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Angela Maria Brasil Biaggio (Rio de Janeiro, 20 de julho de 1940 – Porto Alegre, 19 de maio de 2003) foi uma psicóloga e pesquisadora brasileira. Dedicou-se sistematicamente à investigação do Desenvolvimento Moral com base na teoria do Julgamento Moral de [[Lawrence Kohlberg]] (1927-1987), ainda desconhecida no Brasil. Também se dedicou aos estudos da ansiedade e da raiva, adaptando e validando escalas para a avaliação destes aspectos para uso no país. Por toda sua formação e pesquisa desenvolvidas, tornou-se pioneira na psicologia brasileira.
Angela Maria Brasil Biaggio (1940-2003) foi uma das pioneiras na pesquisa psicológica no Brasil. Nascida em 1940 no Rio de Janeiro, dedicou-se sistematicamente à investigação do Desenvolvimento Moral com base na teoria do Julgamento Moral de Lawrence Kohlberg (1927-1987), quando essa teoria ainda era desconhecida no Brasil. Ela também se dedicou aos estudos acerca da ansiedade e raiva, adaptando e validando escalas de avaliação desses espectros para sua utilização no país. Suas obras no campo da psicologia educacional são amplamente utilizadas na formação de professores. Faleceu em 2003, no Rio Grande do Sul, em decorrência de um câncer no pâncreas.


=Biografia=
==Biografia==
==Formação Inicial==
===Formação acadêmica===
Angela Maria Brasil Biaggio nasceu no Rio de Janeiro em 20 de julho de 1940. Durante o ensino médio, passou um ano nos Estados Unidos (EUA) convivendo com uma família americana e frequentando uma escola local, em regime de intercâmbio, experiência que pode ter influenciado sua decisão de permanecer nos EUA depois da graduação para cursar mestrado e doutorado.
Angela Biaggio nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 20 de julho de 1940.


Fez Bacharelado em Psicologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), entre 1960 e 1964. Obteve seu título de mestrado na Universidade de Wisconsin-Madison nos EUA em 1965, sob orientação de Julian C. Stanley. Entre 1965 e 1967, elaborou sua tese de doutorado, na mesma universidade, sob orientação de Robert E. Grinder, quando estudou diferentes aspectos do Desenvolvimento Moral. Aposentou-se em 1988, mas permaneceu como orientadora dos cursos de Mestrado e Doutorado da UFRGS até seu falecimento, em 2003, em decorrência de um câncer de pâncreas. Foi casada com Luis Isnard Leão Baggio, com quem teve 2 filhos: Ana Cristina e Maurício.
Enquanto cursava o ensino médio, foi intercambista da American Field Service (AFS) nos Estados Unidos durante o período de um ano. Nesse tempo, passou a residir com uma família americana e a frequentar uma escola da região, se inserindo cada vez mais na cultura local.


==Início da Carreira==
Retornando ao Brasil, Biaggio se graduou em Psicologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Pouco tempo depois, incentivada pelo Pe. Antonius Benkö, um dos fundadores do Curso de Psicologia da PUC-RJ, e inspirada por sua experiência anterior de intercâmbio, a então psicóloga retornou aos Estados Unidos para cursar uma pós-graduação, sendo uma das primeiras pesquisadoras em psicologia no Brasil a buscar formação stricto sensu no exterior. 


Integrou o corpo docente do curso de Psicologia da PUC-RJ em 1968. Em 1969, foi aceita como membro da ''American Psychological Association''. Entre 1970 e 1971, foi professora no Departamento de Psicologia da ''Minnesota State University at Moorhead'' nos EUA. Em 1972 foi professora na Universidade de Brasília, ano no qual aconteceu sua primeira experiência como professora e pesquisadora em Porto Alegre, quando integrou o corpo docente do curso de mestrado em Psicologia da PUC-RS. Em 1974 voltou para o Rio de Janeiro para trabalhar junto ao psicólogo Aroldo Rodrigues na PUC-RJ, onde permaneceu até dezembro de 1980.
Em 1965, sob orientação de Julian C. Stanley, Biaggio tornou-se mestre na Universidade de Wisconsin-Madison. Na mesma universidade, sob a orientação de Robert Grinder, em 1967, tornou-se doutora com a tese "Relationships among behavioral, cognitive, and affective aspects of children's conscience" [Relações entre aspectos comportamentais, cognitivos e afetivos da consciência infantil, tradução livre], que estudava os diferentes aspectos do Desenvolvimento Moral.


Entre 1976 e 1978, quando o Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) organizou o primeiro comitê para a área de Psicologia, Angela foi uma das representantes da área. Em 1981, ela retornou para Porto Alegre a convite de Juracy Marques, dessa vez para integrar o corpo docente da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, atuando no programa de pós graduação na área de Psicologia Educacional. Em 1986, colaborou no planejamento do curso de mestrado em Psicologia e passou a integrar o corpo docente em 1987.
===Carreira ===
Em 1969, Biaggio foi aceita como membro da [[American Psychological Association (APA)|''American Psychological Association'' (APA)]].


