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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Movimento_Antimanicomial&amp;diff=1425</id>
		<title>Movimento Antimanicomial</title>
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		<updated>2024-12-19T20:49:33Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Reformulação do verbete&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Movimento antimanicomial dispôs de seu início no Brasil a partir da Carta de Bauru, elaborada por funcionários na área de saúde mental, reivindicando os direitos humanos, contra a mercantilização da doença e expondo as condições precárias de trabalho no município de Bauru, em São Paulo. Foi idealizada durante o Segundo Congresso de Trabalhadores da Saúde Mental, ao longo dos dias 3 a 6 de dezembro de 1987, possuindo como precursor o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM), iniciado com 350 integrantes.&lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
===A Reforma Psiquiátrica Brasileira===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== A primeira fase (1978-1980) ====&lt;br /&gt;
A Reforma Psiquiátrica Brasileira (RPB) teve início no final da década de 1970, no ano de 1978. Com o enfraquecimento da ditadura militar brasileira (1964-1988) e a crescente insatisfação da população com este regime, a RPB começou a partir de uma crise na Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM). Tal crise teria sido consequência direta de denúncias de irregularidades junto de uma greve por parte dos funcionários (principalmente os não-concursados, isto é, os bolsistas) de quatro unidades de saúde do Rio de Janeiro, no caso, o Centro Psiquiátrico Pedro II, o Hospital Pinel, a Colônia Juliano Moreira e o Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa greve foi deflagrada por uma série de irregularidades trabalhistas, institucionais e médico-assistenciais, consequentemente ganhando o apoio de outras unidades de saúde e de entidades como o Movimento de Renovação Médica (REME) e o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES). Além disso, a greve dos bolsistas também fomentou diversas reuniões organizadas por sindicatos e outras entidades da sociedade civil, o que resultou na organização de Núcleos de Saúde Mental por parte do Sindicato dos Médicos quanto por parte do CEBES.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste momento de crise da DINSAM, surge um dos principais atores políticos (senão o principal) da RPB, o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM), , formado por trabalhadores, sindicalistas, familiares e pessoas com histórico de internações psiquiátricas, sendo considerado os responsáveis pelas propostas de reformulação prático-teóricas do sistema assistencial vigente no saber psiquiátrico da época. Entretanto, o seu surgimento é  marcado por reivindicações heterogêneas, sendo uma delas de ordem trabalhista (regularização legal do trabalho dos bolsistas; aumento de salário; redução de número de consultas por turno) e outra que diz respeito à psiquiatria (crítica à cronificação dos pacientes devido ao sistema manicomial e ao uso de eletrochoque; reivindicação de melhores condições de assistência e de humanização). Nesta fase, o movimento dividiria seus esforços e atenção entre um projeto de transformação da organização corporativa e um projeto de transformação psiquiátrica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguindo os acontecimentos da crise da DINSAM, o MTSM teria sido fundamental para manter o movimento vivo, realizando assim uma série de eventos e reuniões que contaram com a participação de diversas entidades econômicas, médicas e jurídicas. O ponto de partida para a organização desses encontros se deu ainda no ano de 1978, quando houve a realização do V Congresso Brasileiro de Psiquiatria (CBP), conhecido na época por “Congresso de Abertura”, visto que, pela primeira vez, os movimentos de saúde mental participaram de um evento organizado pela [[Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)]], entidade considerada majoritariamente conservadora. A participação dos movimentos de saúde mental, principalmente do MTSM, fez com que o evento tivesse um tom muito mais político, uma vez que consideravam a crise da saúde brasileira um reflexo dos aspectos gerais da política do país, especialmente o funcionamento da ditadura militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguindo as repercussões do V CBP, outros eventos importantes marcaram a primeira fase da RPB. Em 1978, ocorreu o I Congresso Brasileiro de Psicanálise de Grupos e Instituições, que contou com a participação de importantes críticos da psiquiatria tradicional, que era dominante no Brasil, como [[Franco Basaglia]], [[Felix Guattari]], [[Robert Castel]] e [[Erwing Goffman]]. E em janeiro de 1979, ocorreu o I Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental, evento marcado pelo seu forte teor político e por unificar as reivindicações do MTSM em torno da reforma psiquiátrica brasileira. Dessa forma, entendia-se que era necessário transformar as bases políticas da sociedade para transformar a psiquiatria, além de criticar o modelo asilar e a intervenção psiquiátrica como formas de oprimir a população marginalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== A segunda fase (1980-1985) ====&lt;br /&gt;
O segundo momento da Reforma Psiquiátrica Brasileira (RPB) foi marcado tanto pelo crescente atrito entre a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Movimento dos Trabalhadores de Saúde Mental (MTSM), assim como pela crescente institucionalização deste movimento, trazendo assim grandes mudanças para o funcionamento das políticas públicas de saúde do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora o MTSM e a ABP tenham se aproximado a partir do “Congresso de Abertura”, a relação entre os dois grupos passa a se desgastar com a realização do II Encontro Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental, que ocorreu em maio de 1980 no Rio de Janeiro, paralelo ao VI Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Parte do desgaste é atribuído às diferenças políticas entre os grupos, na qual o MTSM seria representativo de uma parcela mais militante e a ABP de uma parcela apolítica. Um exemplo notável do atrito é a crítica que o MTSM faz ao modelo eleitoral da ABP, considerando-o não-democrático por não utilizar o voto direto em suas eleições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a crescente institucionalização do MTSM ocorreu, principalmente, por meio de duas vias. A primeira via diz respeito à substituição do modelo de unidade de serviço pela política de co-gestão interministerial. O antigo modelo era baseado na contratação, feita pela Previdência Social, de hospitais psiquiátricos privados para a realização de serviços de saúde mental, sendo a remuneração proporcional ao número de ações prestadas. Em contrapartida, o novo modelo se baseia em um convênio estabelecido entre o Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) e o Ministério da Saúde (MS), de tal forma que o MPAS auxilie no custeamento, planejamento e avaliação das unidades hospitalares do MS. Por meio disso, possibilitou-se que certas demandas dos movimentos de reforma sanitária e psiquiátrica fossem atendidas, tais como: um sistema público de prestação de serviços como base para a política de saúde do país, regionalização e descentralização dos serviços, e a cooperação interinstitucional. Ademais, a política de co-gestão é considerada precursora de futuras políticas públicas de saúde, também apoiadas pelos movimentos reformistas, como o Conselho Consultivo da Administração de Saúde Previdenciária (CONASP), as Ações Integradas de Saúde (AIS), os Sistema Unificados e Descentralizados de Saúde nos Estados (SUDS) e o Sistema Único de Saúde  (SUS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a política de co-gestão, a relação entre os âmbitos público e privado na compra e venda de serviços foi substituída pela inserção de membros do MTSM nos cargos administrativos públicos, gerando assim uma forte inserção do movimento no aparato estatal. O maior grau de institucionalização atendeu tanto os interesses dos trabalhadores da área de saúde (ocupação de cargos públicos de poder para promover mudanças no sistema de saúde) quanto de certa parte do próprio Estado (absorção do pessoal ligado ao movimento crítico para ganhar legitimidade e amenizar os problemas de um sistema de saúde excessivamente custoso, elitista e privatizante).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda via, que seguiu a mesma direção da política de co-gestão, foi a criação do Conselho Consultivo da Administração de Saúde Previdenciária (CONASP) no ano de 1981. Tal conselho teve como principal objetivo realizar o planejamento e distribuição de recursos financeiros previdenciários para aprimorar a assistência médica, e  contava com a participação, não partidária, de representantes universitários, patronais, governamentais, da  área médica e dos trabalhadores. Tal como a política de co-gestão, o CONASP também fortalecia o modelo público de assistência médica, ao passo em que enfraquecia o modelo privado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar dessas importantes conquistas no segundo momento da RPB, tal fase é considerada um “esquecimento das origens” que deram luz ao movimento. O seu maior grau de institucionalização foi visto como uma contradição direta aos preceitos anti-institucionalizantes endossados pelo MTSM, de tal modo que seus posicionamentos mais radicais fossem deixados de lado em prol de posições reformistas mais parciais, administrativas e tecnocráticas. Em outras palavras, a reflexão crítica sobre a normatização das populações no âmbito da saúde teria perdido espaço para preocupações estritamente administrativas que não seriam capazes de superar o próprio estilo normativo. Desta feita, corria-se o risco de propor reformas que não questionassem o modus operandi  do paradigma psiquiátrico, impossibilitando a construção de novos modelos de atenção, cuidados e, fundamentalmente, de saúde.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== A terceira fase (1985-1992) ====&lt;br /&gt;
O terceiro momento da Reforma Psiquiátrica Brasileira (RPB) é marcado principalmente por uma ruptura no processo de reforma e pelo processo de redemocratização do país. Tal ruptura diz respeito a um processo mais amplo da reforma, que deixa de operar estritamente no campo técnico-assistencial para englobar, articuladamente, mudanças nos âmbitos político-jurídico, teórico-conceitual e sociocultural. Além disso, ocorre uma espécie de “retorno das origens”, no sentido de que a reforma psiquiátrica volta a endossar os preceitos anti-institucionalizantes presentes no seu começo, consequentemente levando ao começo do movimento antimanicomial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos principais marcos dessa ruptura, que marcaria o fim da trajetória sanitarista e o começo da trajetória da desinstitucionalização, foi a organização da I Conferência Nacional de Saúde Mental (CNSM), atravessada por um conflito entre dois lados: de um lado, a Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP); do outro lado, o Movimento dos Trabalhadores de Saúde Mental (MTSM). O primeiro lado gostaria que o evento tivesse um caráter congressual, sendo um encontro científico entre psiquiatras e outros profissionais da saúde mental. Entretanto, essa postura estava de desacordo com a decisão tomada anteriormente na  8ª Conferência Nacional de Saúde (8a CNS), a qual definiu que os eventos tivessem participação popular e de diversos grupos da sociedade civil, além de ter aprovado a realização da CNSM, proposta pelo próprio MTSM. Nesse sentido, a realização da CNSM representaria uma hegemonia completa do MTSM, e a DINSAM, responsável pela organização do evento, empreendeu esforços para postergá-la.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse ínterim, o MTSM passou por um processo de renovação interna. Com a realização do I Congresso de Trabalhadores de Saúde Mental em 1985, originou-se o “Plenário dos Trabalhadores de Saúde Mental”, composto por membros do próprio movimento que estavam insatisfeitos com suas lideranças, excessivamente preocupadas com o poder público e cargos burocráticos do Estado, e que também tinham como intuito fortalecer o comprometimento com dinâmicas participativas e democráticas na saúde mental. Tal divisão no MTSM foi fortalecida no II Congresso de Trabalhadores de Saúde Mental do Estado de São Paulo, considerado um palco para os conflitos entre os membros do MTSM comprometidos com a administração estatal e aqueles comprometidos com essa tendência emergente, e o berço do movimento antimanicomial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desse modo, a vertente do MTSM formada pelo Plenário foi responsável por uma ruptura na organização da  CNSM, especialmente influenciada pelas ideias de Franco Basaglia a respeito de sua noção de desinstitucionalização. Isto é, passa-se a entender que as práticas endossadas pela psiquiatria tradicional, como o internamento e o tratamento moral, são sustentadas pela forma que determinada cultura se organiza. Assim, uma profunda transformação da psiquiatria apenas seria possível a partir de uma mudança radical das bases culturais da sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A CNSM foi realizada em junho de 1987, após diversas pressões feitas pelo MTSM para sua convocação e com certa relutância por parte da DINSAM. O evento foi completamente tomado pelo MTSM e pelas reivindicações do seu Plenário, possibilitando o “reencontro com suas origens” anti-institucionalizantes e tornando-se um ambiente em que discutem suas estratégias, lideranças, princípios políticos e, inclusive, os marcos teóricos da RPB. Nesse sentido, a reforma psiquiátrica afasta-se da reforma sanitária e reaproxima-se de suas origens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A CNSM é considerada um importante marco na história da RPB. Em primeiro lugar, o evento possibilitou certo grau de reunificação do MTSM, visto que tanto os membros mais antigos quantos os do Plenário concordavam a respeito do caráter amplo e democrático do evento, não devendo ser restrito a especialistas da área da saúde. Em segundo, pela renovação teórico-política do MTSM que ocorre a partir de então, como será percebido pelo surgimento do movimento antimanicomial. Em terceiro, por ter demarcado o processo gradual de afastamento do MTSM em relação ao Estado. Por fim, pela aproximação do MTSM com as entidades de usuários e familiares dos serviços de saúde. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como consequência da CNSM e de outros eventos realizados paralelamente pelo MTSM, este passa a buscar formas de organização que não sejam mais dependentes do aparelho estatal e, no âmbito da reforma psiquiátrica, estratégias que intervenham diretamente na sociedade. Nesse sentido, entende-se que a RPB deve procurar estratégias para transformar o sistema de saúde mental para além dos meios burocráticos e administrativos, sendo necessário desconstruir a maneira pela qual as instituições lidam com o sofrimento psíquico e, além disso, encaminhar discussões a respeito da loucura e da psiquiatria para a própria sociedade, numa espécie de ação sociocultural. É nesse contexto em que é consolidado o mote “por uma sociedade sem manicômios”, demarcando a ruptura política e epistemológica do movimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O Movimento Antimanicomial===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Antecedentes ====&lt;br /&gt;
Em São Paulo, no final de 1950, o Hospital Psiquiátrico do Juqueri continuava sendo o grande centralizador de pacientes, totalizando 13.019 internos, chegando ao número de 14.393 em 1965. Os hospícios, hospitais e colônias tinham como características a superlotação, deficiência de pessoal, maus-tratos, condições de hotelaria tão más ou piores quanto as de presídios. No período seguinte ao golpe militar de 1964, predominava a medicina previdenciária e implantou-se uma rede de assistência psiquiátrica privada conveniada com o poder público, o que gerou grande lucro para a iniciativa privada. De acordo com Amarante (1995), os empresários do setor privado enxergavam na psiquiatria a possibilidade de estabelecer uma área de serviço de fácil montagem, sem necessidade de tecnologia sofisticada ou pessoal qualificado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um contexto de instabilidade e crise econômica e política da ditadura, começam a aparecer uma série de movimentos pela reformulação da Atenção em Saúde Mental no Brasil. Esses movimentos são realizados principalmente por trabalhadores do setor. Destacava-se o crescimento da Psiquiatria Preventivista tanto no âmbito institucional, com a criação da Divisão Nacional de Saúde Mental, quanto no âmbito acadêmico. Em 1970, ocorreu em São Paulo o I Congresso Brasileiro de Psiquiatria, promovido pela Associação Brasileira de Psiquiatria. No evento foi lançada a Declaração de princípios de saúde mental, em que se pôde observar o predomínio dessa corrente de pensamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, o que se observa nos anos seguintes é que pouco do que foi proposto no intuito de viabilizar uma prática psiquiátrica comunitária, preventiva, extra-hospitalar e terapêutica foi colocado em prática, e a política de privilégio da assistência psiquiátrica privada continuou se destacando.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== O movimento antimanicomial na reforma psiquiátrica brasileira ====&lt;br /&gt;
Ao longo dos anos 80, o Movimento da Reforma Psiquiátrica se aproxima cada vez mais de pautas sociais e caminha rumo à humanização da assistência. Em 1987, aconteceu a 1ª Conferência Nacional de Saúde Mental, organizada pela Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde, realizada no Rio de Janeiro. No mesmo ano é inaugurado o primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Prof. Luis Da Rocha Cerqueira, em São Paulo, e do primeiro Núcleo de Atenção Psicossocial (NAPS) em Santos, &amp;quot;pioneiros enquanto serviços alternativos à internação e ao tratamento psiquiátricos convencionais&amp;quot; (Amarante, 2001). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentro desse contexto, o movimento antimanicomial constitui-se como um conjunto (plural) de atores, cujas lutas e conflitos vêm sendo travadas a partir de diferentes dimensões sócio-político-institucionais. Trata-se de um movimento que articula, em diferentes momentos e graus, relações de solidariedade, conflito e de denúncias sociais, tendo em vista as transformações das relações e concepções pautadas na discriminação e no controle do &amp;quot;louco&amp;quot; e da &amp;quot;loucura&amp;quot; em nosso país. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O marco do movimento antimanicomial começa no II Congresso de Trabalhadores da Saúde Mental, que aconteceu em Bauru nos dias 3 a 6 de dezembro de 1987. A escolha de Bauru como cidade sede do Congresso se deu porque, naquela época, havia na política municipal uma conjuntura progressista envolvida com a causa. O evento é considerado um importante momento histórico, pois foi a primeira manifestação brasileira pública pelo fim dos manicômios, manifestação que foi materializada pelo publicação da carta de Bauru, documento de fundação do movimento. No documento, rompem definitivamente com práticas de exclusão e violência que haviam se institucionalizado e se colocam contra a mercantilização da loucura. O movimento defende que o Estado passe a considerar o doente mental como sujeito de direito, isto é, que tenham capacidade de reivindicar e enunciar direitos como qualquer cidadão.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir disso, o MTSM, que até então possuía um caráter mais corporativista, neste momento inclui os usuários, familiares e pesquisadores. Gradativamente, vai adquirindo um caráter social e político e se preocupa com a condição do indivíduo, tornando-se de fato uma luta antimanicomial. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1989, o deputado Paulo Delgado (PT-MG) apresentou o projeto de lei nº 3.657/89, que viria a ser conhecido como a Lei da Reforma Psiquiátrica. O projeto se estruturava em três artigos: o primeiro impedia a construção ou a contratação de novos hospitais psiquiátricos pelo poder público; o segundo previa o direcionamento dos recursos públicos para a criação de &amp;quot;recursos não-manicomiais de atendimento&amp;quot;; e o terceiro obrigava a comunicação das internações compulsórias à autoridade judiciária. Depois de aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto completou onze anos de substitutivos e postergações no Senado para em 1999 voltar à Câmara já como projeto substitutivo para nova rodada de negociações, aprovação final e homologação pelo Presidente da República em abril de 2001.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos anos 1990, o MTSM consolida essa união com os movimentos sociais e incorpora o Movimento da Luta Antimanicomial, sociedade civil, corporações da área, usuários, familiares, universidades, aparelhos formadores e outros. Nesse período, também decorrem algumas tensões dentro do movimento, e ideias e reivindicações dos usuários da assistência psiquiátrica e seus familiares e da militância da Luta Antimanicomial embatem com as pautas da classe de trabalhadores da saúde mental. Em 1992, ocorreu a II Conferência Nacional de Saúde Mental, em Brasília, e os debates giraram em torno dessas divergências. O resultado foi proveitoso e o relatório final da conferência foi adotado como diretriz oficial para a reestruturação da atenção em saúde mental no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos anos 2000, aconteceram os avanços políticos mais significativos da Reforma Psiquiátrica Brasileira e do movimento antimanicomial, com a expansão da rede comunitária e do controle dos hospitais, onde as Portarias 336 e 189 expandem os CAPS e duas portarias, 106 e 1.220, ambas de 2000, instituem os &amp;quot;serviços residenciais terapêuticos (SRT)&amp;quot;. Começa assim a grande era da política de saúde mental no Brasil, onde a equipe coordenada por Pedro Gabriel Delgado lidera de forma competente os interesses da Reforma Psiquiátrica, por uma década. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2001, após a nova Lei 10.216/2001, aconteceu a III Conferência Nacional de Saúde Mental, em Brasília, com grande participação popular e democrática, com mais de dois mil participantes, convidados e testemunhas nacionais e internacionais, onde se pôde ratificar e criticar elementos contidos na Lei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Progressos jurídicos do movimento antimanicomial ===&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;1990&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprovação da Lei Orgânica de Saúde - Lei nº 8.080: &amp;quot;Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lei 8.142: &amp;quot;Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS} e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;1991&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Portaria nº 189: Foi reformulada a transferência de recursos financeiros até então vinculados à internação e ao atendimento ambulatorial. A Secretaria Nacional de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde modificou a remuneração das internações hospitalares, estabelecendo número máximo de diárias por AIH (Autorização de Internação Hospitalar), e contemplou novos procedimentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inspirado nas experiências dos NAPS de Santos e do CAPS de São Paulo, a Coordenação Nacional de Saúde Mental edita a portaria 189/91 para viabilizar a construção dos serviços de atenção psicossocial no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;1997&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi criada a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CFP) em 7 de agosto de 1997. A partir de 1998, foram criadas as Comissões de Direitos Humanos nos Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs) com o objetivo de estudar os múltiplos processos de exclusão enquanto fonte de produção de sofrimento mental, evidenciando não apenas seu modo de produção sócio-econômico como também os efeitos psicológicos que constituem sua vertente subjetiva, intervir em situações concretas onde existam violações dos direitos humanos que estejam produzindo sofrimento mental; participar ativamente das lutas pela garantia dos direitos humanos na sociedade brasileira e intervir em situações em que ações do Estado ou de setores sociais específicos produzam algum tipo de sofrimento mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;2001&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 6 de abril de 2001, o Congresso Nacional decretou e a Presidência sancionou a Lei 10.216. A aprovação ocorreu na forma de um substitutivo do Projeto Paulo Delgado, baseado na Lei Basaglia, da Reforma Psiquiátrica italiana. Em seu formato original, o projeto tramitou por 12 anos no Congresso Nacional. A lei dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtorno mental, mas não institui mecanismos precisos direcionados à progressiva extinção dos manicômios. É criada a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Essa nova rede tornou o cuidado em liberdade um direito constitucional. Ela é composta por vários serviços, como as Unidades Básicas de Saúde, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a Unidade de Urgência e Emergência e a Unidade de Pronto Atendimento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;2002&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma série de normatizações do Ministério da Saúde instituiu mecanismos para a redução dos leitos psiquiátricos em todo o Brasil. Há de se destacar o Programa Nacional de Avaliação do Sistema Hospitalar/Psiquiatria (PNASH/ Psiquiatria) e o Programa Anual de Reconstrução da Assistência Hospitalar Psiquiátrica no SUS (PRH).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;2003&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Presidente da República assina a Lei n. 10.708 instituindo o auxílio-reabilitação psicossocial para pacientes acometidos de transtornos mentais, egressos de internações. Essa lei, conhecida como &amp;quot;Lei do Programa de Volta para a Casa&amp;quot;, impulsiona a desinstitucionalização de pacientes com longo tempo de permanência em hospital psiquiátrico, pela concessão de auxílio-reabilitação psicossocial e inclusão em programas extra-hospitalares de atenção à saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;2011&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Portaria Nº 3.088 - &amp;quot;Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).&amp;quot; Define projeto das práticas da rede de atenção psicossocial, define modalidade de CAPS e recursos para pensar na substituição do hospital psiquiátrico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Decreto Nº 7.508 -  Regulamentação da Lei nº 8.080, visou a transparência e segurança jurídica na gestão do SUS. &amp;quot;Regula a estrutura organizativa do SUS, o planejamento de saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa, dentre outros&amp;quot;.&lt;br /&gt;
==Reuniões e congressos==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;1987&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# I Conferência Nacional de Saúde Mental. Iniciada apenas por caráter técnico, essa conferência foi uma recomendação dada na 8ª Conferência de Saúde, realizada no ano anterior. &lt;br /&gt;
# II Congresso Nacional do Movimento dos Trabalhadores. Ocorrido em Bauru, o congresso apresentou duas principais modificações no contexto da saúde: maior participação de familiares, sendo o indivíduo o protagonista; e a conscientização da sociedade. Esse foi o marco da fundação do Movimento da Luta Antimanicomial no Brasil. Nesse momento foi instituído o dia 18 de maio como o “Dia Nacional da Luta Antimanicomial”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;1993&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Movimento Nacional da Luta Antimanicomial (MNLA). Com o lema ‘O Movimento Antimanicomial como movimento social’, foi o primeiro encontro no âmbito nacional, ocorrido na cidade de Salvador, Bahia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;1995&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# II Encontro Nacional da Luta Antimanicomial. Debatendo a exclusão, suas formas e consequências, o evento aconteceu em Belo Horizonte (MG), possuindo como lema ‘Cidadania e Exclusão’. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;1997&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# III Encontro Nacional da Luta Antimanicomial. Realizado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, o evento obteve como objetivo o planejamento de medidas com a finalidade de reinserir os portadores de doença mental na sociedade.&lt;br /&gt;
# I Encontro Estadual do Rio Grande do Norte. Com grande notoriedade no movimento, esse evento ocorrido entre os dias 16 a 18 de maio em São José de Mipibú propunha a necessidade de análise da necessidade do indivíduo, o colocando como protagonista do tratamento. Contou com a participação de técnicos, profissionais da área da saúde, estudantes de psicologia e enfermagem, familiares, usuários e convidados de outros estados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;1999&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# IV Encontro Nacional da Luta Antimanicomial. Realizado entre os dias 22 a 26 de setembro na cidade de Paripuera, em Alagoas, apontava para ‘novas formas de produção de sentido’, possuindo como tema central uma homenagem ao trabalho de [[Nise da Silveira]]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;2001&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# V Encontro Nacional da Luta Antimanicomial. Apresentando a crise do movimento, o evento aconteceu em Miguel Pereira, no Rio de Janeiro, e possuía como a principal problemática o crescimento da associação sem o preparo técnico e informativo necessário, ocasionando na paralisia de pautas importantes e em debates inconsistentes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;2004&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# I Encontro Nacional da Rede Nacional Internúcleos de Luta Antimanicomial (RENILA). Realizado em dezembro, no Estado do Ceará, visava a associação de profissionais, usuários e familiares, bem como a instauração de espaços e fóruns abertos para discussão. (***)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;2009&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Marcha dos Usuários. Preconizando a Reforma Psiquiátrica Antimanicomial, o evento foi organizado pela RENILA e ocorreu em Brasília. Há também uma relação direta com a IV Conferência Nacional de Saúde Mental. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;2011&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Frente Estadual Antimanicomial de São Paulo. Surgida a partir da organização da IV Conferência Nacional de Saúde Mental, seu principal objetivo era a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;2012&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Frente Nacional pela Cidadania, Dignidade e Direitos Humanos na Política Nacional sobre Drogas. Organizada em fevereiro em repúdio ao episódio de violência policial contra usuários de crack e moradores em situação de rua, evidenciava também o desalinho do Ministério da Saúde em relação à Reforma Psiquiátrica. &lt;br /&gt;
# Ocupe a Assembleia Legislativa (Ocupe-Alesp). Ato que propunha a criação de uma Frente Parlamentar Antimanicomial, realizado em maio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Membros importantes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;José Gualberto Tuga&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nascido em Mococa, estado de São Paulo, ingressou na Faculdade de Psicologia da Fundação Educacional de Bauru (SP) em 1969, concluindo o curso em 1973. No ano seguinte iniciou o mestrado em psicologia na Western Michigan University, concluindo-o em 1976. Após extensa carreira política, atuou como prefeito em 1987 na cidade de Bauru, palco do II Congresso Nacional de Trabalhadores em Saúde Mental e do nascimento da Carta de Bauru. A escolha de Bauru como cidade sede do Congresso se deu, especialmente, pelo posicionamento progressista de José e seu envolvimento com a causa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Marcus Vinicius de Oliveira Silva&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Graduado em Psicologia pela Fundação Mineira de Educação e Cultura (1982), era professor adjunto aposentado do Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Foi  também militante da Reforma Psiquiátrica no Brasil, interessando-se ainda pela Clínica das Psicoses e pelo estudo das desigualdades sociais e subjetividade. Integrou o Conselho Federal de Psicologia e foi coordenador do Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) entre os anos de 2004 e 2007. No Conselho Nacional de Saúde (CNS) participou da Comissão Nacional de Saúde Mental, como representante do Fórum Nacional de Trabalhadores de Saúde (FENTAS). Foi, ainda, integrante da Comissão Nacional de Reforma Psiquiátrica de 1994 a 1997. Infelizmente, Marcus foi assassinado em 2016 no povoado de Pirajuía, município de Jaguaripe, no Recôncavo baiano. Acredita-se que a motivação do crime teria sido a luta do psicólogo em defesa das populações mais vulneráveis em sua comunidade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Paulo Delgado&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Natural de Lima Duarte, Minas Gerais; Sociólogo, Pós-Graduado em Ciência Política, Professor Universitário, Deputado Constituinte em 1988, exerceu mandatos federais até 2011. Consultor de Empresas e Instituições. Colunista semanal dos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas. Articulista regular do jornal O Estado de S. Paulo. Presidente do Núcleo de Sociologia e Política do Conselho de Economia, Sociologia e Política da Fecomercio São Paulo. Em 1989, inspirado pelas ideias da Dra. Nise da Silveira, apresentou o projeto de lei “extinguindo progressivamente os manicômios e regulamentando a internação psiquiátrica compulsória”, baseado na experiência anterior de Franco Basaglia. Ao elaborar o projeto, recebeu a ajuda do irmão, o psiquiatra Pedro Delgado, defensor dos direitos do paciente mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Paulo Amarante&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Natural de Colatina, especializou-se em psiquiatria no Rio de Janeiro e se tornou um dos pioneiros do movimento no Brasil. Foi Presidente Nacional do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES), do qual foi editor da Revista Saúde em Debate. Foi representante eleito do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial na Comissão Intersetorial de Saúde Mental do Conselho Nacional de Saúde. É Mestre em Medicina Social, Doutor em Saúde Pública com Estágio de Doutorado em Trieste (Itália) sob supervisão de Franco Rotelli. Fez estágio de Pós-doutorado em Imola (Itália) sob a supervisão de Ernesto Venturini. É Doutor Honoris Causa da Universidade Popular das Madres da Plaza de Mayo. É autor e organizador de vários livros, dentre eles &amp;quot;Teoria e Crítica em Saúde Mental - Textos Selecionados&amp;quot;, &amp;quot;Loucos pela vida – A trajetória da Reforma Psiquiátrica no Brasil&amp;quot;, &amp;quot;O Homem e a serpente – Outras histórias para a loucura e a psiquiatria&amp;quot;; &amp;quot;Psiquiatria Social e Reforma Psiquiátrica&amp;quot;, &amp;quot;Archivos de Saúde Mental e Atenção Psicossocial&amp;quot; 1 e 2, &amp;quot;Ensaios: subjetividade, Saúde Mental, Sociedade&amp;quot;, &amp;quot;Saúde Mental e atenção Psicossocial&amp;quot;, &amp;quot;Saúde Mental Formação e Crítica&amp;quot;, &amp;quot;Psiquiatria sem Hospício&amp;quot;, &amp;quot;Saúde Mental Políticas e Instituições&amp;quot;, &amp;quot;Lugares da Memória&amp;quot;, &amp;quot;Teoria e Crítica em Saúde Mental&amp;quot;, dentre outros . Foi fundador e Presidente Nacional da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME) e em 06 de junho de 2015 foi eleito Presidente de Honra da mesma. É membro do Grupo de Trabalho em Saúde Mental da Abrasco do qual foi Vice-Presidente.  Professor e Pesquisador Titular e ex-Coordenador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS) da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/FIOCRUZ).&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)]]&lt;br /&gt;
* [[Erwing Goffman]]&lt;br /&gt;
* [[Felix Guattari]]&lt;br /&gt;
* [[Franco Basaglia]]&lt;br /&gt;
* [[Hospital Colônia de Barbacena|Hospital Psiquiátrico de Barbacena]]&lt;br /&gt;
* [[Nise da Silveira]]&lt;br /&gt;
* [[Paulo Amarante]]&lt;br /&gt;
* [[Robert Castel]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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# SANTOS, Marcus Vinícius do Amaral Gama. [http://pos.eicos.psicologia.ufrj.br/wp-content/uploads/Marcus-Santos-Dissertacao-de-Mestrado.pdf &#039;&#039;&#039;História whig, história da psicologia e história da psiquiatria:&#039;&#039;&#039; investigando a revolução behaviorista e a reforma psiquiátrica brasileira]. Rio de Janeiro, 2023. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2023. &lt;br /&gt;
# SOUZA, J.; KANTORSKI, L.; PINHO, L. Reforma psiquiátrica, movimento antimanicomial e o modelo de reabilitação psicossocial-conversando sobre liberdade e cidadania. &#039;&#039;&#039;Rev. enferm. UFPE on line&#039;&#039;&#039;, p. 760-766, 2009.&lt;br /&gt;
# YASUI, S. Rupturas e encontros: desafios da Reforma Psiquiátrica brasileira. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links externos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# [https://bvsms.saude.gov.br/ultimas-noticias/2721-18-5-dia-nacional-da-luta-antimanicomial-2 Dia Nacional da Luta Antimanicomial]&lt;br /&gt;
# [https://www.youtube.com/watch?v=cvjyjwI4G9c Documentário &amp;quot;Em nome da razão&amp;quot;]&lt;br /&gt;
# [https://www.youtube.com/watch?v=y6yxGzlXRVg&amp;amp;has_verified=1 Documentário &amp;quot;Holocausto Brasileiro&amp;quot;]&lt;br /&gt;
# [https://www.youtube.com/watch?v=KvfefcIlVj8 Documentário &amp;quot;O direito achado na rua&amp;quot;]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Lorena da Motta Diniz, Marina Batista Ferrão e Matheus Teixeira Pereira Proença, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2020.2, publicado em 2021.1&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verbete reformulado por Gunther Mafra Guimarães no período em que foi bolsista PROEX-UFF, tendo assim recebido financiamento para realizar tal tarefa. Publicado em 2024.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instituições e Coletivos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Wilhelm_Wundt&amp;diff=1424</id>
		<title>Wilhelm Wundt</title>
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		<updated>2024-12-19T15:45:07Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções ortográficas e gramaticais; Identificação de nomes a história da psicologia; Implementação da seção &amp;quot;ver também&amp;quot; com tais nomes; Verificação, atualização e adição de links na seção &amp;quot;Referências&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O alemão Wilhelm Maximilian Wundt nasceu no dia 16 de agosto de 1832 em Neckarau, e morreu no dia 31 de agosto de 1920 em Grossbothen, perto de Leipzig. Wundt foi médico, fisiologista, filósofo, professor e psicólogo. Ele geralmente é conhecido como o “pai da psicologia Experimental”, sendo considerado uma das figuras precursoras da psicologia moderna pelos manuais de psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Arquivo:Wilhelm Wundt.jpg|alt=Wilhelm Wundt|miniaturadaimagem|Wilhelm Wundt]]&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
===Início da vida===&lt;br /&gt;
Wilhelm Maximilian Wundt nasceu no dia 16 de agosto de 1832 em Neckarau, próximo a Mannheim e morreu no dia 31 de agosto de 1920, aos 88 anos, em Grossbothen. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seus pais eram Maximilian Wundt e Maria Friederike Arnold Wundt. Em 1867, perto de Heidelberg, Wundt conheceu Sophie Mau (1844-1912). Casaram-se no dia 14 de agosto de 1872 em Kiel. O casal teve três filhos: Eleanor (*1876-1957), que se tornou assistente do seu pai de muitas maneiras, Louise, chamada Lilli, (*1880-1884) e de: Max Wundt (*1879-1963), que se tornou professor de filosofia. Em relação a seus pais, seu pai era um ministro Luterano e sua mãe era a pessoa responsável por sua educação. Receberam também o apoio de sua família materna com despesas educacionais por seres levemente endinheirados. A família paterna majoritariamente seguiu uma vida religiosa, mesmo possuindo elevada educação. Por um tempo, Wundt sofreu certa pressão para fazer teologia, já que seu irmão mais velho decidiu não seguir esse rumo e alguém precisaria dar continuidade às gerações de pastores. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando tinha em torno de 4 ou 6 anos, Wundt e sua família se mudaram para a cidade rural chamada Heidenheim. Durante 2 anos, ele frequentou uma escola local e depois foi educado pelo vigário de seu pai. Ele acabou se apegando tanto ao seu tutor que chegou a se mudar junto com o professor para continuar seus estudos até os 13 anos. Em 1845, ele entrou para um colégio interno em Bruchsal e não conseguiu se adaptar, não fez amigos e tinha péssimo rendimento escolar. Ao final do ano escolar, ele foi mandado para o &#039;&#039;gymnasium&#039;&#039; em Heidelberg para estudar com seu irmão mais velho. No entanto, durante esse período o seu pai faleceu. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos 19 anos se formou no &#039;&#039;gymnasium&#039;&#039; em Heidelberg e precisava decidir o que fazer de sua vida. Não cogitava seguir a tradição de sua família paterna, pois não gostava da ideia de ser pastor, mas também não lhe agradava a ideia de ser professor por não gostar do ambiente escolar. E mesmo gostando da carreira literária, sabia que precisava de recursos financeiros que sua mãe não poderia bancar. Sendo assim, decidiu pedir ajuda de sua família materna, mas para conseguir seu apoio era necessário que ele escolhesse uma área que eles aprovassem. Sua carreira acadêmica iniciou-se em Tubingen e terminou em Leipzig, mas isso não significa que durante suas passagens e aposentadoria ele deixou de estudar e produzir conteúdos que foram de extrema importância na época.&lt;br /&gt;
===Tubingen (1851-52)===&lt;br /&gt;
Aos 19 anos, Wundt ingressou na Universidade de Tübingen para cursar medicina, onde o seu tio Friedrich Arnold (1803 -1890) lecionava fisiologia e anatomia. Após um ano, o seu tio foi nomeado diretor do instituto de anatomia de Heidelberg, e Wundt foi junto. &lt;br /&gt;
===Heidelberg (1852-73)===&lt;br /&gt;
Quando Helmholtz se mudou para Berlim em 1871, Wundt não o substituiu em Heidelberg. Atuou como médico no exército na Guerra Franco-Prussiana nesse período. Entre 1873-4 publicou &#039;&#039;Grundzüge der physiologischen Psychologie [ger]; Basic principles of physiological psychology [eng]; Principais características da psicologia fisiológica [pt].&#039;&#039;&lt;br /&gt;
===Zurique (1874)===&lt;br /&gt;
Em 1874, Wundt assumiu a cadeira de “filosofia indutiva” em Zurique. Permaneceu em Zurique apenas um ano antes de receber uma nomeação para &amp;quot;uma cadeira de filosofia de primeira classe em Leipzig em 1875&amp;quot;. &lt;br /&gt;
===Leipzig (1875-1904)===&lt;br /&gt;
A cadeira de filosofia estava vaga, então foi oferecida ao renomado filósofo alemão Kuno Fischer (1824-1907) que recusou, pois estava em Heidelberg e não aceitou o convite; posteriormente, a cadeira foi dividida em duas partes, sendo uma parte ligada às ciências humanas e a outra às ciências naturais. Antes de Wundt duas pessoas desconhecidas foram cotadas a ocupar a vaga, porém, Wundt foi indicado e apoiado pelo astrônomo Friedrich Zöllner (1834-1882), que o havia conhecido em Zurique – a assumir a parte da filosofia mais ligada às ciências naturais. Com isso, Wundt estreou em Leipzig em 1875, como professor de filosofia. Antes do laboratório oficial - fundado em 1879 - Wundt já detinha uma pequena sala onde guardava seus instrumentos experimentais, mas só passou a ter notoriedade em 1879. Contudo, apenas em 1883 que houve a oficialização do Instituto Experimental de Psicologia, sendo assim, reconhecido como parte da Universidade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1881, foi criado o primeiro jornal voltado para a publicação dos experimentos que eram feitos no laboratório sobre psicologia experimental: Philosophische Studien (&#039;&#039;Philosophical Studies&#039;&#039;).Outro ponto interessante é, como os estudantes de medicina precisavam compreender a psicologia, passaram a ser orientados por Wundt, que sobretudo era um médico, fisiologista, estimulando assim os estudantes, que se afastaram do teor mais filosófico que era empregado nos conceitos psicológicos. Para além de Leipzig, Wundt influenciou diversos estudantes de outros países, contribuindo para a expansão da psicologia como disciplina e a elaboração de novos laboratórios voltados à psicologia experimental, no mesmo modelo wundtiano. Virou reitor da universidade de Leipzig em 1889-90. Se aposentou em 1917, sendo substituído pelo seu aluno Felix Krueger (1874-1948). &lt;br /&gt;
===Adendo===&lt;br /&gt;
É interessante citar grandes nomes como [[Ernst Heinrich Weber]] (1795-1878) e [[Gustav Theodor Fechner]] (1801-1887) que haviam iniciado pesquisas sobre psicologia sensorial e psicofísica na universidade de Leipzig, que posteriormente, de forma indireta, influenciaram para que Wundt proclamasse , alguns anos depois, uma &amp;quot;nova psicologia&amp;quot;. &lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
Sua contribuição mais conhecida é a fundação do primeiro laboratório de psicologia experimental em Leipzig (1879), mesmo que atualmente esse pioneirismo seja discutível devido a possibilidade de outros laboratórios anteriores ao dele. Dessa forma, a relevância do Laboratório de Leipzig foi construída devido sua popularidade como maior centro de formação da época, o qual atraiu estudantes de diversos países que depois fundaram ou conduziram novos laboratórios seguindo o modelo wundtiano. Como por exemplo o Armand Thiéry (1868-1955), o qual gerenciou investigações segundo os moldes de Wundt no Laboratório de Psicologia Experimental de Louvain a partir de 1894. Além de Thiéry, Wundt ensinou outros grandes nomes como [[Oswald Külpe]] (1862-1915), [[Emil Kraepelin]] (1856-1926), [[Hugo Münsterberg]] (1863-1916), [[Edward Titchener]] (1867-1927), [[James McKeen Cattell]] (1860-1944), [[Vladimir Bekhterev]] (1857-1927), [[James Rowland Angell]] (1869-1949) e [[Charles Spearman]] (1863-1945). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como consequência da fundação de seu laboratório, ainda no ano de 1879, conquistou-se a independência da psicologia das áreas de filosofia e biologia na Universidade de Leipzig, fazendo com que se tornasse uma disciplina autônoma com seus próprios recursos. Por meio dessa conquista, Wundt tornou-se o primeiro a ser chamado de psicólogo. &lt;br /&gt;
==Teoria==&lt;br /&gt;
===Fisiologia===&lt;br /&gt;
Durante os anos de Heidelberg de 1853 a 1873, Wundt publicou numerosos ensaios sobre fisiologia, particularmente sobre neurofisiologia experimental, um livro-texto sobre fisiologia humana (1865, 4ª ed. 1878) e um manual de física médica (1867). Ele escreveu cerca de 70 resenhas de publicações atuais nas áreas de neurofisiologia e neurologia, fisiologia, anatomia e histologia. Uma segunda área de trabalho foi a fisiologia sensorial, incluindo percepção espacial, percepção visual e ilusões óticas. Uma ilusão óptica descrita por ele é chamada de ilusão Wundt, uma variante da ilusão Hering. Ela mostra como linhas retas aparecem curvas quando vistas contra um conjunto de linhas radiantes. &lt;br /&gt;
===Psicologia de Wundt===&lt;br /&gt;
A psicologia de Wundt é considerada empírica, onde seu objeto de estudo é a experiência mediata ( objetivo) e imediata (subjetivo). A experiência mediata abstrai o sujeito da própria experiência e o coloca em uma posição passiva em relação ao mundo exterior (objetos), enquanto que a experiência imediata investiga e considera todos os aspectos subjetivos do sujeito na experiência, mundo interior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Figueiredo (1997. p .13), “A &amp;quot;experiência imediata&amp;quot; seria o resultado de processos de síntese criativa, em que a subjetividade se manifesta como vontade, como capacidade de criação”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Wundt expõe a possibilidade de se fazer uma dupla ciência empírica: ciências naturais, que se encarregam da experiência mediata, que são os objetos do mundo exterior; e a psicologia, que tem como objeto toda experiência imediata. Apesar de parecerem duas experiências distintas, elas se complementam, abrangendo a experiência num todo, diferem-se apenas no modo de serem considerados. A investigação das experiências era feita pelo método do experimento e observação. Com o primeiro, Wundt procura analisar em situações controladas de laboratório os processos mentais mais simples da consciência como sensações, percepções, atenção, etc. No livro dos &#039;&#039;Elementos de psicologia fisiológica&#039;&#039; (Wundt, 1874), um dos seus livros mais famosos, é possível ver os resultados. O método de observação apreende fenômenos ou objetos sem que haja intervenção por parte do observador. Os processos mais complexos dos processos inconscientes que são responsáveis pela imaginação, criação, pensamento, foram compreendidos por Wundt através da análise de fenômenos culturais, como linguagem, religião, mitos, costumes, etc. Na sua extensa obra &#039;&#039;Völkerpsychologie&#039;&#039; (1900-1920), Wundt expõe de forma detalhada sobre a psicologia dos povos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Araújo (2009. p. 12-13), enfatiza que “a psicologia tem como tarefa investigar de forma complementar os processos psicológicos individuais (psicologia experimental) e os produtos culturais coletivos - como a linguagem, os mitos e a religião (psicologia dos povos - &#039;&#039;Völkerpsychologie&#039;&#039;) - para que a mente possa ser compreendida em todos os seus aspectos. Tomada isoladamente, a psicologia experimental perde a sua significação mais profunda”.&lt;br /&gt;
===Psicologia dos povos (&#039;&#039;Völkerpsychologie&#039;&#039;)===&lt;br /&gt;
A psicologia dos povos de Wundt utiliza o método observacional, sem a interferência de um experimentador, equiparando-se com estudos antropológicos e filológicos. Em contraste com a psicologia individual - que utiliza de métodos experimentais - a psicologia cultural visa ilustrar as leis gerais de desenvolvimento mental que regem os processos intelectuais superiores: o desenvolvimento do pensamento, linguagem, imaginação artística, mitos, religião, costumes, a relação dos indivíduos com a sociedade, o ambiente intelectual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1900 e 1920, Wundt escreveu dez volumes referentes a sua psicologia social ( &#039;&#039;Völkerpychologie).&#039;&#039; Os dez volumes consistem em : Linguagem (Vols. 1 e 2), Arte (Vol. 3), Mitos e Religião (Vols. 4 - 6), Sociedade (Vols. 7 e 8), Direito (Vol. 9), assim como Cultura e História (Vol. 10). A metodologia da psicologia cultural foi descrita principalmente mais tarde, em Logik (1921).&lt;br /&gt;
==Cronologia biográfica==&lt;br /&gt;
1832: Nasceu dia 16 de Agosto em Neckarau/Mannheim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1845: Entrou no Bruchsal Gymnasium. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1851-1852: Estudou medicina em Tübingen. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1852-1855: Estudou medicina em Heidelberg. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1853: Primeira publicação &amp;quot;sobre o teor de cloreto de sódio da urina&amp;quot;.  1855: assistente médico numa clínica de Heidelberg. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1856: Semestre de estudo com J. Müller e DuBois-Reymond em Berlim; doutoramento em medicina em Heidelberg; habilitação como Dozent em fisiologia; doença quase fatal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1857-1864: Privatdozent no Instituto de Fisiologia, Heidelberg &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1858: Beiträge zur Theorie der Sinneswahrnehmung; Helmholtz torna-se diretor do Instituto de Fisiologia de Heidelberg &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1862: Primeiras palestras em psicologia &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1863: Vorlesungen über die Menschen- und Tierseele (leituras sobre a alma humana e animal - tradução livre) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1864: Fez ausserordentliche Professor; palestras sobre psicologia fisiológica (publicado como Wundt 1873-4 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1870-1871: Não é nomeado sucessor de Helmholtz em Heidelberg; médico do Exército na Guerra Franco-Prussiana &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1873-1874: Publica Grundzüge der physiologischen Psychologie.  1874: chamado a Zurique para a cadeira de &amp;quot;filosofia indutiva&amp;quot;;  1875: chamado a Leipzig como professor &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1879: Funda o Institut für Experimentelle Psychologie em Leipzig; nascimento do filho Max.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1881: Fundada a Philosophische Studien &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1880-1883: Logik, 2 vols. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1886: Ethik, 3 vols. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1889: System der Philosophie, 2 vols. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1889-1890: Reitor da Universidade de Leipzig &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1904: Völkerpsychologie, 2 vols. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1917 Se aposenta; É substituído pelo seu aluno Felix Krueger (Sluga 1993: 95) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1920: Morre aos 88 anos, no dia 31 de agosto em Grossbothen, perto de Leipzig &lt;br /&gt;
==Seguidores==&lt;br /&gt;
Edward B. Titchener era o mais famoso aluno de Wundt em Leipzig, sendo um dos responsáveis por divulgar a psicologia do alemão nos Estados Unidos. Contudo, Titchener distorceu a psicologia de Wundt, além de apresentar uma abordagem própria, desvinculando-se dos pressupostos psicológicos de seu professor. O britânico falou de outra abordagem, o estruturalismo, onde os fenômenos mentais eram compreendidos e explicados através dos processos do sistema nervoso. Seu objeto de estudo resumia-se a um organismo, especificamente, um sistema nervoso, ao contrário da experiência imediata que Wundt utilizava. Titchener, além de reformular e ignorar a psicologia dos povos de Wundt, reverberou-se para outra vertente, desconsiderando todo projeto de psicologia de seu professor. &lt;br /&gt;
==Obras==&lt;br /&gt;
Wundt escreveu vários livros, sendo estes no campo da fisiologia, filosofia e psicologia, nem todas as anotações de Wundt foram publicadas e a busca e tradução de seus textos ocorrem até hoje. Seus trabalhos mais conhecidos são: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Textbook of Human Physiology, 1864 (Anotações sobre a fisiologia humana)   Principles of Physiological Psychology, 1874 (Princípios da psicologia fisiológica)&lt;br /&gt;
*System of Philosophy, 1889 (Sistema filosófico).&lt;br /&gt;
*Logic. An investigation into the principles of knowledge and the methods of scientific research, 1886 (Lógica. Uma investigação dentro dos princípios do conhecimento e os métodos científicos de investigação).&lt;br /&gt;
*Ethics, 1886 (Ética) - conjunto de estudos dos juízos de apreciação da conduta humana.&lt;br /&gt;
*Outline of Psychology, 1896 (Introdução a psicologia).&lt;br /&gt;
*Cultural Psychology. An investigation into developmental laws of language, myth, and conduct, 1900 (Psicologia dos povos. Uma investigação sobre o desenvolvimento das leis da linguagem, mitos e conduta).&lt;br /&gt;
*The language of Gestures, 1973 (A linguagem dos gestos).&lt;br /&gt;
*Elements of Folk Psychology: Outline of a Psychological History of the Development of Mankind, 1983 (Elementos da psicologia dos povos: introdução a história psicológica sobre o desenvolvimento da espécie humana).&lt;br /&gt;
*Lectures on Human and Animal Psychology, 1973 (Discurso sobre humanos e psicologia animal).&lt;br /&gt;
*The facts of Moral Life (Ethics, Vol I), 2006 (Os fatos sobre a vida moral)   Ethical Systems (Ethics, Vol II), 2006 (Sistemas Éticos).&lt;br /&gt;
*The Principles of Morality and the Departments of the Moral Life (Ethics, Vol. III), 1907 (Os princípios da moralidade e os departamentos da vida moral)  Logik: Eine Untersuchung der Prinzipien der Erkenntniss und der Methoden wissenschaftlicher Forschung. Band I. Erkenntnislehre, 2002 (Lógica: Uma investigação dos princípios do conhecimento e dos métodos da pesquisa científica. Volume I. Teoria do Conhecimento)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Prêmios==&lt;br /&gt;
Além de seu título de Doutor obtido na Universidade de Heidelberg, Wundt recebeu doutorados honorários da Universidade de Leipzig e da Universidade de Göttingen. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Outros prêmios e realizações===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*‘Pour le Mérite’ na categoria ‘Ciência e Artes’&lt;br /&gt;
*Membro honorário em 12 sociedades científicas&lt;br /&gt;
*Membro de 13 Academias na Alemanha e instituições estrangeiras  O asteroide 635 Vindita e 11040 Wundt foram nomeados como Wilhelm Wundt em sua homenagem.&lt;br /&gt;
*Exceptional Contributions to Trans-Atlantic Psychology (Contribuição excepcional para a psicologia transatlântica)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Charles Spearman]]&lt;br /&gt;
* [[Edward Titchener]]&lt;br /&gt;
* [[Ernst Heinrich Weber]]&lt;br /&gt;
* [[Emil Kraepelin]]&lt;br /&gt;
* [[Gustav Theodor Fechner]]&lt;br /&gt;
* [[Hugo Münsterberg]]&lt;br /&gt;
* [[James McKeen Cattell]]&lt;br /&gt;
* [[James Rowland Angell]]&lt;br /&gt;
* [[Oswald Külpe]]&lt;br /&gt;
* [[Vladimir Bekhterev]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
#ABIB, José Antônio Damásio. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1678-31662009000200002 Epistemologia pluralizada e história da psicologia]. &#039;&#039;&#039;Sci. stud&#039;&#039;&#039;. 2009, vol.7, n.2 [cited 2020-11-18], p.195-208.&lt;br /&gt;
#AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Wilhelm Wundt-William James Award for Exceptional Contributions to Trans-Atlantic Psychology. 2008.&lt;br /&gt;
#ARAÚJO, S. F. Wilhelm Wundt e o estudo da experiência interna. Em: JACÓ-VILELA, A.; FERREIRA, A. A. L.; PORTUGAL, F. &#039;&#039;&#039;História da psicologia:&#039;&#039;&#039; rumos e percursos. Rio de janeiro: Nau editora, p. 93-104, 2007&lt;br /&gt;
#ARAUJO, Saulo de Freitas. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1678-31662009000200003 Uma visão panorâmica da psicologia científica de Wilhelm Wundt]. &#039;&#039;&#039;Sci. stud&#039;&#039;&#039;. 2009, vol.7, n.2 [cited 2020-11-18], p.209-220.&lt;br /&gt;
#ARAUJO, Saulo de Freitas.[https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1413-389X2009000100002 Wilhelm Wundt e a fundação do primeiro centro internacional de formação de psicólogos]. &#039;&#039;&#039;Temas psicol&#039;&#039;&#039;. 2009, vol.17, n.1, pp. 09-14. ISSN 1413-389X.&lt;br /&gt;
#Batista, R. L. L. (2015). &#039;&#039;&#039;Entre aparelhos e arquivos:&#039;&#039;&#039; uma história do Laboratório de Psicologia da Faculdade Dom Bosco de São João del-Rei (1953-1971). Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-graduação em Psicologia, Universidade Federal de São João del-Rei, São João del-Rei, MG.&lt;br /&gt;
#FIGUEIREDO, L.C.M. e SANTI, P.L.R. – &#039;&#039;&#039;Psicologia:&#039;&#039;&#039; uma (nova) introdução – São Paulo: Educ, 1997&lt;br /&gt;
#HONDA, Hélio. [https://www.scielo.br/pdf/ptp/v20n3/a09v20n3 Notas Sobre a Noção de Inconsciente em Wundt e Leibniz]. &#039;&#039;&#039;Psic.: Teor. e Pesq&#039;&#039;&#039;., Brasília, Set-Dez 2004, Vol. 20 n. 3, pp. 275-277.&lt;br /&gt;
#[https://www.encyclopedia.com/people/social-sciences-and-law/sociology-biographies INTERNATIONAL ENCYCLOPEDIA OF THE SOCIAL SCIENCES, Wilhelm Wundt].&lt;br /&gt;
#Kim, Alan. &amp;quot;Wilhelm Maximilian Wundt&amp;quot;. &#039;&#039;&#039;The Stanford Encyclopedia of Philosophy (&#039;&#039;&#039;Fall 2016 Edition), Edward N. Zalta (ed.).&lt;br /&gt;
#SCHULTZ, Duene P.; SCHULTZ, Sydney Ellen. &#039;&#039;&#039;História da Psicologia Moderna&#039;&#039;&#039;. 11. ed. [&#039;&#039;S. l.&#039;&#039;]: Cengage Learning, 2019. 480 p. ISBN 978-8522127955.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Elisa Teófilo, Marianne de Souza e Tamaira de Freitas, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2020.2, publicado em 2021.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Nise_da_Silveira&amp;diff=1423</id>
		<title>Nise da Silveira</title>
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		<updated>2024-12-19T15:26:02Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções ortográficas e gramaticais; Identificação de nomes importantes da História da Psicologia; Criação da seção &amp;quot;Ver também&amp;quot;; Verificação, formatação e adição de links em &amp;quot;Referências&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Nise Magalhães da Silveira (Maceió, 15 de fevereiro de 1905 - Rio de Janeiro, 30 de outubro de 1999) foi uma psiquiatra brasileira. Nise da Silveira é reconhecida por suas contribuições na luta contra os métodos desumanos vigentes no paradigma da psiquiatria tradicional, como camisa de força, lobotomia, eletrochoque e outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Setor de Terapia Ocupacional (STO) do hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro, a psiquiatra revolucionou o tratamento dos pacientes psiquiátricos ao utilizar técnicas humanizadas que estimulavam a liberdade, criatividade, prazer, expressividade, dignidade e afetividade, através de atividades recreativas, culturais, criativas e expressivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi discípula de Carl Gustav Jung e fundou o Museu de Imagens do Inconsciente (MII), a Casa das Palmeiras e o Grupo de Estudos Carl Jung.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psiquiatra alagoana faleceu no Rio de Janeiro em outubro de 1999, aos 94 anos, por conta de uma insuficiência respiratória aguda. Nise da Silveira não chegou a constituir um movimento organizado em torno de seu nome, nenhuma escola ou doutrina foi proposta ao longo de seu projeto médico-científico. Entretanto, houve uma construção de pessoas, instituições e materialidades em torno de sua vida e obra, que persiste até os dias de hoje.&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
===Formação===&lt;br /&gt;
Nise da Silveira nasceu em Maceió, Alagoas, em 15 de fevereiro de 1905. Seu pai, Faustino Magalhães, era professor de matemática e jornalista, diretor do Jornal de Alagoas; e sua mãe, Lídia da Silveira, era pianista. Nise realizou seus primeiros estudos no Colégio Santíssimo Sacramento em Maceió, instituição que era coordenada por freiras e exclusiva para meninas. Em 1921, aos 16 anos, entrou para a Faculdade de Medicina da Bahia, onde concluiu o curso aos 21 anos, como única mulher entre os 157 homens da turma de 1926 e tendo como tese de monografia de final de curso o [https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/29508 Ensaio sobre a criminalidade da mulher no Brasil.] Foi durante a época de formação que conheceu o médico sanitarista Mário Magalhães da Silveira, seu colega de turma na faculdade e, posteriormente, esposo, com quem viveu até seu falecimento em 1986.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já órfã de mãe e após enfrentar o falecimento do pai, Nise muda-se para o Rio de Janeiro em 1927, onde passou a ter contato com intelectuais de esquerda e com as atividades do Partido Comunista Brasileiro ao frequentar meios artísticos, políticos e literários. Em 1933, estagiou na clínica neurológica de Antônio Austregésilo e, no mesmo ano, foi aprovada em um concurso público para trabalhar como psiquiatra no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental, no Hospital da Praia Vermelha.&lt;br /&gt;
===Prisão===&lt;br /&gt;
Durante o Estado Novo, Nise da Silveira foi denunciada por uma enfermeira por possuir livros marxistas em seu ambiente de trabalho, além de ter ligações com membros do partido comunista e por ter participado da União Feminina do Brasil (entidade de defesa dos direitos das mulheres).Em 1936, foi levada para o presídio Frei Caneca, onde ficou detida por 16 meses. Nesse período foi companheira de cela de Olga Benário, militante comunista alemã que na época era casada com Luís Carlos Prestes, além de conviver com outros perseguidos políticos. Na ocasião, também conheceu o escritor alagoano Graciliano Ramos, tornando-se posteriormente uma das personagens do livro “Memórias do Cárcere&#039;&#039;&#039;”&#039;&#039;&#039;. Essa experiência no cárcere exerceu um papel importante em sua vida e em sua concepção de liberdade, o que influenciaria o desenvolvimento de seu trabalho com os pacientes confinados no hospital posteriormente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1937 e 1944, embora livre da prisão, permaneceu com seu marido na semi-clandestinidade, afastada do serviço público no intuito de evitar novas perseguições. Durante seu afastamento, dedicou-se à leitura reflexiva das obras do filósofo Spinoza, material publicado em seu livro Cartas a Spinoza, em 1995.&lt;br /&gt;
===Nise da Silveira e o Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II===&lt;br /&gt;
Nise retornou ao serviço público somente no ano de 1944, dando início ao seu trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro. Nessa ocasião, a psiquiatra se depara com os métodos usados pela psiquiatria da época para tratar a doença mental: o choque cardiazólico, o coma insulínico, o eletrochoque e a lobotomia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Opondo-se fortemente às práticas biomédicas consideradas por ela como violentas, e recusando-se a aplicá-las nos pacientes, Nise da Silveira foi transferida para o trabalho com terapia ocupacional. Assim, em 1946 fundou naquela instituição o Setor de Terapia Ocupacional (STO), entendido, na época, como atividade essencialmente braçal, mas que foi substituído por atividades expressivas, como: modelagem, pintura, costura, sapataria, jardinagem, carpintaria, teatro e salão de beleza. Em vista do funcionamento precário e sem fundamentação, Nise organizou cursos de capacitação para os monitores e contratou o pintor e professor de arte, Almir Mavignier, para trabalhar com os pacientes. Mavignier organizou um ateliê de pintura, inaugurado em 1946.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1952, menos de dez anos após sua saída da prisão e de seu retorno ao hospital psiquiátrico, Nise e seus colaboradores fundaram o Museu do Inconsciente, que atualmente conta com um acervo de 350 mil obras, sendo ainda centro de pesquisa sobre o processo criativo e a loucura. O intuito de Nise era possibilitar aos doentes reatar seus vínculos com a realidade através da expressão simbólica e da criatividade, incentivando uma compreensão mais profunda do interior do esquizofrênico. A psiquiatra alagoana destacou o papel positivo do ambiente acolhedor, não repressor, livre, no lidar com esquizofrênicos. Fariam parte desse “ambiente” pessoas, animais e objetos, tudo e todos que fossem agentes catalisadores de afeto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi seguindo essa perspectiva que Nise construiu e executou seus trabalhos posteriores em que, apesar das importantes mudanças que se inscreveram em sua trajetória até o momento, ela considerava que o número de egressos do hospital continuava alto. Dessa forma, em 1956, desenvolveu outro projeto: criou a Casa das Palmeiras, uma clínica voltada à reabilitação de antigos pacientes de instituições psiquiátricas. A casa tinha como objetivo servir de ponte entre o hospital psiquiátrico e a sociedade, estimulando os pacientes por meio de atividades individuais e grupais, como tentativa de evitar as internações e reinternações. Os pacientes eram enviados para lá às tardes e então participavam da terapia ocupacional. Aqueles que faziam acompanhamento externo continuavam sua medicação na Casa das Palmeiras, e os que não tinham acompanhamento externo eram medicados por psiquiatras voluntários que lá trabalhavam.&lt;br /&gt;
===Falecimento===&lt;br /&gt;
A psiquiatra alagoana faleceu no Rio de Janeiro em outubro de 1999, aos 94 anos, por conta de uma insuficiência respiratória aguda. Nos anos anteriores a sua morte, Nise sofreu um acidente doméstico que a deixou em cadeira de rodas e que, posteriormente, se agravou com uma pneumonia contraída em seu último mês de vida. Durante todo esse período, porém, foi acompanhada de perto por uma pequena e sólida rede de amigos e colaboradores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nise da Silveira não chegou a constituir um movimento organizado em torno de seu nome, nenhuma escola ou doutrina foi proposta ao longo de seu projeto médico-científico. Entretanto, houve uma construção de pessoas, instituições e materialidades em torno de sua vida e obra, que persiste até os dias de hoje, mesmo depois de sua morte.&lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
===Combates aos métodos tradicionais===&lt;br /&gt;
Ao reiniciar sua prática profissional, no [[Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro]], em 1944, Nise se depara com as novidades científicas adotadas pelo campo da psiquiatria na década de 1940. Técnicas como choque cardiazólico, coma insulínico, psicofarmacoterapia, eletrochoque e lobotomia refletiam a noção organicista das doenças mentais presente na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contrariando seus colegas de profissão e as normas psiquiátricas vigentes, Nise se opôs fortemente ao uso de tais métodos. A psiquiatra enxergava nos procedimentos semelhanças com as torturas físicas que viu serem aplicadas na prisão, no período em que foi detida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nise realizou um grande movimento de combate à lobotomia. Suas críticas à psicocirurgia residiam no fato de que o procedimento causava consequências devastadoras para o paciente ao acarretar efeitos colaterais irreversíveis. A psiquiatra realizou pesquisas acerca dos efeitos da psicocirurgia na potência criativa dos pacientes e concluiu que a personalidade era fortemente impactada. Assim, a lobotomia não promovia a cura ou melhoria dos sintomas apresentados pelos pacientes esquizofrênicos, apenas os tornavam mais passivos e controlados, oferecendo paz e segurança ao ambiente familiar e hospitalar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma, criticava o uso de psicofármacos como ferramenta única no tratamento. Entendia que a aplicação medicamentosa poderia ser utilizada em pacientes em momentos de surto, entretanto, sua utilização excessiva e contínua atrapalhava os pacientes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao se recusar a prescrever ou realizar tais procedimentos, e indignada com o modo de funcionamento dos hospitais psiquiátricos, Nise foi incumbida de dirigir um departamento sem recursos ou investimentos do Centro Psiquiátrico, o Setor de Terapêutica Ocupacional (STO). Menosprezado pelos médicos da instituição, os pacientes eram encaminhados ao setor para realizar atividades monótonas e braçais (como serviços de faxina e manutenção) que não possuíam nenhum compromisso com o tratamento terapêutico.&lt;br /&gt;
===Tratamento Humanizado no Setor de Terapia Ocupacional===&lt;br /&gt;
Uma das maiores contribuições de Nise da Silveira para a psiquiatria brasileira e seu grande legado como profissional da saúde mental consiste no trabalho realizado da psiquiatra no Setor de Terapia Ocupacional (STO) do Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, onde revolucionou as técnicas e os tratamentos terapêuticos direcionados aos internos, ao adotar uma postura humanizada e contrária aos métodos agressivos que eram o paradigma da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nise inicia seu trabalho no STO em 1946, abolindo as atividades até então proporcionadas aos internos, que possuíam pouca potência terapêutica. Assim, incorporou ao departamento atividades recreativas, culturais, criativas e expressivas, como modelagem, gravura, escultura, música, dança, mímica, teatro,  costura, sapataria, jardinagem, carpintaria, salão de beleza e pintura. Essas atividades proporcionavam a livre externalização das emoções, pensamentos e sentimentos não verbalizados por meio da simbolização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu objetivo inicial era compreender os processos psíquicos e as vivências dos pacientes que sofriam de esquizofrenia, o que lhe ajudaria a melhorar suas condições de vida. Além disso, a psiquiatra pôde observar e refletir sobre como se dava a hospitalização e como o tratamento psiquiátrico era conduzido. Ela acreditava que o clima do hospital psiquiátrico favorecia a manutenção dos quadros clínicos, em vez de colaborar com a melhora dos sintomas. Em sua visão, o hospital deveria realizar esforços no sentido de restabelecer as relações do sujeito com o meio social, em vez de enclausurá-lo e colocá-lo à margem da sociedade. Para Nise, o objetivo final da instituição psiquiátrica não deveria ser a eliminação dos sintomas, mas sim a criação de condições para que o paciente pudesse voltar ao convívio social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Setor de Terapia Ocupacional, era propiciado um ambiente de liberdade, criatividade, prazer, expressividade, dignidade e, principalmente, afetividade. Para Nise, um espaço acolhedor, diferenciado do ambiente hospitalar como um todo, era fundamental para que a intenção fosse capaz de conduzir qualquer atividade que possuísse valor terapêutico e de recuperação. Dessa forma, esse ambiente não repressor contava com recursos capazes de receber todos os tipos de expressões mobilizadas pelos afetos que emergiam dos pacientes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, a intenção inicial de entrar em contato com os modos de existência e funcionamento dos internos revelou um potencial ainda maior. Mais do que apenas compreender o que se passava com as pessoas, os métodos empregados se mostraram terapêuticos em si, ou seja, as ocupações ofertadas no STO poderiam ser consideradas propriamente como modalidade de psicoterapia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nise nomeou suas técnicas terapêuticas como “emoções de lidar”. A psiquiatra e os monitores funcionavam como catalizadores de afeto, a fim de propiciar o desenvolvimento das criatividade e expressividade dos pacientes. Para ela, os tratamentos deveriam lidar com as pessoas em sua totalidade, rejeitando a ideia de reduzir o paciente à doença. Nise buscava reconhecer e potencializar as singularidades e a humanidade dos internos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como fruto de 28 anos como diretora do STO, Nise realizou inúmeras pesquisas a fim de registrar os resultados e comprovar os efeitos do tratamento, deixando documentado boa parte do seu enfrentamento contra práticas desumanas da psiquiatria de seu tempo. Como pode-se imaginar, as mudanças conduzidas por Nise da Silveira no ambiente hospitalar e no tratamento terapêutico dos internos não eram apoiadas por seus colegas de trabalho, profundamente comprometidos com as técnicas que a psiquiatra tanto combatia. Mesmo com incontáveis obstáculos, Nise da Silveira conseguiu produzir contribuições de caráter inovador no campo das artes, terapia ocupacional, psicologia, reabilitação psicossocial, e muitos outros.&lt;br /&gt;
===Museu de Imagens do Inconsciente===&lt;br /&gt;
Apenas três meses depois de assumir a direção do STO, em 1946, uma exposição das produções artísticas dos pacientes foi promovida por Nise. Este foi o início de uma série de mostras que seriam realizadas no Brasil e no exterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como as produções do ateliê de pintura continuavam a pleno vapor e o acervo de obras aumentavam cada vez mais, foi inaugurado o [[Museu de Imagens do Inconsciente (MII)]], nas instalações do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro (Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II), em 1952. O objetivo era organizar e catalogar o material. A partir disso, foi possível, também, empreender inúmeras pesquisas tendo como base as produções criativas dos pacientes. Atualmente, o MII conta com um acervo de 350 mil obras, e funciona como centro de pesquisa sobre arte e loucura, além de realizar práticas educativas e museográficas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais uma vez, pode-se observar a inovação do trabalho de Nise da Silveira, ao realizar o ato inédito, tanto na psiquiatria quanto na cultura brasileira, de transformar pessoas com condições psiquiátricas em artistas reconhecidos.  A psiquiatra conseguiu, por meio do MII, fazer com que as produções realizadas no Setor de Terapia Ocupacional ultrapassasem o campo da clínica, chegando a um público muito mais amplo.&lt;br /&gt;
===Casa das Palmeiras===&lt;br /&gt;
Mesmo com as intensas modificações proporcionadas por Nise no Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, a partir da introdução das novas práticas  no Setor de Terapia Ocupacional, o número de pacientes que voltavam a ser internados era alto. Isso apontava para o fato de que o tratamento deveria contemplar, também, técnicas para preparar as pessoas para a vida social depois da alta institucional.&lt;br /&gt;
===Grupo de Estudos Carl Jung===&lt;br /&gt;
Além do Museu de Imagens do Inconsciente (MII) e da Casa das Palmeiras, Nise fundou o Grupo de Estudos C. G. Jung e realizava reuniões de leitura e pesquisa abertas ao público, em sua própria residência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, as ramificações do trabalho de Nise da Silveira compreendiam o Museu, que preservava as produções artísticas dos pacientes do Setor de Terapia Ocupacional, considerados material para pesquisa; a Casa das Palmeiras, onde se auxiliava a reintegração dos egressos do hospital na vida em sociedade, exercitando sua autonomia; e o Grupo de Estudos Carl G. Jung, destinado aos estudos.&lt;br /&gt;
===Aproximações entre o trabalho de Nise da Silveira e a Reforma Psiquiátrica no Brasil===&lt;br /&gt;
A década de 1970 é reconhecida como o período de início da [[Reforma Psiquiátrica Brasileira|Reforma Psiquiátrica no Brasil]]. Entretanto, muitas das propostas articuladas nesse momento já haviam sido pensadas e experimentadas em certa medida, por autores anteriores a esse movimento. Nesse sentido, é interessante examinar as consonâncias entre a Reforma Psiquiátrica, bem como o [[Movimento Antimanicomial]], e o trabalho de Nise da Silveira no tratamento dos pacientes psiquiátricos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto a psiquiatra  quanto o movimento da Reforma Psiquiátrica se colocam como críticos ao paradigma psiquiátrico tradicional, que possui como características marcantes a centralização do hospital como lugar de tratamento e confinamento dos pacientes e o foco na doença e não no sujeito. Ambos têm como objetivo compreender a pessoa em sua singularidade e totalidade, além de se posicionarem contrariamente aos métodos agressivos (como lobotomia, eletrochoque, camisa de força e coma insulínico) e defenderem a aplicação de métodos não agressivos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Setor de Terapia Ocupacional, dirigido por Nise, os pacientes eram orientados por monitores, enfermeiros e pela psiquiatra, que ampliou os cuidados em saúde mental para outras categorias profissionais além da médica. A Reforma Psiquiátrica também defende o trabalho interdisciplinar. Com isso, ambos retiram das mãos do médico o controle absoluto da condução do tratamento. A ideia do médico como principal agente provedor de cuidados é uma forte marca do modelo manicomial, e foi questionada a partir desses movimentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma das bandeiras levantadas pela Reforma Psiquiátrica é a desospitalização. A partir dela, foi implementada uma rede de serviços extra- hospitalares, como os Centros de Saúde e Ambulatórios, os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs), leitos psiquiátricos em hospitais gerais, Centros de Convivência e Cooperativas (CECCOs) e os Centros de Atendimento Psicossocial. Semelhante a isso, é importante lembrar que Nise da Silveira fundou a Casa das Palmeiras, com o objetivo de evitar a reincidência de pacientes ou a internação de novos indivíduos, configurando-se, também, como um serviço extra-hospitalar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desse modo, pode-se observar as grandes contribuições de Nise da Silveira na luta pela superação da lógica manicomial. Ao impedir que muitos pacientes sofressem com técnicas desumanas, Nise pôde oferecer um tratamento inovador, baseado na compreensão, liberdade, dignidade e afeto. Com isso, é interessante pensar que, mais do que melhorar a vida de inúmeras pessoas que foram diretamente beneficiadas por seu trabalho, Nise deixou um legado que encontrou ressonância décadas mais tarde, com o movimento de Reforma Psiquiátrica no Brasil. Além disso, deixou uma herança inestimável para os campos da Psiquiatria, Psicologia e Artes. Dessa forma, Nise e colaboradores fundaram a Casa das Palmeiras, em 1956, que passou a funcionar como uma ponte entre o hospital psiquiátrico e o ambiente social externo a ele. O objetivo era auxiliar os indivíduos a fazer a transição de uma rotina hospitalar, isto é, desindividualizada, para a vida em sociedade, dotada de problemas de diversos tipos, inclusive em relação à difícil inclusão dessas pessoas. A psiquiatra buscou construir o senso de autonomia e liberdade dos pacientes&#039;&#039;&#039;.&#039;&#039;&#039; Alguns indivíduos passavam a tarde na instituição, participando de diversas atividades dentro da proposta da terapia ocupacional. Aqueles que já haviam recebido alta frequentavam a casa para administrar suas medicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com isso, pode-se notar que o trabalho de Nise da Silveira foi importante no âmbito da reabilitação psicossocial dos pacientes, que, em sua concepção, deveriam ser enxergados simplesmente como pessoas. Com isso, seus esforços também eram voltados para modificar a visão negativa sobre os indivíduos com problemas psiquiátricos. A Casa das Palmeiras demonstra, mais uma vez, o caráter revolucionário presente nas contribuições da psiquiatra. Anos antes do início do movimento da Reforma Psiquiátrica Brasileira, Nise foi capaz de reconhecer a necessidade da implementação de um serviço pioneiro, considerado precursor dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) existentes atualmente.&lt;br /&gt;
==Teoria==&lt;br /&gt;
Em Nise da Silveira não é possível separar o aspecto coemergente de suas obras, uma vez que sua teoria está intrinsecamente relacionada a sua práxis. Dessa forma, seus trabalhos na Seção de Terapêutica Ocupacional, o Museu do Inconsciente, a Casa das Palmeiras e o Grupos de Estudos Carl Jung contam como um arsenal de práticas que formularam seus pensamentos ao longo dos anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nise dividia suas atividades entre o Grupo, o Museu e a Casa das Palmeiras. O Grupo era reservado aos estudos e pesquisas, o Museu guardava o acervo iconográfico dos esquizofrênicos, que servia de material de pesquisa, e a Casa das Palmeiras era o local onde efetivamente lidava-se com o esquizofrênico e onde acontecia a práxis de Nise. Consequentemente, era neste local que convergia a experiência de Nise em terapia ocupacional, psiquiatria e psicologia Junguiana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O acompanhamento dos ateliês de pintura e modelagem proporcionou a Nise uma maior compreensão do dinamismo psíquico presente na esquizofrenia e, também, reflexões constantes sobre as condições do tratamento psiquiátrico e da hospitalização.&lt;br /&gt;
===Teoria sobre a metalinguagem=== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tese central de Nise da Silveira sobre a Terapia Ocupacional era a metalinguagem expressa pelos esquizofrênicos em suas pinturas&#039;&#039;&#039;.&#039;&#039;&#039; Para ela, deve-se partir sempre do que o doente diz, escuta ou faz, visto que, quando o consciente está sufocado pelo inconsciente, a pessoa passa a se comunicar através da linguagem dos mitos, tal que ele não entende a linguagem do mundo externo. Segundo a autora, todas as atividades são expressivas, a questão é saber observar como o indivíduo as executa. O seu interesse era encontrar o doente, estabelecer com ele algum tipo de relação, abrir-lhe espaço para que ele pudesse dizer sua verdade. Dessa forma, a clínica da terapêutica ocupacional tinha como objetivo encontrar atividades que servissem aos doentes como meios de expressão partindo do nível não-verbal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na concepção de Nise, a ocupação terapêutica pode ser considerada uma modalidade de psicoterapia,9 em que o próprio ato de pintar poderia adquirir, por si mesmo, qualidades terapêuticas. A ocupação terapêutica ofereceria, a partir deste ponto de vista, atividades que conduzissem à satisfação libidinal de maneira aceita pela sociedade. As imagens plasmadas (ou pinturas) e a maneira como as diversas atividades eram desenvolvidas configurariam desejos inconscientes que não encontraram uma via de satisfação, produzindo sintomas. Contudo, através da sublimação em atividades plenamente aceitas pela sociedade, poderia rumar da fantasia à realidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desse modo, a pintura revelava que o mundo interno do psicótico poderia tomar forma se encontrasse meios de expressão que o aproximassem cada vez mais do consciente, passando a ser vista como um instrumento a ser utilizado pelo paciente para reorganizar seu mundo interno e, ao mesmo tempo, reconstruir sua relação com a realidade exterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também em sua teoria sobre a metalinguagem, ela se opunha aos psicanalistas que afirmavam não haver transferência na esquizofrenia, insistia na tentativa do esquizofrênico em formar uma ponte afetiva com o mundo e mostrava como isto se exprimia nas pinturas e na relação com os animais. Segundo a médica, os esquizofrênicos frequentemente respondem ao apelo de se ocuparem com desenhos e pinturas. O psiquiatra, então, deveria se concentrar na metalinguagem do esquizofrênico e entender o significado dos seus símbolos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse âmbito, Nise discordava da T.O. com propósitos econômicos, comerciais ou mesmo artísticos, pois, segundo ela, a T.O. não buscava fazer arte, mas dar ao paciente a liberdade para ele criar algo.&lt;br /&gt;
===Nise e a Teoria Junguiana===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nise acreditava ter comprovado a tese de [[Carl Gustav Jung|Jung]] sobre os arquétipos e a mente esquizofrênica, dado que chamava atenção para as mandalas, símbolos que denotam a tendência inconsciente a compensar o caos interior e buscar um ponto central, na psique, como tentativa de reconstruir a personalidade dividida. Sendo assim, Nise formulou  o conceito de psicoterapia não verbal e metalinguagem a partir do conceito de plexo solar de Jung. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela defendia que o indivíduo, através da psicoterapia não verbal, expressava-se em uma linguagem mais arcaica, universal e coletiva, a fim de mobilizar afetos profundamente depositados na primeira localização psíquica (plexo solar) e trazê-los à consciência. Traços mnêmicos de forte carga afetiva acumulados em centros psíquicos rudimentares não poderiam ser evocados a partir de instrumentos refinados como o dispositivo verbal. Desse modo, métodos mais simples como a dança, as representações mímicas, a pintura, a escultura, a música e afins eram mais eficazes na comunicação com os esquizofrênicos. Conforme Nise postulou: a ação terapêutica se insere a partir do momento em que o médico deseja se comunicar e compreender o seu doente, partindo assim do nível não verbal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nise acreditava que, para acompanhar a produção criativa dos pacientes, era preciso ter paciência e tato, e não apressar as coisas. Em sua experiência, a psicologia junguiana, literatura, arte, e mitologia instrumentalizam-na para a compreensão das metamorfoses do ser e para a investigação da incansável trajetória do homem em busca do seu mito. Com esses estudos, Nise apresentou uma compreensão da psique como um sistema vivo, com um dinamismo próprio, que se auto-regula e se direciona para a cura e para a saúde. Além disso, criou, ainda, um método para a leitura das imagens que emergiam na produção artística dos pacientes que participavam dos ateliês de pintura e modelagem do Setor de Terapia Ocupacional do Engenho de Dentro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O desenvolvimento de um método de leitura de imagens introduziu uma novidade na forma como, até então, a psiquiatria e, mesmo, a psicanálise tinham tomado as produções de pacientes psicóticos. Nise afirmava que era forçoso reconhecer que a produção plástica dos psicóticos ia além das representações distorcidas e veladas dos conteúdos pessoais reprimidos. Esse método ultrapassa o registro de sintomas, entendendo que, ao pintar, o indivíduo não somente expressa a si mesmo, mas cria algo novo, produz um símbolo, e essa produção tem efeitos de transformação tanto na realidade psíquica como na realidade compartilhada. Nesse sentido,  o que Nise propõe, num percurso que vai do psíquico ao artístico, não é apenas uma leitura arquetípica das produções artísticas, embora ela seja predominante, mas também uma leitura do psíquico pelos mecanismos de constituição da arte.&lt;br /&gt;
===Animais Co-terapeutas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma característica singular da prática analítica de Nise era a presença de gatos e cães no setting. Eles ocupavam a sala onde ela atendia privadamente seus analisandos, a sala do grupo de estudos, o ambiente do Museu, ou onde fossem necessários. Essa convivência pacífica fez com que Nise percebesse que a responsabilidade de cuidar de um animal e o desenvolvimento de laços afetivos podia contribuir para a reabilitação de doentes mentais, fazendo com que a mesma os incorporasse a seu trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os pacientes que inicialmente eram avessos aos animais, com a evolução da terapia, aproximavam-se deles, cuidando, afagando, restabelecendo suas energias afetivas. A relação entre paciente e animais é essencialmente não verbal, e era por esta via que Nise procurava captar as dificuldades de seus pacientes e mobilizar a partir daí as primeiras manifestações de cura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nise costumava chamar os animais de co-terapeutas, comprovando que a afetividade não é anulada pela esquizofrenia. Ela descreveu parte deste processo em seu livro &amp;quot;Gatos, A Emoção de Lidar&amp;quot;, publicado em 1998, quando já tinha a idade de 93 anos.&lt;br /&gt;
===Nise e o conceito de “afeto” de Spinoza===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podemos pensar, ainda, que o trabalho clínico e teórico realizado por Nise viria transformar, também, as concepções e práticas clínicas que passariam a abordar a ação e a criação como elementos constitutivos da experiência de estar vivo, independentemente do comprometimento psíquico e do tempo da “doença”. Sua atenção na construção de ambientes propícios à criação fez com que trabalhasse, também, sobre a organização dos espaços e tempos institucionais e, sobretudo, na formação dos profissionais que com ela acompanhavam pacientes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para ela, para que qualquer atividade viesse a ter uma função terapêutica, era preciso que fosse desenvolvida num ambiente de ateliê acolhedor que, se diferenciando do ambiente hospitalar no qual estivesse inserido, transformava-se em espaço significativo, desencadeador de aproximações e contatos disruptores do processo de criação. Esses ateliês eram preparados pelos monitores, de forma a dar continência aos internos, acolhendo dores, silêncios, ritmos, e, ao mesmo tempo, estimulando a expressão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A presença constante de um monitor visava a oferta de um afeto catalisador que pudesse estimular a criatividade e que permitisse restaurar pontes de comunicação com o mundo no qual viviam. Nise utilizou o conceito de afeto de Spinoza, como um afeto que seria produzido por um bom encontro, e o associou à ideia de um disparador do processo de cura - utilizando-se do conceito de catalisador da química-física. Ela acreditava que o processo terapêutico deveria ser acompanhado de forma adequada, cuidadosa e atenta, com a presença e sensibilidade humana para perceber e observar as expressões e manifestações dos pacientes, fundamentais para dar continência às experiências, para não apressar as coisas e para estimular processos de criação, que só poderiam se desenvolver se, no ambiente em que o paciente vivesse, ele encontrasse o suporte do afeto. À vista disso, valorizava a pessoa humana do monitor, sua sensibilidade e intuição, que favoreceriam uma experiência artística potente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reunião da concepção de terapia ocupacional de Nise da Silveira com a Psicologia Analítica resultou numa ampliação desta para o mundo do esquizofrênico, permitindo, pela primeira vez, através do contato com os animais, da espontaneidade do fazer e da metalinguagem, a possibilidade de acessar o ser recolhido em seu mundo inconsciente e infundir nele forças curativas mediadas por símbolos e afetos.&lt;br /&gt;
==Cronologia biográfica==&lt;br /&gt;
1905 :Em 15 de fevereiro de 1905, nasce Nise da Silveira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1926: Aos 21 anos, Nise formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1933: Foi aprovada em um concurso público para trabalhar como psiquiatra no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental, no Hospital da Praia Vermelha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1936: Nise da Silveira é levada para o presídio Frei Caneca, onde ficou detida por 16 meses, acusada de envolvimento com o comunismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1937-44: Período em que Nise permanece na semi-clandestinidade com seu marido, afastada do serviço público no intuito de evitar novas perseguições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1944: Nise retorna ao serviço público dando início ao seu trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1946: Nise da Silveira funda a Seção de Terapêutica Ocupacional (STO) no Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro, hoje Instituto Municipal Nise da Silveira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1952: O Museu de Imagens do Inconsciente foi inaugurado em 20 de maio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1954: Nise da Silveira escreve carta a Carl Gustav Jung, indagando sobre questões referentes ao simbolismo da mandala. Esse fato marcou a introdução da psicologia junguiana na América Latina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1956: Fundação da Casa das Palmeiras, clínica pioneira em regime de externato hoje localizada no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Fundação do Grupo de Estudos C. G. Jung. Ao longo de sua existência publicou seis volumes da revista Quaternio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1957: O encontro com Jung. O Museu apresenta a exposição &amp;quot;A Esquizofrenia em Imagens&amp;quot;, por ocasião do II Congresso Internacional de Psiquiatria reunido em Zurique, Suíça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1968:Nise funda o Grupo de Estudos do Museu de Imagens do Inconsciente. Publicação do livro “Jung: vida e obra”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1975:Nise é aposentada compulsoriamente. No dia seguinte apresenta-se ao CPPII como a mais nova estagiária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1981:Lançamento do livro ``Imagens do Inconsciente, de Nise da Silveira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1992: Publicação do livro ``O Mundo das Imagens ``, de Nise da Silveira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1998: Publicação do livro “Gatos, A Emoção de Lidar”, de Nise da Silveira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1999: Nise da Silveira falece em 30 outubro de 1999, aos 94 anos, devido a insuficiência respiratória aguda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2000: O Centro Psiquiátrico Pedro II é municipalizado, passando a integrar a Secretaria Municipal de Saúde. Em homenagem à fundadora do Museu, passa a se chamar Instituto Municipal Nise da Silveira.&lt;br /&gt;
==Seguidores==&lt;br /&gt;
===Luiz Carlos Mello=== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luiz Carlos Mello, conhecido como Lula, conheceu Nise da Silveira ao decorrer dos anos 1970, através do Grupo de Estudos realizados pela mesma. Na época em que conheceu a Doutora Nise, Mello era graduando em Engenharia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Após entrar em contato com o trabalho realizado por Nise da Silveira em Engenho de Dentro, Mello decidiu trabalhar voluntariamente com a psiquiatra, deixando de dar continuidade a sua graduação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mello é atualmente diretor e curador do Museu de Imagens do Inconsciente, onde é responsável pela Biblioteca Nise da Silveira e por atividades como organizar exposições em conjunto com a  equipe de museologia, por exemplo. Lula foi colaborador de Nise da Silveira desde que começou seu trabalho voluntário ao lado da mesma e, após sua morte, mantém viva a memória da Psiquiatra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mesmo é autor da fotobiografia “Nise da Silveira: Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde”, no qual conta a trajetória de Nise da Silveira, com a presença de documentos, textos, entrevistas, cartas, manuscritos e fotografias, boa parte retirada do acervo pessoal da médica psiquiatra. Além disso, o diretor destaca, em conferências, o papel e pioneirismo de Nise da Silveira na crítica à psiquiatria vigente na época, relacionando a médica também às origens da Reforma Psiquiátrica.&lt;br /&gt;
===Vitor Alexandre Pordeus da Silva===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vitor Alexandre Pordeus da Silva é médico imunologista, ator, psiquiatra cultural e pesquisador. Graduado pela Universidade Federal Fluminense, realizou sua residência em Israel no Instituto Weizmann e na Universidade de Tel Aviv. Teve início no doutorado na Universidade de São Paulo em Saúde Pública, porém não terminou a pós-graduação pois passou por um período de autoquestionamento levando-o a focar em atividades artísticas, ingressando no grupo de teatro de rua Tá Na Rua em 2006. Ficou conhecido por coordenar o projeto “Hotel da Loucura” em 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vitor Pordeus se familiarizou com o trabalho da doutora Nise somente após assumir o Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde do Rio de Janeiro em 2008. Ficou responsável pela coordenação desta pasta após ser convidado por Hans Dohmann seu antigo chefe no instituto Pró-cardíaco, uma vez que ele tinha assumido o cargo de secretário de saúde do município do Rio de Janeiro. Após assumir o cargo em 2009 conheceu o Museu Imagens do Inconsciente e, assim, passou a ser um grande admirador do trabalho de Nise da Silveira, se referindo à médica com “a melhor médica da história do Brasil”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo que Pordeus nunca tenha se filiado à instituição do Museu Imagens do Inconsciente ou aos seus gestores, foi dentro do complexo psiquiátrico que o Hotel da Loucura se deu início. O médico ator e seu grupo ocuparam duas enfermarias no último prédio deste gigantesco complexo, e fizeram daquele espaço o Hotel da Loucura a partir de ações como: pintar paredes, lavar banheiros, desenhar, cantar, pular. Ademais, seis coletivos foram situados nas enfermarias, o que levou os primeiros residentes para lá. O espaço contava ainda com uma cozinha, uma biblioteca e o hall de entrada, lugar que se tornou o principal espaço de reunião dos coletivos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda que Vitor Pordeus compartilhasse o espaço do hospital psiquiátrico, o médico ator tinha diferenças metodológicas da Doutora Nise e seus seguidores. Pordeus pensou sua arteterapia na forma de um exercício teatral, utilizando de exercícios de improviso e espontaneidade dos atores. Por mais que Nise também tenha utilizado de obras teatrais em sua terapia, pinturas e modelagens são muito mais presentes em sua trajetória no Museu. Além da teatralidade, Pordeus também criou atividades de cunho educativo como o Curso de Psicopatologia do Hotel da Loucura. O trabalho do médico ator teve uma grande repercussão, tendo em vista que o jornal internacional, BBC Londres, registrou uma de suas atividades teatrais. Dessa forma, Vitor Pordeus por diversas vezes foi chamado de “o verdadeiro herdeiro da Nise” devido ao grande impacto de suas realizações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 2015 o médico ator ingressou em um programa de doutorado no Departamento de Psiquiatria Cultural da McGill University, em Montreal, Canadá. Apesar de não estar presente no cotidiano do projeto do Hotel da Loucura, sua comunicação com sua equipe continuava de forma constante, além de ir até o Rio de Janeiro de forma regular. Entretanto, em 2016, Vitor Pordeus foi exonerado do cargo com a justificativa de que não estava cumprindo sua carga horária, e sua não participação ativa no Hotel. Desde então, o Hotel da Loucura foi transformado no Espaço Travessia – Corpo e Movimento, com outro profissional substituindo Pordeus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras==&lt;br /&gt;
As principais obras publicadas pela Doutora Nise da Silveira estão listadas abaixo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Jung: Vida e Obra. Rio de Janeiro, 1968.&lt;br /&gt;
*Terapêutica Ocupacional: Teoria e Prática, 1979&lt;br /&gt;
*Imagens do Inconsciente. Rio de janeiro, 1981&lt;br /&gt;
*Casa das Palmeiras. A emoção de lidar. Uma experiência em psiquiatria. Rio de janeiro,  1986&lt;br /&gt;
*O mundo das imagens. São Paulo, 1992&lt;br /&gt;
*Cartas a Spinoza. Rio de Janeiro, 1995&lt;br /&gt;
*Gatos – A Emoção de Lidar. Rio de Janeiro, 1998&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessas obras, Nise da Silveira possui artigos publicados em diversas Revistas e jornais, tais como: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Estado mental dos afásicos. Revista de Medicina, Cirurgia e Farmácia. Rio de Janeiro, 1944&lt;br /&gt;
*Considerações teóricas sobre ocupação terapêutica. Revista de Medicina, Cirurgia e Farmácia. Rio de Janeiro,  1952.&lt;br /&gt;
*Contribuição aos estudos dos efeitos da leucotomia sobre a atividade criadora. Revista de Medicina, Cirurgia e Farmácia. Rio de Janeiro, 1955.&lt;br /&gt;
*C. G. Jung e a psiquiatria. Revista Brasileira de Saúde Mental, 1962.&lt;br /&gt;
*20 anos de Terapêutica Ocupacional em Engenho de Dentro (1946-1966). Revista Brasileira de Saúde Mental, 1966.&lt;br /&gt;
*Perspectiva da Psicologia de C. G. Jung. Revista Tempo Brasileiro, 1970.&lt;br /&gt;
*O Museu de Imagens do Inconsciente – história. In: Museu de Imagens do Inconsciente. Coleção Museus Brasileiros. Rio de Janeiro, 1980.&lt;br /&gt;
*Retrospectiva de um trabalho vivido no Centro Psiquiátrico Pedro II. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, São Paulo, IX (1), p. 138-150, 2006. (trabalho original publicado nos Anais do XIV Congresso Nacional de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental. Maceió, 1979).&lt;br /&gt;
*40 anos do Museu de Imagens do Inconsciente. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tese de doutoramento da Nise, “Ensaio sobre a criminalidade da mulher no Brasil”, está disponível neste &#039;&#039;&#039;[https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/29508 link].&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
==Prêmios e conquistas==&lt;br /&gt;
Nise foi membro fundadora da Sociedade Internacional de Expressão Psicopatológica (&amp;quot;Societé Internationale de Psychopathologie de l&#039;Expression&amp;quot;), com sede em Paris. Sua pesquisa em terapia ocupacional e o entendimento do processo psiquiátrico através das imagens do inconsciente deram origem a diversas exibições, filmes, documentários, audiovisuais, cursos, simpósios, publicações e conferências. Em reconhecimento a seu trabalho, Nise foi agraciada com diversas condecorações, títulos e prêmios em diferentes áreas do conhecimento, entre eles:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &amp;quot;Ordem do Rio Branco&amp;quot; no Grau de Oficial, pelo Ministério das Relações Exteriores - 1987 &lt;br /&gt;
* Título de doutora Honoris Causa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) - 1988&lt;br /&gt;
* &amp;quot;Prêmio Personalidade do Ano de 1992&amp;quot;, da Associação Brasileira de Críticos de Arte&lt;br /&gt;
* &amp;quot;Medalha Chico Mendes&amp;quot;, do grupo Tortura Nunca Mais - 1993&lt;br /&gt;
* &amp;quot;Ordem Nacional do Mérito Educativo&amp;quot;, pelo Ministério da Educação e do Desporto - 1993&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu trabalho e idéias inspiraram a criação de museus, centros culturais e instituições  terapêuticas em diversos estados do Brasil e no exterior, como: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &amp;quot;Museu Bispo do Rosário&amp;quot;, da Colônia Juliano Moreira (Rio de Janeiro) &lt;br /&gt;
* &amp;quot;Centro de Estudos Nise da Silveira&amp;quot; (Juiz de Fora,Minas Gerais) &lt;br /&gt;
* &amp;quot;Espaço Nise da Silveira&amp;quot; do Núcleo de Atenção Psicossocial (Recife) &lt;br /&gt;
* &amp;quot;Núcleo de Atividades Expressivas Nise da Silveira&amp;quot;, do Hospital Psiquiátrico São Pedro (Porto Alegre-RS) &lt;br /&gt;
* &amp;quot;Associação de Convivência, Estudo e Pesquisa Nise da Silveira&amp;quot; (Salvador -Ba,) &lt;br /&gt;
* &amp;quot;Centro de Estudos Imagens do Inconsciente&amp;quot;, da Universidade do Porto (Portugal) &lt;br /&gt;
* &amp;quot;Association Nise da Silveira - Images de L&#039;Inconscient&amp;quot; (Paris- França) &lt;br /&gt;
* &amp;quot;Museo Attivo delle Forme Inconsapevoli&amp;quot; (Genova-Itália)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Relação com outros personagens==&lt;br /&gt;
===Carl Gustav Jung===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pesquisas de Nise foram aperfeiçoadas a partir do contato que travou com [[Carl Gustav Jung]], um dos maiores e mais influentes pensadores do século XX. Fundador da escola analítica de psicologia, Jung inspirou os estudos da alagoana sobre o inconsciente e teve em Nise da Silveira sua maior discípula no Brasil. Foi na [[Psicologia Analítica]], desenvolvida por Jung, que Nise identificou os fundamentos teóricos que a ajudariam a compor seu trabalho. O contato inicial ocorreu através da troca de correspondências, sendo aprofundado a partir da participação de Nise em um Congresso Internacional de Psiquiatria, realizado em 1957 em Zurique, na Suíça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1949, Nise já descrevia o aparecimento de figuras circulares (mandalas) nos desenhos dos pacientes esquizofrênicos, sem conseguir, no entanto, aprofundar sua significação. Não compreendia o aparecimento de imagens “sadias” com outras que indicavam a “patologia” (cisão). Os estudos do psiquiatra suíço Carl Jung sobre as mandalas, atraíram a atenção de Nise da Silveira para suas teorias sobre o inconsciente. Em 1954, notando serem mandalas temas recorrentes nas pinturas de seus pacientes, ela escreveu uma carta endereçada a Jung indagando sobre questões referentes ao simbolismo da mandala. Sendo prontamente respondida, Jung lhe confirma o caráter compensatório dessas mandalas e seu potencial de ordem autocurativo. Esse fato marcou a introdução da psicologia junguiana no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nise da Silveira estudou no &amp;quot;Instituto Carl Gustav Jung&amp;quot; em dois períodos: de 1957 a 1958; e de 1961 a 1962. No primeiro período, em 1957, Nise é convidada por Jung para passar um ano estudando com ele no Instituto Junguiano, na Suíça. Lá, foi estimulada pelo mestre a apresentar no II Congresso Internacional de Psiquiatria, em Zurique, no mesmo ano, uma exposição com as pinturas e modelagens de seus pacientes esquizofrênicos que ocupavam as sessões de terapia ocupacional no então Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta exposição ocupou cinco salas e chamou-se “A Esquizofrenia em Imagens&amp;quot;. Além de ter, na presença e entusiasmo de Jung, reconhecimento e prestígio. Jung documentava a linguagem simbólica do inconsciente coletivo, e nada mais eloquente que sua manifestação na arte espontânea e desengajada nascida dos esquizofrênicos. Ao mesmo tempo, Nise teve a oportunidade de encontrar uma explicação para aquelas figuras e temas tão recorrentes e, assim, ter acesso a uma metacomunicação que abria para ela segredos da esquizofrenia. Neste encontro em Zurique, Jung conheceu as teorias de Nise sobre a esquizofrenia e o tratamento realizado pela mesma através da terapêutica ocupacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi ainda neste período que Nise iniciou sua análise com Marie Louise von Franz, também em Zurique, seguida de sua colaboradora, a psiquiatra Alice Marques dos Santos. Nise voltaria para Zurique novamente nos anos 1961-62 e depois em 1964, amparada por bolsa cedida  pela  OMS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao retornar do congresso, onde obteve reconhecimento pelo seu trabalho, Nise iniciou em sua residência o Grupo de Estudos C. G. Jung, no Rio de Janeiro, o qual presidiu até 1968 e tinha por objetivo divulgar o pensamento do psicólogo. A partir daí, o grupo seria muito ativo, promovendo seminários, publicações (a revista Quatérnio) e pesquisas. Nesse mesmo ano, Nise publicou o livro  “Jung: vida e obra”, introduzindo a Psicologia Junguiana no Brasil. Ao compreender a importância das imagens mitológicas, do folclore, da religião, ela debruçou-se sobre a cultura nacional e publicou também alguns estudos sobre motivos do nosso folclore.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente depois de ser aposentada compulsoriamente, aos setenta anos, organizou e publicou seus livros mais conhecidos, Imagens do inconsciente (1981), onde apresenta as histórias que depois se tornariam o filme de mesmo nome, de Leon Hirszman, e O mundo das imagens (1992).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Carl Gustav Jung]]&lt;br /&gt;
* [[Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
* [[Movimento Antimanicomial]]&lt;br /&gt;
* [[Museu de Imagens do Inconsciente (MII)]]&lt;br /&gt;
* [[Psicologia Analítica]]&lt;br /&gt;
* [[Reforma Psiquiátrica Brasileira|Reforma Psiquiátrica no Brasil]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ARRUDA, Lauro. [http://www.hospitaldocoracao.com.br/index.php?option=com_content&amp;amp;view=article&amp;amp;id=226:nise-da-silveira-uma-psiquiatra-rebelde&amp;amp;catid=48:nomes-da-medicina&amp;amp;Itemid=120 Nise da Silveira: uma psiquiatra rebelde.] Hospital do Coração.&lt;br /&gt;
# MAGALDI, Felipe. 2019. [https://www.scielo.br/j/mana/a/BJkYhRrZRjXKKgjLDZzTtCz/ Das memórias de Nise da Silveira no hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro.] &#039;&#039;&#039;Mana&#039;&#039;&#039;, 635-665. &lt;br /&gt;
# CARVALHO, S. M. M.; AMPARO, P. H. M. Nise da Silveira: a mãe da humana-idade. &#039;&#039;&#039;Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental&#039;&#039;&#039;, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 126-137, 2006.&lt;br /&gt;
# CÂMARA, Fernando Portela. [http://www.polbr.med.br/ano04/wal0304.php A contribuição de Nise da Silveira para a psicologia junguiana.] &#039;&#039;&#039;Psychiatry On-line Brazil&#039;&#039;&#039;, Vol.9, Nº 3, Mar, 2004.&lt;br /&gt;
# FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). [http://www.elfikurten.com.br/2016/05/nise-da-silveira.html?m=1 Nise da Silveira – uma psiquiatra rebelde.] [http://www.elfikurten.com.br/2016/05/nise-da-silveira.html?m=1 Templo Cultural Delfos], mai, 2016. &lt;br /&gt;
# CASTRO, Eliane Dias de; LIMA, Elizabeth Maria Freire de Araújo. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1414-32832007000200017&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso.Acesso Resistência, inovação e clínica no pensar e no agir de Nise da Silveira.] &#039;&#039;&#039;Interface&#039;&#039;&#039;. Botucatu, v. 11, n. 22, p. 365-376, Ago. 2007.&lt;br /&gt;
# JACÓ-VILELA, A. M., OLIVEIRA, D. M. Clio-Psyché: discursos e práticas na história da psicologia. &#039;&#039;&#039;EDUERJ&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, 2018, p. 361.&lt;br /&gt;
# LESSA, Fábio Lins. [https://culturaeviagem.wordpress.com/2015/01/13/o-dia-em-que-a-alagoana-nise-da-silveira-conheceu-carl-jung-mais-um-encontro-de-genios/amp/ O dia em que a alagoana Nise da Silveira conheceu Carl Jung: mais um encontro de gênios.] &#039;&#039;&#039;Cultura e Viagem&#039;&#039;&#039;, 2014.&lt;br /&gt;
# MELO, W. (2009b). Nise da Silveira e o campo da Saúde Mental (1944-1952): contribuições, embates e transformações&#039;&#039;&#039;.&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;Mnemosine&#039;&#039;&#039;, 5, 30-52.      &lt;br /&gt;
# [http://www.ccms.saude.gov.br/nisedasilveira/datas-fatos.php Museu de Imagens do Inconsciente: O Legado de uma Vida – Datas e Fatos.] Nise da Silveira, Vida e Obra. &lt;br /&gt;
# PORDEUS, Vitor. [https://pt.slideshare.net/grimbow/036-040-vitor-pordeus “Hotel da Loucura”: entrevista concedida a Vicente Lou. Leros], abr. 2014. &lt;br /&gt;
# SCHLEDER, Karoline Stoltz; HOLANDA, Adriano Furtado. [http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1809-68672015000100006&amp;amp;lng=pt&amp;amp;nrm=iso Nise da Silveira e o enfoque fenomenológico.] &#039;&#039;&#039;Ver. Abordagem gestalt.&#039;&#039;&#039;, Goiânia, v. 21, n. 1, p. 49-61, jun.  2015. &lt;br /&gt;
# SILVEIRA, Nise da. [https://www.scielo.br/j/pcp/a/mGv5pMQxf8QtrQyqHRbGTsh/ Entrevista Nise da Silveira]. [Entrevista concedida a] LEAL, L. G. P. &#039;&#039;&#039;Psicol. Cienc. Prof.&#039;&#039;&#039; Brasília. Vol.14 no.1-3. Julho. 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Bruno Stael, Carolina Silva, Danielle da Silva, Larissa Heckert, Maria Carolinna Monteiro, como exigência parcial para a disciplina de Estudos Avançados Em História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2020.2, publicado em 2021.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Silvia_Lane&amp;diff=1422</id>
		<title>Silvia Lane</title>
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		<updated>2024-12-19T14:22:29Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções gramaticais e ortográficas; Adição de nomes na seção &amp;quot;ver também&amp;quot;, Verificação dos links utilizados nas referências e formatação destas&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Silvia Lane (Silvia Tatiana Maurer Lane) nasceu em São Paulo, em 3 de fevereiro de 1933, e faleceu em São Paulo no dia 29 de abril de 2006. Foi uma filósofa por formação que atuou principalmente no campo da psicologia social, e ficou famosa pela sua abordagem da psicologia social, em que a pesquisa estivesse sempre ligada às realidade, buscando soluções para os problemas sociais da sociedade brasileira. Esta abordagem ficou conhecida como Psicologia crítica sócio-histórica. Silvia também ficou famosa pela sua luta pela Psicologia latino-americana.&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
===Formação inicial e início de carreira===&lt;br /&gt;
Silvia Lane nasceu em São Paulo, no dia 3 de fevereiro de 1933, em uma família que era parte suíço-alemã, parte eslava, e a convivência com o pai que era professor universitário, inseriu Silvia ao trabalho intelectual. Silvia Lane se formou em filosofia na USP em 1956 e uma de suas professoras era [[Annita Cabral]], que a introduziu à psicologia por meio da leitura de koffka. Ainda em 1955, Silvia conseguiu uma bolsa de estudos de Psicologia no Wellesley College, nos EUA, com duração de um ano. Em 1956, logo após obter o bacharelado e a licenciatura foi Assistente de Pesquisa da Divisão Educacional do Centro de Pesquisas Educacionais de São Paulo e, depois, ocupou o cargo de diretora nos anos 1959-1960. Lane começou a lecionar Psicologia Geral na Escola de Enfermagem da Cruz Vermelha de São Paulo em 1957 e, anos depois, em 1965, se tornou professora de Psicologia Social e da Personalidade na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUCSP, a convite da Profa. [[Maria do Carmo Guedes]]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1962 casa-se com Fred Lane, com quem tem 4 filhos: Lilian, Ingrid, Guilherme e Eduardo, nascidos entre 1964 e 1971. Já em 1972, Silvia defendeu sua tese de Doutorado com o título “&#039;&#039;Significado psicológico de palavras em diferentes grupos socio-culturais”,&#039;&#039; e mais tarde, no mesmo ano, criou o Programa de Pós-graduação em Psicologia Social na PUCSP, que foi o segundo programa de Pós-graduação em Psicologia a ser criado no Brasil. Com isso, Silvia começou a trilhar seu caminho como pesquisadora na área, orientando inúmeras dissertações de Mestrado e teses de Doutorado. Em seguida, ela fez parte da ALAPSO, [[Associação Latino-Americana de Psicologia Social (ALAPSO)|Associação Latino-Americana de Psicologia Social]] e, de 1977 à 1980, fez parte de sua diretoria e também da diretoria da [[Sociedade Interamericana de Psicologia (SIP)]].&lt;br /&gt;
===Criação da Associação Brasileira de Psicologia Social===&lt;br /&gt;
Em um dos congressos da SIP, foi aprovada uma recomendação que sugeria a criação de associações nacionais de Psicologia Social, com objetivo de atender a realidade dos países individualmente e de incentivar o intercâmbio de pesquisadores e estudiosos. A partir disso, Silvia propõe em 1980, a criação da ABRAPSO, a [[Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO)|Associação Brasileira de Psicologia Social]], e é eleita como sua presidente. A ABRAPSO se torna o principal fórum de discussão e divulgação de pesquisa em Psicologia Social feita no Brasil, direcionada para o conhecimento das condições psicossociais da população brasileira, e para o debate sobre as práticas transformadoras que Silvia defendia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um ano depois, Silvia Lane pública seu primeiro livro, “O que é Psicologia Social”, que faz uma introdução acessível sobre o que é Psicologia Social, falando sobre diversos temas como Identidade social, consciência de si, família e escola. Em 1982, Lane realiza uma &amp;quot;viagem histórica&amp;quot;, financiada pelo CNPq a países da América Latina: Perú, Venezuela, Cuba, México, Colômbia, Porto Rico e Equador, junto com a Dra. Maria do Carmo Guedes e em 1984 é convidada, por Denise Jodelet e Serge Moscovici, a participar como Directeur d&#039;Études, da École des Hautes Etudes en Sciences Sociales em Paris, ministrando palestras. No mesmo ano participa de curso sobre Recherches sur Representations Sociales, do Laboratoire de Psychologie Social em Provence, na França.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De 1984 à 1987, Silvia é eleita vice-reitora Acadêmica da PUCSP. Em 1987, é homenageada no I Encontro de Psicologia Social no Pará, durante as comemorações dos 25 Anos de Psicologia e, dois anos depois, Silvia cria o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Consciência e suas mediações, que posteriormente muda seu nome para A mediação emocional no psiquismo humano. Em 1988 a professora chega à ministrar um Seminário sobre Uma Psicologia Social em bases do Materialismo Histórico, na Universidade Central da Venezuela, no Instituto de Psicologia, Pós-Graduação em Psicologia Social. Anos depois, já em 1995, Silvia Lane é homenageada no encontro nacional da ABRAPSO, no Ceará, pelos 30 anos de Atividades Profissionais exercidas por ela. Durante sua vida, Silvia ministrou incontáveis palestras e participou de simpósios dentro e fora do Brasil.&lt;br /&gt;
===Fim da vida===&lt;br /&gt;
Silvia Lane faleceu no dia 29 de abril de 2006, aos 73 anos, vítima de câncer. Silvia sempre será lembrada pelo seu papel transformador na Psicologia Social e por defender o conhecimento científico como Práxis. &lt;br /&gt;
===O Instituto Silvia Lane===&lt;br /&gt;
Apesar de ter sido criado após o falecimento de Silvia Lane, em 2007, o Instituto chegou à convidá-la para fazer parte do coletivo em 2004, convite do qual Silvia aceitou, mas que infelizmente foi impedido de acontecer pela sua morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Instituto Silvia Lane foi criado por pessoas envolvidas no trabalho de Silvia tanto direta quanto indiretamente, e que compartilham do projeto de Compromisso Social para a Psicologia. Criado com o objetivo de construir uma Psicologia comprometida com a realidade brasileira e com a criação de uma condição de vida digna para todos, o instituto é uma instituição civil, de direito privado, sem fins lucrativos, com finalidade pública, apartidária, de caráter educativo, cultural, de assessoria e prestação de serviço, que dá continuidade ao projeto de Silvia para a Psicologia e marca a sua importância para a sociedade brasileira.&lt;br /&gt;
==Quem influenciou==&lt;br /&gt;
O poder de suas ideias teve ressonância em muitos psicólogos brasileiros, ao qual muitos foram seus alunos, orientandos ou parceiros, como: [[Bader Sawaia]], com quem Silvia Lane chegou a organizar o livro “Novas Veredas em Psicologia Social”, [[Ana Bock]] e [[Odair Furtado]], que são dois dos fundadores do [[Instituto Silvia Lane]], [[Antonio Ciampa]], Suely Terezinha Ferreira, [[Wanderley Codo]], Maria de Fátima Quintal, e tantos outros, dentro e fora do país que foram influenciados . Silvia Lane era uma influência para que o objetivo desses psicólogos fosse sempre contribuir para uma psicologia voltada para os problemas concretos da realidade brasileira, em que esses fossem participantes, e não observadores da transformação da nossa sociedade.&lt;br /&gt;
==Obras==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* LANE, Sílvia T. M. Histórico e fundamentos da Psicologia Comunitária no Brasil. Em: CAMPOS, Regina H. F. (Org.) &#039;&#039;&#039;Psicologia Social Comunitária:&#039;&#039;&#039; da solidariedade à autonomia. Petrópolis: Vozes, 2006, p. 17-34, 11ª. Ed. (1ª. Ed. 1996).&lt;br /&gt;
* LANE, Sílvia T. M. A Psicologia Social na América Latina: por uma ética do conhecimento. Em: CAMPOS, Regina H.F. e GUARESCHI, Pedrinho (Orgs.) &#039;&#039;&#039;Paradigmas em Psicologia Social para a América Latina&#039;&#039;&#039;. Petrópolis: Vozes, 2002, p. 58-69, 2ª. Ed.&lt;br /&gt;
* LANE, Sílvia T.M. e Araújo, Yara. &#039;&#039;&#039;Arqueologia das Emoções&#039;&#039;&#039;. Petrópolis: Vozes, 2000.&lt;br /&gt;
* LANE, Sílvia T.M. Parar para pensar...e depois fazer. &#039;&#039;&#039;Psicologia e Sociedade,&#039;&#039;&#039; v. 8, n. 1, p.3-15, Jan/Jun. 1996.&lt;br /&gt;
* LANE, Sílvia T.M. e Sawaia, Bader B. (Orgs.) &#039;&#039;&#039;Novas Veredas em Psicologia Social&#039;&#039;&#039;. São Paulo: EDUC/Brasiliense, 1995.&lt;br /&gt;
* LANE, Sílvia T.M e Codo, Wanderley (Orgs) &#039;&#039;&#039;Psicologia Social:&#039;&#039;&#039; o homem em movimento. São Paulo: Brasiliense, 1984.&lt;br /&gt;
* LANE, Sílvia T.M.  A Psicologia Social e uma nova concepção de homem para a Psicologia. Em Lane, Sílvia T.M e Codo, Wanderley (Orgs) &#039;&#039;&#039;Psicologia Social:&#039;&#039;&#039; o homem em movimento. São Paulo: Brasiliense, 1984, p. 10-19.&lt;br /&gt;
* LANE, Sílvia T.M. &#039;&#039;&#039;O que é Psicologia Social.&#039;&#039;&#039; São Paulo: Brasiliense, 1981.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Silvia Lane recebeu Menção Honrosa no XXVI Congresso Interamericano de Psicologia, pelo melhor artigo publicado na Revista Interamericana de Psicologia, no período de 97-98 - 1999&lt;br /&gt;
* Recebeu o prêmio concedido aos pesquisadores que contribuem para o desenvolvimento da Psicologia Latino-Americana da Sociedade Interamericana de Psicologia, na XXVII edição do congresso - 2001&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Ana Bock]]&lt;br /&gt;
* [[Annita Cabral]]&lt;br /&gt;
* [[Antônio Ciampa]]&lt;br /&gt;
* [[Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO)]]&lt;br /&gt;
* [[Associação Latino-Americana de Psicologia Social (ALAPSO)]]&lt;br /&gt;
* [[Bader Sawaia]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto Silvia Lane]]&lt;br /&gt;
* [[Maria do Carmo Guedes]]&lt;br /&gt;
* [[Odair Furtado]]&lt;br /&gt;
* [[Sociedade Interamericana de Psicologia (SIP)]]&lt;br /&gt;
* [[Wanderley Codo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ABRAPSO. [http://abrapso.org.br/siteprincipal/images/Documentos/cronologiadesilvialane.pdf&amp;amp;ved=2ahUKEwjh5vXP9LLtAhXDuFkKHSUCCxgQFjAGegQIBhAB&amp;amp;usg=AOvVaw3ORtcxmefiSqlQAeEupaMG Biografias]. In: &#039;&#039;&#039;Cronologia de Silvia Lane&#039;&#039;&#039;. [S. l.], 5 ago. 2009. &lt;br /&gt;
# BOCK, Ana Mercês Bahia et al . [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0102-71822007000500018&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso Sílvia Lane e o projeto do “Compromisso Social da Psicologia”]. &#039;&#039;&#039;Psicol. Soc&#039;&#039;&#039;., Porto Alegre, v. 19, n. spe2, p. 46-56, 2007.&lt;br /&gt;
# BARRETO, Margarida. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0102-71822007000500007&amp;amp;lng=pt&amp;amp;nrm=iso Sílvia Lane: a mulher que fermentou idéias e alimentou ações transformadoras]. &#039;&#039;&#039;Psicol. Soc&#039;&#039;&#039;., Porto Alegre, v. 19, n. spe2, p. 18-20, 2007.&lt;br /&gt;
# CAMPOS, Regina Helena de Freitas; GUEDES, Maria do Carmo. Lane, “Silvia Tatiana Maurer”. &#039;&#039;&#039;Dicionário Biográfico da Psicologia no Brasil&#039;&#039;&#039;, [&#039;&#039;S. l.&#039;&#039;], p. 1-2. &lt;br /&gt;
# CIAMPA, Antônio da Costa. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0102-71822007000500006&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso Sílvia Lane: o homem em movimento.] &#039;&#039;&#039;Psicol. Soc&#039;&#039;&#039;., Porto Alegre, v. 19, n. spe2, pág. 17-18, 2007.&lt;br /&gt;
# LANE, Silvia T. M. &#039;&#039;&#039;O que é Psicologia Social?&#039;&#039;&#039;. Coleção Primeiros Passos. Nova Cultural: Brasilience, 1985&lt;br /&gt;
# LIMA, Aluísio Ferreira de; CIAMPA, Antonio da Costa; ALMEIDA, Juracy Armando Mariano de. [http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1519-549X2009000200004&amp;amp;lng=pt&amp;amp;nrm=iso Psicologia social como psicologia política?: A proposta de psicologia social crítica de Sílvia Lane]. &#039;&#039;&#039;Ver. Psicol. Polít&#039;&#039;&#039;., São Paulo,  v. 9, n. 18, p. 223-236, dez. 2009. &lt;br /&gt;
# [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1414-98932003000100014&amp;amp;lng=pt&amp;amp;nrm=iso Sílvia Lane]. &#039;&#039;&#039;Psicol. Cienc&#039;&#039;&#039;. &#039;&#039;&#039;Prof&#039;&#039;&#039;., Brasília   v. 23, n. 1, p. 101,  mar. 2003.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links externos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [http://abrapso.org.br/siteprincipal/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=294 Biografia da Silvia Lane - ABRAPSO]&lt;br /&gt;
* [https://silvialane.criadorlw.com.br/silvia-lane Quem foi Silvia Lane?]&lt;br /&gt;
* [https://www.youtube.com/watch?v=J-uh19AP9kk&amp;amp;feature=youtu.be&amp;amp;ab_channel=marcioacselrad Silvia Lane Estilo em Movimento]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Marcelle Felix Domingues, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2020.2, publicado em 2021.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Erik_Erikson&amp;diff=1421</id>
		<title>Erik Erikson</title>
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		<updated>2024-12-19T13:51:20Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções gramaticais e ortográficas; Adição de nomes na seção &amp;quot;ver também&amp;quot;, Verificação e atualização de links utilizados, tanto ao longo do texto quanto nas referências&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Erik Homburger Erikson nasceu na cidade de Frankfurt, Alemanha, em 15 de junho de 1902, e faleceu em 1994, em Harwich (Massachusetts, EUA). Foi psicanalista e se dedicou à psicologia do desenvolvimento e da personalidade. Famoso por criar o conceito de “crise de identidade” e pela Teoria do Desenvolvimento Psicossocial, atuou como professor nas Universidades de Harvard, Yale e UC Berkeley. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Infância e adolescência  ===&lt;br /&gt;
Erik viveu até os três anos exclusivamente sob a companhia e cuidados de sua mãe. Após esse período, sua mãe se casou com Theodor Homberger, seu pediatra, que o registrou com seu nome quando ele completou 5 anos de idade. O sobrenome Erikson (filho de Erik) foi adotado por ele ao obter a cidadania americana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson teve uma adolescência conturbada. Era tratado entre os garotos alemães como judeu, e entre os judeus era tratado como gentio. Isso se deve ao fato dele ter sido criado em uma comunidade judaica e ter aspecto fisionômico alemão. Após a conclusão do segundo grau, deixar a cidade onde vivia com a família, Karlsruhe, no sul da Alemanha, para viajar por vários países Europeus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Erikson e a Psicanálise===&lt;br /&gt;
Estudou Grego, Latim, Filosofia, Literatura e Ciências na escola de humanidades da luterana Karlsruhe, concluindo aos 18 anos o curso secundário que lhe proporcionou uma sólida base. Considerado inquieto e por ter algumas resistências com o ensino alemão, ele optou por não seguir o ensino formal na Universidade.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson encantou-se pelas Artes, e aos 21 anos, estudou informalmente Arte em Florença. Posteriormente, iniciou sua carreira no teatro e no magistério, tornando-se especialista no método Montessori de ensino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos 25 anos, em Viena, juntou-se a [[Sigmund Freud]], participando de um grupo formado por analistas e simpatizantes da psicanálise da época. Supõe-se que a aproximação com a Psicanálise ocorreu através de um amigo, Peter Blos, que o havia convidado para dar aulas de teatro em uma escola experimental dirigida por Dorothy Burlinghan e [[Anna Freud]], de quem se tornou amigo e admirador e com quem fez a sua análise didática. Mas também há relatos de que ele tenha conhecido Freud ao pintar um retrato de uma criança de sua família e que, após algumas conversas informais, Freud teria estabelecido um vínculo com ele, convidando-o a inscrever-se no Instituto Psicanalítico de Viena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua aproximação com Freud e os primeiros psicanalistas fez despertar seu interesse para a emergente ciência. Artista e sem formação acadêmica, estando entre os intelectuais do Instituto, Erikson chegou a questionar-se sobre sua permanência, contudo, foi encorajado por [[Anna Freud]], que o supervisionava, a através de sua experiência com crianças, buscar compreender o ego e o seu desenvolvimento, e assim fez por meio da observação das brincadeiras infantis. Com isso, seu foco e interesse artístico foi se deslocando para a análise infantil, o que, somado a forte influência por seu apreço por museus, fez com que escolhesse como linha de investigação, durante toda a sua vida, o processo vital humano como um ciclo interdependente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson conheceu em Viena uma americana chamada Joan Serson, que viria a ser sua mulher. Mestre em Sociologia, nutria interesse por dança moderna, educação e psicanálise, além de ser muito habilidosa com a escrita, o que fez com que ela desse uma importante contribuição para sua obra intelectual. Joan e Erikson tiveram quatro filhos: Kai (1931), Jon (1933), Sue (1938) e Neil (1944). Neil era portador de Síndrome de Down e faleceu aos 21 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como aconteceu com outros membros do grupo psicanalista inicial, em 1933, após formar-se pelo [[Instituto de Psicanálise de Viena]], com a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, mudou-se para os Estados Unidos, onde tornou-se um dos mais conceituados analistas de seu tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Universidades e pesquisas=== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi professor da Universidade de Harvard, da Universidade de Yale e em seguida da Universidade de Berkeley, onde empreendeu os estudos que culminaram com as teorias que o tornariam famoso em todo o mundo. Em Harvard, se uniu a pesquisadores que investigavam a personalidade, em uma Clínica de Psicologia, sob a orientação de Henry Murray.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1936, Erikson foi para o Instituto de Relações Humanas do departamento de psiquiatria da Universidade de Yale. Acostumado a uma forma de trabalho interdisciplinar, o Instituto reforçou seu interesse por investigação transcultural, o que impulsionou a juntar-se, em 1938, com outro colega em uma expedição para estudar os índios Sioux na Dakota do Sul, onde observou crianças, entrevistou adultos e analisou suas práticas. Estendendo, em 1939, a investigação transcultural entre os índios Yurok do norte da Califórnia, visto que veio se mudou para Califórnia em razão de um convite que o fez juntar-se em Berkeley à Universidade local, cidade onde permaneceu por 10 anos de sua vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através da experiência do seu consultório, Erikson, que era um pesquisador criterioso e observador atento, buscou material para seu pensamento teórico. O estudo que desenvolveu com os índios Sioux e depois com os índios Yurok lhe permitiu construir uma explicação acerca do desenvolvimento humano, considerando fatores ambientais e culturais em distintas sociedades. Foi através dessas experiências que Erikson estabeleceu critérios teóricos que embasaram seu trabalho sobre o ciclo de vida humano. Erik Erikson morreu em 1994 e sua última obra foi &amp;quot;O Ciclo de Vida Completo&amp;quot;, escrito em colaboração com a sua esposa, Joan M. Erikson.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Erikson dedicou-se ao estudo do desenvolvimento, tendo como norteador sua teoria do ciclo vital, considerando, portanto, os aspectos sociais, culturais, históricos e afetivos na constituição do ser humano. Para tanto, suas teorias contribuíram para os estudos acerca das mudanças sociais, com ênfase na juventude, uma vez que se debruça, dentre outros conceitos, sobre personalidade e identidade. Para tanto, possui uma obra intitulada “Identidade: juventude e crise”, no qual destaca as crises psicológicas na constituição da identidade durante a adolescência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As obras de Erikson ultrapassam a psicologia, contribuindo também para o campo da Educação. A partir de suas concepções acerca do sujeito psicossocial, Erikson proporciona discussões sobre a integralidade do desenvolvimento humano e da educação, visto que esta não é capaz de ser exercida sem que se considere os aspectos psicossociais do sujeito. A educação está aliada a formação humana, intrinsecamente constituída a partir dos aspectos que permeiam o desenvolvimento do sujeito. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Teorias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Teoria do Desenvolvimento Psicossocial===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Teoria do Desenvolvimento Psicossocial (Ciclo de vida) de Erikson considera que o desenvolvimento da identidade ocorre durante toda a vida, sofrendo mudanças mesmo após a adolescência. Esse desenvolvimento se dá em estágios e cada um envolve o que ele chamou de crise na personalidade. Esta crise pode ser compreendida como um dilema psicossocial que se manifesta em determinada fase da vida, respeitando um processo de maturação. E para que haja o desenvolvimento de um ego saudável, esta crise precisa ser resolvida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Crescer significa diferenciar tarefas pré-estabelecidas ao longo de contínuos períodos críticos, o que Erikson considera que se dará de forma sucessiva e integradora no que diz respeito ao estabelecimento da identidade de uma pessoa. Ele enfatiza a relação do ego com a organização social e afirma que a pessoa poderá fazer isso de forma equilibrada. É o inconsciente que se constitui enquanto motivação básica neste percurso, embora os processos de socialização sejam corresponsáveis por isso.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua teoria pressupõe que o homem passe por oito fases epigenéticas – oito idades do homem – e que cada uma integra um processo de realização de tarefas ou de crises relativas à identidade. À medida que a pessoa soluciona uma crise, ela está apta a passar para a fase seguinte. Cada fase desta, da infância à velhice, prefigura uma condição afetiva em relação ao solucionamento de cada tarefa: 1) Sentido de confiança; 2) Sentido de Autonomia; 3) Sentido de Iniciativa;4) Sentido de indústria (produtividade pessoal); 5) Sentido de Identidade; 6) Sentido de Intimidade; 7) Sentido de Generatividade; 8) Sentido de Integridade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Cronologia biográfica==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1902: Nasceu em 15 de junho, na cidade de Frankfurt, Alemanha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1920: Concluiu o curso secundário na escola de humanidades da luterana Karlsruhe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1923: Estudou Artes informalmente em Florença.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1927: Iniciou seus estudos no Instituto Psicanalítico de Viena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1933: Após formar-se pelo Instituto de Psicanálise de Viena, mudou-se para os Estados Unidos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1936: Foi para o Instituto de Relações Humanas do departamento de psiquiatria da Universidade de Yale.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1938: Iniciou uma expedição para estudar os índios Sioux, em Dakota do Sul.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1939: Mudou-se para a Califórnia e iniciou uma investigação transcultural entre os índios Yurok, do norte da Califórnia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1944-1948: Dedicou-se a escrever a sua obra &amp;quot;Childhood and Society&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1950: Publicou a sua primeira obra, sendo esta considerada parte principal do seu legado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1950-1982: Continuou a dedicar-se à sua linha de investigação e escrita de diversas obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1969: Publicou um livro sobre a vida de Gandhi, responsável pela conquista de 2 prêmios no ano seguinte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1982: Publicou sua última obra, &amp;quot;O Ciclo de Vida Completo&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1994: Faleceu em Harwich, Massachusetts, EUA. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Livros===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Infância e sociedade (1950)&lt;br /&gt;
* Identity and the life cycle (1959) &lt;br /&gt;
* Identidade: juventude e crise ̃(1968)&lt;br /&gt;
* A verdade de Gandhi: sobre as origens da não-violência militante (1969)&lt;br /&gt;
* Dimensions of a new identity (1974)&lt;br /&gt;
* O ciclo de vida completo (1982)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* The problem of ego identity. Journal of American Psychoanalysis, 4,56-121. (1956) &lt;br /&gt;
* Eight ages of man. International Journal of Psychiatry, 2(3), 281–300. (1966)&lt;br /&gt;
* Life cycle. International encyclopedia of the social sciences. 9, 286–292. (1968)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Prêmios==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Prêmio Pulitzer Não-Ficção, por “A verdade de Gandhi: sobre as origens da não-violência militante”). (1970)&lt;br /&gt;
* National Book Award Não-Ficção, na categoria Filosofia e Religião pelo livro “A verdade de Gandhi: sobre as origens da não-violência militante”). (1970)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Relação com outros personagens ou teorias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trabalhos de Erik Erikson sofreram influência de diversas esferas. A mais significativa foi a psicanálise, tendo Freud (1856-1939) e Anna Freud (1895-1982) como dois dos maiores personagens de influência. Erik desfrutou do privilégio de ser supervisionado por Anna Freud e tê-la como parceira nas discussões acerca da psicanálise.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Henry Murray]] (1893-1988) foi um psicólogo norte-americano que esteve na direção da Universidade de Harvard por aproximadamente 30 anos. Foi, ao longo deste período, diretor da Clínica Psicológica de Harvard na Escola de Artes e Ciências. Sua relação com Erikson se deu durante as pesquisas de investigação da personalidade, desenvolvidas nesta clínica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O antropólogo Alfred Kroeber (1876-1960) foi essencial para que Erik iniciasse seu caminho pela pesquisa-ação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Anna Freud]]&lt;br /&gt;
* [[Henry Murray]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psicanálise de Viena]]&lt;br /&gt;
* [[Sigmund Freud]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# CARPIGIANI, B. Erik H. Erikson. Teoria do desenvolvimento psicossocial. &#039;&#039;&#039;Carpsi - Serviços em psicologia, saúde e gestão, Newsletter&#039;&#039;&#039;. 7º ed, agosto de 2010.&lt;br /&gt;
# COSTA, F. Passos. &#039;&#039;&#039;Confiança Básica e imagem inconsciente do corpo:&#039;&#039;&#039; Um diálogo possível entre Erik Erikson e Françoise Dolto em torno da formação do psiquismo infantil e sua relação com os  transtornos mentais. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública). Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Santa Catarina, 2005. &lt;br /&gt;
# FIEDLER, A.J.C.B. Passos. O desenvolvimento psicossocial na perspectiva de Erik H. Erikson : as “oito idades do homem”. &#039;&#039;&#039;Revista Educação&#039;&#039;&#039;. Universidade. v. 11, n. 1, 2016.&lt;br /&gt;
# RABELLO, E.T. e PASSOS, J.S.; [https://josesilveira.com/wp-content/uploads/2018/07/Erikson-e-a-teoria-psicossocial-do-desenvolvimento.pdf Erikson e a Teoria Psicossocial do Desenvolvimento]. Outubro de 2007. &lt;br /&gt;
# SANTOS, Hellen e SILVA, Daniele. As contribuições da educação infantil e da teoria psicossocial de Erikson para o desenvolvimento infantil. &#039;&#039;&#039;In: Conedu, VII congresso nacional de educação,&#039;&#039;&#039; Alagoas, outubro de 2020.&lt;br /&gt;
# VERÍSSIMO, R. &#039;&#039;&#039;Desenvolvimento psicossocial (Erik Erikson)&#039;&#039;&#039;. Porto: Faculdade de Medicina do Porto, 2002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links externos==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://psychology.fas.harvard.edu/people/erik-erikson Erik Erikson (1902-1994): Psychosocial Theory of Human Development - Psychobiography] &lt;br /&gt;
* [https://www.pulitzer.org/winners/erik-h-erikson The 1970 Pulitzer Prize Winner in General Nonfiction: Gandhi&#039;s Truth, by Erik H. Erikson (Norton)]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Luciana Barros da Silva Gaspar e Nayara Mesquita Ribeiro, como exigência parcial para a disciplina de Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
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		<updated>2024-12-19T12:45:16Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções ortográficas e gramaticais; Identificação de nomes e instituições importantes para a história da psicologia; Implementação da seção &amp;quot;ver também&amp;quot; com tais nomes; Correção na formatação das seções e subseções; Verificação e correções nas referências&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Lev Semionovich Vygotsky nasceu em Orsha (Bielorrússia) em 17 de novembro de 1896, e faleceu em Moscou (URSS) em 11 de junho de 1934. Foi um psicólogo com enfoque de produção teórica na área que poderia ser definida como teoria sócio-histórico-cultural do desenvolvimento das funções mentais superiores. Sua obra se caracteriza por uma transdisciplinaridade que atravessa áreas como a Pedagogia, Pedologia, Filosofia, Artes, Literatura, Antropologia, Linguagem, Neurologia, entre outras que se relacionam aos problemas da educação e desenvolvimento cognitivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
Lev Vygotsky nasceu em 17 de novembro do ano de 1896, na cidade de Orsha, uma pequena cidade da Bielorrússia que se localiza próxima a fronteira do país com a então Rússia Imperial, no seio de uma família de classe média de origem étnica judaica. Sua família era bem culta e consumidora de conteúdo de cunho intelectual, sendo um fator que pôde proporcionar a Vygotsky um ambiente ampliador de horizontes. Seu pai, Semion Lvovitch (1869-1931), era chefe de&lt;br /&gt;
departamento de um banco e representante de uma companhia de seguros, e sua&lt;br /&gt;
mãe, Cecília Moiseevna (1874-1935), apesar de ser uma professora não em exercício, e de dedicar-se aos cuidados domésticos e familiares, se destacava por&lt;br /&gt;
sua inteligência superior e por ser uma grande conhecedora de diversas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1897, sua família aluga uma residência na cidade de Gomel, localizada&lt;br /&gt;
próxima à fronteira com a Ucrânia, cidade a qual ele residiu por um longo período de&lt;br /&gt;
sua vida junto a seus pais e seus sete irmãos, e onde foi tutorado por Solomon&lt;br /&gt;
Ashpiz, um adepto do método socrático.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Permaneceu até os 15 anos de idade sendo educado dentro de casa por&lt;br /&gt;
diversos tutores, e só veio a frequentar o ensino secundário (&#039;&#039;gymnasium&#039;&#039;) no ano de&lt;br /&gt;
1911. Em 1913, Vygotsky se formou no segundo grau com notas máximas, e no ano&lt;br /&gt;
seguinte, 1914, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Imperial de&lt;br /&gt;
Moscou. Entretanto, sem ao menos estudar um mês de medicina, ele decide&lt;br /&gt;
transferir-se para o curso de Direito da mesma universidade e, pouco tempo depois,&lt;br /&gt;
se matricula na Universidade Popular Chaniavski (Moscou), onde se dedica aos&lt;br /&gt;
estudos das áreas de literatura, linguagem, filosofia, história e psicologia. Estudando&lt;br /&gt;
então em duas universidades, em meio a um contexto de transformações&lt;br /&gt;
sócio-políticas na sociedade russa (localizado entre as Revoluções de 1905 e de&lt;br /&gt;
1917), Vygotsky se dedicou aos estudos dessas complexidades territoriais. Assim, seu percurso acadêmico foi marcado pela interdisciplinaridade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1915, enquanto passava suas férias em Gomel, Vygotski inicia a escrita&lt;br /&gt;
da 1a versão de sua monografia, que é concluída em 1916 sob o título de “A&lt;br /&gt;
Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca”, trabalho esse que futuramente seria&lt;br /&gt;
utilizado no desenvolvimento de sua obra Psicologia da Arte (publicado em 1925).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a revolução russa de 1917, mais especificamente a revolução socialista&lt;br /&gt;
de outubro(novembro no calendário ocidental) liderada por Vladimir Ilitch Lenin,&lt;br /&gt;
Vygotsky retornou para Gomel, na Bielorrúsia, com o diploma de advogado e, até&lt;br /&gt;
conseguir um emprego permanente, deu aulas particulares, produziu críticas&lt;br /&gt;
literárias e inicia sua carreira científica no campo da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 1918, sua vida passa por transformações e colapsos intensos,&lt;br /&gt;
onde de início, nesse mesmo ano, ele e dois de seus irmãos tiveram suas primeiras&lt;br /&gt;
crises de tuberculose (doença a qual viria a ser a causa de sua morte). Em 1919,&lt;br /&gt;
além de sua cidade, Gomel, ser libertada da dominação alemã e passar a sofrer&lt;br /&gt;
influência direta dos Sovietes, Vygotsky assume o cargo de diretor do&lt;br /&gt;
subdepartamento teatral do Departamento de Gomel de Instrução do Povo e, posteriormente, assume o cargo de diretor do departamento artístico do Órgão&lt;br /&gt;
Regional para a Instrução Política, ocupações essas duas dentre outras as quais ele&lt;br /&gt;
se atém até o ano de 1924.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1924, depois de se estabelecer como um cientista&lt;br /&gt;
independente em Gomel, a carreira e vida pessoal de Vygotsky tomam um rumo de&lt;br /&gt;
grande magnitude. Após participar do o 2o Congresso Russo de Psiconeurologia, em&lt;br /&gt;
Leningrado (onde apresenta 3 trabalhos que resumiam seus estudos experimentais:&lt;br /&gt;
Os métodos reflexológicos e psicológicos do estudo; Como se deve lecionar&lt;br /&gt;
Psicologia; e Resultados dos questionários sobre os ânimos dos alunos nas últimas&lt;br /&gt;
séries das escolas de Gomel em 1923), Vygotsky muda-se para a capital da União&lt;br /&gt;
Soviética depois de aceitar um convite para fazer parte do [[Instituto de Psicologia Experimental de Moscou]], e passa a ocupar um pequeno quarto no subsolo deste&lt;br /&gt;
instituto. Posteriormente, passou a trabalhar no Instituto de Estudos das Deficiências&lt;br /&gt;
e no Narkompros, onde voltou seus estudos para esse mesmo público. Nesse ano&lt;br /&gt;
ainda, Vygotsky se casa com Roza Smerrova, com quem ele tem duas filhas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De 1924 até 1934, ano esse que veio a falecer por complicações causadas&lt;br /&gt;
pela tuberculose, Vygotsky publicou mais de duzentas obras caracterizadas pelo&lt;br /&gt;
estudo das funções psicológicas superiores e do desenvolvimento cognitivo humano&lt;br /&gt;
pela ótica sócio-histórico-cultural, filogenético e ontogenético, debruçando-se na metodologia dialética.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
*Suas contribuições no campo educacional serviram para remodelar a visão antiquada e primitiva de muitos profissionais atuantes nesta área no que tange o processo de aprendizagem do ser humano.&lt;br /&gt;
*Responsável pela criação do conceito de &amp;quot;mediação&amp;quot; no processo educativo.&lt;br /&gt;
*Foi dos fundadores do Instituto de Estudo das Deficiências, localizado em Moscou.&lt;br /&gt;
*Foi responsável pela criação de um laboratório de psicologia na escola de formação de professores localizada na cidade de Gomel (Bielorrússia).&lt;br /&gt;
*Fundou uma editora e uma revista literária (Verask) em Gomel.&lt;br /&gt;
*Direcionou seus estudos para diversas áreas, como: educação, pedologia e psicopatologia.&lt;br /&gt;
*A maior parte do seu estudo e trabalho está relacionado a educação de indivíduos em contextos sociais e/ou econômicos precários.&lt;br /&gt;
*Participou de debates importantes no Instituto de Psicologia, onde defendeu a criação de uma psicologia voltada para marxismo.&lt;br /&gt;
*Elucida em suas obras a importância e a função que o profissional educacional possui no desenvolvimento intelectual da criança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
A teoria de Lev Vygotsky, em sua totalidade, é marcada por uma grande&lt;br /&gt;
transversalidade. Devido à influência de suas diferentes formações, completas e&lt;br /&gt;
incompletas, e ao contexto de transformações sócio-políticas na sociedade, sua obra&lt;br /&gt;
é marcada por características de diversas áreas. Assim, em seu objetivo de estudar&lt;br /&gt;
o desenvolvimento cognitivo humano, Vygotsky aborda aspectos sociais, históricos e&lt;br /&gt;
culturais da constituição do sujeito. Por esse fator, pode-se observar diferentes&lt;br /&gt;
nomes dados à sua abordagem, como: sócio-histórica, histórico-cultural e sócio-interacionista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pressuposto central de sua obra era “caracterizar os aspectos tipicamente&lt;br /&gt;
humanos do comportamento e elaborar hipóteses de como essas características se&lt;br /&gt;
formaram ao longo da história humana e de como se desenvolvem durante a vida de&lt;br /&gt;
um indivíduo” (REGO, 1995 apud Vygotsky, 1984, p. 21). Com isso, questões sobre&lt;br /&gt;
como o ser humano se relaciona com o mundo, o papel do trabalho - de grande&lt;br /&gt;
influência marxista - nessa relação e a análise do desenvolvimento da linguagem&lt;br /&gt;
como fundamental nesse processo (REGO, 1995), são assuntos frequentes em seus&lt;br /&gt;
trabalhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vygotsky dedicou-se ao estudo das chamadas “funções psicológicas&lt;br /&gt;
superiores”, isto é, aos processos psíquicos intencionais, conscientemente&lt;br /&gt;
controlados e voluntários, processos tipicamente humanos como: “memória, atenção&lt;br /&gt;
e lembrança voluntária, memorização ativa, imaginação, capacidade de planejar,&lt;br /&gt;
estabelecer relações, ação intencional, desenvolvimento da vontade, elaboração&lt;br /&gt;
conceitual, uso da linguagem, representação simbólica das ações propositadas,&lt;br /&gt;
raciocínio dedutivo, pensamento abstrato” (JOENK, 2007, p.3). Tais funções mentais&lt;br /&gt;
superiores não seriam apenas da ordem biológica, pois não são inatas ou reflexas,,mas sim intencionais e aprendidas, ou seja, formadas junto com a cultura e a história do indivíduo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desse modo, seguindo o pensamento de Vygotsky, pode-se definir sua&lt;br /&gt;
abordagem como uma Psicologia Genética, não entendendo genética no sentido&lt;br /&gt;
estritamente biológico, mas como um processo de gênese dos processos psíquicos&lt;br /&gt;
e sua evolução (REGO, 1995). Portanto, como uma abordagem alternativa, Vygotsky&lt;br /&gt;
propõe uma nova psicologia. Tendo grande influência da teoria marxista, a nova&lt;br /&gt;
psicologia proposta pelo pensador Russo visava compreender o homem enquanto&lt;br /&gt;
ser biológico e social, agente transformador do mundo, sendo também transformado&lt;br /&gt;
neste processo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apresentado o embasamento e o objetivo de sua teoria, é possível apontar&lt;br /&gt;
alguns pontos principais onde Vygotsky desenvolveu sua concepção de homem.&lt;br /&gt;
Desta forma, como introdução à obra deste autor, pode-se estabelecer cinco teses&lt;br /&gt;
principais do desenvolvimento de seu trabalho: Relação indivíduo-sociedade;&lt;br /&gt;
Origem cultural das funções psíquicas; Base biológica do funcionamento psicológico;&lt;br /&gt;
Mediação da atividade humana; Conservação, pela análise psicológica, das&lt;br /&gt;
características básicas dos processos psicológicos (REGO, 1995).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na relação indivíduo-sociedade, Vygotsky apresenta a ideia de um indivíduo&lt;br /&gt;
como processo de imanência da interação dialética do homem com o meio social.&lt;br /&gt;
Portanto, as características tipicamente humanas não estariam presentes desde o&lt;br /&gt;
nascimento do indivíduo, nem tampouco seriam apenas moldadas pelo meio&lt;br /&gt;
externo (REGO, 1995). Sendo assim, o homem, ao modificar o mundo, também seria&lt;br /&gt;
modificado. Nota-se com isso a integração entre o biológico e o social da teoria de&lt;br /&gt;
Vygotsky: &amp;lt;blockquote&amp;gt;&amp;quot;as funções psicológicas superiores do ser humano surgem da interação&lt;br /&gt;
dos fatores biológicos, que são parte da constituição física do Homo sapiens, com os&lt;br /&gt;
fatores culturais, que evoluíram através das dezenas de milhares de anos de&lt;br /&gt;
história humana&amp;quot; (REGO, 1995 Apud Luria, 1992, p.60).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Sobre a origem cultural das funções psíquicas, esta é uma consequência da&lt;br /&gt;
tese anterior, pois a formação das funções psicológicas tipicamente humanas, para&lt;br /&gt;
Vygotsky, se faz na interação indivíduo-sociedade, ou seja, se constrói na relação&lt;br /&gt;
entre o homem e seu contexto social e cultural. Portanto, “o desenvolvimento&lt;br /&gt;
humano não é dado &#039;&#039;a priori&#039;&#039;, não é imutável e universal, não é passivo, nem&lt;br /&gt;
tampouco independente do desenvolvimento histórico e das formas sociais da vida&lt;br /&gt;
humana.” (REGO, 1995, pp.41-42). Dessa forma, o desenvolvimento humano se daria de maneira construtiva, sendo a cultura parte constitutiva da natureza humana; esta&lt;br /&gt;
relação se daria a partir da internalização dos modos historicamente determinados e&lt;br /&gt;
culturalmente organizados de operar com informações (REGO, 1995, p.42).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com relação à base biológica do funcionamento psicológico, Vygotsky&lt;br /&gt;
destaca a característica da plasticidade do cérebro. Sendo o órgão não um substrato&lt;br /&gt;
imutável e rígido, mas sim sujeito à adaptações, Vygotsky entende o funcionamento&lt;br /&gt;
cerebral como sendo moldado através da história e desenvolvimento pessoal do&lt;br /&gt;
homem. Assim, o cérebro estaria sujeito a mudanças e transformações ao longo da&lt;br /&gt;
história, sendo transformado na relação do homem com o mundo, sem que&lt;br /&gt;
necessariamente haja mudanças no órgão físico, tendo a plasticidade, por isso,&lt;br /&gt;
grande importância no desenvolvimento cognitivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre a mediação, Vygotsky aponta sua presença em toda atividade humana.&lt;br /&gt;
Assim, “são os instrumentos técnicos e sistemas de signos, construídos&lt;br /&gt;
historicamente, que fazem a mediação dos seres humanos entre si e deles com o&lt;br /&gt;
mundo” (REGO, 1995, p.42). A linguagem, por exemplo, seria um signo mediador&lt;br /&gt;
fundamental, característico da atividade humana, pois esta é responsável por&lt;br /&gt;
carregar conceitos construídos ao longo da história do homem, mediando sua&lt;br /&gt;
relação com o social e cultural. Portanto, a relação do homem com o mundo não se&lt;br /&gt;
daria de forma direta, mas sim mediada por estes signos e ferramentas,&lt;br /&gt;
responsáveis por fundamentar o desenvolvimento psíquico do ser humano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acerca da conservação das características básicas dos processos&lt;br /&gt;
psicológicos, pela análise psicológica, Vygotsky afirma que os funcionamentos&lt;br /&gt;
psicológicos superiores, anteriormente citados, devem ser analisados e estudados&lt;br /&gt;
(REGO, 1995, p.43). Não sendo reduzidos apenas a uma cadeia de reflexos ou&lt;br /&gt;
comportamentos inatos, a nova psicologia proposta pelo psicólogo russo aponta a&lt;br /&gt;
necessidade de estudo sobre as mudanças e desenvolvimento do psiquismo&lt;br /&gt;
humano em vista do contexto social, histórico e cultural. Portanto, estes processos,&lt;br /&gt;
exclusivamente humanos, sendo complexos e sofisticados, devem ter um espaço de&lt;br /&gt;
estudo na psicologia, tendo como base a construção e desenvolvimento de um&lt;br /&gt;
sujeito agente, transformador do contexto sócio- cultural e também transformado por&lt;br /&gt;
este.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apontadas as teses, que servem como norteadoras da psicologia&lt;br /&gt;
Vygotskyana, pode-se destacar diversas teorias dentro de sua obra, como: Relação&lt;br /&gt;
entre pensamento e linguagem; Diferenças do psiquismo animal e do homem; Criatividade e imaginação; Zona de desenvolvimento proximal; Conceitos cotidianos&lt;br /&gt;
e científicos. Assim, Lev Semionovitch Vygotsky, em sua extensa obra, apesar de&lt;br /&gt;
sua morte precoce, inaugurou uma nova abordagem psicológica, tendo como&lt;br /&gt;
objetivo superar os paradigmas vigentes de constituição do sujeito, apresentando&lt;br /&gt;
um conceito de homem inseparável do materialismo dialético, ou seja, o&lt;br /&gt;
desenvolvimento psíquico sendo característica de um sujeito que é produto e&lt;br /&gt;
produtor do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Discípulos/quem influenciou/seguidores ==&lt;br /&gt;
Seus principais colaboradores foram: [[Alexander Romanovich Luria]]&lt;br /&gt;
(1902-1977) e [[Alexei Nikolaievich Leontiev]] (1904-1979), e juntos formaram o grupo&lt;br /&gt;
chamado Troika. Os três estudavam juntos questões ligadas à psicologia, sociologia,&lt;br /&gt;
linguagem e biologia, e também trabalharam escrevendo prefácios, traduzindo livros&lt;br /&gt;
e publicando importantes artigos sobre seus estudos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de trabalharem juntos a Vygotsky, Luria e Leontiev deram&lt;br /&gt;
prosseguimento aos seus estudos e desenvolveram suas teses teóricas a partir dos&lt;br /&gt;
pensamentos de Vygotsky. Luria, através da ideia de relação de interação entre&lt;br /&gt;
homem e objetos sociais, desenvolveu pesquisas na área de neuropsicologia a fim&lt;br /&gt;
de compreender processos mentais resultantes da atividade humana. E desse&lt;br /&gt;
modo, ele identificou três unidades de funcionamento do cérebro, sendo a primeira a&lt;br /&gt;
unidade que regula a atividade cerebral e o estado de vigília; a que recebe e analisa&lt;br /&gt;
as informações; e a terceira a qual age programando, regulando e controlando a&lt;br /&gt;
atividade, e assim concluiu que os processos mentais têm relação direta com&lt;br /&gt;
aspectos sociais. Enquanto isso, Leontiev utilizou como base para a construção de sua&lt;br /&gt;
Teoria da Atividade uma ideia de Vygotsky a qual diz que o conceito de atividade é&lt;br /&gt;
central para compreender o desenvolvimento social e humano, e assim a cultura por&lt;br /&gt;
meio da atividade se dá como processo mediador entre homem e meio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relação com outros personagens ou teorias ==&lt;br /&gt;
Os trabalhos de Vygotsky sofreram influência de diversas áreas de pesquisas,&lt;br /&gt;
sendo elas: psicologia, sociologia, biologia e linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na área de linguagem, ele se interessou pelos estudos dos russos A.A.&lt;br /&gt;
Potebnya e Alexander von Humboldt, os quais buscaram compreender a origem da&lt;br /&gt;
linguagem e sua ligação com o desenvolvimento do pensamento. Também teve&lt;br /&gt;
influência de V.A. Wagner nos seus estudos que comparavam comportamento&lt;br /&gt;
humano e animal. No campo do desenvolvimento humano ele teve influência de KN&lt;br /&gt;
Kornilov e P.P. Blonsky; e em relação à sociologia e antropologia da europa ocidental&lt;br /&gt;
se influiu nos trabalhos de R. Thurrrwald e L. Levy-Bmhl.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um fator muito importante para a elaboração de suas obras e pesquisas foi o&lt;br /&gt;
pensamento Marxista. Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895)&lt;br /&gt;
utilizavam como método o materialismo histórico dialético e, Vygotsky, através deste e&lt;br /&gt;
das ideias elaboradas sobre a sociedade, trabalho e interação homem e natureza,&lt;br /&gt;
baseou sua teoria sobre desenvolvimento relacionado à aspectos sociais e culturais,&lt;br /&gt;
visto que esses fatores são estritamente associados. E a partir desses fundamentos&lt;br /&gt;
elaborou uma psicologia histórico-cultural.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, apesar de ser contemporâneo à [[Jean Piaget]], os dois se&lt;br /&gt;
distanciaram em diversos pontos em relação a teoria de desenvolvimento cognitivo e&lt;br /&gt;
tinham críticas sobre suas teses teóricas, contudo ambos tinham interesse nos&lt;br /&gt;
estudos acerca da gênese dos processos psicológicos.Todavia, ele Vygostsky atuou&lt;br /&gt;
escrevendo o prefácio de dois livros de Piaget na suas traduções russas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
Por mais que Vigotski tenha falecido aos 37 anos, a riqueza deixada nos materiais&lt;br /&gt;
escritos por ele é bem extensa, ademais, foram publicadas obras póstumas.&lt;br /&gt;
Adiciona-se que, muitas das obras publicadas após a morte do autor contém textos,&lt;br /&gt;
artigos ou estenografia de aulas e palestras nos meios acadêmico e científico. A&lt;br /&gt;
maior parte da análise de estudo de Lev Vigotski se deu nos campos da pedagogia&lt;br /&gt;
da psicologia e da pedologia. Suas obras e artigos mais importantes são:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1915&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*A tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca (manuscrito sobre o ensaio de análise crítica da obra de Shakespeare)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1922&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*Sobre os métodos do ensino de literatura nas escolas secundárias. Relatório à Conferência Distrital de Metodologia Científica&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1923&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*Sobre os Métodos do Ensino de Literatura nas Escolas Secundárias&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1924&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*Prefácio de Problemas da Educação de Crianças Cegas, Surdas-mudas e Retardadas. Moscou, SPON NKP&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Publicações: A Investigação do Processo de Compreensão de Linguagem Utilizando a Tradução Múltipla de texto de uma Língua para outra&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1925&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*Teoria bazissa i nadstroiki (A teoria da base e da superestrutura), em Os Princípios de Educação de Crianças com Defeitos Físicos&lt;br /&gt;
