Rosiska Darcy

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Rosiska Darcy de Oliveira (Rio de Janeiro, 27 de março de 1944) é uma professora, advogada, escritora e ensaísta, ocupante da cadeira 10 da Academia Brasileira de Letras. Formou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), mas iniciou sua carreira profissional como jornalista. Em 1970, após denunciar práticas de tortura da ditadura militar, foi obrigada a se exilar em Genebra, na Suíça, onde redirecionou seu trabalho para o campo da educação, a partir de seu encontro com Paulo Freire. Posteriormente, aprofundou seus estudos junto a Jean Piaget na Faculté de Psychologie et Sciences de l'Éducation da Universidade de Genebra, onde também lecionou por dez anos.

BiografiaEditar

Formação e início da carreira no BrasilEditar

Rosiska Darcy de Oliveira nasceu em 1944, na cidade do Rio de Janeiro, filha de José Carlos Ribeiro e Marina Reis Vianna Ribeiro. Após concluir a formação normalista no Instituto de Educação, ingressou no curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), graduando-se ao final da década de 1960. No entanto, o início de sua trajetória profissional se deu em outra área, a do Jornalismo. O contato com a imprensa teve início ainda durante o Ensino Normal, quando Rosiska atuou como editora da Revista Tangará, um projeto interno coordenado pelos próprios alunos do Instituto. Ainda estudante, foi contratada pela Revista Senhor em 1964, onde permaneceu até a suspensão da atividade editorial por ordem da ditadura militar. Até 1970, ela ainda atuaria em periódicos como Revista Visão, Jornal do Brasil e O Globo.

O exílio na SuíçaEditar

Em 1969, Rosiska casou-se com Miguel Darcy de Oliveira, também formado em Direito pela PUC-Rio. Na área profissional, Miguel seguiu carreira diplomática, sendo nomeado, em julho de 1969, segundo-secretário da Delegação Permanente do Brasil em Genebra. Na Suíça, o casal ajudou a denunciar internacionalmente o sistema de torturas praticado pela ditadura no Brasil, divulgando testemunhos e documentos de presos políticos. As denúncias tiveram consequências. Em fevereiro de 1970, Miguel foi chamado a retornar ao Brasil para “consultas” no Itamaraty; ele ficou detido por 40 dias e foi exonerado do cargo. Rosiska, ao buscar informações sobre o marido na embaixada brasileira na Suíça, foi interrogada por cerca de 12 horas seguidas, prática que, posteriormente, também foi denunciada.

Sob o risco de perseguição política, Miguel conseguiu deixar o Brasil e retornou à Suíça ainda em 1970. Em Genebra, Rosiska e Miguel viveram como refugiados políticos por alguns anos no Foyer John Knox, uma residência internacional para estudantes que oferecia asilo a refugiados de diversos países. Durante esse período, Rosiska encarou um cenário que mudaria seus horizontes: o encontro com Paulo Freire, que redirecionaria seu trabalho para outro campo de atuação, e sua passagem como aluna de Jean Piaget.

Os encontros com Paulo Freire e Jean PiagetEditar

Rosiska conheceu Paulo Freire por telefone, em 1970, no período em que solicitou asilo político no Foyer John Knox. O educador também estava em Genebra, exilado, trabalhando como consultor do Escritório de Educação do Conselho Mundial de Igrejas. O encontro entre os dois despertou em Rosiska o interesse pela área da educação, além de resultar em uma parceria que se estendeu por 15 anos.

Entre os principais feitos dessa colaboração está a criação do IDAC (Instituto de Ação Cultural), em 1971. O objetivo era reestruturar o sistema educacional de países africanos de língua portuguesa, especialmente aqueles em processo de emancipação do domínio colonial. Os trabalhos feitos pelo Instituto também incluíram países da Europa, atuando na alfabetização de adultos e nos direitos das mulheres.

Os interesses de Rosiska pelo campo da educação se aprofundaram junto a Jean Piaget, a quem teve como professor na Faculté de Psychologie et Sciences de l’Education (Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação) da Universidade de Genebra. Rosiska descreve o epistemólogo suíço como a pessoa mais brilhante que já conheceu, destacando que Piaget foi o responsável por introduzi-la ao pensamento científico e à cultura global.

