108
edições
Sem resumo de edição |
(Correções ortográficas e gramaticais; Identificação de nomes importantes da História da Psicologia; Criação da seção "Ver também"; Verificação, formatação e adição de links em "Referências") |
||
| Linha 1: | Linha 1: | ||
Nise Magalhães da Silveira (Maceió, 15 de fevereiro de 1905 - Rio de Janeiro, 30 de outubro de 1999) foi uma psiquiatra brasileira. Nise da Silveira é reconhecida por suas contribuições na luta contra os métodos desumanos vigentes no paradigma da psiquiatria tradicional, como camisa de força, lobotomia, eletrochoque e outros. | Nise Magalhães da Silveira (Maceió, 15 de fevereiro de 1905 - Rio de Janeiro, 30 de outubro de 1999) foi uma psiquiatra brasileira. Nise da Silveira é reconhecida por suas contribuições na luta contra os métodos desumanos vigentes no paradigma da psiquiatria tradicional, como camisa de força, lobotomia, eletrochoque e outros. | ||
No Setor de Terapia Ocupacional (STO) do hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro a psiquiatra revolucionou o tratamento dos pacientes psiquiátricos | No Setor de Terapia Ocupacional (STO) do hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro, a psiquiatra revolucionou o tratamento dos pacientes psiquiátricos ao utilizar técnicas humanizadas que estimulavam a liberdade, criatividade, prazer, expressividade, dignidade e afetividade, através de atividades recreativas, culturais, criativas e expressivas. | ||
Foi discípula de Carl Gustav Jung e fundou o | Foi discípula de Carl Gustav Jung e fundou o Museu de Imagens do Inconsciente (MII), a Casa das Palmeiras e o Grupo de Estudos Carl Jung. | ||
A psiquiatra alagoana faleceu no Rio de Janeiro em outubro de 1999, aos 94 anos, por conta de uma insuficiência respiratória aguda. Nise da Silveira não chegou a constituir um movimento organizado em torno de seu nome, nenhuma escola ou doutrina foi proposta ao longo de seu projeto médico-científico. Entretanto, houve uma construção de pessoas, instituições e materialidades em torno de sua vida e obra, que persiste até os dias de hoje. | A psiquiatra alagoana faleceu no Rio de Janeiro em outubro de 1999, aos 94 anos, por conta de uma insuficiência respiratória aguda. Nise da Silveira não chegou a constituir um movimento organizado em torno de seu nome, nenhuma escola ou doutrina foi proposta ao longo de seu projeto médico-científico. Entretanto, houve uma construção de pessoas, instituições e materialidades em torno de sua vida e obra, que persiste até os dias de hoje. | ||
| Linha 12: | Linha 12: | ||
Já órfã de mãe e após enfrentar o falecimento do pai, Nise muda-se para o Rio de Janeiro em 1927, onde passou a ter contato com intelectuais de esquerda e com as atividades do Partido Comunista Brasileiro ao frequentar meios artísticos, políticos e literários. Em 1933, estagiou na clínica neurológica de Antônio Austregésilo e, no mesmo ano, foi aprovada em um concurso público para trabalhar como psiquiatra no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental, no Hospital da Praia Vermelha. | Já órfã de mãe e após enfrentar o falecimento do pai, Nise muda-se para o Rio de Janeiro em 1927, onde passou a ter contato com intelectuais de esquerda e com as atividades do Partido Comunista Brasileiro ao frequentar meios artísticos, políticos e literários. Em 1933, estagiou na clínica neurológica de Antônio Austregésilo e, no mesmo ano, foi aprovada em um concurso público para trabalhar como psiquiatra no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental, no Hospital da Praia Vermelha. | ||
===Prisão=== | ===Prisão=== | ||
Durante o Estado Novo, Nise da Silveira foi denunciada por uma enfermeira por possuir livros marxistas em seu ambiente de trabalho, além de ter ligações com membros do partido comunista e por ter participado da União Feminina do Brasil (entidade de defesa dos direitos das mulheres) | Durante o Estado Novo, Nise da Silveira foi denunciada por uma enfermeira por possuir livros marxistas em seu ambiente de trabalho, além de ter ligações com membros do partido comunista e por ter participado da União Feminina do Brasil (entidade de defesa dos direitos das mulheres).Em 1936, foi levada para o presídio Frei Caneca, onde ficou detida por 16 meses. Nesse período foi companheira de cela de Olga Benário, militante comunista alemã que na época era casada com Luís Carlos Prestes, além de conviver com outros perseguidos políticos. Na ocasião, também conheceu o escritor alagoano Graciliano Ramos, tornando-se posteriormente uma das personagens do livro “Memórias do Cárcere'''”'''. Essa experiência no cárcere exerceu um papel importante em sua vida e em sua concepção de liberdade, o que influenciaria o desenvolvimento de seu trabalho com os pacientes confinados no hospital posteriormente. | ||
Entre 1937 e 1944, embora livre da prisão, permaneceu com seu marido na semi-clandestinidade, afastada do serviço público no intuito de evitar novas perseguições. Durante seu afastamento se | Entre 1937 e 1944, embora livre da prisão, permaneceu com seu marido na semi-clandestinidade, afastada do serviço público no intuito de evitar novas perseguições. Durante seu afastamento, dedicou-se à leitura reflexiva das obras do filósofo Spinoza, material publicado em seu livro Cartas a Spinoza, em 1995. | ||