*Psirrologuia iskusstva (Psicologia da Arte) - Escrito em 1925 e publicado em 1965&lt;br /&gt;
*Consciousness as a problem in the Psychology of Behavior&lt;br /&gt;
*Prefácio de Além do princípio do prazer de Freud Moscou, Problemas Contemporâneos (colaboração de A.R. Luria)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1926&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*Rets Na kn.: Otto Rühle. Psirrica proletarskogo rebionka - Resenha do livro de Otto Rühle: o psiquismo da criança proletária)&lt;br /&gt;
*Pedagoguitcheskaia psirrologuia (Psicologia Pedagógica)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1927&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*Imagination and Creativity in Childhood&lt;br /&gt;
*Historical meaning of the crisis in Psychology&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1928&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*Pedologuia chkolnogo vozrasta (Pedologia da idade escolar)&lt;br /&gt;
*Lektsii po psirrologuii razvitia (Aulas sobre a psicologia do desenvolvimento)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1929&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*Pedologuia iunochevskogo vozrasta (Pedologia da juventude)&lt;br /&gt;
*The Problem of the Cultural Development of the Child&lt;br /&gt;
*The Fundamental Problems of Defectology&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1930&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*Primitive Man and His Behaviour&lt;br /&gt;
*The Socialist alteration of Man&lt;br /&gt;
*The Instrumental Method in Psychology&lt;br /&gt;
*On Psychologicl Systems&lt;br /&gt;
*Mind, Consciousness. the Unconscious&lt;br /&gt;
*Voobrajenie i Tvorchestvo v Detskom Vozraste. Psikhologicheskii Ocherk (Imaginação e Criatividade na Infância. Ensaio de Psicologia)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1931&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*Pedologuia podrostka (Pedologia do adolescente)&lt;br /&gt;
*The Problem of Teaching and Mental Development at School Age&lt;br /&gt;
*The Dynamics of Schoolchild’s Mental Development in Relation to Teaching and Learning, esse artigo foi publicado originalmente em russo&lt;br /&gt;
*The History of the Development of the Higher Mental Functions&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1932&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*On the Problem of the Psychology of the Actor’s Creative Work&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1933&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*Play and its role in the Mental development of the Child&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1934&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*The problem of the environment&lt;br /&gt;
*The Problem of Consciouness&lt;br /&gt;
*The Problem of Age&lt;br /&gt;
*Thought and language (Pensamento e linguagem) - Publicado após 6 meses da morte do autor&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1978&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*Mind in Society, publicado em inglês&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;1979&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
*On the development of higher forms of attention in childhood&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Crítica ==&lt;br /&gt;
Vygotsky, embora tenha falecido prematuramente, desenvolveu teorias&lt;br /&gt;
extremamente relevantes para o campo educacional, que apesar de terem sido&lt;br /&gt;
descobertas tarde, ainda são estudadas por psicólogos, pedagogos e as demais&lt;br /&gt;
profissões do campo educacional. Vygotsky desenvolveu suas teorias&lt;br /&gt;
contemporaneamente a Jean Piaget, e as obras produzidas por ambos, em diversos&lt;br /&gt;
momentos entre cruzavam campos do saber similares, como o processo de aprendizagem&lt;br /&gt;
e sua relação com o mundo externo. Apesar de muitos explorarem a relação dos&lt;br /&gt;
conteúdos como uma rivalidade, ou como teorias em completa oposição, o próprio&lt;br /&gt;
Piaget, ao notar a existência de um conteúdo próximo do seu, apresentou as&lt;br /&gt;
divergências e convergências de seu conteúdo para com os de Vygotsky, ainda&lt;br /&gt;
afirmando que as algumas críticas vindas de vygotsky não seriam tão relevantes, pois suas próximas obras já as respondiam. Contudo, ele recebeu algumas críticas&lt;br /&gt;
do próprio Piaget por possuir um “excessivo otimismo bio-social” no desenvolvimento&lt;br /&gt;
das funções superiores, dado que as demais teorias eram baseadas no processo&lt;br /&gt;
biológico. Sua teoria ia contra estágios prontos de desenvolvimento, assim como&lt;br /&gt;
currículos prontos baseados nesses estágios pré-datados, “O currículo não pode&lt;br /&gt;
determinar com antecedência o ponto de viragem em que um princípio geral se torna&lt;br /&gt;
claro para determinada criança” (Vygotsky 1934 p.101). Essa filosofia ia contra os&lt;br /&gt;
estudos desenvolvidos na época, por exemplo por Piaget que ganhou notoriedade&lt;br /&gt;
criando os estágios de desenvolvimento infantil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns livros de Vygotsky, o autor apresenta algumas críticas direcionadas a&lt;br /&gt;
Piaget, demonstrando os equívocos de determinadas teorias, porém Piaget o&lt;br /&gt;
responde, justificando e contra argumentando tais equívocos. Contudo lamenta por&lt;br /&gt;
vygotsky não ter tido acesso, devido sua morte precoce, a novos estudos e&lt;br /&gt;
descobertas da área impossibilitando o autor de dar continuidade às próprias teorias&lt;br /&gt;
que poderiam ser amadurecidas ou alteradas por ele. Vygotsky e Piaget divergem&lt;br /&gt;
em um ponto crucial da teoria, a linguagem egocêntrica, este ressaltado por&lt;br /&gt;
vygotsky e tardiamente também por piaget. Eles discordam em relação a sequência&lt;br /&gt;
que se dá a transição da linguagem egocêntrica para com as demais linguagens e pensamento. E ainda Piaget enfatiza que não está de acordo com vygotsky quanto a&lt;br /&gt;
teoria do desenvolvimento do conhecimento, pois não acredita que o processo de&lt;br /&gt;
conhecimento seja apenas adições que complementam conhecimentos anteriores.&lt;br /&gt;
Apesar disso, não há justificativa para por como paralela ambas as teorias já que&lt;br /&gt;
vygotsky não pode concluir suas pesquisas, enquanto que Piaget avançou em suas&lt;br /&gt;
teorias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia biográfica ==&lt;br /&gt;
1896 - Nasce em Orsha, Bielorrússia, Lev Semionovitch Vigotski.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1897 - Os pais de Vygotski alugam uma casa e planejam mudar-se para&lt;br /&gt;
Gomel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1913 - Vygotsky termina o ginásio com medalha de ouro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1914 - Ao ingressar no curso de medicina, Vygotski não completa nem um&lt;br /&gt;
mês de estudos, e opta por transferir-se para o curso de direito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1916 - Vygotsky começa a produzir a 1a versão da monografia, A Tragédia de&lt;br /&gt;
Hamlet, Príncipe da Dinamarca, de W. Shakespeare.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1917 - A Revolução Socialista triunfa na Rússia.&lt;br /&gt;
1924 - Vygotsky muda-se para Moscou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1929 - Luria prepara com Vigotski um trabalho a ser apresentado no IX&lt;br /&gt;
Congresso Internacional de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1931 - Vygotsky é nomeado para o cargo de vice-diretor&lt;br /&gt;
da área científica do Instituto de Proteção da Saúde das crianças e dos&lt;br /&gt;
adolescentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1934 - Vygotsky morre vítima de complicações causadas pela tuberculose.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1955 - Textos de Vigotski são publicados nos EUA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1965 - Primeira edição de Psicologia da Arte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Alexander Romanovich Luria]]&lt;br /&gt;
* [[Alexei Nikolaievich Leontiev]]&lt;br /&gt;
* [[Jean Piaget]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psicologia Experimental de Moscou]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
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# PRESTES, Zoia; TUNES, Elizabeth. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0103-166X2012000300003 A trajetória de obras de Vigotski: um longo percurso até os originais]. &#039;&#039;&#039;Estud. psicol.&#039;&#039;&#039; Campinas, v. 29, n. 3, p.327-340, Set. 2012&lt;br /&gt;
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# SOUZA, Gilcênio. Teoria Histórico-Cultural e aprendizagem contextualizada. &#039;&#039;&#039;Psicologia da educação&#039;&#039;&#039; UFRGS, fev. 2011&lt;br /&gt;
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# VYGOTSKY, L. S &#039;&#039;&#039;A Formação Social da Mente&#039;&#039;&#039;. Edição Martins Fontes. 2003&lt;br /&gt;
# VYGOTSKY, Lev Semenovitch. &#039;&#039;&#039;Imaginação e Criatividade na Infância:&#039;&#039;&#039; Ensaio de Psicologia. Dinalivro. Portugal, 1ed, 2012&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Bruno Meloni, Mayara Carvalho, Milena Meirelles, Giovanna&lt;br /&gt;
Mendes, João Pedro Agualuza, como exigência parcial para a disciplina de Psicologia e Desenvolvimento Cognitivo da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.1, publicado em 2021.1.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=CAPS_Clarice_Lispector&amp;diff=1415</id>
		<title>CAPS Clarice Lispector</title>
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		<updated>2024-12-16T12:18:42Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Atualização do verbete para estar de acordo com a versão do Boletim. Mudanças no cabeçalho e novas passagens inseridas. Mais uma referência incluída ao final&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Clarice Lispector é uma unidade de saúde mental localizada no Rio de Janeiro e oferece serviços de atenção e atendimento psicossocial para pessoas em sofrimento psíquico grave, além de possuir caráter territorial. A trajetória do CAPS Clarice Lispector remete à Zona Norte do Rio de Janeiro, mais especificamente ao bairro do Engenho de Dentro, onde o referido CAPS atualmente se situa. De forma mais precisa, ele se situa no espaço do antigo Centro Psiquiátrico Pedro II, o qual foi um dos maiores e mais antigos hospitais do setor no Brasil. Esse, por sua vez, remonta ao Hospício Pedro II, que foi a primeira instituição psiquiátrica do Brasil — localizada no atual campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro na Praia Vermelha — para o tratamento de pessoas avaliadas na época como alienadas. Ou seja, a história do CAPS Clarice Lispector remonta em algumas linhas à história da mais antiga instituição de tratamento de saúde mental no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História entre 1830 e 1930 ===&lt;br /&gt;
Essa história teve início a partir da década de 1830, quando médicos do então Distrito Federal do Brasil, atual Rio de Janeiro, começaram a debater a necessidade de criar um manicômio para tratar pacientes com doenças mentais, visto que, com a ausência de um espaço específico para essa demanda, esses pacientes eram presos ou enviados para a Santa Casa de Misericórdia. A Santa Casa, assim, desempenhou um papel chave na institucionalização e implantação dos aparatos psiquiátricos, além da mobilização para a construção do Hospício Pedro II. É importante igualmente destacar que o Código criminal de 1832 igualmente já previa em seu artigo 12º uma casa destinada aos loucos que tivessem cometido crimes (BRASIL,  1832).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nada obstante esses debates iniciais, foi somente em 1838 que a primeira iniciativa  surgiu de forma clara e objetiva visando a criação de um espaço próprio para o manejo da loucura no Brasil. Tal proposta encontra-se em um relatório da Comissão de Salubridade da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro. Porém, apenas em 18 de julho de 1841, dia da Sagração de Dom Pedro II como imperador, foi decretada a construção de um hospital próprio para os ditos alienados, a saber, o chamado Hospício Pedro II. Esse começou como um anexo da Santa Casa de Misericórdia até ser concluída sua construção, em 1852, na então Praia da Saudade, atual  Urca/ Praia Vermelha, na zona sul da cidade.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a proclamação da República, em 1889, ele foi renomeado como Hospício Nacional de Alienados e, posteriormente, [[Hospital Nacional de Alienados (HNA)]]. Esse processo de modificação na nomenclatura se deu a partir do decreto Nº 142-A de 11 de janeiro de 1890, decreto esse que foi também responsável pela retirada da Santa Casa da Misericórdia da direção do hospital, transferindo-a para a classe médica. Segundo o decreto: &amp;lt;blockquote&amp;gt;“(...) após considerar a criação de uma assistência para alienados e constatar o fim dos motivos para manter o Hospício Pedro II sob controle da Santa Casa da Misericórdia, resolve (...) desanexá-lo daquele hospital [A Santa Casa] e constituí-lo estabelecimento público independente, com a denominação de Hospício Nacional de Alienados, que se regerá por instruções que serão oportunamente expedidas (...)”. &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Ao longo dos anos, houve diversas mudanças administrativas e na direção do HNA, com figuras consideradas proeminentes da psiquiatria brasileira ocupando seus cargos de direção. Dentre eles, pode-se citar [[João Carlos Teixeira Brandão]], de 1887 até 1901, tendo sido responsável pela criação do Pavilhão de Observação, que, articulado à cadeira de Clínica Psiquiátrica, promoveu a associação entre a formação acadêmica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e a formação prática do HNA. Além desse, pode ser citado [[Juliano Moreira]], que permaneceu no cargo de 1903 até 1930 e empenhou-se para adequar a estrutura do estabelecimento às tendências científicas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Estabelecimentos anexos/criação das colônias ===&lt;br /&gt;
Com o intuito de lidar com a superpopulação do hospital (HNA), foram estabelecidos anexos, como as Colônias da Ilha do Governador, de São Bento e da Barão de Mesquita, instituídos a partir do decreto N⁰206-A, de 15 de fevereiro de 1890, todas dentro de um regime de internação. Em 1923, essas colônias foram substituídas pela Colônia Agrícola de Jacarepaguá, onde hoje há o Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A principal diferença entre os pacientes que se dirigiam ao HNA e dos que iam para as Colônias fica explicitada no terceiro artigo do supramencionado decreto: enquanto o HNA, estabelecimento central da Assistência aos Alienados, é destinado aos doentes pensionistas curáveis ou incuráveis cuja estadia é custeada pelo Estado ou por familiares; as Colônias, por sua vez, são “[...] exclusivamente reservadas para os alienados indigentes, capazes de se entregarem à exploração agrícola e às industrias [...]”.&amp;lt;blockquote&amp;gt;Sendo assim, o que era para ser uma alternativa ao modelo asilar o Hospício se tornou uma extensão pouco auspiciosa do mesmo para onde eram remetidos os indivíduos identificados como casos crônicos e pouco alvissareiros. (MACHADO; GOMES; FERREIRA, 2023, p. 4)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Desta feita, fica evidente que os doentes nas Colônias são aqueles que podem – e devem – trabalhar. Uma série de outros decretos reforçam a diferença entre os pacientes que circulavam pelo HNA e os que circulavam pelas Colônias. No Decreto N° 8.834 de 11 de julho de 1911, o qual cria a Colônia de Alienadas do Engenho de Dentro, em seu artigo 74 é claro ao afirmar que: “As colônias serão reservadas a alienados indigentes, transferidos do Hospital Nacional e capazes de entregar-se à exploração agrícola e outras pequenas indústrias.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse cenário, em 1911, foi aberta, destinada às mulheres, a Colônia de Engenho de Dentro, essa é de suma importância na história do que, anos mais tarde, viria a se localizar o CAPS Clarice. A referida colônia, entre os anos de 1923 e 1937 passou a ser denominada [[Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro]], posteriormente, modificou a sua nomenclatura de Colônia Gustavo Riedel e, já em 1938, passou a denominar-se Centro Psiquiátrico Nacional. Inicialmente, a criação dessa colônia também se deu para atender à demanda de superlotação do Hospital Nacional de Alienados, tendo como diretor [[Simplício de Lemos Braule Pinto]], de 1911 a 1918 e, em seguida, [[Gustavo Kholer Riedel]] entre 1918 e 1932. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outro verbete da WikiHP, intitulado &amp;quot;[[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&amp;quot;, há a seguinte descrição:&amp;lt;blockquote&amp;gt;&amp;quot;A colônia se destina a pacientes do HNA mulheres, indigentes e aptas a trabalhar, uma vez que o trabalho era tido como estratégia terapêutica. Além disso, pretendia-se também estender ao subúrbio serviços de prevenção e higiene mental, o que, mais tarde, acarretou na oferta gratuita de assistência médica para a comunidade no entorno devido a surtos de doenças no período&amp;quot;.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Saída da Praia Vermelha para o bairro do Engenho de Dentro ===&lt;br /&gt;
Portanto, a essa altura da história tem-se o Hospital Nacional dos Alienados, na Praia Vermelha, e a Colônia de Alienados do Engenho de Dentro, que após diversas alterações de nomes, em 1938, chamava-se Centro Psiquiátrico Nacional. Foi em 1938 que o Dr. Adauto Botelho propôs a criação do Serviço Nacional de Doenças Mentais, resultando na transferência dos pacientes do HNA, que a essa altura já estava muito sobrecarregado, para o Centro Psiquiátrico Nacional (CPN) em 1943. Segundo o site do Centro Cultural do Ministério da Saúde:&amp;lt;blockquote&amp;gt;Em 1938, o Dr. Adauto Botelho ao assumir a direção da Assistência aos Alienados transferiu os doentes do Hospício Nacional de Alienados para o Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, antiga Colônia de Alienadas. A Urca, bairro onde se localizava o antigo hospício havia tornado-se bairro residencial, portanto, não sendo mais conveniente a presença do hospício no local. (mostra virtual &amp;quot;Hospício de Pedro II: da construção à desconstrução)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;O verbete “ Hospital Nacional de Psicopatas 1927-1943”, de  Cristiana Facchinetti, presente no &#039;&#039;Dicionário Histórico de Instituições de Psicologia no Brasil&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;,&#039;&#039;&#039; explica que: &amp;lt;blockquote&amp;gt;a transferência efetivou-se em 1943 com a desativação das instalações do antigo Hospício Nacional de Alienados e sua incorporação pela Universidade do Brasil. O fim do Hospital Nacional de Alienados foi resultado da reestruturação do Ministério de Educação e Saúde (1937), que envolveu a criação do Serviço Nacional de Doenças Mentais, em 1941. Na Praia Vermelha ficaram, sob a responsabilidade da Universidade do Brasil, o Pavilhão de Observação e Diagnósticos (nomeado de Instituto de Psicopatologia) e o Instituto de Neurossífilis, que se tornaram, respectivamente, o [[Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ)|Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)]] e o Instituto Municipal de Assistência à Saúde Philipe Pinel, inclusive o Pavilhão de Observação e Diagnóstico, que passou a se denominar Instituto de Psicopatologia, onde atualmente é o Instituto de Psiquiatria da UFRJ. (FACCHINETTI, 2011 p. 252)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Em 1965, o Marechal Castello Branco, através do Decreto-lei 55.474, criou nova denominação para o Centro Psiquiátrico Nacional, que passou a ser intitulado Centro Psiquiátrico Pedro II (CPPII). Em dezembro de 1999, o CPPII foi municipalizado e, a partir de 5 de setembro de 2000, através do Decreto 18.917, passou à denominação de Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira (IMASNS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História a partir da década de 1990 ===&lt;br /&gt;
Desta história de longa duração são produzidos dois cortes na década de 1990: o primeiro na própria orientação nas políticas de assistência em saúde mental com a institucionalização de serviços substitutivos aos hospitais psiquiátricos, como os Centros de Atenção Psicossociais (os CAPS), conforme o movimento da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Além do corte na orientação dos serviços, há um corte espacial localizado na enfermaria feminina do hospital, prioritariamente com os grupos de profissionais responsáveis por atender usuários com internações recorrentes. Os pacientes atendidos, em grande parte, provinham de enfermarias na Baixada Fluminense e passaram a ter assistência garantida no CPPII, através do chamado “Grupo de Egressos”. O referido grupo tinha como objetivo buscar outras alternativas além das internações e, para atingir esse fim, os atendimentos semanais poderiam se desdobrar em visitas domiciliares e acompanhamentos às crises. A partir de 1998, com aumento da necessidade de cuidados, abre-se um espaço no terraço do prédio de enfermarias para a realização de grupos e oficinas, integrando não só o Grupo de Egressos, mas também contando com a participação dos internos, especificamente daqueles que são pacientes de longa internação. Nesse mesmo momento, está ocorrendo a Municipalização do Centro Psiquiátrico Pedro II, e assim, a instituição em 1999 passa a se chamar (IMASNS), enquanto o prédio de enfermarias é renomeado de “Unidade Hospitalar Professor Adauto Botelho” para “Casa do Sol”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não obstante essas modificações, esse espaço para a realização de grupos e oficinas ainda era mantido informalmente, o que trazia problemáticas, havia a necessidade de conhecer os novos integrantes e suas histórias, que se expandiam para além dos limites do Grupo de Egressos, levando a equipe a buscar a consolidação de um lugar institucional. Diante dessa necessidade de formalização, em 2000, são formadas as bases do serviço que continuaria funcionando dentro do IMASNS por mais 5 anos - o então nomeado Centro de Convivência. Esse se estabelece com o objetivo de ultrapassar o lugar de um espaço de convivência para se implicar formalmente no tratamento de cada um dos usuários. No meio desse processo, há a chegada de novos profissionais concursados, que se fez possível diante da municipalização do CPPII, e com a presença de um supervisor de equipe passa a haver uma implementação de institucionalidade e de discussão permanente das estratégias de cuidado com os usuários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O novo serviço foi instituído sob a gerência de Edmar Oliveira, e a Subgerência de Atenção Psicossocial ficou a cargo de Marcos José Martins. Dessa forma, os antigos serviços de atenção diária passaram a se alinhar ao trabalho da direção do futuro CAPS Clarice Lispector. Foi então decidido, a partir das características prévias dos 3 serviços de atenção diária que funcionavam no instituto - Casa D’Engenho, Espaço Aberto ao Tempo e Centro de Convivência -,  que o Centro de Convivência seria responsável pelos pacientes (ou usuários, numa linguagem mais atual, mas usaremos o termo pacientes devido à época) institucionalizados do Nise e pelos pacientes externos, o que consolidou a permanência de seu espaço dentro do próprio instituto, uma vez que consideravam que os pacientes não frequentariam o serviço se não fosse dentro do próprio Nise. Seguindo essa lógica, o Centro de Convivência ficou responsável pelo próprio bairro do Engenho de Dentro e por bairros vizinhos, como Água Santa, Encantado e Liberdade.&lt;br /&gt;
No entanto, os desafios de se operar no espaço o andar térreo de onde viviam muitos dos residentes do hospital logo apareceram. Sendo um ambiente sem portas e um espaço onde muitos dos pacientes já costumavam frequentar, colocou-se a necessidade de estabelecer fronteiras entre esse novo espaço e as enfermarias. Também foram discutidas formas de trabalho conjunto dada a percepção de uma diferença de relação entre os pacientes institucionalizados e os externos, o que, até a inauguração do CAPS, implicou em várias ações e desenhos de trabalho conjunto, resultando em um arranjo particular para este CAPS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Da efetiva inauguração do CAPS Clarice Lispector ===&lt;br /&gt;
Em 2004,  há a possibilidade de mudança do espaço físico desse serviço com o intuito de se desvencilhar do hospital. Esse processo se fez a partir de uma articulação entre diversas instâncias gestoras, a saber: a Coordenação do CAPS, a Direção do Instituto Nise da Silveira, a Assessoria de Saúde Mental da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ) e a Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde, culminando assim na criação de uma instituição nos moldes dos demais CAPS do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inauguração do CAPS Clarice Lispector, realizada no dia 23 de maio de 2005, no bairro do Encantado, trouxe as marcas difusas de um espaço refeito e construído a partir da articulação entre o Programa de Moradia do Instituto Nise da Silveira (cuja orientação era marcada pelo viés da desinstitucionalização dos usuários) e a coordenação do CAPS.  A partir dessa implementação, o CAPS passa por processos semelhantes a de outros centros de atenção no que tange às variações nas políticas municipais de saúde e a discussões de caráter nacional, que dizem respeito aos próprios destinos da reforma. No entanto, é importante destacar que a localização dentro do próprio complexo do instituto Nise da Silveira auxilia em alguns processos referentes à tomada de decisão e mesmo o suprimento do corpo técnico para as equipes multidisciplinares. Vale também destacar a mudança para CAPS III durante a pandemia de Covid-19.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim pode ser caracterizada a história do CAPS Clarice Lispector: uma curta história em corte com as práticas manicomiais, mas em conexão com territórios, espaços e heranças dos antigos asilos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
* [[Hospital Nacional de Alienados (HNA)]]&lt;br /&gt;
* [[Gustavo Kholer Riedel]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ)]]&lt;br /&gt;
* [[João Carlos Teixeira Brandão]]&lt;br /&gt;
* [[Juliano Moreira]]&lt;br /&gt;
* [[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
* [[Simplício de Lemos Braule Pinto]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[http://www.ccms.saude.gov.br/hospicio/colonias.php#:~:text=As%20col%C3%B4nias%20chamavam%2Dse%20S%C3%A3o,apenas%20pacientes%20do%20sexo%20masculino. As Colônias - Hospício de Pedro II]&#039;&#039;&#039;.  Acesso em: 8 out. 2024. &lt;br /&gt;
# BRASIL, Codigo do Processo Criminal do Imperio de 1832. Lei de 29 de dezembro de 1832. &#039;&#039;&#039;Coleção das Leis do Brasil&#039;&#039;&#039;. &lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1851-1899/d0142-a.htm DECRETO No 142-A, DE 11 DE JANEIRO DE 1890]&#039;&#039;&#039;. Disponível em: Acesso em: 23 set. 2024. &lt;br /&gt;
# FACCHINETTI, CRISTIANA. Hospital Nacional de Psicopatas 1927-1943. In. JACÓ-VILELA, A. M (Org,). &#039;&#039;&#039;[http://newpsi.bvs-psi.org.br/ebooks2010/pt/Acervo_files/DicionarioHistorico.pdf Dicionário histórico de instituições de psicologia no Brasil]&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora Conselho Federal de Psicologia, 2011. Acesso em: 23 set. 2024.&lt;br /&gt;
# MACHADO, F.; GOMES, D. Lima Barreto e Bispo do Rosário: narrativas de resistência em meio a confinamentos. &#039;&#039;&#039;Revista Scientiarum Historia&#039;&#039;&#039;, v. 1, p. 8, 6 set. 2021. Acesso em: 23 set 2024&lt;br /&gt;
# MACHADO, F.; GOMES, D.; FERREIRA, A. [https://revistas.hcte.ufrj.br/index.php/RevistaSH/article/view/303 O trabalho como gesto criativo :discutindo a ressocialização através do trabalho a partir da história das Colônias Agrícolas para Alienados no Brasil]. Revista Scientiarum Historia, v. 1, p. e423–e423, 31 dez. 2023. &lt;br /&gt;
# MACEDO, Marta; RECHTAND, Mauro; e MIRA, Karina. Pensando o cuidado dentro e fora – a criação do CAPS Clarice Lispector In: &#039;&#039;&#039;Archivos Contemporâneos do Engenho de Dentro&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro. Editora MS. 2007. P. 71 - 81&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Nise_da_Silveira Nise da Silveira - WikiHP]&#039;&#039;&#039;. Acesso em: 24 set. 2024. &lt;br /&gt;
# SILVA, C. &#039;&#039;&#039;[https://www.snh2017.anpuh.org/resources/anais/54/1502848703_ARQUIVO_CarineNevesAlves_Coloniaversaofinalem1508.pdf Colônia de Alienados de Engenho de Dentro (1911-1932)]&#039;&#039;&#039;. XXIX Simpósio de História Nacional. &#039;&#039;&#039;Anais&#039;&#039;&#039;... Em: COLÔNIA DE ALIENADOS DE ENGENHO DE DENTRO (1911-1932). Brasília, DF: 2017. Acesso em: 21 set. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado originalmente por Stella Costa Angelo, Amanda Albernaz de Freitas, Maurício Coutinho Pereira, Raphaela Silveira de Oliveira, Lucas Vieira Coutinho e Lorenzo Miguel Donato de Oliveira Santos, no contexto de uma pesquisa desenvolvida na graduação em Psicologia pela UFRJ, orientada pelo Prof. Dr. Arthur Arruda Leal Ferreira. Publicado em 2024.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instituições e Coletivos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
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		<title>CAPS Clarice Lispector</title>
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		<updated>2024-11-25T15:48:58Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Clarice Lispector é uma unidade de saúde mental localizada no Rio de Janeiro. Ele oferece serviços de atenção e atendimento psicossocial (psicológico e psiquiátrico, por exemplo) para pessoas em sofrimento psíquico grave e possui caráter territorial. A trajetória do CAPS Clarice Lispector remete à Zona Norte do Rio de Janeiro, mais especificamente ao bairro do Engenho de Dentro, onde o referido CAPS atualmente se localiza. Nesse mesmo local, anteriormente havia o Centro Psiquiátrico Pedro II, o qual foi um dos maiores e mais antigos hospitais psiquiátricos do Brasil. Esse, por sua vez, remonta ao Hospício Pedro II, que foi a primeira instituição psiquiátrica do Brasil — localizada no atual campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro na Praia Vermelha — para o  tratamento de pessoas avaliadas como doentes mentais, na época tidos como alienados. Ou seja, a história do CAPS Clarice Lispector remonta à história da mais antiga instituição de tratamento de saúde mental no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História entre 1830 e 1930 ===&lt;br /&gt;
Essa história teve início a partir da década de 1830, quando médicos do então Distrito Federal do Brasil, atual Rio de Janeiro, começaram a debater a necessidade de criar um manicômio para tratar pacientes com doenças mentais, visto que, com a ausência de um espaço específico para essa demanda, esses pacientes eram presos ou enviados para a Santa Casa de Misericórdia. A Santa Casa, assim, desempenhou um papel chave na institucionalização e implantação dos aparatos psiquiátricos, além da mobilização para a construção do Hospício Pedro II.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nada obstante esses debates iniciais, foi somente em 1838 que a primeira iniciativa  surgiu de forma clara e objetiva visando a criação de um espaço próprio para o manejo da loucura no Brasil. Tal proposta encontra-se em um relatório da Comissão de Salubridade da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro. Porém, apenas em 18 de julho de 1841, dia da Sagração de Dom Pedro II como imperador, foi decretada a construção de um hospital próprio para os ditos alienados, a saber, o chamado Hospício Pedro II. Esse começou como um anexo da Santa Casa de Misericórdia até ser concluída sua construção, em 1852, na então Praia da Saudade, atual  Urca/ Praia Vermelha, na zona sul da cidade.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a proclamação da República, em 1889, ele foi renomeado como Hospício Nacional de Alienados e, posteriormente, [[Hospital Nacional de Alienados (HNA)]]. Esse processo de modificação na nomenclatura se deu a partir do decreto Nº 142-A de 11 de janeiro de 1890, decreto esse que foi também responsável pela retirada da Santa Casa da Misericórdia da direção do hospital, transferindo-a para a classe médica. Segundo o decreto: &amp;lt;blockquote&amp;gt;“(...) após considerar a criação de uma assistência para alienados e constatar o fim dos motivos para manter o Hospício Pedro II sob controle da Santa Casa da Misericórdia, resolve (...) desanexá-lo daquele hospital [A Santa Casa] e constituí-lo estabelecimento público independente, com a denominação de Hospício Nacional de Alienados, que se regerá por instruções que serão oportunamente expedidas (...)”. &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Ao longo dos anos, houve diversas mudanças administrativas e na direção do HNA, com figuras consideradas proeminentes da psiquiatria brasileira ocupando seus cargos de direção. Dentre eles, pode-se citar [[João Carlos Teixeira Brandão]], de 1887 até 1901, tendo sido responsável pela criação do Pavilhão de Observação, que, articulado à cadeira de Clínica Psiquiátrica, promoveu a associação entre a formação acadêmica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e a formação prática do HNA. Além desse, pode ser citado [[Juliano Moreira]], que permaneceu no cargo de 1903 até 1930 e empenhou-se para adequar a estrutura do estabelecimento às tendências científicas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Estabelecimentos anexos/criação das colônias ===&lt;br /&gt;
Com o intuito de lidar com a superpopulação do hospital (HNA), foram estabelecidos anexos, como as Colônias da Ilha do Governador, de São Bento e da Barão de Mesquita, instituídos a partir do decreto N⁰206-A, de 15 de fevereiro de 1890, todas dentro de um regime de internação. Em 1923, essas colônias foram substituídas pela Colônia Agrícola de Jacarepaguá, onde hoje há o Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A principal diferença entre os pacientes que se dirigiam ao HNA e dos que iam para as Colônias fica explicitada no terceiro artigo do supramencionado decreto: enquanto o HNA, estabelecimento central da Assistência aos Alienados, é destinado aos doentes pensionistas curáveis ou incuráveis cuja estadia é custeada pelo Estado ou por familiares; as Colônias, por sua vez, são “[...] exclusivamente reservadas para os alienados indigentes, capazes de se entregarem à exploração agrícola e às industrias [...]”.&amp;lt;blockquote&amp;gt;Sendo assim, o que era para ser uma alternativa ao modelo asilar o Hospício se tornou uma extensão pouco auspiciosa do mesmo para onde eram remetidos os indivíduos identificados como casos crônicos e pouco alvissareiros. (MACHADO; GOMES; FERREIRA, 2023, p. 4)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Desta feita, fica evidente que os doentes nas Colônias são aqueles que podem – e devem – trabalhar. Uma série de outros decretos reforçam a diferença entre os pacientes que circulavam pelo HNA e os que circulavam pelas Colônias. No Decreto N° 8.834 de 11 de julho de 1911, o qual cria a Colônia de Alienadas do Engenho de Dentro, em seu artigo 74 é claro ao afirmar que: “As colônias serão reservadas a alienados indigentes, transferidos do Hospital Nacional e capazes de entregar-se à exploração agrícola e outras pequenas indústrias.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse cenário, em 1911, foi aberta, destinada às mulheres, a Colônia de Engenho de Dentro, essa é de suma importância na história do que, anos mais tarde, viria a se localizar o CAPS Clarice. A referida colônia, entre os anos de 1923 e 1937 passou a ser denominada [[Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro]], posteriormente, modificou a sua nomenclatura de Colônia Gustavo Riedel e, já em 1938, passou a denominar-se Centro Psiquiátrico Nacional. Inicialmente, a criação dessa colônia também se deu para atender à demanda de superlotação do Hospital Nacional de Alienados, tendo como diretor [[Simplício de Lemos Braule Pinto]], de 1911 a 1918 e, em seguida, [[Gustavo Kholer Riedel]] entre 1918 e 1932. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outro verbete da WikiHP, intitulado &amp;quot;[[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&amp;quot;, há a seguinte descrição:&amp;lt;blockquote&amp;gt;&amp;quot;A colônia se destina a pacientes do HNA mulheres, indigentes e aptas a trabalhar, uma vez que o trabalho era tido como estratégia terapêutica. Além disso, pretendia-se também estender ao subúrbio serviços de prevenção e higiene mental, o que, mais tarde, acarretou na oferta gratuita de assistência médica para a comunidade no entorno devido a surtos de doenças no período&amp;quot;.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Saída da Praia Vermelha para o bairro do Engenho de Dentro ===&lt;br /&gt;
Portanto, a essa altura da história tem-se o Hospital Nacional dos Alienados, na Praia Vermelha, e a Colônia de Alienados do Engenho de Dentro, que após diversas alterações de nomes, em 1938, chamava-se Centro Psiquiátrico Nacional. Foi em 1938 que o Dr. Adauto Botelho propôs a criação do Serviço Nacional de Doenças Mentais, resultando na transferência dos pacientes do HNA, que a essa altura já estava muito sobrecarregado, para o Centro Psiquiátrico Nacional (CPN) em 1943. Segundo o site do Centro Cultural do Ministério da Saúde:&amp;lt;blockquote&amp;gt;Em 1938, o Dr. Adauto Botelho ao assumir a direção da Assistência aos Alienados transferiu os doentes do Hospício Nacional de Alienados para o Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, antiga Colônia de Alienadas. A Urca, bairro onde se localizava o antigo hospício havia tornado-se bairro residencial, portanto, não sendo mais conveniente a presença do hospício no local. (mostra virtual &amp;quot;Hospício de Pedro II: da construção à desconstrução)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;O verbete “ Hospital Nacional de Psicopatas 1927-1943”, de  Cristiana Facchinetti, presente no &#039;&#039;Dicionário Histórico de Instituições de Psicologia no Brasil&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;,&#039;&#039;&#039; explica que: &amp;lt;blockquote&amp;gt;a transferência efetivou-se em 1943 com a desativação das instalações do antigo Hospício Nacional de Alienados e sua incorporação pela Universidade do Brasil. O fim do Hospital Nacional de Alienados foi resultado da reestruturação do Ministério de Educação e Saúde (1937), que envolveu a criação do Serviço Nacional de Doenças Mentais, em 1941. Na Praia Vermelha ficaram, sob a responsabilidade da Universidade do Brasil, o Pavilhão de Observação e Diagnósticos (nomeado de Instituto de Psicopatologia) e o Instituto de Neurossífilis, que se tornaram, respectivamente, o [[Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ)|Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)]] e o Instituto Municipal de Assistência à Saúde Philipe Pinel, inclusive o Pavilhão de Observação e Diagnóstico, que passou a se denominar Instituto de Psicopatologia, onde atualmente é o Instituto de Psiquiatria da UFRJ. (FACCHINETTI, 2011 p. 252)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Em 1965, o Marechal Castello Branco, através do Decreto-lei 55.474, criou nova denominação para o Centro Psiquiátrico Nacional, que passou a ser intitulado Centro Psiquiátrico Pedro II (CPPII). Em dezembro de 1999, o CPPII foi municipalizado e, a partir de 5 de setembro de 2000, através do Decreto 18.917, passou à denominação de Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira (IMASNS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História a partir da década de 1990 ===&lt;br /&gt;
Na década de 1990, reuniram-se na enfermaria feminina do hospital, os grupos de profissionais responsáveis por atender usuários com internações recorrentes. Os pacientes atendidos, em grande parte, provinham de enfermarias na Baixada Fluminense e passaram a ter assistência garantida no CPPII, através do chamado “Grupo de Egressos”. O referido grupo tinha como objetivo buscar outras alternativas além das internações e, para atingir esse fim, os atendimentos semanais poderiam se desdobrar em visitas domiciliares e acompanhamentos às crises. A partir de 1998, com aumento da necessidade de cuidados, abre-se um espaço no terraço do prédio de enfermarias para a realização de grupos e oficinas, integrando não só o Grupo de Egressos, mas também contando com a participação dos internos, especificamente daqueles que são pacientes de longa internação. Nesse mesmo momento, está ocorrendo a Municipalização do Centro Psiquiátrico Pedro II, assim, a instituição, em 1999, passa a se chamar (IMASNS), enquanto o prédio de enfermarias é renomeado de “Unidade Hospitalar Professor Adauto Botelho” para “Casa do Sol”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não obstante essas modificações, esse espaço para a realização de grupos e oficinas ainda era mantido informalmente, o que trazia problemáticas, havia a necessidade de conhecer os novos integrantes e suas histórias, que se expandiam para além dos limites do Grupo de Egressos, levando a equipe a buscar a consolidação de um lugar institucional. Diante dessa necessidade de formalização, em 2000, são formadas as bases do serviço que continuaria funcionando dentro do IMASNS por mais 5 anos - o então nomeado Centro de Convivência. Esse se estabelece com o objetivo de ultrapassar o lugar de um espaço de convivência para se implicar formalmente no tratamento de cada um dos usuários. No meio desse processo, há a chegada de novos profissionais concursados, que se fez possível diante da municipalização do CPPII, e com a presença de um supervisor de equipe passa a haver uma implementação de institucionalidade e de discussão permanente das estratégias de cuidado com os usuários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O novo serviço foi instituído sob a gerência de Edmar Oliveira, e a Subgerência de Atenção Psicossocial ficou a cargo de Marcos José Martins. Dessa forma, os antigos serviços de atenção diária passaram a se alinhar ao trabalho da direção do futuro CAPS Clarice Lispector. Foi então decidido, a partir das características prévias dos 3 serviços de atenção diária que funcionavam no instituto - Casa D’Engenho, Espaço Aberto ao Tempo e Centro de Convivência -,  que o Centro de Convivência seria responsável pelos pacientes (ou usuários, numa linguagem mais atual, mas usaremos o termo pacientes devido à época) institucionalizados do Nise e pelos pacientes externos, o que consolidou a permanência de seu espaço dentro do próprio instituto, uma vez que consideravam que os pacientes não frequentariam o serviço se não fosse dentro do próprio Nise. Seguindo essa lógica, o Centro de Convivência ficou responsável pelo próprio bairro do Engenho de Dentro e por bairros vizinhos, como Água Santa, Encantado e Liberdade.&lt;br /&gt;
No entanto, os desafios de se operar no espaço o andar térreo de onde viviam muitos dos residentes do hospital logo apareceram. Sendo um ambiente sem portas e um espaço onde muitos dos pacientes já costumavam frequentar, colocou-se a necessidade de estabelecer fronteiras entre esse novo espaço e as enfermarias. Também foram discutidas formas de trabalho conjunto dada a percepção de uma diferença de relação entre os pacientes institucionalizados e os externos, o que, até a inauguração do CAPS, implicou em várias ações e desenhos de trabalho conjunto, resultando em um arranjo particular para este CAPS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Da efetiva inauguração do CAPS Clarice Lispector ===&lt;br /&gt;
Em 2004,  há a possibilidade de mudança do espaço físico desse serviço com o intuito de se desvencilhar do hospital. Esse processo se fez a partir de uma articulação entre diversas instâncias gestoras, a saber: a Coordenação do CAPS, a Direção do Instituto Nise da Silveira, a Assessoria de Saúde Mental da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ) e a Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde, culminando assim na criação de uma instituição nos moldes dos demais CAPS do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inauguração do CAPS Clarice Lispector, realizada no dia 23 de maio de 2005, no bairro do Encantado, trouxe as marcas difusas de um espaço refeito e construído a partir da articulação entre o Programa de Moradia do Instituto Nise da Silveira (cuja orientação era marcada pelo viés da desinstitucionalização dos usuários) e a coordenação do CAPS.  A partir dessa implementação, o CAPS passa por processos semelhantes a de outros centros de atenção no que tange às variações nas políticas municipais de saúde e a discussões de caráter nacional, que dizem respeito aos próprios destinos da reforma. No entanto, é importante destacar que a localização dentro do próprio complexo do instituto Nise da Silveira auxilia em alguns processos referentes à tomada de decisão e mesmo o suprimento do corpo técnico para as equipes multidisciplinares. Vale também destacar a mudança para CAPS III durante a pandemia de Covid-19.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
* [[Hospital Nacional de Alienados (HNA)]]&lt;br /&gt;
* [[Gustavo Kholer Riedel]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ)]]&lt;br /&gt;
* [[João Carlos Teixeira Brandão]]&lt;br /&gt;
* [[Juliano Moreira]]&lt;br /&gt;
* [[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
* [[Simplício de Lemos Braule Pinto]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[http://www.ccms.saude.gov.br/hospicio/colonias.php#:~:text=As%20col%C3%B4nias%20chamavam%2Dse%20S%C3%A3o,apenas%20pacientes%20do%20sexo%20masculino. As Colônias - Hospício de Pedro II]&#039;&#039;&#039;.  Acesso em: 8 out. 2024. &lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1851-1899/d0142-a.htm DECRETO No 142-A, DE 11 DE JANEIRO DE 1890]&#039;&#039;&#039;. Disponível em: Acesso em: 23 set. 2024. &lt;br /&gt;
# FACCHINETTI, CRISTIANA. Hospital Nacional de Psicopatas 1927-1943. In. JACÓ-VILELA, A. M (Org,). &#039;&#039;&#039;[http://newpsi.bvs-psi.org.br/ebooks2010/pt/Acervo_files/DicionarioHistorico.pdf Dicionário histórico de instituições de psicologia no Brasil]&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora Conselho Federal de Psicologia, 2011. Acesso em: 23 set. 2024.&lt;br /&gt;
# MACHADO, F.; GOMES, D. Lima Barreto e Bispo do Rosário: narrativas de resistência em meio a confinamentos. &#039;&#039;&#039;Revista Scientiarum Historia&#039;&#039;&#039;, v. 1, p. 8, 6 set. 2021. Acesso em: 23 set 2024&lt;br /&gt;
# MACHADO, F.; GOMES, D.; FERREIRA, A. [https://revistas.hcte.ufrj.br/index.php/RevistaSH/article/view/303 O trabalho como gesto criativo :discutindo a ressocialização através do trabalho a partir da história das Colônias Agrícolas para Alienados no Brasil]. Revista Scientiarum Historia, v. 1, p. e423–e423, 31 dez. 2023. &lt;br /&gt;
# MACEDO, Marta; RECHTAND, Mauro; e MIRA, Karina. Pensando o cuidado dentro e fora – a criação do CAPS Clarice Lispector In: &#039;&#039;&#039;Archivos Contemporâneos do Engenho de Dentro&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro. Editora MS. 2007. P. 71 - 81&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Nise_da_Silveira Nise da Silveira - WikiHP]&#039;&#039;&#039;. Acesso em: 24 set. 2024. &lt;br /&gt;
# SILVA, C. &#039;&#039;&#039;[https://www.snh2017.anpuh.org/resources/anais/54/1502848703_ARQUIVO_CarineNevesAlves_Coloniaversaofinalem1508.pdf Colônia de Alienados de Engenho de Dentro (1911-1932)]&#039;&#039;&#039;. XXIX Simpósio de História Nacional. &#039;&#039;&#039;Anais&#039;&#039;&#039;... Em: COLÔNIA DE ALIENADOS DE ENGENHO DE DENTRO (1911-1932). Brasília, DF: 2017. Acesso em: 21 set. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado originalmente por Stella Costa Angelo, Amanda Albernaz de Freitas, Maurício Coutinho Pereira, Raphaela Silveira de Oliveira, Lucas Vieira Coutinho e Lorenzo Miguel Donato de Oliveira Santos, no contexto de uma pesquisa desenvolvida na graduação em Psicologia pela UFRJ, orientada pelo Prof. Dr. Arthur Arruda Leal Ferreira. Publicado em 2024.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instituições e Coletivos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=CAPS_Clarice_Lispector&amp;diff=1408</id>
		<title>CAPS Clarice Lispector</title>
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		<updated>2024-11-25T15:45:54Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Criação da seção &amp;quot;Autoria&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Clarice Lispector é uma unidade de saúde mental localizada no Rio de Janeiro. Ele oferece serviços de atenção e atendimento psicossocial (psicológico e psiquiátrico, por exemplo) para pessoas em sofrimento psíquico grave e possui caráter territorial. A trajetória do CAPS Clarice Lispector remete à Zona Norte do Rio de Janeiro, mais especificamente ao bairro do Engenho de Dentro, onde o referido CAPS atualmente se localiza. Nesse mesmo local, anteriormente havia o Centro Psiquiátrico Pedro II, o qual foi um dos maiores e mais antigos hospitais psiquiátricos do Brasil. Esse, por sua vez, remonta ao Hospício Pedro II, que foi a primeira instituição psiquiátrica do Brasil — localizada no atual campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro na Praia Vermelha — para o  tratamento de pessoas avaliadas como doentes mentais, na época tidos como alienados. Ou seja, a história do CAPS Clarice Lispector remonta à história da mais antiga instituição de tratamento de saúde mental no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História entre 1830 e 1930 ===&lt;br /&gt;
Essa história teve início a partir da década de 1830, quando médicos do então Distrito Federal do Brasil, atual Rio de Janeiro, começaram a debater a necessidade de criar um manicômio para tratar pacientes com doenças mentais, visto que, com a ausência de um espaço específico para essa demanda, esses pacientes eram presos ou enviados para a Santa Casa de Misericórdia. A Santa Casa, assim, desempenhou um papel chave na institucionalização e implantação dos aparatos psiquiátricos, além da mobilização para a construção do Hospício Pedro II.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nada obstante esses debates iniciais, foi somente em 1838 que a primeira iniciativa  surgiu de forma clara e objetiva visando a criação de um espaço próprio para o manejo da loucura no Brasil. Tal proposta encontra-se em um relatório da Comissão de Salubridade da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro. Porém, apenas em 18 de julho de 1841, dia da Sagração de Dom Pedro II como imperador, foi decretada a construção de um hospital próprio para os ditos alienados, a saber, o chamado Hospício Pedro II. Esse começou como um anexo da Santa Casa de Misericórdia até ser concluída sua construção, em 1852, na então Praia da Saudade, atual  Urca/ Praia Vermelha, na zona sul da cidade.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a proclamação da República, em 1889, ele foi renomeado como Hospício Nacional de Alienados e, posteriormente, [[Hospital Nacional de Alienados (HNA)]]. Esse processo de modificação na nomenclatura se deu a partir do decreto Nº 142-A de 11 de janeiro de 1890, decreto esse que foi também responsável pela retirada da Santa Casa da Misericórdia da direção do hospital, transferindo-a para a classe médica. Segundo o decreto: &amp;lt;blockquote&amp;gt;“(...) após considerar a criação de uma assistência para alienados e constatar o fim dos motivos para manter o Hospício Pedro II sob controle da Santa Casa da Misericórdia, resolve (...) desanexá-lo daquele hospital [A Santa Casa] e constituí-lo estabelecimento público independente, com a denominação de Hospício Nacional de Alienados, que se regerá por instruções que serão oportunamente expedidas (...)”. &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Ao longo dos anos, houve diversas mudanças administrativas e na direção do HNA, com figuras consideradas proeminentes da psiquiatria brasileira ocupando seus cargos de direção. Dentre eles, pode-se citar [[João Carlos Teixeira Brandão]], de 1887 até 1901, tendo sido responsável pela criação do Pavilhão de Observação, que, articulado à cadeira de Clínica Psiquiátrica, promoveu a associação entre a formação acadêmica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e a formação prática do HNA. Além desse, pode ser citado [[Juliano Moreira]], que permaneceu no cargo de 1903 até 1930 e empenhou-se para adequar a estrutura do estabelecimento às tendências científicas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Estabelecimentos anexos/criação das colônias ===&lt;br /&gt;
Com o intuito de lidar com a superpopulação do hospital (HNA), foram estabelecidos anexos, como as Colônias da Ilha do Governador, de São Bento e da Barão de Mesquita, instituídos a partir do decreto N⁰206-A, de 15 de fevereiro de 1890, todas dentro de um regime de internação. Em 1923, essas colônias foram substituídas pela Colônia Agrícola de Jacarepaguá, onde hoje há o Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A principal diferença entre os pacientes que se dirigiam ao HNA e dos que iam para as Colônias fica explicitada no terceiro artigo do supramencionado decreto: enquanto o HNA, estabelecimento central da Assistência aos Alienados, é destinado aos doentes pensionistas curáveis ou incuráveis cuja estadia é custeada pelo Estado ou por familiares; as Colônias, por sua vez, são “[...] exclusivamente reservadas para os alienados indigentes, capazes de se entregarem à exploração agrícola e às industrias [...]”.&amp;lt;blockquote&amp;gt;Sendo assim, o que era para ser uma alternativa ao modelo asilar o Hospício se tornou uma extensão pouco auspiciosa do mesmo para onde eram remetidos os indivíduos identificados como casos crônicos e pouco alvissareiros. (MACHADO; GOMES; FERREIRA, 2023, p. 4)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Desta feita, fica evidente que os doentes nas Colônias são aqueles que podem – e devem – trabalhar. Uma série de outros decretos reforçam a diferença entre os pacientes que circulavam pelo HNA e os que circulavam pelas Colônias. No Decreto N° 8.834 de 11 de julho de 1911, o qual cria a Colônia de Alienadas do Engenho de Dentro, em seu artigo 74 é claro ao afirmar que: “As colônias serão reservadas a alienados indigentes, transferidos do Hospital Nacional e capazes de entregar-se à exploração agrícola e outras pequenas indústrias.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse cenário, em 1911, foi aberta, destinada às mulheres, a Colônia de Engenho de Dentro, essa é de suma importância na história do que, anos mais tarde, viria a se localizar o CAPS Clarice. A referida colônia, entre os anos de 1923 e 1937 passou a ser denominada [[Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro]], posteriormente, modificou a sua nomenclatura de Colônia Gustavo Riedel e, já em 1938, passou a denominar-se Centro Psiquiátrico Nacional. Inicialmente, a criação dessa colônia também se deu para atender à demanda de superlotação do Hospital Nacional de Alienados, tendo como diretor [[Simplício de Lemos Braule Pinto]], de 1911 a 1918 e, em seguida, [[Gustavo Kholer Riedel]] entre 1918 e 1932. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outro verbete da WikiHP, intitulado &amp;quot;[[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&amp;quot;, há a seguinte descrição:&amp;lt;blockquote&amp;gt;&amp;quot;A colônia se destina a pacientes do HNA mulheres, indigentes e aptas a trabalhar, uma vez que o trabalho era tido como estratégia terapêutica. Além disso, pretendia-se também estender ao subúrbio serviços de prevenção e higiene mental, o que, mais tarde, acarretou na oferta gratuita de assistência médica para a comunidade no entorno devido a surtos de doenças no período&amp;quot;.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Saída da Praia Vermelha para o bairro do Engenho de Dentro ===&lt;br /&gt;
Portanto, a essa altura da história tem-se o Hospital Nacional dos Alienados, na Praia Vermelha, e a Colônia de Alienados do Engenho de Dentro, que após diversas alterações de nomes, em 1938, chamava-se Centro Psiquiátrico Nacional. Foi em 1938 que o Dr. Adauto Botelho propôs a criação do Serviço Nacional de Doenças Mentais, resultando na transferência dos pacientes do HNA, que a essa altura já estava muito sobrecarregado, para o Centro Psiquiátrico Nacional (CPN) em 1943. Segundo o site do Centro Cultural do Ministério da Saúde:&amp;lt;blockquote&amp;gt;Em 1938, o Dr. Adauto Botelho ao assumir a direção da Assistência aos Alienados transferiu os doentes do Hospício Nacional de Alienados para o Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, antiga Colônia de Alienadas. A Urca, bairro onde se localizava o antigo hospício havia tornado-se bairro residencial, portanto, não sendo mais conveniente a presença do hospício no local. (mostra virtual &amp;quot;Hospício de Pedro II: da construção à desconstrução)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;O verbete “ Hospital Nacional de Psicopatas 1927-1943”, de  Cristiana Facchinetti, presente no &#039;&#039;Dicionário Histórico de Instituições de Psicologia no Brasil&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;,&#039;&#039;&#039; explica que: &amp;lt;blockquote&amp;gt;a transferência efetivou-se em 1943 com a desativação das instalações do antigo Hospício Nacional de Alienados e sua incorporação pela Universidade do Brasil. O fim do Hospital Nacional de Alienados foi resultado da reestruturação do Ministério de Educação e Saúde (1937), que envolveu a criação do Serviço Nacional de Doenças Mentais, em 1941. Na Praia Vermelha ficaram, sob a responsabilidade da Universidade do Brasil, o Pavilhão de Observação e Diagnósticos (nomeado de Instituto de Psicopatologia) e o Instituto de Neurossífilis, que se tornaram, respectivamente, o [[Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ)|Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)]] e o Instituto Municipal de Assistência à Saúde Philipe Pinel, inclusive o Pavilhão de Observação e Diagnóstico, que passou a se denominar Instituto de Psicopatologia, onde atualmente é o Instituto de Psiquiatria da UFRJ. (FACCHINETTI, 2011 p. 252)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Em 1965, o Marechal Castello Branco, através do Decreto-lei 55.474, criou nova denominação para o Centro Psiquiátrico Nacional, que passou a ser intitulado Centro Psiquiátrico Pedro II (CPPII). Em dezembro de 1999, o CPPII foi municipalizado e, a partir de 5 de setembro de 2000, através do Decreto 18.917, passou à denominação de Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira (IMASNS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História a partir da década de 1990 ===&lt;br /&gt;
Na década de 1990, reuniram-se na enfermaria feminina do hospital, os grupos de profissionais responsáveis por atender usuários com internações recorrentes. Os pacientes atendidos, em grande parte, provinham de enfermarias na Baixada Fluminense e passaram a ter assistência garantida no CPPII, através do chamado “Grupo de Egressos”. O referido grupo tinha como objetivo buscar outras alternativas além das internações e, para atingir esse fim, os atendimentos semanais poderiam se desdobrar em visitas domiciliares e acompanhamentos às crises. A partir de 1998, com aumento da necessidade de cuidados, abre-se um espaço no terraço do prédio de enfermarias para a realização de grupos e oficinas, integrando não só o Grupo de Egressos, mas também contando com a participação dos internos, especificamente daqueles que são pacientes de longa internação. Nesse mesmo momento, está ocorrendo a Municipalização do Centro Psiquiátrico Pedro II, assim, a instituição, em 1999, passa a se chamar (IMASNS), enquanto o prédio de enfermarias é renomeado de “Unidade Hospitalar Professor Adauto Botelho” para “Casa do Sol”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não obstante essas modificações, esse espaço para a realização de grupos e oficinas ainda era mantido informalmente, o que trazia problemáticas, havia a necessidade de conhecer os novos integrantes e suas histórias, que se expandiam para além dos limites do Grupo de Egressos, levando a equipe a buscar a consolidação de um lugar institucional. Diante dessa necessidade de formalização, em 2000, são formadas as bases do serviço que continuaria funcionando dentro do IMASNS por mais 5 anos - o então nomeado Centro de Convivência. Esse se estabelece com o objetivo de ultrapassar o lugar de um espaço de convivência para se implicar formalmente no tratamento de cada um dos usuários. No meio desse processo, há a chegada de novos profissionais concursados, que se fez possível diante da municipalização do CPPII, e com a presença de um supervisor de equipe passa a haver uma implementação de institucionalidade e de discussão permanente das estratégias de cuidado com os usuários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O novo serviço foi instituído sob a gerência de Edmar Oliveira, e a Subgerência de Atenção Psicossocial ficou a cargo de Marcos José Martins. Dessa forma, os antigos serviços de atenção diária passaram a se alinhar ao trabalho da direção do futuro CAPS Clarice Lispector. Foi então decidido, a partir das características prévias dos 3 serviços de atenção diária que funcionavam no instituto - Casa D’Engenho, Espaço Aberto ao Tempo e Centro de Convivência -,  que o Centro de Convivência seria responsável pelos pacientes (ou usuários, numa linguagem mais atual, mas usaremos o termo pacientes devido à época) institucionalizados do Nise e pelos pacientes externos, o que consolidou a permanência de seu espaço dentro do próprio instituto, uma vez que consideravam que os pacientes não frequentariam o serviço se não fosse dentro do próprio Nise. Seguindo essa lógica, o Centro de Convivência ficou responsável pelo próprio bairro do Engenho de Dentro e por bairros vizinhos, como Água Santa, Encantado e Liberdade.&lt;br /&gt;
No entanto, os desafios de se operar no espaço o andar térreo de onde viviam muitos dos residentes do hospital logo apareceram. Sendo um ambiente sem portas e um espaço onde muitos dos pacientes já costumavam frequentar, colocou-se a necessidade de estabelecer fronteiras entre esse novo espaço e as enfermarias. Também foram discutidas formas de trabalho conjunto dada a percepção de uma diferença de relação entre os pacientes institucionalizados e os externos, o que, até a inauguração do CAPS, implicou em várias ações e desenhos de trabalho conjunto, resultando em um arranjo particular para este CAPS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Da efetiva inauguração do CAPS Clarice Lispector ===&lt;br /&gt;
Em 2004,  há a possibilidade de mudança do espaço físico desse serviço com o intuito de se desvencilhar do hospital. Esse processo se fez a partir de uma articulação entre diversas instâncias gestoras, a saber: a Coordenação do CAPS, a Direção do Instituto Nise da Silveira, a Assessoria de Saúde Mental da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ) e a Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde, culminando assim na criação de uma instituição nos moldes dos demais CAPS do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inauguração do CAPS Clarice Lispector, realizada no dia 23 de maio de 2005, no bairro do Encantado, trouxe as marcas difusas de um espaço refeito e construído a partir da articulação entre o Programa de Moradia do Instituto Nise da Silveira (cuja orientação era marcada pelo viés da desinstitucionalização dos usuários) e a coordenação do CAPS.  A partir dessa implementação, o CAPS passa por processos semelhantes a de outros centros de atenção no que tange às variações nas políticas municipais de saúde e a discussões de caráter nacional, que dizem respeito aos próprios destinos da reforma. No entanto, é importante destacar que a localização dentro do próprio complexo do instituto Nise da Silveira auxilia em alguns processos referentes à tomada de decisão e mesmo o suprimento do corpo técnico para as equipes multidisciplinares. Vale também destacar a mudança para CAPS III durante a pandemia de Covid-19.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
* [[Hospital Nacional de Alienados (HNA)]]&lt;br /&gt;
* [[Gustavo Kholer Riedel]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ)]]&lt;br /&gt;
* [[João Carlos Teixeira Brandão]]&lt;br /&gt;
* [[Juliano Moreira]]&lt;br /&gt;
* [[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
* [[Simplício de Lemos Braule Pinto]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[http://www.ccms.saude.gov.br/hospicio/colonias.php#:~:text=As%20col%C3%B4nias%20chamavam%2Dse%20S%C3%A3o,apenas%20pacientes%20do%20sexo%20masculino. As Colônias - Hospício de Pedro II]&#039;&#039;&#039;.  Acesso em: 8 out. 2024. &lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1851-1899/d0142-a.htm DECRETO No 142-A, DE 11 DE JANEIRO DE 1890]&#039;&#039;&#039;. Disponível em: Acesso em: 23 set. 2024. &lt;br /&gt;
# FACCHINETTI, CRISTIANA. Hospital Nacional de Psicopatas 1927-1943. In. JACÓ-VILELA, A. M (Org,). &#039;&#039;&#039;[http://newpsi.bvs-psi.org.br/ebooks2010/pt/Acervo_files/DicionarioHistorico.pdf Dicionário histórico de instituições de psicologia no Brasil]&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora Conselho Federal de Psicologia, 2011. Acesso em: 23 set. 2024.&lt;br /&gt;
# MACHADO, F.; GOMES, D. Lima Barreto e Bispo do Rosário: narrativas de resistência em meio a confinamentos. &#039;&#039;&#039;Revista Scientiarum Historia&#039;&#039;&#039;, v. 1, p. 8, 6 set. 2021. Acesso em: 23 set 2024&lt;br /&gt;
# MACHADO, F.; GOMES, D.; FERREIRA, A. [https://revistas.hcte.ufrj.br/index.php/RevistaSH/article/view/303 O trabalho como gesto criativo :discutindo a ressocialização através do trabalho a partir da história das Colônias Agrícolas para Alienados no Brasil]. Revista Scientiarum Historia, v. 1, p. e423–e423, 31 dez. 2023. &lt;br /&gt;
# MACEDO, Marta; RECHTAND, Mauro; e MIRA, Karina. Pensando o cuidado dentro e fora – a criação do CAPS Clarice Lispector In: &#039;&#039;&#039;Archivos Contemporâneos do Engenho de Dentro&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro. Editora MS. 2007. P. 71 - 81&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Nise_da_Silveira Nise da Silveira - WikiHP]&#039;&#039;&#039;. Acesso em: 24 set. 2024. &lt;br /&gt;
# SILVA, C. &#039;&#039;&#039;[https://www.snh2017.anpuh.org/resources/anais/54/1502848703_ARQUIVO_CarineNevesAlves_Coloniaversaofinalem1508.pdf Colônia de Alienados de Engenho de Dentro (1911-1932)]&#039;&#039;&#039;. XXIX Simpósio de História Nacional. &#039;&#039;&#039;Anais&#039;&#039;&#039;... Em: COLÔNIA DE ALIENADOS DE ENGENHO DE DENTRO (1911-1932). Brasília, DF: 2017. Acesso em: 21 set. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado originalmente por Stella Costa Angelo, Amanda albernaz de Freitas, Maurício Coutinho Pereira, Raphaela Silveira de Oliveira, Lucas Vieira Coutinho e Lorenzo Miguel Donato de Oliveira Santos, no contexto de uma pesquisa desenvolvida na graduação em Psicologia pela UFRJ, orientada pelo Prof. Dr. Arthur Arruda Leal Ferreira. Publicado em 2024.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instituições e Coletivos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=CAPS_Clarice_Lispector&amp;diff=1407</id>
		<title>CAPS Clarice Lispector</title>
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		<updated>2024-11-04T13:45:50Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Criação da seção &amp;quot;ver também&amp;quot; e verificação de links incorporados ao longo do texto&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Clarice Lispector é uma unidade de saúde mental localizada no Rio de Janeiro. Ele oferece serviços de atenção e atendimento psicossocial (psicológico e psiquiátrico, por exemplo) para pessoas em sofrimento psíquico grave e possui caráter territorial. A trajetória do CAPS Clarice Lispector remete à Zona Norte do Rio de Janeiro, mais especificamente ao bairro do Engenho de Dentro, onde o referido CAPS atualmente se localiza. Nesse mesmo local, anteriormente havia o Centro Psiquiátrico Pedro II, o qual foi um dos maiores e mais antigos hospitais psiquiátricos do Brasil. Esse, por sua vez, remonta ao Hospício Pedro II, que foi a primeira instituição psiquiátrica do Brasil — localizada no atual campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro na Praia Vermelha — para o  tratamento de pessoas avaliadas como doentes mentais, na época tidos como alienados. Ou seja, a história do CAPS Clarice Lispector remonta à história da mais antiga instituição de tratamento de saúde mental no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História entre 1830 e 1930 ===&lt;br /&gt;
Essa história teve início a partir da década de 1830, quando médicos do então Distrito Federal do Brasil, atual Rio de Janeiro, começaram a debater a necessidade de criar um manicômio para tratar pacientes com doenças mentais, visto que, com a ausência de um espaço específico para essa demanda, esses pacientes eram presos ou enviados para a Santa Casa de Misericórdia. A Santa Casa, assim, desempenhou um papel chave na institucionalização e implantação dos aparatos psiquiátricos, além da mobilização para a construção do Hospício Pedro II.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nada obstante esses debates iniciais, foi somente em 1838 que a primeira iniciativa  surgiu de forma clara e objetiva visando a criação de um espaço próprio para o manejo da loucura no Brasil. Tal proposta encontra-se em um relatório da Comissão de Salubridade da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro. Porém, apenas em 18 de julho de 1841, dia da Sagração de Dom Pedro II como imperador, foi decretada a construção de um hospital próprio para os ditos alienados, a saber, o chamado Hospício Pedro II. Esse começou como um anexo da Santa Casa de Misericórdia até ser concluída sua construção, em 1852, na então Praia da Saudade, atual  Urca/ Praia Vermelha, na zona sul da cidade.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a proclamação da República, em 1889, ele foi renomeado como Hospício Nacional de Alienados e, posteriormente, [[Hospital Nacional de Alienados (HNA)]]. Esse processo de modificação na nomenclatura se deu a partir do decreto Nº 142-A de 11 de janeiro de 1890, decreto esse que foi também responsável pela retirada da Santa Casa da Misericórdia da direção do hospital, transferindo-a para a classe médica. Segundo o decreto: &amp;lt;blockquote&amp;gt;“(...) após considerar a criação de uma assistência para alienados e constatar o fim dos motivos para manter o Hospício Pedro II sob controle da Santa Casa da Misericórdia, resolve (...) desanexá-lo daquele hospital [A Santa Casa] e constituí-lo estabelecimento público independente, com a denominação de Hospício Nacional de Alienados, que se regerá por instruções que serão oportunamente expedidas (...)”. &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Ao longo dos anos, houve diversas mudanças administrativas e na direção do HNA, com figuras consideradas proeminentes da psiquiatria brasileira ocupando seus cargos de direção. Dentre eles, pode-se citar [[João Carlos Teixeira Brandão]], de 1887 até 1901, tendo sido responsável pela criação do Pavilhão de Observação, que, articulado à cadeira de Clínica Psiquiátrica, promoveu a associação entre a formação acadêmica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e a formação prática do HNA. Além desse, pode ser citado [[Juliano Moreira]], que permaneceu no cargo de 1903 até 1930 e empenhou-se para adequar a estrutura do estabelecimento às tendências científicas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Estabelecimentos anexos/criação das colônias ===&lt;br /&gt;
Com o intuito de lidar com a superpopulação do hospital (HNA), foram estabelecidos anexos, como as Colônias da Ilha do Governador, de São Bento e da Barão de Mesquita, instituídos a partir do decreto N⁰206-A, de 15 de fevereiro de 1890, todas dentro de um regime de internação. Em 1923, essas colônias foram substituídas pela Colônia Agrícola de Jacarepaguá, onde hoje há o Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A principal diferença entre os pacientes que se dirigiam ao HNA e dos que iam para as Colônias fica explicitada no terceiro artigo do supramencionado decreto: enquanto o HNA, estabelecimento central da Assistência aos Alienados, é destinado aos doentes pensionistas curáveis ou incuráveis cuja estadia é custeada pelo Estado ou por familiares; as Colônias, por sua vez, são “[...] exclusivamente reservadas para os alienados indigentes, capazes de se entregarem à exploração agrícola e às industrias [...]”.&amp;lt;blockquote&amp;gt;Sendo assim, o que era para ser uma alternativa ao modelo asilar o Hospício se tornou uma extensão pouco auspiciosa do mesmo para onde eram remetidos os indivíduos identificados como casos crônicos e pouco alvissareiros. (MACHADO; GOMES; FERREIRA, 2023, p. 4)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Desta feita, fica evidente que os doentes nas Colônias são aqueles que podem – e devem – trabalhar. Uma série de outros decretos reforçam a diferença entre os pacientes que circulavam pelo HNA e os que circulavam pelas Colônias. No Decreto N° 8.834 de 11 de julho de 1911, o qual cria a Colônia de Alienadas do Engenho de Dentro, em seu artigo 74 é claro ao afirmar que: “As colônias serão reservadas a alienados indigentes, transferidos do Hospital Nacional e capazes de entregar-se à exploração agrícola e outras pequenas indústrias.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse cenário, em 1911, foi aberta, destinada às mulheres, a Colônia de Engenho de Dentro, essa é de suma importância na história do que, anos mais tarde, viria a se localizar o CAPS Clarice. A referida colônia, entre os anos de 1923 e 1937 passou a ser denominada [[Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro]], posteriormente, modificou a sua nomenclatura de Colônia Gustavo Riedel e, já em 1938, passou a denominar-se Centro Psiquiátrico Nacional. Inicialmente, a criação dessa colônia também se deu para atender à demanda de superlotação do Hospital Nacional de Alienados, tendo como diretor [[Simplício de Lemos Braule Pinto]], de 1911 a 1918 e, em seguida, [[Gustavo Kholer Riedel]] entre 1918 e 1932. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outro verbete da WikiHP, intitulado &amp;quot;[[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&amp;quot;, há a seguinte descrição:&amp;lt;blockquote&amp;gt;&amp;quot;A colônia se destina a pacientes do HNA mulheres, indigentes e aptas a trabalhar, uma vez que o trabalho era tido como estratégia terapêutica. Além disso, pretendia-se também estender ao subúrbio serviços de prevenção e higiene mental, o que, mais tarde, acarretou na oferta gratuita de assistência médica para a comunidade no entorno devido a surtos de doenças no período&amp;quot;.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Saída da Praia Vermelha para o bairro do Engenho de Dentro ===&lt;br /&gt;
Portanto, a essa altura da história tem-se o Hospital Nacional dos Alienados, na Praia Vermelha, e a Colônia de Alienados do Engenho de Dentro, que após diversas alterações de nomes, em 1938, chamava-se Centro Psiquiátrico Nacional. Foi em 1938 que o Dr. Adauto Botelho propôs a criação do Serviço Nacional de Doenças Mentais, resultando na transferência dos pacientes do HNA, que a essa altura já estava muito sobrecarregado, para o Centro Psiquiátrico Nacional (CPN) em 1943. Segundo o site do Centro Cultural do Ministério da Saúde:&amp;lt;blockquote&amp;gt;Em 1938, o Dr. Adauto Botelho ao assumir a direção da Assistência aos Alienados transferiu os doentes do Hospício Nacional de Alienados para o Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, antiga Colônia de Alienadas. A Urca, bairro onde se localizava o antigo hospício havia tornado-se bairro residencial, portanto, não sendo mais conveniente a presença do hospício no local. (mostra virtual &amp;quot;Hospício de Pedro II: da construção à desconstrução)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;O verbete “ Hospital Nacional de Psicopatas 1927-1943”, de  Cristiana Facchinetti, presente no &#039;&#039;Dicionário Histórico de Instituições de Psicologia no Brasil&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;,&#039;&#039;&#039; explica que: &amp;lt;blockquote&amp;gt;a transferência efetivou-se em 1943 com a desativação das instalações do antigo Hospício Nacional de Alienados e sua incorporação pela Universidade do Brasil. O fim do Hospital Nacional de Alienados foi resultado da reestruturação do Ministério de Educação e Saúde (1937), que envolveu a criação do Serviço Nacional de Doenças Mentais, em 1941. Na Praia Vermelha ficaram, sob a responsabilidade da Universidade do Brasil, o Pavilhão de Observação e Diagnósticos (nomeado de Instituto de Psicopatologia) e o Instituto de Neurossífilis, que se tornaram, respectivamente, o [[Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ)|Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)]] e o Instituto Municipal de Assistência à Saúde Philipe Pinel, inclusive o Pavilhão de Observação e Diagnóstico, que passou a se denominar Instituto de Psicopatologia, onde atualmente é o Instituto de Psiquiatria da UFRJ. (FACCHINETTI, 2011 p. 252)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Em 1965, o Marechal Castello Branco, através do Decreto-lei 55.474, criou nova denominação para o Centro Psiquiátrico Nacional, que passou a ser intitulado Centro Psiquiátrico Pedro II (CPPII). Em dezembro de 1999, o CPPII foi municipalizado e, a partir de 5 de setembro de 2000, através do Decreto 18.917, passou à denominação de Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira (IMASNS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História a partir da década de 1990 ===&lt;br /&gt;
Na década de 1990, reuniram-se na enfermaria feminina do hospital, os grupos de profissionais responsáveis por atender usuários com internações recorrentes. Os pacientes atendidos, em grande parte, provinham de enfermarias na Baixada Fluminense e passaram a ter assistência garantida no CPPII, através do chamado “Grupo de Egressos”. O referido grupo tinha como objetivo buscar outras alternativas além das internações e, para atingir esse fim, os atendimentos semanais poderiam se desdobrar em visitas domiciliares e acompanhamentos às crises. A partir de 1998, com aumento da necessidade de cuidados, abre-se um espaço no terraço do prédio de enfermarias para a realização de grupos e oficinas, integrando não só o Grupo de Egressos, mas também contando com a participação dos internos, especificamente daqueles que são pacientes de longa internação. Nesse mesmo momento, está ocorrendo a Municipalização do Centro Psiquiátrico Pedro II, assim, a instituição, em 1999, passa a se chamar (IMASNS), enquanto o prédio de enfermarias é renomeado de “Unidade Hospitalar Professor Adauto Botelho” para “Casa do Sol”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não obstante essas modificações, esse espaço para a realização de grupos e oficinas ainda era mantido informalmente, o que trazia problemáticas, havia a necessidade de conhecer os novos integrantes e suas histórias, que se expandiam para além dos limites do Grupo de Egressos, levando a equipe a buscar a consolidação de um lugar institucional. Diante dessa necessidade de formalização, em 2000, são formadas as bases do serviço que continuaria funcionando dentro do IMASNS por mais 5 anos - o então nomeado Centro de Convivência. Esse se estabelece com o objetivo de ultrapassar o lugar de um espaço de convivência para se implicar formalmente no tratamento de cada um dos usuários. No meio desse processo, há a chegada de novos profissionais concursados, que se fez possível diante da municipalização do CPPII, e com a presença de um supervisor de equipe passa a haver uma implementação de institucionalidade e de discussão permanente das estratégias de cuidado com os usuários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O novo serviço foi instituído sob a gerência de Edmar Oliveira, e a Subgerência de Atenção Psicossocial ficou a cargo de Marcos José Martins. Dessa forma, os antigos serviços de atenção diária passaram a se alinhar ao trabalho da direção do futuro CAPS Clarice Lispector. Foi então decidido, a partir das características prévias dos 3 serviços de atenção diária que funcionavam no instituto - Casa D’Engenho, Espaço Aberto ao Tempo e Centro de Convivência -,  que o Centro de Convivência seria responsável pelos pacientes (ou usuários, numa linguagem mais atual, mas usaremos o termo pacientes devido à época) institucionalizados do Nise e pelos pacientes externos, o que consolidou a permanência de seu espaço dentro do próprio instituto, uma vez que consideravam que os pacientes não frequentariam o serviço se não fosse dentro do próprio Nise. Seguindo essa lógica, o Centro de Convivência ficou responsável pelo próprio bairro do Engenho de Dentro e por bairros vizinhos, como Água Santa, Encantado e Liberdade.&lt;br /&gt;
No entanto, os desafios de se operar no espaço o andar térreo de onde viviam muitos dos residentes do hospital logo apareceram. Sendo um ambiente sem portas e um espaço onde muitos dos pacientes já costumavam frequentar, colocou-se a necessidade de estabelecer fronteiras entre esse novo espaço e as enfermarias. Também foram discutidas formas de trabalho conjunto dada a percepção de uma diferença de relação entre os pacientes institucionalizados e os externos, o que, até a inauguração do CAPS, implicou em várias ações e desenhos de trabalho conjunto, resultando em um arranjo particular para este CAPS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Da efetiva inauguração do CAPS Clarice Lispector ===&lt;br /&gt;
Em 2004,  há a possibilidade de mudança do espaço físico desse serviço com o intuito de se desvencilhar do hospital. Esse processo se fez a partir de uma articulação entre diversas instâncias gestoras, a saber: a Coordenação do CAPS, a Direção do Instituto Nise da Silveira, a Assessoria de Saúde Mental da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ) e a Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde, culminando assim na criação de uma instituição nos moldes dos demais CAPS do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inauguração do CAPS Clarice Lispector, realizada no dia 23 de maio de 2005, no bairro do Encantado, trouxe as marcas difusas de um espaço refeito e construído a partir da articulação entre o Programa de Moradia do Instituto Nise da Silveira (cuja orientação era marcada pelo viés da desinstitucionalização dos usuários) e a coordenação do CAPS.  A partir dessa implementação, o CAPS passa por processos semelhantes a de outros centros de atenção no que tange às variações nas políticas municipais de saúde e a discussões de caráter nacional, que dizem respeito aos próprios destinos da reforma. No entanto, é importante destacar que a localização dentro do próprio complexo do instituto Nise da Silveira auxilia em alguns processos referentes à tomada de decisão e mesmo o suprimento do corpo técnico para as equipes multidisciplinares. Vale também destacar a mudança para CAPS III durante a pandemia de Covid-19.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
* [[Hospital Nacional de Alienados (HNA)]]&lt;br /&gt;
* [[Gustavo Kholer Riedel]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ)]]&lt;br /&gt;
* [[João Carlos Teixeira Brandão]]&lt;br /&gt;
* [[Juliano Moreira]]&lt;br /&gt;
* [[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&lt;br /&gt;
* [[Simplício de Lemos Braule Pinto]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[http://www.ccms.saude.gov.br/hospicio/colonias.php#:~:text=As%20col%C3%B4nias%20chamavam%2Dse%20S%C3%A3o,apenas%20pacientes%20do%20sexo%20masculino. As Colônias - Hospício de Pedro II]&#039;&#039;&#039;.  Acesso em: 8 out. 2024. &lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1851-1899/d0142-a.htm DECRETO No 142-A, DE 11 DE JANEIRO DE 1890]&#039;&#039;&#039;. Disponível em: Acesso em: 23 set. 2024. &lt;br /&gt;
# FACCHINETTI, CRISTIANA. Hospital Nacional de Psicopatas 1927-1943. In. JACÓ-VILELA, A. M (Org,). &#039;&#039;&#039;[http://newpsi.bvs-psi.org.br/ebooks2010/pt/Acervo_files/DicionarioHistorico.pdf Dicionário histórico de instituições de psicologia no Brasil]&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora Conselho Federal de Psicologia, 2011. Acesso em: 23 set. 2024.&lt;br /&gt;
# MACHADO, F.; GOMES, D. Lima Barreto e Bispo do Rosário: narrativas de resistência em meio a confinamentos. &#039;&#039;&#039;Revista Scientiarum Historia&#039;&#039;&#039;, v. 1, p. 8, 6 set. 2021. Acesso em: 23 set 2024&lt;br /&gt;
# MACHADO, F.; GOMES, D.; FERREIRA, A. [https://revistas.hcte.ufrj.br/index.php/RevistaSH/article/view/303 O trabalho como gesto criativo :discutindo a ressocialização através do trabalho a partir da história das Colônias Agrícolas para Alienados no Brasil]. Revista Scientiarum Historia, v. 1, p. e423–e423, 31 dez. 2023. &lt;br /&gt;
# MACEDO, Marta; RECHTAND, Mauro; e MIRA, Karina. Pensando o cuidado dentro e fora – a criação do CAPS Clarice Lispector In: &#039;&#039;&#039;Archivos Contemporâneos do Engenho de Dentro&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro. Editora MS. 2007. P. 71 - 81&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Nise_da_Silveira Nise da Silveira - WikiHP]&#039;&#039;&#039;. Acesso em: 24 set. 2024. &lt;br /&gt;
# SILVA, C. &#039;&#039;&#039;[https://www.snh2017.anpuh.org/resources/anais/54/1502848703_ARQUIVO_CarineNevesAlves_Coloniaversaofinalem1508.pdf Colônia de Alienados de Engenho de Dentro (1911-1932)]&#039;&#039;&#039;. XXIX Simpósio de História Nacional. &#039;&#039;&#039;Anais&#039;&#039;&#039;... Em: COLÔNIA DE ALIENADOS DE ENGENHO DE DENTRO (1911-1932). Brasília, DF: 2017. Acesso em: 21 set. 2024.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instituições e Coletivos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=CAPS_Clarice_Lispector&amp;diff=1406</id>
		<title>CAPS Clarice Lispector</title>
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		<updated>2024-11-04T13:38:46Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Inserção e revisão completa do verbete na WikiHP&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Clarice Lispector é uma unidade de saúde mental localizada no Rio de Janeiro. Ele oferece serviços de atenção e atendimento psicossocial (psicológico e psiquiátrico, por exemplo) para pessoas em sofrimento psíquico grave e possui caráter territorial. A trajetória do CAPS Clarice Lispector remete à Zona Norte do Rio de Janeiro, mais especificamente ao bairro do Engenho de Dentro, onde o referido CAPS atualmente se localiza. Nesse mesmo local, anteriormente havia o Centro Psiquiátrico Pedro II, o qual foi um dos maiores e mais antigos hospitais psiquiátricos do Brasil. Esse, por sua vez, remonta ao Hospício Pedro II, que foi a primeira instituição psiquiátrica do Brasil — localizada no atual campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro na Praia Vermelha — para o  tratamento de pessoas avaliadas como doentes mentais, na época tidos como alienados. Ou seja, a história do CAPS Clarice Lispector remonta à história da mais antiga instituição de tratamento de saúde mental no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História entre 1830 e 1930 ===&lt;br /&gt;
Essa história teve início a partir da década de 1830, quando médicos do então Distrito Federal do Brasil, atual Rio de Janeiro, começaram a debater a necessidade de criar um manicômio para tratar pacientes com doenças mentais, visto que, com a ausência de um espaço específico para essa demanda, esses pacientes eram presos ou enviados para a Santa Casa de Misericórdia. A Santa Casa, assim, desempenhou um papel chave na institucionalização e implantação dos aparatos psiquiátricos, além da mobilização para a construção do Hospício Pedro II.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nada obstante esses debates iniciais, foi somente em 1838 que a primeira iniciativa  surgiu de forma clara e objetiva visando a criação de um espaço próprio para o manejo da loucura no Brasil. Tal proposta encontra-se em um relatório da Comissão de Salubridade da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro. Porém, apenas em 18 de julho de 1841, dia da Sagração de Dom Pedro II como imperador, foi decretada a construção de um hospital próprio para os ditos alienados, a saber, o chamado Hospício Pedro II. Esse começou como um anexo da Santa Casa de Misericórdia até ser concluída sua construção, em 1852, na então Praia da Saudade, atual  Urca/ Praia Vermelha, na zona sul da cidade.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a proclamação da República, em 1889, ele foi renomeado como Hospício Nacional de Alienados e, posteriormente, [[Hospital Nacional de Alienados (HNA)]]. Esse processo de modificação na nomenclatura se deu a partir do decreto Nº 142-A de 11 de janeiro de 1890, decreto esse que foi também responsável pela retirada da Santa Casa da Misericórdia da direção do hospital, transferindo-a para a classe médica. Segundo o decreto: &amp;lt;blockquote&amp;gt;“(...) após considerar a criação de uma assistência para alienados e constatar o fim dos motivos para manter o Hospício Pedro II sob controle da Santa Casa da Misericórdia, resolve (...) desanexá-lo daquele hospital [A Santa Casa] e constituí-lo estabelecimento público independente, com a denominação de Hospício Nacional de Alienados, que se regerá por instruções que serão oportunamente expedidas (...)”. &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Ao longo dos anos, houve diversas mudanças administrativas e na direção do HNA, com figuras consideradas proeminentes da psiquiatria brasileira ocupando seus cargos de direção. Dentre eles, pode-se citar [[João Carlos Teixeira Brandão]], de 1887 até 1901, tendo sido responsável pela criação do Pavilhão de Observação, que, articulado à cadeira de Clínica Psiquiátrica, promoveu a associação entre a formação acadêmica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e a formação prática do HNA. Além desse, pode ser citado [[Juliano Moreira]], que permaneceu no cargo de 1903 até 1930 e empenhou-se para adequar a estrutura do estabelecimento às tendências científicas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Estabelecimentos anexos/criação das colônias ===&lt;br /&gt;
Com o intuito de lidar com a superpopulação do hospital (HNA), foram estabelecidos anexos, como as Colônias da Ilha do Governador, de São Bento e da Barão de Mesquita, instituídos a partir do decreto N⁰206-A, de 15 de fevereiro de 1890, todas dentro de um regime de internação. Em 1923, essas colônias foram substituídas pela Colônia Agrícola de Jacarepaguá, onde hoje há o Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A principal diferença entre os pacientes que se dirigiam ao HNA e dos que iam para as Colônias fica explicitada no terceiro artigo do supramencionado decreto: enquanto o HNA, estabelecimento central da Assistência aos Alienados, é destinado aos doentes pensionistas curáveis ou incuráveis cuja estadia é custeada pelo Estado ou por familiares; as Colônias, por sua vez, são “[...] exclusivamente reservadas para os alienados indigentes, capazes de se entregarem à exploração agrícola e às industrias [...]”.&amp;lt;blockquote&amp;gt;Sendo assim, o que era para ser uma alternativa ao modelo asilar o Hospício se tornou uma extensão pouco auspiciosa do mesmo para onde eram remetidos os indivíduos identificados como casos crônicos e pouco alvissareiros. (MACHADO; GOMES; FERREIRA, 2023, p. 4)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Desta feita, fica evidente que os doentes nas Colônias são aqueles que podem – e devem – trabalhar. Uma série de outros decretos reforçam a diferença entre os pacientes que circulavam pelo HNA e os que circulavam pelas Colônias. No Decreto N° 8.834 de 11 de julho de 1911, o qual cria a Colônia de Alienadas do Engenho de Dentro, em seu artigo 74 é claro ao afirmar que: “As colônias serão reservadas a alienados indigentes, transferidos do Hospital Nacional e capazes de entregar-se à exploração agrícola e outras pequenas indústrias.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse cenário, em 1911, foi aberta, destinada às mulheres, a Colônia de Engenho de Dentro, essa é de suma importância na história do que, anos mais tarde, viria a se localizar o CAPS Clarice. A referida colônia, entre os anos de 1923 e 1937 passou a ser denominada [[Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro]], posteriormente, modificou a sua nomenclatura de Colônia Gustavo Riedel e, já em 1938, passou a denominar-se Centro Psiquiátrico Nacional. Inicialmente, a criação dessa colônia também se deu para atender à demanda de superlotação do Hospital Nacional de Alienados, tendo como diretor [[Simplício de Lemos Braule Pinto]], de 1911 a 1918 e, em seguida, [[Gustavo Kholer Riedel]] entre 1918 e 1932. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outro verbete da WikiHP, intitulado &amp;quot;[[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]&amp;quot;, há a seguinte descrição:&amp;lt;blockquote&amp;gt;&amp;quot;A colônia se destina a pacientes do HNA mulheres, indigentes e aptas a trabalhar, uma vez que o trabalho era tido como estratégia terapêutica. Além disso, pretendia-se também estender ao subúrbio serviços de prevenção e higiene mental, o que, mais tarde, acarretou na oferta gratuita de assistência médica para a comunidade no entorno devido a surtos de doenças no período&amp;quot;.&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Saída da Praia Vermelha para o bairro do Engenho de Dentro ===&lt;br /&gt;
Portanto, a essa altura da história tem-se o Hospital Nacional dos Alienados, na Praia Vermelha, e a Colônia de Alienados do Engenho de Dentro, que após diversas alterações de nomes, em 1938, chamava-se Centro Psiquiátrico Nacional. Foi em 1938 que o Dr. Adauto Botelho propôs a criação do Serviço Nacional de Doenças Mentais, resultando na transferência dos pacientes do HNA, que a essa altura já estava muito sobrecarregado, para o Centro Psiquiátrico Nacional (CPN) em 1943. Segundo o site do Centro Cultural do Ministério da Saúde:&amp;lt;blockquote&amp;gt;Em 1938, o Dr. Adauto Botelho ao assumir a direção da Assistência aos Alienados transferiu os doentes do Hospício Nacional de Alienados para o Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, antiga Colônia de Alienadas. A Urca, bairro onde se localizava o antigo hospício havia tornado-se bairro residencial, portanto, não sendo mais conveniente a presença do hospício no local. (mostra virtual &amp;quot;Hospício de Pedro II: da construção à desconstrução)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;O verbete “ Hospital Nacional de Psicopatas 1927-1943”, de  Cristiana Facchinetti, presente no &#039;&#039;Dicionário Histórico de Instituições de Psicologia no Brasil&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;,&#039;&#039;&#039; explica que: &amp;lt;blockquote&amp;gt;a transferência efetivou-se em 1943 com a desativação das instalações do antigo Hospício Nacional de Alienados e sua incorporação pela Universidade do Brasil. O fim do Hospital Nacional de Alienados foi resultado da reestruturação do Ministério de Educação e Saúde (1937), que envolveu a criação do Serviço Nacional de Doenças Mentais, em 1941. Na Praia Vermelha ficaram, sob a responsabilidade da Universidade do Brasil, o Pavilhão de Observação e Diagnósticos (nomeado de Instituto de Psicopatologia) e o Instituto de Neurossífilis, que se tornaram, respectivamente, o [[Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ)|Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)]] e o Instituto Municipal de Assistência à Saúde Philipe Pinel, inclusive o Pavilhão de Observação e Diagnóstico, que passou a se denominar Instituto de Psicopatologia, onde atualmente é o Instituto de Psiquiatria da UFRJ. (FACCHINETTI, 2011 p. 252)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Em 1965, o Marechal Castello Branco, através do Decreto-lei 55.474, criou nova denominação para o Centro Psiquiátrico Nacional, que passou a ser intitulado Centro Psiquiátrico Pedro II (CPPII). Em dezembro de 1999, o CPPII foi municipalizado e, a partir de 5 de setembro de 2000, através do Decreto 18.917, passou à denominação de Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira (IMASNS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História a partir da década de 1990 ===&lt;br /&gt;
Na década de 1990, reuniram-se na enfermaria feminina do hospital, os grupos de profissionais responsáveis por atender usuários com internações recorrentes. Os pacientes atendidos, em grande parte, provinham de enfermarias na Baixada Fluminense e passaram a ter assistência garantida no CPPII, através do chamado “Grupo de Egressos”. O referido grupo tinha como objetivo buscar outras alternativas além das internações e, para atingir esse fim, os atendimentos semanais poderiam se desdobrar em visitas domiciliares e acompanhamentos às crises. A partir de 1998, com aumento da necessidade de cuidados, abre-se um espaço no terraço do prédio de enfermarias para a realização de grupos e oficinas, integrando não só o Grupo de Egressos, mas também contando com a participação dos internos, especificamente daqueles que são pacientes de longa internação. Nesse mesmo momento, está ocorrendo a Municipalização do Centro Psiquiátrico Pedro II, assim, a instituição, em 1999, passa a se chamar (IMASNS), enquanto o prédio de enfermarias é renomeado de “Unidade Hospitalar Professor Adauto Botelho” para “Casa do Sol”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não obstante essas modificações, esse espaço para a realização de grupos e oficinas ainda era mantido informalmente, o que trazia problemáticas, havia a necessidade de conhecer os novos integrantes e suas histórias, que se expandiam para além dos limites do Grupo de Egressos, levando a equipe a buscar a consolidação de um lugar institucional. Diante dessa necessidade de formalização, em 2000, são formadas as bases do serviço que continuaria funcionando dentro do IMASNS por mais 5 anos - o então nomeado Centro de Convivência. Esse se estabelece com o objetivo de ultrapassar o lugar de um espaço de convivência para se implicar formalmente no tratamento de cada um dos usuários. No meio desse processo, há a chegada de novos profissionais concursados, que se fez possível diante da municipalização do CPPII, e com a presença de um supervisor de equipe passa a haver uma implementação de institucionalidade e de discussão permanente das estratégias de cuidado com os usuários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O novo serviço foi instituído sob a gerência de Edmar Oliveira, e a Subgerência de Atenção Psicossocial ficou a cargo de Marcos José Martins. Dessa forma, os antigos serviços de atenção diária passaram a se alinhar ao trabalho da direção do futuro CAPS Clarice Lispector. Foi então decidido, a partir das características prévias dos 3 serviços de atenção diária que funcionavam no instituto - Casa D’Engenho, Espaço Aberto ao Tempo e Centro de Convivência -,  que o Centro de Convivência seria responsável pelos pacientes (ou usuários, numa linguagem mais atual, mas usaremos o termo pacientes devido à época) institucionalizados do Nise e pelos pacientes externos, o que consolidou a permanência de seu espaço dentro do próprio instituto, uma vez que consideravam que os pacientes não frequentariam o serviço se não fosse dentro do próprio Nise. Seguindo essa lógica, o Centro de Convivência ficou responsável pelo próprio bairro do Engenho de Dentro e por bairros vizinhos, como Água Santa, Encantado e Liberdade.&lt;br /&gt;
No entanto, os desafios de se operar no espaço o andar térreo de onde viviam muitos dos residentes do hospital logo apareceram. Sendo um ambiente sem portas e um espaço onde muitos dos pacientes já costumavam frequentar, colocou-se a necessidade de estabelecer fronteiras entre esse novo espaço e as enfermarias. Também foram discutidas formas de trabalho conjunto dada a percepção de uma diferença de relação entre os pacientes institucionalizados e os externos, o que, até a inauguração do CAPS, implicou em várias ações e desenhos de trabalho conjunto, resultando em um arranjo particular para este CAPS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Da efetiva inauguração do CAPS Clarice Lispector ===&lt;br /&gt;
Em 2004,  há a possibilidade de mudança do espaço físico desse serviço com o intuito de se desvencilhar do hospital. Esse processo se fez a partir de uma articulação entre diversas instâncias gestoras, a saber: a Coordenação do CAPS, a Direção do Instituto Nise da Silveira, a Assessoria de Saúde Mental da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ) e a Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde, culminando assim na criação de uma instituição nos moldes dos demais CAPS do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inauguração do CAPS Clarice Lispector, realizada no dia 23 de maio de 2005, no bairro do Encantado, trouxe as marcas difusas de um espaço refeito e construído a partir da articulação entre o Programa de Moradia do Instituto Nise da Silveira (cuja orientação era marcada pelo viés da desinstitucionalização dos usuários) e a coordenação do CAPS.  A partir dessa implementação, o CAPS passa por processos semelhantes a de outros centros de atenção no que tange às variações nas políticas municipais de saúde e a discussões de caráter nacional, que dizem respeito aos próprios destinos da reforma. No entanto, é importante destacar que a localização dentro do próprio complexo do instituto Nise da Silveira auxilia em alguns processos referentes à tomada de decisão e mesmo o suprimento do corpo técnico para as equipes multidisciplinares. Vale também destacar a mudança para CAPS III durante a pandemia de Covid-19.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[http://www.ccms.saude.gov.br/hospicio/colonias.php#:~:text=As%20col%C3%B4nias%20chamavam%2Dse%20S%C3%A3o,apenas%20pacientes%20do%20sexo%20masculino. As Colônias - Hospício de Pedro II]&#039;&#039;&#039;.  Acesso em: 8 out. 2024. &lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1851-1899/d0142-a.htm DECRETO No 142-A, DE 11 DE JANEIRO DE 1890]&#039;&#039;&#039;. Disponível em: Acesso em: 23 set. 2024. &lt;br /&gt;
# FACCHINETTI, CRISTIANA. Hospital Nacional de Psicopatas 1927-1943. In. JACÓ-VILELA, A. M (Org,). &#039;&#039;&#039;[http://newpsi.bvs-psi.org.br/ebooks2010/pt/Acervo_files/DicionarioHistorico.pdf Dicionário histórico de instituições de psicologia no Brasil]&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora Conselho Federal de Psicologia, 2011. Acesso em: 23 set. 2024.&lt;br /&gt;
# MACHADO, F.; GOMES, D. Lima Barreto e Bispo do Rosário: narrativas de resistência em meio a confinamentos. &#039;&#039;&#039;Revista Scientiarum Historia&#039;&#039;&#039;, v. 1, p. 8, 6 set. 2021. Acesso em: 23 set 2024&lt;br /&gt;
# MACHADO, F.; GOMES, D.; FERREIRA, A. [https://revistas.hcte.ufrj.br/index.php/RevistaSH/article/view/303 O trabalho como gesto criativo :discutindo a ressocialização através do trabalho a partir da história das Colônias Agrícolas para Alienados no Brasil]. Revista Scientiarum Historia, v. 1, p. e423–e423, 31 dez. 2023. &lt;br /&gt;
# MACEDO, Marta; RECHTAND, Mauro; e MIRA, Karina. Pensando o cuidado dentro e fora – a criação do CAPS Clarice Lispector In: &#039;&#039;&#039;Archivos Contemporâneos do Engenho de Dentro&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro. Editora MS. 2007. P. 71 - 81&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;[http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Nise_da_Silveira Nise da Silveira - WikiHP]&#039;&#039;&#039;. Acesso em: 24 set. 2024. &lt;br /&gt;
# SILVA, C. &#039;&#039;&#039;[https://www.snh2017.anpuh.org/resources/anais/54/1502848703_ARQUIVO_CarineNevesAlves_Coloniaversaofinalem1508.pdf Colônia de Alienados de Engenho de Dentro (1911-1932)]&#039;&#039;&#039;. XXIX Simpósio de História Nacional. &#039;&#039;&#039;Anais&#039;&#039;&#039;... Em: COLÔNIA DE ALIENADOS DE ENGENHO DE DENTRO (1911-1932). Brasília, DF: 2017. Acesso em: 21 set. 2024.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Laborat%C3%B3rio_de_Psicologia_da_Col%C3%B4nia_de_Psicopatas_de_Engenho_de_Dentro&amp;diff=1405</id>
		<title>Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro</title>
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		<updated>2024-10-29T14:33:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções ortográficas e gramaticais; Identificação de nomes e instituições importantes para a história da psicologia; Implementação da seção &amp;quot;ver também&amp;quot; com tais nomes; Correção na formatação das seções e subseções; Verificação e atualização de links na seção &amp;quot;Referências&amp;quot;; verificação dos links na seção &amp;quot;links externos&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro, fundado na cidade do Rio de Janeiro, foi inaugurado em 1924 por Gustavo Kohler Riedel, médico higienista, idealizador do laboratório. No mesmo ano, convidou o psicólogo polonês Waclaw Radecki, que o dirigiu até sua extinção em 1932.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O local funcionava como um espaço cientifico, utilizando-se dos inúmeros aparelhos que serviam de pesquisas e exames do tato, sensações musculares, sensações térmicas, olfato, paladar, audição, visão, atenção, associação, discriminação, memória, pensamento, processos afetivos, reações orgânicas, fisiológicas e sugestão. Outra ambição para o laboratório era que se consolidasse como um centro de formação de psicólogos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Antecedentes ===&lt;br /&gt;
A Colônia de Alienados do Engenho de Dentro, onde se formará o Laboratório de Psicologia, tem sua origem em mudanças político-sociais ocorridas no Brasil do século XIX. Em um contexto social de políticas higienistas, os ideais de prevenção e promoção de saúde da medicina social ganharam espaço entre psiquiatras brasileiros e em políticas de Estado, acarretando na reestruturação do tratamento dispensado aos alienados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até então, cabia à Santa Casa de Misericórdia tratar os considerados loucos, sendo estes os desajustados, indigentes, doentes mentais ou qualquer um que fosse considerado fora dos padrões estabelecidos. Tratamento esse que, de acordo com a classe médica, não considerava as reais demandas do tratamento da loucura. A fundação do Hospital Pedro II no ano de 1852 será um marco para a psiquiatria do período, no entanto, seguirá sob direção da Santa Casa até 1890, quando é desvinculado da instituição filantrópica e passa a ser denominado de [[Hospício Nacional de Alienados (HNA)]], sendo ainda criadas duas colônias na Ilha do Governador anexas a este.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posteriormente, em 1911, para atender a demanda devido a superlotação do Hospital Nacional, é criada a Colônia de Alienadas do Engenho de Dentro ou Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro, tendo como diretor Simplício de Lemos Braule Pinto (1911-1918) e, posteriormente, Gustavo Kholer Riedel (1918-1932). A colônia se destina a pacientes do HNA consideradas mulheres, indigentes e aptas a trabalhar, uma vez que o trabalho era tido como estratégia terapêutica. Além disso, pretendia-se estender ao subúrbio serviços de prevenção e higiene mental, o que, mais tarde, acarretou na oferta de assistência médica gratuita para a comunidade no entorno, devido a surtos de doenças no período. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E então, em 1920, é inaugurado o Ambulatório Ridávia Correia, com serviços de medicina geral, ginecologia, pediatria, obstetrícia, radiologia, otorrinolaringologia e cirurgia geral. Além, é claro, de assumir o papel de instruir a população sobre as causas da loucura e as maneiras de preveni-la, assim como visitar as residências de familiares de alienados e prestar-lhes orientação genética. E será na, assim apelidada, Policlínica dos Subúrbios que o pioneiro Laboratório de Psicologia será fundado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O Laboratório de Psicologia da Colônia de Alienadas do Engenho de Dentro ===&lt;br /&gt;
Com o financiamento da Fundação Gaffrée-Guinle, o então diretor da colônia, Gustavo Riedel, faz em 1923 a aquisição de instrumentos para um laboratório de pesquisas a ser anexado ao Serviço de Profilaxia Mental do ambulatório. Faz-se, então, necessária a contratação de um técnico qualificado para coordenar e dirigir esse laboratório, que terá como funções principais investigar as causas da alienação e promover sua prevenção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pelo seu histórico profissional e experiência, o psicólogo polonês [[Waclaw Radecki]] foi contratado como diretor do Laboratório de Pesquisas da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro, em 1924. O espaço físico do laboratório se localizava em salas cedidas pelo Dr. Guilherme Guinle, dentro do ambulatório da colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente, o laboratório teve como colaboradores somente Radecki e sua esposa, [[Halina Radecka]], o que nos anos seguintes mudará com a entrada de [[Nilton Campos]], Gustavo Augusto de Rezende, Ubirajara da Rocha, Arauld Bretas, Alberto Moore, Lucília Tavares, [[Jayme Grabois]], entre outros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ressaltar que a psicologia do laboratório realizava mais funções técnicas e práticas do que de fato experimentais, o que se explica pelo caráter funcional esperado do local, de que a psicologia ali estudada servisse mais como um instrumento da psiquiatria do que de fato uma psicologia. O potencial desenvolvimento teórico associado ao laboratório se deve mais ao interesse de Radecki do que a funcionalidade do local. O psicólogo desenvolveu como diretor um sistema psicológico que chamou de [[Discriminacionismo Afetivo|discriminacionismo afetivo]], mas o mesmo não vingou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um instrumento muito marcante do laboratório foi a ficha psicológica, que compunha os longos exames que eram realizados pelos profissionais do local. Os exames poderiam durar horas, dias ou até mesmo semanas, e para evitar que os avaliados ficassem fatigados, os testes eram divididos em etapas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando já estabelecido, o laboratório passou a ganhar reconhecimento e cumprir com suas funções sociais para além da colônia e ambulatório. Com destaque para o convite do Exército em 1927, para que o laboratório da Colônia prestasse auxílio na seleção de pilotos, o que culminou na comitiva de médicos militares que foram estudar e compuseram de seu laboratório por um período; e também quando o Ministro da Educação autorizou testes e exames de atletas brasileiro com o objetivo de seleção e orientação, em 1932.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E é em 1932 que, devido à Reforma Francisco Campos, o Laboratório de Psicologia da Colônia de Alienadas do Engenho de Dentro é convertido em Instituto de Psicologia ligado à, então, Universidade do Rio de Janeiro (atual UFRJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Extinção ===&lt;br /&gt;
Por meio de contatos e negociações, o psicólogo polonês Waclaw Radecki conseguiu ampliar o laboratório e justificar a criação do, atualmente conhecido, [[Instituto de Psicologia da UFRJ]]. Entretanto, o Instituto de Psicologia foi extinto por ordem presidencial por meio do Decreto Lei n. 21.999, no dia 24 de outubro de 1932, sete meses após sua criação. Este Decreto revogou o Decreto n. 21.173 de 19 de março de 1932, que marcava a criação do Instituto de Psicologia, e anexou os serviços julgados necessários à Assistência a Psicopatas. As justificativas da revogação, apesar de expostas pelo ministro de Estado dos Negócios da Educação e Saúde, não trazem na íntegra as causas para o fechamento do Instituto. Centofanti (1982) afirma que o Instituto foi fechado por não ter sido capaz de se manter financeiramente e por não ter sido motivo de interesse a alguns setores, como a Psiquiatria da época e grupos católicos ligados à Psicologia. Contudo, o Decreto foi assinado pelo Ministro da Educação e Saúde Pública Washington Ferreira Pires (1892-1970), que sucedeu a Francisco Campos a partir de 16 de setembro de 1932 (Brasil, 1932). Ao longo desses anos iniciais em que o Laboratório ficou aberto, apresentou-se sucintamente como instrumento para a Colônia de Psicopatas e, posteriormente, como base para as pesquisas de Radecki.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após um período de interrupção de cinco anos após o fechamento do laboratório, o local perde o seu sentido original, passando a vincular-se ao centro de psiquiatria da Colônia, sendo utilizado para aulas demonstrativas pelos antigos auxiliares de Radecki. Esse cenário chega ao fim com a iniciativa de Jaime Grabois e [[Euríalo Cannabrava]] de recriar o Instituto de Psicologia em 1937, conjecturado pela organização da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Assim, sob a direção de Jayme Grabois, que durou de 1937 a 1945, o laboratório foi incorporado e os instrumentos foram transferidos da Colônia para a sede da Universidade do Brasil.  Em 1948, Nilton Campos assume a direção do Instituto e fecha o laboratório novamente. A partir desse período, o laboratório foi utilizado com menos frequência e há poucas pesquisas ou quase nenhuma que indicam o funcionamento recorrente do laboratório desde então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Objetivos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Ser uma instituição auxiliar médica, com exames parciais e gerais de doentes; posteriormente com o propósito de auxílio no atendimento médico e ambulatorial para os alienados da colônia e a comunidade do entorno; trabalhos terapêuticos e psicanalíticos a requerimento dos médicos.&lt;br /&gt;
# Auxiliar das necessidades sociais e práticas: como avaliações infantis, profissionais e em investigações forenses, por exemplo.&lt;br /&gt;
# Ser um núcleo científico: contribuir com o avanço da psicologia e seus alcances a partir do desenvolvimento de pesquisas experimentais.&lt;br /&gt;
# Ser um centro de formação de profissionais em psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Reuniões e congressos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;1927:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Radecki viaja pela Europa, acompanhado de uma comissão de médicos brasileiros, e visita os principais centros de desenvolvimento de Psicologia europeia. Promoveu também um curso na Faculdade de Direito de Curitiba e uma conferência no Congresso de Higiene em Belo Horizonte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;1928 e 1929:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Radecki participa de um curso de Psicologia ministrado na Escola de Aplicação do Serviço de Saúde do Exército, publicado em 17 fascículos chamados de &amp;quot;Resumo do Curso de Psychologia&amp;quot;.&lt;br /&gt;
# Durante esses anos, também são publicados os &amp;quot;Trabalhos de Psychologia&amp;quot; (vol. I e II), registrando as produções do laboratório.&lt;br /&gt;
* 1&#039;&#039;&#039;930:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Os assistentes de Radecki apresentam trabalhos para um concurso da Escola Normal do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Trabalhos realizados ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Pesquisas experimentais da influência do material mnemônico esquecido sobre a associação livre - Halina Radecka e Waclaw Radecki&lt;br /&gt;
* Pesquisas experimentais da influência do material mnemônico esquecido sobre a associação voluntária - Nilton Campos e Waclaw Radecki&lt;br /&gt;
* Contribuição experimental à psicologia dos juízos - Lucília Tavares e Waclaw Radecki&lt;br /&gt;
* A criação de hábitos sadios nas crianças - Waclaw Radecki&lt;br /&gt;
* O Estado atual da psicotécnica e meios práticos de aplicá-la - Waclaw Radecki&lt;br /&gt;
* Test de inteligência para adultos - Waclaw Radecki&lt;br /&gt;
* Um interessante caso de estupor catatônico - Gustavo Rezende &lt;br /&gt;
* Relatório de uma viagem realizada à Europa para estudos psicológicos - Nilton Campos&lt;br /&gt;
* Observação de um segmento (parte sensorial) do perfil psicológico do aviador - Arauld Bretas&lt;br /&gt;
* Estudo de atenção nos aviadores - Ubirajara Rocha &lt;br /&gt;
* Contribuição experimental à psicologia da fixação mnemônica - Antonio de Bulhões Pedreira &lt;br /&gt;
* Conceito de Saúde e Doença em face da biologia teórica - Paulo Schirch&lt;br /&gt;
* Contribuição ao estudo da sugestão e suas aplicações - Waclaw Radecki&lt;br /&gt;
* Contribuição ao estudo psicológico da psicanálise - Waclaw Radecki&lt;br /&gt;
* Contribuição ao estudo psicotécnico dos automatismos - Alberto Moore&lt;br /&gt;
* Problemas e métodos de psicologia individual (diferencial) - Waclaw Radecki&lt;br /&gt;
* Contribuição psicológica ao estudo da demência precoce - Waclaw Radecki e Gustavo Rezende &lt;br /&gt;
* Tratamento médico de crianças anormais - Hugo Marques &lt;br /&gt;
* À margem de dois psicogramas: Algumas observações a respeito da utilização, na psiquiatria, dos exames psicológicos dos doentes- Waclaw Radecki&lt;br /&gt;
* Exame Psicológico da Criança - Halina Radecka&lt;br /&gt;
* Psicologia do Pensamento - Lucília Tavares&lt;br /&gt;
* Psicologia da Vida Afetiva - Nilton Campos&lt;br /&gt;
* Psicologia da Sensação - Arauld Bretas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Lista de Dirigentes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Waclaw Radecki (1924 - 1932)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Membros Importantes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Gustavo Köhler Riedel&lt;br /&gt;
* [[Waclaw Radecki]]&lt;br /&gt;
* [[Halina Radecka]]&lt;br /&gt;
* [[Nilton Campos]]&lt;br /&gt;
* Gustavo de Rezende &lt;br /&gt;
* Lucília Tavares &lt;br /&gt;
* Agnello Ubirajara da Rocha&lt;br /&gt;
* Ubirajara da Rocha&lt;br /&gt;
* Arauld Bretas &lt;br /&gt;
* Alberto Moore&lt;br /&gt;
* Antonio de Bulhões Pedreira &lt;br /&gt;
* Oswaldo Guimarães &lt;br /&gt;
* Flávio Rodrigues Dias&lt;br /&gt;
* [[Jayme Grabois]]&lt;br /&gt;
* Arthur Fajardo da Silveira &lt;br /&gt;
* Antonio Moniz de Aragão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Discriminacionismo Afetivo]]&lt;br /&gt;
* [[Euríalo Cannabrava]]&lt;br /&gt;
* [[Halina Radecka]]&lt;br /&gt;
* [[Hospício Nacional de Alienados (HNA)]] &lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psicologia da UFRJ]]&lt;br /&gt;
* [[Jayme Grabois]]&lt;br /&gt;
* [[Nilton Campos]] &lt;br /&gt;
* [[Waclaw Radecki]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# BRASIL. [https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1930-1939/decreto-21173-19-marco-1932-515745-publicacaooriginal-1-pe.html Decreto n. 21.173 de 19 de março de 1932]. Diário Oficial da União - Seção 1 - 31/3/1932, Página 5929. Acesso em: 10 de dez. 2022.&lt;br /&gt;
# BRASIL. [https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1930-1939/decreto-21999-24-outubro-1932-508977-publicacaooriginal-1-pe.html Decreto n. 21.999 de 24 de outubro de 1932]. Diário Oficial da União - Seção 1 - 31/10/1932, Página 20049. Acesso em: 10 dez. 2022.&lt;br /&gt;
# Centofanti, Rogério. [https://doi.org/10.1590/S1414-98931982000100001 Radecki e a Psicologia no Brasil]. &#039;&#039;&#039;Psicologia: Ciência e Profissão&#039;&#039;&#039; [online]. 1982, v. 3, n. 1 , pp. 2-50. Acesso em: 15 de nov. 2022.&lt;br /&gt;
# Radecka, H. &amp;quot;Exame psychologico da criança&amp;quot;. Colônia de Psychopathas, RJ, 1930.&lt;br /&gt;
# Radecki, W. Contribuição à psychologia das representações. Revista de Educação, SP, 1923a.&lt;br /&gt;
# Radecki, W. Methodos psychoanalyticos em psychologia. &#039;&#039;&#039;Boletim da Sociedade de Medicina de São Paulo&#039;&#039;&#039;, vol. VI, SP, 1923b.&lt;br /&gt;
# &amp;quot;Psychologia do pensamento&amp;quot;, op. cit. nota 25.&lt;br /&gt;
# Campos, N. &amp;quot;Psychologia da vida affectiva&amp;quot;. Colônia de Psychopathas, RJ, 1930. Rocha, U. &amp;quot;Psychologia da attenção&amp;quot;, op. cit. nota 26. Bretas, A.&amp;quot;Psychologia das sensações&amp;quot;. Paulo Pongetti, RJ,1930.&lt;br /&gt;
# AUTUORI, Marina. [http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1415-711X2014000100002&amp;amp;lng=pt&amp;amp;nrm=iso Uma história do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro]. Bol. - &#039;&#039;&#039;Acad. Paul. Psicol&#039;&#039;&#039;., São Paulo, v.34, n. 86, p.7-23, 2014. Acesso em: 02  dez.  2022.&lt;br /&gt;
# AZEVEDO, Cleomar. [https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1676-10492010000100007 Dicionário histórico de instituições de Psicologia no Brasil]. &#039;&#039;&#039;Cad. psicopedag&#039;&#039;&#039;., São Paulo, v.8, n.14, p. 80-83, 2010. Acesso em  12 nov. 2022.&lt;br /&gt;
# FONSECA, Luiz Eduardo Prado. [http://www.hcte.ufrj.br/docs/teses/2020/luiz_eduardo_prado_da_fonseca.pdf &#039;&#039;&#039;Os (Des)caminhos da Psicologia no século XX:&#039;&#039;&#039; Um estudo sobre a história do Instituto de Psicologia da UFRJ]. Tese de Doutorado (História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia) – Programa de Pós-Graduação em História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2020. Acesso em: 06 de nov. de 2022.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links externos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.anm.org.br/gustavo-kohler-riedel/ Gustavo Köhler Riedel]&lt;br /&gt;
* [https://conexao.ufrj.br/2008/08/instituto-de-psicologia-faz-homenagem-a-seu-primeiro-diretor/ Jayme Grabois]&lt;br /&gt;
* [https://www.scielo.br/j/pcp/a/S99LKWZM3pbmWFkW5MxSZqF/?lang=pt# Waclaw Radecki]&lt;br /&gt;
* [http://historiaeloucura.gov.br/index.php/gustavo-augusto-do-rezende Gustavo de Rezende]&lt;br /&gt;
* [http://www.cliopsyche.uerj.br/?page_id=396 Lucília Tavares]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Arthur Medeiros Leite, Beatriz Fonseca da Silva, Clara Junqueira Garcez de Oliveira, Debora Rocha Gomes Aguiar e Isabella Barreto Figueiredo, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia. Criado em 2022.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instituições e Coletivos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
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	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Christophe_Dejours&amp;diff=1403</id>
		<title>Christophe Dejours</title>
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		<updated>2024-10-03T18:56:25Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções ortográficas e gramaticais; Identificação de nomes e instituições importantes para a história da psicologia; Implementação da seção &amp;quot;ver também&amp;quot; com tais nomes; Correção na formatação das seções e subseções; Verificação da formatação e link das referências; verificação dos links na seção &amp;quot;links externos&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Christophe Dejours nasceu em Paris, França, em 7 de abril de 1949. É doutor em medicina, com formação em psicossomática e psicanálise, especialista em medicina do trabalho e em psiquiatria. Além disso, é professor no Conservatoire National des Arts et Métiers (CNAM), em Paris, e diretor científico do [[Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Ação]]. Tornou-se pioneiro ao tratar da ciência sobre a “análise do sofrimento psíquico resultante do confronto dos homens com a organização do trabalho”, e é conhecido como um dos primeiros psicanalistas do trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
Christophe Dejours nasceu no dia 7 de abril de 1949, em Paris, França. Em 1968, no ano em que havia um vasto movimento de denúncia do trabalho alienante e a descoberta da condição da classe trabalhadora, em particular a dos trabalhadores imigrantes da França, Dejours iniciou seus estudos em medicina com a intenção de se tornar um psicanalista. Assim, optou por uma dupla formação, em psiquiatria e em ergonomia e medicina do trabalho, devido a uma bolsa de estudos de dois anos e, então, começou sua investigação em psicopatologia ocupacional. Concluiu seu doutorado em medicina em 1974 e adquiriu seu certificado de estudos especiais em medicina do trabalho em 1975. Nesse mesmo ano, foi residente no Hôpitaux psychiatriques de la Seine. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1978, cursou ergonomia no Conservatoire National des arts e mètiers e no ano seguinte obteve seu certificado de especialização em psiquiatria. Entre os anos de 1978 e 1982, Dejours foi médico do trabalho na Universidade Pierre e Marie Curie, também conhecida como Universidade de Paris VI, ao mesmo tempo em que trabalhou e estudou no Hôtel-Dieu com biólogos e clínicos, enquanto se formava em psicanálise e psicossomática.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dejours se tornou membro do Instituto de Psicossomática de Paris em 1983 e atuou como psiquiatra de 1981 a 1990. Posteriormente, foi nomeado para a cadeira de psicologia do trabalho no Conservatoire National des Arts et Métiers em Paris (1990) e tornou-se membro da [[Associação Psicanalítica Francesa (APF)|Association Psychanalytique de France]] um pouco mais tarde. No processo de construção do conceito da [[Psicodinâmica do Trabalho]], uma abordagem científica que possibilita uma compreensão contemporânea sobre a subjetividade no trabalho, Dejours organizou, em 1984, o primeiro &#039;&#039;Colóquio Nacional de Psicopatologia do Trabalho&#039;&#039;, onde foram apresentados vários indicadores de sofrimento, tendo a participação de sindicalistas e profissionais da saúde do trabalhador. Desde essa década, a ideia da Psicodinâmica passa por reformulações importantes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1992, Dejours introduziu o nome “psicodinâmica do trabalho” para designar o campo da investigação que é mais amplo do que o da [[Psicopatologia do Trabalho|psicopatologia do trabalho]], na medida em que envolve o estudo não só do sofrimento e da patologia em relação ao trabalho, mas também do prazer e mesmo da saúde através do trabalho. Ao chegar no Conservatoire National des Arts et Métiers, Dejours montou um laboratório com atividades de investigação no campo dos negócios, serviços, agricultura e criação de animais, na indústria, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1998, quando Christophe Dejours publicou o livro &#039;&#039;Souffrance em France: Banalisation de l&#039;injustice sociale&#039;&#039;, já correspondia a 20 anos de experiência e estudos de campo, e para o doutor era evidente que a relação entre a saúde mental e o trabalho estava a se deteriorar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dejours recebeu o prêmio Maurice-Bouvet em 2001, concedido por todo o seu trabalho na psicanálise. Em 2006, tornou-se professor da cadeira de psicanálise, saúde e trabalho do Conservatoire National des Arts et Métiers.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dejours tem pesquisado a vida psíquica no trabalho a mais de 30 anos, tendo como foco o sofrimento psíquico e as estratégias de enfrentamento utilizadas pelos trabalhadores para a superação e transformação do trabalho em fonte de prazer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
Christophe Dejours é considerado o maior expoente da psicanálise no campo da psicopatologia do trabalho, considerando sua abordagem divergente. Vale notar que sua abordagem “Psicodinâmica do Trabalho” não suplantou ou substituiu a psicopatologia do trabalho, diferenciando-se deste campo que, por si só, já contava com uma vasta pluralidade de abordagens e métodos de pesquisa e atuação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua abordagem inovadora tornou-se uma referência para a psicopatologia do trabalho, apesar das divergências. Sua pesquisa tem exercido grande influência na área e ele é um dos pensadores contemporâneos mais conhecidos associado à psicopatologia do trabalho. Seu trabalho representa uma grande contribuição na concepção do ser humano em sua interface com o trabalho. Apesar de empregar um método psicanalítico, ressalta a importância da transdisciplinaridade na compreensão dos processos de saúde relacionados ao trabalho, encontrando na sociologia e na antropologia suportes para ampliação da compreensão sobre tais processos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
Dejours propõe, em 1992, a mudança do termo psicopatologia do trabalho para “Psicodinâmica do Trabalho”, pois propôs-se a investigar as estratégias empregadas pelos trabalhadores na manutenção da saúde e da normalidade diante de condições adversas e de uma organização do trabalho perversa. Desde 1980, Dejours já tem sua atenção voltada para tais processos, o que na época chamou de “estratégias defensivas”. Sua Psicodinâmica do Trabalho trata das investigações psicológicas acerca destes processos, individuais e/ou coletivos, da manutenção da normalidade, e que são passíveis de descompensação. A Psicodinâmica do Trabalho, sobretudo, amplia o campo de investigação para além das doenças mentais associadas à atividade laboral. Tal ampliação permite um olhar não só para o sofrimento no trabalho, mas para o prazer; não só para o trabalhador, mas para a organização do trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para Dejours, o prazer no trabalho está associado ao emprego das aptidões psicomotoras, psicossensoriais e psíquicas do trabalhador. Desta forma, quando o trabalhador possui uma autonomia, ainda que relativa, para tomar decisões acerca da organização de seu trabalho (organização dos homens, organização das tarefas, condições de trabalho, etc.), ele possui mais ferramentas para fazer de seu trabalho uma fonte de prazer. No entanto, ao se encontrar diante de condições insalubres e de um itinerário de tarefas irredutíveis e que ameacem seu equilíbrio psicossomático, este empregará estratégias defensivas para manter sua saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dejours emprega uma leitura psicanalítica dos trabalhadores em sua teoria, chegando a alegar que a psicanálise representa a via régia para se pensar uma psicodinâmica da normalidade. No entanto, indica que as estratégias mobilizadas para a manutenção da normalidade não são conhecidas pela psicanálise, ou pela psiquiatria. Ele afirma que os elementos pertinentes a estes processos também são objetos de estudo principalmente da sociologia e da antropologia da saúde, adicionando a psicodinâmica do trabalho como um destes campos de pesquisa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Em entrevista, Dejours  é questionado acerca de como sua obra “Souffrance en France: Banalisation de l&#039;injustice sociale” foi recebida pelos especialistas da época. A partir disso, o autor responde afirmando que para uns, o livro foi uma revelação, para outros, um alívio, mas que também houve uma quantia numerosa de detratores: &amp;lt;blockquote&amp;gt;“Entre psicólogos, psiquiatras e psicanalistas, o lugar que dou à filosofia moral a fim de compreender a etiologia do sofrimento e patologia mental no trabalho não só é inaceitável, como é uma patologia e contradição teórica e epistemológica&amp;quot;. (DEJOURS, 2018, n.p) &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Ainda, completa dizendo que há muitos cientistas sociais que denunciam seu livro como uma análise psicologizante, vitimista, “miserabilista” e “despolitizante”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posteriormente, Dejours afirma também ter sido criticado por sua discussão com as teses de Hannah Arendt sobre o trabalho (&amp;quot;Condição do Homem Moderno&amp;quot;) e a banalidade do mal (&amp;quot;Eichmann em Jerusalém&amp;quot;). Porém, a fim de marcar tanto o que devia ao pensamento de Arendt quanto à distância crítica de suas posições, o doutor propôs uma distorção do título “Eichmann em Jerusalém” para “Ensaio sobre a banalização do mal”. Porém, sua editora preferiu a primeira opção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, Dejours disserta acerca das acusações que recebera – nem sempre honestas, segundo ele – de que havia amalgamado o neoliberalismo aos campos de concentração nazistas, o que para ele seria justamente o oposto de sua tese. O autor encerra afirmando que, na época, a controvérsia sobre sua obra foi bastante severa e que pensa continuar até os dias de hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia biográfica ==&lt;br /&gt;
1949: Christophe Dejours nasce em Paris, França.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1974: Conclui doutorado em Medicina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1975: Certificado de estudos especiais em medicina do trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1975: Residente no Hôpitaux psychiatriques de la Seine.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1978: Cursou ergonomia no Conservatoire National des arts e mètiers.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1979: Certificado de estudos especializados em psiquiatria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1980: Assistente de hospitais psiquiátricos, classificado em primeiro lugar no concurso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1981: Trabalha como Psiquiatra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1990: Se torna professor da cadeira de Psicologia do Trabalho do Conservatoire national des arts et métiers, em Paris.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2006: Professor da cadeira de Psicanálise-Saúde-Trabalho do Conservatoire national des arts et métiers, em Paris.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Quem influenciou ==&lt;br /&gt;
Pode-se observar, no Brasil, a presença de diversas pesquisas que vem utilizando a abordagem da psicodinâmica do trabalho. Tendo como destaque as áreas da arte, entretenimento e lazer nas pesquisas de Lúcia Kratz Souza, Kátia Barbosa Macêdo, João Batista de Oliveira Ferreira e Marcos Valle Bueno. Além disso, na área da saúde com os estudos de Ana Magnólia Bezerra Mendes e Álvaro Roberto Crespo Merlo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O trabalho observado pela visão da psicodinâmica tende a buscar um interesse principalmente nos estudos sobre o prazer, conectado a identidade, liberdade, autonomia, sublimação, reconhecimento e com destaque para o processo criativo. Mas além disso, se liga também ao sofrimento, que está relacionado com a ausência de sobrecarga, reconhecimento e na patologia da solidão estudada por Christophe Dejours.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há como negar a interferência dos trabalhos de Dejours sobre os estudos dos pensadores que por algum momento já estiveram em posições de parceiros e colaboradores do pai da psicodinâmica do trabalho. Esses tornaram-se, ao longo de seus desenvolvimentos acadêmicos, dissentes e críticos do destino da Psicodinâmica do Trabalho. Entre ex-colegas de profissão e parceiros de pesquisa, como Philippe Davezies, Damien Cru e Yves Clot, a influência de Dejours sobre toda a área de pesquisa referente ao trabalho e saúde é de grande valor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relação com outros personagens e teorias ==&lt;br /&gt;
Em uma de suas obras, “A Banalização da Injustiça Social”, Christophe Dejours faz uma análise das várias formas de supressão e desigualdades sociais exercidas em prol dos modos de produção da sociedade contemporânea. Essa obra é de grande valor por ser a primeira contribuição a analisar tais feitos com a participação e colaboração das pessoas que sofreram essas injustiças. Para a construção da análise das formas de banalização da gestão do trabalho, Dejours utilizou da visão de Hannah Arendt, uma filósofa alemã de origem judaica, que examinou a questão do nazismo alemão, mais especificamente as atitudes do oficial nazista Eichmann. Esse que, diversas vezes, permitiu, consentiu e colaborou com a matança indiscriminada de judeus no período da Segunda Guerra Mundial, serviu de exemplo para Arendt na formação da expressão “Banalidade do Mal”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Dejours utilizou um dos conceitos formulados por Jürgen Habermas, conhecido como “distorção comunicacional”, com a finalidade de analisar variados meios de comunicação que, em nome da “valorização”, foram responsáveis por criar comunicações distorcidas sobre o trabalho. A exemplo dessas comunicações, tem-se a negação da descrição da atividade produtiva, o silêncio entre os trabalhadores sobre a realidade do trabalho, o sofrimento subjetivo e a injustiça no trabalho. Christopher Dejours utilizou tais conceitos de forma que conseguisse realizar uma reflexão sobre a banalização e a negação das torturas no meio de trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
Uma lista completa das obras de Dejours pode ser encontrada [https://psychanalyse.cnam.fr/christophe-dejours-488797.kjsp aqui].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
Prêmio Maurice-Bouvet (2001) - Concedido por todo o seu trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
#ABRAHAO, Júlia. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1414-98931990000100012&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso A loucura do trabalho]. &#039;&#039;&#039;Psicol. cienc. prof.&#039;&#039;&#039;, Brasília, v. 10, n. 1, p. 39, 1990.&lt;br /&gt;
#ANDRÉ. [http://www.ihu.unisinos.br/noticias/520004-o-sofrimento-no-trabalho-artigo-de-christophe-dejours O sofrimento no trabalho: artigo de Christophe Dejours.] &#039;&#039;&#039;Revista IHU On-line&#039;&#039;&#039;, 2013.&lt;br /&gt;
#APF. M. Christophe Dejours. [https://associationpsychanalytiquedefrance.org/membres/ Association Psychanalytique de France].&lt;br /&gt;
#ATHAYDE, Milton. [https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0102-311X2005000300039 Christophe Dejours: da psicopatologia à psicodinâmica do trabalho]. &#039;&#039;&#039;Cad. Saúde Pública&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, v. 21, n. 3, p. 989-990, junho 2005.&lt;br /&gt;
#BUENO, Marcos; MACÊDO, Kátia Barbosa. [http://www.periodicoshumanas.uff.br/ecos/article/view/1010 A Clínica psicodinâmica do trabalho: de Dejours às pesquisas brasileiras]. &#039;&#039;&#039;Ecos: estudos contemporâneos da subjetividade&#039;&#039;&#039;, Campos dos Goytacazes, v. 2, n. 2, p. 306-318, 21 nov. 2012.&lt;br /&gt;
#CARDOSO, Marta Rezende. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1516-14982001000200007&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso Christophe Déjours]. &#039;&#039;&#039;Ágora (Rio J.)&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, v. 4, n. 2, p. 89-94, dez.  2001.&lt;br /&gt;
#CNAM. [https://psychanalyse.cnam.fr/recherche/equipe-de-recherche/christophe-dejours-488797.kjsp?RH=ACCUEIL Christophe Dejours. Équipe de recherche]. Cnam - Psychanalyse, santé, travail.&lt;br /&gt;
#DEJOURS, Christophe. Loucura e trabalho: da análise etiológica às contradições teóricas (acerca de uma crise asmática). In: DEJOURS, Christophe. &#039;&#039;&#039;Psicodinâmica do trabalho: casos clínicos&#039;&#039;&#039;. Porto Alegre - São Paulo: Dublinense, 2017. p. 19-41. Tradução de: Vanise Dresch.&lt;br /&gt;
#DEJOURS, Christophe. [https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5751578/mod_resource/content/0/Por%20um%20novo%20conceito%20de%20saude%20DEJOURS.pdf Por um novo conceito de saúde]. &#039;&#039;&#039;Revista Brasileira de Saúde Ocupacional&#039;&#039;&#039;, São Paulo, v. 14, n. 54, p. 7-11. 1986. Palestra proferida na Federação dos Trabalhadores da Metalurgia da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT).&lt;br /&gt;
#GRANGER, Bernard. Sortir du travail aliénant: entretien avec Christophe Dejours. &#039;&#039;&#039;PSN&#039;&#039;&#039;, v. 16, n° 3, p. 27 a 36, 2018.&lt;br /&gt;
#KANABUS, Benoît. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0103-65642015000300328&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso Christophe Dejours - O corpo inacabado entre fenomenologia e psicanálise: entrevista]. &#039;&#039;&#039;Psicol. USP&#039;&#039;&#039;, São Paulo, v. 26, n. 3, p. 328-339, dez.  2015.&lt;br /&gt;
#[https://www.cairn.info/revue-francaise-de-psychanalyse-2013-4-page-1155.htm Les lauréats du prix Maurice Bouvet]. &#039;&#039;&#039;Revue française de psychanalyse&#039;&#039;&#039;, 2013/4 (Vol. 77), p. 1155-1160.&lt;br /&gt;
#MARTINS, Soraya Rodrigues; CRUZ, Roberto Moraes; BOTOME, Sílvio Paulo. [http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1984-66572001000100007&amp;amp;lng=pt&amp;amp;nrm=iso A (in)sustentável banalização do ser]. &#039;&#039;&#039;Rev. Psicol., Organ. Trab.&#039;&#039;&#039;, Florianópolis, v. 1, n. 1, p. 173-179, jun. 2001.&lt;br /&gt;
#MENDES, Ana Magnólia Bezerra. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1414-98931995000100009&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso Aspectos psicodinâmicos da relação homem-trabalho: as contribuições de C. Dejours]. &#039;&#039;&#039;Psicol. cienc. prof.&#039;&#039;&#039;, Brasília, v. 15, n. 1-3, p. 34-38, 1995. &lt;br /&gt;
#NASSIF, L. E. [https://periodicos.ufmg.br/index.php/memorandum/article/view/6764 Origens e desenvolvimento da Psicopatologia do Trabalho na França (século XX): uma abordagem histórica]. &#039;&#039;&#039;Memorandum: Memória e História em Psicologia&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;[S. l.]&#039;&#039;, v. 8, p. 79–87, 2005.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
*[[Associação Psicanalítica Francesa (APF)]]&lt;br /&gt;
*[[Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Ação]]&lt;br /&gt;
*[[Psicodinâmica do Trabalho]]&lt;br /&gt;
*[[Psicopatologia do Trabalho]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links externos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.youtube.com/watch?v=9cdgnzQ0NSg Entrevista com Christophe Dejours sobre Violências no Trabalho]&lt;br /&gt;
* [https://psychanalyse.cnam.fr/christophe-dejours-488797.kjsp Obras de Christophe Dejours]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: André Nunes Penha, Hanna Okamoto Antunes, Matheus Caciquinho Siman e Thais Arci, como exigência parcial para a disciplina de Psicologia e História Social do Trabalho da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.1, publicado em 2021.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
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		<updated>2024-10-03T17:39:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções gramaticais e ortográficas; Formatação das seções e subseções; Adição e verificação de links ao longo do texto; Criação da seção &amp;quot;Ver também&amp;quot;; Correções e verificação de links na seção &amp;quot;Referências&amp;quot;.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Pierre Gilles Weil nasceu em Estrasburgo, França, em 16 de abril de 1924. Estudou no Instituto de Estudos do Trabalho e de Orientação Profissional de Paris, dirigido por Henri Pierón, na Escola Prática de Psicologia e Pedagogia da Universidade de Lyon e na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (antigo Instituto Jean-Jacques Rousseau), da Universidade de Genebra. Foi responsável pela introdução da psicodrama no Brasil, na década de 1960, pela fundação da Universidade Internacional da Paz (UNIPAZ), em 1987, e autor de mais de 50 livros. Weil morreu aos 84 anos em Brasília, no dia 9 de outubro de 2008, por falência de órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
Pierre Weil nasceu em uma família com bastante variedade religiosa, o que refletiu diretamente em sua criação. Aos oito anos decidiu criar, ludicamente, junto com um primo, uma Associação Católica dos Judeus Protestantes a favor do monotelismo Budista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a infância, as discordâncias religiosas de sua família foram motivos para conflitos. Aos quatorze anos, como uma ideia para a solução dos conflitos políticos na Europa, propôs a união fronteiriça e econômica entre os países. Em 1941, durante a 2ª guerra mundial, aos dezessete anos integra-se no movimento de resistência da França contra os nazistas, os “maquis”, mas como enfermeiro da cruz vermelha, se recusava a ter que portar uma arma.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos dezoito anos, as tropas alemãs invadiram sua cidade natal, sendo obrigado a se refugiar na França. Ainda como voluntário do movimento da Resistência Francesa, passou a ministrar aulas e cuidar dos jovens refugiados de guerra. Presenciar os horrores da guerra desde tenra idade, foi responsável por nascer a vontade de Pierre Weil para um combate diferente, direcionado à causa da educação para alcançar a paz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Formação acadêmica ===&lt;br /&gt;
Com o fim da guerra, Pierre passa a residir em Paris, onde iniciou seus estudos acadêmicos. Estudou no instituto de Trabalho e de Orientação Profissional de Paris, dirigido por [[Henri Pierón]], na Escola Prática de Psicologia e Pedagogia da Universidade de Lyon e na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (antigo [[Instituto Jean-Jacques Rousseau]]), da Universidade de Genebra. Durante esse período teve a oportunidade de ter tido grandes mestres, como [[Jean Piaget]], [[André Rey]] e entre outros. Posteriormente, recebeu o título de Doutor em Psicologia, pela Universidade de Paris, recebendo uma Menção Honrosa, por sua original tese sobre a Esfinge.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Vinda para o Brasil ===&lt;br /&gt;
Em 1948, desembarcou no Brasil, Rio de Janeiro, a convite do professor Léon Walther com o objetivo de integrar no treinamento dos grupos que organizariam os serviços de psicotécnicas do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). O modelo adotado tinha como inspiração a orientação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), contendo adaptações para o trabalho comercial. Durante os nove anos seguintes, liderou a sessão de orientação e seleção profissional do Senac.  A convite de [[Helena Antipoff]], abandona sua antiga posição e passa a ser Chefe do Consultório Psicopedagógico do Instituto Pestalozzi do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1953, com Eva Nick, Weil focou sua atenção na psicologia social do trabalho, desenvolvendo estudos voltados para profissões e psicodiagnósticos. As pesquisas foram baseadas na biotipologia de Sheldon e Stevens, mas aplicada a um grupo de vendedores balconistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1954, passou a focar seus estudos nas relações socais e lançou a primeira versão do livro “ABC das Relações Humanas”, a 2ª edição foi adaptada e recebeu o título de “Relações Humanas na Família e no Trabalho”, a adaptação chegou a ter mais de 50 edições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1955, aprofunda seus estudos na aplicação da psicologia ao trabalho e a sociedade, através do seu livro “ABC da Psicotécnica”, na qual introduz os fundamentos científicos da psicotécnica. Ainda no mesmo ano, Weil apresentou os resultados do seu estudo sobre o teste de inteligência não verbal, aplicado no território nacional, que sugeriam uma superioridade nas classes ricas e médias perante as classes pobres, mas mostravam uma diferença desprezível de inteligência entre os sexos, contrariando a ideia difundida na época de superioridade intelectual do gênero masculino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1958, convidado pelo então Banco da lavoura de Minas Gerais, organizou sistemas de recrutamento, seleção e treinamento de executivos e gerentes, utilizando práticas mais dinâmicas e introduzindo o [[psicodrama]] no Brasil. Durante esse período, Weil e alguns professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram a técnica de “Desenvolvimento das Relações Humanas” (DRH), a partir do aperfeiçoamento das técnicas norte americanas de “Training Group”, criadas pelo National Training Laboratory in Group Development, nos Estados Unidos. Após 10 anos, passou a morar em Belo Horizonte, onde tornou-se chefe do Departamento de Orientação e Formação do Banco Real e professor da UFMG, onde atuou nas áreas de psicologia social, psicologia industrial e psicologia transpessoal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1972, casou-se com a professora de ioga Maria José Marinho e, juntos, fundaram a Instituto da Síntese Humana (SINTESE), que estudava os efeitos da Laya Yoga no comportamento humano e como poderia ser utilizado no auxílio da cura de enfermidades psicológicas, como depressões, ansiedade e angustias. Dirigiu uma pesquisa na UFMG sobre os efeitos da Laya Yoga em conjunto com sua esposa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1987, recebeu um convite do governador do distrito federal da época, José Aparecida, para que se mudasse para Brasília e conseguisse trabalhar de forma mais ativa na fundação da Universidade Holística Internacional da Paz (UNIPAZ). Passa a residir em Brasília, tornando-se Presidente da Fundação Cidade da Paz e Reitor da UNIPAZ, e torna-se cidadão honorário da cidade de Brasília, em 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Apostando em uma visão holística e transdisciplinar do conhecimento, Weil, através da UNIPAZ, conseguiu se dedicar exclusivamente a educação com o propósito de alcançar a paz, temas de suas conferências para a Unesco, em 1989, tendo sido agraciado com a menção honrosa do Prêmio de Educação para a Paz, em 2000, e foi indicado ao prêmio Nobel da paz em 2003.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Weil era um grande entusiasta pelo Brasil, sendo a cultura brasileira do abraço uma das coisas que mais o encantou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== UNIPAZ ===&lt;br /&gt;
A UNIPAZ, criada por Pierre Weil com o apoio monetário do Governador de Brasília, na época José Aparecida, é a união da Universidade Holística Internacional com a Fundação Cidade da Paz. Tem como proposito principal a busca pela paz e uma política contra a violência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A UNIPAZ adota a transdisciplinaridade como forma de ensino, tendo sua metodologia baseada em três estágios: o de sensibilização, de formação e de pós-formação. Estas etapas envolvem pesquisas que buscam agir em função de uma ação reparadora daquilo que o ser humano danificou em si mesmo, no coletivo e no meio ambiente:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# A Paz consigo próprio (Ecologia e Consciência individuais), sobre os planos do corpo, das emoções e do espírito.&lt;br /&gt;
# A Paz com os outros (Ecologia e Consciência Sociais), sobre os planos da economia, da sociedade e política, e da cultura.&lt;br /&gt;
# A Paz com a natureza (Ecologia e Consciência do Universo), sobre os planos da matéria, da vida e da informação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pierre Weil estudou diversas doutrinas esotéricas que o auxiliaram na formação dos preceitos da UNIPAZ, sempre enfatizando a defesa da paz e harmonia entre os homens, e com o meio ambiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do Distrito Federal, a universidade tem campus na Bahia, no Ceará, no Paraná, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Santa Catarina e no Rio Grande Sul. E em outros países: França, Argentina, Israel, Bélgica e Inglaterra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fim da vida ===&lt;br /&gt;
Permaneceu como reitor da UNIPAZ e ministrando palestras até o fim da vida. Faleceu no dia 09de outubro de 2008, aos 84 anos. O corpo de Pierre Weil foi velado por parentes e amigos em Brasília, na própria UNIPAZ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
*Foi o primeiro a difundir o psicodrama no Brasil, utilizando-o como método e referência teórica, abrindo as portas para que fosse conhecido e reconhecido além do universo clínico não só na teoria, mas também na prática do universo empresarial.&lt;br /&gt;
*A partir do aperfeiçoamento das técnicas norte americanas, fez parte da criação de uma técnica denominada Desenvolvimento das Relações Humanas – DRH.&lt;br /&gt;
*Em 1966, criou um novo tipo de Psicodrama, o Psicodrama da Esfinge, que foi apresentado no Congresso de psicodrama de Barcelona no mesmo ano. Anne Ancelin, encantada com o método, aconselhou-o a apresentar o trabalho na Universidade de Paris, onde recebeu a menção honrosa no título de Doutor em Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
Pierre Weil, através da UNIPAZ, tinha como objetivo fazer a integração entre movimentos esotéricos e alternativos com a ciência convencional. As sabedorias ancestrais tinham forte influência no pensamento de Weil. Em seu livro “A arte de viver em paz”, ele faz esse conhecimento antigo transitar entre as bases contemporâneas, permitindo que exista uma relação de troca entre as tradições espirituais, filosofia, arte e ciência, sendo assim possível alcançar um equilíbrio. Pierre chamou das três ecologias básicas a única forma de alcançar esse equilíbrio, as ecologias individual, social e ambiental. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, Weil desenvolveu uma metodologia, holologia, conhecimento teórico, e da holopráxis, conhecimento prático, que tinha como objetivo auxiliar nas metamorfoses pessoais e profissionais, sempre com foco para as mudanças de paradigma que auxiliam no desenvolvimento de uma cultura de paz. No pensamento holístico, o indivíduo, a sociedade e a natureza vivem em harmonia, em um conjunto inseparável, por isso o interesse de Weil nessa área de conhecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ABC das Relações Humanas – Ed. Nacional – São Paulo (1954).&lt;br /&gt;
# ABC das Psicotécnicas – Ed. Nacional – São Paulo (1955).&lt;br /&gt;
# Manual de Psicologia Aplicada – Itatiaia – Belo Horizonte (1967).&lt;br /&gt;
# Dinâmica de Grupo e Desenvolvimento em Relações Humanas - Itatiaia – (1967) (com Arme Ancelin Sohutzenberger– Célio Garcia o outros).&lt;br /&gt;
# A Revolução Silenciosa – Autobiografia Pessoal e Transpessoal – São Paulo (1983).&lt;br /&gt;
# Sementes para uma Nova Era – Ed. Vozes – Petrópolis (1984).&lt;br /&gt;
# A Neurose do Paraíso Perdido – Ed. Espaço e Tempo – Dist. Vozes – Rio de Janeiro (1987).&lt;br /&gt;
# O Novo Vocabulário Holístico – Espaço e Tempo – CEPA Dist. Vozes – Rio de Janeiro (1987) 2ª. Edição.&lt;br /&gt;
# Ondas a Procura do Mar – Rio de Janeiro (1987).&lt;br /&gt;
# A Palha e a Trava – Ed. vozes -Rio de Janeiro (1989).&lt;br /&gt;
# Relações Humanas na Família e no Trabalho – Ed. Vozes Petrópolis (1971) 25ª. Edição.&lt;br /&gt;
# O Potencial da Inteligência do Brasileiro (Com Eva Nick) CEPA – Rio de Janeiro (1971).&lt;br /&gt;
# Liderança, Tensões, Evoluções – Itatiaia – Belo Horizonte (1972).&lt;br /&gt;
# A Consciência Cósmica – Introdução à Psicologia Transpessoal Ed. Vozes – Petrópolis (1972) 2ª. Edição.&lt;br /&gt;
# Esfinge: Estrutura e Mistério do Homem – Itatiaia (1977).&lt;br /&gt;
# A Mística do Sexo – Itatiaia – Belo Horizonte (1976).&lt;br /&gt;
# Fronteiras da Regressão – Ed. Vozes – Petrópolis (1976).&lt;br /&gt;
# Psicodrama Triádico (com Anne A. Schutzenbergr) Interlivros (1976)&lt;br /&gt;
# Sua Vida, Seu Futuro – Ed. Vozes – Petrópolis (1979) 10ª. Edição.&lt;br /&gt;
# Amar e Ser Amado – Ed. Vozes – Petrópolis (1979) 20ª. Edição&lt;br /&gt;
# O Psicodrama – CEPA – Rio de Janeiro (1979) 2ª. Edição.&lt;br /&gt;
# A Criança, o Lar, a Escola – Ed. Vozes – Petrópolis (1979) 20ª. Edição.&lt;br /&gt;
# Fronteiras da Evolução e da Morte – Ed. Vozes – Petrópolis (1979).&lt;br /&gt;
# Pequeno Tratado de Psicologia Transpessoal em Colaboração com outros – Ed. Vozes (1979) 5º. Volume.&lt;br /&gt;
# Holística – Uma Nova Visão do Real – Palas Athenas – São Paulo (1990)&lt;br /&gt;
# A Arte de Viver em Paz – Ed. Gente – São Paulo (1990)&lt;br /&gt;
# Organizações e Tecnologia para o Terceiro Milênio – A Nova Cultura&lt;br /&gt;
# Organizacional Holística– Ed. Rosa dos Tempos – Rio de janeiro (1991) 2ª Edição.&lt;br /&gt;
# Antologia do Êxtase – Ed. Palas Atenas – São Paulo (1992).&lt;br /&gt;
# O Último Porquê – Ed. vozes (1989) – 3ª.Edição (1992).&lt;br /&gt;
# A Nova Ética – Ed. Rosa dos Tempos – Rio de Janeiro (1993).&lt;br /&gt;
# Rumo à Nova Transdisciplinaridade em colaboração (com Ubiratan D’Ambrósio e Roberto Crema) – Ed. Summus – São Paulo (1993).&lt;br /&gt;
# A Morte da Morte – Ed. Gente – São Paulo (1995).&lt;br /&gt;
# Mudança de Sentido e Sentido da Mudança – Ed. Rosa dos Tempos – Rio de Janeiro (2000)&lt;br /&gt;
# Novas Ideias para Novos Tempos – Ed. Rosa do Tempos – Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
# A Lágrima da Compaixão – Ed. Pensamento – São Paulo (2000).&lt;br /&gt;
# A Arte de Viver a Vida (2011)&lt;br /&gt;
# Mudança de Sentido e Sentido da Mudança (2000)&lt;br /&gt;
# O Fim da Guerra dos Sexos (2002)&lt;br /&gt;
# O Corpo Fala (Com Roland Tompakow) – Ed. Vozes Petrópolis (2015) 74ª.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia biográfica ==&lt;br /&gt;
1924: Pierre Weil nasce em Estrasburgo, França.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1949: Torna-se chefe da Seção de Orientação e Seleção Profissional do Departamento Nacional do Senac. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1958: Mudou-se para Belo Horizonte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1987: Mudou-se para Brasilia, tornou-se presidente da Fundação Cidade da Paz e reitor da UNIPAZ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1972: Casou-se com Maria José Marinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1998: Torna-se cidadão honorário de Brasília.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2008: Faleceu em Brasília. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[André Rey]]&lt;br /&gt;
* [[Helena Antipoff]]&lt;br /&gt;
* [[Henri Pierón]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto Jean-Jacques Rousseau]]&lt;br /&gt;
* [[Jean Piaget]]&lt;br /&gt;
* [[Psicodrama]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
# CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. [https://site.cfp.org.br/morre-em-braslia-o-fundador-da-unipaz-pierre-weil/ Morre em Brasília o fundador da Unipaz Pierre Weil]. Brasilia, 18 out. 2008. &lt;br /&gt;
# [https://www.youtube.com/watch?v=KdA_71OPrBg&amp;amp;t=9s&amp;amp;ab_channel=SUPREN DOC. Pierre Wei]. Produção de Lia Tavares. Roteiro: Lia Tavares, Lydia Rebouças, Cristina Peliano. Minas Gerais: Tv Supren, 2013. (18 min.), son., color.&lt;br /&gt;
# KLADI, V. M. [https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0104-53932009000100015 Pierre Weil e o psicodrama no Brasil]. &#039;&#039;&#039;Revista Brasileira de Psicodrama&#039;&#039;&#039;, São Paulo, v. 17, n. 1, 2009.&lt;br /&gt;
# MISSA de sétimo dia pela morte de Pierre Weil será celebrada hoje. UFMG. Minas Gerais. 16 out. 2008.&lt;br /&gt;
# [https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1414-98932005000400013 PSICOLOGIA: CIÊNCIA E PROFISSÃO]. Brasilia: v. 25, n. 4, 2005. Trimestral.&lt;br /&gt;
# UNIPAZ. Pierre Weil (1924-2008): ESCRITOR, EDUCADOR E PSICÓLOGO.  Brasilia, p. 1-1.&lt;br /&gt;
# WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. [https://web.archive.org/web/20100216015957/http://pcangelo.files.wordpress.com/2008/05/corpofl.pdf &#039;&#039;&#039;O corpo Fala: a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal&#039;&#039;&#039;]. 54. ed. Vozes, 2000. 154 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links externos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://pierreweil.pro.br/ Pierre Weil]&lt;br /&gt;
* [http://www.unipazrj.org.br/ UNIPAZ RJ]&lt;br /&gt;
* [https://unipazgoias.org.br/ UNIPAZ Goiás]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Julia Hatsue Ribeiro Osawa de Sousa, como exigência parcial para a disciplina de Psicologia e História Social do Trabalho da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.1, publicado em 2021.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
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		<title>Roberto Mange</title>
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		<updated>2024-09-26T15:08:51Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções ortográficas e gramaticais; Identificação de nomes e instituições importantes para a história da psicologia; Implementação da seção &amp;quot;ver também&amp;quot; com tais nomes; Correção na formatação das seções e subseções; Pequenas correções na formatação das referências; verificação e atualização dos links na seção &amp;quot;links externos&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Robert Auguste Edmond Mange nasceu em 31 de dezembro de 1886, em Genebra, na Suíça, e faleceu no ano de 1955, em São Paulo. Ele foi um engenheiro-educador e intelectual que se tornou agente direto da construção do novo Ensino Industrial Brasileiro e referência na definição da pedagogia do novo modelo das escolas técnicas. Mange acreditava que a organização racional era uma forma de ampliar a produtividade da indústria brasileira e, assim, torná-la mais eficiente e moderna. Dessa maneira, sua experiência com a Organização Racional do Trabalho marcou os avanços industriais do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Robert Auguste Edmond Mange nasceu em 31 de dezembro de 1886, em Genebra, na Suíça, e em 1939 foi naturalizado brasileiro e passou a ser Roberto Mange. Iniciou sua formação escolar em Portugal, concluiu-a na Alemanha e obteve o diploma de engenheiro pela Escola Politécnica de Zurich, em 1910. Em 1913, aos 28 anos, veio para o Brasil, pelo amparo de Paula Souza, admitido para a cadeira de Mecânica Aplicada às máquinas, na Politécnica de São Paulo, onde lecionou durante 40 anos, até se aposentar, e foi considerado Professor Emérito em 1953. Sua vinda ao país não objetivava a permanência por toda a vida. Essa decisão foi sendo construída aos poucos, devido à boa recepção e ao acolhimento, aos prósperos projetos na indústria nascente e, consequentemente, à constituição de sua família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A estadia de Mange no Brasil foi impulsionada com o convite de Antônio Francisco de Paula Souza - republicano, defensor do ensino público e também um dos incentivadores da criação da Escola Politécnica de São Paulo, uma das instituições principais para o pensamento industrial brasileiro. Mange foi agente primordial da criação do novo ensino industrial brasileiro. No papel de engenheiro-educador da Escola Politécnica de São Paulo, Mange tornou-se superintendente do Curso de Mecânica Prática no anexo ao Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, que, no ano de 1924, transformou-se em Escola Profissional Mecânica, da qual Mange permaneceu vinculado até 1928. Foi durante sua permanência na Escola Mecânica que Mange introduziu no Brasil as séries metódicas de ofícios, com um grupo de intelectuais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1930, depois de viajar à Alemanha para aprender sobre o ensino ferroviário, Mange participou da composição e ordenamento do Serviço de Ensino e Seleção Profissional da Estrada de Ferro Sorocaba, instituição em que foi diretor até 1934. Um ano depois da viagem, ele fundou o [[Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT)|IDORT (Instituto de Organização Racional do Trabalho)]], junto de Gaspar Ricardo, Armando Salles Oliveira, Geraldo de Paula e Souza, [[Lourenço Filho]], Aldo Mário de Azevedo e outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1934, Mange criou o CFESP (Centro Ferroviário de Ensino e Seleção Profissional de São Paulo) e ocupou a função de diretor. Em 1937, tornou-se superintendente do gabinete de psicotécnica, que fazia parte da Escola Técnica Getúlio Vargas. Dessa forma, Mange atuou, desde o princípio - 1934 - nas definições legais das bases do Senai, o que impossibilitava a tomada de decisões acerca da educação industrial no Brasil sem a cooperação de Mange no início do século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Roberto Mange agiu na comissão criada pelo ministro Capanema em 1941 que visava a elaboração das diretrizes da educação industrial e concluiu, em 1941, o anteprojeto de Lei Orgânica do Ensino Industrial. Em 1942, Mange tornou-se o diretor do Departamento Regional do Senai de São Paulo e foi colocado como referência nacional se tratando do Senai. Ele elaborou nesse momento princípios e táticas para a educação industrial, introduziu inovações e as transformou em padrões pedagógicos, além de difundir pelos outros departamentos regionais do SENAI que estavam sendo fundados nos estados brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1945, Mangue foi convidado para participar de uma reunião que objetivava criar uma associação de Psicologia em São Paulo. No mesmo ano, foi fundada a [[Sociedade de Psicologia de São Paulo]] e Roberto Mange assumiu a função de primeiro presidente da instituição. Sua atuação na área de psicologia foi extremamente relevante para o desenvolvimento da Psicologia do Trabalho no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mange não era um articulador político, mas marcou presença entre as principais instituições responsáveis pelo industrialismo brasileiro e esteve no centro das decisões sobre a constituição do novo ensino industrial. Ele tinha contato com diversos intelectuais, políticos e industriais da época. Esse trânsito que ele realizava entre os diversos círculos de poder brasileiros foi crucial para a constituição da nova forma de ensino técnico. Ele era muito bem articulado para agir, falar e redigir. Ministrava palestras, propagava suas inovações e consolidava os pilares do novo ensino industrial através de textos publicados pelo IDORT. Além disso, ele era responsável por trazer inovações estrangeiras para o país e difundi-las nos institutos regionais. Mange era um intelectual orgânico, uma vez que suas propostas e suas ações eram comprometidas com instituições do mundo industrial, com a sociedade ou com o Estado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A raiz de seu pensamento está diretamente integrada à formação das instituições do Senai, indicando uma forte disciplina racional do trabalho. Mange acreditava que durante as idades entre 12 e 14 anos, grande parte dos adolescentes adquiririam vícios e sofreriam pela privação do ensino, agravando ao “retrocesso intelectual e moral”, assim como milhares de crianças entregues aos perigos da ociosidade das ruas estariam em condições vulneráveis que poderiam ser revertidas por meio da capacitação técnica. A capacitação teria papel prático devido à rigidez da racionalidade e da rapidez saindo da “educação integral”. Dessa forma, os ensinamentos não se limitavam ao caráter pedagógico relacionados ao trabalho, na realidade tinham uma grande atenção com a valorização completa do operário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mange foi um estudioso que buscava uma instrução profissional para além das disposições de desigualdades sociais, mas que acabou reforçando-as. Acredita-se que ele não tenha identificado a diferença ontológica entre os dois mundos e, por esse motivo, navegou irrestritamente entre as doutrinas do Brasil e EUA. Mange aproximou os governos brasileiro e americano para assegurar a assinatura do primeiro e mais longo tratado entre os esses países relacionado ao ensino industrial. Com isso, criaram a Comissão do Ensino Industrial de Emergência. A presença americana no ensino industrial se intensificou e a manifestação dessa interferência foi o acordo firmado em 1946 e que originou à Comissão Brasileiro-Americana de Ensino Industrial (CBAI), que existiu até 1963. Mange não foi nem um americanófilo nem um americofóbico, e a ausência de amor ou ódio às coisas da América pode ser considera um reflexo da falta de compreensão que ele tinha sobre os acontecimentos americanos. Isso pode ser explicado por sua formação intelectual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Roberto Mange faleceu às 22h do dia 31 de maio de 1955, deixando um legado extraordinário para a formação do Ensino Técnico e Industrial Brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===IDORT - Instituto de Organização Racional do Trabalho===&lt;br /&gt;
