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Franco Lo Presti Seminerio (Turim, 20 de janeiro de 1923 – Rio de Janeiro, 17 de junho de 2003) foi um psicólogo, filósofo, doutor em letras e professor ítalo-brasileiro. Sua trajetória é marcada pelo pioneirismo na psicologia cognitiva no Brasil, tendo atuado como diretor do Instituto Superior de Estudos e Pesquisas Psicossociais (ISOP) por vinte anos e recebido o título de Professor Emérito da UFRJ, onde lecionou por quase três décadas. Por meio de seus estudos, desenvolveu a Teoria das Linguagens Morfogenéticas e a técnica da Elaboração Dirigida, ferramentas voltadas para a “democratização da inteligência” em ambientes socialmente desfavorecidos.
Biografia
Origens e formação na Itália
Franco Lo Presti Seminerio nasceu em Turim, na Itália, em 20 de janeiro de 1923, terceiro filho de Decenzio Lo Presti Seminerio e Laura Boffa Molinar. Aos seis anos de idade, transferiu-se junto a sua família para a cidade de Gênova, onde completou a educação básica em um colégio jesuíta. Lá, teve amplo contato com a área das Humanidades, campo pelo qual viria a ser influenciado durante toda sua jornada profissional.
Em 1941, em meio a Segunda Guerra Mundial, ingressou no curso de Letras Modernas da Università degli Studi di Genova. Obteve seu doutorado em 1946, com uma tese sobre o escritor português Antero de Quental. No mesmo ano, concluiu sua graduação em Filosofia, o que fez seus interesses migrarem da teosofia e história das religiões para a busca pelo sentido da vida. Foi nesse contexto que, influenciado por Kant, estabeleceu suas primeiras conexões com a Psicologia, ao concluir que apenas o estudo da cognição humana poderia oferecer respostas para suas questões existenciais.
Primeiros anos no Brasil
A convite da irmã mais velha e do cunhado brasileiro, que já moravam no Brasil, Seminerio desembarcou no Rio de Janeiro em 1947, aos 24 anos de idade, motivado pela falta de oportunidades profissionais na Itália do pós-guerra. Apesar da fluência em português (com sotaque lusitano), o período inicial de adaptação foi marcado por desafios, entre eles a xenofobia e as altas temperaturas do clima tropical.
No entanto, sua maior dificuldade foi em relação aos entraves na revalidação de seus diplomas de doutorado em Letras e graduação em Filosofia, o que adiou seu ingresso no meio acadêmico profissional. Por esse motivo, suas primeiras ocupações no país foram como preceptor dos filhos de um diplomata italiano e no setor comercial, onde atuou entre 1948 e 1953. Sua naturalização como cidadão brasileiro foi obtida em junho de 1954.
Em 1959, ingressou no curso de Orientação Profissional na Faculdade Fluminense de Filosofia, atualmente um departamento da UFF, obtendo seu certificado de conclusão em 1960. Nesse período, conheceu Maria Luiza Teixeira de Assumpção, que se tornaria sua esposa e colaboradora ao longo de sua trajetória profissional e acadêmica.
Anos mais tarde, entre 1972 e 1973, Seminerio retornaria à Itália para um novo doutorado, desta vez em Filosofia, na mesma universidade onde havia se formado. Nesta ocasião, concluiu o curso com louvor, alcançando nota máxima em todas as disciplinas e na defesa de tese, o que lhe garantiu a revalidação do novo título no Brasil.
Jornada na psicologia
Seminerio iniciou suas atividades na psicologia em 1957, no Centro Juvenil de Orientação e Pesquisa (CeJOP), onde orientava adolescentes em situação de vulnerabilidade, de forma voluntária, aos finais de semana. Os resultados de seu trabalho com os jovens e o interesse pela psicologia aplicada despertaram a atenção de Francisco Campos, então chefe da Divisão de Seleção do ISOP (Instituto de Seleção e Orientação Profissional), que o convidou a ingressar na instituição como psicólogo-adjunto em 1962. No mesmo ano, a aprovação da Lei nº 4.119 permitiu seu registro profissional como psicólogo, tendo em vista sua experiência comprovada. O registro, no entanto, não o impediu de buscar sua graduação formal em Psicologia, realizada entre os anos de 1964 e 1967, na UFRJ.