===Nise da Silveira e o Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II=== | ===Nise da Silveira e o Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II=== | ||
Nise retornou ao serviço público somente no ano de 1944, dando início ao seu trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro. Nessa ocasião, a psiquiatra se depara com os métodos usados pela psiquiatria da época para tratar a doença mental: o choque cardiazólico, o coma insulínico, o eletrochoque e a lobotomia. | Nise retornou ao serviço público somente no ano de 1944, dando início ao seu trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro. Nessa ocasião, a psiquiatra se depara com os métodos usados pela psiquiatria da época para tratar a doença mental: o choque cardiazólico, o coma insulínico, o eletrochoque e a lobotomia. | ||
| Linha 29: | Linha 29: | ||
==Contribuições== | ==Contribuições== | ||
===Combates aos métodos tradicionais=== | ===Combates aos métodos tradicionais=== | ||
Ao reiniciar sua prática profissional, no | Ao reiniciar sua prática profissional, no [[Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro]], em 1944, Nise se depara com as novidades científicas adotadas pelo campo da psiquiatria na década de 1940. Técnicas como choque cardiazólico, coma insulínico, psicofarmacoterapia, eletrochoque e lobotomia refletiam a noção organicista das doenças mentais presente na época. | ||
Contrariando seus colegas de profissão e as normas psiquiátricas vigentes, Nise se opôs fortemente ao uso de tais métodos. A psiquiatra enxergava nos procedimentos semelhanças com as torturas físicas que viu serem aplicadas na prisão, no período em que foi detida. | Contrariando seus colegas de profissão e as normas psiquiátricas vigentes, Nise se opôs fortemente ao uso de tais métodos. A psiquiatra enxergava nos procedimentos semelhanças com as torturas físicas que viu serem aplicadas na prisão, no período em que foi detida. | ||
Nise realizou um grande movimento de combate à lobotomia. Suas críticas à psicocirurgia residiam no fato de que o procedimento causava consequências devastadoras para o paciente ao acarretar efeitos colaterais irreversíveis. A psiquiatra realizou pesquisas acerca dos efeitos da | Nise realizou um grande movimento de combate à lobotomia. Suas críticas à psicocirurgia residiam no fato de que o procedimento causava consequências devastadoras para o paciente ao acarretar efeitos colaterais irreversíveis. A psiquiatra realizou pesquisas acerca dos efeitos da psicocirurgia na potência criativa dos pacientes e concluiu que a personalidade era fortemente impactada. Assim, a lobotomia não promovia a cura ou melhoria dos sintomas apresentados pelos pacientes esquizofrênicos, apenas os tornavam mais passivos e controlados, oferecendo paz e segurança ao ambiente familiar e hospitalar. | ||
Da mesma forma, criticava o uso de | Da mesma forma, criticava o uso de psicofármacos como ferramenta única no tratamento. Entendia que a aplicação medicamentosa poderia ser utilizada em pacientes em momentos de surto, entretanto, sua utilização excessiva e contínua atrapalhava os pacientes. | ||
Ao se recusar a prescrever ou realizar tais procedimentos, e indignada com o modo de funcionamento dos hospitais psiquiátricos, Nise foi incumbida de dirigir um departamento sem recursos ou investimentos do Centro Psiquiátrico, o Setor de Terapêutica Ocupacional (STO). Menosprezado pelos médicos da instituição, os pacientes eram encaminhados ao setor para realizar atividades monótonas e braçais (como serviços de faxina e manutenção) que não possuíam nenhum compromisso com o tratamento terapêutico. | Ao se recusar a prescrever ou realizar tais procedimentos, e indignada com o modo de funcionamento dos hospitais psiquiátricos, Nise foi incumbida de dirigir um departamento sem recursos ou investimentos do Centro Psiquiátrico, o Setor de Terapêutica Ocupacional (STO). Menosprezado pelos médicos da instituição, os pacientes eram encaminhados ao setor para realizar atividades monótonas e braçais (como serviços de faxina e manutenção) que não possuíam nenhum compromisso com o tratamento terapêutico. | ||
| Linha 47: | Linha 47: | ||
No Setor de Terapia Ocupacional, era propiciado um ambiente de liberdade, criatividade, prazer, expressividade, dignidade e, principalmente, afetividade. Para Nise, um espaço acolhedor, diferenciado do ambiente hospitalar como um todo, era fundamental para que a intenção fosse capaz de conduzir qualquer atividade que possuísse valor terapêutico e de recuperação. Dessa forma, esse ambiente não repressor contava com recursos capazes de receber todos os tipos de expressões mobilizadas pelos afetos que emergiam dos pacientes. | No Setor de Terapia Ocupacional, era propiciado um ambiente de liberdade, criatividade, prazer, expressividade, dignidade e, principalmente, afetividade. Para Nise, um espaço acolhedor, diferenciado do ambiente hospitalar como um todo, era fundamental para que a intenção fosse capaz de conduzir qualquer atividade que possuísse valor terapêutico e de recuperação. Dessa forma, esse ambiente não repressor contava com recursos capazes de receber todos os tipos de expressões mobilizadas pelos afetos que emergiam dos pacientes. | ||
