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No Setor de Terapia Ocupacional (STO) do hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro, a psiquiatra revolucionou o tratamento dos pacientes psiquiátricos ao utilizar técnicas humanizadas que estimulavam a liberdade, criatividade, prazer, expressividade, dignidade e afetividade, através de atividades recreativas, culturais, criativas e expressivas. | No Setor de Terapia Ocupacional (STO) do hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro, a psiquiatra revolucionou o tratamento dos pacientes psiquiátricos ao utilizar técnicas humanizadas que estimulavam a liberdade, criatividade, prazer, expressividade, dignidade e afetividade, através de atividades recreativas, culturais, criativas e expressivas. | ||
Foi discípula de Carl Gustav Jung e fundou o Museu de Imagens do Inconsciente (MII), a Casa das Palmeiras e o Grupo de Estudos Carl Jung. | Foi discípula de [[Carl Jung|Carl Gustav Jung]] e fundou o Museu de Imagens do Inconsciente (MII), a Casa das Palmeiras e o Grupo de Estudos Carl Jung. | ||
A psiquiatra alagoana faleceu no Rio de Janeiro em outubro de 1999, aos 94 anos, por conta de uma insuficiência respiratória aguda. Nise da Silveira não chegou a constituir um movimento organizado em torno de seu nome, nenhuma escola ou doutrina foi proposta ao longo de seu projeto médico-científico. Entretanto, houve uma construção de pessoas, instituições e materialidades em torno de sua vida e obra, que persiste até os dias de hoje. | A psiquiatra alagoana faleceu no Rio de Janeiro em outubro de 1999, aos 94 anos, por conta de uma insuficiência respiratória aguda. Nise da Silveira não chegou a constituir um movimento organizado em torno de seu nome, nenhuma escola ou doutrina foi proposta ao longo de seu projeto médico-científico. Entretanto, houve uma construção de pessoas, instituições e materialidades em torno de sua vida e obra, que persiste até os dias de hoje. | ||
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===Nise e a Teoria Junguiana=== | ===Nise e a Teoria Junguiana=== | ||
Nise acreditava ter comprovado a tese de [[Carl | Nise acreditava ter comprovado a tese de [[Carl Jung|Jung]] sobre os arquétipos e a mente esquizofrênica, dado que chamava atenção para as mandalas, símbolos que denotam a tendência inconsciente a compensar o caos interior e buscar um ponto central, na psique, como tentativa de reconstruir a personalidade dividida. Sendo assim, Nise formulou o conceito de psicoterapia não verbal e metalinguagem a partir do conceito de plexo solar de Jung. | ||
Ela defendia que o indivíduo, através da psicoterapia não verbal, expressava-se em uma linguagem mais arcaica, universal e coletiva, a fim de mobilizar afetos profundamente depositados na primeira localização psíquica (plexo solar) e trazê-los à consciência. Traços mnêmicos de forte carga afetiva acumulados em centros psíquicos rudimentares não poderiam ser evocados a partir de instrumentos refinados como o dispositivo verbal. Desse modo, métodos mais simples como a dança, as representações mímicas, a pintura, a escultura, a música e afins eram mais eficazes na comunicação com os esquizofrênicos. Conforme Nise postulou: a ação terapêutica se insere a partir do momento em que o médico deseja se comunicar e compreender o seu doente, partindo assim do nível não verbal. | Ela defendia que o indivíduo, através da psicoterapia não verbal, expressava-se em uma linguagem mais arcaica, universal e coletiva, a fim de mobilizar afetos profundamente depositados na primeira localização psíquica (plexo solar) e trazê-los à consciência. Traços mnêmicos de forte carga afetiva acumulados em centros psíquicos rudimentares não poderiam ser evocados a partir de instrumentos refinados como o dispositivo verbal. Desse modo, métodos mais simples como a dança, as representações mímicas, a pintura, a escultura, a música e afins eram mais eficazes na comunicação com os esquizofrênicos. Conforme Nise postulou: a ação terapêutica se insere a partir do momento em que o médico deseja se comunicar e compreender o seu doente, partindo assim do nível não verbal. | ||
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===Carl Gustav Jung=== | ===Carl Gustav Jung=== | ||
As pesquisas de Nise foram aperfeiçoadas a partir do contato que travou com [[Carl Gustav Jung]], um dos maiores e mais influentes pensadores do século XX. Fundador da escola analítica de psicologia, Jung inspirou os estudos da alagoana sobre o inconsciente e teve em Nise da Silveira sua maior discípula no Brasil. Foi na [[Psicologia Analítica]], desenvolvida por Jung, que Nise identificou os fundamentos teóricos que a ajudariam a compor seu trabalho. O contato inicial ocorreu através da troca de correspondências, sendo aprofundado a partir da participação de Nise em um Congresso Internacional de Psiquiatria, realizado em 1957 em Zurique, na Suíça. | As pesquisas de Nise foram aperfeiçoadas a partir do contato que travou com [[Carl Jung|Carl Gustav Jung]], um dos maiores e mais influentes pensadores do século XX. Fundador da escola analítica de psicologia, Jung inspirou os estudos da alagoana sobre o inconsciente e teve em Nise da Silveira sua maior discípula no Brasil. Foi na [[Psicologia Analítica]], desenvolvida por Jung, que Nise identificou os fundamentos teóricos que a ajudariam a compor seu trabalho. O contato inicial ocorreu através da troca de correspondências, sendo aprofundado a partir da participação de Nise em um Congresso Internacional de Psiquiatria, realizado em 1957 em Zurique, na Suíça. | ||
Em 1949, Nise já descrevia o aparecimento de figuras circulares (mandalas) nos desenhos dos pacientes esquizofrênicos, sem conseguir, no entanto, aprofundar sua significação. Não compreendia o aparecimento de imagens “sadias” com outras que indicavam a “patologia” (cisão). Os estudos do psiquiatra suíço Carl Jung sobre as mandalas, atraíram a atenção de Nise da Silveira para suas teorias sobre o inconsciente. Em 1954, notando serem mandalas temas recorrentes nas pinturas de seus pacientes, ela escreveu uma carta endereçada a Jung indagando sobre questões referentes ao simbolismo da mandala. Sendo prontamente respondida, Jung lhe confirma o caráter compensatório dessas mandalas e seu potencial de ordem autocurativo. Esse fato marcou a introdução da psicologia junguiana no Brasil. | Em 1949, Nise já descrevia o aparecimento de figuras circulares (mandalas) nos desenhos dos pacientes esquizofrênicos, sem conseguir, no entanto, aprofundar sua significação. Não compreendia o aparecimento de imagens “sadias” com outras que indicavam a “patologia” (cisão). Os estudos do psiquiatra suíço Carl Jung sobre as mandalas, atraíram a atenção de Nise da Silveira para suas teorias sobre o inconsciente. Em 1954, notando serem mandalas temas recorrentes nas pinturas de seus pacientes, ela escreveu uma carta endereçada a Jung indagando sobre questões referentes ao simbolismo da mandala. Sendo prontamente respondida, Jung lhe confirma o caráter compensatório dessas mandalas e seu potencial de ordem autocurativo. Esse fato marcou a introdução da psicologia junguiana no Brasil. | ||
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== Ver também == | == Ver também == | ||
* [[Carl | * [[Carl Jung]] | ||
* [[Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro]] | * [[Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro]] | ||
* [[Movimento Antimanicomial]] | * [[Movimento Antimanicomial]] | ||