O Funcionalismo na Europa e suas Conexões com o Brasil: mudanças entre as edições

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== Um passeio por psicologias europeias ==
== Um passeio por psicologias europeias ==
Apesar do nome genérico “funcionalismo europeu”, que está correto por conta de suas muitas semelhanças entre os diferentes países do continente (principalmente a visão evolucionista), ele na verdade exclui a psicologia das ilhas britâncias, que seguiam um caminho próprio. Além disso, dentro da chamada Europa Continental, os diferentes países também têm histórias da psicologia próprias, com visões distintas e que refletem a cultura e a filosofia de cada um. Abaixo, são apresentadas as três psicologias europeias mais relevantes para a formação da psicologia brasileira, a saber, França, Alemanha e Rússia.  
Apesar do nome genérico “funcionalismo europeu”, que está correto por conta de suas muitas semelhanças entre os diferentes países do continente (principalmente a visão evolucionista), ele na verdade exclui a psicologia das ilhas britâncias, que seguiam um caminho próprio. Além disso, dentro da chamada Europa Continental, os diferentes países também têm histórias da psicologia próprias, com visões distintas e que refletem a cultura e a filosofia de cada um. Abaixo, são apresentadas as três psicologias europeias com conexões funcionalistas mais relevantes para a formação da psicologia brasileira, a saber, França, Alemanha e Rússia.  


Nestes três casos, é importante destacar que, nestes três casos, não se deve limitar a criação e circulação de ideias psicológicas apenas com questões geográficas, mas também culturais e de influência. A psicologia francesa estava em diálogo com '''países francófonos''' (como Bélgica e Suíça), a Alemanha com países da '''influência cultural gemânica''' (como Polônia, Suíça e Áustria) e a Rússia é, na verdade, a grande representante dos '''países eslavos'''.
Nestes três casos, é importante destacar que, não se deve limitar a criação e circulação de ideias psicológicas apenas com questões geográficas, mas também culturais e de influência. A psicologia francesa estava em diálogo com '''países francófonos''' (como Bélgica e Suíça), a Alemanha com países da '''influência cultural gemânica''' (como Polônia, Suíça e Áustria) e a Rússia é, na verdade, a grande representante dos '''países eslavos'''.


A psicologia na '''Itália''' teve também relevância por um período específico na psicologia educacional de São Paulo, com [[Clemente Quaglio]] e [[Ugo Pizzoli]]. Ademais, muitas vezes manuais '''portugueses''' e '''espanhois''' circulavam no Brasil, geralmente traduzindo elementos dos três principais países europeus e acrescentando elementos pontuais. Infelizmente, '''ideias não eslavas do leste europeu''' e elementos da psicologia produzida nos '''países nórdicos''', devido a problemas no idioma e à distância cultural, praticamente não apareceram no país, exceto por menções passageiras em livros e manuais importados da Europa e EUA.
A psicologia na '''Itália''' teve também relevância por um período específico na psicologia educacional de São Paulo, com [[Clemente Quaglio]] e [[Ugo Pizzoli]]. Ademais, muitas vezes manuais '''portugueses''' e '''espanhois''' circulavam no Brasil, geralmente traduzindo elementos dos três principais países europeus e acrescentando elementos pontuais. Infelizmente, '''ideias não eslavas do leste europeu''' e elementos da psicologia produzida nos '''países nórdicos''', devido a problemas no idioma e à distância cultural, praticamente não apareceram no país, exceto por menções breves em livros e manuais importados da Europa e EUA.


=== A psicologia na França ===
=== A psicologia na França ===
A psicologia floresceu na França de forma não linear e em grande diálogo com diferentes ciências e grupos profissionais. Isso ocorreu a partir de três linhagens mais ou menos simultâneas que, apesar de se comunicarem e até compartilharem nomes e conceitos, tinham diferenças importantes.  
A psicologia floresceu na França de forma não linear e em grande diálogo com diferentes ciências e grupos profissionais. Isso ocorreu a partir de três linhagens mais ou menos simultâneas que, apesar de se comunicarem e até compartilharem nomes e conceitos, tinham diferenças importantes.  