Entretanto, a intenção inicial de entrar em contato com os modos de existência e funcionamento dos internos revelou um potencial ainda maior. Mais do que apenas compreender o que se passava com as pessoas, os métodos empregados se mostraram terapêuticos em si, ou seja, as ocupações ofertadas no STO poderiam ser consideradas propriamente como modalidade de | Entretanto, a intenção inicial de entrar em contato com os modos de existência e funcionamento dos internos revelou um potencial ainda maior. Mais do que apenas compreender o que se passava com as pessoas, os métodos empregados se mostraram terapêuticos em si, ou seja, as ocupações ofertadas no STO poderiam ser consideradas propriamente como modalidade de psicoterapia. | ||
Nise nomeou suas técnicas terapêuticas como “emoções de lidar”. A psiquiatra e os monitores funcionavam como catalizadores de afeto, a fim de propiciar o desenvolvimento das criatividade e expressividade dos pacientes. Para ela, os tratamentos deveriam lidar com as pessoas em sua totalidade, rejeitando a ideia de reduzir o paciente à doença. Nise buscava reconhecer e potencializar as singularidades e a humanidade dos internos. | Nise nomeou suas técnicas terapêuticas como “emoções de lidar”. A psiquiatra e os monitores funcionavam como catalizadores de afeto, a fim de propiciar o desenvolvimento das criatividade e expressividade dos pacientes. Para ela, os tratamentos deveriam lidar com as pessoas em sua totalidade, rejeitando a ideia de reduzir o paciente à doença. Nise buscava reconhecer e potencializar as singularidades e a humanidade dos internos. | ||
| Linha 55: | Linha 55: | ||
Apenas três meses depois de assumir a direção do STO, em 1946, uma exposição das produções artísticas dos pacientes foi promovida por Nise. Este foi o início de uma série de mostras que seriam realizadas no Brasil e no exterior. | Apenas três meses depois de assumir a direção do STO, em 1946, uma exposição das produções artísticas dos pacientes foi promovida por Nise. Este foi o início de uma série de mostras que seriam realizadas no Brasil e no exterior. | ||
Como as produções do ateliê de pintura continuavam a pleno vapor e o acervo de obras aumentavam cada vez mais, foi inaugurado o | Como as produções do ateliê de pintura continuavam a pleno vapor e o acervo de obras aumentavam cada vez mais, foi inaugurado o [[Museu de Imagens do Inconsciente (MII)]], nas instalações do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro (Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II), em 1952. O objetivo era organizar e catalogar o material. A partir disso, foi possível, também, empreender inúmeras pesquisas tendo como base as produções criativas dos pacientes. Atualmente, o MII conta com um acervo de 350 mil obras, e funciona como centro de pesquisa sobre arte e loucura, além de realizar práticas educativas e museográficas. | ||
Mais uma vez, pode-se observar a inovação do trabalho de Nise da Silveira, ao realizar o ato inédito, tanto na psiquiatria quanto na cultura brasileira, de transformar pessoas com condições psiquiátricas em artistas reconhecidos. A psiquiatra conseguiu, por meio do MII, fazer com que as produções realizadas no Setor de Terapia Ocupacional ultrapassasem o campo da clínica, chegando a um público muito mais amplo. | Mais uma vez, pode-se observar a inovação do trabalho de Nise da Silveira, ao realizar o ato inédito, tanto na psiquiatria quanto na cultura brasileira, de transformar pessoas com condições psiquiátricas em artistas reconhecidos. A psiquiatra conseguiu, por meio do MII, fazer com que as produções realizadas no Setor de Terapia Ocupacional ultrapassasem o campo da clínica, chegando a um público muito mais amplo. | ||
| Linha 61: | Linha 61: | ||
Mesmo com as intensas modificações proporcionadas por Nise no Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, a partir da introdução das novas práticas no Setor de Terapia Ocupacional, o número de pacientes que voltavam a ser internados era alto. Isso apontava para o fato de que o tratamento deveria contemplar, também, técnicas para preparar as pessoas para a vida social depois da alta institucional. | Mesmo com as intensas modificações proporcionadas por Nise no Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, a partir da introdução das novas práticas no Setor de Terapia Ocupacional, o número de pacientes que voltavam a ser internados era alto. Isso apontava para o fato de que o tratamento deveria contemplar, também, técnicas para preparar as pessoas para a vida social depois da alta institucional. | ||
===Grupo de Estudos Carl Jung=== | ===Grupo de Estudos Carl Jung=== | ||
Além do | Além do Museu de Imagens do Inconsciente (MII) e da Casa das Palmeiras, Nise fundou o Grupo de Estudos C. G. Jung e realizava reuniões de leitura e pesquisa abertas ao público, em sua própria residência. | ||
