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(→A Psicologia de Wundt: Pequenas correções complementares) |
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=== A Experiência conforme Wundt === | === A Experiência conforme Wundt === | ||
Para Wilhelm Wundt, a experiência é concebida como um todo unitário e coerente. As duas abordagens da experiência que ele propõe não se deve a uma diferença ontológica, mas como dois pontos de vista distintos e complementares que permite sua abordagem científica. | Para Wilhelm Wundt, a experiência é concebida como um todo unitário e coerente. As duas abordagens da experiência que ele propõe não se deve a uma diferença ontológica, mas como dois pontos de vista distintos e complementares que permite sua abordagem científica, que ele separa entre Experiência Mediata e Experiência Imediata. | ||
A '''Experiência Mediata''' é a experiência objetiva) está focada nos objetos do mundo externo. É chamada de "mediata" porque nosso acesso a tais objetos é sempre indireto, dependente de conceitos abstratos, inferências teóricas e construções conceituais auxiliares para representá-los. | ==== Experiência Mediata ==== | ||
A '''Experiência Mediata''' é a experiência objetiva) está '''focada nos objetos do mundo externo'''. Ela foca exclusivamente nos objetos do mundo externo, abstraindo o sujeito cognoscente, ou seja, aquele que sabe, que tem conhecimento. A Experiência Mediata seria o ponto de vista característico das ciências naturais, como física, química e fisiologia. A ciência natural opera por meio de uma abstração sistemática, pois ela coloca o sujeito cognoscente "entre parênteses" e analisa apenas os objetos externos pensados, como se existissem de maneira totalmente independente de quem os percebe. É chamada de "mediata" porque '''nosso acesso a tais objetos é sempre indireto''', ou seja, precisa de mediação, pois é dependente de conceitos abstratos, inferências teóricas e construções conceituais auxiliares para representá-los. Por um lado, o estímulo físico é intermediado pelos limites anatômicos e biológicos do nosso aparato perceptivo, ou seja, temos os limites e capacidades da nossa percepção. No caso da visão, por exemplo, não vemos os raios ultravioleta e infravermelho, pois não estão no expecto da luz visível, mas vemos as cores e suas combinações. Por outro lado, para constituir a "realidade objetiva", o cientista natural precisa utilizar conceitos teóricos auxiliares e construções hipotéticas, como átomos, ondas eletromagnéticas e forças gravitacionais, que não são dados imediatamente na percepção sensível mas que podem ser vistos experimentalmente e por meio de instrumentos e aparatos científicos. | |||
Wundt critica assim o empirismo tradicional e o associacionismo. A doutrina do empirismo diz que a mente como página em branco, conforme a formulação de John Locke e sua ''tabula rasa''. Neste caso, a mente seria progressivamente preenchida pelas impressões do mundo exterior (sensação) e pelas operações internas (reflexão). David Hume radicaliza o princípio empírico, postulando que as impressões são os átomos cognitivos fundamentais e as ideias nada mais são do que cópias atenuadas ou lembranças dessas impressões na memória e na imaginação. Já o associacionismo constitui a hipótese de que as ideias simples e discretas se combinam para formar pensamentos complexos, juízos e raciocínios abstratos. Se o empirismo fornece os blocos de construção, o associacionismo descreve a "força de atração" que os une. Conforme sistematizado por Hume e, depois, desenvolvido por Hartley e James Mill, a mente transita espontaneamente de uma ideia para outra por meio de regras regulares de associação, como a semelhança, a contiguidade no tempo e as relações de causa e efeito. | |||
Wundt | Para Wundt, ambos erraram, pois transferiam as características dos objetos externos da física, como a solidez, os limites rígidos e a permanência estática, para os conteúdos conscientes, passando a tratar as representações (''Vorstellungen'') como coisas ou "átomos mentais". Na física, o foco recai sobre o objeto substantivo. Contudo, segundo Wundt, a consciência não contém objetos estáveis. Ele parte de uma diferença fundamental que os psicofísicos e outros haviam apontado, que é aquela entre o mundo externo e o mundo percebido, ou ainda, entre as coisas e suas representações. | ||
Em resumo, a Experiência Mediata se aproxima dos objetos estáveis do mundo externo e de como eles nos chegam. Na experiência mediata, o cientista da natureza pode retornar quando quiser ao mesmo objeto físico estável (uma pedra ou um elemento químico) para observá-lo repetidamente, ainda que o observador em si esteja sempre em mudança. | |||
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=== Experiência Imediata, o Objeto de Estudo da Psicologia === | === Experiência Imediata, o Objeto de Estudo da Psicologia === | ||