433
edições
(Pequenas correções complementares) |
(→A Psicologia de Wundt: Pequenas correções complementares) |
||
| Linha 155: | Linha 155: | ||
== A Psicologia de Wundt == | == A Psicologia de Wundt == | ||
Wilhelm Maximilian Wundt é, na historiografia da psicologia, uma figura ao mesmo tempo onipresente e | Wilhelm Maximilian Wundt é, na historiografia da psicologia, uma figura ao mesmo tempo onipresente e pouco compreendida. Freqüentemente reduzido ao título de “fundador do laboratório de Leipzig”, essa simplificação negligencia sua estatura como um dos últimos grandes arquitetos de sistemas do século XIX, cujo ''Systemgedanke'' (pensamento sistêmico) buscava integrar a psicologia como uma propedêutica fundamental para a filosofia. | ||
Recuperar o Wundt original exige preencher uma vasta lacuna historiográfica | Recuperar o Wundt original exige preencher uma vasta lacuna historiográfica. A primeira envolve apontar as conhecidas e muitas das distorções da tradução de E.B. Titchener para o contexto anglo-americano, que foi formulada para aproximar suas ideias e pdasdaquelas de Wundt, visando uma “confirmação” do pensamento de Titchener. Wundt não era um estruturalista ou associacionista clássico e seu sistema é essencialmente dinâmico e centrado no '''voluntarismo'''. Para Wundt, a vontade e os processos afetivos não são meros epifenômenos, ou seja, um fenômenos secundários ou acessórios que acompanhma um fenômeno principal, mas o eixo organizador da consciência ativa. Esta reconstrução crítica visa resgatar a autonomia epistemológica de uma ciência que define seu objeto não como uma substância, mas como a experiência em sua totalidade imediata. | ||
=== A Experiência conforme Wundt === | |||
Para Wilhelm Wundt, a experiência é concebida como um todo unitário e coerente. As duas abordagens da experiência que ele propõe não se deve a uma diferença ontológica, mas como dois pontos de vista distintos e complementares que permite sua abordagem científica. | |||
A '''Experiência Mediata''' é a experiência objetiva) está focada nos objetos do mundo externo. É chamada de "mediata" porque nosso acesso a tais objetos é sempre indireto, dependente de conceitos abstratos, inferências teóricas e construções conceituais auxiliares para representá-los. Ela foca exclusivamente nos objetos do mundo externo, abstraindo o sujeito cognoscente, ou seja, aquele que sabe, que tem conhecimento. | |||
A Experiência Mediata seria o ponto de vista característico das ciências naturais, como física, química e fisiologia. A ciência natural opera por meio de uma abstração sistemática, pois ela coloca o sujeito cognoscente "entre parênteses" e analisa apenas os objetos externos pensados, como se existissem de maneira totalmente independente de quem os percebe. É chamada de "mediata" porque nosso acesso a tais objetos é sempre indireto, dependente de conceitos abstratos, inferências teóricas e construções conceituais auxiliares para representá-los. Por um lado, o estímulo físico é intermediado pelos limites anatômicos e biológicos do nosso aparato perceptivo, ou seja, temos os limites e capacidades da nossa percepção. No caso da visão, por exemplo, não vemos os raios ultravioleta e infravermelho, pois não estão no expecto da luz visível, mas vemos as cores e suas combinações. Por outro lado, para constituir a "realidade objetiva", o cientista natural precisa utilizar conceitos teóricos auxiliares e construções hipotéticas, como átomos, ondas eletromagnéticas e forças gravitacionais, que não são dados imediatamente na percepção sensível mas que podem ser vistos experimentalmente e por meio de instrumentos e aparatos científicos. | |||
Wundt critica assim o empirismo tradicional e o associacionismo. A doutrina do empirismo diz que a mente como página em branco, conforme a formulação de John Locke e sua ''tabula rasa''. Neste caso, a mente seria progressivamente preenchida pelas impressões do mundo exterior (sensação) e pelas operações internas (reflexão). David Hume radicaliza o princípio empírico, postulando que as impressões são os átomos cognitivos fundamentais e as ideias nada mais são do que cópias atenuadas ou lembranças dessas impressões na memória e na imaginação. Já o associacionismo onstitui a hipótese explicativa de como ideias simples e discretas se combinam para formar pensamentos complexos, juízos e raciocínios abstratos. Se o empirismo fornece os blocos de construção, o associacionismo descreve a "força de atração" que os une. | |||
fala que o erro do empirismo tradicional e do associacionismo (o "intelectualismo") foi transferir os atributos dos objetos externos da física — solidez, limites rígidos e permanência estática — para os conteúdos conscientes, passando a tratar as representações (Vorstellungen) como coisas ou "átomos mentais" | |||
. Na física, o foco recai sobre o objeto substantivo; contudo, a consciência não contém objetos estáveis | |||
Experiência Imediata (Subjetiva): É o objeto de estudo exclusivo da psicologia científica | |||
. Ela investiga a experiência em sua realidade direta, concreta e intuitiva, sem abstrair o sujeito e examinando a relação viva deste com os conteúdos que surgem na consciência (como sensações brutas, sentimentos, afetos e atos de vontade) | |||
. Trata-se do acesso imediato que o indivíduo tem aos seus próprios processos internos exatamente no momento em que ocorrem, antes de qualquer teorização abstrata | |||
=== Experiência Imediata, o Objeto de Estudo da Psicologia === | === Experiência Imediata, o Objeto de Estudo da Psicologia === | ||