Assim, as ramificações do trabalho de Nise da Silveira compreendiam o Museu, que preservava as produções artísticas dos pacientes do Setor de Terapia Ocupacional, considerados material para pesquisa; a Casa das Palmeiras, onde se auxiliava a reintegração dos egressos do hospital na vida em sociedade, exercitando sua autonomia; e o Grupo de Estudos Carl G. Jung, destinado aos estudos. | Assim, as ramificações do trabalho de Nise da Silveira compreendiam o Museu, que preservava as produções artísticas dos pacientes do Setor de Terapia Ocupacional, considerados material para pesquisa; a Casa das Palmeiras, onde se auxiliava a reintegração dos egressos do hospital na vida em sociedade, exercitando sua autonomia; e o Grupo de Estudos Carl G. Jung, destinado aos estudos. | ||
===Aproximações entre o trabalho de Nise da Silveira e a Reforma Psiquiátrica no Brasil=== | ===Aproximações entre o trabalho de Nise da Silveira e a Reforma Psiquiátrica no Brasil=== | ||
A década de 1970 é reconhecida como o período de início da | A década de 1970 é reconhecida como o período de início da [[Reforma Psiquiátrica Brasileira|Reforma Psiquiátrica no Brasil]]. Entretanto, muitas das propostas articuladas nesse momento já haviam sido pensadas e experimentadas em certa medida, por autores anteriores a esse movimento. Nesse sentido, é interessante examinar as consonâncias entre a Reforma Psiquiátrica, bem como o [[Movimento Antimanicomial]], e o trabalho de Nise da Silveira no tratamento dos pacientes psiquiátricos. | ||
Tanto a psiquiatra quanto o movimento da Reforma Psiquiátrica se colocam como críticos ao paradigma psiquiátrico tradicional, que possui como características marcantes a centralização do hospital como lugar de tratamento e confinamento dos pacientes e o foco na doença e não no sujeito. Ambos têm como objetivo compreender a pessoa em sua singularidade e totalidade, além de se posicionarem contrariamente aos métodos agressivos (como lobotomia, eletrochoque, camisa de força e coma insulínico) e defenderem a aplicação de métodos não agressivos. | Tanto a psiquiatra quanto o movimento da Reforma Psiquiátrica se colocam como críticos ao paradigma psiquiátrico tradicional, que possui como características marcantes a centralização do hospital como lugar de tratamento e confinamento dos pacientes e o foco na doença e não no sujeito. Ambos têm como objetivo compreender a pessoa em sua singularidade e totalidade, além de se posicionarem contrariamente aos métodos agressivos (como lobotomia, eletrochoque, camisa de força e coma insulínico) e defenderem a aplicação de métodos não agressivos. | ||
| Linha 90: | Linha 90: | ||
Desse modo, a pintura revelava que o mundo interno do psicótico poderia tomar forma se encontrasse meios de expressão que o aproximassem cada vez mais do consciente, passando a ser vista como um instrumento a ser utilizado pelo paciente para reorganizar seu mundo interno e, ao mesmo tempo, reconstruir sua relação com a realidade exterior. | Desse modo, a pintura revelava que o mundo interno do psicótico poderia tomar forma se encontrasse meios de expressão que o aproximassem cada vez mais do consciente, passando a ser vista como um instrumento a ser utilizado pelo paciente para reorganizar seu mundo interno e, ao mesmo tempo, reconstruir sua relação com a realidade exterior. | ||
Também em sua teoria sobre a metalinguagem, ela se opunha aos psicanalistas que afirmavam não haver | Também em sua teoria sobre a metalinguagem, ela se opunha aos psicanalistas que afirmavam não haver transferência na esquizofrenia, insistia na tentativa do esquizofrênico em formar uma ponte afetiva com o mundo e mostrava como isto se exprimia nas pinturas e na relação com os animais. Segundo a médica, os esquizofrênicos frequentemente respondem ao apelo de se ocuparem com desenhos e pinturas. O psiquiatra, então, deveria se concentrar na metalinguagem do esquizofrênico e entender o significado dos seus símbolos. | ||
Nesse âmbito, Nise discordava da T.O. com propósitos econômicos, comerciais ou mesmo artísticos, pois, segundo ela, a T.O. não buscava fazer arte, mas dar ao paciente a liberdade para ele criar algo. | Nesse âmbito, Nise discordava da T.O. com propósitos econômicos, comerciais ou mesmo artísticos, pois, segundo ela, a T.O. não buscava fazer arte, mas dar ao paciente a liberdade para ele criar algo. | ||
===Nise e a Teoria Junguiana=== | ===Nise e a Teoria Junguiana=== | ||
Nise acreditava ter comprovado a tese de Jung sobre os arquétipos e a mente esquizofrênica, dado que chamava atenção para as mandalas, símbolos que denotam a tendência inconsciente a compensar o caos interior e buscar um ponto central, na psique, como tentativa de reconstruir a personalidade dividida. Sendo assim, Nise formulou o conceito de psicoterapia não verbal e metalinguagem a partir do conceito de plexo solar de Jung. | Nise acreditava ter comprovado a tese de [[Carl Gustav Jung|Jung]] sobre os arquétipos e a mente esquizofrênica, dado que chamava atenção para as mandalas, símbolos que denotam a tendência inconsciente a compensar o caos interior e buscar um ponto central, na psique, como tentativa de reconstruir a personalidade dividida. Sendo assim, Nise formulou o conceito de psicoterapia não verbal e metalinguagem a partir do conceito de plexo solar de Jung. | ||
