausa das atividades regulares, o professor decidiu empreender um processo de autoaprendizagem e aplicação prática sobre a arquitetura e a construção de websites.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este projeto inicial foi concebido como um estudo-piloto para aquilo que seria o Portal História da Psicologia. A ideia central era criar uma plataforma digital que, em termos de conteúdo, guardava uma relação temática com o Advances in the History of Psychology (AHP), mas com uma abordagem significativamente mais direta e simplificada. A principal diferença e foco estratégico do novo empreendimento era o público-alvo: o conteúdo seria integralmente voltado para a comunidade lusófona, preenchendo uma lacuna percebida na oferta de material de qualidade sobre o tema em língua portuguesa e que, inicialmente, havia sido pensado para o site da Sociedade Brasileira de História da Psicologia - o que acabou não ocorrendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de ser um projeto nascido em um recesso, o desenvolvimento foi rápido. Já no final de dezembro de 2019, uma primeira versão do site estava no ar e acessível ao público. Contudo, essa versão inicial era notavelmente rudimentar e limitada em sua funcionalidade e abrangência. O site consistia essencialmente em páginas estáticas que organizavam alguns links relevantes. Embora já apresentasse uma organização sistemática dos temas propostos, essa estruturação era ainda incipiente e precária, refletindo o caráter embrionário do projeto e o seu uso como ferramenta de aprendizado na construção de plataformas digitais. Esse lançamento inicial, ainda que simples, marcou o nascimento oficial do Portal História da Psicologia, estabelecendo a base para o crescimento e expansão que se seguiriam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira grande reforma do site do Portal foi feito por [http://lattes.cnpq.br/0923932871489290 Raquel Donegá de Oliveira], que publicou a nova versão em 2023 com várias atualizações e uma reforma visual completa. Em 2024 foi a vez de Lara Overney Magariños criar uma nova versão, utilizada atualmente, com outra reformulação e modernização, trazendo uma interface mais intuitiva e conexões diretas com os diferentes produtos e partes do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O surgimento da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP) ===&lt;br /&gt;
Com a fundação do site principal do projeto, a atenção voltou-se para a elaboração de uma enciclopédia especializada. A principal fonte de inspiração para essa empreitada foi o notável [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil: Pioneiros], uma obra de referência que já contava com uma versão digital acessível através da BVS-Psi (Biblioteca Virtual em Saúde - Psicologia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após uso regular desse material para estudos e pesquisas, que é amplamente reconhecido como uma referência fundamental na área da história da psicologia brasileira, tornou-se evidente que uma parcela significativa das informações contidas no Dicionário se encontrava desatualizada. Isso era um reflexo natural do constante avanço das pesquisas e estudos históricos na disciplina, que frequentemente trazem novas descobertas e reinterpretações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar da importância e qualidade inegável do Dicionário, sua natureza de publicação em formato impresso impunha uma limitação significativa, que é a lentidão no processo de atualização. Uma obra física não pode ser corrigida ou complementada rapidamente, pois qualquer modificação exige a organização de todo um novo ciclo editorial, que abrange desde a revisão e a impressão até a distribuição. Esse processo é notoriamente dispendioso, tanto em termos de tempo quanto de recursos financeiros. Infelizmente, o mesmo ocorria com sua versão digital, que era tão estática quanto o original impresso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência e a consolidação da tecnologia da informação moderna ofereciam uma alternativa promissora a essa limitação secular. Com o advento da chamada Web 2.0, a era da internet interativa e participativa, a necessidade de esperar longos ciclos de publicação para incorporar atualizações parecia obsoleta. A tecnologia atual permite que qualquer informação seja revisada, corrigida ou expandida de maneira extremamente ágil e quase instantânea, com interação constante junto ao público. O paradigma dessa nova realidade é a Wikipédia, que demonstra a viabilidade e eficácia de um modelo de produção e disseminação de conhecimento em constante e rápida evolução, bem diferente da rigidez dos formatos tradicionais de publicação. Essa agilidade e acessibilidade tornaram-se o modelo a ser replicado na criação da nova enciclopédia digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desta feita, decidiu-se pela utilização do mesmo sistema utilizado pela famosa enciclopédia, chamado [[mediawikiwiki:MediaWiki|Mediawiki]], que conta com uma comunidade ativa de desenvolvedores e um suporte já muito bem estabelecido. A WikiHP foi concebida em dezembro de 2019, visando atender o programa de monitoria da disciplina de História da Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras. Nesta disciplina, grupos de estudantes seriam avaliados por meio da criação de verbetes temáticos relacionados à história da psicologia. Os melhores trabalhos seriam depositados na WikiHP, cuja finalidade restringia-se à produção de material de apoio para a própria disciplina. Com a instalação do sistema na raiz do servidor do site e a criação do subdomínio, tudo em quatro de janeiro de 2020, foi criada a [https://wiki.historiadapsicologia.com.br Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)], que traria verbetes sobre temas relativos à história da psicologia. A logomarca da WikiHP foi criada ainda naquele mês, bem como a logomarca do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próximo passo foi iniciar a publicação de verbetes e, para isso, era necessário criar um que pudesse ser usado como exemplo pelos colaboradores da Enciclopédia. Assim, o prof. André Morelli escreveu e publicou o verbete [[Alfred Binet]], aproveitando um conjunto de estudos que fazia à época e que se tornou o primeiro material publicado na WikiHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Primeira fase: apoio ao ensino remoto ====&lt;br /&gt;
A eclosão da pandemia de Covid-19 em 2020 impôs um cenário de profundas transformações no ambiente acadêmico. Na Universidade Federal Fluminense (UFF) as aulas presenciais foram suspensas em março de 2020, o que mudou de forma significativa o funcionamento do projeto. Adotou-se um regime de ensino remoto como medida de contingência e segurança sanitária. Foi neste contexto desafiador que se deu um passo crucial na trajetória da Wiki, qual seja, a sua integração direta e orgânica com as atividades de ensino e aprendizagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este movimento de articulação foi catalisado, inicialmente, pela atuação proativa de [http://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira], que era, na época, um aluno de graduação do curso de Psicologia da UFF. Yuri foi agraciado com a bolsa de Auxílio a Atividades Remotas, um suporte financeiro e institucional oferecido pela [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) da UFF], visando exatamente aprimorar e apoiar as metodologias de ensino a distância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Segunda fase: expansão ====&lt;br /&gt;
Orientado para a disciplina de História da Psicologia, a iniciativa centralizou-se na estruturação de um projeto pedagógico que fosse inovador e pudesse articular o ensino tradicional com novas ferramentas de informação e comunicação. A estratégia consistiu em organizar os estudantes da disciplina em grupos de trabalho. O objetivo primordial desses grupos era a pesquisa e elaboração de novos verbetes para a enciclopédia WikiHP. Esse processo transformava os alunos de meros consumidores de conteúdo em ativos produtores de conhecimento. A qualidade e a relevância acadêmica dos verbetes produzidos eram fatores determinantes. Os melhores trabalhos, após uma criteriosa avaliação e revisão, seriam selecionados para publicação oficial na enciclopédia digital. Mais do que um mero reconhecimento, essa publicação inseria o trabalho dos estudantes em um contexto de divulgação científica aberta. Adicionalmente, dependendo da temática abordada e de sua adequação ao currículo, os verbetes mais robustos e didáticos tinham o potencial de serem formalmente incorporados como material didático complementar e permanente da própria disciplina de História da Psicologia, estabelecendo um ciclo virtuoso de produção, uso e refinamento do conhecimento. Esta iniciativa não só manteve o engajamento dos alunos durante o ensino remoto, como também enriqueceu de maneira significativa o acervo da WikiHP, solidificando seu papel como um recurso educacional aberto e colaborativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Yuri Vieira e André Morelli iniciaram a definição dos procedimentos para a redação dos verbetes e dos padrões de qualidade do Portal História da Psicologia (WikiHP). Para tal, basearam-se no verbete de Alfred Binet e na experiência direta de coleta e produção de conteúdo. A experiência com a construção de verbetes e as interações com os alunos favoreceram o amadurecimento das normas e dos melhores procedimentos que pudessem atender o projeto, mantendo a qualidade dos textos e a formação dos estudantes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Monitoria =====&lt;br /&gt;
Em 2021, o projeto se expandiu com a criação de um programa de monitoria, aprofundando a integração entre ensino e projeto. As monitoras envolvidas foram [http://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (bolsista) e [http://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] e [http://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto dos Reys] (voluntárias). Com a evolução constante do projeto e a incorporação de novos monitores ao longo dos anos, a WikiHP baseou-se em grande medida no apoio oferecido pela Pró-Reitoria de Graduação na forma de bolsas de monitoria, desenvolvendo tanto as disciplinas envolvidas quanto o projeto da enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== A publicação de uma obra de referência ====&lt;br /&gt;
Todo este trabalho, que envolveu um esforço contínuo de sistematização e organização do conhecimento na área, culminou na publicação da primeira obra de referência para a enciclopédia, o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo]. Publicado no ano de 2022 pela [https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia], este volume inaugural teve a autoria de André Elias Morelli Ribeiro. A obra representou a consolidação de toda a experiência acumulada ao longo dos anos de desenvolvimento do projeto do Portal. Ela detalhou e formalizou aspectos cruciais para a consistência e qualidade do conteúdo enciclopédico, estabelecendo padrões para a inclusão de novas informações. Entre os elementos fundamentais abordados, o livro definiu o sistema de categorias temáticas, a estrutura e a organização das seções de cada verbete, o estilo de escrita acadêmica e informativa a ser seguido e, notavelmente, orientações metodológicas rigorosas para a pesquisa e referências bibliográficas. Em essência, o livro WikiHP de 2022 serviu como um manual de estilo abrangente e uma carta magna para a produção de conteúdo dentro do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido à evolução constante do projeto e à necessidade de incorporar novas diretrizes e aprendizados, o livro ganhou uma [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 segunda edição revista e ampliada]. Esta nova edição foi publicada em 2025, refletindo as atualizações necessárias para manter a obra alinhada com o estado atual da enciclopédia e as melhores práticas editoriais. Um marco significativo desta nova versão foi a expansão da equipe editorial, pois a edição de 2025 passou a ser uma coautoria entre André Elias Morelli Ribeiro e [http://lattes.cnpq.br/1153398469018062 Júlia Lombardi Carneiro], integrando novas perspectivas e conhecimento ao documento fundamental da Enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do Canal História da Psicologia TV (HPTV) ===&lt;br /&gt;
Durante o período desafiador da pandemia de Covid-19, o Portal História da Psicologia encontrou uma oportunidade única de crescimento e consolidação. A crise sanitária impulsionou uma busca generalizada por atividades e oportunidades de desenvolvimento de estudos e pesquisas que pudessem ser realizadas integralmente no formato digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa procura resultou em um fortalecimento significativo da equipe do Portal, com um aumento notável no número de pessoas interessadas em colaborar. Esse influxo de novos membros e entusiastas criou as condições ideais para viabilizar um projeto de longa data, já imaginado no período da gestão 2017-2019 da SBHP, a produção sistemática de conteúdo em vídeo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos dos novos colaboradores que se juntaram à iniciativa e demonstraram interesse na produção de vídeos eram, simultaneamente, membros ativos do Varanda, um proeminente grupo de pesquisa focado na história da psicologia, sob a liderança do professor Arthur Arruda Leal Ferreira. Essa sobreposição de participantes naturalmente levou ao estabelecimento de uma colaboração frutífera e estratégica entre o Varanda e o Portal. A conexão se estabeleceu de forma orgânica, permitindo que as discussões aprofundadas, os debates intelectuais e os insights gerados nas reuniões e seminários do grupo de estudos Varanda fossem sistematicamente transpostos e refletidos no conteúdo audiovisual produzido para o Portal. Essa sinergia não só enriqueceu a qualidade e a profundidade dos vídeos, como também ampliou o alcance das discussões acadêmicas para um público mais vasto no ambiente digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gênese do primeiro vídeo para o Canal História da Psicologia TV, um marco na sua trajetória, está intrinsecamente ligada à discussão aprofundada de um artigo seminal sobre o famoso teste de Rorschach, popularmente conhecido como o &amp;quot;teste das manchas&amp;quot;. Este debate ocorreu no âmbito do grupo de estudos Varanda, durante a discussão do artigo Image of Self, de autoria de Peter Galison, que serviu como ponto de partida e inspiração crucial. O vídeo foi concebido com o objetivo de traçar a história deste instrumento de avaliação psicológica, que é frequentemente cercado de dúvidas e polêmicas por parte da população geral. Criado por Hermann Rorschach, o teste de Rorschach transcendeu o ambiente clínico e acadêmico, ganhando uma presença notável e fascinante na cultura popular, sendo frequentemente referenciado em filmes, séries e literatura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A premissa central na idealização do projeto era manter um rigor acadêmico na apresentação dos acontecimentos e na análise histórica do teste. Simultaneamente, havia a preocupação em comunicar essa história de forma acessível e envolvente, permitindo um diálogo efetivo da academia com um público mais amplo e diversificado, que incluía estudantes, profissionais da área e leigos curiosos sobre a psicologia. O desafio, portanto, residia em equilibrar a profundidade da pesquisa histórica com a clareza e o apelo da narrativa audiovisual, garantindo que o primeiro vídeo estabelecesse o padrão de excelência e abrangência que se tornaria a marca registrada do Canal História da Psicologia TV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O roteiro deste primeiro vídeo foi criado por André Elias Morelli Ribeiro, com narração de [http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] e edição de [http://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto]. Finalizado em abril de 2020, foi inicialmente publicado no perfil pessoal de André Morelli no YouTube, o que indicou a necessidade da criação de um canal na mesma plataforma destinado aos vídeos produzidos pela equipe do Portal. Assim, em 27 de maio de 2020, foi criado o Canal História da Psicologia TV, com a publicação do vídeo “Como surgiu o Teste de Rorschach”. O estilo do vídeo vale-se de uma narração suave de acontecimentos com a sucessiva exposição entre 3 e 6 segundos de imagens ilustrativas, algumas coletadas em repositórios de imagens e outras criadas pela própria equipe. A proposta era permitir a migração futura do vídeo também para o formato de podcast, o que ainda não aconteceu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguindo a mesma lógica, o segundo vídeo do Canal foi desenvolvido para tratar do famoso experimento de obediência de Stanley Milgram. O roteiro foi baseado em um texto inicialmente publicado no Boletim da SBHP e traduzido por André Morelli. O objetivo principal era criar um recurso audiovisual com dupla função: servir como material didático auxiliar no ensino da história da psicologia e, ao mesmo tempo, oferecer uma visão mais precisa do experimento de Milgram. Isso se tornou necessário porque o experimento é frequentemente alvo de interpretações e generalizações que se afastam dos propósitos e escritos originais do psicólogo norte-americano. Além disso, o vídeo visava fortalecer a integração entre os diversos produtos e iniciativas geradas pela própria equipe do Portal, conectando as diferentes vertentes do projeto. Este segundo vídeo teve roteiro, narração e edição de André Elias Morelli Ribeiro e a revisão de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos e Letícia Gomes Canuto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2021 o projeto passou a receber o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense, por meio da concessão de uma bolsa de extensão. O primeiro contemplado e quem ajudou a consolidar a linguagem e o estilo do canal foi Antonio Lucas Merêncio. Vitória Gomes Silva e Júlia Lombardi Carneiro também foram bolsistas do projeto. O Canal ultrapassou as 50 produções, entre transmissões de eventos ao vivo, videoaulas e produções originais, consolidando-se como um espaço importante de divulgação da história da psicologia na internet.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Cursos ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV oferece dois cursos, incluindo videoaulas e indicações de leituras. O primeiro a ser criado foi o de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação], que recebeu apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense por meio de um fomento direto em 2021. Isso permitiu a contratação de uma produtora profissional para criar vídeos de alta qualidade. Junto da playlist, uma página foi adicionada ao site, com uma lista dos vídeos, as recomendações de leitura e outras referências para cada episódio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2022 foi criado o curso de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-no-brasil/ História da Psicologia no Brasil], uma série de quatro videoaulas e um vídeo complementar com temas relativos à história da psicologia no Brasil, com foco nas linhas e abordagens. Para este curso, existe também uma página no site do Portal, com links para os vídeos e as referências utilizadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Séries ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV possui três séries de vídeos com temas específicos. O primeiro é o de [https://www.youtube.com/watch?v=1SX3ndp6EWM&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWJgYPh3NyUyXkT77ZnV4_A História dos testes, instrumentos e avaliação psicológica]. A série começou a ser construída em 2020, com o vídeo sobre a história dos testes Army Alpha e Army Beta e hoje conta com cinco vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra série importante do Canal é a de [https://www.youtube.com/watch?v=tzXyZ4yEQDg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHVuUF2L5wcbQTnxspJmot7C História dos Experimentos em Psicologia], que inclui o segundo vídeo mais antigo do canal, sobre o experimento de Milgram, e ainda outros dois vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, a série sobre [https://www.youtube.com/watch?v=y6EYjEtUJcg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWXerE9-0IAhn1H7WJ_Ir5w O Destino dos Pacientes do Dr. Freud], certamente o mais polêmico e delicado do Canal e frequente alvo de críticas por parte do público. A série apresenta partes do trabalho do historiador Mikell Borch-Jacobsen e conta com quatro vídeos, todos apresentando uma posição crítica contra a historiografia psicanalítica hegemônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração com o ensino ====&lt;br /&gt;
Os vídeos do Canal História da Psicologia TV são utilizados como material complementar em contexto de ensino de graduação. Além de temas interessantes e vídeos ilustrativos, alguns conteúdos são baseados principalmente em fontes primárias, o que pode ser utilizado para facilitar a compreensão de textos clássicos da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 2024, foi incorporada uma nova estratégia de integração, o incentivo para os discentes criarem roteiros que possam ser aproveitados na produção de vídeos para o Canal. Para viabilizar essa possibilidade, foram criadas [[Canal História da Psicologia TV|orientações sobre como criar roteiros]], e os discentes passaram a ser orientados na reflexão da conexão entre o conhecimento acadêmico e as formas de sua comunicação com a sociedade. Vídeos como O Experimento de Aprisionamento de Stanford são resultado deste novo processo inovador de integração entre ensino e divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação da Editora do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
Com o desenvolvimento da WikiHP e o fortalecimento do sistema do Portal, mostrou-se necessária a publicação de uma obra de referência para auxiliar os colaboradores da WikiHP na produção de verbetes. Visando agilidade na publicação desta obra, bem como o corte de custos e a possibilidade do desenvolvimento de projetos editoriais autônomos, iniciaram-se os movimentos para a criação da Editora do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após consultas à Câmara Brasileira do Livro (CBL) e à legislação sobre o mercado editorial, optou-se por uma estrutura inovadora, baseada em noções da nova economia digital. O selo editorial “[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]” foi vinculado a uma empresa de marketing digital e cadastrado na CBL, passando a figurar como uma editora comercial com comitê editorial. Características como o caráter voluntário de seus colaboradores, a ausência de interesse em lucro, o modo como as obras são editadas e as formas de registro das mesmas tornam os custos para publicação na Editora do Portal extremamente baixos. Os livros publicados pela Editora do Portal incluem um DOI, ISBN e ficha catalográfica feita por bibliotecário profissional, além da garantia de livre acesso por meio digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro livro publicado pela Editora do Portal foi o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo], de autoria de André Elias Morelli Ribeiro, que também construiu o projeto gráfico e a capa da obra. Atualmente, a Editora do Portal tem nove livros em seu portfólio e totaliza 53 lançamentos, entre livros e seus diferentes capítulos, que podem receber um DOI próprio quando se trata de coletânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== O Boletim do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
A Editora do Portal História da Psicologia, após a bem-sucedida experiência de publicar sua primeira obra, solidificou as bases para resgatar um projeto que estava em suspenso: o Boletim da SBHP. Este periódico havia sido interrompido após o lançamento de apenas quatro edições. Contudo, em 2022, a ideia de revitalizar o projeto foi trazida novamente à discussão entre os colaboradores ativos do Portal História da Psicologia, culminando no surgimento do projeto dos [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A concepção fundamental por trás dos Boletins do Portal é notavelmente similar à do extinto Boletim da SBHP. O objetivo central é criar um espaço editorial para a publicação de textos que, apesar de sua inegável relevância, não encontram canais de publicação nos veículos científicos tradicionais de maior circulação. O foco é dado a materiais que se revestem de significativa importância histórica, conceitual, memorialista ou que são cruciais para o debate e a reflexão no campo brasileiro da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma alteração estratégica fundamental implementada no novo projeto foi a mudança na categoria editorial da publicação. Enquanto o Boletim da SBHP era formalmente classificado como uma revista periódica, o novo Boletim do Portal História da Psicologia passou a ser concebido e publicado na forma de livro. Esta reclassificação trouxe um aumento na atratividade e no prestígio percebido da publicação, inserindo-a em um nicho diferente do mercado editorial e acadêmico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de herdar e acolher todos os tipos de contribuições que eram destinados ao antigo Boletim da SBHP, os Boletins do Portal introduziram uma nova e importante modalidade de conteúdo: a inclusão de versões estáveis dos melhores verbetes publicados na WikiHP. Estes verbetes, originários da enciclopédia colaborativa online do Portal, são transformados em capítulos de livro após passarem por um rigoroso processo de nova revisão e aperfeiçoamento. O objetivo desta revisão adicional é garantir a máxima qualidade textual e a confiabilidade acadêmica do conteúdo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta estratégia de transposição de verbetes da plataforma online para o formato e-book confere diversos benefícios. Embora o verbete original na WikiHP continue a ser uma plataforma viva e em constante edição, a sua versão publicada no Boletim marca um momento específico e consolidado de sua produção e desenvolvimento, servindo como um registro formal. Adicionalmente, a publicação em formato de livro, sob o selo da Editora do Portal, confere um prestígio e reconhecimento acadêmico muito maior aos autores e aos textos selecionados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto demonstrou ser altamente produtivo e relevante desde sua implementação. Entre os anos de 2022 e 2024, o Portal História da Psicologia conseguiu lançar três edições do seu novo Boletim. Estas edições se destacaram pela diversidade e riqueza do material publicado, abrangendo uma vasta gama de categorias textuais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Artigos inéditos em português ou espanhol; &lt;br /&gt;
* Traduções de textos contemporâneos de grande relevância para a área; &lt;br /&gt;
* Traduções de clássicos da história, filosofia ou epistemologia da psicologia; &lt;br /&gt;
* Reedição de textos clássicos originalmente publicados em português ou espanhol, acompanhados de comentários críticos e notas; &lt;br /&gt;
* Relatos de pesquisa, incluindo relatos de viagens, experiências de grupos de pesquisa e cobertura de eventos científicos; &lt;br /&gt;
* Ensaios teóricos e críticos; &lt;br /&gt;
* Resenhas de livros e outras mídias e &lt;br /&gt;
* Entrevistas com figuras proeminentes do campo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Lista de obras publicadas na Editora do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
As obras são apresentadas a seguir na ordem de publicação, da mais recente para a mais antiga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.18098475 Boletim do Portal História da Psicologia 4 (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de Método Clínico para Contextos de Ensino de Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 WikiHP: definições, orientações e estilo (2a edição)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14937498 Introspecção]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14511623 Boletim do Portal História da Psicologia 3 (2024)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.13900662 Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 Boletim do Portal História da Psicologia 2 (2023)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia (2022)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo (1a edição)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista completa de livros e capítulos publicados pela Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A estruturação do Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp) ===&lt;br /&gt;
O [https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)] é a retomada e reforma de dois projetos anteriores. O primeiro, vinculado à Sociedade Brasileira de História da Psicologia, organizava as principais publicações dos principais membros da Sociedade. Era uma lista com os destaques da produção bibliográfica, criada com o objetivo de divulgar o campo brasileiro de história da psicologia. Esta lista chegou a ficar pública por um curto período no ano de 2018, mas devido às suas limitações técnicas e sua pouca utilidade, acabou abandonada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda tentativa de organizar a produção acadêmica relevante foi uma lista simples, com referências organizadas em ordem alfabética e disponibilizada na forma de documento online. Estas listas ficaram disponíveis no site do Portal e recebeu algumas colaborações pontuais, mas seu formato mostrou-se rapidamente inviável e logo foi abandonado. Ficava evidente que era necessário utilizar novas tecnologias para a organização deste conjunto de referências, tanto devido à quantidade de dados quanto as possibilidades oferecidas por tecnologias mais novas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A jornada para criar um sistema de gestão de informação bibliográfica dedicado ao campo brasileiro de história da psicologia começou em 2022 e visava centralizar e disponibilizar online e gratuitamente todas as referências relevantes sobre história, filosofia e epistemologia da psicologia - desde que tivessem um viés histórico - facilitando a pesquisa na área. Assim, o Sirehp seria um sistema de fomento à pesquisa, tanto acadêmica quanto para formação profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os esforços iniciais envolveram a busca por parceiros, culminando em contatos com docentes do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Rio das Ostras. O objetivo era desenvolver um aplicativo online para organizar e curar referências bibliográficas de forma amigável e ágil. Contudo, a complexidade técnica do projeto levou ao seu adiamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em abril de 2023, observou-se a possibilidade de utilizar a capacidade do [https://zotero.org/ Zotero], um sistema digital sincronizado em nuvem de gestão de referências, de coletar metadados de referências bibliográficas e, a partir deles, gerar uma visualização online com funcionalidades como busca e a criação de links permanentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesquisa nos fóruns do Zotero revelou a existência do [https://github.com/whiskyechobravo/kerko Kerko], um sistema livre criado pelo desenvolvedor canadense David Lesieur. O Kerko permitia a publicação web de bibliografias geradas via Zotero, oferecendo busca fácil e, crucialmente, a capacidade de incorporar uma biblioteca compartilhada. Isso possibilitava a atribuição de papéis de curadoria, permitindo que colaboradores alimentassem e corrigissem a base do Sirehp (Sistema de Referências em História da Psicologia) através de uma pasta compartilhada do Zotero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os desafios técnicos foram superados com a colaboração do desenvolvedor de sistemas de informação [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro], que instalou o Kerko em um subdomínio do Portal História da Psicologia. O Sirehp foi oficialmente lançado em 26 de agosto de 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, problemas com o provedor de computação em nuvem causaram a indisponibilidade do sistema dois meses após o lançamento. Esta interrupção, que exigiu um alto investimento financeiro para ser resolvida, perdurou até 6 de janeiro de 2024, quando um novo servidor foi localizado. Durante esse período, o programador voluntário [https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos] integrou-se à equipe. Entre abril e outubro de 2024, o Sirehp contou com o suporte gratuito em nuvem do servidor [https://www.pythonanywhere.com/ PythonAnywhere].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outubro de 2024, o desenvolvedor Allan Denis Morelli Ribeiro implementou modificações significativas no Sirehp. Estas incluíram a melhoria da usabilidade, a adição de novas opções de busca e filtros mais eficientes. Além disso, ajustes na hospedagem garantiram maior estabilidade e robustez ao sistema. Atualmente, o projeto encontra-se suspenso por falta de fundos, recebendo poucas atualizações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Redes sociais ===&lt;br /&gt;
O projeto possui atividades no [https://www.facebook.com/HistoriaDaPsicologiaBrasil/ Facebook], [https://www.instagram.com/historiadapsicologia/ Instagram] e [https://x.com/Hist_Psicologia X] (antigo Twitter), com tipos de atividades diferentes. A princípio, desenhou-se uma estratégia, implementada a partir de 2020, de utilização das redes sociais visando à divulgação científica da história da psicologia. Com o tempo e o engajamento dos colaboradores do projeto em outras atividades, esta abordagem terminou por ser abandonada. Hoje, as redes sociais do Portal limitam-se a divulgar os produtos do Portal, como livros, novos verbetes, vídeos publicados, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Podcast ===&lt;br /&gt;
A expansão das atividades do projeto História da Psicologia não se limitou ao formato audiovisual. A criação do Canal História da Psicologia TV, um marco inicial na divulgação de conteúdo sobre a história da disciplina, foi imediatamente acompanhada e complementada por um projeto de lançamento de um Podcast. A premissa central dessa iniciativa de áudio era a reutilização estratégica de parte do material já produzido para os vídeos, adaptando-o para o formato puramente sonoro. Essa decisão se fundamentava na observação de que o componente visual dos vídeos era, em grande medida, meramente ilustrativo, ou seja, a essência do conteúdo e a riqueza da informação residiam primariamente no áudio e na narrativa falada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a jornada para estabelecer uma linha de produção de podcast autônoma foi marcada por desafios significativos e tentativas frustradas. Buscando profissionalizar e dedicar recursos humanos específicos a esse formato, foram feitas duas tentativas formais de constituição de equipes de trabalho exclusivamente voltadas para o desenvolvimento, gravação e edição do podcast. A primeira tentativa ocorreu em 2022 e a segunda, no ano subsequente, em 2023. Ambas as iniciativas, apesar do entusiasmo inicial e do reconhecimento da importância do formato de áudio para o alcance de novas audiências e a otimização da experiência de consumo de conteúdo, infelizmente não prosperaram, resultando no adiamento da consolidação de um podcast com produção independente do canal de vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Patrocinadores ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, em suas diferentes partes, recebeu várias formas de suporte financeiro. As diferentes formas de apoio foram oferecidas por quatro agências ou órgãos diferentes de fomento: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proex/ Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proaes/ Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense] e &lt;br /&gt;
* [https://agir.uff.br/ Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O apoio financeiro se concretizou tanto na forma de bolsa quanto em investimento direto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Patrocinadores e fomentadores do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Patrocinador&lt;br /&gt;
|Projetos&lt;br /&gt;
|Tipo&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de atividades remotas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de monitoria&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2024 e 2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fomento a atividades extensionistas&lt;br /&gt;
|Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Financiamento&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2023 e 2024&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 e 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de desenvolvimento acadêmico&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de iniciação tecnológica e inovação&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Extensão ===&lt;br /&gt;
Como projeto vinculado ao Departamento de Psicologia de Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, partes do Portal foram financiadas pela Pró-Reitoria de Extensão, por meio da concessão de bolsas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de extensão concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Antonio Lucas da Silva Merêncio&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Gunther Mafra Guimarães&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro &lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alice Nascimento Moraes Fernandes&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Arthur Macedo Nunes&lt;br /&gt;
|Sistema de Referência em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Iniciação Tecnológica e Inovação ===&lt;br /&gt;
As bolsas de iniciação tecnológica e inovação são oferecidas, no âmbito da UFF, pela Agência de Inovação da UFF (Agir). Seus editais são bastante concorridos e suas bolsas são prestigiosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gunther Mafra Guimarães (WikiHP) (2023)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Ensino ===&lt;br /&gt;
Foram concedidos dois tipos de bolsa para o Portal na modalidade ensino. Uma para atividades remotas e outra para atividades de monitoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de ensino concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Tipo de bolsa&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Yuri Pereira Antunes Vieira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Apoio a Atividades Remotas&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Mariana dos Santos dos Anjos&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Peterson Manoel Fernandes Pereira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Izabella Simões da Cruz&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Isabella Correia Venturine&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Permanência ===&lt;br /&gt;
A UFF oferece aos seus alunos um conjunto de oportunidades de auxílio à permanência. Até 2024, os alunos contemplados com estas bolsas precisavam vincular-se aos projetos aprovados pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e, dentre eles, estava o Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp). Esta forma de fomento à permanência foi extinta em 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Thaís Arci Menezes (Desenvolvimento Acadêmico) (Sirehp) (2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fomento a atividades extensionistas ===&lt;br /&gt;
A Pró-Reitoria de Extensão ofereceu, por meio de um edital, recursos para o fomento a atividades extensionistas. Os recursos não poderiam ser usados na forma de bolsa nem remuneração direta, mas para compra de equipamentos e contratação de serviços de empresas. O Portal foi beneficiado com os recursos em 2021, utilizando os recursos para a compra de equipamentos para gravação de vídeos e contratando uma produtora profissional, que editou o curso História da Psicologia e Educação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Objetivos ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, desde sua concepção, estabeleceu uma série de metas que visam modernizar e integrar o campo da história da psicologia lusófona ao ambiente digital, atuando como um ecossistema de produção e disseminação de conhecimento. A sua estrutura, composta por plataformas interligadas como a WikiHP, o HPTV, a Editora e o Sirehp, foi desenhada para dar suporte a um objetivo maior e a um conjunto de objetivos específicos que articulam as dimensões essenciais da vida acadêmica: o ensino, a pesquisa, a extensão e a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivo Geral ===&lt;br /&gt;
Modernizar e inserir o campo brasileiro de história da psicologia de língua portuguesa no ambiente digital, criando um ecossistema de plataformas e produtos que fomentem a pesquisa, apoiem o ensino, potencializem as atividades de extensão e ampliem a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivos Específicos ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fomento à Pesquisa ====&lt;br /&gt;
Desenvolver e manter plataformas e ferramentas digitais (como o Sirehp) que centralizem, organizem e disponibilizem gratuitamente referências bibliográficas relevantes, facilitando a coleta de dados e a condução de pesquisas nas áreas de história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estimular a produção de conteúdo original e a reflexão crítica na forma de publicações acadêmicas por meio da Editora do Portal e da publicação anual do Boletim do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Apoio ao Ensino ====&lt;br /&gt;
Criar e manter materiais que possam ser usados como complementares e didáticos para o ensino e estudo da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Produzir cursos e videoaulas de alta qualidade que auxiliem na didática da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Potencialização da Extensão e Divulgação Científica ====&lt;br /&gt;
Traduzir o rigor técnico e acadêmico para uma linguagem acessível a um público amplo e diversificado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Manter uma presença estratégica nas redes sociais para a divulgação constante dos produtos do Portal, maximizando o alcance do conhecimento produzido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração das Atividades ====&lt;br /&gt;
Assegurar que os projetos do Portal (Site Principal, WikiHP, HPTV, Editora, Sirehp) funcionem como um ecossistema interligado, onde a pesquisa alimenta o conteúdo do ensino e da extensão, e as atividades de extensão (divulgação e eventos) retroalimentam a pesquisa, com o aprimoramento contínuo das plataformas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Eventos ==&lt;br /&gt;
A organização de eventos representa uma frente de atuação estratégica e relativamente recente na história do Portal História da Psicologia, consolidando o ecossistema digital com atividades presenciais e híbridas. Esta dimensão do projeto visa transcender a mera divulgação de conteúdo online, promovendo ativamente o debate acadêmico, a expansão de redes de pesquisa e a integração de estudantes e pesquisadores em discussões de ponta na área. O site do Portal oferece uma [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ lista completa], com detalhes, dos eventos organizados pelo grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Simpósios HP ===&lt;br /&gt;
Os Simpósios HP consistem em eventos de um único dia destinados a articular convidados externos com pesquisadores locais. O seu objetivo é expandir as redes internacionais de debate e integrar um campus interiorano, como o de Rio das Ostras, em discussões de maior alcance.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras ocorreu em 10 de novembro de 2023 e contou com a presença de [https://agir.uff.br/ James Cresswell], da Ambrose University (Canadá) e [https://socioeconomia.univalle.edu.co/138-estudiantes-de-doctorado/bruno-andres-jaraba-barrios Bruno Jaraba Barrios, da Universidad del Valle] (Colômbia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras aconteceu em 15 de março de 2024 e teve como debatedor [https://eled.auth.gr/eng/the-school/personnel/marvakis/ Athanasios Marvakis], da Universidade de Tessalônica (Grécia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simpósios de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|Convidados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|10 de novembro de 2023&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 1&lt;br /&gt;
|James Cresswell (Ambrose University, Canadá), Bruno Jaraba Barrios, (Universidad del Valle, Colômbia), Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|15 de março de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 6 do prédio novo&lt;br /&gt;
|Athanasios Marvakis (Universidade de Tessalônica, Grécia), Arthur Arruda Leal Ferreira Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), tradução de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Encontros HP ===&lt;br /&gt;
Os Encontros HP foram concebidos como atividades em resposta à paralisação dos docentes federais ocorrida em 2024. Estes consistiram em reuniões presenciais nas instalações do Instituto de Humanidades e Saúde da Universidade Federal Fluminense, situado em Rio das Ostras, dedicadas à discussão coletiva de diversos temas pertinentes à história da psicologia que não são habitualmente contemplados nos programas curriculares regulares da área.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Assunto&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1&lt;br /&gt;
|Lavagem cerebral e controle mental na Guerra Fria: MK-Ultra: a teoria da conspiração da vida real&lt;br /&gt;
|21 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2&lt;br /&gt;
|Usos da Inteligência Artificial na Psicologia: cognição, terapia e outros&lt;br /&gt;
|28 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Sala 5 do prédio novo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3&lt;br /&gt;
|Experimentos em psicologia da manipulação&lt;br /&gt;
|4 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4&lt;br /&gt;
|Estratégias e consequências por trás das seitas&lt;br /&gt;
|11 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5&lt;br /&gt;
|Terraplanistas, reptilianos, caçadores de alienígenas: grupos de teorias da conspiração&lt;br /&gt;
|18 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6&lt;br /&gt;
|Psicopatia, sociopatia e serial killers: o que realmente forma uma mente criminosa?&lt;br /&gt;
|25 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Encontro do Trecho ===&lt;br /&gt;
Também no ano de 2024, o Portal História da Psicologia deu um passo significativo em sua atuação ao organizar e sediar o I Encontro do Trecho. Este evento de grande relevância configurou-se como um marco na consolidação de uma rede internacional de pesquisadores dedicados à história da psicologia, conhecida simplesmente como &amp;quot;Trecho&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A natureza do I Encontro do Trecho foi considerada híbrida, combinando a interação presencial com a participação remota, o que potencializou seu alcance e diversidade. A adesão ao evento superou as expectativas, contando com a notável participação de pesquisadores provenientes de nove países distintos. Esta representação multinacional sublinha o caráter verdadeiramente global da rede e o interesse convergente na área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Encontro teve como local o Instituto de Humanidades e Saúde (IHS) da Universidade Federal Fluminense (UFF). O evento proporcionou um espaço fértil para a discussão aprofundada de novas pesquisas, o intercâmbio de metodologias e a articulação de projetos colaborativos futuros entre os membros da rede &amp;quot;Trecho&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/i-encontro-trecho/ site do Encontro] possui todas as informações detalhadas, como programa, convidados, datas, links para a gravação das mesas, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Lista de colaboradores do Portal ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fundadores ===&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7924410923493344 André Elias Morelli Ribeiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/3207728098713238 Luiz Eduardo Prado da Fonseca] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/4223540995781494 Gunther Mafra Guimarães] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Julia Escrew (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto Dos Reys] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antonio Lucas da Silva Merencio (2020-2021)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2384057947285765 Maria Carolinna Henriques Monteiro] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Colaboradores ===&lt;br /&gt;
Colaboradores no Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1KZvwBkhclv3JiOFyaVaX0Dhl5DrRJfcO/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores no Canal História da Psicologia TV (HPTV)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1XycAS9o7O63DNRKSyclOYL21h434i3Zz/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores na Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaboradores no Website&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Sistema_de_Refer%C3%AAncias_em_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia_(Sirehp)#Colaboradores Colaboradores no Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia ==&lt;br /&gt;
2018 (agosto) - publicação da primeira edição do Boletim da SBHP, precursor do Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (outubro) - reformulação do projeto desenvolvido na SBHP visando a criação do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (dezembro) - registro do domínio do site do Portal e criação do site&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (4 de janeiro) - criação da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (12 de janeiro) - publicação do primeiro verbete da WikiHP, Alfred Binet&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (abril) - primeiro vídeo do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (27 de maio) - criação do Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (fevereiro) - fundação da Editora do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (abril) - publicação do WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo, primeiro livro da editora e obra de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (dezembro) - publicação do primeiro Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (agosto) - criação do Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (novembro) - primeiro Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (maio) - início da série de Encontros HP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (outubro) - publicação do Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro, um marco para a Editora do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (agosto) - Portal História da Psicologia vence o Prêmio Manoel Bomfim de Divulgação Científica, oferecido pela Sociedade Interamericana de Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (setembro) - publicação da segunda edição do livro de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
Em junho de 2024, o Portal História da Psicologia recebeu o [https://ripehp.com/wp-content/uploads/2023/03/premio-gt-sip-em-portgues.docx.pdf Prêmio Manoel Bomfim de divulgação científica], oferecido pela [https://sipsych.org/ Sociedade Interamericana de Psicologia], como reconhecimento por sua atuação no campo da extensão e divulgação científica. Na cerimônia, o coordenador do projeto foi representado por Júlia Lombardi Carneiro e Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)|Sistema de Referências em História da Psicologia]] (Sirehp)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Canal História da Psicologia TV]] (HPTV)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links Externos ==&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/ Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/ Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (Wikihp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.youtube.com/@HistoriadaPsicologia Canal História da Psicologia TV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ Eventos do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista de publicações da Editora do Portal]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/certificados/ Certificados de participação em eventos e produtos do Portal]&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de método clínico para contextos de ensino de psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi. [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 &#039;&#039;&#039;WikiHP&#039;&#039;&#039;: definições, orientações e estilo.] Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; FERREIRA, Arthur Arruda Leal (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.14511624 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 3&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2024. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra. [https://revistas.hcte.ufrj.br/index.php/RevistaSH/article/view/393/305 Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. &#039;&#039;&#039;Revista Scientiarum História&#039;&#039;&#039;, v.1, n.1, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; GUIMARÃES, Gunther Mafra; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 2&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARAES, Gunther Mafra. [http://www.hcte.ufrj.br/downloads/sh/sh15/anais_SH_15.pdf Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. In: Scientiatum Historia 15, 2022, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Livro de Anais do Scientiarum 15&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, 2022. v. 1. p. 863-874.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.6337937 WikiHP]&#039;&#039;&#039;: políticas, definições, orientações e estilo. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, A. E. M.; FONSECA, L. E. P.; CANUTO, L. G.; SANTOS, M. V. A. G.; VIEIRA, Y. P. A.; ANJOS, M. S.. [https://doi.org/10.51919/Anais_SH14 Portal História da Psicologia]: formando conexões inesperadas entre ensino, pesquisa e extensão. In: Scientiatum Historia 14, 2021, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Anais do Scientiarum Historia XIV&#039;&#039;&#039;, 2021. v. 1. p. 1-8. ISSN 2675-7559 (on-line).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi criado por André Elias Morelli Ribeiro em 2025.2, criador e coordenador da WikiHP e do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ajuda]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Portal_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia&amp;diff=1655</id>
		<title>Portal História da Psicologia</title>
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		<updated>2026-04-12T11:56:17Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: /* Bolsas de extensão concedidas para o Portal História da Psicologia */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Portal História da Psicologia é uma iniciativa e um ecossistema digital nascido no Departamento de Psicologia em Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, com raízes na gestão 2017-2019 da Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP). Criado por André Elias Morelli Ribeiro, o projeto visa modernizar e inserir o campo brasileiro da história da psicologia lusófona nos meios digitais. O Portal é composto por diversas plataformas e projetos interligados, cada um com uma função específica na divulgação e produção de conhecimento na área. Estas partes incluem o website, a Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP), o Canal História da Psicologia TV (HPTV), a Editora do Portal História da Psicologia e o Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp). Além dos produtos digitais, o Portal publica anualmente, desde 2022, os livros da série do Boletim do Portal História da Psicologia. O Portal também mantém presença nas redes sociais (Facebook, Instagram, X) visando a divulgação de seus produtos e ações de divulgação científica nas redes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primórdios ===&lt;br /&gt;
As primeiras ideias que visavam a integração do ambiente digital com o mundo acadêmico no campo da história da psicologia, bem como o aproveitamento de tecnologias digitais para a criação de produtos específicos voltados para esse universo, começaram dentro da [https://sbhpsi.com.br/ Sociedade Brasileira de História da Psicologia], durante a [https://sbhpsi.com.br/quem-somos/diretoria-historico/ gestão de Arthur Arruda Leal Ferreira (2017-2019)]. O projeto inicial se limitava a listar todas as referências bibliográficas produzidas pelos principais membros da Sociedade em seu site, além de melhorias na produção da comunicação da gestão da SBHP com os seus afiliados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas comunicações eram feitas principalmente por meio da [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Newsletter da SBHP], uma publicação em formato PDF enviada periodicamente por e-mail aos seus membros. A publicação ficava sob responsabilidade da secretaria da Sociedade, que coletava notícias relevantes do campo brasileiro da história da psicologia. Na época, a secretaria estava nas mãos de André Elias Morelli Ribeiro, que posteriormente seria o criador do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época vinculado à Universidade Federal do Amapá, o professor André Morelli identificou a necessidade de aprimorar o modelo da Newsletter da SBHP. Ele entendia que as novas ferramentas digitais de informação e comunicação ofereciam maior dinamismo e agilidade na formulação de comunicados da Sociedade. Além disso, o secretário da Sociedade concebeu um novo formato de publicação, mais parecido com uma revista, ao analisar o conteúdo de alguns textos enviados pelos membros para publicação na Newsletter e que se diferenciavam do seu perfil editorial. Essa nova publicação teria como objetivo acolher materiais opinativos, transcrições de palestras, relatos de pesquisa, relatos de viagens, entre outros tipos de texto que, apesar de serem de grande interesse para o grupo, não seriam tipicamente aceitos em periódicos científicos tradicionais nem caberiam no formato da Newsletter.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2018, durante a reunião da SBHP em Belo Horizonte, foi aprovada uma proposta de reformulação do modelo de comunicação da Sociedade. O novo modelo previa a migração dos conteúdos informativos da Newsletter para as redes sociais e a criação do [https://sbhpsi.com.br/publicacoes/publicacoes-anteriores/ Boletim da SBHP], um novo veículo para a publicação de textos em diversos formatos. Com a colaboração de [http://lattes.cnpq.br/3366000072376649 Hugo Leonardo Rocha Silva da Rosa], foram lançadas quatro edições do Boletim, e as redes sociais da Sociedade tiveram uma atuação bastante intensa. Contudo, a gestão subsequente optou por desfazer essas mudanças, retomando o formato de comunicação anterior, o que resultou na extinção do Boletim e na modificação da presença da SBHP nas redes sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O início do Portal ===&lt;br /&gt;
Considerando o histórico da gestão [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira] na SBHP, as sementes plantadas naquele período continuaram se desenvolvendo. Contudo, em uma nova conjuntura, passariam a ser geridas por um grupo menor e descolado da diretoria da Sociedade. A ideia de modernização e inserção do campo brasileiro da história da psicologia nos meios digitais inspirou-se em três iniciativas. A primeira é o projeto [https://ahp.apps01.yorku.ca/ Advances in the History of Psychology (AHP)], criado por [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Christopher Green], da Universidade York, no Canadá. Nas primeiras formulações do Portal, a ideia era criar um projeto semelhante ao site do AHP, porém com foco no Brasil e, posteriormente, na América Latina. O prof. Green foi um dos primeiros a pensar a integração de recursos online com a história da psicologia, reunindo links, sites, produzindo podcasts, entre outros produtos, de modo que o site do Portal História da Psicologia, principalmente em sua primeira versão, é baseado na experiência do site principal do AHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra inspiração do Portal é o [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia Brasileira: Pioneiros], cuja primeira edição está disponível online no site da Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia (BVS-Psi). O Dicionário é uma criação de [http://lattes.cnpq.br/5350842157910835 Regina Helena de Freitas Campos] e se coloca como um dos grandes marcos do desenvolvimento do campo brasileiro da história da psicologia. É dele que veio a ideia de criar uma enciclopédia que fosse semelhante à Wikipédia em termos de dinamismo e capacidade de atualização e transformação, ao mesmo tempo que se estabelecem elementos de rigor técnico para manter a qualidade do material, assim como no caso do Dicionário. A WikiHP foi o segundo produto a ser incorporado pelo projeto, apesar de ter sido concebido ao mesmo tempo do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira fonte de inspiração para a criação do Portal advém do blog da rede de pesquisa [https://histoiresante.blogspot.com/ Historien.ne.s de la Santé]. Este blog se destaca pela sua atuação nas redes sociais e pela produção de conteúdo digital, estabelecendo uma conexão eficaz entre o mundo acadêmico e de pesquisa e o ambiente digital. Ele utiliza essas ferramentas eletrônicas como caixas de ressonância para difundir publicações, eventos, entre outros. Nesse contexto, também merece menção a [https://ripehp.com/ Rede Iberoamericana de Pesquisadores em História da Psicologia], cujo blog realiza um trabalho semelhante, porém focado na América Latina e que também serviu como base para a criação do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Findo os projetos desenvolvidos junto à SBHP, as reflexões para a continuidade do que seria o Portal tiveram início em outubro de 2019, ocasião em que seu criador já imaginava a publicação de um site, de um sistema de publicação de biografias, um braço audiovisual voltado para a divulgação científica e a organização de uma base de referências. Considerando a organização das primeiras ideias e de como o Portal poderia funcionar, o domínio do site do projeto – que ainda não tinha nome – foi reservado no mês de dezembro de 2019 em um servidor nos EUA. Este é considerado o marco inicial do projeto. A construção do site iniciou-se no mesmo mês e, em quatro de janeiro de 2020, a enciclopédia eletrônica teve início. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do site ===&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia teve suas origens em um período de recesso acadêmico, mais precisamente em dezembro de 2019. Naquele momento, seu idealizador já havia consolidado sua posição como docente no [https://psicologiaro.uff.br/ Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense] (UFF), lotado no campus de Rio das Ostras, no estado do Rio de Janeiro. Aproveitando a pausa das atividades regulares, o professor decidiu empreender um processo de autoaprendizagem e aplicação prática sobre a arquitetura e a construção de websites.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este projeto inicial foi concebido como um estudo-piloto para aquilo que seria o Portal História da Psicologia. A ideia central era criar uma plataforma digital que, em termos de conteúdo, guardava uma relação temática com o Advances in the History of Psychology (AHP), mas com uma abordagem significativamente mais direta e simplificada. A principal diferença e foco estratégico do novo empreendimento era o público-alvo: o conteúdo seria integralmente voltado para a comunidade lusófona, preenchendo uma lacuna percebida na oferta de material de qualidade sobre o tema em língua portuguesa e que, inicialmente, havia sido pensado para o site da Sociedade Brasileira de História da Psicologia - o que acabou não ocorrendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de ser um projeto nascido em um recesso, o desenvolvimento foi rápido. Já no final de dezembro de 2019, uma primeira versão do site estava no ar e acessível ao público. Contudo, essa versão inicial era notavelmente rudimentar e limitada em sua funcionalidade e abrangência. O site consistia essencialmente em páginas estáticas que organizavam alguns links relevantes. Embora já apresentasse uma organização sistemática dos temas propostos, essa estruturação era ainda incipiente e precária, refletindo o caráter embrionário do projeto e o seu uso como ferramenta de aprendizado na construção de plataformas digitais. Esse lançamento inicial, ainda que simples, marcou o nascimento oficial do Portal História da Psicologia, estabelecendo a base para o crescimento e expansão que se seguiriam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira grande reforma do site do Portal foi feito por [http://lattes.cnpq.br/0923932871489290 Raquel Donegá de Oliveira], que publicou a nova versão em 2023 com várias atualizações e uma reforma visual completa. Em 2024 foi a vez de Lara Overney Magariños criar uma nova versão, utilizada atualmente, com outra reformulação e modernização, trazendo uma interface mais intuitiva e conexões diretas com os diferentes produtos e partes do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O surgimento da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP) ===&lt;br /&gt;
Com a fundação do site principal do projeto, a atenção voltou-se para a elaboração de uma enciclopédia especializada. A principal fonte de inspiração para essa empreitada foi o notável [http://newpsi.bvs-psi.org.br/cgi-bin/wxis1660.exe/iah/dicionario/?IsisScript=iah/iah.xis&amp;amp;lang=P&amp;amp;base=dicionario Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil: Pioneiros], uma obra de referência que já contava com uma versão digital acessível através da BVS-Psi (Biblioteca Virtual em Saúde - Psicologia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após uso regular desse material para estudos e pesquisas, que é amplamente reconhecido como uma referência fundamental na área da história da psicologia brasileira, tornou-se evidente que uma parcela significativa das informações contidas no Dicionário se encontrava desatualizada. Isso era um reflexo natural do constante avanço das pesquisas e estudos históricos na disciplina, que frequentemente trazem novas descobertas e reinterpretações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar da importância e qualidade inegável do Dicionário, sua natureza de publicação em formato impresso impunha uma limitação significativa, que é a lentidão no processo de atualização. Uma obra física não pode ser corrigida ou complementada rapidamente, pois qualquer modificação exige a organização de todo um novo ciclo editorial, que abrange desde a revisão e a impressão até a distribuição. Esse processo é notoriamente dispendioso, tanto em termos de tempo quanto de recursos financeiros. Infelizmente, o mesmo ocorria com sua versão digital, que era tão estática quanto o original impresso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A emergência e a consolidação da tecnologia da informação moderna ofereciam uma alternativa promissora a essa limitação secular. Com o advento da chamada Web 2.0, a era da internet interativa e participativa, a necessidade de esperar longos ciclos de publicação para incorporar atualizações parecia obsoleta. A tecnologia atual permite que qualquer informação seja revisada, corrigida ou expandida de maneira extremamente ágil e quase instantânea, com interação constante junto ao público. O paradigma dessa nova realidade é a Wikipédia, que demonstra a viabilidade e eficácia de um modelo de produção e disseminação de conhecimento em constante e rápida evolução, bem diferente da rigidez dos formatos tradicionais de publicação. Essa agilidade e acessibilidade tornaram-se o modelo a ser replicado na criação da nova enciclopédia digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desta feita, decidiu-se pela utilização do mesmo sistema utilizado pela famosa enciclopédia, chamado [[mediawikiwiki:MediaWiki|Mediawiki]], que conta com uma comunidade ativa de desenvolvedores e um suporte já muito bem estabelecido. A WikiHP foi concebida em dezembro de 2019, visando atender o programa de monitoria da disciplina de História da Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras. Nesta disciplina, grupos de estudantes seriam avaliados por meio da criação de verbetes temáticos relacionados à história da psicologia. Os melhores trabalhos seriam depositados na WikiHP, cuja finalidade restringia-se à produção de material de apoio para a própria disciplina. Com a instalação do sistema na raiz do servidor do site e a criação do subdomínio, tudo em quatro de janeiro de 2020, foi criada a [https://wiki.historiadapsicologia.com.br Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)], que traria verbetes sobre temas relativos à história da psicologia. A logomarca da WikiHP foi criada ainda naquele mês, bem como a logomarca do próprio Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próximo passo foi iniciar a publicação de verbetes e, para isso, era necessário criar um que pudesse ser usado como exemplo pelos colaboradores da Enciclopédia. Assim, o prof. André Morelli escreveu e publicou o verbete [[Alfred Binet]], aproveitando um conjunto de estudos que fazia à época e que se tornou o primeiro material publicado na WikiHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Primeira fase: apoio ao ensino remoto ====&lt;br /&gt;
