Na história da psicologia, instrumentos são tecnologias, dispositivos ou procedimentos que se apoiam em suportes materiais ou digitais com o objetivo de traduzir, registrar ou representar aspectos do comportamento, da mente, da subjetividade ou de fenômenos psicológicos em geral. Esses instrumentos operam como mediadores entre a experiência humana e os sistemas de conhecimento psicológico, permitindo que dados subjetivos ou comportamentais sejam convertidos em formas observáveis, comparáveis ou analisáveis, como gráficos, laudos, imagens, escalas ou registros escritos.
Em outras palavras, os instrumentos são recursos que transformam fenômenos psicológicos em objetos de análise, contribuindo para a produção de conhecimento, a prática profissional ou a formação em psicologia. Eles não se confundem com métodos ou técnicas, se diferenciando destas principalmente por envolverem suporte físico ou digital padronizado. Os verbetes não devem reduzir os instrumentos a simples ferramentas de mensuração, pois sua história revela disputas epistemológicas, transformações tecnológicas e mudanças nas formas de compreender o humano na psicologia.
- Testes psicológicos padronizados, como o Teste de Rorschach, o WAIS (Escala de Inteligência Wechsler para Adultos) ou o Inventário Beck de Depressão;
- Dispositivos laboratoriais, como o cronoscópio de Wundt ou o labirinto de Skinner, usados em experimentos de psicologia experimental;
- Plataformas digitais de avaliação psicológica, como softwares de aplicação remota de testes ou sistemas informatizados de triagem clínica, podendo incluir métodos baseados em inteligência artificial, a depender do caso;
- Protocolos terapêuticos estruturados, como o diário cognitivo-comportamental ou fichas de registro de emoções em intervenções clínicas.
Cada verbete dessa categoria deve apresentar não apenas a descrição técnica do instrumento, mas sobretudo sua trajetória histórica, incluindo como surgiu, em que contexto teórico e social foi desenvolvido, quais transformações sofreu ao longo do tempo, e como foi apropriado, adaptado ou criticado em diferentes momentos e lugares, especialmente no Brasil.
Além disso, é importante considerar os debates éticos, epistemológicos e políticos que envolvem o uso de instrumentos na psicologia, como as críticas à padronização excessiva, à medicalização da subjetividade ou à exclusão de saberes não hegemônicos.
Essa categoria permite compreender como a psicologia se constituiu como ciência e prática por meio de dispositivos que moldam o olhar, organizam a escuta e estruturam a intervenção — revelando, assim, os valores e paradigmas que sustentam cada época.
TítuloEditar
Como regra geral, se deve utilizar o nome completo do instrumento, a partir de seu nome público, ainda que eventualmente este difira do nome registrado oficialmente. Para o caso de um instrumento muito conhecido, o título deve refletir este nome, exceto se for pejorativo ou distorça excessivamente sua natureza, objetivos ou constituição.
Um exemplo disso é o teste de Rorschach. Originalmente, o criador do teste, o psiquiatra suíço Hermann Rorschach, queria que seu teste se chamasse algo como “Psicodiagnóstico com Base em Imagens sem Autoria”, mas seu editor o convenceu a chamar o instrumento apenas de “Psicodiagnóstico”. Apesar do seu nome oficial ser simples e direto, o teste ficou conhecido como Teste de Rorschach entre profissionais da saúde mental, e Teste das Manchas para o público em geral. Neste caso, autores de um verbete sobre o assunto devem escolher Teste de Rorschach, seu nome mais famoso. O nome original, “Psicodiagnóstico”, além de atrapalhar os usuários da WikiHP em localizar informações sobre o teste, ainda pode confundi-los devido ao homônimo com o processo de psicodiagnóstico. Já Teste das Manchas distorce o sentido e a natureza do teste, reduzindo-o ao mero uso das manchas. Contudo, todos estes nomes devem constar no texto do verbete, com as devidas explicações, o que auxilia o leitor a compreender de forma mais ampla o contexto do instrumento.
CabeçalhoEditar
O cabeçalho é uma seção obrigatória para todos os verbetes enquadrados nesta categoria e deve conter o nome resumido do instrumento, o nome completo, bem como suas variações consagradas popularmente ou entre os profissionais. Deve ser incluído também o nome do instrumento em seu idioma original, quando for estrangeiro. Ainda no cabeçalho, se deve adicionar a data de criação do instrumento; a data de publicação do original; e, quando houver, no Brasil o local da publicação original e; quando houver, no Brasil, a natureza do instrumento; seu tipo; utilidade e aplicações; constructos avaliados; suas bases teóricas e os atuais proprietários dos direitos autorais no Brasil. O cabeçalho deve conter também um brevíssimo histórico. Todos os elementos apresentados precisam estar escritos na forma de uma narrativa fluida e interessante para o leitor.
