Laura Lacombe

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Laura Jacobina Lacombe, nascida em 1897, no Rio de Janeiro, e falecida em 1990, foi uma estudiosa da educação, professora, educadora, diretora de escola, escritora, crítica literária e conferencista. Lacombe foi uma figura reconhecida por suas viagens e como uma grande intelectual da educação. Foi uma personagem de extrema importância para a divulgação dos ideais escolanovistas no Brasil.

BiografiaEditar

Primeiros anosEditar

Laura Jacobina Lacombe nasceu no Rio de Janeiro, em 1897. Filha de Isabel Jacobina Lacombe e Domingos Lourenço Lacombe, era a mais velha de cinco irmãos.

Em 1911, formou-se como a primeira aluna do Colégio Jacobina, fundado por sua mãe. Dedicada aos estudos, passava a maior parte do tempo na instituição, onde iniciou sua trajetória como educadora. Pouco depois, passou a atuar como assistente de Heitor Lyra e Thomé Cavalcanti.

Enquanto suas irmãs se casavam, Laura permaneceu solteira e, por esse motivo, foi a escolhida para auxiliar a mãe na direção. Assim, em 1921, assumiu o cargo de vice-diretora do colégio.

Início dos estudosEditar

Diante da necessidade de planejar a sucessão na liderança da instituição, a família concluiu que Laura ainda não possuía o preparo necessário para assumir o cargo da mãe. Com o crescimento do colégio, Isabel cogitou trazer uma professora da Europa para substituí-la. No entanto, seu amigo Carneiro Leão, diretor da Instrução Pública, sugeriu uma alternativa: em vez de recrutar uma profissional estrangeira, a instituição deveria enviar a própria Laura para se capacitar na Europa.

A primeira viagem de Laura aconteceu em 1924, rumo à Suíça, para estudar no Instituto Jean-Jacques Rousseau, em Genebra. Na instituição, foi aluna de Édouard Claparède, Pierre Bovet e do influente Jean Piaget. O instituto era, na época, o principal centro de produção e difusão da Escola Nova, vertente que reunia as mais modernas metodologias educacionais da Europa.

Em Genebra, Laura pôde aprimorar seus conhecimentos e expandir sua rede de contatos. Essa bagagem internacional garantiu-lhe, posteriormente, um lugar de destaque na Associação Brasileira de Educação (ABE), espaço onde renomados intelectuais escolanovistas se reuniam para debater a renovação do sistema de ensino no país.

Consolidação da carreiraEditar

Após sua primeira experiência no exterior, Laura continuou a visitar países desenvolvidos com o objetivo de acessar os principais centros de ensino e, dessa forma, contribuir para a expansão dos métodos modernos de educação no Brasil. Assim, em 1927, foi escolhida pela ABE para representar o país no Congresso Internacional de Educação Moderna, em Locarno.

Dois anos depois, em 1929, viajou como membro da associação com a missão de realizar um estágio no Teachers College, em Nova York, nos Estados Unidos. Naquele período, o país norte-americano era uma das principais referências do movimento escolanovista. Para a educadora, essa viagem representava uma oportunidade crucial de contribuir com a educação nacional, legitimando-se no campo pedagógico como uma especialista por meio da produção de relatórios e relatos detalhados após o seu retorno.

A participação em eventos como o Congresso Internacional de Educação Moderna permitiu a Laura conhecer o renomado Professor Ovide Decroly. A convite do próprio educador, ela viajou a Bruxelas para realizar um estágio na École de l'Ermitage, localizada em Uccle e dirigida por ele.

Ainda em 1930, de volta ao Rio de Janeiro, Laura teve o privilégio de receber no Brasil o psicólogo suíço Édouard Claparède, seu antigo mestre e que havia se tornado um grande amigo e aliado de sua trajetória profissional. Posteriormente, em 1932, Laura retornou a Locarno como representante da Associação Brasileira de Educação (ABE), oportunidade em que pôde reencontrar seus mentores em uma nova edição do Congresso de Educação Moderna, consolidando sua articulação com a vanguarda pedagógica europeia.

No ano de 1932, Laura foi afastada da ABE devido aos embates ideológicos e religiosos ocorridos entre renovadores leigos e católicos. No ano seguinte, em 1933, diplomou-se pela Universidade de Louvain, na Bélgica. Ainda em 1933, passou a atuar como secretária de Everardo Backhauser na Associação de Professores Católicos (APC), auxiliando o educador no cargo.

Em 1935, assumiu definitivamente a direção do Colégio Jacobina, instituição com a qual construiu uma relação simbiótica ao longo de toda a sua vida.