No ISOP, Seminerio passou a questionar a validade dos testes de avaliação psicológica que aplicava, entre eles a psicometria de Alfred Binet, sob a justificativa de que se limitavam a medir a inteligência apenas como resultado, e não explicavam, de fato, o funcionamento interno dos processos mentais. Essa insatisfação o levou a estudar as bases teóricas da cognição, sobretudo a Epistemologia Genética de Jean Piaget, que viria a se tornar fundamental para a construção de sua teoria da mente.
Apesar das convergências com o autor suíço, entre elas a da criança como agente ativo de seu aprendizado, Seminerio questionou o “continuísmo” piagetiano, que entendia o desenvolvimento cognitivo como um processo impossível de ser acelerado por intervenções externas. Essa divergência motivou Seminerio a articular outras perspectivas teóricas em seu projeto, entre elas a de autores como Bandura, Vygotsky e Chomsky, o que contribuiu com a formulação de sua Elaboração Dirigida, técnica cujo objetivo era promover os chamados saltos cognitivos e acelerar a construção da inteligência.
Mais tarde, Seminerio exemplificou sua tese ao ensinar a regra da seriação a crianças de 5 anos de idade, algo que, seguindo a cronologia apontada por Piaget, seria teoricamente improvável. Os resultados dessas pesquisas demonstraram que o desenvolvimento cognitivo não estaria necessariamente ligado a um tempo biológico, indicando, inclusive, a possibilidade de se provocar saltos por agentes externos, algo fundamental para a superação de déficits cognitivos. Essa proposta refletia os objetivos políticos e sociais de Seminerio, que entendia o meio como fator substancial para construção do pensamento lógico. Dessa forma, ferramentas como a Elaboração Dirigida possibilitariam a intervenção no desenvolvimento intelectual de crianças de classes menos favorecidas, contribuindo para a redução das desigualdades sociais.
Esse projeto se viabilizava em meio a uma ascensão administrativa de Seminerio no ISOP. Após atuar como psicólogo-adjunto, assumiu cargos como a Chefia da Seção de Seleção Geral (1966), a Chefia do Serviço de Pesquisa e Ensino (1968) e a Vice-Diretoria (1969). Além disso, em 1970, tornou-se diretor efetivo do instituto, função que ocuparia até o fim da entidade, em 1990. Nesse período, transformou o ISOP em um órgão acadêmico de pós-graduação em Psicologia, oferecendo cursos de mestrado, inaugurado em 1971, e doutorado, o primeiro da área credenciado pelo Conselho Federal de Educação, em 1977.
Como professor, foi convidado pela Faculdade Fluminense de Filosofia (atual Universidade Federal Fluminense) a lecionar Orientação Profissional logo após obter o certificado no mesmo curso, em 1960. Se transferiu para a Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1968, também a convite, onde integrou o quadro docente até sua aposentadoria compulsória, em 1993. Em 1991, organizou a criação do Laboratório Metaprocessual (UFRJ), cujo principal objetivo era dar continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido no ISOP. Ao se aposentar, recebeu o título de professor emérito da UFRJ, em 1994.
Contribuições
Elaboração dirigida
A Elaboração Dirigida (ED) é a aplicação pedagógica da teoria metaprocessual de Franco Seminerio. A proposta visa diminuir os déficits cognitivos observados em crianças com acesso limitado ao conhecimento, algo frequente em contextos socialmente desfavorecidos. Nesse processo, a ED funciona por meio de uma modelagem lógica, na qual o educador orienta o raciocínio do aluno até que se compreenda a regra geradora de determinado resultado, o que estimula o uso do pensamento recursivo. A prática permite ao professor intervir diretamente sobre o desenvolvimento intelectual da criança, ajudando-a a superar defasagens e a ampliar suas maneiras de pensar e aprender.
A ED é parte de um projeto político e social que pretendia uma “Revolução Cognitiva” na educação brasileira. Seminerio buscava superar tanto a escola tradicional, centrada na repetição e na memorização, quanto a escola operatória (piagetiana), considerada excessivamente passiva em relação ao ritmo da criança. Ao formular um método capaz de intervir ativamente sobre a formação da inteligência, Seminerio via na ED uma oportunidade de redução das desigualdades sociais, uma vez que os déficits cognitivos das classes populares tendem a reproduzir hierarquias de poder e exclusão.
