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	<title>Waclaw Radecki - Histórico de revisão</title>
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		<title>Andreriopreto: Criou página com &#039;Waclaw Radecki nasceu em 27 de outubro de 1887, na cidade polonesa de Varsóvia. Foi um psicólogo que imigrou para o Brasil em 1923, onde se tornou um dos pioneiros do processo de profissionalização da psicologia no país. Ao longo de sua carreira, lutou pela disseminação do conhecimento psicológico teórico e prático, por meio de cursos que redigia, publicações científicas e a criação do Instituto de Psicologia da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro,...&#039;</title>
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		<updated>2026-07-02T19:53:29Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Criou página com &amp;#039;Waclaw Radecki nasceu em 27 de outubro de 1887, na cidade polonesa de Varsóvia. Foi um psicólogo que imigrou para o Brasil em 1923, onde se tornou um dos pioneiros do processo de profissionalização da psicologia no país. Ao longo de sua carreira, lutou pela disseminação do conhecimento psicológico teórico e prático, por meio de cursos que redigia, publicações científicas e a criação do Instituto de Psicologia da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro,...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Página nova&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;Waclaw Radecki nasceu em 27 de outubro de 1887, na cidade polonesa de Varsóvia. Foi um psicólogo que imigrou para o Brasil em 1923, onde se tornou um dos pioneiros do processo de profissionalização da psicologia no país. Ao longo de sua carreira, lutou pela disseminação do conhecimento psicológico teórico e prático, por meio de cursos que redigia, publicações científicas e a criação do Instituto de Psicologia da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro, que foi eventualmente incorporado à atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Por conta de tensões com o meio intelectual carioca, deixou o Brasil em 1933 e emigrou para o Uruguai. Deste ano até sua morte, em 1953, continuou suas atividades científicas entre Montevidéu, Uruguai, e Buenos Aires, Argentina. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Biografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primeiros anos e início da carreira ===&lt;br /&gt;
Nascido em 27 de outubro de 1887, em Varsóvia, Polônia, Waclaw Radecki era filho de José Wenceslao Radecki, um estudante de medicina, e Alejandra Edwiges Siekierz, aluna do Conservatório de Varsóvia. Sendo o pai falecido vítima de tuberculose antes de seu nascimento, foi criado sob os cuidados da mãe que, desde cedo, o educou sob a influência de um ideário político e patriótico em conformidade com a visão do Partido Socialista Polonês (polska partia socjalistyczna, PPS). Radecki foi um jovem engajado e participativo na vida política de seu país. Devido aos conflitos políticos da Polônia de sua época, foi ferido e contraiu tuberculose, o que o levou a viajar para a França à procura de cura para a doença que o acometia. Ao voltar ao seu país, foi expulso de sua escola, acusado de conspiração política, o que o levou a se inscrever como ouvinte na Universidade Jaguelônica de Cracóvia. Lá, aos 18 anos de idade, ele iniciou seus estudos de psicologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para escapar da polícia czarista, fugiu para a Itália em 1907, onde se inscreveu como ouvinte e, em seguida, como estudante da Faculdade de Ciências Naturais. Porém, em 1908 viaja para Genebra, e no território suíço iniciou seus estudos com Édouard Claparède. Dois anos depois, em 1910, após se matricular na Faculdade de Ciências Naturais e Medicina de Genebra, foi nomeado assistente do Laboratório de Psicologia do próprio Claparède. Graças à sua filiação com sociedades políticas polonesas, Radecki foi mandado para diversas regiões da Europa e teve a oportunidade de conhecer vários laboratórios de psicologia, como o de Kraepelin, Kulpe, Toulouse e outros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1911, publicou sua primeira tese sobre &amp;quot;Os fenômenos psicoelétricos&amp;quot; havendo sido nomeado docente livre da Universidade de Genebra. No ano seguinte,1912, retornou para a Polônia, para o Congresso de Psicologia, Psiquiatria e Neurologia, que ocorreu na cidade de Cracóvia, com o objetivo de lá apresentar sua tese. Após isto, se estabelece na cidade e organiza um Laboratório de Psicologia na Universidade de Cracóvia, onde produziu dois trabalhos: “Psicologia dos sentimentos e da emoção” e “Elementos psicológicos em psicanálise”; redigiu ainda duas publicações: “Psicologia da associação das representações” e “Psicologia da vontade”. Contudo, em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial, Radecki decidiu se dedicar a atividades militares e patrióticas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 1919, voltou a fazer publicações envolvendo psicologia, como “Psicologia do pensamento” e “Psicologia do exército”. Em 1923 decide imigrar para o Brasil , junto de sua esposa, Halina Radecka. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A chegada no Brasil ===&lt;br /&gt;
