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Realizado em Paris em agosto de 1950, o [[I Congresso Internacional de Psiquiatria]] foi projetado especificamente para unificar, debater e institucionalizar a psiquiatria como uma disciplina médica global e autônoma. Durante o Congresso foram colocados, frente a frente, as grandes correntes que disputavam a hegemonia do entendimento da mente humana na época, a saber, as correntes psicodinâmica e a biológica. De forma menor, uma corrente social e anti-manicomial também se fez presente. O resultado do embate foi uma conciliação entre as duas maiores. | Realizado em Paris em agosto de 1950, o [[I Congresso Internacional de Psiquiatria]] foi projetado especificamente para unificar, debater e institucionalizar a psiquiatria como uma disciplina médica global e autônoma. Durante o Congresso foram colocados, frente a frente, as grandes correntes que disputavam a hegemonia do entendimento da mente humana na época, a saber, as correntes psicodinâmica e a biológica. De forma menor, uma corrente social e anti-manicomial também se fez presente. O resultado do embate foi uma conciliação entre as duas maiores. | ||
Um dos resultados do Congresso de 1950 foi a pressão para que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Associação Psiquiátrica Americana (APA) criassem manuais estatísticos e classificatórios unificados, o que resultou na inserção de uma seção robusta de transtornos mentais na CID-6 (Classificação Internacional de Doenças) e na publicação do primeiro [[DSM]], em 1952. | Um dos principais resultados do Congresso de 1950 foi a pressão para que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Associação Psiquiátrica Americana (APA) criassem manuais estatísticos e classificatórios unificados, o que resultou na inserção de uma seção robusta de transtornos mentais na CID-6 (Classificação Internacional de Doenças) e na publicação do primeiro [[DSM]], em 1952. A classificação da APA baseou-se fortemente no [[Medical 203]], um manual militar de 1945 desenvolvido pelas Forças Armadas dos EUA para lidar com as neuroses de guerra e traumas de combatentes. O DSM-I herdou dessa origem uma forte influência da psicanálise e da psicodinâmica de [[Adolf Meyer]] com a ideia de que os transtornos eram respostas a fatores ambientais e biológicos, e não entidades fixas. | ||
Outro resultado importante | A psiquiatria francesa rejeitou de imediato o domínio anglo-americano na classificação e interpretação das doenças mentais criando, anos depois, a [[Classification Française des Troubles Mentaux]]. Os psiquiatras alemães e da Europa Central também rejeitaram o DSM e continuaram se guiando pelos manuais de Emil Kraepelin e pelas revisões de Kurt Schneider, também muito usadas na América Latina. | ||
Outro resultado importante deste Congresso foi a fundação da Associação Mundial de Psiquiatria ([[World Psychiatric Association (WPA)|World Psychiatric Association - WPA]]). Com isso, a psiquiatria deixou de ser um conjunto de escolas nacionais isoladas, como as escolas francesa, alemã, anglo-saxã, entre outras, para se tornar uma corporação científica internacional, com congressos periódicos, periódicos indexados e diretrizes globais, apesar das muitas disputas e diferenças regionais. | |||
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