Conselho Federal de Psicologia
Foi um dos dois delegados designados pelo Estado da Guanabara (atual Rio de Janeiro) para compor a comissão responsável por eleger o primeiro Conselho Federal de Psicologia (CFP), em 1973. Este processo representa o marco da regulamentação da profissão, consolidada pela Lei nº 5.766.
Embora tenha sido convidado a participar também das eleições do conselho, recusou devido ao acúmulo de funções que exercia na época.
Contribuições em instituições
Seminerio ingressou como psicólogo-adjunto no ISOP (Instituto de Seleção e Orientação Profissional) em 1962, mesmo ano em que iniciou seu projeto de estudos sobre a cognição humana e a Elaboração Dirigida. Em 1969, foi nomeado pelo diretor da Faculdade da Educação da UFRJ para chefiar o Departamento de Psicologia da Educação. Assumiu a direção efetiva do ISOP e da revista Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada (atual Arquivos Brasileiros de Psicologia) em 1970, permanecendo no cargo até a extinção do instituto, vinte anos depois. Durante esse período, contribuiu para a criação dos cursos de pós-graduação do ISOP, com o mestrado sendo implantado em 1971 e o doutorado em 1977.
Além disso, Seminerio foi eleito presidente de duas importantes associações: a Associação Brasileira de Psicologia Aplicada, em 1973, na qual permaneceu por dois mandatos, e a Associação Brasileira de Psicologia, filiada à International Union of Psychological Science, em 1978 e, novamente, em 1986. Com a extinção do ISOP pela Fundação Getúlio Vargas, em 1990, Seminerio dedicou-se à transferência dos cursos de mestrado e doutorado do instituto, assim como da revista Arquivos Brasileiros de Psicologia, para a UFRJ. A transferência foi concluída em 1991, com Seminerio assumindo a coordenação de ambos os cursos.
Laboratório Metaprocessual
Visando a continuidade de suas pesquisas sobre a cognição humana iniciadas no ISOP, Seminerio organizou a criação do Laboratório Metaprocessual da UFRJ em 1991, com apoio do CNPq e dos cursos de mestrado e doutorado em Psicologia. A proposta pretendia o estímulo da metacognição no atendimento de crianças em situação de vulnerabilidade, uma forma de democratização da inteligência.
Os trabalhos envolviam a compreensão de regras lógicas por parte dos alunos em áreas básicas de conhecimento, tais como designação (referente a linguística e vocabulário), imaginário cognitivo, alfabetização, conhecimento de mundo e matemática.
A prática era viabilizada por meio de jogos que utilizavam materiais simples, muitos deles reciclados, uma forma lúdica de motivação para que os alunos participantes pudessem “aprender a aprender”.
Teoria
A Teoria Metaprocessual de Seminerio parte da premissa de que o ser humano possui estruturas de conhecimento inatas, sem as quais não seria possível falar ou pensar em tão pouco tempo após o nascimento. Essas competências estão ligadas a canais morfogenéticos (vias pelas quais os estímulos sensoriais provocam as formas superiores de cognição), em especial o visomotor (visão e movimento) e o audiofonético (audição e fala).
A partir desses canais, Seminério identificou, em cada um deles, quatro linguagens-código fundamentais para o processamento da realidade percebida. Esse sistema se organiza por meio de quatro níveis (L1, L2, L3 e L4), sendo o último constituído pelo conjunto dos anteriores.
A L1, a linguagem das formas, é a mais elementar. Trata-se da capacidade inata de organizar estímulos visuais ou auditivos em conjuntos ou figuras regulares, como demonstrado pela psicologia da Gestalt. A L2, a linguagem da designação, utiliza essas formas para associá-las a significados empíricos, atribuindo sentido a partir da experiência perceptiva, como a aquisição de vocabulário, por exemplo. A L3, linguagem episódica, constrói contexto a partir dos significados formados em L2. A percepção de elementos passa a ocorrer por um encadeamento sequencial, não apenas por objetos isolados, como em L2, dando origem ao pensamento causal e imaginativo. É nesse nível que o sujeito começa a construir o raciocínio. Por fim, a L4, linguagem lógica, reúne o conteúdo de todos os níveis anteriores para manifestar a recursividade, ou seja, a capacidade reflexiva subjacente que permite o reconhecimento de padrões e a criação de novas conexões. É nesse nível que também ocorre a atividade metaprocessual.