Além de aluna, Rosiska lecionou por 10 anos na Universidade de Genebra, período em que pôde aprimorar seus estudos sobre o feminino, somado às experiências que serviram de base para a elaboração de seus primeiros ensaios. Durante sua passagem pela instituição, ela criou um curso inédito dedicado ao estudo do feminino, tema que guiou sua tese de doutorado, defendida em 1987, sob o título de “La Formation des Femmes comme Miroir de I’Ambiguité” (A Formação das Mulheres como Espelho da Ambiguidade).

Durante o período em que estiveram em Genebra, Rosiska e Miguel mantiveram posição contrária à ditadura militar; atuavam ativamente traduzindo cartas e declarações vindas de presídios e as entregavam para a imprensa internacional e defensores dos direitos humanos.

O retorno ao BrasilEditar

Em 1983, com a redemocratização, Rosiska retornou ao Brasil e retomou sua produção ensaística, trabalho voltado às questões da educação e das condições femininas na sociedade. Exerceu, simultaneamente, a função de assessora especial do então vice-governador do Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro, com quem dividia  interesses pela melhoria na qualidade do ensino público, cargo que ocupou durante quatro anos.

Em 1984, integrou o corpo docente do curso de Letras da PUC-Rio, como professora de doutorado. Ao longo de dez anos, estruturou seus estudos sobre a produção literária feminina, por meio de cursos, conferências e ensaios.  

Em abril de 2013, Rosiska foi eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL), tornando-se a sexta ocupante da Cadeira nº 10. Ela sucedeu o poeta Lêdo Ivo, falecido em dezembro de 2012. No dia da posse, em 14 junho de 2013, Rosiska recitou um poema de Cecília Meireles sobre a liberdade, tema que sintetiza tanto a sua produção literária quanto a sua própria experiência pessoal.

ContribuiçõesEditar

Ações políticas e sociaisEditar

Em 1991, Rosiska fundou a Coalizão de Mulheres Brasileiras em defesa da causa feminina, empenhando-se em promover a chegada das mulheres aos lugares de saber e de poder. Em 1995, foi nomeada, pelo então Presidente da República, como presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, Programa Nacional de Promoção da Igualdade de Gênero.

Chefiou, entre 2007 e 2015, o movimento Rio Como Vamos de promoção da participação e responsabilidade cidadã. Atuou como segunda dirigente de Cultura da Associação Comercial do Rio de Janeiro e é membro do Conselho Diretor da ACRJ, do Conselho Técnico da Confederação Nacional da Indústria e, além disso,  do Instituto Brasileiro de Defesa do Deficiente (IBDD), do PEN Clube do Brasil, do Conselho Científico do Museu do Amanhã, do conselho deliberativo da Casa Firjan e do conselho editorial da PUC-RIO. Somado a isso, a acadêmica é diretora de publicações da Academia Brasileira de Letras e editora da Revista Brasileira.

Esfera InternacionalEditar

Rosiska co-presidiu a Delegação brasileira à Conferência Mundial da Mulher em Beijing, integrou o Conselho Mulher e Desenvolvimento do Banco Interamericano de Desenvolvimento e representou o Brasil na Comissão Interamericana de Mulheres da OEA. Propôs a criação e foi a primeira presidente da Reunião Especializada da Mulher no Mercosul. Presidiu a rede internacional Terra Femina: um olhar feminino sobre os temas globais nas Conferências da ONU sobre População, Direitos Humanos, Meio Ambiente e Desenvolvimento Social. Foi consultora da UNESCO sobre a emergência do feminino na cultura, integrando o Painel Mundial sobre Educação para o Desenvolvimento Sustentável e o Painel Mundial para a Democracia, presidido pelo ex-Secretário Geral da ONU Boutros-Ghali.

Cronologia BiográficaEditar

1944: Nascimento de Rosiska Darcy de Oliveira, no dia 27 de março, no Rio de Janeiro.

1960: Iniciou sua trajetória profissional no Jornalismo.

