Síndrome de Estocolmo: mudanças entre as edições

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==== Segundo dia ====
==== Segundo dia ====
No segundo dia de cerco, as autoridades pediram para verificar a saúde dos reféns, enviando um [[comissário]] para observar cada um deles. Esse comissionário relatou aos repórteres ter observado uma interação descontraída dos reféns para com o assaltante, o que parecia incomum, considerando que Olsson representava uma ameaça às suas vidas.
No segundo dia de cerco, as autoridades pediram para verificar a saúde dos reféns, enviando um comissário para observar cada um deles. Esse comissionário relatou aos repórteres ter observado uma interação descontraída dos reféns para com o assaltante, o que parecia incomum, considerando que Olsson representava uma ameaça às suas vidas.


Em uma ligação com Olof Palme, o primeiro-ministro da Suécia, a refém Kristin Enmark afirmou que confiava plenamente em Olsson e Olofsson, mas que temia que a polícia tomasse alguma atitude que colocasse ela e seus colegas em risco. Ela também pediu que o ministro deixasse que os reféns fossem embora com os criminosos pois, segundo ela, dessa forma, tudo ficaria bem. Nessa mesma ligação, Enmark confrontou Palme, afirmando que a polícia já havia mentido diversas vezes. Como exemplo, mencionou que foram informados de que não enviariam policiais ao térreo do banco, onde os assaltantes estavam instalados, mas que alguns guardas havim sido avistados por Olofsson nesse local.  
Em uma ligação com Olof Palme, o primeiro-ministro da Suécia, a refém Kristin Enmark afirmou que confiava plenamente em Olsson e Olofsson, mas que temia que a polícia tomasse alguma atitude que colocasse ela e seus colegas em risco. Ela também pediu que o ministro deixasse que os reféns fossem embora com os criminosos pois, segundo ela, dessa forma, tudo ficaria bem. Nessa mesma ligação, Enmark confrontou Palme, afirmando que a polícia já havia mentido diversas vezes. Como exemplo, mencionou que foram informados de que não enviariam policiais ao térreo do banco, onde os assaltantes estavam instalados, mas que alguns guardas havim sido avistados por Olofsson nesse local.  
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==== Terceiro dia ====
==== Terceiro dia ====
No terceiro dia, os reféns e os assaltantes dormiam dentro do cofre à prova de som, quando a polícia tentou invadir o banco. Ao chegar ao cofre, os policiais encontraram Oldgrenn ainda com explosivos amarrados aos pés, o que os impediu de avançar.  
No terceiro dia, os reféns e os assaltantes dormiam dentro do cofre à prova de som, quando a polícia tentou invadir o banco. Ao chegar ao cofre, os policiais encontraram Elizabeth Oldgrenn ainda com explosivos amarrados aos pés, o que os impediu de avançar.  


Após essa tentativa, os sequestradores se trancaram no cofre junto aos reféns. Kristin Enmark conta que tinha pesadelos durante a noite e acordava com Olsson, tentando acalmá-la. Disse também que, às vezes, dava as mãos ao criminoso, porque isso a fazia se sentir menos sozinha, mas afirmou que nunca houve um relacionamento entre eles.
Após essa tentativa, os sequestradores se trancaram no cofre junto aos reféns. Kristin Enmark relatou que tinha pesadelos durante a noite e acordava com Olsson, tentando acalmá-la. Disse também que, às vezes, dava as mãos ao criminoso, porque isso a fazia se sentir menos sozinha, mas afirmou que nunca houve um relacionamento entre eles.


Nesse mesmo dia, houve uma tentativa de negociação por meio de uma ligação. Olsson e Olofsson pediram algumas coisas, dentre elas, que as mulheres pudessem fazer uma ligação para seus parentes, já que as linhas telefônicas para o exterior do banco estavam bloqueadas. Esse pedido foi negado.
Nesse mesmo dia, houve uma tentativa de negociação por meio de uma ligação. Olsson e Olofsson pediram algumas coisas, dentre elas, que as mulheres pudessem fazer uma ligação para seus parentes, já que as linhas telefônicas para o exterior do banco estavam bloqueadas. Esse pedido foi negado.


Passado o assalto, os reféns relataram que, nesse momento, sentiram medo de que a polícia matasse a todos e colocasse a culpa nos assaltantes. Kristin Enmark relatou a um jornalista:<blockquote>"Desde o momento em que Jan me fez refém, tive medo de que ele me matasse de repente, mas agora era da polícia que eu tinha medo — ainda mais do que quando falei com o Primeiro-Ministro. Eu me sentia sem esperança. Que diferença fazia, eu me perguntava, qual deles me mataria?"(Lang, 1974, n.p. tradução nossa)</blockquote>
Passado o assalto, os reféns relataram que, nesse momento, sentiram medo de que a polícia matasse a todos e colocasse a culpa nos assaltantes. Enmark relatou a um jornalista:<blockquote>"Desde o momento em que Jan me fez refém, tive medo de que ele me matasse de repente, mas agora era da polícia que eu tinha medo — ainda mais do que quando falei com o Primeiro-Ministro. Eu me sentia sem esperança. Que diferença fazia, eu me perguntava, qual deles me mataria?"(Lang, 1974, n.p. tradução nossa)</blockquote>


==== Quarto dia ====
==== Quarto dia ====
Durante o quarto dia de sequestro, houve um aumento na tensão entre os reféns e as autoridades. Neste dia, a polícia iniciou uma nova estratégia: começou a perfuração de buracos no teto do cofre. O objetivo era acompanhar exatamente o que estava acontecendo dentro do cofre, sem precisar abrir a porta. Cada buraco demorava algumas horas para ser feito, e o ruído da perfuração gerava desconforto e medo entre os reféns. Kristin Enmark chegou a admitir que não sabia o que aconteceria a partir daquele acontecimento, e que esse sentimento de não saber o que esperar a deixava em pânico.  
Durante o quarto dia de sequestro, houve um aumento na tensão entre os reféns e as autoridades. Neste dia, a polícia iniciou uma nova estratégia: começou a perfuração de buracos no teto do cofre. O objetivo era acompanhar exatamente o que estava acontecendo dentro do cofre, sem precisar abrir a porta. Cada buraco demorava algumas horas para ser feito, e o ruído da perfuração gerava desconforto e medo entre os reféns. Enmark chegou a admitir que não sabia o que aconteceria a partir daquele acontecimento, e que esse sentimento de não saber o que esperar a deixava em pânico.  


Enquanto isso, a convivência dentro do cofre oscilava entre medo e cumplicidade. Kristin Enmark e Elisabeth Oldgrenn revelaram, posteriormente, que Olsson e Olofsson conversavam com elas sobre suas famílias. Além disso, houveram momentos em que Olofsson, por exemplo, consolou uma das mulheres, que vivenciava uma crise emocional.  
Enquanto isso, a convivência dentro do cofre oscilava entre medo e cumplicidade. Kristin Enmark e Elisabeth Oldgrenn revelaram, posteriormente, que Olsson e Olofsson conversavam com elas sobre suas famílias. Além disso, houveram momentos em que Olofsson, por exemplo, consolou uma das mulheres, que vivenciava uma crise emocional.