A eclosão da pandemia de Covid-19 em 2020 impôs um cenário de profundas transformações no ambiente acadêmico. Na Universidade Federal Fluminense (UFF) as aulas presenciais foram suspensas em março de 2020, o que mudou de forma significativa o funcionamento do projeto. Adotou-se um regime de ensino remoto como medida de contingência e segurança sanitária. Foi neste contexto desafiador que se deu um passo crucial na trajetória da Wiki, qual seja, a sua integração direta e orgânica com as atividades de ensino e aprendizagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este movimento de articulação foi catalisado, inicialmente, pela atuação proativa de [http://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira], que era, na época, um aluno de graduação do curso de Psicologia da UFF. Yuri foi agraciado com a bolsa de Auxílio a Atividades Remotas, um suporte financeiro e institucional oferecido pela [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) da UFF], visando exatamente aprimorar e apoiar as metodologias de ensino a distância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Segunda fase: expansão ====&lt;br /&gt;
Orientado para a disciplina de História da Psicologia, a iniciativa centralizou-se na estruturação de um projeto pedagógico que fosse inovador e pudesse articular o ensino tradicional com novas ferramentas de informação e comunicação. A estratégia consistiu em organizar os estudantes da disciplina em grupos de trabalho. O objetivo primordial desses grupos era a pesquisa e elaboração de novos verbetes para a enciclopédia WikiHP. Esse processo transformava os alunos de meros consumidores de conteúdo em ativos produtores de conhecimento. A qualidade e a relevância acadêmica dos verbetes produzidos eram fatores determinantes. Os melhores trabalhos, após uma criteriosa avaliação e revisão, seriam selecionados para publicação oficial na enciclopédia digital. Mais do que um mero reconhecimento, essa publicação inseria o trabalho dos estudantes em um contexto de divulgação científica aberta. Adicionalmente, dependendo da temática abordada e de sua adequação ao currículo, os verbetes mais robustos e didáticos tinham o potencial de serem formalmente incorporados como material didático complementar e permanente da própria disciplina de História da Psicologia, estabelecendo um ciclo virtuoso de produção, uso e refinamento do conhecimento. Esta iniciativa não só manteve o engajamento dos alunos durante o ensino remoto, como também enriqueceu de maneira significativa o acervo da WikiHP, solidificando seu papel como um recurso educacional aberto e colaborativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Yuri Vieira e André Morelli iniciaram a definição dos procedimentos para a redação dos verbetes e dos padrões de qualidade do Portal História da Psicologia (WikiHP). Para tal, basearam-se no verbete de Alfred Binet e na experiência direta de coleta e produção de conteúdo. A experiência com a construção de verbetes e as interações com os alunos favoreceram o amadurecimento das normas e dos melhores procedimentos que pudessem atender o projeto, mantendo a qualidade dos textos e a formação dos estudantes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Monitoria =====&lt;br /&gt;
Em 2021, o projeto se expandiu com a criação de um programa de monitoria, aprofundando a integração entre ensino e projeto. As monitoras envolvidas foram [http://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (bolsista) e [http://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] e [http://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto dos Reys] (voluntárias). Com a evolução constante do projeto e a incorporação de novos monitores ao longo dos anos, a WikiHP baseou-se em grande medida no apoio oferecido pela Pró-Reitoria de Graduação na forma de bolsas de monitoria, desenvolvendo tanto as disciplinas envolvidas quanto o projeto da enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== A publicação de uma obra de referência ====&lt;br /&gt;
Todo este trabalho, que envolveu um esforço contínuo de sistematização e organização do conhecimento na área, culminou na publicação da primeira obra de referência para a enciclopédia, o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo]. Publicado no ano de 2022 pela [https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia], este volume inaugural teve a autoria de André Elias Morelli Ribeiro. A obra representou a consolidação de toda a experiência acumulada ao longo dos anos de desenvolvimento do projeto do Portal. Ela detalhou e formalizou aspectos cruciais para a consistência e qualidade do conteúdo enciclopédico, estabelecendo padrões para a inclusão de novas informações. Entre os elementos fundamentais abordados, o livro definiu o sistema de categorias temáticas, a estrutura e a organização das seções de cada verbete, o estilo de escrita acadêmica e informativa a ser seguido e, notavelmente, orientações metodológicas rigorosas para a pesquisa e referências bibliográficas. Em essência, o livro WikiHP de 2022 serviu como um manual de estilo abrangente e uma carta magna para a produção de conteúdo dentro do Portal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido à evolução constante do projeto e à necessidade de incorporar novas diretrizes e aprendizados, o livro ganhou uma [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 segunda edição revista e ampliada]. Esta nova edição foi publicada em 2025, refletindo as atualizações necessárias para manter a obra alinhada com o estado atual da enciclopédia e as melhores práticas editoriais. Um marco significativo desta nova versão foi a expansão da equipe editorial, pois a edição de 2025 passou a ser uma coautoria entre André Elias Morelli Ribeiro e [http://lattes.cnpq.br/1153398469018062 Júlia Lombardi Carneiro], integrando novas perspectivas e conhecimento ao documento fundamental da Enciclopédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação do Canal História da Psicologia TV (HPTV) ===&lt;br /&gt;
Durante o período desafiador da pandemia de Covid-19, o Portal História da Psicologia encontrou uma oportunidade única de crescimento e consolidação. A crise sanitária impulsionou uma busca generalizada por atividades e oportunidades de desenvolvimento de estudos e pesquisas que pudessem ser realizadas integralmente no formato digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa procura resultou em um fortalecimento significativo da equipe do Portal, com um aumento notável no número de pessoas interessadas em colaborar. Esse influxo de novos membros e entusiastas criou as condições ideais para viabilizar um projeto de longa data, já imaginado no período da gestão 2017-2019 da SBHP, a produção sistemática de conteúdo em vídeo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos dos novos colaboradores que se juntaram à iniciativa e demonstraram interesse na produção de vídeos eram, simultaneamente, membros ativos do Varanda, um proeminente grupo de pesquisa focado na história da psicologia, sob a liderança do professor Arthur Arruda Leal Ferreira. Essa sobreposição de participantes naturalmente levou ao estabelecimento de uma colaboração frutífera e estratégica entre o Varanda e o Portal. A conexão se estabeleceu de forma orgânica, permitindo que as discussões aprofundadas, os debates intelectuais e os insights gerados nas reuniões e seminários do grupo de estudos Varanda fossem sistematicamente transpostos e refletidos no conteúdo audiovisual produzido para o Portal. Essa sinergia não só enriqueceu a qualidade e a profundidade dos vídeos, como também ampliou o alcance das discussões acadêmicas para um público mais vasto no ambiente digital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gênese do primeiro vídeo para o Canal História da Psicologia TV, um marco na sua trajetória, está intrinsecamente ligada à discussão aprofundada de um artigo seminal sobre o famoso teste de Rorschach, popularmente conhecido como o &amp;quot;teste das manchas&amp;quot;. Este debate ocorreu no âmbito do grupo de estudos Varanda, durante a discussão do artigo Image of Self, de autoria de Peter Galison, que serviu como ponto de partida e inspiração crucial. O vídeo foi concebido com o objetivo de traçar a história deste instrumento de avaliação psicológica, que é frequentemente cercado de dúvidas e polêmicas por parte da população geral. Criado por Hermann Rorschach, o teste de Rorschach transcendeu o ambiente clínico e acadêmico, ganhando uma presença notável e fascinante na cultura popular, sendo frequentemente referenciado em filmes, séries e literatura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A premissa central na idealização do projeto era manter um rigor acadêmico na apresentação dos acontecimentos e na análise histórica do teste. Simultaneamente, havia a preocupação em comunicar essa história de forma acessível e envolvente, permitindo um diálogo efetivo da academia com um público mais amplo e diversificado, que incluía estudantes, profissionais da área e leigos curiosos sobre a psicologia. O desafio, portanto, residia em equilibrar a profundidade da pesquisa histórica com a clareza e o apelo da narrativa audiovisual, garantindo que o primeiro vídeo estabelecesse o padrão de excelência e abrangência que se tornaria a marca registrada do Canal História da Psicologia TV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O roteiro deste primeiro vídeo foi criado por André Elias Morelli Ribeiro, com narração de [http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] e edição de [http://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto]. Finalizado em abril de 2020, foi inicialmente publicado no perfil pessoal de André Morelli no YouTube, o que indicou a necessidade da criação de um canal na mesma plataforma destinado aos vídeos produzidos pela equipe do Portal. Assim, em 27 de maio de 2020, foi criado o Canal História da Psicologia TV, com a publicação do vídeo “Como surgiu o Teste de Rorschach”. O estilo do vídeo vale-se de uma narração suave de acontecimentos com a sucessiva exposição entre 3 e 6 segundos de imagens ilustrativas, algumas coletadas em repositórios de imagens e outras criadas pela própria equipe. A proposta era permitir a migração futura do vídeo também para o formato de podcast, o que ainda não aconteceu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguindo a mesma lógica, o segundo vídeo do Canal foi desenvolvido para tratar do famoso experimento de obediência de Stanley Milgram. O roteiro foi baseado em um texto inicialmente publicado no Boletim da SBHP e traduzido por André Morelli. O objetivo principal era criar um recurso audiovisual com dupla função: servir como material didático auxiliar no ensino da história da psicologia e, ao mesmo tempo, oferecer uma visão mais precisa do experimento de Milgram. Isso se tornou necessário porque o experimento é frequentemente alvo de interpretações e generalizações que se afastam dos propósitos e escritos originais do psicólogo norte-americano. Além disso, o vídeo visava fortalecer a integração entre os diversos produtos e iniciativas geradas pela própria equipe do Portal, conectando as diferentes vertentes do projeto. Este segundo vídeo teve roteiro, narração e edição de André Elias Morelli Ribeiro e a revisão de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos e Letícia Gomes Canuto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2021 o projeto passou a receber o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense, por meio da concessão de uma bolsa de extensão. O primeiro contemplado e quem ajudou a consolidar a linguagem e o estilo do canal foi Antonio Lucas Merêncio. Vitória Gomes Silva e Júlia Lombardi Carneiro também foram bolsistas do projeto. O Canal ultrapassou as 50 produções, entre transmissões de eventos ao vivo, videoaulas e produções originais, consolidando-se como um espaço importante de divulgação da história da psicologia na internet.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Cursos ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV oferece dois cursos, incluindo videoaulas e indicações de leituras. O primeiro a ser criado foi o de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-e-educacao/ História da Psicologia e Educação], que recebeu apoio da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense por meio de um fomento direto em 2021. Isso permitiu a contratação de uma produtora profissional para criar vídeos de alta qualidade. Junto da playlist, uma página foi adicionada ao site, com uma lista dos vídeos, as recomendações de leitura e outras referências para cada episódio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2022 foi criado o curso de [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/curso-hp-no-brasil/ História da Psicologia no Brasil], uma série de quatro videoaulas e um vídeo complementar com temas relativos à história da psicologia no Brasil, com foco nas linhas e abordagens. Para este curso, existe também uma página no site do Portal, com links para os vídeos e as referências utilizadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Séries ====&lt;br /&gt;
O Canal História da Psicologia TV possui três séries de vídeos com temas específicos. O primeiro é o de [https://www.youtube.com/watch?v=1SX3ndp6EWM&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWJgYPh3NyUyXkT77ZnV4_A História dos testes, instrumentos e avaliação psicológica]. A série começou a ser construída em 2020, com o vídeo sobre a história dos testes Army Alpha e Army Beta e hoje conta com cinco vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra série importante do Canal é a de [https://www.youtube.com/watch?v=tzXyZ4yEQDg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHVuUF2L5wcbQTnxspJmot7C História dos Experimentos em Psicologia], que inclui o segundo vídeo mais antigo do canal, sobre o experimento de Milgram, e ainda outros dois vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, a série sobre [https://www.youtube.com/watch?v=y6EYjEtUJcg&amp;amp;list=PLoLfAKjA_JHWXerE9-0IAhn1H7WJ_Ir5w O Destino dos Pacientes do Dr. Freud], certamente o mais polêmico e delicado do Canal e frequente alvo de críticas por parte do público. A série apresenta partes do trabalho do historiador Mikell Borch-Jacobsen e conta com quatro vídeos, todos apresentando uma posição crítica contra a historiografia psicanalítica hegemônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração com o ensino ====&lt;br /&gt;
Os vídeos do Canal História da Psicologia TV são utilizados como material complementar em contexto de ensino de graduação. Além de temas interessantes e vídeos ilustrativos, alguns conteúdos são baseados principalmente em fontes primárias, o que pode ser utilizado para facilitar a compreensão de textos clássicos da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 2024, foi incorporada uma nova estratégia de integração, o incentivo para os discentes criarem roteiros que possam ser aproveitados na produção de vídeos para o Canal. Para viabilizar essa possibilidade, foram criadas [[Canal História da Psicologia TV|orientações sobre como criar roteiros]], e os discentes passaram a ser orientados na reflexão da conexão entre o conhecimento acadêmico e as formas de sua comunicação com a sociedade. Vídeos como O Experimento de Aprisionamento de Stanford são resultado deste novo processo inovador de integração entre ensino e divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação da Editora do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
Com o desenvolvimento da WikiHP e o fortalecimento do sistema do Portal, mostrou-se necessária a publicação de uma obra de referência para auxiliar os colaboradores da WikiHP na produção de verbetes. Visando agilidade na publicação desta obra, bem como o corte de custos e a possibilidade do desenvolvimento de projetos editoriais autônomos, iniciaram-se os movimentos para a criação da Editora do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após consultas à Câmara Brasileira do Livro (CBL) e à legislação sobre o mercado editorial, optou-se por uma estrutura inovadora, baseada em noções da nova economia digital. O selo editorial “[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]” foi vinculado a uma empresa de marketing digital e cadastrado na CBL, passando a figurar como uma editora comercial com comitê editorial. Características como o caráter voluntário de seus colaboradores, a ausência de interesse em lucro, o modo como as obras são editadas e as formas de registro das mesmas tornam os custos para publicação na Editora do Portal extremamente baixos. Os livros publicados pela Editora do Portal incluem um DOI, ISBN e ficha catalográfica feita por bibliotecário profissional, além da garantia de livre acesso por meio digital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro livro publicado pela Editora do Portal foi o [https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo], de autoria de André Elias Morelli Ribeiro, que também construiu o projeto gráfico e a capa da obra. Atualmente, a Editora do Portal tem nove livros em seu portfólio e totaliza 53 lançamentos, entre livros e seus diferentes capítulos, que podem receber um DOI próprio quando se trata de coletânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== O Boletim do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
A Editora do Portal História da Psicologia, após a bem-sucedida experiência de publicar sua primeira obra, solidificou as bases para resgatar um projeto que estava em suspenso: o Boletim da SBHP. Este periódico havia sido interrompido após o lançamento de apenas quatro edições. Contudo, em 2022, a ideia de revitalizar o projeto foi trazida novamente à discussão entre os colaboradores ativos do Portal História da Psicologia, culminando no surgimento do projeto dos [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A concepção fundamental por trás dos Boletins do Portal é notavelmente similar à do extinto Boletim da SBHP. O objetivo central é criar um espaço editorial para a publicação de textos que, apesar de sua inegável relevância, não encontram canais de publicação nos veículos científicos tradicionais de maior circulação. O foco é dado a materiais que se revestem de significativa importância histórica, conceitual, memorialista ou que são cruciais para o debate e a reflexão no campo brasileiro da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma alteração estratégica fundamental implementada no novo projeto foi a mudança na categoria editorial da publicação. Enquanto o Boletim da SBHP era formalmente classificado como uma revista periódica, o novo Boletim do Portal História da Psicologia passou a ser concebido e publicado na forma de livro. Esta reclassificação trouxe um aumento na atratividade e no prestígio percebido da publicação, inserindo-a em um nicho diferente do mercado editorial e acadêmico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de herdar e acolher todos os tipos de contribuições que eram destinados ao antigo Boletim da SBHP, os Boletins do Portal introduziram uma nova e importante modalidade de conteúdo: a inclusão de versões estáveis dos melhores verbetes publicados na WikiHP. Estes verbetes, originários da enciclopédia colaborativa online do Portal, são transformados em capítulos de livro após passarem por um rigoroso processo de nova revisão e aperfeiçoamento. O objetivo desta revisão adicional é garantir a máxima qualidade textual e a confiabilidade acadêmica do conteúdo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta estratégia de transposição de verbetes da plataforma online para o formato e-book confere diversos benefícios. Embora o verbete original na WikiHP continue a ser uma plataforma viva e em constante edição, a sua versão publicada no Boletim marca um momento específico e consolidado de sua produção e desenvolvimento, servindo como um registro formal. Adicionalmente, a publicação em formato de livro, sob o selo da Editora do Portal, confere um prestígio e reconhecimento acadêmico muito maior aos autores e aos textos selecionados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O projeto demonstrou ser altamente produtivo e relevante desde sua implementação. Entre os anos de 2022 e 2024, o Portal História da Psicologia conseguiu lançar três edições do seu novo Boletim. Estas edições se destacaram pela diversidade e riqueza do material publicado, abrangendo uma vasta gama de categorias textuais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Artigos inéditos em português ou espanhol; &lt;br /&gt;
* Traduções de textos contemporâneos de grande relevância para a área; &lt;br /&gt;
* Traduções de clássicos da história, filosofia ou epistemologia da psicologia; &lt;br /&gt;
* Reedição de textos clássicos originalmente publicados em português ou espanhol, acompanhados de comentários críticos e notas; &lt;br /&gt;
* Relatos de pesquisa, incluindo relatos de viagens, experiências de grupos de pesquisa e cobertura de eventos científicos; &lt;br /&gt;
* Ensaios teóricos e críticos; &lt;br /&gt;
* Resenhas de livros e outras mídias e &lt;br /&gt;
* Entrevistas com figuras proeminentes do campo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Lista de obras publicadas na Editora do Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
As obras são apresentadas a seguir na ordem de publicação, da mais recente para a mais antiga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.18098475 Boletim do Portal História da Psicologia 4 (2025)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de Método Clínico para Contextos de Ensino de Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 WikiHP: definições, orientações e estilo (2a edição)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14937498 Introspecção]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.14511623 Boletim do Portal História da Psicologia 3 (2024)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.13900662 Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 Boletim do Portal História da Psicologia 2 (2023)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia (2022)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/record/6337937 WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo (1a edição)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista completa de livros e capítulos publicados pela Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A estruturação do Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp) ===&lt;br /&gt;
O [https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)] é a retomada e reforma de dois projetos anteriores. O primeiro, vinculado à Sociedade Brasileira de História da Psicologia, organizava as principais publicações dos principais membros da Sociedade. Era uma lista com os destaques da produção bibliográfica, criada com o objetivo de divulgar o campo brasileiro de história da psicologia. Esta lista chegou a ficar pública por um curto período no ano de 2018, mas devido às suas limitações técnicas e sua pouca utilidade, acabou abandonada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda tentativa de organizar a produção acadêmica relevante foi uma lista simples, com referências organizadas em ordem alfabética e disponibilizada na forma de documento online. Estas listas ficaram disponíveis no site do Portal e recebeu algumas colaborações pontuais, mas seu formato mostrou-se rapidamente inviável e logo foi abandonado. Ficava evidente que era necessário utilizar novas tecnologias para a organização deste conjunto de referências, tanto devido à quantidade de dados quanto as possibilidades oferecidas por tecnologias mais novas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A jornada para criar um sistema de gestão de informação bibliográfica dedicado ao campo brasileiro de história da psicologia começou em 2022 e visava centralizar e disponibilizar online e gratuitamente todas as referências relevantes sobre história, filosofia e epistemologia da psicologia - desde que tivessem um viés histórico - facilitando a pesquisa na área. Assim, o Sirehp seria um sistema de fomento à pesquisa, tanto acadêmica quanto para formação profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os esforços iniciais envolveram a busca por parceiros, culminando em contatos com docentes do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Rio das Ostras. O objetivo era desenvolver um aplicativo online para organizar e curar referências bibliográficas de forma amigável e ágil. Contudo, a complexidade técnica do projeto levou ao seu adiamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em abril de 2023, observou-se a possibilidade de utilizar a capacidade do [https://zotero.org/ Zotero], um sistema digital sincronizado em nuvem de gestão de referências, de coletar metadados de referências bibliográficas e, a partir deles, gerar uma visualização online com funcionalidades como busca e a criação de links permanentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesquisa nos fóruns do Zotero revelou a existência do [https://github.com/whiskyechobravo/kerko Kerko], um sistema livre criado pelo desenvolvedor canadense David Lesieur. O Kerko permitia a publicação web de bibliografias geradas via Zotero, oferecendo busca fácil e, crucialmente, a capacidade de incorporar uma biblioteca compartilhada. Isso possibilitava a atribuição de papéis de curadoria, permitindo que colaboradores alimentassem e corrigissem a base do Sirehp (Sistema de Referências em História da Psicologia) através de uma pasta compartilhada do Zotero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os desafios técnicos foram superados com a colaboração do desenvolvedor de sistemas de informação [https://www.linkedin.com/in/allan-ribeiro-4761512b/ Allan Denis Morelli Ribeiro], que instalou o Kerko em um subdomínio do Portal História da Psicologia. O Sirehp foi oficialmente lançado em 26 de agosto de 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, problemas com o provedor de computação em nuvem causaram a indisponibilidade do sistema dois meses após o lançamento. Esta interrupção, que exigiu um alto investimento financeiro para ser resolvida, perdurou até 6 de janeiro de 2024, quando um novo servidor foi localizado. Durante esse período, o programador voluntário [https://www.linkedin.com/in/incodewetrust/ Neil Angelo Santos] integrou-se à equipe. Entre abril e outubro de 2024, o Sirehp contou com o suporte gratuito em nuvem do servidor [https://www.pythonanywhere.com/ PythonAnywhere].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outubro de 2024, o desenvolvedor Allan Denis Morelli Ribeiro implementou modificações significativas no Sirehp. Estas incluíram a melhoria da usabilidade, a adição de novas opções de busca e filtros mais eficientes. Além disso, ajustes na hospedagem garantiram maior estabilidade e robustez ao sistema. Atualmente, o projeto encontra-se suspenso por falta de fundos, recebendo poucas atualizações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Redes sociais ===&lt;br /&gt;
O projeto possui atividades no [https://www.facebook.com/HistoriaDaPsicologiaBrasil/ Facebook], [https://www.instagram.com/historiadapsicologia/ Instagram] e [https://x.com/Hist_Psicologia X] (antigo Twitter), com tipos de atividades diferentes. A princípio, desenhou-se uma estratégia, implementada a partir de 2020, de utilização das redes sociais visando à divulgação científica da história da psicologia. Com o tempo e o engajamento dos colaboradores do projeto em outras atividades, esta abordagem terminou por ser abandonada. Hoje, as redes sociais do Portal limitam-se a divulgar os produtos do Portal, como livros, novos verbetes, vídeos publicados, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Podcast ===&lt;br /&gt;
A expansão das atividades do projeto História da Psicologia não se limitou ao formato audiovisual. A criação do Canal História da Psicologia TV, um marco inicial na divulgação de conteúdo sobre a história da disciplina, foi imediatamente acompanhada e complementada por um projeto de lançamento de um Podcast. A premissa central dessa iniciativa de áudio era a reutilização estratégica de parte do material já produzido para os vídeos, adaptando-o para o formato puramente sonoro. Essa decisão se fundamentava na observação de que o componente visual dos vídeos era, em grande medida, meramente ilustrativo, ou seja, a essência do conteúdo e a riqueza da informação residiam primariamente no áudio e na narrativa falada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a jornada para estabelecer uma linha de produção de podcast autônoma foi marcada por desafios significativos e tentativas frustradas. Buscando profissionalizar e dedicar recursos humanos específicos a esse formato, foram feitas duas tentativas formais de constituição de equipes de trabalho exclusivamente voltadas para o desenvolvimento, gravação e edição do podcast. A primeira tentativa ocorreu em 2022 e a segunda, no ano subsequente, em 2023. Ambas as iniciativas, apesar do entusiasmo inicial e do reconhecimento da importância do formato de áudio para o alcance de novas audiências e a otimização da experiência de consumo de conteúdo, infelizmente não prosperaram, resultando no adiamento da consolidação de um podcast com produção independente do canal de vídeos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Patrocinadores ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, em suas diferentes partes, recebeu várias formas de suporte financeiro. As diferentes formas de apoio foram oferecidas por quatro agências ou órgãos diferentes de fomento: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/prograd/ Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proex/ Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense], &lt;br /&gt;
* [https://www.uff.br/proaes/ Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense] e &lt;br /&gt;
* [https://agir.uff.br/ Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O apoio financeiro se concretizou tanto na forma de bolsa quanto em investimento direto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Patrocinadores e fomentadores do Portal História da Psicologia ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Patrocinador&lt;br /&gt;
|Projetos&lt;br /&gt;
|Tipo&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de atividades remotas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bolsa de monitoria&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2024 e 2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fomento a atividades extensionistas&lt;br /&gt;
|Bolsa de extensão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Financiamento&lt;br /&gt;
|2021, 2022, 2023 e 2024&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 e 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de desenvolvimento acadêmico&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Bolsa de iniciação tecnológica e inovação&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Extensão ===&lt;br /&gt;
Como projeto vinculado ao Departamento de Psicologia de Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense, partes do Portal foram financiadas pela Pró-Reitoria de Extensão, por meio da concessão de bolsas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de extensão concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Antonio Lucas da Silva Merêncio&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Vitória Melo da Silva&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2023&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Gunther Mafra Guimarães&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro &lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Júlia Lombardi Carneiro&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia &lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alice Nascimento Moraes Fernandes&lt;br /&gt;
|Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Arthur Macedo Nunes&lt;br /&gt;
|Sistema de Referência em História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2026&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Iniciação Tecnológica e Inovação ===&lt;br /&gt;
As bolsas de iniciação tecnológica e inovação são oferecidas, no âmbito da UFF, pela Agência de Inovação da UFF (Agir). Seus editais são bastante concorridos e suas bolsas são prestigiosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gunther Mafra Guimarães (WikiHP) (2023)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Ensino ===&lt;br /&gt;
Foram concedidos dois tipos de bolsa para o Portal na modalidade ensino. Uma para atividades remotas e outra para atividades de monitoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Bolsas de ensino concedidas para o Portal História da Psicologia ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Bolsista&lt;br /&gt;
|Projeto&lt;br /&gt;
|Tipo de bolsa&lt;br /&gt;
|Agência&lt;br /&gt;
|Ano&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Yuri Pereira Antunes Vieira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Apoio a Atividades Remotas&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2021&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Mariana dos Santos dos Anjos&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2022&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Peterson Manoel Fernandes Pereira&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2024&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Izabella Simões da Cruz&lt;br /&gt;
|Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia&lt;br /&gt;
|Monitoria&lt;br /&gt;
|Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;
|2025&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bolsas de Permanência ===&lt;br /&gt;
A UFF oferece aos seus alunos um conjunto de oportunidades de auxílio à permanência. Até 2024, os alunos contemplados com estas bolsas precisavam vincular-se aos projetos aprovados pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e, dentre eles, estava o Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp). Esta forma de fomento à permanência foi extinta em 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Thaís Arci Menezes (Desenvolvimento Acadêmico) (Sirehp) (2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fomento a atividades extensionistas ===&lt;br /&gt;
A Pró-Reitoria de Extensão ofereceu, por meio de um edital, recursos para o fomento a atividades extensionistas. Os recursos não poderiam ser usados na forma de bolsa nem remuneração direta, mas para compra de equipamentos e contratação de serviços de empresas. O Portal foi beneficiado com os recursos em 2021, utilizando os recursos para a compra de equipamentos para gravação de vídeos e contratando uma produtora profissional, que editou o curso História da Psicologia e Educação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Objetivos ==&lt;br /&gt;
O Portal História da Psicologia, desde sua concepção, estabeleceu uma série de metas que visam modernizar e integrar o campo da história da psicologia lusófona ao ambiente digital, atuando como um ecossistema de produção e disseminação de conhecimento. A sua estrutura, composta por plataformas interligadas como a WikiHP, o HPTV, a Editora e o Sirehp, foi desenhada para dar suporte a um objetivo maior e a um conjunto de objetivos específicos que articulam as dimensões essenciais da vida acadêmica: o ensino, a pesquisa, a extensão e a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivo Geral ===&lt;br /&gt;
Modernizar e inserir o campo brasileiro de história da psicologia de língua portuguesa no ambiente digital, criando um ecossistema de plataformas e produtos que fomentem a pesquisa, apoiem o ensino, potencializem as atividades de extensão e ampliem a divulgação científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivos Específicos ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fomento à Pesquisa ====&lt;br /&gt;
Desenvolver e manter plataformas e ferramentas digitais (como o Sirehp) que centralizem, organizem e disponibilizem gratuitamente referências bibliográficas relevantes, facilitando a coleta de dados e a condução de pesquisas nas áreas de história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estimular a produção de conteúdo original e a reflexão crítica na forma de publicações acadêmicas por meio da Editora do Portal e da publicação anual do Boletim do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Apoio ao Ensino ====&lt;br /&gt;
Criar e manter materiais que possam ser usados como complementares e didáticos para o ensino e estudo da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Produzir cursos e videoaulas de alta qualidade que auxiliem na didática da história da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Potencialização da Extensão e Divulgação Científica ====&lt;br /&gt;
Traduzir o rigor técnico e acadêmico para uma linguagem acessível a um público amplo e diversificado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Manter uma presença estratégica nas redes sociais para a divulgação constante dos produtos do Portal, maximizando o alcance do conhecimento produzido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Integração das Atividades ====&lt;br /&gt;
Assegurar que os projetos do Portal (Site Principal, WikiHP, HPTV, Editora, Sirehp) funcionem como um ecossistema interligado, onde a pesquisa alimenta o conteúdo do ensino e da extensão, e as atividades de extensão (divulgação e eventos) retroalimentam a pesquisa, com o aprimoramento contínuo das plataformas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Eventos ==&lt;br /&gt;
A organização de eventos representa uma frente de atuação estratégica e relativamente recente na história do Portal História da Psicologia, consolidando o ecossistema digital com atividades presenciais e híbridas. Esta dimensão do projeto visa transcender a mera divulgação de conteúdo online, promovendo ativamente o debate acadêmico, a expansão de redes de pesquisa e a integração de estudantes e pesquisadores em discussões de ponta na área. O site do Portal oferece uma [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ lista completa], com detalhes, dos eventos organizados pelo grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Simpósios HP ===&lt;br /&gt;
Os Simpósios HP consistem em eventos de um único dia destinados a articular convidados externos com pesquisadores locais. O seu objetivo é expandir as redes internacionais de debate e integrar um campus interiorano, como o de Rio das Ostras, em discussões de maior alcance.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras ocorreu em 10 de novembro de 2023 e contou com a presença de [https://agir.uff.br/ James Cresswell], da Ambrose University (Canadá) e [https://socioeconomia.univalle.edu.co/138-estudiantes-de-doctorado/bruno-andres-jaraba-barrios Bruno Jaraba Barrios, da Universidad del Valle] (Colômbia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras aconteceu em 15 de março de 2024 e teve como debatedor [https://eled.auth.gr/eng/the-school/personnel/marvakis/ Athanasios Marvakis], da Universidade de Tessalônica (Grécia) e mediação de Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simpósios de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|Convidados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|I Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|10 de novembro de 2023&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 1&lt;br /&gt;
|James Cresswell (Ambrose University, Canadá), Bruno Jaraba Barrios, (Universidad del Valle, Colômbia), Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|II Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
|15 de março de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, sala 6 do prédio novo&lt;br /&gt;
|Athanasios Marvakis (Universidade de Tessalônica, Grécia), Arthur Arruda Leal Ferreira Arthur Arruda Leal Ferreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), tradução de Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Encontros HP ===&lt;br /&gt;
Os Encontros HP foram concebidos como atividades em resposta à paralisação dos docentes federais ocorrida em 2024. Estes consistiram em reuniões presenciais nas instalações do Instituto de Humanidades e Saúde da Universidade Federal Fluminense, situado em Rio das Ostras, dedicadas à discussão coletiva de diversos temas pertinentes à história da psicologia que não são habitualmente contemplados nos programas curriculares regulares da área.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Edição&lt;br /&gt;
|Assunto&lt;br /&gt;
|Data&lt;br /&gt;
|Local&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1&lt;br /&gt;
|Lavagem cerebral e controle mental na Guerra Fria: MK-Ultra: a teoria da conspiração da vida real&lt;br /&gt;
|21 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2&lt;br /&gt;
|Usos da Inteligência Artificial na Psicologia: cognição, terapia e outros&lt;br /&gt;
|28 de maio de 2024&lt;br /&gt;
|Sala 5 do prédio novo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3&lt;br /&gt;
|Experimentos em psicologia da manipulação&lt;br /&gt;
|4 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4&lt;br /&gt;
|Estratégias e consequências por trás das seitas&lt;br /&gt;
|11 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5&lt;br /&gt;
|Terraplanistas, reptilianos, caçadores de alienígenas: grupos de teorias da conspiração&lt;br /&gt;
|18 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6&lt;br /&gt;
|Psicopatia, sociopatia e serial killers: o que realmente forma uma mente criminosa?&lt;br /&gt;
|25 de junho de 2024&lt;br /&gt;
|Instituto de Humanidades e Saúde, Sala do Portal&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== I Encontro do Trecho ===&lt;br /&gt;
Também no ano de 2024, o Portal História da Psicologia deu um passo significativo em sua atuação ao organizar e sediar o I Encontro do Trecho. Este evento de grande relevância configurou-se como um marco na consolidação de uma rede internacional de pesquisadores dedicados à história da psicologia, conhecida simplesmente como &amp;quot;Trecho&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A natureza do I Encontro do Trecho foi considerada híbrida, combinando a interação presencial com a participação remota, o que potencializou seu alcance e diversidade. A adesão ao evento superou as expectativas, contando com a notável participação de pesquisadores provenientes de nove países distintos. Esta representação multinacional sublinha o caráter verdadeiramente global da rede e o interesse convergente na área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Encontro teve como local o Instituto de Humanidades e Saúde (IHS) da Universidade Federal Fluminense (UFF). O evento proporcionou um espaço fértil para a discussão aprofundada de novas pesquisas, o intercâmbio de metodologias e a articulação de projetos colaborativos futuros entre os membros da rede &amp;quot;Trecho&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O [https://historiadapsicologia.com.br/index.php/i-encontro-trecho/ site do Encontro] possui todas as informações detalhadas, como programa, convidados, datas, links para a gravação das mesas, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Lista de colaboradores do Portal ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fundadores ===&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7924410923493344 André Elias Morelli Ribeiro]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/1207956866701453 Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[http://lattes.cnpq.br/3207728098713238 Luiz Eduardo Prado da Fonseca] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0333375585405577 Mariana dos Santos dos Anjos] (2020-)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/0428204548123272 Letícia Gomes Canuto] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/7214670294284754 Yuri Pereira Antunes Vieira] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/4223540995781494 Gunther Mafra Guimarães] (2020-2024)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Julia Escrew (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/1401111489557632 Diana Disitzer Netto Dos Reys] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2233002221970759 Isabela Coelho Marinho] (2020)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antonio Lucas da Silva Merencio (2020-2021)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://lattes.cnpq.br/2384057947285765 Maria Carolinna Henriques Monteiro] (2020-2022)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Colaboradores ===&lt;br /&gt;
Colaboradores no Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1KZvwBkhclv3JiOFyaVaX0Dhl5DrRJfcO/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores no Canal História da Psicologia TV (HPTV)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://docs.google.com/spreadsheets/d/1XycAS9o7O63DNRKSyclOYL21h434i3Zz/edit?usp=sharing&amp;amp;ouid=105379080874216817119&amp;amp;rtpof=true&amp;amp;sd=true Colaboradores na Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaboradores no Website&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Sistema_de_Refer%C3%AAncias_em_Hist%C3%B3ria_da_Psicologia_(Sirehp)#Colaboradores Colaboradores no Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia ==&lt;br /&gt;
2018 (agosto) - publicação da primeira edição do Boletim da SBHP, precursor do Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (outubro) - reformulação do projeto desenvolvido na SBHP visando a criação do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2019 (dezembro) - registro do domínio do site do Portal e criação do site&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (4 de janeiro) - criação da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (12 de janeiro) - publicação do primeiro verbete da WikiHP, Alfred Binet&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (abril) - primeiro vídeo do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020 (27 de maio) - criação do Canal História da Psicologia TV&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (fevereiro) - fundação da Editora do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (abril) - publicação do WikiHP: políticas, definições, orientações e estilo, primeiro livro da editora e obra de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2022 (dezembro) - publicação do primeiro Boletim do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (agosto) - criação do Sistema de Referências em História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2023 (novembro) - primeiro Simpósio de História da Psicologia de Rio das Ostras&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (maio) - início da série de Encontros HP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2024 (outubro) - publicação do Experiências de Ensino de História da Psicologia em Contexto Brasileiro, um marco para a Editora do Portal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (agosto) - Portal História da Psicologia vence o Prêmio Manoel Bomfim de Divulgação Científica, oferecido pela Sociedade Interamericana de Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2025 (setembro) - publicação da segunda edição do livro de referência para a WikiHP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
Em junho de 2024, o Portal História da Psicologia recebeu o [https://ripehp.com/wp-content/uploads/2023/03/premio-gt-sip-em-portgues.docx.pdf Prêmio Manoel Bomfim de divulgação científica], oferecido pela [https://sipsych.org/ Sociedade Interamericana de Psicologia], como reconhecimento por sua atuação no campo da extensão e divulgação científica. Na cerimônia, o coordenador do projeto foi representado por Júlia Lombardi Carneiro e Marcus Vinícius do Amaral Gama Santos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links ==&lt;br /&gt;
[[Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)|Sistema de Referências em História da Psicologia]] (Sirehp)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Canal História da Psicologia TV]] (HPTV)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links Externos ==&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/ Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://wiki.historiadapsicologia.com.br/ Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (Wikihp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.youtube.com/@HistoriadaPsicologia Canal História da Psicologia TV]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/ Editora do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://sirehp.historiadapsicologia.com.br/ Sistema de Referências em História da Psicologia (Sirehp)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/eventos/ Eventos do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://zenodo.org/communities/editoradoportal/ Lista de publicações da Editora do Portal]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/boletim-do-portal/ Boletins do Portal História da Psicologia]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://historiadapsicologia.com.br/index.php/certificados/ Certificados de participação em eventos e produtos do Portal]&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.17573683 Manual de método clínico para contextos de ensino de psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi. [https://doi.org/10.5281/zenodo.17019571 &#039;&#039;&#039;WikiHP&#039;&#039;&#039;: definições, orientações e estilo.] Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; CARNEIRO, Júlia Lombardi; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; FERREIRA, Arthur Arruda Leal (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.14511624 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 3&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2024. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra. [https://revistas.hcte.ufrj.br/index.php/RevistaSH/article/view/393/305 Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. &#039;&#039;&#039;Revista Scientiarum História&#039;&#039;&#039;, v.1, n.1, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; GUIMARÃES, Gunther Mafra; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). [https://doi.org/10.5281/zenodo.8392598 &#039;&#039;&#039;Boletim do Portal História da Psicologia 2&#039;&#039;&#039;]. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARAES, Gunther Mafra. [http://www.hcte.ufrj.br/downloads/sh/sh15/anais_SH_15.pdf Criação de verbetes no ensino de história da psicologia]: o caso da WikiHP. In: Scientiatum Historia 15, 2022, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Livro de Anais do Scientiarum 15&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, 2022. v. 1. p. 863-874.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli; SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama; VIEIRA, Yuri Pereira Antunes; GUIMARÃES, Gunther Mafra; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; FONSECA, Luiz Eduardo Prado da (Orgs.). &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 Boletim do Portal História da Psicologia]&#039;&#039;&#039;. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, André Elias Morelli. &#039;&#039;&#039;[https://doi.org/10.5281/zenodo.6337937 WikiHP]&#039;&#039;&#039;: políticas, definições, orientações e estilo. Rio das Ostras, RJ: Editora do Portal História da Psicologia, 2022. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, A. E. M.; FONSECA, L. E. P.; CANUTO, L. G.; SANTOS, M. V. A. G.; VIEIRA, Y. P. A.; ANJOS, M. S.. [https://doi.org/10.51919/Anais_SH14 Portal História da Psicologia]: formando conexões inesperadas entre ensino, pesquisa e extensão. In: Scientiatum Historia 14, 2021, Rio de Janeiro. &#039;&#039;&#039;Anais do Scientiarum Historia XIV&#039;&#039;&#039;, 2021. v. 1. p. 1-8. ISSN 2675-7559 (on-line).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi criado por André Elias Morelli Ribeiro em 2025.2, criador e coordenador da WikiHP e do Portal História da Psicologia.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ajuda]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Categoria:Acontecimentos&amp;diff=1654</id>
		<title>Categoria:Acontecimentos</title>
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		<updated>2026-03-09T19:16:50Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Edição menor&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A princípio, a categoria Acontecimentos foi criada com o objetivo de diferenciar certos eventos históricos relevantes para a história da psicologia que, embora importantes, não atendem aos critérios específicos da categoria de [[:Categoria:Experimentos|Experimentos]]. Essa distinção permite organizar de forma mais precisa os conteúdos da enciclopédia, evitando classificações inadequadas e garantindo maior rigor histórico e conceitual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devem ser incluídos na categoria Acontecimentos conjuntos de eventos, episódios marcantes, debates públicos, casos emblemáticos ou encontros institucionais que tenham exercido impacto significativo sobre o desenvolvimento da psicologia como ciência, prática ou campo de saber. Trata-se de uma categoria ampla, que acolhe fenômenos históricos diversos, desde que tenham contribuído de forma relevante para a construção, transformação ou circulação de ideias psicológicas, seja de forma pública ou apenas entre especialistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os tipos de conteúdo que podem ser classificados nesta categoria, inclui-se:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Casos clínicos ou sociais emblemáticos, como o [[O Caso dos Irmãos Reimer|Caso dos Irmãos Reimer]] ou a [[A Epidemia de Dança de 1518|Epidemia de Dança de 1518]];&lt;br /&gt;
* Debates históricos, como o confronto teórico entre [[O Debate entre Freud e Janet|Freud e Janet]] ou as reuniões para a votação da lei 4119/1962, que regulamenta a profissão de psicólogo no Brasil;&lt;br /&gt;
* Reuniões e eventos institucionais, como congressos, assembleias ou encontros fundadores, a exemplo do [[I Congresso Internacional de Psicologia]];&lt;br /&gt;
* Momentos de ruptura ou inflexão histórica, como mudanças legislativas, escândalos acadêmicos ou movimentos sociais que afetaram diretamente a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em resumo, a categoria Acontecimentos funciona como um espaço de acolhimento para eventos históricos que não se enquadram nas demais categorias da enciclopédia, especialmente na de Experimentos, mas que são essenciais para compreender a trajetória histórica da psicologia em seus múltiplos contextos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Título ==&lt;br /&gt;
Os títulos de verbetes que se enquadram nesta categoria devem refletir o debate historiográfico sobre o assunto. Caso haja consenso acerca do nome do tema, este é a escolha obrigatória. Caso o acontecimento seja nomeado de diferentes maneiras, a forma mais conhecida fora do público especialista deve ser a escolhida. Já em caso de não haver qualquer consenso, o título deve trazer o acontecimento mais importante, como a palavra “debate” ou “declaração”, ou os personagens envolvidos, como no caso dos irmãos Reimer, que se transformou no verbete intitulado [[O Caso dos Irmãos Reimer]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devem ser evitados títulos longos e o uso da adversativa “ou”, visando determinar de forma consistente um único título que, se necessário, nomeia o acontecimento. O uso de artigos no começo do título é permitido, mas é preferível que não seja utilizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cabeçalho ==&lt;br /&gt;
O cabeçalho é obrigatório em todos os verbetes da categoria Acontecimentos. Ele deve fornecer, de forma concisa e padronizada, os dados básicos que permitem ao leitor identificar e contextualizar o evento histórico na trajetória da psicologia, a começar por uma breve síntese. Além disso, deve conter, sempre que disponíveis, os nomes pelo qual o acontecimento é mais conhecido, incluindo variações ou apelidos históricos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros elementos a serem acrescentados ao cabeçalho incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Data(s), incluindo dia, mês e ano (ou período) em que o evento ocorreu;&lt;br /&gt;
* Local onde se desenrolaram os acontecimentos narrados, como cidade, estado ou país;&lt;br /&gt;
* Tipo de evento, como caso clínico, debate, congresso, movimento social etc.;&lt;br /&gt;
* Instituições, grupos ou coletivos devem ser mencionados quando pertinentes para compreender o acontecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
A seção História é obrigatória em todos os verbetes da categoria acontecimentos e tem como finalidade apresentar, de forma articulada, contextualizada e, preferencialmente, cronológica, o desenvolvimento completo do evento descrito, desde seus antecedentes e motivações até seus desdobramentos e repercussões posteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa seção deve reunir informações sobre o contexto histórico, científico, político, institucional e social no qual o acontecimento ocorreu, destacando os fatores que contribuíram para sua eclosão, os principais agentes envolvidos, as decisões tomadas ao longo do processo e os marcos que definiram sua trajetória.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devem ser abordadas também as consequências imediatas e de longo prazo do acontecimento, tanto no campo da psicologia quanto em áreas correlatas, além de consequências em espaços como a ética científica, políticas públicas, a prática clínica, a educação, a cultura, entre outros que forem pertinentes. É importante evidenciar os impactos que o evento gerou no debate acadêmico, na sociedade ou nas instituições, bem como as transformações que provocou em termos de ideias, práticas ou regulamentações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sempre que possível, a seção deve incluir discussões sobre a recepção do acontecimento por diferentes públicos, como a comunidade acadêmica, profissionais da área, instituições envolvidas e a mídia. Também devem ser abordadas as críticas, controvérsias e debates que o evento possa ter gerado, tanto quando ocorreu quanto em análises posteriores. Esses elementos ajudam a revelar como o acontecimento foi interpretado, disputado ou ressignificado ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A repetição pontual de informações já apresentadas em outras seções é aceitável, desde que contribua para a compreensão do percurso histórico do evento e esteja integrada de forma coerente à narrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dada a complexidade de muitos acontecimentos, recomenda-se organizar a seção história em subseções temáticas ou cronológicas, conforme a natureza do conteúdo. Essa divisão facilita a leitura e permite destacar os diferentes momentos ou dimensões do processo histórico, como antecedentes, desenvolvimento, reações imediatas, repercussões de longo prazo, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Impactos e relevância ==&lt;br /&gt;
A seção Impactos e relevância não é obrigatória nos verbetes da categoria acontecimentos, mas sua inclusão é fortemente recomendada, especialmente nos casos em que o evento teve efeitos duradouros ou influenciou significativamente o desenvolvimento da psicologia ou de áreas correlatas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa seção tem como objetivo aprofundar a compreensão da importância histórica, científica, institucional ou social do acontecimento, destacando os desdobramentos que ele provocou em diferentes contextos. Embora alguns desses elementos possam já ter sido mencionados na seção História, aqui eles devem ser explorados com maior profundidade e organizados de forma analítica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A estrutura desta seção deve ser dividida em subseções obrigatórias, cada uma dedicada a um campo ou área impactada pelo acontecimento. Essa organização temática permite ao leitor identificar com clareza os diferentes domínios nos quais o evento exerceu influência — como a psicologia acadêmica, a prática clínica, a legislação, a ética científica, a educação, a mídia ou os movimentos sociais. Por exemplo, o debate teórico como o confronto entre Freud e Janet pode ter subseções dedicadas à formação da psicanálise, à redefinição do conceito de histeria e à repercussão nos estudos sobre trauma. Um evento institucional como o [[I Congresso Internacional de Psicologia]] pode ter subseções sobre sua influência na consolidação da psicologia como disciplina científica, sua repercussão na criação de sociedades científicas e seu papel na internacionalização do campo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Críticas e controvérsias associadas aos impactos do acontecimento podem ser brevemente mencionadas nesta seção, mas devem ser desenvolvidas de forma mais aprofundada na seção Críticas, quando esta estiver presente no verbete.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Instituições, grupos e personagens importantes ==&lt;br /&gt;
A seção Instituições, grupos e personagens importantes é obrigatória em todos os verbetes da categoria acontecimentos e deve ser organizada em subseções dedicadas a indivíduos, grupos ou instituições que desempenharam papéis relevantes no desenvolvimento, nas consequências ou na recepção do acontecimento descrito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo principal desta seção é apresentar, de forma concisa e contextualizada, os agentes envolvidos no evento, com foco em suas ações, decisões ou posicionamentos diretamente relacionados ao fato histórico em questão. Informações biográficas mais amplas devem ser evitadas, sendo reservadas para verbetes específicos sobre os personagens, grupos ou instituições, quando existirem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devem ser incluídas também figuras que atuaram de forma crítica em relação ao acontecimento, como pesquisadores, ativistas, jornalistas ou membros de comissões, entre outros, desde que suas intervenções tenham provocado mudanças significativas, como reformulações metodológicas, denúncias de violações de direitos humanos, revelações de fraudes ou transformações relevantes na forma como o acontecimento foi interpretado, divulgado ou institucionalmente tratado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A descrição de cada personagem, grupo ou instituição deve manter o foco no papel desempenhado no contexto do acontecimento, evitando que sua presença se sobreponha ao restante do conteúdo do verbete. É permitido reapresentar informações já mencionadas em outras seções, como datas, eventos ou obras, desde que isso contribua para esclarecer e contextualizar a atuação do personagem, grupo ou instituição no episódio em questão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
A seção Críticas não é obrigatória nos verbetes da categoria Acontecimentos, mas deve ser incluída sempre que houver debates relevantes, controvérsias ou posicionamentos críticos relacionados ao evento descrito, seja quando ocorreu, seja em análises posteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada autor, grupo ou corrente crítica deve ser apresentado em subseções específicas, com descrições claras e detalhadas dos argumentos levantados, sem que essas críticas se sobreponham à narrativa principal do verbete. O objetivo é oferecer ao leitor uma visão estruturada e plural das reações que o acontecimento provocou, sem comprometer a imparcialidade e a coesão do texto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Críticas direcionadas a personagens, grupos ou instituições envolvidas no acontecimento devem ser tratadas com cautela. Elas só devem ser incluídas nesta seção quando houver uma identificação direta e indissociável entre o agente e o acontecimento. Por exemplo, em um verbete sobre as visitas de [[Édouard Claparède]] ao Brasil, críticas pessoais ao autor devem ser evitadas, a menos que estejam diretamente relacionadas ao evento em questão. Já no caso de um verbete sobre o [[Relatório Kinsey]], é pertinente incluir críticas à conduta ética de [[Alfred Kinsey]], dado o forte vínculo entre sua figura pública e a produção do relatório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seção Críticas deve manter um tom analítico e informativo, evitando julgamentos morais ou interpretações especulativas. Sempre que possível, as críticas devem ser fundamentadas em fontes confiáveis e contextualizadas historicamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Polêmicas ==&lt;br /&gt;
A depender da história do acontecimento que é objeto do verbete, uma seção de polêmicas pode ou não ser obrigatória. Caso os autores decidam incluir uma seção de polêmicas, ela deve mencionar ocorrências que tenham refletido em uma repercussão polêmica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deve-se evitar que esta seção se torne a maior ou a principal do verbete, exceto se o acontecimento tiver um histórico de violações dos direitos humanos ou for fundamentado em conceitos eticamente questionáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Retratos na mídia ==&lt;br /&gt;
A seção de Retratos na mídia não é obrigatória para os verbetes sobre acontecimentos, mas é bastante desejável nos casos em que os acontecimentos apresentam uma forte presença na cultura popular ou já foram descritos por um livro, filme, documentário ou outras produções culturais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para construir essa seção, é necessária uma breve introdução que represente o porquê de o acontecimento estar presente na mídia, descrevendo o seu impacto na memória cultural. Em seguida, deve ser disposta uma lista, em ordem cronológica, contendo o ano de aparição ou menção do acontecimento em um meio de comunicação e o contexto desse registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para acontecimentos que estão presentes na mídia de forma frequente, é importante limitar essa lista às menções ou aparições mais impactantes e significativas de sua história. Além disso, o contexto de cada item da lista deve ser descrito de forma breve, contendo entre uma e três frases, destacando somente as informações necessárias para a compreensão do leitor.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Categoria:Teorias_e_conceitos&amp;diff=1653</id>
		<title>Categoria:Teorias e conceitos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Categoria:Teorias_e_conceitos&amp;diff=1653"/>
		<updated>2026-03-09T19:12:34Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Edição menor&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A psicologia se constituiu historicamente por meio de uma ampla variedade de teorias e conceitos que buscam compreender os mecanismos, leis, dinâmicas e estruturas da mente, da subjetividade e do comportamento humano, de acordo com cada abordagem, perspectiva e corpo teórico. Essas formulações podem ter origem em tradições teóricas, técnicas ou filosóficas, e visam explicar fenômenos como emoções, cognição, personalidade, desenvolvimento, entre outros aspectos da experiência humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São considerados teorias e conceitos na história da psicologia os sistemas explicativos ou modelos conceituais que propõem formas específicas de entender o funcionamento psíquico ou comportamental. Isso inclui, por exemplo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Teorias como o [[Behaviorismo Radical]], a [[Psicanálise]], a [[Gestalt]], a [[Psicologia Humanista]] ou a [[Psicologia Histórico-Cultural]], embora estas teorias muito amplas e complexas não são recomendadas para colaboradores iniciantes;&lt;br /&gt;
* Conceitos como [[inconsciente]], [[reforço]], [[transferência]], [[Assimilação e Acomodação|assimilação e acomodação]], [[Função Simbólica|função simbólica]], [[resiliência]], [[Desenvolvimento Moral|desenvolvimento moral]], [[complexo de Édipo]], entre outros, que devem ser escolhidos com cuidado devido à complexidade em alguns casos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os autores dessas formulações, sejam psicólogos, psiquiatras, médicos, educadores, filósofos, entre outros, são frequentemente identificados como participantes ou colaboradores do campo psi, que abrange também áreas como saúde mental, educação, sociologia e antropologia. Estes vínculos e origens devem ser explicitados no texto do verbete.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É fundamental destacar que a WikiHP é uma enciclopédia dedicada à história da psicologia, e não à psicologia em geral. Por isso, os verbetes desta categoria devem priorizar a trajetória histórica das teorias e conceitos, e não seus conceitos, abordando:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* O contexto histórico e cultural em que surgiram;&lt;br /&gt;
* As correntes teóricas que os sustentaram;&lt;br /&gt;
* As transformações que sofreram ao longo do tempo;&lt;br /&gt;
* Os debates e controvérsias que provocaram;&lt;br /&gt;
* As formas como foram apropriados, adaptados ou criticados em diferentes países, especialmente no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em alguns casos, pode haver sobreposição com a categoria Processos Mentais e Comportamentais, como nos verbetes sobre inconsciente ou &#039;&#039;[[insight]]&#039;&#039;. A distinção entre as categorias deve considerar o escopo do verbete, ou seja, se o foco está em uma formulação teórica específica (como o [[Inconsciente Freudiano|inconsciente freudiano]] ou o [[Insight na Gestalt|&#039;&#039;insight&#039;&#039; na Gestalt]]), o verbete pertence à categoria Teorias e Conceitos. Se o texto aborda o fenômeno de forma mais ampla e transdisciplinar, deve seguir as orientações da categoria Processos Mentais e Comportamentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa categoria permite compreender como a psicologia se construiu como ciência e prática por meio de modos específicos de pensar, interpretar e teorizar o humano e os modos em que refletem disputas epistemológicas, valores culturais e transformações sociais ao longo da história.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Título ==&lt;br /&gt;