1970: Ocorreu a interrupção de sua atividade como jornalista em decorrência do exílio em Genebra.

1971: Fundação do Instituto de Ação Cultural, junto com Paulo Freire e Claudius Ceccon.

1983: Retornou ao território nacional brasileiro.

1991: Fundou a Coalizão de Mulheres Brasileiras.

1995: Nomeada presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

1995: Co-chefiou a Delegação brasileira à IV Conferência Mundial da Mulher.

2003: Nomeada vice-presidente de Cultura da Associação Comercial do Rio.

2007: Presidiu, de 2007 a 2015, o Movimento Rio como Vamos.

2013: Eleita para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 10, onde atua até os dias atuais.

2022: Assumiu a direção e editoria da Revista Brasileira da Academia Brasileira de Letras.

2022: Tornou-se diretora de publicidade da Academia Brasileira de Letras.

Obras e FundaçõesEditar

Principais ObrasEditar

O Elogio da Diferença: o feminino emergente (São Paulo, Editora Brasiliense, 1991)

Literatura sobre o feminino, “O Elogio da Diferença” traz respostas renovadas às mais importantes questões sobre a relação homem e mulher na contemporaneidade.

Reengenharia do tempo (Rio de Janeiro, Editora Rocco, 2003)

Este escrito convida o leitor a uma reorganização do cotidiano, recuperando a discussão sobre o sentido da vida e propondo, a homens e mulheres, uma nova arte de viver.

Baile de máscaras (Rio de Janeiro, Editora Rocco, 2014)

Nesta obra, de crônicas, ensaios e artigos, a autora emprega um olhar afiado para discutir os desafios da contemporaneidade, abordando temas que vão desde a esfera íntima até a política internacional, sempre com foco na liberdade, direitos humanos e na valorização do feminino.

Liberdade (Rio de Janeiro, Editora Anfiteatro, 2021)

A obra é um libelo contra o ódio e a intolerância que impõe a todos o ponto de vista nascido de uma visão fundamentalista de mundo que brota da insegurança frente à atual era da incerteza. É uma aposta no amor, na esperança e no conhecimento, que oferece ao leitor rico material de reflexão.

Outras ObrasEditar

A obra literária de Rosiska Darcy de Oliveira é vasta e transita entre o ensaio acadêmico, a crônica e o conto, refletindo sua trajetória no exílio e seu ativismo pelos direitos das mulheres.

LivrosEditar

(1975). A Libertação da Mulher, Lisboa: Sá da Costa Editora.

(1977). Illich/Freire: A Opressão da Pedagogia e a Pedagogia dos Oprimidos, Sá da Costa Editora, Lisboa.

(1980). Vivendo e Aprendendo, co-autora, São Paulo: Editora Brasiliense.

(1989). Le Féminin Ambigu, Genève : Editions du Concept Moderne.

(1992). La Culture des Femmes : tradition et innovation, Paris : UNESCO.

(1998). In Praise of Difference: the rise of global feminism, New Brunswick, New Jersey: Rutgers University Press.

(2000). A Dama e o Unicórnio, Rio de Janeiro: Editora Rocco.

(2002). Outono de Ouro e Sangue, Rio de Janeiro: Editora Rocco.

(2006). A Natureza do Escorpião, Rio de Janeiro: Editora Rocco.

(2010). Chão de Terra, Rio de Janeiro: Editora Rocco.

(2016). Pássaro Louco. Rio de Janeiro: Editora Rocco.

(2026). Rosiska, uma fotobiografia. Rio de Janeiro: Editora Edições Pinakotheke.

Artigos e ensaiosEditar

(1973). La libération de la femme: changer le monde, réinventer la vie. Documents IDAC numéro 3.

(1976). La politique éducative d'un mouvement de libération au pouvoir. Cahiers de l’Institut d’Etudes du Développement, no. 4.

(1978). Guinée-Bissau: éducation et processus révolutionnaire. L’Homme et la Société, Editions Anthropos, no. 47..

(1978) Féminiser le monde. Documents IDAC, no. 10.