Radecki se fixou na cidade de Curitiba, Paraná, em 1923. Logo começou a realizar conferências em vários estados do país, como o próprio Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Em suas palestras em São Paulo (&amp;quot;Objetos e métodos da psicologia contemporânea&amp;quot; e &amp;quot;Métodos psicanalíticos em psicologia e vida afetiva”), revelou seus planos de criar um curso de psicologia teórica e aplicada e um laboratório de psicologia experimental, além de fazer demonstrações experimentais com o galvanômetro. Pouco depois, em julho de 1923, visitou o Rio de Janeiro e estabeleceu contato com Manoel Bomfim, após ter desenvolvido interesse em seu livro “Noções de Psychologia”. Manoel Bomfim lhe forneceu as informações que resultaram em sua ida para Engenho de Dentro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1924, Radecki foi contratado como chefe de análises clínicas, por Gustavo Riedel, o então diretor da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro. Lá, fundou ele próprio o Laboratório de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro ===&lt;br /&gt;
Financiado pela Fundação Gaffré-Guinle, o laboratório tinha um acervo significativo de aparelhagem clássica. O instrumental servia para os mais diversos estudos experimentais – por exemplo sensações musculares, sensações estáticas e cinestéticas, reflexos, atenção, associação, discriminação, memória, pensamento, processos afetivos e sugestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Radecki e sua esposa, Halina Radecka, se mudaram para uma casa dentro da colônia, que lhes foi confiada. Quando as atividades do laboratório foram iniciadas, em 1924, os dois eram os únicos participantes. Radecki atuava como técnico e chefe do laboratório, possuindo sua esposa como sua secretária e primeira assistente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Promoveu cursos de psicologia dentro do laboratório, na Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM) e na Escola de Enfermeiras Alfredo Pinto (EEAP/UNIRIO). A partir de 1925, atraiu novos colaboradores, como o médico Nilton Campos; o psiquiatra da colônia Gustavo de Rezende; e a professora municipal indicada pela Secretaria da Educação, Lucilia Tavares. Todos eles produziram trabalhos com Radecki.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Radecki teve apoio do exército, por meio da Diretoria da Aviação (antecessora do Ministério da Aeronáutica), para o desenvolvimento de pesquisas psicológicas com interesses para a seleção de aviadores. Três médicos militares foram designados a permanecerem no laboratório, sendo um deles Ubirajara da Rocha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1927, Radecki chefiou uma comissão de médicos brasileiros, sendo um deles Nilton Campos, para fazerem uma viagem à Europa, visitando os Institutos e Laboratórios de Psicologia das Universidades de Paris, Bruxelas, Louvain, Colônia, Bonn, Berlim, Varsóvia, Cracóvia, Viena, Munich e Genebra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após voltar de viagem, Radecki promoveu um curso na Faculdade de Direito de Curitiba e uma conferência no Congresso de Higiene em Belo Horizonte. Continuou recebendo novos colaboradores, sendo um deles Jaime Grabois, um jovem interno da clínica psiquiátrica da Faculdade de Medicina da Bahia, como o último.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Radecki amadureceu ao longo dos anos sua concepção teórica de psicologia e sistema psicológico: o “Discriminacionismo Afetivo”. Ele concluiu a teoria entre 1928 e 1929, durante um curso de psicologia ministrado na Escola de Aplicação do Serviço de Saúde do Exército.