A orientação geral para o título deste tipo de verbete é o nome mais famoso da teoria ou conceito, ainda que a literatura especializada ou seus criadores utilizem outro nome ou mesmo não exista um nome oficial. Um exemplo é a [[Pirâmide de Maslow]], nome conhecido da Teoria da Hierarquia das Necessidades, seu nome oficial. Esta escolha deve ser orientada conforme as necessidades de usuários não especializados em psicologia na busca de informações dentro da Enciclopédia. Assim, deve-se escolher o primeiro nome, ainda que explicações sobre o nome oficial deva constar no cabeçalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, esta regra não deverá ser utilizada caso o nome conhecido popularmente distorce o significado da teoria. É o que acontece com a [[Teoria do Condicionamento Operante]], de [[B. F. Skinner|Skinner]], que por vezes é conhecida apenas por Behaviorismo. Neste caso, utilizar este título distorce e confunde os conceitos e teorias, já que Behaviorismo é mais bem utilizado para descrever um conjunto de diferentes teorias baseadas em observação do comportamento, sendo a Teoria do Condicionamento Operante uma parte deste conjunto. Neste caso, é melhor usar o nome oficial da teoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por vezes, duas teorias diferentes podem ter ou serem conhecidas pelo mesmo nome, ou terem nomes semelhantes. Nestes casos, uma segunda referência precisa ser adicionada, como, por exemplo, o nome de um após uma vírgula. Um caso exemplar é o da Gestalt, utilizada tanto na [[Teoria da Gestalt]] de Max Wertheimer, Wolfgang Köhler e Kurt Koffka quanto na [[Teoria da Gestalt de Perls|Teoria da Gestalt de Fritz Perls]]. Para o primeiro caso, se pode utilizar Escola da Gestalt e, no segundo, Teoria da Gestalt, de Perls. Estas escolhas dependerão dos autores e do que já está disponível na WikiHP. Os editores da WikiHP, considerando o conjunto de verbetes, podem optar por alterar o nome do verbete.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro caso a considerar é um conceito ou teoria cuja nomenclatura se confunde com uma perspectiva conceitual mais ampla, que ultrapassa uma teoria, abordagem, escola ou autor específico, como é o caso de inteligência, que pode ser descrito conforme uma certa perspectiva ou de forma mais ampla e geral. Neste último caso, se deve procurar as orientações para a categoria processos mentais e comportamentais. Nos outros casos, se deve seguir as orientações indicadas para nomes de teorias e conceitos que são semelhantes a outros de linhas, abordagens ou autores diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cabeçalho ==&lt;br /&gt;
O cabeçalho é uma seção obrigatória para todos os verbetes sobre o assunto, e deverá conter as seguintes informações, entre outras: nomes pelo qual a teoria ou conceito é conhecida, seu nome oficial, nome do ou dos criadores da teoria, data ou época de criação, local da criação, natureza da teoria, utilidade ou aplicações, obras principais onde o conceito ou teoria é apresentado ou discutido, filiações a escolas ou linhas de pensamento, quando houver. O cabeçalho pode conter breves considerações sobre a repercussão da teoria ou conceito, na prática ou apenas teoricamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cabeçalho deve conter também uma breve descrição do conceito em si, o que pode tomar até aproximadamente a metade do cabeçalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
A seção sobre a história do conceito ou teoria é obrigatória para todos os verbetes nesta categoria e deverá trazer as informações que marcam os momentos antecedentes de sua criação, incluindo o contexto histórico e o cenário político e teórico envolvido no conceito ou teoria. Deve também falar do processo de criação do tema, incluindo eventuais experimentos (empíricos ou mentais), o local onde foi apresentado pela primeira vez, a ocasião que concedeu importância para a teoria ou conceito e a trajetória dele, tanto em termos de impactos e influências quanto em transformações de sua estrutura, proposta ou aplicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao contar esta história se deve incluir, em todos os casos em que for possível, datas, nomes de envolvidos, instituições, locais, entre outros aspectos importantes nas circunstâncias de criação, publicação, disseminação, utilização, aplicação e transformações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se deve incluir uma subseção que indique os impactos, consequências ou relevância da teoria ou conceito para a psicologia e, em menor dimensão, para outras áreas, principalmente dentro das ciências humanas e ciências humanas aplicadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentemente da maioria dos verbetes de outras categorias, para textos sobre teorias ou conceitos se deve utilizar, sempre que possível, fontes primárias, principalmente nas partes onde se faz a descrição técnica. Já o seu desenvolvimento histórico, transformações, recepção, entre outros aspectos, devem se valar de fontes secundárias, valorizando o estudo historiográfico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
É importante e obrigatório dedicar espaço para descrever e explicar a teoria ou conceito que é o tema do verbete. Contudo, como a WikiHP não é uma enciclopédia de psicologia, mas sim de história da psicologia, esta seção deve ser sumária e indicar outras referências externas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os casos em que o conceito é excessivamente complexo ou que teve transformações muito grandes ao longo do tempo, recomenda-se o uso de subseções. Em alguns casos raros, é possível que esta seção fique maior do que a história do próprio conceito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O título desta seção pode ser o nome da própria teoria ou conceito, considerando as reflexões sobre título descritas em seção anterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Influências ==&lt;br /&gt;
A seção Influências não é obrigatória para os verbetes sobre teorias e conceitos, mas é bastante desejável nos casos em que outros personagens, teorias, conceitos, áreas, movimentos ou coletivos refletiram diretamente ou indiretamente na construção da teoria ou conceito que está sendo representada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Apesar da importância dessas influências serem mencionadas na história, esta seção tem como objetivo explicar, de forma mais direta, o papel que essas relações de influência exerceram na construção ou consolidação da teoria ou conceito em questão. Destaca-se como exemplo o caso da Psicologia da Libertação, que teve como influência as ideias de Karl Marx, [[Paulo Freire]] e o [[Paradigma da Libertação]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Instituições, grupos e personagens importantes ==&lt;br /&gt;
Teorias e conceitos são frequentemente vinculados a instituições, grupos, personagens históricos ou uma combinação deles. Esta seção é obrigatória neste tipo de verbete e deve apresentar as figuras, grupos e instituições reconhecidas como fundamentais para a criação, transformação ou disseminação das teorias ou conceitos abordados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada personagem, instituição ou grupo deve ser tratada em uma subseção própria, destacando sua relação específica com o tema do verbete. Informações biográficas, históricas ou contextuais devem ser incluídas apenas quando tiverem ligação direta com o conceito ou teoria discutidos. Demais detalhes devem ser reservados a verbetes específicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo é o conceito de Complexo de Édipo, fortemente identificado com Sigmund Freud. Neste caso, uma subseção dedicada a Freud deve ser a primeira, por ser a mais importante, mas trazendo apenas a relação da biografia dele com o conceito. Na mesma toada, o poeta Sófocles, dramaturgo grego que criou o personagem Édipo, em quem Freud se inspira, também deve aparecer como uma subseção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relação com outros personagens ou teorias ==&lt;br /&gt;
Em quase todos os casos, um conceito ou teoria possui conexão com outras teorias, conceitos ou personagens, e devem ser colocadas em seção específica. Esta só deverá ser obrigatória caso estas relações sejam determinantes para a criação, disseminação e/ou aplicação do conceito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso tenham ocorrido debates, contradições, atritos, controvérsias, conformidades ou outras relações relevantes da teoria ou conceito com outras teorias ou conceitos, estas devem ser apresentadas nesta seção específica, que não deve ser incluída nas seções da história, ainda que possam ser mencionadas nesta seção. Ao mesmo tempo, se deve evitar uma discussão teórica sobre as teorias ou conceitos, considerando que esta é uma enciclopédia de cunho histórico, ainda que caibam considerações conceituais que não devem ser centrais nem principais. O tom histórico deve ser o principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É recomendável que cada relação ou conexão ganhe uma subseção específica, ainda que informações se repitam entre estas subseções.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas e polêmicas ==&lt;br /&gt;
Uma seção dedicada às críticas produzidas contra uma teoria ou conceito não é obrigatória, apesar de desejável em vários casos. Ela deve conter todas as críticas, polêmicas ou usos problemáticos envolvidos no conceito ou teoria, incluindo os que foram feitos à época ou posteriormente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Críticas que não foram feitas diretamente ao conceito ou à teoria, mas aos autores ou instituições envolvidas na sua produção, desenvolvimento, disseminação ou aplicação também devem ser inseridas aqui, mas de forma sumária, devendo ser apresentadas de forma mais detalhada em verbetes específicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Críticas que refletem um debate acadêmico sobre o conceito ou teoria devem ser moderadamente apresentados, valorizando nestes casos a indicação de referências. Deve-se evitar deixar esta seção mais longa das seções e subseções dedicadas à história em si do assunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como a WikiHP é uma enciclopédia com temática histórica, as críticas deverão ser expostas de forma sumária, salvo nos casos em que as críticas sejam os eventos mais relevantes e definidores do tema. Os verbetes que utilizarem desta seção deverão nomeá-la por Críticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Retratos na mídia ==&lt;br /&gt;
A seção de Retratos na mídia não é obrigatória para os verbetes sobre teorias e conceitos, mas é bastante desejável nos casos em que as teorias e conceitos estão presentes no imaginário popular, seja por conta de livros, filmes, documentários ou outras produções culturais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para construir essa seção, é necessária uma breve introdução que represente o porquê da teoria ou conceito ser presente na mídia, descrevendo qual o seu impacto na memória cultural. Em seguida, deve ser disposta uma lista, em ordem cronológica, contendo o ano de aparição ou menção da teoria ou conceito em um meio de comunicação e o contexto desse acontecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para teorias ou conceitos que estão presentes na mídia de forma frequente, é importante limitar essa lista às menções ou aparições mais impactantes e significativas para a sua história. Além disso, o contexto de cada item da lista deve ser descrito de forma breve, contendo entre uma e três frases, destacando somente as informações necessárias para a compreensão do leitor.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Categoria:Normas_e_legisla%C3%A7%C3%B5es&amp;diff=1652</id>
		<title>Categoria:Normas e legislações</title>
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		<updated>2026-03-09T19:11:00Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Várias modificações substanciais&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A categoria normas e legislações reúne verbetes que tratam de documentos com força normativa e origem institucional, como leis, decretos, resoluções, portarias e outros atos oficiais que impactam a psicologia - seja de forma direta, como no caso das resoluções do [[Conselho Federal de Psicologia (CFP)]], ou indireta, como legislações mais amplas que afetam o exercício profissional em saúde mental ou em outras áreas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas normativas devem ter caráter coercitivo, ou seja, precisam impor obrigações, limites ou diretrizes formais aos profissionais da psicologia ou de áreas afins. Isso inclui, por exemplo, regras que regulam a atuação em contextos clínicos, educacionais, jurídicos ou organizacionais, desde que envolvam a presença ou a atuação de profissionais da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além das normas com força legal ou infralegal, também podem ser incluídos nesta categoria documentos como guias, manuais, orientações técnicas e protocolos que, embora não tenham valor jurídico formal, exercem influência significativa sobre a prática ou a formação em psicologia. Nesses casos, é importante que o verbete destaque o papel histórico e institucional desses materiais, explicando como eles orientam práticas, moldam debates ou influenciam políticas públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por exemplo, um manual de atendimento psicológico em emergências pode não ter força de lei, mas pode ser amplamente adotado por instituições públicas e privadas, tornando-se uma referência prática e ética para profissionais da área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes casos, recomenda-se que os verbetes façam uma distinção clara entre a história da publicação em si (como um livro, artigo ou documento técnico), que pode ser categorizada dentro de livros, artigos e outras publicações, e os processos institucionais, políticos ou científicos que levaram à sua elaboração e que justificam sua inclusão na presente categoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O critério central para essa distinção é o grau de influência normativa ou orientadora que o documento exerce sobre profissionais, acadêmicos ou pesquisadores da psicologia, e não a obra ou o veículo de divulgação em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este tipo de verbete, a exemplo de outras categorias, precisam trazer fontes primárias tanto nas referências quanto nas discussões e proposições, exceto quando a normativa for muito antiga a ponto de ser difícil de ser compreendida ou se referir a uma ordem jurídica muito diferente da atual e que exija conhecimentos históricos avançados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Título ==&lt;br /&gt;
Considerando que o título tem um papel relevante para a localização do material por parte dos usuários da WikiHP, bem como na forma como o material é indexado nos buscadores da internet e no buscador da própria enciclopédia, é recomendável que o título do verbete reflita o nome mais conhecido e popular da norma ou legislação. Em geral, normas e legislações são nomeadas apenas com um conjunto de número ou a partir de critérios de data, o que torna sua localização bastante difícil para um público não iniciado nestes processos legais e normativos. Assim, é essencial que o título reflita a forma como o assunto ficou conhecido pelo público geral ou pelos profissionais e pesquisadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos casos em que exista mais de um nome conhecido, deve ser escolhido o que carregar menos viés político, visando a busca de neutralidade que caracteriza o conteúdo da WikiHP. Deve-se evitar também o uso de dois nomes, mesmo que sejam igualmente conhecidos. Apenas em hipóteses excepcionais os números de uma lei ou normativa devem ser usados para intitular o verbete.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cabeçalho ==&lt;br /&gt;
O cabeçalho de verbetes sobre normas e legislações deve contar os seguintes elementos:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Nome oficial, incluindo número, ano e outros identificadores;&lt;br /&gt;
* Nomes pelos quais ficou conhecido;&lt;br /&gt;
* Órgão que promulgou ou determinou a norma ou legislação;&lt;br /&gt;
* Objetivos;&lt;br /&gt;
* Efeitos práticos;&lt;br /&gt;
* Força legal;&lt;br /&gt;
* Contexto de criação;&lt;br /&gt;
* Contexto de aplicação;&lt;br /&gt;
* Extinção ou superação, quando houver, incluindo aquilo que levou à anulação e, se for o caso, pelo que foi substituído.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outras informações pertinentes podem ser acrescentadas, como legislações ou normas anteriores que por esta foram superadas ou substituídas, agentes ou acontecimentos que provocaram o surgimento dessa norma ou legislação, incluindo nomes, instituições, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
Esta seção é obrigatória para todos os verbetes sobre normas e legislações, trazer os antecedentes delas, incluindo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Normativas anteriores;&lt;br /&gt;
* Discussões e acontecimentos relevantes para as motivações da criação ou modificação das normas e legislações vigentes no momento, se houverem;&lt;br /&gt;
* O processo de discussão para a implantação da norma ou legislação;&lt;br /&gt;
* A forma de sua aprovação, incluindo colegiados, instâncias diferentes e, quando disponível, dados sobre votações, declarações, embargos, entre outros;&lt;br /&gt;
* O papel da instituição que determinou sua aprovação, incluindo sua legitimidade para a implantação;&lt;br /&gt;
* Alcance legal e institucional da norma ou legislação, tanto de forma direta quanto indireta;&lt;br /&gt;
* A recepção da implantação da norma e legislação, incluindo resistências, questionamentos, elogios, soluções que buscava propor, entre outros;&lt;br /&gt;
* Consequências imediatas e de longo prazo, quando houver e que tenham sido, de alguma forma, alvo de algum estudo que faça indicações importantes sobre isto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A divisão das subseções pode seguir diferentes estratégias historiográficas. A cronológica é a mais óbvia, mas outras como papeis de instituições, reviravoltas importantes, ingresso ou saída de agentes relevantes, entre outros, podem ser utilizadas. Recomenda-se usar estruturas narrativas já disponíveis na literatura consultada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Objetivos ==&lt;br /&gt;
A seção Objetivos é obrigatória em todos os verbetes da categoria normas e legislações. Nela, devem ser apresentados os propósitos centrais da norma ou legislação abordada, conforme declarados oficialmente em seu texto original ou em documentos institucionais relacionados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sempre que possível, é importante ir além da simples reprodução dos objetivos formais. Muitas vezes, os motivos declarados publicamente diferem das intenções reais ou dos interesses que mobilizaram os agentes envolvidos em sua formulação e promulgação. Quando houver indícios ou evidências dessas divergências - por exemplo, em entrevistas, atas de reuniões, debates parlamentares ou análises históricas da literatura secundária -, o verbete deve incluir uma discussão crítica sobre essas motivações implícitas ou não declaradas. Esse tipo de análise contribui para uma compreensão mais profunda do contexto político, institucional e social da norma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É aceitável que algumas informações já apresentadas na seção História ou em outras partes do verbete reapareçam aqui, desde que sejam reorganizadas de forma mais sistemática e com foco específico nos objetivos da norma. O ideal é que essa seção ofereça uma síntese clara e bem estruturada, que ajude o leitor a entender tanto o que a norma pretende alcançar quanto os caminhos e interesses que levaram à sua criação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Instituições, grupos e personagens importantes ==&lt;br /&gt;
Seção obrigatória para os verbetes sobre normas e legislações, deve trazer principalmente os grupos e instituições que promulgaram ou determinaram a vigência do objeto do verbete, além de agentes envolvidos nos debates, questionamentos, proposições, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo, instituição ou personagem deve receber uma subseção específica, que traga uma breve definição deste junto de seu papel na norma ou legislação de que trata o verbete. É necessário cuidado para que as subseções desta seção não se sobreponham ao resto do verbete, indicando referências internas e externas para complementar o assunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Edições ou versões ==&lt;br /&gt;
Frequentemente, uma norma ou legislação é a sucessora ou uma nova edição de outra anterior. Nesta seção, que não é obrigatória, deve-se listar e, quando possível, trazer breves comentários sobre elas. Cada uma deve receber uma subseção própria, com todos os dados identificadores, além de elementos qualitativos que indiquem diferenças fundamentais em relação à norma ou legislação que é o foco do verbete. Detalhes mais extensos devem ser deixados para verbetes específicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Comissões/gestores ==&lt;br /&gt;
Algumas normas e legislações têm como efeito direto a criação, extinção ou modificação no funcionamento de comissões, conselhos, cargos de gestão ou outros grupos institucionais. Quando esse for o caso, a inclusão de uma seção específica sobre essas instâncias é obrigatória no verbete.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa seção deve descrever de forma clara:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Quais comissões, gestores ou grupos foram criados, extintos ou modificados;&lt;br /&gt;
* Quais são (ou eram) suas funções, atribuições e responsabilidades;&lt;br /&gt;
* Qual o alcance de sua atuação e os poderes que lhes foram conferidos, limitados ou ampliados pela norma ou legislação em questão;&lt;br /&gt;
* Como essas mudanças impactam a organização institucional da psicologia ou a atuação de profissionais da área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por exemplo, se uma resolução do Conselho Federal de Psicologia cria uma comissão para regulamentar práticas em saúde digital, o verbete deve explicar o papel dessa comissão, como ela se articula com outras instâncias do sistema conselhos e quais efeitos práticos sua criação tiveram sobre a categoria profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa análise ajuda a compreender como normas e legislações moldam estruturas de poder, processos decisórios e formas de regulação no campo da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Críticas a normas e legislações são bastante comuns e podem se referir a diferentes aspectos, como suas motivações, o processo de elaboração, a forma de implementação ou os efeitos produzidos. Embora esta seção não seja obrigatória, ela deve ser incluída sempre que houver material relevante e confiável que permita uma análise crítica consistente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As críticas apresentadas devem manter foco no conteúdo e nos impactos da norma ou legislação, evitando ataques pessoais ou acusações direcionadas a indivíduos, grupos ou instituições específicas. Exceções podem ser feitas quando houver uma associação clara e documentada entre os agentes criticados e os efeitos da norma - por exemplo, quando uma entidade pública é diretamente responsabilizada por violações de direitos decorrentes da aplicação da legislação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para organizar melhor a seção, recomenda-se a seguinte estrutura:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A primeira subseção deve abordar críticas diretamente relacionadas à norma ou legislação em si, como sua formulação, linguagem, abrangência ou coerência com princípios éticos e legais;&lt;br /&gt;
* Críticas relacionadas aos efeitos práticos da norma, como impactos sobre populações específicas, distorções na aplicação ou consequências não previstas, podem ser incluídas em subseções posteriores;&lt;br /&gt;
* Outras críticas, como as que envolvem disputas institucionais, resistências políticas ou controvérsias públicas, também podem ser exploradas, desde que estejam claramente conectadas ao tema do verbete.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante garantir que esta seção complemente, e não substitua, as demais partes do verbete. No entanto, em casos em que a norma ou legislação esteja fortemente associada a violações de direitos humanos ou a conflitos ético-profissionais relevantes, a seção de críticas pode ganhar maior destaque e profundidade analítica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Polêmicas ==&lt;br /&gt;
A depender da história da norma ou legislação que é objeto do verbete, uma seção de polêmicas pode ou não ser obrigatória. Caso os autores decidam incluir uma seção de polêmicas, ela deve mencionar ocorrências na idealização ou aplicação da norma ou legislação que tenham refletido em uma repercussão polêmica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deve-se evitar que esta seção se torne a maior ou a principal do verbete, exceto se a norma ou legislação tiver um histórico de ser utilizada para cometer violações dos direitos humanos ou for fundamentada em conceitos eticamente questionáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Retratos na mídia ==&lt;br /&gt;
A seção de Retratos na mídia não é obrigatória para os verbetes sobre normas e legislações, mas é bastante desejável nos casos em que as normas e legislações apresentam uma forte presença na cultura popular ou já foram descritas por um livro, filme, documentário ou outras produções culturais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para construir essa seção, é necessária uma breve introdução que represente o porquê da norma ou legislação estar presente na mídia, descrevendo o seu impacto na memória cultural. Em seguida, deve ser disposta uma lista, em ordem cronológica, contendo o ano de aparição ou menção da norma ou legislação em um meio de comunicação e o contexto desse acontecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para normas e legislações que estão presentes na mídia de forma frequente, é importante limitar essa lista às menções ou aparições mais impactantes e significativas de sua história. Além disso, o contexto de cada item da lista deve ser descrito de forma breve, contendo entre uma e três frases, destacando somente as informações necessárias para a compreensão do leitor.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Categoria:Livros,_artigos_e_outras_publica%C3%A7%C3%B5es&amp;diff=1651</id>
		<title>Categoria:Livros, artigos e outras publicações</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Categoria:Livros,_artigos_e_outras_publica%C3%A7%C3%B5es&amp;diff=1651"/>
		<updated>2026-03-09T19:06:47Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Várias modificações substanciais&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os livros são parte essencial da produção acadêmica e científica, principalmente até meados do século XX, quando começaram a perder espaço progressivamente para os artigos científicos em revistas indexadas. Outras formas de publicação importantes são os relatórios, os relatos e os diários. Considerando a história da forma como o conhecimento é publicado na forma escrita e seus processos, esta categoria foi criada para contemplar todos estes textos, desde que clássicos e influentes ao longo do tempo. Seu conteúdo não pode se assemelhar à resenha e deve mostrar o processo histórico envolvido na criação da própria psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devem ser incluídos nesta categoria os verbetes sobre livros historicamente relevantes para a história da psicologia, sejam livros clássicos, como o [[Zend-Avesta]], de [[Gustav Fechner]], ou livros contemporâneos, como [[A Curva do Sino]], de [[Charles Murray]] e [[Richard Herrnstein]], ou mesmo obras bastante recentes, como aqueles sobre [[Psicologia Baseada em Evidências]]. Livros de história da psicologia, tanto clássicos como contemporâneos, também podem ganhar verbetes na WikiHP, como o &#039;&#039;[[An history of experimental psychology]]&#039;&#039;, de [[Edwin Boring]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Artigos clássicos, como o [[The magical number seven, plus or minus two|&#039;&#039;The magical number seven&#039;&#039;, &#039;&#039;plus or minus two: some limits on our capacity for processing information&#039;&#039;]], de [[George Miller]], ou o &#039;&#039;[[Emotional reactions and psychological experimentations]]&#039;&#039;, de [[John Watson|Watson]] e Morgan, também podem ser objeto de verbetes próprios ou em conjunto com outros artigos conectados e importantes. Relatórios como o do [[Experimento de Aprisionamento de Stanford|experimento de aprisionamento de Stanford]], também podem ser objeto de verbetes nesta categoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante notar que um verbete desta categoria não pode ser uma resenha. Seu conteúdo e estrutura se volta principalmente para a história de uma obra, incluindo o processo de criação, escrita, publicação, recepção e circulação e, apenas de modo secundário, sobre seu conteúdo, ao contrário do que ocorre na maioria das resenhas. Devem ser inseridos verbetes cujas obras exercem um papel inegável para a história da psicologia ou para a psicologia contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se deve dar preferência para obras de autores já consagrados e clássicos, como [[Jean Piaget|Piaget]] e [[B. F. Skinner|Skinner]], evitando os textos de comentadores, manuais ou enciclopédicas, exceto se tiverem, em si, valor histórico. Verbetes de livros, artigos e outras publicações sem qualquer impacto no campo da psicologia, seja por sua irrelevância ou novidade, não devem ser incluídos e, caso o sejam, serão considerados vandalismo e retirados pelos administradores da WikiHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Título ==&lt;br /&gt;
O título do verbete sobre o livro, artigo ou outra forma de publicação deve coincidir com o nome do próprio texto, conforme a tradução mais usual em português, seguido pelo nome do autor, conforme as orientações para o título de verbetes sobre personagens. Assim, um verbete sobre a obra [[Psicologia da Inteligência]], do psicólogo suíço Jean Piaget, deve ter por título Psicologia da Inteligência, de Jean Piaget, por exemplo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No caso de artigos e outras publicações, a regra é colocar apenas os últimos sobrenomes dos autores, separados por vírgula e encerrados por “e”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns livros podem ter sido traduzidos por títulos diferentes, e a escolha daquele mais usual é dos autores, desde que respeitem a historiografia sobre o assunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Livros mais antigos podem ter nomes muito longos e complexos e, nestes casos, os nomes simples mais usuais devem ser utilizados. Um exemplo é o As Fortunas e Infortúnios da Famosa Moll Flanders que Nasceu em Newgate, e Durante uma Vida de Variedade Contínua por Sessenta Anos, Além de sua Infância, foi Doze Anos uma Prostituta, Cinco Vezes uma Esposa (das quais uma vez para seu irmão), Doze Anos uma Ladra, Oito Anos uma Criminosa Transportada na Virgínia, Finalmente Enriqueceu, Viveu Honesta e Morreu Penitente”, de Daniel Defoe, e que deverá ser o verbete “As fortunas e infortúnios da famosa Moll Flanders, de Daniel Defoe”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns artigos e outras publicações também podem ter nomes excessivamente longos, o que não é interessante para títulos de verbetes. Nestes casos, os colaboradores podem optar por duas estratégias. A primeira, é utilizar um nome conhecido, mesmo que não guarde semelhança com o título da obra. Outra possibilidade é utilizar apenas o título, sem o subtítulo. Em qualquer caso, o nome completo da obra deve aparecer no cabeçalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns livros clássicos podem não possuir títulos formais conforme o conceito contemporâneo de títulos para obras escritas e, de modo semelhante às obras de títulos muito longos ou cuja tradução mais usual do título deve ser utilizada para o título da entrada, o verbete deve ser intitulado por seu nome mais conhecido, seguido do nome do seu autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Livros sem autoria definida ficam dispensados da necessidade de indicação de autor, a depender do caso, conforme a escolha dos autores do verbete. Livros com autoria incerta, livros cuja autoria reflete um conjunto de autores diferentes ou que foram efetivamente compostos por mais de um autor devem seguir o que é usual no campo em questão. No caso de livros com mais de três autores, o melhor é não indicar autoria no título do verbete.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relatórios ou textos relevantes secretos que vazaram de modo incompleto devem ser intitulados conforme seu nome mais conhecido, seguido do órgão de onde supostamente vazaram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cabeçalho ==&lt;br /&gt;
O cabeçalho é uma seção obrigatória para todos os verbetes dedicados a livros, artigos e outras publicações. Ele deve reunir as informações básicas e essenciais que permitam identificar e contextualizar a obra de forma precisa e acessível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devem ser incluídos:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* O título completo do texto;&lt;br /&gt;
* O título resumido ou mais conhecido, ou, quando for o caso, uma explicação sobre como a obra é comumente referida;&lt;br /&gt;
* O nome completo do autor, autores ou organizadores, ou, em casos de autoria incerta ou coletiva, uma justificativa para as dificuldades na identificação;&lt;br /&gt;
* O ano da publicação original, ou uma estimativa da data provável;&lt;br /&gt;
* O nome da editora ou outro veículo ou casa de publicação e seu país de origem, quando disponíveis, ou uma explicação sobre o modo de publicação da obra (como autoedições, circulação alternativa ou publicação institucional, repositórios, entre outros).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, o cabeçalho deve informar quando e onde a obra foi publicada pela primeira vez em língua portuguesa, com a indicação do ano, nome da editora e país de publicação - priorizando o Brasil ou outros países lusófonos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na sequência, o cabeçalho deve apresentar:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* O tema central da obra;&lt;br /&gt;
* Um brevíssimo resumo de seu conteúdo ou de sua tese principal;&lt;br /&gt;
* Um resumo do contexto de produção e publicação, situando a obra histórica, cultural ou academicamente;&lt;br /&gt;
* Um resumo da recepção crítica e da circulação da obra, indicando sua relevância, impacto ou alcance.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No caso de materiais considerados polêmicos ou que tenham sido alvo de críticas significativas, seja no momento de seu lançamento, ao longo do tempo ou na atualidade, o cabeçalho deve incluir também uma breve síntese do contexto e das razões dessas críticas. Tais questões devem ser posteriormente detalhadas em uma seção própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
A seção História é obrigatória em todos os verbetes sobre livros, artigos e outras publicações. Ela deve apresentar, de forma articulada e contextualizada, informações essenciais sobre os autores da obra, bem como os antecedentes, o processo de produção e as circunstâncias que influenciaram a escrita do livro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Recomenda-se incluir uma subseção biográfica, com ênfase nos aspectos da trajetória dos autores diretamente relacionados à obra em questão. Entretanto, deve-se evitar expandir excessivamente essa parte. Detalhes biográficos mais amplos devem ser destinados a verbetes específicos dedicados aos autores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os antecedentes da obra englobam os fatores históricos, intelectuais, clínicos, acadêmicos, culturais ou mesmo artísticos que motivaram sua criação. Isso pode incluir observações de campo, debates públicos, influências conceituais e teorias em voga à época. Também devem ser considerados os aspectos políticos, institucionais e econômicos que afetaram diretamente a vida e o trabalho dos autores, como guerras, crises, instabilidades sociais ou mudanças nas estruturas acadêmicas, institucionais e editoriais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro componente relevante desta seção é o processo de escrita do livro, artigo ou outro. É importante descrever como a obra foi construída, incluindo o tempo dedicado, os desafios enfrentados, as decisões sobre estrutura e conteúdo, além das pressões externas, institucionais, editoriais ou pessoais, que moldaram o texto final. Certas publicações são resultado de anos de trabalho contínuo; outros surgem em poucos meses - ou até dias - por necessidade prática ou circunstâncias imprevistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seção também deve abordar as circunstâncias históricas específicas da obra, ou seja, o momento e o lugar em que foi escrita, os debates aos quais ela responde e os agentes institucionais envolvidos em sua publicação. Demandas editoriais, como a consolidação de textos dispersos em um único volume, também são elementos que ajudam a compreender o formato final da obra e devem ser incluídos sempre que relevantes. Pressões por publicação de artigos e o chamado &#039;&#039;salami science&#039;&#039; também devem ser considerados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, recomenda-se evitar a fragmentação excessiva desta seção em múltiplas subseções com títulos técnicos ou alertas didáticos. Embora temas como o processo de escrita ou as influências históricas sejam fundamentais, o mais importante é que a seção História se apresente como uma narrativa fluida, coerente e interessante, que integre esses diferentes aspectos de maneira natural, evitando um texto excessivamente segmentado e técnico. Isso contribui para preservar o caráter didático, acessível e científico do verbete, fundamental para os objetivos da WikiHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Conteúdo ==&lt;br /&gt;
A seção Conteúdo é obrigatória em todos os verbetes sobre livros, artigos e outras publicações e tem como objetivo apresentar, de forma clara e concisa, os principais conceitos, ideias ou acontecimentos descritos na obra. Essa apresentação deve manter um tom descritivo e informativo, evitando interpretações críticas ou julgamentos de valor, uma vez que o verbete não deve assumir o formato de resenha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seção deve oferecer uma visão panorâmica do conteúdo da obra, destacando seus eixos temáticos centrais, sua estrutura argumentativa e os tópicos mais relevantes abordados pelos autores. Quando necessário, o texto pode remeter o leitor a outros verbetes da enciclopédia ou a fontes externas para o aprofundamento de determinados conceitos ou abordagens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma estratégia útil para organizar essa seção é a descrição breve dos capítulos, partes, seções, volumes ou outras divisões adotadas pelos autores, de modo a evidenciar a progressão da obra e a articulação de suas seções internas. Esse formato contribui para a clareza da exposição e auxilia o leitor a compreender a organização geral do livro, artigo ou outro sem recorrer à obra original.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ideias, propostas e conceitos principais ==&lt;br /&gt;
Diferentemente da seção História, que se dedica à forma como o livro, artigo ou outra publicação foi construído ou apresentado, nesta seção, que é obrigatória, os autores devem selecionar as ideias, propostas ou conceitos principais, que podem emergir ao longo da obra ou em suas partes específicas, e apresentá-los em subseções dedicadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, o desenvolvimento destes elementos, mesmo que atravessem várias partes da obra, devem ser unificados em um único espaço que permita ao leitor da WikiHP ter uma compreensão genérica e ampla daquilo que fundamenta a obra ou o que ela propõe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas publicações podem ter muitas ideias, propostas e conceitos diferentes, então deve-se privilegiar aqueles que são seminais para a obra e os que foram criados pelos próprios autores. Em obras que se dedicam exclusivamente a um conceito, como [[A Tomada de Consciência]], de Jean Piaget, o conceito principal deve ganhar uma seção ou uma subseção específica Outros conceitos importantes, mesmo que sejam de outros autores, também precisam ser trabalhados em suas próprias seções, desde que sejam importantes para a tese ou a compreensão do que é apresentado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas publicações abordam ou apresentam poucas ideias, propostas ou conceitos, pois se limitam a relatar casos ou histórias, por exemplo. Nestes casos, a literatura secundária pode ajudar a indicar quais são as ideias, propostas ou conceitos pertinentes para a obra e, assim, deve-se usá-la para a composição desta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas informações apresentadas na seção Conteúdo podem ser repetidas nesta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Recepção e circulação da obra ==&lt;br /&gt;
Toda obra passa por um processo de recepção, ou seja, uma reação dos leitores, mais ou menos interessados e mais ou menos especializados, que apresentam suas opiniões sobre suas leituras em diferentes veículos, sejam jornais ou periódicos. Essas reações podem ser das mais diversas e conflituosas entre si e podem ser abordadas no verbete em conjunto, de forma individualizada ou uma combinação de ambos. Por vezes, essa reação pode ser tardia e, em alguns casos, existem várias fases de diferentes reações ao longo do tempo. Os autores de verbetes sobre livros, artigos e outras publicações devem considerar e incluir todas estas formas de recepção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A noção de circulação da obra pode ser ampla e variada. Algumas publicações simplesmente são ignoradas por anos até serem redescobertas em algum momento, como Gênese e Desenvolvimento de um Fato Científico, de Ludwig Fleck, que só passou a ser citada mais de uma década após a sua disponibilização. Outros textos passam a ser citados e utilizados em currículos imediatamente após a sua publicação, mantendo seu &#039;&#039;status&#039;&#039; de relevância por muitos anos ou, eventualmente, caindo no esquecimento. Outros materiais circulam fora de ambientes acadêmicos, e são alvo de circulação em outros espaços não especializados. Já outros materiais parecem ter uma história que combina todas estas alternativas, e ainda existem outras. Em qualquer caso, os autores de verbetes sobre livros, artigos e outras publicações devem considerar toda essa amplidão de possibilidades e tentar encontrar a melhor solução para cada caso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns livros trazem em seus prefácios ou introduções elementos importantes para contar a história dessa recepção e circulação, e podem ser indícios valiosos para a composição desta parte. Em outros casos, existem trabalhos dedicados a este assunto, na forma de livros, artigos, teses ou dissertações, onde estas informações já foram organizadas e sistematizadas. Contudo, em numerosos casos, não existem materiais que possam apoiar a escrita dessa seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No caso de recepções ou circulações críticas, estas devem aparecer nesta seção normalmente, mas devem ser melhor desenvolvidas em seção específica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre os autores ==&lt;br /&gt;
É obrigatório que um verbete sobre livros, artigos e outras publicações tenha uma seção dedicada aos autores. Quando a obra foi sabidamente escrita por um ou poucos autores, cada um deles deve receber uma subseção dedicada. No caso de muitos autores, as seções devem ter tamanhos diferentes, com os autores principais recebendo mais atenção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No caso de obras com autoria incerta, a seção deve trazer também uma discussão sobre os problemas de identificar adequadamente os autores da obra. Obras sob pseudônimo também devem trazer uma discussão sobre a identidade do autor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relação com outros autores/ideias/teorias/acontecimentos ==&lt;br /&gt;
Esta seção não é obrigatória, mas, a depender do caso, pode ser altamente recomendável. Nesta seção, deve constar autores, ideias, experimentos ou acontecimentos que, de alguma maneira, tiveram uma influência decisiva para a obra, seja na construção, escrita, ideias e conceitos, recepção e circulação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No caso de autores ou obras em específico, a seção deve contar uma breve descrição deles junto dos motivos desta relação com a obra que é o tema do verbete. Isso vale para ideias, teorias e acontecimentos que tiveram um papel fundamental para a existência da obra, seja na concepção, escrita, circulação e/ou recepção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes um texto é atravessado por múltiplas influências, sendo quase impossível enumerar e analisar todas. Nestes casos, os autores devem selecionar apenas algumas, as principais, de acordo com seus próprios critérios e conforme a discussão apresentada na literatura secundária sobre a obra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Edições ==&lt;br /&gt;
Em todas as vezes em que um livro, artigo ou outras publicações recebeu mais de uma edição, foi publicado em idiomas diferentes do original ou foi publicado em outro país diferente da publicação original, esta seção passa a ser obrigatória.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devem constar indicações e, quando possível, comentários, de todas as edições publicadas, ressaltando as diferenças entre as edições, incluindo dados como ano, nome do(s) tradutor(es), editora, idioma, entre outras informações pertinentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obras que receberam uma quantidade indefinida de edições dispensam os autores de localizar todas as edições, mas, sempre que possível, devem ser apresentadas as edições principais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Traduções ==&lt;br /&gt;
A seção Traduções é obrigatória nos verbetes sobre livros, artigos e outras publicações que tiveram traduções, principalmente se elas trouxerem controvérsias, discussões relevantes ou particularidades associadas às traduções da obra. Isso acontece especialmente com livros clássicos, filosóficos ou científicos cuja interpretação pode variar de acordo com escolhas tradutórias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando presente, esta seção deve abordar de forma clara e crítica os principais debates e questões relacionadas às traduções da obra, incluindo aspectos como: diferenças terminológicas entre versões, impacto de decisões linguísticas sobre o sentido original do texto, cortes, adaptações culturais, estratégias tradutórias adotadas e recepção crítica dessas versões. Também podem ser discutidas as consequências dessas escolhas na leitura e na circulação do texto nos países de língua portuguesa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos casos em que o verbete já inclui uma seção Edições, com a listagem completa das diferentes edições e traduções disponíveis, a seção Traduções não deve repetir esses dados, devendo concentrar-se exclusivamente na análise e discussão crítica das traduções. Nesses casos, pode-se fazer referências cruzadas, com links ou indicações à seção correspondente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, se o verbete não possuir uma seção Edições, esta seção deverá incluir também uma lista sistematizada das principais traduções da obra, com as seguintes informações, sempre que disponíveis:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Nome(s) do(s) tradutor(es);&lt;br /&gt;
* Título da tradução (caso tenha sido modificado);&lt;br /&gt;
* Editora ou outra casa de publicação, local e ano da publicação;&lt;br /&gt;
* Eventuais comentários editoriais ou notas do tradutor relevantes para a compreensão da obra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa abordagem permite valorizar o papel das traduções como mediações interpretativas e culturais, e não apenas como cópias linguísticas do original. Em verbetes sobre obras cuja fortuna crítica em português depende fortemente de traduções específicas - ou em que diferentes traduções tenham causado interpretações conflitantes - essa seção tem um papel crucial no esclarecimento e contextualização do conteúdo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
A depender do contexto e das circunstâncias da publicação, a obra pode ser alvo de uma série de críticas. Elas devem ser apresentadas nesta seção e, quando possível, devem ser apresentadas subseções indicando os personagens ou grupos que teceram as críticas, sejam elas à época da publicação da obra ou posteriormente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deve-se evitar que esta seção se torne a maior ou a principal do verbete, exceto se a obra representar incentivo ou parâmetro para violações constantes dos direitos humanos ou comportamentos eticamente questionáveis de forma consistente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como a WikiHP é uma enciclopédia com perspectiva histórica, as críticas devem ser expostas de forma sumária, salvo nos casos em que as críticas sejam os eventos mais relevantes e definidores do autor da publicação ou dela em si. Um exemplo disso é o caso das obras de [[Sigmund Freud|Freud]], que receberam muitas críticas de diferentes personagens, cada um fazendo pontuações de natureza distintas. Neste exemplo, cada crítico deve receber sua própria subseção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Polêmicas ==&lt;br /&gt;
A depender da história do livro, artigo ou outra publicação que é objeto do verbete, uma seção de polêmicas pode ou não ser obrigatória. Caso os autores decidam incluir uma seção de polêmicas, ela deve mencionar ocorrências na idealização, publicação ou recepção dos livros, artigos ou outras publicações que tenham refletido em uma repercussão polêmica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deve-se evitar que esta seção se torne a maior ou a principal do verbete, exceto se o livro, artigo ou outra publicação tenha sido fundamentado em conceitos eticamente questionáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Retratos na mídia ==&lt;br /&gt;
A seção de Retratos na mídia não é obrigatória para os verbetes sobre livros, artigos e outras publicações, mas é bastante desejável nos casos em que os livros, artigos ou outras publicações estão presentes no imaginário popular, seja por conta de serem comentados ou mesmo reproduzidos em outras produções culturais, como filmes e documentários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para construir essa seção, é necessária uma breve introdução que represente o porquê do livro, artigo ou outras publicações estar presente na mídia, descrevendo o seu impacto na memória cultural. Em seguida, deve ser disposta uma lista, em ordem cronológica, contendo o ano de aparição ou menção do livro, artigo ou outra publicação em um meio de comunicação e o contexto desse acontecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para livros, artigos ou outras publicações que estão presentes na mídia de forma frequente, é importante limitar essa lista às menções ou aparições mais impactantes e significativas de sua história. Além disso, o contexto de cada item da lista deve ser descrito de forma breve, contendo entre uma e três frases, destacando somente as informações necessárias para a compreensão do leitor.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Categoria:Instrumentos&amp;diff=1650</id>
		<title>Categoria:Instrumentos</title>
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		<updated>2026-03-09T18:56:56Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Várias modificações substanciais&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história da psicologia, instrumentos são tecnologias, dispositivos ou procedimentos que se apoiam em suportes materiais ou digitais com o objetivo de traduzir, registrar ou representar aspectos do comportamento, da mente, da subjetividade ou de fenômenos psicológicos em geral. Esses instrumentos operam como mediadores entre a experiência humana e os sistemas de conhecimento psicológico, permitindo que dados subjetivos ou comportamentais sejam convertidos em formas observáveis, comparáveis ou analisáveis, como gráficos, laudos, imagens, escalas ou registros escritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras palavras, os instrumentos são recursos que transformam fenômenos psicológicos em objetos de análise, contribuindo para a produção de conhecimento, a prática profissional ou a formação em psicologia. Eles não se confundem com métodos ou técnicas, se diferenciando destas principalmente por envolverem suporte físico ou digital padronizado. Os verbetes não devem reduzir os instrumentos a simples ferramentas de mensuração, pois sua história revela disputas epistemológicas, transformações tecnológicas e mudanças nas formas de compreender o humano na psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Testes psicológicos padronizados, como o [[Teste de Rorschach]], o [[Escala de Inteligência Wechsler para Adultos (WAIS)|WAIS (Escala de Inteligência Wechsler para Adultos)]] ou o [[Inventário Beck de Depressão]];&lt;br /&gt;
* Dispositivos laboratoriais, como o [[cronoscópio de Wundt]] ou o [[labirinto de Skinner]], usados em experimentos de psicologia experimental;&lt;br /&gt;
* Plataformas digitais de avaliação psicológica, como softwares de aplicação remota de testes ou sistemas informatizados de triagem clínica, podendo incluir métodos baseados em inteligência artificial, a depender do caso;&lt;br /&gt;
* Protocolos terapêuticos estruturados, como o [[diário cognitivo-comportamental]] ou fichas de registro de emoções em intervenções clínicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada verbete dessa categoria deve apresentar não apenas a descrição técnica do instrumento, mas sobretudo sua trajetória histórica, incluindo como surgiu, em que contexto teórico e social foi desenvolvido, quais transformações sofreu ao longo do tempo, e como foi apropriado, adaptado ou criticado em diferentes momentos e lugares, especialmente no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, é importante considerar os debates éticos, epistemológicos e políticos que envolvem o uso de instrumentos na psicologia, como as críticas à padronização excessiva, à medicalização da subjetividade ou à exclusão de saberes não hegemônicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa categoria permite compreender como a psicologia se constituiu como ciência e prática por meio de dispositivos que moldam o olhar, organizam a escuta e estruturam a intervenção — revelando, assim, os valores e paradigmas que sustentam cada época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Título ==&lt;br /&gt;
Como regra geral, se deve utilizar o nome completo do instrumento, a partir de seu nome público, ainda que eventualmente este difira do nome registrado oficialmente. Para o caso de um instrumento muito conhecido, o título deve refletir este nome, exceto se for pejorativo ou distorça excessivamente sua natureza, objetivos ou constituição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo disso é o teste de Rorschach. Originalmente, o criador do teste, o psiquiatra suíço [[Hermann Rorschach]], queria que seu teste se chamasse algo como “Psicodiagnóstico com Base em Imagens sem Autoria”, mas seu editor o convenceu a chamar o instrumento apenas de “Psicodiagnóstico”. Apesar do seu nome oficial ser simples e direto, o teste ficou conhecido como Teste de Rorschach entre profissionais da saúde mental, e Teste das Manchas para o público em geral. Neste caso, autores de um verbete sobre o assunto devem escolher Teste de Rorschach, seu nome mais famoso. O nome original, “Psicodiagnóstico”, além de atrapalhar os usuários da WikiHP em localizar informações sobre o teste, ainda pode confundi-los devido ao homônimo com o processo de psicodiagnóstico. Já Teste das Manchas distorce o sentido e a natureza do teste, reduzindo-o ao mero uso das manchas. Contudo, todos estes nomes devem constar no texto do verbete, com as devidas explicações, o que auxilia o leitor a compreender de forma mais ampla o contexto do instrumento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cabeçalho ==&lt;br /&gt;
O cabeçalho é uma seção obrigatória para todos os verbetes enquadrados nesta categoria e deve conter o nome resumido do instrumento, o nome completo, bem como suas variações consagradas popularmente ou entre os profissionais. Deve ser incluído também o nome do instrumento em seu idioma original, quando for estrangeiro. Ainda no cabeçalho, se deve adicionar a data de criação do instrumento; a data de publicação do original; e, quando houver, no Brasil o local da publicação original e; quando houver, no Brasil, a natureza do instrumento; seu tipo; utilidade e aplicações; constructos avaliados; suas bases teóricas e os atuais proprietários dos direitos autorais no Brasil. O cabeçalho deve conter também um brevíssimo histórico. Todos os elementos apresentados precisam estar escritos na forma de uma narrativa fluida e interessante para o leitor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
Uma seção sobre a história do instrumento é obrigatório e deverá conter informações sobre a história e os acontecimentos que marcam a trajetória do instrumento até os dias de hoje. Elementos úteis para esta história incluem as primeiras concepções, tentativas iniciais, inspirações utilizadas pelos criadores do instrumento, as dificuldades encontradas na criação, os modelos teóricos utilizados, percalços no processo de validação, os locais onde foi criado e testado, como foi disponibilizado ao público e seus usos principais. Além disso, se recomenda incluir uma subseção que indique os impactos, consequências ou relevância do instrumento para a psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em caso de um instrumento com versão corrente no Brasil, deve-se também apresentar a história de sua chegada e validação no país, incluindo os envolvidos na tradução e na adaptação, os locais onde foram feitos os testes e as motivações e possíveis aplicações que motivaram a importação e adaptação do instrumento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns instrumentos possuem uma história bastante rica e cheia de acontecimentos e reviravoltas. É necessário procurar cobrir todas elas, ainda que sejam repetidas em outras seções específicas. A exceção são as críticas ao instrumento, que devem ser reservadas à seção de acordo, exceto no caso de instrumentos com largo histórico de uso para violação dos direitos humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Materiais ==&lt;br /&gt;
É obrigatória a escrita de uma seção dedicada aos materiais que são parte do instrumento. Ela deve conter a descrição do suporte material do instrumento, o que pode incluir folhas, cadernos, peças, partes móveis e o que mais participar da estrutura física.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos casos de instrumentos cuja composição varia conforme a edição, deve-se prioritariamente descrever a composição de cada versão e, nos casos em que isso não for possível, a descrição da composição das versões em que isso é possível, alertando o leitor da limitação do verbete. Nomes estrangeiros sem tradução consolidada devem ser escritos no original, acompanhados de uma tradução livre ou explicação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deve-se incluir entre os materiais os manuais do instrumento, incluindo manuais de aplicação, resumos, máscaras, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns instrumentos são bastante simples, limitando-se a uma folha ou mesmo sendo apenas um livro ou manual. Nestes casos, é necessária uma descrição sumária do conteúdo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Constructo avaliado ==&lt;br /&gt;
Todo instrumento foi desenvolvido para avaliar um ou um conjunto de constructos ou conceitos. Isso torna obrigatória uma seção dedicada a este assunto. Em geral, o constructo aparece no manual do instrumento, mas pode ser grafado de outra forma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existem casos de instrumentos que contêm manuais com longas explicações sobre o constructo avaliado ou medido, e, nestes casos, deve-se fazer um resumo deste conteúdo, que deve ser fundamentado principalmente em fonte primária. No caso da ausência de uma descrição primária detalhada, deve-se adotar fontes secundárias para complementar a seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns constructos podem ser polêmicos, o que atrai críticas. Neste caso, elas devem ficar restritas à seção de críticas. Em outros casos, o constructo pode ser bastante complexo e avançado, o que vai demandar dos autores maior cuidado para manter as sutilezas e complexidade do assunto sem renunciar à função explicativa e simplificadora dos verbetes da WikiHP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos casos em que isso for possível, deve-se incluir os parâmetros de avaliação utilizados pelo instrumento, mas deve-se evitar detalhes técnicos de natureza matemática, devido às limitações de funcionamento da plataforma para este tipo de conteúdo no momento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modo de avaliação ==&lt;br /&gt;
A forma de avaliar os dados obtidos pelo instrumento é essencial para sua compreensão, o que torna uma seção destinada ao assunto também obrigatória. Se deve buscar descrever as etapas de aplicação do instrumento, incluindo o funcionamento dos objetos que o compõe e quaisquer outros instrumentos adotados na sua utilização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma do que se espera para a seção Constructo avaliado, deve-se utilizar principalmente de fontes primárias para a construção desta seção. No caso de ausência de uma descrição primária detalhada, deve-se adotar fontes secundárias como recurso alternativo. Alguns instrumentos possuem versões diferentes que trouxeram mudanças nos procedimentos adotados. Nestes casos, é opção do autor descrever os procedimentos para cada edição. De forma alternativa, adota-se a descrição cuja fonte primária é mais detalhada, alertando o leitor sobre esta limitação. Nos casos dos instrumentos cuja aplicação ou funcionamento não é conhecido, se deve incluir esta informação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As instruções para correção ou avaliação do instrumento também devem ser apresentadas de modo sumário, indicando genericamente o que se considera nesta etapa de avaliação e indicando, com clareza, os possíveis resultados que podem ser obtidos com a aplicação e análise dos dados do instrumento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Edições e versões ==&lt;br /&gt;
Quando um instrumento possui mais de uma edição ou versão, estas devem ser incluídas no verbete, em uma seção específica. Neste caso, as informações a serem acrescentadas incluem anos, editoras ou empresas, autores ou criadores, tradutores e equipe de validação, entre outras. Se for possível e se assim o autor do verbete o desejar, pode-se utilizar do recurso tabela para permitir a comparação das versões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contextos de utilização ==&lt;br /&gt;
Cada instrumento é desenvolvido ou recomendado para certos públicos, contextos ou finalidades, voltando-se para finalidades específicas e recomendadas pelos autores e equipe de validação do material no Brasil. Estas informações são obrigatórias para todos os verbetes nesta categoria e devem estar dispostas em seção específica, ainda que já conste em outro lugar do verbete.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos casos de instrumentos de psicologia como ciência básica, deve-se mencionar os laboratórios que utilizaram o instrumento e, se forem muitos, se destaca então os principais. Nos casos de instrumentos de psicologia como ciência aplicada, deve-se descrever os contextos em que é mais utilizado, principalmente por áreas de aplicação (p.e. [[Psicologia Escolar]]). Contudo, os autores do verbete podem utilizar de outras descrições de contextos que julgarem mais pertinentes, de acordo com a literatura consultada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É nesta seção que se deve mencionar se o instrumento pode ser utilizado por profissionais conforme os parâmetros do [[Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI)|Satepsi]] (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos) do [[Conselho Federal de Psicologia (CFP)|Conselho Federal de Psicologia]], junto da data em que esta informação foi coletada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos casos dos instrumentos com aplicações e usos problemáticos ou alvo de denúncia de violação dos direitos humanos, estes devem ser destinados a seções específicas dentro desta mesma seção ou em seção específica dentro da seção Críticas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Instituições, grupos e personagens importantes ==&lt;br /&gt;
Embora não obrigatória, esta seção é recomendada sempre que houver agentes históricos relevantes envolvidos nas diferentes etapas de desenvolvimento, validação, difusão ou aplicação do instrumento abordado no verbete.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seção deve ser organizada em subseções dedicadas a cada instituição, grupo ou personagem que tenha desempenhado um papel significativo na trajetória do instrumento, desde sua concepção inicial até suas formas de uso em contextos profissionais, acadêmicos ou institucionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada subseção deve trazer:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Uma breve apresentação do agente (instituição, grupo ou indivíduo), com informações essenciais para situá-lo historicamente;&lt;br /&gt;
* Uma descrição clara de sua relação com o instrumento, destacando ações, decisões, contribuições ou posicionamentos relevantes;&lt;br /&gt;
* Quando pertinente, o contexto em que essa atuação ocorreu (por exemplo, debates acadêmicos, políticas públicas, reformas curriculares, disputas éticas).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Informações biográficas ou institucionais mais amplas devem ser evitadas nesta seção, sendo destinadas para verbetes dedicados específicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O foco deve permanecer na conexão entre os agentes destacados e o instrumento em questão, contribuindo para uma compreensão mais rica e contextualizada de sua história e de seus desdobramentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Os instrumentos podem ser alvo de críticas, incluindo sobre suas propriedades psicométricas, suas limitações, validade ou até existência, constructo medido pelo instrumento ou críticas sobre o seu uso, entre outros. Os autores de um verbete podem ou não adicionar uma seção destinada a estas críticas, porém, quando elas são abundantes e existe literatura consistente sobre o problema, é recomendável que tal seção seja criada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eventualmente, as críticas voltam-se para instrumentos envolvidos, direta ou indiretamente, em formas de violações dos direitos humanos. Nestes casos, a seção de críticas é obrigatória, desde que amparada em literatura especializada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deve-se evitar deixar que a seção de críticas seja a mais longa das seções e subseções dedicadas à história em si do instrumento, mesmo se este tiver natureza polêmica e controversa. Como a WikiHP é uma enciclopédia com temática histórica, as críticas deverão ser expostas de forma sumária, salvo nos casos em que as críticas sejam os eventos mais relevantes e definidores do tema. Os verbetes que utilizarem desta seção deverão nomeá-la por Críticas. Podem ser utilizadas subseções para organizar os diferentes tipos de críticas ou mesmo os diferentes autores que as propõe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Polêmicas ==&lt;br /&gt;
A depender da história do instrumento que é objeto do verbete, uma seção de polêmicas pode ou não ser obrigatória. Caso os autores decidam incluir uma seção de polêmicas, ela deve mencionar ocorrências na elaboração, aplicação ou atualização do instrumento que tenham refletido em uma repercussão polêmica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deve-se evitar que esta seção se torne a maior ou a principal do verbete, exceto se o instrumento tiver um histórico de ser utilizado para cometer violações dos direitos humanos ou for fundamentado em conceitos eticamente questionáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Retratos na mídia ==&lt;br /&gt;
A seção de Retratos na mídia não é obrigatória para os verbetes sobre instrumentos, mas é bastante desejável nos casos em que os instrumentos estão presentes no imaginário popular, seja por conta de livros, filmes, documentários ou outras produções culturais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para construir essa seção, é necessária uma breve introdução que represente o porquê do instrumento estar presente na mídia, descrevendo o seu impacto na memória cultural. Em seguida, deve ser disposta uma lista, em ordem cronológica, contendo o ano de aparição ou menção do instrumento em um meio de comunicação e o contexto desse acontecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para instrumentos que estão presentes na mídia de forma frequente, é importante limitar essa lista às menções ou aparições mais impactantes e significativas de sua história. Além disso, o contexto de cada item da lista deve ser descrito de forma breve, contendo entre uma e três frases, destacando somente as informações necessárias para a compreensão do leitor.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Helena_Antipoff&amp;diff=1649</id>
		<title>Helena Antipoff</title>
