O surgimento da psicologia científica: mudanças entre as edições

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No final de sua vida, Wilhelm Wundt era visto de forma ambivalente. Enquanto mantinha o prestígio de fundador da psicologia científica, uma nova geração de psicólogos que buscava se firmar, via como um “pai tribal”, cujo longo domínio de mais de quatro décadas estava desgastado. Ele se tornou o alvo de críticas severas e passou a ser tratado por muitos como o ícone de um passado superado e falido.
No final de sua vida, Wilhelm Wundt era visto de forma ambivalente. Enquanto mantinha o prestígio de fundador da psicologia científica, uma nova geração de psicólogos que buscava se firmar, via como um “pai tribal”, cujo longo domínio de mais de quatro décadas estava desgastado. Ele se tornou o alvo de críticas severas e passou a ser tratado por muitos como o ícone de um passado superado e falido.


Durante a Primeira Guerra Mundial e nos anos que a sucederam, a reputação internacional de Wundt sofreu graves danos. Influenciado por seu filho Max, Wundt adotou posturas políticas ultranacionalistas, chegando a usar a Völkerpsychologie de maneira tendenciosa para criticar os inimigos da Alemanha. Essa postura inflamou um forte preconceito anti-alemão, especialmente nos Estados Unidos, onde ex-alunos e intelectuais americanos passaram a ver ele como uma mente maligna e autoritária, acelerando a rejeição de suas obras em solo estrangeiro.
Durante a Primeira Guerra Mundial e nos anos que a sucederam, a reputação internacional de Wundt sofreu graves danos. Influenciado por seu filho Max, Wundt adotou posturas políticas ultranacionalistas, chegando a usar a ''Völkerpsychologie'' de maneira tendenciosa para criticar os inimigos da Alemanha. Essa postura inflamou um forte preconceito anti-alemão, especialmente nos Estados Unidos, onde ex-alunos e intelectuais americanos passaram a ver ele como uma mente maligna e autoritária, acelerando a rejeição de suas obras em solo estrangeiro.


A maior frustração de Wundt no fim da vida ocorreu no âmbito acadêmico alemão. Ele sempre defendeu que a psicologia era uma ciência propedêutica e uma aliada indispensável da filosofia, devendo permanecer integrada a esta. No entanto, os filósofos acadêmicos de sua época, especialmente os neokantianos e fenomenologistas, rejeitaram veementemente o  que chamavam de “psicologismo de Wundt”, ou seja, a redução da lógica e da validade do conhecimento a fatos psicológicos. Em 1913, após a contratação de um psicólogo experimental para a cadeira de filosofia em Marburg, mais de cem professores de filosofia assinaram um protesto público exigindo que psicólogos fossem banidos dos departamentos de filosofia. Esse movimento resultou no progressivo divórcio institucional entre a psicologia e a filosofia, uma separação que Wundt lamentou e combateu até a sua morte em 1920.
A maior frustração de Wundt no fim da vida ocorreu no âmbito acadêmico alemão. Ele sempre defendeu que a psicologia era uma ciência propedêutica e uma aliada indispensável da filosofia, devendo permanecer integrada a esta. No entanto, os filósofos acadêmicos de sua época, especialmente os neokantianos e fenomenologistas, rejeitaram veementemente o  que chamavam de “'''[[psicologismo]] de Wundt'''”, ou seja, a redução da lógica e da validade do conhecimento a fatos psicológicos. Em 1913, após a contratação de um psicólogo experimental para a cadeira de filosofia em Marburg, mais de cem professores de filosofia assinaram um '''protesto público exigindo que psicólogos fossem banidos dos departamentos de filosofia'''. Esse movimento resultou no progressivo divórcio institucional entre a psicologia e a filosofia, uma separação que Wundt lamentou e combateu até a sua morte em 1920.


A partir da década de 1890, uma forte onda de positivismo, inspirada pela filosofia de Ernst Mach e Richard Avenarius, varreu a psicologia experimental. Jovens psicólogos, incluindo os assistentes do próprio Wundt, rejeitaram conceitos fundamentais do sistema de Leipzig, como a apercepção, a causalidade psíquica e a síntese criadora, tomando eles como metafísica, exatamente o oposto do que desejava seu formulador. Eles preferiam um modelo elementarista e reducionista, focado na descrição de relações funcionais.
A partir da década de 1890, uma forte onda de positivismo, inspirada pela filosofia de Ernst Mach e Richard Avenarius, varreu a psicologia experimental. Jovens psicólogos, incluindo os assistentes do próprio Wundt, rejeitaram conceitos fundamentais do sistema de Leipzig, como a apercepção, a causalidade psíquica e a síntese criadora, tomando eles como metafísica, exatamente o oposto do que desejava seu formulador. Eles preferiam um modelo elementarista e reducionista, focado na descrição de relações funcionais.
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Nos EUA, a influência da teoria da evolução de Darwin deslocou o interesse da estrutura da consciência para as suas funções de adaptação ao meio, o chamado funcionalismo. Com o surgimento e o fortalecimento do behaviorismo e a eliminação da mente como objeto de estudo, o voluntarismo de Wundt perdeu qualquer espaço. Na Europa, a própria psicologia da Gestalt ergueu-se combatendo o elementarismo que havia sido falsamente associado a Wundt.  
Nos EUA, a influência da teoria da evolução de Darwin deslocou o interesse da estrutura da consciência para as suas funções de adaptação ao meio, o chamado funcionalismo. Com o surgimento e o fortalecimento do behaviorismo e a eliminação da mente como objeto de estudo, o voluntarismo de Wundt perdeu qualquer espaço. Na Europa, a própria psicologia da Gestalt ergueu-se combatendo o elementarismo que havia sido falsamente associado a Wundt.  


O golpe final veio após a Primeira Guerra Mundial, quando a Alemanha mergulhou em colapso econômico. Diante da “crise da psicologia”, os pesquisadores precisaram provar a utilidade prática da ciência que praticavam para sobreviver, o que já acontecia nos EUA, voltando-se para a psicologia militar, industrial, educacional e clínica. Wundt, que sempre desprezou a psicologia aplicada, teria visto seu sistema dinâmico de laboratório perder todo o fôlego diante das pressões pragmáticas da época, ainda que mantivesse sua fama e sua alcunha maior.
O golpe final veio após a Primeira Guerra Mundial, quando a Alemanha mergulhou em colapso econômico. Diante da “'''crise da psicologia'''”, os pesquisadores precisaram provar a utilidade prática da ciência que praticavam para sobreviver, o que já acontecia nos EUA, voltando-se para a psicologia militar, industrial, educacional e clínica. '''Wundt, que sempre desprezou a psicologia aplicada''', teria visto seu sistema dinâmico de laboratório perder todo o fôlego diante das pressões pragmáticas da época, ainda que mantivesse sua fama e sua alcunha maior. Ironicamente, um dos principais defensores da psicologia puramente laboratorial, foi quem escreveu a obra mais bem-sucedida de história da psicologia, servindo de parâmetro para o campo por décadas, ou seja, [[Edwin Boring]].


== A Psicologia Científica na Inglaterra ==
== A Psicologia Científica na Inglaterra ==