A primeira foi aquela desenvolvida na '''Salpetrière'''. Fundada em 1656 por decreto de Luís XIV, o hospital Pitié-Salpêtrière foi originalmente construído no prédio de uma antiga fábrica de pólvora, com o objetivo de abrigar um grande encarceramento. Prostitutas, mendigos, alcoolistas, órfãos, entre outros indesejados da sociedade eram agrupados no local.  
A primeira foi aquela desenvolvida na '''[[Salpetrière]]'''. Fundada em 1656 por decreto de Luís XIV, o hospital Pitié-Salpêtrière foi originalmente construído no prédio de uma antiga fábrica de pólvora, com o objetivo de abrigar um grande encarceramento. Prostitutas, mendigos, alcoolistas, órfãos, entre outros indesejados da sociedade eram agrupados no local.  


No final do século XVIII, '''[[Philippe Pinel]]''' foi nomeado médico-chefe da instituição e introduziu o tratamento moral, defendendo que os alienados mentais eram doentes que precisavam de cuidados médicos e compaixão. As políticas e ideias de Pinel e, posteriormente, [[Esquirol]], influenciaram de forma decisiva a psicologia e psiquiatria em várias partes do mundo.
No final do século XVIII, '''[[Philippe Pinel]]''' foi nomeado médico-chefe da instituição e introduziu o tratamento moral, defendendo que os alienados mentais eram doentes que precisavam de cuidados médicos e compaixão. As políticas e ideias de Pinel e, posteriormente, [[Esquirol]], influenciaram de forma decisiva a psicologia e psiquiatria em várias partes do mundo.


O hospital viveu sua era de ouro durante a administração do polêmico médico '''[[Jean-Martin Charcot]]''', já no século XIX. Ele conduziu a Salpetrière como um "museu patológico vivo", principalmente durante a chamada Grande Histeria. A '''[[histeria]]''' era uma doença considerada misteriosa na época. Sintomas como paralisias parciais, cegueira temporária, surdez temporária, entre outros, eram comuns e associados a conflitos psicológicos. Ela apresentava manifestações tanto físicas quanto psicológicas, e nenhum tratamento na época parecia ter efeito, nem nenhuma explicação parecia fazer sentido, principalmente devido à concepção dominante à época da total separação entre mente e corpo.
O hospital viveu sua era de ouro durante a administração do polêmico médico '''[[Jean-Martin Charcot]]''', já no século XIX. Ele conduziu a Salpetrière como um "museu patológico vivo", principalmente durante a chamada Grande Histeria. A '''[[histeria]]''' era uma doença considerada misteriosa na época. Sintomas como paralisias parciais, cegueira temporária, surdez temporária, entre outros, eram comuns e associados a conflitos psicológicos. Ela apresentava manifestações tanto físicas quanto psicológicas, e nenhum tratamento na época parecia ter efeito, nem nenhuma explicação era considerada suficiente, além de os tratamentos serem bastante limitados.