O metaprocesso se refere ao uso voluntário da recursividade, o que permite ao aluno transpor e recriar as lógicas aprendidas de modo intencional e em diferentes contextos. Seminério sugere que, mesmo ocorrendo de modo espontâneo, a atividade metaprocessual pode ser provocada e acelerada por meio da intervenção direcionada do educador, propondo, para isso, um método psicopedagógico chamado Elaboração Dirigida.
Obras
A produção bibliográfica de Franco Seminerio gira em torno da investigação dos determinantes da cognição humana. A inteligência deixa de ser vista como fator estático e passa a ser debatida como uma competência adquirida, cujo desenvolvimento pode ser provocado e acelerado por meio da mediação social e da atividade reflexiva.
Principais obras
Infra-estrutura da cognição: fatores ou linguagens? (Cadernos do ISOP, nº 4, 1984)
Esta edição reúne um histórico dos 20 primeiros anos de pesquisas realizadas por Seminerio, além dos questionamentos iniciais acerca da confiabilidade dos testes psicológicos aplicados na época.
Infra-estrutura da cognição (II): linguagens e canais morfogenéticos (Cadernos do ISOP, nº 8, 1985)
Seminerio aprofunda sua investigação epistemológica da cognição humana. Os canais morfogenéticos (visomotor e audiofonético) são detalhados, assim como o metaprocesso. A Elaboração Dirigida é citada, embora não seja o foco desta edição.
Elaboração dirigida: um caminho para o desenvolvimento metaprocessual da cognição humana (Cadernos do ISOP, nº 10, 1987)
A Elaboração Dirigida é apresentada como a aplicação prática da teoria apresentada nos cadernos anteriores. As bases, os objetivos e as situações de uso da ferramenta são debatidos, assim como a importância do diálogo entre professor e aluno na educação.
Metaprocesso: a chave do desenvolvimento cognitivo: uma reavaliação da pedagogia contemporânea (Cadernos do ISOP, nº 13, 1988)
Considerado o fechamento das ideias dos cadernos anteriores, esta edição traz um diálogo crítico entre a Elaboração Dirigida e teorias de autores como Piaget, Vygotsky, Bandura e Bruner.
Outras obras
Livros
(1977). Diagnóstico psicológico – Técnica do exame psicológico: Fundamentos epistemológicos. São Paulo: Atlas.
(1985). Epistemologia genética. Rio de Janeiro: FGV.
(1987). Currículo de graduação em Psicologia – Reforma ou implicação? Uma polêmica atual. Rio de Janeiro: FGV.
(1996). Piaget: O construtivismo na psicologia e na educação. Rio de Janeiro: Imago.
Capítulos de livros
(1978). Atividades profissionais do psicólogo no Rio de Janeiro. Em Ruben Ardila (org.). La Profession del Psicólogo (pp. 108-117). México: Trillas.
(1999). Existência e finitude. Em Lígia Py (org.). Finitude e uma proposta para reflexão e prática em gerontologia (pp. 21-30). Rio de Janeiro: Nau.
Artigos em periódicos
Arquivos Brasileiros de Psicologia
(1965). Síntese de uma pesquisa sobre alunos adultos do curso primário, v. 17, 41-60.
(1967). Casos num grupo especial (seleção de fotógrafos), v. 19, 95-103.
(1967). Seleção de um grupo de guarda-vidas, v. 19, 55-64.
(1968). Questões metodológicas de orientação profissional, v. 20, 113-132.
Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada
(1972). Pós-graduação em psicologia do trabalho, v. 24, 65-70.
(1972). Fundamentos e diretrizes da psicologia atual, v. 24, 05-14.
(1973). A pesquisa, v. 25, 93-98.
(1973). O ISOP aos 25 anos, v. 25, 109-123.
(1973). A psicologia no Brasil, n. 25, 147-161.
(1974). A profissão de psicólogo na Guanabara, n. 26, 03-29.