Ela defendia que o indivíduo, através da psicoterapia não verbal, expressava-se em uma linguagem mais arcaica, universal e coletiva a fim de mobilizar afetos profundamente depositados na primeira localização psíquica (plexo solar) e trazê-los à consciência. Traços mnêmicos de forte carga afetiva acumulados em centros psíquicos rudimentares não poderiam ser evocados a partir de instrumentos refinados como o dispositivo verbal. Desse modo, métodos mais simples como a dança, as representações mímicas, a pintura, a escultura, a música e afins eram mais eficazes na comunicação com os esquizofrênicos. Conforme Nise postulou: a ação terapêutica se insere a partir do momento em que o médico deseja se comunicar e compreender o seu doente, partindo assim do nível não verbal. | Ela defendia que o indivíduo, através da psicoterapia não verbal, expressava-se em uma linguagem mais arcaica, universal e coletiva, a fim de mobilizar afetos profundamente depositados na primeira localização psíquica (plexo solar) e trazê-los à consciência. Traços mnêmicos de forte carga afetiva acumulados em centros psíquicos rudimentares não poderiam ser evocados a partir de instrumentos refinados como o dispositivo verbal. Desse modo, métodos mais simples como a dança, as representações mímicas, a pintura, a escultura, a música e afins eram mais eficazes na comunicação com os esquizofrênicos. Conforme Nise postulou: a ação terapêutica se insere a partir do momento em que o médico deseja se comunicar e compreender o seu doente, partindo assim do nível não verbal. | ||
Nise acreditava que, para acompanhar a produção criativa dos pacientes, era preciso ter paciência e tato, e não apressar as coisas. Em sua experiência, a psicologia junguiana, literatura, arte, e mitologia instrumentalizam-na para a compreensão das metamorfoses do ser e para a investigação da incansável trajetória do homem em busca do seu mito. Com esses estudos, Nise apresentou uma compreensão da psique como um sistema vivo, com um dinamismo próprio, que se auto-regula e se direciona para a cura e para a saúde. Além disso, criou, ainda, um método para a leitura das imagens que emergiam na produção artística dos pacientes que participavam dos ateliês de pintura e modelagem do Setor de Terapia Ocupacional do Engenho de Dentro. | Nise acreditava que, para acompanhar a produção criativa dos pacientes, era preciso ter paciência e tato, e não apressar as coisas. Em sua experiência, a psicologia junguiana, literatura, arte, e mitologia instrumentalizam-na para a compreensão das metamorfoses do ser e para a investigação da incansável trajetória do homem em busca do seu mito. Com esses estudos, Nise apresentou uma compreensão da psique como um sistema vivo, com um dinamismo próprio, que se auto-regula e se direciona para a cura e para a saúde. Além disso, criou, ainda, um método para a leitura das imagens que emergiam na produção artística dos pacientes que participavam dos ateliês de pintura e modelagem do Setor de Terapia Ocupacional do Engenho de Dentro. | ||
| Linha 119: | Linha 119: | ||
A reunião da concepção de terapia ocupacional de Nise da Silveira com a Psicologia Analítica resultou numa ampliação desta para o mundo do esquizofrênico, permitindo, pela primeira vez, através do contato com os animais, da espontaneidade do fazer e da metalinguagem, a possibilidade de acessar o ser recolhido em seu mundo inconsciente e infundir nele forças curativas mediadas por símbolos e afetos. | A reunião da concepção de terapia ocupacional de Nise da Silveira com a Psicologia Analítica resultou numa ampliação desta para o mundo do esquizofrênico, permitindo, pela primeira vez, através do contato com os animais, da espontaneidade do fazer e da metalinguagem, a possibilidade de acessar o ser recolhido em seu mundo inconsciente e infundir nele forças curativas mediadas por símbolos e afetos. | ||
==Cronologia biográfica== | ==Cronologia biográfica== | ||
1905:Em 15 de fevereiro de | 1905 :Em 15 de fevereiro de 1905, nasce Nise da Silveira. | ||
1926:Aos 21 anos, Nise formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia. | 1926: Aos 21 anos, Nise formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia. | ||
1933:Foi aprovada em um concurso público para trabalhar como psiquiatra no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental, no Hospital da Praia Vermelha. | 1933: Foi aprovada em um concurso público para trabalhar como psiquiatra no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental, no Hospital da Praia Vermelha. | ||
1936: Nise da Silveira é levada para o presídio Frei Caneca, onde ficou detida por 16 meses, acusada de envolvimento com o comunismo. | 1936: Nise da Silveira é levada para o presídio Frei Caneca, onde ficou detida por 16 meses, acusada de envolvimento com o comunismo. | ||
| Linha 133: | Linha 133: | ||
1946: Nise da Silveira funda a Seção de Terapêutica Ocupacional (STO) no Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro, hoje Instituto Municipal Nise da Silveira. | 1946: Nise da Silveira funda a Seção de Terapêutica Ocupacional (STO) no Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro, hoje Instituto Municipal Nise da Silveira. | ||
1952: O | 1952: O Museu de Imagens do Inconsciente foi inaugurado em 20 de maio. | ||