Roberto Mange, junto de Armando Salles Oliveira, Gaspar Ricardo, Geraldo de Paula e Souza, Aldo Mario de Azevedo, [[Lourenço Filho]] e outros,  fundou o Instituto de [[Organização Racional do Trabalho (IDORT)]] e foi o seu primeiro diretor. O objetivo dessa instituição era ampliar o bem-estar social através da melhora na organização do setor de trabalho e das atividades, aplicando os princípios e processos de organização científica do trabalho. Mange acreditava que a produção da indústria brasileira se tornaria mais moderna e eficiente com a implementação da organização racional do trabalho e, pela propagação do seu conhecimento, marcou avanços industriais no país nesse período. &lt;br /&gt;
===CEFESP - Centro Ferroviário de Ensino e Seleção Profissional de São Paulo===&lt;br /&gt;
A partir da construção da estrada de ferro em 1930, criou-se uma demanda de cursos na região próxima à cidade de Sorocaba, principalmente de conhecimentos ferroviários. Por esse motivo, o IDORT propôs a criação do Centro Ferroviário de Ensino e Seleção Profissional de São Paulo (CEFESP), visando a formação técnica profissionalizante. Roberto Mange participou da elaboração e direção do CEFESP, onde teve a oportunidade de implantar a Instrução Racional, a seleção dos indivíduos biológico e psicologicamente aptos para cada trabalho, assim, as indústrias teriam mais rapidez, economia e eficiência na produção, pois teriam as pessoas adequadas para a execução das tarefas. Além do ensino e seleção, o CEFESP objetivava funcionar como órgão que organiza, coordena, orienta e fiscaliza as instituições de ensino profissionalizante ferroviário, em toda Estrada e, também, como encarregado de aplicar os processos de pesquisas médicas e psicotécnicas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial===&lt;br /&gt;
Entre 1940 e 1942, junto de outras notáveis figuras da indústria, colaborou com a fundação do SENAI, uma escola de formação profissional baseada na aprendizagem com aulas frequentes em oficinas que simulem o ambiente e também as atividades industriais. Foi o primeiro Diretor Regional em São Paulo e atuou nessa função até a sua morte, onde cuidou dos vários interesses dos alunos-aprendizes, implementando serviços de assistência com auxílios médicos, dentários, alimentares, esportivos, recreativos e culturais. Além disso, deixou um legado de 27 escolas SENAI em funcionamento. Ele agregou ao SENAI a organização racional do trabalho, baseada nas teorias tayloristas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu estudo em engenharia mecânica, a extensa experiência de atuação profissional e a bagagem intelectual de Mange convergiram para que essa fosse considerada por muitos a sua obra prima. No entanto, Mange ainda tinha muitas aspirações para o SENAI, pois ele rejeitava que a formação fosse exclusivamente direcionada para o treinamento em serviço, prática executada no SENAI. Ele queria que a escola desenvolvesse nos alunos conhecimentos de cultura geral, educação moral e cívica e práticas de Serviço Social. Seu ambicioso projeto foi interrompido devido ao seu falecimento em 1955. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Sociedade de Psicologia de São Paulo===&lt;br /&gt;
Em 1945, a Profa. [[Annita de Castillo Cabral]], docente do departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo, convidou Roberto Mangue para participar de uma reunião, que visava criar uma associação de Psicologia em São Paulo. No mesmo ano, essa entidade foi fundada e denominada [[Sociedade de Psicologia de São Paulo]]. Mange foi eleito o primeiro presidente da instituição. Sua atuação na área de psicologia abriu portas para o desenvolvimento da Psicologia do Trabalho no Brasil, formou excelentes profissionais, incentivou o uso de serviços de Psicologia em empresas, promovendo, assim, novas áreas de atuação para os psicólogos que o sucederam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Revolução de 1932 ===&lt;br /&gt;
Nessa oportunidade, Roberto Mange, valendo-se de sua criatividade, conhecimentos técnicos, dinamismo e coragem (visto que não era cidadão brasileiro), liderou uma equipe na construção de máquinas para fabricar material bélico com a urgência que a Revolução de 1932 requeria. O Governo do Brasil, quatro anos após esse feito, concedeu-lhe o título de Cidadão Brasileiro devido ao seu profundo sentimento humanístico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Escola Profissional Mecânica, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo ===&lt;br /&gt;
No ano de 1923, Roberto Mange fundou a Escola Profissional Mecânica, junto ao Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, onde, junto a um grupo de intelectuais, implementou as séries metódicas de ofícios. Mange era um admirador do taylorismo, da psicotécnica e da formação científica e racional do trabalho e, devido as suas fortes influências europeias e usufruindo do papel de superintendente da escola, ele começou a praticar suas teorias educativas, que na época eram inéditas no país. Além disso, seu trabalho de Seleção e Orientação dos discentes do curso de Mecânica contribuíram para a consolidação da Orientação Vocacional no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
A origem europeia de Roberto Mange e seus estudos também feitos por lá, tornaram sua estada no Brasil extremamente significante, uma vez que trouxe teorias inovadoras ao ensino e à indústria. Destaca-se sua crença no taylorismo, uma organização administrativa para a produção que visava elevar a produtividade por meio da utilização adequada de matérias-primas, da mão-de-obra e de energia, e de um controle eficiente de custos. Além disso, ele foi um defensor da psicotécnica e da organização racional do trabalho, que pôde implementar desde sua passagem pelo IDORT. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O novo modelo de ensino industrial brasileiro ganhou alcance nacional quando Mange fundou o SENAI. Nessa instituição pôde implementar as técnicas apropriadas para a instrução e socialização dos industriários aprendizes. Sua grande dedicação ao SENAI, deveu-se à crença de que, durante a fase dos 14 anos, a criança adquire vícios e tem um retrocesso intelectual e moral quando não está inserido na escola, então sua perspectiva era retirar várias crianças da ociosidade das ruas e ministrar conhecimentos de cultura geral, educação moral e cívica e ofícios, para que a direção do ensino alcançasse os aspectos psico-sociais e profissionais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Segundo Pedrosa (2014), Roberto Mange era considerado um intelectual orgânico, pois suas práticas e ideias eram engajadas com instituições do mundo industrial, com o Estado e com a sociedade. Isso o descaracteriza de americófilo ou de americofóbico, visto que era perceptível uma incompreensão dos acontecimentos americanos devido, possivelmente, à sua formação intelectual de matriz europeia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, conforme Dominschek (2015), o elaborador do SENAI critica à tarefa desenvolvida nessa instituição e expôs sua rejeição à formação estritamente voltada para o treinamento em serviço. Sua personalidade rígida aumentou a tensão com os agentes do Departamento Nacional do SENAI e agravou o quadro, visto que seu projeto idealizador visava uma educação integral que englobasse ensino de aspectos psico-sociais além do ensino profissionalizante. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia biográfica ==&lt;br /&gt;
Mange foi um líder no liga pela administração científica do trabalho, que trouxe princípios racionais e tayloristas para a indústria brasileira e ainda reservava parte do tempo para ações de cunho social, no qual colaborou com a Liga das Senhoras Católica, o Educandário Dom Duarte, a Associação de Assistência à Criança Defeituosa e o Instituto de Menores do Estado de São Paulo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1886:&#039;&#039;&#039; Nasceu na Suíça, em 31 de dezembro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1910:&#039;&#039;&#039; Graduou-se em Engenharia na Escola Politécnica de Zurique.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1913:&#039;&#039;&#039; Veio ao Brasil para lecionar Mecânica aplicada às Máquinas na Escola Politécnica. Construiu as primeiras máquinas de usina de açúcar do Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1924:&#039;&#039;&#039; Contribuiu com a fundação da  Escola Profissional Mecânica, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, e foi seu superintendente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1925:&#039;&#039;&#039; Utilizou o teste Giese (identificação da aptidão profissional) para selecionar alunos do curso de Mecânica Prática.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1930:&#039;&#039;&#039; Com Ítalo Bologna organizou na Estrada de Ferro Sorocabana o trabalho de Orientação Vocacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1932:&#039;&#039;&#039; Fundou o Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT), com implantação de serviços de Psicologia Aplicada ao Trabalho, pela contribuição de Aniela Ginsberg e Betti Katzenstein.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1934:&#039;&#039;&#039; Participou na direção e elaboração do Centro Ferroviário de Ensino e Seleção Profissional de São Paulo (CEFESP), tendo oportunidade de implantar a Instrução Racional (Psicotécnica).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1937:&#039;&#039;&#039; Supervisionou o Gabinete de Psicotécnica da Escola Técnica Getúlio Vargas, junto a Oswaldo de Barros Santos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1940 a 1942:&#039;&#039;&#039; Fundou o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), junto com líderes industriais como Roberto Simonsen e Euvaldo Lodi, e foi seu primeiro diretor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1944:&#039;&#039;&#039; Roberto Mange escreveu a Comunicação ao Congresso Brasileiro da Indústria, na qual abordava aspectos fundamentais para a fundação do SENAI.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1945:&#039;&#039;&#039; Contribuiu com a concepção da Sociedade de Psicologia de São Paulo, à convite da Professora Annita de Castillo Cabral, na qual foi seu primeiro presidente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1953:&#039;&#039;&#039; Implementou, no SENAI de São Paulo, o Serviço de Adaptação Profissional de Cego. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1955:&#039;&#039;&#039; Faleceu em São Paulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios ==&lt;br /&gt;
# Título de “Chevalier de la Légion D’Honneur” - Paris, 6 de novembro de 1950.&lt;br /&gt;
# Título de Professor Emérito da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - 10 de março de 1953.&lt;br /&gt;
# Diploma de mérito, no grau de Pioneiro, pelos relevantes serviços prestados à causa de Prevenção de Acidentes do Trabalho, conferido pelo Ministério do Trabalho.&lt;br /&gt;
# Indústria e Comércio - Rio de Janeiro, 28 de novembro de 1953.&lt;br /&gt;
# Condecoração no grau de cavaleiro da “Légion D’Honneur” - França, 1870.&lt;br /&gt;
# Condecoração de &amp;quot;Mérito na Segurança do Trabalho - D.H.S.T.”, conferido pelo Ministério da Indústria e Comércio - Rio de Janeiro, 9 de março de 1956.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relação com outros personagens ou teorias ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Taylorismo===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O taylorismo é uma teoria de organização administrativa para a produção que foi sistematizada por Frederick Taylor. Ela visa elevar a produtividade das indústrias por meio da modernização da produção e das relações de trabalho, com a utilização adequada de matérias-primas, da mão-de-obra e de energia eletromotriz, e com a implementação de um controle eficiente de custos.&lt;br /&gt;
===Instrução Racional - Psicotécnica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A instrução racional  ou seleção racional, como também é chamada, consiste na seleção de indivíduos biológica e psicologicamente aptos para determinada função, o que consistiria em aumento da eficiência na execução de tarefas já que elas seriam feitas por pessoas mais bem capacitadas. Os dois pontos centrais da instrução racional são a avaliação psicológica e mental (psicotécnica) e a inserção de ofícios metódicos, tarefas em sequência. Ela pôde ser aplicada em diversos trabalhadores, como operários manufatureiros, motoristas e auxiliares de escritório. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A avaliação das aptidões é um processo mais rápido do que julgar a competência de um profissional do que pela simples observação. Depois de alguns testes, realizados no E.F.S. (Estrada de Ferro Sorocaba), concluiu-se que o grupo em que a instrução racional foi aplicada teve menor tempo de aprendizado e maior qualidade de produção, enquanto no grupo com instrução comum obteve êxito em apenas alguns critérios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
* [[Annita de Castillo Cabral]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT)]]&lt;br /&gt;
* [[Lourenço Filho]]&lt;br /&gt;
* [[Sociedade de Psicologia de São Paulo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
# CAMARGOS, Filipe Pêgo. Ensino profissional brasileiro: a proposta de Roberto Mange comparada a aspectos do projeto educativo de Antônio Gramsci. &#039;&#039;&#039;In: X Congresso Nacional de Educação - EDUCERE e I Seminário Internacional de Representações Sociais, Subjetividade de Educação - SIRSSE&#039;&#039;&#039;. Curitiba: CHAMPAGNAT - EDITORA PUC, 2011.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;CONSELHO Regional de Psicologia SP&#039;&#039;&#039;. PROJETO MEMÓRIA DA PSICOLOGIA PIONEIROS DA HISTÓRIA DA PSICOLOGIA NO BRASIL.&lt;br /&gt;
# DOMINSCHEK, Desirê Luciane. A concepção de ensino pensada por Roberto Mange - A formação de mão de obra SENAI: a escola do SENAI – PR. &#039;&#039;&#039;História &amp;amp; Ensino&#039;&#039;&#039;, Londrina, v. 17, n. 1, p. 195-210, jan./jun. 2011&lt;br /&gt;
# DOMINSCHEK, Desiré Luciane. ROBERTO MANGE: VISIONÁRIO DO ENSINO INDUSTRIAL NO BRASIL – INTELECTUAL, TÉCNICO, ADMINISTRADOR E FILÓSOFO? In: &#039;&#039;&#039;VII Congresso Internacional de História, XXXV Encuentro de Geohistoria Regional e XX Semana de História&#039;&#039;&#039;. 6 a 9 out. 2015. p.1287-1296. &lt;br /&gt;
# Inventário publicado: De homens e máquinas: inventário analítico acervo Roberto Mange. v. 2. Projeto Memória SENAI. Arquivo Edgard Leuenroth, IFCH, Unicamp, 1991.&lt;br /&gt;
# MIRANDA, Waldecy Alberto. Vida e Obra de Roberto Mange. &#039;&#039;&#039;Boletim Academia Paulista de Psicologia&#039;&#039;&#039;, São Paulo, Brasil - V. 39, nº97, p.298 - 300, 2019. &lt;br /&gt;
# MORAIS, José Jassuipe Da Silva. [https://www.researchgate.net/publication/310480862 A influência do suiço Roberto Mange no ensino profissional brasileiro]. ResearchGate, out. 2016.&lt;br /&gt;
# PEDROSA, José Geraldo. A atuação de Robert Auguste Edmond Mange (1885–1955) na constituição e na instituição do novo ensino industrial brasileiro nos anos 1930 e 1940. &#039;&#039;&#039;Educ.&amp;amp;Tecnol&#039;&#039;&#039;. Belo Horizonte v.19, n.2, p.47-58, maio/ago. 2014.&lt;br /&gt;
# [http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/abpt/article/download/13667/12568 ROBERTO Mange]. Biblioteca DIgital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links externos ==&lt;br /&gt;
* [https://suicosdobrasil.org.br/personalidades/roberto-auguste-edmond-mange/ Suíços do Brasil: Roberto Mange]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Daniela Carolina Silva Barbosa e Victoria Salgado de Aguiar, como exigência parcial para a disciplina de Psicologia e História Social do Trabalho da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.1, publicado em 2021.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
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	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Ulysses_Pernambucano&amp;diff=1395</id>
		<title>Ulysses Pernambucano</title>
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		<updated>2024-09-17T20:17:49Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Ulysses Pernambucano de Mello Sobrinho nasceu em Recife, no dia 6 de fevereiro de 1892. Foi um médico psiquiatra brasileiro que realizou diversas contribuições para a psicologia, a pedagogia e a psiquiatria no Brasil, sendo o primeiro a ocupar uma cadeira de Psicologia no estado do Pernambuco e teve um papel decisivo na reestruturação dos serviços de saúde mental desse estado, com grande repercussão no restante do país, tornando-o conhecido por ser um entusiasta da &amp;quot;modernização da psiquiatria&amp;quot; brasileira. Foi responsável pela criação da Escola para Crianças Anormais, a revista &#039;&#039;Neurobiologia&#039;&#039;, que perdura até a atualidade, e fundou o primeiro instituto científico autônomo, o Instituto de Psicologia de Recife. Fundou e foi um dos principais expoentes da Liga de Higiene Mental, sendo também um grande defensor da cooperação científica. Faleceu no Rio de Janeiro em 5 de dezembro de 1943, aos 51 anos de idade, em virtude de complicações cardíacas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primeiros anos ===&lt;br /&gt;
Ulysses Pernambucano de Mello Sobrinho nasceu no dia 6 de fevereiro de 1892, no estado de Pernambuco, na cidade de Recife. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A origem de seu segundo nome, “Pernambucano&amp;quot;, advém de um nacionalismo que se mostrava muito forte na época, o que fez com que sua família colocasse seu estado natal em seu nome. Seus pais foram o Bacharel em Direito, Doutor José Antônio Gonsalves de Mello, e a Maria da Conceição de Mello, que eram primos. Quando criança, Pernambucano foi alfabetizado e teve o início do curso primário em casa, ensinado pelo próprio pai. O fim de seu curso primário e o curso secundário completo foram realizados no Ginásio Aires Gama (atualmente extinto), situado na Rua do Hospício, em Recife. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o fim da sua formação no Ginásio, Ulysses apresentou um grande interesse em cursar Medicina, contudo, Recife não possuía esse curso. Desse modo,  mudou-se para o Rio de Janeiro e estudou na chamada Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Assim, em 1910 realizou seu internato no Hospital Nacional de Alienados da Praia Vermelha e concluiu sua formação em 1912. Ulysses tinha como supervisor [[Juliano Moreira]], a figura considerada pai da psiquiatria nacional, e esse exerceu grande influência na sua formação. Ele também teve  Ulysses Viana e Antônio Austregésilo Rodrigues Lima como seus professores.  Ao fim da formação, apresentou sua tese com o tema &amp;quot;Sobre Algumas Manifestações Nervosas da  Heredo- Sífilis&amp;quot; e obteve sua aprovação com êxito, aos 20 anos de idade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Início da carreira profissional ===&lt;br /&gt;
Em 1913, iniciou sua carreira profissional sendo médico generalista na cidade de Vitória de Santo Antão, interior de Pernambuco, tendo seu primeiro consultório em uma Farmácia Popular. Em 1915, mudou-se para a cidade de Lapa, no Paraná, e trabalhou com o atendimento às pequenas comunidades rurais. Nessas comunidades, Ulysses se deparou com a precariedade vivida pelos pacientes e precisou atuar nas diversas áreas da medicina, atendendo assim como psiquiatra, pediatra, parteiro, cirurgião e dentista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1915, Pernambucano casou-se com sua prima Albertina Carneiro Leão e teve dois filhos, José Antônio Gonsalves de Mello, nascido em 1916, e Jarbas Pernambucano de Mello, nascido em 1917.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Hospício dos Alienados da Tamarineira ===&lt;br /&gt;
Retornou para Pernambuco em 1917 e foi nomeado médico adjunto no [[Hospício de Alienados da Tamarineira]], um hospital para os ditos &amp;quot;doentes mentais&amp;quot;, cujas condições eram precárias. Nesse hospício, Ulysses atuou na resolução de um caso em que três meninas foram internadas, indevidamente, como medida disciplinar da direção da Santa Casa da Misericórdia, devido ao mau comportamento apresentado por elas. Para resolver o caso, ele precisou fazer uma denúncia à Sociedade de Medicina de Pernambuco, logo depois, o diretor da Instituição, Dr. Joaquim Loureiro, permitiu o andamento do pedido de remoção das moças. O caso ficou conhecido como &amp;quot;Caso das três órfãs&amp;quot; e sua discussão, repercussão - por parte da imprensa - e  resolução foi o estopim para o surgimento das propostas reformistas de Ulysses para o hospício. Assim, Pernambucano tornou-se conhecido como um entusiasta da &amp;quot;modernização psiquiátrica&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ulysses Pernambucano foi elevado ao cargo de diretor desse hospício em 1924 e executou uma série de reformas visando o desenvolvimento deste local. O conjunto de mudanças no Hospício da Tamarineira realizadas por Pernambucano, que se deu entre 1924 e 1926, foi considerado a primeira reforma psiquiátrica promovida por ele. Ulysses também esteve na direção do hospital nos anos de 1929 e 1930.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Escola Normal de Pernambuco ===&lt;br /&gt;
Em 1918, Ulysses prestou concurso para a cadeira de Psicologia da [[Escola Normal de Pernambuco]] e conquistou o primeiro lugar, no entanto, o governo vigente na época concedeu o cargo para o candidato que passou em segundo lugar, assim, não foi selecionado. Contudo, em 1923, ele tornou-se diretor da Escola Normal, nomeado pelo governador Sérgio Loreto. Nesse tempo em que esteve na direção da Escola, reformulou o método de ensino, corrigiu o problema de superlotação nas salas criando um exame de admissão, pôs fim as palmatórias, implantou o fardamento escolar e criou a “assistência escolar”, um serviço que possuía um caixa escolar para dar suporte financeiro à merenda, à clínica dentária e à visita a domicílio. Tais medidas diminuíram o número de faltas e evasão. Outra mudança estabelecida por Pernambucano foi a organização das salas de aula, na qual garantiu que os alunos de baixa estatura ou portadores de deficiências possuíssem prioridade nas cadeiras da frente. Novas construções também foram realizadas na Escola, sendo elas um pavilhão para ginástica e jardim de infância, parque arborizado, aterro, muro e gradil contornando o edifício. Em 1926, com a mudança do governo, Ulysses Pernambucano se exonerou do cargo de direção e foi ocupar a cadeira de Neuro-psiquiatria Infantil na Faculdade de Medicina de Recife.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Escola para Crianças Anormais e o Instituto de Psicologia ===&lt;br /&gt;
Em 27 de janeiro de 1925, foi criada a Escola para Crianças Anormais, anexada à Escola Normal, cujo objetivo era oferecer educação especial para alunos com deficiência mental que não conseguiam acompanhar o curso. No entanto, havia uma dificuldade em compreender quais crianças eram consideradas “anormais” e  o grau de sua “anormalidade”. Assim, em junho de 1925, Ulysses Pernambucano fundou o [[Instituto de Psicologia de Recife]], com a finalidade de gerar dados estatísticos, pesquisas e testes psicométricos de debilidades mentais, além de testes de inteligência e aptidão. Ulysses dirigiu o Instituto por dois anos e passou sua direção para [[Anitta Paes Barreto]], sua primeira assistente. Desse modo, os testes desenvolvidos no Instituto eram aplicados no processo seletivo de admissão da Escola Normal e determinava quais alunos iriam para a Escola Normal ou para a Escola de Crianças Anormais. Ademais, os estudos do Instituto ajudavam os professores a reconhecerem o perfil &amp;quot;anormal&amp;quot; dos alunos, para esses serem direcionados para a Escola de Crianças Anormais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Diretor do Ginásio Pernambucano ===&lt;br /&gt;
O Ginásio Pernambucano estava passando por uma série de dificuldades financeiras, administrativas e educacionais quando o governador Estácio Coimbra colocou Ulysses em sua direção, no dia 4 de Agosto de 1928, entregando-o a responsabilidade de reerguer o Ginásio. O Governador convidou o educador A. Carneiro Leão para realizar uma reforma educacional no Ginásio e, dessa forma, Ulysses viu a oportunidade de dar continuidade a esse trabalho reformador. Assim, ele restaurou instalações físicas, equipou laboratórios e bibliotecas e tornou mais rígido o processo de admissão de alunos e professores. Com essas transformações, Ulysses Pernambucano conseguiu restaurar o prestígio do Ginásio Pernambucano, que outrora havia se perdido. No entanto, deixou o cargo da direção apenas 2 anos depois, em 1930.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco ===&lt;br /&gt;
Após a revolução de 1930, Ulysses Pernambucano tornou-se Diretor Geral da [[Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco]]. Com o intuito de auxiliar o Hospital da Tamarineira, que possuía mais pacientes do que sua estrutura suportava, e de aprimorar o tratamento dos &amp;quot;doentes mentais&amp;quot;, que  ocorria de forma desumana com o uso de camisas de força, Ulysses promoveu, junto ao Governo Pernambucano vigente na época, uma série de reformas na Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco, com o objetivo de transformar a instituição em um local pronto para oferecer um tratamento humanizado e de qualidade para os internos. A partir disso, ele criou criou um serviço aberto composto de ambulatório neuro-psiquiátrico e pequena organização hospitalar para internamento de casos que necessitavam de tratamento imediato e por curto período. Criou, também, a [[Colônia de Alienados de Barreiros]] (cidade localizada no município de Recife) a fim de tratar pelo método de Simon os alienados crônicos, anexando-lhe uma organização de colocação familiar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Liga de Higiene Mental ===&lt;br /&gt;
Em dezembro de 1933, Ulysses Pernambucano fundou a Liga de Higiene Mental e tornou-se presidente dessa. A Liga possuía o principal objetivo de ser a ligação da sociedade com o Serviço de Higiene Mental, para transmitir à população uma série de medidas profiláticas e promover campanhas sobre o combate ao alcoolismo, sífilis e acidentes de trabalho. Além disso, a liga era contra vieses racistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Revista Neurobiologia ===&lt;br /&gt;
Em 1938, Ulysses Pernambucano funda a revista &#039;&#039;Neurobiologia&#039;&#039;, uma revista trimestral com o objetivo de publicar as pesquisas realizadas sobre os temas de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental. A revista é um dos mais antigos veículos científicos e perdura até a atualidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Questões políticas ===&lt;br /&gt;
Em 1937 decretou-se o Estado Novo, e Ulysses Pernambucano  se opôs ao governo tornando-se adepto à Aliança Nacional Libertadora, uma frente ampla que defendia reivindicações democratas, nacionalistas e comunistas que, no entanto, sofreu interferência pelo governo e foi dissolvida. Em virtude do contexto apresentado, Pernambucano foi considerado rebelde aos olhos do governo, o que resultou em sua prisão por 40 dias. Nesse sentido, Ulysses foi obrigado pelo governo a se exonerar de todos os seus cargos, assim, deixando de ser membro do conselho penitenciário, professor do Ginásio e médico do Hospital de Doenças Nervosas e Mentais. Além disso, o governo pressionou a Faculdade de Medicina para demiti-lo e proibiu-o de ministrar aulas na dependência do Hospital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Final da vida ===&lt;br /&gt;
Em 1936, Ulysses sofreu seu primeiro infarto do miocárdio, sobrevivendo com sequelas. No entanto, no dia 5 de dezembro de 1943, aos 51 anos de idade, faleceu por causa das complicações cardíacas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Reforma no Hospício de Alienados da Tamarineira ===&lt;br /&gt;
Os tratamentos oferecidos aos internos do Hospício de Alienados da Tamarineira se assemelhavam ao ambiente de prisões: as salas de isolamento possuíam grades, os internos utilizavam camisas de força e o uso de sedativos era recorrente. Entretanto, no ano de 1924, Ulysses Pernambucano assumiu a direção desse “hospício”, e tendo em vista a situação desumanizada em que esse se encontrava, promoveu uma série de reformas para melhorar o atendimento aos internos e tornar o ambiente mais humanizado. Dessa forma, as salas de isolamento com grades, as camisas de força e o uso de sedativos foram substituídos por um sistema de banheiras com banhos terapêuticos e incentivos aos trabalhos como agricultor e jardineiro em torno do terreno do Hospício. Além disso, através dos esforços de Pernambucano, o local foi renomeado como Hospital de Doenças Nervosas e Mentais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Reforma na Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco ===&lt;br /&gt;
Ulysses, juntamente com o Governo Pernambucano, administrado por Carlos de Lima Cavalcanti, realizou um conjunto de mudanças na Divisão de Assistência de Psicopatas de Pernambuco para atender a quantidade de internos que receberiam do Hospital da Tamarineira e, além disso, para oferecer serviços que atendessem da melhor forma as necessidades específicas de cada interno, a fim de reinseri-los na sociedade. Essas reformas consistiam na instauração de Serviços para Doentes Mentais não Alienados, Serviços para Doentes Mentais Alienados, Manicômio Jurídico e Serviço de Higiene Mental, que iniciaram seu funcionamento no decorrer dos anos de 1931 a 1935.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Serviço para Doentes Mentais não Alienados era composto por um Ambulatório e um Hospital Aberto, tendo como diretor o psiquiatra [[Gildo Neto]]. Seu público eram os &amp;quot;doentes mentais&amp;quot; com casos considerados mais leves e seu objetivo era orientar os familiares a combater essas doenças. Já o Serviço para Doentes Mentais Alienados era formado por um Hospital Fechado, liderado por Ulysses Pernambucano, e por uma Colônia Agrícola, cujo diretor era o psiquiatra [[Vicente de Matos]]. O  Hospital fechado tratava os pacientes até o final do considerado “surto” que o paciente sofria, já a Colônia Agrícola era responsável pelo tratamento dos pacientes com doenças crônicas utilizando a laborterapia. O Manicômio Jurídico possuía o objetivo de manter presas as pessoas acusadas de crimes e que, ao mesmo tempo, portavam alguma &amp;quot;alienação mental&amp;quot;. Seu propósito era retirar da sociedade e tratar o “doente”, tendo sob sua direção o psiquiatra [[Alcides Codeceira]]. E, por fim, o Serviço de Higiene Mental era um setor de medidas profiláticas, e utilizando a divulgação, objetivava educar a população na prevenção das &amp;quot;doenças mentais&amp;quot;, também como pesquisar de forma estatística a frequência das &amp;quot;doenças mentais&amp;quot;. Além disso, o Serviço de Higiene Mental possuía uma parceria com o Instituto de Psicologia, pois esse ancorava e apoiava as pesquisas médicas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Estudos em Terreiros de Candomblé ===&lt;br /&gt;
Através da Liga de Higiene Mental, Ulysses conseguiu realizar uma série de estudos nos terreiros de Candomblé com o intuito de descriminalizar essa religião, lutando com um viés anti-racista. Os estudos realizados por Pernambucano buscavam provar que o QI menor ou os empecilhos mentais não ocorriam por conta da religião, mas por causa do contexto social das pessoas. Desse modo, com o intuito de compartilhar mais sobre a cultura afro no Brasil, Ulysses apoiou a organização do Congresso Afro-Brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Homenagens ===&lt;br /&gt;
No dia 22 de janeiro de 1941, o interventor federal, Agamenon Magalhães, determinou que a Escola Aires Gama passasse a se chamar Escola Ulysses Pernambucano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1981, o Hospital de Doenças Nervosas e Mentais, mais conhecido como Hospício da Tamarineira (onde Ulysses trabalhou entre 1917 e 1926), passou a se chamar Hospital Ulysses Pernambucano. A importância do doutor Ulysses para a saúde mental foi tanta que, na gestão do secretário estadual de Saúde Djama Oliveira (1979 a 1983), o hospital ganhou seu nome atual. Em 1992, o hospital foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado de Pernambuco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O escritor José Luís do Rego escreveu um artigo em homenagem a Ulysses Pernambucano, publicado na &#039;&#039;Revista Estudos Pernambucanos&#039;&#039;. Esta homenagem destacou o impacto positivo de Ulysses na percepção pública sobre o hospital e o tratamento de pessoas com doenças mentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia Biográfica ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* 1892: Nascimento de Ulysses Pernambucano de Mello Sobrinho no dia 6 de fevereiro.&lt;br /&gt;
* 1912: Conclui sua graduação na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
* 1913: Inicia sua carreira profissional, com seu primeiro consultório em uma Farmácia Popular. &lt;br /&gt;
* 1915: Se muda para Lapa, uma cidade do Paraná e começa a trabalhar com atendimento às comunidades rurais. Além disso, se casa com a sua prima, Albertina Carneiro Leão.&lt;br /&gt;
* 1916: Nasce seu primeiro filho, José Antônio Gonsalves de Mello.&lt;br /&gt;
* 1917: Retornou para Pernambuco e foi nomeado médico adjunto no Hospício de Alienados da Tamarineira. Além disso, nasce o seu  segundo filho, Jarbas Pernambucano de Mello.&lt;br /&gt;
* 1918: Conquista o primeiro lugar no concurso que prestou para a cadeira de Psicologia da Escola Normal de Pernambuco, mas não é selecionado. Escreveu o primeiro trabalho sobre deficiência mental publicado no Brasil.&lt;br /&gt;
* 1923: Se torna diretor da Escola Normal, reformulando os métodos de ensino; Amaury de Medeiros coloca Ulysses Pernambucano como chefe do Serviço de Demografia Sanitária, Estatística e Propaganda de seu Departamento.&lt;br /&gt;
* 1924: É promovido ao cargo de diretor do Hospício Alienados da Tamarineira.&lt;br /&gt;
* 1925: Sua primeira reforma psiquiátrica foi promovida; o “hospício” foi renomeado como Hospital de Doenças Nervosas e Mentais, através dos esforços de Pernambucano. Além disso, Ulysses funda o Instituto de Psicologia e cria a Escola para Crianças Anormais. &lt;br /&gt;
* 1926: Ulysses se exonera do cargo de direção do Hospício e ocupa a cadeira de Neuro-psiquiatria Infantil na Faculdade de Medicina de Recife. &lt;br /&gt;
* 1927: Lança o livro  “Estudos Psicotécnicos de Alguns Testes de Aptidão”.&lt;br /&gt;
* 1928: Assume a direção do Ginásio Pernambucano.&lt;br /&gt;
* 1930: Deixa o cargo da direção do Ginásio. &lt;br /&gt;
* 1931: Iniciou reformas na Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco.&lt;br /&gt;
* 1932: Participa do segundo Congresso Latino-Americano de Psiquiatria e Medicina Legal.&lt;br /&gt;
* 1933: Funda e se torna presidente da Liga de Higiene Mental.&lt;br /&gt;
* 1934: Iniciou o funcionamento de uma escola de atendimento a sub e superdotados que só veio a ser concretizado pelo Estado em 1941.&lt;br /&gt;
* 1935: É preso com a acusação de ser comunista.&lt;br /&gt;
* 1936: Ulysses sofre o primeiro infarto do miocárdio; funda o Sanatório Recife, no beco do Padre Inglês, hospital psiquiátrico particular modelo e pioneiro em Pernambuco.&lt;br /&gt;
* 1938: Pernambucano funda a revista &#039;&#039;Neurobiologia&#039;&#039; e funda a Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental do Nordeste (depois, do Brasil).&lt;br /&gt;
* 1941: Oficialmente criada a escola Aires Gama.&lt;br /&gt;
* 1943: Morre aos 51 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Discípulos/Seguidores ==&lt;br /&gt;
Em virtude de seus feitos e realizações durante sua trajetória como neuropsiquiatra, higienista mental e professor, Ulysses conquistou a admiração de vários alunos e colegas de profissão, alguns deles se tornando seus seguidores e discípulos. São eles:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* José Lucena, 1º sucessor de Ulysses na Escola de Psiquiatria do Recife; &lt;br /&gt;
* Anita Paes Barreto, aluna de Ulysses na Escola Normal e sua primeira auxiliar no Instituto de Psicologia de Pernambuco;&lt;br /&gt;
* Arnaldo Di Lascio, um de seus mais estimados alunos;&lt;br /&gt;
* Luiz Cerqueira e René Ribeiro, seus discípulos diretos, tendo assim, a oportunidade de acompanharem de perto o neuropsiquiatra e seu trabalho;&lt;br /&gt;
* Gildo Neto, amigo e colaborador em pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras e Fundações ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Obras ===&lt;br /&gt;
Ulysses Pernambucano publicou diversos periódicos e estudos na área da psicologia, psiquiatria, neurobiologia, pedagogia e avaliação psicológica. Suas obras seguem a lista abaixo: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Periódicos diversos: ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Sobre algumas manifestações nervosas da heredo-sífilis. (1912)&lt;br /&gt;
* Classificação das crianças anormais. A parada do desenvolvimento intelectual e suas formas; a instabilidade e a astenia mental. (1918) &lt;br /&gt;
* A Psicologia objetiva e o mecanismo cerebral do pensamento (I). (1921)&lt;br /&gt;
* A Psicologia objetiva e o mecanismo cerebral do pensamento (II). (1921)&lt;br /&gt;
* A Psicologia objetiva e o mecanismo cerebral do pensamento (III). (1921)&lt;br /&gt;
* As médias de estatura dos escolares em Pernambuco. (1921)&lt;br /&gt;
* Discurso às professorandas do Colégio Santa Margarida. (1922)&lt;br /&gt;
* Bases Fisiopsicológicas da ambidestria. (1924)&lt;br /&gt;
* Formação de hábitos sadios nas crianças. (1926)&lt;br /&gt;
* Estudo psicotécnico de alguns testes de aptidão. Em colaboração com Anita Paes Barreto. (1927)&lt;br /&gt;
* A Psicologia em Pernambuco. Arquivos brasileiros de Higiene Mental. (1930)&lt;br /&gt;
* Ensaio de aplicação do teste das 100 questões de Ballard. Em colaboração com Anita Paes Barreto. Arquivos Brasileiros de Higiene Mental. (1930)&lt;br /&gt;
* As doenças mentais entre os negros de Pernambuco (II). In: Estudos Afro-Brasileiros. (1935)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Arquivos da assistência a psicopatas: ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* O vocabulário das crianças das escolas primárias do Recife. Em colaboração com Anita Paes Barreto. (1931)&lt;br /&gt;
* O teste “A bola e o campo” em crianças de 12 a 13 anos. Em colaboração com Alda Campos. (1931)&lt;br /&gt;
* Quocientes de inteligência em escolares do Recife. Em colaboração com Maria Leopoldina de Oliveira. (1931). &lt;br /&gt;
* Malarioterapia na paralisia geral. Em colaboração com Gildo Neto e Alcides Benício. (1931)&lt;br /&gt;
* Assistência a psicopatas em Pernambuco. Ideias e realizações. (1932)&lt;br /&gt;
* As doenças mentais entre os negros de Pernambuco. Em colaboração com Helena Campos. (1932)&lt;br /&gt;
* Um caso de palilalia post-encefálica. Em colaboração com José Lucena. (1932)&lt;br /&gt;
* Estudo estatístico da paralisia geral. (1933)&lt;br /&gt;
* Noticiário. Na Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal. (1933)&lt;br /&gt;
* O trabalho dos alienados na assistência a psicopatas de Pernambuco. (1934)&lt;br /&gt;
* Alguns dados antropológicos da população do Recife. Colaboração: Arnaldo Di Lascio, Jarbas Pernambucano, e Almir Guimarães. (1935)&lt;br /&gt;
* Organização de um curso de extensão universitária sobre higiene mental na faculdade de Medicina do Recife. (1935)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Neurobiologia: ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Recursos modernos de assistência aos doentes mentais. (1938)&lt;br /&gt;
* Seis casos de miotonia congênita. (1939)&lt;br /&gt;
* Um caso de atrofia muscular pseudo-hipertrófica. Em colaboração com Jarbas Pernambucano. (1939)&lt;br /&gt;
* A neuromielite epidêmica (Doença de Austregésilo) em Pernambuco. Em colaboração com Arnaldo Di Lascio e Alcides Benício. (1940)&lt;br /&gt;
* Síndrome de atrofia paleocerebelar. Em colaboração com Antônio Couceiro. (1940)&lt;br /&gt;
* Introdução ao número especial de Neurobiologia dedicado ao Congresso de Aracaju. (1940)&lt;br /&gt;
* Estudo estatístico das doenças mentais encontradas em quatrocentos primeiros internados em casa de saúde particular. Em colaboração com Arnaldo Di Lascio. (1940)&lt;br /&gt;
* Neuropsiquiatria forense. (1941)&lt;br /&gt;
* Neuropsiquiatria forense (II). (1941)&lt;br /&gt;
* Discurso no centenário do hospital psiquiátrico Nacional. (1941)&lt;br /&gt;
* Discurso em homenagem ao Dr. Adauto Botelho. (1942)&lt;br /&gt;
* A ação social do psiquiatra. (1943)&lt;br /&gt;
* Discurso no banquete de confraternização dos médicos brasileiros com os médicos das forças armadas americanas. (1944)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fundações ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Instituto de Psicologia (1925)&lt;br /&gt;
* Escola para Crianças anormais anexada a Escola Normal (1925)&lt;br /&gt;
* Divisão de Assistência a Psicopatas (1931)&lt;br /&gt;
* Liga  de Higiene Mental (1933)&lt;br /&gt;
* Escola para Crianças Anormais - espaço reservado -  criado em 1934 e efetivado em 1943&lt;br /&gt;
* Escola Especial Aires Gama -  fundada em 1934 mas oficialmente concretizada em 1941&lt;br /&gt;
* Sanatório  Recife (1936)&lt;br /&gt;
* Revista Neurobiologia (1938)&lt;br /&gt;
* Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental  (1938)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relação com outros personagens ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Ulysses foi colega e contemporâneo do Dr. Edgar Altino, no Hospital Nacional de Alienados da Praia Vermelha.&lt;br /&gt;
* Na revista &#039;&#039;Neurobiologia&#039;&#039;, Alcides Benício e René Ribeiro atuaram, respectivamente, como diretor gerente e secretário, auxiliando Ulysses Pernambucano, diretor geral e fundador da revista, na manutenção da mesma.&lt;br /&gt;
* Anita Pereira da Costa, Cecília Di Lascio e Marta Carvalho trabalharam em conjunto com Ulysses no âmbito privado em uma escola de atendimento para sub e superdotados, iniciada em 1934.&lt;br /&gt;
* Foi convidado por Dr. Octavio de Freitas para trabalhar na Higiene juntamente com ele; e foi nomeado em 1918 pelo governador Manoel Borba, Diretor da Higiene de Pernambuco, para combater a “influenza espanhola” que acometeu fortemente a cidade na época.&lt;br /&gt;
* Ulysses colaborou com Gilberto Freyre, no A Província, quando o mesmo estava na direção do diário. Também apoiou a ideia de Gilberto acerca de organizar o 1º Congresso Afro-Brasileiro de Recife.&lt;br /&gt;
* Sílvio Rabelo, professor de Psicologia de Pernambuco, foi colega de trabalho de Ulysses na Escola Normal.&lt;br /&gt;
* Fundou o Sanatório Recife com ajuda do Dr. Arnaldo Di Lascio, seu discípulo, que por muitos anos se dedicaria ao Sanatório.&lt;br /&gt;
* Após criar o Serviço de Assistência a Psicopatas, Ulysses chamou alguns colegas para serem seus auxiliares diretos, e o ajudarem na organização. Na direção do Manicômio Judiciário, Dr. Alcides Codeceira; professor Costa Pinto e Dr. José Lucena no Serviço de Higiene Mental; na Colônia de Doentes Crônicos, Dr. Vicente Matos e o Dr. Gildo Neto, encarregado do Serviço Aberto.&lt;br /&gt;
* Anita Paes Barreto, Anita Pereira da Costa, Alda Campos e Cirene Coutinho trabalharam em colaboração com Ulysses no Instituto de Psicologia, anexo ao Departamento de Saúde e Assistência de Pernambuco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Alcides Codeceira]]&lt;br /&gt;
* [[Anitta Paes Barreto]]&lt;br /&gt;
* [[Colônia de Alienados de Barreiros]]&lt;br /&gt;
* [[Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco]]&lt;br /&gt;
* [[Escola Normal de Pernambuco]]&lt;br /&gt;
* [[Gildo Neto]]&lt;br /&gt;
* [[Hospício de Alienados da Tamarineira]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psicologia de Recife]]&lt;br /&gt;
* [[Juliano Moreira]]&lt;br /&gt;
* [[Vicente de Matos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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# MEDEIROS, Adilson. [http://mecsrv137.mec.gov.br/download/texto/me002502.pdf. &#039;&#039;&#039;Ulysses Pernambucano:&#039;&#039;&#039; Um mestre adiante de seu tempo]. Monografia premiada 1990. 17-53-99-101 p. Monografia - Instituto Nacional de Estudos e  Pesquisas Educacionais- INEP. Brasília, 1990. Acesso em: 19 Mai. 2024.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado originalmente por Isabella Sant&#039;Ana Tenório de Matos, Lis de Mesquita Oliveira, Marcella Alves Costa e Maisa Carvalho do Prado Cabral, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2024.1, publicado em 2024.1.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Ulysses_Pernambucano&amp;diff=1394</id>
		<title>Ulysses Pernambucano</title>
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		<updated>2024-09-17T20:07:30Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Reformulação do cabeçalho; Correções ortográficas e gramaticais; incorporação de links ao corpo do texto; criação da seção &amp;quot;ver também&amp;quot; e identificação de importantes figuras e instituições para esta; Revisão da seção &amp;quot;Referências&amp;quot;, assim como adição de links e verificação dos materiais referenciados.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Ulysses Pernambucano de Mello Sobrinho nasceu em Recife, no dia 6 de fevereiro de 1892. Atuou como médico psiquiatra e professor, tendo ocupado diversos cargos administrativos importantes em sua carreira e conhecido por ser um entusiasta da &amp;quot;modernização da psiquiatria&amp;quot; brasileira, além de seus esforços para combater as teses racistas presentes no pensamento científico da época. Foi responsável pela criação da Escola para Crianças Anormais, a revista &#039;&#039;Neurobiologia&#039;&#039;, que perdura até a atualidade, e fundou o primeiro instituto científico autônomo, o Instituto de Psicologia de Recife. Fundou e foi um dos principais expoentes da Liga de Higiene Mental, sendo também um grande defensor da cooperação científica. Faleceu no Rio de Janeiro em 5 de dezembro de 1943, aos 51 anos de idade, em virtude de complicações cardíacas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primeiros anos ===&lt;br /&gt;
Ulysses Pernambucano de Mello Sobrinho nasceu no dia 6 de fevereiro de 1892, no estado de Pernambuco, na cidade de Recife. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A origem de seu segundo nome, “Pernambucano&amp;quot;, advém de um nacionalismo que se mostrava muito forte na época, o que fez com que sua família colocasse seu estado natal em seu nome. Seus pais foram o Bacharel em Direito, Doutor José Antônio Gonsalves de Mello, e a Maria da Conceição de Mello, que eram primos. Quando criança, Pernambucano foi alfabetizado e teve o início do curso primário em casa, ensinado pelo próprio pai. O fim de seu curso primário e o curso secundário completo foram realizados no Ginásio Aires Gama (atualmente extinto), situado na Rua do Hospício, em Recife. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o fim da sua formação no Ginásio, Ulysses apresentou um grande interesse em cursar Medicina, contudo, Recife não possuía esse curso. Desse modo,  mudou-se para o Rio de Janeiro e estudou na chamada Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Assim, em 1910 realizou seu internato no Hospital Nacional de Alienados da Praia Vermelha e concluiu sua formação em 1912. Ulysses tinha como supervisor [[Juliano Moreira]], a figura considerada pai da psiquiatria nacional, e esse exerceu grande influência na sua formação. Ele também teve  Ulysses Viana e Antônio Austregésilo Rodrigues Lima como seus professores.  Ao fim da formação, apresentou sua tese com o tema &amp;quot;Sobre Algumas Manifestações Nervosas da  Heredo- Sífilis&amp;quot; e obteve sua aprovação com êxito, aos 20 anos de idade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Início da carreira profissional ===&lt;br /&gt;
Em 1913, iniciou sua carreira profissional sendo médico generalista na cidade de Vitória de Santo Antão, interior de Pernambuco, tendo seu primeiro consultório em uma Farmácia Popular. Em 1915, mudou-se para a cidade de Lapa, no Paraná, e trabalhou com o atendimento às pequenas comunidades rurais. Nessas comunidades, Ulysses se deparou com a precariedade vivida pelos pacientes e precisou atuar nas diversas áreas da medicina, atendendo assim como psiquiatra, pediatra, parteiro, cirurgião e dentista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1915, Pernambucano casou-se com sua prima Albertina Carneiro Leão e teve dois filhos, José Antônio Gonsalves de Mello, nascido em 1916, e Jarbas Pernambucano de Mello, nascido em 1917.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Hospício dos Alienados da Tamarineira ===&lt;br /&gt;
Retornou para Pernambuco em 1917 e foi nomeado médico adjunto no [[Hospício de Alienados da Tamarineira]], um hospital para os ditos &amp;quot;doentes mentais&amp;quot;, cujas condições eram precárias. Nesse hospício, Ulysses atuou na resolução de um caso em que três meninas foram internadas, indevidamente, como medida disciplinar da direção da Santa Casa da Misericórdia, devido ao mau comportamento apresentado por elas. Para resolver o caso, ele precisou fazer uma denúncia à Sociedade de Medicina de Pernambuco, logo depois, o diretor da Instituição, Dr. Joaquim Loureiro, permitiu o andamento do pedido de remoção das moças. O caso ficou conhecido como &amp;quot;Caso das três órfãs&amp;quot; e sua discussão, repercussão - por parte da imprensa - e  resolução foi o estopim para o surgimento das propostas reformistas de Ulysses para o hospício. Assim, Pernambucano tornou-se conhecido como um entusiasta da &amp;quot;modernização psiquiátrica&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ulysses Pernambucano foi elevado ao cargo de diretor desse hospício em 1924 e executou uma série de reformas visando o desenvolvimento deste local. O conjunto de mudanças no Hospício da Tamarineira realizadas por Pernambucano, que se deu entre 1924 e 1926, foi considerado a primeira reforma psiquiátrica promovida por ele. Ulysses também esteve na direção do hospital nos anos de 1929 e 1930.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Escola Normal de Pernambuco ===&lt;br /&gt;
Em 1918, Ulysses prestou concurso para a cadeira de Psicologia da [[Escola Normal de Pernambuco]] e conquistou o primeiro lugar, no entanto, o governo vigente na época concedeu o cargo para o candidato que passou em segundo lugar, assim, não foi selecionado. Contudo, em 1923, ele tornou-se diretor da Escola Normal, nomeado pelo governador Sérgio Loreto. Nesse tempo em que esteve na direção da Escola, reformulou o método de ensino, corrigiu o problema de superlotação nas salas criando um exame de admissão, pôs fim as palmatórias, implantou o fardamento escolar e criou a “assistência escolar”, um serviço que possuía um caixa escolar para dar suporte financeiro à merenda, à clínica dentária e à visita a domicílio. Tais medidas diminuíram o número de faltas e evasão. Outra mudança estabelecida por Pernambucano foi a organização das salas de aula, na qual garantiu que os alunos de baixa estatura ou portadores de deficiências possuíssem prioridade nas cadeiras da frente. Novas construções também foram realizadas na Escola, sendo elas um pavilhão para ginástica e jardim de infância, parque arborizado, aterro, muro e gradil contornando o edifício. Em 1926, com a mudança do governo, Ulysses Pernambucano se exonerou do cargo de direção e foi ocupar a cadeira de Neuro-psiquiatria Infantil na Faculdade de Medicina de Recife.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Escola para Crianças Anormais e o Instituto de Psicologia ===&lt;br /&gt;
Em 27 de janeiro de 1925, foi criada a Escola para Crianças Anormais, anexada à Escola Normal, cujo objetivo era oferecer educação especial para alunos com deficiência mental que não conseguiam acompanhar o curso. No entanto, havia uma dificuldade em compreender quais crianças eram consideradas “anormais” e  o grau de sua “anormalidade”. Assim, em junho de 1925, Ulysses Pernambucano fundou o Instituto de Psicologia, com a finalidade de gerar dados estatísticos, pesquisas e testes psicométricos de debilidades mentais, além de testes de inteligência e aptidão. Ulysses dirigiu o Instituto por dois anos e passou sua direção para [[Anitta Paes Barreto]], sua primeira assistente. Desse modo, os testes desenvolvidos no Instituto eram aplicados no processo seletivo de admissão da Escola Normal e determinava quais alunos iriam para a Escola Normal ou para a Escola de Crianças Anormais. Ademais, os estudos do Instituto ajudavam os professores a reconhecerem o perfil &amp;quot;anormal&amp;quot; dos alunos, para esses serem direcionados para a Escola de Crianças Anormais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Diretor do Ginásio Pernambucano ===&lt;br /&gt;
O Ginásio Pernambucano estava passando por uma série de dificuldades financeiras, administrativas e educacionais quando o governador Estácio Coimbra colocou Ulysses em sua direção, no dia 4 de Agosto de 1928, entregando-o a responsabilidade de reerguer o Ginásio. O Governador convidou o educador A. Carneiro Leão para realizar uma reforma educacional no Ginásio e, dessa forma, Ulysses viu a oportunidade de dar continuidade a esse trabalho reformador. Assim, ele restaurou instalações físicas, equipou laboratórios e bibliotecas e tornou mais rígido o processo de admissão de alunos e professores. Com essas transformações, Ulysses Pernambucano conseguiu restaurar o prestígio do Ginásio Pernambucano, que outrora havia se perdido. No entanto, deixou o cargo da direção apenas 2 anos depois, em 1930.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco ===&lt;br /&gt;
Após a revolução de 1930, Ulysses Pernambucano tornou-se Diretor Geral da [[Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco]]. Com o intuito de auxiliar o Hospital da Tamarineira, que possuía mais pacientes do que sua estrutura suportava, e de aprimorar o tratamento dos &amp;quot;doentes mentais&amp;quot;, que  ocorria de forma desumana com o uso de camisas de força, Ulysses promoveu, junto ao Governo Pernambucano vigente na época, uma série de reformas na Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco, com o objetivo de transformar a instituição em um local pronto para oferecer um tratamento humanizado e de qualidade para os internos. A partir disso, ele criou criou um serviço aberto composto de ambulatório neuro-psiquiátrico e pequena organização hospitalar para internamento de casos que necessitavam de tratamento imediato e por curto período. Criou, também, a [[Colônia de Alienados de Barreiros]] (cidade localizada no município de Recife) a fim de tratar pelo método de Simon os alienados crônicos, anexando-lhe uma organização de colocação familiar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Liga de Higiene Mental ===&lt;br /&gt;
Em dezembro de 1933, Ulysses Pernambucano fundou a Liga de Higiene Mental e tornou-se presidente dessa. A Liga possuía o principal objetivo de ser a ligação da sociedade com o Serviço de Higiene Mental, para transmitir à população uma série de medidas profiláticas e promover campanhas sobre o combate ao alcoolismo, sífilis e acidentes de trabalho. Além disso, a liga era contra vieses racistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Revista Neurobiologia ===&lt;br /&gt;
Em 1938, Ulysses Pernambucano funda a revista &#039;&#039;Neurobiologia&#039;&#039;, uma revista trimestral com o objetivo de publicar as pesquisas realizadas sobre os temas de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental. A revista é um dos mais antigos veículos científicos e perdura até a atualidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Questões políticas ===&lt;br /&gt;
Em 1937 decretou-se o Estado Novo, e Ulysses Pernambucano  se opôs ao governo tornando-se adepto à Aliança Nacional Libertadora, uma frente ampla que defendia reivindicações democratas, nacionalistas e comunistas que, no entanto, sofreu interferência pelo governo e foi dissolvida. Em virtude do contexto apresentado, Pernambucano foi considerado rebelde aos olhos do governo, o que resultou em sua prisão por 40 dias. Nesse sentido, Ulysses foi obrigado pelo governo a se exonerar de todos os seus cargos, assim, deixando de ser membro do conselho penitenciário, professor do Ginásio e médico do Hospital de Doenças Nervosas e Mentais. Além disso, o governo pressionou a Faculdade de Medicina para demiti-lo e proibiu-o de ministrar aulas na dependência do Hospital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Final da vida ===&lt;br /&gt;
Em 1936, Ulysses sofreu seu primeiro infarto do miocárdio, sobrevivendo com sequelas. No entanto, no dia 5 de dezembro de 1943, aos 51 anos de idade, faleceu por causa das complicações cardíacas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Reforma no Hospício de Alienados da Tamarineira ===&lt;br /&gt;
Os tratamentos oferecidos aos internos do Hospício de Alienados da Tamarineira se assemelhavam ao ambiente de prisões: as salas de isolamento possuíam grades, os internos utilizavam camisas de força e o uso de sedativos era recorrente. Entretanto, no ano de 1924, Ulysses Pernambucano assumiu a direção desse “hospício”, e tendo em vista a situação desumanizada em que esse se encontrava, promoveu uma série de reformas para melhorar o atendimento aos internos e tornar o ambiente mais humanizado. Dessa forma, as salas de isolamento com grades, as camisas de força e o uso de sedativos foram substituídos por um sistema de banheiras com banhos terapêuticos e incentivos aos trabalhos como agricultor e jardineiro em torno do terreno do Hospício. Além disso, através dos esforços de Pernambucano, o local foi renomeado como Hospital de Doenças Nervosas e Mentais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Reforma na Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco ===&lt;br /&gt;
Ulysses, juntamente com o Governo Pernambucano, administrado por Carlos de Lima Cavalcanti, realizou um conjunto de mudanças na Divisão de Assistência de Psicopatas de Pernambuco para atender a quantidade de internos que receberiam do Hospital da Tamarineira e, além disso, para oferecer serviços que atendessem da melhor forma as necessidades específicas de cada interno, a fim de reinseri-los na sociedade. Essas reformas consistiam na instauração de Serviços para Doentes Mentais não Alienados, Serviços para Doentes Mentais Alienados, Manicômio Jurídico e Serviço de Higiene Mental, que iniciaram seu funcionamento no decorrer dos anos de 1931 a 1935.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Serviço para Doentes Mentais não Alienados era composto por um Ambulatório e um Hospital Aberto, tendo como diretor o psiquiatra [[Gildo Neto]]. Seu público eram os &amp;quot;doentes mentais&amp;quot; com casos considerados mais leves e seu objetivo era orientar os familiares a combater essas doenças. Já o Serviço para Doentes Mentais Alienados era formado por um Hospital Fechado, liderado por Ulysses Pernambucano, e por uma Colônia Agrícola, cujo diretor era o psiquiatra [[Vicente de Matos]]. O  Hospital fechado tratava os pacientes até o final do considerado “surto” que o paciente sofria, já a Colônia Agrícola era responsável pelo tratamento dos pacientes com doenças crônicas utilizando a laborterapia. O Manicômio Jurídico possuía o objetivo de manter presas as pessoas acusadas de crimes e que, ao mesmo tempo, portavam alguma &amp;quot;alienação mental&amp;quot;. Seu propósito era retirar da sociedade e tratar o “doente”, tendo sob sua direção o psiquiatra [[Alcides Codeceira]]. E, por fim, o Serviço de Higiene Mental era um setor de medidas profiláticas, e utilizando a divulgação, objetivava educar a população na prevenção das &amp;quot;doenças mentais&amp;quot;, também como pesquisar de forma estatística a frequência das &amp;quot;doenças mentais&amp;quot;. Além disso, o Serviço de Higiene Mental possuía uma parceria com o Instituto de Psicologia, pois esse ancorava e apoiava as pesquisas médicas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Estudos em Terreiros de Candomblé ===&lt;br /&gt;
Através da Liga de Higiene Mental, Ulysses conseguiu realizar uma série de estudos nos terreiros de Candomblé com o intuito de descriminalizar essa religião, lutando com um viés anti-racista. Os estudos realizados por Pernambucano buscavam provar que o QI menor ou os empecilhos mentais não ocorriam por conta da religião, mas por causa do contexto social das pessoas. Desse modo, com o intuito de compartilhar mais sobre a cultura afro no Brasil, Ulysses apoiou a organização do Congresso Afro-Brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Homenagens ===&lt;br /&gt;
No dia 22 de janeiro de 1941, o interventor federal, Agamenon Magalhães, determinou que a Escola Aires Gama passasse a se chamar Escola Ulysses Pernambucano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1981, o Hospital de Doenças Nervosas e Mentais, mais conhecido como Hospício da Tamarineira (onde Ulysses trabalhou entre 1917 e 1926), passou a se chamar Hospital Ulysses Pernambucano. A importância do doutor Ulysses para a saúde mental foi tanta que, na gestão do secretário estadual de Saúde Djama Oliveira (1979 a 1983), o hospital ganhou seu nome atual. Em 1992, o hospital foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado de Pernambuco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O escritor José Luís do Rego escreveu um artigo em homenagem a Ulysses Pernambucano, publicado na &#039;&#039;Revista Estudos Pernambucanos&#039;&#039;. Esta homenagem destacou o impacto positivo de Ulysses na percepção pública sobre o hospital e o tratamento de pessoas com doenças mentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia Biográfica ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* 1892: Nascimento de Ulysses Pernambucano de Mello Sobrinho no dia 6 de fevereiro.&lt;br /&gt;
* 1912: Conclui sua graduação na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
* 1913: Inicia sua carreira profissional, com seu primeiro consultório em uma Farmácia Popular. &lt;br /&gt;
* 1915: Se muda para Lapa, uma cidade do Paraná e começa a trabalhar com atendimento às comunidades rurais. Além disso, se casa com a sua prima, Albertina Carneiro Leão.&lt;br /&gt;
* 1916: Nasce seu primeiro filho, José Antônio Gonsalves de Mello.&lt;br /&gt;
* 1917: Retornou para Pernambuco e foi nomeado médico adjunto no Hospício de Alienados da Tamarineira. Além disso, nasce o seu  segundo filho, Jarbas Pernambucano de Mello.&lt;br /&gt;
* 1918: Conquista o primeiro lugar no concurso que prestou para a cadeira de Psicologia da Escola Normal de Pernambuco, mas não é selecionado. Escreveu o primeiro trabalho sobre deficiência mental publicado no Brasil.&lt;br /&gt;
* 1923: Se torna diretor da Escola Normal, reformulando os métodos de ensino; Amaury de Medeiros coloca Ulysses Pernambucano como chefe do Serviço de Demografia Sanitária, Estatística e Propaganda de seu Departamento.&lt;br /&gt;
* 1924: É promovido ao cargo de diretor do Hospício Alienados da Tamarineira.&lt;br /&gt;
* 1925: Sua primeira reforma psiquiátrica foi promovida; o “hospício” foi renomeado como Hospital de Doenças Nervosas e Mentais, através dos esforços de Pernambucano. Além disso, Ulysses funda o Instituto de Psicologia e cria a Escola para Crianças Anormais. &lt;br /&gt;
* 1926: Ulysses se exonera do cargo de direção do Hospício e ocupa a cadeira de Neuro-psiquiatria Infantil na Faculdade de Medicina de Recife. &lt;br /&gt;
* 1927: Lança o livro  “Estudos Psicotécnicos de Alguns Testes de Aptidão”.&lt;br /&gt;
* 1928: Assume a direção do Ginásio Pernambucano.&lt;br /&gt;
* 1930: Deixa o cargo da direção do Ginásio. &lt;br /&gt;
* 1931: Iniciou reformas na Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco.&lt;br /&gt;
* 1932: Participa do segundo Congresso Latino-Americano de Psiquiatria e Medicina Legal.&lt;br /&gt;
* 1933: Funda e se torna presidente da Liga de Higiene Mental.&lt;br /&gt;
* 1934: Iniciou o funcionamento de uma escola de atendimento a sub e superdotados que só veio a ser concretizado pelo Estado em 1941.&lt;br /&gt;
* 1935: É preso com a acusação de ser comunista.&lt;br /&gt;
* 1936: Ulysses sofre o primeiro infarto do miocárdio; funda o Sanatório Recife, no beco do Padre Inglês, hospital psiquiátrico particular modelo e pioneiro em Pernambuco.&lt;br /&gt;
* 1938: Pernambucano funda a revista &#039;&#039;Neurobiologia&#039;&#039; e funda a Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental do Nordeste (depois, do Brasil).&lt;br /&gt;
* 1941: Oficialmente criada a escola Aires Gama.&lt;br /&gt;
* 1943: Morre aos 51 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Discípulos/Seguidores ==&lt;br /&gt;
Em virtude de seus feitos e realizações durante sua trajetória como neuropsiquiatra, higienista mental e professor, Ulysses conquistou a admiração de vários alunos e colegas de profissão, alguns deles se tornando seus seguidores e discípulos. São eles:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* José Lucena, 1º sucessor de Ulysses na Escola de Psiquiatria do Recife; &lt;br /&gt;
* Anita Paes Barreto, aluna de Ulysses na Escola Normal e sua primeira auxiliar no Instituto de Psicologia de Pernambuco;&lt;br /&gt;
* Arnaldo Di Lascio, um de seus mais estimados alunos;&lt;br /&gt;
* Luiz Cerqueira e René Ribeiro, seus discípulos diretos, tendo assim, a oportunidade de acompanharem de perto o neuropsiquiatra e seu trabalho;&lt;br /&gt;
* Gildo Neto, amigo e colaborador em pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras e Fundações ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Obras ===&lt;br /&gt;
Ulysses Pernambucano publicou diversos periódicos e estudos na área da psicologia, psiquiatria, neurobiologia, pedagogia e avaliação psicológica. Suas obras seguem a lista abaixo: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Periódicos diversos: ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Sobre algumas manifestações nervosas da heredo-sífilis. (1912)&lt;br /&gt;
* Classificação das crianças anormais. A parada do desenvolvimento intelectual e suas formas; a instabilidade e a astenia mental. (1918) &lt;br /&gt;
* A Psicologia objetiva e o mecanismo cerebral do pensamento (I). (1921)&lt;br /&gt;
* A Psicologia objetiva e o mecanismo cerebral do pensamento (II). (1921)&lt;br /&gt;
* A Psicologia objetiva e o mecanismo cerebral do pensamento (III). (1921)&lt;br /&gt;
* As médias de estatura dos escolares em Pernambuco. (1921)&lt;br /&gt;
* Discurso às professorandas do Colégio Santa Margarida. (1922)&lt;br /&gt;
* Bases Fisiopsicológicas da ambidestria. (1924)&lt;br /&gt;
* Formação de hábitos sadios nas crianças. (1926)&lt;br /&gt;
* Estudo psicotécnico de alguns testes de aptidão. Em colaboração com Anita Paes Barreto. (1927)&lt;br /&gt;
* A Psicologia em Pernambuco. Arquivos brasileiros de Higiene Mental. (1930)&lt;br /&gt;
* Ensaio de aplicação do teste das 100 questões de Ballard. Em colaboração com Anita Paes Barreto. Arquivos Brasileiros de Higiene Mental. (1930)&lt;br /&gt;
* As doenças mentais entre os negros de Pernambuco (II). In: Estudos Afro-Brasileiros. (1935)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Arquivos da assistência a psicopatas: ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* O vocabulário das crianças das escolas primárias do Recife. Em colaboração com Anita Paes Barreto. (1931)&lt;br /&gt;
* O teste “A bola e o campo” em crianças de 12 a 13 anos. Em colaboração com Alda Campos. (1931)&lt;br /&gt;
* Quocientes de inteligência em escolares do Recife. Em colaboração com Maria Leopoldina de Oliveira. (1931). &lt;br /&gt;
* Malarioterapia na paralisia geral. Em colaboração com Gildo Neto e Alcides Benício. (1931)&lt;br /&gt;
* Assistência a psicopatas em Pernambuco. Ideias e realizações. (1932)&lt;br /&gt;
* As doenças mentais entre os negros de Pernambuco. Em colaboração com Helena Campos. (1932)&lt;br /&gt;
* Um caso de palilalia post-encefálica. Em colaboração com José Lucena. (1932)&lt;br /&gt;
* Estudo estatístico da paralisia geral. (1933)&lt;br /&gt;
* Noticiário. Na Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal. (1933)&lt;br /&gt;
* O trabalho dos alienados na assistência a psicopatas de Pernambuco. (1934)&lt;br /&gt;
* Alguns dados antropológicos da população do Recife. Colaboração: Arnaldo Di Lascio, Jarbas Pernambucano, e Almir Guimarães. (1935)&lt;br /&gt;
* Organização de um curso de extensão universitária sobre higiene mental na faculdade de Medicina do Recife. (1935)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Neurobiologia: ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Recursos modernos de assistência aos doentes mentais. (1938)&lt;br /&gt;
* Seis casos de miotonia congênita. (1939)&lt;br /&gt;
* Um caso de atrofia muscular pseudo-hipertrófica. Em colaboração com Jarbas Pernambucano. (1939)&lt;br /&gt;
* A neuromielite epidêmica (Doença de Austregésilo) em Pernambuco. Em colaboração com Arnaldo Di Lascio e Alcides Benício. (1940)&lt;br /&gt;
* Síndrome de atrofia paleocerebelar. Em colaboração com Antônio Couceiro. (1940)&lt;br /&gt;
* Introdução ao número especial de Neurobiologia dedicado ao Congresso de Aracaju. (1940)&lt;br /&gt;
* Estudo estatístico das doenças mentais encontradas em quatrocentos primeiros internados em casa de saúde particular. Em colaboração com Arnaldo Di Lascio. (1940)&lt;br /&gt;
* Neuropsiquiatria forense. (1941)&lt;br /&gt;
* Neuropsiquiatria forense (II). (1941)&lt;br /&gt;
* Discurso no centenário do hospital psiquiátrico Nacional. (1941)&lt;br /&gt;
* Discurso em homenagem ao Dr. Adauto Botelho. (1942)&lt;br /&gt;
* A ação social do psiquiatra. (1943)&lt;br /&gt;
* Discurso no banquete de confraternização dos médicos brasileiros com os médicos das forças armadas americanas. (1944)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fundações ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Instituto de Psicologia (1925)&lt;br /&gt;
* Escola para Crianças anormais anexada a Escola Normal (1925)&lt;br /&gt;
* Divisão de Assistência a Psicopatas (1931)&lt;br /&gt;
* Liga  de Higiene Mental (1933)&lt;br /&gt;
* Escola para Crianças Anormais - espaço reservado -  criado em 1934 e efetivado em 1943&lt;br /&gt;
* Escola Especial Aires Gama -  fundada em 1934 mas oficialmente concretizada em 1941&lt;br /&gt;
* Sanatório  Recife (1936)&lt;br /&gt;
* Revista Neurobiologia (1938)&lt;br /&gt;
* Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental  (1938)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relação com outros personagens ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Ulysses foi colega e contemporâneo do Dr. Edgar Altino, no Hospital Nacional de Alienados da Praia Vermelha.&lt;br /&gt;
* Na revista &#039;&#039;Neurobiologia&#039;&#039;, Alcides Benício e René Ribeiro atuaram, respectivamente, como diretor gerente e secretário, auxiliando Ulysses Pernambucano, diretor geral e fundador da revista, na manutenção da mesma.&lt;br /&gt;
* Anita Pereira da Costa, Cecília Di Lascio e Marta Carvalho trabalharam em conjunto com Ulysses no âmbito privado em uma escola de atendimento para sub e superdotados, iniciada em 1934.&lt;br /&gt;
* Foi convidado por Dr. Octavio de Freitas para trabalhar na Higiene juntamente com ele; e foi nomeado em 1918 pelo governador Manoel Borba, Diretor da Higiene de Pernambuco, para combater a “influenza espanhola” que acometeu fortemente a cidade na época.&lt;br /&gt;
* Ulysses colaborou com Gilberto Freyre, no A Província, quando o mesmo estava na direção do diário. Também apoiou a ideia de Gilberto acerca de organizar o 1º Congresso Afro-Brasileiro de Recife.&lt;br /&gt;
* Sílvio Rabelo, professor de Psicologia de Pernambuco, foi colega de trabalho de Ulysses na Escola Normal.&lt;br /&gt;
* Fundou o Sanatório Recife com ajuda do Dr. Arnaldo Di Lascio, seu discípulo, que por muitos anos se dedicaria ao Sanatório.&lt;br /&gt;
* Após criar o Serviço de Assistência a Psicopatas, Ulysses chamou alguns colegas para serem seus auxiliares diretos, e o ajudarem na organização. Na direção do Manicômio Judiciário, Dr. Alcides Codeceira; professor Costa Pinto e Dr. José Lucena no Serviço de Higiene Mental; na Colônia de Doentes Crônicos, Dr. Vicente Matos e o Dr. Gildo Neto, encarregado do Serviço Aberto.&lt;br /&gt;
* Anita Paes Barreto, Anita Pereira da Costa, Alda Campos e Cirene Coutinho trabalharam em colaboração com Ulysses no Instituto de Psicologia, anexo ao Departamento de Saúde e Assistência de Pernambuco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Alcides Codeceira]]&lt;br /&gt;
* [[Anitta Paes Barreto]]&lt;br /&gt;
* [[Colônia de Alienados de Barreiros]]&lt;br /&gt;
* [[Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco]]&lt;br /&gt;
* [[Escola Normal de Pernambuco]]&lt;br /&gt;
* [[Gildo Neto]]&lt;br /&gt;
* [[Hospício de Alienados da Tamarineira]]&lt;br /&gt;
* [[Juliano Moreira]]&lt;br /&gt;
* [[Vicente de Matos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# BARRETTO, A. P. [https://www.scielo.br/j/pcp/a/QNMxzNGPP4g8J7zPB4P8QLC/?lang=pt. Ulisses Pernambucano, educador]. &#039;&#039;&#039;Psicologia: Ciência e Profissão&#039;&#039;&#039;, v. 12, p. 14–17, 1992. Acesso em: 22 Mai. 2024.&lt;br /&gt;
# BEZERRA, Rafael Santana. [https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/54354 &#039;&#039;&#039;Os menores anormais:&#039;&#039;&#039; discursos, práticas psiquiátricas e psicopedagógicas sobre crianças e adolescentes em Pernambuco (1926-1945)]. 2023. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2023. Acesso em: 01 Jul. 2024.&lt;br /&gt;
# CAVALCANTI DA ROCHA, Edyna. [https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/7763/1/arquivo7674_1.pdf &#039;&#039;&#039;Ulysses:&#039;&#039;&#039; Um pernambucano]. 2003. 22-46 p. Dissertação (Pós Graduação em História) - Centro de Filosofia e Ciências Humanas,  Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2006. Acesso em: 8 Mai. 2024. &lt;br /&gt;
# CODECEIRA JR., A. [https://www.scielo.br/j/anp/a/QSCHkzmx375tNmfNgzgm6qD/ Arnaldo Di Lascio]. &#039;&#039;&#039;Arquivos de Neuro-Psiquiatria&#039;&#039;&#039;, v. 49, p. 225–225, jun. 1991. Acesso em: 13 Jul. 2024. &lt;br /&gt;
# COSTA PEREIRA, Mário Eduardo. [https://www.scielo.br/j/rlpf/a/QXQZ6Zw7xKBgxnxgCqRNJqQ/?lang=pt&amp;amp;format=pdf. Ulysses Pernambucano e a questão da ´´Higiene Mental´´]. 2005. 123-129 p. &#039;&#039;&#039;Revista Latinoamericana de Psicopatologia fundamental&#039;&#039;&#039;. Mar/2005. Acesso em: 13 Mai. 2024.&lt;br /&gt;
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# [https://www.scielo.br/j/pcp/a/CLgpCBngfTPTFcQVxPMFQnk/?format=html PAES BARRETO, Anita]. &#039;&#039;&#039;Psicologia: Ciência e Profissão&#039;&#039;&#039;, v.20, p.49-49, 2000. Acesso em: 30 Jul. 2024.&lt;br /&gt;
# PICCININI, Walmor J. [https://www.polbr.med.br/ano01/wal0201.php História da Psiquiatria. Voando Sobre a Psiquiatria Brasileira: ULYSSES PERNAMBUCANO (1892-1943)]. &#039;&#039;&#039;Psychiatry on line Brazil&#039;&#039;&#039;, v. 6, n. 2, fev. 2001. Acesso em: 3 Jul. 2024.&lt;br /&gt;
# [https://www.scielo.br/j/anp/a/3mCssLD9FYztHNSHTyRwZvg/?lang=pt Prof. Ulysses Pernambucano]. &#039;&#039;&#039;Arquivos de Neuro-Psiquiatria&#039;&#039;&#039;, v. 2, p. 3–4, mar. 1944. Acesso em: 22 maio 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado originalmente por Isabella Sant&#039;Ana Tenório de Matos, Lis de Mesquita Oliveira, Marcella Alves Costa e Maisa Carvalho do Prado Cabral, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2024.1, publicado em 2024.1.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Ulysses_Pernambucano&amp;diff=1393</id>
		<title>Ulysses Pernambucano</title>
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		<updated>2024-09-17T19:02:10Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Inserção completa do verbete na WikiHP&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Ulysses Pernambucano de Mello Sobrinho nasceu em Recife no dia 6 de fevereiro de 1892 e faleceu no Rio de Janeiro em 5 de dezembro de 1943. Atuou como médico psiquiatra e professor, criou a  Escola para Crianças Anormais, a revista Neurobiologia, que perdura até a atualidade, e fundou o primeiro instituto científico autônomo, o Instituto de Psicologia de Recife. É um dos principais expoentes da Liga de Higiene Mental e foi um grande defensor da cooperação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primeiros anos ===&lt;br /&gt;
Ulysses Pernambucano de Mello Sobrinho nasceu no dia 6 de fevereiro de 1892, no estado de Pernambuco, na cidade de Recife. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A origem de seu segundo nome, “Pernambucano&amp;quot;, advém de um nacionalismo que se mostrava muito forte na época, o que fez com que sua família colocasse seu estado natal em seu nome. Seus pais eram o Bacharel em Direito, Doutor José Antônio Gonsalves de Mello e a Maria da Conceição de Mello, que eram primos. Quando criança, Pernambucano foi alfabetizado e teve o início do curso primário em casa, ensinado pelo próprio pai. O fim de seu curso primário e o curso secundário completo foram realizados no Ginásio Aires Gama (atualmente extinto), situado na Rua do Hospício, em Recife. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o fim da sua formação no Ginásio, Ulysses apresentou um grande interesse em cursar Medicina, contudo, Recife não possuía esse curso. Desse modo,  mudou-se para o Rio de Janeiro e estudou na chamada Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Assim, em 1910 realizou seu internato no Hospital Nacional de Alienados da Praia Vermelha e concluiu sua formação em 1912. Ulysses tinha como supervisor Juliano Moreira, a figura considerada pai da psiquiatria nacional, e esse exerceu grande influência na sua formação. Ele também teve  Ulysses Viana e Antônio Austregésilo Rodrigues Lima como seus professores.  Ao fim da formação, apresentou sua tese com o tema &amp;quot;Sobre Algumas Manifestações Nervosas da  Heredo- Sífilis&amp;quot; e obteve sua aprovação com êxito,  aos 20 anos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Início da carreira profissional ===&lt;br /&gt;
Em 1913, iniciou sua carreira profissional sendo médico generalista na cidade de Vitória de Santo Antão, interior de Pernambuco, tendo seu primeiro consultório em uma Farmácia Popular. Em 1915, mudou-se para a cidade de Lapa, no Paraná, e trabalhou com o atendimento às pequenas comunidades rurais. Nessas comunidades, Ulysses se deparou com a precariedade vivida pelos pacientes e precisou atuar nas diversas áreas da medicina atendendo como psiquiatra, pediatra, parteiro, cirurgião e dentista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1915, Pernambucano casou-se com sua prima Albertina Carneiro Leão e teve dois filhos chamados José Antônio Gonsalves de Mello, nascido em 1916, e Jarbas Pernambucano de Mello, nascido em 1917.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Hospício dos Alienados da Tamarineira ===&lt;br /&gt;
Retornou para Pernambuco em 1917 e foi nomeado médico adjunto  no Hospício de Alienados da Tamarineira, um hospital de &amp;quot;doentes mentais&amp;quot; (nesse texto, é recorrente o uso de termos como doente mental, anormais, manicômio e hospício, pois era a nomenclatura utilizada na época)  cujas condições eram precárias. Nesse &amp;quot;hospício&amp;quot;, Ulysses atuou na resolução de um caso em que três meninas foram internadas, indevidamente, como medida disciplinar da direção da Santa Casa da Misericórdia, devido ao mau comportamento apresentado por elas. Para resolver o caso, ele precisou fazer uma denúncia à Sociedade de Medicina de Pernambuco, logo depois, o diretor da Instituição, Dr. Joaquim Loureiro, permitiu o andamento do pedido de remoção das moças. O caso ficou conhecido como &amp;quot;Caso das três órfãs&amp;quot; e sua discussão, repercussão - por parte da imprensa - e  resolução foi o estopim para o surgimento das propostas reformistas de Ulysses para o &amp;quot;hospício&amp;quot;. Assim, Pernambucano tornou-se conhecido como um entusiasta da &amp;quot;modernização psiquiátrica&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ulysses Pernambucano foi elevado ao cargo de diretor desse “hospício” em 1924 e executou uma série de reformas visando o desenvolvimento deste local. O conjunto de mudanças no Hospício da Tamarineira realizadas por Pernambucano, que se deu entre 1924 e 1926, foi considerado a primeira reforma psiquiátrica promovida por ele. Ulysses também esteve na direção do hospital nos anos de 1929 e 1930.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Escola Normal de Pernambuco ===&lt;br /&gt;
Em 1918, Ulysses prestou concurso para a cadeira de Psicologia da Escola Normal de Pernambuco e conquistou o primeiro lugar, no entanto, o governo vigente na época concedeu o cargo para o candidato que passou em segundo lugar, assim, não foi selecionado. Contudo, em 1923, ele tornou-se diretor da Escola Normal, nomeado pelo governador Sérgio Loreto. Nesse tempo em que esteve na direção da Escola, reformulou o método de ensino, corrigiu o problema de superlotação nas salas criando um exame de admissão, pôs fim as palmatórias, implantou o fardamento escolar e criou a “assistência escolar”, um serviço que possuía um caixa escolar para dar suporte financeiro à merenda, à clínica dentária e à visita a domicílio. Tais medidas diminuíram o número de faltas e evasão. Outra mudança estabelecida por Pernambucano foi a organização das salas de aula, na qual garantiu que os alunos de baixa estatura ou portadores de deficiências possuíssem prioridade nas cadeiras da frente. Novas construções também foram realizadas na Escola, sendo elas um pavilhão para ginástica e jardim de infância, parque arborizado, aterro, muro e gradil contornando o edifício. Em 1926, com a mudança do governo, Ulysses Pernambucano se exonerou do cargo de direção e foi ocupar a cadeira de Neuro-psiquiatria Infantil na Faculdade de Medicina de Recife.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Escola para Crianças Anormais e o Instituto de Psicologia ===&lt;br /&gt;
Em 27 de janeiro de 1925, foi criada a Escola para Crianças Anormais, anexada à Escola Normal, cujo objetivo era oferecer educação especial para alunos com deficiência mental que não conseguiam acompanhar o curso. No entanto, havia uma dificuldade em compreender quais crianças eram “anormais” e  o nível de “anormalidade” das crianças. Assim, em junho de 1925, Ulysses Pernambucano fundou o Instituto de Psicologia, com a finalidade de gerar dados estatísticos, pesquisas e testes psicométricos de debilidades mentais, além de, testes de inteligência e aptidão. Ulysses dirigiu o Instituto por dois anos e passou sua direção para Anitta Paes Barreto, sua primeira assistente. Desse modo, os testes desenvolvidos no Instituto eram aplicados no processo seletivo de admissão da Escola Normal e determinava quais alunos iriam para a Escola Normal ou para a Escola de Crianças Anormais. Ademais, os estudos do Instituto ajudavam os professores a reconhecerem o perfil &amp;quot;anormal&amp;quot; dos alunos, para esses serem direcionados para a Escola de Crianças Anormais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Diretor do Ginásio Pernambucano ===&lt;br /&gt;
O Ginásio Pernambucano estava passando por uma série de dificuldades financeiras, administrativas e educacionais quando o governador Estácio Coimbra colocou Ulysses em sua direção, no dia 4 de Agosto de 1928, entregando-o a responsabilidade de reerguer o Ginásio. O Governador convidou o educador A. Carneiro Leão para realizar uma reforma educacional no Ginásio e, dessa forma, Ulysses viu a oportunidade de dar continuidade a esse trabalho reformador. Assim, ele restaurou instalações físicas, equipou laboratórios e bibliotecas e tornou mais rígido o processo de admissão de alunos e professores. Com essas transformações, Ulysses Pernambucano conseguiu restaurar o prestígio do Ginásio Pernambucano, que outrora havia se perdido. No entanto, deixou o cargo da direção apenas 2 anos depois, em 1930.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco ===&lt;br /&gt;
Após a revolução de 30, Ulysses Pernambucano tornou-se Diretor Geral da Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco. Com o intuito de auxiliar o Hospital da Tamarineira, que possuía mais pacientes do que sua estrutura suportava, e de aprimorar o tratamento dos &amp;quot;doentes mentais&amp;quot;, que  ocorria de forma desumana com o uso de camisas de força. Ulysses promoveu, junto ao Governo Pernambucano vigente na época, uma série de reformas na Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco, com o objetivo de transformar a instituição em um local pronto para oferecer um tratamento humanizado e de qualidade para os internos. A partir disso, ele criou criou um serviço aberto composto de ambulatório neuro-psiquiátrico e pequena organização hospitalar para internamento de casos que necessitavam de tratamento imediato e por curto período. Criou, também, a Colônia de Alienados de Barreiros (cidade localizada no município de Recife) a fim de tratar pelo método de Simon os alienados crônicos, anexando-lhe uma organização de colocação familiar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Liga de Higiene Mental ===&lt;br /&gt;
Em dezembro de 1933, Ulysses Pernambucano fundou a Liga de Higiene Mental e tornou-se presidente dessa. A Liga possuía o principal objetivo de ser a ligação da sociedade com o Serviço de Higiene Mental, para transmitir à população uma série de medidas profiláticas e promover campanhas sobre o combate ao alcoolismo, sífilis e acidentes de trabalho. Além disso, a liga era contra vieses racistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Revista Neurobiologia ===&lt;br /&gt;
Em 1938, Ulysses Pernambucano funda a revista &#039;&#039;Neurobiologia&#039;&#039;, uma revista trimestral com o objetivo de publicar as pesquisas realizadas sobre os temas de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental. A revista é um dos mais antigos veículos científicos e perdura até a atualidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Questões políticas ===&lt;br /&gt;
Em 1937 decretou-se o Estado Novo, e Ulysses Pernambucano  se opôs ao governo tornando-se adepto à Aliança Nacional Libertadora, uma frente ampla que defendia reivindicações democratas, nacionalistas e comunistas, no entanto, o alargamento dessa aliança apavorou ao governo que interviu para dissolvê-la. Em virtude do contexto apresentado, Pernambucano foi considerado rebelde aos olhos do governo, o que resultou em sua prisão que durou 40 dias. Nesse sentido, Ulysses foi obrigado pelo governo a se exonerar de todos os seus cargos, assim, deixando de ser membro do conselho penitenciário, professor do Ginásio e médico do Hospital de Doenças Nervosas e Mentais. Além disso, o Governo pressionou a Faculdade de Medicina para o demitir e proibiu-o de ministrar aulas na dependência do Hospital. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Final da vida ===&lt;br /&gt;
Em 1936, Ulysses sofreu seu primeiro infarto do miocárdio, sobrevivendo com sequelas. No entanto, no dia 5 de dezembro de 1943 faleceu, por causa das complicações cardíacas, aos 51 anos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Reforma no Hospício de Alienados da Tamarineira ===&lt;br /&gt;
Os tratamentos oferecidos aos internos do Hospício de Alienados da Tamarineira se assemelhavam ao ambiente de prisões: as salas de isolamento possuíam grades, os internos utilizavam camisas de força e o uso de sedativos era recorrente. Entretanto, no ano de 1924, Ulysses Pernambucano assumiu a direção desse “hospício”, e tendo em vista a situação desumanizada em que esse se encontrava, promoveu uma série de reformas para melhorar o atendimento aos internos e tornar o ambiente mais humanizado. Dessa forma, as salas de isolamento com grades, as camisas de força e o uso de sedativos foram substituídos por um sistema de banheiras com banhos terapêuticos e incentivos aos trabalhos como agricultor e jardineiro em torno do terreno do Hospício. Além disso, através dos esforços de Pernambucano, o local foi renomeado como Hospital de Doenças Nervosas e Mentais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Reforma na Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco ===&lt;br /&gt;
Ulysses, juntamente com o Governo Pernambucano, administrado por Carlos de Lima Cavalcanti, realizou um conjunto de mudanças na Divisão de Assistência de Psicopatas de Pernambuco para atender a quantidade de internos que receberiam do Hospital da Tamarineira e, além disso, para oferecer serviços que atendessem da melhor forma as necessidades específicas de cada interno, a fim de os reinserir na sociedade. Essas reformas consistiam na instauração de Serviços para Doentes Mentais não Alienados,  Serviços para Doentes Mentais Alienados, Manicômio Jurídico e Serviço de Higiene Mental, que iniciaram seu funcionamento no decorrer dos anos de 1931 a 1935.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Serviço para Doentes Mentais não Alienados era composto por um Ambulatório e um Hospital Aberto tendo como diretor o psiquiatra Gildo Neto. Seu público eram os &amp;quot;doentes mentais&amp;quot; com casos considerados mais leves e seu objetivo era orientar os familiares a combater essas doenças. Já o Serviço para Doentes Mentais Alienados era formado por um Hospital Fechado, liderado por Ulysses Pernambucano, e por uma Colônia Agrícola, cujo diretor era o psiquiatra Vicente de Matos. O  Hospital fechado tratava os pacientes até o final do considerado “surto” que o paciente sofria, já Colônia Agrícola era responsável pelo tratamento dos pacientes com doenças crônicas utilizando a laborterapia. O Manicômio Jurídico possuía o objetivo de manter presas as pessoas acusadas de crimes e que, ao mesmo tempo, portavam alguma &amp;quot;alienação mental&amp;quot;. Seu propósito era retirar da sociedade e tratar o “doente”, tendo sob sua direção o psiquiatra Alcides Codeceira. E, por fim, o Serviço de Higiene Mental era um setor de medidas profiláticas, e utilizando a divulgação, objetivava educar a população na prevenção das &amp;quot;doenças mentais&amp;quot;, também como, pesquisar de forma estatística a frequência das &amp;quot;doenças mentais&amp;quot;. Além disso, o Serviço de Higiene Mental possuía uma parceria com o Instituto de Psicologia, pois esse ancorava e apoiava as pesquisas médicas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Estudos em Terreiros de Candomblé ===&lt;br /&gt;
Através da Liga de Higiene Mental, Ulysses conseguiu realizar uma série de estudos nos terreiros de Candomblé com o intuito de descriminalizar essa religião, lutando com um viés anti-racista. Os estudos realizados por Pernambucano buscavam provar que o QI menor ou os empecilhos mentais não ocorriam por conta da religião, mas por causa do contexto social das pessoas. Desse modo, com o intuito de compartilhar mais sobre a cultura afro no Brasil, Ulysses apoiou a organização do Congresso Afro-Brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Homenagens ===&lt;br /&gt;
No dia 22 de janeiro de 1941, o interventor federal, Agamenon Magalhães, determinou que a Escola Aires Gama passasse a se chamar Escola Ulysses Pernambucano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1981, o Hospital de Doenças Nervosas e Mentais, mais conhecido como Hospício da Tamarineira (onde Ulysses trabalhou entre 1917 e 1926), passou a se chamar Hospital Ulysses Pernambucano. A importância do doutor Ulysses para a saúde mental foi tanta que, na gestão do secretário estadual de Saúde Djama Oliveira (1979 a 1983), o hospital ganhou seu nome atual. Em 1992, o hospital foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado de Pernambuco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O escritor José Luís do Rego escreveu um artigo em homenagem a Ulysses Pernambucano, publicado na Revista Estudos Pernambucanos. Esta homenagem destacou o impacto positivo de Ulysses na percepção pública sobre o hospital e o tratamento de pessoas com doenças mentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia Biográfica ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* 1892: Nascimento de Ulysses Pernambucano de Mello Sobrinho no dia 6 de fevereiro.&lt;br /&gt;
* 1912: Conclui sua graduação na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
* 1913: Inicia sua carreira profissional, com seu primeiro consultório em uma Farmácia Popular. &lt;br /&gt;
* 1915: Se muda para Lapa, uma cidade do Paraná e começa a trabalhar com atendimento às comunidades rurais. Além disso, se casa com a sua prima, Albertina Carneiro Leão.&lt;br /&gt;
* 1916: Nasce seu primeiro filho, José Antônio Gonsalves de Mello.&lt;br /&gt;
* 1917: Retornou para Pernambuco e foi nomeado médico adjunto  no Hospício de Alienados da Tamarineira. Além disso, nasce o seu  segundo filho, Jarbas Pernambucano de Mello. &lt;br /&gt;
* 1918: Conquista o primeiro lugar no concurso que  prestou para a cadeira de Psicologia da Escola Normal de Pernambuco, mas não é selecionado. Escreveu o primeiro trabalho sobre deficiência mental publicado no Brasil. &lt;br /&gt;
* 1923: Se torna diretor da Escola Normal, reformulando os métodos de ensino; Amaury de Medeiros coloca Ulysses Pernambucano como chefe do Serviço de Demografia Sanitária, Estatística e Propaganda de seu Departamento.&lt;br /&gt;
* 1924: É promovido ao cargo de diretor do Hospício Alienados da Tamarineira.&lt;br /&gt;
* 1925: Sua primeira reforma psiquiátrica foi promovida; o “hospício” foi renomeado como Hospital de Doenças Nervosas e Mentais, através dos esforços de Pernambucano. Além disso, Ulysses funda o Instituto de Psicologia e cria a Escola para Crianças Anormais. &lt;br /&gt;
* 1926: Ulysses se exonera do cargo de direção do Hospício e ocupa a cadeira de Neuro-psiquiatria Infantil na Faculdade de Medicina de Recife. &lt;br /&gt;
* 1927: Lança o livro  “Estudos Psicotécnicos de Alguns Testes de Aptidão”.&lt;br /&gt;
* 1928: Assume a direção do Ginásio Pernambucano.&lt;br /&gt;
* 1930: Deixa o cargo da direção do Ginásio. &lt;br /&gt;
* 1931: Iniciou reformas na Divisão de Assistência a Psicopatas de Pernambuco.&lt;br /&gt;
* 1932: Participa do segundo Congresso Latino-Americano de Psiquiatria e Medicina Legal.&lt;br /&gt;
* 1933: Funda e se torna presidente da Liga de Higiene Mental.&lt;br /&gt;
* 1934: Iniciou o funcionamento de uma escola de atendimento a sub e superdotados que só veio a ser concretizado pelo Estado em 1941.&lt;br /&gt;
* 1935: É preso com a acusação de ser comunista.&lt;br /&gt;
* 1936: Ulysses sofre o primeiro infarto do miocárdio; funda o Sanatório Recife, no beco do Padre Inglês, hospital psiquiátrico particular modelo e pioneiro em Pernambuco.&lt;br /&gt;
* 1938: Pernambucano funda a revista Neurobiologia e funda a Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental do Nordeste (depois, do Brasil).&lt;br /&gt;
* 1941: Oficialmente criada a escola Aires Gama.&lt;br /&gt;
* 1943: Morre aos 51 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Discípulos/Seguidores ==&lt;br /&gt;
Em virtude de seus feitos e realizações durante sua trajetória como neuropsiquiatra, higienista mental e professor, Ulysses conquistou a admiração de vários alunos e colegas de profissão, alguns deles se tornando seus seguidores e discípulos. São eles:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* José Lucena, 1º sucessor de Ulysses na Escola de Psiquiatria do Recife; &lt;br /&gt;
* Anita Paes Barreto, aluna de Ulysses na Escola Normal e sua primeira auxiliar no Instituto de Psicologia de Pernambuco;&lt;br /&gt;
* Arnaldo Di Lascio, um de seus mais estimados alunos;&lt;br /&gt;
* Luiz Cerqueira e René Ribeiro, seus discípulos diretos, tendo assim, a oportunidade de acompanharem de perto o neuropsiquiatra e seu trabalho;&lt;br /&gt;
* Gildo Neto, amigo e colaborador em pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras e Fundações ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Obras ===&lt;br /&gt;
Ulysses Pernambucano publicou diversos periódicos e estudos na área da psicologia, psiquiatria, neurobiologia, pedagogia e avaliação psicológica. Suas obras seguem a lista abaixo: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Periódicos diversos: ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Sobre algumas manifestações nervosas da heredo-sífilis. (1912)&lt;br /&gt;
* Classificação das crianças anormais. A parada do desenvolvimento intelectual e suas formas; a instabilidade e a astenia mental. (1918) &lt;br /&gt;
* A Psicologia objetiva e o mecanismo cerebral do pensamento (I). (1921)&lt;br /&gt;
* A Psicologia objetiva e o mecanismo cerebral do pensamento (II). (1921)&lt;br /&gt;
* A Psicologia objetiva e o mecanismo cerebral do pensamento (III). (1921)&lt;br /&gt;
* As médias de estatura dos escolares em Pernambuco. (1921)&lt;br /&gt;
* Discurso às professorandas do Colégio Santa Margarida. (1922)&lt;br /&gt;
* Bases Fisiopsicológicas da ambidestria. (1924)&lt;br /&gt;
* Formação de hábitos sadios nas crianças. (1926)&lt;br /&gt;
* Estudo psicotécnico de alguns testes de aptidão. Em colaboração com Anita Paes Barreto. (1927)&lt;br /&gt;
* A Psicologia em Pernambuco. Arquivos brasileiros de Higiene Mental. (1930)&lt;br /&gt;
* Ensaio de aplicação do teste das 100 questões de Ballard. Em colaboração com Anita Paes Barreto. Arquivos Brasileiros de Higiene Mental. (1930)&lt;br /&gt;
* As doenças mentais entre os negros de Pernambuco (II). In: Estudos Afro-Brasileiros. (1935)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Arquivos da assistência a psicopatas: ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* O vocabulário das crianças das escolas primárias do Recife. Em colaboração com Anita Paes Barreto. (1931)&lt;br /&gt;
* O teste “A bola e o campo” em crianças de 12 a 13 anos. Em colaboração com Alda Campos. (1931)&lt;br /&gt;
* Quocientes de inteligência em escolares do Recife. Em colaboração com Maria Leopoldina de Oliveira. (1931). &lt;br /&gt;
* Malarioterapia na paralisia geral. Em colaboração com Gildo Neto e Alcides Benício. (1931)&lt;br /&gt;
* Assistência a psicopatas em Pernambuco. Ideias e realizações. (1932)&lt;br /&gt;
* As doenças mentais entre os negros de Pernambuco. Em colaboração com Helena Campos. (1932)&lt;br /&gt;
* Um caso de palilalia post-encefálica. Em colaboração com José Lucena. (1932)&lt;br /&gt;
* Estudo estatístico da paralisia geral. (1933)&lt;br /&gt;
* Noticiário. Na Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal. (1933)&lt;br /&gt;
* O trabalho dos alienados na assistência a psicopatas de Pernambuco. (1934)&lt;br /&gt;
* Alguns dados antropológicos da população do Recife. Colaboração: Arnaldo Di Lascio, Jarbas Pernambucano, e Almir Guimarães. (1935)&lt;br /&gt;
* Organização de um curso de extensão universitária sobre higiene mental na faculdade de Medicina do Recife. (1935)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Neurobiologia: ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Recursos modernos de assistência aos doentes mentais. (1938)&lt;br /&gt;
* Seis casos de miotonia congênita. (1939)&lt;br /&gt;
* Um caso de atrofia muscular pseudo-hipertrófica. Em colaboração com Jarbas Pernambucano. (1939)&lt;br /&gt;
* A neuromielite epidêmica (Doença de Austregésilo) em Pernambuco. Em colaboração com Arnaldo Di Lascio e Alcides Benício. (1940)&lt;br /&gt;
* Síndrome de atrofia paleocerebelar. Em colaboração com Antônio Couceiro. (1940)&lt;br /&gt;
* Introdução ao número especial de Neurobiologia dedicado ao Congresso de Aracaju. (1940)&lt;br /&gt;
* Estudo estatístico das doenças mentais encontradas em quatrocentos primeiros internados em casa de saúde particular. Em colaboração com Arnaldo Di Lascio. (1940)&lt;br /&gt;
* Neuropsiquiatria forense. (1941)&lt;br /&gt;
* Neuropsiquiatria forense (II). (1941)&lt;br /&gt;
* Discurso no centenário do hospital psiquiátrico Nacional. (1941)&lt;br /&gt;
* Discurso em homenagem ao Dr. Adauto Botelho. (1942)&lt;br /&gt;
* A ação social do psiquiatra. (1943)&lt;br /&gt;
* Discurso no banquete de confraternização dos médicos brasileiros com os médicos das forças armadas americanas. (1944)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fundações ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Instituto de Psicologia (1925)&lt;br /&gt;
* Escola para Crianças anormais anexada a Escola Normal (1925)&lt;br /&gt;
* Divisão de Assistência a Psicopatas (1931)&lt;br /&gt;
* Liga  de Higiene Mental (1933)&lt;br /&gt;
* Escola para Crianças Anormais - espaço reservado -  criado em 1934 e efetivado em 1943&lt;br /&gt;
* Escola Especial Aires Gama -  fundada em 1934 mas oficialmente concretizada em 1941&lt;br /&gt;
* Sanatório  Recife (1936)&lt;br /&gt;
* Revista Neurobiologia (1938)&lt;br /&gt;
* Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental  (1938)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relação com outros personagens ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Ulysses foi colega e contemporâneo do Dr. Edgar Altino, no Hospital Nacional de Alienados da Praia Vermelha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Na revista &#039;&#039;Neurobiologia&#039;&#039;, Alcides Benício e René Ribeiro atuaram, respectivamente, como diretor gerente e secretário, auxiliando Ulysses Pernambucano, diretor geral e fundador da revista, na manutenção da mesma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Anita Pereira da Costa, Cecília Di Lascio e Marta Carvalho trabalharam em conjunto com Ulysses no âmbito privado em uma escola de atendimento para sub e superdotados, iniciada em 1934.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Foi convidado por Dr. Octavio de Freitas para trabalhar na Higiene juntamente com ele; e foi nomeado em 1918 pelo governador Manoel Borba, Diretor da Higiene de Pernambuco, para combater a “influenza espanhola” que acometeu fortemente a cidade na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Ulysses colaborou com Gilberto Freyre, no A Província, quando o mesmo estava na direção do diário. Também apoiou a ideia de Gilberto acerca de organizar o 1º Congresso Afro-Brasileiro de Recife.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Sílvio Rabelo, professor de Psicologia de Pernambuco, foi colega de trabalho de Ulysses na Escola Normal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Fundou o Sanatório Recife com ajuda do Dr. Arnaldo Di Lascio, seu discípulo, que por muitos anos se dedicaria ao Sanatório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Após criar o Serviço de Assistência a Psicopatas, Ulysses chamou alguns colegas para serem seus auxiliares diretos, e o ajudarem na organização. Na direção do Manicômio Judiciário, Dr. Alcides Codeceira; professor Costa Pinto e Dr. José Lucena no Serviço de Higiene Mental; na Colônia de Doentes Crônicos, Dr. Vicente Matos e o Dr. Gildo Neto, encarregado do Serviço Aberto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Anita Paes Barreto, Anita Pereira da Costa, Alda Campos e Cirene Coutinho trabalharam em colaboração com Ulysses no Instituto de Psicologia, anexo ao Departamento de Saúde e Assistência de Pernambuco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# BARRETTO, A. P. Ulisses Pernambucano, educador. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 12, p. 14–17, 1992. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.scielo.br/j/pcp/a/QNMxzNGPP4g8J7zPB4P8QLC/?lang=pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 22 Mai. 2024.&lt;br /&gt;
# BEZERRA, Rafael Santana. Os menores anormais: discursos, práticas psiquiátricas e psicopedagógicas sobre crianças e adolescentes em Pernambuco (1926-1945). 2023. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2023. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/54354&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.   Acesso em: 01 Jul. 2024.&lt;br /&gt;
# CAVALCANTI DA ROCHA, Edyna. Ulysses: Um pernambucano. 2003. 22-46 p. Dissertação (Pós Graduação em História) - Centro de Filosofia e Ciências Humanas,  Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2006. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/7763/1/arquivo7674_1.pdf&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 8 Mai. 2024. &lt;br /&gt;
# CODECEIRA JR., A. Arnaldo Di Lascio. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 49, p. 225–225, jun. 1991. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.scielo.br/j/anp/a/QSCHkzmx375tNmfNgzgm6qD/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 13 Jul. 2024. &lt;br /&gt;
# COSTA PEREIRA, Mário Eduardo. Ulysses Pernambucano e a questão da ´´Higiene Mental´´. 2005. 123-129 p. Revista Latinoamericana de Psicopatologia fundamental. Mar/2005. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.scielo.br/j/rlpf/a/QXQZ6Zw7xKBgxnxgCqRNJqQ/?lang=pt&amp;amp;format=pdf&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 13 Mai. 2024.&lt;br /&gt;
# DA SILVA VICENTE, Renato. ENTRE SANATÓRIOS E TERREIROS: ULYSSES PERNAMBUCANO, RENÉ RIBEIRO E O PROJETO REFORMISTA DA PSIQUIATRIA SOCIAL DE RECIFE (1910 – 1940). 2018. 13-76 p. Dissertação (Pós Graduação na História da Ciência e da Saúde) - Casa de Osvaldo Cruz - FIOCRUZ, Rio de Janeiro, 2018. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.ppghcs.coc.fiocruz.br/images/dissertacoes/dissertacao_renato_vicentini.pdf&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 9 Mai. 2024.&lt;br /&gt;
# Hospital Psiquiátrico Ulysses.  Portal Saúde PE, 2024. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://portal.saude.pe.gov.br/unidades-de-saude-e-servicos/secretaria-executiva-de-atencao-saude/hospital-psiquiatrico-ulysses&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 22 Jul. 2024.&lt;br /&gt;
# HUTZLER, C. R. Ulysses Pernambucano: psiquiatra social. Ciência &amp;amp; Trópico, [S. l.], v. 15, n. 1, p. 1-18, Jun, 2011. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://periodicos.fundaj.gov.br/CIC/article/view/399&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 15 Jul. 2024.&lt;br /&gt;
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# MENDONÇA NASCIMENTO, Brunno Marcelo. A escola de Psiquiatria do Recife - fundação e 1º sucessão - Ulysses Pernambucano a José Lucena. 2007. 37-101 p. Dissertação (Pós Graduação em neuropsiquiatria) - Centro de Ciências da Saúde -  Universidade Federal de Pernambuco - Recife, 2007. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/8805/1/arquivo9493_1.pdf&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 13 Mai. 2024.  &lt;br /&gt;
# PAES BARRETO, Anita. Psicologia: Ciência e Profissão, v.20, p.49-49, 2000. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.scielo.br/j/pcp/a/CLgpCBngfTPTFcQVxPMFQnk/?lang=pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 30 Jul. 2024.&lt;br /&gt;
# PICCININI, Walmor J. História da Psiquiatria. Voando Sobre a Psiquiatria Brasileira: ULYSSES PERNAMBUCANO (1892-1943), [s. l.], v. 6, n. 2, fev. 2001. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.polbr.med.br/ano01/wal0201.php&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 3 Jul. 2024.&lt;br /&gt;
# Prof. Ulysses Pernambucano. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 2, p. 3–4, mar. 1944. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.scielo.br/j/anp/a/3mCssLD9FYztHNSHTyRwZvg/?lang=pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;  Acesso em: 22 maio 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado originalmente por Isabella Sant&#039;Ana Tenório de Matos, Lis de Mesquita Oliveira, Marcella Alves Costa e Maisa Carvalho do Prado Cabral, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2024.1, publicado em 2024.1.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Mesmerismo/Magnetismo_Animal&amp;diff=1391</id>
		<title>Mesmerismo/Magnetismo Animal</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Mesmerismo/Magnetismo_Animal&amp;diff=1391"/>
		<updated>2024-09-16T21:36:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Pequenas correções nas citações utilizadas ao longo do verbete&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Mesmerismo/Magnetismo Animal foi um modelo alternativo para o tratamento de enfermidades desenvolvido no final do século XVIII pelo médico alemão Franz Anton Mesmer. Em sua teoria, Mesmer postulava a presença de um fluido energético invisível (magnetismo animal), presente nos seres vivos, que seria responsável pelo processo saúde-doença. Assim, quando o fluido estava em harmonia, haveria o pleno funcionamento do organismo; quando em desequilíbrio, haveria a enfermidade e, portanto, a necessidade de deslocamento do fluido, por intermédio do Mesmerismo, de sua área de obstrução. A prática alcançou popularidade e atraiu numerosos seguidores pela Europa, tendo seu ápice com a criação das chamadas Sociedades da Harmonia, o que alarmou os médicos e, também, o governo francês. Com a realização de comissões investigativas, a existência do fluido não pôde ser verificada, bem como sua efetividade nos casos tratados, tendo os efeitos relatados pelos pacientes compreendidos como imaginação e autossugestão. Dentre os muitos desdobramentos do Mesmerismo, a hipnose e o espiritismo configuram-se, até os dias atuais, como campos em crescente expansão que tiveram suas bases influenciadas pela prática em questão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Franz Mesmer ===&lt;br /&gt;
Franz Anton Mesmer foi um médico alemão, vivido entre os séculos XVIII-XIX, que obteve destaque em sua formação e prática clínica por seus meios alternativos de tratamento. Sua tese de doutorado intitulada “Dissertação Físico-Médica Sobre a Influência dos Planetas” abordava a relação existente entre corpos celestes e corpos terrestres, na qual defendia que o primeiro influenciava no processo de saúde-doença do segundo. Para ele, havia um mecanismo complexo e harmônico, ainda pouco estudado, entre o corpo e o plano astral, mediado através do que ele denominou de gravidade animal e, posteriormente, de magnetismo animal em sua obra “Memória Sobre a Descoberta do Magnetismo Animal”, do qual se baseava sua prática médica, o Mesmerismo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mudou-se para Viena, em virtude de seu casamento, e abriu sua clínica. Nos anos seguintes, Mesmer realizou viagens pela Alemanha a fim de propagar sua descoberta. Após demonstrações bem sucedidas de suas habilidades, Mesmer foi convidado, em 1775, a compor, como membro, a Academia de Ciências da Baviera. Contudo, a existência de casos controversos resultou em sua expulsão da comunidade médica local de Viena, sob alegações de práticas fraudulentas. Mesmer mudou-se para Paris, em 1778, e retornou aos trabalhos em sua residência privada, em Créteil e, posteriormente, em sua clínica, inaugurada na Praça Vendôme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A tese de doutorado ===&lt;br /&gt;
Em sua tese de doutorado “Dissertação Físico-Médica Sobre a Influência dos Planetas”, formulada em 1776 e inspirada em ideias filosóficas e teosóficas do século XVI e XVII, Mesmer expôs um conjunto de estudos que justificavam sua teoria, na tentativa de comprovar a influência dos corpos celestes no processo saúde-doença. Para ele, haveria uma ação direta entre o campo astral e os corpos animados, sendo o sistema nervoso humano sujeito à mesma ação, através de um fluido sutil com características específicas. Tal qual a ação da gravitação universal, Mesmer denominou este fenômeno de gravidade animal. &amp;lt;blockquote&amp;gt;“Fiz reflexões sobre o conhecimento em geral, e mais particularmente sobre a doutrina da influência dos corpos celestes sobre o planeta em que habitamos. Essas reflexões me levaram a pesquisar nos escombros daquela ciência, aviltada pela ignorância, o que ela podia ter de útil e de verdadeiro. Conforme minhas ideias sobre essa matéria, ofertei à Viena, em 1766, uma Dissertação a respeito da influência dos planetas sobre os corpos humanos.” (MESMER, 1779: p. 5-6) &amp;lt;/blockquote&amp;gt;O Mesmerismo consistia na utilização de ímãs empregados em cima da pele, sobre os órgãos acometidos, proporcionando a desobstrução do fluido e, assim, seu equilíbrio no corpo. Posteriormente, os ímãs foram substituídos pelo tratamento coletivo utilizando-se da “baquet”, que consistia numa banheira de carvalho com água, pó de vidro e ferro em seu interior, na qual os indivíduos seguravam hastes de ferro, articuladas às bordas da banheira, utilizadas pelos pacientes para tocar a região do corpo onde o magnetismo animal estava concentrado, ou seja, a parte que doía. Depois os pacientes davam as mãos, fechava-se o círculo e, com isso, o magnetismo circulava entre todos os presentes. O próprio Mesmer, ao final de cada sessão, tocava um instrumento chamado harmônica de vidro, cujo som etéreo, semelhante à vibração de taças de vidro, facilitava a comunicação e propagação do magnetismo. Em ambas as técnicas, Mesmer realizava movimentos manuais, movendo suas mãos pelo corpo do paciente sem tocá-lo, como em um passe. Supostamente, essa prática permitia a transmissão do fluido energético. Para Mesmer, a cura envolvia o desencadeamento de uma crise momentânea - convulsões, crises asmáticas, vômitos, síncopes - denominada de “crise salutar”, considerada elemento fundamental do processo terapêutico que seria então responsável por restaurar o equilíbrio entre o fluxo e o refluxo do fluido. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os casos clínicos de Mesmer ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fraulein Österlin ====&lt;br /&gt;
No ano de 1774, em Viena, Mesmer assumiu o caso de Fraulein Österlin, de vinte e nove anos, acometida por uma doença convulsiva, tomada por sintomas persistentes - febre, dor de dente e de ouvido -, e ausência de êxito na realização de tratamentos convencionais. Mesmer utilizou-se, portanto, do método com a aplicação de ímãs em pontos específicos do corpo da paciente. Foi relatada uma intensificação da dor, seguida de uma extraordinária sensação de bem estar e alívio. Assim, Mesmer compreendeu que tais efeitos não poderiam ter sido causados apenas pela utilização de ímãs, e sim pela presença de um agente desconhecido, uma espécie de fluido presente no próprio indivíduo, que ao ser movimentado, restaura o equilíbrio do organismo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Peter von Osterwald ====&lt;br /&gt;
Na Alemanha, durante o período de propagação de sua prática, Mesmer tratou de Peter von Osterwald, diretor da Academia de Ciências da Baviera, que sofria de deficiência visual grave e outras comorbidades que afetavam sua vida. Após tratamento com Mesmer, notou melhora significativa em sua visão, emitindo um relatório no qual relatava sua cura. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Maria Theresia von Paradis ====&lt;br /&gt;
Visando um maior reconhecimento acerca de sua prática, Mesmer assumiu o caso da pianista de dezoito anos, Maria Theresia von Paradis, diagnosticada com uma doença incurável que impossibilitava sua visão. A jovem já havia passado por inúmeros tratamentos, incluindo a administração de choques elétricos em seus globos oculares por longos anos. Em poucos dias submetida ao Mesmerismo, a jovem apresentou significativa melhora, sendo capaz de acompanhar movimentos com o olhar e de descrever objetos, segundo relato escrito por Herr von Paradis, o pai. Contudo, pouco tempo depois, a pianista começou a sentir grande desconforto, afetando seu estado geral de saúde e seu rendimento profissional. Mesmer foi retirado do caso e a paciente retornou à cegueira. O caso apresentava controvérsias desde o correto diagnóstico da paciente até a efetividade do tratamento proposto por Mesmer, incluindo também questões financeiras e de prestígio social, visto que a jovem recebia uma pensão anual, da imperatriz austríaca, em virtude de sua deficiência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Reformulação da teoria ===&lt;br /&gt;
Mesmer prosseguiu em defesa de sua prática e, em 1779, sistematizou suas ideias na publicação “Memória Sobre a Descoberta do Magnetismo Animal”, na qual reescreveu sua teoria utilizando-se de vinte e sete proposições e também do termo Magnetismo Animal. A obra reflete a busca do médico por relacionar as proposições ao conhecimento científico da época, bem como a preocupação com a medicina vigente, que segundo ele, não possuía o conhecimento necessário para o tratamento das doenças existentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Utilizando-se de conceitos do magnetismo e da gravidade, temas em voga das Ciências Naturais, Mesmer concluiu que a ação e remissão do fluido era tal como a de um campo magnético de um ímã, fazendo uso do termo Magnetismo Animal em substituição ao Gravidade Animal. O fluido, portanto, seria capaz de penetrar em tudo, propagar pelo som e pelo fluido elétrico, e com ação direta nas partes constitutivas dos corpos animados, sendo determinado pelos princípios da matéria dos corpos organizados, como: a gravidade, a elasticidade, a eletricidade, a coesão e a irritabilidade. Mesmer destacou que os corpos eram divisíveis em duas classes, sendo uma suscetível ao magnetismo, e a outra não, daí a explicação de que certos indivíduos não eram susceptíveis ao fenômeno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Proposições da obra “Memória Sobre o Magnetismo Animal” (Mesmer, 1779, p.74-83):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1º - Existe uma influência mútua entre os Corpos Celestes, a Terra e os Corpos Animados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2º - Um fluido universalmente difundido e continuado de modo a não fornecer vácuo, cuja sutileza não permite qualquer comparação, e que, por sua natureza é suscetível de receber, propagar e comunicar todas as impressões do movimento, é o meio dessa influência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3º - Essa ação recíproca é proporcionada por leis mecânicas desconhecidas até agora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4º - Resulta dessa ação, efeitos alternativos, que podem ser descritos como fluxo e refluxo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5º - Esse fluxo e refluxo é mais ou menos geral, mais ou menos particular, mais ou menos composto, dependendo da natureza das causas que o determinam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
6º - É através desta operação (a mais universal das que a Natureza nos oferece) que se exercem as relações de atividade entre os corpos celestes, a Terra e as suas partes constituintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
7º - As propriedades da Matéria e do Corpo Organizado dependem desta operação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
8º - O corpo animal experimenta os efeitos alternados deste agente: e é insinuando-se na substância dos nervos que os afeta imediatamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
9º - Manifestam-se particularmente no corpo humano as propriedades análogas às dos ímãs; distinguimos pólos igualmente diversos e opostos, que podem ser comunicados, alterados, destruídos ou reforçados; o próprio fenômeno da inclinação é observado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10º - A propriedade do corpo animal, que o torna suscetível à influência dos corpos celestes, e a ação recíproca daqueles que o cercam, manifestada pela sua analogia com o ímã, fez-me determinado a nomeá-lo MAGNETISMO ANIMAL.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
11º - A ação e virtude do Magnetismo Animal, assim caracterizada, pode ser comunicada a outros corpos animados e inanimados. Um ao outro, no entanto, o torna mais ou menos suscetível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
12º - Esta ação e esta virtude podem ser reforçadas e propagadas por esses mesmos corpos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
13º - Observamos na experiência o fluxo de um material cuja sutileza penetra todos os corpos, sem perder significativamente sua atividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
14º - Sua ação ocorre a longa distância, sem o auxílio de um corpo intermediário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
15º - É aumentado e refletido pelo vidro, como a luz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
16º - É comunicado, propagado e aumentado pelo som.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17º - Essa virtude magnética pode ser acumulada, concentrada e transportada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
18º - Eu disse que os corpos animados não são igualmente suscetíveis: há mesmo alguns, embora muito raros que têm uma propriedade oposta, de que sua mera presença destrói todos os efeitos desse magnetismo em outros corpos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
19º - Essa virtude oposta também penetra todos os corpos; também pode ser comunicado, propagado, acumulado, concentrado, transportado, refletido por espelhos e propagado pelo som; o que não constitui apenas uma privação, mas uma virtude: positiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
20º - O ímã, seja natural, seja artificial é, assim como outros corpos, suscetível ao Magnetismo Animal, e mesmo da virtude oposta, sem que, em nenhum dos casos, sua ação sobre o ferro e agulha sofram qualquer alteração; o que prova que o princípio do Magnetismo Animal difere essencialmente do mineral. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
21º - Este sistema proporcionará novos esclarecimentos sobre a natureza do fogo e da luz, bem como sobre a teoria da Atração, do Fluxo e do Refluxo, do Ímã e da Eletricidade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
22º - Ele fará saber que o Imã e a Eletricidade Artificial, no que diz respeito às doenças, só possuem propriedades comuns com vários outros agentes que a Natureza nos oferece, e que se alguns efeitos úteis da administração desses forem encontrados, eles foram devido ao Magnetismo animal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
23º - Reconheceremos pelos fatos, de acordo com as regras práticas que estabelecerei, que este princípio pode curar imediatamente as doenças dos nervos, e mediamente as demais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
24º - Que com a ajuda dele, o Doutor se ilumine sobre o uso de medicamentos; que ele aperfeiçoe sua ação e que provoque e dirija crises salutares de maneira a torná-lo mestre. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
25º - Ao comunicar o meu método, demonstrarei através de uma nova teoria das doenças, a utilidade universal do princípio que lhes proponho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
26º - Com esse conhecimento, o médico certamente julgará a origem, a natureza e a evolução das doenças, mesmo as mais complicadas; impedirá o seu crescimento e conseguirá a sua cura, sem nunca expor o paciente a efeitos perigosos ou consequências desagradáveis, qualquer que seja a idade, temperamento e sexo. As mulheres mesmo em estado de gravidez e durante o parto terão a mesma vantagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
27º - Esse princípio, finalmente, colocará o médico em condições de avaliar adequadamente o grau de saúde de cada indivíduo, e de protegê-lo de doenças a que possa estar exposto. A arte de curar alcançará assim a sua perfeição última.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Repercussão ===&lt;br /&gt;
Com sua reputação dividida entre aqueles que o consideravam um gênio e outros que o acusavam de charlatanismo, Mesmer buscou o apoio da Sociedade Real de Medicina, porém sem sucesso. Neste contexto, conheceu o renomado médico Charles D’Eslon, que se tornou seu discípulo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmer também recorreu à Faculdade de Medicina de Paris, na tentativa de ter sua prática avaliada através de um modelo de experimentação, contudo, o pedido foi negado. Coube a Maria Antonieta, esposa do rei Luís XVI, simpatizante da prática, o pedido de uma avaliação do Mesmerismo por comissários nomeados pelo rei. Dessa vez, no entanto, foi Mesmer quem não concordou. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o propósito de reunir novos interessados no Mesmerismo, em virtude de discordâncias e, posterior rompimento, com seu discípulo Charles D’Eslon, Mesmer fundou uma sociedade de subscrição, a chamada Sociedade da Harmonia Universal. Em resposta, D’Eslon inaugurou uma clínica em sua própria casa, na qual só admitia médicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As subscrições para a sociedade de Mesmer foram abertas em 1784, admitindo membros das mais diversas áreas de formação, como médicos, advogados e diplomatas. Ao término destas, Mesmer convocaria todos os interessados para uma Assembleia Geral, na qual revelaria os segredos do fluido universal proposto por ele. Além disso, Mesmer daria também as devidas instruções técnicas e teóricas para que eles pudessem colocar em prática o que aprenderam. A ata da Assembleia Geral da Sociedade da Harmonia era composta de artigos que determinavam as normas e as condutas para inserção na sociedade e aplicação do Mesmerismo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A presença de Mesmer em Paris e a disseminação da prática, com filiais da Sociedade da Harmonia Universal abertas pela França, fez com que o Mesmerismo ganhasse grande notoriedade, chamando atenção do corpo médico ortodoxo e dos governantes franceses e, assim, dividindo opiniões. Surgiu a necessidade, portanto, de avaliar a prática em questão para verificar se o fluido, de fato, existia e se o tratamento alcançava a cura prometida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um contexto de dissidências entre Mesmer e Charles D&#039;Eslon, bem como deste com a Faculdade de Medicina de Paris e da faculdade com a Sociedade Real de Medicina da França, foram convocadas duas comissões de investigação, a pedido do rei Luís XVI, para averiguar a existência e efetividade do magnetismo animal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Investigação ===&lt;br /&gt;
Em 1784, foram formadas, portanto, duas comissões com o intuito de verificar a existência das propriedades do magnetismo animal e a veracidade do Mesmerismo. A primeira, intitulada Comissão Real (ou Comissão de Franklin) contava com membros da Faculdade de Medicina de Paris, tradicional instituição francesa, e da Academia de Ciências da França. Nomes como o do químico Antoine-Laurent Lavoisier (1743-1794) e do diplomata Benjamin Franklin (1706-1790) constituíam a comissão formada. A segunda, foi estabelecida pela Sociedade Real de Medicina, instituição criada em 1778 e apoiada por Luís XVI. Esta foi formada por médicos doutores, como Pierre Jean Claude Mauduyt de La Varenne (1732-1792) e Charles-Louis-François Andry (1741-1829), e também pelo botânico Antoine Laurent Jussieu (1748-1836). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Avaliações das propriedades físicas do fluido, como testes envolvendo eletrômetros e bússolas foram realizados no baquet, tendo como resultado ausência de campo magnético. Assim como, avaliações acerca dos efeitos da ação do fluido, incluindo além da magnetização dos pacientes avaliados, a magnetização de alguns dos próprios comissários também foram efetuadas. Ao todo, foram realizados dezesseis experimentos clínicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as diferenças presentes nos métodos avaliativos de cada comissão, tem-se a questão da observação e da experimentação direta. A Comissão Real foi responsável por realizar ambas as formas (incluindo além da magnetização dos pacientes avaliados, a magnetização de oito de seus comissários, realizada na Clínica de D’Eslon), enquanto a Comissão da Sociedade Real de Medicina restringiu-se à observação. De todo modo, prevaleceu a conclusão geral de que a responsável pelos fenômenos era a imaginação, como explicitado por um relato de Jean-Sylvain Bailly, responsável por registrar o processo:&amp;lt;blockquote&amp;gt;“O toque, a imaginação e a imitação são as verdadeiras causas  atribuídas a este agente novo, conhecido sob o nome de magnetismo animal, a este fluido que se diz circular nos corpo e se comunicar de indivíduo a indivíduo (...) Este fluido não  existe (...) Há razões para crer que a imaginação é a principal causa dentre aquelas que se destacaram acima. Percebeu-se, pelas experiências citadas, que ela é suficiente para produzir as crises. A pressão e o toque parecem, assim, servir-lhe como preparação; é pelo toque que os nervos começam a se excitar e a imitação comunica e expande suas impressões. Mais é a imaginação, esta potência ativa e terrível que opera os grandes efeitos que se observa com espanto nos tratamentos públicos.” (BAILLY, 1826/2004a, pp. 111-112)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Os relatórios de ambas as comissões, realizados de forma independente, concluíram que o fluido defendido por Mesmer não exerceu nenhuma ação sobre os pacientes analisados, e demonstraram que as supostas curas poderiam ser atribuídas aos efeitos da imaginação, do toque e da imitação, em vez de ministrações magnéticas. Os comissários observaram que uma condição importante para ser magnetizado era a crença ou expectativa da pessoa suscetível de que as condições de estímulo apropriadas haviam sido atendidas, visto que indivíduos que acreditavam estar magnetizados eram acometidos por crises mesmo quando nenhuma magnetização havia ocorrido. Experimentos com olhos vendados e sem as vendas também foram realizados, nos quais a visão da prática sendo executada contribuía para a ocorrência dos fenômenos associados, permitindo a conclusão de que o olhar atuaria na imaginação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido a presença de uma assinatura conjunta nos relatórios apresentados, não é possível atribuir contribuições individuais a cada comissário, com exceção de Jussieu, que o elaborou de forma individual. Nenhum dos experimentos realizados contou com a presença de Mesmer, e sim de seu ex-discípulo D&#039;Eslon - o qual Mesmer julgava não possuir todo o conhecimento necessário acerca do magnetismo animal -, e também de um médico autodidata no magnetismo animal, sem o treinamento de Mesmer ou de D’Eslon. Em resposta, Mesmer enviou um Memorando de Justificação a Franklin e ao Barão de Breteuil, ministro da Casa do Rei, alegando que não deveria ser julgado pelos resultados apresentados por terceiros, principalmente de D’Eslon, cuja relação encontrava-se estremecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outro relatório - considerado secreto -, enviado ao rei em 1784, pelos comissários da Faculdade de Medicina de Paris e da Academia de Ciências, mas divulgado somente em 1796, foi enfatizando o perigo moral acerca do Mesmerismo, considerando-o uma prática na qual as mulheres ficavam suscetíveis a ocorrência de assédio sexual quando magnetizadas. Para além da constatação da não existência do fluido animal e da não comprovação das curas provenientes da prática, tal declaração contribuiu ainda mais para a difamação do Mesmerismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma outra faceta dessa comissão foi apresentada pelo naturalista Antoine Laurent Jussieu que, insatisfeito com as metodologias utilizadas nas comissões, iniciou um estudo paralelo autônomo, fundamentando-se na observação de campo. O resultado dessa iniciativa foi a constatação de um agente até então desconhecido, porém influente nos desdobramentos dos tratamentos: o designado calor animal. Embora, portanto, houvesse o descarte da teoria do magnetismo animal por parte de Jussieu e concordância com a preponderância de agentes como a imaginação, o toque e a imitação nos efeitos observados, o naturalista não negou suas descobertas pessoais. Desse modo, Jussieu assumiu uma postura diferente da dos outros membros, isentando-se de posições contrárias à prática do magnetismo animal, pois considerava que o médico poderia usar os procedimentos que julgasse adequados para curar seus pacientes, desde que os publicasse para a apreciação da comunidade científica. Os adeptos ao Mesmerismo viram nesta afirmação o aporte metodológico e epistemológico de que necessitavam. Em contrapartida, os demais comissários consideraram a prática nociva e baseada em um princípio ilusório que deveria ser banido da sociedade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a publicação e a distribuição dos relatórios, o Mesmerismo foi condenado e configurado como crime. Além disso, vários mecanismos de coação foram ativados, incluindo expulsões, ataques e ridicularizações públicas, por meio de cartas, panfletos e jornais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As conclusões produzidas pelos relatórios das comissões assumiram um caráter de tal absolutismo que impediram qualquer discussão crítica sobre seus procedimentos e suas inevitáveis contradições. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a não constatação da presença do fluido abriu margem a interpretações metafísicas. Além disso, a compreensão de que as curas eram provocadas pela imaginação propiciou o surgimento e a expansão de áreas como a hipnose, através de James Braid - sucessor de Mesmer - e o espiritismo - especialmente na figura de Allan Kardec.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Desdobramentos ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Hipnotismo por James Braid ====&lt;br /&gt;
A Era Científica da hipnose começou com Mesmer e sua tese de doutorado, defendida em 1775. Afirma-se que a hipnose pode ser vista como “antes de Mesmer” e “depois de Mesmer”, embora o termo hipnose só tenha surgido com James Braid.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Braid, com bases no mesmerismo, apresentando um quadro fisiológico, apresentou o hipnotismo moderno, definindo-o como: “O estado particular do sistema nervoso, determinado por manobras artificiais, tendendo, pela paralisia dos centros nervosos a destruir o equilíbrio nervoso”, entretanto, Charles Richet, ao descrever o seu método, afirmou: “O hipnotismo tratava-se de projetar o fluido magnético no corpo do paciente”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Hipnotismo moderno admite que o paciente fique hipnotizado por auto sugestão e concentração mental, sem a presença de quaisquer fluidos. Os cientistas preferiram o termo hipnotismo em substituição ao termo magnetismo, e assim, ao longo das épocas, o hipnotismo recebeu notoriedade, e ao magnetismo restou a alcunha de charlatanismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Espiritismo por Allan Kardec ====&lt;br /&gt;
Allan Kardec definiu o Magnetismo e o Espiritismo como ciências irmãs e reconheceu a importância da primeira na preparação de um cenário favorável para a inserção da segunda:&amp;lt;blockquote&amp;gt;“O Magnetismo preparou o caminho do Espiritismo, e o rápido progresso desta última doutrina se deve, incontestavelmente, à vulgarização das ideias sobre a primeira. Dos fenômenos magnéticos, do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas não há mais que um passo; tal é a sua conexão que, por assim dizer, torna-se impossível falar de um sem falar do outro. Se tivéssemos que ficar fora da ciência magnética, nosso quadro seria incompleto e poderíamos ser comparados a um professor de física que se abstivesse de falar da luz.” (KARDEC, 1858, pág. 149)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Na época em que Mesmer realizava seus estudos relativos ao magnetismo animal, ele considerou que as aparições, êxtases e visões inexplicáveis eram fontes de erros e reconheceu que a obscuridade que envolvia esses eventos, acrescida da ignorância popular, favorecia o estabelecimento de preconceitos em todos os povos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse contexto, para que a totalidade de tais fenômenos pudessem ser completamente esclarecidas, afastando as ideias supersticiosas, faltava, além do magnetismo, outra fonte de entendimento: o espiritismo, que, ao acrescentar a intervenção dos espíritos, esclareceu os casos relativos à atuação desses seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Magnetismo Animal e Hipnose no Brasil ====&lt;br /&gt;
No Brasil, a primeira referência sobre o Magnetismo Animal é a publicação, em 1823, do médico pernambucano João Lopes Cardoso Machado, no qual ele abordou pela primeira vez o tema, sob o nome de “catalepsia espontânea”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma tentativa de formalizar o uso dessa terapia dentro da medicina brasileira, o médico Leopoldo Gamard apresentou, em 1832, uma tese sobre o Magnetismo Animal à Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (fundada em 1829, mais tarde renomeada Academia Brasileira de Medicina). Contudo, a tese foi rejeitada, mediante um erudito julgamento, por Augusto Renato Cuissart, eminente membro da Academia, que considerou o trabalho uma “audácia de charlatães”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por cerca de duas décadas, o Magnetismo Animal não foi abordado nas Academias. O interesse sobre o assunto retornou através de livros publicados no exterior, especialmente na França.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1861, foi fundada a Sociedade Propaganda do Magnetismo e o Júri Magnético, ambas no estado do Rio de Janeiro. Essas entidades, dedicadas à pesquisa e tratamento através do Magnetismo Animal, foram autorizadas a funcionar, por D. Pedro II, desde que as práticas curativas fossem conduzidas exclusivamente por médicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos anos de 1875 e 1876, o médico Gonzaga Filho escreveu uma série de artigos sobre o Magnetismo Animal na seção de ciências do Diário do Rio de Janeiro, obtendo grande repercussão na Corte, inclusive entre a classe médica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto a Europa já havia abandonado o Magnetismo Animal e adotado um dos desdobramentos da prática - o hipnotismo de James Braid -, o Brasil passava a conhecer e ganhar interesse no Mesmerismo. Entre 1880 e 1887, muitas foram as publicações acerca da prática. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nunes Garcia apresentou, em 1884, seu trabalho “Memória Sobre o Magnetismo Animal” na exposição que ele inaugurou na Biblioteca da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Apenas em 1887, com a apresentação de Érico Coelho à Academia Imperial da Medicina sobre um caso tratado por intermédio da sugestão hipnótica que o magnetismo foi deixado de lado, e o hipnotismo médico, então declarado como psicoterapia sugestiva, teve início no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Em um contexto de grande valorização da natureza e da ciência, o Mesmerismo representou uma terapia alternativa natural que em muito agradava os franceses, em virtude da substituição dos métodos frequentemente utilizados, como a sangria, purgantes e choques elétricos. No entanto, sua natureza invisível e ausência de validação por métodos investigativos colocava em dúvida a efetividade da prática e associava Mesmer ao charlatanismo. Assim, o Mesmerismo ganhava adeptos de um lado, e críticos do outro, ao desafiar as estruturas filosóficas, sociais e políticas existentes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Henri Ellenberger ===&lt;br /&gt;
Ellenberger em seu livro &amp;quot;A Descoberta do Inconsciente&amp;quot; traz uma visão panorâmica e integrada da busca do homem por uma compreensão mais profunda da mente. O autor demonstra a sequência histórica de eventos desde exorcistas, magnetizadores e hipnotizadores até os sistemas psicológicos, como os de Janet e Freud. Assim, há uma busca em interpretar o Mesmerismo em suas mais diversas fases e reconhecer neste o início da psicologia dinâmica. &amp;lt;blockquote&amp;gt;“Não há dúvida de que o desenvolvimento da psicologia dinâmica moderna pode ser rastreado até o magnetismo animal de Mesmer, e que a posteridade foi notavelmente ingrata a ele” (ELLENBERGER, 1970, p.69)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Robert Darnton ===&lt;br /&gt;
O historiador atribuiu à figura de Mesmer um caráter revolucionário e político que coincidia com o contexto de insatisfação com a monarquia vigente na época. O autor sustentou que a rejeição ao Mesmerismo, por parte das sociedades acadêmicas, contribuiu para uma influência indireta dessa prática na Revolução Francesa. Assim, o autor apropria-se de um evento particular (Mesmerismo) para a compreensão de um evento muito maior (Revolução Francesa), caracterizando o Mesmerismo como uma prática política-ideológica e revolucionária. &amp;lt;blockquote&amp;gt;“O mesmerismo exerceu uma influência mais penetrante, ainda que menos evidente, sobre a Revolução através do Cercle Social, uma associação de místicos revolucionários que esperavam estabelecer uma Confederação Universal de Amigos da Verdade, com organização maçônica” (DARNTON, 1988, p. 115)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Steven Lynn e Scott Lillienfeld ===&lt;br /&gt;
Consideraram que o Mesmerismo foi incompreendido, visto que apesar de sua teoria não ter sido verificada, a prática representava uma tentativa de fornecer uma explicação naturalista para um fenômeno, comumente, tido como metafísico. Os autores realizaram críticas em relação ao Relatório Real de 1784, sustentando que os comissários elegeram a imaginação para explicar os supostos efeitos do Mesmerismo, mas não se preocuparam em defini-la claramente. Assim, o que aconteceu foi a substituição de um conceito misterioso por outro que carece de explicação. &amp;lt;blockquote&amp;gt;“Se os comissários tivessem levado seus métodos a sério, então poderíamos saber mais hoje sobre os determinantes de alterações profundas na consciência; o papel da imaginação na vida cotidiana; a ligação entre respostas à sugestão e processos fisiológicos; o papel de perguntas sugestivas e orientadoras na formação de experiências; e a maneira como crenças e expectativas moldam uma miríade de respostas subjetivas e comportamentais.” (LYNN &amp;amp; LILIENFELD, 2002, p.380)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Maurício da Silva Neubern ===&lt;br /&gt;
Neubern realizou uma reflexão histórica acerca do projeto de ciência da época, evidenciando que o Magnetismo Animal se opunha não só aos princípios metodológicos, mas também às questões institucionais e sociais vigentes, tornando-se, portanto, uma ameaça à ordem social. O autor levantou questões como a incoerência em atribuir uma causa subjetiva - a imaginação - ao trabalho de Mesmer, bem como o de não submetê-la a um método científico, na qual pudesse ser definida e explicada. Assim, as conclusões obtidas acerca do Mesmerismo não tiveram como intenção inaugurar um novo campo de estudo e pesquisa, e sim desqualificar a proposta de Mesmer. &amp;lt;blockquote&amp;gt;“Em suma, é possível também conceber que a condenação do magnetismo animal não consistiu necessariamente em um passo de progresso no sentido de que um sistema de ideias pouco racional cedeu lugar a outro mais coerente com o projeto de ciência da época. O fato de que um julgamento assentado em bases tão frágeis possuiu um impacto tão profundo e marcante, a ponto de excluir ou deturpar os acontecimentos históricos, não consistiu em um passo de progresso metodológico ou de desenvolvimento da racionalidade, mas em um jogo de poder no qual o sistema mais coerente com as normas sociais e os pressupostos epistemológicas dominantes saiu vitorioso.” (NEUBERN, 2007, p.354)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# KARDEC, Allan. &#039;&#039;&#039;Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos&#039;&#039;&#039;. Ed. FEB. Ano I. 1858.&lt;br /&gt;
# CÂMARA, Fernando Portela. Pré-história da psicoterapia brasileira: a chegada do magnetismo animal no Brasil, 1823-1887. &#039;&#039;&#039;Debates em Psiquiatria&#039;&#039;&#039;, v. 3, n. 3, p. 34–38. 2013.&lt;br /&gt;
# DARNTON, Robert. &#039;&#039;&#039;O Lado Oculto da Revolução:&#039;&#039;&#039; Mesmer e o Final do Iluminismo na França. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.&lt;br /&gt;
# ELLENBERGER, Henri. &#039;&#039;&#039;The Discovery of the Unconscious&#039;&#039;&#039;. New York: Basic Books, 1970.&lt;br /&gt;
# FIGUEIREDO, Paulo Henrique. &#039;&#039;&#039;Mesmer, a Ciência negada e os textos escondidos&#039;&#039;&#039;. Ed. Lachâtre, 2005.&lt;br /&gt;
# LYNN, Steven Jay; LILIENFELD, Scott. A critique of the Franklin Commission Report: hypnosis, belief, and suggestion. T&#039;&#039;&#039;he International journal of clinical and experimental hypnosis&#039;&#039;&#039;, v. 50, n. 4, p. 369–386. 2002.&lt;br /&gt;
# MESMER, Franz Anton. &#039;&#039;&#039;Mémoire sur la Découverte du Magnéstisme Animal&#039;&#039;&#039;. Geneve/ Paris: A. Geneve, 1779.&lt;br /&gt;
# MORAIS, Cristiano Ramos. &#039;&#039;&#039;Franz Anton Mesmer (1734-1815):&#039;&#039;&#039; O mesmerismo e sua avaliação pelas comissões reais na França do século XVIII. 2022.&lt;br /&gt;
# NEUBERN, Maurício da Silva. Reflexões sobre o Magnetismo Animal: Contribuições para a Revisão da Psicologia. &#039;&#039;&#039;Estudos De Psicologia&#039;&#039;&#039;, v. 25, n. 3, p. 439-448. 2008.&lt;br /&gt;
# NEUBERN, Maurício da Silva. Sobre a Condenação do Magnetismo Animal: Revisitando a História da Psicologia. &#039;&#039;&#039;Psicologia: Teoria e Pesquisa&#039;&#039;&#039;. v. 23, n. 3, p. 347-356. 2007.&lt;br /&gt;
# SANTOS, Maria Siqueira. &#039;&#039;&#039;Elementos alquímicos na teoria magnética de F. A. Mesmer&#039;&#039;&#039;. In: 13 Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia. São Paulo. Anais do 12 Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia. São Paulo: EACH/USP, v.1. p.1-15. 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado originalmente por Emanuelle Mesquita Alves da Fonseca e Joyce Filhuzzi Macabú, como exigência parcial para a disciplina História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2024.1, publicado em 2024.1.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Teorias e conceitos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Mesmerismo/Magnetismo_Animal&amp;diff=1390</id>
		<title>Mesmerismo/Magnetismo Animal</title>
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		<updated>2024-09-16T21:32:31Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Inserção completa do verbete na WikiHP&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Mesmerismo/Magnetismo Animal foi um modelo alternativo para o tratamento de enfermidades desenvolvido no final do século XVIII pelo médico alemão Franz Anton Mesmer. Em sua teoria, Mesmer postulava a presença de um fluido energético invisível (magnetismo animal), presente nos seres vivos, que seria responsável pelo processo saúde-doença. Assim, quando o fluido estava em harmonia, haveria o pleno funcionamento do organismo; quando em desequilíbrio, haveria a enfermidade e, portanto, a necessidade de deslocamento do fluido, por intermédio do Mesmerismo, de sua área de obstrução. A prática alcançou popularidade e atraiu numerosos seguidores pela Europa, tendo seu ápice com a criação das chamadas Sociedades da Harmonia, o que alarmou os médicos e, também, o governo francês. Com a realização de comissões investigativas, a existência do fluido não pôde ser verificada, bem como sua efetividade nos casos tratados, tendo os efeitos relatados pelos pacientes compreendidos como imaginação e autossugestão. Dentre os muitos desdobramentos do Mesmerismo, a hipnose e o espiritismo configuram-se, até os dias atuais, como campos em crescente expansão que tiveram suas bases influenciadas pela prática em questão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Franz Mesmer ===&lt;br /&gt;
Franz Anton Mesmer foi um médico alemão, vivido entre os séculos XVIII-XIX, que obteve destaque em sua formação e prática clínica por seus meios alternativos de tratamento. Sua tese de doutorado intitulada “Dissertação Físico-Médica Sobre a Influência dos Planetas” abordava a relação existente entre corpos celestes e corpos terrestres, na qual defendia que o primeiro influenciava no processo de saúde-doença do segundo. Para ele, havia um mecanismo complexo e harmônico, ainda pouco estudado, entre o corpo e o plano astral, mediado através do que ele denominou de gravidade animal e, posteriormente, de magnetismo animal em sua obra “Memória Sobre a Descoberta do Magnetismo Animal”, do qual se baseava sua prática médica, o Mesmerismo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mudou-se para Viena, em virtude de seu casamento, e abriu sua clínica. Nos anos seguintes, Mesmer realizou viagens pela Alemanha a fim de propagar sua descoberta. Após demonstrações bem sucedidas de suas habilidades, Mesmer foi convidado, em 1775, a compor, como membro, a Academia de Ciências da Baviera. Contudo, a existência de casos controversos resultou em sua expulsão da comunidade médica local de Viena, sob alegações de práticas fraudulentas. Mesmer mudou-se para Paris, em 1778, e retornou aos trabalhos em sua residência privada, em Créteil e, posteriormente, em sua clínica, inaugurada na Praça Vendôme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A tese de doutorado ===&lt;br /&gt;
Em sua tese de doutorado “Dissertação Físico-Médica Sobre a Influência dos Planetas”, formulada em 1776 e inspirada em ideias filosóficas e teosóficas do século XVI e XVII, Mesmer expôs um conjunto de estudos que justificavam sua teoria, na tentativa de comprovar a influência dos corpos celestes no processo saúde-doença. Para ele, haveria uma ação direta entre o campo astral e os corpos animados, sendo o sistema nervoso humano sujeito à mesma ação, através de um fluido sutil com características específicas. Tal qual a ação da gravitação universal, Mesmer denominou este fenômeno de gravidade animal. &amp;lt;blockquote&amp;gt;“Fiz reflexões sobre o conhecimento em geral, e mais particularmente sobre a doutrina da influência dos corpos celestes sobre o planeta em que habitamos. Essas reflexões me levaram a pesquisar nos escombros daquela ciência, aviltada pela ignorância, o que ela podia ter de útil e de verdadeiro. Conforme minhas ideias sobre essa matéria, ofertei à Viena, em 1766, uma Dissertação a respeito da influência dos planetas sobre os corpos humanos.” (MESMER, 1779: p. 5-6) &amp;lt;/blockquote&amp;gt;O Mesmerismo consistia na utilização de ímãs empregados em cima da pele, sobre os órgãos acometidos, proporcionando a desobstrução do fluido e, assim, seu equilíbrio no corpo. Posteriormente, os ímãs foram substituídos pelo tratamento coletivo utilizando-se da “baquet”, que consistia numa banheira de carvalho com água, pó de vidro e ferro em seu interior, na qual os indivíduos seguravam hastes de ferro, articuladas às bordas da banheira, utilizadas pelos pacientes para tocar a região do corpo onde o magnetismo animal estava concentrado, ou seja, a parte que doía. Depois os pacientes davam as mãos, fechava-se o círculo e, com isso, o magnetismo circulava entre todos os presentes. O próprio Mesmer, ao final de cada sessão, tocava um instrumento chamado harmônica de vidro, cujo som etéreo, semelhante à vibração de taças de vidro, facilitava a comunicação e propagação do magnetismo. Em ambas as técnicas, Mesmer realizava movimentos manuais, movendo suas mãos pelo corpo do paciente sem tocá-lo, como em um passe. Supostamente, essa prática permitia a transmissão do fluido energético. Para Mesmer, a cura envolvia o desencadeamento de uma crise momentânea - convulsões, crises asmáticas, vômitos, síncopes - denominada de “crise salutar”, considerada elemento fundamental do processo terapêutico que seria então responsável por restaurar o equilíbrio entre o fluxo e o refluxo do fluido. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os casos clínicos de Mesmer ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fraulein Österlin ====&lt;br /&gt;
No ano de 1774, em Viena, Mesmer assumiu o caso de Fraulein Österlin, de vinte e nove anos, acometida por uma doença convulsiva, tomada por sintomas persistentes - febre, dor de dente e de ouvido -, e ausência de êxito na realização de tratamentos convencionais. Mesmer utilizou-se, portanto, do método com a aplicação de ímãs em pontos específicos do corpo da paciente. Foi relatada uma intensificação da dor, seguida de uma extraordinária sensação de bem estar e alívio. Assim, Mesmer compreendeu que tais efeitos não poderiam ter sido causados apenas pela utilização de ímãs, e sim pela presença de um agente desconhecido, uma espécie de fluido presente no próprio indivíduo, que ao ser movimentado, restaura o equilíbrio do organismo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Peter von Osterwald ====&lt;br /&gt;
Na Alemanha, durante o período de propagação de sua prática, Mesmer tratou de Peter von Osterwald, diretor da Academia de Ciências da Baviera, que sofria de deficiência visual grave e outras comorbidades que afetavam sua vida. Após tratamento com Mesmer, notou melhora significativa em sua visão, emitindo um relatório no qual relatava sua cura. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Maria Theresia von Paradis ====&lt;br /&gt;
Visando um maior reconhecimento acerca de sua prática, Mesmer assumiu o caso da pianista de dezoito anos, Maria Theresia von Paradis, diagnosticada com uma doença incurável que impossibilitava sua visão. A jovem já havia passado por inúmeros tratamentos, incluindo a administração de choques elétricos em seus globos oculares por longos anos. Em poucos dias submetida ao Mesmerismo, a jovem apresentou significativa melhora, sendo capaz de acompanhar movimentos com o olhar e de descrever objetos, segundo relato escrito por Herr von Paradis, o pai. Contudo, pouco tempo depois, a pianista começou a sentir grande desconforto, afetando seu estado geral de saúde e seu rendimento profissional. Mesmer foi retirado do caso e a paciente retornou à cegueira. O caso apresentava controvérsias desde o correto diagnóstico da paciente até a efetividade do tratamento proposto por Mesmer, incluindo também questões financeiras e de prestígio social, visto que a jovem recebia uma pensão anual, da imperatriz austríaca, em virtude de sua deficiência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Reformulação da teoria ===&lt;br /&gt;
Mesmer prosseguiu em defesa de sua prática e, em 1779, sistematizou suas ideias na publicação “Memória Sobre a Descoberta do Magnetismo Animal”, na qual reescreveu sua teoria utilizando-se de vinte e sete proposições e também do termo Magnetismo Animal. A obra reflete a busca do médico por relacionar as proposições ao conhecimento científico da época, bem como a preocupação com a medicina vigente, que segundo ele, não possuía o conhecimento necessário para o tratamento das doenças existentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Utilizando-se de conceitos do magnetismo e da gravidade, temas em voga das Ciências Naturais, Mesmer concluiu que a ação e remissão do fluido era tal como a de um campo magnético de um ímã, fazendo uso do termo Magnetismo Animal em substituição ao Gravidade Animal. O fluido, portanto, seria capaz de penetrar em tudo, propagar pelo som e pelo fluido elétrico, e com ação direta nas partes constitutivas dos corpos animados, sendo determinado pelos princípios da matéria dos corpos organizados, como: a gravidade, a elasticidade, a eletricidade, a coesão e a irritabilidade. Mesmer destacou que os corpos eram divisíveis em duas classes, sendo uma suscetível ao magnetismo, e a outra não, daí a explicação de que certos indivíduos não eram susceptíveis ao fenômeno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Proposições da obra “Memória Sobre o Magnetismo Animal” (Mesmer, 1779, p.74-83):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1º - Existe uma influência mútua entre os Corpos Celestes, a Terra e os Corpos Animados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2º - Um fluido universalmente difundido e continuado de modo a não fornecer vácuo, cuja sutileza não permite qualquer comparação, e que, por sua natureza é suscetível de receber, propagar e comunicar todas as impressões do movimento, é o meio dessa influência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3º - Essa ação recíproca é proporcionada por leis mecânicas desconhecidas até agora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4º - Resulta dessa ação, efeitos alternativos, que podem ser descritos como fluxo e refluxo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5º - Esse fluxo e refluxo é mais ou menos geral, mais ou menos particular, mais ou menos composto, dependendo da natureza das causas que o determinam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
6º - É através desta operação (a mais universal das que a Natureza nos oferece) que se exercem as relações de atividade entre os corpos celestes, a Terra e as suas partes constituintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
7º - As propriedades da Matéria e do Corpo Organizado dependem desta operação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
8º - O corpo animal experimenta os efeitos alternados deste agente: e é insinuando-se na substância dos nervos que os afeta imediatamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
9º - Manifestam-se particularmente no corpo humano as propriedades análogas às dos ímãs; distinguimos pólos igualmente diversos e opostos, que podem ser comunicados, alterados, destruídos ou reforçados; o próprio fenômeno da inclinação é observado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10º - A propriedade do corpo animal, que o torna suscetível à influência dos corpos celestes, e a ação recíproca daqueles que o cercam, manifestada pela sua analogia com o ímã, fez-me determinado a nomeá-lo MAGNETISMO ANIMAL.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
11º - A ação e virtude do Magnetismo Animal, assim caracterizada, pode ser comunicada a outros corpos animados e inanimados. Um ao outro, no entanto, o torna mais ou menos suscetível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
12º - Esta ação e esta virtude podem ser reforçadas e propagadas por esses mesmos corpos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
13º - Observamos na experiência o fluxo de um material cuja sutileza penetra todos os corpos, sem perder significativamente sua atividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
14º - Sua ação ocorre a longa distância, sem o auxílio de um corpo intermediário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
15º - É aumentado e refletido pelo vidro, como a luz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
16º - É comunicado, propagado e aumentado pelo som.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17º - Essa virtude magnética pode ser acumulada, concentrada e transportada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
18º - Eu disse que os corpos animados não são igualmente suscetíveis: há mesmo alguns, embora muito raros que têm uma propriedade oposta, de que sua mera presença destrói todos os efeitos desse magnetismo em outros corpos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
19º - Essa virtude oposta também penetra todos os corpos; também pode ser comunicado, propagado, acumulado, concentrado, transportado, refletido por espelhos e propagado pelo som; o que não constitui apenas uma privação, mas uma virtude: positiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
20º - O ímã, seja natural, seja artificial é, assim como outros corpos, suscetível ao Magnetismo Animal, e mesmo da virtude oposta, sem que, em nenhum dos casos, sua ação sobre o ferro e agulha sofram qualquer alteração; o que prova que o princípio do Magnetismo Animal difere essencialmente do mineral. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
21º - Este sistema proporcionará novos esclarecimentos sobre a natureza do fogo e da luz, bem como sobre a teoria da Atração, do Fluxo e do Refluxo, do Ímã e da Eletricidade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
22º - Ele fará saber que o Imã e a Eletricidade Artificial, no que diz respeito às doenças, só possuem propriedades comuns com vários outros agentes que a Natureza nos oferece, e que se alguns efeitos úteis da administração desses forem encontrados, eles foram devido ao Magnetismo animal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
23º - Reconheceremos pelos fatos, de acordo com as regras práticas que estabelecerei, que este princípio pode curar imediatamente as doenças dos nervos, e mediamente as demais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
24º - Que com a ajuda dele, o Doutor se ilumine sobre o uso de medicamentos; que ele aperfeiçoe sua ação e que provoque e dirija crises salutares de maneira a torná-lo mestre. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
25º - Ao comunicar o meu método, demonstrarei através de uma nova teoria das doenças, a utilidade universal do princípio que lhes proponho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
26º - Com esse conhecimento, o médico certamente julgará a origem, a natureza e a evolução das doenças, mesmo as mais complicadas; impedirá o seu crescimento e conseguirá a sua cura, sem nunca expor o paciente a efeitos perigosos ou consequências desagradáveis, qualquer que seja a idade, temperamento e sexo. As mulheres mesmo em estado de gravidez e durante o parto terão a mesma vantagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
27º - Esse princípio, finalmente, colocará o médico em condições de avaliar adequadamente o grau de saúde de cada indivíduo, e de protegê-lo de doenças a que possa estar exposto. A arte de curar alcançará assim a sua perfeição última.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Repercussão ===&lt;br /&gt;
Com sua reputação dividida entre aqueles que o consideravam um gênio e outros que o acusavam de charlatanismo, Mesmer buscou o apoio da Sociedade Real de Medicina, porém sem sucesso. Neste contexto, conheceu o renomado médico Charles D’Eslon, que se tornou seu discípulo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmer também recorreu à Faculdade de Medicina de Paris, na tentativa de ter sua prática avaliada através de um modelo de experimentação, contudo, o pedido foi negado. Coube a Maria Antonieta, esposa do rei Luís XVI, simpatizante da prática, o pedido de uma avaliação do Mesmerismo por comissários nomeados pelo rei. Dessa vez, no entanto, foi Mesmer quem não concordou. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o propósito de reunir novos interessados no Mesmerismo, em virtude de discordâncias e, posterior rompimento, com seu discípulo Charles D’Eslon, Mesmer fundou uma sociedade de subscrição, a chamada Sociedade da Harmonia Universal. Em resposta, D’Eslon inaugurou uma clínica em sua própria casa, na qual só admitia médicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As subscrições para a sociedade de Mesmer foram abertas em 1784, admitindo membros das mais diversas áreas de formação, como médicos, advogados e diplomatas. Ao término destas, Mesmer convocaria todos os interessados para uma Assembleia Geral, na qual revelaria os segredos do fluido universal proposto por ele. Além disso, Mesmer daria também as devidas instruções técnicas e teóricas para que eles pudessem colocar em prática o que aprenderam. A ata da Assembleia Geral da Sociedade da Harmonia era composta de artigos que determinavam as normas e as condutas para inserção na sociedade e aplicação do Mesmerismo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A presença de Mesmer em Paris e a disseminação da prática, com filiais da Sociedade da Harmonia Universal abertas pela França, fez com que o Mesmerismo ganhasse grande notoriedade, chamando atenção do corpo médico ortodoxo e dos governantes franceses e, assim, dividindo opiniões. Surgiu a necessidade, portanto, de avaliar a prática em questão para verificar se o fluido, de fato, existia e se o tratamento alcançava a cura prometida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um contexto de dissidências entre Mesmer e Charles D&#039;Eslon, bem como deste com a Faculdade de Medicina de Paris e da faculdade com a Sociedade Real de Medicina da França, foram convocadas duas comissões de investigação, a pedido do rei Luís XVI, para averiguar a existência e efetividade do magnetismo animal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Investigação ===&lt;br /&gt;