(1975). Saudação aos participantes pelo presidente da Associação Brasileira de Psicologia Aplicada (abertura solene do I Seminário Brasileiro de Ergonomia), n. 27, 08-10.
(1976). A ergonomia no contexto social e tecnológico contemporâneo, n. 28, 03-15.
(1977). A epistemologia genética: Renovação e síntese na psicologia e em filosofia contemporâneas, v. 29, 09-30.
(1978). ISOP, uma trajetória histórica: 30 anos de realizações, v. 30, 08-14.
(1978). Emílio Mira y Lopez e a psicologia contemporânea: Uma interpretação, v. 30, 21-36.
(1978). Pós-graduação em psicologia, v. 30, 237-241.
(1979). Arquivos Brasileiros de Psicologia. Rio de Janeiro, n. 31, 05-16.
(1980). A crise da psicologia contemporânea – I, v. 32, 13-29.
(1980). Infra-estrutura e existência da cognição humana: Fatores ou linguagens?, v. 32, 536-544.
(1980). Formação de psicólogos no Brasil, v. 32, 560-567.
(1982). Ergonomia e reabilitação, v. 34, 197-204.
(1983). A natureza sistêmica das linguagens na cognição humana: Uma visão kerigmática do real, v. 35, 03-10.
(1984). Atuação do psicólogo em reabilitação, v. 36, 156-161.
(1984). O construtivismo e os limites do pré-formismo, v. 36, 04-11.
(1985). Editorial: Alienação na pesquisa e na avaliação da pós-graduação, v. 37, 03-08.
(1985). Editorial: Alienação na pesquisa, v. 37, 03-07.
(1986). Construção da lógica e da imaginação em pré-escola: Uma alternativa para o terceiro mundo, v. 38, 10-19.
(1986). O problema do método: Limite ou expansão em ciências humanas, v. 38, 03-17.
(1986). Ação e cognição: Uma convergência em marcha, v. 38, 40-50.
(1987). A todos os psicólogos e a todos os alunos de psicologia: Uma saudação e um convite. (Discurso de posse na presidência da Associação Brasileira de Psicologia), v. 39, 141-145.
(1987). Avaliação e eficácia do método de modelação lógico-elementar e imaginativa no ensino pré-escolar, v. 39, 138-140.
(1988). A especialização pós-universitária, v. 40, 104-108.
(1989). Comemoração dos 40 anos, v. 42, 03-04.
(1989). Estruturadas e perspectivas na psicologia contemporânea, v. 41, 03-07.
(1990). Uma revalidação da pedagogia de nossos tempos: O lugar do romantismo e os conflitos contemporâneos, v. 42, 03-17.
(1991). Conflitos-existências da terceira idade, v. 43, 05-12.
(1991). Cognição e educação – Um projeto de construção teórica: Verificação experimental e aplicações psicopedagógicas, v. 43, 12-33.
(1992). Psicologia: Ciência ou técnica ideológica?, v. 44, 03-12.
(1994). Cognição: Códigos, limites, fronteiras, v. 46, 03-12.
(1995). Origem das universais da cognição, v. 47, 03-15.
(1995). Códigos morfogenéticos da cognição, v. 47, 03-17.
(1996). A metacognição e seus usos: Um mecanismo geral de desenvolvimento, v. 47, 03-30.
(1996). Imaginário e religião: Fenômeno social ou psicológico?, v. 48, 03-22.
(1997). Emílio Mira y López – Cem anos depois de seu nascimento: Sua contribuição para o desenvolvimento da psicologia contemporânea, v. 49, 05-22.
(1997). Novos rumos na psicologia e na pedagogia – Metacognição: Uma nova opção, v. 49, 05-22 (com C.R Anselmé e M. Chahon).
(1998). O imaginário cognitivo: Uma fronteira entre consciência e inconsciente, v. 49, 94-107 (et al.).
(1999). Metacognição: Um novo paradigma, v. 51, 110-126 (com C.R. Anselmé e M. Chahon).
Outros Periódicos
(1988). A trajetória da psicologia cognitiva: Síntese e interpretação. Revista Brasileira de Neurologia, v. 34, 15-20.
(1988). A religião como fenômeno psicológico. Temas de Psicologia, v. 6, 161-172.