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		<updated>2026-03-09T14:39:25Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Adicionei categoria&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Helena Wladimirna Antipoff nasceu na Rússia, na cidade de Grodno, em 25 de março de 1892. Foi uma psicóloga e educadora russa convidada a vir para o Brasil pelo estado de Minas Gerais, sendo conhecida como a “mineira universal” por Drummond (1974). Dedicou-se às crianças que tinham deficiências hereditárias ou biológicas e às crianças que não faziam parte da elite socioeconômica do país. Ela fundou a Sociedade Pestalozzi em 1932, que atualmente possui cerca de 221 afiliadas no Brasil, acolhendo 135 mil pessoas. Além disso, Antipoff fundou também a Fazendo do Rosário em 1940, que tinha como objetivo a interação da escola com a comunidade rural. Ela morreu em Belo Horizonte, no dia 9 de agosto de 1974.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
Helena Antipoff nasceu na Rússia, em Grodno, no ano de 1892. Filha de Wladimir Vassilevitch Antipoff, capitão do Exército formado pela Academia do Estado-Maior de São Petersburgo, e de Sofia Constantinovna. No ano de 1909, Helena e sua família se mudaram para Paris e em 1911 estava matriculada na Sorbonne no curso de Medicina. O interesse pela Psicologia surgiu quando assistiu as aulas de [[Pierre Janet]] e Henri Bergson.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Começou a estagiar no [[Laboratório de Psicologia da Universidade de Paris]], participando da padronização de testes de nível mental em crianças. Ela obteve seu diploma de psicóloga em 1914, no &#039;&#039;Institut des Sciences de l’Education Jean-Jacques Rousseau&#039;&#039;, especializando-se em Psicologia de Educação. Ela fez parte de uma escola experimental que se chamava &#039;&#039;Maison&#039;&#039; &#039;&#039;des Petits,&#039;&#039; na qual eram testados métodos educativos, como a Escola Ativa. A proposta era que o educando deixasse de ser objeto e passasse a ser o sujeito ativo no processo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Helena precisou regressar à Rússia após seu pai ter se ferido na guerra. Durante esse período, ela trabalhou em estações médico-pedagógicas, atuando como psicóloga-observadora durantes os anos de 1916 até 1924. Nesse ínterim, colaborou com o [[Laboratório de Psicologia Experimental de Petersburgo]]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Helena fez uma pesquisa sobre “O nível mental das crianças russas nas escolas infantis”, que teve como objetivo observar a influência da guerra e da revolução no desenvolvimento mental das crianças. Os resultados não foram muito diferentes de crianças francesas, algumas vezes até superior, mas a diferença que ela notou foi entre os filhos de operários e famílias abastadas. Isso a fez pensar se não existiam fatores hereditários, pois o ensino das crianças era o mesmo. Deixou as autoridades revolucionárias inquietas com o estudo que pretendia demonstrar a superioridade intelectual da classe dirigente sobre a operária. No ano de 1919, ela teve um filho chamado Daniel e em 1924, Viktor Tretzky, marido de Helena que era jornalista e escritor russo, estava sendo perseguido por manifestações contra o regime comunista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1924, a família de Helena perdeu sua cidadania russa e foram para Berlim. Em 1925, separou de seu marido e foi para Genebra, onde trabalhou no [[Laboratório de Psicologia da Universidade de Genebra]] como professora de Psicologia da Criança na Escola de Ciências da Educação, sendo também assistente de [[Édouard Claparède|Édouard Claparède.]] Nesse período, ela recebeu o convite para lecionar na Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Minas Gerais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegou no Brasil no dia 06 de agosto de 1929. Foi recebida por [[Lourenço Filho]] e [[Noemy Silveira]], que levou Helena para conhecer a Escola Normal Modelo. A formação dos novos educadores na Escola de Aperfeiçoamento visava o ensino de novos métodos educativos inspirados na Psicologia.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola tinha como foco a graduação de docentes normalistas, onde Helena assumiu as disciplinas de Psicologia Experimental e Psicologia da Criança. Seu objetivo era que os alunos da escola primária fizessem provas psicológicas, na tentativa de organizar o espaço escolar. Nessa  época, o governo tinha o foco em homogeneizar a sala de aula, pensamento que foi dominante no século XX e corroborado pela ampla utilização dos testes psicométricos e da  psicologia das diferenças individuais, muitas vezes desconsiderando a existência de fatores sócio-culturais e institucionais que pudessem contribuir para os resultados verificados e favorecer a discriminação dos estudantes com menores escores nas testagens. Ao se deparar com esse sistema educacional considerado excludente, Helena passou a se dedicar ainda mais às crianças que eram rejeitadas pelo sistema e criou uma instituição nomeada como Sociedade Pestalozzi, que tinha como objetivo acolhê-las. Ela também introduziu o termo &amp;quot;excepcional&amp;quot; em vez do termo &amp;quot;retardado&amp;quot; para designar as crianças que se afastavam da normalidade, que poderiam ser portadoras de quaisquer deficiências hereditárias ou biológicas e crianças que não fizessem parte da elite socioeconômica do país. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Sociedade Pestalozzi ===&lt;br /&gt;
A Sociedade Pestalozzi de Belo Horizonte foi fundada no ano de 1932, tornando-se futuramente Instituto Pestalozzi de Minas Gerais, e logo transformado em instituição pública do governo do Estado de Minas Gerais. Contou com a presidência de Helena Antipoff e era composta por médicos, educadores e religiosos, tendo por objetivo cuidar das crianças excepcionais e ajudar as professoras de classes especiais. Também chamava a atenção das autoridades com relação às péssimas condições de vida de crianças pobres e abandonadas. A Sociedade atuava em diversas áreas relacionadas à exclusão social, envolvendo miséria e abandono, deficiências mentais e proteção dos direitos das crianças em risco social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Fazenda do Rosário ===&lt;br /&gt;
A Fazenda do Rosário foi inaugurada em 1940, no município de Ibirité, em Minas Gerais. nessa fazenda, Helena pôde desenvolver muitas pesquisas e intervenções nas áreas de educação especial, educação rural, superdotação e criatividade. O principal objetivo era integrar a escola à mais próxima comunidade rural e trazer os benefícios civilizatórios da escola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais tarde, tornou-se o Complexo Educacional do Rosário, composto por várias instituições educativas: Escolas Reunidas Dom Silvério (para o ensino primário); Clube Agrícola João Pinheiro (ensino e experimentação de técnicas agrícolas); Ginásio Normal Oficial Rural Sandoval Azevedo (com internato para moças); Ginásio Normal Oficial Rural Caio Martins (com internato para rapazes); Instituto Superior de Educação Rural (Iser), com cursos de treinamento para professores rurais, incluindo a prática no cultivo de lavouras, hortas, pomares, na criação de animais, e cursos de economia doméstica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Final de sua vida ===&lt;br /&gt;
No final de sua vida, Helena ainda se preocupava com a educação para todos. Em decorrência da experiência do Rosário, Antipoff desenvolveu uma preocupação especial para com a descoberta de talentos e a educação dos bem-dotados. Ela se preocupou em criar uma instituição que tinha como principal objetivo incentivar o talento e a criatividade, e em 1972 essa fundação se tornou real. Ela faleceu pouco tempo depois, em Belo Horizonte, no dia 9 de agosto de 1974.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Epistemologia genética no Brasil ===&lt;br /&gt;
Vários autores indicam o pioneirismo de Antipoff na discussão sobre as ideias de Piaget no Brasil, sendo uma das primeiras a abordar a questão no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia Biográfica ==&lt;br /&gt;
1892 - Nasce em 25 de março de 1892, Helena Antipoff.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1911 - Matriculou-se no curso de medicina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1914 - trocou de curso para Psicologia e fez uma especialização em Psicologia de Educação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1916 - Trabalhou em um abrigo para crianças em São Petersburgo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1925 - Tornou-se professora de Psicologia no Instituto Jean-Jacques Rousseau e assistente de Claparède no Laboratório de Psicologia da Universidade de Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1929 - Recebe um convite do governo de Minas Gerais e vai para o Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1932 - Fundou a Sociedade Pestalozzi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1934 - A Sociedade Pestalozzi criou o Instituto Pestalozzi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1940 - Inauguração da Fazenda do Rosário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1974 - Morreu em 9 de agosto de 1974. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
Helena Antipoff, psicóloga e educadora que fundou a Sociedade da Pestalozzi e Fazenda do Rosário, sendo pioneira na educação especial no Brasil, foi homenageada por várias instituições, como:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Instituto Helena Antipoff, no Rio de Janeiro - RJ&lt;br /&gt;
*Escola Municipal Helena Antipoff, em Niterói - RJ&lt;br /&gt;
*Escola Municipal Professora Helena Antipoff, em Juiz de Fora - MG&lt;br /&gt;
*Fundação Helena Antipoff, em Ibirité - MG&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Édouard Claparède]]&lt;br /&gt;
* [[Laboratório de Psicologia Experimental de Petersburgo]]&lt;br /&gt;
* [[Laboratório de Psicologia da Universidade de Genebra]]&lt;br /&gt;
* [[Laboratório de Psicologia da Universidade de Paris]]&lt;br /&gt;
* [[Lourenço Filho]]&lt;br /&gt;
* [[Noemy Silveira]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
# CAMPOS, Regina Helena de Freitas. [https://www.scielo.br/j/ea/a/vrRrrTKm57vsYZvqDVpsgbx/?lang=pt Helena Antipoff: razão e sensibilidade na psicologia e na educação]. &#039;&#039;&#039;Mulher, mulheres - Estud. av. 17 (49).&#039;&#039;&#039; São Paulo, 2003.&lt;br /&gt;
# CAMPOS, Regina Helena de Freitas. &#039;&#039;&#039;[https://livros01.livrosgratis.com.br/me4703.pdf Helena Antipoff]&#039;&#039;&#039;. Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana. 152p, 2010.&lt;br /&gt;
# DIAS, Maria Helena Pereira. &#039;&#039;&#039;Helena Antipoff: Pensamento e Ação Pedagógica à Luz de uma Reflexão Crítica&#039;&#039;&#039;. Tese (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas. Campinas, 1995.&lt;br /&gt;
# MARTINS, Alberto Mesaque Martins; AUGUSTO, Rosely Carlos; ANTUNES-ROCHA, Maria Isabel. [https://www.fafich.ufmg.br//memorandum/wp-content/uploads/2012/03/martinsaugustoantunesrocha01.pdf Psicologia e educação rural na obra de Helena Antipoff: um olhar sobre o passado]. &#039;&#039;&#039;Memorandum 21.&#039;&#039;&#039; Belo Horizonte, 2011.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Milena de Sousa Peres, como exigência parcial para a disciplina de Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.1, publicado em 2021.1.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Epistemologia Genética no Brasil]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Z%C3%A9lia_Ramozzi-Chiarottino&amp;diff=1648</id>
		<title>Zélia Ramozzi-Chiarottino</title>
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		<updated>2026-03-09T14:31:22Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Criação do verbete&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Zélia Ramozzi-Chiarottino nasceu na cidade de São Paulo. Sendo filósofa por formação, Ramozzi-Chiarottino desempenhou um papel fundamental na construção da relação entre a filosofia, a psicologia e a educação, tendo como centro de seu trabalho a teoria da epistemologia genética de Jean Piaget. Sua atuação impactou gerações de pesquisadores e promoveu a consolidação da Epistemologia Genética no Brasil e na América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primeiros anos ===&lt;br /&gt;
Zélia Ramozzi-Chiarottino nasceu na cidade de São Paulo. Aos 16 anos, conheceu as obras de Immanuel Kant, desenvolvendo interesse pela área da filosofia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Trajetória acadêmica ===&lt;br /&gt;
Ramozzi-Chiarottino iniciou sua trajetória acadêmica em 1955, ao tornar-se graduanda em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), concluindo o curso após três anos, em 1958. Pouco tempo depois, em 1964, foi contemplada com uma bolsa de estudos do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento para realizar um mestrado em Filosofia das Ciências na Universidade de Provença (atual Universidade de Aix-Marselha), na França, recebendo seu título em 1967, com a tese “O conceito de estrutura em Piaget”. Neste mesmo ano, passou a atuar como professora de graduação no curso de Psicologia da USP, onde ministrou a disciplina “Linguagem e Pensamento” e iniciou diversos projetos de pesquisa, explorando temas como construtivismo epigenético e epistemologia e psicologia social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posteriormente ao mestrado, ainda em 1967, Ramozzi-Chiarottino ingressou em um doutorado em Psicologia Experimental no Instituto de Psicologia da USP (IPUSP), tornando-se doutora em 1970, com a dissertação “Modelo e estrutura na obra de Jean Piaget”. Entre esse período, em 1968, criou o Laboratório de Epistemologia Genética no IPUSP (atual Laboratório de Epistemologia Genética e Reabilitação Psicossocial) e, desde então, tem atuado como supervisora de todos os casos atendidos no laboratório, tendo desenvolvido várias técnicas para reabilitação de crianças com transtornos de comportamento e problemas de linguagem. Também neste ano, teve sua estreia na pós graduação, ministrando as disciplinas “Seminários de Epistemologia Genética”, “Linguagem e Construção do Real” e “Sistemas Lógicos e Sistemas de Significação não-lógica no comportamento do ser humano”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1970, em Genebra, participou dos cursos “Travaux Pratiques” e “Biologia e Conhecimento”. O primeiro ensinava a fazer pesquisa empírica conforme as ideias propostas por Jean Piaget e, o segundo, foi ministrado pelo próprio Piaget. A partir desse mesmo ano, tornou-se supervisora da área de deficiência mental do IPUSP e foi professora no instituto de física da USP, até 1972.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ramozzi-Chiarottino realizou dois pós-doutorados ao longo de sua trajetória, ambos na área das ciências humanas. O primeiro percorreu o ano de 1972 e ocorreu na Universidade de Genebra, na Suíça, sob o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa (FAPESP). Já o segundo, mais focado em Linguística, ocorreu entre os anos de 1973 e 1975, na Itália, na Universidade dos Estudos de Roma La Sapienza – desta vez, sob o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1982, com a tese “Em busca do sentido da obra de Jean Piaget – pequena colaboração para aqueles que se ocupam de reeducação num país de contrastes”, Ramozzi-Chiarottino foi aprovada no concurso de livre-docência. Tornou-se professora titular do IPUSP em 1987 e, entre 1988 e 1992, atuou como diretora do Instituto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tempo na Europa ===&lt;br /&gt;
No ano de 1990, foi convidada a atuar como professora visitante na Universidade de Lyon II - Lumière, LYON-II, na França. Sob o apoio da Universidade de Lyon, Ramozzi-Chiarottino ministrou a disciplina “A Construção do Real e o Déficit Cognitivo” para a  pós-graduação de mesmo nome e a graduação em psicologia. Além disso, realizou seminários nos quais compartilhou suas descobertas no Laboratório de Epistemologia Genética.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1995, foi bolsista sênior da Fundação Arquivos Jean Piaget (Universidade de Genebra), na Suíça, onde desenvolveu um projeto de pesquisa sobre os manuscritos de Piaget, o “A imagem mental e a questão da ruptura da razão (ou inteligência) com a experiência sensível&amp;quot;, que resultou em um artigo publicado no Boletim de Psicologia, periódico da Sorbonne distribuído internacionalmente. Em 1996, a Fundação Arquivos Jean Piaget a declarou a principal representante da Escola de Genebra no Brasil e na América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2004, Ramozzi-Chiarottino foi convidada pelo Hospital Psiquiátrico Saint Jean de Dieu e pela Universidade de Lyon (I e II) a atuar como professora visitante, conduzindo palestras para os funcionários do hospital acerca de distúrbios severos da conduta infantil. Nesse mesmo ano, trabalhou com a supervisão de casos no Serviço de Psiquiatria Infantil do Hospital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Projetos recentes ===&lt;br /&gt;
Em 2018, Ramozzi-Chiarottino recebeu o título de professora emérita pelo IPUSP. Ao longo dos últimos anos, tem se dedicado ao desenvolvimento de projetos e à publicação de diversas obras, bem como ao trabalho no Laboratório de Epistemologia Genética do IPUSP. Entre 2006 e 2010, coordenou o projeto &amp;quot;Kantismo epigenético de Jean Piaget e sua história”, seguido pelo projeto “Epigênese: de Piaget e Waddington aos nossos dias. A história de um conceito”, que se passou entre 2009 e 2011.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mantém seus estudos focados na Filosofia da Ciência Biológica: é professora titular sênior na Universidade de São Paulo e, desde o ano de 2023, coordena a pesquisa “Sobre o desenvolvimento histórico do processo cognitivo na Sierra Nevada de Santa Marta, Colômbia. Reconstrução do processo que conduziu às atuais sociedades indígenas iku e kogi a serem o que são”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ramozzi-Chiarottino teve um papel fundamental na introdução das ideias de Jean Piaget no Brasil e na América Latina. Sua atuação Brasil afora promoveu a integração entre a filosofia, a psicologia e a educação e contribuiu para o desenvolvimento de novos entendimentos acerca do tema, fornecendo a sustentação para que muitas novas pesquisas se originassem e influenciando o campo acadêmico até os dias atuais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Influências ==&lt;br /&gt;
O referencial teórico adotado nos projetos de Ramozzi-Chiarottino baseia-se no conceito de epistemologia genética proposto por Jean Piaget, que estuda o processo de cognição do ser humano e seu desenvolvimento cognitivo e ético. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Introdução das ideias de Piaget no Brasil ===&lt;br /&gt;
O trabalho de Zélia Ramozzi-Chiarottino foi essencial para que as propostas de Jean Piaget fossem introduzidas na academia brasileira. Seus muitos projetos de pesquisa acerca de aspectos da epistemologia genética ajudaram a promover o tema e a incentivar a realização de novos estudos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Laboratório de Epistemologia Genética e Reabilitação Psicossocial ===&lt;br /&gt;
O Laboratório de Epistemologia Genética (atual  Laboratório de Epistemologia Genética e Reabilitação Psicossocial) do IPUSP foi fundado por Ramozzi-Chiarottino em 1968. A proposta do laboratório é a de estudar o comportamento psicossocial e, em complemento, intervir na reabilitação psicossocial de crianças severamente debilitadas. As técnicas desenvolvidas no laboratório são compartilhadas ao redor do país por diferentes instituições e possibilitaram o tratamento de muitas crianças, bem como a produção de uma variedade de dissertações, teses, artigos e livros que trazem essa temática.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia biográfica ==&lt;br /&gt;
1955: Iniciou sua graduação em Filosofia na Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1964: Iniciou um mestrado em Filosofia das Ciências na Universidade de Provença (Atual Universidade de Aix-Marselha)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1967: Tornou-se professora no curso de psicologia da USP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1967: Iniciou um doutorado em Psicologia Experimental na USP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1968: Fundou o Laboratório de Epistemologia Genética no Instituto de Psicologia da USP (IPUSP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1972: Realizou um pós-doutorado na Universidade de Genebra&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1973: Iniciou um pós-doutorado na Universidade dos Estudos de Roma La Sapienza&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1982: Foi aprovada no concurso de livre docência&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1987: Se tornou professora titular no IPUSP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1988: Se tornou diretora do IPUSP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1990: Atuou como Professora Visitante na Universidade de Lyon&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1995: Atuou como Bolsista Sênior na Fundação Arquivos Jean Piaget&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1996: Foi declarada como a principal representante da Escola de Genebra no Brasil e na América Latina&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2004: Atuou como Professora Visitante no Hospital Psiquiátrico Saint Jean de Dieu e Lyon (I e II)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2018: Recebeu o título de Professora Emérita pelo IPUSP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Artigos ===&lt;br /&gt;
2021: Jean Piaget &#039;s Genetic Epistemology as a Theory of knowledge Based on Epigenesis.   Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.athensjournals.gr/humanities/2021-8-3-2-Ramozzi-Chiarottino.pdf&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2020: Uma homenagem a Jean Piaget, por ocasião dos quarenta anos de sua morte. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://periodicos.unir.br/index.php/clareira/article/view/5893&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2017: Jean Piaget&#039;s unrecognized epigenetic ontogenesis of logical-mathematical thought. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2016: 25 anos da revista Psicologia USP. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.scielo.br/j/pusp/a/jVKxSvtFtDYgvPF7fmKtzRh/?lang=pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2014: Vie et vérité – Un hommage à Jean-Blaise Grize. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://trajethos.ca/files/3814/2238/7308/RAMOZZI_TrajEthos31.pdf&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2013: O dualismo de Descartes como princípio de sua Filosofia Natural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.scielo.br/j/ea/a/hBXJHjbjSNBMXZdbWjHzRDC/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2012: Por que considero Piaget um gênio?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2010: Análise crítica de um artigo da Revista Schème sobre os estudos da obra de jean Piaget no Brasil. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/scheme/article/view/1966&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2010:  Piaget segundo seus próprios argumentos. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.scielo.br/j/pusp/a/pQyqXs5N77VMNrc4m85Nvgw/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2005: Os estágios do desenvolvimento da inteligência, in Jean Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2002: Barbel Inhelder procura falsear o modelo piagetiano, antes da Teoria de Popper. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.scielo.br/j/prc/a/ZwGRjQMCCJGRqHf6s4SWx7q/?lang=pt#:~:text=A%20id%C3%A9ia%20genial%20de%20B%C3%A4rbel,mostrou%20as%20vantagens%20da%20refutabilidade&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2002: Fatores cognitivos na reabilitação vocal após laringectomia total- Estudo da cognição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2002: Razão e Emoção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1998: A ausência de determinadas funções cognitivas que impede a socialização da criança e sua relação com o comportamento psicótico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1998: Piaget selon l&#039;ordre des raisons. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.persee.fr/doc/bupsy_0007-4403_1998_num_51_435_14737&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1988:  Barbel Inhelder et la question de la méthode en Psychologie Scientifique. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1996: A ausência de determinadas funções cognitivas que impede a socialização da criança e sua relação com o comportamento psicótico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1994: O Conceito de construtivismo na obra de Piaget. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1994: Prisonniers du présent: le developpement cognitif et la socialisation de l&#039;enfant défavorisé. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorio.usp.br/item/001563936&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1991: Sistemas Lógicos e Sistemas de Significação na obra de Jean Piaget. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1678-51771991000100002&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1991: A Formação de Psicólogos e Pesquisadores. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1987: O déficit pode ser real. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1979: Causalidade e operações em Piaget. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://revistas.usp.br/cienciaefilosofia/article/view/105258/103998&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1978: Linguagem e capacidade de operar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Livros ===&lt;br /&gt;
2024: A representação social da teoria de Jean Piaget: A Parte tomada pelo todo… no Brasil, ou no mundo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2002: Piaget-Século XXI. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2001:  Annita de Castilho e Marcondes Cabral e a aurora da Psicologia no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2000:  Psicologia e Epistemologia Genética de Jean Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1996: Centenario do Nascimento de Jean Piaget - Teoria e Pratica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1994: Em Busca do Sentido da Obra de Jean Piaget.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1989 (na França): De la théorie de Piaget à ses applications, une hypothèse de travail pour la rééducation cognitive.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1972: Piaget: Modelo e estrutura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1972 (na Suíça): Archives Jean Piaget: Modèle et Sructure chez Piaget. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PRÊMIOS E RECONHECIMENTOS&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1996, foi declarada a principal representante da Escola de Genebra no Brasil e na América Latina;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2020, foi escolhida para escrever o elogio fúnebre de Jean-Marie Dolle, Professor Emérito da Universidade de Lyon II;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2018, recebeu o título de professora emérita pela USP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi escrito por Júlia Lombardi Carneiro em 2025.2 e publicado em 2026.1 a pedido dos editores da WikiHP.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Epistemologia Genética no Brasil]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Maria_Helena_Souza_Patto&amp;diff=1647</id>
		<title>Maria Helena Souza Patto</title>
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		<updated>2026-03-09T14:20:54Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Adicionei categoria&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Maria Helena Souza Patto, nascida na cidade de Taubaté - no Vale do Paraíba-, é uma psicóloga e grande pesquisadora da Psicologia da Educação no Brasil.&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
===Início da vida===&lt;br /&gt;
Maria Helena Souza Patto, nascida na cidade de Taubaté, no Vale do Paraíba, em São Paulo, viveu o primeiro período de sua vida na fazenda em que morava com sua família. Mesmo não tendo energia elétrica em sua casa, a matriarca desenvolveu o hábito de ler para Patto e seus irmãos à noite, fomentando nos filhos o costume e apreço pela leitura. Já alfabetizada pela mãe, Maria Helena saiu do interior e mudou-se para São Paulo, onde posteriormente, ingressou no primário em uma escola localizada em Tremembé, bairro periférico da cidade. &lt;br /&gt;
===A escolha do &amp;quot;caminho psi&amp;quot;===&lt;br /&gt;
Maria Helena Souza Patto sofreu uma grande influência de sua mãe, D. Ione, no tocante às escolhas que embasaram sua vida profissional: seu interesse pela psicologia foi muito direcionado pelo âmbito familiar. Apesar da intensa vontade de estudar, a mãe de Maria Helena teve que interromper precocemente seus estudos gerando uma certa frustração que tornou Patto herdeira da realização do desejo materno. A progenitora tinha uma grande admiração por uma amiga que era psiquiatra e desejou que a filha seguisse os mesmos passos da médica. A psicóloga, no entanto, não cogitou seguir tal destino devido à sua preferência em ciências humanas e dificuldades em exatas, que a prejudicam no vestibular concorrido de medicina. Logo, optou pelo “caminho psi” escolhendo cursar Psicologia e satisfazendo o desejo de sua mãe. Sendo assim, no ano de 1965, Patto formou-se em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), em 1970 realizou seu mestrado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano, em que desenvolveu o tema “Privação cultural e educação compensatória pré-primária: considerações teóricas e práticas”. 10 anos depois, concluiu seu doutorado também pela USP, na mesma área, mas agora pesquisando “Psicologia e ideologia: reflexões sobre a psicologia escolar.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Envolvimento com a Psicologia Escolar===&lt;br /&gt;
Quando Maria Helena iniciou sua graduação em Psicologia na Universidade Federal de São Paulo (USP), em 1965, o curso era ainda muito simplificado e fundamentado principalmente em manuais da Psicologia clássica norte-americana. Deste modo, o único tema que despertou profundo interesse em Patto veio de um dos textos que teve acesso na faculdade, denominado “Os falsos débeis”, que abordava a questão das crianças pobres não serem inaptas ao aprendizado, mas carentes culturais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tal problemática era íntima e pessoal para Maria Helena devido às precariedades experimentadas em sua infância. Quando pequena, recém-chegada do interior, participou de um grupo escolar em Tremembé, bairro periférico de São Paulo, que atendia a uma população muito pobre. Apesar de ser a primeira da classe no colégio, dado que já havia sido alfabetizada pela mãe, Patto sentia-se incomodada com as dificuldades de escolarização apresentadas por vários colegas de sala e pela forma que eles eram tratados em comparação a ela. Tal noção e sentimento de injustiça se deram, sobretudo, por influência de sua avó materna, que era filiada ao Partido Comunista Brasileiro e a ensinou várias lições durante a vida.  &lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
Patto pesquisa os problemas de aprendizagem no contexto do fracasso escolar sob a perspectiva da Psicologia Escolar. Sua abordagem é crítica e dialógica, buscando questionar os fazeres e saberes no que diz respeito à concepção das instituições escolares e sua realidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para ela, a História é uma área pouco desenvolvida nas pesquisas psicológicas, mas essencial para compreender a psicologia como uma construção histórica e pode contribuir tanto para uma perspectiva mais crítica sobre as práticas psi quanto para o resgate das capacidades filosóficas desse saber. No contexto da psicologia escolar, essa perspectiva colabora para a relacionar a História da Psicologia em paralelo à História da Educação, refletindo sobre o fazer dos psicólogos na escola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ressalta-se sua contribuição para a abordagem desses elementos no Brasil, pensando especificamente aspectos culturais, políticos, econômicos e sociais próprios do país. Tal posição decorre de sua perspectiva acerca da própria ciência, uma vez que Patto rejeita a concepção de ciência neutra e se debruça sobre os aspectos ideológicos presentes na produção de ideias. É válido, entretanto, apontar que a autora pensa também a questão da perspectiva política e posicionada diante dos fatos, adotando metodologias científicas de pesquisa histórica para subsidiar suas argumentações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua crítica se volta para a psicologia e suas bases que, &#039;&#039;a priori,&#039;&#039; servem aos interesses dominantes. É por meio dessa posição crítica que questiona teses preconceituosas e deterministas que atribuíam o fracasso escolar a fatores particulares ditos naturais dos sujeitos e atribui inaptidões e dificuldades de aprendizado a fatores ideológicos, políticos, sociais e culturais, amplificando a noção de fracasso ao atribuir sua causa à instituição escolar, ao invés do sujeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua principal obra é “A produção do fracasso escolar: Histórias de submissão e rebeldia”, o livro teve sua primeira edição publicada em 1987 pela editora Casa do Psicólogo. Nele, a autora trata da especificidade dos problemas e dificuldades de aprendizagem, abordando-os sob uma ótica crítica cuja análise avança especialmente para as questões de ensino que são atravessadas por fatores sociais, históricos e políticos, que, para a autora, são essenciais para a compreensão do fenômeno de fracasso escolar, especialmente da juventude pobre e periférica no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um importante ponto de sua teoria é a inter-relação entre os sujeitos da educação. Sua pesquisa desvela os discursos presentes tanto nos profissionais, quanto nos alunos e na família, promovendo uma análise qualitativa coerente com o rigor científico, isso porque ela se baseia tanto na revisão crítica da literatura quanto na coleta e análise de dados - que emergem de entrevistas, observação e investigação rigorosa sob uma perspectiva psicossocial.&lt;br /&gt;
===Repercussão===&lt;br /&gt;
A obra “A produção do fracasso escolar”, de sua autoria, que está agora em sua 4ª edição (revista e ampliada) figura como um marco para a Psicologia da Educação, sendo ainda base para pesquisas acadêmicas e também para concepção de provas para ingresso em concurso público nas áreas da educação. Segundo Carvalho (2011), essa trajetória de sucesso deve-se à capacidade esclarecedora do livro de tratar questões próprias da educação (e mais especificamente das dificuldades de aprendizagem) por meio da exposição do funcionamento da estrutura da instituição escolar no Brasil; e às conexões que a autora faz com os aspectos sócio-históricos que permeiam esse fazer educacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Google scholar, uma pesquisa pelo nome do livro oferece mais de 77 mil resultados, denotando como a produção do fracasso escolar figura como um termo investigado na academia. Ao mesmo tempo, a busca pela autora na ferramenta oferece mais de 6 mil resultados, indicando não apenas produções que refletem sobre uma pesquisa da qual ela é pioneira, mas os textos em que suas pesquisas são citadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Patto foi responsável pela criação do Serviço de Psicologia do IPUSP, que atende escolas públicas do ensino fundamental. Além disso, atuou como diretora do Instituto de Psicologia da USP, de 2004 a 2008, sendo lembrada pela sua atuação ética e democrática que possibilitou a melhoria do espaço físico, a reformulação do currículo do curso de graduação em Psicologia e a criação do projeto pedagógico do Curso de Licenciatura em Psicologia, implantado em 2008.&lt;br /&gt;
==Cronologia biográfica==&lt;br /&gt;
1961-1965 - Graduação em Psicologia, pela Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1965 - 1965 - Professora Psicologia Social - Instituto Sedes Sapientiae (ISS)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1963 - 1965 - Psicóloga Estagiária - Centro de Estudos Juvenis do Juizado de Menores do Estado de São Paulo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1965 - 1970 - Auxiliar de Ensino - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (USP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1967-1970 - Mestrado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano - Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1970 - 1981 - Professora Assistente no Depto de Psicologia - Instituto de Psicologia (USP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1977-1981 - Doutorado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano - Universidade de São Paulo (USP)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1980 - 1982 - Professora de Pós-Graduação - Instituto Metodista de Ensino Superior, IMES&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1981 - 1987 -  Professora Assistente Doutora - Instituto de Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1983 - 1989 - Pesquisadora Nível III - Fundação Carlos Chagas (FCC)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1985 - 1985 - Pesquisadora - Fundação Carlos Chagas (FCC)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1985 - Representante da Fundação Carlos Chagas - junto ao Conselho de Menor. - Conselhos, Comissões e Consultoria, Secretaria Estadual de Promoção Social do Governo do Estado de São Paulo, Programa do Menor Conselho do Menor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1988 - 2000 - Professora-adjunta - Instituto de Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1995 - Prêmio APEOESP 50 anos (Melhor livro sobre educação escolar - A Produção do Fracasso Escolar: histórias de submissão e rebeldia), APEOESP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1999 - Atual - Membro do corpo editorial - Periódico: Revista Educação e Sociedade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2000 - Atual - Professora Titular - Instituto de Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2000 - Troféu Paulo Freire de Compromisso Social, Conselhos de Psicologia do Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2000 - Brasileiros que têm compromisso Social - Professora Homenageada pelo reconhecimento e destaque da sua atuação em prol dos excluídos, Conselho Federal de Psicologia - Conselho Regional de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2007 - Atual - Membro do corpo editorial - Periódico: Psicologia. Reflexão e Crítica&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2008 - Homenageada pelo Conselho Federal de Psicologia em matéria publicada na revista Psicologia: Ciência e Profissão, 28(10, 2008, p. 224., Conselho Federal de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2016 - Homenageada pelo Instituto de Psicologia da USP como Professora Emérita.&lt;br /&gt;
==Quem influenciou==&lt;br /&gt;
===Atuação na pós-graduação===&lt;br /&gt;
Maria Helena Souza Patto assumiu o cargo de Professora Titular no Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade do Instituto de Psicologia da USP, em 2000. Desde então, foi responsável pela orientação de 20 mestres e 13 doutores. Dentre os orientandos destacam-se:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Marilene Proença Rebello de Souza&#039;&#039;&#039;, Professora Titular da USP, Psicóloga pelo Instituto de Psicologia da USP. Docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano no Instituto de Psicologia da USP. Coordena o Laboratório Interinstitucional de Estudos e Pesquisas em Psicologia Escolar - LIEPPE e é líder do Grupo de Pesquisa do CNPq Psicologia e Escolarização: políticas públicas e atividade profissional na perspectiva histórico-crítica. Presidente da Academia Paulista de Psicologia, ocupando a Cadeira no. 02, Lourenço Filho. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Débora Cristina Piotto&#039;&#039;&#039;, que atualmente é professora da USP (campus Ribeirão Preto), no curso de Pedagogia, na Licenciatura e no Programa de Pós-Graduação em Educação, coordenando ainda o Grupo de Estudos sobre Sucesso e Fracasso Escolar (Gesfe); &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Ana Beatriz Valerio Coutinho&#039;&#039;&#039;, que atua na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia da Infância, sendo psicóloga do Serviço de Psicologia Escolar do Instituto de Psicologia da USP e Editora Executiva da Revista Estilos da Clínica - IPUSP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Lizandra Guedes Baptista&#039;&#039;&#039;, que atua como coordenadora da Jornada de Alfabetização do Maranhão, programa de alfabetização de jovens e adultos, desenvolvido pelo Governo do Estado do Maranhão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Mário Sérgio Vasconcelos&#039;&#039;&#039;, foi Vice presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento (SBPD-2006/2008), Diretor da Faculdade de Ciências e Letras de Assis/UNESP (2007/2011), Coordenador de Permanência Estudantil da UNESP e Presidente do Conselho Curador da Editora UNESP. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Sandra Maria Sawaya&#039;&#039;&#039;, que é professora do Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação da Faculdade de Educação da USP onde desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão junto aos cursos de Graduação (Licenciatura e Pedagogia) e Pós-graduação (mestrado e doutorado). Dedica-se a pesquisas sobre escolarização e camadas populares. Foi vice-coordenadora e Coordenadora da Comissão de Licenciatura da FEUSP (2015-2016) e coordenadora da Área Temática Psicologia e Educação junto à Comissão de Pós-graduação da FEUSP. É membro do Grupo de Pesquisa Nutrição e Pobreza do Instituto de Estudos Avançados IEA da Universidade de São Paulo. Escreveu o livro “Psicologia e educação: uma introdução das contribuições da psicologia à compreensão do cotidiano escolar”, publicado em 2018.&lt;br /&gt;
==Obras==&lt;br /&gt;
===Livros===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Introdução à psicologia escolar - 1981&lt;br /&gt;
* A produção do fracasso escolar: histórias de submissão e rebeldia - 1987&lt;br /&gt;
* Mutações do cativeiro: escritos de psicologia e política - 2000&lt;br /&gt;
* Exercícios de Indignação - 2005&lt;br /&gt;
* Pensamento Cruel - Humanidades e Ciências - 2007&lt;br /&gt;
* A cidadania negada: políticas públicas e formas de viver - 2009&lt;br /&gt;
* Formação de psicólogo e relações de poder sobre a miséria da psicologia - 2012&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Artigos ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Patto, M. H. S. (1999b). Estado, ciência e política na Primeira República: a desqualificação dos pobres. Estudos Avançados, 13(35). Recuperado em 25 de outubro de 2010, da SciELO (Scientific Electronic Library OnLine). &lt;br /&gt;
* Patto, M. H. S. (2000a). Para escrever uma história da psicologia. In Seminário de Historiografia da Psicologia, 1 (pp. 81-96). São Paulo: GEHPAI/FAPESP&lt;br /&gt;
* Patto, M. H. S. (2000b). Mutações do cativeiro: escritos de psicologia e política. São Paulo: Edusp. &lt;br /&gt;
* Patto, M. H. S. (2003). O que a história pode dizer sobre a profissão do psicólogo: a relação Psicologia-Educação. In A. M. B. Bock (Org.), Psicologia e compromisso social (pp. 29-35). São Paulo: Cortez. &lt;br /&gt;
* Patto, M. H. S. (2007a). Escolas cheias, cadeias vazias: nota sobre as raízes ideológicas do pensamento educacional brasileiro. Estudos Avançados, 21(61). Recuperado em 01 de outubro de 2010, da SciELO (Scientific Electronic Library OnLine).&lt;br /&gt;
* Patto, M. H. S., &amp;amp; Pereira, J. A. F. (2007b). Pensamento cruel – humanidades e ciências humanas: há lugar para a psicologia? São Paulo: Casa do Psicólogo. &lt;br /&gt;
* Patto, M. H. S. (Org.). (2009). A cidadania negada: políticas públicas e formas de viver. São Paulo: Casa do Psicólogo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Produções coletivas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Angelucci, C. B., Kalmus, J., Paparelli, R., &amp;amp; Patto, M. H. S. (2004). O estado da arte da pesquisa sobre o fracasso escolar (1991-2002): um estudo introdutório. Educação e Pesquisa, 30(1), 51-72. Recuperado em 25 de outubro de 2010, da SciELO (Scientific Electronic Library OnLine).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Prêmios==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* 1995 - Prêmio APEOESP 50 anos (Melhor livro sobre educação escolar - A Produção do Fracasso Escolar: histórias de submissão e rebeldia), APEOESP.&lt;br /&gt;
* 2000 - Troféu Paulo Freire de Compromisso Social, Conselhos de Psicologia do Brasil.&lt;br /&gt;
* 2008 - Homenageada pelo Conselho Federal de Psicologia em matéria publicada na revista Psicologia: Ciência e Profissão, 28(10, 2008, p. 224., Conselho Federal de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Jean Piaget]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psicologia da USP]]&lt;br /&gt;
* [[Psicometria]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Boletim do Portal História da Psicologia==&lt;br /&gt;
Este verbete está publicado também no Boletim do Portal História da Psicologia, e pode ser acessado [https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 aqui]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# BASSANI, Elizabete; PINEL, Hiran. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0103-65642011000300005&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso Notas sobre a contribuição da obra de Maria Helena Souza Patto em um Programa de Pós-Graduação em Educação]. &#039;&#039;&#039;Psicol. USP&#039;&#039;&#039;,  São Paulo, v. 22, n. 3, p. 551-568, Set.  2011.&lt;br /&gt;
# GOMES, Jerusa Vieira. Prefácio à segunda edição. &#039;&#039;&#039;In: PATTO, Maria Helena Souza. A produção do fracasso escolar: histórias de submissão e rebeldia.&#039;&#039;&#039; Casa do Psicólogo, São Paulo, 2015.&lt;br /&gt;
# MACIEL, Marcelo de Abreu. [https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/mnemosine/article/view/41570/pdf_251 Leituras rebeldes: a presença de Maria Helena Souza Patto na História da Psicologia e da Educação]. &#039;&#039;&#039;Mnemosine&#039;&#039;&#039; Vol.8, n.2, p. 331-336, 2012.&lt;br /&gt;
# [http://pepsic.bvsalud.org/pdf/pcp/v28n1/v28n1a17.pdf Maria Helena Souza Patto - Homenagem]. &#039;&#039;&#039;Psicol. cienc. prof.&#039;&#039;&#039;, vol.28, n.1, pp. 220-220, 2008.&lt;br /&gt;
# MELLO, Sylvia Leser de. Prefácio à primeira edição. &#039;&#039;&#039;In: PATTO, Maria Helena Souza. A produção do fracasso escolar: histórias de submissão e rebeldia&#039;&#039;&#039;. Casa do Psicólogo, São Paulo, 2015.&lt;br /&gt;
# PATTO, Maria Helena Souza. &#039;&#039;&#039;A produção do fracasso escolar:&#039;&#039;&#039; histórias de submissão e rebeldia. São Paulo, Casa do Psicólogo, 2015. Acesso em 20 set. 2020.&lt;br /&gt;
# PATTO, Maria Helena Souza. [http://lattes.cnpq.br/7501186967903233 Currículo do sistema currículo Lattes]. Brasília, dez. 2014. &lt;br /&gt;
# PATTO, Maria Helena Souza. [http://pdf.blucher.com.br.s3-sa-east-1.amazonaws.com/openaccess/9788580392906/completo.pdf Para uma crítica da razão psicométrica]. &#039;&#039;&#039;In: MACHADO, A.M.; LERNER, A.B.C.; FONSECA, P.F.(org). Concepções e proposições em psicologia e educação: a trajetória do Serviço de Psicologia Escolar do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo&#039;&#039;&#039;. Blucher, São Paulo, 2017.&lt;br /&gt;
# PATTO, Maria Helena Souza. [https://www.youtube.com/watch?v=XZD56lKwWRU Curso: Investigando as relações históricas entre psicologia e educação no Brasil (pt1)]. &#039;&#039;&#039;Clio Psyché&#039;&#039;&#039;. 08.11.2001.&lt;br /&gt;
# RAMOS, Conrado. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0103-65642011000300003&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso A indignação dialética: paixão e resistência em Maria Helena Souza Patto]. &#039;&#039;&#039;Psicol. USP&#039;&#039;&#039;,  São Paulo,  v. 22, n. 3, p. 499-528, Set. 2011.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links externos==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.youtube.com/watch?v=rI_VRBaVkL4&amp;amp;feature=emb_title&amp;amp;ab_channel=crpspvideos CRP SP - Projeto Diálogos 6 - Maria Helena Souza Patto]&lt;br /&gt;
* [https://www.youtube.com/watch?v=hqPaZ_2ex3w Cerimônia de outorga de título de Professora Emérita à Profa. Maria Helena Patto]&lt;br /&gt;
* [https://www.ip.usp.br/site/maria-helena-souza-patto/ Maria Helena Souza Patto - Instituto de Psicologia da USP]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Anna Júlia do Amaral, Anna Valentina Nascimento, Fernanda Beatriz Santo, João Victor Mothé e Raquel Donegá, como exigência parcial para a disciplina de Estudos Avançados Em História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2020.2, publicado em 2021.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Epistemologia Genética no Brasil]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Antonio_Gomes_Penna&amp;diff=1646</id>
		<title>Antonio Gomes Penna</title>
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		<updated>2026-03-09T14:20:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Adicionei categoria&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Antonio Gomes Penna nasceu em 13 de maio de 1917, na cidade do Rio de Janeiro. Cursou Economia, Direito e Filosofia, além de ter adquirido os títulos de doutor em Psicologia Geral e Psicologia Educacional. Teve uma extensa carreira acadêmica, contabilizando mais de 50 anos de magistério em diversas instituições e disciplinas, desde o ensino primário até a pós-graduação, destacando-se sua atuação como professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e sua condecoração como Professor Emérito na mesma instituição. Sua profícua produção bibliográfica conta com mais de 100 artigos publicados e cerca de 30 obras de estrita autoria, a maioria sobre diversos temas da psicologia. Contribuiu principalmente para o desenvolvimento da história da psicologia enquanto uma disciplina acadêmica no Brasil, através de suas aulas, obras e atividades de orientação sobre o tema, além de ter defendido sua inclusão nos cursos de graduação em psicologia. Foi também uma importante figura para a institucionalização da formação em psicologia no Brasil, tendo participado da criação de diversos cursos de graduação e pós-graduação no país, sendo principalmente responsável pela criação do Curso de Psicologia da UFRJ. Faleceu em 08 de setembro de 2010, com 93 anos de idade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Vida familiar ===&lt;br /&gt;
Antonio Gomes Penna nasceu em 13 de maio de 1917, na cidade do Rio de Janeiro. Sua família é de origem portuguesa e fortemente ligada ao catolicismo, sendo o filho mais novo do segundo casamento de sua mãe, Maria Amélia Campos Penna, com um rico industrialista chamado João Gomes Penna. Foi o mais novo entre cinco irmãos, três irmãos e uma irmã do primeiro casamento de sua mãe e uma irmã do segundo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A juventude de Penna foi marcada por certo conforto, desde sua infância até o início de sua vida adulta, não havendo maiores necessidades de começar a trabalhar por questões financeiras. O que não o impediu de exercer seu primeiro ofício relativamente cedo — aos 23 anos de idade — e sempre trabalhando de maneira intensa. Enquanto sua mãe desejava que o filho trilhasse a carreira intelectual, seu pai desejava que o sucedesse nos negócios da fábrica, embora nunca tenha deixado de garantir recursos financeiros para que pudesse estudar o que lhe interessava. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Penna casou pela primeira vez em 1942, com uma vizinha do bairro em que morava e também neta do marechal Floriano Peixoto. Desse casamento, nasceram os seus dois filhos, o mais velho chamado Lincoln Abreu Penna e a mais nova Edna Penna, sendo que o primeiro tornou-se historiador e a segunda, psicóloga. O casamento durou 12 anos, chegando ao seu término em 1954. Sua primeira esposa fora diagnosticada com um grave caso de esquizofrenia e, com a separação do casal, Penna ficou responsável pela tutela jurídica dela por vários anos, até o momento em que Lincoln passou a exercer tal função.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda no ano de 1954, morreu o pai de Penna aos 78 anos de idade. Em 1956, também com 78 anos de idade, morreu a sua mãe, da qual sempre fora muito próximo. Por conta de uma cegueira oriunda de um glaucoma, ela sofreu uma queda fatal dentro de casa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo casamento de Penna ocorreu alguns anos após o término do primeiro, com uma ex-colega da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro). Entretanto, o casamento terminou de maneira abrupta, tendo em vista que sua segunda esposa foi acometida por um câncer de fígado que a matou no intervalo de um mês, mais especificamente no dia 11 de fevereiro de 1958.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, o terceiro e último casamento de Penna aconteceu em dezembro de 1959, ano em que reencontrou uma antiga aluna que agora era sua colega de trabalho no Instituto de Educação, Marion Merlone dos Santos. O casamento de ambos foi alvo de controvérsias na época, pois se tratava da união conjugal entre um recém-viúvo de 41 anos de idade com uma mulher consideravelmente mais jovem (23 anos de idade), que também acabara de se separar de seu antigo marido. Por conta disso, surgiram propostas de que os dois fossem expulsos da instituição, ou então, que fossem transferidos para evitar o “mau exemplo”. Não obstante esse episódio, o casal teve um longo e duradouro relacionamento de 50 anos, isto é, até a data em que Penna veio a falecer, no dia 8 de setembro de 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Formação acadêmica ===&lt;br /&gt;
Penna concluiu seus estudos primários e secundários no Instituto La-Fayette, no Rio de Janeiro. Embora não tivesse interesse em seguir os passos do pai no ramo dos negócios, mas ainda querendo atender suas vontades, Penna ingressou na Escola do Comércio aos dezessete anos de idade, um dos primeiros cursos de Economia da cidade do Rio de Janeiro. Posteriormente, ingressou na Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ), recebendo assim o título de bacharel em Direito em 1944. Em 1945, ingressou no curso de Filosofia da Faculdade Nacional de Filosofia da mesma universidade, participando de uma pequena turma de 4 alunos e graduando-se em 1948, adquirindo o título de licenciado em Filosofia. Foi a sua graduação na Filosofia que o levou a estudar fenomenologia, o método fenomenológico e, inclusive, a se aproximar da psicologia, a qual dedicou-se intensivamente após terminar o curso. Também completou dois doutorados, um em Psicologia Geral e outro em Psicologia Educacional, obtidas pelas livres docências que realizou na Universidade da Guanabara (atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro) sobre os respectivos assuntos, a primeira em 1957 e a segunda em 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Atuação profissional ===&lt;br /&gt;
A carreira profissional de Penna é notoriamente marcada pelo magistério, tendo começado a lecionar em 1940 e aposentado-se compulsoriamente em 1987, quando estava prestes a completar 70 anos de idade. O que não o impediu de dar aulas por mais alguns anos e de continuar a participar de bancas de mestrado e doutorado em diversos estados, para além do Rio de Janeiro. Nesses mais de 50 anos de docência, Penna passou por várias instituições educativas, tanto privadas quanto públicas, desde o ensino primário à pós-graduação, sem contar sua passagem por instituições militares e nas Sociedades de Psicanálise do Rio de Janeiro. Lecionou sobre diversos assuntos nas áreas da Economia, Filosofia, Sociologia, História e Psicologia, sendo esta última a que mais se beneficiou com sua atuação, sobretudo no ensino de história da psicologia, assunto que abordou em sala de aula por mais de 15 anos. Também desempenhou diversas funções administrativas ao longo de sua carreira, e esteve presente na criação de vários programas de pós-graduação em Psicologia. A partir de 1949, tem começo sua extensa produção bibliográfica, que ao todo conta com 53 verbetes na Enciclopédia Mirador Internacional, mais de 100 artigos e cerca 30 livros publicados, muitos dos quais foram elaborados a partir dos conteúdos das aulas que ministrava e dedicados à Psicologia. E a partir da década de 1970, passou a orientar diversas dissertações de mestrado e teses de doutorado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Instituto La-Fayette (1942-1947) ====&lt;br /&gt;
Em 1942, Penna começou a trabalhar como professor no Instituto La-Fayette, colégio no qual havia realizado seus estudos primários e secundários. Nessa instituição, ministrou aulas sobre história, psicologia e filosofia, até que em 1944 passou a integrar na condição de assistente o Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, ministrando a partir desse momento a disciplina de Psicologia Geral. Continuou a exercer esse cargo até o ano de 1947, quando se afastou dele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Colégio Andrews (1949-1957) ====&lt;br /&gt;
Penna também foi professor no Colégio Andrews, desde 1949 até 1957, onde lecionou sobre economia, filosofia, sociologia e psicologia. A pedido do diretor do colégio, ministrou dois cursos para o corpo docente, tendo um deles contado com a presença de [[Anísio Teixeira]]. Em 1957, foi convidado para assumir a direção do colégio, mas por motivos de ordem pessoal, recusou o convite. Penna retornou a tal colégio quando houve a criação das classes experimentais, mas apenas permaneceu por um breve período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (1949-1967) ====&lt;br /&gt;
Após ter concluído sua graduação em Filosofia, ainda em 1948, Penna recebeu dois convites de professores da própria Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil: um para integrar como assistente da cadeira de História da Filosofia, feito pelo professor Álvaro Vieira Pinto, e outro para integrar como assistente da cadeira de Psicologia, a pedido do professor [[Nilton Campos]]. Vale lembrar que, no Brasil, a Psicologia ainda não era uma disciplina autônoma e independente, e que a profissão de psicólogo não havia sido regulamentada até o momento, por isso o curso de Psicologia da antiga Universidade do Brasil estava submetido aos departamentos de Filosofia e de Pedagogia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Penna aceitou o convite de  Nilton Campos e assumiu a função em 1948, mas como sua nomeação apenas aconteceu em maio de 1949, passou o ano de 1948 sem receber qualquer remuneração por tal ofício. Ele ficou encarregado de dar aulas ao primeiro ano do curso de Psicologia, mas devido aos diversos problemas de saúde de Nilton Campos, acabava lecionando durante os seus três anos de duração. Além disso, Penna lecionou por um ano a disciplina de História da Filosofia, substituindo o professor Álvaro Vieira Pinto quando este tirou licença para exercer atividades docentes no Paraguai. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passou a integrar o Instituto de Psicologia — que funcionava como um órgão complementar às cadeiras de Psicologia Geral e Psicologia Educacional, submetidas respectivamente aos departamentos de Filosofia e Pedagogia — em 1951 ao ser nomeado pelo seu diretor, Nilton Campos. No mesmo ano, propôs a criação de uma revista científica do próprio instituto, intitulada “Boletim do Instituto de Psicologia”, cuja publicação estendeu-se até 1974. Devido a um erro técnico que ocorreu no primeiro volume, a revista recebeu o título de “Anuário do Instituto de Psicologia”, o que fez com que o Boletim contabilizasse 22 volumes em vez de 23, como deveria ter sido. O Boletim funcionava como um meio para publicar textos dos docentes da Faculdade Nacional de Filosofia e do Instituto de Psicologia, sendo a maioria correspondente ao conteúdo das aulas que ministravam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Permaneceu no instituto até o ano de 1958, quando pediu demissão após ter sido nomeado professor de Psicologia Educacional no Instituto de Educação, mediante aprovação em concurso. Não obstante, continuou trabalhando como assistente de Nilton Campos desde 1949 até 1963, ano em que este veio a falecer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Nilton Campos, Penna assumiu interinamente a cátedra que seu mestre ocupava na época, a de Psicologia Geral, e o Instituto de Psicologia também passou a ser dirigido temporariamente por [[Eliezer Schneider]]. Juntos, começaram a criar o Curso de Psicologia na Faculdade Nacional de Filosofia, cabendo ao Penna organizá-lo junto dos professores da faculdade e dos psicólogos do instituto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1964, foram criados tanto o Curso de Psicologia como o Departamento de Psicologia que deveria ministrá-lo, o qual Penna dirigiu — ainda na condição de interino — até 1967, quando ocorreu a extinção da Faculdade Nacional de Filosofia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A criação do Curso foi marcada por diversos obstáculos, o que incluiu a oposição por parte de psiquiatras e a disponibilização de uma única sala de aula, localizada na sede do próprio Instituto de Psicologia. A princípio, estava prevista a entrada de 40 alunos, mas por conta de medidas judiciais tomadas por candidatos “excedentes” (que foram aprovados, mas excediam as vagas disponíveis) e de um decreto, 120 alunos foram aceitos. Diante desse número muito maior de alunos do que o esperado, e também da falta de espaço físico para acomodá-los, foi necessário alocar uma turma para o período da manhã e outra para o período da tarde, o que não impediu os corredores do instituto de serem utilizados como uma extensão da sala de aula para acomodar os excedentes. A primeira turma do curso contou com a presença de figuras como [[Luiz Alfredo Garcia-Roza]], que veio a ser professor titular de Psicologia Geral da UFRJ, [[Franco Lo Presti Seminério]], futuro diretor do [[Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)]], e [[Marion Merlone dos Santos Penna]], esposa de Penna e futura diretora do [[Instituto de Psicologia da UFRJ]] (1981-1985).   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1965, Penna prestou concurso para se tornar professor catedrático efetivo de Psicologia Geral da Faculdade Nacional de Filosofia — anteriormente ocupada pelo seu mestre Nilton Campos. Na prova de aula, foi sorteado o tema sobre o método fenomenológico e suas aplicações na psicologia; Na prova prática, foi sorteado o tema sobre “Estudo da memória”; Na prova escrita, foi sorteado o tema “A influência do pensamento de Demócrito na evolução da Psicologia”; Por fim, a tese apresentada por Penna abordava o tema “Percepção e Comportamento Exploratório”. Ele foi aprovado no concurso com uma média superior a 9,50, conquistando assim a cátedra tão desejada em 27 de agosto. Mas com a extinção da Faculdade Nacional de Filosofia em 1967, o seu título de professor catedrático foi substituído pelo de professor titular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1967-1997) ====&lt;br /&gt;
Com a extinção da Faculdade Nacional de Filosofia, o Curso de Psicologia passou a ser dirigido pelo Instituto de Psicologia. Mas como o instituto ainda era um órgão suplementar, ele não atendia aos critérios necessários para exercer as funções de uma faculdade. Assim, Penna atuou como interino na direção do instituto para garantir que tais critérios fossem atendidos, modificando seu regimento, criando uma congregação, organizando os departamentos e, juntamente com sua esposa, professora Marion Merlone dos Santos Penna, organizando a Divisão de Psicologia Aplicada. Além disso, foi nesse período que o Instituto estabeleceu convênios com o Detran e o Colégio Santo Inácio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1978, Penna foi indicado para se tornar o diretor efetivo do Instituto de Psicologia, função que exerceu até 1981. Durante sua gestão, criou o primeiro programa de pós-graduação do Instituto de Psicologia da UFRJ, o qual teve uma curta duração devido à baixa produção científica de seus participantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1987, quando completou 70 anos de idade, Penna teve que se aposentar compulsoriamente pela UFRJ. Logo após sua aposentadoria, em 1988, recebeu o título de Professor Emérito do Instituto de Psicologia da UFRJ, que o permitiu lecionar e exercer atividades de orientação por mais alguns anos em certos programas de pós-graduação do instituto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Universidade do Estado da Guanabara (1950-1970) ====&lt;br /&gt;
Em 1950, Penna assumiu a cátedra interina de Psicologia Educacional do Departamento de Pedagogia da antiga Universidade do Estado da Guanabara (atual Universidade Estadual do Rio de Janeiro), cujo catedrático efetivo era [[Lourenço Filho]], substituindo-o temporariamente. No mesmo ano, também tomou posse da cátedra interina de Psicologia Geral do Departamento de Filosofia, a qual permaneceu até o ano de sua aposentadoria, em 1970.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Penna realizou duas docências livres nessa universidade. A primeira foi feita ao final de 1957, na cátedra de Psicologia Geral, o que concedeu-lhe um doutorado em Psicologia Geral. A segunda foi feita em 1960, na cátedra de Psicologia Educacional, o que concedeu-lhe um doutorado em Psicologia Educacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse período, Penna também ministrou aulas de filosofia para um grupo seleto de alunos em sua própria casa, tais como Luiz Alfredo Garcia-Roza, José Guilherme Merquior, Clauze Ronald de Abreu, Maniusia Mota de Oliveira, Helcio Mendonça e entre outros, muitos dos quais vieram a se tornar professores da UERJ e da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Escolas militares (1953-1968) ====&lt;br /&gt;
Em 1953, Nilton Campos recebeu um convite da Escola de Comando e Estado Maior da Aeronáutica (ECEMAR) para ministrar um curso sobre Psicologia Aplicada às Forças Armadas. Poucos dias antes do curso começar, pediu a Penna que o substituísse, visto que sua saúde havia piorado. Assim, Penna ministrou o curso em seu lugar, discorrendo sobre temas como liderança, disciplina, seleção, propaganda, e continuou sendo convidado a lecioná-lo até 1968, quando os convites pararam de ser feitos devido a suspeitas de suas supostas ações “subversivas”. Nesse ínterim, Penna desenvolveu o “Manual de Psicologia Aplicada às Forças Armadas”, que se tornou leitura obrigatória na Aeronáutica até 1970. Também foi professor fundador da disciplina Psicologia Aplicada às Forças Armadas na Escola de Aeronáutica no Campo dos Afonsos, o que fez durante dois anos, até que pediu para um ex-aluno assumir o seu lugar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de ter ministrado aulas para a aeronáutica, entre o final da década de 1950 e o início da década de 1960 Penna lecionou diversos cursos para oficiais do exército que visavam exercer a função do ensino, ensinando-lhes sobre psicologia da aprendizagem, psicologia da linguagem, psicologia da percepção etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Instituto de Educação (1958-1963) ====&lt;br /&gt;
O [[Instituto de Educação]], fundado por Anísio Teixeira e considerado a primeira escola de nível superior para a formação de professores, contou com a participação de Penna enquanto professor de Psicologia Educacional, entre 1958 a 1963. Em 1964, foi transferido dessa instituição para a recém-criada Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação Getúlio Vargas (1971-1992) ====&lt;br /&gt;
Em 1970, Penna foi convidado pelo diretor do então chamado Instituto de Seleção e Orientação Profissional da Fundação Getúlio Vargas (ISOP/FGV), Franco Lo Presti Seminério, para participar de uma comissão que criaria um programa de pós-graduação em Psicologia Aplicada. Tal comissão contou com a presença de Eliezer Schneider e seria presidida por Lourenço Filho, mas este faleceu antes das reuniões finalizarem. Em janeiro de 1971, Penna foi nomeado chefe do centro de pós-graduação e coordenador da pós-graduação em Psicologia, coordenando assim os cursos de mestrado e doutorado. Nesse ínterim, a sigla ISOP passou a significar Instituto Superior de Estudos e Pesquisas Psicossociais, ampliando assim o escopo da instituição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final da década de 1980, o Conselho Superior da Fundação Getúlio Vargas decidiu priorizar a formação e as pesquisas nas áreas da economia e da administração, o que gradualmente levou ao fim dos demais centros de pesquisas, estudos e pós-graduação. Com isso, o ISOP/FGV foi extinto, e a pós-graduação em Psicologia deixou de oferecer disciplinas e aceitar novos estudantes, mas suas atividades tiveram prosseguimento tendo em vista o número de alunos que ainda estavam elaborando suas dissertações e teses. Penna continuou exercendo a direção da pós-graduação em Psicologia, mas que agora estava subordinada à Escola de Administração Pública. Por fim, com a titulação dos últimos alunos da pós-graduação em Psicologia, o curso foi extinto e Penna dispensado da Fundação em novembro de 1992. Em outras palavras, Penna coordenou os cursos de mestrado e doutorado em Psicologia dessa pós-graduação do início ao fim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o desligamento gradual do programa de pós-graduação em psicologia ao final da década de 1980, certos acordos foram estabelecidos entre a própria FGV, a UFRJ e a CAPES. Isso fez com que o programa fosse transferido para o Instituto de Psicologia da UFRJ, onde Penna deu continuidade às suas atividades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Universidade Gama Filho (1971-1980) ====&lt;br /&gt;