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1928 e 1929, publicou os “Trabalhos de Psychologia” (vol. I e II), registrando as produções do laboratório. Esses “Trabalhos” eram separatas dos “Annaes da Colônia de Psychopathas”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1930, Radecki começou a planejar a transformação do laboratório em um Instituto de Psicologia. Ele aproveitou o movimento para a reforma do ensino superior brasileiro da época e convidou várias autoridades do Distrito Federal para visitarem o laboratório. No mesmo ano, Radecki recebe também Claparède, seu antigo mentor, e Kohler. A partir de 1931, as publicações do laboratório se concentram em apelar ao grande público e autoridades. Com o título comum de “À margem da Psicologia”, artigos publicados no Diário do Comércio enfatizam as relações da psicologia com outros ramos do conhecimento. Em março de 1932, o Decreto Lei nº 21.173 criou o Instituto de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Instituto de Psicologia da Colônia de Psicologia de Engenho de Dentro ===&lt;br /&gt;
Com a abertura de um instituto, Radecki viu a possibilidade do desenvolvimento de planos mais ambiciosos. Ele e seus colaboradores tinham a finalidade de criar, dentro do Instituto de Psicologia, um núcleo de pesquisas científicas de psicologia geral, individual, coletiva e aplicada; um centro de aplicação e uma escola superior de psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estando a direção a cargo de Radecki, seus colaboradores se tornariam seus docentes e se formariam como especialistas em diferentes áreas específicas. Teriam um curso profissional muito semelhante com faculdades atuais de psicologia, com um ano letivo que começaria em 1933.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Logo após a abertura, o Instituto distribuiu cartazes pelo Distrito Federal, para anunciar a abertura de inscrições para um curso de psicologia geral, que começaria já em maio do mesmo ano. Ainda em 1932, Radecki solicitou uma sessão especial para a psicologia brasileira e lugar no Congresso Internacional de Psicologia, em Copenhague. Radecki produziu três trabalhos (“O discriminacionismo afetivo”, “A continuidade da vida intelectual” e “Criteriologia para apreciação da idade mental”), junto com mais outros quatro trabalhos feitos por seus colaboradores, com o intuito de enviá-los para Copenhague. O Instituto, porém, não conseguiu reunir verba para a viagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um pouco depois que Radecki concluiu sua monografia, “A colocação da psicologia no sistema das ciências”, sete meses desde a criação do Instituto, o Decreto Lei nº 21.999 foi lançado. De acordo com o Decreto, o Instituto estava extinto e seu material deveria ser incorporado ao Serviço de Assistência a Psicopatas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na interpretação de Jaime Grabois, um dos colaboladores de Radecki, o Instituto foi criado na expectativa de que se tornasse autofinanciável e sua dotação orçamentária só teria durado sete meses. Contudo, ele também não descartou as possibilidades de setores influentes de psiquiatria e grupos católicos terem influenciado o fechamento do Instituto, levando em consideração o quão impopular Radecki era dentro do círculo da intelectualidade carioca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a saída de Radecki daquela instituição e do Brasil, rumo ao Uruguai, o Instituto foi reaberto. Por volta do início dos anos de 1930, foi incorporado à Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Atuação no Uruguai e na Argentina ===&lt;br /&gt;
Waclaw Radecki e Halina Radecka se mudaram para Montevidéu, Uruguai. Em 1933, com a contratação de Radecki pela Universidad de la República, criou um curso de psicologia geral na Universidade de Montevidéu. No mesmo ano, passou a lecionar psicologia na Faculdade de Medicina local. Ainda em 1933, teve seu “Tratado de Psicologia” traduzido para o espanhol por Camilo Payssé e Victor Delfino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De 1933 a 1939, Radecki atuou tanto no Uruguai, quanto na Argentina. Payssé e Delfino se destacaram entre seus primeiros novos discípulos, com o primeiro publicando um livro de psicopatologia junto de Radecki.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1936, Radecki fundou o Centro de Estudos Psicológicos de Buenos Aires, depois renomeado “Instituto de Psicologia de Buenos Aires”. Em 1937, publicou, com René Arditi Rocha, um “Manual de Psiquiatria”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posteriormente em 1944, fundou o Centro de Estudos Psicológicos de Montevidéu, que funcionou em cooperação com o Centro de Buenos Aires e ambos passaram a publicar um boletim semestral denominado “Hoja de Psicologia”. Três ano depois, em 1947, fundou a Escola Profissional de Psicologia no Uruguai, que, em 1951, se tornaria a Faculdade Livre de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1950, organizou o “I Congresso Latino-Americano de Psicologia” em Montevidéu e, em 1951, recebeu do governo uruguaio a missão oficial frente ao Congresso Mundial de&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Psicologia, em Estocolmo. Teve a tarefa de trazer de volta ao Uruguai as bases do conhecimento de psicologia da Europa. Quando voltou, em fins de 1951, começou os preparativos para a realização do II Congresso Latino-Americano de Psicologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O fim da vida ===&lt;br /&gt;