Início da carreira literáriaEditar

Visando organizar suas propostas pedagógicas, Laura decidiu reunir suas ideias em um livro próprio para orientar pais, alunas e professoras sobre as questões relativas à educação de crianças e jovens. Assim, em 1936, lançou a obra Moral Cristã e Educação.

Em 1942, Laura Jacobina Lacombe lançou seu segundo livro, A escola e a vida. Anos mais tarde, em 1945, com a fundação da Associação de Educação Católica do Brasil (AEC), ela foi convidada a assumir o cargo de Secretária-Geral, auxiliando o primeiro presidente da entidade, o Padre Arthur Alonso.

Últimas atuaçõesEditar

Em 1953, Laura participou de outro grandioso projeto: a fundação da Organização Mundial para a Educação Pré-Escolar (OMEP) no Brasil. Influenciada pelo Padre Arthur Alonso, de quem ainda era secretária, a educadora uniu-se a outros profissionais da área para consolidar a iniciativa. A OMEP permitiu a Laura ampliar ainda mais sua presença nos debates sobre a educação infantil e propiciou que levasse às alunas do Curso de Educadoras de sua instituição o que havia de mais recente em Psicologia e Pedagogia. Inclusive, em 1954, criou a Associação de Educação Pré-Primária Jacobina, entidade ligada ao Comitê Nacional de Educação Pré-Primária e integrada por professoras e estudantes da instituição.

Em 1955, após deixar o cargo de secretária do Padre Alonso, Laura assumiu a presidência nacional da OMEP, função que desempenharia por 25 anos, transferindo a sede da organização para o Colégio Jacobina. Posteriormente, atuou também como secretária e, mais tarde, presidente da Comissão de Educação e Cultura da Organização das Entidades Não Governamentais do Brasil (OENG), onde permaneceu por uma década.

Em 1973, aos 75 anos, Laura conquistou sua última grande vitória no campo pedagógico com a assinatura, em Brasília, do decreto que criava a Faculdade de Educação Jacobina. Essa instituição de ensino superior concretizou o seu antigo desejo de formar professoras em nível de graduação sob uma sólida ótica católica.

Laura foi uma intelectual da educação que trabalhou ativamente até o fim de sua vida, no início de 1990. É notório como os conhecimentos de Laura contribuíram para a educação moderna, aplicando a psicologia com a finalidade de compreender o universo infantil e apropriando-se de um novo conceito de pedagogia que estabelecia a necessidade do estudo e do aperfeiçoamento contínuos.

Cronologia biográficaEditar

  • 1897: Nasce no Rio de Janeiro.
  • 1902: Fundação do Colégio Jacobina, onde Laura inicia sua vida escolar.
  • 1908: Criação do jornal “Traço de União” por Laura e suas irmãs.
  • 1911: Forma-se na primeira turma do Colégio Jacobina.
  • 1911-1920: Atua como assistente de Heitor Lyra, na disciplina de Geometria, e de Thomé Cavalcanti, nas disciplinas de Anatomia, Fisiologia e Higiene.    
  • 1921: Torna-se vice-diretora do Colégio Jacobina.  
  • Década de 1930: Atuou intensamente como colaboradora na Seção Comentários do Jornal do Brasil.
  • 1933: Diplomou-se pela Universidade de Louvain, na Bélgica.  
  • 1934: Secretariou uma comissão no Primeiro Congresso de Educação Católica.
  • 1935: Assume a direção do Colégio Jacobina.
  • 1936: Publica seu primeiro livro “Moral Christã e Educação”.
  • 1939: Em 8 de junho, publicou um texto no Jornal do Brasil intitulado “Educação Feminina".
  • 1942: Publica o livro “A Escola e a Vida".
  • 1954: Criação da Associação de Educação Pré-Primária Jacobina, ligada ao Comitê Nacional de Educação Pré-Primária
  • 1955: Assume a presidência do Comitê Nacional da OMEP Brasil.
  • 1958: O Jacobina torna-se o primeiro Colégio no Brasil a ser associado à Unesco.  
  • 1962: Publica o livro “Como nasceu o Colégio Jacobina".  
  • 1973: Criação da Faculdade de Educação Jacobina.
  • 1974: Em 3 de maio, dá uma entrevista ao Museu da Imagem e do Som, em que fala sobre suas viagens pelo mundo.
  • 1990: Laura morre e é homenageada por uma moção emitida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.  