Poucas semanas depois de sua nomeação no ISOP/FGV, Penna foi convidado a ocupar o cargo de Vice-Diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Gama Filho, uma das primeiras grandes universidades particulares do Rio de Janeiro que surgiram na década de 1970, devido a expansão do sistema privado no ensino superior. Aceitou o cargo e, posteriormente, também atuou na Direção do Departamento de Psicologia, permanecendo em ambos até 1980. Além disso, foi responsável pela criação e coordenação do programa de mestrado em Psicologia dessa universidade, tendo projetado e colocado em funcionamento o curso de mestrado em Psicologia Educacional e outro em Psicologia Teórica, os quais começaram em 1973 e funcionaram até os primeiros anos da década de 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Outras instituições ====&lt;br /&gt;
Como um dos membros fundadores da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), Penna lecionou a disciplina intitulada “Teoria da Percepção” entre 1964 a 1967, tendo em vista seu profundo conhecimento sobre o assunto, sobretudo pela  Psicologia da Gestalt.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posteriormente, de 1964 a 1970, Penna ministrou a mesma disciplina no Instituto de Belas Artes e na Escola de Artes Visuais do Estado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Penna teve uma rápida passagem na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ para lecionar sobre o mesmo tema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Conflitos durante a carreira profissional ===&lt;br /&gt;
Ao longo de sua carreira profissional, Penna vivenciou diversos episódios turbulentos, a maioria devido às repressões que marcaram o período da ditadura militar brasileira (1964-1985).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os primeiros episódios conflituosos ocorreram antes da ditadura militar, ao final da década de 1940, e teriam sido desencadeados por dois motivos. Em primeiro lugar, Penna estava participando de uma chapa para disputar a direção do Sindicato de Professores, e um dos seus colegas de chapa estava diretamente envolvido com o Partido Comunista. Em segundo lugar, Penna havia assinado um documento protestando contra o fechamento do Partido Comunista, ainda que jamais tivesse sido filiado ao próprio e a qualquer outro partido político em sua vida. Com isso, a chapa inteira foi considerada comunista, fazendo com que seus membros fossem registrados no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já na época da ditadura militar, em 1968, Penna participou da Passeata dos Cem Mil, uma manifestação popular que se mostrou contrária às práticas ditatoriais do governo, estando também presentes outros professores da UFRJ, incluindo sua esposa. Logo após, houve uma reunião no Colégio André Maurois, onde foi produzido um documento protestando contra as agressões causadas aos estudantes. Penna foi um dos integrantes dessa reunião que assinou o documento, além de ter integrado o grupo de professores que levou tal documento ao Palácio da Cultura, entregando-o diretamente às autoridades do Ministério da Educação. Por causa dessas ações, Penna e seus colegas professores foram fotografados por agentes do DOPS e de outros órgãos de segurança, para serem futuramente investigados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1968, Penna prestou um concurso para concorrer à vaga de professor titular na cadeira de Psicologia Geral da Universidade da Guanabara. Foi o único candidato do concurso e, com a banca examinadora já formada, estava se preparando para realizar as provas do exame. Entretanto, na semana anterior à realização das provas, recebeu um comunicado de que o concurso havia sido suspenso, sem ser informado dos motivos que levaram à sua suspensão. Aparentemente, o reitor da universidade, irmão de um importante general do exército, recebeu um documento afirmando que Penna não poderia se tornar professor catedrático, tendo em vista a suspeita dos militares de suas ditas atividades “subversivas”. Diante do ocorrido, Penna pediu aposentadoria especial em 1970 para não ter mais contato com essa universidade estadual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1971, quando Penna foi nomeado chefe do centro de pós-graduação e coordenador dos programas de pós-graduação em Psicologia do ISOP/FGV, o presidente da instituição recebeu um pedido do representante do Ministério da Educação, na época um general, para que sua nomeação fosse desfeita, tendo em vista novamente sua condição de “subversivo”. A situação foi resolvida por um colega do presidente da FGV, que se dirigiu ao Palácio de Cultura para ser entrevistado pelo general. Nesse caso, as acusações dirigidas ao Penna afirmavam que este criticava os militares e que estava sempre conversando com os alunos. Quanto a sua relação com os alunos, foi respondido que se tratava de sua obrigação devido aos cargos que desempenhava; quanto aos militares, coube também ao próprio general investigar mais a fundo. Não obstante esse episódio, Penna foi nomeado e continuou a exercer os cargos supracitados até novembro de 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tal como ocorreu com sua nomeação para os cargos do ISOP/FGV, situação similar aconteceu quando Penna foi nomeado para desempenhar cargos de direção na Universidade Gama Filho, no mesmo ano. Um documento idêntico que fora enviado para o ISOP/FGV também foi recebido pelo fundador da universidade, que decidiu manter a nomeação de Penna mediante a um termo de responsabilidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dos casos supracitados, a carreira acadêmica de Penna encontrou obstáculos durante sua trajetória no Instituto de Psicologia da UFRJ, abarcando o período em que também exerceu interinamente a função de diretor do instituto, marcado por ameaças de aposentadoria e punições. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma primeira punição foi decorrente de uma greve estudantil contra um professor do instituto. A greve realizada por duas turmas foi ocasionada por uma insatisfação diante da qualidade das aulas ministradas pelo dito, que estavam exigindo uma qualidade melhor de ensino. Diante disso, Penna convocou uma reunião que contou com a presença desse professor, na qual foi descoberta que este jamais havia redigido o programa da disciplina e que não havia conhecimento dos textos clássicos sobre o assunto, embasando as aulas em sua própria experiência profissional. Não obstante, o professor exigiu que os alunos fossem punidos, insistindo que a greve era de tom estritamente político. Penna tentou encontrar uma solução amistosa junto aos alunos com que tinha maior proximidade, para evitar que o movimento fosse interpretado dessa forma e, consequentemente, as punições advindas. Penna não teve sucesso, visto que o professor em questão foi nomeado vice-diretor do instituto, impossibilitando-o de buscar a solução que desejava. Algum tempo depois, Penna foi punido por não ter aplicado punições aos grevistas, o que foi considerado falta de cumprimento de suas obrigações, e diversos alunos foram expulsos da UFRJ. Em virtude da punição que sofreu, Penna foi chamado ao DOPS para justificar os motivos que o levaram a não punir os grevistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posteriormente, uma segunda punição foi decorrente de uma acusação anônima, afirmando que Penna faltava muitas das aulas que deveria lecionar. Como punição, Penna teve sua carga horária de 24 horas reduzida para 12 horas, acarretando em perdas salariais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma terceira punição ocorreu em 1970, devido ao tema da redação escolhido para compor o vestibular do Instituto de Psicologia da UFRJ. Penna havia sido indicado para coordenar o vestibular do Instituto, e uma banca foi formada para aperfeiçoar a prova de português. A banca decidiu que o tema da redação daquele ano seria o questionamento proferido pelo Papa João XXIII (“Para onde caminha a humanidade?”), acompanhado de nomes de personagens e episódios históricos para causar reflexões aos vestibulandos (como Che Guevara, Martin Luther King, o poder negro etc). Por conta disso, o teor da prova foi considerado “subversivo”, sendo Penna acusado de ter permitido sua realização. A punição sofrida por Penna foi escolhida pelos seus colegas de trabalho da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais um episódio conflituoso aconteceu no período em que Penna assumiu interinamente a direção do Instituto de Psicologia, quando permitiu a realização de uma assembleia estudantil no auditório do próprio Instituto. Logo após esse evento, foi aberta uma Comissão de Inquérito, na qual foi convocado para prestar depoimentos sobre o ocorrido. O presidente da comissão exigiu que Penna identificasse os alunos envolvidos, pedindo-lhe que informasse nomes, mas este afirmou que não conhecia nenhum dos envolvidos e que a assembleia tinha apenas como objetivo discutir problemas de infraestrutura da universidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1973, Penna foi convocado ao Palácio da Cultura para responder um processo quanto às suas atividades &amp;quot;subversivas&amp;quot;, cujo andamento poderia levar à sua aposentadoria. Lá, ouviu as diversas acusações que foram registradas pelos órgãos de segurança, as quais poderia contestar. Dentre elas, estavam suspeitas sobre o prestígio que tinha em relação aos seus colegas do Instituto de Psicologia; suas muitas conversas com estudantes, que seriam provas de doutrinação ideológica; a filiação de seu filho ao Partido Comunista, que por extensão, o tornaria também um comunista; pregações de um marxismo disfarçado, através das aulas que lecionava sobre gestaltismo e fenomenologia; e que falaria mal dos militares. Além disso, foi trazido à tona o documento que assinou no Colégio André Maurois, logo após a Passeata dos Cem Mil, protestando contra a violência que os militares exerceram sob os estudantes. As acusações foram refutadas através de diversos atestados concedidos por amigos do professor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História da psicologia no Brasil ===&lt;br /&gt;
Pode-se afirmar que Penna é um dos primeiros acadêmicos do Brasil que se interessou pela história da psicologia, não tendo apenas lecionado extensivamente sobre o assunto, como também publicou obras inteiras dedicadas ao tema já nas décadas de 1970 e 1980, o que contribuiu para o desenvolvimento da disciplina no país. Suas principais obras sobre o assunto são “Introdução à história da psicologia contemporânea”, de 1978, e “História das idéias psicológicas”, de 1981. Tais livros demonstram a preocupação de Penna com o passado da Psicologia, notórios por trazer uma visão interdisciplinar sobre a formação do campo enquanto disciplina científica, e foram objetos de comentário tanto no interior do país quanto no exterior. Além disso, são obras que se tornaram referências de importante consulta nos principais centros acadêmicos do Brasil, tanto para estudantes, professores e pesquisadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como foi um dos primeiros brasileiros a se interessar pela história da psicologia de maneira geral, Penna também foi um dos primeiros a se debruçar sobre a história da psicologia brasileira, estudando o surgimento da psicologia no Rio de Janeiro e resgatando seus principais personagens. Nesse sentido, publicou diversos trabalhos sobre contribuições específicas de certos autores, assim como, em 1992, publicou o livro “História da psicologia no Rio de Janeiro”, que relata a história do Instituto de Psicologia da UFRJ e evidencia as contribuições de diversas figuras importantes para o desenvolvimento da psicologia brasileira, como [[Manoel Bomfim]], [[Plínio Olinto]], Lourenço Filho, Nilton Campos, [[Maurício de Medeiros]] etc. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para além de suas obras sobre história da psicologia, Penna foi um dos organizadores do primeiro seminário de história da psicologia na América Latina, que ocorreu nos dias 11 e 12 de abril de 1988. O evento recebeu patrocínio de importantes instituições, como do Instituto Superior de Estudos e Pesquisas Psicossociais, que pertencia à Fundação Getúlio Vargas, da [[Associação Brasileira de Psicologia (ABP)]] e da [[Associação Brasileira de Psicologia Aplicada (ABPA)]]. O seminário teve como objetivo estudar figuras importantes no desenvolvimento da psicologia na América Latina, e contou com a participação de conferencistas estrangeiros, desde outros países da América Latina, dos Estados Unidos e da Europa. Além disso, Penna apresentou um trabalho sobre as contribuições de Nilton Campos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vale acrescentar que Penna foi um grande defensor do ensino da história da psicologia, defendendo a inclusão desta disciplina nos currículos dos cursos de graduação em psicologia desde 1964, quando organizou o Curso de Psicologia da antiga Faculdade Nacional de Filosofia (atual UFRJ). Além disso, o professor também contribuiu para o surgimento de muitas produções acadêmicas sobre a história da psicologia, seja através de suas aulas, obras e orientações.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Institucionalização da formação em psicologia no Brasil ===&lt;br /&gt;
A institucionalização da psicologia brasileira ocorreu a partir de 1962, quando houve a promulgação da Lei 4.119, que dispõe sobre os cursos de formação em psicologia e regulamenta a profissão de psicólogo. Penna foi uma das figuras que contribuiu diretamente para a efetivação dessa lei por meio de inúmeras ações. Como através da organização e criação do Curso de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia (1964) e na sua posterior migração para o Instituto de Psicologia da UFRJ (1967); suas colaborações na criação de outros cursos de psicologia no Rio de Janeiro; as viagens que realizou para outras regiões do país para aprovar cursos de psicologia, a pedido do Ministério da Educação; além de ter sido coordenador da pós-graduação em psicologia no ISOP/FGV (1971-1992) e organizado a pós-graduação em psicologia da Universidade Gama Filho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia biográfica ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* 1917: Nascimento de Antonio Gomes Penna no dia 17 de maio.&lt;br /&gt;
* 1934: Ingressa na Escola do Comércio, um dos primeiros cursos de Economia do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
* 1940: Começa a trabalhar como professor, lecionando História da Economia.&lt;br /&gt;
* 1942: Primeiro casamento. Começa a trabalhar no Instituto La-Fayette lecionando sobre história, psicologia e filosofia.&lt;br /&gt;
* 1944: Finaliza a graduação na Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ), obtendo o bacharelado em Direito. Torna-se assistente no Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Instituto La-Fayette, onde leciona Psicologia Geral.&lt;br /&gt;
* 1945: Começa sua terceira graduação, desta vez no curso de Filosofia da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil.&lt;br /&gt;
* 1946 ou 1947: Encerra suas atividades docentes no Instituto La-Fayette.&lt;br /&gt;
* 1948: Finaliza a graduação em Filosofia. Aceita o convite de Nilton Campos para se tornar o seu assistente. &lt;br /&gt;
* 1949: Começa a trabalhar no Colégio Andrews, onde lecionou sobre filosofia, sociologia, economia e psicologia. No mês de maio, é oficializada sua nomeação como assistente de Nilton Campos.&lt;br /&gt;
* 1950: Assume na condição de interino a cátedra de Psicologia Educacional da antiga Universidade do Estado da Guanabara (atual UERJ), substituindo Lourenço Filho temporariamente. Também assume na condição de interino a cátedra de Psicologia Geral dessa mesma universidade.&lt;br /&gt;
* 1951: É nomeado por Nilton Campos para integrar o Instituto de Psicologia da antiga Universidade do Brasil. Propõe a criação de uma revista científica do próprio instituto, intitulada “Boletim do Instituto de Psicologia”. Publicação do primeiro volume dessa revista, excepcionalmente nomeada “Anuário do Instituto de Psicologia”.&lt;br /&gt;
* 1953: Começa a ministrar um curso sobre Psicologia Aplicada às Forças Armadas na Escola de Comando e Estado Maior da Aeronáutica (ECEMAR).&lt;br /&gt;
* 1954: Falecimento do pai, João Gomes Penna.&lt;br /&gt;
* 1956: Falecimento da mãe, Maria Amélia Campos Penna, ao sofrer uma queda fatal em casa.&lt;br /&gt;
* 1957: Realiza sua primeira livre docência em Psicologia Geral na Universidade da Guanabara, adquirindo o título de doutor na área. É convidado para assumir a direção do Colégio Andrews, mas recusa o convite. Encerra suas atividades docentes em tal colégio.&lt;br /&gt;
* 1958: Falecimento da segunda esposa de Penna, no dia 11 de fevereiro. Pede demissão do Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil, tendo em vista sua nomeação como professor de Psicologia Educacional no Instituto de Educação.&lt;br /&gt;
* 1959: Terceiro casamento de Penna em dezembro, com Marion Merlone dos Santos Penna .&lt;br /&gt;
* 1960: Realiza sua segunda livre docência em Psicologia Educacional na Universidade da Guanabara, adquirindo o título de doutor na área.&lt;br /&gt;
* 1963: Falecimento de Nilton Campos. Com isso, assume interinamente a cátedra ocupada pelo mestre, a de Psicologia Geral da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Último ano de sua atuação docente no Instituto de Educação.&lt;br /&gt;
* 1964: Junto de Eliezer Schneider, organizam e criam o Curso de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil e o Departamento de Psicologia que deveria ministrá-lo, o qual Penna assume a direção na condição de interino. É transferido do Instituto de Educação para a recém-criada Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), onde leciona como professor fundador a disciplina Teoria da Percepção.&lt;br /&gt;
* 1965: Torna-se professor catedrático de Psicologia Geral da Universidade do Brasil.&lt;br /&gt;
* 1966: Publicação de seu primeiro livro, “Percepção e Aprendizagem”.&lt;br /&gt;
* 1967: Extinção da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Com isso, Penna deixa de assumir a direção do Departamento de Psicologia e o Curso de Psicologia passa a ser dirigido pelo Instituto de Psicologia, o qual assume interinamente sua direção. Fim de suas atividades docentes na ESDI. &lt;br /&gt;
* 1968: Participa da Passeata dos Cem Mil. Fim de suas atividades docentes na ECEMAR, por suspeitas de suas atitudes “subversivas”. Presta concurso para concorrer à vaga de professor titular na cátedra de Psicologia Geral da Universidade da Guanabara,  que acaba sendo suspenso na semana anterior à realização das provas, mesmo sendo candidato único e apresentado uma tese que fora previamente aceita. Publicação da obra “Percepção e Realidade: Introdução ao Estudo da Atividade Perceptiva”.&lt;br /&gt;
* 1970: É convidado por Franco Lo Presti Seminério, diretor do Instituto de Seleção e Orientação Profissional da Fundação Getúlio Vargas (ISOP/FGV), para participar de uma comissão responsável pela criação de um programa de pós-graduação em Psicologia Aplicada. É punido pelos militares por ter permitido a realização do vestibular do Instituto de Psicologia da UFRJ com conteúdo “subverviso”. Aposenta-se da Universidade da Guanabara, em virtude do cancelamento do concurso que prestou para a cátedra de Psicologia Geral. Publicação da obra “Comunicação e Linguagem”.&lt;br /&gt;
* 1971: No mês de janeiro, é nomeado chefe do centro de pós-graduação e coordenador da pós-graduação em Psicologia do ISOP/FGV; tentativa por parte dos militares de suspender sua nomeação, mas sem êxito. Poucas semanas depois da nomeação, é convidado para ocupar o cargo de Vice-Diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Gama Filho; mais uma tentativa sem êxito por parte dos militares de impedir sua nomeação na Universidade Gama Filho. &lt;br /&gt;
* 1973: Coordena o programa de mestrado em Psicologia da Universidade Gama Filho, do qual participou da criação. É convocado ao Palácio da Cultura para responder um processo quanto às suas atividades “subversivas”; as acusações recebidas foram refutadas por meio de diversos atestados concedidos por amigos do professor. &lt;br /&gt;
* 1974: Publicação do último volume do “Boletim do Instituto de Psicologia”.&lt;br /&gt;
* 1975: Publicação da obra “Motivação e Emoção”.&lt;br /&gt;
* 1976: Publicação da obra “Linguagem, Personalidade e Terapia”.&lt;br /&gt;
* 1978: Torna-se diretor efetivo do Instituto de Psicologia da UFRJ. Publicação da obra “Introdução à História da Psicologia Contemporânea&amp;quot;. &lt;br /&gt;
* 1980: Publicação das obras “História das Ideias Psicológicas” e “Aprendizagem e Motivação”.&lt;br /&gt;
* 1981: Encerra suas atividades como diretor efetivo do Instituto de Psicologia da UFRJ. &lt;br /&gt;
* 1984: Publicação da obra “Introdução à Psicologia Cognitiva”.&lt;br /&gt;
* 1987: Aposenta-se compulsoriamente da UFRJ, quando estava prestes a completar 70 anos de idade. Publicação da obra “Cognitivismo, Consciência e Comportamento Político”.&lt;br /&gt;
* 1988: Nos dias 11 e 12 de abril, ocorre o primeiro seminário de história da psicologia na América Latina, sendo um dos responsáveis por sua organização e onde apresenta um trabalho sobre as contribuições de Nilton Campos para a psicologia. Recebe o título de Professor Emérito do Instituto de Psicologia da UFRJ, permitindo-o lecionar e exercer atividades de orientação no programa de pós-graduação dessa instituição. Publicação da obra “Psicologia e História”.&lt;br /&gt;
* 1990: Publicação da obra “Filosofia da Mente: Introdução ao Estudo Crítico da Psicologia”.&lt;br /&gt;
* 1992: Publicação das obras “História da Psicologia” e “História da Psicologia no Rio de Janeiro”. No mês de novembro, é dispensado da FGV, em virtude da extinção da pós-graduação em Psicologia dessa instituição.&lt;br /&gt;
* 1994: Publicação da obra “Freud, as Ciências Sociais e a Filosofia”.&lt;br /&gt;
* 1995: Publicação da obra “Introdução à Psicologia Política”.&lt;br /&gt;
* 1997: Publicação da obra “Repensando a Psicologia”.&lt;br /&gt;
* 1999: Publicação das obras “Em Busca de Deus: Introdução à Filosofia da Religião&amp;quot; e “Introdução à Filosofia da Moral”.&lt;br /&gt;
* 2000: Publicação das obras “Introdução à Epistemologia” e “Introdução ao Gestaltismo”.&lt;br /&gt;
* 2001: Publicação das obras “Introdução à Psicologia Fenomenológica&amp;quot;, &amp;quot;Introdução à Psicologia Genética de Piaget”, “Introdução à Aprendizagem e Memória” e “Introdução à Motivação e Emoção”.&lt;br /&gt;
* 2003: Publicação da obra “Introdução à Psicologia da Linguagem e do Pensamento”.&lt;br /&gt;
* 2004: Publicação das obras “Introdução à Psicologia do Século XX” e “Introdução à Antropologia Filosófica”.&lt;br /&gt;
* 2006: Publicação da obra “Os Filósofos e a Psicologia”.&lt;br /&gt;
* 2010: Falece aos 93 anos de idade, no dia 08 de setembro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Discípulos/seguidores/quem influenciou ==&lt;br /&gt;
Durante sua extensa trajetória acadêmica, Penna influenciou diretamente diversos alunos e/ou orientandos, muitos dos quais vieram a se tornar professores acadêmicos e prestaram-lhe as mais elogiosas homenagens, como por exemplo: [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira], professor titular do Instituto de Psicologia da UFRJ; [http://lattes.cnpq.br/0516666558156215 Virginia Kastrup], professora titular do Instituto de Psicologia da UFRJ; [http://lattes.cnpq.br/0573756303587946 Maria Lucia Seidl de Moura], professora titular do Instituto de Psicologia da UERJ; [http://lattes.cnpq.br/8055904604783399 Eduardo Henrique Passos Pereira], professor titular do Instituto de Psicologia da UFF; [http://lattes.cnpq.br/2336468690216198 Angélica Bastos de Freitas Rachid Grimberg], professora do Instituto de Psicologia da UFRJ; [http://lattes.cnpq.br/2734613067706583 Helmuth Ricardo Krüger], professor titular da Universidade Católica de Petrópolis; [http://lattes.cnpq.br/7714353355111033 Marcia Oliveira Moraes], professora titular do Departamento de Psicologia da UFF; Luiz Alfredo Garcia-Roza, que foi professor emérito da UFRJ; [http://lattes.cnpq.br/1358662629000826 Nelson Antônio Alves Lucero], professor associado da UFES. E outros acadêmicos, além de prestarem homenagens, intitularam-se discípulos do professor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de exemplo, [[Luís Cláudio Mendonça Figueiredo]], psicanalista, professor aposentado da USP e professor da PUC-SP, foi aluno de Penna entre 1965 e 1968, fazendo parte da segunda turma do recém criado Curso de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Ao final do terceiro ano do curso, foi convidado pelo próprio professor para se tornar o seu assistente quando terminasse o bacharelado, mas por motivos de outra ordem, isso não aconteceu. Não obstante a distância geográfica, visto que Figueiredo continuou sua vida acadêmica e profissional além do Rio de Janeiro, os dois jamais perderam o contato pessoal e intelectual. Dito isso, Figueiredo dedicou inteiramente sua obra “Matrizes do pensamento psicológico” ao Penna como um gesto de retribuição por tudo que aprendeu com o professor, e em todos concursos que prestou na USP, fez questão de tê-lo como presença obrigatória nas bancas, pois considerava pertencer a mesma tradição de pensamento do seu mestre, em outras palavras, um de seus herdeiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras/fundações ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Livros ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Percepção e Aprendizagem&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1966.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Percepção e Realidade:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;Introdução ao Estudo da Atividade Perceptiva&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1968.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Comunicação e Linguagem&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1970.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Motivação e Emoção&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1975.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à História da Psicologia Contemporânea&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Linguagem, Personalidade e Terapia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Eldorado, 1976.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Aprendizagem e Motivação&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1980.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;História das Ideias Psicológicas&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1980.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Psicologia Cognitiva&#039;&#039;&#039;. São Paulo: EPU, 1984.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Cognitivismo, Consciência e Comportamento Político&#039;&#039;&#039;. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1987.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Psicologia e História&#039;&#039;&#039;. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1988.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Filosofia da Mente: Introdução ao Estudo Crítico da Psicologia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1990.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;História da Psicologia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1992.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;História da Psicologia no Rio de Janeiro&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1992.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Freud, as Ciências Sociais e a Filosofia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1994.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Psicologia Política&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1995.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Repensando a Psicologia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1997.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Em Busca de Deus:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;Introdução à Filosofia da Religião&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1999.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Filosofia da Moral&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1999.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Epistemologia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2000.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução ao Gestaltismo&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora RJ, 2000.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Psicologia Fenomenológica&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2001.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Psicologia Genética de Piaget&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2001.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Aprendizagem e Memória&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2001.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Motivação e Emoção&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2001.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Psicologia da Linguagem e do Pensamento&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2003.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Psicologia do Século XX&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2004.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Antropologia Filosófica&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2004.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Os Filósofos e a Psicologia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2006.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios e reconhecimentos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Condecoração com a Medalha Santos Dumont, devido aos serviços prestados na Escola de Comando e Estado Maior da Aeronáutica (ECEMAR).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Condecoração com a Medalha Pedro Ernesto, devido às suas contribuições docentes na cidade do Rio de Janeiro. Recebida na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
* Título de Professor Emérito do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IP-UFRJ), em 1988.&lt;br /&gt;
* Inauguração do Centro de Estudos Antonio Gomes Penna no IP-UFRJ.&lt;br /&gt;
* Homenagem aos 90 anos, pelo Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relação com outros personagens ou teorias ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Waclaw Radecki ===&lt;br /&gt;
Ainda que Penna jamais tivesse encontrado [[Waclaw Radecki|Radecki]] em pessoa, o professor considerava ter uma dívida intelectual com esta figura da psicologia. Uma dívida que não veio necessariamente do fato de ter sido discípulo de dois alunos do Radecki, no caso, [[Jaymes Grabois]] e Nilton Campos, visto que ambos comentavam pouco sobre as ideias do polonês e falavam mais sobre aspectos anedóticos e pessoais da figura em si. De todo modo, Penna comenta como uma versão resumida do “Tratado de Psicologia” do Radecki, a qual encontrou em uma livraria de livros usados no Rio de Janeiro, o fez reler tal obra inúmeras vezes ao longo de sua vida, inclusive, consultando-a novamente anos após sua aposentadoria compulsória pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em uma de suas releituras da obra de Radecki, tentou compreender um conceito tanto obscuro utilizado pelo autor, o “discriminacionismo afetivo”, através da leitura cruzada sobre suas ideias acerca da discriminação perceptiva e da afetividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Nilton Campos ===&lt;br /&gt;
Nilton Campos é mais uma figura a qual Penna afirmou estar em débito, ao ponto de dizer que devia sua cátedra conquistada em 1965 ao mestre. Penna fora aluno de Nilton em 1944, tanto no curso de Direito como no de Economia, e também quando cursou Filosofia na antiga Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Já em 1948, logo após ter concluído sua graduação em Filosofia, foi convidado por Nilton para ser o seu assistente na cátedra de Psicologia do curso, dando início a uma longa e proveitosa relação de trabalho que durou até 1963.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nilton foi um psiquiatra cujos interesses intelectuais estavam mais próximos da psicologia e da filosofia, tendo pouco contato com a prática clínica propriamente dita. Sua carreira foi bastante voltada à docência de aspectos teóricos da psicologia e do próprio campo da filosofia. Com algumas ressalvas, seu perfil intelectual é considerado um tanto próximo ao de Penna, e ambos compartilhavam um grande interesse pela psicologia fenomenológica e pelo gestaltismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido a diversos problemas de saúde do Nilton, Penna ficou encarregado de dar um número consideravelmente maior de aulas do que se esperava de um assistente  — a princípio, ele deveria dar o primeiro ano do curso, mas por vezes lecionava durante os três anos de sua duração —, e também precisava auxiliar o seu mestre com situações cotidianas, como dar-lhe uma carona para casa após o expediente de trabalho, pois o psiquiatra não conseguia andar sozinho pela cidade sem ser acompanhado, inclusive para atravessar ruas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1948, Nilton assumiu a direção do Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil, e em 1951, Penna foi nomeado para colaborar no Instituto. Dessa forma, os dois também trabalharam juntos no Instituto de Psicologia até 1958, ano em que Penna pediu demissão após sua nomeação como professor de Psicologia Educacional no Instituto de Psicologia.  Ainda em 1951, Penna sugeriu a Nilton a criação de uma revista científica do próprio Instituto, cuja primeira publicação saiu no mesmo ano e foi idealizada como “Boletim do Instituto de Psicologia”, estendendo-se até 1974. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1953, Nilton recebeu um convite da Escola de Comando e Estado Maior da Aeronáutica (ECEMAR) para ministrar um curso sobre Psicologia Aplicada às Forças Armadas. Novamente, por questões de saúde, não se sentiu bem o suficiente para lecionar o curso, e pediu a Penna que o substituísse. Assim, Penna ministrou o curso em seu lugar e continuou a lecioná-lo até 1968.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Nilton em 1963, Penna assumiu interinamente a cátedra de Psicologia Geral da Universidade do Brasil, que fora conquistada pelo seu mestre em 1948. Além disso, apresentou diversos trabalhos sobre as contribuições de Nilton Campos para a psicologia brasileira, dedicando-lhe boas páginas em sua obra “História da Psicologia no Rio de Janeiro”, de 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Lourenço Filho ===&lt;br /&gt;
Outra figura com a qual Penna se sentiu endividado, Lourenço Filho foi responsável pela organização e direção do Instituto de Educação, onde Penna trabalhou como professor de Psicologia Educacional entre 1958 a 1963. Além disso, Lourenço Filho foi professor catedrático efetivo de Psicologia Educacional na Universidade da Guanabara (atual UERJ), onde Penna atuou como professor interino na mesma cátedra para substituí-lo temporariamente a partir de 1950.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Penna participou de uma reunião que contou com a presença de professores de São Paulo e do Rio de Janeiro para discutir a regulamentação da profissão de psicólogo e da formação em psicologia, a qual se deu sob a direção de Lourenço Filho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Lourenço Filho foi responsável por indicar o nome de Penna ao Itamaraty para fundar, organizar e dirigir uma Faculdade de Filosofia no Paraguai, mais especificamente em Assunção, e assumiria também a cátedra de Psicologia da instituição. Penna rejeitou o convite por motivos familiares, e repassou a proposta para um de seus ex-alunos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lourenço Filho também o convidou para assumir a presidência da Associação Brasileira de Psicologia Aplicada — a qual fundou junto de [[Mira y López|Myra y López]] —, tendo em vista o fim do mandato do antigo presidente, Padre Benko; assim, Penna presidiu tal Sociedade por dois anos. E pouco antes de falecer, aceitou o convite de Penna para prefaciar sua obra “Comunicação e Linguagem”, de 1970. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1970, Penna foi convidado pela direção do Instituto de Seleção e Orientação Profissional da Fundação Getúlio Vargas (ISOP/FGV) para participar de uma comissão responsável por criar um programa de pós-graduação em Psicologia Aplicada, comissão esta que seria presidida por Lourenço Filho. Entretanto, com a morte de Lourenço Filho no dia 03 de agosto do mesmo ano, as reuniões prosseguiram sem a participação do mestre e com ninguém ocupando sua função original, o que foi decidido por unanimidade pela comissão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após sua morte, Penna também dedicou ao mestre boas páginas no seu livro “História da Psicologia no Rio de Janeiro”, de 1992, e voltou a escrever sobre ele na saudosa obra “Lourenço Filho - Outros aspectos, mesma obra”, de 1997, organizada pelo professor Carlos Monarcha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Maurilio Teixeira Leite Penido ===&lt;br /&gt;
Penna considera o padre Penido um dos professores mais importantes de sua formação, em suas palavras, “[...] a maior cabeça filosófica que o Brasil já teve [...]”, com quem efetivamente aprendeu a pensar (PENNA, 2004, p. 5). Ele foi um de seus professores na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Também foi professor da Universidade de Friburgo, na Suíça, onde lecionou sobre psicologia da religião, além de ser considerado um importante teólogo que publicou diversas obras na Europa durante a década de 1930. Penna dedicou algumas de suas próprias obras ao mestre, como “História das ideias psicológicas”, de 1991, e a mais expressiva de sua relação intelectual com o padre, “Em Busca de Deus: Introdução à Filosofia da Religião”, de 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== David José Perez ===&lt;br /&gt;
Perez foi professor de Economia Política quando Penna cursou Economia, curso que começou aos 17 anos de idade. Suas aulas, consideradas brilhantes e muito variadas, causaram-lhe uma forte impressão, de tal forma que o influenciou a seguir os passos do professor. Assim, Penna iniciou suas atividades docentes seis anos depois, quando já havia terminado o curso de Economia, lecionando sobre História da Economia durante cinco anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Eliezer Schneider ===&lt;br /&gt;
Eliezer Schneider foi colega de trabalho e um querido amigo de Penna. Eles se conheceram na década de 1940, e tornaram-se amigos mais próximos quando trabalharam juntos no Instituto de Psicologia, na época em que era apenas um órgão suplementar da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Logo na primeira edição do “Boletim do Instituto de Psicologia”, nomeado excepcionalmente “Anuário do Instituto”, os textos de Penna e Schneider ocuparam mais de 50% das páginas da publicação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Nilton Campos em 1963, Schneider ocupou interinamente a direção do Instituto de Psicologia e Penna ocupou interinamente a cátedra de Psicologia Geral. Nesse ínterim, foram encontrados nas gavetas do antigo diretor esboços de um projeto de criação do Curso de Psicologia na Faculdade Nacional de Filosofia. Assim, ambos começaram a planejar a criação do Curso de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia (atual Curso de Psicologia do Instituto de Psicologia da UFRJ), marcada pela forte oposição de psiquiatras e por questões burocráticas, que se sucedeu em 1964.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Schneider e Penna também vivenciaram juntos diversos episódios turbulentos durante a ditadura militar, sofrendo ameaças e punições pelas suas atividades “subversivas” desempenhadas na UFRJ, por exemplo. No caso de Schneider, seu explícito posicionamento político e seu envolvimento em atividades de militância da esquerda, como sua participação na Juventude Comunista, tornaram-no alvo de perseguição pela ditadura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em 1970, os dois estiveram juntos na comissão responsável pela criação de um programa de pós-graduação em Psicologia Aplicada na Fundação Getúlio Vargas (FGV).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Anísio Teixeira]]&lt;br /&gt;
* [[Associação Brasileira de Psicologia (ABP)]]&lt;br /&gt;
* [[Associação Brasileira de Psicologia Aplicada (ABPA)]]&lt;br /&gt;
* [[Eliezer Schneider]]&lt;br /&gt;
* [[Franco Lo Presti Seminério]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Educação]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psicologia da UFRJ]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)]]&lt;br /&gt;
* [[Jayme Grabois]]&lt;br /&gt;
* [[Lourenço Filho]]&lt;br /&gt;
* [[Luís Cláudio Mendonça Figueiredo]]&lt;br /&gt;
* [[Luiz Alfredo Garcia-Roza]]&lt;br /&gt;
* [[Manoel Bomfim]]&lt;br /&gt;
* [[Marion Merlone dos Santos Penna]]&lt;br /&gt;
* [[Maurício de Medeiros]]&lt;br /&gt;
* [[Mira y López|Myra y López]]&lt;br /&gt;
* [[Nilton Campos]]&lt;br /&gt;
* [[Plínio Olinto]]&lt;br /&gt;
* [[Waclaw Radecki]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Boletim do Portal História da Psicologia ==&lt;br /&gt;
Este verbete está publicado também no Boletim do Portal História da Psicologia 2, e pode ser acessado [https://doi.org/10.5281/zenodo.8395569 aqui]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# BROZEK, J; LÉON, R. Recentes desenvolvimentos na historiografia da psicologia no Brasil. In: BROZEK, J; MASSIMI, M (orgs). &#039;&#039;&#039;Historiografia da psicologia moderna:&#039;&#039;&#039; versão brasileira. São Paulo: Unimarco; Loyola, 1998. p. 223-228.&lt;br /&gt;
# BROZEK, J. Brasiliana: o final da década de 1980. In: BROZEK, J;  MASSIMI, M (orgs). &#039;&#039;&#039;Historiografia da psicologia moderna:&#039;&#039;&#039; versão brasileira. São Paulo: Unimarco; Loyola, 1998. p. 229-235.&lt;br /&gt;
# FERREIRA, A. A. L. [https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/mnemosine/article/view/41311 Antônio Gomes Penna: estudante incondicional, cartógrafo e olheiro (ou como se contagiar com um desejo profuso)]. &#039;&#039;&#039;Mnemosine&#039;&#039;&#039;, v. 3, n. 1, p. 210-222, 2007. Acesso em: 14 fev. 2023.&lt;br /&gt;
# FERREIRA, A. A. L. &amp;amp; PENNA, M. M. S. (Orgs). &#039;&#039;&#039;Antonio Gomes Penna:&#039;&#039;&#039; Convivências, Histórias e Memórias. Rio de Janeiro: Nau, 2015.&lt;br /&gt;
# FIGUEIREDO, Luís Cláudio. &#039;&#039;&#039;Antonio Gomes Penna:&#039;&#039;&#039; razão e história. Rio de Janeiro: Imago, 2002.&lt;br /&gt;
# FONSECA, Luiz Eduardo Prado. &#039;&#039;&#039;Os (Des)caminhos da Psicologia no século XX:&#039;&#039;&#039; Um estudo sobre a história do Instituto de Psicologia da UFRJ. Tese de Doutorado (História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia) – Programa de Pós-Graduação em História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2020.&lt;br /&gt;
# GREGOL, E; DELMONDES, G. F. S; MIRANDA, R. L. [https://periodicos.ufmg.br/index.php/memorandum/article/download/6443/4030/ Percorrendo a trajetória de um pioneiro]. &#039;&#039;&#039;Memorandum&#039;&#039;&#039;, 31, p. 313-316, 2016. Acesso em: 14 fev. 2023.&lt;br /&gt;
# JACÓ-VILELA, A. M. [https://periodicos.ufmg.br/index.php/memorandum/article/view/6570 Antonio Gomes Penna: psicologia, história e filosofia em uma trajetória dedicada ao ensino]. &#039;&#039;&#039;Memorandum: Memória e História em Psicologia&#039;&#039;&#039;, [S. l.], v. 19, p. 239–248, 2010. Acesso em: 14 fev. 2023.&lt;br /&gt;
# KRÜGER, Helmuth. [https://xdocz.com.br/doc/contribuiao-de-antonio-gomes-penna-ao-estudo-da-historia-da-psicologia-qoeyv5dry2n6 Contribuição de Antonio Gomes Penna para a História da Psicologia]. In: GUEDES, Maria do Carmo (org.). &#039;&#039;&#039;Historiografia e história da psicologia&#039;&#039;&#039;. São Paulo: EDUC, 1998. p. 51-61. Acesso em: 14 fev. 2023.&lt;br /&gt;
# KRÜGER, Helmuth. [https://www.scielo.br/j/pcp/a/HKFRBdZ5ttKmdfDgxz6q8Wh/?lang=pt Antonio Gomes Penna]. &#039;&#039;&#039;Psicologia: Ciência e Profissão&#039;&#039;&#039;. 21 (1), p. 97–97, 2001. Acesso em: 13 fev. 2023.&lt;br /&gt;
# PENNA, A. G. [https://www.scielo.br/j/epsic/a/WFy7MLLFp6st9fXmTZF5YzM/?lang=pt Entrevista Antonio Gomes Penna]. &#039;&#039;&#039;Estudos de Psicologia (Natal)&#039;&#039;&#039;, 2 (1), 109-134, 1997. Acesso em: 13 fev. 2023&lt;br /&gt;
# PENNA, A. G. [https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/mnemosine/article/view/41332 Minha caminhada na psicologia]. &#039;&#039;&#039;Mnemosine&#039;&#039;&#039;, v. 1, n. 0, p. 3-18, 2004. Acesso em: 13 fev. 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links externos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# [https://www.youtube.com/watch?v=JDWCz3-99p4 Vídeo do Conselho Federal de Psicologia sobre Antonio Gomes Penna, contando com sua participação]&lt;br /&gt;
# [https://site.cfp.org.br/nota-de-pesar-pelo-falecimento-de-antonio-gomes-penna/ Nota de pesar do Conselho Federal de Psicologia pelo falecimento de Antonio Gomes Penna]&lt;br /&gt;
# [https://andrews.g12.br/depoimento/antonio-gomes-penna Entrevista com Antonio Gomes Penna para o Colégio Andrews]&lt;br /&gt;
# [https://andrews.g12.br/depoimento/marion-penna Entrevista com Marion Merlone dos Santos Penna para o Colégio Andrews]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Arthur Arruda Leal Ferreira]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/0516666558156215 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Virginia Kastrup]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/0573756303587946 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Maria Lucia Seidl de Moura]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/8055904604783399 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Eduardo Henrique Passos Pereira]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/2336468690216198 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Angélica de Bastos de Freitas Rachid Grimberg]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/2734613067706583 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Helmuth Ricardo Krüger]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/7714353355111033 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Marcia Oliveira Moraes]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/1358662629000826 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de  Nelson Antônio Alves Lucero]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/5758019973840983 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Luís Cláudio Mendonça Figueiredo] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado originalmente por Gunther Mafra Guimarães, durante o período em que foi bolsista de extensão tecnológica pela Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense (AGIR), tendo assim recebido financiamento para sua criação. Criado em 2023.1, publicado em 2023.1.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===   ===&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Epistemologia Genética no Brasil]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Pierre_Weil&amp;diff=1645</id>
		<title>Pierre Weil</title>
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		<updated>2026-03-09T14:19:59Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Adicionei categoria&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Pierre Gilles Weil nasceu em Estrasburgo, França, em 16 de abril de 1924. Estudou no Instituto de Estudos do Trabalho e de Orientação Profissional de Paris, dirigido por Henri Pierón, na Escola Prática de Psicologia e Pedagogia da Universidade de Lyon e na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (antigo Instituto Jean-Jacques Rousseau), da Universidade de Genebra. Foi responsável pela introdução da psicodrama no Brasil, na década de 1960, pela fundação da Universidade Internacional da Paz (UNIPAZ), em 1987, e autor de mais de 50 livros. Weil morreu aos 84 anos em Brasília, no dia 9 de outubro de 2008, por falência de órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
Pierre Weil nasceu em uma família com bastante variedade religiosa, o que refletiu diretamente em sua criação. Aos oito anos decidiu criar, ludicamente, junto com um primo, uma Associação Católica dos Judeus Protestantes a favor do monotelismo Budista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a infância, as discordâncias religiosas de sua família foram motivos para conflitos. Aos quatorze anos, como uma ideia para a solução dos conflitos políticos na Europa, propôs a união fronteiriça e econômica entre os países. Em 1941, durante a 2ª guerra mundial, aos dezessete anos integra-se no movimento de resistência da França contra os nazistas, os “maquis”, mas como enfermeiro da cruz vermelha, se recusava a ter que portar uma arma.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos dezoito anos, as tropas alemãs invadiram sua cidade natal, sendo obrigado a se refugiar na França. Ainda como voluntário do movimento da Resistência Francesa, passou a ministrar aulas e cuidar dos jovens refugiados de guerra. Presenciar os horrores da guerra desde tenra idade, foi responsável por nascer a vontade de Pierre Weil para um combate diferente, direcionado à causa da educação para alcançar a paz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Formação acadêmica ===&lt;br /&gt;
Com o fim da guerra, Pierre passa a residir em Paris, onde iniciou seus estudos acadêmicos. Estudou no instituto de Trabalho e de Orientação Profissional de Paris, dirigido por [[Henri Piéron]], na Escola Prática de Psicologia e Pedagogia da Universidade de Lyon e na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (antigo [[Instituto Jean-Jacques Rousseau]]), da Universidade de Genebra. Durante esse período teve a oportunidade de ter tido grandes mestres, como [[Jean Piaget]], [[André Rey]] e entre outros. Posteriormente, recebeu o título de Doutor em Psicologia, pela Universidade de Paris, recebendo uma Menção Honrosa, por sua original tese sobre a Esfinge.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Vinda para o Brasil ===&lt;br /&gt;
Em 1948, desembarcou no Brasil, Rio de Janeiro, a convite do professor Léon Walther com o objetivo de integrar no treinamento dos grupos que organizariam os serviços de psicotécnicas do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). O modelo adotado tinha como inspiração a orientação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), contendo adaptações para o trabalho comercial. Durante os nove anos seguintes, liderou a sessão de orientação e seleção profissional do Senac.  A convite de [[Helena Antipoff]], abandona sua antiga posição e passa a ser Chefe do Consultório Psicopedagógico do Instituto Pestalozzi do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1953, com Eva Nick, Weil focou sua atenção na psicologia social do trabalho, desenvolvendo estudos voltados para profissões e psicodiagnósticos. As pesquisas foram baseadas na biotipologia de Sheldon e Stevens, mas aplicada a um grupo de vendedores balconistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1954, passou a focar seus estudos nas relações socais e lançou a primeira versão do livro “ABC das Relações Humanas”, a 2ª edição foi adaptada e recebeu o título de “Relações Humanas na Família e no Trabalho”, a adaptação chegou a ter mais de 50 edições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1955, aprofunda seus estudos na aplicação da psicologia ao trabalho e a sociedade, através do seu livro “ABC da Psicotécnica”, na qual introduz os fundamentos científicos da psicotécnica. Ainda no mesmo ano, Weil apresentou os resultados do seu estudo sobre o teste de inteligência não verbal, aplicado no território nacional, que sugeriam uma superioridade nas classes ricas e médias perante as classes pobres, mas mostravam uma diferença desprezível de inteligência entre os sexos, contrariando a ideia difundida na época de superioridade intelectual do gênero masculino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1958, convidado pelo então Banco da lavoura de Minas Gerais, organizou sistemas de recrutamento, seleção e treinamento de executivos e gerentes, utilizando práticas mais dinâmicas e introduzindo o [[psicodrama]] no Brasil. Durante esse período, Weil e alguns professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram a técnica de “Desenvolvimento das Relações Humanas” (DRH), a partir do aperfeiçoamento das técnicas norte americanas de “Training Group”, criadas pelo National Training Laboratory in Group Development, nos Estados Unidos. Após 10 anos, passou a morar em Belo Horizonte, onde tornou-se chefe do Departamento de Orientação e Formação do Banco Real e professor da UFMG, onde atuou nas áreas de psicologia social, psicologia industrial e psicologia transpessoal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1972, casou-se com a professora de ioga Maria José Marinho e, juntos, fundaram a Instituto da Síntese Humana (SINTESE), que estudava os efeitos da Laya Yoga no comportamento humano e como poderia ser utilizado no auxílio da cura de enfermidades psicológicas, como depressões, ansiedade e angustias. Dirigiu uma pesquisa na UFMG sobre os efeitos da Laya Yoga em conjunto com sua esposa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1987, recebeu um convite do governador do distrito federal da época, José Aparecida, para que se mudasse para Brasília e conseguisse trabalhar de forma mais ativa na fundação da Universidade Holística Internacional da Paz (UNIPAZ). Passa a residir em Brasília, tornando-se Presidente da Fundação Cidade da Paz e Reitor da UNIPAZ, e torna-se cidadão honorário da cidade de Brasília, em 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Apostando em uma visão holística e transdisciplinar do conhecimento, Weil, através da UNIPAZ, conseguiu se dedicar exclusivamente a educação com o propósito de alcançar a paz, temas de suas conferências para a Unesco, em 1989, tendo sido agraciado com a menção honrosa do Prêmio de Educação para a Paz, em 2000, e foi indicado ao prêmio Nobel da paz em 2003.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Weil era um grande entusiasta pelo Brasil, sendo a cultura brasileira do abraço uma das coisas que mais o encantou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== UNIPAZ ===&lt;br /&gt;
A UNIPAZ, criada por Pierre Weil com o apoio monetário do Governador de Brasília, na época José Aparecida, é a união da Universidade Holística Internacional com a Fundação Cidade da Paz. Tem como proposito principal a busca pela paz e uma política contra a violência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A UNIPAZ adota a transdisciplinaridade como forma de ensino, tendo sua metodologia baseada em três estágios: o de sensibilização, de formação e de pós-formação. Estas etapas envolvem pesquisas que buscam agir em função de uma ação reparadora daquilo que o ser humano danificou em si mesmo, no coletivo e no meio ambiente:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# A Paz consigo próprio (Ecologia e Consciência individuais), sobre os planos do corpo, das emoções e do espírito.&lt;br /&gt;
# A Paz com os outros (Ecologia e Consciência Sociais), sobre os planos da economia, da sociedade e política, e da cultura.&lt;br /&gt;
# A Paz com a natureza (Ecologia e Consciência do Universo), sobre os planos da matéria, da vida e da informação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pierre Weil estudou diversas doutrinas esotéricas que o auxiliaram na formação dos preceitos da UNIPAZ, sempre enfatizando a defesa da paz e harmonia entre os homens, e com o meio ambiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do Distrito Federal, a universidade tem campus na Bahia, no Ceará, no Paraná, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Santa Catarina e no Rio Grande Sul. E em outros países: França, Argentina, Israel, Bélgica e Inglaterra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fim da vida ===&lt;br /&gt;
Permaneceu como reitor da UNIPAZ e ministrando palestras até o fim da vida. Faleceu no dia 09de outubro de 2008, aos 84 anos. O corpo de Pierre Weil foi velado por parentes e amigos em Brasília, na própria UNIPAZ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
*Foi o primeiro a difundir o psicodrama no Brasil, utilizando-o como método e referência teórica, abrindo as portas para que fosse conhecido e reconhecido além do universo clínico não só na teoria, mas também na prática do universo empresarial.&lt;br /&gt;
*A partir do aperfeiçoamento das técnicas norte americanas, fez parte da criação de uma técnica denominada Desenvolvimento das Relações Humanas – DRH.&lt;br /&gt;
*Em 1966, criou um novo tipo de Psicodrama, o Psicodrama da Esfinge, que foi apresentado no Congresso de psicodrama de Barcelona no mesmo ano. Anne Ancelin, encantada com o método, aconselhou-o a apresentar o trabalho na Universidade de Paris, onde recebeu a menção honrosa no título de Doutor em Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
Pierre Weil, através da UNIPAZ, tinha como objetivo fazer a integração entre movimentos esotéricos e alternativos com a ciência convencional. As sabedorias ancestrais tinham forte influência no pensamento de Weil. Em seu livro “A arte de viver em paz”, ele faz esse conhecimento antigo transitar entre as bases contemporâneas, permitindo que exista uma relação de troca entre as tradições espirituais, filosofia, arte e ciência, sendo assim possível alcançar um equilíbrio. Pierre chamou das três ecologias básicas a única forma de alcançar esse equilíbrio, as ecologias individual, social e ambiental. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Weil desenvolveu uma metodologia, holologia, conhecimento teórico, e da holopráxis, conhecimento prático, que tinha como objetivo auxiliar nas metamorfoses pessoais e profissionais, sempre com foco para as mudanças de paradigma que auxiliam no desenvolvimento de uma cultura de paz. No pensamento holístico, o indivíduo, a sociedade e a natureza vivem em harmonia, em um conjunto inseparável, por isso o interesse de Weil nessa área de conhecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ABC das Relações Humanas – Ed. Nacional – São Paulo (1954).&lt;br /&gt;
# ABC das Psicotécnicas – Ed. Nacional – São Paulo (1955).&lt;br /&gt;
# Manual de Psicologia Aplicada – Itatiaia – Belo Horizonte (1967).&lt;br /&gt;
# Dinâmica de Grupo e Desenvolvimento em Relações Humanas - Itatiaia – (1967) (com Arme Ancelin Sohutzenberger– Célio Garcia o outros).&lt;br /&gt;
# A Revolução Silenciosa – Autobiografia Pessoal e Transpessoal – São Paulo (1983).&lt;br /&gt;
# Sementes para uma Nova Era – Ed. Vozes – Petrópolis (1984).&lt;br /&gt;
# A Neurose do Paraíso Perdido – Ed. Espaço e Tempo – Dist. Vozes – Rio de Janeiro (1987).&lt;br /&gt;
# O Novo Vocabulário Holístico – Espaço e Tempo – CEPA Dist. Vozes – Rio de Janeiro (1987) 2ª. Edição.&lt;br /&gt;
# Ondas a Procura do Mar – Rio de Janeiro (1987).&lt;br /&gt;
# A Palha e a Trava – Ed. vozes -Rio de Janeiro (1989).&lt;br /&gt;
# Relações Humanas na Família e no Trabalho – Ed. Vozes Petrópolis (1971) 25ª. Edição.&lt;br /&gt;
# O Potencial da Inteligência do Brasileiro (Com Eva Nick) CEPA – Rio de Janeiro (1971).&lt;br /&gt;
# Liderança, Tensões, Evoluções – Itatiaia – Belo Horizonte (1972).&lt;br /&gt;
# A Consciência Cósmica – Introdução à Psicologia Transpessoal Ed. Vozes – Petrópolis (1972) 2ª. Edição.&lt;br /&gt;
# Esfinge: Estrutura e Mistério do Homem – Itatiaia (1977).&lt;br /&gt;
# A Mística do Sexo – Itatiaia – Belo Horizonte (1976).&lt;br /&gt;
# Fronteiras da Regressão – Ed. Vozes – Petrópolis (1976).&lt;br /&gt;
# Psicodrama Triádico (com Anne A. Schutzenbergr) Interlivros (1976)&lt;br /&gt;
# Sua Vida, Seu Futuro – Ed. Vozes – Petrópolis (1979) 10ª. Edição.&lt;br /&gt;
# Amar e Ser Amado – Ed. Vozes – Petrópolis (1979) 20ª. Edição&lt;br /&gt;
# O Psicodrama – CEPA – Rio de Janeiro (1979) 2ª. Edição.&lt;br /&gt;
# A Criança, o Lar, a Escola – Ed. Vozes – Petrópolis (1979) 20ª. Edição.&lt;br /&gt;
# Fronteiras da Evolução e da Morte – Ed. Vozes – Petrópolis (1979).&lt;br /&gt;
# Pequeno Tratado de Psicologia Transpessoal em Colaboração com outros – Ed. Vozes (1979) 5º. Volume.&lt;br /&gt;
# Holística – Uma Nova Visão do Real – Palas Athenas – São Paulo (1990)&lt;br /&gt;
# A Arte de Viver em Paz – Ed. Gente – São Paulo (1990)&lt;br /&gt;
# Organizações e Tecnologia para o Terceiro Milênio – A Nova Cultura&lt;br /&gt;
# Organizacional Holística– Ed. Rosa dos Tempos – Rio de janeiro (1991) 2ª Edição.&lt;br /&gt;
# Antologia do Êxtase – Ed. Palas Atenas – São Paulo (1992).&lt;br /&gt;
# O Último Porquê – Ed. vozes (1989) – 3ª.Edição (1992).&lt;br /&gt;
# A Nova Ética – Ed. Rosa dos Tempos – Rio de Janeiro (1993).&lt;br /&gt;
# Rumo à Nova Transdisciplinaridade em colaboração (com Ubiratan D’Ambrósio e Roberto Crema) – Ed. Summus – São Paulo (1993).&lt;br /&gt;
# A Morte da Morte – Ed. Gente – São Paulo (1995).&lt;br /&gt;
# Mudança de Sentido e Sentido da Mudança – Ed. Rosa dos Tempos – Rio de Janeiro (2000)&lt;br /&gt;
# Novas Ideias para Novos Tempos – Ed. Rosa do Tempos – Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
# A Lágrima da Compaixão – Ed. Pensamento – São Paulo (2000).&lt;br /&gt;
# A Arte de Viver a Vida (2011)&lt;br /&gt;
# Mudança de Sentido e Sentido da Mudança (2000)&lt;br /&gt;
# O Fim da Guerra dos Sexos (2002)&lt;br /&gt;
# O Corpo Fala (Com Roland Tompakow) – Ed. Vozes Petrópolis (2015) 74ª.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia biográfica ==&lt;br /&gt;
1924: Pierre Weil nasce em Estrasburgo, França.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1949: Torna-se chefe da Seção de Orientação e Seleção Profissional do Departamento Nacional do Senac. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1958: Mudou-se para Belo Horizonte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1987: Mudou-se para Brasilia, tornou-se presidente da Fundação Cidade da Paz e reitor da UNIPAZ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1972: Casou-se com Maria José Marinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1998: Torna-se cidadão honorário de Brasília.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2008: Faleceu em Brasília. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[André Rey]]&lt;br /&gt;
* [[Helena Antipoff]]&lt;br /&gt;
* [[Henri Piéron]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto Jean-Jacques Rousseau]]&lt;br /&gt;
* [[Jean Piaget]]&lt;br /&gt;
* [[Psicodrama]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
# CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. [https://site.cfp.org.br/morre-em-braslia-o-fundador-da-unipaz-pierre-weil/ Morre em Brasília o fundador da Unipaz Pierre Weil]. Brasilia, 18 out. 2008. &lt;br /&gt;
# [https://www.youtube.com/watch?v=KdA_71OPrBg&amp;amp;t=9s&amp;amp;ab_channel=SUPREN DOC. Pierre Wei]. Produção de Lia Tavares. Roteiro: Lia Tavares, Lydia Rebouças, Cristina Peliano. Minas Gerais: Tv Supren, 2013. (18 min.), son., color.&lt;br /&gt;
# KLADI, V. M. [https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0104-53932009000100015 Pierre Weil e o psicodrama no Brasil]. &#039;&#039;&#039;Revista Brasileira de Psicodrama&#039;&#039;&#039;, São Paulo, v. 17, n. 1, 2009.&lt;br /&gt;
# MISSA de sétimo dia pela morte de Pierre Weil será celebrada hoje. UFMG. Minas Gerais. 16 out. 2008.&lt;br /&gt;
# [https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1414-98932005000400013 PSICOLOGIA: CIÊNCIA E PROFISSÃO]. Brasilia: v. 25, n. 4, 2005. Trimestral.&lt;br /&gt;
# UNIPAZ. Pierre Weil (1924-2008): ESCRITOR, EDUCADOR E PSICÓLOGO.  Brasilia, p. 1-1.&lt;br /&gt;
# WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. [https://web.archive.org/web/20100216015957/http://pcangelo.files.wordpress.com/2008/05/corpofl.pdf &#039;&#039;&#039;O corpo Fala: a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal&#039;&#039;&#039;]. 54. ed. Vozes, 2000. 154 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links externos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://pierreweil.pro.br/ Pierre Weil]&lt;br /&gt;
* [http://www.unipazrj.org.br/ UNIPAZ RJ]&lt;br /&gt;
* [https://unipazgoias.org.br/ UNIPAZ Goiás]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Julia Hatsue Ribeiro Osawa de Sousa, como exigência parcial para a disciplina de Psicologia e História Social do Trabalho da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.1, publicado em 2021.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Epistemologia Genética no Brasil]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Teoria_da_Equilibra%C3%A7%C3%A3o&amp;diff=1644</id>
		<title>Teoria da Equilibração</title>
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		<updated>2026-03-09T14:19:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Adicionei categoria&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A Teoria da Equilibração é uma tese formulada pelo epistemólogo suíço Jean William Fritz Piaget a respeito do desenvolvimento da inteligência dos seres humanos, compondo uma teoria do conhecimento na área das ciências humanas.  O termo surge nos primeiros escritos de Piaget por volta de 1918, contudo é desenvolvido de forma mais consistente a partir dos anos 1935 como parte fundamental do projeto epistemológico que desenvolveu na Universidade de Genebra, na Suíça, denominado Epistemologia Genética.&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
===Apresentação do autor===&lt;br /&gt;
Jean William Fritz Piaget nasceu em 9 de Agosto de 1896 na cidade de Neuchâtel, Suíça. Filho de um sistemático professor universitário e de uma importante figura política local, Piaget desenvolve desde jovem uma postura rigorosa diante de seus interesses. Começa precocemente a produzir artigos científicos: aos 11 anos publica pela primeira vez suas observações sobre pardais albinos (1906) ; nos anos seguintes, trabalhando no Museu de História Natural de Neuchâtel (de 1906 a 1909) , dedica-se ao estudo de moluscos e seus processos de adaptação a diferentes ambientes, publica um artigo sobre o assunto em 1909, o que lhe serviu de base para o seu empreendimento científico no campo da biologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
	Após obter doutorado em Ciências Naturais na Universidade de Neuchâtel, em 1918, Piaget decide viajar para Zurique, onde permanece até o próximo ano, a fim de explorar a perspectiva psicológica, quando se apropria do método clínico advindo da psicanálise. Em 1919, o biólogo se muda para Paris, onde encontra e trabalha com Alfred Binet, na Universidade de Sorbonne, fazendo surgir o interesse em investigar as diferenças acerca do desenvolvimento intelectual de crianças e adultos, base de toda sua teoria epistemológica. No ano de 1922, retorna à Suíça a convite de Édouard Claperède (1873-1940), diretor e fundador do [[Instituto Jean-Jacques Rousseau]] (fundação em 1912) em Genebra, para comandar entrevistas clínicas aplicadas às crianças. Esse contato com Claperède foi fundamental para Piaget desenvolver uma interpretação genético-funcional na abordagem dos fenômenos psicológicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
	Ao longo de seis décadas, Piaget desenvolveu inúmeros trabalhos nos campos da biologia, psicologia e da epistemologia, os quais fundamentaram seus estudos acerca das origens do desenvolvimento cognitivo humano. A produção científica se encerra com sua morte, em 16 setembro de 1980, porém seu legado permanece relevante, conforme pode ser ostentado em seus mais de 50 livros publicados. Por essa grande produção e alcance de suas obras, é considerado por muitos estudiosos o psicólogo mais importante do século XX, exercendo grande influência na investigação do desenvolvimento durante a infância.&lt;br /&gt;
===Conceitos prévios===&lt;br /&gt;
A noção de Equilibração aparece cedo nos escritos de Piaget. Em Recherche, um romance autobiogŕafico e filosófico escrito em 1918, o autor, então aos 20 anos, expressa os anseios de criar uma teoria do conhecimento baseada na Biologia, sua primeira área de formação, relacionando a organização do pensamento com a organização da vida em geral. Nesta obra, o autor afirma que o equilíbrio é o pressuposto de toda forma de vida, e que para atingir esse equilíbrio é necessário que haja a assimilação, termo que ele desenvolve apenas cerca de 18 anos mais tarde, por volta de 1936.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O trabalho do biólogo e psicólogo no Instituto Rousseau, a partir de 1922, resultou nos seus cinco primeiros textos acerca das formas de conhecimento da criança sob o ponto de vista biológico, bem como de seus processos de transformação, estabelecendo o que denominou de “Teoria do Estágios”, e demarcando o que ficou conhecido como primeiro período da obra de Piaget (de 1920 a 1930). As principais publicações dessa fase são: &#039;&#039;A linguagem e o pensamento na criança&#039;&#039; (1923); &#039;&#039;O raciocínio da criança&#039;&#039; (1924); &#039;&#039;A representação do mundo na criança&#039;&#039; (1926); &#039;&#039;A causalidade física na criança&#039;&#039; (1927); e &#039;&#039;O julgamento moral na criança&#039;&#039; (1931). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo período da obra piagetiana (1930-1945) é marcado pelo foco no tema da adaptação, iniciado com a publicação de  “&#039;&#039;O Nascimento da Inteligência na Criança&amp;lt;nowiki&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/nowiki&amp;gt; (1936).&#039;&#039; Neste trabalho, utilizando de minuciosas observações das atividades de bebês (entre eles, seus próprios filhos), do momento do nascimento até por volta dos 18 meses de vida, o autor analisa a maneira como os processos de adaptação agem na construção da inteligência sensório-motora, característica da primeira relação do sujeito com o meio que o cerca, anterior ao aprendizado linguístico. Também compõem o segundo período as obras “&#039;&#039;A construção do real na criança&#039;&#039;” (1937) e “&#039;&#039;A formação do símbolo na criança&#039;&#039;” (1945), onde descreve os processos em que o sujeito tem papel ativo em interação com o meio para a  construção do conhecimento.&lt;br /&gt;