Em 1784, foram formadas, portanto, duas comissões com o intuito de verificar a existência das propriedades do magnetismo animal e a veracidade do Mesmerismo. A primeira, intitulada Comissão Real (ou Comissão de Franklin) contava com membros da Faculdade de Medicina de Paris, tradicional instituição francesa, e da Academia de Ciências da França. Nomes como o do químico Antoine-Laurent Lavoisier (1743-1794) e do diplomata Benjamin Franklin (1706-1790) constituíam a comissão formada. A segunda, foi estabelecida pela Sociedade Real de Medicina, instituição criada em 1778 e apoiada por Luís XVI. Esta foi formada por médicos doutores, como Pierre Jean Claude Mauduyt de La Varenne (1732-1792) e Charles-Louis-François Andry (1741-1829), e também pelo botânico Antoine Laurent Jussieu (1748-1836). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Avaliações das propriedades físicas do fluido, como testes envolvendo eletrômetros e bússolas foram realizados no baquet, tendo como resultado ausência de campo magnético. Assim como, avaliações acerca dos efeitos da ação do fluido, incluindo além da magnetização dos pacientes avaliados, a magnetização de alguns dos próprios comissários também foram efetuadas. Ao todo, foram realizados dezesseis experimentos clínicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as diferenças presentes nos métodos avaliativos de cada comissão, tem-se a questão da observação e da experimentação direta. A Comissão Real foi responsável por realizar ambas as formas (incluindo além da magnetização dos pacientes avaliados, a magnetização de oito de seus comissários, realizada na Clínica de D’Eslon), enquanto a Comissão da Sociedade Real de Medicina restringiu-se à observação. De todo modo, prevaleceu a conclusão geral de que a responsável pelos fenômenos era a imaginação, como explicitado por um relato de Jean-Sylvain Bailly, responsável por registrar o processo:&amp;lt;blockquote&amp;gt;“O toque, a imaginação e a imitação são as verdadeiras causas  atribuídas a este agente novo, conhecido sob o nome de magnetismo animal, a este fluido que se diz circular nos corpo e se comunicar de indivíduo a indivíduo (...) Este fluido não  existe (...) Há razões para crer que a imaginação é a principal causa dentre aquelas que se destacaram acima. Percebeu-se, pelas experiências citadas, que ela é suficiente para produzir as crises. A pressão e o toque parecem, assim, servir-lhe como preparação; é pelo toque que os nervos começam a se excitar e a imitação comunica e expande suas impressões. Mais é a imaginação, esta potência ativa e terrível que opera os grandes efeitos que se observa com espanto nos tratamentos públicos.” (Bailly 1826/2004a, pp. 111-112)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Os relatórios de ambas as comissões, realizados de forma independente, concluíram que o fluido defendido por Mesmer não exerceu nenhuma ação sobre os pacientes analisados, e demonstraram que as supostas curas poderiam ser atribuídas aos efeitos da imaginação, do toque e da imitação, em vez de ministrações magnéticas. Os comissários observaram que uma condição importante para ser magnetizado era a crença ou expectativa da pessoa suscetível de que as condições de estímulo apropriadas haviam sido atendidas, visto que indivíduos que acreditavam estar magnetizados eram acometidos por crises mesmo quando nenhuma magnetização havia ocorrido. Experimentos com olhos vendados e sem as vendas também foram realizados, nos quais a visão da prática sendo executada contribuía para a ocorrência dos fenômenos associados, permitindo a conclusão de que o olhar atuaria na imaginação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido a presença de uma assinatura conjunta nos relatórios apresentados, não é possível atribuir contribuições individuais a cada comissário, com exceção de Jussieu, que o elaborou de forma individual. Nenhum dos experimentos realizados contou com a presença de Mesmer, e sim de seu ex-discípulo D&#039;Eslon - o qual Mesmer julgava não possuir todo o conhecimento necessário acerca do magnetismo animal -, e também de um médico autodidata no magnetismo animal, sem o treinamento de Mesmer ou de D’Eslon. Em resposta, Mesmer enviou um Memorando de Justificação a Franklin e ao Barão de Breteuil, ministro da Casa do Rei, alegando que não deveria ser julgado pelos resultados apresentados por terceiros, principalmente de D’Eslon, cuja relação encontrava-se estremecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outro relatório - considerado secreto -, enviado ao rei em 1784, pelos comissários da Faculdade de Medicina de Paris e da Academia de Ciências, mas divulgado somente em 1796, foi enfatizando o perigo moral acerca do Mesmerismo, considerando-o uma prática na qual as mulheres ficavam suscetíveis a ocorrência de assédio sexual quando magnetizadas. Para além da constatação da não existência do fluido animal e da não comprovação das curas provenientes da prática, tal declaração contribuiu ainda mais para a difamação do Mesmerismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma outra faceta dessa comissão foi apresentada pelo naturalista Antoine Laurent Jussieu que, insatisfeito com as metodologias utilizadas nas comissões, iniciou um estudo paralelo autônomo, fundamentando-se na observação de campo. O resultado dessa iniciativa foi a constatação de um agente até então desconhecido, porém influente nos desdobramentos dos tratamentos: o designado calor animal. Embora, portanto, houvesse o descarte da teoria do magnetismo animal por parte de Jussieu e concordância com a preponderância de agentes como a imaginação, o toque e a imitação nos efeitos observados, o naturalista não negou suas descobertas pessoais. Desse modo, Jussieu assumiu uma postura diferente da dos outros membros, isentando-se de posições contrárias à prática do magnetismo animal, pois considerava que o médico poderia usar os procedimentos que julgasse adequados para curar seus pacientes, desde que os publicasse para a apreciação da comunidade científica. Os adeptos ao Mesmerismo viram nesta afirmação o aporte metodológico e epistemológico de que necessitavam. Em contrapartida, os demais comissários consideraram a prática nociva e baseada em um princípio ilusório que deveria ser banido da sociedade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a publicação e a distribuição dos relatórios, o Mesmerismo foi condenado e configurado como crime. Além disso, vários mecanismos de coação foram ativados, incluindo expulsões, ataques e ridicularizações públicas, por meio de cartas, panfletos e jornais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As conclusões produzidas pelos relatórios das comissões assumiram um caráter de tal absolutismo que impediram qualquer discussão crítica sobre seus procedimentos e suas inevitáveis contradições. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, a não constatação da presença do fluido abriu margem a interpretações metafísicas. Além disso, a compreensão de que as curas eram provocadas pela imaginação propiciou o surgimento e a expansão de áreas como a hipnose, através de James Braid - sucessor de Mesmer - e o espiritismo - especialmente na figura de Allan Kardec.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Desdobramentos ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Hipnotismo por James Braid ====&lt;br /&gt;
A Era Científica da hipnose começou com Mesmer e sua tese de doutorado, defendida em 1775. Afirma-se que a hipnose pode ser vista como “antes de Mesmer” e “depois de Mesmer”, embora o termo hipnose só tenha surgido com James Braid.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Braid, com bases no mesmerismo, apresentando um quadro fisiológico, apresentou o hipnotismo moderno, definindo-o como: “O estado particular do sistema nervoso, determinado por manobras artificiais, tendendo, pela paralisia dos centros nervosos a destruir o equilíbrio nervoso”, entretanto, Charles Richet, ao descrever o seu método, afirmou: “O hipnotismo tratava-se de projetar o fluido magnético no corpo do paciente”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Hipnotismo moderno admite que o paciente fique hipnotizado por auto sugestão e concentração mental, sem a presença de quaisquer fluidos. Os cientistas preferiram o termo hipnotismo em substituição ao termo magnetismo, e assim, ao longo das épocas, o hipnotismo recebeu notoriedade, e ao magnetismo restou a alcunha de charlatanismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Espiritismo por Allan Kardec ====&lt;br /&gt;
Allan Kardec definiu o Magnetismo e o Espiritismo como ciências irmãs e reconheceu a importância da primeira na preparação de um cenário favorável para a inserção da segunda:&amp;lt;blockquote&amp;gt;“O Magnetismo preparou o caminho do Espiritismo, e o rápido progresso desta última doutrina se deve, incontestavelmente, à vulgarização das ideias sobre a primeira. Dos fenômenos magnéticos, do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas não há mais que um passo; tal é a sua conexão que, por assim dizer, torna-se impossível falar de um sem falar do outro. Se tivéssemos que ficar fora da ciência magnética, nosso quadro seria incompleto e poderíamos ser comparados a um professor de física que se abstivesse de falar da luz.” (Revista Espírita - Ano 1, 1858, pág. 149)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Na época em que Mesmer realizava seus estudos relativos ao magnetismo animal, ele considerou que as aparições, êxtases e visões inexplicáveis eram fontes de erros e reconheceu que a obscuridade que envolvia esses eventos, acrescida da ignorância popular, favorecia o estabelecimento de preconceitos em todos os povos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse contexto, para que a totalidade de tais fenômenos pudessem ser completamente esclarecidas, afastando as ideias supersticiosas, faltava, além do magnetismo, outra fonte de entendimento: o espiritismo, que, ao acrescentar a intervenção dos espíritos, esclareceu os casos relativos à atuação desses seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Magnetismo Animal e Hipnose no Brasil ====&lt;br /&gt;
No Brasil, a primeira referência sobre o Magnetismo Animal é a publicação, em 1823, do médico pernambucano João Lopes Cardoso Machado, no qual ele abordou pela primeira vez o tema, sob o nome de “catalepsia espontânea”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma tentativa de formalizar o uso dessa terapia dentro da medicina brasileira, o médico Leopoldo Gamard apresentou, em 1832, uma tese sobre o Magnetismo Animal à Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (fundada em 1829, mais tarde renomeada Academia Brasileira de Medicina). Contudo, a tese foi rejeitada, mediante um erudito julgamento, por Augusto Renato Cuissart, eminente membro da Academia, que considerou o trabalho uma “audácia de charlatães”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por cerca de duas décadas, o Magnetismo Animal não foi abordado nas Academias. O interesse sobre o assunto retornou através de livros publicados no exterior, especialmente na França.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1861, foi fundada a Sociedade Propaganda do Magnetismo e o Júri Magnético, ambas no estado do Rio de Janeiro. Essas entidades, dedicadas à pesquisa e tratamento através do Magnetismo Animal, foram autorizadas a funcionar, por D. Pedro II, desde que as práticas curativas fossem conduzidas exclusivamente por médicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos anos de 1875 e 1876, o médico Gonzaga Filho escreveu uma série de artigos sobre o Magnetismo Animal na seção de ciências do Diário do Rio de Janeiro, obtendo grande repercussão na Corte, inclusive entre a classe médica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto a Europa já havia abandonado o Magnetismo Animal e adotado um dos desdobramentos da prática - o hipnotismo de James Braid -, o Brasil passava a conhecer e ganhar interesse no Mesmerismo. Entre 1880 e 1887, muitas foram as publicações acerca da prática. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nunes Garcia apresentou, em 1884, seu trabalho “Memória Sobre o Magnetismo Animal” na exposição que ele inaugurou na Biblioteca da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Apenas em 1887, com a apresentação de Érico Coelho à Academia Imperial da Medicina sobre um caso tratado por intermédio da sugestão hipnótica que o magnetismo foi deixado de lado, e o hipnotismo médico, então declarado como psicoterapia sugestiva, teve início no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Em um contexto de grande valorização da natureza e da ciência, o Mesmerismo representou uma terapia alternativa natural que em muito agradava os franceses, em virtude da substituição dos métodos frequentemente utilizados, como a sangria, purgantes e choques elétricos. No entanto, sua natureza invisível e ausência de validação por métodos investigativos colocava em dúvida a efetividade da prática e associava Mesmer ao charlatanismo. Assim, o Mesmerismo ganhava adeptos de um lado, e críticos do outro, ao desafiar as estruturas filosóficas, sociais e políticas existentes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Henri Ellenberger ===&lt;br /&gt;
Ellenberger em seu livro &amp;quot;A Descoberta do Inconsciente&amp;quot; traz uma visão panorâmica e integrada da busca do homem por uma compreensão mais profunda da mente. O autor demonstra a sequência histórica de eventos desde exorcistas, magnetizadores e hipnotizadores até os sistemas psicológicos, como os de Janet e Freud. Assim, há uma busca em interpretar o Mesmerismo em suas mais diversas fases e reconhecer neste o início da psicologia dinâmica. &amp;lt;blockquote&amp;gt;“Não há dúvida de que o desenvolvimento da psicologia dinâmica moderna pode ser rastreado até o magnetismo animal de Mesmer, e que a posteridade foi notavelmente ingrata a ele” (ELLENBERGER, 1970, p.69)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Robert Darnton ===&lt;br /&gt;
O historiador atribuiu à figura de Mesmer um caráter revolucionário e político que coincidia com o contexto de insatisfação com a monarquia vigente na época. O autor sustentou que a rejeição ao Mesmerismo, por parte das sociedades acadêmicas, contribuiu para uma influência indireta dessa prática na Revolução Francesa. Assim, o autor apropria-se de um evento particular (Mesmerismo) para a compreensão de um evento muito maior (Revolução Francesa), caracterizando o Mesmerismo como uma prática política-ideológica e revolucionária. &amp;lt;blockquote&amp;gt;“O mesmerismo exerceu uma influência mais penetrante, ainda que menos evidente, sobre a Revolução através do Cercle Social, uma associação de místicos revolucionários que esperavam estabelecer uma Confederação Universal de Amigos da Verdade, com organização maçônica” (DARNTON, 1988, p. 115)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Steven Lynn e Scott Lillienfeld ===&lt;br /&gt;
Consideraram que o Mesmerismo foi incompreendido, visto que apesar de sua teoria não ter sido verificada, a prática representava uma tentativa de fornecer uma explicação naturalista para um fenômeno, comumente, tido como metafísico. Os autores realizaram críticas em relação ao Relatório Real de 1784, sustentando que os comissários elegeram a imaginação para explicar os supostos efeitos do Mesmerismo, mas não se preocuparam em defini-la claramente. Assim, o que aconteceu foi a substituição de um conceito misterioso por outro que carece de explicação. &amp;lt;blockquote&amp;gt;“Se os comissários tivessem levado seus métodos a sério, então poderíamos saber mais hoje sobre os determinantes de alterações profundas na consciência; o papel da imaginação na vida cotidiana; a ligação entre respostas à sugestão e processos fisiológicos; o papel de perguntas sugestivas e orientadoras na formação de experiências; e a maneira como crenças e expectativas moldam uma miríade de respostas subjetivas e comportamentais.” (LYNN &amp;amp; LILIENFELD, 2002, p.380)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Maurício da Silva Neubern ===&lt;br /&gt;
Neubern realizou uma reflexão histórica acerca do projeto de ciência da época, evidenciando que o Magnetismo Animal se opunha não só aos princípios metodológicos, mas também às questões institucionais e sociais vigentes, tornando-se, portanto, uma ameaça à ordem social. O autor levantou questões como a incoerência em atribuir uma causa subjetiva - a imaginação - ao trabalho de Mesmer, bem como o de não submetê-la a um método científico, na qual pudesse ser definida e explicada. Assim, as conclusões obtidas acerca do Mesmerismo não tiveram como intenção inaugurar um novo campo de estudo e pesquisa, e sim desqualificar a proposta de Mesmer. &amp;lt;blockquote&amp;gt;“Em suma, é possível também conceber que a condenação do magnetismo animal não consistiu necessariamente em um passo de progresso no sentido de que um sistema de ideias pouco racional cedeu lugar a outro mais coerente com o projeto de ciência da época. O fato de que um julgamento assentado em bases tão frágeis possuiu um impacto tão profundo e marcante, a ponto de excluir ou deturpar os acontecimentos históricos, não consistiu em um passo de progresso metodológico ou de desenvolvimento da racionalidade, mas em um jogo de poder no qual o sistema mais coerente com as normas sociais e os pressupostos epistemológicas dominantes saiu vitorioso.” (NEUBERN, 2007, p.354)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# KARDEC, Allan. &#039;&#039;&#039;Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos&#039;&#039;&#039;. Ed. FEB. Ano I. 1858.&lt;br /&gt;
# CÂMARA, Fernando Portela. Pré-história da psicoterapia brasileira: a chegada do magnetismo animal no Brasil, 1823-1887. &#039;&#039;&#039;Debates em Psiquiatria&#039;&#039;&#039;, v. 3, n. 3, p. 34–38. 2013.&lt;br /&gt;
# DARNTON, Robert. &#039;&#039;&#039;O Lado Oculto da Revolução:&#039;&#039;&#039; Mesmer e o Final do Iluminismo na França. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.&lt;br /&gt;
# ELLENBERGER, Henri. &#039;&#039;&#039;The Discovery of the Unconscious&#039;&#039;&#039;. New York: Basic Books, 1970.&lt;br /&gt;
# FIGUEIREDO, Paulo Henrique. &#039;&#039;&#039;Mesmer, a Ciência negada e os textos escondidos&#039;&#039;&#039;. Ed. Lachâtre, 2005.&lt;br /&gt;
# LYNN, Steven Jay; LILIENFELD, Scott. A critique of the Franklin Commission Report: hypnosis, belief, and suggestion. T&#039;&#039;&#039;he International journal of clinical and experimental hypnosis&#039;&#039;&#039;, v. 50, n. 4, p. 369–386. 2002.&lt;br /&gt;
# MESMER, Franz Anton. &#039;&#039;&#039;Mémoire sur la Découverte du Magnéstisme Animal&#039;&#039;&#039;. Geneve/ Paris: A. Geneve, 1779.&lt;br /&gt;
# MORAIS, Cristiano Ramos. &#039;&#039;&#039;Franz Anton Mesmer (1734-1815):&#039;&#039;&#039; O mesmerismo e sua avaliação pelas comissões reais na França do século XVIII. 2022.&lt;br /&gt;
# NEUBERN, Maurício da Silva. Reflexões sobre o Magnetismo Animal: Contribuições para a Revisão da Psicologia. &#039;&#039;&#039;Estudos De Psicologia&#039;&#039;&#039;, v. 25, n. 3, p. 439-448. 2008.&lt;br /&gt;
# NEUBERN, Maurício da Silva. Sobre a Condenação do Magnetismo Animal: Revisitando a História da Psicologia. &#039;&#039;&#039;Psicologia: Teoria e Pesquisa&#039;&#039;&#039;. v. 23, n. 3, p. 347-356. 2007.&lt;br /&gt;
# SANTOS, Maria Siqueira. &#039;&#039;&#039;Elementos alquímicos na teoria magnética de F. A. Mesmer&#039;&#039;&#039;. In: 13 Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia. São Paulo. Anais do 12 Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia. São Paulo: EACH/USP, v.1. p.1-15. 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado originalmente por Emanuelle Mesquita Alves da Fonseca e Joyce Filhuzzi Macabú, como exigência parcial para a disciplina História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2024.1, publicado em 2024.1.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Teste_de_Apercep%C3%A7%C3%A3o_Tem%C3%A1tica_(TAT)&amp;diff=1388</id>
		<title>Teste de Apercepção Temática (TAT)</title>
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		<updated>2024-09-10T18:42:16Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Inserção completa do verbete na WikiHP; Reformulação do cabeçalho do verbete; Correções na formatação de certas referências e verificação dos links nessa seção&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Teste de Apercepção Temática (&#039;&#039;Thematic Apperception Test;&#039;&#039; TAT) é um teste projetivo utilizado para identificar emoções, impulsos, sentimentos e conflitos complexos da personalidade. Foi elaborado por uma equipe de pesquisa liderada por Henry A. Murray na Universidade de Harvard, durante a década de 1930, tendo sua descrição formal publicada pela primeira vez em 1936 pela Clínica Psicológica de Harvard. O TAT foi embasado na teoria da Personologia, também idealizada por Murray, uma teoria dinâmica da personalidade que afirma que o comportamento não pode ser entendido isoladamente do dinamismo pessoal e destaca que os comportamentos individuais são influenciados pelos cenários em que o indivíduo está inserido. O elemento central da investigação de Murray foi o fenômeno da apercepção, que envolve a interpretação subjetiva de um objeto reconhecido, influenciada pelos desejos e necessidades do indivíduo. Ele enfatizava a importância da apercepção para entender comportamento e a personalidade, propondo um mecanismo que induzisse esse processo. Murray acreditava que, ao decifrar cenários sociais complexos, o sujeito revela mais sobre si mesmo do que sobre as situações observadas. O teste foi proposto como uma ferramenta para avaliar o conhecimento detalhado da personalidade e/ou como forma de planejar intervenções terapêuticas de curto prazo. Contudo, no Brasil, o SATEPSI (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos) classificou, em 23/10/2023, o TAT como desfavorável para uso profissional na atual conjuntura, uma vez que suas normas e propriedades psicométricas foram consideradas vencidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Antecedentes ===&lt;br /&gt;
O Teste de Apercepção Temática foi criado ao longo da década de 1930, por Henry A. Murray, em conjunto com a equipe de pesquisa da Clínica Psicológica de Harvard, liderada por ele. Assim, o TAT nasceu do crescente interesse da psicologia na época em testes projetivos e da carência de um método mais elaborado para entender a complexidade da personalidade humana. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse contexto, a inspiração inicial para Murray começar o desenvolvimento de um teste fundamentado em histórias através de figuras foi o relato de sua aluna, Cecilia Roberts, que tentou explorar a imaginação de seu filho. Sendo assim, Roberts pediu que seu filho narrasse uma história sobre um dos desenhos de um livro infantil e a criança assim o fez, criando seu próprio enredo. Embora atualmente soe incomum e inadequado que profissionais da pesquisa usem seus próprios familiares como objeto de pesquisa, a filha de Murray foi uma das envolvidas em um dos primeiros experimentos dirigidos pelo psicólogo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vale ressaltar também que o uso de histórias como base para decifrar características psicológicas já existia antes do surgimento do TAT. O psicólogo belga André Jacquemin apontou que o instrumento anterior ao TAT foi o “Social Picture Test”, proposto por Lawrence A. Schwartz em 1932, no qual oito cartões contendo situações de delinquência e abandono eram exibidos a crianças e adolescentes com tais características. A partir das imagens, eles eram supliciados a criar histórias, o que funcionava como forma de análise e terapia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, destaca-se a investigação de Freud sobre o inconsciente como um dos contribuintes para o aumento do interesse da psicologia em testes projetivos e, consequentemente, para o desenvolvimento do TAT, uma vez que o psicanalista acreditava que as histórias criadas evidenciam aspectos profundos sobre o sujeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, apesar da influência da teoria da psicanálise no trabalho de Murray, o TAT foi embasado e concretizado na teoria da Personologia, desenvolvida por ele. Em suma, a Personologia é uma teoria dinâmica de personalidade que aponta que um segmento do comportamento não pode ser entendido isoladamente do dinamismo pessoal e salienta os comportamentos individuais, como influenciados pelos cenários em que um indivíduo está inserido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O conceito de apercepção:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O fenômeno da apercepção, foi o elemento central da investigação de Murray. Ele diz respeito ao processo de interpretação e atribuição subjetiva de significado a um objeto previamente reconhecido. O psicólogo apontava que esse fenômeno era influenciado por coeficientes como os desejos e as necessidades do indivíduo. Assim, Murray salienta a importância de compreender a apercepção como essencial para a compreensão do comportamento e da personalidade do sujeito. Então, Murray sugeriu a elaboração de um mecanismo que induzisse o indivíduo ao processo de apercepção, fundamentado na ideia de que quando um sujeito decifra um cenário social complexo, esse sujeito é capaz de descrever mais a si mesmo, do que descrever as situações as quais observa e relata.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cabe apontar que o primeiro registro formal sobre o conceito de apercepção foi feito no século XVII, na obra do alemão Gottfried W. Leibniz. Para o filósofo, a apercepção se refere tanto à percepção passiva quanto à percepção ativa, sendo assim, está relacionada à autoconsciência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posteriormente, o conceito de apercepção é retomado como objeto de investigação científica por Wundt no final do século XIX. Segundo o alemão, esse fenômeno a apercepção é um complexo processo de esclarecimento e organização das sensações, que demanda da consciência ativa. Embora Wundt e Leibniz  pensem dessa maneira, para Murray, a apercepção implica na ressignificação de um objeto já conhecido. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O teste: ===&lt;br /&gt;
O Teste de Apercepção Temática é um teste projetivo usado para descobrir emoções, complexos, impulsos, sentimentos e conflitos da personalidade, revelando tendências que o paciente pode não ter consciência ou não admiti-las. Desse modo, é um importante instrumento para estudos da interpretação do comportamento, psicoses, personalidades, doenças psicossomáticas e neuroses. Este instrumento foi destacado como um teste auxiliar para o desenvolvimento de intervenções terapêuticas de tempo reduzido, quando a pessoa em que o instrumento é utilizado em questão não julga necessário ou não tem condições de fazer uma análise completa, e/ou para o entendimento mais profundo da personalidade. Nesse ínterim, o desenvolvimento de histórias usando o teste supracitado conseguiria analisar os motivos principais da personalidade e seu funcionamento no que tange à visão que os pacientes teriam de si e de acontecimentos interpessoais diferentes e amplos nos quais estes podem se envolver ao longo de suas vidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, o TAT surge como um teste projetivo que permitiria aos psicólogos compreender aspectos inconscientes da personalidade de forma mais profunda e abrangente do que as medidas tradicionais vigentes até o momento, como as escalas de avaliação, que fornecem dados sobre traços de personalidade conscientes e auto avaliados.  Além disso, o objetivo era desenvolver uma técnica que abrangesse cenários clínicos e de pesquisa e que permitisse uma análise qualitativa mais detalhada do indivíduo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, o TAT nasceu da fusão de influências teóricas, interesse em métodos projetivos e a falta de um método mais complexo para entender a profundidade da personalidade humana, contribuindo para a evolução da compreensão da psique humana. A primeira descrição formal do teste foi feita em 1936 e  seu manual foi oficialmente lançado em 1943, após a terceira revisão. No Brasil, o teste foi aprovado pelo SATEPSI em 23/10/2003, mas é considerado desfavorável desde 23/10/2023 devido a não atualização do material.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relevância ==&lt;br /&gt;
TAT foi adicionado no emblemático artigo “Projective Methods For the Study of Personality” (&amp;quot;Os métodos projetivos para o estudo da personalidade&amp;quot;), de Lawrence K. Frank, em 1939, como um exemplo deste tipo de ferramenta, e se consagrou como instrumento de estudo e pesquisa da personalidade nos Estados Unidos, seu país de desenvolvimento, e mundialmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, o teste alcançou notável fama entre os psicólogos clínicos e nos programas de capacitação de psicólogos norte-americanos sendo, desde então, considerado um dos cinco testes psicológicos mais utilizados no mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, ao mesmo tempo em que se mostrou uma ferramenta promissora, a ausência de uma uniformização em sua utilização impede a fixação de seus elementos como instrumento de análise, convertendo-o no “prazer do clínico e o pesadelo do estatístico”  (Vene, 1981),ou seja, é considerado adequado para um profissional clinico devido à sua profundidade, mas é um desafio para um estatístico, por conta das dificuldades de quantificação e padronização dos dados envolvidos. Atualmente, o TAT ainda é foco de discussões acerca de sua singularidade como método de avaliação psicológica, assim como sua capacidade e restrições nesse sentido. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante disso, Murray afirma, no “Manual do Teste de Apercepção Temática” de 1943, que o futuro do TAT se segura na possibilidade de aperfeiçoar o intérprete, apontado por ele como o objeto esquecido da psicologia, mais do que aperfeiçoar o material, o que estimulou que diversos estudiosos dessem continuidade nos estudos de Murray, além da elaboração de diferentes sistemas de codificação e interpretações do TAT e de outros testes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Personagens Importantes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Henry A. Murray ===&lt;br /&gt;
Henry Alexander Murray, norte-americano nascido em 18 de maio de 1893 na cidade de Nova York, formou-se em artes na Universidade de Harvard, com um trabalho em história. Posteriormente, estudou medicina e exerceu seu mestrado de biologia na Universidade de Columbia, além do doutorado em bioquímica pela Universidade de Cambridge. Murray, então, tornou-se diretor da Clínica Psicológica de Harvard, onde dedicou-se por 40 anos ao estudo da imaginação e organização da personalidade humana. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquitetou um sistema de psicologia chamado Personologia, cujo objetivo é compreender a complexidade e a singularidade da personalidade humana. No ano de 1935, Murray e Christiana Morgan, sua assistente, desenvolveram juntos uma conceituação de apercepção para o período, referindo-se à metodologia de exibição de figuras hipotéticas em um alento objetivo, efetuando, a partir do conceito, o Teste de Apercepção Temática. Logo após, Murray publicou a obra &amp;quot;Explorações na Personalidade&amp;quot; - teoria clássica da psicologia - que inclui uma descrição do TAT e a teoria da Personologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, Henry faleceu em 23 de junho de 1988 aos 95 anos na cidade de Cambridge, em Massachusetts, deixando suas contribuições ao estudo da psique.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Christiana Morgan ===&lt;br /&gt;
Christina Drummond Morgan nasceu na cidade de Boston, em Massachusetts, em 1897. Morgan se formou em um curso de auxiliar de enfermagem na cidade de Nova York e atuou na área em diversos hospitais de Massachusetts.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados de 1926, Morgan migra para Zurich, na Suíça, para ser analisada por Carl Jung, que, durante a década de 1930, veio a usar materiais produzidos por sua paciente em seus seminários. Assim, no final de 1926, Morgan retorna à Boston e inicia suas pesquisas na Clínica Psicológica de Harvard junto de seu parceiro de trabalho e de vida, Henry Murray.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Morgan faleceu em 1967 e deixou contribuições significativas no campo da psicanálise e nos estudos dos métodos projetivos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Martin Mayman ===&lt;br /&gt;
Martin Mayman nasceu em Nova York, nos Estados Unidos, em 1924. Doutor em psicologia clínica, também foi professor na Universidade de Michigan e foi co-diretor da Clínica de Psicologia nessa universidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesquisa de Mayman era focada em avaliações de personalidade, testes psicológicos e técnicas projetivas. Dessa forma, o psicólogo e seus estudos contribuíram com os de Murray para o aprimoramento do Teste de Apercepção Temática.  O livro “Diagnostic Psychological Testing”, publicado por Mayman em 1969, colaborou com o TAT e outros testes ao abordar sobre a aplicação e interpretação desses em contextos clínicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1997, Mayman se aposentou e veio a falecer em 1999, deixando um valioso legado para o estudo da psicologia clínica em diversos aspectos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Silvan S. Tomkins ===&lt;br /&gt;
Silvan Solomon Tomkins nasceu no ano de 1911 nos Estados Unidos da América, estudou inglês, filosofia e psicologia na Universidade da Pensilvânia, onde fez mestrado e doutorado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o pós-doutorado, mudou-se para a Clínica Psicológica de Harvard, onde iniciou seu trabalho sobre personalidade com Murray. Partiu para o estudo da psicanálise e foi coautor junto de Henry em 1943, da obra &amp;quot;Psicopatologia Contemporânea: Um Livro de Referência&amp;quot;. Após 4 anos, em 1947, redigiu e publicou &amp;quot;O Teste de Apercepção Temática: A Teoria e Técnica de Interpretação&amp;quot; em conjunto com sua segunda esposa, Elizabeth Tomkins, e faleceu aos 80 anos, também nos EUA. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Materiais ==&lt;br /&gt;
O Teste de Apercepção Temática é composto pelo manual de sua determinada edição e 31 pranchas com gravuras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Manual ===&lt;br /&gt;
O manual contém histórico, fundamentos teóricos, método, administração, análise e interpretação das histórias, interpretação da pontuação, estudos de validade no brasil, discussão dos resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pranchas ===&lt;br /&gt;
Além disso, o teste conta com 31 lâminas com imagens em preto e branco, isto é, cartões com imagens que podem conter pessoas (do mesmo sexo ou de sexos diferentes, podendo ser da mesma geração ou de gerações distintas), ações, lugares ou figuras não humanas, tendo em vista que apenas o cartão 16 é completamente em branco, pois visa a criação de uma história que independe de uma figura. Segundo H. Murray, as pranchas não apresentam temas específicos e apresentam contornos imprecisos e impressões difusas. O criador do teste defende que as gravuras se tratam de situações humanas clássicas e, conforme Vica Shentoub, docente da Universidade Paris Descartes, no “Teste de Apercepção Temática (TAT) Teoria e Método”, essas imagens tratam de situações suscetíveis a reativar conflitos universais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, vale ressaltar que normalmente não são utilizados todos os cartões disponíveis e que, na classificação dos cartões, são utilizadas as letras iniciais dos grupos abordados no teste em suas respectivas linguas, tendo em vista que há adaptações do teste em diferentes nacionalidades, assim como números para identificar os destinatários das pranchas, pois há uma divisão em alguns conjuntos de imagens, de acordo com o sexo e a idade do paciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na edição para o brasil, é adotada a seguinte convenção:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação aos cartões universais se usa apenas o número, entretanto, para mulheres, homens, crianças do sexo feminino (menina) e crianças do sexo masculino (rapaz), utiliza-se o número seguido das respectivas letras: F, H, M e R.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pranchas/cartões utilizados no teste ===&lt;br /&gt;
É importante elencar alguns cartões que são utilizados no teste, sendo eles:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* #1: Um menino está contemplando um violino que está sobre uma mesa à sua frente.&lt;br /&gt;
* #2: Cena campestre: em primeiro plano uma jovem com livros nas mãos; ao fundo, um homem trabalha no campo e uma mulher mais velha observa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* #3RH: No chão, encostado em um sofá, está a forma encolhida de um menino com a cabeça apoiada no braço direito, ao lado dele, no chão, está um revólver.&lt;br /&gt;
* #3MF: Uma jovem está de pé, com a cabeça baixa, o rosto coberto com a mão direita. Seu braço esquerdo está esticado para a frente contra uma porta de madeira.&lt;br /&gt;
* #4: Uma mulher segura os ombros de um homem cujo rosto e corpo estão virados para o lado, como se ele estivesse tentando se afastar dela.&lt;br /&gt;
* #5: Uma mulher de meia-idade está parada na soleira de uma porta entreaberta, olhando para uma sala.&lt;br /&gt;
* #6RH: Uma senhora idosa e baixa está de costas para um jovem alto. Este último olha para baixo com uma expressão perplexa.&lt;br /&gt;
* #6MF: Uma jovem sentada na beira de um sofá olha por cima do ombro para um homem mais velho com um cachimbo na boca que parece estar se dirigindo a ela.&lt;br /&gt;
* #7RH: Um homem de cabelos grisalhos está olhando para um homem mais jovem que olha taciturno para o espaço.&lt;br /&gt;
* #7MF: Um homem mais velho está sentado num sofá ao lado de uma menina, falando ou lendo para ela. A menina, que segura uma boneca no colo, desvia o olhar.&lt;br /&gt;
* #8RH: Um adolescente parece fora de cena. De um lado é visível o cano de uma espingarda e, ao fundo, a cena obscura de uma operação cirúrgica, como uma imagem-devaneio.&lt;br /&gt;
* #8MF: Uma jovem está sentada com o queixo apoiado na mão, olhando para o espaço.&lt;br /&gt;
* #9RH: Quatro homens de macacão estão deitados na grama aparentando estarem relaxados&lt;br /&gt;
* #9MF: Uma jovem com uma revista e uma bolsa na mão olha por trás de uma árvore para outra mulher em um vestido de festa correndo pela praia.&lt;br /&gt;
* #10: A cabeça de uma jovem apoiada no ombro de um homem.&lt;br /&gt;
* #11: Uma estrada que contorna um abismo profundo entre altas falésias. Na estrada ao longe há figuras obscuras. Projetando-se do penhasco rochoso de um lado está a longa cabeça e pescoço de um dragão.&lt;br /&gt;
* #12H: Um jovem está deitado na carruagem com os olhos fechados. Inclinado sobre ele está a forma esquelética de um homem idoso, com a mão estendida sobre o rosto da figura reclinada.&lt;br /&gt;
* #12F: O retrato de uma jovem. Uma velha estranha com um xale na cabeça está fazendo uma careta ao fundo.&lt;br /&gt;
* #12RM: Um bote abandonado que está ao lado de uma árvore na margem de um rio.&lt;br /&gt;
* #13HF: Uma jovem está de pé com a cabeça enterrada em seu braço. Atrás dele está a figura de uma mulher deitada na cama.&lt;br /&gt;
* #13R: Um menino sentado na soleira de uma casa de madeira.&lt;br /&gt;
* #13M: Uma menina subindo as escadas.&lt;br /&gt;
* #14: A silhueta de um homem (ou mulher) contra uma janela brilhante. O resto da imagem é totalmente preto.&lt;br /&gt;
* #15: Um homem magro com mãos cerradas está parado entre lápides.&lt;br /&gt;
* #16: (Cartão em Branco) &lt;br /&gt;
* #17RH: Um homem nu está agarrado a uma corda. Ele está no ato de subir ou descer.&lt;br /&gt;
* #17MF: Uma ponte de água. Uma figura feminina se inclina sobre a grade. Ao fundo estão edifícios altos e pequenas figuras de homens.&lt;br /&gt;
* #18RH: Um homem é agarrado por trás por três mãos. A figura dos seus antagonistas é invisível.&lt;br /&gt;
* #18MF: Uma mulher tem as mãos apertadas contra a garganta de outra mulher que ela parece estar punindo de costas no corrimão de uma escada.&lt;br /&gt;
* #19: Uma imagem estranha de formações de nuvens pairando sobre uma cabana coberta de neve no campo.&lt;br /&gt;
* #20: A figura mal iluminada de um homem (ou mulher) na calada da noite encostado em um poste de luz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Folha de análise ===&lt;br /&gt;
Sendo assim, vale ressaltar a utilização de uma folha de análise para auxiliar a progressão do teste, isto significa, organizar os dados obtidos. De modo geral, a folha de análise se divide em três partes: a primeira Procedimentos presentes se subdividindo em outras cinco intitulações, a segunda Avaliação das modalidades de funcionamento mental com três tipos de resultados e a terceira Hipótese sobre a organização estrutural. Para saber mais sobre a folha de análise, consulte o tópico “Modo de avaliação”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Constructo Avaliado ==&lt;br /&gt;
O constructo avaliado no teste é, primeiramente, o conhecimento aprofundado acerca da personalidade e suas características marcantes, que com a ajuda dos estímulos, revelam tendências, emoções e conflitos, que são inibidas pelo paciente inconscientemente e como ele se organiza e desorganiza em relação a eles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à personalidade, para Murray e ao criar o teste, ela não era uma descrição do comportamento do sujeito, mas sim uma abstração formulada pelo teórico, definindo-a como um compromisso entre os impulsos do indivíduo e as demandas do ambiente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar do constructo de maneira geral abordar a personalidade, cada prancha/desenho permite que sejam avaliados, também, conceitos mais específicos a partir dos estímulos e das histórias contadas. Sendo os mais comuns de acordo com cada prancha:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* #1: Relações com a autoridade (reações às mesmas) e aspirações, objetivos, dificuldades e realizações (comum em pacientes ambiciosos).  &lt;br /&gt;
* #2: Relações familiares, percepção do ambiente, nível de aspiração e atitude frente aos pais. Podem ainda ser abordadas as relações heterosexuais, associações aos papéis femininos (maternidade versus realização profissional) e o conflito razão versus emoção. &lt;br /&gt;
* #3RH: Associações referentes a tristeza, abandono, desespero, depressão e suicídio.&lt;br /&gt;
* #3MF: Áreas do desespero e da culpa.&lt;br /&gt;
* #4: Conflitos nas relações heterosexuais como abandono, traição e ciúmes e também a relação controle versus impulso (pode sugerir dificuldades do paciente em sua vida matrimonial).&lt;br /&gt;
* #5: Imagem da mãe-esposa, atitudes anti-sociais e, ou, reações ao inesperado. &lt;br /&gt;
* #6RH: Relação com a figura materna (dependência-independência, abandono-culpa). &lt;br /&gt;
* #6MF: Relação com a figura paterna.&lt;br /&gt;
* #7RH: Atitude frente da figura paterna, eventualmente conteúdos homossexuais podem aparecer, a atitude do paciente frente à terapia e os indícios das tendências anti-sociais.&lt;br /&gt;
* #7MF: Relação com a figura materna e pode ser investigada a problemática em relação à maternidade. &lt;br /&gt;
* #8RH: As histórias podem revelar as tendências agressivas do paciente.&lt;br /&gt;
* #8MF: Podem ser feitas associações referentes aos conteúdos devaneios e conflitos atuais (pode ser feita uma comparação com a prancha 14).&lt;br /&gt;
* #9RH: Atitudes frente ao ócio e trabalho, sentimentos quanto à própria capacidade e possibilidade de atuação. Também são abrangidas áreas da relação em grupo e a homosexualidade. &lt;br /&gt;
* #9MF: Espionagem, culpa, perseguição e rivalidade feminina são abordadas, assim como atitudes frente ao perigo, desconhecido e proibido.&lt;br /&gt;
* #10: Conflitos do casal e atitude frente à separação, projetando favorecidamente relações heterosexuais satisfatórias.&lt;br /&gt;
* #11: O estímulo oferecido por essa prancha é um dos mais indefinidos da série, mas sendo a temática mais frequente a atitude do sujeito frente ao perigo e a maneira como ele experimenta a ansiedade. &lt;br /&gt;
* #12H: Revelam na ,maioria das vezes, a atitude do paciente em relação aos homens adultos e o papel da impotência e passividade na sua personalidade. Nesse sentido, pode-se revelar atitude frente à terapia,  à própria situação do teste e a figuras de autoridade.&lt;br /&gt;
* #12F: Revelam atitudes na relação mãe-filha, no casamento e na ansiedade frente ao envelhecimento.&lt;br /&gt;
* #12RM: Evocam as fantasias desejadas&lt;br /&gt;
* #13HM: A prancha comumente aborda a atitude do paciente frente a mulheres, sexo, e também sobre o sentimento de culpa, a atitude frente ao alcolismo e a agressividade.&lt;br /&gt;
* #13R: Evoca as carências, expectativas, solidão e abandono.&lt;br /&gt;
* #13M: As temáticas são semelhantes as mesmas dos meninos.&lt;br /&gt;
* #14: Os temas mais frequentes são a contemplação, a aspiração e o autoquestionamento.&lt;br /&gt;
* #15: A relação com  morte,castigo e culpa são abordadas (segundo Murray a pessoa morta representa alguém que o paciente dirige sua agressividade).&lt;br /&gt;
* #16: Como o estímulo é em branco o paciente precisa se projetar totalmente, mas as temáticas gerais referem-se geralmente às necessidades mais urgentes do mesmo.&lt;br /&gt;
* #17RH: As histórias estão comumente associadas a desejos de reconhecimento, exibicionismo e narcisismo.&lt;br /&gt;
* #17MF: Sentimentos de despedida e a tendência do paciente em manter a esperança ou ceder ao suicidio são provocados evocando temas como a frustração, depressão e suicídio.&lt;br /&gt;
* #18RH: Temáticas referentes a vícios e males físicos podem surgir.&lt;br /&gt;
* #18MF:Relações entre figuras femininas, mãe, filha, irmã ou mulheres no geral e podem aparecer sentimentos de inferioridade e reação a submissão.&lt;br /&gt;
* #19: Conteúdos referentes à necessidade de amparo e proteção em determinados ambientes são os mais comuns. &lt;br /&gt;
* #20: O fechamento do protocolo indica as principais aflições e perspectivas do paciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modo de Avaliação ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Método ===&lt;br /&gt;
O TAT possui um critério de avaliação composto por cinco fatores, são eles: Rigidez, Labilidade, Inibição, Comportamento e Emergência dos processos primários. O procedimento consiste na apresentação de alguns dos cartões disponíveis para o examinado em duas sessões diferentes, com um intervalo de pelo menos um dia entre elas, enquanto o aplicador — instruído a manter-se neutro, evitando dizer que é uma oportunidade para o uso livre da imaginação — solicita que histórias particulares sejam criadas para cada figura, suscitando sentimentos complexos e tendências inconscientes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
  Dispondo do discurso do paciente sobre as imagens expostas, o examinador deve realizar um apuramento das histórias, auxiliado pelo conceito de herói, com o desígnio de perceber os estímulos e as correlações que levaram o sujeito a criar tais situações.  Ao fim do protocolo de aplicação do instrumento, uma folha de análise é preenchida com a inquirição do aplicador de acordo com os cinco fatores pré estabelecidos, atingindo o resultado do teste. A versão da folha de análise de 1983, possui uma divisão de três partes, são elas: Procedimentos presentes, Avaliação das modalidades de funcionamento mental e Hipótese sobre a organização estrutural.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Procedimentos presentes ===&lt;br /&gt;
Na primeira parte da folha, estão presentes os procedimentos que referem-se aos mecanismos neuróticos, ou seja, os conflitos intersistêmicos, os fatores das séries de A e B estão relacionados com o conflito intrapessoal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos fatores da série A (Rigidez), é avaliado em duas partes (A. 1 e A. 2) o que molda as histórias, além do repertório utilizado, como referências literárias, culturais, sociais, senso comum e sonhos (A. 1) e como a história é contada, sendo consideradas as descrições, formas de utilização língua,  hesitações e comportamentos diversos na fala (A. 2). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos fatores da série B (Labilidade), avalia-se em duas partes (B.1 e B.2) de formas não tão distintas a construção da história, o que existe nela e a interpretação do que foi construído. Dessa forma analisa-se a presença de teatralismo, diálogos, fantasias pessoais, personagens, representações de estados emocionais, tipo de valor dado ao final das histórias, estilo, relações e presenças de temas de medo e catástrofe de forma dramatizada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O procedimento C revela os mecanismos ligados à angústia e à fuga fóbica. Nos fatores da série C (Inibição), é avaliado como o paciente se sente ao contar a história e os pontos negativos do seu comportamento. As modalidades “N” são observadas em pacientes com problemas ligados ao narcisismo e as respostas da modalidade do tipo “M” estão ligadas a mecanismos antidepressivos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O procedimento D está relacionado ao comportamento físico do paciente com decorrer da história que atesta determinadas ocasiões de mentalização. Os fatores da série D são chamados de Comportamento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os procedimentos E avaliam os pensamentos em processos primários como deformações do real, projeções e separações,  atestando falha do pensamento secundário e da vigilância. Os fatores da série E são chamados de Emergência dos processos primários. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Avaliação das modalidades de funcionamento mental ===&lt;br /&gt;
A segunda parte está relacionada ao conceito de Legibilidade que considera as relações dinâmicas das diversas modalidades do funcionamento mental e também na introdução da abordagem da terceira parte da folha que discute a hipótese sobre a organização estrutural. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Legibilidade pode ser de três tipos diferentes: Tipo 1 (Legibilidade mais), Tipo 2 (Legibilidade mais ou menos) e Tipo 3 (Legibilidade menos ou mais ou menos). Cabe ao aplicador do teste avaliar qual tipo o paciente atingiu de acordo com os pré-requisitos definidos para cada Legibilidade pela folha.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Hipótese sobre a organização estrutural ===&lt;br /&gt;
A última parte da folha, avalia os elementos colocados na ficha, desta forma, relacionando-se com a segunda parte do teste e na integração dos conteúdos das narrativas, levando em consideração três elementos diferenciais: natureza da angústia, natureza do conflito e tipo de relação de objeto dominante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ressaltar que a problemática singular do sujeito não é considerada nessa última parte da avaliação e sim discutida durante a construção de cada uma das narrativas e antes, se preocupando se o paciente simbolizou o conteúdo da imagem, de sua própria maneira, e caso não, o que fez ele a substituir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O herói ===&lt;br /&gt;
O conceito de herói surge para facilitar a análise das histórias contadas, uma vez que ele é o personagem com o qual o avaliado se identifica, em sua maioria, é aquele do mesmo sexo e mesma idade, em geral, está retratado na prancha e desempenha o papel principal no drama. Podem existir mais de um herói em certos casos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os heróis são caracterizados pelo psicólogo de acordo com atributos como superioridade e inferioridade. Ao descrever as reações dos heróis, o aplicador pode analisar o comportamento condizente com o que pretende saber sobre o sujeito. É empregada uma lista com estados internos/emoções (abatimento, conflito, instabilidade emocional) e necessidades (agressão, ajuda, degradação), classificada em conformidade com as motivações de certa atividade. Originalmente, a força das emoções manifestadas era computada por uma escala, entretanto, o sistema de pontuação foi pouco utilizado, sendo assim, trocado pelo sistema de interpretação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As forças do ambiente do herói (pressões) são consideradas pelo avaliador que deve observar a natureza das situações, concentrar uma atenção especial aos objetos que não constam nas pranchas, ou seja, que foram inventados, e marcar os traços recorrentes das pessoas com quem o herói se relaciona. Algumas pressões podem ser: afiliação, agressão, ajuda e dominância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final das percepções sobre o protagonista, os eventos de necessidade e pressão devem ser analisados pelo psicólogo junto das dificuldades que o herói passa. A relação entre uma necessidade, uma pressão e o desfecho formam um tema simples, combinações desses temas são chamados de temas complexos - enredo, motivação e tema que auxiliam na avaliação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contextos de Utilização ==&lt;br /&gt;
Cramer, psicóloga estadunidense famosa por seus livros &#039;&#039;Protecting The Self: Defense Mechanisms in Action&#039;&#039; e &#039;&#039;The Development of Defense Mechanisms&#039;&#039;, além do que diz respeito ao teste, &#039;&#039;Storytelling, Narrative and The Thematic Apperception Test&#039;&#039;, em seus estudos relacionados ao TAT, afirma que o histórico das pesquisas que utilizaram o teste nos Estados Unidos pode ser descrita em “ondas” de interesse em relação ao instrumento, onde uma série de estudos são publicados em pouco tempo. A primeira “onda” teria acontecido nos anos 40 e início dos anos 50, caracterizada por trabalhos descritivos e teóricos em sua maioria. A segunda onda surgiu no início dos anos 60, tratando-se predominantemente de estudos metodizados, com foco no suporte empírico e maior rigor psicométrico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O histórico mais antigo de pesquisa com o TAT são os estudos relacionados a tipos de necessidades ou motivação pessoal (segundo a proposta da Personologia de Murray), desenvolvidos por David McClelland e John Atkinson nos anos 40. Em experimentos seguintes, Atkinson e McClelland passaram a utilizar o teste como impulso para pesquisas sobre as relações entre motivações, e posteriormente, sobre a apercepção. Esses pesquisadores mostraram a subida da presença de temáticas de privação de alimento nas histórias do TAT de indivíduos com tempos divergentes sem comer (1, 4 e 16 horas), de acordo com o aumento do tempo de privação. Os outros trabalhos de tais pesquisadores buscavam uma medida mais padronizada usando o TAT para a necessidade de realização (ou nAch) o que concedeu o amadurecimento subsequente sobre outras motivações com o mesmo método. Em suma, consistia na rememoração de um motivo e o apontamento estudado de sua presença nas histórias criadas a partir dos cartões do teste através da comparação de itens das narrativas de conjuntos em diferentes posições do mesmo motivo. Tais estudos, sobre a necessidade de poder, afiliação e intimidade são descritos por Cramer e Winter (psicólogo clínico, phd pela Universidade de Michigan).. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outras linhas de pesquisa que utilizaram o TAT, também trabalhadas por Cramer e Winter, trouxeram temas como a autodefinição, estilos de adaptação a eventos de vida importantes, motivações sexuais (sua expressão ou repressão nas histórias), estilos de maestria egóica para o enfrentamento do estresse, e o medo de obter sucesso. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, o contexto onde o teste é mais utilizado está relacionado a apresentações de características sobre a personalidade de populações específicas e/ou situações particulares. Mais recentemente, o TAT foi aplicado em adolescentes em depressão e com câncer,  usuários abusivos de substâncias psicoativas, indicação para cirurgia cardíaca de implante valvar e transplante de medula óssea, pacientes com câncer de mama e do aparelho digestório, transtorno de personalidade borderline, adolescentes grávidas em hospital geral, em pesquisas na área da saúde em relação a escolha da Medicina para os alunos do curso e para o entendimento de características psicológicas de pessoas com quadros como insônia crônica. Em cenários jurídicos, o teste em destaque foi utilizado em pesquisas sobre pessoas em processos por disputa de guarda. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda existem outras pesquisas brasileiras — teses e dissertações — em que o teste foi aplicado. Em suma, o TAT foi adotado em estudos sobre representações de maternidade e paternidade, rotina de mulheres grávidas, vínculos conjugais, características de personalidade de idosos 80+, movimentos oculares de pessoas com esquizofrenia, estudos experimentais em psicologia evolucionista e representações sociais de adolescentes e adultos em condições de reclusão ou aprisionamento. Nesse contexto, Souza modificou cartões do TAT ao adicionar imagens de troca de moedas ou elas em si com a intenção de estudar a percepção do dinheiro em técnicas aperceptivo-temáticas, e por fim, Simpson, Miranda, Azevedo e Fugerato discorreram ponderações relacionadas a utilização de estímulos que tiveram o TAT como base, e na realização de Desenhos-Estórias como maneira de acessar representações sociais do envelhecimento humano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Eficácia do teste ===&lt;br /&gt;
O Teste de Apercepção Temática (TAT), apesar de sua longa história e popularidade, não escapou de críticas que levantaram preocupações fundamentais sobre sua eficácia como ferramenta de avaliação psicológica. O principal tópico criticado por pesquisadores franceses e americanos foi os desafios enfrentados devido à falta de padronização, gerando dificuldades pela ausência de uma teoria unificada sobre os funcionamentos mentais específicos avaliados pelo TAT. A falta de uma metodologia homogênea para administração e interpretação do teste pode levar a resultados inconsistentes e subjetivos, tornando-se um ponto negativo para o desenvolvimento eficiente de pesquisas. Assim, o TAT revelou-se uma ferramenta complexa de lidar, tanto em pesquisas quanto em clínicas, devido à falta de uma abordagem consistente em sua aplicação.	&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguindo essa linha de raciocínio, uma crítica significativa ao Teste de Apercepção Temática (TAT) diz respeito à subjetividade na interpretação das respostas. Devido à natureza aberta e interpretativa do teste, as respostas dos participantes são frequentemente analisadas de forma subjetiva pelo examinador. Essa subjetividade pode resultar em interpretações tendenciosas e inconsistentes, comprometendo a validade do teste como ferramenta de avaliação psicológica. A falta de critérios objetivos para interpretar as respostas do TAT pode levar a uma variabilidade significativa nos resultados entre diferentes examinadores, dificultando a obtenção de conclusões consistentes e confiáveis sobre a saúde mental e emocional dos indivíduos testados. Portanto, a subjetividade na interpretação das respostas do TAT representa uma crítica importante que deve ser levada em consideração ao avaliar a eficácia e a utilidade do teste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Escassez de estudos ===&lt;br /&gt;
Outra crítica importante é a escassez de estudos sobre o TAT. Nesse contexto, é necessário realizar mais pesquisas utilizando o teste, com uma revisão crítica dos estudos brasileiros já realizados. Utilizando a base de dados BVS-Psi para localizar artigos relevantes, percebe-se uma falta de estudos sobre as características psicométricas do teste, com exceção de um trabalho realizado por Silva (1983), incluído no manual do TAT (Murray, 1943/2005). Este estudo discute o fato de que os cartões do TAT são antigos, mas sugere que isso não afeta a resposta das pessoas aos estímulos, independentemente de os cartões serem originais ou modernizados. A falta de pesquisas recentes sobre o TAT destaca a importância de dedicar mais esforços nessa área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas críticas são amplamente citadas em artigos sobre o teste, pois comprometem significativamente seu avanço para torná-lo mais eficaz. Por esses e outros motivos, o TAT é atualmente classificado desfavoravelmente para uso profissional pelo SATEPSI (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos), uma vez que teve suas normas e propriedades psicométricas consideradas vencidas. Para que o teste possa voltar a ser utilizado, é necessário resolver seus fatores limitantes por meio de novos estudos, o que ressalta a importância de pesquisas específicas sobre o TAT para resolver seus problemas e permitir seu uso profissional adequado no futuro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências Bibliográficas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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# HENRY A. MURRAY IS DEAD AT 95; DEVELOPER OF PERSONALITY THEORY - &#039;&#039;&#039;The New York Times&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
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# SCADUTO, Alessandro Antonio. &#039;&#039;&#039;O Teste de Apercepção Temática (TAT) em adultos:&#039;&#039;&#039; Dados normativos para o sistema morvaliano. 2016. Tese (Doutorado em Psicologia). Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Universidade de São Paulo, São Paulo.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado originalmente por Débora Pinheiro de Oliveira, Luísa Mello da Silva, Maria Formiga Menezes, Maria Luiza Marchezini Saliba, Mikaelle Vitória Sousa de Almeida e Rayca Rafaelly Pereira Siqueira Lobato&#039;&#039;&#039;,&#039;&#039;&#039; como exigência parcial para a disciplina História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2024.1, publicado em 2024.1.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Raimundo_Nina_Rodrigues&amp;diff=1387</id>
		<title>Raimundo Nina Rodrigues</title>
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		<updated>2024-09-09T14:06:41Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Reformulação do cabeçalho; Correções gramaticais e ortográficas;  Adição de links ao corpo do texto; Criação da Seção &amp;quot;Ver também&amp;quot; e incorporação de links identificados; Pequenas correções na seção &amp;quot;Referências&amp;quot; e verificação dos links utilizados&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Raimundo Nina Rodrigues nasceu em 4 de dezembro de 1862, em Vargem Grande, Maranhão. Foi um médico e antropólogo brasileiro, cujas ideias pioneiras na aplicação de métodos científicos foram acompanhadas de teorias controversas, especialmente em relação ao determinismo racial. Seu legado é marcado tanto por suas contribuições intelectuais quanto pelas críticas às suas visões raciais. Faleceu no dia 17 de julho de 1906 em Paris, França.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Início da vida ===&lt;br /&gt;
Vindo de uma família de 7 filhos, Raimundo Nina Rodrigues nasceu em 4 de dezembro de 1862, na zona rural do distrito de Vargem Grande, Maranhão. Seu pai, Coronel Francisco Solano Rodrigues, era proprietário de terras e sua mãe, Luísa Rosa Nina Rodrigues, era descendente de judeus que migraram às terras maranhenses, fugidos de perseguições político-religiosas da Península Ibérica. Na infância, Nina Rodrigues era descrito por familiares como uma criança de saúde frágil, com características físicas consideradas pouco atraentes e um temperamento irritadiço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi criado na propriedade da família, Engenho São Roque, que obtinha a posse de cerca de 60 escravizados. Acerca disso, durante sua infância, Nina recebeu cuidados de uma escravizada, a Madrinha Mulata, que lhe ajudou no processo de aprendizagem da leitura. Característico da época escravocrata, essa presença da mão de obra negra escravizada como principal meio de trabalho era habitual, associando a percepção do corpo preto como inferior e servil, capaz de moldar a visão sobre questões raciais e sociais, refletida nas teses e ideias futuras de Nina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Formação acadêmica ===&lt;br /&gt;
Após sua alfabetização informal, obteve seus estudos primários em Vargem Grande. Porém, assim como as crianças pertencentes à elite rural da área, deu continuidade aos seus estudos básicos na capital, São Luís. Em 1880, iniciou o curso de humanidades no Seminário das Marcês e, em seguida, prosseguiu no Colégio São Paulo. Completou o curso preparatório, equivalente às séries escolares atuais para os 12 aos 18 anos, entre 1879 e 1881. Durante seu período no Seminário, Nina passava boa parte das suas folgas em observação ao comportamento dos negros presentes no mercado de escravos que havia na vizinhança, hoje o Museu do Negro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos 20 anos, em 1882, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, onde permaneceu até 1885, quando se transferiu para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Porém, um ano depois, voltou para a Bahia, formando-se em 1888. Em 1886, escreveu e publicou seu primeiro artigo, ainda como estudante, sobre a presença da doença lepra no estado do Maranhão, “A Morféa em Anajatuba (Maranhão)ˮ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Início da carreira ===&lt;br /&gt;
Ao retornar ao Rio de Janeiro, defendeu sua tese para a conclusão do curso, intitulada “Das Amiotrofias de Origem Periféricaˮ, que investigava três casos de paralisia progressiva na mesma família. Nina clinicou em São Luís por todo o ano de 1888, já contribuindo com artigos para a &#039;&#039;Gazeta Médica da Bahia&#039;&#039;, uma revista científica de medicina publicada pela Faculdade de Medicina da Bahia. Em 1889, assumiu o cargo de adjunto na Cadeira de Clínica Médica da mesma faculdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não haja registros precisos do ano do casamento, Nina casou-se com Maria Amélia Couto Nina Rodrigues, conhecida como D. Maricas, filha do titular da Cadeira de Clínica Médica, conselheiro José Luiz de Almeida Couto. O casal teve apenas uma filha, Alice, nascida em 1894.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grandes feitos ===&lt;br /&gt;
Em outubro de 1890, participou do III Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia, realizado em Salvador, como membro da comissão executiva. Lá, apresentou três trabalhos tratando sobre epidemias que assolavam a capital baiana, sendo um deles o relatório detalhado da única autópsia feita, por ele, no estado durante uma então recente epidemia de influenza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, foi transferido para a cadeira de Medicina Pública como professor de Medicina Legal. Desde então, até sua morte, empenhou-se em pôr em prática as propostas de implantação do ensino prático e a nomeação dos professores de medicina legal como peritos da polícia. Ainda nesse ano, assumiu esse posto de redator chefe da Gazeta de Medicina da Bahia, considerada uma das mais importantes publicações médicas do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesses espaços, produziu diversos trabalhos sobre as origens étnicas da população e a influência das condições sociais e psicológicas na conduta do indivíduo, tendo o negro e o mestiço sempre como motivos principais de suas indagações. Conduziu também estudos significativos sobre psiquiatria forense no Brasil, publicando diversos artigos sobre o tema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com os resultados de seus estudos, propôs uma reformulação no conceito de responsabilidade penal, sugeriu a reforma dos exames médico-legais e foi pioneiro da assistência médico-legal a doentes mentais, além de defender a aplicação da perícia psiquiátrica não apenas nos manicômios, mas também nos tribunais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Publicações notórias ===&lt;br /&gt;
Em 1894, Nina publicou seu primeiro livro, “As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasilˮ, tendo [[Cesare Lombroso]], “chefe da nova escola criminalistaˮ, como um dos nomes presentes na dedicatória e, em 1896, publica seu primeiro artigo no exterior, “Nègres criminels au Brésilˮ, na revista editada pelo mesmo em Turim, Itália.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1895 e 1900, fundou, juntamente com outros médicos, a Sociedade de Medicina Legal da Bahia, da qual foi eleito presidente. Além disso, foi um colaborador constante da &#039;&#039;Revista Médico Legal da Bahia&#039;&#039;, o órgão oficial da associação. Foi também admitido como membro da &#039;&#039;Médico-Legal Society&#039;&#039; de Nova York. Publicou ainda, nos &#039;&#039;Annales Médico-Psychologiques&#039;&#039; e na &#039;&#039;Revista Brasileira&#039;&#039;, uma análise sobre Antônio Conselheiro, líder do movimento Guerra de Canudos. Quatro anos depois, publicou a análise do crânio de Conselheiro também nos &#039;&#039;Annales.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nina também publicou, na mesma linha de estudo, uma análise ao atentado do então Presidente da República, Prudente de Morais, ocorrido em 1897. Nesse trabalho, relacionou a motivação do autor do crime à sua ascendência indígena e ao ambiente político-social do Brasil, ressaltando os supostos efeitos degenerativos da mestiçagem sobre o povo brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1901, teve seu livro “O alienado no direito civil brasileiroˮ anexado a um dos volumes dos Trabalhos da Comissão que analisava o projeto do novo Código Civil Penal. Nesse mesmo ano, publicou o “Manual da Autópsia Médico-Legalˮ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1904, publicou vários artigos no &#039;&#039;Diário de Notícias da Bahia&#039;&#039; sobre a epidemia de beribéri que matou metade da população do Asilo São João de Deus. Como resultados de seus trabalhos, a Faculdade de Medicina da Bahia, em parceria com o Governo Estadual, iniciou a construção de um novo hospital, e Nina integrou a comissão nomeada para planejá-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fim da vida ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1906, Raimundo partiu rumo a Europa, juntamente de sua família, para o IV Congresso Internacional de Assistência Pública e Privada em Milão. Porém, enquanto participava de outro congresso médico, em Lisboa, foi diagnosticado com uma doença. De acordo com registros, não foi possível afirmar a causa determinada da morte, pois os diagnósticos eram oscilantes devido a falta de intervenção cirúrgica, atenta a fraqueza do enfermo. Entretanto, era notória a grave piora do médico. Nina morreu em Paris, e foi enterrado na Bahia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua homenagem, diversos atos foram concretizados. Na Bahia, está imortalizado pelo Instituto Nina Rodrigues de Medicina Legal. Na capital do Maranhão, seu estado natal, foi fundado, em 1941, o Hospital Nina Rodrigues, e o distrito onde nasceu se desmembrou de Vargem Grande e passou a se chamar, em 1961, município de Nina Rodrigues, além da rua no centro da capital maranhense, Avenida Nina Rodrigues.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia Biográfica ==&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1862:&#039;&#039;&#039; Nasce em 4 de dezembro, em Vargem Grande, Maranhão, Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1879-1881:&#039;&#039;&#039; Completa o curso preparatório no Colégio São Paulo, em São Luís, Maranhão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1882:&#039;&#039;&#039; Inicia o curso de Medicina na Faculdade de Medicina da Bahia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1885:&#039;&#039;&#039; Transfere-se para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1886:&#039;&#039;&#039; Publica o artigo &amp;quot;A Morféa em Anajatuba (Maranhão)&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1887:&#039;&#039;&#039; Retorna à Faculdade de Medicina da Bahia e conclui o curso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1888:&#039;&#039;&#039; Forma-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia. Em seguida, assume o cargo de adjunto da Cadeira de Clínica Médica na mesma faculdade e clinicou em São Luís.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1889:&#039;&#039;&#039; Defende sua tese de conclusão de curso, Das Amiotrofias de Origem Periférica, no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1890:&#039;&#039;&#039; Participa do III Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia em Salvador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1891:&#039;&#039;&#039; Assume a cadeira de Medicina Pública e Medicina Legal na Faculdade de Medicina da Bahia e torna-se redator-chefe da &#039;&#039;Gazeta Médica da Bahia&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1894:&#039;&#039;&#039; Publica o livro “As Raças Humanas e a Responsabilidade Penal no Brasilˮ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1895-1900:&#039;&#039;&#039; Funda a Sociedade de Medicina Legal da Bahia e torna-se membro da &#039;&#039;Médico-Legal Society&#039;&#039; de Nova York. Colabora também com a &#039;&#039;Revista Médico Legal da Bahia&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1896:&#039;&#039;&#039; Publica o artigo “Nègres criminels au Brésilˮ em uma revista italiana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1897:&#039;&#039;&#039; Publica uma análise sobre o atentado ao Presidente Prudente de Morais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1901:&#039;&#039;&#039; Publica “O Alienado no Direito Civil Brasileiroˮ e o “Manual da Autópsia Médico-Legalˮ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1904:&#039;&#039;&#039; Publica artigos no &#039;&#039;Diário de Notícias da Bahia&#039;&#039; sobre a epidemia de beribéri e participa da comissão planejadora para um novo hospital da Faculdade de Medicina da Bahia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1906:&#039;&#039;&#039; Participa do IV Congresso Internacional de Assistência Pública e Privada em Milão e falece em 9 de agosto em Paris, França.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. &#039;&#039;&#039;Fragmentos de pathologia intertropical: beri- beri, affecçôes cardiacas e renaes&#039;&#039;&#039;. Argentina: Impr. Tourinho, 1892.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. &#039;&#039;&#039;Epidémie de folie religieuse au Brésil&#039;&#039;&#039;. França: L. Maretheux, 1898.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. &#039;&#039;&#039;O regicida Marcellino Bispo&#039;&#039;&#039;. Brasil: Impr. économique, 1899.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. &#039;&#039;&#039;As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasil&#039;&#039;&#039;. Brasil: Imprensa Popular, 1894.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. &#039;&#039;&#039;A Medicina legal no Brazil&#039;&#039;&#039;. Brasil: [s.n.], 1895.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. &#039;&#039;&#039;Manual da autópsia médico-legal&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Reis &amp;amp; Comp., 1901.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina; RAMOS, Arthur; BRITTO, Alfredo. &#039;&#039;&#039;As collectividades anormaes&#039;&#039;&#039;. Brasil: Civilização Brasileira, S.A., 1939.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. &#039;&#039;&#039;O alienado no direito civil brasileiro&#039;&#039;&#039;. Brasil: Companhia Editora Nacional, 1939.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. &#039;&#039;&#039;Os africanos no Brasil&#039;&#039;&#039;. Brasil: Companhia Editora Nacional, 1932.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina; VELHO, Yvonne Maggie Alves; FRY, Peter. &#039;&#039;&#039;O animismo fetichista dos negros baianos&#039;&#039;&#039;. Brasil: Ministério da Cultura, Fundação Biblioteca Nacional, 2006.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teorias ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Visão de raça humana ===&lt;br /&gt;
Raimundo Nina Rodrigues acreditava que algumas raças eram superiores, além de ser um ferrenho opositor à mistura racial. De acordo com Nina, a miscigenação atrasaria a purificação do sangue branco. Apesar de considerar a raça negra inferior à branca e prejudicial como componente étnico na formação da sociedade brasileira, Nina Rodrigues admitia que essa nocividade continha uma gradação conforme a origem dos africanos. Em sua obra “Os mestiços brasileirosˮ, publicada na &#039;&#039;Gazeta Médica da Bahia&#039;&#039;, Nina rejeitava a classificação racial presente em trabalhos médicos de sua época (branca, parda e preta), pois, segundo ele, englobava todos os mestiços no mesmo grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele propunha uma classificação que distinguia as raças puras em branca e negra e, em trabalhos mais tardios de sua carreira (“As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasilˮ), a vermelha. Em relação aos mestiços, ele identificava quatro grupos principais: os mulatos, os mamelucos ou caboclos, os curibocas ou cafuzos e os pardos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nina Rodrigues não citava de modo nominal nenhum autor ou teoria de herança e não justificava sua teoria com base em experimentos e evidências conduzidas por outros estudiosos do assunto. Todavia, a ideia de herança com mistura estava implicitamente presente em suas obras, essas que eram aceitas por [[Francis Galton]], por exemplo. Ademais, surge a ideia do atavismo, manifestação de características herdadas que não são comuns nas gerações atuais, mas que apareceriam novamente como uma forma de &amp;quot;retorno ao passado&amp;quot;, que era amplamente aceita no século XIX e presente, por exemplo, nas obras de Darwin. Em relação à teoria de herança adotada por Raimundo Nina Rodrigues, ele possivelmente não se sentiu compelido a justificar sua posição em termos científicos, visto que suas ideias eram amplamente aceitas pela elite da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Antropologia criminal: criminoso nato ===&lt;br /&gt;
Raimundo Nina Rodrigues foi um grande nome da antropologia criminal no Brasil. Ele importou conceitos estrangeiros que defendiam a tese de que as raças negras, os indígenas e os mestiços possuíam um desenvolvimento inferior ao da raça branca, o que, segundo essas ideias, tornaria essas raças &amp;quot;inferiores&amp;quot;; inatamente propensas a cometer crimes. Esse conjunto de ideias formulou a tese do &amp;quot;criminoso nato&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partindo disso, Nina Rodrigues acreditava que a aplicação penal das leis não deveria ser igualitária. Ou seja, o código penal deveria ser aplicado de forma distinta às diferentes raças brasileiras. Essa ideia foi descrita em sua obra &amp;quot;As Raças Humanas e a Responsabilidade Penal no Brasil&amp;quot; (1894) e em &amp;quot;Os Africanos no Brasil&amp;quot; (1932). Nina criticava o sistema penal vigente justamente por não haver essa distinção racial. Seu discurso foi utilizado como fundamentação teórica para práticas como a perseguição policial e jurídica de negros, indígenas e mestiços, e também pela elite branca para justificar sua superioridade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nina Rodrigues formulava suas ideias em um contexto de tensão racial pós-abolição da escravatura, inspirado pela escola de criminologia italiana, com ênfase no psiquiatra [[Cesare Lombroso]], que produziu estudos que argumentavam a existência de raças inferiores. Lombroso chegou a essa conclusão após analisar características físicas, tatuagens e ações de pessoas integradas ao sistema criminal e a clínicas psiquiátricas, acreditando que esses indivíduos possuíam um desenvolvimento inferior. Embora a teoria de Nina Rodrigues tenha sido considerada, em seu contexto e época, criativa e inovadora, ela foi refutada pela ausência de base científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Raimundo Nina Rodrigues, apesar de suas contribuições intelectuais, é frequentemente criticado por refletir e propagar os preconceitos raciais e sociais predominantes em sua época. Associadas a uma visão colonialista e patologizante, as teses de Nina Rodrigues são consideradas ultrapassadas pelos padrões acadêmicos contemporâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lilia Schwarcz, doutora em antropologia social pela Universidade de São Paulo, realiza uma análise crítica das teorias de Nina Rodrigues. Ela destaca que, embora influentes na época, suas ideias — como a aplicação do darwinismo social e da antropologia criminal — são hoje vistas como problemáticas e obsoletas. Schwarcz (2009, p. 102) afirma que “Nina Rodrigues foi vencido pelo tempo e seus ideais acabaram devidamente datadosˮ, e observa que suas teorias sobre criminalidade foram percebidas como “radicais e difíceis de domarˮ (SCHWARCZ, 2009, p. 92). Ela vê suas ideias como um “elogio à ideia da relatividadeˮ, mas também como um “alerta para os perigos que cercam sua aplicaçãoˮ (SCHWARCZ, 2009, p. 101).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ana Maria Galdini Raimundo Oda, chefe do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, critica Nina Rodrigues por seu desejo de branqueamento, que, segundo ela, era “travestido de previsão científicaˮ (ODA, 2004, p. 149) e revelava um profundo preconceito contra os não-brancos, considerados incapazes de construir uma nação moderna. Oda reforça a visão de que Nina Rodrigues usou a ciência para justificar preconceitos raciais (ODA, 2004, pp. 147-160).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marcela Franzen Rodrigues, doutora em psicologia social, complementa essa visão, argumentando que as teorias de Nina Rodrigues “não são mais passíveis de serem levadas a sérioˮ (RODRIGUES, 2015, p. 1133). Ela acrescenta que essas teorias tratavam a população negra como um objeto de estudo e ajudaram a perpetuar uma visão racista que ainda ressoa tanto no senso comum quanto na ciência (RODRIGUES, 2015, pp. 1119-1135).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Mário Davi Barbosa, doutorando e mestre em Teoria e História do Direito, acrescenta uma crítica significativa ao argumentar que Nina Rodrigues tratou a população negra como um objeto de estudo e que suas obras contribuíram para a naturalização das desigualdades sociais. Segundo Barbosa, essas ideias têm implicações prejudiciais, pois perpetuam a negação de direitos e a aceitação da desigualdade (BARBOSA, 2016, pp. 49-78).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas críticas convergem para a conclusão de que, apesar da influência de Nina Rodrigues em seu tempo, suas ideias são, atualmente, consideradas desatualizadas e prejudiciais. Elas não apenas refletem, mas também reforçam preconceitos raciais, impactando negativamente a compreensão e o tratamento da população negra na sociedade contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Cesare Lombroso]]&lt;br /&gt;
* [[Francis Galton]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Biografia:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CORRÊA, Mariza. Raimundo [https://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/13488 Nina Rodrigues e a &amp;quot;garantia da ordem social&amp;quot;]. &#039;&#039;&#039;Revista USP&#039;&#039;&#039;, São Paulo, Brasil, n. 68, p. 132-136, 2006. Acesso em: 15 jun. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MAIO, M. C. [https://www.scielo.br/j/csp/a/PBYjTV9sPc4XD7V4LGsjwYb/?lang=pt A medicina de Nina Rodrigues: análise de uma trajetória científica]. &#039;&#039;&#039;Cadernos de Saúde Pública&#039;&#039;&#039;, v. 11, n. 2, p. 226-237, abr. 1995. Acesso em: 2 ago. 2024&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, Marcos A. P. [https://repositorio.ufba.br/handle/ri/3592 A morte de Nina Rodrigues e suas repercussões]. &#039;&#039;&#039;Revista Afro-Ásia&#039;&#039;&#039;, n. 16, p. 54-69, 1995. Acesso em: 25 Jun. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RODRIGUES, Marcela Franzen. [https://www.e-publicacoes.uerj.br/revispsi/article/view/19431 Raça e criminalidade na obra de Nina Rodrigues: Uma história psicossocial dos estudos raciais no Brasil do final do século XIX]. &#039;&#039;&#039;Estudos e Pesquisas em Psicologia&#039;&#039;&#039;, [S. l.], v. 15, n. 3, p. 1118-1135, 2015. Acesso em: 24 jun. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SERAFIM, Vanda Fortuna. [https://www.cih.uem.br/anais/2011/trabalhos/210.pdf O Pensamento Complexo em Nina Rodrigues: Uma Discussão de Teoria e Metodologia]. V Congresso Internacional de Historia. PPGH/UFSC. Set. 2011.Acesso em: 10 jul. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VALE, Arquimedes Viegas. [https://revistabrasileiradehipnose.com.br/wp-content/uploads/2020/07/RBH_Vol-261-pp.2-8_Vale.pdf Inclusão de Nina Rodrigues na História da Hipnose no Brasil: um ensaio]. &#039;&#039;&#039;Revista Brasileira de Hipnose&#039;&#039;&#039;, v. 216, p. 2-7, 26 jan. 2015. Acesso em: 2 ago. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Teoria:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
NEVES, Márcia das. [https://www.abfhib.org/FHB/FHB-03/FHB-v03-13.html A concepção de raça humana em Raimundo Nina Rodrigues]. &#039;&#039;&#039;Filosofia e História da Biologia&#039;&#039;&#039;, v. 3, p. 241-261, 2008.. Acesso 9 ago.2024&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CAMPOS, Rodrigo Mello. [https://periodicos.ufmg.br/index.php/temporalidades/article/download/6067/pdf/20449 A apropriação da escola italiana de antropologia criminal na obra de Nina Rodrigues: ativismo por uma nova sensibilidade sobre crime e raça (1894-1906)]. &#039;&#039;&#039;Temporalidades: Revista de História&#039;&#039;&#039;, [S. l.], v. 10, n. 1, ed. 27, p. 341-362, 2018. Acesso em: 5 ago. 2024&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Crítica:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BARBOSA, D. [https://ojs.sites.ufsc.br/index.php/capturacriptica/article/view/5817 Originalidade e pessimismo: a recepção da criminologia positivista na obra de Nina Rodrigues]. &#039;&#039;&#039;Captura Críptica: direito, política, atualidade&#039;&#039;&#039;, Florianópolis, v. 3, n. 2, p. 49-78, 2016. Acesso em: 9 ago. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SCHWARCZ, Lilia Moritz[https://repositorio.usp.br/item/001822588 . Nina Rodrigues: um radical do pessimismo]. In: &#039;&#039;&#039;Um enigma chamado Brasil: 29 intérpretes e um país&#039;&#039;&#039;. Tradução. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. Acesso em: 9 ago. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ODA, Ana Maria Galdini Raimundo; DALGALARRONDO, Paulo. [https://www.scielo.br/j/rlpf/a/hqtTp4m96H7zwb6kWHQxyqg/?lang=pt Uma preciosidade da psicopatologia brasileira: a paranóia nos negros, de Raimundo Nina-Rodrigues]. &#039;&#039;&#039;Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental&#039;&#039;&#039;, v. 7, n. 2, p. 147-160, 2004. Acesso em: 9 ago. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado originalmente por Alissa Manoeline da Silva Santos, Beatriz Xavier, Eduardo Leitão, Igor Martins e Emanuele dos Santos Neves Maria de Souza, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2024.1, publicado em 2024.1.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Raimundo_Nina_Rodrigues&amp;diff=1386</id>
		<title>Raimundo Nina Rodrigues</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Raimundo_Nina_Rodrigues&amp;diff=1386"/>
		<updated>2024-09-06T18:53:03Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Inserção completa do verbete na WikiHP&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Raimundo Nina Rodrigues, nascido em 4 de dezembro de 1862 em Vargem Grande, Maranhão, e falecido em 17 de julho de 1906 em Paris, França, foi um médico e antropólogo brasileiro, cujas ideias pioneiras na aplicação de métodos científicos foram acompanhadas de teorias controversas, especialmente em relação ao determinismo racial. Seu legado é marcado tanto por suas contribuições intelectuais quanto pelas críticas às suas visões raciais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Início da vida ===&lt;br /&gt;
Vindo de uma família de 7 filhos, Raimundo Nina Rodrigues nasceu em 4 de dezembro de 1862, na zona rural do distrito de Vargem Grande, Maranhão. Seu pai, Coronel Francisco Solano Rodrigues, era proprietário de terras e sua mãe, Luísa Rosa Nina Rodrigues, era descendente de judeus que migraram às terras maranhenses, fugidos de perseguições político-religiosas da Península Ibérica. Na infância, Nina Rodrigues era descrito por familiares como uma criança de saúde frágil, com características físicas consideradas pouco atraentes e um temperamento irritadiço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi criado na propriedade da família, Engenho São Roque, que obtinha a posse de cerca de 60 escravizados. Acerca disso, durante sua infância, Nina recebeu cuidados de uma escravizada, a Madrinha Mulata, que lhe ajudou no processo de aprendizagem da leitura. Característico da época escravocrata, essa presença da mão de obra negra escravizada como principal meio de trabalho era habitual, associando a percepção do corpo preto como inferior e servil, capaz de moldar a visão sobre questões raciais e sociais, refletido nas teses e ideias futuras de Nina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Formação acadêmica ===&lt;br /&gt;
Após sua alfabetização informal, obteve seus estudos primários em Vargem Grande. Porém, assim como as crianças pertencentes à elite rural da área, deu continuidade aos seus estudos básicos na capital, São Luís. Em 1880, iniciou o curso de humanidades no Seminário das Marcês, e, em seguida, prosseguiu no Colégio São Paulo. Completou o curso preparatório, equivalente às séries escolares atuais para os 12 aos 18 anos, entre 1879 e 1881. Durante seu período no Seminário, Nina passava boa parte das suas folgas em observação ao comportamento dos negros presentes no mercado de escravos que havia na vizinhança, hoje o Museu do Negro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos 20 anos, em 1882, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, onde permaneceu até 1885, quando se transferiu para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Porém, um ano depois, voltou para a Bahia, se formando em 1888. Em 1886, escreveu e publicou seu primeiro artigo, ainda como estudante, sobre a presença da doença lepra no estado do Maranhão, “A Morféa em Anajatuba Maranhão)ˮ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Início da carreira ===&lt;br /&gt;
Ao retornar ao Rio de Janeiro, defendeu sua tese para a conclusão do curso, intitulada “Das Amiotrofias de Origem Periféricaˮ, que investigava três casos de paralisia progressiva na mesma família. Nina clinicou em São Luís por todo o ano de 1888, já contribuindo com artigos para a Gazeta Médica da Bahia, uma revista científica de medicina publicada pela Faculdade de Medicina da Bahia. Em 1889, assumiu o cargo de adjunto na Cadeira de Clínica Médica da mesma faculdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não haja registros precisos do ano do casamento, Nina casou-se com Maria Amélia Couto Nina Rodrigues, conhecida como D. Maricas, filha do titular da Cadeira de Clínica Médica, conselheiro José Luiz de Almeida Couto. O casal teve apenas uma filha, Alice, nascida em 1894.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grandes feitos ===&lt;br /&gt;
Em outubro de 1890, participou do III Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia, realizado em Salvador, como membro da comissão executiva. Lá, apresentou três trabalhos tratando sobre epidemias que assolavam a capital baiana e, um deles, sendo o relatório detalhado da única autópsia feita, por ele, no estado durante uma então recente epidemia de influenza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, foi transferido para a cadeira de Medicina Pública como professor de Medicina Legal. Desde então, até sua morte, empenhou-se em pôr em prática as propostas de implantação do ensino prático e a nomeação dos professores de medicina legal como peritos da polícia. Ainda nesse ano, assumiu esse posto de redator chefe da Gazeta de Medicina da Bahia, considerada uma das mais importantes publicações médicas do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesses espaços, produziu diversos trabalhos sobre as origens étnicas da população e a influência das condições sociais e psicológicas na conduta do indivíduo, tendo o negro e o mestiço sempre como motivos principais de suas indagações. Conduziu também estudos significativos sobre psiquiatria forense no Brasil, publicando diversos artigos sobre o tema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com os resultados de seus estudos, propôs uma reformulação no conceito de responsabilidade penal, sugeriu a reforma dos exames médico-legais e foi pioneiro da assistência médico-legal a doentes mentais, além de defender a aplicação da perícia psiquiátrica não apenas nos manicômios, mas também nos tribunais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Publicações notórias ===&lt;br /&gt;
Em 1894, Nina publicou seu primeiro livro, “As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasilˮ, tendo Lombroso, “chefe da nova escola criminalistaˮ, como um dos nomes presentes na dedicatória e, em 1896, publica seu primeiro artigo no exterior, “Nègres criminels au Brésilˮ, na revista editada pelo mesmo em Turim, Itália.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1895 e 1900, fundou, juntamente com outros médicos, a Sociedade de Medicina Legal da Bahia, da qual foi eleito presidente. Além disso, foi um colaborador constante da Revista Médico Legal da Bahia, o órgão oficial da associação. Foi também admitido como membro da Médico-Legal Society de Nova York. Publicou ainda, nos Annales Médico-Psychologiques e na Revista Brasileira, uma análise sobre Antônio Conselheiro, líder do movimento Guerra de Canudos. Quatro anos depois, publicou a análise do crânio de Conselheiro também nos Annales.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nina também publicou, na mesma linha de estudo, uma análise ao atentado do então Presidente da República, Prudente de Morais, ocorrido em 1897. Nesse trabalho, relacionou a motivação do autor do crime à sua ascendência indígena e ao ambiente político-social do Brasil, ressaltando os efeitos degenerativos da mestiçagem sobre o povo brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1901, teve seu livro “O alienado no direito civil brasileiroˮ anexado a um dos volumes dos Trabalhos da Comissão que analisava o projeto do novo Código Civil Penal. Nesse mesmo ano, publicou o “Manual da Autópsia Médico-Legalˮ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1904, publicou vários artigos no Diário de Notícias da Bahia sobre a epidemia de beribéri que matou metade da população do Asilo São João de Deus. Como resultados de seus trabalhos, a Faculdade de Medicina da Bahia, em parceria com o Governo Estadual, iniciou a construção de um novo hospital, e Nina integrou a comissão nomeada para planejá-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fim da vida ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1906, Raimundo partiu rumo a Europa, juntamente de sua família, para o IV Congresso Internacional de Assistência Pública e Privada em Milão. Porém, enquanto participava de outro congresso médico, em Lisboa, foi diagnosticado com uma doença. De acordo com registros, não foi possível afirmar a causa determinada da morte, pois os diagósticos eram oscilantes devido a falta de intervenção cirurgica, atenta a fraqueza do enfermo. Entretanto, era notória a grave piora do médico. Nina morreu em Paris, e foi enterrado na Bahia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua homenagem, diversos atos foram concretizados. Na Bahia, está imortalizado pelo Instituto Nina Rodrigues de Medicina Legal. Na capital do Maranhão, seu estado natal, foi fundado, em 1941, o Hospital Nina Rodrigues e o distrito onde nasceu, se desmembrou de Vargem Grande e passou a se chamar, em 1961, município de Nina Rodrigues, além da rua no centro da capital maranhense, Avenida Nina Rodrigues.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia Biográfica ==&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1862:&#039;&#039;&#039; Nasce em 4 de dezembro, em Vargem Grande, Maranhão, Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1879-1881:&#039;&#039;&#039; Completa o curso preparatório no Colégio São Paulo, em São Luís, Maranhão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1882:&#039;&#039;&#039; Inicia o curso de Medicina na Faculdade de Medicina da Bahia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1885:&#039;&#039;&#039; Transfere-se para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1886:&#039;&#039;&#039; Publica o artigo A Morféa em Anajatuba (Maranhão).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1887:&#039;&#039;&#039; Retorna à Faculdade de Medicina da Bahia e conclui o curso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1888:&#039;&#039;&#039; Forma-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia. Em seguida, assume o cargo de adjunto da Cadeira de Clínica Médica na mesma faculdade e clinicou em São Luís.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1889:&#039;&#039;&#039; Defende sua tese de conclusão de curso, Das Amiotrofias de Origem Periférica, no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1890:&#039;&#039;&#039; Participa do III Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia em Salvador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1891:&#039;&#039;&#039; Assume a cadeira de Medicina Pública e Medicina Legal na Faculdade de Medicina da Bahia e torna-se redator-chefe da Gazeta Médica da Bahia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1894:&#039;&#039;&#039; Publica o livro “As Raças Humanas e a Responsabilidade Penal no Brasilˮ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1895-1900:&#039;&#039;&#039; Funda a Sociedade de Medicina Legal da Bahia e torna-se membro da Médico-Legal Society de Nova York. Colabora também com a Revista Médico Legal da Bahia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1896:&#039;&#039;&#039; Publica o artigo “Nègres criminels au Brésilˮ em uma revista italiana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1897:&#039;&#039;&#039; Publica uma análise sobre o atentado ao Presidente Prudente de Morais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1901:&#039;&#039;&#039; Publica “O Alienado no Direito Civil Brasileiroˮ e o “Manual da Autópsia Médico-Legalˮ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1904:&#039;&#039;&#039; Publica artigos no Diário de Notícias da Bahia sobre a epidemia de beribéri e participa da comissão planejadora para um novo hospital da Faculdade de Medicina da Bahia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1906:&#039;&#039;&#039; Participa do IV Congresso Internacional de Assistência Pública e Privada em Milão e falece em 9 de agosto em Paris, França.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. Fragmentos de pathologia intertropical: beri- beri, affecçôes cardiacas e renaes. Argentina: Impr. Tourinho, 1892.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. Epidémie de folie religieuse au Brésil. França: L. Maretheux, 1898.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. O regicida Marcellino Bispo. Brasil: Impr. économique, 1899.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasil. Brasil: Imprensa Popular, 1894.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. A Medicina legal no Brazil. Brasil: [s.n.], 1895.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. Manual da autópsia médico-legal. Rio de Janeiro: Reis &amp;amp; Comp., 1901.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina; RAMOS, Arthur; BRITTO, Alfredo. As collectividades anormaes. Brasil: Civilização Brasileira, S.A., 1939.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. O alienado no direito civil brasileiro. Brasil: Companhia Editora Nacional, 1939.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina. Os africanos no Brasil. Brasil: Companhia Editora Nacional, 1932.&lt;br /&gt;
# RODRIGUES, Raimundo Nina; VELHO, Yvonne Maggie Alves; FRY, Peter. O animismo fetichista dos negros baianos. Brasil: Ministério da Cultura, Fundação Biblioteca Nacional, 2006.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teorias ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Visão de raça humana ===&lt;br /&gt;
Raimundo Nina Rodrigues acreditava que algumas raças eram superiores, e era um&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ferrenho opositor à mistura racial. De acordo com Nina, a miscigenação atrasava a purificação do sangue branco. Apesar de considerar a raça negra inferior à branca e prejudicial como componente étnico na formação da sociedade brasileira, Nina Rodrigues admitia que essa nocividade continha uma gradação conforme a origem dos africanos. Em sua obra “Os mestiços brasileirosˮ publicada na Gazeta Médica da Bahia, Nina rejeitava a classificação racial presente em trabalhos médicos de sua época (branca, parda e preta), pois, segundo ele, englobava todos os mestiços no mesmo grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele propunha uma classificação que distinguia as raças puras em branca e negra e, em trabalhos mais tardios de sua carreira (“As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasilˮ), a vermelha. Em relação aos mestiços, ele identificava quatro grupos principais: os mulatos, os mamelucos ou caboclos, os curibocas ou cafuzos e os pardos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nina Rodrigues não citava de modo nominal nenhum autor ou teoria de herança e não justificava sua teoria com base em experimentos e evidências conduzidas por outros estudiosos do assunto. Todavia, a ideia de herança com mistura estava implicitamente presente em suas obras, essas que eram aceitas por Francis Galton, por exemplo. Ademais, surge a ideia do atavismo, manifestação de características herdadas que não são comuns nas gerações atuais, mas que aparecem novamente como uma forma de &amp;quot;retorno ao passado&amp;quot;, que era amplamente aceita no século XIX e presente, por exemplo, nas obras de Darwin. Em relação à teoria de herança adotada por Raimundo Nina Rodrigues, ele possivelmente não se sentiu compelido a justificar sua posição em termos científicos, visto que, suas ideias eram amplamente aceitas pela elite da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Antropologia criminal: criminoso nato ===&lt;br /&gt;
Raimundo Nina Rodrigues foi um grande nome da antropologia criminal no Brasil. Ele importou conceitos estrangeiros que defendiam a tese de que as raças negras, os indígenas e os mestiços possuíam um desenvolvimento inferior ao da raça branca, o que, segundo essas ideias, tornava essas raças &amp;quot;inferiores&amp;quot;;, inatamente propensas a cometer crimes. Esse conjunto de ideias formulou a tese do &amp;quot;criminoso nato&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partindo disso, Nina Rodrigues acreditava que a aplicação penal das leis não deveria ser igualitária. Ou seja, o código penal deveria ser aplicado de forma distinta às diferentes raças brasileiras. Essa ideia foi descrita em sua obra &amp;quot;As Raças Humanas e a Responsabilidade Penal no Brasil&amp;quot; (1894) e em &amp;quot;Os Africanos no Brasil&amp;quot; (1932). Nina criticava o sistema penal vigente justamente por não haver essa distinção racial. Seu discurso foi utilizado como fundamentação teórica para práticas como a perseguição policial e jurídica de negros, indígenas e mestiços, e também pela elite branca para justificar sua superioridade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nina Rodrigues formulava suas ideias em um contexto de tensão racial pós-abolição da escravatura, inspirado pela escola de criminologia italiana, com ênfase no psiquiatra Césare Lombroso, que produziu estudos que argumentavam a existência de raças inferiores. Lombroso chegou a essa conclusão após analisar características físicas, tatuagens e ações de pessoas integradas ao sistema criminal e a clínicas psiquiátricas, acreditando que esses indivíduos possuíam um desenvolvimento inferior. Embora a teoria de Nina Rodrigues tenha sido criativa e inovadora para sua época, ela foi refutada pela ausência de base científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Raimundo Nina Rodrigues, apesar de suas contribuições intelectuais, é frequentemente criticado por refletir e propagar os preconceitos raciais e sociais predominantes em sua época. Associadas a uma visão colonialista e patologizante, as teses de Nina Rodrigues são consideradas ultrapassadas pelos padrões acadêmicos contemporâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lilia Schwarcz, doutora em antropologia social pela Universidade de São Paulo, realiza&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
uma análise crítica das teorias de Nina Rodrigues. Ela destaca que, embora influentes na época, suas ideias — como a aplicação do darwinismo social e da antropologia criminal — são hoje vistas como problemáticas e obsoletas. Schwarcz afirma que “Nina Rodrigues foi vencido pelo tempo e seus ideais acabaram devidamente datadosˮ (SCHWARCZ, 2009, p. 102) e observa que suas teorias sobre criminalidade foram percebidas como “radicais e difíceis de domarˮ (SCHWARCZ, 2009, p. 92). Ela vê suas ideias como um “elogio à ideia da relatividadeˮ, mas também como um “alerta para os perigos que cercam sua aplicaçãoˮ (SCHWARCZ, 2009, p. 101).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ana Maria Galdini Raimundo Oda, chefe do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, critica Nina Rodrigues por seu desejo de branqueamento, que, segundo ela, era “travestido de previsão científicaˮ (ODA, 2004, p. 149) e revelava um profundo preconceito contra os não-brancos, considerados incapazes de construir uma nação moderna. Oda reforça a visão de que Nina Rodrigues usou a ciência para justificar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
preconceitos raciais (ODA, 2004, pp. 147-160).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marcela Franzen Rodrigues, doutora em psicologia social, complementa essa visão, argumentando que as teorias de Nina Rodrigues “não são mais passíveis de serem levadas a sérioˮ (RODRIGUES, 2015, p. 1133). Ela acrescenta que essas teorias tratavam a população negra como um objeto de estudo e ajudaram a perpetuar uma visão racista que ainda ressoa tanto no senso comum quanto na ciência (RODRIGUES, 2015, pp. 1119-1135).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Mário Davi Barbosa, doutorando e mestre em Teoria e História do Direito, acrescenta uma crítica significativa ao argumentar que Nina Rodrigues tratou a população negra como um objeto de estudo e que suas obras contribuíram para a naturalização das desigualdades sociais. Segundo Barbosa, essas ideias têm implicações prejudiciais, pois perpetuam a negação de direitos e a aceitação da desigualdade (BARBOSA, 2016, pp. 49-78).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas críticas convergem para a conclusão de que, apesar da influência de Nina Rodrigues em seu tempo, suas ideias são agora consideradas desatualizadas e prejudiciais. Elas não apenas refletem, mas também reforçam preconceitos raciais, impactando negativamente a compreensão e o tratamento da população negra na sociedade contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Biografia:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CORRÊA, Mariza. Raimundo Nina Rodrigues e a &amp;quot;garantia da ordem social&amp;quot;. &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/13488&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.. Acesso em: 15 jun. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MAIO, M. C.. A medicina de Nina Rodrigues: análise de uma trajetória científica. Cadernos de Saúde Pública, v. 11, n. 2, p. 226237, abr. 1995. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://doi.org/10.1590/S0102311X1995000200006&amp;lt;/nowiki&amp;gt; Acesso em: 2 ago. 2024&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, Marcos A. P. A morte de Nina Rodrigues e suas repercussões. 1995. p. 55-62. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorio.ufba.br/handle/ri/3592&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 25 Jun. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RODRIGUES, Marcela Franzen. Raça e criminalidade na obra de Nina Rodrigues: Uma história psicossocial dos estudos raciais no Brasil do final do século XIX. Estudos e Pesquisas em Psicologia, S. l.], v. 15, n. 3, p. 1118-1135, 2015. DOI: 10.12957/epp.2015.19431 Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.epublicacoes.uerj.br/revispsi/article/view/19431&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 24 jun. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SERAFIM, Vanda Fortuna. O Pensamento Complexo em Nina Rodrigues: Uma Discussão de Teoria e Metodologia. V Congresso Internacional de Historia. PPGH/UFSC. Set. 2011. DOI:10.4025/5cih.pphuem.1606. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.cih.uem.br/anais/2011/trabalhos/210.pdf&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 10 jul. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VALE, Arquimedes Viegas. Inclusão de Nina Rodrigues na História da Hipnose no Brasil: um ensaio. Revista Brasileira de Hipnose, v. 216, p. 27, 26 jan. 2015. Disponível em:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://revistabrasileiradehipnose.com.br/wp-content/uploads/2020/07/RBH_Vol-261-pp.2-8_Vale.pdf&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 2 ago. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Teoria:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
NEVES, Márcia das. A concepção de raça humana em Raimundo Nina Rodrigues. Filosofia e História da Biologia, v. 3, p. 241261, 2008. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.abfhib.org/FHB/FHB03/FHB-v0313.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso 9 ago.2024&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CAMPOS, Rodrigo Mello. A apropriação da escola italiana de antropologia criminal na obra de Nina Rodrigues: ativismo por uma nova sensibilidade sobre crime e raça 18941906. Temporalidades: Revista de História, [s. l.], v. 10, n. 1, ed. 27, p. 341-362, 2018. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://periodicos.ufmg.br/index.php/temporalidades/article/view/6067/pdf&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 5 ago. 2024&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Crítica:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BARBOSA, D. Originalidade e pessimismo: a recepção da criminologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
positivista na obra de Nina Rodrigues. Captura Críptica: direito, política, atualidade, Florianópolis, v. 3, n. 2, p. 49-78, 2016. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://ojs.sites.ufsc.br/index.php/capturacriptica/article/view/5817&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 9 ago. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SCHWARCZ, Lilia Moritz. Nina Rodrigues: um radical do pessimismo. In: Um enigma chamado Brasil: 29 intérpretes e um país. Tradução. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorio.usp.br/item/001822588&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 9 ago. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ODA, Ana Maria Galdini Raimundo; DALGALARRONDO, Paulo. Uma preciosidade da psicopatologia brasileira: a paranóia nos negros, de Raimundo Nina-Rodrigues. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, v. 7, n. 2, p. 147160, 2004. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://doi.org/10.1590/141547142004002010&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 9 ago. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado originalmente por Alissa Manoeline da Silva Santos, Beatriz Xavier, Eduardo Leitão, Igor Martins e Emanuele dos Santos Neves Maria de Souza, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2024.1, publicado em 2024.1.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Raimundo_Nina_Rodrigues&amp;diff=1385</id>
		<title>Raimundo Nina Rodrigues</title>
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		<updated>2024-09-06T17:58:29Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Criar página em branco&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Categoria:Experimentos&amp;diff=1384</id>
		<title>Categoria:Experimentos</title>
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		<updated>2024-08-27T19:36:42Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;São considerados experimentos procedimentos controlados adotados com cobaias para observação de padrões de comportamento. Deve-se utilizar a ideia clássica e corriqueira de experimento, oriundos da psicologia experimental, geralmente acadêmica. Experimentos fora destes âmbitos não devem ser inseridos na WikiHP em seu estado atual de desenvolvimento. O título do verbete deve indicar o nome mais conhecido e corrente do experimento, e seu nome técnico deve constar no texto do verbete.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dos verbetes já categorizados, outras sugestões são [[Experimento de Milgram]], [[Experimento do Pequeno Albert]],  entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mais detalhes sobre como produzir verbetes para esta categoria, consulte o [https://doi.org/10.5281/zenodo.6337937 livro de estilo da WikiHP].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Experimento_de_Aprisionamento_de_Stanford&amp;diff=1383</id>
		<title>Experimento de Aprisionamento de Stanford</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Experimento_de_Aprisionamento_de_Stanford&amp;diff=1383"/>
		<updated>2024-08-27T19:34:31Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O experimento da prisão de Stanford foi uma investigação conduzida pelo psicólogo e professor Phillip Zimbardo, em conjunto com Craig Haney e Curtis Banks em 1971, na Universidade de Stanford, Califórnia (EUA), financiado principalmente pelo Escritório de pesquisa Naval Americana. O experimento confinou alunos-voluntários “comuns” e saudáveis, em uma simulação de prisão, divididos aleatoriamente em grupos de guardas e prisioneiros para explorar como o ambiente do cárcere pode afetar o comportamento humano. Eles buscavam analisar a percepção de papéis sociais em um ambiente prisional simulado e de como essa condição influencia no comportamento humano, podendo levar indivíduos a tendências de comportamentos autoritários, enquanto outros assumem uma atitude de submissão, de acordo com sua posição hierárquica. O experimento teve de ser interrompido com apenas seis dias, apesar de ter sido idealizado para duas semanas, devido aos resultados assustadores constatados e à preocupação com o rumo ético que a situação estava tomando. De todo modo, o estudo foi publicado em 1973, no &#039;&#039;Journal of Abnormal Psychology.&#039;&#039; Tornou-se um experimento amplamente conhecido devido às suas representações no universo cinematográfico, captando o interesse do público geral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Idealização ===&lt;br /&gt;
Em 1971, na Califórnia, Palo Alto, Universidade de Stanford, foi desenvolvido um experimento que tinha como objetivo obter uma melhor compreensão acerca dos mecanismos psicológicos básicos subjacentes à agressão humana. O principal investigador do estudo e condutor do experimento foi o Dr. Phillip Zimbardo, que teve sua pesquisa financiada pelo Escritório de Pesquisa Naval. A equipe de pesquisa do experimento foi formada por [[Phillip Zimbardo]], [[David Jaffe]], [[Craig Haney]] e [[Curtis Banks]]. Eles também estavam interessados em estudar como as dinâmicas de poder e os papéis sociais influenciam o comportamento humano, usando como base a teoria da desindividualização, criada por [[Gustave Le Bon]] em 1895. Foi questionada a ideia de que as pessoas nascem inerentemente boas ou más, argumentando que todos possuímos uma capacidade significativa de moldar nosso comportamento e escolher quem queremos ser. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As causas e efeitos de desempenhar os papéis designados foram estudados no contexto da simulação do ambiente de uma prisão. Originalmente, o experimento deveria durar duas semanas, mas foi interrompido no sexto dia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo de Zimbardo com o Experimento da Prisão de Stanford era conscientizar sobre a necessidade de reformas prisionais ao nível psicológico. Ele queria evitar que homens que cometem crimes se tornassem desumanizados por experiências negativas na prisão, o que poderia transformá-los em criminosos piores do que eram inicialmente. Em resumo, o experimento buscava demonstrar que as prisões não são benéficas para os prisioneiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Método ===&lt;br /&gt;
Os guardas possuíam liberdade para implementar os procedimentos que julgassem eficientes para induzir os prisioneiros ao ambiente da “prisão”, e o único limite que foi imposto aos mesmos era que não houvesse abuso ou agressão física. Os prisioneiros encontraram-se submetidos às situações e condições da instituição a qual se voluntariaram. O comportamento dos dois grupos foi gravado e analisado como material do estudo. As formas de registro foram: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Transações entre e dentro de cada grupo de sujeitos, registrados através de vídeos e áudio, bem como observados diretamente. &lt;br /&gt;
# Reações dos indivíduos em questionários, testes de humor, personalidade, relatórios dos turnos dos guardas e entrevistas pós-experimentais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
75 homens responderam a um anúncio de jornal que buscava voluntários do sexo masculino para participar de um estudo psicológico sobre a “vida na prisão” por um salário de 15 dólares por dia. A partir do grupo de 75 interessados em participar do experimento, foram selecionados 24 sujeitos que responderam a extensos questionários sobre seu histórico familiar, saúde física e mental, possíveis envolvimentos em crimes e possível propensão comportamental à psicopatologia. Cada sujeito foi entrevistado pelos pesquisadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aleatoriamente, metade dos sujeitos foi designada para o papel de “prisioneiros” e o restante assumiu o de “guardas”. Os voluntários eram todos estudantes universitários do sexo masculino, saudáveis e normais que estavam na área de Stanford durante as férias. Em sua maioria, eram de classe média e caucasianos (com exceção de um sujeito oriental) e todos eram estranhos uns aos outros, pois seria prejudicial ao experimento caso relações pré-existentes interferissem na pesquisa. Alguns voluntários não se envolveram no experimento, pois ficaram designados como guarda e prisioneiro “suplentes” caso fosse necessário. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Aspectos físicos da prisão ===&lt;br /&gt;
Com a finalidade de ter uma simulação fiel ao ambiente prisional, os pesquisadores buscaram consultores experientes para auxiliar na construção de um cenário “real” o bastante. O cenário foi construído no porão do prédio de psicologia da Universidade, onde as extremidades de um corredor de 35 pés foram fechadas, com uma única porta de saída/entrada da prisão, e na outra ponta se localizava uma tela de observação onde atrás dela estava o equipamento de gravação, com espaço para os pesquisadores que observavam o experimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A prisão continha apenas 3 celas pequenas de 6x9 pés (1,8 por 2,7 metros), anteriormente usadas como laboratórios, que tiveram suas portas trocadas por grades de aço que continham números de identificação. Dentro das celas não havia mobília, somente colchões, lençóis e travesseiros para cada prisioneiro. O espaço “livre” no corredor era chamado de pátio, onde os prisioneiros tinham permissão para comer, praticar exercícios e andar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um pequeno armário (60cm de profundidade, 60cm largura, aproximadamente) foi utilizado pelos guardas como uma espécie de solitária para confinar os prisioneiros. Haviam também salas que foram utilizadas como alojamento dos guardas, para trocarem de roupa ou descansar, um quarto para o “diretor” (David Jaffe) e “superintendente” (Phillip Zimbardo), além de uma sala para entrevistas e testes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Instruções dos papéis e início do experimento ===&lt;br /&gt;
Foi informado aos  participantes do experimento que seus papéis foram designados aleatoriamente e todos estavam de acordo. Os voluntários assinaram, então, um contrato que lhes garantia uma dieta minimamente adequada, roupas, moradia e cuidados médicos, além da remuneração financeira em troca de “atuar” no papel que tinham recebido durante o estudo. No contrato, também estava explícito que os prisioneiros estariam sob vigilância constante, logo, não teriam privacidade e alguns de seus direitos civis básicos seriam suspensos. Os pesquisadores não passaram instruções para o grupo de jovens que foi sorteado para  interpretarem os papéis de detentos, somente que deveriam estar disponíveis em suas residências no dia que o experimento fosse iniciado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já os voluntários que ficaram com os papéis de guardas receberam orientações mais claras. Um dia antes dos prisioneiros serem detidos em suas casas, foi realizada uma reunião na qual os guardas foram apresentados aos principais investigadores do estudo, que também assumiram papéis dentro do experimento. O Dr. Zimbardo assumiu o papel de “superintendente” e seu assistente de pesquisa David Jaffe interpretou o “diretor” da prisão. A tarefa que os pesquisadores passaram aos guardas era que fosse mantido um “grau razoável de ordem” dentro da prisão para que seu funcionamento fosse eficaz. Foram impostos limites como agressão física, por considerações éticas e pragmáticas. O diretor passou as instruções administrativas que eram da responsabilidade dos guardas, sendo elas: seus turnos de trabalho, relatórios sobre seus respectivos turnos e a atividade de guardas e prisioneiros, relatório de “incidentes críticos” que detalhavam ocorrências fora do comum, além da administração das refeições, trabalho e programas de recreação para os prisioneiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os prisioneiros foram alocados em trios para cada uma das três celas. Já os guardas se dividiam igualmente em trios, com turnos de 8 horas cada. Os guardas permaneciam na prisão simulada apenas durante seus turnos.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os uniformes ===&lt;br /&gt;
Para fomentar a perda do sentimento de identidade e em seu lugar se instalar o anonimato, foram distribuídos uniformes para os dois grupos. No caso dos guardas, o uniforme era composto de camisas e calças cáqui simples, um apito, cassetetes de madeira e óculos de sol escuros para impossibilitar o contato visual. A cor dos uniformes tinha intenção de fazer referência aos uniformes militares, enquanto o apito e cassetete eram símbolos de controle e poder. O uniforme dos prisioneiros era formado por uma camisa grande e larga que continha seus números de identificação, sem roupas íntimas, uma corrente leve presa em torno dos tornozelos, sandálias de borracha  e um gorro feito de meia-calça, além disso, não foi permitido nenhum objeto pessoal nas celas. Os uniformes buscavam causar desconforto e humilhação, simbolizando sua dependência e submissão aos guardas. Como estavam acorrentados, não era possível esquecer a opressão do ambiente. O gorro de meia-calça foi outra estratégia utilizada pelos pesquisadores para diminuir a individualidade dos prisioneiros, já que algumas pessoas costumam se expressar através do penteado, comprimento ou cor do cabelo. Os uniformes longos e folgados que se assemelhavam a “vestidos” causavam desconforto e dificultava os movimentos, os fazendo assumir posturas não familiares, de certa forma femininas - todas essas estratégias foram tomadas com o propósito de acelerar o processo de emasculação nos prisioneiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Rotina administrativa ===&lt;br /&gt;
Com as celas preenchidas, o diretor cumprimentava os presos e lia as regras da instituição (desenvolvidas pelos guardas e diretor), incluindo a proibição dos nomes de batismo e a utilização apenas dos números de identificação na intenção de despersonalizá-los. Essas regras eram checadas diariamente por três contagens dos indivíduos divididas em cada turno feita pelos guardas, que com o passar do experimento, foram ficando espontânea e progressivamente mais longas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diariamente, os prisioneiros tinham direito a três refeições, três visitas supervisionadas ao banheiro e duas horas para ler ou escrever cartas. Eles também recebiam atribuições de trabalho, recebendo certo valor por hora e acumulando 15 dólares por dia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Semanalmente, eles recebiam dois períodos de visita, direito de assistir filmes e períodos de exercícios. Com o passar do tempo, essas características da rotina foram modificadas ou abandonadas pelos guardas, e alguns privilégios esquecidos pela equipe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os dias na prisão ===&lt;br /&gt;
Como o primeiro dia passou calmamente, nenhum dos experimentadores previu a revolta dos presos logo no segundo dia. Os prisioneiros arrancaram os gorros, se livraram dos números de identificação e trancaram-se dentro das celas, com as camas contra as portas. Os guardas chamaram reforços e resolveram utilizar a força para resolver a situação. Eles então dispararam nas celas com um jato de dióxido de carbono vindo de um extintor de incêndio, depois disso invadiram as celas, despindo os prisioneiros, retirando suas camas e forçando os líderes da rebelião a solitária improvisada da prisão. Com a ameaça da revolta suprimida, os guardas decidiram utilizar &amp;quot;tácticas psicológicas&amp;quot; que se constituíram em criar um grupo de prisioneiros privilegiados. O objetivo era quebrar a solidariedade entre os reclusos, que agora viam os privilegiados como &amp;quot;informantes&amp;quot;, causando desconfiança entre os prisioneiros. Outro efeito da revolta foi aproximar mais os guardas, que começaram a ver a prisão simulada não como um experimento, mas sim uma prisão de fato, dessa forma aumentando o assédio e controle sobre os prisioneiros. Menos de 36 horas desde o inicio do experimento,  um dos prisioneiros começou a demonstrar sinais de perturbação emocional aguda, choro incontrolável, raiva e pensamentos desorganizados. Mesmo com todos esses sintomas, os experimentadores hesitaram em liberar o detento, temendo que fosse uma encenação para ser libertado da prisão. O detento era o #8612 e foi libertado após uma crise. No dia seguinte, foi organizado um horário onde foram permitidas as visitas de amigos e familiares. Foi permitido aos prisioneiros que tomassem banho, se barbeassem e, então, foram obrigados a limpar e organizar suas celas, tudo com o objetivo de manipular os visitantes para que o ambiente parecesse &amp;quot;agradável&amp;quot;. Os visitantes tiveram apenas 10 minutos com a vigilância de um guarda do experimentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seguinte revolta na prisão simulada foi o rumor de um suposto plano de fuga dos detentos. O rumor era de que o prisioneiro #8612, que havia sido libertado no dia anterior, iria reunir um grupo e retornar para libertar os detentos. A reação dos experimentadores foi se preocupar com a segurança da sua prisão, realizando uma reunião para discutirem como impedir a fuga. O Dr. Zimbardo até mesmo procurou o Departamento de Polícia de Palo Alto e pediu a transferência dos prisioneiros do estudo para a antiga prisão, pedido que foi negado. O plano arquitetado pelos pesquisadores foi desmontar a prisão, obter mais guardas, acorrentar, colocar sacos e escondê-los em um depósito até que a invasão ocorresse, para então informar que o experimento tinha sido finalizado e os voluntários haviam sido libertados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Zimbardo relata seu profundo envolvimento no personagem que interpretava, relatando a seguinte situação: seu ex-colega de quarto, Gordon Bower, pergunta a ele qual a variável independente do experimento. Zimbardo confessa ter sentido raiva a esta pergunta, pois no momento se encontrava preocupado com a possível fuga dos seus prisioneiros. Por fim, o boato se provou falso, causando frustrações nos pesquisadores e guardas. Essa frustração fez com que os guardas aumentassem o nível de assédio e humilhação sob os prisioneiros. Os guardas forçaram os prisioneiros a fazer serviços repetitivos, como limpar os sanitários com as próprias mãos, além de obrigarem os detentos a fazer flexões, polichinelos e aumentavam a duração das contagens para várias horas cada. O Dr. Zimbardo chegou a convidar um padre que havia sido capelão prisional como consultor e também entrevistador para os prisioneiros. A visita do padre confundiu ainda mais a visão dos detentos entre a simulação e a realidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo prisioneiro foi libertado logo em seguida, após uma crise emocional, e foi quando o Dr. Zimbardo chegou até ele e disse que aquilo não era uma prisão de verdade, mas sim um experimento. No próximo dia, os pesquisadores reuniram secretários de departamento e estudantes de pós-graduação para compor um “Conselho de Liberdade Condicional” para audiências de liberdade condicional, onde foi questionado aos detentos se abririam mão do dinheiro que tinham ganhado até o momento em troca de sua liberdade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O último ato de rebelião no experimento foi quando os investigadores chamaram o prisioneiro “suplente” para integrar o grupo dos detentos. Ao contrário dos detentos mais “antigos”, este novo detento se sentiu horrorizado com o tratamento e abuso de poder dos guardas, até mesmo decidindo fazer greve de fome para ser libertado. Os guardas tentaram forçar o detento a comer, e frustrados após várias tentativas fracassadas, o prisioneiro foi levado ao confinamento na solitária por 3 horas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na quinta e última noite, alguns dos pais entraram em contato com o Dr. Zimbardo, pedindo que um advogado fosse contratado para que seus filhos fossem soltos. Atendendo a este pedido, um advogado foi até a prisão simulada e entrevistou os detentos com perguntas padrões, mesmo sabendo que se tratava apenas de um experimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A simulação foi encerrada no sexto dia, de forma prematura. O Dr.Zimbardo relata ter encerrado o estudo desta forma por duas razões. A primeira foi a descoberta de que o nível de abuso que os guardas cometiam aumentava durante a noite, pois achavam que os pesquisadores não estavam observando, assim, sentiam mais liberdade para degradar os detentos como quisessem. Outro motivo foi a forte objeção de [[Christina Maslach]], Ph.D de Stanford, em relação ao experimento. De 50 ou mais pessoas que se envolveram no estudo, ela foi a única a se revoltar e questionar a moralidade do experimento e dos investigadores. Dessa forma, a simulação da prisão de Stanford foi encerrada. Por fim, os investigadores realizaram diversas sessões de encontros, primeiramente com todos os guardas, depois com os prisioneiros e, finalmente, com todos eles reunidos. O propósito desses encontros era relatar o que haviam observado uns nos outros e em si mesmos, afim de compartilhar as experiências de todos, aproveitando também o momento para discutirem acerca da moral e comportamento registrados no estudo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Produtos do experimento ===&lt;br /&gt;
Trinta e seis anos após o fim do experimento, em 2007, Phillip Zimbardo publicou o livro “Efeito Lúcifer: Entendendo como pessoas boas se tornam diabólicas”. O livro utilizou do experimento como base para pesquisas acerca dos fatores psicológicos e sociais que resultam em “atos imorais” vindo de pessoas que são consideradas “morais” ou “boas”. O livro teve uma boa recepção em questão de vendas e recebeu diversas criticas positivas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No cinema, o experimento foi usado como inspiração três vezes, primeiro no filme alemão &#039;&#039;Das Experiment&#039;&#039;, o segundo foi um &#039;&#039;remake&#039;&#039; do primeiro, chamado &#039;&#039;The Experiment&#039;&#039; e lançado em 2010. Por último, em 2015 foi lançado &#039;&#039;The Stanford Prison Experiment&#039;&#039;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Variáveis analisadas ==&lt;br /&gt;
O experimento da prisão de Stanford tinha a proposta de observar a dinâmica em um ambiente prisional simulado, o comportamento tanto dos ditos prisioneiros e guardas, como seria a interação e adaptação desses grupos isolados e entre si. Eles buscavam analisar se o ambiente do cárcere, as relações de poder e submissão eram capazes de modificar a conduta de pessoas socialmente saudáveis em comportamentos disfuncionais, tão comumente observados no ambiente prisional real, como por exemplo: abuso de poder, torturas etc. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O comportamento do grupo e o desenrolar psico-cognitivo das cobaias eram analisados através de gravações de áudio e vídeo, ou sendo observados diretamente e estudados com testes psicológicos que acompanhavam o progresso - ou regresso - deles durante o experimento.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Linha teórica ==&lt;br /&gt;
A linha teórica adotada por Philip Zimbardo para a construção do experimento de Stanford é a chamada [[Teoria da Desindividualização]]. Ela foi pensada inicialmente pelo psicólogo francês Gustave Le Bon, no ano de 1895, como uma tentativa de entender o comportamento das pessoas quando elas estão sozinhas ou em grupo. Segundo ele, quando indivíduos se juntam em multidões, eles agem de maneiras que não agiriam individualmente. Isso pode incluir comportamentos destrutivos, uma sensação de impunidade e uma tendência maior a comportamentos transgressores, perdendo um pouco da própria identidade dentro do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Philip Zimbardo, inspirado por Le Bon, expandiu essa ideia em suas pesquisas. Ele explorou como a desindividualização pode levar a comportamentos antissociais. A sua proposta de teoria da desindividualização explora como fatores internos e externos influenciam o comportamento dos indivíduos. Esses fatores incluem anonimato, responsabilidade compartilhada ou difusa, pertencimento a múltiplos grupos e uma percepção alterada do tempo. Quando esses elementos se combinam, eles criam um estado de desindividualização, no qual há uma mudança na auto-percepção e na maneira como os indivíduos vêem os outros, o que resulta em uma redução da auto-observação e da preocupação com a avaliação social. Por outro lado, ele também diz que a desindividualização pode ser promovida pelo aumento da autoconsciência, levando os indivíduos a se verem como entidades distintas dentro do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, a desindividualização explorada por Zimbardo refere-se à situação em que os indivíduos agem em grupo sem uma forte percepção de sua própria identidade individual, o que pode levar a comportamentos que vão contra as normas sociais estabelecidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Personagens importantes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Philip Zimbardo ===&lt;br /&gt;
Philip G. Zimbardo nasceu em 23 de março de 1933 em Nova York, NY. Formou-se na Brooklyn College e concluiu seu Ph.D. em Yale, Connecticut. Philip sempre teve sua pesquisa focada em entender os fenômenos psicológicos básicos, com atual enfoque para: tempo, loucura, timidez, maldade e ação heroica. Em 1971, inspirado pelo [[Experimento de Milgram|experimento de obediência]], realizado por [[Stanley Milgram]], e pelo [[Experimento de Toyon Hall]], realizado por seu aluno David Jaffe, Zimbardo conduziu o Experimento de Aprisionamento de Stanford com a intenção de demonstrar o poder da situação social na distorção da identidade e valores morais do indivíduo, no qual ele atuou como experimentador e superintendente da prisão. Esse experimento levou o pesquisador a desenvolver o livro “The Lucifer Effect: Understanding how good people turn evil” em 2007. Zimbardo foi presidente da [[American Psychological Association (APA)]] em 2001, atualmente é professor emérito de Stanford e  presidente do Heroic Imagination Project, organização que tem como objetivo aumentar o comportamento heroico entre pessoas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Christina Maslach ===&lt;br /&gt;
Christina Maslach nasceu em 21 de janeiro de 1946. Formou-se em Harvard-Radcliffe no ano de 1967 e concluiu seu Ph.D. em psicologia social em Stanford no ano de 1971. No mesmo ano, a pesquisadora estava concluindo seu doutorado e era colega de Craig Haney, além de estar envolvida romanticamente com Philip Zimbardo, e nesse contexto presenciou as primeiras ideias do experimento. Maslach visitou o experimento no quinto dia com o objetivo de realizar entrevistas aos guardas e reclusos e se opôs ao comportamento que presenciou na simulação. A pesquisadora foi a única dentre todas as pessoas que viram a prisão e questionar o estatuto moral do acontecimento. Maslach tem como principal foco de pesquisa o &#039;&#039;burnout&#039;&#039; causado pelo trabalho, e suas as pesquisas levaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) a reconhecer o &#039;&#039;burnout&#039;&#039; como uma doença ocupacional na 11 Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Craig Haney ===&lt;br /&gt;
Craig Heaney foi um importante agente do experimento, visto que ele foi um dos idealizadores junto de Philip Zimbardo e Curtis Banks,. Na época, Haney era um estudante de graduação e tinha interesse em aplicar a psicologia social em questões relacionadas ao crime e punição, muito inspirado pelas lições deixadas por Stanley Milgram sobre a natureza humana. Ele também acreditava que a psicologia social poderia e deveria ser aplicada para a melhora da vida humana, e foi em um curso a respeito disso, ministrado por Zimbardo, que eles começaram a formular a ideia de um experimento baseado na estrutura de uma prisão. Haney foi o responsável pela entrevista dos participantes do experimento e nele teve o papel de “conselheiro psicológico”, o que fez com que periodicamente tivesse contato direto com os prisioneiros. Haney concluiu seu Ph.D em psicologia em Stanford, no ano de 1978. Atualmente, atua como professor de psicologia na Universidade da Califórnia, Santa Cruz, e é um especialista em condições de cárcere. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== David Jaffe ===&lt;br /&gt;
Apesar de pouco creditado pelo Experimento de Aprisionamento de Stanford, David Jaffe teve um papel crucial em seu desenvolvimento. Jaffe foi responsável por conduzir um experimento que seria apresentado em um seminário para uma aula de Zimbardo, em que simulava uma prisão em seu dormitório.  Este experimento ficou conhecido como Experimento de Toyon Hall e, para isso, Jaffe fez diversas pesquisas e conheceu Carlos Prescott, um ex-presidiário que posteriormente viria a ser o consultor principal do Experimento de Aprisionamento de Stanford. Diversos elementos do Toyon Hall podem ser vistos no Experimento de Aprisionamento de Stanford. Jaffe desempenhou o papel de carcereiro no experimento conduzido por Zimbardo. Atualmente, é professor de pediatria na Washington University.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Reproduções do experimento ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os efeitos de três ambientes prisionais experimentais no comportamento de voluntários não presidiários ===&lt;br /&gt;
Em 1979, S. H. Lovibond, Mithiran e Adams ampliaram o Experimento da Prisão de Stanford, estudando os efeitos de possíveis mudanças na organização social de ambientes prisionais. Alguns aspectos do estudo replicaram o Experimento da Prisão de Stanford (por exemplo: os voluntários foram selecionados para investigar possíveis distúrbios psicológicos) e alguns não (por exemplo: os prisioneiros usavam uniformes padrão de prisão).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Três regimes prisionais experimentais foram examinados e comparados utilizando 60 voluntários não-presidiários (todos do sexo masculino), selecionados entre aqueles que responderam a um anúncio de jornal. O regime custodial padrão foi modelado com base em prisões existentes de segurança média a alta. O regime custodial individualizado, mais liberal, permitia aos prisioneiros alguma individualidade e auto respeito, e o regime participativo encorajava os guardas a engajarem em comportamentos construtivos e responsáveis com os prisioneiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo passou quatro dias na prisão experimental e eram compostos por seis presos e quatro policiais cada um. Os três regimes diferiam significativamente no caráter das relações entre os guardas e os prisioneiros. O regime custodial padrão levou a muita hostilidade entre os prisioneiros e guardas, entretanto, os relacionamentos guarda-prisioneiros nos outros dois regimes foram benéficos e diferentes do observado no Experimento da Prisão de Stanford. Os resultados foram entendidos como mais uma evidência de que as relações hostis e afrontosas nas prisões são uma função da organização social das prisões e não das características pessoais dos participantes, contribuindo com o argumento de que a orientação e características de demanda de Zimbardo e seus co-experimentadores provavelmente desempenharam papel importante no resultado do Experimento da Prisão de Stanford.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== BBC Prison Study ===&lt;br /&gt;
Em 2002, dois psicólogos sociais britânicos, Alex Haslam e Stephen Reicher, realizaram um experimento semelhante ao Experimento da Prisão de Stanford, em parceria com a BBC, que foi filmado e exibido na TV. O estudo tinha como objetivo abordar questões sobre a tirania e a resistência, revisitando as ideias levantadas por Zimbardo em seu experimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para selecionar os candidatos, eles publicaram anúncios em diversos jornais britânicos que pedia a participação de homens em um experimento de Ciências Sociais que seria transmitido na TV. 322 pessoas responderam e passaram por três etapas de triagem, que abordavam critérios éticos e científicos. Após esse processo, restaram 15 homens considerados decentes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para garantir que guardas e prisioneiros fossem psicologicamente semelhantes, os psicólogos usaram um procedimento mais rigoroso para separar os grupos. Eles escolheram 10 homens para serem prisioneiros e 5 para serem guardas. Apesar de ser uma prisão fictícia, a diferença de status e poder era real para representar a gama de instituições de poder desigual existentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os principais resultados do estudo revelaram a identificação, organização e poder de grupo. Quando as pessoas partilham de uma identidade comum, isso as levaria a objetivos e valores semelhantes. Por outro lado, quando as pessoas não tem um sentido de identidade comum, não conseguiriam chegar a um acordo sobre valores ou objetivos. Diferindo dos resultados do Experimento da Prisão de Stanford, Haslam e Reicher afirmam que os indivíduos não se adaptam cega ou inconscientemente aos papéis, ao contrário, só agem em termos de um papel quando o enxergam como parte de sua identidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Hipóteses e resultados   ==&lt;br /&gt;
A hipótese dos pesquisadores era de que mesmo homens considerados “normais” e inteligentes, quando colocados em uma situação em que a relação de poder era bem definida, a de guardas e prisioneiros, apresentariam aumento do comportamento agressivo no caso dos guardas e de comportamento submisso no caso dos prisioneiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O resultado do experimento se mostrou favorável à hipótese, visto que o comportamento de passividade dos “prisioneiros” aumentou, e o comportamento agressivo dos “guardas” foi tanto que a situação ultrapassou as expectativas Zimbardo. Houveram ocasiões em que “prisioneiros” foram soltos antes por conta de crises e outros efeitos emocionais que a experiência causou neles. A situação ficou tão fora de controle que o experimento teve que ser encerrado antes do tempo de duração que havia sido estipulado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Erich Fromm ===&lt;br /&gt;
O escritor e psicanalista [[Erich Fromm]] está entre os primeiros críticos do Experimento de Aprisionamento de Stanford em seu livro &amp;quot;The Anatomy Of Human Destructiveness&amp;quot;, e levanta alguns consideráveis pontos argumentativos em sua crítica, tais como a imprecisão na formulação dos dados da pesquisa, a falta de uma avaliação autocrítica dos resultados e a falha em checar seus resultados com prisões reais do mesmo tipo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fromm começa a parte essencial de sua crítica comentando sobre a desnecessária imprecisão nas informações da pesquisa publicada, onde Haney, Banks e Zimbardo detalham o comportamento dos “guardas”, o que implica na tese crucial do experimento, usando palavras como “alguns” ou “poucos” para quantificá-los. Fromm considera este um erro banal, visto que na publicação anterior do experimento, a qual teve acesso, foi dada a estimativa de um terço de guardas serem considerados sádicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fromm também contesta a interpretação dos idealizadores sobre o experimento. Segundo ele, o estudo não prova que o ambiente prisional pode transformar pessoas em sádicos, na verdade, o crítico exclama que o estudo prova o contrário, visto que dois terços dos guardas não praticaram atos de sadismo por prazer pessoal, provando que não é tão fácil transformar pessoas apenas fornecendo a situação adequada. Além disso, o autor pontua que os experimentadores não levaram em consideração a diferença entre agir de acordo com regras sádicas e desfrutar da crueldade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fromm encontra outro problema, dessa vez na seleção dos sujeitos de estudo. Para começar, ele não acredita que a avaliação psicológica feita pelos experimentadores tenha sido suficientemente eficaz para identificar traços sádicos ou masoquistas nos sujeitos. Da perspectiva psicanalítica, esses traços de personalidade podem ser completamente inconscientes, portanto, apenas um experimentador com experiência nos processos da inconsciência poderia aplicar e interpretar os testes (projetivos) corretamente. Além disso, a completa ausência de sujeitos sem predisposições sádicas contradiz estudos citados pelo autor , os quais garantem que a porcentagem de sádicos inconscientes na sociedade não é zero. De qualquer maneira, o autor afirma que a inexistência dessa categoria indica a falha dos testes aplicados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O autor também acredita que a dificuldade dos prisioneiros em distinguir a realidade do personagem que esses interpretavam não aconteceu de forma orgânica. Ele indica que a confusão surge por algumas circunstâncias: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# As condições contratuais não entraram em acordo com a realidade já que os indivíduos não poderiam esperar encontrar uma atmosfera tão degradante e humilhante quanto a da prisão encenada. &lt;br /&gt;
# o envolvimento da polícia não era esperado por eles, visto a raridade da presença destes em estudos universitários, fazendo com que os sujeitos não compreendessem se estavam sendo realmente presos ou levados para a experimentação. &lt;br /&gt;
# A falta de esclarecimento em relação ao abandono do experimento. O autor relata que não encontrou menções no artigo dos idealizadores informando o direito dos sujeitos em desistir do experimento e, na verdade, quando a saída foi requisitada, os pesquisadores dificultaram sua efetivação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o crítico, é por causa destes fatores que a conclusão sobre a indistinção da realidade pelos sujeitos prisioneiros não pode ser levada em conta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por último, Fromm critica a falta de checagem de seus resultados em prisões reais. Para o autor, o fato de terem apenas um ex-presidiário e um padre de cadeia como consultores e testemunhas de que as evidências encontradas correspondem com o que acontece em prisões reais não é o suficiente. o crítico declara que os experimentadores deveriam, por exemplo, fazer uma série de entrevistas com vários ex-presidiários. Além disso, conclui que  os pesquisadores do projeto deveriam ter delimitado e apresentado a porcentagem de prisões equivalentes à que eles se propuseram replicar nos Estados Unidos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Banuazizi e Movahedi ===&lt;br /&gt;
Banuazizi e Movahedi são os autores do artigo &amp;quot;Interpersonal dynamics in a simulated prison: A methodological analysis&amp;quot;. Nesse artigo, os pesquisadores se propõem a analisar criticamente os principais aspectos do Experimento de aprisionamento de Stanford e produzir uma pesquisa a fim de provar seus pontos. Eles questionam a verossimilidade da prisão simulada em comparação à realidade e as possíveis características de demanda existentes no comportamento dos sujeitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os autores concordam que, morfologicamente, a prisão simulada era realmente plausível ao compará-la com uma real, porém eles trazem à luz o significado simbólico de algumas características da prisão para os sujeitos de estudo e clamam não terem sido considerados pelos experimentadores. Segundo eles, essas características podem ser interpretadas diferentemente dependendo da pessoa e do contexto que estão inserida. Na experimentação, por exemplo, os sujeitos prisioneiros precisam usar toucas de nylon como uma adaptação das cabeças raspadas na prisão, porém, enquanto a raspagem seria &amp;quot;ruim&amp;quot; para um prisioneiro real, a touca seria um simples lembrete da permanência do sujeito em um experimento científico, algo honroso e que expõe sua bravura. Portanto, segundo os escritores, as condições e processos de uma prisão real, replicadas funcionalmente na prisão simulada, não foram interpretadas pelos sujeitos de estudo da mesma forma que são interpretadas por prisioneiros reais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os escritores continuam sua crítica, comentando sobre as dificuldades de interpretação e características de demanda. Segundo eles, apesar de Zimbardo argumentar que seus sujeitos de estudo tiveram sua realidade transformada usando a situação em que dois prisioneiros aceitaram abdicar do dinheiro ganho pela liberdade condicional, os autores exclamam que os sujeitos não pedem para sair do experimento, mas sim da prisão simulada. Segundo eles, sair da prisão, seja por intermédio de fuga ou liberdade condicional, não dispensaria os sujeitos do experimento em si, visto que os mesmos ainda estariam atuando como prisioneiros, fazendo apenas o que é senso comum sobre seu comportamento. Desse modo, os autores apontam essas como evidências de uma hipótese &#039;&#039;ad hoc&#039;&#039; fabricada pelos experimentadores sobre a mudança de realidade dos sujeitos. Portanto, Banuazizi e Movahedi concluem que os experimentadores falham em sua tentativa de provar a transformação da realidade dos sujeitos e a irrelevância das características de demanda em seu trabalho, por não serem capazes de distinguir a prisão simulada do experimento em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Haslam e Reicher ===&lt;br /&gt;
Haslam e Reicher conduziram um experimento para a BBC baseado no Experimento de aprisionamento de Stanford. No artigo &amp;quot;Rethinking the Psychology of Tyranny&amp;quot;, eles criticam especificamente como Zimbardo conduziu o experimento. Segundo eles, a participação de Zimbardo foi de instrução aos guardas, levando-os ao sadismo quando dava instruções para acabar com a individualidade dos prisioneiros e incentivava a tomar o poder. Esse envolvimento teria, para eles, colocado em questão a validade interna de suas análises. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Carlo Prescott ===&lt;br /&gt;
Carlo Prescott foi um dos consultores do Experimento de Aprisionamento de Stanford, o qual, mais tarde, relatou ao jornal universitário &#039;&#039;Stanford Daily&#039;&#039; seu arrependimento em ter participado. Segundo ele, o experimento foi um exercício teatral feito para absolver certos indivíduos de responsabilidades por suas escolhas morais e confessa que as atitudes de sadismo dos guardas foram inspiradas por seu tempo como detento em uma prisão real ,e não genuinamente ideia dos sujeitos. Considerando assim o experimento inválido e um erro pessoal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Peter Gray ===&lt;br /&gt;
O psicólogo [[Peter Gray]], em seu blog no site &#039;&#039;Psychology Today&#039;&#039;, leva em consideração as críticas feitas por Banuazizi e Movahedi e Carlo Prescott para construir sua própria. Assim como os citados acima, ele acredita que o comportamento sádico dos guardas foi guiado por características de demanda, e também o dos prisioneiros nos primeiros dias de estudo (revoltas e planejamento de fugas), mas foram subsequentemente afetados pelas ações dos guardas e exaustão (passividade e desejo de sair). Gray indica que o resultado seria óbvio e contesta a necessidade do experimento e, por fim, expõe sua descrença em simulações para representar experiências reais de guardas e prisioneiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[American Psychological Association (APA)]] &lt;br /&gt;
* [[Craig Haney]] &lt;br /&gt;
* [[Christina Maslach]]&lt;br /&gt;
* [[Curtis Banks]]&lt;br /&gt;
* [[David Jaffe]]&lt;br /&gt;
* [[Erich Fromm]]&lt;br /&gt;
* [[Experimento de Milgram]]&lt;br /&gt;
* [[Experimento de Toyon Hall]]&lt;br /&gt;
* [[Gustave Le Bon]]&lt;br /&gt;
* [[Peter Gray]]&lt;br /&gt;
* [[Phillip Zimbardo]]&lt;br /&gt;
* [[Stanley Milgram]]&lt;br /&gt;
* [[Teoria da Desindividualização]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# LE TEXIER, T.  Debunking the Stanford Prison Experiment. &#039;&#039;&#039;American Psychologist&#039;&#039;&#039;, v. 74, n. 7, p. 823, 2019.&lt;br /&gt;
# ZIMBARDO, P. G.; MASLACH, C.; HANEY, C. Reflections on the Stanford prison experiment: Genesis, transformations, consequences. In: BLASS, T. &#039;&#039;&#039;Obedience to Authority:&#039;&#039;&#039; Current Perspectives on the Milgram Paradigm. Psychology Press,1999  p. 207-252.&lt;br /&gt;
# PLOUS, S.; ZIMBARDO, P. G. In: S. Plous. &#039;&#039;&#039;[https://zimbardo.socialpsychology.org/ Social Psychology Network]&#039;&#039;&#039;. 8 set. 2016. Acesso em: 3 maio 2024  &lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;STANFORD PRISON EXPERIMENT&#039;&#039;&#039;. [https://www.prisonexp.org/ The Stanford Prison Experiment: A Simulation Study of The Psychology of Imprisonment]. 1999. Acesso em 11 jul. 2024.&lt;br /&gt;
# HANEY, C.; BANKS, C.; Zimbardo, P. [https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&amp;amp;lr=&amp;amp;id=-7qK3LZfI5wC&amp;amp;oi=fnd&amp;amp;pg=PA1663&amp;amp;ots=hgo73nGYHl&amp;amp;sig=ws0L7vexSeKn6JlgPq5ruQ8jJq8#v=onepage&amp;amp;q&amp;amp;f=false A Study of Prisoners and Guards in a Simulated Prison]. In: Warwick Organizational Behaviour Staff. &#039;&#039;&#039;Organizational Studies:&#039;&#039;&#039; Critical Perspectives on Business and Management. Nova York, 2001. cap 65, p.1663-1679. &lt;br /&gt;
# BANUAZIZI, A.; MOVAHEDI, S. [https://doi.org/10.1037/h0076835 Interpersonal dynamics in a simulated prison: A methodological analysis]. &#039;&#039;&#039;American Psychologist&#039;&#039;&#039;, 1975, v. 30, n. 2, p. 152–160. Acesso em 13 maio 2024.&lt;br /&gt;
# GRAY. P. [https://www.psychologytoday.com/intl/blog/freedom-learn/201310/why-zimbardo-s-prison-experiment-isn-t-in-my-textbook Why Zimbardo’s Prison Experiment Isn’t in My Textbook]. &#039;&#039;&#039;Psychology Today&#039;&#039;&#039;. outubro, 2013. Acesso em 10 jun. 2024.&lt;br /&gt;
# FROMM, E. &#039;&#039;&#039;[https://archive.org/details/ErichFrommTheAnatomyOfHumanDestructiveness/page/n3/mode/2up The Anatomy of Human Destructiveness]&#039;&#039;&#039;. 3. ed. Michigan: Holt, Rinehart and Winston, 1973. Acesso em 23 maio 2024.&lt;br /&gt;
# REICHER, S.; HASLAM, A. [https://psycnet.apa.org/record/2006-04388-001 Rethinking the Psychology of Tyranny: The BBC Prison Study]. &#039;&#039;&#039;British Journal of Social Psychology&#039;&#039;&#039;, Reino Unido, v. 45, n. 1, p. 1 - 45, mar 2006. Acesso em 30 maio 2024.&lt;br /&gt;
# PRESCOTT, C. [https://archives.stanforddaily.com/2005/04/28?page=4&amp;amp;section=MODSMD_ARTICLE21#issue The Lie of The Stanford Prison Experiment]. &#039;&#039;&#039;The Stanford Daily&#039;&#039;&#039;, Palo Alto, 28 abr. 2005. p. 4. Acesso em 02 maio 2024&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;The STUDY&#039;&#039;&#039;. [http://www.bbcprisonstudy.org/bbc-prison-study.php The BBC Prison Study] . 2008. Acesso em 03 ago 2024.&lt;br /&gt;
# [https://www.greelane.com/pt/ci%C3%AAncia-tecnologia-matem%C3%A1tica/ci%C3%AAncias-sociais/what-is-deindividuation-in-psychology-4797893/ O que é desindividuação em psicologia? Definição e Exemplos]. &#039;&#039;&#039;Greelane&#039;&#039;&#039;, 2020. Acesso em: 09 ago 2024.&lt;br /&gt;
# REICHER, S.; SPEARS R.; POSTMES T. [https://doi.org/10.1080/14792779443000049 A Social Identity Model of Deindividuation Phenomena]. &#039;&#039;&#039;European Review of Social Psychology&#039;&#039;&#039;, v. 6, n. 1, p. 161-198, mar. 2011. Acesso em: 15 jul. 2024.&lt;br /&gt;
# VILANOVA, F,; BERIA F.; COSTA A. et al. [https://doi.org/10.1080/23311908.2017.1308104 Deindividuation: From Le Bon to the social identity model of deindividuation effects]. &#039;&#039;&#039;Cogent Psychology&#039;&#039;&#039;, v. 4, n. 1, abr. 2017. Acesso em: 09 ago. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Mariana Souza Rodrigues, Vitoria Amaral de Oliveira, Izabella Simões da Cruz, Bruna Lenaz dos Santos, Evelyn de Carvalho e Alice Nascimento Moraes Fernandes,  como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2024.1, publicado em 2024.1.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Experimentos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Experimento_de_Aprisionamento_de_Stanford&amp;diff=1382</id>
		<title>Experimento de Aprisionamento de Stanford</title>
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		<updated>2024-08-27T19:30:52Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Inserção completa do verbete na WikiHP; Reformulação do cabeçalho do verbete; Correções gramaticais e ortográficas; Adição de links ao corpo do texto; Criação da seção &amp;quot;Ver também&amp;quot;; Correções na seção &amp;quot;Referências&amp;quot; e verificação dos links externos.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O experimento da prisão de Stanford foi uma investigação conduzida pelo psicólogo e professor Phillip Zimbardo, em conjunto com Craig Haney e Curtis Banks em 1971, na Universidade de Stanford, Califórnia (EUA), financiado principalmente pelo Escritório de pesquisa Naval Americana. O experimento confinou alunos-voluntários “comuns” e saudáveis, em uma simulação de prisão, divididos aleatoriamente em grupos de guardas e prisioneiros para explorar como o ambiente do cárcere pode afetar o comportamento humano. Eles buscavam analisar a percepção de papéis sociais em um ambiente prisional simulado e de como essa condição influencia no comportamento humano, podendo levar indivíduos a tendências de comportamentos autoritários, enquanto outros assumem uma atitude de submissão, de acordo com sua posição hierárquica. O experimento teve de ser interrompido com apenas seis dias, apesar de ter sido idealizado para duas semanas, devido aos resultados assustadores constatados e à preocupação com o rumo ético que a situação estava tomando. De todo modo, o estudo foi publicado em 1973, no &#039;&#039;Journal of Abnormal Psychology.&#039;&#039; Tornou-se um experimento amplamente conhecido devido às suas representações no universo cinematográfico, captando o interesse do público geral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Idealização ===&lt;br /&gt;
Em 1971, na Califórnia, Palo Alto, Universidade de Stanford, foi desenvolvido um experimento que tinha como objetivo obter uma melhor compreensão acerca dos mecanismos psicológicos básicos subjacentes à agressão humana. O principal investigador do estudo e condutor do experimento foi o Dr. Phillip Zimbardo, que teve sua pesquisa financiada pelo Escritório de Pesquisa Naval. A equipe de pesquisa do experimento foi formada por [[Phillip Zimbardo]], [[David Jaffe]], [[Craig Haney]] e [[Curtis Banks]]. Eles também estavam interessados em estudar como as dinâmicas de poder e os papéis sociais influenciam o comportamento humano, usando como base a teoria da desindividualização, criada por [[Gustave Le Bon]] em 1895. Foi questionada a ideia de que as pessoas nascem inerentemente boas ou más, argumentando que todos possuímos uma capacidade significativa de moldar nosso comportamento e escolher quem queremos ser. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As causas e efeitos de desempenhar os papéis designados foram estudados no contexto da simulação do ambiente de uma prisão. Originalmente, o experimento deveria durar duas semanas, mas foi interrompido no sexto dia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo de Zimbardo com o Experimento da Prisão de Stanford era conscientizar sobre a necessidade de reformas prisionais ao nível psicológico. Ele queria evitar que homens que cometem crimes se tornassem desumanizados por experiências negativas na prisão, o que poderia transformá-los em criminosos piores do que eram inicialmente. Em resumo, o experimento buscava demonstrar que as prisões não são benéficas para os prisioneiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Método ===&lt;br /&gt;
Os guardas possuíam liberdade para implementar os procedimentos que julgassem eficientes para induzir os prisioneiros ao ambiente da “prisão”, e o único limite que foi imposto aos mesmos era que não houvesse abuso ou agressão física. Os prisioneiros encontraram-se submetidos às situações e condições da instituição a qual se voluntariaram. O comportamento dos dois grupos foi gravado e analisado como material do estudo. As formas de registro foram: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Transações entre e dentro de cada grupo de sujeitos, registrados através de vídeos e áudio, bem como observados diretamente. &lt;br /&gt;
# Reações dos indivíduos em questionários, testes de humor, personalidade, relatórios dos turnos dos guardas e entrevistas pós-experimentais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
75 homens responderam a um anúncio de jornal que buscava voluntários do sexo masculino para participar de um estudo psicológico sobre a “vida na prisão” por um salário de 15 dólares por dia. A partir do grupo de 75 interessados em participar do experimento, foram selecionados 24 sujeitos que responderam a extensos questionários sobre seu histórico familiar, saúde física e mental, possíveis envolvimentos em crimes e possível propensão comportamental à psicopatologia. Cada sujeito foi entrevistado pelos pesquisadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aleatoriamente, metade dos sujeitos foi designada para o papel de “prisioneiros” e o restante assumiu o de “guardas”. Os voluntários eram todos estudantes universitários do sexo masculino, saudáveis e normais que estavam na área de Stanford durante as férias. Em sua maioria, eram de classe média e caucasianos (com exceção de um sujeito oriental) e todos eram estranhos uns aos outros, pois seria prejudicial ao experimento caso relações pré-existentes interferissem na pesquisa. Alguns voluntários não se envolveram no experimento, pois ficaram designados como guarda e prisioneiro “suplentes” caso fosse necessário. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Aspectos físicos da prisão ===&lt;br /&gt;
Com a finalidade de ter uma simulação fiel ao ambiente prisional, os pesquisadores buscaram consultores experientes para auxiliar na construção de um cenário “real” o bastante. O cenário foi construído no porão do prédio de psicologia da Universidade, onde as extremidades de um corredor de 35 pés foram fechadas, com uma única porta de saída/entrada da prisão, e na outra ponta se localizava uma tela de observação onde atrás dela estava o equipamento de gravação, com espaço para os pesquisadores que observavam o experimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A prisão continha apenas 3 celas pequenas de 6x9 pés (1,8 por 2,7 metros), anteriormente usadas como laboratórios, que tiveram suas portas trocadas por grades de aço que continham números de identificação. Dentro das celas não havia mobília, somente colchões, lençóis e travesseiros para cada prisioneiro. O espaço “livre” no corredor era chamado de pátio, onde os prisioneiros tinham permissão para comer, praticar exercícios e andar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um pequeno armário (60cm de profundidade, 60cm largura, aproximadamente) foi utilizado pelos guardas como uma espécie de solitária para confinar os prisioneiros. Haviam também salas que foram utilizadas como alojamento dos guardas, para trocarem de roupa ou descansar, um quarto para o “diretor” (David Jaffe) e “superintendente” (Phillip Zimbardo), além de uma sala para entrevistas e testes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Instruções dos papéis e início do experimento ===&lt;br /&gt;