ViagensEditar

  • 1924: Primeira viagem à Europa, Suíça, cursou o Instituto Jean Jacques Rousseau em Genebra, onde foi aluna de Édouard Claparède e Jean Piaget.
  • 1927: Representou o Brasil, pela Associação Brasileira de Educação (ABE) no IV Congresso Internacional de Educação Moderna, em Locarno, na Suíça.
  • 1930: Realizou um estágio no Teacher’s College para estudar a orientação educacional americana em Nova York, Estados Unidos.
  • 1933: Diplomou-se pela Universidade de Louvain, focando-se no aprimoramento dos princípios católicos de educação na Bélgica.
  • 1945: Congresso da Union Internationale Catholique de l'Infance em Bogotá, Colômbia.
  • 1948: Seminário Regional de Educação das Organizações Não-Governamentais (ONU) em Caracas, Venezuela.
  • 1956: Assembleia Mundial da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar, representando o Brasil em Atenas, Grécia.
  • 1958: Assembleia Mundial da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar, representando o Brasil em Bruxelas, Bélgica.
  • 1960: Assembleia Mundial da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar, representando o Brasil em Zagreb, Croácia.
  • 1961: Congresso Internacional Católico em Estrasburgo, França.
  • 1962: Assembleia Mundial da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar, representando o Brasil em Londres, Reino Unido.
  • 1964: Assembleia Mundial da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar, representando o Brasil em Estocolmo, Suécia.
  • 1968: Assembleia Mundial da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar, representando o Brasil em Paris, França.
  • 1970: Assembleia Mundial da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar, representando o Brasil em Washington, EUA.

InfluênciasEditar

A trajetória de Laura Jacobina Lacombe foi profundamente influenciada pelas transformações educacionais e científicas que aconteciam na Europa no início do século XX.

Escola NovaEditar

Sua principal influência veio do movimento da Escola Nova, corrente pedagógica que criticava o ensino tradicional baseado apenas em memorização, disciplina rígida e autoridade absoluta do professor. A Escola Nova defendia uma educação mais ativa, centrada na criança, em suas necessidades, interesses e desenvolvimento psicológico.

Grande parte dessas influências surgiu quando Laura estudou no Instituto Jean-Jacques Rousseau em Genebra, um dos centros mais importantes de estudos sobre educação e psicologia infantil da época. Lá, ela entrou em contato com importantes educadores e psicólogos que marcaram sua formação intelectual. Entre eles, destaca-se Jean Piaget, cujos estudos sobre desenvolvimento cognitivo infantil ajudaram a fortalecer a ideia de que a criança aprende de maneira gradual e ativa, passando por diferentes etapas de desenvolvimento intelectual. O contato com esse ambiente de estudos em Genebra reforçou em Laura a valorização da psicologia infantil e a necessidade de uma educação que respeitasse o desenvolvimento natural da criança, estimulando sua autonomia e aprendizagem ativa. Também foi influenciada por Édouard Claparède, que defendia uma educação centrada nas necessidades da criança e criticava o ensino tradicional baseado apenas na memorização e na disciplina rígida. Para ele, a escola deveria adaptar-se ao desenvolvimento infantil, valorizando os interesses dos alunos e utilizando a psicologia como base da prática pedagógica. Suas ideias influenciaram Laura na defesa de métodos mais ativos de ensino, voltados para a observação da criança e sua participação no processo de aprendizagem..

Outra influência muito importante foi Adolphe Ferrière, um dos principais representantes da Escola Nova, que defendia a chamada “escola ativa”, baseada na liberdade, autonomia e participação do aluno no processo educativo. Laura admirava suas propostas e participava de congressos internacionais ligados aos movimentos que ele ajudava a organizar.

Além disso, Laura foi fortemente influenciada por Ovide Decroly. Ela chegou a visitar sua escola na Bélgica e considerava sua experiência um verdadeiro modelo de educação moderna. Decroly defendia um ensino ligado à vida prática, aos interesses naturais da criança e à observação do mundo ao redor.

No Brasil, uma influência decisiva em sua trajetória foi Antônio Carneiro Leão, importante educador e administrador da instituição pública, que incentivou Laura a estudar na Europa e a entrar em contato com os debates educacionais internacionais. Foi ele quem abriu caminhos para que ela conhecesse os principais centros de renovação pedagógica.

Igreja CatólicaEditar

Ao mesmo tempo, Laura também recebeu forte influência da Igreja Católica. Embora admirasse os métodos modernos da Escola Nova, acreditava que essas ideias deveriam ser conciliadas com os princípios religiosos católicos. Assim, sua atuação procurava equilibrar sua inovação pedagógica e formação moral cristã.

ContribuiçõesEditar

Laura Jacobina Lacombe teve importante atuação na renovação da educação brasileira durante o século XX, especialmente nos campos da educação feminina, infantil e católica.