Dois anos depois de sua viagem de volta ao Uruguai, em 25 de março de 1953, Radecki falece.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contribuições ==&lt;br /&gt;
A influência de Radecki na psicologia brasileira consolidou-se por três vertentes principais. A primeira foi a institucional, já que seu laboratório foi incorporado, em 1937, à Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro), permitindo que seus antigos assistentes continuassem formando novas gerações de psicólogos. A segunda corresponde ao pioneirismo historiográfico: a partir da década de 1980, estudos liderados por Rogério Centofanti resgataram sua trajetória, apresentando-o como um “pioneiro” da identidade científica da psicologia brasileira. Por fim, sua influência também alcançou a psicologia social, área em que sua esposa, Halina Radecka, destacou-se com a publicação da obra “Psicologia Social”, em 1960. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora seu sistema teórico tenha caído em relativo esquecimento, Waclaw Radecki permanece lembrado por sua contribuição decisiva para a profissionalização da psicologia e para a consolidação do rigor experimental da disciplina no Brasil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Teoria ==&lt;br /&gt;
O Discriminacionismo Afetivo é o sistema psicológico criado por Waclaw Radecki para o estudo da psicologia individual e do caráter. O nome da teoria origina-se do reconhecimento da discriminação e da sensibilidade afetiva como os processos fundamentais da mente, pois são as funções que estabelecem o maior número de relações fixas (correlações) com as demais atividades psíquicas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentro da vida intelectual, a discriminação desempenha um papel central ao atuar como o mecanismo imediato da consciência. Ela é responsável por transformar estímulos brutos (sensações e impressões), considerados materiais pré-psíquicos, em unidades psíquicas organizadas e conteúdos intelectuais. Esse processo delimita o que está no foco da atenção e o que permanece na periferia (franja) da consciência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A discriminação opera em conjunto com outras funções elaboradoras primárias: apercepção, o ato motor de focar em algo; abstração, o filtro de seleção de informações e recognição, a percepção de que o estado vivido é familiar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente após essa organização inicial realizada pela discriminação é que as funções secundárias, como a memória, o juízo e o raciocínio, podem entrar em operação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sensibilidade afetiva é a outra viga mestra do sistema e é definida como um &amp;quot;adjetivo da discriminação&amp;quot;. Radecki defendia que não existe atividade intelectual pura, pois todo conteúdo lógico é acompanhado por um componente de sentimento. Diferente dos pensamentos, a consciência afetiva não possui a divisão entre foco e franja, o que torna impossível defini-la ou representá-la conceitualmente da mesma forma que os processos lógicos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sistema visava fundamentar uma caracterologia, permitindo ao psicólogo hierarquizar funções para analisar o caráter de forma não arbitrária. Radecki buscou expandir o discriminacionismo para uma proposta de psicologia unificada, de base biológica e dinâmica, criticando as visões parciais de doutrinas como o behaviorismo e a psicanálise. Apesar de sua complexidade, a teoria enfrentou resistências institucionais, foi associada ao materialismo e acabou não se consolidando como um sistema universalmente aceito. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Influências ==&lt;br /&gt;