Nesse contexto, Charcot passou a empregar a '''[[hipnose]]''', uma técnica controversa que havia ressurgido no Ocidente após o [[Mesmerismo/Magnetismo Animal|mesmerismo]], para examinar e tratar pacientes histéricas. Suas demonstrações atraíam grandes públicos de toda a Europa. Ele selecionava uma paciente com um sintoma importante, a hipnotizava e, em seguida, demonstrava que, sob o transe hipnótico, o sintoma histérico desaparecia temporariamente, retornando logo depois. [[Sigmund Freud|Freud]] estava entre os observadores dessas controversas sessões de Charcot, entre muitos outros nomes importantes para o século XX. Alguns interpretavam que as demonstrações de Charcot na Salpetrière eram uma prova da origem inconsciente da histeria. Contudo, o próprio Charcot sustentava que a histeria era, na verdade, uma degeneração hereditária do sistema nervoso. De qualquer forma, a hipnose surgia no horizonte dos estudos psiquiátricos e psicológicos, da mesma forma que o inconsciente passou a ser um problema científico.
Nesse contexto, Charcot passou a empregar a '''[[hipnose]]''', uma técnica controversa que havia ressurgido no Ocidente após a expansão do [[Mesmerismo/Magnetismo Animal|mesmerismo]], para examinar e tratar pacientes histéricas. Suas demonstrações atraíam grandes públicos de toda a Europa. Nessas sessões, ele selecionava uma paciente com um sintoma importante, a hipnotizava e, em seguida, demonstrava que, sob o transe hipnótico, o sintoma histérico desaparecia temporariamente, retornando logo depois. Estava entre os observadores dessas controversas sessões de Charcot nomes importantes para o século XX, como [[Freud]], [[Pierre Janet]], [[William James]], [[Joseph Babinski]], [[Alfred Binet]], entre outros. Alguns interpretavam que as demonstrações de Charcot na Salpetrière eram uma prova da origem inconsciente da histeria. Contudo, o próprio Charcot sustentava que a histeria era, na verdade, uma degeneração hereditária do sistema nervoso. De qualquer forma, a hipnose surgia no horizonte dos estudos psiquiátricos e psicológicos, da mesma forma que o inconsciente passou a ser um problema científico.


O auge de Charcot na Salpetriêre caiu graças à '''[[Escola de Nancy]]''', um grupo de médicos radicados numa faculdade de medicina na cidade de Nancy, demonstrou, em 1882, que os fenômenos de melhora descritos por Charcot eram falsos e fruto de mera sugestão inconsciente. [[Hyppolyte Bernheim|Bernheim]], [[Jean-Pierre Liégeois|Liégeois]] e [[Henri-Étienne Beaunis|Beaunis]] trabalharam intensamente para mostrar que a histeria era um problema psicológico e que a hipnose não era um tratamento eficaz, o que trouxe um certo descrédito para a linhagem psicológica da Salpetrière. Contudo, ela deixou marcas importantes para a compreensão do psíquico, principalmente pela abertura ao estudo do inconsciente, do próprio uso da hipnose e do estudo dos estados patológicos.
O auge de Charcot na Salpetriêre caiu graças à '''[[Escola de Nancy]]''', um grupo de médicos radicados numa faculdade de medicina na cidade de Nancy, demonstrou, em 1882, que os fenômenos de melhora descritos por Charcot eram falsos e fruto de mera sugestão inconsciente. [[Hyppolyte Bernheim|Bernheim]], [[Jean-Pierre Liégeois|Liégeois]], [[Henri-Étienne Beaunis|Beaunis]] e outros trabalharam fortemente para mostrar que a histeria era um problema psicológico e que a hipnose não era um tratamento eficaz, o que trouxe um certo descrédito para a linhagem psicológica da Salpetrière. Contudo, ela deixou marcas importantes para a compreensão do psíquico, principalmente pela abertura ao estudo do inconsciente, do próprio uso da hipnose e do estudo dos estados patológicos.


Uma segunda linha foi desenvolvida na '''Universidade Sorbonne''', em Paris. Ela foi fundada em 1253 e, durante séculos, foi o epicentro das discussões religiosas na Europa. A universidade ficou fechada durante a Revolução Francesa e renasceu em 1806, sob o comando de Napoleão Bonaparte. O líder da França implementou uma série de reformas na educação superior, com inspiração na educação da Prússia.
Uma segunda linha foi desenvolvida na '''Universidade Sorbonne''', em Paris. Ela foi fundada em 1253 e, durante séculos, foi o epicentro das discussões religiosas na Europa. A universidade ficou fechada durante a Revolução Francesa e renasceu em 1806, sob o comando de Napoleão Bonaparte. O líder da França implementou uma série de reformas na educação superior, com inspiração na educação da Prússia.