Prêmios
Ao longo de sua trajetória profissional, Franco Lo Presti Seminerio recebeu diversas homenagens que reconhecem sua importância para o desenvolvimento da Psicologia no Brasil.
1993
Nomeado patrono da Turma de Psicólogos do Instituto de Psicologia da UFRJ.
1994
Recebeu o título de Professor Emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
1996
Homenageado com um diploma pelo empenho na implantação do curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Representou o Brasil na International Union of Psychological Science (IUPsyS).
1997
Homenageado pela Sociedade Brasileira de Psicologia por suas contribuições ao desenvolvimento da área, sendo elevado a sócio honorário da entidade.
Homenageado como um dos pioneiros do curso de Psicologia da Universidade Gama Filho (UGF)
Reconhecido como Pioneiro da Psicologia pelo Conselho Federal de Psicologia.
1999
O Centro Acadêmico do Instituto de Psicologia da UFRJ passou a denominar-se Centro Acadêmico Franco Seminério, em sua homenagem, consolidando sua influência junto à comunidade acadêmica.
2000
Nomeado patrono da Turma de Psicólogos 2000.1 do Instituto de Psicologia da UFRJ.
Homenageado especial do 10º Congresso de Ergonomia, promovido pela Associação Brasileira de Ergonomia, devido ao pioneirismo na introdução da ergonomia no Brasil.
Homenageado pela Sociedade Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento por sua contribuição à Psicologia do Desenvolvimento.
2001
Nomeado patrono da Turma de Psicólogos 2000.2 do Instituto de Psicologia da UFRJ.
Participação como arguente e representante de universidades do exterior em banca examinadora de doutoramento na Faculdade de Educação e Ciências do Comportamento da Universidade de Coimbra, em Portugal.
Influências
Jean Piaget
Piaget entende que o desenvolvimento cognitivo ocorre por uma sequência de estágios fixos que não podem ser acelerados por influências externas. Em contrapartida, Seminerio defende a possibilidade de intervenção sobre esses estágios, principalmente para compensar déficits cognitivos em crianças. A partir dessa divergência, o autor propõe o método da Elaboração Dirigida, utilizando metamodelos e ações reflexivas para que a criança alcance níveis de raciocínio mais complexos.
John Flavell
Um dos objetivos da proposta psicopedagógica de Seminerio, a Elaboração Dirigida, é provocar na criança aquilo que Flavell descreve como metacognição, ou seja, a capacidade de refletir sobre os próprios pensamentos. As pesquisas do norte-americano, sobretudo as apresentadas no XXI Congresso Internacional de Psicologia, em 1976, contribuíram para as noções de Seminério acerca da atividade metaprocessual. Esta, por sua vez, é entendida como uma ampliação do conceito de Flavell, abrangendo não apenas os processos cognitivos, mas também a recursividade.
Noam Chomsky
Seminerio busca em Chomsky a noção do inatismo da recursividade, uma das bases para a compreensão do desenvolvimento dos processos lógicos. Chomsky propõe que, mesmo com um número finito de regras, o sujeito é capaz de gerar um número infinito de frases em um idioma (processo recursivo). Essas regras não são aprendidas apenas pela interação com o ambiente, mas possibilitadas por princípios universais da linguagem, indicando a existência de um preformismo estrutural. Assim como na linguística de Chomsky, é a recursividade que possibilita ao aluno realizar o salto metaprocessual, isto é, usar uma regra já compreendida para elaborar novas lógicas em situações desconhecidas.
Lev Vygotsky
A proposta sócio-interacionista de Vygotsky fomenta a importância do educador e o papel das interações sociais na teoria metaprocessual. Ambos os autores partilham da ideia de que os fenômenos psicológicos se constroem por meio do diálogo interpessoal, com o adulto mediando o acesso da criança aos signos e significados. A linguagem funciona como um sistema essencial que permite à criança nomear e representar mentalmente aquilo que não está visível (descontextualização imediata), condição fundamental para o desenvolvimento de processos cognitivos mais sofisticados.
Seminerio retoma essa concepção ao enfatizar que a inteligência é produto das classes sociais e não o contrário, tendo em vista a lógica de que quanto menor a circulação de signos ou mediações, menos recursos a criança terá para expandir suas capacidades cognitivas. Nesse sentido, a aprendizagem se intensifica quando há mediação ativa do adulto, que instiga e organiza o processo para além do espontâneo. É esse o ponto de atuação da Elaboração Dirigida.
