A Epistemologia Genética é a ciência teórica e empírica que estuda a formação, o significado e o desenvolvimento do conhecimento. Ela foi formulada pelo biólogo, psicólogo e epistemólogo suíço Jean Piaget, majoritariamente na Universidade de Genebra e no Centro Internacional de Epistemologia Genética, na mesma cidade. Diferentemente da psicologia da criança, que estuda o indivíduo por si mesmo, a epistemologia genética tem como objeto central a investigação da própria natureza do conhecimento e das relações cognitivas entre o sujeito e os objetos, utilizando a psicologia genética como ferramenta para solucionar problemas epistemológicos gerais. Nesta disciplina, o foco não recai nas variações individuais, mas sim sobre o "sujeito epistêmico", definido como o núcleo de mecanismos e coordenações cognitivas comuns a todos os indivíduos em um mesmo nível de desenvolvimento.

A categoria “Epistemologia Genética no Brasil” é uma classificação secundária de verbetes da WikiHP e indicam sua inclusão no projeto complementar dentro da Enciclopédia Eletrônica de História da Psicologia (WikiHP) que visa identificar elementos relevantes para a chegada, recepção e circulação das ideias e propostas de Jean Piaget no Brasil e, a partir disso, criar verbetes que tornem este conhecimento acessível e democrático.

Quando aplicar a categoria “Epistemologia Genética no Brasil”Editar

Todos os verbetes categorizados assim devem, primeiro, serem classificados conforme as categorias já disponíveis na WikiHP. Não deve haver verbetes exclusivos para esta categoria, que funciona como complementar ao acervo de organização da enciclopédia. Para todos os casos, a classificação Epistemologia Genética no Brasil deve ser a categoria secundária, e a categoria primária deve ser alguma das categorias já disponíveis e suas normas e parâmetros tornam-se automaticamente as principais do verbete.

A categoria secundária Epistemologia Genética no Brasil deve ser aplicada em todos os casos em que se identificar alguma relação direta ou significativa entre o objeto do verbete e a epistemologia genética no Brasil. Entende-se como significativa um papel ativo na chegada, recepção e circulação das ideias e propostas de Jean Piaget no Brasil. Isto pode incluir experimentos conduzidos com base nas ideias de Piaget, instituições que se valeram de forma importante da Epistemologia Genética ou de suas teorias acessórias, livros dedicados à Epistemologia Genética, legislações criadas com fundamento no pensamento piagetiano, personagens que escreveram textos sobre o assunto, entre outros. Relações menores, como menções, discussões de pouca monta ou outras conexões de reduzida importância não devem gerar uma classificação secundária com a epistemologia genética. Essa norma geral vale para todas as categorias.

Seções do verbeteEditar

De forma geral, as normas para atribuição do título, construção do cabeçalho, história, contribuições, influências, críticas, entre outras seções do verbete são as mesmas da categoria principal. As regras gerais de seções, como as que versam sobre links, autoria, uso de inteligência artificial, entre outras também são plenamente aplicáveis a verbetes categorizados de forma secundária como Epistemologia Genética no Brasil.

Sempre que a relação do objeto do verbete com a Epistemologia Genética não for clara e direta, é desejável que se inclua uma seção dedicada a mostrar essa conexão, seja dentro das normas gerais da categoria principal do verbete, seja como uma seção dedicada, a depender do caso e das escolhas dos autores.

Sobre a Epistemologia GenéticaEditar

A Epistemologia Genética é uma disciplina científica, tanto teórica quanto experimental, dedicada a investigar as origens, a evolução e a validade do conhecimento humano. Desenvolvida pelo epistemólogo, psicólogo e biólogo suíço Jean Piaget, a teoria foi consolidada principalmente na Universidade de Genebra e no Centro Internacional de Epistemologia Genética a partir de teorias e experimentos elaborados e discutidos em ambientes onde se valorizava a interdisciplinaridade.

Sendo uma área essencialmente interdisciplinar, seu objetivo maior é explicar como ocorre a transição de um estado de menor conhecimento para um estado de conhecimento superior e mais válido. Para isso, recorre a uma tripla abordagem: a psicogenética (o estudo do desenvolvimento mental desde o nascimento), a sociogenética (a história do pensamento científico) e a lógico-matemática (a formalização das estruturas do pensamento), em uma interrelação complexa, cristalizada em uma refinada teoria de base empírica.

O cerne da epistemologia genética reside na rejeição de duas correntes filosóficas clássicas. A primeira é o empirismo, que concebe o conhecimento como uma cópia passiva da realidade externa impressa nos sentidos. A segunda é o inatismo (ou apriorismo), que postula que as categorias fundamentais do saber já nascem pré-formadas internamente no sujeito. Em oposição a ambas as perspectivas, Piaget propõe uma outra abordagem, denominada de construtivismo interacionista. Nessa visão teórica, o conhecimento não é um dado pré-existente no mundo ou na mente, mas o resultado de uma construção contínua gerada pela indissociável interação entre o sujeito em sua relação com o mundo físico ou social. Assim, na epistemologia genética, o sujeito não descobre ideias prontas, ele as cria e reconstrói através da sua própria atividade.

O progresso cognitivo é impulsionado por mecanismos derivados diretamente do funcionamento biológico do organismo, em especial a adaptação, que ocorre mediante a interação de duas funções complementares, quais sejam, a assimilação e a acomodação. A assimilação é a incorporação dos dados da realidade aos esquemas mentais e de ação já existentes no sujeito, enquanto a acomodação é a modificação estrutural desses mesmos esquemas para dar conta das exigências e particularidades da nova realidade encontrada.

O motor que regula essas duas funções é a equilibração, um processo dinâmico de autorregularão que visa compensar perturbações externas ou lacunas internas. A equilibração conduz o pensamento do sujeito de estados de equilíbrio instáveis e restritos para patamares de equilíbrio sucessivamente mais complexos, coerentes e móveis. Este desenvolvimento manifesta-se no decorrer de grandes estágios universais de evolução, denominados sensório-motor, pré-operatório, operatório-concreto e operatório-formal cada um representando uma nova estrutura de conjunto que integra os ganhos anteriores.

A transição para as formas de raciocínio mais avançadas e abstratas depende fundamentalmente do processo de abstração reflexionante. Ao contrário da abstração empírica, em que ocorre apenas a extração das propriedades observáveis dos objetos físicos, como cor e peso, na abstração reflexionante o sujeito retira as suas informações da própria coordenação das ações do sujeito, projetando essas estruturas da ação para um plano mental superior e reorganizando-as em novas operações lógicas.

Em suma, a epistemologia genética de Piaget logrou êxito ao transformar indagações filosóficas e ontológicas seculares, tais como "o que é a realidade?" ou "como se dá o conhecimento?", em questões passíveis de estudo científico e psicológico. A Epistemologia Genética e o pensamento de Jean Piaget valorizam os problemas filosóficos da origem do conhecimento, mas vale-se de bases empíricas oriundas da psicologia para analisar tais problemas e propor soluções experimentalmente fundamentadas.

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