Durante o período da Restauração, a Sorbonne ficou fortemente enviesada pelo [[cousinismo]], um movimento filosófico monarquista liderado por '''[[Victor Cousin]]'''. Ele acreditava que nenhuma escola filosófica detinha a verdade completa, mas que todas possuíam uma parcela de verdade. Sua proposta era selecionar os melhores elementos de cada sistema e superar a chamada “era das escolas”. Cousin usou de suas habilidades políticas e de sua força perante a nobreza para colocar seus seguidores nas melhores posições da educação francesa, o que incluía a Sorbonne. Neste sistema, uma psicologia experimental não tinha lugar, o que paralisou a psicologia experimental mas trouxe muitos ganhos numa psicologia filosófica, que influenciou os pensadores franceses posteriores. Com a instituição da Terceira República Francesa, o cousinismo começa a entrar em sua longa decadência.
Durante o período da Restauração, a Sorbonne ficou fortemente enviesada pelo [[cousinismo]], um movimento filosófico monarquista liderado por '''[[Victor Cousin]]'''. Ele acreditava que nenhuma escola filosófica detinha a verdade completa, mas que todas possuíam uma parcela de verdade. Sua proposta era selecionar os melhores elementos de cada sistema e superar a chamada “era das escolas”. Cousin usou de suas habilidades políticas e de sua força perante a nobreza para colocar seus seguidores nas melhores posições da educação francesa, o que incluía a Sorbonne. Neste sistema, uma psicologia experimental não tinha lugar, o que a paralisou, mas fomentou o desenvolvimento de uma psicologia filosófica, de grande importância para os pensadores franceses posteriores. Com a instituição da Terceira República Francesa, o cousinismo começa a entrar em sua longa decadência.


Neste ínterim, a psicologia experimental francesa persistia graças ao professor francês de filosofia '''[[Théodule Ribot]]''', que não era cousinista e fora sabotado por isso. Ele era um estudioso do movimento da psicologia científica da Alemanha, publicando a tese [[A Psicologia Inglesa Contemporânea]] e, posteriormente, [[A Psicologia Alemã Contemporânea]], também de grande sucesso. Ele pressionava o novo governo republicano a criar uma cadeira de Psicologia na Sorbonne que incorporasse as tendências da nova ciência, entendendo que a França estava ficando atrasada no movimento de criar essa nova ciência.
Neste ínterim, a psicologia experimental francesa persistia graças ao professor francês de filosofia '''[[Théodule Ribot]]''', que não era cousinista e, por conta disso, sofria sabotagem de seus colegas. Ele era um estudioso do movimento da psicologia científica da Alemanha, publicando a tese [[A Psicologia Inglesa Contemporânea]] e, posteriormente, [[A Psicologia Alemã Contemporânea]], também de grande sucesso. Ele pressionava o novo governo republicano a criar uma cadeira de Psicologia na Sorbonne que incorporasse as tendências da nova ciência, entendendo que a França estava ficando atrasada no movimento de criar essa nova ciência.


A pressão funcionou e a cadeira foi criada em 1881, dentro da Escola Prática de Altos Estudos. Contudo, quem assumiu o posto foi '''[[Jules Soury]]''', que era amigo do ministro da educação e mais interessado em história da psicologia do que na psicologia contemporânea. Uma segunda cadeira foi criada em 1884 e dada a '''[[Louis Liard]]''', que era um defensor da psicologia experimental e que promovia cursos abertos oferecidos por Ribot. Em 1898, uma terceira cadeira é criada e dada para [[Pierre Janet]].
A pressão funcionou e a cadeira foi criada em 1881, dentro da [[Escola Prática de Altos Estudos]]. Contudo, quem assumiu o posto foi '''[[Jules Soury]]''', que era amigo do ministro da educação e mais interessado em história da psicologia do que na psicologia contemporânea. Uma segunda cadeira foi criada em 1884 e dada a '''[[Louis Liard]]''', que era um defensor da psicologia experimental e que promovia cursos abertos oferecidos por Ribot. Em 1898, uma terceira cadeira é criada e dada para [[Pierre Janet]].