1954: Nise da Silveira escreve carta a Carl Gustav Jung, indagando sobre questões referentes ao simbolismo da mandala. Esse fato marcou a introdução da psicologia junguiana na América Latina. | 1954: Nise da Silveira escreve carta a Carl Gustav Jung, indagando sobre questões referentes ao simbolismo da mandala. Esse fato marcou a introdução da psicologia junguiana na América Latina. | ||
| Linha 141: | Linha 141: | ||
1957: O encontro com Jung. O Museu apresenta a exposição "A Esquizofrenia em Imagens", por ocasião do II Congresso Internacional de Psiquiatria reunido em Zurique, Suíça. | 1957: O encontro com Jung. O Museu apresenta a exposição "A Esquizofrenia em Imagens", por ocasião do II Congresso Internacional de Psiquiatria reunido em Zurique, Suíça. | ||
1968:Nise funda o Grupo de Estudos do | 1968:Nise funda o Grupo de Estudos do Museu de Imagens do Inconsciente. Publicação do livro “Jung: vida e obra”. | ||
1975:Nise é aposentada compulsoriamente. No dia seguinte apresenta-se ao CPPII como a mais nova estagiária. | 1975:Nise é aposentada compulsoriamente. No dia seguinte apresenta-se ao CPPII como a mais nova estagiária. | ||
| Linha 159: | Linha 159: | ||
Luiz Carlos Mello, conhecido como Lula, conheceu Nise da Silveira ao decorrer dos anos 1970, através do Grupo de Estudos realizados pela mesma. Na época em que conheceu a Doutora Nise, Mello era graduando em Engenharia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Após entrar em contato com o trabalho realizado por Nise da Silveira em Engenho de Dentro, Mello decidiu trabalhar voluntariamente com a psiquiatra, deixando de dar continuidade a sua graduação. | Luiz Carlos Mello, conhecido como Lula, conheceu Nise da Silveira ao decorrer dos anos 1970, através do Grupo de Estudos realizados pela mesma. Na época em que conheceu a Doutora Nise, Mello era graduando em Engenharia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Após entrar em contato com o trabalho realizado por Nise da Silveira em Engenho de Dentro, Mello decidiu trabalhar voluntariamente com a psiquiatra, deixando de dar continuidade a sua graduação. | ||
Mello é atualmente diretor e curador do | Mello é atualmente diretor e curador do Museu de Imagens do Inconsciente, onde é responsável pela Biblioteca Nise da Silveira e por atividades como organizar exposições em conjunto com a equipe de museologia, por exemplo. Lula foi colaborador de Nise da Silveira desde que começou seu trabalho voluntário ao lado da mesma e, após sua morte, mantém viva a memória da Psiquiatra. | ||
O mesmo é autor da fotobiografia “Nise da Silveira: Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde”, no qual conta a trajetória de Nise da Silveira, com a presença de documentos, textos, entrevistas, cartas, manuscritos e fotografias, boa parte retirada do acervo pessoal da médica psiquiatra. Além disso, o diretor destaca, em conferências, o papel e pioneirismo de Nise da Silveira na crítica à psiquiatria vigente na época, relacionando a médica também às origens da Reforma Psiquiátrica. | O mesmo é autor da fotobiografia “Nise da Silveira: Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde”, no qual conta a trajetória de Nise da Silveira, com a presença de documentos, textos, entrevistas, cartas, manuscritos e fotografias, boa parte retirada do acervo pessoal da médica psiquiatra. Além disso, o diretor destaca, em conferências, o papel e pioneirismo de Nise da Silveira na crítica à psiquiatria vigente na época, relacionando a médica também às origens da Reforma Psiquiátrica. | ||
| Linha 172: | Linha 172: | ||
Ainda que Vitor Pordeus compartilhasse o espaço do hospital psiquiátrico, o médico ator tinha diferenças metodológicas da Doutora Nise e seus seguidores. Pordeus pensou sua arteterapia na forma de um exercício teatral, utilizando de exercícios de improviso e espontaneidade dos atores. Por mais que Nise também tenha utilizado de obras teatrais em sua terapia, pinturas e modelagens são muito mais presentes em sua trajetória no Museu. Além da teatralidade, Pordeus também criou atividades de cunho educativo como o Curso de Psicopatologia do Hotel da Loucura. O trabalho do médico ator teve uma grande repercussão, tendo em vista que o jornal internacional, BBC Londres, registrou uma de suas atividades teatrais. Dessa forma, Vitor Pordeus por diversas vezes foi chamado de “o verdadeiro herdeiro da Nise” devido ao grande impacto de suas realizações. | Ainda que Vitor Pordeus compartilhasse o espaço do hospital psiquiátrico, o médico ator tinha diferenças metodológicas da Doutora Nise e seus seguidores. Pordeus pensou sua arteterapia na forma de um exercício teatral, utilizando de exercícios de improviso e espontaneidade dos atores. Por mais que Nise também tenha utilizado de obras teatrais em sua terapia, pinturas e modelagens são muito mais presentes em sua trajetória no Museu. Além da teatralidade, Pordeus também criou atividades de cunho educativo como o Curso de Psicopatologia do Hotel da Loucura. O trabalho do médico ator teve uma grande repercussão, tendo em vista que o jornal internacional, BBC Londres, registrou uma de suas atividades teatrais. Dessa forma, Vitor Pordeus por diversas vezes foi chamado de “o verdadeiro herdeiro da Nise” devido ao grande impacto de suas realizações. | ||