Entre 1991 e 1993, foi presidente da Sociedade Interamericana de Psicologia. Em 1994, cursou pós-doutorado na ''Universityof North Dakota'' (UND), nos EUA. No dia 02 de maio de 1998, foi aclamada Presidente Honorária no Ato de Fundação da Sociedade Brasileira de Psicologia.
No início dos anos 1970, passou a lecionar no Departamento de Psicologia do Moorhead State College. No ano seguinte, retornou ao Brasil para integrar o corpo docente do curso de psicologia da PUC-RJ. Algum tempo depois, em 1972, foi docente na Universidade de Brasília (UNB) e na Faculdade de Educação da UFRGS, além de ter atuado como professora e pesquisadora e no planejamento do Curso de Mestrado em Psicologia da PUC-RS.


=Contribuições=
Biaggio dedicou-se ao estudo do desenvolvimento da moral com base na teoria do julgamento moral de Lawrence Kohlberg, que ainda não era reconhecida no Brasil. Durante seu tempo como docente, orientou teses e dissertações que proporcionaram novas bases para a compreensão do tema, ampliando discussões sobre o desenvolvimento humano. Nesse sentido, também teve um papel fundamental para o campo da psicometria ao adaptar e validar escalas para a avaliação de aspectos como o controle da ansiedade e da raiva, pensando no papel dessas para o desenvolvimento da moral na realidade brasileira.


==Contribuições na Psicometria==
Em 1975, Biaggio passou a trabalhar junto ao psicólogo social [[Aroldo Rodrigues]] na PUC-RJ, onde permaneceu até dezembro de 1980. Entre 1976 e 1978, quando o Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) organizou o primeiro comitê para a área da Psicologia, foi uma das representantes convidadas.


Além dos estudos no campo da Psicologia do Desenvolvimento e por sua dedicação nos estudos da ansiedade e da raiva, Biaggio adaptou e validou escalas para a avaliação destes aspectos para uso no Brasil, ambas em colaboração com Charles D. Spielberger, e as referentes à adaptação de medidas do julgamento moral, como as realizadas com o ''Moral Judgement Interview'' - MJI (medida subjetiva da moral, elaborada por [[Lawrence Kohlberg|Kolhlberg]]). Ainda atuou no desenvolvimento de instrumentos de avaliação psicológica, onde debruçou-se sobre o ''Sociomoral Reflective Objective Measure -'' SROM, uma medida objetiva de avaliação do julgamento moral, realizando a adaptação e validação do instrumento para a coleta de dados com amostras brasileiras.
Em 02 de maio de 1988, no Ato de Fundação da [[Sociedade Brasileira de Psicologia]], Biaggio foi aclamada Presidente Honorária. Entre 1991 e 1993, foi presidente da [[Sociedade Interamericana de Psicologia]].  


Nos últimos anos de sua vida, estava desenvolvendo estudos para contribuir com uma versão adaptada e validada de outra medida de moralidade, o ''DefiningIssuesTest'' 2 (DIT-2), sobre o qual apresentou pesquisa em simpósio no encontro científico da ''Association for Moral Educatio''n em Chicago, no ano de 2002.
Biaggio aposentou-se em 1988, mas permaneceu como orientadora de mestrado e doutorado da (UFRGS) até a data de seu falecimento. Em 1994, cursou pós-doutorado na University of North Dakota, nos Estados Unidos.


==Outras Contribuições==
=== Fim da vida ===
Angela Biaggio faleceu em 2003, no Rio Grande do Sul, em decorrência de um câncer no pâncreas. Biaggio foi autora de muitas contribuições para a psicologia do desenvolvimento humano, sendo considerada pioneira na área no Brasil.


As contribuições de Biaggio não foram somente aos estudos científicos desenvolvidos ou na Psicometria. Ela também contribuiu para o avanço da Psicologia no Brasil, dedicando-se à outras atividades, como: ao ensino (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-RJ, Universidade de Brasília - UnB, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUC-RS e Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS), à orientação de dissertações de mestrado e teses de doutorado, à publicação de três livros (Psicologia do Desenvolvimento, 1975; Pesquisas em Psicologia do Desenvolvimento e da Personalidade, 1984; e, Lawrence Kohlberg: Ética e Educação Moral, 2002) e à publicação de inúmeros artigos em periódicos nacionais e estrangeiros.
==Teorias==


Participou, como coordenadora de área de Psicologia, no Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), na Coordenação do Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e no comitê da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS).
===O Desenvolvimento Moral===


Durante toda a sua trajetória acadêmica, Angela Biaggio manteve forte intercâmbio com vários pesquisadores estrangeiros, como Robert E. Grinder (orientador de seu doutorado), F. Clark Power, Charles D. Spielberger, James Rest, Ann Higgins, Arne Vikan, John F. Snarey, Lutz Eckens Berger, Orlando Lourenço, Georg Lind e Larry Nucci.
Devido aos estudos para a elaboração de sua tese de doutorado – orientada pelo professor e psicólogo Dr. Robert E. Grinder –, Biaggio debruçou-se sobre os diferentes aspectos do Desenvolvimento Moral: afetivo (culpa), cognitivos (julgamento moral segundo a tipologia de Kohlberg) e comportamentais (resistência à tentação em situações de transgressão). Ela iniciou então uma notável produção acadêmica que evidencia seu envolvimento com a Psicologia do Desenvolvimento. No campo do Desenvolvimento Moral, Biaggio foi pioneira e destacou-se como a mais importante pesquisadora do Brasil no assunto, por mais de três décadas.  