HistóriaEditar
Uma seção sobre a história do instrumento é obrigatório e deverá conter informações sobre a história e os acontecimentos que marcam a trajetória do instrumento até os dias de hoje. Elementos úteis para esta história incluem as primeiras concepções, tentativas iniciais, inspirações utilizadas pelos criadores do instrumento, as dificuldades encontradas na criação, os modelos teóricos utilizados, percalços no processo de validação, os locais onde foi criado e testado, como foi disponibilizado ao público e seus usos principais. Além disso, se recomenda incluir uma subseção que indique os impactos, consequências ou relevância do instrumento para a psicologia.
Em caso de um instrumento com versão corrente no Brasil, deve-se também apresentar a história de sua chegada e validação no país, incluindo os envolvidos na tradução e na adaptação, os locais onde foram feitos os testes e as motivações e possíveis aplicações que motivaram a importação e adaptação do instrumento.
Alguns instrumentos possuem uma história bastante rica e cheia de acontecimentos e reviravoltas. É necessário procurar cobrir todas elas, ainda que sejam repetidas em outras seções específicas. A exceção são as críticas ao instrumento, que devem ser reservadas à seção de acordo, exceto no caso de instrumentos com largo histórico de uso para violação dos direitos humanos.
MateriaisEditar
É obrigatória a escrita de uma seção dedicada aos materiais que são parte do instrumento. Ela deve conter a descrição do suporte material do instrumento, o que pode incluir folhas, cadernos, peças, partes móveis e o que mais participar da estrutura física.
Nos casos de instrumentos cuja composição varia conforme a edição, deve-se prioritariamente descrever a composição de cada versão e, nos casos em que isso não for possível, a descrição da composição das versões em que isso é possível, alertando o leitor da limitação do verbete. Nomes estrangeiros sem tradução consolidada devem ser escritos no original, acompanhados de uma tradução livre ou explicação.
Deve-se incluir entre os materiais os manuais do instrumento, incluindo manuais de aplicação, resumos, máscaras, entre outros.
Alguns instrumentos são bastante simples, limitando-se a uma folha ou mesmo sendo apenas um livro ou manual. Nestes casos, é necessária uma descrição sumária do conteúdo.
Constructo avaliadoEditar
Todo instrumento foi desenvolvido para avaliar um ou um conjunto de constructos ou conceitos. Isso torna obrigatória uma seção dedicada a este assunto. Em geral, o constructo aparece no manual do instrumento, mas pode ser grafado de outra forma.
Existem casos de instrumentos que contêm manuais com longas explicações sobre o constructo avaliado ou medido, e, nestes casos, deve-se fazer um resumo deste conteúdo, que deve ser fundamentado principalmente em fonte primária. No caso da ausência de uma descrição primária detalhada, deve-se adotar fontes secundárias para complementar a seção.
Alguns constructos podem ser polêmicos, o que atrai críticas. Neste caso, elas devem ficar restritas à seção de críticas. Em outros casos, o constructo pode ser bastante complexo e avançado, o que vai demandar dos autores maior cuidado para manter as sutilezas e complexidade do assunto sem renunciar à função explicativa e simplificadora dos verbetes da WikiHP.
Nos casos em que isso for possível, deve-se incluir os parâmetros de avaliação utilizados pelo instrumento, mas deve-se evitar detalhes técnicos de natureza matemática, devido às limitações de funcionamento da plataforma para este tipo de conteúdo no momento.
Modo de avaliaçãoEditar
A forma de avaliar os dados obtidos pelo instrumento é essencial para sua compreensão, o que torna uma seção destinada ao assunto também obrigatória. Se deve buscar descrever as etapas de aplicação do instrumento, incluindo o funcionamento dos objetos que o compõe e quaisquer outros instrumentos adotados na sua utilização.
Da mesma forma do que se espera para a seção Constructo avaliado, deve-se utilizar principalmente de fontes primárias para a construção desta seção. No caso de ausência de uma descrição primária detalhada, deve-se adotar fontes secundárias como recurso alternativo. Alguns instrumentos possuem versões diferentes que trouxeram mudanças nos procedimentos adotados. Nestes casos, é opção do autor descrever os procedimentos para cada edição. De forma alternativa, adota-se a descrição cuja fonte primária é mais detalhada, alertando o leitor sobre esta limitação. Nos casos dos instrumentos cuja aplicação ou funcionamento não é conhecido, se deve incluir esta informação.
As instruções para correção ou avaliação do instrumento também devem ser apresentadas de modo sumário, indicando genericamente o que se considera nesta etapa de avaliação e indicando, com clareza, os possíveis resultados que podem ser obtidos com a aplicação e análise dos dados do instrumento.
Edições e versõesEditar
Quando um instrumento possui mais de uma edição ou versão, estas devem ser incluídas no verbete, em uma seção específica. Neste caso, as informações a serem acrescentadas incluem anos, editoras ou empresas, autores ou criadores, tradutores e equipe de validação, entre outras. Se for possível e se assim o autor do verbete o desejar, pode-se utilizar do recurso tabela para permitir a comparação das versões.