No ano de 2015 o médico ator ingressou em um programa de doutorado no Departamento de Psiquiatria Cultural da McGill University, em Montreal, Canadá. Apesar de não estar presente no cotidiano do projeto do | No ano de 2015 o médico ator ingressou em um programa de doutorado no Departamento de Psiquiatria Cultural da McGill University, em Montreal, Canadá. Apesar de não estar presente no cotidiano do projeto do Hotel da Loucura, sua comunicação com sua equipe continuava de forma constante, além de ir até o Rio de Janeiro de forma regular. Entretanto, em 2016, Vitor Pordeus foi exonerado do cargo com a justificativa de que não estava cumprindo sua carga horária, e sua não participação ativa no Hotel. Desde então, o Hotel da Loucura foi transformado no Espaço Travessia – Corpo e Movimento, com outro profissional substituindo Pordeus. | ||
==Obras== | ==Obras== | ||
| Linha 221: | Linha 221: | ||
===Carl Gustav Jung=== | ===Carl Gustav Jung=== | ||
As pesquisas de Nise foram aperfeiçoadas a partir do contato que travou com Carl Gustav Jung, um dos maiores e mais influentes pensadores do século XX. Fundador da escola analítica de psicologia, Jung inspirou os estudos da alagoana sobre o inconsciente e teve em Nise da Silveira sua maior discípula no Brasil. | As pesquisas de Nise foram aperfeiçoadas a partir do contato que travou com [[Carl Gustav Jung]], um dos maiores e mais influentes pensadores do século XX. Fundador da escola analítica de psicologia, Jung inspirou os estudos da alagoana sobre o inconsciente e teve em Nise da Silveira sua maior discípula no Brasil. Foi na [[Psicologia Analítica]], desenvolvida por Jung, que Nise identificou os fundamentos teóricos que a ajudariam a compor seu trabalho. O contato inicial ocorreu através da troca de correspondências, sendo aprofundado a partir da participação de Nise em um Congresso Internacional de Psiquiatria, realizado em 1957 em Zurique, na Suíça. | ||
Em 1949, Nise já descrevia o aparecimento de figuras circulares (mandalas) nos desenhos dos pacientes esquizofrênicos, sem conseguir, no entanto, aprofundar sua significação. Não compreendia o aparecimento de imagens “sadias” com outras que indicavam a “patologia” (cisão). Os estudos do psiquiatra suíço Carl Jung sobre as mandalas, atraíram a atenção de Nise da Silveira para suas teorias sobre o inconsciente. Em 1954, notando serem mandalas temas recorrentes nas pinturas de seus pacientes, ela escreveu uma carta endereçada a Jung indagando sobre questões referentes ao simbolismo da mandala. Sendo prontamente respondida, Jung lhe confirma o caráter compensatório dessas mandalas e seu potencial de ordem autocurativo. Esse fato marcou a introdução da psicologia junguiana no Brasil. | Em 1949, Nise já descrevia o aparecimento de figuras circulares (mandalas) nos desenhos dos pacientes esquizofrênicos, sem conseguir, no entanto, aprofundar sua significação. Não compreendia o aparecimento de imagens “sadias” com outras que indicavam a “patologia” (cisão). Os estudos do psiquiatra suíço Carl Jung sobre as mandalas, atraíram a atenção de Nise da Silveira para suas teorias sobre o inconsciente. Em 1954, notando serem mandalas temas recorrentes nas pinturas de seus pacientes, ela escreveu uma carta endereçada a Jung indagando sobre questões referentes ao simbolismo da mandala. Sendo prontamente respondida, Jung lhe confirma o caráter compensatório dessas mandalas e seu potencial de ordem autocurativo. Esse fato marcou a introdução da psicologia junguiana no Brasil. | ||
| Linha 234: | Linha 234: | ||
Somente depois de ser aposentada compulsoriamente, aos setenta anos, organizou e publicou seus livros mais conhecidos, Imagens do inconsciente (1981), onde apresenta as histórias que depois se tornariam o filme de mesmo nome, de Leon Hirszman, e O mundo das imagens (1992). | Somente depois de ser aposentada compulsoriamente, aos setenta anos, organizou e publicou seus livros mais conhecidos, Imagens do inconsciente (1981), onde apresenta as histórias que depois se tornariam o filme de mesmo nome, de Leon Hirszman, e O mundo das imagens (1992). | ||
== Ver também == | |||
* [[Carl Gustav Jung]] | |||
* [[Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro]] | |||
* [[Movimento Antimanicomial]] | |||
* [[Museu de Imagens do Inconsciente (MII)]] | |||
* [[Psicologia Analítica]] | |||
* [[Reforma Psiquiátrica Brasileira|Reforma Psiquiátrica no Brasil]] | |||
==Referências== | ==Referências== | ||