=Teorias=
Após o doutorado, Angela buscou verificar a aplicabilidade da teoria de Kohlberg entre os brasileiros, através de estudos científicos. Verificando a validade desta teoria para a interpretação dos dados colhidos entre os brasileiros, Biaggio passou a utilizar esta tipologia de forma sistemática em suas pesquisas sobre a moral. Aprofundou seu conhecimento sobre o desenvolvimento moral relacionando-o com as dimensões psicológicas. Verificou a influência do lócus de controle no julgamento moral. Analisou a relação entre ansiedade e julgamento moral e o vínculo entre personalidade e moralidade. Em outra linha de pesquisa, ela buscou verificar a influência de fatores sociais sobre o desenvolvimento moral.


==O Desenvolvimento Moral==
===Comunidade Justa===


Devido aos estudos para a elaboração de sua tese de doutorado – orientada pelo professor e psicólogo Dr. Robert E. Grinder, Biaggio debruçou-se sobre os diferentes aspectos do Desenvolvimento Moral, como: afetivo (culpa), cognitivo (julgamento moral segundo a tipologia de [[Lawrence Kohlberg|Kohlberg]]) e comportamentais (resistência à tentação em situações de transgressão), iniciando uma notável produção acadêmica que evidencia seu envolvimento com a Psicologia do Desenvolvimento. No campo do Desenvolvimento Moral, Biaggio foi pioneira e destacou-se, por mais de três décadas, como a mais importante pesquisadora do Brasil.
Por ter interesse nas mudanças comportamentais, Biaggio procurou – através dos estudos de seu pós-doutorado com F. Clark Power capacitar-se no uso da técnica de “Comunidade Justa”, criada por Kohlberg, com o objetivo de promover avanços no pensamento e na ação moral.


Após o doutorado, Biaggio buscou verificar, através de estudos científicos, a aplicabilidade da teoria de [[Lawrence Kohlberg|Kolhberg]] entre os brasileiros. Verificado a validade desta teoria para a interpretação dos dados colhidos entre os brasileiros, Biaggio passou a utilizar esta tipologia de forma sistemática em suas pesquisas sobre a moral, aprofundando seu conhecimento sobre o desenvolvimento moral relacionando com as dimensões psicológicas, verificando a influência do ''locus'' de controle no julgamento moral, a relação entre ansiedade e julgamento moral e a relação entre personalidade e moralidade. Em uma outra linha de pesquisa, Biaggio buscou verificar a influência de fatores sociais sobre o desenvolvimento moral.
Essa técnica consiste em formar um grupo de 10 a 12 pessoas em diferentes estágios de desenvolvimento moral para discutir dilemas. A discussão do grupo seria guiada por um professor, psicólogo ou orientador educacional, que busca chamar a atenção para argumentos típicos de estágios superiores, podendo ser propostos por alguma pessoa do grupo ou pelo próprio coordenador.


==Comunidade Justa==
Esse método promove a educação moral sem usar de doutrinação nem de relativismo. Evita a doutrinação porque impulsiona o desenvolvimento natural de estruturas universais que auxiliam na tomada de decisão de forma reflexiva e não na adesão a um conjunto determinado de crenças e valores, religiosos ou morais. Evita o relativismo, pois demonstra que os estágios de desenvolvimento moral são hierárquicos, de forma que um estágio superior é “melhor” ou mais “justo” do que o anterior.


Por achar relevante as mudanças comportamentais, Biaggio procurou, através dos estudos de seu pós-doutorado com F. Clark Power, capacitar-se no uso da técnica de C''omunidade Justa'', criada por [[Lawrence Kohlberg|Kohlberg]], com o objetivo de promover avanços no pensamento e na ação moral.
De volta ao Brasil, Angela Biaggio tentou aplicar esta técnica, de forma adaptada à realidade brasileira, em uma escola em Porto Alegre. Porém, devido a várias mudanças na dinâmica dessa escola foi impossível concluir essa pesquisa.


A técnica consiste em se formar um grupo de pessoas – entre 10 a 12, no máximo – de diferentes estágios de desenvolvimento moral para discutir dilemas, tendo como coordenador da discussão um professor, psicólogo ou orientador educacional, que busca chamar a atenção para argumentos típicos de estágios superiores, podendo ser propostos por alguma pessoa do grupo ou pelo próprio coordenador.
==Contribuições==


Esse método promove a educação moral sem usar de doutrinação nem de relativismo: evita a doutrinação porque promove o desenvolvimento natural de estruturas universais que auxiliam na tomada de decisão de forma reflexiva e não na adesão a um conjunto determinado de crenças e valores, sejam religiosos ou morais; evita o relativismo, pois coloca que os estágios de desenvolvimento moral são hierárquicos, de forma que um estágio superior é "melhor" ou mais "justo" do que o que o precede.
===Contribuições na Psicometria===


Retornando ao Brasil, Biaggio tentou aplicar esta técnica, de forma adaptada à realidade brasileira, em uma escola em Porto Alegre. Porém, devido a várias mudanças na dinâmica desta escola foi impossível concluir esse trabalho de pesquisa.
Por sua dedicação nos estudos da ansiedade e da raiva, Angela adaptou e validou escalas para a avaliação desses aspectos para serem utilizada no Brasil. Ela realizou ambas as escalas em colaboração com Charles D. Spielberger. Referente à adaptação de medidas do julgamento moral, como as realizadas com o ''Moral Judgement Interview-MJI'' (medida subjetiva da moral, elaborada por Kohlberg) e ainda no desenvolvimento de instrumentos de avaliação psicológica, se apoiou no ''Sociomoral Reflective Objective Measure-SROM'' (uma medida objetiva de avaliação do julgamento moral) para realizar a adaptação e validação do instrumento para coleta de dados com amostras brasileiras.