===A teoria da Equilibração===&lt;br /&gt;
A adaptação, segundo Piaget, pressupõe equilibração, que é considerado o quarto e mais importante fator dentre os responsáveis por impulsionar o desenvolvimento intelectual, ou seja, pela passagem de uma forma rudimentar de ação a uma ação intelectual mais sofisticada, conforme explicitado em seu trabalho sobre a Teoria dos Estágios, desenvolvida de 1920 a 1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conforme descrito em “&#039;&#039;O Nascimento da Inteligência na Criança&amp;lt;nowiki&amp;gt;&#039;&#039;&amp;lt;/nowiki&amp;gt; (1936)&#039;&#039;, o ambiente está constantemente emitindo estímulos aos organismos, causando desequilíbrio nos seus esquemas de pensamento. O indivíduo, por sua vez, busca restabelecer seu estado de equilíbrio por meio dos mecanismos de assimilação e de acomodação em seus esquemas mentais. Esses esquemas são dotados de mobilidade, o que permite sua auto-regulação ao entrar em contato com o objeto a ser conhecido. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda segundo o livro de 1936, assimilação é o nome dado ao processo de incorporação de um novo dado a um esquema mental já existente, enquanto que a acomodação diz respeito à tendência do pensamento a se ajustar, alterando os esquemas de ação adquiridos a fim de se adequar à novidade. Esses processos ocasionam, apenas por um determinado momento, a equilibração (também chamada de equilibração majorante) dos esquemas mentais do indivíduo, no processo de construção do conhecimento de algo novo. Dessa forma, a inteligência atinge um estado de equilíbrio móvel e permanente, a equilibração, a qual, a cada vez que supera os desequilíbrios resultantes das relações com o meio, compõe as sucessivas gêneses que estruturam os esquemas intelectuais, sendo considerada por Piaget como uma das gêneses do conhecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A noção de equilibração como uma das bases do desenvolvimento cognitivo é explorada nos períodos subsequentes, chegando a passar por uma reformulação completa em &#039;&#039;Equilibração das Estruturas Cognitivas&#039;&#039; (1975). Em &#039;&#039;Psicogênese e História das Ciências&#039;&#039;, publicado 3 anos após sua morte (1983) em co-autoria com Rolando Garcia, a equilibração, nesse ponto chamada de abstração reflexiva, é reafirmada como expressão das condições impostas a toda aquisição cognitiva que pode ser encontrada em todos os domínios e todos os estágios do desenvolvimento humano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A teoria de equilibração é considerada por muitos estudiosos como a espinha dorsal do trabalho epistemológico Piagetiano. Ao afirmar o papel ativo do sujeito na construção do seu conhecimento, a teoria foi responsável por abrir diversos novos campos de investigação a respeito do desenvolvimento intelectual das crianças. A epistemologia genética de Piaget assegurou, ao longo dos anos, uma respeitável posição entre as teorias do conhecimento, e constitui uma importante referência para diversos movimentos de reforma educacional ao redor de todo o mundo.&lt;br /&gt;
==Relações com outros personagens e teorias==&lt;br /&gt;
===As influências de E. Claparède===&lt;br /&gt;
A teoria da Equilibração, que fundamenta a perspectiva genético-funcional desenvolvida por Piaget, dá continuidade ao trabalho iniciado por Edouard Claparède acerca da função adaptativa da inteligência - considerada como um instrumento de adaptação que entra em jogo quando falham os outros instrumentos, que são o instinto e o hábito. A tese faz oposição às concepções inatistas (que concebe a inteligência como uma faculdade inata) e associacionistas (considera a inteligência como jogo de concepções adquiridas), ideias de grande influência sobre as investigações psicológicas desenvolvidas na época.&lt;br /&gt;
===A Equilibração e a Gestalt===&lt;br /&gt;
As concepções de Piaget se relacionam estreitamente com a psicologia da Gestalt, que admite apenas a existência relacional entre objetos e sujeitos e desconsidera que ambos existam de forma independente. Segundo Piaget, embora o estruturalismo gestaltista considere a capacidade relacional dos processos endógenos para com os exógenos, fator ignorado por outras vertentes, tal teoria apresenta equívocos no que tange o papel do sujeito na construção de suas estruturas. Nessa perspectiva, Piaget descarta a importância da figuração perceptiva na estruturação do pensamento, base da teoria gestáltica, dando ênfase na participação ativa do indivíduo ao construir sua inteligência. Em suma, os processos adaptativos, em busca de constante equilibração, resultam em gêneses que, por sua vez, garantem a sucessiva complexificação das formas estruturais, sendo a existência do sujeito somente possível porque o princípio fundador das estruturas é a própria estruturação.&lt;br /&gt;
===Piaget e o Paradigma Dominante===&lt;br /&gt;
A visão de equilibração expressa no trabalho de Piaget pode ser colocada dentro do “marco epistêmico de seu tempo” uma vez que se inspira nos paradigmas dominantes da época e nas ciências físico-matemáticas. Esse aspecto fica evidente quando o autor admite analogias como as que se relacionam com o conceito de entropia, apresentada na termodinâmica, onde a evolução ocorre sempre na direção de um equilíbrio, pressupondo a existência de um sujeito ativo perante os distúrbios externos, ao mesmo passo que é afetado por eles.&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Alfred Binet]]&lt;br /&gt;
* [[Édouard Claparède]]&lt;br /&gt;
* [[Epistemologia Genética]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto Jean-Jacques Rousseau]]&lt;br /&gt;
* [[Jean Piaget]]&lt;br /&gt;
* [[Universidade de Genebra]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ligações externas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [http://www.archivesjeanpiaget.ch/ Archives Jean Piaget]&lt;br /&gt;
* [https://bibliotecadigital.ipb.pt/bitstream/10198/208/1/55%20-%20A%20teoria%20piagetiana%20da%20equilibra%C3%A7%C3%A3o%20e%20as%20suas%20consequ%C3%AAncias%20educacionais.pdf A teoria piagetiana da equilibração e as suas consequências educacionais - Henrique da Costa Ferreira]&lt;br /&gt;
* [https://archive.org/details/equilibrationthe00appe Equilibration : theory, research, and application]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Boletim do Portal História da Psicologia==&lt;br /&gt;
Este verbete está publicado também no Boletim do Portal História da Psicologia, e pode ser acessado [https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 aqui]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ABREU LCA et al. [http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rbcdh/v20n2/18.pdf A epistemologia genética de Piaget e o construtivismo]&#039;&#039;.&#039;&#039; Rev, Bras. Cresc. Desenv. Humano. 2010; 20(2): 361-366. &lt;br /&gt;
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# CAMPOS, R. H. F; NEPOMUCENO, D. M. [http://fms.edu.br/downloads/Psicologia/Historia_da_Psicologia_-_Rumos_e_percurs%20%281%29.pdf O funcionalismo europeu: Claparède e Piaget em Genebra, e as repercussões de suas idéias no Brasil]. Em: Jacó-Vilela, A. M; Ferreira,  A. A. L; Portugal, F. T. (Org.) &#039;&#039;&#039;História da Psicologia: rumos e percursos&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;.&#039;&#039; Rio de Janeiro: NAU editora, 2005, p. 243-264. &lt;br /&gt;
# FERRACIOLLI, L. [https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/viewFile/6808/6292 Aspectos da construção do conhecimento e da aprendizagem na obra de Piaget]. &#039;&#039;&#039;Caderno Catarinense de Ensino de Física&#039;&#039;&#039;, v. 16, n. 2, p. 180-194, Agosto, 1999.&lt;br /&gt;
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# OGIONI, Fernanda Schiavon; SOUZA, Mariane Lima de; QUEIROZ, Sávio Silveira de. [https://dx.doi.org/10.36311/1984-1655.2009.v2n4.1987 Gênese e Estrutura: a gestalt numa discussão piagetiana.] &#039;&#039;&#039;Schème&#039;&#039;&#039;: Revista Eletrônica de Psicologia e Epistemologia Genéticas, [S.L.], v. 2, n. 4, p. 181-193, 31 dez. 1969. Faculdade de Filosofia e Ciências.&lt;br /&gt;
# PARRAT-DAYAN, Silvia. [https://dx.doi.org/10.36311/1984-1655.2013.v5n0.p225-246 Conhecimento Físico e Construção do Real]. &#039;&#039;&#039;Schème: Revista Eletrônica de Psicologia e Epistemologia Genéticas&#039;&#039;&#039;, [S.L.], v. 5, p. 225-246, 31 dez. 1969. Faculdade de Filosofia e Ciências. &lt;br /&gt;
# QUEIROZ S.S. et al. [https://www.scielo.br/pdf/pee/v15n2/v15n2a08.pdf Erros e equilibração em psicologia genética]. &#039;&#039;&#039;Rev. Sem. Assoc. Bras. de Psico. Escolar e Educacional&#039;&#039;&#039;, São Paulo. 15 (2), 2011. p. 263-271.&lt;br /&gt;
# RAMOZZI-CHIAROTTINO, Zélia. [https://doi.org/10.1590/S0103-65642010000100002 Piaget segundo seus próprios argumentos]. &#039;&#039;&#039;Psicol. USP&#039;&#039;&#039;,  São Paulo ,  v. 21, n. 1, p. 11-30,  mar.  2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Caio Fabio Pereira Pinto Junqueira e Paula Raíssa de Oliveira Silva, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2020.2, publicado em 2021.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Teorias e conceitos]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Epistemologia Genética no Brasil]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Categoria:Epistemologia_Gen%C3%A9tica_no_Brasil&amp;diff=1643</id>
		<title>Categoria:Epistemologia Genética no Brasil</title>
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		<updated>2026-03-09T14:18:52Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Criação da categoria&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A Epistemologia Genética é a ciência teórica e empírica que estuda a formação, o significado e o desenvolvimento do conhecimento. Ela foi formulada pelo biólogo, psicólogo e epistemólogo suíço Jean Piaget, majoritariamente na Universidade de Genebra e no Centro Internacional de Epistemologia Genética, na mesma cidade. Diferentemente da psicologia da criança, que estuda o indivíduo por si mesmo, a epistemologia genética tem como objeto central a investigação da própria natureza do conhecimento e das relações cognitivas entre o sujeito e os objetos, utilizando a psicologia genética como ferramenta para solucionar problemas epistemológicos gerais. Nesta disciplina, o foco não recai nas variações individuais, mas sim sobre o &amp;quot;sujeito epistêmico&amp;quot;, definido como o núcleo de mecanismos e coordenações cognitivas comuns a todos os indivíduos em um mesmo nível de desenvolvimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A categoria “Epistemologia Genética no Brasil” é uma classificação secundária de verbetes da WikiHP e indicam sua inclusão no projeto complementar dentro da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP) que visa identificar elementos relevantes para a chegada, recepção e circulação das ideias e propostas de Jean Piaget no Brasil e, a partir disso, criar verbetes que tornem este conhecimento acessível e democrático. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Quando aplicar a categoria “Epistemologia Genética no Brasil” ==&lt;br /&gt;
Todos os verbetes categorizados assim devem, primeiro, serem classificados conforme as [[Especial:Categorias|categorias já disponíveis na WikiHP]]. Não deve haver verbetes exclusivos para esta categoria, que funciona como complementar ao acervo de organização da enciclopédia. Para todos os casos, a classificação Epistemologia Genética no Brasil deve ser a &#039;&#039;&#039;categoria secundária&#039;&#039;&#039;, e a categoria primária deve ser alguma das categorias já disponíveis e suas normas e parâmetros tornam-se automaticamente as principais do verbete.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A categoria secundária Epistemologia Genética no Brasil deve ser aplicada em todos os casos em que se identificar alguma relação direta ou significativa entre o objeto do verbete e a epistemologia genética no Brasil. Entende-se como significativa um &#039;&#039;&#039;papel ativo na chegada, recepção e circulação das ideias e propostas de Jean Piaget no Brasil&#039;&#039;&#039;. Isto pode incluir experimentos conduzidos com base nas ideias de Piaget, instituições que se valeram de forma importante da Epistemologia Genética ou de suas teorias acessórias, livros dedicados à Epistemologia Genética, legislações criadas com fundamento no pensamento piagetiano, personagens que escreveram textos sobre o assunto, entre outros. Relações menores, como menções, discussões de pouca monta ou outras conexões de reduzida importância não devem gerar uma classificação secundária com a epistemologia genética. Essa norma geral vale para todas as categorias. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Seções do verbete ==&lt;br /&gt;
De forma geral, as normas para atribuição do título, construção do cabeçalho, história, contribuições, influências, críticas, entre outras seções do verbete são &#039;&#039;&#039;as mesmas da categoria principal&#039;&#039;&#039;. As [[Seções dos Verbetes|regras gerais de seções]], como as que versam sobre links, autoria, uso de inteligência artificial, entre outras também são plenamente aplicáveis a verbetes categorizados de forma secundária como Epistemologia Genética no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sempre que a relação do objeto do verbete com a Epistemologia Genética não for clara e direta, é desejável que se inclua uma seção dedicada a mostrar essa conexão, seja dentro das normas gerais da categoria principal do verbete, seja como uma seção dedicada, a depender do caso e das escolhas dos autores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre a Epistemologia Genética ==&lt;br /&gt;
A Epistemologia Genética é uma disciplina científica, tanto teórica quanto experimental, dedicada a investigar as origens, a evolução e a validade do conhecimento humano. Desenvolvida pelo epistemólogo, psicólogo e biólogo suíço Jean Piaget, a teoria foi consolidada principalmente na Universidade de Genebra e no Centro Internacional de Epistemologia Genética a partir de teorias e experimentos elaborados e discutidos em ambientes onde se valorizava a interdisciplinaridade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo uma área essencialmente interdisciplinar, seu objetivo maior é explicar como ocorre a transição de um estado de menor conhecimento para um estado de conhecimento superior e mais válido. Para isso, recorre a uma tripla abordagem: a psicogenética (o estudo do desenvolvimento mental desde o nascimento), a sociogenética (a história do pensamento científico) e a lógico-matemática (a formalização das estruturas do pensamento), em uma interrelação complexa, cristalizada em uma refinada teoria de base empírica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cerne da epistemologia genética reside na rejeição de duas correntes filosóficas clássicas. A primeira é o empirismo, que concebe o conhecimento como uma cópia passiva da realidade externa impressa nos sentidos. A segunda é o inatismo (ou apriorismo), que postula que as categorias fundamentais do saber já nascem pré-formadas internamente no sujeito. Em oposição a ambas as perspectivas, Piaget propõe uma outra abordagem, denominada de construtivismo interacionista. Nessa visão teórica, o conhecimento não é um dado pré-existente no mundo ou na mente, mas o resultado de uma construção contínua gerada pela indissociável interação entre o sujeito em sua relação com o mundo físico ou social. Assim, na epistemologia genética, o sujeito não descobre ideias prontas, ele as cria e reconstrói através da sua própria atividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O progresso cognitivo é impulsionado por mecanismos derivados diretamente do funcionamento biológico do organismo, em especial a adaptação, que ocorre mediante a interação de duas funções complementares, quais sejam, a assimilação e a acomodação. A assimilação é a incorporação dos dados da realidade aos esquemas mentais e de ação já existentes no sujeito, enquanto a acomodação é a modificação estrutural desses mesmos esquemas para dar conta das exigências e particularidades da nova realidade encontrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O motor que regula essas duas funções é a equilibração, um processo dinâmico de autorregularão que visa compensar perturbações externas ou lacunas internas. A equilibração conduz o pensamento do sujeito de estados de equilíbrio instáveis e restritos para patamares de equilíbrio sucessivamente mais complexos, coerentes e móveis. Este desenvolvimento manifesta-se no decorrer de grandes estágios universais de evolução, denominados sensório-motor, pré-operatório, operatório-concreto e operatório-formal cada um representando uma nova estrutura de conjunto que integra os ganhos anteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transição para as formas de raciocínio mais avançadas e abstratas depende fundamentalmente do processo de abstração reflexionante. Ao contrário da abstração empírica, em que ocorre apenas a extração das propriedades observáveis dos objetos físicos, como cor e peso, na abstração reflexionante o sujeito retira as suas informações da própria coordenação das ações do sujeito, projetando essas estruturas da ação para um plano mental superior e reorganizando-as em novas operações lógicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, a epistemologia genética de Piaget logrou êxito ao transformar indagações filosóficas e ontológicas seculares, tais como &amp;quot;o que é a realidade?&amp;quot; ou &amp;quot;como se dá o conhecimento?&amp;quot;, em questões passíveis de estudo científico e psicológico. A Epistemologia Genética e o pensamento de Jean Piaget valorizam os problemas filosóficos da origem do conhecimento, mas vale-se de bases empíricas oriundas da psicologia para analisar tais problemas e propor soluções experimentalmente fundamentadas.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
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		<title>Franco Lo Presti Seminerio</title>
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		<updated>2026-03-08T12:52:42Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Protegido &amp;quot;Franco Lo Presti Seminerio&amp;quot; ([Editar=Permitir apenas administradores] (indefinidamente) [Mover=Permitir apenas administradores] (indefinidamente))&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Franco Lo Presti Seminerio (Turim, 20 de janeiro de 1923 – Rio de Janeiro, 17 de junho de 2003) foi um psicólogo, filósofo, doutor em letras e professor ítalo-brasileiro. Sua trajetória é marcada pelo pioneirismo na psicologia cognitiva no Brasil, tendo atuado como diretor do Instituto Superior de Estudos e Pesquisas Psicossociais (ISOP) por vinte anos e recebido o título de Professor Emérito da UFRJ, onde lecionou por quase três décadas. Por meio de seus estudos, desenvolveu a Teoria das Linguagens Morfogenéticas e a técnica da Elaboração Dirigida, ferramentas voltadas para a “democratização da inteligência” em ambientes socialmente desfavorecidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Origens e formação na Itália ===&lt;br /&gt;
Franco Lo Presti Seminerio nasceu em Turim, na Itália, em 20 de janeiro de 1923, terceiro filho de Decenzio Lo Presti Seminerio e Laura Boffa Molinar. Aos seis anos de idade, transferiu-se junto a sua família para a cidade de Gênova, onde completou a educação básica em um colégio jesuíta. Lá, teve amplo contato com a área das Humanidades, campo pelo qual viria a ser influenciado durante toda sua jornada profissional. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1941, em meio a Segunda Guerra Mundial, ingressou no curso de Letras Modernas da Università degli Studi di Genova. Obteve seu doutorado em 1946, com uma tese sobre o escritor português Antero de Quental. No mesmo ano, concluiu sua graduação em Filosofia, o que fez seus interesses migrarem da teosofia e história das religiões para a busca pelo sentido da vida. Foi nesse contexto que, influenciado por Kant, estabeleceu suas primeiras conexões com a Psicologia, ao concluir que apenas o estudo da cognição humana poderia oferecer respostas para suas questões existenciais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primeiros anos no Brasil ===&lt;br /&gt;
A convite da irmã mais velha e do cunhado brasileiro, que já moravam no Brasil, Seminerio desembarcou no Rio de Janeiro em 1947, aos 24 anos de idade, motivado pela falta de oportunidades profissionais na Itália do pós-guerra. Apesar da fluência em português (com sotaque lusitano), o período inicial de adaptação foi marcado por desafios, entre eles a xenofobia e as altas temperaturas do clima tropical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, sua maior dificuldade foi em relação aos entraves na revalidação de seus diplomas de doutorado em Letras e graduação em Filosofia, o que adiou seu ingresso no meio acadêmico profissional. Por esse motivo, suas primeiras ocupações no país foram como preceptor dos filhos de um diplomata italiano e no setor comercial, onde atuou entre 1948 e 1953. Sua naturalização como cidadão brasileiro foi obtida em junho de 1954.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1959, ingressou no curso de Orientação Profissional na Faculdade Fluminense de Filosofia, atualmente um departamento da UFF, obtendo seu certificado de conclusão em 1960. Nesse período, conheceu Maria Luiza Teixeira de Assumpção, que se tornaria sua esposa e colaboradora ao longo de sua trajetória profissional e acadêmica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Anos mais tarde, entre 1972 e 1973, Seminerio retornaria à Itália para um novo doutorado, desta vez em Filosofia, na mesma universidade onde havia se formado. Nesta ocasião, concluiu o curso com louvor, alcançando nota máxima em todas as disciplinas e na defesa de tese, o que lhe garantiu a revalidação do novo título no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Jornada na psicologia ===&lt;br /&gt;
Seminerio iniciou suas atividades na psicologia em 1957, no [[Centro Juvenil de Orientação e Pesquisa (CeJOP)]], onde orientava adolescentes em situação de vulnerabilidade, de forma voluntária, aos finais de semana. Os resultados de seu trabalho com os jovens e o interesse pela psicologia aplicada despertaram a atenção de Francisco Campos, então chefe da [[Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)|Divisão de Seleção do ISOP (Instituto de Seleção e Orientação Profissional)]], que o convidou a ingressar na instituição como psicólogo-adjunto em 1962. No mesmo ano, a aprovação da Lei nº 4.119 permitiu seu registro profissional como psicólogo, tendo em vista sua experiência comprovada. O registro, no entanto, não o impediu de buscar sua graduação formal em Psicologia, realizada entre os anos de 1964 e 1967, na UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ISOP, Seminerio passou a questionar a validade dos testes de avaliação psicológica que aplicava, entre eles a psicometria de Alfred Binet, sob a justificativa de que se limitavam a medir a inteligência apenas como resultado, e não explicavam, de fato, o funcionamento interno dos processos mentais. Essa insatisfação o levou a estudar as bases teóricas da cognição, sobretudo a [[Epistemologia Genética de Jean Piaget]], que viria a se tornar fundamental para a construção de sua teoria da mente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das convergências com o autor suíço, entre elas a da criança como agente ativo de seu aprendizado, Seminerio questionou o “continuísmo” piagetiano, que entendia o desenvolvimento cognitivo como um processo impossível de ser acelerado por intervenções externas. Essa divergência motivou Seminerio a articular outras perspectivas teóricas em seu projeto, entre elas a de autores como [[Albert Bandura|Bandura]], [[Lev Vygotsky|Vygotsky]] e [[Noam Chomsky|Chomsky]], o que contribuiu com a formulação de sua Elaboração Dirigida, técnica cujo objetivo era promover os chamados saltos cognitivos e acelerar a construção da inteligência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais tarde, Seminerio exemplificou sua tese ao ensinar a regra da seriação a crianças de 5 anos de idade, algo que, seguindo a cronologia apontada por Piaget, seria teoricamente improvável. Os resultados dessas pesquisas demonstraram que o desenvolvimento cognitivo não estaria necessariamente ligado a um tempo biológico, indicando, inclusive, a possibilidade de se provocar saltos por agentes externos, algo fundamental para a superação de déficits cognitivos. Essa proposta refletia os objetivos políticos e sociais de Seminerio, que entendia o meio como fator substancial para construção do pensamento lógico. Dessa forma, ferramentas como a Elaboração Dirigida possibilitariam a intervenção no desenvolvimento intelectual de crianças de classes menos favorecidas, contribuindo para a redução das desigualdades sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse projeto se viabilizava em meio a uma ascensão administrativa de Seminerio no [[Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)|ISOP]]. Após atuar como psicólogo-adjunto, assumiu cargos como a Chefia da Seção de Seleção Geral (1966), a Chefia do Serviço de Pesquisa e Ensino (1968) e a Vice-Diretoria (1969). Além disso, em 1970, tornou-se diretor efetivo do instituto, função que ocuparia até o fim da entidade, em 1990. Nesse período, transformou o ISOP em um órgão acadêmico de pós-graduação em Psicologia, oferecendo cursos de mestrado, inaugurado em 1971, e doutorado, o primeiro da área credenciado pelo Conselho Federal de Educação, em 1977.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como professor, foi convidado pela Faculdade Fluminense de Filosofia (atual [https://www.uff.br/ Universidade Federal Fluminense]) a lecionar Orientação Profissional logo após obter o certificado no mesmo curso, em 1960. Se transferiu para a [https://ufrj.br/ Universidade Federal do Rio de Janeiro] em 1968, também a convite, onde integrou o quadro docente até sua aposentadoria compulsória, em 1993. Em 1991, organizou a criação do Laboratório Metaprocessual (UFRJ), cujo principal objetivo era dar continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido no ISOP. Ao se aposentar, recebeu o título de professor emérito da UFRJ, em 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Elaboração dirigida ===&lt;br /&gt;
A Elaboração Dirigida (ED) é a aplicação pedagógica da teoria metaprocessual de Franco Seminerio. A proposta visa diminuir os déficits cognitivos observados em crianças com acesso limitado ao conhecimento, algo frequente em contextos socialmente desfavorecidos. Nesse processo, a ED funciona por meio de uma modelagem lógica, na qual o educador orienta o raciocínio do aluno até que se compreenda a regra geradora de determinado resultado, o que estimula o uso do pensamento recursivo. A prática permite ao professor intervir diretamente sobre o desenvolvimento intelectual da criança, ajudando-a a superar defasagens e a ampliar suas maneiras de pensar e aprender.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ED é parte de um projeto político e social que pretendia uma “Revolução Cognitiva” na educação brasileira. Seminerio buscava superar tanto a escola tradicional, centrada na repetição e na memorização, quanto a escola operatória (piagetiana), considerada excessivamente passiva em relação ao ritmo da criança. Ao formular um método capaz de intervir ativamente sobre a formação da inteligência, Seminerio via na ED uma oportunidade de redução das desigualdades sociais, uma vez que os déficits cognitivos das classes populares tendem a reproduzir hierarquias de poder e exclusão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Conselho Federal de Psicologia ===&lt;br /&gt;
Foi um dos dois delegados designados pelo Estado da Guanabara (atual Rio de Janeiro) para compor a comissão responsável por eleger o primeiro [https://site.cfp.org.br/ Conselho Federal de Psicologia] (CFP), em 1973. Este processo representa o marco da regulamentação da profissão, consolidada pela Lei nº 5.766.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora tenha sido convidado a participar também das eleições do conselho, recusou devido ao acúmulo de funções que exercia na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Contribuições em instituições ===&lt;br /&gt;
Seminerio ingressou como psicólogo-adjunto no [[Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)|ISOP (Instituto de Seleção e Orientação Profissional)]] em 1962, mesmo ano em que iniciou seu projeto de estudos sobre a cognição humana e a Elaboração Dirigida. Em 1969, foi nomeado pelo diretor da [[Faculdade da Educação da UFRJ]] para chefiar o Departamento de Psicologia da Educação. Assumiu a direção efetiva do ISOP e da revista Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada (atual [[Arquivos Brasileiros de Psicologia]]) em 1970, permanecendo no cargo até a extinção do instituto, vinte anos depois. Durante esse período, contribuiu para a criação dos cursos de pós-graduação do ISOP, com o mestrado sendo implantado em 1971 e o doutorado em 1977.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Seminerio foi eleito presidente de duas importantes associações: a [[Associação Brasileira de Psicologia Aplicada]], em 1973, na qual permaneceu por dois mandatos, e a [[Associação Brasileira de Psicologia]], filiada à &#039;&#039;[[International Union of Psychological Science]]&#039;&#039;, em 1978 e, novamente, em 1986. Com a extinção do ISOP pela [[Fundação Getúlio Vargas]], em 1990, Seminerio dedicou-se à transferência dos cursos de mestrado e doutorado do instituto, assim como da revista Arquivos Brasileiros de Psicologia, para a UFRJ. A transferência foi concluída em 1991, com Seminerio assumindo a coordenação de ambos os cursos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Laboratório Metaprocessual ===&lt;br /&gt;
Visando a continuidade de suas pesquisas sobre a cognição humana iniciadas no ISOP, Seminerio organizou a criação do Laboratório Metaprocessual da UFRJ em 1991, com apoio do CNPq e dos cursos de mestrado e doutorado em Psicologia. A proposta pretendia o estímulo da metacognição no atendimento de crianças em situação de vulnerabilidade, uma forma de democratização da inteligência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trabalhos envolviam a compreensão de regras lógicas por parte dos alunos em áreas básicas de conhecimento, tais como designação (referente a linguística e vocabulário), imaginário cognitivo, alfabetização, conhecimento de mundo e matemática. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A prática era viabilizada por meio de jogos que utilizavam materiais simples, muitos deles reciclados, uma forma lúdica de motivação para que os alunos participantes pudessem “aprender a aprender”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
A Teoria Metaprocessual de Seminerio parte da premissa de que o ser humano possui estruturas de conhecimento inatas, sem as quais não seria possível falar ou pensar em tão pouco tempo após o nascimento. Essas competências estão ligadas a canais morfogenéticos (vias pelas quais os estímulos sensoriais provocam as formas superiores de cognição), em especial o visomotor (visão e movimento) e o audiofonético (audição e fala).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir desses canais, Seminério identificou, em cada um deles, quatro linguagens-código fundamentais para o processamento da realidade percebida. Esse sistema se organiza por meio de quatro níveis (L1, L2, L3 e L4), sendo o último constituído pelo conjunto dos anteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A L1, a linguagem das formas, é a mais elementar. Trata-se da capacidade inata de organizar estímulos visuais ou auditivos em conjuntos ou figuras regulares, como demonstrado pela psicologia da Gestalt. A L2, a linguagem da designação, utiliza essas formas para associá-las a significados empíricos, atribuindo sentido a partir da experiência perceptiva, como a aquisição de vocabulário, por exemplo. A L3, linguagem episódica, constrói contexto a partir dos significados formados em L2. A percepção de elementos passa a ocorrer por um encadeamento sequencial, não apenas por objetos isolados, como em L2, dando origem ao pensamento causal e imaginativo. É nesse nível que o sujeito começa a construir o raciocínio. Por fim, a L4, linguagem lógica, reúne o conteúdo de todos os níveis anteriores para manifestar a recursividade, ou seja, a capacidade reflexiva subjacente que permite o reconhecimento de padrões e a criação de novas conexões. É nesse nível que também ocorre a atividade metaprocessual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O metaprocesso se refere ao uso voluntário da recursividade, o que permite ao aluno transpor e recriar as lógicas aprendidas de modo intencional e em diferentes contextos. Seminério sugere que, mesmo ocorrendo de modo espontâneo, a atividade metaprocessual pode ser provocada e acelerada por meio da intervenção direcionada do educador, propondo, para isso, um método psicopedagógico chamado Elaboração Dirigida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
A produção bibliográfica de Franco Seminerio gira em torno da investigação dos determinantes da cognição humana. A inteligência deixa de ser vista como fator estático e passa a ser debatida como uma competência adquirida, cujo desenvolvimento pode ser provocado e acelerado por meio da mediação social e da atividade reflexiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Principais obras ===&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Infra-estrutura da cognição: fatores ou linguagens? (Cadernos do ISOP, nº 4, 1984)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta edição reúne um histórico dos 20 primeiros anos de pesquisas realizadas por Seminerio, além dos questionamentos iniciais acerca da confiabilidade dos testes psicológicos aplicados na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Infra-estrutura da cognição (II): linguagens e canais morfogenéticos (Cadernos do ISOP, nº 8, 1985)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seminerio aprofunda sua investigação epistemológica da cognição humana. Os canais morfogenéticos (visomotor e audiofonético) são detalhados, assim como o metaprocesso. A Elaboração Dirigida é citada, embora não seja o foco desta edição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Elaboração dirigida: um caminho para o desenvolvimento metaprocessual da cognição humana (Cadernos do ISOP, nº 10, 1987)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Elaboração Dirigida é apresentada como a aplicação prática da teoria apresentada nos cadernos anteriores. As bases, os objetivos e as situações de uso da ferramenta são debatidos, assim como a importância do diálogo entre professor e aluno na educação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Metaprocesso: a chave do desenvolvimento cognitivo: uma reavaliação da pedagogia contemporânea (Cadernos do ISOP, nº 13, 1988)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerado o fechamento das ideias dos cadernos anteriores, esta edição traz um diálogo crítico entre a Elaboração Dirigida e teorias de autores como Piaget, Vygotsky, Bandura e [[Jerome Bruner|Bruner]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Outras obras ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Livros ====&lt;br /&gt;
(1977). Diagnóstico psicológico – Técnica do exame psicológico: Fundamentos epistemológicos. São Paulo: Atlas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1985). Epistemologia genética. Rio de Janeiro: FGV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1987). Currículo de graduação em Psicologia – Reforma ou implicação? Uma polêmica atual. Rio de Janeiro: FGV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1996). Piaget: O construtivismo na psicologia e na educação. Rio de Janeiro: Imago.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Capítulos de livros ====&lt;br /&gt;
(1978). Atividades profissionais do psicólogo no Rio de Janeiro. Em Ruben Ardila (org.). La Profession del Psicólogo (pp. 108-117). México: Trillas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1999). Existência e finitude. Em Lígia Py (org.). Finitude e uma proposta para reflexão e prática em gerontologia (pp. 21-30). Rio de Janeiro: Nau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Artigos em periódicos ====&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Arquivos Brasileiros de Psicologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1965). Síntese de uma pesquisa sobre alunos adultos do curso primário, v. 17, 41-60.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1967). Casos num grupo especial (seleção de fotógrafos), v. 19, 95-103.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1967). Seleção de um grupo de guarda-vidas, v. 19, 55-64.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1968). Questões metodológicas de orientação profissional, v. 20, 113-132.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1972). Pós-graduação em psicologia do trabalho, v. 24, 65-70.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1972). Fundamentos e diretrizes da psicologia atual, v. 24, 05-14.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1973). A pesquisa, v. 25, 93-98.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1973). O ISOP aos 25 anos, v. 25, 109-123.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1973). A psicologia no Brasil, n. 25, 147-161.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1974). A profissão de psicólogo na Guanabara, n. 26, 03-29.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1975). Saudação aos participantes pelo presidente da Associação Brasileira de Psicologia Aplicada (abertura solene do I Seminário Brasileiro de Ergonomia), n. 27, 08-10.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1976). A ergonomia no contexto social e tecnológico contemporâneo, n. 28, 03-15.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1977). A epistemologia genética: Renovação e síntese na psicologia e em filosofia contemporâneas, v. 29, 09-30.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1978). ISOP, uma trajetória histórica: 30 anos de realizações, v. 30, 08-14.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1978). Emílio Mira y Lopez e a psicologia contemporânea: Uma interpretação, v. 30, 21-36.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1978). Pós-graduação em psicologia, v. 30, 237-241.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1979). Arquivos Brasileiros de Psicologia. Rio de Janeiro, n. 31, 05-16.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1980). A crise da psicologia contemporânea – I, v. 32, 13-29.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1980). Infra-estrutura e existência da cognição humana: Fatores ou linguagens?, v. 32, 536-544.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1980). Formação de psicólogos no Brasil, v. 32, 560-567.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1982). Ergonomia e reabilitação, v. 34, 197-204.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1983). A natureza sistêmica das linguagens na cognição humana: Uma visão kerigmática do real, v. 35, 03-10.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1984). Atuação do psicólogo em reabilitação, v. 36, 156-161.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1984). O construtivismo e os limites do pré-formismo, v. 36, 04-11.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1985). Editorial: Alienação na pesquisa e na avaliação da pós-graduação, v. 37, 03-08.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1985). Editorial: Alienação na pesquisa, v. 37, 03-07.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1986). Construção da lógica e da imaginação em pré-escola: Uma alternativa para o terceiro mundo, v. 38, 10-19.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1986). O problema do método: Limite ou expansão em ciências humanas, v. 38, 03-17.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1986). Ação e cognição: Uma convergência em marcha, v. 38, 40-50.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1987). A todos os psicólogos e a todos os alunos de psicologia: Uma saudação e um convite. (Discurso de posse na presidência da Associação Brasileira de Psicologia), v. 39, 141-145.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1987). Avaliação e eficácia do método de modelação lógico-elementar e imaginativa no ensino pré-escolar, v. 39, 138-140.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1988). A especialização pós-universitária, v. 40, 104-108.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1989). Comemoração dos 40 anos, v. 42, 03-04.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1989). Estruturadas e perspectivas na psicologia contemporânea, v. 41, 03-07.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1990). Uma revalidação da pedagogia de nossos tempos: O lugar do romantismo e os conflitos contemporâneos, v. 42, 03-17.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1991). Conflitos-existências da terceira idade, v. 43, 05-12.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1991). Cognição e educação – Um projeto de construção teórica: Verificação experimental e aplicações psicopedagógicas, v. 43, 12-33.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1992). Psicologia: Ciência ou técnica ideológica?, v. 44, 03-12.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1994). Cognição: Códigos, limites, fronteiras, v. 46, 03-12.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1995). Origem das universais da cognição, v. 47, 03-15.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1995). Códigos morfogenéticos da cognição, v. 47, 03-17.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1996). A metacognição e seus usos: Um mecanismo geral de desenvolvimento, v. 47, 03-30.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1996). Imaginário e religião: Fenômeno social ou psicológico?, v. 48, 03-22.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1997). Emílio Mira y López – Cem anos depois de seu nascimento: Sua contribuição para o desenvolvimento da psicologia contemporânea, v. 49, 05-22.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1997). Novos rumos na psicologia e na pedagogia – Metacognição: Uma nova opção, v. 49, 05-22 (com C.R Anselmé e M. Chahon).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1998). O imaginário cognitivo: Uma fronteira entre consciência e inconsciente, v. 49, 94-107 (et al.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1999). Metacognição: Um novo paradigma, v. 51, 110-126 (com C.R. Anselmé e M. Chahon).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Outros Periódicos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1988). A trajetória da psicologia cognitiva: Síntese e interpretação. Revista Brasileira de Neurologia, v. 34, 15-20.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1988). A religião como fenômeno psicológico. Temas de Psicologia, v. 6, 161-172.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
Ao longo de sua trajetória profissional, Franco Lo Presti Seminerio recebeu diversas homenagens que reconhecem sua importância para o desenvolvimento da Psicologia no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1993&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nomeado patrono da Turma de Psicólogos do Instituto de Psicologia da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1994&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Recebeu o título de Professor Emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1996&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado com um diploma pelo empenho na implantação do curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Representou o Brasil na International Union of Psychological Science (IUPsyS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1997&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado pela Sociedade Brasileira de Psicologia por suas contribuições ao desenvolvimento da área, sendo elevado a sócio honorário da entidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado como um dos pioneiros do curso de Psicologia da Universidade Gama Filho (UGF)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Reconhecido como Pioneiro da Psicologia pelo Conselho Federal de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1999&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Centro Acadêmico do Instituto de Psicologia da UFRJ passou a denominar-se Centro Acadêmico Franco Seminério, em sua homenagem, consolidando sua influência junto à comunidade acadêmica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;2000&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nomeado patrono da Turma de Psicólogos 2000.1 do Instituto de Psicologia da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado especial do 10º Congresso de Ergonomia, promovido pela Associação Brasileira de Ergonomia, devido ao pioneirismo na introdução da ergonomia no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado pela Sociedade Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento por sua contribuição à Psicologia do Desenvolvimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;2001&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nomeado patrono da Turma de Psicólogos 2000.2 do Instituto de Psicologia da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Participação como arguente e representante de universidades do exterior em banca examinadora de doutoramento na Faculdade de Educação e Ciências do Comportamento da Universidade de Coimbra, em Portugal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Influências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Jean Piaget ===&lt;br /&gt;
[[Jean Piaget|Piaget]] entende que o desenvolvimento cognitivo ocorre por uma sequência de estágios fixos que não podem ser acelerados por influências externas. Em contrapartida, Seminerio defende a possibilidade de intervenção sobre esses estágios, principalmente para compensar déficits cognitivos em crianças. A partir dessa divergência, o autor propõe o método da Elaboração Dirigida, utilizando metamodelos e ações reflexivas para que a criança alcance níveis de raciocínio mais complexos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== John Flavell ===&lt;br /&gt;
Um dos objetivos da proposta psicopedagógica de Seminerio, a Elaboração Dirigida, é provocar na criança aquilo que [[John Flavell|Flavell]] descreve como metacognição, ou seja, a capacidade de refletir sobre os próprios pensamentos. As pesquisas do norte-americano, sobretudo as apresentadas no XXI Congresso Internacional de Psicologia, em 1976, contribuíram para as noções de Seminério acerca da atividade metaprocessual. Esta, por sua vez, é entendida como uma ampliação do conceito de Flavell, abrangendo não apenas os processos cognitivos, mas também a recursividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Noam Chomsky ===&lt;br /&gt;
Seminerio busca em [[Noam Chomsky|Chomsky]] a noção do inatismo da recursividade, uma das bases para a compreensão do desenvolvimento dos processos lógicos. Chomsky propõe que, mesmo com um número finito de regras, o sujeito é capaz de gerar um número infinito de frases em um idioma (processo recursivo). Essas regras não são aprendidas apenas pela interação com o ambiente, mas possibilitadas por princípios universais da linguagem, indicando a existência de um preformismo estrutural. Assim como na linguística de Chomsky, é a recursividade que possibilita ao aluno realizar o salto metaprocessual, isto é, usar uma regra já compreendida para elaborar novas lógicas em situações desconhecidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Lev Vygotsky ===&lt;br /&gt;
A proposta sócio-interacionista de [[Lev Vygotsky|Vygotsky]] fomenta a importância do educador e o papel das interações sociais na teoria metaprocessual. Ambos os autores partilham da ideia de que os fenômenos psicológicos se constroem por meio do diálogo interpessoal, com o adulto mediando o acesso da criança aos signos e significados. A linguagem funciona como um sistema essencial que permite à criança nomear e representar mentalmente aquilo que não está visível (descontextualização imediata), condição fundamental para o desenvolvimento de processos cognitivos mais sofisticados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seminerio retoma essa concepção ao enfatizar que a inteligência é produto das classes sociais e não o contrário, tendo em vista a lógica de que quanto menor a circulação de signos ou mediações, menos recursos a criança terá para expandir suas capacidades cognitivas. Nesse sentido, a aprendizagem se intensifica quando há mediação ativa do adulto, que instiga e organiza o processo para além do espontâneo. É esse o ponto de atuação da Elaboração Dirigida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Albert Bandura ===&lt;br /&gt;
Seminerio utiliza a [[Teoria Social Cognitiva de Bandura]] para incorporar o princípio de que a aprendizagem ocorre pela observação, imitação e estocagem de modelos. Essa concepção justifica o foco da Elaboração Dirigida nas relações interpessoais e no fornecimento de novas lógicas aos alunos. Esse conceito é ampliado na teoria metaprocessual, tendo em vista a capacidade do indivíduo em refletir sobre as regras até compreendê-las em seu estado gerador. Assim, enquanto [[Albert Bandura|Bandura]] fundamenta a aprendizagem na aquisição de modelos externos, Seminerio desloca o foco para a capacidade inata do sujeito de processar e gerar internamente novas regras, indo além da mera repetição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
CAVALCANTI, Lana de Souza. &#039;&#039;&#039;Cotidiano, mediação pedagógica e formação de conceitos: uma contribuição de Vygotsky ao ensino de geografia&#039;&#039;&#039;. Cadernos Cedes, Campinas, v. 25, n. 66, p. 185-207, maio/ago. 2005&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
LAMAS, Karen; PATRÍCIO, Marina de Oliveira. &#039;&#039;&#039;Teoria Social Cognitiva? Muito prazer!&#039;&#039;&#039; Psicologia em Pesquisa, Juiz de Fora, v.2, n.2, dez. 2008. ISSN 1982-1247. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1982-12472008000200010&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 30 ago. 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BRASIL. Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971. Cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Psicologia e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, . Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1241760&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 09 fev. 2026.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CHAHON, Marcelo. &#039;&#039;&#039;Metacognição e resolução de problemas aritméticos verbais: teoria e implicações pedagógicas&#039;&#039;&#039;. Revista do Departamento de Psicologia - UFF, Niterói, v. 18, n. 2, p. 163-176, jul./dez. 2006.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DITTRICH, Alexandre; ZENDRON, Rute Coelho. &#039;&#039;&#039;Franco Lo Presti Seminerio: razão e trabalho&#039;&#039;&#039;. In: JACÓ-VILELA, Ana Maria (coord.). Memória da Psicologia Brasileira. [S. l.: s. n.], [20--]. p. 11-35.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FRANCO Lo Presti Seminerio: dados biográficos. Paidéia (Ribeirão Preto), v. 12, n. 23, 2002. DOI: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://doi.org/10.1590/S0103-863X2002000200014&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MARQUES, Carla Verônica; OLIVEIRA, Carlo Emmanoel Tolla de; MOTTA, Cláudia Lage Rebello da. &#039;&#039;&#039;Ensaio científico avaliativo da teoria de Franco Lo Presti Seminério&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: UFRJ/NCE, 2010. (Relatório Técnico, 03/10).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MARQUES, Carla Verônica; OLIVEIRA, Carlo E. T. de; MOTTA, Cláudia (org.). &#039;&#039;&#039;A revolução cognitiva: um estudo sobre a teoria de Franco Lo Presti Seminério&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: UFRJ/NCE, 2009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SEMINÉRIO, Franco Lo Presti et al. &#039;&#039;&#039;Metaprocesso: a chave do desenvolvimento cognitivo: uma reavaliação da pedagogia contemporânea&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: FGV/ISOP, 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SEMINÉRIO, Franco Lo Presti. &#039;&#039;&#039;Currículo do Sistema de Currículos Lattes&#039;&#039;&#039;. [S. l.: s. n.], 2003. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://lattes.cnpq.br/7526292347610062&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 19 fev. 2026.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, José Aparecido da; BIASOLI-ALVES, Zélia Maria Mendes. &#039;&#039;&#039;Franco Lo Presti Seminerio (1923-2003): O homem, O professor, O amigo&#039;&#039;&#039;. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 19, n. 2, p. 189-191, maio/ago. 2003. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.scielo.br/j/ptp/a/pN44PWQCFGvg9R7KWTH7S5P/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 19 fev. 2026.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
[[Jean Piaget]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Jerome Bruner]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Albert Bandura]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lev Vygotsky]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Noam Chomsky]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[John Flavell]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Centro Juvenil de Orientação e Pesquisa (CeJOP)]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Faculdade da Educação da UFRJ]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Arquivos Brasileiros de Psicologia]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Associação Brasileira de Psicologia Aplicada]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO)|Associação Brasileira de Psicologia]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[International Union of Psychological Science]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Fundação Getúlio Vargas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Epistemologia Genética de Jean Piaget]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Teoria Social Cognitiva de Bandura]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi escrito por Luiz Fernando Mendonca Carvalho a convite dos editores da WikiHP. Criado em 2026.1, publicado em 2026.1. Este verbete está indefinidamente fechado para edição da comunidade por decisão dos editores da WikiHP.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Epistemologia Genética no Brasil]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Franco_Lo_Presti_Seminerio&amp;diff=1641</id>
		<title>Franco Lo Presti Seminerio</title>
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		<updated>2026-03-08T12:52:32Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Várias modificações substanciais&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Franco Lo Presti Seminerio (Turim, 20 de janeiro de 1923 – Rio de Janeiro, 17 de junho de 2003) foi um psicólogo, filósofo, doutor em letras e professor ítalo-brasileiro. Sua trajetória é marcada pelo pioneirismo na psicologia cognitiva no Brasil, tendo atuado como diretor do Instituto Superior de Estudos e Pesquisas Psicossociais (ISOP) por vinte anos e recebido o título de Professor Emérito da UFRJ, onde lecionou por quase três décadas. Por meio de seus estudos, desenvolveu a Teoria das Linguagens Morfogenéticas e a técnica da Elaboração Dirigida, ferramentas voltadas para a “democratização da inteligência” em ambientes socialmente desfavorecidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Origens e formação na Itália ===&lt;br /&gt;
Franco Lo Presti Seminerio nasceu em Turim, na Itália, em 20 de janeiro de 1923, terceiro filho de Decenzio Lo Presti Seminerio e Laura Boffa Molinar. Aos seis anos de idade, transferiu-se junto a sua família para a cidade de Gênova, onde completou a educação básica em um colégio jesuíta. Lá, teve amplo contato com a área das Humanidades, campo pelo qual viria a ser influenciado durante toda sua jornada profissional. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1941, em meio a Segunda Guerra Mundial, ingressou no curso de Letras Modernas da Università degli Studi di Genova. Obteve seu doutorado em 1946, com uma tese sobre o escritor português Antero de Quental. No mesmo ano, concluiu sua graduação em Filosofia, o que fez seus interesses migrarem da teosofia e história das religiões para a busca pelo sentido da vida. Foi nesse contexto que, influenciado por Kant, estabeleceu suas primeiras conexões com a Psicologia, ao concluir que apenas o estudo da cognição humana poderia oferecer respostas para suas questões existenciais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primeiros anos no Brasil ===&lt;br /&gt;
A convite da irmã mais velha e do cunhado brasileiro, que já moravam no Brasil, Seminerio desembarcou no Rio de Janeiro em 1947, aos 24 anos de idade, motivado pela falta de oportunidades profissionais na Itália do pós-guerra. Apesar da fluência em português (com sotaque lusitano), o período inicial de adaptação foi marcado por desafios, entre eles a xenofobia e as altas temperaturas do clima tropical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, sua maior dificuldade foi em relação aos entraves na revalidação de seus diplomas de doutorado em Letras e graduação em Filosofia, o que adiou seu ingresso no meio acadêmico profissional. Por esse motivo, suas primeiras ocupações no país foram como preceptor dos filhos de um diplomata italiano e no setor comercial, onde atuou entre 1948 e 1953. Sua naturalização como cidadão brasileiro foi obtida em junho de 1954.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1959, ingressou no curso de Orientação Profissional na Faculdade Fluminense de Filosofia, atualmente um departamento da UFF, obtendo seu certificado de conclusão em 1960. Nesse período, conheceu Maria Luiza Teixeira de Assumpção, que se tornaria sua esposa e colaboradora ao longo de sua trajetória profissional e acadêmica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Anos mais tarde, entre 1972 e 1973, Seminerio retornaria à Itália para um novo doutorado, desta vez em Filosofia, na mesma universidade onde havia se formado. Nesta ocasião, concluiu o curso com louvor, alcançando nota máxima em todas as disciplinas e na defesa de tese, o que lhe garantiu a revalidação do novo título no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Jornada na psicologia ===&lt;br /&gt;
Seminerio iniciou suas atividades na psicologia em 1957, no [[Centro Juvenil de Orientação e Pesquisa (CeJOP)]], onde orientava adolescentes em situação de vulnerabilidade, de forma voluntária, aos finais de semana. Os resultados de seu trabalho com os jovens e o interesse pela psicologia aplicada despertaram a atenção de Francisco Campos, então chefe da [[Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)|Divisão de Seleção do ISOP (Instituto de Seleção e Orientação Profissional)]], que o convidou a ingressar na instituição como psicólogo-adjunto em 1962. No mesmo ano, a aprovação da Lei nº 4.119 permitiu seu registro profissional como psicólogo, tendo em vista sua experiência comprovada. O registro, no entanto, não o impediu de buscar sua graduação formal em Psicologia, realizada entre os anos de 1964 e 1967, na UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ISOP, Seminerio passou a questionar a validade dos testes de avaliação psicológica que aplicava, entre eles a psicometria de Alfred Binet, sob a justificativa de que se limitavam a medir a inteligência apenas como resultado, e não explicavam, de fato, o funcionamento interno dos processos mentais. Essa insatisfação o levou a estudar as bases teóricas da cognição, sobretudo a [[Epistemologia Genética de Jean Piaget]], que viria a se tornar fundamental para a construção de sua teoria da mente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das convergências com o autor suíço, entre elas a da criança como agente ativo de seu aprendizado, Seminerio questionou o “continuísmo” piagetiano, que entendia o desenvolvimento cognitivo como um processo impossível de ser acelerado por intervenções externas. Essa divergência motivou Seminerio a articular outras perspectivas teóricas em seu projeto, entre elas a de autores como [[Albert Bandura|Bandura]], [[Lev Vygotsky|Vygotsky]] e [[Noam Chomsky|Chomsky]], o que contribuiu com a formulação de sua Elaboração Dirigida, técnica cujo objetivo era promover os chamados saltos cognitivos e acelerar a construção da inteligência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais tarde, Seminerio exemplificou sua tese ao ensinar a regra da seriação a crianças de 5 anos de idade, algo que, seguindo a cronologia apontada por Piaget, seria teoricamente improvável. Os resultados dessas pesquisas demonstraram que o desenvolvimento cognitivo não estaria necessariamente ligado a um tempo biológico, indicando, inclusive, a possibilidade de se provocar saltos por agentes externos, algo fundamental para a superação de déficits cognitivos. Essa proposta refletia os objetivos políticos e sociais de Seminerio, que entendia o meio como fator substancial para construção do pensamento lógico. Dessa forma, ferramentas como a Elaboração Dirigida possibilitariam a intervenção no desenvolvimento intelectual de crianças de classes menos favorecidas, contribuindo para a redução das desigualdades sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse projeto se viabilizava em meio a uma ascensão administrativa de Seminerio no [[Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)|ISOP]]. Após atuar como psicólogo-adjunto, assumiu cargos como a Chefia da Seção de Seleção Geral (1966), a Chefia do Serviço de Pesquisa e Ensino (1968) e a Vice-Diretoria (1969). Além disso, em 1970, tornou-se diretor efetivo do instituto, função que ocuparia até o fim da entidade, em 1990. Nesse período, transformou o ISOP em um órgão acadêmico de pós-graduação em Psicologia, oferecendo cursos de mestrado, inaugurado em 1971, e doutorado, o primeiro da área credenciado pelo Conselho Federal de Educação, em 1977.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como professor, foi convidado pela Faculdade Fluminense de Filosofia (atual [https://www.uff.br/ Universidade Federal Fluminense]) a lecionar Orientação Profissional logo após obter o certificado no mesmo curso, em 1960. Se transferiu para a [https://ufrj.br/ Universidade Federal do Rio de Janeiro] em 1968, também a convite, onde integrou o quadro docente até sua aposentadoria compulsória, em 1993. Em 1991, organizou a criação do Laboratório Metaprocessual (UFRJ), cujo principal objetivo era dar continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido no ISOP. Ao se aposentar, recebeu o título de professor emérito da UFRJ, em 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Elaboração dirigida ===&lt;br /&gt;
A Elaboração Dirigida (ED) é a aplicação pedagógica da teoria metaprocessual de Franco Seminerio. A proposta visa diminuir os déficits cognitivos observados em crianças com acesso limitado ao conhecimento, algo frequente em contextos socialmente desfavorecidos. Nesse processo, a ED funciona por meio de uma modelagem lógica, na qual o educador orienta o raciocínio do aluno até que se compreenda a regra geradora de determinado resultado, o que estimula o uso do pensamento recursivo. A prática permite ao professor intervir diretamente sobre o desenvolvimento intelectual da criança, ajudando-a a superar defasagens e a ampliar suas maneiras de pensar e aprender.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ED é parte de um projeto político e social que pretendia uma “Revolução Cognitiva” na educação brasileira. Seminerio buscava superar tanto a escola tradicional, centrada na repetição e na memorização, quanto a escola operatória (piagetiana), considerada excessivamente passiva em relação ao ritmo da criança. Ao formular um método capaz de intervir ativamente sobre a formação da inteligência, Seminerio via na ED uma oportunidade de redução das desigualdades sociais, uma vez que os déficits cognitivos das classes populares tendem a reproduzir hierarquias de poder e exclusão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Conselho Federal de Psicologia ===&lt;br /&gt;
Foi um dos dois delegados designados pelo Estado da Guanabara (atual Rio de Janeiro) para compor a comissão responsável por eleger o primeiro [https://site.cfp.org.br/ Conselho Federal de Psicologia] (CFP), em 1973. Este processo representa o marco da regulamentação da profissão, consolidada pela Lei nº 5.766.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora tenha sido convidado a participar também das eleições do conselho, recusou devido ao acúmulo de funções que exercia na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Contribuições em instituições ===&lt;br /&gt;
Seminerio ingressou como psicólogo-adjunto no [[Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)|ISOP (Instituto de Seleção e Orientação Profissional)]] em 1962, mesmo ano em que iniciou seu projeto de estudos sobre a cognição humana e a Elaboração Dirigida. Em 1969, foi nomeado pelo diretor da [[Faculdade da Educação da UFRJ]] para chefiar o Departamento de Psicologia da Educação. Assumiu a direção efetiva do ISOP e da revista Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada (atual [[Arquivos Brasileiros de Psicologia]]) em 1970, permanecendo no cargo até a extinção do instituto, vinte anos depois. Durante esse período, contribuiu para a criação dos cursos de pós-graduação do ISOP, com o mestrado sendo implantado em 1971 e o doutorado em 1977.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Seminerio foi eleito presidente de duas importantes associações: a [[Associação Brasileira de Psicologia Aplicada]], em 1973, na qual permaneceu por dois mandatos, e a [[Associação Brasileira de Psicologia]], filiada à &#039;&#039;[[International Union of Psychological Science]]&#039;&#039;, em 1978 e, novamente, em 1986. Com a extinção do ISOP pela [[Fundação Getúlio Vargas]], em 1990, Seminerio dedicou-se à transferência dos cursos de mestrado e doutorado do instituto, assim como da revista Arquivos Brasileiros de Psicologia, para a UFRJ. A transferência foi concluída em 1991, com Seminerio assumindo a coordenação de ambos os cursos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Laboratório Metaprocessual ===&lt;br /&gt;
Visando a continuidade de suas pesquisas sobre a cognição humana iniciadas no ISOP, Seminerio organizou a criação do Laboratório Metaprocessual da UFRJ em 1991, com apoio do CNPq e dos cursos de mestrado e doutorado em Psicologia. A proposta pretendia o estímulo da metacognição no atendimento de crianças em situação de vulnerabilidade, uma forma de democratização da inteligência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trabalhos envolviam a compreensão de regras lógicas por parte dos alunos em áreas básicas de conhecimento, tais como designação (referente a linguística e vocabulário), imaginário cognitivo, alfabetização, conhecimento de mundo e matemática. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A prática era viabilizada por meio de jogos que utilizavam materiais simples, muitos deles reciclados, uma forma lúdica de motivação para que os alunos participantes pudessem “aprender a aprender”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
A Teoria Metaprocessual de Seminerio parte da premissa de que o ser humano possui estruturas de conhecimento inatas, sem as quais não seria possível falar ou pensar em tão pouco tempo após o nascimento. Essas competências estão ligadas a canais morfogenéticos (vias pelas quais os estímulos sensoriais provocam as formas superiores de cognição), em especial o visomotor (visão e movimento) e o audiofonético (audição e fala).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir desses canais, Seminério identificou, em cada um deles, quatro linguagens-código fundamentais para o processamento da realidade percebida. Esse sistema se organiza por meio de quatro níveis (L1, L2, L3 e L4), sendo o último constituído pelo conjunto dos anteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A L1, a linguagem das formas, é a mais elementar. Trata-se da capacidade inata de organizar estímulos visuais ou auditivos em conjuntos ou figuras regulares, como demonstrado pela psicologia da Gestalt. A L2, a linguagem da designação, utiliza essas formas para associá-las a significados empíricos, atribuindo sentido a partir da experiência perceptiva, como a aquisição de vocabulário, por exemplo. A L3, linguagem episódica, constrói contexto a partir dos significados formados em L2. A percepção de elementos passa a ocorrer por um encadeamento sequencial, não apenas por objetos isolados, como em L2, dando origem ao pensamento causal e imaginativo. É nesse nível que o sujeito começa a construir o raciocínio. Por fim, a L4, linguagem lógica, reúne o conteúdo de todos os níveis anteriores para manifestar a recursividade, ou seja, a capacidade reflexiva subjacente que permite o reconhecimento de padrões e a criação de novas conexões. É nesse nível que também ocorre a atividade metaprocessual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O metaprocesso se refere ao uso voluntário da recursividade, o que permite ao aluno transpor e recriar as lógicas aprendidas de modo intencional e em diferentes contextos. Seminério sugere que, mesmo ocorrendo de modo espontâneo, a atividade metaprocessual pode ser provocada e acelerada por meio da intervenção direcionada do educador, propondo, para isso, um método psicopedagógico chamado Elaboração Dirigida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