Foi informado aos  participantes do experimento que seus papéis foram designados aleatoriamente e todos estavam de acordo. Os voluntários assinaram, então, um contrato que lhes garantia uma dieta minimamente adequada, roupas, moradia e cuidados médicos, além da remuneração financeira em troca de “atuar” no papel que tinham recebido durante o estudo. No contrato, também estava explícito que os prisioneiros estariam sob vigilância constante, logo, não teriam privacidade e alguns de seus direitos civis básicos seriam suspensos. Os pesquisadores não passaram instruções para o grupo de jovens que foi sorteado para  interpretarem os papéis de detentos, somente que deveriam estar disponíveis em suas residências no dia que o experimento fosse iniciado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já os voluntários que ficaram com os papéis de guardas receberam orientações mais claras. Um dia antes dos prisioneiros serem detidos em suas casas, foi realizada uma reunião na qual os guardas foram apresentados aos principais investigadores do estudo, que também assumiram papéis dentro do experimento. O Dr. Zimbardo assumiu o papel de “superintendente” e seu assistente de pesquisa David Jaffe interpretou o “diretor” da prisão. A tarefa que os pesquisadores passaram aos guardas era que fosse mantido um “grau razoável de ordem” dentro da prisão para que seu funcionamento fosse eficaz. Foram impostos limites como agressão física, por considerações éticas e pragmáticas. O diretor passou as instruções administrativas que eram da responsabilidade dos guardas, sendo elas: seus turnos de trabalho, relatórios sobre seus respectivos turnos e a atividade de guardas e prisioneiros, relatório de “incidentes críticos” que detalhavam ocorrências fora do comum, além da administração das refeições, trabalho e programas de recreação para os prisioneiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os prisioneiros foram alocados em trios para cada uma das três celas. Já os guardas se dividiam igualmente em trios, com turnos de 8 horas cada. Os guardas permaneciam na prisão simulada apenas durante seus turnos.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os uniformes ===&lt;br /&gt;
Para fomentar a perda do sentimento de identidade e em seu lugar se instalar o anonimato, foram distribuídos uniformes para os dois grupos. No caso dos guardas, o uniforme era composto de camisas e calças cáqui simples, um apito, cassetetes de madeira e óculos de sol escuros para impossibilitar o contato visual. A cor dos uniformes tinha intenção de fazer referência aos uniformes militares, enquanto o apito e cassetete eram símbolos de controle e poder. O uniforme dos prisioneiros era formado por uma camisa grande e larga que continha seus números de identificação, sem roupas íntimas, uma corrente leve presa em torno dos tornozelos, sandálias de borracha  e um gorro feito de meia-calça, além disso, não foi permitido nenhum objeto pessoal nas celas. Os uniformes buscavam causar desconforto e humilhação, simbolizando sua dependência e submissão aos guardas. Como estavam acorrentados, não era possível esquecer a opressão do ambiente. O gorro de meia-calça foi outra estratégia utilizada pelos pesquisadores para diminuir a individualidade dos prisioneiros, já que algumas pessoas costumam se expressar através do penteado, comprimento ou cor do cabelo. Os uniformes longos e folgados que se assemelhavam a “vestidos” causavam desconforto e dificultava os movimentos, os fazendo assumir posturas não familiares, de certa forma femininas - todas essas estratégias foram tomadas com o propósito de acelerar o processo de emasculação nos prisioneiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Rotina administrativa ===&lt;br /&gt;
Com as celas preenchidas, o diretor cumprimentava os presos e lia as regras da instituição (desenvolvidas pelos guardas e diretor), incluindo a proibição dos nomes de batismo e a utilização apenas dos números de identificação na intenção de despersonalizá-los. Essas regras eram checadas diariamente por três contagens dos indivíduos divididas em cada turno feita pelos guardas, que com o passar do experimento, foram ficando espontânea e progressivamente mais longas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diariamente, os prisioneiros tinham direito a três refeições, três visitas supervisionadas ao banheiro e duas horas para ler ou escrever cartas. Eles também recebiam atribuições de trabalho, recebendo certo valor por hora e acumulando 15 dólares por dia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Semanalmente, eles recebiam dois períodos de visita, direito de assistir filmes e períodos de exercícios. Com o passar do tempo, essas características da rotina foram modificadas ou abandonadas pelos guardas, e alguns privilégios esquecidos pela equipe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os dias na prisão ===&lt;br /&gt;
Como o primeiro dia passou calmamente, nenhum dos experimentadores previu a revolta dos presos logo no segundo dia. Os prisioneiros arrancaram os gorros, se livraram dos números de identificação e trancaram-se dentro das celas, com as camas contra as portas. Os guardas chamaram reforços e resolveram utilizar a força para resolver a situação. Eles então dispararam nas celas com um jato de dióxido de carbono vindo de um extintor de incêndio, depois disso invadiram as celas, despindo os prisioneiros, retirando suas camas e forçando os líderes da rebelião a solitária improvisada da prisão. Com a ameaça da revolta suprimida, os guardas decidiram utilizar &amp;quot;tácticas psicológicas&amp;quot; que se constituíram em criar um grupo de prisioneiros privilegiados. O objetivo era quebrar a solidariedade entre os reclusos, que agora viam os privilegiados como &amp;quot;informantes&amp;quot;, causando desconfiança entre os prisioneiros. Outro efeito da revolta foi aproximar mais os guardas, que começaram a ver a prisão simulada não como um experimento, mas sim uma prisão de fato, dessa forma aumentando o assédio e controle sobre os prisioneiros. Menos de 36 horas desde o inicio do experimento,  um dos prisioneiros começou a demonstrar sinais de perturbação emocional aguda, choro incontrolável, raiva e pensamentos desorganizados. Mesmo com todos esses sintomas, os experimentadores hesitaram em liberar o detento, temendo que fosse uma encenação para ser libertado da prisão. O detento era o #8612 e foi libertado após uma crise. No dia seguinte, foi organizado um horário onde foram permitidas as visitas de amigos e familiares. Foi permitido aos prisioneiros que tomassem banho, se barbeassem e, então, foram obrigados a limpar e organizar suas celas, tudo com o objetivo de manipular os visitantes para que o ambiente parecesse &amp;quot;agradável&amp;quot;. Os visitantes tiveram apenas 10 minutos com a vigilância de um guarda do experimentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seguinte revolta na prisão simulada foi o rumor de um suposto plano de fuga dos detentos. O rumor era de que o prisioneiro #8612, que havia sido libertado no dia anterior, iria reunir um grupo e retornar para libertar os detentos. A reação dos experimentadores foi se preocupar com a segurança da sua prisão, realizando uma reunião para discutirem como impedir a fuga. O Dr. Zimbardo até mesmo procurou o Departamento de Polícia de Palo Alto e pediu a transferência dos prisioneiros do estudo para a antiga prisão, pedido que foi negado. O plano arquitetado pelos pesquisadores foi desmontar a prisão, obter mais guardas, acorrentar, colocar sacos e escondê-los em um depósito até que a invasão ocorresse, para então informar que o experimento tinha sido finalizado e os voluntários haviam sido libertados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Zimbardo relata seu profundo envolvimento no personagem que interpretava, relatando a seguinte situação: seu ex-colega de quarto, Gordon Bower, pergunta a ele qual a variável independente do experimento. Zimbardo confessa ter sentido raiva a esta pergunta, pois no momento se encontrava preocupado com a possível fuga dos seus prisioneiros. Por fim, o boato se provou falso, causando frustrações nos pesquisadores e guardas. Essa frustração fez com que os guardas aumentassem o nível de assédio e humilhação sob os prisioneiros. Os guardas forçaram os prisioneiros a fazer serviços repetitivos, como limpar os sanitários com as próprias mãos, além de obrigarem os detentos a fazer flexões, polichinelos e aumentavam a duração das contagens para várias horas cada. O Dr. Zimbardo chegou a convidar um padre que havia sido capelão prisional como consultor e também entrevistador para os prisioneiros. A visita do padre confundiu ainda mais a visão dos detentos entre a simulação e a realidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo prisioneiro foi libertado logo em seguida, após uma crise emocional, e foi quando o Dr. Zimbardo chegou até ele e disse que aquilo não era uma prisão de verdade, mas sim um experimento. No próximo dia, os pesquisadores reuniram secretários de departamento e estudantes de pós-graduação para compor um “Conselho de Liberdade Condicional” para audiências de liberdade condicional, onde foi questionado aos detentos se abririam mão do dinheiro que tinham ganhado até o momento em troca de sua liberdade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O último ato de rebelião no experimento foi quando os investigadores chamaram o prisioneiro “suplente” para integrar o grupo dos detentos. Ao contrário dos detentos mais “antigos”, este novo detento se sentiu horrorizado com o tratamento e abuso de poder dos guardas, até mesmo decidindo fazer greve de fome para ser libertado. Os guardas tentaram forçar o detento a comer, e frustrados após várias tentativas fracassadas, o prisioneiro foi levado ao confinamento na solitária por 3 horas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na quinta e última noite, alguns dos pais entraram em contato com o Dr. Zimbardo, pedindo que um advogado fosse contratado para que seus filhos fossem soltos. Atendendo a este pedido, um advogado foi até a prisão simulada e entrevistou os detentos com perguntas padrões, mesmo sabendo que se tratava apenas de um experimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A simulação foi encerrada no sexto dia, de forma prematura. O Dr.Zimbardo relata ter encerrado o estudo desta forma por duas razões. A primeira foi a descoberta de que o nível de abuso que os guardas cometiam aumentava durante a noite, pois achavam que os pesquisadores não estavam observando, assim, sentiam mais liberdade para degradar os detentos como quisessem. Outro motivo foi a forte objeção de [[Christina Maslach]], Ph.D de Stanford, em relação ao experimento. De 50 ou mais pessoas que se envolveram no estudo, ela foi a única a se revoltar e questionar a moralidade do experimento e dos investigadores. Dessa forma, a simulação da prisão de Stanford foi encerrada. Por fim, os investigadores realizaram diversas sessões de encontros, primeiramente com todos os guardas, depois com os prisioneiros e, finalmente, com todos eles reunidos. O propósito desses encontros era relatar o que haviam observado uns nos outros e em si mesmos, afim de compartilhar as experiências de todos, aproveitando também o momento para discutirem acerca da moral e comportamento registrados no estudo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Produtos do experimento ===&lt;br /&gt;
Trinta e seis anos após o fim do experimento, em 2007, Phillip Zimbardo publicou o livro “Efeito Lúcifer: Entendendo como pessoas boas se tornam diabólicas”. O livro utilizou do experimento como base para pesquisas acerca dos fatores psicológicos e sociais que resultam em “atos imorais” vindo de pessoas que são consideradas “morais” ou “boas”. O livro teve uma boa recepção em questão de vendas e recebeu diversas criticas positivas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No cinema, o experimento foi usado como inspiração três vezes, primeiro no filme alemão &#039;&#039;Das Experiment&#039;&#039;, o segundo foi um &#039;&#039;remake&#039;&#039; do primeiro, chamado &#039;&#039;The Experiment&#039;&#039; e lançado em 2010. Por último, em 2015 foi lançado &#039;&#039;The Stanford Prison Experiment&#039;&#039;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Variáveis analisadas ==&lt;br /&gt;
O experimento da prisão de Stanford tinha a proposta de observar a dinâmica em um ambiente prisional simulado, o comportamento tanto dos ditos prisioneiros e guardas, como seria a interação e adaptação desses grupos isolados e entre si. Eles buscavam analisar se o ambiente do cárcere, as relações de poder e submissão eram capazes de modificar a conduta de pessoas socialmente saudáveis em comportamentos disfuncionais, tão comumente observados no ambiente prisional real, como por exemplo: abuso de poder, torturas etc. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O comportamento do grupo e o desenrolar psico-cognitivo das cobaias eram analisados através de gravações de áudio e vídeo, ou sendo observados diretamente e estudados com testes psicológicos que acompanhavam o progresso - ou regresso - deles durante o experimento.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Linha teórica ==&lt;br /&gt;
A linha teórica adotada por Philip Zimbardo para a construção do experimento de Stanford é a chamada [[Teoria da Desindividualização]]. Ela foi pensada inicialmente pelo psicólogo francês Gustave Le Bon, no ano de 1895, como uma tentativa de entender o comportamento das pessoas quando elas estão sozinhas ou em grupo. Segundo ele, quando indivíduos se juntam em multidões, eles agem de maneiras que não agiriam individualmente. Isso pode incluir comportamentos destrutivos, uma sensação de impunidade e uma tendência maior a comportamentos transgressores, perdendo um pouco da própria identidade dentro do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Philip Zimbardo, inspirado por Le Bon, expandiu essa ideia em suas pesquisas. Ele explorou como a desindividualização pode levar a comportamentos antissociais. A sua proposta de teoria da desindividualização explora como fatores internos e externos influenciam o comportamento dos indivíduos. Esses fatores incluem anonimato, responsabilidade compartilhada ou difusa, pertencimento a múltiplos grupos e uma percepção alterada do tempo. Quando esses elementos se combinam, eles criam um estado de desindividualização, no qual há uma mudança na auto-percepção e na maneira como os indivíduos vêem os outros, o que resulta em uma redução da auto-observação e da preocupação com a avaliação social. Por outro lado, ele também diz que a desindividualização pode ser promovida pelo aumento da autoconsciência, levando os indivíduos a se verem como entidades distintas dentro do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, a desindividualização explorada por Zimbardo refere-se à situação em que os indivíduos agem em grupo sem uma forte percepção de sua própria identidade individual, o que pode levar a comportamentos que vão contra as normas sociais estabelecidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Personagens importantes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Philip Zimbardo ===&lt;br /&gt;
Philip G. Zimbardo nasceu em 23 de março de 1933 em Nova York, NY. Formou-se na Brooklyn College e concluiu seu Ph.D. em Yale, Connecticut. Philip sempre teve sua pesquisa focada em entender os fenômenos psicológicos básicos, com atual enfoque para: tempo, loucura, timidez, maldade e ação heroica. Em 1971, inspirado pelo [[Experimento de Milgram|experimento de obediência]], realizado por [[Stanley Milgram]], e pelo [[Experimento de Toyon Hall]], realizado por seu aluno David Jaffe, Zimbardo conduziu o Experimento de Aprisionamento de Stanford com a intenção de demonstrar o poder da situação social na distorção da identidade e valores morais do indivíduo, no qual ele atuou como experimentador e superintendente da prisão. Esse experimento levou o pesquisador a desenvolver o livro “The Lucifer Effect: Understanding how good people turn evil” em 2007. Zimbardo foi presidente da [[American Psychological Association (APA)]] em 2001, atualmente é professor emérito de Stanford e  presidente do Heroic Imagination Project, organização que tem como objetivo aumentar o comportamento heroico entre pessoas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Christina Maslach ===&lt;br /&gt;
Christina Maslach nasceu em 21 de janeiro de 1946. Formou-se em Harvard-Radcliffe no ano de 1967 e concluiu seu Ph.D. em psicologia social em Stanford no ano de 1971. No mesmo ano, a pesquisadora estava concluindo seu doutorado e era colega de Craig Haney, além de estar envolvida romanticamente com Philip Zimbardo, e nesse contexto presenciou as primeiras ideias do experimento. Maslach visitou o experimento no quinto dia com o objetivo de realizar entrevistas aos guardas e reclusos e se opôs ao comportamento que presenciou na simulação. A pesquisadora foi a única dentre todas as pessoas que viram a prisão e questionar o estatuto moral do acontecimento. Maslach tem como principal foco de pesquisa o &#039;&#039;burnout&#039;&#039; causado pelo trabalho, e suas as pesquisas levaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) a reconhecer o &#039;&#039;burnout&#039;&#039; como uma doença ocupacional na 11 Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Craig Haney ===&lt;br /&gt;
Craig Heaney foi um importante agente do experimento, visto que ele foi um dos idealizadores junto de Philip Zimbardo e Curtis Banks,. Na época, Haney era um estudante de graduação e tinha interesse em aplicar a psicologia social em questões relacionadas ao crime e punição, muito inspirado pelas lições deixadas por Stanley Milgram sobre a natureza humana. Ele também acreditava que a psicologia social poderia e deveria ser aplicada para a melhora da vida humana, e foi em um curso a respeito disso, ministrado por Zimbardo, que eles começaram a formular a ideia de um experimento baseado na estrutura de uma prisão. Haney foi o responsável pela entrevista dos participantes do experimento e nele teve o papel de “conselheiro psicológico”, o que fez com que periodicamente tivesse contato direto com os prisioneiros. Haney concluiu seu Ph.D em psicologia em Stanford, no ano de 1978. Atualmente, atua como professor de psicologia na Universidade da Califórnia, Santa Cruz, e é um especialista em condições de cárcere. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== David Jaffe ===&lt;br /&gt;
Apesar de pouco creditado pelo Experimento de Aprisionamento de Stanford, David Jaffe teve um papel crucial em seu desenvolvimento. Jaffe foi responsável por conduzir um experimento que seria apresentado em um seminário para uma aula de Zimbardo, em que simulava uma prisão em seu dormitório.  Este experimento ficou conhecido como Experimento de Toyon Hall e, para isso, Jaffe fez diversas pesquisas e conheceu Carlos Prescott, um ex-presidiário que posteriormente viria a ser o consultor principal do Experimento de Aprisionamento de Stanford. Diversos elementos do Toyon Hall podem ser vistos no Experimento de Aprisionamento de Stanford. Jaffe desempenhou o papel de carcereiro no experimento conduzido por Zimbardo. Atualmente, é professor de pediatria na Washington University.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Reproduções do experimento ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os efeitos de três ambientes prisionais experimentais no comportamento de voluntários não presidiários ===&lt;br /&gt;
Em 1979, S. H. Lovibond, Mithiran e Adams ampliaram o Experimento da Prisão de Stanford, estudando os efeitos de possíveis mudanças na organização social de ambientes prisionais. Alguns aspectos do estudo replicaram o Experimento da Prisão de Stanford (por exemplo: os voluntários foram selecionados para investigar possíveis distúrbios psicológicos) e alguns não (por exemplo: os prisioneiros usavam uniformes padrão de prisão).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Três regimes prisionais experimentais foram examinados e comparados utilizando 60 voluntários não-presidiários (todos do sexo masculino), selecionados entre aqueles que responderam a um anúncio de jornal. O regime custodial padrão foi modelado com base em prisões existentes de segurança média a alta. O regime custodial individualizado, mais liberal, permitia aos prisioneiros alguma individualidade e auto respeito, e o regime participativo encorajava os guardas a engajarem em comportamentos construtivos e responsáveis com os prisioneiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo passou quatro dias na prisão experimental e eram compostos por seis presos e quatro policiais cada um. Os três regimes diferiam significativamente no caráter das relações entre os guardas e os prisioneiros. O regime custodial padrão levou a muita hostilidade entre os prisioneiros e guardas, entretanto, os relacionamentos guarda-prisioneiros nos outros dois regimes foram benéficos e diferentes do observado no Experimento da Prisão de Stanford. Os resultados foram entendidos como mais uma evidência de que as relações hostis e afrontosas nas prisões são uma função da organização social das prisões e não das características pessoais dos participantes, contribuindo com o argumento de que a orientação e características de demanda de Zimbardo e seus co-experimentadores provavelmente desempenharam papel importante no resultado do Experimento da Prisão de Stanford.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== BBC Prison Study ===&lt;br /&gt;
Em 2002, dois psicólogos sociais britânicos, Alex Haslam e Stephen Reicher, realizaram um experimento semelhante ao Experimento da Prisão de Stanford, em parceria com a BBC, que foi filmado e exibido na TV. O estudo tinha como objetivo abordar questões sobre a tirania e a resistência, revisitando as ideias levantadas por Zimbardo em seu experimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para selecionar os candidatos, eles publicaram anúncios em diversos jornais britânicos que pedia a participação de homens em um experimento de Ciências Sociais que seria transmitido na TV. 322 pessoas responderam e passaram por três etapas de triagem, que abordavam critérios éticos e científicos. Após esse processo, restaram 15 homens considerados decentes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para garantir que guardas e prisioneiros fossem psicologicamente semelhantes, os psicólogos usaram um procedimento mais rigoroso para separar os grupos. Eles escolheram 10 homens para serem prisioneiros e 5 para serem guardas. Apesar de ser uma prisão fictícia, a diferença de status e poder era real para representar a gama de instituições de poder desigual existentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os principais resultados do estudo revelaram a identificação, organização e poder de grupo. Quando as pessoas partilham de uma identidade comum, isso as levaria a objetivos e valores semelhantes. Por outro lado, quando as pessoas não tem um sentido de identidade comum, não conseguiriam chegar a um acordo sobre valores ou objetivos. Diferindo dos resultados do Experimento da Prisão de Stanford, Haslam e Reicher afirmam que os indivíduos não se adaptam cega ou inconscientemente aos papéis, ao contrário, só agem em termos de um papel quando o enxergam como parte de sua identidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Hipóteses e resultados   ==&lt;br /&gt;
A hipótese dos pesquisadores era de que mesmo homens considerados “normais” e inteligentes, quando colocados em uma situação em que a relação de poder era bem definida, a de guardas e prisioneiros, apresentariam aumento do comportamento agressivo no caso dos guardas e de comportamento submisso no caso dos prisioneiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O resultado do experimento se mostrou favorável à hipótese, visto que o comportamento de passividade dos “prisioneiros” aumentou, e o comportamento agressivo dos “guardas” foi tanto que a situação ultrapassou as expectativas Zimbardo. Houveram ocasiões em que “prisioneiros” foram soltos antes por conta de crises e outros efeitos emocionais que a experiência causou neles. A situação ficou tão fora de controle que o experimento teve que ser encerrado antes do tempo de duração que havia sido estipulado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Erich Fromm ===&lt;br /&gt;
O escritor e psicanalista [[Erich Fromm]] está entre os primeiros críticos do Experimento de Aprisionamento de Stanford em seu livro &amp;quot;The Anatomy Of Human Destructiveness&amp;quot;, e levanta alguns consideráveis pontos argumentativos em sua crítica, tais como a imprecisão na formulação dos dados da pesquisa, a falta de uma avaliação autocrítica dos resultados e a falha em checar seus resultados com prisões reais do mesmo tipo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fromm começa a parte essencial de sua crítica comentando sobre a desnecessária imprecisão nas informações da pesquisa publicada, onde Haney, Banks e Zimbardo detalham o comportamento dos “guardas”, o que implica na tese crucial do experimento, usando palavras como “alguns” ou “poucos” para quantificá-los. Fromm considera este um erro banal, visto que na publicação anterior do experimento, a qual teve acesso, foi dada a estimativa de um terço de guardas serem considerados sádicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fromm também contesta a interpretação dos idealizadores sobre o experimento. Segundo ele, o estudo não prova que o ambiente prisional pode transformar pessoas em sádicos, na verdade, o crítico exclama que o estudo prova o contrário, visto que dois terços dos guardas não praticaram atos de sadismo por prazer pessoal, provando que não é tão fácil transformar pessoas apenas fornecendo a situação adequada. Além disso, o autor pontua que os experimentadores não levaram em consideração a diferença entre agir de acordo com regras sádicas e desfrutar da crueldade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fromm encontra outro problema, dessa vez na seleção dos sujeitos de estudo. Para começar, ele não acredita que a avaliação psicológica feita pelos experimentadores tenha sido suficientemente eficaz para identificar traços sádicos ou masoquistas nos sujeitos. Da perspectiva psicanalítica, esses traços de personalidade podem ser completamente inconscientes, portanto, apenas um experimentador com experiência nos processos da inconsciência poderia aplicar e interpretar os testes (projetivos) corretamente. Além disso, a completa ausência de sujeitos sem predisposições sádicas contradiz estudos citados pelo autor , os quais garantem que a porcentagem de sádicos inconscientes na sociedade não é zero. De qualquer maneira, o autor afirma que a inexistência dessa categoria indica a falha dos testes aplicados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O autor também acredita que a dificuldade dos prisioneiros em distinguir a realidade do personagem que esses interpretavam não aconteceu de forma orgânica. Ele indica que a confusão surge por algumas circunstâncias: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# As condições contratuais não entraram em acordo com a realidade já que os indivíduos não poderiam esperar encontrar uma atmosfera tão degradante e humilhante quanto a da prisão encenada. &lt;br /&gt;
# o envolvimento da polícia não era esperado por eles, visto a raridade da presença destes em estudos universitários, fazendo com que os sujeitos não compreendessem se estavam sendo realmente presos ou levados para a experimentação. &lt;br /&gt;
# A falta de esclarecimento em relação ao abandono do experimento. O autor relata que não encontrou menções no artigo dos idealizadores informando o direito dos sujeitos em desistir do experimento e, na verdade, quando a saída foi requisitada, os pesquisadores dificultaram sua efetivação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o crítico, é por causa destes fatores que a conclusão sobre a indistinção da realidade pelos sujeitos prisioneiros não pode ser levada em conta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por último, Fromm critica a falta de checagem de seus resultados em prisões reais. Para o autor, o fato de terem apenas um ex-presidiário e um padre de cadeia como consultores e testemunhas de que as evidências encontradas correspondem com o que acontece em prisões reais não é o suficiente. o crítico declara que os experimentadores deveriam, por exemplo, fazer uma série de entrevistas com vários ex-presidiários. Além disso, conclui que  os pesquisadores do projeto deveriam ter delimitado e apresentado a porcentagem de prisões equivalentes à que eles se propuseram replicar nos Estados Unidos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Banuazizi e Movahedi ===&lt;br /&gt;
Banuazizi e Movahedi são os autores do artigo &amp;quot;Interpersonal dynamics in a simulated prison: A methodological analysis&amp;quot;. Nesse artigo, os pesquisadores se propõem a analisar criticamente os principais aspectos do Experimento de aprisionamento de Stanford e produzir uma pesquisa a fim de provar seus pontos. Eles questionam a verossimilidade da prisão simulada em comparação à realidade e as possíveis características de demanda existentes no comportamento dos sujeitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os autores concordam que, morfologicamente, a prisão simulada era realmente plausível ao compará-la com uma real, porém eles trazem à luz o significado simbólico de algumas características da prisão para os sujeitos de estudo e clamam não terem sido considerados pelos experimentadores. Segundo eles, essas características podem ser interpretadas diferentemente dependendo da pessoa e do contexto que estão inserida. Na experimentação, por exemplo, os sujeitos prisioneiros precisam usar toucas de nylon como uma adaptação das cabeças raspadas na prisão, porém, enquanto a raspagem seria &amp;quot;ruim&amp;quot; para um prisioneiro real, a touca seria um simples lembrete da permanência do sujeito em um experimento científico, algo honroso e que expõe sua bravura. Portanto, segundo os escritores, as condições e processos de uma prisão real, replicadas funcionalmente na prisão simulada, não foram interpretadas pelos sujeitos de estudo da mesma forma que são interpretadas por prisioneiros reais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os escritores continuam sua crítica, comentando sobre as dificuldades de interpretação e características de demanda. Segundo eles, apesar de Zimbardo argumentar que seus sujeitos de estudo tiveram sua realidade transformada usando a situação em que dois prisioneiros aceitaram abdicar do dinheiro ganho pela liberdade condicional, os autores exclamam que os sujeitos não pedem para sair do experimento, mas sim da prisão simulada. Segundo eles, sair da prisão, seja por intermédio de fuga ou liberdade condicional, não dispensaria os sujeitos do experimento em si, visto que os mesmos ainda estariam atuando como prisioneiros, fazendo apenas o que é senso comum sobre seu comportamento. Desse modo, os autores apontam essas como evidências de uma hipótese &#039;&#039;ad hoc&#039;&#039; fabricada pelos experimentadores sobre a mudança de realidade dos sujeitos. Portanto, Banuazizi e Movahedi concluem que os experimentadores falham em sua tentativa de provar a transformação da realidade dos sujeitos e a irrelevância das características de demanda em seu trabalho, por não serem capazes de distinguir a prisão simulada do experimento em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Haslam e Reicher ===&lt;br /&gt;
Haslam e Reicher conduziram um experimento para a BBC baseado no Experimento de aprisionamento de Stanford. No artigo &amp;quot;Rethinking the Psychology of Tyranny&amp;quot;, eles criticam especificamente como Zimbardo conduziu o experimento. Segundo eles, a participação de Zimbardo foi de instrução aos guardas, levando-os ao sadismo quando dava instruções para acabar com a individualidade dos prisioneiros e incentivava a tomar o poder. Esse envolvimento teria, para eles, colocado em questão a validade interna de suas análises. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Carlo Prescott ===&lt;br /&gt;
Carlo Prescott foi um dos consultores do Experimento de Aprisionamento de Stanford, o qual, mais tarde, relatou ao jornal universitário &#039;&#039;Stanford Daily&#039;&#039; seu arrependimento em ter participado. Segundo ele, o experimento foi um exercício teatral feito para absolver certos indivíduos de responsabilidades por suas escolhas morais e confessa que as atitudes de sadismo dos guardas foram inspiradas por seu tempo como detento em uma prisão real ,e não genuinamente ideia dos sujeitos. Considerando assim o experimento inválido e um erro pessoal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Peter Gray ===&lt;br /&gt;
O psicólogo [[Peter Gray]], em seu blog no site &#039;&#039;Psychology Today&#039;&#039;, leva em consideração as críticas feitas por Banuazizi e Movahedi e Carlo Prescott para construir sua própria. Assim como os citados acima, ele acredita que o comportamento sádico dos guardas foi guiado por características de demanda, e também o dos prisioneiros nos primeiros dias de estudo (revoltas e planejamento de fugas), mas foram subsequentemente afetados pelas ações dos guardas e exaustão (passividade e desejo de sair). Gray indica que o resultado seria óbvio e contesta a necessidade do experimento e, por fim, expõe sua descrença em simulações para representar experiências reais de guardas e prisioneiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[American Psychological Association (APA)]] &lt;br /&gt;
* [[Craig Haney]] &lt;br /&gt;
* [[Christina Maslach]]&lt;br /&gt;
* [[Curtis Banks]]&lt;br /&gt;
* [[David Jaffe]]&lt;br /&gt;
* [[Erich Fromm]]&lt;br /&gt;
* [[Experimento de Milgram]]&lt;br /&gt;
* [[Experimento de Toyon Hall]]&lt;br /&gt;
* [[Gustave Le Bon]]&lt;br /&gt;
* [[Peter Gray]]&lt;br /&gt;
* [[Phillip Zimbardo]]&lt;br /&gt;
* [[Stanley Milgram]]&lt;br /&gt;
* [[Teoria da Desindividualização]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# LE TEXIER, T.  Debunking the Stanford Prison Experiment. &#039;&#039;&#039;American Psychologist&#039;&#039;&#039;, v. 74, n. 7, p. 823, 2019.&lt;br /&gt;
# ZIMBARDO, P. G.; MASLACH, C.; HANEY, C. Reflections on the Stanford prison experiment: Genesis, transformations, consequences. In: BLASS, T. &#039;&#039;&#039;Obedience to Authority:&#039;&#039;&#039; Current Perspectives on the Milgram Paradigm. Psychology Press,1999  p. 207-252.&lt;br /&gt;
# PLOUS, S.; ZIMBARDO, P. G. In: S. Plous. &#039;&#039;&#039;[https://zimbardo.socialpsychology.org/ Social Psychology Network]&#039;&#039;&#039;. 8 set. 2016. Acesso em: 3 maio 2024  &lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;STANFORD PRISON EXPERIMENT&#039;&#039;&#039;. [https://www.prisonexp.org/ The Stanford Prison Experiment: A Simulation Study of The Psychology of Imprisonment]. 1999. Acesso em 11 jul. 2024.&lt;br /&gt;
# HANEY, C.; BANKS, C.; Zimbardo, P. [https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&amp;amp;lr=&amp;amp;id=-7qK3LZfI5wC&amp;amp;oi=fnd&amp;amp;pg=PA1663&amp;amp;ots=hgo73nGYHl&amp;amp;sig=ws0L7vexSeKn6JlgPq5ruQ8jJq8#v=onepage&amp;amp;q&amp;amp;f=false A Study of Prisoners and Guards in a Simulated Prison]. In: Warwick Organizational Behaviour Staff. &#039;&#039;&#039;Organizational Studies:&#039;&#039;&#039; Critical Perspectives on Business and Management. Nova York, 2001. cap 65, p.1663-1679. &lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Mariana Souza Rodrigues, Vitoria Amaral de Oliveira, Izabella Simões da Cruz, Bruna Lenaz dos Santos, Evelyn de Carvalho e Alice Nascimento Moraes Fernandes,  como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2024.1, publicado em 2024.1.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
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		<title>Adelheid Lucy Koch</title>
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		<updated>2024-08-19T22:02:46Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções gramaticais e ortográficas; Adição e verificação de links ao longo do texto; Adição de links na seção &amp;quot;Referências&amp;quot;; Expansão da seção &amp;quot;Ver também&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Adelheid Lucy Koch (Berlim, 16 de outubro de 1896 – São Paulo, 29 de julho de 1980) foi uma médica formada pela Universidade de Berlim e pioneira da psicanálise no Brasil. Sua vinda para o novo território foi fruto da perseguição antissemita que sofria por ter origem judaica. Ela ficou conhecida por difundir os saberes que circulavam na Europa sobre a psicanálise freudiana no Brasil e fez parte do grupo dos primeiros analistas brasileiros, o que foi essencial para a fundação da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid Koch graduou-se em Medicina na Universidade de Berlim em 1924 e, posteriormente, submeteu-se a análise  – por quatro anos e meio  – com [[Otto Fenichel]] para ingressar como candidata no [[Instituto de Psicanálise de Berlim]] (1929), onde tornou-se membro em 1935. Com a ameaça de uma Segunda Guerra Mundial e com a intensificação do antissemitismo e do regime Nazista na Alemanha, além dos episódios de queimas dos livros de [[Sigmund Freud|Freud]] e da arianização das instituições médicas, Adelheid, que possuía origem judaica e, portanto, sofria as consequências das perseguições à sua etnia aliada à sua condição profissional de psicanalista, decide vir ao Brasil após ser convidada para para exercer a função de analista-didata e participar da formação de novos psicanalistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1936, a Dra. Koch chega ao novo país com sua família e ,por não possuir contato com a língua portuguesa, tem de início dificuldades em se adaptar ao novo lar, como retrata sua filha Eleonora: &amp;lt;blockquote&amp;gt;&amp;quot;Acho que foi difícil por causa da língua. Eles não sabiam como se comportar. A coisa não é só a língua falada, mas é a gente entender a coisa extraverbal&amp;quot; (KOCH, 1994, p.18).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Diante disso, Adelheid só entra em contato com [[Durval Marcondes]] para iniciar seus trabalhos no ano seguinte, em julho de 1937.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seus primeiros candidatos à análise foram algumas das pessoas que contribuíram para a formação do primeiro núcleo psicanalítico da América Latina. Como as ideias psicanalíticas ainda eram muito recentes no Brasil, ela teve que assumir a postura de analista e professora. Dentre esses candidatos, encontram-se figuras importantes para o movimento psicanalítico no Brasil, como [[Darcy Uchôa]], [[Virgínia Bicudo]] e [[Flávio Dias]]. Esse grupo almejava integrar-se na [[Associação Internacional de Psicanálise (IPA)|IPA (Associação Internacional de Psicanálise)]], uma tarefa que demandava tempo e dedicação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 9 de outubro de 1943, a Dra. Koch enviou uma carta a [[Ernest Jones]], que presidia a IPA, solicitando que os psicanalistas formados pelo núcleo se tornassem membros de uma filial da IPA. Dois meses depois, Jones respondeu e concordou em aceitar tais nomes indicados, pavimentando o terreno da fundação do Grupo Psicanalítico de São Paulo em 1944, que foi reconhecido definitivamente como filial apenas no ano de 1951. Assim, a [[Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP)]] tornou-se um marco muito significativo para a psicanálise brasileira, atingindo níveis clínicos e científicos inimagináveis na década de 1970 e de 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma viagem à Inglaterra em 1948, Adelheid assistiu seminários de psicanalistas, incluindo o de [[Anna Freud]], entrando em contato com a teoria de [[Melanie Klein]], sobre a qual disse:  &amp;lt;blockquote&amp;gt;“A aproximação do ponto de vista kleiniano é bem mais natural e fácil pra mim do que imaginei, e estou aprendendo muito” (KOCH, 1994, p.20).  &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Isto representa a visão não ortodoxa da Dra. Koch em relação à psicanálise, pois além de estudar a fundo a teoria de Freud, permitiu-se conhecer teorias diferentes e que impactaram na sua atuação, como a da própria Melanie Klein e de outros autores, como [[Sándor Ferenczi]] e [[Wilfred Bion]]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid, em 1966, começa a sentir os sintomas de câncer nas glândulas salivares e buscou um tratamento no ano seguinte nos EUA. Ela faleceu em 29 de julho de 1980, em São Paulo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contribuições==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Primeira psicanalista didata no Brasil e em toda América Latina.&lt;br /&gt;
*Pioneira da psicanálise no Brasil.&lt;br /&gt;
*Membro do Instituto de Psicanálise de Berlim em 1934.&lt;br /&gt;
*Ministrava os seminários teóricos-clínicos.&lt;br /&gt;
*Participou da formação de novos psicanalistas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Teoria==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid Koch deixou poucos escritos teóricos durante sua vida. Em uma palestra dada na Conferência feita na Secção de Neuro-Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina em 5 de outubro de 1945, ela apresentou métodos de análise clínica e o que consistia o processo analítico, ou seja, a procura de conhecer a origem dos sintomas psíquicos. Para a Dra. Koch, os afetos psíquicos e sociais podem ter as mesmas origens, mesmos em situações diferentes. A relação de poder entre pai e filho que pode levar ao paciente a atribuir ao médico o poder que conferia aos pais na infância, indicaria, assim, que a infância pode ser a gênese para entender processos mentais neuróticos, por exemplo,  como ela mesmo diz:&amp;lt;blockquote&amp;gt;“Os atos de severidade e castigo estimulam na criança impulsos hostis e vingativos que ela, por medo do pai, não pode demonstrar nem descarregar: a dependência e o medo obrigam-na a reprimir tais impulsos hostis que, desta forma, se acumulam na sua psique (...). A neurose é, pois, o resultado da fuga, ou melhor, da defesa do indivíduo contra os perigos da vida impulsiva, e esta defesa começa na infância”.  (KOCH, 1945, p. 459)&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Críticas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O surgimento da psicanálise no Brasil passou por diversos entraves no meio acadêmico, dificultando o processo de reconhecimento da psicanálise como uma ciência. Foi preciso muito empenho e divulgação científica para que o movimento atraísse força, e ainda assim, durante o período entre 1910 a 1940, permaneceu discriminado pelas instituições renomadas do Estado. A tentativa de que a psicanálise fosse reconhecida pela Faculdade de Medicina foi falha, e um clima crescente de hostilidade e marginalização era notório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durval Marcondes tentou reverter esse cenário contatando a IPA para que mandasse ao Brasil uma psicanalista-didata, com o intuito de alavancar as pesquisas aqui no país e atender uma demanda que estava em falta. Em 1936, a psicanalista alemã Adelheid Koch chega ao Brasil e passa a atuar junto com Durval na institucionalização da psicanálise no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Discípulos/Seguidores/Quem influenciou==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid Koch trabalhou como assistente de Durval Marcondes na cadeira de psicanálise na Escola de Sociologia e Política no período entre 1939 e 1941, convidada a contribuir com o Instituto de higiene mental público, e no meio tempo desenvolveu os seus estudos sobre psicanálise e aprendeu sobre a cultura e língua brasileiras. Por essa ótica, as produções de Adelheid apresentam grande respaldo e influência das obras freudianas, utilizadas em suas pesquisas na área da psicanálise infantil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua posição de analista, Adelheid ensinou aos seus analisandos conhecimentos de psicanálise, propiciando um espaço de debate em que todos podiam manifestar suas opiniões, sendo muito querida pelos que a rodeavam e conhecida por sua personalidade amável e imponente. Seus primeiros seguidores foram Flávio Dias e Virgínia Bicudo, na qual se destacou posteriormente como uma analista eminente em um meio considerado extremamente misógino e por ter estreado o divã da doutora Adelheid Koch, em 1937. Seguidamente, Darcy Uchôa, Durval, [[Lygia Amaral]], [[Isaías Melshon]], Ferrão, [[Judith Andreucci]] uniram-se ao grupo. Logo, A Dra. Koch influenciou um contingente de novos membros da psicanálise com seus trabalhos, os quais constituíram o primeiro grupo de psicanalistas brasileiros. O seu trabalho recebeu apoio do jornalista e empresário do José Nabantino Ramos, do grupo Folha, e Adelheid buscou a Associação Internacional de Psicanálise  (IPA) em busca da efetivação e prestígio da sociedade paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adelheid Koch deixou poucos escritos e obras em seu acervo, porém, como analista-didata, produziu diversos seminários, aulas e artigos, entre eles:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*Análise de Resistência Numa Neurose Narcísica (1935).&lt;br /&gt;
*Elementos Básicos da Terapia Psicanalítica (1945).&lt;br /&gt;
*&#039;&#039;Omnipotence and Sublimation&#039;&#039; (1956).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*[[Anna Freud]]&lt;br /&gt;
*[[Associação Internacional de Psicanálise (IPA)]]&lt;br /&gt;
*[[Darcy Uchôa]]&lt;br /&gt;
*[[Durval Marcondes]]&lt;br /&gt;
*[[Ernest Jones]]&lt;br /&gt;
*[[Flávio Dias]]&lt;br /&gt;
*[[Instituto de Psicanálise de Berlim]]&lt;br /&gt;
*[[Isaías Melshon]]&lt;br /&gt;
*[[Judith Andreucci]]&lt;br /&gt;
*[[Lygia Amaral]]&lt;br /&gt;
*[[Melanie Klein]]&lt;br /&gt;
*[[Otto Fenichel]]&lt;br /&gt;
*[[Sándor Ferenczi]]&lt;br /&gt;
*[[Sigmund Freud]]&lt;br /&gt;
*[[Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP)]]&lt;br /&gt;
*[[Virgínia Bicudo]]&lt;br /&gt;
*[[Wilfred Bion]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
#GALVÃO, Luiz de Almeida Prado. [https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0486-641X2016000100003 Notas para a história da psicanálise em São Paulo]. &#039;&#039;&#039;Revista Brasileira de Psicanálise&#039;&#039;&#039;, v. 50, n. 1, p. 28–43, 2016.&lt;br /&gt;
#GOMES, Maria; BICUDO, Virgínia; TEPERMAN, Maria; et al. [http://pepsic.bvsalud.org/pdf/jp/v46n85/v46n85a19.pdf Uma história brasileira]. &#039;&#039;&#039;JORNAL de PSICANÁLISE&#039;&#039;&#039;, v. 46, n. 85, p. 209–229, 2013.&lt;br /&gt;
#KOCK, A. [https://www.scielo.br/j/anp/a/zhjKjPM4wZ8jhGCrXNSmLPR/ Elementos básicos da terapia psicanalítica]. &#039;&#039;&#039;Arquivos de Neuro-Psiquiatria&#039;&#039;&#039;, v. 3, n. 4, p. 458–466, dez. 1945.&lt;br /&gt;
#‌NOSEK, Leopold. &#039;&#039;&#039;Álbum de família:&#039;&#039;&#039; imagens, fontes e idéias da psicanálise em São Paulo. Casa do Psicólogo, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Marina Toledo, Rebeca Goifman e Sophie Prado, como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
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		<title>Teste de Atenção Concentrada (AC)</title>
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		<updated>2024-08-13T21:02:05Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções ortográficas e gramaticais; verificação e adição de nomes de instituições mencionadas; inserção, verificação e atualização de links no corpo do texto; criação da seção &amp;quot;Ver também&amp;quot;; Verificação e inserção de links externos na seção &amp;quot;Referências&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Teste de Atenção Concentrada (AC) é um teste criado pelo sociólogo e psicólogo Suzy Vijande Cambraia, em 1967, em São Paulo, que avalia a capacidade de um indivíduo de manter a atenção concentrada e sustentada, além de examinar outras capacidades neuropsicológicas, como percepção, orientação espacial e processamento rápido de informações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Apresentação do autor ===&lt;br /&gt;
[[Suzy Vijande Cambraia]] (1928/1929-7 de abril de 2016) foi um psicólogo, sociólogo e especialista em administração de recursos humanos formado pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, onde estudou disciplinas de psicologia, como Psicologia Geral e Psicotécnica. Em agosto de 1962, com a implementação da Lei 4.119, popularmente denominada como a Lei dos Psicólogos, Cambraia decidiu complementar seus estudos na Universidade de São Paulo (USP) e obteve seu registro definitivo do Ministério da Educação (MEC) em 1963. Foi presidente da então Sociedade de Psicologia de São Paulo, hoje nomeada [[Associação de Psicologia de São Paulo]], e ajudou a constituir, junto com colegas de profissão de diversos estados, o [[Conselho Federal de Psicologia|Conselho Federal de Psicologia (CFP)]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Antecedentes do AC ===&lt;br /&gt;
Considerado o primeiro teste psicológico de atenção, o [[teste de Bourdon]] foi concebido em 1895 e consistia em marcar, em uma página, todas as letras “A” do texto apresentado e posteriormente diferenciar figuras onde cada uma possuía um pequeno segmento que se sobressaía de um de seus ângulos ou dos lados. Ao final do teste, a avaliação da atenção era composta por três indicações: o número de quadros marcados, o tempo realizado para a atividade e o número de faltas e de erros cometidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O [[Teste de Atenção Concentrada de Toulouse-Piéron]], desenvolvido por [[Henri Piéron]] juntamente com [[Édouard Toulouse]] em 1904, foi um dos mais populares testes no Brasil desde sua integração à área psicológica do país, principalmente em disciplinas de avaliação nos cursos de graduação. Nos meados de 1960, o teste Toulouse-Piéron era o único instrumento de atenção concentrada no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Criação do AC ===&lt;br /&gt;
O Teste de Atenção Concentrada (AC) foi publicado pela primeira vez em 1967. Seu objetivo primordial era de retestar candidatos que já haviam sido testados pelo Teste de Toulouse-Piéron, até então o único utilizado no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Suzy Cambraia teve a ideia de criar um teste de sucesso a partir da necessidade de desenvolver um método que avaliasse toda a atenção do indivíduo, respaldando tudo que estivesse em seu exterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O psicólogo/ sociólogo percebeu que o ser humano, ao realizar suas atividades cotidianas, merecia muita atenção no que estava sendo realizado no momento, o que foi importante para o desenvolvimento do Teste AC. Os indivíduos que não tinham uma atenção plena ao realizar seus afazeres estavam mais suscetíveis a errar e causar acidentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O diferencial do teste criado por Suzy em relação aos seus antecedentes é que o primeiro não mantinha uma sequência das figuras para que o testando conseguisse perceber. Para isso, a localização dos símbolos a serem cancelados foram sorteadas ao acaso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Constructo avaliado ==&lt;br /&gt;
A partir de pesquisas bibliográficas, foi possível apurar as distinções e igualdades entre os vários tipos de atenção. Verificou-se que a categorização da atenção no Brasil é diferente do que é categorizado no exterior. Porém, ao proceder uma pesquisa mais apurada, pode-se perceber algumas semelhanças e alguns erros na literatura brasileira. Em uma primeira avaliação, pode-se perceber que as atenções concentrada e sustentada possuem uma indefinição nas delimitações de seus construtos ocasionada pela complementaridade. Em resumo, construtos diferentes, terminologias diferentes, porém faltam descrições mais específicas e claras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns autores classificam como sendo iguais, atenção seletiva e a atenção dividida, já que possuem terminologias diferentes e construtos diferentes, sendo ambas bem delimitadas.  A atenção seletiva requer apenas um foco e a manutenção dele mesmo, enquanto a dividida busca a sustentação da atenção do indivíduo enquanto é exposto a vários estímulos. A atenção seletiva aparece novamente em confusão com  atenção discriminativa. Alguns autores definem atenção seletiva com o mesmo construto que outros autores definem a atenção discriminativa, mudando apenas a terminologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já as definições de atenção difusa e atenção alternada são diferentes, mas a prática pode ser confundida. O que nos mostra novamente uma indefinição de delimitações de construtos, principalmente quanto ao construto de atenção difusa que se revela ambíguo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Atenção Concentrada no Brasil ==&lt;br /&gt;
Fica mais evidente a falta de clareza nos manuais dos testes psicológicos. Autores no Brasil debatem no que diz respeito à dimensão da atenção. Mesmo sendo a atenção um dos construtos mais estudados e falados no mundo, dentre os próprios acadêmicos há profissionais e teóricos uma inconclusão sobre a área do construto e suas divisões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mais usada internacionalmente foi criada por Sohlberg e Mateer em 1989, que enquadra um sistema clínico de atenção separando em cinco esse construto: atenção concentrada, alternada, seletiva, dividida e sustentada (que pode ser de vigilância ou memória de trabalho).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E no Brasil existem cinco divisões mais relevantes no que diz respeito à abrangência da atenção, de acordo com os testes psicológicos mais evidentes e comercializados: concentrada,  dividida, difusa, sustentada e discriminativa. Mesmo para aqueles autores que fazem essa divisão, é complexo elaborar com clareza a definição de cada uma. Já que muitos dos pesquisadores trabalham com as atenções concentrada e sustentada como um único construto, pois, para muitos teóricos, a linha que distingue esses conceitos é extremamente tênue. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modo de avaliação ==&lt;br /&gt;
Dentro de um local adequado, o material necessário para a aplicação do teste é uma caneta esferográfica ou um lápis e um cartão resposta. A versão atual conta com duas variáveis importantes: a orientação espacial e a cor. Há três estímulos estilizados (símbolos), a partir de um triângulo com a ponta em flecha e se apresenta com três posições e cores diferentes. Desta forma, o teste avalia os erros cometidos por ação e por omissões, alcançando um resultado bruto que é classificado por meio das normas percentílicas por escolaridade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Edições e outras versões ==&lt;br /&gt;
AC-15 - Teste de atenção concentrada. Boccalandro (2003) se propõe a medir a atenção concentrada a partir da tarefa de examinar duplas de palavras ou números separados em duas colunas e avaliar se essas duplas são iguais ou diferentes em um curto período de tempo. Verifica-se nesse teste a velocidade perceptiva, fadiga e resistência à monotonia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Teste D2 - Atenção concentrada. Brickenkamp (2000) apresenta um teste no qual a tarefa do analisado é marcar em um curto período de tempo três sinais determinados dentre outros sinais apresentados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Teste AC - Atenção concentrada. Cambraia (2003) propõe verificar a atenção do indivíduo a partir de uma tarefa de cancelamento. O sujeito deve localizar, entre todos os símbolos da folha, os 3 apresentados como modelos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TDAH - Escala de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Publicado em 2000 pela editora Casa do psicólogo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Utilização hoje ==&lt;br /&gt;
O Teste de Atenção Concentrada (AC) é de imensa importância e popularidade no Brasil. Ele é predominantemente utilizado para a obtenção/renovação de habilitação (CNH), além de atuar na área de recursos humanos para o recrutamento de funcionários. Ademais, existe uma crescente exploração da utilização do teste em crianças e adolescentes para a avaliação neuropsicológica dos mesmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Associação de Psicologia de São Paulo]]&lt;br /&gt;
* [[Conselho Federal de Psicologia (CFP)]] &lt;br /&gt;
* [[Édouard Toulouse]]&lt;br /&gt;
* [[Henri Piéron]]&lt;br /&gt;
* [[Suzy Vijande Cambraia]]&lt;br /&gt;
* [[Teste de Atenção Concentrada de Toulouse-Piéron]]&lt;br /&gt;
* [[Teste de Bourdon]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
ALCHIER, João Carlos; LUNKES, Carla Luci Klein; ZIMMER, Débora. Toulouse-Piéron: Atualizações de Resultados para o Estado Do Rio Grande Do Sul. &#039;&#039;&#039;Avaliação Psicológica&#039;&#039;&#039;, [S. l.], p. 111-118, 2002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
AZAMBUJA, Luciana Schermann. &#039;&#039;&#039;Bateria Neuropsicológica para adultos com TDAH&#039;&#039;&#039;. Canoas, Rio Grande do Sul, 2009. p.3&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CAMBRAIA, S. V. &#039;&#039;&#039;O Teste de Atenção Concentrada AC&#039;&#039;&#039;. Manual. São Paulo: Vetor Editora; 2009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BENCZIK, Edyleine Bellini Peroni; LEAL, Graziella Ceregatti; CARDOSO, Tábata. [https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&amp;amp;pid=S0103-84862016000100005 A utilização do teste de atenção concentrada (AC) para a população infanto-juvenil: uma contribuição para a avaliação neuropsicológica.] &#039;&#039;&#039;Rev. psicopedag&#039;&#039;&#039;.,  São Paulo ,  v. 33, n. 100, p. 37-49,   2016 .   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BRAGA, Juliana Leão. [http://www.realp.unb.br/jspui/handle/10482/3485 &#039;&#039;&#039;Atenção concentrada e atenção difusa:&#039;&#039;&#039; elaboração de instrumentos de medida]. Dissertação apresentada ao programa de pós graduação em Psicologia Social do Trabalho e das organizações, Faculdade de Brasília. Brasília, p.74,  Junho de 2007.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DA SILVA, Marlene Alves. [https://revistas.udc.es/index.php/reipe/article/view/reipe.2015.0.10.620 Atenção Concentrada: Normas Para Uma Região Da Bahia – Brasil]. &#039;&#039;&#039;Revista De Estudios E Investigación En Psicología Y Educación&#039;&#039;&#039;, Vitória da Conquista, Bahia, p. 1-5, 4 jan. 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
HUR, Domenico Uhng. [https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-11072006-224031/pt-br.php Políticas da Psicologia de São Paulo: As Entidades durante o período do regime militar à redemocratização do país]. Dissertação (Mestre em Psicologia) - Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005. p. 258-267.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RUEDA, Fabián Javier Marín; CASTRO, Nelimar Ribeiro de. [https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S2236-64072010000200002 Evidência de validade de construto convergente para o Teste de Atenção Dividida - TEADI.] &#039;&#039;&#039;Est. Inter. Psicol&#039;&#039;&#039;.,  Londrina ,  v. 1, n. 2, p. 141-158, jun.  2010 .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Alessandra Carneiro Guimarães, Evellyn Ferreira De Lima, Laura Maia Vieira, Marianne De Sousa Goncalves, como exigência parcial para a disciplina de Psicologia e História Social do Trabalho da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2022.2&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instrumentos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
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		<title>Eliezer Schneider</title>
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		<updated>2024-07-09T18:23:54Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções gramaticais e ortográficas; identificação, correção e adição de links ao longo do texto; Atualização da seção &amp;quot;Ver também&amp;quot; com mais links; Verificação e pequenas formatações na seção &amp;quot;Referências&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Eliezer Schneider, nascido na cidade do Rio de Janeiro em 18 de outubro de 1916, filho de Scylla e Jacob Schneider, foi bacharel em Ciências Sociais e Jurídicas e mestre em Psicologia. Sua atuação profissional foi voltada principalmente à formação de psicólogos e pós-graduação, sendo um dos primeiros professores do curso de Psicologia da UFRJ e outras universidades. Faleceu em 26 de agosto de 1998, na cidade do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Biografia==&lt;br /&gt;
===Início da vida===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eliezer Schneider nasceu na cidade do Rio de Janeiro, então capital do país, em 18 de outubro de 1916. Filho único de Scylla e Jacob Schneider, cresceu e viveu na sua cidade natal até casar-se com a gaúcha Guiomar Schneider.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pouco se sabe sobre a sua juventude. Ainda na adolescência, ingressou na Juventude Comunista e sua participação perdurou durante toda a sua graduação em Ciências Sociais e Jurídicas na Faculdade Nacional de Direito. Foi durante sua graduação, inclusive, que Eliezer teve sua participação mais significativa frente à repressão: atuou na criação da União Nacional dos Estudantes (UNE) (1936-37), ocupou o cargo de presidente do Comitê Estudantil de Esquerda contra a Guerra e o Fascismo (1935) e ainda foi preso por 2 vezes por conspiração e “atividades de caráter subversivo”, mas foi solto após uma noite na primeira vez e absolvido na segunda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua militância teve grandes efeitos em sua trajetória profissional, impossibilitando-o de usufruir oportunidades tanto fora do país, quando foi impedido de ingressar no doutorado na Iowa University (década de 1950), quanto em solo brasileiro durante a ditadura militar, nas décadas de 1960 à 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===1930 - 1960=== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formou-se em Direito pela Universidade do Brasil (atual UFRJ), mas nunca chegou a exercer a profissão e logo começou a se interessar pela psicologia, sendo, portanto, um dos primeiros brasileiros a possuir formação acadêmica na área. Segundo Eliezer, seu interesse pela área psicológica surgiu com o estudo do Direito a partir do momento em que ele começou a se fazer perguntas tal qual “como entender o criminoso?”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Graduou-se na época do direito positivo, ou seja, o mesmo era embasado no Iluminismo e no livre-arbítrio, de modo que o crime era caracterizado como uma escolha do indivíduo e cada ato possuía uma consequência. Com isso, no meio desse cenário, as questões de responsabilidade, punição e suas possíveis relações com a loucura começaram a atrair a atenção de Schneider, que decide partir para uma área que pudesse responder os seus questionamentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1941, ingressou na Psicologia através de um concurso do DASP (Departamento de Administração do Serviço Público) para “Técnico de Assuntos Educacionais”, também na Universidade do Brasil. Nessa época, os cursos de psicologia ainda não eram regulamentados no Brasil, algo que só ocorre em 1962.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após um período nos Estados Unidos, tornou-se mestre pela Iowa University, tendo defendido a tese sobre as teorias emergentistas da personalidade (1947). Voltando ao Brasil, ingressou como psicotécnico no [[Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)|ISOP]] (Instituto de Seleção e Orientação Profissional da Fundação Getúlio Vargas), em 1949.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eliezer pensou em retornar aos EUA para realizar seu doutorado, mas, logo após a aprovação da Iowa University, recebeu um aviso do Departamento de Estado de que seu ingresso ao país estava vetado. Isso ocorre porque estava em vigor o Macartismo e seus envolvimentos com a Juventude Comunista o tornaram alguém sem muito prestígio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1951, casou-se com Guiomar e teve um filho, Jean Bayard. Se mudou para Porto Alegre (onde permaneceu entre 1953 e 1954), trabalhando como professor na PUC-RS e como psicotécnico no Departamento de Estradas de Rodagem. Ainda nesse ano, Schneider criou, junto a [[Antonio Gomes Penna]], o Boletim do Instituto de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Retornou ao Rio de Janeiro, local onde trabalhou em diversas fontes diferentes, tornando-se Diretor do Colégio Hebreu Brasileiro e psicólogo do Manicômio Judiciário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na metade dos anos 50, as discussões sobre a regulamentação da profissão do psicólogo estavam em pleno fervor. Nessa época, surgem discordâncias entre diversos personagens, as quais giravam em torno de fazer da psicologia uma ciência “prática” ou “teórica”. Com isso, Schneider é chamado para atuar como mediador da discussão, mas a função não obtém sucesso. Mesmo assim, cria-se uma comissão para a proposição de um anteprojeto sobre o tema, a qual Eliezer é chamado a compor. Da mesma, surge a Lei 4.119, que regulamenta a profissão e os cursos de psicologia, além do Parecer 43/62, que estabelece o currículo mínimo do curso de psicologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A regulamentação da profissão ocorreu em 1962 e, após isso, diversos cursos foram criados. Eliezer torna-se um dos primeiros professores em alguns deles: na UFRJ, local onde já trabalhava, UERJ, FAHUPE (Faculdade de Humanidades Pedro II) e Universidade Gama Filho. Em todas elas, permaneceu com um esforço: integrar a disciplina de Psicologia Jurídica nos currículos. Trabalhou também com a pós-graduação no ISOP, IEASE (Instituto De Ensino Superior Albert Einstein), UFRJ e UGF.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Schneider casou-se novamente em 1968 com Fanny, com quem teve mais um filho, Marco André.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===1970-1998===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 70, ele publica seu único livro &amp;quot;Psicologia Social - histórica, cultural, política&amp;quot; (1978) e encerra o Boletim do Instituto de Psicologia, em 1974, após 23 anos de duração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Schneider permaneceu na UFRJ, UERJ e FAHUPE (Faculdade de Humanidades Pedro II) entre os anos setenta e oitenta. Já na Gama Filho, ele trabalhou até 1998. Segundo ele, lecionar era sua vocação e onde ele se sentia melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele faleceu na véspera do dia do Psicólogo, em 26 de agosto de 1998, e aqueles que conviveram com ele - docentes e discentes em sua maioria - disseram ter perdido um grande mestre e amigo, devido ao seu modo gentil e amigável de se expressar, falar, ensinar e conviver com as pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contribuições== &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua principal contribuição à Psicologia foi a formação de uma geração de professores de Psicologia Social que rompem com o paradigma individualista tão característico da nova ciência. Paradigma este que excluiria completamente o contexto social do sujeito e, munido do ideal de livre arbítrio, igualaria juridicamente todos os indivíduos. Schneider imputa a seus graduandos a relevância dos fatores econômicos, socioculturais, políticos e históricos na análise do comportamento, principalmente do comportamento infrator. Sua influência enquanto docente é reafirmada quando leva-se em consideração que o professor orientou cerca de 40 dissertações e teses e, pelo menos, cento e cinquenta comissões examinadoras. E, embora tenha sido também pesquisador, destacou-se pela docência, o que exerce até o fim de sua vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Schneider inclusive é convidado a compor a comissão de anteprojeto, a partir do qual, após posteriores contribuições, surge a Lei 4.119, que regulamenta a profissão de psicólogo e seus cursos. Além disso, é notável seu esforço para incluir a disciplina de Psicologia Jurídica no currículo dos cursos. Com isso, contribui não só para a criação da profissão de psicólogo, mas principalmente para um novo fazer e saber psicológico, muito caracterizado pela transversalidade com a sociologia. Eis então o berço da Psicologia Social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Cronologia Biográfica==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1916: Nascimento em 18 de outubro, na cidade do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1939: Graduação de Ciências Sociais e Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1941: Assistente de Ensino no Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1947: Mestre em Psicologia pela Graduate College da State University of Iowa, em Iowa, EUA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1950: Chefe da Divisão de Pesquisas Experimentais do Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil (Rio de Janeiro, RJ).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1953: Professor de Psicologia de Personalidade na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Porto Alegre, RS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1954: Psicologista e “Técnico de Assuntos Educacionais”, no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1965: Professor Titular do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho, do [[Instituto de Psicologia da UFRJ]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1967: Professor Titular de Psicologia Geral e Experimental de cursos de graduação de Psicologia, da Universidade de Gama Filho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1970: Chefe de Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia da UEG e Chefe de Departamento de Psicologia Social e do Trabalho no Instituto de Psicologia da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1973: Membro do Conselho Universitário da UERJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1975: Membro do Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro, como psicólogo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1978: Publica seu único livro: Psicologia Social – histórica, cultural e política.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1978: Diretor Adjunto de Pós-graduação no Instituto de Psicologia da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1986: Aposentadoria como professor do Instituto de Psicologia da UFRJ&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1988: Título de Professor Emérito da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1998: Falecimento em 26 de agosto, no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Relação com outros personagens==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando se trata da relação de Eliezer Schneider com outros personagens, é imprescindível citar Antonio Gomes Penna — importante precursor da psicologia brasileira — que foi o seu grande amigo por cerca de cinquenta anos e que se juntou editorialmente para escrever, em 1951, o Boletim do Instituto de Psicologia e artigos em muitas outras revistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre outras amizades, estão Edu Viana Guerra, técnico em educação que se juntou a Eliezer na criação de uma revista de psicologia em que publicaram artigos regularmente, e [[Franco Lo Presti Seminério]], que em conjunto com Eliezer Schneider e outros psicólogos atuaram na institucionalização da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano 1965, o professor [[Hans Ludwig Lippmann]], convidou Eliezer Schneider para lecionar psicologia social na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Em relação a Psicologia Social, Eliezer toma como inspiração [[Otto Klineberg]], psicólogo canadense e professor. Ele fora também orientado por [[Mira y López|Emilio Mira y López]] em um trabalho de seleção importante no Instituto Rio Branco e também por [[Jayme Grabois]] nas atividades de psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ver também==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*[[Antonio Gomes Penna]]&lt;br /&gt;
*[[Mira y López|Emilio Mira y López]]&lt;br /&gt;
*[[Franco Lo Presti Seminério]]&lt;br /&gt;
*[[Hans Ludwig Lippmann]]&lt;br /&gt;
*[[Instituto de Psicologia da UFRJ]]&lt;br /&gt;
*[[Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)]]&lt;br /&gt;
*[[Jayme Grabois]]&lt;br /&gt;
*[[Otto Klineberg]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
#ELIEZER Schneider. [https://doi.org/10.1590/S1414-98932004000200014 Psicologia: Ciência e Profissão]. 2004, v. 24, n. 2, pp. 137.&lt;br /&gt;
#JACÓ-VILELA, A. [https://www.scielo.br/j/epsic/a/y8sjCBJxRgBM8s3DsH568bC/?lang=pt# Eliezer Schneider]. &#039;&#039;&#039;Estudos de Psicologia&#039;&#039;&#039;. 1997, v. 2, n. 1, pp. 109-134.&lt;br /&gt;
#JACÓ-VILELA, A. [https://www.scielo.br/j/epsic/a/WMqgpcLPgqwWjq6LwNj5cSt/?format=pdf&amp;amp;lang=pt Eliezer Schneider: um esboço biográfico]. &#039;&#039;&#039;Estudos de Psicologia&#039;&#039;&#039;. 1999, v. 4, n. 2, pp. 331-350.&lt;br /&gt;
#LIMA, Renato Sampaio. [https://doi.org/10.1590/S1984-02922009000200014 História da psicologia social no Rio de Janeiro: dois importantes personagens]. &#039;&#039;&#039;Fractal: Revista de Psicologia&#039;&#039;&#039;, 2009, v. 21, n. 2, pp. 409-423.&lt;br /&gt;
#VASCONCELLOS, Maira Allucham Goulart Naves Trevisan. [http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1519-549X2019000100010 Algumas repercussões do posicionamento político-ideológico na carreira profissional de Eliezer Schneider]. &#039;&#039;&#039;Revista Psicologia Política&#039;&#039;&#039;, São Paulo, v. 19, n. 44, p. 88-96, abr. 2019.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Francine Ribeiro, Melissa Iara, Micaelly Guimarães, Vitória Maria, Roselaine Lima, como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.2, publicado em 2021.2.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
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		<title>John E. Douglas</title>
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		<updated>2024-07-09T17:56:27Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: /* Contribuições */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;John Edward Douglas nasceu em 18 de junho de 1945, no condado de Brooklyn, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Ele é psicólogo e durante 25 anos atuou como agente do FBI. Nesse período, estudou o comportamento de criminosos condenados e desenvolveu um método de análise de perfis que se tornou parte dos processos investigativos do FBI, inserindo a psicologia em um contexto em que ela não era considerada válida. Ele se tornou um personagem muito importante para a área da psicologia criminal, sendo reconhecido mundialmente como o arquiteto do “perfil criminal”. Atualmente, Douglas está aposentado, mas ainda realiza consultas esporádicas e apresenta palestras sobre o tema. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primeiros anos e educação ===&lt;br /&gt;
John Edward Douglas nasceu em 18 de junho de 1945, no condado de Brooklyn, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Ele vivia com seu pai, Jack Douglas, sua mãe e sua irmã, Arlene, que é quatro anos mais velha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando completou 8 anos de idade, Douglas e a família se mudaram para Hempstead, uma vila localizada na ilha de Long Island, em Nova York.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a infância, seu desempenho escolar era pouco satisfatório. Ele não se interessava pelas disciplinas que eram oferecidas e mantinha suas notas apenas próximas da média necessária. A única tarefa escolar que o interessava verdadeiramente era a contação de histórias, e esse foi um campo bastante estudado e desenvolvido por ele nesse período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele também se destacava na área do esporte. Na adolescência, foi arremessador na equipe de beisebol e atuou como defensor de futebol americano na Hempstead High School. No futuro, Douglas viria a relatar que seu desempenho nos jogos o fez cultivar certo interesse pela psicologia. Isso porque, durante as partidas, ele estudava formas de desestabilizar o time adversário. Para isso, incentivava seus colegas de equipe a performar quedas falsas, fingirem ataques entre si e a grunhir e expressar gemidos de dor, acreditando que isso levaria seus adversários a pensar que o time era instável e inconsequente, e que apresentavam risco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro evento que relaciona à psicologia foi o período em que trabalhou como segurança em algumas boates, aos 18 anos. Suas funções eram a de identificar menores de idade na fila de entrada, bem como impedir e solucionar brigas entre os clientes. Para a primeira tarefa, ele adotou a estratégia de analisar, discretamente, pessoas em posições atrás das que estava conversando, a fim de observar quem parecia nervoso ou hesitante e identificar possíveis intrusos. Quanto às brigas, ele recorria à sua experiência como atleta e se apresentava como uma pessoa imprevisível, perigosa, com o objetivo de amedrontar os clientes, para que acreditassem que não sairiam impunes caso iniciassem um conflito. Quando isso não era o suficiente, ao menor indício de que um sujeito armaria uma briga, ele imediatamente o retirava do local, antes mesmo de acontecer um problema real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
John Douglas passou a maior parte de sua infância e adolescência cultivando o sonho de se tornar veterinário. Ele tinha uma variedade de animais de estimação, como gatos, cachorros, coelhos e até cobras. Seu objetivo era estudar na Universidade Cornell, mas ele não foi aceito no processo seletivo. Assim, optou por se matricular na Universidade Estadual de Montana, se mudando para a região em 1963.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu tempo na universidade foi conturbado. Além de manter um desempenho acadêmico ruim, Douglas se envolveu em problemas com a lei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele passou a ser membro da fraternidade estudantil Sigma Phi Epsilon, que era formada exclusivamente por homens e promovia atividades recreativas com muita frequência. Certa vez, durante uma dessas atividades, Douglas foi pego pela polícia utilizando uma identidade falsa para comprar bebidas. Seu segundo delito, em 1965, foi ainda mais grave. Nesse caso, ele estava como passageiro em um carro que se envolveu em uma perseguição policial, após o motorista não parar com o chamado da polícia, com medo de descobrirem que portavam bebidas alcoólicas no porta-malas. Ele conseguiu fugir, mas foi denunciado por um colega que não escapou. Depois desse episódio, decidiu sair da faculdade, voltar a viver com seus pais e traçar um rumo diferente para a sua vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Atuação militar ===&lt;br /&gt;
Em 1966, quando a Guerra do Vietnã estava se intensificando, Douglas foi convocado para se alistar no serviço militar obrigatório. Ele foi selecionado, mas, ao invés de se juntar ao exército, se alistou à força aérea, acreditando que a probabilidade dele ser convocado para estar na guerra seria mais baixa e que lá ele teria melhores oportunidades de estudo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele começou atuando como datilógrafo e, diante de seu histórico de atletismo e da disponibilidade de uma vaga na unidade, em pouco tempo, se tornou coordenador de programas esportivos, cargo que o tornou elegível para uma iniciativa governamental que promovia a educação. Ele foi aceito no programa e passou a receber uma bolsa de 75% para frequentar a Universidade do Leste do Novo México, onde iniciou o curso de Psicologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto ainda estava servindo na força aérea, Douglas finalizou a graduação e começou um mestrado em psicologia industrial. No entanto, em 1969, ele se envolveu em uma briga com alguns colegas da base em que trabalhava. Seus superiores, a fim de evitar um processo na corte marcial, o dispensaram antes do tempo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Início da carreira no FBI ===&lt;br /&gt;
No outono de 1970, John Douglas conheceu um homem chamado Frank Haines, que era agente do Departamento Federal de Investigação, o FBI. Haines tinha contato com oficiais da Força Aérea e já conhecia a reputação de Douglas. Ele o convidou para se alistar no FBI, mas não recebeu uma resposta afirmativa. Ainda assim, os dois mantiveram contato e acabaram desenvolvendo uma relação amigável. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Douglas passou a frequentar a casa de Haines e rapidamente se deparou com um estilo de vida muito diferente. Enquanto ele vivia apenas com um auxílio financeiro do governo, por conta de sua dispensa do exército, Haines parecia ter uma rotina extremamente confortável. Foi assim que, interessado em melhorar sua qualidade de vida, Douglas decidiu tentar ingressar nessa carreira e se alistou no FBI.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em novembro de 1970, aos 25 anos, John Douglas foi bem-sucedido na prova de admissão e aceitou uma proposta de trabalho no FBI por um período de teste. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele viajou até a cidade de Quantico, na Virgínia, onde fica a base do FBI, e lá foi submetido a um treinamento rigoroso em direito penal, análise de impressões digitais, crimes violentos e de colarinho branco, técnicas de detenção, armas, combate corpo a corpo e história da função do FBI, para a aplicação das leis no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao fim do programa, Douglas recebeu credenciais permanentes, um revólver, seis balas e foi enviado para trabalhar em Detroit, tendo se mudado para o Sul da cidade para morar com outros dois agentes, Bob McGonigel e Jack Knust. Lá, Douglas foi designado para trabalhar na Unidade de Crimes Reativos, o que significava que ele trabalharia com crimes que já haviam ocorrido, como assaltos a bancos e extorsões. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1971, Douglas conheceu Pamela Elizabeth Modica, na época com 21 anos e aluna da Eastern Michigan University. A relação entre os dois logo ficou séria. No natal daquele mesmo ano, ficaram noivos e, em junho do ano seguinte, se casaram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu segundo ano de serviço, John Douglas foi transferido para Milwaukee, onde viveria pelos próximos cinco anos, e ficou encarregado pelo recrutamento, uma função que envolvia viagens por todo o estado. Ele se tornou o recrutador mais produtivo do país, chegando a ter uma taxa de sucesso quatro vezes maior que a sua cota. Ele não queria continuar trabalhando nessa área, mas, por conta de sua alta produtividade, seus superiores se negavam a trocá-lo de função. Assim, ele propôs um acordo, afirmando que continuaria trabalhando nessa área se fosse nomeado como primeiro substituto de seu chefe, Herb Hoxie, se pudesse usar um carro do FBI e se fosse indicado para receber fundos da Administração de Assistência a Autoridades Policiais para uma pós-graduação. Esse acordo foi aprovado e, assim, ele iniciou um mestrado em psicologia da educação, na Universidade de Wisconsin.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algum tempo depois, Douglas passou a se interessar pelo trabalho da SWAT, a equipe de armas e táticas especiais. Ele conseguiu fazer parte do time e passou a atuar como franco-atirador, uma posição que fica mais na retaguarda e dá tiros à distância. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O líder dessa equipe, David Kohl, acabou se tornando diretor-assistente adjunto em Quantico e pediu para que Douglas liderasse a Unidade de Apoio Administrativo. Ele aceitou a proposta e passou a trabalhar, principalmente, em casos de assaltos a bancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda nesse período, Douglas foi transferido para trabalhar em uma reserva indígena, onde passou cerca de um mês e investigou pelo menos seis assassinatos. Apesar das dificuldades, foi uma experiência importante, na qual ele se aproximou ainda mais da investigação das cenas de crime.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em dezembro de 1975, John Douglas e sua esposa tiveram a primeira filha, Erika, enquanto ele terminava sua pós-graduação. Eles ainda viriam a ter mais dois filhos, que se chamariam Lauren e Jed.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Academia Nacional do FBI ===&lt;br /&gt;
O processo de prisão e interrogatório dos suspeitos eram fonte de muito interesse a Douglas. Ele se interessava no psiquismo do criminoso e no porquê de ele ter cometido os atos que cometeu, e, sempre que tinha oportunidade, perguntava para eles sobre suas motivações e planejamento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o passar do tempo, seu encanto pela SWAT se esvaiu e o conhecimento que havia adquirido durante o mestrado o fez ter interesse em outro tipo de desafio. Segundo ele, a parte mais difícil do trabalho era tentar resolver a situação antes que tiros fossem trocados. Assim, Douglas foi enviado para um curso de duas semanas de negociação de reféns na Academia do FBI, em Quantico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época, as técnicas eram ensinadas pela Unidade de Ciência Comportamental, mas boa parte do FBI e do mundo legal em geral acreditava que a psicologia era uma ciência fraca e que não tinha utilidade nesse meio. A turma que Douglas participou contava com cerca de 50 alunos. Nela, estudavam os tipos de tomadores de reféns e os fenômenos que surgiram a partir dessas situações, como a síndrome de Estocolmo e os princípios da negociação. O curso também permitia que escutassem a gravações de negociações reais e contava com treinamento de armas de fogo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O desempenho de John Douglas durante esse curso chamou a atenção de seus superiores, que o indicaram à Jack Pfaff, chefe da Unidade de Ciência Comportamental. Pfaff convidou Douglas para voltar à Quântico em um futuro próximo e a trabalhar como conselheiro do programa da Academia Nacional do FBI, cargo que ele aceitou prontamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Douglas permanecia trabalhando no esquadrão reativo e na equipe da SWAT em Milwaukee, mas passava a maior parte do tempo viajando pelo estado para treinar executivos para lidar com sequestros e ameaças de extorsão. Durante esse tempo, ele conseguiu implantar um sistema que reduziu o número de assaltos a bancos. Esse sistema consistia em um conjunto básico de códigos que permitia identificar se o local estava em algum perigo. Assim, a primeira pessoa a chegar ao banco deveria fazer alguma coisa em específico, como mudar uma planta de lugar ou ajustar a cortina, para demonstrar que estava segura. Se o sinal não fosse dado, a próxima pessoa a chegar não entraria no banco, mas chamaria a polícia imediatamente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1976, Douglas voltou a Quantico para cumprir seu trabalho temporário como conselheiro da 107a sessão da academia nacional, que teria a duração de 11 semanas. O programa atendia a agentes da lei de alto escalão de todo o mundo, que haviam sido recomendados por seus respectivos comandantes e aceitos pela equipe de Quantico. Durante esse tempo, Douglas também assistiu a aulas da Academia Nacional e aprendeu sobre o método de ensino. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final do programa, em dezembro, tanto a Unidade de Ciência Comportamental quanto a Unidade de Educação ofereceram-lhe um trabalho. Douglas aceitou a proposta da Unidade de Ciência Comportamental. Assim, em junho de 1977, Douglas foi transferido para Quantico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Unidade de Ciência Comportamental do FBI ===&lt;br /&gt;
Aos 32 anos, John Douglas passou a fazer parte da Unidade de Ciência Comportamental do FBI. Era junho de 1977 e dos nove agentes que chegaram na mesma época que ele, quase todos estavam envolvidos na função de ensinar, incluindo o próprio Douglas. Nesse período, o principal curso oferecido na Academia Nacional era o de psicologia criminal aplicada, que focava em descobrir a motivação por trás dos crimes. Os outros cursos eram problemas policiais contemporâneos, sindicatos policiais, relações com a comunidade, sociologia, psicologia e crimes sexuais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
John Douglas, agora na função de professor, passou a se sentir desconfortável com o fato de que estava tratando de assuntos em suas aulas, os quais ele mesmo não tinha experiência — assim como a maioria dos outros professores. O conteúdo das aulas não era fundamentado por uma linha teórica. Ele se tratava, na verdade, de histórias de guerra, apresentadas e difundidas na unidade por policiais que participaram de casos emblemáticos. Douglas não achava coerente que ele estivesse lecionando sobre experiências de campo, que ele nunca teve, para policiais que tinham muito mais conhecimento do que ele. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como forma de mudar essa narrativa, passou a colocar os alunos como protagonistas das aulas. Antes de começar, ele os perguntava se alguém ali tinha estado presente durante a investigação dos casos que seriam abordados. Em pouco tempo, ele foi conseguindo o respeito dos policiais e passou a ser consultado para dar opiniões sobre os casos em que estavam trabalhando. No entanto, John Douglas ainda não se sentia confiante com seu trabalho. Achava que precisava saber mais e ir em busca de um conhecimento que pudesse fazer alguma diferença. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Análise de Perfis ===&lt;br /&gt;
Quando ainda trabalhava na SWAT, Douglas começou a frequentar o grupo de detetives de homicídios da cidade e a sala do médico legista. Embora adorasse esse trabalho, o que realmente o interessava era o lado psicológico. Ele teve acesso a muitos casos e ficou especialmente impressionado com o de Edward Gein que, em 1950, utilizava a pele dos corpos de pessoas que assassinava como adereços para sua casa. Douglas queria entender o que se passava na cabeça de um assassino como esse e o que o levava a cometer um homicídio de determinada maneira. Sua experiência com os detetives e o período em que lecionou em Quantico fizeram com que ele passasse a se interessar profundamente pelas análises de perfil, e ele decidiu que seguiria por esse caminho. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquela época, nenhuma autoridade considerava a análise de perfil como uma ferramenta válida. Por isso, qualquer pessoa que estivesse disposta a estudar ou reproduzir o assunto, precisava fazer isso de maneira informal, sem manter registros, para que não houvesse nenhum risco de envergonhar o FBI. Dessa forma, o trabalho desses analistas era focado em consultorias esporádicas a policiais interessados, mas não existia um programa organizado que a definisse como uma função da Unidade de Ciência Comportamental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, junto de seu colega de profissão, Bob Ressler, Douglas resolveu iniciar uma série de entrevistas com criminosos, sem comunicar seus superiores, com o objetivo de entender suas personalidades e motivações. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por intermédio de pessoas de confiança que mantinham dentro do sistema penal, conseguiram organizar a primeira entrevista, com o serial killer Edmund Kemper, na época, cumprindo prisão perpétua no Centro Médico Estadual da Califórnia, que ficava na cidade de Vacaville.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Douglas e Ressler passaram a fazer essas visitas de forma frequente e conseguiram entrevistar mais de meia dúzia de criminosos durante os primeiros meses de pesquisa. Seus estudos eram focados em como a mente dos criminosos funcionava e, através de várias revisões, foram entendendo como deveriam interpretar as respostas dadas por eles de maneira que não fossem influenciados e manipulados. Eles consideravam que entender a escolha das vítimas, o modo como o crime foi conduzido, a vida do prisioneiro antes dos crimes e uma série de outros fatores tornaria possível estabelecer padrões de comportamento que ajudariam a identificar outros criminosos no futuro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os criminosos, por sua vez, não demonstraram resistência ao falar com eles. Acreditava-se que existia um motivo para isso, a depender do criminoso. Em geral, ele aproveitava a presença da polícia porque era fanático por agentes da lei; acreditava que poderia tirar algum benefício delas, caso agisse corretamente; queria reviver suas experiências e fantasias, falando sobre elas; se sentia ignorado e usava dessa oportunidade para ser o centro das atenções; ou aproveitava esse momento para cooperar com a polícia, acreditando estar compensando pelo que fez. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em pouco tempo, o trabalho de Douglas e Ressler foi se tornando conhecido entre os policiais. Em 1979, eles já haviam recebido cerca de 50 pedidos de análise de perfil, e os instrutores da Academia do FBI tentavam trabalhar neles entre uma aula e outra. No ano seguinte, esse número duplicou. Assim, Douglas passou a ser o único agente da Unidade trabalhando integralmente com o tema. Ele dava palestras sobre o assunto e cuidava de praticamente todos os casos de homicídio que chegavam até eles. Foi dessa forma que garantiu o recém-criado cargo de gerente do programa de análise de perfis de personalidades criminosas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até esse momento, a dupla ainda não havia encontrado uma forma de transformar a pesquisa em algo estruturado e sistematizado. Eles apresentaram a proposta para a Dra Ann Burgess, uma professora da área da saúde mental, que demonstrou interesse imediato no projeto. Trabalhando juntos, conseguiram um auxílio de 400 mil dólares do Instituto Nacional de Justiça, financiado pelo Governo, organizaram o funcionamento do experimento e estipularam que o projeto fosse durar entre 3 e 4 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O grupo conseguiu completar um estudo detalhado de 36 indivíduos até 1983 e, dentre os entrevistados, estavam nomes muitos populares, como Ted Bundy, David Berkowitz e Charles Manson. Além disso, também coletaram dados de 118 vítimas, a maioria mulheres. Em 1988, essas conclusões foram organizadas em um livro chamado Sexual Homicide: Patterns and Motives. No entanto, como os autores relatam, o livro trouxe mais perguntas do que respostas e os levou à conclusão de que a mente de criminosos precisa ser um objeto de estudo contínuo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A análise de perfis passou a ser uma ferramenta utilizada em muitas investigações. Entendendo o &#039;&#039;modus operandi&#039;&#039; do criminoso e como isso refletia em seu comportamento, vida pessoal e relações, conseguiam estipular um perfil de como seria aquela pessoa e esse perfil era capaz de os aproximar de potenciais suspeitos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Douglas permaneceu estudando o tema, assim como seus colegas de pesquisa, mas tentou trazer o assunto para o campo prático. Ele esteve envolvido na investigação de casos mundialmente conhecidos, como o dos serial killers Robert Hansen e Nathaniel Code, e se tornou um nome muito popular entre os profissionais da área por ter conseguido formular perfis corretos, que ajudaram a identificar muitos criminosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Douglas publicou diversas obras que se tornaram peças essenciais para a construção da análise de perfis. No início dos anos 1980, já estava trabalhando em mais de 150 casos por ano e recebia chamados por todo o mundo. Ele criou e dirigiu o Programa de Perfil Criminal do FBI, que hoje é chamado de Unidade de Análise Comportamental, e também foi diretor da Unidade de Apoio Investigativo. Treinou pessoalmente muitos agentes e fez com que o método se tornasse mundialmente conhecido. Seu trabalho o fez ser reconhecido como o arquiteto do “perfil criminal”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1995, após 25 anos de serviço, Douglas se aposentou como agente especial no FBI. Atualmente, ele continua dando palestras sobre o assunto e eventualmente participa da investigação de alguns casos como consultor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Análise de perfis ===&lt;br /&gt;
John Douglas é um personagem muito importante para a psicologia criminal. Seu trabalho de pesquisa, popularização e implantação da técnica de análise de perfis foi um fator fundamental para que a psicologia deixasse de ser vista como um fator dispensável quando se trata de personalidades criminosas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele propôs uma série de pontos que deveriam ser analisados entre as cenas de crime, o tipo de crime e a escolha das vítimas, que permitiriam entender mais sobre os suspeitos e poderiam levar até a sua identificação. Seus esforços resultaram na criação do Programa de Perfil Criminal do FBI, que hoje funciona sob o nome de Unidade de Análise Comportamental e é responsável pela prisão de criminosos violentos por todo o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Análise de perfis ===&lt;br /&gt;
As críticas que se relacionam ao nome de John Douglas estão diretamente ligadas à sua técnica de análise de perfis. Muitos psicólogos, psiquiatras e, principalmente, policiais, criticam o uso dessa ferramenta dentro de investigações. Isso porque, embora exista uma pesquisa científica que fundamente essa prática, sua aplicação é dedutiva e nem sempre condiz com a realidade. Além disso, no momento em que se desenvolve um perfil, os suspeitos que não se assemelham ao mesmo costumam ser descartados, o que pode induzir as investigações ao erro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre os casos em que o perfil foi apresentado de maneira incorreta, o mais emblemático é o do serial killer Dennis Rader, conhecido como BTK, que atuou entre 1974 e 1991. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com os estudos de Douglas, Rader seria um homem pouco importante, solitário e sem relacionamentos duradouros, que encontrava nos crimes uma posição dominante que nunca pôde exercer. No entanto, ele seria uma pessoa egocêntrica, e esse fato o faria ser descoberto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Douglas acertou no último ponto. Rader foi preso em 2005, após ter sido rastreado pela polícia através de um disquete que ele mesmo enviou, na tentativa de trazer visibilidade aos seus crimes passados. Mas, diferente do que havia sido proposto, ele era casado, tinha dois filhos, um trabalho estável e até ocupava uma posição de supervisor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse caso não foi o único em que a análise de perfil estava errada. Embora Douglas apresente a técnica a partir da perspectiva de que ela deve ser utilizada como um apoio e não um direcionamento, muitas vezes, ela se torna o motivo para que casos não sejam solucionados por muito tempo, o que faz com que ela seja rejeitada por muitos profissionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia Biográfica ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* 1945 - John Douglas nasce, no condado de Brooklyn;&lt;br /&gt;
* 1963 - Inicia seus estudos na Universidade Estadual de Montana;&lt;br /&gt;
* 1966 - Se junta à Força Aérea Americana;&lt;br /&gt;
* 1966 - Começa a cursar psicologia na Universidade do Leste do Novo México;&lt;br /&gt;
* 1969 - É dispensado da Força Aérea Americana;&lt;br /&gt;
* 1970 - Passa a trabalhar no FBI;&lt;br /&gt;
* 1971 - Se muda para MIlwaukee para atuar como recrutador;&lt;br /&gt;
* 1972 - Inicia um mestrado em Psicologia da Educação na Universidade de Wisconsin;&lt;br /&gt;
* ~1973-1975 - Entra para a equipe da SWAT e se torna líder da Unidade de Apoio Administrativo;&lt;br /&gt;
* 1976 - Atua como conselheiro da Academia Nacional por um período temporário;&lt;br /&gt;
* 1977 - É contratado para trabalhar na Unidade de Ciência Comportamental como professor;&lt;br /&gt;
* 1979 - Inicia sua pesquisa sobre análise de perfis;&lt;br /&gt;
* 1988 - Publica um livro baseado no resultado dessas pesquisas, o Sexual Homicide: Patterns and Motives;&lt;br /&gt;
* 1980 - Cria e passa a dirigir o Programa de Perfil Criminal do FBI;&lt;br /&gt;
* 1990 - Se torna diretor da Unidade de Apoio Investigativo;&lt;br /&gt;
* 1995 - Se aposenta, mas continua trabalhando na área de forma eventual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Não ficcionais ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Sexual Homicide: Patterns And Motives (1988);&lt;br /&gt;
* Manual De Classificação De Crimes: Um Sistema Padrão Para Investigação E Classificação De Crimes Violentos (1992);&lt;br /&gt;
* Mindhunter: O Primeiro Caçador De Serial Killers Americano (1995);&lt;br /&gt;
* Mindhunter: Inside The Fbi&#039;s Elite Serial Crime Unit (1995);&lt;br /&gt;
* Journey Into Darkness (1997);&lt;br /&gt;
* Obsession (1998);&lt;br /&gt;
* Guia Para Carreiras No Fbi (1998);&lt;br /&gt;
* A Anatomia Do Motivo: O Lendário Mindhunter Do Fbi Explora A Chave Para Compreender E Capturar Criminosos Violentos (1999);&lt;br /&gt;
* Mentes Criminosas E Crimes Assustadores (2000);&lt;br /&gt;
* Guia De John Douglas Para Os Exames Policiais (2000);&lt;br /&gt;
* Qualquer Pessoa Que Você Queira Que Eu Seja: Uma Verdadeira História De Sexo E Morte Na Internet (2003);&lt;br /&gt;
* Guia De John Douglas Para Conseguir Uma Carreira Na Aplicação Da Lei (2004);&lt;br /&gt;
* Manual De Classificação De Crimes: Um Sistema Padrão Para Investigação E Classificação De Crimes Violentos, 2ª Edição (2006);&lt;br /&gt;
* Por Dentro Da Mente De Btk: A Verdadeira História Por Trás Da Caça De Trinta Anos Ao Notório Assassino Em Série De Wichita (2007);&lt;br /&gt;
* Lei E Desordem (2013);&lt;br /&gt;
* The Killer Across The Table: Unlocking The Secrets Of Serial Killers And Predators With The Fbi&#039;s Original Mindhunter (2019);&lt;br /&gt;
* De Frente Com O Serial Killer: Novos Casos De Mindhunter (2019);&lt;br /&gt;
* The Killer Across The Table: Inside The Minds Of Psychopaths And Predators (2020);&lt;br /&gt;
* The Killer&#039;s Shadow: The Fbi&#039;s Hunt For A White Supremacist Serial Killer (2020);&lt;br /&gt;
* À Sombra Do Serial Killer: Outros Casos De Mindhunter (2021);&lt;br /&gt;
* Quando Um Assassino Liga: Uma História Assustadora De Assassinato, Perfil Criminal E Justiça Em Uma Cidade Pequena (2022);&lt;br /&gt;
* O Chamado Do Serial Killer: Mais Casos De Mindhunter (2023)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Ficcionais ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Broken Wings (1999);&lt;br /&gt;
* Man Down: A Broken Wings Thriller (2004).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios e Reconhecimentos ==&lt;br /&gt;
Douglas recebeu dois prêmios Thomas Jefferson de excelência acadêmica da Universidade de Virginia, por seu trabalho no estudo de mentes criminosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Retratos na Mídia ==&lt;br /&gt;
As técnicas desenvolvidas por Douglas e seus colaboradores na confecção de perfis de criminosos é amplamente presente em produções cinematográficas. Já nos anos 1990, séries de TV mostram o uso desses perfis. Do mesmo modo, o próprio John Douglas foi utilizado como inspiração para a criação de alguns personagens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* O personagem Jack Crawford, do filme &amp;quot;O Silêncio dos Inocentes&amp;quot;, foi inspirado em John Douglas, e o livro no qual o filme foi baseado teve como referência a história do criminoso Edward Gein, que o autor do livro conheceu enquanto assistia aulas da Unidade de Análise Comportamental. Além disso, o diretor e o elenco do filme visitaram Quantico como parte da preparação para as filmagens;&lt;br /&gt;
* No seriado &amp;quot;Criminal Minds&amp;quot;, são retratadas histórias ficcionais que são investigadas por agentes da Unidade de Análise Comportamental, que foi criada por John Douglas, e os personagens Jason Gideon e David Rossi foram inspirados nele;&lt;br /&gt;
* A série &amp;quot;Mindhunter&amp;quot;, da Netflix, foi inspirada no livro de mesmo nome, publicado por John Douglas e Mark Olshaker, e o personagem principal, Holden Ford, foi inspirado em John Douglas;&lt;br /&gt;
* O programa “Killer Next Door” foi apresentado por John Douglas e apresentou alguns de seus casos mais famosos;&lt;br /&gt;
* Diversas produções empregam elementos que refletem o trabalho de Douglas, como os seriados The Profiler, CSI, Arquivo X e Elementar;&lt;br /&gt;
* Muitos produtores solicitam consultas com John Douglas para aprimorar os aspectos criminais que pretendem relatar em suas obras, como foi o caso do filme &amp;quot;Um Olhar no Paraíso&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências Bibliográficas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# DOUGLAS, J; DODD, J. &#039;&#039;&#039;Inside the Mind of BTK:&#039;&#039;&#039; the true story behind the thirty-year hunt for the notorious Wichita serial killer. 1a edição. São Francisco: John Wiley &amp;amp; Sons, Inc., 2007. &lt;br /&gt;
# DOUGLAS, J; OLSHAKER, M. &#039;&#039;&#039;Mindhunter:&#039;&#039;&#039; o primeiro caçador de serial killers americano. 1a edição. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2017.&lt;br /&gt;
# FEDERAL BUREAU OF INVESTIGATION. &#039;&#039;&#039;[https://leb.fbi.gov/file-repository/archives/december-1986.pdf/view FBI Law Enforcement Bulletin - December 1986].&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
# MASTERCLASS. [https://mindhunterfbi.com LEGENDARY PROFILER &amp;amp; FBI INVESTIGATIVE SUPPORT UNIT FOUNDER].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=John_E._Douglas&amp;diff=1374</id>
		<title>John E. Douglas</title>
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		<updated>2024-07-04T20:21:45Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Criação da página na Wiki&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;John Edward Douglas nasceu em 18 de junho de 1945, no condado de Brooklyn, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Ele é psicólogo e durante 25 anos atuou como agente do FBI. Nesse período, estudou o comportamento de criminosos condenados e desenvolveu um método de análise de perfis que se tornou parte dos processos investigativos do FBI, inserindo a psicologia em um contexto em que ela não era considerada válida. Ele se tornou um personagem muito importante para a área da psicologia criminal, sendo reconhecido mundialmente como o arquiteto do “perfil criminal”. Atualmente, Douglas está aposentado, mas ainda realiza consultas esporádicas e apresenta palestras sobre o tema. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primeiros anos e educação ===&lt;br /&gt;
John Edward Douglas nasceu em 18 de junho de 1945, no condado de Brooklyn, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Ele vivia com seu pai, Jack Douglas, sua mãe e sua irmã, Arlene, que é quatro anos mais velha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando completou 8 anos de idade, Douglas e a família se mudaram para Hempstead, uma vila localizada na ilha de Long Island, em Nova York.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a infância, seu desempenho escolar era pouco satisfatório. Ele não se interessava pelas disciplinas que eram oferecidas e mantinha suas notas apenas próximas da média necessária. A única tarefa escolar que o interessava verdadeiramente era a contação de histórias, e esse foi um campo bastante estudado e desenvolvido por ele nesse período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele também se destacava na área do esporte. Na adolescência, foi arremessador na equipe de beisebol e atuou como defensor de futebol americano na Hempstead High School. No futuro, Douglas viria a relatar que seu desempenho nos jogos o fez cultivar certo interesse pela psicologia. Isso porque, durante as partidas, ele estudava formas de desestabilizar o time adversário. Para isso, incentivava seus colegas de equipe a performar quedas falsas, fingirem ataques entre si e a grunhir e expressar gemidos de dor, acreditando que isso levaria seus adversários a pensar que o time era instável e inconsequente, e que apresentavam risco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro evento que relaciona à psicologia foi o período em que trabalhou como segurança em algumas boates, aos 18 anos. Suas funções eram a de identificar menores de idade na fila de entrada, bem como impedir e solucionar brigas entre os clientes. Para a primeira tarefa, ele adotou a estratégia de analisar, discretamente, pessoas em posições atrás das que estava conversando, a fim de observar quem parecia nervoso ou hesitante e identificar possíveis intrusos. Quanto às brigas, ele recorria à sua experiência como atleta e se apresentava como uma pessoa imprevisível, perigosa, com o objetivo de amedrontar os clientes, para que acreditassem que não sairiam impunes caso iniciassem um conflito. Quando isso não era o suficiente, ao menor indício de que um sujeito armaria uma briga, ele imediatamente o retirava do local, antes mesmo de acontecer um problema real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
John Douglas passou a maior parte de sua infância e adolescência cultivando o sonho de se tornar veterinário. Ele tinha uma variedade de animais de estimação, como gatos, cachorros, coelhos e até cobras. Seu objetivo era estudar na Universidade Cornell, mas ele não foi aceito no processo seletivo. Assim, optou por se matricular na Universidade Estadual de Montana, se mudando para a região em 1963.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu tempo na universidade foi conturbado. Além de manter um desempenho acadêmico ruim, Douglas se envolveu em problemas com a lei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele passou a ser membro da fraternidade estudantil Sigma Phi Epsilon, que era formada exclusivamente por homens e promovia atividades recreativas com muita frequência. Certa vez, durante uma dessas atividades, Douglas foi pego pela polícia utilizando uma identidade falsa para comprar bebidas. Seu segundo delito, em 1965, foi ainda mais grave. Nesse caso, ele estava como passageiro em um carro que se envolveu em uma perseguição policial, após o motorista não parar com o chamado da polícia, com medo de descobrirem que portavam bebidas alcoólicas no porta-malas. Ele conseguiu fugir, mas foi denunciado por um colega que não escapou. Depois desse episódio, decidiu sair da faculdade, voltar a viver com seus pais e traçar um rumo diferente para a sua vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Atuação militar ===&lt;br /&gt;
Em 1966, quando a Guerra do Vietnã estava se intensificando, Douglas foi convocado para se alistar no serviço militar obrigatório. Ele foi selecionado, mas, ao invés de se juntar ao exército, se alistou à força aérea, acreditando que a probabilidade dele ser convocado para estar na guerra seria mais baixa e que lá ele teria melhores oportunidades de estudo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele começou atuando como datilógrafo e, diante de seu histórico de atletismo e da disponibilidade de uma vaga na unidade, em pouco tempo, se tornou coordenador de programas esportivos, cargo que o tornou elegível para uma iniciativa governamental que promovia a educação. Ele foi aceito no programa e passou a receber uma bolsa de 75% para frequentar a Universidade do Leste do Novo México, onde iniciou o curso de Psicologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto ainda estava servindo na força aérea, Douglas finalizou a graduação e começou um mestrado em psicologia industrial. No entanto, em 1969, ele se envolveu em uma briga com alguns colegas da base em que trabalhava. Seus superiores, a fim de evitar um processo na corte marcial, o dispensaram antes do tempo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Início da carreira no FBI ===&lt;br /&gt;
No outono de 1970, John Douglas conheceu um homem chamado Frank Haines, que era agente do Departamento Federal de Investigação, o FBI. Haines tinha contato com oficiais da Força Aérea e já conhecia a reputação de Douglas. Ele o convidou para se alistar no FBI, mas não recebeu uma resposta afirmativa. Ainda assim, os dois mantiveram contato e acabaram desenvolvendo uma relação amigável. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Douglas passou a frequentar a casa de Haines e rapidamente se deparou com um estilo de vida muito diferente. Enquanto ele vivia apenas com um auxílio financeiro do governo, por conta de sua dispensa do exército, Haines parecia ter uma rotina extremamente confortável. Foi assim que, interessado em melhorar sua qualidade de vida, Douglas decidiu tentar ingressar nessa carreira e se alistou no FBI.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em novembro de 1970, aos 25 anos, John Douglas foi bem-sucedido na prova de admissão e aceitou uma proposta de trabalho no FBI por um período de teste. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele viajou até a cidade de Quantico, na Virgínia, onde fica a base do FBI, e lá foi submetido a um treinamento rigoroso em direito penal, análise de impressões digitais, crimes violentos e de colarinho branco, técnicas de detenção, armas, combate corpo a corpo e história da função do FBI, para a aplicação das leis no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao fim do programa, Douglas recebeu credenciais permanentes, um revólver, seis balas e foi enviado para trabalhar em Detroit, tendo se mudado para o Sul da cidade para morar com outros dois agentes, Bob McGonigel e Jack Knust. Lá, Douglas foi designado para trabalhar na Unidade de Crimes Reativos, o que significava que ele trabalharia com crimes que já haviam ocorrido, como assaltos a bancos e extorsões. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1971, Douglas conheceu Pamela Elizabeth Modica, na época com 21 anos e aluna da Eastern Michigan University. A relação entre os dois logo ficou séria. No natal daquele mesmo ano, ficaram noivos e, em junho do ano seguinte, se casaram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu segundo ano de serviço, John Douglas foi transferido para Milwaukee, onde viveria pelos próximos cinco anos, e ficou encarregado pelo recrutamento, uma função que envolvia viagens por todo o estado. Ele se tornou o recrutador mais produtivo do país, chegando a ter uma taxa de sucesso quatro vezes maior que a sua cota. Ele não queria continuar trabalhando nessa área, mas, por conta de sua alta produtividade, seus superiores se negavam a trocá-lo de função. Assim, ele propôs um acordo, afirmando que continuaria trabalhando nessa área se fosse nomeado como primeiro substituto de seu chefe, Herb Hoxie, se pudesse usar um carro do FBI e se fosse indicado para receber fundos da Administração de Assistência a Autoridades Policiais para uma pós-graduação. Esse acordo foi aprovado e, assim, ele iniciou um mestrado em psicologia da educação, na Universidade de Wisconsin.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algum tempo depois, Douglas passou a se interessar pelo trabalho da SWAT, a equipe de armas e táticas especiais. Ele conseguiu fazer parte do time e passou a atuar como franco-atirador, uma posição que fica mais na retaguarda e dá tiros à distância. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O líder dessa equipe, David Kohl, acabou se tornando diretor-assistente adjunto em Quantico e pediu para que Douglas liderasse a Unidade de Apoio Administrativo. Ele aceitou a proposta e passou a trabalhar, principalmente, em casos de assaltos a bancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda nesse período, Douglas foi transferido para trabalhar em uma reserva indígena, onde passou cerca de um mês e investigou pelo menos seis assassinatos. Apesar das dificuldades, foi uma experiência importante, na qual ele se aproximou ainda mais da investigação das cenas de crime.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em dezembro de 1975, John Douglas e sua esposa tiveram a primeira filha, Erika, enquanto ele terminava sua pós-graduação. Eles ainda viriam a ter mais dois filhos, que se chamariam Lauren e Jed.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Academia Nacional do FBI ===&lt;br /&gt;
O processo de prisão e interrogatório dos suspeitos eram fonte de muito interesse a Douglas. Ele se interessava no psiquismo do criminoso e no porquê de ele ter cometido os atos que cometeu, e, sempre que tinha oportunidade, perguntava para eles sobre suas motivações e planejamento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o passar do tempo, seu encanto pela SWAT se esvaiu e o conhecimento que havia adquirido durante o mestrado o fez ter interesse em outro tipo de desafio. Segundo ele, a parte mais difícil do trabalho era tentar resolver a situação antes que tiros fossem trocados. Assim, Douglas foi enviado para um curso de duas semanas de negociação de reféns na Academia do FBI, em Quantico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época, as técnicas eram ensinadas pela Unidade de Ciência Comportamental, mas boa parte do FBI e do mundo legal em geral acreditava que a psicologia era uma ciência fraca e que não tinha utilidade nesse meio. A turma que Douglas participou contava com cerca de 50 alunos. Nela, estudavam os tipos de tomadores de reféns e os fenômenos que surgiram a partir dessas situações, como a síndrome de Estocolmo e os princípios da negociação. O curso também permitia que escutassem a gravações de negociações reais e contava com treinamento de armas de fogo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O desempenho de John Douglas durante esse curso chamou a atenção de seus superiores, que o indicaram à Jack Pfaff, chefe da Unidade de Ciência Comportamental. Pfaff convidou Douglas para voltar à Quântico em um futuro próximo e a trabalhar como conselheiro do programa da Academia Nacional do FBI, cargo que ele aceitou prontamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Douglas permanecia trabalhando no esquadrão reativo e na equipe da SWAT em Milwaukee, mas passava a maior parte do tempo viajando pelo estado para treinar executivos para lidar com sequestros e ameaças de extorsão. Durante esse tempo, ele conseguiu implantar um sistema que reduziu o número de assaltos a bancos. Esse sistema consistia em um conjunto básico de códigos que permitia identificar se o local estava em algum perigo. Assim, a primeira pessoa a chegar ao banco deveria fazer alguma coisa em específico, como mudar uma planta de lugar ou ajustar a cortina, para demonstrar que estava segura. Se o sinal não fosse dado, a próxima pessoa a chegar não entraria no banco, mas chamaria a polícia imediatamente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1976, Douglas voltou a Quantico para cumprir seu trabalho temporário como conselheiro da 107a sessão da academia nacional, que teria a duração de 11 semanas. O programa atendia a agentes da lei de alto escalão de todo o mundo, que haviam sido recomendados por seus respectivos comandantes e aceitos pela equipe de Quantico. Durante esse tempo, Douglas também assistiu a aulas da Academia Nacional e aprendeu sobre o método de ensino. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final do programa, em dezembro, tanto a Unidade de Ciência Comportamental quanto a Unidade de Educação ofereceram-lhe um trabalho. Douglas aceitou a proposta da Unidade de Ciência Comportamental. Assim, em junho de 1977, Douglas foi transferido para Quantico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Unidade de Ciência Comportamental do FBI ===&lt;br /&gt;
Aos 32 anos, John Douglas passou a fazer parte da Unidade de Ciência Comportamental do FBI. Era junho de 1977 e dos nove agentes que chegaram na mesma época que ele, quase todos estavam envolvidos na função de ensinar, incluindo o próprio Douglas. Nesse período, o principal curso oferecido na Academia Nacional era o de psicologia criminal aplicada, que focava em descobrir a motivação por trás dos crimes. Os outros cursos eram problemas policiais contemporâneos, sindicatos policiais, relações com a comunidade, sociologia, psicologia e crimes sexuais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
John Douglas, agora na função de professor, passou a se sentir desconfortável com o fato de que estava tratando de assuntos em suas aulas, os quais ele mesmo não tinha experiência — assim como a maioria dos outros professores. O conteúdo das aulas não era fundamentado por uma linha teórica. Ele se tratava, na verdade, de histórias de guerra, apresentadas e difundidas na unidade por policiais que participaram de casos emblemáticos. Douglas não achava coerente que ele estivesse lecionando sobre experiências de campo, que ele nunca teve, para policiais que tinham muito mais conhecimento do que ele. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como forma de mudar essa narrativa, passou a colocar os alunos como protagonistas das aulas. Antes de começar, ele os perguntava se alguém ali tinha estado presente durante a investigação dos casos que seriam abordados. Em pouco tempo, ele foi conseguindo o respeito dos policiais e passou a ser consultado para dar opiniões sobre os casos em que estavam trabalhando. No entanto, John Douglas ainda não se sentia confiante com seu trabalho. Achava que precisava saber mais e ir em busca de um conhecimento que pudesse fazer alguma diferença. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Análise de Perfis ===&lt;br /&gt;
Quando ainda trabalhava na SWAT, Douglas começou a frequentar o grupo de detetives de homicídios da cidade e a sala do médico legista. Embora adorasse esse trabalho, o que realmente o interessava era o lado psicológico. Ele teve acesso a muitos casos e ficou especialmente impressionado com o de Edward Gein que, em 1950, utilizava a pele dos corpos de pessoas que assassinava como adereços para sua casa. Douglas queria entender o que se passava na cabeça de um assassino como esse e o que o levava a cometer um homicídio de determinada maneira. Sua experiência com os detetives e o período em que lecionou em Quantico fizeram com que ele passasse a se interessar profundamente pelas análises de perfil, e ele decidiu que seguiria por esse caminho. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquela época, nenhuma autoridade considerava a análise de perfil como uma ferramenta válida. Por isso, qualquer pessoa que estivesse disposta a estudar ou reproduzir o assunto, precisava fazer isso de maneira informal, sem manter registros, para que não houvesse nenhum risco de envergonhar o FBI. Dessa forma, o trabalho desses analistas era focado em consultorias esporádicas a policiais interessados, mas não existia um programa organizado que a definisse como uma função da Unidade de Ciência Comportamental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, junto de seu colega de profissão, Bob Ressler, Douglas resolveu iniciar uma série de entrevistas com criminosos, sem comunicar seus superiores, com o objetivo de entender suas personalidades e motivações. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por intermédio de pessoas de confiança que mantinham dentro do sistema penal, conseguiram organizar a primeira entrevista, com o serial killer Edmund Kemper, na época, cumprindo prisão perpétua no Centro Médico Estadual da Califórnia, que ficava na cidade de Vacaville.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Douglas e Ressler passaram a fazer essas visitas de forma frequente e conseguiram entrevistar mais de meia dúzia de criminosos durante os primeiros meses de pesquisa. Seus estudos eram focados em como a mente dos criminosos funcionava e, através de várias revisões, foram entendendo como deveriam interpretar as respostas dadas por eles de maneira que não fossem influenciados e manipulados. Eles consideravam que entender a escolha das vítimas, o modo como o crime foi conduzido, a vida do prisioneiro antes dos crimes e uma série de outros fatores tornaria possível estabelecer padrões de comportamento que ajudariam a identificar outros criminosos no futuro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os criminosos, por sua vez, não demonstraram resistência ao falar com eles. Acreditava-se que existia um motivo para isso, a depender do criminoso. Em geral, ele aproveitava a presença da polícia porque era fanático por agentes da lei; acreditava que poderia tirar algum benefício delas, caso agisse corretamente; queria reviver suas experiências e fantasias, falando sobre elas; se sentia ignorado e usava dessa oportunidade para ser o centro das atenções; ou aproveitava esse momento para cooperar com a polícia, acreditando estar compensando pelo que fez. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em pouco tempo, o trabalho de Douglas e Ressler foi se tornando conhecido entre os policiais. Em 1979, eles já haviam recebido cerca de 50 pedidos de análise de perfil, e os instrutores da Academia do FBI tentavam trabalhar neles entre uma aula e outra. No ano seguinte, esse número duplicou. Assim, Douglas passou a ser o único agente da Unidade trabalhando integralmente com o tema. Ele dava palestras sobre o assunto e cuidava de praticamente todos os casos de homicídio que chegavam até eles. Foi dessa forma que garantiu o recém-criado cargo de gerente do programa de análise de perfis de personalidades criminosas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até esse momento, a dupla ainda não havia encontrado uma forma de transformar a pesquisa em algo estruturado e sistematizado. Eles apresentaram a proposta para a Dra Ann Burgess, uma professora da área da saúde mental, que demonstrou interesse imediato no projeto. Trabalhando juntos, conseguiram um auxílio de 400 mil dólares do Instituto Nacional de Justiça, financiado pelo Governo, organizaram o funcionamento do experimento e estipularam que o projeto fosse durar entre 3 e 4 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O grupo conseguiu completar um estudo detalhado de 36 indivíduos até 1983 e, dentre os entrevistados, estavam nomes muitos populares, como Ted Bundy, David Berkowitz e Charles Manson. Além disso, também coletaram dados de 118 vítimas, a maioria mulheres. Em 1988, essas conclusões foram organizadas em um livro chamado Sexual Homicide: Patterns and Motives. No entanto, como os autores relatam, o livro trouxe mais perguntas do que respostas e os levou à conclusão de que a mente de criminosos precisa ser um objeto de estudo contínuo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A análise de perfis passou a ser uma ferramenta utilizada em muitas investigações. Entendendo o modus operandi do criminoso e como isso refletia em seu comportamento, vida pessoal e relações, conseguiam estipular um perfil de como seria aquela pessoa e esse perfil era capaz de os aproximar de potenciais suspeitos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Douglas permaneceu estudando o tema, assim como seus colegas de pesquisa, mas tentou trazer o assunto para o campo prático. Ele esteve envolvido na investigação de casos mundialmente conhecidos, como o dos serial killers Robert Hansen e Nathaniel Code, e se tornou um nome muito popular entre os profissionais da área por ter conseguido formular perfis corretos, que ajudaram a identificar muitos criminosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Douglas publicou diversas obras que se tornaram peças essenciais para a construção da análise de perfis. No início dos anos 1980, já estava trabalhando em mais de 150 casos por ano e recebia chamados por todo o mundo. Ele criou e dirigiu o Programa de Perfil Criminal do FBI, que hoje é chamado de Unidade de Análise Comportamental, e também foi diretor da Unidade de Apoio Investigativo. Treinou pessoalmente muitos agentes e fez com que o método se tornasse mundialmente conhecido. Seu trabalho o fez ser reconhecido como o arquiteto do “perfil criminal”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1995, após 25 anos de serviço, Douglas se aposentou como agente especial no FBI. Atualmente, ele continua dando palestras sobre o assunto e eventualmente participa da investigação de alguns casos como consultor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Análise de perfis ===&lt;br /&gt;
John Douglas é um personagem muito importante para a psicologia criminal. Seu trabalho de pesquisa, popularização e implantação da técnica de análise de perfis foi um fator fundamental para que a psicologia deixasse de ser vista como um fator dispensável quando se trata de personalidades criminosas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele propôs uma série de pontos que deveriam ser analisados entre as cenas de crime, o tipo de crime e a escolha das vítimas, que permitiriam entender mais sobre os suspeitos e poderiam levar até a sua identificação. Seus esforços resultaram na criação do Programa de Perfil Criminal do FBI, que hoje funciona sob o nome de Unidade de Análise Comportamental e é responsável pela prisão de criminosos violentos por todo o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Análise de perfis ===&lt;br /&gt;
As críticas que se relacionam ao nome de John Douglas estão diretamente ligadas à sua técnica de análise de perfis. Muitos psicólogos, psiquiatras e, principalmente, policiais, criticam o uso dessa ferramenta dentro de investigações. Isso porque, embora exista uma pesquisa científica que fundamente essa prática, sua aplicação é dedutiva e nem sempre condiz com a realidade. Além disso, no momento em que se desenvolve um perfil, os suspeitos que não se assemelham ao mesmo costumam ser descartados, o que pode induzir as investigações ao erro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre os casos em que o perfil foi apresentado de maneira incorreta, o mais emblemático é o do serial killer Dennis Rader, conhecido como BTK, que atuou entre 1974 e 1991. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com os estudos de Douglas, Rader seria um homem pouco importante, solitário e sem relacionamentos duradouros, que encontrava nos crimes uma posição dominante que nunca pôde exercer. No entanto, ele seria uma pessoa egocêntrica, e esse fato o faria ser descoberto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Douglas acertou no último ponto. Rader foi preso em 2005, após ter sido rastreado pela polícia através de um disquete que ele mesmo enviou, na tentativa de trazer visibilidade aos seus crimes passados. Mas, diferente do que havia sido proposto, ele era casado, tinha dois filhos, um trabalho estável e até ocupava uma posição de supervisor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse caso não foi o único em que a análise de perfil estava errada. Embora Douglas apresente a técnica a partir da perspectiva de que ela deve ser utilizada como um apoio e não um direcionamento, muitas vezes, ela se torna o motivo para que casos não sejam solucionados por muito tempo, o que faz com que ela seja rejeitada por muitos profissionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia Biográfica ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* 1945 - John Douglas nasce, no condado de Brooklyn;&lt;br /&gt;
* 1963 - Inicia seus estudos na Universidade Estadual de Montana;&lt;br /&gt;
* 1966 - Se junta à Força Aérea Americana;&lt;br /&gt;
* 1966 - Começa a cursar psicologia na Universidade do Leste do Novo México;&lt;br /&gt;
* 1969 - É dispensado da Força Aérea Americana;&lt;br /&gt;
* 1970 - Passa a trabalhar no FBI;&lt;br /&gt;
* 1971 - Se muda para MIlwaukee para atuar como recrutador;&lt;br /&gt;
* 1972 - Inicia um mestrado em Psicologia da Educação na Universidade de Wisconsin;&lt;br /&gt;
* ~1973-1975 - Entra para a equipe da SWAT e se torna líder da Unidade de Apoio Administrativo;&lt;br /&gt;
* 1976 - Atua como conselheiro da Academia Nacional por um período temporário;&lt;br /&gt;
* 1977 - É contratado para trabalhar na Unidade de Ciência Comportamental como professor;&lt;br /&gt;
* 1979 - Inicia sua pesquisa sobre análise de perfis;&lt;br /&gt;
* 1988 - Publica um livro baseado no resultado dessas pesquisas, o Sexual Homicide: Patterns and Motives;&lt;br /&gt;
* 1980 - Cria e passa a dirigir o Programa de Perfil Criminal do FBI;&lt;br /&gt;
* 1990 - Se torna diretor da Unidade de Apoio Investigativo;&lt;br /&gt;
* 1995 - Se aposenta, mas continua trabalhando na área de forma eventual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Não ficcionais ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Sexual Homicide: Patterns And Motives (1988);&lt;br /&gt;
* Manual De Classificação De Crimes: Um Sistema Padrão Para Investigação E Classificação De Crimes Violentos (1992);&lt;br /&gt;
* Mindhunter: O Primeiro Caçador De Serial Killers Americano (1995);&lt;br /&gt;
* Mindhunter: Inside The Fbi&#039;s Elite Serial Crime Unit (1995);&lt;br /&gt;
* Journey Into Darkness (1997);&lt;br /&gt;
* Obsession (1998);&lt;br /&gt;
* Guia Para Carreiras No Fbi (1998);&lt;br /&gt;
* A Anatomia Do Motivo: O Lendário Mindhunter Do Fbi Explora A Chave Para Compreender E Capturar Criminosos Violentos (1999);&lt;br /&gt;
* Mentes Criminosas E Crimes Assustadores (2000);&lt;br /&gt;
* Guia De John Douglas Para Os Exames Policiais (2000);&lt;br /&gt;
* Qualquer Pessoa Que Você Queira Que Eu Seja: Uma Verdadeira História De Sexo E Morte Na Internet (2003);&lt;br /&gt;
* Guia De John Douglas Para Conseguir Uma Carreira Na Aplicação Da Lei (2004);&lt;br /&gt;
* Manual De Classificação De Crimes: Um Sistema Padrão Para Investigação E Classificação De Crimes Violentos, 2ª Edição (2006);&lt;br /&gt;
* Por Dentro Da Mente De Btk: A Verdadeira História Por Trás Da Caça De Trinta Anos Ao Notório Assassino Em Série De Wichita (2007);&lt;br /&gt;
* Lei E Desordem (2013);&lt;br /&gt;
* The Killer Across The Table: Unlocking The Secrets Of Serial Killers And Predators With The Fbi&#039;s Original Mindhunter (2019);&lt;br /&gt;
* De Frente Com O Serial Killer: Novos Casos De Mindhunter (2019);&lt;br /&gt;
* The Killer Across The Table: Inside The Minds Of Psychopaths And Predators (2020);&lt;br /&gt;
* The Killer&#039;s Shadow: The Fbi&#039;s Hunt For A White Supremacist Serial Killer (2020);&lt;br /&gt;
* À Sombra Do Serial Killer: Outros Casos De Mindhunter (2021);&lt;br /&gt;
* Quando Um Assassino Liga: Uma História Assustadora De Assassinato, Perfil Criminal E Justiça Em Uma Cidade Pequena (2022);&lt;br /&gt;
* O Chamado Do Serial Killer: Mais Casos De Mindhunter (2023)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Ficcionais ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Broken Wings (1999);&lt;br /&gt;
* Man Down: A Broken Wings Thriller (2004).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios e Reconhecimentos ==&lt;br /&gt;
Douglas recebeu dois prêmios Thomas Jefferson de excelência acadêmica da Universidade de Virginia, por seu trabalho no estudo de mentes criminosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Retratos na Mídia ==&lt;br /&gt;
As técnicas desenvolvidas por Douglas e seus colaboradores na confecção de perfis de criminosos é amplamente presente em produções cinematográficas. Já nos anos 1990, séries de TV mostram o uso desses perfis. Do mesmo modo, o próprio John Douglas foi utilizado como inspiração para a criação de alguns personagens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* O personagem Jack Crawford do filme &amp;quot;O Silêncio dos Inocentes&amp;quot; foi inspirado em John Douglas e o livro no qual o filme foi baseado teve como referência a história do criminoso Edward Gein, que o autor do livro conheceu enquanto assistia aulas da Unidade de Análise Comportamental. Além disso, o diretor e o elenco do filme visitaram Quantico como parte da preparação para as filmagens;&lt;br /&gt;
* No seriado Criminal Minds, são retratadas histórias ficcionais que são investigadas por agentes da Unidade de Análise Comportamental, que foi criada por John Douglas, e os personagens Jason Gideon e David Rossi foram inspirados nele;&lt;br /&gt;
* A série Mindhunter, da Netflix, foi inspirada no livro de mesmo nome, publicado por John Douglas e Mark Olshaker, e o personagem principal, Holden Ford, foi inspirado em John Douglas;&lt;br /&gt;
* O programa “Killer Next Door” foi apresentado por John Douglas e apresentou alguns de seus casos mais famosos;&lt;br /&gt;
* Diversas produções empregam elementos que refletem o trabalho de Douglas, como os seriados The Profiler, CSI, Arquivo X e Elementar;&lt;br /&gt;
* Muitos produtores solicitam consultas com John Douglas para aprimorar os aspectos criminais que pretendem relatar em suas obras, como foi o caso do filme Um Olhar no Paraíso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências Bibliográficas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# DOUGLAS, J; DODD, J. &#039;&#039;&#039;Inside the Mind of BTK:&#039;&#039;&#039; the true story behind the thirty-year hunt for the notorious Wichita serial killer. 1a edição. São Francisco: John Wiley &amp;amp; Sons, Inc., 2007. &lt;br /&gt;
# DOUGLAS, J; OLSHAKER, M. &#039;&#039;&#039;Mindhunter:&#039;&#039;&#039; o primeiro caçador de serial killers americano. 1a edição. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2017.&lt;br /&gt;
# FEDERAL BUREAU OF INVESTIGATION. &#039;&#039;&#039;[https://leb.fbi.gov/file-repository/archives/december-1986.pdf/view FBI Law Enforcement Bulletin - December 1986].&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
# MASTERCLASS. [https://mindhunterfbi.com LEGENDARY PROFILER &amp;amp; FBI INVESTIGATIVE SUPPORT UNIT FOUNDER].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Carolina_Bori&amp;diff=1373</id>
		<title>Carolina Bori</title>
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		<updated>2024-06-25T14:22:21Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Alterações na seção &amp;quot;Reconhecimento&amp;quot;, mais especificamente a formatação de uma citação. Adição de uma referência na seção &amp;quot;Referências&amp;quot;, além da verificação do conteúdo de cada um dos seus links e formatação em todas as referências&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Carolina Martuscelli Bori nasceu no dia 4 de janeiro de 1924, em São Paulo. Foi uma personagem de extrema relevância para as áreas de ciência, educação, formação do profissional psicólogo e atuação da psicologia experimental (principalmente o [[Behaviorismo]]) no Brasil. Seu engajamento nesses temas e na política fez seu nome ser reconhecido e homenageado, influenciando diversos outros psicólogos em suas carreiras. Faleceu aos 80 anos no dia 4 de outubro de 2004, em virtude de uma falência múltipla dos órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
Carolina Martuscelli Bori, nascida no dia 4 de janeiro de 1924 em São Paulo, era filha de Aurélio, imigrante Italiano, e de Maria Teresa, brasileira. Seu pai, já engenheiro ao chegar ao Brasil, monta uma empresa de construção e sua mãe trabalhava na venda de tecidos. Com a empresa de sucesso, sua família pode proporcionar não só a ela como também a seus irmãos, Adele, Florinda, Francesco, Nicola e Wanda, a formação universitária. Aos 6 anos de idade, em 1930, Carolina frequentou uma escola alemã e anos depois se forma como professora pela [[Escola Normal de São Paulo|Escola Normal Caetano de Campos]] na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Em 1947, conclui sua formação em pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP), onde também realiza sua especialização. No ano seguinte, em 1948, já havia sido contratada como professora assistente de psicologia da própria USP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ano de 1949 é marcado por seu ingresso na &#039;&#039;Graduate Faculty of New School For Social Research,&#039;&#039; nos Estados Unidos, para a realização de seu mestrado, e em 1951 defende sua tese &amp;quot;&#039;&#039;The Recall of Interrupted Tasks: A Review of the Literature&amp;quot;&#039;&#039;. De volta ao Brasil, por volta dos anos de 1953 e 1954, Carolina finaliza seu doutorado orientada por [[Annita Cabral]] na USP. É importante ressaltar que a relação das duas acadêmicas não é recente, visto que Carolina conseguiu sua cadeira de professora assistente de filosofia logo após sua formação através de Annita Cabral, que na época era responsável pelo recrutamento. Assim também foi a inspiração para a escolha da instituição no exterior para fazer seu mestrado, a mesma que Annita já havia cursado anos antes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1950, Carolina Martuscelli se torna Carolina Bori ao se casar com Giovanni Bori, de nacionalidade italiana assim como seu pai. Ela teve um único filho chamado Mário Eppler Bori em seu casamento, que acabou em divórcio poucos anos depois do nascimento da criança. Entre os anos de 1954 e 1955, adquire o título de Doutora pela USP e Presidente da [[Associação Brasileira de Psicologia]]. Além disso, publica diversos textos sobre a pesquisa experimental no campo da psicologia e sobre o estudo da personalidade entre 1952 e 1956. O maior foco da professora sempre foi a educação, assim, com a criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE), Bori é convidada a contribuir com discussões sobre a educação no Brasil, em 1955.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1958, o curso de psicologia começou a ser ofertado na USP, ainda que diversas das matérias de sua grade já estivessem nas aulas para o curso de filosofia, e Bori continua atuando como professora da instituição. No período de 1956 a 1965, a atuação na psicologia social foi o foco de Bori, e dentre os principais assuntos estudados na época estava a evasão escolar. Em meio a essas pesquisas, questões pessoais dentro da própria universidade fizeram com que Carolina Bori se afastasse da USP. Com sua saída, a Faculdade de Ciências e Letras de Rio Claro lhe ofereceu o cargo de coordenadora do Departamento de Psicologia, onde permaneceu de 1959 a 1963.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bori teve 3 assistentes, [[Geraldina Witter]], Nilce Mejias e [[Isaias Pessotti]], com quem trabalhou muitas vezes em outros empreendimentos. Durante esse tempo, ganhou conhecimento de que [[Fred Keller]] havia sido convidado a dar aulas na USP e, assim, Carolina passa a frequentar suas aulas, mesmo ainda trabalhando em Rio Claro. Desse modo, ela pôde entrar cada vez mais em contato com o condicionamento operante e a reproduzir em um laboratório montado por si mesma experimentos para seus alunos, além de começar a usar o método de ensino programado em suas aulas. Isaias Pessotti, a partir dos novos conhecimentos, iniciou uma pesquisa do condicionamento operante na mesma época em que Bori produzia uma outra pesquisa sobre a socialização da criança. Ela inicia antes mesmo de seu retorno à USP &amp;quot;Os estudos Behavioristas&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Universidade de Brasília (UNB) chama Bori para montar o programa de seu novo Departamento de Psicologia, junto a outros colegas da USP. Assim, o grupo passa os anos de 1963 a 1965 moldando o curso, tendo como base os ensinamentos de Keller trazidos ao Brasil. Na mesma época, a professora retorna ao cargo de Presidente da Associação Brasileira de Psicologia. O curso montado na UNB tem vida curta, já que no ano de 1966 é paralisado pelo regime militar. A demissão em massa dos professores também atinge Bori, entretanto, a professora consegue novamente uma vaga na USP. Alguns anos depois, em 1968, a USP passa por reformulações que levam à criação de novos departamentos, e Carolina Bori se torna a primeira diretora do Departamento de Psicologia Social e Experimental. O ano de 1970 representa uma divisão e uma mudança de foco para Bori, visto que o departamento recém criado divide sua parte social da experimental, e ela fica a cargo do Departamento de Psicologia Experimental. Lá, foi de enorme importância para a reestruturação do departamento, atuando da contratação de docentes até o requerimento de verbas. Nesse, ano Bori também comandou a pós-graduação da USP. Além de todas as contribuições ao mundo acadêmico e científico por Bori até o momento, em 1973, começa o primeiro de seus 5 mandatos como diretora da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), principal sociedade para incentivo do progresso científico no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A década de 1970, para Carolina Bori, foi movimentada por diversas ocupações para além de suas atividades recorrentes na USP. A filial de São Carlos recebeu a professora para auxiliar na organização do Departamento de Psicologia da instituição e ajudou o Instituto de Física da USP no curso de pós-graduação. Sempre envolvida com a educação e com a psicologia, Carolina Bori se associa a diversos grupos depois dos anos 70: se torna membro do Comitê Assessor em Ciências Humanas e Sociais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenadora do Núcleo de Documentação sobre Formação Científica do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (IBECC), Presidente da [[Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)]], Presidente de Área da Comissão de Acompanhamento e Avaliação de Cursos de Pós-Graduação do Capes/MEC. Após cumprir mais um mandato entre 1986 e 1989 como Presidente da SBPC, Bori é declarada em 1989 como Presidente de Honra, visto que sua ampla ação política em favor da ciência, numa época de enorme desvalorização desta, aliada à sua grande luta na defesa da educação, além de grandes projetos e laboratórios e o incentivo do trabalho científico da juventude, tornou-a um membro ilustre nessa sociedade. A década de 1990 marcou os últimos passos da carreira de Carolina Martuscelli Bori. A importante defensora e propagadora do conhecimento científico e praticante do Behaviorismo no Brasil vem a falecer aos 80 anos em 4 de outubro de 2004, em decorrência de uma falência múltipla dos órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
Carolina Bori teve um papel de extrema importância para a psicologia, educação e ciência brasileira. Algumas de suas contribuições mais marcantes valem ser citadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Educação ===&lt;br /&gt;
Em 1956, Bori se vinculou ao Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CPBE), que foi proposto para cuidar e valorizar a educação no país. Mudou a linha de direção do Sistema Personalizado de Ensino (PSI), que antes, com a versão do professor Fred S. Keller, se centrava na análise dos textos que seriam estudados e como isso seria avaliado. Ela trouxe a Análise de Contingências em Programação de Ensino, que buscava analisar as habilidades e informações prévias necessárias para exercer uma atividade e para planejar condições de ensino que ajudassem na captação de tais habilidades. E também apresentou o treino de professores por meio de programas de ensino, alterando drasticamente o modo de ensino de escolas técnicas pelo Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Psicologia ===&lt;br /&gt;
Em 1954, Carolina foi presidente da [[Sociedade Brasileira de Psicologia]] (atualmente extinta), que tinha como objetivo desenvolver a psicologia como ciência, profissão e bem-estar ao mundo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo que em 1962 o psicólogo tenha sido reconhecido legalmente no Brasil, sua atuação começou antes dessa data. Bori foi uma das pessoas que participou ativamente para o reconhecimento e defesa desse novo profissional: o psicólogo. Nessa luta, pode-se destacar sua participação em uma comissão de estudos que escreveu o projeto de lei com elementos que deveriam ser obrigatórios em cursos de psicologia, que até hoje estão em vigor, como ciências naturais, a observação e os métodos de investigação científica, por exemplo, situações em laboratório de controle e manipulações de variáveis para observar seus efeitos no comportamento. Carolina teve um papel primordial na disseminação e criação de laboratórios de psicologia experimental no país, além de montar projetos para planejar a construção de protótipos de equipamentos para estudo nesses ambientes. Dentre eles, estão os relacionados a pesquisa na área de psicofísica e análise experimental do comportamento. Colaborou na estrutura do Departamento de Psicologia Social e Experimental do Instituto de Psicologia da USP em 1968, com apoio do Professor Walter Hugo Cunha, e implantou nesse lugar um curso de pós-graduação em Psicologia Experimental, estabelecendo os focos principais e o itinerário. Fundou o antigo Departamento de Psicologia da Universidade de Brasília, que hoje é o [[Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília]], e participou do jogo de ideias para criação do Curso de Mestrado em Análise do Comportamento na Universidade Federal do Pará. E&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, Carolina Bori presidiu e teve participação fundamental para criação de diversos cursos de psicologia e pós-graduação espalhadas pelo Brasil. Também realizou congressos com colaboradores que divulgaram os princípios da análise do comportamento pelo país, Como um todo, sua obra e empenho para propagar os estudos do comportamento no Brasil teve resultados para a posteridade, afirmando mais uma vez a importância de seu trabalho acadêmico para a estruturação e continuidade da psicologia no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Ciência ===&lt;br /&gt;
Tinha participação ativa em meios de difusão da informação científica, como quadros em rádios e promoção de eventos sobre o assunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Carolina Bori foi uma figura na história da psicologia brasileira extremamente engajada nos problemas sociais, não só aqueles que envolviam a educação – que era seu maior foco de trabalho – mas sim problemas em geral, inclusive se envolvendo na política, posicionando-se sempre que necessário. Dessa forma, apesar de sua notável contribuição para a ciência, algumas posições contrárias ao curso de seu trabalho emergiram. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bori foi parceira de [[Fred Keller]] na disseminação do behaviorismo de [[Burhhus F. Skinner|Skinner]] no Brasil, porém, ao aderir a esse novo método, acabou por encontrar uma resistência do público e da comunidade acadêmica em seu início, já que a linha metodológica seguida no Brasil na época era contrária ao que Keller havia trazido de fora do país. Essa reação contrária se deve a uma psicologia interpretativa e especulativa que era vigente no país da época, o que divergia dos princípios e fundamentos endossados pela vertente behaviorista, fazendo com esta não fosse aceita em princípio. Além disso, o fato de seus estudos serem embasados, principalmente, em dados dados experimentais, fez com que fossem considerados &amp;quot;positivistas&amp;quot;, mais um ponto de afastamento em relação à psicologia vigente na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algum tempo depois, a atitude de Carolina Bori em levar alguns docentes da USP em 1964 para a UNB, para estruturar o curso de psicologia na instituição, não agradou os alunos de São Paulo. apesar de não rechaçar o ato de Bori, os estudantes se mostraram muitos insatisfeitos e preocupados com suas formações acadêmicas. Isso é demonstrado pela publicação de uma nota de apelo na revista &amp;quot;Jornal Brasileiro de Psicologia&amp;quot;, primeiro volume, onde expõem: &amp;lt;blockquote&amp;gt;“Quando o nosso Curso está se estruturando, quando a experiência de poucos anos de existência começa a delinear especialistas em diversas disciplinas, esta perspectiva realmente nos assusta. Este desabafo vem principalmente em vista de um boato que corre sobre o afastamento da professora Carolina Martuscelli para Brasília. O Curso de Psicologia da Personalidade ficará assim prejudicado, pois além dos méritos específicos da ilustre professora, conta ela com um tirocínio e experiência no exercício desta função. Não é lamentável que possam acontecer coisas assim? Trata-se de um apelo e um lamento que achamos útil comunicar à ilustre redação desta revista.” (pp. 116 – 117). &amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, mesmo que não tenha sido uma grande crítica, a opinião e ação de Carolina Bori não foram vistas de forma tranquila, ao contrário do que sua movimentação acadêmica gerava em outras situações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu engajamento político não lhe causou críticas, mas foi visto como uma contribuição para muitos movimentos durante a ditadura militar brasileira (1964-1988) e, consequentemente, repreendido por este. Destaca-se suas lutas contra o AI-5, a favor da liberdade de expressão e dos direitos humanos, que foram muito importantes para o momento de tensão que o país passava. Todo esse apoio perpassava a busca pela educação científica embasada em muitos de seus trabalhos e movimentos, já que Bori foi diretamente atingida pela repressão da época. O regime militar acabou com todo o seu esforço e de seus companheiros da UNB para proporcionar uma graduação em Psicologia para os estudantes de Brasília, e ainda a fez perder seu cargo nessa universidade. Por conta disso, o curso montado aos modelos de Keller não pôde ir para frente, e o estudo do comportamento, defendido e praticado por Bori, foi atrasado. Esse momento em sua história não é exatamente uma crítica, mas foi contrário à sua vertente de pensamento e de trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia Biográfica ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Antes de 1947: Faz a formação de professora na Escola Normal Caetano de Campos.&lt;br /&gt;
* 1947: Graduação no curso de pedagogia da Universidade de São Paulo (USP).&lt;br /&gt;
* 1948: Especialização em Psicologia Educacional na USP.&lt;br /&gt;
* 1948: Professora assistente na USP.&lt;br /&gt;
* 1949 – 1951: Faz mestrado fora do país, na &#039;&#039;Graduate Faculty of New School For Social Research&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
* 1950: Casa-se com Giovanni Bori.&lt;br /&gt;
* 1953 – 1954: Doutorado orientado por Annita Cabral na USP.&lt;br /&gt;
* 1954 – 1955: Presidente da Associação Brasileira de Psicologia.&lt;br /&gt;
* 1955: Contribuinte da Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE).&lt;br /&gt;
* 1958: Professora do recém-criado curso de graduação de Psicologia da USP.&lt;br /&gt;
* 1959 – 1963: Sai da USP e começa a coordenar o Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências e Letras de Rio Claro.&lt;br /&gt;
* 1963 – 1965: Monta o programa do Departamento de Psicologia da Universidade de Brasília (UNB).&lt;br /&gt;
* 1963 – 1965: Segundo mandato como presidente da Associação Brasileira de Psicologia.&lt;br /&gt;
* 1966: Professora da USP.&lt;br /&gt;
* 1968: Primeira Diretora do Departamento de Psicologia Social e Experimental da USP.&lt;br /&gt;
* 1970: Diretora do Departamento de Psicologia Experimental da USP e coordenadora da Pós-graduação na USP.&lt;br /&gt;
* Início dos anos 1970: Auxílio na filial de São Carlos e no Instituto de Física da USP.&lt;br /&gt;
* 1973 – 1977: Diretora da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).&lt;br /&gt;
* 1982 – 1984: Membro do Comitê Assessor em Ciências Humanas e Sociais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).&lt;br /&gt;
* Desde 1984: Coordenadora do Núcleo de Documentação sobre Formação Científica do Instituto Brasileiro de Educação, Cultura e Ciência  (IBECC).&lt;br /&gt;
* 1984 – 1986: Presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP).&lt;br /&gt;
* 1985 – 1987: Presidente de Área da Comissão de Acompanhamento e Avaliação de Cursos de Pós-Graduação do Capes/MEC.&lt;br /&gt;
* 1986 – 1989: Presidente da SBPC.&lt;br /&gt;
* 1989: Presidente de Honra da SBPC.&lt;br /&gt;
* 1990 – 1994: Coordenadora do Projeto &amp;quot;Estação Ciência&amp;quot; da USP/CNPq19.&lt;br /&gt;
* 1992 – 1993: Presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Desde 1993: Diretora Científica do IBECC na Comissão de São Paulo.&lt;br /&gt;
* Desde 1994: Professora Emérito do Instituto de Psicologia da USP e Membro do Conselho Diretor da Fundação - Universidade de Brasília.&lt;br /&gt;
* 1995 – 1996: Presidente da Comissão de Especialistas de Psicologia do Ministério da Educação (MEC).&lt;br /&gt;
* Desde 1996: Diretora Científica do Núcleo de Pesquisa sobre Ensino Superior da USP (NUPES).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Discípulos e influências ==&lt;br /&gt;
Carolina Bori passou por diversos lugares e instituições como professora e pesquisadora ao longo de sua vida acadêmica. Por conta disso, muitas pessoas foram influenciadas e, de certa forma, seguiram Bori. Uma de suas principais contribuições que levou muitos a seguirem um novo caminho vigente no Brasil foi seu empenho em propagar o estudo do comportamento como uma nova psicologia, baseada no que havia aprendido em aulas e trabalhos de Fred Keller, que por consequência ensinava nas universidades brasileiras o behaviorismo de Skinner. Durante sua carreira como professora, diversos alunos puderam seguir seus caminhos na psicologia a partir de Carolina Bori, que era uma professora muito admirada e respeitada. Não só os alunos foram influenciados, mas também aqueles que trabalharam lado a lado com ela, como um de seus assistentes da época da UNB, Isaias Pessotti, que após algum tempo de trabalho com Bori passa a desenvolver estudos e artigos sobre o comportamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos docentes e alunos de diversos cursos, além de psicologia, foram influenciados pelas ideias trazidas ao meio universitário por Carolina. Esses alunos, ou até mesmo companheiros de trabalho, expressaram sua admiração escrevendo artigos sobre a história acadêmica da professora, principalmente nos arquivos da USP. Elas são: Ana Maria Almeida Carvalho, Eda T. de Oliveira Tassara, Maria Ignez Rocha, Silva, Deisy das Graças de Souza e [[Maria do Carmo Guedes]]. Em um de seus artigos publicados sobre Carolina Bori, elas a descrevem e a exaltam:&amp;lt;blockquote&amp;gt;“Uma imagem que pode representar a atuação de Carolina é a de um ponto de luz, uma estrela, cujo núcleo, constituído por sua consciência e coerência em relação ao papel da ciência e dos cientistas na sociedade, se irradia em inúmeras direções de atuação. Essa, no entanto, é a única associação possível entre Carolina e uma estrela: seu comportamento pessoal, atestam inúmeros dos nossos depoentes e nossa própria experiência pessoal, caracteriza-se antes por sobriedade, moderação, discrição, muito trabalho e pouco alarde.” (CARVALHO et al., 1998, n.p) &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Vera Soares, é outra pessoa que trilhou seus caminhos a partir da professora. Não só na universidade fez admiradores e seguidores, como também é perceptível em seu trabalho à frente de associações e sociedades, como por exemplo Gilberto Velho, que a conheceu na SBPC e que também produziu um curto artigo demonstrando sua admiração por Bori ao ter mais contato com a pessoa acadêmica que ela era. O autor afirma que:&amp;lt;blockquote&amp;gt;“Em todos os cargos que ocupou estabeleceu padrões de notável equilíbrio entre um espírito acadêmico e um posicionamento político crítico. São notórios o seu desprendimento pessoal e espírito de sacrifício, não medindo esforços para defender não só a comunidade científica, mas as causas sociais que sempre a preocuparam.” (VELHO, 1998, n.p) &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Outra pessoa que seguiu a linha de admiração pelo trabalho de Bori foi Aziz Nacib Ab’Saber, que foi seu colega na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que contribuiu com mais um artigo biográfico da professora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo com diversos nomes influenciados por Carolina Bori, a mais notável de todas é [[Maria Amélia Matos]], que se tornou além de aluna uma pessoa próxima de sua professora. Sendo assim, com a chegada de Keller e o início de seus trabalhos com Carolina Bori, Maria Amélia Matos também começa seus estudos sobre o behaviorismo, futuramente se tornando um dos principais nomes da vertente no Brasil. Também em artigo entregue a USP, Maria Amélia Matos demonstra sua admiração para com o engajamento de Bori em debates e na proatividade para ações político-sociais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1950). Uma pesquisa sobre aceitação de grupos nacionais, “raciais” e regionais em São Paulo. Boletim CXIX, Psicologia, 3. São Paulo: Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. &lt;br /&gt;
* Bori C. M (1953). O papel do experimentador e do sujeito na situação experimental. Boletim de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Bori, C. M. (1954). Um curso de estatística aplicada à experimentação psicológica. Ciência e Cultura.&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1955). Desenho no estudo da personalidade: a prova de desenho da figura humana. Boletim de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Bori, C. M. (1956). Como o laboratório de psicologia estuda a expressão da personalidade. Boletim de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1957) Estudos de sociologia e história. São Paulo: Ed. Anhembi.&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1958). Percepção e arte. Boletim de Psicologia. &lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1959). Experimentos de interrupção de tarefas e a teoria de motivação de Kurt Lewin. Tese doutorado. Universidade de São Paulo, SP.&lt;br /&gt;
* Bori, C. M., (1964). Aparelhos e o laboratório de psicologia. Jornal Brasileiro de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Outras informações ===&lt;br /&gt;
O nome de Carolina Bori é facilmente citado em obras sobre a história da psicologia, porém, pouco se conhece a respeito de sua produção bibliográfica e os temas discutidos. Dentre eles estão “A formação do psicólogo” e “O estudo da personalidade”.  Em 1950, Bori publica seu primeiro artigo “Uma pesquisa sobre aceitação de grupos nacionais, &#039;raciais&#039; e regionais em São Paulo”, com objetivo de “situar alguns aspectos do problema de aceitação de nacionalidades, grupos nacionais, ‘raciais’ e regionais ao nosso meio” (BORI,1950, p. 57).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O artigo “O papel do experimentador e do sujeito na situação experimental”, de 1953, fala sobre a importância da experimentação em um ambiente no qual todos os fatores que podem influenciar os resultados sejam reconhecidos e extremamente controlados. Só dessa forma poderiam ser feitas observações de seus efeitos e alcançar resultados compatíveis. Embora o campo da psicologia experimental estivesse entrando em declínio, ela continuava a achar esse um bom método. Bori ainda defende a introspecção como método experimental, porém ressalta as dificuldades em utilizá-la e controlá-la. Em 1954, Carolina propôs a inclusão da estatística para o estudo de psicologia, pois vê como de suma importância que os profissionais tenham conhecimentos de outras áreas e que saibam ler, interpretar e criticar dados estatísticos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1955, publicou “Desenho no estudo da personalidade: a prova de desenho da figura humana”, que coloca o método desenvolvido por [[Karen Machover]] em análise. Este método apresenta a hipótese que, no desenho, o indivíduo expressa partes de seu comportamento pela projeção. Bori conclui que muitas das técnicas apresentadas seriam inadequadas para os propósitos de diagnóstico e orientação de tratamento. Porém, dois anos depois utilizou-se desse método para um estudo no interior de Minas Gerais, no qual buscou descobrir as possibilidades de relações entre variáveis e os métodos utilizados, em vez de verificar hipóteses. Portanto, não descartou o uso de desenhos para pesquisas, apenas o exigiu em um ambiente controlado e sem falta de informações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1956, publicou um artigo sobre “Como o laboratório de psicologia estuda a expressão da personalidade”, retomando Aristóteles, Camper, Darwin e [[William James]], considerando este último um autor revolucionário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O artigo “Estudo psicológico do grupo”, de 1957, tinha foco em estudar a personalidade e reitera a importância da experimentação para a psicologia, defendendo assim que o conhecimento produzido em laboratórios é o único meio de verificar hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela também publicou pesquisas com conteúdos históricos de vários temas, como a distância social. De 1958, “Percepção e arte” é um resumo que não traz tantas informações como suas outras obras, desta vez analisando a criação artística e o teórico da psicologia dando foco maior na percepção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tese de doutorado “Experimentos de interrupção de tarefas e a teoria de motivação de [[Kurt Lewin]]”, de 1959, com o estudo da psicologia experimental, propôs produzir conhecimento sob condições rigorosas de controle experimental, em um laboratório. E a teoria deveria ser comprovada por esse método experimental. Bori também abordou o aspecto da motivação nessa tese.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Reconhecimento ==&lt;br /&gt;
Em 1998, uma edição especial da Revista Psicologia USP foi dedicada a ela. Muitos pesquisadores escreverem artigos ressaltando o impacto que o posicionamento e a militância de Carolina Bori tiveram na colaboração para o reconhecimento do profissional “psicólogo” e para implantação de cursos e laboratórios de Psicologia Experimental, além de sua atuação em diversos órgãos de divulgação de ciência.&amp;lt;blockquote&amp;gt;“Doutora Carolina é lembrada por colegas das muitas instituições pelas quais passou como uma das personalidades reconhecidamente mais expressivas da Psicologia e da ciência brasileira.&amp;quot; (GUEDES, 2004, p. 189) &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Outro grande feito de Bori foi receber o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília, tornando-se a primeira mulher a atingir esse marco. Além disso, teve homenagens da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da [[Associação Americana de Psicologia (APA)]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Associação Americana de Psicologia (APA)]]&lt;br /&gt;
* [[Associação Brasileira de Psicologia]]&lt;br /&gt;
* [[Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)]]&lt;br /&gt;
* [[Annita Cabral]]&lt;br /&gt;
* [[Behaviorismo]]&lt;br /&gt;
* [[Burhhus F. Skinner]]&lt;br /&gt;
* [[Escola Normal de São Paulo]]&lt;br /&gt;
* [[Fred Keller]] &lt;br /&gt;
* [[Geraldina Witter]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília]]&lt;br /&gt;
* [[Isaias Pessotti]]&lt;br /&gt;
* [[Karen Machover]]&lt;br /&gt;
* [[Kurt Lewin]]&lt;br /&gt;
* [[Maria Amélia Matos]]&lt;br /&gt;
* [[Maria do Carmo Guedes]]&lt;br /&gt;
* [[Sociedade Brasileira de Psicologia]]&lt;br /&gt;
* [[William James]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referencias ==&lt;br /&gt;