(1978). Les femmes en mouvement et l’avenir de l’éducation. Education des adultes. Cahiers de la Section Sciences de de l’Education, Faculté de Psychologie et des Sciences de l’Education, Université de Genève.

(1979). Education et Sociétés. Bureau International de l'Education au Service du Mouvement Educatif, UNESCO.

(1979). Learning by living and doing: reflections about education and self-reliance in Self-Reliance. In: Self-reliance, Preiswerk & Galtung ed., Londres, Bogle-L'Ouverture.

(1980). The role of schools in the promotion of primary health care. World Health Organization.

(1981). Pesquisa Social e Ação Educativa. In: Pesquisa Participante, C. Brandão (org.), Brasiliense.

(1981). Os Movimentos Sociais Reinventam a Educação, Educação e Sociedade, no. 8, Cortez Editora.

(1983). As Pedras no Bolso do Feminismo, Novos Estudos CEBRAP, São Paulo, vol. 2, no. 3.

(1983). Women’s participation in the promotion of peace and international cooperation.  International Federation of University Women.

(1984). Avaliação da aplicação pelo Brasil da Convenção Internacional para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher. UNESCO.

(1985). As fiandeiras do saber ou como se educar nos tempos que correm. In: Mulheres em movimento, Editora Marco Zero.

(1985). Em Dia com a Mulher. INEP, Ministério da Educação, Brasília.

(1985). Guia de Defesa das Mulheres contra a Violência. Conselho Nacional dos Direitos da Mulher/Ministério da Justiça, Brasília.

(1985). Les pierres dans la poche du féminisme. Femmes et Formation. Cahiers de la Section Sciences de de l’Education, Faculté de Psychologie et des Sciences de l’Education, Université de Genève.

(1987). A participação das mulheres na reconstrução da democracia no Brasil.  UNESCO/Pontifícia Universidade Católica, Rio de Janeiro.  

(1987). La Formation des femmes en tant que miroir de l’ambiguité. Tese de doutorado, Faculté de Psychologie et des Sciences de l’Education, Université de Genève.

(1988). La Formation des Femmes au Brésil: du privé au public. In : La Formation des Femmes, UNESCO/¬Editions Le Concept Moderne, Genebra.

(1989). Femme et Travail: sens, non-sens et ambiguité. UNESCO.

(1990). Novos paradigmas de educação popular no Brasil, Fundação Ford.

(1990). A Cicatriz do Andrógino. Feminino e Literatura, Tempo Brasileiro, nº 101, Rio de Janeiro.

(1990). A Transgressão do Feminino, editora e co-autora, Rio de Janeiro: PUC-Rio/IDAC/Instituto Italiano di Cultura.

(1991). La Participation des Femmes dans la Vie Publique: le cas du Brésil. UN Division for the Advancement of Women, Viena.

(1992). Mulheres, políticas públicas e meio ambiente. Rio de Janeiro: PNUD/UNIFEM.

(1992). Mulheres e Meio Ambiente. Rio de Janeiro: UNIFEM.

(1992). Women and Nature: an ancestral bond, a new alliance, Terra Femina, vol. 1, Rio de Janeiro, IDAC/REDEH/Frauen Anstiftung.

(1992). Memórias do Planeta Fêmea. Estudos Feministas, IFCS / UFRJ nº 0/92, Rio de Janeiro.

(1993). Women's concerns and inputs to the World Human Rights Conference. Terra Femina, vol. 2.

(1993). As mulheres e a natureza: uma relação ancestral, uma nova aliança. Transformação, Rio de Janeiro: Editora Diferença.

(1994). Terra Soror, Terra Femina vol. 3.

(1995). Igualdade, Desenvolvimento e Paz, Estudos Feministas, IFCS / UFRJ, Vol. 3 nº 1/95, Rio de Janeiro.

(1996). O Século XXI começou em Beijing. IV Conferência Mundial sobre a Mulher: Beijing 1995, Rio de Janeiro: IDAC – FIOCRUZ.

(1996). Estratégias da igualdade. Programa nacional de promoção da igualdade de gênero. Brasília: Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, Ministério da Justiça.

