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=== O IJJR e o Brasil === | === O IJJR e o Brasil === | ||
O IJJR tem uma grande importância para o desenvolvimento da psicologia brasileira. Claparède, um de seus fundadores, teve vários de seus livros traduzidos para o português e publicados no Brasil, além de ter sido celebrado por psicólogos e educadores brasileiros. A conexão entre ele o país foi muito importante. Ele trocou cartas com frequência com Helena Antipoff, sua antiga aluna no Instituto Jean-Jacques Rousseau, e visitou o país duas vezes. Bovet também visitou o | O IJJR tem uma grande importância para o desenvolvimento da psicologia brasileira. Claparède, um de seus fundadores, teve vários de seus livros traduzidos para o português e publicados no Brasil, além de ter sido celebrado por psicólogos e educadores brasileiros. A conexão entre ele o país foi muito importante. Ele trocou cartas com frequência com Helena Antipoff, sua antiga aluna no Instituto Jean-Jacques Rousseau, e visitou o país duas vezes. Bovet, um dos fundadores do Instituto, também visitou o Brasil. | ||
Várias figuras importantes da psicologia e educação brasileiras estiveram no Instituto, seja para estudos formais, seja apenas para visitas ou mesmo para inspirar iniciativas locais. O primeiro brasileiro a estar no instituto foi o educador mineiro '''[[Francisco Lins]]''', que esteve no no local já próximo de sua inauguração, em 1912. Ainda no âmbito mineiro, temos '''[[Alberto Alvares]]''', Diretor da Instrução Pública de Minas Gerais e que visitou o IJJR em 1927 para organizar a missão de educadores europeus que viria a atuar em Belo Horizonte. Especula-se que | Várias figuras importantes da psicologia e educação brasileiras estiveram no Instituto, seja para estudos formais, seja apenas para visitas ou mesmo para inspirar iniciativas locais. O primeiro brasileiro a estar no instituto foi o educador mineiro '''[[Francisco Lins]]''', que esteve no no local já próximo de sua inauguração, em 1912. Ainda no âmbito mineiro, temos '''[[Alberto Alvares]]''', Diretor da Instrução Pública de Minas Gerais e que visitou o IJJR em 1927 para organizar a missão de educadores europeus que viria a atuar em Belo Horizonte. Especula-se que, como consequência desta visita, o Brasil foi colocado pelos administradores do Instituto, como um destino possível de pessoas formadas em Genebra. | ||
Um grupo de médicos brasileiros esteve no Instituto em 1928, incluindo '''[[Flávio Dias]]''', '''[[Artur Fajardo da Silveira]]''', '''[[Antônio Moniz de Aragão]]''' e '''[[Nilton Campos]]'''. Este último viria a ter um papel chave na criação da psicologia brasileira, depois que obteve a [[cátedra de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia]], em 1948, atuando no estabelecimento de uma psicologia científica no país. | Um grupo de médicos brasileiros esteve no Instituto em 1928, incluindo '''[[Flávio Dias]]''', '''[[Artur Fajardo da Silveira]]''', '''[[Antônio Moniz de Aragão]]''' e '''[[Nilton Campos]]'''. Este último viria a ter um papel chave na criação da psicologia brasileira, depois que obteve a [[cátedra de Psicologia da Faculdade Nacional de Filosofia]], em 1948, atuando no estabelecimento de uma psicologia científica no país. Campos empresta hoje seu nome ao prédio onde funciona o [[Instituto de Psicologia da UFRJ|Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro]]. | ||
Outro nome de destaque é | Outro nome de destaque é de '''[[Laura Lacombe|Laura Jacobina Lacombe]]''', que esteve no Instituto em 1924. Era uma representante da Escola Nova no Rio de Janeiro, onde gerenciava uma escola e praticava muitas das ideias de seu mestre, Édouard Claparède. '''[[Lourenço Filho]]''', o célebre educador brasileiro com uma atuação nacional decisiva e relevante para o desenvolvimento da educação no nosso país, também esteve em contato intenso com colaboradores do IJJR. | ||
O | O Instituto também formou e enviou pessoas de outras nacionalidades para o Brasil, que colaboraram para a formação da psicologia brasileira. Delas, a mais importante é [[Helena Antipoff]], uma psicóloga e educadora de origem russa. Em 1929, Antipoff foi convidada pelo governo de Minas Gerais para implementar a Reforma de Ensino no estado. Ela se estabeleceu em Belo Horizonte, onde fundou a [[Escola de Aperfeiçoamento de Belo Horizonte|Escola de Aperfeiçoamento]], além de uma escola rural, laboratórios, conduziu experimentos, escreveu materiais, livros e artigos e teve uma atuação prática articulada e decisiva com os seus mestres de Genebra. Seu acervo, hoje na Universidade Federal de Minas Gerais, é guardado pelo [[Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff (CDPHA)|Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff]], um dos primeiros grupos organizados do Brasil a estudar a história da psicologia no país. | ||
Outro nome importante é o de '''[[Waclaw Radecki]]''', um psicólogo polonês, ex-assistente de Claparède e colega de Piaget em Genebra. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu em 1924 a chefia do '''[[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]''', com recursos da Fundação Graffée Guinle. Seu laboratório era anexo à Colônia e os dados obtidos no contato clínico com os doentes era utilizado nas discussões dos casos do grupo de médicos e psiquiatras | Outro nome importante é o de '''[[Waclaw Radecki]]''', um psicólogo polonês, ex-assistente de Claparède e colega de Piaget em Genebra. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu em 1924 a chefia do '''[[Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas de Engenho de Dentro]]''', com recursos da Fundação Graffée Guinle. Seu laboratório era anexo à Colônia e os dados obtidos no contato clínico com os doentes era utilizado nas discussões dos casos do grupo de médicos e psiquiatras da Colônia. Além disso, Radecki tentou organizar o que pode ser o primeiro curso de psicologia do Brasil, visando formar assistentes para o seu laboratório, mas sem sucesso. Ele também produziu um sistema psicológico próprio, o '''[[discriminacionismo afetivo]]''', que tomou forma final no Brasil e que pode ser uma das primeiras teorias psicológicas criadas no país. O laboratório que dirigiu, após algumas transformações, deu origem ao Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. | ||
Uma terceira figura dos princípios do IJJR é '''[[Mariana Schryer]]'''. Psicóloga formada no Instituto, ela fugiu da Europa por conta do crescimento | Uma terceira figura dos princípios do IJJR é '''[[Mariana Schryer]]'''. Psicóloga judia formada no Instituto, ela fugiu da Europa por conta do crescimento do antisionismo na Europa. No Brasil, criou uma clínica psicológica para crianças no Rio de Janeiro, sendo possivelmente a primeira pessoa a praticar as ideias de Piaget no país. Ela também ocupou cargos relevantes em revistas, periódicos e em instituições de ensino, porém, infelizmente, sua história foi pouco estudada. | ||
=== Jean Piaget e uma nova orientação para Genebra === | === Jean Piaget e uma nova orientação para Genebra === | ||