AB’SABER, Aziz Nacib. [http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100004 Carolina Bori: a essência de um perfil]. &#039;&#039;&#039;Psicologia Usp,&#039;&#039;&#039; São Paulo, v. 9, n. 1, p. 35-35, 25 nov. 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CÂNDIDO, Gabriel Vieira. [https://teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-28102014-093710/publico/TESE_VERSAO_CORRIGIDA.pdf &#039;&#039;&#039;O desenvolvimento de uma cultura científica no Brasil:&#039;&#039;&#039; contribuições de carolina martuscelli bori]. 2014. 331 f. Tese (Doutorado) - Curso de Psicologia, Departamento de Psicologia Programada de Pós-Graduação de Psicologia, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2014. Cap. 6.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CÂNDIDO, Gabriel Vieira; MASSIMI, Marina. [http://dx.doi.org/10.1590/s1414-98932012000500018 Contribuição para a formação de Psicólogos: análise de artigos de carolina bori publicados até 1962]. &#039;&#039;&#039;Psicologia: Ciência e Profissão&#039;&#039;&#039;, [S.L.], v. 32, n. , p. 246-263, 08 nov. 2012. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Ana Maria Almeida; MATOS, Maria Amelia; TASSARA, Eda T. de Oliveira; SILVA, Maria Lgnez Rocha e; SOUZA, Deisy das Graças de. [http://dx.doi.org/10.1590/s1414-98931998000300010 Carolina Bori]. &#039;&#039;&#039;Psicologia: Ciência e Profissão&#039;&#039;&#039;, [S.L.], v. 18, n. 3, p. 65-65, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Ana Maria Almeida; MATOS, Maria Amelia; TASSARA, Eda T. de Oliveira; SILVA, Maria Ignez Rocha e; SOUZA, Deisy das Graças de. C[https://www.scielo.br/j/pusp/a/FjXwpcFtC9hMstyZZPygHdS/?lang=pt arolina Bori, Psicologia e Ciência no Brasil]. &#039;&#039;&#039;Psicologia Usp&#039;&#039;&#039;, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 25-30, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FEITOSA, Maria Angela Guimarães. [https://periodicos.ufpa.br/index.php/rebac/article/viewFile/793/1102 Carolina Bori recebe o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília]. &#039;&#039;&#039;Revista Brasileira de Análise do Comportamento&#039;&#039;&#039;, Brasília, v. 1, n. 2, p. 263-267, 2005. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GUEDES, Maria do Carmo. [https://www.fafich.ufmg.br/memorandum/artigos07/nota01.pdf Memorável Carolina Martuscelli Bori (1924-2004)]. &#039;&#039;&#039;Memorandum&#039;&#039;&#039;, 7, p. 189-195, out. 2004.  &lt;br /&gt;
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KERBAUY, Rachel Rodrigues. [http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1517-55452004000200002#:~:text=Convivendo%20com%20cientistas%20de%20v%C3%A1rias,com%20outras%20%C3%A1reas%20de%20conhecimento. A presença de Carolina Martuscelli Bori na Psicologia]. &#039;&#039;&#039;Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva&#039;&#039;&#039;, [s. l], v. 6, n. 2, p. 159-164, 2004. &lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Leticia Ramos Gomes e Manuela de Lucena Ramos, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2022.1, publicado em 2022.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
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		<title>Carolina Bori</title>
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		<updated>2024-06-11T16:26:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções gramaticais e ortográficas; correção de links; adição de links na seção &amp;quot;Ver também&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Carolina Martuscelli Bori nasceu no dia 4 de janeiro de 1924, em São Paulo. Foi uma personagem de extrema relevância para as áreas de ciência, educação, formação do profissional psicólogo e atuação da psicologia experimental (principalmente o [[Behaviorismo]]) no Brasil. Seu engajamento nesses temas e na política fez seu nome ser reconhecido e homenageado, influenciando diversos outros psicólogos em suas carreiras. Faleceu aos 80 anos no dia 4 de outubro de 2004, em virtude de uma falência múltipla dos órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
Carolina Martuscelli Bori, nascida no dia 4 de janeiro de 1924 em São Paulo, era filha de Aurélio, imigrante Italiano, e de Maria Teresa, brasileira. Seu pai, já engenheiro ao chegar ao Brasil, monta uma empresa de construção e sua mãe trabalhava na venda de tecidos. Com a empresa de sucesso, sua família pode proporcionar não só a ela como também a seus irmãos, Adele, Florinda, Francesco, Nicola e Wanda, a formação universitária. Aos 6 anos de idade, em 1930, Carolina frequentou uma escola alemã e anos depois se forma como professora pela [[Escola Normal de São Paulo|Escola Normal Caetano de Campos]] na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Em 1947, conclui sua formação em pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP), onde também realiza sua especialização. No ano seguinte, em 1948, já havia sido contratada como professora assistente de psicologia da própria USP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ano de 1949 é marcado por seu ingresso na &#039;&#039;Graduate Faculty of New School For Social Research,&#039;&#039; nos Estados Unidos, para a realização de seu mestrado, e em 1951 defende sua tese &amp;quot;&#039;&#039;The Recall of Interrupted Tasks: A Review of the Literature&amp;quot;&#039;&#039;. De volta ao Brasil, por volta dos anos de 1953 e 1954, Carolina finaliza seu doutorado orientada por [[Annita Cabral]] na USP. É importante ressaltar que a relação das duas acadêmicas não é recente, visto que Carolina conseguiu sua cadeira de professora assistente de filosofia logo após sua formação através de Annita Cabral, que na época era responsável pelo recrutamento. Assim também foi a inspiração para a escolha da instituição no exterior para fazer seu mestrado, a mesma que Annita já havia cursado anos antes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1950, Carolina Martuscelli se torna Carolina Bori ao se casar com Giovanni Bori, de nacionalidade italiana assim como seu pai. Ela teve um único filho chamado Mário Eppler Bori em seu casamento, que acabou em divórcio poucos anos depois do nascimento da criança. Entre os anos de 1954 e 1955, adquire o título de Doutora pela USP e Presidente da [[Associação Brasileira de Psicologia]]. Além disso, publica diversos textos sobre a pesquisa experimental no campo da psicologia e sobre o estudo da personalidade entre 1952 e 1956. O maior foco da professora sempre foi a educação, assim, com a criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE), Bori é convidada a contribuir com discussões sobre a educação no Brasil, em 1955.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1958, o curso de psicologia começou a ser ofertado na USP, ainda que diversas das matérias de sua grade já estivessem nas aulas para o curso de filosofia, e Bori continua atuando como professora da instituição. No período de 1956 a 1965, a atuação na psicologia social foi o foco de Bori, e dentre os principais assuntos estudados na época estava a evasão escolar. Em meio a essas pesquisas, questões pessoais dentro da própria universidade fizeram com que Carolina Bori se afastasse da USP. Com sua saída, a Faculdade de Ciências e Letras de Rio Claro lhe ofereceu o cargo de coordenadora do Departamento de Psicologia, onde permaneceu de 1959 a 1963.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bori teve 3 assistentes, [[Geraldina Witter]], Nilce Mejias e [[Isaias Pessotti]], com quem trabalhou muitas vezes em outros empreendimentos. Durante esse tempo, ganhou conhecimento de que [[Fred Keller]] havia sido convidado a dar aulas na USP e, assim, Carolina passa a frequentar suas aulas, mesmo ainda trabalhando em Rio Claro. Desse modo, ela pôde entrar cada vez mais em contato com o condicionamento operante e a reproduzir em um laboratório montado por si mesma experimentos para seus alunos, além de começar a usar o método de ensino programado em suas aulas. Isaias Pessotti, a partir dos novos conhecimentos, iniciou uma pesquisa do condicionamento operante na mesma época em que Bori produzia uma outra pesquisa sobre a socialização da criança. Ela inicia antes mesmo de seu retorno à USP &amp;quot;Os estudos Behavioristas&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Universidade de Brasília (UNB) chama Bori para montar o programa de seu novo Departamento de Psicologia, junto a outros colegas da USP. Assim, o grupo passa os anos de 1963 a 1965 moldando o curso, tendo como base os ensinamentos de Keller trazidos ao Brasil. Na mesma época, a professora retorna ao cargo de Presidente da Associação Brasileira de Psicologia. O curso montado na UNB tem vida curta, já que no ano de 1966 é paralisado pelo regime militar. A demissão em massa dos professores também atinge Bori, entretanto, a professora consegue novamente uma vaga na USP. Alguns anos depois, em 1968, a USP passa por reformulações que levam à criação de novos departamentos, e Carolina Bori se torna a primeira diretora do Departamento de Psicologia Social e Experimental. O ano de 1970 representa uma divisão e uma mudança de foco para Bori, visto que o departamento recém criado divide sua parte social da experimental, e ela fica a cargo do Departamento de Psicologia Experimental. Lá, foi de enorme importância para a reestruturação do departamento, atuando da contratação de docentes até o requerimento de verbas. Nesse, ano Bori também comandou a pós-graduação da USP. Além de todas as contribuições ao mundo acadêmico e científico por Bori até o momento, em 1973, começa o primeiro de seus 5 mandatos como diretora da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), principal sociedade para incentivo do progresso científico no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A década de 1970, para Carolina Bori, foi movimentada por diversas ocupações para além de suas atividades recorrentes na USP. A filial de São Carlos recebeu a professora para auxiliar na organização do Departamento de Psicologia da instituição e ajudou o Instituto de Física da USP no curso de pós-graduação. Sempre envolvida com a educação e com a psicologia, Carolina Bori se associa a diversos grupos depois dos anos 70: se torna membro do Comitê Assessor em Ciências Humanas e Sociais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenadora do Núcleo de Documentação sobre Formação Científica do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (IBECC), Presidente da [[Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)]], Presidente de Área da Comissão de Acompanhamento e Avaliação de Cursos de Pós-Graduação do Capes/MEC. Após cumprir mais um mandato entre 1986 e 1989 como Presidente da SBPC, Bori é declarada em 1989 como Presidente de Honra, visto que sua ampla ação política em favor da ciência, numa época de enorme desvalorização desta, aliada à sua grande luta na defesa da educação, além de grandes projetos e laboratórios e o incentivo do trabalho científico da juventude, tornou-a um membro ilustre nessa sociedade. A década de 1990 marcou os últimos passos da carreira de Carolina Martuscelli Bori. A importante defensora e propagadora do conhecimento científico e praticante do Behaviorismo no Brasil vem a falecer aos 80 anos em 4 de outubro de 2004, em decorrência de uma falência múltipla dos órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
Carolina Bori teve um papel de extrema importância para a psicologia, educação e ciência brasileira. Algumas de suas contribuições mais marcantes valem ser citadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Educação ===&lt;br /&gt;
Em 1956, Bori se vinculou ao Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CPBE), que foi proposto para cuidar e valorizar a educação no país. Mudou a linha de direção do Sistema Personalizado de Ensino (PSI), que antes, com a versão do professor Fred S. Keller, se centrava na análise dos textos que seriam estudados e como isso seria avaliado. Ela trouxe a Análise de Contingências em Programação de Ensino, que buscava analisar as habilidades e informações prévias necessárias para exercer uma atividade e para planejar condições de ensino que ajudassem na captação de tais habilidades. E também apresentou o treino de professores por meio de programas de ensino, alterando drasticamente o modo de ensino de escolas técnicas pelo Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Psicologia ===&lt;br /&gt;
Em 1954, Carolina foi presidente da [[Sociedade Brasileira de Psicologia]] (atualmente extinta), que tinha como objetivo desenvolver a psicologia como ciência, profissão e bem-estar ao mundo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo que em 1962 o psicólogo tenha sido reconhecido legalmente no Brasil, sua atuação começou antes dessa data. Bori foi uma das pessoas que participou ativamente para o reconhecimento e defesa desse novo profissional: o psicólogo. Nessa luta, pode-se destacar sua participação em uma comissão de estudos que escreveu o projeto de lei com elementos que deveriam ser obrigatórios em cursos de psicologia, que até hoje estão em vigor, como ciências naturais, a observação e os métodos de investigação científica, por exemplo, situações em laboratório de controle e manipulações de variáveis para observar seus efeitos no comportamento. Carolina teve um papel primordial na disseminação e criação de laboratórios de psicologia experimental no país, além de montar projetos para planejar a construção de protótipos de equipamentos para estudo nesses ambientes. Dentre eles, estão os relacionados a pesquisa na área de psicofísica e análise experimental do comportamento. Colaborou na estrutura do Departamento de Psicologia Social e Experimental do Instituto de Psicologia da USP em 1968, com apoio do Professor Walter Hugo Cunha, e implantou nesse lugar um curso de pós-graduação em Psicologia Experimental, estabelecendo os focos principais e o itinerário. Fundou o antigo Departamento de Psicologia da Universidade de Brasília, que hoje é o [[Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília]], e participou do jogo de ideias para criação do Curso de Mestrado em Análise do Comportamento na Universidade Federal do Pará. E&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, Carolina Bori presidiu e teve participação fundamental para criação de diversos cursos de psicologia e pós-graduação espalhadas pelo Brasil. Também realizou congressos com colaboradores que divulgaram os princípios da análise do comportamento pelo país, Como um todo, sua obra e empenho para propagar os estudos do comportamento no Brasil teve resultados para a posteridade, afirmando mais uma vez a importância de seu trabalho acadêmico para a estruturação e continuidade da psicologia no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Ciência ===&lt;br /&gt;
Tinha participação ativa em meios de difusão da informação científica, como quadros em rádios e promoção de eventos sobre o assunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Carolina Bori foi uma figura na história da psicologia brasileira extremamente engajada nos problemas sociais, não só aqueles que envolviam a educação – que era seu maior foco de trabalho – mas sim problemas em geral, inclusive se envolvendo na política, posicionando-se sempre que necessário. Dessa forma, apesar de sua notável contribuição para a ciência, algumas posições contrárias ao curso de seu trabalho emergiram. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bori foi parceira de [[Fred Keller]] na disseminação do behaviorismo de [[Burhhus F. Skinner|Skinner]] no Brasil, porém, ao aderir a esse novo método, acabou por encontrar uma resistência do público e da comunidade acadêmica em seu início, já que a linha metodológica seguida no Brasil na época era contrária ao que Keller havia trazido de fora do país. Essa reação contrária se deve a uma psicologia interpretativa e especulativa que era vigente no país da época, o que divergia dos princípios e fundamentos endossados pela vertente behaviorista, fazendo com esta não fosse aceita em princípio. Além disso, o fato de seus estudos serem embasados, principalmente, em dados dados experimentais, fez com que fossem considerados &amp;quot;positivistas&amp;quot;, mais um ponto de afastamento em relação à psicologia vigente na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algum tempo depois, a atitude de Carolina Bori em levar alguns docentes da USP em 1964 para a UNB, para estruturar o curso de psicologia na instituição, não agradou os alunos de São Paulo. apesar de não rechaçar o ato de Bori, os estudantes se mostraram muitos insatisfeitos e preocupados com suas formações acadêmicas. Isso é demonstrado pela publicação de uma nota de apelo na revista &amp;quot;Jornal Brasileiro de Psicologia&amp;quot;, primeiro volume, onde expõem: &amp;lt;blockquote&amp;gt;“Quando o nosso Curso está se estruturando, quando a experiência de poucos anos de existência começa a delinear especialistas em diversas disciplinas, esta perspectiva realmente nos assusta. Este desabafo vem principalmente em vista de um boato que corre sobre o afastamento da professora Carolina Martuscelli para Brasília. O Curso de Psicologia da Personalidade ficará assim prejudicado, pois além dos méritos específicos da ilustre professora, conta ela com um tirocínio e experiência no exercício desta função. Não é lamentável que possam acontecer coisas assim? Trata-se de um apelo e um lamento que achamos útil comunicar à ilustre redação desta revista.” (pp. 116 – 117). &amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, mesmo que não tenha sido uma grande crítica, a opinião e ação de Carolina Bori não foram vistas de forma tranquila, ao contrário do que sua movimentação acadêmica gerava em outras situações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu engajamento político não lhe causou críticas, mas foi visto como uma contribuição para muitos movimentos durante a ditadura militar brasileira (1964-1988) e, consequentemente, repreendido por este. Destaca-se suas lutas contra o AI-5, a favor da liberdade de expressão e dos direitos humanos, que foram muito importantes para o momento de tensão que o país passava. Todo esse apoio perpassava a busca pela educação científica embasada em muitos de seus trabalhos e movimentos, já que Bori foi diretamente atingida pela repressão da época. O regime militar acabou com todo o seu esforço e de seus companheiros da UNB para proporcionar uma graduação em Psicologia para os estudantes de Brasília, e ainda a fez perder seu cargo nessa universidade. Por conta disso, o curso montado aos modelos de Keller não pôde ir para frente, e o estudo do comportamento, defendido e praticado por Bori, foi atrasado. Esse momento em sua história não é exatamente uma crítica, mas foi contrário à sua vertente de pensamento e de trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia Biográfica ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Antes de 1947: Faz a formação de professora na Escola Normal Caetano de Campos.&lt;br /&gt;
* 1947: Graduação no curso de pedagogia da Universidade de São Paulo (USP).&lt;br /&gt;
* 1948: Especialização em Psicologia Educacional na USP.&lt;br /&gt;
* 1948: Professora assistente na USP.&lt;br /&gt;
* 1949 – 1951: Faz mestrado fora do país, na &#039;&#039;Graduate Faculty of New School For Social Research&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
* 1950: Casa-se com Giovanni Bori.&lt;br /&gt;
* 1953 – 1954: Doutorado orientado por Annita Cabral na USP.&lt;br /&gt;
* 1954 – 1955: Presidente da Associação Brasileira de Psicologia.&lt;br /&gt;
* 1955: Contribuinte da Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE).&lt;br /&gt;
* 1958: Professora do recém-criado curso de graduação de Psicologia da USP.&lt;br /&gt;
* 1959 – 1963: Sai da USP e começa a coordenar o Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências e Letras de Rio Claro.&lt;br /&gt;
* 1963 – 1965: Monta o programa do Departamento de Psicologia da Universidade de Brasília (UNB).&lt;br /&gt;
* 1963 – 1965: Segundo mandato como presidente da Associação Brasileira de Psicologia.&lt;br /&gt;
* 1966: Professora da USP.&lt;br /&gt;
* 1968: Primeira Diretora do Departamento de Psicologia Social e Experimental da USP.&lt;br /&gt;
* 1970: Diretora do Departamento de Psicologia Experimental da USP e coordenadora da Pós-graduação na USP.&lt;br /&gt;
* Início dos anos 1970: Auxílio na filial de São Carlos e no Instituto de Física da USP.&lt;br /&gt;
* 1973 – 1977: Diretora da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).&lt;br /&gt;
* 1982 – 1984: Membro do Comitê Assessor em Ciências Humanas e Sociais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).&lt;br /&gt;
* Desde 1984: Coordenadora do Núcleo de Documentação sobre Formação Científica do Instituto Brasileiro de Educação, Cultura e Ciência  (IBECC).&lt;br /&gt;
* 1984 – 1986: Presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP).&lt;br /&gt;
* 1985 – 1987: Presidente de Área da Comissão de Acompanhamento e Avaliação de Cursos de Pós-Graduação do Capes/MEC.&lt;br /&gt;
* 1986 – 1989: Presidente da SBPC.&lt;br /&gt;
* 1989: Presidente de Honra da SBPC.&lt;br /&gt;
* 1990 – 1994: Coordenadora do Projeto &amp;quot;Estação Ciência&amp;quot; da USP/CNPq19.&lt;br /&gt;
* 1992 – 1993: Presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Desde 1993: Diretora Científica do IBECC na Comissão de São Paulo.&lt;br /&gt;
* Desde 1994: Professora Emérito do Instituto de Psicologia da USP e Membro do Conselho Diretor da Fundação - Universidade de Brasília.&lt;br /&gt;
* 1995 – 1996: Presidente da Comissão de Especialistas de Psicologia do Ministério da Educação (MEC).&lt;br /&gt;
* Desde 1996: Diretora Científica do Núcleo de Pesquisa sobre Ensino Superior da USP (NUPES).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Discípulos e influências ==&lt;br /&gt;
Carolina Bori passou por diversos lugares e instituições como professora e pesquisadora ao longo de sua vida acadêmica. Por conta disso, muitas pessoas foram influenciadas e, de certa forma, seguiram Bori. Uma de suas principais contribuições que levou muitos a seguirem um novo caminho vigente no Brasil foi seu empenho em propagar o estudo do comportamento como uma nova psicologia, baseada no que havia aprendido em aulas e trabalhos de Fred Keller, que por consequência ensinava nas universidades brasileiras o behaviorismo de Skinner. Durante sua carreira como professora, diversos alunos puderam seguir seus caminhos na psicologia a partir de Carolina Bori, que era uma professora muito admirada e respeitada. Não só os alunos foram influenciados, mas também aqueles que trabalharam lado a lado com ela, como um de seus assistentes da época da UNB, Isaias Pessotti, que após algum tempo de trabalho com Bori passa a desenvolver estudos e artigos sobre o comportamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos docentes e alunos de diversos cursos, além de psicologia, foram influenciados pelas ideias trazidas ao meio universitário por Carolina. Esses alunos, ou até mesmo companheiros de trabalho, expressaram sua admiração escrevendo artigos sobre a história acadêmica da professora, principalmente nos arquivos da USP. Elas são: Ana Maria Almeida Carvalho, Eda T. de Oliveira Tassara, Maria Ignez Rocha, Silva, Deisy das Graças de Souza e [[Maria do Carmo Guedes]]. Em um de seus artigos publicados sobre Carolina Bori, elas a descrevem e a exaltam:&amp;lt;blockquote&amp;gt;“Uma imagem que pode representar a atuação de Carolina é a de um ponto de luz, uma estrela, cujo núcleo, constituído por sua consciência e coerência em relação ao papel da ciência e dos cientistas na sociedade, se irradia em inúmeras direções de atuação. Essa, no entanto, é a única associação possível entre Carolina e uma estrela: seu comportamento pessoal, atestam inúmeros dos nossos depoentes e nossa própria experiência pessoal, caracteriza-se antes por sobriedade, moderação, discrição, muito trabalho e pouco alarde.” (CARVALHO et al., 1998, n.p) &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Vera Soares, é outra pessoa que trilhou seus caminhos a partir da professora. Não só na universidade fez admiradores e seguidores, como também é perceptível em seu trabalho à frente de associações e sociedades, como por exemplo Gilberto Velho, que a conheceu na SBPC e que também produziu um curto artigo demonstrando sua admiração por Bori ao ter mais contato com a pessoa acadêmica que ela era. O autor afirma que:&amp;lt;blockquote&amp;gt;“Em todos os cargos que ocupou estabeleceu padrões de notável equilíbrio entre um espírito acadêmico e um posicionamento político crítico. São notórios o seu desprendimento pessoal e espírito de sacrifício, não medindo esforços para defender não só a comunidade científica, mas as causas sociais que sempre a preocuparam.” (VELHO, 1998, n.p) &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Outra pessoa que seguiu a linha de admiração pelo trabalho de Bori foi Aziz Nacib Ab’Saber, que foi seu colega na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que contribuiu com mais um artigo biográfico da professora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo com diversos nomes influenciados por Carolina Bori, a mais notável de todas é [[Maria Amélia Matos]], que se tornou além de aluna uma pessoa próxima de sua professora. Sendo assim, com a chegada de Keller e o início de seus trabalhos com Carolina Bori, Maria Amélia Matos também começa seus estudos sobre o behaviorismo, futuramente se tornando um dos principais nomes da vertente no Brasil. Também em artigo entregue a USP, Maria Amélia Matos demonstra sua admiração para com o engajamento de Bori em debates e na proatividade para ações político-sociais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1950). Uma pesquisa sobre aceitação de grupos nacionais, “raciais” e regionais em São Paulo. Boletim CXIX, Psicologia, 3. São Paulo: Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. &lt;br /&gt;
* Bori C. M (1953). O papel do experimentador e do sujeito na situação experimental. Boletim de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Bori, C. M. (1954). Um curso de estatística aplicada à experimentação psicológica. Ciência e Cultura.&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1955). Desenho no estudo da personalidade: a prova de desenho da figura humana. Boletim de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Bori, C. M. (1956). Como o laboratório de psicologia estuda a expressão da personalidade. Boletim de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1957) Estudos de sociologia e história. São Paulo: Ed. Anhembi.&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1958). Percepção e arte. Boletim de Psicologia. &lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1959). Experimentos de interrupção de tarefas e a teoria de motivação de Kurt Lewin. Tese doutorado. Universidade de São Paulo, SP.&lt;br /&gt;
* Bori, C. M., (1964). Aparelhos e o laboratório de psicologia. Jornal Brasileiro de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Outras informações ===&lt;br /&gt;
O nome de Carolina Bori é facilmente citado em obras sobre a história da psicologia, porém, pouco se conhece a respeito de sua produção bibliográfica e os temas discutidos. Dentre eles estão “A formação do psicólogo” e “O estudo da personalidade”.  Em 1950, Bori publica seu primeiro artigo “Uma pesquisa sobre aceitação de grupos nacionais, &#039;raciais&#039; e regionais em São Paulo”, com objetivo de “situar alguns aspectos do problema de aceitação de nacionalidades, grupos nacionais, ‘raciais’ e regionais ao nosso meio” (BORI,1950, p. 57).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O artigo “O papel do experimentador e do sujeito na situação experimental”, de 1953, fala sobre a importância da experimentação em um ambiente no qual todos os fatores que podem influenciar os resultados sejam reconhecidos e extremamente controlados. Só dessa forma poderiam ser feitas observações de seus efeitos e alcançar resultados compatíveis. Embora o campo da psicologia experimental estivesse entrando em declínio, ela continuava a achar esse um bom método. Bori ainda defende a introspecção como método experimental, porém ressalta as dificuldades em utilizá-la e controlá-la. Em 1954, Carolina propôs a inclusão da estatística para o estudo de psicologia, pois vê como de suma importância que os profissionais tenham conhecimentos de outras áreas e que saibam ler, interpretar e criticar dados estatísticos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1955, publicou “Desenho no estudo da personalidade: a prova de desenho da figura humana”, que coloca o método desenvolvido por [[Karen Machover]] em análise. Este método apresenta a hipótese que, no desenho, o indivíduo expressa partes de seu comportamento pela projeção. Bori conclui que muitas das técnicas apresentadas seriam inadequadas para os propósitos de diagnóstico e orientação de tratamento. Porém, dois anos depois utilizou-se desse método para um estudo no interior de Minas Gerais, no qual buscou descobrir as possibilidades de relações entre variáveis e os métodos utilizados, em vez de verificar hipóteses. Portanto, não descartou o uso de desenhos para pesquisas, apenas o exigiu em um ambiente controlado e sem falta de informações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1956, publicou um artigo sobre “Como o laboratório de psicologia estuda a expressão da personalidade”, retomando Aristóteles, Camper, Darwin e [[William James]], considerando este último um autor revolucionário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O artigo “Estudo psicológico do grupo”, de 1957, tinha foco em estudar a personalidade e reitera a importância da experimentação para a psicologia, defendendo assim que o conhecimento produzido em laboratórios é o único meio de verificar hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela também publicou pesquisas com conteúdos históricos de vários temas, como a distância social. De 1958, “Percepção e arte” é um resumo que não traz tantas informações como suas outras obras, desta vez analisando a criação artística e o teórico da psicologia dando foco maior na percepção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tese de doutorado “Experimentos de interrupção de tarefas e a teoria de motivação de [[Kurt Lewin]]”, de 1959, com o estudo da psicologia experimental, propôs produzir conhecimento sob condições rigorosas de controle experimental, em um laboratório. E a teoria deveria ser comprovada por esse método experimental. Bori também abordou o aspecto da motivação nessa tese.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Reconhecimento ==&lt;br /&gt;
Em 1998, uma edição especial da Revista Psicologia USP foi dedicada a ela. Muitos pesquisadores escreverem artigos ressaltando o impacto que o posicionamento e a militância de Carolina Bori tiveram na colaboração para o reconhecimento do profissional “psicólogo” e para implantação de cursos e laboratórios de Psicologia Experimental, além de sua atuação em diversos órgãos de divulgação de ciência. “Doutora Carolina é lembrada por colegas das muitas instituições pelas quais passou como uma das personalidades reconhecidamente mais expressivas da Psicologia e da ciência brasileira. (2004, p. 189)” Guedes, M. C. (2004). Memorável Carolina Martuscelli Bori (1924-2004). [[Memorandum]], 7. Outro grande feito de Bori foi receber o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília, tornando-se a primeira mulher a atingir esse marco. Além disso, teve homenagens da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da [[Associação Americana de Psicologia (APA)]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Associação Americana de Psicologia (APA)]]&lt;br /&gt;
* [[Associação Brasileira de Psicologia]]&lt;br /&gt;
* [[Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)]]&lt;br /&gt;
* [[Annita Cabral]]&lt;br /&gt;
* [[Behaviorismo]]&lt;br /&gt;
* [[Burhhus F. Skinner]]&lt;br /&gt;
* [[Escola Normal de São Paulo]]&lt;br /&gt;
* [[Fred Keller]] &lt;br /&gt;
* [[Geraldina Witter]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília]]&lt;br /&gt;
* [[Isaias Pessotti]]&lt;br /&gt;
* [[Karen Machover]]&lt;br /&gt;
* [[Kurt Lewin]]&lt;br /&gt;
* [[Maria Amélia Matos]]&lt;br /&gt;
* [[Maria do Carmo Guedes]]&lt;br /&gt;
* [[Sociedade Brasileira de Psicologia]]&lt;br /&gt;
* [[William James]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referencias ==&lt;br /&gt;
AB’SABER, Aziz Nacib. Carolina Bori: a essência de um perfil. Psicologia Usp, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 35-35, 25 nov. 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100004.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CÂNDIDO, Gabriel Vieira. O desenvolvimento de uma cultura científica no Brasil: contribuições de carolina martuscelli bori. 2014. 331 f. Tese (Doutorado) - Curso de Psicologia, Departamento de Psicologia Programada de Pós-Graduação de Psicologia, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2014. Cap. 6.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CÂNDIDO, Gabriel Vieira; MASSIMI, Marina. Contribuição para a formação de Psicólogos: análise de artigos de carolina bori publicados até 1962. Psicologia: Ciência e Profissão, [S.L.], v. 32, n. , p. 246-263, 08 nov. 2012. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s1414-98932012000500018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Ana Maria Almeida; MATOS, Maria Amelia; TASSARA, Eda T. de Oliveira; SILVA, Maria Lgnez Rocha e; SOUZA, Deisy das Graças de. Carolina Bori. Psicologia: Ciência e Profissão, [S.L.], v. 18, n. 3, p. 65-65, 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s1414-98931998000300010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Ana Maria Almeida; MATOS, Maria Amelia; TASSARA, Eda T. de Oliveira; SILVA, Maria Ignez Rocha e; SOUZA, Deisy das Graças de. Carolina Bori, Psicologia e Ciência no Brasil. Psicologia Usp, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 25-30, 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FEITOSA, Maria Angela Guimarães. Carolina Bori recebe o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília. Revista Brasileira de Análise do Comportamento, Brasília, v. 1, n. 2, p. 263-267, 2005. https://periodicos.ufpa.br/index.php/rebac/article/viewFile/793/1102&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GUEDES, Maria do Carmo. Relembrando Carolina Bori. Paidéia (Ribeirão Preto), São Paulo, v. 15, n. 30, p. 9-10, abr. 2005. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-863x2005000100003.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
KERBAUY, Rachel Rodrigues. A presença de Carolina Martuscelli Bori na Psicologia¹. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, [s. l], v. 6, n. 2, p. 159-164, 2004. https://rbtcc.webhostusp.sti.usp.br/index.php/RBTCC/article/view/54/43 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MATOS, Maria Amelia. CAROLINA BORI: a psicologia brasileira como missão. Psicologia Usp, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 67-70, 25 nov. 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SOARES, Vera. Professora Carolina Bori. Psicologia Usp, [S.L.], v. 9, n. 1, p. 145-147, 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TODOROV, João Claudio; HANNA, Elenice S.. Análise do comportamento no Brasil. Psicologia: Teoria e Pesquisa, São Paulo, v. 26, n. , p. 143-153, 13 dez. 2010. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0102-37722010000500013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VELHO, Gilberto. O Humanismo de Carolina Bori. Psicologia Usp, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 217-217, 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100046.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Leticia Ramos Gomes e Manuela de Lucena Ramos, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2022.1, publicado em 2022.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Carolina_Bori&amp;diff=1371</id>
		<title>Carolina Bori</title>
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		<updated>2024-06-11T15:45:31Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções gramaticais e ortográficas; Correção e formatação de citações feitas na seção &amp;quot;Discípulos e influências&amp;quot;; adição de links na seção &amp;quot;Ver também&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Carolina Martuscelli Bori nasceu no dia 4 de janeiro de 1924, em São Paulo. Foi uma personagem de extrema relevância para as áreas de ciência, educação, formação do profissional psicólogo e atuação da psicologia experimental (principalmente o [[Behaviorismo]]) no Brasil. Seu engajamento nesses temas e na política fez seu nome ser reconhecido e homenageado, influenciando diversos outros psicólogos em suas carreiras. Faleceu aos 80 anos no dia 4 de outubro de 2004, em virtude de uma falência múltipla dos órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
Carolina Martuscelli Bori, nascida no dia 4 de janeiro de 1924 em São Paulo, era filha de Aurélio, imigrante Italiano, e de Maria Teresa, brasileira. Seu pai, já engenheiro ao chegar ao Brasil, monta uma empresa de construção e sua mãe trabalhava na venda de tecidos. Com a empresa de sucesso, sua família pode proporcionar não só a ela como também a seus irmãos, Adele, Florinda, Francesco, Nicola e Wanda, a formação universitária. Aos 6 anos de idade, em 1930, Carolina frequentou uma escola alemã e anos depois se forma como professora pela [[Escola Normal de São Paulo|Escola Normal Caetano de Campos]] na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Em 1947, conclui sua formação em pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP), onde também realiza sua especialização. No ano seguinte, em 1948, já havia sido contratada como professora assistente de psicologia da própria USP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ano de 1949 é marcado por seu ingresso na &#039;&#039;Graduate Faculty of New School For Social Research,&#039;&#039; nos Estados Unidos, para a realização de seu mestrado, e em 1951 defende sua tese &amp;quot;&#039;&#039;The Recall of Interrupted Tasks: A Review of the Literature&amp;quot;&#039;&#039;. De volta ao Brasil, por volta dos anos de 1953 e 1954, Carolina finaliza seu doutorado orientada por [[Annita Cabral]] na USP. É importante ressaltar que a relação das duas acadêmicas não é recente, visto que Carolina conseguiu sua cadeira de professora assistente de filosofia logo após sua formação através de Annita Cabral, que na época era responsável pelo recrutamento. Assim também foi a inspiração para a escolha da instituição no exterior para fazer seu mestrado, a mesma que Annita já havia cursado anos antes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1950, Carolina Martuscelli se torna Carolina Bori ao se casar com Giovanni Bori, de nacionalidade italiana assim como seu pai. Ela teve um único filho chamado Mário Eppler Bori em seu casamento, que acabou em divórcio poucos anos depois do nascimento da criança. Entre os anos de 1954 e 1955, adquire o título de Doutora pela USP e Presidente da [[Associação Brasileira de Psicologia]]. Além disso, publica diversos textos sobre a pesquisa experimental no campo da psicologia e sobre o estudo da personalidade entre 1952 e 1956. O maior foco da professora sempre foi a educação, assim, com a criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE), Bori é convidada a contribuir com discussões sobre a educação no Brasil, em 1955.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1958, o curso de psicologia começou a ser ofertado na USP, ainda que diversas das matérias de sua grade já estivessem nas aulas para o curso de filosofia, e Bori continua atuando como professora da instituição. No período de 1956 a 1965, a atuação na psicologia social foi o foco de Bori, e dentre os principais assuntos estudados na época estava a evasão escolar. Em meio a essas pesquisas, questões pessoais dentro da própria universidade fizeram com que Carolina Bori se afastasse da USP. Com sua saída, a Faculdade de Ciências e Letras de Rio Claro lhe ofereceu o cargo de coordenadora do Departamento de Psicologia, onde permaneceu de 1959 a 1963.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bori teve 3 assistentes, [[Geraldina Witter]], Nilce Mejias e [[Isaias Pessotti]], com quem trabalhou muitas vezes em outros empreendimentos. Durante esse tempo, ganhou conhecimento de que [[Fred Keller]] havia sido convidado a dar aulas na USP e, assim, Carolina passa a frequentar suas aulas, mesmo ainda trabalhando em Rio Claro. Desse modo, ela pôde entrar cada vez mais em contato com o condicionamento operante e a reproduzir em um laboratório montado por si mesma experimentos para seus alunos, além de começar a usar o método de ensino programado em suas aulas. Isaias Pessotti, a partir dos novos conhecimentos, iniciou uma pesquisa do condicionamento operante na mesma época em que Bori produzia uma outra pesquisa sobre a socialização da criança. Ela inicia antes mesmo de seu retorno à USP &amp;quot;Os estudos Behavioristas&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Universidade de Brasília (UNB) chama Bori para montar o programa de seu novo Departamento de Psicologia, junto a outros colegas da USP. Assim, o grupo passa os anos de 1963 a 1965 moldando o curso, tendo como base os ensinamentos de Keller trazidos ao Brasil. Na mesma época, a professora retorna ao cargo de Presidente da Associação Brasileira de Psicologia. O curso montado na UNB tem vida curta, já que no ano de 1966 é paralisado pelo regime militar. A demissão em massa dos professores também atinge Bori, entretanto, a professora consegue novamente uma vaga na USP. Alguns anos depois, em 1968, a USP passa por reformulações que levam à criação de novos departamentos, e Carolina Bori se torna a primeira diretora do Departamento de Psicologia Social e Experimental. O ano de 1970 representa uma divisão e uma mudança de foco para Bori, visto que o departamento recém criado divide sua parte social da experimental, e ela fica a cargo do Departamento de Psicologia Experimental. Lá, foi de enorme importância para a reestruturação do departamento, atuando da contratação de docentes até o requerimento de verbas. Nesse, ano Bori também comandou a pós-graduação da USP. Além de todas as contribuições ao mundo acadêmico e científico por Bori até o momento, em 1973, começa o primeiro de seus 5 mandatos como diretora da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), principal sociedade para incentivo do progresso científico no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A década de 1970, para Carolina Bori, foi movimentada por diversas ocupações para além de suas atividades recorrentes na USP. A filial de São Carlos recebeu a professora para auxiliar na organização do Departamento de Psicologia da instituição e ajudou o Instituto de Física da USP no curso de pós-graduação. Sempre envolvida com a educação e com a psicologia, Carolina Bori se associa a diversos grupos depois dos anos 70: se torna membro do Comitê Assessor em Ciências Humanas e Sociais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenadora do Núcleo de Documentação sobre Formação Científica do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (IBECC), Presidente da [[Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)]], Presidente de Área da Comissão de Acompanhamento e Avaliação de Cursos de Pós-Graduação do Capes/MEC. Após cumprir mais um mandato entre 1986 e 1989 como Presidente da SBPC, Bori é declarada em 1989 como Presidente de Honra, visto que sua ampla ação política em favor da ciência, numa época de enorme desvalorização desta, aliada à sua grande luta na defesa da educação, além de grandes projetos e laboratórios e o incentivo do trabalho científico da juventude, tornou-a um membro ilustre nessa sociedade. A década de 1990 marcou os últimos passos da carreira de Carolina Martuscelli Bori. A importante defensora e propagadora do conhecimento científico e praticante do Behaviorismo no Brasil vem a falecer aos 80 anos em 4 de outubro de 2004, em decorrência de uma falência múltipla dos órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
Carolina Bori teve um papel de extrema importância para a psicologia, educação e ciência brasileira. Algumas de suas contribuições mais marcantes valem ser citadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Educação ===&lt;br /&gt;
Em 1956, Bori se vinculou ao Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CPBE), que foi proposto para cuidar e valorizar a educação no país. Mudou a linha de direção do Sistema Personalizado de Ensino (PSI), que antes, com a versão do professor Fred S. Keller, se centrava na análise dos textos que seriam estudados e como isso seria avaliado. Ela trouxe a Análise de Contingências em Programação de Ensino, que buscava analisar as habilidades e informações prévias necessárias para exercer uma atividade e para planejar condições de ensino que ajudassem na captação de tais habilidades. E também apresentou o treino de professores por meio de programas de ensino, alterando drasticamente o modo de ensino de escolas técnicas pelo Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Psicologia ===&lt;br /&gt;
Em 1954, Carolina foi presidente da [[Sociedade Brasileira de Psicologia]] (atualmente extinta), que tinha como objetivo desenvolver a psicologia como ciência, profissão e bem-estar ao mundo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo que em 1962 o psicólogo tenha sido reconhecido legalmente no Brasil, sua atuação começou antes dessa data. Bori foi uma das pessoas que participou ativamente para o reconhecimento e defesa desse novo profissional: o psicólogo. Nessa luta, pode-se destacar sua participação em uma comissão de estudos que escreveu o projeto de lei com elementos que deveriam ser obrigatórios em cursos de psicologia, que até hoje estão em vigor, como ciências naturais, a observação e os métodos de investigação científica, por exemplo, situações em laboratório de controle e manipulações de variáveis para observar seus efeitos no comportamento. Carolina teve um papel primordial na disseminação e criação de laboratórios de psicologia experimental no país, além de montar projetos para planejar a construção de protótipos de equipamentos para estudo nesses ambientes. Dentre eles, estão os relacionados a pesquisa na área de psicofísica e análise experimental do comportamento. Colaborou na estrutura do Departamento de Psicologia Social e Experimental do Instituto de Psicologia da USP em 1968, com apoio do Professor Walter Hugo Cunha, e implantou nesse lugar um curso de pós-graduação em Psicologia Experimental, estabelecendo os focos principais e o itinerário. Fundou o antigo Departamento de Psicologia da Universidade de Brasília, que hoje é o [[Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília]], e participou do jogo de ideias para criação do Curso de Mestrado em Análise do Comportamento na Universidade Federal do Pará. E&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, Carolina Bori presidiu e teve participação fundamental para criação de diversos cursos de psicologia e pós-graduação espalhadas pelo Brasil. Também realizou congressos com colaboradores que divulgaram os princípios da análise do comportamento pelo país, Como um todo, sua obra e empenho para propagar os estudos do comportamento no Brasil teve resultados para a posteridade, afirmando mais uma vez a importância de seu trabalho acadêmico para a estruturação e continuidade da psicologia no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Ciência ===&lt;br /&gt;
Tinha participação ativa em meios de difusão da informação científica, como quadros em rádios e promoção de eventos sobre o assunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Carolina Bori foi uma figura na história da psicologia brasileira extremamente engajada nos problemas sociais, não só aqueles que envolviam a educação – que era seu maior foco de trabalho – mas sim problemas em geral, inclusive se envolvendo na política, posicionando-se sempre que necessário. Dessa forma, apesar de sua notável contribuição para a ciência, algumas posições contrárias ao curso de seu trabalho emergiram. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bori foi parceira de [[Fred Keller]] na disseminação do behaviorismo de [[Burhhus F. Skinner|Skinner]] no Brasil, porém, ao aderir a esse novo método, acabou por encontrar uma resistência do público e da comunidade acadêmica em seu início, já que a linha metodológica seguida no Brasil na época era contrária ao que Keller havia trazido de fora do país. Essa reação contrária se deve a uma psicologia interpretativa e especulativa que era vigente no país da época, o que divergia dos princípios e fundamentos endossados pela vertente behaviorista, fazendo com esta não fosse aceita em princípio. Além disso, o fato de seus estudos serem embasados, principalmente, em dados dados experimentais, fez com que fossem considerados &amp;quot;positivistas&amp;quot;, mais um ponto de afastamento em relação à psicologia vigente na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algum tempo depois, a atitude de Carolina Bori em levar alguns docentes da USP em 1964 para a UNB, para estruturar o curso de psicologia na instituição, não agradou os alunos de São Paulo. apesar de não rechaçar o ato de Bori, os estudantes se mostraram muitos insatisfeitos e preocupados com suas formações acadêmicas. Isso é demonstrado pela publicação de uma nota de apelo na revista &amp;quot;Jornal Brasileiro de Psicologia&amp;quot;, primeiro volume, onde expõem: &amp;lt;blockquote&amp;gt;“Quando o nosso Curso está se estruturando, quando a experiência de poucos anos de existência começa a delinear especialistas em diversas disciplinas, esta perspectiva realmente nos assusta. Este desabafo vem principalmente em vista de um boato que corre sobre o afastamento da professora Carolina Martuscelli para Brasília. O Curso de Psicologia da Personalidade ficará assim prejudicado, pois além dos méritos específicos da ilustre professora, conta ela com um tirocínio e experiência no exercício desta função. Não é lamentável que possam acontecer coisas assim? Trata-se de um apelo e um lamento que achamos útil comunicar à ilustre redação desta revista.” (pp. 116 – 117). &amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, mesmo que não tenha sido uma grande crítica, a opinião e ação de Carolina Bori não foram vistas de forma tranquila, ao contrário do que sua movimentação acadêmica gerava em outras situações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu engajamento político não lhe causou críticas, mas foi visto como uma contribuição para muitos movimentos durante a ditadura militar brasileira (1964-1988) e, consequentemente, repreendido por este. Destaca-se suas lutas contra o AI-5, a favor da liberdade de expressão e dos direitos humanos, que foram muito importantes para o momento de tensão que o país passava. Todo esse apoio perpassava a busca pela educação científica embasada em muitos de seus trabalhos e movimentos, já que Bori foi diretamente atingida pela repressão da época. O regime militar acabou com todo o seu esforço e de seus companheiros da UNB para proporcionar uma graduação em Psicologia para os estudantes de Brasília, e ainda a fez perder seu cargo nessa universidade. Por conta disso, o curso montado aos modelos de Keller não pôde ir para frente, e o estudo do comportamento, defendido e praticado por Bori, foi atrasado. Esse momento em sua história não é exatamente uma crítica, mas foi contrário à sua vertente de pensamento e de trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia Biográfica ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Antes de 1947: Faz a formação de professora na Escola Normal Caetano de Campos.&lt;br /&gt;
* 1947: Graduação no curso de pedagogia da Universidade de São Paulo (USP).&lt;br /&gt;
* 1948: Especialização em Psicologia Educacional na USP.&lt;br /&gt;
* 1948: Professora assistente na USP.&lt;br /&gt;
* 1949 – 1951: Faz mestrado fora do país, na &#039;&#039;Graduate Faculty of New School For Social Research&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
* 1950: Casa-se com Giovanni Bori.&lt;br /&gt;
* 1953 – 1954: Doutorado orientado por Annita Cabral na USP.&lt;br /&gt;
* 1954 – 1955: Presidente da Associação Brasileira de Psicologia.&lt;br /&gt;
* 1955: Contribuinte da Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE).&lt;br /&gt;
* 1958: Professora do recém-criado curso de graduação de Psicologia da USP.&lt;br /&gt;
* 1959 – 1963: Sai da USP e começa a coordenar o Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências e Letras de Rio Claro.&lt;br /&gt;
* 1963 – 1965: Monta o programa do Departamento de Psicologia da Universidade de Brasília (UNB).&lt;br /&gt;
* 1963 – 1965: Segundo mandato como presidente da Associação Brasileira de Psicologia.&lt;br /&gt;
* 1966: Professora da USP.&lt;br /&gt;
* 1968: Primeira Diretora do Departamento de Psicologia Social e Experimental da USP.&lt;br /&gt;
* 1970: Diretora do Departamento de Psicologia Experimental da USP e coordenadora da Pós-graduação na USP.&lt;br /&gt;
* Início dos anos 1970: Auxílio na filial de São Carlos e no Instituto de Física da USP.&lt;br /&gt;
* 1973 – 1977: Diretora da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).&lt;br /&gt;
* 1982 – 1984: Membro do Comitê Assessor em Ciências Humanas e Sociais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).&lt;br /&gt;
* Desde 1984: Coordenadora do Núcleo de Documentação sobre Formação Científica do Instituto Brasileiro de Educação, Cultura e Ciência  (IBECC).&lt;br /&gt;
* 1984 – 1986: Presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP).&lt;br /&gt;
* 1985 – 1987: Presidente de Área da Comissão de Acompanhamento e Avaliação de Cursos de Pós-Graduação do Capes/MEC.&lt;br /&gt;
* 1986 – 1989: Presidente da SBPC.&lt;br /&gt;
* 1989: Presidente de Honra da SBPC.&lt;br /&gt;
* 1990 – 1994: Coordenadora do Projeto &amp;quot;Estação Ciência&amp;quot; da USP/CNPq19.&lt;br /&gt;
* 1992 – 1993: Presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Desde 1993: Diretora Científica do IBECC na Comissão de São Paulo.&lt;br /&gt;
* Desde 1994: Professora Emérito do Instituto de Psicologia da USP e Membro do Conselho Diretor da Fundação - Universidade de Brasília.&lt;br /&gt;
* 1995 – 1996: Presidente da Comissão de Especialistas de Psicologia do Ministério da Educação (MEC).&lt;br /&gt;
* Desde 1996: Diretora Científica do Núcleo de Pesquisa sobre Ensino Superior da USP (NUPES).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Discípulos e influências ==&lt;br /&gt;
Carolina Bori passou por diversos lugares e instituições como professora e pesquisadora ao longo de sua vida acadêmica. Por conta disso, muitas pessoas foram influenciadas e, de certa forma, seguiram Bori. Uma de suas principais contribuições que levou muitos a seguirem um novo caminho vigente no Brasil foi seu empenho em propagar o estudo do comportamento como uma nova psicologia, baseada no que havia aprendido em aulas e trabalhos de Fred Keller, que por consequência ensinava nas universidades brasileiras o behaviorismo de Skinner. Durante sua carreira como professora, diversos alunos puderam seguir seus caminhos na psicologia a partir de Carolina Bori, que era uma professora muito admirada e respeitada. Não só os alunos foram influenciados, mas também aqueles que trabalharam lado a lado com ela, como um de seus assistentes da época da UNB, Isaias Pessotti, que após algum tempo de trabalho com Bori passa a desenvolver estudos e artigos sobre o comportamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos docentes e alunos de diversos cursos, além de psicologia, foram influenciados pelas ideias trazidas ao meio universitário por Carolina. Esses alunos, ou até mesmo companheiros de trabalho, expressaram sua admiração escrevendo artigos sobre a história acadêmica da professora, principalmente nos arquivos da USP. Elas são: Ana Maria Almeida Carvalho, Eda T. de Oliveira Tassara, Maria Ignez Rocha, Silva, Deisy das Graças de Souza e [[Maria do Carmo Guedes]]. Em um de seus artigos publicados sobre Carolina Bori, elas a descrevem e a exaltam:&amp;lt;blockquote&amp;gt;“Uma imagem que pode representar a atuação de Carolina é a de um ponto de luz, uma estrela, cujo núcleo, constituído por sua consciência e coerência em relação ao papel da ciência e dos cientistas na sociedade, se irradia em inúmeras direções de atuação. Essa, no entanto, é a única associação possível entre Carolina e uma estrela: seu comportamento pessoal, atestam inúmeros dos nossos depoentes e nossa própria experiência pessoal, caracteriza-se antes por sobriedade, moderação, discrição, muito trabalho e pouco alarde.” (CARVALHO et al., 1998, n.p) &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Vera Soares, é outra pessoa que trilhou seus caminhos a partir da professora. Não só na universidade fez admiradores e seguidores, como também é perceptível em seu trabalho à frente de associações e sociedades, como por exemplo Gilberto Velho, que a conheceu na SBPC e que também produziu um curto artigo demonstrando sua admiração por Bori ao ter mais contato com a pessoa acadêmica que ela era. O autor afirma que:&amp;lt;blockquote&amp;gt;“Em todos os cargos que ocupou estabeleceu padrões de notável equilíbrio entre um espírito acadêmico e um posicionamento político crítico. São notórios o seu desprendimento pessoal e espírito de sacrifício, não medindo esforços para defender não só a comunidade científica, mas as causas sociais que sempre a preocuparam.” (VELHO, 1998, n.p) &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Outra pessoa que seguiu a linha de admiração pelo trabalho de Bori foi Aziz Nacib Ab’Saber, que foi seu colega na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que contribuiu com mais um artigo biográfico da professora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo com diversos nomes influenciados por Carolina Bori, a mais notável de todas é [[Maria Amélia Matos]], que se tornou além de aluna uma pessoa próxima de sua professora. Sendo assim, com a chegada de Keller e o início de seus trabalhos com Carolina Bori, Maria Amélia Matos também começa seus estudos sobre o behaviorismo, futuramente se tornando um dos principais nomes da vertente no Brasil. Também em artigo entregue a USP, Maria Amélia Matos demonstra sua admiração para com o engajamento de Bori em debates e na proatividade para ações político-sociais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1950). Uma pesquisa sobre aceitação de grupos nacionais, “raciais” e regionais em São Paulo. Boletim CXIX, Psicologia, 3. São Paulo: Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. &lt;br /&gt;
* Bori C. M (1953). O papel do experimentador e do sujeito na situação experimental. Boletim de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Bori, C. M. (1954). Um curso de estatística aplicada à experimentação psicológica. Ciência e Cultura.&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1955). Desenho no estudo da personalidade: a prova de desenho da figura humana. Boletim de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Bori, C. M. (1956). Como o laboratório de psicologia estuda a expressão da personalidade. Boletim de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1957) Estudos de sociologia e história. São Paulo: Ed. Anhembi.&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1958). Percepção e arte. Boletim de Psicologia. &lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1959). Experimentos de interrupção de tarefas e a teoria de motivação de Kurt Lewin. Tese doutorado. Universidade de São Paulo, SP.&lt;br /&gt;
* Bori, C. M., (1964). Aparelhos e o laboratório de psicologia. Jornal Brasileiro de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Outras informações ===&lt;br /&gt;
O nome de Carolina Bori é facilmente citado em obras sobre a história da psicologia, porém, pouco se conhece a respeito de sua produção bibliográfica e os temas discutidos. Dentre eles estão “A formação do psicólogo” e “O estudo da personalidade”.  Em 1950, Bori publica seu primeiro artigo “Uma pesquisa sobre aceitação de grupos nacionais, &#039;raciais&#039; e regionais em São Paulo”, com objetivo de “situar alguns aspectos do problema de aceitação de nacionalidades, grupos nacionais, ‘raciais’ e regionais ao nosso meio” (BORI,1950, p. 57).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O artigo “O papel do experimentador e do sujeito na situação experimental”, de 1953, fala sobre a importância da experimentação em um ambiente no qual todos os fatores que podem influenciar os resultados sejam reconhecidos e extremamente controlados. Só dessa forma poderiam ser feitas observações de seus efeitos e alcançar resultados compatíveis. Embora o campo da psicologia experimental estivesse entrando em declínio, ela continuava a achar esse um bom método. Bori ainda defende a introspecção como método experimental, porém ressalta as dificuldades em utilizá-la e controlá-la. Em 1954, Carolina propôs a inclusão da estatística para o estudo de psicologia, pois vê como de suma importância que os profissionais tenham conhecimentos de outras áreas e que saibam ler, interpretar e criticar dados estatísticos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1955, publicou “Desenho no estudo da personalidade: a prova de desenho da figura humana” que coloca o método desenvolvido por [[Karen Machover]] em análise, o qual apresenta a hipótese que no desenho o indivíduo expressa partes de seu comportamento, pela projeção. Mas Bori conclui que “Muitas dessas técnicas (utilização de desenhos para o estudo da personalidade) se mostram inadequadas e insatisfatórias para o diagnóstico e orientação de tratamento” (1955, p. 60). Porém, dois anos depois utilizou-se desse método para um estudo no interior de Minas Gerais, no qual, buscou descobrir as possibilidades de relações entre variáveis e os métodos utilizados, em vez de verificar hipóteses. Portanto, não descartou o uso de desenhos para pesquisas, apenas o exigiu em um ambiente controlado e sem falta de informações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1956, publicou outro artigo sobre “Como o laboratório de psicologia estuda a expressão da personalidade”, retomando [[Aristóteles]], Camper, [[Charles Darwin|Darwin]] e [[William James]] (esse último considera particularmente como um revolucionário).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O artigo “Estudo psicológico do grupo” de 1957 tinha foco em estudar a personalidade e reitera a importância da experimentação para a psicologia e que o conhecimento produzido em laboratórios é o único meio de verificar hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela também publicou pesquisas com conteúdos históricos de vários temas, como a distância social. De 1958, “Percepção e arte” é um resumo que não traz tantas informações como suas outras analisando a criação artística e o teórico da psicologia dando foco maior na percepção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tese de doutorado “Experimentos de interrupção de tarefas e a teoria de motivação de [[Kurt Lewin]]” de 1959 com o estudo da psicologia experimental propôs produzir conhecimento sob condições rigorosas de controle experimental, em um laboratório. E a teoria deveria ser comprovada por esse método experimental: “A qualidade de uma teoria deve ser avaliada em relação à possibilidade de se realizar pesquisas em condições controladas e de se fazer outras observações.” (essa citação foi tirada da pg254). Também abordou o aspecto da motivação, “O termo motivação [...] É um processo hipotético ou estado do organismo inferido do comportamento deste”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Reconhecimento ==&lt;br /&gt;
Em 1998, uma edição especial da [[Revista Psicologia USP]] foi dedicada a ela. Muitos pesquisadores escreverem artigos ressaltando o impacto que o posicionamento e a militância de Carolina Bori tiveram na colaboração para o reconhecimento do profissional “psicólogo” e para implantação de cursos e laboratórios de Psicologia Experimental. Além de sua atuação em diversos órgãos de divulgação de ciência. “Doutora Carolina é lembrada por colegas das muitas instituições pelas quais passou como uma das personalidades reconhecidamente mais expressivas da Psicologia e da ciência brasileira. (2004, p. 189)” Guedes, M. C. (2004). Memorável Carolina Martuscelli Bori (1924-2004). [[Memorandum]], 7. Outro grande feito de Bori foi receber o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília, tornando-se a primeira mulher a atingir esse marco. Além disso, teve homenagens da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e da [[Associação Americana de Psicologia (APA)]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Associação Americana de Psicologia (APA)]]&lt;br /&gt;
* [[Associação Brasileira de Psicologia]]&lt;br /&gt;
* [[Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)]]&lt;br /&gt;
* [[Annita Cabral]]&lt;br /&gt;
* [[Behaviorismo]]&lt;br /&gt;
* [[Burhhus F. Skinner]]&lt;br /&gt;
* [[Escola Normal de São Paulo]]&lt;br /&gt;
* [[Fred Keller]] &lt;br /&gt;
* [[Geraldina Witter]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília]]&lt;br /&gt;
* [[Isaias Pessotti]]&lt;br /&gt;
* [[Maria Amélia Matos]]&lt;br /&gt;
* [[Maria do Carmo Guedes]]&lt;br /&gt;
* [[Sociedade Brasileira de Psicologia]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referencias ==&lt;br /&gt;
AB’SABER, Aziz Nacib. Carolina Bori: a essência de um perfil. Psicologia Usp, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 35-35, 25 nov. 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100004.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CÂNDIDO, Gabriel Vieira. O desenvolvimento de uma cultura científica no Brasil: contribuições de carolina martuscelli bori. 2014. 331 f. Tese (Doutorado) - Curso de Psicologia, Departamento de Psicologia Programada de Pós-Graduação de Psicologia, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2014. Cap. 6.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CÂNDIDO, Gabriel Vieira; MASSIMI, Marina. Contribuição para a formação de Psicólogos: análise de artigos de carolina bori publicados até 1962. Psicologia: Ciência e Profissão, [S.L.], v. 32, n. , p. 246-263, 08 nov. 2012. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s1414-98932012000500018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Ana Maria Almeida; MATOS, Maria Amelia; TASSARA, Eda T. de Oliveira; SILVA, Maria Lgnez Rocha e; SOUZA, Deisy das Graças de. Carolina Bori. Psicologia: Ciência e Profissão, [S.L.], v. 18, n. 3, p. 65-65, 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s1414-98931998000300010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Ana Maria Almeida; MATOS, Maria Amelia; TASSARA, Eda T. de Oliveira; SILVA, Maria Ignez Rocha e; SOUZA, Deisy das Graças de. Carolina Bori, Psicologia e Ciência no Brasil. Psicologia Usp, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 25-30, 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FEITOSA, Maria Angela Guimarães. Carolina Bori recebe o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília. Revista Brasileira de Análise do Comportamento, Brasília, v. 1, n. 2, p. 263-267, 2005. https://periodicos.ufpa.br/index.php/rebac/article/viewFile/793/1102&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GUEDES, Maria do Carmo. Relembrando Carolina Bori. Paidéia (Ribeirão Preto), São Paulo, v. 15, n. 30, p. 9-10, abr. 2005. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-863x2005000100003.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
KERBAUY, Rachel Rodrigues. A presença de Carolina Martuscelli Bori na Psicologia¹. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, [s. l], v. 6, n. 2, p. 159-164, 2004. https://rbtcc.webhostusp.sti.usp.br/index.php/RBTCC/article/view/54/43 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MATOS, Maria Amelia. CAROLINA BORI: a psicologia brasileira como missão. Psicologia Usp, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 67-70, 25 nov. 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SOARES, Vera. Professora Carolina Bori. Psicologia Usp, [S.L.], v. 9, n. 1, p. 145-147, 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TODOROV, João Claudio; HANNA, Elenice S.. Análise do comportamento no Brasil. Psicologia: Teoria e Pesquisa, São Paulo, v. 26, n. , p. 143-153, 13 dez. 2010. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0102-37722010000500013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VELHO, Gilberto. O Humanismo de Carolina Bori. Psicologia Usp, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 217-217, 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100046.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Leticia Ramos Gomes e Manuela de Lucena Ramos, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2022.1, publicado em 2022.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Carolina_Bori&amp;diff=1370</id>
		<title>Carolina Bori</title>
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		<updated>2024-06-10T22:40:07Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções ortográficas e gramaticais; verificação e adição de nomes de instituições mencionadas; adaptação de trechos às normas da WikiHP; inserção, verificação e atualização de links no corpo do texto; criação da seção &amp;quot;Ver também&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Carolina Martuscelli Bori nasceu no dia 4 de janeiro de 1924, em São Paulo. Foi uma personagem de extrema relevância para as áreas de ciência, educação, formação do profissional psicólogo e atuação da psicologia experimental (principalmente o [[Behaviorismo]]) no Brasil. Seu engajamento nesses temas e na política fez seu nome ser reconhecido e homenageado, influenciando diversos outros psicólogos em suas carreiras. Faleceu aos 80 anos no dia 4 de outubro de 2004, em virtude de uma falência múltipla dos órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
Carolina Martuscelli Bori, nascida no dia 4 de janeiro de 1924 em São Paulo, era filha de Aurélio, imigrante Italiano, e de Maria Teresa, brasileira. Seu pai, já engenheiro ao chegar ao Brasil, monta uma empresa de construção e sua mãe trabalhava na venda de tecidos. Com a empresa de sucesso, sua família pode proporcionar não só a ela como também a seus irmãos, Adele, Florinda, Francesco, Nicola e Wanda, a formação universitária. Aos 6 anos de idade, em 1930, Carolina frequentou uma escola alemã e anos depois se forma como professora pela [[Escola Normal de São Paulo|Escola Normal Caetano de Campos]] na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Em 1947, conclui sua formação em pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP), onde também realiza sua especialização. No ano seguinte, em 1948, já havia sido contratada como professora assistente de psicologia da própria USP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ano de 1949 é marcado por seu ingresso na &#039;&#039;Graduate Faculty of New School For Social Research,&#039;&#039; nos Estados Unidos, para a realização de seu mestrado, e em 1951 defende sua tese &amp;quot;&#039;&#039;The Recall of Interrupted Tasks: A Review of the Literature&amp;quot;&#039;&#039;. De volta ao Brasil, por volta dos anos de 1953 e 1954, Carolina finaliza seu doutorado orientada por [[Annita Cabral]] na USP. É importante ressaltar que a relação das duas acadêmicas não é recente, visto que Carolina conseguiu sua cadeira de professora assistente de filosofia logo após sua formação através de Annita Cabral, que na época era responsável pelo recrutamento. Assim também foi a inspiração para a escolha da instituição no exterior para fazer seu mestrado, a mesma que Annita já havia cursado anos antes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1950, Carolina Martuscelli se torna Carolina Bori ao se casar com Giovanni Bori, de nacionalidade italiana assim como seu pai. Ela teve um único filho chamado Mário Eppler Bori em seu casamento, que acabou em divórcio poucos anos depois do nascimento da criança. Entre os anos de 1954 e 1955, adquire o título de Doutora pela USP e Presidente da [[Associação Brasileira de Psicologia]]. Além disso, publica diversos textos sobre a pesquisa experimental no campo da psicologia e sobre o estudo da personalidade entre 1952 e 1956. O maior foco da professora sempre foi a educação, assim, com a criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE), Bori é convidada a contribuir com discussões sobre a educação no Brasil, em 1955.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1958, o curso de psicologia começou a ser ofertado na USP, ainda que diversas das matérias de sua grade já estivessem nas aulas para o curso de filosofia, e Bori continua atuando como professora da instituição. No período de 1956 a 1965, a atuação na psicologia social foi o foco de Bori, e dentre os principais assuntos estudados na época estava a evasão escolar. Em meio a essas pesquisas, questões pessoais dentro da própria universidade fizeram com que Carolina Bori se afastasse da USP. Com sua saída, a Faculdade de Ciências e Letras de Rio Claro lhe ofereceu o cargo de coordenadora do Departamento de Psicologia, onde permaneceu de 1959 a 1963.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bori teve 3 assistentes, [[Geraldina Witter]], Nilce Mejias e [[Isaias Pessotti]], com quem trabalhou muitas vezes em outros empreendimentos. Durante esse tempo, ganhou conhecimento de que [[Fred Keller]] havia sido convidado a dar aulas na USP e, assim, Carolina passa a frequentar suas aulas, mesmo ainda trabalhando em Rio Claro. Desse modo, ela pôde entrar cada vez mais em contato com o condicionamento operante e a reproduzir em um laboratório montado por si mesma experimentos para seus alunos, além de começar a usar o método de ensino programado em suas aulas. Isaias Pessotti, a partir dos novos conhecimentos, iniciou uma pesquisa do condicionamento operante na mesma época em que Bori produzia uma outra pesquisa sobre a socialização da criança. Ela inicia antes mesmo de seu retorno à USP &amp;quot;Os estudos Behavioristas&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Universidade de Brasília (UNB) chama Bori para montar o programa de seu novo Departamento de Psicologia, junto a outros colegas da USP. Assim, o grupo passa os anos de 1963 a 1965 moldando o curso, tendo como base os ensinamentos de Keller trazidos ao Brasil. Na mesma época, a professora retorna ao cargo de Presidente da Associação Brasileira de Psicologia. O curso montado na UNB tem vida curta, já que no ano de 1966 é paralisado pelo regime militar. A demissão em massa dos professores também atinge Bori, entretanto, a professora consegue novamente uma vaga na USP. Alguns anos depois, em 1968, a USP passa por reformulações que levam à criação de novos departamentos, e Carolina Bori se torna a primeira diretora do Departamento de Psicologia Social e Experimental. O ano de 1970 representa uma divisão e uma mudança de foco para Bori, visto que o departamento recém criado divide sua parte social da experimental, e ela fica a cargo do Departamento de Psicologia Experimental. Lá, foi de enorme importância para a reestruturação do departamento, atuando da contratação de docentes até o requerimento de verbas. Nesse, ano Bori também comandou a pós-graduação da USP. Além de todas as contribuições ao mundo acadêmico e científico por Bori até o momento, em 1973, começa o primeiro de seus 5 mandatos como diretora da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), principal sociedade para incentivo do progresso científico no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A década de 1970, para Carolina Bori, foi movimentada por diversas ocupações para além de suas atividades recorrentes na USP. A filial de São Carlos recebeu a professora para auxiliar na organização do Departamento de Psicologia da instituição e ajudou o Instituto de Física da USP no curso de pós-graduação. Sempre envolvida com a educação e com a psicologia, Carolina Bori se associa a diversos grupos depois dos anos 70: se torna membro do Comitê Assessor em Ciências Humanas e Sociais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenadora do Núcleo de Documentação sobre Formação Científica do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (IBECC), Presidente da [[Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)]], Presidente de Área da Comissão de Acompanhamento e Avaliação de Cursos de Pós-Graduação do Capes/MEC. Após cumprir mais um mandato entre 1986 e 1989 como Presidente da SBPC, Bori é declarada em 1989 como Presidente de Honra, visto que sua ampla ação política em favor da ciência, numa época de enorme desvalorização desta, aliada à sua grande luta na defesa da educação, além de grandes projetos e laboratórios e o incentivo do trabalho científico da juventude, tornou-a um membro ilustre nessa sociedade. A década de 1990 marcou os últimos passos da carreira de Carolina Martuscelli Bori. A importante defensora e propagadora do conhecimento científico e praticante do Behaviorismo no Brasil vem a falecer aos 80 anos em 4 de outubro de 2004, em decorrência de uma falência múltipla dos órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
Carolina Bori teve um papel de extrema importância para a psicologia, educação e ciência brasileira. Algumas de suas contribuições mais marcantes valem ser citadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Educação ===&lt;br /&gt;
Em 1956, Bori se vinculou ao Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CPBE), que foi proposto para cuidar e valorizar a educação no país. Mudou a linha de direção do Sistema Personalizado de Ensino (PSI), que antes, com a versão do professor Fred S. Keller, se centrava na análise dos textos que seriam estudados e como isso seria avaliado. Ela trouxe a Análise de Contingências em Programação de Ensino, que buscava analisar as habilidades e informações prévias necessárias para exercer uma atividade e para planejar condições de ensino que ajudassem na captação de tais habilidades. E também apresentou o treino de professores por meio de programas de ensino, alterando drasticamente o modo de ensino de escolas técnicas pelo Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Psicologia ===&lt;br /&gt;
Em 1954, Carolina foi presidente da [[Sociedade Brasileira de Psicologia]] (atualmente extinta), que tinha como objetivo desenvolver a psicologia como ciência, profissão e bem-estar ao mundo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo que em 1962 o psicólogo tenha sido reconhecido legalmente no Brasil, sua atuação começou antes dessa data. Bori foi uma das pessoas que participou ativamente para o reconhecimento e defesa desse novo profissional: o psicólogo. Nessa luta, pode-se destacar sua participação em uma comissão de estudos que escreveu o projeto de lei com elementos que deveriam ser obrigatórios em cursos de psicologia, que até hoje estão em vigor, como ciências naturais, a observação e os métodos de investigação científica, por exemplo, situações em laboratório de controle e manipulações de variáveis para observar seus efeitos no comportamento. Carolina teve um papel primordial na disseminação e criação de laboratórios de psicologia experimental no país, além de montar projetos para planejar a construção de protótipos de equipamentos para estudo nesses ambientes. Dentre eles, estão os relacionados a pesquisa na área de psicofísica e análise experimental do comportamento. Colaborou na estrutura do Departamento de Psicologia Social e Experimental do Instituto de Psicologia da USP em 1968, com apoio do Professor Walter Hugo Cunha, e implantou nesse lugar um curso de pós-graduação em Psicologia Experimental, estabelecendo os focos principais e o itinerário. Fundou o antigo Departamento de Psicologia da Universidade de Brasília, que hoje é o [[Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília]], e participou do jogo de ideias para criação do Curso de Mestrado em Análise do Comportamento na Universidade Federal do Pará. Em suma, Carolina Bori presidiu e teve participação fundamental para criação de diversos cursos de psicologia e pós-graduação espalhadas pelo Brasil. Também realizou congressos com colaboradores que divulgaram os princípios da análise do comportamento pelo país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Ciência ===&lt;br /&gt;
Tinha participação ativa em meios de difusão da informação científica, como quadros em rádios e promoção de eventos sobre o assunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Carolina Bori foi uma figura na história da psicologia brasileira extremamente engajada nos problemas sociais, não só aqueles que envolviam a educação – que era seu maior foco de trabalho – mas sim problemas em geral, inclusive se envolvendo na política, posicionando-se sempre que necessário. Dessa forma, apesar de sua notável contribuição para a ciência, algumas posições contrárias ao curso de seu trabalho emergiram. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bori foi parceira de [[Fred Keller]] na disseminação do behaviorismo de [[Burhhus F. Skinner|Skinner]] no Brasil, porém, ao aderir a esse novo método, acabou por encontrar uma resistência do público e da comunidade acadêmica em seu início, já que a linha metodológica seguida no Brasil na época era contrária ao que Keller havia trazido de fora do país. Essa reação contrária se deve a uma psicologia interpretativa e especulativa que era vigente no país da época, o que divergia dos princípios e fundamentos endossados pela vertente behaviorista, fazendo com esta não fosse aceita em princípio. Além disso, o fato de seus estudos serem embasados, principalmente, em dados dados experimentais, fez com que fossem considerados &amp;quot;positivistas&amp;quot;, mais um ponto de afastamento em relação à psicologia vigente na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algum tempo depois, a atitude de Carolina Bori em levar alguns docentes da USP em 1964 para a UNB, para estruturar o curso de psicologia na instituição, não agradou os alunos de São Paulo. apesar de não rechaçar o ato de Bori, os estudantes se mostraram muitos insatisfeitos e preocupados com suas formações acadêmicas. Isso é demonstrado pela publicação de uma nota de apelo na revista &amp;quot;Jornal Brasileiro de Psicologia&amp;quot;, primeiro volume, onde expõem: &amp;lt;blockquote&amp;gt;“Quando o nosso Curso está se estruturando, quando a experiência de poucos anos de existência começa a delinear especialistas em diversas disciplinas, esta perspectiva realmente nos assusta. Este desabafo vem principalmente em vista de um boato que corre sobre o afastamento da professora Carolina Martuscelli para Brasília. O Curso de Psicologia da Personalidade ficará assim prejudicado, pois além dos méritos específicos da ilustre professora, conta ela com um tirocínio e experiência no exercício desta função. Não é lamentável que possam acontecer coisas assim? Trata-se de um apelo e um lamento que achamos útil comunicar à ilustre redação desta revista.” (pp. 116 – 117). &amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, mesmo que não tenha sido uma grande crítica, a opinião e ação de Carolina Bori não foram vistas de forma tranquila, ao contrário do que sua movimentação acadêmica gerava em outras situações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu engajamento político não lhe causou críticas, mas foi visto como uma contribuição para muitos movimentos durante a ditadura militar brasileira (1964-1988) e, consequentemente, repreendido por este. Destaca-se suas lutas contra o AI-5, a favor da liberdade de expressão e dos direitos humanos, que foram muito importantes para o momento de tensão que o país passava. Todo esse apoio perpassava a busca pela educação científica embasada em muitos de seus trabalhos e movimentos, já que Bori foi diretamente atingida pela repressão da época. O regime militar acabou com todo o seu esforço e de seus companheiros da UNB para proporcionar uma graduação em Psicologia para os estudantes de Brasília, e ainda a fez perder seu cargo nessa universidade. Por conta disso, o curso montado aos modelos de Keller não pôde ir para frente, e o estudo do comportamento, defendido e praticado por Bori, foi atrasado. Esse momento em sua história não é exatamente uma crítica, mas foi contrário à sua vertente de pensamento e de trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia Biográfica ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Antes de 1947: Faz a formação de professora na Escola Normal Caetano de Campos.&lt;br /&gt;
* 1947: Graduação no curso de pedagogia da Universidade de São Paulo (USP).&lt;br /&gt;
* 1948: Especialização em Psicologia Educacional na USP.&lt;br /&gt;
* 1948: Professora assistente na USP.&lt;br /&gt;
* 1949 – 1951: Faz mestrado fora do país, na &#039;&#039;Graduate Faculty of New School For Social Research&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
* 1950: Casa-se com Giovanni Bori.&lt;br /&gt;
* 1953 – 1954: Doutorado orientado por Annita Cabral na USP.&lt;br /&gt;
* 1954 – 1955: Presidente da Associação Brasileira de Psicologia.&lt;br /&gt;
* 1955: Contribuinte da Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE).&lt;br /&gt;
* 1958: Professora do recém-criado curso de graduação de Psicologia da USP.&lt;br /&gt;
* 1959 – 1963: Sai da USP e começa a coordenar o Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências e Letras de Rio Claro.&lt;br /&gt;
* 1963 – 1965: Monta o programa do Departamento de Psicologia da Universidade de Brasília (UNB).&lt;br /&gt;
* 1963 – 1965: Segundo mandato como presidente da Associação Brasileira de Psicologia.&lt;br /&gt;
* 1966: Professora da USP.&lt;br /&gt;
* 1968: Primeira Diretora do Departamento de Psicologia Social e Experimental da USP.&lt;br /&gt;
* 1970: Diretora do Departamento de Psicologia Experimental da USP e coordenadora da Pós-graduação na USP.&lt;br /&gt;
* Início dos anos 1970: Auxílio na filial de São Carlos e no Instituto de Física da USP.&lt;br /&gt;
* 1973 – 1977: Diretora da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).&lt;br /&gt;
* 1982 – 1984: Membro do Comitê Assessor em Ciências Humanas e Sociais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).&lt;br /&gt;
* Desde 1984: Coordenadora do Núcleo de Documentação sobre Formação Científica do Instituto Brasileiro de Educação, Cultura e Ciência  (IBECC).&lt;br /&gt;
* 1984 – 1986: Presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP).&lt;br /&gt;
* 1985 – 1987: Presidente de Área da Comissão de Acompanhamento e Avaliação de Cursos de Pós-Graduação do Capes/MEC.&lt;br /&gt;
* 1986 – 1989: Presidente da SBPC.&lt;br /&gt;
* 1989: Presidente de Honra da SBPC.&lt;br /&gt;
* 1990 – 1994: Coordenadora do Projeto &amp;quot;Estação Ciência&amp;quot; da USP/CNPq19.&lt;br /&gt;
* 1992 – 1993: Presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Desde 1993: Diretora Científica do IBECC na Comissão de São Paulo.&lt;br /&gt;
* Desde 1994: Professora Emérito do Instituto de Psicologia da USP e Membro do Conselho Diretor da Fundação - Universidade de Brasília.&lt;br /&gt;
* 1995 – 1996: Presidente da Comissão de Especialistas de Psicologia do Ministério da Educação (MEC).&lt;br /&gt;
* Desde 1996: Diretora Científica do Núcleo de Pesquisa sobre Ensino Superior da USP (NUPES).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Discípulos e influências ==&lt;br /&gt;
Carolina Bori passou por diversos lugares e instituições como professora e pesquisadora ao longo de sua vida acadêmica, dessa forma muitas pessoas foram influenciadas e de certa forma seguiram Bori. Uma de suas maiores contribuições que ajudou muitos a seguirem um novo caminho vigente no Brasil, foi seu empenho em propagar o estudo do comportamento como uma nova psicologia, baseada no que havia aprendido em aulas e trabalhos de Fred Keller, que por consequência ensinava nas universidades brasileiras o behaviorismo de Skinner no Brasil. Durante sua carreira como professora diversos alunos puderam seguir seus caminhos na psicologia a partir de Carolina Bori, que era uma professora muito admirada e respeitada. Não só os alunos foram influenciados, mas também aqueles que trabalhavam lado a lado com ela como um de seus assistentes da época da UNB, Isaias Pessotti que após algum tempo de trabalho com Bori passa a conduzir estudos e artigos sobre o comportamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos docentes e alunos de diversos cursos, além de psicologia, foram influenciados pelas ideias trazidas ao meio universitário por Carolina, esses alunos ou até mesmo companheiros de trabalho, expressaram sua admiração escrevendo artigos sobre a história acadêmica da professora, principalmente nos arquivos da USP. Elas são Ana Maria Almeida Carvalho, Eda T. de Oliveira Tassara, Maria Ignez Rocha e Silva, Deisy das Graças de Souza, [[Maria do Carmo Guedes]]. Em um de seus artigos publicados sobre Carolina Bori, elas a descrevem e a exaltam “Uma imagem que pode representar a atuação de Carolina é a de um ponto de luz, uma estrela, cujo núcleo, constituído por sua consciência e coerência em relação ao papel da ciência e dos cientistas na sociedade, se irradia em inúmeras direções de atuação. Essa, no entanto, é a única associação possível entre Carolina e uma estrela: seu comportamento pessoal, atestam inúmeros dos nossos depoentes e nossa própria experiência pessoal, caracteriza-se antes por sobriedade, moderação, discrição, muito trabalho e pouco alarde.” – Trecho do artigo “Carolina Bori, Psicologia e Ciência no Brasil”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vera Soares, é outro nome entre muitas outros, que trilharam seus caminhos a partir da professora. Não só na universidade fez admiradores e seguidores, em seu trabalho à frente de associações e sociedades também pode deixar sua marca em muitos, como exemplo Gilberto Velho que a conheceu na SBPC e que também produziu um curto artigo demonstrando sua admiração por Bori ao ter mais contato com a pessoa acadêmica que ela era. Nele é posto pelo autor que “Em todos os cargos que ocupou estabeleceu padrões de notável equilíbrio entre um espírito acadêmico e um posicionamento político crítico. São notórios o seu desprendimento pessoal e espírito de sacrifício, não medindo esforços para defender não só a comunidade científica, mas as causas sociais que sempre a preocuparam.” – trecho retirado do artigo “O Humanismo de Carolina Bori”. Outra pessoa que seguiu a linha de admiração pelo trabalho de Bori foi Aziz Nacib Ab’Saber, que foi seu colega na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que pode contribuir para mais um artigo biográfico da professora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo com diversos nomes influenciados por Carolina Bori, a mais notável de todas é Maria Amélia Matos, que se tornou além de aluna uma pessoa próxima de sua professora. Sendo assim, com a chegada de Keller e o início de seus trabalhos com Carolina Bori, Maria Amélia Matos também começa seus estudos sobre o behaviorismo, futuramente se tornando um dos principais nomes da vertente no Brasil. Também em artigo entregue a USP Maria Amélia Matos demonstra sua admiração para com o engajamento de Bori em debates e na proatividade para ações político-sociais. Todo o trabalho de Carolina Bori para propagar os estudos do comportamento no Brasil teve resultados para a posteridade como demonstrado, afirmando mais uma vez a importância de todo seu trabalho acadêmico para a estruturação e continuidade da psicologia no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1950). Uma pesquisa sobre aceitação de grupos nacionais, “raciais” e regionais em São Paulo. Boletim CXIX, Psicologia, 3. São Paulo: Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Bori C. M (1953). O papel do experimentador e do sujeito na situação experimental. Boletim de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Bori, C. M. (1954). Um curso de estatística aplicada à experimentação psicológica. Ciência e Cultura.&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1955). Desenho no estudo da personalidade: a prova de desenho da figura humana. Boletim de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Bori, C. M. (1956). Como o laboratório de psicologia estuda a expressão da personalidade. Boletim de Psicologia.&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1957) Estudos de sociologia e história. São Paulo: Ed. Anhembi.&lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1958). Percepção e arte. Boletim de Psicologia. &lt;br /&gt;
* Martuscelli, C. (1959). Experimentos de interrupção de tarefas e a teoria de motivação de Kurt Lewin. Tese doutorado. Universidade de São Paulo, SP.&lt;br /&gt;
* Bori, C. M., (1964). Aparelhos e o laboratório de psicologia. Jornal Brasileiro de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Outras informações ==&lt;br /&gt;
O nome de Carolina Bori é facilmente citado em obras sobre a história da psicologia, porém, pouco se conhece a respeito de sua produção bibliográfica e os temas discutidos. Dentre eles estão “A formação do psicólogo” e “O estudo da personalidade”.  Em 1950, Bori publica seu primeiro artigo “Uma pesquisa sobre aceitação de grupos nacionais,” raciais” e regionais em São Paulo” com objetivo de “situar alguns aspectos do problema de aceitação de nacionalidades, grupos nacionais, ‘raciais’ e regionais ao nosso meio” (1950, p. 57)).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O artigo “O papel do experimentador e do sujeito na situação experimental” de 1953, fala sobre a importância da experimentação em um ambiente no qual todos os fatores que podem influenciar os resultados sejam reconhecidos e extremamente controlados. Só dessa forma poderiam ser feitas observações de seus efeitos e terem resultados compatíveis. O campo da psicologia experimental foi entrando em declínio, mas ela continuava a achar esse um bom método. Bori ainda defende a introspecção como método experimental, porém ressalta as dificuldades em utilizá-la e controlá-la. Em 1954 com a estatística, Carolina propôs a inclusão da estatística para o estudo de psicologia, pois vê como de suma importância que os profissionais tenham conhecimentos de outras áreas e que saibam ler, interpretar e criticar dados estatísticos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1955, publicou “Desenho no estudo da personalidade: a prova de desenho da figura humana” que coloca o método desenvolvido por [[Karen Machover]] em análise, o qual apresenta a hipótese que no desenho o indivíduo expressa partes de seu comportamento, pela projeção. Mas Bori conclui que “Muitas dessas técnicas (utilização de desenhos para o estudo da personalidade) se mostram inadequadas e insatisfatórias para o diagnóstico e orientação de tratamento” (1955, p. 60). Porém, dois anos depois utilizou-se desse método para um estudo no interior de Minas Gerais, no qual, buscou descobrir as possibilidades de relações entre variáveis e os métodos utilizados, em vez de verificar hipóteses. Portanto, não descartou o uso de desenhos para pesquisas, apenas o exigiu em um ambiente controlado e sem falta de informações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1956, publicou outro artigo sobre “Como o laboratório de psicologia estuda a expressão da personalidade”, retomando [[Aristóteles]], Camper, [[Charles Darwin|Darwin]] e [[William James]] (esse último considera particularmente como um revolucionário).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O artigo “Estudo psicológico do grupo” de 1957 tinha foco em estudar a personalidade e reitera a importância da experimentação para a psicologia e que o conhecimento produzido em laboratórios é o único meio de verificar hipóteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela também publicou pesquisas com conteúdos históricos de vários temas, como a distância social. De 1958, “Percepção e arte” é um resumo que não traz tantas informações como suas outras analisando a criação artística e o teórico da psicologia dando foco maior na percepção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tese de doutorado “Experimentos de interrupção de tarefas e a teoria de motivação de [[Kurt Lewin]]” de 1959 com o estudo da psicologia experimental propôs produzir conhecimento sob condições rigorosas de controle experimental, em um laboratório. E a teoria deveria ser comprovada por esse método experimental: “A qualidade de uma teoria deve ser avaliada em relação à possibilidade de se realizar pesquisas em condições controladas e de se fazer outras observações.” (essa citação foi tirada da pg254). Também abordou o aspecto da motivação, “O termo motivação [...] É um processo hipotético ou estado do organismo inferido do comportamento deste”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Reconhecimento ==&lt;br /&gt;
Em 1998, uma edição especial da [[Revista Psicologia USP]] foi dedicada a ela. Muitos pesquisadores escreverem artigos ressaltando o impacto que o posicionamento e a militância de Carolina Bori tiveram na colaboração para o reconhecimento do profissional “psicólogo” e para implantação de cursos e laboratórios de Psicologia Experimental. Além de sua atuação em diversos órgãos de divulgação de ciência. “Doutora Carolina é lembrada por colegas das muitas instituições pelas quais passou como uma das personalidades reconhecidamente mais expressivas da Psicologia e da ciência brasileira. (2004, p. 189)” Guedes, M. C. (2004). Memorável Carolina Martuscelli Bori (1924-2004). [[Memorandum]], 7. Outro grande feito de Bori foi receber o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília, tornando-se a primeira mulher a atingir esse marco. Além disso, teve homenagens da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e da [[Associação Americana de Psicologia (APA)]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Associação Americana de Psicologia (APA)]]&lt;br /&gt;
* [[Associação Brasileira de Psicologia]]&lt;br /&gt;
* [[Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)]]&lt;br /&gt;
* [[Annita Cabral]]&lt;br /&gt;
* [[Behaviorismo]]&lt;br /&gt;
* [[Burhhus F. Skinner]]&lt;br /&gt;
* [[Escola Normal de São Paulo]]&lt;br /&gt;
* [[Fred Keller]] &lt;br /&gt;
* [[Geraldina Witter]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília]]&lt;br /&gt;
* [[Isaias Pessotti]]&lt;br /&gt;
* [[Sociedade Brasileira de Psicologia]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referencias ==&lt;br /&gt;
AB’SABER, Aziz Nacib. Carolina Bori: a essência de um perfil. Psicologia Usp, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 35-35, 25 nov. 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100004.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CÂNDIDO, Gabriel Vieira. O desenvolvimento de uma cultura científica no Brasil: contribuições de carolina martuscelli bori. 2014. 331 f. Tese (Doutorado) - Curso de Psicologia, Departamento de Psicologia Programada de Pós-Graduação de Psicologia, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2014. Cap. 6.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CÂNDIDO, Gabriel Vieira; MASSIMI, Marina. Contribuição para a formação de Psicólogos: análise de artigos de carolina bori publicados até 1962. Psicologia: Ciência e Profissão, [S.L.], v. 32, n. , p. 246-263, 08 nov. 2012. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s1414-98932012000500018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Ana Maria Almeida; MATOS, Maria Amelia; TASSARA, Eda T. de Oliveira; SILVA, Maria Lgnez Rocha e; SOUZA, Deisy das Graças de. Carolina Bori. Psicologia: Ciência e Profissão, [S.L.], v. 18, n. 3, p. 65-65, 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s1414-98931998000300010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Ana Maria Almeida; MATOS, Maria Amelia; TASSARA, Eda T. de Oliveira; SILVA, Maria Ignez Rocha e; SOUZA, Deisy das Graças de. Carolina Bori, Psicologia e Ciência no Brasil. Psicologia Usp, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 25-30, 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FEITOSA, Maria Angela Guimarães. Carolina Bori recebe o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília. Revista Brasileira de Análise do Comportamento, Brasília, v. 1, n. 2, p. 263-267, 2005. https://periodicos.ufpa.br/index.php/rebac/article/viewFile/793/1102&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GUEDES, Maria do Carmo. Relembrando Carolina Bori. Paidéia (Ribeirão Preto), São Paulo, v. 15, n. 30, p. 9-10, abr. 2005. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-863x2005000100003.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
KERBAUY, Rachel Rodrigues. A presença de Carolina Martuscelli Bori na Psicologia¹. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, [s. l], v. 6, n. 2, p. 159-164, 2004. https://rbtcc.webhostusp.sti.usp.br/index.php/RBTCC/article/view/54/43 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MATOS, Maria Amelia. CAROLINA BORI: a psicologia brasileira como missão. Psicologia Usp, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 67-70, 25 nov. 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100009.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SOARES, Vera. Professora Carolina Bori. Psicologia Usp, [S.L.], v. 9, n. 1, p. 145-147, 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TODOROV, João Claudio; HANNA, Elenice S.. Análise do comportamento no Brasil. Psicologia: Teoria e Pesquisa, São Paulo, v. 26, n. , p. 143-153, 13 dez. 2010. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0102-37722010000500013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VELHO, Gilberto. O Humanismo de Carolina Bori. Psicologia Usp, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 217-217, 1998. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/s0103-65641998000100046.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Leticia Ramos Gomes e Manuela de Lucena Ramos, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2022.1, publicado em 2022.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Maur%C3%ADcio_de_Medeiros&amp;diff=1369</id>
		<title>Maurício de Medeiros</title>
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		<updated>2024-05-27T18:06:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Revisão do verbete. Pequenas correções gramaticais; revisão e adição de links na seção &amp;quot;Ver também&amp;quot;; Formatação de algumas referências na seção &amp;quot;Referências&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Maurício Campos de Medeiros foi um médico, jornalista, farmacêutico e psicanalista brasileiro. Filho de Joaquim José de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque e Maria Carolina Ribeiro de Medeiros, irmão de figuras muito conhecidas no Rio de Janeiro: Medeiros e Albuquerque e Campos de Medeiros. Nasceu no Rio de Janeiro, 14 de julho de 1885. Fez parte da [[Liga Brasileira de Higiene Mental]] e sua área de atuação era mais voltada para a psicologia experimental e a educação, produzindo conhecimento sobre a infância e a psicologia. Contribuiu também para a consolidação da psicologia no Brasil. Ele faleceu aos 81 anos, no dia 23 de julho de 1966, no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
Maurício de Medeiros, como ficou conhecido, aos 10 anos de idade entrou para o Internato do Colégio Pedro II, onde participava do grupo literário na direção de Nestor Viana. Aos 17 anos, matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Durante o curso médico, obteve o diploma de farmacêutico e trabalhou na Revista enciclopédia A Universal, dirigida por [[Manoel Bomfim]], Thomaz Dellino e Rivadavia Corrêa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Janeiro de 1904, foi incluído como interno extranumerário do [[Hospital Nacional de Alienados]], onde trabalhou no Pavilhão de Doenças Intercorrentes sob a direção do Dr. Miguel Pereira e na seção Esquirol, dirigido pelo Dr. Lúcio de Oliveira. Sincronicamente, foi interno do Hospital de Isolamento S. Sebastião, durante a epidemia de Varíola. Se manteve como interno no ano seguinte, trabalhando novamente com os Drs. Lúcio de Oliveira e Miguel Pereira, no Pavilhão Greasinger para “mulheres agitadas” e no Pavilhão de Moléstias Infecciosas, respectivamente. Em 1906, conseguiu, em 1º lugar via concurso, a vaga de interno efetivo onde exerceu por mais 1 ano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1907, Medeiros concluiu doutorado em Ciência Hipocrateana. Estando no último ano de sua formação em Medicina, viajou para a Europa, onde adquiriu experiência trabalhando no Laboratório de Psicologia do Serviço na Clínica de Sant’Anna e teve como professores Joulfroy e [[Georges Dumas]], na França. Fez cursos especializantes em histologia do sistema nervoso com L. Alquier e sobre cerebelo, com André Thomas. A partir da experiência adquirida escreveu sua tese “Os Métodos em Psicologia” e retornou, ao final do ano, para a defesa de sua tese, sendo aprovado com distinção. Por sua boa relação com a comunidade de psicologia francesa, foi nomeado membro correspondente do Rio de Janeiro a &#039;&#039;Societé de Psychologie&#039;&#039; por Dumas e [[Pierre Janet]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, Medeiros é designado para o cargo de conservador técnico do Pavilhão de Psicologia Experimental da Clínica Psiquiátrica da Faculdade de Medicina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em agosto, recepcionou junto com [[Afrânio Peixoto]] e [[Juliano Moreira]], a visita de Georges Dumas, que veio ao Brasil para estreitar laços entre a Sociedade de Psicologia da França e do Brasil. Com a mesma intenção, Medeiros foi nomeado presidente do Comitê de Ação do &#039;&#039;Groupement des Universités &amp;amp; Grandes Écoles de France&#039;&#039;, organizado por Georges Dumas, em novembro do mesmo ano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fez nova viagem para a Europa, em 1909, onde trabalhou no [[Collège de France]] na direção de André Mayer. Em Munique, estagiou no Instituto de Fisiologia de Viena, anexado à Clínica de [[Emil Kraepelin|Kraepelin]], com a supervisão de [[Max Exner]]. Foi convidado pelo governo da Suíça para o Congresso Internacional de Psicologia em Genebra e acompanhou Oscar de Souza, representante do Brasil, e Bruno Lobo no Congresso de Higiene, em Budapeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já no Brasil, em 1911, foi nomeado assistente da cadeira de Patologia Geral da Faculdade de Medicina, mas só conquistou a docência em Patologia Geral em 1913, com defesa da tese Partenogênese em Patologia. Integrou a Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal desde a fundação e atuava na comissão de Psicologia e Biologia Aplicada a Neuro Psiquiatria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1915, foi contratado para o cargo de Diretor de Higiene do Estado do Rio, eleito representante dos Livres Docentes na Faculdade de Medicina e Secretário da Liga pelos Aliados. No ano seguinte, assumiu a docência de Psicologia da Escola Normal e foi eleito Deputado Estadual do Rio de Janeiro. Foi contratado via concurso para Médico Escolar da Prefeitura do Distrito Federal (até então Rio de Janeiro), mas deixou o cargo em 1917 para se dedicar ao cargo de docente na Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, com sede em Niterói, na disciplina de Patologia Geral e Comparada. Esteve na França em 1919, como Tenente Coronel integrado à Missão Médica Brasileira, onde prestava serviços de Neurologia no combate à epidemia de gripe espanhola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao início de 1922, deixou o cargo de Deputado Estadual para se dedicar a construção de tese para concorrer a cadeira de substituto de Patologia Geral da Faculdade Nacional de Medicina. Após regressar ao Brasil, apresentou a tese Coloidoclasia, que foi aprovada com unanimidade de votos. Assim que iniciou suas funções, ministrava os cursos complementares em História da Medicina e Soro Sanguíneo em Patologia. Ao final de 1922, foi nomeado secretário geral do Estado do Rio até a deposição do até então presidente Raul Fernandes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1926, compunha o corpo de professores do curso de técnica de psicologia aplicada da Liga Brasileira de Higiene Mental e docente livre de Fisiologia na Faculdade de Medicina. Em 1928, fez uma conferência no anfiteatro Dieulafoy do hospital Cochin com o tema Questões de Patologia Tropical, para a Universidade de Paris. Aproveitou a viagem à Europa para visitar a Rússia e escreveu o livro “Rússia”, com impressões sobre o país. O livro foi publicado no Brasil e houve repercussão suficiente para que a editora fizesse 7 edições em um ano. Em 1930, foi publicada a tese sobre Os Supranormais para a Docência da Escola Normal e foi recebido como acadêmico em agosto pela Academia Fluminense de Letras. O livro “Outras Revoluções Virão” foi publicado em 1932, para expor uma propaganda ao parlamentarismo. No mesmo ano, Medeiros passou a compor a banca examinadora dos concursos de docência para Fisiologia e Psiquiatria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi demitido da Faculdade Nacional de Medicina e da Escola Nacional de Veterinária em 1936 sob a acusação de participação em atividades subversivas de caráter político e social. Sua demissão foi largamente criticada por toda comunidade acadêmica. Impedido de exercer o magistério, Medeiros reabriu sua clínica para atendimento de pacientes nervosos. Obteve anulação da decisão das demissões com ação judicial em 1942, mas foi reintegrado somente na Faculdade Nacional de Medicina, onde retornou a função em 1945.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1946, assumiu a direção do Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil e a expandiu, com a construção do pavilhão para a Divisão de Pesquisas, organização e expansão da biblioteca e criação do Jornal Brasileiro de Psiquiatria e da Clínica de Orientação da Infância, com atendimento para crianças consideradas difíceis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conseguiu a aprovação da inclusão da matéria Psicologia Normal e Patológica Aplicadas a Medicina como obrigatória para a Faculdade de Medicina, tendo devido aproveitamento que influenciou as Faculdades de Medicina de São Paulo, Ribeirão Preto e Bahia a adoção da mesma medida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi eleito vice-presidente do 1° Congresso Mundial de Psiquiatria, Chefe da Delegação Brasileira e integrante da Comissão Internacional Permanente de Organização dos Congressos de Psiquiatria em 1950. Em 1955, conquistou uma cadeira na Academia Brasileira de Letras e foi dispensado de suas atividades na Faculdade de Medicina compulsoriamente devido a ter atingido a idade limite de exercício da docência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Medeiros teve grande participação na imprensa, sendo colaborador de grandes jornais como: Correio Paulistano, Gazeta de Notícias, A Folha do Rio, O Época, A Pátria, A Noite, Correio da Manhã, A Gazeta, O Tempo, O Imparcial, A Notícia, A Manhã, Diário Carioca, “La Nacion” de Buenos Aires, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu primeiro casamento, com Mariana da Silva Lobo, teve 3 filhos: João Lobo de Medeiros, Ana Gertrudes Lobo de Medeiros e Isabel Lobo de Medeiros. No segundo casamento, com Denise Campos de Medeiros (com quem esteve até a sua morte), teve apenas uma filha, Francine Habbert Campos de Medeiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maurício de Medeiros faleceu no dia 23 de julho de 1966, aos 81 anos, no Rio de Janeiro, vítima de atropelamento pelo então ministro Luís Viana. Com grande comoção entre os amigos, familiares, acadêmicos e colegas da Academia Brasileira de Letras, Medeiros foi sepultado no cemitério São João Batista, no Mausoléu Machado de Assis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teorias ==&lt;br /&gt;
Maurício de Medeiros indicava que, apesar do cuidado do problema da doença mental ser realizado no corpo, o entendimento sobre o indivíduo deveria abranger o elemento psíquico. Em sua tese de doutoramento “Métodos da Psicologia”, ele diferenciava a introspecção, os métodos de observação normal e patológica, o método experimental e o método comparativo, utilizados de forma igual tanto em sujeitos normais quanto em portadores de patologias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Infância ===&lt;br /&gt;
Uma de suas principais preocupações era o desenvolvimento saudável das crianças na infância, tendo em vista os comportamentos que possuiriam na vida adulta. Com isso, ele propõe estratégias na educação infantil para o desenvolvimento benéfico do sujeito. Medeiros apresenta dez mandamentos da educação infantil, são eles:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- Não dizer para uma criança “não faça isso”, sem dar para ela outra coisa a se fazer;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2- Não diga que algo é mal apenas porque não te agrada;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3- Não fale da criança em sua presença, e não pense que ela não escuta, observe ou compreenda o que está sendo dito;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4- Não interrompa o que uma criança está fazendo sem avisar a ela anteriormente,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5- Não demonstre angústia quando a criança cai, não quer comer, etc. Faça o que for necessário sem afligi-la;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
6- Não demonstre amor pela criança com carinhos constantes, faça isso ocupando-a de seus interesses;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
7- Não leve uma criança para passear, passeie com ela;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
8- Não repreenda moralmente uma criança pequena;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
9- Não falte com suas promessas e não prometa o que não vai fazer;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10- Não minta para uma criança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele recorria a teoria da recapitulação para explicar o exercício imaginativo das crianças pequenas, que era comparado com o dos povos primitivos. Para ele, a observação dos povos originários possui uma tendência na forma de raciocínio por analogia, e para a criança civilizada aconteceria o mesmo. A animação do mundo material que realizam as crianças, ao empregarem vida e sentimentos às coisas, seria proveniente dessa tendência. Medeiros considera que o mundo imaginário de uma criança leva a três importantes aspectos da evolução mental na fase infantil, isso inclui: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- Que ele leva ao seu pensamento mágico, onde o mundo ao redor da criança possui vida e é animado como o próprio homem;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2- Que o mundo imaginário são dados da percepção que a criança possui e resultam nas imagens criadas, nas quais proporcionam uma ampliação dos impactos da sua experiência sensível;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3- As imagens da sua experiência sensorial fornecem e são restabelecidas com novas formas, auxiliando na sua necessidade de ação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Clínica ===&lt;br /&gt;
No âmbito da psicologia clínica, Medeiros propõe um roteiro com os aspectos psicológicos mais relevantes a serem observados no paciente. Esses aspectos que devem ser analisados são: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* O estado do paciente através das suas expressões faciais, se ele está agitado, depressivo ou indiferente;&lt;br /&gt;
* Se possui confusões na linguagem;&lt;br /&gt;
* Se o que está sendo dito possui lógica;&lt;br /&gt;
* Se ele varia as expressões;&lt;br /&gt;
* Se possui uma fala compreensível e fluida;&lt;br /&gt;
* As funções psíquicas associativas, intelectuais, afetivas e volitivas;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== As funções da memória ===&lt;br /&gt;
Maurício de Medeiros também possuía críticas ao consumo de álcool, visto que compreendia o alcoolismo como um mal que corrói a moral social e influencia as futuras gerações. Fazendo-se necessário ensinar os perigos do alcoolismo para a classe operária, difundir propagandas e ensino nas escolas primárias sobre o anti-alcoolismo, além de criar colônias de alcoólicos para minimizar os delírios e acabar com o vício, através do acolhimento com trabalho e diversões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
Maurício de Medeiros participava ativamente como membro na LBHM ([[Liga Brasileira de Higiene Mental]]) e direcionou seu foco para a área da educação. Ele ministrou os conhecimentos dos aspectos psicológicos na infância para futuros professores e médicos que estavam envolvidos pelo anseio de educar. Além da educação, ele produziu significamente sobre a psicologia clínica e a psiquiatria, contribuindo para a consolidação da psicologia no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assumiu a direção do IPUB ([[Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB)|Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro]]) em 1946, conseguindo que sua proposta de modificação no ensino de psiquiatria fosse aprovada pela congregação da Faculdade de Medicina. Com isso, a psiquiatria passava a ser lecionada nos dois semestres do quarto ano médico, com frequência obrigatória, provas parciais e exame final. Ele pretendia com essa modificação preparar o estudante para compreender o ser humano como um todo somatopsíquico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando assumiu o cargo de professor catedrático de psiquiatria na Faculdade Nacional de Medicina, Maurício de Medeiros propiciou a entrada da psicanálise no ensino universitário, ao conferir plena liberdade a [[Daniel Perestrello]] (livre-docente de formação psicanalítica) o trabalho de lecionar um curso centrado nas ideias freudianas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Métodos em Psicologia, 1907&lt;br /&gt;
* Peço a palavra, 1924&lt;br /&gt;
* Rússia, 1931&lt;br /&gt;
* Outras revoluções virão, 1932.&lt;br /&gt;
* Psicoterapia - Conceito Atual - Teoria e Prática, 1933&lt;br /&gt;
* Segredo conjugal, 1933.&lt;br /&gt;
* Ideias, homens e fatos, 1934.&lt;br /&gt;
* Pensamentos de Medeiros e Albuquerque, 1935.&lt;br /&gt;
* Folhas secas, comentários e reflexões, 1941.&lt;br /&gt;
* Joaquim Nabuco, 1949.&lt;br /&gt;
* Aspectos da Psicologia Infantil, 1952.&lt;br /&gt;
* No Mundo do Ensino, 1953.&lt;br /&gt;
* O casamento, (Psiquiatria forense) 1956.&lt;br /&gt;
* O inconsciente diabólico, 1959.&lt;br /&gt;
* Homens notáveis, 1964.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Afrânio Peixoto]]&lt;br /&gt;
* [[Collège de France]] &lt;br /&gt;
* [[Daniel Perestrello]]&lt;br /&gt;
* [[Emil Kraepelin]]&lt;br /&gt;
* [[Georges Dumas]]&lt;br /&gt;
* [[Hospital Nacional de Alienados]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ)|Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro]]&lt;br /&gt;
* [[Juliano Moreira]]&lt;br /&gt;
* [[Liga Brasileira de Higiene Mental]]&lt;br /&gt;
* [[Manoel Bomfim]]&lt;br /&gt;
* [[Max Exner]]&lt;br /&gt;
* [[Pierre Janet]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ANÚNCIOS. [http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=+030015_02+&amp;amp;+hf=+memoria.bn.br+&amp;amp;+pagfis=26058 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, ano 18, n.99, p.9, 8 abr]. 1908. Acesso em 21 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# CALICCHIO, Vera. [https://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/mauricio-campos-de-medeiros Mauricio Campos de Medeiros]. Fundação Getúlio Vargas, 2009. Acesso em 30 jul. de 2022.&lt;br /&gt;
# [http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=348970_02&amp;amp;pagfis=10163 CURSO de História da Medicina: A lição de amanhã]. &#039;&#039;&#039;A Noite&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, ano 13, n.4272, p.2, 19 out. 1923. Acesso em 22 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# [http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=093092_02&amp;amp;hf=memoria.bn.br&amp;amp;pagfis=2483 DIARIO em Nictheroy. &#039;&#039;&#039;Diário Carioca&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, ano 3, n.673, p.4, 24 ago. 1930].  Acesso em 22 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# DOUTOR Maurício de Medeiros. &#039;&#039;&#039;A Noite&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, ano 10, n.3074, p.5, 2 jul. 1920. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=348970_02&amp;amp;hf=memoria.bn.br&amp;amp;pagfis=967&amp;gt;. Acesso em 22 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# FACTOS e Commentários. &#039;&#039;&#039;Archivos Brasileiros de Hygiene Menta&#039;&#039;&#039;l, Rio de Janeiro, ano 5, n.2, ano 5, p.191, dez. de 1932. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=160369&amp;amp;pesq=&amp;amp;pagfis=1375&amp;gt;. Acesso em 21 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# FACULDADE de Medicina. Correio Paulistano: Orgam do Partido Republicano, São Paulo, n.18565, p.4, 24 mar 1915. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=090972_06&amp;amp;hf=memoria.bn.br&amp;amp;pagfis=35457&amp;gt;. Acesso em: 22 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# FIGUEIRA, Fernanda Freire. &#039;&#039;&#039;A Liga Brasileira de Higiene Mental e a Psicologia no Brasil:&#039;&#039;&#039; a história a ser contada. 2014. 63 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2014.&lt;br /&gt;
# FIGUEIRA, Fernanda Freire. &#039;&#039;&#039;A Liga Brasileira de Higiene Mental e a Psicologia no Brasil:&#039;&#039;&#039; a história a ser contada. 2014. 78 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2014.&lt;br /&gt;
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# GOMES, Raul Rodrigues. A liquidação do analphabetismo. &#039;&#039;&#039;O Dia&#039;&#039;&#039;, Curitiba, n.2458, p.2, 2 fev. 1932. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=092932&amp;amp;pesq=&amp;amp;pagfis=21364&amp;gt;. Acesso em: 20 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
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# HOMENS para a Natureza. &#039;&#039;&#039;Diário de Pernambuco&#039;&#039;&#039;, Recife, ano 110, n.258, p.6, 3 nov. 1935. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=029033_11&amp;amp;hf=memoria.bn.br&amp;amp;pagfis=17052&amp;gt;. Acesso em 20 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
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# LIGA Brasileira de Hygiene. &#039;&#039;&#039;Jornal do Brasil&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, ano 40, n.282, p.9, 29 nov. 1930. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=030015_05&amp;amp;hf=memoria.bn.br&amp;amp;pagfis=8922&amp;gt; Acesso em 21 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# LIMA, Ana Laura Godinho. Os temas da evolução e do progresso nos discursos da Psicologia educacional e da História da Educação. &#039;&#039;&#039;História da Educação&#039;&#039;&#039;, São Paulo, v. 23, nov. 2019.&lt;br /&gt;
# LIVROS Novos, &#039;&#039;&#039;Correio da manhã&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, ano 3, n.11079, p.2, 30 jan. 1931. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=089842_04&amp;amp;hf=memoria.bn.br&amp;amp;pagfis=5682&amp;gt;. Acesso em 21 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# LIVROS Novos. &#039;&#039;&#039;Diário da Tarde&#039;&#039;&#039;, Curitiba, ano 34, n.11419, p.5, 16 mar. 1933. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=800074&amp;amp;pesq=&amp;amp;pagfis=39698&amp;gt;. Acesso em 20 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# MAURÍCIO de Medeiros e o Ministério da Saúde. Fon Fon, Rio de Janeiro, ano, n. 2633, 2ª quinzena Jun. 1958, p. 24-25. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=259063&amp;amp;pesq=&amp;amp;pagfis=151388&amp;gt;. Acesso em 19 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# MAURÍCIO DE MEDEIROS. Academia Brasileira de Letras, 2016. Disponível em: &amp;lt;&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.academia.org.br/academicos/mauricio-de-medeiros/biografia&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&amp;gt;. Acesso em: 4 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# MAURÍCIO DE MEDEIROS. Wikipédia, 2022. Disponível em: &amp;lt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Maurício_de_Medeiros&amp;gt;. Acesso em 30 jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# MEDEIROS, Maurício de. Notas de um antialcoolista. &#039;&#039;&#039;Archivos Brasileiros de Psychiatria, Neurologia e Sciencias Affins&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, n.2, p. 149-166, jun. 1906. Disponível em: &amp;lt;https://docero.com.br/doc/vxnsexn&amp;gt;. Acesso em 19 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# MINISTRO Maurício de Medeiros. &#039;&#039;&#039;Arquivos Brasileiros de Neuriatria e Psicologia&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, ano 51, n.2, p.1-8, jun. 1956. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=064645&amp;amp;pesq=&amp;amp;pagfis=5580&amp;gt;. Acesso em 21 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# NO Pedagogium. &#039;&#039;&#039;Gazeta de Notícias&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro, ano 30, n.266, p.2, 23 set. 1903. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_04&amp;amp;pagfis=6381&amp;gt;. Acesso em 20 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# O farmacêutico do mês. &#039;&#039;&#039;A Gazeta da Farmácia&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, ano 24, n.277, p.2, mai. 1955. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=029548&amp;amp;pesq=&amp;amp;pagfis=4299&amp;gt;. Acesso em 20 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# OPINIÃO nos Estados. &#039;&#039;&#039;O Paiz&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro, ano 25, n.8845, p.2, 21 dez. 1908. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=178691_03&amp;amp;pagfis=18267&amp;gt;. Acesso em 23 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# PENNA, Antônio Gomes. &#039;&#039;&#039;História da psicologia:&#039;&#039;&#039; apontamentos sobre as fontes e sobre algumas das figuras mais expressivas da psicologia na cidade do Rio de Janeiro (II). Rio de Janeiro, 1986.&lt;br /&gt;
# PERSPECTIVAS do livro nacional. &#039;&#039;&#039;Diário da Manhã&#039;&#039;&#039;, Recife, ano 12, n 1001, p.7, 1 out. 1939. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=093262_02&amp;amp;hf=memoria.bn.br&amp;amp;pagfis=37060&amp;gt;. Acesso em 20 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# PROFESSOR Charles Richet: sua chegada. &#039;&#039;&#039;Gazeta de Notícias&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, ano 34, n.330, p.1, 25 nov. 1908. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_04&amp;amp;pagfis=18723&amp;gt;. Acesso em 20 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# SOCIEDADE Brasileira de Neurologia, Psychiatria e Medicina Legal. &#039;&#039;&#039;Arquivos Brasileiros de Neuriatria e Psiquiatria,&#039;&#039;&#039; Rio de Janeiro, ano 8, n.0001, p.66, I e II trim. 1926. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=064645&amp;amp;pesq=&amp;amp;pagfis=6244&amp;gt;. Acesso em 23 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# TECHNICA de Psychologia Applicada. &#039;&#039;&#039;O Paiz&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, ano 42, n. 15306, p.1, 16 set. 1926. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=178691_05&amp;amp;pagfis=26817&amp;gt;. Acesso em 21 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# TELEGRAMMAS. Correio Paulistano: Orgam do Partido Republicano, São Paulo, n.19435, p.4, 17 ago. 1917. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=090972_06&amp;amp;hf=memoria.bn.br&amp;amp;pagfis=43475&amp;gt;. Acesso em 21 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# TELEGRAMMAS. Correio Paulistano: Orgam do Partido Republicano, São Paulo, n. 19974,  p.3, 10 fev. 1919. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=090972_06&amp;amp;hf=memoria.bn.br&amp;amp;pagfis=48844&amp;gt;. Acesso em: 21 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# TELEGRAMMAS. Correio Paulistano: Orgam do Partido Republicano, São Paulo, n. 10663, p.2, 28 out. 1908. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=090972_06&amp;amp;hf=memoria.bn.br&amp;amp;pagfis=14193&amp;gt;. Acesso em: 21 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# TELEGRAMMAS. &#039;&#039;&#039;Diário de Pernambuco&#039;&#039;&#039;, Recife, ano 98, n.38, p.1, 14 fev 1922. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=029033_10&amp;amp;hf=memoria.bn.br&amp;amp;pagfis=5843&amp;gt;. Acesso em 22 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# TELEGRAMMAS. &#039;&#039;&#039;O Paiz&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro, ano 25, n.8978, p.5, 4 mai. 1909. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=178691_03&amp;amp;pagfis=19450&amp;gt;. Acesso em 21 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# UM curso de psychologia applicada ao commercio. &#039;&#039;&#039;O Radical&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, ano 1, n.46, p.9, 23 jul. 1932. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=830399&amp;amp;pesq=&amp;amp;pagfis=1694&amp;gt;. Acesso em 18 de jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# UMA Conferência do Professor Maurício de Medeiros, em Paris. &#039;&#039;&#039;Gazeta de Notícias&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, ano 52, n.118, p.3, 19 mai. 1928. Disponível em: &amp;lt;http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_05&amp;amp;pagfis=25676&amp;gt;. Acesso em: 20 jun. de 2022.&lt;br /&gt;
# VENÂNCIO, Ana Teresa A. Ciência psiquiátrica e política assistencial: a criação do Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil. &#039;&#039;&#039;História, Ciências, Saúde-Manguinhos&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, v. 10, n. 3, p. 883-900, abr. 2004.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Beatriz Carneiro Gonzaga, Isabela Farias Lima, Maria Eduarda do Carmo Marques, Rafaela Vitória de Oliveira da Silva e Raphaela de Oliveira Ribeiro como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2022.1, publicado em 2022.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Experimentos_psicol%C3%B3gicos_acerca_da_manipula%C3%A7%C3%A3o_e_sugestionabilidade&amp;diff=1368</id>
		<title>Experimentos psicológicos acerca da manipulação e sugestionabilidade</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Experimentos_psicol%C3%B3gicos_acerca_da_manipula%C3%A7%C3%A3o_e_sugestionabilidade&amp;diff=1368"/>
		<updated>2024-05-10T19:41:33Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Revisão do verbete, pequenas formatações no corpo do texto&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A &amp;quot;Psicologia da Manipulação&amp;quot; é um campo da psicologia que estuda os tipos de influências sociais que podem mudar o comportamento ou a percepção das pessoas por meio de táticas e artifícios. Os conhecimentos desenvolvidos pela psicologia chamam atenção de muitos grupos interessados em utilizá-los para manipulação psicológica e persuasão. Essas estratégias geralmente se apoiam sobre técnicas do behaviorismo, da psicologia cognitiva, dentre outros. &lt;br /&gt;
==História==&lt;br /&gt;
===Muzafer Sherif e a Teoria do Julgamento Social===&lt;br /&gt;
[[Muzafer Sherif]] foi um psicólogo turco nascido em 1906 e formado nos Estados Unidos. É considerado um dos fundadores da psicologia social moderna, tendo desenvolvido investigações sobre o funcionamento dos grupos. No início da década de 1960, desenvolveu experiências com o objetivo de estudar os conflitos no interior dos grupos. Na mesma época, Sherif desenvolveu a dissertação &amp;quot;Alguns fatores sociais na percepção &amp;quot;, na qual apresentava o experimento que intitulou de “[[Efeito Autocinético]]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
	Sherif colocou um indivíduo num quarto escuro com um ponto de luz fixo distante. Na escuridão, sem quadro de referências, o ponto parecia se mover. Ele pediu para que o sujeito fizesse algumas estimativas de deslocamento do ponto de luz, as quais variavam dentro de uma norma pessoal. Logo após, o sujeito ouvia outros participantes e suas estimativas sobre o deslocamento do ponto de luz. Depois disso, o sujeito se sentia inseguro sobre suas respostas e tendia a estimar deslocamentos mais próximos com os do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
	&amp;lt;blockquote&amp;gt;	“Os participantes tinham uma tendência a concordar uns com os outros, mesmo com o foco de luz não se movimentando em nenhum momento. A ambiguidade da situação pode ter deixado os participantes inseguros de suas percepções, e isso poderia influenciar nas respostas dos indivíduos” (REBELO, 2010, p. 1).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Numa segunda fase, era feito o inverso. Grupos separados em 3 eram colocados num quarto escuro e Sherif pedia para que cada um dissesse em voz alta suas estimativas de deslocamento do ponto de luz. Nessa fase, o grupo tendia a convergir nas estimativas. Num segundo momento, Sherif separava os indivíduos e os colocava sozinhos em um quarto escuro, pedindo novamente para que estimassem um deslocamento. O indivíduo sozinho tendia a manter a estimativa anterior que convergia com a do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, Sherif conclui que nossas percepções são estabelecidas por normas de grupos:&amp;lt;blockquote&amp;gt;“O fundamento psicológico do estabelecimento de normas sociais, tais como os estereótipos, as modas, as convenções, os costumes e os valores, é a formação de quadros de referência comuns enquanto produtos do contacto dos indivíduos entre si” (SHERIF, 1947, p. 1).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Solomon Asch e a Experiência de Conformidade===&lt;br /&gt;
[[Solomon Asch]] foi um psicólogo que nasceu em Varsóvia, Polônia, em 1907, e se mudou com a família para os Estados Unidos quando tinha 13 anos. Ele é considerado um dos pioneiros da Psicologia Social e uma das suas áreas de estudo é a influência que as pessoas podem ter sobre o comportamento de outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Asch utilizou a pressão social para induzir a conformidade e formulou um experimento em 1951 que envolvia um voluntário desconhecido e outros sete membros da sua equipe, que fingiam não saber sobre o experimento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O experimentador apresentava dois cartões aos participantes, onde o primeiro tinha apenas uma linha vertical e o segundo tinha três linhas verticais, cada uma delas com um tamanho diferente. Após esse processo, ele perguntava aos indivíduos qual das três linhas do segundo cartão teria o mesmo tamanho que a linha do primeiro cartão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A resposta seria óbvia para qualquer um, pois a terceira linha era idêntica à linha do primeiro cartão. Porém, os colaboradores de Asch, que combinaram tudo com o coordenador do experimento, davam a resposta errada. O último a falar era o participante que não sabia de nada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com o artigo de Asch, das 18 vezes que conduziu o experimento, em 12 o sujeito dava a resposta errada igual aos outros participantes. Essa equipe repetiu o experimento várias vezes, com algumas variações, e concluíram que cerca de 75% dos participantes concordavam com a resposta errada do grupo pelo menos uma vez. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, percebe-se que a pressão social induz as pessoas a concordarem com uma opinião mesmo quando ela é claramente equivocada. Conforme Asch, as pessoas se conformam por dois motivos principais: porque querem se encaixar no grupo, um fenômeno chamado influência normativa, ou as pessoas acreditam que o grupo está mais bem informado do que eles próprios, fenômeno chamado de influência informativa.&lt;br /&gt;
===Stanley Milgram e a obediência à autoridade===&lt;br /&gt;
[[Stanley Milgram]] nasceu em 1933 nos Estados Unidos e foi o psicólogo responsável pela realização do mundialmente conhecido [[Experimento de Milgram]], sobre obediência à autoridade. Esse experimento consistiu em induzir pessoas a darem choques elétricos cada vez mais fortes em uma vítima, utilizando um mecanismo de indução de obediência por meio da autoridade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O indivíduo acionava os choques através de uma caixa metálica que continha chaves de acionamento que estavam dispostas em sequência com instruções sobre a intensidade da descarga elétrica. Na sala onde fosse realizado o experimento estariam presentes um instrutor, o sujeito que aplicava os choques, e outro indivíduo (membro da equipe) que ficava num compartimento separado que não podia ser visto por quem aplicava as descargas elétricas. Depois disso, acontecia um sorteio para saber qual participante faria o papel de professor (aquele que acionaria os choques). Contudo, o sorteio era viciado e o participante sempre seria aquele que daria os choques. Dessa forma, quem faria o papel do aluno (aquele que supostamente receberia os choques) era uma pessoa da equipe do experimento que sabia sobre todo procedimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O participante assistia o outro indivíduo ser amarrado em uma cadeira onde ficavam os eletrodos e era instruído de aquilo ser necessário para que o outro voluntário não conseguisse evitar os choques. Também era dito que não haveria nenhum dano permanente no indivíduo que levaria os choques. Depois disso, o participante recebia um choque de 45 volts para saber que todo experimento era sério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o experimento, o participante que fazia o papel de aluno deveria responder uma série de perguntas e, a cada erro, o indivíduo que interpretava o professor deveria dizer que a resposta estava incorreta e anunciar a quantidade de volts do choque que o outro receberia. Os choques ficavam mais intensos ao decorrer do experimento e áudios gravados de uma pessoa gritando eram reproduzidos. Quando o aluno já tinha errado muitas vezes e recebia o choque de 300 volts, ele se jogava no chão e não emitia mais nenhuma resposta. O instrutor dizia que era para considerar o silêncio como resposta errada, dar o choque e prosseguir com o experimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso o participante hesitasse em continuar com o experimento, o instrutor tentava convencê-lo a seguir adiante. O experimento era encerrado após quatro tentativas do indivíduo de terminar o processo. Além disso, se o participante demonstrasse preocupação com o aluno, o instrutor diria que apesar dos choques serem dolorosos, a pele não ficaria queimada. Essas e outras instruções eram necessárias, pois todos os participantes hesitaram em algum momento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 0% e 3% dos participantes continuaram com o experimento até o final. As primeiras recusas em continuar com o experimento aconteceram quando o choque chegou em 300 volts, isto é, quando o aluno fingia desmaiar. Dos 40 participantes, 26 foram até o final. Esse experimento recebeu muitas críticas por conta de seus problemas éticos, por problemas na validade de suas conclusões e da própria situação experimental.&lt;br /&gt;
===Leon Festinger, James Carlsmith e a Dissonância Cognitiva===&lt;br /&gt;
[[Leon Festinger]] nasceu em Nova Iorque no ano de 1919 e foi um psicólogo formado pelo City College, na mesma cidade de seu nascimento. [[James Merrill Carlsmith]] nasceu em 1939 na cidade de Nova Orleans e foi um psicólogo social formado em Harvard. Esses dois profissionais foram responsáveis pela pesquisa sobre a [[Dissonância Cognitiva]], realizada em 1957.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O experimento em questão estudou o fenômeno da Dissonância Cognitiva, que consiste no conflito mental existente quando uma pessoa precisa falar ou tomar atitudes diferentes de sua própria opinião pessoal. Essa situação causa um desconforto interno e a mente busca maneiras de atenuar esse desconforto para que o indivíduo possa prosseguir efetivamente com a tarefa ou atitude mesmo discordando dela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O experimento foi realizado com um grupo de estudantes de uma universidade que foram chamados para realizar um conjunto de tarefas repetitivas, selecionadas propositalmente para serem desagradáveis e desinteressantes. Após realizado o exercício, os estudantes deveriam responder a uma pesquisa de avaliação sobre o estudo e as atividades. Para isso, eles foram divididos em 3 grupos: o grupo 1 (grupo controle) preencheu a avaliação de acordo com suas próprias opiniões pessoais sem serem abordados pela equipe que estava realizando o estudo. No grupo 2, os indivíduos seriam abordados pelo pesquisador que apresentou as tarefas e, nessa abordagem, ele conversaria com o aluno sobre uma possível tarefa para ele realizar caso seu colega de pesquisa não pudesse comparecer. Esta tarefa consistiria em falar com o próximo aluno a realizar as tarefas que seriam fáceis de realizar e agradáveis. Para tal, o aluno receberia uma quantia equivalente a 1 dólar. O grupo 3 seria abordado pelo pesquisador com o mesmo pedido citado anteriormente, porém, a quantia oferecida aos participantes seria equivalente a 20 dólares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O resultado esperado pelos pesquisadores era de que os estudantes que receberam a maior quantia (grupo 3) iriam desempenhar melhor a tarefa, pois se esforçaram mais devido ao maior valor de recompensa. Contudo, ao olharem as filmagens e os formulários de avaliação, o resultado final foi diferente. O grupo que obteve a menor recompensa (grupo 2) se empenhou mais em executar a tarefa pedida pelo pesquisador e avaliou melhor o experimento, como sendo mais agradável e mais importante para a pesquisa acadêmica, enquanto os demais grupos avaliaram de forma inferior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Festinger e Carlsmith atribuíram o resultado surpreendente à Dissonância Cognitiva, pois, enquanto o grupo 1 não precisou falar para outros uma opinião que não tiveram, sua pesquisa de opinião não foi afetada; o grupo 3 não teve que buscar tantas justificativas internas para apresentar a outros uma opinião contrária a sua, uma vez que a recompensa seria alta o suficiente para compensar a “mentira”; enquanto o grupo 2 precisou buscar dentro dessa dissonância uma razão melhor para falar sobre o experimento coisas que não necessariamente seriam verdade na opinião pessoal deles. Portanto, sua conclusão foi que, quanto maior a necessidade de buscar justificativas para atitudes que sejam destoantes de sua verdadeira opinião, mais a Dissonância Cognitiva irá agir para que o indivíduo encontre tais razões e justificativas.&lt;br /&gt;
===Jonathan L. Freedman, Scott C. Fraser e e Técnica “Pé-Na-Porta”===&lt;br /&gt;
[[Jonathan L. Freedman]], nascido em 1954 e formado em Yale em 1985, e [[Scott Fraser]], são ambos colaboradores da Universidade de Stanford (1996) para estudo da [[Técnica &amp;quot;Pé-na-porta&amp;quot;|técnica FITD (&amp;quot;Foot-in-the-door&amp;quot;)]]. A &amp;quot;técnica do pé-na-porta&amp;quot; consiste em uma tática de conformidade, que visa fazer uma pessoa concordar com uma grande solicitação fazendo ela primeiramente aceitar uma solicitação menor, mais modesta. Essa técnica funciona com a criação de uma conexão entre a pessoa que vai fazer as solicitações e a pessoa que será solicitada. Está técnica produziu evidências convincentes de que quando é imposta uma pressão externa maior, geralmente, as pessoas acabam convencidas a contribuir com a solicitação pedida pelos pesquisadores. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para comprovar a técnica, foi feito um experimento no qual os pesquisadores telefonaram para dois grupos de donas de casa da Califórnia, onde um grupo receberia primeiro um pedido menor e depois de alguns dias receberia um pedido maior, e o outro grupo receberia apenas o pedido maior. Posteriormente, foi adicionada duas condições ao experimento para ajudar a especificação da diferença entre os grupos no teste, onde em um terceiro grupo não seria feito o pedido menor mas contaria mais dois contatos com as donas de casa, sem executarem qualquer solicitação. Sendo assim, os pesquisadores ligaram para as donas de casa com intenção de fazer o primeiro pedido e solicitaram a elas as respostas de algumas perguntas sobre produtos de limpeza para casa, sendo esse o pequeno pedido a ser atendido pela dona de casa. Três dias depois, os pesquisadores telefonariam novamente para a mesma dona de casa e então pediram que um grupo de cinco a seis homens pudessem ir até a casa  dela para fazer uma avaliação dos produtos usados, tendo uma possível duração de duas horas de investigação e enumeração dos produtos. Assim, este seria o grande pedido. No segundo grupo, apenas foi feito o pedido maior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A intenção deste experimento era provar se o próprio ato de concordar com o primeiro experimento é crítico para concordar com o segundo, e perceber que quanto mais familiarização, mais conformidade seria obtida pelos pesquisadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os resultados, os pesquisadores notaram que, quando solicitadas mais de uma vez, as donas de casa tiveram mais aceitação em concordar com o segundo pedido dos pesquisadores. Essas donas de casa que foram solícitas mais de uma vez tiveram quase o dobro de aceitação para realizar o grande pedido em relação às que foram solicitadas apenas uma vez. Freedman e Fraser atribuíram a conformidade como o principal para o efeito pé-na-porta, onde a relação criada com as donas de casa foi crucial na hora de realizar o grande pedido. A pesquisa mostra que quanto mais contato o pesquisador teve com o indivíduo, e quanto mais a relação entre o dois foi estabelecida, mais facilmente os pedidos eram aceitos.&lt;br /&gt;
===Robert Cialdini e a Técnica “Porta-Na-Cara”===&lt;br /&gt;
[[Robert Cialdini|Robert Beno Cialdini]] é um professor emérito de Psicologia e Marketing na Universidade do Estado do Arizona. Ele nasceu nos Estados Unidos no ano de 1945, sendo o psicólogo social mais respeitado nos estudos da influência e da persuasão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele é mais conhecido por seu livro de 1984 sobre persuasão, marketing e influência, intitulado “A Psicologia da Persuasão&#039;&#039;”&#039;&#039;. Este foi baseado nos três anos em que Cialdini passou &amp;quot;disfarçado&amp;quot; solicitando e treinando em concessionárias de carros usados, organizações de levantamento de fundos e empresas de telemarketing para observar situações reais de persuasão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Robert Cialdini desenvolveu, num trabalho publicado em 1975, a técnica que ele denominou [[Técnica “Porta-Na-Cara”|“porta-na-cara”,]] no qual experimentadores ficavam em um ponto movimentado do campus da Universidade do Estado do Arizona procurando pessoas que estivessem sozinhas. Esses indivíduos foram convidados a participar de duas ofertas diferentes. Na primeira (pedido extremo), os voluntários deveriam oferecer gratuitamente aconselhamento por duas horas semanais ao longo de dois anos para um grupo de “jovens delinquentes”. Na segunda proposta (pedido menor), os voluntários deveriam acompanhar este mesmo grupo de “jovens delinquentes” em um passeio de duas horas pelo zoológico da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os participantes foram divididos em três grupos. No primeiro, o pedido extremo e o pedido menor eram apresentados ao mesmo tempo, e a pessoa deveria escolher entre um deles. Nesse caso, 25% dos participantes concordaram em fazer o pedido menor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No segundo grupo, por sua vez, apenas o pedido pequeno era feito, o que levou à concordância de 16,7% dos participantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já no terceiro grupo, o pedido extremo era apresentado primeiro e, depois da pessoa rejeitar a oferta, era feito o pedido menor. Nesse caso, 50% das pessoas concordaram em acompanhar um grupo de “jovens delinquentes” num passeio no zoológico durante duas horas, o dobro do primeiro grupo e mais que três vezes o número do segundo grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A técnica do “porta-na-cara” consiste em apresentar um pedido bastante difícil de ser aceito para, depois, apresentar um segundo pedido, aquele que a pessoa realmente quer. Dessa forma, ela tem, pelo menos, o dobro de chances de conseguir o que deseja que o outro faça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cialdini descobriu também que a influência se baseia em seis princípios-chave: reciprocidade, compromisso e consistência, consenso, autoridade, gosto, escassez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O princípio da reciprocidade diz que, em todas as culturas, sempre é ensinado a toda a sociedade que se uma pessoa é gentil ou faz algo por você, é sua “obrigação” ser gentil e/ou fazer de volta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já o segundo princípio, o de compromisso e consistência, diz que se comprometer por escrito, por exemplo, com a pessoa antes de receber um “sim” dela, aumenta a probabilidade de um “sim” posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O terceiro princípio, de consenso, mostra que os seres humanos tendem a decidir o que fazer baseado no que outras pessoas fariam na mesma situação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por sua vez, o princípio de autoridade mostra que as pessoas querem seguir especialistas legítimos. Mas não basta apenas ter certificação, tem que se mostrar confiável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, o princípio de gostar mostra que preferimos dizer “sim” às pessoas que gostamos. E o de escassez, que as pessoas querem ter mais do que podem ter menos; dizer que algo é único, raro e incomum desperta mais o interesse.&lt;br /&gt;
===Ver também===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Dissonância Cognitiva]]&lt;br /&gt;
* [[Efeito Autocinético]]&lt;br /&gt;
* [[Experimento Milgram]]&lt;br /&gt;
* [[James Merrill Carlsmith]]&lt;br /&gt;
* [[Jonathan L. Freedman]]&lt;br /&gt;
* [[Leon Festinger]]&lt;br /&gt;
* [[Muzafer Sherif]]&lt;br /&gt;
* [[Robert Cialdini]]&lt;br /&gt;
* [[Scott C. Fraser]]&lt;br /&gt;
* [[Solomon Asch]]&lt;br /&gt;
* [[Stanley Milgram]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Vídeo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;youtube&amp;gt;g73TkhjHMPU&amp;lt;/youtube&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ASCH, Solomon. [https://psycnet.apa.org/record/2011-16966-001 Studies of independence and conformity: I. A minority of one against a unanimous majority]. &#039;&#039;&#039;Psychological Monographs: General And Applied&#039;&#039;&#039;, 1956.&lt;br /&gt;
# BERNARDIN, Pascal. Maquiavel Pedagogo ou o ministério da reforma psicológica. &#039;&#039;&#039;Vide Editorial; Ecclesiae&#039;&#039;&#039;, 2013.&lt;br /&gt;
# BUTLER-BOWDON, Tom. Os 50 grandes mestres da psicologia. &#039;&#039;&#039;Universo dos Livros&#039;&#039;&#039;, 2007.&lt;br /&gt;
# CIALDINI, Robert; VINCENT, Joyce; LEWIS, Stephen; CATALAN, Jose; WHEELER, Diane; DARBY, Betty Lee. [https://psycnet.apa.org/record/1975-11600-001 Reciprocal Concessions Procedure for Inducing Compliance: The Door-in-the-Face Technique]. &#039;&#039;&#039;Journal Of Personality And Social Psychology&#039;&#039;&#039;, 1975. &lt;br /&gt;
# FESTINGER, Leon; CARLSMITH, James. [https://psycnet.apa.org/record/1960-01158-001 Cognitive Consequences of Forced Compliance]. &#039;&#039;&#039;The Journal Of Abnormal And Social Psychology&#039;&#039;&#039;, 1959.&lt;br /&gt;
# FONSECA, Ana. [http://www.hoops.pt/psicologia/psico4.htm Processos de Influência Social – A Normalização].&lt;br /&gt;
# FREEDMAN, Jonathan; FRASER, Scott. [https://psycnet.apa.org/record/1966-10825-001 Compliance without pressure: The foot-in-the-door technique]. &#039;&#039;&#039;Journal Of Personality And Social Psychology&#039;&#039;&#039;, 1966.&lt;br /&gt;
# MILGRAM, Stanley. Behavioral Study of obedience. &#039;&#039;&#039;The Journal of Abnormal and Social Psychology,&#039;&#039;&#039; v.67, n.4, p.371–378, 1963.&lt;br /&gt;
# REBELO, Andre. [https://www.blogs.unicamp.br/socialmente/2010/06/08/psicologia-social/ Psicologia social.] &#039;&#039;&#039;Science Blogs&#039;&#039;&#039;, 2010.&lt;br /&gt;
# SHERIF, Muzafer. [https://psycnet.apa.org/record/1938-00440-001 An experimental approach to the study of attitudes]. &#039;&#039;&#039;Ankara: Sociometry&#039;&#039;&#039;, 1, 90-98, 1937.&lt;br /&gt;
# SULS, Jerry. [https://www.britannica.com/biography/Leon-Festinger Leon Festinger - American Psychologist]. &#039;&#039;&#039;Britannica&#039;&#039;&#039;, 2022.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Autoria==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Igor Portela, Isabela Marinho, Mariana dos Santos dos Anjos, Marina Pedrosa Contardo Fonseca e Vivian Pinto Freitas Da Silva, como exigência parcial para a disciplina de Estudos Avançados Em História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2020.2, publicado em 2021.1&lt;br /&gt;
[[Categoria:Experimentos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Paul_Ekman&amp;diff=1367</id>
		<title>Paul Ekman</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Paul_Ekman&amp;diff=1367"/>
		<updated>2024-04-24T22:14:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções gramaticais e ortográficas; Adição de links na seção &amp;quot;Referências&amp;quot;; Criação da seção &amp;quot;Ver também&amp;quot; e identificação de autores nesta.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Paul Ekman é um psicólogo americano nascido em 1934, na cidade de Washington, D.C., Estados Unidos, sendo pioneiro no estudo do comportamento facial. Ele é referência por seus feitos acadêmicos sobre as reflexões das emoções nas expressões faciais, tendo desenvolvido a Teoria Básica das Emoções (BET),  além das teorias de detecção de mentiras e da mudança comportamental. Ele também criou o Sistema de Codificação Facial (FACS), um método para classificar expressões humanas através do estudo de movimentos associados aos músculos da face.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
=== Primeiros anos ===&lt;br /&gt;
Ekman nasceu em 15 de fevereiro de 1934, na cidade de Washington, D.C., Estados Unidos. Ele foi o segundo de dois filhos, seu pai era médico pediatra e sua mãe era advogada. Eles viveram em Nova Jersey, exceto pelos anos da Segunda Guerra Mundial, em que se mudaram para uma base militar no sul da Califórnia. Sua mãe foi diagnosticada com transtorno de bipolaridade e cometeu suicídio quando Ekman ainda era adolescente, fato este que o levou a se interessar, anos mais tarde, por psicoterapia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Atuação universitária ===&lt;br /&gt;
Paul Ekman começou seus estudos sobre semiótica no ensino médio. Ele saiu de casa aos 15 anos de idade para estudar na Universidade de Chicago, a qual aceitava estudantes que ainda não tinham completado o período escolar. Depois de três anos em Chicago, ele pediu transferência para a Universidade de Nova York, obtendo seu diploma de graduação em 1955. Sua primeira publicação foi em 1957 e, nela, relatava seus esforços para o desenvolvimento de métodos para medir o comportamento não-verbal. Em 1958, Ekman finalizou seu doutorado em psicologia clínica na Universidade de Adelphi, tendo como tese a teoria das expressões faciais. Logo depois, ele se tornou oficial de psicologia clínica do exército no campo de Fort Dix, em Nova Jersey, onde teve as primeiras realizações na área de psicoterapia, como um trabalho de pesquisa no comportamento dos soldados desertores. No ano de 1964, Ekman conheceu [[Silvian S. Tomkins]], psicólogo e teórico da personalidade, o qual teve uma influência intelectual importante no desenvolvimento de seu interesse em emoções e expressões. O pensamento de Ekman também sofreu influência do [[George Mahl]] por seu pensamento sobre movimentos corporais, já [[Thomas Sebeok]] introduziu para Ekman a etiologia e a semiótica. Posteriormente, [[Erving Goffman]] desafiou as ideias do Ekman sobre a decepção. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Produção acadêmica ===&lt;br /&gt;
Em 1967, Dr. Ekman fez a descoberta das microexpressões faciais, através de estudos com pacientes que não mostravam comportamentos depressivos, mas que cometeram suicidaram. Com essa pesquisa, ele chegou à conclusão de que haviam sinais comportamentais e faciais que os pacientes estavam tentando esconder e que poderiam ser índices de um diagnóstico depressivo. De 1967 a 1968, o Dr. Ekman viajou para a Papua Nova Guiné para estudar o comportamento não verbal de uma tribo, a qual, mesmo isolada do mundo ocidental, apresentou as mesmas expressões faciais de diferentes emoções expressas na face de uma pessoa alheia à sua cultura, conseguindo uma evidência para a sua tese de que expressões faciais são universais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De 1971 a 2004, o Dr. Ekman trabalhou na Universidade de São Francisco, Califórnia, como professor, enquanto publicava livros e artigos sobre os seus estudos. No período de 1972 a 1978, ele criou o Sistema de Codificação Facial (FACS), com o objetivo de medir canais não verbais, identificando cada músculo e gesto facial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a publicação do seu livro “Telling Lies” (Contando mentiras), em 1985, diversas áreas de segurança, como o FBI e a CIA, requisitaram materiais de estudo para aplicação na área de segurança dos EUA. Nos anos 2000, após um desafio do Dalai Lama, budista que recebeu um Prêmio Nobel de Paz em 1989, da criação de um programa educacional amplamente acessível e que fosse capaz de oferecer ferramentas práticas para uma gestão emocional mais eficaz, Ekman desenvolveu um programa de treinamento para ajudar pessoas a aprender a cultivar níveis mais elevados e não condicionados de bem-estar e equilíbrio emocional, o “Cultivating Emotional Balance”, ensinado pela Dr. Eve Ekman, sua filha. Como resultado do programa, após o término das 5 semanas da pesquisa, os pacientes relataram uma melhora nos graus de depressão, ansiedade e hostilidade, além de uma melhoria na capacidade de detectar expressões faciais mais sutis associadas a diversas emoções.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
=== Consolidação da teoria ===&lt;br /&gt;
Paul Ekman consolidou-se como uma das maiores referências na área de análise de emoções e expressões faciais e, principalmente, na relação entre um e outro. Suas teorias começaram com o estudo de linguagem corporal (gestos e movimentos  manuais), porém, segundo o próprio autor, não era um assunto muito aclamado na época (1960). Dessa maneira, uma década depois, passou a estudar sobre o  comportamento não verbal. Somente há poucas décadas o estudo do psicólogo sobre o comportamento  não verbal se tornou ainda mais preciso quando se aprofundou em microexpressões faciais, que realizam movimentos musculares quase imperceptíveis para os não treinados, porém para os estudiosos da área há a complexificação da análise, junto ao aumento da profundidade e precisão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Análise comportamental ===&lt;br /&gt;
O autor enxerga o comportamento do organismo nas relações interpessoais dividido em três partes: verbal, vocal e não verbal. Os dois primeiros são similares, pois se trata de declarações vocais nas quais a variação do timbre, tom e intensidade motora da faringe importam, enquanto o terceiro trata-se de movimentos corporais e gestos. Os dois primeiros também são percebidos majoritariamente pela audição, já o terceiro, pela visão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Teoria Neuro-Cultural ===&lt;br /&gt;
Paul Ekman foi o psicólogo responsável por mapear as expressões faciais universais, clamando que elas são socialmente aprendidas, porém, culturalmente diferentes. Ele aponta características gerais inatas que se relacionam à estrutura e funcionamento cognitivo mas que, ao mesmo tempo, sofrem influências socioculturais do meio através da aceitação (ou não) das emoções.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Emoções básicas ===&lt;br /&gt;
Sobre o campo das emoções, o Dr.Ekman divide as emoções em 7, são elas:  medo, raiva, tristeza, felicidade, surpresa, desgosto e desprezo. Ele não acredita que existam emoções negativas ou positivas, apenas emoções causadas por ações,  lembranças, imaginação, etc. Ele também salienta que emoções ocultas não significam, necessariamente, que houve mentiras sobre o tópico de interesse, pois as emoções são identificadas com a análise das expressões e microexpressões faciais, e não a causa delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Aplicação da teoria ===&lt;br /&gt;
Paul Ekman cria a FACS (&#039;&#039;Facial Action Coding System&#039;&#039;), um meio dos cientistas mensurarem emoções e expressões sem precedentes. O aparelho é capaz de detectar até mesmo os movimentos musculares mais imperceptíveis a olho nu, medindo inclusive a intensidade da emoção, sequências repetidas e se é voluntário ou involuntário. Assim, coloca em prática suas técnicas e teorias, utilizando-as para com seus pacientes e público em geral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas      ==&lt;br /&gt;
Embora Paul Ekman seja considerado pioneiro no estudo das emoções e expressões faciais, suas teorias foram rejeitadas por alguns estudiosos. Como principal exemplo, percebe-se o estudo de 1997 de Carlos Crivelli, professor Associado em Ciências Afetivas e Interação Social da Universidade de Montfort, “Expressões faciais”, que define as expressões faciais da emoção de Ekman como ocidentalizadas. Sua pesquisa negou a universalidade das microexpressões proposta por Ekman, através da revisão do estudo de campo em Papua Nova Guiné, com mecanismos mais avançados, no qual eram mostradas imagens com supostas expressões universais para uma tribo das Ilhas Trobriand, que tem pouco contato com o exterior por serem horticultores de subsistência. Como resultado, as exteriorizações da face concebidas como universais, como a “cara de medo”, eram percebidas pelos Trobriandeses como uma exibição agnóstica. Além disso, foi percebido que as próprias definições de sentimento se diferenciavam de acordo com a cultura, não sendo possível encontrar um padrão absoluto. Em suma, a teoria de Ekman é desmantelada por Crivelli diante da descoberta da multiplicidade da linguagem não verbal e da diferenciação de sensações conforme a cultura de cada comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além das críticas realizadas por Crivelli, Paul Ekman foi criticado por um grupo de pesquisadores com o artigo “Cultural Variation in Emotion Perception Is Real: A Response to Sauter, Eisner, Ekman, and Scott”, publicado em 2015 (A variação cultural na percepção da emoção é real: uma resposta a Sauter, Eisner, Ekman, e Scott). Os autores da tese fizeram pesquisas com pessoas da Namíbia que participavam de um grupo cultural chamado Himba, com o intuito de descobrir se havia uma percepção universal de emoções e, como resultado, foi descoberto que os indivíduos conseguiam identificar quais emoções eram positivas ou negativas, mas não uma suposta “emoção universal”. Dessa forma, os cientistas responsáveis pelo estudo afirmam que suas interpretações excluem a valência da teoria de Ekman, uma vez que esta se baseia no entendimento de uma universalidade da percepção da emoção, como podemos observar em sua obra &amp;quot;A linguagem das emoções”, na qual afirma existir emoções básicas de tristeza e angústia, raiva, surpresa e medo, aversão e desespero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia biográfica ==&lt;br /&gt;
* Em 1934, nasceu em Washington, D.C.&lt;br /&gt;
* Em 1955, se graduou na Universidade de Chicago e na Universidade de Nova York.&lt;br /&gt;
* Em 1958, doutorou-se em psicologia clínica na Universidade de Adelphi.&lt;br /&gt;
* Em 1967, descobriu a teoria das microexpressões faciais.&lt;br /&gt;
* Em 1971, trabalhou como docente na Universidade de São Francisco, Califórnia.&lt;br /&gt;
* Em 1972, criou o Sistema de Codificação Facial (FACS).&lt;br /&gt;
* Em 1979, casou-se com Mary Ann Mason.&lt;br /&gt;
* Em 1985, teve sua obra “Telling Lies” (Contando Mentiras) publicada.&lt;br /&gt;
* Em 2000, criou o programa “Cultivating Emotional Balance”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
=== Facial action coding system (sistema de codificação de ação facial, tradução livre) ===&lt;br /&gt;
Paul Ekman foi responsável pela criação de um procedimento de análise da face humana chamado &#039;&#039;Facial Action Coding System&#039;&#039;, FACS (sistema de codificação de ação facial, tradução livre), no qual seria possível detectar as emoções a partir dos &#039;&#039;Actions Units&#039;&#039; (unidades de ação, tradução livre), movimentos musculares da face. O sistema foi aplicado em diversas áreas de atuação profissional, desde investigações policiais até na criação de desenhos animados que gostariam de ter maior precisão nas expressões dos personagens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Aplicação da teoria nos sitemas de segurança americanos ===&lt;br /&gt;
Ao publicar o livro “Telling lies” (Contando mentiras, tradução livre), Ekman despertou o interesse de autoridades como o FBI e a CIA, que posteriormente estudaram sua teoria para a aplicação nos sistemas de segurança americano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Programa &amp;quot;Cultivando o Equilíbrio Emocional&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
O psicólogo também desenvolveu o programa “Cultivating Emotional Balance” (Cultivando o Equilíbrio Emocional, tradução livre), como resultado de uma discussão sobre o tema “Emoções Destrutivas”, em um encontro  do Instituto Mente e Vida, uma organização sem fins lucrativos que propõe unir a ciência com o conhecimento contemplativo para promover bem estar. O “Cultivating Emotional Balance&amp;quot; convida o participante a seguir um cronograma que o ajuda a alterar seu padrão de resposta durante um episódio sentimental, além de diminuir a reatividade emocional da face ao &#039;&#039;stress&#039;&#039;, promovendo um maior controle emotivo e melhora nas relações interpessoais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Emotion in the Human Face. (1972)&lt;br /&gt;