Divulgação dos ideais escolanovistas no BrasilEditar

Sua principal contribuição foi a divulgação e adaptação, no Brasil, das ideias pedagógicas ligadas à Escola Nova.

Defendia uma educação centrada na criança, valorizando a liberdade no aprendizado, a participação ativa do aluno, a atenção do desenvolvimento psicológico infantil e métodos menos rígidos de ensino. Essas propostas colaboraram para a difusão de práticas pedagógicas inovadoras no país.

Educação femininaEditar

No Colégio Jacobina, contribuiu para a construção de um modelo de educação feminina baseado na formação intelectual, moral e religiosa. Também defendia a formação de professoras fundamentada no aperfeiçoamento intelectual, pedagógico e moral do magistério.

Atuação internacionalEditar

Participou de congressos internacionais de educação e representou o Brasil em debates sobre pedagogia, infância e formação docente. Em 1927, participou do Congresso Internacional de Educação Nova realizado em Locarno (Suíça), fortalecendo o intercâmbio entre a educação brasileira e os movimentos internacionais de renovação pedagógica.

Atuação nacional  Editar

Atuou ainda na Associação Brasileira de Educação (ABE) e participou da criação do comitê brasileiro da Organização Mundial para a Educação Pré-Escolar (OMEP), contribuindo para o fortalecimento da educação infantil no Brasil.

Por meio do periódico “Traço da União”, divulgou ideias educacionais, religiosas e sociais relacionadas à educação feminina, à formação moral, à infância, à família e às práticas pedagógicas modernas. Também defendia uma educação voltada para a cooperação entre os povos e para a formação moral e social dos indivíduos, especialmente após os impactos da Primeira Guerra Mundial.

ObraEditar

  • (1908) - Traço de União, jornal criado por Laura e suas irmãs.
  • (1930) - Cinco semanas nos Estados Unidos.
  • (1936) - Moral Christã e Educação.
  • (1939) - Educação Feminina, texto no Jornal do Brasil.
  • (1942) - A Escola e a Vida.
  • (1962) - Como nasceu o Colégio Jacobina.

CríticasEditar

As propostas pedagógicas de Laura Jacobina Lacombe, fortemente vinculadas à militância católica e à defesa de uma educação feminina diferenciada, foram alvo de contestações por parte de setores reformistas e emancipatórios da educação brasileira. O principal ponto de divergência residia em sua postura contrária à coeducação e na defesa de um currículo moldado especificamente para as funções domésticas e sociais tradicionais da mulher. Em maio de 1958, o debate público evidenciou essas tensões quando a professora Isabel do Prado, então diretora da União Universitária Feminina, classificou o anteprojeto de lei de autoria de Lacombe - que visava instituir um "Curso de Humanidades Femininas" - como um anacronismo frente às transformações da época.

A principal crítica direcionada ao projeto pedagógico de Lacombe sustentava que sua proposta tentava perpetuar um modelo de sociedade e de papel feminino que já estava desaparecendo diante dos avanços científicos e tecnológicos do final da década de 1950. Defensores de uma linha mais progressista argumentavam que o cenário global exigia uma educação universal e integrada, rejeitando a premissa de que a formação intelectual da mulher devesse ser reduzida ou direcionada estritamente em função de seus deveres maternos. Setores da União Universitária Feminina contestavam a ideia de que o raciocínio científico prejudicasse a maternidade, argumentando que o sistema de ensino deveria focar no desenvolvimento pleno de cada indivíduo e na reforma geral da educação, o que incluiria também a formação de homens para o papel de pais.

Além do descompasso com a modernidade, as propostas de Lacombe foram contestadas por seu caráter considerado elitista e segregador. O currículo defendido pela comissão do Colégio Jacobina priorizava ornamentos sociais e culturais, como a conversação em idiomas estrangeiros e o preparo para círculos diplomáticos, o que gerou acusações de que o curso atendia primordialmente às demandas decorativas das classes abastadas. Para os críticos, esse modelo negligenciava o ensino científico rigoroso e a preparação voltada para a realidade prática das mulheres brasileiras, substituindo uma formação profissionalizante e emancipatória por um programa centrado em prendas domésticas e na representação social.

AutoriaEditar

Este verbete foi escrito por Isabela Guidone Pereira Lima, Ana Caroline de Oliveira Lima, Alex Salgueiro Rodrigues, Maria Antônia Tozatto Lawall Cestaro, Arty Maciel Furtado, Helena Stumpf Ramos como exigência parcial para a disciplina História da Psicologia do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense em Rio das Ostras em 2026.1 e publicado em julho de 2026 .