=Obras=
Nos últimos anos de sua vida, estava desenvolvendo estudos para contribuir com uma versão adaptada de outra medida de moralidade, o ''Defining Issues Test 2'' (DIT-2), sobre o qual apresentou uma pesquisa no simpósio no encontro científico da ''Association for Moral Education'' em Chicago, no ano de 2002.


* Uma comparação transcultural de estudantes universitários brasileiros e norte-americanos na medida de julgamento moral de Kohlberg. '''Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada''', 27, 71-81. (1973)
===Outras Contribuições===
* Desenvolvimento da forma experimental em Português do Inventário de Ansiedade Traço-Estado de Spielberger. '''Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada''', 29, 31-44. (1977)
* A developmental study of moral judgment of Brazilian children and adolescents. '''Interamerican Journal of Psychology''', 10, 71-81. (1976)
* Maternal and peer correlates of moral judgement. '''Journal of Genetic Psychology''', 135, 203-208. (1979)
* Relations ship between maturity of moral judgment and the structure of personality: A test of Hogan shypothesis with Brazilian subjects. '''Interamerican Journal of Psychology''', 16, 23-30. (1982)
* Pesquisas em psicologia do desenvolvimento e da personalidade. 1. ed. Porto alegre: Editora da UFRGS. v. 1. 217p. (1984)
* Relações entre maturidade de julgamento moral e locus de controle. '''Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada,''' 36, 63-73. (1984)
* Reprodución, Resitencia y pensamiento posconvencional; una comparación entre las teorias de Kohlberg y Giroux con respecto al papel de la escuela en la trasnfomación de La sociedad. '''Boletin de Psicologia''' (Universidad José Cañas, El Salvador). (1987)
* Desenvolvimento moral: Vinte anos de pesquisa no Brasil. '''Psicologia: Reflexão e Crítica''', 1, 60-69. (1988)
* Relações entre maturidade de julgamento moral e ansiedade traço-estado. '''Arquivos Brasileiros de Psicologia''', 41, 9-22. (1989)
* Manual do Inventário de Expressão de Raiva como Estado-Traço (STAXI): Tradução e Adaptação. São Paulo: Vetor. v. 1. 51p. (1992)
* Motivação e desenvolvimento: adolescentes brasileiros de camadas populares: questões de socialização e educação. São Paulo: Edições Loyola. 200p. (1995)
* Kohlberg e a comunidade justa: Desenvolvendo o senso ético e a cidadania na escola. '''Psicologia: Reflexão e Crítica''', 10, 47-69. (1997)
* Desenvolvimento moral, ecologia e pacifismo. (Simpósio). '''AME (Association for Moral Education).''' (1999)
* Psicologia do Desenvolvimento. 21. ed. Petrópolis: Vozes. 344p. (2009)
* Lawrence Kohlberg: Ética e Educação Moral. 2. ed. São Paulo: Editora Moderna. v. 1. 144p. (2006)


=Referências bibliográficas=
As contribuições de Biaggio não se restringiram aos estudos científicos sobre Psicologia do Desenvolvimento ou na Psicometria, Angela também contribuiu para o avanço da Psicologia no Brasil dedicando se à docência na PUC-RJ, UnB, PUC-RS e na UFRGS. Ela publicou três livros durante sua carreira, sendo eles: “Psicologia do Desenvolvimento” (1975), “Pesquisas em Psicologia do Desenvolvimento e da Personalidade” (1984) e “Lawrence Kohlberg: Ética e Educação Moral” (2002). Angela Biaggio publicou também diversos artigos em periódicos nacionais e estrangeiros.


# BIAGGIO, Angela Maria Brasil. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79721997000100005&lng=en&nrm=iso Acessado em 22/04/2021.  https://doi.org/10.1590/S0102-79721997000100005 Kohlberg e a "Comunidade Justa": promovendo o senso ético e a cidadania na escola]. '''Psicologia: Reflexão e Crítica''',  PortoAlegre,  Volume 10, número 1, p. 47-69, 1997.
Ela participou como coordenadora no Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), na Coordenação do Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior (CAPES) e no comitê da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS).
# CAMINO, Cleonice. Angela Biaggio (1940-2003): [https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722003000100002 Um Percurso na História do Desenvolvimento Sócio-Moral do Brasil]. '''Psicologia: Reflexão e Crítica''', Volume 16, número 01. Porto Alegre, 2003.
# [https://www.scielo.br/pdf/ptp/v19n2/a13v19n2.pdf Legado Científico de Angela Biaggio (1940-2003) para o Brasil]. '''Psicologia: Teoria e Pesquisa'''''.'' Brasília, Mai-Ago 2003, Vol. 19 n. 2, pp. 187-188.
# DUARTE, Michael de Quadros (org) et all. [https://lume.ufrgs.br/handle/10183/200855 Grandes Nomes da Psicologia Brasileira para Conhecer e Inspirar]. Porto Alegre: PPGPSICO/UFRGS, 2019. pp. 10-13.
# OLIVEIRA. Luciane Karine Guedes. [https://www.gov.br/cnpq/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas/mulher-e-ciencia/pioneiras-da-ciencia-1/pioneiras-6a-edicao Angela Maria Brasil Biaggio (1940-2003) – Verbete]. '''Pioneiras das Ciências no Brasil - 6ª Edição'''. CNPq. 2021.