A produção bibliográfica de Franco Seminerio gira em torno da investigação dos determinantes da cognição humana. A inteligência deixa de ser vista como fator estático e passa a ser debatida como uma competência adquirida, cujo desenvolvimento pode ser provocado e acelerado por meio da mediação social e da atividade reflexiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Principais obras ===&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Infra-estrutura da cognição: fatores ou linguagens? (Cadernos do ISOP, nº 4, 1984)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta edição reúne um histórico dos 20 primeiros anos de pesquisas realizadas por Seminerio, além dos questionamentos iniciais acerca da confiabilidade dos testes psicológicos aplicados na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Infra-estrutura da cognição (II): linguagens e canais morfogenéticos (Cadernos do ISOP, nº 8, 1985)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seminerio aprofunda sua investigação epistemológica da cognição humana. Os canais morfogenéticos (visomotor e audiofonético) são detalhados, assim como o metaprocesso. A Elaboração Dirigida é citada, embora não seja o foco desta edição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Elaboração dirigida: um caminho para o desenvolvimento metaprocessual da cognição humana (Cadernos do ISOP, nº 10, 1987)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Elaboração Dirigida é apresentada como a aplicação prática da teoria apresentada nos cadernos anteriores. As bases, os objetivos e as situações de uso da ferramenta são debatidos, assim como a importância do diálogo entre professor e aluno na educação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Metaprocesso: a chave do desenvolvimento cognitivo: uma reavaliação da pedagogia contemporânea (Cadernos do ISOP, nº 13, 1988)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerado o fechamento das ideias dos cadernos anteriores, esta edição traz um diálogo crítico entre a Elaboração Dirigida e teorias de autores como Piaget, Vygotsky, Bandura e [[Jerome Bruner|Bruner]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Outras obras ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Livros ====&lt;br /&gt;
(1977). Diagnóstico psicológico – Técnica do exame psicológico: Fundamentos epistemológicos. São Paulo: Atlas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1985). Epistemologia genética. Rio de Janeiro: FGV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1987). Currículo de graduação em Psicologia – Reforma ou implicação? Uma polêmica atual. Rio de Janeiro: FGV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1996). Piaget: O construtivismo na psicologia e na educação. Rio de Janeiro: Imago.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Capítulos de livros ====&lt;br /&gt;
(1978). Atividades profissionais do psicólogo no Rio de Janeiro. Em Ruben Ardila (org.). La Profession del Psicólogo (pp. 108-117). México: Trillas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1999). Existência e finitude. Em Lígia Py (org.). Finitude e uma proposta para reflexão e prática em gerontologia (pp. 21-30). Rio de Janeiro: Nau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Artigos em periódicos ====&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Arquivos Brasileiros de Psicologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1965). Síntese de uma pesquisa sobre alunos adultos do curso primário, v. 17, 41-60.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1967). Casos num grupo especial (seleção de fotógrafos), v. 19, 95-103.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1967). Seleção de um grupo de guarda-vidas, v. 19, 55-64.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1968). Questões metodológicas de orientação profissional, v. 20, 113-132.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1972). Pós-graduação em psicologia do trabalho, v. 24, 65-70.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1972). Fundamentos e diretrizes da psicologia atual, v. 24, 05-14.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1973). A pesquisa, v. 25, 93-98.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1973). O ISOP aos 25 anos, v. 25, 109-123.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1973). A psicologia no Brasil, n. 25, 147-161.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1974). A profissão de psicólogo na Guanabara, n. 26, 03-29.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1975). Saudação aos participantes pelo presidente da Associação Brasileira de Psicologia Aplicada (abertura solene do I Seminário Brasileiro de Ergonomia), n. 27, 08-10.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1976). A ergonomia no contexto social e tecnológico contemporâneo, n. 28, 03-15.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1977). A epistemologia genética: Renovação e síntese na psicologia e em filosofia contemporâneas, v. 29, 09-30.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1978). ISOP, uma trajetória histórica: 30 anos de realizações, v. 30, 08-14.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1978). Emílio Mira y Lopez e a psicologia contemporânea: Uma interpretação, v. 30, 21-36.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1978). Pós-graduação em psicologia, v. 30, 237-241.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1979). Arquivos Brasileiros de Psicologia. Rio de Janeiro, n. 31, 05-16.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1980). A crise da psicologia contemporânea – I, v. 32, 13-29.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1980). Infra-estrutura e existência da cognição humana: Fatores ou linguagens?, v. 32, 536-544.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1980). Formação de psicólogos no Brasil, v. 32, 560-567.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1982). Ergonomia e reabilitação, v. 34, 197-204.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1983). A natureza sistêmica das linguagens na cognição humana: Uma visão kerigmática do real, v. 35, 03-10.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1984). Atuação do psicólogo em reabilitação, v. 36, 156-161.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1984). O construtivismo e os limites do pré-formismo, v. 36, 04-11.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1985). Editorial: Alienação na pesquisa e na avaliação da pós-graduação, v. 37, 03-08.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1985). Editorial: Alienação na pesquisa, v. 37, 03-07.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1986). Construção da lógica e da imaginação em pré-escola: Uma alternativa para o terceiro mundo, v. 38, 10-19.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1986). O problema do método: Limite ou expansão em ciências humanas, v. 38, 03-17.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1986). Ação e cognição: Uma convergência em marcha, v. 38, 40-50.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1987). A todos os psicólogos e a todos os alunos de psicologia: Uma saudação e um convite. (Discurso de posse na presidência da Associação Brasileira de Psicologia), v. 39, 141-145.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1987). Avaliação e eficácia do método de modelação lógico-elementar e imaginativa no ensino pré-escolar, v. 39, 138-140.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1988). A especialização pós-universitária, v. 40, 104-108.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1989). Comemoração dos 40 anos, v. 42, 03-04.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1989). Estruturadas e perspectivas na psicologia contemporânea, v. 41, 03-07.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1990). Uma revalidação da pedagogia de nossos tempos: O lugar do romantismo e os conflitos contemporâneos, v. 42, 03-17.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1991). Conflitos-existências da terceira idade, v. 43, 05-12.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1991). Cognição e educação – Um projeto de construção teórica: Verificação experimental e aplicações psicopedagógicas, v. 43, 12-33.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1992). Psicologia: Ciência ou técnica ideológica?, v. 44, 03-12.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1994). Cognição: Códigos, limites, fronteiras, v. 46, 03-12.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1995). Origem das universais da cognição, v. 47, 03-15.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1995). Códigos morfogenéticos da cognição, v. 47, 03-17.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1996). A metacognição e seus usos: Um mecanismo geral de desenvolvimento, v. 47, 03-30.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1996). Imaginário e religião: Fenômeno social ou psicológico?, v. 48, 03-22.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1997). Emílio Mira y López – Cem anos depois de seu nascimento: Sua contribuição para o desenvolvimento da psicologia contemporânea, v. 49, 05-22.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1997). Novos rumos na psicologia e na pedagogia – Metacognição: Uma nova opção, v. 49, 05-22 (com C.R Anselmé e M. Chahon).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1998). O imaginário cognitivo: Uma fronteira entre consciência e inconsciente, v. 49, 94-107 (et al.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1999). Metacognição: Um novo paradigma, v. 51, 110-126 (com C.R. Anselmé e M. Chahon).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Outros Periódicos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1988). A trajetória da psicologia cognitiva: Síntese e interpretação. Revista Brasileira de Neurologia, v. 34, 15-20.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1988). A religião como fenômeno psicológico. Temas de Psicologia, v. 6, 161-172.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
Ao longo de sua trajetória profissional, Franco Lo Presti Seminerio recebeu diversas homenagens que reconhecem sua importância para o desenvolvimento da Psicologia no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1993&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nomeado patrono da Turma de Psicólogos do Instituto de Psicologia da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1994&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Recebeu o título de Professor Emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1996&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado com um diploma pelo empenho na implantação do curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Representou o Brasil na International Union of Psychological Science (IUPsyS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1997&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado pela Sociedade Brasileira de Psicologia por suas contribuições ao desenvolvimento da área, sendo elevado a sócio honorário da entidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado como um dos pioneiros do curso de Psicologia da Universidade Gama Filho (UGF)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Reconhecido como Pioneiro da Psicologia pelo Conselho Federal de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1999&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Centro Acadêmico do Instituto de Psicologia da UFRJ passou a denominar-se Centro Acadêmico Franco Seminério, em sua homenagem, consolidando sua influência junto à comunidade acadêmica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;2000&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nomeado patrono da Turma de Psicólogos 2000.1 do Instituto de Psicologia da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado especial do 10º Congresso de Ergonomia, promovido pela Associação Brasileira de Ergonomia, devido ao pioneirismo na introdução da ergonomia no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado pela Sociedade Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento por sua contribuição à Psicologia do Desenvolvimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;2001&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nomeado patrono da Turma de Psicólogos 2000.2 do Instituto de Psicologia da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Participação como arguente e representante de universidades do exterior em banca examinadora de doutoramento na Faculdade de Educação e Ciências do Comportamento da Universidade de Coimbra, em Portugal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Influências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Jean Piaget ===&lt;br /&gt;
[[Jean Piaget|Piaget]] entende que o desenvolvimento cognitivo ocorre por uma sequência de estágios fixos que não podem ser acelerados por influências externas. Em contrapartida, Seminerio defende a possibilidade de intervenção sobre esses estágios, principalmente para compensar déficits cognitivos em crianças. A partir dessa divergência, o autor propõe o método da Elaboração Dirigida, utilizando metamodelos e ações reflexivas para que a criança alcance níveis de raciocínio mais complexos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== John Flavell ===&lt;br /&gt;
Um dos objetivos da proposta psicopedagógica de Seminerio, a Elaboração Dirigida, é provocar na criança aquilo que [[John Flavell|Flavell]] descreve como metacognição, ou seja, a capacidade de refletir sobre os próprios pensamentos. As pesquisas do norte-americano, sobretudo as apresentadas no XXI Congresso Internacional de Psicologia, em 1976, contribuíram para as noções de Seminério acerca da atividade metaprocessual. Esta, por sua vez, é entendida como uma ampliação do conceito de Flavell, abrangendo não apenas os processos cognitivos, mas também a recursividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Noam Chomsky ===&lt;br /&gt;
Seminerio busca em [[Noam Chomsky|Chomsky]] a noção do inatismo da recursividade, uma das bases para a compreensão do desenvolvimento dos processos lógicos. Chomsky propõe que, mesmo com um número finito de regras, o sujeito é capaz de gerar um número infinito de frases em um idioma (processo recursivo). Essas regras não são aprendidas apenas pela interação com o ambiente, mas possibilitadas por princípios universais da linguagem, indicando a existência de um preformismo estrutural. Assim como na linguística de Chomsky, é a recursividade que possibilita ao aluno realizar o salto metaprocessual, isto é, usar uma regra já compreendida para elaborar novas lógicas em situações desconhecidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Lev Vygotsky ===&lt;br /&gt;
A proposta sócio-interacionista de [[Lev Vygotsky|Vygotsky]] fomenta a importância do educador e o papel das interações sociais na teoria metaprocessual. Ambos os autores partilham da ideia de que os fenômenos psicológicos se constroem por meio do diálogo interpessoal, com o adulto mediando o acesso da criança aos signos e significados. A linguagem funciona como um sistema essencial que permite à criança nomear e representar mentalmente aquilo que não está visível (descontextualização imediata), condição fundamental para o desenvolvimento de processos cognitivos mais sofisticados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seminerio retoma essa concepção ao enfatizar que a inteligência é produto das classes sociais e não o contrário, tendo em vista a lógica de que quanto menor a circulação de signos ou mediações, menos recursos a criança terá para expandir suas capacidades cognitivas. Nesse sentido, a aprendizagem se intensifica quando há mediação ativa do adulto, que instiga e organiza o processo para além do espontâneo. É esse o ponto de atuação da Elaboração Dirigida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Albert Bandura ===&lt;br /&gt;
Seminerio utiliza a [[Teoria Social Cognitiva de Bandura]] para incorporar o princípio de que a aprendizagem ocorre pela observação, imitação e estocagem de modelos. Essa concepção justifica o foco da Elaboração Dirigida nas relações interpessoais e no fornecimento de novas lógicas aos alunos. Esse conceito é ampliado na teoria metaprocessual, tendo em vista a capacidade do indivíduo em refletir sobre as regras até compreendê-las em seu estado gerador. Assim, enquanto [[Albert Bandura|Bandura]] fundamenta a aprendizagem na aquisição de modelos externos, Seminerio desloca o foco para a capacidade inata do sujeito de processar e gerar internamente novas regras, indo além da mera repetição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
CAVALCANTI, Lana de Souza. &#039;&#039;&#039;Cotidiano, mediação pedagógica e formação de conceitos: uma contribuição de Vygotsky ao ensino de geografia&#039;&#039;&#039;. Cadernos Cedes, Campinas, v. 25, n. 66, p. 185-207, maio/ago. 2005&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
LAMAS, Karen; PATRÍCIO, Marina de Oliveira. &#039;&#039;&#039;Teoria Social Cognitiva? Muito prazer!&#039;&#039;&#039; Psicologia em Pesquisa, Juiz de Fora, v.2, n.2, dez. 2008. ISSN 1982-1247. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1982-12472008000200010&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 30 ago. 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BRASIL. Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971. Cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Psicologia e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, . Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1241760&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 09 fev. 2026.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CHAHON, Marcelo. &#039;&#039;&#039;Metacognição e resolução de problemas aritméticos verbais: teoria e implicações pedagógicas&#039;&#039;&#039;. Revista do Departamento de Psicologia - UFF, Niterói, v. 18, n. 2, p. 163-176, jul./dez. 2006.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DITTRICH, Alexandre; ZENDRON, Rute Coelho. &#039;&#039;&#039;Franco Lo Presti Seminerio: razão e trabalho&#039;&#039;&#039;. In: JACÓ-VILELA, Ana Maria (coord.). Memória da Psicologia Brasileira. [S. l.: s. n.], [20--]. p. 11-35.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FRANCO Lo Presti Seminerio: dados biográficos. Paidéia (Ribeirão Preto), v. 12, n. 23, 2002. DOI: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://doi.org/10.1590/S0103-863X2002000200014&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MARQUES, Carla Verônica; OLIVEIRA, Carlo Emmanoel Tolla de; MOTTA, Cláudia Lage Rebello da. &#039;&#039;&#039;Ensaio científico avaliativo da teoria de Franco Lo Presti Seminério&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: UFRJ/NCE, 2010. (Relatório Técnico, 03/10).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MARQUES, Carla Verônica; OLIVEIRA, Carlo E. T. de; MOTTA, Cláudia (org.). &#039;&#039;&#039;A revolução cognitiva: um estudo sobre a teoria de Franco Lo Presti Seminério&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: UFRJ/NCE, 2009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SEMINÉRIO, Franco Lo Presti et al. &#039;&#039;&#039;Metaprocesso: a chave do desenvolvimento cognitivo: uma reavaliação da pedagogia contemporânea&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: FGV/ISOP, 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SEMINÉRIO, Franco Lo Presti. &#039;&#039;&#039;Currículo do Sistema de Currículos Lattes&#039;&#039;&#039;. [S. l.: s. n.], 2003. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://lattes.cnpq.br/7526292347610062&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 19 fev. 2026.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, José Aparecido da; BIASOLI-ALVES, Zélia Maria Mendes. &#039;&#039;&#039;Franco Lo Presti Seminerio (1923-2003): O homem, O professor, O amigo&#039;&#039;&#039;. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 19, n. 2, p. 189-191, maio/ago. 2003. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.scielo.br/j/ptp/a/pN44PWQCFGvg9R7KWTH7S5P/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 19 fev. 2026.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
[[Jean Piaget]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Jerome Bruner]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Albert Bandura]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lev Vygotsky]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Noam Chomsky]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[John Flavell]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Centro Juvenil de Orientação e Pesquisa (CeJOP)]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Faculdade da Educação da UFRJ]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Arquivos Brasileiros de Psicologia]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[[Teoria Social Cognitiva de Bandura]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi escrito por Luiz Fernando Mendonca Carvalho a convite dos editores da WikiHP. Criado em 2026.1, publicado em 2026.1. Este verbete está indefinidamente fechado para edição da comunidade por decisão dos editores da WikiHP.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Epistemologia Genética no Brasil]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Franco_Lo_Presti_Seminerio&amp;diff=1640</id>
		<title>Franco Lo Presti Seminerio</title>
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		<updated>2026-03-08T12:35:55Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Criou página com &amp;#039;Franco Lo Presti Seminerio (Turim, 20 de janeiro de 1923 – Rio de Janeiro, 17 de junho de 2003) foi um psicólogo, filósofo, doutor em letras e professor ítalo-brasileiro. Sua trajetória é marcada pelo pioneirismo na psicologia cognitiva no Brasil, tendo atuado como diretor do Instituto Superior de Estudos e Pesquisas Psicossociais (ISOP) por vinte anos e recebido o título de Professor Emérito da UFRJ, onde lecionou por quase três décadas. Por meio de seus estu...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Franco Lo Presti Seminerio (Turim, 20 de janeiro de 1923 – Rio de Janeiro, 17 de junho de 2003) foi um psicólogo, filósofo, doutor em letras e professor ítalo-brasileiro. Sua trajetória é marcada pelo pioneirismo na psicologia cognitiva no Brasil, tendo atuado como diretor do Instituto Superior de Estudos e Pesquisas Psicossociais (ISOP) por vinte anos e recebido o título de Professor Emérito da UFRJ, onde lecionou por quase três décadas. Por meio de seus estudos, desenvolveu a Teoria das Linguagens Morfogenéticas e a técnica da Elaboração Dirigida, ferramentas voltadas para a “democratização da inteligência” em ambientes socialmente desfavorecidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Origens e formação na Itália ===&lt;br /&gt;
Franco Lo Presti Seminerio nasceu em Turim, na Itália, em 20 de janeiro de 1923, terceiro filho de Decenzio Lo Presti Seminerio e Laura Boffa Molinar. Aos seis anos de idade, transferiu-se junto a sua família para a cidade de Gênova, onde completou a educação básica em um colégio jesuíta. Lá, teve amplo contato com a área das Humanidades, campo pelo qual viria a ser influenciado durante toda sua jornada profissional. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1941, em meio a Segunda Guerra Mundial, ingressou no curso de Letras Modernas da Università degli Studi di Genova. Obteve seu doutorado em 1946, com uma tese sobre o escritor português Antero de Quental. No mesmo ano, concluiu sua graduação em Filosofia, o que fez seus interesses migrarem da teosofia e história das religiões para a busca pelo sentido da vida. Foi nesse contexto que, influenciado por Kant, estabeleceu suas primeiras conexões com a Psicologia, ao concluir que apenas o estudo da cognição humana poderia oferecer respostas para suas questões existenciais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primeiros anos no Brasil ===&lt;br /&gt;
A convite da irmã mais velha e do cunhado brasileiro, que já moravam no Brasil, Seminerio desembarcou no Rio de Janeiro em 1947, aos 24 anos de idade, motivado pela falta de oportunidades profissionais na Itália do pós-guerra. Apesar da fluência em português (com sotaque lusitano), o período inicial de adaptação foi marcado por desafios, entre eles a xenofobia e as altas temperaturas do clima tropical.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, sua maior dificuldade foi em relação aos entraves na revalidação de seus diplomas de doutorado em Letras e graduação em Filosofia, o que adiou seu ingresso no meio acadêmico profissional. Por esse motivo, suas primeiras ocupações no país foram como preceptor dos filhos de um diplomata italiano e no setor comercial, onde atuou entre 1948 e 1953. Sua naturalização como cidadão brasileiro foi obtida em junho de 1954.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1959, ingressou no curso de Orientação Profissional na Faculdade Fluminense de Filosofia, atualmente um departamento da UFF, obtendo seu certificado de conclusão em 1960. Nesse período, conheceu Maria Luiza Teixeira de Assumpção, que se tornaria sua esposa e colaboradora ao longo de sua trajetória profissional e acadêmica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Anos mais tarde, entre 1972 e 1973, Seminerio retornaria à Itália para um novo doutorado, desta vez em Filosofia, na mesma universidade onde havia se formado. Nesta ocasião, concluiu o curso com louvor, alcançando nota máxima em todas as disciplinas e na defesa de tese, o que lhe garantiu a revalidação do novo título no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Jornada na psicologia ===&lt;br /&gt;
Seminerio iniciou suas atividades na psicologia em 1957, no Centro Juvenil de Orientação e Pesquisa (CeJOP), onde orientava adolescentes em situação de vulnerabilidade, de forma voluntária, aos finais de semana. Os resultados de seu trabalho com os jovens e o interesse pela psicologia aplicada despertaram a atenção de Francisco Campos, então chefe da Divisão de Seleção do ISOP (Instituto de Seleção e Orientação Profissional), que o convidou a ingressar na instituição como psicólogo-adjunto em 1962. No mesmo ano, a aprovação da Lei nº 4.119 permitiu seu registro profissional como psicólogo, tendo em vista sua experiência comprovada. O registro, no entanto, não o impediu de buscar sua graduação formal em Psicologia, realizada entre os anos de 1964 e 1967, na UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ISOP, Seminerio passou a questionar a validade dos testes de avaliação psicológica que aplicava, entre eles a psicometria de Alfred Binet, sob a justificativa de que se limitavam a medir a inteligência apenas como resultado, e não explicavam, de fato, o funcionamento interno dos processos mentais. Essa insatisfação o levou a estudar as bases teóricas da cognição, sobretudo a Epistemologia Genética de Jean Piaget, que viria a se tornar fundamental para a construção de sua teoria da mente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das convergências com o autor suíço, entre elas a da criança como agente ativo de seu aprendizado, Seminerio questionou o “continuísmo” piagetiano, que entendia o desenvolvimento cognitivo como um processo impossível de ser acelerado por intervenções externas. Essa divergência motivou Seminerio a articular outras perspectivas teóricas em seu projeto, entre elas a de autores como Bandura, Vygotsky e Chomsky, o que contribuiu com a formulação de sua Elaboração Dirigida, técnica cujo objetivo era promover os chamados saltos cognitivos e acelerar a construção da inteligência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais tarde, Seminerio exemplificou sua tese ao ensinar a regra da seriação a crianças de 5 anos de idade, algo que, seguindo a cronologia apontada por Piaget, seria teoricamente improvável. Os resultados dessas pesquisas demonstraram que o desenvolvimento cognitivo não estaria necessariamente ligado a um tempo biológico, indicando, inclusive, a possibilidade de se provocar saltos por agentes externos, algo fundamental para a superação de déficits cognitivos. Essa proposta refletia os objetivos políticos e sociais de Seminerio, que entendia o meio como fator substancial para construção do pensamento lógico. Dessa forma, ferramentas como a Elaboração Dirigida possibilitariam a intervenção no desenvolvimento intelectual de crianças de classes menos favorecidas, contribuindo para a redução das desigualdades sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse projeto se viabilizava em meio a uma ascensão administrativa de Seminerio no ISOP. Após atuar como psicólogo-adjunto, assumiu cargos como a Chefia da Seção de Seleção Geral (1966), a Chefia do Serviço de Pesquisa e Ensino (1968) e a Vice-Diretoria (1969). Além disso, em 1970, tornou-se diretor efetivo do instituto, função que ocuparia até o fim da entidade, em 1990. Nesse período, transformou o ISOP em um órgão acadêmico de pós-graduação em Psicologia, oferecendo cursos de mestrado, inaugurado em 1971, e doutorado, o primeiro da área credenciado pelo Conselho Federal de Educação, em 1977.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como professor, foi convidado pela Faculdade Fluminense de Filosofia (atual UFF) a lecionar Orientação Profissional logo após obter o certificado no mesmo curso, em 1960. Se transferiu para a UFRJ em 1968, também a convite, onde integrou o quadro docente até sua aposentadoria compulsória, em 1993. Em 1991, organizou a criação do Laboratório Metaprocessual (UFRJ), cujo principal objetivo era dar continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido no ISOP. Ao se aposentar, recebeu o título de professor emérito da UFRJ, em 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Elaboração dirigida ===&lt;br /&gt;
A Elaboração Dirigida (ED) é a aplicação pedagógica da teoria metaprocessual de Franco Seminerio. A proposta visa diminuir os déficits cognitivos observados em crianças com acesso limitado ao conhecimento, algo frequente em contextos socialmente desfavorecidos. Nesse processo, a ED funciona por meio de uma modelagem lógica, na qual o educador orienta o raciocínio do aluno até que se compreenda a regra geradora de determinado resultado, o que estimula o uso do pensamento recursivo. A prática permite ao professor intervir diretamente sobre o desenvolvimento intelectual da criança, ajudando-a a superar defasagens e a ampliar suas maneiras de pensar e aprender.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ED é parte de um projeto político e social que pretendia uma “Revolução Cognitiva” na educação brasileira. Seminerio buscava superar tanto a escola tradicional, centrada na repetição e na memorização, quanto a escola operatória (piagetiana), considerada excessivamente passiva em relação ao ritmo da criança. Ao formular um método capaz de intervir ativamente sobre a formação da inteligência, Seminerio via na ED uma oportunidade de redução das desigualdades sociais, uma vez que os déficits cognitivos das classes populares tendem a reproduzir hierarquias de poder e exclusão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Conselho Federal de Psicologia ===&lt;br /&gt;
Foi um dos dois delegados designados pelo Estado da Guanabara (atual Rio de Janeiro) para compor a comissão responsável por eleger o primeiro Conselho Federal de Psicologia (CFP), em 1973. Este processo representa o marco da regulamentação da profissão, consolidada pela Lei nº 5.766.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora tenha sido convidado a participar também das eleições do conselho, recusou devido ao acúmulo de funções que exercia na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Contribuições em instituições ===&lt;br /&gt;
Seminerio ingressou como psicólogo-adjunto no ISOP (Instituto de Seleção e Orientação Profissional) em 1962, mesmo ano em que iniciou seu projeto de estudos sobre a cognição humana e a Elaboração Dirigida. Em 1969, foi nomeado pelo diretor da Faculdade da Educação da UFRJ para chefiar o Departamento de Psicologia da Educação. Assumiu a direção efetiva do ISOP e da revista Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada (atual Arquivos Brasileiros de Psicologia) em 1970, permanecendo no cargo até a extinção do instituto, vinte anos depois. Durante esse período, contribuiu para a criação dos cursos de pós-graduação do ISOP, com o mestrado sendo implantado em 1971 e o doutorado em 1977.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Seminerio foi eleito presidente de duas importantes associações: a Associação Brasileira de Psicologia Aplicada, em 1973, na qual permaneceu por dois mandatos, e a Associação Brasileira de Psicologia, filiada à &#039;&#039;International Union of Psychological Science&#039;&#039;, em 1978 e, novamente, em 1986. Com a extinção do ISOP pela Fundação Getúlio Vargas, em 1990, Seminerio dedicou-se à transferência dos cursos de mestrado e doutorado do instituto, assim como da revista Arquivos Brasileiros de Psicologia, para a UFRJ. A transferência foi concluída em 1991, com Seminerio assumindo a coordenação de ambos os cursos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Laboratório Metaprocessual ===&lt;br /&gt;
Visando a continuidade de suas pesquisas sobre a cognição humana iniciadas no ISOP, Seminerio organizou a criação do Laboratório Metaprocessual da UFRJ em 1991, com apoio do CNPq e dos cursos de mestrado e doutorado em Psicologia. A proposta pretendia o estímulo da metacognição no atendimento de crianças em situação de vulnerabilidade, uma forma de democratização da inteligência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trabalhos envolviam a compreensão de regras lógicas por parte dos alunos em áreas básicas de conhecimento, tais como designação (referente a linguística e vocabulário), imaginário cognitivo, alfabetização, conhecimento de mundo e matemática. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A prática era viabilizada por meio de jogos que utilizavam materiais simples, muitos deles reciclados, uma forma lúdica de motivação para que os alunos participantes pudessem “aprender a aprender”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
A Teoria Metaprocessual de Seminerio parte da premissa de que o ser humano possui estruturas de conhecimento inatas, sem as quais não seria possível falar ou pensar em tão pouco tempo após o nascimento. Essas competências estão ligadas a canais morfogenéticos (vias pelas quais os estímulos sensoriais provocam as formas superiores de cognição), em especial o visomotor (visão e movimento) e o audiofonético (audição e fala).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir desses canais, Seminério identificou, em cada um deles, quatro linguagens-código fundamentais para o processamento da realidade percebida. Esse sistema se organiza por meio de quatro níveis (L1, L2, L3 e L4), sendo o último constituído pelo conjunto dos anteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A L1, a linguagem das formas, é a mais elementar. Trata-se da capacidade inata de organizar estímulos visuais ou auditivos em conjuntos ou figuras regulares, como demonstrado pela psicologia da Gestalt. A L2, a linguagem da designação, utiliza essas formas para associá-las a significados empíricos, atribuindo sentido a partir da experiência perceptiva, como a aquisição de vocabulário, por exemplo. A L3, linguagem episódica, constrói contexto a partir dos significados formados em L2. A percepção de elementos passa a ocorrer por um encadeamento sequencial, não apenas por objetos isolados, como em L2, dando origem ao pensamento causal e imaginativo. É nesse nível que o sujeito começa a construir o raciocínio. Por fim, a L4, linguagem lógica, reúne o conteúdo de todos os níveis anteriores para manifestar a recursividade, ou seja, a capacidade reflexiva subjacente que permite o reconhecimento de padrões e a criação de novas conexões. É nesse nível que também ocorre a atividade metaprocessual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O metaprocesso se refere ao uso voluntário da recursividade, o que permite ao aluno transpor e recriar as lógicas aprendidas de modo intencional e em diferentes contextos. Seminério sugere que, mesmo ocorrendo de modo espontâneo, a atividade metaprocessual pode ser provocada e acelerada por meio da intervenção direcionada do educador, propondo, para isso, um método psicopedagógico chamado Elaboração Dirigida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
A produção bibliográfica de Franco Seminerio gira em torno da investigação dos determinantes da cognição humana. A inteligência deixa de ser vista como fator estático e passa a ser debatida como uma competência adquirida, cujo desenvolvimento pode ser provocado e acelerado por meio da mediação social e da atividade reflexiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Principais obras ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Infra-estrutura da cognição: fatores ou linguagens? (Cadernos do ISOP, nº 4, 1984) ====&lt;br /&gt;
Esta edição reúne um histórico dos 20 primeiros anos de pesquisas realizadas por Seminerio, além dos questionamentos iniciais acerca da confiabilidade dos testes psicológicos aplicados na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Infra-estrutura da cognição (II): linguagens e canais morfogenéticos (Cadernos do ISOP, nº 8, 1985) ====&lt;br /&gt;
Seminerio aprofunda sua investigação epistemológica da cognição humana. Os canais morfogenéticos (visomotor e audiofonético) são detalhados, assim como o metaprocesso. A Elaboração Dirigida é citada, embora não seja o foco desta edição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Elaboração dirigida: um caminho para o desenvolvimento metaprocessual da cognição humana (Cadernos do ISOP, nº 10, 1987) ====&lt;br /&gt;
A Elaboração Dirigida é apresentada como a aplicação prática da teoria apresentada nos cadernos anteriores. As bases, os objetivos e as situações de uso da ferramenta são debatidos, assim como a importância do diálogo entre professor e aluno na educação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Metaprocesso: a chave do desenvolvimento cognitivo: uma reavaliação da pedagogia contemporânea (Cadernos do ISOP, nº 13, 1988) ====&lt;br /&gt;
Considerado o fechamento das ideias dos cadernos anteriores, esta edição traz um diálogo crítico entre a Elaboração Dirigida e teorias de autores como Piaget, Vygotsky, Bandura e Bruner.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Outras obras ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Livros ====&lt;br /&gt;
(1977). Diagnóstico psicológico – Técnica do exame psicológico: Fundamentos epistemológicos. São Paulo: Atlas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1985). Epistemologia genética. Rio de Janeiro: FGV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1987). Currículo de graduação em Psicologia – Reforma ou implicação? Uma polêmica atual. Rio de Janeiro: FGV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1996). Piaget: O construtivismo na psicologia e na educação. Rio de Janeiro: Imago.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Capítulos de livros ====&lt;br /&gt;
(1978). Atividades profissionais do psicólogo no Rio de Janeiro. Em Ruben Ardila (org.). La Profession del Psicólogo (pp. 108-117). México: Trillas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1999). Existência e finitude. Em Lígia Py (org.). Finitude e uma proposta para reflexão e prática em gerontologia (pp. 21-30). Rio de Janeiro: Nau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Artigos em periódicos ====&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Arquivos Brasileiros de Psicologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1965). Síntese de uma pesquisa sobre alunos adultos do curso primário, v. 17, 41-60.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1967). Casos num grupo especial (seleção de fotógrafos), v. 19, 95-103.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1967). Seleção de um grupo de guarda-vidas, v. 19, 55-64.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1968). Questões metodológicas de orientação profissional, v. 20, 113-132.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1972). Pós-graduação em psicologia do trabalho, v. 24, 65-70.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1972). Fundamentos e diretrizes da psicologia atual, v. 24, 05-14.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1973). A pesquisa, v. 25, 93-98.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1973). O ISOP aos 25 anos, v. 25, 109-123.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1973). A psicologia no Brasil, n. 25, 147-161.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1974). A profissão de psicólogo na Guanabara, n. 26, 03-29.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1975). Saudação aos participantes pelo presidente da Associação Brasileira de Psicologia Aplicada (abertura solene do I Seminário Brasileiro de Ergonomia), n. 27, 08-10.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1976). A ergonomia no contexto social e tecnológico contemporâneo, n. 28, 03-15.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1977). A epistemologia genética: Renovação e síntese na psicologia e em filosofia contemporâneas, v. 29, 09-30.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1978). ISOP, uma trajetória histórica: 30 anos de realizações, v. 30, 08-14.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1978). Emílio Mira y Lopez e a psicologia contemporânea: Uma interpretação, v. 30, 21-36.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1978). Pós-graduação em psicologia, v. 30, 237-241.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1979). Arquivos Brasileiros de Psicologia. Rio de Janeiro, n. 31, 05-16.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1980). A crise da psicologia contemporânea – I, v. 32, 13-29.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1980). Infra-estrutura e existência da cognição humana: Fatores ou linguagens?, v. 32, 536-544.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1980). Formação de psicólogos no Brasil, v. 32, 560-567.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1982). Ergonomia e reabilitação, v. 34, 197-204.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1983). A natureza sistêmica das linguagens na cognição humana: Uma visão kerigmática do real, v. 35, 03-10.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1984). Atuação do psicólogo em reabilitação, v. 36, 156-161.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1984). O construtivismo e os limites do pré-formismo, v. 36, 04-11.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1985). Editorial: Alienação na pesquisa e na avaliação da pós-graduação, v. 37, 03-08.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1985). Editorial: Alienação na pesquisa, v. 37, 03-07.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1986). Construção da lógica e da imaginação em pré-escola: Uma alternativa para o terceiro mundo, v. 38, 10-19.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1986). O problema do método: Limite ou expansão em ciências humanas, v. 38, 03-17.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1986). Ação e cognição: Uma convergência em marcha, v. 38, 40-50.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1987). A todos os psicólogos e a todos os alunos de psicologia: Uma saudação e um convite. (Discurso de posse na presidência da Associação Brasileira de Psicologia), v. 39, 141-145.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1987). Avaliação e eficácia do método de modelação lógico-elementar e imaginativa no ensino pré-escolar, v. 39, 138-140.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1988). A especialização pós-universitária, v. 40, 104-108.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1989). Comemoração dos 40 anos, v. 42, 03-04.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1989). Estruturadas e perspectivas na psicologia contemporânea, v. 41, 03-07.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1990). Uma revalidação da pedagogia de nossos tempos: O lugar do romantismo e os conflitos contemporâneos, v. 42, 03-17.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1991). Conflitos-existências da terceira idade, v. 43, 05-12.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1991). Cognição e educação – Um projeto de construção teórica: Verificação experimental e aplicações psicopedagógicas, v. 43, 12-33.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1992). Psicologia: Ciência ou técnica ideológica?, v. 44, 03-12.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1994). Cognição: Códigos, limites, fronteiras, v. 46, 03-12.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1995). Origem das universais da cognição, v. 47, 03-15.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1995). Códigos morfogenéticos da cognição, v. 47, 03-17.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1996). A metacognição e seus usos: Um mecanismo geral de desenvolvimento, v. 47, 03-30.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1996). Imaginário e religião: Fenômeno social ou psicológico?, v. 48, 03-22.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1997). Emílio Mira y López – Cem anos depois de seu nascimento: Sua contribuição para o desenvolvimento da psicologia contemporânea, v. 49, 05-22.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1997). Novos rumos na psicologia e na pedagogia – Metacognição: Uma nova opção, v. 49, 05-22 (com C.R Anselmé e M. Chahon).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1998). O imaginário cognitivo: Uma fronteira entre consciência e inconsciente, v. 49, 94-107 (et al.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1999). Metacognição: Um novo paradigma, v. 51, 110-126 (com C.R. Anselmé e M. Chahon).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Outros Periódicos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1988). A trajetória da psicologia cognitiva: Síntese e interpretação. Revista Brasileira de Neurologia, v. 34, 15-20.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1988). A religião como fenômeno psicológico. Temas de Psicologia, v. 6, 161-172.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
Ao longo de sua trajetória profissional, Franco Lo Presti Seminerio recebeu diversas homenagens que reconhecem sua importância para o desenvolvimento da Psicologia no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1993&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nomeado patrono da Turma de Psicólogos do Instituto de Psicologia da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1994&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Recebeu o título de Professor Emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1996&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado com um diploma pelo empenho na implantação do curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Representou o Brasil na International Union of Psychological Science (IUPsyS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1997&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado pela Sociedade Brasileira de Psicologia por suas contribuições ao desenvolvimento da área, sendo elevado a sócio honorário da entidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado como um dos pioneiros do curso de Psicologia da Universidade Gama Filho (UGF)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Reconhecido como Pioneiro da Psicologia pelo Conselho Federal de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;1999&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Centro Acadêmico do Instituto de Psicologia da UFRJ passou a denominar-se Centro Acadêmico Franco Seminério, em sua homenagem, consolidando sua influência junto à comunidade acadêmica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;2000&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nomeado patrono da Turma de Psicólogos 2000.1 do Instituto de Psicologia da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado especial do 10º Congresso de Ergonomia, promovido pela Associação Brasileira de Ergonomia, devido ao pioneirismo na introdução da ergonomia no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Homenageado pela Sociedade Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento por sua contribuição à Psicologia do Desenvolvimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;2001&#039;&#039;&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nomeado patrono da Turma de Psicólogos 2000.2 do Instituto de Psicologia da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Participação como arguente e representante de universidades do exterior em banca examinadora de doutoramento na Faculdade de Educação e Ciências do Comportamento da Universidade de Coimbra, em Portugal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Influências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Jean Piaget ===&lt;br /&gt;
Piaget entende que o desenvolvimento cognitivo ocorre por uma sequência de estágios fixos que não podem ser acelerados por influências externas. Em contrapartida, Seminerio defende a possibilidade de intervenção sobre esses estágios, principalmente para compensar déficits cognitivos em crianças. A partir dessa divergência, o autor propõe o método da Elaboração Dirigida, utilizando metamodelos e ações reflexivas para que a criança alcance níveis de raciocínio mais complexos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== John Flavell ===&lt;br /&gt;
Um dos objetivos da proposta psicopedagógica de Seminerio, a Elaboração Dirigida, é provocar na criança aquilo que Flavell descreve como metacognição, ou seja, a capacidade de refletir sobre os próprios pensamentos. As pesquisas do norte-americano, sobretudo as apresentadas no XXI Congresso Internacional de Psicologia, em 1976, contribuíram para as noções de Seminério acerca da atividade metaprocessual. Esta, por sua vez, é entendida como uma ampliação do conceito de Flavell, abrangendo não apenas os processos cognitivos, mas também a recursividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Noam Chomsky ===&lt;br /&gt;
Seminerio busca em Chomsky a noção do inatismo da recursividade, uma das bases para a compreensão do desenvolvimento dos processos lógicos. Chomsky propõe que, mesmo com um número finito de regras, o sujeito é capaz de gerar um número infinito de frases em um idioma (processo recursivo). Essas regras não são aprendidas apenas pela interação com o ambiente, mas possibilitadas por princípios universais da linguagem, indicando a existência de um preformismo estrutural. Assim como na linguística de Chomsky, é a recursividade que possibilita ao aluno realizar o salto metaprocessual, isto é, usar uma regra já compreendida para elaborar novas lógicas em situações desconhecidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Lev Vygotsky ===&lt;br /&gt;
A proposta sócio-interacionista de Vygotsky fomenta a importância do educador e o papel das interações sociais na teoria metaprocessual. Ambos os autores partilham da ideia de que os fenômenos psicológicos se constroem por meio do diálogo interpessoal, com o adulto mediando o acesso da criança aos signos e significados. A linguagem funciona como um sistema essencial que permite à criança nomear e representar mentalmente aquilo que não está visível (descontextualização imediata), condição fundamental para o desenvolvimento de processos cognitivos mais sofisticados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seminerio retoma essa concepção ao enfatizar que a inteligência é produto das classes sociais e não o contrário, tendo em vista a lógica de que quanto menor a circulação de signos ou mediações, menos recursos a criança terá para expandir suas capacidades cognitivas. Nesse sentido, a aprendizagem se intensifica quando há mediação ativa do adulto, que instiga e organiza o processo para além do espontâneo. É esse o ponto de atuação da Elaboração Dirigida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Albert Bandura ===&lt;br /&gt;
Seminerio utiliza a Teoria Social Cognitiva de Bandura para incorporar o princípio de que a aprendizagem ocorre pela observação, imitação e estocagem de modelos. Essa concepção justifica o foco da Elaboração Dirigida nas relações interpessoais e no fornecimento de novas lógicas aos alunos. Esse conceito é ampliado na teoria metaprocessual, tendo em vista a capacidade do indivíduo em refletir sobre as regras até compreendê-las em seu estado gerador. Assim, enquanto Bandura fundamenta a aprendizagem na aquisição de modelos externos, Seminerio desloca o foco para a capacidade inata do sujeito de processar e gerar internamente novas regras, indo além da mera repetição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
CAVALCANTI, Lana de Souza. &#039;&#039;&#039;Cotidiano, mediação pedagógica e formação de conceitos: uma contribuição de Vygotsky ao ensino de geografia&#039;&#039;&#039;. Cadernos Cedes, Campinas, v. 25, n. 66, p. 185-207, maio/ago. 2005&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
LAMAS, Karen; PATRÍCIO, Marina de Oliveira. &#039;&#039;&#039;Teoria Social Cognitiva? Muito prazer!&#039;&#039;&#039; Psicologia em Pesquisa, Juiz de Fora, v.2, n.2, dez. 2008. ISSN 1982-1247. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1982-12472008000200010&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 30 ago. 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BRASIL. Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971. Cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Psicologia e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, . Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1241760&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 09 fev. 2026.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CHAHON, Marcelo. &#039;&#039;&#039;Metacognição e resolução de problemas aritméticos verbais: teoria e implicações pedagógicas&#039;&#039;&#039;. Revista do Departamento de Psicologia - UFF, Niterói, v. 18, n. 2, p. 163-176, jul./dez. 2006.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DITTRICH, Alexandre; ZENDRON, Rute Coelho. &#039;&#039;&#039;Franco Lo Presti Seminerio: razão e trabalho&#039;&#039;&#039;. In: JACÓ-VILELA, Ana Maria (coord.). Memória da Psicologia Brasileira. [S. l.: s. n.], [20--]. p. 11-35.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FRANCO Lo Presti Seminerio: dados biográficos. Paidéia (Ribeirão Preto), v. 12, n. 23, 2002. DOI: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://doi.org/10.1590/S0103-863X2002000200014&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MARQUES, Carla Verônica; OLIVEIRA, Carlo Emmanoel Tolla de; MOTTA, Cláudia Lage Rebello da. &#039;&#039;&#039;Ensaio científico avaliativo da teoria de Franco Lo Presti Seminério&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: UFRJ/NCE, 2010. (Relatório Técnico, 03/10).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MARQUES, Carla Verônica; OLIVEIRA, Carlo E. T. de; MOTTA, Cláudia (org.). &#039;&#039;&#039;A revolução cognitiva: um estudo sobre a teoria de Franco Lo Presti Seminério&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: UFRJ/NCE, 2009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SEMINÉRIO, Franco Lo Presti et al. &#039;&#039;&#039;Metaprocesso: a chave do desenvolvimento cognitivo: uma reavaliação da pedagogia contemporânea&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: FGV/ISOP, 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SEMINÉRIO, Franco Lo Presti. &#039;&#039;&#039;Currículo do Sistema de Currículos Lattes&#039;&#039;&#039;. [S. l.: s. n.], 2003. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://lattes.cnpq.br/7526292347610062&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 19 fev. 2026.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, José Aparecido da; BIASOLI-ALVES, Zélia Maria Mendes. &#039;&#039;&#039;Franco Lo Presti Seminerio (1923-2003): O homem, O professor, O amigo&#039;&#039;&#039;. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 19, n. 2, p. 189-191, maio/ago. 2003. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.scielo.br/j/ptp/a/pN44PWQCFGvg9R7KWTH7S5P/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 19 fev. 2026&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Instituto_de_Sele%C3%A7%C3%A3o_e_Orienta%C3%A7%C3%A3o_Profissional_(ISOP)&amp;diff=1639</id>
		<title>Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)</title>
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		<updated>2026-03-08T11:21:37Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Alterei categoria&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP) foi criado em agosto de 1947 na cidade do Rio de Janeiro, tendo funcionado até 1990. Foi uma instituição de suma importância no cenário da psicologia brasileira. Com o intuito de difundir o ensino da psicologia aplicada nos campos do trabalho; educação e clínica, o ISOP promoveu seminários, publicações, palestras, pesquisas e intervenções na área da Seleção e Orientação Profissional, tendo um papel de destaque na psicometria e na produção da psicologia científica brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
Os governantes e elites brasileiras engajaram-se no processo de modernização do país, com a importação de ideias científicas que pudessem modernizar o Brasil. É neste contexto que surge o Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP), na cidade do Rio de Janeiro, como um órgão vinculado à Fundação Getúlio Vargas (FGV). Assim como outras profissões, a psicologia também seguiu esse caminho de normalização e higienização da sociedade inculcado pela classe hegemônica, partindo de uma investigação positiva e mensurável, como no caso dos testes psicológicos, onde tentou-se adequar os indivíduos ao padrão qualitativo que exigia a nascente sociedade industrial brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de ter tido sua formação oficial em 1947, entende-se que as bases necessárias para se pensar a criação do Instituto de Seleção e Orientação Profissional surgiram em 1938, quando o Ministro interino do trabalho, da Indústria e do Comércio, Dr. João Carlos Vital, redigiu um projeto de decreto que resultaria na criação do INSOP (Instituto Nacional de Seleção e Orientação Profissional). Tal projeto foi entendido na época como forma de demonstrar a possibilidade de abertura para o desenvolvimento de um interesse maior no cuidado acerca do fator humano no exercício do trabalho, o que significou admitir que, antes de se pensar nas práticas e na execução do trabalho, torna-se de suma importância uma racionalização intrínseca do trabalho, em termos do próprio trabalhador. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O médico psiquiatra e psicólogo cubano Emílio Mira y López teve seu primeiro contato com o Brasil em 1945, quando, a convite da USP, do IDORT, do SENAI e da Estrada de Ferro Sorocabana, ministrou um curso de Psicologia Aplicada ao Trabalho, mas foi em outubro do mesmo ano que Mira y López foi convocado a retornar ao país pelo curso do Departamento Administrativo do Serviço Público - DASP, concluído em outubro de 1946, cuja realização foi responsável pela preparação da primeira equipe em que se estruturou o ISOP, tendo destaque as três alunas Esther França e Silva, Leonilda d&#039;Anniballe Braga e Eurídice Freitas, creditadas como fundadoras do instituto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coordenação de inúmeras conferências, cursos e pesquisas, dirigida a atividades práticas nos domínios da Psicologia e da Psiquiatria realizada por Mira y López nessa época foi fundamental para o avanço da psicologia aplicada no Brasil, o que culminou no convite do Dr. João Carlos Vital, da Fundação Getúlio Vargas, para que Mira y López participasse da criação e direção de um órgão voltado para a seleção e a adaptação do trabalhador brasileiro: o ISOP, com sede no Rio de Janeiro, cujo principal objetivo se sustenta na difusão da psicologia aplicada em seus campos de atuação, ou seja, a psicologia do trabalho, a psicologia educacional e a psicologia clínica. Tornava-se, assim, realidade o ISOP, graças ao apoio do presidente da Fundação Getúlio Vargas, Dr. Luiz Simões Lopes, e da contribuição importantíssima de seu primeiro diretor, Dr. Emílio Mira y López. A criação de um Instituto de orientação profissional, com a participação decisiva da direção realizada por Mira y López, foi fundamental para o avanço da psicologia no Brasil, a qual, antes do ISOP, contava com pouquíssimos recursos e um número mínimo de pesquisas e de profissionais em campo.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante seus primeiros anos, o ISOP implantou de forma sistemática técnicas essenciais da psicologia aplicada (orientação e seleção profissional), suas produções foram voltadas em torno de modificar a realidade brasileira neste panorama, facilitando a formação das primeiras levas de especialistas. A orientação profissional realizada pelo ISOP sob a direção de Emílio Mira y López foi e continua sendo um modelo de alta relevância, “projetos institucionais com o intuito de popularizar o conhecimento psicológico tornaram-se instrumentos privilegiados da proliferação de uma cultura psicológica” (Vieira Martins, 2014). Dentro desse viés, Mira y López desenvolve em 1949, em parceria com Lourenço Filho, a primeira revista brasileira voltada totalmente para temas da psicologia, a revista Arquivos Brasileiros de Psicotécnica foi responsável por uma grande circulação de assuntos de interesse tanto do empresariado quanto da sociedade, em especial a classe média urbana, servindo ainda como órgão de divulgação dos eventos que ocorriam no Brasil e no exterior de estudos sobre do tema. Nesse período, o contexto brasileiro era instável a respeito da separação entre o que se lecionava nas universidades e o que foi considerado o objetivo do ISOP e dos Arquivos Brasileiros de Psicotécnica: a aplicação prática das pesquisas desenvolvidas pelos universitários. Desse modo, o ISOP buscou, por meio de ações práticas, atingir a articulação perfeita entre o trabalho científico e sua aplicação a problemas cotidianos, fator que foi decisivo para o aumento da popularidade do Instituto no Brasil, e também suas repercussões para além do cenário nacional. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da década de 1940 começa a se pensar no dever das instituições sensibilizarem-se em relação à formação e às potencialidades do trabalhador brasileiro, esse era o entendimento que Mira y López defendeu ao destacar que o processo de formação do trabalhador deveria ser global e sob o espectro de busca de mão de obra qualificada e técnica, fator que agregaria na qualificação do trabalhador industrial, e também na formação de profissionais capacitados para a seleção desses trabalhadores. Antes desse período de expansão das práticas de capacitação de profissionais, não era de interesse nem do poder estatal nem da esfera privada aprimorar a avaliação técnica do trabalhador, um aspecto que passou, nos anos seguintes, a exigir do profissional um aumento da qualificação, sendo possível constatar que se formava no país o mito de que a culpa do desemprego recai somente ao trabalhador, devido à sua baixa qualificação, pensamento que se encontra presente até os dias atuais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar do importante papel do ISOP na formação de profissionais psicólogos ao longo de suas primeiras décadas de existência, a partir de 1967, via-se a necessidade da ampliação do ensino das práticas do instituto para além dos limites da universidade. Em 1972, o ISOP já estava com uma turma concluinte e outra iniciando o período de estudos em seu curso de mestrado em psicologia aplicada e chegou a criar instrumentos para garantir a qualificação profissional a cerca de 800 mil jovens por ano, destinados principalmente a analfabetos, e no ano anterior, chegou a realizar tratamentos psicológicos para mais de 19 mil pessoas. Portanto, o ISOP foi de extrema relevância para a comunidade psi e para o coletivo, visto que foi responsável pela formação e especialização de inúmeros jovens e sua história levou à regulamentação da profissão de psicólogo e a criação de cursos universitários de psicologia muito tempo depois. Em 1981 sua denominação mudou para Instituto Superior de Estudos e Pesquisas Psicossociais, mantendo a sigla ISOP. Sua extinção ocorreu em 29 de maio de 1990.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Membros importantes ==&lt;br /&gt;
[[João Carlos Vital]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Mira y López|Emilio Mira y López]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Franco lo Presti Seminerio]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Esther França e Silva]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Leonilda d&#039;Anniballe Braga]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Eurídice Freitas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Antonio Gomes Penna]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Athayde Ribeiro da Silva]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Elso Arruda]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Isabel Adrados]]  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Maria Helena Novaes]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Monique Augras]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Ruth Scheefer]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Lourenço Filho|M. B. Lourenço Filho]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Crítica ==&lt;br /&gt;
O ISOP surge num momento em que a psicologia não era ainda regulamentada como profissão:&amp;lt;blockquote&amp;gt;quando não existiam cursos de formação de psicólogos, quando nem se podia cogitar de regulamentar tal profissão, quando todo o material psicológico era necessariamente importado, quando apenas algumas poucas e grandes entidades como, por exemplo, o SENAI e a EFCB, tinham alguns serviços de psicologia para uso próprio, quando, enfim, não havia qualquer tipo de serviço destinado ao público para ministrar as técnicas essenciais da psicologia aplicada ao trabalho (SEMINÉRIO, FRANCO; 1969; p.1120&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Porém alguns dos fundadores do Instituto  eram psicotécnicos já atuantes e  necessitavam criar tanto normas para eles, que estavam no mercado de trabalho, quanto para os futuros profissionais que seriam treinados/instruídos no ISOP. Dessa forma, o ISOP já nasce reivindicando pela regulamentação da psicologia enquanto profissão.&amp;lt;blockquote&amp;gt;Nesse sentido, houve na época diferentes posições políticas acerca da regulamentação, uma dicotomia entre acadêmicos - membros catedráticos - e práticos - profissionais do ISOP. Isto deu origem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
a condução dos debates sobre a regulamentação estabeleceu um embate político que girou em torno dos limites das atribuições do psicólogo, cuja polarização pôs de um lado Nilton Campos e Lourenço Filho (entre outros), ambos catedráticos e teóricos da psicologia, e do outro Mira y López (e membros do ISOP), “formador” e “treinador” de psicotécnicos voltados para a aplicação do saber psicológico (MARTINS, 2014, p.14).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, na segunda década de existência do ISOP ele se dedicou à intensa divulgação de métodos e técnicas utilizados pelos profissionais, e os acadêmicos temiam a popularização do conhecimento psicológico de maneira superficial. Na década seguinte atuou forte na profissionalização de demais profissionais o que gerou questionamentos se “a formação desse profissional devia ficar a cargo de instituições universitárias ou podia ser realizada também por instituições não universitárias (como era o caso do ISOP)? (MARTINS, 2014, p.14)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Extinção ==&lt;br /&gt;
Sob o comando de Franco lo presti seminerio, o último diretor a assumir em 1970, o Instituto funcionou até 29 de maio de 1990, quando é extinto pela Fundação Getulio Vargas (FGV)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
ARQUIVOS Brasileiros de Psicologia; Arquivos Brasileiros de Psicologia; Language: Portuguese, Base de dados: Repositório FGV Periódicos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ABADE, Flávia Lemos. Orientação profissional no Brasil: uma revisão histórica da produção científica. Rev. bras. orientac. prof,  São Paulo ,  v. 6, n. 1, p. 15-24, jun.  2005 .   Disponível em &amp;lt;http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1679-33902005000100003&amp;amp;lng=pt&amp;amp;nrm=iso&amp;gt;. acessos em  02  fev.  2022.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SANTO, Adriana Amaral do Espírito. O ISOP e a psicologia do esporte no Rio de Janeiro: ampliando a história de uma prática. 2017. 195 f. Tese (Doutorado em Psicologia) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MARTINS, Hildeberto Vieira. Uma história da psicologia em revista: retomando Mira y López. Arq. bras. psicol.,  Rio de Janeiro ,  v. 66, n. 3, p. 5-19,   2014 .   Disponível em &amp;lt;http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1809-52672014000300002&amp;amp;lng=pt&amp;amp;nrm=iso&amp;gt;. acessos em  02  fev.  2022.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Franco lo presti seminerio: dados biográficos. Paidéia (Ribeirão Preto) [online]. 2002, v. 12, n. 23 [Acessado 2 Fevereiro 2022] , pp. 179-181. Disponível em: &amp;lt;https://doi.org/10.1590/S0103-863X2002000200014&amp;gt;. Epub 29 Jul 2009. ISSN 1982-4327.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SEMINÉRIO, Franco Lo Presti. O ISOP aos 25 anos. Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada, v. 25, n. 1, p. 109-123, 1973.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Caio Fabio Pereira Pinto Junqueira , Marcelle Félix Domingues, Marina Celestrin de Toledo, Romulo Carvalho como exigência parcial para a disciplina de Psicologia e História Social do Trabalho da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2022.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instituições]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_WikiHP&amp;diff=1638</id>
		<title>História da WikiHP</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_WikiHP&amp;diff=1638"/>