A terceira linha de psicologia na França é a do '''Collège de France'''. Fundado em 1530 pelo rei Francisco I a pedido do filósofo humanista Guilherme Budé, o Collège nasceu como uma resposta à rigidez da Sorbonne, que focava apenas em dogmas religiosos. O Collège de France, originalmente chamado de Collège Royal, foi criado para ensinar disciplinas consideradas inferiores na época, como línguas, matemática e filosofia não religiosa.  
A terceira linha de psicologia na França é a do '''Collège de France'''. Fundado em 1530 pelo rei Francisco I a pedido do filósofo humanista Guilherme Budé, o Collège nasceu como uma resposta à rigidez da Sorbonne, que focava apenas em dogmas religiosos. O Collège de France, originalmente chamado de Collège Royal, foi criado para ensinar disciplinas consideradas inferiores na época, como línguas, matemática e filosofia não religiosa.  


Diferente das universidades, o Collège não tem alunos matriculados, exames nem emite diplomas. Sua missão é ensinar abertamente o conhecimento que está em processo de criação, o que atraiu as mentes mais brilhantes de cada época e transformou a instituição em um termômetro da inovação científica e intelectual da França. Trabalharam lá personagens como Claude Bernard (maior fisiologista da história), Champollion (decifrador da escrita egípcia), Fernando Henrique Cardoso (sociólogo e presidente do Brasil), [[Michel Foucault]] (filósofo do século XX), Roland Barthes (linguista), entre outros.
Diferente das universidades, o Collège não tem alunos matriculados, exames nem emite diplomas. Sua missão é ensinar abertamente o conhecimento que está em processo de criação, o que atraiu as mentes mais brilhantes de cada época e transformou a instituição em um termômetro da inovação científica e intelectual da França. Trabalharam lá personagens como [[Claude Bernard]] (maior fisiologista da história), Champollion (decifrador da escrita egípcia), Fernando Henrique Cardoso (sociólogo e presidente do Brasil), [[Michel Foucault]] (filósofo do século XX), Roland Barthes (linguista), entre outros.


Em 1887, Renan, administrador do Collège, criou a cadeira de Psicologia Experimental e Comparada, devido à pressão do Ministério da Educação. Após uma disputa política, Ribot foi indicado para a cadeira, que assumiu em 1888. Ribot não apenas assumiu o posto, ele também atuou na criação de periódicos, na promoção de cursos, entre outras ações que ajudaram na consolidação da psicologia científica na França.  
Em 1887, Renan, administrador do Collège, criou a cadeira de Psicologia Experimental e Comparada, devido à pressão do Ministério da Educação. Após uma disputa política, Ribot foi indicado para a cadeira, que assumiu em 1888. Ribot também atuou na criação de periódicos, na promoção de cursos, entre outras ações que ajudaram na consolidação da psicologia científica na França.  


Os franceses criaram seu '''primeiro laboratório em 1889''', quando '''[[Henri-Étienne Beaunis]]''', um estudioso do movimento da psicofísica, se uniu a Ribot para pressionar as instituições que tinham cadeiras de psicologia colaborassem na criação de um laboratório. O projeto foi aprovado e Liard, catedrático da Sorbonne, enviou uma carta a Wundt pedindo instruções para a construção de um laboratório. Sob essas instruções e orientações, ele foi instalado na Escola Prática de Altos Estudos como parte da Sorbonne, sob a liderança do próprio Beaunis e tendo '''[[Alfred Binet]]''' como assistente. Posteriormente, Binet cria o primeiro teste de inteligência bem-sucedido da história, a [[Escala Binet-Simon]].  
Os franceses criaram seu '''primeiro laboratório em 1889''', quando '''[[Henri-Étienne Beaunis]]''', oriundo da Escola de Nancy e um estudioso do movimento da psicofísica, se uniu a Ribot para pressionar as instituições que tinham cadeiras de psicologia colaborassem na criação de um laboratório. O projeto foi aprovado e Liard, catedrático da Sorbonne, enviou uma carta a Wundt pedindo instruções para a construção de um laboratório. Sob essas instruções e orientações, ele foi instalado na Escola Prática de Altos Estudos como parte da Sorbonne, sob a liderança do próprio Beaunis e tendo '''[[Alfred Binet]]''' como assistente. Posteriormente, Binet cria o primeiro teste de inteligência bem-sucedido da história, a [[Escala Binet-Simon]].  