Na Universidade de Genebra, Radecki teve contato direto com os estudos de Édouard Claparède, considerado uma de suas principais referências. Dessa aproximação, herdou a defesa de uma psicologia fundamentada na observação científica e na adaptação do indivíduo ao meio. Durante sua formação em Genebra, também teve acesso as ideias de Théodore Flournoy e com princípios da psicologia experimental desenvolvidos por Wilhelm Wundt. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Críticas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Front da Psicologia Católica ===&lt;br /&gt;
Em 1932, o católico Alceu Amoroso Lima escreveu o artigo &amp;quot;O instituto Official de psychologia&amp;quot;, como uma crítica direta ao Instituto de Psicologia e Radecki, em si. Além de criticar inicialmente o caráter arbitrário da fundação do Instituto (como foi criado e extinto ditatorialmente), Alceu discorreu contra a infiltração da &amp;quot;filosofia nova&amp;quot; sendo introduzida na sociedade cristã, isto é, a filosofia não religiosa. Descrevendo o antigo Laboratório de Psicologia de forma favorável (que, na sua natureza científico-experimental, era útil para a psicologia como um todo), mas desdenhando a transformação subsequente em Instituto, Alceu mostra como muitos seguidores da psicologia católica da época desgostavam da ideia de uma &amp;quot;escola brasileira de psicologia&amp;quot; doutrinando o Estado Brasileiro com um viés de &amp;quot;materialismo filosófico moral&amp;quot; e &amp;quot;ciência positiva&amp;quot;. Ele não se limitou em criticar apenas Radecki, culpando também o governo, ao dizer: &amp;quot;eis aí como, sem bulha nem matinada, nas ante-salas das repartições públicas se tramou essa transformação doutrinária do Estado Brasileiro, que, de um momento para outro, se converte em Estado psicológico, em Estado filósofo, em Estado ético, combatendo determinada corrente da psicologia brasileira, a qual chama desdenhosamente de &amp;quot;idealista&amp;quot; e propugnando outra corrente, que é a do ...&amp;quot;discriminacionismo afetivo&amp;quot;...&amp;quot;. Para Alceu, Radecki e seu Instituto representavam uma ameaça para a boa sociedade cristã, com sua &amp;quot;orientação naturalista da psicologia&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A teoria de Radecki ===&lt;br /&gt;
Apesar de todo seu esforço propagandista, Radecki não conseguiu popularizar seu sistema de discriminacionismo afetivo. Setores da Igreja Católica consideravam o sistema um sinônimo para &amp;quot;psicologia materialista&amp;quot;. Lourenço Filho reconhecia a importância de Radecki, mas dizia fazê-lo apesar da insistência do polonês de repetir os princípios do discriminacionismo afetivo, mesmo não julgando a &amp;quot;doutrina&amp;quot; como completamente sem méritos. Helena Antipoff, em cartas trocadas com Édouard Claparède, construiu uma imagem bem cínica sobre sua percepção de Radecki: “paranóico, certamente, porque nunca deixou de sublinhar as &amp;#039;suas&amp;#039; teorias, seu discernimento emocional é muito complicado, mas não vejo nenhuma originalidade: é uma salada de conceitos tirados de James, Wundt, Baldwin etc. Muito teórico também, porque nenhuma pesquisa experimental parecia direcionar suas conclusões&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo autoritariamente obrigando seus colaboradores a inscreverem o discriminacionismo afetivo em seus trabalhos, não recebeu muito apoio à teoria. Nilton Campos nunca aderiu o sistema, ainda mais considerando o rompimento que ocorreu entre ele e o polonês. Jaime Grabois afirmou que não aceitava o sistema desde que ingressou no laboratório. O sistema permaneceu assim, até os dias de hoje, mal-usado e pouco entendido. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia biográfica ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* 1887: Nascimento de Waclaw Radecki no dia 27 de outubro, em Varsóvia, Polônia. &lt;br /&gt;
* 1907: Foge para a Itália, onde se inscreveu como ouvinte e estudante da Faculdade de Ciências Naturais. &lt;br /&gt;
* 1908: Viaja para Genebra, Suíça, e inicia seus estudos com Edouard Claparède e Théodore Flournoy. &lt;br /&gt;
* 1910: É nomeado assistente do Laboratório de Psicologia de Genebra. &lt;br /&gt;
* 1911: Obtém seu título de doutor com a tese “Os fenômenos psicoelétricos” e torna-se docente livre na Universidade de Genebra. &lt;br /&gt;
* 1912 - 1914: Radecki inicia a organização do Laboratório de Psicologia da Universidade de Cracóvia. &lt;br /&gt;
* 1919- 1920: Publica “Psicologia do Pensamento” (1919) e “Psicologia do Exército” (1920). &lt;br /&gt;
* 1920- 1923: Enfrenta um período de isolamento devido a acusações de abuso, o que teria motivado sua ida para a América do Sul. &lt;br /&gt;
* 1923: Muda-se para o Brasil, onde é nomeado professor da Faculdade de Ciências Jurídicas da Universidade do Paraná, Curitiba. &lt;br /&gt;