(1998). Na democracia, a igualdade entre homens e mulheres faz toda a diferença. Programa nacional de igualdade de oportunidades na função pública. Brasília: Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, Ministério da Justiça.

(1998). As mulheres, os direitos humanos e a democracia. Textos do Brasil: Cinquenta anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Brasília: Ministério das Relações Exteriores, Ano II – no 6.

(1999). Educação e Desigualdade. Comissão do Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional, Brasília: Ministério do Meio Ambiente.

(1999). Direitos das Mulheres, Direitos Humanos. Direitos Humanos no Século XXI, Brasília: Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais – IPRI.

(2000). Feminismo e Feminilidade, A Mulher no Terceiro Milênio, Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras.

(2000). Réinventer le Temps, Courrier, Paris: UNESCO.

(2001). Indivíduos, sujeitos e cidadãos: globalização e quotidiano. Globalização, democracia e desenvolvimento social, Rio de Janeiro: Centro Brasileiro de Relações Internacionais.

(2001). Eqüidade. Virtudes. Eliana Yunes e Maria Clara Luchetti Bingemer (coordenação). São Paulo: Edições Loyola.

(2002). A Liderança Feminina, Seguridade, Ano II, No. 3, Rio de Janeiro: Instituto Cultural de Seguridade Social, Rio de Janeiro.

(2002). A Reengenharia do Tempo. Trabalho e Sociedade, Ano 1, nº 2, Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade - IETS / IPEA.

(2005). A reengenharia do tempo: o desafio da conciliação público/privado. IPEA/FIRJAN.

(2005). Inédita e subversiva: homenagem a Maria de Lurdes Pintasilgo. Revista ex aequo, nº 12.

(2006). As mulheres e a reengenharia do tempo. Comissão Econômica para a América Latina – CEPAL.

(2008). Listen to Latin American’s Women. America’s Quarterly, Council of the Americas, Fall.

(2012). Esperanças e espertezas. Ciclo “Ética e cidadania em tempos de transição”. Revista Brasileira, Fase VII, Ano XVIII, nº 69

(2012). Portella, pensador do tempo presente. In: O caminho, o caminhar, Tempo Brasileiro, nº 191, Rio de Janeiro.

(2013). Rubem Braga: Viver em Voz Alta. Jornal das Letras.

(2013). Descaminhos da Razão Armada. Prosa e Verso, O Globo.

FundaçõesEditar

Participou da criação do Instituto de Ação Cultural (IDAC), no ano de 1971, em conjunto com Paulo Freire e Claudius Ceccon, que agia na reconstrução dos sistemas educacionais, prestando apoio a independência e assessoria educativa de países africanos de língua portuguesa após a descolonização. Atuava, também, em alguns países da Europa, entre eles Suíça, Suécia, Dinamarca e Noruega.

Em 1975, o IDAC  recebeu um chamado político de cooperação internacional do então ministro da Educação da Guiné-Bissau, após tornar-se independente, para levar uma equipe do Instituto para auxiliar na reestruturação do país. Rosiska, Paulo Freire e Miguel Darcy, junto a uma equipe especializada, realizaram missões pela África com o objetivo de reparar os estragos deixados pelo colonialismo português, como combater os altos índices de analfabetismo. A equipe lutava para romper a cultura eurocêntrica e reviver a ancestralidade e práticas culturais tradicionais africanas.

As intervenções ocorriam por meio de debates políticos acerca do dia a dia daquele meio social e o sentimento da recém libertação, tratando, também, assuntos como educação, alfabetização, direitos civis, igualdade entre gêneros, de maneiras mais didáticas, diretas e descontraídas. Somado a isso, foi elaborado um modelo de materiais didáticos, principalmente cartinhas de ensino, mais adaptadas, que permitia aos povos locais adicionarem seus próprios traços culturais, garantindo a valorização de suas raízes e fugindo completamente do padrão tradicional de ensino, totalmente desconexo das realidades locais.

O Instituto deixou seu legado marcado na história da educação, com propostas de educação popular e círculos de cultura, abraçados por diversos espaços sociais, como escolas, secretarias de educação, universidades e movimentos estudantis atuais.