Verbete criado inicialmente por: Beatriz Campos Frazão, Fernanda Pereira da Costa, Igor de Abreu Portela Cunha, Laura Nobre de Azevedo Novaes, Talles Gomes dos Santos Silva, como exigência parcial para a disciplina de Psicologia e Desenvolvimento Cognitivo da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2021.1. publicado em 2021.1.
Durante sua trajetória acadêmica, Angela Biaggio manteve um forte intercâmbio com vários pesquisadores estrangeiros como Robert E. Grinder – orientador de seu doutorado –, F.Clark Power, Charles D. Spielberger, James Rest, Ann Higgins, ArneVikan, John F. Snarey, Lutz Eckens Berger, Orlando Lourenço, Georg Lind e Larry Nucci.
 
==Produção Acadêmica==
BIAGGIO, A. Uma comparação transcultural de estudantes universitários brasileiros e norte-americanos na medida de julgamento moral de Kohlberg. '''Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada''', n.27, p.71-81, 1973.
 
BIAGGIO, A. A developmental study of moral judgment of Brazilian children and adolescents. I'''nteramerican Journal of Psychology''', n.10, p.71-81, 1976.
 
BIAGGIO, A. Maternal and peer correlates of moral judgement. '''Journal of Genetic Psychology''', n.135, p.203-208, 1979.
 
BIAGGIO, A. M. B. '''Pesquisas em psicologia do desenvolvimento e da personalidade'''. 1. ed. Porto alegre: Editora da UFRGS, 1984.
 
BIAGGIO, A. M. B. Desenvolvimento moral: vinte anos de pesquisa no Brasil. '''Psicologia: Reflexão e Crítica''', n.1, p.60-69, 1988.
 
BIAGGIO, A. M. B. Relações entre maturidade de julgamento moral e ansiedade traço-estado. '''Arquivos Brasileiros de Psicologia''', n.41, p.9-22, 1989.
 
BIAGGIO, A. M. B. Kohlberg e a comunidade justa: Desenvolvendo o senso ético e a cidadania na escola. '''Psicologia: Reflexão e Crítica''', n.10, p.47-69, 1997.
 
BIAGGIO, A. M. B. '''Desenvolvimento moral, ecologia e pacifismo'''. (Simpósio). AME (Association for Moral Education), Minneapolis, Minn., 1999.
 
BIAGGIO, A. M. B. '''Psicologia do Desenvolvimento'''. Petrópolis: Vozes, 2009. (várias edições).
 
BIAGGIO, A. M. B.; GUAZZELLI, E. F. (1984). Relações entre maturidade de julgamento moral e lócus de controle. '''Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada''', 36, 63-73, 1984.
 
BIAGGIO, A. M. B.. '''Lawrence Kohlberg: Ética e Educação Moral'''. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2006. v. 1. 144p.
 
BIAGGIO, A. M. B.; MOROSINE, M. Reprodución, resitencia y pensamiento pos convencional: una comparación entre las teorias de Kohlberg y Giroux con respecto al papel de la escuela em la trasnfomación de la sociedad. '''Boletin de Psicologia''' (Universidad José Cañas, El Salvador), 1987.
 
BIAGGIO, A. M. B.; NATALÍCIO, L.; SPIELBERGER, C. D. Desenvolvimento da forma experimental em Português do Inventário de Ansiedade Traço-Estado de Spielberger. '''Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada''', n.29, p.31-44, 1977.
 
BIAGGIO, A. M. B.; SPADA, M. Relationship between maturity of moral judgment and the structure of personality: a test of Hogan: hypothesis with Brazilian subjects. '''Interamerican Journal of Psychology''', n.16, p.23-30, 1982.
 
SCHUHLY, G.; BIAGGIO, A. M. B.; NERVA, G. B.. '''Motivação e desenvolvimento: adolescentes brasileiros de camadas populares: questões de socialização e educação'''. São Paulo: Edições Loyola, 1995.
 
SPIELBERGER, C. D.; BIAGGIO, A. M. B.. '''Manual do Inventário de Expressão de Raiva como Estado-Traço (STAXI): tradução e adaptação'''. São Paulo: Vetor, 1992.
 
==Boletim do Portal História da Psicologia==
Este verbete está publicado também no Boletim do Portal História da Psicologia, e pode ser acessado [https://doi.org/10.5281/zenodo.7492882 aqui]
 