Albert Bandura
Seminerio utiliza a Teoria Social Cognitiva de Bandura para incorporar o princípio de que a aprendizagem ocorre pela observação, imitação e estocagem de modelos. Essa concepção justifica o foco da Elaboração Dirigida nas relações interpessoais e no fornecimento de novas lógicas aos alunos. Esse conceito é ampliado na teoria metaprocessual, tendo em vista a capacidade do indivíduo em refletir sobre as regras até compreendê-las em seu estado gerador. Assim, enquanto Bandura fundamenta a aprendizagem na aquisição de modelos externos, Seminerio desloca o foco para a capacidade inata do sujeito de processar e gerar internamente novas regras, indo além da mera repetição.
Referências
CAVALCANTI, Lana de Souza. Cotidiano, mediação pedagógica e formação de conceitos: uma contribuição de Vygotsky ao ensino de geografia. Cadernos Cedes, Campinas, v. 25, n. 66, p. 185-207, maio/ago. 2005
LAMAS, Karen; PATRÍCIO, Marina de Oliveira. Teoria Social Cognitiva? Muito prazer! Psicologia em Pesquisa, Juiz de Fora, v.2, n.2, dez. 2008. ISSN 1982-1247. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1982-12472008000200010. Acesso em: 30 ago. 2025
BRASIL. Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971. Cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Psicologia e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, . Disponível em: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1241760. Acesso em: 09 fev. 2026.
CHAHON, Marcelo. Metacognição e resolução de problemas aritméticos verbais: teoria e implicações pedagógicas. Revista do Departamento de Psicologia - UFF, Niterói, v. 18, n. 2, p. 163-176, jul./dez. 2006.
DITTRICH, Alexandre; ZENDRON, Rute Coelho. Franco Lo Presti Seminerio: razão e trabalho. In: JACÓ-VILELA, Ana Maria (coord.). Memória da Psicologia Brasileira. [S. l.: s. n.], [20--]. p. 11-35.
FRANCO Lo Presti Seminerio: dados biográficos. Paidéia (Ribeirão Preto), v. 12, n. 23, 2002. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-863X2002000200014.
MARQUES, Carla Verônica; OLIVEIRA, Carlo Emmanoel Tolla de; MOTTA, Cláudia Lage Rebello da. Ensaio científico avaliativo da teoria de Franco Lo Presti Seminério. Rio de Janeiro: UFRJ/NCE, 2010. (Relatório Técnico, 03/10).
MARQUES, Carla Verônica; OLIVEIRA, Carlo E. T. de; MOTTA, Cláudia (org.). A revolução cognitiva: um estudo sobre a teoria de Franco Lo Presti Seminério. Rio de Janeiro: UFRJ/NCE, 2009.
SEMINÉRIO, Franco Lo Presti et al. Metaprocesso: a chave do desenvolvimento cognitivo: uma reavaliação da pedagogia contemporânea. Rio de Janeiro: FGV/ISOP, 1988.
SEMINÉRIO, Franco Lo Presti. Currículo do Sistema de Currículos Lattes. [S. l.: s. n.], 2003. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/7526292347610062. Acesso em: 19 fev. 2026.
SILVA, José Aparecido da; BIASOLI-ALVES, Zélia Maria Mendes. Franco Lo Presti Seminerio (1923-2003): O homem, O professor, O amigo. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 19, n. 2, p. 189-191, maio/ago. 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ptp/a/pN44PWQCFGvg9R7KWTH7S5P/. Acesso em: 19 fev. 2026.
Ver também
Centro Juvenil de Orientação e Pesquisa (CeJOP)
Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP)
Arquivos Brasileiros de Psicologia
Associação Brasileira de Psicologia Aplicada
Associação Brasileira de Psicologia
International Union of Psychological Science
Epistemologia Genética de Jean Piaget
Teoria Social Cognitiva de Bandura
Autoria
Este verbete foi escrito por Luiz Fernando Mendonca Carvalho a convite dos editores da WikiHP. Criado em 2026.1, publicado em 2026.1. Este verbete está indefinidamente fechado para edição da comunidade por decisão dos editores da WikiHP.