PrêmiosEditar

Rosiska recebeu diversas condecorações ao longo de sua carreira, sendo reconhecida por sua atuação na literatura, nos direitos das mulheres e em serviços prestados ao país. Ela recebeu medalhas como a da Ordem Rio Branco, entregue pelo Presidente da República, por serviços prestados ao Brasil no exterior, além das medalhas Euclides da Cunha - concebida pela Academia Brasileira de Letras (ABL) - Tiradentes, dada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), por serviços relevantes à causa pública, ao Estado do Rio ou ao Brasil, e a medalha Nísia Floresta, honraria do estado do Rio Grande do Norte, sendo reconhecida como símbolo de protagonismo feminino.

Rosiska também recebeu os prêmios Orgulho Carioca, concedido pela Prefeitura do Rio de Janeiro - sendo reconhecida como talento literário fluminense - Personalidade Cidadania 2006, um prêmio concedido pela UNESCO que reconhece personalidades que se destacam na defesa de causas sociais, educação, direitos humanos e cidadania, o prêmio RioMania, concebido pela Associação Comercial do Rio de Janeiro e assumiu, na Academia Brasileira de Letras (ABL), a cadeira 10 no ano de 2013. Ganhou, também, a medalha Raquel de Queiroz, do estado do Ceará.

InfluênciasEditar

Jean PiagetEditar

Durante seu exílio em Genebra, Rosiska aprofundou seus conhecimentos na Faculté de Psychologie et Sciences de l'Education da Universidade de Genebra, onde foi aluna de Piaget, a quem se refere como seu mestre.

Sob essa influência acadêmica e com a formação em Psicologia e Ciências da Educação, Rosiska obteve seu doutorado em Educação, fundamentando suas pesquisas subsequentes sobre o feminino.

Paulo FreireEditar

O encontro de Rosiska com Paulo Freire em Genebra foi decisivo, pois redirecionou o trabalho de Rosiska para o campo da educação.

Em 1971, ambos fundaram o Instituto de Ação Cultural e trabalharam juntos na reconstrução dos sistemas educacionais de países africanos de língua portuguesa após a descolonização.

Essa experiência de trabalho e convivência foi registrada nas obras “Illich/Freire: A Opressão da Pedagogia e a Pedagogia dos Oprimidos”, de 1977, “Cuidado, Escola, Desigualdade, Domesticação e Algumas Saídas” e "Vivendo e Aprendendo: experiências em educação popular", ambas publicadas em 1980.

Relações com outros personagensEditar

Darcy RibeiroEditar

Foi assessora de Darcy Ribeiro - importante educador e pensador brasileiro. Atuaram juntos, também, na política e na defesa da educação.

Eduardo PortellaEditar

Crítico e professor brasileiro, realizou o discurso de recepção de Rosiska na Academia Brasileira de Letras, em 2013. Compartilham interesses em debates sobre a sociedade brasileira e políticas culturais.

Lêdo IvoEditar

Após o falecimento do escritor, Rosiska ocupou sua cadeira na Academia Brasileira de Letras.

Boutros GhaliEditar

A relação com o ex-Secretário-Geral da ONU ocorreu no âmbito da diplomacia e consultoria internacional. Rosiska integrou o Painel Mundial para a Democracia da UNESCO, que era presidido por Ghali.

Retratos na mídiaEditar

FotobiografiaEditar

Publicada em março de 2026, a obra revisita a trajetória pessoal, política e intelectual de Rosiska Darcy de Oliveira por meio de um acervo fotográfico. O livro reúne imagens da infância, do período do exílio e de vínculos afetivos, incluindo registros realizados por Miguel Darcy, seu marido. Todos os textos foram extraídos das obras de Rosiska Darcy de Oliveira.

Elogio da liberdadeEditar

Produção dirigida por Bianca Comparato, o documentário acompanha diversas fases da vida de Rosiska, início da sua trajetória acadêmica e carreira, seu período de exílio em Genebra, devido à ditadura militar, até seu retorno ao Brasil.  Durante a criação do longa-metragem, Rosiska concede entrevistas nas quais lembra experiências marcantes de sua vida.

