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(→O Instituto Jean-Jacques Rousseau: Pequenas correções complementares) |
(→Édouard Claparède e a Teoria Genético-Funcional: Pequenas correções complementares) |
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=== Édouard Claparède e a Teoria Genético-Funcional === | === Édouard Claparède e a Teoria Genético-Funcional === | ||
Conforme o pensamento de Claparède, os seres humanos têm diferentes '''necessidades''', cuja origem são motivações internas do sujeito. Com isso, ele relativiza o pensamento comportamentalista, que propõe que o comportamento vem da resposta a estímulos externos do indivíduo. | Conforme o pensamento de Claparède, os seres humanos têm diferentes '''necessidades''', cuja origem são motivações internas do sujeito. Com isso, ele relativiza o pensamento comportamentalista, que propõe que o comportamento vem da resposta a estímulos externos do indivíduo e se coloca do lado do funcionalismo. Para ele, a melhor forma de entender os fenômenos psicológicos seria compreender seu papel na satisfação dessas necessidades, ou seja, na sua utilidade na adaptação do organismo ao ambiente. De forma geral, a questão pode ser analisada se perguntando “para que serve” determinada função, como o sono, a infância, a vontade, entre outros. Todas as funções mentais respondem a uma necessidade, pois tem uma utilidade evolutiva e adaptativa. | ||
Destes princípios advém o que Claparède chamou de '''Lei do interesse'''. Nessa lei, as necessidades precisam ser convertidas em condutas ou comportamentos para que a necessidade possa ser satisfeita, o que ocorre em nível psicológico. Dessa forma, o interesse é o princípio fundamental da atividade mental. Ele traduz a necessidade em um fim psicológico, colocando o indivíduo como agente ativo de sua própria conduta. O interesse expressa também a ligação de entre o indivíduo e o objeto que, em determinado momento, o interessa, ou seja, é significativo para ele. Não se trata de uma característica intrínseca das coisas, mas de uma relação que surge quando essas mesmas coisas se conectam a uma necessidade. Assim, algo só se torna interessante na medida em que pode orientar a conduta do sujeito na direção que lhe é relevante. | Destes princípios advém o que Claparède chamou de '''Lei do interesse'''. Nessa lei, as necessidades precisam ser convertidas em condutas ou comportamentos para que a necessidade possa ser satisfeita, o que ocorre em nível psicológico. Dessa forma, o interesse é o princípio fundamental da atividade mental. Ele traduz a necessidade em um fim psicológico, colocando o indivíduo como agente ativo de sua própria conduta. O interesse expressa também a ligação de entre o indivíduo e o objeto que, em determinado momento, o interessa, ou seja, é significativo para ele. Não se trata de uma característica intrínseca das coisas, mas de uma relação que surge quando essas mesmas coisas se conectam a uma necessidade. Assim, algo só se torna interessante na medida em que pode orientar a conduta do sujeito na direção que lhe é relevante. | ||
Conectadas necessidades, interesses e objetos, tem-se que o desenvolvimento da vida mental depende da distância entre as necessidades e os recursos disponíveis para atendê-las. Quando essa distância é inexistente, como acontece nos processos automáticos de respiração, reflexos pupilares, tosse, espirro, secreções, entre outros, não há esforço mental envolvido. As condutas necessárias para satisfazer essas necessidades acontecem de forma automática. Já quando a diferença entre o interesse e o objeto é | Conectadas as necessidades, os interesses e os objetos, tem-se que o desenvolvimento da vida mental depende da distância entre as mesmas necessidades e os recursos disponíveis para atendê-las. Quando essa distância é inexistente, como acontece nos processos automáticos saudáveis de respiração, reflexos pupilares, tosse, espirro, secreções, entre outros, não há esforço mental envolvido. As condutas necessárias para satisfazer essas necessidades acontecem de forma automática. Já quando a diferença entre o interesse e o objeto é maior, como acontece, por exemplo, quando estamos com fome e precisamos providenciar alimentos no ambiente, ela impulsiona os indivíduos a criar coisas, como instrumentos de caça, a pesca e a agricultura. Desse modo, a atividade mental se amplia de forma significativa. É o que Claparède chama de '''Lei da extensão da vida mental'''. Em outras palavras, o desenvolvimento da vida mental é proporcional à distância entre a necessidade e os meios disponíveis para satisfazê-la. Quanto maior o desafio, maior a atividade mental. | ||
A lei da extensão da vida mental traz como consequência a '''Lei da tomada de consciência''', e ela está diretamente conectada à familiaridade dos problemas. Quanto menos familiar, mais rapidamente o indivíduo se dá conta dele e recorre à consciência para buscar uma solução. O contrário também é verdadeiro, ou seja, quanto mais conhecido for o problema e quanto mais sua solução depender de automatismos já adquiridos (como o respirar ou mesmo comportamentos já bem estabelecidos), menor será a necessidade de recorrer à consciência. Esse modelo também foi adotado pelos funcionalistas norte-americanos. Em outras palavras, problemas novos ou pouco familiares exigem consciência. Já problemas rotineiros podem ser resolvidos por automatismos. | A lei da extensão da vida mental traz como consequência a '''Lei da tomada de consciência''', e ela está diretamente conectada à familiaridade dos problemas. Quanto menos familiar, mais rapidamente o indivíduo se dá conta dele e recorre à consciência para buscar uma solução. O contrário também é verdadeiro, ou seja, quanto mais conhecido for o problema e quanto mais sua solução depender de automatismos já adquiridos (como o respirar ou mesmo comportamentos já bem estabelecidos), menor será a necessidade de recorrer à consciência. Esse modelo também foi adotado pelos funcionalistas norte-americanos. Em outras palavras, problemas novos ou pouco familiares exigem consciência. Já problemas rotineiros podem ser resolvidos por automatismos. | ||