* 1924: Recebe um convite do Ministério do Interior e Saúde Pública para organizar e dirigir o Laboratório de Psicologia do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
* 1928 - 1929: Conclui sua teoria “Discriminacionismo Afetivo” durante um curso de psicologia ministrado na Escola de Aplicação do Serviço de Saúde do Exército. &lt;br /&gt;
* 1932: O Instituto de Psicologia da Colônia de Psicologia do Engenho de Dentro é extinto, encerrando as atividades de Radecki no país. &lt;br /&gt;
* 1933: Recebe um convite para organizar o curso de Psicologia Geral na cidade de Montevidéu, Uruguai. &lt;br /&gt;
* 1936: Funda o Centro de Estudos Psicológicos de Buenos Aires na Argentina. &lt;br /&gt;
* 1944: Funda o Centro de Estudos Psicológicos de Montevidéu no Uruguai. &lt;br /&gt;
* 1947: Cria a Escola Profissional de Psicologia no Uruguai e inicia a publicação do boletim “Hoja de Psicologia”. &lt;br /&gt;
* 1950: Organiza o I Congresso Latino-Americano de Psicologia em Montevidéu, Uruguai. &lt;br /&gt;
* 1951: Participa do Congresso Mundial de Psicologia em Estocolmo. &lt;br /&gt;
* 1953: Waclaw Radecki falece em 25 de março, Montevidéu, Uruguai. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Quem influenciou ==&lt;br /&gt;
Waclaw Radecki foi uma importante figura para profissionalização e investigação científica da psicologia, influenciando diretamente agentes relevantes para o desenvolvimento da área psicológica no Brasil, Uruguai e Argentina. Temos Nilton Campos, Jaime Grabois e Halina Radecka como exemplos de pessoas que contribuíram, respectivamente, à fenomenologia; pesquisa e educação; e psicologia social. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Obras ==&lt;br /&gt;
RADECKI, Waclaw. Os fenômenos psicoelétricos, 1911. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RADECKI, Waclaw. Psicologia dos sentimentos e das emoções, 1912. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RADECKI, Waclaw. Elementos psicobiológicos na psicanálise, 1912. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RADECKI, Waclaw. Resumo do Curso de Psychologia, encadernado após 1929. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RADECKI, Waclaw. Trabalhos de Psychologia (vol. I e II), 1929. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RADECKI, Waclaw. A colocação da psicologia no sistema das ciências, 1932. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RADECKI, Waclaw. Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro, 1924 - 1932. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RADECKI, Waclaw. Instituto de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro, 1932. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
CENTOFANTI, Rogério. Radecki e a psicologia no Brasil. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 3, n. 1, p. 2-50, 1982. DOI: 10.1590/S1414-98931982000100001. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CENTOFANTI, Rogério. O discriminacionismo afetivo de Radecki. Memorandum: Memória e História em Psicologia, Belo Horizonte, v. 5, p. 94-104, 2003. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FONSECA, Luiz E. P. Waclaw Radecki: propondo uma nova narrativa a um velho personagem. Revista de Psicología, Santiago, v. 27, n. 2, p. 103-114, 2018. DOI: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10.5354/0719-0581.2018.52312. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
HOLANDA, Adriano Furtado. O método fenomenológico em psicologia: uma leitura de Nilton Campos. Estudos e Pesquisas em Psicologia, Rio de Janeiro, v. 12, n. 3, p. 833-851, 2012. DOI: 10.12957/epp.2012.8218. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PERDOMO, Selma Barboza; MIGNOT, Ana Chrystina; SANTOS, Daise Silva dos. Do lado de cá do Atlântico: um discípulo polonês de Édouard Claparède. Educação, Santa Maria, v. 46, e48284, 2021. DOI: 10.5902/1984644448284. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autoria ==&lt;br /&gt;
Este verbete foi escrito por Anita de Ornellas dos Ramos, Ingrid Ferreira Rodeia Belleza, Luciana de Oliveira Frade de Cesar, Nicolly Rocha de Moura Paixão, Ricardo Silva Mello, Vanessa Dias Ribeiro, como exigência parcial para a disciplina História da Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras em 2026.1 e publicado em julho de 2026 .&lt;br /&gt;
[[Categoria:Personagens]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Epistemologia Genética no Brasil]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Andreriopreto</name></author>
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