		<updated>2026-03-04T23:19:49Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Pequenas correções complementares&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A WikiHP é a Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia e é parte do Portal História da Psicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este texto ficou obsoleto. Sua versão mais atual está disponível no verbete [[Portal História da Psicologia]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
A ideia do Portal História da Psicologia surgiu em outubro de 2019, durante uma visita à exposição “Egito Antigo: do Contemporâneo à Eternidade”, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. Ela apareceu durante uma meditação sobre a possibilidade de conhecer mais sobre a História da Psicologia utilizando dos recursos oferecidos pela internet, enquanto seu idealizador lia um artigo sobre História da Psicologia em seu smartphone, aguardando sua vez para ingressar na exposição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a ideia de criar uma enciclopédia eletrônica surgiu durante o natal de 2019, em meio às leituras e investigações acerca da criação de um website e os sistemas de internet envolvidos em tal tarefa. A inspiração foi a versão digital do Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil: Pioneiros, organizado pela Profa. Regina Helena de Freitas Campos. A princípio, a ideia foi explorar a possibilidade de aperfeiçoar o conteúdo do Dicionário de forma dinâmica, conforme a historiografia da psicologia brasileira avançava, e a solução encontrada estava nas wikis, páginas dinâmicas e fáceis de editar, combinando as qualidades desejáveis para um campo de pesquisa em constante transformação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após um breve período de estudos sobre o sistema que seria adotado para o gerenciamento da enciclopédia, a Mediawiki, e a criação do subdomínio no site da WikiHP no site do Portal, o passo seguinte foi encontrar estratégias para viabilizar os primeiros verbetes e, assim, a implementação do projeto. Surgiu então a ideia de aliar o ensino, a pesquisa e a extensão por meio de ações com turmas de graduação em psicologia. A proposta foi utilizar da construção de verbete de enciclopédia como método de avaliação nas disciplinas com conteúdo ligado à História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seria necessário o desenvolvimento de uma metodologia de ensino de pesquisa em História da Psicologia e uma metodologia de avaliação da qualidade dos verbetes. Apesar dos bons textos sobre metodologia de pesquisa já existentes, nenhum parecia ser capaz de contemplar os objetivos da proposta, deste modo a decisão foi aliar um projeto de monitoria com o projeto da enciclopédia eletrônica, treinando os monitores para atuarem juntos aos grupos que elaboravam verbetes. Já a avaliação ficou a cargo da construção, como página dentro da própria WikiHP, das categorias de verbetes e suas estruturas, incluindo seções obrigatórias e opcionais e seus possíveis conteúdos, com classificações e pontuações, o que auxiliaria também monitores e discentes. Esta foi a primeira forma de estruturação da enciclopédia, respondendo a estas demandas iniciais. Assim nasceram os primeiros verbetes, que foram publicados de acordo com a opinião também dos monitores, ainda que a avaliação na disciplina fosse sigilosa e realizada apenas pelo docente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os relatos positivos dessa metodologia indicaram seu potencial, mas ainda faltavam materiais de auxílio aos estudantes. Assim, foi criado o verbete de exemplo, sobre Alfred Binet, e o Livro de Estilo da WikiHP. Também foi criado verbete “Como escrever verbetes para a WikiHP” – hoje extinto - e, após um certo período, um vídeo com orientações gerais, publicado no canal História da Psicologia TV no YouTube. Contudo, o processo todo só foi possível por meio da atuação constante e interessada dos monitores, que se mostraram aliados fundamentais ao abraçarem o projeto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O estudante de psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras, Yuri Pereira Antunes Vieira, recebeu uma bolsa de apoio a atividades remotas oferecida pela UFF, o que foi fundamental para o crescimento da WikiHP. Sua atuação, agora remunerada e direcionada principalmente para a WikiHP, permitiu a acumulação de um grande conhecimento sobre o processo de criação de verbetes no contexto de graduação, recebendo resposta positiva dos discentes envolvidos- e com o crescimento consistente da enciclopédia. Outra atuação de destaque foi a da estudante de psicologia também da UFF Mariana dos Santos dos Anjos, que trabalhou como monitora bolsista da disciplina de História da Psicologia, trabalhada no primeiro semestre do curso, que ajudou a consolidar a relação dos ingressantes com o processo de criação de verbetes, que guarda semelhanças com uma iniciação científica. Outras atuações importantes, também no papel de monitoras da mesma disciplina, foram de Diana Disitzer dos Reys Netto e Isabela Coelho Marinho, que atuaram de forma colaborativa na criação e desenvolvimento dos verbetes no contexto de avaliação disciplinar. Os monitores reuniam-se regularmente com o docente e com os grupos de discentes, ajudando-os a orientar a pesquisa histórica, a localização de fontes, a organização dos dados e a construção dos textos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sucesso do modelo e do projeto mostrou que o caminho da graduação para produção de verbetes era sólido e interessante, mas outros se faziam também necessários. Assim, foi desenvolvido o modelo de tradução de verbetes- e o modelo de parcerias com outros docentes, além da criação deste livro, que compila uma série de materiais de apoio e experiências acumuladas na produção de verbetes para a WikiHP. O amadurecimento de ambos os modelos, sua descrição de funcionamento e condições estão contemplados neste livro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Espera-se que a WikiHP continue crescendo, tanto em tamanho como em qualidade, o que exige materiais de apoio eficazes e o engajamento da comunidade. Este livro é, pois, um convite para a colaboração de seus leitores neste projeto que, aliando ensino, pesquisa e extensão, tem o objetivo de democratizar o conhecimento acerca da História da Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Observações ==&lt;br /&gt;
Texto de 2022, publicado originalmente no [https://editora.historiadapsicologia.com.br/index.php/wikihp/ Livro de Estilo da WikiHP].&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ajuda]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Francis_Galton&amp;diff=1637</id>
		<title>Francis Galton</title>
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		<updated>2026-03-04T23:11:24Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Adicionei categoria&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Francis Galton, também conhecido como Sir. Francis Galton (Warwickshire, Inglaterra, 16 de fevereiro de 1822 – Surrey, Inglaterra, 17 de janeiro de 1911), foi um pesquisador, antropólogo e explorador inglês, reconhecido por sua diversidade de metodologias, como a elaboração de testes mentais e a aplicação estatística. Dentre outras conquistas e marcos, é considerado como um dos fundadores da psicometria e um dos pioneiros na abordagem científica da psicologia. Desenvolveu a Eugenia, ideia que recebeu inúmeras críticas pelo seu teor extremista, racista e discriminatório. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primeiros anos e educação ===&lt;br /&gt;
Francis Galton nasceu em 16 de fevereiro de 1822, em Birmingham, Warwickshire, na Inglaterra. Filho de Samuel Tertius Galton, um banqueiro e empresário, e Anne Violetta Darwin, teve raízes em uma família abastada, que fez fortuna durante a Revolução Industrial Inglesa. Seu avô materno era Erasmus Darwin, e seu primo era o célebre naturalista Charles Darwin. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Galton foi matriculado, aos 8 anos, em um internato imensamente competitivo, onde teve um baixo desempenho, exceto em matemática. Os pais de Galton planejavam sua formação acadêmica na medicina. Assim, aos 16 anos, seguiu para uma excursão por instituições médicas. Dessa forma, foi matriculado como aluno de medicina no Birmingham General Hospital, na Inglaterra.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posteriormente, ao realizar uma visita na Universidade de Giessen, na Alemanha, para estudos de química, desenvolveu um fascínio por viajar. Dessa forma, decidiu abandonar os estudos em medicina e iniciar uma viagem para o sudeste da Europa, onde passou por Constantinopla, Esmirna e Atenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao retornar, Galton continuou seus estudos, agora em matemática, na Trinity College, em Cambridge. No entanto, essa formação teve fim após seu terceiro ano de estudo, em decorrência de uma forte crise nervosa, devido ao seu excesso de trabalho, fazendo com que ficasse apenas com um diploma geral em Cambridge. Todavia, Galton conseguiu se recuperar rapidamente ao mudar seu estilo de vida, por meio de sua retirada da universidade, investindo no seu interesse por viagens.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Viagens e explorações ===&lt;br /&gt;
Após retornar de Cambridge, o pai de Galton faleceu, deixando-lhe uma grande fortuna que utilizou para iniciar seu primeiro fascínio profissional: as explorações. Assim, entre 1845 e 1846, começou a organizar uma expedição para os campos desconhecidos do sudoeste, norte e sul da África. Logo, iniciou pelo Egito, seguido da Síria e Sudão, em uma busca para encontrar a fonte do Rio Nilo. No Egito, Galton diz em seus escritos que ficou impressionado com as construções monumentais e a divisão social em castas dos nobres sacerdotes da região, além das medidas adotadas para o controle de natalidade dos escravos.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também fez estudos na África do Sul Ocidental, atual Namíbia, em busca de uma possível abertura e fortuna do Lago Ngami, onde fez contato com os povos nômades Bushmen, que viviam em condições extremamente áridas do Deserto de Kalahari.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas viagens foram publicadas em seu livro “Narrative of an Explorer in Tropical South Africa”, de 1853, onde descreveu suas explorações na África. Galton foi premiado por suas investigações com uma medalha de ouro concedida pela Royal Geographical Society e foi eleito membro da Royal Society, aos 31 anos, apesar de jamais ter chegado ao Lago Ngami e de fazer descrições degradantes dos povos nativos que encontrou. No mesmo ano, Galton se casou com Louisa Jane Butler. O casal não teve filhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Estudos eugenistas ===&lt;br /&gt;
Influenciado pela obra “On the origin of species”, de Charles Darwin, e por suas teorias evolucionistas e de diferenças individuais, Galton propôs que as “qualidades superiores”, como traços de personalidade e habilidades intelectuais, eram transmitidas hereditariamente, ou seja, de geração para geração. Baseado nestas perspectivas, avançou estabelecendo que seria possível criar uma raça de seres humanos altamente dotados, a partir de casamentos e reproduções seletivas, sendo assim artificialmente melhorada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Francis Galton expressou suas ideias em sua obra “Hereditary Genius”, de 1869, onde descreveu o conceito de gênio como um indivíduo que detinha uma habilidade excepcionalmente alta e inata, e que as características mentais e físicas eram igualmente herdadas geneticamente.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um artigo posterior, publicado em 1876 sob o título “Nature and nurture”, Galton dissertou sobre sua pesquisa com gêmeos. O autor queria analisar suas características que vinham já no momento de seu nascimento e quais eram obtidas pelas circunstâncias impostas posteriormente na vida adulta. Em outras palavras, os efeitos da natureza e os efeitos da criação. Seu objetivo nesse estudo era estabelecer uma média de hereditariedade de habilidades mentais e investigar as diferenças individuais. Este debate entre natureza e cultura atravessou o tempo e ainda é relevante para a psicologia e outras ciências humanas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais tarde, em 1883, Galton cunharia, em sua obra “Inquiries into human faculty”, o termo “Eugenia”, que significa “bem-nascido”, para denominar seus estudos. O livro pode também ser considerado um resumo do autor sobre suas noções das faculdades ou características humanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Galton se interessava por cálculos e mensurações matemáticas. Dessa forma, criou, em 1884, um laboratório antropométrico, na “International Health Exhibition”, e outro em 1888, na “South Kensington Museum”, ambos em Londres. Eles tinham como objetivo fazer mensurações mais formais e controladas, além de testagens sobre diversos aspectos humanos, como a capacidade de associação, memória e tempo de reação. Assim, esses laboratórios podem ser consideradas como as primeiras clínicas psicométricas do mundo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Francis Galton é conhecido pela sua diversidade de metodologias, no entanto, é a partir de 1883, após a morte de Charles Darwin, que Galton se dedica inteiramente ao estudo da Eugenia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fim da vida ===&lt;br /&gt;
Por suas muitas contribuições à ciência, como a criação da psicometria e uso dos testes e medidas mentais, Galton recebeu o título de Sir Francis, sendo nomeado Cavaleiro da Coroa Britânica, em 1909.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Galton também escreveu durante sua vida cerca de 9 livros e 200 artigos sobre diversos assuntos, como a pesquisa de dados biométricos, a criação de técnicas estatísticas, a análise de regressão e a correlação (co-variância e variância) e a elaboração do termo “eugenia” e vários dos seus elementos principais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele morreu em 17 de janeiro de 1911, aos 89 anos, em Surrey, na Inglaterra. A causa da morte não é conhecida. Galton permaneceu social e profissionalmente ativo até seus últimos dias. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
Francis Galton destacou-se pelo desenvolvimento de testes e métodos voltados à mensuração das competências e diferenças individuais. Pioneiro na psicometria, suas iniciativas permitiram estudar as faculdades mentais de forma sistemática e mensurável, contribuindo para a consolidação da psicologia como ciência empírica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primeiras clínicas e estudo das diferenças individuais ===&lt;br /&gt;
Fascinado pelas diferenças entre as pessoas, Galton passou a estudá-las por meio de testes e observações. Para aprimorar suas pesquisas, fundou em Londres os dois primeiros laboratórios antropométricos, em 1884 e 1888, ambos considerados as primeiras clínicas psicométricas do mundo. Neles, avaliava tempo de reação, acuidade sensorial, memória e outras capacidades cognitivas. Essas iniciativas marcaram o início da aplicação de testes de mensuração científica e estabeleceram as bases da psicologia experimental. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Natureza versus cultura ===&lt;br /&gt;
Galton analisou gêmeos e famílias eminentes para compreender a influência da hereditariedade e do ambiente sobre a inteligência e as habilidades humanas. Embora reconhecesse o papel do meio, suas conclusões enfatizavam a herança biológica como o principal fator determinante. Essa abordagem fortaleceu o debate entre natureza e cultura, um tema que permanece central na psicologia moderna, ajudando a compreender como ambos os fatores atuam no desenvolvimento humano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Estatística aplicada ===&lt;br /&gt;
Galton utilizou métodos estatísticos, como mediana, regressão, correlação, percentil e dispersão, para organizar e interpretar os dados obtidos em seus estudos. Com isso, aplicou o padrão de variação representado pela curva normal para medir diferenças cognitivas e desempenhos intelectuais, destacando também a importância dos grupos de controle para garantir maior precisão nos resultados. Esses recursos estabeleceram um modelo inovador de análise quantitativa na psicologia, permitindo que aspectos psíquicos fossem avaliados de maneira objetiva e metódica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Estudos sobre a mente ===&lt;br /&gt;
Francis Galton investigou imagens mentais e desenvolveu testes de associação de palavras por meio de questionários, buscando compreender os processos cognitivos. Constatou que cerca de 40% dessas associações derivavam de experiências infantis, evidenciando a importância dos primeiros anos no desenvolvimento da vida adulta, ideia que mais tarde seria enfatizada por Freud. Esses estudos permitiram compreender como experiências internas, especialmente as vividas na infância, influenciam o desenvolvimento mental, moldando percepções e comportamentos, além de fundamentar os testes psicológicos contemporâneos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
Pioneiro na aplicação da estatística ao estudo da hereditariedade, Francis Galton se dedicou a investigar como características físicas e mentais eram transmitidas entre gerações. Em seu primeiro artigo sobre o tema, publicado em 1865, ele argumentou que ambas eram herdáveis, mas observou que a semelhança entre pais e filhos era muito mais evidente em aspectos físicos do que mentais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com base em biografias de cientistas, escritores e artistas, Galton propôs que o talento também poderia ser herdado, embora admitisse não conhecer as leis que regiam essa transmissão. Para fundamentar sua hipótese, recorreu à estatística e formulou a lei da herança ancestral, segundo a qual: “O pai transmite, em média, metade de sua natureza, o avô um quarto, o bisavô um oitavo; a divisão decresce grau a grau, em proporção geométrica, com grande rapidez.” &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa formulação expressava sua tentativa de quantificar a influência dos antepassados e deu origem ao conceito de que a contribuição genética diminui progressivamente a cada geração. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua obra “Hereditary Genius” (1869), Galton apresentou cinco condições para sustentar que a habilidade era hereditária: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Indivíduos altamente capazes tenderiam a ter mais parentes habilidosos do lado paterno;&lt;br /&gt;
# Famílias de homens notáveis teriam, em média, mais parentes talentosos que o restante da população;&lt;br /&gt;
# O tipo de habilidade seria herdado;&lt;br /&gt;
# A presença da característica diminuiria com o grau de parentesco;&lt;br /&gt;
# O talento surgiria gradualmente na linhagem, e não de forma isolada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As ideias de Darwin sobre seleção natural influenciaram Galton, mas ele discordava da herança de caracteres adquiridos por uso e desuso, que considerava insignificante. A partir de observações e experimentos, percebeu que indivíduos podiam transmitir características que não apresentavam, sugerindo a existência de elementos latentes na herança. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em “Hereditary Improvement” (1873), Galton defendeu que o aprimoramento hereditário da população poderia eliminar doenças e gerar indivíduos mais inteligentes e capazes. Ele acreditava que, ao selecionar pessoas com características desejáveis, seria possível criar uma sociedade mais apta e saudável. Essa linha de raciocínio deu origem ao conceito de eugenia, termo que o próprio Galton viria a cunhar e promover. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Buscando compreender melhor a influência da hereditariedade e do ambiente, Galton estudou gêmeos no artigo “The History of Twins” (1875). Observou que, mesmo criados separadamente, muitos apresentavam comportamentos e sintomas semelhantes, levando-o à famosa conclusão, “A natureza é mais forte do que a criação.” &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais adiante, ele reforçou que as diferenças ambientais só teriam impacto significativo quando fossem muito grandes, o que raramente acontecia entre pessoas de uma mesma classe social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para sustentar suas ideias, Galton desenvolveu modelos estatísticos baseados em dados obtidos de ervilhas, seres humanos, mariposas e cães, buscando comprovar matematicamente a influência da hereditariedade. Defendia que, ao selecionar indivíduos com características desejáveis, seria possível formar uma “raça pura” que manteria qualidades superiores ao longo das gerações. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1897, Galton formalizou sua lei da herança ancestral em quatro proposições: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# A matéria germinal perde metade da contribuição de cada progenitor a cada geração;  &lt;br /&gt;
# A contribuição de um ancestral remoto não é independente das dos demais; &lt;br /&gt;
# As contribuições latentes seguem progressão geométrica; &lt;br /&gt;
# A soma total das contribuições hereditárias é igual a 1. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua principal obra de consolidação, “Natural Inheritance” (1889), apresentou uma teoria estatística da hereditariedade baseada na regressão à média, mostrando que tanto características físicas quanto mentais podiam ser herdadas. Ele distinguiu os elementos patentes (visíveis) e latentes (ocultos), observando que os pais podiam transmitir traços que não manifestavam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora reconhecesse que o ambiente também influenciava o desenvolvimento humano, Galton atribuía maior importância à herança biológica. Essa ênfase na transmissão hereditária das qualidades humanas não apenas influenciou, mas constituiu a própria base da teoria eugênica, dando origem ao que mais tarde seria conhecido como eugenia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Influências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Charles Darwin ===&lt;br /&gt;
Primo de Francis Galton, Charles Darwin direcionou o foco de Galton para questões de hereditariedade com a publicação de A Origem das Espécies, de 1859. Galton ficou fascinado pela ideia da seleção natural e buscou aplicar conceitos semelhantes à hereditariedade das habilidades mentais e físicas em humanos, o que o levou a desenvolver seus estudos sobre &amp;quot;gênios hereditários&amp;quot; e, subsequentemente, a fundar o campo da eugenia. Embora Galton também tenha sido influenciado por outros pensadores da época, a obra de Darwin foi o ponto de virada fundamental em sua carreira intelectual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Adolphe Quetelet   ===&lt;br /&gt;
O estatístico Adolphe Quetelet, com os conceitos de Homem Médio e a aplicação da Curva Normal, foi um pioneiro no uso de métodos estatísticos nas ciências sociais. Ele demonstrou que características humanas físicas (como altura) e até mesmo sociais (como taxas de criminalidade) tendiam a se distribuir de acordo com a curva normal, conhecida também como curva do sino. Galton pegou as ferramentas de Quetelet e as aplicou de forma muito mais ampla. Ele usou a curva normal para tentar medir características mentais, como a inteligência, acreditando que o gênio era simplesmente uma ocorrência rara na extremidade superior desta curva. Isso forneceu a Galton o método quantitativo que ele precisava para estudar a hereditariedade que Darwin descreveu.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
As críticas a Francis Galton são majoritariamente expressas pelo seu papel na fundação da eugenia e sobre suas ideias sobre hereditariedade. Além disso, sua metodologia também era criticada, já que, muitas vezes, confiava apenas em autorrelatos e pesquisava somente famílias de classes ricas e aristocráticas da Inglaterra.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Charles Dickens ===&lt;br /&gt;
Galton e Quetelet criaram o conceito de homem médio, calculando as médias de características físicas e intelectuais para analisar variações. No entanto, foram alvos de críticas por sua abordagem, ao aludir às pessoas como números, e Galton foi chamado de “cabeça deteriorada” por Charles Dickens, um romancista inglês. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alfred Binet ===&lt;br /&gt;
Alfred Binet se viu interessado pelo trabalho de Galton, o que o influenciou no desenvolvimento dos seus primeiros testes. No entanto, logo criticou a abordagem simplista de Galton em relação às técnicas psicológicas e a sua concepção de que, para a descoberta de melhores resultados, seria necessário maior precisão nos testes. Binet argumentou que, na época, não havia dispositivos disponíveis que proporcionam tamanha precisão e que medir processos mentais era uma tarefa complexa e com atividades complexas. Assim, descartou o uso dos estudos de Galton. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alphonse de Candolle ===&lt;br /&gt;
Galton realizou uma pesquisa entre famílias de sucesso da Inglaterra e concluiu que o “gênio” seria um fator hereditário, o que foi criticado por Alphonse de Candolle. Ele realizou estudos sobre diversas famílias estrangeiras, constatando que fatores ambientais, de educação e padrões de vida influenciam na questão da inteligência. Dessa forma, Candolle negou qualquer fundamento para herança da genialidade defendida por Galton. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Haldane ===&lt;br /&gt;
Haldane, um pensador marxista britânico-indiano, inicialmente apoiava a eugenia, mas criticou as conclusões apressadas e preconceituosas do movimento eugenista na Europa após seu uso no ideal nazista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Limitações metodológicas ===&lt;br /&gt;
Nos testes de imagens mentais e capacidades sensoriais, Galton interpretou os resultados a partir da ideia de que certas capacidades “superiores” eram herdadas e mais presentes nos homens, concluindo que eles seriam intelectualmente superiores às mulheres. Isso gerou acusações de sexismo e misoginia, já que suas interpretações desconsideravam outros fatores, como a influência das condições sociais da época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma, em seus estudos com gêmeos, suas conclusões de que a genética era o principal fator das capacidades intelectuais foram consideradas prematuras. Isso porque ele se baseou apenas em informações enviadas por meio de cartas pelos familiares, sem investigar diretamente as condições de vida dos indivíduos analisados, o que limitava a certeza sobre a veracidade e a interpretação dos dados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Polêmicas ==&lt;br /&gt;
Além das críticas apontadas diretamente para Galton, suas ideias repercutiram em diversos movimentos indiretos, sendo usados para reforçar preconceitos e justificar políticas discriminatórias. Essas mobilizações resultaram em mortes, esterilizações forçadas e graves violações dos direitos humanos. Suas concepções eugenistas e racistas continuam presentes em debates contemporâneos sobre genética, inteligência e seleção social, influenciando reflexões da psicologia sobre desigualdade, determinismo biológico e os efeitos sociais das teorias científicas distorcidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Eugenia ===&lt;br /&gt;
As ideias eugenistas associavam pobres, negros e outros grupos considerados inferiores a supostas limitações cognitivas, doenças e tendências à criminalidade, servindo de justificativa para práticas de exclusão da época. Essas concepções tiveram um impacto profundo, resultando em graves consequências históricas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estados Unidos: segregação, esterilizações de deficientes mentais, leis restritivas de imigração e controle de natalidade, resultando em mortes e aumento da discriminação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alemanha nazista: Adolf Hitler iniciou políticas de extermínio de judeus, ciganos, deficientes e negros, justificadas como preservação da raça ariana. A Conferência de Wannsee, em 1942, organizou oficialmente a aplicação dessas políticas, que resultaram na morte de cerca de 6 milhões de judeus nos campos de concentração durante o Holocausto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
China: foram impostas esterilizações visando impedir nascimentos considerados inferiores, controlando a reprodução estatalmente com objetivo de reduzir até 10 milhões de pessoas por ano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Estatística   ===&lt;br /&gt;
Galton, durante a preparação de seu livro de 1872 Statistical Inquiries into the Efficacy of Prayer (Investigações Estatísticas sobre a Eficácia da Oração, em tradução livre), tentou provar a eficácia da oração por meio de métodos estatísticos. Ao concluir que não havia efeitos significativos, recebeu críticas de religiosos, que o acusaram de enfraquecer a fé e atacar a religião, especialmente ao propor medidas polêmicas, como realizar missas em domingos alternados para testar os efeitos das preces. Em consequência, Galton foi obrigado a omitir essas seções na edição revista da obra, não conseguindo publicar integralmente a revisão que pretendia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Discípulos, seguidores e quem influenciou ==&lt;br /&gt;
Na área da psicologia, Galton contribuiu bastante para a psicologia diferencial e a psicometria. De suas contribuições, muitos psicólogos se influenciaram por suas ideias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Karl Pearson (1857-1936) se assemelhava a Galton em dois assuntos: a eugenia e a estatística. Pearson desenvolveu e formalizou o cálculo do coeficiente de correlação e se tornou o principal divulgador da eugenia e do pensamento estatístico na época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Charles Edward Spearman (1863-1945) foi pioneiro na análise fatorial. Baseados nas teses de Galton, elaborou e criou o conceito de ”fator g”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alfred Binet (1857- 1911), figura importante na psicometria, foi um dos criadores do primeiro teste de inteligência. Se interessou pelas ideias e os métodos de medição mental de Galton, e usou-os para desenvolver seus primeiros testes psicológicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
David Wechsler (1896- 1981), inspirado pelos fundamentos estatísticos de Galton, como a correlação, elaborou as Escalas Wechsler, WAIS (Escala de Inteligência Wechsler para Adultos) e WISC (Escala de Inteligência Wechsler para Crianças). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras   ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Livros ===&lt;br /&gt;
(1853) – Tropical South Africa. Relato da viagem à África Ocidental que inspirou os primeiros estudos sobre diferenças individuais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1855) (2ª ed. 1856) – The Art of Travel; or, Shifts and Contrivances Available in Wild Countries.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1869) – Hereditary Genius: The Judges of England between 1660 and 1865. Investigação sobre a hereditariedade das capacidades humanas, baseada em análises genealógicas e estatísticas. Considerada uma das obras fundadoras da psicologia científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1883) – Inquiries into Human Faculty and Its Development. Obra que introduziu o termo “eugenia” e aprofundou o estudo das faculdades humanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1889) – Natural Inheritance. Uma das principais obras que reúne os estudos de Galton sobre hereditariedade, apresentando métodos estatísticos para analisar a transmissão de traços visíveis e ocultos, físicos e mentais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1909) – Essays in Eugenics. Reúne os principais ensaios de Galton sobre ideias eugenistas, com reflexões sobre hereditariedade e seleção humana. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Artigos ===&lt;br /&gt;
(1865) – Hereditary Talent and Character. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1868) – Hereditary Genius.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1871) – Gregariousness in Cattle and in Men.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1872) – Statistical Inquiries into the Efficacy of Prayer: Obra sobre aplicação de grupos de controle e ensaio da eficácia da oração, que gerou polêmica entre religiosos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1873) - Hereditary Improvement. Ensaio sobre como a seleção de indivíduos com características consideradas superiores poderia reduzir doenças e gerar pessoas mais capazes, lançando as bases para a eugenia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1874) - English Men of Science &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1875) – The History of Twins. Estudos com gêmeos sobre hereditariedade e ambiente, realizados para provar a predominância dos fatores genéticos no desenvolvimento das habilidades humanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1879) – Psychometric Experiments&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1879) - Psychometric Facts&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1880) - Mental Imagery&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1880) – Visualised Numeral&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1880) - Statistics of Mental Imagery&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1881) - The Visions of Sane Persons&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1884) – Measurement of Character: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1884) – Mr. Francis Galton&#039;s Proposed &amp;quot;Family Registers&amp;quot;. Apresenta a ideia de fichas familiares padronizadas para registrar dados hereditários. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1888) – Co-relations and Their Measurement, Chiefly from Anthropometric Data. Desenvolvimento de métodos estatísticos para medir correlações a partir de dados antropométricos, essenciais para o progresso da psicologia quantitativa e da estatística moderna. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1890) - Exhibition of Instruments for Testing Differences of Tint and Reaction Time.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1891) – Discussion on &amp;quot;An Apparent Paradox in Mental Evolution&amp;quot;, Lady Welby&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1893) – Measure of the Imagination&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1894) – Psychology of Mental Arithmeticians and Blindfold Chess-Players&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1895) – Personality [Review of The Diseases of Personality, Th. Ribot]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1896) – A Curious Idiosyncrasy&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1898) – Evolution of the Moral Instinct [Review of The Origin and Growth of the Moral Instinct, Alexander Sutherland]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1901) – The Possible Improvement of the Human Breed Under Existing Conditions of Law and Sentiment. Ensaio em que Galton discute o termo “eugenia” como forma de aprimoramento da raça humana e como ela poderia ser promovida dentro das normas sociais e legais da época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1904) – Distribution of successes and of natural ability among the kinsfolk of Fellows of the Royal Society. Estudo com famílias de cientistas renomados para entender como o sucesso e habilidades são transmitidos de geração em geração. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1908) – Address on Eugenics&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1908) – Local associations for promoting eugenics. Discute a criação de associações que incentivem uniões entre pessoas consideradas “aptas”, reforçando o ideal eugenista de promover certas linhagens. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1909) – [Foreword].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fundações   ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Laboratórios   ===&lt;br /&gt;
(1884) – Anthropometric Laboratory (London International Health Exhibition): Primeiro laboratório psicométrico do mundo, marco fundamental na mensuração científica das diferenças individuais e capacidades cognitivas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1888) – Anthropometric Laboratory (South Kensington Museum, London): Segundo laboratório criado por Galton, que deu continuidade às medições antropométricas iniciadas em 1884 e consolidou seu trabalho pioneiro sobre as diferenças individuais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Periódicos ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== (1901) – Biometrika ====&lt;br /&gt;
Revista dedicada à biometria e estatística aplicada à hereditariedade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Retratos na Mídia ==&lt;br /&gt;
As ideias eugenistas de Francis Galton acerca do melhoramento da linhagem humana e das diferenças individuais se enraizaram no imaginário popular. Diversos livros e documentários sobre a eugenia e o movimento eugenista foram publicados ao longo das décadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* O livro “Eugenia: ontem e hoje”, de Robert Wegner e publicado pela Editora Fiocruz, aborda a trajetória percorrida pela eugenia, desde a formação de sua teoria até suas expressões contemporâneas, revelando a persistência desse pensamento. &lt;br /&gt;
* O documentário “Homo Sapiens 1900”, do diretor Peter Cohen, retrata o engajamento de médicos e biólogos do século XX para criação de uma suposta melhoria do padrão genético da humanidade, sob a óptica eugenista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* No documentário “A Cruzada Eugênica”, narra o motivo do movimento eugenista ter cativado tantas pessoas nos Estados Unidos, ao longo do século XX. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* O livro “Os Bem Nascidos: Racismo, Eugenia e Educação no Brasil”, de Ruth Meyre Mota Rodrigues e publicado pela Editora Appris, revela reflexões sobre a manutenção dos discursos eugenistas sobre um aspecto educacional nas relações étnicos-raciais no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
COELHO, Marcelo. [https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0104200722 Documentário é uma lição de história sobre delírio eugenista]. &#039;&#039;&#039;Folha de S. Paulo&#039;&#039;&#039;, São Paulo, 01 de abr. de 2007.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DEL CONT, Valdeir. Francis Galton: eugenia e hereditariedade. &#039;&#039;&#039;Scielo Brasil&#039;&#039;&#039;, São Paulo, v. 6, n. 2, p. 201-218, jun. 2008. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DEUTSCH, James I. [https://doi.org/10.1093/jahist/jaz330 The Eugenics Crusade]. &#039;&#039;&#039;The Journal of American History&#039;&#039;&#039;, Estados Unidos, v. 106, n. 1, p. 284-285, jun. 2019. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GALTON, Francis. &#039;&#039;&#039;Hereditary Genius&#039;&#039;&#039;: an inquiry into its laws and consequences. 2ª ed. London: Macmillan&#039;s Magazine, 1892.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GALTON, Francis. &#039;&#039;&#039;Narrative of an Explorer in Tropical South Africa&#039;&#039;&#039;. 4ª ed. London: The Minerva Library of Famous Books, 1891.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GALTON, Francis. [https://www.britannica.com/biography/Francis-Galton &#039;&#039;&#039;Encyclopaedia Britannica&#039;&#039;&#039;]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
HOTHERSALL, David. &#039;&#039;&#039;História da Psicologia&#039;&#039;&#039;. 4ª ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2006.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MUKIUR, Richard Mababu. La influencia de Charles Darwin en el Estudio de las Diferencias Individuales de Francis Galton. &#039;&#039;&#039;Revista de Historia de La Psicología&#039;&#039;&#039;, Valência, v. 30, n. 2-3, p. 215-221, jun. 2009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
NETO, Geraldo Salgado; SALGADO, Aquiléa. [https://doi.org/10.5007/2178-4582.2011v45n1p223 Sir Francis Galton e os extremos superiores da curva normal]. &#039;&#039;&#039;Revista de Ciências Humanas&#039;&#039;&#039;, Florianópolis, v. 45, n. 1, p. 223-239, abr. 2011. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
POLIZELLO, Andreza. O desenvolvimento das ideias de herança de Francis Galton: 1865-1897. &#039;&#039;&#039;ABFHiB&#039;&#039;&#039;, São Paulo, v. 6, n. 1, p. 7-8, jun. 2011.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RODRIGUES, Ruth M.M. [https://editoraappris.com.br/produto/os-bem-nascidos-racismo-eugenia-e-educao-no-brasil/?srsltid=AfmBOop0CWicsNhJ9572ls_zzMJsC_gntSeiqrRQEV-9J8wN9r-4hc_V Os Bem-Nascidos: Racismo, Eugenia e Educação no Brasil]. Paraná: &#039;&#039;&#039;Appris Editora&#039;&#039;&#039;, 2023. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIRENA, Julia; BELLARDI, Paulo. [https://fiocruz.br/noticia/2025/05/novo-livro-da-editora-fiocruz-investiga-raizes-e-permanencias-da-eugenia-como-forma. Novo livro da Editora Fiocruz investiga as raízes e permanências da eugenia como forma de desigualdade social]. &#039;&#039;&#039;Editora Fiocruz&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, 21 de mar. de 2025. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TREDOUX, Gavan. [https://galton.org./ &#039;&#039;&#039;Sir Francis Galton FRS&#039;&#039;&#039;], 1822-1911. Página Inicial. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi criado por Letícia Heckert, Viviane Santana, Letícia Schueler, Rhana Kicela e Maria Luiza Campos como exigência parcial para a disciplina História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Revisado por Julia Lombardi Carneiro. Criado em 2025.2. Publicado em 2025.2&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Experimento_do_Pequeno_Albert&amp;diff=1636</id>
		<title>Experimento do Pequeno Albert</title>
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		<updated>2026-03-04T23:11:01Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Andreriopreto: Adicionei categoria&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O experimento do &amp;quot;Pequeno Albert&amp;quot;, conduzido por Watson e Rayner na Johns Hopkins University em 1920, buscava provar que medos e fobias podem ser condicionados. O bebê Albert, de onze meses, foi condicionado a temer um rato branco (estímulo condicionado) após a associação repetida com um som alto (estímulo incondicionado). Os pesquisadores observaram que Albert demonstrou medo (resposta condicionada) ao ver o rato e generalizou essa resposta para outros objetos felpudos. A persistência da resposta foi verificada por 31 dias e o experimento concluiu que o medo foi condicionado com sucesso, além de transferido para outros objetos, o que na época comprovou para a sociedade a possibilidade de condicionamento. Hoje além de ser visto como antiético e não replicável para confirmação, há críticas metodológicas ao experimento que questionam a interpretação de seus resultados  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Autores e seus objetivos ===&lt;br /&gt;
O denominado “Experimento do Pequeno Albert” foi um experimento controverso publicado em 1920 por John B. Watson, psicólogo estadunidense fundador do behaviorismo, e Rosalie Rayner, sua colaboradora e assistente de pesquisa. O experimento foi realizado na Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, tinha como objetivo comprovar que medos e fobias poderiam ser condicionados pela experiência. Watson rejeitava o método de introspecção, afirmando que a consciência humana é inobservável. Por isso, propôs que a psicologia deveria ter como objeto de estudo o comportamento, pois ele é observável, fundando, assim, as bases do behaviorismo.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Concepção do experimento ===&lt;br /&gt;
Em 1917, Watson identificou como emoções primárias humanas o medo, a raiva e o amor, entendendo que adultos possuem também emoções mais complexas desenvolvidas através da experiência. A escolha de um bebê se deve à presença das três emoções primárias, e a escolha de Albert se deu devido a sua falta de reação inicial perante objetos e animais apresentados. Os pesquisadores tiveram a permissão de sua mãe – possivelmente de forma antiética - para fazer testes e observações, com a finalidade de descobrir se conseguiriam condicionar uma resposta de medo a um objeto anteriormente neutro.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O experimento ===&lt;br /&gt;
O experimento foi realizado em uma sala da universidade Johns Hopkins e a gravação está disponível para acesso por diversos meios, incluindo on-line. Além dos autores Watson e Rayner, do bebê e dos animais, também estava presente a pessoa responsável pela gravação. O experimento consistia em apresentar um animal seguido de um som alto, buscando identificar se haveria resposta emocional de medo ao apresentar o animal sozinho, após a associação deste com o barulho inúmeras vezes. O animal apresentado era um rato branco, e o som alto era realizado atrás de Albert ao bater com um martelo em uma barra. Após sete associações entre animal e som alto, Watson e Rayner afirmaram que Albert demonstrava medo ao ver o rato. O experimento foi repetido, sendo realizado com intervalo de dias e nem sempre o bebê manifestava medo inicial quando apresentado ao rato. Outros animais foram colocados no experimento, como um macaco, um coelho e um cachorro, buscando entender se o medo inicial do rato era transferido para outros animais, o que por vezes não acontecia. Objetos também foram apresentados, e as reações aversivas foram mais comuns quando eram apresentados objetos felpudos, incluindo uma máscara de Papai Noel, um casaco de pelos e um saco com lã.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pós experimento ===&lt;br /&gt;
Não se sabe o que aconteceu com o bebê após o experimento e quais foram as reais consequências a longo prazo em sua saúde. A identidade do Pequeno Albert é alvo de discussão, assim como o experimento em si, que ainda sofre duras críticas por sua ética e metodologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma investigação liderada pelo psicólogo Hall Beck indicou que Albert era Douglas Merrite, uma criança com hidrocefalia falecida aos 6 anos de idade. Outra equipe identificou o Pequeno Albert como William Albert Barger, que faleceu em 2007 aos 87 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Variáveis analisadas ==&lt;br /&gt;
O experimento envolveu variáveis manipuladas (estímulos e procedimentos), variáveis de resposta observadas e variáveis críticas relacionadas ao próprio sujeito.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A. Variáveis Independentes (Estímulos e Procedimentos) ===&lt;br /&gt;
Estas foram as variáveis manipuladas para induzir e testar o medo: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Estímulo Incondicionado (EI) / Estímulo Aversivo ====&lt;br /&gt;
O som forte e repentino (ruído alto), produzido por um martelo batendo em uma barra de aço suspensa atrás da cabeça do bebê. Este estímulo eliciava medo incondicionalmente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Estímulo Condicionado (EC) / Estímulo Neutro (EN) ====&lt;br /&gt;
O rato branco. Inicialmente, Albert não demonstrava medo desse animal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Procedimento de Condicionamento ====&lt;br /&gt;
O pareamento (sequência e número de vezes) entre o rato branco (EC) e o som alto (EI). A contingência programada era apresentar o rato e, assim que Albert o tocava, o som era produzido. Críticas posteriores apontam que esse procedimento também envolveu punição positiva, já que o estímulo aversivo era contingente à resposta de Albert de tocar nos animais, além do pareamento de estímulos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Variável Temporal (Persistência) ====&lt;br /&gt;
Os efeitos do experimento foram testados após cinco dias e novamente após um mês (31 dias) do fim do experimento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Estímulos para Teste de Transferência (Generalização) ====&lt;br /&gt;
Uma série de outros animais e objetos foram apresentados sem o som para verificar a transferência da resposta:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Animais: Coelho, cachorro e macaco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Objetos de pelo/superfícies macias: Casaco de pele de foca, lã de algodão e máscara de Papai Noel.&lt;br /&gt;
* Controles: Blocos de madeira, apresentados para verificar a reação habitual da criança. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Variável de Ambiente ====&lt;br /&gt;
A mudança de ambiente (de uma sala pequena e iluminada para uma sala grande e bem iluminada) para verificar se as reações se mantinham. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== B. Variáveis Dependentes (Respostas Observadas) ===&lt;br /&gt;
A principal variável dependente era a reação emocional de medo (a Resposta Condicionada), que foi observada e registrada através de notas descritivas.  As manifestações incluíam: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Reações de Sobressalto e Fuga: Saltar violentamente, tombar para frente, desviar a cabeça, choramingar, afastar as mãos, tentar engatinhar rapidamente. &lt;br /&gt;
* Comportamento de Aproximação (Manipulação): Albert tendia a pegar e manipular os objetos. A competição entre a tendência de se afastar (medo) e a tendência de manipular, um indicador de curiosidade), foi uma observação importante. &lt;br /&gt;
* Mecanismo de Bloqueio: O chupar o polegar, que parecia atenuar ou bloquear o medo e exigia que os experimentadores o removessem para que a resposta condicionada fosse observada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== C. Variáveis do Sujeito (Críticas Metodológicas) ===&lt;br /&gt;
O estudo analisou um bebê chamado Albert, que, segundo Watson e Rayner (1920), foi escolhido por sua estabilidade emocional, sendo descrito como &amp;quot;saudável&amp;quot;, &amp;quot;normal&amp;quot;, &amp;quot;sólido e inemocional&amp;quot;. Entretanto, análises críticas posteriores identificaram variáveis cruciais sobre a condição de Albert, que provavelmente era Douglas Merritte, uma criança com hidrocefalia congênita, ou William Albert Barger, faleceu após uma vida normal aos 87 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Déficits Neurológicos/Saúde: Albert era, possivelmente, uma criança neurologicamente comprometida, sofrendo de hidrocefalia obstrutiva congênita e déficits neurológicos. &lt;br /&gt;
* Comportamento Anômalo: Sua passividade e falta de responsividade podem ser atribuídas aos seus déficits, o que coloca em dúvida a adequação dele como participante e a força das conclusões do estudo.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Linha teórica ==&lt;br /&gt;
O Experimento do Pequeno Albert tem como base teórica o behaviorismo metodológico – conforme nomenclatura atribuída por Skinner -, uma corrente que busca entender o comportamento humano por meio de associações aprendidas entre estímulos ambientais e respostas observáveis. Elaborada por John B. Watson, essa abordagem propôs, no manifesto de 1913, o modelo pavloviano de condicionamento. As leis gerais desse aprendizado foram, então, exemplificadas no experimento conduzido por Watson e Rosalie Rayner. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa formulação teórica surgiu historicamente no âmbito da psicologia experimental do final do século XIX, um período em que predominavam correntes positivistas que favoreciam métodos laboratoriais em vez de abordagens introspectivas. Desse modo, o behaviorismo surgiu como uma alternativa à psicanálise freudiana e outras abordagens consideradas como internalistas. Watson ajustou o modelo para o comportamento humano, afirmando que emoções e fobias derivam de experiências anteriores, o que teve um impacto significativo na psicologia dos Estados Unidos.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Hipóteses e Resultados ==&lt;br /&gt;
O experimento de Watson e Rayner (1920) foi concebido para testar a aplicabilidade do condicionamento respondente (pavloviano) em humanos. As quatro questões/hipóteses principais eram:  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Hipótese de Condicionamento ===&lt;br /&gt;
Verificar se a resposta de medo poderia ser condicionada em um bebê, pareando um estímulo neutro (animal) com um estímulo aversivo (som forte).  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resultado Original: Os experimentadores concluíram que a resposta de medo foi condicionada. Após sete pareamentos entre o rato e o som, Albert demonstrou uma reação emocional completa, chorando e se afastando do rato quando apresentado sozinho. Esse resultado, em tese, demonstrou vigorosamente como o medo poderia ser aprendido em humanos por condicionamento pavloviano.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Hipótese de Generalização ===&lt;br /&gt;
Testar se essa resposta emocional condicionada se transferiria para outros animais e objetos que nunca foram pareados com o estímulo aversivo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resultado Original: Os autores concluíram que a transferência da resposta emocional condicionada parece ter ocorrido. A reação de medo foi transferida para outros objetos, como o coelho (que provocou reações negativas pronunciadas e foi considerado o teste mais convincente de transferência), o casaco de pele de foca, o cachorro, e a máscara de Papai Noel.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Hipótese de Persistência ===&lt;br /&gt;
Verificar o efeito do tempo sobre a intensidade da resposta condicionada.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resultado Original: Os experimentos mostraram que as respostas emocionais condicionadas (direta e por transferência) persistiram por um período de mais de um mês (31 dias), embora com uma certa perda na intensidade da reação. Watson e Rayner afirmaram que, em sua visão, tais reações persistiram e modificaram a personalidade ao longo da vida.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Hipótese de Remoção (Planejada) ===&lt;br /&gt;
Desenvolver procedimentos para remover a resposta que foi condicionada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resultado Original: O objetivo de desenvolver procedimentos para remover a resposta emocional condicionada (medo) não pôde ser testado devido à saída de Albert do hospital, o que levou à interrupção de qualquer procedimento. Os autores lamentaram a situação, afirmando que as reações persistiriam no ambiente natural de Albert, a menos que ele fosse exposto acidentalmente a um procedimento de remoção.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Instituições, grupos e personagens importantes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== John B. Watson ===&lt;br /&gt;
Nascido em 9 de janeiro de 1878, John Broadus Watson é apontado por muitos pesquisadores como fundador do behaviorismo, por publicar, em 1913, o “Manifesto Behaviorista”. Ao lado de sua assistente Rayner, Watson foi quem conduziu o experimento do pequeno Albert. O psicólogo faleceu em 1958, deixando inúmeras contribuições para a psicologia, ao defender uma abordagem mais objetiva e científica, o que ajudou a moldar o estudo do comportamento humano e animal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Rosalie Rayner ===&lt;br /&gt;
Rosalie Rayner é conhecida como a assistente de pesquisa de John B. Watson no experimento “Pequeno Albert”. Como sua colaboradora, foi coautora dos artigos que descreveram o estudo. Nascida em 1899 no estado de Maryland, Estados Unidos, tornou-se um importante figura do movimento feminista. Sua colaboração com o fundador do behaviorismo a estabeleceu como figura relevante na área, com contribuições que, apesar de terem sido ofuscadas, foram fundamentais para o desenvolvimento da psicologia aplicada.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Albert Barger &#039;&#039;&#039;(Pequeno Albert)&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
Aos 11 meses de idade, Albert foi escolhido como objeto de estudo do pesquisador John B. Watson no que ficou conhecido como experimento do “Pequeno Albert”. O bebê foi escolhido devido a sua estabilidade emocional, pois, antes da experiência, não demonstrava nenhuma reação de medo diante dos animais e objetos que seriam utilizados. As pessoas que conviviam com ele afirmaram que o pequeno raramente chorava e quase nunca demonstrava raiva ou medo, demonstrando ser uma criança curiosa e estável.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existem duas teses principais sobre a identidade do Pequeno Albert: a investigação de Hall Beck aponta para Douglas Merritte, que sofria de hidrocefalia e morreu aos 6 anos; já outra vertente identifica a criança como William Albert Barger, que viveu até os 87 anos, falecendo em 2007.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Johns Hopkins University ===&lt;br /&gt;
O experimento do Pequeno Albert foi conduzido na Johns Hopkins University no ano de 1920. A universidade, localizada em Baltimore, Maryland, Estados Unidos, foi a primeira instituição de pesquisa do país, fundada em 1876. Seu corpo docente, pesquisadores e estudantes são conhecidos por terem sido pioneiros em descobertas históricas, sendo uma das principais universidades dos EUA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Reproduções do experimento ==&lt;br /&gt;
O experimento do Pequeno Albert é considerado cruel e antiético por criar uma fobia intencional em um bebê indefeso, causando um trauma duradouro, sem tentativas de reversão por parte dos pesquisadores. Por essa violação de princípios éticos, o experimento não conta com reproduções diretas em seres humanos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Recepção do experimento ==&lt;br /&gt;
A recepção do experimento do “Pequeno Albert” (1920) passou por inúmeros momentos de tensão ao longo dos anos. Inicialmente ele foi considerado um dos experimentos impulsionadores das pesquisas acerca das emoções humanas, um marco importante entre os behavioristas. Com esse estudo, Watson reforçou a ideia de que a psicologia deveria ser baseada em comportamentos observáveis. Entretanto, apesar da aclamada recepção no meio científico, o experimento não foi amplamente divulgado no meio popular. Para os estudiosos da psicologia, esse experimento é um clássico exemplo do condicionamento emocional humano.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de todos os impasses acerca do experimento, a ideia central de Watson de moldar o comportamento humano, acabou ganhando espaço no meio científico com a noção de poder conseguir moldar qualquer criança em qualquer tipo de pessoa devido ao controle do ambiente, o que influenciou diversas formas de abordagem de criação de filhos e práxis educacionais. Entretanto, com o tempo, o experimento passou a ser duramente criticado devido a erros metodológicos e éticos. Na atualidade esse experimento é visto como um marco importante para a psicologia, e usado como um exemplo negativo de má conduta científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
O Experimento do Pequeno Albert é alvo de duras críticas por falhas metodológicas significativas, inconsistências nos resultados e problemas éticos importantes.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Ben Harris (1979) ===&lt;br /&gt;
Harris é o autor da crítica conhecida como “Controvérsia da Fobia”. O autor questiona se o estudo realmente produziu uma fobia consistente, argumentando que a alternância entre tentativas de aquisição e extinção não sustenta a ideia de medo estável. Para Harris, há “pouca evidência de que Albert tenha desenvolvido uma fobia a ratos ou que os animais evoquem seu medo de forma consistente”. Com base nessas falhas metodológicas, ele classifica os resultados como “interessantes, mas não interpretáveis”. Harris também apontou distorções em relatos posteriores, observando que parte delas veio das próprias reformulações de Watson, que teriam alterado ou omitido informações importantes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Franz Samelson (1980) ===&lt;br /&gt;
Samelson critica o método aplicado no caso Albert. O autor destaca que Albert frequentemente colocava o polegar na boca quando chorava, o que reduzia o impacto do estímulo aversivo. A necessidade de remover o polegar introduziu um evento aversivo não controlado, afetando diretamente a interpretação dos resultados. Samelson relembra que o próprio Watson, em 1921, descreveu o estudo como “incompleto” e uma “exposição preliminar de possibilidade”. Com isso, Samelson conclui que o experimento não ultrapassa o status de “interessante piloto”.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Cornwell Hobbs e Prytula (1980) ===&lt;br /&gt;
Esses autores investigaram esse fenômeno e observaram que parte das reações emocionais analisadas era produzida pela retirada do polegar da boca do participante, e não pelo estímulo condicionado.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os autores também indicaram que, com o passar dos anos, ocorreram variações nos dados reportados, o que gerou diferenças entre versões publicadas e interpretações posteriores do experimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fridlund, Goldie, Irons e Beck (2012) ===&lt;br /&gt;
Análises críticas posteriores (como a publicada em 2012) identificaram variáveis cruciais sobre a condição de Albert, que provavelmente era Douglas Merritte. Os pesquisadores concluíram que Albert era, provavelmente, uma criança neurologicamente debilitada, sofrendo de hidrocefalia obstrutiva congênita e déficits neurológicos. Sua passividade e falta de responsividade inicial podem ser atribuídas aos seus déficits, o que coloca em dúvida a adequação dele como participante e a força das conclusões do estudo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Críticas Metodológicas ===&lt;br /&gt;
● O medo que provocou a resposta não está completamente claro, pois o procedimento envolve elementos de punição positiva (o som era contingente ao toque). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
● Alguns críticos sugerem que há pouca evidência de que Albert tenha desenvolvido uma fobia ou que os animais evocaram seu medo de forma consistente. As respostas eram inconsistentes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
● A inconsistência foi exacerbada porque Albert frequentemente usava o chupar o polegar como resposta de esquiva/bloqueio, o que exigia que os experimentadores o removessem para obter a resposta condicionada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Polêmicas ==&lt;br /&gt;
O experimento do &amp;quot;Pequeno Albert&amp;quot; teve uma recepção inicial de grande tensão e debate. Para os behavioristas, representou um marco importante, reforçando a ideia de que a psicologia deveria se basear em comportamentos observáveis e que as emoções poderiam ser condicionadas. Por outro lado, pesquisas históricas indicam que o impacto do behaviorismo de Watson nos EUA não foi imediato e nem amplo como a historiografia sugeria.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Críticas metodológicas de pesquisadores como Harris, Samelson, Hobbs e Prytula, somadas às possíveis revelações sobre a saúde de Albert por Fridlund, Beck e seus colegas, alteraram a percepção atual do experimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Impacto das Críticas Éticas ===&lt;br /&gt;
Atualmente, o experimento é considerado cruel e antiético, uma vez que induziu intencionalmente uma fobia em um bebê indefeso, resultando em trauma duradouro e sem tentativas de reversão. A impossibilidade de desenvolver procedimentos de remoção da resposta (conforme lamentaram Watson e Rayner) e a subsequente possibilidade de identificação de Albert como uma criança neurologicamente debilitada (Fridlund et al.) intensificaram essa crítica ética. Em virtude dessa violação de princípios, o experimento não foi replicado diretamente em seres humanos.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Impacto das Críticas Metodológicas ===&lt;br /&gt;
As críticas de Harris (1979), Samelson (1980), e Cornwell Hobbs e Prytula (1980) acerca da inconsistência das respostas, da contaminação do procedimento pela retirada do polegar e da superestimação da fobia, conduziram a uma reavaliação dos resultados. Isso transformou a percepção do estudo de um &amp;quot;exemplo clássico&amp;quot; para um &amp;quot;exemplo negativo de má conduta científica&amp;quot; e limitou seu status a um &amp;quot;interessante piloto&amp;quot; (Samelson).  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Retratos na mídia ==&lt;br /&gt;
O Experimento do Pequeno Albert, um marco no campo do behaviorismo, ultrapassou o seu contexto científico original para se tornar um significante cultural. A sua premissa central, de que respostas emocionais como o medo podem ser induzidas através do condicionamento, foi amplamente apropriada por diversas formas de mídia, de obras literárias distópicas a jogos. Nestes contextos, o experimento funciona como uma estrutura para explorar questões sobre a plasticidade do comportamento humano, as implicações éticas da experimentação psicológica e a natureza do trauma induzido. Adicionalmente, o interesse público evoluiu para além dos seus resultados científicos, focando-se na investigação histórica sobre a identidade do sujeito e o impacto biográfico do procedimento, refletindo um discurso mais amplo sobre a responsabilidade na prática científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Filmagens do Experimento do Pequeno Albert (1920) ===&lt;br /&gt;
As filmagens mostram a indução e generalização do medo por condicionamento clássico. Associando um rato a um som alto, o estudo fornece subsídios para a tese de que o comportamento e as reações emocionais são essencialmente produtos da aprendizagem e da manipulação ambiental. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Admirável Mundo Novo (1932) ===&lt;br /&gt;
No romance de Aldous Huxley, há referências diretas ao experimento. No mundo criado por Huxley, bebês da casta Delta são condicionados a odiar livros e flores através da associação desses itens a barulhos altos e choques elétricos, uma alusão aos métodos usados com o Pequeno Albert. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Laranja Mecânica (1971) ===&lt;br /&gt;
No filme de Stanley Kubrick, baseado no romance de Anthony Burgess de 1962, o protagonista, Alex, passa por um tratamento chamado &amp;quot;Técnica Ludovico&amp;quot;. Ele é forçado a assistir a filmes violentos enquanto recebe uma droga que o faz sentir-se mal, o que o condiciona a sentir náuseas e dor só de pensar em violência. Essa técnica é uma versão ficcional e extrema dos princípios de condicionamento clássico vistos no experimento do Pequeno Albert. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== The Brain: A Secret History (2010) ===&lt;br /&gt;
A série de documentários da BBC dedicou uma parte do episódio &amp;quot;Finding Little Albert&amp;quot; à busca pela verdadeira identidade da criança do experimento. A produção deu destaque não só aos detalhes do estudo, mas também ao mistério e às questões éticas sobre o destino do menino, o que aumentou o interesse do público pela história por trás da ciência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Control (2019) ===&lt;br /&gt;
No jogo, o Federal Bureau of Control (FBC) funciona como uma alegoria exacerbada do Experimento do Pequeno Albert. A agência estuda como a ressonância paranormal &amp;quot;Hiss&amp;quot;, o equivalente ao som assustador do experimento, condiciona pessoas e objetos, transformando o que era neutro em um gatilho para o terror. Dessa forma, o jogo explora as consequências da ciência sem moral e do terror do condicionamento, aplicando esses conceitos não a um bebê, mas à estrutura da realidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
ARDILA, Rubén. J.B.[http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1808-42812013000100&amp;amp;#x20;019&amp;amp;lng=pt&amp;amp;nrm=iso Watson, a psicologia experimental e o condutismo 100 anos depois]. &#039;&#039;&#039;Estudos e pesquisas em psicologia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro , v. 13, n. 1, p. 312-319, abr. 2013 . &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BISACCIONI, Paola; CARVALHO NETO, Marcus Bentes. [http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1413-389X2010000200&amp;amp;#x20;022&amp;amp;lng=pt&amp;amp;nrm=iso Algumas considerações sobre o &amp;quot;pequeno Albert&amp;quot;]. &#039;&#039;&#039;Temas em psicologia&#039;&#039;&#039;. Ribeirão Preto , v. 18, n. 2, p. 491-498, 2010. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CATANIA, A. Charles. &#039;&#039;&#039;Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição&#039;&#039;&#039;. 4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999. 460 p. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;CONTROL&#039;&#039;&#039;. Desenvolvedora: Remedy Entertainment. Publicadora: 505 Games. Calabasas: 505 Games, 2019. 1 Jogo digital (PlayStation 4). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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HUXLEY, Aldous. &#039;&#039;&#039;Admirável mundo novo&#039;&#039;&#039;. São Paulo: Globo, 10. ed. 2013. 400 p.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi escrito por Bruna Airosa Aguiar, Kauany Marques Bento, Jéssika Christina de Oliveira Mello, Heitor Marques de Oliveira, Lídia Siqueira Coelho e Evellim do Nascimento Luz como exigência parcial para a disciplina História da Psicologia do curso de Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Revisado por Julia Lombardi Carneiro. Criado em 2025.2, Publicado em 2025.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Experimentos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
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