==Referências bibliográficas==
 
#BIAGGIO, Angela Maria Brasil. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79721997000100005&lng=en&nrm=iso Acessado em 22/04/2021.  https://doi.org/10.1590/S0102-79721997000100005 Kohlberg e a "Comunidade Justa": promovendo o senso ético e a cidadania na escola]. '''Psicologia: Reflexão e Crítica''', Porto Alegre, Volume 10, número 1, p. 47-69, 1997. 
#CAMINO, Cleonice. Angela Biaggio (1940-2003): [https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722003000100002 Um Percurso na História do Desenvolvimento Sócio-Moral do Brasil]. '''Psicologia: Reflexão e Crítica''', Volume 16, número 01. Porto Alegre, 2003.
#DUARTE, Michael de Quadros (org) et all. [https://lume.ufrgs.br/handle/10183/200855 Grandes Nomes da Psicologia Brasileira para Conhecer e Inspirar]. Porto Alegre: PPGPSICO/UFRGS, 2019. pp. 10-13.
#[https://www.scielo.br/pdf/ptp/v19n2/a13v19n2.pdf O LEGADO Científico de Angela Biaggio (1940-2003) para o Brasil]. '''Psicologia: Teoria e Pesquisa'''''.'' Brasília, Mai-Ago 2003, Vol. 19 n. 2, pp. 187-188DUARTE, Michael de Quadros (org) et all.[https://lume.ufrgs.br/handle/10183/200855 Grandes Nomes da Psicologia Brasileira para Conhecer e Inspirar]. Porto Alegre: PPGPSICO/UFRGS, 2019. pp. 10-13.
#OLIVEIRA. Luciane Karine Guedes. [https://www.gov.br/cnpq/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas/mulher-e-ciencia/pioneiras-da-ciencia-1/pioneiras-6a-edicao Angela Maria Brasil Biaggio (1940-2003) – Verbete]. '''Pioneiras das Ciências no Brasil - 6ª Edição'''. CNPq. 2021.
 
== Autoria ==
Verbete criado, como exigência parcial para a disciplina de Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo, da UFF de Rio das Ostras, por: Beatriz Campos Frazão, Fernanda Pereira da Costa, Igor de Abreu Portela Cunha, Laura Nobre de Azevedo Novaes, Talles Gomes dos Santos Silva. Verbete revisado por Clara Lyra Santos.
[[Categoria:Personagens]]
[[Categoria:Personagens]]

Edição atual tal como às 22h40min de 19 de setembro de 2025

Angela Maria Brasil Biaggio (1940-2003) foi uma das pioneiras na pesquisa psicológica no Brasil. Nascida em 1940 no Rio de Janeiro, dedicou-se sistematicamente à investigação do Desenvolvimento Moral com base na teoria do Julgamento Moral de Lawrence Kohlberg (1927-1987), quando essa teoria ainda era desconhecida no Brasil. Ela também se dedicou aos estudos acerca da ansiedade e raiva, adaptando e validando escalas de avaliação desses espectros para sua utilização no país. Suas obras no campo da psicologia educacional são amplamente utilizadas na formação de professores. Faleceu em 2003, no Rio Grande do Sul, em decorrência de um câncer no pâncreas.

BiografiaEditar

Formação acadêmicaEditar

Angela Biaggio nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 20 de julho de 1940.

Enquanto cursava o ensino médio, foi intercambista da American Field Service (AFS) nos Estados Unidos durante o período de um ano. Nesse tempo, passou a residir com uma família americana e a frequentar uma escola da região, se inserindo cada vez mais na cultura local.

Retornando ao Brasil, Biaggio se graduou em Psicologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Pouco tempo depois, incentivada pelo Pe. Antonius Benkö, um dos fundadores do Curso de Psicologia da PUC-RJ, e inspirada por sua experiência anterior de intercâmbio, a então psicóloga retornou aos Estados Unidos para cursar uma pós-graduação, sendo uma das primeiras pesquisadoras em psicologia no Brasil a buscar formação stricto sensu no exterior.

Em 1965, sob orientação de Julian C. Stanley, Biaggio tornou-se mestre na Universidade de Wisconsin-Madison. Na mesma universidade, sob a orientação de Robert Grinder, em 1967, tornou-se doutora com a tese "Relationships among behavioral, cognitive, and affective aspects of children's conscience" [Relações entre aspectos comportamentais, cognitivos e afetivos da consciência infantil, tradução livre], que estudava os diferentes aspectos do Desenvolvimento Moral.

CarreiraEditar

Em 1969, Biaggio foi aceita como membro da American Psychological Association (APA).

No início dos anos 1970, passou a lecionar no Departamento de Psicologia do Moorhead State College. No ano seguinte, retornou ao Brasil para integrar o corpo docente do curso de psicologia da PUC-RJ. Algum tempo depois, em 1972, foi docente na Universidade de Brasília (UNB) e na Faculdade de Educação da UFRGS, além de ter atuado como professora e pesquisadora e no planejamento do Curso de Mestrado em Psicologia da PUC-RS.

Biaggio dedicou-se ao estudo do desenvolvimento da moral com base na teoria do julgamento moral de Lawrence Kohlberg, que ainda não era reconhecida no Brasil. Durante seu tempo como docente, orientou teses e dissertações que proporcionaram novas bases para a compreensão do tema, ampliando discussões sobre o desenvolvimento humano. Nesse sentido, também teve um papel fundamental para o campo da psicometria ao adaptar e validar escalas para a avaliação de aspectos como o controle da ansiedade e da raiva, pensando no papel dessas para o desenvolvimento da moral na realidade brasileira.

Em 1975, Biaggio passou a trabalhar junto ao psicólogo social Aroldo Rodrigues na PUC-RJ, onde permaneceu até dezembro de 1980. Entre 1976 e 1978, quando o Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) organizou o primeiro comitê para a área da Psicologia, foi uma das representantes convidadas.

Em 02 de maio de 1988, no Ato de Fundação da Sociedade Brasileira de Psicologia, Biaggio foi aclamada Presidente Honorária. Entre 1991 e 1993, foi presidente da Sociedade Interamericana de Psicologia.

