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(→Tradição bíblica: Pequenas correções complementares) |
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Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e sua recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o levou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara. A loucura, conforme emerge na descrição bíblica, emerge ligada à perda da razão. | Na tradição bíblica, escrita em contextos e culturas não europeias, a loucura também é frequentemente retratada como uma forma de intervenção ou punição divina. Um dos episódios mais emblemáticos é a história do rei Nabucodonosor II, relatada no Livro de Daniel. De acordo com o texto, devido ao seu orgulho excessivo e sua recusa em reconhecer a soberania de Deus, o rei foi acometido por uma forma de loucura que o levou a viver como um animal, alimentando-se de ervas e deixando seus cabelos e unhas crescerem sem controle. Na psicologia moderna, esse estado em que um indivíduo acredita ter se transformado em um animal é conhecido como licantropia clínica, uma condição rara. A loucura, conforme emerge na descrição bíblica, emerge ligada à perda da razão. | ||
No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo. No Novo Testamento, | No entanto, a tradição bíblica também apresenta um paradoxo. No Novo Testamento, cujos livros foram escritos no contexto do mundo greco-romano, o que é considerado 'loucura' pelos homens revela-se a suprema sabedoria divina. Essa ideia é desenvolvida pelo apóstolo Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. Na passagem, ele afirma: 'Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens' (1 Coríntios 1:25). Paulo usa o termo ''moria'' (loucura, tolice) para contrastar a sabedoria humana que, na época do texto, era representada pela filosofia e retórica grega. A mensagem da cruz parecia ilógica e insensata aos olhos dos não cristãos, que debochavam do fato do messias ter sido capturado e morto pelos romanos. Assim, a loucura deixa de ser apenas uma punição para se tornar uma lente através da qual a verdadeira sabedoria, ou seja, a salvação, é revelada, invertendo a hierarquia de valores do mundo. | ||
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