==== Influência francesa na psicologia brasileira ====
==== Influência francesa na psicologia brasileira ====
A história da psicologia e da psiquiatria na França, conforme descrita no texto, possui conexões, muitas vezes indiretas, mas significativas, com o desenvolvimento dessas áreas no Brasil. Os personagens centrais das três linhagens francesas – Salpêtrière, Sorbonne e Collège de France – influenciaram a formação de pensamento e a prática clínica e o pensamento acadêmico brasileiro, especialmente no final do século XIX e no início do XX.
A história da psicologia e da psiquiatria na França, conforme descrita no texto, possui conexões muitas vezes indiretas, mas significativas para o desenvolvimento dessas áreas no Brasil. As instituições centrais das três linhagens francesas – Salpêtrière, Sorbonne e Collège de France – influenciaram a formação de pensamento e a prática clínica e o pensamento acadêmico brasileiro, especialmente no final do século XIX e no início do XX.


A figura de Jean-Martin Charcot e seus estudos na Salpêtrière sobre a histeria e a hipnose tiveram um impacto importante na psiquiatria brasileira que, na virada do século, era fortemente influenciada pela escola francesa. Isso pode ser observado nos títulos de hospitais e pavilhões homenageando médicos franceses pelo país.
A figura de '''Jean-Martin Charcot''' e seus estudos na Salpêtrière sobre a histeria e a hipnose tiveram um impacto importante na psiquiatria brasileira que, na virada do século, era fortemente influenciada pela escola francesa. Isso pode ser observado nos títulos de hospitais e pavilhões homenageando médicos franceses pelo país.


Apesar de Théodule Ribot não ter trazido nenhum impacto relevante para o Brasil, Alfred Binet, teve um papel fundamental. Sua psicologia experimental, com seu foco em métodos científicos e modelos de avaliação e testagem da criança, foi o modelo que o Brasil buscou importar para estabelecer a disciplina como ciência. A criação do primeiro laboratório de psicologia no Brasil, no [[Pedagogium]] do Rio de Janeiro, 1904, por [[Manoel Bomfim]], seguiu a inspiração direta de Binet.  
Apesar de Théodule Ribot não ter trazido nenhum impacto relevante para o Brasil, '''Alfred Binet''', teve um papel fundamental. Sua psicologia experimental, com seu foco em métodos científicos e modelos de avaliação e testagem da criança, foi o modelo que o Brasil buscou importar para estabelecer a disciplina como ciência. A criação do primeiro laboratório de psicologia no Brasil, no [[Pedagogium]] do Rio de Janeiro, 1904, por [[Manoel Bomfim]], seguiu a inspiração direta de Binet.  


Outra figura influente para o pensamento psicológico e psiquiátrico brasileiro foi o de '''Pierre Janet''', que chegou a visitar o Brasil no começo do século XX. Ele era visto por muitos como a principal figura global da saúde mental e do estudo dos estados inconscientes, e seu modelo de psiquiatria tinha muitos seguidores por aqui. Infelizmente, graças à sua disputa com Freud, sua relevância parece ser sido esquecida.
Outra figura influente para o pensamento psicológico e psiquiátrico brasileiro foi o de '''[[Pierre Janet]]''', que chegou a visitar o Brasil no começo do século XX. Ele era visto por muitos como a principal figura global da saúde mental e do estudo dos estados inconscientes, e seu modelo de psiquiatria tinha muitos seguidores por aqui. Infelizmente, graças à sua disputa com Freud e a questões históricas da França, sua relevância parece ser sido esquecida.


=== A psicologia na Alemanha ===
=== A psicologia na Alemanha ===