Contextos de utilizaçãoEditar
Cada instrumento é desenvolvido ou recomendado para certos públicos, contextos ou finalidades, voltando-se para finalidades específicas e recomendadas pelos autores e equipe de validação do material no Brasil. Estas informações são obrigatórias para todos os verbetes nesta categoria e devem estar dispostas em seção específica, ainda que já conste em outro lugar do verbete.
Nos casos de instrumentos de psicologia como ciência básica, deve-se mencionar os laboratórios que utilizaram o instrumento e, se forem muitos, se destaca então os principais. Nos casos de instrumentos de psicologia como ciência aplicada, deve-se descrever os contextos em que é mais utilizado, principalmente por áreas de aplicação (p.e. Psicologia Escolar). Contudo, os autores do verbete podem utilizar de outras descrições de contextos que julgarem mais pertinentes, de acordo com a literatura consultada.
É nesta seção que se deve mencionar se o instrumento pode ser utilizado por profissionais conforme os parâmetros do Satepsi (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos) do Conselho Federal de Psicologia, junto da data em que esta informação foi coletada.
Nos casos dos instrumentos com aplicações e usos problemáticos ou alvo de denúncia de violação dos direitos humanos, estes devem ser destinados a seções específicas dentro desta mesma seção ou em seção específica dentro da seção Críticas.
Instituições, grupos e personagens importantesEditar
Embora não obrigatória, esta seção é recomendada sempre que houver agentes históricos relevantes envolvidos nas diferentes etapas de desenvolvimento, validação, difusão ou aplicação do instrumento abordado no verbete.
A seção deve ser organizada em subseções dedicadas a cada instituição, grupo ou personagem que tenha desempenhado um papel significativo na trajetória do instrumento, desde sua concepção inicial até suas formas de uso em contextos profissionais, acadêmicos ou institucionais.
Cada subseção deve trazer:
- Uma breve apresentação do agente (instituição, grupo ou indivíduo), com informações essenciais para situá-lo historicamente;
- Uma descrição clara de sua relação com o instrumento, destacando ações, decisões, contribuições ou posicionamentos relevantes;
- Quando pertinente, o contexto em que essa atuação ocorreu (por exemplo, debates acadêmicos, políticas públicas, reformas curriculares, disputas éticas).
Informações biográficas ou institucionais mais amplas devem ser evitadas nesta seção, sendo destinadas para verbetes dedicados específicos.
O foco deve permanecer na conexão entre os agentes destacados e o instrumento em questão, contribuindo para uma compreensão mais rica e contextualizada de sua história e de seus desdobramentos.
CríticasEditar
Os instrumentos podem ser alvo de críticas, incluindo sobre suas propriedades psicométricas, suas limitações, validade ou até existência, constructo medido pelo instrumento ou críticas sobre o seu uso, entre outros. Os autores de um verbete podem ou não adicionar uma seção destinada a estas críticas, porém, quando elas são abundantes e existe literatura consistente sobre o problema, é recomendável que tal seção seja criada.
Eventualmente, as críticas voltam-se para instrumentos envolvidos, direta ou indiretamente, em formas de violações dos direitos humanos. Nestes casos, a seção de críticas é obrigatória, desde que amparada em literatura especializada.
Deve-se evitar deixar que a seção de críticas seja a mais longa das seções e subseções dedicadas à história em si do instrumento, mesmo se este tiver natureza polêmica e controversa. Como a WikiHP é uma enciclopédia com temática histórica, as críticas deverão ser expostas de forma sumária, salvo nos casos em que as críticas sejam os eventos mais relevantes e definidores do tema. Os verbetes que utilizarem desta seção deverão nomeá-la por Críticas. Podem ser utilizadas subseções para organizar os diferentes tipos de críticas ou mesmo os diferentes autores que as propõe.
PolêmicasEditar
A depender da história do instrumento que é objeto do verbete, uma seção de polêmicas pode ou não ser obrigatória. Caso os autores decidam incluir uma seção de polêmicas, ela deve mencionar ocorrências na elaboração, aplicação ou atualização do instrumento que tenham refletido em uma repercussão polêmica.
Deve-se evitar que esta seção se torne a maior ou a principal do verbete, exceto se o instrumento tiver um histórico de ser utilizado para cometer violações dos direitos humanos ou for fundamentado em conceitos eticamente questionáveis.
Retratos na mídiaEditar
A seção de Retratos na mídia não é obrigatória para os verbetes sobre instrumentos, mas é bastante desejável nos casos em que os instrumentos estão presentes no imaginário popular, seja por conta de livros, filmes, documentários ou outras produções culturais.
Para construir essa seção, é necessária uma breve introdução que represente o porquê do instrumento estar presente na mídia, descrevendo o seu impacto na memória cultural. Em seguida, deve ser disposta uma lista, em ordem cronológica, contendo o ano de aparição ou menção do instrumento em um meio de comunicação e o contexto desse acontecimento.
Para instrumentos que estão presentes na mídia de forma frequente, é importante limitar essa lista às menções ou aparições mais impactantes e significativas de sua história. Além disso, o contexto de cada item da lista deve ser descrito de forma breve, contendo entre uma e três frases, destacando somente as informações necessárias para a compreensão do leitor.
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