# ARRUDA, Lauro. [http://www.hospitaldocoracao.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=226:nise-da-silveira-uma-psiquiatra-rebelde&catid=48:nomes-da-medicina&Itemid=120 Nise da Silveira: uma psiquiatra rebelde.] Hospital do Coração. | # ARRUDA, Lauro. [http://www.hospitaldocoracao.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=226:nise-da-silveira-uma-psiquiatra-rebelde&catid=48:nomes-da-medicina&Itemid=120 Nise da Silveira: uma psiquiatra rebelde.] Hospital do Coração. | ||
# MAGALDI, Felipe. 2019. [https:// | # MAGALDI, Felipe. 2019. [https://www.scielo.br/j/mana/a/BJkYhRrZRjXKKgjLDZzTtCz/ Das memórias de Nise da Silveira no hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro.] '''Mana''', 635-665. | ||
# CARVALHO, S. M. M.; AMPARO, P. H. M. Nise da Silveira: a mãe da humana-idade. '''Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental''', São Paulo, v. 9, n. 1, p. 126-137, 2006. | # CARVALHO, S. M. M.; AMPARO, P. H. M. Nise da Silveira: a mãe da humana-idade. '''Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental''', São Paulo, v. 9, n. 1, p. 126-137, 2006. | ||
# CÂMARA, Fernando Portela. [http://www.polbr.med.br/ano04/wal0304.php A contribuição de Nise da Silveira para a psicologia junguiana.] Psychiatry On-line Brazil, Vol.9, Nº 3, Mar, 2004. | # CÂMARA, Fernando Portela. [http://www.polbr.med.br/ano04/wal0304.php A contribuição de Nise da Silveira para a psicologia junguiana.] '''Psychiatry On-line Brazil''', Vol.9, Nº 3, Mar, 2004. | ||
# FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). [http://www.elfikurten.com.br/2016/05/nise-da-silveira.html?m=1 Nise da Silveira – uma psiquiatra rebelde.] [http://www.elfikurten.com.br/2016/05/nise-da-silveira.html?m=1 Templo Cultural Delfos], mai, 2016. | # FENSKE, Elfi Kürten (pesquisa, seleção e organização). [http://www.elfikurten.com.br/2016/05/nise-da-silveira.html?m=1 Nise da Silveira – uma psiquiatra rebelde.] [http://www.elfikurten.com.br/2016/05/nise-da-silveira.html?m=1 Templo Cultural Delfos], mai, 2016. | ||
# CASTRO, Eliane Dias de; LIMA, Elizabeth Maria Freire de Araújo. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832007000200017&lng=en&nrm=iso.Acesso Resistência, inovação e clínica no pensar e no agir de Nise da Silveira.] '''Interface'''. Botucatu, v. 11, n. 22, p. 365-376, Ago. 2007. | # CASTRO, Eliane Dias de; LIMA, Elizabeth Maria Freire de Araújo. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832007000200017&lng=en&nrm=iso.Acesso Resistência, inovação e clínica no pensar e no agir de Nise da Silveira.] '''Interface'''. Botucatu, v. 11, n. 22, p. 365-376, Ago. 2007. | ||
# JACÓ-VILELA, A. M., OLIVEIRA, D. M. | # JACÓ-VILELA, A. M., OLIVEIRA, D. M. Clio-Psyché: discursos e práticas na história da psicologia. '''EDUERJ''', Rio de Janeiro, 2018, p. 361. | ||
# LESSA, Fábio Lins. [https://culturaeviagem.wordpress.com/2015/01/13/o-dia-em-que-a-alagoana-nise-da-silveira-conheceu-carl-jung-mais-um-encontro-de-genios/amp/ O dia em que a alagoana Nise da Silveira conheceu Carl Jung: mais um encontro de gênios.] '''Cultura e Viagem''', 2014. | # LESSA, Fábio Lins. [https://culturaeviagem.wordpress.com/2015/01/13/o-dia-em-que-a-alagoana-nise-da-silveira-conheceu-carl-jung-mais-um-encontro-de-genios/amp/ O dia em que a alagoana Nise da Silveira conheceu Carl Jung: mais um encontro de gênios.] '''Cultura e Viagem''', 2014. | ||
# MELO, W. (2009b). | # MELO, W. (2009b). Nise da Silveira e o campo da Saúde Mental (1944-1952): contribuições, embates e transformações'''.''' '''Mnemosine''', 5, 30-52. | ||
# [http://www.ccms.saude.gov.br/nisedasilveira/datas-fatos.php Museu de Imagens do Inconsciente: O Legado de uma Vida – Datas e Fatos.] Nise da Silveira, Vida e Obra. | # [http://www.ccms.saude.gov.br/nisedasilveira/datas-fatos.php Museu de Imagens do Inconsciente: O Legado de uma Vida – Datas e Fatos.] Nise da Silveira, Vida e Obra. | ||
# PORDEUS, Vitor. [https://pt.slideshare.net/grimbow/036-040-vitor-pordeus “Hotel da Loucura”: entrevista concedida a Vicente Lou. Leros], abr. 2014. | # PORDEUS, Vitor. [https://pt.slideshare.net/grimbow/036-040-vitor-pordeus “Hotel da Loucura”: entrevista concedida a Vicente Lou. Leros], abr. 2014. | ||
# SCHLEDER, Karoline Stoltz; HOLANDA, Adriano Furtado. [http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-68672015000100006&lng=pt&nrm=iso Nise da Silveira e o enfoque fenomenológico.] '''Ver. Abordagem gestalt.''', Goiânia, v. 21, n. 1, p. 49-61, jun. 2015. SILVEIRA, Nise da. Entrevista Nise da Silveira. [Entrevista concedida a] LEAL, L. G. P. '''Psicol. Cienc. Prof.''' Brasília. Vol.14 no.1-3. Julho. 1992. | # SCHLEDER, Karoline Stoltz; HOLANDA, Adriano Furtado. [http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-68672015000100006&lng=pt&nrm=iso Nise da Silveira e o enfoque fenomenológico.] '''Ver. Abordagem gestalt.''', Goiânia, v. 21, n. 1, p. 49-61, jun. 2015. | ||
# SILVEIRA, Nise da. [https://www.scielo.br/j/pcp/a/mGv5pMQxf8QtrQyqHRbGTsh/ Entrevista Nise da Silveira]. [Entrevista concedida a] LEAL, L. G. P. '''Psicol. Cienc. Prof.''' Brasília. Vol.14 no.1-3. Julho. 1992. | |||
==Autoria== | ==Autoria== | ||
Verbete criado inicialmente por: Bruno Stael, Carolina Silva, Danielle da Silva, Larissa Heckert, Maria Carolinna Monteiro, como exigência parcial para a disciplina de Estudos Avançados Em História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2020.2, publicado em 2021.1 | Verbete criado inicialmente por: Bruno Stael, Carolina Silva, Danielle da Silva, Larissa Heckert, Maria Carolinna Monteiro, como exigência parcial para a disciplina de Estudos Avançados Em História da Psicologia da UFF de Rio das Ostras. Criado em 2020.2, publicado em 2021.1 | ||
[[Categoria:Personagens]] | [[Categoria:Personagens]] | ||
edições