Biaggio aposentou-se em 1988, mas permaneceu como orientadora de mestrado e doutorado da (UFRGS) até a data de seu falecimento. Em 1994, cursou pós-doutorado na University of North Dakota, nos Estados Unidos.

Fim da vidaEditar

Angela Biaggio faleceu em 2003, no Rio Grande do Sul, em decorrência de um câncer no pâncreas. Biaggio foi autora de muitas contribuições para a psicologia do desenvolvimento humano, sendo considerada pioneira na área no Brasil.

TeoriasEditar

O Desenvolvimento MoralEditar

Devido aos estudos para a elaboração de sua tese de doutorado – orientada pelo professor e psicólogo Dr. Robert E. Grinder –, Biaggio debruçou-se sobre os diferentes aspectos do Desenvolvimento Moral: afetivo (culpa), cognitivos (julgamento moral segundo a tipologia de Kohlberg) e comportamentais (resistência à tentação em situações de transgressão). Ela iniciou então uma notável produção acadêmica que evidencia seu envolvimento com a Psicologia do Desenvolvimento. No campo do Desenvolvimento Moral, Biaggio foi pioneira e destacou-se como a mais importante pesquisadora do Brasil no assunto, por mais de três décadas.

Após o doutorado, Angela buscou verificar a aplicabilidade da teoria de Kohlberg entre os brasileiros, através de estudos científicos. Verificando a validade desta teoria para a interpretação dos dados colhidos entre os brasileiros, Biaggio passou a utilizar esta tipologia de forma sistemática em suas pesquisas sobre a moral. Aprofundou seu conhecimento sobre o desenvolvimento moral relacionando-o com as dimensões psicológicas. Verificou a influência do lócus de controle no julgamento moral. Analisou a relação entre ansiedade e julgamento moral e o vínculo entre personalidade e moralidade. Em outra linha de pesquisa, ela buscou verificar a influência de fatores sociais sobre o desenvolvimento moral.

Comunidade JustaEditar

Por ter interesse nas mudanças comportamentais, Biaggio procurou – através dos estudos de seu pós-doutorado com F. Clark Power – capacitar-se no uso da técnica de “Comunidade Justa”, criada por Kohlberg, com o objetivo de promover avanços no pensamento e na ação moral.

Essa técnica consiste em formar um grupo de 10 a 12 pessoas em diferentes estágios de desenvolvimento moral para discutir dilemas. A discussão do grupo seria guiada por um professor, psicólogo ou orientador educacional, que busca chamar a atenção para argumentos típicos de estágios superiores, podendo ser propostos por alguma pessoa do grupo ou pelo próprio coordenador.

Esse método promove a educação moral sem usar de doutrinação nem de relativismo. Evita a doutrinação porque impulsiona o desenvolvimento natural de estruturas universais que auxiliam na tomada de decisão de forma reflexiva e não na adesão a um conjunto determinado de crenças e valores, religiosos ou morais. Evita o relativismo, pois demonstra que os estágios de desenvolvimento moral são hierárquicos, de forma que um estágio superior é “melhor” ou mais “justo” do que o anterior.

De volta ao Brasil, Angela Biaggio tentou aplicar esta técnica, de forma adaptada à realidade brasileira, em uma escola em Porto Alegre. Porém, devido a várias mudanças na dinâmica dessa escola foi impossível concluir essa pesquisa.

ContribuiçõesEditar

Contribuições na PsicometriaEditar

Por sua dedicação nos estudos da ansiedade e da raiva, Angela adaptou e validou escalas para a avaliação desses aspectos para serem utilizada no Brasil. Ela realizou ambas as escalas em colaboração com Charles D. Spielberger. Referente à adaptação de medidas do julgamento moral, como as realizadas com o Moral Judgement Interview-MJI (medida subjetiva da moral, elaborada por Kohlberg) e ainda no desenvolvimento de instrumentos de avaliação psicológica, se apoiou no Sociomoral Reflective Objective Measure-SROM (uma medida objetiva de avaliação do julgamento moral) para realizar a adaptação e validação do instrumento para coleta de dados com amostras brasileiras.

Nos últimos anos de sua vida, estava desenvolvendo estudos para contribuir com uma versão adaptada de outra medida de moralidade, o Defining Issues Test 2 (DIT-2), sobre o qual apresentou uma pesquisa no simpósio no encontro científico da Association for Moral Education em Chicago, no ano de 2002.

Outras ContribuiçõesEditar

As contribuições de Biaggio não se restringiram aos estudos científicos sobre Psicologia do Desenvolvimento ou na Psicometria, Angela também contribuiu para o avanço da Psicologia no Brasil dedicando se à docência na PUC-RJ, UnB, PUC-RS e na UFRGS. Ela publicou três livros durante sua carreira, sendo eles: “Psicologia do Desenvolvimento” (1975), “Pesquisas em Psicologia do Desenvolvimento e da Personalidade” (1984) e “Lawrence Kohlberg: Ética e Educação Moral” (2002). Angela Biaggio publicou também diversos artigos em periódicos nacionais e estrangeiros.

Ela participou como coordenadora no Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), na Coordenação do Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior (CAPES) e no comitê da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS).