ReferênciasEditar

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Rosiska Darcy de Oliveira: biografia. Rio de Janeiro: ABL, [s.d.]. Disponível em: https://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=973. Acesso em: 14 abr. 2026.

CRUZ, Marcia Maria. Conceição Evaristo e Rosiska Darcy Oliveira emocionam o público ao contar suas experiências de exílio. 3º Flipetrópolis, Petrópolis, maio 2024. Disponível em: https://flipetropolis.com.br/conceicao-evaristo-e-rosiska-darcy-oliveira-emocionam-o-publico-ao-contar-suas-experiencias-de-exilio/. Acesso em: 26 ago. 2026

DIAS, Zwinglio Mota (Org.). Memórias ecumênicas protestantes – Os protestantes e a Ditadura: colaboração e resistência. Rio de Janeiro: KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, 2014. 200 p. Disponível em: https://koinonia.org.br/protestantes/downloads/PDF_Memorias%20Protestantes.pdf. Acesso em: 26 ago. 2026.

ELOGIO da liberdade. Direção: Bianca Comparato. Produção: Roberto Ríos, Eduardo Zaca, Patrícia Carvalho, Rafaella Giannini. [S. l.]: Max, 2019. Disponível em: https://youtu.be/EQl0hh1JmxU?si=qzKRtn0UaUCboklN. Acesso em: 25 abr. 2026.

FREIRE, Paulo In: Acervo Paulo Freire. São Paulo: Instituto Paulo Freire, 1975. Disponível em: https://www.acervo.paulofreire.org/items/91980bf1-77d5-4cc0-

a98e-d27d42c25745. Acesso em: 30 jun. 2026.

OLIVEIRA, Rosiska Darcy de. Entrevista com Rosiska Darcy de Oliveira, presidenta do Centro de Liderança da Mulher, feminista e escritora. [Entrevista cedida a] MMPB. Brasília: Ministério das Mulheres, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/mulheres/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas-1/acoes-e-programas-de-gestoes-anteriores/politicas-para-mulheres/arquivo/assuntos/poder-e-participacao-politica/referencias/entrevistas/entrevista_rosiska_darcy_de.pdf. Acesso em: 10 mai. 2026.

OLIVEIRA, Rosiska Darcy de; OLIVEIRA, Miguel Darcy de. Guiné-Bissau: réinventer l'éducation. Genebra: Instituto de Ação Cultural (IDAC), 1975. Disponível em: https://acervo.paulofreire.org/items/33e93452-e2ec-427e-8e65-6602fc6f2944 . Acesso em: 30 jun. 2026.

OLIVEIRA, Rosiska Darcy de. Editora Rocco. Disponível em: https://rocco.com.br/caracteristica/autor/rosiska-darcy-de-oliveira/. Acesso em: 25 abr. 2026.

O TEMPO particular da imortal Rosiska Darcy de Oliveira. O Globo, Rio De Janeiro, 28 dez. 2014. Disponível em: https://oglobo.globo.com/rio/o-tempo-particular-da-imortal-rosiska-darcy-de-oliveira-14923084. Acesso em: 1 jul. 2026.

PAIVA, Miguel. Minha história com Paulo Freire. Brasil 247, 2019. Disponível em: https://www.brasil247.com/blog/minha-historia-com-paulo-freire. Acesso em: 06 jun. 2026.

VALOR ONLINE. Rosiska Darcy de Oliveira é eleita para Academia Brasileira de Letras. G1 Economia, 11 abr. 2013. Disponível em: https://g1.globo.com/. Acesso em: 26 ago. 2026.

AutoriaEditar

Este verbete foi escrito por Marina Nolasco de Vasconcellos Rodrigues, Guilherme Valente Miranda de Ponte, Luiza Almeida, Juliana Gonçalves da Costa Leite, Bárbara de Moraes Barbosa, Júlia Dória Martins dos Santos e Luiz Fernando Mendonça Carvalho como exigência parcial para a disciplina História da Psicologia do curso de Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Revisado por Luiz Fernando Mendonça Carvalho. Criado em 2026.1, publicado em 2026.2.