# Darwin and Facial Expression: A Century of Research in Review. (1973)&lt;br /&gt;
# Unmasking the face. (1975)&lt;br /&gt;
# Face of Man. (1980)&lt;br /&gt;
# Handbook of Methods in Nonverbal Behavior Research. (1982)&lt;br /&gt;
# Telling Lies: Clues to Deceit in the Marketplace, Politics, and Marriage. (1985)&lt;br /&gt;
# Why Kids Lie: How Parents Can Encourage Truthfulness. (1989)&lt;br /&gt;
# The Nature of Emotion: Fundamental Questions. (1994)&lt;br /&gt;
# What the Face Reveals. (1997)&lt;br /&gt;
# Emotions revealed: Recognizing Faces and Feelings to Improve Communication and Emotional Life. (2003)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Erving Goffman]]&lt;br /&gt;
* [[George Mahl]]&lt;br /&gt;
* [[Silvian S. Tomkins]]&lt;br /&gt;
* [[Thomas Sebeok]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
BURGOON, Judee. [https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2018.01672/full Microexpressions Are Not the Best Way to Catch a Liar]. &#039;&#039;&#039;Frontiers in Psychology&#039;&#039;&#039;, [S. l.], p. 3, 20 set. 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
EKMAN, Paul. [https://www.paulekman.com/wp-content/uploads/2013/07/An-Argument-For-Basic-Emotions.pdf An Argument for Basic Emotions]. &#039;&#039;&#039;Cognition and emotion&#039;&#039;&#039;, São Francisco, EUA, p. 1-33, 7 jan. 2008&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
EKMAN, Paul[https://www.paulekman.com/wp-content/uploads/2013/07/Basic-Emotions.pdf . Basic Emotions]. In: &#039;&#039;&#039;HANDBOOK of Cognition and Emotion&#039;&#039;&#039;. [S. l.]: John Wiley &amp;amp; Sons Ltd., 1999. cap. 3, p. 45-60.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
EKMAN, Paul. [https://nyaspubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1196/annals.1280.010 Darwin, Deception and Facial Expression]. &#039;&#039;&#039;New York Academy of Sciences&#039;&#039;&#039;, [S. l.], p. 205-221, 2003&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
EKMAN, Paul. [https://www.paulekman.com/wp-content/uploads/2013/07/Facial-Expression-In-Affective-Disorders.pdf Facial Expressions in Affective Disorders]. In: &#039;&#039;&#039;WHAT The Face Reveals&#039;&#039;&#039;. New York: [s. n.], 1997. cap. 15, p. 331-342.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verbete criado por: Fernanda Livia Benassi, Giovanna Provedel e Rafaela Assis Silva como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2023.2, publicado em 2023.2&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Konrad_Zacharias_Lorenz&amp;diff=1365</id>
		<title>Konrad Zacharias Lorenz</title>
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		<updated>2024-04-18T17:25:03Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Correções gramaticais e ortográficas; Mudanças estruturais em certos trechos; Mudanças na seção &amp;quot;ver também&amp;quot;; mudanças na seção &amp;quot;referências&amp;quot; com correção de citações e adição de links para as referências&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Konrad Zacharias Lorenz nasceu em Viena, Áustria, em 7 de novembro de 1903. Desde a infância, teve grande interesse no comportamento animal. Apesar da graduação em Medicina, manteve ativo seu interesse na zoologia, utilizando a observação como método de pesquisa. Realizou estudos que envolviam fisiologia, psicologia e comportamento, o que contribuiu no desenvolvimento da Etologia, ciência que estuda o comportamento animal. Recebeu o Nobel da Medicina e Fisiologia em 1973, pelas contribuições à ciência do comportamento. Faleceu em 27 de fevereiro de 1989 em Viena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
Konrad Zacharias Lorenz nasceu em 7 de novembro de 1903, em Viena. O seu pai, Adolf Lorenz (1854-1946), foi um médico cirurgião ortopédico reconhecido internacionalmente, fruto da introdução de técnica cirúrgica para correção de displasias no fêmur, o que deu a ele considerável retorno financeiro. A sua mãe, Emma Lecher (1861-1938), era de uma família abastada e ligada à classe intelectual vienense, cuja fortuna vinha da edição de jornais em Viena. Além de Konrad, o casal Adolf e Emma Lorenz tiveram outro filho, Albert, que optou pela medicina e, assim como o pai, tornou-se cirurgião ortopédico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua infância, Lorenz viveu em uma mansão cercada pela natureza, o que estimulou seu interesse na criação e observação de animais. Ele gostava de acompanhar o comportamento das aves, observando-as na sua vida livre. A observação futuramente teria grande repercussão em sua trajetória como pesquisador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua educação formal se inicia aos seis anos, em instituições privadas de ensino frequentadas pela elite da sociedade vienense. Ao terminar o ensino secundário, entra em conflito com o seu pai, que desejava ver seu filho cursando medicina e que desistisse da Zoologia. Além disso, o pai queria impedir o casamento de seu filho com Margareth Gebhardt, filha do jardineiro, na qual julgava não ser apropriado. Assim, Lorenz foi enviado para a Universidade de Columbia, em Nova Iorque, para o curso de medicina. Entretanto, voltou poucos meses depois.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Medicina e zoologia ===&lt;br /&gt;
De volta a Viena, Lorenz acabou cursando medicina (1923-1928) tal como o pai desejava, porém, manteve seu interesse pela zoologia em seus estudos em anatomia comparada. Ao término do curso, Lorenz trabalhou no Instituto Anatómico de Viena com Ferdinand Hochstetter.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu pai autorizou o casamento com Margareth em 1927. Mais tarde, sua esposa também formou-se em medicina. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lorenz escreveu seu primeiro artigo científico em 1927, para o &#039;&#039;Journal fur Ornithologie&#039;&#039;. Posteriormente, escreveu outros trabalhos sobre ornitologia. Seu doutorado, em 1933, foi sobre o voo de aves. No período de 1935 a 1940, escreveu diversos artigos, entre eles sobre comportamento instintivo e imprint. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1940, Lorenz chegou a Königsberg para exercer seu primeiro cargo acadêmico, ocupando a cadeira que fora de Immanuel Kant. No entanto, sua convocação ao serviço militar no ano seguinte interrompeu essa função. Ainda assim, publicou vários trabalhos nesse período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Nazismo e a Segunda Guerra Mundial ===&lt;br /&gt;
A participação e adesão de Lorenz ao nazismo é espaço de discussão entre pesquisadores. O próprio declarou-se ingênuo diante do discurso nazista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há pesquisadores que argumentam que Lorenz teria sido seduzido pelo discurso de progresso, ciência e futuro presente no nazismo, sem ter aderido ao antissemitismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, há evidências de que sua participação atendia a seus interesses e estava afinado ao discurso majoritário na época. A eugenia foi um tema abordado por Lorenz, que utilizava as comparações com animais para alertar sobre o risco do declínio genético nos seres humanos e de como a vida moderna impediria a seleção natural. No período de 1938 a 1943, publicações de Lorenz demostram adesão a ideologia nazista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram discursos como esses que o nazismo, sob chancela científica, promoveu os programas de eutanásia e esterilização de indivíduos considerados com desordens incapacitantes, levando também ao ao extermínio em massa de seres humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após convocação militar, em 1941, Lorenz serviu como médico psiquiatra militar na frente oriental durante a Segunda Guerra. Foi capturado e feito prisioneiro pelo exército vermelho em 1944, permanecendo preso até 1947. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a prisão, conseguiu criar animais e continuar sua observação do comportamento animal. Assim, rascunhou a primeira versão de sua mais importante obra, “&#039;&#039;Die Riickseite des Spiegels&#039;&#039;”, finalizada somente 30 anos depois, trabalho este que influenciou a epistemologia evolutiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Produção acadêmica durante o nazismo ===&lt;br /&gt;
A influência ideológica na obra de Lorenz é objeto de discussão acadêmica. No período nazista, Lorenz publicou 13 artigos, dos quais 7 guardam aproximação com a ideologia nazista. Alguns desses artigos estão em destaque a seguir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &amp;quot;&#039;&#039;Uber Ausfallserscheinungen im Instinktverhalten von Haustieren und ihre sozialpsychologische Bedeutung&#039;&#039;”, in &#039;&#039;&#039;Charakter und Erziehung: 16. Kongress der Deutschen Gesellschaft f k Psychologie in Bayreuth&#039;&#039;&#039;, ed. Otto Klemm (Leipzig: J. A. Barth, 1939), pp. 139-147. [“&#039;&#039;Deficiency Phenomena in the Instinctive Behavior of Domestic Animals and their Social-psychological Meaning&#039;&#039;”] - Artigo sobre os efeitos deletérios da genética em animais e sua analogia a comportamento humano qualitativamente inferior. &lt;br /&gt;
* “&#039;&#039;Systematik und Entwicklungslehre im Unterricht&#039;&#039;”, &#039;&#039;&#039;Der Biologe 9 (1940): 24- 36&#039;&#039;&#039;. [“&#039;&#039;Systematology and Evolutionary Theory in Teaching&#039;&#039;”] - A revista &#039;&#039;Der Biologie&#039;&#039; foi fundada em 1931 para atender os biólogos alemães. Tinha em seu corpo editorial membros das SS (Esquadrão de Proteção) e do departamento de política racial do governo nazista. O artigo de Lorenz argumentava que o ensino da teoria da evolução ao jovem alemão era compatível com a política de governo. Para o autor, o povo alemão era superior culturalmente aos demais povos, o que justificaria uma atuação ativa e protetiva contra a decadência genética. Lorenz acreditava que, diante da ausência de seleção natural nas sociedades modernas, o ser humano entraria em declínio da qualidade genética.&lt;br /&gt;
* “&#039;&#039;Durch Domestikation verursachte Störungen arteigenen Verhaltens&#039;&#039;”, &#039;&#039;&#039;Zeitschrift f l r angewandte Psychologie und Charakterkunde&#039;&#039;&#039; 59 &#039;&#039;&#039;(1940):&#039;&#039;&#039; 1-8-1. [“&#039;&#039;Domestication-caused Disturbances in Species-specific Behavior&#039;&#039;&amp;quot;] - Lorenz escreveu sobre os efeitos deletérios da domesticação na genética. Mutações genéticas estariam ligadas às condições de vida tanto de animais domesticados como do ser humano na vida moderna. Assim, a eliminação desses elementos causadores ou mantenedores das mutações seria fundamental e preventivo na proteção da raça.&lt;br /&gt;
* “&#039;&#039;Psychology und Stammesgeschichte&#039;&#039;”, in &#039;&#039;&#039;Die Evolution der Organismen&#039;&#039;&#039;, ed. G. Heberer (Jena: G. Fischer, 1943): 105- 127. [“&#039;&#039;Psychology and Phylogeny&#039;&#039;”] - Nesse artigo, Lorenz comparou aspectos do comportamento instintivo entre animais e seres humanos. Para ele, o aumento na taxa de reprodução entre o que classificava como classe inferior estaria ligado a fatores inatos.&lt;br /&gt;
* “&#039;&#039;Die angeborenen Formen möglicher Erfahrung&#039;&#039;”, &#039;&#039;&#039;Zeitschrift für Tierpsychologie 5&#039;&#039;&#039; (1943): 235-409. [“&#039;&#039;The Innate Forms of Possible Experience&#039;&#039;”] - Nesse artigo, Lorenz argumentou que os indivíduos com as características mais importantes da sociedade alemã seriam responsáveis em defender e manter a qualidade e pureza da raça, uma vez que a vida doméstica aumentaria o risco de declínio genético. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Do pós-guerra ao fim da vida ===&lt;br /&gt;
Lorenz regressou à Áustria em 1947. Entretanto, sua conexão com o nazismo foi um obstáculo para conseguir trabalho como pesquisador na Europa no pós-guerra. Estimulado por amigos, escreveu um livro não acadêmico e destinado ao público geral sobre animais, o “&#039;&#039;Er redete mit dem Vieh, den Vögeln und den Fischen&#039;&#039;”, cuja tradução em inglês foi “&#039;&#039;King Solomon&#039;s ring&#039;&#039;”. Com o sucesso de vendas e aumento da visibilidade de Lorenz, ocorreu maior busca por seus artigos e interesse na etologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, Lorenz foi convidado pela Sociedade Max Planck para criar um &#039;&#039;Abteilung für Verhaltensphysiologie&#039;&#039; em Buldem, na Vestefália, no norte da Alemanha, mudando-se em 1950. Em 1952, a Sociedade Max Planck ampliou a verba e criou um novo instituto em Seewiesen, a sudoeste de Munique.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi um período no qual Lorenz cristalizou sua importância no mundo como etologista. Esse reconhecimento é demonstrado pela grande quantidade de distinções, prêmios e diplomas honorários que recebeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1973, foi recompensado com o Prémio Nobel da Medicina e Fisiologia, junto com Tinbergen e Von Frisch. Lorenz utilizou o valor recebido para construir um aquário gigante e, assim, continuar sua observação e pesquisa. Como resultado, publicou dois livros: “&#039;&#039;Die acht Todsünden der zivilisierten Menschheit&#039;&#039;&amp;quot; (1973) e “&#039;&#039;Der Abbau des Menschlichen&#039;&#039;&amp;quot; (1983). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a década de 1970, destaca-se seu papel nas questões ambientais. Teve importante papel na oposição à construção da usina nuclear em Zwentendorf, Áustria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Agressividade ===&lt;br /&gt;
A agressividade para Lorenz seria o instinto de luta, existente em humanos e animais, cujo objeto seria seus pares. Para Lorenz, esse comportamento foi importante para preservação das espécies pela seleção natural, pois a disputa por território teria a luta como resolutivo e selecionador. É evidente a inspiração da seleção natural de Darwin na teoria de Lorenz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um outro aspecto benéfico seria o comportamento de proteção aos filhotes, garantindo a continuidade da espécie. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lorenz argumentava que outros comportamentos de agressividade foram modificados, como os movimentos ritualísticos que foram incorporados à espécie por meio da genética. O ato de sorrir, por exemplo, teria origem no comportamento ritualizado de submissão intra-específico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lorenz, semelhante a Darwin, acreditava que a agressividade humana foi herança de antepassados antropoides. Para Lorenz, na natureza encontra-se comportamentos de submissão, o que evitaria a morte. Entretanto, este comportamento está ausente na vida moderna de seres humanos, dessa forma, a agressão poderia levar à morte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Imprinting ===&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;imprinting&#039;&#039; é a maneira na qual o aprendizado interfere nas escolhas sociais e sexuais. Lorenz desenvolveu essa teoria a partir da observação de filhotes de pato que, ao eclodirem do ovo, reconheciam e seguiam seus pais. Esse mecanismo poderia ser substituído por outra espécie em um processo de &#039;&#039;imprinting&#039;&#039; filial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lorenz afirmava que o &#039;&#039;imprinting&#039;&#039; ocorre apenas na fase crítica do desenvolvimento inicial. O &#039;&#039;imprinting&#039;&#039; é rápido, irreversível e imutável, afetando as respostas filiais e sexuais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A teoria do instinto ===&lt;br /&gt;
Essa teoria, elaborada na década de 1930, objetivava um olhar amplo sobre o comportamento. Discordava do behaviorismo, na qual os animais nasciam sem informações prévias e o aprendizado seria por tentativa e erro. Para Lorenz, os comportamentos, mesmo os complexos como a caça, surgem de forma independente no desenvolvimento como comportamentos inatos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lorenz diferenciou instinto e aprendizagem. O instinto seria inato e independente da experiência, enquanto o aprendizado resultaria da experiência. Outra distinção foi entre reflexo e instinto, na qual o instinto requer fase apetitiva e consumatória, enquanto o reflexo requer um eliciador além da proporcionalidade entre estímulo e resposta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lorenz observou que o padrão fixo de ação guardava relação entre o tempo da última ação e o estímulo. Quanto maior o tempo de impedimento da ação, maior a probabilidade de ocorrer diante de estímulos mais sutis. Esse tipo de comportamento foi denominado de “Energia Específica de Ação” ou “Potencial Específico de Ação”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Cognição e comportamento ===&lt;br /&gt;
A cognição está presente na pesquisa de Lorenz como nos estudos sobre aprendizagem, evolução e saber inato entre animais. Para Lorenz, a vida envolve processos de energia e cognição na relação com o ambiente. Assim, as funções cognitivas seriam o resultado da evolução. A cognição também ocorre no instinto, na qual um estímulo induz um padrão de resposta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Processos cognitivos simples vinculam-se a informações instantâneas, sem obrigação de apreender a informação, tal como ocorre em seres de menor complexidade (protozoários, por exemplo). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formas de cognição complexas envolvem a abstração. A construção da imagem do mundo nos humanos e animais depende do processo adaptativo da relação causa e efeito entre os mecanismos cognitivos e o meio. Portanto, para determinado evento &#039;&#039;a&#039;&#039; &#039;&#039;posteriori&#039;&#039; seria necessário um sistema &#039;&#039;a priori&#039;&#039;, o que possibilitaria a experiência. Lorenz argumentava que só era possível perceber e pensar devido ao inato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lorenz pensava a cognição em termos filogenéticos. Uma mais primitiva, que lidaria com informações imediatas e sem real necessidade de armazenar a informação. A capacidade em armazenar informações seria a base de funções como memória e aprendizagem. Já a informação instantânea é a base dos mecanismos de homeostase e de orientação. Portanto, a cognição além da percepção e representação do espaço e tempo é resultante da interação do sistema nervoso e órgãos do sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relação com outros personagens ou teorias/influências ==&lt;br /&gt;
Na elaboração do conceito de agressividade, Lorenz teve duas grandes influências: a seleção natural de Darwin e o pesquisador [[William James]], que em sua obra “&#039;&#039;Principles of Psychology&#039;&#039;&amp;quot; (1890) abordou as ideias sobre instintos e reflexos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na conceituação sobre instinto, Lorenz se inspirou em autores como Wallace Craig, Heinroth, Von Uexkull e, possivelmente, [[Freud]]. No campo da Psicologia, a [[Gestalt]] foi a mais impactante na obra de Lorenz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Epistemologia evolutiva, que envolve a Biologia, Filosofia e Sociologia, foi objeto de interesse acadêmico por Lorenz. A epistemologia da ciência, principalmente a obra de  Karl Popper, foi outra influência para Konrad Lorenz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para Lorenz, sua teoria se aproximava com a filosofia de Kant, Hume, Spencer e outros que discutiam as representações humanas internas, a capacidade de categorizar e a representação da realidade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação com a filosofia kantiana envolvia o conceito de &#039;&#039;a priori&#039;&#039;. A representação interior e o mundo exterior era, para Lorenz, resultante de processos seletivos do mundo interior e seu correspondente adaptativo exterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;King Solomon&#039;s Ring&#039;&#039;&#039; (1949). (Er redete mit dem Vieh, den Vögeln und den Fischen, 1949).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Man Meets Dog&#039;&#039;&#039; (1950). (So kam der Mensch auf den Hund, 1950).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Evolution and Modification of Behaviour&#039;&#039;&#039; (1965).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;On Aggression&#039;&#039;&#039; (1966). (Das sogenannte Böse. Zur Naturgeschichte der Agression, 1963).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Studies in Animal and Human Behavior, Volume I&#039;&#039;&#039; (1970).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Studies in Animal and Human Behavior, Volume II&#039;&#039;&#039; (1971).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Motivation of Human and Animal Behavior:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;An Ethological View&#039;&#039;&#039;. With Paul Leyhausen (1973). New York: D. Van Nostrand Co.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Behind the Mirror:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;A Search for a Natural History of Human Knowledge&#039;&#039;&#039; (1973). (Die Rückseite des Spiegels. Versuch einer Naturgeschichte menschlichen Erkennens, 1973).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Civilized Man&#039;s Eight Deadly Sins&#039;&#039;&#039; (1974). (Die acht Todsünden der zivilisierten Menschheit, 1973).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;The Year of the Greylag Goose&#039;&#039;&#039; (1979). (Das Jahr der Graugans, 1979).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;The Foundations of Ethology&#039;&#039;&#039; (1982).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Here Am I - Where Are You? - The Behavior of the Greylag Goose&#039;&#039;&#039; (In collaboration with Michael Martys and Angelika Tipler). (1988).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;The Natural Science of the Human Species: An Introduction to Comparative Behavioral Research&#039;&#039;&#039; - The Russian Manuscript (1944–1948) (1995).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Umas das principais críticas que concerne a obra de Lorenz afirma que a existência de comportamentos que independem do aprendizado não os torna exclusivamente inatos, pois não é possível excluir a participação do aprendizado nos processos ontogenéticos no desenvolvimento no ovo ou útero. Essa possibilidade torna a observação uma tarefa difícil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns estudos quantitativos demonstram que o comportamento não segue um padrão fixo, tal como proposto por Lorenz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro ponto criticado é o argumento a respeito da violência humana e ausência de fatores inibitórios na sociedade. Pesquisas demonstram que a agressividade na mesma espécie não é rígida e sim adaptativa ao meio. Logo, Lorenz teria se equivocado ao pensar que a agressão intra-específica com resultado na morte seria inibida na natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios e reconhecimentos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* 1962: Diploma honorário, Universidade de Leeds.&lt;br /&gt;
* 1964: Membro estrangeiro da Royal Society of London.&lt;br /&gt;
* 1966: Associado Estrangeiro da Academia Nacional de Ciências, U.S.A.&lt;br /&gt;
* 1966: Diploma honorário, Universidade de Basileia.&lt;br /&gt;
* 1967: Diploma honorário, Universidade de Yale.&lt;br /&gt;
* 1968: Diploma honorário, Universidade de Oxford.&lt;br /&gt;
* 1970: Pour le Merite (Ordem de Mérito Alemã).&lt;br /&gt;
* 1970: Diploma de honra, Universidade de Chicago.&lt;br /&gt;
* 1972: Diploma de honra, Universidade de Durham.&lt;br /&gt;
* 1973: Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia.&lt;br /&gt;
* 1974: Diploma honorário, Universidade de Birmingham.&lt;br /&gt;
* 1974: Professor Honorário, Universidade de Salzburgo.&lt;br /&gt;
* 1980: Diploma honorário, Universidade de Viena.&lt;br /&gt;
* 1983: Prémio de Cavaleiro da Cidade de Viena.&lt;br /&gt;
* 1983: Diploma de honra, Universidade de Salzburgo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Behaviorismo]]&lt;br /&gt;
* [[Comportamento Animal]]&lt;br /&gt;
* [[Gestalt]]&lt;br /&gt;
* [[Psicologia Comparada]]&lt;br /&gt;
* [[Sigmund Freud]]&lt;br /&gt;
* [[William James]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# CASTILHO, Fernando Moreno. [https://www.abfhib.org/FHB/FHB-14-2/FHB-14-02-03-Fernando-Moreno-Castilho.pdf Konrad Lorenz, Charles Darwin e os efeitos da agressividade na preservação das espécies]. &#039;&#039;&#039;Filosofia e História da Biologia&#039;&#039;&#039;, v. 14, n. 2, p. 159-180, 2019.&lt;br /&gt;
# GARCIA, Agnaldo. [http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S1806-58212005000100010#:~:text=Segundo%20Lorenz%20(1973)%2C%20a,aparato%20cognitivo%2C%20resultado%20da%20evolu%C3%A7%C3%A3o. Cognição e evolução: a contribuição de Konrad Lorenz]. &#039;&#039;&#039;Ciências &amp;amp; Cognição&#039;&#039;&#039;, v. 4, p. 89-100, 2005.&lt;br /&gt;
# KALIKOW, Theo J. Konrad Lorenz&#039;s “brown past”: A reply to Alec Nisbett. 1978.&lt;br /&gt;
# KREBS, John Richard; SJÖLANDER, Sverre. Konrad Zacharias Lorenz, 7 November 1903-27 February 1989. 1992.&lt;br /&gt;
# ZUANON, Átima Clemente Alves. [https://www.scielo.br/j/ciedu/a/3hWRfBJ6Yhv8zMfPQdXKwtj/ Instinto, etologia e a teoria de Konrad Lorenz]. &#039;&#039;&#039;Ciência &amp;amp; Educação&#039;&#039;&#039;, v. 13, n. 03, p. 337-349, 2007.&lt;br /&gt;
# LORENZ, Konrad Z. [https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1973/lorenz/biographical/ Biographical.] &#039;&#039;&#039;NobelPrize.org.&#039;&#039;&#039; Acessado em: 18 abr. 2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Daniel Washington Evangelista, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2023.2. publicado em 2024.1. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Revisado e publicado por Gunther Mafra Guimarães, bolsista de extensão pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense (PROEX-UFF), tendo assim recebido financiamento.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Konrad_Zacharias_Lorenz&amp;diff=1364</id>
		<title>Konrad Zacharias Lorenz</title>
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		<updated>2024-04-18T15:40:55Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Inserção e revisão completa do verbete na WikiHP&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Konrad Zacharias Lorenz nasceu em Viena, Áustria, em 7 de novembro de 1903. Desde a infância, teve grande interesse no comportamento animal. Apesar da graduação em Medicina, manteve ativo seu interesse na zoologia, utilizando a observação como método de pesquisa. Realizou estudos que envolviam fisiologia, psicologia e comportamento, o que contribuiu no desenvolvimento da Etologia, ciência que estuda o comportamento animal. Recebeu o Nobel da Medicina e Fisiologia em 1973, pelas contribuições à ciência do comportamento. Faleceu em 27 de fevereiro de 1989 em Viena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
Konrad Zacharias Lorenz nasceu em 7 de novembro de 1903, em Viena. O seu pai, Adolf Lorenz (1854-1946), foi um médico cirurgião ortopédico reconhecido internacionalmente, fruto da introdução de técnica cirúrgica para correção de displasias no fêmur, o que deu a ele considerável retorno financeiro. A sua mãe, Emma Lecher (1861-1938), era de uma família abastada e ligada à classe intelectual vienense, cuja fortuna vinha da edição de jornais em Viena. Além de Konrad, o casal Adolf e Emma Lorenz tiveram outro filho, Albert, que optou pela medicina e, assim como o pai, tornou-se cirurgião ortopédico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua infância, Lorenz viveu em uma mansão cercada pela natureza, o que estimulou seu interesse na criação e observação de animais. Ele gostava de acompanhar o comportamento das aves, observando-as na sua vida livre. A observação futuramente teria grande repercussão em sua trajetória como pesquisador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua educação formal se inicia aos seis anos, em instituições privadas de ensino frequentadas pela elite da sociedade vienense. Ao terminar o ensino secundário, entra em conflito com o seu pai, que desejava ver seu filho cursando medicina e que desistisse da Zoologia. Além disso, o pai queria impedir o casamento de seu filho com Margareth Gebhardt, filha do jardineiro, na qual julgava não ser apropriado. Assim, Lorenz foi enviado para a Universidade de Columbia, em Nova Iorque, para o curso de medicina. Entretanto, voltou poucos meses depois.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Medicina e zoologia ===&lt;br /&gt;
De volta a Viena, Lorenz acabou cursando medicina (1923-1928) tal como o pai desejava, porém, manteve seu interesse pela zoologia em seus estudos em anatomia comparada. Ao término do curso, Lorenz trabalhou no Instituto Anatómico de Viena com Ferdinand Hochstetter.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu pai autorizou o casamento com Margareth em 1927. Mais tarde, sua esposa também formou-se em medicina. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lorenz escreveu seu primeiro artigo científico em 1927, para o &#039;&#039;Journal fur Ornithologie&#039;&#039;. Posteriormente, escreveu outros trabalhos sobre ornitologia. Seu doutorado, em 1933, foi sobre o voo de aves. No período de 1935 a 1940, escreveu diversos artigos, entre eles sobre comportamento instintivo e imprint. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1940, Lorenz chegou a Königsberg para exercer seu primeiro cargo acadêmico, ocupando a cadeira que fora de Immanuel Kant. No entanto, sua convocação ao serviço militar no ano seguinte interrompeu essa função. Ainda assim, publicou vários trabalhos nesse período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Nazismo e a Segunda Guerra Mundial ===&lt;br /&gt;
A participação e adesão de Lorenz ao nazismo é espaço de discussão entre pesquisadores. O próprio declarou-se ingênuo diante do discurso nazista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há pesquisadores que argumentam que Lorenz teria sido seduzido pelo discurso de progresso, ciência e futuro presente no nazismo, sem ter aderido ao antissemitismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, há evidências de que sua participação atendia a seus interesses e estava afinado ao discurso majoritário na época. A eugenia foi um tema abordado por Lorenz, que utilizava as comparações com animais para alertar sobre o risco do declínio genético nos seres humanos e de como a vida moderna impediria a seleção natural. No período de 1938 a 1943, publicações de Lorenz demostram adesão a ideologia nazista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram discursos como esses que o nazismo, sob chancela científica, promoveu os programas de eutanásia e esterilização de indivíduos considerados com desordens incapacitantes, levando também ao ao extermínio em massa de seres humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após convocação militar, em 1941, Lorenz serviu como médico psiquiatra militar na frente oriental durante a Segunda Guerra. Foi capturado e feito prisioneiro pelo exército vermelho em 1944, permanecendo preso até 1947. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a prisão, conseguiu criar animais e continuar sua observação do comportamento animal. Assim, rascunhou a primeira versão de sua mais importante obra, “&#039;&#039;Die Riickseite des Spiegels&#039;&#039;”, finalizada somente 30 anos depois, trabalho este que influenciou a epistemologia evolutiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Produção acadêmica durante o nazismo ===&lt;br /&gt;
A influência ideológica na obra de Lorenz é objeto de discussão acadêmica. No período nazista, Lorenz publicou 13 artigos, dos quais 7 guardam aproximação com a ideologia nazista. Alguns desses artigos estão em destaque a seguir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &amp;quot;&#039;&#039;Uber Ausfallserscheinungen im Instinktverhalten von Haustieren und ihre sozialpsychologische Bedeutung&#039;&#039;”, in &#039;&#039;&#039;Charakter und Erziehung: 16. Kongress der Deutschen Gesellschaft f k Psychologie in Bayreuth&#039;&#039;&#039;, ed. Otto Klemm (Leipzig: J. A. Barth, 1939), pp. 139-147. [“&#039;&#039;Deficiency Phenomena in the Instinctive Behavior of Domestic Animals and their Social-psychological Meaning&#039;&#039;”] - Artigo sobre os efeitos deletérios da genética em animais e sua analogia a comportamento humano qualitativamente inferior. &lt;br /&gt;
* “&#039;&#039;Systematik und Entwicklungslehre im Unterricht&#039;&#039;”, &#039;&#039;&#039;Der Biologe 9 (1940): 24- 36&#039;&#039;&#039;. [“&#039;&#039;Systematology and Evolutionary Theory in Teaching&#039;&#039;”] - A revista &#039;&#039;Der Biologie&#039;&#039; foi fundada em 1931 para atender os biólogos alemães. Tinha em seu corpo editorial membros das SS (Esquadrão de Proteção) e do departamento de política racial do governo nazista. O artigo de Lorenz argumentava que o ensino da teoria da evolução ao jovem alemão era compatível com a política de governo. Para o autor, o povo alemão era superior culturalmente aos demais povos, o que justificaria uma atuação ativa e protetiva contra a decadência genética. Lorenz acreditava que, diante da ausência de seleção natural nas sociedades modernas, o ser humano entraria em declínio da qualidade genética.&lt;br /&gt;
* “&#039;&#039;Durch Domestikation verursachte Störungen arteigenen Verhaltens&#039;&#039;”, &#039;&#039;&#039;Zeitschrift f l r angewandte Psychologie und Charakterkunde&#039;&#039;&#039; 59 &#039;&#039;&#039;(1940):&#039;&#039;&#039; 1-8-1. [“&#039;&#039;Domestication-caused Disturbances in Species-specific Behavior&#039;&#039;&amp;quot;] - Lorenz escreveu sobre os efeitos deletérios da domesticação na genética. Mutações genéticas estariam ligadas às condições de vida tanto de animais domesticados como do ser humano na vida moderna. Assim, a eliminação desses elementos causadores ou mantenedores das mutações seria fundamental e preventivo na proteção da raça.&lt;br /&gt;
* “&#039;&#039;Psychology und Stammesgeschichte&#039;&#039;”, in &#039;&#039;&#039;Die Evolution der Organismen&#039;&#039;&#039;, ed. G. Heberer (Jena: G. Fischer, 1943): 105- 127. [“&#039;&#039;Psychology and Phylogeny&#039;&#039;”] - Nesse artigo, Lorenz comparou aspectos do comportamento instintivo entre animais e seres humanos. Para ele, o aumento na taxa de reprodução entre o que classificava como classe inferior estaria ligado a fatores inatos.&lt;br /&gt;
* “&#039;&#039;Die angeborenen Formen möglicher Erfahrung&#039;&#039;”, &#039;&#039;&#039;Zeitschrift für Tierpsychologie 5&#039;&#039;&#039; (1943): 235-409. [“&#039;&#039;The Innate Forms of Possible Experience&#039;&#039;”] - Nesse artigo, Lorenz argumentou que os indivíduos com as características mais importantes da sociedade alemã seriam responsáveis em defender e manter a qualidade e pureza da raça, uma vez que a vida doméstica aumentaria o risco de declínio genético. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Do pós-guerra ao fim da vida ===&lt;br /&gt;
Lorenz regressou à Áustria em 1947. Entretanto, sua conexão com o nazismo foi um obstáculo para conseguir trabalho como pesquisador na Europa no pós-guerra. Estimulado por amigos, escreveu um livro não acadêmico e destinado ao público geral sobre animais, o “&#039;&#039;Er redete mit dem Vieh, den Vögeln und den Fischen&#039;&#039;”, cuja tradução em inglês foi “&#039;&#039;King Solomon&#039;s ring&#039;&#039;”. Com o sucesso de vendas e aumento da visibilidade de Lorenz, ocorreu maior busca por seus artigos e interesse na etologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, Lorenz foi convidado pela Sociedade Max Planck para criar um &#039;&#039;Abteilung für Verhaltensphysiologie&#039;&#039; em Buldem, na Vestefália, no norte da Alemanha, mudando-se em 1950. Em 1952, a Sociedade Max Planck ampliou a verba e criou um novo instituto em Seewiesen, a sudoeste de Munique.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi um período no qual Lorenz cristalizou sua importância no mundo como etologista. Esse reconhecimento é demonstrado pela grande quantidade de distinções, prêmios e diplomas honorários que recebeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1973, foi recompensado com o Prémio Nobel da Medicina e Fisiologia, junto com Tinbergen e Von Frisch. Lorenz utilizou o valor recebido para construir um aquário gigante e, assim, continuar sua observação e pesquisa. Como resultado, publicou dois livros: “&#039;&#039;Die acht Todsünden der zivilisierten Menschheit&#039;&#039;&amp;quot; (1973) e “&#039;&#039;Der Abbau des Menschlichen&#039;&#039;&amp;quot; (1983). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a década de 1970, destaca-se seu papel nas questões ambientais. Teve importante papel na oposição à construção da usina nuclear em Zwentendorf, Áustria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Agressividade ===&lt;br /&gt;
A agressividade para Lorenz seria o instinto de luta, existente em humanos e animais, cujo objeto seria seus pares. Para Lorenz, esse comportamento foi importante para preservação das espécies pela seleção natural, pois a disputa por território teria a luta como resolutivo e selecionador. É evidente a inspiração da seleção natural de Darwin na teoria de Lorenz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um outro aspecto benéfico seria o comportamento de proteção aos filhotes, garantindo a continuidade da espécie. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lorenz argumentava que outros comportamentos de agressividade foram modificados, como os movimentos ritualísticos que foram incorporados à espécie por meio da genética. O ato de sorrir, por exemplo, teria origem no comportamento ritualizado de submissão intra-específico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lorenz, semelhante a Darwin, acreditava que a agressividade humana foi herança de antepassados antropoides. Para Lorenz, na natureza encontra-se comportamentos de submissão, o que evitaria a morte. Entretanto, este comportamento está ausente na vida moderna de seres humanos, dessa forma, a agressão poderia levar à morte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Imprinting ===&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;imprinting&#039;&#039; é a maneira na qual o aprendizado interfere nas escolhas sociais e sexuais. Lorenz desenvolveu essa teoria a partir da observação de filhotes de pato que, ao eclodirem do ovo, reconheciam e seguiam seus pais. Esse mecanismo poderia ser substituído por outra espécie em um processo de &#039;&#039;imprinting&#039;&#039; filial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lorenz afirmava que o &#039;&#039;imprinting&#039;&#039; ocorre apenas na fase crítica do desenvolvimento inicial. O &#039;&#039;imprinting&#039;&#039; é rápido, irreversível e imutável, afetando as respostas filiais e sexuais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A teoria do instinto ===&lt;br /&gt;
Essa teoria, elaborada na década de 1930, objetivava um olhar amplo sobre o comportamento. Discordava do behaviorismo, na qual os animais nasciam sem informações prévias e o aprendizado seria por tentativa e erro. Para Lorenz, os comportamentos, mesmo os complexos como a caça, surgem de forma independente no desenvolvimento como comportamentos inatos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lorenz diferenciou instinto e aprendizagem. O instinto seria inato e independente da experiência, enquanto o aprendizado resultaria da experiência. Outra distinção foi entre reflexo e instinto, na qual o instinto requer fase apetitiva e consumatória, enquanto o reflexo requer um eliciador além da proporcionalidade entre estímulo e resposta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lorenz observou que o padrão fixo de ação guardava relação entre o tempo da última ação e o estímulo. Quanto maior o tempo de impedimento da ação, maior a probabilidade de ocorrer diante de estímulos mais sutis. Esse tipo de comportamento foi denominado de “Energia Específica de Ação” ou “Potencial Específico de Ação”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Cognição e comportamento ===&lt;br /&gt;
A cognição está presente na pesquisa de Lorenz como nos estudos sobre aprendizagem, evolução e saber inato entre animais. Para Lorenz, a vida envolve processos de energia e cognição na relação com o ambiente. Assim, as funções cognitivas seriam o resultado da evolução. A cognição também ocorre no instinto, na qual um estímulo induz um padrão de resposta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Processos cognitivos simples vinculam-se a informações instantâneas, sem obrigação de apreender a informação, tal como ocorre em seres de menor complexidade (protozoários, por exemplo). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formas de cognição complexas envolvem a abstração. A construção da imagem do mundo nos humanos e animais depende do processo adaptativo da relação causa e efeito entre os mecanismos cognitivos e o meio. Portanto, para determinado evento &#039;&#039;a&#039;&#039; &#039;&#039;posteriori&#039;&#039; seria necessário um sistema &#039;&#039;a priori&#039;&#039;, o que possibilitaria a experiência. Lorenz argumentava que só era possível perceber e pensar devido ao inato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lorenz pensava a cognição em termos filogenéticos. Uma mais primitiva, que lidaria com informações imediatas e sem real necessidade de armazenar a informação. A capacidade em armazenar informações seria a base de funções como memória e aprendizagem. Já a informação instantânea é a base dos mecanismos de homeostase e de orientação. Portanto, a cognição além da percepção e representação do espaço e tempo é resultante da interação do sistema nervoso e órgãos do sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relação com outros personagens ou teorias/influências ==&lt;br /&gt;
Na elaboração do conceito de agressividade, Lorenz teve duas grandes influências: a seleção natural de Darwin e o pesquisador [[William James]], que em sua obra “&#039;&#039;Principles of Psychology&#039;&#039;&amp;quot; (1890) abordou as ideias sobre instintos e reflexos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na conceituação sobre instinto, Lorenz se inspirou em autores como Wallace Craig, Heinroth, Von Uexkull e, possivelmente, [[Freud]]. No campo da Psicologia, a [[Gestalt]] foi a mais impactante na obra de Lorenz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Epistemologia evolutiva, que envolve a Biologia, Filosofia e Sociologia, foi objeto de interesse acadêmico por Lorenz. A epistemologia da ciência, principalmente a obra de  Karl Popper, foi outra influência para Konrad Lorenz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para Lorenz, sua teoria se aproximava com a filosofia de Kant, Hume, Spencer e outros que discutiam as representações humanas internas, a capacidade de categorizar e a representação da realidade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação com a filosofia kantiana envolvia o conceito de &#039;&#039;a priori&#039;&#039;. A representação interior e o mundo exterior era, para Lorenz, resultante de processos seletivos do mundo interior e seu correspondente adaptativo exterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;King Solomon&#039;s Ring&#039;&#039;&#039; (1949). (Er redete mit dem Vieh, den Vögeln und den Fischen, 1949).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Man Meets Dog&#039;&#039;&#039; (1950). (So kam der Mensch auf den Hund, 1950).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Evolution and Modification of Behaviour&#039;&#039;&#039; (1965).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;On Aggression&#039;&#039;&#039; (1966). (Das sogenannte Böse. Zur Naturgeschichte der Agression, 1963).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Studies in Animal and Human Behavior, Volume I&#039;&#039;&#039; (1970).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Studies in Animal and Human Behavior, Volume II&#039;&#039;&#039; (1971).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Motivation of Human and Animal Behavior:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;An Ethological View&#039;&#039;&#039;. With Paul Leyhausen (1973). New York: D. Van Nostrand Co.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Behind the Mirror:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;A Search for a Natural History of Human Knowledge&#039;&#039;&#039; (1973). (Die Rückseite des Spiegels. Versuch einer Naturgeschichte menschlichen Erkennens, 1973).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Civilized Man&#039;s Eight Deadly Sins&#039;&#039;&#039; (1974). (Die acht Todsünden der zivilisierten Menschheit, 1973).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;The Year of the Greylag Goose&#039;&#039;&#039; (1979). (Das Jahr der Graugans, 1979).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;The Foundations of Ethology&#039;&#039;&#039; (1982).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Here Am I - Where Are You? - The Behavior of the Greylag Goose&#039;&#039;&#039; (In collaboration with Michael Martys and Angelika Tipler). (1988).&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;The Natural Science of the Human Species: An Introduction to Comparative Behavioral Research&#039;&#039;&#039; - The Russian Manuscript (1944–1948) (1995).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Umas das principais críticas que concerne a obra de Lorenz afirma que a existência de comportamentos que independem do aprendizado não os torna exclusivamente inatos, pois não é possível excluir a participação do aprendizado nos processos ontogenéticos no desenvolvimento no ovo ou útero. Essa possibilidade torna a observação uma tarefa difícil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns estudos quantitativos demonstram que o comportamento não segue um padrão fixo, tal como proposto por Lorenz. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro ponto criticado é o argumento a respeito da violência humana e ausência de fatores inibitórios na sociedade. Pesquisas demonstram que a agressividade na mesma espécie não é rígida e sim adaptativa ao meio. Logo, Lorenz teria se equivocado ao pensar que a agressão intra-específica com resultado na morte seria inibida na natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios e reconhecimentos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* 1962: Diploma honorário, Universidade de Leeds.&lt;br /&gt;
* 1964: Membro estrangeiro da Royal Society of London.&lt;br /&gt;
* 1966: Associado Estrangeiro da Academia Nacional de Ciências, U.S.A.&lt;br /&gt;
* 1966: Diploma honorário, Universidade de Basileia.&lt;br /&gt;
* 1967: Diploma honorário, Universidade de Yale.&lt;br /&gt;
* 1968: Diploma honorário, Universidade de Oxford.&lt;br /&gt;
* 1970: Pour le Merite (Ordem de Mérito Alemã).&lt;br /&gt;
* 1970: Diploma de honra, Universidade de Chicago.&lt;br /&gt;
* 1972: Diploma de honra, Universidade de Durham.&lt;br /&gt;
* 1973: Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia.&lt;br /&gt;
* 1974: Diploma honorário, Universidade de Birmingham.&lt;br /&gt;
* 1974: Professor Honorário, Universidade de Salzburgo.&lt;br /&gt;
* 1980: Diploma honorário, Universidade de Viena.&lt;br /&gt;
* 1983: Prémio de Cavaleiro da Cidade de Viena.&lt;br /&gt;
* 1983: Diploma de honra, Universidade de Salzburgo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Behaviorismo&lt;br /&gt;
* Comportamento Animal&lt;br /&gt;
* Gestalt&lt;br /&gt;
* Sigmund Freud&lt;br /&gt;
* William James&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links externos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1973/lorenz/biographical/ Autobiografia de Konrad Lorenz para o Prêmio Nobel de 1973]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# CASTILHO, Fernando Moreno. Konrad Lorenz, Charles Darwin e os efeitos da agressividade na preservação das espécies. &#039;&#039;&#039;Filosofia e História da Biologia&#039;&#039;&#039;, v. 14, n. 2, p. 159-180, 2019.&lt;br /&gt;
# GARCIA, Agnaldo. Cognição e evolução: a contribuição de Konrad Lorenz. &#039;&#039;&#039;Ciências &amp;amp; Cognição&#039;&#039;&#039;, v. 4, p. 89-100, 2005.&lt;br /&gt;
# KALIKOW, Theo J. Konrad Lorenz&#039;s “brown past”: A reply to Alec Nisbett. 1978.&lt;br /&gt;
# KREBS, John Richard; SJÖLANDER, Sverre. Konrad Zacharias Lorenz, 7 November 1903-27 February 1989. 1992.&lt;br /&gt;
# ZUANON, Átima Clemente Alves. Instinto, etologia e a teoria de Konrad Lorenz. &#039;&#039;&#039;Ciência &amp;amp; Educação&#039;&#039;&#039;, v. 13, n. 03, p. 337-349, 2007.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Daniel Washington Evangelista, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2023.2. publicado em 2024.1. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Revisado por Gunther Mafra Guimarães, bolsista de extensão pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense (PROEX-UFF), tendo assim recebido financiamento para sua revisão e publicação.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Hist%C3%B3ria_da_Psicologia_no_Brasil,_conforme_Regina_Helena_de_Freitas_Campos&amp;diff=1363</id>
		<title>História da Psicologia no Brasil, conforme Regina Helena de Freitas Campos</title>
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		<updated>2024-03-26T22:30:10Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Este verbete foi publicado originalmente na [https://oxfordre.com/psychology/page/2054 The Oxford Encyclopedia of the History of Modern Psychology], sob o título &amp;quot;[https://oxfordre.com/psychology/view/10.1093/acrefore/9780190236557.001.0001/acrefore-9780190236557-e-753 The History of Psychology in Brazil]&amp;quot;. Foi traduzido para a língua portuguesa por Gunther Mafra Guimarães, durante o período em que foi bolsista de extensão tecnológica pela Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense (AGIR), tendo assim recebido financiamento para sua tradução.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Resumo ==&lt;br /&gt;
Os estudos sobre a história da psicologia brasileira geralmente se concentram na recepção e circulação de teorias e técnicas psicológicas elaboradas na Europa e na América do Norte, e nas suas aplicações em pesquisas e práticas psicológicas no país. Essa abordagem deve ser complementada com o estudo da transformação e produção do conhecimento psicológico proveniente da cultura brasileira, incluindo de suas camadas populares, e sua interação com as ideias importadas de outros países. Existem ao menos quatro raízes que estão presentes na formação da cultura brasileira: as ideias dos indígenas sobre a natureza e desenvolvimento humano; as contribuições da cultura africana para a compreensão do mundo psicológico, trazidas pelos africanos vendidos como escravos e transferidos ao Brasil entre os séculos XVI e XIX; as perspectivas europeias recebidas através do ensino da psicologia filosófica, introduzidas em instituições educacionais católicas no período colonial; e a psicologia científica, introduzida nas  faculdades públicas de medicina e em instituições de formação de professores a partir do século XIX. A profissão de psicólogo, nascida do encontro entre as profissões de médico e de educador, foi regulamentada em 1962. As tarefas do psicólogo foram definidas na época: avaliação psicológica através de testes mentais, diagnóstico de problemas mentais e comportamentais, orientação psicológica e psicoterapia. A profissão foi principalmente concebida para as elites intelectuais e sociais. A partir da década de 1990, com o crescente número de graduados, a participação dos psicólogos nas instituições de saúde pública, educação e de serviços sociais expandiu rapidamente. Consequentemente, os psicólogos começaram a desenvolver práticas e técnicas de intervenção mais adequadas às exigências das populações de baixa renda, imersas nas crenças e práticas da cultura popular brasileira. Esse diálogo colaborou para o surgimento de inovações na psicologia, tornando-a mais sensível às visões de mundo das culturas que compõem o panorama cultural brasileiro, e produzindo contribuições originais com um profundo impacto na psicologia contemporânea. Atualmente, os psicólogos profissionais brasileiros constituem uma das maiores comunidades de psicólogos no mundo, com uma forte presença nas redes de saúde mental, educação e serviços sociais. O trabalho dos psicólogos, fortemente influenciado por perspectivas teóricas que enfatizam a relação entre as dinâmicas socioculturais e a elaboração psicológica , é considerado relevante para a efetivação dos ideais dos direitos humanos neste momento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Palavras-chave: ===&lt;br /&gt;
Palavras-chave: história da psicologia no Brasil, cultura brasileira, higiene mental, educação, profissão de psicólogo, psicologia nas políticas públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução — História da Psicologia e o Contexto Cultural ==&lt;br /&gt;
O conhecimento sobre a psique humana tem longa data (Robinson, 2013). As sociedades humanas são compostas por pessoas dotadas de reflexividade (Morawski, 2020), logo, refletem sobre si mesmas, suas vidas, pensamentos, sentimentos e ações, elaborando suas próprias concepções sobre a natureza e práticas humanas. A psicologia enquanto campo do conhecimento pode ser vista como:&amp;lt;blockquote&amp;gt;“um conjunto de teorias e práticas enraizadas socialmente que tanto reificam quanto refletem os contextos de onde se originam e para onde retornam” (Pickren &amp;amp; Rutherford, 2010, p. xvii). &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Essas ideias e práticas ligadas à dimensão psicológica da existência humana podem ser, de maneira geral, incluídas dentro do campo de estudos da história das ideias psicológicas (Massimi, 2020). Elas também podem ser consideradas como parte da história social, quando vistas de uma perspectiva historiográfica externalista (Lakatos, 1989), focando em suas relações com o contexto social e cultural nas quais são produzidas ou apropriadas, em um processo denominado “indigenização”, quando são combinadas com ideias e demandas locais (Danziger, 2006; Kelley, 2002). Além disso, o conhecimento produzido por seres humanos sobre si mesmos pode influenciar a maneira como vivem e interpretam suas próprias ações em sociedade, um processo descrito por Hacking (1999) como “efeito looping”. Nesse sentido, a construção do conhecimento psicológico, compreendido como o conjunto de visões e interpretações dos pensamentos, sentimentos e ações humanas, está profundamente enraizado no contexto social e cultural onde é inventado, difundido e apropriado através da interação humana. Por esse motivo, o conhecimento psicológico está fortemente ligado à sua realidade geográfica e histórica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste artigo, a história da psicologia no Brasil é abordada. Aqui, entende-se que a palavra “psicologia” se refere à história de um campo de conhecimentos culturais, filosóficos, científicos e profissionais, e de práticas sobre pensamentos, sentimentos e ações humanas, desenvolvidas no país desde o início da colonização portuguesa em 1500.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os historiadores da psicologia geralmente descrevem o campo do pensamento psicológico em termos de ideias e explicações sobre a natureza humana produzidas por culturas e sociedades humanas em diferentes períodos históricos, a partir de um ponto de vista cultural ou filosófico, ou como um campo de investigação científica que faz parte da ciência moderna. Ideias psicológicas podem ser relacionadas à evolução do pensamento filosófico, destacando reflexões sobre a natureza humana e as estruturas psicológicas exploradas por antigos pensadores, na tentativa de estabelecer continuidade na história do pensamento (por exemplo, Allport, 1968; Boring, 1950; entre outros). Outros historiadores enxergam uma ruptura nessa história com o nascimento da ciência moderna, do século XVI em diante, principalmente a partir do século XIX, quando os primeiros laboratórios de psicologia foram inaugurados (Danziger, 2013; Hilgard, 1987; Reuchlin, 1999, entre outros). De acordo com Brožek (1999, p. 179), “o termo ‘psychologia’ apareceu no século XVI, na Europa, como um termo erudito equivalente ao título dos tratados tradicionalmente nomeados em latim como “De anima” (Da Alma)”, na tradição aristotélica. Vidal (2011) data o século XVIII como o período de institucionalização do campo da psicologia na modernidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da psicologia no Brasil também pode ser dividida em períodos, cada um deles dominado por perspectivas culturais ou filosóficas da compreensão humana, ou por abordagens científicas, empíricas, das mentes, sentimentos e comportamentos humanos, começando com a descoberta feita pelos navegadores portugueses, em 1500, do território da América do Sul onde o país se localiza. Esses períodos são: (1) o período colonial, entre 1500 e 1822, quando a região foi colonizada pelo império português e, brevemente, pelo império espanhol, que dominou Portugal entre 1580 e 1640 enquanto colonizava regiões da América Central e da América do Sul. Durante esse período, a população do país foi formada, miscigenando indígenas, colonizadores portugueses, missionários e comerciantes estrangeiros que vieram de outras regiões do globo, e escravos trazidos da África. Naquela época, a composição da população teve um impacto considerável no desenvolvimento das ideias psicológicas. Pode-se diferenciar as concepções dos indígenas sobre a natureza humana, os ensinamentos de padres católicos e missionários sobre as ideias da psique, derivadas da tradição aristotélico-tomista da filosofia, e as influências das mitologias e religiões populares da África. Como nenhuma universidade foi criada no país durante esse período, as elites brancas eram majoritariamente educadas em Portugal, na Universidade de Coimbra, ou em colégios jesuítas fundados nos maiores centros urbanos (Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo), onde circulavam as ideias da clássica tradição filosófica da Europa. (2) O período imperial, que começou com a declaração de independência de Portugal, em 1822, e terminou com a proclamação da república brasileira em 1889. Durante esse período, abordagens filosóficas e científicas da psique humana, que originaram na Europa, circularam nas recém criadas faculdades de medicina e direito, e contribuíram para a formação do higienismo e para a orientação moral da população por médicos em contato com as universidades europeias, um movimento que promoveu maior circulação da ciência moderna no interior do país. (3) O período republicano, de 1889 em diante, quando a circulação e o desenvolvimento da psicologia científica começaram nas recém criadas escolas de formação de professores, universidades e instituições de saúde mental, promovendo produções originais no campo da psicologia científica e a expansão dos serviços psicológicos. (4) De 1962 até o presente, quando a profissão de psicólogo foi regulamentada, e quando a formação de psicólogos a nível universitário foi expandida e contribuiu para a composição de uma das maiores comunidades de psicólogos no mundo, com uma forte conexão e diálogo com a cultura brasileira (Antunes, 1999; Massimi, 1990). Durante esse período, pode-se observar também uma contínua institucionalização dos programas de pesquisa e pós-graduação na área, com ênfase na relação entre psicologia e processos socioculturais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste artigo, o termo “psicologia” será compreendido com diferentes significados, a depender do período histórico analisado. Reflexões sobre a psique humana e práticas sociais referentes às emoções e à esfera moral, durante o período colonial, serão compreendidas como parte da história das ideias psicológicas. Do século XIX em diante, com o estabelecimento dentro do país das instituições de ensino superior nas áreas da medicina e do direito, das escolas de formação de professores e o início de um sistema de saúde mental gerido por médicos, a palavra “psicologia” referenciará as produções intelectuais relativas à ciência moderna. Começando pela segunda metade do século XX, com a regulamentação legal da profissão de psicólogo e o aumento do número de atuantes no campo, na sua maioria mulheres, a palavra referenciará tanto as produções científicas quanto a aplicação do conhecimento psicológico nas instituições de educação, trabalho e saúde mental, assim como na prática privada. Durante esse período posterior, uma característica já observada nos períodos anteriores e reconhecida como uma contribuição original da psicologia produzida na América Latina, especialmente no Brasil (Campos, 2006; Jodelet, 2015) — a ênfase na dimensão sociocultural da experiência humana dentro do campo da psicologia, com uma notória presença da psicologia social na educação dos psicólogos no país —, será explorada e documentada no processo de profissionalização dos psicólogos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este artigo se baseia em uma leitura metateórica da literatura mais recente sobre a história da psicologia no Brasil, desde o estabelecimento do grupo de pesquisa sobre história da psicologia na Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (Campos, Jacó-Vilela, &amp;amp; Massimi, 2010). Diversos trabalhos investigaram fontes originais encontradas em arquivos históricos brasileiros (Antunes, 1999; Assis &amp;amp; Peres, 2016; Bomfim, 2003; Facchinetti &amp;amp; Jacó-Vilela, 2019; Massimi, 1990; Massimi &amp;amp; Guedes, 2004; Rocha, 2004; entre outros). Outros estudos foram desenvolvidos, alguns com auxílio do Conselho Federal de Psicologia, fundado em 1971, documentando a história e avanços recentes na profissão de psicólogo no país (Bastos &amp;amp; Gondim, 2010; Bock, 1999; Campos, 2001; Conselho Federal de Psicologia, 1988, 1992, 1995; Yamamoto &amp;amp; Costa, 2010). Vários desses estudos documentam a interação entre a diversidade sociocultural do Brasil e o desenvolvimento da psicologia no país, seja como um campo de pensamentos filosóficos e culturais, de investigação científica ou de práticas profissionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ideias Psicológicas no Período Colonial (1500-1908) — Encontros e Contradições entre Culturas ==&lt;br /&gt;
A cultura brasileira, que começou a ser formar em 1500 com a descoberta e colonização do imenso território da América do Sul pelo reino de Portugal, desenvolveu-se progressivamente a partir da miscigenação de diferentes povos: os indígenas, habitantes originários do território; os africanos, levados ao país para trabalharem como escravos nas grandes plantações e no meio urbano entre os séculos XVI e XIX; os próprios portugueses, que criaram organizações econômicas, políticas e culturais durante o longo período colonial entre o século XVI e o início do XIX; e também viajantes, comerciantes e imigrantes de diferentes partes do mundo que se estabeleceram no país ao longo de sua história (Azevedo, 1996; Ribeiro, 2015).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A contribuição desses grupos, das mais variadas origens, para a construção dos filamentos socioculturais que constituem a principal característica na formação do povo brasileiro, resultou em encontros entre diferentes visões de mundo e formas de vida social, acompanhados tanto pela empatia quanto pelo conflito. Para explicitar isso, as características psicológicas e psicossociais dos indígenas, europeus e africanos, que formaram essa cultura brasileira majoritariamente sincrética, serão brevemente apresentadas, tendo todas deixado profundas marcas ao longo do tempo. Uma destas, ainda presente na sociedade brasileira contemporânea, é a extrema desigualdade social e cultural estabelecida no país, com as elites tradicionais, detentoras do poder econômico e político, de um lado, e os outros grupos étnicos vivendo predominantemente na pobreza, do outro (Skidmore, 2004; Souza, 2018). A participação destes na distribuição de riquezas sempre foi limitada, apesar das contribuições bastante sofisticadas que incorporaram à diversificada composição social e cultural do Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Cultura Indígena ===&lt;br /&gt;
Quando os colonizadores portugueses desembarcaram pela primeira vez na parte leste da América do Sul, eles encontraram os habitantes originários, os aborígenes, os quais chamaram de “os povos indígenas”. Aproximadamente 1.000.000 de indígenas viviam espalhados ao longo do território em comunidades autônomas, ramificadas a partir de um tronco principal chamado Tupi-Guarani, o qual havia habitado a região por inúmeras gerações (Ribeiro, 2015). Esses povos tradicionais foram divididos em aldeias independentes uma das outras, que viviam sob um regime descrito como “comunismo primitivo” (Saviani, 2010), em comunidades que compartilhavam seus meios de subsistência. Eventualmente, as aldeias iriam entrar em conflito pela exploração do melhor pedaço de terra ou por outros motivos. A história dessas aldeias e de suas culturas foi transmitida oralmente, no interior de um sistema social baseado em laços familiares e comunitários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As informações sobre os estilos de vida, representações do mundo, crenças e línguas dos povos indígenas na época da descoberta e durante o período colonial, estão apenas disponíveis em relatos de viajantes, colonizadores e missionários que estiveram no território que chamamos de Brasil hoje em dia. Esses relatos fornecem evidências dos diferentes pontos de vista dos visitantes em relação aos aspectos psicológicos e psicossociais da cultura aborígene.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existem relatos que descrevem os povos indígenas vivendo em uma relação quase paradisíaca com a natureza, suas famílias, crianças e com a comunidade, consonante ao mito do &#039;&#039;bon sauvage&#039;&#039; de Rousseau, o qual alguns autores consideram ter sido inspirado por esses povos ancestrais encontrados na América (Dent, 1996). Nesses relatos, os habitantes da terra são retratados como pacíficos, e amorosos para com suas crianças (Massimi, 1990).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros relatos, como aqueles produzidos por Manoel da Nóbrega, que também foi um jesuíta e o primeiro líder provincial da Companhia de Jesus no Brasil, escritos entre 1549 (data do começo das missões jesuíticas no país) e 1561, fornecem uma visão mais pessimista da relação com os povos indígenas. Em seus relatos sobre o contato com os indígenas, Nóbrega relata tanto experiências positivas (a cordialidade dos indígenas ao receberem os missionários) quanto negativas, quando se depara com a resistência ao seu projeto de evangelização causado pelas crenças e costumes aborígenes (Massimi, 1990; Nóbrega, 2006).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O antropólogo Claude Lévi-Strauss (2007), ao descrever a estrutura de uma aldeia indígena no Brasil da década de 1930, percebeu o seguinte: o ser humano, para os nativos, não era considerado um indivíduo autônomo, mas uma pessoa, que faz parte de um universo sociológico existente desde tempos imemoriais, dentro do qual os papéis dele ou dela teriam sido desde sempre prescritos. Essa atribuição prévia de funções estaria inscrita na própria estrutura da aldeia, onde a localização das moradias e as regras para habitá-las determinariam os papéis sociais e as visões de mundo dos habitantes. Essa concepção, genericamente denominada “perspectivismo” na antropologia (Viveiros de Castro, 2002), enxerga o mundo como habitado por diferentes espécies de sujeitos (humanos e não humanos), os quais o apreendem a partir de diferentes pontos de vista. Nesse mosaico de perspectivas, tanto humanos quanto não humanos podem enxergar-se como pessoas, dotadas de espírito, e por vezes com intencionalidade. O universo seria então povoado com intencionalidades humanas e não humanas dotadas com suas próprias perspectivas. Essa cosmologia parece expressar uma certa fragilidade do humano diante das forças da natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Cultura Europeia ===&lt;br /&gt;
A colonização do território brasileiro pelos portugueses começou em 1500, com sua descoberta feita por uma frota portuguesa que descia a costa africana a caminho das então chamadas Índias Orientais. Segundo Saviani (2010), tal processo foi realizado em três dimensões: tomando a posse da terra e explorando-a, o que implicava a subjugação dos habitantes locais (os moradores originais); sua educação na forma de aculturação, isto é, a imposição ao colonizado das práticas, técnicas, símbolos e valores dos colonizadores; e a catequização, compreendida como a busca de conversão do colonizado à religião do colonizador e sua disseminação. Nesse sentido, e como o estado português estava associado à religião católica, os primeiros missionários ligados à Igreja Católica Romana desempenharam um importante papel na primeira formatação das dimensões psicológica e psicossocial do ser humano no contexto colonial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os jesuítas, orientados diretamente por Inácio de Loyola e pela Companhia de Jesus, fundada por ele com o objetivo de levar a religião católica aos novos impérios coloniais sendo formados no Novo Mundo e na Ásia, inauguraram várias escolas nas primeiras cidades brasileiras, onde implantaram o método educacional do &#039;&#039;Ratio Studiorum&#039;&#039; e o ensino da psicologia filosófica (Saviani, 2010).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicologia ensinada no ciclo de estudos superiores das escolas jesuítas concentrava-se no estudo dos processos psicológicos descritos na matriz filosófica de Aristóteles e São Tomás de Aquino, e na leitura de tratados escritos em Coimbra, Portugal. Estes foram utilizados no ensino de filosofia da Universidade de Coimbra, e chegaram ao Brasil na bagagem dos missionários a partir do século XVI. Eles buscavam reconciliar a filosofia clássica com problemas do cotidiano, para que os padres pudessem transmitir conhecimento e valores em suas missões de evangelização (Massimi, 2020).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa psicologia ensinada nas escolas jesuíticas era utilizada por padres nas missas realizadas em inúmeras paróquias espalhadas por todo território brasileiro. Assim, enquanto as escolas promoviam uma formação de elite para os noviços, filhos de grandes proprietários de terras e de funcionários públicos, que moravam nas  cidades maiores  espalhadas ao longo da costa brasileira, a educação básica era dada nas residências das classes mais ricas e nas paróquias. Nessas paróquias, o sermão era proferido nas missas de domingo e em outras festividades; muitos dos famosos sermões foram publicados posteriormente. Essas falas dos religiosos tinham uma função educativa, sendo seus objetivos evangelizar a população e transmitir as histórias sagradas com seu significado moral. Nesse processo, eles ocuparam um lugar importante na transmissão da cultura cristã ocidental à população local, tanto urbana quanto rural (esta última sendo a maioria) (Massimi, 2020).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Cultura Africana ===&lt;br /&gt;
Outra fonte de conhecimento psicológico e de sincretismo cultural pode ser encontrada nas raízes africanas, as quais vieram a compor parte da cultura brasileira através da chegada de trabalhadores escravos, que contribuíram para a geração de riquezas na agricultura, criação de gado e mineração, constituindo o panorama econômico do período colonial a partir da metade do século XVI. Os africanos eram vendidos como escravos para trabalharem nas grandes propriedades rurais e, no ambiente urbano, nos lares das famílias mais prósperas. Por meio desse tráfico, o Brasil recebeu aproximadamente 5 milhões de africanos, representando 40% dos 12.5 milhões que embarcaram à América ao longo de três séculos e meio. Por esse motivo, hoje o país apresenta a segunda maior população negra do planeta, atrás apenas da Nigéria. Também foi, entre os países do Novo Mundo, o que mais demorou para abolir o tráfico de escravos (interrompido em 1850) e o último a proibir a própria escravidão, através da Lei Áurea de 1888, que proibiu o trabalho escravo em território brasileiro de maneira definitiva (Gomes, 2019).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O antropólogo Gilberto Freyre (1900-1987), que realizou estudos aprofundados sobre a composição da sociedade brasileira durante o período colonial, afirma que, a partir de 1532, tal composição era predominantemente formada por famílias rurais ou semi rurais, dependentes da agricultura e da escravidão, junto da influência intelectual da Companhia de Jesus. A família teria sido o fator colonizador por excelência, tanto como matriz econômica responsável pelas produtivas terras agrícolas — as &#039;&#039;plantations&#039;&#039; — bem como pela organização política, governada com mão de ferro pela aristocracia rural, sendo portanto uma fonte de normas culturais. Foi justamente a necessidade de trabalhadores nas grandes plantações que promoveu o tráfico de africanos escravizados, trazidos através do Oceano Atlântico por três séculos. Os africanos trouxeram consigo suas crenças e tradições culturais, e gradualmente  fizeram suas contribuições para a formação da cultura brasileira. Eles pertenciam a diversos povos africanos, especialmente aos grupos Bantu e Sudanês (Freyre, 1958).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sistema escravocrata apresenta influências positivas e negativas na composição social brasileira. Pelo lado negativo, as características psicológicas e psicossociais que a escravidão promove não podem ser negadas: a disparidade social e política criada entre seres humanos (Schwarcz, 1993). A primeira tendência dos colonizadores havia sido, obviamente, tentar escravizar os indígenas, mas essa tendência se deparou com a implacável resistência dos catequistas, o que levou os donos de terra e comerciantes a buscarem a alternativa do tráfico negreiro, com todos os problemas e insuficiências que decorreram desse processo. Entre eles, houve principalmente a separação social entre pessoas livres e escravizados, e os hábitos nem um pouco humanitários que a situação provocou entre aqueles que estavam do lado privilegiado da relação senhor-escravo. Esse desequilíbrio de poder causado pela escravatura é o que teria gerado o preconceito de cor na cultura brasileira (uma maneira tendenciosa e antiética de justificar a escravidão dos africanos). Também foi responsável pela presença daquilo que o antropólogo Gilberto Freyre (1958) chamou de relações sadomasoquistas, junto das outras formas de autoritarismo exacerbado e desumano entre brancos e negros, numa dialética destrutiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a presença dos africanos trouxe influências culturais e práticas com um forte impacto na mente popular, e na organização espontânea de um sistema comunitário de ajuda e aconselhamento em relação a questões psicológicas e psicossociais.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Religiões de origem africana foram a fonte, por exemplo, do dito candomblé, na Bahia, ou da macumba, no Rio de Janeiro, religiões sincréticas com raízes no período colonial que misturam influências africanas, ameríndias, católicas e espíritas em sistemas religiosos de crenças e práticas panteístas, com muitos seguidores nas classes populares do Brasil (Bastide, 2001).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A presença de religiões e cultos de origem africana, portanto, como a macumba e o candomblé, tem marcado a sociedade brasileira desde o período colonial. Essa presença contribuiu para a disseminação de conhecimentos psicológicos e de práticas socioculturais entre as populações mais pobres, resultantes da mistura de elementos das culturas africana, ameríndia e cristã ocidental, com um forte impacto na cultura tradicional brasileira. A partir dessas misturas emergem novas formas de conceber os fenômenos psicológicos e psicossociais, e também a organização de uma extensa rede voltada para a reflexão sobre questões ligadas ao desenvolvimento humano, à regulação da coexistência entre as pessoas e grupos sociais e à vida familiar. Essas questões persistiram na sociedade brasileira, e seriam abordadas pelo conhecimento científico e psicológico que circulou no país a partir do final do século XVIII, sobretudo nas áreas médica e educacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Século XIX — O Período Imperial e a Inserção da Cultura Científica no Brasil ==&lt;br /&gt;
Para entender como a ciência moderna chegou ao Brasil, é necessário compreender as transformações que ocorreram no sistema educacional português e brasileiro ao final do século XVIII. Naquela época, uma profunda reforma educacional foi iniciada em Portugal, na tentativa de superar os ensinamentos ministrados pelos jesuítas e outras congregações, e promover: &amp;lt;blockquote&amp;gt;“o desenvolvimento da cultura geral, o incremento das indústrias, o progresso das artes, o progresso das letras, o progresso científico, a vitalidade do comércio interno, a riqueza do comércio externo, a paz política, a elevação do nível de riqueza e bem-estar” (Pombal, citado por Saviani, 2010, p. 81). &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Essencialmente, o projeto da Coroa Portuguesa (que incluía o Brasil, sua maior e mais importante colônia) era claramente promover a modernização da sociedade, por meio de reformas educacionais que tornariam o ensino mais prático e compatível com a ciência moderna. A reforma social também incluiu a extinção dos privilégios da nobreza, a expulsão dos jesuítas do território português e a união da igreja ao estado (tornando-a independente de Roma). As escolas jesuítas, tanto na metrópole como nas colônias, foram fechadas, substituindo seu ensino ministrado às elites por um sistema de “aulas régias” mantido pela monarquia. Nesse sistema, o qual levou alguns anos para ser estabelecido em todo o império, os professores pagos pela Coroa Portuguesa deveriam ensinar a leitura, escrita, aritmética, noções do latim, grego, retórica, e filosofia em escolas chamadas “inferiores” ou em suas casas. Ao mesmo tempo, uma ampla reforma no ensino universitário foi levada a cabo, aplicada na Universidade de Coimbra (a mais importante do Império Português, fundada em 1290) e em outras instituições de ensino superior existentes em Portugal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A criação dessas primeiras escolas profissionais no Brasil foi uma das consequências da transferência da capital do Império Português ao Rio de Janeiro em 1808, e a instituição, em 1816, do Reino Unido, o qual congregou os territórios de Portugal, Brasil, e das outras colônias portuguesas na África e Ásia. A transferência da corte, resultante da invasão de Napoleão à Península Ibérica, impulsionou a criação, em 1808, da Escola de Cirurgia da Bahia, e da Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro. Ambas foram fundadas junto aos hospitais militares reais nessas cidades, os maiores centros urbanos brasileiros da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1822, o país tornou-se politicamente independente com o imperador Pedro I (1798-1834), filho do rei de Portugal, D. João VI (1767-1826), que havia retornado à metrópole alguns anos antes, assumindo o poder. A independência promoveu a reorganização política, social e cultural do país, numa perspectiva mais pragmática. A nova elite dominante, liderada por intelectuais e profissionais formados na Europa (Coimbra, França, Bélgica), e inspirada pelas teorias mecanicistas e sensualistas, assumiu o controle do projeto de modernização do país. Nesse processo, escolas de nível superior, academias, sociedades científicas e bibliotecas foram criadas. Em 1832, as Faculdades de Medicina e de Direito foram efetivamente organizadas. As teses defendidas nessas novas faculdades de medicina constituem uma importante fonte para o desenvolvimento das primeiras abordagens científicas da psicologia no país. Estudos já realizados sobre esse conjunto de trabalhos e sobre as práticas médicas do período fornecem evidências de que a formação em psiquiatria, no decorrer do século XIX, foi construída principalmente sob a influência da medicina francesa e, em menor medida, sob as escolas alemãs e inglesas. Os profissionais da medicina, no geral um pequeno número quando comparados ao tamanho da população, eram generalistas, dando prioridade à chamada medicina familiar. Nessa posição, tratavam os membros do grupo familiar como clínicos, cirurgiões ou parteiros, e também exerciam a função de conselheiros, sendo consultados sobre dificuldades domésticas, problemas de saúde física, bem como questões de saúde mental. Assim, eles desempenharam um importante papel, não apenas como profissionais da saúde, mas também como veículos de transmissão da cultura científica e na orientação da população acerca dos hábitos de higiene, física ou mental. Algumas das teses, defendidas tanto na Faculdade de Medicina da Bahia quanto no Rio de Janeiro, lidam com os aspectos psicológicos e psicossociais da saúde, e foram situadas na esfera da medicina social a partir da perspectiva da matriz higienista. O projeto médico da época foi efetivamente civilizar a população, considerada um tanto ignorante das técnicas modernas de saneamento e de higiene, física e/ou mental. As ideias do psiquismo também reaparecem renovadas nessas teses. A abordagem psiquiátrica de caráter mais organicista iria prevalecer, principalmente após a inauguração do primeiro hospital psiquiátrico do Brasil, o Hospício Pedro II, iniciado em 1852 no Rio de Janeiro. A partir desse momento, as cátedras de psiquiatria higiênica, psiquiatria clínica e de doenças mentais foram criadas, as quais, em associação às cátedras já existentes de medicina forense, marcaram o começo da organização do campo da psiquiatria tanto em termos teóricos quanto práticos. Os principais autores estudados foram os psiquiatras franceses Philippe Pinel (1745–1826), Jean-Étienne Dominique Esquirol (1772–1840) e Bénédict-Augustin Morel (1809–1873). Esses teóricos, adeptos do internamento em hospícios para os indivíduos que sofrem de doenças mentais, consideravam que a loucura tinha causas tanto físicas quanto morais. O tratamento que eles apoiavam incluía a disciplinarização do doente, rotinas rigorosas nos hospitais, e atividades para controlar as emoções e os sentimentos. Entre os doentes mentais, estavam incluídos os chamados idiotas e retardados. A teoria da degeneração de Esquirol postulava ainda que a alienação mental seria causada por predisposições inatas, agravadas por influências ambientais tanto físicas (clima, condições não higiênicas de alojamento ou de nutrição) como morais (ignorância, fanatismo, perturbação dos costumes). Nesse caso, o tratamento também incluiria a mudança de hábitos, uma questão psicológica (Jacó-Vilela, Esch, Coelho, &amp;amp; Rezende, 2004; Lourenço Filho, 2004; Pessotti, 1975; Rocha, 2004).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros autores que influenciaram a psiquiatria brasileira, mais próximo ao final do século XIX e início do século XX, foram Wilhelm Wundt (1832–1920), o fundador do laboratório de psicologia da Universidade de Leipzig, na Alemanha, em 1879, também conhecido como o fundador da psicologia científica, e Théodule Ribot (1839–1916), fundador da Sociedade de Psicologia Fisiológica na França, em 1885. Tanto Wundt quanto Ribot influenciaram o desenvolvimento da psiquiatria no Brasil na busca de apoiar a psicologia em estudos empíricos, rompendo com a tradição de especulações filosóficas (Lourenço Filho, 2004).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas novas fontes teóricas, na medida em que buscavam definições experimentais em psicopatologia, também foram importantes pelas suas propostas de intervenções práticas na gestão da vida humana em cidades brasileiras, as quais estavam iniciando o processo de expansão que se intensificaria ao longo do século XX. Essas intervenções visavam promover o contato mais direto dos profissionais da saúde mental com a realidade das famílias brasileiras, sobretudo a das periferias urbanas, que sofriam com a falta de oportunidades educacionais e eram fortemente influenciadas pelas crenças da cultura tradicional, ameríndia ou afro-brasileira (Machado, Loureiro, Luz, &amp;amp; Muricy, 1978).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um documento interessante que fornece evidências do nível de informação sobre as tendências europeias na psicologia científica, que circulou no Brasil em meados do século XIX, é o livro publicado por Dr. Eduardo Ferreira França (1809-1857) na Bahia, em 1854.  França graduou-se com um diploma de medicina na Universidade de Paris em 1834, e tornou-se professor na Faculdade de Medicina da Bahia. Enquanto foi estudante em Paris, ele estudou as obras do filósofo francês Étienne Condillac (1714–1780), que defendia que todas as ideias provêm das sensações e propôs um método para analisar as ideias, reduzindo-as aos seus elementos mais simples. Estudou também as obras de Maine de Biran (1766-1824), um filósofo espiritualista que propôs a análise da consciência através da introspecção; os dois autores fizeram parte da história da psicologia na França (Nicolas, 2001).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A principal obra de França, &#039;&#039;Investigações em Psychologia&#039;&#039;, publicada em 1973, é apresentada em dois volumes, um com 284 páginas e outro com 424 páginas. Considerado por Rocha (2004) um dos primeiros livros escritos nas Américas que contém a palavra “Psicologia” no título, a obra está dividida em seis seções, abordando os seguintes assuntos: (a) a consciência e suas faculdades; (b) modificabilidade (sensibilidade, afetividade); (c) motividade (movimentos); (d) faculdades intelectuais I (percepção interna e externa, relações entre suas qualidades e hábitos); (e) faculdades intelectuais II (sensibilidade cerebral, sono, sonhos, consciência, razão, memória, imaginação, abstração, composição, generalização, juízo, faculdade do futuro, faculdade da fé, ideia), instintos (físicos, intelectuais, sociais e morais); e (f) vontade. O autor refere-se à psicologia como uma ciência moral, e postula que: &amp;lt;blockquote&amp;gt;“há no homem duas ordens bem distintas de fenômenos, os fisiológicos e os psicológicos; que a separação entre a fisiologia e a psicologia firma-se em uma base sólida. (. . .) Estas duas ciências esclarecem-se mutuamente, mas não deixam por isso de ser distintas e hoje não é lícito confundir a psicologia com a fisiologia sem mostrar que se desconhece o que é o homem” (França, 1973, p. 50). &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Nesse livro, escrito em 1854, França estava certamente anunciando o interesse pela psicologia científica que seria observado nos anos posteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final do século XIX, a influência do positivismo fortaleceu o movimento pela modernização do país. Para os intelectuais e políticos, influenciados pelo darwinismo social, “a forte presença de descendentes africanos e da miscigenação se tornou a principal justificativa para o atraso do país. A transformação da diferença biológica em justificativa da desigualdade social — como proposta pela teoria da degeneração na psiquiatria francesa — levou à conclusão de que, com o tipo de população que habitava o Brasil, o objetivo de construir uma nação civilizada como as da Europa era praticamente impossível” (Facchinetti &amp;amp; Jacó-Vilela, 2019, p. 3). Entretanto, nos próximos anos, novas medidas seriam tomadas pelos intelectuais brasileiros na tentativa de superar os problemas sociais do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Psicologia Científica e a Criação dos Primeiros Laboratórios e Serviços de Saúde Mental ==&lt;br /&gt;
Com o estabelecimento do regime republicano (1889), ampliou-se a consciência, entre as elites brasileiras, da necessidade de expandir e modernizar os sistemas públicos de educação e saúde no país. Alguns médicos e professores das faculdades de medicina do Rio de Janeiro e da Bahia, interessados pela nova ciência da psicologia, entre eles Maurício de Medeiros (1885–1966) e Manoel Bomfim (1868–1932), visitaram laboratórios europeus, como o Laboratório de Psicologia da Faculdade de Medicina da Sorbonne, dirigido por Georges Dumas (1866-1946), e o Laboratório de Psicologia associado à École Pratique des Hautes Études, também vinculado à Sorbonne, dirigido por Alfred Binet (1857-1911). Também sabiam da existência do Laboratório de Psicologia da Universidade de Genebra, inaugurado por Théodore Flournoy (1854–1920) e posteriormente dirigido por Édouard Claparède (1873–1940). Retornando ao Brasil, alguns desses profissionais inauguraram os primeiros laboratórios de psicologia do país, associados a instituições de saúde mental e de educação. Sob a influência do positivismo, eles pensavam que a ciência seria uma importante ferramenta para solucionar os problemas sociais e promover o desenvolvimento social e econômico do país. Seus trabalhos ajudaram a consolidar a psicologia enquanto uma disciplina acadêmica e um campo de aplicação entre nós (Campos, 2006; Lourenço Filho, 2004; Olinto, 2004).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A criação do primeiro laboratório de psicologia ocorreu no Rio de Janeiro, no Pedagogium, uma instituição criada em 1890 com a finalidade de oferecer cursos, promover o desenvolvimento de materiais pedagógicos avançados baseados em trabalhos experimentais nas áreas da física e das ciências naturais, e de publicar um periódico, a &#039;&#039;Revista Pedagógica&#039;&#039;. Em 1897, Medeiros e Albuquerque (1867-1934), diretor da instrução pública no Distrito Federal (na época, Rio de Janeiro, capital do país), promoveu no Pedagogium uma série de conferências sobre a fisiologia do sistema nervoso. As conferências foram dadas por Antonio Austregésilo (1876-1961), um dos primeiros médicos a se interessar pela psicanálise no Brasil. Ao mesmo tempo, o médico Maurício de Medeiros (1885-1966), voltado para estudos experimentais na psicologia (Medeiros, 1907), iniciou as atividades de um laboratório psicológico que tinha sido planejado com a ajuda de Alfred Binet, em Paris. Em 1906, Manoel Bomfim (1868-1932) tomou posse da direção do Pedagogium e assumiu a coordenação desse Laboratório de Psicologia, onde expandiu os estudos em psicologia e educação, e sobre o uso de testes mentais nas escolas (Antunes, 1999; Jacó-Vilela, 2014). Esse autor opôs-se às teorias racistas sobre a constituição do povo brasileiro, e participou ativamente no movimento pelos avanços na educação popular, que em sua opinião, era a melhor forma de desenvolver a consciência de cidadania da população e a democracia no país (Bomfim, 1905). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um segundo Laboratório de Psicologia (inicialmente denominado Laboratório de Pedagogia Experimental) foi criado em 1913, na Escola Normal de São Paulo, sob a direção de Ugo Pizzoli (1863-1934), um especialista italiano formado em Modena, na Itália. Pesquisas sobre o raciocínio, grafismo, memória, cinética, tipos intelectuais e associação de ideias em crianças foram realizadas nesse laboratório. Os cursos lecionados por Pizzoli abordavam exames físicos, antropológicos, fisiológicos e psicológicos (Centofanti &amp;amp; Tomasini, 2014). Após Pizzoli ter retornado à Itália, os professores Lourenço Filho (1897-1970) e Noemy Silveira (1902-1988) assumiram a direção do laboratório, e promoveram pesquisas sobre testes de desenvolvimento mental, investigações sobre o brincar, a leitura, a influência dos filmes nas crianças e a mensuração da aprendizagem infantil. Um novo teste para avaliar a maturidade necessária à aprendizagem da leitura e da escrita — o ABC — foi desenvolvido pela dupla na época, para ser utilizado no ensino primário. Esse teste consistia em uma adaptação da escala de inteligência Binet-Simon, e foi amplamente utilizado nas escolas brasileiras ao longo do século XX. Ao mesmo tempo, Lourenço Filho desenvolveu estudos experimentais de processos psicológicos e publicou um artigo bem conhecido sobre o estudo experimental do hábito, definido como a constante de dada reação ao mesmo estímulo. A curva obtida em diversos estudos com seus alunos na Escola Normal de São Paulo foi considerada pelo autor um protótipo da curva de aprendizagem do ser humano, com “um alto valor prático do ponto de vista das aplicações pedagógicas, e assim também um valor teórico fundamental, como esquema interpretativo da conduta humana, consciente ou automática” (Lourenço Filho, 1971, p. 32). O historiador da psicologia, Isaías Pessotti, considera essa curva como uma antecipação da curva de aprendizagem obtida por B. F. Skinner (1904-1990) alguns anos depois em seus estudos sobre o processo de aprendizagem (Pessotti, 1975).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante as décadas de 1920 e 1930, Lourenço Filho se tornou um dos líderes mais importantes do movimento da Escola Nova no Brasil. Em 1929, ele publicou um clássico estudo sobre a conexão desse movimento com as ciências da educação, o livro intitulado &#039;&#039;Introdução ao estudo da Escola Nova&#039;&#039;, revisto e reimpresso 14 vezes (Lourenço Filho, 2002). Nesse livro, a psicologia científica é apresentada como um conhecimento essencial para os educadores, suas contribuições sendo: o estudo das variações psicológicas com a idade, a diferenciação entre as características psicológicas de crianças e adultos, a descrição das semelhanças humanas e das diferenças individuais e a elaboração de um modelo genético-funcional para explicar o desenvolvimento psicológico. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interesse em aspectos específicos da cultura brasileira foi também despertado entre os médicos que receberam estudantes brasileiros na França. Entre 1901 e 1905, médicos franceses visitaram o Brasil para estudar as doenças tropicais. O interesse do governo francês em fortalecer a representatividade da cultura francesa na América Latina levou à criação, em 1908, do “Agrupamento de universidades e grandes escolas na França para relações com a América Latina”&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt;, dirigido pelo psiquiatra Georges Dumas, catedrático de psicologia no Collège de France, professor na Sorbonne desde 1902, e um dos fundadores da Sociedade Francesa de Psicologia. Entre 1908 e 1947, essa associação de instituições de ensino superior promoveu a realização de várias conferências no Brasil ministradas por professores universitários franceses envolvidos com a área da psicologia, entre eles os psiquiatras Henri Wallon (1879–1962), Pierre Janet (1859–1947), Théodore Simon (1873–1961) e Henri Piéron (1881–1964) (Melo &amp;amp; Campos, 2014). Wallon e Janet eram professores de psiquiatria na Sorbonne, enquanto Simon e Piéron eram especialistas em psicologia aplicada e testes mentais. Simon foi o parceiro de Alfred Binet na invenção dos testes de inteligência, e se tornou o diretor do Laboratório de Psicologia na Sorbonne após a morte de Binet, em 1911. Piéron foi o fundador do Instituto de Psicologia de Paris em 1920, e em 1928 criou o Instituto Nacional de Orientação Profissional na França, tendo sido um grande defensor da psicologia aplicada (Melo &amp;amp; Campos, 2014; Reuchlin, 1999). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As conferências de Georges Dumas abordavam principalmente o campo da psicologia patológica&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;, com explicações científicas para os fenômenos místicos do espiritismo e das possessões observadas nas religiões populares do Brasil, comparando-as às manifestações patológicas observadas na França da Idade Média. Psiquiatras brasileiros estavam interessados pelos estudos de Dumas por conta de suas experiências, com dificuldades parecidas, entre os seguidores do espiritismo de Allan Kardec (bastante popular no Brasil naquela época) e das religiões populares de origem africana (Melo, 2016). O Código Penal Brasileiro de 1890 havia tentado proibir “a prática do espiritismo, magia e seus sortilégios” (...) que afetavam a “credulidade” das pessoas, com prisão e multas, na tentativa de civilizar a população urbana e libertá-la das superstições místicas e fetichistas (Brasil, 1890). Ao mesmo tempo, psiquiatras estavam promovendo a legitimação da psicologia científica. Dumas também foi responsável pela organização do grupo francês de cientistas que estabeleceu as áreas de estudo da psicologia, antropologia e ciências sociais nas Universidades do Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo, fundadas respectivamente em 1920 e 1934, duas das primeiras universidades brasileiras (Cunha, 2007; Melo &amp;amp; Campos, 2014).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquela época, a maioria dos professores e praticantes da psicologia vinham das áreas da medicina, educação e direito. O &#039;&#039;Dicionário biográfico da psicologia no Brasil—Pioneiros&#039;&#039; (Campos, 2001) enumera 200 figuras que teriam iniciado estudos e práticas da psicologia desde o século XVI. Enquanto nos três primeiros séculos (XVI, XVII, XVIII) dezoito pioneiros foram identificados, a maioria das áreas de teologia e filosofia (os antigos missionários e professores de colégios jesuítas e de outras escolas), no século XIX eles eram graduados das áreas de medicina (36) e direito (19), interessados pela psiquiatria e medicina legal. Durante a primeira metade do século XX, a maioria dos profissionais e acadêmicos que se especializaram na área da psicologia eram graduados em medicina (28, sendo 25 homens e 3 mulheres) ou em educação (38, 10 homens e 28 mulheres). O Dicionário apresenta 20 especialistas com formação específica em psicologia ou psicanálise obtida em outros países, onde tais especializações estavam disponíveis (França, Alemanha, Áustria, Suíça, Estados Unidos, Canadá). A maioria dos graduados nas áreas da educação e da psicologia eram mulheres, uma tendência que continuará a prevalecer na profissão após sua regulamentação legal (Bastos &amp;amp; Gondim, 2010; Yamamoto &amp;amp; Costa, 2010).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Psicologia Ensinada nas Instituições de Ensino Superior e suas Aplicações nas Instituições de Educação, Saúde Mental e do Trabalho ==&lt;br /&gt;
Durante a década de 1920, o ensino da psicologia começou como uma disciplina independente nas instituições de ensino superior na área da educação, como na Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, em 1929, e no Instituto Pedagógico de São Paulo, em 1931. Essas escolas ofereciam a formação nas ciências da educação, tanto teórica quanto prática, com o propósito de promover a racionalização da administração escolar, inspirada pelo progressivismo e pelas ideias escolanovistas (Campos, 2012a; Lourenço Filho, 2004). Os serviços psicológicos foram estabelecidos na época, associados às instituições educacionais. Dentre esses serviços, destaca-se o Laboratório de Psicologia instalado em 1929 na Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Belo Horizonte, com a presença do psiquiatra francês Théodore Simon (1873–1961), na época visitando o Brasil para uma série de conferências sobre o uso de testes mentais para a organização do ensino primário e  na orientação profissional. O laboratório foi posteriormente dirigido por dois ex-alunos e ex-assistentes de Édouard Claparède no Instituto Rousseau em Genebra, a primeira instituição de ensino e pesquisa da Europa dedicada às ciências da educação em nível universitário (Hofstetter, 2010): Léon Walther (1889–1963) e Helena Antipoff (1892–1974). Um Serviço de Psicologia Aplicada (posteriormente denominado Laboratório de Psicologia Educacional), associado à Direção Geral do Ensino, em São Paulo, foi instalado em 1931 sob a direção de Noemy Silveira Rudolfer (1902–1988) com propósitos similares.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Helena Antipoff e Noemy Rudolfer foram exemplos de novas lideranças da educação no país que promoveram o papel da psicologia como a mais importante entre as ciências da educação, uma vez que essa ciência poderia fornecer aos educadores conhecimentos sobre seu principal objeto de estudo: a criança, o adolescente, o menino  ou a menina para quem a educação fosse destinada. Seus trabalhos introduziram inovações na pesquisa e na prática da psicologia na educação. Com formação em Ciências da Educação em Paris e Genebra, entre 1911 e 1914, Antipoff havia trabalhado como psicóloga na União Soviética, entre 1917 e 1924, em instituições públicas projetadas para hospedar crianças abandonadas e jovens que haviam perdido suas famílias durante aqueles anos de guerra e instabilidade social, e também trabalhou como assistente de Claparède na Universidade de Genebra entre 1926 e 1929 (Campos, 2012b). Quando assumiu a direção do Laboratório de Psicologia da Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Belo Horizonte, promoveu um estudo minucioso do nível de desenvolvimento mental das crianças em idade escolar e observou a forte relação entre o nível socioeconômico e os resultados dos testes de QI. Para explicar essa questão, ela propôs sua própria definição para a inteligência medida pelos testes como “inteligência civilizada”, isto é: &amp;lt;blockquote&amp;gt;“[a] inteligência revelada por meio desses testes é menos uma inteligência natural (como o quis Binet) que uma inteligência civilizada, mostrando, assim, que os testes se dirigem à natureza mental do indivíduo, polido pela ação da sociedade em que vive e desenvolvendo-se em função da experiência, que adquire com o tempo” (Antipoff, 1931, pp. 131–132). &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Noemy Rudolfer, aluna de Lourenço Filho na Escola Normal de São Paulo, estudou com John Dewey e outros progressivistas no Teachers’ College (escola de formação de professores) da Universidade de Columbia, em Nova York. Suas ligações ao movimento da Educação Nova&amp;lt;sup&amp;gt;3&amp;lt;/sup&amp;gt; na Europa e ao progressivismo educacional nos Estados Unidos, e sua dedicação ao sistema de ensino público no Brasil, as levaram a promover a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre o desenvolvimento da criança e do adolescente, e das diferenças individuais, para melhorar o planejamento da educação. Com esse propósito em mente, elas dirigiram, em Minas Gerais e em São Paulo, pesquisas em psicologia educacional ao longo das décadas de 1930 e 1940, focalizadas no desenvolvimento mental, atitudes e interesses das crianças em idade escolar. Ambas defenderam também a organização de salas de aula homogêneas (em termos do nível intelectual das crianças, medido por testes de QI) nas escolas elementares, e o atendimento psicológico de crianças com dificuldades escolares ou excepcionais em clínicas de orientação infantil (Antipoff, 1931; Rudolfer, 1931). Os fundamentos teóricos desses estudos fornecem evidências do pensamento das duas expoentes: as perspectivas genético-funcional e sociocultural de Helena Antipoff derivam da psicologia genebrina e da psicologia soviética, e as perspectivas pragmatista e funcionalista de Noemy Rudolfer foram inspiradas pelo trabalho dos intelectuais norte-americanos da Universidade de Columbia. Os laboratórios de psicologia que dirigiram foram ao mesmo tempo entidades de pesquisa, cujos trabalhos dariam continuidade à tendência já observada de produzir novos conhecimentos a respeito das características psicológicas e psicossociais das crianças e da juventude urbana brasileira, e instituições prestadoras de aconselhamento psicológico às suas famílias. O significado da expressão “laboratório de psicologia” englobava esses dois elementos (Campos, 2006).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estabelecimentos médico-pedagógicos, onde serviços de acolhimento e de cuidado com a saúde física e psicológica de crianças e adolescentes eram oferecidos por psiquiatras e educadores, foram criados em vários estados brasileiros na época. Em Recife, Pernambuco, no ano de 1925, o psiquiatra Ulisses Pernambucano (1892-1943) criou um serviço público dedicado à orientação psicológica e seleção profissional, o Instituto de Psicologia do Recife, vinculado Departamento de Saúde e Assistência do governo estadual, onde foram realizadas adaptações de testes mentais à população brasileira. Nesse serviço, foram também realizados estudos sobre o vocabulário das crianças em idade escolar, sobre o desenvolvimento de técnicas projetivas, e outros estudos experimentais, vários deles publicados nos &#039;&#039;Arquivos de Assistência aos Psicopatas de Pernambuco&#039;&#039;, periódico editado por Pernambucano e sua equipe. Uma &#039;&#039;Escola para Crianças Anormais&#039;&#039; foi também criada, ligada à Escola Normal de Recife, e no hospital de saúde mental da região, Pernambucano conduziu um estudo epidemiológico de doenças mentais prevalentes na população negra e mestiça (Antunes, 1999; Campos, 2006; Medeiros, 2001; Pernambucano &amp;amp; Campos, 1932).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros serviços psicológicos foram implementados em meados da década de 1920. Em Salvador, Bahia, Isaías Alves (1898-1968), que havia estudado com Edward Thorndike (1874-1949) e obtido um mestrado em psicologia na Faculdade de Professores da Universidade de Columbia, ensinou sobre psicologia educacional na escola de formação de professores da região e orientou professores do ensino primário no uso de testes mentais. Ele foi responsável pela primeira adaptação da escala de inteligência Binet-Simon (versão de Cyril Burt) para a população brasileira, e estudou a evolução psicológica de seus próprios filhos. Alguns anos depois, Alves se mudou para o Rio de Janeiro e assumiu a diretoria do Serviço de Testes e Medidas ligado à escola de formação de professores local, então renomeada Instituto de Educação, sob a liderança de Anísio Teixeira, outro expoente importante do movimento da Escola Nova (Alves, 1930; Antunes, 1999).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Rio de Janeiro, em 1934, Artur Ramos (1903-1949), psiquiatra e psicanalista formado na Faculdade de Medicina da Bahia, criou uma Seção de Ortofrenia e Higiene Mental no Instituto de Pesquisa Educacional da região, para o diagnóstico e tratamento de problemas educacionais e psicológicos das crianças. Em 1939, ele publicou um livro intitulado &#039;&#039;A criança-problema — A higiene mental na escola primária&#039;&#039; (Ramos, 1947), no qual problemas educacionais das crianças e da juventude são abordados a partir de uma abordagem ambientalista, culturalista. A ênfase de Ramos no papel desempenhado pelo ambiente cultural no desenvolvimento da criança e do adolescente contribuiu para a elaboração de uma explicação alternativa sobre as dificuldades da aprendizagem infantil, contrária às explicações “fatalmente biológicas” baseadas na eugenia, predominante entre os psiquiatras da época (Campos, 1991). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O encontro entre psiquiatras e educadores foi repleto de tensões e trocas de procedimentos para lidar com os problemas enfrentados por esses serviços psicológicos recém-estabelecidos. Essas dificuldades são descritas por Antipoff (1937, p. 42) com certa ironia, como a seguir:  &amp;lt;blockquote&amp;gt;“educadores e psicólogos tinham certeza de que a melhoria da infância residia na medicina; os médicos, ao contrário, davam crédito principalmente à educação e à psicoterapia. A psicanálise, particularmente, se apresentava aos servos do Aesculapĭus como a verdadeira salvação. Havia uma tal divergência na variedade e complexidade dos casos que lotavam os serviços (...) que os educadores estavam prontos a prescrever vermífugos, pomadas de mercúrio e iodo, e os médicos achavam necessário recomendar cuidados pedagógicos aos pais, ensinando-lhes a arte de formar hábitos morais.” &amp;lt;/blockquote&amp;gt;O resultado do trabalho desses pioneiros na psicologia aplicada foi então acompanhado, a partir da década de 1940, pela criação de cursos e cargos em psicologia nas universidades brasileiras. A partir do trabalho conjunto de educadores e psiquiatras nas instituições educacionais e de saúde mental, a profissão de psicólogo começou a se concretizar. Os psiquiatras contribuíram com o conhecimento das doenças mentais, de um ponto de vista psicopatológico. Eles também conheciam, como Antipoff aponta, os trabalhos de Sigmund Freud (1856-1939) que estavam circulando no Brasil desde o final do século XIX. A “cura através da fala” proposta pela psicanálise era muito estimada tanto entre os psiquiatras como entre os educadores. Por outro lado, os educadores contribuíram para o tratamento de transtornos psicológicos nas crianças usando técnicas educativas e de aconselhamento. A psicologia aplicada era, na época, uma combinação de diagnósticos e tratamentos da medicina, e de procedimentos educacionais que visavam promover a adaptação da criança com dificuldades cognitivas e emocionais à família, escola e ambientes sociais. No processo de realização dos seus estudos de casos e de grandes levantamentos, os especialistas em psicologia estavam expandindo seu conhecimento sobre as características psicológicas e psicossociais da população brasileira, especialmente da população urbana, e encontrando novas maneiras de abordar seus problemas de adaptação a uma sociedade cada vez mais complexa e desigual (Borges &amp;amp; Campos, 2012; Campos, 2012a; Jacó-Vilela, 2014).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar que as primeiras teses de doutorado e estudos apresentados na área da psicologia na Universidade de São Paulo (USP) se concentravam nos aspectos psicológicos e psicossociais das diferenças culturais e raciais no Brasil. Carolina Bori (1924-2004), professora da USP e importante líder na divulgação da psicologia científica no Brasil, publicou estudos sobre as crenças populares em comunidades rurais e urbanas (Bori, 1969). Dante Moreira Leite (1927-1954), autor da primeira tese de doutorado em psicologia na mesma universidade, estudou as características psicológicas atribuídas aos brasileiros sob a ideologia da suposta existência de um “caráter nacional brasileiro” universal (Leite, 1959). Ele concluiu que essa ideologia corrobora preconceitos e exigências sociais que comprometem a consciência das contradições vigentes na sociedade brasileira. Aniela Ginsberg (1902-1986), professora de psicologia social na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, estudou os interesses de crianças e adolescentes de diferentes camadas sociais, discutindo o enviesamento social dos tradicionais testes de inteligência em relação aos diferentes grupos étnicos (Bomfim, 2003; Ginsberg, 1966).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante as décadas de 1950 e 1960, um número expressivo de traduções de livros de referência e manuais de psicologia publicados nos Estados Unidos foram feitas no Brasil, sob a supervisão de professores universitários de psicologia que trabalhavam no Rio de Janeiro (a capital do país na época) e em São Paulo, o estado industrializado mais importante. Naquele período, a circulação das produções norte-americanas sobre psicologia e psicologia social predominaram no país, tendo tomado parte do espaço ocupado pelas teorias europeias, anteriormente dominantes (Bomfim, 2003).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mudança da Europa para a América do Norte promoveu a circulação de teorias comportamentais, e fortaleceu a psicologia social como um campo que melhor explicaria as desigualdades sociais e os conflitos da sociedade brasileira, os quais estavam prestes a se tornar mais visíveis com a urbanização desenfreada que acompanhou o desenvolvimento dos setores industrial e terciário nas grandes cidades. Ao mesmo tempo, foi exigido que os trabalhadores fossem mais bem qualificados, por conta da maior complexidade das indústrias e dos serviços. Os serviços de psicologia aplicada foram expandidos nos centros urbanos, e o uso de técnicas psicológicas de intervenção nas relações humanas cresceu de forma constante, nas instituições trabalhistas, educacionais e de saúde mental (Bomfim, 2003).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Psicologia se torna uma Profissão ==&lt;br /&gt;
Em 1953, um grupo de profissionais que já trabalhavam na área da psicologia (dentre eles, Lourenço Filho e Mira Y López [1896-1964]) enviou uma mensagem ao ministro da educação, argumentando a favor da regulamentação da profissão de psicólogo. Eles justificaram seu pedido tendo como referência as crescentes demandas pela aplicação do conhecimento psicológico aos problemas de desajustamento das sociedades modernas, por conta das rápidas mudanças sociais. A mensagem foi seguida por um proposta de criar diplomas universitários em psicologia (um diploma de bacharelado e uma licença em psicologia), com estudos em áreas correlatas, como biologia, sociologia, antropologia cultural e higiene mental, e estudos em áreas específicas da psicologia científica, como psicologia do desenvolvimento, psicologia diferencial, psicologia da personalidade e psicologia social. Também foi recomendado que os programas de graduação incluíssem estudos em estatística e a prática com testes e medições (Autor Desconhecido, 1954).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O psiquiatra cubano-espanhol Emilio Mira y López participou ativamente no movimento pela regulamentação da profissão. Exilado da Espanha em 1939, após a Guerra Civil, ele imigrou ao Brasil em 1945, quando foi convidado a dar cursos sobre psicologia aplicada para trabalhar em São Paulo (no Instituto de Organização Racional do Trabalho da Universidade de São Paulo — IDORT), e no Rio de Janeiro, no  Instituto de Seleção e Orientação Profissional — ISOP), criado em 1947 e dirigido por Mira Y López desde 1947 a 1964. Essas duas instituições foram muito importantes para a especialização em seleção e capacitação profissional nas instituições públicas e privadas do Brasil. Mira Y López foi um grande defensor da aplicação de técnicas psicológicas nas áreas da justiça, saúde, educação, organizações de trabalho, indústrias, segurança nacional, diplomacia e no exército. No seu ponto de vista: &amp;lt;blockquote&amp;gt;“o Estado é um aparelho dentro do corpo nacional, que cada dia mais se vê na obrigação de intervir nas vidas dos indivíduos que constituem a nação, em aspectos os mais diversos: para a defesa de sua saúde, para a formação do seu espírito, para permitir-lhes uma organização racional da produção, para orientá-los na defesa do patrimônio nacional contra estranhos, para dar-lhes, enfim, uma orientação social. (. . .) No setor da administração pública, a psicologia aplicada deve ser a ciência mais importante” (Mira y López, 1955, pp. 115-117).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;Em 1962, após dez anos de debates no Congresso Nacional, a Lei 4.119 foi aprovada (Brasil, 1962), e a profissão de psicólogo foi instituída. Essa institucionalização não foi realizada sem conflitos: psiquiatras se opuseram à prática da psicoterapia por psicólogos, humanistas católicos e filósofos pensavam que os fenômenos psicológicos não deveriam ser encarados cientificamente. Apesar dessas críticas, a regulamentação da profissão foi bem-sucedida, e os psicólogos foram autorizados a utilizar métodos e técnicas psicológicas para a realização de diagnósticos psicológicos, fornecer seleção e orientação profissional, aconselhamento psicopedagógico, e trabalhar pela solução dos problemas de adaptação vivenciados por crianças, adolescentes e adultos. A direção dos serviços psicológicos, tanto em instituições públicas quanto privadas, também foi designada aos psicólogos formados nas universidades, assim como o ensino da psicologia nos diversos níveis do sistema educacional e a supervisão de profissionais e estudantes em tais serviços. Além disso, os psicólogos foram autorizados a trabalhar como consultores técnicos em instituições públicas e privadas, como peritos em assuntos psicológicos (Pereira &amp;amp; Neto, 2003).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Lei 4.119 promoveu o estabelecimento de vários programas universitários para a formação de psicólogos no país, e o número de psicólogos graduados cresceu rapidamente, como se vê na Tabela 1.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|+&#039;&#039;&#039;Tabela 1. Número de Psicólogos Registrados no Brasil em Relação à População — 1971-2020&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
!Ano&lt;br /&gt;
!Número de psicólogos registrados&lt;br /&gt;
!População brasileira (milhões)&lt;br /&gt;
!Número de psicólogos relativo à população (psicólogos/habitantes)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1971&lt;br /&gt;
|4.248&lt;br /&gt;
|97,48&lt;br /&gt;
|1/22.947&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1981&lt;br /&gt;
|26.662&lt;br /&gt;
|123,6&lt;br /&gt;
|1/5.454&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1991&lt;br /&gt;
|120.000&lt;br /&gt;
|151,6&lt;br /&gt;
|1/1.263&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2001&lt;br /&gt;
|148.000&lt;br /&gt;
|177,2&lt;br /&gt;
|1/1.197&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2016&lt;br /&gt;
|272.214&lt;br /&gt;
|206,2&lt;br /&gt;
|1/751&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2020&lt;br /&gt;
|360.577&lt;br /&gt;
|209 (estimativa)&lt;br /&gt;
|1/579&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Fonte: Conselho Federal de Psicologia (2020); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2020)&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, existem cerca de 500 programas universitários para a formação de psicólogos no país, que concedem o diploma de psicólogo após um curso de cinco anos de estudos nas áreas de história e sistemas da psicologia, psicologia experimental, psicologia do desenvolvimento, psicologia social, psicologia clínica, e seleção e orientação profissional. Também é exigido a realização de atividades práticas nos campos da psicologia clínica, psicologia da educação, psicologia organizacional e psicologia comunitária. A psicanálise é estudada a fundo nesses programas, principalmente sob a interpretação de Jacques Lacan (1901-1981), o psicanalista francês que propôs uma leitura psicossocial dos conceitos de Freud (Roudinesco, 2011). Outras teorias psicológicas com uma notória presença na formação dos psicólogos são a análise experimental do comportamento de Skinner (Miranda, Torres, Alves, &amp;amp; Cirino, 2020), a abordagem histórico-cultural da cognição humana, a abordagem cognitiva, e a abordagem humanista, centrada na pessoa, proposta por Carl Rogers (1902-1987). A psicologia social numa perspectiva histórico-cultural, com um profundo engajamento em práticas participativas para o desenvolvimento da conscientização social,  no empoderamento das comunidades de baixa renda e no estudo sobre grupos minoritários brasileiros, também figura de forma bastante proeminente no currículo (Hutz, McCarthy, &amp;amp; Gomes, 2004).  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização jurídica da profissão de psicólogo no Brasil foi concluída com a criação do Conselho Federal de Psicologia, pela Lei 5.766, de 20 de dezembro de 1971 (Brasil, 1971). A principal função do novo órgão foi definida pela “orientação, disciplinamento e controle do exercício da profissão” no país. Um Código de Ética para a profissão foi aprovado pelo Conselho em 1975, e posteriormente modificado em 1978, 1987 e 2005. A última versão do Código enfatiza o compromisso do profissional com a sociedade, e com os valores contrários à exclusão e discriminação social (Amendola, 2014).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos anos seguintes, um número crescente de programas de pós-graduação em psicologia foram criados nas principais universidades brasileiras, consequentemente promovendo o desenvolvimento da pesquisa em assuntos psicológicos e a profissionalização de pesquisadores no campo da psicologia, especialmente nas áreas de psicologia social, psicologia do trabalho, e políticas públicas (33%); saúde mental (18%); desenvolvimento humano, e psicologia da educação (16%); avaliação psicológica, psicologia clínica, e psicanálise (16%); psicobiologia, processos psicológicos básicos, análise comportamental, neurociências, e processos cognitivos (14%); e outras áreas como psicologia jurídica, gerontologia, psicologia ambiental, e psicologia da família (3%). Nesses programas de pós-graduação, o estudo das características psicológicas e psicossociais da população brasileira continua a ocorrer, junto com estudos experimentais que exploram os processos psicológicos básicos, em diálogo com instituições estrangeiras (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, 2020). A Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia, fundada em 1983, promove o diálogo e a organização de grupos de pesquisa interinstitucionais, com uma forte influência nas orientações políticas para a área em nível acadêmico (Gomes &amp;amp; Fradkin, 2015).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1987, 25 anos após a regulamentação da profissão, o Conselho Federal de Psicologia promoveu um levantamento direcionado aos psicólogos brasileiros: Quem são? Onde estavam trabalhando? Quais referências teóricas e práticas guiavam seus trabalhos? O resultado do levantamento demonstrou que, naquela época, existiam 58.277 psicólogos atuando profissionalmente no país, dos quais 75% estavam trabalhando principalmente nos maiores centros urbanos da região Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte). O levantamento forneceu evidências de que 86% dos psicólogos eram mulheres, entre 22 e 39 anos de idade, a maioria casada, trabalhando meio período em serviços clínicos ou sociais, nos quais “ajudar os outros” era a característica mais importante. Entretanto, os autores observaram que essa tendência era predominantemente voltada para o indivíduo, e não para o grupo social. Os entrevistados indicaram a facilidade de se relacionar com os outros, a capacidade de ser um bom ouvinte, de resolver problemas pessoais e de oferecer conselhos como características relevantes dos psicólogos. A preocupação com o indivíduo que vivencia uma situação problemática é um aspecto valioso do comportamento de oferecer ajuda. O foco na psicologia clínica como a principal função dos psicólogos era considerada uma limitação do profissional, e a profissão era considerada elitista. Outras funções, como o trabalho em escolas, comunidades ou organizações sociais eram desvalorizadas, e os psicólogos tendiam a enxergar os problemas individuais isolados do contexto social. Por outro lado, 52% dos entrevistados se lamentaram em saber pouco sobre a função social do psicólogo (Conselho Federal de Psicologia, 1988). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesquisa fez parte de um movimento de psicólogos que começou durante a década de 1980, com o estabelecimento das primeiras organizações sindicais  de psicólogos, junto da expansão de sua participação em organizações de assistência social, e da subsequente redemocratização das instituições políticas do país, em um período caracterizado, no Brasil, pela queda de um regime militar que havia dominado o país entre 1964 e 1984 (Bock, 1999). A nova constituição foi adotada em 1988, expandindo o sistema público de bem-estar social nas áreas da educação, saúde e serviços sociais, visando promover a inclusão e a melhor qualidade de vida da população como um todo (Brasil, 1988; Carvalho, 2008).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a década de 1990, a crescente percepção da necessidade de enfrentar os problemas da desigualdade social e cultural na sociedade brasileira levou ao desenvolvimento, entre os psicólogos, de um programa político que visava fortalecer o “compromisso social” dos profissionais. O “compromisso social” foi definido como uma prioridade dada à resolução dos problemas enfrentados pela maioria da população, e a extensão dos serviços psicológicos a parcelas maiores dos povos historicamente excluídos dos benefícios do estado de bem-estar social — os grupos pobres, negros, marginalizados e oprimidos (Bock, 1999). Ao mesmo tempo, a abertura de cargos nos serviços públicos para um número cada vez maior de psicólogos forçou o desenvolvimento de novas abordagens na psicologia aplicada. No contexto de expansão das políticas públicas, concebidas para cuidar e promover uma melhor qualidade de vida aos pobres, os psicólogos começaram a ser vistos como técnicos cujo papel era fundamental para a aplicação dessas políticas (Conselho Federal de Psicologia, 1992; Yamamoto &amp;amp; Costa, 2010). Os psicólogos ligados aos movimentos sociais e associações profissionais que fundaram, em 1986, a Federação Nacional dos Psicólogos, assumiram a defesa da democratização dos serviços psicológicos oferecidos à população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos anos seguintes, os profissionais eleitos à diretoria do Conselho Federal de Psicologia aderiram ao movimento do “compromisso social”. O Conselho assumiu cada vez mais a função de orientar as práticas dos psicólogos em instituições públicas nas áreas de saúde mental, educação, e de zelar pelos grupos marginalizados e de risco, como as crianças e jovens de rua, as pessoas vivendo em comunidades de baixa renda e nas favelas, os idosos, e assim por diante. Diretrizes para a atuação dos psicólogos em instituições públicas de bem-estar social foram emitidas pelo Conselho Federal para orientar o seu trabalho. Em 2006, o CREPOP (Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas) foi criado como um departamento no Conselho Federal de Psicologia, com o propósito de promover uma melhor qualificação do trabalho de psicólogos nas instituições públicas, que lidam com a implementação das políticas públicas. Além de seu papel técnico, o CREPOP assumiu uma orientação ética e política, visando a promoção do psicólogo enquanto profissional comprometido com a garantia dos direitos humanos e a transformação social. Desde então, vários documentos de referência para a atuação de psicólogos nas políticas públicas têm sido publicados nas áreas de saúde pública, saúde do trabalhador, jurisdição familiar, esporte, dependência química, educação, trânsito, trabalhadores rurais, relações raciais e comunidades tradicionais (Bock, 1999; Conselho Federal de Psicologia, 1992; CREPOP [Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas], 2020; Ferreri, 2011). Um recente levantamento sobre a atuação dos psicólogos no Brasil (Bastos &amp;amp; Gondim, 2010) mostrou tendências para uma melhor distribuição dos profissionais nas várias regiões do país, e um aumento da sua participação no setor público e em organizações não governamentais (ONGs). Quase um terço dos psicólogos, após sua graduação, encontram seu primeiro emprego no setor público, dentro da rede de instituições públicas nas áreas da saúde, educação e serviços sociais (Malvezzi, Souza, &amp;amp; Zanelli, 2010).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As recentes transformações da profissão podem estar promovendo o desenvolvimento de novas práticas e técnicas de intervenção mais adequadas às demandas da população de baixa renda, enraizadas nas crenças e práticas da cultura popular brasileira. O diálogo com diferentes aspectos da cultura brasileira, que é notoriamente sincrética, parece contribuir para o surgimento de inovações na área da psicologia, tornando-a mais sensível às diversas visões de mundo e de identidades sociais que a compõem, e produzindo contribuições originais com um profundo impacto na profissão. Essa tendência pode ser verificada nas publicações da revista &#039;&#039;Psicologia: Ciência e Profissão&#039;&#039;, editada pelo Conselho Federal de Psicologia desde 1982, um dos principais periódicos na área da psicologia no Brasil desde então. Uma revisão da publicação analisou os conteúdos das edições de 1979 a 2004, e observou que:  &amp;lt;blockquote&amp;gt;“&#039;&#039;Psicologia: Ciência e Profissão&#039;&#039; revela-nos os psicólogos como profissionais que escutam a sociedade onde vivem, produtores de práticas que têm, cada vez mais, referência nesta sociedade. Nesses 25 anos, a revista registrou a produção de uma nova identidade para a Psicologia brasileira, construída a partir tanto do diálogo com os diversos campos de atuação quanto da produção de outros olhares sobre esses diversos campos, mostrando como a profissão se deslocou de uma posição mais elitista para uma outra comprometida com a ampliação dos espaços de atuação do psicólogo junto a camadas desprivilegiadas da população brasileira, conhecida como de um maior compromisso social” (Campos &amp;amp; Bernardes, 2005, p. 509).  &amp;lt;/blockquote&amp;gt;Edições recentes da revista focam na pesquisa e em propostas sobre como lidar com questões psicológicas e psicossociais relativas aos povos tradicionais e indígenas (Pizzinato, Guimarães, &amp;amp; Leite, 2019), subjetividade em comunidades urbanas de baixa renda (Hüning, Bernardes, &amp;amp; Reis, 2019) e orientações sexuais e identidades de gênero (Cavalcanti, Bicalho, &amp;amp; Sposito, 2019). A produção de pesquisa apresentada nessas edições recentes fornece provas da tendência em escutar e empoderar os povos e comunidades em questão (Alves &amp;amp; Delmondez, 2015; Ferreira, 2009). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Conclusão ==&lt;br /&gt;
Neste artigo, o desenvolvimento e a circulação do conhecimento psicológico no Brasil, desde os tempos coloniais, foram percorridos, enfatizando sua relação com o contexto social e cultural. A cultura brasileira foi exibida como o resultado da interação de diversos povos — os habitantes originários da região, os indígenas, e os povos que migraram para o país e o colonizaram — os portugueses e os africanos, formando uma sociedade diversificada e desigual. Foi argumentado que essa formação diversificada da população teve um grande impacto na organização do campo da psicologia no país, principalmente no período mais recente. Os conflitos entre as culturas, e a necessidade de compreender essa formação diversificada da população e de organizá-la em padrões culturais comuns, tornaram-se uma preocupação e um enfoque para as investigações e práticas psicológicas. Essas preocupações contribuíram para moldar o conhecimento psicológico no país e na organização da profissão de psicólogo, em diálogo com a psicologia produzida na Europa e na América do Norte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o período colonial, a introdução de conceitos psicológicos da tradição aristotélico-tomista pelos missionários tinha o propósito de educar a população e de integrá-la à cultura europeia. Durante o século XIX, essa função foi parcialmente transferida aos especialistas que ensinavam psicologia nas faculdades de medicina e de direito. No século XX, a psicologia se tornou um importante assunto na formação de professores, e a profissão de psicólogo nasceu como resultado da colaboração entre psiquiatras e educadores. A regulamentação legal e a expansão da profissão de psicólogo, durante a segunda metade do século XX, trouxeram novos desafios, e a pesquisa e as práticas em psicologia foram direcionadas para a construção do conhecimento capaz de lidar com a subjetividade da população brasileira, culturalmente diversificada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, os profissionais da psicologia no Brasil constituem uma das maiores comunidades de psicólogos no mundo. Percebe-se seu trabalho como fortemente influenciado  por perspectivas teóricas que enfatizam a relação entre as dinâmicas socioculturais e a elaboração psicológica, visto por muitos como uma ferramenta poderosa na realização dos ideais dos direitos humanos. Entretanto, investimentos mais baixos nos serviços públicos, propostas liberais ou conflitos sobre políticas sociais podem prejudicar essa perspectiva. Novas pesquisas devem ser feitas para acompanhar o desenvolvimento dessas tendências nos próximos anos, um tema para os futuros historiadores da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# O Agrupamento de Universidades e Grandes Escolas da França para as relações com a América Latina (em francês: Groupement des Universités et des Grandes Écoles de France pour les relations avec l’Amérique Latine) foi criado em 1908 por um grupo de representantes de instituições de ensino superior francesas, sob a liderança do médico psiquiatra Georges Dumas e com o apoio do governo da França, com o objetivo de promover o intercâmbio cultural entre a França e o Brasil tendo em vista as afinidades culturais entre os dois países. O Groupement promoveu várias missões culturais de intelectuais para conferências e outras atividades no Brasil (incluindo a famosa missão promovida por Georges Dumas quando da fundação da Universidade de São Paulo, em 1934, que contribuiu para o início do ensino das ciências humanas na instituição). Foi bastante ativo entre 1908 e 1940, tendo ficado inativo durante a Segunda Guerra Mundial. Após o término da guerra, não foi retomado, tendo sido finalmente dissolvido em 1957 (Melo, 2016).&lt;br /&gt;
# Segundo Melo (2016, p. 61), a expressão “psicologia patológica” (“psychologie pathologique”, em francês) foi utilizada por Carroy, Ohayon e Plas no livro sobre a história da psicologia na França nos séculos 19 e 20 (Carroy, Ohayon e Plas, 2006) com referência à ênfase dos trabalhos da psicologia e da psiquiatria francesas do início do século 20 sobre as patologias psíquicas, segunda as autoras uma “singularidade francesa”.&lt;br /&gt;
# O movimento conhecido como New Education na Inglaterra, Éducation Nouvelle (países francófonos na Europa), Escola Nova (Brasil), Nueva Educación (Espanha e países hispano-americanos), Progressive Education (EUA), Reformpaedagogik (Alemanha) foi um movimento liderado por educadores, educadoras, intelectuais e administradores/as educacionais que propunha reformas educacionais e transformações nas instituições escolares visando adaptá-las às novas funções que as escolas deveriam desempenhar nas sociedades modernas (Hofstetter, 2010; Lourenço Filho, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Vídeo==&lt;br /&gt;
&amp;lt;youtube&amp;gt;XFGCT9cI0aY&amp;lt;/youtube&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Boletim do Portal História da Psicologia==&lt;br /&gt;
Este verbete está publicado também no Boletim do Portal História da Psicologia 2, e pode ser acessado [https://doi.org/10.5281/zenodo.8399305 aqui]&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Historiografia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Antonio_Gomes_Penna&amp;diff=1303</id>
		<title>Antonio Gomes Penna</title>
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		<updated>2023-08-24T21:32:16Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Inserção do verbete na WikiHP&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Antonio Gomes Penna nasceu em 13 de maio de 1917, na cidade do Rio de Janeiro. Cursou Economia, Direito e Filosofia, além de ter adquirido os títulos de doutor em Psicologia Geral e Psicologia Educacional. Teve uma extensa carreira acadêmica, contabilizando mais de 50 anos de magistério em diversas instituições e disciplinas, desde o ensino primário até a pós-graduação, destacando-se sua atuação como professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e sua condecoração como Professor Emérito na mesma instituição. Sua profícua produção bibliográfica conta com mais de 100 artigos publicados e cerca de 30 obras de estrita autoria, a maioria sobre diversos temas da psicologia. Contribuiu principalmente para o desenvolvimento da história da psicologia enquanto uma disciplina acadêmica no Brasil, através de suas aulas, obras e atividades de orientação sobre o tema, além de ter defendido sua inclusão nos cursos de graduação em psicologia. Foi também uma importante figura para a institucionalização da formação em psicologia no Brasil, tendo participado da criação de diversos cursos de graduação e pós-graduação no país, sendo principalmente responsável pela criação do Curso de Psicologia da UFRJ. Faleceu em 08 de setembro de 2010, com 93 anos de idade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Vida familiar ===&lt;br /&gt;
Antonio Gomes Penna nasceu em 13 de maio de 1917, na cidade do Rio de Janeiro. Sua família é de origem portuguesa e fortemente ligada ao catolicismo, sendo o filho mais novo do segundo casamento de sua mãe, Maria Amélia Campos Penna, com um rico industrialista chamado João Gomes Penna. Foi o mais novo entre cinco irmãos, três irmãos e uma irmã do primeiro casamento de sua mãe e uma irmã do segundo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A juventude de Penna foi marcada por certo conforto, desde sua infância até o início de sua vida adulta, não havendo maiores necessidades de começar a trabalhar por questões financeiras. O que não o impediu de exercer seu primeiro ofício relativamente cedo — aos 23 anos de idade — e sempre trabalhando de maneira intensa. Enquanto sua mãe desejava que o filho trilhasse a carreira intelectual, seu pai desejava que o sucedesse nos negócios da fábrica, embora nunca tenha deixado de garantir recursos financeiros para que pudesse estudar o que lhe interessava. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Penna casou pela primeira vez em 1942, com uma vizinha do bairro em que morava e também neta do marechal Floriano Peixoto. Desse casamento, nasceram os seus dois filhos, o mais velho chamado Lincoln Abreu Penna e a mais nova Edna Penna, sendo que o primeiro tornou-se historiador e a segunda, psicóloga. O casamento durou 12 anos, chegando ao seu término em 1954. Sua primeira esposa fora diagnosticada com um grave caso de esquizofrenia e, com a separação do casal, Penna ficou responsável pela tutela jurídica dela por vários anos, até o momento em que Lincoln passou a exercer tal função.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda no ano de 1954, morreu o pai de Penna aos 78 anos de idade. Em 1956, também com 78 anos de idade, morreu a sua mãe, da qual sempre fora muito próximo. Por conta de uma cegueira oriunda de um glaucoma, ela sofreu uma queda fatal dentro de casa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo casamento de Penna ocorreu alguns anos após o término do primeiro, com uma ex-colega da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro). Entretanto, o casamento terminou de maneira abrupta, tendo em vista que sua segunda esposa foi acometida por um câncer de fígado que a matou no intervalo de um mês, mais especificamente no dia 11 de fevereiro de 1958.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, o terceiro e último casamento de Penna aconteceu em dezembro de 1959, ano em que reencontrou uma antiga aluna que agora era sua colega de trabalho no Instituto de Educação, Marion Merlone dos Santos. O casamento de ambos foi alvo de controvérsias na época, pois se tratava da união conjugal entre um recém-viúvo de 41 anos de idade com uma mulher consideravelmente mais jovem (23 anos de idade), que também acabara de se separar de seu antigo marido. Por conta disso, surgiram propostas de que os dois fossem expulsos da instituição, ou então, que fossem transferidos para evitar o “mau exemplo”. Não obstante esse episódio, o casal teve um longo e duradouro relacionamento de 50 anos, isto é, até a data em que Penna veio a falecer, no dia 8 de setembro de 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Formação acadêmica ===&lt;br /&gt;
Penna concluiu seus estudos primários e secundários no Instituto La-Fayette, no Rio de Janeiro. Embora não tivesse interesse em seguir os passos do pai no ramo dos negócios, mas ainda querendo atender suas vontades, Penna ingressou na Escola do Comércio aos dezessete anos de idade, um dos primeiros cursos de Economia da cidade do Rio de Janeiro. Posteriormente, ingressou na Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ), recebendo assim o título de bacharel em Direito em 1944. Em 1945, ingressou no curso de Filosofia da Faculdade Nacional de Filosofia da mesma universidade, participando de uma pequena turma de 4 alunos e graduando-se em 1948, adquirindo o título de licenciado em Filosofia. Foi a sua graduação na Filosofia que o levou a estudar fenomenologia, o método fenomenológico e, inclusive, a se aproximar da psicologia, a qual dedicou-se intensivamente após terminar o curso. Também completou dois doutorados, um em Psicologia Geral e outro em Psicologia Educacional, obtidas pelas livres docências que realizou na Universidade da Guanabara (atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro) sobre os respectivos assuntos, a primeira em 1957 e a segunda em 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Atuação profissional ===&lt;br /&gt;
A carreira profissional de Penna é notoriamente marcada pelo magistério, tendo começado a lecionar em 1940 e aposentado-se compulsoriamente em 1987, quando estava prestes a completar 70 anos de idade. O que não o impediu de dar aulas por mais alguns anos e de continuar a participar de bancas de mestrado e doutorado em diversos estados, para além do Rio de Janeiro. Nesses mais de 50 anos de docência, Penna passou por várias instituições educativas, tanto privadas quanto públicas, desde o ensino primário à pós-graduação, sem contar sua passagem por instituições militares e nas Sociedades de Psicanálise do Rio de Janeiro. Lecionou sobre diversos assuntos nas áreas da Economia, Filosofia, Sociologia, História e Psicologia, sendo esta última a que mais se beneficiou com sua atuação, sobretudo no ensino de história da psicologia, assunto que abordou em sala de aula por mais de 15 anos. Também desempenhou diversas funções administrativas ao longo de sua carreira, e esteve presente na criação de vários programas de pós-graduação em Psicologia. A partir de 1949, tem começo sua extensa produção bibliográfica, que ao todo conta com 53 verbetes na Enciclopédia Mirador Internacional, mais de 100 artigos e cerca 30 livros publicados, muitos dos quais foram elaborados a partir dos conteúdos das aulas que ministrava e dedicados à Psicologia. E a partir da década de 1970, passou a orientar diversas dissertações de mestrado e teses de doutorado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Instituto La-Fayette (1942-1947) ====&lt;br /&gt;
Em 1942, Penna começou a trabalhar como professor no Instituto La-Fayette, colégio no qual havia realizado seus estudos primários e secundários. Nessa instituição, ministrou aulas sobre história, psicologia e filosofia, até que em 1944 passou a integrar na condição de assistente o Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, ministrando a partir desse momento a disciplina de Psicologia Geral. Continuou a exercer esse cargo até o ano de 1947, quando se afastou dele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Colégio Andrews (1949-1957) ====&lt;br /&gt;
Penna também foi professor no Colégio Andrews, desde 1949 até 1957, onde lecionou sobre economia, filosofia, sociologia e psicologia. A pedido do diretor do colégio, ministrou dois cursos para o corpo docente, tendo um deles contado com a presença de [[Anísio Teixeira]]. Em 1957, foi convidado para assumir a direção do colégio, mas por motivos de ordem pessoal, recusou o convite. Penna retornou a tal colégio quando houve a criação das classes experimentais, mas apenas permaneceu por um breve período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (1949-1967) ====&lt;br /&gt;
Após ter concluído sua graduação em Filosofia, ainda em 1948, Penna recebeu dois convites de professores da própria Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil: um para integrar como assistente da cadeira de História da Filosofia, feito pelo professor Álvaro Vieira Pinto, e outro para integrar como assistente da cadeira de Psicologia, a pedido do professor [[Nilton Campos]]. Vale lembrar que, no Brasil, a Psicologia ainda não era uma disciplina autônoma e independente, e que a profissão de psicólogo não havia sido regulamentada até o momento, por isso o curso de Psicologia da antiga Universidade do Brasil estava submetido aos departamentos de Filosofia e de Pedagogia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Penna aceitou o convite de  Nilton Campos e assumiu a função em 1948, mas como sua nomeação apenas aconteceu em maio de 1949, passou o ano de 1948 sem receber qualquer remuneração por tal ofício. Ele ficou encarregado de dar aulas ao primeiro ano do curso de Psicologia, mas devido aos diversos problemas de saúde de Nilton Campos, acabava lecionando durante os seus três anos de duração. Além disso, Penna lecionou por um ano a disciplina de História da Filosofia, substituindo o professor Álvaro Vieira Pinto quando este tirou licença para exercer atividades docentes no Paraguai. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passou a integrar o Instituto de Psicologia — que funcionava como um órgão complementar às cadeiras de Psicologia Geral e Psicologia Educacional, submetidas respectivamente aos departamentos de Filosofia e Pedagogia — em 1951 ao ser nomeado pelo seu diretor, Nilton Campos. No mesmo ano, propôs a criação de uma revista científica do próprio instituto, intitulada “Boletim do Instituto de Psicologia”, cuja publicação estendeu-se até 1974. Devido a um erro técnico que ocorreu no primeiro volume, a revista recebeu o título de “Anuário do Instituto de Psicologia”, o que fez com que o Boletim contabilizasse 22 volumes em vez de 23, como deveria ter sido. O Boletim funcionava como um meio para publicar textos dos docentes da Faculdade Nacional de Filosofia e do Instituto de Psicologia, sendo a maioria correspondente ao conteúdo das aulas que ministravam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Permaneceu no instituto até o ano de 1958, quando pediu demissão após ter sido nomeado professor de Psicologia Educacional no Instituto de Educação, mediante aprovação em concurso. Não obstante, continuou trabalhando como assistente de Nilton Campos desde 1949 até 1963, ano em que este veio a falecer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Nilton Campos, Penna assumiu interinamente a cátedra que seu mestre ocupava na época, a de Psicologia Geral, e o Instituto de Psicologia também passou a ser dirigido temporariamente por [[Eliezer Schneider]]. Juntos, começaram a criar o Curso de Psicologia na Faculdade Nacional de Filosofia, cabendo ao Penna organizá-lo junto dos professores da faculdade e dos psicólogos do instituto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1964, foram criados tanto o Curso de Psicologia como o Departamento de Psicologia que deveria ministrá-lo, o qual Penna dirigiu — ainda na condição de interino — até 1967, quando ocorreu a extinção da Faculdade Nacional de Filosofia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A criação do Curso foi marcada por diversos obstáculos, o que incluiu a oposição por parte de psiquiatras e a disponibilização de uma única sala de aula, localizada na sede do próprio Instituto de Psicologia. A princípio, estava prevista a entrada de 40 alunos, mas por conta de medidas judiciais tomadas por candidatos “excedentes” (que foram aprovados, mas excediam as vagas disponíveis) e de um decreto, 120 alunos foram aceitos. Diante desse número muito maior de alunos do que o esperado, e também da falta de espaço físico para acomodá-los, foi necessário alocar uma turma para o período da manhã e outra para o período da tarde, o que não impediu os corredores do instituto de serem utilizados como uma extensão da sala de aula para acomodar os excedentes. A primeira turma do curso contou com a presença de figuras como [[Luiz Alfredo Garcia-Roza]], que veio a ser professor titular de Psicologia Geral da UFRJ, [[Franco Lo Presti Seminério]], futuro diretor do [[Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)]], e [[Marion Merlone dos Santos Penna]], esposa de Penna e futura diretora do [[Instituto de Psicologia da UFRJ]] (1981-1985).   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1965, Penna prestou concurso para se tornar professor catedrático efetivo de Psicologia Geral da Faculdade Nacional de Filosofia — anteriormente ocupada pelo seu mestre Nilton Campos. Na prova de aula, foi sorteado o tema sobre o método fenomenológico e suas aplicações na psicologia; Na prova prática, foi sorteado o tema sobre “Estudo da memória”; Na prova escrita, foi sorteado o tema “A influência do pensamento de Demócrito na evolução da Psicologia”; Por fim, a tese apresentada por Penna abordava o tema “Percepção e Comportamento Exploratório”. Ele foi aprovado no concurso com uma média superior a 9,50, conquistando assim a cátedra tão desejada em 27 de agosto. Mas com a extinção da Faculdade Nacional de Filosofia em 1967, o seu título de professor catedrático foi substituído pelo de professor titular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1967-1997) ====&lt;br /&gt;
Com a extinção da Faculdade Nacional de Filosofia, o Curso de Psicologia passou a ser dirigido pelo Instituto de Psicologia. Mas como o instituto ainda era um órgão suplementar, ele não atendia aos critérios necessários para exercer as funções de uma faculdade. Assim, Penna atuou como interino na direção do instituto para garantir que tais critérios fossem atendidos, modificando seu regimento, criando uma congregação, organizando os departamentos e, juntamente com sua esposa, professora Marion Merlone dos Santos Penna, organizando a Divisão de Psicologia Aplicada. Além disso, foi nesse período que o Instituto estabeleceu convênios com o Detran e o Colégio Santo Inácio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1978, Penna foi indicado para se tornar o diretor efetivo do Instituto de Psicologia, função que exerceu até 1981. Durante sua gestão, criou o primeiro programa de pós-graduação do Instituto de Psicologia da UFRJ, o qual teve uma curta duração devido à baixa produção científica de seus participantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1987, quando completou 70 anos de idade, Penna teve que se aposentar compulsoriamente pela UFRJ. Logo após sua aposentadoria, em 1988, recebeu o título de Professor Emérito do Instituto de Psicologia da UFRJ, que o permitiu lecionar e exercer atividades de orientação por mais alguns anos em certos programas de pós-graduação do instituto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Universidade do Estado da Guanabara (1950-1970) ====&lt;br /&gt;
Em 1950, Penna assumiu a cátedra interina de Psicologia Educacional do Departamento de Pedagogia da antiga Universidade do Estado da Guanabara (atual Universidade Estadual do Rio de Janeiro), cujo catedrático efetivo era [[Lourenço Filho]], substituindo-o temporariamente. No mesmo ano, também tomou posse da cátedra interina de Psicologia Geral do Departamento de Filosofia, a qual permaneceu até o ano de sua aposentadoria, em 1970.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Penna realizou duas docências livres nessa universidade. A primeira foi feita ao final de 1957, na cátedra de Psicologia Geral, o que concedeu-lhe um doutorado em Psicologia Geral. A segunda foi feita em 1960, na cátedra de Psicologia Educacional, o que concedeu-lhe um doutorado em Psicologia Educacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse período, Penna também ministrou aulas de filosofia para um grupo seleto de alunos em sua própria casa, tais como Luiz Alfredo Garcia-Roza, José Guilherme Merquior, Clauze Ronald de Abreu, Maniusia Mota de Oliveira, Helcio Mendonça e entre outros, muitos dos quais vieram a se tornar professores da UERJ e da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Escolas militares (1953-1968) ====&lt;br /&gt;
Em 1953, Nilton Campos recebeu um convite da Escola de Comando e Estado Maior da Aeronáutica (ECEMAR) para ministrar um curso sobre Psicologia Aplicada às Forças Armadas. Poucos dias antes do curso começar, pediu a Penna que o substituísse, visto que sua saúde havia piorado. Assim, Penna ministrou o curso em seu lugar, discorrendo sobre temas como liderança, disciplina, seleção, propaganda, e continuou sendo convidado a lecioná-lo até 1968, quando os convites pararam de ser feitos devido a suspeitas de suas supostas ações “subversivas”. Nesse ínterim, Penna desenvolveu o “Manual de Psicologia Aplicada às Forças Armadas”, que se tornou leitura obrigatória na Aeronáutica até 1970. Também foi professor fundador da disciplina Psicologia Aplicada às Forças Armadas na Escola de Aeronáutica no Campo dos Afonsos, o que fez durante dois anos, até que pediu para um ex-aluno assumir o seu lugar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de ter ministrado aulas para a aeronáutica, entre o final da década de 1950 e o início da década de 1960 Penna lecionou diversos cursos para oficiais do exército que visavam exercer a função do ensino, ensinando-lhes sobre psicologia da aprendizagem, psicologia da linguagem, psicologia da percepção etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Instituto de Educação (1958-1963) ====&lt;br /&gt;
O [[Instituto de Educação]], fundado por Anísio Teixeira e considerado a primeira escola de nível superior para a formação de professores, contou com a participação de Penna enquanto professor de Psicologia Educacional, entre 1958 a 1963. Em 1964, foi transferido dessa instituição para a recém-criada Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação Getúlio Vargas (1971-1992) ====&lt;br /&gt;
Em 1970, Penna foi convidado pelo diretor do então chamado Instituto de Seleção e Orientação Profissional da Fundação Getúlio Vargas (ISOP/FGV), Franco Lo Presti Seminério, para participar de uma comissão que criaria um programa de pós-graduação em Psicologia Aplicada. Tal comissão contou com a presença de Eliezer Schneider e seria presidida por Lourenço Filho, mas este faleceu antes das reuniões finalizarem. Em janeiro de 1971, Penna foi nomeado chefe do centro de pós-graduação e coordenador da pós-graduação em Psicologia, coordenando assim os cursos de mestrado e doutorado. Nesse ínterim, a sigla ISOP passou a significar Instituto Superior de Estudos e Pesquisas Psicossociais, ampliando assim o escopo da instituição. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final da década de 1980, o Conselho Superior da Fundação Getúlio Vargas decidiu priorizar a formação e as pesquisas nas áreas da economia e da administração, o que gradualmente levou ao fim dos demais centros de pesquisas, estudos e pós-graduação. Com isso, o ISOP/FGV foi extinto, e a pós-graduação em Psicologia deixou de oferecer disciplinas e aceitar novos estudantes, mas suas atividades tiveram prosseguimento tendo em vista o número de alunos que ainda estavam elaborando suas dissertações e teses. Penna continuou exercendo a direção da pós-graduação em Psicologia, mas que agora estava subordinada à Escola de Administração Pública. Por fim, com a titulação dos últimos alunos da pós-graduação em Psicologia, o curso foi extinto e Penna dispensado da Fundação em novembro de 1992. Em outras palavras, Penna coordenou os cursos de mestrado e doutorado em Psicologia dessa pós-graduação do início ao fim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o desligamento gradual do programa de pós-graduação em psicologia ao final da década de 1980, certos acordos foram estabelecidos entre a própria FGV, a UFRJ e a CAPES. Isso fez com que o programa fosse transferido para o Instituto de Psicologia da UFRJ, onde Penna deu continuidade às suas atividades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Universidade Gama Filho (1971-1980) ====&lt;br /&gt;
Poucas semanas depois de sua nomeação no ISOP/FGV, Penna foi convidado a ocupar o cargo de Vice-Diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Gama Filho, uma das primeiras grandes universidades particulares do Rio de Janeiro que surgiram na década de 1970, devido a expansão do sistema privado no ensino superior. Aceitou o cargo e, posteriormente, também atuou na Direção do Departamento de Psicologia, permanecendo em ambos até 1980. Além disso, foi responsável pela criação e coordenação do programa de mestrado em Psicologia dessa universidade, tendo projetado e colocado em funcionamento o curso de mestrado em Psicologia Educacional e outro em Psicologia Teórica, os quais começaram em 1973 e funcionaram até os primeiros anos da década de 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Outras instituições ====&lt;br /&gt;
Como um dos membros fundadores da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), Penna lecionou a disciplina intitulada “Teoria da Percepção” entre 1964 a 1967, tendo em vista seu profundo conhecimento sobre o assunto, sobretudo pela  Psicologia da Gestalt.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posteriormente, de 1964 a 1970, Penna ministrou a mesma disciplina no Instituto de Belas Artes e na Escola de Artes Visuais do Estado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Penna teve uma rápida passagem na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ para lecionar sobre o mesmo tema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Conflitos durante a carreira profissional ===&lt;br /&gt;
Ao longo de sua carreira profissional, Penna vivenciou diversos episódios turbulentos, a maioria devido às repressões que marcaram o período da ditadura militar brasileira (1964-1985).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os primeiros episódios conflituosos ocorreram antes da ditadura militar, ao final da década de 1940, e teriam sido desencadeados por dois motivos. Em primeiro lugar, Penna estava participando de uma chapa para disputar a direção do Sindicato de Professores, e um dos seus colegas de chapa estava diretamente envolvido com o Partido Comunista. Em segundo lugar, Penna havia assinado um documento protestando contra o fechamento do Partido Comunista, ainda que jamais tivesse sido filiado ao próprio e a qualquer outro partido político em sua vida. Com isso, a chapa inteira foi considerada comunista, fazendo com que seus membros fossem registrados no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já na época da ditadura militar, em 1968, Penna participou da Passeata dos Cem Mil, uma manifestação popular que se mostrou contrária às práticas ditatoriais do governo, estando também presentes outros professores da UFRJ, incluindo sua esposa. Logo após, houve uma reunião no Colégio André Maurois, onde foi produzido um documento protestando contra as agressões causadas aos estudantes. Penna foi um dos integrantes dessa reunião que assinou o documento, além de ter integrado o grupo de professores que levou tal documento ao Palácio da Cultura, entregando-o diretamente às autoridades do Ministério da Educação. Por causa dessas ações, Penna e seus colegas professores foram fotografados por agentes do DOPS e de outros órgãos de segurança, para serem futuramente investigados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1968, Penna prestou um concurso para concorrer à vaga de professor titular na cadeira de Psicologia Geral da Universidade da Guanabara. Foi o único candidato do concurso e, com a banca examinadora já formada, estava se preparando para realizar as provas do exame. Entretanto, na semana anterior à realização das provas, recebeu um comunicado de que o concurso havia sido suspenso, sem ser informado dos motivos que levaram à sua suspensão. Aparentemente, o reitor da universidade, irmão de um importante general do exército, recebeu um documento afirmando que Penna não poderia se tornar professor catedrático, tendo em vista a suspeita dos militares de suas ditas atividades “subversivas”. Diante do ocorrido, Penna pediu aposentadoria especial em 1970 para não ter mais contato com essa universidade estadual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1971, quando Penna foi nomeado chefe do centro de pós-graduação e coordenador dos programas de pós-graduação em Psicologia do ISOP/FGV, o presidente da instituição recebeu um pedido do representante do Ministério da Educação, na época um general, para que sua nomeação fosse desfeita, tendo em vista novamente sua condição de “subversivo”. A situação foi resolvida por um colega do presidente da FGV, que se dirigiu ao Palácio de Cultura para ser entrevistado pelo general. Nesse caso, as acusações dirigidas ao Penna afirmavam que este criticava os militares e que estava sempre conversando com os alunos. Quanto a sua relação com os alunos, foi respondido que se tratava de sua obrigação devido aos cargos que desempenhava; quanto aos militares, coube também ao próprio general investigar mais a fundo. Não obstante esse episódio, Penna foi nomeado e continuou a exercer os cargos supracitados até novembro de 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tal como ocorreu com sua nomeação para os cargos do ISOP/FGV, situação similar aconteceu quando Penna foi nomeado para desempenhar cargos de direção na Universidade Gama Filho, no mesmo ano. Um documento idêntico que fora enviado para o ISOP/FGV também foi recebido pelo fundador da universidade, que decidiu manter a nomeação de Penna mediante a um termo de responsabilidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dos casos supracitados, a carreira acadêmica de Penna encontrou obstáculos durante sua trajetória no Instituto de Psicologia da UFRJ, abarcando o período em que também exerceu interinamente a função de diretor do instituto, marcado por ameaças de aposentadoria e punições. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma primeira punição foi decorrente de uma greve estudantil contra um professor do instituto. A greve realizada por duas turmas foi ocasionada por uma insatisfação diante da qualidade das aulas ministradas pelo dito, que estavam exigindo uma qualidade melhor de ensino. Diante disso, Penna convocou uma reunião que contou com a presença desse professor, na qual foi descoberta que este jamais havia redigido o programa da disciplina e que não havia conhecimento dos textos clássicos sobre o assunto, embasando as aulas em sua própria experiência profissional. Não obstante, o professor exigiu que os alunos fossem punidos, insistindo que a greve era de tom estritamente político. Penna tentou encontrar uma solução amistosa junto aos alunos com que tinha maior proximidade, para evitar que o movimento fosse interpretado dessa forma e, consequentemente, as punições advindas. Penna não teve sucesso, visto que o professor em questão foi nomeado vice-diretor do instituto, impossibilitando-o de buscar a solução que desejava. Algum tempo depois, Penna foi punido por não ter aplicado punições aos grevistas, o que foi considerado falta de cumprimento de suas obrigações, e diversos alunos foram expulsos da UFRJ. Em virtude da punição que sofreu, Penna foi chamado ao DOPS para justificar os motivos que o levaram a não punir os grevistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posteriormente, uma segunda punição foi decorrente de uma acusação anônima, afirmando que Penna faltava muitas das aulas que deveria lecionar. Como punição, Penna teve sua carga horária de 24 horas reduzida para 12 horas, acarretando em perdas salariais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma terceira punição ocorreu em 1970, devido ao tema da redação escolhido para compor o vestibular do Instituto de Psicologia da UFRJ. Penna havia sido indicado para coordenar o vestibular do Instituto, e uma banca foi formada para aperfeiçoar a prova de português. A banca decidiu que o tema da redação daquele ano seria o questionamento proferido pelo Papa João XXIII (“Para onde caminha a humanidade?”), acompanhado de nomes de personagens e episódios históricos para causar reflexões aos vestibulandos (como Che Guevara, Martin Luther King, o poder negro etc). Por conta disso, o teor da prova foi considerado “subversivo”, sendo Penna acusado de ter permitido sua realização. A punição sofrida por Penna foi escolhida pelos seus colegas de trabalho da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais um episódio conflituoso aconteceu no período em que Penna assumiu interinamente a direção do Instituto de Psicologia, quando permitiu a realização de uma assembleia estudantil no auditório do próprio Instituto. Logo após esse evento, foi aberta uma Comissão de Inquérito, na qual foi convocado para prestar depoimentos sobre o ocorrido. O presidente da comissão exigiu que Penna identificasse os alunos envolvidos, pedindo-lhe que informasse nomes, mas este afirmou que não conhecia nenhum dos envolvidos e que a assembleia tinha apenas como objetivo discutir problemas de infraestrutura da universidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1973, Penna foi convocado ao Palácio da Cultura para responder um processo quanto às suas atividades &amp;quot;subversivas&amp;quot;, cujo andamento poderia levar à sua aposentadoria. Lá, ouviu as diversas acusações que foram registradas pelos órgãos de segurança, as quais poderia contestar. Dentre elas, estavam suspeitas sobre o prestígio que tinha em relação aos seus colegas do Instituto de Psicologia; suas muitas conversas com estudantes, que seriam provas de doutrinação ideológica; a filiação de seu filho ao Partido Comunista, que por extensão, o tornaria também um comunista; pregações de um marxismo disfarçado, através das aulas que lecionava sobre gestaltismo e fenomenologia; e que falaria mal dos militares. Além disso, foi trazido à tona o documento que assinou no Colégio André Maurois, logo após a Passeata dos Cem Mil, protestando contra a violência que os militares exerceram sob os estudantes. As acusações foram refutadas através de diversos atestados concedidos por amigos do professor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História da psicologia no Brasil ===&lt;br /&gt;