Durante sua trajetória acadêmica, Angela Biaggio manteve um forte intercâmbio com vários pesquisadores estrangeiros como Robert E. Grinder – orientador de seu doutorado –, F.Clark Power, Charles D. Spielberger, James Rest, Ann Higgins, ArneVikan, John F. Snarey, Lutz Eckens Berger, Orlando Lourenço, Georg Lind e Larry Nucci.

Produção AcadêmicaEditar

BIAGGIO, A. Uma comparação transcultural de estudantes universitários brasileiros e norte-americanos na medida de julgamento moral de Kohlberg. Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada, n.27, p.71-81, 1973.

BIAGGIO, A. A developmental study of moral judgment of Brazilian children and adolescents. Interamerican Journal of Psychology, n.10, p.71-81, 1976.

BIAGGIO, A. Maternal and peer correlates of moral judgement. Journal of Genetic Psychology, n.135, p.203-208, 1979.

BIAGGIO, A. M. B. Pesquisas em psicologia do desenvolvimento e da personalidade. 1. ed. Porto alegre: Editora da UFRGS, 1984.

BIAGGIO, A. M. B. Desenvolvimento moral: vinte anos de pesquisa no Brasil. Psicologia: Reflexão e Crítica, n.1, p.60-69, 1988.

BIAGGIO, A. M. B. Relações entre maturidade de julgamento moral e ansiedade traço-estado. Arquivos Brasileiros de Psicologia, n.41, p.9-22, 1989.

BIAGGIO, A. M. B. Kohlberg e a comunidade justa: Desenvolvendo o senso ético e a cidadania na escola. Psicologia: Reflexão e Crítica, n.10, p.47-69, 1997.

BIAGGIO, A. M. B. Desenvolvimento moral, ecologia e pacifismo. (Simpósio). AME (Association for Moral Education), Minneapolis, Minn., 1999.

BIAGGIO, A. M. B. Psicologia do Desenvolvimento. Petrópolis: Vozes, 2009. (várias edições).

BIAGGIO, A. M. B.; GUAZZELLI, E. F. (1984). Relações entre maturidade de julgamento moral e lócus de controle. Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada, 36, 63-73, 1984.

BIAGGIO, A. M. B.. Lawrence Kohlberg: Ética e Educação Moral. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2006. v. 1. 144p.

BIAGGIO, A. M. B.; MOROSINE, M. Reprodución, resitencia y pensamiento pos convencional: una comparación entre las teorias de Kohlberg y Giroux con respecto al papel de la escuela em la trasnfomación de la sociedad. Boletin de Psicologia (Universidad José Cañas, El Salvador), 1987.

BIAGGIO, A. M. B.; NATALÍCIO, L.; SPIELBERGER, C. D. Desenvolvimento da forma experimental em Português do Inventário de Ansiedade Traço-Estado de Spielberger. Arquivos Brasileiros de Psicologia Aplicada, n.29, p.31-44, 1977.

BIAGGIO, A. M. B.; SPADA, M. Relationship between maturity of moral judgment and the structure of personality: a test of Hogan: hypothesis with Brazilian subjects. Interamerican Journal of Psychology, n.16, p.23-30, 1982.

SCHUHLY, G.; BIAGGIO, A. M. B.; NERVA, G. B.. Motivação e desenvolvimento: adolescentes brasileiros de camadas populares: questões de socialização e educação. São Paulo: Edições Loyola, 1995.

SPIELBERGER, C. D.; BIAGGIO, A. M. B.. Manual do Inventário de Expressão de Raiva como Estado-Traço (STAXI): tradução e adaptação. São Paulo: Vetor, 1992.

Boletim do Portal História da PsicologiaEditar

Este verbete está publicado também no Boletim do Portal História da Psicologia, e pode ser acessado aqui

Referências bibliográficasEditar

  1. BIAGGIO, Angela Maria Brasil. Kohlberg e a "Comunidade Justa": promovendo o senso ético e a cidadania na escola. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, Volume 10, número 1, p. 47-69, 1997.
  2. CAMINO, Cleonice. Angela Biaggio (1940-2003): Um Percurso na História do Desenvolvimento Sócio-Moral do Brasil. Psicologia: Reflexão e Crítica, Volume 16, número 01. Porto Alegre, 2003.
  3. DUARTE, Michael de Quadros (org) et all. Grandes Nomes da Psicologia Brasileira para Conhecer e Inspirar. Porto Alegre: PPGPSICO/UFRGS, 2019. pp. 10-13.
  4. O LEGADO Científico de Angela Biaggio (1940-2003) para o Brasil. Psicologia: Teoria e Pesquisa. Brasília, Mai-Ago 2003, Vol. 19 n. 2, pp. 187-188DUARTE, Michael de Quadros (org) et all.Grandes Nomes da Psicologia Brasileira para Conhecer e Inspirar. Porto Alegre: PPGPSICO/UFRGS, 2019. pp. 10-13.
  5. OLIVEIRA. Luciane Karine Guedes. Angela Maria Brasil Biaggio (1940-2003) – Verbete. Pioneiras das Ciências no Brasil - 6ª Edição. CNPq. 2021.

AutoriaEditar

Verbete criado, como exigência parcial para a disciplina de Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo, da UFF de Rio das Ostras, por: Beatriz Campos Frazão, Fernanda Pereira da Costa, Igor de Abreu Portela Cunha, Laura Nobre de Azevedo Novaes, Talles Gomes dos Santos Silva. Verbete revisado por Clara Lyra Santos.