Pode-se afirmar que Penna é um dos primeiros acadêmicos do Brasil que se interessou pela história da psicologia, não tendo apenas lecionado extensivamente sobre o assunto, como também publicou obras inteiras dedicadas ao tema já nas décadas de 1970 e 1980, o que contribuiu para o desenvolvimento da disciplina no país. Suas principais obras sobre o assunto são “Introdução à história da psicologia contemporânea”, de 1978, e “História das idéias psicológicas”, de 1981. Tais livros demonstram a preocupação de Penna com o passado da Psicologia, notórios por trazer uma visão interdisciplinar sobre a formação do campo enquanto disciplina científica, e foram objetos de comentário tanto no interior do país quanto no exterior. Além disso, são obras que se tornaram referências de importante consulta nos principais centros acadêmicos do Brasil, tanto para estudantes, professores e pesquisadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como foi um dos primeiros brasileiros a se interessar pela história da psicologia de maneira geral, Penna também foi um dos primeiros a se debruçar sobre a história da psicologia brasileira, estudando o surgimento da psicologia no Rio de Janeiro e resgatando seus principais personagens. Nesse sentido, publicou diversos trabalhos sobre contribuições específicas de certos autores, assim como, em 1992, publicou o livro “História da psicologia no Rio de Janeiro”, que relata a história do Instituto de Psicologia da UFRJ e evidencia as contribuições de diversas figuras importantes para o desenvolvimento da psicologia brasileira, como [[Manoel Bomfim]], [[Plínio Olinto]], Lourenço Filho, Nilton Campos, [[Maurício de Medeiros]] etc. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para além de suas obras sobre história da psicologia, Penna foi um dos organizadores do primeiro seminário de história da psicologia na América Latina, que ocorreu nos dias 11 e 12 de abril de 1988. O evento recebeu patrocínio de importantes instituições, como do Instituto Superior de Estudos e Pesquisas Psicossociais, que pertencia à Fundação Getúlio Vargas, da [[Associação Brasileira de Psicologia (ABP)]] e da [[Associação Brasileira de Psicologia Aplicada (ABPA)]]. O seminário teve como objetivo estudar figuras importantes no desenvolvimento da psicologia na América Latina, e contou com a participação de conferencistas estrangeiros, desde outros países da América Latina, dos Estados Unidos e da Europa. Além disso, Penna apresentou um trabalho sobre as contribuições de Nilton Campos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vale acrescentar que Penna foi um grande defensor do ensino da história da psicologia, defendendo a inclusão desta disciplina nos currículos dos cursos de graduação em psicologia desde 1964, quando organizou o Curso de Psicologia da antiga Faculdade Nacional de Filosofia (atual UFRJ). Além disso, o professor também contribuiu para o surgimento de muitas produções acadêmicas sobre a história da psicologia, seja através de suas aulas, obras e orientações.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Institucionalização da formação em psicologia no Brasil ===&lt;br /&gt;
A institucionalização da psicologia brasileira ocorreu a partir de 1962, quando houve a promulgação da Lei 4.119, que dispõe sobre os cursos de formação em psicologia e regulamenta a profissão de psicólogo. Penna foi uma das figuras que contribuiu diretamente para a efetivação dessa lei por meio de inúmeras ações. Como através da organização e criação do Curso de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia (1964) e na sua posterior migração para o Instituto de Psicologia da UFRJ (1967); suas colaborações na criação de outros cursos de psicologia no Rio de Janeiro; as viagens que realizou para outras regiões do país para aprovar cursos de psicologia, a pedido do Ministério da Educação; além de ter sido coordenador da pós-graduação em psicologia no ISOP/FGV (1971-1992) e organizado a pós-graduação em psicologia da Universidade Gama Filho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia biográfica ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* 1917: Nascimento de Antonio Gomes Penna no dia 17 de maio.&lt;br /&gt;
* 1934: Ingressa na Escola do Comércio, um dos primeiros cursos de Economia do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
* 1940: Começa a trabalhar como professor, lecionando História da Economia.&lt;br /&gt;
* 1942: Primeiro casamento. Começa a trabalhar no Instituto La-Fayette lecionando sobre história, psicologia e filosofia.&lt;br /&gt;
* 1944: Finaliza a graduação na Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ), obtendo o bacharelado em Direito. Torna-se assistente no Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Instituto La-Fayette, onde leciona Psicologia Geral.&lt;br /&gt;
* 1945: Começa sua terceira graduação, desta vez no curso de Filosofia da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil.&lt;br /&gt;
* 1946 ou 1947: Encerra suas atividades docentes no Instituto La-Fayette.&lt;br /&gt;
* 1948: Finaliza a graduação em Filosofia. Aceita o convite de Nilton Campos para se tornar o seu assistente. &lt;br /&gt;
* 1949: Começa a trabalhar no Colégio Andrews, onde lecionou sobre filosofia, sociologia, economia e psicologia. No mês de maio, é oficializada sua nomeação como assistente de Nilton Campos.&lt;br /&gt;
* 1950: Assume na condição de interino a cátedra de Psicologia Educacional da antiga Universidade do Estado da Guanabara (atual UERJ), substituindo Lourenço Filho temporariamente. Também assume na condição de interino a cátedra de Psicologia Geral dessa mesma universidade.&lt;br /&gt;
* 1951: É nomeado por Nilton Campos para integrar o Instituto de Psicologia da antiga Universidade do Brasil. Propõe a criação de uma revista científica do próprio instituto, intitulada “Boletim do Instituto de Psicologia”. Publicação do primeiro volume dessa revista, excepcionalmente nomeada “Anuário do Instituto de Psicologia”.&lt;br /&gt;
* 1953: Começa a ministrar um curso sobre Psicologia Aplicada às Forças Armadas na Escola de Comando e Estado Maior da Aeronáutica (ECEMAR).&lt;br /&gt;
* 1954: Falecimento do pai, João Gomes Penna.&lt;br /&gt;
* 1956: Falecimento da mãe, Maria Amélia Campos Penna, ao sofrer uma queda fatal em casa.&lt;br /&gt;
* 1957: Realiza sua primeira livre docência em Psicologia Geral na Universidade da Guanabara, adquirindo o título de doutor na área. É convidado para assumir a direção do Colégio Andrews, mas recusa o convite. Encerra suas atividades docentes em tal colégio.&lt;br /&gt;
* 1958: Falecimento da segunda esposa de Penna, no dia 11 de fevereiro. Pede demissão do Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil, tendo em vista sua nomeação como professor de Psicologia Educacional no Instituto de Educação.&lt;br /&gt;
* 1959: Terceiro casamento de Penna em dezembro, com Marion Merlone dos Santos Penna .&lt;br /&gt;
* 1960: Realiza sua segunda livre docência em Psicologia Educacional na Universidade da Guanabara, adquirindo o título de doutor na área.&lt;br /&gt;
* 1963: Falecimento de Nilton Campos. Com isso, assume interinamente a cátedra ocupada pelo mestre, a de Psicologia Geral da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Último ano de sua atuação docente no Instituto de Educação.&lt;br /&gt;
* 1964: Junto de Eliezer Schneider, organizam e criam o Curso de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil e o Departamento de Psicologia que deveria ministrá-lo, o qual Penna assume a direção na condição de interino. É transferido do Instituto de Educação para a recém-criada Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI), onde leciona como professor fundador a disciplina Teoria da Percepção.&lt;br /&gt;
* 1965: Torna-se professor catedrático de Psicologia Geral da Universidade do Brasil.&lt;br /&gt;
* 1966: Publicação de seu primeiro livro, “Percepção e Aprendizagem”.&lt;br /&gt;
* 1967: Extinção da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Com isso, Penna deixa de assumir a direção do Departamento de Psicologia e o Curso de Psicologia passa a ser dirigido pelo Instituto de Psicologia, o qual assume interinamente sua direção. Fim de suas atividades docentes na ESDI. &lt;br /&gt;
* 1968: Participa da Passeata dos Cem Mil. Fim de suas atividades docentes na ECEMAR, por suspeitas de suas atitudes “subversivas”. Presta concurso para concorrer à vaga de professor titular na cátedra de Psicologia Geral da Universidade da Guanabara,  que acaba sendo suspenso na semana anterior à realização das provas, mesmo sendo candidato único e apresentado uma tese que fora previamente aceita. Publicação da obra “Percepção e Realidade: Introdução ao Estudo da Atividade Perceptiva”.&lt;br /&gt;
* 1970: É convidado por Franco Lo Presti Seminério, diretor do Instituto de Seleção e Orientação Profissional da Fundação Getúlio Vargas (ISOP/FGV), para participar de uma comissão responsável pela criação de um programa de pós-graduação em Psicologia Aplicada. É punido pelos militares por ter permitido a realização do vestibular do Instituto de Psicologia da UFRJ com conteúdo “subverviso”. Aposenta-se da Universidade da Guanabara, em virtude do cancelamento do concurso que prestou para a cátedra de Psicologia Geral. Publicação da obra “Comunicação e Linguagem”.&lt;br /&gt;
* 1971: No mês de janeiro, é nomeado chefe do centro de pós-graduação e coordenador da pós-graduação em Psicologia do ISOP/FGV; tentativa por parte dos militares de suspender sua nomeação, mas sem êxito. Poucas semanas depois da nomeação, é convidado para ocupar o cargo de Vice-Diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Gama Filho; mais uma tentativa sem êxito por parte dos militares de impedir sua nomeação na Universidade Gama Filho. &lt;br /&gt;
* 1973: Coordena o programa de mestrado em Psicologia da Universidade Gama Filho, do qual participou da criação. É convocado ao Palácio da Cultura para responder um processo quanto às suas atividades “subversivas”; as acusações recebidas foram refutadas por meio de diversos atestados concedidos por amigos do professor. &lt;br /&gt;
* 1974: Publicação do último volume do “Boletim do Instituto de Psicologia”.&lt;br /&gt;
* 1975: Publicação da obra “Motivação e Emoção”.&lt;br /&gt;
* 1976: Publicação da obra “Linguagem, Personalidade e Terapia”.&lt;br /&gt;
* 1978: Torna-se diretor efetivo do Instituto de Psicologia da UFRJ. Publicação da obra “Introdução à História da Psicologia Contemporânea&amp;quot;. &lt;br /&gt;
* 1980: Publicação das obras “História das Ideias Psicológicas” e “Aprendizagem e Motivação”.&lt;br /&gt;
* 1981: Encerra suas atividades como diretor efetivo do Instituto de Psicologia da UFRJ. &lt;br /&gt;
* 1984: Publicação da obra “Introdução à Psicologia Cognitiva”.&lt;br /&gt;
* 1987: Aposenta-se compulsoriamente da UFRJ, quando estava prestes a completar 70 anos de idade. Publicação da obra “Cognitivismo, Consciência e Comportamento Político”.&lt;br /&gt;
* 1988: Nos dias 11 e 12 de abril, ocorre o primeiro seminário de história da psicologia na América Latina, sendo um dos responsáveis por sua organização e onde apresenta um trabalho sobre as contribuições de Nilton Campos para a psicologia. Recebe o título de Professor Emérito do Instituto de Psicologia da UFRJ, permitindo-o lecionar e exercer atividades de orientação no programa de pós-graduação dessa instituição. Publicação da obra “Psicologia e História”.&lt;br /&gt;
* 1990: Publicação da obra “Filosofia da Mente: Introdução ao Estudo Crítico da Psicologia”.&lt;br /&gt;
* 1992: Publicação das obras “História da Psicologia” e “História da Psicologia no Rio de Janeiro”. No mês de novembro, é dispensado da FGV, em virtude da extinção da pós-graduação em Psicologia dessa instituição.&lt;br /&gt;
* 1994: Publicação da obra “Freud, as Ciências Sociais e a Filosofia”.&lt;br /&gt;
* 1995: Publicação da obra “Introdução à Psicologia Política”.&lt;br /&gt;
* 1997: Publicação da obra “Repensando a Psicologia”.&lt;br /&gt;
* 1999: Publicação das obras “Em Busca de Deus: Introdução à Filosofia da Religião&amp;quot; e “Introdução à Filosofia da Moral”.&lt;br /&gt;
* 2000: Publicação das obras “Introdução à Epistemologia” e “Introdução ao Gestaltismo”.&lt;br /&gt;
* 2001: Publicação das obras “Introdução à Psicologia Fenomenológica&amp;quot;, &amp;quot;Introdução à Psicologia Genética de Piaget”, “Introdução à Aprendizagem e Memória” e “Introdução à Motivação e Emoção”.&lt;br /&gt;
* 2003: Publicação da obra “Introdução à Psicologia da Linguagem e do Pensamento”.&lt;br /&gt;
* 2004: Publicação das obras “Introdução à Psicologia do Século XX” e “Introdução à Antropologia Filosófica”.&lt;br /&gt;
* 2006: Publicação da obra “Os Filósofos e a Psicologia”.&lt;br /&gt;
* 2010: Falece aos 93 anos de idade, no dia 08 de setembro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Discípulos/seguidores/quem influenciou ==&lt;br /&gt;
Durante sua extensa trajetória acadêmica, Penna influenciou diretamente diversos alunos e/ou orientandos, muitos dos quais vieram a se tornar professores acadêmicos e prestaram-lhe as mais elogiosas homenagens, como por exemplo: [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 Arthur Arruda Leal Ferreira], professor titular do Instituto de Psicologia da UFRJ; [http://lattes.cnpq.br/0516666558156215 Virginia Kastrup], professora titular do Instituto de Psicologia da UFRJ; [http://lattes.cnpq.br/0573756303587946 Maria Lucia Seidl de Moura], professora titular do Instituto de Psicologia da UERJ; [http://lattes.cnpq.br/8055904604783399 Eduardo Henrique Passos Pereira], professor titular do Instituto de Psicologia da UFF; [http://lattes.cnpq.br/2336468690216198 Angélica Bastos de Freitas Rachid Grimberg], professora do Instituto de Psicologia da UFRJ; [http://lattes.cnpq.br/2734613067706583 Helmuth Ricardo Krüger], professor titular da Universidade Católica de Petrópolis; [http://lattes.cnpq.br/7714353355111033 Marcia Oliveira Moraes], professora titular do Departamento de Psicologia da UFF; Luiz Alfredo Garcia-Roza, que foi professor emérito da UFRJ; [http://lattes.cnpq.br/1358662629000826 Nelson Antônio Alves Lucero], professor associado da UFES. E outros acadêmicos, além de prestarem homenagens, intitularam-se discípulos do professor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A título de exemplo, [[Luís Cláudio Mendonça Figueiredo]], psicanalista, professor aposentado da USP e professor da PUC-SP, foi aluno de Penna entre 1965 e 1968, fazendo parte da segunda turma do recém criado Curso de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Ao final do terceiro ano do curso, foi convidado pelo próprio professor para se tornar o seu assistente quando terminasse o bacharelado, mas por motivos de outra ordem, isso não aconteceu. Não obstante a distância geográfica, visto que Figueiredo continuou sua vida acadêmica e profissional além do Rio de Janeiro, os dois jamais perderam o contato pessoal e intelectual. Dito isso, Figueiredo dedicou inteiramente sua obra “Matrizes do pensamento psicológico” ao Penna como um gesto de retribuição por tudo que aprendeu com o professor, e em todos concursos que prestou na USP, fez questão de tê-lo como presença obrigatória nas bancas, pois considerava pertencer a mesma tradição de pensamento do seu mestre, em outras palavras, um de seus herdeiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras/fundações ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Livros ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Percepção e Aprendizagem&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1966.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Percepção e Realidade:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;Introdução ao Estudo da Atividade Perceptiva&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1968.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Comunicação e Linguagem&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1970.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Motivação e Emoção&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1975.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à História da Psicologia Contemporânea&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Linguagem, Personalidade e Terapia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Eldorado, 1976.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Aprendizagem e Motivação&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1980.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;História das Ideias Psicológicas&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1980.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Psicologia Cognitiva&#039;&#039;&#039;. São Paulo: EPU, 1984.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Cognitivismo, Consciência e Comportamento Político&#039;&#039;&#039;. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1987.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Psicologia e História&#039;&#039;&#039;. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1988.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Filosofia da Mente: Introdução ao Estudo Crítico da Psicologia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1990.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;História da Psicologia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1992.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;História da Psicologia no Rio de Janeiro&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1992.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Freud, as Ciências Sociais e a Filosofia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1994.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Psicologia Política&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1995.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Repensando a Psicologia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1997.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Em Busca de Deus:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;&#039;Introdução à Filosofia da Religião&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1999.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Filosofia da Moral&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1999.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Epistemologia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2000.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução ao Gestaltismo&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora RJ, 2000.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Psicologia Fenomenológica&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2001.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Psicologia Genética de Piaget&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2001.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Aprendizagem e Memória&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2001.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Motivação e Emoção&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2001.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Psicologia da Linguagem e do Pensamento&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2003.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Psicologia do Século XX&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2004.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Introdução à Antropologia Filosófica&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2004.&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;Os Filósofos e a Psicologia&#039;&#039;&#039;. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2006.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Prêmios e reconhecimentos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Condecoração com a Medalha Santos Dumont, devido aos serviços prestados na Escola de Comando e Estado Maior da Aeronáutica (ECEMAR).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Condecoração com a Medalha Pedro Ernesto, devido às suas contribuições docentes na cidade do Rio de Janeiro. Recebida na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
* Título de Professor Emérito do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IP-UFRJ), em 1988.&lt;br /&gt;
* Inauguração do Centro de Estudos Antonio Gomes Penna no IP-UFRJ.&lt;br /&gt;
* Homenagem aos 90 anos, pelo Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relação com outros personagens ou teorias ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Waclaw Radecki ===&lt;br /&gt;
Ainda que Penna jamais tivesse encontrado [[Waclaw Radecki|Radecki]] em pessoa, o professor considerava ter uma dívida intelectual com esta figura da psicologia. Uma dívida que não veio necessariamente do fato de ter sido discípulo de dois alunos do Radecki, no caso, [[Jaymes Grabois]] e Nilton Campos, visto que ambos comentavam pouco sobre as ideias do polonês e falavam mais sobre aspectos anedóticos e pessoais da figura em si. De todo modo, Penna comenta como uma versão resumida do “Tratado de Psicologia” do Radecki, a qual encontrou em uma livraria de livros usados no Rio de Janeiro, o fez reler tal obra inúmeras vezes ao longo de sua vida, inclusive, consultando-a novamente anos após sua aposentadoria compulsória pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em uma de suas releituras da obra de Radecki, tentou compreender um conceito tanto obscuro utilizado pelo autor, o “discriminacionismo afetivo”, através da leitura cruzada sobre suas ideias acerca da discriminação perceptiva e da afetividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Nilton Campos ===&lt;br /&gt;
Nilton Campos é mais uma figura a qual Penna afirmou estar em débito, ao ponto de dizer que devia sua cátedra conquistada em 1965 ao mestre. Penna fora aluno de Nilton em 1944, tanto no curso de Direito como no de Economia, e também quando cursou Filosofia na antiga Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Já em 1948, logo após ter concluído sua graduação em Filosofia, foi convidado por Nilton para ser o seu assistente na cátedra de Psicologia do curso, dando início a uma longa e proveitosa relação de trabalho que durou até 1963.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nilton foi um psiquiatra cujos interesses intelectuais estavam mais próximos da psicologia e da filosofia, tendo pouco contato com a prática clínica propriamente dita. Sua carreira foi bastante voltada à docência de aspectos teóricos da psicologia e do próprio campo da filosofia. Com algumas ressalvas, seu perfil intelectual é considerado um tanto próximo ao de Penna, e ambos compartilhavam um grande interesse pela psicologia fenomenológica e pelo gestaltismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido a diversos problemas de saúde do Nilton, Penna ficou encarregado de dar um número consideravelmente maior de aulas do que se esperava de um assistente  — a princípio, ele deveria dar o primeiro ano do curso, mas por vezes lecionava durante os três anos de sua duração —, e também precisava auxiliar o seu mestre com situações cotidianas, como dar-lhe uma carona para casa após o expediente de trabalho, pois o psiquiatra não conseguia andar sozinho pela cidade sem ser acompanhado, inclusive para atravessar ruas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1948, Nilton assumiu a direção do Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil, e em 1951, Penna foi nomeado para colaborar no Instituto. Dessa forma, os dois também trabalharam juntos no Instituto de Psicologia até 1958, ano em que Penna pediu demissão após sua nomeação como professor de Psicologia Educacional no Instituto de Psicologia.  Ainda em 1951, Penna sugeriu a Nilton a criação de uma revista científica do próprio Instituto, cuja primeira publicação saiu no mesmo ano e foi idealizada como “Boletim do Instituto de Psicologia”, estendendo-se até 1974. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1953, Nilton recebeu um convite da Escola de Comando e Estado Maior da Aeronáutica (ECEMAR) para ministrar um curso sobre Psicologia Aplicada às Forças Armadas. Novamente, por questões de saúde, não se sentiu bem o suficiente para lecionar o curso, e pediu a Penna que o substituísse. Assim, Penna ministrou o curso em seu lugar e continuou a lecioná-lo até 1968.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Nilton em 1963, Penna assumiu interinamente a cátedra de Psicologia Geral da Universidade do Brasil, que fora conquistada pelo seu mestre em 1948. Além disso, apresentou diversos trabalhos sobre as contribuições de Nilton Campos para a psicologia brasileira, dedicando-lhe boas páginas em sua obra “História da Psicologia no Rio de Janeiro”, de 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Lourenço Filho ===&lt;br /&gt;
Outra figura com a qual Penna se sentiu endividado, Lourenço Filho foi responsável pela organização e direção do Instituto de Educação, onde Penna trabalhou como professor de Psicologia Educacional entre 1958 a 1963. Além disso, Lourenço Filho foi professor catedrático efetivo de Psicologia Educacional na Universidade da Guanabara (atual UERJ), onde Penna atuou como professor interino na mesma cátedra para substituí-lo temporariamente a partir de 1950.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Penna participou de uma reunião que contou com a presença de professores de São Paulo e do Rio de Janeiro para discutir a regulamentação da profissão de psicólogo e da formação em psicologia, a qual se deu sob a direção de Lourenço Filho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, Lourenço Filho foi responsável por indicar o nome de Penna ao Itamaraty para fundar, organizar e dirigir uma Faculdade de Filosofia no Paraguai, mais especificamente em Assunção, e assumiria também a cátedra de Psicologia da instituição. Penna rejeitou o convite por motivos familiares, e repassou a proposta para um de seus ex-alunos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lourenço Filho também o convidou para assumir a presidência da Associação Brasileira de Psicologia Aplicada — a qual fundou junto de [[Mira y López|Myra y López]] —, tendo em vista o fim do mandato do antigo presidente, Padre Benko; assim, Penna presidiu tal Sociedade por dois anos. E pouco antes de falecer, aceitou o convite de Penna para prefaciar sua obra “Comunicação e Linguagem”, de 1970. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1970, Penna foi convidado pela direção do Instituto de Seleção e Orientação Profissional da Fundação Getúlio Vargas (ISOP/FGV) para participar de uma comissão responsável por criar um programa de pós-graduação em Psicologia Aplicada, comissão esta que seria presidida por Lourenço Filho. Entretanto, com a morte de Lourenço Filho no dia 03 de agosto do mesmo ano, as reuniões prosseguiram sem a participação do mestre e com ninguém ocupando sua função original, o que foi decidido por unanimidade pela comissão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após sua morte, Penna também dedicou ao mestre boas páginas no seu livro “História da Psicologia no Rio de Janeiro”, de 1992, e voltou a escrever sobre ele na saudosa obra “Lourenço Filho - Outros aspectos, mesma obra”, de 1997, organizada pelo professor Carlos Monarcha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Maurilio Teixeira Leite Penido ===&lt;br /&gt;
Penna considera o padre Penido um dos professores mais importantes de sua formação, em suas palavras, “[...] a maior cabeça filosófica que o Brasil já teve [...]”, com quem efetivamente aprendeu a pensar (PENNA, 2004, p. 5). Ele foi um de seus professores na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Também foi professor da Universidade de Friburgo, na Suíça, onde lecionou sobre psicologia da religião, além de ser considerado um importante teólogo que publicou diversas obras na Europa durante a década de 1930. Penna dedicou algumas de suas próprias obras ao mestre, como “História das ideias psicológicas”, de 1991, e a mais expressiva de sua relação intelectual com o padre, “Em Busca de Deus: Introdução à Filosofia da Religião”, de 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;David José Perez&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
Perez foi professor de Economia Política quando Penna cursou Economia, curso que começou aos 17 anos de idade. Suas aulas, consideradas brilhantes e muito variadas, causaram-lhe uma forte impressão, de tal forma que o influenciou a seguir os passos do professor. Assim, Penna iniciou suas atividades docentes seis anos depois, quando já havia terminado o curso de Economia, lecionando sobre História da Economia durante cinco anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Eliezer Schneider ===&lt;br /&gt;
Eliezer Schneider foi colega de trabalho e um querido amigo de Penna. Eles se conheceram na década de 1940, e tornaram-se amigos mais próximos quando trabalharam juntos no Instituto de Psicologia, na época em que era apenas um órgão suplementar da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Logo na primeira edição do “Boletim do Instituto de Psicologia”, nomeado excepcionalmente “Anuário do Instituto”, os textos de Penna e Schneider ocuparam mais de 50% das páginas da publicação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Nilton Campos em 1963, Schneider ocupou interinamente a direção do Instituto de Psicologia e Penna ocupou interinamente a cátedra de Psicologia Geral. Nesse ínterim, foram encontrados nas gavetas do antigo diretor esboços de um projeto de criação do Curso de Psicologia na Faculdade Nacional de Filosofia. Assim, ambos começaram a planejar a criação do Curso de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia (atual Curso de Psicologia do Instituto de Psicologia da UFRJ), marcada pela forte oposição de psiquiatras e por questões burocráticas, que se sucedeu em 1964.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Schneider e Penna também vivenciaram juntos diversos episódios turbulentos durante a ditadura militar, sofrendo ameaças e punições pelas suas atividades “subversivas” desempenhadas na UFRJ, por exemplo. No caso de Schneider, seu explícito posicionamento político e seu envolvimento em atividades de militância da esquerda, como sua participação na Juventude Comunista, tornaram-no alvo de perseguição pela ditadura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em 1970, os dois estiveram juntos na comissão responsável pela criação de um programa de pós-graduação em Psicologia Aplicada na Fundação Getúlio Vargas (FGV).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Anísio Teixeira]]&lt;br /&gt;
* [[Associação Brasileira de Psicologia (ABP)]]&lt;br /&gt;
* [[Associação Brasileira de Psicologia Aplicada (ABPA)]]&lt;br /&gt;
* [[Eliezer Schneider]]&lt;br /&gt;
* [[Franco Lo Presti Seminério]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Educação]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psicologia da UFRJ]]&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)]]&lt;br /&gt;
* [[Jayme Grabois]]&lt;br /&gt;
* [[Lourenço Filho]]&lt;br /&gt;
* [[Luís Cláudio Mendonça Figueiredo]]&lt;br /&gt;
* [[Luiz Alfredo Garcia-Roza]]&lt;br /&gt;
* [[Manoel Bomfim]]&lt;br /&gt;
* [[Marion Merlone dos Santos Penna]]&lt;br /&gt;
* [[Maurício de Medeiros]]&lt;br /&gt;
* [[Mira y López|Myra y López]]&lt;br /&gt;
* [[Nilton Campos]]&lt;br /&gt;
* [[Plínio Olinto]]&lt;br /&gt;
* [[Waclaw Radecki]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# BROZEK, J; LÉON, R. Recentes desenvolvimentos na historiografia da psicologia no Brasil. In: BROZEK, J; MASSIMI, M (orgs). &#039;&#039;&#039;Historiografia da psicologia moderna:&#039;&#039;&#039; versão brasileira. São Paulo: Unimarco; Loyola, 1998. p. 223-228.&lt;br /&gt;
# BROZEK, J. Brasiliana: o final da década de 1980. In: BROZEK, J;  MASSIMI, M (orgs). &#039;&#039;&#039;Historiografia da psicologia moderna:&#039;&#039;&#039; versão brasileira. São Paulo: Unimarco; Loyola, 1998. p. 229-235.&lt;br /&gt;
# FERREIRA, A. A. L. [https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/mnemosine/article/view/41311 Antônio Gomes Penna: estudante incondicional, cartógrafo e olheiro (ou como se contagiar com um desejo profuso)]. &#039;&#039;&#039;Mnemosine&#039;&#039;&#039;, v. 3, n. 1, p. 210-222, 2007. Acesso em: 14 fev. 2023.&lt;br /&gt;
# FERREIRA, A. A. L. &amp;amp; PENNA, M. M. S. (Orgs). &#039;&#039;&#039;Antonio Gomes Penna:&#039;&#039;&#039; Convivências, Histórias e Memórias. Rio de Janeiro: Nau, 2015.&lt;br /&gt;
# FIGUEIREDO, Luís Cláudio. &#039;&#039;&#039;Antonio Gomes Penna:&#039;&#039;&#039; razão e história. Rio de Janeiro: Imago, 2002.&lt;br /&gt;
# FONSECA, Luiz Eduardo Prado. &#039;&#039;&#039;Os (Des)caminhos da Psicologia no século XX:&#039;&#039;&#039; Um estudo sobre a história do Instituto de Psicologia da UFRJ. Tese de Doutorado (História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia) – Programa de Pós-Graduação em História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2020.&lt;br /&gt;
# GREGOL, E; DELMONDES, G. F. S; MIRANDA, R. L. [https://periodicos.ufmg.br/index.php/memorandum/article/download/6443/4030/ Percorrendo a trajetória de um pioneiro]. &#039;&#039;&#039;Memorandum&#039;&#039;&#039;, 31, p. 313-316, 2016. Acesso em: 14 fev. 2023.&lt;br /&gt;
# JACÓ-VILELA, A. M. [https://periodicos.ufmg.br/index.php/memorandum/article/view/6570 Antonio Gomes Penna: psicologia, história e filosofia em uma trajetória dedicada ao ensino]. &#039;&#039;&#039;Memorandum: Memória e História em Psicologia&#039;&#039;&#039;, [S. l.], v. 19, p. 239–248, 2010. Acesso em: 14 fev. 2023.&lt;br /&gt;
# KRÜGER, Helmuth. [https://xdocz.com.br/doc/contribuiao-de-antonio-gomes-penna-ao-estudo-da-historia-da-psicologia-qoeyv5dry2n6 Contribuição de Antonio Gomes Penna para a História da Psicologia]. In: GUEDES, Maria do Carmo (org.). &#039;&#039;&#039;Historiografia e história da psicologia&#039;&#039;&#039;. São Paulo: EDUC, 1998. p. 51-61. Acesso em: 14 fev. 2023.&lt;br /&gt;
# KRÜGER, Helmuth. [https://www.scielo.br/j/pcp/a/HKFRBdZ5ttKmdfDgxz6q8Wh/?lang=pt Antonio Gomes Penna]. &#039;&#039;&#039;Psicologia: Ciência e Profissão&#039;&#039;&#039;. 21 (1), p. 97–97, 2001. Acesso em: 13 fev. 2023.&lt;br /&gt;
# PENNA, A. G. [https://www.scielo.br/j/epsic/a/WFy7MLLFp6st9fXmTZF5YzM/?lang=pt Entrevista Antonio Gomes Penna]. &#039;&#039;&#039;Estudos de Psicologia (Natal)&#039;&#039;&#039;, 2 (1), 109-134, 1997. Acesso em: 13 fev. 2023&lt;br /&gt;
# PENNA, A. G. [https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/mnemosine/article/view/41332 Minha caminhada na psicologia]. &#039;&#039;&#039;Mnemosine&#039;&#039;&#039;, v. 1, n. 0, p. 3-18, 2004. Acesso em: 13 fev. 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Links externos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# [https://www.youtube.com/watch?v=JDWCz3-99p4 Vídeo do Conselho Federal de Psicologia sobre Antonio Gomes Penna, contando com sua participação]&lt;br /&gt;
# [https://site.cfp.org.br/nota-de-pesar-pelo-falecimento-de-antonio-gomes-penna/ Nota de pesar do Conselho Federal de Psicologia pelo falecimento de Antonio Gomes Penna]&lt;br /&gt;
# [https://andrews.g12.br/depoimento/antonio-gomes-penna Entrevista com Antonio Gomes Penna para o Colégio Andrews]&lt;br /&gt;
# [https://andrews.g12.br/depoimento/marion-penna Entrevista com Marion Merlone dos Santos Penna para o Colégio Andrews]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/3017047566344316 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Arthur Arruda Leal Ferreira]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/0516666558156215 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Virginia Kastrup]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/0573756303587946 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Maria Lucia Seidl de Moura]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/8055904604783399 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Eduardo Henrique Passos Pereira]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/2336468690216198 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Angélica de Bastos de Freitas Rachid Grimberg]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/2734613067706583 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Helmuth Ricardo Krüger]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/7714353355111033 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Marcia Oliveira Moraes]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/1358662629000826 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de  Nelson Antônio Alves Lucero]&lt;br /&gt;
# [http://lattes.cnpq.br/5758019973840983 &#039;&#039;Curriculum Vitae&#039;&#039; de Luís Cláudio Mendonça Figueiredo] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado originalmente por Gunther Mafra Guimarães, durante o período em que foi bolsista de extensão tecnológica pela Agência de Inovação da Universidade Federal Fluminense (AGIR), tendo assim recebido financiamento para sua criação. Criado em 2023.1, publicado em 2023.1.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===   ===&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
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		<title>Antonio Gomes Penna</title>
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		<updated>2023-08-24T19:17:13Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Inserção do cabeçalho&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Antonio Gomes Penna nasceu em 13 de maio de 1917, na cidade do Rio de Janeiro. Cursou Economia, Direito e Filosofia, além de ter adquirido os títulos de doutor em Psicologia Geral e Psicologia Educacional. Teve uma extensa carreira acadêmica, contabilizando mais de 50 anos de magistério em diversas instituições e disciplinas, desde o ensino primário até a pós-graduação, destacando-se sua atuação como professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e sua condecoração como Professor Emérito na mesma instituição. Sua profícua produção bibliográfica conta com mais de 100 artigos publicados e cerca de 30 obras de estrita autoria, a maioria sobre diversos temas da psicologia. Contribuiu principalmente para o desenvolvimento da história da psicologia enquanto uma disciplina acadêmica no Brasil, através de suas aulas, obras e atividades de orientação sobre o tema, além de ter defendido sua inclusão nos cursos de graduação em psicologia. Foi também uma importante figura para a institucionalização da formação em psicologia no Brasil, tendo participado da criação de diversos cursos de graduação e pós-graduação no país, sendo principalmente responsável pela criação do Curso de Psicologia da UFRJ. Faleceu em 08 de setembro de 2010, com 93 anos de idade.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
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		<title>Joseph Banks Rhine</title>
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		<updated>2023-07-18T20:31:38Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Criação da página na Wiki e adaptação às normas da WikiHP&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Joseph Banks Rhine nasceu no estado da Pensilvânia, Estados Unidos, em setembro de 1895, e faleceu em 20 fevereiro de 1980, aos 84 anos. Começou seus trabalhos acadêmicos vinculados à botânica, junto à sua esposa Louisa Ella Weckesser, e posteriormente tornou-se um grande pesquisador, professor e estudioso da Parapsicologia. Interessado por ampliar os conhecimentos desse ramo, ele buscou comprovar que os fenômenos trabalhados por esse campo da ciência eram de fato científicos, ao invés de uma pseudociência. Com seus relevantes experimentos e estudos acerca da percepção extrassensorial e da psicocinese, tornou-se reconhecido dentro da área da psicologia, principalmente como o fundador da Associação de Parapsicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Formação ===&lt;br /&gt;
Joseph Banks Rhine nasceu na Pensilvânia, em setembro de 1895. Rhine foi educado na Ohio Northern University, Universidade Wooster e Universidade de Chicago, onde concluiu seu mestrado no ano de 1923, e em 1925 finalizou seu doutorado em botânica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma autobiografia escrita para uma aula na faculdade, ele conta como viveu os primeiros cinco anos de sua vida em um local onde não tinha vizinhos, sendo assim, sua única amiga era sua própria irmã. Consequentemente, Joseph tornou-se uma pessoa muito tímida e criou uma conexão intensa com a natureza, o que era perceptível por aqueles que conviveram com ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tais vivências teriam influenciado o campo de pesquisa de J.B, que começou com a pergunta “O espírito humano sobrevive à morte?” e eventualmente se concretizou em “Os humanos possuem outra forma além de física?”. Essas indagações nasceram na sua adolescência, quando ele se conecta profundamente à religião de sua comunidade até a faculdade, e a partir disso, começou a olhar criticamente a religiosidade. O que gerou uma grande desilusão, levando-o para uma visão mecanicista, que permaneceu por alguns anos, incluindo vários na marinha (1917-1919).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posteriormente, Rhine voltou à faculdade e se informou sobre o campo da pesquisa, que o relembrou sobre seu velho interesse na questão da sobrevivência. Os métodos utilizados não o agradavam, e logo ele percebeu que poderia utilizar o mesmo método da natureza física do homem para estudar a natureza total do homem.  Logo após ouvir sobre a chamada pesquisa psíquica, tentou encontrar uma forma de trocar a química vegetal por fenômenos psíquicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 1923, escreveu três cartas para procurar bolsas ou posições, nas quais ele teria suporte para começar a investigar a área psíquica, deixando claro que largaria o campo que estava prestes a ter um doutorado. Após essas tentativas, não conseguiu nenhuma das bolsas, mas assumiu que as considerações econômicas se resolveriam por si só, uma vez que o maior objetivo estava sob cuidado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma coisa que Joseph não esperava era que qualquer resultado positivo que viesse a alcançar seria recebido muito negativamente pelos seus colegas cientistas, até a publicação de sua monografia “Percepção Extra Sensorial&amp;quot;, em 1934, na qual aponta a possibilidade de uma resposta hostil ao seu trabalho, porém persistiu até o fim de sua vida. E por metade de um século, ele foi o líder do campo e delimitou seu curso, tendo marcantes contribuições como: determinação de conceitos e métodos, definição do seu âmbito, mapeação de seu território e promoção de instrumentos para sua profissionalização, incluindo o Jornal de Parapsicologia, fundado em 1937, e a formação da Associação de Parapsicologia, fundada em 1957.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Joseph Banks Rhine: professor e amigo ===&lt;br /&gt;
Joseph e sua esposa Louisa são descritos por amigos como um time, ao qual a influência não pode ser descrita separadamente, tanto na vida pessoal quanto profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seus alunos inicialmente eram atraídos pela pesquisa da percepção extrassensorial, mas chegando perto se impressionavam pelos Rhine, descritos como amigos sábios, compreensivos, que inspiravam esforços e pesquisas dos estudante. O Dr. Rhine encorajava pessoas jovens no campo de pesquisa e era aberto a quem fosse lhe pedir ajuda, fazendo educadamente críticas construtivas. Ajudava seus alunos de diversas maneiras, mesmo que não tivesse obrigação.  Em um episódio, foi pessoalmente auxiliar a fazenda da família de uma aluna que estava em crise. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Joseph, além de ser o diretor do laboratório de parapsicologia, em 1935, ele também foi professor de psicologia na Duke, lecionando um curso de graduação em personalidade humana e um seminário de pós-graduação em parapsicologia. Em personalidade humana eram discutidos tópicos como o problema mente-corpo, as bases culturais e biológicas da ética e o lugar da personalidade humana no universo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os anos de estudo de Rhine em parapsicologia o convenceram que existiam evidências para suportar a tese de que existia um aspecto não físico. Em sala de aula, ele não dizia aos seus alunos em que acreditar, mas os desafiavam a pensar, recusar aceitar crenças passivamente e a procurar por respostas usando métodos científicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu estilo de aula não era no estilo de apresentação. Ele falava calmamente, mas cativava os alunos com sua argumentação e transparência quanto ao assunto. Como para ele o exemplo era o melhor preceito, suas aulas não se resumiam a sala de aula, e para muitos alunos ele se mantém um exemplo de professor e cientista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos finais de semana, os alunos se reuniam na casa dos Rhine, e em uma lareira no quintal ele tocava músicas em alemão e os incentivavam a aprender, indicando que a música era uma forma agradável de aprender um idioma. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Joseph e Louisa tinham diplomas em botânica e amavam atividades ao ar livre. Uma atividade que seus alunos gostavam era acompanhar as expedições para pegar amoras, que eram usadas nas tortas de Louisa. A família Rhine convidava constantemente os alunos de Joseph para inúmeras atividades em seu lar e em áreas naturais como lagos e florestas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A casa dos Rhine era o centro de muitas atividades, que não incluíam só família, mas alunos, colegas e amigos, como mencionado anteriormente. Durante os anos de guerra eles se ofereceram para receber soldados que precisavam de estadia, e alguns deles se tornaram quase membros da família, retornando sempre que podiam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rhine estava sempre preocupado com o futuro daqueles que queriam pesquisar a parapsicologia, pois ele sabia que o campo tinha um futuro incerto. Uma das grandes vantagens de estar associado ao laboratório de parapsicologia era a oportunidade de conhecer inúmeros visitantes que iam discutir fenômenos psíquicos. Autores, filósofos, psicólogos e biólogos vinham de todo o mundo.  O laboratório também atraia pessoas que acreditavam ter habilidades psíquicas, famosos médiuns etc., muitos participando em testes feitos ali. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os testes eram procedimentos transparentes, mas tinham o objetivo de excluir qualquer tipo de ocorrência de artimanhas. Essa abordagem combinada com a integridade científica foi a maneira de lidar com esse difícil campo.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como era um pioneiro em parapsicologia, estava constantemente na visão do público, às vezes sendo honrado por sua coragem e em outros momentos sendo ridicularizado, mas esses insultos não o tiraram de seu objetivo principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos que conviveram com o pesquisador afirmam que ele nunca se arrependeu de estudar parapsicologia e que expandiu os horizontes da ciência de uma maneira diferente da convencional.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
Joseph Banks Rhine começou sua vida profissional nos estudos relacionados à área de pesquisa psíquica, entretanto, deixou de lado esse campo e, posteriormente, seu legado foi vinculado aos trabalhos voltados para a psicologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi conhecido como um grande entusiasta da área da Parapsicologia, principalmente aos seus estudos de clarividência, psicocinese e percepção extrassensorial, importantes conceitos trabalhados dentro desse ramo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas de suas colaborações importantes para o desenvolvimento da Parapsicologia foram: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• A publicação do seu livro “Extra-Sensory Perception”, em 1934, onde descreveu suas melhorias graduais na questão técnica experimental. Para além disso, a principal função do livro de Rhine foi apresentar como a hipótese da percepção extrassensorial poderia ser abordada de forma rigorosamente científica, encorajando outros psicólogos a buscar pesquisas semelhantes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• Em 1937, junto ao Dr. William McDougall, fundou o Jornal de Parapsicologia, no qual Rhine trabalhou e desenvolveu por 40 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• Rhine foi responsável pelo início da Associação de Parapsicologia, a sociedade profissional da área, que, atualmente, conta com cerca de 300 membros em várias partes do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• Em seu livro “The Reach of the Mind”, Rhine argumentou que os resultados de sua pesquisa experimental com experiências extrassensoriais, e psicocinese, revelavam que os fenômenos que ele estudava eram resultado de um princípio não físico separado, mas interagindo com o corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• Em 1962, ele estabeleceu a Fundação de Pesquisa da Natureza Humana, com o intuito de assumir o laboratório de parapsicologia da Universidade Duke e reorganizá-lo como Instituto de Parapsicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
Joseph Banks Rhine, ao se interessar pelo estudo da parapsicologia, dedicou seu tempo em realizar diversos experimentos e criar métodos eficazes que pudessem comprovar que a parapsicologia deveria ser considerada uma ciência e não uma pseudociência ou misticismo. Nessas pesquisas, ele estudou sobre a clarividência, que consistia em prever algum evento futuro, telepatia, que seria a habilidade de ler a mente das outras pessoas e estudou também a psicocinese, a habilidade psíquica de mover objetos sem ao menos tocá-los. Mas se viu com muitos obstáculos para tal, já que seus experimentos sempre eram alvos de duras críticas por parte da academia, que apontavam diversas falhas e problemas nos processos propostos por Joseph. Entretanto, isso fez com que ele repensasse e retrabalhasse todos os seus experimentos diversas vezes para tentar adequá-los aquilo que a academia exigia em suas críticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Experimento das cartas ===&lt;br /&gt;
Um experimento criado por Joseph foi baseado em um já existente, que consistia em medir as habilidades extrassensoriais de clarividência a partir do uso de cartas de baralho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O experimento original usava as 52 cartas de um baralho normal e colocava um aplicador para retirar as cartas desse baralho comum embaralhado e uma pessoa sendo testada usaria suas habilidades para descobrir aquilo que estava na carta. Rhine percebeu que este procedimento apresentava um problema que estava no próprio baralho, já que o baralho comum era de conhecimento geral, e com isso muitas pessoas tinham cartas ou naipes preferidos que acabavam afetando o experimento. Além disso, as variáveis, número e naipe, geravam outro problema na interpretação dos resultados, já que alguém poderia acertar o naipe e não o número, ou o contrário, mas seu desempenho era medido como o de alguém que teria errado completamente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para resolver esse problema, ele desenvolveu um baralho especial para realizar esse tipo de teste, que consistia em 25 cartas que apresentavam 5 símbolos diferentes (círculo, quadrado, cruz ou X, estrela e linhas onduladas), sendo 5 cartas de cada símbolo, e assim nem o aplicador nem o testando seria influenciado por experiências passadas. O experimento era basicamente o mesmo, esse baralho era embaralhado e o aplicador tirava as cartas na ordem em que estavam viradas para baixo em cima de uma mesa e anotavam aquilo que o testando dizia. Esse experimento foi realizado de diversas maneiras, sendo dividido em sessões em que cada uma tinha suas séries que representavam a quantidade de baralhos utilizados, e as tentativas em que eram feitos cada um dos palpites (cada série tinha um número de tentativas e cada tentativa tinha 25 palpites que era o número de cartas no baralho).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A principal crítica a esse processo foi que ele poderia ser facilmente alterado e falsificado. Mesmo assim, ele usava esse método para medir os níveis de habilidades extrassensoriais de clarividência e telepatia, porém, a telepatia gerou problemas para o próprio Joseph. Uma vez que para o teste de telepatia, o aplicador olhava a carta, porém não era possível saber se o testando estava usando a clarividência (lendo a carta) ou telepatia (lendo a mente do aplicador). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com isso, ele obteve diversos dados, mas que só passaram a representar valores realmente expressivos quando os testandos passaram a ser pessoas escolhidas aleatoriamente e não de maneira a pré avaliar as habilidades que a pessoa tinha antes da realização dos testes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Experimento dos dados ===&lt;br /&gt;
Além das habilidades de clarividência e telepatia, Joseph Rhine também se interessou pelo fenômeno da telecinese, e para provar a existência desse fenômeno, ele desenvolveu um experimento que consistia em jogar um dado esperando que uma das faces caísse. Sendo assim a face esperada seria aquela dita pelo testando e a partir disso, o mesmo faria com que o dado caísse na face escolhida. Os dados a partir desse método foram insatisfatórios, o que fez com que ele criasse um método mais sofisticado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu laboratório ele desenvolveu um mecanismo com motor que automatizou o lançamento dos dados, fazendo com que não houvesse o fator humano que poderia implicar em um lançamento tendencioso. Nesse procedimento o testando teria que dizer que todas as faces apareceriam antes do fim do experimento. Além disso, ele também implementou outros métodos de controle como interromper o experimento antes do fim.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O experimento decisivo ===&lt;br /&gt;
Esse experimento foi dito no livro &amp;quot;An Introduction to Parapsychology&amp;quot; como o definitivo para comprovar os fenômenos estudados por ele, mais especificamente o da clarividência. Esse experimento ficou conhecido como a série de Pearce-Pratt. Para esse experimento, primeiramente, é necessário um aplicador competente, que nesse cenário foi o assistente de Rhine, J. G. Pratt, que durante seus 40 anos dentro da parapsicologia publicou mais de 100 artigos científicos fazendo com que ele fosse respeitado em diversos campos do conhecimento, depois disso os resultados adquiridos devem ser publicados em periódicos reconhecidos, outro ponto é que a pontuação precisava ser alta o suficiente para não ser afetada por processos do experimento como paradas opcionais. Também seria necessário para o experimento que ele fosse reconhecido por outros pesquisadores da área, e o próprio Joseph alega que os resultados deste experimento estão muito além de qualquer crítica razoável à parapsicologia. Este experimento ocorreu durante os períodos de agosto de 1933 e março de 1934, com um aluno da Duke University chamado Hubert Pearce e tinha como base o experimento das cartas especiais que Rhine tinha desenvolvido. Nesse experimento cada série era dividida em subséries A, B, C e D, em que nas séries A, C e D Pearce ficava a 100 jardas (91,44 m), e na B 250 jardas (228,6m). Para o início do experimento Pearce e Pratt se encontravam e sincronizavam seus relógios, e a partir daí Pearce se dirigia até o local estipulado e na hora marcada nos dois relógios o experimento começava. E com isso Pratt abria um dos vários baralhos disponíveis, embaralhava, cortava e depois tirava cada uma das cartas com um minuto de intervalo entre cada uma, nesse tempo, Pearson estaria adivinhando as cartas, após o término eles descansavam por cinco minutos e seguiam para o próximo baralho. Para assegurar a veracidade dos cálculos, uma cópia, assinada por eles, daquilo que havia sido registrado do experimento era entregue a Joseph e tanto ele quanto Pratt calculariam a pontuação de Pearce, e em caso de divergências o dado divergente era considerado como um erro na tentativa de manter os resultados gerais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao fim de todo processo, foram feitas 1850 tentativas de adivinhação, nas quais o esperado era um acerto médio de 370 das 1850, porém, o resultado apresentado por Pearce foi de 558, muito acima daquilo que era esperado. Tendo esses resultados, as únicas críticas eram a da possibilidade de fraude desses dados, entretanto, essa fraude não chegou a ser comprovada, o que tornou esses valores genuínos e teoricamente válidos para a pesquisa em parapsicologia.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia biográfica ==&lt;br /&gt;
• 1895 – Joseph Banks Rhine nasce no dia 29 de setembro, em Waterloo, Pensilvânia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1917-1919 – Serviu ao Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1920 – Casou-se com Louisa Ella Weckesser e entrou na Universidade de Chicago&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1922 – Completou seu grau Bacharel em Ciências Biológicas &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1923 – Obteve seu mestrado em Ciências Biológicas na Universidade de Chicago &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1924-1926 – Assumiu um posto acadêmico na Universidade da Virginia Ocidental&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1925 – Concluiu seu doutorado em Ciências Biológicas &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1926- 1927 – Ingressou na Universidade de Harvard para estudar filosofia &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1927 – Mudou-se para Carolina do Norte, onde trabalho com William McDougall na Universidade Duke&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1928-1929 – Foi instrutor de Filosofia e Psicologia na Universidade Duke &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1934 – Publicou o livro &amp;quot;Extrasensory Perception&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1935 – Tornou-se diretor do Laboratório de Parapsicologia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1937 – Tornou-se professor de Psicologia na Universidade Duke, publicou seu livro &amp;quot;New Frontiers of the Mind&amp;quot; e fundou a Revista Acadêmica de Parapsicologia &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1938 – Produziu o relatório de experimentos sobre precognição, o qual foi iniciado em 1933 e participou do Simpósio de Parapsicologia na Associação Americana de Psicologia em Columbus, Ohio&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1940 – Publicou o livro &amp;quot;Extrasensory Perception After Sixty Years&amp;quot;, com participação de colegas da área &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1943 – Concluiu o relatório de experimentos de psicocinese, o qual foi iniciado em 1934&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1947 – Publicou o livro &amp;quot;The Reach of the Mind&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1950 – Discursou para a Sociedade Real de Medicina em Londres &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1953 – Publicou o livro &amp;quot;New World of the Mind&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1957 – Publicou o livro &amp;quot;Parapsychology: Frontier Science of the Mind&amp;quot;, junto com psicólogo J. G. Pratt &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1957 – Fundou a Associação Parapsicológica&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1962 – Criação da Fundação de Pesquisa sobre a Natureza do Homem &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1965 – Publicou o livro &amp;quot;Parapsychology from Duke to FRNM&amp;quot; e participou em uma palestra em Londres, que em seguida virou livro &amp;quot;The British Association/Granada Guildhall Lecture 1965&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1968 – Publicou o livro &amp;quot;Parapsychology Today&amp;quot;, junto com Robert Brier&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1971 – Publicou o livro &amp;quot;Progress in Parapsychology&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1978 – Palestrou para a Instituição Smithsoniana e ministrou um curso de Parapsicologia e Religião na Universidade Metodista Meridional, em Dallas, Texas &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• 1980 – Foi eleito presidente da Sociedade de Pesquisa Psíquica e morreu no mês de fevereiro em Hillsborough, Carolina do Norte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Colaboradores ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Karl Zener ===&lt;br /&gt;
Joseph Rhine Banks, com o auxílio do Dr. Zener, desenvolveu um baralho de 25 cartas com 5 desenhos geométricos simples (1934). Ao criar esse instrumento, foram capazes de testar pessoas, alegando que as informações sensoriais estariam seguras. O seu foco inicial foi na Percepção Extrassensorial (ESP), o que acarretou o experimento de Pearce-Pratt, que, posteriormente, forneceu provas em apoio à ESP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== William McDougall ===&lt;br /&gt;
William McDougall e Joseph R. Banks fundaram o Jornal da Parapsicologia em 1937, e permaneceram trabalhando juntos por quarenta anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Joseph Gaither Pratt ===&lt;br /&gt;
“Primeiro, o experimentador tinha que ser uma pessoa competente, de boa reputação e bem conhecida da comunidade parapsicológica. No estudo-alvo, o experimentador era J. G. Pratt, na época assistente de pesquisa de Rhine. Pratt seguiu uma longa e distinta carreira em pesquisa parapsicológica, publicando mais de 100 artigos em um período de 40 anos, e foi amplamente respeitado por outros no campo (ver Keil, 1987; Stevenson, 1980).” (e.g., Beloff, 1980; Rao, 1984, p. 80)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Influências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Carl Gustav Jung ===&lt;br /&gt;
Rhine teve grande influência por seus admiradores, dentre eles, Carl G. Jung (1964), que acreditava que Rhine havia comprovado a existência de fenômenos paranormais e além dele ter sido um dos principais personagens estudados por Jung em relação a fenômenos psíquicos; Joseph foi fundamental para o desenvolvimento da teoria de sincronicidade, já que foram utilizados o ESP e Psicocinese (PK), criados por Rhine.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Giovanni Schepis ===&lt;br /&gt;
Outro nome influenciado por Rhine foi o psicólogo Giovanni Schepis, um dos fundadores da Sociedade de Parapsicologia, que publicou um ensaio referente a “A Abordagem Estatística em Parapsicologia” (1938), baseado no trabalho de Banks e seus colaboradores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Emilio Servadio ===&lt;br /&gt;
O psicólogo Emilio Servadio também colaborou dentro dessa área da psicologia ao palestrar sobre “Um Ponto de Virada de Parapsicologia&amp;quot; na sede da Società Italiana, Dante Alighieri, em Roma (1946) e demonstrou sua admiração e embasamento no trabalho de Dr. Rhine.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== K. R. Rao ===&lt;br /&gt;
“O notável parapsicólogo indiano K. R. Rao (1984) incluiu o relatório de Joseph. R. Banks e Pratt (1954) em sua antologia de “as experiências básicas” no campo da parapsicologia” (Rao, 1981, p. 191).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Rene Warcollier, Whartley Carington e Gardner Murphy ===&lt;br /&gt;
“A pesquisa de Rene Warcollier e, até certo ponto, Whately Carington e, mais tarde, Gardner Murphy. Essas tradições (e pesquisadores) continuaram a ser influentes após a publicação de Extra-Sensory Perception. Além disso, em meados da década de 1940, após talvez uma década de domínio da pesquisa experimentalmente orientada, o campo começou a se abrir novamente para alguns dos interesses mais tradicionais da era pré-renana e, em meados da década de 1960, a era do espetacular sujeito psíquico havia retornado. Parte dessa mudança, ou assim nos parece, envolveu uma revisão de uma das suposições básicas de Rhine sobre a habilidade psíquica, que era comum e facilmente detectável em seres humanos.” (S. H. Mauskopf and M.R. Mc Vaugh, 1980, p.76) .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Rudolf Tischner ===&lt;br /&gt;
O Nestor da parapsicologia alemã, R. Tischner (1950), via Rhine como “o Lavoisier da parapsicologia”. De acordo com Tischner, Rhine fez essencialmente o mesmo para o parapsicólogo que Lavoisier fez para a química. (Lavoisier introduziu o equilíbrio de escala e, portanto, a medição quantitativa para a química.)” (M Johnson, 1982, p. 158). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
• Extrasensory Perception – 1934&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• New Frontiers of the Mind – 1937&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• Extrasensory Perception After Sixty Years – 1940&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• The Reach of the Mind – 1947&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• New World of the Mind – 1953&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• Parapsychology: Frontier Science of the Mind – 1957&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• Parapsychology from Duke to FRNM – 1965&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• Parapsychology Today – 1968 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
• Progress in Parapsychology – 1971&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# ALVARADO, Carlos S. [https://www.scielo.br/j/rpc/a/MKQTXhcsVVz5VyGYtn48GRJ Fenômenos psíquicos e o problema mente-corpo: notas históricas sobre uma tradição conceitual negligenciada]. &#039;&#039;&#039;Archives of Clinical Psychiatry&#039;&#039;&#039; (São Paulo), v. 40, p. 157–161, 2013. Acesso em: 19 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# IRWIN, H. J. (Harvey J. ). &#039;&#039;&#039;An introduction to parapsychology&#039;&#039;&#039;. 2. ed. Estados Unidos da América: McFarland &amp;amp; Co, 1994. &lt;br /&gt;
# RAO, K. Ramakrishna. J.B. Rhine : &#039;&#039;&#039;On the frontiers of science.&#039;&#039;&#039; 1. ed. Estados Unidos da América: McFarland &amp;amp; Co, 1982.&lt;br /&gt;
# RESENDE, Pedro Henrique Costa de. &#039;&#039;&#039;[https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/11897 A importância dos fenômenos psíquicos para o projeto de psicologia de C. G. Jung]&#039;&#039;&#039;. 2020. Acesso em: 19 jun. 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Amanda Toledo, Maria Clara Xavier, Pietra Mainfeld, Rafael Rodrigues e Tan Ziyun, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2023.1, publicado em 2023.1.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
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		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Erich_Neumann&amp;diff=1288</id>
		<title>Erich Neumann</title>
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		<updated>2023-07-17T22:05:37Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Criação da página na Wiki&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Erich Neumann nasceu em Berlim, 23 de janeiro de 1905, e faleceu em Telavive no dia 5 de novembro de 1960. Foi um psicanalista e escritor alemão que deu continuidade às obras de Carl Jung e desenvolveu importantes teorias, como a da Grande Mãe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Formação inicial ===&lt;br /&gt;
Erich Neumann nasceu em 1905 na cidade de Berlim, na Alemanha. Era filho de Edward, um comerciante de farinha, e de Zelma, uma dona de casa, sendo o mais novo de dois irmãos e o único da família inclinado para o judaísmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1923, tornou-se acadêmico de psicologia na Universidade de Berlim. Durante esse período, fez parte de um grupo que discutia psicologia, filosofia, questões judaicas, poesia e arte. Ele também estudou filosofia, pedagogia, história da arte, literatura e estudos semíticos. Entre os anos de 1921 e 1929, escreveu um romance e uma série de poesias. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1926, matriculou-se em um programa de estudos psicológicos e filosóficos na Universidade de Erlangen, em Nuremberg, onde recebeu um PhD em filosofia pela sua dissertação sobre a linguagem mística da filosofia de Johann Arnold Kanne, publicada em Berlim com o subtítulo &#039;&#039;Ein Vergessener Romantiker&#039;&#039; (O Romântico Negligenciado).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Antissemitismo ===&lt;br /&gt;
No ano de 1928, casou-se com Julie Blumenfeld. Julie era sionista e teve grande influência na formação do pensamento religioso de Neumann, que tornou-se bastante interessado no Hassidismo e também adotou o Sionismo como ideologia de vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus estudos tardios, ao ler Freud e Jung, viu-se interessado pela psicologia clínica. Com objetivo de atuar nessa área, iniciou um treinamento médico na Universidade de Friedrich Wilhelm, completando-o em 1933. No entanto, as leis antissemitas que a Alemanha defendia na época o proibiram de prestar estágios e de adquirir seu diploma, o impedindo, portanto, de exercer sua profissão. Diante disso, decidiu migrar com sua esposa e filho para a cidade de Telavive (na época, um território palestino). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante sua ida até a Palestina, Neumann decidiu reformular os planos e se estabelecer em Zurique, na Suíça, em busca de orientação profissional. Ele mantinha um profundo interesse pela psicologia de Jung e lá tiveram o seu primeiro encontro. Assim, Neumann passou sete meses sendo treinado e analisado pelo próprio Carl Jung e por sua colaboradora, Toni Anna Wolff.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A vida em Telavive ===&lt;br /&gt;
Em maio de 1934, Neumann deixou Zurique e continuou seu caminho até a Terra Prometida. Ao chegar em Telavive, estabeleceu uma clínica em sua pequena casa e, por não ter muitos pacientes, também lecionava em sua sala de estar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de afastado do regime nazista, Neumann sentia-se decepcionado com a vida que estava levando em Telavive. Em uma de suas cartas para Jung, confessou que se sentia intelectualmente isolado. Esse isolamento o impedia de receber críticas e &#039;&#039;feedbacks&#039;&#039;, de discutir suas teorias com outros intelectuais, e o impossibilitava de ter editores e tradutores para reescrever seus estudos. Embora diante desses empecilhos, Neumann dizia que essa fase havia sido importante para que ele desenvolvesse um caráter mais independente quanto a suas ideias. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa troca de correspondências com Jung o incentivou a escrever seu primeiro livro, &amp;quot;Jacob and Esau&amp;quot; (Jacó e Esaú). Com a Segunda Guerra Mundial, o contato entre os dois foi cessado e, nesse período, Neumann produziu algumas obras. Escreveu um manuscrito intitulado &amp;quot;The Origins and History of Jewish Consciousness&amp;quot; (As Origens e a História da Consciência Judaica), tardiamente publicado sobre o título de &amp;quot;The Roots of Jewish Consciousness&amp;quot; (As Raízes da Consciência Judaica). Também escreveu &amp;quot;New Ethic&amp;quot; (Nova Ética) que, segundo o próprio, foi o seu retorno para a psicologia pura. Além dos dois manuscritos, durante seus anos de isolamento, Neumann também escreveu o que é considerado uma de suas melhores obras: &amp;quot;Origins and History of Consciousness&amp;quot; (História das Origens da Consciência).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Conferências de Eranos ===&lt;br /&gt;
Com o fim da guerra em 1947, a única conexão que Neumann ainda tinha dentro do círculo junguiano era Alfred Adler. Graças a ele, foi apresentado à Olga Frobe-Kapteyn, fundadora das Conferências de Eranos. Olga, impressionada com suas ideias, o convidou para fazer uma apresentação. No ano seguinte, Neumann deu sua primeira palestra, nomeada de “Mythical Man” (Homens Míticos). Em seguida, passou a apresentar anualmente sua palestra “The Psyche as the Place of Creation” (A Psique como Lugar da Criação).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas conferências tiveram profunda influência no pensamento de Neumann e era onde ele podia expressar seus pensamentos existenciais, metapsicológicos e fenomenológicos, o que contribuiu para o desenvolvimento de suas ideias e teorias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fim da vida ===&lt;br /&gt;
Em outubro de 1960, após palestrar em Eranos pela última vez, Neumann recebeu de seus médicos a notícia de que estava morrendo. Assim, no dia 5 de novembro do mesmo ano, em Telavive, veio a falecer. Segundo sua esposa, após a sua morte, a causa pôde ser identificada como câncer nos rins.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
Erich Neumann através, principalmente, de sua teoria do arquétipo da Grande Mãe, foi responsável por expandir o trabalho de seu mestre, Carl G. Jung. Durante sua carreira, apresentou diversas palestras sobre o desenvolvimento humano com base na psicologia junguiana; este foi um trabalho essencial para a expansão e popularização desses pensamentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, produziu uma variedade de obras a respeito dos estágios de desenvolvimento humano, como “A Criança” e “A Grande Mãe: Um Estudo Histórico Sobre os Arquétipos, Simbolismos e Manifestações Femininas do Inconsciente”, contendo sua teoria mais famosa sobre o assunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
Com o objetivo de compreender o desenvolvimento humano, Erich Neumann disserta suas teorias a partir do conceito de que a personalidade é o resultado das relações entre o ego e os símbolos dos arquétipos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua teoria mais conhecida é a da Grande Mãe, na qual define as quatro fases essenciais no desenvolvimento psicológico feminino. No primeiro estágio, o ego e o inconsciente ainda estão unidos. Em seguida, há uma invasão espiritual e a dominação do arquétipo do Grande Pai, visto como violador e destruidor. Na terceira fase, o masculino é entendido como um indivíduo normativo, que liberta a jovem mulher de um pai controlador, para que ele mesmo a controle em um casamento. Por fim, no quarto estágio, a mulher, já madura, alcança o autoconhecimento, percebendo o seu “eu” autêntico e sua própria voz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentro dessa teoria, Neumann ainda discorre sobre a formação da personalidade do indivíduo desde quando este está no ventre materno, possuindo uma ligação direta com a própria mãe. Ele explica que a realidade não é dividida em duas partes, mas que existe uma realidade unificada, incluindo mundo externo, material, e a realidade intelectual e sensorial. Ele também diferencia os dois níveis fundamentais da alma que são o &amp;quot;Si mesmo&amp;quot; (totalidade da psique) e o &amp;quot;Eu&amp;quot; (parte consciente; único que tem acesso ao pensamento racional). Diante disso, a realidade unificada se dá por meio do encontro dos dois.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia biográfica ==&lt;br /&gt;
23 de janeiro de 1905: Nascimento de Erich Neumann.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1921 - 1929: Escreve poesias e um romance.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1923 - 1926: Estuda psicologia, filosofia, pedagogia, história da arte, literatura e estudos psicológicos e filosóficos na Universidade de Erlangen, em Nuremberg.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1933: Completa seu treinamento médico na Universidade de Friedrich Wilhelm.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1934: Começa a trocar correspondências com Jung.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1940 - 1945: Escreve os manuscritos &amp;quot;The Origins and History of Jewish Consciousness&amp;quot; (As Origens e a História da Consciência Judaica),  &amp;quot;New Ethic&amp;quot; (Nova Ética), e &amp;quot;Origins and History of Consciousness&amp;quot; (História das Origens da Consciência).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1947: É apresentado à Olga Frobe-Kapteyn, fundadora das Conferências de Eranos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1948: Dá a sua primeira palestra, &amp;quot;Mythical Man”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outubro de 1960: Dá sua última palestra, “The Psyche as the Place of Creation”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5 de novembro de 1960: Falecimento em Telavive.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Jacó e Esaú (1934);&lt;br /&gt;
* História das Origens da Consciência: Uma Jornada Arquetípica, Mítica e Psicológica sobre o Desenvolvimento da Personalidade Humana (1949);&lt;br /&gt;
* Nova Ética (1949);&lt;br /&gt;
* Origens (1949);&lt;br /&gt;
* Amor e Psique (1954);&lt;br /&gt;
* A Grande Mãe: Um Estudo Histórico Sobre os Arquétipos, Simbolismos e as Manifestações Femininas do Inconsciente (1955);&lt;br /&gt;
* O Mundo Arquetípico de Henry Moore (1959);&lt;br /&gt;
* A Criança (1963).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências bibliográficas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# KROTH, Léo Teobaldo; RIBEIRO, Adriano Carlos; SCHONS, Cláudio Henrique; REICHERT, Fernando; LIMA, Rafael Amaral. [http://isssbrasil.usp.br/artigos/d_145.pdf O estudo da consciência, dos arquétipos e seus reflexos no desenvolvimento humano e organizacional]. &#039;&#039;&#039;Anais do 4º Congresso Brasileiro de Sistemas – Centro Universitário de Franca Uni-FACEF – 29 e 30 de outubro de 2008&#039;&#039;&#039;, 2008. Acesso em: 4 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# PAGLIA, Camille. [https://www.bu.edu/arion/files/2010/03/Paglia-Great-Mother1.pdf Erich Neumann: theorist of the Great Mother]. &#039;&#039;&#039;Arion: A Journal of Humanities and the Classics at Boston University&#039;&#039;&#039;, 2006. Acesso em: 4 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# SHANY, Lidar. Erich Neumann: [https://www.proquest.com/openview/73d9b090a3bfe429c6ada1339eee04db/1.pdf?pq-origsite=gscholar&amp;amp;cbl=18750&amp;amp;diss=y A Jungian Developmental Relational and Metapsychological Theoretician]. &#039;&#039;&#039;Pacifica Graduate Institute ProQuest Dissertations Publishing&#039;&#039;&#039;, 2021. Acesso em: 4 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# SENEGAČNIK, Brane. [http://www.phainomena.com/wp-content/uploads/2019/09/8_E-PHI-108-109-Valenti%C4%87-Pai%C4%87.pdf Illusion or Fusion?]. &#039;&#039;&#039;Journal of Phenomenology and Hermeneutics&#039;&#039;&#039;, 2019. Acesso em: 23 jun. 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por: Esther Cassa Archangelo, Jessica Dias de Carvalho, Julia Lombardi Carneiro, Mariano Pires Brandi e Raquel Valente Nogueira, como exigência parcial para disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2023.1, publicado em 2023.1.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Joseph_Fr%C3%B6bes&amp;diff=1287</id>
		<title>Joseph Fröbes</title>
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		<updated>2023-07-17T21:42:31Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Criação da página na Wiki&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Joseph Fröbes, jesuíta alemão, nasceu em 26 de agosto de 1866 em Betzdorf, na Alemanha. Atuou como professor, filósofo, escritor e psicólogo, sendo o primeiro líder católico a enxergar a psicologia experimental independente da psicologia filosófica. Fröbes faleceu no ano de 1947 na cidade de Colônia, na Alemanha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Início da vida ===&lt;br /&gt;
Joseph Fröbes nasceu em 26 de agosto de 1866, na cidade de Betzdorf, localizada na Alemanha, filho de Anton Fröbes e Josepha Fröbes. Em 1871, aos cinco anos, Fröbes iniciou os estudos em uma instituição pública de ensino, mas logo sua família se mudou para uma cidade pequena da Alemanha em 1874, possibilitando que ele estudasse em uma escola primária administrada pelo clero católico, como desejavam seus pais. Após um ano, estudou na Áustria, em um internato jesuíta, Stella Matutina, até 1882.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Carreira ===&lt;br /&gt;
Em 1882, aos dezesseis anos, Fröbes entrou para a Companhia de Jesus, após dois anos de estudos religiosos, estendeu-se até 1889 para o estudo da filosofia na Companhia. Assim, depois da conclusão, dedicou-se à carreira como professor, no campo das ciências, ensinando matemática, física e química. Iniciou o estudo de teologia em 1894, por quatro anos, e no fim de sua formação, em 1900, Fröbes foi ordenado sacerdote e se tornou professor de filosofia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1902, Joseph Fröbes decidiu estudar sobre psicologia, pois percebeu que a filosofia poderia abranger todas as ciências, e se sentiu impressionado com a &amp;quot;nova&amp;quot; ciência. Dessa forma, no mesmo ano, iniciou seus estudos na Universidade de Göttingen, interessado na área do estudo da psicologia experimental e motivado pela leitura da obra de Wilhelm Wundt. Ainda em Göttingen, foi orientado por George Elias Müller, no qual estudou experimentos e fez cursos de física, matemática aplicada, psiquiatra, físico-química e filosofia geral. Em 1904, foi para Universidade de Leipzig, após uma licença na atividade docente, com o objetivo de pesquisar mais sobre psicologia experimental usando um laboratório. Em Leipzig foi aluno de Wundt e estudou em seu laboratório, mas, apesar disso, Joseph afirmava que Gustav Theodor Fechner era o real autor da Psicologia Experimental. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após conclusão dos estudos, voltou e ensinou filosofia até 1936, na instituição Ignatius College de Valkenburg, na Holanda. Nesse tempo, Fröbes escreveu o livro &amp;quot;Lehrbuch der experimentellen Psychologie&amp;quot; (&amp;quot;Livro didático de Psicologia Experimental&amp;quot;), que foi ampliado no ano de 1908 a 1910, os quais foram adicionados novos conteúdos publicados em dois volumes (1915 e 1920). No ano de 1908, com o objetivo de trabalhar as duas psicologias, publicou a primeira edição de “Psychologie Sensitive” (“Psicologia Sensorial”), que abarcava o consciente dos animais, e em 1911 publicou “Psychologie Rationalis” (“Psicologia Racional”), sobre o homem. Após alguns anos, as duas publicações foram modificadas para um compêndio de dois volumes com o nome de “Speculative Psychologie” (Psicologia Especulativa), apresentando teses a serem comprovadas e discussões para debates para o uso escolar. Ainda nesse período como professor de filosofia, Fröbes publicou artigos, e em 1937 um compêndio de Psicologia experimental defendendo essa psicologia como independente, traduzido em diferentes idiomas e usado no ensino da disciplina. Uma curiosidade é que Fröbes obteve sua autobiografia escrita no terceiro volume do livro de Murchison, “A History of Psychology In Autobiography”, em 1936, juntamente dos psicólogos alemães mais importantes. No entanto, no desfecho de sua carreira seu último livro foi publicado em 1940, intitulado “Tractatus Logicae Formalis” (“Um Tratado de Lógica Formal”), e seus últimos artigos de grafologia , e em 1949 o seu último artigo chamado Ology, publicado dois anos após sua morte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fim de vida ===&lt;br /&gt;
Ao fim de sua carreira como professor, psicólogo e escritor, considerado o primeiro líder católico a escrever um livro didático de Psicologia, e nesse meio integrar a psicologia experimental e filosófica, Fröbes morreu aos oitenta e um anos, no dia 24 de março de 1947, em Colônia, cidade da Alemanha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Limite e integração ===&lt;br /&gt;
A atuação de Fröbes na psicologia experimental estava situada na tentativa de torná-la independente, defendendo a ideia de que a psicologia precisava de limites para ocupar o espaço como ciência, comparando-a com a física. Forneceu uma exposição em suas obras acerca da psicologia experimental  como uma ciência empírica e positiva, e essa é considerada o testemunho de Fröbes na defesa da psicologia com ciência. Foi o primeiro a reconhecer a psicologia experimental como independente da psicologia filosófica no meio católico alemão, indicando o início do progresso no pensamento científico nos círculos católicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de considerar a delimitação e o domínio da psicologia experimental e da psicologia filosófica importantes, ele sentiu a necessidade de integração de ambas, pois notou que para compreender de maneira completa os fenômenos, seria imprescindível essa aproximação. Fröbes defendia que a adesão a estas ciências não se baseava na ignorância das verdades adquiridas pela tradição filosófica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O caráter didático e enciclopédico de &#039;&#039;&#039;Fröbes&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
O jesuíta dedicou sua vida ao ensino da psicologia, o qual acumulou diversas obras importantes que contribuíram com a transmissão simples e acessível dos seus conhecimentos. Entre essas obras, encontra-se a produção de livros didáticos com objetivo de expor a integração da psicologia experimental e filosófica. Ele também publicou um grande número de artigos e resenhas. Essas obras são precisas nos detalhes, o qual evidencia o caráter crítico de Fröbes e o seu interesse em questões teóricas, principalmente na defesa de uma psicologia experimental independente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como enciclopedista, dedicou-se ao estilo expositivo simples, a fim de alcançar os círculos de psicologia da época. Sua obra &amp;quot;Lehrbuch der Experimentellen Psychologie&amp;quot; (&amp;quot;Livro didático de Psicologia Experimental&amp;quot;) foi considerada dinâmica e de fácil compreensão, a obra trata de assuntos como percepção, imaginação, pensamento, associação, inteligência, sentimento e vontade. Ele resumiu as psicologias mais frequentes de sua época, sendo considerada uma contribuição notável para o campo da psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
Algumas obras de Joseph Fröbes receberam críticas. O livro de lógica de Fröbes recebeu opiniões desfavoráveis de alguns de seus revisores, A. Mansion, que revisou o livro para a &#039;&#039;Revue NéoScolastique de Philosophie&#039;&#039;, alegou que a obra era de pouca importância para quem deseja encontrar informações facilmente e do ponto de vista doutrinário. Além disso, também disse que o tratamento da obra sobre esses aspectos era insuficiente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras fontes, Fröbes foi criticado em diferentes aspectos. Acreditavam que, em meio a vastidão de teorias e problemas na bibliografia de sua época, o autor permanecia no que já se admitia geralmente e no que já era plausível, sem grandes controvérsias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia biográfica ==&lt;br /&gt;
1866 - Nascimento de Joseph Fröbes em Betzdorf, na Alemanha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1871 - Fröbes inicia sua educação formal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1874 - A família de Joseph se muda para Darmstadt e Fröbes começa sua formação católica ao entrar em uma escola primária administrada pelo clero católico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1877- Fröbes continua seus estudos em Stella Matutina, internato jesuíta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1882- Termina os estudos no internato jesuíta Stella Matutina e ingressa na Companhia de Jesus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1889- Fim dos estudos filosóficos e humanísticos exigidos pelo currículo da Companhia de Jesus e início dos anos que passaria lecionando matemática, física e química.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1894 a 1899 - Estudou teologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1900 - Joseph Fröbes é ordenado sacerdote e começou a dar aula de filosofia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1902 - Fröbes pede licença de 4 anos a Companhia de Jesus para estudar psicologia, vai para Göttingen, onde conduziu experimentos psicológicos para a sua pesquisa intitulada “As diferenças sensoriais perceptíveis nos campos da visão e da percepção do peso” sob a supervisão de G. E. Muller em seu laboratório, além de fazer cursos de física, matemática aplicada, psiquiatria, físico-químico e filosofia geral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1904- No último semestre de sua licença, vai para Leipzig onde o curso de destaque da faculdade eram as aulas de psicologia de Wundt, ao término, volta a lecionar filosofia no mesmo ano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1905- Publicou o seu primeiro volume do &amp;quot;Experimentelle Psychologie&amp;quot; (&amp;quot;Psicologia Experimental)&amp;quot;, um pequeno livro de 220 páginas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1905 a 1906- Joseph tornou-se professor de filosofia na Jesuit House of Studies, Ignatius College em Valkenburg (Limburg, Holanda), onde estabeleceu um laboratório de psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1908- Publicação da primeira edição de &amp;quot;Psychologia Sensitiva&amp;quot; (&amp;quot;Psicologia Sensorial&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1908 a 1910- O material original do Lehrbuch der Experimentelle Psychologie foi consideravelmente modificado e ampliado, contando depois das mudanças com 540 páginas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1911- Publicação da &amp;quot;Psychologia Rationalis&amp;quot; (&amp;quot;Psicologia Racional&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1915- O primeiro volume do &amp;quot;Lehrbuch der Experimentellen Psychologie&amp;quot; (&amp;quot;Livro didático de Psicologia Experimental&amp;quot;) foi publicado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1920- Segundo volume do &amp;quot;Lehrbuch der Experimentellen Psychologie&amp;quot; (&amp;quot;Livro didático de Psicologia Experimental&amp;quot;) publicado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1921- Fröbes publica um artigo intitulado “Die Bedeutung Wilhelm Wundts” (&amp;quot;A Significância de Wilhelm Wundt&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1923- Revisão do primeiro volume do &amp;quot;Lehrbuch der Experimentellen Psychologie&amp;quot; (&amp;quot;Livro didático de Psicologia Experimental&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1926- Joseph publica um artigo em Scholastik avaliando um livro publicado em francês de psicologia empírica editado por G. Dumas, &amp;quot;Traité de Psychologie&amp;quot; (&amp;quot;Tratado de Psicologia&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1927- Participa de um congresso em Roma, no qual leu um artigo sobre a consciência do livre-arbítrio e a publicação do &amp;quot;Psychologia Rationalis&amp;quot; (&amp;quot;Psicologia Racional&amp;quot;) e do &amp;quot;Psychologia Sensitiva&amp;quot; (&amp;quot;Psicologia Sensorial&amp;quot;) como &amp;quot;Psicologia Especulativa&amp;quot; (&amp;quot;Speculative Psychology&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1928- Fröbes aparece em Scholastik traçando as origens da psicologia dinâmica da psicanálise através do trabalho de Woodworth.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1929- Revisão do segundo volume do &amp;quot;Lehrbuch der Experimentellen Psychologie&amp;quot; (&amp;quot;Livro didático de Psicologia Experimental)&amp;quot;; publicação de suas bases teóricas e, em seguida, de seu Manual Geral de Psicologia Experimental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1933- Versão resumida dos dois volumes de &amp;quot;Psychologia Speculativa&amp;quot; foi publicada sob o título de &amp;quot;Cursus Brevior Psychologia Speculative&amp;quot; (&amp;quot;Um Breve Curso sobre Psicologia Especulativa&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1936- Fröbes obteve sua autobiografia escrita no terceiro volume do livro de Murchison, “A History of Psychology In Autobiography”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1937- Versão resumida dos seus livros didáticos foi publicado com o nome de &amp;quot;Compendium Psychologia Experimentalis&amp;quot; (&amp;quot;Compêndio de Psicologia Experimental&amp;quot;).  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1940- Fröbes publica o seu último livro , &amp;quot;Tractatus Logicae Formalis&amp;quot; (&amp;quot;Um Tratado de Lógica Formal&amp;quot;) e também publica um artigo sobre grafologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1947- Joseph Fröbes morre em Colônia, na Alemanha, com 81 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1949- O último artigo escrito por Joseph é publicado com o nome de Ology, o qual refletia a tendência da psicologia Alemã naquela época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Quem influenciou ==&lt;br /&gt;
Joseph Fröbes influenciou Johannes Lindworsky (1875-1939), o qual doutorou-se em Munich sob a orientação de Fröbes, foi professor em Praga no ano de 1928 e posteriormente e Roma, na Universidade Gregoriana. Estudou, sobretudo, os conceitos de vontade e motivação. Escreveu diversos tratados na área da psicologia os quais foram traduzidos em diversos idiomas e tiveram ampla difusão, dentre eles: Der Wille e Willenshulke. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Experimentelle Psychologie (Psicologia Experimental) - Primeiro volume. (1905)&lt;br /&gt;
* Psychologie sensitive (Psicologia Sensorial). (1908)&lt;br /&gt;
* Experimentelle Psychologie (Psicologia Experimental) - Conteúdo modificado. (1908 - 1910)&lt;br /&gt;
* Psychologie rationalis (Psicologia Racional). (1911)&lt;br /&gt;
* Lehrbuch der experimentellen Psychologie (Manual da Psicologia experimental) - Primeiro volume. (1915)&lt;br /&gt;
* Lehrbuch der experimentellen Psychologie (Manual da Psicologia experimental) - Segundo volume. (1920)&lt;br /&gt;
* Speculative Psychology (Psicologia especulativa). (1927)&lt;br /&gt;
* Cursus brevior psychologie speculativae (A Briefer Course in Speculative Psychology/Um breve curso de psicologia especulativa). (1933)&lt;br /&gt;
* Psychologiae Experimentalis (Um Compêndio de Psicologia Experimental). (1937)&lt;br /&gt;
* Tractatus logicae formalis (Um Tratado de Lógica Formal). (1940)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relações com outros personagens ==&lt;br /&gt;
Joseph Fröbes sofreu grande influência da psicologia experimental de Wundt, o qual foi aluno na universidade onde o psicólogo lecionava. Por lá, Joseph fez um curso elementar ministrado por Wilhem Wirt, que o apresentou às instalações do laboratório experimental de Lepzing. Estudando psicologia experimental com Wundt, Fröbes participou como cobaia nos experimentos de Spearman sobre ilusões táteis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O psicólogo Alemão Georg Elias Müller também foi um dos pilares para as ideias de Joseph. Müller instruiu Fröbes em sua passagem por Göttingen, onde fez em experimentos como: As Diferenças Sensoriais Superceptíveis nos Campos de Visão e da Percepção do peso. Ainda em Göttingen, Joseph era  cobaia em experimentos do então assistente de Müller, Narziss Ach. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fröbes teve contado no caminho de sua ida a Roma com Agostinho Gemelli, reitor da universidade católica de Milão, assim veio a conhecer o trabalho de Gemelli na Itália. Chegando na cidade, conheceu Sante de Sanctis, Psicólogo famoso na universidade da Roma.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seus artigos, Joseph escreveu sobre as origens da psicologia dinâmica da psicanálise através do trabalho de Woodworth, McDougall e Moore. Além de dissertar sobre os livros então escritos pelos dois últimos citados, nomeados “Mc-Dougall Outline of Psychology&amp;quot; e “An Outline of Abnormal Psychology” e a psicologia dinâmica de Moore. Em outro artigo intitulado “A significância de Wilhelm Wundt”, Fröbes cita como verdadeiro criador da psicologia experimental Gustav Theodor Fechner.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# D. M. [http://www.jstor.org/stable/403325 Tratado de Psicologia empírica y experimental by Joseph Fröbes], &#039;&#039;&#039;Revista Portuguesa de Filosofia&#039;&#039;&#039;, v. 1, n. 2, p. 233–35, 1945. &lt;br /&gt;
# MASSIMI, M. Apropriações da Psicologia Experimental por Dois Autores Jesuítas nas Primeiras Décadas do Século XX. &#039;&#039;&#039;Temas em Psicologia&#039;&#039;&#039;, Ribeirão Preto, v. 26, n. 1, p. 481-494, 2018.&lt;br /&gt;
# MISIAK, H.; STAUDT, V. &#039;&#039;&#039;Catholics in Psychology:&#039;&#039;&#039; A Historical Survey. New York: Mc GRAW-HILL BOOK COMPANY, INC, 1954.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Bruna Reis, Maria Eduarda Santana, Rafael Degani e Vithoria Gomes, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2023.1, publicado em 2023.1.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Instituto_de_Psiquiatria_da_Universidade_Federal_do_Rio_de_Janeiro_(IPUB-UFRJ)&amp;diff=1286</id>
		<title>Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ)</title>
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		<updated>2023-07-17T21:13:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Criação da seção &amp;quot;Autoria&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB-UFRJ) foi fundado em 3 de agosto de 1938, através do decreto-lei 591 do mesmo ano, no campus da Praia Vermelha em Botafogo. O médico e professor catedrático de psiquiatria, Henrique de Brito Belford Roxo (1877-1969), foi o responsável por sua idealização, tornando-se assim o primeiro diretor da instituição. O IPUB tem como um de seus focos a saúde mental, dispondo de um programa de residência interdisciplinar voltado especialmente para essa temática, além de  possuir uma longa relação com o ramo da psicanálise. Suas principais áreas de atuação são: PROPSAM (programa de pós-graduação &#039;&#039;stricto sensu&#039;&#039;), PROJAD (Programa de Estudos e Assistência ao Uso Indevido de drogas), CIPE (Centro Integrado de Pesquisas), Hospital-Dia, CAPSi CARIM (Centro de Atenção e Reabilitação da Infância e da Mocidade), SPIA (Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência), CDA (Centro de Doenças de Alzheimer e outras Desordens Mentais na Velhice), ambulatório geral para adultos, serviço social e laboratório voltado para a realização de exames sanguíneos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Hospício Pedro II ===&lt;br /&gt;
O Hospício Pedro II, criado pelo decreto n° 82 de 18 de julho de 1841, foi a primeira instituição no Brasil com o intuito de fornecer tratamento aos chamados alienados. Até então, estes não eram protegidos ou assistidos pelo Governo, possuindo como possíveis destinos as ruas, as cadeias, as Santas Casa da Misericórdia, os Hospitais de Ordem Terceira ou suas próprias residências.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa falta de especialização e ausência de um local adequado para o tratamento dessa parcela da população fez com que, em 18 de julho de 1841, José Clemente Pereira, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, propusesse para o Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Império, através de um ofício, a criação de um hospício. Este seria localizado na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A instituição iniciou suas atividades em 8 de dezembro de 1852, englobando 144 alienados que se encontravam antes na enfermaria provisória da Praia Vermelha e do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Os estatutos daquele ano afirmavam que o hospício servia para asilo, tratamento e curativo dos alienados de ambos os sexos. Além disso, estava previsto o desenvolvimento de atividades de trabalho manual, incluindo oficinas de costura, lavagem e engomagem de roupas, sapataria, alfaiataria, marcenaria e floricultura. Esses serviços, além dos efeitos terapêuticos e do ordenamento social, proporcionava o desenvolvimento de habilidades que seriam úteis para a obtenção de emprego fora do hospício. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A instituição sofreu alteração em seu antigo nome em 1890, quando foi desvinculada da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro e passou a ser controlada diretamente pelo Governo Federal, adotando o nome de Hospício Nacional de Alienados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentro do espaço, era comum a falta de enfermeiras para atender a demanda dos pacientes. Por conta disso, foi criada através do decreto nº 791 de 27/09/1890 a Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras, que funcionaria nas dependências do Hospício Nacional de Alienados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Juliano Moreira foi considerada essencial para avanços da instituição, que refletiram no avanço do estudo da psiquiatria no Brasil. Dentre as mudanças desencadeadas por ele, podem ser citadas: a amplificação dos pavilhões, a aquisição de novos equipamentos, a instalação do laboratório de análises clínicas e a implantação da técnica de punções lombares para elucidação diagnóstica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Hospício Nacional de Alienados sofreu mais uma renomeação em 11 de julho de 1911, quando passou a ser chamado de Hospital Nacional de Alienados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentro da instalação, havia uma divisão entre os pacientes, sendo possível que fossem considerados pensionistas ou gratuitos. O primeiro termo refere-se àqueles que possuíam condições de pagar os custos de seu tratamento. Já o segundo termo é referente àqueles que não possuíam recursos suficientes para pagar seu tratamento, o que englobava indigentes, marinheiros, senhores de escravos que possuíam apenas um escravizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Instituto de Psicopatologia, criado em 1893, como o Pavilhão Observação do Hospício Nacional de Alienados seria de extrema importância para a fundação do Instituto de Psiquiatria (IPUB). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pavilhão de Observação ===&lt;br /&gt;
O Pavilhão de Observação foi fundado através do decreto nº 1559 de 7 de outubro de 1893, com o objetivo de ser um serviço preliminar de avaliação dos pacientes que seriam internados. Esses seriam acompanhados por até quinze dias e, após isso, receberiam o encaminhamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As anotações correspondentes ao acompanhamento dos doentes eram armazenadas em livros de observações clínicas. Isso, entretanto, foi modificado em 1903 por conta da Lei de Assistência aos Alienados, criada no mesmo ano. Com base nela, houve a formalização das observações em um registro de internação, que anexava informações como dados pessoais, descrição da aparência, sinais característicos e uma foto do paciente. Além disso, a lei previa a anexação de qualquer outra informação relevante para a identificação dos internados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eram oferecidas no Pavilhão aulas da cadeira de psiquiatria, sendo elas facultativas, direcionadas a estudantes cursando o sexto ano de medicina e possuindo como único requisito a frequência nas aulas. A disciplina, contudo, contava com a participação de poucos estudantes. Isso se dava porque a crença de que os considerados malucos deveriam ser colocados no hospício sem previsão de uma possível cura era muito difundida. Sendo assim, havia um baixo interesse em cursar uma matéria que traria poucas vantagens para os estudantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psiquiatria foi tornando-se uma área de estudo separada do restante da medicina, constituindo uma especialidade médica. Embora o Pavilhão de Observação do antigo Hospício permitisse a formação de psiquiatras, essa ciência ainda era desvalorizada, restringindo sua aplicação ao Hospício. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, o Pavilhão de Observação, que seria renomeado posteriormente e adotaria o nome de Instituto de Psicopatologia, teve grande importância para a origem do Instituto de Psiquiatria, criado pelo decreto-lei 591 de 1938 que o transferiu para a Universidade do Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A criação da Universidade do Brasil ===&lt;br /&gt;
Em 7 de setembro de 1920, através do decreto n°14.343, foi criada a primeira universidade do Brasil nomeada como Universidade do Rio de Janeiro (URJ). Esse processo foi demorado em relação a outras colônias, visto que nesse período era proibida a existência de universidades e cursos superiores no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 5 de Julho de 1937, a URJ foi reorganizada e renomeada, sendo denominada de Universidade do Brasil (UB). A instituição foi criada com o intuito de servir como modelo às outras universidades que já existiam e para aquelas que seriam criadas posteriormente. Além disso, não poderiam existir cursos em outros locais de ensino que não estivessem presentes na UB. Ademais, em 1938 incorporaria o Instituto de Psiquiatria, que seria criado no mesmo ano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 20 de agosto de 1965, foi sancionada a Lei n° 4.759, que determinava a padronização dos nomes das instituições técnicas federais da União. Essas, a partir desse momento, seriam classificadas como &amp;quot;federais&amp;quot;, além de adotar a denominação do Estado que estavam localizadas. Sendo assim, UB foi reorganizada novamente e passou a ser chamada de Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), como é identificada até os dias de hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== França e Alemanha: como seus modelos de psiquiatria moldaram o IPUB ===&lt;br /&gt;
Ao longo do século XIX, dois grandes modelos, que visavam instituir a psiquiatria como uma especialidade médica, estavam em ascensão: o alienista francês e o biológico alemão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psiquiatria francesa era a junção de ciência com assistência pública, fazendo com que a concepção da clínica como uma vertente de asilo entrasse em vigor. Na realidade brasileira, esse asilo atuaria como um plano político proposto pelo regime monárquico daquele período, tendo como objetivo a inclusão social de alienados. Posto isso, esse método asilar operava como um meio de caridade social aos mais necessitados, tornando-se o sistema a ser seguido pelo Hospício de Pedro II. Enquanto a compreensão psiquiátrica francesa evidenciava a relevância do auxílio público, o quadro alemão reforçava a importância de alta atividade no ramo acadêmico baseada em pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psiquiatria alemã, ao contrário da francesa, era a união entre ciência, ensino e pesquisa. A notoriedade do modelo alemão, nesta situação, prosperava em meios universitários através do estabelecimento de revistas e corporações científicas, afastando-se cada vez mais dos princípios de assistência. Portanto, para os discentes e pesquisadores, o interesse estava em realizar estudos nos quais atingiria a cura de doenças mentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando se trata do contexto brasileiro, ambos os estilos contribuíram para a constituição da psiquiatria no país. Embora tenha sido bastante importante, a influência da França como inspiração no âmbito psiquiátrico foi decaindo com o crescimento de obstáculos na política assistencial, prevalecendo até meados do século XX. Com essas questões internas e a ausência de métodos de cura dos doentes, o modelo alemão ascendia como uma opção mais eficaz que de fato ocasionasse na recuperação dos pacientes. Perante esse cenário, o Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil (IPUB) surgia como forma de mudança no esquema anterior, transformando o científico em algo de maior prestígio mediante à assistência. Apesar de ter mais autonomia, a ciência transferiu-o para o ambiente universitário, porém com um maior foco nas pesquisas. Logo, o IPUB seria a convergência entre a excelência das pesquisas científicas e a separação da aliança entre ciência e assistência pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Inspiração ===&lt;br /&gt;
O Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil (IPUB) se inspirou nas concepções psiquiátricas do modelo biológico alemão e foi criado nos moldes do Instituto Germânico para Pesquisa Psiquiátrica, fundado por Émil Kraepelin em 1917. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu período inicial, o IPUB obteve destaque ao postular a possibilidade da cura da doença mental por meio da atuação de psiquiatras que acreditavam e reconheciam o valor da ciência psiquiátrica. Seguindo a inspiração alemã, do mesmo modo, era possível destacar uma política preventivista no instituto, em que a intervenção não se restringia apenas à atenção ao indivíduo, mas também adentrava no espaço social para a sua normalização. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir disso, o caráter científico foi se fortalecendo e a assistência pública foi perdendo seu espaço. A ciência passou a exercer uma espécie de autonomia sobre a assistência e foi nesse movimento de mudança que a ciência psiquiátrica se desvinculou da responsabilidade institucional de responder questões que pertenciam à política pública de assistência. A instituição passou a exercer hegemonia no que se refere a produção de conhecimento e ensino científico e adaptou o modelo alemão à moda brasileira, de forma que essa atualização correspondesse às necessidades de desenvolvimento da academia brasileira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa atualização se configura por agrupar o princípio da pesquisa científica no espaço acadêmico universitário. Dessa forma, a assistência pública e a ciência psiquiátrica seguiram caminhos distintos, enquanto a primeira limitou-se ao modelo asilar, a segunda focou em produzir estudos e pesquisas capazes de revelar que as doenças mentais estavam abarcadas na mesma natureza que as doenças orgânicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Objetivos e métodos de tratamento iniciais ===&lt;br /&gt;
Henrique de Brito Belford Roxo (1877-1969) foi o primeiro diretor do IPUB e definiu como principal objetivo da instituição a pesquisa relacionada às doenças mentais. Além disso, destacou a importância de estudar assuntos capazes de esclarecer pontos obscuros da psiquiatria, assuntos que possibilitariam a descoberta de tratamentos mais eficientes das chamadas psicopatias e que comprovariam as alterações bioquímicas existentes nelas. Para ele, a atividade de pesquisa era essencial, pois seria por meio dela que os problemas mentais seriam desvendados e, consequentemente, seria possível comprovar a possibilidade de cura dos doentes mentais. Desse modo, os doentes mentais encontrariam conforto como nunca lhes fora possibilitado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os métodos iniciais utilizados nos doentes eram diversos e tinham como proposta tratar a dimensão orgânica do paciente. Os procedimentos iam desde o uso de substâncias bioquímicas, como as aplicações de insulina, até ao desencadeamento de respostas biológicas, como era o caso da piretoterapia, que eleva a temperatura dos doentes. Também eram utilizados: o tratamento por extratos de plantas medicinais brasileiras, o eletrochoque, a convulsoterapia por cardiazol e a malarioterapia, que consistia na inoculação do germe da malária no paciente para combater certas enfermidades, principalmente a paralisia geral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Jornal Brasileiro de Psiquiatria (JBP): o periódico oficial do IPUB ===&lt;br /&gt;
Embora seja uma instituição de notável importância no cenário da psiquiatria brasileira atual, o Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil (IPUB) não havia se consolidado até meados dos anos 1940. Sendo assim, o professor catedrático e então diretor Henrique de Brito Belford Roxo (1877-1969), a fim de estabelecer o instituto como potência nos âmbitos da ciência e da medicina brasileiros, fundou o primeiro periódico denominado Anais do Instituto de Psiquiatria em 1942, apesar de ter sido idealizado em 1938. Neste caso, entende-se que o objetivo inicial de Roxo, e consequentemente do IPUB, era tornar a organização um meio legítimo nos planos social e científico e caracterizá-la como uma referência de ensino em psiquiatria, por meio das divulgações das pesquisas, em sua maioria sobre as doenças mentais, realizadas na mesma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante seu estágio inicial, todos os artigos publicados pelo jornal eram produzidos por membros do IPUB, ou seja, a revista, que possuía um viés institucional, contava com um corpo formado estritamente por docentes e assistentes da associação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1948, houve uma reformulação no nome do periódico oficial do instituto, passando a ser chamado de Jornal Brasileiro de Psiquiatria (JBP).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Membros importantes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Henrique de Brito Belford Roxo (1877-1969) era um psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Foi o primeiro diretor do IPUB, nos anos de 1938 e 1946. Durante o mandato de Roxo, o principal propósito da instituição era pesquisar cientificamente as doenças mentais, o que era fundamental para as suas respectivas curas. Ao longo desse período, manteve-se a antiga filiação com o Hospital Nacional de Alienados, pois os pacientes alienados atuariam como objetos de estudo e recursos para futuras pesquisas do IPUB.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Maurício de Campos Medeiros (1885-1966), médico formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi sucessor de Roxo na direção do instituto e sua gestão foi de 1946 a 1956. Foi nesse momento que o IPUB se consolidou ainda mais no ramo acadêmico, sendo um período marcado pela arrecadação de maiores investimentos na organização. Além disso, o instituto tornou-se a sede da Clínica Psiquiátrica da Faculdade Nacional de Medicina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Adauto Junqueira Botelho (1895-1963), médico especialista em psiquiatria, foi o terceiro diretor e ocupou o cargo entre os anos 1956 e 1958. Apesar de ter sido um mandato curto, ele instituiu o serviço ambulatorial do IPUB, já que era a favor da disseminação de ambulatórios de saúde mental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* José Leme Lopes (1904-1990), médico e professor catedrático de psiquiatria em duas universidades do Rio de Janeiro, sucedeu a Botelho na direção e esteve à frente do IPUB em dois distintos momentos: de 1958 a 1966 e de 1970 a 1974. Durante sua gestão, houve importantes mudanças e incrementos nos serviços ofertados pela instituição. Com a aproximação das análises e abordagens psicológicas com a psiquiatria, Lopes oficializou as primeiras atividades psicológicas no instituto, criando o Serviço de Psicologia, Terapia Ocupacional e o Centro de Orientação à Infância e Adolescência. Além disso, ele foi responsável pela institucionalização do primeiro curso de pós-graduação em psiquiatria do IPUB.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Cincinato Magalhães de Freitas (1908-1979), médico que atuou no Hospício Nacional de Alienados, trabalhou na gestão do IPUB de 1966 a 1970. Sua história como diretor foi marcada pela interrupção abrupta da promoção e publicação de artigos produzidos pelo Jornal Brasileiro de Psiquiatria (JBP) e pela instauração do Pavilhão Leme Lopes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Eustáchio Portella Nunes Filho (1929-2020), médico e psicanalista, foi o sexto diretor e atuou no cargo de 1974 a 1986. Nesse período, ocorreu a união entre a psicanálise e a clínica psiquiátrica no IPUB, além da instauração do uso da vertente terapêutica denominada Psiquiatria Comunitária. Fora isso, teve início o curso de especialização em Psicologia Preventiva fruto da parceria entre o IPUB e o Instituto de Psicologia da UFRJ, evidenciando ainda mais o caráter preventivista do instituto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Rafaelle Giovanni Giacomo Infante (1950-1998), psiquiatra formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), assumiu a direção após a saída de Portella Nunes e ficou de 1986 até 1994. Durante esse momento, devido às intenções de Infante, o instituto esteve bastante alinhado à causa da democratização da universidade pública. Além disso, houve também uma melhora no investimento em pesquisas, o que incentivou o surgimento do Centro Integrado de Pesquisas (CIPE). Nessa gestão, ocorreu também a criação do Hospital-dia (HD), o novo ambulatório do IPUB.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* João Ferreira da Silva Filho (1949-2008), médico psiquiatra, foi diretor do IPUB entre 1994 e 2002. Foi responsável pela inauguração do Centro para Doença de Alzheimer e outros Transtornos Mentais na Velhice (CDA) e do Projeto de Estudos e Assistência ao Uso indevido de Drogas (PROJAD), aumentando a relevância da instituição nos cenários nacional e internacional. Com isso, a instituição foi eleita centro colaborador em saúde mental pela Organização Mundial de Saúde (OMS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Márcio Versiani (1947-2017), um dos primeiros doutores formados pelo programa de pós-graduação do IPUB, foi gestor do instituto entre os anos de 2002 e 2009. No decorrer desses sete anos, ele foi responsável pelo surgimento do Centro de Convivência do PROJAD.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Lista de dirigentes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Henrique de Brito Belford Roxo (1938-1946)&lt;br /&gt;
* Maurício de Campos Medeiros (1946-1956)&lt;br /&gt;
* Adauto Junqueira Botelho (1956-1958)&lt;br /&gt;
* José Leme Lopes (1958-1966; 1970-1974)&lt;br /&gt;
* Cincinato Magalhães de Freitas (1966-1970)&lt;br /&gt;
* Eustáchio Portella Nunes Filho (1974-1986)&lt;br /&gt;
* Rafaelle Giovanni Giacomo Infante (1986-1994)&lt;br /&gt;
* João Ferreira da Silva Filho (1994-2002)&lt;br /&gt;
* Márcio Versiani (2002-2009)&lt;br /&gt;
* Maria Tavares Cavalcanti (2010-2014; diretora pro tempore de janeiro a abril de 2023)&lt;br /&gt;
* Jorge Adelino Rodrigues da Silva (2018-2022)&lt;br /&gt;
* Pedro Gabriel Godinho (2023-2027*)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;*&amp;lt;/nowiki&amp;gt; Pedro Gabriel Godinho tomou posse em abril de 2023, sendo o atual gestor do instituto, e seu mandato tem previsão de término para 2027. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Instituto de Psicologia da UFRJ]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ligações externas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.ipub.ufrj.br/ Instituto de Psiquiatria da UFRJ]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# 02 06 23 - [https://www.youtube.com/live/Vl17Bi7FNzM?feature=share Jornal Brasileiro de Psiquiatria: passado, presente e direção para o futuro. Rio de Janeiro: Ipub - Instituto de Psiquiatria - Ufrj, 2023]. (88 min.), color. Acesso em: 13 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# AGUIAR, Marcela Peralva. [https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/16236 &#039;&#039;&#039;PROGRAMA DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO&#039;&#039;&#039;: O DESENVOLVIMENTO DA PSIQUIATRIA BIOLÓGICA NO INSTITUTO DE PSIQUIATRIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (1984-1998)]. Tese (Doutorado em História das Ciências e da Saúde) - Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, Rio de Janeiro, 2014. 275 f. Acesso em: 12 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# BRASIL. [https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-1559-7-outubro-1893-502694-publicacaooriginal-1-pe.html &#039;&#039;&#039;Decreto Nº 1.559, de 7 de Outubro de 1893&#039;&#039;&#039;]. Capital Federal. Acesso em: 13 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# BRASIL. [https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1920-1929/decreto-14343-7-setembro-1920-570508-publicacaooriginal-93654-pe.html &#039;&#039;&#039;Decreto Nº 14.343, de 7 de Setembro de 1920&#039;&#039;&#039;]. Rio de Janeiro, RJ. Acesso em: 13 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# BRASIL. [https://legis.senado.leg.br/norma/523814/publicacao/15708371 &#039;&#039;&#039;Decreto-Lei Nº 591 – de 3 de Agosto de 1938&#039;&#039;&#039;]. Rio de Janeiro, RJ. Acesso em: 13 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# JACÓ-VILELA, Ana Maria. [http://newpsi.bvs-psi.org.br/ebooks2010/pt/Acervo_files/DicionarioHistorico.pdf &#039;&#039;&#039;DICIONÁRIO HISTÓRICO DE INSTITUIÇÕES DE PSICOLOGIA NO BRASIL&#039;&#039;&#039;]. Rio de Janeiro: Imago Editora, 2011. 549 p. Acesso em: 12 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# [https://www.ipub.ufrj.br/conheca-o-ipub/ NOSSA história: CONHEÇA UM POUCO DO IPUB. CONHEÇA UM POUCO DO IPUB]. Acesso em: 12 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# OLIVEIRA, Antonio José Barbosa de. [https://ufrj.br/acesso-a-informacao/institucional/historia/#:~:text=Em%207%20de%20setembro%20de,Rio%20de%20Janeiro%20(URJ) &#039;&#039;&#039;História&#039;&#039;&#039;: uma breve história da ufrj. Uma breve história da UFRJ]. Acesso em: 16 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# RIO DE JANEIRO. Decreto n. 82, de 18 de julho de 1841. Homologa a fundação do Hospício de Pedro II, anexo ao hospital da Santa Casa da Misericórdia, para tratamento de alienados. &#039;&#039;&#039;Revista Médica Brasileira&#039;&#039;&#039;. [S.l.], v.1, n.3, jun. 1841.&lt;br /&gt;
# VENANCIO, Ana Teresa Acatauassú. [https://doi.org/10.1590/S0104-59702003000300005 Ciência psiquiátrica e política assistencial: a criação do Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil]. &#039;&#039;&#039;História, Ciências, Saúde-Manguinhos&#039;&#039;&#039;, Rio de Janeiro, v. 10, n. 3, p. 883-900, dez. 2003. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://doi.org/10.1590/S0104-59702003000300005&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 12 jun. 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Anna Beatriz Coelho Maria, Giovanna Giulia Lemos de Almeida e Pamela da Silva de Jesus, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2023.1, publicado em 2023.1.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instituições e Coletivos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Regulamenta%C3%A7%C3%A3o_da_Psicoterapia_On-line_no_Brasil&amp;diff=1285</id>
		<title>Regulamentação da Psicoterapia On-line no Brasil</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Regulamenta%C3%A7%C3%A3o_da_Psicoterapia_On-line_no_Brasil&amp;diff=1285"/>
		<updated>2023-07-17T21:10:33Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: /* Autoria */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A psicoterapia on-line no Brasil, mediada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), é uma prática em desenvolvimento desde 1995, mas que enfrentou muitas críticas e desafios ao longo dos anos no percurso histórico do avanço e final alcance de sua regulamentação. Nas últimas décadas, as TICs transformaram significativamente as relações das pessoas entre si e com o mundo. Com isso, foi necessária a adaptação dos profissionais da área de psicologia ao meio digital, conforme o surgimento e a intensificação da demanda por uma forma de atendimento que proporcione redução de barreiras geográficas e maior flexibilidade aos pacientes no acesso aos serviços de saúde mental. No entanto, apesar de sua evidente importância, a regulamentação da psicoterapia on-line enfrentou diversas dificuldades para sua concretização. Foi por meio de pequenos avanços normativos, que se deram desde 2000 até 2020, que a psicoterapia pode agora, com a modalidade on-line, alcançar ainda mais pessoas que necessitam de atendimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
Uma das dificuldades para a concretização da regulamentação da psicoterapia on-line no Brasil foi a obtenção de um consenso ético sobre a prática, visto que os problemas e as soluções relativos à modalidade on-line acompanhariam as mudanças e melhorias contínuas da tecnologia; além do discorrimento conservadorista sobre o tema por parte do Conselho Federal de Psicologia (CFP), órgão responsável pela normatização e fiscalização da modalidade de atendimento terapêutico on-line, que trouxe resoluções nem sempre bem aceitas pelos profissionais e usuários. Além desses desafios, inicialmente houve também as questões da pouca demanda para o atendimento remoto e do baixo conhecimento acerca da eficiência desses serviços, devido à escassez de pesquisas, estudos e documentos que lhes fornecessem respaldo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira vez que uma terapia foi mediada por uma Tecnologia de Informação e Comunicação (TICs) foi em 1995, nessa época ainda sem o respaldo do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e nem da American Psychological Association (APA). Foi registrado que essa primeira experiência além de não legalizada também foi exercida por profissionais sem ética e despreparados, tudo isso aliado ao fato de que não havia estudos analisando o impacto e/ou eficácia da psicoterapia on-line fez com que essas atividades cessassem naquele momento no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o passar dos anos a demanda pela psicoterapia mediada por TICs cresceu e isso levou à primeira Resolução nº 003/2000 do CFP sobre a regulamentação do atendimento terapêutico mediado por computador. Em 25 de setembro de 2000, o CFP publicou esta resolução com o principal objetivo de regulamentar esta prática apenas como campo de pesquisa, ou seja, era uma prática não reconhecida, que poderia ser usada para fins acadêmicos e científicos; em suma, apresentava um caráter exclusivamente experimental. Ainda no mesmo ano foi elaborada uma nova Resolução, de nº 006/2000, que criou uma comissão nacional que tinha por função cadastrar e fiscalizar os profissionais e atividades de psicoterapia mediada por computadores. Publicada em 16 de dezembro de 2000, explicitava que o psicólogo deveria entrar em contato com o CFP previamente via formulário eletrônico para cadastrar os serviços e/ou pesquisas mediados por TICs, e, depois de aprovados, recebiam uma identificação eletrônica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A resolução de 2000 foi publicada com validade prevista para 5 (cinco) anos a partir da data de sua publicação. Então, em 2005, uma nova resolução veio substituir a anterior, com o intuito de atualizar as normativas desta prática mediada por TICs, além de reconhecer a autenticidade dos estudos e pesquisas feitos sobre tais atendimentos. A Resolução nº 012/2005 do CFP trouxe normas específicas para que os psicólogos pesquisadores pudessem validar suas experiências e contribuir para o avanço dos estudos da área, que ainda apresentava um caráter experimental. Dentre essas condições, o atendimento deveria, por exemplo, fazer parte de projeto de pesquisa, respeitar o código de ética, o psicólogo pesquisador deveria ter protocolo de pesquisa aprovado por comitê de ética e o atendimento deveria ser gratuito. A partir disso, as pesquisas na área passaram a ter certificado eletrônico próprio para atender às novas normas do CFP. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Resolução nº 012/2005, o CFP permitiu que outros serviços psicológicos, &amp;quot;tais como orientação psicológica e afetivo-sexual, orientação profissional, orientação de aprendizagem e Psicologia escolar”, utilização de testes psicológicos informatizados, entre outros (desde que não fossem serviços psicoterapêuticos) também poderiam ser mediados por computadores, desde que os profissionais tivessem uma credencial de identificação eletrônica feita e validada pelo CFP.  Essa mesma resolução também regulamentou o uso de softwares, com a ressalva de que estes respeitassem o Código de Ética Profissional do Psicólogo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 21 de junho de 2012, foi publicada uma nova resolução no intuito de atualizar as normas e revogar a anterior de 2005. Na Resolução nº 011/2012 ficou regulamentado que serviços psicológicos (autorizados inicialmente na resolução anterior) poderiam acontecer mas limitados a no máximo 20 (vinte) encontros virtuais. Outros serviços poderiam ser ofertados on-line, desde que fossem complementos de atendimento presencial. Foi também nesta resolução que ficou definido que o profissional de Psicologia deveria manter um site exclusivo para oferta de seus serviços, com domínio próprio na internet e com todos os seus dados profissionais e informações completas dos serviços ofertados. Essa resolução também regulamentou o atendimento on-line para crianças e adolescentes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 14 de maio de 2018, foi publicada a Resolução de nº 011/2018, que revogou a anterior nº 011/2012 do CFP e  está em vigor até os dias de hoje, no que se refere à atuação do psicólogo no ambiente on-line. A partir deste momento, a prática de atendimentos psicológicos on-line de diferentes tipos, por meio das Tecnologias de Informação e Comunicação, foi autorizada pela primeira vez, não se restringindo mais apenas à prática experimental voltada à pesquisa e nem limitada a vinte atendimentos.&amp;lt;blockquote&amp;gt;Art. 2º - São autorizadas a prestação dos seguintes serviços psicológicos realizados por meios tecnológicos da informação e comunicação, desde que não firam as disposições do Código de Ética Profissional da psicóloga e do psicólogo a esta Resolução: I. As consultas e/ou atendimentos psicológicos de diferentes tipos de maneira síncrona ou assíncrona (CFP, 2018).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&amp;lt;blockquote&amp;gt;Art. 2º § 1º. - Entende-se por consulta e/ou atendimentos psicológicos o conjunto sistemático de procedimentos, por meio da utilização de métodos e técnicas psicológicas do qual se presta um serviço nas diferentes áreas de atuação da Psicologia com vistas à avaliação, orientação e/ou intervenção em processos individuais e grupais (CFP, 2018).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A respeito dos instrumentos psicológicos, a Resolução nº 011/2018 autorizou sua utilização através de TICs, desde que esses instrumentos estejam devidamente regulamentados e respaldados pelo Sistema de Avaliação de Instrumentos Psicológicos (SATEPSI) para uso próprio deste meio de atendimento. Essa resolução vetou, no entanto, o atendimento através de TICs a pessoas e grupos em situação de urgência, emergência, desastres, situação de violação de direitos ou de violência, autorizando, nestes casos, apenas o atendimento por profissionais ou equipes de forma presencial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2020, em decorrência da pandemia de COVID-19 no Brasil, as autoridades governamentais e os  órgãos de saúde passaram a incentivar políticas de distanciamento social. Neste contexto, houve um aumento de demandas de saúde mental e da procura pelo atendimento on-line, o que ocasionou certa apreensão e preocupação por parte da categoria de profissionais de psicologia, resultando em tensões e discussões sobre o tema, seus entraves e possibilidades. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O CFP publicou, em 26 de março de 2020, a Resolução Nº 04/2020, cujo objetivo foi regulamentar os serviços  psicológicos realizados por meio das Tecnologias de Informação e Comunicação durante a pandemia do COVID-19, suspendendo os artigos da resolução anterior que diziam a respeito de atendimentos a demandas de urgências, emergências e pessoas em situação de violação de direitos humano. O atendimento foi autorizado para ser realizado de forma remota e a prestação dos serviços psicológicos  on-line foi condicionada ao cadastro na plataforma e-Psi, atrelada ao CFP. Também há a necessidade de um parecer emitido pelo CFP e a de um cadastro atualizado para a realização destes serviços. Tal resolução é a vigente atualmente (ano de 2023).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Instituições ==&lt;br /&gt;
Uma instituição de suma importância a ser pautada é o Conselho Federal de Psicologia (CFP), sendo este o órgão que regulamenta e fiscaliza o exercício da profissão de psicólogo no Brasil. O CFP tem uma função importante na história da regulamentação da psicoterapia on-line no país, pois foi o responsável por emitir as resoluções sobre o tema. Além disso, o CFP é responsável por orientar, normatizar e disciplinar a atuação dos profissionais da psicologia, zelando pelo cumprimento do código de ética e pela qualidade dos serviços prestados à sociedade, além de contribuir para o desenvolvimento científico e social da psicologia no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segue uma lista das resoluções, referentes a regulamentação da psicoterapia on-line, aprovadas pelo CFP entre 2000 e 2023:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.crprs.org.br/upload/legislacao/legislacao40.pdf Resolução CFP nº 003/2000]&lt;br /&gt;
* [http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2005/08/resolucao2005_12.pdf Resolução CFP nº 012/2005]&lt;br /&gt;
* [https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Resoluxo_CFP_nx_011-12.pdf Resolução CFP nº 011/2012]&lt;br /&gt;
* [https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2018/05/RESOLU%C3%87%C3%83O-N%C2%BA-11-DE-11-DE-MAIO-DE-2018.pdf Resolução CFP nº 011/2018]&lt;br /&gt;
* [https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-4-de-26-de-marco-de-2020-250189333 Resolução CFP nº 004/2020]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
A psicoterapia on-line no Brasil tem sido alvo de críticas desde o seu surgimento, principalmente por parte de alguns setores da classe profissional e da sociedade. Algumas das principais críticas sobre o tema são em relação à qualidade da relação terapêutica, da eficácia dos tratamentos, a confidencialidade dos dados, a formação dos psicólogos e a fiscalização do exercício profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um aspecto que contribuiu negativamente para o avanço da regulamentação da psicoterapia on-line no Brasil foi a forma conservadora que o CFP tratou o tema, por exemplo, na Resolução de nº 011/2012, que decretou só ser possível fazer terapias on-line para fins de pesquisa. Este fato atrasou bastante o uso da tecnologia e sua naturalização tanto para os profissionais quanto para os usuários. Conforme as TICs vão evoluindo, os problemas vão mudando e as soluções e regulamentações devem ser atualizadas para que possam se adaptar a estas mudanças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros tópicos de crítica, são: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A falta de clareza e de critérios para definir o que é psicoterapia on-line e quais são as suas modalidades, limites e possibilidades.&lt;br /&gt;
* A desvalorização do trabalho presencial dos psicólogos, que pode ser substituído por um serviço mais barato, rápido e superficial, sem levar em conta as especificidades e as demandas de cada caso.&lt;br /&gt;
* A desvalorização da psicoterapia on-line em relação à presencial, que pode gerar preconceito, discriminação e desconfiança sobre a eficácia e a ética dessa modalidade de atendimento.&lt;br /&gt;
* A banalização da psicoterapia, que pode ser vista como um produto de consumo fácil e acessível, sem a necessidade de um compromisso ético e terapêutico entre o profissional e o cliente.&lt;br /&gt;
* A possibilidade de violação do sigilo e da privacidade dos clientes, diante dos riscos de invasão, interceptação ou vazamento de dados sensíveis nas plataformas digitais.&lt;br /&gt;
* A possibilidade de atraso nas respostas, algo que pode ser manifestado nas terapias realizadas de forma assíncrona.&lt;br /&gt;
* A restrição do número de sessões on-line permitidas por ano, que varia de acordo com as diferentes resoluções do CFP e que pode prejudicar a continuidade e a qualidade do processo terapêutico.&lt;br /&gt;
* A exclusão digital dos segmentos sociais que não têm acesso ou não dominam as tecnologias necessárias para a realização da psicoterapia on-line, como as populações rurais, indígenas, quilombolas, idosas, entre outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas críticas apontam para os desafios e limites que essa modalidade de atendimento apresenta, mas não devem ser vistas como impeditivos para o seu desenvolvimento e aprimoramento. A psicoterapia on-line pode ser uma alternativa viável e eficaz para muitas pessoas que, por diversos motivos, não podem ou não querem acessar os serviços presenciais. Além disso, as TICs podem oferecer recursos e ferramentas que enriquecem o processo terapêutico e ampliam as possibilidades de intervenção. Portanto, é importante que os profissionais que atuam nessa área sejam capacitados e éticos, buscando sempre a qualidade e a segurança dos serviços prestados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicoterapia on-line no Brasil tem sido alvo de críticas desde o seu surgimento, principalmente por parte de alguns setores da classe profissional e da sociedade. Algumas das principais críticas sobre o tema são em relação à qualidade da relação terapêutica, da eficácia dos tratamentos, a confidencialidade dos dados, a formação dos psicólogos e a fiscalização do exercício profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um aspecto que contribuiu negativamente para o avanço da regulamentação da psicoterapia on-line no Brasil foi a forma conservadora que o CFP tratou o tema, por exemplo, na Resolução de nº 011/2012, que decretou só ser possível fazer terapias on-line para fins de pesquisa. Este fato atrasou bastante o uso da tecnologia e sua naturalização tanto para os profissionais quanto para os usuários. Conforme as TICs vão evoluindo, os problemas vão mudando e as soluções e regulamentações devem ser atualizadas para que possam se adaptar a estas mudanças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros tópicos de crítica, são: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A falta de clareza e de critérios para definir o que é psicoterapia on-line e quais são as suas modalidades, limites e possibilidades.&lt;br /&gt;
* A desvalorização do trabalho presencial dos psicólogos, que pode ser substituído por um serviço mais barato, rápido e superficial, sem levar em conta as especificidades e as demandas de cada caso.&lt;br /&gt;
* A desvalorização da psicoterapia on-line em relação à presencial, que pode gerar preconceito, discriminação e desconfiança sobre a eficácia e a ética dessa modalidade de atendimento.&lt;br /&gt;
* A banalização da psicoterapia, que pode ser vista como um produto de consumo fácil e acessível, sem a necessidade de um compromisso ético e terapêutico entre o profissional e o cliente.&lt;br /&gt;
* A possibilidade de violação do sigilo e da privacidade dos clientes, diante dos riscos de invasão, interceptação ou vazamento de dados sensíveis nas plataformas digitais.&lt;br /&gt;
* A possibilidade de atraso nas respostas, algo que pode ser manifestado nas terapias realizadas de forma assíncrona.&lt;br /&gt;
* A restrição do número de sessões on-line permitidas por ano, que varia de acordo com as diferentes resoluções do CFP e que pode prejudicar a continuidade e a qualidade do processo terapêutico.&lt;br /&gt;
* A exclusão digital dos segmentos sociais que não têm acesso ou não dominam as tecnologias necessárias para a realização da psicoterapia on-line, como as populações rurais, indígenas, quilombolas, idosas, entre outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas críticas apontam para os desafios e limites que essa modalidade de atendimento apresenta, mas não devem ser vistas como impeditivos para o seu desenvolvimento e aprimoramento. A psicoterapia on-line pode ser uma alternativa viável e eficaz para muitas pessoas que, por diversos motivos, não podem ou não querem acessar os serviços presenciais. Além disso, as TICs podem oferecer recursos e ferramentas que enriquecem o processo terapêutico e ampliam as possibilidades de intervenção. Portanto, é importante que os profissionais que atuam nessa área sejam capacitados e éticos, buscando sempre a qualidade e a segurança dos serviços prestados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). [https://www.crprs.org.br/upload/legislacao/legislacao40.pdf &#039;&#039;&#039;Resolução CFP N°003/2000&#039;&#039;&#039;, regulamenta o atendimento psicoterapêutico mediado por computador Site do CRPRS]. Brasília, DF: CFP. 2000. Acesso em: 23/06/2023&lt;br /&gt;
# CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). [http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2005/08/resolucao2005_12.pdf &#039;&#039;&#039;Resolução CFP n° 012/2005&#039;&#039;&#039;, Regulamenta o atendimento psicoterapêutico e outros serviços psicológicos mediados por computador e revoga a Resolução CFP N° 003/2000]. Brasília, DF: CFP. 2005 b. Acesso em: 23/06/2023&lt;br /&gt;
# CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). [https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Resoluxo_CFP_nx_011-12.pdf &#039;&#039;&#039;Resolução CFP n° 011/2012&#039;&#039;&#039;, Regulamenta os serviços psicológicos realizados por meios tecnológicos de comunicação a distância, o atendimento psicoterapêutico em caráter experimental e revoga a Resolução CFP N.º 12/2005]. Brasília, DF: CFP. 2012. Acesso em: 23/06/2023&lt;br /&gt;
# CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). [https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2018/05/RESOLUÇÃO-Nº-11-DE-11-DE-MAIO-DE-2018.pdf. &#039;&#039;&#039;Resolução CFP n° 011/2018&#039;&#039;&#039;, Regulamenta a prestação de serviços psicológicos realizados por meios de tecnologias da informação e da comunicação e revoga a Resolução CFP N.º 11/2012]. Brasília, DF: CFP. 2018. Acesso em: 23/06/2023&lt;br /&gt;
# CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). [https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-4-de-26-de-marco-de-2020-250189333 &#039;&#039;&#039;Resolução CFP n° 04/2020&#039;&#039;&#039;, Dispõe sobre regulamentação de serviços psicológicos prestados por meio de Tecnologia da Informação e da Comunicação durante a pandemia do COVID-19]. Brasília, DF: CFP. 2018. Acesso em: 23/06/2023&lt;br /&gt;
# FEIJÓ, Luan Paris; SILVA, Nathália Bohn; BENETTI, Silvia Pereira da Cruz. [https://doi.org/10.9788/TP2018.3-18En Impacto das Tecnologias de Informação e Comunicação na Técnica Psicoterápica Psicanalítica]. &#039;&#039;&#039;Trends in Psychology&#039;&#039;&#039;, [s. l.], v. 26, n. 03, p. 1633 - 1647, Set. 2018. Acesso em: 20 maio 2023.&lt;br /&gt;
# GUERIN, Karina Silva do Amaral. [http://hdl.handle.net/10183/229556 &#039;&#039;&#039;Psicoterapia online no Brasil:&#039;&#039;&#039; revisão de escopo da literatura: um projeto virtual]. Orientador: Thiago Gomes de Castro. 2021. 24 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Psicologia) - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - UFRGS, Porto Alegre, 2021. Acesso em: 22 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# LISBOA, Carolina; SIEGMUND, Gerson. [https://doi.org/10.1590/1982-3703001312012 Orientação Psicológica On-line: percepção dos profissionais sobre a relação com os clientes]. &#039;&#039;&#039;Psicologia, Ciência e Profissão&#039;&#039;&#039;, [s. l.], v. 35, ed. 1, p. 168-181, 12 dez. 2013. Acesso em: 22 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# SANTOS, Emmanuel Itallo da Silva; ASFURA, Lorena Vila Nova; LUCENA, Luciana Maria Trindade; CUNHA, João Vitor Cabral. [http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v10i14.22266 Entre interdições e possibilidades: uma revisão bibliográfica das práticas online em psicologia nos últimos 21 anos no Brasil]. &#039;&#039;&#039;Research, Society and Development&#039;&#039;&#039;, [s. l.], v. 10, n. 14, 7 nov. 2021. Acesso em: 25 maio 2023.&lt;br /&gt;
# SILVA, Marcelo Pinheiro. &#039;&#039;&#039;Psicologia e virtualidade:&#039;&#039;&#039; acompanhando o processo de apropriação das transformações nas tecnologias de informação e comunicação por psicólogos brasileiros. Orientador: Profª. DSc. Maira Monteiro Fróes. Coorientador: Nelson Job. 2023. 629 p. Tese (Doutorado em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia) - UFRJ, Rio de Janeiro, 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Geovanna Franco R. P. Finholdt, Laís Ciriaco Duarte, Larici Fernandes Soares, Thaíssa da Silva dos Santos e Vitor Borba Vieira, como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2023.1, publicado em 2023.1.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instituições e Coletivos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Regulamenta%C3%A7%C3%A3o_da_Psicoterapia_On-line_no_Brasil&amp;diff=1284</id>
		<title>Regulamentação da Psicoterapia On-line no Brasil</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://wiki.historiadapsicologia.com.br/index.php?title=Regulamenta%C3%A7%C3%A3o_da_Psicoterapia_On-line_no_Brasil&amp;diff=1284"/>
		<updated>2023-07-17T21:10:13Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Gunther Mafra Guimarães: Criação da seção &amp;quot;Autoria&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A psicoterapia on-line no Brasil, mediada pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), é uma prática em desenvolvimento desde 1995, mas que enfrentou muitas críticas e desafios ao longo dos anos no percurso histórico do avanço e final alcance de sua regulamentação. Nas últimas décadas, as TICs transformaram significativamente as relações das pessoas entre si e com o mundo. Com isso, foi necessária a adaptação dos profissionais da área de psicologia ao meio digital, conforme o surgimento e a intensificação da demanda por uma forma de atendimento que proporcione redução de barreiras geográficas e maior flexibilidade aos pacientes no acesso aos serviços de saúde mental. No entanto, apesar de sua evidente importância, a regulamentação da psicoterapia on-line enfrentou diversas dificuldades para sua concretização. Foi por meio de pequenos avanços normativos, que se deram desde 2000 até 2020, que a psicoterapia pode agora, com a modalidade on-line, alcançar ainda mais pessoas que necessitam de atendimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
Uma das dificuldades para a concretização da regulamentação da psicoterapia on-line no Brasil foi a obtenção de um consenso ético sobre a prática, visto que os problemas e as soluções relativos à modalidade on-line acompanhariam as mudanças e melhorias contínuas da tecnologia; além do discorrimento conservadorista sobre o tema por parte do Conselho Federal de Psicologia (CFP), órgão responsável pela normatização e fiscalização da modalidade de atendimento terapêutico on-line, que trouxe resoluções nem sempre bem aceitas pelos profissionais e usuários. Além desses desafios, inicialmente houve também as questões da pouca demanda para o atendimento remoto e do baixo conhecimento acerca da eficiência desses serviços, devido à escassez de pesquisas, estudos e documentos que lhes fornecessem respaldo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira vez que uma terapia foi mediada por uma Tecnologia de Informação e Comunicação (TICs) foi em 1995, nessa época ainda sem o respaldo do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e nem da American Psychological Association (APA). Foi registrado que essa primeira experiência além de não legalizada também foi exercida por profissionais sem ética e despreparados, tudo isso aliado ao fato de que não havia estudos analisando o impacto e/ou eficácia da psicoterapia on-line fez com que essas atividades cessassem naquele momento no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o passar dos anos a demanda pela psicoterapia mediada por TICs cresceu e isso levou à primeira Resolução nº 003/2000 do CFP sobre a regulamentação do atendimento terapêutico mediado por computador. Em 25 de setembro de 2000, o CFP publicou esta resolução com o principal objetivo de regulamentar esta prática apenas como campo de pesquisa, ou seja, era uma prática não reconhecida, que poderia ser usada para fins acadêmicos e científicos; em suma, apresentava um caráter exclusivamente experimental. Ainda no mesmo ano foi elaborada uma nova Resolução, de nº 006/2000, que criou uma comissão nacional que tinha por função cadastrar e fiscalizar os profissionais e atividades de psicoterapia mediada por computadores. Publicada em 16 de dezembro de 2000, explicitava que o psicólogo deveria entrar em contato com o CFP previamente via formulário eletrônico para cadastrar os serviços e/ou pesquisas mediados por TICs, e, depois de aprovados, recebiam uma identificação eletrônica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A resolução de 2000 foi publicada com validade prevista para 5 (cinco) anos a partir da data de sua publicação. Então, em 2005, uma nova resolução veio substituir a anterior, com o intuito de atualizar as normativas desta prática mediada por TICs, além de reconhecer a autenticidade dos estudos e pesquisas feitos sobre tais atendimentos. A Resolução nº 012/2005 do CFP trouxe normas específicas para que os psicólogos pesquisadores pudessem validar suas experiências e contribuir para o avanço dos estudos da área, que ainda apresentava um caráter experimental. Dentre essas condições, o atendimento deveria, por exemplo, fazer parte de projeto de pesquisa, respeitar o código de ética, o psicólogo pesquisador deveria ter protocolo de pesquisa aprovado por comitê de ética e o atendimento deveria ser gratuito. A partir disso, as pesquisas na área passaram a ter certificado eletrônico próprio para atender às novas normas do CFP. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Resolução nº 012/2005, o CFP permitiu que outros serviços psicológicos, &amp;quot;tais como orientação psicológica e afetivo-sexual, orientação profissional, orientação de aprendizagem e Psicologia escolar”, utilização de testes psicológicos informatizados, entre outros (desde que não fossem serviços psicoterapêuticos) também poderiam ser mediados por computadores, desde que os profissionais tivessem uma credencial de identificação eletrônica feita e validada pelo CFP.  Essa mesma resolução também regulamentou o uso de softwares, com a ressalva de que estes respeitassem o Código de Ética Profissional do Psicólogo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 21 de junho de 2012, foi publicada uma nova resolução no intuito de atualizar as normas e revogar a anterior de 2005. Na Resolução nº 011/2012 ficou regulamentado que serviços psicológicos (autorizados inicialmente na resolução anterior) poderiam acontecer mas limitados a no máximo 20 (vinte) encontros virtuais. Outros serviços poderiam ser ofertados on-line, desde que fossem complementos de atendimento presencial. Foi também nesta resolução que ficou definido que o profissional de Psicologia deveria manter um site exclusivo para oferta de seus serviços, com domínio próprio na internet e com todos os seus dados profissionais e informações completas dos serviços ofertados. Essa resolução também regulamentou o atendimento on-line para crianças e adolescentes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 14 de maio de 2018, foi publicada a Resolução de nº 011/2018, que revogou a anterior nº 011/2012 do CFP e  está em vigor até os dias de hoje, no que se refere à atuação do psicólogo no ambiente on-line. A partir deste momento, a prática de atendimentos psicológicos on-line de diferentes tipos, por meio das Tecnologias de Informação e Comunicação, foi autorizada pela primeira vez, não se restringindo mais apenas à prática experimental voltada à pesquisa e nem limitada a vinte atendimentos.&amp;lt;blockquote&amp;gt;Art. 2º - São autorizadas a prestação dos seguintes serviços psicológicos realizados por meios tecnológicos da informação e comunicação, desde que não firam as disposições do Código de Ética Profissional da psicóloga e do psicólogo a esta Resolução: I. As consultas e/ou atendimentos psicológicos de diferentes tipos de maneira síncrona ou assíncrona (CFP, 2018).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&amp;lt;blockquote&amp;gt;Art. 2º § 1º. - Entende-se por consulta e/ou atendimentos psicológicos o conjunto sistemático de procedimentos, por meio da utilização de métodos e técnicas psicológicas do qual se presta um serviço nas diferentes áreas de atuação da Psicologia com vistas à avaliação, orientação e/ou intervenção em processos individuais e grupais (CFP, 2018).&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A respeito dos instrumentos psicológicos, a Resolução nº 011/2018 autorizou sua utilização através de TICs, desde que esses instrumentos estejam devidamente regulamentados e respaldados pelo Sistema de Avaliação de Instrumentos Psicológicos (SATEPSI) para uso próprio deste meio de atendimento. Essa resolução vetou, no entanto, o atendimento através de TICs a pessoas e grupos em situação de urgência, emergência, desastres, situação de violação de direitos ou de violência, autorizando, nestes casos, apenas o atendimento por profissionais ou equipes de forma presencial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2020, em decorrência da pandemia de COVID-19 no Brasil, as autoridades governamentais e os  órgãos de saúde passaram a incentivar políticas de distanciamento social. Neste contexto, houve um aumento de demandas de saúde mental e da procura pelo atendimento on-line, o que ocasionou certa apreensão e preocupação por parte da categoria de profissionais de psicologia, resultando em tensões e discussões sobre o tema, seus entraves e possibilidades. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O CFP publicou, em 26 de março de 2020, a Resolução Nº 04/2020, cujo objetivo foi regulamentar os serviços  psicológicos realizados por meio das Tecnologias de Informação e Comunicação durante a pandemia do COVID-19, suspendendo os artigos da resolução anterior que diziam a respeito de atendimentos a demandas de urgências, emergências e pessoas em situação de violação de direitos humano. O atendimento foi autorizado para ser realizado de forma remota e a prestação dos serviços psicológicos  on-line foi condicionada ao cadastro na plataforma e-Psi, atrelada ao CFP. Também há a necessidade de um parecer emitido pelo CFP e a de um cadastro atualizado para a realização destes serviços. Tal resolução é a vigente atualmente (ano de 2023).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Instituições ==&lt;br /&gt;
Uma instituição de suma importância a ser pautada é o Conselho Federal de Psicologia (CFP), sendo este o órgão que regulamenta e fiscaliza o exercício da profissão de psicólogo no Brasil. O CFP tem uma função importante na história da regulamentação da psicoterapia on-line no país, pois foi o responsável por emitir as resoluções sobre o tema. Além disso, o CFP é responsável por orientar, normatizar e disciplinar a atuação dos profissionais da psicologia, zelando pelo cumprimento do código de ética e pela qualidade dos serviços prestados à sociedade, além de contribuir para o desenvolvimento científico e social da psicologia no país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segue uma lista das resoluções, referentes a regulamentação da psicoterapia on-line, aprovadas pelo CFP entre 2000 e 2023:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.crprs.org.br/upload/legislacao/legislacao40.pdf Resolução CFP nº 003/2000]&lt;br /&gt;
* [http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2005/08/resolucao2005_12.pdf Resolução CFP nº 012/2005]&lt;br /&gt;
* [https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Resoluxo_CFP_nx_011-12.pdf Resolução CFP nº 011/2012]&lt;br /&gt;
* [https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2018/05/RESOLU%C3%87%C3%83O-N%C2%BA-11-DE-11-DE-MAIO-DE-2018.pdf Resolução CFP nº 011/2018]&lt;br /&gt;
* [https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-4-de-26-de-marco-de-2020-250189333 Resolução CFP nº 004/2020]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
A psicoterapia on-line no Brasil tem sido alvo de críticas desde o seu surgimento, principalmente por parte de alguns setores da classe profissional e da sociedade. Algumas das principais críticas sobre o tema são em relação à qualidade da relação terapêutica, da eficácia dos tratamentos, a confidencialidade dos dados, a formação dos psicólogos e a fiscalização do exercício profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um aspecto que contribuiu negativamente para o avanço da regulamentação da psicoterapia on-line no Brasil foi a forma conservadora que o CFP tratou o tema, por exemplo, na Resolução de nº 011/2012, que decretou só ser possível fazer terapias on-line para fins de pesquisa. Este fato atrasou bastante o uso da tecnologia e sua naturalização tanto para os profissionais quanto para os usuários. Conforme as TICs vão evoluindo, os problemas vão mudando e as soluções e regulamentações devem ser atualizadas para que possam se adaptar a estas mudanças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros tópicos de crítica, são: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A falta de clareza e de critérios para definir o que é psicoterapia on-line e quais são as suas modalidades, limites e possibilidades.&lt;br /&gt;
* A desvalorização do trabalho presencial dos psicólogos, que pode ser substituído por um serviço mais barato, rápido e superficial, sem levar em conta as especificidades e as demandas de cada caso.&lt;br /&gt;
* A desvalorização da psicoterapia on-line em relação à presencial, que pode gerar preconceito, discriminação e desconfiança sobre a eficácia e a ética dessa modalidade de atendimento.&lt;br /&gt;
* A banalização da psicoterapia, que pode ser vista como um produto de consumo fácil e acessível, sem a necessidade de um compromisso ético e terapêutico entre o profissional e o cliente.&lt;br /&gt;
* A possibilidade de violação do sigilo e da privacidade dos clientes, diante dos riscos de invasão, interceptação ou vazamento de dados sensíveis nas plataformas digitais.&lt;br /&gt;
* A possibilidade de atraso nas respostas, algo que pode ser manifestado nas terapias realizadas de forma assíncrona.&lt;br /&gt;
* A restrição do número de sessões on-line permitidas por ano, que varia de acordo com as diferentes resoluções do CFP e que pode prejudicar a continuidade e a qualidade do processo terapêutico.&lt;br /&gt;
* A exclusão digital dos segmentos sociais que não têm acesso ou não dominam as tecnologias necessárias para a realização da psicoterapia on-line, como as populações rurais, indígenas, quilombolas, idosas, entre outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas críticas apontam para os desafios e limites que essa modalidade de atendimento apresenta, mas não devem ser vistas como impeditivos para o seu desenvolvimento e aprimoramento. A psicoterapia on-line pode ser uma alternativa viável e eficaz para muitas pessoas que, por diversos motivos, não podem ou não querem acessar os serviços presenciais. Além disso, as TICs podem oferecer recursos e ferramentas que enriquecem o processo terapêutico e ampliam as possibilidades de intervenção. Portanto, é importante que os profissionais que atuam nessa área sejam capacitados e éticos, buscando sempre a qualidade e a segurança dos serviços prestados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A psicoterapia on-line no Brasil tem sido alvo de críticas desde o seu surgimento, principalmente por parte de alguns setores da classe profissional e da sociedade. Algumas das principais críticas sobre o tema são em relação à qualidade da relação terapêutica, da eficácia dos tratamentos, a confidencialidade dos dados, a formação dos psicólogos e a fiscalização do exercício profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um aspecto que contribuiu negativamente para o avanço da regulamentação da psicoterapia on-line no Brasil foi a forma conservadora que o CFP tratou o tema, por exemplo, na Resolução de nº 011/2012, que decretou só ser possível fazer terapias on-line para fins de pesquisa. Este fato atrasou bastante o uso da tecnologia e sua naturalização tanto para os profissionais quanto para os usuários. Conforme as TICs vão evoluindo, os problemas vão mudando e as soluções e regulamentações devem ser atualizadas para que possam se adaptar a estas mudanças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros tópicos de crítica, são: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A falta de clareza e de critérios para definir o que é psicoterapia on-line e quais são as suas modalidades, limites e possibilidades.&lt;br /&gt;
* A desvalorização do trabalho presencial dos psicólogos, que pode ser substituído por um serviço mais barato, rápido e superficial, sem levar em conta as especificidades e as demandas de cada caso.&lt;br /&gt;
* A desvalorização da psicoterapia on-line em relação à presencial, que pode gerar preconceito, discriminação e desconfiança sobre a eficácia e a ética dessa modalidade de atendimento.&lt;br /&gt;
* A banalização da psicoterapia, que pode ser vista como um produto de consumo fácil e acessível, sem a necessidade de um compromisso ético e terapêutico entre o profissional e o cliente.&lt;br /&gt;
* A possibilidade de violação do sigilo e da privacidade dos clientes, diante dos riscos de invasão, interceptação ou vazamento de dados sensíveis nas plataformas digitais.&lt;br /&gt;
* A possibilidade de atraso nas respostas, algo que pode ser manifestado nas terapias realizadas de forma assíncrona.&lt;br /&gt;
* A restrição do número de sessões on-line permitidas por ano, que varia de acordo com as diferentes resoluções do CFP e que pode prejudicar a continuidade e a qualidade do processo terapêutico.&lt;br /&gt;
* A exclusão digital dos segmentos sociais que não têm acesso ou não dominam as tecnologias necessárias para a realização da psicoterapia on-line, como as populações rurais, indígenas, quilombolas, idosas, entre outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas críticas apontam para os desafios e limites que essa modalidade de atendimento apresenta, mas não devem ser vistas como impeditivos para o seu desenvolvimento e aprimoramento. A psicoterapia on-line pode ser uma alternativa viável e eficaz para muitas pessoas que, por diversos motivos, não podem ou não querem acessar os serviços presenciais. Além disso, as TICs podem oferecer recursos e ferramentas que enriquecem o processo terapêutico e ampliam as possibilidades de intervenção. Portanto, é importante que os profissionais que atuam nessa área sejam capacitados e éticos, buscando sempre a qualidade e a segurança dos serviços prestados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). [https://www.crprs.org.br/upload/legislacao/legislacao40.pdf &#039;&#039;&#039;Resolução CFP N°003/2000&#039;&#039;&#039;, regulamenta o atendimento psicoterapêutico mediado por computador Site do CRPRS]. Brasília, DF: CFP. 2000. Acesso em: 23/06/2023&lt;br /&gt;
# CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). [http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2005/08/resolucao2005_12.pdf &#039;&#039;&#039;Resolução CFP n° 012/2005&#039;&#039;&#039;, Regulamenta o atendimento psicoterapêutico e outros serviços psicológicos mediados por computador e revoga a Resolução CFP N° 003/2000]. Brasília, DF: CFP. 2005 b. Acesso em: 23/06/2023&lt;br /&gt;
# CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). [https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Resoluxo_CFP_nx_011-12.pdf &#039;&#039;&#039;Resolução CFP n° 011/2012&#039;&#039;&#039;, Regulamenta os serviços psicológicos realizados por meios tecnológicos de comunicação a distância, o atendimento psicoterapêutico em caráter experimental e revoga a Resolução CFP N.º 12/2005]. Brasília, DF: CFP. 2012. Acesso em: 23/06/2023&lt;br /&gt;
# CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). [https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2018/05/RESOLUÇÃO-Nº-11-DE-11-DE-MAIO-DE-2018.pdf. &#039;&#039;&#039;Resolução CFP n° 011/2018&#039;&#039;&#039;, Regulamenta a prestação de serviços psicológicos realizados por meios de tecnologias da informação e da comunicação e revoga a Resolução CFP N.º 11/2012]. Brasília, DF: CFP. 2018. Acesso em: 23/06/2023&lt;br /&gt;
# CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). [https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-4-de-26-de-marco-de-2020-250189333 &#039;&#039;&#039;Resolução CFP n° 04/2020&#039;&#039;&#039;, Dispõe sobre regulamentação de serviços psicológicos prestados por meio de Tecnologia da Informação e da Comunicação durante a pandemia do COVID-19]. Brasília, DF: CFP. 2018. Acesso em: 23/06/2023&lt;br /&gt;
# FEIJÓ, Luan Paris; SILVA, Nathália Bohn; BENETTI, Silvia Pereira da Cruz. [https://doi.org/10.9788/TP2018.3-18En Impacto das Tecnologias de Informação e Comunicação na Técnica Psicoterápica Psicanalítica]. &#039;&#039;&#039;Trends in Psychology&#039;&#039;&#039;, [s. l.], v. 26, n. 03, p. 1633 - 1647, Set. 2018. Acesso em: 20 maio 2023.&lt;br /&gt;
# GUERIN, Karina Silva do Amaral. [http://hdl.handle.net/10183/229556 &#039;&#039;&#039;Psicoterapia online no Brasil:&#039;&#039;&#039; revisão de escopo da literatura: um projeto virtual]. Orientador: Thiago Gomes de Castro. 2021. 24 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Psicologia) - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - UFRGS, Porto Alegre, 2021. Acesso em: 22 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# LISBOA, Carolina; SIEGMUND, Gerson. [https://doi.org/10.1590/1982-3703001312012 Orientação Psicológica On-line: percepção dos profissionais sobre a relação com os clientes]. &#039;&#039;&#039;Psicologia, Ciência e Profissão&#039;&#039;&#039;, [s. l.], v. 35, ed. 1, p. 168-181, 12 dez. 2013. Acesso em: 22 jun. 2023.&lt;br /&gt;
# SANTOS, Emmanuel Itallo da Silva; ASFURA, Lorena Vila Nova; LUCENA, Luciana Maria Trindade; CUNHA, João Vitor Cabral. [http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v10i14.22266 Entre interdições e possibilidades: uma revisão bibliográfica das práticas online em psicologia nos últimos 21 anos no Brasil]. &#039;&#039;&#039;Research, Society and Development&#039;&#039;&#039;, [s. l.], v. 10, n. 14, 7 nov. 2021. Acesso em: 25 maio 2023.&lt;br /&gt;
# SILVA, Marcelo Pinheiro. &#039;&#039;&#039;Psicologia e virtualidade:&#039;&#039;&#039; acompanhando o processo de apropriação das transformações nas tecnologias de informação e comunicação por psicólogos brasileiros. Orientador: Profª. DSc. Maira Monteiro Fróes. Coorientador: Nelson Job. 2023. 629 p. Tese (Doutorado em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia) - UFRJ, Rio de Janeiro, 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Verbete criado inicialmente por Geovanna Franco R. P. Finholdt, Laís Ciriaco Duarte, Larici Fernandes Soares, Thaíssa da Silva dos Santos e Vitor Borba Vieira, como como exigência parcial para a disciplina de História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2023.1, publicado em 2023.1.&lt;br /&gt;
[[Categoria:Instituições e Coletivos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Gunther Mafra Guimarães</name></author>
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